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Flávio Bolsonaro e Tarcísio atacam governo, mas têm dia de ‘coadjuvantes’ na Agrishow: a ‘estrela’ ainda foi Jair

Na estampa da tradicional camiseta de mangas compridas que se tornou moda entre produtores rurais, a bandeira do Brasil e as cores verde e amarela dividem espaço com o nome do ex-presidente da República. É comum encontrar “Jair Bolsonaro“, condenado e em prisão domiciliar por tentativa de golpe, escrito e homenageado nas vestimentas desses apoiadores que visitam feiras agrícolas pelo país.

Entre elas, está a Agrishow, que acontece esta semana em Ribeirão Preto (SP). Em um evento na principal feira do agronegócio da América Latina, dois discípulos de Jair Bolsonaro – seu filho e sucessor político Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – se tornaram coadjuvantes do ex-presidente.

Ambos fizeram questão de falar mais do líder da direita nos discursos a uma plateia de apoiadores e políticos, do que deles próprios. “Quem deveria estar aqui não deveria ser eu, deveria ser o presidente Jair Bolsonaro”, afirmou Flávio Bolsonaro.

Durante sua fala, o senador classificou o pai algumas vezes como injustiçado e perseguido político, assim como, segundo ele, é seu irmão Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal reside, desde o ano passado, nos Estados Unidos e tenta influenciar o governo norte-americano a impor sanções políticas e econômicas contra o governo brasileiro.

Segundo Flávio Bolsonaro, “a reforma agrária do País foi feita por Bolsonaro, com mais de 420 mil títulos de propriedade urbana e rural (concedidos)”. O senador chegou a dizer que durante o governo do pai, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) teve seus ativistas “tratados como seres humanos”.

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, Tarcísio seguiu o senador e lembrou do apoio recebido pelo ex-presidente em 2022, quando ainda era candidato ao governo paulista. Saudoso, citou quando, na mesma época há quatro anos “entrei nessa feira montado a cavalo ao lado do presidente Bolsonaro” e agora participa da Agrishow com o filho “01” do ex-presidente.

“Aprendi muito com seu pai, estar hoje com você é manter o legado vivo. Você pode contar com esse exército”, afirmou o governador paulista para Flávio e uma plateia de apoiadores.

As citações a Jair Bolsonaro dividiram espaço com as críticas ao governo federal, liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pré-candidato à reeleição, Lula foi alvo de duras críticas da Flávio, Tarcísio e de políticos apoiadores.

O que vemos sair da boca dele, o que o coração está cheio é de ódio. (Lula) É uma pessoa que não aprendeu com nada na vida e está perseguindo adversários políticos”, afirmou o senador. Coube ao secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, mais um discípulo de Jair Bolsonaro, os ataques mais pesados ao governo.

Ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no governo do ex-presidente, Melo Filho criticou o anúncio feito ontem pelo atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), na abertura oficial da Agrishow, de liberação de R$ 10 bilhões em linhas de financiamento para compra de máquinas.

Um crédito fantasma, que não existe, anunciado pelo governo. Mais uma decepção de mais uma promessa, sem juro definido, sem prazo, sem direcionamento”, disse o secretário. Segundo Alckmin, as regras dessa linha de crédito serão definidas em maio.

Ainda de acordo com o secretário de Agricultura paulista, o Plano Agrícola e Pecuário perdeu a relevância” e a “função” e se tornou uma “peça de ficção” durante o atual governo. “O recurso do seguro rural não resiste ao primeiro contingenciamento”, completou.

Tradicional crítico, o presidente Frente Parlamentar da Agricultura e Pecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), engrossou o coro de elogios a Bolsonaro e ataques ao governo federal.

“Com Bolsonaro, o agro era respeitado, havia previsibilidade e um governo que estendia a mão ao produtor”, disse. “Não há segurança jurídica, não há crédito, os juros reais passam dos 20% e dinheiro para investimento não existe”, concluiu Lupion.

Após o evento e da entrevista coletiva a jornalistas na qual se repetiram as críticas ao presidente e ao governo federal, Flávio Bolsonaro e Tarcísio visitaram a feira e se tornaram o centro das atenções dos visitantes da Agrishow por algumas horas. Muitos deles com as camisas de mangas comprida, com detalhes em verde e amarelo e o nome de Jair Bolsonaro escrito.

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Associação de delegados da PF critica fala de Lula sobre agentes que ‘fingem trabalhar’

A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) reagiu a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre suposta falta de atuação de integrantes da corporação. Segundo a entidade, as declarações de Lula causam preocupação ao colocarem em dúvida o “comprometimento de delegados da Polícia Federal e “simplificar indevidamente o tema segurança pública e o combate ao crime organizado”.

Nesta quinta-feira (23) o presidente afirmou que pediu ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, para convocar delegados que estão fora da corporação a atuarem no combate ao crime organizado. Só iriam ficar de fora, disse, agentes que estão “fingindo trabalhar“.

No comunicado, a ADPF informa que, atualmente, 53 delegados estão cedidos a outros órgãos, o que representa menos de 3% do total em atividade. Para a associação, esse número não justifica a avaliação feita pelo presidente nem sustenta a expectativa de impacto significativo no combate ao crime.

A entidade ressalta que o enfrentamento ao crime organizado exige “menos propaganda e mais ações concretas”, como investimentos em capacitação dos profissionais e inteligência estratégica. “Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”, diz a nota.

A associação alerta para a diminuição de ingressantes na carreira de delegado de Polícia Federal e perda de talentos: “Enquanto 104 novos delegados ingressaram na instituição nos últimos três anos, 50 optaram por deixá-la para assumir outros cargos. Paralelamente, houve redução significativa no interesse pelos concursos públicos, com queda de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025”.

O combate ao crime organizado é considerado um assunto estratégico para o governo, pelo impacto que pode ter nas eleições de outubro. Conforme indicam as pesquisas eleitorais, a segurança pública tende a ser uma das principais pautas do pleito.

Na quarta-feira (22) o presidente Lula assinou um decreto convocando mil novos agentes para reforçar o enfrentamento às organizações criminosas. Ele afirma que é a primeira vez que todos os cargos da Polícia Federal serão ocupados por servidores.

“Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vão ficar fora aqueles que forem secretários de Estado. Aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado”, disse Lula.

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Zanin mantém desembargador Ricardo Couto como governador interino do Rio de Janeiro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin determinou nesta sexta-feira (24) que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, continue como governador interino do Estado até que o julgamento sobre as eleições para o Executivo fluminense termine na Corte.

Na liminar, Zanin afirmou que a eleição do deputado estadual Douglas Ruas (PL) como presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), próximo na linha sucessória, não altera a decisão do STF de manter Couto como governador.

A decisão de Zanin ocorre após o diretório nacional do Partido Social Democrático (PSD) contestar o pedido da Alerj para que Ruas assumisse interinamente o Palácio Guanabara.

Ruas foi eleito presidente da Alerj na semana passada. Na quinta-feira (23), a Mesa Diretora da Casa pediu ao Supremo que o deputado passe a ser o chefe do Executivo do Rio até a eleição de um novo governador.

Zanin afirmou na decisão que a eleição de Douglas Ruas não tem o condão de modificar” o entendimento fixado pelo Supremo em 9 de abril, quando a Corte determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio deve permanecer no exercício do cargo de governador “até nova deliberação”.

Está em curso no STF o julgamento que vai definir se a escolha do próximo governador do Rio será por eleição direta, com voto popular, ou indireta, pela Assembleia Legislativa. Até o momento, o placar está em 4 a 1 a favor da eleição indireta. A análise foi interrompida em 9 de abril, após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que indicou a necessidade de aguardar a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso.

O documento, publicado na quinta-feira (23), reconheceu que a vacância do cargo ocorreu por renúncia, e não por cassação.

Em março, Cláudio Castro foi cassado pelo TSE por abuso de poder político e econômico, mas renunciou um dia antes da conclusão do julgamento, o que abriu um impasse sobre a forma de sucessão no governo.

O cenário se complicou porque o vice, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso pela Polícia Federal sob suspeita de vazar informações sigilosas de operações contra o crime organizado.

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O ‘clã Kubitschek’: como herdeiros de Juscelino usam ‘grife JK’ e tentam manter influência política nas eleições 2026

O sobrenome Kubitschek preserva seu valor como um ativo estratégico mesmo após décadas da gestão de seu patriarca. Idealizador e fundador de Brasília como a nova capital federal, em 1960, o ex-presidente da República Juscelino Kubitschek transmitiu uma herança institucional às filhas Márcia e Maria Estela. A “grife JK” embasou trajetórias políticas e netos e bisnetos mantiveram a influência da linhagem do clã nas engrenagens decisórias do País.

A sucessão de Márcia e a estreia da quarta linhagem

Falecida em 2000, Márcia Kubitschek consolidou uma trajetória como deputada federal e vice-governadora do Distrito Federal, legado político herdado pelas filhas Anna Christina, Julia e Alejandra. Atualmente, Anna Christina Kubitschek exerce uma função institucional e estratégica na presidência do Memorial JK, onde coordena o acervo administrativo e da memória pessoal de seu avô.

O cenário ganhou novos protagonistas, na quarta geração do clã: André Kubitschek, bisneto de Juscelino e filho de Anna Christina com Paulo Octávio, empresário, ex-deputado federal, ex-senador e ex-vice e governador do Distrito Federal.

Com a “grife JK” no nome, André tentou, sem sucesso, se eleger deputado federal em 2022. Foi secretário da Juventude do Distrito Federal no governo de Ibaneis Rocha (MDB) e, recentemente, deixou o PSD e migrou para o PL em busca da vaga no Legislativo.

Maria Estela e a articulação partidária

Em outro lado da linhagem, sua tia-avó Maria Estela Kubitschek, filha adotiva do ex-presidente, representa o braço da família por meio de uma atuação estratégica em outro campo político. Em novembro de 2025, assumiu a vice-presidência nacional do PSDB com influência na estrutura partidária e no tabuleiro de alianças tucanas sob o comando de Aécio Neves.

No currículo político, Maria Estela disputou, também sem sucesso, o governo do Rio de Janeiro, em 2006, como vice na chapa de Eduardo Paes (PSD).

A presença dos Kubitschek no cenário político de 2026 transcende a nostalgia e consolida-se como um fator de articulação real do clã. Seja por meio da cultural no Memorial JK ou nas candidaturas de seus herdeiros, que tentam, com a “grife JK” manter a influência política do patriarca Juscelino.

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Costa Neto cobra entrada ‘pra valer’ de Michelle na campanha de Flávio Bolsonaro e admite: ‘não vai ser fácil’

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, cobrou a entrada “para valer” da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a presidente da República. Em um painel no 12º Brazil Investment Forum, realizado pelo Bradesco BBI em São Paulo (SP), o líder político admitiu, no entanto, que não será fácil o empenho dela, que já manifestou sua preferência ao governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Esperamos que ela entre na campanha para valer e para ajudar nosso Flávio a ser presidente do Brasil. Não vai ser fácil”, afirmou Costa Neto. Ele repetiu que o PL só perderá a eleição em 2026 por incapacidade e pelos desentendimentos internos .

O presidente do PL afirmou que atuará pessoalmente para tentar pacificar a relação entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que rotineiramente trocam ataques pelas redes sociais.

“Amanhã (8) vou jantar com Nikolas Ferreira, que é o maior fenômeno eleitoral do Brasil. Dia 19 vou para Miami conversar com Eduardo para não ter mais desentendimento. Vou conversar com cada um”, afirmou o presidente do PL. “Só perderemos a eleição por incapacidade, pelos desentendimentos”.

Costa Neto comparou os dois desafetos ao prever que Nikolas irá bater o recorde de histórico de votos para deputado federal no Brasil em 2026, que pertence a Eduardo Bolsonaro em 2018. “Ele vai bater recorde de votação 1,8 milhão de votos do Eduardo e vai passar de 2 milhões de votos”, disse.

Ciro Gomes e Sérgio Moro

Costa Neto defendeu também a aliança do partido com antigos desafetos e citou Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, e o senador e ex-ministro Sergio Moro, que deixou o União e se filiou ao PL, no Paraná para disputar o governo local.

“Nós temos que fazer aliança com Ciro Gomes no Ceará, que o único com condições de bater o PT lá. Ciro briga com todo mundo, com a mãe, irmã, e até comigo. Mas tinha processos contra ele e retirei todos”, afirmou.

O presidente do PL lembrou que Moro deixou o Ministério da Justiça, durante o governo de Jair Bolsonaro “atacando todo mundo, até a mim”, mas superou o passado e será o nome do PL à sucessão de Ratinho Junior no Paraná. “O Moro tinha 40% nas pesquisas e foi só ir para o PL que chegou aos 60%”, afirmou Costa Neto sem citar qual pesquisa.

Nordeste é o nosso desastre

Outra missão da campanha do PL será, segundo o presidente nacional do partido, será ganhar votos no Nordeste, base eleitoral do atual presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nosso desastre é o Nordeste”, afirmou, citando como exemplo a Bahia, onde Jair Bolsonaro perdeu por 6 milhões de votos em 2022 para Lula.

Para 2026, além da aposta em Ciro Gomes no Ceará, Costa Neto citou o nome de ACM Neto (União Brasil) na Bahia, como nomes fortes para o PL apoiar no Nordeste. Costa Neto repetiu que o partido prevê eleger entre 115 e 120 deputados federais e 25 senadores.

Com a aliança com partidos de centro e de direita, o PL poderia atingir 45 senadores, ter a maioria e eleger o próximo presidente do Senado.

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Alexandre de Moraes concede prisão domiciliar a Jair Bolsonaro após parecer favorável da PGR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder nesta terça-feira prisão domiciliar em caráter humanitário ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que vem cumprindo pena de 27 anos de prisão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e quatro outros crimes. Segundo o portal UOL, a autorização vale por 90 dias para uma nova reavaliação.

A decisão de Moraes ocorreu após parecer favorável à medida do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e em meio a forte pressão de familiares e aliados do ex-presidente, além de apelos nos bastidores de alguns ministros do STF, segundo fontes que acompanharam as tratativas nos últimos meses.

A ordem de Moraes ocorreu no momento em que o magistrado tem sido alvo de questionamentos após a revelação de que o escritório de advocacia da esposa dele teve um contrato com o Banco Master, instituição financeira liquidada e que teve seu dirigente máximo, Daniel Vorcaro, preso preventivamente. Vorcaro poderá firmar uma delação premiada com potencial de atingir autoridades dos Três Poderes.

Em seu parecer, Gonet apontou que o estado de saúde de Bolsonaro “demanda a atenção constante e atenta que o ambiente familiar, mas não o sistema prisional em vigor, está apto para propiciar”. Ele destacou que o ex-presidente deve passar por reavaliações periódicas.

A defesa de Bolsonaro havia feito um novo pedido de prisão domiciliar após ele ter sido internado no dia 13 de março no Hospital DF Star, em Brasília, para tratamento de pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. A defesa, com base em relatório médico, alega que o ex-presidente corre risco de vida.

Por ordem de Moraes, Bolsonaro foi preso preventivamente em novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após tentar violar uma tornozeleira eletrônica enquanto estava em prisão domiciliar. Pouco depois essa prisão foi convertida em definitiva para que ele pudesse cumprir pena pela condenação por golpe de Estado.

Durante todo esse período, o ex-presidente — que fez 71 anos no sábado — teve intercorrências de saúde que o levaram ao hospital. Ele está internado desde o dia 13 de março no hospital DF Star, em Brasília

Nesta segunda-feira (23), Bolsonaro deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e segue em tratamento de uma pneumonia bacteriana sem previsão de alta hospitalar, disse boletim médico divulgado nesta terça-feira.

“Devido a melhora clínica, paciente recebeu alta da unidade de terapia intensiva no dia de ontem. No momento segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora. Não há previsão de alta hospitalar”, informa o boletim.

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“As margens para erro estão apertadas”: Volatilidade da guerra exige atenção dos investidores, segundo especialista

O cenário internacional segue impactando os mercados, com as incertezas sobre a guerra no Oriente Médio impulsionando a volatilidade global e a retomada da alta do petróleo.

No Giro do Mercado desta terça-feira (24), a jornalista Paula Comassetto recebe Angelo Miloch, analista da Sacre Investimentos, para analisar os principais movimentos do mercado.

Os mercados devolvem parte do alívio observado ontem diante das incertezas sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado ter mantido conversas “muito produtivas” com o governo iraniano, Teerã negou qualquer negociação.

Nesta manhã, os preços do petróleo voltaram a subir, com o Brent a US$ 101 o barril, após queda de 10% na véspera. No Ibovespa, as petroleiras lideravam a ponta positiva.

Para Miloch, a euforia de ontem com o possível cessar-fogo foi exagerada. “Seria uma notícia excelente em termos de mundo, mas, particularmente, achei que a reação foi demais, até porque viemos de um Ibovespa que fechou na semana passada acumulando quatro semanas seguidas em queda”, afirmou.

As margens para erros dos investidores estão ficando muito apertadas. Com a volatilidade gerada pelas notícias, é preciso estar atento para não errar os passos”, completou a respeito da postura necessária para enfrentar esse momento.

No Brasil, o mercado acompanha a ata do Copom, que reforçou a mensagem de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo diante das expectativas de inflação ainda desancoradas.

O analista da Sacre comenta que a decisão sobre os juros foi pressionada pelo cenário de guerra juntamente com a expectativa do mercado brasileiro por um corte, ao contrário da maioria dos bancos centrais internacionais que, na mesma época, optaram pela manutenção dos patamares de juros.

“O comitê trouxe uma calibração da taxa e não trouxe sinalização de novos cortes. A ata não trouxe uma orientação muito clara”, disse Miloch.

O especialista ainda comentou o impacto da retomada da alta do petróleo sobre as decisões monetárias no Brasil.

“Na minha visão, o preço do petróleo impacta menos as decisões do Banco Central, se comparado à geopolítica, porque o setor de combustíveis está dentro de uma parcela do IPCA que é controlável pelo governo”.

Ele lembrou que o Brasil é um grande produtor de petróleo e que, portanto, preços elevados desse recurso seriam benéficos para o país, já que há um volume significativo de exportações, o que contribuiria positivamente para o PIB. No entanto, ponderou que esse ganho poderia ser ofuscado pelo IPCA, que não tem apresentado queda e possui projeções próximas do teto. Acrescentou ainda que o preço do petróleo, por si só, não causa tanta preocupação, mas que o maior risco está no cenário macroeconômico, especialmente em relação à inflação e ao câmbio.

O cenário eleitoral também segue no radar após o governador do Paraná, Ratinho Junior, desistir de sua candidatura à Presidência. Além disso, uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel prevista para hoje pode influenciar o comportamento dos ativos domésticos no fim do dia.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

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IR 2026: Período para declarar o Imposto de Renda começa nesta segunda-feira (23); confira

O período de declaração do Imposto de Renda 2026 começa na segunda-feira (23), às 8h, e vai até o dia 29 de maio, às 23h59. A Receita Federal espera receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano.

O Programa Gerador da Declaração (PGD) já está disponível para download desde a sexta-feira passada (20). Além disso, a declaração pré-preenchida do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, referente ao ano-base 2025, também pode ser acessada desde o início do período de entrega.

Quem não entregar a declaração dentro do prazo estará sujeito a multa por atraso, calculada em 1% ao mês sobre o imposto devido em 2025, mesmo que este já tenha sido pago integralmente. O valor mínimo da multa é de R$ 165,74, e o máximo é de 20% do imposto devido.

Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda 2026

  • Quem recebeu, em 2025, rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual acima de R$ 35.584, como salários, pró-labore, aluguéis, aposentadorias e pensões;
  • Quem recebeu, em 2025, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, incluindo aplicações financeiras, doações, heranças, partilha de divórcio, meações, indenizações, pensões alimentícias, dividendos e juros sobre capital próprio;
  • Quem obteve, em 2025, receita bruta anual da atividade rural superior a R$ 177.920;
  • Quem possuía, em 31 de dezembro de 2025, bens e direitos, inclusive terra nua, com valor total acima de R$ 800 mil;
  • Quem teve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na venda de bens ou direitos, sujeito à incidência de imposto, como na venda de imóveis ou criptomoedas;
  • Quem realizou, em 2025, operações de alienação de ativos negociados em bolsa, com valor total acima de R$ 40 mil ou que tenham gerado ganho líquido sujeito a imposto;
  • Quem obteve lucro na venda de imóveis residenciais em 2025, mas se enquadrou em situações de isenção total ou parcial de imposto sobre ganho de capital;
  • Quem pretende compensar prejuízos da atividade rural ou de operações em bolsa;
  • Quem optou por declarar bens, direitos e obrigações de entidades controladas no exterior como se fossem de propriedade direta (offshore transparente);
  • Quem era titular, em 31 de dezembro, de trusts ou contratos semelhantes regidos por leis estrangeiras;
  • Quem recebeu do exterior, em 2025, rendimentos de aplicações financeiras, lucros e dividendos;
  • Quem pretende compensar prejuízos de aplicações financeiras no exterior;
  • Quem se tornou residente no Brasil em qualquer mês de 2025 e estava nessa condição em 31 de dezembro, mesmo que não se enquadre em outros critérios de obrigatoriedade.
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IR 2026: Período para declaração começa amanhã (23); veja prazo e datas de restituição

A época de prestar contas à Receita Federal chegou. Na segunda-feira (23), às 8h, começa o período de declarações do Imposto de Renda 2026, com um período mais curto do que em anos anteriores. O prazo para declarar encerra em 29 de maio, às 23h59.

A expectativa da Receita é receber cerca de 44 milhões de declarações neste ano. Vale destacar que o Programa Gerador da Declaração (PGD) já está disponível para download desde o dia 20 de março.

O PGD pode ser baixado neste link. Além disso, o contribuinte pode preencher a declaração pela internet, pelo site Meu Imposto de Renda, ou pelo celular e tablet, usando o aplicativo da Receita Federal, disponível para sistemas Android e iOS.

A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, referente ao ano-base 2025, pode ser acessada desde o início do período de entrega.

Quem precisa declarar o IR 2026

  • Quem recebeu, em 2025, rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual acima de R$ 35.584, como salários, pró-labore, aluguéis, aposentadorias e pensões;
  • Quem recebeu, em 2025, rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil, incluindo aplicações financeiras, doações, heranças, partilha de divórcio, meações, indenizações, pensões alimentícias, dividendos e juros sobre capital próprio;
  • Quem obteve, em 2025, receita bruta anual da atividade rural superior a R$ 177.920;
  • Quem possuía, em 31 de dezembro de 2025, bens e direitos, inclusive terra nua, com valor total acima de R$ 800 mil;
  • Quem teve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na venda de bens ou direitos, sujeito à incidência de imposto, como na venda de imóveis ou criptomoedas;
  • Quem realizou, em 2025, operações de alienação de ativos negociados em bolsa, com valor total acima de R$ 40 mil ou que tenham gerado ganho líquido sujeito a imposto;
  • Quem obteve lucro na venda de imóveis residenciais em 2025, mas se enquadrou em situações de isenção total ou parcial de imposto sobre ganho de capital;
  • Quem pretende compensar prejuízos da atividade rural ou de operações em bolsa;
  • Quem optou por declarar bens, direitos e obrigações de entidades controladas no exterior como se fossem de propriedade direta (offshore transparente);
  • Quem era titular, em 31 de dezembro, de trusts ou contratos semelhantes regidos por leis estrangeiras;
  • Quem recebeu do exterior, em 2025, rendimentos de aplicações financeiras, lucros e dividendos;
  • Quem pretende compensar prejuízos de aplicações financeiras no exterior;
  • Quem se tornou residente no Brasil em qualquer mês de 2025 e estava nessa condição em 31 de dezembro, mesmo que não se enquadre em outros critérios de obrigatoriedade.

Restituição do Imposto de Renda

Uma das mudanças no Imposto de Renda em 2026 é a redução no número de lotes de restituição, que passaram de cinco para apenas quatro parcelas mensais, pagas entre maio e agosto.

Calendário de Restituição 2026:

  • 1º Lote: 29 de maio (Prioridades legais).
  • 2º Lote: 30 de junho.
  • 3º Lote: 31 de julho.
  • 4º Lote: 31 de agosto.

*Com Seu Dinheiro

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Boulos reage após grupo anunciar sua saída do PSOL e afirma que está discutindo rumos políticos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reagiu nesta sexta-feira (20) à nota de uma dissidência da Revolução Solidária – vertente da qual faz parte no PSOL – que afirmou que ele estaria de saída rumo ao PT. Segundo Boulos, o grupo se “apequenou” e a carta, classificada por ele como “apócrifa”, revela um “oportunismo e desespero’.

“O Movimento Revolução Solidária está discutindo internamente seus rumos políticos. Lamentamos que uma parte do PSOL tenha decidido se apequenar ao divulgar uma carta apócrifa, o que revela oportunismo e desespero”, disse Boulos em nota enviada Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Como mostrou o Estadão/Broadcast nesta sexta-feira, 20, fontes do PSOL disseram que Boulos já teria comunicado a aliados que irá para o PT. Com ele, sairiam da sigla também os filiados que fazem parte da tendência de Boulos e que, assim como o ministro, integram o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

Aliados do ministro, no entanto, negam esse movimento. Dizem se tratar de uma mentira divulgada por uma ala do PSOL e que Boulos não sairá da legenda. Chegaram a desafiar os integrantes do partido que dizem que o ministro trocará a sigla pelo PT a falarem que ouviram isso da boca de Boulos.

Uma nota que circula nos grupos do PSOL, assinada por um grupo da Revolução Solidária (grupo de Boulos), mas sem o nome de nenhum filiado, diz que o ministro comunicou a sua saída do partido na noite desta quinta-feira, 19. Essa nota tem sido repassada por pessoas descontentes com a atuação do ministro.

“Ontem (quinta-feira, 19) de noite, finalmente, a Coordenação Nacional da Revolução Solidária foi informada da decisão de Guilherme Boulos, do MTST e portanto do núcleo dirigente da Revolução Solidária, de sair do PSOL para o PT”, diz a nota.

Segundo esse grupo, parlamentares e pré-candidatos do PSOL estão sendo “pressionados” a seguir com Boulos e deixar a legenda.

“Apelamos aos militantes do PSOL ainda na Revolução Solidária a romperem com a corrente, ficarem no PSOL e se reorganizarem para enfrentar esta crise e se somarem a todos que no PSOL lutam para reafirmar o nosso projeto de partido e para reeleger Lula”, conclui o grupo.

Filiado à legenda desde 2018, Boulos assumiu a Secretaria-Geral da Presidência em outubro de 2025, no lugar de Márcio Macêdo (PT). A ida para a Esplanada dos Ministérios foi reprovado por alas internas no partido.

No dia 7 de março, o diretório nacional do PSOL rejeitou a proposta de federação com o PT para as eleições de 2026 por 47 votos a 15. A Revolução Solidária, de Boulos, era a principal defensora da aliança. O partido optou por renovar a federação com a Rede Sustentabilidade.

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Flávio diz que apoiou Moro ao governo do PR após saber que Ratinho Jr. será seu adversário

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que decidiu apoiar a pré-candidatura do senador Sérgio Moro (União-PR) para o governo do Paraná após ter sido informado de que o atual governador, Ratinho Junior, será o escolhido do PSD para disputar as eleições para a Presidência da República. Moro deve sair do União Brasil e se filiar ao PL de Flávio e do ex-presidente Jair Bolsonaro em breve.

“O Ratinho é um grande quadro, inegavelmente, com uma boa avaliação, mas cada partido tem direito de lançar seus pré-candidatos. A informação que nós temos é que ele será o candidato pelo PSD, portanto, temos que tomar decisões a partir do posicionamento dele”, disse Flávio durante evento do grupo empresarial Lide.

O filho de Bolsonaro queria o apoio de Ratinho Jr. à sua candidatura à Presidência da República. Mas a oferta enfrentou resistência de aliados do paranaense. O coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), ofereceu na última semana uma aliança ao governador para o primeiro turno das eleições de outubro.

O aceite implicaria ao governador abrir mão da sua própria candidatura ao Planalto, vaga que hoje está em disputa dentro do próprio PSD. Ratinho respondeu a Marinho que o PSD não decidiu ainda quem será o presidenciável e que ele não pode responder pela legenda, segundo aliados do governador. Os dois haviam combinado de se falar novamente.

Com o PSD próximo de encaminhar a pré-candidatura de Ratinho Junior, o PL decidiu apoiar o nome de Moro para disputar o governo do Paraná.

“Vamos tocar a vida lá no Paraná. Conversamos com o Sérgio Moro e ficou resolvido que ele concorrerá ao governo com o nosso apoio e pelo PL”, disse Flávio.

Ratinho disputa a pré-candidatura do PSD para o Planalto com outros dois governadores, o de Goiás, Ronaldo Caiado, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

O PL fechou apoio à pré-candidatura de Moro ao governo do Paraná, durante reunião com o senador na sede do partido na quarta-feira (18). Com isso, os bolsonaristas solucionam o problema da falta de palanque para Flávio no Estado.

“Nós vamos apoiar o Moro, isso está certo. Agora ele precisa definir a situação dele no União Brasil. E nós vamos tocar para frente”, afirmou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, após a reunião.

Moro deve ter uma reunião nesta noite com a federação de seu partido, a União Progressista (União-PP), para tratar da candidatura. Caso não consiga legenda para disputar, o plano B é ele se filiar ao PL.

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IR 2026: Receita espera receber 44 milhões de declarações no prazo e pagar 80% das restituições até junho

A Receita Federal anunciou nesta segunda-feira (16) que a expectativa do órgão é receber 44 milhões de declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) dentro do prazo, que vai das 8 horas da manhã de 23 de março até as 23h59 de 29 de maio.

A ideia é que 80% das pessoas recebam suas restituições até junho de 2026, ou seja, no segundo lote. Em 2025 foram 57% os que receberam.

O governo espera ainda que 60% das declarações sejam usando os dados da declaração pré-preenchida. Em 2025, esse valor foi de 50,3%.

Veja o cronograma 2026 do IR:

  • 16/03/2026: Receita publica instrução normativa que regulamenta o IRPF 2026;
  • 20/03/2026: liberação do Programa Gerador da Declaração (PGD) para download e preenchimento, ainda sem possibilidade de envio;
  • 23/03/2026: início da recepção das declarações, às 8h, tanto pelo PGD quanto pela plataforma Meu Imposto de Renda, já com acesso à declaração pré-preenchida;
  • 27/03/2026: início do processamento das declarações e liberação do extrato para acompanhamento;
  • 10/05/2026: prazo final para optar pelo débito automático da primeira cota de pagamento do imposto se for o caso, e para concorrer ao primeiro lote de restituição;
  • 29/05/2026: prazo final para entrega das declarações do IRPF 2026, vencimento da primeira cota ou cota única do imposto e pagamento do DARF de destinação; data prevista também para o primeiro lote de restituição.

Novidades

Entre as novidades na declaração do Imposto de Renda está a necessidade de declarar ganhos com bets e saldo em casas de aposta.

Além disso, haverá a possibilidade de informar o nome social na declaração e a opção de informar a raça e a cor para titular e dependentes.

O coordenador do Programa do Imposto de Renda da Receita, José Carlos Fonseca, afirmou que é preciso ter atenção na checagem dos dados da declaração pré-preenchida pois é o primeiro ano que o governo utiliza dados do E-social, que vêm de terceiros e não são filtrados pela Receita.

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Dinheiro de volta: 4 milhões de pessoas que não precisam declarar IR devem receber restituição da Receita; saiba quem são

A Receita Federal anunciou nesta segunda-feira (16) que fará uma restituição automática para pessoas que tiveram impostos retidos, mas que não são obrigadas a declarar Imposto de Renda. A estimativa é que haja um lote de R$ 500 milhões para cerca de 4 milhões de pessoas.

A maior restituição desse lote especial deve ser de R$ 1.000 e o valor médio desse cashback, como a Receita está tratando o tema, é de R$ 125.

Veja quem pode receber a restituição automática:

– Quem não estava obrigado e não declarou em 2025;
– Pessoas cuja restituição estimada seja de até R$ 1 mil;
– Contribuintes com CPF em situação regular junto à Receita Federal;
– Pessoas classificadas com baixo risco fiscal pela Receita;
– Contribuintes que possuem chave Pix vinculada ao CPF, que será usada para o pagamento da restituição.

O lote especial dessa restituição deve ser pago em meados de julho, segundo a Receita, e ele não faz parte dos quatro lotes regulares.

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PSD está perto de anunciar Ratinho Jr. como candidato; decisão será confirmada no fim do mês

O PSD está próximo de anunciar o governador do Paraná, Ratinho Junior, como seu candidato à Presidência da República. A informação foi confirmada ao Estadão por lideranças da legenda que tratam a decisão como “encaminhada”, após a o comentarista Merval Pereira, da GloboNews, cravar a escolha.

Integrantes da sigla e o próprio partido, de forma oficial, apontam, porém, que o anúncio do candidato escolhido só se dará no final do mês.

De acordo com uma liderança do PSD, embora o martelo ainda não esteja formalmente batido, a tendência é mesmo a escolha de Ratinho, em razão de ele ser considerado “mais maduro” para assumir a candidatura. Ele aponta que, “pelo espírito e clima” e pela “capacidade de crescimento”, a escolha faria mais sentido.

Outro afirmou que Ratinho só não será o nome se ele não quiser e que o tabuleiro está desenhando, com os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) concorrendo ao Senado. Contudo, disse que é importante esperar a filiação de Caiado ao partido, que acontecerá neste sábado (14) durante evento para apresentação de candidaturas locais em Goiás, para que a escolha seja anunciada. Gilberto Kassab vai participar do evento.

Procurado, Ratinho Junior afirmou, por meio de nota, que ele continua cumprindo suas agendas normalmente no Paraná e “espera com tranquilidade e muito respeito ao demais concorrentes, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que o partido oficialize no momento oportuno o candidato a presidente da legenda”.

“Em respeito ao compromisso selado entre os três pré-candidatos, Ratinho Junior prefere aguardar a definição oficial da direção do PSD”, informou.

Já o PSD Nacional informou que a sigla “irá anunciar até o fim de março a escolha de seu pré-candidato” e que os três nomes “seguem apresentando aos brasileiros seus projetos e realizações, que pautarão o plano de governo da candidatura do partido”.

Pressão do PL sobre Ratinho Junior

Conforme mostrou o Estadão, o PL pressiona Ratinho a desistir da candidatura para apoiar o senador Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno. Em troca, garantia apoio ao grupo político do governador no Paraná. Contudo, o entorno de Ratinho resiste à ideia argumentando que o bolsonarismo descumpriu um pacto em 2024, na disputa à Prefeitura de Curitiba.

Na ocasião, embora o PL tivesse escolhido o bolsonarista Paulo Martins para a vaga, Bolsonaro acabou ficando ao lado da rival Cristina Graeml (então no PMB, hoje no União Brasil), o que enfureceu o grupo de Ratinho. O aliado do governador acabou vencendo no segundo turno.

Flávio quer opções para ter um palanque no Paraná, caso Ratinho não aceite aderir à candidatura no primeiro turno. Uma delas é apoiar o senador Sergio Moro (União), que tenta construir sua empreitada ao governo estadual.

Um acordo mantido desde 2024 é que uma das vagas ao Senado a serem apoiadas pelo PSD seria do PL: no caso, do deputado federal Filipe Barros. Graeml vem tentando conquistar apoio à sua pré-candidatura. Ela se reuniu tanto com Marinho quanto com Moro no Senado Federal nesta semana.

Nos planos dos dirigentes do PL, há também a opção de apoiar Guto Silva (PSD), candidato de Ratinho Júnior, o que agradaria ao partido de Gilberto Kassab.

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Eduardo Leite e Kassab minimizam pesquisas eleitorais e PSD como ‘terceira via’

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), minimizou nesta quarta-feira, 11, as pesquisas de intenção de voto que mostram uma vantagem de Ratinho Jr., seu adversário dentro do PSD para uma candidatura à Presidência pelo partido nas eleições 2026.

Pesquisas Meio/Ideia e Genial/Quaest divulgadas nesta quarta-feira (11) apontam o governador paranaense como o principal nome e o gaúcho com a menor intenção de voto entre os pré-candidatos do PSD a presidente.

“Pesquisas de intenção de voto são menos relevantes agora. O que interessa identificar é o humor do eleitor, o sentimento que há, a rejeição ao atual governo, a rejeição aos dois principais candidatos”, declarou Leite.

O governador afirma que o que “define eleição é chegada, não largada” e atribuiu a vantagem de Ratinho Jr. à fama do pai, o apresentador Ratinho.

“Todo mundo sabe, o próprio nome do governador Ratinho, até pela marca que carrega do pai, com muito mérito, que alcançou pela sua trajetória na comunicação, uma visibilidade nacional, é mais conhecido do eleitor. Mas o que vai definir realmente o próximo presidente da República não é a largada, é a chegada. E a chegada vai ser medida a partir dessa capacidade de dialogar com um amplo aspecto político”, falou.

‘Terceira via’

Na segunda-feira, o presidente nacional PSD, Gilberto Kassab, rejeitou o rótulo de “terceira via” para o candidato do partido, já que as pesquisas apontam os nomes distantes dos líderes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em evento na capital paulista, o líder da sigla afirmou que o nome escolhido por ele para disputar o pleito “será a melhor via”.

“Uma candidatura que represente as aspirações da sociedade brasileira no que diz respeito ao combate à corrupção, mais transparência, voto distrital, e idade mínima para os tribunais superiores”, afirmou Kassab em evento na Associação Comercial de São Paulo.

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IA nas Eleições 2026: TSE aperta o cerco contra deepfakes; veja novas regras e como denunciar

Com a aproximação das eleições gerais de outubro, o Brasil enfrenta um cenário digital inédito. A Inteligência Artificial (IA) saiu dos laboratórios e entrou de vez no jogo político. Se, por um, lado a IA agiliza a comunicação, por outro, deu origem a deepfakes tão realistas que podem confundir até o cidadão e eleitor mais atento.

Embora a tecnologia tenha avançado, a maioria das manipulações produzidas em massa ainda deixa rastros perceptíveis. Especialistas apontam que a observação detalhada da face e do áudio é o primeiro filtro de segurança.

Regras do TSE: a transparência é obrigatória

Em 2026, o uso da IA não é proibido, mas deve seguir regras rígidas de transparência. Todo conteúdo gerado ou alterado por ferramentas inteligentes deve conter um rótulo explícito informando a natureza daquela peça.

“A desinformação baseada em IA é uma das maiores ameaças à integridade do pleito. O eleitor tem o direito de saber se o que está vendo é real ou uma construção tecnológica”, informou a diretoria de comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além da rotulagem, o Tribunal estabeleceu o “Blackout de IA”. Nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas seguintes é proibida a divulgação de qualquer conteúdo sintético novo, visando impedir que vídeos falsos circulem sem tempo hábil para desmentidos.

Ao analisar um vídeo suspeito, fique atento aos sinais

Olhos e piscar: Observe movimentos robóticos, descompassados ou a ausência natural de piscadas.

Boca e dentes: Em conteúdos sintéticos, os dentes frequentemente parecem uma “barra branca” única, sem divisões. Note se os lábios falham ao pronunciar fonemas como ‘B’, ‘M’ e ‘P’.

Estética “boneco”: Desconfie de peles excessivamente lisas ou sombras que permanecem estáticas mesmo quando o candidato se movimenta.

Áudio e respiração: A ausência de ruído de fundo ou de pausas naturais para respirar indica que a voz foi montada artificialmente.

Viu algo suspeito? Saiba como denunciar

Além de identificar é preciso reportar os conteúdos para que a Justiça Eleitoral possa agir rapidamente:

· SOS Voto (1491): Disque-denúncia gratuito para relatar desinformação.

· Siade: O Sistema de Alerta de Desinformação Eleitoral, disponível no site do TSE, permite enviar links e arquivos suspeitos.

· App Pardal: Para irregularidades gerais em campanhas, disponível para Android e iOS.

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Haddad é o ‘Júnior Baiano’ da economia e Brasil está perdendo o trem da IA, diz Walter Maciel, da AZ Quest

A inteligência artificial é a maior revolução tecnológica de toda a história, capaz de trazer ganhos imediatos, e o Brasil tinha chances de surfar esta onda como polo fornecedor de infraestrutura e energia limpa. Mas “a gente conseguiu tornar isso tudo inviável”, afirma Walter Maciel, CEO da AZ Quest, que tem R$ 40 bilhões sob gestão.

Ciente de que a IA deve acabar com boa parte da economia de serviços, os EUA já estão buscando se reindustrializar e atrair investimentos para o país, afirmou Maciel.

“A Micron está construindo uma planta de US$ 100 bilhões no estado de Nova York, em Syracuse. A TSMC, que é a empresa de Taiwan que faz todos os chips hoje que a Nvidia usa, está fazendo uma fábrica de US$ 65 bilhões no Arizona. Cada uma dessas fábricas acaba trazendo 30, 40, 50 mil empregos diretos e indiretos”, estima o gestor, acrescentando que a IA deve transformar, não destruir a economia.

E, enquanto os Estados Unidos estão fazendo esse movimento, o Brasil está “colocando os maiores impostos do mundo em computadores”, critica ele, que comparou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a um zagueiro famoso por sua força física e entradas violentas em campo.

“Haddad é o Júnior Baiano da economia”, disse Maciel, arrancando risos e palmas de uma plateia composta majoritariamente por assessores de investimento. “Ele pega todo mundo. Pega o pobre, pega o rico, pega a empresa, pega o assalariado, o empregador…”

A fala aconteceu no painel Visão de Mundo, em evento da Blue3 Investimentos para seu time neste sábado (7), em Ribeirão Preto (SP).

“Diferente do Brasil, os Estados Unidos não têm só agenda de governo, têm agenda de Estado, que independe do presidente, olhando para o longo prazo, como deveria ser o Brasil.”

Como ganhar com a IA

Diferentemente de outros momentos disruptivos na história, como Revolução Industrial ou a bolha da internet, em que os investimentos demoraram muito para trazer  produtividade e retorno para empresas e países, com a IA é diferente, avalia Maciel.

“A gente já viu nos Estados Unidos sinais muito claros de que essa tecnologia já está trazendo retorno para as empresas que sabem implementar – e para os próprios Estados Unidos.”

Em meio a tantas empresas disputando espaço no desenvolvimento da IA, não é possível saber qual sairá ganhando. Nesse cenário, aponta ele, a melhor saída na hora de investir é olhar para a infraestrutura necessária para esse desenvolvimento.

“Na infraestrutura, você não está apostando em para qual destino o trem vai; você está apostando no trilho. E o trem vai ter que passar por trilho de qualquer jeito.” Ele cita como exemplos a questão da energia, de data centers, redes de transmissão e semicondutores.

A IA vai roubar o seu emprego?

Muitas pessoas acreditam que a IA vai tirar empregos e quebrar negócios, mas, na visão do gestor, essa tecnologia irá “gerar milhões de outros empregos e gerar vários outros negócios”.

“Quem tem que estar com medo é quem não gera valor agregado. O cara que não gera valor agregado vai ser desempregado ao longo do tempo. E isso já está acontecendo. O cara que vai lá fazer um PowerPoint, mais dois anos esse ‘troço’ acabou. O cara que vai buscar dentro do escritório de advocacia um processo jurídico, daqui a dois anos já não tem mais emprego.”

Além disso, ao mesmo tempo em que a AI está destruindo negócios, como softwares, também está gerando uma demanda de investimentos em fábricas, que geram empregos diretos e indiretos, afirmou Maciel.

“O que você tem que prestar atenção não é se a AI vai tirar o seu emprego, mas se o que você faz é visível, se o que você faz é real. Se você realmente traz valor, você não tem que ter medo. Ao contrário, você vai usar esse troço como uma alavanca”, disse ele. “Evidentemente, fazendo um paralelo, o encanador hoje está muito mais protegido do que o escriturário.”

Maciel também cita um estudo recente divulgado pelo Bank of America, que apontou que a inteligência artificial consegue replicar 71% das estratégias que são implementadas pelos gerentes de portfólio financeiro ao redor do mundo. “Onde está o alfa? Nos 29% que eles não conseguem fazer.” É aí que entra o trabalho do bom gestor, afirma ele.

* A jornalista viajou a convite da Blue3 Investimentos.

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