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Enxurrada de dinheiro que flui para a IA acende um sinal de alerta para investidores

O que você faz se os investidores inflam o preço das suas ações sob a premissa de que você será o grande vencedor na corrida da inteligência artificial, mas o seu produto atual não caiu no gosto do público? Elon Musk tem a resposta: use suas ações supervalorizadas para comprar outra empresa de IA.

A aquisição da Cursor pela SpaceX por US$ 60 bilhões — uma transação feita integralmente em ações — coloca Musk no tabuleiro da IA corporativa de uma forma que o seu chatbot, o Grok, nunca conseguiu. A Cursor é a assistente de programação que popularizou o conceito de “vibe-coding”.

Mas esse movimento também faz parte de uma enxurrada de emissões de ações que deveria acender um sinal vermelho piscante, mesmo para aqueles que costumam dar de ombros para os valuations esticados.

As empresas sempre têm escolhas sobre como financiar seus investimentos em capital (Capex) e suas aquisições. Elas podem emitir dívida (bônus/debentures) ou emitir ações (equity) — ou uma mistura de ambos. Se as taxas de juros estão baixas, tomar dívida é barato.

Da mesma forma, se o “valuation” (valor da empresa que o mercado está disposto a antecipar, baseado na estimativa de potencial de crescimento) das ações está nas alturas, emitir mais papéis sai “barato” para a companhia.

Apenas empresas em desespero por caixa vendem ações quando suas avaliações estão baixas, já que isso dilui os acionistas atuais e destrói o preço do papel.

O lendário investidor Benjamin Graham comparava o “Sr. Mercado” a um maníaco-depressivo que oferece preços diários aos investidores — às vezes altos demais (hora de vender), às vezes baixos demais (hora de comprar). O Sr. Mercado também dá às empresas a oportunidade de comprar de nós, investidores, ou vender para nós.

E quando elas emitem ações, elas estão escolhendo vender.

No plano individual, vender ações pode fazer todo o sentido. Equilibrar o nível de endividamento e capital próprio ajuda a mitigar o risco perceptível de um investimento ou aquisição.

O “equity” (ações) é ótimo para apostas arriscadas porque, ao contrário da dívida, você não precisa pagar de volta. Essa combinação alimenta o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) da empresa, a métrica que define se um determinado investimento vale a pena ou não.

No entanto, quando damos um passo atrás e olhamos o cenário macro, o sinal é outro: quando as empresas se tornam vendedoras em massa de suas próprias ações, é um sinal razoável de que a bolsa está excessivamente cara.

A demanda indiscriminada dos investidores incentiva as companhias a aumentarem a oferta, seja por meio de ofertas subsequentes (follow-ons) — como a recente emissão recorde da Alphabet (Google) — ou de ofertas públicas iniciais (IPOs).

Exemplos da história recente deixam isso bem claro.

O espelho do passado

Durante a bolha da internet (pontocom) e a mania das SPACs no pós-pandemia, vimos ondas de IPOs e follow-ons à medida que os valores das empresas subiam. Houve também um boom de fusões e aquisições (M&A) nos EUA, que só agora foi superado em valor financeiro nos últimos quatro trimestres.

Naquela época, as empresas financiaram esses negócios com ações: dois terços do valor dos M&As na bolha da internet e 45% no biênio 2020-2021 foram pagos com novos papéis — os dois maiores patamares em um período móvel de quatro trimestres na base de dados da LSEG, que começou em 1990.

Os megasnegócios estão florescendo novamente: grandes IPOs decolaram com a SpaceX, e as empresas estão optando por emitir ações — usando papéis para financiar quase metade dos custos no trimestre atual, segundo a LSEG. (No acumulado de quatro trimestres, a fatia ainda é de um terço). A sede do investidor por ações está sendo saciada, em parte, pela criação de novos papéis do nada.

O outro lado da moeda mostra que, quando a dívida é barata demais, os problemas podem ser ainda mais graves. O valor dos negócios antes da crise financeira de 2008 atingiu o pico de US$ 910 bilhões no ano encerrado em setembro de 2007, pouco antes de os acionistas perceberem que a economia global estava construída sobre castelos de areia.

Apenas 19% daquilo foi financiado com ações, porque o crédito — turbinado por infinitos produtos estruturados — estava barato demais. A bolha estava no mercado de crédito, não no de ações, embora o colapso dos bancos e a recessão profunda tenham castigado as bolsas com força extrema logo depois.

As decisões de financiamento corporativo são, de certa forma, termômetros melhores para medir o quão caro o mercado está do que os indicadores tradicionais de valuation. Métricas padrão comparam o preço da ação com fundamentos — como o lucro passado ou projetado (que está voando), o valor patrimonial, o fluxo de caixa livre (que está despencando) ou as vendas.

Esses indicadores podem ser enganosos, frequentemente divergem entre si e, em sua maioria, têm um histórico histórico curto.

Pior ainda: a linha de base do que é considerado “caro” muda com o tempo, conforme a estrutura das empresas ou as regras contábeis evoluem. No caso do valor patrimonial, hoje ele exige tantos ajustes que se tornou virtualmente inútil.

Vejamos um exemplo: o múltiplo Preço/Lucro (P/L) projetado do S&P 500 está atualmente um pouco abaixo de 20 vezes. É bem menos do que as 23 vezes atingidas em 2020 e no ano passado, e abaixo do recorde de 24,5 vezes na bolha das pontocom.

Ainda é um patamar muito alto, mas caiu porque Wall Street espera um “boom” nos lucros — especialmente nas ações de chips de computadores (semicondutores), que são altamente cíclicas e onde as margens de lucro recordes no curto prazo dificilmente servem como um bom guia para o futuro distante.

O veredito do caixa

Olhar para o volume de dívida ou ações que as empresas emitem também tem seus pontos cegos. A decisão entre captar via ações ou títulos de dívida nos diz mais sobre como as empresas enxergam a avaliação relativa de ações versus títulos do que sobre o valuation absoluto do mercado.

A situação fica realmente preocupante, pelo menos na minha visão, quando há uma enxurrada de captação de recursos — seja em dívida, ações ou ambos. Se muitas empresas estão levantando montanhas de dinheiro para correr atrás da mesma oportunidade — neste caso, a IA —, existem três caminhos possíveis:

  • O cenário otimista (bull case): A oportunidade é tão gigantesca que pode absorver todo esse caixa e ainda entregar lucros gordos.
  • O cenário pessimista (bear case): A oportunidade é real, mas gastar tanto dinheiro vai destruir valor, já que a concorrência feroz vai esmagar as margens de lucro.
  • O cenário deprimente (e provável): As empresas estão captando e gastando tanto dinheiro simplesmente porque os acionistas estão aplaudindo de pé, e as promessas em torno da IA estão bizarramente infladas.

O perigo real é que tudo termine como a bolha da internet. Lá atrás, assim como agora, as empresas competiam para gastar o máximo que podiam, o mais rápido possível, e o ritmo de queima de caixa era visto como algo positivo — até que o mercado acordou e percebeu que o dinheiro dos acionistas tinha virado fumaça.

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Acesso a clientes corporativos e mais: o que Musk enxergou na Cursor e o fez pagar US$ 60 bilhões

Elon Musk admitiu que a SpaceX fica atrás de rivais como OpenAI, Anthropic e até mesmo Google e modelos chineses de código aberto na corrida da inteligência artificial.

Ele agora tem um caixa de guerra de US$ 86 bilhões para ajudar a mudar isso. E o primeiro alvo é conseguir clientes corporativos que Musk espera que estejam dispostos a pagar grandes quantias para ter acesso às ferramentas e ao poder de computação da SpaceX.

A SpaceX fechou um acordo inteiramente em ações, no valor total de US$ 60 bilhões, para comprar o agente de codificação autônoma Cursor, uma startup de São Francisco que criou um produto usado pelos maiores laboratórios de IA e por empresas como Nvidia, British Airways e Deloitte.

A SpaceX se reestruturou nos últimos meses em torno do desejo de expandir suas capacidades de IA. Adquiriu a empresa controlada por Musk, a xAI, no início deste ano, o que trouxe para o grupo o assistente de chat Grok e o site de mídia social X (ex-Twitter), além de grandes data centers.

Em abril, a SpaceX disse que havia garantido a opção de comprar a Cursor. O grande prêmio que vem com a compra agora: um fluxo confiável de receita.

Antes de a SpaceX concluir a maior oferta pública inicial de todos os tempos no início de junho, Musk vendeu aos investidores sua visão de uma IA capaz de levar humanos para além da Terra e “permitir que a humanidade entenda o universo”.

Na terça-feira (16), ele exaltou o potencial da IA de eventualmente escrever e depurar código melhor do que qualquer humano.

“A IA alcançará programação no nível do Stockfish e uso generalizado de computadores”, disse Musk sobre o acordo com a Cursor, fazendo referência a um popular motor de xadrez capaz de derrotar os melhores jogadores humanos.

A SpaceX recentemente começou a alugar a capacidade de seus data centers para rivais como Anthropic e Google para gerar receita — uma estratégia oportuna, já que toda a indústria de IA enfrenta uma escassez de computação. Os negócios anunciados podem gerar US$ 26 bilhões por ano em receita entre 2027 e 2029.

A SpaceX também delineou planos de aumentar as contratações para atender às ambições de IA de Musk.

Durante reuniões pré-IPO com investidores em abril, executivos da SpaceX disseram que a empresa expandiria a equipe de vendas corporativas da xAI, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Musk: decifrando o código

A Cursor compete com o Claude Code, da Anthropic, e com o Codex, da OpenAI, com uma ferramenta de desenvolvimento de software que ajuda empresas a escrever códigos mais rapidamente.

O produto dela permite que desenvolvedores alternem entre diferentes modelos de IA para autocompletar, editar e revisar linhas de código.

A empresa cresceu a um ritmo vertiginoso. Em 2025, as vendas anualizadas da empresa — uma extrapolação da receita dos próximos 12 meses com base nas vendas recentes — saltaram de US$ 100 milhões para US$ 1 bilhão. No início de junho, esse número disparou para US$ 4 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Mais da metade da receita da Cursor vem de clientes corporativos, e a Cursor espera continuar a se associar a outros provedores de modelos de IA, disse uma pessoa próxima da empresa.

O preço de compra da Cursor foi mais que o dobro da sua avaliação de US$ 29,3 bilhões em uma rodada de financiamento em novembro passado.

A aquisição pela SpaceX pode ajudar a preencher uma lacuna de liderança na xAI, já que Musk disse que a empresa precisava ser “reconstruída desde as fundações”.

A xAI demitiu funcionários, incluindo sua equipe fundadora. O CEO da Cursor, Michael Truell, é visto como uma estrela em ascensão na indústria de IA, em que a competição por talentos de ponta é acirrada.

“Tem muita coisa para fazer juntos. Animado para unir forças com a @SpaceX para construir IA útil”, escreveu Truell no X.

Quinto colocada na corrida da IA

Falando do banco das testemunhas em uma segunda ação judicial civil contra a OpenAI no mês passado, Musk classificou os principais modelos de IA, o que deixou explícito quanto trabalho a xAI tem pela frente para alcançar os rivais.

“A Anthropic seria atualmente a número um; a OpenAI seria a segunda maior; o Google provavelmente seria o terceiro maior; os modelos chineses de código aberto provavelmente seriam o quarto”, disse ele. “E a xAI seria a quinta.”

Embora a SpaceX domine – em seus negócios principais – de lançamentos de foguetes e internet via satélite (com a Starlink), a xAI estava perdendo dinheiro e tinha poucos clientes quando foi adquirida.

Um cliente-chave de IA, o Pentágono, tem enfrentado conflitos internos sobre a segurança do chatbot Grok da empresa, publicou o Wall Street Journal.

Esse é um problema muito grande, considerando o volume de investimento necessário para treinar modelos de IA, contratar engenheiros e construir infraestrutura de computação.

No ano passado, o negócio de IA gerou US$ 3,2 bilhões em receita, mas registrou US$ 6,4 bilhões em prejuízo, de acordo com documentos apresentados à Securities and Exchange Commission (SEC).

Os prejuízos também se acumularam no primeiro trimestre. O negócio gerou US$ 818 milhões em receita e US$ 2,5 bilhões no vermelho.

Também há limites sobre quanto a SpaceX pode gastar do caixa arrecadado no IPO em iniciativas de IA.

Parte dos recursos do IPO irá para pagar US$ 20 bilhões em dívidas de um empréstimo-ponte que a empresa contraiu em março. A SpaceX também anunciou bilhões de dólares em novos projetos, incluindo pelo menos US$ 55 bilhões para construir uma fábrica de chips no Texas, e planeja comprar espectro para o seu serviço Starlink.

Ainda assim, na visão de Musk, a oportunidade de mercado em IA é grande demais para ser ignorada. A SpaceX disse aos investidores antes do IPO que os produtos e serviços da empresa miram um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões, que ela considerou o maior “da história humana”.

Produtos de IA representaram US$ 26,5 trilhões do total, e aplicações corporativas compunham a maior parte dos produtos de IA.

Analistas da Morningstar questionaram como a SpaceX calculou seu mercado potencial e estimaram que a avaliação implícita da empresa está bem abaixo dos níveis atuais de negociação.

Outros bancos, incluindo o Goldman Sachs e o Morgan Stanley — que ajudaram a coordenar o IPO da SpaceX — projetaram que a SpaceX estava pronta para um crescimento substancial impulsionado por IA. Ambas as firmas estimaram que a receita da SpaceX ficaria perto de 160 bilhões de dólares em 2028, mais de oito vezes os níveis de 2025.

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O segredo de engenharia da SpaceX? Um clube universitário de carros de corrida

Depois de celebrar a abertura de capital da SpaceX com colegas, Bill Riley planeja arrumar as malas para uma viagem a Brooklyn, Michigan.

Riley, um dos principais executivos de engenharia da empresa, será o juiz-chefe de design de uma corrida em Michigan International Speedway, segundo Chris Ciuca, vice-presidente da organização sem fins lucrativos que organiza o evento. A competição não envolve pilotos profissionais em alta velocidade na pista — ela contará com estudantes universitários competindo com carros estilo Fórmula 1 que eles projetaram e construíram ao longo de meses.

Os vínculos do executivo da SpaceX com a competição estão ligados ao seu tempo na equipe Formula SAE da Universidade Cornell no fim dos anos 1990. E ele não é o único na empresa de Elon Musk voltada a exploração espacial e inteligência artificial. Os executivos Mark Juncosa e Mike Nicolls também desenvolveram suas habilidades de engenharia construindo carros de corrida estudantis em Cornell no início dos anos 2000.

“Carros de corrida e foguetes não são tão diferentes assim”, disse Riley, 49 anos, em uma entrevista à revista da universidade da Ivy League.

A conexão com Cornell na SpaceX é marcante, mas também reflete o compromisso de longo prazo da empresa em contratar pessoas com habilidades práticas, e não apenas excelência acadêmica.

Executivos de recursos humanos da empresa já disseram que candidatos bem-sucedidos na SpaceX costumam ter experiência em projetos extracurriculares de engenharia ou projetos pessoais. Musk já citou vitórias em competições como a Formula SAE como evidência de habilidade excepcional em engenharia.

A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário.

John Callister, atual orientador da equipe de Cornell e ex-engenheiro da General Motors, disse que o grupo busca estimular o pensamento independente. “Não temos aulas em todas as coisas que você precisa saber”, afirmou.

Isso se alinha à experiência que Juncosa, 44 anos, teve na organização de corridas de Cornell. O nativo do sul da Califórnia é conhecido como alguém que Musk envia para resolver problemas técnicos difíceis, segundo ex-funcionários.

Quando era estudante em Cornell, ele estudou economia. Mas Timothy Reissman, que conviveu com ele no clube de corrida, lembra de Juncosa como alguém disposto a dedicar tempo para desenvolver habilidades práticas por conta própria.

“Ele era o cara que se dedicava a esse trabalho, para conseguir melhorar algo ou aprender algo”, disse Reissman, hoje professor associado na Universidade de Dayton.

A fama da equipe de Cornell acabou se espalhando pela SpaceX, em parte por causa desse trio de executivos.

“Havia um certo mistério em torno disso — os alunos da SAE de Cornell, isso era uma espécie de grupo dentro da SpaceX”, disse Charlotte Kiang, ex-funcionária da empresa que fez mestrado em engenharia na universidade.

Ela lembrou que participantes da equipe de corrida de Cornell chegaram a formar seu próprio grupo social entre estagiários em determinado momento.

Reissman disse que Juncosa certa vez contou uma história sobre como a SpaceX havia contratado um soldador que não acreditava ser possível implementar um processo automatizado de soldagem envolvendo painéis finos de alumínio. Juncosa, que sabia soldar desde os tempos da equipe de Cornell, entrou para ajudar a resolver o problema.

“Esse é apenas um exemplo do que Mark faz”, disse Reissman.

Michael Jones, colega de equipe de Nicolls e Juncosa no clube, lembrou Nicolls como uma presença mais reservada, mas com habilidades únicas. Ele trabalhava com eletrônica, ajudando o grupo a desenvolver sua própria unidade de controle de motor.

Nicolls, 45 anos, hoje é vice-presidente sênior da SpaceX e passou anos trabalhando no negócio de internet via satélite Starlink.

Jones, professor no Canadá, disse que uma SpaceX sem Riley, Juncosa e Nicolls poderia ser muito diferente.

“Se você os tirasse todos de lá e eles fossem para outro lugar, o que teria acontecido?”, disse Jones. “Acho que houve uma combinação rara de pessoas que chegaram no momento certo e estabeleceram o padrão.”

Escreva para Micah Maidenberg em micah.maidenberg@wsj.com

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Jovens fundadores da Cursor viram multibilionários após venda para a SpaceX

Por volta da época em que o ChatGPT e o Copilot do GitHub levaram a inteligência artificial às massas, quatro colegas do MIT com formação em ciência da computação e finanças decidiram entrar nesse mercado. Eles só não sabiam exatamente como.

“Começou a partir de um lugar muito de ‘solução em busca de um problema’”, disse Michael Truell, cofundador e CEO da Cursor, empresa que eles criaram juntos, em uma participação em podcast em junho de 2025.

Quatro anos depois, a Cursor é uma das ferramentas de programação com IA mais populares do mercado — e a “solução” deles os transformou em bilionários.

A SpaceX concordou formalmente em comprar a Cursor na terça-feira (16), em um acordo integralmente em ações que avalia a empresa em US$ 60 bilhões. Cada um dos cofundadores detém cerca de 9% da Anysphere, sediada em São Francisco — nome formal da empresa —, participação avaliada em US$ 5,5 bilhões para cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Quando o acordo for concluído — o que deve ocorrer no terceiro trimestre deste ano — eles receberão ações da SpaceX de valor equivalente.

Os quatro fundadores — todos na casa dos 20 e poucos anos — se juntam a uma lista crescente de bilionários criados pela Space Exploration Technologies Corp., de Elon Musk, desde sua abertura de capital na sexta-feira.

A história deles também simboliza a mudança no caminho para a riqueza de dez dígitos entre jovens fundadores: a euforia da IA e o aumento dos investimentos de capital de risco fazem com que novos bilionários surjam cada vez mais do setor de tecnologia, em vez das finanças.

Um porta-voz da Cursor não respondeu a um pedido de comentário.

Engenharia mecânica

Truell e seus futuros sócios — Sualeh Asif, Arvid Lunnemark e Aman Sanger — eram todos estudantes de graduação no Massachusetts Institute of Technology. Truell, natural de Nova York, estagiou no Google, enquanto Sanger, membro do time de squash do MIT, estagiou na Bridgewater Associates. Lunnemark, medalhista de ouro em olimpíada de matemática em seu país natal, a Suécia, trabalhou brevemente como trader quantitativo na Jane Street.

Os quatro fundaram a Cursor em 2022, inicialmente com foco na criação de um copiloto de IA para a indústria de engenharia mecânica. Isso apesar de nenhum deles ter formação formal em engenharia.

“Éramos bastante desconhecedores da área”, disse Truell em um podcast em maio de 2025. “Então havia um pouco daquele problema do ‘homem cego e o elefante’ desde o início.”

Após alguns meses, eles mudaram o foco para o desenvolvimento de um agente de codificação com IA mais alinhado ao histórico da equipe fundadora. Em 2023, o OpenAI Startup Fund apoiou a empresa iniciante em uma rodada seed que levantou US$ 8 milhões, segundo dados da Pitchbook.

No ano seguinte, a Anysphere levantou US$ 60 milhões em uma rodada Série A, avaliando a empresa em US$ 400 milhões. Entre os principais investidores estavam a Andreessen Horowitz, o Dorm Room Fund e o cofundador da Stripe, Patrick Collison.

Fotógrafa: Gabby Jones/Bloomberg

Em janeiro de 2025, a Cursor havia alcançado US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Em dois meses, esse número dobrou, e a empresa chegou a um milhão de usuários diários.

Acordo com a SpaceX

Mesmo com grandes players como OpenAI e Anthropic lançando suas próprias ferramentas de programação com IA, a Cursor continuou expandindo sua base de usuários, especialmente entre clientes corporativos. A empresa afirma que seus produtos são usados por 64% das empresas da Fortune 500 e que suas ferramentas escrevem mais de 100 milhões de linhas de código por dia para clientes corporativos.

Em abril, a SpaceX anunciou que havia chegado a um acordo que lhe dava a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas decidiu adiar a aquisição formal até depois de seu IPO, para minimizar interrupções e evitar burocracia adicional.

O acordo representava um prêmio em relação à avaliação de US$ 50 bilhões que a Cursor vinha buscando recentemente em uma rodada de financiamento, segundo a Bloomberg. Também incluía uma taxa de rescisão de US$ 10 bilhões caso a compra não se concretizasse.

A gestão da SpaceX descreveu a aquisição como central para expandir suas capacidades em IA após a fusão, em fevereiro, com a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI.

“Cursor tem seus próprios modelos, eu acho, e podemos aprender com eles”, disse Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, em entrevista à CNBC na sexta-feira. “Vamos colaborar de perto. Achamos que isso faz muito sentido.”

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SpaceX compra Cursor para reduzir distância em relação à OpenAI e Anthropic

A SpaceX formalizou a aquisição da Cursor em um acordo que avalia a startup de programação baseada em inteligência artificial em US$ 60 bilhões, consolidando uma peça importante da estratégia de Elon Musk para alcançar rivais no mercado de ferramentas de codificação com IA.

Os investidores da Cursor terão o direito de receber ações da SpaceX com base no valor implícito de US$ 60 bilhões da startup, segundo um documento regulatório divulgado nesta terça-feira (16). A transação deve ser concluída no terceiro trimestre. A SpaceX já havia revelado em abril que garantiu o direito de comprar a Cursor ainda este ano, mas decidiu adiar o negócio por causa de seu IPO.

A compra reforça a ofensiva de Elon Musk na inteligência artificial. A Cursor é uma das ferramentas de programação assistida por IA mais populares do mercado, usada por desenvolvedores para escrever e corrigir códigos com o auxílio de inteligência artificial.

A aquisição também ajuda a SpaceX a reduzir a distância em relação a concorrentes como OpenAI e Anthropic em uma área considerada estratégica por Musk. O empresário já reconheceu que sua empresa está atrás dos rivais no segmento de ferramentas de codificação baseadas em IA.

A companhia avança com a aquisição poucos dias após concluir a maior oferta pública inicial da história. As ações dispararam mais de 40% nos dois primeiros pregões, refletindo a forte demanda dos investidores interessados no potencial de crescimento da empresa.

A valorização continuou nesta terça-feira. Por volta das 9h43 em Nova York, os papéis subiam 9,9%, elevando o valor de mercado da SpaceX para cerca de US$ 2,77 trilhões. Com isso, a empresa superou a Amazon em valor de mercado durante o pregão e se tornou a quinta companhia de capital aberto mais valiosa do mundo.

O braço de inteligência artificial da SpaceX, conhecido como SpaceXAI, está concentrado em fortalecer suas capacidades de programação assistida por IA. Musk já afirmou que a empresa está atrás dos concorrentes nesse segmento e recrutou engenheiros da Cursor para tentar alcançar empresas como OpenAI e Anthropic.

A divisão de IA enfrentou dezenas de saídas de profissionais tanto nas áreas de engenharia quanto de treinamento de dados e tem encontrado dificuldades para atrair talentos de ponta, que possuem outras oportunidades no mercado. Para reorganizar a operação, Musk colocou executivos da unidade Starlink em posições de liderança na empresa.

Segundo a Bloomberg, funcionários da SpaceX vêm trabalhando em conjunto com equipes da Cursor nas últimas semanas, colaborando em projetos de programação e infraestrutura computacional.

Lançado em 2023, o assistente de IA da Cursor foi criado para ajudar programadores a escrever e corrigir códigos com mais eficiência. A startup se tornou uma das empresas de tecnologia de crescimento mais rápido da história e ganhou destaque na chamada era do “vibe coding”, marcada pelo uso de ferramentas capazes de gerar software a partir de comandos enviados a chatbots.

Antes do anúncio da aquisição pela SpaceX, a Cursor negociava uma nova rodada de investimentos que avaliaria a empresa em mais de US$ 50 bilhões, segundo a Bloomberg.

As apostas de Musk em inteligência artificial têm sido caras para a SpaceX. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões no ano passado após incorporar retroativamente dívidas relacionadas aos investimentos da xAI. Os gastos de capital praticamente dobraram, chegando a US$ 20,7 bilhões em 2025, sendo a inteligência artificial a principal frente de investimento.

Embora a SpaceX tenha alugado capacidade de seus centros de dados para concorrentes como Anthropic, o diretor financeiro Bret Johnsen afirmou na semana passada que a empresa não pretende abandonar seus próprios produtos de IA, incluindo o chatbot Grok.

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O dia após o IPO recorde: SpaceX fecha compra da Cursor por US$ 60 bilhões

A SpaceX firmou o acordo definitivo para comprar a Cursor, em uma transação que avalia a startup de codificação por IA em US$ 60 bilhões. Os investidores da Cursor terão o direito de receber ações da SpaceX com base no valuation implícito de US$ 60 bilhões, segundo documento divulgado pela companhia na manhã de terça-feira, […]

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Com o fim da Guerra do Irã, como ficam os investimentos? O que esperar da renda fixa e de ações

A reação positiva dos mercados no Brasil neste começo de semana diante do fim da Guerra do Irã, com queda do dólar e alta da bolsa, acompanha um movimento global. No curto prazo, a redução dos preços do petróleo vai ajudar o câmbio, reduzir a pressão inflacionária e melhorar as perspectivas para setores mais sensíveis aos juros. Mas, no médio prazo, o cenário não vai ser o mesmo de antes do conflito.

A tendência é que a bolsa retome o rumo das altas com ajuda de setores que se beneficiam desse cenário mais otimista, como varejo, construção civil, shopping centers e ações de companhias de menor porte, as small caps – ainda que o Ibovespa fique pressionado pela correção das ações da Petrobras, que respondem por 12% do índice e, com o fim da guerra, perde 4% nesta segunda-feira (15).

Juros futuros

Os juros futuros também caem, dado que passam a embutir menos prêmio de risco diante da perspectiva de alívio sobre os preços globais de energia. Isso significa que quem aproveitou os momentos mais críticos para aplicar em títulos com taxas elevadas, como IPCA + 8% ao ano ou um prefixado acima de 14% anuais, verá seu saldo em reais na carteira aumentar.

Mas a janela dos juros em patamares historicamente elevados ainda está aberta. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os papéis prefixados se mantêm acima de 14% ao ano.

Isso significa que, mesmo com o fim da guerra, a volatilidade dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados deve se manter ao longo dos próximos meses. As incertezas continuam elevadas no lado doméstico, com ameaças de novas tarifas dos EUA e diante da aproximação das eleições.

Portanto, o investidor que busca travar os rendimentos deve estar preparado para o sobe-e-desce de taxas e preços de títulos. Por outro lado, quem pode manter os recursos aplicados no longo prazo, no mínimo até 2027, vai se beneficiar do juros nos maiores níveis em vários anos.

Na plataforma Tesouro Direto, os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra têm se traduzido em queda expressivas de taxas. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saiu de 14,97% no pico da semana passada, visto da quarta-feira (10), para 14,32% nesta segunda-feira (15). Esse recuo de taxas representa um ganho de 1,57% no valor do papel em uma semana.

O Tesouro IPCA+ 2032 também apresentou ganhos no seu valor com o recuo de taxas. O título saiu de um pico de inflação mais 8,36% no momento mais tenso da semana anterior para os atuais IPCA + 8,04%, com tendência de queda. A variação representou uma alta de 2,1% no saldo em reais.

No IPCA+2040, mais longo e, portanto, mais sensível a mudanças de taxa, a alta no saldo é de 6%.

Bolsa na berinda

A questão é o que vem depois desse alívio imediato. Mesmo que a guerra tenha durado pouco menos de quatro meses, o mundo já não é mais o mesmo de antes de fevereiro deste ano, quando eclodiu.

O movimento de diversificação internacional voltou a perder força entre abril e maio. Os investidores globais registraram só em maio vendas líquidas de R$ 13 bilhões na bolsa brasileira.

Ainda que o saldo no ano ainda seja positivo em R$ 43 bilhões, em maio e início de junho mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local.

E o que isso significa para os investidores? No caso da bolsa, o novo mundo pós-guerra pode manter ventos contrários ao movimento de entrada de recursos que sustentou várias quebra de recordes do Ibovespa no primeiro trimestre.

O momento, portanto, é ajustar estratégias. Uma forma de se precaver de oscilações mais intensas da bolsa daqui para a frente é se tornar mais seletivo na escolha dos papéis.

O setor de “utilities”, por exemplo, eleva o lado defensivo da carteira de renda variável. O nome em inglês se refere às empresas de utilidade pública, como saneamento e energia elétrica. Esse setor inclui nomes como Sabesp, Axia, Copel e Eneva.

São, em geral, negócios mais estáveis e com receitas previsíveis por serem reguladas. Grande parte das companhias também costuma aparecer com frequência nas listas de maiores pagadoras de dividendos.

Setor de tecnologia volta a decolar

Um dos principais ventos contras para a renda variável vem da retomada da “força gravitacional” das ações de tecnologia, em especial aquelas ligadas à cadeia de inteligência artificial. O repique recente ocorre em meio às notícias sobre novas ofertas iniciais de ações trilionárias.

O IPO da SpaceX, do bilionário Elon Musk, movimentou US$ 75 bilhões e levou a fabricante de foguetes e operadora do sistema de internet via satélite Starlink a um valor de mercado de US$ 1,75 trilhão.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deve ser a próxima. A companhia pode captar US$ 60 bilhões em uma abertura de capital no segundo semestre. Esse volume de recursos colocaria a companhia no seleto clube do trilhão, com um “valuation” de US$ 1 trilhão.

Outro mega IPO no horizonte é o da Anthropic, rival da OpenAI e dona da plataforma Claude.

As narrativas de inovação disruptiva — IA, computação avançada, infraestrutura espacial, defesa tecnológica — têm levado boa parte do dinheiro internacional de volta à órbita do mercado americano.

Juros das Treasuries

Outra mudança trazida pela guerra diz respeito ao nível dos juros de longo prazo americanos. Antes do conflito, a Treasury de 10 anos, principal referência nesse mercado, negociava a taxas levemente abaixo de 4% ao ano. No cenário atual, o retorno tem variado entre 4,4% e 4,5% anuais. Na manhã desta segunda feira, com o acordo de cessar-fogo digerido pelo mercado, a taxa operava em leve queda, a 4,45%.

O título mais longo do Tesouro americano, a Treasury de 30 anos, chegou a tocar o maior nível em 19 anos no fim de maio, aos 5,196%. Nesta segunda-feira (15), a taxa permanece perto de 5% ao ano, aos 4,994%. O rendimento atual se mantém no maior nível desde julho de 2007.

Na renda fixa, quando as taxas sobem significa que os preços dos títulos caíram. Com as altas atuais, a remuneração das Treasuries volta a patamares historicamente elevados. O avanço dos retornos passa a atrair mais capital ao mercado dos EUA e fortalece o dólar globalmente.

A alta das taxas vem a reboque das preocupações com a escalada da inflação global. A percepção é que a alta de preços criada pelo conflito não vai desaparecer automaticamente.

Há uma aceleração inflacionária “contratada” e espalhada pelas cadeias globais: fretes marítimos mais caros, seguros elevados, custos energéticos ainda represados e uma normalização da oferta de óleo e gás que ainda deve levar alguns meses. Mesmo com o petróleo em queda, parte desse choque vai contaminar os índices ao longo dos próximos trimestres e tirar a visibilidade futura da inflação.

E isso muda tudo nos mercados. Se antes da guerra os bancos centrais globais ainda administravam ciclos de cortes de juros, agora o caminho se inverteu: o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual e outros BCs, como o Bando da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ), já começam a sinalizar a possibilidade de subir as taxas nas próximas reuniões.

Volatilidade em alta na renda fixa brasileira

No médio prazo, portanto, a renda fixa brasileira pode ver a volatilidade voltar ao mercado de juros prefixados e atrelados à inflação. Se nesta segunda-feira predomina o alívio, daqui a alguns meses, no entanto, tudo pode mudar.

A perspectiva de freio no ciclo de queda de juros aqui e uma guinada lá fora vai afetar as taxas locais. Isso porque, diante das incertezas sobre as decisões dos BCs, os preços vão oscilar ao sabor do noticiário e das preocupações de investidores.

Para o investidor brasileiro, o importante é ter sangue frio. Quem aproveitou para travar taxas historicamente elevadas em títulos IPCA+, por exemplo, tende a ganhar com o chamado “carrego”, ou seja, pelo fato de manter o papel em carteira por um tempo mais prolongado ou até o vencimento.

Há, por exemplo, perspectiva de ganhos se a inflação subir mais do que o esperado. Mas também com uma queda de taxas em um cenário mais favorável. Quem tem mais tolerância ao risco pode, inclusive, aproveitar os momentos de estresse para travar novas taxas.

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SpaceX: como o apelo do IPO foi além da euforia do mercado em torno das ações

(Bloomberg) –Wall Street passou a última semana oscilando entre a macroeconomia e a euforia.

Os investidores analisaram dados mistos sobre a inflação, desdobramentos positivos no conflito do Oriente Médio e oscilações bruscas nos preços do petróleo. Ao mesmo tempo, a corrida por exposição à SpaceX se estendeu muito além da oferta pública inicial de ações da empresa, com investidores buscando maneiras alternativas de participar de uma das estreias na bolsa mais aguardadas dos últimos anos.

O resultado foi um mercado com dificuldades para se consolidar em uma narrativa única, com investidores oscilando entre desenvolvimentos macroeconômicos e operações especulativas. Segundo uma métrica, o Nasdaq 100 registrou esta semana suas maiores oscilações médias intradiárias desde abril de 2025.

A SpaceX tornou-se o ponto crucial da semana. Investidores de varejo enviaram mais de US$ 100 bilhões em pedidos para a oferta, superando em muito as alocações disponíveis por meio de corretoras.

Mas, diferentemente de frenesis anteriores de IPOs, a demanda não se limitou ao livro de ofertas tradicional. Investidores que não conseguiram garantir ações buscaram exposição em outros lugares. Isso ajudou a impulsionar grandes fluxos de entrada pré-IPO em fundos, incluindo o ETF Baron First Principles de US$ 2 bilhões, além de alimentar a atividade em uma rede crescente de plataformas de negociação alternativas.

A Polymarket gerou mais de US$ 25 milhões em volume de negociações em contratos relacionados à SpaceX. Essa atividade também se estendeu aos mercados nativos de criptomoedas, com investidores negociando contratos futuros perpétuos vinculados à empresa na plataforma descentralizada Hyperliquid. O que antes seria uma simples história de IPO passou a se desenrolar simultaneamente em diversas plataformas de negociação.

“O fato de estarmos vendo uma proliferação de ETFs atrelados a ações populares demonstra o momento atual”, disse Peter Atwater, presidente da consultoria Financial Insyghts. “O público agora está especulando com base em seu próprio impulso maníaco, utilizando toda a força que consegue encontrar.”

Mais de 20 ETFs ligados à SpaceX já foram registrados, abrangendo desde produtos alavancados e inversos até estratégias baseadas em opções. Um ETF alavancado atrelado à SpaceX teve uma alta de mais de 80% antes de praticamente paralisar suas negociações na sexta-feira, segundo dados compilados pela Bloomberg e informações publicadas no site da bolsa Cboe, devido a preocupações regulatórias.

As empresas emissoras de ETFs, que antes esperavam meses após um IPO para lançar produtos relacionados, agora correm para registrar seus pedidos quase imediatamente, o que demonstra a rapidez com que Wall Street se mobiliza para atender à demanda especulativa.

“Certamente há espaço para especulação, mas eu prefiro que os investidores invistam”, disse Nancy Tengler, CEO da Laffer Tengler Investments, que tem uma convicção de longo prazo na empresa.

Os produtos usados ​​para expressar visões especulativas estão se tornando grandes o suficiente para influenciar as negociações no mercado em geral. Estrategistas da Nomura estimam que os ETFs alavancados, de forma mais ampla, geram atualmente cerca de US$ 8 bilhões em demanda de rebalanceamento para cada variação de 1% no mercado, enquanto o posicionamento em opções contribui com bilhões a mais.

O Barclays Plc estimou recentemente que fluxos semelhantes ligados aos principais ETFs alavancados dos EUA atingiram um recorde antes da onda de vendas ocorrida no início deste mês. Esses produtos não determinam a direção do mercado, mas podem amplificar as tendências predominantes, transformando explosões de entusiasmo — ou ansiedade — em oscilações maiores.

“O ecossistema especulativo também indica oscilações maiores em torno de ações relacionadas, porque quando a exposição é construída por meio de produtos alavancados e sintéticos, as altas e as baixas podem ocorrer mais rapidamente do que os investidores esperam”, disse Chris Murphy, co-chefe de estratégia de derivativos do Susquehanna International Group.

As oscilações da semana refletiram a rapidez com que o foco do mercado mudou. Dados relativamente moderados da inflação ao consumidor impulsionaram inicialmente os ativos de risco. Um dia depois, dados mais fortes sobre os preços ao produtor levantaram novas dúvidas sobre as pressões de custos. Enquanto isso, os comentários do presidente Donald Trump sobre o Irã alteraram repetidamente as expectativas para o conflito e fizeram com que o petróleo e as ações se movessem em direções opostas. Na sexta-feira, as esperanças de um avanço diplomático ajudaram a impulsionar as ações novamente.

“O acordo de paz intermitente está provocando fortes oscilações de curto prazo no nível do índice, tornando mais desafiador analisar e investir em ações individuais”, disse Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading. “Isso complica a situação enquanto as empresas tentam navegar em meio à euforia.”

Cautela?

Sinais de cautela surgiram em meio ao fervor especulativo. A Susquehanna apontou para uma atividade considerável de hedge em ETFs de semicondutores, incluindo grandes compras de proteção contra quedas no ETF de semicondutores da VanEck. Mesmo enquanto os investidores buscavam histórias de crescimento, outros se posicionavam para oscilações maiores no futuro.

A SpaceX foi a obsessão dominante da semana. Mas a notícia mais importante é a facilidade com que os investidores agora podem participar — e construir exposição a — um negócio que antes poderia ter sido restrito principalmente a investidores institucionais.

Para Aaron Korff, um empresário de 55 anos da Flórida que dirige uma empresa de software de gerenciamento de transporte de veículos, a oferta da SpaceX era impossível de ignorar. Korff disse que nunca havia investido em um IPO antes, principalmente porque considerava o processo complicado. Desta vez foi diferente. Ele enviou sua solicitação pela E-Trade na segunda-feira e recebeu uma parte das ações antes da abertura do mercado na sexta-feira, embora a enorme demanda tenha feito com que ele recebesse apenas um quarto do seu pedido inicial.

Ainda assim, Korff disse que o apelo ia além da euforia do mercado em torno das ações.

“Quem se importa se as ações sobem e descem? Você ama a empresa? Acredita no futuro dela? Esses são os motivos certos para investir nela”, disse ele. “Elon Musk fará tudo o que estiver ao seu alcance para impulsionar os negócios. Veja o que ele já fez com a SpaceX.”

© 2026 Bloomberg LP

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OpenAI, Anthropic e SpaceX viram “fábrica de fortunas”: 20 bilionários e 16 mil milionários a caminho

A SpaceX deu a largada ao que deve ser um período de grandes IPOs nos Estados Unidos, gerando uma nova leva de bilionários aos rankings da Bloomberg e da Forbes. Um levantamento feito pela consultoria Sacra para o jornal The New York Times (NYT) estima que as megalistagens de SpaceX, Anthropic e OpenAI devem criar […]

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Como Elon Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo

Em uma publicação na rede social que controla, Elon Musk lamentou recentemente: “Quem disse que dinheiro não compra felicidade realmente sabia do que estava falando.”

Agora, a pessoa mais rica do mundo poderá testar esse ditado em uma escala ainda maior ao adicionar um novo título ao currículo: o primeiro trilionário do mundo.

As ações da SpaceX abriram a US$ 150 cada, 11% acima do preço da oferta, após começarem a ser negociadas em Nova York na sexta-feira, avaliando a empresa de foguetes e inteligência artificial fundada por Musk em cerca de US$ 2 trilhões.

Sua fortuna agora alcança a cifra antes inimaginável de quase US$ 1,05 trilhão, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Isso representa mais de três vezes a riqueza da segunda pessoa mais rica do mundo, o cofundador do Google, Larry Page.

O mais rico do mundo

Há menos de dez anos, o índice de riqueza da Bloomberg registrou sua primeira fortuna superior a US$ 100 bilhões — uma marca que Musk ultrapassou com folga em 2020. Desde então, ele passou a dominar o ranking dos mais ricos do planeta, primeiro com a ascensão da Tesla como uma das ações de melhor desempenho da história e, mais tarde, com a corrida dos investidores para adquirir participação na SpaceX, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo.

Uma fortuna de US$ 1 trilhão — aproximadamente equivalente ao Produto Interno Bruto da Switzerland — desafia a compreensão. Steve Cohen, que ganhou US$ 3,4 bilhões no ano passado como o gestor de hedge fund mais bem remunerado do mundo, precisaria repetir esse resultado por quase 300 anos para alcançar US$ 1 trilhão. Cada um dos 14 filhos de Musk figuraria na 29ª posição entre as pessoas mais ricas do planeta caso herdasse uma parcela igual de sua fortuna.

“Não estamos falando de riqueza geracional”, disse Dan Walter, consultor independente de remuneração. “Estamos falando de algo infinito.”

O marco representa um momento decisivo para Musk, de 54 anos, cuja riqueza já o transformou em uma das figuras mais poderosas e polarizadoras do mundo. Ele não hesitou em usar sua fortuna para promover sua visão de mundo: comprou o Twitter em 2022 para combater o que chamou de “vírus da mente woke”, financiou um chatbot de inteligência artificial alinhado às suas ideias e ajudou a impulsionar a eleição de Donald Trump para um segundo mandato na Casa Branca por meio de doações.

Os mais de US$ 291 milhões que Musk gastou na eleição federal de 2024 representam menos de 0,03% de seu patrimônio atual — o equivalente a uma doação de US$ 291 para alguém com patrimônio de US$ 1 milhão.

Um caminho turbulento

A trajetória de Musk de bilionário a trilionário não foi livre de obstáculos.

A compra do Twitter em 2022 levou-o a vender mais de US$ 15 bilhões em ações da Tesla, contribuindo para a queda dos papéis da montadora e alimentando críticas de que ele havia pago caro demais pela rede social. Seu pacote de remuneração de US$ 56 bilhões na Tesla, negociado em 2018, foi anulado por uma juíza de Delaware após ação movida por investidores. Além disso, sua participação no Departamento de Eficiência Governamental do governo Trump e seu apoio a movimentos políticos marginais afastaram milhões de consumidores, prejudicando as vendas de veículos da Tesla.

Ainda assim, Musk conseguiu superar esses desafios. O Twitter, rebatizado como X, viu o valor de seus dados disparar com a demanda por inteligência artificial e acabou sendo fundido à xAI, startup de IA criada pelo próprio empresário. A Tesla transferiu sua sede da Califórnia para o Texas e, no ano passado, venceu um recurso que permitiu a Musk manter seu pacote original de remuneração. A empresa também aprovou um novo plano que pode render ao executivo até US$ 1 trilhão, caso determinadas metas sejam alcançadas.

Enquanto isso, investidores da Tesla passaram a focar menos na queda das vendas de automóveis e mais em projetos futuros, como os robotáxis e os robôs humanoides Optimus.

SpaceX impulsiona a fortuna

Embora a ascensão de Musk ao posto de trilionário esteja fortemente ligada à SpaceX, foi a Tesla que inicialmente o levou ao topo da lista dos mais ricos do mundo. As ações da fabricante de veículos elétricos sediada em Austin — da qual Musk continua sendo o maior acionista — acumulam valorização de cerca de 35.000% desde a abertura de capital da companhia, em 2010.

Mas o domínio da SpaceX no mercado de lançamentos orbitais, aliado ao serviço de internet via satélite Starlink, lançado em 2019, atraiu atenção crescente dos investidores. Avaliada em cerca de US$ 100 bilhões em uma rodada de investimento em 2021, a companhia viu seu valor saltar para US$ 1 trilhão em fevereiro, após a fusão com a xAI e a rede social X.

O grupo combinado — que agora detém o recorde da maior oferta pública inicial da história, ao levantar US$ 75 bilhões — representa mais de 70% da fortuna de Musk.

Apesar dos números impressionantes, a maior parte da riqueza do empresário continua existindo apenas no papel. Segundo o índice da Bloomberg, ele possui poucos ativos relevantes fora de suas participações nas próprias empresas. Uma venda significativa de ações poderia pressionar as cotações e reduzir o valor de seu patrimônio.

Ainda assim, Tesla e SpaceX mantêm planos de remuneração que podem conceder a Musk participações adicionais caso as companhias atinjam metas financeiras e operacionais ambiciosas. Se todos os objetivos forem cumpridos, os dois pacotes combinados poderiam valer cerca de US$ 1,8 trilhão.

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Elon Musk vira trilionário e passa a valer mais do que 198 países e toda a bolsa brasileira

O empresário Elon Musk se tornou a primeira pessoa no mundo a ostentar (ao menos no papel) o título de trilionário, um nível de riqueza impressionante, muito acima do PIB e do valor de mercado de muitas companhias. A SpaceX estreou nesta sexta-feira, 12 de junho, na Nasdaq, após precificar seu IPO em US$ 135 […]

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Após IPO recorde, SpaceX enfrenta seu primeiro teste em Wall Street

A SpaceX entrou para a história com um IPO de US$ 75 bilhões que a transformou instantaneamente em uma das maiores empresas de capital aberto do mundo. Agora, ela precisa conquistar a confiança do mercado.

As negociações desta sexta-feira serão um teste crucial para a empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial avaliada em US$ 1,8 trilhão e para seu fundador, Elon Musk. Mesmo após levantar o maior valor já arrecadado em uma oferta pública inicial de ações (IPO), a SpaceX ainda precisa obter a validação do mercado para sua ambição de dominar a inteligência artificial e levar seres humanos à Lua e a Marte, além de convencer investidores sobre seu controverso modelo de governança, que garante a Musk controle quase absoluto da companhia.

“Escalar é muito caro”, afirmou a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, à CNBC. “As coisas que estamos fazendo custam muito dinheiro.” Segundo ela, mesmo como empresa de capital aberto, a SpaceX continuará focada em horizontes de longo prazo, dando menos importância ao desempenho trimestral.

As indicações de onde as ações da SpaceX poderão abrir começaram a surgir após a abertura do mercado às 9h30 de Nova York. Mercados paralelos apontavam para uma estreia explosiva, sugerindo uma valorização de pelo menos 35% em relação ao preço de oferta de US$ 135 por ação.

O IPO foi mais de quatro vezes sobrescrito na quinta-feira, informou a Bloomberg News. A decisão incomum da empresa de definir previamente um preço e um volume fixos impediu os bancos de capturar a forte demanda adicional, deixando um grande grupo de investidores disputando as ações disponíveis e potencialmente preparando o terreno para uma disparada no primeiro dia de negociações.

Ainda assim, o tamanho sem precedentes da estreia da SpaceX torna a dinâmica do mercado mais complexa, e o receio de falhas inesperadas — como as que prejudicaram o IPO do Facebook em 2012 — certamente mantém executivos em alerta. O primeiro dia de negociações não apenas definirá o tom das próximas sessões, mas também influenciará as perspectivas de duas potenciais gigantes ofertas públicas iniciais de rivais da SpaceX na área de IA: Anthropic e OpenAI.

“Isso antecipa uma onda bastante significativa de IPOs”, afirmou John Waldron, durante entrevista à Bloomberg Television. “Os mercados de capitais estão dispostos a financiar essas empresas extraordinárias à medida que construímos a infraestrutura de IA.”

As negociações também devem determinar se Musk se tornará o primeiro trilionário do mundo, um título que atualmente está muito próximo de alcançar. Sua fortuna era estimada em cerca de US$ 970 bilhões na quinta-feira, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Índices e investidores de varejo podem impulsionar as ações

Entre os investidores que receberam menos ações do que desejavam estão os investidores de varejo. Esse grupo gerou mais de US$ 100 bilhões em demanda, grande parte provavelmente ainda não atendida. Outro fator favorável para o papel será a compra forçada por fundos que replicam índices, o que pode gerar até US$ 6 bilhões em demanda à medida que adquirem ações antes da esperada inclusão acelerada da SpaceX em índices de referência, segundo a Bloomberg Intelligence.

No entanto, um IPO gigantesco não garante uma estreia espetacular. O sentimento ainda frágil em relação a empresas recém-listadas faz com que algumas nunca se recuperem após negociarem abaixo do preço de oferta no primeiro dia. Mesmo companhias que disparam após seus IPOs nem sempre conseguem sustentar o ritmo.

Entre os IPOs americanos que captaram ao menos US$ 1 bilhão, o recorde de maior valorização no primeiro dia pertence à Figma, que subiu 250% em sua estreia em 2025. Posteriormente, devolveu todos esses ganhos e atualmente negocia cerca de 41% abaixo do preço do IPO.

Já a Circle Internet Group avançou 168% em seu primeiro dia de negociações em 2025 e continua sendo negociada aproximadamente nesse mesmo patamar acima do preço de oferta.

Empresas com prejuízo líquido tendem a apresentar desempenho mais de 10% inferior ao de concorrentes lucrativas nos primeiros 18 meses após a abertura de capital, segundo relatório da Trivariate Research publicado no ano passado. A SpaceX registrou prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

Parte do comportamento das ações após o IPO também se explica pelo número relativamente pequeno de papéis disponíveis para negociação. A oferta da SpaceX é uma exceção mesmo para os padrões do mercado: apenas cerca de 4,2% das ações em circulação estarão disponíveis para negociação no primeiro dia.

Embora um free float reduzido possa aumentar a volatilidade do papel, alguns investidores estão mais preocupados com o que acontecerá quando os acionistas internos puderem vender mais ações após o vencimento dos chamados períodos de lock-up.

“A parte complicada, para mim, é entender como o mercado vai absorver esse aumento do free float ao longo do tempo”, disse Jeremiah Buckley.

“Não acho que absorver um IPO de US$ 75 bilhões tenha um impacto tão grande. Mas, se estivermos falando de absorver US$ 1 trilhão em ações disponíveis para negociação, esse dinheiro precisa vir de algum lugar, e isso me deixa mais preocupado”, afirmou.

A possibilidade de uma fusão com a Tesla

O desempenho inicial da SpaceX provavelmente terá um papel importante no que muitos investidores enxergam como o objetivo final de Musk: uma fusão com a Tesla, criando uma espécie de “Elon Inc.” que permitiria aos investidores comprar ações de uma única empresa reunindo todas as visões do executivo sobre robôs, carros autônomos, inteligência artificial e centros de dados espaciais.

“Não há dúvida de que existem sinergias entre Tesla e SpaceX para o nosso futuro”, afirmou Shotwell à CNBC. “Mas, neste momento, estou focada em manter as luzes acesas por aqui.”

Embora nada tenha sido anunciado oficialmente, investidores pressionaram a empresa a considerar uma fusão entre Tesla e SpaceX em janeiro, informou a Bloomberg News, antes da divulgação do acordo envolvendo a empresa de IA de Musk. Uma união após o IPO da SpaceX seria apenas uma questão de tempo, disse o investidor inicial Peter Diamandis à Bloomberg TV em maio.

Os negócios das duas empresas já estão interligados. Quase um em cada cinco veículos Cybertruck vendidos pela Tesla no quarto trimestre de 2025 foi comprado pela própria SpaceX ou por outras empresas de Musk. Alguns dos projetos mais ambiciosos do empresário — como o Terafab, iniciativa voltada à produção de semicondutores para IA — exigirão que Tesla e SpaceX comprometam dezenas de bilhões de dólares antes de se tornarem realidade.

Mesmo assim, uma fusão entre Tesla e SpaceX parece distante no médio prazo, segundo o analista da Bloomberg Intelligence Steve Man.

“Os benefícios do projeto de chips Terafab, do desenvolvimento de software Macrohard e de qualquer papel da Tesla na exploração espacial ainda estão a anos de distância”, afirmou.

Caso as ações da SpaceX recuem nas próximas semanas, isso poderia até tornar uma fusão mais aceitável para os acionistas da Tesla, segundo analistas da Morningstar.

“Com a avaliação da SpaceX disparando antes do IPO, duvidamos que os acionistas da Tesla quisessem comprar a SpaceX enquanto seus múltiplos de valuation forem muito superiores aos deles”, escreveram os analistas.

“Embora esperemos que alguns acionistas da Tesla também queiram possuir ações da SpaceX, os novos investidores da SpaceX provavelmente não aceitariam um desconto tão grande em relação ao preço do IPO, a menos que as ações recuassem para perto de nossa estimativa de valor justo de US$ 63 por ação.”

A operação foi liderada por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase, com a participação de outros 18 bancos. A empresa formalmente conhecida como Space Exploration Technologies Corp. estreia na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o código SPCX.

Com Wall Street já atribuindo preços-alvo de até US$ 190 para as ações da SpaceX, o debate sobre o sonho de Musk de transformar a humanidade em uma espécie multiplanetária está prestes a começar.

Para Nirgunan Tiruchelvam, o IPO tem um significado simbólico semelhante ao da abertura de capital da Alibaba Group em 2014, que representou a ascensão da China e do comércio eletrônico.

“Neste caso, o IPO da SpaceX é um termômetro do estado do mercado”, afirmou Tiruchelvam. “A SpaceX representa o boom tecnológico impulsionado pela inteligência artificial e a ascensão da tecnologia espacial como uma das forças definidoras do nosso tempo.”

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IPO da SpaceX deve transformar mais de 4 mil funcionários em milionários

A abertura de capital da SpaceX deve transformar mais de 4 mil funcionários atuais e ex-funcionários em milionários, em um dos maiores eventos de criação de riqueza já vistos no setor de tecnologia. E, junto com essa perspectiva, vem um desafio clássico: como administrar um patrimônio concentrado em ações de uma única empresa.

Segundo uma análise da plataforma de investimentos Hill.com, divulgada pelo New York Times, mais de 4.400 funcionários atuais e antigos da SpaceX devem se tornar milionários com o IPO. Desses, cerca de 400 devem conquistar patrimônio superior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões).

A companhia é avaliada em aproximadamente US$ 1,77 trilhão (cerca de R$ 9,2 trilhões), cinco vezes o valor de mercado da General Electric, e os ganhos individuais podem chegar a dezenas de milhões de dólares por pessoa, dependendo do tempo de casa e do volume de ações acumuladas ao longo dos anos.

O movimento não se restringe à SpaceX. Anthropic e OpenAI também protocolaram pedidos de abertura de capital em 2025, e o mesmo fenômeno deve se repetir: funcionários que aceitaram parte relevante da remuneração em participação acionária, apostando no crescimento de longo prazo das empresas, verão esses papéis se transformarem em riqueza efetivamente realizável pela primeira vez.

Com a listagem, essas ações passam a ter preço de mercado e liquidez, abrindo espaço para decisões financeiras mais complexas. O dilema central é conhecido: vender parte das ações agora e transformar parte do ganho em dinheiro, ou manter a exposição, apostando em uma valorização adicional após a estreia na bolsa.

Orientação financeira

Diante da perspectiva de riqueza repentina, cresce a busca por orientação financeira. Muitos desses futuros milionários têm recorrido a consultores e programas de educação patrimonial — uma espécie de curso intensivo sobre como lidar com grandes fortunas, motivado pela necessidade urgente de tomar decisões sobre investimentos, impostos e diversificação. É o que mostrou uma reportagem do Wall Street Journal.

Consultores financeiros descrevem o período pós-IPO como um “frenesi emocional”. A recomendação predominante é criar um plano de diversificação antes da estreia na bolsa e se comprometer a segui-lo, independentemente do que aconteça com o papel nos primeiros dias de negociação. Vender ações pode permitir que o funcionário financie a educação dos filhos, quite a casa própria ou se aposente mais cedo. Mas transformar esse racional em ação concreta é mais difícil do que parece.

Em empresas de alto crescimento, funcionários tendem a desenvolver convicção profunda no negócio — e isso dificulta decisões de venda mesmo quando os valores no papel já são expressivos. Há também o medo de vender cedo demais: quem apostou na empresa por anos, muitas vezes abrindo mão de salários mais altos em outras companhias, não quer perder uma valorização adicional que pode ser ainda maior.

A isso se soma o risco de concentração patrimonial. Em muitos casos, uma parcela dominante da riqueza dessas famílias permanece atrelada quase exclusivamente às ações da empresa — o que aumenta a exposição às oscilações típicas do pós-IPO. Funcionários da SpaceX, por exemplo, estão sujeitos a um período de restrição de 180 dias após a listagem, embora possam vender parte das ações em janelas específicas antes disso.

Outro ponto importante é a complexidade tributária no sistema dos Estados Unidos. Funcionários de empresas de tecnologia costumam receber uma combinação de diferentes tipos de equity — opções de ações qualificadas e não qualificadas, unidades restritas de ações (Restricted Stock Units, ou RSUs) e ações adquiridas via programas de compra com desconto. Cada modalidade segue regras tributárias distintas no país, e uma decisão mal calibrada pode gerar uma conta inesperada com o fisco americano.

A orientação de consultores financeiros é vender as ações gradualmente, por exemplo, desfazer 20% da posição no IPO, reduzir mais 60% ao longo do tempo e manter os 20% restantes como sinal de confiança na empresa. Em IPOs de grande apelo tecnológico, é comum que funcionários inicialmente resistam a reduzir posições, antes de ajustarem gradualmente suas carteiras à medida que a liquidez aumenta e a volatilidade se torna mais evidente. A história do setor guarda exemplos de empresas que pareciam imbatíveis e viram suas ações desabar um lembrete de que convicção no negócio não elimina o risco de concentração.

Vale lembrar ainda que na maioria dos IPOs, apenas os fundadores chegam à casa dos bilhões. Ter centenas de pessoas ultrapassando a marca de US$ 100 milhões (cerca de R$ 520 milhões) é algo fora do comum — e revela a escala do evento que está prestes a acontecer.

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A fortuna de Elon Musk em números: 3% do PIB dos EUA e US$ 3,6 milhões por hora

A oferta pública inicial da SpaceX pode transformar Elon Musk no primeiro trilionário do mundo. Mas quão rico é, de fato, o fundador de tecnologia? Sua fortuna está hoje em cerca de US$ 970 bilhões, majoritariamente em ações, segundo uma análise do Wall Street Journal.

Acumular esse valor ao longo da carreira equivale, em média, a cerca de US$ 992 por segundo.

A riqueza de Musk inclui cerca de US$ 538 bilhões referentes à sua participação pré-IPO na SpaceX, US$ 167 bilhões na Tesla, além de cerca de US$ 150 bilhões em opções de ações dessas empresas que ele poderia exercer praticamente a qualquer momento, segundo a análise.

Há ainda cerca de US$ 5 bilhões em cada uma das empresas The Boring Company, que escava túneis, e Neuralink, além de aproximadamente US$ 104 bilhões em imóveis, aeronaves e outros ativos e investimentos, segundo estimativas da empresa de inteligência patrimonial Altrata.

Ele ganhou cerca de US$ 3,6 milhões por hora ao longo de 31 anos.

Musk tem 54 anos e cofundou sua primeira empresa de tecnologia e engenharia nos EUA em 1995, há 31 anos. Para atingir US$ 970 bilhões nesse período, isso equivale a uma acumulação de cerca de:

Uma família americana com renda mediana (US$ 83.730 em 2024) precisaria trabalhar mais de 11 milhões de anos para atingir esse patrimônio.

Vale lembrar que o sucesso da Tesla e da SpaceX também gerou bilhões para investidores e tornou milionários funcionários que receberam participação acionária.

A filósofa e economista Ingrid Robeyns escreveu que a riqueza dos mais ricos do mundo se tornou tão grande que é praticamente incompreensível para a maioria das pessoas. Ela estimou recentemente que Musk ganharia cerca de US$ 4,2 milhões por hora ao longo da carreira, caso trabalhasse 70 horas por semana sem férias até os 75 anos.

Musk, por sua vez, é conhecido por dormir em fábricas e raramente tirar férias. Após comprar o Twitter, ele afirmou que sua carga de trabalho aumentou para mais de 120 horas semanais, ante cerca de 80 horas antes.

Comprar 2,4 milhões de casas nos EUA ou 10 mil jatos particulares

A maior parte da fortuna de Musk está vinculada às suas empresas. Ele chegou a dizer em 2020 que “não teria nenhuma casa” e vendeu vários imóveis na Califórnia, embora depois tenha comprado propriedades no Texas.

Musk pode tomar empréstimos bilionários usando suas participações na SpaceX e na Tesla como garantia, mas grande parte de sua riqueza está no papel — não em dinheiro disponível para gasto imediato.

Aqui estão algumas coisas que uma pessoa com US$ 970 bilhões poderia fazer com esse valor:

US$ 970 bilhões é maior do que a produção anual da maioria dos países

O patrimônio de Musk supera a atividade econômica anual de mais de 125 países, incluindo Noruega, Tailândia, Argentina e África do Sul.


Sua fortuna “self-made”, construída com veículos elétricos, foguetes e ambições de inteligência artificial, equivale a cerca de 3% do PIB dos Estados Unidos hoje. Nesse critério, ele supera facilmente John D. Rockefeller, considerado o americano mais rico da história antes de Musk.

Há um século, Rockefeller cresceu impulsionado pela industrialização, transformando a Standard Oil em um império e exercendo influência sobre ferrovias e oleodutos. O monopólio acabou sendo desmembrado pelo governo dos EUA.

Rockefeller acumulou cerca de US$ 1,4 bilhão até 1937 — aproximadamente 1,5% do PIB americano da época.

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SpaceX mira valuation de US$ 1,5 trilhão em contagem regressiva para o IPO

Após meses de especulação, a SpaceX tornou públicos os dados de suas operações no prospecto preliminar de seu IPO, que promete ser o maior da história da humanidade. O documento não traz os valores pretendidos pela companhia, mas o The Wall Street Journal (WSJ) afirma que a fabricante de foguetes comandada por Elon Musk pretende […]

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SpaceX e Google estão em negociações para lançar data centers no espaço

O Google está em negociações com a SpaceX para um acordo de lançamento de foguetes, enquanto amplia seus próprios esforços para levar data centers orbitais ao espaço, segundo pessoas familiarizadas com as conversas.

Um eventual acordo colocaria as duas empresas em parceria em meio à corrida para desenvolver data centers em órbita — uma tecnologia ainda não comprovada, que o CEO da SpaceX, Elon Musk, já descreveu como a próxima fronteira de sua companhia aeroespacial.

O Google também mantém conversas com outras empresas de lançamento de foguetes, segundo uma das fontes.

A tecnologia especulativa tem sido um dos principais temas da SpaceX em sua apresentação a investidores antes da planejada abertura de capital no verão, que pode se tornar a maior IPO da história.

No ano passado, o Google anunciou planos próprios para lançar satélites protótipos até 2027 dentro da iniciativa Project Suncatcher. A empresa trabalha com a Planet Labs no desenvolvimento desses satélites.

“Vamos enviar pequenos racks de máquinas em satélites, testá-los e então começar a escalar a partir disso”, afirmou o CEO do Google, Sundar Pichai, em entrevista à Fox News em novembro. “Não tenho dúvidas de que, em uma década, veremos isso como uma forma mais comum de construir data centers.”

O Google foi um dos primeiros investidores da SpaceX e detém cerca de 6,1% da empresa, segundo um documento regulatório. O executivo Don Harrison, do Google, integra o conselho da SpaceX.

A SpaceX não respondeu a pedidos de comentário.

Líder global em lançamentos comerciais, a SpaceX se tornou praticamente inevitável para qualquer empresa que queira colocar satélites em órbita.

Na semana passada, a companhia anunciou um acordo para vender capacidade computacional terrestre à empresa de IA Anthropic. Como parte do acordo, a Anthropic demonstrou interesse em trabalhar com a SpaceX em data centers orbitais. No início deste ano, a SpaceX entrou com pedido junto a um regulador federal para lançar até 1 milhão de satélites ligados à sua estratégia de computação em órbita.

Executivos do setor veem a computação espacial como uma solução para as limitações dos data centers terrestres, que exigem grandes áreas de terra e alto consumo de energia. No espaço, esses sistemas poderiam operar com energia solar, eliminando restrições energéticas e parte dos impactos ambientais. Ainda assim, especialistas apontam desafios de engenharia relevantes que levantam dúvidas sobre a viabilidade da tecnologia.

A SpaceX construiu sua posição como principal empresa privada de lançamentos do mundo, levando astronautas da NASA à Estação Espacial Internacional e lançando milhares de satélites da Starlink. A empresa também realiza lançamentos para clientes comerciais.

À medida que se prepara para abrir capital, a SpaceX tem fechado uma série de acordos estratégicos que ampliam sua atuação em infraestrutura de IA e computação, incluindo a aquisição da xAI em uma operação que avaliou a companhia combinada em US$ 1,25 trilhão. A empresa também firmou parceria com a startup de codificação Cursor, garantindo opção de compra futura avaliada em US$ 60 bilhões, além de anunciar bilhões em investimentos em infraestrutura.

Para o acordo com a Anthropic, a SpaceX deve fornecer 300 megawatts de nova capacidade computacional, usando mais de 220 mil GPUs da Nvidia, até o fim de maio.

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Bezos contra-ataca: Amazon negocia a compra da Globalstar para entrar na órbita da Starlink de Musk

Com fortunas, respectivamente, de US$ 651 bilhões e US$ 233 bilhões, Elon Musk e Jeff Bezos cultivam uma grande rivalidade. Além das trocas de farpas, essa disputa se estende a áreas como a corrida espacial, com a SpaceX e a Blue Origin, e aos robotáxis, com a Tesla e a Zoox, investida da Amazon. Agora, […]

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SpaceX, de Elon Musk, prepara maior IPO da história

A SpaceX está avaliando uma meta de captação em sua oferta pública inicial (IPO) que pode superar com folga a maior estreia já registrada no mercado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A movimentação ocorre enquanto a fabricante de foguetes e satélites do bilionário Elon Musk avança em seus planos de abertura de capital.

A empresa trabalha com um valor estimado em torno de US$ 75 bilhões para o IPO, de acordo com uma das fontes, que pediu anonimato por se tratar de informações ainda não públicas. Em conversas com investidores potenciais, a SpaceX também discutiu a possibilidade de levantar mais de US$ 70 bilhões.

Qualquer uma dessas cifras mais que dobraria o recorde histórico de abertura de capital — os US$ 29 bilhões levantados pela petroleira Saudi Aramco, em 2019.

A expectativa é que a SpaceX estreie na bolsa em junho, embora o cronograma ainda possa sofrer alterações, segundo as fontes. A companhia pode protocolar sua documentação de forma confidencial já neste mês, conforme reportado pela Bloomberg News em fevereiro.

O site The Information já havia antecipado a estimativa mais elevada de captação. Os preparativos para o registro confidencial seguem em andamento, mas a empresa ainda pode rever seus planos. Procurada, a SpaceX não respondeu imediatamente.

Segundo fontes, a SpaceX pode buscar uma avaliação superior a US$ 1,75 trilhão em seu IPO. A companhia adquiriu recentemente a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI, em um acordo que avaliou o grupo combinado em US$ 1,25 trilhão, de acordo com a Bloomberg News.

Se atingir esse valor de mercado, a SpaceX passaria a valer mais do que todas as empresas do índice S&P 500 Index, com exceção de apenas cinco gigantes: Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon. Nessa métrica, a empresa também superaria a Meta Platforms e a própria Tesla, outra companhia de Musk.

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SpaceX, de Elon Musk, prepara maior IPO da história

A SpaceX está avaliando uma meta de captação em sua oferta pública inicial (IPO) que pode superar com folga a maior estreia já registrada no mercado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A movimentação ocorre enquanto a fabricante de foguetes e satélites do bilionário Elon Musk avança em seus planos de abertura de capital.

A empresa trabalha com um valor estimado em torno de US$ 75 bilhões para o IPO, de acordo com uma das fontes, que pediu anonimato por se tratar de informações ainda não públicas. Em conversas com investidores potenciais, a SpaceX também discutiu a possibilidade de levantar mais de US$ 70 bilhões.

Qualquer uma dessas cifras mais que dobraria o recorde histórico de abertura de capital — os US$ 29 bilhões levantados pela petroleira Saudi Aramco, em 2019.

A expectativa é que a SpaceX estreie na bolsa em junho, embora o cronograma ainda possa sofrer alterações, segundo as fontes. A companhia pode protocolar sua documentação de forma confidencial já neste mês, conforme reportado pela Bloomberg News em fevereiro.

O site The Information já havia antecipado a estimativa mais elevada de captação. Os preparativos para o registro confidencial seguem em andamento, mas a empresa ainda pode rever seus planos. Procurada, a SpaceX não respondeu imediatamente.

Segundo fontes, a SpaceX pode buscar uma avaliação superior a US$ 1,75 trilhão em seu IPO. A companhia adquiriu recentemente a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI, em um acordo que avaliou o grupo combinado em US$ 1,25 trilhão, de acordo com a Bloomberg News.

Se atingir esse valor de mercado, a SpaceX passaria a valer mais do que todas as empresas do índice S&P 500 Index, com exceção de apenas cinco gigantes: Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon. Nessa métrica, a empresa também superaria a Meta Platforms e a própria Tesla, outra companhia de Musk.

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Moraes arquiva inquérito contra Elon Musk sobre suposta atuação em milícias digitais

O ministro Alexandre de Moraes arquivou nesta terça, 10, o inquérito que investiga o bilionário Elon Musk por suposta “instrumentalização criminosa” do antigo Twitter, além de suspeitas de desobediência a decisões judiciais, obstrução à Justiça em contexto de organização criminosa e incitação ao crime.

Na última terça, 3, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento do inquérito que atinge o bilionário e dono do X. Na percepção do PGR, “as hipóteses criminais aventadas não encontraram lastro probatório suficiente para a sua confirmação”.

Para o ministro, “tendo o Ministério Público requerido o arquivamento no prazo legal, não cabe ação privada subsidiária, nem a título originário, sendo essa manifestação irretratável, salvo no surgimento de novas provas”.

No pedido de arquivamento, o procurador Paulo Gonet atestou que “não se logrou identificar comportamento doloso por parte dos representantes legais da provedora que consubstanciasse desobediência a decisões sobre suspensão de direitos, embaraço a investigações de organizações criminosas ou incitação pública ao crime; ao revés, o que se descortinou foram falhas operacionais pontuais que, uma vez notificadas, foram prontamente sanadas pela companhia”.

Musk é um dos alvos do inquérito das milícias digitais, que apura a atuação de grupos suspeitos de disseminar notícias falsas em redes sociais e foi instaurado em abril de 2024 por Alexandre de Moraes.

À época, a Polícia Federal afirmou em relatório que “os investigados intensificaram a utilização da estrutura da milicia digital fora do território brasileiro com os objetivos de se furtar ao cumprimento das ordens judiciais e tentar difundir informações falsas ou sem lastro para obter a aderência de parcela da comunidade internacional com afinidade ideológica com o grupo investigado para impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo aos poderes constituídos no País”.

O procurador Paulo Gonet discordou da avaliação preliminar da PF e afirmou no pedido de arquivamento da investigação que “inexistem elementos de informação que apontem para uma resistência deliberada da plataforma em acatar as determinações desta Corte ou do Tribunal Superior Eleitoral”.

“As intercorrências relatadas pela autoridade policial, embora tenham permitido o acesso efêmero a conteúdos suspensos, configuram impropriedades técnicas inerentes à gestão de uma rede de dimensões globais, carecendo de intenção fraudulenta”, sustentou o PGR.

A defesa de Elon Musk no Brasil, conduzida pelo criminalista Sérgio Rosenthal, afirmou que “o pedido de arquivamento dos autos reflete, portanto, a postura correta e colaborativa da empresa, que não compactua, assim como jamais compactuou com qualquer ilegalidade”.

Embora tenha acolhido o pedido da Procuradoria, Moraes afirmou no despacho que “a titularidade privativa da ação penal ao Ministério Público não afasta o dever do Poder Judiciário de exercer sua atividade de supervisão judicial”.

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Do ‘Twitter’ à Starlink: Elon Musk fecha acordo para unir SpaceX e xAI antes de mega IPO

O bilionário Elon Musk acertou nesta segunda-feira (2) a fusão entre SpaceX e xAI, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, em um acordo que engloba as ambições cada vez mais dispendiosas do bilionário de dominar a inteligência artificial e a exploração espacial.

O acordo foi anunciado em um memorando nesta segunda. A expectativa é que a empresa resultante da fusão precifique suas ações em cerca de US$ 527 cada e tenha uma avaliação de mercado de US$ 1,25 trilhão, disseram algumas das fontes.

Os representantes da SpaceX e da xAI não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. 

A Bloomberg já havia noticiado as discussões. A SpaceX planeja uma oferta pública inicial (IPO) que pode arrecadar até US$ 50 bilhões, segundo a Bloomberg News. A empresa também discutiu uma possível fusão com a Tesla.

O acordo reúne duas das maiores empresas de capital fechado do mundo. A XAI captou recursos em janeiro com uma avaliação de US$ 230 bilhões, enquanto a SpaceX planejava realizar uma oferta pública inicial (IPO) em dezembro, com uma avaliação de cerca de US$ 800 bilhões, segundo a Bloomberg, e está explorando a possibilidade de um IPO.

Isso também complica ainda mais os diversos empreendimentos comerciais de Musk. O bilionário adquiriu a plataforma de mídia social Twitter no final de 2022, renomeou-a para X e, em seguida, fundiu o site com sua startup de inteligência artificial xAI em um negócio de US$ 33 bilhões .

A xAI, que também opera o chatbot Grok, é uma operação cara, consumindo cerca de US$ 1 bilhão por mês para alcançar sua ambição declarada de obter “uma compreensão mais profunda do nosso universo”. Uma fusão com a SpaceX reúne capital, talento, acesso a poder computacional — e dilui as fronteiras corporativas.

A parceria pode cristalizar a visão de Musk de colocar data centers no espaço para realizar computação complexa para IA. A SpaceX está solicitando permissão para lançar até um milhão de satélites na órbita da Terra para esse plano, de acordo com um documento apresentado na sexta-feira.

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Startup de Musk queima quase US$ 8 bilhões em caixa

A startup de inteligência artificial xAI, de Elon Musk, está queimando caixa rapidamente, com prejuízos crescentes à medida que gasta para construir data centers, recrutar talentos e desenvolver software que, no futuro, deverá alimentar robôs humanoides, de acordo com documentos internos.

A xAI reportou um prejuízo líquido de US$ 1,46 bilhão no trimestre encerrado em setembro, acima da perda de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre, mostram os documentos analisados pela Bloomberg. Nos primeiros nove meses do ano, a empresa gastou US$ 7,8 bilhões em caixa.

Assim como outras startups de IA de rápido crescimento, a xAI utiliza rapidamente os recursos captados em recentes rodadas de financiamento, disse a empresa em seu balanço mais recente e em uma teleconferência que executivos da xAI realizaram com investidores, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Robôs humanoides

A empresa disse aos investidores que seu objetivo é construir uma IA autossuficiente que, no futuro, deverá operar robôs humanoides como o Optimus — o robô da Tesla criado para substituir trabalho humano.

Na teleconferência com investidores, a liderança da xAI, incluindo o diretor de receitas, Jon Shulkin, disse aos investidores que o foco principal da xAI agora é desenvolver rapidamente agentes de IA e outros softwares, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por se tratar de conversas particulares.

Esses produtos alimentarão o que é chamado de “Macrohard” — termo que Musk disse se referir a uma empresa de software exclusivamente de IA, cujo nome é um trocadilho com “Microsoft” — até que possa impulsionar o Optimus.

Os executivos da empresa sinalizaram aos investidores que a xAI tinha os recursos necessários para continuar gastando agressivamente. Os documentos se referiam ao rápido crescimento da IA como “velocidade de escape” — um termo emprestado da astrodinâmica e frequentemente usado por Musk para falar sobre a rapidez com que suas empresas, incluindo a Space Exploration Technologies, podem crescer.

A receita da xAI quase dobrou em relação ao trimestre anterior, para US$ 107 milhões no período de três meses encerrado em 30 de setembro de 2025, de acordo com documentos financeiros compartilhados com investidores e analisados pela Bloomberg.

Um representante da xAI não quis comentar.

Embora Musk administre vários negócios e projetos separados, ele frequentemente interliga seus objetivos e recursos. O Grok, chatbot da xAI, tem sido totalmente integrado ao X, a rede social anteriormente conhecida como Twitter, e também está disponível nos veículos da Tesla. A SpaceX, empresa de foguetes de Musk, já investiu na xAI, que, por sua vez, gastou centenas de milhões de dólares em baterias Tesla Megapack.

Enquanto Musk tem falado sobre os potenciais benefícios de vincular formalmente a xAI à Tesla, a montadora não é atualmente investidora da xAI. Em novembro, os acionistas da Tesla votaram sobre se a empresa deveria investir na xAI — uma ideia que Musk apoia —, mas a proposta não vinculante não recebeu votos suficientes para ser aprovada. O conselho da Tesla considera os próximos passos, disse na época o diretor jurídico Brandon Ehrhart.

A xAI Holdings, controladora da xAI e do X, está focada em captar recursos para cobrir suas elevadas despesas. Recentemente, concluiu uma rodada de capital de US$ 20 bilhões com investidores, incluindo a Nvidia, Valor Equity Patners e Qatar Investment Authority, que avaliou a empresa em US$ 230 bilhões. Presume-se que esse dinheiro sustentará a empresa pelo próximo ano ou mais, já que ela continua alocando menos de US$ 1 bilhão por mês em investimentos, de acordo com pessoas familiarizadas com as finanças da empresa. A xAI utilizou quase US$ 8 bilhões em caixa em investimentos nos primeiros nove meses de 2025, mostram documentos financeiros.

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O maior bônus da história: Elon Musk vence na Justiça e vai receber R$ 780 bilhões da Tesla

Elon Musk obteve a restauração de seu pacote de remuneração de 2018 como CEO da Tesla depois que a Suprema Corte do Estado americano de Delaware reverteu parte das conclusões de uma juíza que havia dito que o bilionário influenciou indevidamente membros do conselho responsáveis por formular o maior plano de compensação corporativa da história.

Na sexta-feira (19), a corte concluiu que a pessoa mais rica do mundo tem direito a um plano de remuneração em ações hoje avaliado em cerca de US$ 140 bilhões – quase R$ 780 bilhões. Quando os diretores da Tesla autorizaram o pagamento, ele era o maior já concedido a um executivo nos Estados Unidos. Desde então, foi superado por um plano separado que pode valer até mais US$ 1 trilhão para o CEO da Tesla caso ele atinja metas futuras de desempenho.

O plano de 2018 estava suspenso depois que um único investidor — que possuía apenas nove ações — conseguiu barrá-lo na Justiça de Delaware, onde a montadora de veículos elétricos estava incorporada à época. Os investidores da Tesla votaram duas vezes de forma esmagadora a favor do plano, que disparou em valor à medida que a ação saltou de cerca de US$ 20 para perto de US$ 500 nos últimos sete anos.

Em decisão unânime, os cinco juízes do mais alto tribunal de Delaware afirmaram que cancelar totalmente a remuneração do CEO deixou “Musk sem qualquer compensação por seu tempo e esforços ao longo de seis anos”. No entanto, eles mantiveram o entendimento da instância inferior de que o conselho da Tesla estava repleto de conflitos de interesse ao estabelecer o pacote de pagamento para o bilionário cofundador da empresa.

“Embora tenham revertido a decisão sobre os danos, o julgamento ainda serve como um alerta para conselhos de administração: eles precisam ter um processo de remuneração livre do tipo de conflitos que vimos neste caso se quiserem passar pelo crivo judicial”, disse Charles Elson, professor aposentado da Universidade de Delaware e fundador do Weinberg Center for Corporate Governance.

Saída de Delaware

A decisão, muito aguardada, derruba parte das conclusões da juíza-chefe da Corte de Chancelaria, Kathaleen St. J. McCormick. Em janeiro de 2024, ela havia decidido que os diretores da Tesla tinham laços estreitos demais com o CEO — maior acionista da empresa — para definir sua remuneração de forma adequada. A decisão irritou interesses corporativos e o próprio Musk, que acusou os juízes de Delaware de adotarem uma postura antiempresarial e de colocarem injustamente os holofotes sobre acionistas controladores.

Desde então, Musk lançou uma campanha para convencer outras empresas a retirarem suas incorporações de Delaware, estado que abriga juridicamente mais de 60% das companhias da Fortune 500. Ele transferiu a sede legal da Tesla, da SpaceX e de outras empresas para o Texas e Nevada, e continuou a criticar duramente McCormick e outros magistrados, a quem chamou de ativistas.

Isso levou a uma mudança na legislação de Delaware, com apoio do novo governador democrata Matt Meyer, tornando mais difícil processar grandes executivos como Musk, numa tentativa de conter a fuga de empresas do estado. Críticos afirmam que a mudança afrouxou indevidamente os padrões legais para a revisão de negócios com partes relacionadas. Delaware é o principal paraíso de incorporações dos EUA e arrecada mais de US$ 2 bilhões por ano em taxas ligadas a esse status.

Peças armazenadas na fábrica em Tesla em Fremont, na Califórnia (EUA).
Peças armazenadas na fábrica em Tesla em Fremont, na Califórnia (EUA). Foto: Divulgação

Greg Varallo, um dos advogados do acionista da Tesla que contestou o pagamento de Musk, disse que está avaliando quais “próximos passos” seu cliente pode adotar no caso. Advogados da Tesla e de seus diretores não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

Em uma postagem na rede social X, Musk escreveu que tenta “não começar brigas, mas sempre as termina”.

Na decisão de 49 páginas, os juízes afirmaram que McCormick errou ao concluir que a solução para os conflitos do conselho deveria ser a anulação completa do acordo de remuneração. Isso deixou Musk sem pagamento por meia dúzia de anos à frente da montadora, que viveu crescimento sem precedentes nesse período. “É incontestável que Musk cumpriu integralmente o acordo de 2018, e que a Tesla e seus acionistas foram recompensados por seu trabalho”, afirmou a corte.

Entre 2018 e 2024, Musk transformou a fabricante de carros elétricos em uma das empresas mais valiosas e conhecidas do mundo. Sua fortuna é estimada em cerca de US$ 643 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. “Arranjos anteriores de remuneração não resolvem o problema de conceder uma solução que o prive” dos benefícios adequados por seus esforços, disseram os juízes.

Eles também afirmaram que, como os advogados de Richard Tornetta — o investidor que moveu a ação — não propuseram uma alternativa para lidar com os conflitos do conselho, ele faria jus apenas a “danos nominais”. O tribunal fixou a indenização em US$ 1 e reduziu os honorários advocatícios concedidos por McCormick em mais de US$ 290 milhões, para no máximo US$ 54,5 milhões. Tornetta ainda pode voltar à juíza para pedir que ela considere outra solução para a violação dos deveres legais do conselho em relação aos acionistas.

O conselho da Tesla tinha preparado um plano alternativo de remuneração para Musk caso o pacote de 2018 fosse rejeitado. Após a mudança da incorporação da empresa para o Texas, os diretores criaram, em agosto, uma compensação provisória avaliada em US$ 30 bilhões em ações, válida apenas se ele perdesse a disputa. Esse plano agora não se aplica mais.

Para criar ainda mais incentivos no futuro, os acionistas aprovaram em 6 de novembro um novo plano em ações que pode tornar Musk o primeiro trilionário da história e elevar sua participação na Tesla para 25% ou mais ao longo da próxima década. Para isso, ele terá de atingir uma série de metas, incluindo vender um milhão de robôs de IA e colocar um milhão de robotáxis autônomos em operação.

A pressão gerada pela saída de empresas de Delaware como sede corporativa “aumentou a pressão política” enfrentada pela Suprema Corte do estado ao analisar o controverso plano de pagamento de Musk, disse Ann Lipton, professora de direito societário da Universidade do Colorado.

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Musk rebate relatos de que SpaceX prepara venda de ações: ‘Não é correto’

O empresário Elon Musk negou neste sábado (6) as reportagens que afirmam que sua empresa de foguetes e satélites, a SpaceX, estaria lançando uma venda secundária de ações que poderia avaliar a companhia em US$ 800 bilhões.

“Tem circulado muita matéria dizendo que a SpaceX está levantando recursos a US$ 800 bilhões, o que não é correto”, disse Musk em uma publicação neste sábado em sua plataforma X. “A SpaceX tem sido geradora de caixa há muitos anos e faz recompras periódicas de ações duas vezes por ano para oferecer liquidez a funcionários e investidores”, afirmou.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram à Bloomberg News que a SpaceX está se preparando para realizar a transação. A notícia também foi dada pelo jornal americano Wall Street Journal, citando fontes.

Musk rebateu as notícias dizendo que a SpaceX já oferece liquidez aos investidores porque uma oferta secundária, como a que foi ventilada, serviria para permitir que funcionários e acionistas iniciais vendessem parte de suas participações, algo comum em empresas privadas que não têm ações negociadas em bolsa.

O negócio poderia levar a startup a ser a mais valiosa do mundo, superando o recorde anterior de US$ 500 bilhões estabelecido pela OpenAI, dona do ChatGPT, em outubro.

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SpaceX de Elon Musk pode chegar a US$ 800 bilhões e virar a startup mais valiosa do planeta

A SpaceX, empresa de transporte espacial e de satélites fundada por Elon Musk, está lançando uma venda secundária de ações que poderia avaliar a companhia em US$ 800 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, relatou o jornal americano Wall Street Journal.

Se confirmado, a nova transação faria da SpaceX, mais uma vez, a startup mais valiosa do mundo, superando o recorde anterior de US$ 500 bilhões estabelecido pela OpenAI, dona do ChatGPT, em outubro.

A última oferta pública da empresa, discutida pelo conselho de diretores na quinta-feira (4) no hub Starbase da SpaceX no Texas, poderia mudar dependendo do interesse de vendedores e compradores internos, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações não públicas.

Sob um cenário preliminar, a SpaceX poderia incluir um preço por ação de cerca de US$ 300, o que avaliaria a empresa em aproximadamente US$ 560 bilhões, segundo duas das fontes. Os detalhes da transação ainda podem mudar antes do fechamento, podendo alcançar avaliações ainda mais altas, disse uma terceira pessoa.

Um representante da SpaceX não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O último valor representaria um aumento substancial em relação aos US$ 212 por ação estabelecidos em julho, quando a empresa levantou recursos e vendeu ações com uma avaliação de US$ 400 bilhões.

O Wall Street Journal e o Financial Times, citando fontes não identificadas, relataram anteriormente que o negócio avaliaria a SpaceX em impressionantes US$ 800 bilhões, embora a Bloomberg não tenha conseguido confirmar a informação de forma independente.

A notícia sobre o valor da SpaceX fez as ações da EchoStar Corp., empresa de TV por satélite e telecomunicações, subirem até 18%. No mês passado, a EchoStar havia concordado em vender licenças de espectro à SpaceX por US$ 2,6 bilhões, somando-se a um acordo anterior de venda de cerca de US$ 17 bilhões em espectro sem fio para a empresa de Musk.

A SpaceX, lançadora de foguetes mais prolífica do mundo, domina a indústria espacial com seu foguete Falcon 9, que coloca satélites e pessoas em órbita.

A empresa também lidera o setor de serviços de internet via satélite em órbita baixa com o Starlink, um sistema com mais de 9.000 satélites, muito à frente de concorrentes como o Amazon Leo, da Amazon.com Inc.

Executivos da SpaceX já cogitaram transformar o Starlink em uma empresa separada de capital aberto — ideia sugerida inicialmente pela presidente Gwynne Shotwell em 2020.

No entanto, Musk repetidamente questionou publicamente a possibilidade ao longo dos anos, e o CFO Bret Johnsen afirmou em 2024 que um IPO do Starlink aconteceria provavelmente “nos próximos anos”.

O site The Information, citando pessoas próximas às discussões, relatou separadamente na sexta-feira que a SpaceX informou investidores e representantes de instituições financeiras que planeja um IPO para toda a empresa na segunda metade do próximo ano.

Uma chamada oferta secundária ou tender, na qual funcionários e alguns acionistas iniciais podem vender ações, oferece aos investidores de empresas privadas como a SpaceX uma forma de gerar liquidez.

A SpaceX também trabalha no desenvolvimento do novo foguete Starship, anunciado como o mais potente já desenvolvido, capaz de lançar grande quantidade de satélites Starlink, além de transportar carga e pessoas para a Lua e, eventualmente, para Marte.

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Startup de IA de Musk busca levantar US$ 15 bilhões e pode chegar a valor recorde de US$ 230 bilhões

A xAI, a empresa de inteligência artificial de Elon Musk, está em negociações avançadas para levantar US$ 15 bilhões em novo capital, em uma avaliação que pode chegar a US$ 230 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto e reportagens do Wall Street Journal. A nova avaliação mais do que dobraria os US$ 113 bilhões divulgados em março, quando a xAI foi incorporada à plataforma de mídia social de Musk, o X.

Os termos da rodada foram apresentados a investidores pelo gestor de patrimônio de Musk, Jared Birchall, na noite de terça-feira (18). Ainda não está claro se o valor informado representa a avaliação pré ou pós-investimento. Birchall não respondeu a pedidos de comentário.

A CNBC havia informado anteriormente que a xAI buscava captar US$ 15 bilhões em uma rodada Série E, avaliando a empresa em US$ 200 bilhões — reportagem que Musk rebateu como “falsa” em um post no X.

Como várias startups de IA, a xAI vem queimando caixa rapidamente enquanto constrói infraestrutura para treinar modelos cada vez mais complexos. A empresa e seus concorrentes se preparam para um ciclo de investimentos que pode somar trilhões de dólares nos próximos anos. Em junho, a xAI levantou US$ 5 bilhões em ações e US$ 5 bilhões em dívida para desenvolver seu data center Colossus em Memphis, Tennessee — um projeto que também recebeu US$ 2 bilhões de investimento da SpaceX.

Concorrente do ChatGPT

A empresa, fundada em 2023 para competir diretamente com a OpenAI e sua rival Anthropic, busca acelerar o desenvolvimento do Grok, seu chatbot concorrente do ChatGPT. A expansão envolve investimentos pesados em infraestrutura física, inclusive propriedades em Memphis destinadas ao supercomputador Colossus.

Musk, que também é CEO da Tesla, já sinalizou publicamente apoio à ideia de a montadora investir na xAI. Em uma assembleia recente, os acionistas da Tesla aprovaram um investimento na startup, embora muitos tenham se abstido. A presidente do conselho, Robyn Denholm, chegou a questionar a lógica do aporte e disse que o conselho ainda não havia conduzido a devida diligência necessária.

A xAI também enfrenta turbulências internas: a empresa perdeu recentemente vários executivos seniores, incluindo a CEO do X, Linda Yaccarino, além dos diretores financeiros do X e da própria xAI.

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Lucro da Tesla cai após elevação dos custos mitigar vendas recordes de veículos elétricos

O lucro da Tesla caiu mais do que o esperado, já que o aumento acentuado dos custos reduziu um trimestre recorde de vendas de veículos.

O lucro ajustado foi de 50 centavos por ação no período, uma queda de 31% em relação ao ano anterior, informou a empresa em um comunicado nesta quarta-feira (22). Analistas esperavam uma média de 54 centavos, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. A receita de US$ 28,1 bilhões superou as expectativas.  

Os resultados mostram que a fabricante de veículos elétricos não está imune aos custos crescentes que afetaram a indústria automobilística do país ao longo do ano, com a reformulação radical das políticas do presidente dos EUA, Donald Trump. As despesas operacionais da Tesla dispararam 50%, para US$ 3,4 bilhões no trimestre, enquanto a empresa espera um impacto de cerca de US$ 400 milhões com as tarifas americanas. 

O CEO Elon Musk promete um futuro construído em torno da inteligência artificial, robôs humanoides e tecnologia de direção autônoma — pontos que ele destacou na teleconferência da Tesla com investidores. Os investidores aderiram amplamente à visão de Musk, impulsionando as ações da empresa em alta de 8,7% no acumulado do ano até o fechamento de quarta-feira. 

Mas há incerteza quanto ao cronograma de desenvolvimento desses negócios e aos custos associados à sua expansão. O negócio principal da Tesla, a venda de veículos, também enfrenta um escrutínio renovado, à medida que a concorrência se intensifica e os incentivos fiscais dos EUA são gradualmente eliminados. 

“Estamos entrando em um momento em que há muitas dúvidas sobre a trajetória de crescimento dos lucros de curto e médio prazo para a Tesla”, disse Garrett Nelson, analista sênior de pesquisa de ações da CFRA. 

O diretor financeiro Vaibhav Taneja reconheceu que a concorrência e as tarifas representam obstáculos para a empresa.  

As ações da Tesla caíram 4,1% às 18h05 no pregão estendido em Nova York. As ações ampliaram as quedas após Musk concluir seus comentários introdutórios na teleconferência da Tesla, sinalizando a decepção dos investidores com o fato de a empresa ter oferecido apenas detalhes limitados. 

“O mercado está percebendo que a Tesla opera como uma plataforma de IA, mas reporta como uma montadora”, disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital. Dec Mullarkey, diretor-gerente da SLC Management, disse que “não há muito aqui para inspirar os investidores”. 

A Tesla reiterou a declaração do trimestre anterior de que é “difícil mensurar” como as mudanças nas políticas comerciais e fiscais globais impactariam seus negócios e operações. A empresa prevê que os resultados dependam do ambiente econômico mais amplo, bem como da sua velocidade em acelerar os esforços de autonomia e aumentar a produção de produtos essenciais.

Analistas pesquisados ​​pela Bloomberg esperam que a Tesla relate o segundo ano consecutivo de queda nas entregas de veículos. 

Vendas recordes

No início deste mês, a Tesla relatou vendas recordes no terceiro trimestre, com os clientes correndo para aproveitar um crédito fiscal de US$ 7.500 para compras de veículos elétricos que expirou em 30 de setembro, proporcionando um impulso temporário ao principal negócio automotivo da empresa.

Na quarta-feira, a Tesla reportou US$ 417 milhões em receita com créditos regulatórios recebidos de outras montadoras que excedem os padrões de emissões — apenas um pouco abaixo do valor do trimestre anterior. Mudanças de política sob o governo Trump reduziram a demanda por esses créditos. A Tesla afirmou que prevê um declínio nesse segmento. 

Musk espera que o negócio de robotáxis da Tesla , lançado em Austin em junho, se expanda para até 10 áreas metropolitanas até o final do ano, caso a empresa receba as aprovações necessárias. Ele também afirmou que a empresa removerá a maioria dos operadores de segurança humana dos robotáxis em Austin ainda este ano. Não está claro quantos veículos estão operando atualmente lá, após o lançamento da fabricante de veículos elétricos com cerca de dez a vinte unidades. 

A Tesla também opera um serviço de transporte compartilhado na área da Baía de São Francisco que não é totalmente autônomo e se assemelha mais ao Uber. Possui licenças de teste para Arizona e Nevada. 

O fluxo de caixa livre foi de quase US$ 4 bilhões, um aumento significativo em relação ao ano anterior e bem acima da estimativa média dos analistas de US$ 1,25 bilhão.  

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