CCJ do Senado pauta PEC que amplia a autonomia do Banco Central



As Centrais Sindicais Força Sindical, CUT, UGT, Nova Central, CTB, CSB, Intersindical e Pública, programarão para amanhã, dia 28 de abril, ato a partir das 10 horas, em frente à sede do Banco Central do Brasil, localizada na Avenida Paulista, 1.804, no bairro Bela Vista (SP). Saiba mais na TVT News.
De acordo com as lideranças sindicais, a Taxa Selic atual, fixada em 14,75% a.a, permanece excessivamente elevada e compromete o desenvolvimento econômico.
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O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, ressalta que juros altos restringem investimentos na produção o que, consequentemente, impacta negativamente na geração de empregos e reduz a renda dos trabalhadores.
“É inaceitável a política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil, que prejudica o crescimento econômico”, afirmou o sindicalista.
Além disso, as centrais orientam sindicatos, federações e confederações a mobilizar suas bases, levando bandeiras, faixas e camisetas para fortalecer visibilidade e pressão política.
Data: 28 de abril de 2026
Horário: 10 horas
Local: em frente a sede do Banco Central
Endereço: Av. Paulista, 1.804, Bela Vista, São Paulo/SP
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Nesta semana, o Banco de Brasília (BRB) anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à venda de ativos ligados ao Banco Master.
O montante total gira em torno de R$ 20 bilhões, mas a operação tem valor de referência de R$ 15 bilhões e faz parte de um processo de reorganização da carteira do banco estatal.
Leia também: STF forma maioria para manter prisão do ex-presidente do BRB e advogado
De acordo com o Estadão, a transação prevê duas formas de pagamento. Entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões serão pagos à vista. O restante, entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões em “cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos”.
“O BRB através da Operação visa a alienação dos referidos ativos com o objetivo de fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio, sendo a transação etapa relevante no processo de readequação da Companhia, com expectativa de efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial”, diz a companhia.
De forma geral, a operação ainda depende da estruturação final do fundo de investimento, que será responsável por gerir os ativos ao longo do tempo. Além disso, o BRB ainda precisa comunicar o Banco Central sobre a movimentação.
Ainda de acordo com a estratégia do banco, a venda dos ativos tem como objetivo fortalecer a estrutura de capital e melhorar a liquidez da instituição. Nas últimas semanas, o BRB tem procurado medidas que melhorem a situação atual da instituição.
Conforme noticiado pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o BRB ainda não teria comunicado previamente o Banco Central sobre a negociação envolvendo cerca de R$ 20 bilhões em ativos do Banco Master, o que levantou questionamentos sobre a condução da operação.
Esse ponto adiciona pressão ao processo de reestruturação e amplia a atenção sobre a governança da transação. Vale ressaltar que o BRB também está na lista de instituições do BC que estão sendo investigadas.
Leia também: BRB aprova aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões em meio a efeitos do caso Master
A operação ocorre em meio a uma crise de liquidez do BRB e investigações envolvendo a antiga gestão do Banco Master.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou em entrevista ao Estadão que o banco teria sido vítima de fraude atribuída ao ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal. Ele nega as acusações.
As apurações seguem em andamento e fazem parte do cenário que envolve a reestruturação dos ativos agora negociados. Por parte do Banco Master, a instituição financeira de Daniel Vorcaro segue no processo de finalizar as operações após ser liquidada pelo BC.
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O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), ausente na abertura de um evento de tecnologia chamado South Summit, em Porto Alegre, acabou sendo lembrado por um clássico do mercado.
Cotado como possível candidato da chamada terceira via nas eleições presidenciais, ele recebeu apoio público do economista Armínio Fraga.
Durante painel sobre riscos e oportunidades para o Brasil em 2027, Fraga fez um elogio confuso a Leite. “Existe uma oportunidade espetacular para o Brasil, mas eu não acredito que a situação polarizada que a gente tem hoje vai dar uma resposta. Eu acredito que quem pode colocar o Brasil nessa trajetória é o governador Eduardo Leite”, disse.
O gaúcho estava em São Paulo, onde se reuniu com Gilberto Kassab para tratar de sua possível candidatura ao Planalto. Filiado ao PSD, ele tenta se consolidar como alternativa fora da polarização entre os principais grupos políticos.
O South Summit tem sido uma vitrine recorrente para Leite desde 2022, quando o governo do Rio Grande do Sul passou a financiar o evento. A gestão estadual mantém presença ativa na programação, com participação institucional e apresentações voltadas à agenda de inovação e tecnologia.
Ex-presidente do Banco Central, Armínio propôs congelar o salário mínimo por seis anos em maio de 2025, permitindo apenas a correção pela inflação, sem aumento real. A medida ajudaria a reduzir gastos públicos, que hoje, segundo ele, concentram até 80% do orçamento em folha e previdência.
Arminio Fraga declara apoio a Eduardo Leite:
“Tudo no Brasil pode melhorar, eu acredito nisso. Não acredito que a polarização vá resolver os problemas. Quem pode resolver nessa trajetória é o Eduardo Leite.” 🤣
— Pri (@Pri_usabr1) March 26, 2026


Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, sobre o mito da bancarização. Leia o artigo em TVT News.
Nos últimos anos, as fintechs foram apresentadas como solução inovadora para ampliar o acesso da população ao sistema financeiro. Com discurso de inclusão, tecnologia e desburocratização, essas empresas prometeram levar serviços bancários a quem historicamente esteve à margem.
Mas, na prática, é preciso questionar: elas de fato promoveram a bancarização ou apenas ampliaram o alcance de serviços financeiros sem compromisso com inclusão real?
Bancarizar não é simplesmente abrir contas digitais ou oferecer cartões de crédito. Bancarização significa garantir acesso a crédito em condições justas, com taxas compatíveis com a renda da população, além de serviços que promovam estabilidade financeira e desenvolvimento econômico. Trata-se de inclusão.
Dados de 2024 do Banco Central indicam que o crédito no Sistema Financeiro Nacional segue fortemente concentrado nos grandes bancos, que respondem por 81% do total, percentual praticamente inalterado há mais de uma década. Em seguida, aparecem as cooperativas, com 7%, os bancos de desenvolvimento e as financeiras, com 5%, enquanto as fintechs, majoritariamente instituições de pagamento, ainda detêm participação bastante reduzida, de apenas 1%.

O que se observa, no entanto, é que muitas fintechs expandiram sua atuação justamente entre as camadas mais vulneráveis da população, oferecendo crédito fácil, porém com juros elevados. Esse modelo tem contribuído para o aumento do endividamento das famílias mais pobres, que encontram nessas plataformas uma das poucas alternativas disponíveis, mas acabam presas em ciclos de dívida.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (CNC) indicam que 80,2% das famílias brasileiras estão endividadas, sendo que 29,6% possuem dívidas em atraso e 12,6% não terão condições de quitá-las.
Esse quadro se agrava diante do elevado patamar das taxas de juros no país: com a taxa Selic em 14,75%, as operações de crédito para pessoa física apresentam custos bastante elevados, como no cheque especial (138,73% ao ano), no crédito pessoal (118,13%) e, de forma ainda mais crítica, no rotativo do cartão de crédito (424,49%). A promessa de democratização do crédito se transforma, assim, em mais um mecanismo de exploração financeira.

O crescimento acelerado das fintechs no Brasil reforça essa contradição. Impulsionadas por investimentos robustos e por um ambiente regulatório mais flexível, essas empresas ampliaram sua base de clientes rapidamente.
No entanto, a proposta inicial — de criar uma rede mais acessível, com custos menores e juros reduzidos — não se concretizou na escala prometida. Em muitos casos, as taxas praticadas são tão altas quanto, ou até superiores, às dos bancos tradicionais.
A exclusão aumenta quando os bancos fecham agências e privilegiam setores de alta renda, para aumentar seus lucros. Um levantamento feito pelo Dieese mostra que tivemos a redução de 37% das agências em 10 anos, chegando a pouco mais de 14 mil unidades. São 8,5 mil agências a menos no país entre 2015 e 2025, Somente em 2025, 30 agências foram fechadas a cada semana.
Quase metade dos municípios não possuem agências bancárias. O fechamento de agências tem um impacto direto sobre a população, especialmente em cidades menores, afetando milhões de pessoas. Isso dificulta o acesso ao crédito, ao atendimento presencial e a serviços essenciais, sobretudo para idosos, população de baixa renda e pessoas com pouca familiaridade digital. O resultado é um processo de exclusão financeira e territorial.
Os bancos são uma concessão pública. Isso significa que os bancos têm responsabilidade social e obrigação de atender toda a população, não apenas os segmentos de alta renda. O fechamento de agências, a redução do atendimento presencial e a concentração de serviços voltados aos clientes mais rentáveis contrariam esse princípio e aprofundam desigualdades.
Se queremos, de fato, falar em bancarização, é preciso ir além da retórica da inovação. É necessário enfrentar o problema dos juros abusivos, proteger os consumidores mais vulneráveis e reafirmar o papel social das instituições financeiras. Caso contrário, continuaremos assistindo à expansão de um modelo que, sob o discurso da inclusão, reproduz e aprofunda desigualdades.

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.
Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade.
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Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Polícia Federal sob suspeita de ter sido usada como canal de pagamentos a uma suposta milícia privada do grupo e a agentes públicos. Os dados constam em extrato bancário obtido por reportagem. Os repasses teriam ocorrido entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Com informações de Folha de S.Paulo.
Só em 2025, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super Empreendimentos, distribuídos em 264 transferências. Segundo a apuração, os maiores repasses ocorreram entre fevereiro e abril, em operações de R$ 5 milhões cada.
A PF aponta Zettel como responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos relacionados a possíveis atividades ilegais ligadas ao grupo de Vorcaro, que voltou a ser preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, determinada pelo ministro André Mendonça, do STF.
De acordo com investigadores, mensagens analisadas pela PF mostram ordens de pagamento e referências a transações com menções a políticos. A decisão de André Mendonça que autorizou prisões preventivas e outras medidas também cita a Super Empreendimentos como empresa usada para movimentações financeiras do grupo, incluindo pagamentos atribuídos ao núcleo chamado de “A Turma”, descrito na investigação como encarregado de monitorar e pressionar pessoas vistas como adversárias de Vorcaro ou ligadas às apurações sobre o banco.

Zettel é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha e foi alvo de prisão preventiva junto com Vorcaro no começo de março. Casado com Natalia Vorcaro, ele se projetou no setor empresarial como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora voltada ao mercado de bem-estar.
Por meio da empresa, tornou-se sócio de negócios como Grupo Frutaria, Oakberry, Les Cinq, Desinchá e Super Nutrition. Em 2022, também foi doador das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total, sendo R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio, segundo o texto-base enviado.
A Super Empreendimentos também aparece nas investigações como parte da estrutura financeira usada para tomar empréstimos considerados fraudulentos no Banco Master. Segundo a linha investigativa, esses financiamentos seriam vendidos a fundos de investimento, enquanto recursos circulavam por uma rede que incluía compra de CDBs do próprio banco.
A empresa ainda foi mencionada em decisão judicial sobre pagamentos a dois ex-integrantes do Banco Central investigados no caso: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Outro ponto citado nas apurações envolve um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, anteriormente registrado em nome da Super, onde Vorcaro recebeu políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos).
Segundo a assessoria de Vorcaro, ele era inquilino do imóvel. Zettel deixou a diretoria da Super em julho de 2024. Em nota enviada em dezembro, a assessoria de Vorcaro confirmou que o cunhado era um dos sócios da empresa, mas afirmou que a relação entre Vorcaro e a Super era “meramente comercial”.

Nikolas Ferreira, atraído para uma armadilha, andou por nove dias num jatinho de Vorcaro, em campanha por Bolsonaro na eleição de 2022. Lulinha guarda um de seus jatos, todos dourados, no hangar desse avião de Vorcaro usado por Nikolas. Deve ter visto Nikolas voando de um lado pra outro e não o alertou: aquele avião é de um mafioso.
Dois diretores do Banco Central trabalhavam para o Master, ao lado do gabinete de Roberto Campos no governo Bolsonaro. Eram infiltrados a serviço de Daniel Vorcaro, que abasteciam com informações de decisões tomadas dentro do BC.
Lulinha, que vivia tomando cafezinho e chá de hibisco com Campos Neto e diretores do BC de Bolsonaro, sabia ou deveria saber e não alertou nem Campos Neto, nem Bolsonaro, nem Malu Gaspar.
Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, pegou um empréstimo de R$ 22 milhões no Banco Master e comprou um terreno em João Pessoa, não para construir uma casa, mas um bairro.
Lulinha não fez nada para impedir que Bianca entrasse nessa fria, sabendo que no BRB ela poderia pegar o mesmo empréstimo pela metade dos juros e aplicar parte do recebido no Master em CDBs com rendimento de bitcoin de Javier Milei.
Ciro Nogueira confiou em dois deputados que pagavam suas contas do cartão de crédito, Átila Lira e Júlio Arcoverde, do PP do Piauí. Ciro descobriu agora, estupefato, por informação do Coaf, que os dois podem ter usado dinheiro de lavagem do PCC com uma fintech da Faria Lima.
Lulinha vive dando banda na Faria Lima, com sua pasta 007, e não sabia de nada? Não poderia ter alertado Ciro Nogueira de que o dinheiro poderia ser da lavanderia das fintechs investigadas pela Polícia Federal e das quais ninguém mais fala?
Bolsonaro e Tarcísio de Freitas receberam dinheiro de Vorcaro, na eleição de 2022, sendo R$ 3 milhões para o chefão e R$ 2 milhões para o extremista moderado, e ninguém disse: peraí que esse cara vai meter muita gente num rolo sem fim.

Lulinha poderia ter dito, porque é impossível que Valdemar Costa Neto não tenha dito a Lulinha o que disse em entrevistas, que os R$ 3 milhões foram depositados na conta de Bolsonaro, e não do PL, na campanha.
Há omissões de Lulinha em todas as áreas. O senador Carlos Viana, do Podemos, presidente da CPMI do INSS, destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares para a Fundação Oasis, da Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão. Lulinha, frequentador da Lagoinha e dos lagões da extrema direita religiosa, não sabia, ou sabia e induziu Viana a fazer a doação?
A Polícia Federal acusa a deputada bolsonarista cearense Gorete Pereira, que saiu do PL para o MDB, de ter comprado um apartamento de R$ 4 milhões com dinheiro desviado do INSS usando empresas de fachada.
Lulinha vai dizer que não conhece Gorete, frequentadora das praias de Jijoca de Jericoacoara, onde ele tem no portão da sua mansão um par de esculturas de leões em ouro maciço e no jardim uma cabra de prata 950?
O deputado Sóstenes Cavalcante vendeu um imóvel e recebeu o pagamento em dinheiro vivo e foi flagrado com os R$ 470 mil em casa. Porque Lulinha, amigo de um primo de um tio de Sóstenes, não o aconselhou a guardar o dinheiro no Master ou no BRB?
A deputada Julia Zanata, do PL de Santa Catarina, está chorosa porque um projeto que tramita no Congresso pode impedir a compra de imóveis com dinheiro vivo.
Lulinha, que movimenta milhões, segundo o Globo, comete o erro de lidar com bancos, quando poderia guardar todo o dinheiro vivo em casas compradas com dinheiro vivo. O que é mais seguro e garantido.
Julia sabe o problemão que será criado com a proibição, mas que não terá o apoio dos que preferem os bancos. O que fazer com a dinheirama que as pessoas têm em casa em Santa Catarina para comprar casinhas?
É interminável a lista de pessoas que poderiam ter sido alertadas por Lulinha. Mas ele se calou e foi omisso. Pode ser processado por omissão de socorro a Campos Neto, Bolsonaro, Tarcísio, ACM Neto, Ibaneis, Rueda, Alcolumbre, Sóstenes, Nikolas, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Neto – todos vítimas de estelionatários ao lado do Valor Econômico e da Globo, ingenuamente patrocinados por Vorcaro em evento de líderes mundiais em Nova York.
Lulinha deveria ter avisado Campos Neto para que evitasse receber Vorcaro em visitas ao Banco Central. Mas Vorcaro foi uma, duas, três, quatro, cinco, seis, foi ou mandou emissários 24 vezes ao Banco Central durante a gestão de Campos Neto.
A frequência de Vorcaro no Banco Central é maior do que a de Carluxo nas sessões da Câmara de Vereadores do Rio. E Lulinha sempre quieto. É um danado esse Lulinha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou, nesta quinta-feira (19), o corte de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, juros básicos da economia. Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos na reunião desta quarta-feira (18).
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“Estou triste, porque eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro pelo menos em 0,5%. E baixou só em 0,25, dizendo que é por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, disse o presidente Lula em evento do governo federal em São Paulo.
Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 15% ao ano para 14,75%. A decisão era esperada pelo mercado financeiro, de acordo com dados do boletim Focus, ainda que parte dos analistas apostasse em uma redução maior. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.
“Nós estamos fazendo um sacrifício que vocês não têm noção. O sacrifício que nós estamos fazendo para fazer a economia crescer, para fazer a geração de emprego, para aumentar o salário das pessoas, vocês não têm noção”, acrescentou Lula, em referência aos impactos que a Selic em alta causa na economia, como a desaceleração da atividade econômica.
Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes.
Na ata da reunião de janeiro, o Copom afirmou que iniciaria um ciclo de corte nos juros na reunião desta semana, mas o comunicado divulgado na quarta-feira (18) trouxe mais cautela diante do aumento das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio. O BC não descartou rever o ciclo de baixa, caso seja necessário.
A taxa básica de juros serve de referência para as demais taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. A previsão do mercado é que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano.
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A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por gastos com educação. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1%, por causa do conflito no Oriente Médio.
Isso representa inflação pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5%, com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto.
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
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O ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central do Brasil, Belline Santana, é suspeito de ter retardado o envio de documentos à Polícia Federal que embasariam a primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo informações reveladas pela investigação, os documentos solicitados pela PF em outubro do ano passado demoraram semanas para ser enviados.
Na época, os investigadores preparavam a primeira fase da Operação Compliance Zero e haviam solicitado ao Banco Central uma série de registros sobre as atividades do Master. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão, Belline só encaminhou a documentação após ser alertado de que poderia ser responsabilizado judicialmente ou receber advertência caso continuasse a atrasar o envio das informações.
Belline e o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza foram alvos de mandados de busca e apreensão e passaram a usar tornozeleira eletrônica na terceira fase da operação. A investigação aponta que ambos teriam auxiliado Vorcaro a preparar documentos de defesa apresentados ao Banco Central e são suspeitos de receber pagamentos de propina.
O envolvimento de Belline surpreendeu investigadores porque ele era um dos representantes indicados pelo Banco Central para compartilhar informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal sobre suspeitas de irregularidades no Banco Master. Na estrutura da autarquia, ele era subordinado à Diretoria de Fiscalização comandada por Ailton Aquino.

Ao mesmo tempo em que participava de reuniões com investigadores, Belline também integrava um grupo de WhatsApp com Vorcaro e outro servidor do Banco Central, além de manter encontros privados e conversas telefônicas com o banqueiro.
Na decisão que autorizou a operação contra o servidor, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou indícios de que Belline teria atuado diretamente para auxiliar o empresário.
“Os elementos reunidos nas investigações indicam que BELLINE SANTANA prestava consultoria estratégica ao investigado, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Banco Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco Master perante o Banco Central. Em diversas ocasiões, o investigado solicitava contato telefônico para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações”, escreveu o ministro.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025 quando tentava deixar o país em um jatinho. Ele foi solto 11 dias depois, mas voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) por determinação do STF.

Servidores do Banco Central do Brasil produziram relatórios protegendo o Banco Master, o que teve peso na avaliação da fintech durante a gestão de Roberto Campos Neto. Segundo reportagem do Valor Econômico, documentos elaborados por técnicos que posteriormente passaram a ser investigados por suspeita de atuação em favor do controlador do banco, Daniel Vorcaro, contribuíram para afastar naquele momento a hipótese de liquidação da instituição.
A apuração indica que os servidores Paulo Souza e Belline Santana, da área de supervisão do Banco Central, produziram análises que apontavam normalidade nas operações do banco. Esses relatórios foram apresentados à direção da autarquia quando Campos Neto presidia o BC, mesmo diante de alertas feitos por agentes do mercado financeiro sobre possíveis irregularidades envolvendo o Master.
Diante das denúncias, Campos Neto determinou que Paulo Souza analisasse as carteiras da instituição. O relatório apresentado pelo servidor, no entanto, concluiu que não havia irregularidades relevantes. O cenário mudou com o avanço das investigações da Polícia Federal, que passaram a apontar suspeitas de atuação dos dois técnicos em favor de Vorcaro dentro da estrutura do Banco Central.
Os servidores foram alvo de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a decisão judicial, há indícios de que os dois teriam recebido vantagens financeiras vinculadas ao banco. No caso de Belline, o documento menciona pagamentos por meio de uma empresa por serviços simulados de consultoria.

Os dois também participaram de episódios considerados relevantes para a estratégia jurídica de Vorcaro. Um deles foi a elaboração de um relatório sobre uma reunião realizada em novembro de 2025 entre o empresário e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino.
O documento foi rapidamente encaminhado por Belline aos advogados do banqueiro e acabou sendo utilizado pela defesa para sustentar argumentos que contribuíram para sua soltura após a primeira prisão.
Com o avanço das suspeitas, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, determinou o afastamento dos dois servidores e a abertura de investigação interna. A apuração também passou a examinar sinais de enriquecimento incompatíveis com os salários dos técnicos e possíveis conexões financeiras com operações ligadas ao Banco Master.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou um novo produto de crédito consignado ligado ao Banco Master que estaria sendo oferecido de forma irregular. Segundo o órgão, há indícios de fraude em contratos do chamado M Fácil Consignado, incluindo duplicação de nomes, ausência de assinatura e falta de transparência sobre juros cobrados. Com informações da Folha.
De acordo com o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, o M Fácil tem funcionamento semelhante ao Credcesta, modalidade criada em 2018 por Augusto Lima e posteriormente levada ao Banco Master, onde Lima se tornou sócio de Daniel Vorcaro. Inicialmente ofertado a servidores públicos, o produto foi posteriormente direcionado também a aposentados e pensionistas.
A análise conduzida pelo INSS identificou que contratos do M Fácil não permitem verificar se a assinatura eletrônica do beneficiário é válida. Também foram encontrados documentos sem informações claras sobre taxas de juros ou valores das parcelas, o que levou o órgão a iniciar uma investigação para avaliar a extensão das operações.

A apuração foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e comunicada a outros órgãos de controle. Segundo o INSS, os casos podem ser encaminhados à esfera criminal diante dos indícios de fraude detectados nos contratos.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master sempre atuou em conformidade com as normas aplicáveis ao crédito consignado. “O banco sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado”, declarou a defesa.
O Banco Central, responsável pelo processo de liquidação do Banco Master decretado em novembro, não respondeu aos questionamentos sobre o caso. O acordo de cooperação que permitia ao banco operar consignados do INSS deixou de ser renovado após o surgimento de suspeitas envolvendo operações de crédito.


Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro obtidas pelo jornal “O Globo” registram conversas de 2024 nas quais ele menciona o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e se refere ao parlamentar como “um dos meus grandes amigos de vida”. Os diálogos também tratam de uma emenda apresentada pelo senador durante a tramitação da PEC 65 de 2023, que discutia a autonomia orçamentária do Banco Central.
Nas mensagens, Vorcaro comenta a proposta de Ciro Nogueira relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A emenda sugeria elevar o limite de cobertura do fundo de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante e também previa mudança na gestão do mecanismo.
Atualmente, o FGC é administrado pelas próprias instituições financeiras. Pela proposta apresentada pelo senador, a gestão passaria para a alçada do Banco Central. A sugestão acabou não sendo incluída no texto final aprovado pelo Congresso Nacional.

Em um dos trechos das mensagens, Vorcaro comenta a iniciativa e afirma que a proposta poderia alterar o equilíbrio entre instituições financeiras. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu.
Na sequência do diálogo, o banqueiro descreve reações que teria recebido após a divulgação da proposta. “Kkk todo mundo me ligando”, afirmou. Em outra mensagem, acrescentou: “Sentiram o golpe”. Em outro momento da conversa, Vorcaro diz que a situação teria “tantos desdobramentos loucos” caso fosse retratada em um filme.
Os diálogos fazem parte de documentos reunidos pela CPI do INSS. Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, investidores com aplicações de até R$ 250 mil na instituição foram reembolsados pelo Fundo Garantidor de Créditos. Procurado para comentar as mensagens, o senador Ciro Nogueira ainda não se manifestou.

O Palácio do Planalto decidiu reagir às tentativas da oposição de associar o escândalo envolvendo o Banco Master ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Integrantes da base aliada informaram ao Executivo que parlamentares adversários pretendiam relacionar o banqueiro Daniel Vorcaro à atual gestão.
O tema foi discutido em reuniões realizadas no início da semana com deputados que participam da CPI do Crime Organizado e da CPI do INSS. Nessas conversas, parlamentares relataram ao governo que havia articulações para tentar vincular o caso Master ao governo federal.
Após os encontros, integrantes do Executivo passaram a destacar informações da investigação envolvendo o banqueiro. A estratégia inclui mencionar possíveis relações de Vorcaro com políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, citou nas redes sociais uma viagem do deputado Nikolas Ferreira em avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022. Em publicação, ela escreveu: “Foram dez dias voando pelo país nas asas do Master, junto com pastores da Igreja Lagoinha, a mesma do pastor Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, que foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio (de Freitas)”.
A operação de hoje da Polícia Federal expões definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) March 4, 2026
Após a nova prisão de Vorcaro e a divulgação de suspeitas envolvendo servidores do Banco Central, Gleisi voltou a se manifestar nas redes sociais. A ministra publicou: “A operação de hoje da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master.
O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”
Parlamentares da base aliada afirmam que o governo pretende destacar possíveis vínculos políticos do banqueiro com figuras do campo bolsonarista. Entre os pontos citados por integrantes do grupo estão as viagens realizadas por Nikolas Ferreira no avião de Vorcaro durante o período eleitoral de 2022.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT/RJ) informou nesta quarta-feira (4) que protocolou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando investigação sobre o eventual envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso relacionado ao Banco Master e ao seu controlador, Daniel Vorcaro. A iniciativa ocorre após a terceira fase da Operação “Compliance Zero”, que apreendeu mensagens no celular do banqueiro.
Segundo o parlamentar, o material obtido na investigação menciona a existência de uma estrutura voltada à intimidação e violência contra jornalistas. As mensagens passaram a integrar o conjunto de elementos citados pelo deputado no pedido de investigação apresentado ao Ministério Público.
Lindbergh também recorda que, em abril de 2025, quando ocorreu a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), já havia encaminhado um pedido de apuração à Comissão de Ética da Presidência da República. Na ocasião, o parlamentar citou indícios de irregularidades relacionados ao processo de aquisição.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu hoje o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelou fatos extremamente graves sobre a atuação da organização criminosa investigada. As mensagens encontradas no celular do banqueiro indicam a existência de uma espécie de… pic.twitter.com/hogvH3eejS
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) March 4, 2026
Com a divulgação de novos elementos, o deputado afirma que surgiram referências à possível atuação de agentes públicos do Banco Central. Entre os nomes citados estão Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, identificados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária.
De acordo com o parlamentar, as mensagens indicariam interlocução frequente entre esses servidores e o controlador do banco. O deputado sustenta que as informações exigem ampliação do foco investigativo para alcançar também a gestão do então presidente do Banco Central.
Na notícia-crime apresentada à PGR, Lindbergh pede que sejam investigados possíveis casos de omissão dolosa na fiscalização bancária. O pedido também solicita análise sobre normas editadas durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central que, segundo o parlamentar, poderiam ter facilitado irregularidades atribuídas ao Banco Master.
O objetivo da representação, segundo o deputado, é garantir uma apuração completa sobre responsabilidades individuais, decisões administrativas e eventuais condutas relacionadas ao funcionamento do sistema financeiro no caso envolvendo o banco.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a nova fase da investigação sobre o Banco Master expôs um esquema de corrupção envolvendo dirigentes do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro, quando a autarquia era chefiada por Roberto Campos neto.
A declaração foi feita após a operação da Polícia Federal que resultou na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Segundo Gleisi, as revelações da investigação indicam ligação entre o escândalo e a gestão do Banco Central durante o governo anterior.
“A operação de hoje da Polícia Federal expôs definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master”, disse a ministra. Ela ainda citou diretamente os dois ex-dirigentes que se tornaram alvos das investigações.
“O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por Campos Neto, Belini Santana, recebiam dinheiro de Daniel Vorcaro para impedir a fiscalização do Master, de acordo com a investigação”, prosseguiu.
Gleisi também questionou a atuação do ex-presidente do Banco Central diante das suspeitas envolvendo a instituição financeira. “Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, afirmou.

A ministra ainda mencionou informações da investigação sobre um grupo chamado “A Turma”, usado para monitorar opositores e intimidar críticos. “A nova operação da PF revela que, enquanto emprestava avião para o deputado Nikolas fazer campanha para Bolsonaro, Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel comandavam uma quadrilha criminosa”.
“Essa ‘Turma’ dos amigos de Nikolas espionava autoridades, invadia bancos de dados do Ministério Público e da Polícia Federal, organizava ataques a desafetos de Vorcaro e até contra jornalistas. E a Turma da extrema-direita, de Bolsonaro e Nikolas, ainda quer jogar esse escândalo no colo dos outros”, completou.
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Federal, o grupo promoveu espionagem ilegal, acesso indevido a bancos de dados e ações de intimidação contra adversários. O material analisado aponta ainda suspeitas de suborno de servidores públicos, lavagem de dinheiro e fabricação de ativos financeiros sem lastro.
A operação de hoje da Polícia Federal expões definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. O ex-diretor de Fiscalização do BC indicado por Bolsonaro, Paulo Sérgio Souza, e o ex-chefe da Supervisão Bancária nomeado por…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) March 4, 2026


O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10) que o caso envolvendo o Banco Master teve origem em gestões anteriores do Banco Central, mas passou a ser efetivamente enfrentado na atual administração. Segundo ele, o avanço das investigações só foi possível graças à atuação integrada entre instituições e ao envio formal de informações à Polícia Federal.
A declaração foi dada durante entrevista coletiva sobre o balanço das gestões da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Rodrigues destacou que a apuração ganhou força a partir da cooperação entre os órgãos e da decisão da atual direção do Banco Central de levar os dados às autoridades policiais.
“E isso foi possível graças a essa integração, essa parceria, essa cooperação, graças à coragem também do presidente [Gabriel Galípolo], de enfrentar um problema que já vinha de outras gestões”, afirmou. Segundo o diretor-geral, Galípolo teve “a coragem, a capacidade de levar à frente” o caso, conforme determina a lei.
Rodrigues acrescentou que a autonomia institucional foi determinante para o andamento das apurações. “Essa autonomia que o Banco Central teve para fazer isso também tivemos nós na Polícia Federal para avançar”, disse, ao parafrasear o presidente do BC.
Como revelou a Folha, na data da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a instituição mantinha apenas R$ 22,9 milhões em depósitos no Banco Central. O valor representava menos de 1% dos R$ 2,537 bilhões exigidos pelo regulador ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
Relatos enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União indicam que a situação se deteriorou ao longo de 2025, com descumprimentos recorrentes dos depósitos compulsórios desde novembro de 2024. Segundo apuração do Estadão, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, teria conhecimento do cenário, mas não interveio.
Rodrigues afirmou ainda que o inquérito principal sobre o caso Master está em fase final. “Estamos caminhando para um relatório final, dando encaminhamento a todos os achados, sem descartar nenhuma hipótese”, declarou.
Na segunda-feira (9), o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ser grato por conduzir o caso durante o governo de Lula. “Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula”, disse, ao defender a autonomia do BC e da Polícia Federal.
Em janeiro, Lula afirmou que o pobre no Brasil é sacrificado “enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. Galípolo também agradeceu o apoio do ministro Fernando Haddad e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, além da atuação da Polícia Federal.
Por fim, o presidente do Banco Central defendeu a decisão de liquidar o banco diante do risco sistêmico causado pelo volume de vencimentos de CDBs e pela incapacidade da instituição de cumprir exigências regulatórias.
