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Pagou mais imposto do que devia no Simples Nacional? Veja como recuperar o dinheiro

23 de Junho de 2026, 10:00

A guia do Simples Nacional estava marcada para sair no débito automático da conta da empresa. Só que, por descuido, você pagou de novo, na mão. Pagou duas vezes o mesmo imposto. Quem nunca?

Ou então você errou no Fator R – a conta que compara quanto a empresa gasta com salários e quanto ela fatura; quanto mais pesa a folha, menor pode ser sua alíquota. Errou a conta aí, pagou mais imposto do que precisava.

São situações assim que fazem uma empresa do Simples pagar mais imposto do que devia. Se você, empreendedor, nunca caiu em nenhuma dessas pegadinhas, está com sorte. Mas, se caiu, fica a boa notícia: dá para reaver esse dinheiro.

São dois os caminhos. Um é a restituição: a Receita devolve o dinheiro direto na conta da empresa. O outro é a compensação: o que você pagou a mais vira um crédito para abater impostos no futuro. Vamos ver aqui como funciona o processo todo.

Como saber se a empresa pagou imposto a mais

Fique esperto, porque a Receita não avisa. Não existe notificação de que rolou um pagamento a mais ou coisa que o valha. Quem tem de descobrir é você.

O jeito, aí, é comparar duas coisas. De um lado, a contabilidade da empresa, que mostra quanto de imposto você deveria pagar. Do outro, o extrato de pagamentos, que mostra quanto você pagou de fato. Quando os números não batem, ou quando aparece pagamento repetido no mesmo mês, fica evidente a existência de um crédito.

Para ver os pagamentos, você entra no e-CAC, o portal oficial da Receita. O acesso é com certificado digital ou com a conta GOV.br do sócio que responde pelo CNPJ no Fisco. Lá dentro, na parte de “Pagamentos e Parcelamentos”, aparecem todas as guias já pagas e as que estão em aberto.

Com isso na mão, dá para cruzar o que a empresa deveria ter pago, com base no faturamento, com o que as guias mostram que ela pagou de fato — e ver se sobrou valor para restituir ou compensar. 

Mas tem um detalhe. Se a empresa tiver alguma pendência, ou seja, se estiver devendo alguma coisa, a Receita não solta a restituição assim, na lata. Ela propõe usar esse crédito para quitar o que você deve. O aviso chega por uma mensagem na caixa postal do próprio e-CAC. Se você concordar — ou se ficar quieto por 15 dias —, o sistema faz a conta. Só se sobrar algum troco depois disso é que você pode pedir o dinheiro de volta.

Uma observação: é realmente importante monitorar a caixa de mensagens do e-CAC. O Descomplica PJ já bateu nessa tecla nesta reportagem.

Como saber se a minha empresa tem débitos em aberto

A consulta também é pelo e-CAC ou pela conta GOV.br do sócio responsável. Você vai em “Certidões e Situação Fiscal” e clica em “Consulta Pendências – Situação Fiscal”. O sistema abre uma tela nova, com cada pendência destrinchada.

Olhar pagamentos e pendências é coisa para fazer sempre, não de vez em quando. No fechamento do mês, o contador pega as diferenças. Quem não tem contador acompanhando corre o risco de deixar crédito – ou dívida – esquecido por anos.

O passo a passo para recuperar o dinheiro

Antes de entrar no “como”, você precisa saber “qual” pagamento indevido dá para reaver. 

A primeira regra é de prazo. Você só pode pedir de volta o que pagou a mais nos últimos cinco anos, contando da data do pagamento. Mas tem uma pegadinha: também não dá para pedir aquilo que você pagou a mais nos últimos quatro meses.

“Esses valores ficam bloqueados pelo sistema. Ou seja, em junho de 2026, você só pode solicitar a restituição de pagamentos indevidos que tiver feito de fevereiro de 2026 para trás”, explica Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

Também tem os casos em que a devolução é mais complexa. Se o pagamento a mais caiu num período em que a empresa foi tirada do Simples por conta de alguma irregularidade – estouro do teto de faturamento, por exemplo. Ou se o DAS foi pago já dentro da Dívida Ativa da União. Nessas situações, não tem jeito digital: você precisa procurar o atendimento da Receita.

Fora isso, o processo é todo online, pelo e-CAC. Você entra no perfil da empresa e vai até a área do Simples Nacional. É dali que saem tanto a compensação quanto a restituição.

Enfim. Para pedir a restituição, e receber o dinheiro na conta, escolha “Pedido Eletrônico de Restituição” na área do Simples dentro do e-CAC. Informe o mês e o ano do pagamento errado, e o sistema já aponta a diferença disponível, imposto por imposto. Daí é seguir em frente confirmando os dados. E anote o número do processo que vai aparecer.

Falta um passo prático: cadastrar a chave PIX da empresa. A Receita só deposita restituição por PIX de CNPJ. Sem conta PJ com essa chave, o dinheiro não cai.

Depois de enviar, a aprovação costuma ser automática. Mas o pedido pode ficar retido na malha, para uma análise mais atenta. Você acompanha o status pelo próprio e-CAC, em “Consultar Pedidos de Restituição”.

Você também pode usar o que pagou a mais como crédito para abater imposto futuro. Para fazer isso, selecione a opção “Compensação” e diga o mês em que o crédito surgiu. O sistema mostra o que você pagou e o que era devido em cada imposto. A diferença para mais é o seu crédito. Aí é só escolher qual dívida em aberto você vai quitar com ele.

Um ponto de atenção. Só dá para compensar imposto com o mesmo imposto: PIS com PIS, ICMS com ICMS, ISS com ISS. Se você tem crédito de um e dívida de outro, não rola compensar — e a restituição vira a única saída. 

Quando já existe dívida em aberto, a compensação é na hora. Já a restituição pode demorar até 60 dias para pingar na conta, a partir da aprovação do pedido.

Os pagamentos saem em lotes, no dia 20 de cada mês. E o valor não fica parado: é corrigido pela Selic, acumulada da data em que você pagou até o dia em que recebeu de volta – menos mal.

IG4 diz que pode comprar toda a dívida da Raízen à vista para assumir o controle

23 de Junho de 2026, 08:52

A gestora de private equity IG4 Capital afirmou ter capital suficiente para comprar toda a dívida da Raízen à vista, se necessário, enquanto busca adquirir volume suficiente das obrigações da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para acabar com uma participação acionária de 50,1%.

No início deste mês, a Raízen obteve aprovação dos credores para reestruturar cerca de 65 bilhões de reais (US$ 12,8 bilhões) em dívida, no maior processo de reestruturação extrajudicial da história do Brasil.

A companhia, controlada em conjunto pela Shell e pela Cosan, tem enfrentado dificuldades após uma série de apostas estratégicas malsucedidas, juros elevados e safras fracas. Pelo plano aprovado, a Raízen converterá 45% de sua dívida em cerca de 80% do capital.

“Não é um rumor de mercado, nossa proposta está na mesa, estamos negociando e podemos oferecer uma saída agora para quem quiser”, afirmou o sócio-fundador Paulo Mattos em entrevista.

A IG4 tem até março do próximo ano para comprar a dívida e respeitará o plano de reestruturação já aprovado, disse Mattos. A empresa não pretende adotar uma abordagem hostil em relação a credores ou acionistas, e todos os termos, incluindo preço, serão negociados. Ele acrescentou que os preços de aquisição provavelmente ficarão abaixo dos valores de mercado.

Equipe de reestruturação

Mattos disse que a IG4 quer assumir o controle da Raízen e instalar uma equipe de reestruturação, e não apenas oferecer serviços de consultoria ou estruturas de fundos aos credores. Segundo ele, a base de credores é muito fragmentada e conflituosa para que a reestruturação funcione sem um investidor líder.

A IG4 planeja colocar quaisquer ações obtidas por meio da compra de dívida em um fundo de investimento, dando aos credores a opção de receber dinheiro, cotas do fundo ou derivativos atrelados a uma venda futura, disse ele.

“As conversas estão mais avançadas com alguns bancos individualmente, e uma parte relevante deles quer ações do fundo, enquanto outros estão pedindo derivativos”, disse o CEO da IG4, Hélio Novaes. “Já estamos discutindo preço e volume com esses bancos”, afirmou.

A IG4 já manteve conversas informais com a FTI Consulting, que assessora bancos; com a Moelis & Co., que assessora detentores globais de títulos; e com a Journey Capital, que assessora detentores locais de títulos, segundo Novaes. A partir de quarta-feira, a empresa pretende se reunir individualmente com esses representantes para discutir detalhes, entender o que desejam e preparar uma proposta para cada um. As conversas estão apenas começando, e a IG4 ainda não sabe se conseguirá adquirir dívida suficiente para fechar um acordo.

“Parece que uma grande parte dos detentores locais e globais de títulos prefere receber em dinheiro”, disse Novaes.

Alguns credores demonstraram ceticismo e confusão em relação à oferta, em parte porque a IG4 já está conduzindo uma reestruturação complexa na petroquímica Braskem e porque não sabem exatamente quais serão os termos oferecidos.

Mattos afirmou que a IG4 é independente do Banco BTG Pactual, reagindo à confusão do mercado sobre a relação entre ambos. O BTG, assim como Bradesco e Santander, é um dos credores e investidores da IG4, mas não tem poder de decisão e não receberá tratamento especial, disse ele. “Somos um gestor de ativos completamente independente”, afirmou.

A Raízen tem 32 usinas, das quais 24 estão ativas, disse Novaes. “Teremos de fazer um estudo detalhado para ver quais devem receber investimentos e quais não”, afirmou, acrescentando que os níveis de produtividade da empresa estão bem abaixo dos concorrentes e poderiam ser melhorados para aumentar o valor.

A ideia também é negociar um plano com a Shell, que continuará sendo acionista relevante e aportará 3,5 bilhões de reais, disse ele. A Cosan não fará aporte e será fortemente diluída.

Pelo plano de reestruturação aprovado, a Raízen será dividida em duas: a produtora de açúcar e etanol e a distribuidora de combustíveis. Ainda não há definição sobre quanto da dívida será alocado para cada empresa ou quanto cada negócio valerá. A operação de distribuição será vendida, segundo o plano.

O valor de mercado da Raízen é atualmente de 4,35 bilhões de reais, o que significa que 80% da empresa valem 3,48 bilhões de reais. Esse seria o valor recebido pelos credores que detêm pouco mais de 29 bilhões de reais em dívida caso seus créditos já tivessem sido convertidos em ações e vendidos a preços de mercado.

*por Cristiane Lucchesi, repórter da Bloomberg.

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Heineken nomeia brasileiro Rafael Oliveira como primeiro CEO externo de sua história

23 de Junho de 2026, 08:26

A Heineken nomeou Rafael Oliveira como seu novo diretor-presidente (CEO), enquanto a cervejaria holandesa rompe com sua tradição ao contratar um executivo de fora da empresa para tentar reverter a queda na demanda.

Oliveira, de 51 anos, deixará o cargo de CEO da empresa de café JDE Peet’s NV para assumir a liderança da Heineken em 1º de outubro, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. Ele deixa a companhia após menos de dois anos no comando e em meio aos planos da Keurig Dr Pepper Inc., que concluiu a aquisição da JDE Peet’s em abril, de separar o negócio de café como uma empresa independente até o início de 2027.

As ações da Heineken chegaram a subir 3,2% em Amsterdã. Nos 12 meses encerrados no fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam queda de 5,4%.

A mudança na gestão da Heineken ocorre após a saída do ex-CEO Dolf van den Brink no fim de maio, depois de seis anos à frente da companhia e mais de 28 anos de carreira dentro da cervejaria. Controlada por uma família, a empresa nunca havia nomeado um executivo externo para o cargo de CEO. No entanto, enfrenta vendas fracas à medida que consumidores reduzem o consumo de álcool e apertam os gastos diante das restrições orçamentárias.

Em abril, a companhia informou queda no volume de cerveja vendido no primeiro trimestre, com recuo da demanda em mercados estratégicos da Europa e das Américas. A empresa ficou atrás de concorrentes como a Anheuser-Busch InBev e a Carlsberg na recuperação dos negócios após a desaceleração observada no período pós-pandemia.

Redução de custos

A Heineken está no meio de um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global. A companhia já afirmou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações jovens e o aumento da renda vêm impulsionando as vendas.

Antes da JDE Peet’s, Oliveira passou uma década na Kraft Heinz, chegando ao cargo de presidente dos mercados internacionais. Nessa função, supervisionou um portfólio superior a US$ 7 bilhões distribuído entre Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Oliveira também trabalhou durante dez anos no Goldman Sachs, como diretor executivo da divisão de títulos no Reino Unido e da unidade de mercados emergentes em Hong Kong. Iniciou sua carreira no Brasil, atuando no Banco Icatu e no Banco BBA-Creditanstalt. Possui MBA pela University of Chicago.

Ele tem um histórico de “transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis”, escreveram os analistas Edward Mundy e Sebastian Hickman, da Jefferies, em relatório. Segundo eles, a nomeação deve reforçar uma cultura de alto desempenho na Heineken, com foco em simplificação, alocação mais eficiente de recursos e na implementação do plano da empresa para gerar até € 500 milhões em economias anuais de produtividade.

Separadamente, a Keurig Dr Pepper informou que iniciou a busca por um novo CEO para sua divisão de café. A presidente do conselho da companhia, Pamela Patsley, também presidente do comitê de nomeação e governança, liderará o processo de seleção.

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Tokenização já soma R$ 9 bilhões em captações no Brasil

23 de Junho de 2026, 07:50

Os emissores de tokens captaram cerca de R$ 9 bilhões no Brasil até agora, segundo dados da plataforma RWA Monitor, que acompanha o mercado local de tokenização.

Apenas entre os dias 8 e 14 de junho, as captações somaram R$ 24,74 milhões, uma queda de 13% em relação à semana anterior.

No total, o mercado brasileiro já acumula R$ 11,5 bilhões em emissões distribuídas em 3,8 bilhões de tokens.

As debêntures concentram a maior parte dos recursos captados, com R$ 3,4 bilhões, o equivalente a 37,9% do total.

Em seguida aparecem as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), que somam R$ 1,4 bilhão (15,3%), as notas comerciais, com R$ 1,2 bilhão (13,3%), e as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também com cerca de R$ 1,2 bilhão (13,2%).

Duplicatas e contratos de recebíveis completam a lista dos principais instrumentos tokenizados, com participações de 6,9% e 5%, respectivamente.

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Prioridade da CVM

Vale lembrar que a tokenização é uma das prioridades do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, que tomou posse no início deste mês.

Na ocasião, ele afirmou que esse setor e a inteligência artificial estão reconfigurando a forma como ativos são emitidos, negociados e custodiados e que a autarquia “precisa regular dois mercados em paralelo (o tradicional e o tokenizado) sem parar nenhum dos dois”.

A CVM pretende iniciar até setembro deste ano a discussão pública dos pilares do marco regulatório para esse segmento.

Tokenização no mundo

Não é só no Brasil que a tokenização está ganhando força.

O mercado global de ativos do mundo real tokenizados (RWAs, na sigla em inglês) superou a marca de US$ 10 bilhões neste mês, segundo relatório da Binance Research.

A expectativa do braço de pesquisa da exchange é que esse mercado alcance US$ 6,78 trilhões nos próximos anos. Se a projeção se confirmar, o setor ficará 645 vezes maior do que é hoje.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  -2,90%, US$ 62.176,74

Ethereum (ETH): -5,58%, US$ 1.648,63

BNB (BNB): -3,39%, US$ 571,03

XRP (XRP): -2,99%, US$ 1,10

Solana (SOL): -6,67%, US$ 68,68

Outros destaques do mercado cripto

OranjeBTC vai às compras. A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, resolveu reforçar o caixa. A empresa comunicou nesta semana a compra de mais 18 bitcoins por cerca de US$ 1,15 milhão, a um preço médio de US$ 64.121 por unidade. Com a nova aquisição, a firma passou a deter 3.822 BTCs, o que a coloca entre as maiores empresas de capital aberto com reservas de bitcoin no mundo, ocupando a 24ª posição no ranking global.

Cripto fora das eleições. O Ministério Público Federal (MPF) reforçou nesta semana que criptomoedas não podem ser usadas para financiar campanhas eleitorais no Brasil. Segundo o órgão, a proibição existe porque as doações eleitorais precisam ter origem identificada e ser facilmente fiscalizadas. Por isso, candidatos e partidos só podem receber recursos por meios que permitam rastrear o doador, como Pix e transferências bancárias vinculadas ao CPF.

Trump mira ameaça quântica. A computação quântica voltou ao radar do mercado. Nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou duas ordens executivas para acelerar o desenvolvimento da tecnologia e, ao mesmo tempo, reforçar a proteção de sistemas digitais contra ataques quânticos. A preocupação não é à toa: especialistas alertam que computadores quânticos poderão, no futuro, quebrar métodos de criptografia usados por muitas blockchains.

Satya Nadella, da Microsoft: Não podemos deixar que os gigantes da IA ‘engulam’ a economia

23 de Junho de 2026, 06:12

Satya Nadella ajudou a impulsionar o boom da IA. Agora, ele tem uma mensagem dura para as empresas que lideram essa corrida.

O CEO da Microsoft está se juntando a um esforço crescente para enfrentar os gigantes da inteligência artificial OpenAI e Anthropic, descrevendo em entrevista sua visão para a próxima fase do boom da IA — que envolve modelos mais baratos, mais controle para usuários e uma estratégia política capaz de conquistar a confiança do público.

Nadella fez uma crítica contundente sobre como a corrida pela supremacia em IA tomou forma, com um pequeno grupo de empresas capturando o valor de uma tecnologia transformadora, enquanto fazem previsões alarmistas sobre riscos de segurança e perda de empregos, insistindo que precisam de recursos massivos para expansão ilimitada.

“Você não pode dizer: ‘todos os empregos de colarinho branco vão desaparecer e isso pode até ser uma arma, e vamos usar todo o poder para construir data centers’”, disse Nadella ao The Wall Street Journal. Segundo ele, o público não toleraria apenas algumas empresas e modelos “fazendo todo o aprendizado do mundo”.

Embora não tenha citado diretamente OpenAI, Anthropic ou o Google da Alphabet — as três empresas que desenvolvem os modelos proprietários mais avançados — ele deixou claro que a Microsoft quer direcionar a corrida da IA para longe de um futuro dominado pelos criadores dos modelos de fronteira.

Em poucas semanas, a Microsoft lançou uma série de modelos de baixo custo para reduzir os preços para clientes pressionados pelo aumento das contas de IA. A empresa também lançou o Copilot Cowork, um “agente” autônomo de IA que permite aos usuários escolher diferentes modelos — incluindo opções mais baratas — para tarefas de longa duração.

A Microsoft estuda hospedar uma versão da DeepSeek, uma fornecedora chinesa de IA de baixo custo que OpenAI e Anthropic acusam de “destilar” (ou copiar) seus modelos mais avançados. Essa medida poderia aumentar significativamente o uso do modelo chinês, potencialmente em detrimento da OpenAI e da Anthropic, que enfrentam a perspectiva de uma guerra prolongada de preços.

A movimentação é significativa para Nadella, que há muito tempo atua como uma espécie de estadista na corrida trilionária da IA, agora se alinhando a um esforço para deslocar a competição do desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

OpenAI

A Microsoft é uma das parceiras mais antigas da OpenAI e já investiu bilhões na empresa. Após anos de tensões, as duas companhias firmaram recentemente um acordo que permitiu à OpenAI ampliar suas parcerias com outras big techs. A Microsoft também fechou um acordo multibilionário com a Anthropic no ano passado.

Nadella afirmou que há espaço para todas as empresas prosperarem e que surgirão novas companhias de grande sucesso. Um porta-voz da Microsoft disse que a empresa continuará fortalecendo parcerias com OpenAI e Anthropic e que a visão de Nadella não é um jogo de soma zero.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, tem feito alertas frequentes sobre possíveis perdas de empregos causadas pela IA, incluindo a previsão de que metade dos empregos de entrada pode desaparecer até 2029. O CEO da OpenAI, Sam Altman, também já projetou impactos relevantes no emprego, embora recentemente tenha dito estar “satisfeito” por ter errado algumas previsões.

A OpenAI publicou propostas de políticas para tentar mitigar os impactos da IA. Ambos os líderes também alertam para riscos de segurança, e a Anthropic se envolveu em atritos com a Casa Branca sobre possíveis ameaças de novos modelos avançados.

A Microsoft ficou atrás de seus concorrentes no desenvolvimento de modelos próprios. Na segunda metade de 2025, assinantes do Copilot passaram a preferir alternativas como o Gemini, do Google, segundo a consultoria Recon Analytics.

Sem um modelo de fronteira competitivo, a Microsoft decidiu usar seu poder financeiro para entrar na disputa de transformar modelos em commodities.

Nadella apresentou sua visão em um artigo publicado em 14 de junho, no qual descreve como serão as empresas “AI-first”.

O novo modelo de implantação de IA será mais democratizado, com benefícios amplamente distribuídos e menor dependência de poucos modelos dominantes, afirmou na entrevista.

Ele criticou executivos que tratam a IA apenas como ferramenta de redução de custos via demissões. “Não, e se a gente pensar em reorganizar os empregos?”, disse. Para ele, as empresas precisam combinar “capital de tokens” (capacidade de IA) e capital humano.

Nadella descreveu a IA como um motor de conhecimento que ajuda empresas a usar melhor seus funcionários e seus dados, combinando modelos com diferentes preços e capacidades. Esses modelos seriam “todos subindo a mesma montanha dentro de uma máquina que você controla”.

Na visão dele, o caráter das empresas será definido pelo “conhecimento tácito” que carregam — humano e artificial. No futuro, empresas serão sistemas de aprendizado contínuo de inteligência humana e IA. Proteger propriedade intelectual será essencial para evitar a comoditização.

Corrigir os problemas da corrida da IA exigirá mais do que narrativa, disse ele.

“Não basta narrativa, porque neste ponto precisamos agir”, afirmou Nadella. “Agora temos de fazer o trabalho duro de conquistar a permissão da sociedade.”

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Move Brasil põe montadoras numa corrida de R$ 30 bilhões pelos motoristas de aplicativo

23 de Junho de 2026, 06:00

O Move Brasil, programa federal para conceder até R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem carros novos, começou na última sexta (19). E é vantajoso para montadoras com estoques altos nos pátios e portos – já que oferece uma chance de desova imediata.

O grosso desse estoque é de carros importados: 329 mil. Segundo a Anfavea, esse volume equivale a cerca de 150 dias de vendas dos modelos trazidos de fora. Três quartos aí vieram da China (240 mil).

O estoque total, incluindo os carros fabricados no país, chegou a 498 mil autoveículos em maio, 55 mil a mais que em abril. Enquanto os nacionais recuaram de 173 mil para 169 mil unidades, os importados saltaram de 270 mil para 329 mil.

O programa oferece juros inferiores aos de mercado, prazo de até seis anos e a possibilidade de financiar integralmente carros de até R$ 150 mil. Ele foi criado para renovar a frota usada no transporte de passageiros, mas também abre uma nova fonte de demanda para montadoras e concessionárias – e num momento em que as fabricantes chinesas tentam reduzir estoques formados antes das próximas altas do imposto de importação, marcadas para 1º de julho.

Esse estoque não foi montado por causa do Move Brasil. As importações já vinham acelerando: de janeiro a maio, foram emplacados 108,4 mil veículos vindos da China, 86,6% a mais que no mesmo período de 2025. O conjunto dos importados, para comparar, cresceu 17,4%.

O Dolphin no centro da disputa

O BYD Dolphin ajuda a mostrar como essas forças se encontram. O elétrico e seu irmão menor, o Dolphin Mini, estão na lista de modelos financiáveis, custam menos que o teto de R$ 150 mil e atraem profissionais que rodam muitos quilômetros, para os quais o gasto com energia pesa na decisão.

A intensidade de uso ajuda a explicar esse interesse. Um motorista de aplicativo pode rodar 6,5 mil quilômetros em um único mês. Numa simulação com a gasolina a R$ 6,50 e um carro que faça 10 km/l, isso dá R$ 4 mil em combustível.

Num 100% elétrico, o gasto com energia não chega a R$ 1 mil por mês. Ou seja: economia mensal de R$ 3 mil.

Em maio, o Dolphin Mini liderou novamente os emplacamentos no varejo brasileiro, com 6.478 unidades – é o carro mais vendido do país em 2026 nessa categoria. O terceiro colocado foi outro 100% elétrico, o concorrente chinês Geely EX2, recém chegado, com 4.250 e o Dolphin ficou em quarto, com 4.163.

Segundo a BYD, o Dolphin GS acumula mais de 51 mil unidades desde o lançamento, enquanto o Dolphin Mini supera 86 mil.

A montadora informou nesta segunda-feira (22) ter alcançado 300 mil veículos vendidos no Brasil. Foram necessários 34 meses para chegar aos primeiros 100 mil, mais 11 meses para atingir 200 mil e apenas seis meses para vender os 100 mil seguintes. Entre janeiro e maio de 2026, a empresa emplacou 77.447 veículos, quase o dobro de um ano antes, e chegou a 10,11% das vendas de automóveis em maio.

Parte dessa expansão ainda é abastecida por carros prontos importados da China – caso do Dolphin. Outra parte vem de conjuntos semimontados, conhecidos como SKD e CKD, que recebem acabamento em Camaçari, na Bahia – caso do Dolphin Mini. É esse modelo de transição que está no centro de uma disputa entre a BYD e as fabricantes já instaladas no país.

A disputa tributária ocorre em duas frentes. Os eletrificados importados prontos terão a alíquota elevada a 35% em julho. Para os kits SKD e CKD, o cronograma prevê a chegada aos 35% em janeiro de 2027. A BYD tenta reabrir por seis meses cotas de importação com alíquota zero para esses kits, benefício que vigorou até janeiro deste ano.

A BYD argumenta que uma transição mais longa ajudaria a preservar preços enquanto amplia a produção em Camaçari. Anfavea, Sindipeças e outras fabricantes defendem a recomposição das tarifas como forma de estimular mais etapas produtivas e compras de fornecedores brasileiros.

Nesta terça-feira (23), a disputa chega ao Gecex, comitê da Câmara de Comércio Exterior responsável por decidir mudanças tarifárias. À Folha, a Anfavea ameaçou judicializar a questão caso o governo renove o benefício que favorece a BYD.

A Anfavea também separa essa disputa do Move Brasil para carros leves: segundo apurou o InvestNews, a associação não participou da criação da linha para taxistas e aplicativos. A entidade esteve no desenho do braço destinado a caminhões e ônibus, segmentos em retração.

Nos primeiros cinco meses do ano, os emplacamentos de caminhões caíram 15,1% e os de ônibus, 16,3%; a produção de caminhões recuou 16,7%. Os automóveis seguiram em outra direção: as vendas cresceram 21,5%, para 874,2 mil unidades, e a produção avançou 9,9%. Em maio, elétricos e híbridos respondiam por 19,5% dos emplacamentos de veículos leves.

A linha para motoristas acrescenta, portanto, crédito favorecido a um mercado que já vinha crescendo.

Como funciona o Move Brasil

Podem solicitar o financiamento motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e um mínimo de 100 viagens na mesma plataforma, além de taxistas e cooperativas. O carro precisa ser zero-quilômetro, custar até R$ 150 mil e constar da lista do Ministério do Desenvolvimento, que inclui modelos flex, híbridos e elétricos.

Pelas regras atuais, os financiamentos precisam ser contratados até 15 de setembro de 2026, prazo ligado à vigência da medida provisória que criou a linha. O programa pode ser encerrado antes caso os recursos disponíveis se esgotem.

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As montadoras precisam estar habilitadas no Mover, oferecer assistência técnica e conceder desconto mínimo de 5% sobre o preço sugerido. A regra não exige que cada unidade tenha sido produzida no Brasil, o que permite financiar carros importados ou semimontados.

O crédito pode cobrir até 100% do veículo, com pagamento em até 72 meses (seis anos) e carência de seis meses. A taxa final é limitada a 12,6% ao ano – contra 27% da média dos financiamentos normais.

Os R$ 30 bilhões são o teto da linha, não uma previsão de desembolso. Um cálculo do Itaú BBA indica que o montante seria suficiente para financiar cerca de 250 mil carros, próximo das 264,7 mil unidades leves emplacadas no país em maio.

A diferença entre o potencial e o resultado será definida pelos bancos. O BNDES administra os recursos, mas as instituições credenciadas continuam responsáveis por analisar renda, dívidas, histórico de pagamento e garantias. O motorista pode cumprir os requisitos do governo e ter o crédito recusado.

Quem mais entra nessa conta

O programa pode alterar o mercado de locação. O JP Morgan calcula que o serviço de aluguel para motoristas de aplicativo da Localiza, o Zarp, represente 7% da frota total da companhia. Parte desses clientes pode comparar a mensalidade do aluguel com a prestação subsidiada do Move Brasil e acabar optando pela compra do próprio veículo.

Na compra, o motorista forma patrimônio, mas assume seguro, manutenção, impostos, pneus e desvalorização. No aluguel, parte desses custos fica concentrada na mensalidade e o carro pode ser devolvido ou substituído.

O prazo de até seis anos também expõe o motorista às mudanças nas regras das plataformas. A Uber atualizará em janeiro de 2027 os modelos aceitos nas categorias Comfort e Black, que pagam corridas mais caras. O Dolphin, por exemplo, só poderá ser cadastrado na Black até o fim de 2026 e permanecerá elegível só até dezembro de 2027. Argo, Polo e Peugeot 208 deixarão a Comfort, independentemente do ano de fabricação. Isso significa que um carro comprado com a expectativa de operar numa categoria mais rentável pode perder essa condição antes do fim do financiamento.

Os primeiros resultados mostrarão quantos profissionais foram aprovados pelos bancos, quais modelos concentraram a procura e quanto dos R$ 30 bilhões foi contratado. A divisão entre veículos nacionais, importados e semimontados indicará também quanto da nova demanda chegou à produção local.

Em nota ao InvestNews, a BYD defendeu o Move Brasil como “como uma importante iniciativa para apoiar profissionais que utilizam o automóvel como ferramenta de trabalho e que buscam renovar seus veículos com mais tecnologia, economia e sustentabilidade.”

Confira os modelos habilitados no Move Brasil:

MontadoraMarcaModelo
BYDBYDDolphin
BYDBYDDolphin Mini
General MotorsChevroletMontana
General MotorsChevroletOnix
General MotorsChevroletOnix Plus
General MotorsChevroletSonic
General MotorsChevroletSpark EUV
General MotorsChevroletSpin
General MotorsChevroletTracker
GWMGWMOra 03
HondaHondaCity Hatchback
HondaHondaCity Sedan
HondaHondaHR-V
HondaHondaWR-V
HyundaiHyundaiCreta
HyundaiHyundaiHB20
HyundaiHyundaiHB20S
NissanNissanKait
NissanNissanKicks
NissanNissanVersa
RenaultGeelyEX2
RenaultRenaultDuster
RenaultRenaultKardian
RenaultRenaultKwid
StellantisCitroënAircross
StellantisCitroënBasalt
StellantisCitroënC3
StellantisFiatArgo
StellantisFiatCronos
StellantisFiatFastback
StellantisFiatMobi
StellantisFiatPulse
StellantisJeepCompass
StellantisJeepRenegade
StellantisPeugeot208
StellantisPeugeot2008
ToyotaToyotaYaris Cross
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Oracle admite que IA substituiu funcionários e cortou 21 mil empregos em um ano

22 de Junho de 2026, 20:11

A Oracle reduziu seu quadro global em 21 mil funcionários nos últimos 12 meses, em uma magnitude maior do que havia sido reportado anteriormente, e admitiu em documento regulatório que a adoção de inteligência artificial eliminou parte dessas funções.

“A adoção e implementação de tecnologias de IA em nossas operações resultou, e pode continuar a resultar, em reduções da nossa força de trabalho”, afirmou a companhia em filing anual ao regulador americano divulgado nesta segunda-feira (22). 

É uma das primeiras vezes que uma gigante de tecnologia faz admissão tão direta a investidores sobre a substituição de empregos por IA. O quadro global encolheu de 162 mil para 141 mil funcionários no encerramento do ano fiscal em 31 de maio, queda de 13% em 12 meses.

Os cortes geraram cerca de US$ 1,8 bilhão em custos de reestruturação, contra US$ 374 milhões no exercício anterior. Dos 141 mil funcionários atuais, 49 mil estão nos Estados Unidos e 92 mil em outros países.

A escala foi tamanha que o quadro hoje é menor do que era antes da aquisição da Cerner, especialista em prontuários eletrônicos médicos, comprada em 2022 por US$ 28 bilhões. A compra havia adicionado milhares de funcionários, muitos concentrados próximo à sede da Cerner, na região de Kansas City.

Corrida pela IA

A Oracle está sob pressão financeira justamente por causa do investimento bilionário em data centers de IA para clientes como a OpenAI. A companhia tem assinado contratos massivos no segmento, incluindo recentemente um com a Meta, em uma corrida por capacidade computacional que vem moldando os balanços das gigantes de tecnologia.

Para sustentar o capex em infraestrutura de IA, a Oracle cortou custos em outras pontas. E uma das pontas é o próprio quadro de funcionários, em parte substituído pela tecnologia que a companhia ajuda a hospedar. Segundo estimativas do TD Cowen reportadas em março, os cortes podem liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em fluxo de caixa anual.

A história começou a se desenhar publicamente em 5 de março, quando a Bloomberg reportou que a Oracle planejava demissões em milhares de cargos em várias divisões, com algumas voltadas especificamente a funções que a companhia considera substituíveis por IA. 

Em 31 de março, funcionários da Oracle nos Estados Unidos, Índia, Canadá e México receberam e-mails de demissão pela manhã, sem aviso prévio dos gestores diretos.

A Oracle se junta a uma onda crescente de cortes na indústria de tecnologia. Segundo o site Layoffs.fyi, 196 empresas do setor demitiram mais de 119,8 mil pessoas em 2026 até agora. 

A Oracle não respondeu aos pedidos de comentário.

©2026 Bloomberg L.P.

MRV vende dois complexos no Texas por US$ 139 milhões e reduz dívida de subsidiária

22 de Junho de 2026, 19:52

A MRV anunciou nesta segunda-feira (22) a venda de dois empreendimentos da subsidiária americana Resia. Os complexos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos no Texas, foram negociados por US$ 139 milhões (R$ 716 milhões). A liquidação está prevista para julho e há um depósito não recuperável de US$ 12 milhões garantindo o negócio.

Os dois ativos estavam registrados no balanço por US$ 188 milhões e saíram por menos. A operação embute uma perda contábil de 26% sobre o valor patrimonial. O Ten Oaks foi o pior caso: avaliado em US$ 122 milhões, vendido por US$ 86 milhões, perda de 30%, com ocupação de apenas 73%. O Rayzor Ranch, com 93% de ocupação, saiu com 20% de desconto.

A MRV atribui a perda ao cenário de juros altos nos Estados Unidos e ao fato de os projetos não estarem estabilizados, com aluguéis e ocupação abaixo do potencial. Em troca, diz antecipar os benefícios da desalavancagem. A transação reduz em 7,5% a dívida líquida consolidada, ou US$ 87 milhões, e corta US$ 46 milhões em minority interest – a participação de não controladores nos projetos.

Em março, a Resia havia vendido o complexo Tributary, na Geórgia, por US$ 73 milhões, um ativo descrito como totalmente estabilizado e de ocupação madura. Foi a maior operação individual do plano de desinvestimento.

Como mostrou o InvestNews, no ano passado a Resia teve prejuízo de US$ 243 milhões e acumulou US$ 695 milhões em dívida. Mercados como Dallas, Houston e Atlanta enfrentaram excesso de oferta, que comprimiu aluguéis e atrasou a estabilização dos projetos.

Com a venda de hoje, a MRV chegou a US$ 380 milhões em ativos vendidos desde o anúncio do plano de reestruturação, em dezembro de 2024. A meta é chegar a US$ 800 milhões em desinvestimentos até o final deste ano.

Em concessão histórica, EUA permitem que Irã venda petróleo em dólar

22 de Junho de 2026, 19:16

O governo dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções que impediam o Irã de vender petróleo em dólar, em um movimento que reverte uma das peças centrais da estratégia americana de pressão sobre o regime iraniano nas últimas décadas.

Isso significa que, pela primeira vez em quase 40 anos, refinarias americanas terão a opção legal de comprar petróleo bruto do Irã. A decisão veio acompanhada do anúncio, pelo vice-presidente JD Vance, de que o Irã teria concordado em receber de volta os inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Departamento do Tesouro americano emitiu nesta segunda-feira (22) um waiver com validade de 60 dias, autorizando a venda de petróleo iraniano em dólar enquanto avançam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, lidar com o programa nuclear iraniano e discutir alívios adicionais de sanções.

A liberação se aplica a transações em dólar, incluindo para compradores americanos. Por anos, o Irã foi obrigado a usar uma rede oculta de petroleiros sob sanções para vender seu petróleo, majoritariamente para refinarias chinesas. 

Agora, bancos iranianos podem receber pagamentos diretamente do exterior, o que permite ao regime repatriar suas receitas de petróleo com mais facilidade. A medida vai além do waiver temporário emitido pelo Tesouro em março, que permitiu ao Irã vender o petróleo já embarcado mas mantinha as restrições sobre transações em dólar.

O alívio histórico

A liberação representa “uma ruptura fundamental com a arquitetura de sanções ao Irã construída pelo Congresso ao longo das últimas duas décadas”, segundo Miad Maleki, ex-funcionário sênior do Tesouro americano que hoje trabalha na Foundation for Defense of Democracies. 

O waiver também isenta entidades iranianas, incluindo o Banco Central do país, das sanções voltadas a atividades de terrorismo, não apenas das relacionadas ao programa nuclear.

As relações entre Estados Unidos e Irã estão tensionadas desde a crise dos reféns de 1979, quando 52 cidadãos americanos foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã. Em 1995, o presidente Bill Clinton determinou o embargo total ao petróleo iraniano. 

Os volumes que tinham chegado a 850 mil barris por dia em 1977 caíram a zero poucos meses depois da ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder. Chevron e Marathon Petroleum estavam entre as últimas refinarias americanas a importarem petróleo iraniano, em 1991.

Operadores europeus já procuraram comprar petróleo iraniano após o anúncio, segundo Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo de Teerã. Mas, segundo Hosseini, nenhuma empresa americana entrou em contato até agora.

Normalização

A trégua interina alcançada na semana passada inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto crítico por onde flui até 20% do petróleo mundial. 

O tráfego marítimo na região aparentou acelerar ao longo do fim de semana, contrariando o anúncio iraniano de que teria fechado o estreito novamente. Mesmo assim, o número de navios passando diariamente ainda é fração do nível pré-guerra.

Em maio, o governo americano impôs um bloqueio aos portos iranianos, asfixiando a economia do regime, dependente das exportações. Com o acordo, o bloqueio foi retirado, e a venda de petróleo foi autorizada.

Para alimentar a Microsoft na corrida da IA, Chevron entra na geração de energia

22 de Junho de 2026, 17:52

A Chevron assinou um contrato de 20 anos para fornecer eletricidade à Microsoft, em um movimento que marca a entrada definitiva da petroleira americana no mercado de geração de energia, em resposta à demanda explosiva por capacidade computacional dos gigantes de inteligência artificial.

O contrato prevê o fornecimento de energia para o Project Kilby, um campus de data center que a Microsoft planeja construir perto da cidade de Pecos, no Oeste do Texas.

A planta deve começar a gerar energia em 2028 e atingir 2,67 gigawatts ao longo do tempo, o suficiente para abastecer mais de 530 mil residências. O custo do projeto não foi divulgado, mas a TD Securities estima o investimento em cerca de US$ 9 bilhões.

A operação é desenvolvida em conjunto com a Engine No. 1, gestora americana de investimentos focada em transição energética, que tem a opção de adquirir 50% do projeto via sua subsidiária Joulent. Sete turbinas a gás da GE Vernova vão alimentar a planta. A decisão final de investimento será tomada ainda este ano.

“Este é um diferencial competitivo para nós”, disse Jeff Gustavson, presidente da divisão de novas energias da Chevron, em entrevista ao Financial Times. “De todos os projetos de data center anunciados nos Estados Unidos, quase nenhum atingiu o marco que alcançamos hoje, nem em escala ampla, nem dentro do nosso grupo de pares.”

Disputa com a Exxon

A Chevron disputa com a rival ExxonMobil a entrada no mercado de geração de energia off-grid (fora da rede pública), aproveitando a abundante produção de gás natural na Bacia do Permiano, no Oeste do Texas, principal região produtora de petróleo dos Estados Unidos. 

A NextEra Energy, distribuidora elétrica baseada na Flórida, anunciou no ano passado parceria com a ExxonMobil para desenvolver usinas térmicas a gás voltadas a seus clientes, entre eles o Google.

A aposta da Chevron se posiciona em meio à corrida bilionária dos gigantes de tecnologia, como Microsoft, Amazon e Alphabet, para ampliar a capacidade de seus data centers. 

A Microsoft, segundo a Bloomberg, pretende dobrar sua infraestrutura de data center nos próximos dois anos para acompanhar a expansão em IA, em um momento em que recua de seu compromisso de operar com 100% de energia renovável até 2030.

O excesso de gás

O modelo de negócio da Chevron se apoia em uma anomalia do mercado americano: há tanto gás natural no Permiano que falta capacidade de escoamento por gasodutos. 

O gás é subproduto da produção de petróleo, e em meses recentes o Waha Hub, principal referência de preço do gás da região, registrou cotações negativas, sinal de que produtores chegam a pagar para retirar o excedente do sistema.

“Esta é uma das marcas do projeto: trazer demanda para a bacia e evitar que esse cenário se repita”, afirmou Gustavson ao FT. A planta deve operar isolada da rede pública, sem afetar as tarifas locais. 

“Os consumidores estão preocupados com o crescimento da demanda elétrica e já sentem o efeito disso. Projetamos especificamente esta operação, nessa parte do país, para evitar qualquer um desses problemas.”

Arun Jayaram, analista do JPMorgan Chase, escreveu em relatório que a operação dá à Chevron “um fluxo de caixa não correlacionado à commodity subjacente, oferecendo diversificação valiosa”. É justamente esse o ângulo estratégico: criar uma fonte de receita previsível, de 20 anos, que não dependa das oscilações do preço do petróleo.

Capital da IA

O Texas hoje concentra 33 gigawatts em projetos de data center planejados, a maior fatia do país, segundo a BloombergNEF, à frente até da Virgínia (que ainda lidera em obras em execução). 

Os Estados Unidos devem dobrar sua capacidade total de data centers para 77 gigawatts até 2030, projeção que vem pressionando a rede elétrica e elevando o custo de energia para consumidores residenciais, com reação política crescente em diversos estados.

Para Gustavson, o projeto inicial não terá energia renovável, mas a Chevron estuda incorporar geração solar no futuro. “Haverá outros desenvolvimentos nesta área e em outras partes do país, e uma coisa que vamos continuar olhando é se conseguimos encaixar algumas dessas tecnologias de baixo carbono nessas operações”, disse ao FT.

“Liderança na era da IA será determinada por quem entrega energia e capacidade computacional de forma mais rápida, mais confiável e ao menor custo”, afirmou Chris James, fundador da Engine No. 1, em comunicado.

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A reconstrução da Nike vai demorar e CEO promete a Wall Street a volta ao topo

22 de Junho de 2026, 17:36

A maior marca esportiva do mundo está demorando mais do que o esperado para sair da crise – e essa é uma avaliação do próprio CEO. Elliott Hill, o executivo por trás da reestruturação da Nike há mais de um ano e meio, admite que o trabalho para colocar a marca do swoosh de volta aos trilhos é maior do que ele previa.

“O que eu não percebia, até estar dentro, era a quantidade de trabalho que precisava ser feita”, afirmou Hill, em entrevista publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira (22). “Eu queria que estivéssemos um pouco mais adiante.”

E a constatação não veio apenas do CEO da empresa. Bancos como RBC, JPMorgan, Goldman Sachs e HSBC rebaixaram a recomendação de compra para o papel nos últimos meses.

O UBS alertou para um “ritmo modesto de vendas globais”, e analistas do BNP Paribas projetam novos cortes de receita, especialmente por causa da China, onde as vendas caíram 11% nos primeiros nove meses do ano fiscal atual. Resultado: uma queda de 45% no valor de mercado da Nike desde agosto do ano passado.

O diagnóstico de Hill é que a Nike apostou pesado em vendas diretas ao consumidor (o chamado direct-to-consumer) e abandonou parcialmente o varejo físico, ficando ausente das prateleiras justamente no momento em que o consumo presencial voltou após a pandemia. 

O movimento abriu espaço para concorrentes mais ágeis, como a suíça On e a americana Hoka, na corrida; e para chinesas como Anta e Li-Ning na China, que rapidamente preencheram o vácuo deixado pela líder.

Em paralelo, a marca derivou para moda e lifestyle, deixando de lado sua presença no equipamento esportivo. O catálogo, segundo críticos, ficou velho. E a aura cultural, que sustentava prêmio de preço por décadas, se diluiu.

Disputa nos campos

A Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, em curso, é o palco mais imediato para mostrar se a virada proposta por Elliot Hill está dando certo.

A campanha “Rip the Script” (em tradução livre, “rasgue o roteiro”), com estrelas como Cristiano Ronaldo, LeBron James, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior, já acumula mais de 1 bilhão de visualizações nas plataformas digitais.

E as chuteiras da marca estão superando as da Adidas em gols marcados na proporção de mais de 2 para 1, segundo a empresa. “A mensagem que queremos passar para a indústria e para Wall Street é que a Nike voltou. A Nike voltou a liderar, a liderar com produto e inovação”, prosseguiu Hill. “Estamos aqui para vencer.”

O ceticismo do mercado, porém, é grande. Em abril, a marca sofreu um revés simbólico: dois corredores cruzaram a Maratona de Londres abaixo da barreira das duas horas calçando supershoes da Adidas. A Nike vem tentando quebrar essa marca há anos. “Não vamos ficar parados esperando, vamos responder”, disse Hill.

Mas, em meio à reestruturação, um produto inesperado virou sucesso comercial. O Nike Mind 001, uma sandália slip-on de US$ 95 que “altera a mente” por meio de pontos de pressão na sola dos pés, esgotou no lançamento. 

Cerca de 2 milhões de pessoas se cadastraram para ser avisadas quando o produto voltar ao estoque, e a produção foi dobrada. É produto excêntrico, fora do core histórico da marca, mas que sinaliza que a Nike pode inovar quando quer, e que o consumidor está disposto a apostar quando a marca surpreende.

De volta ao jogo

Hill, de 62 anos, é parte da história da Nike. Texano criado por uma mãe solteira em Austin, entrou na companhia como estagiário nos anos 1980, depois de uma passagem breve como preparador físico no Dallas Cowboys, time da NFL. Subiu pelos cargos executivos ao longo de 32 anos. Saiu em 2020, poucos meses depois da chegada de John Donahoe à presidência.

“Eu estava cansado. Fisicamente, precisava ficar em forma”, disse sobre a saída. O retorno aconteceu durante um casamento em Palm Springs. Hill almoçou com Phil Knight, fundador da Nike. A conversa começou sobre família e futebol americano (paixão declarada do executivo), e terminou em uma proposta. “Antes que eu percebesse, eu estava de volta como CEO.”

A primeira visita técnica ao mercado, antes mesmo da contratação, marcou Hill. Em um shopping perto de Stanford, na Califórnia, ele se deparou com o estado em que a marca havia chegado nas prateleiras.

“Ver a falta de orgulho no nosso produto e na nossa apresentação foi humilhante. Não só humilhante, foi desanimador. Foi provavelmente o momento em que percebi quanto trabalho seria necessário”, diz o CEO. A Nike reporta os resultados do quarto trimestre em 30 de junho. A empresa já havia projetado que a receita cairia entre 2% e 4%.

O efeito pleno da reestruturação, segundo Hill, deve ser sentido apenas no início do próximo ano, quando produtos novos chegarem a todas as divisões e geografias. Até lá, a paciência de Wall Street segue à prova.

“É uma corrida de revezamento. Meu trabalho é pegar o bastão e garantir que, quando eu passar adiante, esteja melhor do que estava quando peguei. E essa é a corrida que estou correndo agora.”

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As seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026

22 de Junho de 2026, 15:43

A França é a seleção mais valiosa da Copa do Mundo 2026, segundo dados da Transfermarkt, base de dados alemã especializada em valores de mercado de jogadores de futebol. 

O elenco francês convocado para o mundial soma € 1,52 bilhão, cerca de R$ 8,96 bilhões após o valor de fechamento da moeda na última sexta-feira (19).

No caso da França, o número é puxado por um grupo de atletas avaliados em valores altos no mercado europeu, com destaque para Kylian Mbappé, Michael Olise e Désiré Doué.

O valor de mercado de uma seleção corresponde à soma das avaliações individuais dos jogadores convocados para a Copa do Mundo. 

Entre os critérios usados para calcular o valor estão idade, desempenho, nível, reputação, potencial de desenvolvimento, valor de marketing, interesse de clubes, experiência, demanda do mercado e entre outros.

Somadas, as três seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026 chegam a € 4,10 bilhões (R$ 24,18 bilhões). Além da França, o grupo tem Inglaterra, avaliada em € 1,36 bilhão (R$ 8,02 bilhões), e Espanha, com € 1,22 bilhão (R$ 7,20 bilhões).

Com isso, as três seleções mais valiosas do mundo têm um valor de mercado superior a 32 das 60 empresas listadas no Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira.

O Brasil aparece na sexta posição entre as seleções mais valiosas, com valor de mercado de € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões). 

O time brasileiro fica atrás de França, Inglaterra, Espanha, Portugal e Alemanha, mas à frente da Argentina, atual campeã mundial, avaliada em € 807,50 milhões (R$ 4,76 bilhões).

Ranking das dez seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026

As dez seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026 somam € 9,68 bilhões (R$ 57,12 bilhões) em valor de mercado, segundo os dados da Transfermarkt.  O grupo concentra quatro equipes acima da marca de € 1 bilhão: França, Inglaterra, Espanha e Portugal.

A França lidera com € 1,52 bilhão (R$ 8,96 bilhões), mas a distância para a Inglaterra, segunda colocada, é de € 160 milhões (R$ 943,65 milhões). 

A avaliação francesa é sustentada por jogadores de alto valor de mercado. Kylian Mbappé, do Real Madrid, é o atleta mais valioso da lista, avaliado em € 180 milhões (R$ 1,06 bilhão).

Também aparecem acima de € 100 milhões Michael Olise, do Bayern de Munique, avaliado em € 150 milhões (R$ 884,67 milhões), e Désiré Doué, do Paris Saint-Germain, com € 120 milhões (R$ 707,74 milhões).

Já entre os nomes que puxam o segundo e terceiro lugar estão Jude Bellingham, Declan Rice e Bukayo Saka, pela Inglaterra, além de Lamine Yamal e Pedri, pela Espanha.

Na seleção inglesa, Bellingham, do Real Madrid, aparece avaliado em € 130 milhões (R$ 766,71 milhões). Declan Rice, do Arsenal, vale € 120 milhões (R$ 707,74 milhões), enquanto Bukayo Saka, também do Arsenal, soma € 110 milhões (R$ 648,76 milhões).

Na Espanha, os maiores valores individuais estão concentrados em dois jogadores do Barcelona. Lamine Yamal é avaliado em € 200 milhões (R$ 1,18 bilhão), maior valor entre os nomes no top 3 das seleções, enquanto Pedri aparece com € 150 milhões (R$ 884,67 milhões).

Somados, Bellingham, Rice e Saka representam 26,5% do valor de mercado da Inglaterra. Já Yamal e Pedri somam € 350 milhões (R$ 2,06 bilhões) na avaliação da Espanha, cerca de 28,7% do total.

As quatro seleções acima de € 1 bilhão somam € 5,11 bilhões (R$ 30,14 bilhões), mais da metade do valor total das dez maiores.

A Alemanha, quinta colocada, é a seleção mais próxima desse “clube do bilhão” entre as que ainda aparecem abaixo da marca. O elenco alemão vale € 947 milhões (R$ 5,59 bilhões).

Veja as dez seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026: 

  • 1. França — € 1,52 bilhão (R$ 8,96 bilhões);
  • 2. Inglaterra — € 1,36 bilhão (R$ 8,02 bilhões);
  • 3. Espanha — € 1,22 bilhão (R$ 7,20 bilhões);
  • 4. Portugal — € 1,01 bilhão (R$ 5,96 bilhões);
  • 5. Alemanha — € 947 milhões (R$ 5,59 bilhões);
  • 6. Brasil — € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões);
  • 7. Argentina — € 807,50 milhões (R$ 4,76 bilhões);
  • 8. Holanda — € 754,20 milhões (R$ 4,45 bilhões);
  • 9. Noruega — € 589,90 milhões (R$ 3,48 bilhões);
  • 10. Bélgica — € 547,50 milhões (R$ 3,23 bilhões).

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Qual é o valor de mercado da seleção brasileira?

A seleção brasileira tem valor de mercado de € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões). Com isso, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking das seleções mais valiosas da Copa do Mundo 2026. O elenco brasileiro tem valor médio de € 35,70 milhões (R$ 210,55 milhões) por jogador.

O principal nome em valor de mercado é Vinicius Junior, do Real Madrid, avaliado em € 140 milhões (R$ 825,69 milhões). 

O atacante puxa a lista brasileira com folga e concentra a maior avaliação individual da seleção, cerca de 15,1% do total do time brasileiro.

Na sequência aparecem Gabriel, do Arsenal, e Matheus Cunha, do Manchester United, ambos avaliados em € 75 milhões (R$ 442,34 milhões). Bruno Guimarães, do Newcastle, e Raphinha, do Barcelona, vêm logo depois, com € 70 milhões (R$ 412,85 milhões) cada.

Mesmo sem liderar o ranking de seleção mais valiosa da Copa do Mundo, o Brasil aparece à frente da Argentina. A diferença entre as duas seleções é de € 120,70 milhões (R$ 711,86 milhões).

A comparação chama atenção pelo histórico de rivalidade e pela presença de Lionel Messi na seleção argentina. O atacante do Inter Miami é avaliado em € 15 milhões (R$ 88,47 milhões), valor abaixo dos principais nomes da nova geração argentina.

Na Argentina, os maiores valores de mercado são Julián Alvarez, do Atlético de Madrid, avaliado em € 100 milhões (R$ 589,78 milhões), Enzo Fernández, do Chelsea, com € 90 milhões (R$ 530,80 milhões), Lautaro Martínez, da Inter de Milão, com € 85 milhões (R$ 501,31 milhões), e Nico Paz, do Como, com € 80 milhões (R$ 471,82 milhões).

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Quanto vale a Escócia, próxima rival do Brasil?

A Escócia, próxima rival do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo 2026, aparece na 29ª posição do ranking da Transfermarkt. A seleção escocesa tem valor de mercado de € 170,25 milhões (R$ 1,00 bilhão). O elenco da Escócia tem o valor médio de € 6,55 milhões (R$ 38,63 milhões) por jogador.

O jogador mais valioso da seleção escocesa é Scott McTominay, do Napoli, avaliado em € 40 milhões (R$ 235,91 milhões). Ele concentra a maior fatia do valor de mercado da equipe, cerca de 23,5%.

Depois aparecem Aaron Hickey, do Brentford, com € 16 milhões (R$ 94,36 milhões), Ben Gannon-Doak, do Bournemouth, com € 15 milhões (R$ 88,47 milhões), Lewis Ferguson, do Bologna, com € 14 milhões (R$ 82,57 milhões), e John McGinn, do Aston Villa, com € 13 milhões (R$ 76,67 milhões).

A distância financeira em relação ao Brasil é ampla. A seleção brasileira vale € 928,20 milhões (R$ 5,47 bilhões), enquanto a Escócia soma € 170,25 milhões (R$ 1,00 bilhão). A diferença entre os elencos chega a € 757,95 milhões (R$ 4,47 bilhões).

  • Importante: a diferença mostra a distância entre os valores de mercado dos dois elencos, mas não determina o resultado em campo. 

A avaliação mede o preço estimado dos jogadores no mercado, não o desempenho esportivo de uma partida específica.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Milei autoriza nova dívida de até US$ 5 bilhões para reforçar o caixa da Argentina

22 de Junho de 2026, 13:29

O governo da Argentina autorizou a contratação de até US$ 5 bilhões em novas dívidas denominadas em dólares, enquanto busca garantir financiamento com respaldo de instituições multilaterais antes dos próximos vencimentos de sua dívida.

O decreto, assinado pelo presidente Javier Milei e membros do gabinete, estabelece a estrutura legal para futuras operações de financiamento, com contratos regidos pela legislação de Nova York e sujeitos à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos.

A medida define o tamanho máximo da operação de dívida que a Argentina pretende obter com o apoio de organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Segundo o texto, o objetivo é “reduzir os custos de financiamento do Tesouro Nacional” por meio de empréstimos em dólares concedidos por instituições financeiras internacionalmente reconhecidas e respaldados por garantias parciais de organismos multilaterais.

Garantir financiamento é crucial para a Argentina, que enfrenta pagamentos significativos de dívida nos próximos anos. O compromisso mais imediato é um desembolso de quase US$ 4,5 bilhões já no próximo mês. A partir de 2027, o serviço da dívida externa do país deverá superar US$ 20 bilhões por ano.

“A prioridade é minimizar os custos de financiamento”, afirmou Daniel Chodos, sócio da Dhalmore Capital. Segundo ele, ao estruturar empréstimos por meio de bancos internacionais com garantias parciais de instituições multilaterais, o governo consegue captar recursos a taxas significativamente menores do que as disponíveis no mercado.

O governo Milei tem evitado emitir títulos nos mercados internacionais, considerando que os custos ainda são elevados e não refletem a melhora dos indicadores macroeconômicos da Argentina.

A obtenção de fontes alternativas e mais baratas de financiamento tem sido uma das prioridades do ministro da Economia, Luis Caputo. Até agora, o governo tem recorrido a alternativas como títulos locais denominados em dólares, compras de moeda estrangeira pelo banco central e a futura operação de financiamento respaldada por organismos multilaterais.

Receita abre consulta ao 2º lote de restituição do IR, o maior da história

22 de Junho de 2026, 12:41

A Receita Federal abrirá nesta terça-feira (23), a partir das 9h, a consulta ao segundo lote da restituição do IR 2026. Serão  9.585.797 milhões de contribuintes contemplados no maior pagamento de valores da história do Fisco, de R$ 16 bilhões a restituir.

O pagamento do segundo lote do Imposto de Renda acontece em 30 de junho, na próxima terça-feira (30) e o contribuinte pode verificar se foi incluído no pagamento pelo site da Receita Federal, pelo aplicativo oficial ou pelo portal Meu Imposto de Renda, no e-CAC.

Segundo a Receita, somados o primeiro e segundo lote, cerca de 80% do total estimado de restituições do ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes.

A Receita orienta que os contribuintes aguardem até o fim do dia para confirmar o depósito, já que o horário de crédito pode variar conforme o processamento de cada instituição financeira.

Quem recebe no 2º lote da restituição do IR 2026?

Do total de R$ 16 bilhões, cerca de R$ 4,94 bilhões serão destinados a contribuintes com prioridade legal.

A distribuição será feita da seguinte forma:

  • 155.060 restituições para idosos acima de 80 anos;
  • 1.106.923 restituições para idosos entre 60 e 79 anos;
  • 106.294 restituições para pessoas com deficiência física, mental ou moléstia grave;
  • 507.768 restituições para contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.

Além dos grupos prioritários, 7.709.752 restituições serão pagas a contribuintes que utilizaram a declaração pré-preenchida e optaram pelo recebimento via Pix.

Quando será pago o 2º lote da restituição?

A Receita Federal estima que os dois primeiros lotes devem concentrar cerca de 80% da estimativa de restituições a serem pagas em 2026.

As próximas datas de pagamento da restituição do IR 2026 serão:

  • 2º lote: 30 de junho de 2026;
  • 3º lote: 31 de julho de 2026;
  • 4º lote: 31 de agosto de 2026.

As restituições serão liberadas conforme a ordem de entrega da declaração e respeitando as prioridades legais.

LEIA MAIS: Como funciona a fila da restituição do IR e como consultar o lote do pagamento

Como consultar o 2º lote da restituição do IR 2026?

A consulta ao 2º lote da restituição do IR 2026 pode ser feita por três canais:

A consulta informa se a declaração foi processada, se o contribuinte entrou em fila de restituição ou se há pendências que precisam ser corrigidas.

Como consultar pelo site da Receita Federal

A forma mais rápida de verificar se a restituição do Imposto de Renda foi liberada é pela consulta pública disponível no site da Receita Federal.

O sistema exibirá se a declaração foi processada, se está em fila de restituição ou se há pendências que precisam ser corrigidas.

Basta acessar a página de consulta à restituição no site da Receita Federal e informar os seguintes dados:

  • CPF;
  • Data de nascimento;
  • Ano da declaração (2026).

Como consultar a restituição pelo aplicativo da Receita Federal

Também é possível acompanhar a restituição do Imposto de Renda diretamente pelo celular, utilizando o aplicativo oficial da Receita Federal, disponível para Android e iOS:

  • Baixar ou abrir o aplicativo Receita Federal no celular;
  • Fazer login com sua conta gov.br;
  • No menu principal, tocar em “Meu Imposto de Renda”;
  • Selecionar o ano da declaração;
  • Acessar a opção “Restituição”.

Como consultar a restituição pelo portal Meu Imposto de Renda (e-CAC)

O serviço Meu Imposto de Renda, disponível dentro do portal e-CAC, oferece uma visão mais completa do processamento da declaração, incluindo histórico, pendências e detalhes do cálculo, basta:

  • Acessar o portal e-CAC da Receita Federal;
  • Clicar em “Entrar com gov.br” e fazer login;
  • No menu, selecionar “Meu Imposto de Renda”;
  • Escolher o exercício 2026 (ano-calendário 2025);
  • Clicar em “Consultar Restituição” ou “Extrato da Declaração”.

Nesse ambiente, o contribuinte pode:

  • Verificar se caiu na malha fina;
  • Consultar valores exatos da restituição;
  • Acompanhar o lote de pagamento;
  • Enviar declaração retificadora para corrigir informações, se necessário.

Como a falta de pressa dos produtores brasileiros tem pressionado o mercado global de café

22 de Junho de 2026, 10:12

Os comerciantes de café apostam que a safra recorde do Brasil aliviará a escassez global de oferta, mas os cafeicultores do maior produtor mundial não têm pressa em vender os grãos, o que pressiona o abastecimento nos países consumidores.

A expectativa é de que o Brasil colha um recorde de 75,3 milhões de sacas de café na safra atual, mas os estoques nos armazéns das bolsas americanas e europeias ainda estão no nível mais baixo desde março de 2024. Essa dinâmica tem alimentado a volatilidade no mercado futuro, à medida que as empresas conciliam as expectativas de uma safra recorde, estoques mundiais ainda baixos, e vendas do grão mais lentas do que o esperado.

Os cafeicultores geralmente negociam parte da safra futura para ajudar a cobrir os custos de produção e também para se protegerem de oscilações negativas de preços. Mas eles não precisam vender muito antecipadamente este ano, já que lucraram com as recentes altas do mercado.

Os contratos futuros de arábica vinham subindo constantemente desde meados de 2023 e atingiram, duas vezes, picos históricos acima de US$ 4 por libra no ano passado. Os preços já caíram cerca de 40% em relação a esses patamares, o que é um desincentivo para vender.

“O vento está soprando a favor dos agricultores”, disse Simão Pedro de Lima, diretor-presidente executivo da Expocacer, uma cooperativa do Cerrado Mineiro.  Neste momento, eles “não se sentem pressionados” a começar a comercializar a produção.

Pouco mais de 20% dos grãos de arábica que se espera colher na safra atual tinham sido negociados até 11 de junho, enquanto as vendas de conilon, o robusta brasileiro, estavam em 14%, de acordo com uma pesquisa mensal da Safras & Mercado. Em condições normais, os produtores vendem entre 30% e 40% da nova safra de arábica no início da temporada, disse Lima, referindo-se à variedade que o Brasil mais exporta.

Já as vendas dos novos grãos de conilon no estado do Espírito Santo também estavam abaixo do esperado, em 10%, um terço dos níveis da safra passada e um quarto da média histórica, afirmou Edimilson Calegari, gerente corporativo de comercialização da cooperativa Cooabriel, que compra café de cerca de 10.000 produtores e vende sua produção principalmente no mercado interno.

O conilon é da espécie Coffea canephora, a mesma do robusta, variedade que é principalmente produzida no Vietnam.  

Nos últimos dias, o mercado também começou a reagir às preocupações com os estoques reduzidos nas bolsas e com o fenômeno climático El Niño, que teve início no começo deste ano. O contrato de arábica mais negociado atingiu a maior cotação em cerca de três semanas na última quinta-feira, antes de zerar os ganhos.

Um El Niño forte pode reduzir ou diminuir as chuvas durante o período de floração do café, que para o conilon ocorre tipicamente entre julho e setembro. Pior ainda, também pode afetar as chuvas durante o enchimento dos grãos em novembro, dezembro e janeiro, o que ocorreu entre 2023 e 2024 e causou perdas significativas, disse Calegari.

O padrão climático, além das recentes chuvas intensas no cinturão de arábica do Brasil, têm dado suporte aos preços, afirmou Carlos Mera, chefe de pesquisa de mercado de commodities agrícolas do Rabobank. As janelas de entrega de julho e setembro “provavelmente trarão muita volatilidade” para o mercado futuro, acrescentou.

A relutância dos produtores em fechar negócios, mesmo com a colheita em andamento, “atrasou os fluxos de grandes volumes que o mercado esperava já estar observando a esta altura”, disse Leonardo Rossetti, analista do StoneX Group. E não é só o Brasil, acrescenta.

Agricultores do Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, e da Indonésia também têm adiado as vendas em meio à queda dos preços do café. Mas isso representa riscos, já que a chegada da safra recorde brasileira em julho e agosto provavelmente pressionará os preços para baixo, afirmou.

“O café existe… mas talvez demore um pouco mais para navegar”, disse Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, sobre as safras do Brasil e de outros países produtores importantes. “Não há motivo para pânico.”

A batalha da Coca-Cola contra a Receita Federal dos EUA

22 de Junho de 2026, 09:26

A Coca-Cola trava uma batalha corporativa de alto risco, com mais de US$ 20 bilhões em jogo — e o adversário não é a Pepsi nem a Dr Pepper, mas o Internal Revenue Service (IRS), a Receita Federal dos EUA.

O conflito entre a fabricante de bebidas e o fisco americano chega nesta semana a um tribunal federal de apelações em Miami. As questões jurídicas são complexas, mas a pergunta central é simples: a Coca-Cola declara lucros demais no exterior e de menos nos Estados Unidos?

Uma vitória da empresa eliminaria um passivo potencial que pesa sobre suas contas há uma década e daria segurança a multinacionais submetidas a auditorias semelhantes. Isso é especialmente relevante nos setores de tecnologia e farmacêutico, onde empresas podem transferir propriedade intelectual entre países e concentrar ganhos no exterior, beneficiando acionistas e reduzindo a arrecadação do Tesouro dos EUA.

Se perder, porém, a Coca-Cola enfrentará uma conta de impostos atrasados e juros superior ao seu lucro líquido de 2025 — além de um aumento na alíquota efetiva daqui para frente.

O IRS venceu a primeira fase do caso no Tribunal Tributário dos EUA em 2020, uma rara vitória contra grandes corporações e seus grandes escritórios de advocacia. Outra vitória reforçaria a postura do governo em investigar estruturas internacionais de multinacionais.

“Este é um caso-chave porque foi a única vitória 100% do IRS”, disse Reuven Avi-Yonah. Segundo ele, uma derrota do governo seria um golpe significativo na atuação da Receita contra multinacionais.

O processo se arrasta há anos, passando por três CEOs da Coca-Cola e 12 chefes do IRS, atravessando administrações democratas e republicanas. Em 2026, as partes ainda discutem declarações fiscais de 2007 a 2009, com foco em um acordo de 1996 entre Coca-Cola e IRS sobre transações internacionais internas da empresa.

“O IRS provavelmente insiste no caso porque os fatos apontam claramente para evasão fiscal”, afirmou Matt Gardner. “Se não for para combater esse tipo de evasão, quando será?”

Em documentos regulatórios, a Coca-Cola demonstra confiança e diz discordar fortemente do IRS. O diretor financeiro John Murphy afirmou que a empresa administrará seu balanço com cautela antes da decisão.

Três juízes da 11ª Corte de Apelações dos EUA vão julgar o caso em 25 de junho, com defesa da empresa feita por Gregory Garre. A decisão pode levar meses e ainda cabe recurso à Suprema Corte.

Grandes riscos

O impacto potencial de US$ 20 bilhões vem crescendo há anos. Após perder em 2020, a Coca-Cola pagou cerca de US$ 6 bilhões em impostos e juros.

Se vencer agora, recupera esse valor com correção. Se perder totalmente, além dos anos de 2007 a 2009, pode ter de pagar mais US$ 14 bilhões referentes ao período de 2010 a 2025.

Isso incluiria ainda um aumento de 3,8 pontos percentuais na alíquota efetiva já neste ano, o que, segundo a empresa, custaria US$ 450 milhões apenas no primeiro trimestre.

O valor de US$ 14 bilhões supera o caixa da companhia, o que pode levá-la a recorrer a financiamento.

Mesmo assim, analistas não demonstram grande preocupação com o caso. Nas teleconferências mais recentes, o foco esteve em novos sabores, marketing da Copa do Mundo e crescimento na Ásia.

“Isso vai levar a cortes de investimento em marca? Não. Em inovação? Não”, disse Carlos Laboy.

A empresa contabilizou apenas US$ 520 milhões do risco total de US$ 20 bilhões, apostando em vitória.

A disputa sobre lucros no exterior

O ponto central é onde a Coca-Cola gera seus lucros.

Embora produza bens físicos, a tributação depende de onde o lucro é gerado — e isso está ligado aos ativos mais valiosos da companhia.

Na prática, a Coca-Cola é uma empresa baseada em propriedade intelectual. Marcas, receitas e direitos podem ser licenciados entre subsidiárias globais.

Essas transações internas influenciam diretamente os lucros de cada unidade. Como não há comparáveis claros de mercado, disputas com o fisco são frequentes.

Empresas têm incentivo para concentrar lucros em países com baixa tributação — tendência que persistiu mesmo após mudanças na alíquota corporativa dos EUA.

O método da Coca-Cola remonta a um acordo de 1996 com o IRS, conhecido como “10-50-50”. Nele, unidades de produção em países como Brasil, Costa Rica, Irlanda e México ficam com 10% das vendas brutas e 50% do lucro restante.

Um juiz do Tribunal Tributário concluiu que o modelo favorece excessivamente operações estrangeiras.

“O IRS afirma que o acordo de 1996 não se aplica aos anos posteriores e não garante imunidade tributária”, diz o texto.

Já a Coca-Cola argumenta que o IRS mudou sua interpretação e que a estrutura foi aprovada anteriormente pelo próprio governo.

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Rumo anuncia saída de Pedro Palma do cargo de CEO

22 de Junho de 2026, 09:23

A Rumo informou nesta segunda-feira (22) que o executivo Pedro Palma vai deixar o cargo de CEO da empresa de logística, sendo substituído de forma interina por Daniel Rockenbach.

Segundo a companhia, Rockenbach ocupa atualmente a presidência da Malha Sul e atua na empresa há 15 anos. A mudança entra em vigor em 20 de julho de 2026. Não há sinalização se Rockenbach ou outro profissional ficará em definitivo.

A Rumo é a maior operadora logística ferroviária do Brasil, controlada pelo grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto. Atua no transporte de grãos, combustíveis e contêineres, com destaque para a exportação agrícola.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

Conselho da Vale resiste à pressão da Previ por troca no comando do conselho

22 de Junho de 2026, 09:02

Membros do conselho de administração de Vale, a maior produtora mundial de minério de ferro, se posicionaram contra o pedido da Previ, um dos maiores acionistas da empresa, para remover Daniel André Stieler da presidência do colegiado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Embora a proposta ainda precise ser submetida à votação dos acionistas, a decisão do conselho poderá influenciar as recomendações das empresas de consultoria de voto e dos investidores institucionais que participarão do processo. O mandato do chairman do conselho expira em abril de 2027, caso ele não seja destituído antes desse prazo.

A Previ, que detém uma participação de 7% na Vale, solicitou em 11 de junho a realização de uma assembleia extraordinária para votar a destituição de Stieler, que ocupa o cargo desde abril de 2023. O pedido ocorreu após uma mudança na liderança do maior fundo de pensão do Brasil, responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil.

A maioria dos diretores considerou insuficientes as razões apresentadas pela Previ para a destituição, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informação confidencial.

Vale recusou-se a comentar.

A assembleia extraordinária de acionistas está marcada para 22 de julho. A aprovação da proposta de remoção de Stieler abriria caminho para votações separadas para eleger um novo membro do conselho para o restante do mandato, que termina em 2027, e um novo presidente do conselho. Esse cenário desencadearia uma disputa entre os candidatos de Previ e nomes alternativos apoiados pela maioria do conselho atual.

A Previ agora apoia a eleição do conselheiro independente Manuel Lino Oliveira para a presidência do conselho, segundo comunicado. Conhecido como Ollie, ele tem mais de 45 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia no setor de mineração, principalmente em empresas como Anglo American Plc e De Beers Consolidated Mines Ltd.

Ao nomerar um candidato externo, em vez de alguém de seus próprios quadros para presidir o conselho da mineradora a Previ afirmou que “reforça seu compromisso com o contínuo aprimoramento da governança corporativa da Companhia e com a geração de valor sustentável no longo prazo.”. Paralelamente, o fundo de pensão também nomeou José Maurício Pereira Coelho, ex-CEO da Previ, que anteriormente havia sido chairman do conselho da Vale de 2019 a 2021, para assumir uma vaga no conselho da empresa.

A maioria do conselho da Vale indicará a ex-executiva da BP Plc. Ieda Gomes Yell para concorrer a uma vaga contra Coelho, disseram as fontes. O atual vice-presidente do conselho da Vale, Marcelo Gasparino, concorrerá como alternativa a Oliveira para ser o novo presidente do conselho da mineradora. O advogado também é membro do conselho da Petrobras. Outros candidatos, além dos indicados pela Previ e pelo conselho da Vale, ainda podem surgir antes da votação.

Stieler presidiu a Previ por dois anos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi eleito para o conselho da Vale em 2021 e posteriormente assumiu a presidência do colegiado da mineradora mesmo após deixar seu cargo na Previ.

No ano passado, o então presidente da Previ, João Fukunaga, deixou o comando do fundo após ser alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União. Ele também deixou o conselho da Vale em fevereiro, o que enfraqueceu o apoio a Stieler dentro do fundo, o jornal O Globo informou em 13 de junho.

Entre os demais grandes acionistas da Vale estão a Mitsui, a Blackrock e a Capital World Investors.

*por Mariana Durão – repórter da Bloomberg

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Danone compra fabricante australiana de iogurtes e bebidas por US$ 1,4 bilhão

22 de Junho de 2026, 08:35

A Danone deu mais um passo para fortalecer seu portfólio de produtos ricos em proteína e ampliar sua presença na Ásia ao adquirir a Made Group, fabricante australiana de bebidas e laticínios, da gestora de private equity TPG Capital.

O negócio pela Made, que comercializa produtos populares de saúde como a água de coco Cocobella e os shakes proteicos Rokeby, foi avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares australianos (US$ 1,4 bilhão), segundo reportagem publicada no domingo pelo jornal australiano Financial Review. A Danone não divulgou os detalhes financeiros da operação em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A empresa francesa também anunciou a compra dos 49% restantes de sua joint venture com a Saputo Dairy Australia. Ambas as transações devem ser concluídas no segundo semestre deste ano.

A Danone está entre as poucas grandes companhias do setor alimentício que vêm se beneficiando do forte crescimento da demanda por alimentos mais saudáveis. Fabricante das marcas Activia e Actimel, a empresa vem ampliando rapidamente sua linha de produtos, especialmente os iogurtes ricos em proteína, que registram vendas tão fortes que a companhia tem enfrentado dificuldades para atender à demanda.

Juergen Esser, diretor-geral adjunto da Danone, descreveu a Made como uma “mini Danone”, em referência à combinação de iogurtes ricos em proteína, produtos à base de plantas e bebidas funcionais da companhia australiana.

Segundo Esser, a aquisição dará à Danone uma posição mais forte no Sudeste Asiático, onde atualmente, em muitos países, a empresa comercializa apenas fórmulas infantis e produtos de nutrição médica. Ele destacou o “enorme potencial” da região.

A Danone também pretende acelerar a expansão dos produtos da Made na Austrália e na Nova Zelândia por meio de inovação baseada em pesquisa científica, afirmou Esser. A CEO da Made, Amanda Butler, permanecerá no cargo.

Esser acrescentou que a Danone ainda tem espaço para realizar novas aquisições sem comprometer a solidez de seu balanço financeiro.

No início deste ano, a empresa anunciou um acordo para adquirir a marca britânica de substitutos de refeições Huel, apoiada por celebridades. A transação ainda aguarda aprovação regulatória.

“Sempre permaneceremos muito próximos da nossa missão e propósito, que são saúde, proteínas, saúde intestinal, nutrição e nutrição médica”, disse Esser.

A Made foi criada no início dos anos 2000 por um grupo de amigos que queria oferecer alternativas às bebidas açucaradas. Sua primeira marca, NutrientWater, foi a primeira água enriquecida com vitaminas lançada no país.

A empresa expandiu seus negócios em 2010 com a marca de água de coco Cocobella. Depois vieram a Rokeby Farms, com iogurtes probióticos e smoothies, e mais tarde os sucos prensados a frio da marca Impressed.

A Coca-Cola adquiriu uma participação minoritária na empresa em 2018, mas posteriormente abriu mão da fatia após a TPG Capital comprar 60% da companhia em 2021.

As ações da Danone registravam pouca variação nas negociações em Paris nesta segunda-feira. Os papéis acumulam queda superior a 15% neste ano, acompanhando a desvalorização mais ampla das ações de empresas de bens de consumo.

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ETFs de bitcoin perdem US$ 5,9 bilhões em seis semanas

22 de Junho de 2026, 08:26

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) americanos de bitcoin (BTC) registraram a sexta semana consecutiva de saídas líquidas de recursos.

No período, os investidores retiraram US$ 5,94 bilhões desses produtos, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Trata-se da mais longa sequência de saídas desde o lançamento dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024.

Como esses fundos são a principal porta de entrada dos investidores institucionais para o mercado cripto, o movimento é visto como um sinal de maior cautela por parte desse público.

“O crescimento das compras de bitcoin pelos ETFs está prestes a zerar. A demanda por bitcoin segue em retração”, escreveu Julio Moreno, head de research da CryptoQuant.

Pressão sobre o bitcoin

As saídas afetam diretamente o preço da criptomoeda. Quando investidores resgatam recursos dos ETFs, os gestores precisam vender parte dos bitcoins mantidos em carteira para honrar essas retiradas, aumentando a pressão vendedora no mercado.

Por volta das 8h desta segunda-feira (22), o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 64 mil, com queda de 0,36% no dia. Nos últimos 30 dias, a maior criptomoeda do mercado acumula perdas de 14%.

As altcoins – termo usado para designar criptomoedas diferentes do bitcoin – operam sem direção única nesta manhã. Enquanto o XRP (XRP) recua, o ethereum (ETH) e a solana (SOL) avançam.

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Não são só os ETFs

Mas os ETFs não explicam tudo. O mercado cripto também vem sendo pressionado pelo cenário macroeconômico nos Estados Unidos.

A manutenção dos juros em níveis elevados e a sinalização de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) pode voltar a elevar a taxa reduzem o apetite por risco e afetam ativos como o bitcoin.

“Quem esperava que o Fed aproveitasse o Brent mais baixo para sinalizar cortes saiu decepcionado. O bitcoin sentiu o golpe”, afirma André Franco, CEO da Boost Research.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,36%, US$ 64.066,74

Ethereum (ETH): -1,55%, US$ 1.750,63

BNB (BNB): +0,88%, US$ 593,90

XRP (XRP): -0,36%, US$ 1,14

Solana (SOL): +0,50%, US$ 73,89

Outros destaques do mercado cripto

BC adia regra para criptos. O Banco Central deu mais tempo para empresas do setor cripto se adaptarem às novas exigências de reporte de operações ligadas ao mercado de câmbio. A obrigação, que começaria a valer em maio deste ano, foi adiada para operações realizadas a partir de 3 de novembro de 2026. As regras envolvem transações internacionais com criptoativos, stablecoins e movimentações entre carteiras autocustodiadas.

Dividendo vira bitcoin. A gestora Franklin Templeton pediu autorização para colocar no mercado americano dois ETFs que usam uma estratégia diferente: em vez de reinvestir os dividendos pagos pelas empresas da carteira em novas ações, os recursos seriam direcionados para bitcoin. Os fundos manteriam exposição majoritária a ações americanas, mas poderiam ampliar gradualmente a participação da cripto.

Cartel no ethereum? Está rolando um debate acalorado na comunidade do ethereum. A pergunta é: será que vale usar parte das recompensas do staking (método de renda passiva) para financiar o desenvolvimento do ecossistema? Defensores argumentam que a medida ajudaria a financiar melhorias de longo prazo, enquanto críticos alertam para riscos de centralização, conflitos de interesse e até a criação de um “cartel” entre validadores.

Home office? Para a Copa do Mundo, até o JPMorgan diz sim

22 de Junho de 2026, 08:25

A Copa do Mundo está oferecendo a alguns trabalhadores de escritório um benefício inesperado: permissão para ficar em casa.

Empregadores nas cidades-sede estão incentivando funcionários a trabalhar remotamente nos dias de jogo para evitar os congestionamentos e atrasos esperados, interrompendo temporariamente o esforço de anos das empresas americanas para trazer as pessoas de volta aos escritórios.

Banqueiros de Wall Street, profissionais de relações públicas, servidores públicos e professores estão entre os trabalhadores que estão se conectando de casa em várias partes do continente. Até mesmo Jamie Dimon, um dos críticos mais duros e vocais do trabalho remoto, está concedendo alguma flexibilidade aos funcionários do JPMorgan Chase nos dias de partida, segundo o Financial Times.

Agências federais também estão adotando medidas mais flexíveis. Cidades como Nova York, Seattle, Los Angeles, Toronto e Cidade do México alertaram para congestionamentos severos à medida que dezenas de milhares de torcedores lotam estradas e sistemas de transporte público para assistir aos jogos.

Por mais que alguns CEOs queiram decretar o fim do trabalho remoto, ele simplesmente não desaparece. Os trabalhadores americanos passam mais de um quarto dos dias de trabalho remunerados em casa, segundo uma pesquisa mensal realizada por economistas da ITAM Business School e da Universidade Stanford. A pandemia pode não ter provocado uma revolução definitiva do home office, mas preparou trabalhadores e empresas para adotá-lo quando necessário.

“Evitar o trânsito da Copa do Mundo é um caso de uso perfeito para o trabalho remoto”, disse Emma Harrington, economista da Universidade da Virgínia que estuda o tema. “Ficar preso em congestionamentos não é uma boa utilização do tempo de ninguém.”

A S&P Global informou aos funcionários de sua sede em Nova York que planejem trabalhar de casa nos cinco dias úteis em que haverá partidas no estádio NYNJ, em East Rutherford, Nova Jersey, de acordo com um memorando obtido pela Bloomberg. A empresa está suspendendo temporariamente a exigência de dois dias presenciais por semana “para ajudá-lo a evitar um deslocamento difícil”, afirmou em um e-mail aos funcionários.

Instituições financeiras de Wall Street, incluindo o Goldman Sachs, também estão flexibilizando temporariamente suas políticas de presença, informou o Financial Times. A S&P Global recusou comentar; Goldman Sachs e JPMorgan não responderam aos pedidos de comentário.

O Departamento de Transporte da Cidade de Nova York afirmou esperar “congestionamento severo” nos dias de jogo. A cidade está fechando várias ruas na região central de Manhattan para criar corredores exclusivos para ônibus que transportarão torcedores até o estádio.

Nem todos os empregadores disseram aos funcionários para ficarem em casa. A Amazon enviou e-mails orientando os trabalhadores a saírem de casa mais cedo nos dias de partida para chegar ao escritório no horário e destacou opções de transporte para evitar congestionamentos.

Megaeventos esportivos são conhecidos por complicar deslocamentos e atrapalhar a rotina de trabalho. Londres adotou três semanas de trabalho remoto durante os Jogos Olímpicos de 2012. Mas o impacto da Copa do Mundo provavelmente será mais limitado porque as partidas estão distribuídas por 16 cidades, incluindo Boston, Dallas, Houston, Miami e Vancouver, disse Nicholas Bloom, economista de Stanford especializado em trabalho remoto e deslocamentos. Além disso, nenhuma cidade receberá mais de nove partidas.

“Isso é muito parecido com eventos climáticos — tempestades de neve, tempestades ou tornados” que podem exigir trabalho remoto, disse Bloom.

A agência de comunicação Talk Shop Media suspendeu temporariamente sua política de três dias presenciais por semana em seus escritórios de Toronto, Vancouver e Los Angeles, todas cidades-sede da Copa do Mundo.

“Para Los Angeles, isso é um bom ensaio para as próximas Olimpíadas”, afirmou a cofundadora da agência, Katie Dunsworth-Reiach.

Na Cidade do México, a presidente Claudia Sheinbaum anunciou medidas especiais antes da partida de abertura da Copa do Mundo, em 11 de junho, incluindo a adoção obrigatória do trabalho remoto para servidores federais e a suspensão das aulas na capital naquele dia, enquanto as autoridades se preparavam para os congestionamentos provocados pelos eventos ligados ao torneio e por protestos programados.

O governo mexicano também determinou trabalho remoto para servidores públicos em 17 e 24 de junho na Cidade do México e em 18 de junho em Guadalajara, onde partidas serão realizadas, além de recomendar que empregadores privados adotem medidas semelhantes. As escolas públicas também tiveram aulas suspensas nesses dias.

As medidas foram adotadas em meio a manifestações de grupos como o sindicato dos professores CNT e coletivos que representam famílias de pessoas desaparecidas, que afetaram a mobilidade na cidade. Alguns desses grupos afirmaram que continuarão realizando marchas antes dos próximos jogos.

Outras cidades-sede tomaram medidas semelhantes. Guadalajara recomendou ensino remoto e trabalho em casa nos dias de partidas. Já Monterrey evitou grandes transtornos até o momento e não anunciou restrições comparáveis, embora a associação industrial Caintra tenha informado que 53% de seus membros estão promovendo temporariamente o home office para funções administrativas.

Ainda assim, muitos trabalhadores da linha de frente em setores como hospitalidade, saúde e manufatura não têm escolha a não ser continuar se deslocando para o trabalho. Apenas metade dos trabalhadores americanos ocupa cargos que podem ser desempenhados remotamente, segundo pesquisas da Gallup.

Teneshia Murray, proprietária da rede de restaurantes T’s Brunch Bar, inspirada na culinária do sul dos Estados Unidos e sediada em Atlanta, começou a contratar funcionários extras em abril para manter suas quatro unidades abertas duas horas além do horário habitual nos dias de jogo. Murray disse que ela e sua equipe se prepararam para ver seus deslocamentos triplicarem quando Atlanta recebeu a primeira de oito partidas na semana passada.

Mas, com tantos profissionais de escritório trabalhando de casa, as estradas estavam surpreendentemente livres.

“Surpreendentemente, não havia trânsito”, disse Murray. “Todo mundo estava preocupado, e no fim não aconteceu nada. Na segunda-feira, as estradas estavam mais livres do que nunca.”

Tokens baratos? O modelo de negócios por trás da IA pode estar mudando

22 de Junho de 2026, 07:44

No episódio de “IA: Modo de Usar“, Pedro Burgos analisa a economia por trás das ferramentas de inteligência artificial. Descubra por que o mercado de tecnologia está abandonando os planos ilimitados para adotar a cobrança por uso, semelhante à conta de luz. Assista ao vídeo completo para entender como aproveitar os tokens baratos e acelerar seus projetos agora.

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Energia barata coloca Brasil na corrida dos data centers

22 de Junho de 2026, 06:38

A corrida por data centers está cada vez mais acirrada, e as big techs enxergam no Brasil um potencial enorme para garantir energia mais barata. Assista ao vídeo acima e confira o primeiro capítulo da nossa série especial: Camila Alves Barros explica como o Brasil, com sua fartura de energia limpa e R$ 80 bilhões em projetos, virou o porto seguro dos servidores mundiais.

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A mulher que rompeu o domínio da China sobre as terras raras

22 de Junho de 2026, 06:12

Quando Amanda Lacaze assumiu o cargo de CEO da mineradora australiana de terras raras Lynas, em 2014, poucos no setor acreditavam que ela teria sucesso.

Seu antecessor havia permanecido apenas 14 meses no cargo. As ações da empresa tinham despencado mais de 90% nos anos anteriores. A experiência de Lacaze era em marketing, não em mineração.

E, de alguma forma, ela precisava desafiar o domínio quase absoluto da China sobre as terras raras — uma tarefa estrategicamente importante, mas comercialmente ingrata.

Lacaze lembra de ter dito ao marido que, se não conseguisse recuperar a empresa, provavelmente nunca mais trabalharia.

“Na Austrália, somos menos tolerantes com o fracasso”, afirmou.

Ela conseguiu reverter a situação. Após 12 anos à frente da empresa, Lacaze, de 66 anos, deixará a companhia no fim de junho, depois de transformá-la em uma potência ocidental do setor de terras raras.

Em março, a Lynas anunciou um acordo preliminar para vender terras raras ao Pentágono, incluindo as escassas terras raras pesadas, que Pequim utilizou ao longo do último ano como instrumento de pressão sobre a indústria global.

O valor das ações da companhia é hoje cerca de 15 vezes maior do que quando ela assumiu o comando. A receita alcançou aproximadamente US$ 470 milhões nos nove meses encerrados em março, um aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Existe um motivo pelo qual não somos muito populares na China”, disse Lacaze após uma visita recente às instalações em expansão da empresa na Malásia, onde são processados os minerais extraídos da mina da companhia na Austrália.

Apesar da trégua comercial entre Estados Unidos e China, o acesso às terras raras dominadas pelos chineses continua sendo uma questão urgente para empresas em todo o mundo.

Os ímãs produzidos com esses minerais são componentes essenciais para as indústrias de eletrônicos, automóveis e defesa. A demanda cresce rapidamente com a expansão dos veículos elétricos, drones e outras tecnologias avançadas.

O cenário desencadeou uma espécie de corrida do ouro das terras raras, com governos ao redor do mundo investindo recursos em novas minas, unidades de processamento e fábricas de ímãs para reduzir a dependência da China.

Um relatório divulgado neste mês pelo Conselho Empresarial EUA-China concluiu que as restrições chinesas às exportações tornaram algumas terras raras praticamente impossíveis de obter. Quase metade das empresas consultadas afirmou estar procurando fornecedores viáveis fora da China, mas ainda não encontrou alternativas.

A Lynas tornou-se uma válvula de escape crucial. Junto com a americana MP Materials, é uma das poucas empresas alinhadas ao Ocidente capazes de separar elementos de terras raras em escala industrial — uma das razões pelas quais a China processa cerca de 90% desses minerais no mundo, e não 100%.

Quando Lacaze assumiu o cargo em 2014, a empresa tinha um grande trunfo: sua mina Mount Weld, localizada em um antigo vulcão erodido no oeste da Austrália, com uma concentração excepcionalmente alta de terras raras.

As ações da Lynas haviam disparado em 2010, quando restrições chinesas às exportações desses minerais obrigaram o resto do mundo a buscar fornecedores alternativos.

Mas a China retomou as exportações em larga escala poucos anos depois e os preços despencaram. A Molycorp, que pretendia ser a campeã americana das terras raras, declarou falência em 2015.

Muitos acreditavam que a Lynas seria a próxima.

Sua unidade de processamento em Kuantan, na Malásia, enfrentava dificuldades para separar quimicamente os diferentes elementos de terras raras.

“Tínhamos ativos que não funcionavam. Não estávamos gerando caixa”, disse Lacaze. “Senti que eles precisavam de alguém para lutar por eles. Para tentar de verdade.”

Ela cortou cargos em uma estrutura executiva inchada — herança do breve período em que a empresa figurou entre as 100 maiores da bolsa australiana — e fechou escritórios em Sydney e em outras localidades.

Em 2014, ela e a equipe executiva reduzida mudaram-se para Kuantan.

As dívidas pressionavam e Lacaze precisava reconquistar a confiança dos credores, que se sentiam enganados sobre a real situação da empresa.

Ela recorda viagens com orçamento apertado, incluindo uma estadia em um pequeno quarto do Holiday Inn Express, em Hong Kong, onde ficava um dos credores. O espaço era tão apertado que ela mal conseguia abrir a mala.

Lacaze escreveu uma carta a um credor apoiado pelo governo japonês, a Japan Australia Rare Earths, avisando que estaria em Tóquio. Apostou que a tradicional cortesia japonesa garantiria uma reunião.

O momento era decisivo: se os japoneses não aceitassem adiar os vencimentos da dívida, a Lynas seria esmagada.

No encontro, os representantes aceitaram, em linhas gerais, sua proposta de reestruturação. Foi um avanço fundamental que deu fôlego financeiro à companhia.

Os japoneses tinham motivos para serem flexíveis. Precisavam de uma fonte alternativa de terras raras para evitar que a China pudesse colocar suas indústrias eletrônica e automobilística em situação de dependência.

Enquanto negociava com os credores, a equipe de produção resolvia os problemas da fábrica na Malásia.

Cinco meses após assumir o cargo, Lacaze anunciou que 99% da produção de terras raras já atendia aos padrões de qualidade, contra apenas 48% pouco tempo antes.

“A Lynas veio para ficar”, declarou.

Ela atribui sua determinação à infância simples em Brisbane, na Austrália, onde era a quarta de cinco irmãos e precisava disputar comida com três irmãos mais velhos.

Após concluir uma pós-graduação em marketing na Australian Graduate School of Management, ocupou cargos de liderança em empresas australianas de telecomunicações, incluindo a Telstra.

Quando ingressou na Lynas, era novata no setor de terras raras, mas tinha confiança para fazer perguntas básicas.

“Eu sabia que não era burra e sabia que as pessoas perceberiam isso”, afirmou.

A partir de 2018, sucessivos governos da Malásia ameaçaram restringir as operações da Lynas devido a preocupações ambientais.

Lacaze afirma que a empresa sempre cumpriu integralmente as regulamentações e acabou autorizada a continuar operando.

Como plano de contingência, também construiu uma instalação paralela na Austrália para realizar uma etapa ambientalmente sensível do processamento, conhecida como “cracking and leaching”, concluída em 2024.

A persistência da empresa fez com que, em 2025, quando a China restringiu fortemente as exportações globais de determinadas terras raras e ímãs em resposta às medidas comerciais dos Estados Unidos, a Lynas estivesse pronta para ajudar a preencher a lacuna de oferta.

Desde então, a companhia captou cerca de US$ 600 milhões junto a investidores para expandir a produção e anunciou uma parceria com a Noveon, fabricante de ímãs de terras raras sediada no Texas.

Nem todos os projetos, porém, deram certo.

Em 2023, a Lynas anunciou um contrato de US$ 258 milhões com o Pentágono para construir uma unidade de processamento de terras raras no Texas. Após anos de negociações, a empresa abandonou o projeto em 2025.

Segundo Lacaze, a fábrica dificilmente alcançaria a mesma eficiência de custos das operações na Malásia.

Em vez disso, a rival MP Materials está construindo uma instalação de separação de terras raras pesadas na Califórnia com apoio do governo americano, cuja operação deve começar ainda este ano.

Para Lacaze, muitos governos abordam o problema da maneira errada.

Na sua avaliação, os recursos que países aliados do Ocidente estão investindo em novas plantas de terras raras seriam melhor empregados subsidiando clientes para escolher fabricantes ocidentais de ímãs em vez dos concorrentes chineses.

Caso contrário, há o risco de que os novos fornecedores ocidentais continuem sendo pressionados pelos preços mais baixos das empresas chinesas.

Após deixar a Lynas, Lacaze assumirá a liderança do Conselho de Minerais da Austrália, associação que representa o setor.

O comunicado da empresa sobre sua saída afirmou que ela estava se aposentando, mas ela não gosta desse termo.

“Acho que seria errado dizer que estou realmente me aposentando. Isso seria loucura”, disse.

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‘Carro voador’ da Embraer está mais próximo, mas não deve reduzir o preço do táxi aéreo

22 de Junho de 2026, 06:00

Quer ir da Faria Lima até o Aeroporto de Guarulhos de helicóptero? Beleza. A opção mais em conta custa R$ 2.750 – por cabeça, num serviço de táxi aéreo que junta vários clientes a cada voo.

Se você não encontrar vaga nessa modalidade, dá pra alugar uma aeronave inteira só para o trajeto, tipo um Uber aéreo. Só que aí o preço é bem “dinâmico”, para usar o eufemismo do transporte por aplicativo. Tem por R$ 25 mil, R$ 35 mil, R$ 60 mil… A estratosfera é o limite: num helicóptero grande, para 12 pessoas, chega a R$ 200 mil.

É justamente por isso que surgiram os projetos de eVTOL. Existe demanda para voos curtos no mundo todo, especialmente as rotas ligando o centro financeiro – Faria Lima em São Paulo, sul de Manhattan em NY, City, em Londres – até o aeroporto internacional da cidade. Mas hoje essa possibilidade cabe em poucos bolsos, lógico.

Aí que entram os eVTOLs, os veículos elétricos de pouso e decolagem vertical, na sigla em inglês. Eles ganharam o apelido de “carros voadores”, mas seria mais preciso usar “helicóptero elétrico”, ou “drone de passageiros”. Aqui, vamos de “eVTOL” mesmo.

Protótipo do eVTOL da Embraer: 59 voos desde dezembro do ano passado. Foto: Divulgação

Bom, baterias não são amigas de máquinas voadoras. Elas pesam demais. Os eVTOLs, então, carregam baterias pequenas, não muito maiores que as de um carro elétrico. A autonomia é baixa – normalmente, menos de 100 km. Mas tudo bem, porque a ideia ali é massificar, na medida do possível, os voos urbanos; mais curtos do que isso.

A vantagem sobre os helicópteros não está no preço. O custo por unidade gira em torno de US$ 5 milhões, mesmo patamar de um helicóptero. O ganho está no preço da hora de voo. O custo do “combustível” no voo elétrico cai 90% – já que elétrons são mais baratos que querosene de aviação. A manutenção também tende a ser mais em conta. Motores elétricos têm menos peças. São menos coisas para quebrar. Juntando tudo, você tem uma operação mais barata, o que abre espaço para tickets menos escorchantes.

Mas talvez não seja tão simples – é o que vamos ver nesta reportagem.

O drone com asas

Já faz tempo que se fala em eVTOLs. A Embraer começou a desenhar a dela em 2017. E em 2020 fundou a EVE, uma subsidiária dedicada a criar um eVTOL. Mas só agora eles começam a sair do PowerPoint e entrar no mundo real. Na China, já existe um modelo certificado na ANAC deles – ou seja, apto a fazer voos comerciais. No resto do mundo, há um punhado de protótipos em estágio avançado de teste. O da Embraer é um deles.

Ou seja: a pergunta não é mais “se” os eVTOLs vão virar realidade. É “quando”. Mas está demorando mais do que esperavam. A Embraer planejava a certificação da ANAC e da FAA, sua par americana, para 2026. Passou para 2027. Agora a programação é para 2028.

Mas a demora faz sentido. O modelo chinês já certificado é o EH 216-S, feito pela eHang, uma empresa com capital aberto na Nasdaq. Mas ele está para o modelo da EVE e de outras concorrentes como uma moto está para um carro. Só dois assentos, e sem piloto; ele voa por controle remoto. E a autonomia é baixa: 35 km – pouco para uma operação viável de táxi aéreo.

Tanto que a operação comercial dele consiste em voos panorâmicos de 10 minutos; R$ 200 o ticket – em áreas controladas nas cidades chinesas de Guangzhou e Hefei.

eVTOL
eHang EH 126-S: só voos panorâmicos em áreas controladas. Foto: Divulgação

A saída para aumentar a autonomia de um eVTOL é a que a Embraer, e outros fabricantes, decidiram: fazer um drone gigante, mas com asas, que ajudem a sustentar o bicho na hora de voar na horizontal, impulsionado por uma hélice na traseira.

Desse jeito, os rotores de cima não precisam funcionar em capacidade máxima o tempo todo – como acontece com o EH 216-S, que funciona como um drone comum. O trabalho das asas economiza energia – algo essencial quando a bateria tem de ser pequena.

E essa economia abre portas para uma aeronave mais funcional. A da EVE vai levar quatro passageiros mais piloto – fundamental para que a operação não tenha restrições. E a autonomia planejada é de 85 km.

Isso permite passar o dia fazendo voos de mais ou menos 25 km (como o Faria Lima – GRU, de 12 minutos), abastecendo no estilo splash and go: para um pouquinho, carrega um pouquinho. E mais 25 km.

“É um minuto de voo, um minuto de carga. Você voa 12 minutos, então são 12 minutos que você precisa para recarregar a bateria”, disse Johann Bordais, CEO da EVE, numa coletiva recente. “Encaixa direitinho na meta que temos para o turnaround [o tempo em solo, durante a saída de um grupo de passageiros e a entrada de outro].”

Eve: companhia da Embraer fez mais voo teste do eVTOL (Foto: Divulgação)
Protótipo do eVtol da EVE: hélice traseira e asas são a chave para levar mais passageiros. Foto: Divulgação

Só que esse tipo de voo, sustentado parcialmente por asas na fase de cruzeiro, é mais complexo. O protótipo da EVE fez 59 voos de teste desde o final do ano passado. Não foram voos completos, só exercícios de decolagem e pouso, com a máquina pairando no ar, a até 65 metros de altitude. A próxima etapa é a da “transição”, como dizem no jargão técnico, para o voo horizontal – quando a hélice de cauda entra em ação, empurrando a aeronave para a frente em busca da sustentação pelas asas, estilo avião.

Mas tem um problema: nesse momento, os rotores continuam criando vento para baixo, e isso atrapalha o tráfego do ar que passa pelas asas. Os engenheiros, então, precisam fazer a sintonia fina perfeita – entender qual é o nível ideal de rotação das hélices para que a aeronave entre em voo horizontal de forma segura.

Não é trivial. Mas essa nem é a parte mais difícil do processo todo. “O desafio que temos não é certificar o veículo em si. É garantir que o ecossistema esteja pronto”, diz Johann.

Tomada: o grande gargalo

“Ecossistema” é basicamente a estrutura de recarga. Um carro elétrico você carrega à noite e anda 300 km. Um eVTOL precisa de recargas constantes. Isso não seria problema, não fosse um detalhe: para concorrer com helicópteros, os aviões precisam sair de helipontos no meio das áreas nobres das cidades, e esses ficam no topo de prédios.

O carregador ideal para esse tipo de aeronave precisa ter uma potência entre 300 kW e 400 kW. Não é nada de outro planeta: os carregadores de última geração da BYD chegam a 1.500 kW.

O problema é colocar no topo de um prédio. Um carregador de 350 kW pesa 2,5 toneladas entre o totem de carregamento e os “gabinetes de potência”, que convertem a corrente alternada (AC) do sistema elétrico na corrente contínua (DC) que alimenta as baterias.

E não é todo prédio que tem a parte elétrica robusta o bastante para aguentar um carregador de 350 kWh – essa potência pode equivaler a 20% do que o edifício consome num momento de pico. Nesse caso, o prédio pode precisar de uma subestação de energia nova no subsolo, dedicada a suprir o carregador; mais o cabeamento todo para levar os elétrons até a laje. Não sai barato.

Por essas, empresas que planejam fazer táxi aéreo com eVTOLs já pensam em atalhos. “Para o topo dos edifícios, o que estudamos são soluções de carga mais simples [de potência mais baixa]”, diz João Welsh, CEO da Revo.

A Revo é a empresa do táxi aéreo de R$ 2.750 para Guarulhos – a modalidade mais em conta hoje. Ela começou essa operação com helicópteros justamente para testar um futuro com eVTOLs – a empresa já encomendou 50 com a Embraer, por US$ 250 milhões.

A ideia de ecossistema da Revo é usar bases aéreas, como o Campo de Marte, como a “casa” das aeronaves. É nelas que vai acontecer em alta potência. Para os helipontos, só uma recarga mais leve. Quando essas recargas não bastarem mais, o eVTOL volta à base terrestre para o seu “intervalo de hidratação”, vamos dizer assim.

Um sistema assim converge com o que o mercado oferece hoje. A Beta Technologies, dos EUA, desenvolve um eVTOL e também faz carregadores para suprir o ecossistema da coisa. E ela já oferece um grande, de 350 kW, e um “mini”, do tamanho de um caixote, de 65 kW. A ideia é justamente usar o menor em bases com menos infraestrutura elétrica.

Só que ainda assim custa caro. E isso depõe contra a ideia de voos mais baratos num horizonte vislumbrado. “No momento inicial [dos voos de eVTOL] não vemos o preço mudar muito”, diz João Welsh. “Já estamos testando um preço que achamos razoável [os R$ 2.750 para GRU], e achamos que ele faz sentido para a introdução de uma tecnologia nova.”

É isso: não existe almoço grátis, quanto mais infraestrutura de recarga para aeronaves elétricas grátis. Mas também é aquilo: no final dos anos 1970, uma passagem de ida e volta para a Europa, de econômica, custava entre R$ 30 mil e R$ 40 mil em dinheiro de 2026. Hoje, R$ 5 mil resolvem.

Assim caminha a humanidade. E assim tem voado a humanidade.

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EUA e Irã mantêm negociações na Suíça mesmo após declarações de Trump ameaçarem acordo

21 de Junho de 2026, 16:21

Os Estados Unidos e o Irã deram início neste domingo (21) as negociações na Suíça para tentar fechar um acordo de paz sobre o programa nuclear iraniano e garantir a reabertura permanente do Estreito de Ormuz. As conversações chegaram a ficar ameaçadas após o presidente americano Donald Trump ter voltado a ameaçar com novos ataques, caso o Hezbollah não cesse suas ofensivas contra Israel no Líbano.

O início das tratativas foi marcado por confusão: a mídia iraniana chegou a noticiar que Teerã havia suspendido as negociações após a mais recente ameaça de Trump. Porém outras fontes a par do assunto garantiram que as conversas continuam.

As primeiras reuniões de alto nível reuniram representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão no resort suíço de Bürgenstock. Entre os presentes estavam o vice-presidente americano JD Vance e o chanceler iraniano Abbas Araghchi.

Já com as reuniões em curso, Trump publicou em suas redes sociais que atacaria o Irã novamente caso o país não “cessasse imediatamente suas PROXIES bem pagas no Líbano de causar problemas”, em menção ao Hezbollah. Depois, em entrevista à Fox News, o presidente afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã.

Negociação longa pela frente

Vance foi cuidadoso ao calibrar as expectativas. “O que hoje representa é o início de uma negociação técnica que não vai resolver todos os desacordos”, disse o vice-presidente a jornalistas, ao lado dos mediadores do Catar e do Paquistão. Os negociadores globais de Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, já vinham conduzindo conversas técnicas preparatórias.

Segundo fonte familiarizada com as discussões, que pediu anonimato por se tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será determinante para o sucesso das negociações — o que, na prática, faz o desfecho depender também do aval de Israel, país que não participou dos entendimentos que levaram ao acordo interino.

Entre os temas prioritários estão o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e a devolução de ativos iranianos congelados no exterior. As conversações em formato quadripartite tiveram início às 14h45 (horário local) e se estenderam pela noite de domingo.

Ormuz no centro das tensões

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que fecharia novamente o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás negociado no mundo. Apesar do anúncio, os dados de rastreamento de navios mostraram que milhões de barris continuaram a fluir normalmente pelo canal.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de embarcações comerciais aumentou no sábado, com 55 navios mercantes em trânsito transportando mais de 17 milhões de barris de petróleo. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que os EUA seguem escoltando navios e “demonstrando que conseguem cruzar o estreito com ou sem” o consentimento iraniano.

Pelo memorando de entendimento assinado por Trump na quarta-feira, as partes têm 60 dias para negociar — com possibilidade de prorrogação. O acordo já levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer flexibilização das sanções sobre o petróleo do país. Em contrapartida, o Irã se comprometeu a reabrir Ormuz, embora tenha avisado que passará a exigir autorização prévia e seguro obrigatório para o trânsito de navios — condição rejeitada pelos EUA, Europa e países árabes do Golfo.

Israel complica o cenário

Israel, parceiro dos EUA na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, trava simultaneamente uma campanha contra o Hezbollah no Líbano — conflito que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses. Teerã insiste em vincular essa frente às negociações mais amplas com Washington.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, foi taxativo: “Não há e não haverá nenhuma restrição aos soldados das FDI no Líbano para agir contra ameaças”, afirmou, reiterando que Israel não retirará suas tropas da chamada Linha Amarela.

Trump já demonstrou frustração com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por ataques anteriores que, na sua avaliação, arriscam comprometer as negociações com o Irã. Vance tentou equilibrar o discurso: “Israel tem o direito de se defender. Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os demais, precisam respeitar este processo de paz, que é bom para eles e para toda a região.”

Ao final do dia, Vance se mostrou otimista: “As partes já fizeram grande progresso nas últimas horas. Espero que avanços adicionais sejam feitos nas próximas.”

Irã suspende negociações com os EUA após Trump ameaçar novos ataques

21 de Junho de 2026, 13:59

O Irã interrompeu as negociações com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump ameaçou realizar novos ataques ao país em razão das ações do Hezbollah no Líbano. A informação foi divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Fars.

Segundo a Fars, as conversas realizadas na Suíça estão em situação de incerteza, de acordo com fonte anônima. Outra agência semioficial iraniana, a Tasnim, informou que a delegação iraniana deixou o local das negociações, em território suíço.

No início deste domingo, enquanto as reuniões ainda estavam em andamento, Trump publicou nas redes sociais que voltaria a atacar o Irã caso o país não “interrompesse imediatamente seus PROXIES no Líbano de causar problemas”.

O presidente americano também ameaçou que os EUA poderiam passar a cobrar pedágios pelo estreito de Ormuz caso não haja acordo. Em entrevista à Fox News neste domingo, Trump afirmou ter dito diretamente às lideranças iranianas que, se fecharem Ormuz, “vocês nem vão conseguir voltar” ao Irã — usando um palavrão.

As primeiras reuniões de alto nível entre representantes dos EUA, Irã, Catar e Paquistão haviam começado neste domingo na estância suíça de Bürgenstock, com a presença do vice-presidente americano JD Vance e do ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi.

Segundo um oficial familiarizado com as discussões, que pediu anonimato por tratar de informações sensíveis, uma resolução para o conflito no Líbano será decisiva para o êxito das negociações entre EUA e Irã na Suíça.

A guerra no país vizinho se tornou o principal obstáculo das conversações, ao lado de outros temas como o Estreito de Ormuz, as sanções americanas e os ativos iranianos congelados.

As conversas quadripartites haviam começado às 14h45 no horário local e deveriam continuar ao longo da noite de domingo. Os suíços mantêm o local disponível até a manhã de segunda-feira, permitindo que as negociações se estendam até então, se necessário.

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, conduz uma campanha paralela contra o Hezbollah no Líbano.

O Irã tem insistido consistentemente em vincular o conflito libanês — que já matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão de libaneses — às negociações mais amplas com os americanos.

Israel afirma que manterá tropas em suas fronteiras até ter certeza de que o Hezbollah, classificado como organização terrorista pelos EUA, não representa mais uma ameaça.

As forças de defesa de Israel informaram que suas operações recentes têm como alvo uma rede de bunkers subterrâneos onde combatentes do Hezbollah estariam se abrigando.

Enxurrada de dinheiro que flui para a IA acende um sinal de alerta para investidores

21 de Junho de 2026, 13:44

O que você faz se os investidores inflam o preço das suas ações sob a premissa de que você será o grande vencedor na corrida da inteligência artificial, mas o seu produto atual não caiu no gosto do público? Elon Musk tem a resposta: use suas ações supervalorizadas para comprar outra empresa de IA.

A aquisição da Cursor pela SpaceX por US$ 60 bilhões — uma transação feita integralmente em ações — coloca Musk no tabuleiro da IA corporativa de uma forma que o seu chatbot, o Grok, nunca conseguiu. A Cursor é a assistente de programação que popularizou o conceito de “vibe-coding”.

Mas esse movimento também faz parte de uma enxurrada de emissões de ações que deveria acender um sinal vermelho piscante, mesmo para aqueles que costumam dar de ombros para os valuations esticados.

As empresas sempre têm escolhas sobre como financiar seus investimentos em capital (Capex) e suas aquisições. Elas podem emitir dívida (bônus/debentures) ou emitir ações (equity) — ou uma mistura de ambos. Se as taxas de juros estão baixas, tomar dívida é barato.

Da mesma forma, se o “valuation” (valor da empresa que o mercado está disposto a antecipar, baseado na estimativa de potencial de crescimento) das ações está nas alturas, emitir mais papéis sai “barato” para a companhia.

Apenas empresas em desespero por caixa vendem ações quando suas avaliações estão baixas, já que isso dilui os acionistas atuais e destrói o preço do papel.

O lendário investidor Benjamin Graham comparava o “Sr. Mercado” a um maníaco-depressivo que oferece preços diários aos investidores — às vezes altos demais (hora de vender), às vezes baixos demais (hora de comprar). O Sr. Mercado também dá às empresas a oportunidade de comprar de nós, investidores, ou vender para nós.

E quando elas emitem ações, elas estão escolhendo vender.

No plano individual, vender ações pode fazer todo o sentido. Equilibrar o nível de endividamento e capital próprio ajuda a mitigar o risco perceptível de um investimento ou aquisição.

O “equity” (ações) é ótimo para apostas arriscadas porque, ao contrário da dívida, você não precisa pagar de volta. Essa combinação alimenta o Custo Médio Ponderado de Capital (WACC) da empresa, a métrica que define se um determinado investimento vale a pena ou não.

No entanto, quando damos um passo atrás e olhamos o cenário macro, o sinal é outro: quando as empresas se tornam vendedoras em massa de suas próprias ações, é um sinal razoável de que a bolsa está excessivamente cara.

A demanda indiscriminada dos investidores incentiva as companhias a aumentarem a oferta, seja por meio de ofertas subsequentes (follow-ons) — como a recente emissão recorde da Alphabet (Google) — ou de ofertas públicas iniciais (IPOs).

Exemplos da história recente deixam isso bem claro.

O espelho do passado

Durante a bolha da internet (pontocom) e a mania das SPACs no pós-pandemia, vimos ondas de IPOs e follow-ons à medida que os valores das empresas subiam. Houve também um boom de fusões e aquisições (M&A) nos EUA, que só agora foi superado em valor financeiro nos últimos quatro trimestres.

Naquela época, as empresas financiaram esses negócios com ações: dois terços do valor dos M&As na bolha da internet e 45% no biênio 2020-2021 foram pagos com novos papéis — os dois maiores patamares em um período móvel de quatro trimestres na base de dados da LSEG, que começou em 1990.

Os megasnegócios estão florescendo novamente: grandes IPOs decolaram com a SpaceX, e as empresas estão optando por emitir ações — usando papéis para financiar quase metade dos custos no trimestre atual, segundo a LSEG. (No acumulado de quatro trimestres, a fatia ainda é de um terço). A sede do investidor por ações está sendo saciada, em parte, pela criação de novos papéis do nada.

O outro lado da moeda mostra que, quando a dívida é barata demais, os problemas podem ser ainda mais graves. O valor dos negócios antes da crise financeira de 2008 atingiu o pico de US$ 910 bilhões no ano encerrado em setembro de 2007, pouco antes de os acionistas perceberem que a economia global estava construída sobre castelos de areia.

Apenas 19% daquilo foi financiado com ações, porque o crédito — turbinado por infinitos produtos estruturados — estava barato demais. A bolha estava no mercado de crédito, não no de ações, embora o colapso dos bancos e a recessão profunda tenham castigado as bolsas com força extrema logo depois.

As decisões de financiamento corporativo são, de certa forma, termômetros melhores para medir o quão caro o mercado está do que os indicadores tradicionais de valuation. Métricas padrão comparam o preço da ação com fundamentos — como o lucro passado ou projetado (que está voando), o valor patrimonial, o fluxo de caixa livre (que está despencando) ou as vendas.

Esses indicadores podem ser enganosos, frequentemente divergem entre si e, em sua maioria, têm um histórico histórico curto.

Pior ainda: a linha de base do que é considerado “caro” muda com o tempo, conforme a estrutura das empresas ou as regras contábeis evoluem. No caso do valor patrimonial, hoje ele exige tantos ajustes que se tornou virtualmente inútil.

Vejamos um exemplo: o múltiplo Preço/Lucro (P/L) projetado do S&P 500 está atualmente um pouco abaixo de 20 vezes. É bem menos do que as 23 vezes atingidas em 2020 e no ano passado, e abaixo do recorde de 24,5 vezes na bolha das pontocom.

Ainda é um patamar muito alto, mas caiu porque Wall Street espera um “boom” nos lucros — especialmente nas ações de chips de computadores (semicondutores), que são altamente cíclicas e onde as margens de lucro recordes no curto prazo dificilmente servem como um bom guia para o futuro distante.

O veredito do caixa

Olhar para o volume de dívida ou ações que as empresas emitem também tem seus pontos cegos. A decisão entre captar via ações ou títulos de dívida nos diz mais sobre como as empresas enxergam a avaliação relativa de ações versus títulos do que sobre o valuation absoluto do mercado.

A situação fica realmente preocupante, pelo menos na minha visão, quando há uma enxurrada de captação de recursos — seja em dívida, ações ou ambos. Se muitas empresas estão levantando montanhas de dinheiro para correr atrás da mesma oportunidade — neste caso, a IA —, existem três caminhos possíveis:

  • O cenário otimista (bull case): A oportunidade é tão gigantesca que pode absorver todo esse caixa e ainda entregar lucros gordos.
  • O cenário pessimista (bear case): A oportunidade é real, mas gastar tanto dinheiro vai destruir valor, já que a concorrência feroz vai esmagar as margens de lucro.
  • O cenário deprimente (e provável): As empresas estão captando e gastando tanto dinheiro simplesmente porque os acionistas estão aplaudindo de pé, e as promessas em torno da IA estão bizarramente infladas.

O perigo real é que tudo termine como a bolha da internet. Lá atrás, assim como agora, as empresas competiam para gastar o máximo que podiam, o mais rápido possível, e o ritmo de queima de caixa era visto como algo positivo — até que o mercado acordou e percebeu que o dinheiro dos acionistas tinha virado fumaça.

Sai guerra, chega risco climático: ‘Super El Niño’ entra no radar dos investidores

21 de Junho de 2026, 11:27

À medida que os temores em relação à guerra no Irã começam a arrefecer e os preços do petróleo recuam para perto dos níveis de antes do conflito, os investidores de ações enfrentam uma nova ameaça: o risco climático. O cenário está forçando uma revisão global de estratégias em diversos setores, que vão da agricultura ao mercado de seguros.

A alta probabilidade de ocorrência de um “Super El Niño” na virada para 2027 ameaça elevar as temperaturas em várias partes do planeta. O fenômeno deve impulsionar a demanda por energia, prejudicar a produtividade das lavouras e reacender as pressões inflacionárias.

Essa combinação tende a complicar a vida dos bancos centrais, representando um risco para as bolsas globais, que operam perto de máximas históricas. Uma alta de preços de alimentos e energia, por exemplo, vai afetar as perspectivas para os juros em grandes mercados.

Se grandes BCs como o Federal Reserve, dos EUA, e o Banco Central Europeu (BCE) tiverem de lidar com novos choques de preços, o efeito de políticas monetárias mais duras pode levar ao fortalecimento do dólar e do euro e, ao mesmo tempo, um enfraquecimento de divisas de mercados emergentes.

Juros mais elevados em moedas fortes também costumam inibir os fluxos de recursos internacionais para os mercados vistos como mais arriscados, como o brasileiro.

Evento favorável à soja brasileira

O fenômeno representa um grande risco devido ao desequilíbrio de padrões climáticos que causa, por exemplo, secas no Norte e excesso de chuvas no Sul do Brasil. Mas também traz algumas oportunidades ao agronegócio nacional.

O ‘Super El Niño’ pode favorecer a oferta global de soja, com as perdas na Ásia e África, mas com ganhos de produtividade em grandes produtores como Brasil, Estados Unidos e Argentina, segundo estudo de padrões anteriores do fenômeno feito pelo Itaú BBA.

O levantamento projeta nova produção recorde de soja para o Brasil, estimada em 182,4 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. “Em anos de El Niño, a tendência média para o Brasil é neutra a ligeiramente positiva, e isso manteria o balanço global relativamente equilibrado”, afirma o Itaú BBA. 

O El Niño pode, portanto, impactar positivamente algumas ações de companhias brasileiras, como a produtora de açúcar e etanol São Martinho e das companhias ligadas ao ciclo da soja SLC Agrícola e Boa Safra.

As companhias do setor de energia, como Axia, Copel, Eneva, Taesa e Equatorial devem manter a atratividade, com perspectiva de distribuição robusta de dividendos. É um grupo de empresas com perfil mais defensivo em meio a ocorrência do evento climático.

Por outro lado, o excesso de chuvas e a ocorrência de secas severas pode afetar custos e a logística de companhias do setor de mineração, como a Vale, CSN e Usiminas. Como os efeitos e riscos são imprevisíveis, os papéis das empresas podem apresentar maior volatilidade.

Chuvas torrenciais e secas severas

“O El Niño chega em um momento especialmente sensível”, avalia Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank. “A economia global ainda está se ajustando aos impactos inflacionários do conflito no Irã, e as cadeias de suprimentos continuam vulneráveis após meses de interrupções.”

O El Niño é um padrão climático caracterizado pelo aquecimento contínuo das águas superficiais do Oceano Pacífico. Alterações na pressão atmosférica decorrentes desse aquecimento provocam chuvas torrenciais em algumas regiões e secas severas em outras. De acordo com o Centro de Previsão Climática dos EUA, há 63% de chance de o fenômeno evoluir para um evento de forte intensidade — o chamado “Super El Niño” — até 2027.

Os reflexos já são visíveis em várias partes do mundo, provocando desde o atraso no início do período chuvoso na Índia até a suspensão temporária da temporada de pesca no Peru.

A última vez que o planeta enfrentou um El Niño dessa magnitude, entre 2015 e 2016, o prejuízo em produtividade superou os US$ 7,8 trilhões, segundo estudo da Universidade de Dartmouth.

Veja como o fenômeno afeta os principais setores monitorados de perto pelos investidores:

Agricultura sob pressão

Os produtores agrícolas devem ser os mais afetados pelo El Niño, embora o impacto varie dependendo da região e da commodity. Na Indonésia, maior produtor mundial de óleo de palma, o clima mais quente e seco costuma reduzir a produtividade, nublando as projeções de lucro das empresas do setor e pressionando as ações locais — que já sofrem com incertezas sobre a classificação de mercado do país e a centralização dos embarques de commodities.

A produção global de milho e trigo também pode ser prejudicada, aponta o UBS Group AG, assim como a de açúcar na Ásia. Por outro lado, a alta dos preços do açúcar podem beneficiar empresas da América Latina, como a brasileira São Martinho e a argentina Adecoagro, segundo o Morgan Stanley.

O El Niño também costuma favorecer a safra mundial de soja, beneficiando especialmente os grandes produtores nos EUA e no Sul do Brasil, apontam analistas do UBS.

No front de investimentos, empresas voltadas para irrigação e gestão hídrica despontam como oportunidade diante da seca. Companhias indianas como VA Tech Wabag, Jain Irrigation Systems, Astral e Shakti Pumps India podem registrar ganhos.

Sebastian Bray, analista do setor químico do banco Berenberg, destaca ainda os produtores de óleo de peixe. Com os preços do produto atingindo recordes no Peru nos últimos dois meses, a tendência favorece indústrias que produzem óleos baseados em algas e ricos em Ômega-3, como a europeia Corbion NV.

Fertilizantes são beneficiados

As fabricantes de fertilizantes podem figurar entre as maiores beneficiadas se o El Niño reduzir a oferta global de grãos, o que impulsionaria a demanda por nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio.

“Considerando todas as variáveis, para operar o cenário de um Super El Niño, buscaríamos maximizar a exposição a empresas focadas em nitrogênio, que possuem ciclo curto e forte reação a preços”, escreveu Ben Isaacson, analista da Scotia Capital. Ações de fertilizantes nitrogenados, como a CF Industries Holdings e a Nutrien, despontam como favoritas.

Apesar disso, a seca provocada pelo fenômeno já começou a desacelerar a demanda por potássio, alerta Andrew Wong, analista da RBC Capital Markets. Em um cenário de agravamento da estiagem, companhias muito expostas ao potássio, como a The Mosaic Co., podem ser prejudicadas.

Já os fornecedores de insumos agrícolas podem registrar aumento nas vendas, à medida que os produtores buscam mitigar as perdas climáticas. Isso tende a sustentar os papéis de gigantes de proteção de cultivos, como a americana Corteva.

“A produtividade menor pode forçar os agricultores a investir mais em tecnologia (sementes) e até mesmo em defensivos químicos para proteger a receita da safra”, destacou o analista Arun Viswanathan, da RBC Capital Markets.

EUA e Irã se reúnem na Suíça e iniciam negociações de paz

21 de Junho de 2026, 09:36

Os Estados Unidos e o Irã deram início a negociações para um acordo de paz permanente. O objetivo é resolver o impasse em torno do programa nuclear da República Islâmica e garantir a reabertura definitiva do Estreito de Ormuz.

O Catar, que atua como mediador nas conversas, confirmou em uma publicação no X (antigo Twitter) neste domingo (21) que a primeira reunião de alto escalão entre representantes americanos, iranianos, catarianos e paquistaneses já começou no complexo de Bürgenstock, na Suíça.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, desembarcou em solo suíço nas primeiras horas de domingo. Embora o suado acordo preliminar assinado na semana passada tenha sinalizado o fim das hostilidades, o encontro atual deve ser apenas o ponto de partida para um longo e complexo embate diplomático, que terá a capacidade nuclear do Irã como um dos temas centrais.

Segundo a mídia estatal iraniana, esta rodada de discussões terá a duração de um dia. A agência de notícias Mehr, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, informou que a comitiva de Teerã se reunirá primeiro com autoridades do Catar e do Paquistão. O encontro direto entre os delegados americanos e iranianos, com a presença dos mediadores, está previsto para o período da tarde.

As tensões são elevadas. Os combates recentes entre Israel — que não faz parte do acordo provisório — e o Hezbollah (grupo militante libanês financiado pelo Irã) ameaçam descarrilar os esforços diplomáticos.

Um correspondente da emissora estatal iraniana IRIB News, em transmissão ao vivo direto da Suíça, afirmou que um dos tópicos centrais das discussões será o primeiro artigo do acordo preliminar, que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.

No sábado, Teerã acusou Israel de violar o cessar-fogo no Líbano e anunciou que o Estreito de Ormuz — rota marítima vital para o abastecimento global de petróleo — seria fechado novamente. Ainda não está claro, no entanto, se o Irã de fato chegou a bloquear a via.

Pelos termos do memorando de entendimento assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quarta-feira, Washington e Teerã têm um prazo de 60 dias para negociar, embora o pacto preveja a possibilidade de prorrogação.

“Só poderei ficar por um ou dois dias”, disse Vance aos jornalistas antes de deixar Washington. “Espero que consigamos avançar na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano.”

A delegação iraniana conta com figuras de peso, incluindo o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, segundo a IRIB News.

Vance explicou que a meta imediata é estabelecer “a estrutura real da negociação”, dando continuidade às discussões técnicas lideradas na Suíça por Jared Kushner e Steve Witkoff, os dois negociadores globais de Trump.

O fator Ormuz e o mercado de petróleo

Embora as ameaças do Irã sobre o Estreito de Ormuz tenham pairado como uma sombra sobre a cúpula, o impacto real no tráfego de navios ainda é incerto. Mesmo antes do cessar-fogo recente, milhões de barris de petróleo continuavam circulando diariamente pela região de forma discreta.

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg indicam que três superpetroleiros ligados à Índia, totalmente carregados, reapareceram no Golfo de Omã neste domingo, após sinalizarem na sexta-feira a intenção de cruzar o estreito.

As embarcações transportam juntas quase 6 milhões de barris de petróleo do Iraque e do Kuwait. O deslocamento em direção à ilha de Qeshm sugere que os navios podem ter utilizado uma rota autorizada por Teerã.

O Comando Central dos EUA informou que o tráfego de navios comerciais no estreito aumentou no sábado, com a passagem de 55 embarcações mercantes e mais de 17 milhões de barris de petróleo.

O front paralelo no Líbano

Israel, aliado de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, mantém um conflito paralelo contra o Hezbollah no vizinho Líbano. O governo iraniano tem tentado vincular a guerra no território libanês — que já deixou milhares de mortos e mais de 1 milhão de desalojados — às negociações mais amplas com os EUA.

Teerã atribui aos EUA “responsabilidade direta” pela situação no Líbano e pelas ações militares israelenses, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, à agência de notícias IRNA.

Por outro lado, Israel insiste que manterá suas tropas na fronteira até ter garantias de que o Hezbollah (classificado como organização terrorista pelos EUA) não represente mais uma ameaça. As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que suas operações recentes miram uma rede de bunkers subterrâneos usada como abrigo pelos combatentes do grupo.

O presidente Donald Trump já manifestou frustração com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por conta de ataques anteriores, sugerindo que tais ações colocavam em risco as conversas entre EUA e Irã.

“Israel tem o direito de se defender”, disse Vance na quinta-feira. “Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os outros, precisam respeitar este processo de paz, que é essencialmente benéfico para eles e para toda a região.”

O memorando de entendimento entre EUA e Irã levou Washington a suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e a prometer a isenção de sanções que barravam a venda do petróleo bruto do país. Em contrapartida, o Irã prometeu reabrir Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo.

Teerã, contudo, alertou que exigirá autorização prévia e seguros obrigatórios para que os navios façam a travessia. Os EUA, a Europa e as monarquias do Golfo rechaçaram a imposição de taxas por parte do Irã.

Na sexta-feira, Trump afirmou que ambos os lados têm tempo para costurar um acordo definitivo, mas não deixou de enviar um aviso velado a Teerã: “Caso contrário, faremos coisas que não vão deixá-los felizes. Mas não acho que chegaremos a esse ponto. Acho que o resultado será muito positivo”.

No Azzas, venda da Farm ganha força e disputa entre Birman e Jatahy entra em nova fase

19 de Junho de 2026, 19:02

O Azzas 2154 contratou o banco Morgan Stanley para avaliar alternativas para a Farm Rio, a marca mais rentável do maior grupo de moda da América Latina — um movimento que abre caminho para uma possível venda. Além da Farm, a companhia é dona de marcas como Arezzo, Reserva e Hering.

O anúncio saiu junto com uma reorganização na disputa entre os sócios controladores, Alexandre Birman e Roberto Jatahy. São os primeiros encaminhamentos concretos depois do momento mais agudo da crise societária.

Em fato relevante divulgado nesta sexta-feira (19), o Azzas disse que a contratação do Morgan Stanley busca avaliar alternativas para “destravar valor” da Farm Rio. O comunicado foi divulgado em resposta ao portal Neofeed, que afirmou que a marca de moda está à venda e que a pedida inicial seria de US$ 1 bilhão, acima inclusive do atual market cap de todo o grupo.

Mas, de acordo com o Azzas, não há “qualquer decisão tomada, operação aprovada, estrutura definida, proposta formal” ou instrumento vinculante até o momento.

Por que a Farm?

A Farm Rio é o ativo que carrega as maiores ambições internacionais do conglomerado, com expansão de lojas fora do Brasil. A marca integra a divisão de vestuário feminino, herdada do Grupo Soma, braço ligado a Jatahy na fusão. Colocá-la sob revisão é mexer na peça mais sólida do negócio.

Duas pessoas posando em frente a fundo floral; uma usa suéter "Farm Rio" e a outra veste jaqueta com estampas azuis e verdes.
Peças da coleção Outono/Inverno 2024 da Farm Rio. Foto: Divulgação

Os números ajudam a explicar por quê. A divisão de vestuário feminino é a maior do grupo em receita — R$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre de 2026 — e foi a única das quatro unidades de negócio a crescer no período, com alta de 4,5%.

A própria Farm vinha de um ritmo forte: avançou cerca de 40% no primeiro trimestre de 2025, segundo o Itaú BBA, base de comparação que pesou sobre a desaceleração recente.

Seria natural, portanto, que uma retomada de valor do Azzas, que vem de forte desvalorização desde os primeiros sinais de fissura entre Birman e Jatahy, viria da empresa que hoje é a joia da coroa do conglomerado de moda.

Além da venda, especula-se também uma abertura de capital (IPO) da Farm em uma das bolsas dos Estados Unidos.

Birman unifica arbitragem

Além de sinalizar que está disposto a negóciar um de seus principais ativos, Birman, que hoje é o maior acionista do Azzas além de ser o CEO, pediu o encerramento da arbitragem que ele próprio havia aberto, em 14 de maio, sobre supostas violações do sócio Roberto Jatahy no acordo de acionistas.

Em vez de tocar dois processos em paralelo, Birman transferiu seus pedidos para a arbitragem aberta por Jatahy um dia depois, em 15 de maio — agora na forma de pedidos contrapostos.

O processo de Jatahy questiona a legalidade de atos de reorganização interna adotados por Birman na condição de diretor-presidente. A resposta de Birman foi protocolada em 1º de junho.

Em 17 de junho, o Azzas pediu para ingressar na arbitragem como terceira interessada. Com isso, toda a disputa passa a tramitar em um único processo, com a companhia dentro dele.

Embora a temperatura tenha baixado, não há trégua no horizonte.

No fim de maio, Jatahy havia obtido na 7ª Vara Empresarial do Rio uma liminar que manteve a estrutura organizacional vigente até 22 de abril e o preservou como Chief Brand Officer e responsável interino pelas unidades de vestuário feminino e masculino. Um recurso de Birman para suspender a decisão foi negado, e a liminar segue de pé.

O estopim na Reserva

Segundo pessoas próximas, a crise escalou quando Birman passou a se fazer mais presente na Reserva, marca de moda masculina que estava sob o comando de Ruy Kameyama, executivo ligado a Jatahy.

Kameyama pediu demissão, e a Reserva foi transferida para David Python, de confiança de Birman. Para o grupo de Jatahy, a mudança colocava em risco sinergias já mapeadas e incorporadas ao orçamento de 2026.

Por trás do atrito está um choque de modelos de gestão. Jatahy construiu o Soma dando autonomia a cada marca; Birman dirigiu a Arezzo num estilo mais centralizado. Desde a fusão, concluída em agosto de 2024, mais de 30 diretores não executivos deixaram a companhia, segundo pessoas que acompanharam o grupo.

A conta nos resultados

No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida caiu 8% na comparação anual, puxada pela unidade que reúne a Hering, com recuo de 18,5%. As ações acumulam queda de cerca de 60% em 12 meses.

A análise sobre o destino da Farm Rio pode não agradar a todo mercado. “Apesar de destravar valor para a ação, entendemos que uma potencial venda integral da marca pressionaria o desempenho consolidado do grupo e suas estratégias globais, dado que a marca é uma das principais alavancas de acesso ao mercado internacional”, escreveu o time de analistas da Ativa, casa independente. “Somos cautelosos quanto ao potencial destrave de valor de longo prazo.”

Pessoas próximas aos dois lados ouvidas pelo InvestNews afirmam que uma resolução entre Birman e Jatahy para seguir na sociedade é inviável, e a cisão do negócio não está descartada. Mas há alternativas em estudo. Uma delas seria a listagem da Farm, o que passa agora a ser avaliado pelo time do Morgan Stanley.

De qualquer maneira, o caminho não é simples. O acordo de acionistas prevê trava de dez anos para a venda das ações do bloco de controle, o que torna qualquer separação cara e demorada.

Os estudos sobre o futuro da Farm são o primeiro sinal de que os sócios buscam transformar esse impasse em dinheiro.

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Azzas 2154 contrata Morgan Stanley para avaliar alternativas para a Farm Rio

19 de Junho de 2026, 17:28

O Azzas 2154 informou nesta sexta-feira (19) que contratou o banco Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca Farm Rio, com o objetivo de destravar valor da marca.

O comunicado da empresa de moda foi divulgado após o portal Neofeed publicar a contratação do banco para avaliar uma venda da Farm Rio, em um negócio que poderia girar em torno dos US$ 1 bilhão.

Mas, segundo a companhia, a contratação do Morgan Stanley segue práticas usuais de mercado e faz parte de “uma avaliação contínua de alternativas relacionadas à sua estrutura societária, organizacional e operacional”. A empresa ressalta que, até o momento, não há qualquer decisão tomada.

O Azzas 2154 é a holding criada a partir da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma, que reúne 34 marcas de moda e varejo com mais de 2 mil lojas no Brasil. É o maior grupo de moda da América Latina.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

Preço do ouro na taça da Copa dispara 1.268% desde o penta do Brasil

19 de Junho de 2026, 15:55

A última vez que o Brasil levantou a taça da Copa do Mundo, em 2002, o ouro vivia outro momento de mercado. Durante o mundial sediado no Japão e na Coreia do Sul, a onça-troy do metal era negociada a US$ 314,40 (R$ 1.617,34).

Em 2026, a commodity encerrou o pregão desta quinta-feira (18) cotada a US$ 4.206,80 (R$ 21.640,62), uma alta de 1.238,04% entre o último título do Brasil e a nova participação da seleção na busca pelo hexa.

O troféu não vale apenas pelo metal: ele carrega história, design, disputa esportiva e o peso simbólico de ser entregue ao campeão do mundo. Mas, se o recorte considerar apenas a valorização do ouro presente em sua composição, o salto desde sua primeira aparição, na Copa de 1974, é expressivo.

O design do escultor italiano Silvio Gazzaniga é feito em ouro 18 quilates e pesa 6,175 quilos, sendo 75% da composição formada pelo metal, o equivalente a 4,631 quilos do total da taça. O troféu ainda conta com duas faixas verdes de malaquita na base, 36,8 centímetros de altura e 13 centímetros de diâmetro.

Se fosse fabricado nos dias de hoje, o custo estimado do ouro usado na taça da Copa do Mundo seria de US$ 626.268,20 (R$ 3.221.985,00). O valor é muito superior aos US$ 22.933,40 (R$ 117.987,70) estimados para sua estreia, durante a Copa de 1974.

Quanto vale a taça da Copa do Mundo?

Para estimar o valor da taça da Copa do Mundo, é preciso entender como o ouro é negociado nos mercados internacionais. A referência utilizada é a onça-troy, medida internacional para metais preciosos.

Convertendo a medida para o peso de ouro da taça, o metal presente no troféu equivale a 148,92 onças-troy. Com isso, o ouro utilizado na taça teria valor estimado em US$ 626.268,20 (R$ 3.221.985,00).

Em 2002, ano do quinto título mundial da seleção brasileira, o ouro custava US$ 314,40 (R$ 1.617,34) por onça-troy. Considerando a mesma quantidade presente no troféu, o ouro da taça equivalia a cerca de US$ 46.820,70 (R$ 240.883,10).

Considerando a série corrigida pela inflação do dólar, o ganho real do ouro desde o pentacampeonato do Brasil — ou seja, acima da inflação acumulada no período — foi de cerca de 619%.

Mesmo com o ajuste pela inflação, a diferença continua expressiva. O valor corrigido da onça-troy de 2002 seria de US$ 585,02 (R$ 3.009,46), ainda distante dos US$ 4.206,80 (R$ 21.640,62) utilizados como referência em 2026.

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Como o preço do ouro evoluiu desde o penta?

A comparação entre as Copas mostra que o preço do ouro quase dobrou de 2002 para 2006, com alta de 99,14%. O movimento ocorreu após o pentacampeonato do Brasil, conquistado com vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, em Yokohama.

Entre o título brasileiro de 2002 e a Copa de 2006, na Alemanha, o ouro passou por um período de retomada como ativo financeiro. O movimento foi impulsionado pelo aumento da demanda por investimentos, pela fraqueza do dólar e pelas tensões geopolíticas no pós-11 de Setembro.

A partir de 2003, a criação dos primeiros ETFs de ouro também ampliou o acesso dos investidores ao metal, reforçando a demanda financeira ao longo do período.

Após a Copa de 2006, marcada pela final entre Itália e França, o avanço do ouro até a edição de 2010 foi de 91,45%. A decisão daquele Mundial terminou empatada em 1 a 1 e, na prorrogação, o clima mudou quando Zinédine Zidane foi expulso após dar uma cabeçada no italiano Marco Materazzi.

No intervalo entre aquele título italiano e a Copa de 2010, na África do Sul, a commodity foi impulsionada pela crise financeira global de 2008, pela busca por proteção e pela mudança de postura dos bancos centrais, que voltaram a ser compradores líquidos de ouro.

O ritmo perdeu força entre 2010 e 2014, quando a alta do ouro foi de 9,01%. Em 2010, a Espanha conquistou sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Holanda por 1 a 0, em uma decisão definida apenas na prorrogação.

O lance decisivo veio aos 116 minutos, quando Andrés Iniesta recebeu passe de Cesc Fàbregas e marcou o gol do título espanhol.

LEIA MAIS: Modelo do Goldman aponta Espanha como favorita na Copa, com 26% de chance. Brasil fica com 8%

Ouro passa por fraqueza até a Copa da Rússia

No intervalo entre a conquista da Espanha e a Copa de 2014, o ouro se manteve em um patamar elevado, mas o mercado passou por um ajuste após os extremos registrados em 2013. O período foi marcado por menor demanda por barras e moedas, saídas de ETFs, fortalecimento do dólar e expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.

De 2014 para 2018, houve queda de 6,08% no preço do ouro. A Copa de 2014, disputada no Brasil, terminou com o tetracampeonato da Alemanha no Maracanã, após vitória por 1 a 0 sobre a Argentina.

A final permaneceu sem gols até a prorrogação. Aos 113 minutos, Mario Götze dominou cruzamento de André Schürrle e finalizou de primeira para marcar o gol que deu o título aos alemães.

No ciclo seguinte, até a Copa da Rússia, o principal fator por trás da fraqueza do ouro foi a combinação entre melhora da economia norte-americana, fortalecimento do dólar e expectativa de juros mais elevados. Com isso, o apelo do ouro como ativo de proteção diminuiu e reduziu a demanda por investimentos.

França conquista o bicampeonato e ouro volta a avançar

Em 2018, a França conquistou seu segundo título mundial ao vencer a Croácia por 4 a 2. A decisão ficou encaminhada no segundo tempo, quando Paul Pogba marcou o terceiro gol francês, aos 59 minutos, e Kylian Mbappé fez o quarto, aos 65, tornando-se apenas o segundo adolescente a marcar em uma final de Copa do Mundo, depois de Pelé.

Entre 2018 e 2022, o ouro avançou 45,93%. Segundo o World Gold Council (WGC), 2022 foi um ano de “forças conflitantes” para a commodity. O metal registrou pequeno ganho no ano, apesar da alta dos juros reais dos Estados Unidos e do fortalecimento do dólar, fatores normalmente desfavoráveis ao ouro.

A resiliência naquele ano veio do investimento de varejo, da inflação, das tensões geopolíticas e das compras excepcionais de bancos centrais.

A demanda anual por ouro subiu 18%, para 4.741 toneladas. A demanda por investimento chegou a 1.107 toneladas, enquanto barras e moedas somaram 1.217 toneladas, o maior nível em nove anos.

LEIA MAIS: Copa do Mundo vai adicionar US$ 41 bilhões à economia global

Busca por ouro aumenta após a Copa do Catar

A Copa de 2022 terminou com o tricampeonato da Argentina, após empate por 3 a 3 contra a França e vitória por 4 a 2 nos pênaltis. Já no ano seguinte, a alta passou a aparecer de forma mais clara no preço do ouro.

O metal encerrou 2023 cotado a US$ 2.078,40 (R$ 10.691,70) por onça-troy, recorde de fechamento anual, com retorno de 15%. O preço médio anual foi de US$ 1.940,54 (R$ 9.982,53) por onça, também um recorde e 8% acima de 2022.

Segundo o WGC, esse movimento refletiu compras intensas de bancos centrais, demanda resiliente por joias e negociações diretas sem a necessidade de intermediários, mesmo com saídas de ETFs.

Em 2024, a demanda total por ouro chegou a 4.974 toneladas, um novo recorde anual, impulsionada principalmente por bancos centrais e investidores.

Já entre 2022 e 2026, o salto chegou a 134,89%, o maior avanço entre Copas. Nesse intervalo, a alta ganhou força principalmente em 2025, quando o preço médio anual ficou em US$ 3.431,50 (R$ 17.652,32) por onça, alta de 44% sobre 2024. O ouro também registrou 53 novas máximas históricas ao longo de 2025.

A commodity começou o ano em um patamar elevado, disparou em janeiro até a máxima histórica de US$ 5.405 (R$ 27.804,40) por onça, mas perdeu força nos meses seguintes.

Na abertura da Copa, em 11 de junho, o metal estava abaixo do nível registrado no início do ano, pressionado pela realização de lucros, pela melhora do apetite por risco, por saídas pontuais de ETFs e pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

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Estes são os principais CEOs dos EUA. Eles souberam aproveitar o momento — da pizza à tecnologia

19 de Junho de 2026, 15:25

Se o retorno das ações fosse a única medida da excelência de um CEO, estaríamos distribuindo prêmios este ano como brindes em feiras de negócios. Cerca de 37 empresas do S&P 500 dobraram o dinheiro dos acionistas nos últimos 12 meses. Outras 51 entregaram ganhos de pelo menos 50%.

Mas não é tão simples.

Um boom histórico na construção de data centers impulsionou fabricantes de chips, memória e infraestrutura digital. A questão é: quais empresas demonstraram mais habilidade em aproveitar o momento atual enquanto se preparavam para o futuro? Esse foi um dos principais critérios na seleção dos 25 nomes da lista anual dos melhores CEOs.

Houve outros fatores também.

As tarifas comerciais forçaram mudanças nas cadeias de suprimentos. A disparada do petróleo pressionou os orçamentos familiares, mas ampliou oportunidades para petroleiras. As ameaças cibernéticas cresceram. Os juros elevados favoreceram instituições financeiras ágeis. No setor farmacêutico, a pressão do governo por preços menores coincidiu com a revolução dos medicamentos contra a obesidade. No varejo, as empresas precisaram equilibrar a força do consumo de alta renda com a retração nas faixas mais baixas.

E há também um fator menos econômico: a vitória do New York Knicks. Seu principal nome entrou na lista — e não apenas porque o time conquistou seu primeiro título da NBA em 53 anos.

O processo de seleção não é um exercício de escolha de ações, embora preços elevados dos papéis sejam um sinal de trabalho bem executado. As empresas comandadas pelos vencedores do ano passado ficaram ligeiramente abaixo do mercado nos últimos 12 meses, mas continuam à frente quando o horizonte é de três anos.

Bons gestores fazem diferença.

A ideia é analisar quais estratégias funcionam para ajudar investidores a tomar melhores decisões no futuro.

A elite dos chips

A lista começa onde está a ação: os semicondutores.

Jensen Huang, da Nvidia, acelerou o ritmo de lançamento de produtos para manter a liderança no mercado de processadores para inteligência artificial. A empresa caminha para registrar um dos maiores lucros corporativos da história.

Para as gigantes da IA que preferem chips personalizados em vez de componentes genéricos, Hock Tan, da Broadcom, lidera o mercado em expansão dos ASICs (circuitos integrados de aplicação específica).

Os retornos acumulados das ações impressionam: cerca de 68.000% para a Nvidia sob Huang e 34.000% para a Broadcom sob Tan em duas décadas.

Já Lisa Su, que assumiu a AMD em 2014, ultrapassou a Intel em participação nos data centers. As ações da empresa avançaram aproximadamente 10.000% em dez anos.

Todos esses chips precisam estar conectados. E é aí que entra a Corning.

Wendell Weeks reinventou os produtos da companhia e ampliou significativamente a capacidade de fibras ópticas.

“Reinventamos todo o nosso portfólio. Hoje conseguimos oferecer cerca de quatro vezes mais fibra e conectividade no mesmo espaço”, afirmou.

Os vencedores da infraestrutura

Vinte e cinco anos após os famosos comerciais da Dell, Michael Dell agora vende plataformas completas de IA para empresas.

Sanjay Mehrotra, da Micron Technology, tem superado concorrentes para atender à demanda explosiva por memória de alto desempenho.

Nos últimos três anos, as ações da Corning subiram quase 400%, as da Dell Technologies avançaram cerca de 700% e as da Micron acumularam alta de 1.400%.

Mineração, energia e aviação

No setor de mineração, James Litinsky, da MP Materials, está ajudando os EUA a reduzir a dependência da China na produção de ímãs de terras raras.

Na energia, Darren Woods, da Exxon Mobil, ampliou a produção de forma eficiente e levou as ações da companhia a níveis recordes.

Já Larry Culp, da GE Aerospace, trabalhou junto aos fornecedores para aumentar a produção e destravar a fabricação de motores aeronáuticos altamente demandados.

Uma companhia aérea para investidores

Na Delta Air Lines, Ed Bastian criou um modelo raro no setor: uma companhia aérea vista como investimento de longo prazo.

“As pessoas decidiram que este produto — pelo menos o da Delta — deixou de ser uma commodity”, disse à Barron’s.

Mesmo com a alta do combustível de aviação, a geração de caixa segue forte. Em três anos, as ações da Delta dobraram o capital dos investidores, superando o mercado em 22 pontos percentuais.

Na FedEx, Raj Subramaniam integrou operações aéreas e terrestres, separou o negócio de cargas e entregou retornos expressivos.

Varejo: luxo e pizza

No varejo, Joanne Crevoiserat, da Tapestry (dona das marcas Coach e Kate Spade), implementou a estratégia Amplify, baseada em redes sociais, submarcas e novas categorias de produtos.

Darren Rebelez transformou a Casey’s General Stores de uma rede de postos de gasolina em uma das maiores redes de pizzarias dos EUA — atualmente a quinta maior do país.

Ambas acumularam retornos próximos de 300% em três anos.

A TJX, dona de redes como TJ Maxx e Marshalls, também brilhou sob o comando de Ernie Herrman, atraindo consumidores de renda mais alta em busca de descontos.

Bancos em transformação

No setor financeiro, Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, reforçou equipes de ciência de dados para automatizar processos de gestão de risco e administração de ativos.

David Solomon, do Goldman Sachs, abandonou a aposta no banco de varejo e passou a focar no financiamento de empresas de inteligência artificial.

O Citigroup vive uma reestruturação liderada por Jane Fraser, que reduziu burocracias e diminuiu a presença em operações internacionais de varejo para focar em serviços institucionais mais rentáveis.

Na seguradora Chubb, Evan Greenberg substituiu cortes de pessoal por investimentos em aprendizado de máquina para aprimorar a subscrição de seguros, inclusive para data centers.

A corrida da inteligência artificial

Tim Cook, da Apple, manteve o crescimento dos negócios de hardware e serviços e ganhou tempo para a Siri ao firmar parceria com a OpenAI. Ele deixará o cargo em setembro, passando o comando para John Ternus.

Na Amazon, Andy Jassy reacelerou o crescimento da computação em nuvem impulsionada pela IA.

Sundar Pichai transformou a Alphabet de uma empresa centrada em buscas para uma potência comercial da inteligência artificial.

Satya Nadella, da Microsoft, reposicionou a estratégia da companhia, focando menos em chatbots e mais em automação integrada aos fluxos de trabalho corporativos.

Já George Kurtz, da CrowdStrike, recuperou a reputação da empresa após a falha global de software de dois anos atrás e lançou agentes de IA capazes de detectar e conter ataques cibernéticos mais rapidamente que analistas humanos.

CEOEmpresaDestaque
Jensen HuangNvidiaLiderança absoluta em chips para inteligência artificial
Hock TanBroadcomExpansão dos chips personalizados para IA (ASICs)
Lisa SuAMDAvanço da AMD sobre a Intel em data centers
Wendell WeeksCorningExpansão da infraestrutura de fibra óptica
Michael DellDell TechnologiesPlataformas de IA voltadas para empresas
Sanjay MehrotraMicron TechnologyAtende à explosão da demanda por memória para IA
James LitinskyMP MaterialsRedução da dependência americana de terras raras chinesas
Darren WoodsExxon MobilCrescimento eficiente da produção de petróleo
Larry CulpGE AerospaceAumento da produção de motores aeronáuticos
Ed BastianDelta Air LinesTransformação da companhia aérea em investimento de longo prazo
Raj SubramaniamFedExReestruturação e integração das operações
Joanne CrevoiseratTapestryExpansão das marcas Coach e Kate Spade
Darren RebelezCasey’sTransformou postos de gasolina em uma potência da pizza
Ernie HerrmanTJX CompaniesCrescimento do varejo de descontos
Jamie DimonJPMorgan ChaseAutomação e fortalecimento dos mercados de capitais
David SolomonGoldman SachsFoco em assessoria e financiamento para empresas de IA
Jane FraserCitigroupReestruturação e simplificação do banco
Evan GreenbergChubbUso de IA para melhorar subscrição de seguros
Tim CookAppleExpansão de serviços e estratégia de IA
Andy JassyAmazonRetomada do crescimento da computação em nuvem
Sundar PichaiAlphabetTransformação do Google em potência de IA
Satya NadellaMicrosoftIA integrada aos processos corporativos
George KurtzCrowdStrikeSegurança cibernética impulsionada por IA
Dave RicksEli LillyEscala global dos medicamentos contra obesidade
James DolanMadison Square Garden SportsValorização dos ativos esportivos e de entretenimento

O remédio para obesidade e o título dos Knicks

No setor farmacêutico, Dave Ricks, da Eli Lilly, conseguiu manter o fornecimento constante de um dos mais bem-sucedidos medicamentos contra a obesidade do mercado — um feito tanto industrial quanto científico.

Por fim, há o caso de James Dolan, controlador da Madison Square Garden Sports, dona do New York Knicks e do New York Rangers.

Embora o herói esportivo da cidade seja Jalen Brunson, que liderou a conquista do primeiro título da NBA dos Knicks em 53 anos, os negócios de Dolan também estão prosperando.

Sua empresa Sphere Entertainment, responsável pela gigantesca arena esférica de Las Vegas, acumulou valorização próxima de 300% em apenas um ano.

Um desempenho digno de um tricampeonato — ou, como diriam os fãs dos Knicks, de uma atuação à altura de Brunson.

Renda fixa e bolsa: como ficam os investimentos com os novos rumos das taxas de juros

19 de Junho de 2026, 13:10

A Superquarta das decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos deixou uma mensagem dividida para investidores tanto na renda fixa como na variável.

No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e manteve aberta a possibilidade de novas reduções. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, banco central americano, manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, mas as projeções dos dirigentes voltaram a colocar no radar a chance de altas ainda em 2026.

O efeito imediato foi de pressão sobre o dólar e cautela com ativos de risco. Na quinta-feira (18), a moeda americana subiu para R$ 5,18, alta de 1,16%, enquanto a bolsa brasileira fechou em leve queda.

“A expectativa já era que o Fed mantivesse os juros. O grande ponto foi falarem em alta de juros ainda neste ano nos EUA”, disse Celson Placido, CIO da Apent, holding controladora do Clube FII e da Autem Investimentos. “Isso gera aversão ao risco e contribui para jogar o dólar para cima. Além disso, esse (menor) diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a afetar o nosso mercado.”

Renda fixa segue atrativa

Na renda fixa, com a Selic em 14,25% ao ano, as taxas nominais e reais continuam elevadas.

Para médio e longo prazo, títulos IPCA+ seguem interessantes por causa das taxas em patamares historicamente elevados, mas exigem cuidado com a chamada marcação a mercado. A taxa contratada vale para quem carrega o papel até o vencimento. Se o investidor precisar vender antes, o preço do título pode oscilar e até gerar perda se os juros futuros subirem, como tem sido o caso.

“Olhando para o médio e longo prazo, o IPCA+ segue extremamente interessante. Também tem taxa prefixada curta [com vencimento no curto prazo] atrativa”, disse Placido.

Nas cotações consultadas no Tesouro Direto, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 era vendido na quinta a uma taxa de 8,41% ao ano acima da inflação, renovando sua máxima histórica.

Nos prazos mais longos, o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050 mostraram leves recuos, mas ainda fecharam com taxas de 7,50% e 7,18% na quinta-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 era oferecido a 14,78% ao ano, ante 14,67% no dia anterior.

Para recursos pensados para formar reserva de emergência, caixa e capital de curto prazo, Placido afirma que os produtos pós-fixados de alta liquidez, como Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI com liquidez diária, seguem sendo os mais indicados.

A equipe de renda fixa da XP Investimentos também identifica oportunidades na classe. Em relatório, os analistas afirmam que a combinação de carrego elevado, spreads (prêmio de risco) em ajuste e fundamentos ainda resilientes reforça a atratividade dos títulos.

“Recomendamos prazo médio de até 6 anos, principalmente nos títulos indexados à inflação, privilegiando exposição a emissores com métricas de crédito de qualidade. O cenário atual exige maior disciplina na alocação”, comentam os analistas.

Na curva de juros (que reflete as apostas para as taxas nos próximos anos), a reação tende a ser diferente por prazo. Na chamada ponta curta, em papéis de renda fixa de vencimento no curto prazo, a possibilidade de mais um corte pode favorecer a queda das taxas.

Nos contratos com vencimentos mais longos, riscos de inflação, fiscal e câmbio mantêm os prêmios elevados: se o investidor puder carregar papéis como IPCA+ até o vencimento, terá chance de contratar retornos mais elevados.

Bolsa ainda exige seletividade

Na bolsa, o corte da Selic tende a favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico, como as de varejo, construção civil, consumo e companhias dependentes de crédito. Juros menores reduzem o custo de capital e melhoram o valor presente dos fluxos de caixa, o que se traduz em preços mais altos.

Mas o espaço para cortes, ainda que estejam no radar, é menor do que o esperado no começo do ano. O impacto para tais empresas, portanto, não deve ser muito significativo.

E o Fed com abordagem mais rigorosa limita o otimismo. Se os juros americanos subirem, ou se o mercado continuar precificando um aperto adicional, o dólar tende a ganhar força e o apetite por risco diminui. Isso pesa sobre emergentes e pode reduzir o fluxo para a bolsa brasileira.

Nesse ambiente, a seletividade continua a exercer importância. Empresas com geração de caixa, baixa alavancagem, balanços sólidos e boa previsibilidade de receitas tendem a atravessar melhor a volatilidade do que companhias muito dependentes de uma queda rápida dos juros.

A síntese é que a renda fixa continua oferecendo prêmios elevados, mas exige atenção ao prazo. A bolsa pode se beneficiar se o câmbio aliviar e a curva de juros – com as projeções da taxa ao longo dos próximos anos – cair, mas segue vulnerável ao exterior. E o dólar virou uma variável-chave a ser monitorada para entender até onde o ciclo de cortes da Selic ainda pode ir.

O que esperar do dólar e seus efeitos

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o ponto de atenção mais imediato para investidores no câmbio é o DXY, índice que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes. Quando o índice sobe, mercados emergentes costumam sentir pressão sobre câmbio, juros futuros e fluxo estrangeiro de capital para ativos.

O DXY voltou a testar a região dos 100 pontos, considerada técnica e psicologicamente relevante para os participantes do mercado.

“Se o DXY começar a bater nos 101 pontos, isso pode levar a uma arrancada do dólar, gerar uma onda de pessimismo e fazer o real a se desvalorizar, complicando um pouco a vida do BC aqui”, disse Faria.

Isso não significa que o dólar, sozinho, determine a decisão da Selic. Mas um real mais depreciado pode piorar as expectativas de inflação, elevar os prêmios de risco da renda fixa com vencimento para o longo prazo e reduzir o espaço para uma leitura mais benigna dos ativos brasileiros.

Entenda as razões do Copom…

Apesar de reconhecer em seu comunicado junto com a decisão um cenário mais desconfortável para a inflação, o Banco Central não fechou a porta para novos cortes.

O motivo está no espaço deixado para novas reduções da Selic e no chamado alongamento do horizonte relevante da política monetária.

A partir da próxima reunião, em agosto, o Copom passa a olhar com mais peso o primeiro trimestre de 2028, e não mais o quarto trimestre de 2027. Esse deslocamento dá mais tempo para a inflação convergir à meta e ajuda a explicar o corte, mesmo em um ambiente ainda desafiador.

“No Brasil, a meta é móvel. Estamos a poucos dias do terceiro trimestre, então o Copom ganha três meses. O Relatório de Política Monetária, a ser divulgado na próxima quinta-feira (25), vai trazer as expectativas de inflação para o primeiro trimestre de 2028, que será o próximo horizonte relevante”, afirma o diretor da Wagner Investimentos.

Para ele, o BC foi mais dovish por dois motivos: deu mais peso à atividade econômica e passou a considerar que a queda das commodities pode ajudar a inflação nos próximos meses. Itens como alumínio, ureia, milho, soja e trigo já recuaram, mas ainda sem repasse completo ao consumidor.

“Provavelmente, não é um ciclo de cortes. É um ciclo de ajuste. Ele [Banco Central] deixou a porta aberta. Se tivermos uma surpresa positiva com commodities e algum repasse para preços, não me surpreenderia outro corte”, disse Faria.

… e as razões do Fed

Nos EUA, a manutenção dos juros era esperada. O que mexeu com os mercados foi a sinalização do banco central de que uma alta ainda pode ocorrer este ano.

Faria avalia que o Fed pode ter usado o discurso mais duro para conter o que apontou como excesso de otimismo do mercado, não necessariamente porque a alta seja o cenário mais provável.

“Faz sentido dar um certo susto em falar em subir agora, para o mercado não ficar muito animado”, afirma.

Para ele, se os próximos dados de inflação vierem mais brandos, a alta pode não se concretizar. A queda recente do petróleo e de outras commodities ajuda essa tese.

O dado mais observado será o CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA. A leitura de junho será divulgada em 14 de julho. O CPI não é a medida oficial perseguida pelo Fed, que mira o índice de preços PCE, mas costuma influenciar as apostas do mercado para os juros americanos.

Ainda assim, Faria ressalta que cortes de juros nos EUA também não estão mais em discussão no curto prazo. A economia americana segue resiliente, o mercado de trabalho continua firme e a inflação permanece acima da meta há cinco anos.

Tesouro Direto: por que IPCA+ 8% e juro nominal de quase 15% seguem nos preços do mercado

19 de Junho de 2026, 12:35

Desde o início da Guerra do Irã, no fim de fevereiro, a volatilidade virou rotina no mercado de juros, com impacto relevante sobre o investimento em renda fixa.

A má notícia é que mesmo com o anunciado fim do conflito nesta semana, o sobe-e-desce das taxas e dos preços dos títulos deve persistir diante de um conjunto de fatores domésticos e diante do “legado” inflacionário global dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país do Oriente Médio.

As taxas de juros na plataforma do Tesouro Direto alcançaram patamares que os investidores não viam desde a crise de confiança fiscal no fim de 2024 e no início de 2025, quando o dólar passou de R$ 6,20.

E, antes disso, os títulos públicos só haviam flertado com a marca dos 15% ao ano, no caso dos prefixados, ou apresentado retornos acima de IPCA mais 8%, uma década atrás. Foi entre 2015 e 2026, quando o país enfrentou uma das mais prolongadas crises econômicas da história.

As oscilações têm sido tão fortes que o Tesouro Direto entrou em “circuit break” em várias ocasiões ao longo desta semana. A última paralisação das negociações por causa da volatilidade exagerada ocorreu na quinta-feira (18) no início da tarde, em um momento em que o Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, chegou a bater seu recorde de taxa mais elevada com IPCA+ 8,51% ao ano.

Por volta de 9h30, esse papel estava sendo negociado a IPCA+ 8,44%. O Tesouro IPCA+ 2040 tinha retorno de 7,50%, enquanto o papel atrelado à inflação com vencimento em 2050 apresentava rendimento de 7,16%.

O Tesouro Prefixado 2029 chegou a 14,81% e está no maior nível desde, pelo menos, 2022. O mesmo ocorre com o Tesouro Prefixado 2032, com uma taxa nominal de 14,79% ao ano, que apresenta o retorno mais elevado desde início de 2025, desconsiderando os picos no início da semana.

Na renda fixa, quando as taxas sobem, isso significa que os preços em reais dos papéis caíram. Isso ocorre porque os títulos negociados antes do vencimento no chamado mercado secundário sofrem a chamada marcação a mercado.

Nesse caso, os preços de compra e venda vão variar conforme as condições do momento e podem apresentar grandes descontos em relação ao valor original, como no cenário atual.

Dinâmica do Tesouro Direto

Se o detentor do título precisa vendê-lo agora e a taxa original é menor do que aquela pedida nas negociações no mercado secundário, na prática, vai ter aceitar um desconto sobre o preço que pagou para conseguir repassar o papel: ou seja, vender com prejuízo.

Por isso, para quem tem Tesouro Prefixado ou IPCA+ e pode manter os recursos aplicados nos próximos meses, o melhor é evitar vendê-los em um momento no qual a volatilidade é muito elevada. Quem pode carregar os ativos até o vencimento vai receber exatamente o que contratou.

A lógica muda para quem pode aplicar no longo prazo e tem maior tolerância ao sobe-e-desce das taxas e dos preços. Os retornos estão, como apontado acima, em patamares elevados e o investidor pode travar uma remuneração historicamente alta por vários anos.

Juros mais altos por mais tempo

Existem vários motivos pelos quais os juros longos têm subido. O aumento das taxas no Tesouro Direto é um reflexo da perda de referência sobre a inflação futura. Os economistas chamam esse processo de “desancoragem de expectativas”.

Na prática, a desancoragem mostra que o mercado prevê mais inflação no futuro e começa a perder a confiança de que a política monetária executada pelo Banco Central vai conseguir controlar o nível de preços que vem pela frente. Diante disso, investidores passam a reajustar as expectativas e as taxas sobem.

O mais recente boletim Focus, que mostra as projeções das instituições financeiras sobre inflação, juros, câmbio e PIB, trouxe pela 14ª vez seguida um ajuste para cima do IPCA esperado ao fim de 2026.

O mercado já enxerga uma inflação de 5,3% quando o ano terminar. É um nível bem acima da meta de inflação de 3% do BC e também significativamente superior ao teto da meta, que prevê uma tolerância de 1,5 ponto percentual além do centro da meta, portanto, até 4,5%.

O Focus mostra ainda que as casas de análise veem a inflação em 4,10% no fim de 2027, na quarta revisão seguida do IPCA. É um patamar que já se aproxima do teto da meta.

Esse cenário no qual expectativas de inflação futura apresentam uma desancoragem cada vez maior se junta a outras incertezas, como pressões crescentes de altas de preços, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

Diante desse conjunto de incertezas, o mercado já enxerga zero espaço para o BC continuar a cortar juros.

O consenso enxerga uma pausa ou mesmo o fim do ciclo de queda da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A perspectiva inclui um juro básico mais alto por mais tempo ou, eventualmente, a possibilidade de a autoridade ter de subir a taxa no fim do ano.

O próprio Copom reconheceu essas dificuldades no comunicado que acompanhou a decisão de juros na quarta-feira (17), quando cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

No entanto o mesmo comunicado do Copom trouxe, na visão de boa parte do mercado, a mensagem implícita de que a atual composição da diretoria do Banco Central pode ser mais leniente com as expectativas desancoradas de inflação, o que acaba autoalimentando o processo de perda de credibilidade do mercado no cumprimento do combate do trabalho de política monetária.

Se a taxa básica permanecer em 14,25% até o início do próximo ano, o juro real, ou seja, a parcela do retorno acima da inflação, pode se manter em quase 9%, considerando a projeção do IPCA de 5,3% para o fim de 2026 do Focus.

Mesmo para 2027, as expectativas seguem desafiadoras: a pesquisa do BC mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao ano, com um IPCA de 4,10%. Isso representa um juro real de 8%. Sim, o custo de oportunidade, ou seja, o rendimento no curto prazo da aplicação mais segura do mercado, pode continuar em IPCA+ 8% brutos ao ano.

Copa do Mundo: ingressos para os jogos mais disputados já passam de US$ 4 mil

19 de Junho de 2026, 09:43

Antes do início da Copa do Mundo, os torcedores reclamavam dos preços dos ingressos — os mais altos já registrados na história do torneio. Críticos questionavam se os valores despencariam antes do pontapé inicial e se grandes áreas vazias nos estádios acabariam constrangendo a estratégia de precificação da FIFA.

Após a primeira semana de jogos, porém, a demanda por ingressos se manteve firme nas plataformas de revenda. Os preços permaneceram estáveis e, em alguns casos, até aumentaram. Os estádios também estão próximos da lotação máxima, enquanto os ingressos para as partidas mais aguardadas da fase inicial chegaram a superar US$ 4 mil.

A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, adotou estratégias de venda mais agressivas do que em edições anteriores, incluindo preços dinâmicos, liberações escalonadas de ingressos e a promoção de sua própria plataforma de revenda. O torneio deve gerar US$ 11 bilhões em receitas, o maior valor da história da competição. Isso levou alguns torcedores a acusarem a organização de priorizar os lucros em detrimento de uma experiência acessível e agradável para fãs do mundo todo.

“Isso gerou certa confusão e frustração entre os torcedores que queriam assistir às partidas”, disse Michael Johnson, analista da S&P Global. “Muitos esperavam que os preços caíssem após o início do torneio, mas isso realmente não aconteceu.”

A Copa do Mundo deste ano está sendo disputada na América do Norte, com jogos em 16 cidades dos Estados Unidos, Canadá e México. Nos dias que antecederam o torneio e em algumas das primeiras partidas, surgiram relatos de assentos vazios e ingressos ainda disponíveis no site oficial da FIFA. Isso sugeria que os torcedores estavam rejeitando os preços elevados dos ingressos ou dos custos de transporte.

Mas, apesar da repercussão negativa, a procura por ingressos premium continua forte e a oferta permanece limitada, segundo Kevin Near, analista da Bloomberg Intelligence. Isso tem ajudado as vendas primárias, embora ele espere um aquecimento ainda maior do mercado de revenda conforme o torneio avance. A primeira rodada da fase de grupos também foi bastante empolgante, impulsionando a demanda, com uma das maiores zebras da história das Copas e atuações brilhantes de grandes estrelas do futebol, incluindo um hat-trick de Lionel Messi pela Argentina.

Chris Leyden, diretor sênior de marketing da SeatGeek Inc., afirmou que a FIFA provavelmente definiu preços semelhantes aos cobrados em grandes eventos esportivos nos Estados Unidos. Em 12 de junho, o preço médio de um ingresso para a fase de grupos da Copa na plataforma era de US$ 750, valor comparável ao de uma partida dos playoffs da NFL. Nos cinco dias seguintes, 84% dos jogos registraram aumento de preços na plataforma.

“O que vimos no mercado de revenda é que muitos jogos da Copa acabaram ficando com preços muito próximos daqueles estabelecidos pela FIFA”, afirmou.

Os preços e a disponibilidade variam bastante dependendo das seleções envolvidas e dos resultados obtidos. Após a seleção dos Estados Unidos conquistar uma vitória recorde sobre o Paraguai na estreia, por exemplo, o preço médio dos ingressos para a partida de 19 de junho contra a Austrália, em Seattle, disparou 68%, chegando a US$ 2.314, segundo dados compilados pelo agregador Ticket Data. Já os ingressos para o confronto contra a Turquia, em Los Angeles, no dia 25 de junho, subiram 105% nos últimos dias, para US$ 2.150.

Enquanto isso, partidas como México x Coreia do Sul ou Colômbia x Portugal registraram aumentos de apenas 15%, mas os preços já eram extremamente elevados. O duelo entre Colômbia e Portugal, equipe do astro Cristiano Ronaldo, em Miami, custa em média US$ 2.573, segundo Leyden.

A imprevisibilidade dos resultados também significa que alguns torcedores — inclusive aqueles que compraram ingressos antes da definição dos grupos, em dezembro — podem acabar tendo prejuízo ao revendê-los por um valor inferior ao pago originalmente.

Atualmente, o jogo mais barato na SeatGeek é o confronto da fase de grupos entre Cabo Verde e Arábia Saudita, em Houston, no dia 26 de junho, com preço médio de US$ 236, informou Leyden.

Taylor Swift

Mesmo assim, os ingressos da Copa ainda são, em média, mais baratos do que os vendidos para a turnê Eras Tour de Taylor Swift, afirmou o executivo. Ele espera, porém, que os valores se aproximem conforme o torneio se aproxima da reta final. A turnê mundial da cantora, realizada ao longo de quase dois anos em 51 cidades de 21 países, gerou um recorde de US$ 2,2 bilhões em receitas. O preço médio de revenda na América do Norte foi estimado em US$ 3.801.

A FIFA também vem promovendo sua própria plataforma de revenda, o que pode dificultar que os torcedores encontrem opções mais acessíveis. A entidade cobra uma taxa de transação de 15% tanto do comprador quanto do vendedor. Segundo Leyden, essa taxa é “consideravelmente alta” em comparação com outras plataformas, embora ele tenha se recusado a revelar a estrutura de tarifas da SeatGeek.

Também há especulações de que a FIFA esteja transferindo ingressos não vendidos para mercados secundários, segundo Johnson, da S&P Global.

“Isso cria uma sensação de escassez artificial, incentivando os torcedores a pagar preços mais altos tanto no mercado primário quanto no secundário”, afirmou. A FIFA não respondeu aos pedidos de comentário.

Alex Bird, editor do blog Ticket-Compare.com, que monitora preços de ingressos para partidas de futebol em plataformas de revenda, afirmou que parte da razão para os preços elevados foi justamente desencorajar a revenda. Segundo ele, o sistema de liberações escalonadas também contribuiu para inflacionar os preços ao limitar a oferta disponível.

Essas estratégias prejudicam principalmente os torcedores locais, que são justamente os mais propensos a comprar ingressos de última hora no mercado secundário. Quem viaja de outras cidades ou países geralmente adquire os ingressos com antecedência para organizar passagens e hospedagem.

“Não é algo que você vai deixar para resolver no mercado de revenda na última hora”, disse. “Isso é coisa para quem mora na cidade.”

Algumas sedes também não tiveram sorte na distribuição das partidas. Um estudo da Ticket-Compare apontou que San Francisco e Atlanta são as duas cidades mais baratas dos Estados Unidos para comprar ingressos, em parte porque recebem seleções de menor apelo, como Jordânia, Argélia e República Tcheca. Mas a combinação de preços ainda elevados e equipes menos atraentes pode resultar em arquibancadas esvaziadas.

“Observando a situação agora, é possível concluir que haverá um número significativo de assentos vazios nesses estádios”, afirmou Bird.

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Por que a criptomoeda ligada ao ChatGPT disparou 160%?

19 de Junho de 2026, 07:48

Enquanto bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas vêm operando em queda nas últimas semanas, uma moeda digital roubou os holofotes: a Worldcoin (WLD), projeto cofundado por Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT.

A criptomoeda faz parte de um ecossistema desenvolvido pela Tools for Humanity, startup fundada por Altman e pelo empreendedor alemão Alex Blania. A empresa é responsável pelo World ID, sistema de identidade digital que utiliza o escaneamento da íris para comprovar que um usuário é humano em um mundo cada vez mais dominado por inteligência artificial.

Nos últimos 30 dias, o polêmico token – que recompensa usuários pela verificação de identidade por meio do escaneamento da íris – acumulou alta de 160%, segundo dados do CoinMarketCap. No mesmo período, o bitcoin (BTC) caiu 17%, enquanto o ethereum (ETH) recuou 20%.

Segundo especialistas, três fatores ajudam a explicar a disparada.

Motivos para a alta

O primeiro é a expectativa em torno do IPO da OpenAI. Neste mês, a empresa enviou documentação para a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). Embora a Worldcoin não tenha ligação societária com a OpenAI, muitos investidores enxergam o token como uma forma indireta de exposição aos temas de inteligência artificial e identidade digital.

O segundo fator é a entrada de investidores institucionais. A empresa listada em bolsa Eightco Holdings revelou ter cerca de 8% dos tokens atualmente em circulação, reduzindo a oferta disponível no mercado e reforçando a percepção de demanda institucional.

Já o terceiro fator é técnico. A partir do fim de julho, o ritmo de emissão de novos tokens deve cair 43%, reduzindo a pressão de venda e favorecendo a dinâmica de oferta e demanda.

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Vale como investimento?

Segundo Felipe Mendes, head de Research da Vault Capital, o que está sendo precificado hoje é principalmente narrativa – a aposta de que a Worldcoin captura os temas de inteligência artificial e identidade digital, e não necessariamente fundamentos já consolidados.

De acordo com o especialista, trata-se de um ativo de altíssima volatilidade e fortemente dependente do sentimento dos investidores. A criptomoeda subiu porque a narrativa está em evidência, mas pode cair com a mesma velocidade caso o entusiasmo em torno da inteligência artificial diminua.

“Para o investidor, a régua certa é não tratar isso como uma posição central de carteira, e sim como uma aposta satélite, pequena, em que você aceita conscientemente a chance de perder uma fatia relevante. O tamanho da posição importa mais do que a tese”, afirma.

Riscos

A forte valorização também aumenta os riscos. Depois da disparada das últimas semanas, Mendes afirma que indicadores técnicos apontam uma condição de sobrecompra, cenário que historicamente costuma anteceder correções de curto prazo.

Outro ponto é a concentração da oferta. Quando um único investidor institucional controla uma parcela relevante dos tokens em circulação, qualquer movimento de compra ou venda pode ampliar a volatilidade. Além disso, investidores acompanham de perto possíveis vendas de tokens pela própria fundação responsável pelo projeto.

O risco mais estrutural, porém, continua sendo regulatório, avalia Mendes. O modelo da Worldcoin depende da coleta de dados biométricos por meio do escaneamento da íris, prática que já motivou suspensões, investigações e questionamentos em países como Espanha, Quênia, Coreia do Sul e Hong Kong.

No ano passado, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu no Brasil a distribuição de tokens em troca da coleta da biometria da íris, por entender que o modelo poderia ferir regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O projeto também foi alvo de CPI em São Paulo.



Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -2,36%, US$ 62.412,74

Ethereum (ETH): -3,05%, US$ 1.687,63

BNB (BNB): -2,88%, US$ 571,90

XRP (XRP): -4,06%, US$ 1,12

Solana (SOL): -4,31%, US$ 68,11

Outros destaques do mercado cripto

Audiência pública sobre stablecoins. Cripto tem movimentado Brasília. A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir um projeto de lei que cria regras para as stablecoins no Brasil. Entre os convidados estão representantes do Banco Central, da Receita Federal e da Polícia Federal. A expectativa é que o encontro aconteça em julho.

Lutador brasileiro vira token. Olha essa. A Vib3, joint venture criada pela exchange Mercado Bitcoin e pela startup Sportheca, tokenizou a carreira do lutador brasileiro de UFC André “Mascote” Lima. Na prática, foi realizada uma oferta de R$ 526 mil, e os investidores terão direito a uma fatia das receitas futuras do atleta, incluindo premiações, patrocínios e valores recebidos por participação em eventos ao longo dos próximos oito anos.

Mineradores de bitcoin no prejuízo. A rentabilidade da mineração de bitcoin está bastante pressionada neste ano. Segundo analistas do JPMorgan, o custo médio para produzir uma unidade da criptomoeda gira em torno de US$ 78 mil hoje, enquanto a cripto é negociada na faixa dos US$ 62 mil. Com isso, cerca de 20% dos mineradores estão operando no prejuízo. Isso tem levado parte dos mineradores a desligar equipamentos e reduzir operações

Com que rapidez o Estreito de Ormuz pode voltar a operar normalmente?

19 de Junho de 2026, 06:07

Os preços do petróleo estão sendo negociados abaixo de US$ 80 por barril após o presidente Donald Trump assinar um acordo para encerrar a guerra com o Irã, movimento que os investidores esperam que alivie uma das maiores interrupções de oferta das últimas décadas.

Mas traders e executivos do setor energético afirmam que o mercado de petróleo e de outras matérias-primas essenciais para a economia global continuará apertado por semanas, possivelmente meses. Navios precisam ser reposicionados, infraestruturas danificadas precisam ser reparadas e estoques esgotados terão de ser reconstruídos.

Isso significa que o memorando de entendimento — que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã após os EUA suspenderem sanções sobre as vendas de petróleo iraniano — deve funcionar mais como a abertura gradual de uma válvula de alívio do que como a liberação imediata de um fluxo intenso.

Pelo acordo, o Irã já deveria ter suspendido seu bloqueio ao estreito e iniciado os preparativos para garantir a passagem segura de embarcações comerciais. Até agora, porém, o avanço parece lento.

Os navios já estão voltando a navegar no Golfo Pérsico?

Até a manhã de quinta-feira, o tráfego próximo ao Estreito de Ormuz permanecia reduzido, segundo marítimos e empresas de rastreamento de embarcações.

Ainda assim, alguns navios — incluindo três petroleiros transportando petróleo saudita e um navio de gás natural liquefeito (GNL) com bandeira francesa — cruzaram a hidrovia, de acordo com a empresa de dados Kpler.

Outras embarcações estão se preparando para a travessia. Tripulações relataram que estão limpando os cascos, reabastecendo combustível e embarcando suprimentos para cruzar o estreito nos próximos dias.

Marítimos ancorados perto de Dubai disseram ter observado superpetroleiros se deslocando em direção à entrada do estreito.

Até o momento, a Marinha iraniana não informou oficialmente, por rádio, que a passagem foi reaberta.

Em uma gravação obtida pelo The Wall Street Journal, a Marinha Sepah — unidade especial subordinada à Guarda Revolucionária Islâmica — informou na quinta-feira que a travessia continua proibida. Segundo a corporação, a passagem ainda depende de autorização e escolta militar.

A Kpler registrou apenas seis travessias verificadas em 17 de junho. A maioria utilizou a rota costeira iraniana e uma embarcação navegou sem transmitir sinal de localização.

Em junho, cerca de dez navios por dia atravessaram o estreito, muito abaixo dos mais de cem registrados diariamente antes da guerra.

Quanto tempo levará para o Estreito de Ormuz voltar ao normal?

O acúmulo de embarcações paradas, a necessidade de troca de tripulações e períodos de descanso indicam que o tráfego não voltará ao normal por várias semanas, talvez meses.

Analistas da Kpler estimam que o movimento possa atingir cerca de 50% dos níveis pré-guerra — aproximadamente 50 a 60 embarcações por dia — dentro de um mês, desde que não ocorram novos contratempos.

A normalização completa pode levar meses, afirmou Sheila Cameron, diretora-executiva da associação Lloyd’s Market Association, que representa seguradoras ligadas ao mercado de Londres.

Segundo ela, os armadores precisam de garantias sobre a remoção de minas marítimas, a reabertura integral da infraestrutura portuária e regras claras para pagamento de tarifas.

A principal preocupação continua sendo a presença de minas navais. Por isso, os navios devem permanecer próximos às costas do Irã e de Omã até que a rota central do estreito seja considerada segura, limitando o número diário de travessias.

O acordo firmado na quarta-feira prevê que o Irã discuta a futura administração do estreito com Omã e outros países do Golfo.

O bloqueio naval dos EUA já foi suspenso?

O processo já começou.

Pelo acordo de paz, os EUA devem iniciar imediatamente a retirada do bloqueio naval e concluí-la em até 30 dias.

Sinais de flexibilização surgiram antes mesmo da assinatura do pacto. Três petroleiros transportando mais de 5 milhões de barris de petróleo iraniano deixaram o porto de Chabahar e cruzaram a linha do bloqueio americano na terça-feira.

Outras embarcações com bandeira iraniana fizeram o mesmo na quarta e na quinta-feira, segundo empresas de monitoramento marítimo.

Quando petróleo, GNL e fertilizantes retidos no Golfo chegarão ao mercado?

Produtores de petróleo e gás provavelmente não retomarão totalmente as operações interrompidas até que os petroleiros retornem ao Golfo Pérsico.

Mesmo após a retomada do tráfego, serão necessárias semanas para que o petróleo alcance compradores em mercados distantes.

Segundo Michael Haigh, chefe de pesquisa de commodities do Société Générale, se o estreito reabrir no fim de junho, o alívio na oferta só será percebido no final de agosto, enquanto uma normalização mais consistente não deve ocorrer antes de setembro.

Até lá, consumidores continuarão consumindo estoques em julho e agosto, ampliando a pressão sobre reservas já reduzidas.

Quando a produção de petróleo voltará aos níveis anteriores à guerra?

Produtores do Oriente Médio reduziram a produção em mais de 11 milhões de barris por dia em maio em comparação com os níveis pré-guerra, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.

A retomada envolve obstáculos logísticos e desafios de engenharia significativos.

De acordo com Francis Osborne, chefe de análise de petróleo da Argus Media, restaurar a produção regional aos níveis anteriores à crise pode levar entre quatro e seis meses.

A International Energy Agency estima que metade dos campos petrolíferos do Golfo possa voltar à produção normal em até duas semanas e cerca de 80% em seis semanas.

Os 20% restantes, concentrados principalmente no Iraque e no Kuwait, representam os maiores desafios. Alguns podem nunca recuperar totalmente os níveis anteriores à guerra.

No Iraque, a saída de trabalhadores estrangeiros e danos à infraestrutura dificultaram a avaliação das condições dos campos. Em alguns poços, substâncias semelhantes à parafina e ao asfalto podem ter obstruído a produção.

A consultoria Wood Mackenzie estima que os campos do sul do Iraque precisarão de cerca de nove meses para recuperar 85% da produção pré-guerra.

Já a Rystad Energy calcula que os reparos na infraestrutura energética danificada custarão pelo menos US$ 58 bilhões.

Qual será o impacto da recomposição dos estoques?

Os estoques globais de petróleo caíram cerca de 350 milhões de barris entre março e maio, segundo dados da IEA — volume equivalente a aproximadamente três dias e meio do consumo mundial.

Nos EUA, executivos do setor afirmam que serão necessários meses para recompor as reservas estratégicas mesmo após a reabertura do estreito.

Desde o fim de março, mais de 70 milhões de barris foram retirados da Reserva Estratégica de Petróleo americana, de um total de 172 milhões autorizados pelo governo Trump.

Mantido o ritmo atual, esse limite poderá ser atingido no início de setembro, deixando a reserva em cerca de 243 milhões de barris — muito abaixo do pico superior a 700 milhões de barris registrado em 2009.

Escreva para Rebecca Feng em rebecca.feng@wsj.com e para Georgi Kantchev em georgi.kantchev@wsj.com.

Na era do esporte no YouTube, Globo faz conta do que vale a pena transmitir e disputa protagonismo

19 de Junho de 2026, 06:00

Às vésperas da Copa, a Globo pôs no ar a campanha “Fique Antenado”, que lembra ao público que a TV aberta entrega os jogos do Brasil de graça e sem delay. É também uma provocação à aliança entre YouTube e CazéTV, que hoje disputam com a televisão o dinheiro mais caro da publicidade.

“Existe uma grande diferença entre somar alcance ou cliques e unir o país”, afirma Manuel Belmar, CFO da Globo, em resposta por escrito ao InvestNews.

O argumento da Globo é que a TV aberta ainda concentra atenção simultânea: milhões de pessoas vendo o mesmo jogo, jornal ou novela ao mesmo tempo, em um ambiente que gera conversa imediata, impacto cultural e valor para as marcas.

Esse valor comercial, porém, depende de uma conta complexa, especialmente no caso de grandes competições esportivas internacionais – como a Copa. Fazer dinheiro com pacote de jogos exibidos na TV aberta exige equilibrar direitos caros, venda publicitária e margem de lucro.

São direitos negociados em dólar, sujeitos às idas e vindas do câmbio.

Anos atrás, a Globo firmou contrato para pagar US$ 90 milhões ao ano à FIFA e assim poder transmitir os eventos esportivos realizados pela federação que rege o futebol mundial entre 2015 e 2022. No meio do caminho, veio a pandemia. A Globo tentou uma revisão do valor do contrato e a refrega foi parar na Justiça. Terminou com um acordo fora dos tribunais – também por US$ 90 milhões –, e a Globo garantiu um pacote de jogos mais modesto para a Copa de 2026.

A disputa abriu espaço para que YouTube e LiveMode acelerassem o crescimento da CazéTV no streaming. O ano de 2026 marca a primeira vez em que um canal no YouTube transmite todos os 104 jogos da competição. A Globo ficou com cerca de metade do torneio, sem exclusividade.

O movimento se dá em um mercado publicitário que migra em parte para o digital. Segundo relatório do Itaú BBA divulgado nesta semana, a TV aberta deve recuar de cerca de 33% da verba publicitária brasileira em 2021 para 20% em 2030, enquanto o digital, já em torno de 56% em 2025, avançaria para 67% no fim da década. Só o YouTube concentra perto de 21% do consumo de vídeo no país, à frente de todos os serviços de assinatura somados.

Faça as contas

“Do ponto de vista financeiro, não necessariamente um pacote completo resulta em um faturamento publicitário maior”, diz Ivan Martinho, professor de marketing esportivo na ESPM. O especialista, que também preside a liga mundial de surfe para a América Latina, apontou como exemplo o caso da Paramount+, que pagou caro pela Libertadores e não converteu o gasto em assinaturas como esperado. A Paramount desistiu das transmissões da Libertadores e da Sul-Americana.

A Globo de hoje faz muito mais contas do que no passado. Desde o projeto “Uma Só Globo”, no fim de 2018, avalia custos e retornos esperados. No futebol, isso se intensificou a partir de 2022 e a análise vale para cada pacote de transmissão, com compra seletiva dos direitos esportivos.

No Brasileirão de 2025 a 2029, com os clubes divididos entre duas grandes ligas, a emissora fechou com a Libra por R$ 6,5 bilhões em cinco anos, cerca de R$ 1,3 bilhão ao ano.

Na Futebol Forte União (FFU, ex-LFU), a Globo entrou com uma fatia menor: um pacote de até R$ 850 milhões por ano, condicionado à presença de 12 clubes do bloco na Série A, a primeira divisão. Em 2025, com 11 clubes, a conta ficou perto de R$ 750 milhões. O restante da oferta da Futebol Forte União ficou espalhado entre Amazon, Record e YouTube/CazéTV.

Belmar informou ao InvestNews que a escalada dos valores dos direitos esportivos é um desafio global e que a resposta da Globo passa por equilíbrio. Segundo ele, a empresa procura equalizar o investimento em direitos com o apetite do mercado publicitário, analisando cada aquisição caso a caso, com ou sem exclusividade.

A Globo continuou com a maior prateleira do Brasileirão, mas sem carregar sozinha todos os pacotes disponíveis. É uma mudança relevante para a empresa que, durante décadas, organizou o futebol brasileiro em torno da própria grade, com exclusividade.

A LiveMode apresenta a fragmentação como ganho para os clubes.

Ao InvestNews, a empresa conhecida pela CazéTV defendeu que a sua proposta nesse modelo elevou em cerca de 110% a receita anual dos clubes em relação ao ciclo anterior, enquanto a negociação da Libra com a Globo teria gerado aumento inferior a 30%, nas mesmas bases.

A nova Globo

Em 2025, a receita líquida do Globo Comunicação e Participações cresceu 11%, para R$ 18,3 bilhões, enquanto os custos e as despesas para tocar a operação subiram 8,6%.

Quando o que entra cresce mais rápido do que o que se gasta, sobra mais no fim – sem contar despesas financeiras. Esse “sobrar mais” tem nome: Ebitda, sigla para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que representa uma métrica de geração de caixa operacional.

Em outras palavras, é uma forma de medir quanto a operação gera por si só, antes de descontar o custo da dívida, os tributos e o desgaste contábil de bens e direitos.

Na Globo, esse resultado saltou 57% no último ano. E a margem Ebitda — a fatia que sobra de cada real de receita — passou de cerca de 9,5% para 13,4%. A maior despesa do grupo, que reúne direitos esportivos e produção de conteúdo, cresceu 6,4%, abaixo da receita. A “compra de tudo” cedeu lugar à compra seletiva, em uma escolha também editorial que sustenta a margem.

A margem de hoje, no entanto, se deu às custas de uma reinvenção que não veio sem dor. Para chegar aos níveis mais recentes, a Globo realizou demissões em 2020 e 2021, trocou contratos PJ por CLT — cortando mais da metade dos ganhos de parte dos profissionais — e encerrou vínculos fixos com nomes históricos da marca.

Segundo o professor da ESPM, que analisou o caso, a Globo passou a cortar grandes talentos, alguns eternizados em sua história, que ganhavam mesmo sem trabalho no ar ou em fase de produção.

Em 2025, a Globo também reorganizou o seu comando: Paulo Marinho ficou à frente dos negócios de mídia, enquanto Roberto Marinho Neto passou a cuidar de negócios e investimentos. A família separou melhor a operação de conteúdo da área que decide onde colocar dinheiro.

@investnewsbr

Por trás da transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2026, existe uma disputa bilionária pela sua atenção. #transmissão #copadomundo #futebol

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Para enfrentar a ameaça crescente das plataformas, a Globo passou a explorá-las também. Criou o Globoplay, que nos últimos anos aumentou a oferta de espaços publicitários para anunciantes, o que ajudou o serviço de streaming da Globo a atingir o equilíbrio financeiro (breakeven) em 2025, após 10 anos consumindo caixa.

Além disso, a Globo hoje mantém canais e conteúdos no YouTube e vende pacotes de canais dentro do Prime Video.

Ou seja, a empresa que durante décadas controlou a distribuição pela TV aberta, por meio das afiliadas, e pela TV por assinatura agora também coloca seus produtos em vitrines digitais que pertencem a outros grupos.

Belmar diz que a distribuição de conteúdo em plataformas de terceiros faz parte da história da Globo desde as afiliadas da TV aberta e passou pelas operadoras de TV por assinatura antes de chegar às plataformas digitais.

A diferença agora é que esses parceiros também disputam atenção e verba publicitária com a própria Globo.

No esporte, a Globo criou a GE TV, canal gratuito com linguagem mais informal, para tentar atrair o público que se acostumou a ver jogos na CazéTV, fora da televisão tradicional. Na estreia, a atriz e apresentadora Regina Casé apareceu para celebrar a “Cazé da Globo”.

A disputa por audiência, atenção e conversão

A Globo foi buscar na internet uma linguagem que capaz de aumentar o engajamento entre os mais jovens, enquanto YouTube e LiveMode hoje vendem futebol pela internet com o manual comercial da TV aberta, em cotas de patrocínio milionárias negociadas antes de a bola rolar.

A disputa mais dura é pela definição do que é televisão e por quem fica com a maior fatia da verba publicitária, o que levou à briga da medição de audiência.

As plataformas digitais chegam ao mercado com dados próprios, produzidos dentro de seus próprios sistemas. Para o anunciante, a comparação fica menos direta: de um lado, audiência medida por um padrão conhecido; de outro, números de visualização, alcance e tempo de consumo que nem sempre contam a mesma história.

A Globo sustenta que a simultaneidade da TV aberta ainda entrega um tipo de atenção mais valioso para as marcas do que a soma de visualizações espalhadas por vídeos, canais e nichos. A disputa com o YouTube passa justamente por essa tradução comercial: quem consegue provar ao anunciante que concentra atenção, gera conversa e entrega resultado.

O YouTube tem escala, mas sua audiência é mais espalhada: milhões de pessoas vendo milhões de vídeos diferentes. Ainda assim, a plataforma tenta se apresentar como televisão.

“O YouTube é a televisão também; hoje a maior parte da nossa audiência já é em televisão”, diz Victor Machado, Head de Parcerias de TV, filmes e esportes do YouTube no Brasil.

O ciclo de direitos que se abre em 2030 vai redefinir o controle do futebol brasileiro, agora com a CBF em busca de organizar a sua própria liga de clubes, enquanto estes buscam o controle do dinheiro que geram. A Globo chega a essa fase com menos controle sobre a distribuição, uma governança que valoriza as finanças e uma pressão para transformar escala em rentabilidade.

A empresa que ensinou o mercado brasileiro a vender televisão tenta provar que ainda sabe transformar atenção em valor, mesmo quando parte da audiência, da publicidade e da bola já corre por fora da sua grade.

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Gestoras Elliott e SVP compram dívida da Braskem em meio à tentativa de reestruturação

18 de Junho de 2026, 20:28

A Elliott Investment Management e a SVP Global compraram recentemente dívida da Braskem, a petroquímica brasileira que corre para conseguir o apoio de credores a um plano de reestruturação, segundo pessoas a par do assunto.

As gestoras compraram partes da linha de crédito rotativo (RCF, na sigla em inglês) da Braskem de credores existentes, enquanto a Elliott também acumulou posições em alguns dos bonds internacionais da empresa, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas por discutirem transações privadas.

A Elliott e a SVP declinaram de comentar, assim como a Braskem e sua controladora, a IG4 Capital. As aquisições dão aos investidores assento à mesa enquanto a Braskem negocia um plano para reestruturar sua dívida, depois de uma desaceleração prolongada da indústria petroquímica global e do desastre ambiental que corroeu o balanço da empresa.

A Elliott e a SVP, que não fazem parte do mesmo grupo, devem defender termos de reestruturação diferentes dos atualmente apresentados pela Braskem, segundo as fontes.

A Braskem apresentou aos credores um plano que inclui extensão dos prazos de vencimento da dívida, redução de cupons e mais períodos de carência, segundo a Bloomberg apurou no início deste mês. 

O plano não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações (debt-to-equity swap). O pedido de extensão de cinco anos no vencimento, combinado com a redução dos cupons, foi considerado agressivo por parte dos credores, disseram algumas das fontes.

A petroquímica precisa do apoio de um terço dos credores para iniciar o processo de recuperação extrajudicial. 

Mas a empresa e a IG4, sua nova controladora, têm tido dificuldade para conseguir esse apoio e fechar todos os trâmites jurídicos a tempo de avançar com um acordo em julho, quando precisará pagar cerca de US$ 150 milhões, segundo apurou a Bloomberg nesta semana.

A Braskem quer evitar esse pagamento e pode pedir proteção judicial emergencial caso não consiga fechar um acordo para a chamada recuperação extrajudicial.

©2026 Bloomberg L.P.

Com concorrentes parados no Oriente Médio, Braskem acelera produção para ganhar mercado

18 de Junho de 2026, 19:05

A Braskem, gigante petroquímica brasileira altamente endividada que busca uma recuperação extrajudicial, segue aumentando a produção mesmo com a queda dos preços após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Um conselheiro da Braskem disse esperar que as plantas petroquímicas atingidas no Oriente Médio levem entre 12 e 18 meses para voltar à operação, o que abre uma janela para ganhar fatia de mercado.

“A estratégia é capitalizar com a alta atual e se preparar para o próximo ciclo de alta”, disse William França, diretor-executivo da Petrobras recentemente eleito para o conselho da Braskem, em entrevista. Segundo ele, o mercado global de petroquímicos, mergulhado em uma desaceleração que já dura anos, deve se recuperar de forma significativa a partir de 2028.

Os preços globais de produtos petroquímicos dispararam quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no fim de fevereiro, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz e bloquear o fluxo de petroquímicos do Golfo Pérsico. Os preços, no entanto, recuaram à medida que EUA e Irã se aproximaram de um acordo de paz, com o etileno spot caindo 4,1% na última semana.

A Braskem se esforçou para elevar a produção durante o conflito e aumentou a eficiência geral de suas plantas para cerca de 70%, disse França, que comanda as refinarias e processos industriais da Petrobras. A petroquímica pretende elevar essa eficiência para 85% até dezembro.

A Braskem declinou de comentar.

A companhia e seus controladores, a gestora brasileira IG4 Capital e a Petrobras, lutam para conseguir o apoio de credores suficientes para tocar a proposta de recuperação extrajudicial, segundo apurou a Bloomberg nesta semana. A falta de acordo aumentaria as chances de uma recuperação judicial.

Novo controle

França entrou no conselho da Braskem no início deste mês como parte do acordo com a IG4 Capital, que tomou o controle da companhia das mãos do conglomerado Novonor (antiga Odebrecht). A Petrobras, que mantém participação minoritária relevante na Braskem, ampliou seu controle sobre a gestão da petroquímica como parte do acordo com a IG4.

A CEO da Petrobras, Magda Chambriard, assumiu como presidente do conselho da Braskem, enquanto França e o diretor financeiro Fernando Melgarejo entraram como conselheiros. A petroleira também indicou o diretor de operações da Braskem e o diretor de logística.

A estatal busca novas formas de trabalhar em conjunto com a Braskem, incluindo o fornecimento de mais etano (matéria-prima) à petroquímica, segundo França. A Petrobras também quer que a Braskem forneça mais hidrogênio para suas refinarias e está em negociação com fornecedores americanos de nafta.

A IG4, por sua vez, lidera as negociações de dívida com os credores da Braskem, disse Melgarejo.

“Questões externas são responsabilidade da IG4”, disse o CFO em entrevista. “A Petrobras não vai estar envolvida em nenhuma questão de estrutura de capital. Internamente, do ponto de vista operacional, é a Petrobras.”

©2026 Bloomberg L.P.

De advogado a engenheiro: profissionais liberais podem ter desconto em impostos. Veja como funciona

18 de Junho de 2026, 17:23

À primeira vista, a reforma tributária traz uma novidade que parece uma grande vantagem para profissionais liberais que prestam serviços por meio de sua própria empresa: uma redução de 30% nas alíquotas do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, que substitui o ISS e o ICMS) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, que entra no lugar do PIS e da Cofins), dois dos novos impostos que começam a valer a partir de 2027.

Dezoito categorias de profissionais que exercem atividades de natureza científica, literária ou artística e são fiscalizados por um conselho profissional vão ter direito a esse benefício.

É o caso de administradores, advogados, contadores, engenheiros e biólogos, entre outros. Confira a lista completa no artigo 127 da lei que criou o IBS e a CBS.

São profissões em que o que se contrata é o conhecimento do profissional, não um produto ou serviço comercial, explica Fernanda Silveira, sócia da consultoria Simões Pires.

Mas, antes de comemorar, vale fazer as contas. Para uma parte desses profissionais, o desconto pode não significar redução nenhuma em relação aos impostos pagos atualmente. E, em alguns casos, a tributação tende a aumentar quando o IBS e a CBS entrarem em vigor.

Desconto para quem?

Para que a empresa tenha direito à alíquota reduzida dos dois impostos, seu quadro de sócios deve ser formado exclusivamente por pessoas habilitadas no conselho de classe das 18 profissões beneficiadas. Não pode haver PJs como sócias e a própria empresa também não pode participar de outras sociedades.

Além disso, o objeto social da empresa – ou seja, suas atividades econômicas – devem se restringir à profissão dos sócios, o que inviabiliza o desconto para holdings, por exemplo. Se um único critério for descumprido, a empresa perde o benefício inteiro.

Ainda há restrições para empresas com mais de uma atividade. Imagine um escritório de engenharia que também vende materiais de construção.

Se os materiais são usados na execução do próprio serviço, embutidos no preço cobrado do cliente, a redução pode ser aplicada sobre o valor total.

Mas, no caso da mera revenda de itens, não. “A Receita Federal poderá questionar situações como essa, quando o serviço intelectual vem misturado com outras atividades”, diz Fernanda.

A fiscalização será feita por cruzamento eletrônico de dados. “Se a empresa aplicou o desconto sem cumprir os requisitos, pode ser cobrada pela diferença de imposto de até cinco anos antes, com multa e juros”, diz Leonardo Mazzillo, sócio da área tributária do WFaria Advogados.

Fazendo as contas

Embora seja bem-vinda, a redução de 30% do IBS e da CBS não significa que os profissionais liberais vão pagar menos imposto do que hoje – e, sim, que podem desembolsar menos do que gastariam no novo sistema sem o desconto. Para a maioria deles, os especialistas estimam que a conta vai aumentar de qualquer jeito.

As alíquotas dos dois novos impostos ainda precisam ser definidas pelo Congresso Nacional, mas os cálculos que circulam atualmente em discussões de legisladores indicam que a soma das duas para os profissionais beneficiados deve ficar entre 26,5% e 27%. Com a redução de 30%, o custo cairia para a faixa entre 18,5% e 19%.

Parece um alívio, né? Mas compare com o custo tributário atual desses profissionais.

Para aqueles que têm empresas enquadradas no regime de lucro presumido, as alíquotas atuais de ISS (Imposto sobre Serviços) vão de 2% a 5%, mais PIS e Cofins de 3,65%. Entre os três impostos, que serão substituídos pelo IBS e a CBS, o total fica entre 5,65% e 8,65% sobre o faturamento. “Nesse caso, mesmo com o desconto de 30%, a tributação sobre consumo pode até dobrar”, afirma Fernanda.

Para as empresas enquadradas no Simples Nacional, as alíquotas da guia unificada de impostos, a DAS, variam de 4,5% a 33%, dependendo do tipo de atividade e do tamanho da receita anual – e continuarão exatamente do mesmo jeito para quem optar por se manter integralmente nesse regime.

O desconto de 30% sobre o IBS e a CBS só fará sentido para as empresas de profissionais liberais que decidirem migrar para o chamado regime híbrido, que permite recolher os dois impostos separadamente para gerar “créditos” para seus clientes que também sejam empresas. O Descomplica PJ explicou em detalhes como o regime híbrido funciona nesta reportagem.

Um exemplo: imagine que uma grande companhia contrata a empresa de um advogado ou engenheiro. Se o profissional estiver no regime híbrido, sua nota fiscal destacará o IBS e a CBS que incidem sobre o valor do serviço e isso vai vira crédito para quem contratou.

Se o profissional cobrar R$ 10.000 pelo serviço e destacar R$ 1.850 de IBS e CBS (considerando a alíquota de 18,5%, já com desconto de 30%) na nota, o cliente vai pagar um total de R$ 11.850 – mas vai receber de volta R$ 1.850 na forma de créditos para usar depois. Na prática, o custo efetivo do serviço para ele continuará sendo de R$ 10.000.

Na ponta do lápis, mesmo com o desconto de 30% nos novos impostos, o regime híbrido ainda pode sair mais caro do que atualmente para os profissionais liberais, já que só IBS e CBS somariam alíquota de 18,5% a 19% e os demais tributos continuariam sendo recolhidos na guia unificada.

Por outro lado, permitiria a um cliente PJ transformar o valor cheio dos dois impostos em créditos, usados para abater do seu próprio pagamento de tributos. E tributaristas têm dito que isso pode virar um diferencial competitivo.

Para quem vale a pena

Ficar fora do regime híbrido tornaria o serviço menos atrativo para clientes PJ, que vão comparar o custo líquido de contratar um profissional do Simples com outro do lucro presumido, em que também há geração de crédito.

No fim do dia, quem tem mais chance de sair ganhando é o profissional liberal que atende principalmente outras empresas, tem faturamento alto e custos operacionais que geram crédito, como gastos com tecnologia, licenças de software ou infraestrutura.

“Para quem atende principalmente pessoas físicas, que não pode aproveitar a geração de crédito, o melhor é manter tudo dentro do Simples e não migrar para o regime híbrido”, afirma Mazzillo.

Desconto para profissionais liberais

O acesso à redução de 30% no IBS e na CBS também estará disponível para profissionais liberais que atuam como pessoa física – e de um jeito mais simples. Basta que o serviço esteja vinculado à habilitação no conselho de classe e que o cadastro esteja em dia.

O problema é que a redução de 30% resolve só a parte dos impostos para esses profissionais. O Imposto de Renda continua incidindo com alíquota de até 27,5% sobre o rendimento, mais 20% de contribuição previdenciária.

Somando a isso os 18,5% a 19% de IBS e CBS, a carga total pode passar de 40% sobre o faturamento bruto. Com isso, prestar serviço como pessoa física tem pouca vantagem para quem tem faturamento médio ou alto.

Isso fora o fato de que o profissional autônomo não vai gerar créditos de IBS e CBS para clientes PJ, que não vão conseguir recuperar nenhum valor sobre os impostos pagos. Dependendo da relevância dos clientes PJ na carteira, pode valer a pena avaliar a abertura de um CNPJ.

Como se preparar para as mudanças

Como a conta dos impostos para profissionais liberais pode aumentar, é importante organizar a casa para sentir menos o impacto. “E, quanto antes, melhor”, afirma Fernanda.

Comece olhando para quem são seus clientes. Se você atende principalmente empresas, revise seus contratos para deixar claro como o imposto vai ser repassado no preço. Se atende pessoas físicas, vale simular com o contador qual regime vai pesar menos no seu bolso.

Depois, resgate o contrato social da sua empresa. Todos os sócios são pessoas físicas com registro no conselho de classe? A empresa tem alguma ligação com uma holding ou participa como sócia de outra PJ? Se sim, pode ser necessário fazer ajustes ainda em 2026 para não perder o direito ao desconto.

Outra medida importante é levantar os gastos da empresa que vão gerar crédito de IBS e CBS a partir de 2027 – aluguel, energia, softwares, equipamentos. Confirme que os fornecedores estão emitindo nota fiscal certinho, porque, sem documento fiscal, não tem crédito.

Por fim, leve tudo isso para o contador e peça uma simulação comparando os regimes. Um detalhe que não pode passar: a opção pelo Simples, com recolhimento de IBS e CBS por dentro ou por fora do regime, precisa ser feita ainda neste ano, no mês de setembro.

Brasil x Haiti: veja horários e próximos jogos da Seleção na Copa do Mundo 2026

18 de Junho de 2026, 15:42

A seleção brasileira volta para o campo nesta sexta-feira (19) em mais um jogo da Copa do Mundo 2026. O adversário da vez é o Haiti, em partida que acontece às 21h30, pelo horário de Brasília, no Estádio da Filadélfia, nos Estados Unidos.

Brasil e Haiti disputam no mundial de seleções pelo grupo C, que também tem Marrocos e Escócia.  Ao todo, o Brasil fará três jogos na fase de grupos, todos em território norte-americano.

O confronto acontece após a seleção brasileira jogar contra o time marroquino que terminou em empate após um gol de Vini Jr. 

Atualmente, a Escócia é líder do grupo C com 3 pontos, após derrotar o Haiti por 1 a 0 no último sábado (13).

A Copa do Mundo 2026 começou em 11 de junho e será disputada até 19 de julho. Esta edição terá 48 seleções, 12 grupos, 104 jogos e sedes em três países: Estados Unidos, Canadá e México.

Que horas é Brasil X Haiti?

Brasil x Haiti

  • Data: sexta, 19 de junho;
  • Horário: 21h30;
  • Local: Estádio da Filadélfia;
  • Cidade: Filadélfia.

Quais são os jogos do Brasil na fase de grupos?

O Brasil terá três jogos na fase de grupos da Copa do Mundo 2026:

  • Brasil x Marrocos: sábado, 13 de junho, às 19h, em Nova Jersey;
  • Brasil x Haiti: sexta-feira, 19 de junho, às 21h30, na Filadélfia;
  • Brasil x Escócia: quarta-feira, 24 de junho, às 19h, em Miami.

Grupo C da Copa do Mundo 2026

O Grupo C começa com a estreia da seleção brasileira. Brasil x Marrocos será disputado no sábado, 13 de junho, às 19h, no Estádio de Nova York/Nova Jersey.

  • Brasil x Marrocos – sábado, 13/06, às 19h;
  • Haiti x Escócia – sábado, 13/06, às 22h;
  • Escócia x Marrocos – sexta-feira, 19/06, às 19h;
  • Brasil x Haiti – sexta-feira, 19/06, às 22h;
  • Escócia x Brasil – quarta-feira, 24/06, às 19h;
  • Marrocos x Haiti – quarta-feira, 24/06, às 19h.
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Onde assistir os jogos da Copa do Mundo 2026?

A transmissão da Copa do Mundo 2026 no Brasil será dividida entre TV aberta, TV fechada, streaming, YouTube e rádio.

Na TV aberta, os jogos serão exibidos por Globo e SBT. Na TV por assinatura, a cobertura terá SporTV, N Sports e ge tv. No streaming e YouTube, a transmissão terá Globoplay, CazéTV, ge tv e N Sports.

  • TV aberta: TV Globo (55 jogos) e SBT (32 jogos);
  • TV por assinatura: SporTV (55 jogos), N Sports (32 jogos) e ge tv (32 jogos);
  • Streaming e YouTube: CazéTV (todos os jogos), Globoplay (55 jogos), ge tv (32 jogos) e N Sports (32 jogos);
  • Rádio: CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, Rádio Gaúcha, BandNews FM, Rádio Bandeirantes, Rádio Itatiaia e outras emissoras.

Como funciona a fase de grupos da Copa do Mundo 2026?

A fase de grupos da Copa do Mundo 2026 será disputada em pontos corridos dentro de cada chave. Cada seleção fará três jogos, uma partida contra cada adversária do grupo.

A pontuação segue o modelo tradicional:

  • Vitória: 3 pontos;
  • Empate: 1 ponto;
  • Derrota: 0 ponto.

Ao fim das três rodadas, avançam ao mata-mata os dois primeiros colocados de cada grupo. Além deles, os oito melhores terceiros colocados entre os 12 grupos também se classificam.

Na prática, uma seleção pode não terminar entre as duas primeiras da chave e ainda assim seguir para a fase eliminatória, desde que tenha campanha suficiente para ficar entre os melhores terceiros colocados.

Depois da fase de grupos, começa o mata-mata a partir dos 16 avos de final. A partir dessa etapa, quem vence avança e quem perde é eliminado.

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Cuba aprova mudanças pró-mercado após pressão de Trump

18 de Junho de 2026, 15:02

A liderança de Cuba aprovou uma ampla lista de 176 medidas de liberalização econômica que abrangem 23 áreas centrais, enquanto o país caribenho tenta resgatar uma economia estagnada que sofre com as sanções dos EUA.

O comitê central do Partido Comunista aprovou as medidas no fim da quarta-feira (17), segundo o jornal estatal Granma. A Assembleia Nacional foi convocada para uma sessão extraordinária nesta quinta-feira para ratificá-las.

O presidente Miguel Díaz-Canel havia sinalizado as reformas pela primeira vez na semana passada. Elas atingem praticamente todos os setores da economia, incluindo energia, agricultura e comércio exterior. Ainda não está claro, porém, se serão suficientes para satisfazer o presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs à ilha um bloqueio de fato ao abastecimento de combustíveis e vem ampliando agressivamente as sanções na tentativa de pôr fim a quase sete décadas de governo de partido único.

Entre as medidas destacadas pelo governo cubano estão:

  • Estabelecer “regras jurídicas uniformes” para empresas estatais e privadas, bem como para investidores estrangeiros e nacionais;
  • Permitir a participação do setor privado em mais áreas da economia;
  • Eliminar a maior parte dos controles de preços, que o governo reconheceu terem fracassado no combate à inflação e provocado distorções econômicas;
  • Iniciar um processo de renegociação para trocar dívida pública por ativos domésticos;
  • Criar um “marco estável” para promover investimentos, transferência de tecnologia e doações de cubanos que vivem no exterior;
  • Autorizar investimento estrangeiro direto no setor privado, com regras claras sobre propriedade, resolução de disputas e distribuição de lucros;
  • Garantir aos agricultores acesso a moeda estrangeira e o direito de importar suas próprias matérias-primas sem intermediários estatais;
  • Conceder maior autonomia a empresas estatais e municípios;
  • Fundir instituições estatais e governamentais para eliminar funções duplicadas;
  • Eliminar impostos e tarifas sobre tecnologias de energia solar e permitir que empresas estrangeiras forneçam diretamente ao mercado painéis, baterias e inversores;
  • Reduzir o déficit fiscal por meio do aumento de impostos e do corte de gastos considerados desnecessários.

Além da abertura econômica, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio exigem reformas políticas e uma mudança na liderança do país. O cerco cada vez mais rígido imposto pelos EUA agravou os apagões e comprometeu os sistemas de saúde pública e transporte. A Organização das Nações Unidas teme uma crise humanitária em formação, apontando, entre outros indicadores, o aumento da mortalidade infantil.

Ao falar após a reunião do comitê central na quarta-feira, Díaz-Canel atribuiu as dificuldades de Cuba ao embargo econômico dos EUA e ao amplo conjunto de sanções que afastou empresas estrangeiras.

“A realidade nos impõe mudanças urgentes e necessárias”, disse. “E quando a vida do povo se torna tão difícil, o primeiro dever do Partido Comunista e do governo revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar o que precisa ser mudado para sair dela.”

O presidente cubano também afirmou que as reformas econômicas contam com o aval de Raúl Castro, o líder revolucionário de 95 anos que ainda exerce influência simbólica sobre o país. Em maio, o Departamento de Justiça dos EUA tornou pública uma acusação contra Castro por homicídio relacionada à derrubada, em 1996, de duas aeronaves civis.

Receita abre consulta ao segundo lote de restituição do IR. Veja como consultar

18 de Junho de 2026, 11:51

A Receita Federal abrirá na próxima terça-feira (23), a consulta ao segundo lote da restituição do IR 2026. O contribuinte pode verificar se foi incluído no pagamento pelo site da Receita Federal, pelo aplicativo oficial ou pelo portal Meu Imposto de Renda, no e-CAC.

O segundo lote será pago no dia 30 de junho e a estimativa do Fisco é que serão liberados R$ 16 bilhões em créditos para cerca de 9 milhões de contribuintes.

Segundo a Receita Federal, o segundo lote representa 40% das restituições previstas para este ano, tanto em valores quanto em número de contribuintes. O crédito será feito ao longo do dia nas contas indicadas pelos contribuintes.

A orientação do Fisco é que o contribuinte aguarde até o fim do dia para confirmar o depósito, já que o horário de crédito pode variar conforme o processamento de cada instituição financeira.

Como consultar o 2º lote da restituição do IR 2026?

A consulta ao 2º lote da restituição do IR 2026 pode ser feita por três canais:

A consulta informa se a declaração foi processada, se o contribuinte entrou em fila de restituição ou se há pendências que precisam ser corrigidas.

Como consultar pelo site da Receita Federal?

A forma mais simples de verificar se a restituição do IR foi liberada é pela consulta pública no site da Receita Federal.

Para consultar, o contribuinte deve informar:

  • CPF;
  • Data de nascimento;
  • Ano da declaração, no caso, 2026.

O sistema mostra a situação da restituição e indica se o pagamento foi liberado no lote consultado.

Como consultar a restituição pelo aplicativo da Receita Federal?

Também é possível consultar a restituição do Imposto de Renda pelo celular, usando o aplicativo oficial da Receita Federal, disponível para Android e iOS.

O passo a passo é:

  • Baixar ou abrir o aplicativo Receita Federal no celular;
  • Fazer login com a conta gov.br;
  • Tocar em “Meu Imposto de Renda”;
  • Selecionar o ano da declaração;
  • Acessar a opção “Restituição”.

Pelo aplicativo, o contribuinte acompanha a situação da declaração e verifica se a restituição foi liberada.

Como consultar pelo Meu Imposto de Renda?

O serviço Meu Imposto de Renda, disponível no portal e-CAC, oferece uma consulta mais detalhada sobre o processamento da declaração.

Para acessar, basta:

  • Entrar no portal e-CAC da Receita Federal;
  • Clicar em “Entrar com gov.br”;
  • Fazer login;
  • Selecionar “Meu Imposto de Renda”;
  • Escolher o exercício 2026, referente ao ano-calendário 2025;
  • Clicar em “Consultar Restituição” ou “Extrato da Declaração”.

Qual é a ordem de prioridade da restituição do IR?

As restituições são liberadas conforme a ordem de entrega da declaração e as prioridades definidas pela Receita Federal.

A prioridade no pagamento segue esta ordem:

  • Idosos com idade igual ou superior a 80 anos;
  • Idosos com idade igual ou superior a 60 anos;
  • Pessoas com deficiência ou moléstia grave;
  • Contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério;
  • Quem utilizou a declaração pré-preenchida e optou por receber a restituição por Pix;
  • Quem utilizou a declaração pré-preenchida ou optou por receber a restituição por Pix;
  • Demais contribuintes.

Dentro de cada grupo, a ordem de entrega da declaração também influencia a entrada nos lotes.

LEIA MAIS: Como funciona a fila da restituição do Imposto de Renda?

Quando serão pagos os próximos lotes da restituição?

A Receita Federal prevê que o segundo lotecontemple cerca de 9 milhões de contribuintes, com valores próximos a R$ 16 bilhões.

Com isso, os dois primeiros lotes devem concentrar cerca de 80% da estimativa de restituições a serem pagas em 2026.

As próximas datas de pagamento da restituição do IR 2026 são:

  • 2º lote: 30 de junho de 2026;
  • 3º lote: 31 de julho de 2026;
  • 4º lote: 31 de agosto de 2026.

Messi, Mbappé ou Cristiano Ronaldo, quem é o maior… em patrocínios?

18 de Junho de 2026, 11:27

Cristiano Ronaldo e Messi chegam à Copa do Mundo 2026 em um estágio avançado da carreira, com a sexta participação de ambos no torneio e marcas construídas ao longo de quase duas décadas no topo do futebol.

Kylian Mbappé, por outro lado, disputa sua terceira Copa do Mundo como capitão da França e principal nome esportivo da nova geração.

A diferença de momento também aparece fora de campo. Os três jogadores concentram patrocinadores em setores como material esportivo, luxo, tecnologia, games, hotelaria, bebidas, alimentação, saúde, inteligência artificial e entretenimento digital.

Messi e Cristiano Ronaldo estão empatados com o maior número de patrocinadores entre os três, com 11 marcas cada. A diferença reflete o momento de cada carreira. Ambos chegam à Copa do Mundo 2026 como nomes históricos, com marcas consolidadas em múltiplos setores.

Mbappé aparece com oito parcerias listadas, mas com forte presença nos segmentos de luxo, moda, hotelaria e performance esportiva ao entrar na Copa como principal nome da nova geração de jogadores.

Os valores pagos por patrocinadores desse porte raramente são divulgados oficialmente. Por isso, os números disponíveis são estimativas de mercado ou valores noticiados em reportagens, e não necessariamente representam o total real recebido por cada atleta.

Considerando apenas os contratos anuais com estimativas disponíveis nas fontes, os três jogadores somam entre US$ 69,8 milhões e US$ 73,7 milhões por ano em patrocínios estimados.

Lionel Messi

Lionel Messi estreou profissionalmente pelo Barcelona em 2004 e se transformou em uma estrela mundial no fim dos anos 2000, especialmente durante a era de Pep Guardiola.

No Barcelona, consolidou-se como um dos maiores nomes da história do clube, acumulando Bolas de Ouro, títulos da Champions League, campeonatos espanhóis e diversos recordes individuais.

Na Copa do Mundo, o argentino disputou o torneio pela primeira vez em 2006, quando a competição foi realizada na Alemanha. Depois, também participou das edições de 2010, 2014, 2018 e 2022, quando liderou a Argentina ao tricampeonato mundial no Catar.

Em 2026, chegou à sexta Copa do Mundo e, na estreia contra a Argélia, atingiu a marca de 200 jogos pela seleção argentina. Com um hat-trick na vitória por 3 a 0, igualou o alemão Miroslav Klose como maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 16 gols.

No quesito patrocínios, Messi tem um contrato estimatimado com a Adidas, principal patrocinadora esportiva do argentino que rende mais de US$ 25 milhões por ano ao jogador. O acordo vitalício com a marca também prevê uma cifra próxima de US$ 1 bilhão ao longo da vida do contrato.

Marcas que patrocinam Messi

  • Adidas: a empresa é a principal patrocinadora esportiva de Messi. A marca utiliza o argentino em campanhas de chuteiras, produtos próprios, ações relacionadas à Copa do Mundo e iniciativas ligadas ao legado do jogador.
  • Apple / Apple TV: a Apple é parceira de mídia da liga norte-americana e utiliza a presença de Messi como ativo central para ampliar o alcance do MLS Season Pass.
  • Mastercard: Messi atua como embaixador global de futebol da marca. A empresa desenvolve ações de experiência para fãs, incluindo campanhas de troca de camisas e benefícios para clientes.
  • Lay’s: a marca de salgadinhos utiliza Messi em campanhas globais ligadas ao hábito de assistir futebol.
  • Michelob Ultra/AB InBev: a marca de cerveja utiliza Messi em campanhas relacionadas à Copa América, à Copa do Mundo e à cultura de torcida nos Estados Unidos.
  • Hard Rock International: a parceria posiciona Messi como uma figura de experiências. Em 2026, a marca lançou uma campanha global com produtos, sorteios, suítes temáticas e ativações ligadas ao jogador.
  • Lowe’s: a rede de varejo norte-americana utiliza Messi para se aproximar dos fãs de futebol nos Estados Unidos, especialmente em campanhas ligadas a residências, festas e reuniões para assistir aos jogos.
  • Beats by Dre: a marca utiliza Messi para promover produtos relacionados a estilo de vida, música, treino e viagens.
  • Fortnite: além de participar de ações promocionais, Messi também é uma skin disponível para os jogadores.
  • Panini: Messi aparece como um dos nomes mais fortes do mercado de figurinhas e cards, associado ao colecionismo, à memória esportiva e à sua trajetória em Copas do Mundo.
  • YPF: a petroleira argentina utiliza Messi para se associar à seleção, à torcida e à identidade nacional.

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo iniciou sua carreira profissional no Sporting, mas se transformou em uma estrela internacional após chegar ao Manchester United, em 2003. O salto definitivo ocorreu entre 2007 e 2008, quando conquistou a Champions League e sua primeira Bola de Ouro.

No Real Madrid, consolidou-se como um dos maiores nomes da história do futebol. Também se tornou o maior artilheiro da história do clube e liderou uma era marcada por quatro títulos de Champions League entre 2014 e 2018.

Na Copa do Mundo, o português disputou o torneio pela primeira vez em 2006, na Alemanha. Depois, também participou das edições de 2010, 2014, 2018 e 2022.

Em 2026, chegou à sexta Copa do Mundo por Portugal. O jogador nunca conquistou o título mundial, e seu melhor resultado ocorreu em 2006, quando a seleção portuguesa terminou na quarta posição.

Cristiano Ronaldo tem na Nike seu principal contrato comercial com valor estimado. O acordo vitalício com a marca rende aproximadamente US$ 27,6 milhões. O contrato também é tratado em estimativas como próximo de US$ 1 bilhão ao longo da vida do acordo. 

O jogador também tem laços com a Herbalife que, em 2026, recebeu um investimento de US$ 7,5 milhões feito por Cristiano Ronaldo, que também atua na divulgação da marca.

Marcas que patrocinam Cristiano Ronaldo

  • Nike: principal parceira esportiva de Cristiano Ronaldo, a marca utiliza o português em campanhas de chuteiras, roupas de treino e produtos ligados à performance, disciplina e longevidade.
  • Herbalife: a empresa utiliza Cristiano Ronaldo como exemplo de rotina, performance e cuidados físicos. A parceria começou em 2013.
  • Clear: a marca de cuidados pessoais utiliza Cristiano Ronaldo para reforçar uma imagem ligada à estética, à confiança e à presença global.
  • Binance: a corretora de criptoativos leva Cristiano Ronaldo para o universo de NFTs, ativos digitais e comunidades online.
  • Jacob & Co.: a relojoaria de luxo associa o jogador a produtos de alto padrão, exclusividade e itens ligados à marca CR7.
  • WHOOP: a empresa de tecnologia vestível utiliza Cristiano Ronaldo em campanhas relacionadas a sono, recuperação, esforço e desempenho físico.
  • UFL: o jogo de futebol utiliza Cristiano Ronaldo como parceiro e investidor.
  • SNK/Fatal Fury: a parceria leva Cristiano Ronaldo ao universo dos games. O jogador aparece como personagem jogável no título.
  • Perplexity AI: a empresa de inteligência artificial tem Cristiano Ronaldo como investidor e parceiro global.
  • Dreame Technology: a fabricante de eletrodomésticos inteligentes utiliza Cristiano Ronaldo como embaixador global.
  • ZujuGP: a plataforma digital ligada ao futebol utiliza Cristiano Ronaldo como rosto global para ampliar seu alcance.

LEIA MAIS: Dona da CazéTV e sócia de Cristiano Ronaldo busca ‘novos Casimiros’ em mercados europeus

Kylian Mbappé

Kylian Mbappé ganhou projeção mundial ainda adolescente, na temporada 2016/17, quando se destacou pelo Monaco, equipe campeã do Campeonato Francês e semifinalista da Champions League.

No Paris Saint-Germain, tornou-se o principal jogador francês de sua geração e o maior artilheiro da história do clube. Em 2024, após anos de especulação, transferiu-se para o Real Madrid.

Na Copa do Mundo, Mbappé disputou o torneio pela primeira vez em 2018, na Rússia. Naquela edição, conquistou o título mundial com a França. Também participou da Copa de 2022, quando foi vice-campeão, marcou três gols na final contra a Argentina e terminou como artilheiro da competição.

Em 2026, chegou à terceira Copa do Mundo como capitão da França. Na estreia contra o Senegal, tornou-se o maior artilheiro da história da seleção francesa em gols totais, chegando a 58 gols e ultrapassando Olivier Giroud (57).

Mbappé tem dois contratos com estimativas públicas. O primeiro é o acordo com a Nike, com valor estimado em US$ 36,1 milhões por ano. Já a parceria com a Hublot é estimada em até US$ 1,1 milhão. Assim, os contratos somam entre US$ 37,2 milhões por ano.

Marcas que patrocinam Mbappé

  • Nike: principal parceira esportiva de Mbappé, a empresa acompanha o jogador desde as categorias de base e utiliza sua imagem em produtos, chuteiras e campanhas esportivas.
  • Hublot: a relojoaria de luxo utiliza Mbappé como embaixador para conectar suas campanhas ao futebol e ao mercado de relógios de alto padrão.
  • Oakley: a marca trabalha com o jogador em ações ligadas a óculos, esporte e estilo.
  • Dior: a grife de luxo anunciou Mbappé como embaixador em 2025. O jogador também participou da coleção Dior Summer 2026.
  • Accor/ALL: o grupo de hotelaria trabalha com Mbappé em campanhas ligadas ao programa ALL Accor. Em 2025, o jogador foi o rosto da campanha “Don’t be a Guest, be a Guest Star”.
  • Fairmont: a marca de hotelaria de luxo do grupo Accor lançou, em 2026, uma campanha global de bem-estar com Mbappé como embaixador.
  • Sorare: a plataforma de fantasy game e cards digitais tem Mbappé como embaixador, investidor e parceiro de impacto social.
  • Alan: a empresa francesa de saúde e seguros digitais tem Mbappé como investidor e embaixador em campanhas ligadas à prevenção, ao sono, à nutrição e à saúde mental.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Volkswagen sob pressão: investidores cobram avanço da reestruturação diante da ofensiva chinesa em elétricos

18 de Junho de 2026, 10:53

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, enfrenta pressão crescente dos acionistas para demonstrar que sua reestruturação avança com rapidez suficiente, enquanto o corte profundo nas projeções da BMW amplia as preocupações sobre as perspectivas da indústria automotiva alemã.

Na assembleia anual da VW, realizada nesta quinta-feira (18), investidores questionam se os esforços dos últimos três anos sob a liderança de Blume são suficientes diante da reorganização do setor impulsionada pelos campeões de veículos elétricos da China. Em jogo está a capacidade da maior montadora da Europa de financiar seu futuro e manter o pagamento de dividendos que sustenta sua atratividade para investidores.

“Sem uma reestruturação decisiva, a Volkswagen corre o risco de um declínio gradual”, afirmou Tanja Bauer, especialista em sustentabilidade e governança corporativa da Deka Investment, uma das maiores gestoras de fundos da Alemanha. Os acionistas precisam de “um modelo de negócios que volte a gerar retornos de forma confiável”.

Embora Blume possa apontar avanços, como a redução dos custos de desenvolvimento e a liderança em vendas de veículos elétricos na Europa, as mudanças têm gerado atritos com trabalhadores e também dentro da própria governança da empresa. A ex-CEO da Renk, Susanne Wiegand, anunciou nesta quinta-feira que deixará o conselho de supervisão menos de um ano após assumir o cargo.

A saída ocorre em um momento sensível, no qual o conselho avalia a venda de uma unidade de motores marítimos que pode ser avaliada em €8 bilhões (cerca de US$ 8,7 bilhões) ou mais. A decisão também reduz a presença de vozes industriais externas em um momento em que a montadora lida com preocupações de investidores sobre governança e estratégia.

Além das disputas internas, a VW ainda enfrenta tarifas dos EUA, fraqueza persistente na China e sua própria complexidade estrutural, levando Blume a buscar novos cortes e simplificações.

A projeção da Volkswagen — que atualmente prevê margem operacional de pelo menos 4% neste ano — está sob pressão após a BMW reduzir fortemente suas expectativas de rentabilidade, para até 1%. A rival de luxo da Porsche e da Audi atribuiu o corte à queda na China e à demanda mais fraca em outros mercados, em meio às tensões no Oriente Médio.

China

A China é a principal preocupação. As vendas de carros no país caíram mais de 20% em maio, com a demanda por veículos a combustão — ainda base das receitas da VW e da BMW — recuando quase 40%. A deterioração levou analistas a revisarem para baixo as projeções anuais de vendas.

Enquanto as montadoras alemãs lançam novos produtos e parcerias, a forte concorrência local e os descontos agressivos ameaçam deixá-las fora do maior mercado automotivo do mundo.

A BMW está sendo atingida pelas mesmas pressões que afetam Volkswagen e Mercedes-Benz, levantando dúvidas sobre o modelo de negócios do setor e sua viabilidade de longo prazo. As três empresas vêm cortando empregos e reduzindo capacidade produtiva.

O corte “radical” de lucros é um “alerta para a indústria automotiva”, afirmou o analista do JPMorgan José Asumendi.

Na Volkswagen, Blume promove mudanças relevantes, incluindo a tentativa de venda da unidade de motores marítimos Everllence e a saída de cerca de 28 mil trabalhadores. A empresa também reduziu sua capacidade de produção de 12 milhões para cerca de 9 milhões de veículos por ano.

No entanto, o mundo também mudou. Marcas como Audi e Porsche estão especialmente expostas às tarifas dos EUA, já que importam todos os veículos vendidos no país.

A meta de margem da VW — atualmente de 4% a 10% até 2030 — enfrenta dificuldades adicionais após o corte das projeções da BMW. Para alcançá-la, Blume precisa simplificar um grupo que reúne marcas de massa, luxo, serviços financeiros, software e caminhões, cuja escala antes era vantagem competitiva, mas agora se tornou um peso.

A complexidade também se reflete no portfólio: mais de 150 modelos de veículos, com sobreposição significativa entre marcas como VW, Skoda, Seat e Audi.

Apesar disso, há um cenário otimista. A Audi acelera sua reestruturação com novos modelos e avalia produção local nos EUA para contornar tarifas. A Porsche, sob nova liderança, promete cortes de custos e uma nova estratégia para recuperar margens.

Na China, a VW tenta recuperar espaço com desenvolvimento mais rápido, engenharia mais barata e parcerias com empresas locais como Xpeng e SAIC.

Ainda assim, investidores veem com ceticismo novas promessas de transformação desde a crise do diesel, diante da dificuldade de implementar mudanças profundas na estrutura do grupo.

A governança da Volkswagen, que envolve sindicatos, políticos e a família Porsche-Piëch, é vista como um dos principais obstáculos. Para analistas, essa estrutura torna cortes mais agressivos e mudanças rápidas extremamente difíceis de serem aprovadas.

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Braskem e IG4 Capital enfrentam resistência de credores em plano de reestruturação extrajudicial

18 de Junho de 2026, 10:31

A Braskem e sua nova acionista controladora, a IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio suficiente para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial, em meio a divergências sobre tratamento desigual entre credores e falta de injeção de capital, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

A petroquímica até agora não conseguiu assegurar o apoio de credores em número suficiente para cumprir o limite legal necessário à chamada recuperação extrajudicial, que planejava pedir até julho, disseram as pessoas, que pediram anonimato para tratar de conversas privadas. A falta de acordo aumentaria as chances de uma medida cautelar contra credores, acrescentaram.

Credores resistem aos planos apresentados pela Braskem porque resultariam em tratamento desigual ao longo da estrutura de capital, com detentores de títulos de prazo mais curto recebendo condições mais favoráveis — e, portanto, enfrentando um haircut implícito menor — do que credores de prazo mais longo, segundo as pessoas. Alguns credores também manifestaram preocupação com as garantias oferecidas e com a ausência de uma opção para converter dívida em ações, acrescentaram.

Detentores de dívida também reclamam que os acionistas da Braskem não estão aportando dinheiro novo na companhia, disseram as pessoas. A Petrobras detém uma participação minoritária significativa na Braskem, enquanto a IG4 assumiu recentemente a fatia de controle da Novonor SA. Tanto a Petrobras quanto a IG4 têm resistido a injetar mais capital, o que credores suspeitam ocorrer porque ambas temem medidas que poderiam diluir suas participações, disseram as pessoas.

Braskem e IG4 não quiseram comentar. A Petrobras não respondeu a pedidos de comentário.

O caixa da Braskem encolheu após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos difíceis de preços deprimidos no setor petroquímico. A companhia apresentou aos credores um potencial plano de reestruturação que inclui alongamento dos vencimentos da dívida, redução do pagamento de cupons e períodos de carência mais longos, disse uma pessoa familiarizada com o assunto no início deste mês. O plano não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações, segundo a pessoa.

A gigante petroquímica brasileira precisa do apoio de um terço dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial.

*Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski da Bloomberg

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Suíça perde liderança e deixa de ser a economia mais competitiva do mundo

18 de Junho de 2026, 09:34

A Suíça perdeu sua posição como a economia mais competitiva do mundo para Singapura, caindo para o terceiro lugar no ranking, à medida que as elevadas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a valorização do franco suíço prejudicaram os fluxos de investimento.

Embora tenha permanecido como o país europeu mais bem colocado, a Suíça também foi ultrapassada por Hong Kong no Ranking Mundial de Competitividade 2026 do IMD, divulgado nesta quinta-feira (18). A eficiência empresarial foi o principal fator para que Singapura retornasse ao primeiro lugar, posição que havia ocupado pela última vez em 2024.

O IMD afirmou que a queda da Suíça mostra como até mesmo as economias mais fortes do mundo permanecem vulneráveis às mudanças nos fluxos de capital e ao aumento das incertezas geopolíticas. O revés ocorre em um momento em que o país enfrenta concorrência crescente: segundo o Boston Consulting Group, Hong Kong recentemente ultrapassou a Suíça como o maior centro mundial de gestão de fortunas transfronteiriças.

“Com uma moeda cara, vemos claramente uma deterioração nos rankings de preços, o que prejudica a atração de capital”, afirmou Arturo Bris, diretor do Centro Mundial de Competitividade do IMD. “E observamos a maior queda justamente na atração de investimento estrangeiro; o desempenho da Suíça foi significativamente inferior.”

Os fluxos de investimento direto estrangeiro para a Suíça passaram para um saldo negativo de US$ 60,7 bilhões, colocando o país na última posição entre as 70 economias avaliadas pelo IMD nesse indicador. Segundo a instituição, o movimento pode refletir ajustes de avaliação de ativos e repatriação de capital, e não necessariamente uma mudança estrutural permanente.

Parte desses fluxos é volátil e reflete investimentos em instituições financeiras e empresas holdings, explicou Ivo Germann, diretor de Assuntos Econômicos Externos da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça.

“A Suíça enfrenta desafios, como muitos outros países, em um ambiente geopolítico cada vez mais instável, que precisará enfrentar nos próximos anos”, disse Germann. “Diante das tendências protecionistas e do enfraquecimento do sistema multilateral de comércio, o país deve continuar melhorando e diversificando seu acesso aos mercados estrangeiros por meio da agenda de acordos de livre comércio, que foi muito bem-sucedida no passado.”

Nos últimos 12 meses, a reputação da Suíça como refúgio de estabilidade política e econômica teve de conviver com debates internos importantes, incluindo referendos sobre limitar a população do país a 10 milhões de habitantes e a proposta de um imposto de 50% sobre heranças para residentes super-ricos.

A pequena nação, sede de instituições financeiras como UBS Group AG e da gigante alimentícia Nestlé SA, também entrou na mira do governo do presidente americano Donald Trump devido ao seu elevado superávit comercial com os Estados Unidos. O país chegou a receber a maior tarifa entre as economias ocidentais durante certo período, o que prejudicou o sentimento em relação ao setor privado suíço, segundo Bris.

“As tarifas certamente afetam mais os países pequenos e relativamente isolados, e a Suíça é uma vítima disso”, afirmou.

O relatório também destacou desafios no mercado de trabalho e no ambiente empresarial suíço. A remuneração de profissionais altamente qualificados, a participação feminina em cargos de gestão e a atividade empreendedora em estágio inicial foram apontadas entre os indicadores de pior desempenho do país.

Apesar da queda no ranking geral, a Suíça manteve a liderança mundial em eficiência governamental e infraestrutura, enquanto a eficiência empresarial permaneceu na sexta posição.

O IMD ressaltou que seus indicadores estatísticos são baseados principalmente em dados macroeconômicos de 2025 e ainda não incorporam integralmente os impactos da guerra envolvendo o Irã.

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Exclusões de Palmer e Luna da Copa mostram riscos do marketing esportivo

18 de Junho de 2026, 09:08

Quando a Nike revelou um anúncio de seis minutos para a Copa do Mundo, a atenção se concentrou no elenco que reunia estrelas do futebol como Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé ao lado de celebridades como Kim Kardashian.

Mas uma participação em Rip the Script, vídeo que já acumulou 76 milhões de visualizações no YouTube, chamou atenção por outro motivo. Por volta dos quatro minutos de duração, Cole Palmer aparece driblando com a camisa da Inglaterra, apesar de não ter sido convocado para a seleção do país. Sua ausência evidencia os desafios do marketing esportivo.

“É um tiro no escuro”, disse Bob Dorfman, profissional de marketing esportivo da região da Baía de São Francisco.

As marcas gastam milhões de dólares criando campanhas para grandes eventos esportivos em torno de atletas. No entanto, como a produção é feita com muita antecedência, os profissionais de marketing precisam fazer apostas calculadas sobre quem chegará ao maior palco do esporte.

Ao longo dos anos, houve diversas apostas equivocadas. Talvez o caso mais famoso tenha ocorrido em 1992, quando a campanha olímpica “Dan and Dave”, amplamente promovida pela Reebok, foi prejudicada depois que o decatleta Dan O’Brien não conseguiu se classificar para os Jogos de Barcelona.

Os profissionais de marketing também apostaram no meio-campista Diego Luna para ter papel de destaque na seleção dos Estados Unidos, que disputa uma Copa do Mundo em casa pela primeira vez em três décadas. A Nike o colocou em evidência na apresentação do novo uniforme da seleção americana, e o Bank of America o destacou em um comercial antes do torneio.

Mas, assim como Palmer, Luna ficou fora da lista final de convocados, anunciada no fim do mês passado, em uma decisão que a revista Sports Illustrated classificou como “surpreendente”.

Luna vinha sendo preparado para ser um dos rostos da seleção americana nesta Copa do Mundo, mas acabou não integrando o elenco.

Em comunicado, um porta-voz da Nike não comentou especificamente os casos de Palmer e Luna, mas afirmou que a empresa acredita que o esporte pode inspirar as pessoas “não porque todos os atletas vencem, mas porque ousam tentar”.

O Bank of America não respondeu aos pedidos de comentário.

Os riscos para as marcas são especialmente elevados nesta Copa do Mundo porque o torneio está sendo realizado em conjunto pelos Estados Unidos, maior economia de consumo do mundo. Tanto a Nike quanto sua rival Adidas vêm enfrentando dificuldades nos últimos anos para retomar o crescimento, e a competição representa uma grande oportunidade para conquistar consumidores.

As grandes marcas tentam reduzir os riscos de um atleta não ser convocado, sofrer uma lesão ou decepcionar dentro de campo investindo em vários jogadores ao mesmo tempo.

Adidas

Assim como a Nike, a Adidas utiliza diversas estrelas em sua campanha para a Copa. O vídeo de cinco minutos Backyard Legends reúne o ator Timothée Chalamet e jogadores como Lionel Messi, Jude Bellingham e Trinity Rodman.

“Não vejo muitas grandes marcas colocando todos os ovos na mesma cesta”, afirmou Jim Andrews, consultor de patrocínios e fundador da A-Mark Partnership Strategies. “Seria arriscado demais, especialmente em uma Copa do Mundo, quando marcas globais tentam atingir uma audiência global.”

A diversificação não é a única estratégia para enfrentar a volatilidade do esporte. Muitos atletas são contratados por sua relevância cultural fora dos campos. No caso de Luna, ele também é um conhecido defensor da saúde mental, característica que pode torná-lo um parceiro atraente para marcas.

Além disso, muitos esportistas assinam contratos de patrocínio de longo prazo, que vão além de um único ciclo de torneios, ajudando a reduzir o impacto de eventuais decepções esportivas. Messi possui um acordo vitalício de marketing com a Adidas, enquanto Ronaldo mantém um contrato semelhante com a Nike.

Meses atrás, o técnico da seleção masculina dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, já havia alertado que as decisões de publicidade ligadas à Copa não eram um indicativo de quem seria convocado.

“Os jogadores que hoje estão na lista não podem pensar que estarão na convocação final”, afirmou Pochettino em março, antes de partidas preparatórias para a Copa. “Talvez tiremos algumas fotos e preparemos materiais de marketing porque esta é a última oportunidade para fazer esse tipo de trabalho.”

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Bitcoin e criptomoedas recuam após Fed manter juros nos EUA

18 de Junho de 2026, 08:24

O bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas recuam nesta quinta-feira (18), após a decisão de política monetária dos Estados Unidos. Na quarta-feira (17), o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, como já era esperado pelo mercado.

Juros elevados costumam pressionar ativos de risco, como criptomoedas e ações. Isso porque tornam os títulos do Tesouro americano (as famosas Treasuries) mais atraentes para investidores em busca de retornos com menor risco.

Por volta das 8h desta manhã, o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 64 mil, com queda de 0,88%. O ethereum (ETH) recuava cerca de 1%, para a faixa dos US$ 1.700, enquanto o XRP (XRP) caía 2,09%, para US$ 1,16.

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Juros vão cair?

Mais importante do que a decisão em si era o tom adotado pelo Fed após a reunião. O mercado queria saber se o banco central americano daria alguma pista sobre cortes de juros ainda neste ano. Mas o recado foi outro.

O Fed reforçou as preocupações com a inflação e esfriou as apostas de flexibilização da política monetária. Agora, investidores já trabalham com a possibilidade de os juros permanecerem elevados por mais tempo e até de novas altas nos próximos meses.

A alta dos preços da energia, impulsionada pela valorização do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio, é um dos fatores que seguem no radar.

O cenário é bem diferente do observado no fim do ano passado, quando parte do mercado acreditava que os Estados Unidos poderiam promover dois ou até três cortes de juros ao longo de 2026.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,88%, US$ 64.121,74

Ethereum (ETH): -1,06%, US$ 1.746,63

BNB (BNB): -1,86%, US$ 590,29

XRP (XRP): -2,09%, US$ 1,16

Solana (SOL): -0,86%, US$ 71,44

Outros destaques do mercado cripto

Críticas à norma da CVM. Uma das resoluções mais usadas pelas empresas que emitem tokens no Brasil é a CVM 88, criada originalmente para regular o crowdfunding. A Comissão de Valores Mobiliários quer modernizar essa norma – uma demanda antiga do setor. Nem todo mundo, porém, gostou das mudanças propostas. Alguns participantes do mercado avaliam que as alterações podem aumentar custos e tornar as operações mais complexas, o que poderia dificultar o avanço da tokenização no país.

Baleias estão comprando bitcoin. Enquanto parte dos investidores reduziu a exposição ao bitcoin após a postura mais dura do Fed, as chamadas “baleias” fizeram o movimento contrário. Segundo dados da Santiment, carteiras com pelo menos 1.000 BTC aumentaram suas posições e agora controlam a maior quantidade de moedas desde março. O movimento reforça um padrão observado nas últimas semanas: grandes investidores seguem acumulando BTC mesmo em momentos de incerteza no mercado.

Os bilhões em bitcoin da SpaceX. A estreia da SpaceX na Nasdaq, na semana passada, chamou atenção pela captação bilionária, mas um detalhe passou mais despercebido: a empresa revelou ter 18.712 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 1,3 bilhão. Diferentemente de companhias como a Strategy (a maior tesouraria cripto do mundo), que têm o BTC como foco principal, a companhia de Elon Musk mantém moedas digitais como uma reserva estratégica de caixa.

Por que o mercado de motos de R$ 30 mil está em forte expansão?

18 de Junho de 2026, 06:45

O mercado brasileiro de motos está mudando. Marcas indianas e chinesas ocupam o espaço entre R$ 20 mil e R$ 40 mil, incomodando gigantes como Honda e Yamaha. Neste vídeo, o repórter Greg Prudenciano explica a estratégia dessas montadoras, o peso do polo de Manaus e o futuro dessa disputa. Dê o play e confira!

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Porta se fechou e BC vai interromper corte da Selic em agosto, projeta Silvia Matos, da FGV

18 de Junho de 2026, 06:20

O ciclo de cortes de juros do Banco Central pode ter durado só três reuniões. Se o Comitê de Política Monetária (Copom) realmente alcançou o limite das reduções da Selic na reunião desta quarta-feira (17) terá sido o menor ciclo de diminuições desde junho de 2002, quando a autoridade fez apenas um recuo, pausou o ciclo e, depois, teve que subir a taxa básica.

A avaliação que começa a se tornar consensual no mercado é a de que a porta dos cortes se fechou mesmo com o acordo para encerrar a Guerra do Irã. Se a pausa ou, eventualmente, o próprio fim do ciclo de queda da Selic se concretizar, há um impacto significativo sobre os investimentos.

A coordenadora do boletim Macro da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Silvia Matos, acredita que o BC, na verdade, só tinha duas opções sobre a mesa: parar o ciclo agora ou cortar mais uma vez e interromper as quedas na próxima reunião, que foi a visão que prevaleceu.

Isso diante de um cenário que se deteriorou e que agora combina pressões crescentes de altas de preços, desancoragem acentuada das expectativas de inflação futura – ou seja, na média, boa parte do mercado já não acredita que a inflação vai ficar dentro da meta no futuro -, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

É um cenário que o próprio BC reconheceu no comunicado que acompanhou a decisão de juros, em que cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

Pressão sobre a Selic

“E nem mesmo quando colocamos a perspectiva de crescimento do PIB para este ano o cenário é positivo para a política monetária. Isso porque esse avanço está apoiado em crescimento do consumo das famílias e do próprio governo, com peso maior para o setor de serviços. Ou seja, uma combinação desfavorável para a busca do equilíbrio de preços”, ressalta Silvia Matos, da FGV.

A economista avalia que o BC não tem mais espaço para cortar juros, “porque a política monetária está sendo pressionada pela política fiscal”. Para ela, o Copom vai interromper o ciclo de redução da Selic a partir de agosto.

A especialista ressalta que vários choques de oferta ainda vão ocorrer e que o nível atual dos juros no mercado, mesmo em nível elevado, não colocou no preço esses eventos.

“Nós sabemos que tem mais choque de oferta pela frente, não é só da guerra. Temos, por exemplo, os efeitos climáticos sobre alimentos e energia. E, como a economia ainda cresce, ainda tem espaço para repassar essa inflação vinda desses choques.”

Para Matos, outro fator que restringe o espaço para mais cortes vem das eleições. A coordenadora macro da FGV/Ibre diz ver os efeitos da votação em outubro ainda em seu início.

“O mercado ainda está começando a precificar as eleições e, neste ano, a corrida será especialmente competitiva”, avalia a especialista, em referência ao fato de que os gastos públicos aceleram nesses períodos.

Diante de um crescimento das despesas do governo, “o quadro fiscal vai continuar sendo uma questão importante no resto do ano, então as curvas de juros futuras vão continuar pressionadas mesmo se o cenário externo melhorar”.

O economista do ASA Leonardo Costa também enxerga a possibilidade de a decisão do BC na quarta ter representado uma pausa do ciclo de cortes. No entanto o especialista acredita que a autoridade deixou uma porta aberta para retomar as quedas – se o cenário melhorar até agosto.

Conforme Costa, “nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião, em 14,25%, contudo abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”.

Acesso a clientes corporativos e mais: o que Musk enxergou na Cursor e o fez pagar US$ 60 bilhões

18 de Junho de 2026, 06:20

Elon Musk admitiu que a SpaceX fica atrás de rivais como OpenAI, Anthropic e até mesmo Google e modelos chineses de código aberto na corrida da inteligência artificial.

Ele agora tem um caixa de guerra de US$ 86 bilhões para ajudar a mudar isso. E o primeiro alvo é conseguir clientes corporativos que Musk espera que estejam dispostos a pagar grandes quantias para ter acesso às ferramentas e ao poder de computação da SpaceX.

A SpaceX fechou um acordo inteiramente em ações, no valor total de US$ 60 bilhões, para comprar o agente de codificação autônoma Cursor, uma startup de São Francisco que criou um produto usado pelos maiores laboratórios de IA e por empresas como Nvidia, British Airways e Deloitte.

A SpaceX se reestruturou nos últimos meses em torno do desejo de expandir suas capacidades de IA. Adquiriu a empresa controlada por Musk, a xAI, no início deste ano, o que trouxe para o grupo o assistente de chat Grok e o site de mídia social X (ex-Twitter), além de grandes data centers.

Em abril, a SpaceX disse que havia garantido a opção de comprar a Cursor. O grande prêmio que vem com a compra agora: um fluxo confiável de receita.

Antes de a SpaceX concluir a maior oferta pública inicial de todos os tempos no início de junho, Musk vendeu aos investidores sua visão de uma IA capaz de levar humanos para além da Terra e “permitir que a humanidade entenda o universo”.

Na terça-feira (16), ele exaltou o potencial da IA de eventualmente escrever e depurar código melhor do que qualquer humano.

“A IA alcançará programação no nível do Stockfish e uso generalizado de computadores”, disse Musk sobre o acordo com a Cursor, fazendo referência a um popular motor de xadrez capaz de derrotar os melhores jogadores humanos.

A SpaceX recentemente começou a alugar a capacidade de seus data centers para rivais como Anthropic e Google para gerar receita — uma estratégia oportuna, já que toda a indústria de IA enfrenta uma escassez de computação. Os negócios anunciados podem gerar US$ 26 bilhões por ano em receita entre 2027 e 2029.

A SpaceX também delineou planos de aumentar as contratações para atender às ambições de IA de Musk.

Durante reuniões pré-IPO com investidores em abril, executivos da SpaceX disseram que a empresa expandiria a equipe de vendas corporativas da xAI, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Musk: decifrando o código

A Cursor compete com o Claude Code, da Anthropic, e com o Codex, da OpenAI, com uma ferramenta de desenvolvimento de software que ajuda empresas a escrever códigos mais rapidamente.

O produto dela permite que desenvolvedores alternem entre diferentes modelos de IA para autocompletar, editar e revisar linhas de código.

A empresa cresceu a um ritmo vertiginoso. Em 2025, as vendas anualizadas da empresa — uma extrapolação da receita dos próximos 12 meses com base nas vendas recentes — saltaram de US$ 100 milhões para US$ 1 bilhão. No início de junho, esse número disparou para US$ 4 bilhões, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Mais da metade da receita da Cursor vem de clientes corporativos, e a Cursor espera continuar a se associar a outros provedores de modelos de IA, disse uma pessoa próxima da empresa.

O preço de compra da Cursor foi mais que o dobro da sua avaliação de US$ 29,3 bilhões em uma rodada de financiamento em novembro passado.

A aquisição pela SpaceX pode ajudar a preencher uma lacuna de liderança na xAI, já que Musk disse que a empresa precisava ser “reconstruída desde as fundações”.

A xAI demitiu funcionários, incluindo sua equipe fundadora. O CEO da Cursor, Michael Truell, é visto como uma estrela em ascensão na indústria de IA, em que a competição por talentos de ponta é acirrada.

“Tem muita coisa para fazer juntos. Animado para unir forças com a @SpaceX para construir IA útil”, escreveu Truell no X.

Quinto colocada na corrida da IA

Falando do banco das testemunhas em uma segunda ação judicial civil contra a OpenAI no mês passado, Musk classificou os principais modelos de IA, o que deixou explícito quanto trabalho a xAI tem pela frente para alcançar os rivais.

“A Anthropic seria atualmente a número um; a OpenAI seria a segunda maior; o Google provavelmente seria o terceiro maior; os modelos chineses de código aberto provavelmente seriam o quarto”, disse ele. “E a xAI seria a quinta.”

Embora a SpaceX domine – em seus negócios principais – de lançamentos de foguetes e internet via satélite (com a Starlink), a xAI estava perdendo dinheiro e tinha poucos clientes quando foi adquirida.

Um cliente-chave de IA, o Pentágono, tem enfrentado conflitos internos sobre a segurança do chatbot Grok da empresa, publicou o Wall Street Journal.

Esse é um problema muito grande, considerando o volume de investimento necessário para treinar modelos de IA, contratar engenheiros e construir infraestrutura de computação.

No ano passado, o negócio de IA gerou US$ 3,2 bilhões em receita, mas registrou US$ 6,4 bilhões em prejuízo, de acordo com documentos apresentados à Securities and Exchange Commission (SEC).

Os prejuízos também se acumularam no primeiro trimestre. O negócio gerou US$ 818 milhões em receita e US$ 2,5 bilhões no vermelho.

Também há limites sobre quanto a SpaceX pode gastar do caixa arrecadado no IPO em iniciativas de IA.

Parte dos recursos do IPO irá para pagar US$ 20 bilhões em dívidas de um empréstimo-ponte que a empresa contraiu em março. A SpaceX também anunciou bilhões de dólares em novos projetos, incluindo pelo menos US$ 55 bilhões para construir uma fábrica de chips no Texas, e planeja comprar espectro para o seu serviço Starlink.

Ainda assim, na visão de Musk, a oportunidade de mercado em IA é grande demais para ser ignorada. A SpaceX disse aos investidores antes do IPO que os produtos e serviços da empresa miram um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões, que ela considerou o maior “da história humana”.

Produtos de IA representaram US$ 26,5 trilhões do total, e aplicações corporativas compunham a maior parte dos produtos de IA.

Analistas da Morningstar questionaram como a SpaceX calculou seu mercado potencial e estimaram que a avaliação implícita da empresa está bem abaixo dos níveis atuais de negociação.

Outros bancos, incluindo o Goldman Sachs e o Morgan Stanley — que ajudaram a coordenar o IPO da SpaceX — projetaram que a SpaceX estava pronta para um crescimento substancial impulsionado por IA. Ambas as firmas estimaram que a receita da SpaceX ficaria perto de 160 bilhões de dólares em 2028, mais de oito vezes os níveis de 2025.

Produtos da Apple vão ficar mais caros. Quem avisa é o CEO

18 de Junho de 2026, 06:01

A Apple planeja aumentar os preços de seus produtos para compensar a disparada nos custos de chips de memória e armazenamento, disse o CEO Tim Cook em entrevista exclusiva ao The Wall Street Journal.

“Infelizmente, os aumentos de preço são inevitáveis”, afirmou. “Estamos fazendo o máximo para atenuar os enormes reajustes que estão sendo repassados a nós, e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável.”

Cook não deu detalhes sobre o prazo ou a magnitude dos aumentos previstos, nem sobre quais produtos serão afetados. O próximo grande lançamento da Apple deve ocorrer em setembro, com a linha iPhone 18, que deve incluir um novo modelo dobrável.

Reajustes para Macs e iPads podem vir antes disso. No mês passado, a empresa aumentou o preço inicial do Mac Mini fora do calendário habitual de lançamentos.

A demanda explosiva por chips de memória e armazenamento por parte de empresas de inteligência artificial elevou tanto os custos que a Apple precisaria repassar aumentos substanciais ao consumidor para preservar suas margens de lucro.

iPhone Air (Foto: Bloomberg)
iPhone Air vai ganhar versão com mais uma câmera traseira (Foto: Bloomberg)

Segundo estimativas da consultoria TechInsights, manter a margem atual no próximo iPhone Pro exigiria um acréscimo de cerca de US$ 270 ao preço do aparelho.

Chips de memória e armazenamento são componentes essenciais em praticamente todos os dispositivos eletrônicos — smartphones, laptops, consoles de videogame, equipamentos médicos e até automóveis. Mas agora os servidores de IA consomem volumes cada vez maiores desses componentes, deixando até uma empresa do porte da Apple em dificuldades para garantir fornecimento.

Desde o ano passado, quando Google, Microsoft, Meta e Amazon anunciaram aumentos expressivos em seus orçamentos de investimento em capital, os preços de chips de memória e armazenamento quadruplicaram. A TechInsights projeta que ambos sigam subindo até 2027.

A memória — chamada de DRAM — e o armazenamento — conhecido como NAND — funcionam como elementos de um escritório do século passado: a memória é a mesa de trabalho, que mantém à mão tudo o que o funcionário precisa para realizar uma tarefa; o armazenamento é o arquivo, onde fica guardado todo o restante. Nos smartphones, a memória DRAM roda os aplicativos em uso; o armazenamento NAND guarda fotos e vídeos, por exemplo.

Cook disse que os preços de memória e armazenamento são problemas para a empresa, mas concentrou suas críticas no mercado de DRAM, citando o crescimento das alocações destinadas à chamada memória de alta largura de banda, usada em servidores de IA.

“Há menos oferta num momento em que os consumidores querem dispositivos, e os fabricantes de memória estão repassando aumentos enormes”, disse Cook. “Precisamos que os preços e o fornecimento de memória voltem a níveis razoáveis para os produtos de consumo. É isso.”

Corrida por chips deixa Apple na fila

Três empresas dominam o mercado de DRAM: Samsung e SK Hynix, da Coreia do Sul, e Micron, dos Estados Unidos. No segmento de NAND, atuam essas mesmas três companhias, além de Kioxia e Sandisk. As ações dessas empresas — assim como seus lucros — dispararam nos últimos doze meses: os papéis de Micron e SK Hynix subiram mais de 800%, enquanto Kioxia e Sandisk acumulam alta de 4.600%.

As fabricantes de memória estão construindo novas fábricas: o Morgan Stanley prevê que a capacidade de produção de wafers de DRAM — os discos de silício nos quais os chips são gravados — crescerá 30% até 2027. Ainda assim, como os fornecedores priorizam a memória especializada para IA, os wafers destinados à eletrônica de consumo devem ficar até 15% abaixo da demanda, estima o banco.

A China tem campeões nacionais no setor de memória e armazenamento, mas restrições de segurança nacional exigiriam que empresas americanas obtivessem licenças para trabalhar com elas. Questionado se essas restrições deveriam ser flexibilizadas, Cook respondeu: “Acho que tudo precisa estar na mesa”, acrescentando: “Devemos analisar toda a oferta disponível.”

Outras empresas de PCs, consoles e smartphones já anunciaram reajustes, entre elas Hewlett-Packard, Dell e Nintendo. Um consórcio de associações do setor enviou recentemente uma carta aos secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick, reclamando da superalocação de memória para compradores de IA e pedindo ajuda para ampliar a oferta.

O Morgan Stanley estima alta de 15% nos preços de smartphones e PCs nos Estados Unidos neste ano. O impacto no índice de inflação ao consumidor deve ser limitado, já que esses produtos têm peso pequeno na cesta. Ainda assim, qualquer reajuste no popular iPhone tende a chamar atenção em Washington.

O problema é agravado pela necessidade da Apple de mais memória DRAM para suportar novos recursos de IA, incluindo uma versão reformulada da Siri anunciada na semana passada. A empresa também tem o hábito de usar upgrades de armazenamento NAND para turbinar os lucros, cobrando de US$ 100 a US$ 200 por incrementos adicionais que custam uma fração disso.

Na entrevista, Cook disse que a Apple está disposta a usar suas reservas de caixa para ajudar a ampliar a oferta de memória. “Estamos dispostos a usar nosso balanço para fazer parte da solução”, afirmou. “Claramente, mais capacidade é necessária.”

Cook não deu detalhes. Ainda não está claro como a Apple poderia igualar — quanto mais superar — as condições oferecidas pelas grandes empresas de nuvem para garantir suprimentos. Essas companhias estão firmando contratos de três a cinco anos com enormes adiantamentos em dinheiro, o que a Apple dificilmente toparia, dada sua longa tradição de disciplina financeira.

Cook descartou usar o caixa e o conhecimento da empresa em semicondutores para construir suas próprias fábricas de memória e armazenamento. “Não podemos fazer tudo”, disse. “Sabemos no que somos bons.”

A Apple gasta algumas dezenas de bilhões de dólares por ano em memória e armazenamento, segundo pessoas familiarizadas com seus custos, o que a torna uma das maiores clientes do mundo nesse mercado.

Historicamente, a empresa usou esse peso para arrancar os menores preços dos fornecedores, jogando uns contra os outros e deixando-lhes pouca margem de lucro. Com a chegada das empresas de IA ao mercado, a Apple passou a ter de esperar na fila.

Cook disse que, em toda a sua trajetória na cadeia de fornecimento de eletrônicos — da IBM à Compaq até a Apple —, nunca havia visto uma oscilação de preços de commodities como a dos últimos seis meses. “Isso é uma enchente centenária”, afirmou. “Nunca vi nada parecido em nenhuma área em mais de 40 anos.”

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Da Equatorial à PetroReconcavo: a ascensão discreta do Opportunity, de Daniel Dantas

18 de Junho de 2026, 06:00

Poucas empresas têm demonstrado tanto apetite por novos negócios nos últimos anos como a Equatorial. O grupo de energia criado no fim dos anos 1990 e pouco conhecido fora do mercado financeiro até meados de 2024 transformou-se em pouco tempo em uma gigante do saneamento.

Em menos de dois anos, a Equatorial investiu cerca de R$ 12,5 bilhões para vencer os leilões de privatização da Sabesp e da Copasa, tornando-se acionista de referência das estatais de água e esgoto de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente.

A ascensão da Equatorial tem a digital do Opportunity, dono da maior fatia individual. A gestora – fundada em 1994 como banco pelo empresário baiano Daniel Dantas, sua irmã Verônica e Dorio Ferman – possui 10% da empresa, que opera como corporation, ou seja, sem um controlador definido.

É hoje sua aposta de maior visibilidade pública, em uma fase low profile do Opportunity. Longe dos holofotes há mais de uma década, a gestora segue presente em algumas das maiores operações do mercado brasileiro.

O Opportunity conta com mais de 230 veículos de investimentos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com levantamento feito pelo InvestNews.

A casa mantém até hoje uma das maiores carteiras de equity do país, com posições em nomes como Energisa, na distribuição de energia, e Alupar, na transmissão. Está também envolvida no processo de recuperação judicial da Ambipar, da qual tornou-se uma das acionistas em 2023.

Procurada pelo InvestNews, a gestora não concedeu entrevista.

Tiago Noel, o chefe do private equity da gestora, é hoje o principal representante do Opportunity em suas investidas. O executivo ocupa cadeira no conselho de administração da Equatorial e, desde março, preside o conselho da PetroReconcavo. Foi conselheiro da Sabesp até o início deste ano.

Além do envolvimento em grandes investimentos, a gestora dos Dantas também realiza movimentos de saída.

Em setembro de 2024, vendeu a fatia de 48% que tinha na Santos Brasil, da qual era acionista desde 1997: a dona do Tecon Santos, principal terminal de contêineres do país, foi vendida à francesa CMA CGM por R$ 6,3 bilhões, em uma das maiores transações do setor portuário dos últimos anos.

Ascensão nas privatizações

A presença do Opportunity em grandes negócios vem de longa data. Nos anos 1990, pouco após sua criação, a casa fundada pelos irmãos Dantas e por Ferman esteve em três leilões emblemáticos das privatizações que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Em maio de 1997, integrou o Consórcio Brasil, que arrematou o controle da então Vale do Rio Doce (hoje Vale), ao lado de CSN, do fundo de pensão Previ e do americano Nations Bank.

Em setembro do mesmo ano, liderou outro consórcio na compra do Tecon, no porto de Santos, por US$ 250 milhões. Os parceiros eram a Multiterminais, da família Klien, tradicional operadora carioca de logística portuária, e os fundos de pensão Previ, Sistel e Funcef. O ativo deu origem à Santos Brasil.

Já em 1998, esteve presente no leilão da Telebrás, em que o consórcio comandado pelo Opportunity arrematou a operadora Tele Centro Sul, depois renomeada Brasil Telecom, por cerca de R$ 2 bilhões. A casa detinha apenas 3,3% do capital, mas controlava a gestão graças a um acordo de acionistas.

Os anos 2000 foram um momento da ascensão mas também de controvérsias.

O Opportunity iniciou a década em disputa com a sócia Telecom Italia. Os italianos entraram no capital da Brasil Telecom ainda em 1999 e brigaram com Dantas pelo controle da operadora em tribunais de São Paulo, Nova York e Milão, em meio a acusações cruzadas de espionagem.

A tele italiana foi forçada a sair em 2005, o que abriu caminho para a fusão da Brasil Telecom com a Telemar, três anos depois, no acordo que criou a supertele Oi, uma das chamadas “campeãs nacionais” que marcaram os primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência (2003-2010).

Em abril de 2008, o Opportunity tinha saído da Brasil Telecom com cerca de US$ 1 bilhão, no acordo que criou a Oi. Naquele momento, a casa administrava perto de R$ 18 bilhões em ativos, e Dantas era um dos nomes mais notórios do mercado financeiro.

Alvo da justiça

A ascensão foi interrompida em julho de 2008, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha. Daniel Dantas foi preso duas vezes em três dias, solto em ambas por habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos meses seguintes, mais de R$ 4,5 bilhões em ativos do Opportunity foram congelados em contas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, e mais de duas dezenas de fazendas da AgroSB, empresa agrícola da gestora, foram sequestradas pela Justiça.

A submersão do Opportunity e de Dantas começou a partir desse momento.

Quase três anos depois, em junho de 2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a Operação Satiagraha integralmente, apontando que as interceptações telefônicas haviam sido feitas de maneira irregular. Em junho de 2015, o STF ratificou a decisão.

Em fevereiro de 2016, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região arquivou a última ação penal e absolveu Daniel Dantas dos crimes que lhe eram imputados. Em julho daquele ano, a Justiça desbloqueou os R$ 4,5 bilhões. Nenhuma condenação contra ele transitou em julgado.

Daniel Dantas, cofundador da Opportunity
Daniel Dantas, cofundador do Opportunity: histórico de investimento em empresas (Bloomberg)

Desde janeiro de 2015, o Opportunity passou a atuar como um gestora pura, após pedir para o Banco Central cancelar sua licença bancária. Naquele ano Daniel Dantas concedeu sua última entrevista conhecida, no Festival Piauí GloboNews de Jornalismo. Falou sobre o acordo de abril de 2008 que criou a Oi, no qual aceitou entregar o controle da Brasil Telecom.

Para ele, a saída do comando da operadora encerraria as ações políticas e judiciais que sofria. Disse à plateia que entendia o acordo como a compra da própria paz, mas que, dois meses depois, foi preso na Satiagraha.

Desde então, o ex-banqueiro, que hoje mora em Londres e completa 72 anos em 2026, não voltou a dar entrevistas.

Nova tese

Na nova fase do Opportunity, a gestora passou a concentrar investimentos em empresas de serviços públicos, as chamadas utilities, além de educação básica. Três investimentos resumem o momento atual: Equatorial, PetroReconcavo e Grupo Salta.

A Equatorial é a mais antiga das três. A elétrica foi criada em 1999 pela americana PPL Global para participar do leilão de privatização da Cemar, distribuidora maranhense em situação crítica, que arrematou no ano seguinte.

Em 2004, foi reestruturada pela GP Investimentos e desde então se especializou em assumir distribuidoras estaduais com problemas operacionais, como Celpa (Pará), Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas) e Celg-D (Goiás). Mais recentemente, desde 2024, passou a investir em saneamento básico e conquistou o posto de acionista de referência de Sabesp e Copasa.

Após a reestruturação, o Opportunity passou a investir na companhia, em que detém posição há mais de uma década, comprando ações periodicamente. Em entrevista à Exame em 2022, Dorio Ferman, um dos sócios fundadores, descreveu a Equatorial como um “exemplo de boa governança”.

Em janeiro de 2025, a casa consolidou posição de 10,12% e se tornou a maior fatia individual da corporation, que tem ainda entre seus acionistas a gestora carioca Squadra, a americana BlackRock e um dos fundos soberanos de Singapura, o GIC.

É na PetroReconcavo, porém, que a Opportunity tem mais protagonismo.

Dona de 27,64% da petroleira independente criada em 1997 no Recôncavo Baiano, a casa está na empresa desde o início e divide a estrutura societária com a americana PetroSantander e o Grupo Perbras, da família fundadora Cintra Santos.

O movimento mais recente foi em educação. Em novembro, a Opportunity comprou junto com a Gera Capital uma fatia de 26% que a americana Warburg Pincus detinha no Grupo Salta, maior conglomerado privado de educação básica do país, do qual já era investidora indireta, por meio de outros fundos. A transação avaliou a empresa em R$ 5,8 bilhões.

Além das três posições principais, a Opportunity mantém 10,22% da Alupar, de transmissão de energia, e 3,93% da Energisa, distribuidora de energia que atua em 12 estados e atende cerca de 21 milhões de clientes, com forte presença no Centro-Oeste e no Norte do país.

Operação da PetroReconcavo
Operação da PetroReconcavo, um dos investimentos da Opportunity (Divulgação)

Ainda hoje a Opportunity segue com o trio Daniel Dantas, Verônica Dantas e Dorio Ferman à frente das principais decisões. Verônica responde pela área de gestão de fundos e ativos dos clientes, enquanto Ferman cuida dos investimentos do patrimônio próprio da casa, ao lado de Dantas.

João Manoel Pinho de Mello, ex-diretor do Banco Central e um dos arquitetos do Pix, voltou ao Opportunity em 2023 e é um dos principais sócios da gestora, que tem hoje mais de R$ 117 bilhões em patrimônio, mais de seis vezes o que administrava na época da Satiagraha.

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Brazilian Nickel busca investidor-âncora para mina de US$ 1,4 bilhão

17 de Junho de 2026, 19:49

A Brazilian Nickel procura um investidor-âncora para ajudar a atrair mais investimentos em participação acionária para sua planejada mina de níquel e cobalto de US$ 1,4 bilhão no Nordeste do país.

A desenvolvedora do Projeto Piauí Níquel está usando a Rothschild & Co. como assessoria financeira global para captações de dívida e equity, enquanto o banco de investimentos brasileiro Bradesco BBI presta consultoria na captação de US$ 100 milhões junto a investidores e fundos no país sul-americano, disse o diretor financeiro André Simão em uma entrevista.

A empresa também busca financiamento governamental do Canadá, da Europa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse ele.

A investida para captar recursos ocorre em um momento em que governos de todo o mundo buscam desenvolver uma cadeia de suprimentos estável de metais essenciais para a transição energética, com os preços dos materiais para baterias em alta devido ao aumento das tensões geopolíticas e às crescentes incertezas de abastecimento nos principais países produtores.

O setor de níquel na Indonésia, responsável por mais da metade da produção global, enfrenta cortes nas cotas de mineração e aumento dos custos. Enquanto isso, os preços do cobalto subiram mais de 160% desde o ano passado, após o controle de exportações imposto pela República Democrática do Congo, principal fornecedor.

A Brazilian Nickel já chamou a atenção de agências internacionais, com os países ocidentais buscando construir suas próprias cadeias de abastecimento de minerais essenciais para combater o domínio da China. A empresa de capital fechado recebeu, em 2024, uma carta da Corporação de Financiamento Internacional para o Desenvolvimento dos EUA, ou DFC, manifestando interesse em apoiar o projeto por meio de um empréstimo.

A agência de crédito à exportação do Canadá poderá fornecer US$ 275 milhões em financiamento por meio de dívida, e a Ecora Royalties, empresa especializada em royalties de minerais essenciais, poderá conceder aproximadamente US$ 62 milhões em empréstimos, afirmou o diretor financeiro.

Simão disse que o Projeto Piauí Níquel precisa de um investidor de capital âncora, como o BNDES, a DFC ou a Comissão Europeia para dar o primeiro passo, de modo que a Brazilian Nickel possa atrair cheques menores de fundos em São Paulo, Londres e Nova York.

A Brazilian Nickel, que tem como maior investidora a TechMet, empresa especializada em investimentos em minerais críticos, tem como meta produzir 28.000 toneladas de níquel e 1.000 toneladas de cobalto por ano nos primeiros 10 anos de operação, com o início da produção previsto para o primeiro semestre de 2030, segundo Simão.

Copom corta Selic em 0,25 ponto para 14,25% ao ano e endurece tom sobre inflação e expectativas

17 de Junho de 2026, 19:30

O Banco Central cortou novamente os juros, conforme amplamente esperado. Mas, apesar da queda de 0,25 ponto percentual da Selic para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (17), o comunicado trouxe um tom considerado duro para o mercado.

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que, “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

O BC reconheceu ainda que “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”.

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O comunicado citou ainda que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

Impacto da Selic para investidores

O comunicado do Copom reforça a avaliação de que o investidor brasileiro deve viver dias de ajustes pela frente. Muitas casas de análise já têm sinalizado há algum tempo: o juro brasileiro tem um espaço muito mais limitado para diminuir. E, talvez, já tenha caído tudo o que tinha para cair.

Motivos não faltam. Nos 12 meses até maio, o IPCA já superou o teto da meta de inflação do BC: o índice atingiu 4,72%, acima dos 4,50% que já inclui o 1,5 ponto de tolerância para cima dentro do intervalo da meta da autoridade, de 3,0%.

Outro argumento é que insistir em cortes adicionais em momento de deterioração inflacionária poderia colocar em xeque a credibilidade do próprio BC – e isso em um momento no qual as expectativas futuras para o IPCA estão amplamente desancoradas, ou seja, o mercado perdeu a referência sobre o que esperar das altas de preços nos próximos anos.

Os juros reais, ou seja, o retorno que vem acima da inflação, vão continuar em patamares historicamente elevados. E a sinalização do Copom mostra que essas taxas podem continuar em algo como IPCA mais 8% ou 9% ao ano – se a Selic estacionar em 14% – até o início de 2027.

A renda fixa, portanto, vai manter o protagonismo no resto do ano, mas com uma dinâmica diferente. Os títulos pós-fixados, como Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDBs que rendem 100% do CDI, mantêm seu reinado entre os produtos da classe.

Os títulos prefixados e os atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ ou os papéis de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, vão enfrentar um aumento da volatilidade nas próximas semanas.

Isso em um momento em que oscilações de taxas de juros e preços dos papéis já têm levado ao acionamento de “circuit breakers” do Tesouro Direto nas últimas semanas, ou seja, uma pausa forçada das negociações quando existe um movimento considerado disfuncional.

Por outro lado, quem consegue manter os recursos aplicados no longo prazo, pelo menos até meados do ano que vem, pode aproveitar as taxas em patamares que não são vistas havia vários anos: pelo menos desde a última crise no fim de 2024, quando títulos como o Tesouro Prefixado chegaram a passar de 15% ao ano.

Na bolsa, por outro lado, a tendência é a de haver movimentos mais contidos. O cenário de juros mais altos por mais tempo se torna uma barreira para a volta do investidor local.

O fluxo de recursos internacionais, que sustentou quebras seguidas de recordes do Ibovespa entre janeiro e abril, continua a fluir, mas se tornou bem mais restrito nas últimas semanas.

Em maio, mesmo com estrangeiros tendo retirado R$ 13 bilhões das ações brasileiras (resgates menos aportes), a participação desse perfil de investidor permaneceu acima de 60% nas negociações. Ou seja, o interesse de fora por ativos no Brasil continua presente, mas o dinheiro vai entrar e sair conforme a evolução do noticiário geopolítico e relativo ao mercado dos EUA.

A atração por mercados emergentes, que dominou as mesas financeiras de bancos e corretoras no primeiro trimestre, agora ganhou a concorrência da volta da força da tese da inteligência artificial, principalmente em meio aos mega IPOs, como o da SpaceX, que movimentou US$ 75 bilhões em 12 de junho, e das esperadas ofertas da OpenAI, dona do ChatGPT, e da Anthropic, do Claude.

Após flexibilizar estatuto, GPA passa a ter Silvio Tini como maior acionista

17 de Junho de 2026, 18:30

O GPA, dono do Pão de Açúcar e do Extra, tem novo acionista majoritário: Silvio Tini. Dois dias depois de a companhia aprovar a queda da cláusula de poison pill (que exigia que um investidor com 25% ou mais fizesse a OPA da companhia), o empresário passou a deter 25,8% das ações via sua gestora, a Bonsucex.

O empresário já detinha 23%, fatia que alcançou em março deste ano. Com o aumento da participação, Tini passa a família Coelho Diniz, que desde o ano passado despontava como principal acionista do grupo varejista.

Além dos Coelho Diniz, Tini superou a fatia do Casino, grupo francês que foi controlador do GPA por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA avança no plano aprovado na recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Cosan vende parte de portfólio agrícola da Radar em negócio de R$ 1,85 bilhão

17 de Junho de 2026, 09:13

A Cosan anunciou a venda de parte das propriedades agrícolas do portfólio da Radar, em mais um movimento alinhado à estratégia da companhia de reduzir sua alavancagem financeira e simplificar sua estrutura de ativos.

Em fato relevante divulgado nesta quarta-feira (17), a empresa informou que o Grupo Radar celebrou, por meio de algumas de suas subsidiárias, um compromisso de compra e venda para a alienação de parte de suas propriedades rurais. Os ativos negociados correspondem a 12% do portfólio total de terras agrícolas administrado pela Radar.

As propriedades estão localizadas no Mato Grosso, somam 41.214 hectares e são destinadas ao cultivo de soja, milho e algodão. O valor total ofertado pelo comprador é de R$ 1,85 bilhão. Desse montante, cerca de R$ 586 milhões correspondem à participação econômica da Cosan nos ativos.

A conclusão da transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais para esse tipo de operação. “Este movimento está alinhado à estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio da Cosan”, afirmou a companhia no comunicado enviado ao mercado.

A Radar é uma plataforma especializada em gestão e investimentos em propriedades agrícolas. Segundo informações disponíveis no site da Cosan, a empresa administra cerca de 306 mil hectares distribuídos por oito estados brasileiros. A companhia atua na aquisição, gestão e valorização de terras agrícolas, um segmento que se consolidou como uma das frentes de investimento do grupo ao longo dos últimos anos.

A venda ocorre em um momento em que a Cosan tem buscado otimizar sua estrutura de capital por meio da reciclagem de ativos e da redução do endividamento, estratégia que vem sendo adotada pela holding desde o ano passado.

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O maior desafio da IG4 Capital: reestruturar dívidas de US$ 25 bilhões

17 de Junho de 2026, 08:41

A IG4 Capital construiu seu negócio discretamente, investindo em empresas naufragando, inadimplentes ou em recuperação judicial, as quais os grandes fundos de private equity preferem evitar. Agora, a gestora está no centro das atenções de forma dramática.

A IG4, fundada há 10 anos por uma equipe de quatro especialistas em reestruturação, está procurando reorganizar duas das maiores vítimas do brutal ciclo de crédito brasileiro: a petroquímica Braskem e a produtora de açúcar e etanol Raízen. Juntas, as duas empresas têm cerca de US$ 25 bilhões em dívidas.

No início deste ano, a IG4 adquiriu uma participação majoritária na Braskem, empresa que veio enfrentando dificuldades após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos de preços baixos. Agora, a Braskem precisa reestruturar sua dívida. No caso da Raízen, a IG4 propôs comprar dívida suficiente para obter uma participação majoritária em meio à maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, disseram pessoas familiarizadas com o assunto na segunda-feira. Um acordo ainda não foi fechado.

Braskem

“Gostamos de problemas, e a Braskem é um dos maiores problemas que hoje a gente encontra”, disse Paulo Mattos, cofundador e chairman da IG4, de 51 anos, em entrevista. “Com ela, estamos nos globalizando, e esse sempre foi o meu sonho com a IG4.”

A empresa fundada por Mattos, que administra US$ 4,8 bilhões em capital e dívida, investe dinheiro para fundos de pensão, fundações, fundos de fundos, gestores de fortunas e family offices. A IG4 adquiriu o controle ou o controle compartilhado de empresas no Brasil, Chile e Peru. Tem 40 profissionais hoje.  

Mas nada disso se compara à escala das reestruturações da Braskem ou da Raízen. A IG4 começou a contatar os credores da Raízen esta semana, e sua participação na reestruturação financeira da empresa de açúcar e etanol dependerá de quantos deles eles conseguirão persuadir a aceitar sua oferta.

“Os participantes do mercado têm tentado entender melhor o que a IG4 realmente é — uma gestora de private equity com atuação direta, especializada em recuperação de empresas em dificuldades, ou mais uma empresa de engenharia financeira oportunista que opera nos bastidores, como vimos em mercados emergentes no passado”, disse Roger Horn, estrategista da Mariva Capital Markets.

Segundo Mattos, a IG4 adquiriu sua participação na Braskem do antigo acionista controlador da empresa, a Novonor, cujos bancos credores entraram em contato com a IG4 para tentar resolver o problema.

As ações da Braskem pertencentes à Novonor foram dadas como garantia para empréstimos no valor de R$ 21 bilhões concedidos por cinco bancos e que não foram pagos. Após seis anos de negociações contenciosas, os credores concordaram em vender os empréstimos problemáticos para um fundo administrado pela IG4. A gestora conquistou o apoio da Petrobras, a outra acionista controladora da Braskem, ao implementar medidas como a concessão à estatal da presidência do conselho.

“A gente tomou a decisão de estar sempre do lado dos credores”, disse Mattos. “Somos especializados em catalisar soluções para bancos e outros tipos de credores.”

O profissionalismo e a experiência técnica da equipe da IG4 foram fundamentais para conquistar a confiança da Petrobras, segundo Fernando Melgarejo, diretor financeiro da empresa, e William França, chefe da área de processos industriais. Ambos foram recentemente eleitos para o conselho de administração da Braskem.

A Petrobras se concentrará nas atividades operacionais da empresa, enquanto a IG4 cuidará das negociações externas com os credores, disseram os dois. Ao longo do processo de mudança de controle envolvendo a Braskem, os executivos da Petrobras e a IG4 estabeleceram uma linha direta de comunicação, realizando centenas de reuniões, disseram.

O relacionamento tem sido “altamente construtivo” e “focado em alcançar consenso em todas as questões-chave”, disse Melgarejo. “Estamos prestes a escrever um novo capítulo na história da Braskem.”

Mas a parte mais difícil ainda pode estar por vir. A IG4 e a Braskem estão buscando o apoio de um terço dos credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial antes dos pagamentos da dívida programados para julho. Não há garantia de que obterão apoio suficiente, e buscar proteção judicial por meio de uma chamada medida cautelar continua sendo uma possibilidade, conforme noticiado pela Bloomberg no início deste mês.

Com escritórios em Madri, Londres, Miami e São Paulo, a IG4 está avaliando a possibilidade de comprar, juntamente com outros investidores, ativos imobiliários em dificuldades e dívidas de produtores de energia solar na Espanha. A Thames Water, do Reino Unido, que está à beira do colapso, é outra situação que a IG4 “adoraria resolver”, disse Mattos.

A IG4 acaba de captar US$ 400 milhões para um terceiro fundo de investimento na América Latina, elevando o total captado até o momento para US$ 1,2 bilhão. Mattos disse que a empresa não investe em “empresas com poucos ativos”, como as do setor varejista, e sempre busca controlar as empresas ou compartilhar a propriedade delas.

Hélio Novaes, recém-nomeado CEO da IG4 no Brasil, disse que a gestora também compra ações no mercado.

“Tem muita gente que vai montando posição nas empresas para depois dar o bote – isso torna muito difícil uma congregação da turma para negociar”, disse Novaes em entrevista. “A gente não faz isso, a gente costura com todas as partes, não partimos para a hostilidade.”

A IG4 também conta agora com um responsável pelo negócio internacional, Octavio Lopes, que trabalha em Londres junto com Mattos. Felipe Fingerl, cofundador da IG4 com Mattos, é o novo diretor financeiro para o Brasil e também diretor de private equity para o país.

Mattos ajudou a fundar a IG4 logo após deixar a empresa de private equity GP Investimentos. Lá, ele viu uma oportunidade de comprar a companhia de saneamento CAB Ambiental. Mas quando a CAB entrou com pedido de recuperação judicial e a GP desistiu do negócio, Mattos deixou a gestora de private equity. Seu novo negócio comprou então a dívida da CAB junto aos bancos, que foi convertida em capital. A IG4 assumiu o controle da empresa e a reestruturou.

Na época do pedido de recuperação judicial, Mattos fazia visitas rotineiras aos prefeitos das cidades atendidas pela CAB para explicar o andamento dos negócios e as possibilidades, disse Ricardo Knoepfelmacher, fundador da boutique de consultoria financeira RK Partners, que trabalhou na reestruturação da empresa.

“Paulo tem resiliência, disciplina, é um trabalhador incansável com visão estratégica”, disse ele. “Ele também tem a capacidade de entregar resultados, de explicar, de entender os números, o que é incomum.”

A CAB acabou se tornando Iguá Saneamento, o que atraiu investidores como o Canada Pension Plan Investment Board. Ela também conseguiu expandir sua atuação.

Antes da reestruturação, a CAB atendia cidades menores como Cuiabá e Paranaguá, e depois disso conseguiu expandir para cidades maiores, como seu investimento no leilão de saneamento do Rio de Janeiro.

A IG4 inspirou-se na palavra “ig”, que significa “água” em tupi-guarani, língua nativa brasileira, para escolher seu nome. O número quatro representa a quantidade inicial de sócios na gestora.

O trabalho da IG4 na Iguá, bem como na Corredor Logística e Infraestrutura, conhecida como CLI, proporciona experiências positivas úteis para a nova gestão da Braskem, disse Horn.

Em 2020, a IG4 comprou a CLI, então em dificuldades financeiras, por US$ 240 milhões, incluindo dívidas, e a reestruturou. A Macquarie Asset Management adquiriu uma participação acionária em 2022. E, no início deste mês, as duas empresas fecharam um acordo para vender a CLI para o AD Ports Group, com sede em Abu Dhabi, em uma transação avaliada em US$ 835 milhões.

A IG4 tem se destacado por atuar em situações de dificuldades financeiras sem mobilizar muito capital e mantendo o foco na natureza estratégica dos ativos.

“Aparentemente, eles tiveram sucesso em casos anteriores, embora não tenhamos informações suficientes para avaliar seus retornos, mas, desta vez, parece que estão lidando com um desafio de proporções inéditas”, disse Manuel Mondia, gestor de portfólio da Aquila Asset Management.

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O que esperar da ‘superquarta’: as mudanças previstas para o Fed e o Copom

17 de Junho de 2026, 08:33

A “superquarta“, que traz hoje as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil, vai oficializar uma mudança de rumos dos juros lá fora e aqui. O recado vai ser claro: a inflação escalou, as expectativas sobre os preços futuros perderam a referência e as taxas de mercado começam a incorporar cenários financeiros mais duros.

Essa mudança de ambiente já se traduziu em guinadas de dois dos principais BCs globais, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), que subiram os juros nas últimas semanas. Os investidores esperam que outras praias, como os EUA e o Brasil, também sigam a sinalização.

O encontro do Federal Reserve (Fed, o BC americano) desta quarta-feira (17), no entanto, traz um elemento extra para o mercado: trata-se da primeira reunião do novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o novo chefe da autoridade já começa o mandato sob pressão política por uma redução de juros.

O consenso quase absoluto do mercado, no entanto, é de que o Fomc, o comitê responsável pelas decisões de juros nos EUA, vai manter as taxas inalteradas na faixa entre 3,50% e 3,75%. Mas a reunião deve formalizar a sinalização de que a perspectiva de um corte de juros em 2026 saiu da mesa.

A pergunta que fica é: como Warsh poderá conciliar as expectativas políticas com as necessidades técnicas de combate à escalada de preços ao consumidor? É bom ressaltar que a inflação nos EUA, medida pelo CPI, já alcança 4,2% em 12 meses até maio, o que tem levado o mercado a enxergar uma alta de juros já em dezembro.

Uma possibilidade é a de Warsh propor combinar a sinalização de que o Fed pretende manter os juros inalterados por mais tempo e passar a focar em uma redução expressiva do seu balanço. Isso seria deixar o “aperto quantitativo”, o nome técnico desse enxugamento do nível de ativos que a autoridade acumulou, fazer o trabalho.

Analistas esperam que Warsh defenda uma redução mais intensa do balanço de ativos, que ainda soma cerca de US$ 6,7 trilhões.

Desinflar esse portfólio funciona como um aperto das condições financeiras ao retirar dinheiro de circulação, ou, no jargão do mercado, reduzir a liquidez.

Isso ocorre porque o Fed deixa de reaplicar os recursos recebidos de títulos vencidos em novos papéis. O banco central pode até mesmo passar a vender as Treasuries de seu balanço, se optar por um movimento mais agressivo de redução.

O acúmulo de títulos do Tesouro e outros ativos no balanço do Fed ocorreu por conta do enfrentamento de grandes desequilíbrios financeiros, como na crise bancária de 2008 e durante a pandemia. Nas ocasiões, o BC americano passou a comprar títulos no mercado como forma de injetar dinheiro na economia.

Em 2022, por exemplo, o Fed detinha US$ 8,5 trilhões em papéis do Tesouro dos EUA e outros ativos. Nesse período, a autoridade iniciou um ciclo de redução cautelosa dessa carteira que durou até o fim de 2025. O BC americano conseguiu diminuir em cerca de US$ 2 trilhões o tamanho do balanço ao longo de quase quatro anos.

A perspectiva agora, com Warsh no comando, é de retomar o aperto quantitativo, mas de maneira mais assertiva. O problema é que esse assunto está longe de ser um consenso no Fed. O novo “chairman” deve ter dificuldade em seguir essa linha, se atrelar o QT à condução do combate à inflação.

Copom vive dilema diferente

O potencial reposicionamento do Fed tem ramificações sobre os mercados emergentes. Uma postura mais inclinada ao aperto monetário, mesmo sem subida de taxas, pode afetar diretamente o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e o rumo dos juros domésticos.

Com o Fed sinalizando juros altos por tempo prolongado, a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) aumenta, o que tende a desviar o fluxo de recursos globais para o mercado dos EUA.

Isso significa menos dólares ingressando no Brasil. Esse movimento, por sua vez, deve criar uma pressão de desvalorização do real. Essa dinâmica de câmbio depreciado atua como um choque de custos para a economia brasileira, porque encarece bens industriais e insumos importados.

Na prática, um dólar mais forte traz mais inflação e reduz a margem de manobra do Banco Central do Brasil para reduzir a Selic. Isso em um ambiente que já vive pressões de alta com a escalada dos preços dos combustíveis e de insumos, como fertilizantes e commodities metálicas, após a Guerra no Irã.

Mesmo diante de um cenário de forte restrição externa e pressões domésticas, o consenso para a decisão do Copom considera que o colegiado vai cortar os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira.

A Selic deve cair para 14,25% ao ano. A partir daí é que as projeções ficam nebulosas.

O fato é que, mesmo com “gordura” para cortar, os investidores e agentes do mercado enxergam cada vez menos espaço para uma queda mais acentuada dos juros.  

Diversas casas de análise, como bancos e corretoras, têm revisado para cima o nível da Selic em 2026.. O Bank of American, por exemplo, coloca a taxa básica em 14,25% no fim do ano. Outras casas, como BNP Paribas, XP e Banco Pine veem os juros básicos em 14%.

O mais recente relatório Focus, do BC, que reúne projeções de instituições financeiras, mostrou uma alta das previsões para a Selic pela segunda semana seguida. Às vésperas da reunião do Copom, o mercado elevou a expectativa da taxa para 13,75% no fim deste ano.  

A decisão desta quarta-feira, portanto, será cuidadosamente acompanhada. Não pelo potencial corte, mas pela comunicação do BC. A sinalização será de pausa imediata no ciclo de afrouxamento ou de possibilidade de ao menos mais um corte pela frente?

Stablecoins de dólar superam bitcoin pela primeira vez na América Latina

17 de Junho de 2026, 08:16

As compras de stablecoins atreladas ao dólar ultrapassaram as de bitcoin (BTC) pela primeira vez na América Latina, segundo relatório divulgado pela exchange Bitso na terça-feira (16).

Em 2025, USDT e USDC – as duas maiores stablecoins de dólar do mercado – responderam por 40% das aquisições de criptomoedas na plataforma, enquanto o bitcoin representou 18%. Os dados consideram cerca de 10 milhões de investidores de varejo da região.

O movimento sugere uma mudança no uso desses ativos, segundo a corretora. Em vez de servirem apenas como ponte para a compra de outras criptomoedas, as stablecoins estão sendo cada vez mais utilizadas como uma forma digital de acessar o dólar.

“Cada vez mais, os consumidores não estão adquirindo stablecoins para trocá-las por outros ativos digitais. Em vez disso, eles as estão usando como representações digitais do dólar americano para preservar valor, facilitar pagamentos e acessar os mercados financeiros globais”.

No Brasil, vale lembrar, as stablecoins já dominam as carteiras dos investidores há algum tempo. Em 2025, elas responderam por cerca de 70% dos R$ 505,5 bilhões em criptomoedas declaradas à Receita Federal.

Uso comercial também cresce

As stablecoins também estão ampliando seu espaço nas operações comerciais da América Latina. Segundo a Bitso, os volumes processados por sua divisão corporativa cresceram 81% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

De acordo com a corretora, as empresas estão deixando de usar esses ativos apenas como instrumentos cambiais ou garantias para negociação e passando a adotá-los como infraestrutura para pagamentos, transferências internacionais e outras operações financeiras do dia a dia.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -2,74%, US$ 64.288,74

Ethereum (ETH): -1,65%, US$ 1.764,63

BNB (BNB): -1,96%, US$ 601,56

XRP (XRP): -3,95%, US$ 1,19

Solana (SOL): -3,72%, US$ 71,95

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real mira câmbio. A Crown, emissora da BRLV (uma stablecoin atrelada ao real), agora tem uma mesa de câmbio para converter reais, dólares e criptoativos. A iniciativa busca ampliar o uso do token, que já soma R$ 373 milhões em circulação, segundo a empresa. O movimento reflete o avanço das stablecoins brasileiras, um mercado que já reúne mais de uma dezena de moedas digitais lastreadas na moeda nacional.

Axia e a mineração de bitcoin. No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) faz cortes na geração de energia quando a produção supera a capacidade da rede, um processo conhecido como curtailment. Para reduzir esse desperdício, a Axia criou um sistema em miniatura com fontes solares e eólicas, baterias e simuladores de grandes consumidores, como mineradoras de bitcoin. A ideia é testar como esses consumidores poderiam aproveitar a energia excedente.

CBDC? Não nos EUA. O Congresso dos EUA deu mais um passo para manter as moedas digitais de banco central (CBDCs) longe do mercado americano. Um projeto de lei que avança no Senado proíbe o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) de emitir esse tipo de ativo até 2030. Críticos argumentam que uma CBDC daria ao governo acesso sem precedentes aos dados financeiros dos cidadãos.

O segredo de engenharia da SpaceX? Um clube universitário de carros de corrida

17 de Junho de 2026, 06:03

Depois de celebrar a abertura de capital da SpaceX com colegas, Bill Riley planeja arrumar as malas para uma viagem a Brooklyn, Michigan.

Riley, um dos principais executivos de engenharia da empresa, será o juiz-chefe de design de uma corrida em Michigan International Speedway, segundo Chris Ciuca, vice-presidente da organização sem fins lucrativos que organiza o evento. A competição não envolve pilotos profissionais em alta velocidade na pista — ela contará com estudantes universitários competindo com carros estilo Fórmula 1 que eles projetaram e construíram ao longo de meses.

Os vínculos do executivo da SpaceX com a competição estão ligados ao seu tempo na equipe Formula SAE da Universidade Cornell no fim dos anos 1990. E ele não é o único na empresa de Elon Musk voltada a exploração espacial e inteligência artificial. Os executivos Mark Juncosa e Mike Nicolls também desenvolveram suas habilidades de engenharia construindo carros de corrida estudantis em Cornell no início dos anos 2000.

“Carros de corrida e foguetes não são tão diferentes assim”, disse Riley, 49 anos, em uma entrevista à revista da universidade da Ivy League.

A conexão com Cornell na SpaceX é marcante, mas também reflete o compromisso de longo prazo da empresa em contratar pessoas com habilidades práticas, e não apenas excelência acadêmica.

Executivos de recursos humanos da empresa já disseram que candidatos bem-sucedidos na SpaceX costumam ter experiência em projetos extracurriculares de engenharia ou projetos pessoais. Musk já citou vitórias em competições como a Formula SAE como evidência de habilidade excepcional em engenharia.

A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário.

John Callister, atual orientador da equipe de Cornell e ex-engenheiro da General Motors, disse que o grupo busca estimular o pensamento independente. “Não temos aulas em todas as coisas que você precisa saber”, afirmou.

Isso se alinha à experiência que Juncosa, 44 anos, teve na organização de corridas de Cornell. O nativo do sul da Califórnia é conhecido como alguém que Musk envia para resolver problemas técnicos difíceis, segundo ex-funcionários.

Quando era estudante em Cornell, ele estudou economia. Mas Timothy Reissman, que conviveu com ele no clube de corrida, lembra de Juncosa como alguém disposto a dedicar tempo para desenvolver habilidades práticas por conta própria.

“Ele era o cara que se dedicava a esse trabalho, para conseguir melhorar algo ou aprender algo”, disse Reissman, hoje professor associado na Universidade de Dayton.

A fama da equipe de Cornell acabou se espalhando pela SpaceX, em parte por causa desse trio de executivos.

“Havia um certo mistério em torno disso — os alunos da SAE de Cornell, isso era uma espécie de grupo dentro da SpaceX”, disse Charlotte Kiang, ex-funcionária da empresa que fez mestrado em engenharia na universidade.

Ela lembrou que participantes da equipe de corrida de Cornell chegaram a formar seu próprio grupo social entre estagiários em determinado momento.

Reissman disse que Juncosa certa vez contou uma história sobre como a SpaceX havia contratado um soldador que não acreditava ser possível implementar um processo automatizado de soldagem envolvendo painéis finos de alumínio. Juncosa, que sabia soldar desde os tempos da equipe de Cornell, entrou para ajudar a resolver o problema.

“Esse é apenas um exemplo do que Mark faz”, disse Reissman.

Michael Jones, colega de equipe de Nicolls e Juncosa no clube, lembrou Nicolls como uma presença mais reservada, mas com habilidades únicas. Ele trabalhava com eletrônica, ajudando o grupo a desenvolver sua própria unidade de controle de motor.

Nicolls, 45 anos, hoje é vice-presidente sênior da SpaceX e passou anos trabalhando no negócio de internet via satélite Starlink.

Jones, professor no Canadá, disse que uma SpaceX sem Riley, Juncosa e Nicolls poderia ser muito diferente.

“Se você os tirasse todos de lá e eles fossem para outro lugar, o que teria acontecido?”, disse Jones. “Acho que houve uma combinação rara de pessoas que chegaram no momento certo e estabeleceram o padrão.”

Escreva para Micah Maidenberg em micah.maidenberg@wsj.com

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Guerra dos galpões: a disputa ‘metro a metro’ de Meli, Shopee e Amazon para crescer no Brasil

17 de Junho de 2026, 06:00

Nunca se ergueu tanto galpão logístico no Brasil. E nunca foi tão difícil construir.

No primeiro trimestre, o mercado ocupou o equivalente a 1 milhão de metros quadrados em três meses, o maior resultado desde 2022, segundo a consultoria Binswanger Brazil.

É uma sequência de números que surpreende: a vacância está no menor patamar histórico, em 6,4%; o preço médio de locação subiu quase R$ 5,50 por metro quadrado em dois anos; e, das dez maiores transações do trimestre, nove foram fechadas por empresas de e-commerce.

Do outro lado da demanda sem precedente estão Mercado Livre, Shopee e Amazon, que travam uma corrida sobre quem entrega mais rápido, o que ajuda a vender mais, fidelizar mais e atrair mais vendedores para sua plataforma. Para ganhar essa batalha, precisam de galpões modernos e bem localizados. Não poucos, mas muitos deles. E estão dispostos a pagar para ter.

“Dependendo da localização, aquele galpão é irreplicável. Quem cravou o mercado ali, de fato, vai estar mais bem posicionado”, diz Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil.

Em março, a Shopee assinou o maior contrato de locação já registrado no setor no Brasil: 220 mil metros quadrados em um empreendimento em obras às margens da Dutra, em Guarulhos.

O Mercado Livre anunciou R$ 500 milhões para um complexo de 300 mil metros quadrados em Jacareí, no interior paulista. É só uma parte dos R$ 57 bilhões que prometeu investir no Brasil em 2026. Nem tudo vai para logística, mas uma fatia relevante, sim.

Já a Amazon inaugurou um centro de distribuição em Salvador e passou a oferecer entregas no mesmo dia em toda a Bahia, além de acelerar as encomendas rápidas em Sergipe.

As três maiores do e-commerce estão se acotovelando para ocupar espaço. A questão é que o mercado não consegue responder na mesma velocidade com que elas avançam.

Três estratégias, um objetivo

O Mercado Livre chegou primeiro e marcou território de forma agressiva. É o líder absoluto em área locada: segundo a Binswanger Brazil, acumula 1,19 milhão de metros quadrados de galpões locados desde 2025, mais que o dobro da Shopee e seis vezes mais que a Amazon.

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Mas o ritmo de transações desacelerou: passou de 761 mil metros quadrados movimentados em 2024 para 505 mil em 2026. Agora, mais do que crescer em volume, precisa cobrir os lugares certos.

O CD (centro de distribuição) de Jacareí ilustra essa lógica, pois, para entregar em 24 horas em 70% de sua malha, não basta estar nos grandes centros. É preciso ir ao interior.

A Shopee trilhou um caminho diferente. Cresceu de forma intensa até 2025 e reduziu o número de transações, de 542 mil metros quadrados em 2024 para 236 mil em 2026. Em compensação, fez uma aposta mais ousada: um único contrato maior do que tudo que a Amazon já locou no país.

Já a Amazon é a história de uma virada.

De 17,5 mil metros quadrados em novas movimentações em 2024, a empresa saltou para 140 mil em 2025. A mudança tem explicação: durante anos, decisões de real estate no Brasil eram tomadas por executivos nos EUA, com processos herdados da matriz.

“Antes eu negociava com um cara em Seattle”, disse em caráter confidencial um executivo do setor com histórico de negociações com a empresa. “Agora tem uma equipe aqui.”

A Amazon tropicalizou o processo e começou a ganhar velocidade. O CD de Salvador é um exemplo. A meta é abrir três novos CDs por semana. Hoje, ela já tem 300 estruturas de logística no país.

Mercado em ebulição

Essa disputa produz números inéditos: além da absorção líquida recorde de 1 milhão de metros quadrados, o preço médio pedido subiu R$ 5,47/m² desde o primeiro trimestre de 2024, para R$ 30,62.

O e-commerce responde hoje por 23% da ocupação nos condomínios logísticos de classe A e A+ no Brasil.

A corrida dos marketplaces por galpões criou uma tese de investimento difícil de ignorar.

“São contratos atípicos, bem amarrados. E as multas para sair são bem rígidas”, disse Verônica Engel, da TRX Investimentos, gestora do fundo imobiliário TRXF.

“Isso traz, além de rentabilidade, um certo conforto em relação à constância dos dividendos.” O TRXF adquiriu sete galpões logísticos em 2025 e amplia posição no setor, que já representa 20% de seu portfólio.

A corrida também redesenha a geografia do setor. São Paulo ainda concentra 48% do estoque nacional de galpões A e A+, mas esse percentual já ficou acima de 56%.

No primeiro trimestre, Santa Catarina foi o segundo mercado em absorção líquida, com 115 mil metros quadrados. O Espírito Santo ficou em terceiro.

Briga chega ao Nordeste e ao Norte

A corrida por novas praças não é novidade para desenvolvedores. A Log Commercial Properties chegou ao Nordeste em 2012, antes do boom do e-commerce. Só em Fortaleza, a empresa tem 400 mil metros quadrados de galpões, todos ocupados.

Log, empresa de galpões logísticos do grupo MRV (Foto: Divulgação)
Log, empresa de galpões logísticos do mesmo grupo da MRV (Divulgação)

Mas a chegada dos grandes marketplaces à região mudou a escala.

Até o fim de 2026, a Log prevê estar presente em todas as capitais nordestinas, com novos projetos em São Luís e Teresina. “Estamos entrando em praças a quais a Log ainda não tinha ido”, disse Márcio Siqueira, diretor executivo de operações, no Investor Day.

Os marketplaces seguem o racional de cidades médias, diante da demanda reprimida. “Qualquer grande empresa que precisa estar em qualquer cidade com mais de 200 mil habitantes não tem galpão para atender. É uma carência latente”, diz Simone.

Gargalo que se forma

Ou seja: demanda existe, mas o desafio está do outro lado da equação.

Construir galpões logísticos de classe A no Brasil, em 2026, é um processo caro e lento. A taxa Selic a 14,5% ao ano dificulta o financiamento de novos projetos.

A aprovação de terrenos em regiões mais valorizadas pode levar até três anos e, durante esse tempo, o dono do ativo carrega o custo sem receita.

Pressões externas pioram o quadro. A guerra do Irã encareceu o preço do diesel durante meses e elevou os custos de construção. A Log estima uma pressão de 7,3% nos custos de suas obras nos próximos meses.

Como efeito, o preço pedido nos empreendimentos em construção com entrega prevista para 2026 está em R$ 39,64/m² em média, quase R$ 10 acima da média geral do mercado.

“A única forma de viabilizar os novos empreendimentos é repassar o valor de aluguel”, diz Santos. “O ocupante entende. É planilha aberta. Se não for assim, não vai ter galpão.”

O mercado procura saídas. Desenvolvedores buscam permutantes (donos de terreno dispostos a entrar como sócios no projeto). Fundos imobiliários compram ativos com cotas, evitando crédito caro. A Log criou a Log Capital, uma gestora própria para captar recursos de terceiros e montar fundos de desenvolvimento.

Cerca de 40% do estoque em construção com entrega prevista para 2026 já está pré-locado, segundo a Binswanger. São 3,6 milhões de metros quadrados ainda por vir, dos quais 2 milhões no Sudeste, 776 mil no Nordeste e 687 mil no Sul.

“Nunca vimos um mercado tão profundo e tão demandador, principalmente nesses marketplaces de e-commerce”, disse Sérgio Fischer, CEO da Log. “Essa mudança veio para ficar.”

Por enquanto, a demanda segura o jogo. Mas, se o ritmo de construção não acompanhar o apetite dos marketplaces, o próximo campo de batalha pode não ser a velocidade de entrega mas, sim, a falta de onde guardar o produto antes de entregá-lo.

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Jovens fundadores da Cursor viram multibilionários após venda para a SpaceX

16 de Junho de 2026, 18:19

Por volta da época em que o ChatGPT e o Copilot do GitHub levaram a inteligência artificial às massas, quatro colegas do MIT com formação em ciência da computação e finanças decidiram entrar nesse mercado. Eles só não sabiam exatamente como.

“Começou a partir de um lugar muito de ‘solução em busca de um problema’”, disse Michael Truell, cofundador e CEO da Cursor, empresa que eles criaram juntos, em uma participação em podcast em junho de 2025.

Quatro anos depois, a Cursor é uma das ferramentas de programação com IA mais populares do mercado — e a “solução” deles os transformou em bilionários.

A SpaceX concordou formalmente em comprar a Cursor na terça-feira (16), em um acordo integralmente em ações que avalia a empresa em US$ 60 bilhões. Cada um dos cofundadores detém cerca de 9% da Anysphere, sediada em São Francisco — nome formal da empresa —, participação avaliada em US$ 5,5 bilhões para cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Quando o acordo for concluído — o que deve ocorrer no terceiro trimestre deste ano — eles receberão ações da SpaceX de valor equivalente.

Os quatro fundadores — todos na casa dos 20 e poucos anos — se juntam a uma lista crescente de bilionários criados pela Space Exploration Technologies Corp., de Elon Musk, desde sua abertura de capital na sexta-feira.

A história deles também simboliza a mudança no caminho para a riqueza de dez dígitos entre jovens fundadores: a euforia da IA e o aumento dos investimentos de capital de risco fazem com que novos bilionários surjam cada vez mais do setor de tecnologia, em vez das finanças.

Um porta-voz da Cursor não respondeu a um pedido de comentário.

Engenharia mecânica

Truell e seus futuros sócios — Sualeh Asif, Arvid Lunnemark e Aman Sanger — eram todos estudantes de graduação no Massachusetts Institute of Technology. Truell, natural de Nova York, estagiou no Google, enquanto Sanger, membro do time de squash do MIT, estagiou na Bridgewater Associates. Lunnemark, medalhista de ouro em olimpíada de matemática em seu país natal, a Suécia, trabalhou brevemente como trader quantitativo na Jane Street.

Os quatro fundaram a Cursor em 2022, inicialmente com foco na criação de um copiloto de IA para a indústria de engenharia mecânica. Isso apesar de nenhum deles ter formação formal em engenharia.

“Éramos bastante desconhecedores da área”, disse Truell em um podcast em maio de 2025. “Então havia um pouco daquele problema do ‘homem cego e o elefante’ desde o início.”

Após alguns meses, eles mudaram o foco para o desenvolvimento de um agente de codificação com IA mais alinhado ao histórico da equipe fundadora. Em 2023, o OpenAI Startup Fund apoiou a empresa iniciante em uma rodada seed que levantou US$ 8 milhões, segundo dados da Pitchbook.

No ano seguinte, a Anysphere levantou US$ 60 milhões em uma rodada Série A, avaliando a empresa em US$ 400 milhões. Entre os principais investidores estavam a Andreessen Horowitz, o Dorm Room Fund e o cofundador da Stripe, Patrick Collison.

Fotógrafa: Gabby Jones/Bloomberg

Em janeiro de 2025, a Cursor havia alcançado US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Em dois meses, esse número dobrou, e a empresa chegou a um milhão de usuários diários.

Acordo com a SpaceX

Mesmo com grandes players como OpenAI e Anthropic lançando suas próprias ferramentas de programação com IA, a Cursor continuou expandindo sua base de usuários, especialmente entre clientes corporativos. A empresa afirma que seus produtos são usados por 64% das empresas da Fortune 500 e que suas ferramentas escrevem mais de 100 milhões de linhas de código por dia para clientes corporativos.

Em abril, a SpaceX anunciou que havia chegado a um acordo que lhe dava a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas decidiu adiar a aquisição formal até depois de seu IPO, para minimizar interrupções e evitar burocracia adicional.

O acordo representava um prêmio em relação à avaliação de US$ 50 bilhões que a Cursor vinha buscando recentemente em uma rodada de financiamento, segundo a Bloomberg. Também incluía uma taxa de rescisão de US$ 10 bilhões caso a compra não se concretizasse.

A gestão da SpaceX descreveu a aquisição como central para expandir suas capacidades em IA após a fusão, em fevereiro, com a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI.

“Cursor tem seus próprios modelos, eu acho, e podemos aprender com eles”, disse Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, em entrevista à CNBC na sexta-feira. “Vamos colaborar de perto. Achamos que isso faz muito sentido.”

SpaceX compra Cursor para reduzir distância em relação à OpenAI e Anthropic

16 de Junho de 2026, 16:01

A SpaceX formalizou a aquisição da Cursor em um acordo que avalia a startup de programação baseada em inteligência artificial em US$ 60 bilhões, consolidando uma peça importante da estratégia de Elon Musk para alcançar rivais no mercado de ferramentas de codificação com IA.

Os investidores da Cursor terão o direito de receber ações da SpaceX com base no valor implícito de US$ 60 bilhões da startup, segundo um documento regulatório divulgado nesta terça-feira (16). A transação deve ser concluída no terceiro trimestre. A SpaceX já havia revelado em abril que garantiu o direito de comprar a Cursor ainda este ano, mas decidiu adiar o negócio por causa de seu IPO.

A compra reforça a ofensiva de Elon Musk na inteligência artificial. A Cursor é uma das ferramentas de programação assistida por IA mais populares do mercado, usada por desenvolvedores para escrever e corrigir códigos com o auxílio de inteligência artificial.

A aquisição também ajuda a SpaceX a reduzir a distância em relação a concorrentes como OpenAI e Anthropic em uma área considerada estratégica por Musk. O empresário já reconheceu que sua empresa está atrás dos rivais no segmento de ferramentas de codificação baseadas em IA.

A companhia avança com a aquisição poucos dias após concluir a maior oferta pública inicial da história. As ações dispararam mais de 40% nos dois primeiros pregões, refletindo a forte demanda dos investidores interessados no potencial de crescimento da empresa.

A valorização continuou nesta terça-feira. Por volta das 9h43 em Nova York, os papéis subiam 9,9%, elevando o valor de mercado da SpaceX para cerca de US$ 2,77 trilhões. Com isso, a empresa superou a Amazon em valor de mercado durante o pregão e se tornou a quinta companhia de capital aberto mais valiosa do mundo.

O braço de inteligência artificial da SpaceX, conhecido como SpaceXAI, está concentrado em fortalecer suas capacidades de programação assistida por IA. Musk já afirmou que a empresa está atrás dos concorrentes nesse segmento e recrutou engenheiros da Cursor para tentar alcançar empresas como OpenAI e Anthropic.

A divisão de IA enfrentou dezenas de saídas de profissionais tanto nas áreas de engenharia quanto de treinamento de dados e tem encontrado dificuldades para atrair talentos de ponta, que possuem outras oportunidades no mercado. Para reorganizar a operação, Musk colocou executivos da unidade Starlink em posições de liderança na empresa.

Segundo a Bloomberg, funcionários da SpaceX vêm trabalhando em conjunto com equipes da Cursor nas últimas semanas, colaborando em projetos de programação e infraestrutura computacional.

Lançado em 2023, o assistente de IA da Cursor foi criado para ajudar programadores a escrever e corrigir códigos com mais eficiência. A startup se tornou uma das empresas de tecnologia de crescimento mais rápido da história e ganhou destaque na chamada era do “vibe coding”, marcada pelo uso de ferramentas capazes de gerar software a partir de comandos enviados a chatbots.

Antes do anúncio da aquisição pela SpaceX, a Cursor negociava uma nova rodada de investimentos que avaliaria a empresa em mais de US$ 50 bilhões, segundo a Bloomberg.

As apostas de Musk em inteligência artificial têm sido caras para a SpaceX. A companhia registrou prejuízo líquido de US$ 4,94 bilhões no ano passado após incorporar retroativamente dívidas relacionadas aos investimentos da xAI. Os gastos de capital praticamente dobraram, chegando a US$ 20,7 bilhões em 2025, sendo a inteligência artificial a principal frente de investimento.

Embora a SpaceX tenha alugado capacidade de seus centros de dados para concorrentes como Anthropic, o diretor financeiro Bret Johnsen afirmou na semana passada que a empresa não pretende abandonar seus próprios produtos de IA, incluindo o chatbot Grok.

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Nota fiscal de empresas do Simples Nacional muda em setembro; veja o que muda e como preencher

16 de Junho de 2026, 14:45

A partir de 1° de setembro, uma das atividades mais importantes da vida de empreendedores do setor de serviços passará por mudanças: a emissão de nota fiscal.

Dessa data em diante, você que tem uma micro ou uma pequena empresa enquadrada no Simples Nacional terá que emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) por meio do Emissor Nacional, uma plataforma unificada do governo que padroniza o documento.

Atualmente, a emissão de nota varia de cidade para cidade: algumas têm sistemas próprios, com características específicas, enquanto outras sempre adotaram a plataforma federal. Isso dificulta a integração de dados e atrapalha a implementação de mudanças ligadas à reforma tributária.

E tem mais: as novidades não se limitam ao site em que são emitidas.

“Também haverá mudanças de preenchimento da nota”, diz Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.

O que exatamente vai mudar na nota fiscal e a que os empreendedores devem ficar atentos na hora de preenchê-la? Confira a seguir.

Simples: que muda na nota fiscal de serviços

A nota fiscal continuará com as informações de sempre: dados do prestador de serviço, do tomador (o cliente), a descrição do que foi feito e o valor. Mas, além disso, passará a incorporar novos campos obrigatórios ligados à reforma tributária.

Alguns são relacionados à classificação das atividades da empresa e aos serviços prestados; outros têm a ver com a apuração de impostos.

Há três códigos de identificação aos quais você, como pequeno empresário, terá que ficar atento: NBS (Nomenclatura Brasileira de Serviços), cClassTrib (Código de Classificação Tributária) e cIndOp (Código de Indicador de Operação).

O NBS identifica o serviço; o cClassTrib diz para onde o serviço é prestado; e o cIndOp define a regra tributária que se aplica a esse serviço. Juntos, os três determinam quanto imposto a nota vai gerar.

Vamos explicar cada um dos três a seguir:

NBS

O NBS (sigla para Nomenclatura Brasileira de Serviços) é um código numérico que identifica o tipo de serviço prestado, considerando uma tabela nacional padronizada. Funciona como um “código de barras” da atividade: cada serviço tem sua classificação própria, que determina a alíquota correta do IBS e da CBS que vão incidir.

Só para lembrar, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, que substitui o ISS e o ICMS) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, que entra no lugar do PIS e da Cofins) são dois dos novos impostos criados pela reforma tributária, que passarão a valer em 2027.

O preenchimento do campo NBS passa a ser obrigatório para empresas de todos os regimes a partir de setembro.

Se você tem dúvidas sobre qual código indicar na emissão de uma nota, a recomendação é falar com seu contador, que dará a orientação adequada considerando as atividades que sua empresa realiza. Isso é importante, porque escolher a classificação errada afeta o valor do imposto que você terá de pagar.

cIndOp

O cIndOp (sigla para Indicador de Operação) é um código que aponta a categoria geral da operação: se é uma venda para o mercado interno, uma exportação ou uma venda para o governo.

Da mesma forma como acontecerá no caso da NBS, preencher esse campo também será obrigatório para empresas de todos os regimes a partir de setembro.

Um exemplo: imagine uma empresa de tecnologia que presta o serviço de desenvolvimento de software para dois clientes diferentes. O código NBS será o mesmo nos dois casos. Mas o cIndOp pode ser diferente:

Vamos ao exemplo de uma empresa de tecnologia com clientes em São Paulo e Nova York: o NBS será o mesmo nos dois casos. O que muda é o cIndOp e, a partir dele, o cClassTrib:

  • Se o cliente está em São Paulo, quem emite a nota deve selecionar a opção “Mercado Interno” no cIndOp.
  • Mas, se o cliente está em Nova York, a operação é tratada como uma exportação de serviços. E então será preciso selecionar “Exportação” ao preencher o cIndOp.

cClassTrib

O cClassTrib (sigla para Código de Classificação Tributária) identifica a natureza tributária da operação – ou seja, como aquele serviço é tratado por lei na hora de calcular o valor do IBS e da CBS.

Esse código indica, por exemplo, se há alguma redução ou isenção de impostos ou se o serviço está enquadrado em algum regime especial.

A empresa de tecnologia que atende clientes em São Paulo e em Nova York, em exemplo citado acima, é um bom exemplo de como isso funciona:

  • Quando o cliente está em São Paulo e o cIndOp identifica que a operação é de “Mercado Interno”, o sistema exibirá as opções de cClassTrib correspondentes – e o emissor deve escolher o código 000001 (Operação Tributada Integralmente). Resultado: a nota vai calcular o IBS e a CBS como habitual.
  • Já no caso do cliente em Nova York, o cIndOp indica que se trata de uma “Exportação” – e, por lei, a receita da exportação de serviços é isenta de tributos. O sistema exibirá apenas as opções aplicáveis a operações internacionais e o emissor deverá selecionar o código 410004 (Exportação de Bens e Serviços). Resultado: o IBS e a CBS serão zerados automaticamente.

Em resumo, o cClassTrib avisa ao sistema que o serviço prestado é o mesmo nos dois casos, mas a regra tributária que se aplica é diferente. O preenchimento desse campo passa a ser obrigatório para empresas de todos os regimes também a partir de setembro.

IBS e CBS

Os valores dos novos tributos previstos na reforma tributária também precisarão constar na nota de empresas de todos os regimes. Mas, no caso daquelas enquadradas no Simples, só será obrigatório destacar as alíquotas a partir de 1º de janeiro de 2027.

Como as alíquotas definitivas ainda não foram estabelecidas, os valores serão simbólicos durante a transição: 1% no total da nota, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.

O passo a passo para preencher a nota

O NBS será o primeiro a ser preenchido, para que o prestador classifique o tipo de serviço prestado – como “Consultoria de TI” ou “Desenvolvimento de Software”, por exemplo.

Em seguida, deve ser definida a categoria ampla da operação escolhendo o cIndOp, que informa ao sistema se a venda é destinada ao “Mercado Interno” ou se é uma “Exportação”, entre outras opções.

Depois, vem o cClassTrib. Com base no que foi informado no cIndOp, o sistema filtra e exibe as regras aplicáveis. O emissor então seleciona o código correspondente à legislação exata daquela operação, com opções como “Tributação Integral” ou “Imunidade de Exportação”.

Por fim, como resultado dos três passos anteriores, o próprio sistema vai “ler” a natureza tributária (cClassTrib) e calcular automaticamente o IBS e a CBS, destacando os valores corretos na nota ou zerando o imposto, quando for o caso.

O que fazer para evitar problemas em setembro?

O ponto de partida é não esperar o prazo chegar para se adequar às mudanças.

Empresas que se preparam com antecedência têm tempo para testar, corrigir erros e treinar equipes sem pressão. Quem deixa para a última hora arrisca enfrentar sistemas sobrecarregados, notas rejeitadas ou emitidas com dados incorretos, afetando diretamente a tributação da operação.

Se sua empresa está no Simples Nacional, comece verificando os acessos do responsável pela emissão de notas ao sistema do Emissor Nacional.

Também não deixe de identificar junto a seu contador o código NBS correto para cada serviço prestado. Esse é o campo que mais gera rejeição no Simples, justamente porque muitos empreendedores fazem essa escolha sem suporte.

Há um ponto extra de atenção.

O regime tem códigos próprios de CST (Código de Situação Tributária) e regras de alíquota diferentes das empresas do Lucro Real e do Lucro Presumido.

Se o CNPJ está cadastrado como Simples Nacional, o sistema só autoriza a nota com os códigos exclusivos desse regime. Usar os códigos de outro regime gera rejeição imediata, porque o sistema identifica a inconsistência entre o cadastro da empresa e o código informado.

Por fim, é recomendado emitir pelo menos uma nota de teste no Emissor Nacional antes de setembro, para validar que os cadastros estão corretos e o fluxo de emissão funciona.

Figurinha de Messi no álbum da Copa movimenta mercado paralelo na Argentina

16 de Junho de 2026, 14:14

Enquanto Lionel Messi se prepara para entrar em campo na terça-feira (16) para a primeira partida de sua sexta e última Copa do Mundo da FIFA, os argentinos correm atrás de outro prêmio: a rara figurinha dourada do craque.

Milhares de crianças e adultos se reúnem no Parque Rivadavia, um parque histórico no centro de Buenos Aires, onde colecionadores trocam selos, moedas e, agora, figurinhas da Panini, para completar álbuns com os rostos de todos os jogadores que representam as 48 seleções que disputam a Copa do Mundo.

Depois de conquistar o último torneio, em 2022, Messi é rei.

“Se eu conseguir, vou guardar pelo resto da vida. Vai dormir comigo”, disse Franco Logiurato, de 14 anos.

O álbum deste ano tem espaços para 980 figurinhas, e a fabricante italiana oferece outras 20 figurinhas raras colecionáveis com os jogadores mais populares, cada uma disponível nas versões roxa, bronze, prata e dourada. Uma figurinha colecionável extra aparece, em média, a cada 100 pacotes, disse a empresa à Bloomberg.

Logiurato já completou o álbum — o que custou um salário inteiro do pai — e agora está atrás da figurinha dourada de Messi.

“Pense bem”, disse ele. “É a última Copa do Mundo de Messi. É de ouro. Quer dizer, é a coisa mais valiosa que existe.”

A febre ajudou a alimentar a escassez e a elevar os preços. A Panini recomenda a venda de pacotes com sete figurinhas por cerca de US$ 1,40 (cerca de R$ 7,20), mas os quiosques — pequenas lojas de esquina que conseguem obter estoque — chegam a cobrar até US$ 2,10 (cerca de R$ 10,80), segundo Ernesto Acuña, presidente do sindicato dos quiosques.

Durante a última Copa do Mundo, o governo de esquerda da Argentina interveio diante da escassez. Sob o presidente libertário Javier Milei, Acuña disse que o sindicato não levou o tema adiante.

“É uma mini economia”, disse Tomás Mingrone, de 25 anos, que passa os fins de semana comprando, vendendo e trocando repetidas. Um adolescente havia acabado de se aproximar dele para oferecer uma figurinha comum de Messi. Mingrone ofereceu US$ 10,50 (cerca de R$ 54). O vendedor foi embora.

A popularidade dos álbuns de figurinhas da Panini ajudou a provocar escassez e a elevar os preços. Fotografia: Sarah Pabst/Bloomberg

“Tem garotos de 12 ou 13 anos aqui que ganham US$ 100 por dia (cerca de R$ 520). É incrível”, disse.

Os filhos do astro argentino também entraram na brincadeira, disse Messi em entrevista recente, e estão ocupados tentando completar a coleção de figurinhas dos álbuns.

“Uma batalha vencida”

Mingrone diz que sabe identificar pacotes que contêm figurinhas extras de colecionador e os vende, fechados, por US$ 17,49 (cerca de R$ 91) cada. Logiurato comprou dois, mas não encontrou a figurinha dourada de Messi. Mingrone estima que já abriu cerca de 20 mil pacotes e encontrou apenas duas versões douradas do cobiçado megastar argentino.

Santiago Arce, de 22 anos, foi um dos poucos sortudos a encontrar a figurinha dourada de Messi e a está oferecendo à venda por US$ 140 (cerca de R$ 730). Para consegui-la, Arce trocou quatro figurinhas extras cobiçadas — Cristiano Ronaldo, de Portugal, Kylian Mbappé, da França, Mohamed Salah, do Egito, e Jude Bellingham, da Inglaterra — além de 10 figurinhas brilhantes e 25 figurinhas comuns de jogadores.

“Cada extra tem a própria história. Cada uma é uma batalha vencida”, disse Arce.

Nem todos no parque estavam atrás da versão dourada.

Tahiel Cortez, de 11 anos, acabara de tirar uma figurinha comum de Messi de um pacote e sorria de orelha a orelha.

“Não acredito”, disse. “Consegui o Messi!”

Ele ainda precisa de 120 figurinhas para completar o álbum. Mas, por um momento, isso pareceu pouco importar.

A partir de 15 de julho, a Panini oferecerá figurinhas avulsas para completar os álbuns. As figurinhas colecionáveis extras não estarão disponíveis, disse a empresa.

Procurada por bancos, IG4 tem apoio para controlar a Raízen, mas base de credores é o obstáculo

16 de Junho de 2026, 12:05

Poucos dias após assumir de fato a gestão da Braskem, a gestora IG4 avançou para tentar obter controle da Raízen, com o apoio de parte dos grandes credores e chances reais de êxito. Se a investida vingar, a casa fundada por Paulo Mattos reunirá sob o mesmo teto as duas maiores reestruturações empresariais em curso no país.

A Raízen fechou com seus credores a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, para reorganizar R$ 64,7 bilhões em dívidas. Pelo plano, 45% desse valor será convertido em ações, o que torna os credores donos de cerca de 80% da produtora de açúcar e etanol ao final do processo.

Como a negociação envolve uma base dispersa, não há certeza de que a proposta da IG4 prospere. Na dívida da Raízen, os bancos respondem por cerca de metade, com maior exposição do francês BNP Paribas, dono de cerca de R$ 4,2 bilhões em créditos, seguido por Santander, Rabobank e Bradesco, com cerca de R$ 2 bilhões cada.

A outra metade é o nó. Está espalhada entre detentores de bonds no exterior, debêntures e CRAs, fatia tipicamente fragmentada entre fundos e investidores pessoa física. É essa dispersão que dificulta articular uma liderança entre os credores.

Diante disso, a IG4 foi procurada por instituições nacionais e internacionais interessadas em saber se havia interesse em tocar a reestruturação da Raízen, segundo uma pessoa a par da proposta ouvida pelo InvestNews.

A procura encontrou terreno fértil: a gestora já estudava o ativo desde o fim de 2025, quando montou um time dedicado a acompanhar os números e o negócio.

Estrutura da oferta

O objetivo da IG4 agora é concentrar créditos suficientes para ficar com pouco mais de 50% do capital, consolidando o controle, com poder de indicar a diretoria executiva e conselheiros e conduzir o turnaround de forma ordenada. Caso não alcance esse percentual, a gestora não seguirá com a oferta.

A estrutura desenhada para obter o controle da Raízen seria mista: reunir os créditos dos credores maiores num fundo de investimento em participações, em conversão parecida com a que a casa fez na Braskem com os bancos.

Outra frente seria comprar os créditos dos menores, como debenturistas e detentores de CRAs. Esses credores poderiam escolher entre cotas do fundo, pagamento em dinheiro definido caso a caso, ou derivativos que renderiam ganhos quando a IG4 vendesse a participação após a reestruturação.

Vácuo de gestão

O interesse da IG4 se apoia em uma provável fragilidade no desenho final da Raízen pós-recuperação extrajudicial. A avaliação de quem defende a proposta é que, nas condições atuais, a empresa corre o risco de sair da reestruturação com a maior parte das ações nas mãos de sócios que não têm intenção de administrá-la, com pouca chance de um turnaround ter êxito.

A própria Shell, que permanecerá como sócia após a diluição da Cosan, já teria sido consultada e se mostrado favorável a ter uma casa especializada à frente da reconstrução da Raízen. 

Hoje, boa parte do C-level da Raízen é composta por profissionais indicados pela holding do empresário Rubens Ometto, que deixaria de ter o controle do negócio após a recuperação extrajuidicial.

O Moelis, banco que assessora a maioria dos bondholders, responsáveis por mais de R$ 26 bilhões em dívidas da Raízen, também teria sinalizado que não há entre seus representados nenhuma gestora disposta a tocar um negócio de açúcar e etanol no Brasil.

O motivo do aparente desinteresse é que setor sucroenergético não está entre os favoritos dos investidores estrangeiros, sobretudo de bancos e gestoras internacionais. O histórico ruim dos gringos ao se aventurar no açúcar e etanol brasileiros está por trás do desânimo.

Algumas das maiores tradings agrícolas do mundo – entre elas, LDC e Bunge – penaram no mercado local. A avaliação é que tocar uma operação de cana no Brasil pede fôlego de caixa e estômago para um ciclo agrícola que poucos investidores financeiros aceitam encarar.

As duas maiores

Caso a operação atinja seu objetivo, IG4, uma casa especializada em recuperação de empresas, fundada há uma década por Paulo Mattos, terá no portfólio o desafio de reestruturar mais de R$ 120 bilhões em passivos.

Enquanto a Raízen já acertou as bases de sua reestruturação, a Braskem, maior petroquímica do país, prepara seu plano de recuperação extrajudicial, com cerca de R$ 60 bilhões em dívidas a serem renegociadas.

Mas acumular as duas maiores reestruturações de dívida da história do país vai exigir um esforço inédito da IG4. 

Apesar dos resultados positivos no turnaround de empresas como a Iguá Saneamento e a recém-vendida CLI, o tamanho da dupla Braskem-Raízen supera com folga o de suas investidas anteriores, e a operação é vista como capaz de mudar o patamar da casa frente aos concorrentes.

Por outro lado, o histórico recente e o caixa estariam prontos para o desafio. A IG4 encerrou a captação de seu terceiro fundo em março e teria recursos suficientes para tocar a operação.

O espaço no portfólio também não seria um problema, reforça uma das fontes.

A IG4 costuma manter cerca de cinco empresas em turnaround ao mesmo tempo, mas opera hoje com apenas três: a Opy, de gestão hospitalar, uma empresa já consolidada; a empresa peruana de infraestrutura Aenza; e a Braskem, cujo controle assumiu no início deste mês.

Procurada, a IG4 não comentou.

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Venda de unidade de cimento da CSN gera impasse entre acionistas

16 de Junho de 2026, 11:49

A proposta da Huaxin Cement para comprar a unidade de cimento da brasileira Companhia Siderúrgica Nacional enfrenta resistência de um dos principais acionistas da companhia chinesa, a Holcim, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Holcim, que detém cerca de 42% da Huaxin e vendeu os mesmos ativos no Brasil para a CSN em 2021, indicou que não apoia a continuidade da participação da empresa no processo de venda, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas. Ainda não há decisão final, e a Huaxin segue interessada no ativo, afirmou outra fonte.

Caso a Holcim mantenha sua posição, a participação da Huaxin no leilão pode se tornar mais difícil, o que potencialmente reduziria o número de compradores interessados em um dos maiores produtores de cimento do Brasil, disseram as fontes.

As ações da CSN subiam 2% às 11h07 desta terça-feira (16). No acumulado do ano até o fechamento de segunda-feira, os papéis caíam 32%.

A Huaxin vinha considerando uma oferta de cerca de R$ 12 bilhões (US$ 2,4 bilhões) pelo ativo na fase pré-leilão, segundo as fontes. A empresa chinesa entrou no Brasil no fim de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões, em uma operação que incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo.

CSN, Huaxin e Holcim não comentaram o assunto.

A CSN busca vender o controle de seu negócio de cimento como parte de uma estratégia mais ampla para reduzir alavancagem e reforçar o caixa. A companhia contratou o Morgan Stanley para assessorar a transação. Potenciais compradores estão em fase de diligência, e a CSN espera receber propostas vinculantes até o início de agosto, segundo as fontes.

A Huaxin está entre os interessados no ativo, junto com a Votorantim S.A., a Sinoma International e a Polimix Concreto Ltda., que podem participar de forma independente ou em consórcio. A Bloomberg já havia reportado o interesse da Votorantim.

Sinoma e Polimix não responderam aos pedidos de comentário.

A CSN, controlada pela família do bilionário Benjamin Steinbruch, também contratou o Citigroup e o Banco Bradesco para vender uma participação relevante em sua unidade de infraestrutura e logística, com fundos de pensão e o fundo soberano de Singapura GIC entre os potenciais investidores, segundo as fontes.

* Por Rachel Gamarski- repórter da Bloomberg

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Desafios do novo CEO da Nestlé vão do efeito Ozempic à inflação de alimentos

16 de Junho de 2026, 11:48

Willy Wonka ficaria impressionado com uma das máquinas de uma fábrica aqui — um equipamento que injeta sabores em cápsulas de café por meio de tubos giratórios rotulados como “avelã”, “caramelo” e “cheesecake de mirtilo”.

Esta não é uma das fábricas fictícias de chocolate de Roald Dahl, embora a dona do KitKat e do Nesquik, a Nestlé, tenha muitas delas. A estação de aromas fica em uma planta da Nespresso localizada a cerca de 30 minutos de carro da sede da empresa em Vevey, onde máquinas de envase de alta velocidade produzem mais de 1.000 cápsulas de café instantâneo por minuto. Até o saguão e os elevadores têm cheiro de café torrado, embora os funcionários digam que deixam de perceber após um tempo.

A maioria dos funcionários da Nestlé, independentemente da área, visita uma das 335 fábricas da empresa como parte da integração. A manufatura está no centro da estratégia da maior companhia de alimentos do mundo, que tenta recuperar suas ações após um período difícil. As ações listadas na Suíça caíram 41% desde o início de 2022, pressionadas por vendas fracas, aquisições mal avaliadas e alta rotatividade na liderança. O ponto mais baixo veio em setembro de 2025, quando o conglomerado de 160 anos contratou seu terceiro CEO em apenas 13 meses.

A Nestlé tenta sair dessa fase focando em recuperar participação de mercado e enxugar seu portfólio amplo demais. O desafio do CEO Philipp Navratil é reativar o crescimento, reduzir áreas fora do core e trazer estabilidade após anos de turbulência. Os primeiros sinais sugerem que o plano começa a funcionar, com foco renovado em cápsulas de café, ração para pets e barras de chocolate produzidas em fábricas como esta.

“Vender mais porções, mais xícaras, mais unidades todos os dias… vai resolver a maioria dos nossos problemas do passado”, disse Navratil ao Barron’s.

O “roubo” do KitKat

Em março, a Nestlé mostrou capacidade de transformar azar em oportunidade. Quando ladrões roubaram 12 toneladas métricas de KitKat durante transporte da Itália para a Polônia, a empresa aproveitou o episódio como publicidade gratuita para uma de suas marcas mais famosas.

Em vez de um comunicado formal, cinco funcionários criaram uma resposta bem-humorada dizendo que os criminosos haviam levado o slogan “have a break” (faça uma pausa) literalmente demais. A Nestlé ainda lançou um rastreador online dos KitKats roubados, transformando o caso em campanha viral que gerou cerca de US$ 231 milhões em mídia espontânea em 10 dias, para um produto avaliado em cerca de US$ 420 mil.

“Foi sobre aprender a correr riscos, ser rápido e se conectar com os consumidores”, disse Navratil. “Velocidade acima da perfeição, coragem acima do conforto… é um exemplo da nova Nestlé que estamos tentando construir.”

Ainda assim, mais do que marketing criativo será necessário para reverter o desempenho. As ações caíram 43% entre dezembro de 2021 e janeiro de 2025, eliminando cerca de US$ 177 bilhões em valor de mercado.

Pressão sobre preços e erros estratégicos

A crise começou com a guerra na Ucrânia, que elevou custos de matérias-primas como combustível e trigo. A empresa respondeu com aumentos de preços de 8,2% em 2022 e 7,5% em 2023. Mas ao proteger margens, perdeu participação para concorrentes como Mondelez (dona da Oreo e Cadbury) e Keurig Dr Pepper.

Com consumidores pressionados pela inflação, houve queda na demanda por itens básicos como café, chocolate e sorvete. O volume vendido ficou estagnado em 2022 e caiu em 2023.

Além disso, algumas aquisições fora do core se mostraram problemáticas, como a participação na Blue Bottle Coffee, a biotech Aimmune Therapeutics e o serviço de delivery Freshly, que acabou encerrado.

Mudança de liderança e novo foco

A empresa passou por troca de CEOs até chegar a Navratil, que assumiu após a demissão de seu antecessor em meio a investigações internas e escândalos corporativos.

Agora, a estratégia é focar em crescimento interno real (RIG), que mede aumento de volume em vez de preço. Esse indicador subiu 1,2% recentemente, com alta em quase todos os negócios, e as ações reagiram positivamente.

A nova direção inclui simplificação do portfólio em quatro áreas principais: café, snacks, nutrição e pet food. A Nestlé também avalia vender ativos como San Pellegrino e parte da participação na Häagen-Dazs.

Além disso, anunciou cortes de 16 mil empregos, cerca de 6% da força de trabalho, com expectativa de economizar 3 bilhões de francos suíços até 2027.

IA, mudanças de consumo e desafios futuros

A empresa também está investindo em inteligência artificial para digitalizar operações industriais e melhorar eficiência.

Apesar da melhora inicial, o mercado ainda observa três grandes riscos: o impacto de medicamentos para perda de peso como os GLP-1 na demanda por alimentos, incertezas geopolíticas que podem pressionar custos, e dúvidas sobre o futuro da participação da Nestlé na L’Oréal.

Mesmo assim, as ações ainda são vistas como baratas em relação ao histórico da empresa, negociadas a cerca de 18 vezes lucro futuro, abaixo da média dos últimos cinco anos.

Para o CEO, o foco continua simples:

“Precisamos voltar a entregar crescimento consistente”, disse Navratil. “Tudo isso já começou, mas ainda estamos longe de terminar.”

Envie um e-mail para George Glover em george.glover@dowjones.com

ConectCar compra o iCarros, portal de classificados de automóveis do Itaú

16 de Junho de 2026, 11:48

A ConectCar, empresa de pagamentos eletrônicos de pedágios e estacionamentos, fechou a compra da totalidade do iCarros, plataforma de classificados de veículos até então 100% do Itaú Unibanco, apurou o InvestNews.

Os valores não foram informados. O negócio ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do Banco Central.  Embora seja formalmente uma aquisição, o ativo não deixa totalmente a órbita do banco. A ConectCar é controlada em partes iguais por pela Rede, do Itaú, e a Porto.

Na prática, a operação funciona como uma reorganização que abre metade do iCarros à sócia Porto. Com isso, a plataforma deixa de ser uma operação isolada de classificados automotivos do Itaú e passa a integrar a estratégia da ConectCar, que registrou receita líquida de serviços de R$ 221,46 milhões em 2025..

O objetivo da transação é que a ConectCar, que já atuava na fase de uso do veículo, com a tag de pedágio, passe a estar presente também no momento da compra do carro, funcionando como um marketplace automotivo.

A aquisição abrange apenas o segmento C2C do iCarros, que conecta vendedores pessoa física a compradores. A parte B2C, que atendia lojistas, concessionárias e montadoras, está sendo descontinuada pelo Itaú. O encerramento da operação PJ já havia sido comunicado aos funcionários no início deste mês, de acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A iCarros é um player relativamente pequeno no setor. A plataforma registra cerca de 6 milhões de visitantes mensais e responde por aproximadamente 140 mil anúncios ativos, o equivalente a 6% do mercado de classificados automotivos no Brasil, conforme estimativas de mercado. À frente aparecem OLX Autos, com 30%, e Webmotors, com 18%.

Pizza Hut muda de mãos globalmente por US$ 2,7 bilhões diante de vendas estagnadas

16 de Junho de 2026, 10:10

A Yum! Brands, dona das redes KFC, Taco Bell e Pizza Hut, anunciou nesta terça-feira (16) a venda da operação global da Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões, encerrando uma revisão estratégica iniciada no ano passado para encontrar alternativas para a rede de pizzarias, que vem perdendo espaço no mercado.

Pelos termos do acordo, a gestora de private equity LongRange Capital comprará as operações da Pizza Hut fora da China continental por US$ 1,5 bilhão, enquanto a Yum China Holdings adquirirá os negócios da marca no mercado chinês por cerca de US$ 1,2 bilhão. A expectativa é que as transações sejam concluídas no terceiro trimestre.

As ações da Yum chegaram a subir cerca de 1% nas negociações de pré-mercado nos Estados Unidos. Até o fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam alta de 2,2% em 2026, desempenho inferior ao avanço de aproximadamente 10% do índice S&P 500 no mesmo período.

A Yum controla a Pizza Hut desde 1997, quando foi desmembrada da PepsiCo. A PepsiCo havia adquirido a rede de pizzarias em 1977 e comprou a Taco Bell no ano seguinte.

No Brasil, a Pizza Hut também faz parte da operação global da Yum, mas é administrada por franqueados locais por meio da IMC (International Meal Company). A mudança não deva afetar o funcionamento das lojas ou o relacionamento com os franqueados no curto prazo.

Concorrência crescente

A venda ocorre após anos de tentativas de revitalizar o desempenho da Pizza Hut, conhecida por suas pizzas de massa grossa e bordas amanteigadas.

A rede enfrentou dificuldades para acompanhar as mudanças no setor de alimentação e a crescente concorrência, tanto dentro do mercado de pizzas quanto no segmento de restaurantes como um todo.

Segundo Neil Saunders, diretor da GlobalData, a Domino’s Pizza conquistou vantagens importantes em áreas como inovação de cardápio, marketing, tecnologia de pedidos e infraestrutura de entrega.

Além disso, a Pizza Hut perdeu atratividade entre consumidores que preferem comer nos restaurantes, em busca de ambientes mais modernos e opções de menu mais amplas.

Os números refletem essa perda de relevância. A participação da Pizza Hut na receita da Yum! caiu todos os anos desde 2019, passando de mais de 18% para cerca de 12% em 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Enquanto as vendas da Pizza Hut permaneceram pouco acima de US$ 1 bilhão ao longo dos últimos anos, a receita total da Yum! cresceu cerca de 47% no período, alcançando US$ 8,2 bilhões em 2025.

Recompra de ações

A companhia informou que espera levantar cerca de US$ 2,3 bilhões líquidos com a operação. Parte desses recursos deverá ser destinada aos acionistas: o conselho de administração aprovou uma autorização adicional de US$ 4 bilhões para recompra de ações.

A venda marca o fim de quase cinco décadas da Pizza Hut sob o guarda-chuva corporativo iniciado pela PepsiCo e representa uma das maiores mudanças estratégicas da Yum desde sua separação da gigante de bebidas e alimentos.

Warsh quer que o Fed fale menos — e isso pode gerar mais surpresas para os mercados

16 de Junho de 2026, 09:53

O ex-presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, costumava dizer que a política monetária é 98% conversa e apenas 2% ação. Já Kevin Warsh quer mudar essa proporção.

O novo presidente do Fed, que comandará nesta semana sua primeira reunião de política monetária, prometeu reformular a comunicação da instituição. Sem entrar em muitos detalhes, ele deu sinais de que pretende reduzir a quantidade de mensagens emitidas pelo banco central.

Durante sua audiência de confirmação no Congresso, afirmou que o Fed se esforça demais para fornecer um roteiro detalhado de seus planos futuros. Também observou que os formuladores de política monetária “falam com bastante frequência”.

No entanto, o Fed e outros bancos centrais vêm ampliando sua comunicação com mercados e sociedade ao longo das últimas décadas, e seguir na direção oposta envolve riscos, segundo observadores veteranos da instituição.

“É preciso ter cuidado ao reduzir a comunicação”, disse William English, professor da Universidade Yale e ex-secretário do comitê responsável por definir os juros nos EUA. Fazer isso de forma muito brusca “prejudicaria a eficácia da política monetária e poderia gerar mais decisões inesperadas, provocando volatilidade nos mercados financeiros”.

Os defensores de uma comunicação frequente argumentam que a transparência ajuda investidores e o público a entender melhor o que está por vir e a se preparar para isso. Isso também facilita o trabalho dos banqueiros centrais ao influenciar os custos de financiamento de longo prazo.

Warsh vê a questão de forma diferente. Para ele, os bancos centrais precisam preservar flexibilidade e evitar a percepção de que estão presos a compromissos que podem deixar de fazer sentido diante de mudanças nas condições econômicas. Em uma palestra no International Monetary Fund no ano passado, afirmou que os formuladores de política monetária podem se tornar “prisioneiros de suas próprias palavras”.

Investidores do mercado de títulos estão tentando entender como exatamente o Fed de Warsh pretende mudar sua comunicação, inclusive se o tradicional Summary of Economic Projections (SEP) poderá ser simplificado. O documento reúne projeções para crescimento econômico, desemprego, inflação e juros, além do famoso “dot plot”, gráfico que mostra onde os dirigentes do Fed acreditam que as taxas de juros estarão no futuro.

Há outras possibilidades. Para Torsten Slok, da Apollo Global Management, os comunicados do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) podem ficar significativamente mais curtos. Já Cindy Beaulieu, diretora de investimentos para a América do Norte da gestora Conning, acredita que Warsh gostaria de realizar menos coletivas de imprensa após as reuniões e até eliminar o “dot plot”.

“Isso provavelmente tornará os juros mais voláteis”, afirmou Beaulieu. Segundo ela, uma redução na transparência pode levar os mercados a reagirem exageradamente a cada novo indicador econômico, tentando antecipar os próximos passos do Fed.

O debate sobre o “forward guidance”

O SEP existe desde 2007 e reúne projeções dos 19 participantes do FOMC para crescimento, desemprego, inflação e juros. Tornou-se uma das principais ferramentas de orientação ao mercado, embora alguns economistas questionem sua utilidade, já que as projeções podem rapidamente se tornar obsoletas. Ainda no ano passado, havia propostas para ampliar as informações divulgadas no documento, e não reduzi-las.

A discussão faz parte de um debate mais amplo sobre o chamado forward guidance, estratégia adotada pelo Fed após a crise financeira de 2008. Como os juros já estavam próximos de zero e não podiam cair muito mais, uma das alternativas para estimular a economia era sinalizar que permaneceriam baixos por um período prolongado.

Alguns economistas argumentam que esse tipo de orientação só funciona em circunstâncias excepcionais, como no período pós-crise. Em sua palestra no FMI, Warsh demonstrou simpatia por essa visão.

Além das discussões teóricas, Warsh assume o comando em meio a uma disputa concreta dentro do Fed sobre que tipo de orientação deve ser dada ao mercado. Na última reunião, o comitê manteve em seu comunicado a indicação de que o próximo movimento mais provável seria um corte de juros, embora vários membros defendessem a retirada dessa mensagem.

O episódio também revela uma limitação do forward guidance: investidores nem sempre acreditam no que o Fed está dizendo.

Em março, os mercados chegaram a apostar em aumentos de juros, mesmo quando dirigentes da instituição indicavam que o movimento mais provável seria uma redução. Agora, à medida que alguns dirigentes passaram a discutir publicamente cenários de alta dos juros, os investidores também elevaram suas apostas nessa direção.

Embora o mercado possa estar errado, uma orientação mais limitada é “provavelmente positiva”, afirmou Jack McIntyre, gestor da Brandywine Global Investment Management.

Menos discursos?

Outra forma direta de comunicação do Fed é por meio de discursos públicos. Dados da própria instituição mostram que seus dirigentes falam mais frequentemente hoje do que no passado. Em 2024 e 2025, os governadores realizaram cerca de 225 discursos, aproximadamente 20% a mais do que duas décadas antes.

Pesquisas indicam que comunicação excessiva ou mal coordenada pode prejudicar a capacidade de um banco central de orientar os mercados. Ainda assim, não está claro o que Warsh poderia mudar além de incentivar os dirigentes a falarem menos.

Uma ferramenta que ele controla diretamente é a coletiva de imprensa após as reuniões de política monetária. Quando esse formato foi criado, em 2011, havia apenas quatro coletivas por ano. Hoje são oito — uma após cada decisão sobre juros.

Essas entrevistas servem para explicar os argumentos discutidos pelos formuladores de política monetária e se comunicar diretamente com investidores e cidadãos. Durante sua audiência de confirmação, Warsh não se comprometeu a manter coletivas após todas as reuniões do FOMC.

Segundo Claudia Sahm, ex-economista do Fed, o estilo de comunicação que Warsh parece defender lembra a era de Alan Greenspan, quando o então presidente da instituição adotava deliberadamente uma linguagem vaga.

“Se eu parecer excessivamente claro para vocês”, disse Greenspan certa vez aos parlamentares, “então vocês devem ter entendido errado o que eu disse”.

Mesmo durante a gestão Greenspan, porém, o Fed iniciou um processo gradual de aumento da transparência. Episódios posteriores mostraram os riscos da comunicação aberta, como o chamado “taper tantrum” de 2013, quando Bernanke desencadeou uma forte venda de títulos do Tesouro americano ao sinalizar a retirada de estímulos monetários.

Ainda assim, esses episódios foram geralmente interpretados como evidência da necessidade de uma comunicação mais cuidadosa — e não menos comunicação. Hoje, a maioria dos observadores do Fed acredita compreender melhor como o banco central reage às mudanças na economia.

Por isso, economistas e investidores não esperam mudanças radicais de imediato. Qualquer alteração significativa no sistema atual provavelmente exigirá amplo debate interno.

“Quando você muda a forma de comunicação, é muito difícil voltar atrás”, afirmou Don Kohn, ex-vice-presidente do Fed. “Por isso existe a percepção de que é preciso haver amplo consenso antes de promover uma mudança desse tipo, porque será difícil recuar caso ela se revele um erro.”

Golpe do falso investimento usa IA para adaptar estratégia a cada vítima. É o ‘crime as a service’

16 de Junho de 2026, 08:35

O médico Ricardo (nome fictício) chega ao consultório de forma disciplinada às oito da manhã. Aos 52 anos, tem uma carreira consolidada, filhos na faculdade, investimentos diversificados entre renda fixa, ações e fundos imobiliários. Acreditava estar com a vida confortavelmente estabilizada.

A sensação de controle pleno sobre a vida pessoal e profissional, no entanto, se revelou uma vulnerabilidade, que foi explorada com uso de IA. Com planos que se tornaram tão elaborados que parecem saídos do roteiro de um filme de espionagem.

O mais recente golpe de falsos investimentos, não por acaso, recebeu o apelido por parte da polícia de “Truman Show Scam”. O nome faz referência ao filme em que o protagonista Truman Burbank, em papel interpretado por Jim Carrey, vive em uma realidade artificial criada para enganá-lo, enquanto seu dia a dia é transmitido em um “reality show”.

Nesse tipo de golpe, os criminosos usam IA para criar um falso ambiente interativo, mas extremamente realista, que consegue convencer a vítima de que está cercada por pessoas reais e histórias autênticas.

Na verdade, os personagens são criminosos, perfis falsos ou conteúdo gerado por inteligência artificial. O Truman Show Scam cria uma convincente realidade paralela em que todos parecem ganhar dinheiro e ninguém questiona nada.

Ostentação dos lucros

No caso de Ricardo, tudo começou em um domingo como outro qualquer. Enquanto assistia vídeos nas redes sociais, apareceu um em que um suposto especialista em investimentos participava de uma entrevista sobre seu método. O cenário era impecável: gráficos em movimento, comentários de dezenas de pessoas comemorando ganhos extraordinários. O médico clicou no vídeo.

Nos dias seguintes, recebeu o convite para entrar em um grupo fechado. Havia centenas de participantes. Todos pareciam reais.

Um empresário de Curitiba agradecia por ter dobrado o patrimônio. Uma dentista de Belo Horizonte mostrava extratos. Um engenheiro aposentado comemorava a compra de um carro novo. As mensagens surgiam em ritmo constante, como uma comunidade da prosperidade para poucos abençoados.

A cada manhã, recebia mensagens de “alunos” que agradeciam ao mentor financeiro. À tarde, apareciam capturas de tela com lucros expressivos. À noite, os administradores divulgavam oportunidades “exclusivas”. Era como entrar em um teatro em que todos conheciam o roteiro, exceto ele.

Durante três semanas, limitou-se a observar. O que o convenceu não foi a promessa de rentabilidade mas a sensação de normalidade. Os participantes discutiam futebol, reclamavam do trânsito, comentavam o preço do café. As conversas pareciam espontâneas.

O ambiente transmitia a percepção de uma comunidade genuína. Era exatamente esse o objetivo. Segundo especialistas em segurança digital, esses golpes se apoiam menos na tecnologia e mais na manipulação psicológica, construindo confiança gradual por meio de validação social permanente.

Quando finalmente decidiu investir, o processo parecia profissional. Baixou um aplicativo sofisticado. Fez verificação de identidade. Recebeu login, senha e acesso a uma plataforma repleta de gráficos e ferramentas.

Bom demais para ser verdade

O saldo começou a crescer imediatamente: R$ 20 mil viraram R$ 22 mil. Depois, R$ 27 mil. Em seguida, R$ 34 mil.

Toda vez que entrava no sistema, havia lucro. Toda vez que acessava o grupo, encontrava alguém celebrando ganhos ainda maiores. Era impossível não sentir que estava atrasado em relação aos demais.

A lógica passou a dar lugar a uma emoção: o medo de ficar de fora. Quando pediu o primeiro resgate, recebeu o dinheiro.

A transferência de alguns milhares de reais serviu como selo de autenticidade. A partir dali, Ricardo aumentou os aportes. Resgatou aplicações conservadoras e transferiu recursos que havia acumulado ao longo de alguns anos.

Quando o aplicativo já mostrava um patrimônio superior a R$ 600 mil, Ricardo solicitou um saque maior. A resposta veio em minutos: para liberar os recursos, seria necessário pagar uma taxa regulatória. Depois surgiu uma exigência tributária. Cada transferência apenas criava uma nova exigência.

Foi quando a realidade “fake” começou a rachar. Os participantes da comunidade desapareceram. Tentou ligar para os responsáveis, mas ninguém atendeu. Procurou o endereço da empresa. Não existia.

Quando finalmente procurou a polícia, descobriu que não era o único. Havia diversas outras vítimas. Médicos, advogados, empresários, engenheiros e profissionais liberais. Pessoas instruídas, experientes e financeiramente bem-sucedidas.

O médico Ricardo foi uma das 40 vítimas de uma quadrilha que criou um golpe do tipo Truman Show Scam e atuou em São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás até o início do ano.

Miragem financeira termina na polícia

O esquema funcionou até ser desbaratado pela Operação Mirage realizada pela Polícias Civis dos três Estados. A ação prendeu três pessoas e cumpriu 125 ordens judiciais, incluindo cinco mandados de prisão preventiva, 13 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas de 85 pessoas físicas e jurídicas, sequestro de veículos, além do bloqueio de carteiras de criptoativos custodiados por 17 corretoras digitais.

Segundo a delegada Isadora Galian, da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc) do Rio Grande do Sul, uma das vítimas perdeu sozinha R$ 4,3 milhões. As estimativas colocam os prejuízos na casa de dezenas de milhões de reais.

A delegada explicou que a Mirage foi apenas o início de uma investigação muito mais profunda e que vai se estender ao longo do ano e vai rastrear a estrutura de lavagem e ocultação dos recursos.

A quadrilha usou agentes de IA e até mesmo contratou serviços em formato que a delegada descreveu como “crime as a service”. Nesse caso, os protagonistas do esquema, a partir de Goiás, pagaram operadores em São Paulo e no Camboja, na Ásia, para criarem e manterem o ambiente de falsa realidade artificial de investimentos para fazer o golpe funcionar em larga escala. 

Nos EUA, esse tipo de esquema já causa prejuízos de mais de US$ 12 bilhões anualmente.

Uso de IA permite escalar golpes

Dados da Polícia Federal no Brasil revelaram que, em 2025, 42,5% das fraudes financeiras no país já contaram com ferramentas de IA. O uso de deepfakes, como, por exemplo, criação de identidades falsas ou com vídeos falsos de celebridades oferecendo investimentos fraudulentos, cresceu 830% entre 2024 e 2025, colocando o país na liderança desse tipo de crime na América Latina.

Só os golpes envolvendo Pix somaram cerca de 28 milhões de casos em 2025 e R$ 2,7 bilhões em prejuízos acumulados em dois anos.

A engenharia social por trás desses golpes se tornou algo bem mais sofisticado com a chegada dos grandes modelos de linguagem (LLMs). Em vez de mensagens mal escritas, com erros de ortografia e gírias suspeitas, o que chega ao cliente são textos praticamente perfeitos, com vocabulário bem encaixado e argumentos persuasivos adaptados ao perfil da vítima.

Esses modelos ajudam na produção em massa de e-mails, SMS, páginas falsas e até scripts de atendimento por voz e na simulação de conversas realistas por meio de redes como WhatsApp e Telegram.

Some a isso a capacidade da IA de cruzar dados públicos – gênero, faixa etária, hábitos de consumo – e os investimentos falsos ficam cada vez mais difíceis de serem identificados.

Empresas de segurança já identificam mais de 300 tipos de golpes diferentes circulando no mercado, muitos com recortes específicos para cada grupo de vítima.

Como se proteger

A regra é sempre desconfiar de ofertas rentáveis demais para serem de verdade. Mesmo que as “pessoas” da comunidade pareçam reais, você pode fazer um teste: chame um dos integrantes para uma conversa privada e busque informações como registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), CNPJ, ativos que compõem as carteiras de investimentos, informações sobre os “ganhos” diários ou mensais.

Faça uma checagem desses dados na própria CVM, no Banco Central, na Receita Federal e em plataformas de investimentos para verificar se os dados de retorno são reais. Vale também verificar sites de reputação, como o Reclame Aqui.

Além disso, nunca faça transferências para contas que não sejam de corretoras cadastradas e autorizadas pela CVM. Se a conta for de uma pessoa física (CPF), há grande chance de ser uma fraude.

E se a intermediadora pediu o pagamento de taxas, impostos ou tarifas para você sacar o próprio dinheiro, desconfie e denuncie. As plataformas sérias não pedem ao investidor para enviar um Pix para liberar os próprios recursos.

Denúncias podem ser feitas pelo site safernet.org.br — parceira do Ministério Público que mapeia golpes digitais no Brasil e orienta vítimas. Faça um boletim de ocorrência (BO), caso verifique ter sido vítima de golpe.

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Bitcoin e criptomoedas avançam após Japão elevar juros ao maior nível em 31 anos

16 de Junho de 2026, 08:10


O bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas ampliam os ganhos nesta terça-feira (16), mesmo após o Banco do Japão (BoJ) elevar sua taxa básica de juros para 1%, o maior patamar em 31 anos.

A decisão foi tomada por causa das pressões inflacionárias enfrentadas pelo país, agravadas pela alta do preço do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio.

Em teoria, juros mais elevados no Japão tendem a pressionar ativos de risco, como ações e criptomoedas, assim como costuma ocorrer quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), aumenta suas taxas de juros.

Desta vez, porém, o mercado reagiu de forma positiva. Isso porque o Banco do Japão anunciou também a suspensão da redução gradual de suas compras de títulos públicos, sinalizando que continuará oferecendo suporte à liquidez da economia.

A avaliação dos investidores é que a autoridade monetária japonesa busca equilibrar o combate à inflação com a sustentação da atividade econômica, evitando um aperto monetário mais agressivo.

Com isso, o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 66 mil, com alta de 1,11%. O ethereum (ETH) avança 3,44%, para a região dos US$ 1.700, enquanto a solana (SOL) sobe 4,55%, sendo negociada próxima dos US$ 75.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  +1,11%, US$ 66.543,19

Ethereum (ETH): +3,44%, US$ 1.797,63

BNB (BNB): -0,24%, US$ 613,56

XRP (XRP): +4,36%, US$ 1,23

Solana (SOL): +4,55%, US$ 74,84

Outros destaques do mercado cripto

Juntos por Cripto no Brasil. Vai rolar nesta semana o lançamento do movimento Juntos por Cripto no Brasil, versão nacional da Stand With Crypto, uma organização que defende regulamentações mais claras para o mercado de criptomoedas. O objetivo do grupo é mobilizar usuários de moedas digitais para participar do debate regulatório e pressionar os legisladores por um ambiente mais favorável. A meta é alcançar 100 mil apoiadores antes das eleições.

Mapa das stablecoins. A startup brasileira Lumx colocou no mercado o Stable Operator Map, um mapa colaborativo que reúne firmas que operam com stablecoins na América Latina. A proposta é funcionar como um diretório aberto do setor, com participação gratuita e critérios públicos para inclusão. O mapa estreia com dezenas de empresas já listadas, entre elas Bitso, Bridge, Crossmint e Fireblocks.

SpaceX no mundo cripto. A estreia da SpaceX na Nasdaq movimentou não apenas Wall Street, mas também o mercado cripto. No dia do IPO, o contrato perpétuo ligado às ações da empresa na exchange descentralizada Hyperliquid registrou US$ 1,4 bilhão em volume negociado, quase 30% de toda a movimentação desses mercados. O interesse foi tão grande que o token HYPE avançou cerca de 10% no mesmo dia.

Galeão passa por teste de fogo após virada histórica

16 de Junho de 2026, 06:29

O Aeroporto do Galeão quase parou em 2022, operando com só 20% da capacidade. Mas o jogo virou: após crescer 133%, o terminal carioca assumiu o terceiro lugar no ranking nacional. Neste vídeo, Alexandre Versignassi mostra como o novo hub da Gol, o boom do turismo e a gestão da espanhola Aena testam a força do Galeão neste ano. Dê o play e entenda o impacto econômico dessa virada.

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O casamento de 70 anos entre McDonald’s e Coca-Cola está em crise

16 de Junho de 2026, 06:03

Waddy Pratt, executivo da Coca-Cola, chegou a uma incipiente rede de hambúrgueres em Des Plaines, Illinois, onde um homem chamado Ray Kroc estava lavando o estacionamento com uma mangueira. O ambicioso empreendedor de refrigerantes acreditava que os restaurantes McDonald’s que Kroc imaginava expandir pelo país precisariam de uma bebida assinatura — e achava que a Coca-Cola poderia ser essa escolha.

O acordo informal firmado em 1955 selou a união entre duas marcas que, juntas, se tornaram ícones do capitalismo americano — e dos próprios Estados Unidos.

“Desde então, nossas marcas estão conectadas a cada gole”, disse a Coca-Cola em uma publicação no LinkedIn no ano passado, que celebrou os 70 anos da parceria.

Mas, como em muitos relacionamentos, há problemas. Não é que as duas empresas não estejam comprometidas uma com a outra, dizem executivos. É que o McDonald’s hoje já não está satisfeito em planejar tudo apenas em torno da Coca-Cola.

O McDonald’s está em busca de novos negócios. O crescimento nas vendas de hambúrgueres nos EUA desacelerou, enquanto Starbucks e Dunkin’ mostram que bebidas podem gerar bilhões por conta própria.

Red Bull ganha espaço

Nesta primavera no hemisfério norte, o McDonald’s lançou seus próprios refrigerantes personalizados e bebidas refrescantes. E se prepara para lançar uma linha de energéticos ancorada pela Red Bull — algo inédito para os Arcos Dourados, em referência ao seu logo universal.

Executivos e franqueados da rede dizem que há anos pedem mais opções à Coca-Cola. Algumas tentativas anteriores de inovação, como bebidas engarrafadas ou o sistema de máquinas “Freestyle”, que permitia aos clientes criar suas próprias misturas, não tiveram sucesso.

Enquanto isso, a popularidade dos refrigerantes tradicionais vem caindo, já que consumidores mais jovens buscam sabores exóticos e combinações com cores “prontas para o TikTok”.

“A Coca entende que queremos mais dela”, disse Jim Lewis, ex-franqueado do McDonald’s que trabalhou por 32 anos em parceria com a empresa.

Lewis, ex-presidente da cooperativa de franqueados da região de Nova York, viajou a Atlanta para reuniões com executivos da Coca na década de 2000, testou a máquina Freestyle em restaurantes no Queens no início dos anos 2010 e participou de comitês que estudavam bebidas engarrafadas no McDonald’s, incluindo o Vitaminwater da Coca.

Segundo ele, a máquina Freestyle exigia mais esforço do que trazia retorno, e os testes com Vitaminwater também fracassaram.

@wallstreetjournal

WSJ’s Heather Haddon visited McDonald’s global headquarters in Chicago to try new refreshers, dirty sodas and other cold beverages the chain is rolling out to U.S. restaurants in May. Host/Reporter: Heather Haddon Producer: Brian Patrick Byrne mcdonalds dirtysoda soda DrPepper Sprite wsj

♬ original sound – The Wall Street Journal – The Wall Street Journal

Trabalhar na conta do McDonald’s é um dos cargos mais prestigiados na sede da Coca em Atlanta. O presidente do grupo responde diretamente ao CEO da empresa e é um veterano com 34 anos de casa; um ex-líder do time era filho do antigo CEO Roberto C. Goizueta.

Henrique Braun, executivo brasileiro que assumiu como CEO da Coca-Cola em março, disse que a parceria com o McDonald’s continua “fantástica”. A Coca já participou da criação de novas bebidas do tipo “dirty soda” da rede, usando Sprite e xaropes para criar bebidas coloridas.

“Como fazemos com todos os nossos clientes, respeitamos suas decisões”, disse Braun ao comentar a inclusão da Red Bull pelo McDonald’s. “Mas sempre buscamos continuar sendo o principal fornecedor de bebidas para todos os consumidores — e isso não é diferente com o McDonald’s.”

O maior grupo de fast food do mundo, com receita anual de cerca de US$ 27 bilhões, afirmou estar comprometido com a parceria com a Coca, mas também quer ampliar sua rede de fornecedores para seus 45.700 restaurantes — incluindo 13.730 nos EUA.

“Somos guiados pelas preferências dos clientes e tendências emergentes”, disse uma porta-voz. “Seguimos profundamente comprometidos com nossa parceria de longa data com a Coca-Cola.”

Na feira anual da National Restaurant Association em Chicago no mês passado, a Coca exibiu uma variedade de bebidas em teste, incluindo uma bebida energética congelada em tons de arco-íris e bebidas rosadas voltadas ao público jovem.

Tradicionalmente, a Coca não apresentaria produtos ainda em desenvolvimento, disse Josh Gurley, chefe de transformação e crescimento estratégico da empresa.

Mas a gigante das bebidas, com receita anual de US$ 47,9 bilhões, sabe que restaurantes querem mais — e por isso distribuiu amostras de Strawberry Hot Honey Lemonade e Blueberry London Fog. Normalmente, a empresa só apresentaria novos produtos após contratos fechados.

“Isso é um pouco desconfortável para nós”, disse Gurley enquanto pessoas provavam drinks experimentais no estande.

Em 1955, quando Pratt e Kroc se encontraram, perceberam que padronizar os produtos do McDonald’s ajudaria a garantir qualidade uniforme e reduzir custos via escala de compras.

Pratt criou uma equipe que deu origem à McDonald’s Division (TMD). A Coca focou em vender Coca-Cola tradicional nas máquinas da rede, que também vendia outras bebidas próprias, como root beer e laranja.

A Coca passou a fornecer vendedores dedicados aos franqueados e expandiu o portfólio para incluir Sprite nos anos 1980, retirando a 7UP das máquinas do McDonald’s. Representantes da Coca no contrato se autodenominavam “guardians of the handshake” (“guardiões do aperto de mãos”), em referência ao acordo original.

Desde o início, o McDonald’s queria que a Coca servida em suas máquinas tivesse gosto mais fresco do que em qualquer outro lugar. Para isso, adotou medidas incomuns: sistemas de filtragem de água, controle de temperatura próximo ao congelamento para aumentar o gás, e calibração frequente das máquinas para garantir proporções corretas de xarope e gelo.

A Coca também realizava auditorias técnicas regulares, analisando temperatura e carbonatação, e entregava o xarope em tambores de aço inoxidável de 75 galões, enviados por caminhões e conectados diretamente às lojas.

A parceria gerou frutos. Nos anos 1980, executivos da Coca defenderam o conceito do “extra value meal”, combinando sanduíche, bebida e batata a preço reduzido — modelo que se tornaria padrão na indústria.

A Coca ajudou a financiar campanhas de marketing do McDonald’s, e seus refrigerantes se tornaram presença constante nas propagandas da rede.

Em 2002, o McDonald’s passou a adotar menus a la carte de US$ 1, o que reduziu a relevância dos combos com Coca. O período foi difícil para a empresa de bebidas, já que as vendas de refrigerantes caíam nos EUA.

Por volta de 2006, a Coca testou a venda de bebidas engarrafadas em lojas selecionadas do McDonald’s no Texas, incluindo marcas como Powerade, cafés gaseificados e energéticos.

Alguns franqueados passaram a vender produtos da PepsiCo, como Mountain Dew e Gatorade, em refrigeradores separados — algo inédito na história da rede.

As vendas de bebidas engarrafadas foram inferiores às de refrigerante de máquina, e os testes terminaram até 2009. Mas o episódio acendeu alertas na Coca sobre sua posição dominante no McDonald’s.

Mais tarde, o McDonald’s passou a dar espaço a outros refrigerantes em algumas máquinas, reduzindo a presença de marcas da Coca.

A rede passou a considerar novas parcerias após o sucesso da PepsiCo com o Taco Bell e o Mountain Dew Baja Blast, lançado em 2004 e que geraria mais de US$ 1 bilhão em vendas anuais.

O refrigerante também passou a enfrentar concorrência de Starbucks, que expandiu bebidas geladas e frappés e criou uma linha de refrescos frutados que se tornou um negócio de US$ 2 bilhões.

Em 2015, a Coca comprou participação na Monster, concorrente da Red Bull, e o McDonald’s testou a marca em algumas lojas — sem sucesso.

A rede decidiu, então, focar em seu café McCafé.

A Starbucks mostrou ao McDonald’s o grande mercado de bebidas especiais (Lanna Apisukh/WSJ)

Em 2015, o McDonald’s contratou Chris Kempczinski, ex-PepsiCo e Kraft Heinz, para liderar estratégia e inovação, com foco em bebidas.

Ele lançou em 2023 o conceito CosMc’s, voltado a bebidas como lattes e frappés, que acabou sendo encerrado cerca de 18 meses depois, mas serviu de base para novos testes.

Em 2025, a empresa colocou Charlie Newberger, ex-líder do CosMc’s, para liderar o desenvolvimento de bebidas.

“Precisamos de alguém que pense de forma exclusiva no que a oferta de bebidas do McDonald’s deve ser daqui a cinco anos”, disse Kempczinski.

Em um evento recente em Chicago, a empresa apresentou novos produtos para influenciadores digitais.

Segundo executivos, testes iniciais mostram que consumidores substituem bebidas tradicionais por novas opções, sem grande impacto direto nos refrigerantes clássicos.

Na feira de maio, a Coca apresentou novas máquinas para “dirty sodas” e bebidas com xaropes, que foram observadas por executivos do McDonald’s.

A rede também testou novas bebidas em Colorado e Wisconsin, incluindo Sprite com sabores especiais e até versões com bebidas energéticas. Em alguns casos, a Red Bull se destacou como a favorita dos consumidores.

“Meu Deus, acho que tenho uma nova obsessão. Isso é muito bom”, disse um cliente em vídeo no TikTok sobre o teste com Red Bull no McDonald’s.

Câmeras nas calçadas viraram um grande negócio nas grandes cidades. Falta provar que coíbem o crime

16 de Junho de 2026, 06:00

Eles são quase onipresentes nos bairros mais ricos de São Paulo e do Rio de Janeiro e já se espalham por outras capitais brasileiras: totens de metal com câmeras embutidas, instalados nas calçadas em frente a condomínios, escritórios e restaurantes.

Esse mercado ganhou corpo no país nos últimos cinco anos, impulsionado pela promessa de inibir a ação de criminosos e proteger o entorno dos imóveis, na esteira do aumento do número de assaltos em regiões mais valorizadas.

Os totens são o produto mais aparente de uma indústria mais ampla: o mercado de segurança eletrônica gerou faturamento de R$ 16 bilhões em 2025, com alta de 16% em um ano e de 73% desde 2021, segundo a Abese, associação que reúne empresas do ramo.

Trata-se de uma resposta privada a uma questão de segurança pública: redes de câmeras, sensores e inteligência artificial são demandados como ferramentas que, segundo se espera, ajudam a prevenir crimes e identificar suspeitos.

Mas o mercado dos totens avançou mais rápido que as regras e que as evidências sobre sua eficácia. E abriu um debate: como regular um negócio privado baseado em vigiar o espaço público?

O negócio dos totens

Duas empresas lideram essa expansão: a CoSecurity, do Grupo Haganá, e a Gabriel.

A CoSecurity foi criada em 2022 por Chen Gilad, CEO da Haganá, empresa de segurança privada fundada por sua família, e Luciano Caruso, diretor de tecnologia do grupo.

O faturamento é modesto: a CoSecurity encerrou 2025 com receita de R$ 20 milhões. Mas seus equipamentos se multiplicam no país. Hoje, a empresa opera 12 mil câmeras, contra pouco mais de 6 mil em 2024. Desse total, 11,5 mil estão em São Paulo, mas a rede começou a avançar por Rio e Curitiba.

Totem de monitoramento da CoSecurity com câmeras de vídeo e sinalização luminosa, posicionado em área externa próxima ao acesso de um condomínio fechado.
Totens com câmeras da CoSecurity, do Grupo Haganá (Divulgação)

Gilad chama o modelo de “segurança colaborativa”. Condomínios e comércios contratam o serviço individualmente, mas as imagens passam a integrar uma base maior de câmeras espalhadas pela região, sob supervisão da empresa.

“É como uma rede social”, disse Gilad ao InvestNews. “Sozinho, não tem graça. Mas se todos os seus vizinhos também estão, a inteligência começa a aparecer.”

O totem é a face do produto que o cliente vê no dia a dia, mas não é o centro da operação. Para Gilad, o hardware vale 20% do negócio.

Cada totem custa R$ 499 – ou R$ 299 na versão de parede – por mês, enquanto o software sai de R$ 199 a R$ 499 por mês a depender do nível de inteligência.

O grosso do faturamento está na plataforma que cruza dados de placas, rostos e histórico de ocorrências para gerar alertas em tempo real. Isso significa acumular e organizar informações sobre veículos, pessoas e eventos registrados pela rede – quem apareceu onde, quando e em quais circunstâncias.

A empresa diz limitar o acesso às imagens – a funcionários com permissões específicas – e submeter os alertas a revisão humana antes de comunicar clientes ou autoridades.

É um modelo diferente de sua principal concorrente, a Gabriel, que afirma não fazer reconhecimento facial, enquanto a CoSecurity realiza análises biométricas.

Segundo declarações públicas, a decisão busca evitar riscos jurídicos com uma tecnologia que identifica pessoas na rua sem autorização.

Procurada pelo InvestNews, a Gabriel não concedeu entrevista. 

Totem de segurança da Gabriel instalado em área urbana, com câmeras voltadas para a rua e iluminação em LED verde.
Totens da startup Gabriel: 14 mil câmeras em operação (Divulgação)

A Gabriel nasceu em 2020, fundada por Erick Coser, Otávio Miranda e Sérgio Andrade – este último um dos fundadores da rede de academias Bodytech. Hoje, a empresa diz ter 14 mil câmeras em operação, entre Rio, São Paulo, Niterói e Belo Horizonte.

A empresa ficou conhecida pela luz verde que emana de seus totens e demarca as áreas monitoradas. Mas essa presença ostensiva virou alvo de questionamento.

Em dezembro de 2025, a companhia terminou de realocar 400 câmeras instaladas em áreas públicas no Rio, a mando da prefeitura, que considerou os equipamentos irregulares por ocuparem espaços como praças, canteiros e rotatórias.

O episódio resume um dos dilemas do setor: os clientes são privados, mas as câmeras ocupam as calçadas e apontam para a rua. 

Essa fronteira se torna ainda menos nítida quando as redes privadas passam a se conectar aos sistemas de vigilância do poder público. 

Breve história da vigilância pública

O país testou a biometria facial pela primeira vez em 2014, na Copa do Mundo, em centrais de monitoramento criadas para coordenar a segurança do torneio. Mas a experiência foi localizada.

A tecnologia voltou com mais força em 2019, na Bahia. No Carnaval de Salvador, as forças de segurança realizaram a primeira prisão com auxílio de reconhecimento facial no país.

A partir dali, outros municípios passaram a adotar sistemas parecidos, com câmeras em postes, centrais de monitoramento, leitura de placas e bancos de dados de procurados.

Nos anos seguintes, essas iniciativas se transformariam em programas de vigilância consolidados, que passaram a reunir câmeras públicas e privadas na mesma rede.

A maior vitrine desse modelo é o Smart Sampa. Lançado pela Prefeitura de São Paulo em 2024, o programa já reúne 50 mil câmeras: apenas 20 mil são operadas pelo município. 

As outras 30 mil pertencem a parceiros privados que aderiram, como Gabriel e CoSecurity.

Em troca, as empresas ganham um diferencial comercial: suas câmeras passam a operar integradas ao sistema de vigilância da cidade.

O Smart Sampa usa reconhecimento facial, leitura de placas e cruzamento com bases de procurados e desaparecidos. Quando há possível correspondência, envia um alerta à central, que aciona a Guarda Civil Metropolitana.

Operadores trabalham na central de monitoramento do Smart Sampa, sistema da Prefeitura de São Paulo que integra câmeras de vigilância e tecnologias de reconhecimento facial para apoiar ações de segurança pública.
Central de monitoramento do Programa Smart Sampa (Prefeitura de SP)

Em escala estadual, o principal projeto é o Muralha Paulista, do governo de São Paulo. O sistema busca integrar câmeras públicas e privadas dos 645 municípios do estado em uma plataforma.

A cidade de São Paulo não está sozinha. O Rio criou a Civitas, que já reúne mais de 10 mil equipamentos e pretende chegar a 20 mil câmeras próprias até 2028.

Curitiba tem a Muralha Digital e passou a incorporar equipamentos de condomínios e empresas pelo Conecta Muralha. Belo Horizonte lançou a Muralha BH, com previsão de mais de 12 mil câmeras, 1,5 mil delas com reconhecimento facial. 

O Brasil tem hoje 525 projetos ativos de reconhecimento facial, capazes de alcançar 96 milhões de pessoas. Desde 2019, estados e municípios direcionaram ao menos R$ 2,65 bilhões em iniciativas, segundo um levantamento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

Limbo jurídico no combate ao crime

Esse crescimento, no entanto, aconteceu sem que houvesse um marco regulatório específico para vigilância biométrica em espaço público. O que existe é um mosaico: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), decretos estaduais, contratos e normas técnicas que variam de estado para estado.

A LGPD é a referência legal do setor – mas tem um limite. O artigo 4º exclui do seu alcance o tratamento de dados para fins de segurança pública e defesa nacional. Isso significa que programas públicos de reconhecimento facial, como o Smart Sampa, não estão sujeitos às mesmas obrigações. 

As empresas privadas, por outro lado, estão no escopo da lei. Mas a operação fica turva quando a câmera privada é usada para finalidades de segurança pública – ou quando as imagens são compartilhadas com o poder público. 

“Existe uma relação muito difícil de dimensionar entre o público e o privado. Isso atrapalha a discussão e nos afasta da construção de regras mínimas para o uso das câmeras”, diz Pablo Nunes, pesquisador do CESeC.

E funciona?

As empresas do setor operam com a promessa de aumentar a segurança de ruas, condomínios e comércios.

Gilad cita uma redução de 80% nas ocorrências em uma área da Faria Lima, em São Paulo, em um projeto com maior nível de integração tecnológica. Em operações mais básicas, afirma receber relatos de condomínios e ruas onde a instalação dos totens teria reduzido a criminalidade em até 20%.

Mas faltam evidências independentes ou oficiais de que redes de câmeras e reconhecimento facial reduzam efetivamente a criminalidade – e de forma consistente ao longo do tempo.

O principal estudo sobre o Smart Sampa, do projeto Panóptico, do CESeC, comparou a evolução dos indicadores criminais da capital paulista com a de outros municípios do estado após a implementação do sistema.

A conclusão foi que não houve redução estatisticamente significativa de furtos, roubos ou homicídios. Os pesquisadores não encontraram aumento relevante da produtividade policial, medida pelo número de prisões em flagrante e cumprimento de mandados.

Os autores ressaltam que isso não significa que as câmeras sejam ineficazes. Elas podem auxiliar investigações ou aumentar a sensação de segurança. O ponto é que, até aqui, não há evidências robustas de que tais sistemas reduzam a criminalidade nas áreas onde são instalados.

Nos EUA, briga dos iogurtes proteicos vai para a Justiça

15 de Junho de 2026, 20:17

A subsidiária americana da Danone entrou com uma ação contra a Chobani em um tribunal federal dos Estados Unidos nesta segunda-feira, alegando que a rival está comercializando de forma irregular a quantidade de proteína presente em cada porção de seu iogurte.

O processo, ajuizado no Distrito Sul de Nova York, afirma que a Chobani manipula o tamanho da porção indicado na embalagem de 32 onças (cerca de 907 gramas) de seu iogurte para aparentar um teor de proteína comparável ao do Oikos Pro, da Danone. Segundo a empresa francesa, isso induz os consumidores a acreditar que os produtos têm densidade proteica semelhante — quando, na prática, o Oikos Pro contém mais proteína por onça.

LEIA MAIS: Marcos Molina, da Sadia, diz que Ozempic já está mudando o consumo: ‘é o Natal da proteína’

A demanda dos consumidores por proteína varreu a indústria alimentícia, impulsionada em parte pelo número crescente de pessoas que usam medicamentos para perda de peso à base de GLP-1. A proteína está sendo adicionada a tantos alimentos que já há escassez de proteína de soro de leite (whey).

O iogurte é uma fonte popular de proteína, e Danone US e Chobani são as duas maiores fabricantes do produto em volume de vendas domésticas, de acordo com a ação judicial. A Danone aponta irregularidades tanto nas embalagens maiores quanto nas menores da Chobani.

Chobani, marca de iogurte americana (Foto: Bloomberg)
Chobani, marca de iogurte americana (Foto: Bloomberg)

No processo, a Danone argumenta que 150 gramas (5,3 onças) é há muito tempo considerado o tamanho padrão de uma porção individual de iogurte nos EUA, e que nos últimos anos 20 gramas de proteína por porção se tornaram um limiar decisivo para o consumidor na hora da compra. A embalagem individual de iogurte rico em proteínas da Chobani tem 6,7 onças (cerca de 190 gramas).

Todos os produtos da linha Oikos Pro têm pelo menos 20 gramas de proteína por porção, segundo o processo. A Danone afirma ter investido no desenvolvimento de tecnologias especializadas para remover água e lactose do leite e concentrar as proteínas caseína e whey — o que permitiu à empresa atingir ou superar esse limite de 20 gramas.

A Danone ainda alega que a Chobani consegue praticar preços mais baixos do que o Oikos Pro porque seu produto é mais barato de fabricar.

“Se o produto da Chobani fosse nomeado, rotulado e comercializado de forma verdadeira, os consumidores não o enxergariam como uma alternativa viável ao Oikos Pro na categoria de iogurte ultrarico em proteínas”, escreveu a Danone em sua queixa.

A Chobani não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Em seu site, a empresa afirma que seu processo de coagem extra permite produzir iogurte rico em proteínas sem necessidade de adicionar suplementos proteicos em pó ou ingredientes artificiais.

@investnewsbr

A febre da proteína tomou conta dos supermercados e do prato do brasileiro. Essa mudança de comportamento está obrigando Nestlé, JBS, Seara e Danone a redesenhar seus produtos. proteína #alimentaçãosaudável

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IG4 oferece compra de dívida da Raízen em busca de participação majoritária

15 de Junho de 2026, 20:01

A firma de private equity IG4 Capital, que acaba de assumir o controle da petroquímica Braskem, agora mira a produtora de açúcar e etanol Raízen, outra grande empresa brasileira em dificuldades financeiras.

A IG4 está oferecendo a aquisição de dívidas da Raízen no âmbito de um plano de reestruturação que prevê converter 45% do passivo em cerca de 80% do capital da companhia, segundo fontes a par do assunto.

O objetivo é acumular dívida suficiente para que a gestora fique com uma participação um pouco acima de 50% após a conversão, disseram as fontes, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas.

A gestora enviou cartas a credores na segunda-feira com a proposta. O plano é criar um fundo de investimento como veículo para deter as ações. Os credores poderão optar por receber cotas do fundo, um pagamento em dinheiro definido caso a caso, ou derivativos que gerarão ganhos quando a IG4 vender sua participação no futuro.

A assessoria de imprensa da IG4 não quis comentar.

Neste mês, a Raízen obteve aprovação de seus credores para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas — o que seria a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil. A companhia, controlada em conjunto pela Shell e pela Cosan, acumula prejuízos após uma série de apostas estratégicas malsucedidas, juros elevados e safras fracas.

Enquanto isso, a Braskem negocia com credores seu próprio plano de reestruturação, após acordo que transferiu à IG4 a fatia que pertencia à Novonor. A firma de private equity divide o controle da petroquímica com a Petrobras.

Refinaria da Braskem nos Estados Unidos
Refinaria da Braskem nos Estados Unidos. IG4 acaba de assumir controle da petroquímica (Bloomberg/Luke Sharrett)

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Motiva assina aditivo de R$ 677 milhões para extensão da Linha 4 até Taboão da Serra

15 de Junho de 2026, 19:07

A Motiva informou que sua controlada ViaQuatro assinou um aditivo ao contrato de concessão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo para a extensão da linha até Taboão da Serra, na região metropolitana da capital paulista.

O Termo Aditivo 11 formaliza os investimentos necessários à implantação do sistema de sinalização e à contratação da certificação de segurança do novo trecho. Os aportes somam R$ 676,8 milhões, em valores com data-base de fevereiro de 2026.

LEIA MAIS: Odebrecht ganha megacontrato de R$ 13,6 bilhões para nova linha de metrô em SP

Segundo o fato relevante, o reequilíbrio econômico-financeiro em favor da concessionária será feito por meio de aporte de recursos.

O aditivo foi celebrado entre a ViaQuatro e o Estado de São Paulo, com interveniência da Agência Reguladora de Serviços Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e anuência da Companhia Paulista de Parcerias.

A extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra já estava prevista no Termo Aditivo 10. O novo documento formaliza a responsabilidade da ViaQuatro pelos investimentos em sinalização e certificação de segurança para viabilizar essa etapa do projeto.

JHSF prepara compra de fatia de R$ 454 milhões do Shopping Cidade Jardim

15 de Junho de 2026, 16:11

A JHSF está montando um novo fundo imobiliário para comprar uma fatia de 16,99% do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, avaliada em R$ 454 milhões, apurou o InvestNews. A companhia de José “Zeco” Auriemo controla 51% do shopping de luxo. Pelo valor da operação, o empreendimento estaria avaliado em cerca de R$ 2,7 bilhões.

A operação foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última semana. O veículo em questão, o JHSF Capital SCJ FII, criado no início deste mês, está captando até R$ 293,8 milhões no mercado de capitais, em uma oferta coordenada pelo Itaú BBA. Está prevista ainda uma tranche subordinada, o que elevaria a captação total a R$ 400 milhões.

Embora o documento não cite nominalmente quem está na outra ponta do negócio, o vendedor seria o XP Malls, maior fundo de shoppings do país e único sócio do grupo JHSF no Cidade Jardim – um outro fundo imobiliário criado pela empresa de Auriemo detém os 33% restantes do empreendimento. O fundo imobiliário da XP passou a deter participação no empreendimento em 2018.

No relatório gerencial mais recente do XP Malls, referente a maio, o XPML11 afirma ter participação de 16,99% no shopping, percentual idêntico ao da fatia à venda. Um segundo indício está na dívida. O prospecto prevê que o fundo da JHSF assumirá cerca de R$ 155 milhões em obrigações, valor semelhante ao saldo que o XP Malls carrega em carteira.

Procuradas pelo InvestNews, XP e JHSF não comentaram até a publicação do texto.

O Cidade Jardim é um dos principais ativos da JHSF. Inaugurado em 2008 na Marginal Pinheiros, na zona sul de São Paulo, concentra, segundo a companhia, a maior quantidade de flagships de marcas internacionais da América Latina.

Ali estão a global store da Louis Vuitton e lojas de Hermès, Prada, Dior e Celine, entre outras. A JHSF define o empreendimento como o principal shopping de alta renda do continente.

Outros negócios do Cidade Jardim

Não é a primeira vez que a fatia troca de mãos. Em 2023, a JHSF Capital comprou 33% do Cidade Jardim da israelense Gazit por R$ 560 milhões, numa operação que avaliava o shopping inteiro em R$ 1,68 bilhão. A fatia havia sido vendida pela própria JHSF à Gazit em 2016, por R$ 410 milhões, quando o grupo precisava reduzir dívida.

Caso a operação seja confirmada, será a segunda negociação entre JHSF e XP Malls em menos de um mês. Em maio, o FII da XP vendeu sua participação de 30% no Shops Jardins, no mesmo complexo, para outro fundo da JHSF Capital, o JCCJ11. A transação saiu por R$ 20 milhões.

O pagamento não foi em dinheiro: o XP Malls recebeu cotas do fundo comprador. À época, a gestora do XPML11 descreveu a venda como reciclagem de portfólio e saída de um ativo de baixa relevância na carteira.

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Por que os jogadores estão usando chuteiras rosa na Copa do Mundo 2026?

15 de Junho de 2026, 14:29

As chuteiras rosa tomaram conta dos gramados da Copa do Mundo de 2026. Nos primeiros jogos do torneio, jogadores de seleções como Brasil, Marrocos, México, África do Sul, Canadá e Estados Unidos entraram em campo usando chuteiras nessa cor ou em tons semelhantes.

Seleções como Brasil, Marrocos, México, África do Sul, Canadá e Estados Unidos fizeram suas estreias com grande parte dos jogadores usando chuteiras rosas ou em tons próximos à cor.

A tendência não está concentrada em uma única fornecedora. Modelos rosas foram lançados por marcas como Nike, Adidas, Puma, New Balance e Skechers, o que ajudou a transformar a cor em uma das principais marcas visuais dos primeiros dias do Mundial.

No caso das chuteiras, os jogadores não precisam usar a mesma marca que patrocina o uniforme da seleção.

Cada atleta pode entrar em campo com o produto de seu próprio patrocinador. Isso aumenta a disputa por visibilidade no pé dos jogadores — e, nesta Copa, diferentes fornecedoras chegaram a uma resposta parecida: chuteiras claras, fortes e em tons de rosa.

A explicação da tendência para a Copa do Mundo 2026 envolve uma combinação de fatores, como destaque visual, contraste com o gramado, maior visibilidade na televisão e a busca das marcas por impacto em um torneio global.

Por que as chuteiras da Copa do Mundo estão rosas?

Em entrevista ao The Athletic, Odinga Nimako, executivo sênior da equipe global de chuteiras de futebol da Nike, afirmou que a marca buscou cores fortes, capazes de ampliar a sensação de confiança e destacar o calçado no gramado.

Segundo Nimako, a Nike partiu da demanda por cores mais vibrantes em grandes eventos. O objetivo era fazer com que a chuteira chamasse atenção tanto para quem está no estádio quanto para quem acompanha as partidas pela televisão.

Outro fator citado é o contraste com os uniformes. A Copa reúne seleções que atuam com camisas amarelas, vermelhas, brancas, verdes e de outras cores, mas nenhuma utiliza um uniforme predominantemente rosa.

Na prática, isso ajuda as chuteiras a se destacarem sem se confundirem com as camisas. A Bélgica é a única seleção que possui um uniforme que mais se aproxima dessa tonalidade, mas só em detalhes em rosa em sua camisa reserva. 

O rosa também aparece em projeções de tendências para moda e design. A consultoria Coloro, em parceria com a WGSN, apontou o Electric Fuchsia como uma das cores-chave para a temporada primavera/verão de 2026.

LEIA MAIS: Camisa da seleção brasileira é considerada a segunda mais bonita da Copa do Mundo

Quais jogadores usaram chuteiras rosas?

A lista de jogadores com chuteiras rosas cresceu nos primeiros jogos da Copa do Mundo 2026, já que a presença da cor não ficou restrita a uma única marca.

Mesmo com contratos diferentes entre atletas e fabricantes, o resultado visual é semelhante: muitas chuteiras claras, chamativas e próximas do rosa em uma mesma competição.

Na abertura entre México e África do Sul, atletas como Khuliso Mudau, Nkosinathi Sibisi e Raúl Jiménez apareceram utilizando o modelo.

Na estreia do Canadá contra a Bósnia e Herzegovina, quase todo o time canadense usou chuteiras rosas, incluindo Jonathan David.

Nos Estados Unidos, Folarin Balogun, Weston McKennie e Sergiño Dest também aderiram à tendência na vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai.

No jogo entre Brasil e Marrocos, jogadores da seleção brasileira como Vinícius Júnior, Bruno Guimarães, Raphinha, Gabriel Magalhães e Alisson utilizaram chuteiras rosas. Pelo lado marroquino, Ismael Saibari também apareceu com a cor.

Quem marcou gol usando chuteiras rosas?

Entre os casos identificados nas fontes consultadas, alguns jogadores marcaram gols utilizando chuteiras rosas nos primeiros jogos da Copa do Mundo 2026:

  • Raúl Jiménez, do México, contra a África do Sul;
  • Vinícius Júnior, do Brasil, contra o Marrocos;
  • Ismael Saibari, do Marrocos, contra o Brasil;
  • Folarin Balogun, dos Estados Unidos, que marcou duas vezes contra o Paraguai.

Quais seleções usaram chuteiras rosas?

As chuteiras rosas apareceram em diferentes seleções nos primeiros dias da Copa do Mundo 2026:

  • Coreia do Sul, com dez jogadores de linha usando chuteiras rosas na estreia contra a Tchéquia;
  • México, com atletas utilizando a cor na abertura contra a África do Sul;
  • África do Sul, também presente na partida de abertura;
  • Canadá, com quase todo o time usando chuteiras rosas contra a Bósnia e Herzegovina;
  • Estados Unidos, com jogadores como Folarin Balogun, Weston McKennie e Sergiño Dest;
  • Brasil, com nomes como Vinícius Júnior, Bruno Guimarães, Raphinha, Gabriel Magalhães e Alisson;
  • Marrocos, com Ismael Saibari entre os casos citados;
  • Holanda, identificada em registros de jogadores utilizando chuteiras rosas;
  • Bélgica, citada entre as seleções que aderiram à tendência.

Quem foi contra a tendência das chuteiras rosas?

Apesar da forte presença do rosa, nem todos os jogadores seguiram a mesma linha visual.

Lionel Messi utilizará chuteiras Adidas nas cores branca e azul-clara, com detalhes dourados, em referência às cores da Argentina.

Christian Pulisic, dos Estados Unidos, tem um modelo da Puma branco com estrelas azuis, inspirado na bandeira norte-americana.

Cristiano Ronaldo também terá um modelo próprio fora da tendência rosa. A Nike preparou chuteiras douradas para o português, em referência à sua sexta Copa do Mundo e à trajetória construída pelo jogador na competição.

Os árbitros também fogem da tendência. A Fifa determina que os oficiais de partida utilizem chuteiras pretas tradicionais, produzidas pela Adidas, patrocinadora da entidade.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

Com o fim da Guerra do Irã, como ficam os investimentos? O que esperar da renda fixa e de ações

15 de Junho de 2026, 12:27

A reação positiva dos mercados no Brasil neste começo de semana diante do fim da Guerra do Irã, com queda do dólar e alta da bolsa, acompanha um movimento global. No curto prazo, a redução dos preços do petróleo vai ajudar o câmbio, reduzir a pressão inflacionária e melhorar as perspectivas para setores mais sensíveis aos juros. Mas, no médio prazo, o cenário não vai ser o mesmo de antes do conflito.

A tendência é que a bolsa retome o rumo das altas com ajuda de setores que se beneficiam desse cenário mais otimista, como varejo, construção civil, shopping centers e ações de companhias de menor porte, as small caps – ainda que o Ibovespa fique pressionado pela correção das ações da Petrobras, que respondem por 12% do índice e, com o fim da guerra, perde 4% nesta segunda-feira (15).

Juros futuros

Os juros futuros também caem, dado que passam a embutir menos prêmio de risco diante da perspectiva de alívio sobre os preços globais de energia. Isso significa que quem aproveitou os momentos mais críticos para aplicar em títulos com taxas elevadas, como IPCA + 8% ao ano ou um prefixado acima de 14% anuais, verá seu saldo em reais na carteira aumentar.

Mas a janela dos juros em patamares historicamente elevados ainda está aberta. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os papéis prefixados se mantêm acima de 14% ao ano.

Isso significa que, mesmo com o fim da guerra, a volatilidade dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados deve se manter ao longo dos próximos meses. As incertezas continuam elevadas no lado doméstico, com ameaças de novas tarifas dos EUA e diante da aproximação das eleições.

Portanto, o investidor que busca travar os rendimentos deve estar preparado para o sobe-e-desce de taxas e preços de títulos. Por outro lado, quem pode manter os recursos aplicados no longo prazo, no mínimo até 2027, vai se beneficiar do juros nos maiores níveis em vários anos.

Na plataforma Tesouro Direto, os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra têm se traduzido em queda expressivas de taxas. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saiu de 14,97% no pico da semana passada, visto da quarta-feira (10), para 14,32% nesta segunda-feira (15). Esse recuo de taxas representa um ganho de 1,57% no valor do papel em uma semana.

O Tesouro IPCA+ 2032 também apresentou ganhos no seu valor com o recuo de taxas. O título saiu de um pico de inflação mais 8,36% no momento mais tenso da semana anterior para os atuais IPCA + 8,04%, com tendência de queda. A variação representou uma alta de 2,1% no saldo em reais.

No IPCA+2040, mais longo e, portanto, mais sensível a mudanças de taxa, a alta no saldo é de 6%.

Bolsa na berinda

A questão é o que vem depois desse alívio imediato. Mesmo que a guerra tenha durado pouco menos de quatro meses, o mundo já não é mais o mesmo de antes de fevereiro deste ano, quando eclodiu.

O movimento de diversificação internacional voltou a perder força entre abril e maio. Os investidores globais registraram só em maio vendas líquidas de R$ 13 bilhões na bolsa brasileira.

Ainda que o saldo no ano ainda seja positivo em R$ 43 bilhões, em maio e início de junho mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local.

E o que isso significa para os investidores? No caso da bolsa, o novo mundo pós-guerra pode manter ventos contrários ao movimento de entrada de recursos que sustentou várias quebra de recordes do Ibovespa no primeiro trimestre.

O momento, portanto, é ajustar estratégias. Uma forma de se precaver de oscilações mais intensas da bolsa daqui para a frente é se tornar mais seletivo na escolha dos papéis.

O setor de “utilities”, por exemplo, eleva o lado defensivo da carteira de renda variável. O nome em inglês se refere às empresas de utilidade pública, como saneamento e energia elétrica. Esse setor inclui nomes como Sabesp, Axia, Copel e Eneva.

São, em geral, negócios mais estáveis e com receitas previsíveis por serem reguladas. Grande parte das companhias também costuma aparecer com frequência nas listas de maiores pagadoras de dividendos.

Setor de tecnologia volta a decolar

Um dos principais ventos contras para a renda variável vem da retomada da “força gravitacional” das ações de tecnologia, em especial aquelas ligadas à cadeia de inteligência artificial. O repique recente ocorre em meio às notícias sobre novas ofertas iniciais de ações trilionárias.

O IPO da SpaceX, do bilionário Elon Musk, movimentou US$ 75 bilhões e levou a fabricante de foguetes e operadora do sistema de internet via satélite Starlink a um valor de mercado de US$ 1,75 trilhão.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deve ser a próxima. A companhia pode captar US$ 60 bilhões em uma abertura de capital no segundo semestre. Esse volume de recursos colocaria a companhia no seleto clube do trilhão, com um “valuation” de US$ 1 trilhão.

Outro mega IPO no horizonte é o da Anthropic, rival da OpenAI e dona da plataforma Claude.

As narrativas de inovação disruptiva — IA, computação avançada, infraestrutura espacial, defesa tecnológica — têm levado boa parte do dinheiro internacional de volta à órbita do mercado americano.

Juros das Treasuries

Outra mudança trazida pela guerra diz respeito ao nível dos juros de longo prazo americanos. Antes do conflito, a Treasury de 10 anos, principal referência nesse mercado, negociava a taxas levemente abaixo de 4% ao ano. No cenário atual, o retorno tem variado entre 4,4% e 4,5% anuais. Na manhã desta segunda feira, com o acordo de cessar-fogo digerido pelo mercado, a taxa operava em leve queda, a 4,45%.

O título mais longo do Tesouro americano, a Treasury de 30 anos, chegou a tocar o maior nível em 19 anos no fim de maio, aos 5,196%. Nesta segunda-feira (15), a taxa permanece perto de 5% ao ano, aos 4,994%. O rendimento atual se mantém no maior nível desde julho de 2007.

Na renda fixa, quando as taxas sobem significa que os preços dos títulos caíram. Com as altas atuais, a remuneração das Treasuries volta a patamares historicamente elevados. O avanço dos retornos passa a atrair mais capital ao mercado dos EUA e fortalece o dólar globalmente.

A alta das taxas vem a reboque das preocupações com a escalada da inflação global. A percepção é que a alta de preços criada pelo conflito não vai desaparecer automaticamente.

Há uma aceleração inflacionária “contratada” e espalhada pelas cadeias globais: fretes marítimos mais caros, seguros elevados, custos energéticos ainda represados e uma normalização da oferta de óleo e gás que ainda deve levar alguns meses. Mesmo com o petróleo em queda, parte desse choque vai contaminar os índices ao longo dos próximos trimestres e tirar a visibilidade futura da inflação.

E isso muda tudo nos mercados. Se antes da guerra os bancos centrais globais ainda administravam ciclos de cortes de juros, agora o caminho se inverteu: o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual e outros BCs, como o Bando da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ), já começam a sinalizar a possibilidade de subir as taxas nas próximas reuniões.

Volatilidade em alta na renda fixa brasileira

No médio prazo, portanto, a renda fixa brasileira pode ver a volatilidade voltar ao mercado de juros prefixados e atrelados à inflação. Se nesta segunda-feira predomina o alívio, daqui a alguns meses, no entanto, tudo pode mudar.

A perspectiva de freio no ciclo de queda de juros aqui e uma guinada lá fora vai afetar as taxas locais. Isso porque, diante das incertezas sobre as decisões dos BCs, os preços vão oscilar ao sabor do noticiário e das preocupações de investidores.

Para o investidor brasileiro, o importante é ter sangue frio. Quem aproveitou para travar taxas historicamente elevadas em títulos IPCA+, por exemplo, tende a ganhar com o chamado “carrego”, ou seja, pelo fato de manter o papel em carteira por um tempo mais prolongado ou até o vencimento.

Há, por exemplo, perspectiva de ganhos se a inflação subir mais do que o esperado. Mas também com uma queda de taxas em um cenário mais favorável. Quem tem mais tolerância ao risco pode, inclusive, aproveitar os momentos de estresse para travar novas taxas.

Fox compra a Roku, empresa de tecnologia que transforma TVs em plataformas de streaming, por US$ 22 bilhões

15 de Junho de 2026, 11:08

A Fox concordou em adquirir a Roku em um acordo que avalia a empresa em cerca de US$ 22 bilhões, incluindo dívida, criando um novo gigante da televisão que controlará conteúdo e distribuição e permitirá competir de forma mais eficiente com grandes plataformas de streaming no mercado de publicidade.

O acordo combinará os canais de esportes, notícias e entretenimento da Fox incluindo o Tubi, gratuito e financiado por anúncios, com a plataforma da Roku, que conta com mais de 100 milhões de assinantes, segundo comunicado divulgado na segunda-feira (15).

A aquisição criará o terceiro maior player do mercado de TV dos EUA em participação de audiência, com distribuição que abrange TV aberta, TV a cabo, canais locais e streaming. A união do Tubi com a Roku cria uma potência em streaming gratuito suportado por publicidade, em um momento em que os espectadores migram cada vez mais para o consumo sob demanda.

“Essa combinação vai transformar o escopo da nossa empresa em verticais de alto crescimento e gerar uma mudança significativa no nosso perfil geral de crescimento”, disse Lachlan Murdoch, CEO da Fox, no comunicado.

Segundo os termos do acordo, a Fox pagará US$ 96 em dinheiro e 0,9693 ação Classe A da Fox por cada ação da Roku. A parcela em ações equivale a US$ 64 por ação da Roku, com base na média ponderada dos últimos 10 dias das ações da Fox até 10 de junho. As ações da Roku subiram 20% na sexta-feira após reportagem da Bloomberg sobre as negociações. Já na segunda-feira, os papéis da empresa avançavam cerca de 1% no pré-mercado, enquanto as ações da Fox caíam 13%.

Os dispositivos de streaming da Roku ajudaram a inaugurar a era do entretenimento doméstico digital, permitindo que usuários assistam conteúdos de aplicativos como Netflix e HBO Max diretamente na TV, transformando qualquer aparelho em uma smart TV. A empresa também vende TVs próprias, projetores e opera seu próprio canal de streaming. Seus dispositivos são usados por “mais da metade das residências com banda larga nos EUA”, segundo comunicado de abril.

A maior parte da receita da Roku vem de publicidade digital e distribuição de serviços de streaming, enquanto a venda de dispositivos representa uma fatia menor. O segmento de plataforma gerou US$ 4,1 bilhões, ou 87,5% da receita total no último ano.

A combinação com a Fox deve melhorar a capacidade de segmentação de campanhas publicitárias, à medida que os orçamentos continuam migrando da TV tradicional para o streaming. A Fox comprou o Tubi em 2020 para fortalecer seu negócio de streaming, que desde então se tornou um importante motor de crescimento.

O acordo deve ser concluído no primeiro semestre de 2027. A Fox recebeu US$ 12 bilhões em financiamento-ponte totalmente comprometido do Morgan Stanley Senior Funding para a transação.

Petróleo cai ao menor nível em três meses após acordo entre Estados Unidos e Irã

15 de Junho de 2026, 08:45

As ações e os títulos de renda fixa avançaram, enquanto o petróleo caiu para o menor nível em três meses após os Estados Unidos e o Irã concordarem em encerrar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Nasdaq 100 subiram 1,9%, enquanto os do S&P 500 avançaram 1,2%. As ações europeias ganharam 0,7% e superaram o recorde histórico registrado antes da guerra. O petróleo Brent caiu para cerca de US$ 83 por barril. Ouro e Bitcoin registraram fortes altas, enquanto o dólar perdeu terreno frente a todas as principais moedas. Os títulos europeus tiveram desempenho superior ao de seus pares globais.

O acordo entre Washington e Teerã sinaliza o fim de um conflito de três meses que custou milhares de vidas e abalou os mercados financeiros. A retomada dos fluxos de energia também ajudaria a eliminar o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo, trazendo alívio para formuladores de política monetária que lutam contra a inflação.

“A disposição para assumir riscos voltou, mas a questão é saber se o estreito será totalmente reaberto”, disse Christopher Dembik, gestor sênior de investimentos da Pictet Asset Management. “Trump não tem um histórico muito sólido de acordos duradouros no Oriente Médio, então existe o risco de as tensões voltarem a aumentar durante o verão.”

Entre as ações individuais, a SpaceX parecia pronta para ampliar os ganhos após sua estreia explosiva no mercado. Fabricantes de chips avançaram nas negociações pré-abertura, com a Nvidia subindo 2%. Mineradoras de ouro tiveram desempenho superior, enquanto as grandes petroleiras continuaram em queda.

A queda do petróleo também pressionou as ações de empresas do setor. No pré-mercado de Nova York, os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras acompanhavam o movimento negativo das petroleiras globais. Às 7h55 (horário de Brasília), os papéis PBR, equivalentes aos PETR3, recuavam 4,16%, para US$ 17,61, enquanto os PBR-A, equivalentes aos PETR4, caíam 3,01%, para US$ 15,81, refletindo a forte baixa dos preços do petróleo após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã.

O Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, afirmou o presidente Donald Trump em uma rede social. O evento dará início a 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Trump disse ao The New York Times que, caso não haja um acordo nuclear, poderá retomar os ataques militares.

Por sua vez, o Irã permitirá a livre navegação pela via marítima por apenas 60 dias, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte familiarizada com o assunto.

“Não se trata de uma solução permanente, portanto um prêmio de risco relevante provavelmente continuará embutido nos mercados”, disse George Moran, estrategista macroeconômico para a Europa do RBC. “Mas, se o petróleo permanecer na faixa de US$ 80 a US$ 85, isso certamente reduz bastante a pressão sobre os bancos centrais.”

Os investidores apostam que a reabertura do Estreito de Ormuz ajudaria a aliviar as pressões inflacionárias e reforçaria as expectativas de juros mais baixos. Operadores do mercado de swaps precificam cerca de 70% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve até dezembro, abaixo dos aproximadamente 80% registrados na sexta-feira.

O rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu quatro pontos-base, para 4,44%. Segundo a corretora ACCM, ele pode recuar para a faixa de 4,20% à medida que as preocupações com a inflação diminuírem.

Além da geopolítica, o próximo grande evento para os mercados ocorrerá na quarta-feira, quando o Federal Reserve votará sobre os juros pela primeira vez sob a presidência de Kevin Warsh. Os investidores também aguardam uma série de decisões de outros bancos centrais ao longo da semana.

“A principal questão é saber se as recentes pressões sobre os preços serão temporárias ou se ficarão incorporadas à dinâmica mais ampla da inflação”, afirmou Laura Cooper, estrategista global de investimentos e chefe de crédito macro da Nuveen. “Uma redução das tensões pode diminuir as preocupações com um choque persistente nos preços da energia, mas dificilmente será suficiente, por si só, para alterar as orientações de política monetária.”

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“Quando o entusiasmo inicial em torno do acordo diminuir, as ações podem continuar subindo graças ao crescimento resiliente dos lucros, ao otimismo com inteligência artificial e à tendência dos mercados de ignorar choques geopolíticos. Já para renda fixa e câmbio, a mudança no cenário macroeconômico tende a representar um obstáculo mais duradouro.”

— Skylar Montgomery Koning, estrategista macroeconômico.

Destaques corporativos

  • A decisão extraordinária dos Estados Unidos de restringir o acesso estrangeiro aos modelos de IA mais avançados da Anthropic destaca a crescente disposição do governo Trump de exercer controle sobre um setor considerado estratégico.
  • UniCredit e Commerzbank intensificaram o conflito corporativo, à medida que o banco italiano segue tentando adquirir a rival alemã.
  • O investidor ativista Elliott Investment Management adquiriu uma participação próxima de 5% na Bunzl, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, após um alerta de lucro emitido no ano passado provocar forte queda das ações da empresa.

Mercados

Ações

  • Índice Stoxx Europe 600: +0,7%
  • Futuros do S&P 500: +1,2%
  • Futuros do Nasdaq 100: +1,9%
  • Futuros do Dow Jones: +0,9%
  • MSCI Ásia-Pacífico: +3,0%
  • MSCI Mercados Emergentes: +2,8%

Moedas

  • Índice Bloomberg Dollar Spot: -0,3%
  • Euro: +0,4%, para US$ 1,1614
  • Iene japonês: estável em 160,09 por dólar
  • Yuan offshore: estável em 6,7579 por dólar
  • Libra esterlina: +0,2%, para US$ 1,3432

Criptomoedas

  • Bitcoin: +2,7%, para US$ 65.674,98
  • Ether: +3,3%, para US$ 1.725,18

Renda fixa

  • Treasury de 10 anos dos EUA: 4,44% (-4 pontos-base)
  • Título de 10 anos da Alemanha: 2,95% (-5 pontos-base)
  • Título de 10 anos do Reino Unido: 4,79% (-4 pontos-base)

Commodities

  • Petróleo Brent: -4,9%, para US$ 83,02 por barril
  • Ouro à vista: +2,8%, para US$ 4.337,48 por onça-troy.

Bitcoin e outros criptoativos sobem após acordo de paz entre EUA e Irã

15 de Junho de 2026, 07:52

O bitcoin (BTC) subiu e opera acima dos US$ 65 mil na manhã desta segunda-feira (15), refletindo a redução da aversão ao risco nos mercados após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

No domingo (14), após quase quatro meses de conflito, os dois países anunciaram o fim das hostilidades.

O anúncio foi feito inicialmente pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador das negociações.

Pouco depois, o presidente Donald Trump e a mídia estatal iraniana confirmaram o acordo, embora Teerã tenha retratado o desfecho como uma capitulação dos Estados Unidos.

Segundo Trump, a reabertura do estreito de Ormuz – rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo – deve ocorrer na sexta-feira (19).

Além do bitcoin, as altcoins – termo usado para definir qualquer criptomoeda diferente do bitcoin – acompanham o movimento de alta nesta manhã.

O alívio também é observado em outros mercados. O petróleo recua, enquanto os futuros das bolsas americanas avançam. Os contratos do Dow Jones sobem 0,84%, os do S&P 500 ganham 1,19% e os do Nasdaq valorizam 2,04%.

ETFs também ajudam

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a melhora do sentimento não se explica apenas pelo acordo de paz. A retomada dos fluxos para os ETFs americanos de bitcoin também contribui para o movimento.

“Os ETFs de bitcoin à vista registraram US$ 85,9 milhões em entradas líquidas na sexta-feira – o maior fluxo diário desde 14 de maio, encerrando uma sequência de saídas que totalizou mais de US$ 400 milhões em quatro sessões”, diz.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  +1,72%, US$ 65.695,19

Ethereum (ETH): +2,99%, US$ 1.725,63

BNB (BNB): +0,47%, US$ 614,56

XRP (XRP): +3,50%, US$ 1,18

Solana (SOL): +4,45%, US$ 71,45

Outros destaques do mercado cripto

Quase R$ 7 bi em stablecoins. Não é só futebol que desperta paixão no Brasil. As stablecoins de dólar – criptomoedas atreladas à moeda americana – também estão em alta. Nas duas primeiras semanas de junho, o volume negociado pelos brasileiros em USDT e USDC chegou a quase R$ 7 bilhões, segundo dados do índice Biscoint. Para efeito de comparação, as negociações com bitcoin somaram R$ 1,35 bilhão no período. Já o ethereum ficou bem atrás e não movimentou nem R$ 500 milhões até agora.

Stablecoin de Trump chega ao UFC. A USD1, criptomoeda ligada ao projeto World Liberty Financial, da família Trump, ganhou mais uma vitrine. No fim de semana, lutadores do UFC receberam bônus de desempenho pagos na moeda digital durante um evento realizado na Casa Branca. A ação acontece em meio ao crescimento da USD1, cuja oferta em circulação já ultrapassa US$ 4,6 bilhões. Ela também reforça a estratégia do projeto de ampliar a visibilidade da stablecoin fora do universo cripto.

Pokémon vira aposta no mundo cripto. Nem só de bitcoin vive o mercado cripto. Plataformas que tokenizam cartas físicas de Pokémon estão ganhando força ao transformar os colecionáveis em ativos negociáveis na blockchain. Segundo a consultoria Messari, as sete maiores plataformas do segmento movimentaram US$ 230 milhões em maio, ante US$ 32 milhões um ano antes. A proposta é simples: investidores compram NFTs lastreados em cartas reais armazenadas em cofres e podem negociá-los com poucos cliques.

Todo mundo ama carros chineses — menos os próprios chineses

14 de Junho de 2026, 06:02

O mundo está aplaudindo os mais recentes veículos chineses, e as vendas estão disparando em praticamente todos os lugares onde esses carros estão disponíveis. A única exceção: a própria China.

As vendas de carros novos na China, o maior mercado de veículos novos do mundo, caíram 22% em maio em relação ao mesmo mês do ano anterior, para cerca de 1,5 milhão de veículos. Foi o oitavo mês consecutivo de queda na comparação anual, segundo a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros. No acumulado do ano, as vendas estão quase 20% abaixo do nível do ano passado, pressionando os lucros das principais montadoras do país.

Os problemas no mercado doméstico estão levando as montadoras chinesas — incluindo marcas estrangeiras que produzem no país — a uma expansão ainda mais agressiva no exterior. A indústria automotiva chinesa exportou 784 mil carros em maio, segundo a associação, 75% a mais do que no mesmo mês do ano passado.

Em janeiro, Pequim reduziu pela metade uma isenção fiscal para veículos plug-in e cortou subsídios para quem troca um carro antigo por um elétrico, afetando as vendas de EVs. Depois, em março, o aumento dos preços da gasolina em meio à guerra no Irã prejudicou as vendas de carros tradicionais.

Muitos consumidores já estavam cautelosos com grandes compras em uma economia afetada por deflação e alto desemprego entre jovens. As vendas no varejo na China cresceram apenas 0,2% em abril, o ritmo mais lento em mais de três anos.

“Precisamos fazer algo para realmente reconstruir a confiança do consumidor”, disse Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, maior montadora da China.

No primeiro trimestre, muitas montadoras chinesas registraram seus piores resultados em anos. O lucro líquido da BYD caiu aproximadamente pela metade, para o equivalente a US$ 590 milhões, o menor nível desde meados de 2022. Empresas menores, como a fabricante de EVs XPeng, estão acumulando prejuízos em um mercado saturado por dezenas de concorrentes e centenas de modelos.

BYD

A BYD tentou revitalizar os negócios com anúncios de tecnologia, como carregamento ultrarrápido de cinco minutos, garantias longas de bateria e promessas de cobrir custos de acidentes causados por seu sistema de assistência ao motorista “God’s Eye”.

O foco em inovação marca uma mudança em relação aos cortes de preços que impulsionaram o crescimento espetacular da empresa em anos anteriores. O governo chinês no ano passado passou a reprimir o que considerava competição excessiva no setor de EVs, temendo que uma guerra de preços estivesse prejudicando fornecedores e alimentando um ambiente deflacionário.

Com sua proposta incomum de direção automatizada, a BYD quer “colocar dinheiro na mesa e dar confiança aos consumidores”, disse Li. “Estou mais focada em qualidade do que em quantidade.”

Enquanto o mercado local enfrenta dificuldades, as montadoras chinesas aceleram sua expansão para exportação. O fundador da BYD, Wang Chuanfu, disse na assembleia anual da empresa na terça-feira que pretende tornar a companhia a maior montadora do mundo em cinco anos, segundo um resumo da reunião.

Entre os poucos países que não estão recebendo uma enxurrada de carros chineses está os Estados Unidos, que impuseram tarifas elevadas e outras restrições para mantê-los fora.

Na segunda-feira, o Pentágono adicionou a BYD e a NIO, outra montadora chinesa, a uma lista de empresas consideradas ligadas ao exército chinês, medida que as impede de realizar trabalhos para o Departamento de Defesa. As empresas disseram não ter ligações militares e que foram incluídas indevidamente na lista.

Em outros mercados, o rápido crescimento das exportações de veículos chineses gerou alertas e levou a medidas de restrição comercial. As montadoras chinesas responderam construindo fábricas e joint ventures, especialmente na Europa.

“O ponto-chave é encontrar uma forma de realmente fazer parcerias e unir forças”, disse Brian Gu, vice-presidente da XPeng. “No fim das contas, precisamos investir mais.”

Escreva para Stephen Wilmot em stephen.wilmot@wsj.com e para Raffaele Huang em raffaele.huang@wsj.com

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No país da picanha, a Copa terá mais frango na churrasqueira

13 de Junho de 2026, 16:03

A disparada dos preços no Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, significa que as famílias comprarão menos carne vermelha quando se reunirem para assistir ao primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo da FIFA neste sábado.

César Visini vai diversificar e incluir frango e linguiças na churrasqueira para um encontro de família neste fim de semana.

“É mais econômico”, disse o professor de 29 anos, que mora na cidade litorânea de Praia Grande. Ele se irrita com o fato de os açougues terem reduzido a qualidade dos produtos oferecidos para contornar os altos custos dos cortes mais nobres. “Às vezes o preço continua o mesmo, mas a qualidade cai. Isso acontece bastante.”

Tradicionalmente, reunir-se para fazer churrasco e torcer pela seleção é um ritual dos brasileiros. Mas os preços da carne bovina próximos de níveis recordes e a crise de endividamento das famílias ameaçam reduzir o apetite do país, que se prepara para semanas de futebol e churrasco. Nesta Copa, os brasileiros servirão frango e linguiça suína com mais frequência do que carne bovina, segundo projeções da Worldpanel by Numerator.

A queda no consumo de carne no Brasil amplia os desafios para o governo Lula às vésperas das eleições nacionais de outubro. Em um país que está entre os três maiores consumidores de carne bovina per capita do mundo, reduzir o consumo é mais um sinal de estresse econômico e pode prejudicar as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em campanhas anteriores defendeu uma plataforma associada a mais churrasco e cerveja na mesa dos brasileiros.

A oferta global restrita e a forte demanda externa estão impulsionando as exportações brasileiras a um recorde histórico e reduzindo a disponibilidade do produto no mercado doméstico. Isso aumenta a pressão sobre os brasileiros de baixa renda, já com orçamento apertado e dificuldades para lidar com os altos custos dos alimentos e o elevado endividamento.

Nos três primeiros meses do ano, os brasileiros já destinaram uma parcela menor do orçamento total à compra de proteínas. A queda foi provocada pela redução no volume de carne bovina adquirida, segundo Daniela Jakobovski, gerente de contas da Worldpanel.

Em São Paulo, cidade mais populosa do país, o preço da picanha — corte preferido dos brasileiros para o churrasco — superou R$ 90 por quilo em março, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão público de pesquisa. Um ano antes, o valor era de R$ 81.

A inflação elevou os preços de alguns cortes nobres de carne bovina em até 11% nos últimos 12 meses, de acordo com dados de maio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os preços da carne bovina no atacado atingiram recentemente o maior nível já registrado na série histórica de mais de 20 anos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo.

“Pessoas como eu, que costumavam comer carne bovina duas ou três vezes por semana, agora estão limitando o consumo a uma vez por semana”, disse Thiago Durões, vendedor de 37 anos que mora em Brasília. “Estamos migrando para cortes mais baratos e, em muitos casos, substituindo a carne bovina por frango, carne suína ou pela proteína que oferecer o melhor custo-benefício.”

Gado; carne
Frigoríficos: Foto: Adobe Stock Photo

A carne bovina é apenas uma das muitas preocupações no Brasil, onde um recorde de 82% das famílias possui dívidas em aberto, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Reduzir o endividamento dos brasileiros tornou-se uma questão central da campanha de Lula, que recentemente lançou um novo programa de renegociação de dívidas das famílias na tentativa de aumentar sua popularidade.

O setor chegou até a apontar as apostas online como parte do problema. Recentemente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) pediram ao governo medidas para limitar os gastos dos consumidores em plataformas de apostas.

Ainda assim, os brasileiros já enfrentaram momentos mais difíceis. Em 2022, ano em que a Argentina conquistou a Copa do Mundo, os preços dos alimentos dispararam após a invasão da Ucrânia pela Rússia elevar os custos globais das commodities. As empresas do setor de carnes estão otimistas com a perspectiva de aumento das vendas durante o torneio, com propagandas na televisão destacando não apenas os tradicionais e caros cortes bovinos, mas também alternativas mais acessíveis, como hambúrgueres, nuggets de frango e salsichas.

“Acreditamos em um portfólio democrático, com opções de proteínas tanto sofisticadas quanto acessíveis”, disse Luiz Franco, diretor de marketing da MBRF Global Foods, uma das patrocinadoras da seleção brasileira de futebol.

Mas mesmo as proteínas mais baratas enfrentam desafios diante da sensibilidade dos consumidores brasileiros aos preços. A guerra no Irã elevou os custos dos fornecedores em itens que vão de embalagens plásticas ao transporte rodoviário, e os reajustes de preços não têm sido suficientes para acompanhar e compensar integralmente esse aumento de custos, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O conflito em curso no Oriente Médio surgiu como um novo risco inflacionário para os formuladores de política econômica no Brasil. A alta dos preços do petróleo aumenta as preocupações com os custos dos fertilizantes, insumo essencial para o agronegócio brasileiro, ameaçando elevar os custos de produção em toda a cadeia agrícola.

“O choque na cotação internacional do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, passou a pressionar insumos industriais e custos de transporte, com possíveis desdobramentos em itens da cadeia de alimentos”, escreveu o Ministério da Fazenda em boletim divulgado em maio. “Esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026.”

No Olinda Bar e Restaurante, localizado no bairro Asa Sul, em Brasília, a carne de sol sempre foi um dos pratos preferidos dos clientes. Mas o choque de preços tem levado cada vez mais frequentadores a optar pela salada.

“A carne bovina ficou muito mais cara, e isso inevitavelmente elevou os preços do cardápio”, disse Jaqueline Rodrigues, gerente do restaurante. “Mais pessoas estão escolhendo proteínas mais baratas, e algumas estão deixando de consumir carne completamente.”

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A dona da CazéTV: os conflitos da LiveMode e os interesses financeiros por trás do canal de Casimiro

13 de Junho de 2026, 07:30

A CazéTV tem o rosto, a voz e o jeito de Casimiro Miguel. No ar, tudo parece espontâneo, artesanal, quase improvisado. A aparência esconde uma estrutura sofisticada de direitos esportivos, fundos de investimento e executivos do mercado financeiro.

O canal é controlado integralmente pela LiveMode, empresa dona da operação, da marca e dos direitos sobre o nome e a imagem de Casimiro, que deixou de ser sócio direto do canal para integrar a holding do grupo.

A LiveMode tem entre seus investidores a General Atlantic e a XP — que também administra fundos ligados à estrutura financeira da Liga Forte União, a LFU.

Segundo Ivan Martinho, professor de marketing esportivo na ESPM e presidente da WSL (World Surf League) para a América Latina, o capital de private equity tem o racional de buscar acelerar a expansão dos negócios de empresas investidas para, em momento posterior, alguns ou muitos anos depois, vender e devolver aos investidores um retorno muito mais elevado.

Há uma sobreposição de papéis: a LiveMode negocia direitos esportivos, controla a CazéTV — o principal canal que transmite parte desses eventos — e tem como sócios investidores expostos às receitas comerciais da LFU, bloco que negocia o Brasileirão em conjunto.

Essa relação entrelaçada deixa uma pergunta no ar: ao negociar um direito, a LiveMode age como agência, como dona da tela ou como sócia da estrutura que lucra com a receita futura dos clubes?

O olho do dono

Edgar Diniz e Sérgio Lopes, dois dos sócios-fundadores da LiveMode, conhecem o mercado de transmissão esportiva muito antes da ascensão e da popularização de Casimiro.

Em 2007, criaram o Esporte Interativo, que começou na parabólica e cresceu no meio digital quando Globo e Band o ignoravam. A CazéTV parece nova, mas o modelo tem quase duas décadas: em 2007, à Máquina do Esporte, Carlos Moreira Jr., sócio-fundador da TV Esporte Interativo, já media a reação do público por SMS e Orkut e transformava interação em inteligência comercial.

Muitos anos depois, a LiveMode voltou para disputar a cadeia dominada pela Globo. O momento ajudava. A Lei do Mandante, de 2021, deu ao clube mandante o poder de negociar a transmissão da partida, o que enfraqueceu o pacote único da Globo e abriu espaço para blocos de clubes venderem direitos de transmissão em conjunto.

A Globo, em reorganização financeira, passou a comprar seletivamente; o YouTube avançava sobre a linguagem da TV com sua plataforma pela internet; e o futebol atraía fundos que enxergavam nos direitos um ativo financeiro. Nessa equação, a LiveMode ajudou a montar a Liga Forte União (LFU), bloco que se opôs à Libra — rival que fechou contrato bilionário com a Globo.

O fenômeno CazéTV

A Copa de 2022 foi a prova de conceito. A LiveMode era agência da FIFA no Brasil e tentava vender os direitos digitais. A Globo abriu mão da exclusividade no streaming, e a LiveMode ficou com o pacote por cerca de US$ 3 milhões, segundo apurou o InvestNews com fontes envolvidas na negociação — uma pechincha comparada aos US$ 90 milhões anuais que a Globo pagava à FIFA.

O pacote valia pouco sem uma operação que o transformasse em audiência, e a LiveMode tinha a CazéTV. Durante a Copa, o canal explodiu e Casimiro se consagrou como o rosto de uma nova forma de assistir futebol, com uma linguagem que dialogava com o torcedor. Hoje soma dezenas de milhões de inscritos e será, no Brasil, a única forma de ver os 104 jogos da Copa de 2026.

O sucesso abriu os cofres. Em novembro de 2023, os clubes da LFU cederam 20% das receitas comerciais por cinquenta anos, de 2025 a 2075, por cerca de R$ 2,6 bilhões, a um consórcio formado por Life Capital Partners, General Atlantic e XP.

A operação passou pela Sports Media, criada para administrar a fatia cedida, financiada por debêntures — títulos de dívida comprados por fundos ligados à XP e outros veículos.

Investidores passaram a ter remuneração atrelada à receita futura de TV e mídia dos clubes por cinco décadas, com mais de R$ 1,2 bilhão adiantado aos clubes.

Em maio, o site Poder360 afirmou que a LiveMode aparece como agência vendedora e também como cotista direta do veículo Sports Media Futebol Brasileiro, uma das compradoras das debêntures.

A leitura circula entre clubes: um dirigente ouvido sob reserva pelo InvestNews diz que, em uma reunião, um executivo da LiveMode admitiu que a empresa era dona de parte dos direitos negociados. E criticou esse envolvimento, independentemente da compra ou não de debêntures.

Desde o fim de 2024, o InvestNews tenta entrevistar algum porta-voz da LiveMode, sem sucesso. A empresa não respondeu a nenhuma das perguntas enviadas para esta reportagem na última terça-feuira (9).

Em abril de 2024, General Atlantic e um fundo da XP fizeram um aporte minoritário na própria LiveMode, de valor não divulgado – estima-se no mercado que a dupla teria investido cerca de R$ 450 milhões na empresa de mídia.

Investidores expostos a 20% dos direitos de transmissão dos clubes passaram a ser sócios da empresa que os negocia e controla a tela que os exibe – depois, sob protesto de alguns clubes, a fatia da Sports Media sobre os direitos encolheu de 20% para 12%.

Na Libra, o bloco rival de clubes, o arranjo ficou mais tradicional: o fundo Mubadala, de Abu Dhabi, apareceu como principal interessado, e a transmissão foi vendida à Globo — comprador de um lado, vendedor do outro. Na LFU, essa fronteira ficou mais difícil de enxergar.

Faz tudo

A defesa do modelo de negócio passa por uma distinção formal: alguns contratos de transmissão são fechados com o YouTube, e a CazéTV figura como canal de distribuição e operação editorial dentro delas.

Para os críticos, a separação resolve pouco do conflito, porque a CazéTV é controlada pela própria LiveMode. O problema, portanto, é ser agência e ser o comprador, segundo definição de um investidor que acompanha as negociações e pediu para não ser identificado.

De acordo com a visão desse mesmo investidor, quando um direito de transmissão sobra “de graça” para a CazéTV, a receita fica atrelada às projeções do próprio canal, enquanto o clube que vende não sabe se fez um bom negócio.

É uma mudança em relação ao discurso original da LiveMode. Edgar Diniz, em entrevista ao GE em março de 2023, disse que “a vocação da CazéTV e o projeto da LiveMode não contemplam entrar em disputas por direitos”.

@investnewsbr

Por trás da transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2026, existe uma disputa bilionária pela sua atenção. #transmissão #copadomundo #futebol

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No jargão, o “condomínio” é a estrutura que reúne os direitos comerciais da LFU e decide como vendê-los. Para um dirigente ouvido pelo InvestNews, a diferença para o antigo domínio da Globo está na governança: a Globo comprava e negociava direto com os clubes; na LFU, os clubes deixaram de vender ao mercado — quem vende é o condomínio, por meio da LiveMode, e a caneta está com o investidor.

Isso se traduziria em um investidor que é dono, na média, de 12% dos direitos, enquanto os outros 88% ainda são dos clubes. E esse investidor minoritário teria condições de direcionar a venda, segundo o dirigente.

Clubes e federações seguem negociando com a LiveMode porque ela entrega audiência, patrocínio e distribuição; quanto mais cresce, mais seus interesses se misturam.

Em paralelo, clubes estudam contestar na Justiça as travas de um contrato que os prende até 2075. A disputa vai além da CazéTV: o próximo ciclo de direitos, a partir de 2030, tende a ser uma guerra para estabelecer quem decide o que vender, para quem e por quanto, com a diferença de que agora a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está interessada em organizar uma liga de clubes.

O sinal mais simbólico veio do cliente que originou a fórmula. Segundo uma pessoa próxima às negociações, a tendência hoje é que a FIFA não mantenha a LiveMode como agência comercial no Brasil para a Copa de 2030, em meio a preocupações com potenciais conflitos de interesse.

Procuradas, FIFA e LiveMode não responderam ao InvestNews. A empresa que transformou um pacote digital barato da Copa de 2022 no maior case de sucesso do YouTube brasileiro pode ficar de fora do Mundial seguinte – ao menos no que tange ao seu papel como negociadora de direitos.

A CazéTV está dentro de uma cadeia desenhada por executivos de mídia, financiada por fundos e atrelada aos direitos dos clubes por décadas.

A LiveMode acumulou múltiplos papéis no mesmo negócio: agência que negocia os direitos, dona da tela que os transmite, cotista da estrutura que os detém e empresa investida por fundos expostos a essas receitas. E Casimiro continua sendo a cara da CazéTV. Quem manda no negócio é outra conversa.

— Colaborou Rikardy Tooge.

Brasil x Marrocos: veja horários e próximos jogos da Seleção na Copa do Mundo 2026

13 de Junho de 2026, 06:31

A seleção brasileira estreia neste sábado (13) na Copa do Mundo 2026. O primeiro compromisso do Brasil será contra Marrocos, às 19h, pelo horário de Brasília, no Estádio de Nova York/Nova Jersey, nos Estados Unidos.

A partida contra o Marrocos abre a campanha brasileira no Grupo C, que também tem Haiti e Escócia.  Ao todo, o Brasil fará três jogos na fase de grupos, todos nos Estados Unidos.

A Copa do Mundo 2026 começou em 11 de junho e será disputada até 19 de julho. Esta edição terá 48 seleções, 12 grupos, 104 jogos e sedes em três países: Estados Unidos, Canadá e México.

O jogo entre Brasil e Marrocos marca a 23ª participação da seleção brasileira em Copas do Mundo.

Que horas é Brasil X Marrocos?

Brasil x Marrocos

  • Data: sábado, 13 de junho;
  • Horário: 19h;
  • Local: Estádio de Nova York/Nova Jersey;
  • Cidade: Nova Jersey;

Quais são os jogos do Brasil na fase de grupos?

O Brasil terá três jogos na fase de grupos da Copa do Mundo 2026. Além da estreia contra Marrocos, a Seleção enfrenta Haiti e Escócia.

Veja a tabela do Brasil na Copa:

  • Brasil x Marrocos: sábado, 13 de junho, às 19h, em Nova Jersey;
  • Brasil x Haiti: sexta-feira, 19 de junho, às 21h30, na Filadélfia;
  • Brasil x Escócia: quarta-feira, 24 de junho, às 19h, em Miami.

Onde assistir os jogos da Copa do Mundo 2026?

A transmissão da Copa do Mundo 2026 no Brasil será dividida entre TV aberta, TV fechada, streaming, YouTube e rádio.

Na TV aberta, os jogos serão exibidos por Globo e SBT. Na TV por assinatura, a cobertura terá SporTV, N Sports e ge tv. No streaming e YouTube, a transmissão terá Globoplay, CazéTV, ge tv e N Sports.

  • TV aberta: TV Globo (55 jogos) e SBT (32 jogos);
  • TV por assinatura: SporTV (55 jogos), N Sports (32 jogos) e ge tv (32 jogos);
  • Streaming e YouTube: CazéTV (todos os jogos), Globoplay (55 jogos), ge tv (32 jogos) e N Sports (32 jogos);
  • Rádio: CBN, Rádio Globo, Jovem Pan, Rádio Gaúcha, BandNews FM, Rádio Bandeirantes, Rádio Itatiaia e outras emissoras.

Como funciona a fase de grupos da Copa do Mundo 2026?

A fase de grupos da Copa do Mundo 2026 será disputada em pontos corridos dentro de cada chave. Cada seleção fará três jogos, uma partida contra cada adversária do grupo.

A pontuação segue o modelo tradicional:

  • Vitória: 3 pontos;
  • Empate: 1 ponto;
  • Derrota: 0 ponto.

Ao fim das três rodadas, avançam ao mata-mata os dois primeiros colocados de cada grupo. Além deles, os oito melhores terceiros colocados entre os 12 grupos também se classificam.

Na prática, uma seleção pode não terminar entre as duas primeiras da chave e ainda assim seguir para a fase eliminatória, desde que tenha campanha suficiente para ficar entre os melhores terceiros colocados.

Depois da fase de grupos, começa o mata-mata a partir dos 16 avos de final. A partir dessa etapa, quem vence avança e quem perde é eliminado.

Saiba Mais sobre Copa do Mundo 2026

O que o investimento da Berkshire Hathaway na Macy’s diz sobre o futuro do varejo

13 de Junho de 2026, 06:03

Warren Buffett e o falecido vice-presidente da Berkshire Hathaway, Charlie Munger, ficaram famosos por lamentar a decisão de comprar uma loja de departamentos no passado. Então, o que a Macy’s está fazendo na carteira da Berkshire?

As ações da Macy’s acumulam alta de cerca de 18% desde 15 de maio, quando a Berkshire Hathaway divulgou sua participação na companhia. Os papéis avançaram novamente na quarta-feira, mesmo em um mercado em queda, após a divulgação de resultados fortes.

A posição na Macy’s é pequena em comparação com as duas grandes aquisições anunciadas recentemente por Greg Abel, novo CEO da Berkshire. Ainda assim, a compra de cerca de US$ 55 milhões — com base no preço das ações na data do registro — representava aproximadamente 1% do valor de mercado reduzido da varejista.

A aposta da Berkshire parece estar baseada em dois fatores: um número cada vez menor de concorrentes e uma nova liderança confiante, focada em melhorar a experiência nas lojas.

Erros em investimentos

O histórico da Berkshire no varejo é misto. O próprio Buffett costuma citar erros em investimentos no setor, incluindo a compra de uma loja de departamentos em Baltimore em 1966, que ele considera um de seus maiores equívocos.

Apesar disso, o conglomerado nunca abandonou completamente o segmento. A Berkshire é a principal acionista da Kroger, com participação de 8%, segundo a FactSet. Entre os ativos privados do grupo estão a See’s Candies, redes de móveis para casa e cadeias de joalherias.

A Macy’s reúne várias características que costumam atrair a Berkshire. Trata-se de uma ação barata em um setor pressionado por todos os lados, desde varejistas de desconto até marcas de fast fashion e especialistas como Aritzia. Redes outrora icônicas, como Sears e J.C. Penney, desapareceram ou perderam relevância. Mais recentemente, a Saks Global entrou para a lista de empresas em dificuldades.

Dentro desse universo cada vez menor, a Macy’s continua sendo a maior rede, com mais de US$ 20 bilhões em receita anual. Quando a Berkshire revelou sua participação, as ações eram negociadas próximas ao valor patrimonial da empresa. Mesmo após a alta recente, os papéis continuam relativamente baratos, cotados a 1,2 vez o valor patrimonial e a 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses.

Embora a receita total não esteja crescendo rapidamente, o fluxo de caixa livre da companhia aumentou em dois dígitos nos últimos dois anos e deve avançar mais 11% neste ano, segundo analistas consultados pela Visible Alpha. O dividend yield de 3,4% também é considerado atrativo.

Lojas próprias

Outro fator importante é o patrimônio imobiliário da empresa. A Macy’s é proprietária integral ou detém contratos de arrendamento do terreno em quase metade de suas lojas. A CoStar, empresa americana especializada em dados e análises do mercado imobiliário comercial, estimou anteriormente que esses imóveis valem entre US$ 7,9 bilhões e US$ 10,5 bilhões, bem acima do atual valor de mercado da companhia, de cerca de US$ 5,7 bilhões.

O desafio é transformar esses ativos em caixa, algo que diversos investidores ativistas tentaram sem grande sucesso. Ainda assim, a empresa espera levantar recursos com a venda de lojas menos rentáveis e já arrecadou cerca de US$ 400 milhões dessa forma.

Mais importante para os investidores, porém, é a liderança de Tony Spring, que assumiu o comando da empresa em 2024. Ele promoveu mudanças no mix de produtos, reforçou o número de funcionários em áreas estratégicas, como calçados, bolsas e provadores, e ampliou a realização de eventos nas lojas.

Segundo Blake Anderson, analista da Jefferies, Spring está fortemente focado na experiência do consumidor e quer resgatar o modelo tradicional das lojas de departamento, baseado em atendimento ao cliente.

Os resultados sugerem que a estratégia está funcionando. A Macy’s registrou seu quarto trimestre consecutivo de crescimento nas vendas comparáveis, sinalizando estabilização do negócio. A divisão de luxo Bloomingdale’s tem sido um destaque especial, com crescimento de 10% nas vendas comparáveis nos dois últimos trimestres, mesmo em um cenário difícil para o mercado de luxo.

A rede também pode se beneficiar das dificuldades enfrentadas pela Saks, que está fechando cerca de 30% das lojas das bandeiras Saks Fifth Avenue e Neiman Marcus. Segundo a Jefferies, a Bloomingdale’s é a varejista de departamento com maior sobreposição geográfica com essas redes.

Geração Z

A principal vantagem competitiva da Macy’s pode estar justamente na experiência de compra física, que voltou a ganhar força. Shoppings e lojas presenciais têm atraído consumidores da Geração Z, que passaram parte da juventude em isolamento durante a pandemia.

Ao mesmo tempo, muitos varejistas reduziram equipes para cortar custos e direcionaram funcionários para atender pedidos online. Após a queda observada durante a pandemia, o número de trabalhadores no varejo americano ainda permanece abaixo dos níveis de 2019, segundo dados do Departamento do Trabalho. A Macy’s seguiu o caminho oposto: o número de funcionários por loja aumentou 14% desde que Tony Spring assumiu o comando.

Buffett já elogiou a capacidade da Costco — uma das empresas favoritas de Charlie Munger — de “surpreender e encantar” seus clientes. A nova gestão da Macy’s parece estar demonstrando que isso ainda é possível no segmento de lojas de departamento.

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Nubank investiga falso aviso de liquidação enviado a clientes

12 de Junho de 2026, 17:59

O Nubank está investigando o envio a alguns de seus clientes no Brasil de um falso alerta de liquidação extrajudicial pelo Banco Central, informação negada tanto pela empresa quanto pelo BC.

As operações continuam “com segurança e estabilidade”, afirmou o Nubank em comunicado divulgado nesta sexta-feira (12), acrescentando que todas as suas licenças seguem ativas. Em nota própria, o Banco Central também declarou que “a informação não procede”.

O aviso falso foi enviado mais cedo a um pequeno número de clientes por meio do aplicativo da fintech. O Nubank classificou o episódio como um “erro operacional pontual, já identificado e solucionado”. A causa da falha está sendo investigada, e os clientes que receberam o alerta falso foram informados de que o banco opera normalmente, segundo a companhia.

O erro provocou uma onda de comentários nas redes sociais, com usuários do aplicativo relatando dúvidas sobre a veracidade da mensagem. Eventuais liquidações de instituições financeiras normalmente são comunicadas primeiro pelo BC por meio de canais oficiais.

Liquidações bancárias tornaram-se um tema de grande repercussão no Brasil após o colapso do Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central em novembro. A instituição estaria no centro de um esquema de fraude que, segundo as autoridades, pode ser o maior já registrado no país. Outras instituições menores também foram liquidadas posteriormente em razão de suas ligações com o Banco Master.

Em contraste com estes bancos, o Nubank acumula 13 trimestres consecutivos de lucro desde sua abertura de capital, em 2021, de acordo com suas demonstrações financeiras. As ações da empresa subiam 0,2% nesta sexta-feira em Nova York, mas acumulam queda de 27% no ano, à medida que investidores avaliam o potencial impacto da deterioração do ciclo de crédito no Brasil — um fator que também pressiona outras instituições financeiras brasileiras.

Como Elon Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo

12 de Junho de 2026, 16:17

Em uma publicação na rede social que controla, Elon Musk lamentou recentemente: “Quem disse que dinheiro não compra felicidade realmente sabia do que estava falando.”

Agora, a pessoa mais rica do mundo poderá testar esse ditado em uma escala ainda maior ao adicionar um novo título ao currículo: o primeiro trilionário do mundo.

As ações da SpaceX abriram a US$ 150 cada, 11% acima do preço da oferta, após começarem a ser negociadas em Nova York na sexta-feira, avaliando a empresa de foguetes e inteligência artificial fundada por Musk em cerca de US$ 2 trilhões.

Sua fortuna agora alcança a cifra antes inimaginável de quase US$ 1,05 trilhão, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg. Isso representa mais de três vezes a riqueza da segunda pessoa mais rica do mundo, o cofundador do Google, Larry Page.

O mais rico do mundo

Há menos de dez anos, o índice de riqueza da Bloomberg registrou sua primeira fortuna superior a US$ 100 bilhões — uma marca que Musk ultrapassou com folga em 2020. Desde então, ele passou a dominar o ranking dos mais ricos do planeta, primeiro com a ascensão da Tesla como uma das ações de melhor desempenho da história e, mais tarde, com a corrida dos investidores para adquirir participação na SpaceX, hoje uma das empresas mais valiosas do mundo.

Uma fortuna de US$ 1 trilhão — aproximadamente equivalente ao Produto Interno Bruto da Switzerland — desafia a compreensão. Steve Cohen, que ganhou US$ 3,4 bilhões no ano passado como o gestor de hedge fund mais bem remunerado do mundo, precisaria repetir esse resultado por quase 300 anos para alcançar US$ 1 trilhão. Cada um dos 14 filhos de Musk figuraria na 29ª posição entre as pessoas mais ricas do planeta caso herdasse uma parcela igual de sua fortuna.

“Não estamos falando de riqueza geracional”, disse Dan Walter, consultor independente de remuneração. “Estamos falando de algo infinito.”

O marco representa um momento decisivo para Musk, de 54 anos, cuja riqueza já o transformou em uma das figuras mais poderosas e polarizadoras do mundo. Ele não hesitou em usar sua fortuna para promover sua visão de mundo: comprou o Twitter em 2022 para combater o que chamou de “vírus da mente woke”, financiou um chatbot de inteligência artificial alinhado às suas ideias e ajudou a impulsionar a eleição de Donald Trump para um segundo mandato na Casa Branca por meio de doações.

Os mais de US$ 291 milhões que Musk gastou na eleição federal de 2024 representam menos de 0,03% de seu patrimônio atual — o equivalente a uma doação de US$ 291 para alguém com patrimônio de US$ 1 milhão.

Um caminho turbulento

A trajetória de Musk de bilionário a trilionário não foi livre de obstáculos.

A compra do Twitter em 2022 levou-o a vender mais de US$ 15 bilhões em ações da Tesla, contribuindo para a queda dos papéis da montadora e alimentando críticas de que ele havia pago caro demais pela rede social. Seu pacote de remuneração de US$ 56 bilhões na Tesla, negociado em 2018, foi anulado por uma juíza de Delaware após ação movida por investidores. Além disso, sua participação no Departamento de Eficiência Governamental do governo Trump e seu apoio a movimentos políticos marginais afastaram milhões de consumidores, prejudicando as vendas de veículos da Tesla.

Ainda assim, Musk conseguiu superar esses desafios. O Twitter, rebatizado como X, viu o valor de seus dados disparar com a demanda por inteligência artificial e acabou sendo fundido à xAI, startup de IA criada pelo próprio empresário. A Tesla transferiu sua sede da Califórnia para o Texas e, no ano passado, venceu um recurso que permitiu a Musk manter seu pacote original de remuneração. A empresa também aprovou um novo plano que pode render ao executivo até US$ 1 trilhão, caso determinadas metas sejam alcançadas.

Enquanto isso, investidores da Tesla passaram a focar menos na queda das vendas de automóveis e mais em projetos futuros, como os robotáxis e os robôs humanoides Optimus.

SpaceX impulsiona a fortuna

Embora a ascensão de Musk ao posto de trilionário esteja fortemente ligada à SpaceX, foi a Tesla que inicialmente o levou ao topo da lista dos mais ricos do mundo. As ações da fabricante de veículos elétricos sediada em Austin — da qual Musk continua sendo o maior acionista — acumulam valorização de cerca de 35.000% desde a abertura de capital da companhia, em 2010.

Mas o domínio da SpaceX no mercado de lançamentos orbitais, aliado ao serviço de internet via satélite Starlink, lançado em 2019, atraiu atenção crescente dos investidores. Avaliada em cerca de US$ 100 bilhões em uma rodada de investimento em 2021, a companhia viu seu valor saltar para US$ 1 trilhão em fevereiro, após a fusão com a xAI e a rede social X.

O grupo combinado — que agora detém o recorde da maior oferta pública inicial da história, ao levantar US$ 75 bilhões — representa mais de 70% da fortuna de Musk.

Apesar dos números impressionantes, a maior parte da riqueza do empresário continua existindo apenas no papel. Segundo o índice da Bloomberg, ele possui poucos ativos relevantes fora de suas participações nas próprias empresas. Uma venda significativa de ações poderia pressionar as cotações e reduzir o valor de seu patrimônio.

Ainda assim, Tesla e SpaceX mantêm planos de remuneração que podem conceder a Musk participações adicionais caso as companhias atinjam metas financeiras e operacionais ambiciosas. Se todos os objetivos forem cumpridos, os dois pacotes combinados poderiam valer cerca de US$ 1,8 trilhão.

JBS fechará unidade de processamento de carne na Pensilvânia em meio à escassez de gado nos EUA

12 de Junho de 2026, 15:20

A JBS vai fechar uma unidade de processamento de carne bovina na Pensilvânia, no mais recente sinal das dificuldades enfrentadas pelos frigoríficos diante da severa escassez de gado nos Estados Unidos.

Além da planta de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, a maior fornecedora de carne do mundo também informou que encerrará as atividades de uma unidade em Memphis, no Tennessee, dedicada ao processamento e embalagem de proteínas com maior valor agregado. Os fechamentos ocorrem após a companhia informar, no mês passado, que enfrentou perdas crescentes em sua divisão de carne bovina nos EUA.

O rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, já que pecuaristas afetados por secas e custos elevados de produção precisaram reduzir seus plantéis. A estiagem, que voltou a se intensificar, deve atrasar ainda mais o processo de recomposição dos rebanhos, afirmou Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA, durante uma teleconferência realizada em maio.

O retorno da larva parasita conhecida como mosca-da-bicheira do Novo Mundo (New World screwworm) no Texas também aumenta as incertezas para os pecuaristas e pode afetar as perspectivas de recuperação da oferta de gado nos EUA. Analistas do Barclays afirmaram nesta semana que a recuperação dos lucros da carne bovina, inicialmente esperada para o segundo semestre de 2027, agora deve ocorrer apenas no ano fiscal de 2028.

Concorrentes

O fechamento anunciado pela JBS é mais um movimento do setor para aumentar a eficiência e reduzir a capacidade de processamento diante da menor oferta de animais. No fim do ano passado, a empresa já havia informado que encerraria uma unidade na Califórnia. Concorrentes como a Tyson Foods e a Cargill também fecharam plantas em Nebraska e Milwaukee, respectivamente. Enquanto isso, uma medida das margens de processamento de carne bovina calculada pela HedgersEdge permanece majoritariamente negativa há cerca de um ano e meio, mesmo com os preços recordes da carne ao consumidor atraindo o escrutínio das autoridades antitruste do governo de Donald Trump.

A JBS afirmou que as medidas anunciadas nesta sexta-feira fazem parte de uma estratégia mais ampla de modernização das operações. Segundo a empresa, os investimentos realizados em unidades de outros estados estão voltados para ampliar a produção de alimentos preparados e produtos de maior valor agregado, além de modernizar processos e melhorar o atendimento aos clientes.

A companhia informou que a produção das unidades afetadas será transferida para outras plantas. A fábrica de Souderton emprega mais de 1.700 pessoas e tem capacidade para abater cerca de 2 mil cabeças de gado por dia, sendo uma das maiores instalações do tipo na Costa Leste dos Estados Unidos.

As ações da JBS chegaram a subir 1,9% nesta sexta-feira, atingindo o maior nível em duas semanas.

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Taxas de novos CDBs de bancos médios recuam para 107% do CDI após quebra do Master

12 de Junho de 2026, 14:30

As liquidações extrajudiciais do Banco Master e de outras instituições financeiras entre o fim de 2025 e o início deste ano afetaram o mercado de renda fixa bancária. Essas crises, de forma resumida, decretaram o fim da era dos CDBs com remunerações muito fora da curva que usavam o marketing da segurança do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para atrair investidores.

Um levantamento da provedora de dados financeiros Quantum mostra que em maio as taxas máximas oferecidas nas emissões dos certificados bancários por instituições pequenas e médias alcançaram o equivalente a 106,9% do CDI, no caso do CDB da fintech Qista Crédito.

Outros certificados com taxas de 106% do CDI foram ofertados pelos bancos Pine e BMG. Ou seja, taxas muito distantes das que eram oferecidas nas vendas massivas de títulos com retornos de 120% do CDI – e muito abaixo do que foi praticado nos últimos anos antes da quebra do Master.

Já os grandes conglomerados financeiros, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Santander, colocaram no mercado certificados que pagam abaixo de 100% do referencial pós-fixado. Os CDBs das três casas saíram com taxas médias de 95%, 90% e 97% do CDI, respectivamente.

As taxas dos novos certificados bancários têm girado entre 90% e 106% do CDI desde fevereiro, conforme os dados da Quantum.

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As taxas mais contidas dos CDBs também refletem a forte demanda por produtos de renda fixa diante de um novo contexto e de novas expectativas no mercado para a Selic.

Selic alta mantém demanda pela renda fixa

Começa a se consolidar no mercado uma visão de que a taxa básica pode se manter mais perto de 14% ao ano no fim de 2026 devido aos sinais de aceleração inflacionária no Brasil e no mundo. Na última semana de 2025, por exemplo, o consenso de mercado calculado pelo relatório Focus, do Banco Central, apontava para uma Selic de 12,25% no fim deste ano.

O relatório agora mostra que a mediana do mercado já coloca a Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026.

Algumas casas já colocam a taxa básica acima de 14% ao ano no fim de 2026. É o caso do Bank of America (BofA), que revisou sua projeção para a Selic de 13,25% para 14,25%.

A Genial, o Banco Pine, a XP e o BNP Paribas projetam que o BC pausará o ciclo de cortes quando a taxa chegar em 14% ao ano. O Itaú Unibanco estima que a queda dos juros possa chegar a 13,75%.

Com a perspectiva de a Selic e, portanto, o CDI, que segue a taxa básica de perto, permanecerem perto de 14% ao ano, a demanda pelos títulos pós-fixados se mantém elevada. Diante dessa procura, as remunerações dos certificados devem permanecer no atual patamar ao longo do ano.

A média de todas as emissões ficou em 100,67% do CDI. Está levemente abaixo de março e abril, quando o retorno médio ficou entre 101% e 102% do referencial pós-fixado.

FGC aperta as regras – CDBs impactados

Em maio, houve ainda mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito feitas pelo Banco Central. A autoridade apertou as regras para que bancos possam usar a cobertura do FGC.

O BC regulamentou o chamado “Ativo de Referência”, um indicador para medir qualidade, liquidez e diversificação dos ativos dos bancos.

Se um banco captar demais com produtos cobertos pelo fundo e não tiver ativos seguros suficientes, fica obrigado a alocar parte dos recursos captados em títulos públicos federais. Desse modo, aumenta o chamado colchão de liquidez e limita o uso de tais recursos sem critério – exatamente o que as investigações apontaram que aconteceu no banco de Daniel Vorcaro.

Equador vai reduzir preços da cerveja em 20% em gesto de apoio na Copa do Mundo

12 de Junho de 2026, 12:41

O Equador vai reduzir os preços da cerveja em mais de 20% por meio de um corte temporário de impostos para mobilizar “apoio extra” à seleção nacional durante a Copa do Mundo, afirmou o presidente do país Daniel Noboa.

O governo eliminará um imposto especial sobre a cerveja e outras bebidas de teor alcoólico moderado até 19 de julho, disse Noboa em declarações divulgadas pelo veículo El Universo.

A medida foi anunciada durante a inauguração de um projeto rodoviário na província de Guayas, uma das regiões costeiras do país afetadas por disputas entre gangues do narcotráfico. Vestindo a camisa da seleção, Noboa afirmou que “todos já estão mais focados no futebol do que em qualquer outra coisa” e disse esperar que o Equador “vá muito longe” no torneio.

A Copa do Mundo FIFA 2026 começou na quinta-feira (11), com uma partida entre México e África do Sul. A seleção do Equador estreia em 14 de junho contra a Costa do Marfim, na Filadélfia. Noboa deve viajar aos Estados Unidos ainda hoje e permanecer até a próxima segunda-feira, segundo um decreto executivo que não detalha sua agenda.

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