❌

Visualização normal

Received before yesterdayInvestNews

J&F, dos Batista, se prepara para virar companhia aberta e ampliar acesso ao mercado de dívida

18 de Setembro de 2026, 19:23

A J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está se preparando para se tornar oficialmente uma companhia aberta no Brasil, em um movimento que pode ampliar seu acesso ao mercado brasileiro de dívida, apurou o InvestNews.

O grupo pediu à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) registro na categoria B, que permite a negociação de títulos de dívida, como debêntures e notas comerciais, mas não de ações da companhia. O pedido foi protocolado na última segunda-feira (14) e está em análise pela autarquia.

A iniciativa ocorre depois de a J&F captar US$ 400 milhões no exterior com a emissão de bonds, em abril deste ano. O movimento acompanha uma reorganização em curso que vem transformando a antiga holding de investimentos em um conglomerado industrial com gestão financeira centralizada.

O grupo reúne negócios como Âmbar Energia, Eldorado Brasil Celulose, LHG Mining e Flora, de higiene e cosméticos, além da participação no controle da JBS.

A companhia de alimentos, listada hoje na Bolsa de Nova York, ficou fora do plano de incorporações e mantém estrutura societária e governança próprias.

Categoria B

A J&F já emite dívida no Brasil como companhia fechada. Em dezembro de 2024, por exemplo, captou R$ 1 bilhão em debêntures em uma oferta destinada exclusivamente a investidores profissionais.

O registro na categoria B pode ampliar o público das futuras captações, ao mesmo tempo que submete a empresa às exigências de divulgação de informações de uma companhia aberta.

Além de permitir a negociação de títulos de dívida, o registro, se aprovado, sujeitará a J&F às obrigações de divulgação de informações previstas pela CVM.

Entre elas estão demonstrações financeiras, informações trimestrais e o formulário de referência, documento que detalha os negócios, os riscos e a estrutura da companhia.

O acesso ao mercado de capitais é um dos objetivos declarados da reorganização anunciada pela J&F S.A. em fevereiro.

Na ocasião, a companhia apresentou a mudança de nome – antes se chamava J&F Investimentos – e um plano para incorporar negócios integralmente controlados e integrar sua gestão financeira.

O que muda?

A mudança vai além do nome. A J&F está incorporando empresas que antes controlava por meio de participações acionárias.

A Âmbar, por exemplo, passou a ser a unidade de energia da própria J&F: mantém uma equipe para tocar o negócio, mas seu presidente responde ao CEO do conglomerado.

O dinheiro também passa a ser administrado de forma conjunta. A J&F centraliza a captação de recursos e sua distribuição entre os negócios incorporados, avaliando as necessidades de cada operação.

Ao reunir diferentes fontes de receita e garantias de empresas do grupo, a J&F pode conseguir juros menores do que cada negócio obteria ao captar recursos por conta própria.

O processo também incluiu mudanças na governança, com um conselho de administração de sete integrantes, quatro deles independentes, e um conselho fiscal formado por três membros independentes.

Novos caminhos dos Batista

A reorganização também ajuda a entender a divisão dos investimentos dos Batista entre a J&F e a Globe Investimentos, o family office de Wesley e Joesley.

A entrada dos investidores que compraram os bonds reforçou o foco da J&F em negócios maduros e geradores de caixa. Outras apostas dos controladores passaram a ficar sob o guarda-chuva da Globe.

Foi por esse veículo que os irmãos fecharam o acordo para comprar a fabricante de equipamentos militares Avibras, aprovada recentemente pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Preocupação com ‘excessos’ em data centers cresce e alguns títulos já são enquadrados como junk bonds

18 de Setembro de 2026, 18:33

A CleanSpark captou cerca de US$ 2,28 bilhões por meio de sua primeira emissão de títulos conhecidos no mercado como junk bonds, de alto risco e que precisam pagar mais juros para atrair investidores, para financiar data centers para inteligência artificial vinculados à Meta Platforms.

A precificação dos títulos com vencimento em cinco anos indicou um rendimento de cerca de 8,25%, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Isso representa perto de 2 pontos percentuais a mais do que a média da dívida emitida por empresas com classificação BB acompanhada pela Bloomberg, à medida que os investidores têm exigido prêmios mais altos em financiamentos para novos data centers.

investidores têm exigido prêmios mais altos para financiamentos de data centers em meio ao aumento dessas ofertas e à crescente preocupação com gastos excessivos de capital, elevando os custos de financiamento da expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Financiamentos semelhantes, respaldados por locatários com grau de investimento, foram vendidos a rendimentos inferiores a 6% no início deste ano.

Investidores apresentaram pedidos equivalentes, aproximadamente, a quatro vezes o tamanho total da emissão lançada na quinta-feira (17), disseram as pessoas, sob condição de anonimato, pois não estão autorizadas a falar publicamente.

A captação ajudará a financiar a construção de um data center em Sandersville, no estado americano da Geórgia, segundo um documento regulatório. O Morgan Stanley lidera a emissão, disse outra pessoa.

A instalação foi totalmente alugada pela Anviran, subsidiária da Meta, por meio de um contrato de US$ 6,6 bilhões com duração de 20 anos, de acordo com uma apresentação da CleanSpark.

Data centers: fluxo de receitas

A previsão é que o data center comece a operar no quarto trimestre de 2027, e a Meta garantirá o pagamento do aluguel e das despesas operacionais, informou a empresa.

Trata-se da primeira emissão de junk bonds vinculada a data centers da Meta, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O compromisso da Meta com a CleanSpark oferece à empresa tomadora, classificada como de grau especulativo, um fluxo de receita previsível para sustentar o financiamento de um projeto caro.

Desenvolvedores de data centers venderam cerca de US$ 39 bilhões em títulos classificados como high yield – de alto rendimento e risco elevado – até agora neste ano, a maioria respaldada por contratos de locação de longo prazo com empresas de computação em nuvem em hyperscalers, incluindo Oracle e Amazon, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A CleanSpark e o Morgan Stanley não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A Meta se recusou a comentar.

Sediada em Las Vegas, a CleanSpark está entre o número crescente de empresas abertas de mineração de bitcoin que estão se tornando operadoras de data centers para dar suporte a aplicações de inteligência artificial. A companhia tem valor de mercado de aproximadamente US$ 3,29 bilhões.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Dá para votar sem título de eleitor? Veja o que precisa levar no dia da votação

18 de Setembro de 2026, 18:04

Na contagem regressiva para as eleições 2026, faltam cerca de duas semanas para o primeiro turno, que acontece em 4 de outubro. Com a data se aproximando, uma dúvida recorrente volta à tona: o eleitor pode votar sem título de papel?

Sim. O título de eleitor em papel não é necessário para votar. O eleitor pode apresentar um documento oficial com foto ou usar o e-Título, desde que esteja com a situação eleitoral regular.

O que apresentar para votar sem título

Na seção eleitoral, basta um documento oficial com foto para a identificação. A lista de opções aceitas é ampla:

  • Carteira de identidade (RG) ou identidade social
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
  • Passaporte
  • Carteira de Trabalho
  • Certificado de reservista
  • Carteira de categoria profissional reconhecida por lei

Esses documentos valem até mesmo vencidos, desde que a foto ainda permita reconhecer o eleitor.

Versões digitais também são aceitas, com uma exceção: a Carteira de Trabalho Digital não serve como identificação na seção eleitoral, porque não traz foto validada por órgão oficial de registro, embora a versão física sirva.

Já as certidões de nascimento e de casamento nunca são aceitas como prova de identidade, essas ficam de fora em qualquer hipótese.

E quem já tem e-Título?

Entre os documentos digitais aceitos, o e-Título é o mais completo. Lançado em 2017, o aplicativo está disponível gratuitamente para iOS e Android, tanto para quem tem título regular quanto para quem está com o documento suspenso, e traz recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, baixa visão ou daltonismo.

A versão digital do título pode substituir qualquer outro documento na hora de votar, mas só quando exibe a foto do eleitor. E essa foto depende do cadastramento biométrico: sem ele, o perfil no aplicativo fica sem imagem vinculada e não vale como identificação sozinho. Nesse caso, é preciso apresentar um segundo documento.

Mas quem ainda não cadastrou a biometria só vai poder solicitá-la quando o atendimento da Justiça Eleitoral for retomado. O serviço fechou em 6 de maio e só reabre em 3 de novembro. Isso, no entanto, não impede de votar normalmente com qualquer um dos documentos da lista acima.

Mais importante é estar em dia com a Justiça Eleitoral

Documento digital ou impresso em mãos, a preocupação mais relevante para o eleitor é saber se o cadastro eleitoral está regular. O TSE oferece um serviço gratuito para essa consulta, acessível pelo Autoatendimento Eleitoral no site do TSE ou pelo aplicativo e-Título.

No menu “Consultas”, a opção é “Situação do título”: basta informar nome completo e data de nascimento, CPF ou o número do título, e o sistema mostra em segundos se a inscrição está regular, cancelada ou suspensa.

O prazo para regularizar a situação também já se encerrou. Até a reabertura do cadastro, a consulta online ajuda a evitar surpresas no dia do pleito.

O que significa cada status

RegularTítulo válido, eleitor apto a votar. Permite transferência ou revisão de dados, mas só para as eleições de 2028, já que o cadastro está fechadoNão precisa de ação, mas vale checar se há multas em aberto
CanceladoTítulo sem validade, eleitor impedido de votar. Causas comuns: três ausências consecutivas sem justificativa, perda de direitos políticos, inscrições múltiplas ou fraude apurada pela Justiça EleitoralQuitar multas e solicitar revisão, só possível após a reabertura do atendimento, em 3 de novembro
SuspensoImpede o voto temporariamente. Causas: condenação criminal definitiva, improbidade administrativa transitada em julgado ou serviço militar obrigatórioApresentar documento que comprove o fim da causa, também possível a partir de 3 de novembro

Vale um esclarecimento sobre o status regular: ele não significa ausência de débitos. Multas por faltar às urnas ou aos trabalhos eleitorais podem existir e precisam ser consultadas separadamente, também pelo Autoatendimento Eleitoral ou pelo e-Título.

O pagamento pode ser feito por Pix, cartão de crédito ou boleto bancário, esse último chamado de GRU (Guia de Recolhimento da União), o documento oficial usado para quitar taxas e multas junto à Justiça Eleitoral e outros órgãos públicos.

Desaceleração da economia ameaça reeleição de Milei na Argentina

18 de Setembro de 2026, 17:50

A um ano da tentativa de reeleição do presidente argentino Javier Milei, a recuperação econômica que sustentou a popularidade do governo está perdendo força.

O Produto Interno Bruto encolheu 0,6% no segundo trimestre ante os três meses anteriores, a primeira contração em dois anos e um revés para um governo que conta com uma aceleração do crescimento antes da eleição de outubro de 2027.

Os argentinos elegeram o libertário que vinha de fora da política tradicional em 2023 na esperança de que a austeridade e mercados mais livres pudessem conter a inflação e estabilizar uma economia marcada por crises recorrentes.

A “terapia de choque” de Milei conseguiu reduzir fortemente o ritmo de alta dos preços, mas pesquisas mostram que os eleitores estão cada vez mais preocupados com a fraqueza do mercado de trabalho.

A atividade cresceu 2% em relação ao ano anterior, sustentada pelo forte avanço das exportações de energia e produtos agrícolas, enquanto as importações recuaram. Em uma publicação no X, o ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que 13 dos 16 setores cresceram no primeiro semestre do ano.

Ainda assim, os dados mais recentes do PIB “estão longe de ser convincentes o suficiente para dissipar as preocupações políticas — a principal variável que pesa sobre os mercados argentinos”, afirmou Jimena Zuniga, economista para a Argentina da Bloomberg Economics.

Investidores em títulos soberanos do país temem que o enfraquecimento do apoio ao programa de Milei aumente as chances de reversão das reformas fiscais e de mercado após a eleição de 2027.

Adversários de esquerda de Milei tentam transformar o aumento do desemprego e a fragilidade da renda das famílias nos temas centrais da eleição de outubro de 2027.

Perspectiva desoladora

Fernando Marull, sócio da consultoria FM&A, vê a possibilidade de uma segunda contração consecutiva no terceiro trimestre, o que colocaria tecnicamente a Argentina em recessão.

Mesmo que a economia escape de uma recessão, a perspectiva para as famílias continua sombria, afirmou Carlos Melconian, diretor da MacroView SA.

“Independentemente de haver ou não dois trimestres negativos, vai ser extremamente apertado”, afirmou Melconian. “Os componentes que as pessoas realmente sentem já estão sendo duramente atingidos.”

A inflação anual desacelerou para 34% no mês passado, ante mais de 200% quando Milei assumiu o cargo. Uma pesquisa da AtlasIntel realizada no mês passado mostrou que corrupção e desemprego superaram a inflação entre as principais preocupações dos eleitores.

Milei, no entanto, continua concentrado em consolidar a vitória sobre a inflação, que pretende levar para menos de 1% ao mês.

Peso forte

Isso o levou a apoiar uma política de peso forte, ela esteja pesando sobre o crescimento. A moeda enfraqueceu apenas 3,7% em relação ao dólar no acumulado do ano até agosto, enquanto os preços ao consumidor subiram 21%.

Essa valorização em termos reais foi reforçada nas últimas semanas pela intervenção oficial nos mercados de títulos e futuros, enquanto permanecem em vigor controles cambiais para empresas.

Os adversários de Milei têm concentrado cada vez mais atenção nesse ponto. Em um evento no início deste mês, o nome mais claramente colocado na disputa, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, classificou a abordagem do governo como uma “política criminosa e suicida de desindustrialização do país”.

Parlamentares da oposição também levaram o argumento ao Congresso e recentemente conseguiram convocar uma sessão sobre o aumento do endividamento das famílias e da inadimplência em empréstimos, embora nenhuma das propostas de alívio tenha avançado até agora.

Milei apresenta uma narrativa diferente e aponta para o forte crescimento da agricultura, energia e mineração como evidência de uma economia que deixou para trás a pior fase.

Ao mesmo tempo, varejo, construção e indústria, que empregam muito mais pessoas, estão cortando postos de trabalho, enquanto a inadimplência no crédito ao consumidor dispara.

O consumo encolheu 2,4% no segundo trimestre, com o baixo crescimento dos salários e o crédito restrito pressionando as finanças das famílias.

Esses setores em dificuldades respondem por cerca de metade do emprego assalariado privado formal da Argentina, enquanto as indústrias que impulsionam exportações e investimentos representam apenas cerca de um quinto.

No total, o emprego assalariado privado formal diminuiu em cerca de 246.300 postos desde pouco antes de Milei assumir o cargo, enquanto o número de empresas caiu em mais de 30 mil.

Índice de aprovação

Esse cenário deixa Milei vulnerável na corrida eleitoral. A aprovação do presidente estava em 38% na pesquisa mais recente da AtlasIntel, enquanto 58% desaprovavam sua gestão e 70% classificavam o mercado de trabalho como ruim.

Nesta semana, o governo reduziu a projeção de crescimento para 2026 de 5% para 3%, enquanto economistas consultados pelo banco central esperam algo mais próximo de 2%.

Osvaldo Giordano, presidente do instituto econômico IERAL, da Fundación Mediterránea, espera que a economia evite uma recessão, com a atividade praticamente estável neste trimestre. Mas a distância entre o crescimento modesto e o que os argentinos esperam após anos de turbulência econômica representa um risco para Milei, afirmou.

“A tolerância de uma sociedade não é a mesma quando há apenas um ano ruim”, afirmou Giordano. “Aqui, é uma sucessão de anos muito ruins. Por isso, a paciência é menor.”

BTG fecha acordo com WTorre e passa a controlar a operação do Nubank Parque

18 de Setembro de 2026, 16:56

O banco BTG Pactual anunciou nesta sexta-feira (18) que passará a controlar a operação do Nubank Parque, estádio do Palmeiras, após fechar um acordo para se tornar acionista majoritário da sociedade hoje comandada pela construtora WTorre. 

O negócio é a etapa mais recente de uma movimentação iniciada em 2024, quando a Enforce, gestora de créditos do grupo BTG, comprou do Banco do Brasil cerca de R$ 650 milhões em dívidas da construtora relacionadas ao financiamento da arena.

A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outras condições previstas no acordo. O valor da transação e o tamanho das participações de BTG e WTorre não foram divulgados.

A WTorre permanecerá como acionista relevante e continuará participando das principais decisões estratégicas da empresa, segundo comunicado da Vinci Compass, que atuou como assessora financeira exclusiva da WTorre. O BTG, porém, terá a participação majoritária e ficará à frente da operação comercial do estádio.

A dívida comprada pelo banco em 2024 tinha a operação da arena entre as garantias. A aquisição do crédito abriu caminho para a aproximação entre BTG e WTorre, que vinham negociando havia meses a entrada do banco liderado por André Esteves na sociedade.

As partes não informaram se o crédito será utilizado no pagamento da participação nem detalharam a estrutura financeira do acordo.

A mudança de controle não altera, a princípio, a relação com o Palmeiras. O clube mantém com a WTorre um contrato de direito de superfície que permite a exploração comercial da arena até 2044. Os percentuais das receitas destinados ao Palmeiras e os contratos já firmados com patrocinadores e promotores de eventos continuarão válidos.

A expectativa também é a de manutenção da equipe responsável pela arena, comandada pelo executivo Marcelo Frazão. Segundo a coluna do PVC, no UOL, o BTG pretende ampliar os investimentos em tecnologia para melhorar a experiência de torcedores e frequentadores de shows.

Novo nome

A troca de controle acontece poucos meses depois de outra mudança importante na arena. Em abril, o Nubank comprou os direitos de nome do estádio, que havia sido chamado de Allianz Parque durante cerca de 12 anos. Após uma votação pública, a arena passou a se chamar Nubank Parque, com a nova identidade visual implantada em julho.

O contrato de naming rights também permanece inalterado com a entrada do BTG. O banco já acompanhava esse processo enquanto negociava com a WTorre a aquisição do controle da operação.

Inaugurado em novembro de 2014, o Nubank Parque se consolidou como o principal palco de grandes shows de São Paulo em volume de ingressos vendidos. Em 2025, a arena recebeu 33 apresentações, que reuniram 1,1 milhão de pessoas, segundo a WTorre. 

Em um levantamento da revista especializada Pollstar que considera o período entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, o então Allianz Parque liderou a demanda de arenas esportivas na América do Sul, com 988 mil ingressos comercializados e uma bilheteria de US$ 61 milhões – mais de três vezes o público registrado pelo MorumBis, outro grande estádio da capital paulista. 

Desde a inauguração, o Nubank Parque já recebeu mais de 17,7 milhões de pessoas em 2,3 mil eventos, divididos quase igualmente entre partidas de futebol e espetáculos.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Eleições 2026: quais países usam urna eletrônica como o Brasil?

18 de Setembro de 2026, 15:54

O Brasil não é o único país a usar um sistema de votação com urna eletrônica. Nas Eleições 2026, o modelo brasileiro volta a aparecer dentro de uma família maior de tecnologias eleitorais adotadas em diferentes partes do mundo.

A comparação, porém, depende do tipo de tecnologia usado em cada país. Alguns sistemas se aproximam da urna eletrônica brasileira, enquanto outros usam componentes eletrônicos apenas em parte do processo.

Essa diferença é importante porque nem todo país com votação eletrônica usa uma urna equivalente à brasileira.

Como funciona a urna eletrônica no Brasil?

O Brasil usa uma máquina de registro eletrônico direto do voto. Isso significa que o eleitor digita os números dos candidatos, confirma as escolhas e o voto nasce como registro digital dentro da urna eletrônica.

A urna eletrônica começou a ser usada no Brasil em 1996 e passou a atender todo o eleitorado com o modelo de votação em 2000.

No modelo brasileiro:

  • O eleitor vota presencialmente;
  • A escolha é registrada no Registro Digital do Voto;
  • O voto não é associado à identidade do eleitor;
  • A própria urna apura os votos da seção;
  • Antes da votação, a urna emite a zerésima;
  • Após a votação, emite o Boletim de Urna.

A urna eletrônica brasileira não usa internet durante o voto e permanece isolada de redes no momento da votação. A transmissão eletrônica ocorre depois, quando a seção já foi encerrada e os arquivos de resultado foram gerados.

LEIA MAIS: Urna eleitoral: entenda como é feito o teste de integridade a cada votação

Quais países têm sistema mais parecido com a urna eletrônica do Brasil?

Os sistemas mais parecidos com o brasileiro são aqueles em que o eleitor comparece presencialmente e registra o voto em uma máquina dedicada, sem que o voto nasça em uma cédula de papel.

Na classificação internacional, esse tipo de tecnologia de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês). O termo se refere a máquinas que registram o voto diretamente em meio eletrônico.

  • O Butão é um dos casos mais próximos do Brasil. O país usa máquinas eletrônicas presenciais nas seções. No primeiro turno da eleição para a Assembleia Nacional de 2023/24, foram depositados 195.719 votos presenciais em máquinas eletrônicas, distribuídas em 809 seções.
  • Bangladesh também usou máquinas eletrônicas no passado. A tecnologia costuma ser chamada de máquina eletrônica de votação (EVM, na sigla em inglês). Para uma comparação atual, porém, há uma diferença relevante: o país retirou a tecnologia da eleição parlamentar de 2026 e voltou às cédulas de papel.

Quais países usam urna eletrônica com papel individual?

Índia e Venezuela também podem ser comparadas ao Brasil porque usam máquinas eletrônicas presenciais no ato de votar. A diferença está no papel.

Nesses países, o voto é registrado eletronicamente, mas o sistema também gera uma trilha física individual, conhecida como auditoria em papel verificável pelo eleitor (VVPAT, na sigla em inglês).

  • Na Índia, o eleitor aperta o botão correspondente ao candidato. O equipamento imprime uma papeleta com número, nome e símbolo. O papel fica visível por alguns segundos e depois cai em um compartimento lacrado.
  • Na Venezuela, o eleitor seleciona os candidatos na tela, o voto é registrado eletronicamente e uma papeleta é impressa. O eleitor confere o papel e o deposita em uma urna física separada.

Quais países usam máquina com cédula física?

Há um segundo grupo em que a tecnologia aparece dentro da cabine de votação, mas a cédula de papel faz parte do procedimento.

  • Na Bélgica, o eleitor vota em uma tela, confirma as escolhas e a máquina imprime uma cédula com texto legível e código de barras. Depois, o eleitor escaneia o código e deposita o papel em urna física.
  • No Paraguai, o eleitor recebe uma cédula, insere o papel na máquina, escolhe os candidatos pela tela, confere a informação em um leitor verificador e deposita a cédula em urna física.
  • Na Bulgária, onde há máquinas disponíveis, o eleitor pode escolher entre papel e votação por máquina. Ao usar a máquina, o equipamento imprime uma cédula em papel especial.
  • Na República Democrática do Congo, o eleitor escolhe os candidatos em tela sensível ao toque, e a máquina imprime a escolha no verso da cédula, que depois é depositada.

Quais países usam papel com contagem eletrônica?

Em outro grupo, o voto nasce no papel. A tecnologia aparece depois, para ler, contar ou transmitir os resultados.

Nesses casos, a tecnologia eleitoral atua principalmente sobre a cédula já preenchida pelo eleitor. A comparação com o Brasil passa menos pela urna eletrônica usada na cabine e mais pela automação de etapas do processo eleitoral.

  • Nas Filipinas, o eleitor preenche uma cédula física e a insere em uma máquina de contagem automatizada. O equipamento escaneia o papel, interpreta as marcações e contabiliza os votos.
  • Iraque, Quirguistão e Mongólia também usam modelos em que o eleitor marca uma cédula de papel, e a tecnologia faz a leitura ou a contagem.
  • Nos Estados Unidos, não existe um único sistema nacional. A administração eleitoral é descentralizada e envolve mais de 10 mil jurisdições. Em 2024, havia uso combinado de dispositivos de marcação de cédulas, scanners, contagem manual e sistemas de registro eletrônico direto (DRE, na sigla em inglês) em parte das localidades.

Quais países usam voto pela internet?

Voto pela internet é outra categoria presente no mundo. Nesse modelo, a rede participa do próprio ato de votar. Esse grupo amplia o sentido de votação eletrônica, mas se afasta do modelo brasileiro.

  • Na Estônia, o eleitor pode votar remotamente pela internet desde 2005. O voto é feito em computador pessoal, com autenticação, criptografia, assinatura digital e envio ao servidor eleitoral.
  • Omã permite voto por smartphone pelo aplicativo Intakhib.
  • A Suíça mantém projetos controlados de voto pela internet para parcelas específicas do eleitorado.
  • França, Armênia, El Salvador, Rússia, Panamá e Filipinas possuem ou tiveram modalidades remotas voltadas a grupos ou territórios específicos, como eleitores no exterior.

O que pode ser comparado com a urna eletrônica brasileira?

Tipo de sistemaComparação com o Brasil
Máquina presencial sem cédula individualMais próxima
Máquina presencial com trilha de auditoria em papel verificável pelo eleitorParcial: o voto nasce eletrônico, mas há papel individual
Máquina com cédula física no fluxoParcial: há tecnologia na cabine, mas o papel integra o voto
Papel com leitura eletrônicaLimitada: tecnologia atua na leitura ou na contagem
Voto pela internetOutra categoria

Volkswagen reduz previsão de lucro com crise na China

18 de Setembro de 2026, 13:29

A Volkswagen reduziu sua projeção de lucro, citando uma forte retração na China, custos de reestruturação e uma baixa contábil de € 6 bilhões (US$ 6,9 bilhões) relacionada à fabricante de carros esportivos Porsche. As ações da companhia registraram a maior queda em um ano.

A montadora alemã agora espera uma margem operacional de no máximo 1%, ante uma previsão anterior de pelo menos 4%, informou a empresa nesta sexta-feira (18). A Volkswagen disse que efeitos negativos de cerca de € 10 bilhões (US$ 11,6 bilhões) afetarão os resultados deste ano, a maior parte deles no terceiro trimestre.

Excluindo esses itens extraordinários, a companhia estima uma margem operacional de cerca de 4%.

As ações da Volkswagen chegaram a cair 7,5%, em um movimento que também atingiu outras montadoras, como BMW, Mercedes-Benz e Ford Motor.

O alerta amplia os desafios para o CEO Oliver Blume, que tenta reestruturar a maior montadora da Europa enquanto seus antigos motores de crescimento perdem força.

No início deste mês, a Volkswagen chegou a um acordo difícil com representantes dos trabalhadores que pode dobrar os cortes de empregos previstos para 100 mil postos no mundo. A administração também sofre pressão para reduzir o excesso de capacidade das fábricas e os custos na Alemanha.

A China se tornou um problema cada vez mais grave. O lucro no país, que por muito tempo foi o maior mercado da Volkswagen e uma importante fonte de resultados, despencou à medida que fabricantes locais conquistam participação de mercado e a economia chinesa permanece fraca.

A Porsche prepara uma apresentação a investidores e analistas para 7 de outubro, quando deve apresentar metas financeiras de médio prazo e atualizar sua estratégia. A Volkswagen afirmou que a baixa contábil ocorreu após uma revisão do planejamento de longo prazo e das premissas utilizadas na avaliação da Porsche, indicando que o ajuste está relacionado a esse processo.

Entre os outros fatores que levaram ao alerta de lucro desta sexta-feira, a Volkswagen afirmou que o crescimento mais rápido que o esperado das vendas de veículos elétricos na Europa está pressionando a rentabilidade, especialmente das marcas Volkswagen e Audi.

Os modelos elétricos geralmente têm margens menores que veículos equivalentes com motores a combustão. Com isso, a mudança mais rápida na composição das vendas reduz os ganhos, mesmo com o aumento da demanda por veículos elétricos.

A Volkswagen também espera custos relacionados à venda planejada da fábrica de Osnabrück, onde a produção de veículos deve terminar em 2027. A Volkswagen, o estado da Baixa Saxônia e a Aurelius Capital chegaram neste mês a um acordo potencial para transformar a fábrica em um polo de produção voltado aos setores de segurança e defesa, com a Rafael Advanced Defense Systems escolhida para um projeto inicial de sistemas de defesa aérea.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Quem é Howie Buffett, o novo presidente do conselho da Berkshire Hathaway?

18 de Setembro de 2026, 11:37

Warren Buffett disse na sexta-feira que deixará o cargo de presidente do conselho da Berkshire Hathaway, nomeando seu filho de 71 anos, Howard Buffett, como novo presidente.

A escolha de Howard — que atende pelo apelido de Howie — há muito tempo faz parte do planejamento sucessório do conglomerado de US$ 1 trilhão que Warren Buffett controla desde 1965.

Quem é Howie Buffett? Veja cinco pontos que ajudam a entender:

A principal qualificação de Howie Buffett: ele é filho de Warren Buffett

Em uma entrevista para uma reportagem do Wall Street Journal de 2025, Warren Buffett foi direto ao explicar por que escolheu Howie Buffett:

“Ele está recebendo o cargo porque é meu filho”, disse.

Warren Buffett dedicou bastante atenção ao planejamento sucessório da Berkshire, afirmando: “Eu me importo mais com o futuro da Berkshire depois que eu morrer do que durante o período em que estiver vivo”. Segundo ele, a Berkshire é o tipo de empresa bem-sucedida “que leva muito tempo para construir e poderia ser desmantelada com muita facilidade se caísse nas mãos de pessoas que quisessem dividi-la”.

Em uma conferência com investidores realizada em 2013, em Omaha, Nebraska, o investidor Doug Kass — que apostava na queda das ações da Berkshire — questionou Warren Buffett sobre o plano.

“Howard nunca administrou um negócio diversificado, nem é especialista em gestão de riscos corporativos”, disse Kass. “Tirando o acaso de ter nascido na família, como Howard é a pessoa mais qualificada para assumir esse papel?”

Warren Buffett respondeu que o cargo era diferente da maneira como Kass o havia descrito.

“Ele não terá que pensar em administrar o negócio”, disse. “Terá apenas que pensar se o conselho — e ele próprio, como integrante do conselho — precisa trocar o CEO.”

Experiência profissional: agricultura, comissário de condado e xerife

Howie Buffett não tem o currículo tradicional de um presidente de conselho de um enorme conglomerado. Quando jovem, abandonou a faculdade, trabalhou na See’s, empresa de doces da Berkshire, e acabou se voltando para a agricultura — administrando uma fazenda que seu pai havia comprado. Ele disse que pagava aluguel a preço de mercado.

Também trabalhou no setor público. No fim dos anos 1980, foi eleito comissário do condado em Omaha e presidiu o conselho estadual de etanol. Mais tarde, em 2017 e 2018, foi xerife do condado de Macon, no centro de Illinois, cargo que assumiu depois de atuar como policial auxiliar.

Sua experiência no setor corporativo esteve concentrada principalmente na agricultura. Na década de 1990, foi vice-presidente e assistente do presidente da gigante agrícola Archer Daniels Midland. Depois, atuou como sócio e investidor da GSI Group, fabricante de equipamentos agrícolas.

Howie já tem experiência em conselhos de empresas

O novo presidente do conselho da Berkshire tem experiência em conselhos corporativos.

A partir da ADM, em 1991, Howie Buffett integrou os conselhos de várias empresas nos Estados Unidos — algumas delas com vínculos com a Berkshire Hathaway. A lista inclui a Coca-Cola, uma antiga participação da Berkshire; a engarrafadora Coca-Cola Enterprises; e a ConAgra Foods, fabricante de produtos como Slim Jim e ketchup Hunt’s, entre outras.

A experiência mais relevante: ele integra o conselho da Berkshire desde 1993.

Grande parte de seu trabalho é voltada para a filantropia

Há anos, Warren Buffett vem transferindo parte de suas ações da Berkshire para fundações de caridade administradas por seus filhos — incluindo Howie. Ele disse que toda a participação que ainda possui na Berkshire será transferida para as fundações de seus filhos até 2034.

A Howard G. Buffett Foundation concentra seu trabalho em segurança alimentar e agricultura. Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a fundação destinou mais de US$ 800 milhões para assistência alimentar aos ucranianos, operações de desminagem e investigações de crimes de guerra, entre outras iniciativas.

Não espere uma mudança na cidade-sede da Berkshire

Em uma entrevista ao Journal em 2025, Howie Buffett não revelou muito sobre sua visão para a Berkshire. Segundo ele, muita coisa na companhia não deve mudar.

Ele afirmou que pretende manter a tradição da Berkshire de realizar reuniões anuais nas quais os acionistas fazem perguntas à administração durante horas.

Em um ponto — a sede da Berkshire Hathaway —, porém, ele foi categórico: “Ela nunca sairá de Omaha, Nebraska”.

Eliot Brown: Eliot.Brown@wsj.com

Taxas do Tesouro Direto recuam e devolvem a alta provocada pelo Bolsa Família

18 de Setembro de 2026, 10:11

As taxas do Tesouro Direto recuam nesta sexta-feira (18) e devolvem boa parte da alta provocada na véspera pelo anúncio do reajuste do Bolsa Família. O movimento acompanha o alívio da curva de juros, depois que o mercado trocou o temor fiscal pelo chamado trade eleitoral no fim da quinta-feira (17).

Prefixados recuam até 0,15 ponto

O Tesouro Prefixado 2032 caiu de 14,34% para 14,19% ao ano, menor patamar da semana. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,39% para 14,25% e o Prefixado 2029 saiu de 13,95% para 13,85%.

Com a taxa em queda, o preço sobe. O preço unitário do papel de 2032 voltou de R$ 494,83 para R$ 498,51 — quem comprou no susto de ontem já vê ganho na marcação a mercado. Na outra ponta, quem entra agora trava um retorno menor até o vencimento.

Tesouro IPCA+ 2032 volta a 7,58%, menor nível da semana

Nos títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 caiu de IPCA + 7,69% para IPCA + 7,58%, abaixo inclusive do patamar de quarta-feira, antes da decisão do Copom. O IPCA+ 2040 foi a IPCA + 7,27% e o IPCA+ 2050, a IPCA + 7,19%.

Mesmo com o recuo, o juro real segue acima de 7% ao ano em todos os vencimentos disponíveis.

Entre os pós-fixados, o Tesouro Selic 2031 rende Selic + 0,0736% e o Tesouro Reserva 2036 acompanha a Selic pura, agora em 13,75% ao ano, com aplicação mínima de R$ 1.

Trade eleitoral tira força do temor fiscal

A reação negativa ao reajuste de 15,04% no Bolsa Família, com impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027, perdeu fôlego ao longo da quinta. O Ibovespa virou e fechou em alta de 0,24%, aos 185.992 pontos, enquanto o dólar recuou 0,24%, a R$ 5,139.

A duas semanas das eleições, o mercado segue sensível a pesquisas e ao noticiário de Brasília. Para o investidor, é uma janela em que as taxas podem variar bastante de um dia para o outro — e o retorno travado depende do dia em que o título é comprado.

Veja as taxas do Tesouro Direto nesta sexta-feira (18)

TítuloRendimento anualInvest. mín.Preço unit.Vencimento
Tesouro Reserva 2036SelicR$ 1,00R$ 11,00588901/01/2036
Tesouro Selic 2031Selic + 0,0736%R$ 198,51R$ 19.851,5001/03/2031
Tesouro Prefixado 202913,85%R$ 7,46R$ 746,1101/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,19%R$ 4,98R$ 498,5101/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,25%R$ 8,08R$ 808,1901/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,58%R$ 30,83R$ 3.083,2915/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,48%R$ 43,52R$ 4.352,3115/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,27%R$ 17,94R$ 1.794,1915/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,32%R$ 42,35R$ 4.235,0415/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,19%R$ 9,09R$ 909,8215/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,19%R$ 40,85R$ 4.085,2615/08/2060
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2030IPCA + 7,36%R$ 20,12R$ 2.012,5815/12/2049
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2035IPCA + 7,27%R$ 14,33R$ 1.433,0715/12/2054
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2040IPCA + 7,17%R$ 10,30R$ 1.030,9515/12/2059
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2045IPCA + 7,11%R$ 7,41R$ 741,5615/12/2064
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2050IPCA + 7,04%R$ 5,37R$ 537,8615/12/2069
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2055IPCA + 7,00%R$ 3,88R$ 388,7215/12/2074
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2060IPCA + 6,99%R$ 2,78R$ 278,7615/12/2079
Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra 2065IPCA + 6,99%R$ 1,99R$ 199,2515/12/2084
Tesouro Educa+ 2027IPCA + 7,38%R$ 39,11R$ 3.911,0715/12/2031
Tesouro Educa+ 2028IPCA + 7,48%R$ 36,31R$ 3.631,5815/12/2032
Tesouro Educa+ 2029IPCA + 7,52%R$ 33,74R$ 3.374,5415/12/2033
Tesouro Educa+ 2030IPCA + 7,55%R$ 31,34R$ 3.134,4315/12/2034
Tesouro Educa+ 2031IPCA + 7,56%R$ 29,13R$ 2.913,5015/12/2035
Tesouro Educa+ 2032IPCA + 7,56%R$ 27,09R$ 2.709,7415/12/2036
Tesouro Educa+ 2033IPCA + 7,53%R$ 25,26R$ 2.526,4515/12/2037
Tesouro Educa+ 2034IPCA + 7,50%R$ 23,57R$ 2.357,2815/12/2038
Tesouro Educa+ 2035IPCA + 7,45%R$ 22,04R$ 2.204,9415/12/2039
Tesouro Educa+ 2036IPCA + 7,39%R$ 20,66R$ 2.066,1115/12/2040
Tesouro Educa+ 2037IPCA + 7,35%R$ 19,33R$ 1.933,5815/12/2041
Tesouro Educa+ 2038IPCA + 7,31%R$ 18,10R$ 1.810,9315/12/2042
Tesouro Educa+ 2039IPCA + 7,28%R$ 16,94R$ 1.694,8615/12/2043
Tesouro Educa+ 2040IPCA + 7,27%R$ 15,82R$ 1.582,6515/12/2044
Tesouro Educa+ 2041IPCA + 7,26%R$ 14,78R$ 1.478,2615/12/2045
Tesouro Educa+ 2042IPCA + 7,26%R$ 13,78R$ 1.378,8415/12/2046
Tesouro Educa+ 2043IPCA + 7,25%R$ 12,88R$ 1.288,4415/12/2047
Tesouro Educa+ 2044IPCA + 7,24%R$ 12,04R$ 1.204,1915/12/2048

Fonte: Tesouro Nacional. Taxas de 18/09/2026.

CSN recebe ofertas de R$ 11 bi pela unidade de cimento: Votorantim, Huaxin e Polimix estão na disputa

18 de Setembro de 2026, 09:55

Os títulos de dívida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) estão entre os que mais se valorizaram nos mercados emergentes desde a nomeação do novo CEO da companhia. Investidores avaliam que o programa de venda de ativos pode finalmente avançar e ajudar a siderúrgica a reduzir o alto endividamento.

Ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman foi anunciado como novo CEO da CSN em 2 de setembro. A mudança é vista por investidores e bancos credores como o início de uma nova fase para a companhia, que é comandada por Benjamin Steinbruch há duas décadas.

A escolha de um executivo de fora da família controladora foi interpretada como um sinal positivo, ao colocar à frente da empresa alguém com experiência para concluir negociações que se arrastam há anos.

“É uma mudança simbólica positiva”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz. Segundo ele, embora Steinbruch continue como presidente do conselho de administração, a chegada de Schvartsman “coloca um novo rosto em uma ‘nova’ CSN e reafirma a intenção da companhia de reduzir a alavancagem e simplificar os negócios”.

Os títulos da CSN acumulam retorno médio de cerca de 5% desde o anúncio, enquanto um índice mais amplo de dívida corporativa de mercados emergentes registra perda de 0,5% no período.

Venda da CSN Cimentos

A venda da unidade de cimento está em estágio mais avançado, e um acordo pode ser anunciado nas próximas semanas, segundo pessoas com conhecimento das negociações ouvidas pela Bloomberg sob condição de anonimato.

Huaxin, Votorantim e Polimix fizeram propostas vinculantes de cerca de R$ 11 bilhões cada, segundo as fontes. O valor está abaixo dos R$ 15 bilhões pretendidos pela CSN, mas a companhia pode aceitar uma oferta menor, disseram.

A unidade de cimento foi dada como garantia a bancos em um empréstimo de pelo menos US$ 1,2 bilhão concedido em março, segundo pessoas familiarizadas com o assunto haviam informado anteriormente.

A CSN também negocia a venda da Stahlwerk Thuringen (SWT), siderúrgica na Alemanha comprada pela companhia em 2012 por US$ 634 milhões, segundo as fontes.

A companhia também recebe ofertas por alguns ativos de infraestrutura e pode optar por vendê-los separadamente, em vez de negociar uma participação minoritária no negócio de infraestrutura como um todo, como pretendia inicialmente.

CSN Mineração

Acionistas da CSN Mineração avaliam aumentar suas participações na companhia, aproveitando os preços considerados baixos, por meio da compra de ações adicionais da holding controladora, segundo as fontes.

A Itochu Corporation é a segunda maior acionista da CSN Mineração, com participação de 10,85% adquirida em 2024 por R$ 4,42 bilhões. A Japão Brasil Minério de Ferro Participações Ltda. é a terceira maior acionista, com 9,35%, segundo a companhia. A Japão Brasil é uma subsidiária da Itochu.

A Votorantim não quis comentar. CSN, CSN Mineração, Embu S.A., a unidade brasileira da Huaxin e Polimix não responderam aos pedidos de comentário. A Itochu também não respondeu.

Mudança no comando

Steinbruch é considerado um negociador duro em processos de venda de ativos e costuma buscar condições mais favoráveis para a CSN. A última venda de controle de um negócio da companhia ocorreu em 2018, quando a empresa recebeu US$ 400 milhões pela operação siderúrgica americana CSN LLC.

Investidores avaliam que Schvartsman tem experiência para avançar com o programa de desinvestimentos da CSN. O executivo passou por algumas das maiores empresas brasileiras dos setores industrial e de recursos naturais, como Vale e Klabin.

Cesar Fernandez, sócio da Alpha Credit Advisors, disse que o novo CEO pode acelerar o programa de venda de ativos da CSN e interromper “uma trajetória de alavancagem que vem tomando o caminho errado há anos”.

A expectativa é que Schvartsman apresente resultados rapidamente. Mesmo após a alta recente, os títulos da CSN em dólar acumulam perda média de cerca de 11,2% em 2026.

No início do ano, investidores venderam os títulos da siderúrgica diante do temor de que a CSN pudesse enfrentar dificuldades financeiras em meio às taxas de juros de dois dígitos no Brasil.

A situação financeira da companhia continua pressionada. No último trimestre, a CSN registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 773 milhões (US$ 151,7 milhões), no décimo trimestre consecutivo de resultado negativo. O prejuízo foi seis vezes maior que o registrado um ano antes.

A CSN acumulou dívidas para financiar investimentos em suas diferentes unidades de negócios. Os juros elevados e a concorrência estrangeira, que pressionaram o crescimento, também afetaram o balanço da companhia.

A dívida líquida chegou a R$ 42,1 bilhões em 30 de junho, elevando a relação entre dívida líquida e Ebitda para 3,5 vezes.

A experiência de Schvartsman também pode ajudar nas negociações com credores, segundo Daniel Sasson, analista do Itaú BBA. Ele destacou, entre outros pontos, a aprovação do projeto Puma 1 na Klabin, que dobrou o Ebitda da companhia.

“O novo executivo tem um histórico forte e também passou por períodos de incerteza quando estava na Klabin e na Vale”, disse Manuel Mondia, gestor de portfólio da Aquila Asset Management. “A notícia sobre a mudança no comando fez os títulos se recuperarem das mínimas, e uma valorização adicional agora depende da execução dos planos da companhia.”

*Giovanna Bellotti Azevedo, Rachel Gamarski and Mariana Durão

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

On contrata Mbappé para entrar no mercado de futebol e desafiar Nike e Adidas

18 de Setembro de 2026, 09:33

A On contratou o astro francês Kylian Mbappé como parceiro no desenvolvimento de produtos para futebol e como representante da marca, em um movimento ousado para desafiar o domínio de Nike e Adidas no esporte.

A empresa suíça equipará Mbappé, atacante de 27 anos que já é o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com chuteiras desenvolvidas especialmente para ele, enquanto amplia o uso de sua tecnologia de fabricação de calçados LightSpray, segundo comunicado. Mbappé, principal estrela do Real Madrid, já foi patrocinado pela Nike.

As ações da On chegaram a subir 7,4% no pré-mercado nos Estados Unidos após a notícia. As ações da Nike recuavam 0,6%, enquanto as da Adidas tinham queda semelhante em Frankfurt.

A On também contratou Thierry Henry, ex-astro da seleção francesa e do Arsenal, da Premier League inglesa, como diretor de futebol. Os valores financeiros das parcerias não foram divulgados.

A empresa, que tem Roger Federer como investidor, cresceu rapidamente desde sua fundação, em 2010. Começou com calçados para corrida e depois expandiu para tênis, treinamento e esportes ao ar livre.

A On também busca aumentar sua receita com vestuário, tanto para esportes quanto para produtos de estilo de vida. A companhia realizará na terça-feira um evento com investidores, no qual deve apresentar metas financeiras para os próximos anos.

Embora o futebol seja há muito tempo o esporte mais popular do mundo, nos últimos anos ele também ganhou espaço como fonte de produtos ligados a estilo de vida e moda para concorrentes como Adidas, Nike e Puma. As marcas registraram aumento nas vendas neste verão com camisas de seleções e clubes patrocinados por elas na Copa do Mundo.

O futebol sofreu menos mudanças provocadas por marcas desafiantes nos últimos anos do que o mercado de corrida, no qual empresas como On e Hoka conquistaram participação de mercado com produtos inovadores. New Balance e Skechers também avançaram no futebol, sendo que a segunda patrocina o astro inglês Harry Kane, que também joga pelo Bayern de Munique.

A On pretende “repensar os produtos para atender às exigências do jogo e, ao mesmo tempo, levar uma nova energia à cultura que o cerca”, segundo o comunicado.

Mbappé trabalhará em estreita colaboração com a equipe da On para desenvolver e testar chuteiras e roupas esportivas, além de representar a marca fora dos campos, informou a empresa. Além de ser um dos principais talentos do futebol, Mbappé também conquistou fãs por seu estilo de moda e participou de campanhas da Dior.

“O que me atraiu na On foi a oportunidade de construir algo totalmente novo juntos, que ajudará a moldar o futebol de amanhã”, disse Mbappé no comunicado.

A On acredita que sua tecnologia LightSpray — na qual robôs aplicam a parte superior do calçado a partir de um filamento em questão de minutos — será uma vantagem no futebol. O objetivo é criar produtos “excepcionalmente leves, precisos e próximos do atleta como uma segunda pele”, segundo a empresa.

A On apresentou a tecnologia em 2024 e ampliou seu uso, passando de tênis de maratona de alto padrão para produtos voltados a um mercado mais amplo. A empresa inaugurou uma fábrica dedicada à LightSpray na Coreia do Sul no início deste ano e planeja iniciar em breve outra unidade no Vietnã. Futuros locais de produção poderão ser instalados nos Estados Unidos e na Europa, disse Caspar Coppetti, co-CEO da companhia, em entrevista em junho.

A primeira incursão da On no futebol ocorreu em dezembro, quando a empresa contratou a jovem estrela suíça Sydney Schertenleib, que joga no time feminino do Barcelona, para colaborar no desenvolvimento de produtos voltados a treinamento e estilo de vida. Agora, ela também representará a marca no futebol e ajudará a desenvolver produtos destinados ao futebol feminino.

Rússia liga tomada de ativos da Nestlé à ajuda europeia à Ucrânia

18 de Setembro de 2026, 09:12

O Kremlin relacionou a tomada de ativos na Rússia pertencentes à gigante suíça de alimentos Nestlé e à rede francesa de supermercados Auchan ao apoio militar europeu à Ucrânia.

“Estamos falando de empresas, empresas europeias de países hostis”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas na sexta-feira (18). “Um dos fatores levados em consideração ao tomar essa decisão foi que este é um país hostil e que este é um país hostil que atualmente está mais ativamente envolvido em ações militares contra nosso país.”

O presidente Vladimir Putin publicou um decreto na noite de quinta-feira (17) determinando que participações nos negócios da Nestlé e da Auchan na Rússia fossem colocadas sob administração temporária de uma empresa chamada AO L.E.V. Menedzhment.

É a maior tomada de ativos corporativos estrangeiros na Rússia desde pelo menos 2024. A medida ocorre em meio às tensões com a Europa, que impôs amplas sanções à Rússia e está enviando dezenas de bilhões de dólares em armas e ajuda financeira para apoiar a defesa da Ucrânia contra a invasão em larga escala ordenada por Putin em fevereiro de 2022.

A AO L.E.V. Menedzhment foi registrada em Moscou em 2024, com capital social de apenas 15 mil rublos (US$ 177) e um único funcionário, segundo dados do registro russo. A empresa tinha pouca exposição pública antes do decreto.

As ações da Nestlé caíram até 1,9% nas negociações iniciais de sexta-feira (18), atingindo o menor nível em três meses antes de reduzir parte da queda.

A medida do Kremlin evidencia o ambiente empresarial cada vez mais difícil enfrentado pelas empresas internacionais que permanecem na Rússia. Mais de mil empresas deixaram o país depois do início da guerra e da imposição de várias rodadas de sanções internacionais contra Moscou.

Ainda assim, grandes empresas como PepsiCo, Mondelez International e Raiffeisen Bank International continuam operando na Rússia sob restrições crescentes, embora tenham reduzido suas operações.

A Rússia aprovou uma lista de países que considera “hostis” pouco depois do início da invasão. Além de todos os países da União Europeia e dos Estados Unidos, vários outros países, incluindo a Suíça, estão na lista. Transações financeiras e comerciais envolvendo empresas desses países estão sujeitas a restrições adicionais e exigências regulatórias na Rússia.

A Nestlé afirmou em comunicado na sexta-feira (18) que tomou conhecimento do decreto de Putin e estava avaliando a situação e suas opções.

“A Nestlé está empenhada em tomar todas as medidas necessárias para proteger seus direitos e garantir a continuidade das operações comerciais no interesse de todas as partes interessadas, especialmente seus funcionários”, afirmou.

O governo suíço deve se pronunciar sobre o caso ainda nesta sexta-feira (18).

A Suíça adotou sanções semelhantes às da União Europeia contra a Rússia por causa da guerra na Ucrânia, rompendo com sua abordagem anterior de neutralidade. A medida deu origem a uma iniciativa para impor uma interpretação mais rígida da tradicional doutrina de neutralidade do país, e os eleitores decidirão sobre a proposta em 27 de setembro.

A Rússia se manifestou publicamente sobre a campanha a favor de uma neutralidade mais rígida. Se aprovada, a proposta impediria a Suíça de impor sanções a países em conflito sem respaldo da ONU, o que significaria que o país não poderia mais manter as atuais medidas contra a Rússia com base no mesmo fundamento.

A Auchan Retail Russia afirmou ter solicitado esclarecimentos sobre o decreto e que apresentaria uma resposta mais detalhada depois de receber as informações pertinentes, informou a empresa à agência estatal Tass.

A Rússia assumiu o controle de dezenas de ativos internacionais desde 2023, quando alterou a legislação para criar um mecanismo de administração temporária que permite ao Estado assumir o controle de participações pertencentes a empresas de países “hostis”.

Entre os casos estão as unidades locais da empresa finlandesa de serviços públicos Fortum, da fabricante francesa de iogurtes Danone e da cervejaria dinamarquesa Carlsberg.

As ordens de administração temporária muitas vezes foram seguidas pela transferência dos ativos para compradores russos aprovados pelas autoridades, muitos deles com ligações com o Kremlin. Danone e Carlsberg tiveram seus ativos brevemente devolvidos, mas depois foram obrigadas a vendê-los a empresas russas com grandes descontos.

Ativos estrangeiros sob controle russo

O Kremlin também tornou cada vez mais difícil para empresas estrangeiras deixarem a Rússia. Transações envolvendo investidores de países “hostis” exigem que os vendedores aceitem um desconto de pelo menos 60%, além de um imposto especial de saída.

Em agosto, Putin sancionou uma lei que permite aos tribunais russos impedir que investidores estrangeiros que deixaram o país depois da invasão da Ucrânia em 2022 recomprassem os ativos que haviam vendido. Ele afirmou repetidamente que será difícil voltar ao mercado russo.

Ainda assim, o decreto sobre a Nestlé e a Auchan, publicado na noite de quinta-feira (17), foi inesperado. O Kremlin não havia usado o mecanismo contra ativos de valor comparável desde pelo menos 2024, quando fábricas pertencentes à AB InBev Efes, uma joint venture entre a cervejaria belga AB InBev e a turca Anadolu Efes, foram colocadas sob administração temporária.

Nestlé na Rússia

A Nestlé opera na Rússia desde os anos 1990, mas reduziu seus negócios após 2022, suspendendo algumas marcas e interrompendo importações e exportações não essenciais, além de publicidade e investimentos de capital. A gigante suíça possui seis fábricas na Rússia, que empregam mais de 7 mil pessoas e onde continuou a produzir o que descreve como alimentos essenciais e de consumo cotidiano.

A Rússia responde por cerca de 2% das vendas globais da Nestlé, o equivalente a aproximadamente 2 bilhões de francos suíços (US$ 2,5 bilhões) por ano.

A perda do controle sobre os ativos russos poderia representar uma baixa contábil de cerca de 1 bilhão de francos suíços, segundo analistas liderados por David Hayes, do Jefferies.

A resposta da Nestlé à ordem de Putin tem sido “pouco comprometedora” até agora, embora os precedentes de Danone e Carlsberg não sejam animadores, disse Warren Ackerman, analista do Barclays.

“Interpretamos o decreto como um passo em direção a uma possível mudança de propriedade, embora o momento, o processo e a compensação sejam desconhecidos”, acrescentou.

A Auchan esteve entre a primeira onda de grandes empresas ocidentais de bens de consumo a expandir suas operações na Rússia, ao abrir sua primeira loja no país em 2002. A empresa construiu uma ampla rede de lojas e atualmente opera 230 supermercados e hipermercados em todo o país, segundo seu site.

No início deste ano, uma empresa pouco conhecida chamada KS Logistics pediu a Putin que colocasse as entidades locais da Nestlé sob administração temporária, informou o jornal Kommersant. Na época, a Nestlé disse ao veículo que não havia recebido nenhuma solicitação das autoridades russas e que seus escritórios e fábricas continuavam funcionando.

Não está claro se a KS Logistics tem alguma relação com a L.E.V. Menedzhment. Esta última nomeou Andrey Krayushkin como seu novo diretor-presidente apenas na semana passada, segundo dados do registro russo.

Krayushkin atuou até pelo menos 2020 como primeiro vice-chefe do departamento de migração do Ministério do Interior e tinha a patente de major-general, informou na quinta-feira (17) o veículo de oposição russo Novaya Gazeta Europe, citando bancos de dados que, segundo o veículo, estavam em sua posse. A Bloomberg não conseguiu verificar a informação de forma independente.

Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire: ‘o tempo sempre vence’

18 de Setembro de 2026, 09:00

O fundador da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, está deixando o cargo de presidente do conselho de administração da companhia e será substituído pelo filho, Howard, no mais recente passo do processo de sucessão de um dos mais conhecidos conglomerados de investimentos do mundo.

O bilionário passará a ser presidente emérito da companhia, título honorário concedido a ex-presidentes, com efeito imediato, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (18). Buffett continuará como membro do conselho de administração, enquanto seu filho, que integra o conselho da empresa desde 1993, assumirá a presidência.

“Warren teve um impacto sobre a Berkshire e seus acionistas sem paralelo na história dos negócios americanos”, disse Greg Abel, que substituiu Buffett no início deste ano como CEO da companhia. “A cultura que Warren construiu e os valores que defendeu continuarão no centro da Berkshire, e Howard será seu guardião.”

Aos 96 anos, Buffett deixa a presidência do conselho após mais de seis décadas à frente da companhia sediada em Omaha, Nebraska. A empresa era originalmente uma decadente fábrica têxtil e foi transformada pelo lendário investidor em um conglomerado avaliado em mais de US$ 1 trilhão.

Em uma carta aos acionistas, Buffett afirmou que decidiu deixar o cargo depois que Abel superou suas expectativas “altíssimas” como CEO. “Ele já vem tomando as decisões que importam há algum tempo, e eu não precisei pensar duas vezes sobre nenhuma delas”, escreveu Buffett. “Portanto, o momento é adequado para concluir a transição.”

Buffett disse que continuará no conselho e que Abel ficará responsável pela gestão da Berkshire, enquanto Howard terá como função preservar a cultura e os valores da companhia.

“Greg administra a empresa; Howard protegerá sua cultura e seus valores — ambos valem mais do que qualquer coisa em nosso balanço”, escreveu Buffett.

Filho de Buffett

Howard Buffett, de 71 anos, integra o conselho da Berkshire há 33 anos. Desde 1999, ele é presidente e CEO da Howard G. Buffett Foundation, organização filantrópica voltada à segurança alimentar global e à redução de conflitos.

Ele também integrou os conselhos de diversas empresas públicas e privadas, incluindo Agro Tech, Archer Daniels Midland, ConAgra Foods, Coca-Cola, Coca-Cola Enterprises, FirsTier Financial e Lindsay Corporation, tendo ocupado a presidência de alguns deles.

Howard Buffett, novo presidente do conselho da Berkshire (Chris J. Ratcliffe/Bloomberg)

O comunicado informou ainda que Susan Decker continuará como diretora independente líder do conselho da Berkshire.

Abel já começou a utilizar o enorme caixa da companhia, inclusive para recomprar ações. O preço das ações da Berkshire Hathaway permaneceu praticamente estável neste ano.

Em sua carta, Buffett também afirmou que continua confiante no futuro da companhia e pretende permanecer como acionista.

“A empresa está em excelentes mãos, e espero continuar sendo acionista ao lado de vocês”, escreveu.

Buffett assumiu o comando da Berkshire em 1965 e, desde então, transformou a antiga fabricante têxtil em um conglomerado com negócios em seguros e resseguros, energia, ferrovias, indústria, serviços e varejo.

“Ser seu presidente foi o privilégio de uma vida, e nunca dei como garantida a confiança de vocês”, escreveu Buffett. “O tempo sempre vence. Mas foi generoso comigo.”

Por que tantas exchanges de criptomoedas estão fechando no Brasil?

18 de Setembro de 2026, 08:21

A fintech argentina cripto Lemon, que chegou ao Brasil em março de 2022, anunciou nesta semana que vai fechar as portas no país. E ela não foi a única.

Nos últimos meses, várias exchanges internacionais ou brasileiras decidiram encerrar as atividades por aqui ou reduzir as operações para o varejo.

São elas: Bitnuvem, NovaDAX, Digitra.com, Coinext, Bitso e Crypto.com (esta última vai encerrar sua conta em reais para investidores brasileiros).

Motivos? Algumas não citaram o porquê, mas outras foram bem claras: regulação do Banco Central.

Regulação dura

As empresas que já atuavam com criptomoedas no Brasil têm até 30 de outubro para pedir autorização ao Banco Central. A exigência faz parte da nova regulação do setor, publicada no ano passado e que entrou em vigor neste ano.

Depois desse dia, quem não tiver iniciado o processo ficará impedido de continuar operando normalmente por meio das instituições reguladas pelo BC.

Nem toda empresa, no entanto, tem cacife para continuar trabalhando em terras brasileiras. Uma das principais críticas tem sido as exigências de capital, que podem variar de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões.

No começo deste mês, José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, escreveu nas redes sociais que a nova realidade regulatória passou a exigir uma estrutura de capital e operação diferente daquela sobre a qual a corretora foi construída, há 10 anos.

“Nos últimos meses, buscamos intensamente alternativas para a continuidade do negócio. Infelizmente, nenhuma delas se mostrou viável dentro do tempo que tínhamos. E chega um momento na vida de uma empresa em que tão importante quanto saber começar é saber terminar”, escreveu.

Já a argentina Lemon disse em comunicado a clientes que a empresa tomou essa “difícil decisão porque a nova regulamentação, que acaba de entrar em vigor, estabelece regras e exigências que não favorecem o desenvolvimento de produtos do nosso setor”.

Newsletter: quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews!

Mais segurança jurídica

A visão dos reguladores e de parte dos players do setor é que as novas regras trazem mais segurança jurídica para as empresas e para os investidores.

“Para muitos players de mercado, você só consegue se relacionar se tiver um regulador bem definido”, disse Nagel Paulino, chefe de divisão do Banco Central, no Digital Assets Conference (DAC), evento cripto que aconteceu em São Paulo nesta semana.

Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin Portugal, comparou o processo brasileiro ao MiCA (regulação cripto europeia), que fez novas exigências de resiliência operacional e cibersegurança, e falou que “o mercado cripto (local) recomeça dia 31 de outubro”.

Mercado concentrado

Para associações cripto e outros especialistas, porém, essas regras tiram da jogada as startups cripto, que deram início ao ecossistema nacional e hoje não têm condições de seguir regras, que são equivalentes às de outros setores financeiros.

Em levantamento publicado na semana passada, o Valor Investe mostrou que há entre 150 e 200 empresas cripto no Brasil. Desse total, apenas entre 20 e 25 conseguiriam se manter por aqui com as novas regras. Ou seja, algo entre 10% e 17% do mercado

Regina Pedroso, diretora executiva da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), disse na Febraban Tech 2026, em agosto, que muitas empresas cripto no Brasil dormiram startups e acordaram bancos por causa da regulação.

Já Julia Rosin, presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), vem alertando há algum tempo que novas regras aumentam a complexidade e os custos de adaptação das empresas de cripto, com potencial de acelerar a concentração do mercado.

E aqui vai um detalhe: instituições financeiras que já têm licença bancária do Banco Central podem prestar determinados serviços de ativos virtuais sem precisar criar uma nova estrutura específica para isso.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h

Bitcoin (BTC):  +2,21%, US$ 78.083,25

Ethereum (ETH): +2,67%, US$ 2.499,11

BNB (BNB): +3,74%, US$ 749,60

XRP (XRP): +1,81%, US$ 1,31

Solana (SOL): +5,56%, US$ 105,55

Outros destaques do mercado cripto

A blockchain da stablecoin da B3. A stablecoin da B3, anunciada no fim do ano passado, já escolheu sua casa (ou melhor, sua blockchain). Será a Polygon, rede da criptomoeda POL. A proposta da nova cripto, vale lembrar, não é ser voltada ao varejo, como USDT, USDC e outras. A ideia é que seja um ativo digital para a liquidação de operações tokenizadas.

Empresas pisam no freio nas compras de bitcoin. As empresas de capital aberto reduziram o ritmo de compras de bitcoin. Segundo dados da Glassnode citados pelo CoinDesk, foram adquiridos cerca de 5.900 BTC nos últimos três meses, bem abaixo do ritmo observado no mesmo período de 2025. A Strategy, maior tesouraria cripto do mercado, respondeu pela maior parte das compras recentes, incluindo uma aquisição de 4.603 BTC no fim de agosto.

SEC abre caminho para ações tokenizadas. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) criou uma isenção temporária que permite a plataformas específicas negociar ações tokenizadas de empresas listadas nas bolsas americanas diretamente na blockchain. A medida vale por até cinco anos. Ações tokenizadas são versões digitais de ações tradicionais de empresas.

Cola eleitoral 2026: como fazer, o que pode levar e o que fica proibido na cabine

18 de Setembro de 2026, 08:18

Nas eleições 2026, o eleitor brasileiro tem que escolher deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente, cada um com uma quantidade diferente de números, e depois de digitar precisa conferir o nome na tela antes de confirmar.

Votar em seis cargos de uma única vez, sem poder conferir os números na cabine de votação, pode gerar dúvidas. Um recurso, não só permitido como incentivado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é o uso de uma cola eleitoral, um papel com as escolhas anotadas, organizado na ordem exata da votação.  

Como fazer a cola eleitoral

O próprio TSE disponibiliza um modelo pronto para impressão, com espaço para preencher as informações de cada candidato na sequência da urna. Escrever o nome ao lado do número funciona como uma conferência extra, útil para quem tem pressa na hora de digitar e prefere não depender só da memória. 

O site da Justiça Eleitoral tem também um simulador de votação, que permite treinar antes do primeiro turno, que acontece em 4 de outubro, e do segundo, previsto para 25 de do mesmo mês. Os concorrentes que aparecem no simulador são fictícios, mas a ferramenta reproduz as mesmas etapas do processo eleitoral.  

A ordem de votação na urna

Para quem preferir fazer a cola eleitoral em casa, mesmo à mão, vale seguir a ordem em que os candidatos aparecem na tela e anotar os números nessa sequência.

CargoDígitos
Deputado federal4
Deputado estadual ou distrital5
Senador (1ª vaga)3
Senador (2ª vaga)3
Governador2
Presidente2

O que é proibido na cabine

A cola eleitoral só pode existir em papel. Celular está proibido dentro da cabine de votação, mesmo desligado, e precisa ser entregue ao mesário antes de entrar, não apenas guardado no bolso. A mesma restrição vale para câmeras fotográficas, filmadoras e qualquer equipamento de radiocomunicação capaz de comprometer o sigilo do voto.

A regra estabelecida para as eleições busca garantir que a escolha seja secreta e impedir que o voto seja registrado, transmitido ou divulgado. A medida também ajuda a evitar práticas como a compra de votos, em que a pessoa é obrigada a apresentar uma espécie de prova da opção escolhida.

Quem se recusa a responder se está com celular, ou a entregá-lo, fica impedido de votar, e os mesários podem acionar a polícia para registrar o ocorrido.

Documentos e identificação

Além da cola eleitoral, é bom já decidir qual documento de identificação levar no dia 4 de outubro. Para se identificar na seção eleitoral, basta o eleitor apresentar um documento oficial com foto: RG, CNH, passaporte ou carteira de categoria profissional, por exemplo.

O título de papel ficou para trás, não é mais exigido, e mesmo um documento vencido continua servindo, desde que a foto ainda permita reconhecer o eleitor.

Duas exceções para não esquecer: certidões de nascimento e de casamento nunca são aceitas como identificação. Além disso, a Carteira de Trabalho Digital, apesar de ser documento oficial com foto, também fica de fora dessa lista aceita pela Justiça Eleitoral.

e-título

Quem prefere levar só o celular pode contar com o e-Título, que substitui qualquer um desses documentos, mas ele só é aceito quando mostra a foto na tela.

Vale a pena baixar e atualizar o aplicativo com antecedência, porque o download fica suspenso no dia da eleição, e quem deixa para a última hora corre o risco de chegar à seção sem essa opção disponível. 

Resumo rápido das eleições 2026 

1º turno4 de outubro (domingo)
2º turno25 de outubro (domingo), se houver
Horário de votação8h às 17h, horário de Brasília
Documento necessárioOriginal com foto (físico ou digital) ou e-Título com foto
O que não pode levarCelular, câmera ou qualquer equipamento eletrônico na cabine

Depois do secador de cabelo de US$ 399, Dyson tem nova invenção: uma escova de dentes com IA de US$ 499

18 de Setembro de 2026, 06:08

O inventor James Dyson tem uma vinícola, um título de cavaleiro, uma mansão no interior da Inglaterra e um patrimônio líquido estimado em mais de US$ 15 bilhões. Ele também sente uma certa apreensão quando precisa ir ao dentista.

“Embora eu use fio dental religiosamente, ela sempre pega a picareta e começa a arrancar pedaços de placa endurecida”, disse ele, em uma chamada de vídeo a partir de seu superiate, o Nahlin. “Tenho que passar pela picareta toda vez que vou ao higienista, e ainda levo bronca.”

O cidadão comum apenas sorri e suporta o raspador de metal passando pelos dentes. Mas Dyson, de 79 anos, passou seis anos desenvolvendo uma escova de dentes equipada com inteligência artificial que promete usar fio dental ao mesmo tempo em que escova os dentes.

A escova de dentes Dyson CameraJet, apresentada no começo de setembro, é a primeira incursão da empresa no segmento de cuidados bucais. A Dyson é conhecida por explorar o poder do ar, seja em aspiradores de pó, secadores de cabelo que custam US$ 399 ou purificadores.

Desta vez, Dyson e sua equipe de engenheiros tiveram de trabalhar com líquidos. Eles desenvolveram um mecanismo de bombeamento e um reservatório que funciona sem depender da gravidade, independentemente do ângulo em que a escova é segurada, para controlar o fluxo.

A cabeça da escova tem uma minúscula câmera que analisa 28 imagens por segundo em tempo real para identificar os espaços entre os dentes, acionando um jato cônico de enxaguante bucal que passa entre eles como fio dental.

Dyson não trabalhava com água desde que ajudou a projetar o Rotork Sea Truck, uma embarcação de alta velocidade, quando era estudante no Royal College of Art, em Londres. “Isso é algo completamente novo. Mas por que não?”, disse.

Disponível nas cores rosa e azul, a escova de dentes chegará à Sephora, à Best Buy e à Amazon em setembro, e à Costco mais para o fim do outono no hemisfério norte.

A Dyson pretende convencer os consumidores a trocar suas escovas de dentes tradicionais e o fio dental por uma máquina de US$ 499 – além de um creme dental especial da Dyson que não produz espuma.

O mercado global de cuidados bucais é grande, saturado, dominado por um punhado de empresas e deve crescer em ritmo moderado.

“Eu não fazia ideia do tamanho do mercado e não tenho ideia de quantas unidades vamos vender”, disse ele. “Nós realmente não estruturamos as coisas com base em um plano de negócios.”

A atitude pouco preocupada de Dyson em relação às projeções de receita tem raízes em sua independência.

Seu pai morreu antes de ele completar 10 anos, e sua mãe enfrentou dificuldades financeiras para criar a família.

Ele deixou sua cidade natal, Norfolk, na Inglaterra, para estudar mobiliário e design de interiores no Royal College of Art e começou a carreira projetando produtos para outras empresas. Um de seus primeiros sucessos foi o Ballbarrow, um carrinho de mão que tinha uma bola no lugar da roda.

Quando se casou, teve filhos e ficou obcecado, no início dos 30 anos, em melhorar a sucção dos aspiradores de pó, Dyson já estava cansado de ter um chefe.

Receita bilionária

Ele conseguiu um empréstimo bancário e se endividou ao passar por mais de 5 mil protótipos em sua busca para aperfeiçoar seu sistema ciclônico sem saco coletor, que se tornou sua marca registrada.

Seu mentor, o designer Jeremy Fry, investiu inicialmente no negócio. Mais tarde, Dyson comprou a participação de 49% de Fry por £ 45 mil e, desde então, mantém 100% do controle da empresa.

No ano passado, a empresa gerou cerca de US$ 8,3 bilhões em receita.

Dyson construiu um amplo campus de aço e vidro instalado nos arredores de Malmesbury, a cerca de duas horas de carro a oeste de Londres. Ele proibiu ternos e gravatas no ambiente de trabalho desde os anos 1990.

Em 2019, menos de três anos depois da aprovação do Brexit, que ele apoiou, Dyson anunciou que transferiria sua sede para Cingapura. Críticos o chamaram de hipócrita; Dyson disse que a empresa havia crescido além da capacidade do campus de Malmesbury e manteve sua convicção de que a Ásia era o futuro da manufatura.

Ele evitou as estratégias sofisticadas de vendas das grandes agências de publicidade. Ao longo dos anos, apareceu nos comerciais da Dyson como o único porta-voz da empresa, adotando o tom de um professor de física que dá uma aula.

Também ficou conhecido por admitir publicamente seus fracassos. Entre eles estão um carro elétrico, anunciado em 2017 e abandonado por falta de viabilidade comercial em 2019, e uma máquina de lavar, que chegou ao mercado no início dos anos 2000, mas acabou sendo cara demais para fabricar, consertar e vender.

“Às vezes, as circunstâncias mudam e, às vezes, cometemos erros”, disse ele. “Você encerra quando não há mais esperança.”

A Dyson CameraJet será anunciada em outdoors, comerciais de televisão em serviços de streaming e publicações e vídeos nas redes sociais. O argumento de venda é que se trata simplesmente de uma escova de dentes que também passa fio dental.

“Se descobrirmos que não é uma boa ideia comercial, como aconteceu com o carro, vamos interromper o projeto”, disse Dyson. “Mas o conselho de administração não é todo demitido porque fizemos alguma coisa boba.”

Escreva para Katie Deighton em katie.deighton@wsj.com.

Por que o setor de materiais de construção está obcecado por sucessão

18 de Setembro de 2026, 06:00

Poucos setores são tão pulverizados quanto o varejo brasileiro de materiais de construção. Em 2025, as 160.627 lojas do segmento faturaram R$ 238,9 bilhões, e quase sete em cada dez tinham no máximo quatro funcionários.

A líder do setor no Brasil, a rede francesa Leroy Merlin, fatura cerca de 4% desse total. A fotografia é a de uma multidão de empresas de tamanhos muito variados e, em geral, bastante dependentes de seus donos. São eles que escolhem fornecedores, decidem para quem vender fiado, controlam o estoque e tomam as decisões finais, sejam elas quais forem.

A Atlas vende para esses donos. Fabricante gaúcha de pincéis, rolos e acessórios para pintura há 60 anos, a empresa pertence à InBetta, holding controlada pela família Bettanin, com 3.600 funcionários e cerca de 5.500 itens no portfólio.

Em setembro, a Atlas levou mais de 600 empresários e executivos para um encontro comercial no Panamá e abriu a programação falando de liderança.

“Saia da operação, desenhe a máquina”, estampava um dos slides da primeira apresentação, focada no beabá da gestão profissionalizada e da formação de sucessores. Outro completava o recado: “A experiência do dono inicia a jornada. A capacidade da organização sustenta o crescimento”.

Pelo salão circulavam fundadores, filhos e netos de empresas diferentes, muitas delas na terceira ou quarta geração, e não era raro ver duas gerações da mesma família na mesma mesa.

Praticamente todo o negócio da Atlas e da InBetta no Brasil depende de empresas familiares. “99%”, respondeu ao InvestNews o diretor-geral da Atlas, Márcio Atz. “No Brasil é isso.”

O grupo atende cerca de 55 mil clientes diretos. Todos os anos, entre 300 e 400 deles somem da carteira por fechamento ou falta de pagamento. Quando a empresa procura entender o que aconteceu, as histórias costumam variar pouco.

“Geralmente é um negócio que vinha bem, o dono não conseguiu montar um arranjo de sucessão, seja familiar, seja por fusão, seja por nada, e a empresa morre”, diz Atz. Cada baixa dessas custa dinheiro no curto prazo e leva junto um ponto de distribuição. “Perpetuando o seu, a gente acaba sofrendo menos”, resume o executivo.

Entre o fim dos anos 1960 e o começo dos 80, o Brasil viu surgir uma leva enorme de varejistas e atacadistas, e esses fundadores chegaram juntos à mesma idade.

“Os donos, os fundadores, estão aí com 60, 70 anos”, conta Atz. “Alguns tiveram sucesso em preparar familiares pra sucessão, outros de uma forma ou de outra se associaram. E muitos deixaram o trem passar. Às vezes tem lá 40 lojas, 50 lojas, 400 funcionários, e o cara não sabe o que fazer. O filho não quer saber, mora na Austrália.”

Duanne Brumkhorst está nos dois lados dessa conta. Aos 37 anos, ela pertence à quarta geração da família que controla a Tambasa, atacadista mineira que fatura cerca de R$ 7 bilhões por ano.

A capilaridade é o modelo de negócios: a empresa compra de 348 fabricantes – inclusive da Atlas – e revende a lojistas de 5.306 dos 5.570 municípios brasileiros, uma cobertura de 95% que se vale até de um centro de distribuição fluvial para abastecer populações ribeirinhas.

Duanne é bisneta de Miguel Bartolomeu, fundador da Tambasa. Em 1915, ele trabalhava como sapateiro e percorria vilarejos para consertar botas. Como precisava voltar à cidade para comprar tecido e couro, começou a receber encomendas dos moradores: uma foice, um martelo, produtos que não chegavam àquelas localidades.

O comércio itinerante deu origem à primeira loja da família, aberta em Ponte Nova, em Minas Gerais, em 1949.

Mais de um século depois, a Tambasa permanece sob controle dos descendentes de Miguel. Isso não significa, porém, que cada integrante da família tenha lugar garantido na companhia.

Quando decidiu entrar, Duanne passou 18 meses circulando por logística, vendas e compras, carregou caminhões, acompanhou entregas de madrugada e foi avaliada por profissionais externos à família. O processo não é formalidade para justificar a contratação de um herdeiro: “já teve gente da família que não conseguiu entrar”, diz.

A regra procura separar três papéis que costumam se confundir nas empresas familiares: o de herdeiro, o de sócio e o de funcionário. Hoje, os quatro diretores da Tambasa pertencem à terceira geração e começam a passar o bastão para 11 integrantes da quarta, entre eles Duanne.

Em um dos ramos da família, há nove irmãos, mas apenas um trabalha na companhia. Todos podem ter participação no patrimônio, mas não há cargo executivo para cada filho, neto ou bisneto dos fundadores.

Relacionamento na construção

No varejo de construção, materiais pesados e volumosos encarecem o transporte, e as urgências da obra favorecem a loja mais próxima: quando falta cimento, argamassa ou uma conexão hidráulica no meio do serviço, o balcão do bairro vale mais do que o catálogo de uma grande rede.

Há também o crédito baseado em relações pessoais, com o comerciante que conhece o cliente, o pedreiro e o ritmo de pagamento da vizinhança. Em muitos casos, a família é dona do imóvel onde a loja funciona. Negócio, patrimônio e sobrenome acabam reunidos na mesma estrutura.

Atacadistas como a Tambasa acrescentam a escala que falta ao pequeno lojista. Reúnem produtos de centenas de fabricantes no mesmo carregamento e transformam milhares de pedidos pequenos em grandes volumes de compra.

A indústria chega a municípios nos quais não manteria operação própria; a loja independente acessa marcas que não conseguiria comprar diretamente. É um arranjo eficiente, e vulnerável quando as decisões e as relações comerciais estão concentradas no fundador.

O Projeto Sucessores, que a Atlas mantém desde 2019, é a tentativa de agir antes que o problema chegue ao balcão. Em edições recentes, a empresa levou cerca de 100 herdeiros de grandes redes de atacado e varejo para uma formação em Punta del Este, com curadoria acadêmica do ISE Business School.

Lição aprendida em casa

A InBetta passou pelo mesmo tipo de arrumação em casa. Entre 2008 e 2010, o fundador César Bettanin conduziu uma reorganização de governança, deixou a presidência para o filho, Eduardo, e foi para o conselho. Três integrantes da terceira geração cumprem hoje rodízio por áreas e projetos, e o grupo prepara a entrada de dois a três conselheiros independentes.

“A gente tem hoje poucos membros da família dentro da organização”, diz Sérgio Sampaio, vice-presidente de Operações do grupo, que descreve o desenho como um “blend de executivos familiares com executivos de mercado”.

“A gente não pode depositar os nossos sonhos no outro”, diz Duanne, para quem a preparação precisa incluir a possibilidade de que nenhum filho queira o negócio.

Atz descreve os caminhos que aparecem quando isso acontece, da fusão à promoção de um gerente de confiança a sócio minoritário. “Tem alguns fundadores que dizem: não, eu vou ficar velho, eu preciso fabricar um sócio para depois eu ser sócio dele.”

Ao oferecer formação em gestão, governança e sucessão, a Atlas se aproxima de quem poderá decidir quais produtos comprar e quais fornecedores manter. A ordem da programação no Panamá seguiu a mesma prioridade.

O encontro começou com liderança, descentralização e profissionalização; depois vieram gestão de pessoas, transformação digital e separação entre empresa, família e patrimônio. As apresentações das marcas e as rodadas comerciais ficaram para o dia seguinte.

Antes de vender pincéis e rolos, a Atlas quis discutir como fazer com que continuem existindo empresas capazes de comprá-los.

Muitas famílias só começam a tratar da sucessão depois de uma morte, uma briga ou um afastamento, comenta Duanne. Nesse momento, precisam resolver ao mesmo tempo o conflito, a divisão do patrimônio e o futuro da operação. Um processo que deveria levar anos passa a ser conduzido às pressas.

“O CPF passa, o CNPJ fica”, resume a herdeira. Num setor apoiado em milhares de pequenos negócios, ajudar um cliente a atravessar a troca de geração também é uma forma de preservar vendas.

*O repórter viajou a convite da Atlas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Assaí compra 18 postos de combustíveis como parte de estratégia para diversificar receitas

17 de Setembro de 2026, 22:02

O Assaí anunciou nesta quinta-feira (17) a compra de 18 postos de combustíveis instalados em lojas da rede no Estado de São Paulo.

A operação, fechada com o Centro de Conveniências Millennium, faz parte da estratégia do grupo de criar novas fontes de receita a partir da estrutura que já possui.

O valor total pode chegar a R$ 80 milhões. Desse montante, R$ 40 milhões serão pagos como sinal após a aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); R$ 35 milhões ficam condicionados à conclusão da aquisição de cada uma das sociedades; e até R$ 5 milhões serão pagos como earn-out, conforme o cumprimento de metas estabelecidas.

O Assaí só poderá assumir cada operação a partir de 31 de julho de 2027, desde que sejam cumpridas as condições previstas no contrato.

Os 18 postos formarão a plataforma inicial de uma nova frente de negócios. Estudos internos apontam potencial para a formação gradual de uma rede com mais de 100 postos em lojas do Assaí, incluindo as unidades adquiridas.

A expansão dependerá de análises individuais de viabilidade e retorno, disponibilidade de áreas, licenças e aprovações corporativas.

Em publicação nas redes sociais, o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, afirmou que a empresa pretende aproveitar o fluxo já existente em suas lojas para ampliar a jornada do consumidor e elevar a produtividade dos ativos.

“Escala, fluxo, infraestrutura e localização já estão lá. O que fazemos agora é gerar mais valor a partir de uma estrutura que já existe”, escreveu.

O grupo informa que recebe mais de 40 milhões de clientes por mês e estima um fluxo de aproximadamente 20 milhões de veículos em suas lojas no mesmo período. A ideia é usar estacionamentos, localização e circulação de consumidores para oferecer serviços adicionais e diluir custos fixos.

O Assaí também afirmou que está avançando no projeto de eletropostos, que deverá chegar a mais lojas nos próximos meses.

Concorrente já atua no segmento

A entrada do Assaí no negócio de combustíveis ocorre em uma frente que já é explorada pelo Atacadão, principal concorrente da companhia no atacarejo e bandeira do Grupo Carrefour Brasil.

O Carrefour informa operar 103 postos de combustíveis, praticamente todos instalados nas áreas de estacionamento de hipermercados Carrefour e lojas Atacadão. Segundo a companhia, esses serviços ajudam a reforçar a atratividade das unidades, a fidelizar clientes e a sustentar a imagem de preços competitivos.

O Grupo Carrefour Brasil é o líder do Ranking ABRAS 2026, que reúne as maiores empresas do varejo alimentar brasileiro, à frente do próprio Assaí e do Grupo Mateus.

Diversificação

O Assaí tem falado publicamente sobre a estratégia de diversificação das fontes de receita. O grupo de atacarejo lançou uma nova marca própria de alimentos e produtos de limpeza que leva o seu nome.

Em julho, inaugurou sua primeira farmácia. O plano é levar o formato a até 250 das mais de 300 lojas do grupo no país. Neste ano, a companhia deve terminar com 25 farmácias, todas em São Paulo.

Farmácias do Assaí (Foto: Divulgação)

A empresa também está desenvolvendo uma operação de serviços financeiros que depende de autorização do Banco Central para ser lançada.

Na avaliação do time de analistas do BTG Pactual, essas iniciativas ganham importância em um momento de menor ritmo de abertura de lojas.

O Assaí reduziu a previsão para cinco inaugurações em 2026, ante uma média histórica de cerca de 15 por ano, enquanto prioriza a redução do endividamento em um ambiente de juros elevados.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Eleições 2026: Lula e Flávio seguem empatados no primeiro e no segundo turnos, mostra Datafolha

17 de Setembro de 2026, 20:04

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguem em empate técnico nas intenções de voto para o primeiro e o segundo turnos das eleições presidenciais de 2026, segundo nova pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira (17).

No primeiro turno, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 36% de Flávio. No levantamento anterior, divulgado no dia 11, o presidente já registrava 39%, enquanto o senador somava 35%. A oscilação de Flávio, de 35% para 36%, fica dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre terça-feira (15) e hoje (17), período marcado pelo agravamento da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro, que segue no centro do debate político desde o início do mês.

Eleições 2026: como estão os demais candidatos

Na primeira rodada, atrás dos líderes aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) marcam 1% cada. Votos brancos ou nulos somam 6%, e os indecisos são 3%.

O patamar de Cury confirma a acomodação observada desde a semana passada: depois de saltar de 2% para 8% em agosto, o escritor perdeu força e voltou a oscilar na casa de um dígito, sem repetir o crescimento acelerado do início da campanha.

Segundo turno segue estável há três semanas

No cenário de segundo turno, Lula tem 46%, e Flávio, 44% – ou seja, os mesmos percentuais registrados há uma semana e também há duas, o que confere empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

A repetição do resultado em três levantamentos consecutivos indica que, apesar da sucessão de novas crises políticas nas últimas semanas, o quadro eleitoral para a disputa direta entre os dois nomes segue estacionado.

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro. Já o segundo está previsto para o dia 25 do mesmo mês.

Na recuperação extrajudicial do GPA, Casas Bahia vira pedra no caminho

17 de Setembro de 2026, 19:58

Em meio à onda de recuperações judiciais e extrajudiciais enfrentadas por empresas brasileiras, há o caso de duas companhias em reestruturação que brigam entre si – ora como credora, ora como devedora. É o que ocorre com o GPA, dono do Pão de Açúcar, e a Casas Bahia.

A Casas Bahia contesta na Justiça o plano de recuperação extrajudicial do GPA, que enfrenta resistência para ser homologado. No centro da disputa está um crédito de R$ 231,7 milhões que a varejista de eletrodomésticos e linha branca diz ter a receber do grupo supermercadista.

Segundo pessoas a par do processo, o valor corresponde a passivos trabalhistas que estavam no CNPJ da Casas Bahia, mas teriam origem em obrigações do GPA. A discussão fazia parte do escopo de três arbitragens entre as empresas.

A Casas Bahia levou à Justiça uma série de questionamentos sobre o plano. Entre eles estão a falta de detalhamento sobre o total das dívidas submetidas à recuperação e a consequente dificuldade de verificar se os credores responsáveis pela aprovação representavam, de fato, 57,49% dos créditos.

A empresa também contesta a exclusão de R$ 392 milhões em dívidas, feita pelo GPA de forma genérica – segundo alegação -, e de outros R$ 115 milhões relacionados a processos judiciais classificados como incertos ou ilíquidos.

O plano foi apresentado para reestruturar uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. O GPA reuniu no mesmo grupo credores financeiros e não financeiros, como bancos, fundos de investimento, debenturistas, titulares de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), além de empresas que aguardam decisões judiciais.

Para a Casas Bahia, essa mistura compromete a validade da votação. Caso o plano não seja rejeitado, a companhia pede que os créditos sejam reclassificados e que credores financeiros e não financeiros sejam separados.

Ministério Público questiona

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também se manifestou anteriormente contra a homologação do plano.

O órgão apontou falta de homogeneidade entre os participantes do grupo de credores e questionou a possibilidade de uma maioria formada por credores com perfis econômicos tão diferentes legitimar o acordo.

Segundo fontes próximas ao GPA, o MP também levantou questionamentos sobre a concentração de poder de instituições financeiras e sobre a relação entre o grupo supermercadista e o Itaú.

A juíza Larissa Gaspar, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, entendeu que os questionamentos não eram suficientes, naquele momento, para impedir a homologação.

A Justiça determinou que os credores apresentassem razões concretas para os pedidos de impugnação.

A Casas Bahia se manifestou dentro do prazo e reiterou sua posição contrária ao plano. Pessoas próximas ao caso afirmam, porém, que a empresa mantém desde o início uma posição condicional: contestaria a proposta, mas aceitaria a alternativa de pagamento prevista no plano caso sua impugnação não prevalecesse.

O que a Casas Bahia receberia

O term sheet apresentado pelo GPA prevê a emissão de até R$ 2,63 bilhões em novas debêntures para os credores que escolherem a opção A. Os títulos seriam quirografários, ou seja, sem garantia real ou fidejussória, e divididos em duas séries.

A primeira, de até R$ 1,5 bilhão, teria remuneração equivalente à taxa DI mais 2,5% ao ano. Os juros começariam a ser pagos em março de 2027, e o principal seria amortizado entre 2028 e 2031.

A segunda série, de até R$ 1,13 bilhão, também teria remuneração de DI mais 2,5% ao ano, mas poderia ser convertida em ações do GPA. A conversão ocorreria em quatro janelas, entre 2027 e 2031, com desconto de 20% sobre a média ponderada da cotação das ações nos 90 pregões anteriores.

O crédito da Casas Bahia seria substituído por títulos de dívida de longo prazo e, em parte, poderia se transformar em participação acionária no GPA.

O plano também prevê amortização extraordinária da primeira série com recursos obtidos pelo GPA na venda de ações de um fundo de investimento imobiliário.

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo pediu que a Justiça dê prioridade à homologação. Em manifestação protocolada em 15 de setembro, a entidade afirmou que o GPA emprega aproximadamente 35 mil trabalhadores e que a indefinição prejudica a retenção de profissionais e o planejamento das relações de trabalho.

O sindicato disse não querer interferir nas controvérsias jurídicas, mas defendeu que a homologação traria previsibilidade para empregados, fornecedores e parceiros comerciais.

GPA também é credor da Casas Bahia

A relação de credor e devedor entre as empresas funciona também no sentido inverso. O próprio GPA aparece como credor na recuperação judicial da Casas Bahia, cujo pedido foi apresentado em 17 de agosto e ainda foi apenas parcialmente aceito pela Justiça.

Na lista de credores da varejista, o grupo supermercadista aparece com um crédito de aproximadamente R$ 700 milhões relacionado a PIS e Cofins.
Segundo fontes a par das negociações, o GPA também move uma arbitragem contra a Casas Bahia relacionada à tentativa da varejista de vender esse recebível a terceiros.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Braskem: credores rejeitam plano de dívida e cobram aporte da Petrobras

17 de Setembro de 2026, 19:42

Bondholders internacionais (investidores que compram títulos de dívida de empresas) da Braskem resistem à proposta de reestruturação apresentada pela petroquímica e aumentam a pressão sobre a Petrobras para aportar capital novo no negócio, segundo pessoas a par do assunto.

As tensões nas negociações para reformular uma dívida de US$ 11 bilhões se intensificaram depois que os controladores da Braskem, a Petrobras e a IG4 Capital, suavizaram o texto sobre um aporte de capital, disseram as fontes, que pediram anonimato por discutir informações não públicas.

Pela proposta mais recente da Braskem, apresentada no fim de agosto, os credores forneceriam cerca de US$ 2 bilhões em recursos novos, segundo parte das fontes ouvidas.

Cerca de US$ 1,25 bilhão seria usado para recomprar dívida existente por até 50% do valor de face, enquanto os US$ 750 milhões restantes iriam para capital de giro.

Credores da Braskem querem compromisso vinculante

Os termos representam uma mudança em relação às discussões iniciais, que não previam deságio da dívida.

Os credores também exigem compromisso vinculante (que representa obrigação legal) dos acionistas, e parte deles deixou claro que não há acordo sem aporte de capital.

A Petrobras se envolveu cada vez mais nas negociações. Embora queira evitar que a Braskem entre com pedido de recuperação judicial, a estatal até agora resistiu a oferecer o tipo de compromisso vinculante de capital exigido pelos credores.

Os dois lados seguem tão distantes que parte dos credores cogita não apresentar contraproposta alguma. A possibilidade de um pedido de recuperação judicial voltou a ganhar espaço nas discussões diante da distância entre as partes.

Braskem e IG4 não comentaram. A Petrobras não respondeu de imediato a pedido de posicionamento.

O Valor Econômico havia noticiado na quarta-feira (16) que a Braskem apresentou uma proposta aos credores, sem detalhar os termos.

Reestruturação após atrasos de pagamentos

Maior produtora de petroquímicos da América Latina, a Braskem enfrenta anos de turbulência, com o caixa reduzido após o desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico.

Sucessivas tentativas fracassadas da Novonor (ex-Odebrecht), conglomerado empresarial em graves dificuldades financeiras, de vender sua participação de controle agravaram a situação.

A petroquímica pediu proteção emergencial contra credores em junho, ganhando tempo para reunir apoio suficiente à renegociação extrajudicial.

Em agosto, tornou-se a mais recente empresa brasileira a ser forçada a reestruturar dívidas após atrasar pagamentos.

Cerca de US$ 7 bilhões do total incluído na renegociação são devidos a detentores de títulos, segundo pessoas a par do assunto na época.

O plano inicial apresentado pela Braskem previa a entrada de capital novo após o chamado “Período de Alívio”, intervalo em que a empresa buscaria recuperar as operações e equacionar as necessidades de capital e liquidez, mostram documentos. Isso poderia ocorrer por meio de uma oferta pública de ações sem direito a voto, segundo pessoas ouvidas à época.

Agora, parte dos credores não considera uma oferta subsequente suficiente.

As partes têm até 9 de outubro para fechar um term sheet, prazo especialmente sensível por cair entre o primeiro e o segundo turno das eleições e por poder definir se as negociações continuam ou se a empresa se aproxima de um processo de recuperação judicial, tema delicado com a Petrobras como acionista estatal.

A empresa tem até o fim de novembro para apresentar um plano final com apoio de mais da metade dos credores e evitar o pedido de recuperação judicial.

Os rendimentos dos títulos da Braskem em dólar com vencimento em 2030 subiram para cerca de 26%, patamar típico de dívida em situação de estresse.

Escolas de elite cobram mensalidades de até R$ 15,7 mil e atraem de famílias ricas a investidores

17 de Setembro de 2026, 19:30

Em pouco mais de uma semana, na segunda quinzena de agosto, duas escolas tradicionais e de alta renda da cidade de São Paulo mudaram de mãos.

A FCM Holding pagou R$ 60 milhões pela Stance Dual, instituição bilíngue localizada na Bela Vista. Já o grupo SEB Education, da família de Chaim Zaher, anunciou a compra da PlayPen, escola bilíngue no Cidade Jardim. Foi uma quinzena agitada, mas não dá para chamá-la de totalmente atípica. 

Ao menos 25 instituições de alto padrão mudaram de mãos ou receberam novos sócios desde 2022, segundo levantamento do InvestNews. Fundos, famílias empresárias e redes internacionais passaram a disputar um conjunto pequeno de marcas construídas ao longo de décadas.

O que os investidores enxergam nesse mercado são mensalidades que chegam a R$ 15,7 mil, famílias que podem permanecer de 12 a 15 anos na mesma instituição e um ativo que dinheiro sozinho não constrói rapidamente: tradição e reputação. 

O produto de R$ 15,7 mil por mês

Um levantamento da Forbes do fim de 2025 sobre as escolas mais caras do país mostra que, entre as dez primeiras colocadas, as mensalidades variam entre R$ 5.466 a R$ 15.700,92.

A Forbes calcula que a vida escolar de um aluno nessas instituições pode custar mais de R$ 2,5 milhões. Há ainda cobranças adicionais como taxas de matrícula, depósitos iniciais ou contribuições para fundos.

As três mais caras do ranking são a Concept, unidade de São Paulo, com mensalidade no ensino médio de R$ 15.700,92; a Graded, com mensalidades de até R$ 15.214 também no ensino médio, e a Avenues, com mensalidades de R$ 14.954,16 nos últimos anos. 

Além dos preços, a proposta pedagógica dessas escolas também varia.

Há colégios brasileiros bilíngues; escolas internacionais, que combinam currículos estrangeiros com as exigências nacionais; e instituições com modelos próprios, baseados em projetos ou resolução de problemas, por exemplo.

O ponto em comum é a promessa de mobilidade de vida: além do diploma brasileiro, o aluno pode obter certificações internacionais, domínio de outros idiomas e preparação para universidades no exterior. 

A escolha passa também por quem estará do outro lado da carteira.

Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da consultoria Hoper Educação, afirma que, no topo desse mercado, as famílias avaliam com quem os filhos vão conviver e quais redes de relacionamento podem surgir. 

As escolas à venda

Muitas das escolas adquiridas nos últimos anos são instituições criadas a partir dos anos 1960.

Nessa época, educadores investiram na construção de escolas laicas e humanistas. Muitas dessas escolas mantiveram os fundadores no comando e chegaram ao momento da sucessão ainda dependentes da geração que as criou.

Ao mesmo tempo, a operação passou a exigir mais capital para tecnologia, sistemas de gestão, infraestrutura e formação de professores.

Os compradores encontraram um mercado grande e pulverizado.

Segundo estimativa da Hoper, a educação básica privada faturou R$ 112 bilhões em 2025, e o maior grupo detinha pouco mais de 2,5% do setor.

No segmento premium, o valor por aluno é maior e a relação pode durar praticamente toda a vida escolar. “A família normalmente não sai com facilidade. A taxa de evasão é muito baixa”, diz Presse. 

O consultor estima que uma escola aberta do zero e expandida gradualmente da educação infantil ao ensino médio pode levar quase 15 anos para completar e amadurecer a operação.

Ao adquirir uma instituição pronta, o grupo recebe de uma vez professores, currículo, instalações, alunos e a confiança das famílias. É por isso que os compradores geralmente mantêm o nome e o projeto pedagógico das escolas compradas.

Quem disputa esse mercado 

Entre os grupos brasileiros mais ativos na aquisição de escolas premium está o SEB Education, do empresário Chaim Zaher.

Ele controla a Concept de São Paulo, líder da lista da Forbes, e marcas como Maple Bear, Pueri Domus, Carolina Patricio e Sphere. E é também acionista relevante da Yduqs, um dos maiores grupos de ensino no país, com atuação de destaque na educação superior.

A aquisição da PlayPen, que ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, acrescenta ao portfólio uma marca fundada em 1981.

Três redes globais com sede no Reino Unido também avançaram no Brasil.

A Inspired tem 13 escolas no país, entre elas, unidades da Escola Eleva e de Os Batutinhas.

A International Schools Partnership tem doze instituições de ensino no país como o Progresso Bilíngue e a Escola Internacional de Alphaville. Já a Nord Anglia tem em seu portfólio Avenues, British College e uma sociedade na Móbile. 

Esses nomes mostram como as escolas premium viraram uma classe global de ativos. Juntas, essas três companhias administram mais de 330 escolas pelo mundo.

O capital financia aquisições, novos campi e sistemas compartilhados. Finanças, tecnologia, compras e formação de professores ganham escala. Já os alunos podem receber acesso a programas internacionais que uma escola isolada teria dificuldade de bancar.

O risco é a padronização enfraquecer justamente a identidade local que tornou a marca valiosa.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Cade decide aprofundar análise da compra da Medley pela EMS

17 de Setembro de 2026, 19:20

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu nesta quinta-feira (17) aprofundar a análise da compra da farmacêutica Medley pela EMS, apurou o InvestNews.

A Superintendência-Geral da autarquia declarou a operação “complexa” e determinou novas diligências para avaliar os efeitos do negócio sobre a concorrência.

As principais preocupações estão nas vendas em farmácias de medicamentos que estimulam a ovulação, usados em tratamentos de infertilidade, e de uma classe de remédios contra enxaqueca.

Nesses segmentos, o órgão ainda não se convenceu de que os concorrentes da dupla seriam capazes de conter eventuais aumentos de preços após a aquisição.

Na categoria que reúne os estimulantes da ovulação, a participação combinada das empresas ficaria entre 90% e 100% das unidades vendidas, segundo dados de 2025 apresentados na nota técnica.

Entre os produtos desse segmento está o Clomid, da Medley. A concentração apontada pelo Cade se refere a essa categoria específica, não ao conjunto dos tratamentos para infertilidade.

Já na classe dos remédios contra a enxaqueca, que inclui a naratriptana, a fatia conjunta seria de 50% a 60% em volume. Os percentuais se referem a essas categorias específicas, não ao mercado total de medicamentos para fertilidade ou enxaqueca.

O Cade reconheceu que o setor de genéricos reúne muitos fabricantes, capacidade produtiva instalada e consumidores pouco fiéis às marcas. Mas avaliou que não há evidências suficientes de que novos concorrentes entrariam com rapidez e escala capazes de conter eventual poder de mercado. 

Por isso, quer aprofundar a análise da competição entre os laboratórios já presentes nesses segmentos.

Copo meio cheio

A preocupação, porém, não se estende a toda a aquisição. O negócio envolve 253 medicamentos, em sua maioria genéricos, examinados em 120 mercados. Em 70 deles, o Cade identificou baixa sobreposição entre as empresas ou pouco efeito da compra sobre a concentração.

Mesmo entre os mercados mais concentrados, a superintendência considerou que a presença de concorrentes importantes seria suficiente para preservar a disputa, com exceção dos segmentos dos remédios já citados.

A compra da Medley pela EMS foi anunciada em março, em uma operação avaliada em cerca de US$ 600 milhões, aproximadamente R$ 3,2 bilhões à época. O grupo da família Sanchez venceu uma disputa que atraiu Aché, Hypera, Biolab e a indiana Sun Pharma. A aquisição de 100% da Medley será feita pela Novamed, uma subsidiária da EMS.

Para a EMS, o negócio amplia ainda mais sua presença em genéricos, uma especialidade da casa. Para a francesa Sanofi, a venda faz parte da estratégia de concentrar investimentos em medicamentos inovadores e vacinas, conforme o anúncio conjunto.

A expectativa inicial é de que o negócio pudesse ser aprovado ainda este mês. Contudo, as novas diligências tornam essa expectativa menos provável, embora a decisão não descarte uma conclusão ainda neste mês.

O Cade abriu prazo de 15 dias após a publicação do despacho para apresentação de informações, incluindo eventuais propostas para enfrentar os riscos concorrenciais e demonstrações de benefícios ao consumidor. Não houve exigência de venda de ativos nem decisão de veto.

O prazo máximo da análise também não foi prorrogado: permanece em 22 de janeiro de 2027. A superintendência pode pedir uma extensão posteriormente, mas afirmou que isso não é necessário por enquanto.

Ibovespa, juros e dólar vivem sessão volátil com reajuste do Bolsa Família, mas encerram o dia com ganho

17 de Setembro de 2026, 18:27

A quinta-feira (17) foi um dia de montanha-russa no mercado brasileiro. A sessão começou em clima positivo, com queda de juros, baixa do dólar e alta da bolsa, como reflexo do corte de juros pelo Banco Central na véspera.

Mas, antes mesmo de a manhã terminar, o quadro mudou completamente. O anúncio de um reajuste surpresa de 15% no valor do Bolsa Família, que pode significar um custo extra de R$ 22 bilhões para o orçamento de 2027, azedou o humor dos investidores.

Em um momento no qual a proximidade das eleições amplia os questionamentos do mercado sobre o aumento de gastos públicos, que impulsiona cada vez mais o endividamento do governo, o temor criado pelo anúncio de um aumento de 15% do benefício ganhou muito mais amplitude.

Como resultado, os juros futuros passaram a subir – o Tesouro Direto chegou a entrar em “circuit breaker“, ou seja, uma pausa forçada quando a volatilidade dispara –, o dólar voltou ao território positivo ante o real e o Ibovespa inverteu o rumo de alta.

Ibovespa se recupera

O baque, porém, foi sendo assimilado ao longo da tarde, principalmente, diante do cenário exterior positivo.

No fim do dia, o Ibovespa voltou ao território positivo e terminou em alta de 0,24% aos 185.992 pontos.

O dólar passou a cair e terminou o dia em queda de 0,24% a R$ 5,1386.

No Tesouro Direto, títulos como o IPCA+ 2040 e o Prefixado 2032 tiveram elevações significativas de taxas no início da tarde, mas terminaram no mesmo patamar da quarta-feira (16).

O Tesouro IPCA+ 2040 encerrou estável taxa de 7,31%, a mesma do dia anterior. O Tesouro Prefixado 2032 teve uma ligeira alta para 14,26%, ante 14,24% um dia antes.

Lá fora, os mercados internacionais reagiram à queda dos preços do petróleo e ao leve recuo das taxas dos títulos federais americanos.

O barril do Brent, a referência internacional, recuou 1,71% para US$ 104,02. Os juros do título de 10 anos dos EUA fecharam abaixo da marca de 5% a 4,934% ao ano.

As bolsas de Nova York subiram nesta quinta-feira, impulsionadas pelas ações de tecnologia. O S&P 500 avançou 1,14% e o Nasdaq teve ganho de 1,69%.

No pano de fundo, a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tomada na quarta-feira (16) de subir os juros em 0,25 ponto e sinalizar mais uma alta pela frente passou a ser avaliada pelo lado do copo meio cheio.

A elevação das taxas ajudou a tirar qualquer dúvida sobre a credibilidade do Fed. Além disso, a decisão foi tomada em um momento visto como favorável em termos de crescimento e perspectivas.

A própria avaliação do Fed indicou uma visão de que a economia americana está mais forte que o esperado e em um cenário de pleno emprego.

Uma ação de controle de preços, nesse caso, foi vista como relativamente benéfica. Isso porque, além de aliviar a pressão inflacionária, pode tirar parte do prêmio no mercado de juros relacionado à desconfiança sobre um BC mais vulnerável a ingerências políticas.

Fundo reorganiza sua fatia nos bilionários royalties do Porto Sudeste

17 de Setembro de 2026, 18:17

O Porto Sudeste, terminal que pertenceu ao grupo de Eike Batista e hoje é controlado por Mubadala e Trafigura, passará por uma mudança na forma como seus royalties são repassados a uma parcela dos investidores, apurou o InvestNews.

A mudança envolve o Planck, fundo de investimento que comprou, no leilão de ativos da falida MMX, ações do Porto Sudeste e direitos a receber royalties. Agora, esses direitos serão trocados por cotas de um fundo que já concentra a maior parte desses pagamentos.

Na operação lançada nesta quinta-feira (17), o Planck entregará esses direitos ao Porto Sudeste Royalties. Em troca, receberá o equivalente a R$ 193,8 milhões em cotas e passará a receber sua parcela dos royalties por meio desse fundo.

Apesar da complexidade técnica por trás da operação, o que está em jogo é uma fatia de um fluxo bilionário de pagamentos projetados para os próximos anos.

Segundo o laudo contratado pelo Planck para embasar a operação, o Porto Sudeste poderá distribuir o equivalente a R$ 8,3 bilhões em royalties entre o segundo semestre deste ano e o fim de 2028, considerando o câmbio utilizado na avaliação.

A parcela do Planck corresponde a 0,968% desses pagamentos – aproximadamente R$ 80 milhões no período, caso as projeções se concretizem. Para alcançar essa cifra, porém, os royalties terão de crescer bastante. 

Em 2025, o Porto Sudeste desembolsou R$ 67,7 milhões em royalties. Esse valor, porém, representa apenas uma parte dos pagamentos calculados conforme a movimentação de cargas. 

Como os repasses dependem do caixa disponível depois das despesas e das obrigações com credores, o terminal encerrou o ano com R$ 9 bilhões em royalties acumulados ainda não pagos, segundo seu balanço mais recente.

A avaliação pressupõe, portanto, uma forte aceleração dos pagamentos. Além do desempenho da operação portuária, o cenário projetado considera captações de dívida e recebimento de valores atrasados da mineradora MMI.

Porto de Eike

Localizado em Itaguaí, no Rio de Janeiro, o Porto Sudeste foi concebido para escoar o minério de ferro da MMX, do grupo de Eike Batista. Em 2025, movimentou 27,8 milhões de toneladas do produto, seu recorde anual, segundo a companhia.

O terminal atende mineradoras como a da Usiminas e a Morro do Ipê, também controlada por Mubadala e Trafigura. Além do minério, opera com petróleo e derivados.

Os direitos a royalties que estão sendo reorganizados na operação desta semana remontam à época da MMX, quando a mineradora criou um compromisso de remunerar investidores conforme o volume de cargas movimentadas pelo terminal.

Com a crise do grupo de Eike, Mubadala e Trafigura assumiram o controle do porto em 2014. Sob novo controle, o terminal passou a responder pelo pagamento dos royalties, e os direitos de recebê-los foram reunidos, em sua maior parte, no fundo Porto Sudeste Royalties.

Uma parcela desses direitos, porém, permaneceu com a MMX e acabou entre os bens levados a leilão após a falência da mineradora. Em março, o Planck arrematou, sem concorrentes, um pacote que incluía esses direitos e uma pequena participação acionária no terminal.

O custo total foi de R$ 66,3 milhões. Agora, apenas os direitos aos royalties estão avaliados em R$ 193,8 milhões para a troca por cotas, quase três vezes o custo de todo o pacote adquirido no leilão.

A reorganização ocorre enquanto Mubadala e Trafigura negociam a venda do porto. No mês passado, a Bloomberg noticiou propostas perto de US$ 3,5 bilhões, apresentadas por um consórcio formado pela gestora GIP, da BlackRock, Vale e Gerdau, e pela gestora I Squared Capital. 

Em princípio, a venda do terminal não muda o funcionamento do fundo nem seus direitos aos royalties: são operações separadas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Pequena indústria que fatura milhões: veja a diferença de custo do Simples normal para o regime híbrido

17 de Setembro de 2026, 16:28

Continuar no Simples Nacional ou migrar para o regime híbrido? A decisão mais importante que a reforma tributária exigiu dos pequenos negócios tem prazo: o dia 30 deste mês. Mas o que mais tem por aí é empreendedor sem entender o impacto das duas opções na prática.

Para ajudar as pequenas empresas na reta final dessa escolha, o Descomplica PJ botou a mão na massa. Publicamos, a partir de hoje, uma série de reportagens simulando casos concretos para mostrar quanto custa cada regime para empresas com portes, clientes e fornecedores diferentes.

Quem fica no Simples “puro” continua concentrando todos os impostos na guia única, o DAS. No regime híbrido, a empresa passa a recolher o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) separadamente, pagando os demais tributos na DAS.

A complexidade da operação aumenta, assim como as alíquotas dos impostos – mas a empresa poderá gerar créditos de IBS e CBS para os clientes e aproveitar, ela mesma, os créditos dos insumos usados na produção. Para saber o que pesa mais, tem de fazer conta.

Simulamos os cenários com auxílio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que lançou em agosto uma ferramenta para estimar o impacto dos novos impostos – a CBS e o IBS – no preço final de um produto.

Vamos começar com uma pequena indústria – como um fabricante de acessórios e calçados de couro – com faturamento anual de R$ 2 milhões. A simulação parte de um produto hipotético com custo de R$ 100 para mostrar como o preço final se comportaria no Simples puro e no chamado Simples híbrido (explicamos nesta reportagem).

Ah, a estimativa de preço final vale para 2027, quando apenas a CBS será cobrada integralmente: como a alíquota ainda não foi definida pelo governo, os cálculos consideraram a referência de 9,21%. No ano que vem, o IBS ainda estará em fase de teste, com alíquota simbólica de 0,1%.

Pequena indústria, R$ 2 milhões por ano

Para um produto com preço de custo de R$ 100, o preço final de venda no regime híbrido seria cerca de 5% mais caro do que no Simples tradicional. Mas o custo efetivo para o cliente – se ele também for uma empresa (B2B) – seria aproximadamente 2% menor.

Só que esse é apenas o fim da simulação: se você não entender como ela foi feita, vai ficar com a história incompleta e pode chegar a conclusões que não valem para seu próprio negócio.

Além do faturamento (R$ 2 milhões por ano) e da atividade (fabricação de acessórios e calçados de couro, enquadrada no Anexo II do Simples), o cálculo também leva em conta os custos da empresa. Se ela compra muitos insumos que podem gerar créditos de CBS, a situação é uma. Se não, o resultado muda bastante.

Nesta simulação, consideramos que as despesas da empresa tributadas pela CBS correspondem a 40% da sua receita. Para você ter uma ideia, podem entrar aí matéria-prima, mercadorias para revenda, embalagens, aluguel, contas de gás, água, energia e telecom, frete, armazenagem, licenças de softwares, serviços terceirizados, equipamentos, combustíveis…

O que não entra nunca: folha de pagamento e encargos sociais. Essas despesas não têm (nem terão) recolhimento de CBS, por isso não geram crédito.

Também entra no cálculo o perfil da cadeia de fornecedores da empresa. Se eles estão no Simples tradicional, não geram quase nada de crédito. Se forem do regime geral – Lucro Presumido, Real ou Simples híbrido –, geram crédito integral. A simulação considerou 50% dos fornecedores no Simples tradicional e 50% no regime geral.

A pergunta-chave: quem são os clientes?

Quando a maior parte dos clientes de uma empresa são consumidores finais, o Simples híbrido não vale a pena, pois pessoas físicas não podem aproveitar os créditos tributários. A migração só encareceria os impostos, sem gerar um benefício de fato.

O jogo é diferente quando as vendas são principalmente para outras empresas. Como pode usar os créditos, o preço final da venda não é o único número que importa para esse tipo de cliente; também conta o volume de impostos que ele consegue recuperar.

Por isso, na simulação, consideramos que todos os clientes da pequena indústria são empresas do regime geral (Lucro Presumido, Real ou Simples híbrido). E o resultado final é este:

table visualization

No Simples híbrido, a empresa receberia créditos de R$ 2,26 dos fornecedores, considerando os R$ 100 de preço de custo. Depois desse crédito, o preço base da operação cairia para R$ 97,74.

A CBS devida nessa venda ficaria em R$ 9 e esse também seria o valor do crédito que seu cliente poderia recuperar.

No Simples puro, a empresa não recuperaria créditos dos seus fornecedores e a CBS devida na venda seria de apenas R$ 1,46. É só isso o que seu cliente poderia recuperar.

O preço final de venda chegaria a R$ 106,74 no Simples híbrido – o que é cerca de 5% mais do que o resultado de R$ 101,46 para o Simples puro. Porém, como a empresa geraria R$ 9 de crédito, o custo líquido para o cliente seria de R$ 97,74, como citado acima. É uma diferença de 2,3% para o custo final de R$ 100 do Simples puro.

É importante lembrar que a simulação considera a situação real das empresas em 2027, quando apenas a CBS estará em vigor. Conforme o calendário da reforma tributária avançar, o IBS também vai entrar na conta – e aí tanto os impostos pagos quanto os créditos gerados para os clientes vão aumentar.

Tem como melhorar?

Um aspecto que pode mudar a conta é o mix de fornecedores. No cenário inicial, a simulação considerou 50% de fornecedores do Simples tradicional e 50% do regime geral. Se a empresa tiver mais fornecedores do regime geral, que geram crédito integral, conseguiria recuperar mais impostos e, com isso, reduzir o preço final de venda.

Suponha que a pequena indústria da nossa simulação tenha 100% dos fornecedores no regime geral. A hipótese é que, ao optar pelo Simples híbrido, a empresa revisaria sua cadeia de fornecedores e substituiria os que permanecerem no Simples puro.

Nesse caso, os créditos que a empresa conseguiria recuperar aumentariam de R$ 2,26 para R$ 3,68. Com mais crédito na entrada, a base da operação cairia para R$ 96,32, reduzindo também o valor da CBS e dos créditos oferecidos ao seu cliente. Conclusão: o preço de venda cairia para R$ 105,19, e o custo líquido do cliente, para R$ 96,32.

Mudar ou não mudar?

Na letra fria, a simulação sugere que o Simples híbrido traz vantagens no custo final para o cliente – que diminui, por causa da possibilidade de recuperar créditos tributários.

Na prática, nossa pequena indústria precisaria negociar com seus clientes para demonstrar esse benefício. Afinal, o preço de venda vai aumentar: se o cliente não estiver interessado nos créditos, vai preferir outra empresa que cobre menos.

Por outro lado, especialistas acreditam que os grandes clientes B2B vão valorizar fornecedores que gerem mais créditos; e podem, inclusive, acabar demandando deles a migração para o regime híbrido.

Cada caso precisa ser analisado individualmente, a e a simulação pode dar ferramentas para o empreendedor usar nesse processo.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Putin coloca ativos da Nestlé sob controle temporário na Rússia

17 de Setembro de 2026, 14:55

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, determinou que participações em empresas locais pertencentes à suíça Nestlé sejam transferidas para administração temporária.

Putin também determinou a transferência dos ativos da Auchan, rede francesa de supermercados, na Rússia, segundo um decreto presidencial publicado nesta quinta-feira no portal oficial de legislação do país.

A Rússia utiliza o mecanismo de administração temporária desde 2023 para assumir o controle de ativos pertencentes a empresas de países que considera “hostis”.

As autoridades russas já haviam colocado sob administração temporária ativos de empresas estrangeiras, incluindo a Danone e a Carlsberg. Algumas dessas operações foram posteriormente transferidas para proprietários russos.

Um ETF avançou mais de 3.600% neste ano com a guerra no Irã. E em dólar

17 de Setembro de 2026, 13:42

As perspectivas de ganhos com o avanço do uso da IA continuam a dominar as conversas no mundo da renda variável. E não é para menos: algumas ações, como as das fabricantes de chips e memórias Marvell, Micron e Western Digital (WD), sobem três dígitos neste ano — mais de 200% no caso das duas primeiras e cerca de 125% para a WD.

Mas, apesar da persistente exuberância dos retornos dos papéis de companhias ligadas à inteligência artificial, os verdadeiros campeões da renda variável internacional até aqui em 2026 são ETFs.

Os resultados de alguns fundos passivos que seguem índices ilustram a versatilidade desses veículos como forma de o investidor montar posições – e sair delas rapidamente, se for o caso – em setores que ganham destaque diante de eventos específicos ou inesperados.

Esse tipo de movimento para aproveitar oportunidades pontuais é conhecida no mercado como alocação tática.

A Guerra do Irã, que teve início em fevereiro e, portanto, já se aproxima dos sete meses de duração, se tornou um desses catalisadores. Isso se aplica especialmente a ETFs ligados a fretes marítimos ou ao petróleo.

O Breakwave Tanker Shipping (BWET), negociado na bolsa de Nova York, que segue um índice especializado em fretes de navios petroleiros, alcança uma valorização de mais de 3.600% no ano até setembro. Mais especificamente 3.691%.

chart visualization

Desde a eclosão da guerra no Oriente Médio, as cotas do fundo subiram mais de 1.000%, saindo de US$ 63 para US$ 710.

Significa que quem colocou US$ 1 mil no ETF no início de janeiro hoje tem na carteira um saldo de US$ 36 mil. Se tivesse feito a aplicação logo que o conflito começou, os mil dólares teriam virado US$ 10 mil.

ETFs também podem ser táticos

O BWET, que foca especificamente no transporte de petróleo, é o caso mais vistoso de ativos que ganharam valor com a guerra.

Outros fundos de índice de fretes marítimos também apresentam resultados que chamam a atenção.

O ETF SonicShares Global Shipping (BOAT) sobe 72% em 2026. Mas, diferentemente do BWET, o BOAT acompanha ações de empresas abertas globais envolvidas no transporte marítimo em geral.

Já o Breakwave Dry Bulk Shipping (BDRY) acumula alta de 82% no ano até setembro. O índice do BDRY foca em contratos futuros de frete de carga a granel seca, como minério de ferro, carvão e grãos agrícolas.

Há ainda os ETFs ligados ao setor de petróleo e gás, com relação mais evidente com as repercussões do conflito no Oriente Médio.

O fundo United States Oil Fund (USO), por exemplo, está atrelado a um índice que segue o preço do barril americanoWTI. O ETF tem um ganho de 136% neste ano.

O United States Brent Oil Fund (BNO) segue a referência internacional, o barril do tipo Brent. Em 2026, a alta alcança 126%.

Retorno passado não garante ganhos futuros

É sempre preciso ressaltar, no entanto, que os rendimentos que estamos olhando pelo retrovisor já aconteceram. E, embora elevados, não significam que o movimento vai continuar.

No caso do frete marítimo do petróleo, após sete meses de fechamento do Estreito de Ormuz, provavelmente esse custo já atingiu o pico.

O risco do ativo, portanto, vem da possibilidade de uma normalização dos preços no mercado de transporte. Nesse caso, o valor da cota pode convergir para o preço de antes da guerra, ou seja, devolver boa parte do ganho já obtido até agora.

O petróleo também vive situação parecida.

Os preços do barril atingiram a máxima logo após a guerra perto de US$ 130 o barril. No momento atual, a cotação do Brent se situa na casa de US$ 107, ou seja, relativamente perto do topo dos últimos meses.

No caso do frete marítimo em geral, no entanto, há novos complicadores.

Além do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passavam até antes da guerra um quinto do petróleo global, outras rotas marítimas enfrentam problemas.

Nas últimas semanas, os rebeldes Houtis, do Iemên, tomaram o controle de vários portos na região do Mar Vermelho. Essa região, por sua vez, representa um acesso estratégico para o Canal de Suez, no Egito, e pode criar novo desafio para o comércio marítimo.

O Canal do Panamá é outro gargalo. A passagem que liga os oceanos Atlântico e Pacífico enfrenta uma seca histórica. Com isso, a rota tem limitado a quantidade de navios que passam por lá, além de elevar os preços de pedágio.

Conta global oferece acesso

Os ETFs citados não contam com programas de BDRs na B3. Isso significa que o aplicador local não consegue investir por meio de recibos que representam cotas desses fundos diretamente na bolsa brasileira, em reais.

Mas a boa notícia é plataformas de investimentos plugadas a contas globais oferecidas no mercado brasileiro trazem acesso a esses ETFs.

Avenue, Nomad, BTG Pactual, Inter e XP oferecem possibilidade de o investidor local aplicar nesses veículos diretamente no mercado americano, em dólar.

O caminho é simples: basta abrir uma conta internacional em moeda forte, que pode ser feito totalmente on-line.

Via app, você converte reais em dólar ou outra divisa com alguns cliques. A partir daí, o aplicador tem acesso a produtos na moeda americana, como fundos, renda fixa, ações, ETFs, corporate bonds (títulos privados) e títulos do Tesouro dos EUA.

Antes de investir é preciso converter os reais em dólar. O melhor é fazer o câmbio diretamente na conta-investimento em lugar de depositar na conta-corrente. O IOF é menor e cai de 3,5% para 1,1%.

Uma vez que os recursos estejam na conta-investimento, é só escolher o produto e transferir o dinheiro.

Existe uma vantagem em usar o ecossistema digital de uma instituição, porque as contas ficam conectadas.

Quando você resgatar, o valor vai ser depositado na versão de investimentos. Mas o dinheiro pode ser transferido a qualquer momento para a conta de pagamentos, sem cobrança de taxa.

Em toda conversão cambial, os bancos cobram um spread, ou seja, uma taxa extra para remunerar os serviços prestados. No caso do dólar, o spread é cobrado, em geral, sobre a cotação comercial.

Esse pedágio varia de casa para casa – de 0,8% a 2% para cada operação. Por exemplo, se a moeda americana tem sido negociada a R$ 5,15, a conversão de seus reais seria feita ao câmbio de R$ 5,19, no caso de um spread de 0,8%. No topo dessa faixa, o custo subiria para R$ 5,25.

Como existe ainda o IOF, a cotação efetiva subiria para R$ 5,25, no caso do spread de 0,8%.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Após reajuste ‘surpresa’ do Bolsa Família, Ibovespa reverte alta, e dólar e juros passam a subir

17 de Setembro de 2026, 11:43

A volatilidade eleitoral segue a toda nesta quinta-feira (17). A bolsa abriu a sessão em alta e o dólar em queda, como reflexo da visão mais positiva sobre a continuidade do ciclo de queda de juros após o BC ter cortado a Selic ontem e deixado a porta aberta para novas reduções.

Mas o alívio durou pouco. Mais precisamente um par de horas. Até o anúncio do governo de que pretende subir em 15% os benefícios do Bolsa Família.

A preocupação com o desequilíbrio fiscal, com gastos crescente que elevam o endividamento público, têm mantido os prêmios pedidos pelos investidores para financiar o governo em patamares historicamente elevados.

As taxas no Tesouro Direto, que tinha iniciado a manhã em queda no embalo do Copom, passaram a subir. A plataforma acionou o ” circuit breaker” por volta de 11h.

O circuit breaker é uma paralisação temporária nas negociações quando os juros passam a oscilar de maneira atípica.

Após a retomada das negociações, as taxas subiram significativamente. O Tesouro Prefixado 2032, por exemplo, saiu de 14,24% na abertura para 14,34%. Em reais, houve um recuo de 0,40% nessas poucas horas.

O Tesouro IPCA+ 2050, por sua vez, saiu de inflação mais 7,24% para 7,26%. Isso significa que o saldo de reais de quem tem esse título encolheu 0,33%.

Os juros futuros também passaram a subir. O contrato de DI futuro com vencimento em janeiro de 2031 passou de 14,11% para 14,19% por volta de 11h20.

O dólar amanheceu em queda. Após o anúncio do Bolsa Família, a moeda americana virou para uma alta de 0,21%, cotada a R$ 5,16.

O Ibovespa que tinha iniciado o dia em alta, reverteu o rumo e passou a recuar 0,82% a 184.026 pontos. O principal índice da bolsa, no entanto, teve força para voltar ao território positivo, conforme os investidores passaram a colocar em perspectiva impacto fiscal da medida.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou no fim da manhã que o novo desembolso “cabe dentro do orçamento”.

O próprio ciclo de cortes de juros do BC pode ajudar indiretamente o governo ao reduzir o custo de captação.

Bolsa Família aumenta em R$ 91

Com o reajuste, o valor mínimo do programa sobe para R$ 691 dos atuais R$ 600.

O próprio governo explicou que o benefício médio subirá cerca de R$ 100 para R$ 777.

Com isso, o impacto fiscal da decisão será de R$ 5,8 bilhões em 2026, mas vai custar aos cofres públicos mais R$ 22 bilhões ao longo de 2027.

O aumento do benefício ocorre em um momento de reação do candidato de oposição. Uma nova pesquisa eleitoral publicada nesta quinta-feira (17) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o rival Flávio Bolsonaro empatados no segundo turno, com 47% dos votos.

O levantamento foi feito pela AtlasIntel para a Bloomberg News.

Volvo lançará 13 modelos em maior ofensiva da história para recuperar crescimento

17 de Setembro de 2026, 11:23

A Volvo Car está lançando sua maior ofensiva de produtos da história, com 13 novos modelos até o fim da década, em uma tentativa de dobrar sua participação no mercado de veículos elétricos e híbridos plug-in.

A fabricante sueca lançará sete novos carros para os mercados ocidentais e seis para a China, incluindo modelos totalmente elétricos e uma nova geração de híbridos, informou a empresa nesta quinta-feira (17), antes de uma atualização de estratégia para investidores em Estocolmo. A meta é dobrar sua fatia das vendas globais de veículos elétricos e híbridos, atualmente em cerca de 1,7%.

“Nosso showroom terá uma aparência muito diferente em 2030”, disse o CEO Håkan Samuelsson. As ações chegaram a subir 4,2% em Estocolmo, reduzindo a queda acumulada desde o início do ano.

Samuelsson tenta recuperar o crescimento da Volvo após um período difícil e está adaptando a estratégia da empresa à transição para veículos totalmente elétricos, que ocorre em um ritmo mais lento do que o esperado.

A montadora está dando um papel maior aos híbridos, ao mesmo tempo em que adota uma abordagem mais regional para sua linha de produtos e aprofunda a cooperação com a controladora chinesa Zhejiang Geely Holding Group.

A Volvo afirmou que a ofensiva de produtos pretende ajudar a atingir a meta de longo prazo de elevar a margem operacional para mais de 8%. A empresa não informou um prazo para alcançar esse nível de rentabilidade.

A Volvo vendeu pouco mais de 710 mil veículos no ano passado, cerca de 1% da participação do mercado mundial, segundo dados da S&P Global Mobility. Em comparação, a Volkswagen, maior montadora da Europa, respondeu por cerca de 10% das vendas de carros de passeio no mesmo período.

A Volvo trabalhará com a Geely em plataformas compartilhadas, uma estrutura tecnológica dedicada à China e uma cadeia de peças e fornecedores compartilhada, enquanto as duas empresas desenvolvem novos carros eletrificados para o mercado chinês. A Volvo também afirmou que os investimentos em tecnologia e manufatura cairão em relação aos níveis atuais.

Na terça-feira, a Volvo anunciou que lançará na Europa e nos Estados Unidos versões híbridas de longo alcance dos populares XC60 e XC90, apostando na continuidade da demanda por carros que combinam motores a combustão com baterias maiores ao longo da próxima década.

Na China, a Volvo já testou essa estratégia. O XC70 híbrido plug-in de autonomia estendida, lançado no ano passado, tornou-se o modelo mais vendido da marca no país. O carro ajudou a amenizar uma queda mais ampla no maior mercado automotivo do mundo.

A Volvo abandonou em 2024 a meta de vender apenas carros totalmente elétricos a partir de 2030, depois que a transição se mostrou mais lenta do que o esperado. A empresa ainda pretende se tornar totalmente elétrica no futuro, mas não estabeleceu mais um prazo.

A reformulação ocorre antes de uma nova mudança na liderança. Samuelsson, que voltou ao cargo de CEO em abril de 2025 para um mandato de dois anos, deve deixar a posição na próxima primavera. O conselho da Volvo ainda não anunciou seu sucessor.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Justiça encerra recuperação judicial da Light

9 de Setembro de 2026, 22:00

A Light informou nesta quarta-feira (9) que a Justiça determinou o encerramento de sua recuperação judicial, após considerar que a empresa cumpriu as obrigações previstas para os dois anos de acompanhamento do processo.

A decisão teve parecer favorável da administração judicial e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Entre as medidas já cumpridas estão o pagamento de mais de 27 mil credores com valores de até R$ 30 mil, a renegociação de dívidas e um aporte de R$ 300 milhões ligado à renovação da concessão da distribuidora.

Algumas etapas do plano ainda serão concluídas, como a conversão de títulos de dívida em ações, mas os prazos continuam em vigor mesmo com o fim da recuperação judicial.

A Light distribui energia na região metropolitana do Rio de Janeiro e entrou em recuperação judicial em 2023, em meio a uma crise financeira agravada, entre outros fatores, pelos altos índices de furto de energia.

Em junho de 2026, a companhia apresentou um plano de R$ 10 bilhões para combater essas perdas e modernizar a rede elétrica no Rio de Janeiro. A estratégia veio após a entrada de novos acionistas e a renovação da concessão por mais 30 anos.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Ibovespa sobe 12% desde a mínima de agosto: até que ponto deve se estender o rali?

9 de Setembro de 2026, 18:36

Depois da montanha-russa de agosto, que levou o Ibovespa aos 166.334 pontos em 18 de agosto, no menor fechamento desde janeiro, a bolsa brasileira vive um movimento de recuperação. Desde então, o índice registrou alta em 12 dos 15 pregões seguintes e acumula valorização de 12%, mesmo com o recuo desta quarta-feira (9).

Para você, investidor, é importante entender o que está por trás do movimento para saber o quanto ele pode se estender.

A recuperação da bolsa até aqui combinou quatro fatores: o chamado “trade eleitoral”, alimentado por pesquisas que indicam uma disputa presidencial mais acirrada no segundo turno – e a ascensão de Flávio Bolsonaro; o alívio nos juros de longo prazo; o retorno do investidor estrangeiro; e a valorização das commodities, que impulsiona ações de peso relevante no índice.

Esses pilares continuam presentes em setembro. Mas as oscilações deste início de mês reforçam um componente que deve acompanhar o mercado até as eleições de outubro: a volatilidade.

O ambiente ainda exige cautela. A percepção do mercado sobre a corrida presidencial e, principalmente, sobre seus possíveis efeitos na condução da política fiscal tende a provocar movimentos bruscos nos preços. Somam-se a isso um cenário macroeconômico mais desafiador e as incertezas externas sobre a trajetória dos juros americanos.

Ainda assim, analistas da XP Investimentos, do BTG Pactual e da Eleven Financial avaliam que, de modo geral, as ações brasileiras continuam negociadas a preços descontados em relação aos fundamentos, o que abre espaço para novas altas.

A continuidade do rali dependerá principalmente dos sinais emitidos pelos candidatos que lideram nas intenções de voto, Lula e Flávio, sobre as contas públicas: uma perspectiva mais concreta de contenção de gastos tende a reduzir a percepção de risco, favorecer a queda dos juros de longo prazo e beneficiar ativos de risco, como as ações.

Uma deterioração fiscal, por outro lado, pode pressionar novamente os ativos brasileiros.

A seguir, listamos o que deve mover os mercados nos próximos meses:

‘Trade eleitoral’ ganha tração

O principal gatilho doméstico para a recuperação das últimas semanas veio das pesquisas eleitorais. Os levantamentos têm levado os investidores a recalcular as chances dos diferentes candidatos e o que cada resultado poderia significar para a condução da economia a partir de 2027.

Na terça-feira, as pesquisas Quaest e BTG/Nexus reforçaram a percepção de uma disputa apertada. Na Quaest, Lula e Flávio Bolsonaro apareceram com 41% cada em uma simulação de segundo turno. No levantamento BTG/Nexus, Flávio teve 46%, ante 45% de Lula, também em empate dentro da margem de erro.

“O principal vetor doméstico foram as pesquisas, que mostraram empate numérico entre os candidatos mais competitivos em uma simulação de segundo turno”, afirmou Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.

“Os resultados aumentaram a percepção de uma eleição aberta e levaram os investidores a revisarem as probabilidades atribuídas aos diferentes cenários econômicos para 2027.”

Essa revisão aparece simultaneamente na Bolsa, no dólar e nos juros futuros. Os três mercados oscilam conforme a interpretação dos investidores sobre o que cada candidato pode representar para gastos públicos, tributação, dívida e taxa de juros.

“Não se trata de uma avaliação definitiva sobre o resultado eleitoral, mas de uma mudança nas probabilidades negociadas pelo mercado”, diz Murad.

Para Pedro Galdi, analista da AGF, a influência das pesquisas sobre os preços deve continuar até a eleição. “Em anos de eleição para presidente, esse comportamento se repete. As ações de estatais acabam sendo o olho do furacão, mas as de outros segmentos da economia também reagem de forma representativa”, afirma.

Estrangeiros voltam às compras

O investidor estrangeiro também voltou a dar sustentação ao Ibovespa depois de uma saída intensa de recursos no mês anterior.

Depois de retirar R$ 23,2 bilhões da B3 até 20 de agosto, o estrangeiro retornou à ponta compradora, a tal ponto que a saída líquida de agosto diminuiu para R$ 18,1 bilhões.

Desde 21 de agosto, portanto, o saldo acumulado passou a ser positivo em cerca de R$ 10,4 bilhões, considerando os dados mais recentes disponíveis. No acumulado de 2026, os estrangeiros ainda mantêm uma entrada líquida de R$ 28,3 bilhões.

O fluxo externo é relevante porque aumenta a demanda pelas ações de maior peso nos índices e contribui para a valorização do real.

Contudo, não é possível afirmar que a mudança será duradoura. O fluxo pode voltar a se inverter diante de novas pesquisas, da piora das expectativas fiscais ou de uma redução do apetite internacional por países emergentes.

Bolsa segue atrativa

Os preços também ajudam a explicar por que o movimento pode não ter se esgotado.

Segundo analistas do BTG Pactual, o Ibovespa negocia a cerca de 8,2 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses (Petrobras e Vale incluídas). Sem as duas gigantes, o múltiplo está em 9,7 vezes, abaixo de sua média histórica, o que sinaliza o potencial de ganhos.

Para o banco, os valuations continuam atrativos, sobretudo em um cenário no qual os juros reais de longo prazo comecem a recuar.

Juros menores tornam a renda variável mais atrativa: por exemplo, reduzem a vantagem relativa da renda fixa, que atualmente oferece retornos elevados com menor risco.

Até onde pode ir o rali?

Para o time da XP, o Ibovespa pode chegar aos 200 mil pontos até o fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de cerca de 8% frente ao patamar atual. O motivo está justamente nos preços, que os analistas da corretora veem como abaixo da média histórica.

Do lado do risco, eles apontam possibilidade de as estimativas de lucro das empresas para 2027 sofrerem uma revisão para baixo, o que poderia impactar negativamente os preços.

Por isso, mesmo com certo espaço para alta, a XP segue com uma estratégia defensiva para ações, priorizando empresas de qualidade.

No mesmo sentido, a Eleven Financial, que mantém projeção para o Ibovespa em 195 mil até o fim do ano (um potencial de alta de 5%), vê uma boa relação de risco-retorno em ações de empresas maiores, que dependem menos do ciclo econômico. Ainda assim, reforça que o ambiente até as eleições deve apresentar fortes oscilações.

Para 2027, a Eleven aponta que o Ibovespa alcançar 230 mil pontos, desde que os juros continuem caindo e os lucros das empresas mantenham o crescimento. Esse cenário depende de um ajuste nas contas públicas, que exigiria apoio tanto do próximo presidente quanto do Congresso.

A expectativa de queda mais intensa dos juros também levou o Bank of America a melhorar sua avaliação sobre a Bolsa brasileira ontem.

O banco elevou sua recomendação para as ações brasileiras de equivalente a neutra para exposição acima da média. O BofA mantinha postura neutra em relação ao Brasil desde junho.

O argumento para a revisão está nos juros. O BofA agora projeta que a Selic termine 2027 em 11,25% ao ano, versus 12,75% anteriormente. E, mais importante, bem abaixo dos cerca de 14% que, segundo o próprio banco, ainda estão embutidos nos preços de mercado.

Na avaliação dos analistas, um ciclo mais profundo de cortes dos juros pode elevar os preços das ações, mesmo diante do risco de revisões para baixo nos lucros e da incerteza eleitoral.

O que pode interromper o rali?

A recuperação recente reúne fatores que se reforçam: o estrangeiro voltou às compras, a eleição passou a ser precificada como uma disputa mais aberta, os preços dos ativos ainda estão atrativos e a alta do petróleo favoreceu a Petrobras, uma das empresas com maior peso na Bolsa.

Parte desses vetores, porém, pode mudar rapidamente.

Novas pesquisas podem alterar as probabilidades eleitorais negociadas pelo mercado. Uma piora das expectativas fiscais pode voltar a pressionar os juros.

O cenário externo também exige atenção. A recente nova alta do petróleo, por exemplo, que beneficia a Petrobras no curto prazo, pode elevar a inflação mundial, manter os juros americanos altos por mais tempo e reduzir a procura por investimentos em países emergentes. Foi o que ocorreu hoje, depois de o petróleo superar o patamar psicológico dos US$ 100 o barril e elevar preocupações sobre uma alta de juros nos EUA.

O encarecimento da commodity pressionou as bolsas americanas e levou os juros dos títulos de 10 anos do país a atingirem o maior patamar em quase três anos. Na esteira, o Ibovespa caiu 0,9%, devolvendo os ganhos de ontem e retornando aos 185.629 pontos.

Há espaço para o Ibovespa avançar nos próximos meses, mas o caminho dificilmente será linear.

“Iremos caminhar ao sabor das notícias relacionadas ao momento da disputa”, afirma Galdi.

Após 8 anos, Huawei vai a julgamento nos EUA por fraude e roubo de tecnologia

9 de Setembro de 2026, 16:09

A Huawei finalmente está sendo julgada em Nova York em um processo criminal aberto durante o primeiro governo de Donald Trump e que está entre as ações mais ambiciosas já movidas pelo governo dos Estados Unidos contra uma empresa chinesa.

O julgamento começou nesta quarta-feira (9), com as alegações iniciais das partes, e deve se estender por meses em um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York.

O processo chega à fase de julgamento oito anos depois de o Departamento de Justiça dos EUA apresentar as primeiras acusações contra a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações.

Durante a maior parte desse período, a empresa ficou praticamente excluída do mercado americano devido a medidas comerciais impostas pelos governos Trump e Joe Biden em nome da segurança nacional.

No processo criminal, a Huawei é acusada de fraudar bancos internacionais, incluindo HSBC e Citigroup, em operações relacionadas a supostas violações das sanções comerciais dos EUA contra Irã e Coreia do Norte.

A empresa também responde, com base em uma lei federal frequentemente usada contra organizações criminosas, por supostamente conspirar para roubar propriedade intelectual de seis empresas americanas de tecnologia, além de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.

O processo é incomum porque a própria Huawei está sendo julgada criminalmente, sem que nenhum de seus funcionários responda ao processo.

Taylor Stout, advogado do Departamento de Justiça, disse aos jurados que “o crime era uma estratégia empresarial importante” para a companhia.

“Roubo, mentiras, corrupção, por 20 anos. Foi assim que a Huawei — uma enorme empresa chinesa de telecomunicações — prejudicou empresas americanas e abusou do sistema financeiro dos EUA, tudo em uma tentativa de dominar o setor de telecomunicações em todo o mundo”, afirmou Stout.

Segundo os promotores, a Huawei teria mantido uma operação para obter segredos comerciais de concorrentes americanos. Funcionários que conseguissem informações consideradas valiosas receberiam bônus.

Em um dos episódios citados pela acusação, um funcionário teria fotografado equipamentos de empresas rivais durante uma feira de tecnologia.

Em outro, a Huawei teria pago um professor universitário para se passar por pesquisador interessado em chips de uma empresa americana, quando o objetivo seria obter um componente para copiá-lo.

A Huawei é uma das principais empresas da indústria de tecnologia da China e é considerada peça central nas ambições de Pequim no campo da inteligência artificial, enquanto a segunda maior economia do mundo busca reduzir sua dependência de equipamentos desenvolvidos nos Estados Unidos.

Hoje, a companhia fabrica desde roteadores e equipamentos de telecomunicações até smartphones e chips de inteligência artificial. Apesar das sanções americanas, a Huawei ampliou seus negócios, aumentou a lucratividade e reduziu a dependência de fornecedores dos EUA.

A empresa também se tornou uma das principais fabricantes de chips de inteligência artificial da China, em um momento em que Pequim busca reduzir a dependência de tecnologia americana.

O advogado da Huawei, Brian Heberlig, afirmou que o processo do governo americano é baseado em acusações “selecionadas” que os advogados da empresa vão contestar ao longo do julgamento. Segundo ele, o caso dos EUA se concentra em “alguns episódios isolados ao longo de 20 anos”.

Heberlig afirmou ainda que os bancos sabiam que a Huawei mantinha negócios com o Irã e chegaram a disputar contratos com a empresa. “Não há um plano para o crime, apenas uma estratégia de negócios”, disse.

Cúpula em Washington

O julgamento começa enquanto se aproxima uma cúpula, em 24 de setembro, em Washington, entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

Os dois se encontraram em Pequim no início deste ano, e a trégua comercial entre os países está prevista para expirar em novembro. A embaixada chinesa em Washington não respondeu aos pedidos de comentário.

O julgamento é uma herança do primeiro governo Trump, quando os EUA passaram a usar tarifas e sanções econômicas de forma mais agressiva para limitar o avanço tecnológico e militar da China e punir violações de propriedade intelectual.

Embora o processo dificilmente impeça a reunião entre Trump e Xi, especialistas avaliam que a decisão de levá-lo adiante, em vez de buscar um acordo, mostra que ainda existe dentro do governo americano uma corrente favorável a uma postura mais dura em relação à China.

Os promotores disseram, em um documento apresentado na semana passada, que, para “agilizar” o julgamento, não levarão adiante duas das quatro acusações relacionadas a supostas violações de sanções comerciais.

Ainda assim, os advogados disseram na terça-feira (8), durante a seleção do júri, que o julgamento — com um total de 12 acusações em análise — pode se estender até dezembro.

Uma condenação seria mais um golpe para a imagem pública da Huawei, mas não está claro quanto o processo afetaria os resultados financeiros da companhia. A empresa registrou lucro líquido de 23,81 bilhões de yuans (US$ 3,54 bilhões) no primeiro semestre deste ano.

Penalidades previstas

Os EUA não especificaram quais penalidades pretendem buscar. A Lei de Organizações Influenciadas e Corruptas (RICO, na sigla em inglês) prevê multas máximas de US$ 500 mil por violação para empresas, mas também permite que os promotores peçam o equivalente ao dobro dos valores obtidos ilegalmente em um esquema criminoso.

Além das possíveis multas, uma condenação criminal pode dificultar os negócios da Huawei com bancos e clientes em outros países.

“É mais difícil fazer negócios com empresas condenadas por crimes”, disse Matthew Axelrod, sócio do escritório Gibson Dunn especializado em aplicação de sanções. “Isso é algo significativo.”

“A Huawei é uma empresa extraordinariamente bem financiada atualmente”, disse Jonathan Liebenau, professor da London School of Economics que estudou a companhia. “A multa teria de ser muito alta para causar impacto.”

Trump há anos mantém uma ofensiva retórica contra a Huawei e outras empresas chinesas.

O processo criminal foi apresentado publicamente no início de 2019, durante o governo Trump, no âmbito da chamada China Initiative, um programa do Departamento de Justiça voltado ao combate à espionagem e à influência chinesa nos EUA.

Desde então, os promotores obtiveram diversas condenações contra cidadãos chineses, mas enfrentaram dificuldades em processos contra grandes empresas chinesas em território americano.

Desde o início, o caso da Huawei elevou as tensões entre Washington e Pequim, enquanto as duas maiores economias do mundo estavam envolvidas em uma guerra comercial.

Meses depois, autoridades do governo Trump classificaram a empresa, sediada em Shenzhen, como uma ameaça à segurança nacional, alegando que seus equipamentos de telecomunicações poderiam ser usados pelo Partido Comunista Chinês para espionagem.

Lista de restrições dos EUA

A Huawei negou as acusações, mas continua em uma lista de restrições dos EUA que impede empresas americanas de vender produtos à companhia sem uma autorização especial do governo.

Quando as acusações foram apresentadas, a Huawei tinha presença relativamente pequena no mercado americano, mas era uma grande compradora de semicondutores e componentes de telecomunicações dos EUA. A companhia também mantinha no país um laboratório de pesquisa e desenvolvimento, a Futurewei Technologies.

As sanções reduziram drasticamente o acesso da Huawei à tecnologia americana. Ainda assim, a empresa conseguiu ampliar seus negócios e encontrar formas de reduzir a dependência de fornecedores dos EUA.

A acusação criminal inicial provocou uma crise diplomática quando Meng Wanzhou, diretora financeira da Huawei e filha do fundador da empresa, foi presa a pedido dos EUA enquanto passava pelo Canadá. Ela era acusada de fraude financeira.

Quase três anos depois de permanecer em prisão domiciliar em Vancouver, Meng chegou a um acordo com o governo Biden que permitiu seu retorno à China em 2021.

Em junho, a juíza federal Ann Donnelly decidiu que os promotores poderiam informar aos jurados que Meng havia declarado, em um acordo de suspensão do processo, que a empresa conduzia negócios ilegalmente no Irã e mentia ao HSBC sobre o cumprimento das sanções.

HSBC e Citigroup não são acusados de irregularidades no caso e não quiseram comentar.

Bancos internacionais, incluindo HSBC e Standard Chartered, haviam aumentado a preocupação com os negócios da Huawei diante das sanções contra o Irã e romperam relações com a companhia. Os EUA alegam que os bancos processaram milhões de dólares em transações da Huawei que poderiam ter violado as sanções internacionais.

Meng foi acusada de enganar um dos bancos, identificado anteriormente como HSBC, sobre o controle de uma subsidiária que mantinha negócios no Irã. Em setembro de 2021, ela admitiu a conduta como parte de um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA e pôde retornar à China.

A Huawei, por sua vez, atribuiu no passado a funcionários episódios isolados de tentativa de obtenção de tecnologia de outras empresas, segundo documentos do processo.

Os EUA deram mais força ao processo ao recorrer à RICO. Às vezes chamada por especialistas em direito de “conspiração com esteroides”, a lei permite ao governo apresentar um volume maior de provas e dá mais margem para pedir o confisco de ativos caso o júri considere a empresa culpada.

A acusação baseada na RICO, incluída no processo em 2020, afirma que a Huawei adotou um padrão de apropriação indevida de propriedade intelectual de empresas americanas de tecnologia para obter vantagem competitiva e expandir seus negócios.

Julgamento adiado

O processo levou anos para chegar à fase de julgamento também por causa da pandemia de Covid-19, que dificultou as viagens de advogados e testemunhas.

O caso também teve episódios de espionagem. Em 2022, dois agentes da inteligência chinesa foram acusados de tentar subornar um agente americano com US$ 61 mil em bitcoins para roubar provas e obter informações internas sobre o processo contra a Huawei no Brooklyn.

Na época, os EUA disseram acreditar que os dois homens estavam na China e agiam em nome do governo chinês — acusação negada por autoridades chinesas.

A prisão de Meng em 2019 também agravou as relações entre EUA e China e envolveu o Canadá na disputa entre as duas maiores economias do mundo.

Na China, Meng foi apresentada como vítima da crescente pressão americana contra Pequim, enquanto a Huawei consolidou sua posição como uma das principais empresas de tecnologia do país.

Nike é retirada do S&P 100 após quase 18 anos. Ações caem 40% em 2026

9 de Setembro de 2026, 15:50

A Nike será retirada do índice S&P 100 pela primeira vez em quase 18 anos, mas continuará fazendo parte do S&P 500, índice mais amplo que reúne 500 grandes empresas dos Estados Unidos.

Os dois índices têm abrangências diferentes. O S&P 500 reúne 500 das maiores empresas listadas nos Estados Unidos e é um dos principais termômetros do mercado acionário americano. Já o S&P 100 é mais restrito e reúne 100 das maiores e mais consolidadas companhias do S&P 500, considerando critérios como tamanho, liquidez e representatividade. Assim, uma empresa pode deixar o S&P 100 sem sair do S&P 500 — como acontecerá com a Nike.

Diante da mudança, a equipe de relações com investidores da fabricante de artigos esportivos enviou um memorando aos executivos para esclarecer que a saída do S&P 100 não altera os negócios, a estratégia, as operações ou a listagem das ações da companhia. O documento foi analisado pela Bloomberg News.

“Vocês provavelmente viram manchetes ou comentários nas redes sociais sobre a retirada da Nike do índice S&P 100”, diz o memorando. “Como parte da cobertura pode ser confusa, queríamos fornecer alguns fatos e pontos para discussão com suas equipes.”

A Nike disse ainda que continua sendo integrante do S&P 500, e essa mudança não afeta nossos negócios, estratégia, operações ou listagem em bolsa, escreveram as equipes de relações com investidores e comunicação da empresa. Procurado pela Bloomberg, a Nike não quis comentar.

A S&P Dow Jones Indices anunciou na semana passada que a Nike deixará o S&P 100 em 21 de setembro, junto com Honeywell Aerospace, Simon Property Group e Colgate-Palmolive. As quatro empresas serão substituídas por Dell Technologies, Palo Alto Networks, Arista Networks e Sandisk.

O S&P 100 reúne algumas das maiores e mais conhecidas empresas americanas e passa por revisões trimestrais. A Nike faz parte do índice desde o fim de 2008.

Queda das ações

A saída ocorre após uma forte desvalorização das ações da Nike. Os papéis acumulam queda de mais de 40% em 2026 e caminham para o quinto ano consecutivo de baixa.

Com isso, o valor de mercado da empresa está em cerca de US$ 55 bilhões, muito abaixo do recorde de US$ 281 bilhões, registrado em novembro de 2021. Mesmo com a retirada da Nike, os índices S&P 100 e S&P 500 acumulam alta em 2026 e caminham para o quarto ano consecutivo de valorização.

Mudanças na composição dos índices são acompanhadas de perto pelos investidores porque podem provocar compras e vendas de grandes volumes de ações por fundos passivos, que buscam acompanhar a composição dos índices.

O ETF iShares S&P 100, que replica o S&P 100, tem cerca de US$ 20 bilhões em ativos e possui aproximadamente US$ 19 milhões em ações da Nike, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O impacto é maior nos fundos que acompanham o S&P 500. O Vanguard S&P 500 ETF, por exemplo, tem mais de US$ 1 trilhão em ativos e possui mais de US$ 700 milhões em ações da Nike.

Um fundo semelhante da State Street detém cerca de US$ 560 milhões em ações da empresa, enquanto o iShares Core S&P 500 ETF possui aproximadamente US$ 575 milhões.

Vale pode emitir ‘Panda Bonds’ na China ainda em 2026

9 de Setembro de 2026, 15:20

A Vale avalia fazer sua estreia no mercado de títulos de dívida da China ainda neste ano, potencialmente seguindo o governo brasileiro, que também pretende captar recursos junto a investidores chineses.

A China é o principal mercado consumidor do minério de ferro da Vale e responde por cerca de 50% da receita da companhia. Por isso, seria “natural” para a empresa acessar o mercado financeiro chinês, afirmou o diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci.

“O que estamos fazendo é preparar a companhia para isso”, disse Bacci em entrevista ao programa “Bloomberg Open Interest”, da Bloomberg, na quarta-feira (9). Segundo ele, a emissão pode ocorrer “possivelmente ainda em 2026”.

A Vale avalia acessar o mercado chinês no mesmo momento em que o governo brasileiro trabalha para captar cerca de 10 bilhões de yuans (US$ 1,48 bilhão) em sua primeira emissão de “panda bonds”, títulos de dívida emitidos na China por empresas ou governos estrangeiros. A operação pode ocorrer ainda neste ano.

A iniciativa faz parte do esforço do Brasil para ampliar suas fontes de financiamento, reduzir a dependência de dívida denominada em dólar e estreitar os vínculos financeiros com Pequim durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Bacci, o mercado chinês de títulos de dívida ainda está em desenvolvimento para emissores internacionais. As emissões costumam ter valores menores, de cerca de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões, e prazos mais curtos.

“Normalmente, as empresas acessam o mercado para prazos de dois, três ou cinco anos. Estamos avaliando se é possível ir além disso”, afirmou.

IPO de metais básicos

Bacci afirmou que uma oferta pública inicial de ações (IPO) da subsidiária de cobre e níquel da Vale não é uma prioridade para os próximos um a dois anos.

Embora o minério de ferro continue sendo o principal produto da companhia, a Vale busca ampliar a diversificação de seus negócios.

Os ativos de cobre têm ganhado espaço nos planos da empresa, impulsionados pela demanda relacionada à transição energética. A Vale vem acelerando projetos de expansão da produção no Brasil. O foco, neste momento, é aumentar a produção nos próximos anos, afirmou Bacci.

A avaliação de mercado da Vale permanece próxima da parte inferior entre as grandes mineradoras diversificadas, em parte devido à dependência da companhia brasileira do minério de ferro, segundo analistas da Bloomberg Intelligence em relatório divulgado nesta semana.

A Vale Base Metals, subsidiária de metais básicos da companhia, tem como meta dobrar a produção de cobre para 700 mil toneladas por ano até 2035.

O presidente-executivo da Vale Base Metals, Shaun Usmar, assumiu o comando da unidade em 2024 com a missão de recuperar o desempenho dos negócios de cobre e níquel e prepará-los para uma possível abertura de capital. Em março, ele afirmou que a unidade pretendia estar “pronta para um IPO” por volta de meados deste ano.

Bacci disse que a Vale tem capital suficiente para financiar o crescimento da área de metais básicos. Caso o mercado de cobre continue forte, porém, a companhia poderá voltar a considerar uma listagem em bolsa.

“Se o mercado continuar na trajetória atual, pode haver oportunidades de crescimento adicional, incluindo fusões e aquisições, que poderiam justificar um IPO no futuro”, afirmou.

Na corrida do ‘agente de IA para chamar de seu’, Meta lança versão que pode custar até US$ 100 por mês

9 de Setembro de 2026, 14:55

A Meta Platforms apresentou um novo agente de IA (inteligência artificial) projetado para executar tarefas em nome do usuário, em projeto que reflete a visão de Mark Zuckerberg de um futuro no qual cada pessoa terá um assistente de IA personalizado.

Chamado Muse, o novo agente compartilha o nome com a série de modelos que o laboratório de IA da Meta vem desenvolvendo e pode ajudar a automatizar uma variedade de tarefas.

A Meta oferecerá uma versão gratuita e outra paga do Muse.

O diretor de IA da Meta, Alexandr Wang, e David Singleton, que liderou a engenharia do agente pessoal, disseram esperar que a maioria das pessoas use a versão gratuita, mas usuários com necessidades mais intensivas poderão migrar para planos de US$ 20 ou US$ 100 mensais, que permitem utilizar maior capacidade de processamento.

A Meta afirmou que a ferramenta auxiliará em compras online, na aquisição de ingressos de cinema, no agendamento de compromissos como aulas de tênis e até no preenchimento de uma autorização para uma excursão escolar. O aplicativo será lançado para usuários nos Estados Unidos na próxima terça-feira (15).

Zuckerberg, cofundador do Facebook que transformou a Meta em uma gigante das redes sociais, fez uma distinção clara entre agentes empresariais e agentes pessoais voltados ao consumidor.

Ele disse enxergar a maior oportunidade para sua empresa no desenvolvimento desta última categoria.

Em um manifesto de 6.500 palavras publicado no mês passado, o CEO da big tech delineou sua visão para o avanço da tecnologia: “Todos terão um agente pessoal excepcionalmente capaz, que entende você, seus objetivos e tudo com que você se importa”, afirmou.

A Meta pretende, no futuro, oferecer o produto aos bilhões de pessoas que já usam seus aplicativos de redes sociais, incluindo Instagram, Facebook e WhatsApp.

“Esse é um dos princípios de design do produto: torná-lo muito fácil de usar e simples para o usuário cotidiano”, disse Wang em entrevista na terça-feira (8).

O agente pessoal de IA, desenvolvido ao longo de meses, foi projetado para funcionar em um computador virtual dedicado na nuvem. “Construímos uma arquitetura extremamente segura”, disse Wang.

Agente de IA consulta você, diz Meta

O Muse mantém um registro do que fez e do que planeja fazer, não compartilha dados com o sistema de publicidade da Meta e adota cautela na forma como recebe informações.

“O Muse consulta você constantemente antes de fazer qualquer coisa sensível ou importante”, acrescentou Wang.

Por exemplo, o Muse pede confirmação antes de realizar compras, segundo Wang, que usa seu próprio agente – batizado em homenagem a seu cachorro, Euler – para identificar e comprar móveis para decorar sua nova casa.

Em assuntos menos sensíveis, o Muse pode operar de forma autônoma, disse Wang. O agente ajuda o usuário a se organizar, sugere ideias de exercícios e auxilia no planejamento das refeições. “Eu realmente o uso como um segundo cérebro”, afirmou.

Assim como no caso do assistente pessoal de Wang, os usuários do Muse poderão dar um nome e um avatar ao agente, além de definir a forma como ele se comunica.

O agente poderá então se conectar a aplicativos, incluindo e-mail e rastreadores de atividades físicas, e continuar trabalhando em segundo plano para cumprir os objetivos definidos pelos usuários mesmo depois de eles fecharem o aplicativo.

A Meta vem promovendo uma ofensiva de contratações, recrutando alguns dos melhores profissionais de engenharia de IA do mundo para a unidade comandada por Wang, conhecida como Meta Superintelligence Labs, ou MSL.

No ano passado, a Meta contratou o principal executivo de modelos de IA da Apple, Ruoming Pang, e também recrutou importantes pesquisadores de IA da OpenAI.

Singleton, ex-diretor de tecnologia da Stripe e CEO da startup de IA Dreamer, entrou no MSL no início deste ano.

O Muse é alimentado pelo mais recente modelo de IA da Meta, o Muse Spark 1.3, e pode acessar de forma integrada outros aplicativos da companhia, como Instagram e WhatsApp.

Planos de até US$ 100

O Muse também está conectado ao Ticketmaster, à OpenTable e à suíte de serviços do Google, como Gmail, Google Calendar e Drive, entre outros.

Se o usuário tiver um serviço de que goste com uma API – interface de programação de aplicações –, “ele pode simplesmente pedir ao Muse que crie um conector personalizado para esse serviço”, disse Singleton.

“Mas, é claro, vamos continuar adicionando mais parcerias e serviços específicos.”

O Muse, da Meta, estará disponível para pessoas com 18 anos ou mais nos Estados Unidos, por meio do iOS, da Apple, ou do Android, do Google, além do site muse.ai e do aplicativo WhatsApp. No futuro, será integrado aos óculos de IA da Meta.

Dinheiro esquecido: R$ 5,65 bilhões ainda podem ser resgatados. Veja como consultar

9 de Setembro de 2026, 14:45

O total de dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras chegou a R$ 5,65 bilhões em julho, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (8). O valor subiu em relação aos R$ 5,12 bilhões registrados em junho.

Desse montante, R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,57 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,40 bilhão podem ser resgatados por cerca de 2,19 milhões de CNPJs.

A consulta ao dinheiro esquecido é feita gratuitamente pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central.

Quanto dinheiro esquecido ainda pode ser resgatado?

O Banco Central identificou R$ 5,65 bilhões disponíveis para resgate no Sistema de Valores a Receber.

A maior parte pertence a pessoas físicas. São R$ 4,25 bilhões vinculados a 23,57 milhões de cidadãos. No caso das empresas, há R$ 1,40 bilhão disponível para aproximadamente 2,19 milhões de CNPJs.

Apesar do valor total bilionário, a maior parte dos beneficiários tem quantias pequenas a receber.

Veja a distribuição informada pelo Banco Central:

Faixa de valorParcela dos beneficiários
De R$ 0,01 a R$ 1069,45%
De R$ 10,01 a R$ 10018,97%
De R$ 100,01 a R$ 1 mil9,35%
Acima de R$ 1 mil2,22%

De onde vem o dinheiro esquecido?

Os valores podem ter diferentes origens. Entre os casos mais comuns estão contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, recursos de consórcios encerrados e cotas de cooperativas de crédito.

Os bancos concentram a maior parte do dinheiro ainda disponível, seguidos por administradoras de consórcio e cooperativas.

InstituiçãoValor disponível
BancosR$ 2,38 bilhões
Administradoras de consórcioR$ 1,96 bilhão
CooperativasR$ 762,7 milhões
Instituições de pagamentoR$ 353,4 milhões
FinanceirasR$ 114,6 milhões
Corretoras e distribuidorasR$ 69,4 milhões
Outras instituiçõesR$ 4,5 milhões

Quanto já foi devolvido pelo Banco Central?

Desde a criação do Sistema de Valores a Receber, o Banco Central já devolveu mais de R$ 16 bilhões aos titulares.

Até julho, cerca de R$ 11,9 bilhões haviam sido destinados a pessoas físicas. Outros R$ 4,2 bilhões foram pagos a empresas.

Somando os valores já devolvidos ao dinheiro que ainda está disponível, o sistema identificou cerca de R$ 21,8 bilhões em recursos a receber. Apenas em julho, aproximadamente R$ 323 milhões foram resgatados.

Como consultar dinheiro esquecido?

A consulta do dinheiro esquecido deve ser feita no Sistema de Valores a Receber, do Banco Central.

Na primeira etapa, não é preciso login Gov.br. O cidadão deve informar CPF e data de nascimento. Empresas devem informar CNPJ e os dados solicitados pelo sistema.

Se houver valores disponíveis, será necessário acessar o SVR com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para conferir os detalhes e pedir o resgate.

Veja o passo a passo:

  • Acesse o Sistema de Valores a Receber;
  • Informe CPF e data de nascimento ou CNPJ;
  • Consulte se há valores disponíveis;
  • Entre no sistema com conta Gov.br de nível prata ou ouro;
  • Leia e aceite o termo de responsabilidade;
  • Confira o valor e a instituição responsável pela devolução;
  • Solicite o pagamento conforme as opções apresentadas.

Como resgatar o dinheiro esquecido?

Quando a opção “Solicitar por aqui” estiver disponível, o dinheiro pode ser devolvido por Pix.

Nesse caso, o sistema apresenta os dados da instituição responsável e as opções de pagamento. Para quem não tem Pix ou não pode usar essa modalidade, o SVR indica a alternativa de contato direto com a instituição financeira.

O resgate vale tanto para pessoas físicas quanto para empresas. No caso de empresas, a consulta deve ser feita com o CNPJ.

O que fazer antes de pedir o resgate?

Antes de solicitar o resgate do dinheiro esquecido, confira se os dados exibidos no SVR estão corretos e verifique qual instituição fará a devolução.

Também é importante confirmar se a conta Gov.br está no nível prata ou ouro. Sem esse nível de segurança, o usuário consegue consultar a existência de valores, mas não consegue acessar os detalhes nem pedir o pagamento pelo sistema.

No caso de resgate automático, a chave Pix precisa estar vinculada ao CPF do titular.

Dá para receber dinheiro esquecido automaticamente?

Desde maio de 2025, pessoas físicas podem habilitar o pedido automático de devolução de valores a receber.

A adesão é opcional. Para usar a funcionalidade, é preciso ter conta Gov.br de nível prata ou ouro, verificação em duas etapas ativada e chave Pix vinculada ao CPF.

Com o resgate automático habilitado, valores elegíveis são depositados automaticamente na conta cadastrada. Assim, não é necessário fazer uma nova solicitação a cada recurso identificado.

LEIA MAIS: Perdeu acesso à conta gov.br? Agora está mais fácil de recuperar. Veja como

Dá para consultar dinheiro esquecido de pessoa falecida?

O Sistema de Valores a Receber também permite consultar valores de pessoas falecidas.

Nesse caso, o acesso é restrito a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais. O usuário precisa cumprir as exigências do sistema para consultar os dados e seguir com o pedido de resgate.

O dinheiro esquecido foi usado no Desenrola?

Parte dos recursos não reclamados foi destinada pelo governo federal ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), usado para viabilizar garantias em programas como o Desenrola.

Essa movimentação ajudou a reduzir o estoque de valores disponíveis nos meses anteriores. Segundo os dados citados, o total estava em R$ 10,6 bilhões em março, caiu para R$ 6,2 bilhões em maio e chegou a R$ 5,1 bilhões em junho.

Em julho, porém, o montante voltou a subir, para R$ 5,65 bilhões.

O uso desses recursos entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU), que apura a destinação de valores para programas federais fora do orçamento público.

Como evitar golpes com dinheiro esquecido?

O Banco Central alerta que a consulta ao dinheiro esquecido é gratuita e deve ser feita apenas pelos canais oficiais.

O BC não envia links, não entra em contato para pedir dados pessoais ou senhas e não cobra taxas para liberar valores.

Para evitar golpes:

  • Não clique em links recebidos por SMS, WhatsApp, Telegram ou e-mail;
  • Não informe senhas ou códigos de autenticação;
  • Não pague taxas para receber valores;
  • Confira a instituição responsável diretamente no SVR;
  • Use somente os canais oficiais do Banco Central.

Recompra de títulos dos EUA decepciona mercado e juros futuros voltam a subir

9 de Setembro de 2026, 14:39

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ampliou o programa de recompra de dívida pública nesta quarta-feira, mas a medida não foi suficiente para conter a alta dos juros nos Treasuries, os títulos públicos americanos.

O Tesouro anunciou a compra de até US$ 6 bilhões em títulos de prazo mais longo, três vezes o valor definido no mês anterior. Ainda assim, o mercado de US$ 32 trilhões em dívida do governo americano seguiu pressionado, em um dia marcado também pela disparada do petróleo, que reacendeu temores de inflação persistente.

Os preços dos títulos de 10 anos, que já vinham em queda desde o início do pregão, recuaram ainda mais após o anúncio — movimento que levou o rendimento a subir até 4,85%. A taxa está no maior patamar desde 2023, mesmo com Bessent tentando reduzi-la desde que assumiu o cargo no ano passado.

Mercado queria mais

Operadores esperavam um valor ainda maior para a operação de recompra, depois que Bessent sinalizou publicamente a possibilidade de pagar acima de US$ 4 bilhões por emissão — bem acima do teto original de US$ 2 bilhões. Por isso, o anúncio de US$ 6 bilhões decepcionou.

Segundo Steven Zeng, estrategista do Deutsche Bank, faltou o “choque” que os investidores esperavam. “É como se o Tesouro tivesse criado um monstro que agora precisa alimentar”, disse Zeng.

Ontem, Bessent já havia reconhecido publicamente que não tem como alterar o preço de “equilíbrio” dos títulos americanos — o nível que reflete os fundamentos econômicos reais, e não uma intervenção pontual do governo. Seu objetivo, segundo ele, é desacelerar os movimentos bruscos e evitar que narrativas negativas ganhem força. O problema é que ele busca juros mais baixos justamente em um momento de inflação em alta, expectativa de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve e déficits orçamentários historicamente elevados.

Por ora, o Tesouro não deu sinais de que vá aumentar ainda mais as recompras. O órgão informou que as outras seis operações programadas para o trimestre fiscal atual terão valor máximo igual ou superior a US$ 4 bilhões — o mesmo patamar anunciado de forma surpresa em 19 de agosto, quando o Tesouro prometeu “pelo menos dobrar” o tamanho das operações, que antes eram de US$ 2 bilhões cada.

Para Elias Haddad, do Brown Brothers Harriman, o gesto ficou aquém do necessário: “o Tesouro levou um estilingue para uma batalha de tanques”, resumiu.

Depois do anúncio de 19 de agosto, os juros haviam recuado, mas voltaram a subir rapidamente. Bessent decidiu reforçar o programa depois que os títulos de 30 anos atingiram a maior taxa desde 2007. Em evento no Texas na terça-feira, ele atribuiu o movimento a uma preocupação que considera infundada, a de que os Estados Unidos não conseguiriam honrar sua dívida — algo que, segundo ele, “virou meio que a narrativa dominante”, apesar de “absurdo”.

Bessent também tem defendido as recompras como forma de melhorar a liquidez do mercado, permitindo que bancos e outras instituições se desfaçam de títulos mais difíceis de negociar e, com isso, participem mais ativamente dos leilões de nova dívida.

O tamanho do desafio ficou ainda mais evidente horas depois, quando o Tesouro vendeu US$ 39 bilhões em títulos de 10 anos a uma taxa de 4,834% em leilão — a maior desde 2007.

Vale um esclarecimento técnico: o teto de US$ 6 bilhões não significa que o Tesouro vá necessariamente comprar esse valor total. Mas, historicamente, quando o programa mira dívida nominal de prazo mais longo, o órgão costuma comprar o valor máximo anunciado — só não o fez em duas das 52 operações realizadas desde que o programa foi retomado em 2024. Também é possível que o volume final seja maior: segundo o próprio site do Tesouro, um “anúncio final de recompra” costuma ser divulgado às 11h do dia da operação, e esse anúncio final “substitui o preliminar”.

Investidores e analistas veem a intensificação das recompras como reflexo do desconforto do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, com a alta dos custos de financiamento de longo prazo, a poucas semanas das eleições legislativas de novembro. A alta dos rendimentos levou as taxas de hipotecas nos EUA ao maior nível em mais de um ano.

Bessent ‘intervencionista’

“Scott adotou, sem dúvida, um modelo muito intervencionista como secretário do Tesouro”, afirmou Krishna Guha, chefe de economia da Evercore ISI, antes do anúncio de hoje. “Ele é taticamente muito habilidoso para escolher quando e como surpreender e movimentar os mercados e teve algum sucesso no curto prazo.”

Bessent descreveu a iniciativa como um “Treasury twist” — referência às Operações Twist do Fed, que tinham como objetivo reduzir os custos de financiamento de prazo mais longo.

O que a recompra de títulos dos EUA significa para o Brasil

Os juros altos estão também do outro lado do Atlântico. Na França, mesmo cenário: 5% e patamar mais alto desde 2008. Do outro lado do Canal da Mancha, mais ainda. Os títulos de 30 anos do Reino Unido não pagavam tanto desde 1998: 5,9%.

E o que tudo isso tem a ver com quem investe em reais, aqui no Brasil? Tem tudo a ver. Com os títulos em dólar, libra e euro pagando taxas recordes, a concorrência para os daqui, em real, pesa.

O capital flui para onde o retorno é mais atraente e a moeda, mais segura. Isso obriga o Brasil a pagar mais juros para continuar competitivo — juros que já estão num patamar que não era visitado desde 2016. Uma análise do BTG Pactual mostra que 40% da força que mantém os juros longos brasileiros lá em cima vem do exterior, principalmente dos títulos americanos, concorrentes diretos dos papéis daqui.

A dinâmica que sustenta esses juros lá fora tem duas frentes: o crescimento acelerado da dívida pública e privada nos países desenvolvidos, e a corrida das big techs para financiar infraestrutura de inteligência artificial — soma que pode chegar a US$ 1,7 trilhão entre 2026 e 2027. Some a isso os sinais do Federal Reserve de que uma alta de juros ainda neste ano está sobre a mesa, e o quadro que pressiona os títulos brasileiros fica mais claro.

Irlanda endurece regras para cidadania. Veja o que muda

9 de Setembro de 2026, 13:21

O governo da Irlanda aprovou nesta quarta-feira (9) a elaboração de um projeto de lei que endurece as regras para estrangeiros que desejam obter a cidadania por naturalização. A principal mudança será o aumento de cinco para oito anos do período de residência exigido para a maioria dos candidatos.

A proposta também prevê testes de proficiência em inglês, irlandês ou língua de sinais irlandesa, além de uma avaliação sobre cidadania, sociedade e política do país.

Outro requisito será a comprovação de autossuficiência financeira por parte dos candidatos à naturalização.

Segundo o Departamento de Justiça, Assuntos Internos e Migração da Irlanda, as mudanças têm como objetivo fortalecer as regras de naturalização e aproximá-las das adotadas por outros países europeus.

O governo afirma que a cidadania por naturalização deve ser resultado de um período prolongado de residência legal, integração à sociedade, participação cívica, independência financeira e cumprimento das leis de imigração.

Irlanda endurece regras para imigrantes

A mudança ocorre em um momento de maior pressão política sobre a imigração em diversos países europeus.

Na Alemanha, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve na semana passada seu melhor resultado em uma eleição estadual. No Reino Unido, o governo trabalhista propôs elevar de cinco para dez anos o prazo-base para que imigrantes obtenham residência permanente.

Na Irlanda, o ministro da Justiça, Jim O’Callaghan, afirmou que o país reconhece a contribuição dos imigrantes para a economia, as comunidades e os serviços públicos.

“Tenho a responsabilidade de administrar a migração de acordo com os interesses do bem-estar econômico e social do país”, disse o ministro em comunicado.

Segundo O’Callaghan, as mudanças não têm como objetivo restringir a integração ou excluir imigrantes da sociedade irlandesa.

Mais de 27 mil brasileiros

As novas regras também podem afetar a comunidade brasileira no país. O último Censo da Irlanda, realizado em 2022, contabilizou 27.338 pessoas com cidadania brasileira vivendo no país. O grupo estava entre as principais comunidades estrangeiras da Irlanda.

O levantamento mostrou ainda que os brasileiros estavam concentrados principalmente em faixas etárias mais jovens. Em Dublin, capital irlandesa, os brasileiros formavam o maior grupo entre os cidadãos estrangeiros, com 11.188 pessoas.

Vale destacar que o número de 27.338 corresponde a pessoas com cidadania brasileira, e não necessariamente a todos os residentes nascidos no Brasil. Quem nasceu no Brasil, mas posteriormente obteve a cidadania irlandesa, por exemplo, não entra nessa estatística de cidadania brasileira.

Projeto ainda precisa passar pelo Parlamento

As mudanças anunciadas nesta quarta-feira ainda não estão em vigor. O governo aprovou a elaboração prioritária do projeto, que terá de ser debatido pelo Parlamento irlandês antes de se transformar em lei.

A proposta faz parte de um conjunto de medidas do governo para reforçar o controle migratório e, segundo o Departamento de Justiça, preservar a integridade do sistema de imigração do país.

Na contramão da lógica, ouro sobe com juro americano em alta – veja como investir

9 de Setembro de 2026, 13:12

O comportamento do ouro quebrou, entre agosto e o início de setembro, uma escrita que sempre prevaleceu.

Em vez de o preço do metal cair quando os juros de longo prazo americanos passaram a subir rumo aos maiores níveis em 19 anos, a cotação sobe – desde o início de agosto, são 8% a US$ 4.425 a onça (31g).

Não é o natural. Com os títulos públicos americanos de 10 anos pagando quase 5%, e os de 30 anos acima de 5% (o que não se via desde 2007) , o normal é que dinheiro investido em outros ativos fluam para o porto seguro dos Treasuries.

Inclusive o ouro, que não paga juros.

chart visualization

O que está acontecendo, então?

Há mais de um fator – e vamos ver adiante. Mas o grande agente que puxa a cotação do ouro são as compras dos Bancos Centrais. Foram 289 toneladas só no 2º trimestre de 2026. O volume é cinco vezes superior às 57 toneladas dos três primeiros meses do ano e 62% maior na comparação anual.

Por trás das compras está um movimento global que não é de hoje: a substituição de dólares por ouro nas reservas dos Bancos Centrais – inclusive no Brasil, que aumentou em 33% o volume de ouro em suas reservas desde 2024 – para 172 toneladas.

Substituição parcial. Só que mais do que suficiente para fazer preço . E porque substituir? Em grande parte, porque a dívida pública dos EUA é a maior desde a Segunda Guerra mundial (125% do PIB).

Quando isso acontece, aumenta o temor de que, em algum momento, o governo acabe emitindo moeda para aliviar a dívida – caso o faça, cria-se inflação. A moeda desvaloriza; e as reservas deixam de fazer sentido.

O ouro não tem esse problema. Ninguém tem o poder de “emitir” ouro. A força dele está na escassez.

Tem mais. As compras dos BCs elevam o preço. E o que acontece com ativos que sobem de preço? Investidores correm para eles. O preço sobe mais ainda.

Essas compras tinham perdido fôlego. Mas agora veio uma retomada firme, que cria um suporte para as cotações que o mercado não tinha no início do ano, reforça Mauriciano Cavalcante, especialista da corretora Ourominas.

O Goldman Sachs projeta a cotação do ouro em US$ 4,9 mil no fim de 2026 – o que daria ao metal um potencial de alta de 12% em dólar. “Ainda que sujeita a uma volatilidade maior e de mão dupla ao longo da trajetória”, acrescentam os analistas.

Vale notar que esse não é o auge do ouro. O boom mesmo foi entre 2025 e o começo deste ano, quando o ouro alcançou a máxima histórica de US$ 5,6 mil e acumulou uma valorização de 46% no ano.

Ou seja: queda de 21% desde lá. Ouro é renda variável, com todos os riscos de renda variável. Recomenda-se não ter mais de 3% da carteira investidos no metal amarelo.

A boa notícia, de qualquer forma, é que nunca foi tão simples investir em ouro.

ETFs facilitam acesso

A mais indicada é via ETFS – os fundos negociados em bolsa, que você compra e vende como se fossem ações.

No caso do ouro, há vários ETFs no Brasil que seguem o Índice Futuro de Ouro B3 (Ifgold B3).

Como acontece com quase toda commodity, o mercado futuro, com preços combinados para fechar o negócio numa data específica, é maior que o mercado à vista. Daí a existência desse índice, que acompanha os contratos futuros de ouro mais negociados na bolsa brasileira. Em agosto o Ifgold B3 apresentou um ganho de 10,11%.

Entre os ETFs que o acompanham, então o GLDI11, da Itaú Asset, e o GOLB11, do BTG Pactual, replicam o Ifgold B3.

O cardápio, de qualquer forma, varia bem. O OURO11, da XP Vista Asset, busca replicar o desempenho do ETF internacional IAU (iShares Gold Trust), indexado ao preço do ouro à vista.

Sempre vale lembrar: como a cotação do ouro é em dólar, você fica exposto ao câmbio. Uma eventual queda do dólar pode minar seu investimento, mesmo que a cotação do ouro suba.

Stablecoins de ouro

Outra possibilidade é usar stablecoins de ouro. São criptomoedas com lastro em ouro físico, que fica guardado em cofres de custodiantes terceirizados.

Cada unidade dessas stablecoins representa uma onça troy, a unidade fora do sistema métrico que o mercado adota, e que dá 31 gramas.

E as duas principais stablecoins de ouro do mercado são a PAX Gold (PAXG) e a Tether Gold (XAUT). Elas dominam 88,2% do mercado.

O ambiente clássico de negociação desses ativos são as corretoras de criptoativos (Mercado Bitcoin, Mynt, Foxbit etc.). Mas bancos tradicionais têm.

Intervenções dos EUA

De volta ao mundo macro. A escalada recente do ouro tem ainda apoio do comportamento intervencionista do Tesouro dos EUA, chefiado por Scott Bessent, o equivalente americano a Ministro da Fazenda.

Bessent realizou em momentos distintos em agosto duas intervenções. A primeira foi uma grande compra de ienes no mercado para evitar uma queda (ainda) maior da moeda japonesa.

O suporte foi dado para evitar que o país asiático tivesse, ele mesmo de fazer isso. Se fizesse, teria de tenha de recorrer a uma venda de reservas, ou seja, de Treasuries. Esse movimento poderia desvalorizar o dólar.

E mais recentemente, Bessent duplicou a recompra de títulos de longo prazo do Tesouro americano para US$ 4 bilhões. O movimento foi lido como uma tentativa de segurar a subida das taxas das Treasuries de 10 e 30 anos.

A perspectiva de um ciclo de intervenções constantes no mercado alimentou a demanda por ativos de proteção, como o ouro e até bitcoin e outras criptomoedas, conforme Christian Mueller-Glissmann, analista do Goldman Sachs.

Petróleo supera US$ 101 com escalada da guerra entre EUA e Irã. Navios-tanque são atacados

9 de Setembro de 2026, 12:54

O petróleo Brent superou os US$ 101 por barril pela primeira vez desde julho, enquanto a intensificação dos ataques no Oriente Médio aumentou as preocupações com novas interrupções no fluxo de energia que sai da região, rica em petróleo.

O principal indicador global do petróleo fechou em alta de mais de 3% em Nova York, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) era negociado perto dos US$ 96.

A sessão foi marcada por explosões e alertas de emergência em diferentes pontos do Oriente Médio, enquanto o Irã afirmou estar preparado para uma guerra mais intensa e prometeu ampliar os ataques contra os Estados Unidos.

O conflito interrompeu o transporte marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, embora milhões de barris por dia de petróleo continuem sendo transportados por navios-tanque que navegam sem serem detectados, ajudando a conter os preços. Ainda não está claro como a nova escalada poderá afetar esses embarques “ocultos”.

Os contratos futuros subiram mais cedo depois que os militares dos EUA disseram ter destruído cinco navios-tanque iranianos em resposta a tentativas de atingir um navio de guerra da Marinha americana com mísseis balísticos durante a noite.

A mídia iraniana afirmou que Teerã atacou dois navios de guerra dos EUA e oito navios-tanque de petróleo no Golfo Pérsico. Não houve confirmação imediata dos ataques, mas a troca de ofensivas aumentou as preocupações com uma redução da oferta de petróleo na região.

A escalada também ocorre enquanto militantes houthis apoiados pelo Irã, no Iêmen, atacam instalações de energia na Arábia Saudita. Alertas de “perigo potencial” foram emitidos no sul do país nesta quarta-feira, um dia depois de a região ser atacada. Os preços do gás natural na Europa atingiram o maior nível desde 2023, enquanto a guerra entre Irã e Israel eleva os custos de energia justamente com a aproximação da temporada de aquecimento no inverno.

A disparada dos preços da gasolina e do diesel nos EUA também representa um risco político para o Partido Republicano do presidente Donald Trump antes das eleições de meio de mandato. Trump previu nesta quarta-feira que a guerra no Irã só terminará depois da votação de novembro e que uma redução significativa nos preços dos combustíveis não virá antes disso.

Enquanto isso, as compras chinesas de petróleo bruto aumentaram neste mês. Uma pausa nas aquisições do maior importador mundial havia sido um dos principais fatores que ajudavam a limitar os preços, e a retomada das compras fez alguns dos principais indicadores do mercado atingirem os níveis mais altos em semanas.

“Embora o déficit de petróleo no mercado tenha diminuído com a estabilização de volumes maiores de fluxos ocultos, o mercado continua apertado de maneira geral”, disse Ryan McKay, estrategista sênior de commodities do TD Securities. “Uma oferta ainda mais restrita pode ocorrer diante desses novos ataques e à medida que aumentam os sinais de que a China está ficando mais ativa no mercado.”

O Brent acumula alta de cerca de 65% neste ano. Com exceção de um breve pico em julho, porém, os contratos futuros foram negociados abaixo dos US$ 100 por mais de três meses, enquanto os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar as exportações.

Fatores técnicos também ampliaram a alta do petróleo. Consultorias de negociação de commodities que seguem tendências aumentaram suas posições compradas, que passaram a representar 91% das posições em Brent e WTI, ante 45% e 36%, respectivamente, em 31 de agosto, segundo dados da Bridgeton Research Group, da Kpler. Esses operadores automatizados são conhecidos pela tendência de acentuar as oscilações dos preços.

Os derivados de petróleo, como o diesel, por outro lado, tiveram uma alta ainda mais forte, à medida que o conflito no Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia se combinam para restringir a oferta. As exportações russas de diesel caíram no mês passado ao menor nível em mais de uma década. Isso ameaça provocar uma nova rodada de pressão inflacionária sobre os bancos centrais de todo o mundo.

Os estoques de diesel dos EUA devem cair neste mês para o menor nível em mais de duas décadas, segundo a perspectiva de curto prazo para o setor de energia divulgada nesta quarta-feira pela Energy Information Administration (EIA). A agência também elevou em 14% sua previsão para o preço do diesel no varejo no último trimestre deste ano, para US$ 5,55 por galão.

“A perspectiva fundamental para os derivados continua positiva, com a deterioração dos estoques e das reservas globais”, disse Darrell Fletcher, diretor-gerente de commodities da Bannockburn Capital Markets.

Antes da guerra com o Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz com destino a clientes em diferentes países.

Apesar da continuidade do fluxo de navios-tanque com os transponders desligados, as embarcações continuam sob ameaça constante de ataques. A Kuwait Petroleum está enviando navios pelo estreito “sempre que é seguro”, afirmou um funcionário da empresa nesta quarta-feira.

A continuidade das interrupções fez os estoques seguirem em queda em diferentes partes do mundo. A empresa de análise Vortexa estima que a quantidade de petróleo transportada por navios no mar tenha diminuído em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.

Por que o Google escolheu a Finlândia para seus data centers de IA

9 de Setembro de 2026, 12:40

A Alphabet, controladora do Google, está investindo € 13 bilhões (US$ 15,1 bilhões) em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia, seu maior investimento na Europa.

O plano inclui a construção e ampliação de data centers, grandes instalações que concentram servidores e equipamentos responsáveis por armazenar e processar enormes volumes de dados. O clima frio e a energia livre de carbono do país nórdico o tornam um polo de atração para empresas que constroem essas estruturas.

Nos próximos dois anos, o Google construirá três novos data centers e ampliará uma instalação já existente na cidade de Hamina, no sudeste do país, informou a empresa em comunicado nesta quarta-feira. O anúncio fez as ações de empresas locais beneficiadas, como Fortum Oyj e Nokia Oyj, subirem e impulsionou uma alta no mercado acionário finlandês.

A iniciativa do Google faz parte de uma expansão em larga escala da capacidade de computação no país nórdico, somando-se a cerca de € 43 bilhões (US$ 50 bilhões) em projetos que estão sendo planejados ou executados.

A empresa tem 15 anos de experiência operando centros de servidores no país nórdico, onde os data centers geralmente funcionam de forma mais sustentável do que na maioria dos outros lugares do planeta.

Menos água e mais energia

Os data centers na Finlândia utilizam menos água e mais energia renovável do que em qualquer outro país da União Europeia e ficam em segundo lugar em eficiência no uso de energia e capacidade de reutilizá-la, segundo um relatório de 2025 encomendado pelo braço executivo do bloco que, pela primeira vez, mapeou a sustentabilidade do setor de data centers.

O investimento na Finlândia faz parte dos esforços da Alphabet para ampliar sua capacidade de computação voltada à IA. A gigante do Vale do Silício elevou em julho sua previsão de investimentos para até US$ 205 bilhões neste ano, em uma corrida com concorrentes pelo domínio do mercado de inteligência artificial.

Os projetos na Finlândia não provocaram uma reação pública tão intensa quanto alguns dos locais propostos nos Estados Unidos ou em outras partes da Europa, onde preocupações com o uso de terras e recursos naturais e com os custos de energia atrasaram ou levaram ao cancelamento de projetos. Nos EUA, a contribuição dos data centers para o aumento das contas de eletricidade está se tornando uma questão importante nas próximas eleições de meio de mandato.

Cerca de 96% da eletricidade gerada na Finlândia vem de fontes livres de carbono, principalmente uma combinação de energia nuclear e renovável. O clima do país também reduz a necessidade de refrigeração, e muitas vezes o próprio ar é suficiente para realizar o trabalho.

Muitos data centers são construídos com sistemas de circuito fechado, que reduzem o desperdício de água, enquanto a unidade do Google em Hamina utiliza água do mar para resfriamento.

Além disso, o calor gerado pelos servidores pode ser capturado para aquecer residências em áreas atendidas por sistemas de aquecimento urbano.

A Microsoft está construindo um projeto desse tipo na região metropolitana de Helsinque que, quando estiver concluído, deverá fornecer aquecimento para cerca de 40% das residências de Espoo, a segunda maior cidade da Finlândia. Isso equivale a aproximadamente 100 mil casas.

Para a Finlândia, o investimento do Google representa um importante impulso enquanto o país tenta recuperar o crescimento econômico. O membro mais setentrional da zona do euro enfrenta uma demanda fraca, o colapso do comércio com a vizinha Rússia e os efeitos do aperto fiscal destinado a colocar as contas públicas sob controle. A taxa de desemprego ultrapassou 10%, a maior da União Europeia.

O Google planeja ampliar seu data center existente em Hamina e construir novas instalações em Kajaani, Muhos e Vaala.

Outras empresas que estão construindo, operando ou planejando data centers na Finlândia incluem Nscale, AtNorth Holding AB, Pure Data Centres Group, Nebius Group, DayOne Data Centers e Polarnode. Há tantos projetos que o governo está planejando uma lei que exigiria que os operadores registrassem seus data centers, para que as autoridades consigam acompanhar todos eles.

O anúncio de quarta-feira impulsionou as empresas locais que serão beneficiadas pelo projeto. O índice OMX Helsinki chegou a subir 1,6%, enquanto o índice europeu Stoxx 600 recuava 1,5%.

O Google estima que os projetos vão empregar 16 mil trabalhadores da construção civil, impulsionando as ações de empresas de infraestrutura listadas na Nasdaq Helsinki.

As ações da Fortum, que venderá ao Google metade da produção de sua usina nuclear de Loviisa, subiram mais de 14%, maior alta em quase quatro anos. A Nokia, fornecedora de infraestrutura de redes, avançou até 6%, enquanto a operadora de telecomunicações Elisa Oyj subiu até 2,7%. As empresas serão responsáveis por fornecer conectividade para os novos data centers.

Investimentos em energia

Os novos data centers serão construídos em Kajaani, Muhos e Vaala, na região norte do país, onde o Google já havia adquirido terrenos. Segundo a empresa, os locais foram escolhidos para aproveitar a infraestrutura existente da rede elétrica.

“Esses locais, em pontos de conexão fortes da rede, ajudam todo o sistema elétrico e garantem um desenvolvimento mais econômico da rede”, disse Asta Sihvonen-Punkka, presidente-executiva da operadora do sistema de transmissão Fingrid Oyj, no comunicado.

O Google informou que está ampliando a infraestrutura de energia que dará suporte aos projetos, com novos contratos de energia eólica e um sistema de baterias de 94 megawatts na unidade de Kajaani para ajudar a equilibrar a rede elétrica. Os data centers contarão com estrutura preparada para recuperação de calor.

A Fortum também anunciou um contrato de compra de energia de 22 anos com o Google, cobrindo o período de extensão da operação da usina de Loviisa. Entre 2030 e 2049, o acordo abrangerá 50% da capacidade da usina, que possui dois reatores, informou a Fortum.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

OpenAI diz ter resolvido um dos maiores problemas da matemática

9 de Setembro de 2026, 12:24

Em um ano de avanços matemáticos inimagináveis, com sistemas de IA cada vez mais poderosos resolvendo conjecturas que há muito tempo desafiavam os seres humanos, a OpenAI publicou na terça-feira um avanço que representa, até agora, o progresso mais significativo.

Em 2000, sete das questões não resolvidas mais profundas e difíceis da matemática foram reunidas na lista dos Problemas do Prêmio Millennium. Desde então, algumas das mentes mais brilhantes do mundo têm buscado respostas para essas questões extremamente difíceis — e o prêmio de US$ 1 milhão prometido para qualquer solução.

Apesar do enorme esforço intelectual dedicado a esses problemas famosos, apenas um havia sido resolvido.

Agora, porém, a OpenAI publicou o que afirma ser a solução para um segundo Problema do Prêmio Millennium. E, desta vez, a solução foi produzida por uma IA.

O laboratório afirmou na terça-feira que um de seus modelos internos resolveu o problema da existência e regularidade de Navier-Stokes, uma questão fundamental sobre as regras que descrevem como líquidos e gases se movimentam.

Há quase um século, matemáticos tentam determinar se as soluções regulares das equações que descrevem o movimento de fluidos em três dimensões permanecem sempre regulares ou se, em algum momento, deixam de ser.

Em termos menos matemáticos: no papel, a água pode explodir? A OpenAI afirma que seu modelo encontrou um cenário em que “um fluido inicialmente regular e em repouso pode desenvolver uma singularidade em um tempo finito”.

Na demonstração, um vórtice semelhante a um espaguete fica menor enquanto gira cada vez mais rápido, com sua velocidade crescendo sem limite em um fenômeno que os matemáticos chamam de “explosão em tempo finito”.

A OpenAI publicou suas descobertas, juntamente com a demonstração de 165 páginas e uma formalização que verifica o argumento passo a passo. A empresa afirma que até 10 mil agentes de IA trabalhando em conjunto levaram cerca de 88 horas para encontrar a solução. O trabalho também consumiu “milhões de dólares” em recursos computacionais.

A corrida para resolver um Problema do Prêmio Millennium havia se tornado tão competitiva que os pesquisadores da OpenAI não compartilharam os resultados com matemáticos externos antes da publicação.

No fim de semana, a comunidade matemática nas redes sociais foi tomada por comentários sobre a possibilidade de um Problema do Prêmio Millennium ter sido resolvido. Nas horas que antecederam o anúncio de terça-feira, o drama ganhou outro capítulo, quando pesquisadores concorrentes, incluindo um da Anthropic, questionaram a versão dos acontecimentos apresentada pela OpenAI.

Quando os matemáticos finalmente puderam ler a demonstração, uma coisa ficou clara: ela parecia ser o exemplo mais impressionante até então de uma inteligência artificial fazendo algo que muitos seres humanos brilhantes tentaram — e não conseguiram — fazer durante muito tempo.

“É inegável que, simbolicamente, este é um grande momento — e o próximo em uma sequência natural de grandes momentos”, disse Timothy Gowers, matemático vencedor da Medalha Fields que ainda não havia analisado o artigo que apresenta o avanço.

Não faz muito tempo, os modelos mais inteligentes tinham dificuldades até com matemática básica. Nos últimos anos, eles se tornaram capazes de conquistar primeiro uma medalha de prata e depois uma de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática. Neste ano, passaram a resolver grandes problemas em aberto. O rápido avanço deixou pesquisadores dos laboratórios de IA de ponta surpresos e alarmados com a velocidade do desenvolvimento.

“Mesmo um mês atrás, não acho que teríamos previsto que estaríamos falando sobre um Problema do Prêmio Millennium”, disse Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI. “Vemos isso como uma demonstração de até onde a IA chegou — e de quão rapidamente.”

Nos últimos meses, as empresas de IA têm exibido as capacidades de seus modelos ao anunciar avanços em geometria combinatória e teoria algébrica dos números, transformando áreas extremamente especializadas da matemática em uma espécie de ferramenta de publicidade. Apesar desses avanços, parecia improvável que um laboratório de IA de ponta desse o enorme salto necessário para resolver um Problema do Prêmio Millennium.

A descoberta mais recente foi feita por um modelo ainda não lançado, que, segundo a OpenAI, é “significativamente mais capaz” que o GPT-6 Astra, lançado pelo laboratório apenas na semana passada.

Quando a empresa testou os dois modelos em seu próprio conjunto de problemas matemáticos, o Astra conseguiu resolver cerca de 10%. O modelo ainda não lançado alcançou quase 50%.

“Basicamente, você pode jogar quase qualquer problema em aberto para ele”, disse o pesquisador da OpenAI Sebastien Bubeck, “e é cara ou coroa se o modelo conseguirá resolvê-lo.”

Segundo a empresa, esse modelo está em treinamento desde o fim de agosto. Em 1º de setembro, enquanto a comunidade matemática comentava rumores de que a Anthropic havia resolvido dois Problemas do Prêmio Millennium, a OpenAI colocou o modelo para trabalhar nas seis questões ainda em aberto.

Mesmo assim, os pesquisadores esperavam que ele produzisse os mesmos resultados obtidos nas outras ocasiões em que seus modelos foram direcionados à famosa hipótese de Riemann, ao problema P versus NP e à equação de Navier-Stokes.

“Não esperávamos que ele resolvesse nenhum”, disse o pesquisador da OpenAI Noam Brown.

Depois de 50 horas de trabalho, a IA havia feito progresso suficiente em um problema relacionado a Navier-Stokes para que os humanos interviessem. Eles fizeram seu próprio cálculo para direcionar os agentes para longe dos outros cinco problemas e concentrar toda a capacidade computacional disponível naquela questão.

Com esse investimento, a IA aumentou o tamanho de seu exército de agentes de 100 para até 10 mil. Para resolver Navier-Stokes, eles enviaram 2,7 milhões de mensagens e utilizaram 130 bilhões de tokens de saída — o equivalente aproximado a 1 milhão de livros. A empresa afirma que o trabalho foi concluído no sábado e verificado por computador no domingo.

A notícia de que havia surgido um resultado surpreendeu até os pesquisadores mais especializados da OpenAI, que correram para verificá-lo usando seus próprios agentes de IA.

Dan Roberts estava em um parque com os filhos quando recebeu a notícia do avanço pelo Slack.

Cheuk Hei Chu descobriu o que havia acontecido quando olhou para o celular depois de sair de uma sala de escape.

O diretor de pesquisa da OpenAI, Mark Chen, estava dormindo em Tóquio e acordou com várias ligações urgentes.

“Não consegui dormir pelo resto da noite”, disse ele.

Mas aquela não seria a última noite sem dormir para a equipe da OpenAI.

Nos últimos meses, resolver o tipo de problema matemático que a maioria das pessoas considera incompreensível se tornou alvo de uma competição acirrada entre as empresas de IA mais valiosas do mundo.

E, nas horas que antecederam a publicação, essa rivalidade explodiu de uma maneira bastante humana.

A OpenAI afirma que iniciou a corrida frenética para resolver Navier-Stokes na semana passada, depois de ouvir rumores de que um Problema do Prêmio Millennium havia sido resolvido — pela Anthropic.

Como se descobriu depois, os rumores diziam respeito ao trabalho do pesquisador da Anthropic Levent Alpöge e do professor de matemática da Universidade de Nova York Tristan Buckmaster sobre uma questão relacionada à dinâmica dos fluidos. A OpenAI afirma que entrou em contato com os dois no fim de semana para discutir a possibilidade de coordenar os resultados, publicá-los simultaneamente e até colaborar.

A partir daí, as versões dos acontecimentos divergem.

Antes que a OpenAI divulgasse sua demonstração, Buckmaster publicou seu trabalho com Alpöge na manhã de terça-feira. Em um comunicado, ele afirmou que os pesquisadores utilizaram modelos tanto da Anthropic quanto da OpenAI e questionou se o novo modelo da OpenAI havia sido treinado com base nessas sessões ou se tinha tido acesso a elas.

A OpenAI afirmou que nem seus agentes nem seus pesquisadores tiveram acesso ao trabalho concorrente, que ainda não havia sido publicado, antes de sua divulgação pública. A empresa disse que era improvável que dados de pessoas usando seus produtos tivessem ajudado a melhorar os modelos, mas não descartou completamente essa possibilidade.

A demonstração publicada na terça-feira remonta ao século XIX, quando Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes desenvolveram um conjunto de equações diferenciais parciais que mais tarde ajudaria a projetar aviões, prever o clima e entender como o sangue circula pelo corpo.

Em 2000, o Clay Mathematics Institute incluiu a equação de Navier-Stokes entre os sete problemas que mereciam um prêmio de US$ 1 milhão. A iniciativa tinha como objetivo chamar a atenção para o quanto ainda se sabia pouco sobre matemática — não importa quantas pessoas tenham sofrido com a álgebra no ensino médio.

Em 2010, o recluso matemático russo Grigori Perelman foi homenageado por provar a conjectura de Poincaré, o primeiro Problema do Prêmio Millennium a ser resolvido. Depois, ele mostrou o quanto os seres humanos podem ser imprevisíveis ao recusar o dinheiro.

A OpenAI também não ficará com o US$ 1 milhão.

“Nosso objetivo ao divulgar este resultado é apresentar o avanço substancial de nossos modelos de IA”, afirmou a empresa. “Não pretendemos reivindicar o Prêmio Millennium.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Pesquisador da Anthropic deixa empresa e cita temor de IA ‘fora de controle’ que destrua a humanidade

9 de Setembro de 2026, 11:57

Preocupações estão crescendo dentro dos laboratórios de IA de que a competição esteja levando as empresas de tecnologia a correr para desenvolver modelos capazes de se aprimorar sozinhos, com o risco de que eles saiam do controle humano.

Um pesquisador da Anthropic decidiu deixar a indústria de inteligência artificial por temer que a empresa e suas concorrentes estejam correndo para desenvolver sistemas que não serão capazes de controlar, em um sinal do aumento das preocupações com a segurança dentro das principais empresas de IA.

Jacob Coxon, pesquisador especializado no treinamento de novos modelos de IA por meio do consumo de enormes quantidades de dados, disse na terça-feira que está deixando a empresa porque não quer participar da corrida do setor para desenvolver sistemas de IA capazes de se aprimorar sozinhos. Ele teme que esses sistemas possam sair de controle e destruir a humanidade.

O britânico de 27 anos, que estudou matemática, disse que muitos de seus colegas do setor agora usam expressões como “crunchtime”, termo usado para descrever um momento de pressão e decisões críticas, e “endgame”, que significa a etapa final de um processo, para descrever a trajetória em direção a modelos capazes de se aprimorar por conta própria.

“Estamos caminhando para alguns dos cenários mais agressivos, nos quais, até o fim do ano que vem, as coisas já podem estar fora de controle”, disse Coxon, acrescentando que concessões em relação à segurança são inevitáveis quando as empresas competem entre si e com novas empresas chinesas.

A Anthropic não comentou imediatamente sobre a saída. O presidente-executivo (CEO) Dario Amodei e outros líderes da empresa alertaram repetidamente sobre os riscos de modelos de IA que saem do controle e defenderam que o setor desacelere o desenvolvimento.

Coxon disse que deixou a OpenAI no início deste ano para ingressar na Anthropic porque a empresa é conhecida por seus esforços em segurança de modelos.

Mas, embora tenha considerado genuínos os esforços da Anthropic nessa área, agora acredita que nenhuma empresa pode desenvolver de forma responsável uma IA capaz de superar os seres humanos em uma ampla variedade de tarefas — algo às vezes chamado de inteligência artificial geral (AGI) — sem uma intervenção do governo ou uma desaceleração coordenada do setor.

Ataques cibernéticos recentes realizados por modelos da OpenAI e da Anthropic, alguns operando em grupos colaborativos de agentes, mostraram como sistemas de IA podem adotar objetivos mal-intencionados e tentar escondê-los dos seres humanos.

Quando os sistemas começarem a se aprimorar sozinhos, Coxon disse temer que eles possam avançar a ponto de se recusarem a obedecer comandos.

A saída de Coxon é um dos primeiros exemplos de um funcionário da Anthropic deixando a empresa por preocupações com a segurança da IA. Um pesquisador que trabalhava nessa área deixou a companhia no início deste ano para estudar poesia, alertando que “o mundo está em perigo”.

Vários pesquisadores deixaram a OpenAI e outras empresas recentemente e também nos últimos anos, citando preocupações semelhantes. A Anthropic construiu uma das maiores plataformas de IA do setor, em parte ao afirmar que dá prioridade ao desenvolvimento responsável da inteligência artificial e investe pesadamente nessa área.

Líderes do setor vêm alertando que os recentes ataques cibernéticos são um sinal do que pode estar por vir. A OpenAI disse a jornalistas na semana passada que seu modelo mais recente representava uma inteligência artificial geral e um grande avanço em termos de capacidades.

“Acho que algumas coisas vão dar muito errado com a segurança cibernética, a menos que as pessoas ajam com bastante urgência”, disse o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, a autoridades do Grupo dos 20 na semana passada, durante uma cúpula na Carolina do Norte.

“Este é um momento que exige extrema cautela. Estou preocupado que ninguém esteja preparado para as consequências de um avanço contínuo e rápido da inteligência das máquinas”, escreveu Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, em uma publicação no blog no domingo, na qual defendeu uma desaceleração coordenada do setor e uma intervenção do governo.

Apelos de mais de mil pesquisadores

Coxon, Pachocki e Amodei se juntaram a mais de 1.000 pesquisadores de IA de todo o setor que recentemente assinaram uma declaração pedindo coordenação entre governos de diferentes países para criar um sistema que permita desacelerar o desenvolvimento da IA caso seja necessário acionar um “freio” para controlar modelos capazes de se aprimorar sozinhos.

Não existem regulamentações federais de IA, e o governo Trump tem priorizado uma abordagem de regulamentação mínima para maximizar os benefícios econômicos da inteligência artificial — um ambiente que, segundo críticos, pode levar a ataques cibernéticos de grandes proporções ou outros danos.

O senador Bernie Sanders (independente, de Vermont) e o deputado Greg Casar (democrata, do Texas), progressistas que estão entre os poucos parlamentares que defendem regras de proteção para a IA, apresentaram na semana passada um projeto de lei para proibir permanentemente a superinteligência e suspender o desenvolvimento de modelos até que um órgão regulador do setor estabeleça novas regras.

A saída de Coxon ocorre enquanto a Anthropic se prepara para uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) que deve estar entre as maiores da história. A empresa busca uma avaliação de US$ 2 trilhões e tem enfatizado o desenvolvimento responsável da tecnologia ao atrair investidores. Amodei e outros líderes da companhia entraram em conflito em algumas ocasiões com o governo Trump e com executivos de outras empresas em relação a práticas que, segundo eles, não priorizam a segurança da IA.

A Anthropic utiliza um canal interno no Slack para discutir as capacidades avançadas de seus modelos, disse Coxon, descrevendo o espaço como um reflexo do tamanho da influência que as empresas de IA exercem sobre o desenvolvimento do setor.

“É meio insano que isso tenha de acontecer nos MacBooks de alguns engenheiros que vivem em São Francisco, em vez de em um bunker no deserto, como aquele onde eles conduziram o Projeto Manhattan”, disse Coxon.

Escreva para Amrith Ramkumar em amrith.ramkumar@wsj.com.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Magnata dos games terá de pagar US$ 1,9 bilhão em divórcio recorde

9 de Setembro de 2026, 11:48

Um tribunal da Coreia do Sul determinou que o bilionário Kwon Hyuk-bin, fundador da desenvolvedora de games Smilegate, pague 2,55 trilhões de wons (US$ 1,9 bilhão) à ex-mulher, Lee Hwa-jin, em um acordo de divórcio que pode se tornar o maior já registrado no país.

A decisão inclui a transferência de 35% da Smilegate, empresa responsável pelos jogos Crossfire e Lost Ark. Kwon atualmente é dono de 100% da companhia, fundada em 2002, um ano depois de seu casamento com Lee, que iniciou o processo de divórcio.

O Tribunal de Família de Seul determinou nesta quarta-feira (9) que Kwon entregue à ex-mulher a participação de 35% na empresa. A Justiça avaliou a fatia em cerca de 7,1 trilhões de wons. Além disso, Kwon deverá pagar outros 65 bilhões de wons em dinheiro.

Maior divórcio da Coreia do Sul

Se a decisão for mantida, o caso superará o atual recorde de maior acordo de divórcio da Coreia do Sul. Recentemente, o Tribunal Superior de Seul determinou que Chey Tae-won, presidente do grupo SK, pagasse 944 bilhões de wons (cerca de US$ 705 milhões) à ex-mulher.

Kwon e Lee também podem contestar a sentença desta quarta-feira.

O processo correu em sigilo, e os documentos apresentados pelas partes e o laudo usado para avaliar a participação na Smilegate não foram divulgados. O escritório de advocacia que representa Kwon não quis comentar. Os advogados de Lee não foram localizados imediatamente.

A decisão pode mudar a estrutura de controle de uma das maiores empresas privadas da Coreia do Sul. Antes do julgamento, o Bloomberg Billionaires Index estimava a fortuna de Kwon, de 52 anos, em US$ 3 bilhões.

O caso também chama atenção pela discussão sobre a contribuição de cada cônjuge para a construção do patrimônio durante o casamento.

“Este caso é significativo porque envolve a forma de avaliar a contribuição de um cônjuge para um negócio criado e desenvolvido durante o casamento”, disse Woongkyu Cho, sócio do escritório Barun Law, especializado em herança e sucessão empresarial.

Segundo Cho, a decisão pode ajudar a definir como os tribunais avaliam o trabalho doméstico e os cuidados com os filhos quando um dos cônjuges consegue se dedicar à construção de uma empresa e à formação de patrimônio.

Participação na Smilegate

Lee já ocupou cargos executivos na Smilegate, segundo um documento de registro oficial obtido pela Bloomberg. A empresa afirmou em comunicado divulgado no início deste ano que todo o capital inicial da Smilegate veio de Kwon. Apesar disso, Lee detinha 30% da companhia quando ela foi fundada.

Segundo a Smilegate, Lee não trabalhava no escritório e não tinha uma mesa na empresa.

Fundada em 2002, a Smilegate se tornou uma das principais desenvolvedoras de games da Coreia do Sul. Entre seus principais títulos estão Crossfire, jogo de tiro lançado em 2007, e Lost Ark, RPG lançado em 2019.

iPhone 18: quanto pode custar a nova geração da Apple no Brasil?

9 de Setembro de 2026, 11:23

A Apple apresentou nesta quarta-feira (9) o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max. Nos Estados Unidos, os novos celulares terão preços a partir de US$ 1.199 e US$ 1.299, respectivamente.

Os valores foram anunciados durante o evento da empresa no Steve Jobs Theater, na sede da Apple em Cupertino, na Califórnia.

A diferença entre a linha de iPhone 17 e a nova geração pode chegar a alguns milhares de reais para o consumidor brasileiro.

Quanto o iPhone 18 pode custar no Brasil?

Nos Estados Unidos, o iPhone 18 Pro terá preço inicial de US$ 1.199, enquanto o iPhone 18 Pro Max partirá de US$ 1.299.

A Apple ainda não divulgou quanto o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max custarão no Brasil, mas os preços anunciados nos Estados Unidos permitem atualizar a estimativa para o mercado brasileiro.

Com preço base de US$ 1.199, o iPhone 18 Pro é cerca de 9% mais caro que o iPhone 17 Pro, vendido a US$ 1.099 nos Estados Unidos. Se a Apple aplicar reajuste semelhante no Brasil, o novo modelo ficaria em torno de R$ 12,5 mil, ante os atuais R$ 11.499 cobrados pelo iPhone 17 Pro de 256 GB.

Já o iPhone 18 Pro Max foi anunciado com preço inicial de US$ 1.299, cerca de 8% acima dos US$ 1.199 da geração anterior. Mantida a mesma proporção no mercado brasileiro, o aparelho ficaria perto de R$ 13,5 mil, ante os R$ 12.499 cobrados atualmente pelo iPhone 17 Pro Max de 256 GB.

Os valores são apenas projeções. O preço oficial dos novos iPhones no Brasil só será conhecido quando a Apple divulgar sua tabela para o país.

O que muda no iPhone 18 Pro?

Além dos novos preços, a Apple apresentou mudanças no hardware do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max.

Os aparelhos usam o novo chip A20 Pro, uma versão customizada da arquitetura da série M dos computadores da Apple. Os modelos também ganharam uma nova câmara de vapor para dissipar calor e manter o desempenho em tarefas mais pesadas, como jogos.

A câmera principal tem 48 megapixels e abertura variável, recurso que permite controlar a quantidade de luz que entra pela lente. A Apple também ampliou o time-lapse para resolução 4K e adicionou novos controles aos Estilos Fotográficos.

Os novos modelos chegam ainda nas cores bordô e glacial.

Por que o iPhone 18 deve ficar mais caro?

A expectativa de reajuste está ligada principalmente ao encarecimento dos componentes de memória usados nos aparelhos.

Segundo estimativas da TrendForce, o custo total dos componentes do iPhone 18 Pro de 256 GB aumentou cerca de 38% em um ano. A memória aparece entre os itens que mais pressionam essa conta.

Mesmo com a alta dos custos, a expectativa é que a Apple absorva parte do aumento, em vez de repassá-lo integralmente ao consumidor.

Como é o iPhone dobrável da Apple?

O primeiro iPhone dobrável da Apple se chama iPhone Duo e tem formato de livro. Fechado, funciona como um celular tradicional, com tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, passa a ter uma tela interna de 7,6 polegadas, a maior já usada em um iPhone e cerca de 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max.

A proposta é combinar celular e mini tablet no mesmo aparelho. A tela interna permite usar dois aplicativos ao mesmo tempo, trabalhar com múltiplas janelas e escrever ou desenhar com a Apple Pencil. O modelo também tem Touch ID lateral, câmera frontal sob a tela interna, resistência IP68 contra água e poeira e estrutura de titânio reforçada com fibras cerâmicas.

Por dentro, o iPhone Duo usa o novo chip A20 Pro, com arquitetura de 2 nanômetros. O modelo começa com 256 GB de armazenamento, mas terá versões de até 2 TB. As cores anunciadas são branco estelar e céu noturno.

iPhone Duo

Nos Estados Unidos, o iPhone Duo parte de US$ 1.999, o equivalente a cerca de R$ 10,2 mil em conversão direta pela cotação desta quarta-feira (9). Mas esse valor não reflete a lógica de preços da Apple no Brasil, que inclui impostos, margens e estratégia comercial local.

No mercado brasileiro, o iPhone dobrável será vendido a partir de R$ 21.999 mil.

*reportagem atualizada após divulgação dos preços pela Apple

Mercado Livre volta ao mercado de dívida pela 3ª vez. Veja o motivo

9 de Setembro de 2026, 11:21

O Mercado Livre volta ao mercado internacional de dívida pela terceira vez, em um momento de aumento dos investimentos da companhia na América Latina.

A empresa, que atua em comércio eletrônico e serviços financeiros e está presente em 18 países, oferece títulos em dólares com vencimento em 2036.

A emissão tem um spread inicial de cerca de 160 pontos-base sobre títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo semelhante, segundo uma pessoa familiarizada com a operação. O spread é a diferença entre o rendimento oferecido pelo título da empresa e o de um título considerado de baixo risco, como o Treasury americano.

Os recursos captados serão destinados a despesas corporativas gerais, segundo a fonte ouvida pela Bloomberg, que pediu anonimato porque os detalhes da operação ainda não são públicos.

Terceira emissão internacional

A operação será a primeira emissão de dívida do Mercado Livre desde dezembro e apenas a terceira oferta internacional de títulos da companhia desde sua estreia nesse mercado, em 2021.

Os títulos do Mercado Livre com vencimento em 2033 eram negociados na terça-feira com rendimento de cerca de 5,7%, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Allen & Company, BofA Securities, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley e Santander coordenam a operação.

Os novos títulos receberam nota de crédito BBB- da Fitch Ratings e da S&P Global Ratings e Baa3 da Moody’s Ratings. As três classificações estão no nível mais baixo da categoria considerada grau de investimento, que indica uma avaliação relativamente favorável da capacidade de uma empresa de honrar suas dívidas.

Mercado Livre amplia investimentos

O Mercado Livre vem aumentando os investimentos em logística e no Mercado Pago, sua operação de serviços financeiros na América Latina.

No segundo trimestre, a receita da companhia saltou 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 10,2 bilhões. Foi o 30º trimestre consecutivo em que as vendas cresceram mais de 30%.

Para a Moody’s, o desempenho operacional forte, a liderança do Mercado Livre no comércio eletrônico latino-americano e a sólida posição de liquidez sustentam o perfil de crédito da companhia.

Por outro lado, a agência de classificação de risco alertou para uma redução da rentabilidade à medida que a empresa amplia os investimentos em logística, conquista de clientes e negócios de crédito.

A Moody’s também apontou riscos relacionados à necessidade de financiamento e à qualidade dos ativos, especialmente diante do rápido crescimento da operação de serviços financeiros.

O movimento ocorre enquanto o Mercado Livre busca ampliar sua presença em diferentes segmentos da economia digital, combinando o negócio de comércio eletrônico com serviços financeiros e uma rede logística própria na região.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Fed, banco central americano, avalia reduzir número de reuniões anuais

9 de Setembro de 2026, 11:02

Pelo menos um terço de todos os dirigentes do Federal Reserve (Fed) afirmou que consideraria realizar reuniões com menor frequência para definir as taxas de juros, o que dá a Kevin Warsh uma oportunidade inicial para implementar uma das maiores mudanças estruturais que propôs como novo presidente do banco central.

Ainda não se sabe se a ideia poderá ser adotada em breve. O comitê de política monetária do Fed ainda não discutiu os detalhes. Alguns dirigentes abertos à proposta também afirmaram que querem uma análise mais aprofundada das possíveis vantagens e desvantagens, além de avaliar se a mudança viria acompanhada de outros possíveis ajustes na estratégia de comunicação do Fed.

Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, Jeffrey Schmid, de Kansas City, e Anna Paulson, da Filadélfia, estão entre um grupo de seis presidentes de unidades regionais do Fed que afirmaram recentemente estar abertos a reduzir o número de reuniões regulares do comitê que define as taxas de juros.

Na reunião de julho, Warsh sugeriu realizar seis encontros por ano para discutir e definir as taxas de juros, reservando outras duas reuniões para debater um tema econômico relevante, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News.

Por lei, o banco central é obrigado a se reunir quatro vezes por ano, embora o número de encontros tenha variado ao longo das décadas. Desde 1981, os dirigentes programam oito reuniões anuais.

“O presidente observou que seis reuniões programadas por ano, realizadas aproximadamente a cada dois meses, permitiriam acumular mais informações entre os encontros do que na prática atual e dariam aos formuladores de política monetária e à equipe mais tempo para considerar questões estratégicas de política monetária”, mostraram as atas da reunião de julho.

A redução do número de reuniões representaria uma mudança significativa na forma de funcionamento do banco central dos EUA e o diferenciaria de seus principais pares no exterior. O Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão se reúnem oito vezes por ano.

Não está claro se os dirigentes discutirão em detalhes a proposta de Warsh na reunião de política monetária marcada para 15 e 16 de setembro. A inflação elevada e a possibilidade de elevar os juros pela primeira vez em três anos podem dominar o próximo encontro.

Embora vários dirigentes tenham afirmado estar abertos a reduzir o número de reuniões do Fed a cada ano, alguns disseram que querem primeiro analisar as possíveis implicações da mudança.

“É ótimo reavaliar a maneira como fazemos as coisas”, disse Paulson à CNBC no mês passado. “Assim como na política monetária, também estou de mente aberta nesse aspecto. Quero entender melhor as vantagens e desvantagens de seis em comparação com oito — como tudo isso funciona.”

Implicações para as projeções

Uma mudança na frequência das reuniões provavelmente teria implicações para os materiais divulgados pelo Fed em alguns de seus encontros. Atualmente, o Fed publica as projeções econômicas e para as taxas de juros dos formuladores de política monetária quatro vezes por ano — nas reuniões de março, junho, setembro e dezembro. A adoção de seis reuniões levantaria a questão de se essas projeções continuariam a ser divulgadas e com que frequência.

A própria divulgação dessas projeções está sendo examinada por um grupo de trabalho sobre comunicação — um dos cinco grupos desse tipo, formados por especialistas externos e criados por Warsh neste ano para analisar diferentes práticas do Fed. A expectativa é que os cinco grupos apresentem recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto por volta do fim deste ano.

“Acho que é saudável”, disse Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, no podcast Odd Lots, da Bloomberg, no mês passado, ao ser questionado sobre a revisão da comunicação e a possibilidade de mudanças na frequência das reuniões, das projeções econômicas e das entrevistas coletivas realizadas após os encontros. “Vamos repensar tudo isso.

Lionel Messi se aproxima de acordo para comprar outro clube na Espanha

9 de Setembro de 2026, 09:48

Lionel Messi chegou a um acordo preliminar para comprar um clube da segunda divisão da Espanha, segundo informações da imprensa local.

O jogador argentino pretende adquirir uma participação majoritária no Eldense, mas o negócio ainda depende da conclusão de uma due diligence (processo de análise detalhada das contas, contratos e demais informações de uma empresa antes de uma aquisição). As informações são da agência espanhola EFE, que citou fontes próximas às negociações.

Um acordo definitivo deve ser fechado nos próximos dias, segundo a agência.

Segundo clube comprado por Messi na Espanha

Fundado há 105 anos, o Eldense tem sede em Elda, na região de Valência, no litoral espanhol. Se a operação for concluída, será o segundo clube adquirido por Messi na Espanha neste ano e o primeiro que disputa uma liga profissional.

Em abril, o argentino comprou o Unió Esportiva Cornellà, equipe da quinta divisão espanhola.

O Eldense passou a maior parte de sua história entre a segunda e a terceira divisões da Espanha, além de disputar campeonatos regionais. O clube chegou perto de encerrar as atividades na virada do século.

Atualmente, manda seus jogos em um estádio com capacidade para 5.776 torcedores.

Negócios de Messi vão além do futebol

A compra do Eldense ampliaria a participação de Messi no futebol e sua atuação no mundo dos negócios. A família do jogador fundou um clube na Argentina, chamado Los Leones. Messi também tem participação no Deportivo LSM, do Uruguai, ao lado do amigo e ex-companheiro de equipe Luis Suárez.

Além disso, o argentino tem uma opção para adquirir uma participação no Inter Miami, clube em que atua atualmente, depois que se aposentar.

Os negócios de Messi também incluem um fundo de investimento imobiliário listado na Espanha, um fundo de capital de risco com sede nos Estados Unidos e uma participação em uma rede de restaurantes argentina.

Um representante do jogador não quis comentar a negociação.

Messi entra para grupo de atletas bilionários

A expansão dos negócios ocorre em um momento em que Messi se aproxima do fim da carreira nos gramados. Aos 38 anos, o argentino passou a integrar o grupo restrito de atletas em atividade com patrimônio estimado em mais de US$ 1 bilhão, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Messi acumulou mais de US$ 700 milhões em salários e bônus desde 2007. A esse valor se somam receitas de patrocínios, investimentos e negócios construídos ao longo dos anos.

Ele se juntou ao português Cristiano Ronaldo, seu antigo rival nos gramados, entre os atletas mais ricos do esporte. Ronaldo foi o primeiro jogador de futebol a alcançar a marca de bilionário e também possui um clube na Espanha, o Almería.

A escolha de Messi pelo Inter Miami também abriu novas fontes de receita. O contrato do argentino inclui uma opção para adquirir participação no clube. A equipe se valorizou desde a chegada do jogador e, segundo a Sportico, estava avaliada em cerca de US$ 1,45 bilhão em fevereiro, tornando-se o clube de futebol mais valioso dos Estados Unidos.

O acordo com o Inter Miami também teria envolvido discussões sobre uma possível participação de Messi nas receitas geradas pelo pacote de transmissão da liga americana na Apple TV+. A Bloomberg não conseguiu verificar de forma independente os detalhes financeiros desse acordo.

Imóveis, bebidas e restaurantes

Fora do futebol, Messi vem diversificando seus negócios. Em dezembro de 2024, ele listou na Espanha um fundo imobiliário avaliado em cerca de US$ 232 milhões, que possui hotéis e outros imóveis comerciais.

O jogador também entrou no mercado de bebidas esportivas com a Más+ by Messi, lançada em parceria com a Mark Anthony International, grupo que também é responsável pela marca Mike’s Hard Lemonade. Na Argentina, tornou-se investidor da rede de restaurantes El Club de la Milanesa, especializada em pratos à base de carne empanada.

Messi sempre contou com o pai, Jorge, para administrar parte de seus negócios. Desde 2009, sua empresa privada de investimentos é administrada pelo banqueiro espanhol Alfonso Nebot Armisen.

A estratégia de diversificação também inclui a compra de clubes de futebol. Além do Eldense e do Cornellà, Messi mantém participação no Deportivo LSM, no Uruguai, ao lado de Luis Suárez. A família do jogador também administra o Los Leones, clube de divisões inferiores de Rosario, sua cidade natal.

Em um fórum empresarial em Miami no ano passado, Messi indicou que os negócios devem ganhar cada vez mais espaço após sua carreira como jogador. “O futebol tem prazo de validade. Os negócios são algo de que gosto e sobre o qual estou aprendendo”, afirmou.

iPhone dobrável caro demais? Preço vira teste para a Apple em Wall Street

9 de Setembro de 2026, 09:25

O lançamento do primeiro iPhone dobrável aconteceu nesta quarta (9) em um momento particularmente delicado para as ações da Apple. O mercado já elevou bastante o valor da companhia neste ano e, agora, precisa de novos motivos para justificar uma cotação que está entre as mais altas da história.

As ações da Apple acumulam alta de cerca de 18% em 2026, levando o valor de mercado da companhia para cerca de US$ 4,7 trilhões. Com a valorização, porém, a ação ficou mais cara em relação aos lucros esperados, o que aumenta a pressão para que a empresa entregue crescimento suficiente para justificar esse preço.

É esse o pano de fundo que torna o evento do iPhone especialmente importante para Wall Street. Mais do que avaliar o novo aparelho, investidores estarão atentos a preços, demanda, margens de lucro e capacidade da Apple de voltar a entregar crescimento consistente.

Ação cara aumenta a pressão

A Apple negocia atualmente a cerca de 33 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, acima da média de 23 vezes registrada nos últimos dez anos, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Isso significa que os investidores estão pagando cerca de US$ 33 por cada US$ 1 de lucro que esperam que a Apple tenha nos próximos 12 meses. Esse cálculo é feito pelo P/L (preço sobre lucro), um indicador usado para avaliar quanto uma ação está cara ou barata em relação aos resultados da empresa.

Como o múltiplo da Apple está bem acima de sua média histórica, o mercado espera um crescimento forte dos lucros. Isso também aumenta a pressão sobre a companhia: se os resultados ou as perspectivas de crescimento decepcionarem, a ação pode sofrer uma correção maior.

“Não é barato, mas acredito que há valor de longo prazo nas ações. Os investidores querem ver crescimento”, disse Gerald Sparrow, diretor de investimentos do Sparrow Growth Fund, que possui ações da Apple.

O problema é que o crescimento dos lucros começa a perder força.

Depois de registrar altas de dois dígitos em trimestres consecutivos, o lucro líquido da Apple deve crescer cerca de 6% no quarto trimestre fiscal e apenas 1% no primeiro trimestre fiscal seguinte, segundo a média das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

Preço será o principal teste

É nesse ponto que o novo iPhone entra na equação. O mercado espera que a Apple aumente os preços de parte da nova linha para compensar o aumento dos custos de componentes, especialmente de memória. O problema é que há um limite para o quanto a companhia consegue repassar ao consumidor sem prejudicar as vendas.

Nos Estados Unidos, o iPhone dobrável começará em US$ 2 mil. No Brasil, seriam R$ 21 mil, considerando o câmbio mais a diferença de preços nos dois mercados.

A estimativa usa como referência um iPhone vendido por R$ 11.499 no site brasileiro da Apple, enquanto o mesmo modelo custa US$ 1.099 nos Estados Unidos. Aplicando essa mesma proporção a um aparelho de US$ 2 mil, o preço no Brasil chegaria a cerca de R$ 21 mil.

Mesmo nesse patamar, o aparelho ainda seria mais barato que o Huawei Mate XT Ultimate Design, celular de três telas vendido no Brasil por cerca de R$ 33 mil.

Mas é justamente aí que está o risco para a Apple. Quanto mais alto o preço, menor tende a ser o público disposto a comprar o aparelho. Para Wall Street, portanto, não basta saber quanto a companhia conseguirá cobrar. É preciso avaliar se o preço será alto o suficiente para proteger as margens, mas não tão alto a ponto de limitar demais as vendas.

A questão é conhecida entre os investidores como elasticidade da demanda: quanto as vendas caem quando o preço sobe.

Para a Apple, o dilema é importante. A companhia pode aumentar os preços e preservar suas margens de lucro, mas corre o risco de vender menos aparelhos. Ou pode segurar os preços, proteger o volume de vendas e aceitar uma pressão maior sobre as margens.

“Os preços continuam sendo a principal incógnita e, em nossa visão, a variável com maior probabilidade de determinar a reação das ações”, escreveu o analista do JPMorgan Samik Chatterjee em relatório a clientes.

A análise do banco de investimentos americano KeyBanc Capital Markets é mais cautelosa. Para os analistas, o lançamento pode acabar pressionando as ações se os aumentos de preços não forem suficientes para compensar os custos maiores sem afastar os consumidores. Nesse cenário, a Apple poderia enfrentar uma combinação de vendas mais fracas e margens de lucro menores.

iPhone dobrável pode ser grande, mas ainda é nicho

O novo aparelho também precisa provar que pode criar um novo ciclo de crescimento para a Apple.

O Morgan Stanley estima que o iPhone dobrável possa gerar cerca de US$ 14 bilhões em receita no trimestre de dezembro, com algo entre 7 milhões e 8 milhões de unidades vendidas.

A previsão é expressiva, mas ainda pequena diante do tamanho da Apple.

Por isso, o mercado não está olhando apenas para quantos dobráveis a companhia conseguirá vender. A questão é se o produto será capaz de estimular consumidores a trocar seus aparelhos e abrir uma nova categoria de produtos premium.

Há uma dúvida importante: celulares dobráveis continuam sendo um segmento pequeno do mercado global de smartphones. A Apple entra agora em uma categoria que Samsung, Huawei e outras fabricantes exploram há anos.

A vantagem para a Apple é que ela pode entrar depois dos concorrentes e tentar corrigir problemas que limitaram a popularidade desses aparelhos, como resistência e a marca visível da dobra na tela.

Inteligência artificial continua no radar

O outro grande problema para a Apple é a inteligência artificial. A companhia ainda é vista como atrasada em relação a concorrentes como Google e Microsoft na corrida pela IA. Para investidores, isso representa uma questão mais importante do que simplesmente lançar um novo modelo de iPhone.

A preocupação é que a Apple esteja cada vez mais dependente de parceiros para desenvolver sua estratégia de inteligência artificial. A empresa, por exemplo, recorre à tecnologia do Google para parte da reformulação da Siri.

O sucesso dessa estratégia pode ser decisivo para a percepção do mercado sobre a Apple nos próximos anos.

“A Apple precisa fazer mais em termos de suas próprias capacidades”, disse Jed Ellerbroek, gestor da Argent Capital Management.

Para ele, a posição competitiva da empresa continua forte, mas existem sinais fora dos resultados financeiros que indicam que nem tudo está funcionando perfeitamente.

O problema de surpreender

Há ainda uma característica peculiar das ações da Apple: boas notícias podem não ser suficientes para fazer a ação subir. Investidores já conhecem a força da marca, a fidelidade dos consumidores e a capacidade da companhia de gerar caixa. Por isso, o mercado tende a exigir novidades capazes de superar expectativas que já estão incorporadas ao preço.

O histórico mostra essa dificuldade. A ação caiu em cinco dos últimos oito dias de lançamento de novos iPhones. Ao mesmo tempo, os papéis acumulam, em média, uma alta de cerca de 10% nos seis meses seguintes aos lançamentos, segundo dados da Bloomberg desde 2007.

Ou seja, uma reação negativa no pregão do evento não necessariamente significa que Wall Street perdeu a confiança na Apple. O que importa é o impacto sobre as estimativas de vendas e lucro nos meses seguintes.

O que pode mudar a tese para as ações

Para Wall Street, o lançamento pode ser positivo se a Apple conseguir combinar três elementos: preços mais altos, manutenção das margens e demanda forte.

Se a companhia aumentar os preços sem provocar uma queda significativa nas vendas, poderá mostrar que tem espaço para continuar extraindo mais receita de sua base de consumidores premium.

Se, por outro lado, os preços mais altos reduzirem os volumes, os investidores terão de reconsiderar as estimativas de crescimento — especialmente porque a ação já negocia com um prêmio elevado em relação ao seu histórico.

É por isso que o iPhone dobrável importa menos pelo número de unidades que venderá imediatamente e mais pelo que ele pode sinalizar sobre a próxima fase da Apple.

Marabraz pede na Justiça proteção contra credores e liberação de recursos

9 de Setembro de 2026, 08:57

A Marabraz realizou novo pedido à Justiça de proteção por 180 dias (seis meses) contra cobranças de credores, além da liberação de recursos bloqueados.

A rede varejista fez a solicitação de recuperação judicial em 15 de agosto. E o pedido de proteção foi protocolado como uma emenda à petição inicial.

Como o pedido de RJ ainda está em análise, a varejista não contava com a garantia e teve recursos bloqueados por credores e imóveis retomados por locadores.

São espaços onde funcionam lojas da rede. A varejista pediu acesso aos bens e outras mercadorias guardadas nesses locais.

Proteção antecede RJ

Muitas empresas, entram com pedidos de “tutela cautelar”, como é conhecida a proteção judicial, antes de formalizarem seus pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.

A tutela evita a cobrança antecipada de dívidas e o efeito cascata que pode inviabilizar o funcionamento do negócio.

O grupo Casas Bahia fez, recentemente, a mesma solicitação de proteçnao antes da entrada formal para a análise da RJ.

A Marabraz entrou com pedido de recuperação judicial em 15 de agosto, citando dívidas de R$ 140 milhões.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Petróleo supera US$ 100 com escalada de ataques entre Estados Unidos e Irã

9 de Setembro de 2026, 08:41

O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, impulsionado pela intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã e pela retomada das compras de petróleo pela China, maior importadora da commodity no mundo.

Os contratos futuros do Brent, referência para os preços internacionais do petróleo, chegaram a subir 2,3% em Londres nesta manhã, antes de reduzir parte dos ganhos.

A nova alta ocorre após uma escalada do conflito entre Washington e Teerã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos em resposta a uma tentativa de atingir um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos durante a noite.

O conflito também vem afetando o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Milhões de barris continuam passando diariamente pela região, mas grande parte dos navios está navegando com os sistemas de identificação desligados, aumentando a preocupação com novos ataques.

Antes do início da guerra entre EUA e Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz a caminho dos mercados internacionais.

China volta a comprar petróleo

Além dos riscos relacionados ao conflito, o preço do petróleo também ganhou força com a retomada das compras chinesas.

A China havia reduzido suas aquisições no início da guerra, movimento que ajudou a limitar a alta dos preços. A retomada das compras neste mês, porém, trouxe novo impulso ao mercado e fez alguns dos principais indicadores de preços atingirem os níveis mais altos em semanas.

O Brent acumula alta superior a 60% neste ano. Com exceção de uma breve alta em julho, no entanto, os contratos futuros haviam permanecido abaixo de US$ 100 por mais de três meses, período em que os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar suas exportações.

Estoques de petróleo diminuem

A continuidade das dificuldades no transporte também tem reduzido os estoques globais de petróleo. Segundo a empresa de análise Vortexa, a quantidade de petróleo transportada em navios no mar caiu em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.

Mesmo com navios continuando a atravessar o Estreito de Ormuz, as embarcações permanecem sob risco de novos ataques. Um funcionário da Kuwait Petroleum Corp. afirmou nesta quarta-feira que os navios da empresa estão passando pela região “sempre que é seguro”.

O cenário aumenta a preocupação com a oferta de petróleo justamente em um momento de recuperação da demanda.

Combustíveis sobem ainda mais

Os derivados de petróleo, como o diesel, tiveram uma alta ainda mais forte. Isso ocorre porque o conflito no Oriente Médio se espalhou para o Mar Vermelho, próximo à Arábia Saudita, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia continua afetando o mercado de energia.

Os dois conflitos podem aumentar os custos de combustíveis e pressionar novamente a inflação em diferentes países, dificultando o trabalho dos bancos centrais no controle dos preços.

“O caminho de menor resistência é uma alta forte e constante à medida que a guerra entra em seu sétimo mês”, afirmou Darrell Fletcher, diretor-executivo de commodities da Bannockburn Capital Markets.

Segundo ele, os fundamentos dos derivados de petróleo continuam favoráveis à alta, diante da deterioração dos estoques e das reservas globais.

Ataques também atingem a Arábia Saudita

O grupo rebelde Houthi, do Iêmen, também continua atacando instalações de energia na Arábia Saudita.

Nas últimas semanas, os Houthis realizaram uma série de ataques contra a refinaria de Jazan, que tem capacidade para processar 400 mil barris de petróleo por dia. Os ataques ameaçam uma oferta de combustíveis que já está mais restrita.

“A preocupação com uma interrupção contínua e prejudicial do fornecimento, devido à escalada do conflito entre EUA e Irã, aumentou significativamente”, disse Tamas Varga, analista da corretora PVM.

Segundo ele, a inflação pode reduzir a demanda por petróleo, mas, neste momento, a oferta não consegue acompanhar a demanda.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Liquidações com cartões de stablecoins na Visa ultrapassam US$ 20 bilhões

9 de Setembro de 2026, 08:26

Os cartões de stablecoins – aqueles que permitem o pagamento usando essas criptos famosinhas, as preferidas dos brasileiros – são um dos setores da Visa que mais cresce. Palavras da própria empresa, divulgadas nesta semana. E os dados apresentados dão um vislumbre desse cenário.

O volume de liquidação em stablecoins por meio desses cartões ultrapassou US$ 20 bilhões em taxa anualizada, um aumento de mais de 15 vezes em relação ao ano anterior.

Esse montante representa o volume de stablecoins usado para liquidar financeiramente as transações entre os participantes desses programas e a Visa, e não necessariamente o total gasto pelos consumidores.

Exemplo: imagine que um cartão permita que você gaste USDC, a segunda maior cripto dólar do mercado. Você faz uma compra de US$ 100. Depois da autorização da transação, os participantes envolvidos precisam acertar financeiramente os valores correspondentes. É nesse processo de liquidação que entram os US$ 20 bilhões contabilizados pela Visa.

Ainda segundo a companhia, o volume de pagamentos realizados com esses cartões cresceu quase 200% na mesma comparação e, hoje, são mais de 160 programas vinculados a stablecoins.

Newsletter: quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews!

Gastos já passam de US$ 1 bilhão por mês

O pessoal da Paymentscan, plataforma que acompanha o setor, monitora diariamente o volume de pagamentos. É uma métrica diferente da usada pela Visa e leva em consideração outras bandeiras, mas ajuda a dar uma dimensão do tamanho desse mercado.

Em julho, foram US$ 1,03 bilhão em gastos, como mostramos aqui. Em agosto, o montante cresceu um pouco mais e chegou a US$ 1,11 bilhão.

Como esses cartões funcionam?

No geral, o usuário mantém stablecoins em uma carteira vinculada ao cartão e pode usá-las para fazer pagamentos em qualquer estabelecimento que aceite Visa. Na hora da compra, o valor é convertido em moeda tradicional, enquanto o comerciante recebe normalmente, sem precisar lidar diretamente com criptomoedas.

Há dezenas de opções disponíveis no Brasil, tanto da Visa como da Mastercard, oferecidas em parceria com exchanges locais. No geral, eles aparecem em três modalidades: débito, crédito e híbrido, que combina as duas funções. Por aqui, eles ainda têm um plus: alguns são isentos de IOF.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h15.

Bitcoin (BTC):  +0,52%, US$ 78.757,98

Ethereum (ETH): +0,34%, US$ 2.485,11

BNB (BNB): +0,86%, US$ 748,60

XRP (XRP): -0,17%, US$ 1,41

Solana (SOL): +0,28%, US$ 103,49

Outros destaques do mercado cripto

Compra milionária. A Circle, emissora da stablecoin USDC, vai comprar a Tazapay, empresa de pagamentos internacionais sediada em Singapura. Valor? US$ 400 milhões em ações. É uma das maiores aquisições já anunciadas pela companhia. A Tazapay conecta firmas e instituições financeiras a bancos e fintechs em mais de 100 mercados. E tem um detalhe que interessa à Circle: cerca de 60% dos US$ 25 bilhões em pagamentos processados anualmente pela empresa já envolvem stablecoins.

Zona cripto entre Brasil e América Latina. Especialistas em cripto do Brasil e de outros países da América Latina assinaram a Declaração de Buenos Aires, que propõe a criação da Zona Comum Regulatória Web3 Latinoamérica (ZCRW3 LATAM). E o que é isso? Uma iniciativa que busca aproximar as regras sobre ativos digitais, inteligência artificial, tokenização e infraestruturas Web3 na região.

Hackers cripto do bem? Rolou um hack bem feio na Liquid Network, uma blockchain usada por corretoras cripto para movimentar bitcoin. Cerca de 4 mil BTC, avaliados em US$ 320 milhões, foram roubados. Detalhe: os hackers são conhecidos como “white hats” (uma espécie de hacker “quase bonzinho”, que encontra vulnerabilidades para mostrar a falha). Eles teriam devolvido 3,4 mil bitcoins e ficado com cerca de US$ 47 milhões como pagamento por revelar o problema.

Seca, tráfego restrito e disputa por vagas: os desafios da nova chefe do Canal do Panamá

9 de Setembro de 2026, 06:03

Ilya Espino de Marotta assumiu na última segunda-feira (7) o comando da Autoridade do Canal do Panamá em um momento decisivo para a principal rota marítima do país.

O canal, que conecta os oceanos Pacífico e Atlântico em cerca de 80 quilômetros e é responsável por movimentar 40% do comércio americano de contêineres, enfrenta dificuldades para atender à demanda do transporte marítimo devido aos níveis persistentemente baixos dos reservatórios, provocados pela escassez de chuvas.

Além do problema climático, o canal está no centro de uma disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle de rotas comerciais estratégicas.

Engenheira naval de formação, Espino de Marotta conhece os desafios da hidrovia. Ela começou a trabalhar no canal em 1985, quando ele ainda era administrado pelos Estados Unidos. Em 1999, acompanhou a transferência do controle para o Panamá e, ao longo das décadas seguintes, ocupou diferentes posições na autoridade até chegar à liderança de um dos maiores projetos de expansão da via, concluído em 2016 para permitir a passagem de navios maiores.

Em entrevista ao WSJ Logistics Report, Espino de Marotta falou sobre os planos para enfrentar os efeitos do fenômeno climático El Niño, que deve ser um dos mais intensos das últimas décadas, e sobre o recorde de US$ 5,3 milhões pago recentemente por um navio-tanque para garantir prioridade na passagem pelo canal.

Canal do Panamá mudou de função

WSJ: Como o canal mudou ao longo das quatro décadas em que você trabalhou lá?

Espino de Marotta: Sob o governo dos Estados Unidos, o canal operava basicamente para equilibrar receitas e despesas. Quando o controle passou para o Panamá, a principal mudança foi transformá-lo em uma fonte de receitas para o país.

Também percebemos que, à medida que os navios ficavam maiores, perderíamos relevância no comércio mundial se não fizéssemos alguma coisa. Por isso, começamos em 2002 a analisar o programa de expansão do Canal do Panamá, concluído em 2016.

Hoje, a receita gerada pelas novas eclusas representa mais de 50% da receita do Canal do Panamá. Embora não tenhamos aumentado o número de passagens, elevamos a capacidade de carga dos navios, e é isso que gera receita. Neste ano, esperamos transferir um recorde de US$ 3,6 bilhões ao Estado.

WSJ: Você observou alguma mudança na demanda por transporte marítimo por causa da guerra no Irã?

Espino de Marotta: Vimos um aumento no tráfego. Normalmente, atendemos de 35 a 36 navios por dia. Durante alguns meses da crise no Estreito de Ormuz, registramos de 39 a 41 navios por dia.

Esse número caiu um pouco porque estamos começando a impor restrições de calado, que reduzem a quantidade de carga que os navios podem transportar.

Estamos economizando água para garantir que, durante a estação seca, que começa daqui a alguns meses, tenhamos água suficiente.

Também informamos à indústria naval que reduziríamos o número de passagens de 36 para 34 por dia em 4 de setembro e, depois, para 32 a partir de 15 de setembro.

Menos navios para preservar água

WSJ: Quem decide como a água deve ser administrada?

Espino de Marotta: Somos responsáveis pelos lagos do Canal do Panamá e fazemos sua gestão. Eles fornecem água para a navegação e também água potável para 50% da população do país.

Reduzimos o número diário de passagens para não precisarmos dizer à população: “Não há água suficiente para vocês”.

Tentamos encontrar maneiras de economizar água nas operações para reduzir o impacto sobre a indústria naval e, ao mesmo tempo, garantir o abastecimento da população.

Novo lago deve ampliar capacidade do canal

WSJ: Que outras medidas vocês estão tomando para reduzir os efeitos da falta de água?

Espino de Marotta: Estamos desenvolvendo um novo lago, o projeto Río Indio. Ele terá capacidade para armazenar água suficiente para permitir de 10 a 15 passagens adicionais por dia, ou aproximadamente o mesmo volume utilizado para o abastecimento de água potável.

O projeto deve estar pronto em 2031 ou 2032.

WSJ: Um navio pagou recentemente um recorde de US$ 5,3 milhões para atravessar o canal. Você acha que os preços dos leilões podem subir ainda mais?

Espino de Marotta: Temos 10 passagens diárias pelas maiores eclusas do canal. Nove são realizadas por meio de um sistema de reservas e a décima vaga é oferecida em leilão.

O leilão começa em US$ 100 mil. Portanto, é realmente o mercado que determina quanto será pago.

Agora que estamos começando a reduzir o número de passagens para nove por dia, essa vaga de leilão se torna mais disputada. Não quero especular sobre os preços futuros dos leilões, mas não espero que sejam muito mais altos.

WSJ: Estados Unidos e China vêm discutindo sobre o controle dos portos de cada lado do canal.

Espino de Marotta: Esses portos são administrados pela Autoridade Marítima do Panamá, não por nós.

WSJ: Mas a Autoridade do Canal do Panamá abriu um processo de licitação para dois novos portos que vocês querem desenvolver. Por quê?

Espino de Marotta: É um bom negócio e ajudará a diversificar as receitas do canal.

Estamos quase atingindo nossa capacidade máxima e queremos garantir que continuemos sendo um importante centro de transbordo de cargas na região.

Esses novos portos devem entrar em operação em 2030 ou 2031.

Também estamos estudando um gasoduto de energia para que possamos transportar mais cargas pelo Panamá sem utilizar as eclusas.

Para entrar em contato com Paul Berger: paul.berger@wsj.com

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Empresas zumbi se multiplicam no Brasil sob o peso de dívidas. E ampliam o risco de contágio

9 de Setembro de 2026, 06:00

“Você tem uma economia zumbi, de gente endividada e de empresas endividadas […] que seguem levando a vida, renegociando.” Assim Luis Stuhlberger, experiente gestor do Fundo Verde, descreveu o quadro atual de endividamento recorde de empresas e famílias no país.

Stuhlberger, que fez a sua análise em entrevista a Roberto Campos Neto no episódio de estreia do programa “Ponto de Vista“, do InvestNews em parceria com o Nubank, apontou que esse quadro tem sido prolongado de diferentes maneiras, de medidas de estímulo do governo à forma como a recuperação de empresas e de crédito funciona no país.

Trata-se de um fenômeno persistente na frente corporativa: isso porque a multiplicação de empresas zumbi na economia brasileira tem caráter mais estrutural do que transitório, disse ao InvestNews o economista Caio Szumanski, autor de um recente e premiado estudo sobre o tema.

Szumanski fez da pesquisa “Zombie firms no Brasil : fragilidade financeira, contágio setorial, pandemia de covid-19 e recuperação judicial” a sua tese de mestrado na EESP FGV (Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas), defendida em 2025, com orientação dos professores Joelson Sampaio e Vinicius Brunassi.

Na literatura econômica, zombie firms são descritas como aquelas que conseguem se manter em operação apesar de sua fragilidade financeira crônica (leia-se dívidas elevadas mas não só isso), da baixa rentabilidade e da alta dependência de crédito para sobreviver.

De maneira objetiva, o dinheiro que conseguem gerar com sua operação mal é suficiente para pagar os juros da dívida. No caso brasileiro, juros em patamares historicamente altos há muitos anos.

Não é um mal localizado: estudos apontam que a proporção de zombie firms globalmente saltou de 4% em 1980 para 15% em 2017.

No Brasil, o economista analisou dados trimestrais de 375 companhias listadas na B3 entre 2010 e 2024 para chegar à conclusão de que a prevalência de empresas nesse estágio não pode ser descrito como algo cíclico.

“Os casos de recuperação judicial mais recentes chamam a atenção das pessoas, mas esse é o último estágio de uma zombie firm, em que ela não tem mais para onde correr, depois de um longo período nesse estado de fragilidade financeira”, disse Szumanski.

Ele também realizou estimativas setoriais separadas para os subsetores que concentraram o maior número de empresas classificadas como zombie firms ao longo do período analisado, incluindo não listadas.

O estudo apontou uma incidência superior a 50% de empresas zumbi em setores como o de tecidos, vestuário e calçados (74,5%), comércio (65,8%), transporte (64,7%) e construção civil (60,6%) no intervalo citado.

Em comum, são setores regulados e intensivos em capital, que incluem, além dos que são acima citados, também o de energia elétrica.

Os riscos, de perdas ao contágio

A incidência tão elevada de empresas zumbi por tanto tempo não ocorre sem riscos nem efeitos negativos relevantes para a economia brasileira, ressaltou Szumanski.

“Essas empresas acabam por distorcer a concorrência, reduzir a produtividade e comprometer a alocação eficiente de recursos como o crédito”, disse.

Ou seja, dinheiro que poderia ser destinado para dar impulso a novos negócios que multiplicam a riqueza no país acaba sendo perdido no fim do dia com empresas que acabam não conseguindo se recuperar nem mesmo a médio e longo prazo.

Há também efeitos indesejáveis inerentes ao próprio negócio.

“Firmas classificadas como zumbis apresentaram queda significativa em indicadores de geração de valor, como investimento, patrimônio líquido e lucro operacional, além de aumento expressivo das despesas financeiras”, apontou o economista.

Segundo o estudo, os investimentos de companhias em tal estágio caem na ordem de 25%, enquanto as despesas financeiras sobem 30%: essa equação ajuda a explicar por que a recuperação operacional e a retomada do crescimento são tão difíceis de serem alcançadas.

Há ainda efeitos negativos de contaminação da crise particular de uma empresa zumbi dentro do seu próprio setor e até mesmo além: “a entrada de uma nova empresa zumbi em um setor aumenta a probabilidade de surgimento de outras”, apontou o economista.

Essa contaminação pode acontecer por meio de diferentes canais: do encarecimento e da menor disponibilidade de crédito – diante de bancos, fornecedores e investidores mais seletivos, como mostrou o InvestNews em recente reportagem – até o risco reputacional.

“Quando uma empresa de um setor que não vai mal começa a piorar, os bancos já passam a olhar de maneira diferente e acabam subindo os juros e o spread [prêmio pelo risco]. E isso tem um efeito em cadeia”, disse Szumanski.

O que a recuperação judicial não mostra

O quadro de economia zumbi descrito por Stuhlberger ganha mais visibilidade quando empresas conhecidas entram com pedido de recuperação judicial, como foram os casos de Casas Bahia e Habib’s.

O país registrou quase mil pedidos de recuperação judicial nos 12 meses encerrados em abril deste ano, segundo os dados mais atualizados da Serasa Experian. Trata-se de um número que chama a atenção, mas que esconde um fenômeno que é, na verdade, mais abrangente.

Segundo Szumanski, existe uma discrepância entre a incidência de zombie firms e o número de pedidos formais de recuperação judicial.

“Enquanto diversas empresas apresentaram sinais claros de fragilidade, relativamente poucas ingressaram no regime judicial, sugerindo que
muitas permanecem em funcionamento por meio de mecanismos que postergam sua insolvência formal”, escreveu.

O estudo apontou que no setor de energia elétrica, por exemplo, de um total de 100 empresas analisadas no período de 2010 a 2024, mais da metade (54) poderia ser enquadrada como zombie firm em algum momento. Mas apenas seis entraram em recuperação judicial.

Um dos mecanismos citados é o chamado zombie lending, ou seja, quando empresas que são operacionalmente inviáveis conseguem a renovação de empréstimos junto a instituições financeiras.

“Muitas vezes, bancos preferem rolar a dívida do que assumir a perda no balanço. Quando surgem indícios de que a empresa zumbi não vai mesmo pagar ou alguém na negociação é mais incisivo, ela acaba pedindo recuperação”, explicou o economista.

Stuhlberger apontou em sua entrevista a Campos Neto que o governo tem agido de diferentes formas para sustentar o quadro de empresas – e famílias – endividadas, da concessão de crédito e da redução de impostos ao aumento dos gastos públicos.

Para um país em que a convivência com empresas zumbi se tornou tão duradoura, essa é uma conta que pode não se pagar como esperado.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Avianca levanta US$ 300 milhões para fazer manutenção de aviões no Brasil

8 de Setembro de 2026, 16:54

A Avianca, companhia aérea que integra o Abra Group ao lado da Gol e da Wamos Air, fechou um acordo de financiamento de até US$ 300 milhões para manutenção, reparo e revisão de motores de aeronaves no Brasil.

O acordo foi anunciado nesta terça-feira (8) pela Avianca, pela GE Aerospace e pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF).

Os recursos serão usados na manutenção dos motores CFM56, uma família de motores a jato usada em milhares de aeronaves comerciais, incluindo modelos do Airbus A320 e do Boeing 737.

Os serviços serão realizados na Celma, unidade da GE Aerospace em Petrópolis (RJ) especializada na manutenção e revisão de motores de aeronaves.

A operação será estruturada pelo Citibank e contará com o Seguro de Crédito à Exportação (SCE), administrado pela ABGF. Segundo as empresas, é a primeira vez que uma companhia aérea estrangeira obtém financiamento dentro desse modelo para contratar serviços de manutenção de motores de aeronaves no Brasil.

O SCE oferece cobertura contra o risco de inadimplência em operações de exportação de bens e serviços brasileiros. Com essa garantia, uma empresa estrangeira pode obter financiamento para contratar serviços de uma companhia brasileira.

Demanda por manutenção de motores cresce

A operação ocorre em um momento de forte demanda das companhias aéreas por serviços de manutenção de motores. Segundo estudo da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), esse tipo de serviço movimentou cerca de US$ 50 bilhões em 2024, o equivalente a entre 40% e 50% de todos os gastos das empresas aéreas com manutenção de aeronaves.

A demanda deve continuar crescendo nos próximos anos, à medida que uma nova geração de aeronaves entra em operação. Com o aumento das horas de voo, esses motores precisarão passar por revisões e reparos.

Entre os modelos estão o LEAP, da CFM International, e o GTF, da Pratt & Whitney. A IATA estima que, até 2040, os motores LEAP possam passar por mais de 5 mil revisões por ano, enquanto os GTF devem superar 2 mil.

Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta restrições na oferta de peças e na capacidade das oficinas. Isso tem aumentado o tempo que algumas aeronaves permanecem fora de operação à espera de motores ou serviços de manutenção.

O problema do fornecimento de motores já havia sido apontado ao InvestNews em junho deste ano por Willie Walsh, que deixou recentemente o cargo de diretor-geral da IATA e assumiu a posição de CEO da companhia aérea indiana IndiGo.

Na entrevista, ainda à frente da IATA, Walsh afirmou que o principal gargalo do setor continuava sendo o fornecimento de motores — não apenas para aeronaves novas, mas também para aviões que já estão em operação e precisam de substituição de motores ou peças.

“O ponto crítico continua sendo o fornecimento de motores. E não se trata apenas dos motores para aeronaves novas. É preciso garantir motores para aviões já entregues que estão parados em solo, à espera de substituição e de peças. Isso é claramente inaceitável.”

Segundo Walsh, a falta de motores e peças tem impacto direto sobre os custos das companhias aéreas. Ele estimou que o problema tenha gerado um impacto financeiro de cerca de US$ 11 bilhões em 2025, considerando gastos adicionais com combustível, manutenção, leasing e interrupções operacionais.

“Isso eleva a conta de combustível, os custos de manutenção e leasing e provoca interrupções operacionais. Estimamos que o impacto financeiro tenha sido de cerca de US$ 11 bilhões no ano passado.”

O executivo também criticou o desempenho dos fabricantes de motores diante dos atrasos nos reparos. “Já passamos do ponto de estar impacientes com eles; perdemos a paciência. Eles precisam concluir os reparos e melhorar seu desempenho.”

Os atrasos na entrega de novas aeronaves também obrigaram companhias aéreas a manter aviões mais antigos em operação. Com isso, a idade média da frota global chegou a 15,2 anos, acima da média histórica de 13,7 anos.

Uma frota mais antiga aumenta a necessidade de manutenção e o consumo de combustível, além de elevar os custos de leasing, segundo o executivo.

CFM56 ainda tem demanda elevada

A pressão não está restrita aos motores mais novos. O CFM56, utilizado pela Avianca e que será atendido pela GE Aerospace no Brasil, continua sendo uma das principais famílias de motores em operação.

Segundo a IATA, havia mais de 23 mil motores CFM56 em operação no fim de 2024. O estudo estima que a família tenha atingido o pico de revisões em oficinas em 2025, com cerca de 2 mil serviços no ano.

O CFM56 equipa uma grande quantidade de aeronaves comerciais de gerações anteriores, incluindo versões do Airbus A320 e do Boeing 737. Mesmo com a renovação das frotas, a quantidade de motores ainda em serviço mantém uma demanda relevante por manutenção e peças.

O cenário ajuda a explicar o volume financeiro movimentado pela manutenção de motores. Dependendo do problema e do tipo de reparo necessário, o serviço de um único motor pode custar milhões de dólares.

Brasil ganha espaço na manutenção de aeronaves

O acordo com a Avianca também reforça a importância do Brasil na manutenção de motores de aeronaves. A unidade Celma, da GE Aerospace, em Petrópolis (RJ), é a principal operação da empresa para esse tipo de serviço na América Latina.

Segundo a companhia, cerca de 25% da manutenção de motores realizada pela GE Aerospace no mundo passa pela operação brasileira. A estrutura conta com cinco unidades nos municípios de Petrópolis, Rio de Janeiro e Três Rios, no estado do Rio de Janeiro.

A GE Aerospace também está ampliando sua capacidade no país. A unidade de Três Rios está sendo expandida para aumentar de cerca de 600 para 1.000 o número de motores que consegue atender por ano.

Para Maíra Madrid, presidente da ABGF, a operação contribui para ampliar a presença internacional de empresas brasileiras e fortalecer a participação do país no setor aeroespacial.

“Manter uma frota confiável e eficiente é fundamental para oferecer a experiência que nossos clientes merecem”, afirmou Felipe Gutierrez, diretor de operações da Avianca. Para ele, o acordo dá à companhia maior flexibilidade para executar seus planos de manutenção e continuar investindo na confiabilidade e no desempenho da operação.

Mahendra Nair, vice-presidente do grupo de vendas comerciais globais da GE Aerospace, afirmou que a estrutura de financiamento representa uma iniciativa inédita com a ABGF e permite à Avianca ter acesso aos serviços de manutenção realizados na unidade brasileira.

Empresa do Simples podem ter desconto de 60% em multas: entenda como funciona

8 de Setembro de 2026, 16:11

Quem toca uma empresa conhece bem: todo mês (e em certas épocas do ano), há uma lista de “burocracias” para cumprir. Apurar impostos, informar faturamento, enviar declarações… Só que, no meio de tantos pratinhos para equilibrar, às vezes um cai – e aquela declaração importante para a Receita Federal acaba saindo atrasada. Quem nunca?

O resultado pode ser uma multa. Mas, para os empreendedores do Simples Nacional, algumas dessas penalidades vão ficar menores em 2027.

A partir de 1º de janeiro, certas multas por descumprimento de obrigações acessórias terão redução de 60% para as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) do regime simplificado. Para os microempreendedores individuais (MEIs), a redução é de 90%.

Como falamos, a redução é para certas multas. Isso significa que não é qualquer multa do Simples que poderá ser paga com desconto – nem que impostos atrasados ficarão mais baratos.

A regra alcança penalidades específicas, de valor fixo ou mínimo, e exige, entre outras condições, que o pagamento seja feito em até 30 dias após a notificação.

A regra não é um novo “Refis” nem um programa para quitar impostos atrasados.

Segundo Marcelo John Cota de Araújo Filho, do Benedito Torres Advogados, a Resolução CGSN nº 190 – que estabeleceu os descontos – criou uma regra permanente para reduzir determinadas penalidades, e não um programa temporário de negociação de dívidas.

Que tipo de multa pode ter desconto?

“O alcance da redução é estreito”, diz Araújo Filho. Não estão incluídas, por exemplo, as penalidades pelo simples fato de a empresa não ter recolhido um tributo.

O desconto de 60% atinge especificamente as multas por falta de prestação ou incorreção nas tais “obrigações acessórias” – seja perante órgãos federais, estaduais, distritais e municipais. E é aplicado quando não houver previsão legal mais favorável ao contribuinte.

Mas o que são, afinal, as obrigações acessórias? Antes mesmo de falar das multas, vamos diferenciar dois conceitos que costumam ser confundidos.

As obrigações acessórias são declarações e informações que a empresa precisa prestar ao Fisco. Servem para informar dados sobre a atividade do negócio, como faturamento, receitas e tributos apurados.

Elas não são necessariamente um imposto a pagar. Por exemplo: o DAS é a guia única usada para recolher os tributos do Simples. Já o PGDAS-D é uma obrigação acessória mensal e serve para a empresa informar sua receita e apurar quanto deve pagar.

Segundo Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei, é importante fazer a diferenciação entre (a) a multa por não pagar imposto e (b) a multa por não cumprir uma obrigação acessória. A nova regra trata do segundo caso.

Por exemplo, o PGDAS-D entregue com atraso ou com alguma informação incorreta é um caso de obrigação que pode gerar esse tipo de penalidade.

O desconto reduz o imposto?

A redução vale somente para a multa. O imposto eventualmente devido continua sendo cobrado normalmente, assim como os juros de mora.

Araújo Filho explica que a multa por descumprimento de uma obrigação acessória é uma penalidade própria e não se confunde com o tributo devido ou com a multa aplicada pelo não pagamento do imposto.

Ah, e claro: a redução não se aplica a situações que envolvam sonegação, fraude, simulação, conluio, resistência ou embaraço à fiscalização.

Em quanto a multa pode cair?

Gularte dá dois exemplos práticos. O primeiro, sobre o PGDAS-D, declaração mensal em que as empresas do Simples informam sua receita e apuram tributos.

Imagine que uma pequena padaria deixa de entregar o PGDAS-D referente a um mês. O imposto apurado naquele período é de R$ 600.

A multa pelo atraso da declaração é de 2% sobre o valor do imposto, ou R$ 12. Como existe uma multa mínima de R$ 50 por mês de referência, prevalece esse valor. Com a redução de 60%, a multa – que seria de R$ 50 – cai para R$ 20.

Outro exemplo é a DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais), que as micro e as pequenas empresas do Simples entregam todo ano.

Suponha que uma papelaria atrasa a DEFIS por três meses. Os tributos informados na declaração somam R$ 3.000. Gularte calcula que a multa pelo atraso somaria R$ 180 – mas, de novo, há uma penalidade mínima. A multa, que seria de R$ 200, acabaria ficando em R$ 80 com o desconto.

Os dois casos são exemplos hipotéticos, lembra Gularte. A multa efetivamente aplicada depende da situação específica da empresa e da obrigação envolvida.

Recebi uma notificação. Preciso pedir o desconto?

Não há, segundo Araújo Filho e Gularte, um pedido específico de adesão. A regra deve ser aplicada pela administração tributária quando a multa se enquadrar nas condições previstas.

Gularte explica que o contribuinte deve conferir a notificação e verificar se não há outra previsão legal mais favorável para aquela penalidade. Se estiver dentro das hipóteses da resolução, o pagamento deve ser feito dentro de 30 dias a partir da notificação para preservar o benefício.

Araújo Filho acrescenta que, se a multa se enquadrar na regra, mas a redução não aparecer no documento de arrecadação, especialmente em penalidades estaduais ou municipais, o contribuinte deve procurar o órgão que fez a notificação ainda dentro do prazo.

Joana Drubscky, do Lourenço Kingston Advogados Associados, lembra que a resolução não detalhou o procedimento operacional, o que ainda deverá ser regulamentado, com a publicação de uma norma com os detalhes em breve.

E se a empresa deixar a multa para depois?

O prazo de 30 dias é importante porque o benefício está condicionado ao pagamento dentro desse período. Segundo os especialistas, passado o prazo, a redução deixa de ser aplicada à multa.

Isso não significa, porém, que basta pagar a multa para resolver qualquer pendência da empresa. A obrigação acessória que deu origem à penalidade também precisa ser regularizada.

Afinal, pendências fiscais podem dificultar a emissão de certidões e afetar atividades que exigem comprovação de regularidade fiscal, como determinadas operações de crédito, contratos e participação em licitações.

Por isso, o conselho de Gularte é conferir a origem da multa assim que a notificação chegar e, de preferência, levar o documento à contabilidade antes de fazer o pagamento.

Varejo de luxo: JHSF vê mercado para loja de departamentos no Cidade Jardim

8 de Setembro de 2026, 12:34

A JHSF inaugura em 26 de setembro a CJ Fashion, uma loja de departamentos de luxo dentro do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. O espaço reúne moda, joias, beleza, acessórios, casa, gastronomia e cultura em uma área de 4 mil metros quadrados, distribuída por três andares.

A abertura marca uma nova frente para o grupo, conhecido por operar shoppings, hotéis e empreendimentos residenciais voltados à alta renda.

Mais do que locar espaços a marcas, a JHSF diz que faz a curadoria de produtos, serviços e “experiências” em uma operação própria, inspirada em lojas de departamentos high end lá de fora, como a Bergdorf Goodman, em Nova York.

A CJ Fashion terá cerca de 150 marcas nacionais e estrangeiras e 60 operações que não existem em outro lugar no país – como a primeira livraria da editora francesa Assouline no Brasil e a Tom Ford Beauty – em seu único endereço na América Latina – e produtos da linha de casa da espanhola Loewe.

No primeiro andar estarão Dolce & Gabbana, Balmain, Fusalp, James Perse e Paula Raia, entre outras grifes. O mezanino receberá a multimarcas CJ Mares, com nomes como Oscar de la Renta, Zimmermann, Victoria Beckham e Stella McCartney.

O terceiro andar será dedicado ao Shoe Salon, que reúne sapatos, bolsas e cia. Aí entram marcas como Aquazzura, Gianvito Rossi, René Caovilla, Botti e Alexandre Birman.

Algumas marcas devem ocupar áreas temporárias, em formato de residências especiais.

Em entrevista à Vogue, Ana Auriemo, que lidera o projeto, disse que a proposta é concentrar em um mesmo ambiente produtos e serviços que hoje estão espalhados entre diferentes lojas do shopping.

A cliente que escolhe um vestido, por exemplo, poderá complementar a compra com acessórios, joias ou sapatos sem sair do provador, explicou à Vogue Renata Queiroz de Moraes, responsável pela curadoria da CJ Fashion.

O formato também amplia a aposta do Cidade Jardim no atendimento personalizado. A operação contará com serviço de private shopper e com o CJ Fashion VIC Room, espaço reservado para relacionamento com clientes e ativações especiais.

A experiência do shopping com esse tipo de atendimento foi uma das bases para a criação da loja. À Vogue, Ana Auriemo e Renata Queiroz de Moraes disseram que o Cidade Jardim chegou a operar um e-commerce, mas encerrou a iniciativa após identificar que 80% das transações começavam no site e só eram concluídas depois que o consumidor telefonava para uma loja e conversava com um vendedor.

A leitura das executivas é que, no mercado de luxo, o atendimento humano ainda tem papel central, especialmente em compras que envolvem produtos de maior valor, presentes personalizados, roupas para eventos ou a produção de uma boa mala de viagem.

Além da moda e dos serviços, a CJ Fashion terá uma área gastronômica. O espaço inclui o Café Birman, com itens de pâtisserie, o Café Vila Piva e o restaurante Balsamico CJ Fashion. O restaurante foi desenvolvido com Ênio Gonçalves, do Balsamico Buffet, e terá menu inspirado na chamada “Old Palm Beach”, com opções como lobster roll.

O projeto arquitetônico é assinado por Carolina Proto, do estúdio Obra Prima, enquanto o paisagismo leva a assinatura de Maria João d’Orey.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Mineradora canadense anuncia parceria com Japão para explorar terras raras no Brasil

8 de Setembro de 2026, 11:59

A Aclara Resources, mineradora canadense, anunciou nesta terça-feira (8) um acordo para formar uma joint venture com a JOGMEC (Japan Organization for Metals and Energy Security) para explorar e desenvolver depósitos de terras raras pesadas em argilas iônicas no Brasil. O Projeto Carina, em Goiás, ficará fora da parceria e continuará 100% controlado pela Aclara, segundo a companhia.

A JOGMEC é uma organização do governo japonês criada para reforçar a segurança do país no fornecimento de recursos minerais e energia considerados estratégicos. A entidade apoia projetos de exploração e desenvolvimento mineral por meio de financiamento, conhecimento técnico e compartilhamento de riscos, inclusive em parceria com empresas de mineração.

Pelos termos do acordo, a JOGMEC financiará integralmente até US$ 3 milhões (R$ 15,35 milhões) em gastos de exploração durante três anos. Sob determinadas condições, poderá aportar mais US$ 1,5 milhão (R$ 7,6 milhões), estendendo o período por mais um ano.

Após cumprir seus compromissos de financiamento, a JOGMEC terá a opção de adquirir uma participação de 30% em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

A entidade japonesa também terá o direito de comprar uma quantidade da produção equivalente à sua participação, acrescida de mais 10% da produção futura do empreendimento. A compra será realizada em condições comerciais de mercado.

Quem é a Aclara

A Aclara Resources é uma companhia listada na bolsa de Toronto que desenvolve projetos para extrair e processar terras raras, com foco nas chamadas terras raras pesadas. Esses minerais são utilizados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs permanentes empregados em motores elétricos, veículos elétricos e equipamentos tecnológicos.

A empresa trabalha com depósitos de argila iônica, um tipo de ocorrência mineral em que as terras raras ficam concentradas nas camadas de argila e podem ser extraídas por meio de processos químicos. O principal projeto da Aclara no Brasil é o Carina, localizado em Goiás. A companhia também desenvolve o Penco Module, na região de Biobío, no Chile.

Os dois projetos utilizam uma tecnologia própria da companhia, chamada Circular Mineral Harvesting, desenvolvida para a extração de terras raras de depósitos de argila iônica. Segundo a Aclara, o processo busca reduzir o consumo de água e o impacto ambiental por meio de reciclagem e princípios de economia circular.

A estratégia da Aclara vai além da extração do minério. A companhia busca controlar diferentes etapas da produção de terras raras e, por meio de uma subsidiária, desenvolve uma planta de separação nos Estados Unidos. A unidade deverá processar os carbonatos mistos produzidos a partir de seus projetos e separá-los em óxidos individuais de terras raras, uma etapa necessária para obter materiais mais refinados.

A companhia também mantém uma joint venture com a chilena CAP para desenvolver a produção de ligas de terras raras, que são utilizadas na fabricação de ímãs permanentes.Como funcionará a parceria

Durante o período inicial do acordo, a Aclara será responsável pela operação dos trabalhos de exploração. A JOGMEC poderá antecipar os aportes previstos no acordo, caso decida fazê-lo. Caso cumpra as condições estabelecidas, a entidade japonesa poderá exercer a opção de adquirir 30% de participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

Depois dessa etapa, os investimentos adicionais no projeto serão divididos entre os parceiros de acordo com suas respectivas participações.

A JOGMEC também poderá transferir sua participação e os direitos relacionados ao acordo para uma ou mais empresas japonesas ou para um consórcio do país, desde que sejam respeitadas as condições estabelecidas na joint venture.

Por que o Japão está interessado

A parceria faz parte de uma estratégia mais ampla do Japão para diversificar o fornecimento de minerais considerados estratégicos. A JOGMEC trabalha há décadas com empresas de exploração e mineração em diferentes países para identificar e desenvolver projetos de recursos minerais.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos como equipamentos eletrônicos, motores elétricos, sistemas de defesa e tecnologias ligadas à transição energética.

Dentro desse grupo, as terras raras pesadas têm importância estratégica por sua oferta mais restrita e por aplicações em ímãs permanentes de alto desempenho.

O acordo com a Aclara também cria uma possível rota de fornecimento para o Japão. Caso a exploração avance e o projeto entre em produção, a JOGMEC terá direito de comprar uma parcela da produção correspondente à sua participação, além de 10% adicionais, conforme as condições previstas no contrato.

Para a Aclara, a parceria permite financiar a exploração de novos projetos no Brasil e ampliar seu portfólio de terras raras pesadas. A companhia afirmou que a entrada da JOGMEC ocorreu após uma análise técnica de seu portfólio de exploração.

A empresa pretende ainda ampliar a exploração de novas áreas e desenvolver projetos existentes em suas concessões no Brasil, Chile e Peru, com o objetivo de aumentar a produção futura de terras raras pesadas.

Próximos passos

A participação de 30% da JOGMEC não é automática. A entidade japonesa terá primeiro de cumprir os compromissos de financiamento previstos no acordo para então exercer a opção de adquirir a participação em um dos projetos de exploração da Aclara no Brasil.

O projeto que será escolhido para a eventual participação da JOGMEC também não foi especificado no anúncio.

O acordo, portanto, prevê uma primeira fase de exploração financiada pela organização japonesa antes de uma eventual entrada como sócia do empreendimento.

As informações sobre investimentos futuros, aquisição de participação, exploração, produção e desenvolvimento dos projetos são consideradas prospectivas pela Aclara e estão sujeitas a riscos, incluindo mudanças na legislação de mineração, obtenção de licenças, custos de desenvolvimento e operação e os próprios riscos das atividades de mineração.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Eleições 2026: como a disputa eleitoral afeta bolsa, juros e câmbio?

8 de Setembro de 2026, 10:55

As eleições 2026 podem mexer com a bolsa de valores, o dólar e os juros antes mesmo de o próximo presidente assumir. Isso acontece porque investidores negociam ativos com base em expectativas sobre inflação, juros, contas públicas, regulação e desempenho das empresas nos próximos anos.

Uma eleição pode alterar essas projeções. O resultado da disputa presidencial e a composição do Congresso ajudam a definir quais políticas econômicas terão mais chance de avançar no governo seguinte.

Quando uma pesquisa ou uma votação muda a probabilidade atribuída a esses cenários, os preços dos ativos podem reagir antes de qualquer nova política sair do papel.

Por que as eleições 2026 afetam o mercado?

O preço de uma ação reflete expectativas sobre os resultados futuros da empresa. Por isso, uma eleição pode mudar essa avaliação antes mesmo da posse, caso o mercado espere alterações em impostos, gastos públicos, regulação ou outras políticas capazes de afetar custos e lucros.

Os juros também entram nessa conta. O presidente da república não define a Selic, cuja condução cabe ao Banco Central, mas o governo influencia a política fiscal — as decisões sobre arrecadação, gastos e dívida pública — e propõe orçamento e prioridades de gastos.

Mudanças nas expectativas para dívida, inflação e contas públicas podem alterar os juros exigidos pelo mercado financeiro, isto é, o retorno cobrado por investidores para financiar governo e empresas. Isso afeta o custo de financiamento e a avaliação das companhias.

Nas estatais, a ligação pode ser mais direta. A União é controladora da Petrobras e tem influência na escolha de integrantes de seu conselho de administração. Por isso, uma troca de governo pode mudar expectativas sobre gestão, investimentos, dividendos e estratégia da companhia — fatores que também entram no preço das ações.

Como uma surpresa eleitoral mexe com o mercado?

As eleições de 2022 ajudam a mostrar como uma mudança inesperada no cenário pode mexer rapidamente com os preços dos ativos.

Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. A diferença de 5,23 pontos ficou abaixo da vantagem indicada pelas principais pesquisas antes da votação.

No pregão seguinte, em 3 de outubro de 2022, o Ibovespa avançou 5,54%, enquanto o dólar caiu 4,02% e os juros futuros recuaram. Dois fatores eleitorais entre as explicações para o movimento: Bolsonaro havia obtido um resultado acima do indicado pelas principais pesquisas e o Congresso eleito ganhou uma composição mais à direita. Investidores avaliavam que esse Legislativo poderia restringir mudanças mais amplas na política econômica do governo seguinte.

O movimento citado acima não foi explicado apenas pela eleição: o ambiente externo também ajudou os ativos brasileiros naquele dia.

Como as eleições podem mexer com o dólar?

Uma eleição pode mexer com o dólar porque também altera a percepção de risco dos investidores sobre o país.

Se investidores estrangeiros aumentam a procura por ativos brasileiros, pode haver maior demanda por reais, favorecendo a valorização da moeda. Já uma redução dessas posições ou a saída de recursos pode pressionar o real para baixo.

Um exemplo apareceu depois do primeiro turno de 2022. No pregão seguinte à votação, o dólar caiu cerca de 4%, para perto de R$ 5,18, enquanto investidores reagiam ao resultado mais apertado do que indicavam as pesquisas e à nova composição do Congresso.

O câmbio também era favorecido pelo cenário externo naquele dia, mas a queda do dólar frente ao real foi muito maior do que o recuo da moeda americana no exterior.

Um estudo publicado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em novembro de 2025 ajuda a mostrar que esse mecanismo não fica restrito à oscilação diária das moedas.

Nos países de menor estabilidade política da amostra, os fluxos privados brutos — que incluem entradas e saídas de capital — ficaram, no trimestre eleitoral, 28,3% abaixo da média dos seis meses anteriores.

Ao analisar 261 eleições em 38 economias emergentes, incluindo o Brasil, entre 1990 e 2020, o estudo encontrou uma redução dos fluxos privados de capital no entorno das eleições.

O efeito foi maior quando a incerteza sobre a política econômica persistia após a votação e menor em países com maior estabilidade política e instituições mais fortes.

Eleições também podem adiar investimentos

O efeito das eleições não aparece apenas nas oscilações de bolsa e dólar. Diante da incerteza sobre as políticas do próximo governo, empresas e investidores também podem esperar mais clareza antes de comprometer dinheiro em decisões de longo prazo.

Foi justamente onde o FMI encontrou os resultados mais claros. O impacto eleitoral apareceu no investimento estrangeiro direto e em operações como empréstimos e financiamentos transfronteiriços, ou seja, crédito concedido entre agentes de países diferentes.

Nos países de menor estabilidade política da amostra, os fluxos privados brutos ficaram, no trimestre eleitoral, 28,3% abaixo da média dos seis meses anteriores. Isso indica como a combinação entre eleição e maior incerteza política pode pesar sobre decisões de investimento.

Por que os juros futuros também reagem?

Os juros futuros refletem expectativas sobre inflação, dívida pública, política fiscal, crescimento da economia e trajetória da Selic. Por isso, uma eleição pode mexer com esses contratos se alterar a percepção dos investidores sobre como o próximo governo pretende arrecadar, gastar e administrar as contas públicas.

O próprio Banco Central reconhece que a política fiscal pode afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e o prêmio exigido pelos investidores na curva de juros. A curva de juros mostra quanto o mercado exige de retorno para diferentes prazos. Essas taxas incorporam expectativas sobre a Selic, a inflação e o risco fiscal, entre outros fatores.

Quanto maior o risco percebido, maior pode ser o retorno exigido para emprestar dinheiro por prazos mais longos.

Um exemplo apareceu depois do primeiro turno de 2022, quando os juros futuros recuaram. Na época, parte do movimento forma relacionados ao resultado mais forte da direita no Congresso e à expectativa de que a nova composição do Legislativo pudesse limitar uma eventual expansão fiscal no governo seguinte.

A eleição, portanto, não determina sozinha os juros, mas pode mudar as projeções que ajudam a formar essas taxas anos antes de uma política efetivamente entrar em vigor.

Bitcoin sobe 23% e se aproxima de US$ 80 mil com intervenção do Tesouro dos EUA

21 de Agosto de 2026, 19:46

O bitcoin (BTC) caminha para registrar seu maior ganho semanal em mais de três anos, enquanto os investidores avaliam os efeitos de uma recente disparada nos juros dos títulos e de uma nova iniciativa dos Estados Unidos voltada à consolidação fiscal.

A criptomoeda chegou a subir 9,4% e era negociada em torno de US$ 77,5 mil no fim do pregão em Nova York. Na semana, acumula ganhos de cerca de 23%, movimento que, se mantido, representará a maior alta semanal desde março de 2023. A última vez que o bitcoin foi negociado a US$ 80 mil foi em maio.

O entusiasmo com as criptomoedas voltou ao mercado depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou na quarta-feira (19) que o departamento ao menos dobraria o volume das recompras de títulos de longo prazo, o que provocou uma disparada e forçou investidores a zerar bilhões em posições vendidas.

No mesmo dia, o presidente Donald Trump se reuniu com líderes do setor de criptomoedas, aumentando ainda mais o otimismo. Enquanto isso, o ouro atingiu seu nível mais alto desde maio, em meio a temores dos investidores de que a intervenção no mercado de títulos possa pressionar o dólar.

Em publicação no LinkedIn nesta sexta-feira, Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, disse que investidores deveriam diversificar entre ativos e países com finanças sólidas. Segundo ele, reduzir a exposição a títulos e manter de 10% a 15% da carteira em ouro e “um pouco” de Bitcoin pode reduzir o risco e elevar os retornos.

“O verdadeiro gatilho foi o Tesouro dos EUA dobrar as recompras de títulos de longo prazo, o que derrubou os rendimentos de longo prazo e ampliou o apetite por risco de forma generalizada”, disse Rachael Lucas, analista da BTC Markets. “Nada mudou na tese de longo prazo do Bitcoin, mas nada mudou na volatilidade também.”

Segundo Adam Morgan McCarthy, pesquisador-chefe da LO:TECH, empresa londrina especializada em liquidez e dados de mercado de ativos digitais, o movimento repentino de curto prazo segue como um dos principais motores da alta do Bitcoin. Cerca de US$ 2,5 bilhões em apostas alavancadas contra o Bitcoin e US$ 4,5 bilhões em todo o mercado cripto foram liquidados nos últimos três dias, segundo dados da Coinglass.

As apostas vendidas no ETF IBIT, da BlackRock – o maior do mundo –, vinham crescendo de forma constante ao longo do ano. O interesse de venda a descoberto, como porcentagem do total de cotas em circulação do fundo de US$ 55 bilhões, subiu para cerca de 3%, de acordo com a S3.

“O ouro carrega o verdadeiro sinal macro desta semana. Sua alta foi expressiva depois que o Tesouro dobrou as recompras de títulos, sem nenhuma das compras forçadas que infl​aram o preço do Bitcoin”, disse McCarthy. “Se você quer saber onde os investidores estão de fato se protegendo do risco cambial e inflacionário nesta semana, o ouro mostra isso; o Bitcoin, não.”

A reunião de Trump, que reuniu executivos de empresas como Coinbase Global e Payward, foi lida como sinal positivo do compromisso do governo com as criptomoedas. Trump pressionou o Senado a aprovar o Clarity Act, um projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas que está paralisado devido a divergências sobre as disposições éticas. O projeto não chegou a ser votado antes do recesso do Senado em agosto.

As ações de empresas ligadas a cripto também seguiram em alta. A Coinbase, a maior plataforma de negociação digital dos EUA, subiu 8,2%. A Strategy, acumuladora de Bitcoin, avançou 6%, e a Circle Internet Group, emissora de stablecoins, teve alta de 5,2%.

Investidores institucionais voltaram ao mercado esta semana. Os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA caminham para o maior fluxo semanal de entradas desde janeiro. Os 13 fundos já somam mais de US$ 1 bilhão em captação na semana, alimentando ainda mais o otimismo com cripto.

“Pela primeira vez este ano, existe o risco de minha projeção para o fim do ano, de US$ 100 mil, estar subestimada”, escreveu Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa em ativos digitais do Standard Chartered, em relatório a clientes.

“A reunião de Trump sobre cripto, o avanço do Clarity Act e os fluxos positivos dos ETFs alimentaram o otimismo, mas não explicam tudo”, disse Lucas.

Em mais um sinal de vitalidade, grandes detentores do token, as chamadas baleias do Bitcoin, voltaram a acumular, adicionando cerca de US$ 2,75 bilhões em tokens ao longo de 60 dias, segundo a CryptoQuant.

O Bitcoin segue bem abaixo do pico de mais de US$ 126.000, atingido em outubro passado, pouco antes de uma forte queda que o levou a US$ 58.642 no fim de junho.

Panco sai na frente em disputa para compra da marca Nutrella

21 de Agosto de 2026, 17:02

A Panco apresentou uma proposta para comprar a Nutrella, marca de pães que a mexicana Bimbo precisa vender por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), apurou o InvestNews.

A Lua Nova Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios, razão social da Panco, constituiu advogados para representá-la no processo de desinvestimento dos ativos relacionados à Nutrella. A petição foi publicada nesta sexta-feira (21) no sistema do Cade.

A movimentação indica que a Panco deve ter sido a autora do maior lance da primeira etapa do leilão da Nutrella, realizado em 24 de julho. Os nomes dos participantes foram mantidos em sigilo.

Na ocasião, o processo foi dividido em duas fases. A primeira reuniu concorrentes diretos da Bimbo no mercado de pães e teve como maior oferta um lance de R$ 3 milhões. O segundo colocado ofereceu R$ 2,1 milhões.

Mais do que determinar imediatamente um vencedor, os lances estabeleceram uma fila de prioridade para a análise do Cade. O participante que ofereceu R$ 3 milhões ganhou o direito de apresentar primeiro sua documentação e seu plano para assumir a Nutrella.

Caso o Cade considere que esse interessado não reúne as condições necessárias para manter a marca como um concorrente efetivo da Bimbo, a proposta pode ser descartada e a vez passa ao segundo colocado.

@investnewsbr

Quem venceu o leilão da Nutrella e por quanto? “Depende” é a única resposta possível no momento. O motivo é que não basta apenas o maior lance: haverá uma análise concorrencial do Cade. #nutrella #bimbo #negócios

♬ som original – InvestNews BR – InvestNews BR

É justamente nessa etapa que a Panco aparece agora. O documento apresentado ao Cade informa que a companhia será representada no acompanhamento da análise de sua proposta de compra da Nutrella e também nas tratativas com o mandatário responsável pelo desinvestimento.

Isso torna provável que a Panco tenha sido a responsável pelo lance de R$ 3 milhões. Os documentos, porém, não associam nominalmente a empresa ao valor oferecido no leilão.

A segunda etapa do certame foi destinada a fabricantes de outros segmentos de alimentos com distribuição nacional. Nela, apareceram propostas maiores: R$ 4,7 milhões e R$ 4,6 milhões. Esses participantes, no entanto, só entram na fila caso o Cade não aprove os interessados classificados na primeira fase.

Nutrella em busca de um comprador

A estrutura incomum do leilão é consequência das condições impostas pelo Cade para aprovar a compra da Wickbold pela Bimbo.

Ao autorizar a operação, em setembro de 2025, o órgão antitruste determinou que a companhia mexicana se desfizesse da Nutrella para evitar uma concentração excessiva no mercado de pães. Outra marca incluída no pacote de desinvestimentos, a Tá Pronto!, de tortilhas, foi vendida para a dona da Pita Bread.

A venda da Nutrella, por sua vez, se mostrou mais difícil. Antes do leilão, a Bimbo chegou a apresentar quatro potenciais compradores ao Cade, mas nenhum deles foi considerado adequado pelo órgão.

Sem conseguir concluir a venda diretamente, a companhia teve de colocar a marca em um leilão aberto e sem preço mínimo.

Agora, a definição de quem ficará com a Nutrella volta às mãos do Cade. Se a proposta da Panco for aprovada, a fabricante brasileira poderá assumir a marca.

Se o órgão entender que a operação não atende às condições estabelecidas para o desinvestimento, a fila do leilão anda — e outro interessado poderá ficar com o ativo.

Procurada, a Bimbo ainda não respondeu. O InvestNews tenta contato com a Panco.

Lula pede a Trump retomada das negociações sobre tarifas contra o Brasil

21 de Agosto de 2026, 15:47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a Donald Trump que retome as negociações sobre as tarifas americanas contra o Brasil durante um telefonema nesta sexta-feira, buscando amenizar as relações com Washington antes das eleições de outubro.

Lula rebateu as alegações americanas de práticas comerciais desleais que levaram à imposição de tarifas de 25% sobre muitos produtos brasileiros, chamando-as de “infundadas” durante uma ligação que durou mais de uma hora, informou o governo brasileiro em comunicado.

Trump propôs que autoridades de ambos os governos se reunissem o mais breve possível, segundo o Brasil. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Esta é a primeira ligação entre os dois líderes desde que as relações se deterioraram em maio, quando os EUA classificaram dois grandes grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas antes da imposição de tarifas, em julho.

As medidas contribuíram para mergulhar os EUA e o Brasil em uma disputa diplomática, depois que Lula acusou Washington de tentar interferir nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro.

No final de julho, o governo bloqueou vistos para dois funcionários do Departamento de Estado por suspeitar que eles planejassem questionar a integridade do sistema eleitoral do país. Em seguida, os EUA rebaixaram o status do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, embora ela continue autorizada a trabalhar no país, após alegarem que o governo Lula está atrasando o credenciamento de seu enviado diplomático a Brasília.

Lula e Trump entraram em atrito no ano passado depois que o líder americano impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em uma tentativa malsucedida de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a escapar de acusações por tentativa de golpe. Trump posteriormente retirou as tarifas.

Lula também reiterou seu interesse em cooperar com os EUA no combate ao crime organizado, afirmando que o Brasil dispõe dos instrumentos necessários para enfrentar esses grupos sem uma classificação especial, segundo o comunicado.

A estratégia do bilionário Ray Dalio para se proteger do risco de uma crise da dívida dos EUA

21 de Agosto de 2026, 15:43

O bilionário Ray Dalio, considerado um dos maiores e mais bem-sucedidos investidores da história, deu a sua visão sobre o significado da intervenção do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos nesta semana.

Dalio afirmou que investidores deveriam reduzir suas posições em títulos de dívida americana e alocar até 15% de seu dinheiro em ouro. O objetivo? Se proteger contra o risco de uma crise da dívida dos Estados Unidos, que, segundo seu alerta, pode estar a apenas três anos de distância.

Manter uma exposição menor a títulos e cerca de 10% a 15% de uma carteira em ouro, além de “um pouco” de bitcoin, poderia tanto reduzir os riscos quanto aumentar os retornos, disse Dalio, que há muito tempo alerta para os perigos do crescimento da dívida pública.

Os comentários acontecem em um momento em que os rendimentos dos Treasuries de longo prazo subiram para máximas de vários anos e o Japão, maior credor estrangeiro dos EUA, vendeu títulos americanos para sustentar o iene.

Para conter a queda no mercado de títulos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana planos para aumentar as recompras de títulos de dívida de longo prazo — uma medida surpreendente que, até agora, proporcionou pouco mais do que um suporte de curto prazo.

Os acontecimentos mais recentes são consistentes com o modelo de ciclo da dívida que Dalio apresentou em seu livro How Countries Go Broke: The Big Cycle (em tradução livre: “Como os países quebram: o grande ciclo“), escreveu ele.

Segundo Dalio, o aumento dos custos do serviço da dívida acaba entrando em conflito com uma demanda insuficiente dos investidores, obrigando os governos a aceitar taxas de juros mais altas ou os bancos centrais a imprimir dinheiro para comprar a dívida. Isso enfraquece as moedas e alimenta a inflação ao longo do processo.

Dalio estima que a receita do governo americano será de cerca de US$ 5,5 trilhões neste ano, contra US$ 7,5 trilhões em gastos, deixando um déficit de US$ 2 trilhões. Somente os custos com juros deverão chegar a aproximadamente US$ 1 trilhão neste ano, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em dívidas precisarão ser refinanciados.

Sem uma mudança de rumo, uma crise da dívida dos EUA poderia chegar “em três anos, para mais ou para menos dois”, afirmou Dalio.

Ele defende a redução do déficit orçamentário para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), ante o nível atual de aproximadamente 6%, por meio de uma combinação de cortes de gastos, aumento da arrecadação tributária e redução das taxas de juros.

Dalio afirmou que pressões fiscais semelhantes estão afetando países como Reino Unido, China e Japão.

É por isso que “espero que moedas que não sejam produzidas pelos governos, como ouro e Bitcoin, tenham um desempenho relativamente bom”, escreveu ele.

Irmãos Batista compram fabricante de armas de guerra Avibras

21 de Agosto de 2026, 13:48

Os irmãos Joesley e Wesley Batista foram novamente às compras.

Por meio da Globe Investimentos, a empresa dos irmãos donos da JBS está comprando 100% da Avibras, fabricante de artigos bélicos. A Globe é um veículo de investimentos pessoais dos empresários Joesley e Wesley Batista e é a mesma empresa pela qual eles investiram na Usiminas.

“A transação tem como objetivo dar sustentação à recente retomada das operações da Avibras, preservar sua capacidade tecnológica e industrial e criar as condições necessárias para que a companhia volte a crescer de forma sustentável nos mercados brasileiro e internacional”, diz a Globe em nota.

Segundo o comunicado da empresa dos Batista, o negócio também preserva o controle nacional de uma companhia estratégica para a defesa do país.

Quem está vendendo o negócio é o Brasil Crédito, que liderou a reestruturação e o plano alternativo de recuperação judicial da Avibras, viabilizando a criação da Nova AVB.

Colagem retrô com míssil preto, soldado de brinquedo apontando foguete, sobre mapa antigo e recortes em tons de verde e amarelo.
Ilustração: João Brito

A empresa havia passado anos entre paralisação, recuperação judicial e uma greve que durou mais de três anos.

Em maio de 2026, a fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no Vale do Paraíba, voltou a funcionar. A retomada recolocou em operação uma das companhias mais importantes da indústria militar brasileira, fabricante do sistema de foguetes Astros e responsável pelo desenvolvimento do míssil de cruzeiro MTC-300.

O dinheiro que permitiu a volta veio do setor privado. Uma captação de R$ 300 milhões coordenada pelo Fundo Brasil Crédito reuniu investidores e teve a participação justamente de Joesley Batista, conforme apurou o InvestNews em reportagem de 12 de agosto.

O empresário assinou contrato para entrar no financiamento; o valor individual de sua participação não foi informado.

A transação foi notificada ao Cade e o valor do negócio não foi divulgado.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Herança no divórcio: como fica a partilha de bens recebidos durante o casamento?

21 de Agosto de 2026, 13:48

Receber uma herança durante o casamento não significa, necessariamente, que o patrimônio ficará fora da divisão em um eventual divórcio. O que acontece com esses bens depende do regime de bens escolhido pelo casal e de algumas circunstâncias específicas.

“O regime é algo que vai se aplicar para a vida do casal e também para quando o casamento terminar”, explica Rafael Frota, sócio do Bhering Cabral Advogados. “Dependendo do regime e de como o bem foi adquirido, o tratamento é diferente.”

A regra geral: herança é sempre bem particular

Na maioria dos regimes de casamento, um bem recebido por herança ou doação nasce como propriedade exclusiva de quem o recebeu — não se torna “do casal” só porque a pessoa é casada. Essa regra vale tanto para imóveis quanto para dinheiro, ações ou qualquer outro ativo, com uma exceção na comunhão universal, que trata a herança de outro jeito.

O que diz cada regime, na hora do divórcio:

  • Comunhão parcial (o regime padrão no Brasil, quando o casal não assina pacto antenupcial): o bem recebido por herança fica de fora da partilha. Só entram na divisão os bens adquiridos em conjunto durante o casamento.
  • Separação total de bens: nada se comunica em nenhuma hipótese, nem a herança, nem qualquer outro bem adquirido antes ou depois do casamento.
  • Comunhão universal: aqui a lógica se inverte. Tudo se comunica, inclusive a herança, a menos que o testamento ou a doação que originou o bem tenha uma cláusula específica de incomunicabilidade.
  • União estável sem contrato: se o casal não formaliza um regime por escritura, a lei trata a união estável como se fosse comunhão parcial — as mesmas regras acima se aplicam.

Mas a herança nem sempre permanece do jeito exato em que chegou. Às vezes a pessoa vende o imóvel herdado, ou usa o dinheiro para comprar outra coisa, e aí a proteção original só se mantém se for feita da forma certa.

Sub-rogação: como manter a proteção ao vender ou trocar o bem

Uma ferramenta que ajuda a manter um bem particular, mesmo depois de vendido ou trocado, é a sub-rogação: se a pessoa vende o imóvel herdado e usa o dinheiro para comprar outro, o novo bem também é considerado particular, desde que isso fique expressamente registrado, geralmente na escritura do novo imóvel. “A sub-rogação não é presumida. Ela tem que ser escrita”, reforça Frota.

O advogado dá um exemplo: a esposa herdou um imóvel da mãe. Se ela vender esse bem por R$ 2 milhões e comprar outro com o dinheiro, a escritura do novo imóvel precisa declarar que ele é produto da venda do bem herdado — com o marido assinando como reconhecimento de que, apesar de casado em comunhão parcial, aquele bem continua sendo só da esposa.

A situação fica mais complicada quando o dinheiro da venda não vai direto para outro bem, mas é gasto ou investido em algo do casal — uma reforma na casa comum, por exemplo. Nesses casos, a única forma de tentar preservar a separação é abrir uma conta específica para esse dinheiro e declará-la no Imposto de Renda como produto da venda de um bem recebido em herança. Ainda assim, Frota reconhece que essa proteção não é blindada: “É discutível. Pode ser contestada.”

E o que a herança rende — aluguel, dividendos — também é particular?

Aqui a resposta fica mais cinzenta. O bem em si continua particular, mas o que ele produz é mais difícil de proteger. “É dinheiro que entra no dia a dia e acaba fazendo parte da vida do casal, mesmo que, tecnicamente, devesse continuar sendo só do proprietário original”, diz Frota.

A lógica se repete com dividendos. As ações herdadas em si são fáceis de rastrear — se a empresa faz um desdobramento e 1.000 ações viram 2.000, essas novas ações continuam sendo particulares, por sub-rogação. Mas os dividendos que essas ações pagam, uma vez em dinheiro na conta, enfrenta o mesmo problema do aluguel. “Dinheiro não tem carimbo”, comenta Frota. 

A cláusula que reforça a proteção da herança no divórcio: incomunicabilidade

Quem quer blindar um bem específico contra a partilha, mesmo que haja um casamento com comunhão universal, pode incluir uma cláusula de incomunicabilidade. Mas essa decisão não é do herdeiro, é de quem deixa o bem. É o pai, a mãe, ou qualquer pessoa que faça um testamento ou uma doação quem inclui a cláusula no documento, restringindo de antemão como a propriedade aquele bem específico deverá se comportar no futuro.

Normalmente, um imóvel herdado não vem com nenhuma restrição, ou seja, o herdeiro pode vender, alugar ou usar como quiser. A cláusula de incomunicabilidade muda isso: ela fica registrada junto ao imóvel e cria essa única restrição específica. “Isso aqui não se comunica com quem quer que você case, sob qualquer regime”, exemplifica Frota sobre o efeito prático da cláusula.

Ela funciona para bens corpóreos, como um imóvel, mas, mais uma vez, não para dinheiro. “Não tem como gravar dinheiro com a cláusula de incomunicabilidade”, diz Frota. Isso reforça por que a sub-rogação, e não a cláusula, pode ser o caminho para proteger dinheiro em espécie.

Outra cláusula usada junto com a incomunicabilidade é a de reversão, aplicável a bens doados: se o filho que recebeu a doação morrer antes do pai ou da mãe doador, o bem retorna ao patrimônio de quem doou, em vez de passar para o cônjuge do filho ou outros herdeiros dele.

General Mills deixa de vender sorvetes da Häagen-Dazs no Brasil

21 de Agosto de 2026, 12:06

A Häagen-Dazs vai deixar o mercado brasileiro. A General Mills, dona da marca, confirmou que os sorvetes não serão mais distribuídos no país como parte de uma reformulação de portfólio anunciada pela companhia em março deste ano.

“A marca Häagen-Dazs não será mais distribuída no Brasil, devido a um plano de reformulação de portfólio da General Mills, anunciado em março de 2026”, informou a empresa em nota ao InvestNews.

A distribuição já foi encerrada, mas a companhia não deu mais detalhes nem explicou se existe a possibilidade de retorno por meio de um parceiro local.

A marca foi criada em 1921, com Reuben Mattus, nos Estados Unidos. Os sorvetes Häagen-Dazs começaram a ser vendidos no Brasil em outubro de 1997, inicialmente chegando às prateleiras de supermercados e a pontos de venda em São Paulo antes de expandir para o Rio de Janeiro e outras capitais. De 1998 a 2018, a marca teve lojas de sorveteria.

A decisão vem cinco meses depois de a General Mills anunciar a venda de sua operação brasileira para a 3corações por cerca de R$ 800 milhões.

O negócio inclui as marcas Yoki e Kitano e fábricas em Pouso Alegre, em Minas Gerais, e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso. Essa operação havia registrado aproximadamente US$ 350 milhões em vendas líquidas no ano fiscal de 2025.

Na época, a General Mills disse que a saída reforçava sua estratégia de reorganizar o portfólio e concentrar recursos em negócios considerados prioritários globalmente.

A Häagen-Dazs também continua crescendo em outros mercados. No Japão, onde a operação funciona por meio de uma joint venture, as vendas avançaram 12% no quarto trimestre e 5% no ano fiscal, em moeda constante. A empresa atribuiu o desempenho a preço e mix de produtos, além do lançamento de novidades.

A reformulação, portanto, tem sido feita mercado a mercado.

Na China, a General Mills anunciou em junho a venda de cerca de 170 lojas Häagen-Dazs para um grupo de investidores que inclui a rede chinesa de chá Ningji. A rede chegou a ter aproximadamente 400 unidades no país. Apesar da venda das sorveterias, a General Mills continuará comercializando Häagen-Dazs no varejo e no foodservice chinês.

Negócio derretendo?

A General Mills não está sozinha em rever a maneira como opera o negócio de sorvetes. Recentemente, duas das maiores empresas de alimentos e bens de consumo do mundo tomaram decisões mais amplas sobre a categoria.

A Unilever separou completamente sua divisão de sorvetes e criou a The Magnum Ice Cream Company, dona de marcas como Magnum, Ben & Jerry’s, Cornetto e Wall’s. A companhia independente estreou na bolsa de Amsterdã em dezembro de 2025 avaliada em cerca de € 7,8 bilhões, abaixo de estimativas anteriores que chegaram a € 15 bilhões.

A decisão refletiu uma característica particular do setor. Sorvete exige uma cadeia refrigerada própria, com freezers, transporte e armazenamento específicos, além de ser um negócio mais sazonal e intensivo em capital do que várias das outras categorias da Unilever.

A Nestlé seguiu um caminho diferente. A companhia está em negociações para transferir à Froneri os negócios de sorvete que ainda mantém diretamente em seis países — Canadá, Chile, Peru, Malásia, China e Tailândia. A Nestlé, no entanto, continuará exposta ao setor: é dona de 50% da Froneri, criada em parceria com a gestora PAI Partners.

Nos três casos, as empresas estão reduzindo operações próprias, concentrando estruturas e escolhendo com mais rigor os mercados em que querem permanecer.

Trump anuncia alívio tarifário para reduzir preço da carne nos EUA. Medida pode beneficiar Brasil

21 de Agosto de 2026, 11:17

O presidente Donald Trump disse que permitirá uma redução tarifária para algumas importações de carne bovina moída, em uma tentativa de baixar os preços para os consumidores americanos, uma preocupação importante antes das eleições legislativas de novembro.

“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne bovina moída para as famílias trabalhadoras americanas”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira.

O presidente afirmou que “nos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300 mil toneladas métricas de produtos destinados à carne bovina moída sem a aplicação da tarifa de importação fora da cota. Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos preços atuais de mercado”.

Trump não forneceu mais detalhes sobre o acordo, incluindo a origem dessas importações. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A medida sobre as importações — que equivale a cerca de 2% do consumo doméstico anual dos EUA, de aproximadamente 13 milhões de toneladas — é a mais recente tentativa do presidente de conter os preços da carne bovina, que dispararam em meio a uma forte escassez de gado nos EUA. Custos de produção mais elevados e pastagens secas tornaram mais difícil para os pecuaristas criar os animais.

Trump já havia buscado aumentar as importações de carne bovina, inclusive ampliando a quantidade que a Argentina poderia enviar com tarifas mais baixas. O Departamento de Agricultura dos EUA projetou, no início deste mês, que as importações representarão uma parcela recorde da oferta de carne bovina do país neste ano.

As próximas eleições, que definirão o controle do Congresso, provavelmente serão influenciadas pela percepção dos eleitores sobre a economia, com o aumento dos custos de alimentos, saúde, serviços públicos e moradia ocupando o centro das atenções. Os preços de produtos básicos, como carne bovina e ovos, além da gasolina, têm um peso especialmente grande na percepção dos consumidores sobre a inflação.

Pesquisas mostram que o Partido Republicano de Trump enfrenta uma batalha difícil para manter o controle do Congresso, com os eleitores insatisfeitos com a condução da economia pelo presidente e com a guerra contra o Irã, que elevou os preços nos postos de combustíveis.

Há sinais de que os americanos estão chegando ao limite em relação à alta dos preços da carne bovina. O volume de vendas de carne bovina nas 13 semanas encerradas em meados de julho — período importante que inclui tanto o Memorial Day quanto o feriado de 4 de julho — caiu 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a empresa de pesquisa Circana. Isso se compara a um crescimento de cerca de 5% nos dois anos anteriores.

Brasil pode ser beneficiado

As principais fontes das importações de carne bovina dos EUA no primeiro semestre do ano foram Austrália e Brasil, segundo o Departamento de Agricultura americano. Os EUA permitem que alguns países enviem determinada quantidade de carne bovina sem tarifas a cada ano. Os volumes que ultrapassam esse limite ficam sujeitos a tarifas mais elevadas.

Os embarques da Argentina, impulsionados por Trump no ano passado, mais que dobraram no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os produtos estrangeiros tendem a ser aparas de carne bovina mais magras, que são misturadas a produtos americanos com maior teor de gordura para atingir a proporção adequada entre gordura e carne magra na produção de carne moída.

Além de importar mais carne, os EUA também estão prestes a retomar as importações de gado vivo do México, que haviam sido amplamente interrompidas por mais de um ano devido à disseminação de um parasita que afeta o gado.

Os frigoríficos têm defendido esse comércio como uma medida importante e imediata para enfrentar os preços no curto prazo, potencialmente permitindo a entrada de mais de 1 milhão de cabeças de gado por ano nos EUA. Ainda assim, inicialmente, esses embarques deverão entrar por apenas um porto no Arizona, representando uma pequena parcela da oferta.

As medidas da Casa Branca ocorrem enquanto os primeiros sinais de reconstrução do rebanho americano ainda são insuficientes para proporcionar qualquer alívio imediato. Os processadores de carne bovina, pressionados pelo aumento do custo do gado, tiveram de fechar unidades para reduzir a competição por animais escassos, incluindo uma medida anunciada na semana passada pela Tyson Foods.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Braskem busca acordo com credores para evitar recuperação judicial

21 de Agosto de 2026, 10:21

A Braskem informou que as negociações com credores se intensificaram, mas ainda não resultaram em um acordo, enquanto o prazo da proteção judicial contra medidas de execução de dívidas termina em apenas três dias.

A gigante petroquímica brasileira disse ter recebido propostas indicativas e não vinculantes de grupos de credores para uma possível reestruturação, incluindo alternativas que preveem injeção de capital e a constituição de “garantias reais” sobre ativos como forma de assegurar as obrigações, segundo comunicado divulgado na noite de quinta-feira. As propostas ainda estão sendo analisadas, informou a empresa.

“A companhia avalia a adoção de possíveis medidas de proteção contra credores, considerando o término do período de suspensão das medidas de execução. Até a presente data, não foi tomada nenhuma decisão sobre os termos da reestruturação.”

A Braskem tem até 24 de agosto para chegar a um acordo de reestruturação extrajudicial e evitar a chamada recuperação judicial, equivalente no Brasil à proteção contra falência.

A participação da estatal Petrobras, que controla a empresa em conjunto com o grupo IG4 Capital, dá ao caso uma dimensão política adicional em um ano eleitoral, quando o governo provavelmente será pressionado sobre o futuro de empresas consideradas estratégicas.

A Braskem pediu proteção emergencial contra credores no fim de junho, depois que as negociações para uma solução extrajudicial para sua crescente dívida enfrentaram obstáculos. A medida suspendeu por 60 dias as ações de execução movidas pelos credores.

Sua unidade mexicana, Braskem Idesa, entrou nesta semana com um pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos em um processo pré-negociado, enquanto o aumento das dificuldades financeiras e a piora da situação de liquidez pressionam a companhia.

A Braskem precisa do apoio de detentores de pelo menos um terço de sua dívida para chegar a uma reestruturação extrajudicial dentro do regime brasileiro. Se um acordo for alcançado, as partes terão mais 90 dias, segundo a legislação brasileira, para concluir os termos da reestruturação.

Um grupo de credores, incluindo Elliott Investment Management LP e Contrarian Capital Management, vinha pressionando a Petrobras a assumir um compromisso financeiro, com alguns deles pedindo uma contribuição de capital, capital de giro ou dívida subordinada, segundo pessoas familiarizadas com o assunto disseram no início deste mês.

Enquanto isso, a Petrobras avalia se concederá condições de pagamento mais favoráveis à Braskem em alguns contratos, enquanto a petroquímica corre contra o tempo para encontrar uma solução para seus problemas de dívida, informou a Bloomberg nesta semana.

Os rendimentos dos títulos da Braskem denominados em dólar e com vencimento em 2031 dispararam para cerca de 23%, níveis normalmente associados a dívidas em situação de estresse financeiro.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Hapvida mantém revisão de 947 mil contratos após ação da ANS

21 de Agosto de 2026, 10:05

A Hapvida informou nesta sexta-feira (21) que seguirá revisando os contratos de cerca de 947 mil beneficiários e afirmou não ter recebido notificação formal da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) sobre a medida cautelar anunciada pela agência para suspender preventivamente reajustes e cancelamentos ligados a esses contratos.

A medida foi anunciada pela ANS na quinta-feira, depois que a Hapvida informou a intenção de revisar contratos considerados de rentabilidade inadequada ou com histórico de inadimplência.

O grupo de 947 mil beneficiários representa cerca de 11% da carteira de saúde da companhia. Segundo a agência, o objetivo é proteger os beneficiários e apurar possíveis indícios de seleção de risco — prática vedada pelas regras do setor.

Em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Hapvida confirmou as informações já divulgadas sobre a revisão da carteira. O processo será conduzido contrato a contrato, conforme a data de aniversário de renovação de cada acordo, ao longo dos próximos 12 meses.

Segundo a companhia, a revisão comercial faz parte da atividade ordinária da operação. Nos contratos coletivos, as renegociações seguirão as condições previstas nos próprios acordos e as normas da ANS, incluindo prazos de vigência e aviso prévio.

A empresa apresenta aos contratantes as condições consideradas necessárias para o reequilíbrio dos contratos, mas a decisão de aceitar ou não as propostas cabe aos clientes. A revisão, portanto, não implica necessariamente o cancelamento dos contratos, já que as partes podem negociar condições para a continuidade dos acordos.

Hapvida pediu audiência com a ANS

A Hapvida afirmou que tomou conhecimento pela imprensa da suposta medida cautelar de ofício adotada pela ANS e, como não recebeu comunicação formal da agência, solicitou por iniciativa própria uma audiência com o órgão.

A companhia pretende apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios relacionados à revisão e disse que prestará todos os esclarecimentos solicitados pela ANS pelos canais oficiais.

A empresa também afirmou que não houve alteração nas informações e nas perspectivas divulgadas nos resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26).

Judicialização dos planos de saúde

O episódio ocorre em um momento de forte pressão sobre o setor de saúde suplementar, que também enfrenta o avanço da judicialização. Levantamento do InvestNews mostra o crescimento expressivo dos processos envolvendo planos de saúde e os impactos desse movimento sobre as operadoras. Leia a reportagem completa

Esse cenário pressiona ainda mais as despesas das operadoras, que precisam arcar com decisões judiciais relacionadas a tratamentos, procedimentos e coberturas — o que pode elevar custos e afetar a rentabilidade dos contratos.

No caso da Hapvida, a revisão da carteira ocorre justamente em meio ao esforço da companhia para melhorar a rentabilidade e a geração de caixa. A suspensão preventiva determinada pela ANS pode interferir no andamento dessas medidas, mas o impacto final dependerá dos esclarecimentos apresentados pela empresa e da avaliação do regulador.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Nova safra de ETFs explora o variável da renda fixa – com opções para conservadores e agressivos

21 de Agosto de 2026, 10:00

A ciência ainda não encontrou uma forma de viajar no tempo. Nem de parar o passar dos anos. Mas o mundo financeiro inventou uma maneira de congelar o “envelhecimento” de papéis de renda fixa: são os ETFs com prazo fixo.

Como assim? Esse tipo de fundo traz uma carteira de títulos atrelados à inflação: as NTN-Bs – ou IPCA+, como também são chamados no mercado.

A diferença é que a carteira gira o tempo todo com um objetivo específico: manter os fundos lá dentro sempre com a mesma data de vencimento – 2, 5 10 anos… a depender do ETF. Sempre: comprou hoje o de 2 anos, e os títulos lá dentro vão vencer, na média, em 2028. Comprou no ano que vem, eles vão vencer em 2029.

Para entender melhor, vamos examinar como a passagem do tempo afeta um título de renda fixa.

O cardápio do Tesouro Direto é farto em IPCA+. Tem o 2032, o 2040, o 2045, 0 2050… Datas de vencimento diferentes, mas sempre com uma coisa o comum: o valor final.

Esse é sempre o mesmo: R$ 4.740 em dinheiro de hoje (o nome técnico é Valor Nominal Atualizado). Ele sobe um pouco todo dia para se manter a par com a inflação. Mas é isso: daqui a 10 anos, 60 anos, seja qual for a data de vencimento, toda NTN-B vai valer R$ 4.740 em dinheiro de hoje.

A diferença é o tanto que você paga por cada uma. Aí vai variar de acordo com o vencimento. Um IPCA+2032 custa hoje (20 de agosto), R$ 2.990. A taxa de juro que ele paga neste momento é de IPCA+8,05%.

Isso significa, simplesmente, que R$ 2.981 rendendo IPCA+8,05% vai dar R$ 4.740 em dinheiro de hoje no ato do vencimento, dia 15 de agosto de 2032.

Agora, um IPCA+2050. Ele custa bem menos que o 2032: só R$ 874. Por que? Porque só vai se transformar no equivalente a R$ 4.740 num futuro distante. O juro ali nem é tão diferente: 7,30%. A diferença é que ele age por muito mais tempo.

Pois bem. A taxa de juro muda todo dia. O mercado vai ajustando de acordo com as expectativas para o futuro distante da Selic.

Só tem um detalhe. Uma mexida de no juro do 2050 significa uma variação de preço preço bem maior do que no 2032, já estamos falando em décadas de juros compostos a mais.

Se o juro do 2032 cai 0,3 ponto percentual (e vai a IPCA+7,75%), seu saldo sobe 1,68%.

Se o juro do 2050 cai 0,3 ponto percentual (e vai, nesse caso, a IPCA+7%), seu saldo sobe 6,95%.

Veja mais aqui na tabela:

table visualization

É isso. Quanto mais longe o título estiver o vencimento, ou seja, quanto maior for o duration dele, no jargão, mais volátil é o título – mais sensível às oscilações de juros do dia a dia.

Quando você compra um título essa volatilidade vai diminuindo conforme o título envelhece. E basicamente zera quando o vencimento está bem próximo.

Quem tem um dinheiro para aplicar com um horizonte definido, por exemplo, aposentadoria ou a compra de um carro, o melhor é comprar um título que vence próximo ao momento no qual você vai precisar dos recursos. E pronto.

Mas nem todo investidor deseja isso. É perfeitamente possível ter uma tática constantemente agressiva, sempre em busca das variações maiores do títulos de longo prazo. E também é normal querer sempre o mar calmo do curto prazo – com menos chance de alta brusca, mas com risco menor de perda.

É para isso, então, que vieram os ETFs de prazo fixo. Como eles, é como se o relógio fosse reinicializado de tempos em tempos para manter o prazo constante.

Duas gestoras chegaram a esse segmento quase ao mesmo tempo.

A Nu Asset Management lançou em julho os ETFs NB0211, NB0511 e NB1011, cada um replicando um índice desenvolvido em parceria com a B3 para representar prazos fixos de 2 anos, 5 e 10 anos.

Poucos dias depois, a Galapagos Capital anunciou o lançamento simultâneo do 03BK11 e do 10BK11, com prazos constantes de 3 e 10 anos, seguindo o índice da Teva Indices.

Também dá para misturar prazos, buscando o “blend” ideal para cada apetite. Metade do dinheiro num de 2, de baixíssima volatilidade, e metade num de cinco (de volatilidade média), vai dar um prazo médio de 3,5 anos (volatilidade média-baixa).

Em um título de 2 anos, por exemplo, para cada ponto percentual de queda de taxa há um ganho de cerca de 2% no saldo em reais. No caso de um papel com prazo constante de 10 anos, a redução de um ponto gera um aumento de quase 10% no valor em carteira.

Bom momento para os longos

Os títulos IPCA+ têm pagado taxas entre 7,2% e 8,3% ao ano. Mas a mediana do juro real, ou seja, a parcela acima da inflação, nos últimos 16 anos é de 5,5%.

É razoável, portanto, esperar que em algum momento no futuro a curva de juros passe a convergir para esse ponto mediano. Isso favorece apostas nos títulos mais longos.

De 2016 a 2019, num período de queda nos juros de longo prazo, os títulos IPCA+ com prazos de 10 anos chegaram a registrar um ganho acumulado de 100%.

Temos uma oportunidade muito interessante pensando em médio e longo prazos”, afirma o sócio responsável por ETFs da Galapagos Capital, Bruno Stein.

Outro ponto importante dos ETFs de prazo fixo é a possibilidade de manter a duração constante do investimento em IPCA+, mas com melhor eficiência tributária

“Se você ficar rebalanceando a carteira de tempos em tempos para tentar manter um ‘duration’ [prazo de retorno] constante, vai ter a cada operação imposto de renda e outros custos”, explica Stein.

O que os números mostram

A Nu Asset realizou simulações com dados que remontam a 2010 até o momento atual para entender o comportamento dos ETFs em cada prazo.

Os três índices – de 2, 5 e 10 anos – convergem para retornos parecidos entre 11,2% e 11,3% ao ano no nominal. Isso equivale a um juro real de IPCA+5% ao ano.

A diferença relevante não está no retorno final, mas na trajetória até ele: o índice de 2 anos passou pelo período com uma queda máxima de 5,1%. Já o de 10 anos, mais sensível, chegou a cair 19,5% a partir da máxima.

Stein, da Galápagos, define os ETFs de duração fixa – principalmente os longos: “É um produto diferente, para quem sabe trabalhar com risco. Não é para quem busca uma reserva financeira.”

Oncoclínicas conclui venda de participação em joint venture saudita por US$ 6,55 milhões

21 de Agosto de 2026, 08:31

A Oncoclínicas informou na noite de quinta-feira (20) que concluiu a venda de sua participação na joint venture Specialized Medical Treatment Company, constituída sob as leis da Arábia Saudita, à Advanced Drug Company for Pharmaceuticals, pelo valor total de US$ 6,55 milhões (cerca de R$ 33,3 milhões).

A rede hospitalar alienou 45.000.754 ações, representativas de 27,49% do capital social da Specialized Medical Treatment Company. Segundo a empresa, os pagamentos foram realizados pela compradora em duas parcelas, nos dias 10 e 20 de agosto de 2026, totalizando 100% do valor previsto no contrato de compra e venda de ações. Os recursos estão sendo destinados à aquisição de medicamentos, conforme previsto no Plano de Recuperação Extrajudicial da companhia.

A Oncoclínicas destaca que a conclusão da operação representa uma etapa relevante na implementação de seu plano de reestruturação financeira, vinculado ao pedido de homologação do Plano de Recuperação Extrajudicial ajuizado em 13 de julho de 2026, em trâmite perante a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo, sob o número 4126842-40.2026.8.26.0100. O fato relevante foi assinado por Isaac Quintino da Silva, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia.

Em julho de 2026, a empresa Oncoclínicas anunciou a venda de sua participação de 51% na joint venture SMTC, sediada na Arábia Saudita, por US$ 6,55 milhões ao grupo saudita Al Faisaliah, em uma operação voltada à simplificação de portfólio, desalavancagem e concentração de esforços no Brasil, eliminando exposição a riscos cambiais e operacionais no exterior. A decisão ocorre em meio a uma grave deterioração financeira da companhia, que recentemente protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 5,1 bilhões em dívidas, encerrando assim seu principal projeto de internacionalização menos de dois anos após seu lançamento.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

ETFs de ethereum têm maior entrada em 10 meses

21 de Agosto de 2026, 07:47

Os ETFs americanos de ethereum (ETH) voltaram a atrair dinheiro. Na quinta-feira (20), eles registraram US$ 220,8 milhões em entradas – o maior volume em 10 meses, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Detalhe: no dia anterior, os fundos atreladas à segunda maior criptomoeda do mercado já haviam captado US$ 189,1 milhões.

Para analistas, a sequência pode indicar que o apetite dos investidores institucionais, que usam esses produtos para se expor ao mercado cripto, está voltando.

O setor de ativos digitais vem se beneficiando, entre outros fatores, da decisão do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de dobrar o tamanho das operações de recompra de títulos de longo prazo. Isso favoreceu a tomada de risco, de acordo com especialistas.

Newsletter: quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews!

Na manhã desta sexta-feira (21), o ethereum é negociado perto dos US$ 2.400. No acumulado do ano, porém, a criptomoeda ainda registra queda de 43%.

Os principais criptoativos também operam em alta hoje. O bitcoin (BTC) é negociado acima dos US$ 77 mil, enquanto o XRP (XRP) sobe cerca de 19%, para US$ 1,37.

Segundo Noah Cheung, country manager da Bitget no Brasil, o cenário cripto como um todo está mais construtivo, “mas o mercado pode precisar consolidar esses ganhos antes de iniciar uma nova perna de alta”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40.

Bitcoin (BTC):  +7,86%, US$ 77.741,48

Ethereum (ETH): +4,96%, US$ 2.397,43

BNB (BNB): +5,20%, US$ 678,06

XRP (XRP): +18,83%, US$ 1,37

Solana (SOL): +4,35%, US$ 91,32

Outros destaques do mercado cripto

Exchange brasileira fecha as portas. A corretora cripto Digitra.com anunciou ontem que “decidiu não submeter pedido de autorização para funcionar como prestadora de serviços de ativos virtuais e encerrar, de forma ordenada, suas atividades de negociação e custódia de ativos virtuais no Brasil”. O motivo? A nova regulação cripto do Banco Central, considerada pesada por muitos players do setor.

No lucro novamente. A Strategy, maior tesouraria cripto do mercado, voltou a ficar no azul com sua montanha de bitcoin. A empresa tem 840.447 BTC e, com a recuperação da criptomoeda nos últimos dias, acumula um ganho não realizado de cerca de US$ 1,4 bilhão. O movimento é uma virada e tanto. Em julho, quando o bitcoin chegou a US$ 58 mil, a Strategy tinha uma perda não realizada de aproximadamente US$ 13 bilhões.

X quer pagar stablecoins para criadores. O X (antigo Twitter) está estudando usar stablecoins para pagar os criadores de conteúdo da plataforma. Quem deu a notícia foi o pessoal do portal especializado em cripto CoinDesk. Segundo uma pessoa familiarizada com os planos, a empresa de Elon Musk conversa sobre a possibilidade de usar o dólar digital USDC, emitido pela Circle, para remunerar os usuários.

Nas grandes empresas, cibersegurança já não basta. O foco é perder menos após ataques

21 de Agosto de 2026, 06:55

Em junho de 2021, a JBS tomou a difícil decisão de pagar US$ 11 milhões em resgate a hackers responsáveis por um ataque que afetou suas operações na América do Norte e na Austrália.

Quando o pagamento foi feito, a maior parte das instalações da companhia já funcionava novamente. Sistemas redundantes e servidores de backup ajudaram na recuperação, mas não eliminaram o risco de novas interrupções nem a incerteza sobre informações que poderiam ter sido roubadas.

Cinco anos depois, o episódio ainda ajuda a entender uma mudança na estratégia das grandes empresas. O prejuízo de um ataque é muito pesado: vendas perdidas, produção interrompida e clientes sem atendimento, mas pode continuar em multas, vazamento de dados e danos à reputação.

Mais do que tentar impedir toda invasão – um objetivo cada vez mais difícil de alcançar –, as companhias estão investindo para reduzir essa conta quando suas defesas são ultrapassadas. Uma estratégia que vem ganhando força no mercado é a chamada ciberresiliência (cyber resilience).

A sucessão de grandes ataques que ocupou as manchetes em 2021 e 2022 rareou nos anos seguintes. Isso não significa, porém, que o problema tenha desaparecido. Parte dos incidentes é comunicada apenas a reguladores e clientes afetados; outros só se tornam públicos quando provocam uma paralisação visível ou quando os próprios criminosos divulgam as informações roubadas.

“A gente sobe a altura do muro, mas aí o ladrão põe uma escada”, resume Andrea Fodor, CEO da operação brasileira da Hitachi Vantara, o braço de infraestrutura de dados do conglomerado japonês que faturo mais de US$ 17 bilhões globalmente em 2024. “É uma constante evolução, um gato e rato.”

Andrea Fodor, country manager da Hitachi Vantara no Brasil (Divulgação)
Andrea Fodor, country manager da Hitachi Vantara no Brasil (Divulgação)

A Hitachi Vantara hoje atende no país empresas como Petrobras, Caixa, Banco do Brasil e Porto, além do exército brasileiro.

Registros da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) mostram que o volume de incidentes comunicados permanece elevado. Foram 186 notificações em 2021, 275 em 2022, 352 em 2023 e 336 em 2024. Apenas no primeiro semestre de 2025, a autoridade recebeu outras 198 comunicações.

O custo do problema

Outro caso daquele período de 2021-2022, o da multinacional espanhola de atendimento ao cliente Atento, ajuda a dimensionar o tipo de prejuízo que as estratégias de ciberresiliência tentam reduzir hoje.

Um ataque sofrido no Brasil, também em 2021, levou a companhia a suspender conexões com clientes e retomar gradualmente seus serviços.

Meses depois, a Atento colocou a conta no papel: foram US$ 34,8 milhões em receitas perdidas e US$ 7,3 milhões em custos adicionais – um impacto superior a US$ 42 milhões em um único trimestre.

Renner, Fleury e Americanas também tiveram serviços interrompidos por ataques naquele período. Nesses casos, a dimensão mais visível do problema chegou diretamente ao consumidor: sites ficaram fora do ar, vendas foram afetadas e serviços deixaram de funcionar normalmente.

É essa conta que ajuda a explicar por que o setor passou a falar menos em bloquear todos os ataques e mais em garantir a recuperação da operação, segundo Terry Louis, gerente sênior global de alianças de tecnologia da Hitachi Vantara.

“Quando passamos da cibersegurança para a ciberresiliência, partimos do seguinte princípio: ‘Eu sei que serei invadido. Sei que os criminosos entrarão. Como garanto a recuperação dos meus ativos críticos para continuar operando?’”, diz Louis.

A mudança não torna a prevenção dispensável. Ela acrescenta uma segunda camada à estratégia: definir previamente quais sistemas precisam voltar primeiro, quanto dado a empresa aceita perder e quanto tempo pode permanecer fora do ar sem comprometer o negócio.

Terry Louis, gerente sênior global de alianças de tecnologia da Hitachi Vantara (Divulgação)
Terry Louis, gerente sênior global de alianças de tecnologia da Hitachi Vantara (Divulgação)

Louis cita um estudo da Splunk, subsidiária da Cisco, em parceria com a Oxford Economics, que estimou em US$ 600 bilhões o custo anual agregado das interrupções não planejadas entre as empresas do Global 2000 – ranking da Forbes que reúne as 2 mil maiores companhias abertas do mundo.

O valor aumentou 50% em relação a 2024 e representa uma média de US$ 300 milhões por empresa.

Camadas extras

Para Louis, contar com uma cópia dos dados não é suficiente. Criminosos podem permanecer durante semanas ou meses dentro de uma rede antes de revelar o ataque. 

Nesse intervalo, o malware pode ser replicado nos próprios arquivos de backup. Se a empresa restaurar a cópia errada, recupera não apenas seus sistemas mas também o invasor — e corre o risco de ser sequestrada novamente.

Por isso, a ciberresiliência envolve o que o setor chama de “recuperação limpa”: localizar uma versão íntegra dos dados, testá-la em um ambiente isolado e recolocar a operação no ar sem reintroduzir o código malicioso.

O desafio aumentou com a velocidade dos ataques. Um relatório da Verizon de 2026 apontou que 31% das violações analisadas começaram pela exploração de falhas em softwares. Casos com envolvimento de fornecedores e outros terceiros já representavam 48% do total.

A inteligência artificial tornou o cenário ainda mais complexo. A mesma tecnologia usada pelas empresas para detectar comportamentos suspeitos também ajuda criminosos a localizar vulnerabilidades, automatizar tentativas de invasão e produzir mensagens de phishing mais convincentes. 

Segundo a Verizon, o intervalo entre a descoberta de uma falha conhecida e sua exploração pode cair de meses para horas.

Caindo na real

Essa aceleração transforma uma decisão técnica em uma escolha econômica. As empresas precisam definir previamente quanto dado aceitam perder, quanto tempo podem permanecer fora do ar e quais sistemas devem ser recuperados primeiro.

São duas medidas centrais. A primeira é a quantidade de informação que pode desaparecer: alguns minutos de transações bancárias, algumas horas de pedidos ou um dia de produção. 

A segunda é o tempo necessário para que o serviço volte a funcionar. Dependendo do negócio, uma recuperação em dois dias pode ser tolerável. Para um banco, um hospital ou uma plataforma de pagamentos, alguns minutos já podem representar prejuízo e crise reputacional.

A conta também obriga as companhias a identificar quais informações e aplicações são realmente vitais. Proteger todos os dados com o mesmo nível de redundância e velocidade pode ser economicamente inviável. O investimento tende a se concentrar nos sistemas que mantêm o negócio operando, os chamados ativos críticos.

Mesmo uma recuperação rápida e limpa tem limites. Se os criminosos roubarem informações antes de bloquear os sistemas, restaurar os dados não impede que documentos de clientes sejam vendidos ou publicados. Também não elimina eventuais multas, processos judiciais ou danos à reputação.

Na prática, a ciberresiliência parte do reconhecimento de que algum ataque pode funcionar. O investimento serve para encurtar a paralisação, recuperar os sistemas essenciais e reduzir o impacto sobre a receita e os clientes. 

Quanto mais rápida e segura for essa retomada, menor será o espaço para que uma invasão se transforme em uma crise para o negócio.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

A dívida oculta que a Apple tem com a CIA e que ajudou no seu sucesso

21 de Agosto de 2026, 06:05

Quando a CIA apareceu sem aviso na sede da nova empresa de computadores de Steve Jobs, a NeXT, a Guerra Fria estava em pleno andamento.

O ano era 1986, e o presidente Ronald Reagan enviava bilhões de dólares ao Pentágono, grande parte para financiar novas tecnologias, incluindo sistemas de defesa antimísseis e satélites de espionagem.

Dentro da comunidade de segurança nacional, algumas pessoas compreendiam a importância da revolução da computação que estava ocorrendo no Vale do Silício — e por que precisavam ter acesso a ela.

Joe Romello e Jeff Harris eram dois desses homens. Trabalhando no que era conhecido como “Programa B” da CIA, uma iniciativa classificada para desenvolver sistemas de reconhecimento por satélite, eles acreditavam que Jobs, que havia criado sua nova empresa em 1985 depois de ser afastado da Apple, poderia ajudar a fornecer tecnologia crucial para a comunidade de inteligência.

Romello e Harris disseram que queriam falar diretamente com ele sobre “questões relacionadas à defesa, especificamente inteligência”. Eles não podiam fornecer detalhes, já que as informações eram classificadas, mas queriam saber se Jobs poderia encontrar tempo para uma reunião.

Mas por que Jobs, um filho da contracultura que havia praticado budismo sob a orientação de um mestre zen e citado o uso de LSD como uma experiência marcante em sua formação, ligaria o futuro de sua empresa a espiões?

A portas fechadas

Hoje, enquanto o Vale do Silício e o Pentágono retomam seus laços, com dezenas de bilhões de dólares de capital de risco sendo direcionados a centenas de novas startups de defesa, muitos líderes de tecnologia citam patriotismo e renovação nacional em sua busca por contratos militares.

No passado, porém, era o interesse mútuo que impulsionava a cooperação. Esse episódio pouco conhecido das conexões de Jobs com o aparato de espionagem americano merece ser revisitado justamente porque mostra as raízes profundas dessa relação — e o papel que ela desempenhou para permitir o surgimento do sistema operacional da Apple.

Jobs não teria ficado totalmente surpreso ao saber que a CIA queria falar com ele.

Além de fundar a NeXT, em fevereiro de 1986 ele havia adquirido a divisão de computação gráfica da Lucasfilm, de George Lucas, que produzia o Pixar Image Computer.

A participação majoritária de Jobs na empresa recém-criada veio acompanhada de uma tecnologia inesperada: a Pixar trabalhava com a ESL, uma empresa de defesa do Vale do Silício, e havia construído um computador sob medida para analistas de inteligência avaliarem imagens de satélite.

Quando Jobs finalmente se encontrou com Robert Kohler, presidente da ESL, os dois se deram bem, segundo Garry Fuller, que trabalhava na ESL na época e mais tarde foi para a NeXT.

Kohler, ex-alto funcionário da CIA, disse a Jobs que aquilo que o computador da NeXT havia sido projetado para fazer “para estudantes universitários, professores e pesquisadores, é exatamente o que a comunidade de inteligência faz atrás de portas fechadas”.

Romello e Harris não conseguiram se encontrar com Jobs na sede da NeXT durante aquela primeira visita. Quando Romello finalmente encontrou Jobs em Nova York, não disse exatamente o que a CIA tinha em mente.

Jobs também não queria saber. “Não me conte nada que eu não deveria saber, porque não vou me lembrar de esquecer”, disse Jobs a Romello.

Isso não era um problema para Romello, que explicou o que queria: comprar as estações de trabalho da NeXT para um cliente não identificado.

“Quantas unidades vocês estão preparados para entregar por ano?”, perguntou Romello.

“Essa é uma informação privilegiada”, respondeu Jobs.

“É mais de 20 mil? É isso que quero comprar: 20 mil unidades”, disse Romello. “E quero todas ainda este ano, mas quero duas modificações.”

A personalização que Romello tinha em mente não seria feita por Jobs ou pela NeXT. O cliente da área de inteligência queria um chip mais rápido, fornecido pela Motorola, e uma placa gráfica especial, da Intel.

“Nós nunca dissemos a ele o que realmente queríamos”, disse Romello. “Não demos a ele uma cópia do chip. As modificações foram feitas depois, por nós, por meio de nossos intermediários.”

Talvez Jobs não soubesse exatamente o que a CIA planejava fazer com seus computadores, mas acabou recebendo uma autorização de segurança de nível máximo para poder visitar instalações classificadas.

A verdade é que a NeXT precisava desesperadamente das vendas. A empresa enfrentava problemas, a maioria ligados ao perfeccionismo de Jobs — que, liberado dentro de uma empresa que ele agora possuía e controlava, ameaçava levar todo o negócio à ruína.

As estações de trabalho da NeXT eram caras e estavam fora do alcance financeiro da maioria das pessoas. As vendas para universidades, que Jobs esperava que fossem um importante mercado, nunca atingiram grandes volumes.

Isso deixou principalmente o contrato com a CIA, cuja existência quase ninguém conhecia. Publicamente, a NeXT dizia ter um contrato com o governo federal como parte de uma parceria com a ESL.

Mesmo dentro do governo, o envolvimento da CIA era protegido: a Agência de Segurança Nacional (NSA) era a compradora oficial, segundo Dain Ehring, que trabalhou com Romello no contrato da NeXT.

‘Ninguém tinha cartões de visita’

Apenas algumas pessoas na NeXT sabiam o que estava acontecendo quando visitantes misteriosos de Washington apareciam no escritório, e esses funcionários sabiam que era melhor não fazer perguntas demais.

Dan’l Lewin, que Jobs havia recrutado da Apple para a NeXT, lembrou-se de cerca de meia dúzia de grupos diferentes aparecendo no escritório, todos parecendo “agentes à paisana comuns”.

“Eles entravam, diziam: ‘Oi, meu nome é Sally’. ‘Meu nome é Bill’. ‘Meu nome é Sanjay’, ou qualquer coisa assim”, lembrou Lewin.

“E ninguém tinha cartões de visita. Todos sorriam, nós fazíamos demonstrações e havia pessoas da ESL na sala porque a ESL iria coordenar todo o projeto. Então todos iam embora, sorriam, acenavam com a cabeça e não diziam uma palavra.”

A CIA trouxe uma equipe da Sun Microsystems, que já tinha relações com a agência de espionagem, para ajudar Jobs a ampliar a produção. No primeiro mês, foram produzidas cem estações de trabalho. Depois, a NeXT aumentou a produção para 1.500 máquinas por mês — e, posteriormente, para 5 mil.

Os computadores que saíam da linha de produção eram carregados em caminhões sem identificação, que chegavam ao depósito da NeXT nas primeiras horas da manhã, e transportados para uma empresa de fachada da CIA, onde os chips modificados e os processadores gráficos eram instalados.

Depois de montadas, as unidades voltavam aos caminhões com destino à Base Aérea de Moffett Field, uma instalação militar, onde eram colocadas em enormes aviões de transporte C-5 e levadas para seus destinos finais — classificados.

Jobs ainda não sabia exatamente para onde seus computadores NeXT estavam indo, nem por quê, pelo menos segundo pessoas ligadas à área de inteligência. A verdade é que nem mesmo as pessoas responsáveis pela compra dos equipamentos — incluindo o próprio Romello — previram completamente como os computadores acabariam sendo utilizados.

Os computadores foram destinados a analistas do National Reconnaissance Office (NRO), que usavam as telas de alta resolução da NeXT e chips especializados para analisar imagens de satélite — para detectar, por exemplo, se um país havia movimentado suas forças militares ou se estava construindo um silo de mísseis.

As estações de trabalho também permitiam aos analistas criar e compartilhar apresentações, fosse para parlamentares ou para o presidente, incorporando narração em vídeo, imagens estáticas e anotações.

Igualmente importante, os NeXTcubes, como eram chamados, permitiam o compartilhamento de dados entre redes de inteligência, colocando imagens recém-coletadas nas mãos de militares em todo o mundo e permitindo que eles fizessem análises em tempo real.

A World Wide Web ainda estava em seus primórdios, mas, graças à NeXT, a comunidade de inteligência tinha, na prática, sua própria internet funcional. “Nós não usávamos a palavra internet naquela época, mas chamávamos simplesmente de ‘rede de longa distância’, ou algo parecido”, disse Romello.

À medida que mais integrantes das Forças Armadas começaram a ver as imagens por conta própria, eles deixaram de depender exclusivamente das análises produzidas pelas agências de inteligência.

A NeXT colocou informações brutas de inteligência nas mãos de comandantes em bases militares espalhadas pelo mundo — imagens que eles podiam interpretar “com os próprios olhos, em tempo quase real”, disse Romello.

O efeito foi desafiar a cultura de inteligência centralizada que a CIA mantinha havia muito tempo. Segundo Romello, essa foi “a maior consequência não intencional” dos novos computadores.

A NeXT foi integrada às agências de espionagem justamente quando a missão delas estava prestes a mudar.

A União Soviética entrou em colapso em 1991, e os Estados Unidos passaram de uma das duas superpotências para a única potência hegemônica dominante em um mundo de novas ameaças: Estados considerados hostis, a ascensão da China e o terrorismo.

Jobs, porém, não estava destinado a desempenhar um papel por muito tempo nessa nova era; ele tinha os olhos voltados para algo além do Pentágono e da CIA.

Harris, que havia acompanhado Romello à sede da NeXT, recordou uma reunião com Jobs em meados dos anos 1990, quando o empresário lhe disse: “Vou redefinir a indústria da música”.

Harris, que naquele momento era chefe do NRO, não fazia ideia do que Jobs estava falando, mas acabou entendendo.

Em 1996, a Apple anunciou que compraria a NeXT, e Jobs retornou à empresa que havia cofundado. Alguns anos depois, Jobs recuperou o controle de toda a companhia, colocando-a em uma trajetória para se tornar a marca mais valiosa do mundo — e, como havia prometido, redefinindo a indústria da música com o surgimento do iPod e do iTunes.

Embora a presença da NeXT na cultura popular tenha sido ofuscada pela Apple, o DNA de seu sistema operacional, o NEXTSTEP, tornou-se a base dos produtos da Apple, dos Macs aos iPhones.

A Apple nunca se tornou uma grande fornecedora para o setor militar como a NeXT havia sido. Depois do fim da Guerra Fria, os gastos com defesa despencaram, caindo quase 30% até o fim dos anos 1990, justamente quando o mercado comercial de computadores pessoais estava explodindo.

Quando os interesses do Vale do Silício divergiram dos interesses dos setores militar e de inteligência, a conexão enfraqueceu. Agora, enquanto o Pentágono pretende gastar mais de US$ 1,5 trilhão no próximo ano e investe em novas tecnologias, como inteligência artificial, o Vale do Silício está retomando essa relação.

O impacto mais duradouro da breve convergência de Jobs com a segurança nacional é simplesmente o fato de ela ter permitido que o empreendedor mais icônico do Vale do Silício encontrasse seu caminho de volta à Apple.

O trabalho com as agências de espionagem deu a Jobs “mais cinco anos para consolidar e expandir o negócio; para provar aos acionistas e ao mercado que era um líder empresarial legítimo, e não apenas um garoto que teve sorte e sabia vender”, disse Ehring, que deixou o setor de inteligência em 1990 para trabalhar com Jobs na NeXT.

“Então, sem o NRO ter possibilitado o amadurecimento de Steve, ele não teria retornado para comandar a Apple como um CEO responsável por sua recuperação.”

Trecho extraído e adaptado de Valley of Death: How Big Tech Is Fueling the Future of War, de Sharon Weinberger. Copyright © 2026 Sharon Weinberger. Reproduzido com autorização da Little, Brown and Company, uma editora do Hachette Book Group. Todos os direitos reservados.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

CVC corre contra o tempo para transformar a recuperação dos negócios em caixa para as dívidas

21 de Agosto de 2026, 06:00

A CVC vai ter que convencer mais gente a viajar – e transformar essas vendas em dinheiro em caixa – se quiser terminar o ano com mais folga financeira.

Maior empresa de viagens do país, a CVC tem em outubro o vencimento de R$ 80 milhões de uma de suas emissões de debêntures, depois de o caixa ter encolhido ao longo da primeira metade de 2026 em um cenário de vendas bem mais adverso do que planejava no começo do ano.

A guerra no Oriente Médio elevou o preço do combustível e pressionou as passagens aéreas. O consumidor brasileiro chegou mais endividado ao segundo semestre. E concorrentes vêm disputando clientes de forma mais agressiva, inclusive aceitando margens menores para ganhar mercado.

No segundo trimestre, as reservas consolidadas da CVC praticamente não saíram do lugar, com alta de apenas 0,2%.

No Brasil, as reservas cresceram 4,1%, mas a receita líquida caiu 4,2% (nem toda venda gera receita na hora). O prejuízo líquido ajustado mais que triplicou, de R$ 15,9 milhões para R$ 51,3 milhões.

A geração de caixa operacional foi de R$ 60,2 milhões. É uma melhora expressiva diante do consumo de caixa de R$ 121 milhões do primeiro trimestre, mas representa menos da metade dos R$ 131 milhões gerados no segundo trimestre de 2025.

No primeiro semestre, a CVC consumiu R$ 61,4 milhões em caixa, contra geração de R$ 77,8 milhões um ano antes.

Como resultado da equação, o caixa caiu de R$ 254,6 milhões em março para R$ 185,6 milhões em junho.

Busca de outras fontes

Foi nesse ambiente que a empresa recorreu mais à antecipação de recebíveis — operação na qual transforma hoje em dinheiro vendas feitas no cartão com recursos que receberia nos meses seguintes.

O saldo antecipado chegou a R$ 1,36 bilhão em junho, ante R$ 1,17 bilhão no fim de 2025. A própria CVC reconhece que houve “maior utilização da linha” para financiar o capital de giro.

O movimento tem acendido uma luz amarela no mercado.

Enquanto o saldo antecipado cresceu, o estoque de recebíveis ainda disponível para esse tipo de operação caiu de R$ 466,6 milhões em junho de 2025 para R$ 236,8 milhões um ano depois.

Para uma pessoa familiarizada com as finanças da companhia, a redução das debêntures não representa uma desalavancagem completa: parte dessa dívida foi substituída pela antecipação de recebíveis.

O custo dessa estrutura já aparece no resultado. Os juros sobre antecipação de recebíveis chegaram a R$ 49,7 milhões no trimestre, alta de 30,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram uma das principais razões para a piora do resultado financeiro.

Nas contas dessa fonte, sem uma renegociação da dívida ou melhora relevante na geração de caixa, a liquidez da CVC começaria a ficar pressionada a partir do quarto trimestre. “Vai ser a Casas Bahia do turismo”, diz.

Na última segunda-feira (17), a Casas Bahia pediu recuperação judicial, dando sequência a uma lista de empresas voltadas ao consumo que enfrentam dificuldade para carregar estruturas financeiras mais pesadas: o gasto com dívidas pesa mais do que o dinheiro gerado com a operação.

CVC: ‘temos caixa suficiente’

A CVC afirma não precisar de mecanismos de proteção contra credores. Segundo o CFO Felipe Gomes, até os cenários de estresse projetados pela companhia indicam caixa suficiente para atravessar 2026 e o início de 2027, sem necessidade de uma nova captação.

A administração da companhia também argumenta que a antecipação de recebíveis é mais barata do que as debêntures.

Em 2023, antes da volta da família de Gustavo Paulus, fundador da empresa, à base acionária, a CVC já havia renegociado seus compromissos com debenturistas. Houve nova negociação em 2024. No ano passado, a empresa antecipou o pagamento de cerca de R$ 150 milhões em dívidas para reduzir o custo financeiro.

Mas, embora não descarte uma medida de proteção contra credores, a CVC voltou a conversar com eles sobre o alongamento do passivo e a redução dos juros pagos.

Desde julho, a CVC reduziu de 12 para dez vezes o parcelamento sem juros nas lojas, numa tentativa de receber mais rápido e depender menos da antecipação. Segundo a empresa, a mudança não afetou as vendas no primeiro mês.

Mais volume, menos margem

O desafio é que vender mais ficou mais difícil. Em julho, 82% dos consumidores brasileiros disseram ter alguma dívida a vencer, maior proporção desde o início da série histórica da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

E, para piorar, nem todo crescimento deixa a mesma quantidade de dinheiro dentro da CVC.

Cruzeiros são um exemplo dessa equação. A CVC diz crescer perto de 30% na categoria, beneficiada pelo aumento da oferta de navios no Brasil. O produto ajuda o capital de giro, mas tem take rate (comissão) menor, porque a companhia atua principalmente como intermediária.

O take rate consolidado (a fatia do valor vendido que efetivamente vira receita para a CVC) caiu de 8,9% para 8,2% no segundo trimestre. Na venda ao cliente final, essa medida recuou de 13,8% para 11,8%.

Parte disso decorre do mix: B2B (vendas para agências e parceiros comerciais) e cruzeiros cresceram mais. Mas a companhia também reconhece maior pressão por preços.

Fábio Mader, CVC

Fábio Mader, CEO da CVC: desafio financeiro pela frente (Divulgação)

Fábio Mader, que assumiu como CEO no começo de 2026, foi claro na teleconferência ao dizer que, pelo menos neste ano, o investidor deve considerar o nível atual como um “novo patamar” de take rate.

Com menos receita por real vendido, a CVC tenta compensar essa frente principalmente com corte de despesas.

No Brasil, as despesas gerais e administrativas caíram 10,1% no trimestre.

O efeito da concorrência

A competição ajuda a explicar por que recuperar margem por meio da receita ficou mais difícil.

A Decolar, adquirida pela holding global de tecnologia Prosus há pouco mais de um ano, aumenta essa pressão: a empresa cresce cerca de 30% no consolidado e 40% no Brasil, acima do ritmo próximo a 10% antes da aquisição.

Mais de 20% da receita líquida já estaria ligada ao cross-sell com o iFood, que passou a oferecer pacotes de viagem em sua plataforma. Fontes de mercado afirmam, porém, que parte da aceleração vem sendo financiada por preços mais agressivos e redução de margem.

A Prosus chegou a ser apontada como interessada nos negócios argentinos da CVC. Mader, por sua vez, afirmou que não recebeu nenhuma oferta pela operação.

Atendimento humano vs digital

A disputa ocorre num mercado em que o comportamento do consumidor mudou. Comprar passagem, reservar hotel ou escolher passeios deixou de depender de uma agência física. Plataformas permitem montar praticamente toda uma viagem sem falar com ninguém.

A CVC aposta que ainda existe valor justamente no atendimento que esse modelo eliminou.

A empresa mantém mais de 1.600 lojas no Brasil e na Argentina e quase 6 mil vendedores, mas tenta transformar essa rede numa extensão do ambiente digital.

No segundo trimestre, 55% das vendas das lojas tiveram origem em contatos (leads) gerados online: ou seja, o cliente entrou por redes sociais ou outros canais digitais e concluiu a compra remotamente com um vendedor.

A CVC também colocou em operação um agente de inteligência artificial que atende principalmente quando as lojas estão fechadas. Em outubro, a companhia pretende lançar um novo site e aplicativo.

Essa mudança de estratégia acontece sob novo comando.

Mader assumiu a presidência em janeiro, depois que o conselho antecipou a saída de Fábio Godinho, CEO desde 2023 e que, até então, era considerado um nome de confiança da família fundadora da CVC.

Executivo de carreira na companhia, Mader soma quase 15 anos em diferentes passagens. A troca de comando foi mais um capítulo de uma reorganização que já vinha mexendo com finanças e governança.

A família Paulus havia recuperado espaço na base acionária e ampliado sua influência neste ano ao firmar um acordo de acionistas com a Apex Partners.

Mais recentemente, a crise da gestora capixaba, que pediu proteção contra credores, adicionou uma nova preocupação à empresa justamente quando a CVC tentava estabilizar suas próprias contas.

A Apex passou a vender ações da companhia em meio às investigações sobre suas finanças. A CVC afirma que não possui qualquer relação operacional ou financeira com a gestora e que a exposição se limita à participação societária.

A ação da CVC acumula queda de 31% no ano e era negociada a R$ 1,52.

A administração tenta convencer o mercado de que o pior momento operacional ficou para trás. Julho foi, segundo Mader, o melhor mês de vendas dos últimos dois anos, excluídas as Black Fridays.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Dior, Channel e Hermès: grifes expandem presença no Brasil e pressionam marcas nacionais de luxo

20 de Agosto de 2026, 19:37

Uma loja com mais de mil metros quadrados, roupas femininas e masculinas, joias, objetos para a casa, fragrâncias e sala de atendimento reservada aos clientes mais importantes. O endereço não fica em Paris nem em Nova York. É a nova flagship da Dior no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, inaugurada em julho como a maior unidade da marca no Brasil.

O espaço mal abriu e a grife já prepara outro investimento a poucos quilômetros dali. Para o fim de 2027, está prevista uma loja de cerca de 600 metros quadrados no Iguatemi São Paulo, na avenida Faria Lima.

A Dior não está sozinha. No Cidade Jardim, a Channel planeja chegar a cerca de 1.200 metros quadrados, a Hermès, a mais de 900 metros quadrados, e a Prada, a aproximadamente 780 metros quadrados. Loro Piana e Alaïa também preparam suas primeiras lojas no país. 

A metragem chama a atenção, mas o movimento mais relevante acontece por trás das vitrines: grandes grifes globais de moda passaram a enxergar o Brasil como mercado em que vale disputar uma parcela maior do orçamento e da frequência de compra do consumidor. 

A aposta de marcas no Brasil

O interesse no mercado brasileiro cresce em um momento em que a demanda por luxo global desacelera. O enfraquecimento do apetite da China, os sucessivos aumentos de preço e a dificuldade de apresentar novidades afastaram parte dos consumidores no mercado global.

“Durante muito tempo, o mercado funcionou assim: quanto mais se aumentava o preço, mais se criavam escassez e desejo. Só que existe um novo consumidor que não procura apenas o que pode pagar. Ele procura acesso, qualidade e algo que nem todo mundo conhece”, afirma a consultora focada em internacionalização de marcas de moda Simone Jordão. 

Diante dessas mudanças, conglomerados trocaram diretores criativos e passaram a procurar novas fontes – leia-se mercados – de crescimento. Nesse cenário, o Brasil ganhou peso.

Segundo a consultoria Bain &Company, o mercado brasileiro de luxo avançou, em média, 12% ao ano entre 2022 e 2024, quatro vezes o ritmo global no período.

Moda e itens pessoais respondem por cerca de R$ 21 bilhões do faturamento anual do mercado de luxo no país, que está em R$ 98 bilhões. 

Em levantamento anterior, a consultoria estimou que o número de brasileiros de alto poder aquisitivo havia passado de 730 mil, em 2014, para 1,3 milhão, em 2022; e poderia chegar a 1,5 milhão em 2030.

Além de encontrar um mercado em crescimento, as maisons europeias também têm encontrado importantes parceiros para viabilizar a entrada no mercado brasileiro de maneira competitiva. 

O Iguatemi, que administra 15 shoppings e dois outlets, opera diretamente nove marcas estrangeiras no país, segundo a companhia. O grupo cuida de importação, tributos, logística, contratação, marketing e comércio eletrônico. A Balenciaga passou por esse modelo de incubação antes de assumir a própria estrutura brasileira. 

O shopping Cidade Jardim, da JHSF, passa hoje pela maior fase de expansão de sua história – ainda recente, de menos de duas décadas.

O novo espaço de 3.500 metros quadrados é destinado a marcas internacionais e de gastronomia. É nesse endereço que nomes como Loro Piana, Alaïa, James Perse e Fusalpe preparam a inauguração de novas lojas.

Multimarcas como NK Store e Working Title também cumprem uma função. Elas apresentam etiquetas ao público, testam a aceitação de coleções e formam demanda antes de uma loja própria. 

O diferencial das brasileiras

Se orçamento e escala favorecem os grupos globais, a resposta brasileira não está em imitar uma maison europeia.

Para Simone Jordão, fundadora da consultoria que leva seu nome, e Katherine Sresnewsky, coordenadora da graduação em Comunicação e Publicidade da ESPM, para competir com a ampliação das internacionais, as marcas nacionais devem buscar desenvolver produtos difíceis de copiar.

A PatBO ilustra um caso bem-sucedido no mercado com seu bordado e trabalho artesanal. Além do Brasil, a marca da estilista Patrícia Bonaldi está presente em 35 países, incluindo uma loja própria no SoHo, em Nova York. 

A presença internacional, segundo Katherine Sresnewsky, pode produzir uma validação adicional aos olhos do público doméstico.

“As marcas que vão para fora bebem desse prestígio. Eu digo que elas ‘vestem outra bolsa’: a de poder afirmar ‘eu estou lá fora, você não’. O consumidor brasileiro sabe como é difícil uma marca estar no exterior e passa a olhar para ela de outro jeito”, diz. 

Antes do endereço próprio nos Estados Unidos, a expansão da PatBO passou por atacado, multimarcas e lojas de departamento. A sequência permitiu testar o produto e distribuição antes de assumir o custo fixo de uma flagship. 

“Uma marca brasileira consegue competir de igual para igual no exterior, mas é um processo que leva tempo, não acontece de um dia para o outro. E em algum momento esse business no exterior vai precisar ser um business independente do Brasil, com seu próprio calendário e produtos diferentes”, afirma Simone Jordão. 

Adriana Degreas é citada pelas consultoras como uma marca que construiu distribuição internacional e um nome de destaque no chamado resortwear.

A P. Andrade, criada em 2021, tenta ocupar uma posição própria na moda masculina ao combinar referências brasileiras, pesquisa de materiais e design contemporâneo.

São caminhos diferentes, mas baseados na mesma lógica: ser lembrada por algo específico para conquistar espaço no guarda-roupas do cliente de luxo. 

Outra estratégia é buscar ganhar escala dentro de um grupo maior. A Cris Barros entrou no portfólio do Grupo Soma em 2016 e hoje integra o Azzas 2154, criado com a fusão de Arezzo&Co e Soma em 2024. 

A estrutura compartilhada oferece lojas, logística, tecnologia e capital que uma marca independente dificilmente financiaria sozinha. Em troca, a etiqueta passa a depender das prioridades de investimento e da governança do conglomerado.

Em 2026, uma disputa entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, os principais acionistas do grupo, chegou à Justiça e expôs esse risco.  

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Quer um novo sócio? Veja quando isso pode tirar sua empresa do Simples e aumentar seus impostos

20 de Agosto de 2026, 18:17

Imagine a cena: você tem uma pequena empresa e toca o dia a dia sozinho. Você sabe que poderia crescer se tivesse mais dinheiro para investir e alguém com quem dividir a responsabilidade. E essa pessoa aparece, interessada em ser sua sócia.

Só alegria, não é? Quase. Antes de fazer a mudança no contrato social, vale parar e analisar um ponto: isso pode afetar a sua situação no Simples Nacional?

Em resumo, a resposta a essa pergunta depende de quem entra e se esse candidato a novo sócio tem outros negócios – e, principalmente, em caso afirmativo, de quanto esses negócios faturam.

E o assunto merece atenção agora: quem pretende entrar (ou ficar) no Simples em 2027 precisará fazer essa escolha agora em setembro. Então, mãos à obra!

Os critérios societários para o Simples

O Simples costuma ser vantajoso para pequenos negócios porque é um regime simplificado, que unifica a cobrança de tributos em uma única guia – a boa e velha DAS. O valor dos impostos é calculado sobre a receita e é progressivo: se sua empresa fatura mais, paga mais.

Justamente porque o Simples é um regime especial, nem todo mundo pode participar. O limite de faturamento é de R$ 4,8 milhões por ano. Passando disso, a empresa deve buscar outro modelo tributário, como Lucro Presumido ou Lucro Real.

E isso na maioria dos casos leva a um aumento da carga tributária, embora não seja uma regra aplicada a 100% dos casos.

Nesses regimes acima citados, os tributos deixam de ser recolhidos de forma unificada pelo DAS e passam a ser apurados separadamente: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ICMS ou ISS (isso hoje, antes da entrada em vigor de outros tributos); e principalmente, a folha de pagamento passa a sofrer a incidência de encargos patronais cheios (INSS patronal perto de 20%, contribuição ao Sistema S etc.), que no Simples já vêm diluídos na alíquota única.

Mas, além da receita, existem outros critérios para validação do Simples – e alguns critérios têm a ver com quem são os sócios do negócio. Por exemplo:

  • Uma empresa do Simples não pode ter outra empresa (CNPJ) como sócia. E nem ser ela mesma sócia de outra pessoa jurídica.
  • Também não podem ter sócios domiciliados no exterior. Os sócios devem ser pessoas físicas residentes no Brasil.

Nesses casos não tem discussão, explica a advogada Priscila Farisco, do escritório Viseu Advogados. Se os candidatos a sócios da sua empresa forem outra PJ ou um sócio que mora fora do país, sua empresa vai precisar sair do Simples e migrar para outro regime.

Há ainda outros critérios envolvendo a estrutura societária que não excluem uma empresa do Simples automaticamente, mas pedem uma análise diferente. Então:

  • O sócio de uma empresa do Simples pode ter participação em outras empresas também do Simples, desde que a soma da receita delas não ultrapasse R$ 4,8 milhões por ano. Sim, o limite de uma empresa passa a valer para todas.
  • O sócio também pode ter participação em outras empresas no Lucro Presumido ou Real. Mas se a participação for de mais de 10%, a receita também entra na conta do limite do Simples.
  • Se o sócio tiver cargo de administrador em outra empresa, as receitas também precisam somadas, mesmo se ele não possuir participação no capital.

“Os três vínculos fazem com que a soma das receitas – que chamamos de receita bruta global – seja considerada na análise”, diz Priscila.

É com esses pontos em mente que você, empreendedor, deve analisar a possibilidade de ter um sócio. É importante saber se ele participa de outras empresas, qual é o tamanho dessa participação, se exerce cargo de administração e quanto esses negócios faturam.

Se o sócio tem outra empresa, a minha sai do Simples?

Vamos explicar em detalhes: o fato de um potencial sócio ter outra empresa não é condição obrigatória de exclusão do Simples. Mas é, sim, um gatilho para que a receita bruta global seja considerada na análise.

Alguns exemplos ajudam a entender melhor cada caso.

Imagine que um empreendedor tem uma empresa no Simples que fatura R$ 2 milhões por ano. Se ele receber como sócio alguém que possui outra empresa também no Simples, a receita precisará ser somada para verificar se as duas podem permanecer no regime.

Digamos que a empresa do novo sócio fature R$ 1 milhão por ano. Nesse caso, está tudo certo. A receita bruta global dos dois negócios, de R$ 3 milhões por ano, fica abaixo do limite – e então, as duas podem se manter no Simples.

Seria diferente se a empresa do novo sócio tivesse receita de, vamos dizer, R$ 3 milhões. Nessa situação, o limite seria ultrapassado. Se quisessem levar a sociedade adiante, teriam de sair do Simples e enquadrar as empresas em outro regime.

Agora imagine o seguinte: a empresa do novo sócio não está enquadrada no Simples, e, sim, no regime de Lucro Presumido. Se ele tiver, digamos, 50% do negócio que está fora do regime simplificado, a receita bruta global novamente entra em ação.

E então, para saber se sua empresa poderia continuar no Simples, seria preciso checar se o seu faturamento somado ao da empresa do novo sócio fica dentro do limite. Se sim, vida que segue. Se não, não daria para se manter no regime simplificado.

E se o novo sócio tiver uma participação só de 5% na empresa do Lucro Presumido? Nesse caso, não é preciso somar as receitas. Sua empresa pode seguir no Simples.

Quando a exclusão do Simples acontece

Se uma empresa do Simples recebe um novo sócio que tem outros negócios e o limite de faturamento estoura, não tem jeito. Ela mesma precisa fazer a comunicação obrigatória de exclusão do regime pelo Portal do Simples Nacional.

A saída do Simples começa a valer já a partir do primeiro dia do mês seguinte. E, em regra, a empresa permanece fora do regime até o fim do mesmo ano.

E não adianta muito trocar o sócio “problemático” – ou, pelo menos, não imediatamente.

Uma consulta recente divulgada pela Receita Federal definiu que uma mudança na estrutura societária feita depois da exclusão não traz a empresa de volta para o Simples no mesmo ano. Mas pode ser considerada para retornar ao regime no ano seguinte, quando uma nova análise da receita bruta global das empresas dos sócios deve ser feita.

E para entrar no Simples em 2027?

A opção por entrar no regime simplificado será feita entre 1º e 30 de setembro de 2026, valendo para a empresa a partir de 1º de janeiro de 2027.

Por isso, mudanças societárias feitas entre setembro e dezembro também precisam ser analisadas. A empresa pode fazer o pedido em setembro e, depois, passar a se enquadrar em uma situação que impeça a adesão ao regime.

Shein chega à bolsa com menos crescimento e mais custos: é o melhor momento para o IPO?

20 de Agosto de 2026, 16:53

A Shein vai estrear na bolsa – a de Hong Kong. O IPO acontece dia 1º de setembro.

A operação acontece após uma forte redução no valuation, ou seja, no valor atribuído à empresa pelos investidores.

Agora, a Shein trabalha com uma avaliação de US$ 27 bilhões, abaixo dos US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões considerados no início de agosto e muito distante dos US$ 98,2 bilhões alcançados em uma rodada de financiamento em 2022.

A redução acontece em um momento em que a Shein cresce em um ritmo bem menor, enquanto os custos para sustentar a operação aumentam. A companhia chega ao mercado acionário com US$ 41,8 bilhões em receita, mas precisa lidar com tarifas mais altas, mudanças regulatórias e investimentos crescentes em logística e aquisição de clientes.

Esse cenário coloca uma questão para os investidores: quanto do modelo que fez a Shein crescer ainda pode ser mantido sem comprometer a rentabilidade? Em suma, a companhia precisa continuar vendendo em grande escala sem que tarifas, logística, marketing e investimentos em estruturas locais consumam uma parcela cada vez maior da receita.

Receita cresce, mas em ritmo menor

A receita líquida da Shein passou de US$ 32,1 bilhões em 2023 para os US$ 41,8 bilhões de 2025. O ritmo de expansão, porém, diminuiu de forma significativa: foram 41,1% em 2023, 20,7% em 2024 e 8% em 2025.

Calma que piora: no primeiro trimestre de 2026, o aumento foi de apenas 1,1% na comparação anual, para US$ 9,1 bilhões.

A companhia também ampliou sua base de clientes ativos, de 230 milhões em 2024 para 273 milhões em 2025. A frequência de compras, por outro lado, ficou praticamente estável, em cerca de quatro pedidos por cliente ao ano.

Ou seja, a empresa continua atraindo consumidores, mas a expansão dessa base não está sendo acompanhada por um aumento relevante no número de compras feitas por cada cliente.

Operação mais cara

A rentabilidade também mostra que a operação ficou mais cara. O lucro operacional (Ebitda), que mostra o resultado da empresa antes de despesas financeiras e impostos, caiu de US$ 1,38 bilhão em 2023 para US$ 966 milhões em 2024, antes de voltar a US$ 1,71 bilhão no ano passado.

Um dos pontos de pressão está nos custos para fazer cada pedido chegar ao consumidor. As despesas de fulfillment, que incluem etapas como armazenagem, separação e entrega, consumiram 45,6% da receita em 2025, ante 43,5% no ano anterior.

A Shein também está gastando mais para atrair e manter clientes. No primeiro trimestre de 2026, as despesas de marketing chegaram a US$ 1,43 bilhão, acima dos US$ 1,09 bilhão registrados um ano antes. Na prática, a companhia precisa gastar mais para manter uma operação que cresce menos.

Tarifas pressionam o modelo

A Shein construiu sua expansão com uma cadeia de fornecedores chineses flexível, grande variedade de produtos e envio direto aos consumidores em diversos mercados.

Esse modelo ficou mais caro nos Estados Unidos, que responderam por aproximadamente 25% da receita da companhia em 2025. Em maio de 2025, o país acabou com a regra que permitia a entrada de encomendas de até US$ 800 no país sem o pagamento de tarifas de importação uma isenção conhecida nos EUA como minimis.

A mudança atingiu diretamente empresas como Shein e Temu, já que boa parte da receita ali depende do envio de pequenos pacotes diretamente da China para consumidores americanos.

O movimento tem um paralelo com o que aconteceu no Brasil. A tributação das compras internacionais de baixo valor também mudou por aqui. Desde maio de 2026, compras de até US$ 50 feitas dentro do Remessa Conforme deixaram de pagar Imposto de Importação, mas continuam sujeitas ao ICMS.

Nos EUA, porém, o impacto sobre o modelo da Shein é mais direto. Segundo um relatório divulgado pelo BTG, a própria companhia informa no prospecto que produtos de origem chinesa enviados aos EUA podem estar sujeitos a impostos de 10% a 87,5%, dependendo do produto e do regime aplicável.

A Europa também vem endurecendo as regras para encomendas de baixo valor. Ao mesmo tempo, a Shein enfrenta maior escrutínio regulatório e a concorrência da Temu e de varejistas tradicionais. Esse cenário tem levado a empresa a aumentar os investimentos em estruturas locais, como armazéns, reduzindo parte da vantagem de custos do modelo baseado no envio direto da China.

Para o BTG, esse conjunto de fatores muda a discussão sobre a Shein. Mais do que o tamanho que a companhia pode alcançar, o desafio agora é preservar crescimento e rentabilidade em um ambiente comercial e regulatório menos favorável.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Novo CEO da Apple assume em setembro e pode mudar estratégia de gastos

20 de Agosto de 2026, 15:19

John Ternus assumirá o comando da Apple como novo CEO daqui a apenas duas semanas, e os investidores não deveriam se surpreender se ele mudar a estratégia de gastos da fabricante do iPhone para impulsionar seus softwares de inteligência artificial.

Ternus substituirá Tim Cook como CEO em 1º de setembro. Cook ocupa o cargo desde agosto de 2011 e é amplamente considerado um executivo que teve uma trajetória bem-sucedida à frente da empresa.

As ações da Apple registraram retorno total de 2.740% durante sua gestão, enquanto o valor de mercado da companhia saltou de US$ 346,4 bilhões para US$ 4,63 trilhões, segundo dados da Dow Jones Market Data.

“Tim Cook levou a Apple de uma empresa impulsionada por um pequeno número de ciclos de produtos a uma instituição capaz de gerar crescimento, fluxo de caixa, fidelidade dos clientes e inovação em escala e complexidade enormes”, escreveu Wamsi Mohan, analista da BofA Securities, em nota nesta quinta-feira.

Ele observou que os principais focos de Cook incluíram o crescimento do negócio de serviços da Apple, a criação de um ecossistema integrado de produtos que mantém os clientes voltando à marca e a ênfase na privacidade de seus dispositivos e plataformas.

“Esperamos que grande parte da estrutura central da Apple permaneça inalterada sob o comando do novo CEO, John Ternus”, disse Mohan.

Mas Ternus pode mudar pelo menos uma estratégia de longa data que ajudou a diferenciar a Apple de suas concorrentes de tecnologia de megacapitalização.

A Apple anunciou, ao divulgar os resultados do segundo trimestre fiscal, em abril, que não adotaria mais como meta manter a chamada neutralidade de caixa líquido — situação em que o dinheiro e os investimentos da empresa equivalem aproximadamente ao valor de sua dívida. A partir de agora, a companhia passará a avaliar de forma independente quanto manter em caixa e quanto tomar em dívida.

A Apple havia estabelecido originalmente a meta de neutralidade de caixa líquido em 2018. Na época, a empresa tinha US$ 163 bilhões em “caixa líquido”, resultado da soma de caixa e investimentos menos a dívida. Para reduzir esse valor, a Apple decidiu devolver recursos aos acionistas por meio de recompras de ações e dividendos.

“A Apple se afastou do objetivo de neutralidade de caixa líquido, o que, em nossa opinião, pode sinalizar um período de maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), despesas de capital (Capex) e operações maiores de fusões e aquisições (M&A)”, disse Mohan.

Ele acrescentou que, embora o aumento dos gastos e das operações de M&A não tenha sido uma prioridade da Apple durante a gestão de Cook, a empresa pode precisar mudar de estratégia para acompanhar a velocidade cada vez maior da inovação na era da inteligência artificial.

A Barron’s procurou a Apple para comentar.

Apple aumenta gastos com IA

A Apple já vem gastando mais para melhorar suas ofertas de inteligência artificial. A empresa aumentou em 32% os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, para US$ 11,7 bilhões, no terceiro trimestre fiscal. O movimento contribuiu para elevar as despesas operacionais em 23%, para US$ 19,1 bilhões.

Ainda assim, a empresa continua gastando significativamente menos do que outras gigantes da tecnologia. A Amazon.com, por exemplo, registrou US$ 54 bilhões em despesas de capital (Capex) no segundo trimestre.

Diante de gastos tão elevados que reduzem o fluxo de caixa livre de empresas concorrentes, alguns investidores têm se mostrado satisfeitos com a postura mais conservadora da Apple.

Um aumento dos gastos pode assustar alguns acionistas, mas a Apple precisa começar a lançar atualizações relevantes de inteligência artificial para animar tanto Wall Street quanto os consumidores. Isso pode ser motivo suficiente para que Ternus abra mais a carteira da Apple.

Escreva para Angela Palumbo pelo e-mail angela.palumbo@dowjones.com.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

🏢 A nova onda de prédios de escritório: veja quais FIIs você pode usar para investir nela

20 de Agosto de 2026, 15:02

O mercado de escritórios de alto padrão de São Paulo nunca esteve tão aquecido, com recorde de ocupação e aluguéis em alta. O ano deve fechar com 391 mil metros quadrados em novos empreendimentos – a maior safra em 10 anos.

Pouco mais da metade desse volume (203 mil m²) deve ser entregue agora, no segundo semestre.

No total, são 27 empreendimentos. E seis deles têm participação de fundos imobiliários (FIIs), o que significa uma potencial oportunidade.

Eles estão distribuídos em quatro: Kinea Renda Imobiliária (KNRI11), Zagros Multiestratégia (ZAGH11), Hedge Paladin Design Offices (HDOF11) e RBR Desenvolvimento Comercial I (RDCI11).

Nota: só os dois primeiros, o Kinea e o Zagros, são destinados ao público geral. Os demais são fundos com acesso restrito a investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão investidos) ou profissionais (mais de R$ 10 milhões).

Os FIIs de varejo com as novas lajes

Entre os fundos abertos, o caso mais relevante é o Kinea Renda Imobiliária (KNRI11), que detém 69% do Biosquare, em Pinheiros.

O edifício, com 39,2 mil m², foi entregue no primeiro semestre e já chegou ao mercado totalmente pré-locado. A Amazon ocupará do 7º ao 25º andar (todos – o resto é estacionamento).

Segundo Danilo Barbosa, sócio e head de Research do Clube FII, trata-se de um caso raro: um fundo tradicional, voltado à renda, capturando entrega nova, sem risco inicial de vacância.

Significa o seguinte: o fundo está pondo a mão num imóvel recém-construído. Isso normalmente não acontece com fundo normal, de renda. Prédio novo costuma ir para “FII de desenvolvimento”, que constrói para vender.

E prédio novo tende a ser bom negócio: aluguel mais alto, menos manutenção. O problema é encarar o vazio inicial. Nesse caso, porém, o entrave não existe. A Amazon resolveu.

O KNRI11 entrou ainda na construção do Biosquare. Com o prédio pronto, passa à fase de geração de renda com as locações. O impacto sobre o fundo, no entanto, tende a ser diluído, dado o tamanho dele. O FII tem um patrimônio líquido de R$ 4,6 bilhões e uma carteira diversificada entre lajes corporativas e galpões logísticos.

A Kinea ainda não informou quando começará a receber renda com o imóvel, mas a estimativa é que ocorra dentro de 18 meses.

Já o Zagros Multiestratégia (ZAGH11), o outro voltado ao público geral, possui 50% do Groenlândia 910, no Jardim América. O edifício, com 2,9 mil m², tem entrega prevista entre setembro e outubro deste ano.

Mas diferentemente do KNRI11, o Zagros contrói para vender, não para gerar renda de aluguel.

O patrimônio ali é de R$ 207 milhões. E Barbosa estima que o Groenlândia 910 possa gerar entre R$ 45 milhões e R$ 60 milhões, o que agregaria bastante valor ao fundo. Mas há riscos de atrasos na obra que devem ser monitorados, ele pontua. A conclusão, de qualquer forma, está avançada: 96,3% até junho.

Os fundos restritos com exposição

Agora, os fundos de acesso restrito.

O RBR Desenvolvimento Comercial I (RDCI11) detém o IPO Corporate Boutique, no Itaim, entregue em junho. O fundo também tinha 90% do LAC Corporate Boutique, no Jardim Paulista, mas esse já foi vendido, em abril.

Já o Hedge Paladin Design Offices (HDOF11), também destinado a investidores qualificados, tem em o Franca 303, no Jardim Paulista, em fase final de obra, e o Haddock 167, próximo à Avenida Paulista, com entrega esperada para dezembro.

Considerando apenas a segunda metade de 2026, os FIIs listados estão ligados a mais ou menos 15 mil m² dos 203 mil m² previstos para entrega –7,6% do total.

O restante dessa nova leva de escritórios está principalmente nas mãos de incorporadoras, como Cyrela (CYRE3), Lavvi (LAVV3) e EZTec (EZTC3), e de investidores institucionais e empresas de private equity, caso de HSI, Hines, Barzel e WTorre/Altre.

Um exemplo é o Éden Corporate, no Brooklin, com 18,5 mil m², segundo maior empreendimento previsto para o terceiro trimestre. O projeto é dividido entre Cyrela e Lavvi, cada uma com 45% do investimento, e a Hines com 10%.

Novas transações à vista?

Uma das maiores entregas ainda previstas para 2026 está fora dos FIIs: o Cyrela Oscar Freire, com 45,5 mil m², em Pinheiros. A Cyrela estuda vender o prédio, que tem 17 lajes pré-locadas ao Nubank, a partir de 2027. Se um FII entrar na transação, o retrato dessa safra ainda pode mudar.

Além da nova leva de prédios, a taxa de ocupação salta aos olhos. A Faria Lima está com apenas 6,3% de vacância e preço de aluguel médio em R$ 322 por m² – alta de 20% na comparação anual. Na Paulista, a vacância é menor ainda: 5,7%. Na Rebouças, quase zero.

E, para 2027, a expectativa é que a alta demanda por escritórios premium em São Paulo continue. Para a consultoria Binswanger, a vacância das lajes corporativas de alto padrão, hoje em 12%, pode cair para até 7% no ano que vem – o que renovaria a mínima histórica.

Bessent sinaliza que recompra de títulos pelo Tesouro pode superar US$ 4 bilhões

20 de Agosto de 2026, 12:58

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (20) que o governo pode ampliar as recompras de títulos da dívida americana para mais de US$ 4 bilhões por emissão, em uma tentativa de melhorar as condições do mercado de títulos de longo prazo.

“Pode ser mais de US$ 4 bilhões por emissão”, disse Bessent em entrevista à CNBC.

A declaração ocorre um dia depois de o Departamento do Tesouro anunciar que aumentaria em pelo menos o dobro o volume das recompras de títulos com vencimentos mais longos. O programa, que previa operações de até US$ 2 bilhões, passará a ter um limite de pelo menos US$ 4 bilhões por operação a partir de setembro.

O anúncio de quarta-feira provocou uma forte queda nos rendimentos dos Treasuries, mas o efeito perdeu força rapidamente. Nesta quinta-feira, o rendimento do título de 30 anos voltou a subir e era negociado em torno de 5,235%. O papel chegou a atingir níveis não vistos desde antes da crise financeira global de 2008.

Já o rendimento do Treasury de 10 anos avançava cerca de 5 pontos-base, para 4,704%. Um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual.

Bessent afirmou que o tamanho das futuras recompras dependerá das condições do mercado e evitou estabelecer um novo valor. Segundo ele, o objetivo é fazer com que os investidores se concentrem nos fundamentos econômicos, e não nas manchetes durante um período de baixa liquidez.

“Vamos ver quais são as condições e vamos analisá-las. Tudo o que estamos tentando fazer é levar as pessoas a se concentrarem nos fundamentos e não negociarem com base nas manchetes durante um período tranquilo, em um mercado com pouca liquidez”, disse.

O secretário do Tesouro também afirmou que o nível atual dos rendimentos não foi o fator determinante para a decisão de ampliar as recompras. Segundo Bessent, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo não refletem os fundamentos da economia americana.

“Temos um grande conjunto de ferramentas, então vamos ver. Parte disso é sinalizar e mostrar que acreditamos que os rendimentos não refletem os fundamentos subjacentes”, afirmou.

Por que os juros estão subindo?

A alta dos rendimentos dos Treasuries ocorre em meio a uma combinação de fatores. Entre eles estão o aumento da dívida e dos déficits dos Estados Unidos, a concorrência com outros mercados de crédito — incluindo a forte emissão de dívida corporativa relacionada à inteligência artificial — e os juros mais elevados oferecidos por outros países, como o Japão.

Outro fator é o chamado prêmio de prazo, que representa o retorno adicional exigido pelos investidores para manter títulos do governo por períodos mais longos.

A liquidez do Treasury de 30 anos também preocupa. Bessent classificou o mercado desses títulos como “muito ruim”, o que aumenta o incentivo para que o Tesouro intervenha.

Dívida americana supera US$ 40 trilhões

A pressão sobre os juros ocorre em um momento de forte aumento da dívida pública americana. Dados divulgados pelo Tesouro na quarta-feira mostraram que a dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez.

Bessent afirmou que o número, por si só, não é o principal problema e disse que o crescimento econômico pode ajudar o país a lidar com o elevado endividamento.

“Não há nada de mágico no número de US$ 40 trilhões, e podemos crescer para sair dessa situação”, disse.

O secretário também afirmou que se reunirá com Russell Vought, diretor do Escritório de Administração e Orçamento dos EUA, para discutir consolidação fiscal, em uma referência a medidas para melhorar as contas públicas.

“Nossa mensagem aos nossos aliados e parceiros comerciais é que o crescimento global é o caminho para lidar com essa montanha de dívida”, afirmou.

A alta dos rendimentos dos Treasuries é especialmente relevante para o governo americano porque juros maiores aumentam o custo para refinanciar a dívida e financiar novos déficits. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos de longo prazo funcionam como referência para outros custos de crédito na economia, como as taxas de financiamento imobiliário.

Petrobras cancela contratos e derruba títulos de dívida da Oceânica

20 de Agosto de 2026, 12:07

A decisão da Petrobras de cancelar os contratos de duas embarcações da Oceânica, empresa brasileira de serviços de inspeção e manutenção submarina, derrubou os títulos de dívida da companhia, em mais um revés para o já fragilizado mercado brasileiro de dívida corporativa.

A Petrobras é a maior cliente da Oceânica e respondeu por 95% de sua receita líquida no ano passado, o que ajuda a explicar a forte reação do mercado. Desde que a empresa revelou os cancelamentos na semana passada, seus títulos em dólar com vencimento em 2031 caíram 12 centavos, entregando perdas de 10,7% — o pior desempenho entre os títulos de mercados emergentes na última semana.

Os papéis foram emitidos há apenas três meses, em um refinanciamento para alongar o perfil da dívida. Na ocasião, a empresa ampliou a emissão de US$ 625 milhões para US$ 650 milhões. Agora, os títulos são negociados a 88 centavos de dólar, com rendimento de cerca de 14,9%, apesar de uma recuperação parcial após a forte queda de sexta-feira.

O mercado brasileiro de dívida corporativa vem sendo abalado por uma série de fortes quedas nos últimos meses, de Braskem a Raízen, que surpreenderam investidores pela rapidez e intensidade, atrapalhando novas emissões.

“A queda pode ter sido um pouco excessiva, mas não foi sem fundamento”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz UK, que encerrou na semana passada sua recomendação de overweight para a Oceânica, mantida por três meses. “Essas histórias são difíceis de acompanhar em tempo real e dependem muito da credibilidade da gestão e da execução operacional.”

Anteriormente, investidores receosos se desfizeram dos títulos da Aegea após a empresa adiar a divulgação de suas demonstrações financeiras. O episódio se somou a outras fortes quedas no mercado de dívida, envolvendo Raízen, Ambipar e Braskem. As perdas afastaram investidores dessa classe de ativos, mesmo que os casos tenham sido vistos como problemas específicos de cada empresa.

No centro da turbulência está uma questão recorrente entre os investidores: se as recentes quedas são casos isolados ou sinais de que mais problemas estão por vir.

“O mercado está extremamente sensível a qualquer surpresa de crédito no segmento de high yield brasileiro neste momento”, disse Roger Horn, estrategista sênior de mercados emergentes da Mariva Capital Markets.

Contratos cancelados

A Petrobras rescindiu os contratos das embarcações SUB XIII, em 19 de maio, e SUB XVIII, em 31 de julho, citando cláusulas contratuais relacionadas aos prazos de mobilização, segundo a Oceânica em seu balanço de 13 de agosto.

A Oceânica tem liquidez suficiente e espera que as duas embarcações voltem a operar para a Petrobras, realizando inspeções de casco em plataformas de produção, disse o diretor financeiro James Lynch em entrevista. Uma delas deve retomar as operações no fim do terceiro trimestre e a outra, no início do quarto, disse.

Lynch disse ter recebido várias ligações de investidores preocupados com uma possível ruptura com a Petrobras e com o risco de o problema se estender a outros contratos. “Nossa relação com a Petrobras, do ponto de vista técnico, continua muito boa”, afirmou. “Nada mudou nesse aspecto.”

A Petrobras disse em comunicado que a a empresa Oceânica mantém contrato de prestação de serviços de inspeção de cascos com a Petrobras. Nessa modalidade de contrato, a definição e a estratégia de utilização de embarcações para a execução dos serviços são de responsabilidade da contratada, observados os requisitos contratuais e a necessidade de aceitação prévia dos recursos pela Petrobras. Por esse motivo, não é possível afirmar, antecipadamente, qual embarcação será empregada na execução dos serviços.

A Petrobras mantém relacionamento técnico e contratual com seus fornecedores, sem distinção, conduzindo a execução de seus contratos conforme os instrumentos firmados e a legislação vigente, disse.

“Os investidores buscam mais informações sobre a situação, e alguns ainda não sabem o que fazer com o investimento”, disse Omar Zeolla, analista da Oppenheimer & Co. “Os fundamentos sustentam uma visão positiva, mas tudo depende de a relação com a Petrobras se manter sem novos contratempos.”

Para a Oceânica, os cancelamentos se somam a resultados abaixo do esperado, pressionados por custos maiores e aumento da alavancagem, deixando pouca margem para erros. O Ebitda ajustado caiu 23% no segundo trimestre ante um ano antes, enquanto a margem recuou para 35%, de 45%. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado subiu para 4,9 vezes, ante 3,8 vezes no fim de 2025.

“O fluxo de caixa livre deve melhorar significativamente no segundo semestre”, disse Giannone, da Balanz. “Mas, após a fraqueza inesperada no segundo trimestre, os investidores parecem adotar uma postura mais cautelosa, à espera de resultados concretos.”

Cosan mantém busca por interessados em comprar a fatia na Rumo

20 de Agosto de 2026, 11:28

A Cosan manteve o suspense, mas confirmou a extensão do prazo de recebimento de ofertas pela Rumo, notícia antecipada pelo InvestNews no início de agosto.

A confirmação foi feita nesta quinta-feira (20) por meio de um fato relevante. Segundo o documento, o grupo está em pleno processo de recebimento de propostas vinculantes de interessados na compra de sua participação.

A Cosan busca vender sua participação na operadora de ferrovias, de acordo com sua estratégia para reduzir o endividamento.

Entre os interessados estão as tradings agrícolas Cofco, da China, e a Bunge, dos Estados Unidos.

Outras empresas como Inpasa e Ultra chegaram a se engajar no negócio, mas estariam fora do páreo.

Hoje, a fatia de 20,3% da Cosan na Rumo está avaliada em R$ 5,3 bilhões.

Segundo a holding, não há qualquer decisão tomada até o momento sobre a efetiva realização de uma transação.

A Cosan é um conglomerado brasileiro com atuação em setores como energia, infraestrutura e logística. Controla marcas como Raízen, Compass e Moove.

Reestruturação e novos sócios

Em reestruturação, a Cosan trabalha para vender R$ 10 bilhões em ativos e tornar a holding criada pelo empresário Rubens Ometto novamente saudável, ainda que menor do que já foi.

O prazo começou a correr em novembro de 2025, quando se encerrou a segunda oferta da capitalização que trouxe os sócios do BTG Pactual e a gestora Perfin para o bloco de controle da companhia. O objetivo é equalizar a dívida em 18 meses – até maio de 2027.

Até agora, a Cosan arrecadou cerca de R$ 5,5 bilhões em uma série de operações desde dezembro.

Pelo menos R$ 3 bilhões vieram do IPO de sua empresa de gás natural, a Compass, em maio, e da venda de 12% do portfólio de terras agrícolas da Radar – sociedade entre o grupo de Ometto e a gestora americana Nuveen – em meados de junho, uma operação que se tornou um imbróglio entre as gigantes do agro Bom Futuro e SLC.

Há ainda R$ 2,8 bilhões que a Cosan levantou no fim de 2025 por meio de um instrumento financeiro conhecido como total return swap, que envolveu 9,94% da sua participação na Rumo. Foi uma forma de antecipar caixa mantendo a exposição econômica ao papel.

O desafio da Petrobras e da Pemex na busca por petróleo em rochas de 160 milhões de anos

20 de Agosto de 2026, 11:19

As duas maiores petroleiras da América Latina estão fazendo uma aposta de alto risco para tentar acessar uma vasta reserva de petróleo em rochas que não veem a luz do dia há 160 milhões de anos.

A Petrobras e a Pemex se uniram para investigar uma camada da crosta terrestre sob o Golfo do México que é mais antiga, mais profunda e potencialmente mais rica em petróleo do que os atuais megacampos do mundo.

Os riscos físicos, financeiros e ambientais são enormes, diante dos desafios de perfurar quilômetros abaixo do leito marinho, atravessando camadas instáveis de rocha submetidas a altas pressões.

O alvo é uma formação geológica na costa do estado mexicano de Campeche que a Pemex explorou sem sucesso em 2018. O local contrasta fortemente com os poços de alta produtividade do lado americano do Golfo, que extraem petróleo preso em rochas formadas há cerca de 20 milhões de anos.

Agora, Petrobras e Pemex tentam perfurar formações rochosas oito vezes mais antigas, de uma época em que dinossauros e moluscos ancestrais dominavam a terra e os mares.

Para a Pemex, trata-se de uma tentativa decisiva de revitalização, enquanto a empresa enfrenta uma pesada dívida, queda na produção de petróleo e uma reputação de ineficiência e riscos operacionais. Mas o esforço também é relevante para o mercado global de petróleo, já que a guerra no Irã e outras perturbações geopolíticas no Oriente Médio expuseram os riscos de concentrar uma parcela tão grande da oferta em uma única região.

O incentivo para perfurar essas formações mais antigas é que elas podem oferecer um retorno muito maior, pois são as chamadas rochas geradoras, onde matéria orgânica foi comprimida, aquecida e transformada em petróleo. Em contraste, as rochas mais jovens são apenas bolsões onde vazamentos provenientes das rochas geradoras ficaram presos ao longo do tempo.

Equipes das duas empresas começaram, nas últimas semanas, a analisar dados sísmicos e outras informações geológicas com o objetivo de realizar um feito que nunca foi alcançado fora do território brasileiro da Petrobras.

“A Petrobras está entrando em território desconhecido”, disse Pedro Zalan, geólogo que trabalhou em projetos de exploração durante 34 anos na empresa. A geologia do lado mexicano do Golfo “é particularmente favorável ao acúmulo de petróleo”.

A Petrobras tem experiência única na exploração de rochas geradoras em uma camada da crosta que os geólogos chamam de pré-sal. Uma série de gigantescas descobertas offshore na região do Rio de Janeiro, a partir de 2006, deu início a um ciclo de transformação na produção de petróleo do Brasil.

Tentativas posteriores de outras empresas de reproduzir esse sucesso em formações de pré-sal em Angola, Gabão e República do Congo fracassaram em grande parte.

“A Pemex, sozinha, não tem a tecnologia nem o capital necessários para esse tipo de projeto”, disse Mark Rowan, geólogo e consultor do Colorado especializado em descobertas em águas profundas no Golfo do México. “Mas o fato de ser de alto risco não significa que não haja hidrocarbonetos ali. As empresas estão dispostas a perfurar áreas muito arriscadas e a ser pioneiras porque as possíveis recompensas, se der certo, são enormes.”

Em 2018, a Pemex perfurou mais de 7.800 metros abaixo do leito marinho e atravessou a camada de sal de Campeche. Embora o poço exploratório tenha sido considerado improdutivo, na linguagem do setor isso não é necessariamente sinônimo de inútil. Os dados e conhecimentos obtidos com o poço podem fornecer pistas valiosas para os geólogos e engenheiros da Petrobras e da Pemex.

“Aparentemente, o que a Pemex encontrou não foi suficiente para fazê-la desistir”, disse Rowan. “Isso sugere que não havia nenhum fator que inviabilizasse completamente o projeto e, possivelmente, que havia algo que lhes deu uma razão concreta para continuar testando.”

Mesmo que haja petróleo sob a camada de sal, levá-lo à superfície será um desafio. Sob altas temperaturas e pressões em grandes profundidades, o sal se comporta mais como um líquido do que como um sólido, e atravessá-lo exige equipamentos e técnicas especializados.

Os poços também precisam se mostrar economicamente viáveis, e a perfuração em águas profundas pode facilmente custar centenas de milhões de dólares por poço.

Além de explorar a região do pré-sal, as empresas planejam procurar petróleo sob rochas sedimentares formadas por avalanches de lama e areia a quilômetros abaixo da superfície do mar, além de investigar formações de sal mais jovens e rasas, disse Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da Petrobras, durante uma entrevista coletiva em 7 de agosto.

Superpetroleiras como Chevron e Shell produzem petróleo de campos chamados de subsal há mais de 30 anos. Embora essas reservas estejam sob águas muito profundas e também apresentem uma série de riscos, perfurar os recursos de pré-sal muito mais antigos que Petrobras e Pemex estão buscando representa um nível ainda maior de complexidade e risco.

Uma descoberta comparável ao campo de Tupi, descoberto pela Petrobras em 2006, seria o desenvolvimento mais importante da história de 88 anos da Pemex. Isso ajudaria a concretizar o objetivo de sucessivos presidentes mexicanos e presidentes-executivos da Pemex de revitalizar a produção da empresa, que já foi a joia da economia do país.

No Brasil, a exploração das reservas do pré-sal provocou um salto na produção de petróleo e transformou uma economia amplamente dependente das exportações agrícolas em uma potência energética regional.

O campo de Tupi, sozinho, já produziu 4 bilhões de barris de petróleo desde que entrou em operação, em 2010. Isso representa mais de US$ 300 bilhões em valor econômico, considerando os preços médios internacionais do petróleo no período.

“Depende muito do que os dados do poço de pré-sal perfurado pela Pemex em 2018 realmente mostram, e a empresa manteve os resultados desse estudo sob sigilo”, disse Jon Blickwede, geólogo e proprietário da Teyra GeoConsulting, de Houston. “Se a Pemex encontrou qualquer indício de hidrocarbonetos, seja gás ou petróleo, sob a camada de sal, isso seria extremamente significativo.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Bessent se torna o secretário do Tesouro dos EUA mais intervencionista em décadas

20 de Agosto de 2026, 10:18

Com uma série de movimentos inesperados neste ano, Scott Bessent emergiu como o secretário do Tesouro mais intervencionista nos mercados financeiros em décadas — colocando sua credibilidade em jogo em um esforço para conter uma alta potencialmente prejudicial nos custos de financiamento dos Estados Unidos.

A quarta-feira trouxe a mais recente surpresa. Apenas duas semanas depois de divulgar seu cronograma para recomprar títulos do Tesouro mais antigos, o Departamento do Tesouro anunciou que iria “pelo menos dobrar” as compras planejadas de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos.

A medida veio depois de o Tesouro, no início deste mês, abrir a possibilidade de reduzir a emissão de dívida de prazo mais longo. Em 31 de julho, Bessent supervisionou a primeira compra de ienes por autoridades americanas em três décadas, uma ação vista como uma forma de reduzir a necessidade de o Japão vender parte de seu estoque de Treasuries para financiar suas próprias compras de ienes.

E, no início deste ano, Bessent utilizou as chamadas rate checks — ligações de autoridades a bancos para pedir cotações sobre o iene — surpreendendo até mesmo um ex-funcionário japonês.

“Ele é intervencionista, sem dúvida”, disse Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e atualmente integrante do grupo de pesquisa OMFIF. “Isso remete à sua experiência em fundos de hedge.”

Quanto à motivação, “para mim, está claro que ele e o governo estão preocupados com a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo”, disse Sobel.

O Tesouro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as medidas de Bessent no mercado.

Como responsáveis pela política econômica do país e por seus mercados financeiros, os secretários do Tesouro frequentemente são obrigados a intervir em momentos de crise.

Esse não é o caso agora, já que a liquidação de títulos tem ocorrido de forma ordenada e vem se desenrolando há meses. Mas a reação de Bessent depois que os rendimentos dos Treasuries de 10 anos — seu indicador financeiro de referência declarado — subiram acima do nível em que estavam antes do retorno de Trump à Casa Branca mostra que as preocupações em Washington estão aumentando.

A alta dos rendimentos, impulsionada por uma combinação de preocupações com a inflação, decisões do Federal Reserve e déficits fiscais elevados, manteve as taxas de hipotecas em níveis altos e representa um obstáculo ao crescimento econômico meses antes das eleições legislativas de novembro.

O que dizem os estrategistas

“Somada à disposição do governo de intervir em outras áreas, a mensagem do movimento de quarta-feira está ficando difícil de ignorar. Washington está cada vez mais desconfortável com o sinal vindo da ponta longa da curva. Agora os mercados sabem que esse desconforto existe, e pontos de tensão costumam voltar a ser testados.” — Brendan Fagan, estrategista do MLIV

Quando se trata da emissão de dívida, o Tesouro há muito segue o princípio de ser “regular e previsível”, evitando surpreender os investidores. É um conceito que o próprio Bessent endossou em um discurso principal em uma conferência sobre o mercado de Treasuries em novembro.

Mas, naquele mesmo discurso, ele também afirmou: “Meu trabalho é ser o principal vendedor de títulos do país. E os rendimentos dos Treasuries são um forte indicador para medir o sucesso nessa tarefa.” Ele também destacou a importância econômica de taxas mais baixas dos Treasuries.

“Isso vai contra o princípio de ‘regular e previsível’ — mas esse é o mundo em que vivemos”, disse Gregory Faranello, chefe de negociação e estratégia de juros dos EUA da AmeriVet Securities, sobre o anúncio de quarta-feira. “A mensagem é clara: parem a alta dos rendimentos.”

A antecessora de Bessent, Janet Yellen, também agiu para conter uma alta dos rendimentos em 2023. Bessent estava entre vários republicanos que criticaram a medida — implementada por meio do comunicado trimestral regular sobre emissão de dívida — sob o argumento de que tinha motivação política e buscava estimular a economia antes das eleições. Stephen Miran, ex-chefe dos economistas do presidente Donald Trump e ex-integrante do conselho do Fed, havia sido coautor, em julho de 2024, de um artigo que criticava a chamada “emissão ativista do Tesouro”, ou ATI (activist Treasury issuance).

“Temporada eleitoral”

“Quando um partido político começa a usar a ATI para estimular a economia durante a temporada eleitoral, ela pode ser usada repetidamente por todos os governos futuros”, escreveram Miran e o coautor Nouriel Roubini.

A movimentação do Tesouro ocorre poucas semanas depois de o presidente do Fed, Kevin Warsh, ter comemorado a possibilidade de os mercados financeiros ficarem livres da orientação futura (forward guidance). “Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar a bola, e não o árbitro, e os preços de mercado continuarão a reagir na direção e na intensidade que considerarem adequadas.”

Bessent já havia compartilhado esse sentimento de Warsh. Em um artigo publicado no ano passado, escreveu que as compras de títulos pelo Fed haviam criado “distorções” nos mercados e “prejudicado uma fonte essencial de feedback”.

Como se vê, “este não é um governo que estabelece regras estáveis e depois deixa o mercado seguir seu curso”, disse Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations.

No caso da recente iniciativa envolvendo o iene, Bessent recomendou que o Fed ampliasse uma de suas linhas de financiamento, em uma medida vista como destinada a conter vendas diretas de Treasuries pelo Japão.

Manobra dos velhos tempos

Bessent, de 63 anos, ficou conhecido por seu papel em operações de alto risco e grande retorno envolvendo a libra esterlina e o iene japonês durante seu trabalho para George Soros. E alguns participantes do mercado viram a ação de quarta-feira como uma extensão daquela experiência profissional.

“É como o truque de ‘comprar tudo o que está na tela’ dos velhos tempos”, disse Brad Golding, gestor de portfólio da Christofferson Robb & Co. A referência é a uma técnica de fundos de hedge que consiste em lançar simultaneamente grandes ordens contra os principais operadores do mercado para provocar uma forte movimentação nos preços.

Por serem os principais integrantes do governo responsáveis pela administração da maior economia do mundo, os secretários do Tesouro têm uma longa tradição de grandes intervenções em momentos de crise. O departamento desempenhou um papel importante durante a Covid, administrou o principal programa de socorro da crise financeira global e liderou diversos resgates de mercados emergentes na década de 1990.

Segundo alguns observadores, as movimentações de Bessent são diferentes porque não foram provocadas por uma crise ou por condições particularmente desordenadas nos mercados.

Comparação histórica

“Bessent está deixando claro para todos que sua abordagem é mais ativamente intervencionista, mesmo sem a presença do tipo de catalisador que poderia ter sido necessário nas últimas décadas”, disse Douglas Rediker, sócio-gerente da consultoria política International Capital Strategies, em Washington.

Sobel, que trabalhou no Tesouro do fim dos anos 1970 até 2015, disse que Bessent é, pelo menos, o secretário mais intervencionista desde o início dos anos 2000. Comparações históricas, como com James Baker — que ajudou a articular os Acordos do Plaza e do Louvre, na década de 1980, que tiveram forte influência sobre as taxas de câmbio na época — são difíceis devido às diferenças entre os contextos históricos, afirmou.

Muitos participantes do mercado e economistas destacaram que os fundamentos por trás dos rendimentos mais altos atualmente representam um desafio para o conjunto de ferramentas operacionais do Tesouro. Faltando dois meses para o fim do ano fiscal, o déficit acumulado em 2026 é de US$ 1,8 trilhão, 5% maior que no ano anterior. Os gastos são impulsionados pela Previdência Social, Medicare, Medicaid e pelos juros da dívida. Os gastos com defesa também devem aumentar, enquanto os republicanos estudam novos cortes de impostos.

“Embora o anúncio do Tesouro ofereça alívio no curto prazo aos mercados de títulos, os fatores estruturais” que pressionam as taxas para cima continuam presentes, escreveram estrategistas de juros do ABN Amro em uma nota divulgada na quinta-feira. “É difícil imaginar o Tesouro mantendo recompras cada vez maiores de forma sustentada, especialmente diante das necessidades de financiamento que continuam — e estão aumentando”, escreveram Larissa Fritz e seu colega Jaap Teerhuis.

Sinais para o mercado

Bessent, no entanto, já indicou acreditar no poder do governo de influenciar os mercados. No mês passado, ao falar sobre participações do governo Trump em várias empresas de tecnologia e recursos naturais, afirmou: “O que estamos tentando fazer é criar sinais para o mercado.” Em entrevista à Fox Business, disse: “Em essência, estamos tentando dizer aos investidores: ‘Ok, é aqui que a bola vai estar. Patinem rapidamente até lá’.”

Alguns investidores seguiram esse sinal na quarta-feira. Os rendimentos dos títulos de 10 anos fecharam em queda de cerca de 6 pontos-base, enquanto as taxas dos títulos de 30 anos recuaram 9 pontos-base. Na quinta-feira, os Treasuries devolviam parte desses movimentos.

“Isso só funciona por algum tempo”, disse Guy Miller, estrategista-chefe da Zurich Insurance. “Pode ser uma intervenção bastante poderosa quando o Tesouro diz que está realmente comprometido com isso. Mas, no fim das contas, a menos que você enfrente uma política fiscal excessivamente expansionista, isso não é sustentável indefinidamente.”

Quanto à operação de Bessent envolvendo o iene, a moeda japonesa devolveu neste mês parte da valorização provocada pela intervenção. A queda dos rendimentos dos Treasuries na quarta-feira também deu impulso ao iene. A redução das taxas chegou a levar o Bloomberg Dollar Spot Index ao menor nível em três meses.

“Ele está comprando briga com dois mercados gigantescos — Treasuries e câmbio”, disse Peter Boockvar, diretor de investimentos da Onepoint Bfg. “E essa é uma batalha muito difícil.”

YouTube oferece milhões de dólares a criadores para barrar avanço da Netflix

20 de Agosto de 2026, 08:47

O YouTube está oferecendo milhões de dólares a canais populares para que publiquem seus vídeos exclusivamente na plataforma por determinado período, em uma tentativa de conter o avanço da Netflix sobre suas maiores estrelas, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.

O pagamento ocorreria de algumas formas diferentes. O YouTube discutiu o financiamento direto de alguns programas e também ofereceu destinar aos criadores uma parcela de grandes contratos com marcas.

Embora o YouTube ainda não tenha fechado acordos com nenhum criador, está perto de firmar contratos com vários parceiros, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são sensíveis e ainda estão em andamento.

Segundo as fontes, o YouTube também avisou que criadores que fecharem acordos com a Netflix poderão sofrer consequências. A plataforma teria menos probabilidade de incluí-los em campanhas de marketing ou eventos caso publiquem vídeos na Netflix ao mesmo tempo. O YouTube também excluiria esses criadores da divisão de receitas de algumas grandes campanhas com marcas.

A Netflix vem negociando acordos com dezenas de YouTubers de destaque, pagando a criadores como Alan Chikin Chow e Nick DiGiovanni para publicar seus vídeos simultaneamente no YouTube e na Netflix. A empresa continua em conversas com dezenas de outros criadores, canais e programas, como Hot Ones, um talk show com celebridades.

Os acordos com a Netflix são atraentes para os criadores porque permitem receber milhões de dólares adicionais por vídeos que eles já produzem, além de expor seu conteúdo a novos espectadores. A Netflix tem mais de 325 milhões de assinantes.

Ainda assim, o YouTube disse aos criadores que publicar os mesmos vídeos em sua plataforma e na Netflix prejudica a audiência no YouTube e transmite a ideia de que os canais estão deixando de considerar a plataforma de vídeos como seu principal canal de distribuição.

Alguns criadores já decidiram não trabalhar com a Netflix. O serviço exige que eles entreguem os vídeos com dias de antecedência, algo que não faz parte da rotina de muitos criadores. A Netflix também pediu que alguns criadores retirassem determinados patrocínios de marcas de seus vídeos.

YouTube e Netflix são líderes no mercado de vídeos por streaming há 20 anos. Durante a maior parte desse período, foram concorrentes relativamente amigáveis, atuando em universos em grande parte separados.

A Netflix era a rainha do streaming por assinatura, concentrada em filmes e séries mais caros, produzidos nos moldes de Hollywood. O YouTube era o líder absoluto em conteúdo gerado por usuários, dando origem a uma nova geração de estrelas que o público acompanhava principalmente em dispositivos móveis.

As tentativas anteriores da plataforma de financiar produções originais não conseguiram gerar muitos sucessos. Um desses programas acabou se tornando um grande sucesso da Netflix.

Nos últimos anos, porém, a fronteira entre as duas plataformas ficou cada vez mais tênue. O YouTube priorizou fazer com que as pessoas assistissem a vídeos em televisores e agora responde por mais audiência nesses aparelhos do que qualquer outro serviço. A plataforma também passou a disputar verbas publicitárias da televisão e adquiriu os direitos de grandes eventos ao vivo, como o Oscar e a NFL.

A Netflix, que há muito tempo promove seus títulos no YouTube, licenciou os direitos de programas populares como CoComelon e outros conteúdos. A empresa vê as estrelas do YouTube como uma forma de atrair espectadores mais jovens e aumentar o tempo que os usuários passam na Netflix.

A competição se intensificou no último ano, à medida que a Netflix ampliou seus esforços para conquistar os canais mais populares do YouTube.

O YouTube avaliou se deveria reagir. O CEO Neal Mohan há muito tempo afirma que criadores que fecham acordos com concorrentes, como Instagram ou Amazon Prime Video, tendem a levar os espectadores de volta ao YouTube.

Poucos desses criadores estão deixando a plataforma, que continua sendo seu principal canal de distribuição. Financiar canais individualmente também pode desagradar milhares de outros canais que não recebem nenhum dinheiro.

O YouTube ainda não quer atuar como um estúdio para criadores, o que envolveria financiar produções e oferecer orientação criativa. Mas, nas últimas semanas, Mohan e sua equipe decidiram que o fluxo constante de criadores que passaram a publicar simultaneamente no YouTube e na Netflix era um problema que precisava ser enfrentado. Fica mais difícil convencer anunciantes sobre o apelo e o valor de um vídeo no YouTube se ele também estiver disponível na Netflix.

Essa não é a primeira vez que o YouTube reage dessa maneira a concorrentes. A plataforma ofereceu dinheiro a criadores que não fechassem acordos com a Vessel, uma startup cofundada e anteriormente comandada por Jason Kilar que tentava convencer criadores de redes sociais a publicar conteúdo em seu aplicativo antes do YouTube. A plataforma também criou um produto de vídeos curtos para competir com o TikTok.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua. Relembre o caso

20 de Agosto de 2026, 08:23

O fundador do China Evergrande, Hui Ka Yan, foi condenado à prisão perpétua, encerrando uma das histórias de ascensão e queda mais dramáticas da história corporativa da China.

O magnata do setor imobiliário, que caiu em desgraça e já foi o segundo homem mais rico da Ásia, transformou a Evergrande em um símbolo dos excessos corporativos durante o longo boom imobiliário da China. Mas, depois que seu império desmoronou após um calote em 2021, ele foi alvo de uma série de investigações oficiais que acabaram levando à sua queda.

Hui, que apareceu visivelmente envelhecido no tribunal, com os cabelos grisalhos, foi condenado junto com outras 56 pessoas envolvidas com a Evergrande, entre elas seus filhos Xu Zhijian e Xu Tenghe. Seus ativos serão confiscados, e suas empresas foram multadas em um total de 15,82 bilhões de yuans (US$ 2,4 bilhões).

O que levou Hui Ka Yan à prisão?

A decisão encerra uma história que, durante anos, foi considerada um dos grandes casos de sucesso da China. Hui acumulou dívidas em ritmo acelerado durante a expansão da Evergrande, transformando a empresa na incorporadora mais endividada do mundo enquanto convertia a gigante imobiliária em um conglomerado diversificado.

Mas as autoridades chinesas concluíram que sua ascensão foi construída com base em fraudes. Segundo elas, Hui cometeu uma fraude financeira de grandes proporções, que incluiu a inflação de ativos e a ocultação de passivos.

Em abril, Hui se declarou culpado em um tribunal chinês de acusações que incluíam captação ilegal de depósitos públicos e fraude em captação de recursos.

“O montante envolvido no crime é excepcionalmente elevado, as circunstâncias são particularmente graves, foram causadas perdas econômicas excepcionalmente grandes e os danos à sociedade são extremamente graves”, escreveu a agência estatal de notícias Xinhua, acrescentando que a Evergrande e Hui “devem ser severamente punidos de acordo com a lei”.

A Evergrande e Hui também foram considerados culpados de emissão fraudulenta de valores mobiliários, violação das regras de divulgação de informações e suborno. O fundador também foi acusado de desviar ativos da empresa por meio de mecanismos de distribuição de dividendos.

A sentença não encerra as inúmeras disputas judiciais envolvendo a Evergrande. A empresa está agora em processo de liquidação, enquanto uma legião de credores dentro e fora da China analisa seus ativos na esperança de recuperar parte das pesadas perdas.

Da pobreza à riqueza

Hui, também conhecido como Xu Jiayin em mandarim, nasceu na província de Henan em 1958 e cresceu na pobreza. Incentivado pelas perspectivas do plano de reformas econômicas de Deng Xiaoping, o filho de um lenhador deixou seu emprego em uma empresa siderúrgica em 1992 e, mais tarde, começou a atuar no mercado imobiliário em Guangzhou, capital da província de Guangdong. Em 1996, fundou a Evergrande e surfou a onda do boom imobiliário sem precedentes da China.

A Evergrande, cujo nome significa “permanência e grandeza” em chinês, recorreu fortemente a empréstimos para financiar seu crescimento, tornando-se a maior tomadora de dívida em dólares entre suas concorrentes e, por um período, a maior incorporadora do país em vendas. Em seu auge, a empresa construiu mais de 1.300 projetos em 280 cidades. Impulsionada pela riqueza gerada pelo mercado imobiliário, também expandiu sua atuação para setores que iam de água engarrafada a futebol profissional e veículos elétricos.

Durante muito tempo, a Evergrande conseguiu contornar crises de liquidez recorrendo a magnatas da China e de Hong Kong para comprar ações e títulos da empresa. Hui também buscou apoio financeiro de seus próprios fornecedores e de investidores de varejo. Mas a repressão de Pequim ao setor imobiliário a partir de 2020 limitou sua capacidade de tomar empréstimos, na prática cortando o acesso de Hui aos mercados de crédito.

As acusações contra Hui seguem uma longa lista de medidas severas adotadas pelas autoridades chinesas contra grandes empresários.

Wu Xiaohui, ex-presidente da Anbang Group Holdings, foi condenado a 18 anos de prisão por fraude e apropriação indébita em 2018. Naquele mesmo ano, Lai Xiaomin, presidente da China Huarong Asset Management, foi preso em meio a um escândalo de corrupção e acabou executado em 2021 por acusações que incluíam suborno. Chen Feng, presidente do HNA Group, foi detido alguns meses depois, junto com o presidente-executivo Tan Xiangdong, por crimes não especificados.

A Evergrande deixou de pagar suas dívidas no fim de 2021. Após tentativas frustradas de reestruturação, a empresa recebeu uma ordem de liquidação em Hong Kong em 2024, marcando uma escalada significativa no desmoronamento do setor. Mais tarde naquele ano, um tribunal da China continental aceitou um pedido de liquidação contra uma de suas principais unidades domésticas.

Hui foi levado pela polícia chinesa em 2023 e mantido sob a chamada vigilância residencial — uma medida policial que não chega a configurar detenção ou prisão formal. Além de um comunicado da empresa confirmando que Hui estava sob controle das autoridades, os órgãos chineses permaneceram discretos sobre seu status desde então.

Em 2024, os reguladores chineses acusaram a principal unidade doméstica da Evergrande de inflar sua receita em mais de 560 bilhões de yuans ao reconhecer vendas antecipadamente. A suposta fraude supera em muito os casos da Luckin Coffee e da Enron. A China então suspendeu por seis meses as operações da PricewaterhouseCoopers, auditora de longa data da Evergrande, e aplicou multas.

Grande parte da riqueza conhecida de Hui vinha de sua participação de controle na Evergrande e dos dividendos em dinheiro que recebeu da empresa desde sua listagem em Hong Kong, em 2009. Segundo cálculos da Bloomberg, Hui embolsou mais de US$ 7 bilhões na última década graças aos generosos pagamentos da companhia.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Bitcoin sobe 11% e ethereum dispara 20% hoje: o que explica a alta?

20 de Agosto de 2026, 08:11

As criptomoedas entraram no modo rali. O bitcoin (BTC) sobe 11% no dia, acima dos US$ 72 mil, e o ethereum (ETH) dispara quase 20%, para US$ 2.279,43. Com exceção de duas criptos desconhecidas, todas as outras também avançam nesta manhã de quinta-feira (20).

O impulso veio da terra do Tio Sam. Ontem, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou que vai dobrar o volume das operações de recompra de títulos com vencimentos mais longos. Após o anúncio, o rendimento do Treasury de 30 anos caiu cerca de 0,1 ponto percentual.

O movimento, segundo o Tesouro, tem o objetivo de oferecer maior suporte de liquidez aos títulos de longo prazo. Para o mercado, o cenário ficou mais favorável para a busca por ativos mais arriscados.

“Ao flexibilizar as condições para títulos do Tesouro de longo prazo, a medida está proporcionando um cenário mais favorável para a tomada de risco e a especulação de curto prazo em criptomoedas”, fala Paul Howard, diretor sênior da Wincent, em um comunicado.

Para Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, a leitura é que os juros longos subiram demais e o governo precisou agir – e isso favorece a tese das criptomoedas.

“A alta do bitcoin hoje não é apenas um movimento de preço. É uma reação direta à percepção de que o sistema financeiro tradicional está exigindo cada vez mais suporte para lidar com dívida, juros e liquidez. E esse é exatamente o tipo de cenário em que a tese do BTC como ativo escasso ganha força”, diz.

Newsletter: quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews!

ETFs também entram na festa

As compras não foram apenas diretas, mas também via ETFs. Os fundos negociados em bolsa nos EUA registraram US$ 517,19 milhões em entradas líquidas na quarta-feira (19), o maior volume desde 4 de maio, segundo dados da plataforma SoSoValue.

O destaque foi o IBIT, da BlackRock, que recebeu US$ 284,74 milhões. O ARKB, da Ark e 21Shares, teve US$ 77,71 milhões, enquanto o FBTC, da Fidelity, recebeu US$ 62,41 milhões.

Os fundos de ethereum captaram US$ 189,1 milhões, registrando o terceiro dia seguido de entradas. Os ETFs de XRP (XRP) e solana (SOL) também tiveram entradas ontem.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  +11,68%, US$ 71.848,11

Ethereum (ETH): +19,30%, US$ 2.279,43

BNB (BNB): +6,77%, US$ 642,22

XRP (XRP): +15,18%, US$ 1,15

Solana (SOL): +12,79%, US$ 87,15

Outros destaques do mercado cripto

Uma nova cripto chega ao HASH11. O HASH11, maior ETF de cripto da bolsa brasileira, faz o rebalanceamento de sua carteira a cada três meses. O objetivo é tirar algum token, incluir outro, mudar o peso de cada um… Faz parte da vida. Pois agora o fundo negociado em bolsa decidiu incluir uma nova criptomoeda: a hyperliquid (HYPE, para os mais chegados). Só neste ano, o ativo digital já deu um salto de 150%. A mudança entra em vigor no dia 1º de setembro.

Real e USDC lado a lado. O Brasil é visto como um mercado estratégico para muita empresa gringa. Por isso, vira e mexe elas criam novas alternativas para os investidores locais. Dessa vez, a exchange Coinbase passou a permitir a negociação direta entre o real e a stablecoin USDC (a segunda maior do mercado) em sua plataforma voltada a usuários que buscam ferramentas e recursos mais avançados.

Dia triste para quem aposta na queda. No mercado, seja cripto ou tradicional, existem os short sellers (vendedores a descoberto) – aqueles investidores que apostam que o preço vai cair, e não subir. Isso pode ser feito por meio de derivativos e posições alavancadas. Só que, com a disparada do BTC e de outras criptos, hoje eles estão perdendo grana. Ao todo, quem apostava na queda teve US$ 2,7 bilhões em posições liquidadas nas últimas 24 horas, na maior onda de encerramentos forçados de posições vendidas desde 2021.

Brasil 🇧🇷 é o terceiro emoji que mais cresceu no mundo – e a explicação não é o futebol

20 de Agosto de 2026, 08:09

O Brasil apareceu em um lugar improvável entre os símbolos que mais ganharam espaço na internet global em 2025: o teclado do celular. A bandeira brasileira 🇧🇷 saltou 65 posições no ranking dos emojis mais usados no mundo e teve o terceiro maior crescimento do ano.

A explicação encontrada pelo New York Times não passou por futebol ou Carnaval, temas historicamente associados ao país, mas pela cultura gamer. O movimento parece pequeno diante do tamanho da internet, mas 185 milhões de brasileiros estão conectados, e algumas das principais plataformas digitais alcançam individualmente mais de 100 milhões de pessoas no país.

No WhatsApp, no TikTok, no YouTube e até no Reddit, o Brasil aparece com destaque não só pelo tamanho da audiência mas por comportamentos que destoam de outros mercados.

Isso ajuda a explicar por que empresas globais olham cada vez mais para o país para além do rótulo de grande mercado consumidor.

Bandeira do Brasil em alta

A bandeira brasileira 🇧🇷 terminou 2025 na 122ª posição entre os emojis mais usados no mundo, segundo levantamento citado pelo jornal americano. Um ano antes, ocupava o 187º lugar. Foram 65 posições de avanço, com alta de 70% em sua participação no total de emojis utilizados.

Entre os emojis com participação mínima de 0,1% analisados pelo New York Times, somente a flor murcha 🥀, com crescimento de 190%, e o coração feito com os dedos 🫰, com 109%, avançaram mais. A bandeira dos Estados Unidos, para fins de comparação, caiu 47 posições.

Levantamento New York Times/Divulgação

O levantamento partiu de uma amostra anônima de 665 milhões de emojis usados globalmente no Gboard, teclado do Google em aparelhos Android, e contou com análise de fóruns do Reddit para buscar padrões de linguagem.

O Times associou o avanço do emoji da bandeira brasileira à cultura gamer – um terreno em que o Brasil já tem escala.

Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, 75,3% dos brasileiros consomem jogos digitais. No PC, League of Legends aparece como o título favorito, enquanto Counter-Strike, LoL, Valorant e Free Fire seguem entre os principais nomes do cenário competitivo brasileiro.

Fora dos games, o Digital 2026: Brazil, do DataReportal, estima 185 milhões de usuários de internet no Brasil, equivalentes a 86,9% da população, e cerca de 150 milhões de identidades ativas em redes sociais – 70,4% dos habitantes.

Nas plataformas, o alcance publicitário potencial no Brasil é de:

  • 150 milhões de pessoas no YouTube;
  • 147 milhões no Instagram;
  • 131 milhões de adultos no TikTok.

Reddit cresce no Brasil e entra na trilha do emoji

O Reddit tem presença menor no Brasil, mas cresceu rapidamente entre seus fóruns. No fim de 2025, a ferramenta publicitária da plataforma indicava alcance potencial de 19,9 milhões de pessoas no país — quase o mesmo registrado na França, de 20,5 milhões, e acima de mercados como Itália, Japão, Espanha e México.

Dados fornecidos pelo próprio Reddit à Exame mostram que o número de usuários ativos semanais no Brasil cresceu 95% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Nos Estados Unidos, maior mercado da plataforma, a alta foi de 18%.

O Reddit também foi usado pelo New York Times para investigar como diferentes gerações adotam emojis.

Para o jornal, símbolos digitais funcionam como marcadores de pertencimento a grupos e subculturas – ambientes em que novas formas de comunicação costumam surgir antes de alcançar públicos maiores.

O ‘Zap Zap’ que chamou a atenção de Zuckerberg

Nenhuma plataforma deixa essa particularidade brasileira tão explícita quanto o WhatsApp. A Meta não divulga atualmente quantos usuários do aplicativo estão no Brasil, mas executivos da companhia colocam o país entre seus principais mercados.

Em 2024, durante o Meta Conversations, em São Paulo, Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, destacou que brasileiros enviavam mais figurinhas, participavam mais de enquetes e mandavam quatro vezes mais mensagens de voz do que usuários de qualquer outro país.

O CEO disse ainda que o Brasil havia transformado o “Zap Zap” em algo próprio.

“A criatividade dos brasileiros no WhatsApp é realmente inspiradora, e nós queremos facilitar para que as pessoas façam ainda mais no WhatsApp”, afirmou Zuckerberg durante o evento.

A Pesquisa WhatsApp no Brasil 2026, do Opinion Box, aponta que 77% dos entrevistados conversam com marcas e empresas pelo aplicativo e que sete em cada dez já compraram produtos ou contrataram serviços por ali. Outros 37% afirmam deixar o WhatsApp aberto durante todo o dia.

No fim de 2025, o Instagram, também da Meta, alcançava potencialmente 147 milhões de brasileiros por publicidade, avanço de 8% em um ano.

YouTube: impacto econômico

No YouTube, um estudo da Oxford Economics divulgado pela plataforma em 2026 estima que o ecossistema criativo contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o PIB do Brasil em 2025 e sustentou mais de 150 mil postos de trabalho, direta e indiretamente.

O Brasil já reúne mais de 100 mil canais com pelo menos 100 mil inscritos e mais de 10 mil acima da marca de 1 milhão. Mais de 85% do tempo de exibição de conteúdos produzidos por canais brasileiros vem do próprio público do país, segundo o YouTube.

Entre pequenas e médias empresas brasileiras que mantêm um canal na plataforma, 71% dizem que o YouTube é essencial para o crescimento do negócio. Em julho de 2025, mais de 25 milhões de usuários brasileiros fizeram buscas relacionadas a compras dentro do YouTube.

No fim de 2025, as ferramentas publicitárias do Google apontavam alcance potencial de 150 milhões de pessoas no Brasil, equivalente a 81,1% dos internautas brasileiros. Em números absolutos, o país estava praticamente empatado com a Indonésia e atrás apenas de Índia e Estados Unidos.

TikTok: 134 milhões de usuários

O apelo de redes sociais junto aos brasileiros parece ser universal. O TikTok, da chinesa ByteDance, tinha 134 milhões de usuários ativos mensais no Brasil em março de 2026, o que define o país como um de seus maiores mercados globais.

Segundo estudo da LCA Consultoria divulgado pelo TikTok, a atividade associada aos investimentos de pequenas e médias empresas em publicidade na plataforma adicionou entre R$ 18,6 bilhões e R$ 37,3 bilhões ao PIB brasileiro em 2025.

O levantamento calcula ainda que essa atividade sustentou entre 223 mil e 447 mil empregos.

Entre os empreendedores pesquisados, 52% afirmaram que o TikTok ajuda a alcançar novos mercados. Outros 69% usam a rede para conteúdos relacionados aos negócios, 62% para acompanhar tendências e 57% para desenvolver habilidades de marketing digital.

O crescimento também virou comércio dentro da própria plataforma. Dados do TikTok Shop mostram que 57,8% dos usuários pesquisados concluíram uma compra depois de descobrir um produto no aplicativo.

Pelas ferramentas publicitárias da plataforma, o alcance potencial no Brasil já havia crescido 17,6% entre o fim de 2024 e o fim de 2025, chegando a 131 milhões de adultos.

Cosan prevê venda de participação no terminal Porto São Luís por R$ 300 milhões

13 de Agosto de 2026, 20:18

A Cosan formalizou uma carta de intenções para a venda da totalidade de sua participação no Terminal Porto São Luís (TUP São Luís), pelo preço indicativo de R$ 300 milhões.

Segundo a holding de Rubens Ometto, em fato relevante ao mercado na noite de quinta-feira (13), a proposta prevê um período de exclusividade para a negociação e celebração dos documentos definitivos.

Além do valor principal, a Cosan pode receber um valor correspondente ao earn-out — mecanismo de pagamento adicional vinculado a resultados futuros — referente a potenciais novos berços de atracação de navios implantados ou a serem implantados no TUP São Luís até 2035, além do berço principal, no valor indicativo de R$ 50 milhões para cada um.

Os valores serão corrigidos pela variação acumulada do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desde a aceitação da proposta até as respectivas datas de pagamento.

A conclusão da transação está sujeita a condições precedentes usuais para esse tipo de operação, bem como à negociação dos documentos definitivos. O comunicado foi assinado por Rafael Bergman, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia.

A Cosan, acionista de empresas como Raízen, Compass e Moove, tem avançado com um plano de venda de ativos para reduzir a sua dívida, que estava em R$ 11,47 bilhões ao fim de março (dado mais recente disponível).

Neste mês, a Cosan adiou em um mês o prazo para receber as propostas vinculantes pela sua fatia de 20,3% na operadora de ferrovias Rumo, avaliada em R$ 5,3 bilhões, conforme revelou o InvestNews.

O objetivo foi passar mais visibilidade aos interessados sobre os números da companhia após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.

As propostas definitivas, antes previstas para o início do mês, deverão ser recebidas após o feriado de 7 de setembro, com Cofco e Bunge entre os principais interessados na aquisição.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Split Payment: sistema de cobrança é adiado e não começa em janeiro. Novos tributos são mantidos

13 de Agosto de 2026, 19:41

O split payment, mecanismo pelo qual o valor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) devido em uma operação será separado automaticamente no momento do pagamento, não estará pronto em janeiro de 2027.

A cobrança efetiva da CBS nessa data continua prevista, assim como a manutenção do IBS em alíquota de teste, mas o recolhimento automático imediato na hora da venda não ocorrerá no primeiro dia do ano. O seu funcionamento foi tema de reportagem explicativa do Descomplica PJ.

“O split payment é uma das ferramentas mais complexas de ser implementada. Não começará em janeiro”, afirmou Pricilla Santana, secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul e segunda vice-presidente do Comitê Gestor do IBS (CGIBS), em entrevista após reunião do colegiado em São Paulo nesta quarta-feira (12).

Segundo Santana, a implementação exige mais tempo tanto do lado do governo quanto das próprias instituições financeiras. “O nosso sistema financeiro, que tem sido um parceiro incomensurável nesse desafio, também pediu mais tempo”, afirmou.

O adiamento não significa que o mecanismo foi abandonado. A expectativa é que ele passe a operar depois de janeiro, numa primeira fase facultativa e restrita a operações entre empresas. É o mesmo desenho que já era esperado para a etapa inicial do split payment antes do atraso.

RAD: a alternativa prevista para o início do ano

Enquanto o split payment não está disponível, o Recolhimento pelo Adquirente (RAD) passa a ser a opção com que as empresas podem contar já no início do ano que vem.

Previsto na lei que regulamentou a criação do IBS e da CBS, o mecanismo funciona como alternativa para quando o instrumento de pagamento usado não permite a segregação automática do imposto, como em pagamentos em dinheiro, cheque ou outras formas fora do sistema financeiro integrado à Plataforma Pública.

Nesse formato, é o comprador quem assume o recolhimento do tributo da operação, em vez do fornecedor. O crédito tributário correspondente é habilitado automaticamente, e o vendedor recebe o valor da venda com a parcela do imposto já descontada.

Assim como estava previsto para o split payment em sua fase inicial, o RAD também terá caráter opcional neste momento. As duas modalidades foram criadas para dar flexibilidade às empresas durante o período de transição da reforma tributária.

Para quem faz planejamento financeiro, vale já entender a diferença entre as duas modalidades: cada uma altera de forma diferente o momento em que o valor do tributo deixa de ficar disponível no caixa da operação.

Em janeiro, porém, só o RAD estará no ar. A comparação prática com o split payment só vale quando ele, de fato, entrar em operação.

O que muda mesmo com o adiamento

O atraso do split payment não afeta o restante do cronograma da reforma.

A cobrança efetiva da CBS começa normalmente em 1º de janeiro de 2027, substituindo PIS e Cofins em alíquota cheia. O IBS, por sua vez, segue em alíquota de teste até 2028, com a substituição gradual do ICMS e do ISS ocorrendo entre 2029 e 2032, até a cobrança integral a partir de 2033.

Desde 3 de agosto, os documentos fiscais eletrônicos de empresas do regime regular precisam trazer os campos de IBS e CBS, com a alíquota-teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS). Por enquanto, esse destaque tem caráter só informativo, sem recolhimento efetivo. A fase serve para testar sistemas antes da cobrança real começar.

Para não esquecer

  • O split payment não vai operar em janeiro de 2027;
  • sua implementação passa a acontecer aos poucos, em um momento ainda sem data marcada;
  • o RAD entra como opção viável já a partir de janeiro de 2027, restrito a operações entre empresas nesse primeiro momento;
  • a cobrança efetiva da CBS começa normalmente em janeiro de 2027, mesmo sem o split payment pronto;
  • o IBS segue em alíquota de teste até 2028;
  • a obrigação de destacar IBS e CBS nas notas fiscais, vigente desde 3 de agosto, continua tendo caráter só informativo enquanto durar o período de testes;
  • empresas do regime regular devem continuar ajustando seus sistemas fiscais para lidar corretamente com os novos campos das notas eletrônicas;
  • contadores precisam ficar atentos às próximas normas técnicas do CGIBS e da Receita Federal, que devem detalhar o novo cronograma do split payment.

Lucro do Nubank sobe 49% no segundo trimestre, para US$ 1,06 bilhão

13 de Agosto de 2026, 18:35

O Nubank, alcançou pela primeira vez na história a marca de US$ 1 bilhão em lucro neste segundo trimestre, com a queda dos custos de crédito em relação aos três meses anteriores e um avanço de 37% da carteira de crédito.

O lucro líquido foi de US$ 1,06 bilhão, alta de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, excluindo variações cambiais, e ficou acima de todas as estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg. Os custos de crédito chegaram a US$ 1,7 bilhão, ante US$ 1,1 bilhão um ano antes.

“Estamos bastante confiantes de que conseguiremos manter a margem financeira líquida ajustada ao risco em um patamar semelhante ao atual, em torno de 12%”, disse Rob Livingston, novo diretor financeiro da fintech, em entrevista antes da divulgação dos resultados.

O Nubank atravessa uma piora do ciclo de crédito no Brasil enquanto acelera a expansão em produtos centrais, como cartões de crédito e empréstimos pessoais.

A companhia sempre concede crédito como se a economia estivesse prestes a entrar em recessão, disse Livingston, e vem usando modelos baseados em inteligência artificial para avaliar melhor a capacidade de pagamento de cada cliente.

No primeiro trimestre, essa fórmula produziu resultados que decepcionaram os investidores, e as ações caíram 5,7% depois que os números mostraram provisões mais elevadas.

Também pesou sobre o sentimento dos investidores o fato de alguns investimentos da empresa ainda não terem dado retorno, como a aposta em inteligência artificial e a expansão internacional.

Autorizado a operar como banco no México em julho, o Nubank agora poderá lançar mais tipos de produtos na segunda maior economia da América Latina, o que deve acelerar seu crescimento no país, disse o CFO, embora o lucro avance de forma mais gradual.

As despesas operacionais do segundo trimestre foram de US$ 806,2 milhões, ante US$ 548,1 milhões um ano antes, segundo a empresa. O índice de eficiência, que mede quanto um banco gasta para gerar receita, melhorou 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior, para 19,5%, mas piorou na comparação com o trimestre anterior devido aos gastos com marketing e à expansão internacional.

O Nubank afirmou que o indicador deve ficar próximo de 20% no ano, refletindo as políticas de retorno ao escritório iniciadas no começo de julho e sua expansão nos Estados Unidos.

A empresa havia dito anteriormente que essa expansão reduziria o índice de eficiência em menos de 100 pontos-base neste ano e no próximo.

Sua empresa paga dividendos aos sócios? A Receita Federal quer saber quanto – e todo mês

13 de Agosto de 2026, 18:35

Desde o início deste ano de 2026, se você recebe dividendos acima de R$ 50 mil por mês de sua empresa, está na mira do Leão: precisa pagar Imposto de Renda de 10% sobre esses valores.

Mas, pelo jeito, muita gente não estava sabendo bem como fazer isso acontecer – e o Fisco decidiu “botar os pingos nos is”.

A Receita Federal publicou, na última semana, uma espécie de manual de orientações sobre como empresas devem prestar contas sobre os dividendos que pagam aos sócios.

Quer dizer, embora o IR seja cobrado da pessoa física que recebe os ganhos, ele é retido na fonte. Isso significa que é a sua empresa – caso pague dividendos – que precisa fazer o cálculo, registrar e recolher o tributo.

Com um detalhe: o interesse da Receita é garantir que dividendos acima de R$ 50 mil por mês efetivamente paguem imposto. Mas a obrigação de prestar as informações ao Fisco existe mesmo quando não há IR a recolher – ou seja, quando o lucro distribuído fica abaixo do teto mensal.

A nova rotina dos dividendos

Para começo de conversa: não mudou nada na obrigação de pagar IR quando os dividendos recebidos ultrapassam o teto mensal.

O que está rolando agora é só um detalhamento do “como fazer “. “É a operacionalização técnica da regra”, diz Jean Lucas Paiva Athayde Coelho, sócio da Consult Seven.

Isso inclui desde o registro dos dividendos isentos e tributáveis no EFD-Reinf (sistema usado para prestar informações sobre retenções de tributos federais) e o envio das informações ao DCTFWeb (que consolida os impostos federais que as empresas têm a pagar e os créditos que podem receber) até o tratamento de distribuições fracionadas no mesmo mês.

Na prática, será uma nova rotina que você, como empresário – e seu contador, é claro -, precisará incorporar.

E o ponto mais importante é que você, como empresário, deve registrar a quantia integral de dividendos distribuída ao sócio, inclusive quando o valor não demandar retenção de IR, como reforça Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei.

O limite de R$ 50 mil é analisado por beneficiário e considera a soma dos pagamentos feitos ao mesmo sócio no mês. Imagine que sua empresa faça três distribuições a você como sócio:

  • R$ 20 mil no dia 5;
  • R$ 20 mil no dia 15;
  • R$ 20 mil no dia 25.

Não adianta olhar cada pagamento isoladamente. Juntos, eles somam R$ 60 mil no mês, acima do limite – e, por isso, vai existir um imposto a recolher. Segundo os especialistas ouvidos pelo Descomplica PJ, sua empresa precisa informar à Receita sempre o valor total.

Com um detalhe: quando os dividendos ultrapassam o teto mensal, a distribuição inteira é tributada em 10%, e não apenas o valor que excede o limite, frisa Gularte. No exemplo, portanto, a alíquota seria aplicada sobre R$ 60 mil (e não R$ 10 mil).

Essa informação também permite à Receita cruzar os dados enviados pela empresa com as informações do Imposto de Renda da pessoa física.

Passo a passo

Resumidamente, o fluxo que as empresas precisam seguir para ficar em dia com a Receita Federal é assim:

  • A EFD-Reinf informa que houve um pagamento de dividendos;
  • A DCTFWeb recebe a informação e formaliza que existe um débito;
  • Se houver imposto a recolher, a empresa emite o DARF e faz o pagamento.

O primeiro passo é informar os valores que sua empresa pagou aos sócios na EFD-Reinf. Lá, a distribuição de lucros deve ser informada por meio do evento R-4010. Pense nisso como o registro em que a empresa informa à Receita Federal que fez um determinado pagamento a uma pessoa física – no caso, ao sócio. Ali dentro, será preciso:

  • Identificar o sócio, pelo CPF;
  • Informar a natureza do rendimento, usando o código 12001, de lucros e dividendos;
  • Registrar a data do pagamento;
  • Preencher o campo vlrRendBruto, com o valor total dos dividendos pagos ao sócio no mês;
  • Preencher o campo vlrRendTrib, com o valor tributável, quando o valor total dos dividendos superar R$ 50 mil no mês;
  • Preencher o campo vlrIR, com o valor do Imposto de Renda (10% sobre o valor tributável) quando houver retenção;
  • Transmitir o fechamento da EFD-Reinf usando o evento R-4099.

Voltando ao exemplo da reportagem, em que você, como sócio, recebe três pagamentos de dividendos de R$ 20 mil em um mesmo mês, os campos da EFD-Reinf deveriam ser preenchidos assim, segundo Coelho:

  • vlrRendBruto: R$ 60 mil (valor total dos dividendos pagos ao sócio no mês);
  • vlrRendTrib: R$ 60 mil (pois o valor total dos dividendos superou R$ 50 mil no mês e o valor tributável é a soma deles);
  • vlrIR: R$ 6 mil (valor do Imposto de Renda, de 10% sobre o valor tributável).

E depois?

Depois que a empresa transmite a EFD-Reinf, os valores apurados são encaminhados automaticamente para a DCTFWeb. É nessa etapa que a empresa “confessa” o débito fiscal – ou seja, reconhece que tem um imposto a pagar.

Você, como empresário, deve conferir se os valores chegaram corretamente à DCTFWeb antes de transmitir a declaração. É importante checar os códigos de receita que estiverem informados, porque eles mudam de acordo com o perfil do sócio que recebeu o pagamento de dividendos. São dois códigos:

  • 1841-01, se o pagamento foi para um sócio residente no Brasil;
  • 1841-02, se o pagamento foi para um sócio residente fora do país.

Daí, é só a empresa fazer o pagamento por meio de um DARF, o “boleto” dos impostos federais. Ele pode ser emitido pelo próprio sistema DCTFWeb ou pelo Sicalc.

Para sócios residentes no Brasil, a regra é quitar o DARF até o dia 20 do mês seguinte ao pagamento dos dividendos. Se o sócio mora fora, o IR precisa ser recolhido no mesmo dia da remessa dos dividendos ao exterior.

Concorrente de JBS e MBRF, Tyson fecha mais frigoríficos nos EUA com escassez de gado

13 de Agosto de 2026, 18:25

A Tyson Foods vai fechar mais unidades de processamento de carne bovina nos Estados Unidos, em mais um movimento de reestruturação da indústria frigorífica americana diante da prolongada escassez de gado no país. A pressão também atinge concorrentes como as brasileiras JBS e MBRF, dona da National Beef nos EUA.

A companhia vai encerrar as operações da planta de Joslin, em Illinois, e de uma unidade de cortes e embalagens de carne bovina em Utah. Já a fábrica de Pasco, no estado de Washington, será colocada à venda. A produção das unidades afetadas será absorvida por outras plantas da Tyson.

Em comunicado, a empresa afirmou que as mudanças buscam tornar sua operação mais competitiva diante do que classificou como uma das mais severas escassezes de gado já enfrentadas pelos Estados Unidos.

A Tyson já vinha reduzindo capacidade, mas as medidas fizeram pouco para compensar as fortes perdas operacionais, em um momento em que os frigoríficos continuam pagando preços elevados pela oferta restrita de animais.

Na semana passada, a empresa reduziu sua projeção de lucro anual e passou a prever perdas operacionais ajustadas maiores no negócio de carne bovina.

Com as mudanças, a Tyson pretende concentrar sua operação de bovinos em três plantas, localizadas em Nebraska, Kansas e Texas. A unidade de Amarillo, no Texas, que havia passado a operar em apenas um turno, voltará a ter dois “à medida que houver disponibilidade de gado”, segundo a companhia.

No início deste ano, a Tyson já havia fechado outra planta de carne bovina em Nebraska.

Crise do gado

Os cortes ocorrem enquanto o rebanho bovino dos Estados Unidos permanece próximo do menor nível em cerca de cinco décadas. A escassez eleva o preço pago pelos frigoríficos pelo gado e comprime as margens das empresas.

O levantamento mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), referente a 1º de julho, mostrou que pecuaristas estão retendo parte dos animais para recompor seus rebanhos. Ainda assim, uma recuperação significativa da oferta deve levar tempo.

Segundo a Tyson, os dados do USDA continuam mostrando retenção limitada de novilhas, um sinal de que as restrições de oferta devem persistir e exigir novas medidas das empresas.

A pressão não se restringe à Tyson. A JBS informou recentemente que converteria uma planta de carne bovina fechada na Pensilvânia para a produção de itens de maior valor agregado. 

Wesley Batista Filho, que assumirá o comando da JBS em 2027, afirmou nesta semana que a operação de carne bovina da companhia nos EUA ainda não havia sentido os benefícios das medidas de reestruturação. A Cargill também já fechou uma unidade em Milwaukee.

A MBRF enfrenta um cenário semelhante por meio da National Beef, sua subsidiária de carne bovina nos Estados Unidos. A operação também vem sendo pressionada pela menor disponibilidade de gado, que limita os volumes de abate e eleva o custo da matéria-prima.

Uma possível fonte de alívio para o setor é a retomada das importações de animais do México. O USDA anunciou um plano para reabrir gradualmente o comércio de gado vivo, interrompido por mais de um ano para impedir a disseminação da mosca-da-bicheira (New World screwworm).

Os embarques devem ser retomados no fim de agosto, inicialmente por um ponto de entrada no Arizona. No longo prazo, a entrada de mais animais pode ajudar a reduzir parte da pressão sobre os frigoríficos americanos.

Negociação pela Amil terá reunião decisiva; Bain e Advent querem definição rápida

13 de Agosto de 2026, 17:47

O início da próxima semana deve ser decisivo para o futuro da Amil. Depois de meses de conversas, Bain Capital e Advent International se aproximaram das condições apresentadas pelo atual dono da operadora de planos de saúde, José Seripieri Filho, o Júnior, e esperam usar um encontro com o empresário para tentar colocar um ponto final na negociação.

A diligência sobre a companhia já foi concluída, segundo apurou o InvestNews com pessoas próximas às conversas. Agora, o principal obstáculo deixou de ser a avaliação dos fundos sobre a Amil e passou a ser a garantia de que, caso aceitem as exigências de Júnior, não haverá novos pedidos.

Quem acompanha o negócio de perto avalia hoje que Bain e Advent tendem a aceitar os termos apresentados pelo empresário nos últimos dias. A cautela está relacionada às idas e vindas de Júnior na negociação.

Em troca, querem uma sinalização definitiva de que o aceite será suficiente para fechar a operação – e, se possível, sair do encontro com o acordo assinado.

Reunião decisiva

Um encontro entre os principais envolvidos deve ocorrer já no início da próxima semana. Júnior estará acompanhado de Alberto Bulus e Grace Tourinho, nomes de confiança que também são sócios do empresário na condução da Amil.

Empresário José Seripieri Filho, o Júnior, dono da Amil
Empresário José Seripieri Filho, o Júnior, dono da Amil (Ilustração: Daniela Arbex)

A reunião foi noticiada nesta quinta-feira (13) pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo a apuração do InvestNews, a discussão agora está concentrada nas condições para a assinatura do acordo.

Na última conversa, Júnior teria endurecido sua posição e apresentou novas exigências de preço e estrutura.

As conversas até aquele momento caminhavam para um negócio de R$ 15 bilhões, mas a nova pedida do empresário pode levar o valor da transação para perto de R$ 18 bilhões.

Transição preparada

O grau de preparação de Bain e Advent dá uma dimensão de quanto a negociação avançou. A captação dos recursos necessários para realizar a operação já estariam engatilhados, segundo pessoas próximas às conversas.

As gestoras também já escolheram quem gostariam de colocar no comando da Amil caso a aquisição seja concluída. O nome é Irlau Machado, ex-presidente da NotreDame Intermédica e um velho conhecido da Bain Capital. Machado comandou a operadora durante parte do período em que a gestora americana foi sua controladora.

Para Júnior, a posição na mesa continua confortável. Como mostrou o InvestNews, o empresário já recebeu dividendos da Amil superiores aos cerca de R$ 2 bilhões que desembolsou para comprar a operadora da UnitedHealth em 2023.

Além disso, a companhia voltou a crescer e gerar caixa depois da aquisição, reduzindo a necessidade de Júnior aceitar uma proposta que considere insuficiente. Já os compradores querem a segurança de que, uma vez aceitas, elas serão as últimas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Anthropic, dona do Claude, pode chegar a US$ 2 trilhões e ter maior IPO da história

13 de Agosto de 2026, 16:56

A Anthropic, dona do modelo de inteligência artificial Claude, pode realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em outubro com uma avaliação de US$ 2 trilhões ou mais, segundo investidores da companhia ouvidos pelo Financial Times. Se o valor se confirmar, a operação será a maior abertura de capital da história e colocará a empresa acima da SpaceX em valor de mercado.

A expectativa é baseada no forte crescimento da receita da companhia. Investidores estimam que a Anthropic possa alcançar uma receita anualizada entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões até o fim de 2026. A métrica anualizada considera o desempenho recente da empresa para estimar quanto ela faturaria em um período de 12 meses.

O número representaria um crescimento de mais de dez vezes ao longo de 2026. Em maio, a Anthropic havia informado que sua receita anualizada já havia superado US$ 47 bilhões. A companhia foi avaliada em US$ 965 bilhões em maio, após uma nova rodada de investimentos. Com isso, ultrapassou a OpenAI pela primeira vez em valor de mercado.

IPO pode superar marca da SpaceX

Uma avaliação de US$ 2 trilhões colocaria a Anthropic entre as empresas mais valiosas do mundo e faria sua estreia na bolsa superar a marca da SpaceX, que realizou seu IPO em junho com avaliação de US$ 1,77 trilhão.

O potencial da operação também chama atenção pelo ganho que poderia gerar para os primeiros investidores da Anthropic. Ao mesmo tempo, uma estreia nesse patamar seria um teste para os mercados acionários, que começam a demonstrar maior cautela diante das avaliações elevadas relacionadas à inteligência artificial.

A Anthropic ainda não definiu oficialmente uma avaliação para o IPO, de acordo com os investidores ouvidos pelo jornal britânico. Eles, porém, vêm elaborando seus próprios modelos financeiros para estimar o valor da empresa.

Como referência, empresas consideradas beneficiárias do avanço da inteligência artificial, como a Palantir e a Nebius, chegaram a negociar neste ano por cerca de 55 vezes a receita, segundo o FT.

Crescimento da Anthropic chama atenção

A Anthropic ganhou espaço em relação a concorrentes como OpenAI e Google ao longo deste ano, com novos modelos de IA que, segundo avaliações de investidores e usuários, apresentaram desempenho superior em algumas aplicações.

A empresa também tem concentrado esforços no mercado corporativo, em vez de depender apenas de consumidores individuais.

O crescimento, porém, ocorre em meio a uma série de desafios. A companhia enfrenta concorrência cada vez maior de empresas chinesas, pressão por novas regras para o setor de inteligência artificial e conflitos com o governo dos Estados Unidos.

Segundo investidores ouvidos pelo FT, essas questões contribuíram para uma desaceleração do crescimento da receita em junho. A empresa, no entanto, teria retomado o ritmo de expansão posteriormente.

Custos e concorrência são desafios

Outro obstáculo é o custo dos modelos mais avançados de inteligência artificial. Empresas estão cada vez mais preocupadas com os gastos para utilizar essas ferramentas e, em alguns casos, passaram a adotar modelos menos sofisticados e mais baratos.

De acordo com a Artificial Analysis, plataforma que acompanha modelos de IA, o principal modelo da Anthropic custa mais de duas vezes e meia o preço do modelo considerado principal da OpenAI. Alternativas chinesas de código aberto, por sua vez, têm custos significativamente menores.

Mesmo diante dessas pressões, dados da empresa de pagamentos Ramp indicam que a Anthropic aumentou sua participação entre empresas americanas no mês passado.

A companhia também recebeu quase US$ 100 bilhões em investimentos de fundos de venture capital, fundos soberanos e outros investidores institucionais em 2026.

Dario Amodei: quem é o CEO da Anthropic

Cientista com formação em física e biofísica, Amodei passou pela Google e pela OpenAI antes de fundar a Anthropic, uma das principais empresas da corrida pela inteligência artificial. À frente da Anthropic, Amodei se tornou uma das vozes mais influentes no debate sobre os riscos e o potencial da inteligência artificial.

Dario Amodei Fotógrafo: Samyukta Lakshmi/Bloomberg

Amodei também pode se tornar um dos maiores bilionários do setor de tecnologia caso a avaliação se confirme. Segundo estimativa da Forbes, ele tem pouco mais de 1,6% da Anthropic, participação que, na avaliação de US$ 965 bilhões, representa cerca de US$ 15,5 bilhões.

Se a empresa chegar a US$ 2 trilhões, essa fatia poderia valer aproximadamente US$ 32 bilhões, antes de considerar impostos, eventual diluição e restrições à venda das ações. O valor representaria mais que o dobro do patrimônio estimado atualmente e colocaria Amodei entre os homens mais ricos do mundo.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Depois do sorvete barato, Mixue avança sobre o mercado de cerveja na China

13 de Agosto de 2026, 15:00

A chinesa Mixue, que desembarcou no Brasil neste ano vendendo casquinhas a R$ 3 e limonadas a R$ 6, encontrou outra categoria para aplicar sua receita de preços baixos e expansão acelerada lá na China: a cerveja.

O grupo controla desde outubro do ano passado a Fulujia, rede chinesa de pequenos bares que já soma mais de 3,2 mil unidades e se tornou a maior cadeia de bares do mundo, segundo a The Economist.

O chamariz é oferecer um preço difícil de bater, uma estratégia semelhante à que transformou a Mixue na maior rede de fast food do planeta.

Uma cerveja de cerca de meio litro custa a partir de 5,9 yuans, ou US$ 0,87. Os estabelecimentos são pequenos, padronizados e oferecem cerca de 20 tipos de chope, além de petiscos.

Mais do que a cerveja barata, porém, o avanço da Fulujia mostra como a Mixue está usando a estrutura que construiu para vender sorvetes, limonadas e chás para entrar em outros negócios.

A companhia comprou o controle da rede de bares em outubro. Desde então, quase dois terços das 3,2 mil unidades da Fulujia foram abertas. O ritmo lembra o da própria Mixue, que chegou a inaugurar cerca de 40 lojas por dia em 2025.

A mesma fórmula, agora no bar

As duas redes compartilham peças importantes do mesmo modelo.

Para abrir um bar da Fulujia, um franqueado paga cerca de 60 mil yuans, o equivalente a aproximadamente R$ 46 mil, pelo pacote de equipamentos e identidade visual, sem contar aluguel e reforma. Nos primeiros três anos, não há cobrança de royalties.

A outra vantagem vem da logística. A Mixue construiu boa parte de sua escala controlando uma cadeia de suprimentos que abastece seus franqueados a baixo custo. A Fulujia passou a usar essa mesma estrutura para transportar cerveja produzida na província de Henan, onde as duas empresas estão sediadas.

Segundo a Economist, os franqueados não pagam nem mesmo pelo transporte – inclusive em lojas localizadas a mais de 2 mil quilômetros da cervejaria.

É uma estratégia parecida com a que transformou a Mixue em uma gigante de 60 mil lojas. Mais de 99% das unidades da companhia já eram franqueadas em setembro de 2024, e boa parte da receita vinha não das taxas cobradas dos operadores, mas da venda de insumos e equipamentos para eles.

A empresa opera uma rede global de compras em dezenas de países, além de fábricas, armazéns e logística própria na China. Também é essa estrutura que sustenta preços como o da limonada de 4 yuans, cerca de R$ 3,10, vendida pela Mixue no mercado chinês.

E o Brasil?

Por enquanto, cerveja não faz parte dos planos anunciados pela Mixue para o Brasil.

A Fulujia ainda não revelou intenção de abrir unidades fora da China. A própria operação brasileira da Mixue está em uma fase bem anterior: a companhia desembarcou no país neste ano e usa as primeiras lojas para entender preço, cardápio e hábitos do consumidor antes de acelerar a expansão.

Mixue: chinesa é a maior rede de sorvetes do mundo e estreia no Brasil
Mixue: chinesa é a maior rede de sorvetes do mundo e estreia no Brasil (Foto: Na Bian/ Bloomberg)

A ambição, no entanto, é grande. A empresa prevê investir R$ 3,2 bilhões no Brasil e já falou em chegar, no longo prazo, a 2 mil unidades no país.

No curto prazo, a adaptação ao gosto brasileiro está acontecendo dentro do negócio que a companhia já conhece. Depois de estrear com casquinhas, limonadas e chás, a Mixue prepara produtos com ingredientes locais – e escolheu o açaí como um dos primeiros sabores desenvolvidos especificamente para o mercado brasileiro.

A empresa pretende ainda nacionalizar cada vez mais seus insumos e prevê construir uma fábrica no país, embora não tenha definido um cronograma.

@investnewsbr

A Mixue, rede chinesa que construiu um império vendendo sorvetes, limonadas e bubble teas a preços baixos, chegou ao Brasil. E vai ter até açaí no cardápio! #mixue #fastfood #negócios

♬ original sound – InvestNews BR – InvestNews BR

A Jeep quer reverter a perda de mercado para chineses no Brasil. O Avenger é o primeiro passo

13 de Agosto de 2026, 14:38

“Tudo começa com produto.” Essa foi uma das mensagens principais que o executivo italiano Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, grupo que reúne as marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Chrysler e tantas outras, buscou passar a investidores e analistas quando apresentou em maio o novo plano estratégico para ganhar mercado nos próximos anos.

Segundo ele, isso se traduz em oferecer carros que atendam às necessidades dos consumidores em seus diferentes perfis. No caso do brasileiro, isso passa, antes de qualquer atributo ou tecnologia, pelo que cabe no bolso, defende Herlander Zola, presidente e COO (Executivo-Chefe de Operações) da Stellantis para a América do Sul.

O plano batizado de “Fast Lane” começou a se materializar em um dos principais mercados globais da Stellantis, o Brasil, com o lançamento do Jeep Avenger, um novo modelo que tem a ambição de ganhar mercado em um dos segmentos que mais vendem: o de SUVs de entrada.

O modelo chega a partir de R$ 119.900 na versão Altitude. É um “híbrido leve” (MHEV), com bateria de 12V e motor turbo T200. As faixas de preços dos modelos superiores partem de R$ 135.990 e R$ 145.990, o que evidencia a preocupação para que o Avenger seja de fato competitivo diante da concorrência cada vez mais acirrada.

“Ganhar mercado” pode ser entendido também como “recuperar terreno perdido” nos últimos anos para concorrentes no segmento de SUVs de forma mais ampla, na faixa de preço que vai até R$ 250 mil, em que a eletrificação avançou mais rápido no Brasil.

E também defender a sua participação ainda preservada diante da nova ofensiva de chineses elétricos, agora em SUVs compactos, como contou o InvestNews em recente reportagem sobre a indústria.

Novo Jeep Avenger no modelo Longitude, que chega ao mercado brasileiro (Foto: Divulgação)
Jeep Avenger, que chega como aposta com o avanço chinês (Divulgação)

O BYD Song foi o quarto SUV mais vendido do país no primeiro semestre, segundo números da Fenabrave, com mais de 31,5 mil unidades; o ranking de emplacamentos no segmento foi liderado, pela ordem, pelos modelos da Volkswagen T-Cross (48 mil) e Tera (41,4 mil) e pelo Hyundai Creta (36 mil), em nova versão desde 2025. O modelo da Stellantis mais bem posicionado foi o Compass, em sétimo (27 mil).

“A Jeep é talvez uma das marcas que mais sofre o avanço chinês e a adoção de novas tecnologias na faixa de preço em que a marca atua”, disse Zola em conversa com jornalistas nesta semana.

“Não tenho dúvida de que o Avenger é uma arma poderosa para que a Stellantis volte a responder com a marca Jeep dentro de um segmento em que a gente perde espaço”, disse o executivo sobre as expectativas.

O plano estratégico global Fast Lane, apresentado por Filosa em maio no Investor Day da Stellantis em Auburn Hills, nos Estados Unidos, envolve um pacote de mais de € 60 bilhões em investimentos e 60 novos modelos até 2030. A Jeep foi escolhida como uma das quatro marcas globais prioritárias, ao lado de Ram, Peugeot e Fiat.

O preço de anos sem atualização

A reconquista de mercado – inicialmente com o Avenger – busca reestabelecer um cenário de um passado não muito distante, em que os modelos Renegade e Compass, principalmente, mas também o Commander tinham ampla presença nas ruas brasileiras.

Mas o trio atravessou um período sem grandes renovações, justamente no momento em que rivais chineses como o citado BYD Song, mas também entrantes como o GWM Haval 6, além do Caoa Chery Tiggo 5X e 7, passaram a atacar o segmento de SUVs com preços agressivos e pacotes tecnológicos considerados mais robustos, incluindo híbridos.

O executivo que lidera a operação da Stellantis no Brasil e no continente disse ver o avanço da eletrificação na preferência do consumidor brasileiro como um caminho sem volta, mas que passará por oscilações: neste ano, ganhou ímpeto com os reajustes nos preços da gasolina na esteira do encarecimento do petróleo com a Guerra do Irã.

“Antes da chegada dos chineses, a Jeep, mesmo com um portfólio antigo, ainda performava muito bem. O nível de satisfação dos nossos clientes ainda é alto, mesmo hoje. Mas na hora em que o cliente decide buscar uma solução eletrificada nessa faixa de preço, a gente estava fora do radar — ou estava, até muito pouco tempo atrás”, disse Zola.

O executivo também tratou a questão como estrutural para o grupo, não apenas para uma marca: “A Stellantis perdeu espaço em SUVs por um motivo claríssimo. E a Jeep não teve o portfólio de produtos e a oferta tecnológica na velocidade que o mercado pedia.”

‘Calibrando’ a demanda

A escolha por um lote inicial limitado, com preço promocional de R$ 114.990, para o Avenger foi deliberada — uma ferramenta clássica de lançamento, segundo Zola, para criar senso de escassez e medir a real disposição do consumidor antes de calibrar preço e volume de produção.

“Se eu tenho um lote propositalmente pequeno, com um preço muito atraente, eu vou gerar uma busca grande de pessoas para tentar comprar aquele produto naquele momento. É exatamente do que a gente precisa nesse instante”, afirmou.

A depender de como a demanda evoluir depois do fim da fase de pré-venda, a Stellantis terá duas alternativas: aumentar o tamanho dos lotes ou reajustar o preço. Zola foi direto sobre o limite concreto da decisão: a capacidade produtiva na curva inicial de fabricação de um carro novo, que cresce aos poucos ao longo dos primeiros meses.

“Eu preciso calibrar essas coisas para prometer aos nossos clientes algo que eu tenho a capacidade de cumprir em termos de prazo de entrega”, disse.

O Avenger será produzido na fábrica em Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, originalmente da Peugeot – e que foi “atualizada” por processos produtivos mais modernos da Stellantis, segundo o executivo.

Novas gerações na linha Jeep

Para Zola, o Avenger tem uma vantagem tecnológica “muito grande” diante dos modelos do grupo no mercado no segmento de SUVs de entrada, em referência a Fiat Pulse e Fastback.

O modelo representa a abertura de um novo ciclo: Renegade, Compass e Commander devem ganhar novas gerações “completamente diferentes” nos próximos anos, segundo o executivo.

A estratégia de eletrificação mais ampla da Jeep no Brasil, no entanto, ainda está em revisão. O plano tecnológico apresentado há três anos, batizado de BioHybrid, será atualizado e reapresentado ainda neste ano, segundo Zola — sem data ou nome definidos.

Parte da indefinição tem origem tributária. As mudanças em discussão ainda não deixaram claro como vai funcionar o chamado imposto seletivo, que deve incorporar benefícios hoje concedidos pelo IPI Verde.

Zola citou o regime atual de importação de kits (CKD e SKD), com alíquotas de taxação de 35%, como um fator que hoje favorece marcas chinesas com baixo nível de localização de produção no Brasil (isso sem entrar no mérito das cotas de vendas com isenção total).

“No modelo atual, 35% de imposto ainda nos dá a possibilidade de continuar trabalhando com kits com um nível de localização muito baixo. Isso coloca a cadeia da indústria nacional automobilística em risco”, disse.

Parcerias com chineses

Zola disse que a Stellantis também avança na parceria com a chinesa Dongfeng, recém-ampliada globalmente. Já estão definidos dois modelos Jeep e dois Peugeot que usarão como base produtos da Dongfeng — hoje vendidos na China sob outros nomes.

A discussão em aberto agora é sobre produção regional. “O que estamos tentando entender é qual o plano deles no Brasil, na Argentina, no Uruguai. Diante da parceria, podemos cooperar em um produto ou em vários — é um campo de negociação aberto”, disse Zola.

O COO ressaltou que a rede de distribuição e a experiência comercial da Stellantis no Brasil, com quase 30% de participação de mercado, são um ativo relevante para a marca chinesa.

Some-se a isso o desenvolvimento interno de veículos elétricos de entrada baseados em plataformas chinesas no modelo de parceria — os modelos A05 e A10, da Leapmotor, hoje vendidos na China, devem chegar a outros mercados sob nomes ainda não definidos.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Saque do FGTS: TST muda regra sobre onde trabalhador pode recorrer

13 de Agosto de 2026, 14:34

Os pedidos de saque do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) seguirão novo caminho processual, dependendo do motivo alegado pelo trabalhador.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que quando as solicitações para sacar o valor estiverem relacionadas ao fim ou à suspensão do contrato de trabalho, a análise segue sendo feita pela Justiça do Trabalho. Nessa lista entram, por exemplo, casos de extinção da empresa ou de rescisão indireta, quando o trabalhador pede o fim do contrato por falta grave do empregador.

Já as demais situações previstas na Lei 8.036/1990, a Lei do FGTS, como aposentadoria, doença grave e financiamento habitacional, passam a ser de competência da Justiça comum.

A mudança encerra uma divergência entre o TST e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) que existia há anos. Até a nova decisão, o entendimento predominante no TST era o de que quase todas as ações sobre movimentação do FGTS deveriam ser julgadas pela Justiça do Trabalho.

O STJ discordava e considerava que boa parte desses casos pertencia à Justiça comum. Essa divisão gerava insegurança para trabalhadores que precisavam recorrer à Justiça para liberar o dinheiro do fundo.

Por que o TST mudou de entendimento

A decisão foi tomada em 7 de agosto, em um julgamento que buscou uniformizar o entendimento dos tribunais sobre o tema, já que casos como esse se repetem aos milhares na Justiça.

Segundo o ministro Cláudio Brandão, relator do caso, a relação entre o trabalhador e a Caixa Econômica Federal, responsável pela gestão do FGTS, é definida por lei específica, e não pelo contrato de trabalho.

Na avaliação do ministro, embora o contrato de trabalho seja a origem do FGTS, o direito de sacar o dinheiro da conta vinculada decorre das hipóteses previstas na lei que regula especificamente o fundo. Quando a discussão trata apenas da aplicação dessa lei, o caso deixa de ter natureza trabalhista, o que justifica o julgamento pela Justiça comum.

A expectativa é que a mudança reduza o volume de recursos hoje usados só para discutir em qual Justiça a ação deve tramitar.

Quando o processo continua na Justiça do Trabalho, e quando vai para a Justiça comum

Nos casos ligados diretamente ao contrato de trabalho, a liberação dos valores depende da análise de uma questão trabalhista, como saber se houve ou não demissão sem justa causa. Por isso, a competência permanece com a Justiça do Trabalho.

Já nos casos que independem da relação de emprego, basta verificar se o trabalhador cumpre os requisitos previstos em lei, o que levou o TST a definir que a competência é da Justiça comum.

Fica com a Justiça do TrabalhoVai para a Justiça comum
Demissão sem justa causaDoença grave
Rescisão indiretaAposentadoria
Rescisão por acordo entre empregado e empregadorMorte do trabalhador
Extinção da empresaFinanciamento habitacional
Calamidade pública

O que acontece com quem já tem processo em andamento

Para evitar prejuízo a quem já havia entrado na Justiça sob a regra antiga, o TST estabeleceu uma transição. Processos que já tinham sentença de mérito, ou seja, em que o juiz já havia decidido o caso, até a publicação do acórdão continuam tramitando na Justiça do Trabalho até o fim, incluindo a fase de execução, quando o valor é efetivamente pago. A nova regra vale para os demais processos, ainda sem decisão de mérito.

Quem está com um pedido de saque parado ou em análise deve verificar em qual fase o processo se encontra para saber se a mudança de competência afeta o próprio caso.

As regras de saque do FGTS não mudaram

A decisão do TST altera apenas qual Justiça julga cada tipo de ação, não as situações em que o saque do FGTS é permitido. As hipóteses de movimentação da conta continuam as mesmas previstas na legislação, entre elas demissão sem justa causa, aposentadoria, compra da casa própria, doença grave e calamidade pública.

O que muda é o caminho a seguir quando a Caixa nega o saque ou quando o trabalhador precisa de uma autorização judicial para movimentar o dinheiro. Nesses casos, será preciso identificar corretamente se a ação deve ser proposta na Justiça do Trabalho ou na Justiça comum, conforme o motivo do pedido.

A decisão do TST ainda pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de recurso. 

❌