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Novos impostos, IBS e CBS agora precisam estar na nota fiscal. O risco é… não ter nota fiscal

9 de Julho de 2026, 15:49

Quem emite nota fiscal precisa se preparar para uma nova rodada de mudanças que começa a valer daqui a exatos 25 dias. Uma em especial é considerada um marco da implementação da Reforma Tributária – e pode trazer muita dor de cabeça se passar batida.

A partir do dia 3 de agosto, será obrigatório preencher os campos relativos ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) na hora de emitir qualquer documento fiscal eletrônico.

Sem essas informações, as notas não serão autorizadas pelo sistema da Receita Federal, que rejeitará automaticamente documentos incompletos. Ou seja, você pode até fechar negócio, mas não vai conseguir faturar, porque o documento fiscal foi barrado por preenchimento incorreto.

A regra vale para todas as empresas enquadradas no Lucro Real e no Lucro Presumido. Sim, empreendedores do Simples Nacional, podem ficar tranquilos. Vocês estão dispensados dessa – mas só por enquanto.

Os campos de IBS e CBS precisam estar preenchidos em todos os documentos fiscais, incluindo:

  • NF-e (Nota Fiscal Eletrônica), emitida quando há venda de mercadorias entre empresas (a famosa venda B2B) ou operações de indústria, comércio e atacado;
  • NFC-e (Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica), emitida diretamente para o consumidor final em lojas físicas ou e-commerce;
  • NFS-e (Nota Fiscal de Serviço Eletrônica), emitida por prestadores de serviços, como consultorias, oficinas, academias e muitos outros.

Como isso acontece na prática

Só para lembrar, o IBS e a CBS são dois dos novos impostos criados pela Reforma Tributária, que passarão a existir, de fato, em 2027. O IBS substitui os atuais ISS (Imposto Sobre Serviços) e o ICMS (Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), enquanto a CBS entra no lugar do PIS e da Cofins, que são dois tributos federais.

Agora, se IBS e CBS só começam a valer no ano que vem, por que é preciso preencher esses dados nas notas fiscais a partir de agora?

É que para garantir que os fluxos estejam funcionando perfeitamente bem quando os novos impostos entrarem em vigor, o governo estabeleceu 2026 como um ano de testes. Desde janeiro, os campos para preenchimento já estão disponíveis.

Como as alíquotas definitivas ainda não foram estabelecidas, o que se informa nesses campos ao longo deste ano são apenas “alíquotas de teste” para cada um dos dois impostos:

  • 0,1% para o IBS
  • 0,9% para a CBS

Segundo Welinton Mota, diretor tributário da Confirp Contabilidade, a lógica de informar essas alíquotas é de “marcação estatística”. “Serve como referência estatística para União, estados e municípios”, diz, não para recolher de fato esses impostos.

Até agora, o preenchimento era voluntário e não havia qualquer penalidade para as empresas que não informassem as alíquotas de teste. É isso o que muda a partir de agosto: sem conter esses dados, a nota não será mais emitida.

E com um detalhe importante: na prática, segundo Mota, da Confirp, o empreendedor não vai precisar anotar manualmente as alíquotas de teste. Os próprios sistemas de gestão e emissão de notas fiscais utilizados pelas empresas calculam e preenchem automaticamente os dois campos, a partir de uma série de novos códigos que passaram a existir nas notas fiscais. Tudo isso, é claro, desde que esses sistemas tenham sido atualizados e corretamente parametrizados pelo fornecedor do software ou pelo contador.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, 75% das notas emitidas pelas empresas do Lucro Real e Presumido em junho já estavam dentro do novo padrão – em abril, eram 55%. Entre as empresas do Simples Nacional, que ainda não têm a obrigação de preencher, 8% das notas traziam as informações.

É importante lembrar que, mesmo incluindo o IBS e a CBS na nota, as empresas continuam tendo de apurar e recolher os outros impostos existentes no sistema atual (PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI). Para que não haja tributação duplicada, o governo estabeleceu uma regra de compensação. O valor das alíquotas de teste – que somam 1% – pode ser integralmente abatido do PIS e da Cofins que a empresa precisa pagar no mês. Portanto, não se preocupe, na prática a carga tributária fica igual à de sempre.

E as empresas do Simples Nacional?

As empresas do Simples Nacional também vão entrar no processo de adaptação, mas com regras e prazos diferentes. Para elas, começa a valer a partir de janeiro de 2027.

Segundo Mota, esses negócios não estão obrigados a cumprir a lógica completa de IBS e CBS neste primeiro momento.

O impacto mais relevante será para as empresas do setor de serviços, que passarão a emitir a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) por meio do Emissor Nacional, uma plataforma unificada do governo que padroniza o documento. O Descomplica PJ já explicou como isso vai funcionar.

Essa mudança vai ocorrer a partir do dia 1° de setembro. Na prática, significa que muitas micro e pequenas deixarão de fazer a emissão em sistemas municipais e terão de se adaptar ao Emissor Nacional.

Roubini: Brasil pode sofrer mais com riscos internos do que com guerra no Oriente Médio

7 de Abril de 2026, 17:15

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e aos temores de um novo choque global de energia, o economista Nouriel Roubini fez um alerta que desloca o foco do investidor brasileiro: o principal risco para o país pode não estar no cenário externo, mas dentro de casa.

Segundo Roubini, embora o conflito envolvendo o Irã tenha potencial para gerar inflação global e desaceleração econômica, os efeitos sobre o Brasil tendem a ser mais moderados quando comparados a outras regiões. Ainda assim, isso não significa imunidade.

“O que acontece dentro do Brasil pode ter mais impacto do que a própria guerra”, afirmou durante evento do Bradesco BBI, o 12º Brazil Investment Forum, realizado em São Paulo.

A fala vem em um contexto de análise mais ampla sobre os efeitos do choque energético global. Com a possibilidade de interrupções no fornecimento de petróleo no Golfo Pérsico, o economista vê um cenário típico de pressão inflacionária combinada com perda de crescimento, uma dinâmica que remete, ainda que com diferenças, aos episódios de estagflação do passado.

Ganhos externos, dores internas

No caso brasileiro, há um fator de amortecimento importante, já que o país é exportador líquido de energia. Em um cenário de petróleo mais caro, isso tende a favorecer a balança comercial e gerar ganhos de termos de troca.

No entanto, Roubini pondera que o encarecimento da energia se espalha por toda a economia, pressionando custos de produção e reduzindo o poder de compra das famílias. O resultado é um ambiente de inflação mais alta combinado com crescimento mais fraco, ainda que em menor intensidade do que em economias mais dependentes de importação de energia, como as asiáticas.

Em outras palavras, mesmo que o Brasil esteja entre os “beneficiados” pelo choque, há um custo macroeconômico inevitável.

O verdadeiro ponto de atenção

É nesse contexto que o economista desloca o debate para dentro do país. Para ele, os desdobramentos da política doméstica, especialmente em um ano eleitoral, tendem a ser mais determinantes para o rumo da economia brasileira do que o próprio conflito internacional.

“Seja Lula ou o filho do Bolsonaro, isso trará implicações para as políticas fiscais, para a forma como o país vai estruturar reformas e para o crescimento econômico”, explica.

Roubini destaca que o Brasil entra em um período sensível, com eleições presidenciais no horizonte e incertezas sobre a condução da política fiscal, reformas estruturais e estratégias de crescimento.

Embora reconheça a importância institucional do Banco Central independente, ele alerta para um risco conhecido em economias emergentes, a chamada dominância fiscal. Nesse cenário, pressões sobre as contas públicas podem acabar influenciando a política monetária, elevando o risco de inflação persistente ao longo do tempo.

“Pode haver uma situação em que, no futuro, haja uma dominância fiscal, em que o déficit fica tão alto que a tentação para monetizá-lo [com política monetária] cresce”, diz o economista.

A combinação de incerteza política com fragilidade fiscal, portanto, pode amplificar os efeitos de qualquer choque externo, ou até superá-los.

A leitura de Roubini sugere uma inversão na forma de analisar riscos. Em vez de concentrar a atenção apenas na geopolítica global, investidores deveriam olhar com mais cuidado para o ambiente doméstico.

Isso porque, mesmo em um cenário de guerra prolongada e petróleo elevado, o Brasil parte de uma posição relativamente mais confortável do ponto de vista energético. Já os riscos internos, ligados à política econômica e à credibilidade fiscal, permanecem como variáveis abertas.

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