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Para CEO da Chevron, abertura da Venezuela vai na direção certa – mas ainda não é o suficiente

26 de Abril de 2026, 17:29

O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que as mudanças na política de petróleo da Venezuela são um sinal de progresso na tentativa de atrair investimento estrangeiro, embora outras medidas ainda sejam necessárias.

“Está caminhando na direção certa”, disse Wirth ao programa Face the Nation, da CBS. “Ainda precisa de algum trabalho. Provavelmente não é o suficiente para atrair o nível de investimento que seria desejável. Mas acho que houve algum progresso.”

Wirth manifestou confiança na política venezuelana do governo Trump depois de os Estados Unidos derrubarem Nicolás Maduro em janeiro e Delcy Rodríguez assumir como presidente interina do país. Em poucas semanas após a prisão de Maduro, a Venezuela alterou sua antiga política nacionalista de petróleo na tentativa de atrair investidores.

Maduro foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro num ataque americano em larga escala sobre Caracas, e enviado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e corrupção. 

Delcy Rodríguez, então vice-presidente, foi designada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e iniciou uma rápida liberalização econômica, com abertura ao investimento estrangeiro de petróleo, fim do controle cambial e retomada das relações com o FMI. Parte da comunidade internacional, incluindo a União Europeia, não reconhece a legitimidade do governo interino.

Um grupo de executivos do petróleo americano que se reuniu com Rodríguez em Caracas na semana passada pediu garantias de que a Venezuela é segura para investir, sinal de que o interesse das companhias dos EUA está se ampliando para além da Chevron e de outras gigantes, à medida que o presidente Donald Trump pede a retomada da produção venezuelana.

“Um aumento da produção lá melhoraria a confiabilidade e a oferta de energia nos Estados Unidos”, disse Wirth.

Mike Wirth, CEO da Chevron, no WSJ CEO Council Summit do mês passado. Foto: Sean T. Smith para o WSJ.

Ele afirmou ainda que a força de trabalho do petróleo na Venezuela está enxuta, com muitos profissionais qualificados perdidos para a emigração, o que faz com que qualquer recuperação em escala da indústria dependa do retorno desses expatriados, ponto também levantado pela líder da oposição María Corina Machado.

Wirth fez uma ressalva sobre a decisão do governo Trump, na semana passada, de invocar o Defense Production Act, lei que permite ao governo direcionar recursos federais a projetos de energia, num momento em que a Casa Branca enfrenta pressão para conter a alta dos custos de energia.

“Não dá para abrir a torneira da produção de uma hora para outra”, afirmou. “É preciso engenharia, cadeia de suprimentos, contratos, e mover e mobilizar trabalhadores.”

©2026 Bloomberg L.P.

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“Não faz diferença”, diz Trump sobre resultado das negociações sobre a guerra

11 de Abril de 2026, 19:57

O presidente Donald Trump afirmou, neste sábado (11), que o resultado das negociações em curso no Paquistão é irrelevante para os Estados Unidos. Em conversa com a imprensa na Casa Branca, o republicano demonstrou indiferença quanto à possibilidade de um acordo com o governo iraniano, alegando que os EUA já alcançaram seus objetivos por meio da força.

Para o líder americano, o país já pode ser considerado vitorioso no conflito. Trump justificou sua posição repetindo que as capacidades militares do Irã (incluindo sua marinha, força aérea e comando central) foram desmanteladas pelas ações dos EUA. “Não faz diferença”, declarou ao ser questionado sobre o diálogo que ocorre em Islamabad.

“Independentemente do que aconteça, nós vencemos”, afirmou. “Derrotamos completamente aquele país.”

Além de subestimar as negociações diplomáticas, Trump reiterou que os esforços atuais de Washington são especificamente para manter o Estreito de Ormuz liberado. 

Segundo ele, essa operação de segurança marítima beneficia nações que ele classificou como incapazes de agir por conta própria, chamando-as de “fracas” ou “medrosas”.

O presidente também aproveitou a oportunidade para disparar críticas contra os aliados tradicionais. 

Ele afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não prestou o auxílio esperado aos Estados Unidos durante o enfrentamento, reforçando sua postura de distanciamento em relação à aliança militar.

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Banco suíço fecha sob acusação de lavagem de dinheiro iraniano, russo e venezuelano

25 de Março de 2026, 13:21

Sempre que conseguia uma comissão de seis dígitos para seu pequeno banco suíço, Paul-Michel von Merey era conhecido por gritar pelo escritório em plano aberto, perto do Lago de Zurique, tocando ruidosamente um sino de vaca em celebração.

O barulho constante refletia uma fonte lucrativa que sua empresa explorava. O MBaer Merchant Bank, cofundado por von Merey em 2018, às vezes cobrava dos clientes até dez vezes a taxa de mercado para processar pagamentos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, principalmente em transações que outros bancos não aceitavam.

Mas, mesmo após o banco ter sido apontado como um dos “mais prósperos” bancos privados suíços, no ano passado, em um evento local de gestão de fortunas, seu fim estava próximo. A suposta facilitação de lavagem de dinheiro chamou a atenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que, às vésperas da guerra contra o Irã no final do mês passado, praticamente o forçou a fechar as portas.

“O MBAer canalizou mais de cem milhões de dólares por meio do sistema financeiro dos EUA em nome de agentes ilícitos ligados ao Irã e à Rússia”, disse Bessent em comunicado. A ameaça de cortar o acesso do banco ao sistema financeiro americano foi suficiente para superar os desafios legais da ordem anterior da autoridade reguladora suíça Finma de liquidar o banco.

A seguir está um relato de como o MBaer conseguiu operar sem ser detectado, enquanto, segundo autoridades dos EUA, em alguns casos, era “provavelmente cúmplice das atividades de lavagem de dinheiro de seus clientes”. Seu fim desonroso compromete os esforços de longa data da Suíça para sanear o sistema financeiro e provar que Zurique e Genebra não oferecem mais um refúgio fácil para dinheiro ligado ao crime.

Um porta-voz do MBaer não quis comentar sobre esta reportagem. A Finma também não se manifestou.

Banco foi fundado por herdeiro do Julius Baer

O MBaer foi fundado como um banco de investimentos concebido para atender tanto aos interesses empresariais dos clientes — como o financiamento do comércio — quanto ao seu patrimônio pessoal. Seu cofundador homônimo e primeiro diretor-executivo do banco, Mike Baer, ​​passou 12 anos no Julius Baer Group, banco fundado por seu bisavô. Durante esse período, ele ocupou diversos cargos sêniores, incluindo a chefia das áreas de banking, trading e TI, de acordo com seu perfil no LinkedIn. No Julius Baer, ​​ele também conheceu muitos clientes em potencial e alguns dos outros sócios do MBaer.

Mike Baer e Paul von Merey não quiseram comentar para esta reportagem.

No início de 2005, Mike Baer deixou o banco da família e, nos anos seguintes, ocupou vários cargos em conselhos de administração, de acordo com seu perfil no LinkedIn, incluindo na Odey Asset Management e no Falcon Private Bank, ambos com problemas regulatórios não relacionados nos últimos anos.

Corredor entusiasta, que completou maratonas nos polos Norte e Sul, Baer utilizou fortemente o nome da família. “A herança do MBaer Merchant Bank remonta a 1890, quando Julius Bär lançou as bases para uma longa tradição bancária em Zurique”, afirmou o banco em seu site.

Expansão acelerada a partir de 2023

Ao longo dos anos, o banco expandiu-se rapidamente, em particular, vivenciando um salto nos ativos em 2023. No final de 2025, detinha ativos de clientes no valor de cerca de 4,9 bilhões de francos suíços (US$ 6,2 bilhões), e contava com cerca de 700 clientes e 60 funcionários. Seu tamanho o enquadrava inicialmente na categoria mais baixa de supervisão da autoridade reguladora suíça Finma — destinada a pequenos participantes no mercado, ou de “baixo risco”.

Fontes internas descreveram a cultura do banco como uma reminiscência dos tempos mais liberais das finanças suíças — antes do confronto com os EUA sobre a evasão fiscal nos anos 2000, que levou a tentativas de “limpeza” e ao fim do sigilo bancário absoluto.

Segundo investigadores da unidade de crimes financeiros do Tesouro dos EUA, a FinCEN, o banco começou a atrair atenção por possíveis atividades de lavagem de dinheiro ligadas à Venezuela por volta de 2020. O banco teria então facilitado o financiamento da máquina de guerra russa e ajudado a canalizar fundos petrolíferos iranianos de volta ao regime — incluindo para o Corpo da Guarda Revolucionária.

Lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo

“O MBaer também proporcionou acesso ao sistema financeiro dos EUA a pessoas que oferecem apoio material a esforços de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo relacionados ao Irã, incluindo apoio a organizações terroristas iranianas”, afirmou a FinCEN em um documento publicado em 2 de março.

As autoridades acusaram o MBaer de facilitar pagamentos em conexão com um esquema internacional de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro conduzido pela Força Quds, da Guarda Revolucionária. Os EUA consideram a Força Quds, que opera fora do país, como uma organização terrorista estrangeira.

Clientes do MBaer transferiram cerca de US$ 37 milhões em conexão com uma empresa sancionada, chamada Turkoca Import Export Transit Co. Ltd., em grandes pagamentos arredondados em dólares, que normalmente levantariam suspeitas de lavagem de dinheiro, declara a FinCEN. A Turkoca era uma “entidade intermediária” usada por afiliados da Força Quds para lavar fundos para o Irã, disse a FinCEN.

Cultura de medo

O MBaer supostamente tinha diversos métodos para conduzir negócios sem chamar atenção. Funcionários permitiam pagamentos em francos suíços ou euros para clientes de alto risco, em uma tentativa de contornar controles mais rigorosos sobre transações em dólares, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Alguns funcionários de fato geraram alarmes sobre deficiências operacionais. Muitos enfrentaram obstáculos internos significativos após expressarem suas preocupações ou acabaram deixando a empresa. Isso criou uma cultura de medo entre os funcionários e uma relutância em denunciar irregularidades percebidas, afirmaram as fontes.

Em 2023, autoridades dos EUA e a Finma começaram a investigar o banco mais de perto.

Por volta da mesma época, o MBaer rompeu com a empresa que atuava como seu banco correspondente nos EUA — o agora extinto Credit Suisse, de acordo com pessoas familiarizadas com o tema. O JPMorgan passou a prestar esse serviço posteriormente, disseram as pessoas a par do assunto, juntamente com diversas outras instituições financeiras.

O JPMorgan não quis comentar sobre seu relacionamento com o MBAer.

Em 2024, Bignia Vieli, então membro do conselho administrativo, contratou o escritório de advocacia do qual era sócia para realizar uma revisão da infraestrutura operacional do banco, que identificou riscos sistêmicos generalizados. O relatório chegou a sugerir que o banco deveria se autoreportar à Finma.

Fontes de ‘alto risco’

Apesar das preocupações com lavagem de dinheiro, aparentemente nenhuma medida corretiva significativa foi tomada após o relatório, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que afirmaram que a administração continuou recebendo seus bônus integrais. Vieli não respondeu a um pedido de comentário.

A Finma iniciou formalmente procedimentos de execução contra o MBaer em 2024. Posteriormente, informou que 98% dos ativos recentes de clientes do banco vinham de fontes de “alto risco”, segundo um comunicado. O banco havia sistematicamente falhado em investigar o histórico dos relacionamentos de seus clientes e auxiliado ativamente clientes a contornar o congelamento de ativos, afirmou a Finma.

Contudo, no sistema regulatório suíço, um processo sancionador pode se arrastar por anos, e os bancos podem continuar a operar enquanto contestam judicialmente as ordens da Finma. No início de 2026, uma ordem da Finma para fechar o MBaer estava travada nos tribunais — até a intervenção do Tesouro dos EUA.

Liquidação forçada

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, Annett Viehweg, CEO do MBaer desde janeiro de 2025, tentou tranquilizar os funcionários do banco, segundo uma pessoa presente na reunião. O MBaer se defenderia na justiça, Viehweg teria afirmado, de acordo com a pessoa.

O banco acabou negociando com a Finma os termos de sua autoliquidação, segundo fontes a par do assunto. As duas partes estavam em desacordo sobre se a lavagem de dinheiro seria mencionada especificamente no comunicado que anunciava o fechamento, até que o Tesouro dos EUA as forçou a agir, disseram as fontes. Posteriormente, o MBaer retirou seu recurso, o que significa que a ordem de liquidação entrou em vigor em 27 de fevereiro.

Von Merey e Mike Baer deixaram o banco, e ambos têm mantido um perfil discreto. O perfil de Von Merey no LinkedIn minimiza sua função no MBaer. No mês passado, a Finma também informou ter aberto processos contra quatro indivíduos não identificados associados ao MBaer. Esses procedimentos se concentram em pessoas que já deixaram o banco, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. Os funcionários foram informados de que até 25 pessoas seriam demitidas em março e abril.

A carteira de clientes de “alto risco” do MBaer agora enfrenta uma espera por uma resolução que pode levar anos, com poucos ou nenhum outro banco na Suíça dispostos a aceitá-los.

Para um banco acusado de lavagem de dinheiro para venezuelanos, russos e iranianos, o fim do MBaer demorou surpreendentemente a chegar. O país está em processo de reformulação da regulamentação financeira, incluindo medidas para ampliar os poderes da agência reguladora Finma. As lições da crise do Credit Suisse, em 2023, estão sendo incorporadas à legislação em tramitação no Parlamento suíço.

Por ora, a aparente incapacidade da Finma de fazer cumprir sua decisão inicial destaca a fragilidade da Suíça no combate eficaz aos crimes do setor financeiro, segundo Mark Pieth, advogado especializado na área e membro fundador do Grupo de Ação Financeira, radicado em Basileia, na Suíça.

“Os americanos tiveram que intervir novamente e apontar uma arma para o peito deles”, disse Pieth. “Em termos de sistema jurídico, a Suíça ainda é um centro offshore, onde os casos se arrastam por anos sob o pretexto do devido processo legal”.

Mercados hoje: EUA dão sinais de preparações para invasão por terra ao Irã e acendem alerta entre investidores

23 de Março de 2026, 07:45

Bom dia!

Nesta segunda-feira (23), as preocupações com a inflação global sobem mais um degrau: o petróleo negocia acima de US$ 110 o barril, enquanto os juros americanos de 10 anos já superam 4,4% ao ano, no maior patamar desde julho do ano passado. Outra preocupação do mercado vem dos sinais de que os EUA se preparam para operações com soldados em terra, o que marcaria uma nova fase mais complexa e duradoura da Guerra no Irã. Por aqui, o investidor acompanha o boletim Focus, que pode sinalizar como o mercado absorveu o corte de 0,25 da Selic e a comunicação do Banco Central sobre os rumos dos juros no país.

Enquanto você dormia…

  • O pano de fundo segue sendo o conflito no Oriente Médio, com o ultimato dos EUA ao Irã sobre o Estreito de Ormuz elevando o prêmio de risco global. O futuros das bolsas de Nova York se mantêm em queda: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,44% e o Nasdaq futuro caía -0,53%.
  • Na Europa, as bolsas caem em bloco. O Stoxx 600 tem recuo de -2,24%.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -3,48%. O Hang Seng, de Hong, Kong, fechou em baixa de -3,54%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,47% aos 100,12 pontos. O petróleo Brent sobe +1,16% a US$ 113,46 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos ao redor de 4,437% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo se mantém no centro do pregão. O principal vetor desta segunda-feira é a nova escalada entre EUA e Irã. O mercado passou a precificar um conflito mais longo e mais caro para a energia, com o Brent acima de US$ 113 o barril.
  • Ao mesmo tempo, os juros globais sobem porque o barril mais caro embaralha a aposta de cortes por bancos centrais.
  • E daí? Para o Brasil, o efeito é ambíguo: petroleiras como Petrobras e Prio tendem a seguir no radar positivo, enquanto setores dependentes de combustível, como o aéreo e o de logistica,a podem sentir a pressão.

Giro pelo mundo

  • EUA se preparam para invasão: o Pentágono está enviando milhares de fuzileiros navais adicionais para o Oriente Médio e fontes militares citam ‘preparações intensas’ para o envio de tropas terrestres ao Irã.
  • IEA no radar: a Agência Internacional de Energia discute eventual liberação de estoques estratégicos de petróleo caso a crise se intensifique — mercado monitora qualquer anúncio.
  • BCE mais duro: dirigentes reforçaram que podem agir se a inflação de energia contaminar o restante da economia — falas seguem ao longo da semana.

Giro pelo Brasil

  • Focus na mesa: boletim semanal do Banco Central ganha relevância após o corte recente da Selic para 14,75% — atenção às revisões de inflação e juros.
  • IR 2026: começa o prazo de entrega da declaração, com envio até o fim de maio — programa já disponível para os contribuintes.
  • Combustíveis: governo monitora impacto da alta global e avalia medidas para suavizar o preço do diesel — tema segue sensível.

Giro corporativo

  • CSN: companhia fechou empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para alongar dívidas e reforçar o caixa.
  • Desktop: Claro acertou a compra do controle por R$ 4 bilhões, acelerando a consolidação da fibra no interior — negócio depende de aprovações regulatórias.
  • Petrobras: refinarias seguem operando com alta utilização para reduzir pressão no mercado doméstico de combustíveis.

Agenda do dia

Ótima segunda-feira e bons negócios!

BC volta a intervir no câmbio: o que fazer com os seus investimentos com a volatilidade do dólar

20 de Março de 2026, 12:37

O Banco Central entrou em campo ontem (19) com uma intervenção dupla no mercado de câmbio: vendeu dólares à vista e atuou com contratos futuros ao mesmo tempo.

O movimento, conhecido como “casadão”, é uma resposta ao nervosismo que tomou conta dos mercados desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro. Nesse ambiente, uma pergunta que muitos investidores se fazem é: o que fazer com os investimentos em dólar na carteira?

O momento aponta para manter os ativos na moeda americana – seja via fundos negociados em plataformas de corretoras, seja via ETFs de câmbio – como uma clássica defesa contra choques externos.

Para quem não tem tais ativos no portfólio e deseja montar uma reserva em moeda forte, é preciso evitar exageros, porque o cenário está mais complexo do que o habitual.

O ideal é evitar um nível de exposição muito grande, que fique acima do equivalente a 5% do patrimônio em um portfólio, na média — pode ser um pouco mais se a posição estiver em ações, ativos de baixa correlação com o dólar.

Isso porque, como dizem economistas, o real está “resiliente”. Nos últimos 30 dias, mesmo diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a moeda americana sobe apenas 0,9% contra a moeda brasileira.

Em relação ao sol peruano, o dólar já ganha 3% em valor no mesmo período; contra o peso colombiano, a alta é de 1,2%; ante o peso chileno, de 7%; em relação ao peso mexicano, a moeda avança 4,2%.

Desde o começo do ano, na verdade, a moeda americana está na contramão, com queda de 3% em relação ao real.

A palavra que define o momento, porém, é “instabilidade”.

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O BC realizou o “casadão” ontem com o objetivo de providenciar liquidez e referência de preços ao mercado – uma resposta ao mesmo ambiente de estresse que levou o Tesouro Nacional a também intervir e fazer grandes recompras de títulos públicos nos últimos dias para conter o que classifica como disfuncionalidades no mercado de renda fixa.

Por isso, apesar da citada resiliência do real neste momento, é importante levar em conta movimentos mais amplos como parte de padrões históricos.

Quando há forte busca por proteção no mundo, moedas e ativos emergentes tendem a sofrer mais. É por essa razão que vender investimentos em dólar é uma má escolha.

Nesta sexta-feira (20), por exemplo, o dólar subiu 1,75%, cotado a R$ 5,3110, depois de uma sessão com estabilidade no dia anterior.

Diversificação global

O real tem demonstrado força ante o dólar diante de uma tendência mais ampla de desvalorização da moeda globalmente, motivada pelo interesse de grandes gestoras e fundos e de bancos centrais de diversificar suas reservas para além da moeda americana em um momento de incertezas nos Estados Unidos com as políticas de Donald Trump.

O que faz a moeda brasileira se destacar em relação a outros países emergentes é o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, algo que segue elevado. E isso persiste mesmo com o corte da Selic feito pelo Banco Central nesta semana, que levou a taxa básica a 14,75% ao ano. Na maior economia do mundo, o juro está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Isso mantém o Brasil relativamente atrativo para o investidor estrangeiro, dado que os ativos em reais oferecem maior remuneração. Isso tende a estimular a entrada de dólares e contribuir para a valorização do real.

E há ainda o efeito da alta do petróleo a ser observado nessa equação do dólar.

O aumento das cotações da commodity para o patamar de US$ 100 com a Guerra no Irã joga incerteza sobre a inflação diante da necessidade de repasses para os preços dos combustíveis.

Só que, de outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de commodities em geral. Isso significa que o aumento dos preços tende a apreciar a nossa moeda, e não o contrário.

Com o petróleo mais caro, o Brasil exporta mais em valor e recebe mais dólares, o que aumenta a oferta de moeda estrangeira e isso acaba fortalecendo o real.

Tudo isso posto, é preciso levar em conta que o câmbio é um dos canais do mercado que mais expressam as incertezas na economia. Isso significa que tentar acertar o “momento certo” de adquirir ou vender dólares é uma má decisão.

Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre o piso de R$ 5,12 e o teto de R$ 5,32 no mercado brasileiro com a escalada da guerra no Oriente Médio. Não é uma variação desprezível para um intervalo de tempo tão curto, e não à toa o Banco Central decidiu atuar para atenuar os movimentos.

Guerra no Irã coloca aposta de Wall Street em mercados emergentes à prova

8 de Março de 2026, 15:40

A guerra no Irã deu um golpe em uma das apostas favoritas de Wall Street: os mercados emergentes. Isso não significa que o cenário esteja perdido, mas os riscos aumentaram e continuam se acumulando.

Ações e moedas registraram fortes perdas recentes, com o índice de ações MSCI de mercados emergentes marcando sua maior queda semanal em seis anos, enquanto os rendimentos dos títulos subiram, em um tradicional movimento de busca por proteção.

Até aqui, gestores de recursos de empresas como Pimco, Barings e T. Rowe Price Group afirmam que o argumento de longo prazo a favor dos mercados emergentes permanece intacto. Alguns estão fazendo ajustes pontuais em seus portfólios, enquanto a maioria evita mudanças mais profundas – ao menos por enquanto.

A convicção desses investidores se baseia no que eles veem como os principais motores da alta recente dos emergentes: a busca por diversificação em relação aos ativos dos Estados Unidos, avaliações de preço mais atraentes e crescimento econômico sólido.

A expectativa é que esses fatores voltem a ganhar peso quando o choque geopolítico diminuir e parte do mercado já começa a aproveitar as quedas recentes para ampliar posições. Investidores injetaram US$ 12,6 bilhões em ações e títulos de mercados emergentes na semana até quarta-feira (4), segundo relatório do Bank of America, citando dados da EPFR Global.

Impactos e riscos

Os rendimentos dos títulos em moeda local de mercados emergentes atingiram os níveis mais altos desde abril. A queda das moedas desses países levou investidores a vender esses papéis, o que derrubou seus preços e elevou os juros.

“Estamos esperando mais clareza“, disse Nick Eisinger, chefe de estratégia de crédito soberano de mercados emergentes da J.P. Morgan Asset Management. “Gostamos da história fundamental de muitos emergentes, mas infelizmente os fundamentos não contam muito neste momento, então precisamos que esse choque passe.

Nesse ambiente, a percepção é de que os riscos estão aumentando, com o petróleo Brent superando US$ 90 por barril e o conflito no Oriente Médio se intensificando. A preocupação é que a alta dos preços do petróleo pressione o crescimento econômico em países que dependem de importações de energia.

Ao mesmo tempo, o dólar mais forte – que voltou a ser visto como um ativo de proteção em momentos de turbulência, especialmente frente às moedas emergentes – tende a apertar as condições financeiras globais e reduzir os retornos para investidores nesses mercados.

O J.P. Morgan reduziu suas recomendações para ativos de mercados emergentes três vezes na última semana, à medida que a incerteza aumentou em relação às perspectivas para essa classe de ativos.

Os estrategistas do banco reduziram suas posições otimistas para posição neutra em câmbio e juros locais e passaram a recomendar “subexposição tática” — quando a indicação é vender e permanecer com menos exposição no curto prazo — em títulos soberanos e corporativos denominados em dólar.

Eric Fine, chefe de dívida ativa de mercados emergentes da VanEck Associates, avalia que a queda nas moedas emergentes que abriu oportunidade de compra: a gestora aumentou exposição a países como África do Sul, Colômbia e Chile.

Segundo Fine, muitos mercados emergentes são exportadores de commodities, o que pode beneficiar regiões como América Latina e África Subsaariana em um cenário de preços elevados de matérias-primas.

A Ásia, por sua vez, pode enfrentar desafios econômicos maiores, embora ainda apresente oportunidades de investimento devido à solidez de suas políticas econômicas e à valorização do yuan chinês.

O fator decisivo agora é quanto tempo o conflito vai durar. “Se o mercado começar a estimar que a guerra será mais longa, aumentará também a probabilidade de recessão global”, disse.

Para Samy Muaddi, chefe de renda fixa de mercados emergentes da T. Rowe Price, os fundamentos dos emergentes continuam relativamente sólidos. A preocupação está na combinação de petróleo mais caro e política fiscal mais expansionista nos Estados Unidos, que pode alterar o cenário para taxas de juros globais e aumentar a volatilidade.

“Qualquer coisa que mude as taxas básicas, a volatilidade ou o risco nos mercados acionários tende a afetar os mercados emergentes”, disse. A gestora tem preferido ativos de maior qualidade e maior liquidez, reduzindo exposição a países considerados mais arriscados.

Nos mercados locais, Muaddi afirma que prefere países onde não há eleições importantes nos próximos meses e onde as taxas de juros reais permanecem elevadas, citando México, Romênia e Turquia como exemplos. Segundo ele, a América Latina tende a ser menos vulnerável do ponto de vista das condições financeiras globais e pode se beneficiar de uma rotação de portfólio de investidores internacionais.

Onde está o otimismo?

Se a crise permanecer contida, o ambiente global de crescimento e a convergência entre economias emergentes e desenvolvidas devem continuar favorecendo os ativos desses países. É a visão de Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine Group, para quem o conflito não altera os fundamentos de longo prazo dos emergentes.

“Não estou no grupo que acha que isso muda tudo fundamentalmente e que é hora de sair completamente dos mercados emergentes. Vejo isso muito mais como um choque externo”, disse. “Os mercados emergentes oferecem muito valor e formas diversificadas de investir.”

Campbell afirma que muitos dos movimentos recentes foram provocados pelo desmonte de posições muito populares no mercado, o que pode abrir oportunidades. “Se tivermos mais clareza sobre a situação no Irã, pode ser um excelente momento para voltar a investir em moedas e títulos locais de mercados emergentes.”

Para Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da Pimco, o episódio atual mostra justamente uma das principais fragilidades para a classe de ativos: tensões geopolíticas.

Ainda assim, ele acredita que os emergentes continuam sustentados por fatores estruturais, como maior credibilidade fiscal dos governos, inflação mais controlada graças à atuação dos bancos centrais e maior interesse de investidores globais em diversificar suas carteiras.

“Esse ciclo de mercados emergentes parece mais durável do que altas anteriores, incluindo o ciclo de 2008”, disse.

O efeito dos preços mais altos do petróleo de fato pode prejudicar os países importadores de energia, mas isso vale tanto para economias desenvolvidas, como as emergentes, segundo Ghadir Cooper, chefe global de ações da Barings. Ele acredita que os mercados emergentes seguem apoiados por avaliações atrativas e por ainda estarem sub-representados nas carteiras globais de investimento.

Como os emergentes tiveram desempenho inferior por mais de uma década, o argumento de diversificação ganha força: investidores podem migrar parte de seus recursos de ativos americanos para esses lugares agora.

O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

7 de Março de 2026, 12:12

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

Bolsa já sobe 46% em 12 meses com a entrada de estrangeiros. Entenda o que traz o dinheiro de fora para cá

23 de Janeiro de 2026, 16:17

Os investidores estrangeiros já aportaram R$ 12,3 bilhões nas ações brasileiras. O movimento é tão forte que já equivale a quase metade do dinheiro que entrou na bolsa no ano passado, de R$ 26,7 bilhões – na contabilidade líquida, ou seja, o tanto que as entradas superam as saídas. Esse é o grande motivo para o Ibovespa ter rompido recorde após recorde nesta semana, já na faixa dos 179 mil pontos.

Em apenas cinco pregões, o principal índice da B3 subiu 8%, impulsionado pelo movimento das maiores empresas da bolsa – caso da Vale, que também chegou aos picos históricos. No ano, alta já soma 11%. Em 12 meses, 46%.

Enquanto isso, o dólar permaneceu abaixo dos R$ 5,30, nos menores níveis desde novembro do ano passado.

No fechamento de hoje, o Ibovespa avançou 1,86%, aos 178.858 pontos. O dólar encerrou perto da estabilidade, a R$ 5,2865.

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Os estrangeiros estão fazendo a festa no Brasil porque o país é um dos mais líquidos entre os mercados emergentes e, em especial, na América Latina. Em um momento de alta procura por diversificação internacional, são os ativos brasileiros que entram na rota dos recursos internacionais.

Esta semana em especial foi propícia à demanda por ativos considerados mais arriscados. Donald Trump deu um passo atrás no “caso Groenlândia” ao dizer que não aplicaria as tarifas e que não tomaria o território à força. Com menos aversão nos mercados globais, a porteira abriu-se de novo aos emergentes, com mais intensidade.

Mas já faz tempo que uma parte do dinheiro de fora busca outros portos fora dos EUA. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – acumula ganhos acima de 7% no ano. Em 12 meses, 38%.

No mesmo período, o S&P 500 soma apenas 13%. Um sinal de que a apostas nas big techs, o motor das bolsas americanas, já não é tão intensa.

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Mas nada disso significa uma migração em massa de capital – das bolsas americanas para as da periferia do planeta, como a nossa. Para os estrangeiros, a quantidade de recursos remetida aos emergentes é muito pequena em relação ao que flui todos os dias em Nova York. Para bolsas como a nossa, porém, é um caminhão de dinheiro, capaz de mexer de forma significativa com os preços.

Essa procura por diversificação fora dos EUA explica a demanda pela moeda brasileira nesse momento, em um ambiente de enfraquecimento generalizado do dólar contra outras divisas globais. Do fim de dezembro para cá, o dólar já acumula baixa de 3,5% ante o real.

O desempenho do mercado de bolsa também destoa dos juros dos títulos públicos, justamente porque a justificativa para a disparada das ações é o movimento estrangeiro.

Do lado doméstico, o nível de “prêmio” (ou retorno a mais) exigido pelos investidores para comprar títulos de dívida do governo ainda é muito alto por questões domésticas sensíveis, caso das contas públicas e da proximidade das eleições presidenciais.

Mesmo assim, esse mercado vive um certo alívio. As taxas de juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+2040 caem de 7,37%, taxa de fechamento de ontem, para 7,30% nesta sexta. AInda nos patamares da história. Mas, ainda assim, trata-se da maior queda no ano.

Volatilidade: como o ‘caso Groenlândia’ pode atrapalhar sua vida financeira

19 de Janeiro de 2026, 15:17

As novas ameaças comerciais de Donald Trump, agora parte do “caso Groenlândia“, voltaram a elevar a incerteza global.

Ao usar as tarifas comerciais como instrumento de pressão geopolítica, o presidente reforça um padrão já conhecido: quando a previsibilidade some, a volatilidade aumenta e a direção dos mercados se torna mais difícil de antecipar.

A experiência recente ajuda a ilustrar esse efeito. No anúncio do primeiro tarifaço, no ano passado, a volatilidade disparou e os investidores concentraram perdas justamente em ativos amplamente presentes nas carteiras, como ações, crédito e moedas de mercados emergentes, como a nossa.

Basta observar o comportamento do S&P/B3 Ibovespa VIX, índice que mede a volatilidade implícita do principal indicador da bolsa brasileira. Em termos simples, o indicador mede o grau de dispersão dos preços em relação ao seu comportamento médio esperado. Ele mostra o quanto o mercado vem se mostrando cada vez mais sensível a temas políticos e geopolíticos, dentro e fora do Brasil.

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Volatilidade, vale lembrar, não é apenas pressão negativa sobre os preços, mas a expressão da incerteza. Ela mede o grau de afastamento dos ativos em relação ao comportamento esperado diante de choques de informação e mudanças de percepção. Por isso, enfrentá-la não significa tentar prever o próximo movimento, mas estruturar o portfólio com ativos descorrelacionados antes que os choques ocorram.

“Dinheiro é rei”: liquidez como proteção estratégica

O ditado financeiro “cash is king” não se refere apenas a ter dinheiro parado, mas à capacidade de manter liquidez com baixo risco, algo essencial em ambientes de incerteza elevada, como o atual. Em ciclos de maior volatilidade, o valor da liquidez aumenta porque ela preserva opcionalidade: permite reagir rapidamente, seja para aproveitar distorções de preço, seja para amortecer perdas em outras classes de ativos.

Por isso, essa parcela do portfólio deve estar alocada em instrumentos de baixo risco de crédito, baixa volatilidade e alta previsibilidade. No Brasil, esse papel é cumprido de forma eficiente pelos títulos públicos pós-fixados, com destaque para o Tesouro Selic.

Trata-se de um ativo que carrega essencialmente o risco soberano, acompanha a taxa básica de juros e apresenta mínima sensibilidade a oscilações de mercado. Ele não é desenhado para gerar retornos extraordinários, mas para proteger capital, funcionar como reserva de emergência e servir como fonte de recursos para realocações táticas quando surgem oportunidades em ativos mais arriscados.

Títulos públicos dos EUA

Com a popularização das plataformas de investimento no exterior, o investidor brasileiro passou a ter acesso direto a ativos que historicamente cumprem um papel central na diversificação global de risco, como os títulos da dívida americana (Treasuries).

Mesmo em um ambiente de maior ruído político nos Estados Unidos, intensificado por decisões imprevisíveis da atual administração, o mercado americano continua sendo o mais profundo, líquido e institucionalmente robusto do mundo. Isso confere aos Treasuries um status singular: em momentos de estresse global, eles tendem a ser vistos como porto seguro, atraindo fluxo de capital justamente quando ativos de risco sofrem.

Do ponto de vista técnico, títulos de vencimento mais curto são preferíveis nesse contexto. Eles apresentam menor risco de duração, menor sensibilidade às oscilações de juros e funcionam quase como um “estacionamento” de capital em moeda forte, preservando valor com baixa volatilidade.

Esse comportamento explica por que Treasuries frequentemente se movem em sentido oposto a ativos como ações, crédito privado ou mercados emergentes, atuando com posição estratégica: um elemento estabilizador do portfólio na combinação com as demais classes.

O papel do dólar: a força da assimetria

O mesmo raciocínio se aplica ao dólar. À primeira vista, pode parecer contraditório investir na moeda americana em um momento em que há questionamentos sobre a liderança global dos EUA e maior busca por alternativas fora do país. No entanto, essa análise ignora um ponto crucial: a assimetria estrutural entre o real e o dólar.

O real é uma moeda de país emergente, altamente sensível a ciclos globais de liquidez, percepção de risco fiscal local, fluxo de capital estrangeiro e choques políticos e institucionais.

Já o dólar, apesar de suas fragilidades, segue sendo a principal moeda de reserva, de comércio e de financiamento global. Em períodos de aversão ao risco, o movimento típico não é a fuga do dólar, mas sim a fuga para o dólar, especialmente contra moedas emergentes.

Por isso, manter exposição cambial ao dólar não é uma aposta direcional, mas uma estratégia de hedge. Historicamente, ele tende a se valorizar justamente quando ativos locais e mercados mais arriscados sofrem, cumprindo um papel anticíclico dentro da carteira.

Por que não outras moedas?

É legítimo questionar se outras moedas fortes poderiam cumprir a mesma função. A resposta é: nem sempre.

A relação entre o real e o dólar é muito mais direta e estrutural do que com outras divisas. Além disso, nem todas as moedas têm mercados tão profundos e líquidos, nem todas funcionam como refúgio em crises globais e algumas são altamente correlacionadas com ciclos regionais específicos.

Isso faz com que o dólar continue sendo, na prática, a principal ferramenta de diversificação cambial para o investidor brasileiro.

Ouro: proteção contra risco sistêmico e geopolítico

O aumento da demanda por ativos clássicos de proteção recoloca o ouro no centro das estratégias defensivas. Diferentemente de moedas e títulos, o metal precioso não depende de governos, políticas monetárias ou sistemas financeiros para preservar valor.

Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes, uso crescente de sanções financeiras, questionamentos sobre a neutralidade do sistema financeiro internacional, o ouro passa a ser visto como um ativo “fora do sistema”, o que explica a forte demanda recente.

Esse movimento não é exclusivo dos investidores privados. Bancos centrais ao redor do mundo vêm aumentando suas reservas em ouro e reduzindo exposição ao dólar. A lógica é simples: reservas concentradas em títulos públicos estrangeiros podem ser congeladas ou confiscadas em cenários de conflito político — como ocorreu com a Rússia.

A China lidera esse processo justamente por enxergar o risco de depender excessivamente de ativos financeiros denominados em dólar. Se governos e bancos centrais estão buscando proteção fora do sistema tradicional, é razoável supor que o ouro ainda tenha papel relevante como hedge e potencial de valorização em um mundo mais fragmentado e instável.

Mercados hoje: Livro Bege, inflação ao produtor nos EUA e varejo em foco

14 de Janeiro de 2026, 07:43

Bom dia!
A quarta-feira começa com os mercados globais atentos a dados econômicos que podem ajudar a desenhar o panorama de inflação e atividade, especialmente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a agenda tem indicadores de produção industrial e fluxo cambial, em um dia em que o noticiário externo dita o tom. Vamos aos principais pontos.

Enquanto você dormia…

  • O mercado externo acordou alinhado com a expectativa por indicadores que ajudam a compor a fotografia da economia americana;
  • Futuros de NY: S&P, Nasdaq e Dow Jones operam em leve queda;
  • Europa e Ásia: bolsas europeias avançam moderadamente, com investidores à espera de desdobramentos dos protestos contra o governo no Irã e do embate entre o presidente americano, Donald Trump, contra a Dinamarca para “comprar” a Groenlândia, rica em minerais; o índice Nikkei do Japão renovou máximas, enquanto outras bolsas encerraram em leve queda.
  • Dólar (DXY) oscila em leve queda; petróleo WTI (EUA) e Brent (Reino Unido) operam em alta; ouro avança acima dos US$ 4,6 mil a onça.

Destaques do dia

  • Os investidores têm hoje três grandes focos externos: o Livro Bege, relatório do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) que reúne percepções qualitativas sobre a economia nos 12 distritos americanos; os dados de inflação ao produtor (PPI) e de vendas no varejo nos EUA, que são monitorados de perto pelo Fed para calibrar avaliação de preços e demanda;
  • E daí? Esses indicadores oferecem pistas sobre a saúde do consumo, pressões de preços e ambiente de crédito nos EUA, fatores que influenciam expectativas para os juros no país e podem mover dólar, juros e ações globalmente. Uma economia mais aquecida pode fazer o BC americano ficar ainda mais cauteloso pelo risco de uma nova pressão inflacionária.

Giro pelo mundo

  • Livro Bege em foco: o relatório qualitativo do Fed é publicado hoje, com percepções regionais sobre atividade econômica, emprego e preços que podem influenciar a visão sobre juros;
  • Inflação PPI e varejo: dados americanos de preços ao produtor e vendas no varejo ajudam a completar o quadro de inflação e consumo, antes do Livro Bege.
  • Balanços de bancos: após o J.P. Morgan, mercados aguardam balanços de Bank of America, Wells Fargo e Citigroup antes da abertura em Nova York.
  • Independência do Fed: ainda no foco do mercado está a pressão de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell. O republicano tem interesse que o Fed corte os juros mais rápido, enquanto a autoridade monetária defende sua posição técnica.

Giro pelo Brasil

  • Produção industrial regional: o IBGE divulga hoje pela manhã a produção industrial de novembro por região, dado importante para avaliar atividade econômica local.
  • Fluxo cambial semanal: também hoje sai o relatório de entradas e saídas de capital, indicador relevante para câmbio e confiança estrangeira.
  • Nova ofensiva: a polícia federal realiza hoje mais uma operação de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio à investigação de fraudes envolvendo a instituição financeira. O ex-banqueiro está em prisão domiciliar.

Giro corporativo

  • Amil: no mercado de planos de saúde mais populares, empresa bate de frente com Hapvida. A Amil liderou o ganho de novos beneficiários em 2025 em produtos de tíquete mais baixo e grande volume, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Neogrid: companhia suspendeu temporariamente o processo de registro da sua oferta pública de ações (OPA) para aquisição do controle e deslitagem da empresa. A decisão ocorreu após a gestora L4acionista minoritária, contestar o preço de R$ 29 por ação oferecido pelo grupo Hindiana para a aquisição da empresa.
  • Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, está estruturando um fundo de infraestrutura para captar até R$ 300 milhões para investir em concessões rodoviárias.

Agenda do dia

  • 09:00 — Produção industrial regional (Brasil) — indicador de atividade local por região do IBGE.
  • 10:30 — Inflação ao produtor e vendas no varejo (EUA) — pistas sobre dinâmica de preços e consumo.
  • 14:30 — Fluxo cambial semanal (Brasil) — revela movimentos de capital na conta financeira e comercial, relevante para câmbio e juros.
  • 16:00 — Livro Bege (Fed) — conjunto de avaliações qualitativas sobre economia americana.

Bons negócios!

Emprego nos EUA e IPCA no Brasil: como os novos dados mexem com os seus investimentos

9 de Janeiro de 2026, 12:13

Dois dados divulgados nesta sexta-feira (9) ajudaram o mercado a recalibrar as expectativas para os juros e, por consequência, para todo tipo de investimento.

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) mostrou uma economia que perde fôlego, mas sem sinais unânimes de fraqueza. No Brasil, um IPCA mais comportado abriu espaço para apostas mais firmes em cortes da Selic. Esse ajuste apareceu primeiro na chamada curva de juros, onde o mercado precifica o custo do dinheiro no futuro.

Na bolsa de valores, tudo se negocia, inclusive o futuro da taxa básica de juros. É para isso que existem os contratos de juros futuros, que têm vários vencimentos justamente para capturar as perspectivas para a Selic em diferentes horizontes. E, se a Selic reage a dados e estimativas do mercado, com esses contratos não seria diferente – e por isso, hoje, as informações novas sobre o mercado de trabalho nos EUA e inflação por aqui pautou o desempenho desses ativos.

Primeiro, o que aconteceu. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2028 saíram de 13,02% para 13,07%, enquanto os contratos para 2029 avançaram de 13,01% para 13,06%.

Nos vértices de médio prazo, o movimento foi de queda uma parte do dia, mas, no fechamento, o desempenho teve uma pequena mudança: os contratos para 2033 saíram de 13,5% para 13,51%, enquanto a taxa do contrato para 2035 ficou praticamente estável.

Esse cenário conta a seguinte história: a pressão para uma Selic em alta, sem cortes profundos, se mantém nos próximos meses. Ou seja: bom para ativos que acompanham o CDI (que segue a taxa básica); ruim para títulos prefixados de curto prazo do Tesouro Direto. Se você tem eles na carteira, seu saldo cai quando a expectativa de juros no horizonte próximo sobe.

Na outra ponta, a dos juros longos caindo – como aconteceu durante boa parte do dia hoje –, é bom para os títulos de prazo mais longo (caso da maior parte dos IPCA+). A expectativa de juros menores para a próxima década, ditada pelo mercado de juros futuros, tende a fazer com que eles valorizem – ainda que de forma branda, já que a queda nos juros futuros está moderada.

Agora, o que está movimentando esse mercado? Resposta: o IPCA, a inflação “oficial” do Brasil, que veio abaixo do esperado em dezembro, fechando o ano dentro da meta do Banco Central. Boa notícia: inflação controlada eleva ainda mais as apostas de um corte da Selic no primeiro semestre, como acreditam (e esperam) os investidores.

Ok. Mas isso explicou o desempenho de uma parte do mercado – o dos títulos mais longos, que estavam caindo. Por que o jogo virou e esses contratos subiram junto com os demais?

Resposta: por causa do movimento dos títulos da dívida americana de curto prazo (Treasuries), de dois anos. O dia começou com um movimento mais modesto e ganhou força na reta final do dia: a taxa saiu de 3,501% no começo da tarde e foi para 3,536%. E essa alta acompanha a tentativa dos investidores de ajustarem suas perspectivas para o futuro da taxa de juros nos EUA, ditadas pelo payroll.

Duas leituras convivem nesse momento: de um lado, a criação de postos de trabalho veio abaixo do esperado; mas, de outro, a taxa de desemprego caiu e os salários aumentaram. É por isso que os juros futuros lá fora sobem: se a atividade perdeu força, mas não tanto a ponto de esfriar a inflação, o saldo ainda é favorável a um juro maior.

Ou seja, nos EUA, a expectativa é que postura do banco central deve continuar sendo mais cautelosa, sobretudo depois de uma sequência de cortes desde setembro de 2025. A leitura geral é de que os juros serão mantidos nos atuais níveis, e não elevados, mas o espaço para cortes como se viu antes não é mais unanimidade.

Mercados hoje: relatório de emprego nos EUA e inflação no Brasil orientam os negócios

9 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados começam o dia à espera dos dados do payroll, o relatório de emprego dos EUA que traz informações da taxa de ocupação do país, além da dinâmica de salários e horas trabalhadas. Depois de outros duas divulgações sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta semana – o ADP e o Jolts –, investidores esperam uma menor abertura de vagas em dezembro. No Brasil, as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo IPCA, com expectativa de um recuo para 4,30%, dentro da meta estabelecida.

Enquanto você dormia…

  • O viés dos mercados no exterior é levemente positivo, mas ainda em modo cautela antes do principal dado do dia nos EUA.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve alta.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias sobem de forma mais ampla, puxadas por ações de energia, mineração e tecnologia; na Ásia, os mercados fecharam em alta, estendendo o rali recente em Wall Street.
  • Dólar (DXY) em leve alta e petróleo sobe, mas sem movimentos bruscos, ainda resiliente às questões geopolíticas; minério de ferro oscila em queda, após máximas recentes e observando a inflação na China.

Destaques do dia

  • O payroll dos Estados Unidos está no centro das atenções hoje, com consenso projetando criação de cerca de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%. A leitura será crucial para as expectativas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
  • No Brasil, o IPCA de dezembro, o índice oficial de inflação, está no calendário e pode influenciar o debate doméstico sobre juros e consumo.
  • E daí? Esses dois indicadores — um externo e um doméstico — pintam o quadro macro para o futuro do juro básico. Com uma economia perdendo força e um mercado de trabalho mais fraco, a inflação tende a cair e, com isso, elevar ainda mais as apostas de corte de juros.

Giro pelo mundo

  • Payroll em foco: mercado de trabalho dos EUA segue como principal ponto de atenção antes da divulgação de amanhã, com reflexos em juros e dólar.
  • Suprema Corte dos EUA: autoridade discute a legalidade das tarifas comerciais globais do presidente americano Donald Trump.

Giro pelo Brasil

  • Inflação na pauta: o IPCA de dezembro vai ajudar a reforçar ou a esfriar a trajetória de controle da inflação em relação à meta, de 3%, com teto em 4,5% ao ano.
  • Narrativas políticas continuam ecoando no mercado, agora com o governo decidindo que os Estados e municípios deverão cobrir o rombo dos fundos de previdência do Master. A novela sobre a anulação ou não da decisão do Banco Central de liquidar a instituição segue no radar.

Giro corporativo

  • GPA anunciou a renúncia de Rafael Russowsky dos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. A função será acumulada interinamente pelo novo CEO, Alexandre Santoro, em meio a planos de corte de custos e reestruturação interna.
  • Alphabet supera Apple em valor de mercado: a controladora do Google ultrapassou a Apple e virou a segunda empresa mais valiosa do mundo em capitalização, depois da Nvidia, refletindo o papel crescente da tecnologia no mercado global.
  • Política alimentar nos EUA pode beneficiar carnes brasileiras: uma nova diretriz nos Estados Unidos favorece o consumo de proteína vermelha, o que pode representar um cenário de demanda para exportadoras como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
  • O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas empresas terem fracassado.

Agenda do dia

  • 9:00 – IPCA (Brasil)
  • 10:30 – Payroll (EUA)
  • 10:30 – Construção de novas casas (EUA)

Mercados hoje: dados de emprego nos EUA e política brasileira movimentam os negócios

7 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados acordam à espera dos dados de emprego nos Estados Unidos. Relatórios de emprego e desemprego serão divulgados ainda pela manhã, com potencial de ditar o rumo dos ativos lá fora e também no Brasil, onde a agenda é marcada pelo fluxo cambial e por temas políticos. Vamos aos pontos principais para abrir o pregão.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global operou com pouca direção clara, em compasso de espera pela agenda de dados.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve queda.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias próximas da estabilidade; Ásia fechou também encerrou com os índices se movendo sem direção definida antes da leva de indicadores econômicos.
  • Dólar (DXY) em leve queda; petróleo e minério de ferro estáveis.

Destaques do dia

Emprego nos EUA é o grande termômetro
O grande destaque externo do dia são os dados de emprego dos Estados Unidos. Às 10h15 sai o relatório de emprego privado da ADP de dezembro, seguido mais tarde pela pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade.

E daí? Emprego mais forte significa inflação potencialmente mais forte, e isso tende a diminuir expectativas de cortes de juros. Nesse cenário, os investidores se afastam de ativos de risco, enquanto dados mais fracos fazem o caminho contrário.

Giro pelo mundo

  • ADP e JOLTS em foco: indicadores do mercado de trabalho americano são vistos como prévia do payroll, o mais importante relatório de emprego e desemprego, e podem balizar decisões de política monetária.
  • Fed em cena: Michelle Bowman, dirigente do Fed, participa de evento hoje à noite, com possíveis comentários a mercado.
  • PMIs e inflação ao redor: leituras recentes e posteriores de atividade e inflação ajudam a compor o quadro de crescimento global esperado.

Giro pelo Brasil

  • Fluxo cambial semanal: números aguardados hoje devem dar pista sobre fluxo de capital, que é importante para câmbio e juros.
  • Agenda política no radar: movimentos políticos em Brasília podem ganhar importância para o clima de risco no curto prazo. Entre os eventos recentes, o PT ingressou com ações judiciais contra políticos de oposição que ligaram o partido e o presidente Lula ao narcotráfico nas redes, adicionando ruído no cenário.
  • Cenário eleitoral em movimento: Marina Silva descartou disputar a Câmara, mas uma eventual candidatura ao Senado dependerá de articulações com o ministro Haddad, o que pode movimentar expectativas sobre o ambiente político.

Giro corporativo

  • Petrobras e Foz do Amazonas: a Petrobras anunciou a interrupção temporária da perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, após a detecção de um vazamento de fluido em uma tubulação auxiliar. A ocorrência volta a chamar atenção para os desafios ambientais e regulatórios associados à exploração na região, vista como uma das principais apostas da estatal para ampliar sua produção no futuro.
  • Batistas e a Venezuela: o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tem no geólogo Ricardo Savini — CEO da Fluxus, empresa controlada pelo grupo — um nome chave na estratégia de explorar oportunidades no setor de óleo e gás da Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
  • BYD acelera planos no Brasil: a montadora chinesa negocia a estreia de seus modelos em grandes locadoras e investe na expansão de sua rede de carregadores ultra-rápidos, aprofundando sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados e intensificando a concorrência local.

Agenda do dia

  • 09:15: Emprego privado (ADP, EUA) — prévia da criação de vagas no setor privado.
  • 12:00: JOLTS (EUA) — vagas e rotatividade de emprego, outro componente importante do mercado de trabalho.
  • 14:30: Fluxo cambial semanal (Brasil) — indicador de entrada e saída de capital no país, relevante para câmbio e juros

Bons negócios!

Petrobras? Não. Por que a Aura Minerals reaparece no radar com aumento dos riscos geopolíticos

6 de Janeiro de 2026, 16:27

O petróleo mal se mexeu após o ataque dos EUA à Venezuela, mas o mercado segue em estado de alerta. Para o investidor brasileiro, é natural que a atenção se volte à Petrobras, mas há um nome menos óbvio que pode ser atingido – e para o bem – por esse novo equilíbrio geopolítico: a Aura Minerals.

A Aura é uma mineradora de ouro. O ouro subiu 65% no ano passado – e a tendência é que a escalada continue. Depois do ataque americano ao governo venezuelano e da retirada de Nicolás Maduro do poder, o mercado rapidamente reagiu para um movimento de procura por ativos considerados defensivos – e o ouro subiu 2% em seguida.

É aquela coisa: quando não se sabe o que vai acontecer, o melhor é já ter uma proteção na carteira. Vale para um grande investidor, como vale para você.

Do lado “macro”…

Na frente macroeconômica, o grande ponto é: o ouro deve seguir avançando nesse ano. Os riscos geopolíticos, que eram apenas “risco” há um tempo, cresceram: agora, eles se tornaram um medo recorrente com a escalada das tensões na América Latina. Lembrando: em um mundo que já enfrenta conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Junto disso vem a deterioração das contas públicas em várias economias e o temor de pressões inflacionárias, que reforçaram o status do metal como instrumento de proteção.

Não só entre investidores. O ouro conta com um comprador sólido: bancos centrais. Eles vêm recorrendo ao ouro como alternativa para diversificar reservas além do dólar.

O ouro, afinal, não é imune a crises geopolíticas. Para a China, por exemplo, não interessa ter só dólares em suas reservas internacionais. Em última instância, eles podem ser confiscados pelos EUA – como aconteceu com a Rússia –, já que ficam na forma de títulos públicos. Logo, o país de Xi Jinping tem trocado paulatinamente suas reservas em dólar por ouro. Com o caso da Venezuela, o caldeirão geopolítico ganha mais temperatura. E o jogo fica mais favorável para o metal amarelo.

A China não está sozinha, claro. Turquia, Polônia, Cazaquistão e até o Brasil estão entre os maiores compradores. Não só por “medo de confisco”, mas porque a dívida americana está no maior nível desde 1946 (120% do PIB). Isso tira confiança no dólar – os EUA podem imprimir moeda para pagar, gerando inflação e corroendo o valor da moeda. Não dá para imprimir ouro. Logo, os bancos centrais correm para o metal amarelo.

A perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos – que no fim do ano passado virou realidade – também tornou o metal mais atrativo. Um corte de juros reduz o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Para este ano, muitas casas já trabalham com um cenário em que o ouro possa perder um pouco de força, mas sem afetar o ciclo atual do metal, que é de alta, consolidado na faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil a onça (o equivalente a 31 gramas).

…e do lado “micro”

Depois de ser negociada na bolsa do Canadá, a Aura Minerals estreou na Nasdaq em julho de 2025, de olho em um aumento da liquidez de seus papéis. De lá para cá, teve enorme valorização na bolsa americana – e o BDR, a “versão brasileira” da ação lá fora, acompanhou o desempenho.

O que explica o descolamento do BDR da ação em Nova York é a variação do ouro, que foi mais relevante que a do câmbio e é melhor capturada pela ação diretamente lá fora.

Toda essa euforia é resultado da leitura sobre o momento operacional da empresa. Na frente de volumes produzidos, o crescimento estimado é de 39% em 2026 na comparação anual, segundo cálculos do BTG Pactual. O impulso deve vir sobretudo do aumento de produção na mina de Borborema (RN) e da plena atividade da mina de Serra Grande (GO).

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Os papéis estão entre os mais “esticados” da bolsa, quer dizer, avaliados como caros no comparativo com outras companhias de mineração – Vale, CSN Mineração e Usiminas entre os mais importantes. Ainda assim, partindo da premissa que o ciclo do ouro vai permanecer, a expectativa é de que a Aura apresente uma forte geração de caixa.

O fluxo de caixa livre – o dinheiro que sobra após os investimentos para manter e expandir as operações – equivaleria a aproximadamente 11% do valor de mercado. É um nível elevado, que indica que, em um único ano, a empresa gera caixa correspondente a mais de um décimo do que o mercado paga hoje por ela. Um fluxo de caixa forte estimula a compra do papel, portanto, porque representa um percentual muito grande do preço da ação.

Além disso, a Aura seria avaliada a cerca de 3,9 vezes o Ebitda (uma medida de lucro operacional) projetado para 2026, também nas contas do BTG. Essa é uma métrica calculada dividindo-se a dívida líquida pelo Ebitda e expressa quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em linhas gerais, níveis abaixo de 2 vezes são considerados mais saudáveis, mas empresas com operações mais alavancadas pode acabar operando com relações mais altas.

O papel também negociaria com “desconto” em relação ao valor de seus ativos, já que o múltiplo que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial (P/NAV) é de 0,68 vez. Ou seja: o mercado ainda atribui à companhia um valor inferior ao das minas e projetos que ela tem.

Por fim, a empresa teria capacidade de sustentar um dividend yield na faixa de 7% a 8%, ou seja, um retorno anual em dividendos equivalente a esse percentual do preço da ação, desde que mantidas as atuais condições de geração de caixa.

A euforia em torno da IA é uma bolha prestes a estourar? Eis o que a história diz

4 de Janeiro de 2026, 18:36

À medida que a aposta em inteligência artificial continua a levar o mercado de ações a novas máximas, investidores se perguntam cada vez mais se estamos vivendo outra bolha financeira destinada a estourar. A resposta não é tão simples – ao menos segundo a história.

O S&P 500 avançou 16% em 2025, com vencedores ligados à IA – como Nvidia, Alphabet (dona do Google), Broadcom e Microsoft – respondendo pela maior contribuição.

Ao mesmo tempo, crescem as preocupações com as centenas de bilhões de dólares que as big techs prometeram gastar em infraestrutura de IA. Os investimentos de Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta (dona do Facebook) devem subir 34%, para cerca de US$ 440 bilhões somados no próximo ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A OpenAI se comprometeu a gastar mais de US$ 1 trilhão em infraestrutura de IA, um número impressionante para uma empresa de capital fechado que ainda não é lucrativa. Talvez ainda mais preocupante seja a natureza circular de muitos de seus acordos, nos quais investimentos e gastos vão e voltam entre a OpenAI e algumas grandes empresas de tecnologia listadas em bolsa.

Ao longo da história, o excesso de investimento tem sido um tema recorrente sempre que surge um avanço tecnológico capaz de transformar a sociedade, afirma Brian Levitt, estrategista-chefe global de mercados da Invesco. Ele cita, por exemplo, o desenvolvimento das ferrovias, da eletricidade e da internet. Desta vez, pode não ser diferente.

“Em algum momento, a construção de infraestrutura pode exceder o que a economia precisará em um curto período”, disse. “Mas isso não significa que os trilhos não tenham sido concluídos ou que a internet não tenha se tornado realidade, certo?”

Ainda assim, com as avaliações das ações subindo e o S&P 500 registrando o terceiro ano consecutivo de ganhos de dois dígitos, faz sentido que investidores fiquem preocupados com quanto potencial de alta ainda existe – e quanto valor de mercado pode ser perdido se a IA não corresponder às expectativas. Nvidia, Microsoft, Alphabet, Amazon, Broadcom e Meta respondem por quase 30% do S&P 500; portanto, uma venda generalizada ligada à IA atingiria o índice em cheio.

“Uma bolha geralmente estoura em um mercado de baixa”, disse Gene Goldman, diretor de investimentos da Cetera Financial Group, que não acredita que as ações de IA estejam em uma bolha. “Simplesmente não vemos um mercado de baixa no horizonte próximo.”

O que a história mostra?

Ritmo e duração

Uma forma simples de avaliar se o rali tecnológico impulsionado pela IA foi longe demais ou rápido demais é compará-lo a ciclos anteriores. Analisando 10 bolhas acionárias ao redor do mundo desde 1900, elas duraram em média pouco mais de dois anos e meio, com um ganho médio de 244% do fundo ao pico, segundo pesquisa do estrategista do Bank of America Michael Hartnett.

Em comparação, o rali impulsionado pela IA está em seu terceiro ano, com o S&P 500 subindo 79% desde o fim de 2022 e o Nasdaq 100, mais concentrado em tecnologia, avançando 130%.

Embora seja difícil tirar conclusões definitivas a partir desses dados, Hartnett alerta os investidores a não abandonarem o mercado mesmo que acreditem estar diante de uma bolha, pois o trecho final do rali costuma ser o mais íngreme – e ficar de fora pode ser custoso. Uma forma de proteção, segundo ele, é comprar ativos de valor baratos, como ações do Reino Unido e empresas de energia.

Concentração

As 10 maiores ações do S&P 500 agora respondem por uma grande fatia do índice, de 30% — um nível de concentração não visto desde os anos 1960. Isso afastou alguns investidores, incluindo o veterano de Wall Street Ed Yardeni, que disse em dezembro que já não faz sentido recomendar uma exposição acima da média a ações de tecnologia.

Historiadores do mercado argumentam que, embora a concentração pareça extrema em comparação com a memória recente, há precedentes. As principais ações como parcela do mercado americano estiveram em níveis semelhantes nas décadas de 1930 e 1960, segundo Paul Marsh, professor da London Business School que estudou os últimos 125 anos de retornos globais de ativos. Em 1900, 63% do valor do mercado dos EUA estava ligado a ações de ferrovias, contra 37% vinculados à tecnologia no fim de 2024, disse Marsh.

Fundamentos

Bolhas de ativos tendem a ser muito mais difíceis de identificar em tempo real do que depois que estouram porque os fundamentos costumam estar no centro do debate – e as métricas em foco podem mudar, afirma Dario Perkins, economista da TS Lombard.

“É fácil para entusiastas de tecnologia alegarem que ‘desta vez é diferente’ e que as avaliações fundamentais nunca mais serão as mesmas”, disse ele.

Mas alguns fundamentos seguem relevantes. No início dos anos 2000, a bolha das “pontocom” foi marcada por empresas de tecnologia superavaliadas, sendo muitas delas sem lucros sustentáveis ou modelos de negócio viáveis. Agora, os gigantes atuais da IA têm menores níveis de endividamento em relação aos lucros do que companhias como a WorldCom tinham à época.

Além disso, empresas como Nvidia e Meta já registram crescimento robusto de lucros ligado à IA, algo que não era necessariamente verdadeiro há 25 anos.

A possibilidade de risco de crédito na aposta em IA também deixa alguns investidores apreensivos. Depois que a Oracle vendeu US$ 18 bilhões em títulos em 24 de setembro, a ação caiu 5,6% no dia seguinte e acumula queda de 37% desde então. Meta, Alphabet e Oracle precisarão captar US$ 86 bilhões somadas apenas em 2026, segundo estimativa do Société Générale.

Avaliações

A avaliação de preços do S&P 500 é a mais alta da história, exceto pelo início dos anos 2000, segundo um indicador chamado de preço sobre lucro, ou P/L. Ele mede o quanto do preço de uma ação explica o lucro da companhia, ou o quanto um investidor estaria disposto a pagar pelos lucros da empresa: quanto maior e mais fora da média histórica da própria companhia ou do setor, mais caro estaria o papel.

No entanto, usando o P/L ajustado ciclicamente, ou CAPE, os investidores otimistas argumentam que, embora as avaliações estejam subindo por causa da tecnologia, o ritmo é muito mais lento do que na era das pontocom. Em 2000, a Cisco Systems chegou a ser negociada a mais de 200 vezes os lucros dos 12 meses anteriores, enquanto a Nvidia hoje está abaixo de 50 vezes.

O CAPE é uma métrica criada pelo economista Robert Shiller que divide o preço das ações pela média dos lucros ajustados pela inflação dos últimos 10 anos. Segundo Richard Clode, gestor da Janus Henderson, os preços das ações se descolam do crescimento dos lucros quando não há debate sobre avaliações. “Não estamos vendo isso acontecer agora”, disse.

Escrutínio dos investidores

Discussões sobre uma possível bolha de ações circularam ao longo do ano, mas ganharam força em novembro e dezembro, após alertas do investidor Michael Burry e do Banco da Inglaterra. Mais de 12 mil reportagens em novembro mencionaram a expressão “bolha de IA”, número semelhante ao dos dez meses anteriores somados, segundo dados da Bloomberg.

Uma pesquisa do Bank of America em dezembro mostrou que os investidores veem uma bolha de IA como o maior evento de risco extremo (“tail risk”). Mais da metade dos entrevistados afirmou que as ações das chamadas “Sete Magníficas” são a aposta mais saturada de Wall Street.

Isso contrasta com a bolha das pontocom, quando havia “entusiasmo total com a ideia de que a internet revolucionaria tudo”, disse Venu Krishna, chefe de estratégia de ações dos EUA no Barclays. Agora, as dúvidas sobre se os investimentos em IA vão compensar crescem à medida que a emissão de dívida aumenta.

“Eu não descartaria o risco, mas, em geral, acredito que o escrutínio é saudável”, disse ele. “Na verdade, é esse escrutínio que tende a impedir movimentos extremos, como um colapso.”

Promissor e turbulento: as expectativas para o mercado brasileiro em 2026, segundo o BTG

29 de Dezembro de 2025, 11:35

O ano de 2026 deve repetir uma parte da dinâmica de 2025. Ou seja: atividade mais fraca, inflação em desaceleração e uma perspectiva de juros mais baixos no mundo e até no Brasil. O que vai mudar? A turbulência do ano eleitoral. Uma Selic em queda junto com a aproximação do pleito cria um ambiente em que oportunidades e riscos caminham lado a lado, e a cautela será a ordem do dia.

Primeiro, o cenário econômico. Para o BTG, a atividade deve perder algum fôlego: após crescer 2,2% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar cerca de 1,7% em 2026. Essa desaceleração reflete os efeitos defasados de uma política monetária que permaneceu bastante restritiva por um período prolongado.

O Banco Central nem de longe indicou que haverá um corte de juros em breve, mas o BTG trabalha com a mesma perspectiva de muitos economistas: a política monetária será o principal fator positivo no início do ano porque ela levará a Selic, hoje no maior nível em quase duas décadas, a uma trajetória de queda.

A projeção do banco é de uma redução da taxa básica de juros para 12% ao final de 2026. É um nível que mantém os juros reais elevados, mas que já altera de forma significativa o ambiente para ativos domésticos. E é o que beneficia especialmente setores mais sensíveis ao custo do crédito e às taxas de longo prazo – varejo e consumo entre eles.

O lado fiscal, de novo

O problema mesmo está na agenda fiscal do governo. Se, por um lado, a queda dos juros oferece algum alívio, a política fiscal segue como o principal ponto de fragilidade do Brasil e para os mercados.

A relação entre a dívida do governo e o PIB permanece elevada, próxima de 80%, e o déficit nominal continua pressionado pelo peso das despesas com juros. Quer dizer: de um lado, o governo está gastando muito em relação à riqueza que a economia gera.

Por outro lado, o juro alto faz a dívida do governo ficar mais cara – e o juro está alto justamente para conter a inflação, que sobe quando o nível de gastos do governo é grande. Uma coisa se alimenta da outra.

Nessa frente, as coisas não caminham bem. O relatório do BTG avalia que não há disposição política para um ajuste fiscal relevante antes das eleições, o que torna improvável qualquer leitura mais consistente em 2026. A trajetória das contas públicas virou um risco estrutural, capaz de limitar a queda dos juros longos e aumentar a sensibilidade do mercado a choques políticos.

As eleições no meio do caminho

É por isso que a eleição presidencial vira o principal fator de volatilidade especialmente no segundo semestre. Nos primeiros meses de 2026, o impacto político tende a ser menor, favorecido pelo recesso do Congresso e pelo foco dos investidores no corte de juros. Com o avanço do calendário eleitoral, porém, as pesquisas passam a ter peso crescente sobre os preços dos ativos.

O presidente Lula segue competitivo, com níveis de aprovação em torno de 43%, enquanto a definição do principal nome da oposição ainda gera incertezas. A permanência de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, na disputa é vista como um fator de risco pelo mercado, devido à sua alta rejeição.

De outro lado, a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é interpretada como um cenário mais construtivo, por sinalizar maior previsibilidade e disciplina fiscal. À medida que as pesquisas se tornam mais apertadas, o relatório projeta aumento da volatilidade e uma postura mais defensiva por parte dos investidores.

O cenário internacional e o quão baratas estão as ações

No cenário internacional, o ambiente é menos favorável do que em 2025, mas ainda relativamente benigno. Os Estados Unidos devem manter os juros estáveis ao longo de boa parte de 2026, após uma sequência de cortes iniciados neste ano e que deu enorme amparo para os ativos brasileiros no geral – juro menor lá fora estimula a procura por ativos mais arriscados ao redor do mundo, afinal.

Ainda assim, a ausência de um novo aperto nas condições financeiras globais evita pressões mais severas sobre mercados emergentes. Para o Brasil, o fator determinante segue sendo doméstico: a dinâmica dos juros locais e a percepção de risco fiscal e político é o que ganhará evidência.

O outro ponto que ajuda na tendência positiva para o mercado é que, apesar da forte alta da bolsa de valores em 2025, os ativos brasileiros ainda são negociados a preços relativamente baixos, inclusive do ponto de vista do investidor estrangeiro, o grande comprador de papéis neste ano – até dezembro, foram R$ 25 bilhões destinados ao mercado secundário (ações já listadas).

Isso porque o mercado americano, apesar da perda de força recente, mostrou um movimento muito forte nos últimos anos, impulsionado pelas empresas ligadas a inteligência artificial. O espaço para altas adicionais ainda existe porque essas empresas ainda são muito lucrativas, mas esse desempenho tão forte estimula que os “gringos” busquem outras opções.

Os preços dos ativos domésticos mais baixos também valem para o investidor local. O mercado continua cauteloso com o cenário fiscal e político, é um fato. Quando o nível de desconfiança está alto entre os investidores, eles só compram ações se elas estiverem realmente baratas (ou forem avaliadas dessa forma). Ou seja, o nível de “desconto” dos papéis na bolsa é grande, deixando os preços longe do que seria o seu “valor justo”.

Caso o processo eleitoral sinalize maior compromisso com o controle das contas públicas ou algum alívio nessa frente ocorra, essa percepção tende a melhorar, abrindo espaço para uma valorização adicional dos ativos. Nesse ambiente mais favorável, o BTG projeta crescimento expressivo dos lucros das empresas em 2026, especialmente nos setores ligados ao mercado interno, como bancos, serviços básicos, varejo e construção civil.

Em termos simples, o banco acredita que há motivos suficiente para que os ativos locais sigam em alta ao longo de 2026. Mas a tese passará por um teste de fogo, balançada pelo aumento da volatilidade e pelas tentativas dos investidores de incorporar aos preços as expectativas para a agenda econômica no futuro.

China usa novo combustível na corrida espacial: os IPOs

26 de Dezembro de 2025, 14:47

As empresas chinesas que desenvolvem foguetes comerciais reutilizáveis terão acesso a uma via rápida para ofertas públicas iniciais de ações no mercado que as isenta de algumas exigências financeiras, informou a Bolsa de Valores de Xangai nesta sexta-feira.

Pequim está tentando fechar uma lacuna em suas capacidades espaciais em comparação com os Estados Unidos, que praticamente dominaram a capacidade de retornar, recuperar e reutilizar o primeiro estágio de um foguete, ou booster, depois que ele é lançado.

A via rápida isenta as empresas chinesas de foguetes dos limites de lucratividade e receita mínima e, em vez disso, exige que elas tenham atingido marcos tecnológicos importantes, incluindo um lançamento orbital bem-sucedido usando tecnologia de foguete reutilizável.

SpaceX, de Musk, na mira chinesa

Atualmente, a norte-americana SpaceX, companhia aeroespacial do bilionário Elon Musk, detém quase o monopólio dessa tecnologia, e seu exclusivo foguete Falcon 9 é o único modelo reutilizável que é lançado regularmente e usado para colocar satélites em órbita.

No início deste mês, a principal empresa privada de foguetes da China, a LandSpace, tornou-se a primeira entidade nacional a realizar um teste completo de foguete reutilizável com o lançamento de seu novo modelo Zhuque-3, sinalizando ambição de alcançar a SpaceX.

Embora o lançamento não tenha conseguido concluir a etapa crucial de recuperação do propulsor do foguete, uma enxurrada de empresas estatais e privadas chinesas está agora correndo para testar o lançamento de seus próprios foguetes reutilizáveis.

Na órbita do capital

A LandSpace já disse que deseja demonstrar uma recuperação bem-sucedida do foguete em meados de 2026, quando o Zhuque-3 será lançado pela segunda vez. Mas ela disse que a natureza de capital intensivo do desenvolvimento de foguetes significa que precisará de acesso aos mercados de capital da China se quiser competir com a SpaceX.

As regras da bolsa de Xangai não determinam que as empresas de foguetes devem recuperar um foguete com sucesso, apenas que a tecnologia de foguetes reutilizáveis seja usada para colocar um satélite em órbita, algo que a LandSpace já conseguiu com o lançamento deste mês.

As empresas que realizarem missões nacionais ou participarem de grandes projetos espaciais liderados pelo Estado receberão apoio prioritário, de acordo com as novas diretrizes, que entrarão em vigor imediatamente, ressaltando o estreito alinhamento entre a atividade de lançamento comercial e as metas estratégicas mais amplas da China.

A China descreveu repetidamente o monopólio da SpaceX sobre os satélites de órbita baixa da Terra como um risco à segurança nacional e está promovendo ativamente suas próprias constelações de satélites, que espera que cheguem a dezenas de milhares nas próximas décadas.

Setor de tecnologia dos EUA ainda sofre com falta de insumos chineses de terras raras

25 de Dezembro de 2025, 12:24

A China ainda está restringindo os elementos de terras raras de que os EUA precisam para produzir seus próprios ímãs permanentes e outros produtos, mesmo depois de o presidente Donald Trump ter fechado, em outubro, um acordo com seu contraparte chinês para suspender restrições ao fornecimento, segundo participantes do mercado.

Mais de uma dúzia de consumidores, produtores, autoridades do governo e especialistas em comércio disseram que, embora a China tenha aumentado as entregas de produtos acabados — principalmente ímãs permanentes —, a indústria americana continua sem conseguir adquirir os insumos necessários para fabricar esses itens por conta própria, uma prioridade-chave do governo. As pessoas pediram para não ser identificadas ao discutir assuntos que não são públicos.

A redução no comércio evidencia tensões persistentes na relação EUA–China nos meses desde que Trump e Xi Jinping costuraram uma trégua na Coreia do Sul em 30 de outubro, com os EUA reduzindo tarifas e a China se comprometendo a restabelecer o fornecimento de terras raras. Na época, Trump disse que o acordo equivalia à “remoção de fato” de uma série de limites que a China havia imposto.

Ao restringir as entregas de matérias-primas, a China está dificultando os esforços dos EUA para construir uma indústria própria capaz de processar terras raras e transformá-las em ímãs usados em tudo, de bens de consumo a sistemas de guiagem de mísseis. O governo Trump fez do desenvolvimento de capacidade doméstica de produção de ímãs permanentes e outros produtos de terras raras uma prioridade, depois de a China ter passado anos construindo um monopólio global.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem. Autoridades do governo disseram, nas últimas semanas, que a China está cumprindo os termos do acordo sobre o fornecimento de terras raras.

Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostraram que o fornecimento de ímãs aos EUA caiu 11% em novembro em relação ao mês anterior, mas permanece acima das mínimas registradas quando Pequim restringiu o envio em abril. No total, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras raras — incluindo ímãs — subiram 13% em novembro ante o mês anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados oficiais da alfândega.

Mineração em terras raras
Mineração em terras raras (Bloomberg)

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que a oscilação nos dados mensais de comércio é “normal” e acrescentou que o país está comprometido em manter a estabilidade das cadeias globais de suprimento. Pequim disse que já aprovou alguns pedidos de exportação de terras raras, mas continua restringindo fornecimentos que poderiam chegar a contratantes militares.

Autoridades do setor e participantes do mercado disseram que, para os atores americanos, a realidade é diferente.

“As pessoas não estão conseguindo tirar materiais da China; você não está conseguindo metal ou óxido de disprósio se você é uma entidade dos EUA”, disse em entrevista Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics Inc., citando contatos com outros participantes da indústria. A Noveon é uma das poucas fabricantes americanas de ímãs permanentes. A empresa não compra insumos de terras raras da China, mas Dunn disse que alguns de seus clientes compram.

“Fora da China, o mundo consegue produzir 50.000 toneladas de ímãs, mas não chega nem perto de existir um volume equivalente de minerais de terras raras para sustentar essas toneladas fora da China”, disse Dunn. “A China restringe materiais muito além do que restringe em ímãs para manter essa dinâmica.”

Ainda assim, o afrouxamento das restrições de Pequim sobre produtos como ímãs feitos a partir de terras raras, por ora, eliminou o risco de que indústrias consumidoras — como a automotiva e a de tecnologia — tenham de interromper a produção, segundo Gracelin Baskaran, diretora do programa de segurança de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Como importamos mais adiante na cadeia de suprimentos, as empresas não sentem essa interrupção com a mesma intensidade”, disse ela. “Como importamos mais ímãs, o impacto é muito mais brando.”

As exportações totais de matérias-primas da China aumentaram desde o ano passado, mas os EUA não receberam uma alta semelhante, segundo dados do governo. A estagnação para empresas americanas continua mesmo depois de a União Europeia ter dito, em 15 de dezembro, que a China começou a conceder licenças com prazos mais longos para permitir que companhias europeias obtenham terras raras.

Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, EUA e China ainda não chegaram a um acordo sobre detalhes essenciais de como Pequim vai liberar as vendas de terras raras. A Bloomberg News informou no mês passado que os dois lados deram às suas equipes até o fim de novembro para acertar os termos das chamadas “licenças gerais” para exportações. Isso deixou participantes do mercado preocupados com a possibilidade de a trégua desmoronar.

“Chegamos a vários acordos temporários em Londres, em Genebra, na Coreia do Sul, e eles foram descumpridos”, disse Baskaran. “Então, até agora, nenhum acordo se provou definitivo — e isso deixa a indústria receosa, de um jeito que é justificável.”

A proximidade do vencimento, em seis meses, das licenças temporárias de exportação que a China aprovou no começo do verão também significa que empresas americanas vão buscar renovações ao mesmo tempo, o que pode criar um acúmulo de solicitações. Compradores temem que a China, como fez em maio e junho, possa desacelerar aprovações — um movimento que participantes do setor veem como uma forma de controle de exportações.

“Em conversas com advogados chineses, a recomendação é seguir com os pedidos de licença antes de a pausa expirar”, disse Mark Ludwikowski, chefe da área de comércio internacional do escritório Clark Hill. “Eles podem cortar isso a qualquer momento, se isso azedar.”

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Às vésperas do Copom, taxas dos CDBs curtinhos caem. Nos de vencimento longo, elas sobem

8 de Dezembro de 2025, 18:32

Às vésperas da reunião do Banco Central para definir o futuro da Selic, os rendimentos dos CDBs de prazo mais curto registraram queda, enquanto os títulos de prazo maior registraram avanços nas taxas oferecidas aos investidores.

Nos produtos com prazo mais curto, a remuneração caiu. Entre os títulos com vencimento em 3 meses, a taxa média de retorno saiu de 101,75% do CDI no fim do mês passado para 101,45% agora, enquanto os títulos para seis meses estão pagando em média 100,81%, contra 101% do CDI antes.

Já nos títulos mais longos, entre 12 e 24 meses, o movimento foi inverso: nos produtos de um ano meses, a remuneração saiu de 100,30% para 100,59%; nos de 24 mess, de 99,75% para 100,23%. Os dados foram levantados pela Quantum Finance a pedido do InvestNews.

A movimentação nas taxas do CDBs acontece na mesma semana em que o BC deve decidir por manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão sai na quarta-feira (10), mesmo dia em que também será divulgada a decisão do Fed, o banco central dos EUA, para os juros americanos. Lá fora, deve haver um corte de 0,25 ponto percentual na taxa.

Aqui, o que tiver de novidade provavelmente virá só do comunicado do Copom, o Comitê de Política Econômica, que decide os rumos dos juros. A expectativa é que venham mais pistas para um provável início dos cortes no início de 2026.

Se a perspectiva é de que a Selic tem espaço para cair, como acontece agora, os títulos mais curtos acabam se ajustando nessa direção. Mas essa moeda tem outro lado. Juros menos estratosféricos criam uma economia mais forte e um ambiente em que os bancos voltam a expandir suas operações de empréstimo. A demanda dos bancos por captação, consequentemente, aumenta.

Para tornar seus CDBs mais atraentes e garantir que o dinheiro entre, então, as instituições elevam as taxas. De qualquer modo, esse é um movimento de curto prazo. Não indica uma tendência duradoura.

Investimento em IA é bolha? BTG elenca 16 motivos para defender que não

4 de Dezembro de 2025, 19:55

A demanda por cada vez mais poder computacional é o pilar da valorização das empresas de IA. E falou em IA, falou em “bolha” – algo que mais hora menos hora estoura.

É impossível saber se estamos ou não diante de uma. E sempre há a outra possibilidade: a de que os preços das ações simplesmente tenham alcançado um platô permanentemente elevado.

Essa é basicamente a conclusão de uma análise divulgada pelo BTG Pactual. Ela mostra que as grandes empresas do setor, a começar por Nvidia, Google e Microsoft, têm fundamentos sólidos, ou seja: margens saudáveis, baixa alavancagem e geração robusta de caixa.

Por outro lado, sempre vale lembrar a frase do economista americano Irving Fisher. Semanas antes do crash de 1929, o maior estouro de bolha da história, ele disse justamente que “os preços das ações atingiram um platô permanentemente elevado”. Não era o caso.

Seja como for, o BTG lista 16 motivos para acreditar que a revolução da IA tem características estruturais, e que o espaço para a expansão tecnológica e de infraestrutura ainda é vasto. Veja os pontos.

1. Ganhos de produtividade

Eles chegam a 1,3 ponto percentual por ano com a adoção rampante de IA, ou US$ 1,5 trilhão de produção global extra anual. É um choque de produtividade “amplo e duradouro”, de acordo com a análises e, mesmo com concorrência elevada e com o fracasso de algumas companhias com o passar do tempo, a tecnologia em si prospera.

2. Rentabilidade consistente nos investimentos em IA

Os investimentos na área não têm nada de especulativos: o US$ 1,2 trilhão por ano aplicado em infraestrutura – data centers, chips e redes – formam uma base de ativos de US$ 2,4 trilhões, que precisa gerar US$ 1,68 trilhão anuais em retorno para a economia global para dar lucro. Esse volume é, na visão do banco, plenamente compatível com o impacto de produtividade estimado por estudos independentes.

3. Margens mais elevadas

O receio de que a “bolha de IA” esteja se formando faz referência à “bolha ponto com” – a das empresas que, no final da década de 1990, foram superestimadas. A situação é diferente, segundo o BTG, porque as 10 maiores empresas do S&P 500 apresentavam margens líquidas de 17%, em média, naquela época, enquanto os atuais líderes têm 32%. Quer dizer: o ciclo de investimentos em IA é mais lucrativo e mais resiliente hoje.

4. Geração de caixa robusta

Lucro é uma demonstração contábil. Um dado mais sólido é o “fluxo de caixa livre”, o dinheiro que efetivamente sobra no caixa da empresa depois de todos os gastos a cada trimestre. Entre as empresas do S&P 500, ele é hoje de 3,5%. Ou seja, para cada US$ 100 que a empresa coloca no negócio, US$ 3,5 ficam no caixa. Isso é quase três vezes mais do que o período de 2000 a 2001. Em outras palavras: o ciclo atual das empresas é financiado por caixa real e não por dívidas excessivas.

5. Preços bem abaixo dos níveis da última bolha

O Nasdaq 100, índice que reúne as empresas americanas de tecnologia, é negociado entre 29 e 30 vezes o lucro, distante do nível de 44 vezes em 1999 e de 89 vezes em 2000. Você lê essa métrica da seguinte forma: considerando o preço atual, o mercado está disposto a pagar cerca de US$ 29 a US$ 30 por cada US$ 1 de lucro anual da empresa.

É, em resumo, um indicador para as expectativas de crescimento das companhias. Para o BTG, a precificação das ações das big techs hoje é “mais moderada” e também amparada por lucros muito maiores.

6. Líderes de mercado mais baratos do que no passado

Na bolha das ponto com, Cisco, Intel, Microsoft e outras eram negociadas entre 50 vezes a 70 vezes o lucro. Muitas superavam o nível de 100 vezes. Hoje, as gigantes de IA – Google, Nvidia, Meta, Microsoft de novo… – são negociadas entre 20 vezes e 35 vezes o lucro.

7. Capex financiado internamente

Só 46% do fluxo de caixa das empresas hoje é reinvestido, muito baixo dos 75% em 2001. Pode parecer um contrassenso avaliar positivamente empresas que estão investindo menos, mas a leitura do BTG é de que as companhias estão destinando seus recursos de forma mais equilibrada.

8. Alavancagem muito menor

As maiores empresas americanas operam com caixa líquido: a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, é de 0,3 vez. Essa relação é conhecida como alavancagem e indica quantos anos a empresa levaria para pagar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em geral, um indicador abaixo de 2x é um sinal de que a empresa está financeiramente saudável. Ou seja, 0,3x é um nível extremamente conservador.

9. Demanda firme e chips duráveis sustentam o ciclo da IA

A demanda por computação em nuvem e IA continua acelerando: os serviços AWS (da Amazon), Azure (da Microsoft) e Google Cloud voltaram a crescer entre 20% e 40% ao ano. Ao mesmo tempo, as GPUs – processadores especializados usados para treinar e operar modelos de IA – têm vida útil longa, de aproximadamente seis anos.

Isso significa que as gigantes globais de computação em nuvem têm receitas futuras mais previsíveis e conseguem extrair valor dos chips por um bom tempo, fortalecendo a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA.

10. A tecnologia está longe do seu potencial máximo

Os avanços recentes mostram que a IA ainda tem muito espaço para evoluir. A redução das alucinações, por exemplo, avança paulatinamente, mas ainda está longe do ideal. Isso indica que a tecnologia não está madura – e que a demanda por mais computação e novos modelos deve seguir crescendo.

11. O mercado de IPOs ainda é fraco

Nos últimos 12 meses, houve 56 IPOs no segmento de IA, contra 511 no auge da bolha das ponto com. Ou seja, o ciclo atual não mostra exuberância especulativa em novas emissões como já ocorreu no passado.

12. O mercado não está em euforia

Mesmo com toda a atenção sobre IA, o humor geral dos investidores ainda é negativo: o índice de “Medo e Ganância”, criado pela CNN, aponta para “Pessimismo Extremo” – próximo de 19 pontos, bem abaixo da linha neutra de 50. Isso significa que, apesar do avanço das empresas de IA, o mercado como um todo não demonstra um comportamento eufórico, nem demanda excessiva por ativos de risco, que é uma condição típica de bolhas. A postura predominante ainda é de cautela, não de entusiasmo.

13. O medo da bolha freia os excessos que poderiam levar a uma bolha

O BTG cita uma pesquisa recente do Bank of America. Ela mostra que 54% dos gestores profissionais creem estar vivendo uma bolha de IA. E isso é bom. Quando o medo de bolha cresce entre profissionais de mercado, os investidores tendem a reduzir posições arriscadas e a operar de forma comedida. Ou seja, paradoxalmente, o fato de muitos acreditarem que há uma bolha diminui a probabilidade de uma bolha clássica se formar, pois os próprios agentes atuam para evitar excessos.

14. O investidor de varejo também está cauteloso

O índice AAII Bull/Bear, que mede o sentimento do investidor individual americano, permanece em território negativo. Isso indica que o pequeno investidor, o primeiro a responder aos ciclos especulativos, não está otimista. A falta de entusiasmo tanto entre profissionais (item 13), quanto no varejo reforça que não há clima emocional típico de bolha.

15. Investimento em IA é pequeno quando comparado a grandes ciclos históricos

O BTG calcula que, hoje, os investimentos em data centers de IA representam 1,3% do PIB. Há quem diga que estão construindo demais. Só que talvez não. Data center é o que há de mais moderno em infraestrutura. Nos momentos do passado em que o hype de infra era a construção de ferrovias, gastava-se muito mais: até 6% do PIB.

16. Queda de juros favorece teses de longo prazo

Juros menores tornam mais valioso cada dólar de lucro futuro. Quando os juros caem, os investidores calculam que o valor presente dos lucros que as empresas vão gerar no futuro é maior. Isso beneficia especialmente negócios cujo potencial econômico está mais avançado, como as empresas de IA, que investem muito agora para colher resultados maiores nos próximos anos.

Alívio para os EUA: retirada da tarifa sobre café e carne do Brasil reduz pressão sobre alimentos

22 de Novembro de 2025, 08:57

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar uma sobretaxa de 40% sobre as importações de café e carne bovina brasileiros deve trazer algum alívio para os mercados e para consumidores americanos, que vinham sofrendo com a disparada dos preços desses itens básicos.

O Brasil é o maior fornecedor global tanto de café quanto de carne bovina, e a tarifa adicional de 40%, anunciada em julho, fez os embarques para os EUA despencarem. A queda da oferta agravou uma escalada de preços enfrentada pelos americanos em meio à maior inflação de alimentos em décadas.

A nova ordem executiva assinada por Trump na quinta-feira (20) deve reduzir essa pressão. Na semana passada, o governo já havia cortado uma tarifa separada de 10% que incidia sobre os mesmos produtos.

“Dois terços dos adultos americanos tomam café todos os dias, e cada xícara vai ficar mais barata graças à decisão do presidente Trump”, disse a National Coffee Association, que representa a indústria de café nos EUA.

Inflação

A mudança, que inclui um conjunto de commodities, reflete a necessidade de conter os preços dos alimentos, em um momento em que os americanos seguem frustrados com o custo da cesta básica e atribuem ao presidente notas cada vez piores em relação ao desempenho econômico.

O índice de confiança do consumidor caiu em novembro a um dos níveis mais baixos já registrados, com piora na percepção sobre as finanças pessoais. Os contratos futuros do café arábica caíram até 6,6% na sexta-feira (21) em Nova York, atingindo a mínima de quase dois meses, antes de reduzir parte das perdas.

Os preços haviam alcançado recorde em outubro, quando as tarifas agravaram um cenário de oferta apertada após colheitas fracas ao redor do mundo. Um índice de inflação para café torrado atingiu máxima histórica em agosto, segundo o Bureau of Labor Statistics.

“Esperamos que as exportações sejam retomadas”, disse Fernando Maximiliano, analista da StoneX. Temores de escassez no mercado americano vinham pressionando os futuros para cima, mas agora há expectativa de alívio, afirmou.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

A carne bovina, por sua vez, tem sido um dos pontos mais sensíveis para a administração Trump, já que os preços ao consumidor atingiram recordes em meio à retração do rebanho nos EUA.

O país tem recorrido cada vez mais às importações para preencher a lacuna, o que derrubou os preços do gado vivo diante da expectativa de maior entrada de produto estrangeiro. Mas os embarques brasileiros caíram fortemente após as ameaças tarifárias.

Os futuros de gado vivo chegaram a recuar até 3,4%, menor nível desde junho, antes de suavizar as perdas. Mesmo assim, o custo menor para frigoríficos e varejistas ainda não se traduziu em carne mais barata para o consumidor, já que a demanda continua elevada.

Não está claro se a remoção da tarifa será suficiente para provocar “um aumento dramático” nas importações vindas do Brasil, segundo analistas da Steiner Consulting Group. Isso porque a baixa disponibilidade de gado no próprio Brasil e a forte demanda da China — maior compradora mundial — seguem como obstáculos.

Ainda assim, o relatório aponta que um cenário de mais importações e menos exportações americanas poderia “moderar a inflação da carne bovina” nos EUA em 2026.

Para o Brasil, o efeito das tarifas foi relativamente limitado: mesmo com a queda para os EUA, o país conseguiu aumentar as exportações totais de carne bovina em 2025, compensando com vendas maiores para México, Oriente Médio e, sobretudo, China.

“Quem acabou sofrendo mais com essa tarifa foram os produtores e consumidores americanos”, disse Marcos Jank, professor sênior do Insper. A oferta apertada em outras regiões do mundo permitiu que o Brasil encontrasse mercados alternativos com relativa facilidade, completou.

EUA investem R$ 2,5 bilhões na produção de terras raras da Serra Verde, em Goiás

8 de Novembro de 2025, 10:11

A Serra Verde, produtora brasileira de terras raras, garantiu um financiamento de até US$ 465 milhões – cerca de R$ 2,5 bilhões – da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). O investimento tem como pano de fundo a busca pelas nações ocidentais da redução da dependência da China em relação a minerais essenciais.

O financiamento busca ajudar a cobrir as melhorias na mina Pela Ema da empresa, no estado do Goiás, de acordo com um documento de 15 de agosto do site do DFC. A agência federal foi criada durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, para oferecer financiamento e garantias a projetos em países em desenvolvimento que tenham ligação com os objetivos de política externa dos Estados Unidos.

O governo Trump recorre ao Brasil — o país com as maiores reservas de terras raras fora da China — por seus esforços na construção de cadeias de suprimentos alternativas para elementos-chave usados em equipamentos militares, veículos elétricos e turbinas eólicas.

O depósito de Pela Ema contém terras raras leves e pesadas – principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio – que são essenciais para a transição energética. A Serra Verde, apoiada pela Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy and Minerals Group, é a primeira produtora de terras raras em larga escala do país.

O DFC afirmou que o fundo se destina a financiar melhorias na mina Pela Ema, bem como despesas operacionais e o refinanciamento da dívida existente dos acionistas. O financiamento foi divulgado anteriormente pelo Financial Times.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024. A empresa pretende aumentar a produção para entre 4.800 e 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o início de 2027.

“Este projeto ainda está passando por diversas etapas e revisões antes de ser concluído”, disse um porta-voz da empresa sobre seus planos. “Como esses detalhes ainda não foram finalizados, preferimos aguardar para comentar até que a transação esteja totalmente concluída e possamos fornecer informações precisas.”

Em setembro, a Aclara Resources garantiu financiamento do DFC para um projeto de terras raras no Centro-Oeste, em um acordo que poderá ser convertido em participação acionária no futuro.

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Trump manda investigar frigoríficos e culpa empresas estrangeiras por alta da carne

8 de Novembro de 2025, 09:48

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.

“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.

As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).

Preço da carne em alta e pressão política

Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.

De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.

“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.

A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.

Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação

O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.

Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.

Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.

Histórico de investigações e disputa comercial

Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.

Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.

Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.

Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:

“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.

Pressão dos estados rurais e impacto no mercado

A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:

“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.

Sem ‘ajuda’ do câmbio, queda da Selic depende ainda mais do cenário fiscal, diz Carlos Kawall

29 de Outubro de 2025, 20:20

O câmbio deixou de ser um vento a favor do controle da inflação no Brasil e, daqui para frente, o ajuste fiscal – que o Brasil não está conseguindo cumprir – terá mais importância no trabalho do Banco Central de reduzir os juros. Essa é a opinião de Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e diretor da Oriz Partners.

No acumulado do ano, o dólar acumula uma queda de 15% contra o real. A valorização da nossa moeda ajuda a conter a inflação na veia porque torna os produtos importados e os insumos fiquem mais baratos em reais, reduzindo custos – e segurando preços.

Na prática, um câmbio amigo do real faz uma parte do trabalho da Selic, que é o de frear a inflação. E deixa o BC mais propenso a reduzir os juros.

No diagnóstico de Kawall, a queda recente da inflação derivada da apreciação do real foi o que baixou as projeções do mercado para o IPCA no fim do ano, de 5% para perto de 4,5% em 12 meses. “Mas esse vento a favor se exauriu”, diz o economista.

O problema é o seguinte. O dólar caiu em grande parte por conta da expectativa de cortes nos juros dos EUA. Quanto menos juros os americanos pagam, mais o dólar tende a perder valor ante outras moedas. Os primeiros cortes vieram. O mais recente, nesta quarta (29), reduzindo a “Selic” dos EUA de 4,25% para 4%. Mas o próprio banco central americano sinalizou uma provável pausa nos cortes. Menos pressão de baixa para o dólar, portanto.

Sem a ajudsa do câmbio, a política doméstica passa a ditar o ritmo – especialmente o lado fiscal, que tende a ganhar destaque em ano eleitoral. “Lado fiscal” significa o governo aumentar seus gastos (em subsídios, por exemplo). Isso aumenta a atividade econômica. Em outras palavras, coloca mais moeda em circulação.

Juros combatem a inflação drenando dinheiro da economia. Se o governo faz o oposto, o Banco Central não tem como baixar a Selic – no limite, tem de aumentar. “Quem define o juro é a política fiscal”, resume o economista.

Três fatores

No cenário-base das previsões do mercado, a Selic começaria a cair em janeiro e termina o ano em 12,5%. A atividade econômica mostra sinais de desaceleração, embora de forma desigual: o setor de serviços segue resiliente, apoiado por um mercado de trabalho ainda aquecido – “o coração da inflação”, segundo Kawall —, enquanto o crédito e os investimentos já perdem fôlego. Essa diferença de ritmo explica por que o processo de desinflação ainda caminha devagar.

Os serviços resistem justamente por serem pouco sensíveis ao câmbio. Seus preços derivam de salários e consumo interno, não de importados, o que faz com que eventuais oscilações do dólar tenham baixo impacto imediato. Mesmo com uma depreciação da moeda americana, o repasse nesse segmento é limitado e demorado, mantendo um pedaço importante da inflação mais rígido.

Ainda assim, há três fatores que abrem espaço para o corte de juros. O primeiro é o juro real em nível recorde, que continua fortemente contracionista mesmo com reduções graduais da Selic.

O segundo são os efeitos defasados da política monetária, que seguem atingindo os setores mais dependentes de crédito – como bens duráveis, imobiliário e investimentos corporativos – antes de se espalhar para serviços.

E o terceiro é o arrefecimento do emprego: se a criação de vagas desacelera, isso tende a aliviar a pressão sobre salários e, por consequência, sobre os preços de serviços.

Por fim, uma visão otimista. Caso o câmbio permaneça relativamente estável, o risco de novos repasses de preços vindos de importados, combustíveis e fretes diminui. Esse cenário permite ao Banco Central iniciar o ciclo de cortes, ainda que com prudência, calibrando as reduções para combater a inflação sem reacender a demanda. Esse já é um desafio nada trivial para o BC. Mas, se a parte fiscal não ajudar, se tornará impossível.

Depois de quebrar a relação EUA-China, Trump agora tenta dar um jeitinho

29 de Outubro de 2025, 15:34

Durante o primeiro mandato, o presidente dos EUA Donald Trump desmantelou o engajamento de décadas dos Estados Unidos com a China. Agora, ele está prestes a reatar com Pequim, adotando a estratégia de seus antecessores, de Bill Clinton a Barack Obama. Mas nos termos de Trump.

Os principais negociadores comerciais dos EUA e da China, ao concluírem dois dias de tensas negociações em Kuala Lumpur, na Malásia, disseram ter chegado a um acordo que prepara o terreno para que Trump e o líder chinês Xi Jinping cheguem a um acordo importante quando se encontrarem nesta quinta-feira (30), na Coreia do Sul.

O acordo em si parece ser uma trégua transacional, que pode envolver a retomada, pela China, das compras de soja dos EUA e o adiamento de novos controles sobre minerais de terras raras. Para os EUA, está em discussão o arquivamento de novas tarifas, a revogação da taxa de 20% sobre a China por seu papel na crise do fentanil nos EUA e, potencialmente, a abstenção de novas medidas políticas contra a China.

Mas o acordo vai além de um simples cessar-fogo temporário. É o primeiro passo em um diálogo de alto nível recém-estruturado, com o objetivo de consolidar um ano inteiro de diplomacia.

O cronograma é ambicioso: espera-se que Trump viaje a Pequim no início do próximo ano, seguido por uma visita recíproca de Xi ainda naquele ano.

Para Trump, é uma reviravolta impressionante.

“O primeiro mandato de Trump colocou os EUA e a China em um caminho rumo a uma competição inquestionável e de longo prazo, senão a um confronto”, disse Evan Medeiros, ex-alto funcionário de segurança nacional do governo Obama e atualmente professor da Universidade de Georgetown. “Agora parece que Trump está mudando completamente sua estratégia em relação à China, iniciando uma nova fase de maior engajamento e em um nível mais elevado.”

Além da diplomacia de alto nível, a trégua prepara o terreno para uma estabilização tática da relação ao longo do próximo ano.

Trump é negociador central com a China

Essa distensão recoloca Trump em seu papel preferido como negociador central, garantindo alívio econômico de curto prazo — como a retomada das compras de soja — que agrada aos estados com votação republicana.

Este novo calendário diplomático, altamente estruturado, contrasta fortemente com a abordagem de seu primeiro mandato.

Embora Trump tenha se reunido com Xi durante a primeira presidência, esse encontro era frequentemente improvisado e ofuscado pela escalada das disputas tarifárias, carecendo do agendamento formal e recíproco que agora está sendo proposto.

É também uma dinâmica que, segundo analistas, proporciona vantagens a Pequim.

O pensamento nos círculos de formulação de políticas de Pequim, de acordo com pessoas que consultam autoridades chinesas, é que Xi está se aproximando de seu objetivo de curto prazo: um “impasse estratégico” — um equilíbrio duradouro em que a pressão americana se torna administrável e a China ganha tempo para alcançar os EUA.

Ainda assim, essa mudança para o reengajamento não marca um retorno ao passado.

O antigo engajamento, defendido por décadas de formuladores de políticas dos EUA, foi construído sobre uma esperança liberal e ambiciosa: que a integração econômica inevitavelmente levaria a uma China mais aberta e politicamente reformada.

Mesmo a estratégia de “guinada para a Ásia” de Obama foi baseada no engajamento com Pequim, apoiada por um fortalecimento militar na região.

A versão Trump 2.0, por outro lado, parece ter nascido da necessidade.

Essa nova estrutura não se baseia em parceria, cooperação ou valores compartilhados. Em vez disso, alguns analistas dizem que é um reconhecimento frio de que o confronto aberto se tornou muito custoso e que os interesses dos EUA — desde a gestão do domínio da China sobre os minerais de terras raras até o controle do fluxo de fentanil — exigem um diálogo transacional.

É uma tentativa de estabelecer regras para uma rivalidade entre superpotências administrada e de longo prazo, dizem esses analistas.

Essa distensão é construída sobre terreno frágil. Os pontos de tensão fundamentais no relacionamento — do futuro de Taiwan e manobras militares no Mar da China Meridional à corrida pela supremacia em inteligência artificial e computação quântica — permanecem sem solução e voláteis.

Xi Jinping e Donald Trum sorriem e olham para a mesma direção
Foto: Getty Images

Trégua entre os países

E, para uma administração que prospera na imprevisibilidade, esse novo roteiro pode estar a apenas uma provocação geopolítica, ou uma única postagem presidencial nas redes sociais, de ser completamente revertido.

“Uma trégua comercial não mudará o rumo da competição entre os EUA e a China nem aumentará a confiança entre os dois países”, disse Daniel Bahar, ex-representante comercial adjunto dos EUA que participou das negociações durante a guerra comercial do primeiro mandato de Trump com a China.

“Mas dará tempo para que cada lado continue a reduzir os riscos em relação ao outro, como a China buscando a autossuficiência no setor de semicondutores e os EUA correndo para construir cadeias de suprimentos alternativas de terras raras”, disse Bahar, agora diretor administrativo da Rock Creek Global Advisors em Washington. “Cada lado usará a trégua para estar mais bem preparado para a próxima batalha comercial.”

O que Xi mais precisa é de tempo. Com a economia chinesa enfrentando uma desaceleração persistente, essa estrutura proporciona uma janela crucial de estabilidade.

Ela suspende a guerra comercial, elimina ameaças econômicas imediatas e permite que Pequim se concentre em suas fragilidades internas.

Ao final de uma reunião de alto nível do Partido Comunista na semana passada, Pequim deixou claro o que pretende fazer com esse tempo: intensificar uma estratégia de crescimento de cinco anos focada em grandes investimentos estatais em manufatura e tecnologia.

Fundamentalmente, as concessões de Pequim esta semana são táticas, não estruturais. Qualquer acordo para comprar soja dos EUA seria um retorno ao status quo, não uma reforma fundamental.

Os compromissos refletem uma nova estratégia que Xi elaborou para o Trump 2.0, que envolve fazer concessões calculadas para apaziguar o presidente, mantendo-se firme em questões de interesse central para Pequim.

A trégua não aborda as questões centrais que iniciaram o confronto durante o primeiro mandato de Trump — os enormes subsídios estatais da China, o roubo de propriedade intelectual e a busca estatal pela dominância tecnológica.

A trégua também oferece um simbolismo valioso tanto para Xi quanto para Trump.

Para Trump, isso proporciona uma plataforma para o presidente dos EUA projetar sua imagem como um mestre negociador que dialoga com um de seus principais rivais, demonstrando que sua postura firme em relação à China trouxe Pequim de volta às negociações, tudo em seus próprios termos.

Para Xi, a perspectiva de uma visita de Estado a Washington — um prêmio que ele não desfruta desde que Obama o recebeu em 2015 — é uma ferramenta poderosa para reforçar sua imagem no cenário mundial.

Pequim, por sua vez, tem buscado uma visita de Trump. Se isso acontecer, Xi, que em setembro realizou um extravagante desfile militar em Pequim, onde foi cercado pelo presidente russo Vladimir Putin e pelo líder norte-coreano Kim Jong Un, poderá mostrar ao seu povo que até mesmo o presidente americano quer visitar a China.

Num momento de persistente incerteza econômica interna, essa demonstração de força representaria um profundo presente político. Permitiria a Xi Jinping consolidar sua imagem de estadista global, sinalizando ao público chinês e ao mundo que a China superou com sucesso a tempestade da confrontação com os Estados Unidos e forçou Washington a retornar à mesa de negociações.

Como o bitcoin costuma se comportar depois de quedas de juros nos EUA?

28 de Outubro de 2025, 12:01

Há quase 100% de chances de os juros caírem mais 0,25 ponto percentual nos EUA, segundo o FedWatch, ferramenta que mede as expectativas do mercado sobre as decisões do banco central americano. Caso o Fed confirme a expectativa nesta quarta, essa será a primeira sequência de duas quedas na “Selic” americana desde o ano passado.

O que esse novo cenário significa para o bitcoin?

Na teoria, é positivo. Na prática, depende do caso. A cripto costuma se sair bem em períodos de queda de juros por lá – mas nem sempre, porque há outros fatores importantes em jogo.

Um estudo da Vault Capital, encomendado pelo InvestNews, mostrou que nos dois últimos grandes ciclos de cortes nos EUA – de 31 de julho de 2019 a 15 de março de 2020 e de 18 de setembro de 2024 até 17 de setembro de 2025 -, o bitcoin subiu em metade das vezes três meses depois dos cortes, e caiu na outra metade. Já num prazo de seis meses, o desempenho foi melhor: alta em 75% das ocasiões e queda em 25%.

O que explica tudo isso? Vamos por partes.

Juros têm força, mas não fazem milagre

Juros menores costumam dar uma dose de ânimo nas criptos. Isso porque reduzem a atratividade da renda fixa – como os títulos públicos dos EUA, as famosas treasuries – que passam a render menos. Com isso, cresce o apetite por investimentos de maior risco, como ações e criptoativos.

Mas os juros sozinhos, na verdade, não definem nada.

Segundo Fernando Martines, head de research da Vault Capital, a liquidez também faz toda a diferença. Ele explica que, em períodos de política monetária expansionista nos EUA, como em 2020 e 2024, o governo americano adotou medidas de quantitative easing (injeção de dinheiro na economia) e reduziu os juros.

Com mais dólares circulando e a moeda enfraquecida, o apetite por risco aumentou – e isso impulsionou o preço do bitcoin.

No corte de juros de março de 2020, por exemplo, o bitcoin subiu 78,4% nos três meses seguintes e 105% em seis meses. Satoshi Nakamoto – o misterioso criador da maior criptomoeda do mercado – deve ter ficado feliz da vida.

Já em fases de quantitative tightening – o processo inverso, quando o governo retira dinheiro de circulação para conter a inflação -, como entre 2022 e 2023, o cenário foi outro. Mesmo com expectativas de cortes, a liquidez menor e o medo de risco limitaram o desempenho da cripto. Nessas fases, o bitcoin tende a subir menos ou até cair.

“Em resumo, juros mais baixos são positivos para o bitcoin quando ocorrem em um ambiente de liquidez crescente e confiança elevada, tanto institucional quanto de indivíduos. Sem esses elementos, o efeito se dilu”, disse Martines.

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O que esperar do bitcoin após esse corte?

No geral, a expectativa é positiva. Primeiro, porque o corte é praticamente dado como certo. Nesta terça-feira (28), 97,8% dos agentes do mercado apostam em um recuo de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Outro ponto otimista vem do JPMorgan, que vê possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central da nacão americana) encerrar o atual quantitative tightening, que restringe a liquidez global. Isso poderia, segundo analistas do banco, “soltar o freio de mão” da liquidez.

“Se confirmada, a combinação de corte de juros e fim (ou projeção de fim) do quantitative tightening pode criar um ambiente altamente favorável para os ativos de risco, incluindo o bitcoin”, disse a equipe de research do Mercado Bitcoin.

Além disso, há expectativa de que as tensões geopolíticas se acalmem. Na quinta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, vão se encontrar na Coreia do Sul. Espera-se o anúncio de um acordo para encerrar a guerra comercial, que causou fortes quedas nas criptos na semana do dia 10 de outubro.

“O avanço nas negociações entre EUA e China, com um acordo preliminar para reduzir tensões comerciais, também contribuiu para o otimismo”, disse Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Além dos juros e da liquidez

Claro que juros e liquidez não são os únicos fatores que mexem com o preço do bitcoin. Outros elementos também entram na conta.

Um dos principais hoje em dia é a adoção institucional, que ocorre principalmente via ETFs (fundos negociados em bolsa). “Entradas expressivas nesses fundos costumam antecipar altas, enquanto períodos de resgate ou realocação geram correções”, disse Martines, da Vault Capital.

Na semana entre 13 e 17 de outubro, os ETFs à vista de bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 1,23 bilhão, a segunda maior da história, em meio a tensões comerciais globais. Nos últimos dias, porém, esses produtos voltaram a atrair capital: só ontem, o fluxo líquido somou US$ 149,3 milhões, segundo a plataforma SoSoValue.

Outro elemento para o preço é a liquidez interna do mercado de criptomoedas, impulsionada principalmente pelas stablecoins – tokens atrelados a outros ativos, como dólar e ouro – como USDT e USDC, segundo Martines.

“O crescimento ou retração do volume de stablecoins é um bom indicador da liquidez global. Quando há expansão dessas emissões, há mais recursos disponíveis para compra de bitcoin. Quando são resgatadas, o mercado tende a encolher”, falou.

Onda de otimismo anima bolsas globais e empurra Ibovespa para novo recorde

27 de Outubro de 2025, 18:25

Um “alinhamento dos astros” nesta segunda-feira (27) sustentou o ânimo de quase todos os mercados globais – e o Brasil não ficou de fora. Com expectativas positivas rodando o cenário econômico, político e monetário, as bolsas ao redor do mundo tiveram um dia positivo e o Ibovespa, na mesma toada, renovou a sua máxima histórica.

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em um novo recorde de 146.991 pontos, com alta de 0,56%. No desempenho intradiário (dentro de uma sessão), o indicador também quebrou o recorde ao alcançar 147.976 pontos na parte da manhã.

Em linha com o enfraquecimento ante outras moedas globais, o dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,3706. No ano, a divisa acumula queda de 13,08%.

A principal força para o mercado veio da sinalização de um potencial final feliz para o embate tarifário entre os Estados Unidos e a China. No domingo (26), os principais negociadores comerciais das duas economias disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso pavimenta o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um passo concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

E outros fatores se somaram para explicar o bom humor dos investidores, como a perspectiva de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já na quarta-feira (29).

O mercado já trabalha majoritariamente com um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária, coloca essa possibilidade em 97,8%. A potencial redução alimenta o interesse dos investidores para buscar aplicações mais arriscadas, mas com maior potencial de retorno – o que traz um fluxo grande para mercados em desenvolvimento.

Aqui no Brasil, o mercado também se apoiou no clima amistoso entre Lula e Trump em encontro realizado no domingo (26). A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países. Esse foi o primeiro evento com participação dos dois governantes após o mandatário americano decidir aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, no fim de julho.

Até os dados macroeconômicos deram uma força ao desempenho positivo da bolsa no dia. O boletim Focus, que traz as estimativas de economistas para alguns indicadores, continuou mostrando mais quedas das expectativas sobre a inflação. Esse processo de “ancoragem” ou seja, de convergência das projeções para a meta estabelecida pelo Banco Central, é sempre citado pela autoridade como um dos principais fatores para o início do ciclo de cortes da Selic.

Trégua comercial entre EUA e China deixa questões essenciais indefinidas

27 de Outubro de 2025, 09:11

Os negociadores da China e dos Estados Unidos alinharam uma série de vitórias diplomáticas para Donald Trump e Xi Jinping apresentarem em uma cúpula nesta semana. Esses avanços mais fáceis agradam aos investidores, mas deixam sem solução conflitos centrais mais profundos.

O presidente americano Donald Trump disse que se sentia “realmente bem” com um pacto com a China, depois que autoridades na Malásia revelaram, neste fim de semana, uma série de acordos para amenizar as tensões comerciais.

Isso provavelmente fará com que a China retome as importações de soja de estados republicanos, enquanto os EUA recuam em sua mais recente ameaça de tarifa de 100%, em troca da garantia dos ímãs de terras raras críticos de Pequim.

Os mercados tiveram valorização com as notícias. O índice MSCI para ações globais testava máximas históricas, mas analistas alertaram que o acordo, agora preparado para ser assinado por Trump e Xi na Coreia do Sul, ignorou questões delicadas.

Disputas fundamentais sobre segurança nacional pareciam intocadas, juntamente com a missão central declarada de Trump de reequilibrar o comércio, disseram os analistas.

Acordos entre China e EUA

Para dificultar, o investimento chinês nos Estados Unidos permanece fortemente restrito.

“A colheita dos frutos torna o caminho à frente inerentemente mais difícil, porque deixa os conflitos difíceis e de alto risco para o final”, disse Sun Chenghao, pesquisador da Universidade Tsinghua, em Pequim. “O ‘grande acordo’ exige o enfrentamento de divergências profundas sobre subsídios estatais, concorrência tecnológica e segurança nacional — áreas em que os modelos fundamentais de ambos os lados entram em conflito.”

Isso significa que uma série de acordos setoriais menores, alcançados por meio de um diálogo sustentado, são mais prováveis nos próximos anos, acrescentou.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tem pressionado a China a reequilibrar sua economia e aumentar o consumo interno durante as recentes negociações comerciais.

Pequim pareceu ignorar esses apelos na semana passada, ao divulgar um documento de políticas que enfatizavam a autossuficiência industrial e tecnológica como as forças motrizes da economia chinesa até pelo menos 2030.

Os contornos do acordo com a China emergiram quando Trump iniciou sua viagem de uma semana à Ásia, firmando pactos comerciais com a Tailândia e a Malásia que abordavam terras raras, e prometiam combater o antidumping com o Camboja — todas áreas de discórdia com a China. A mobilização republicana de aliados americanos no quintal de Pequim parecia ter como objetivo construir influência antes de sua primeira reunião com Xi desde que retornou ao poder.

Mercados hoje: acerto entre China e EUA e encontro entre Lula e Trump animam investidores

27 de Outubro de 2025, 07:32

Bom Dia!
A semana abre em modo “inclinação ao risco ligado”. O fim de semana trouxe notícias para animar os investidores: sinais de entendimento entre EUA e China tiram pressão de tarifas e animam a pré-abertura lá fora. Aqui, o encontro Lula–Trump trouxe uma luz no fim do túnel das tarifas. Por outro lado… a expectativa para o encontro do Fed entre terça-feira e quarta-feira pode inspirar cautela ao longo do dia.
A seguir: giro global, os destaques do dia, pílulas e a agenda, com balanço de Neoenergia.


Enquanto Você Dormia…

  • Clima mais leve: investidores precificam avanço num acordo EUA–China e aguardam Big Techs + Fed.
  • Futuros de NY: S&P 500 +0,74% e Nasdaq +1,10% (por volta de 08h50).
  • Europa e Ásia: STOXX 600 perto de máximas históricas; Japão/Coreia/Taiwan bateram recordes com o alívio tarifário no radar.
  • Dólar DXY estável perto de 98,9; Petróleo Brent em US$ 66,4; Treasury 10 anos ao redor de 4,04%

Destaques do dia

  • EUA–China afinam um caminho para um futuro acordo:
  • Washington e Pequim indicaram um esboço para evitar novas tarifas dos EUA e adiar controles chineses a exportações (terras-raras), com encontro de líderes. Futuros saltam na esteira do noticiário.
  • E o que isso importa? Se o desarme tarifário avançar, melhora o humor em commodities e cíclicas ligadas à China (Vale, CSN e Gerdau) e tira pressão de dólar/juros globais; soja e cadeias industriais sensíveis a insumos asiáticos também entram no radar.

Giro pelo mundo

  • Big Tech na semana: Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon e Meta puxam a temporada e testam o “trade” de IA. (Triggers: pré/pós-fechamento ao longo da semana)
  • Futuros de NY sobem com expectativa de corte de 25 pb na quarta (Fed) e reunião Trump–Xi.
  • Argentina: Milei sai fortalecido nas eleições de meio de mandato, reforçando agenda pró-mercado e laços com os EUA. Partido do presidente argentino conquistou 67 de 127 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Giro pelo Brasil

  • Lula–Trump: reunião de 45 minutos em Kuala Lumpur ensaia trégua tarifária; times técnicos começam a negociar “solução rápida”. (Próximo passo: agenda de encontros entre Tesouro/Trade Reps)
  • Focus: sai entre 8h25–8h30 com novas projeções de IPCA/Selic/câmbio; baliza a curva logo cedo.

Giro Corporativo

  • Energia: Neoenergia (NEOE3) divulga 3T25 hoje; teleconferência amanhã de manhã. (Olho em alavancagem, CAPEX e fluxo de caixa)
  • Temporada local: resultados ganham tração nesta e nas próximas semanas, com blue chips na fila.

A Agenda de hoje

  • ⏰ 08:25: Relatório Focus — Banco Central do Brasil. Termômetro das expectativas para IPCA/Selic/câmbio.
  • ⏰ 12:30 (ET 10:30): Dallas Fed Manufacturing — EUA. Sinal de atividade/preços no Texas.
  • ⏰ Após o fechamento: Neoenergia (NEOE3) — 3T25. Divulgação dos números; call amanhã às 09:00 (BRT).
  • ⏰ Durante o pregão: Prévias/expectativas de balanços nos EUA; foco em Big Tech ao longo da semana.
  • ⏰ Amanhã: Início da reunião do Fed (27–29/10); decisão na quarta-feira, 14h (ET).

O sucesso inesperado de ‘Guerreiras do K-Pop’ virou o pesadelo dos pais neste Halloween

26 de Outubro de 2025, 06:00

Alana, a filha de 9 anos de Kelly Binning, queria muito se fantasiar para o Halloween como a rapper Zoey, de “Guerreiras do K-Pop”, o fenômeno global e filme de sucesso da Netflix.

Online, Binning encontrou poucas opções. Ela encomendou uma imitação chinesa na Amazon, para crianças de 12 anos, por US$ 26,79. Mas quando chegou, era tamanho infantil.

Frenética, ela vasculhou lojas de varejo até encontrar a última fantasia de Zoey disponível, bem a tempo para a primeira festa da temporada. “Nós amamos o Halloween e normalmente planejamos com muitos meses de antecedência”, disse Binning, uma professora de Pittsburgh. “No final, minha filha fica feliz, mas eu gastei o dobro do dinheiro e tive muito estresse com essa fantasia.”

Chame-as de Caçadoras de Fantasias de KPop. Em toda a América do Norte, os pais estão se esforçando para encontrar opções para vestir seus filhos como os cantores matadores de demônios do Huntr/x e seus rivais, os Saja Boys.

O que está disponível online geralmente está esgotado, é de baixa qualidade ou de fornecedores duvidosos, e os prazos de entrega anunciados podem chegar a semanas. Produtos oficialmente licenciados são caros demais para muitas famílias — a Netflix vende a jaqueta amarela característica usada pela protagonista Rumi, com voz de sereia, por US$ 89,95, e isso sem contar o custo de seu short azul com zíper, botas de combate e trança roxa até a cintura.

Alguns pais estão usando máquinas de costura e cola quente que não usam há anos. Outros estão em pânico mesmo.

“Estou realmente fora do meu elemento aqui, especialmente em termos de tecidos”, disse Kayla Hu, microbiologista de London, Ontário, que passou grande parte de sua licença-maternidade criando botões dourados de argila e adicionando estrutura às ombreiras da fantasia de sua filha. “A cola não gruda. Estou fazendo papel machê há semanas.”

Quando a Netflix assinou um acordo em 2021 para transmitir todos os filmes da Sony nos EUA após seus lançamentos nos cinemas e financiar uma série de títulos diretamente para streaming, “KPop Demon Hunters” foi uma ideia secundária.

Sucesso da Netflix

O CEO da Netflix, Dan Lin, disse que acreditava que seria um sucesso de nicho, popular principalmente entre fãs de anime e amantes do gênero musical coreano conhecido como K-pop. Em vez disso, tornou-se o filme mais popular de todos os tempos na Netflix após seu lançamento em junho e, em seguida, liderou as bilheterias ao chegar aos cinemas em agosto.

A popularidade surpreendeu a Netflix, que teve que se esforçar para criar uma seleção mínima de produtos de consumo, incluindo fantasias de Halloween, em apenas alguns meses.

A loja online oficial da Netflix rapidamente começou a oferecer trajes “KPop” limitados, mas principalmente a preços premium. Fantasias apenas para as protagonistas femininas chegaram às prateleiras da loja Spirit Halloween no final de setembro.

Em uma sexta-feira recente, na Spirit em Glendale, Califórnia, as prateleiras estavam lotadas de fantasias de bruxas, fantasmas e vampiros, além de fantasias de “Minecraft”, “Homem-Aranha” e até mesmo de “Round 4”, da Netflix. A seção “KPop” estava vazia, exceto por algumas tranças roxas de Rumi e um chapéu bucket da Huntr/x.

Meninas usam fantasia de KPop, o filme sucesso da Netflix
Foto: The Wall Street Journal

“Tivemos duas remessas até agora e tudo foi vendido no mesmo dia”, disse um balconista. “Tenho dito aos pais para procurarem na Amazon.”

Como acontece com a maioria dos grandes filmes infantis, o dono da propriedade intelectual assina centenas de contratos de licenciamento com bastante antecedência com fabricantes de brinquedos, empresas de alimentos embalados, redes de fast-food, fabricantes de roupas e, sim, fabricantes de fantasias de Halloween.

Isso não aconteceu com Kpop. A equipe de produtos de consumo da Netflix apresentou o filme em feiras de licenciamento mais de um ano antes de seu lançamento, mas as empresas de vestuário não estavam ansiosas para investir em uma franquia de animação original e não testada, disse Marian Lee, diretora de marketing da Netflix.

“Quando lançamos um filme novo como este, sempre que é novinho em folha, é preciso um pouco mais de esforço para deixar os varejistas animados”, disse Lee.

Depois que o filme estourou e a Netflix correu para tentar recuperar o atraso, as pessoas recorreram ao grupo de mães de Lee no Facebook para reclamar que era impossível encontrar fantasias e produtos. “Recebi muitos comentários do tipo: ‘Alguém no marketing da Netflix realmente estragou tudo!’”, disse Lee.

Quem fabrica as fantasias

Fantasias de Halloween tendem a exigir costuras elaboradas e uma variedade de materiais, então a capacidade costuma ser reservada com até dois anos de antecedência.

A expansão para um sucesso como “KPop” leva mais tempo. Mas o que a Netflix lançou foi vendido imediatamente.

“A Netflix precisa escolher suas apostas, e este é um negócio instável”, disse Allen Adamson, cofundador da empresa de marketing Metaforce. Adamson trabalhou para a Sony, mas não trabalhou neste título. “É realmente doloroso quando você finalmente captura um raio na garrafa, mas não consegue aproveitá-lo totalmente.”

Janice Gomez e o marido são artistas de Los Angeles e começaram a criar bastões de luz Huntr/x com plexiglass e tubos de PVC, usando moldes cortados a laser com a ajuda de um amigo.

Eles venderam dezenas de bastões, que apresentam o logotipo da Huntr/x, por US$ 25 a US$ 40 cada.
“Na escola, há pais que dizem: ‘Avisem-nos quando vocês puderem fazer mais’”, disse Gomez.

Candace Birger começou a projetar versões impressas em 3D da arma brilhante conhecida como gok-do, um armamento coreano que lembra uma machadinha medieval com uma lâmina em forma de lua, inspirado naquele que a cantora Mira, do Huntr/x, usa para matar demônios. Cada um custava US$ 750.

Birger, dona da Plexi Cosplay, uma empresa de design de adereços em Maryland, teve que remover o anúncio após o aumento da demanda. “Fiquei impressionado com a rapidez com que os pedidos chegaram”, disse Birger.

Indústria da barriga de aluguel nos EUA tem muito dinheiro, mas pouca regulamentação

25 de Outubro de 2025, 06:00

AnnaMaria Gallozzi e o marido queriam ter o segundo filho no ano passado. Como Gallozzi tem câncer de mama avançado, o casal procurou uma barriga de aluguel que pudesse gerar o bebê.

Eles usaram um financiamento coletivo e fizeram outra hipoteca da casa para juntar US$ 100.000 para pagar o procedimento, reservando US$ 55.000 no que acreditavam ser uma conta caução segura. Então, começaram o delicado processo de transferência de um embrião para a mulher que, com sorte, geraria e daria à luz o bebê.

Dois meses depois, antes que o procedimento fosse bem-sucedido, o dinheiro desapareceu.
“Meu coração quase parou”, disse Gallozzi, que mora em Austin, Texas, sobre o momento em que soube que a conta havia sido esvaziada. Suas esperanças de aumentar a família pareceram desaparecer com o dinheiro.

Assim como milhares de outros casais americanos que navegaram pelo processo complexo e desregulamentado da barriga de aluguel, Gallozzi e o marido colocaram esses fundos em custódia. Eles usaram uma empresa especializada em um componente obscuro, mas vital do negócio: administrar as grandes somas de dinheiro dos pais para pagar as barrigas de aluguel.

No caso de Gallozzi, ela e o marido contraram a Surrogacy Escrow Account Management (SEAM), uma das poucas empresas que surgiram para cumprir essa função administrativa no crescente negócio da barriga de aluguel, facilitando as despesas médicas e taxas pagas durante o processo.

Mas, em vez de pagar essas contas, a dona da SEAM usou o dinheiro — até US$ 16 milhões — para financiar um estúdio de gravação, a carreira no rap e uma marca vegana de roupas de luxo. As alegações estão em uma ação civil movida por vários pais contra Dominique Side, dona da SEAM, e a empresa.

A crise deixou Gallozzi e centenas de famílias nos EUA, e as barrigas de aluguel que elas contrataram, em um limbo financeiro em um dos momentos mais vulneráveis ​​de suas vidas.

A SEAM não foi um caso isolado no setor de barrigas de aluguel. Empresas de custódia, utilizadas na maioria das barrigas de aluguel, conseguem lidar com milhões de dólares de clientes com pouca supervisão, de acordo com uma análise do The Wall Street Journal de autos e entrevistas com pais e barrigas de aluguel.

Em um caso no início deste ano, a proprietária de uma empresa de barrigas de aluguel se declarou culpada de fraude eletrônica depois que promotores disseram que ela usou o dinheiro da custódia de clientes para financiar um negócio de ioga e câmara de flutuação, além de outras despesas pessoais.

Um funcionário de outra empresa roubou US$ 2,7 milhões para alimentar o vício em jogos de azar online. Outro usou os fundos dos pais para comprar bitcoin.

Falta de regulamentação para barrigas de aluguel

A falta de regulamentação significa que pais e barrigas de aluguel frequentemente têm poucos recursos legais e poucas esperanças de recuperar os fundos perdidos.

Barrigas de aluguel já grávidas precisam continuar com o trabalho de parto pelo qual sabem que podem não ser pagas, além de potencialmente arcar com contas médicas que podem não ter condições de pagar.

Os pais enfrentam a perspectiva de litígios complicados com barrigas de aluguel não remuneradas. Um casal cujos fundos para barrigas de aluguel desapareceram devido a fraude antes que eles conseguissem transferir um embrião com sucesso disse que perdeu a esperança de engravidar.

“Lidar com o dinheiro de outras pessoas é algo regulamentado”, disse Andrew Bluebond, advogado no Texas que ajudou Gallozzi a investigar o que aconteceu na SEAM.

“Em vez de usar as salvaguardas que outros setores usam, eles deixaram que sua confiança os traísse”, disse ele.

O Departamento de Justiça está investigando a SEAM, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. E o FBI publicou um questionário online buscando informações de potenciais vítimas da empresa. Clientes da SEAM entraram com duas ações civis contra a empresa e a Side.

Um advogado da Side não respondeu aos pedidos de comentário.

Gallozzi com o filho: empresas de custódia, utilizadas na maioria das barrigas de aluguel nos EUA, podem lidar com o dinheiro de clientes sem supervisão – Foto: The Wall Street Journal

Poucas regulamentações

A barriga de aluguel explodiu e se tornou uma indústria multibilionária nos EUA, impulsionada pelo aumento das taxas de infertilidade, pela expansão da cobertura de seguros, pelo crescente número de famílias LGBTQIA+ e pelo influxo de casais de países onde a prática é ilegal, incluindo a China.

Na semana passada, o presidente Trump anunciou um acordo com o objetivo de reduzir o preço dos medicamentos usados ​​na fertilização in vitro.

Em 2023, ocorreram cerca de 10.850 transferências de embriões para barrigas de aluguel nos EUA, envolvendo clínicas que se reportam à Sociedade de Tecnologia de Reprodução Assistida (SRO), que afirma representar clínicas que realizam cerca de 95% de todos os procedimentos.

Esse número foi superior aos 8.461 registrados em 2021. Os dados do grupo e outras análises preveem uma taxa de crescimento anual de cerca de 15% nos próximos anos. Cerca de metade dessas transferências de embriões resultou em partos bem-sucedidos.

Apesar do crescimento, não há leis federais que regulem os aspectos financeiros ou outros da gestação por substituição, e a prática está sujeita a uma série de regulamentações estaduais.

Na Louisiana, por exemplo, a remuneração de barrigas de aluguel é totalmente proibida. Em alguns outros estados, os contratos que frequentemente acompanham os acordos de barriga de aluguel são legalmente inexequíveis.

Quanto custa a barriga de aluguel nos EUA

O custo de um parto por substituição — incluindo taxas para as agências que os organizam, pagamentos às barrigas de aluguel e contas médicas — frequentemente ultrapassa US$ 150.000, de acordo com Eran Amir, fundador da plataforma online de mercado de fertilidade GoStork.

Nas empresas mais caras, o custo pode chegar a US$ 500.000, incluindo serviços de concierge, como um assistente executivo para ajudar a gerenciar o processo.

As próprias barrigas de aluguel podem receber mais de US$ 100.000 por levar uma gravidez adiante, mas a maioria das barrigas de aluguel pela primeira vez recebe cerca de US$ 50.000.

Elas também recebem fundos adicionais para cobrir despesas médicas e itens como roupas de maternidade, seguro e indenização por perda de salários.

Após a assinatura do contrato com a barriga de aluguel, os pais normalmente entregam dinheiro para cobrir os custos da transferência do embrião, gravidez e parto, e outras despesas, a um agente de custódia.

O agente, por sua vez, protege os fundos e os distribui para pagar despesas e indenizações conforme elas surgem. Empresas de custódia que trabalham com múltiplas barrigas de aluguel podem acumular milhões de dólares simultaneamente.

Algumas agências de barriga de aluguel oferecem seus próprios serviços de custódia, enquanto outras recomendam serviços terceirizados, como a SEAM.

Pais que conversaram com o WSJ disseram que presumiam que os serviços de custódia funcionavam como bancos e eram isentos de riscos. No caso da SEAM, o site da empresa descreveu a oferta de contas bancárias, com auditorias mensais.

As contas de custódia visam ser acordos seguros e estáveis ​​com terceiros para mediar pagamentos entre duas partes.

Em muitas transações, como a compra de uma casa, o pagamento de uma custódia é relativamente simples e envolve alguns desembolsos grandes que ocorrem rapidamente, com termos definidos em contratos imobiliários padronizados. Escritórios de advocacia e corretores imobiliários costumam lidar com esses pagamentos de custódia.

Na barriga de aluguel, o processo de custódia é mais complexo. Os provedores de custódia garantem que cada pagamento esteja em conformidade com os termos do contrato, desembolsando dinheiro para clínicas de fertilização in vitro, a barriga de aluguel, seguradoras e hospitais por nove meses ou mais. Embora os detentores de custódia tenham uma responsabilidade fiduciária para com seus clientes, os negócios de nicho não são regulamentados.

Em vários casos, incluindo o da SEAM, as empresas de custódia de barriga de aluguel misturaram os fundos dos clientes ou os misturaram com as contas operacionais do próprio negócio, de acordo com registros bancários citados em processos judiciais.

Isso foi um choque para Roman Belyayev, corretor imobiliário cuja esposa, Marina Vasilyeva, estava grávida de um casal francês cujo dinheiro que estava na SEAM desapareceu. “Uma das primeiras coisas que se aprende como corretor imobiliário é não misturar fundos”, disse Belyayev.

No mês passado, a Ethics in Egg Donation and Surrogacy (Sociedade para Ética em Doação de Óvulos e Barriga de Aluguel), uma organização sem fins lucrativos que funciona como uma espécie de grupo de melhores práticas do setor em vez de regulamentação, aprovou novas diretrizes para contas de custódia, embora elas não tenham força vinculativa.

As sugestões recomendam que os provedores de contas de custódia tenham credenciais relevantes, estejam sujeitos a auditorias por contadores certificados e tenham mais de US$ 10 milhões em cobertura de títulos.

Dinheiro desviado

Uma série de casos nos últimos meses destaca a natureza selvagem do setor.

Em maio, a proprietária de uma agência de barriga de aluguel, Lillian Markowitz, foi condenada a dois anos de prisão após se declarar culpada de fraude.

Os promotores disseram que ela desviou mais de US$ 150.000 de clientes entre 2019 e 2021 para cobrir outras despesas comerciais e pessoais, incluindo para seu negócio paralelo, um estúdio de ioga com câmaras de flutuação.

Em agosto, Darryl Kauffman foi condenado a três anos de prisão após se declarar culpado de seis acusações de fraude eletrônica decorrentes de seu negócio de custódia de barriga de aluguel. Os promotores o acusaram de roubar dinheiro de clientes para suas despesas comerciais e pessoais, incluindo para comprar bitcoin.

No mês passado, Destiny Combs foi condenada a mais de quatro anos de prisão após se declarar culpada de fraude eletrônica. Os promotores disseram que ela desviou US$ 2,7 milhões da IARC Surrogacy, uma agência de barriga de aluguel com sede em Minnesota, e de um escritório de advocacia relacionado, onde trabalhava como gerente de contabilidade. Combs usou os fundos para pagar suas dívidas de jogos de azar online.

Steven Snyder, que era dono da IARC na época do roubo, disse que “todos foram 100% ressarcidos” por meio de uma fiança de roubo de funcionário e US$ 1,6 milhão de seus próprios bens.

Em agosto, um casal entrou com uma ação civil em Los Angeles contra o International Reproductive Law Group, com sede em West Hollywood, alegando má conduta financeira após perder o acesso a cerca de US$ 61.000 em fundos de custódia. O casal foi informado em maio que o proprietário Eliseo Arebalos desenvolveu sérios problemas de saúde que afetaram as operações da empresa.

O casal passou semanas tentando, sem sucesso, reaver o saldo antes de perceber, em agosto, que o marido de Arebalos havia postado fotos do casal viajando para Puerto Vallarta no Instagram. O processo alega que Arebalos desviou os fundos para benefício próprio.

Vários clientes da IRLG não conseguem acessar cerca de US$ 380.000 entre eles, de acordo com um dos casais que mantinham custódia no escritório.

Arebalos negou que quaisquer fundos de custódia de clientes tenham sido usados ​​na viagem. Ele afirmou que não era verdade que o dinheiro mantido em custódia no IRLG tivesse sido desviado e que o escritório responderia ao processo em breve.

“A chefona”

Side, descrita no site da SEAM como “a chefona”, disse que ela própria era barriga de aluguel antes de comprar a empresa em 2015.

As contas de Side nas redes sociais a descreviam como uma “empreendedora em série” e promoviam seu envolvimento em um estúdio de produção musical e de vídeo, uma empresa de mídia chamada “The Luxury Vegan” e uma carreira paralela na música como um rapper obsceno chamado Dom.

O site da SEAM dizia que, quando Side não estava trabalhando, ela podia ser encontrada “viajando pelo mundo ou relaxando em um spa, de preferência ao mesmo tempo”.

A empresa cresceu ao longo dos anos e se tornou uma das maiores do setor de barriga de aluguel dos EUA, com mais de 1.000 clientes e seis funcionários.

Side foi tratada como uma empreendedora líder no ramo: em maio de 2024, ela participou de um painel intitulado “Challenges in Escrow Management: Nightmare Cases” (algo como “Desafios na Gestão de Custódia: Casos de Pesadelo”).

Nos bastidores, no entanto, ela parecia estar com sérios problemas financeiros, de acordo com documentos legais, correspondências e mensagens de texto analisados ​​pelo WSJ.

Em 2022, um tribunal do condado de Harris decidiu que a SEAM devia US$ 15.000 em impostos prediais não pagos. Em março de 2024, um advogado de Nova York que representava uma agência de cobrança contatou uma família que trabalhava com a SEAM, alegando que Side devia US$ 69.500 a um credor com juros altos e estava tentando recuperá-los. A carta explicava que o credor acreditava que a família devia dinheiro à SEAM ou retinha o dinheiro, quando na verdade era o contrário.

Em uma mensagem de texto em abril, posteriormente compartilhada nas redes sociais pelo destinatário, Side reclamou que estava enfrentando uma crise financeira. “O que eu precisaria para ficar completamente cheia de SEAM (para me livrar de problemas para sempre) são US$ 15 milhões”, escreveu ela a um funcionário que a estava ajudando a conseguir mais empréstimos com juros altos, alguns com taxas anualizadas próximas a 200%.

Em maio, a SEAM começou a atrasar o pagamento de faturas de coisas como contas médicas de substitutos e indenizações por repouso na cama que os impediam de trabalhar, de acordo com alguns substitutos. Os credores com juros altos dos quais Side havia tomado empréstimos começaram a entrar com ações judiciais contra a Side e a SEAM por atrasos nos pagamentos de quase US$ 1,2 milhão em dívidas.

No início de junho, os clientes receberam um e-mail da SEAM pedindo desculpas pelos atrasos e informando que uma conta que a empresa estava usando no banco Capital One havia sido congelada por “cobranças fraudulentas de ACH”. Pais e mães de aluguel em pânico criaram um grupo no Facebook para compartilhar informações. AnaMaria Gallozzi tornou-se administradora do grupo.

Algumas semanas depois, Dominique Side começou a responder às famílias que perguntavam sobre suas contas com um e-mail dizendo: “Minha empresa e eu fomos notificados de que estamos sob investigação por autoridades federais. Sob orientação jurídica, não estou autorizada a responder a quaisquer perguntas relacionadas à investigação.”

“Comecei a tremer”

No Colorado, Kelly O’Dell estava na festa de 75 anos da sogra quando leu o e-mail mencionando a investigação em seu celular.

“A adrenalina subiu e comecei a tremer”, disse O’Dell, de 37 anos. Ela se refugiou em um quarto de hóspedes, longe da família, desabou na cama e teve um ataque de pânico.

Sua barriga de aluguel estava grávida de 22 semanas e esperava mais cinco meses de pensão, para a qual O’Dell e o marido haviam reservado US$ 47.000 na SEAM. “Eu sabia que tinha acabado. E não tínhamos outros US$ 50.000 guardados em algum lugar quando já pagamos essa quantia enorme para ter essa criança”, disse ela.

Gallozzi compartilhou uma planilha para que os membros do grupo do Facebook relatassem quanto haviam investido nas contas da SEAM. O’Dell, Gallozzi e outros pais assistiram horrorizados enquanto a conta se aproximava de US$ 16 milhões em apenas quatro dias, disse Gallozzi.

Na Pensilvânia, Vasilyeva, a barriga de aluguel, estava preocupada. Ela estava grávida de um filho do casal francês e os pagamentos haviam parado. Ela temia que seu contrato internacional deixasse poucos recursos caso os pais decidissem não pagar — ou mesmo não buscar a criança após o nascimento.

Ela e o marido se solidarizaram com os futuros pais, que estavam lidando com a perda repentina de dezenas de milhares de dólares. Mas também queriam segurança e a garantia de que seriam compensados ​​por meses de trabalho de parto difícil e não teriam que se endividar enquanto isso para cobrir despesas médicas.

“Esta é uma jornada emocional, um tanto espiritual, mas também envolve uma montanha de dinheiro”, disse Belyayev, seu marido. “É muito difícil separar os dois e ter uma discussão sem que isso afete o outro lado da discussão.”

O’Dell e outros pais iniciaram negociações delicadas com suas barrigas de aluguel sobre o que fazer agora que não tinham mais acesso aos fundos.

Melissa Brisman, advogada de Vasilyeva e outros clientes da SEAM, disse que ela e outros advogados especializados em barrigas de aluguel trabalharam horas pro bono, ajudando clientes a alterar os termos de seus contratos. “Foi uma bagunça”, disse Brisman.

Mas ela se sentiu pior pelas famílias que ainda não tinham uma barriga de aluguel grávida. “Qualquer coisa que envolva apenas dinheiro pode ser resolvida”, disse ela.

Festa em um iate

No grupo do SEAM no Facebook, pais frustrados começaram a analisar as contas de Side nas redes sociais. Eles viram o que consideraram demonstrações ostensivas de riqueza, incluindo viagens a Londres, França e República Dominicana, e cenas de Side festejando em um iate no Caribe.

Outros projetos de Side também causaram impacto: um vídeo no Instagram mostrava Side jogando notas falsas em uma dançarina seminua em uma sala com iluminação escura.

Cerca de três dúzias de famílias entraram com um processo contra a SEAM no tribunal estadual do Texas em 2024, alegando quebras de contrato e fraude, e buscando recuperar os mais de US$ 1,7 milhão que tinham depositados na SEAM.

O processo começou a juntar as peças do que supostamente aconteceu, alegando que Side transferiu US$ 4,9 milhões das contas da SEAM para um estúdio de gravação que ela cofundou.

Mais de US$ 1 milhão teria sido usado para comprar imóveis em Houston e Nova Orleans. Outros US$ 275.000 foram para a linha de moda vegana Nikki Green, da qual ela cofundou; seu site oferecia itens como um cinto de couro vegano de US$ 600.

Side nunca compareceu ao tribunal. Em julho, um juiz de Houston decidiu que ela devia a algumas das famílias um total de mais de US$ 1 milhão em indenização.

A investigação criminal contra Side está em andamento e ela não foi indiciada.

Alguns pais que perderam dinheiro disseram que ficaram indignados ao vê-la de volta às redes sociais neste verão, ministrando aulas de culinária vegana para crianças em um acampamento de verão em Nova Orleans.

“Ela está vivendo a vida como se nada tivesse acontecido, e isso é irritante”, disse Gallozzi.

Hipotecas e empréstimos

O’Dell e o marido venderam parte de seus investimentos em aposentadoria para continuar pagando a barriga de aluguel, Maranda Jensen, que deu à luz ao filho em outubro de 2024.

Fora de St. Louis, Amy e Tyler Holdener recorreram à barriga de aluguel após darem à luz há alguns anos, o que quase matou Amy e a deixou incapaz de ter mais filhos.

Uma primeira tentativa com uma barriga de aluguel resultou em um aborto espontâneo. Tyler, que trabalha com finanças em uma empresa de tecnologia, presumiu que a conta caução da SEAM era um lugar seguro para guardar cerca de US$ 32.000 antes de tentarem novamente. Depois que o dinheiro foi perdido, eles não tinham “nada para mostrar”, disse Amy. “Foi devastador.”

Ouviram falar de outras famílias que estavam fazendo segundas hipotecas ou tomando empréstimos com garantia de aposentadoria para continuar financiando barrigas de aluguel. Disseram que não tinham justificativa para assumir esse risco, então desistiram da ideia de ter outro filho por enquanto.

Para Gallozzi, o fracasso da SEAM deixou um enorme rombo nas contas bancárias de sua família. A barriga de aluguel com quem ela havia contratado inicialmente, exausta pelo desastre da SEAM, sentiu que não podia mais assumir o risco envolvido.

Mas Gallozzi tornou-se amiga íntima de outra barriga de aluguel da SEAM, Haley Rexroat, por meio do grupo do Facebook. Rexroat estava grávida de outro casal quando soube das perdas da SEAM e deu à luz em dezembro.

Ela concordou em ser a próxima a carregar o filho de Gallozzi.

Gallozzi e o marido criaram uma “vaquinha” na plataforma GoFundMe para repor os US$ 49.000 que perderam na SEAM para pagar Rexroat e os procedimentos. Eles arrecadaram cerca de US$ 16.000, fizeram empréstimos e cortaram gastos em outras áreas para se manterem à tona.

Uma transferência de embrião para a Rexroat terminou em aborto espontâneo no mês passado, a um custo de US$ 13.000. Gallozzi tem um último embrião. Dada a pressão financeira e emocional, ela não tem certeza se algum dia o transferirá para uma barriga de aluguel. “O estresse que isso nos causou foi tremendo”, disse ela. “Vale a pena?”

EUA já gastaram mais de US$ 1 bilhão para segurar o peso argentino e viabilizar Milei

24 de Outubro de 2025, 19:21

Os Estados Unidos gastaram uma quantia bem superior a US$ 1 bilhão neste mês adquirindo pesos argentinos, de acordo com estimativas de mercado, à medida que o esforço de apoio do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, se intensificou antes da votação de meio de mandato em 26 de outubro.

O número ainda não foi confirmado, mas um operador que pediu para não ser identificado estimou o valor em US$ 1,4 bilhão, enquanto uma consultoria local informou a clientes que o valor estava mais próximo de US$ 1,7 bilhão. O Departamento do Tesouro dos EUA, o Ministério da Economia e o Banco Central da Argentina ainda não divulgaram números oficiais. Porta-vozes do Tesouro não responderam a um pedido de comentário.

O presidente argentino Javier Milei e Bessent buscaram evitar uma corrida pré-eleitoral contra a moeda. O peso argentino, que o governo permite que seja negociado livremente dentro de uma faixa específica, já se desvalorizou 21% nos últimos quatro meses. Ele foi negociado no limite mais fraco da faixa por vários dias, levando o banco central a intervir pela primeira vez em cerca de um mês. 

“Foi um passo importante para evitar uma deterioração mais profunda nas avaliações dos ativos argentinos”, disse Fernando Losada, economista da Oppenheimer. “Ainda assim, o fato de a taxa de câmbio ter sido negociada perto do topo da banda — apesar dos anúncios de Bessent e das compras de pesos pelo Tesouro dos EUA — sugere que, mesmo com o Tesouro no mercado, os investidores continuam cautelosos com o risco político em torno das eleições.”

O Tesouro dos EUA vendeu sua maior quantidade de dólares em 22 de outubro, quando o peso encerrou uma sequência de cinco dias de perdas. O JPMorgan Chase e o Citigroup foram os dois principais negociadores de dólares em nome do Tesouro naquele dia, com operadores estimando vendas entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões.

O banco central da Argentina relatou vendas adicionais de dólares de US$ 45,5 milhões em 21 de outubro, no final da sessão.

O governo enfrenta eleições de meio de mandato cruciais neste domingo, que avaliarão o apoio público e determinarão quanto espaço ele tem para levar adiante as reformas que diz serem necessárias.

Bessent também organizou uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para a Argentina neste mês para fornecer mais acesso a dólares, um acordo que ele descreveu como uma “ponte para um futuro econômico melhor” para o país sul-americano.

Os EUA estão tentando levantar um muro entre a Argentina e a China

23 de Outubro de 2025, 06:00

O governo Trump está pressionando as autoridades argentinas a limitar a influência da China sobre o país , que vem enfrentando dificuldades.

Ao mesmo tempo, bancos americanos e até Wall Street trabalham em uma linha de resgate de US$ 40 bilhões para a Argentina.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, conversou nas últimas semanas com Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, sobre restringir o acesso da China aos recursos do país, incluindo minerais críticos – como o lítio, o elemento essencial para as baterias de carros elétricos e celulares.

Além disso, eles discutiram a possibilidade de conceder aos EUA maior acesso ao suprimento de urânio da Argentina, de acordo com pessoas com conhecimento sobre as negociações.

As autoridades do governo dos EUA estão tentando conter a influência de Pequim, incentivando os líderes argentinos a fechar acordos com empresas americanas para impulsionar projetos de infraestrutura e investimentos em setores-chave, como telecomunicações.

China e Argentina

A China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina, depois do Brasil, e o principal comprador de suas exportações agrícolas.

“Estabilizar a Argentina é ‘América em Primeiro Lugar’”, disse um porta-voz do Departamento do Tesouro. “Uma Argentina forte e estável ajuda a ancorar um Hemisfério Ocidental próspero, o que é explicitamente do interesse estratégico dos Estados Unidos.”

O porta-voz do Ministério da Fazenda da Argentina não quis comentar. Um porta-voz do presidente argentino, Javier Milei, não respondeu aos pedidos de comentário.

As conversas ocorrem em um momento em que a Argentina recorre cada vez mais aos EUA em busca de ajuda.

O governo de Milei enfrenta obstáculos significativos à sua ambiciosa agenda de reforma econômica e luta contra a inflação galopante.

Após cortar gastos públicos e tomar medidas impopulares para reduzir o déficit orçamentário, o governo Milei agora enfrenta pagamentos crescentes de dívidas no próximo ano e cofres públicos vazios.

As reservas cambiais também estão diminuindo, à medida que os argentinos correm para a segurança do dólar para se proteger contra os riscos de turbulência econômica antes das eleições de meio de mandato de domingo.

Milei construiu laços estreitos com o presidente Trump, que buscou impulsionar a posição política do partido de Milei.

A Argentina iniciou negociações com os EUA após o partido de Milei sofrer um revés nas eleições provinciais de setembro, causando a desvalorização do peso e sinalizando o enfraquecimento do apoio público às reformas pró-mercado de Milei.

Semanas após a eleição, Caputo voou para Washington para se encontrar com Bessent e discutir opções de assistência financeira.

US$ 40 bilhões para a Argentina

Desde então, os dois lados concordaram com um swap cambial de US$ 20 bilhões com o Departamento do Tesouro e uma linha de crédito separada de US$ 20 bilhões liderada por bancos, que ainda não foi estruturada com ativos ou garantias para que os bancos recebam o dinheiro de volta.

Um ponto central das discussões entre Caputo e Bessent tem sido encorajar a Argentina a reprimir a crescente presença da China no país de Milei, disseram as fontes.

Se a China fosse expulsa da Argentina, isso daria aos EUA uma vantagem em meio às crescentes tensões comerciais entre Pequim e Washington.

A China impôs recentemente restrições à exportação de minerais de terras raras, vitais para a indústria eletrônica de consumo e de tecnologia. Trump então ameaçou impor tarifas adicionais de 100% à China a partir de 1º de novembro. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, devem se reunir ainda este mês na Coreia do Sul.

O governo Trump fez da contenção da influência da China na América Latina uma prioridade de segurança nacional e pressionou outros países da região a romperem laços com Pequim.

A China está “atacando os interesses dos EUA de todas as direções” na América Latina, disse o chefe do Comando Sul dos EUA, Almirante Alvin Holsey, ao Congresso em fevereiro.

Desde que Bessent anunciou um acordo com a Argentina no início deste mês, Trump e sua equipe deixaram claro a Milei que esperam que ele limite as relações com a China.

“Você pode até fazer algum comércio, mas certamente não deveria ir além disso. E definitivamente não deveria fazer nada relacionado aos militares com a China. Se isso estiver acontecendo, eu ficaria muito irritado”, disse Trump a Milei, durante uma reunião na Casa Branca na semana passada. Em seguida, virando-se para Bessent, ele perguntou: “Você entende isso, Scott, certo? Você entende mesmo?”.

Javier Milei está em uma mesa com outros políticos da Argentina
Foto: Getty Images

Empresas americanas

Funcionários do Tesouro disseram a altos funcionários na Argentina que querem ver as empresas americanas como a principal fonte para o setor de telecomunicações e internet da Argentina, em vez de empresas vinculadas à China, disseram as pessoas.

A China tem uma presença significativa nos mercados de telecomunicações e internet da Argentina.

A gigante local de telecomunicações Telecom Argentina concordou recentemente em receber um empréstimo de US$ 74 milhões do Banco da China. A Huawei, empresa chinesa de tecnologia impedida de realizar negócios nos EUA, também opera uma rede móvel 5G na Argentina.

A China está financiando a construção de uma usina nuclear que operará com tecnologia chinesa. A China, que tem investimentos significativos em projetos de mineração no país sul-americano, busca expandir suas fontes de urânio em meio à crescente demanda por eletricidade.

Segundo a Constituição argentina, as províncias têm minerais, além de petróleo e gás. Isso limita qualquer compromisso do governo de Milei com o governo Trump, a menos que também seja apoiado por governadores provinciais que atuam como barões políticos regionais, dizem analistas.

Em uma entrevista recente à Fox News, Bessent disse que Milei está “comprometido em tirar a China da Argentina”. Bessent escreveu posteriormente nas redes sociais: “Não queremos outro Estado fracassado ou liderado pela China na América Latina”.

A embaixada da China na Argentina criticou os comentários de Bessent. A China classificou as declarações de Bessent como um retrocesso à mentalidade da Guerra Fria que mina a independência latino-americana.

Argentina não vai cortar laços com a China

A Argentina, porém, não parece ansiosa para expulsar a China. Em uma entrevista recente à televisão, Milei negou que seu governo cortaria laços com a China.

Ele disse que o governo Trump não lhe pediu para fazer isso.

“Não, isso não é verdade”, disse Milei em resposta a uma pergunta sobre o abandono das relações da Argentina com a China.

Milei observou que Caputo e o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, se encontraram com autoridades chinesas nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

Fotos: Getty Images

Petróleo dispara após anúncio sobre possíveis novas sanções à Rússia

22 de Outubro de 2025, 19:02
Extração de petróleo com várias maquinas em um céu cheio de nuvens
Foto: Getty Images

Os preços do petróleo ampliaram os ganhos após o fechamento desta quarta-feira (22), subindo mais de US$ 2 por barril, depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o país anunciaria mais sanções contra a Rússia.

Os contratos futuros do petróleo Brent saltaram US$2,44, ou 3,98%, para US$63,76, após o fechamento, e os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA (WTI) subiram US$2,42, ou 4,23%, para US$59,66.

Os futuros do Brent haviam fechado com alta de US$1,27, ou 2,07%, a US$62,59 por barril, enquanto os futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA subiram US$1,26, ou 2,20%, para US$58,50.

Bessent disse que as sanções dos EUA seriam anunciadas nesta quarta ou quinta-feira.

“Vamos anunciar após o fechamento desta tarde ou logo pela manhã de amanhã um aumento substancial nas sanções à Rússia”, disse Bessent a repórteres na Casa Branca nesta quarta-feira.

Os preços do petróleo também foram sustentados pela crescente demanda de energia dos EUA.

Os estoques de petróleo, gasolina e destilados dos EUA caíram na semana passada, com o fortalecimento da atividade de refino e da demanda, informou a Administração de Informações sobre Energia nesta quarta-feira.

Exportações diárias de US$ 1 bilhão mostram poder da China sobre EUA

22 de Outubro de 2025, 17:02

Seis meses após o início da guerra comercial do presidente dos EUA Donald Trump, a resiliência das exportações chinesas prova o quanto muitos de seus produtos continuam essenciais.

Todos os dias, cerca de US$ 1 bilhão em mercadorias atravessam o Pacífico, da China para os EUA.

Apesar das quedas de dois dígitos no valor do comércio geral durante o último semestre, alguns produtos tiveram um aumento em relação a 2024, o que desafia as tensões comerciais entre Pequim e Washington.

O resultado é que as tarifas dos EUA parecem um tanto limitadas em sua capacidade de controlar o que as empresas americanas importam.

A influência da China em setores como terras raras e produtos eletrônicos torna seus itens difíceis de serem substituídos. Pelo menos no curto prazo.

Isso pode mudar com o tempo, especialmente se Trump elevar ainda mais as tarifas, como o líder republicano tem ameaçado fazer.

“A forte posição da China nas cadeias globais de suprimento lhe dá algum poder de negociação com os importadores dos EUA no curto prazo”, escreveram os economistas da Bloomberg, Chang Shu e David Qu, que alertaram que outros países não podem substituir rapidamente a China como fornecedora dos EUA. “O realinhamento da produção levará tempo”, acrescentaram.

Poder de barganha da China

Tudo isso garante mais poder de barganha ao presidente Xi Jinping, à medida que seus negociadores comerciais querem estender uma trégua tarifária de 90 dias, que expira em novembro.

No terceiro trimestre, mais de US$ 100 bilhões em produtos chineses chegaram aos EUA, o que ajudou Pequim a manter o crescimento econômico no caminho certo para a meta anual e elevou o superávit comercial bilateral para US$ 67 bilhões.

Na terça-feira (21), Trump estimou que um próximo encontro com o colega chinês renderia um “bom acordo” sobre comércio, ao mesmo tempo em que alertava que a esperada reunião em uma cúpula na Coreia do Sul, na próxima semana, ainda poderia fracassar.

O líder dos EUA citou terras raras, fentanil e soja como as principais questões comerciais para seu lado discutir com a China.

A relação entre as duas maiores economias do mundo vai além de produtos cujo fornecimento global é dominado pela China, como ímãs para a indústria americana ou produtos para medicamentos.

Cigarros e bicicletas

Embora quase todas as 10 principais exportações para os EUA tenham caído no último trimestre em relação ao ano anterior, as remessas de cigarros eletrônicos aumentaram, de acordo com uma análise da Bloomberg sobre dados alfandegários da China.

As bicicletas elétricas também estão com forte demanda nos EUA, com empresas chinesas exportando mais de US$ 500 milhões nos três meses até setembro, um ligeiro aumento em relação ao ano anterior.

As exportações de cátodos de cobre refinado dispararam em termos de valor, e passaram de quase nada para US$ 270 milhões nos últimos três meses, enquanto os embarques de cabos elétricos subiram 87%, para US$ 405 milhões.

“Os dois lados podem reduzir a dependência um do outro, mas não pode ser reduzida a zero”, disse Zhaopeng Xing, estrategista sênior para a China no Australia & New Zealand Banking.

Rachaduras na barreira tarifária de Trump provavelmente tornam parte do comércio possível ao manter os custos baixos.

WEG amplia produção no México para evitar tarifas dos EUA sobre o Brasil

22 de Outubro de 2025, 16:09

A fabricante de equipamentos industriais WEG espera compensar o impacto das tarifas americanas até o primeiro semestre de 2026, após um impacto maior que o esperado nos resultados do quarto trimestre deste ano.

O diretor financeiro (CFO) da WEG, André Luis Rodrigues, disse que a empresa está adiantando alguns investimentos e reformulando sua cadeia de suprimentos, transferindo a produção que será vendida para os Estados Unidos do Brasil para o México.

A medida vem após os EUA aplicarem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros no início de agosto.

“Estamos acelerando os investimentos no México”, disse Rodrigues.

Segundo ele, a meta é que toda produção do Mèxico seja destinada aos EUA.

Já a produção brasileira abastece o México e a América Central.

“A gente não vê esse cenário se perpetuar por um longo período, mas é difícil dizer quando vai ser revertido”, disse o CFO.

A WEG também está investindo mais recursos nos EUA, onde fabrica transformadores, entre outros produtos, e emprega cerca de 2.200 funcionários.

Em setembro, a empresa anunciou um investimento de US$ 77 milhões para expandir a capacidade de uma instalação americana.

A WEG divulgou resultados acima do esperado para o terceiro trimestre. Entre eles, o lucro líquido de R$ 1,65 bilhão, acima da média das estimativas dos analistas.

A WEG reiterou seu guidance de margem sobre o ebitda entre 21,8% e 22,4% para este ano.

Resultados da WEG

“O desempenho no terceiro trimestre foi ligeiramente melhor do que as estimativas”, disse o analista do Citi André Mazini em uma nota a clientes.

Dados do comércio exterior do Brasil de setembro mostram que as exportações de motores e geradores elétricos de Jaraguá do Sul, que são principalmente remessas da WEG, caíram 13% em comparação ao mesmo período do ano passado, de acordo com um relatório do Bank of America.

A empresa informou que sua atividade industrial no exterior permaneceu positiva em seus principais mercados, apesar das novas tarifas.

Com um câmbio mais forte e um cenário doméstico desafiador — incluindo uma taxa básica de juros de 15% e as eleições presidenciais do próximo ano — a empresa ainda espera continuar expandindo sua lucratividade.

“Independentemente do cenário macroeconômico, a WEG vem constantemente encontrando maneiras de aumentar o seu lucro líquido”, disse Rodrigues. “A gente vai buscar oportunidades para seguir aumentando o lucro por ação.”

Ibovespa tem maior concentração em 12 anos: como isso atrapalha a diversificação da sua carteira

21 de Outubro de 2025, 11:29

O Ibovespa vive o maior nível de concentração em mais de uma década. As dez maiores ações representam juntas mais de 50% do índice — o peso mais alto desde 2013, segundo levantamento do InvestNews. Na prática, isso significa que tentar replicar o Ibovespa hoje – seja por meio de ETFs ou fundos passivos – deixou de ser sinônimo de diversificação.

Entre as 82 ações que formam o índice, dez empresas dominam o desempenho: Vale (11,2%), Itaú Unibanco PN (8,2%), Petrobras (10,4%, somando ações preferenciais e ordinárias), Eletrobras (4,4%), Bradesco PN (4,1%), Sabesp (3,6%), B3 (3,2%), BTG Pactual (3,1%) e Itaúsa (3,1%).

Algumas delas até ganharam espaço nos últimos anos — casos de Sabesp e BTG Pactual —, mas o avanço mais expressivo veio das gigantes que já carregavam peso histórico. A Vale, por exemplo, tinha participação de apenas 3,5% há 12 anos; hoje, sozinha, responde por mais de um décimo do índice.

A concentração é um desafio para quem busca uma carteira equilibrada. Uma das formas mais clássicas de se investir de forma diversificada é por meio de ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham índices como o Ibovespa ou o S&P 500. Mas, com o peso crescente de poucas companhias, o investidor que escolhe um ETF do Ibovespa acaba mais exposto aos riscos específicos dessas grandes empresas do que imagina.

O jeito, então, é combinar mais coisas. O planejador financeiro Robson Ortis sugere como alternativa intercalar setores e segmentos menos representativos nos grandes índices – e sem sequer abandonar o uso dos ETFs, que são de fato alternativas práticas, simples e de baixo custo.

Para os investidores com perfil mais agressivo, ETFs de empresas menores (small caps) são um bom caminho. Assim como para a maioria das ações, as pequenas se aproveitam de um cenário positivo para a renda variável, mas são bem mais sensíveis às perspectivas de juros e atividade econômica, o que apimenta mais a carteira.

O ETF de maior liquidez ligado a essas companhias é o SMAL11, que segue o índice SMLL, composto por papéis bastante diversos. Os 10 de maior participação no índice são todos de empresas com fatia muito pequena dentro do Ibovespa, que não chegam a 1%: Lojas Renner, Assaí, Allos, SmartFit, Multiplan, Brava Energia, Taesa, Cyrela, Natura e Sanepar (que nem no principal índice da B3 está).

Do lado um pouco menos volátil, mas ainda dentro da renda variável, setores com receitas estáveis e menos dependentes do cenário macroeconômico também funcionam para equilibrar a carteira, caso das empresas reguladas de utilidade pública: energia elétrica, saneamento, água e gás.

O mais recente ETF lançado para acompanhar essas companhias é o UTLL11, que segue o índice UTIL, composto por papéis que aparecem no Ibovespa, caso de Sabesp e Eletrobras, mas com importante participação de outras representantes do setor, como Equatorial, Eneva, Cemig, Copel, Energisa e Engie Brasil.

Ao comprar um ETF de Ibovespa, o investidor tem 15% de exposição a essas companhias; via um ETF do setor, a participação desses nomes sobe para 85%. Aqui, aumentar a concentração ao setor na carteira teria uma finalidade de diversificação do portfólio para um perfil mais “defensivo” contra sobressaltos no mercado.

Vale a ressalva de que o UTLL11 ainda está com a liquidez em formação, já que foi lançado em setembro deste ano – o que pode dificultar um pouco a vida de quem desejar comprar e vender o fundo mais rapidamente na bolsa.

Uma camada a mais, com um pé fora do Brasil

Um investidor poderia se perguntar se comprar um ETF simples de S&P 500 não seria o suficiente para trazer mais diversidade para o portfólio. À primeira vista, sim: comprar as 500 maiores companhias americanas é, de cara, uma solução básica indicada por vários consultores e planejadores financeiros.

Ocorre que, da mesma forma que no Ibovespa, a concentração das empresas no índice americano é mais alta da história. Os 10 principais papéis atingiram o pico de 38% de participação no indicador desde 1880, segundo dados do Citi Global Insights. E, hoje, eles são praticamente todos do setor de tecnologia: Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Meta, Tesla e Broadcom.

Com praticamente nenhuma representatividade no mercado brasileiro, o setor de tecnologia tem um papel extremamente importante na estratégia de investimentos. Por isso, nesse caso, um ETF de S&P simples, como o IVVB11, cumpre bem o papel. É preciso se atentar apenas para o risco adicional de ter esse produto: a exposição cambial.

Para o investidor que quer diluir o efeito dessa concentração em poucas empresas e reduzir a volatilidade da carteira, sem precisar abrir uma conta em uma corretora internacional, uma opção são os ETFs híbridos na B3. É o caso do GOAT11, que tem 80% de exposição à renda fixa, via títulos públicos, e 20% ao S&P 500.

A parte de renda fixa acompanha o índice IMA-B, que dá a variação dos títulos atrelados ao IPCA, o conhecido Tesouro IPCA+. E a parte de bolsa americana apenas replica o índice lá fora. Se sete empresas equivalem a 38% do S&P 500, o GOAT11 dilui isso para cerca de 7,6%. Um bom negócio para quem quer dar um passo em direção ao mar, mas sem se molhar demais.

Você pagaria R$ 80 mil por uma tatuagem exclusiva de um artista renomado?

18 de Outubro de 2025, 06:00

É fácil identificar adeptos do estilista Thom Browne: as roupas que ele desenha geralmente trazem uma fita azul, branca e vermelha.

Agora, algum superfã de Browne terá a chance de expor sua admiração na pele, literalmente. Ele é um dos vários artistas que estão leiloando designs exclusivos para tatuagens em um leilão chamada Inked: Tattoos by Contemporary Artists (algo como ‘Tinta na pele: Tatuagens de Artistas Contemporâneos’), realizada pela Joopiter, a casa de leilões digital fundada pelo músico e designer Pharrell Williams.

Logo da Thom Browne tatuado nas costas
Logo da Thom Browne. Foto: Divulgação/Joopiter

Como comprar a tatuagem no leilão

Entre os dias 22 e 31 de outubro, os interessados participam do leilão e disputam desenhos de 16 artistas.

Tecnicamente, eles comprarão um certificado do desenho de uma tatuagem encomendada especificamente para o leilão, com a expectativa de que a tatuagem seja feita após a venda e, em alguns casos, em partes do corpo sugeridas pelo artista original. Cada lote tem um valor estimado de US$ 10 mil a US$ 15 mil (entre R$ 55 mil e R$ 80 mil).

Muitos tatuadores leiloaram seu tempo e habilidades para arrecadar fundos para causas, mas raramente essa prática de rua colidiu tão diretamente com o mundo das artes. “O mundo não separa mais a cultura”, disse Williams. “Arte, moda, música, design e até o próprio corpo: todos vivem nessa conversa.”

“Os orçamentos foram elaborados para serem acessíveis”, disse a curadora Sharon Coplan, que procurou a Joopiter com a ideia do projeto. Isso significava precificar cada lote de forma idêntica, em vez de usar trabalhos anteriores como guia.

Afinal, colecionadores de arte podem acumular obras de seus artistas favoritos, e fãs de moda podem comprar e usar roupas feitas por seus designers favoritos. Mas a arte corporal é “uma espécie de plataforma inexplorada para artistas”, disse Coplan. “Ela realmente não foi explorada.”

Pelo preço certo, o licitante vencedor receberá um certificado de autenticidade assinado pelo artista, juntamente com o design e as instruções para sua aplicação.

No caso de Browne, isso significa que o vencedor receberá seu design (o carimbo vermelho, branco e azul, assinatura da marca), juntamente com dimensões específicas (23 mm de largura por 25 mm de altura) e códigos de cores Pantone (Vermelho Verdadeiro, Branco Estrela e Eclipse Total) para entregar ao seu tatuador.

Browne, conhecido por sua abordagem rigorosa, sugere o local (“abaixo da base da nuca”). “Foi tão específico porque é algo que eu faço com todas as minhas coleções”, disse Browne.

Outras figuras em destaque ali incluem os artistas contemporâneos Derrick Adams e Jeffrey Gibson, o arquiteto Peter Marino, o tatuador Dr. Woo e a estilista Gabriela Hearst. A maioria dos artistas doará parte da renda do leilão para uma instituição de caridade de sua escolha.

Tatuagem como ofício

Existem alguns casos de artistas plásticos que tratam o design de tatuagem como um meio “oficial”. Ao longo de suas vidas, artistas como Ellsworth Kelly, Lawrence Weiner e Félix González-Torres criaram obras de arte destinadas a assumir a forma de tatuagens.

Nesse sentido, disse Coplan, a tatuagem pode ser considerada análoga à gravura: os artistas criam um design, que pode ser produzido quantas vezes eles especificarem. Cada peça da série é uma edição única.

Todo esse processo começou quando Coplan abordou o espólio de Lawrence Weiner sobre a possibilidade de relançar seu design. Usou isso como ponto de partida para discussões com diversos artistas e figuras culturais. Então, se concentrou especialmente em “artistas que deixam marcas incríveis”.

Nem todos os participantes do leilão tinham alguma relação com as tatuagens. Muitos dos companheiros de equipe de Thom Browne na Universidade de Notre Dame fizeram tatuagens de trevo, mas ele desistiu e não fez mais nenhuma desde então. “Simplesmente nunca foi minha praia”, disse. Mas gostou da ideia de fazer uma tatuagem para outra pessoa usar.

A artista visual Marilyn Minter se mostrou muito entusiasmada com a oportunidade de arrecadar dinheiro para uma instituição de caridade. “Basicamente, faço tudo o que posso que seja conveniente e valioso para arrecadar dinheiro para a Planned Parenthood”, disse ela.

E escolher seu desenho — um close colorido de uma boca, um tema recorrente em seu trabalho — foi fácil. “Eu já tinha a boca, porque fotografei Mickalene Thomas, e ela tem uma boca incrível”, disse ela. “Então, simplesmente a transformamos em uma tatuagem.” (Thomas também tem um desenho — uma silhueta nua — no leilão.)

Cópias

Existem algumas peculiaridades em leiloar tatuagens. Nada impede que um fã de Thom Browne que perca a tatuagem do designer em um leilão vá até o estúdio local e tatue a mesma peça no pescoço, por exemplo. Para Caitlin Donovan, chefe global de vendas da Joopiter, esse seria o resultado ideal.
“Espero que as pessoas copiem essas tatuagens”, disse ela.

O proprietário poderia vender o certificado de tatuagem. Mas, como observou Minter, cada tatuagem tem um prazo de validade. “Depois que você morre, você morre. E tudo acaba”, disse ela. “Você não pode revender.”

China joga duro com Donald Trump e ataca seu calcanhar de Aquiles: o mercado de ações dos EUA

16 de Outubro de 2025, 06:00

Em seu impasse comercial com Washington, a China acredita ter encontrado o calcanhar de Aquiles dos Estados Unidos: a fixação do presidente Donald Trump pelo mercado de ações.

O líder chinês, Xi Jinping, aposta que a economia dos EUA não conseguirá absorver um conflito comercial prolongado com a segunda maior economia do mundo, segundo pessoas próximas ao núcleo duro de Pequim.

A China mantém uma linha firme devido à sua convicção, disseram as fontes, de que uma guerra comercial crescente afundará os mercados, como aconteceu em abril, depois que Trump anunciou suas tarifas do Dia da Libertação, levando Pequim a reagir.

A China espera que a perspectiva de outro colapso do mercado force Trump a negociar em uma cúpula prevista para o final deste mês, disseram as pessoas.

Pequim continuou jogando duro esta semana, intensificando a disputa comercial nesta segunda-feira (13) ao sancionar as unidades americanas da empresa de navegação sul-coreana Hanwha Ocean. A medida abalou os mercados americanos na última terça-feira (14), desencadeando uma forte liquidação no início da semana, com a esperança de alívio das tensões diminuindo, antes que os principais índices se recuperassem parcialmente e se estabilizassem à tarde.

Na semana passada, a China impôs restrições à exportação de minerais de terras raras, vitais para a indústria eletrônica de consumo e a tecnologia. Trump então ameaçou impor tarifas adicionais de 100% ao país asiático a partir de 1º de novembro.

China acusa EUA de “dois pesos e duas medidas”

Ambos os lados têm oscilado entre o discurso duro e a distensão nos últimos dias, mas a retórica tomou um rumo mais duro na terça-feira. O Ministério do Comércio da China acusou os EUA de “dois pesos e duas medidas” em relação às ameaças tarifárias e prometeu que a China “lutaria até o fim” na disputa comercial.

Em sua plataforma Truth Social, Trump disse que os EUA estão considerando “encerrar negócios” com a China sobre óleo de cozinha e outros “elementos de comércio”, devido à recusa da China em comprar soja dos EUA — uma decisão que Pequim disse ser uma retaliação às próprias tarifas de Trump.

O mercado de ações continua sendo um dos poucos controles sobre um presidente que exerceu o poder executivo agressivamente.

Trump frequentemente utiliza o mercado como um barômetro em tempo real de sua gestão econômica. Ele recorreu às redes sociais para alardear recordes de mercado, creditando-os às políticas de seu governo, como desregulamentação e cortes de impostos. Por outro lado, quando o mercado vacilou, especialmente em resposta às suas políticas comerciais agressivas, ele tendeu a recuar ou a aventar a perspectiva de novos acordos.

Enquanto Trump elogia a força da economia americana, as autoridades chinesas veem fraquezas que se agravariam durante uma guerra comercial. Com a desaceleração das contratações, a contração da indústria e a alta dos preços, muitos economistas afirmam que os EUA não estão posicionados para absorver outra grande disputa comercial com a China. A forte reação negativa do mercado na última sexta-feira às novas restrições chinesas ao fornecimento de terras raras e à potencial retaliação dos EUA serviram como um lembrete da vulnerabilidade econômica que Pequim busca explorar.

A economia chinesa está em crise prolongada, pressionada por um mercado imobiliário em colapso, dívidas crescentes e confiança do consumidor em declínio. No entanto, Xi está muito menos sujeito a quedas do mercado, mesmo com a economia chinesa enfrentando uma perspectiva precária.

Em declarações a repórteres na Casa Branca na terça-feira, Trump projetou uma mistura de sua habitual afinidade pessoal declarada com Xi e confronto aberto ao abordar a disputa comercial com a China. Trump enquadrou o conflito por meio de seu relacionamento com o líder chinês, a quem chamava de amigo.

“Tenho um ótimo relacionamento com Xi”, disse Trump, antes de acrescentar rapidamente: “Mas às vezes ele fica irritado”.

Reconhecendo a gravidade das recentes ações chinesas, desde seus novos controles de exportação de terras raras até as últimas sanções relacionadas ao transporte marítimo, Trump disse: “Estamos recebendo muitos golpes”.

Em seguida, ele defendeu sua estratégia econômica contra os temores de uma retração do mercado, retratando os EUA como imunes à pressão. “Somos o país mais bem-sucedido que já tivemos”, disse Trump.

Pequim suavizou seu tom no domingo depois que Trump reagiu furiosamente às restrições às terras raras, mas sua redução pareceu ser uma pausa tática.

Segundo pessoas próximas ao processo decisório de Pequim, a estratégia linha-dura de Xi baseia-se na crença de que Trump acabará cedendo e oferecendo concessões, em vez de recorrer à influência significativa de Washington. Essa confiança foi alimentada, segundo as fontes, pela trégua comercial firmada entre EUA e China em maio. Trump havia imposto tarifas de mais de 100% sobre produtos chineses, mas cedeu depois que Pequim usou sua influência como o maior exportador mundial de ímãs de terras raras.

“É precisamente a crença da China de que Trump irá se dobrar — como ele pareceu fazer com os ímãs no início deste ano — que os levou a uma escalada massiva”, disse Rush Doshi , um acadêmico da Universidade de Georgetown e do Conselho de Relações Exteriores que anteriormente serviu no governo Biden.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse à CNBC na terça-feira que altos funcionários em Washington e Pequim mantiveram discussões sobre as últimas tensões comerciais na segunda-feira, dizendo que ambos os lados “serão capazes de resolver isso”.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o embaixador dos EUA na China, David Perdue, vem tentando marcar uma ligação telefônica entre o secretário do Tesouro, Scott Bessent , que lidera a equipe de negociação dos EUA, e seu homólogo chinês, o vice-primeiro-ministro He Lifeng .

A atenção agora se volta para a esperada cúpula entre Trump e Xi, quando ambos participarão de uma reunião de líderes da Ásia-Pacífico na Coreia do Sul no final deste mês.

“A reunião será a mensagem. Não haverá grandes avanços”, disse Ryan Hass , diretor do centro para a China no think tank Brookings Institution e ex-funcionário do alto escalão da segurança nacional. “Xi vai querer usar a reunião para projetar maior estabilidade e previsibilidade. Trump pode buscar garantias sobre os fluxos de elementos de terras raras. Eles podem anunciar uma extensão da trégua comercial que limita a escalada tarifária.”

Brasil pode se tornar o contraponto à China no mercado global de terras raras

15 de Outubro de 2025, 11:38

Em 1967, um helicóptero da United States Steel, que transportava uma equipe de geólogos, fez uma descoberta acidental após pousar em uma área remota da Floresta Amazônica: um gigantesco depósito de minério de ferro que se tornaria Carajás, uma das regiões minerais mais ricas do mundo.

O cenário atual pode parecer menos com um roteiro de filme, mas uma parceria de mineração semelhante entre os Estados Unidos e o Brasil pode tomar forma novamente — desta vez em torno dos minerais essenciais que estão agitando a geopolítica moderna. 

Enquanto os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva buscam apaziguar suas ruidosas diferenças, o desenvolvimento de metais estratégicos — particularmente as terras raras — se destaca como uma área incomum de interesse compartilhado.

Domínio chinês usado como arma

A iniciativa da China de usar seu domínio na cadeia de suprimentos de terras raras como uma arma em resposta às tarifas impostas por Washington — ampliando as restrições às exportações de componentes vitais para vários setores, de semicondutores a sistemas de defesa — abriu as portas para potenciais produtores, incluindo o Brasil, a Austrália e a Índia.

Embora os EUA tenham um plano ambicioso — e nada convencional — para reconstruir sua própria indústria de mineração, Washington precisará de toda a ajuda possível se quiser desafiar o domínio quase total da China. É aí que entra o Brasil: já uma potência na mineração, geograficamente próximo aos EUA e detentor das maiores reservas de terras raras do mundo, depois da nação asiática.

Brasília tem falado sobre uma estratégia para minerais críticos há décadas, com pouco resultado. Uma aliança estratégica com os EUA, o maior investidor estrangeiro do país, poderia finalmente garantir o momentum — por meio de joint ventures, acordos de compra, financiamento ou acordos estratégicos. Além de alguns poucos esforços existentes, a questão provavelmente ganhará destaque quando o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrar com seu colega Marco Rubio em Washington nesta semana, preparando o cenário para o primeiro diálogo bilateral entre Trump e Lula.

Oportunidade de negócio

O presidente brasileiro poderia usar a carta das terras raras como moeda de troca para suspender as altas tarifas de 50% de Trump, anunciadas em julho, aproveitando o renovado apetite do presidente por negócios com o Brasil. Seria um acordo que ambos os lados poderiam vender como uma vitória, especialmente dadas as implicações para a segurança nacional dos EUA. Mas o líder de esquerda terá que agir com cautela: seu Partido dos Trabalhadores, nacionalista, sempre desconfiado de qualquer indício real ou imaginário de imperialismo, não tolerará nenhum arranjo exploratório semelhante ao que muitos viram no acordo anterior de Trump com a Ucrânia.

Para amenizar esses temores, Lula poderia pressionar pelo desenvolvimento da capacidade nacional de refino e produção de ímãs, uma ideia alinhada às ambições da política industrial de seu governo e que teria sido cogitada pelo governo Biden antes do retorno de Trump ao poder. Lula poderia retomá-la agora.

Para os EUA, qualquer cadeia de suprimentos adicional que desafie o domínio da China é uma vitória — mesmo que se desenvolva no exterior. Além disso, ajudaria a contrabalançar o relacionamento do Brasil com Pequim, já seu principal parceiro comercial e destino da maior parte de seus minérios e commodities.

Ao mesmo tempo, a colaboração com os EUA poderia dar ao Brasil os incentivos e a massa crítica necessários para que sua indústria de terras raras finalmente decole. Apesar de todas as suas enormes reservas e muitos projetos promissores, a produção de terras raras do Brasil permanece próxima de zero.

Vantagens ao capital estrangeiro

“Estamos atrasados ​​em um negócio que tem um conflito de grandes proporções. A China está fechando seu mercado e os EUA estão investindo forte no seu país”, disse Fernando Landgraf, especialista em minerais críticos e professor da Universidade de São Paulo. “Seria muito interessante se os EUA tenham interesse ​​em uma joint venture de refino de terras raras no Brasil, agregando mais valor aqui.”

O Brasil também oferece uma vantagem fundamental para os investidores dos EUA: apesar de sua burocracia e regulamentação rigorosa, continua sendo um destino aberto ao capital estrangeiro, inclusive em setores estratégicos.

Subsidiárias brasileiras de empresas americanas podem até se qualificar para financiamento do banco nacional do desenvolvimento, o BNDES, que atualmente analisa o apoio a 56 projetos com foco em minerais estratégicos. O sucesso da maior economia da América Latina no desenvolvimento de outros metais essenciais para a transição energética (incluindo níquel, cobre, grafite e lítio) reforça ainda mais suas credenciais.

Diplomacia mineral

E há também o nióbio: o Brasil responde por cerca de 90% da produção global, essencial para ligas de aço mais resistentes e leves, usadas em tudo, de turbinas a smartphones. Uma única empresa privada brasileira, a CBMM — controlada pela família Moreira Salles — domina a produção de nióbio após décadas de construção de uma nova cadeia de suprimentos, confirmando o enorme potencial do país nestes setores. Em 2011, um grupo chinês e um consórcio nipo-sul-coreano compraram uma participação de 15% cada um na CBMM, posicionando-se estrategicamente anos à frente de qualquer concorrente dos EUA.

É claro que a diplomacia mineral é apenas um dos vários tópicos esperados na agenda bilateral, muitos deles controversos, incluindo a situação na Venezuela, a expansão dos BRICS, a turbulência no Haiti, a postura dura de Brasília contra as big techs e o etanol.

Contudo, a oportunidade está aí. Trump e Lula não a aproveitarão por afinidade ideológica. Mas podem simplesmente aproveitá-la porque faz todo o sentido comercial e estratégico.

Após apreensão bilionária de cripto, EUA podem ampliar reserva nacional de bitcoin

15 de Outubro de 2025, 07:47

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) anunciou na terça-feira (14) a apreensão de 127.271 bitcoins (BTC) em uma operação que desmantelou um esquema internacional de golpes com ativos digitais. A quantia equivale a cerca de US$ 15 bilhões (R$ 82 bilhões).

Os bitcoins estavam em carteiras controladas por Chen Zhi, acusado de liderar o Prince Group, um complexo de trabalho forçado baseado no Camboja que promovia fraudes financeiras envolvendo criptomoedas. Segundo o DoJ, o grupo vitimou milhares de pessoas, incluindo 250 norte-americanos.

De acordo com as investigações, o esquema começou em 2015. Os golpistas abordavam vítimas por redes sociais e aplicativos de mensagens, prometendo lucros altos em investimentos com criptoativos. As vítimas transferiam recursos para carteiras indicadas pelo grupo, que sumia em seguida.

Bitcoin na reserva dos EUA

O governo norte-americano pretende confiscar oficialmente os bitcoins após a condenação de Zhi no Tribunal Distrital do Leste de Nova York, onde ele responde pelas acusações. Se confirmada, a decisão reforçará a reserva estratégica de bitcoin dos Estados Unidos, criada neste ano.

A reserva nacional de criptoativos foi instituída por meio de uma ordem executiva do presidente Donald Trump publicado no início deste ano, que determinou que os ativos digitais apreendidos em operações civis e criminais passem a integrar o tesouro federal.

A iniciativa coloca os EUA em uma posição distinta de países como El Salvador, que formou sua reserva de bitcoin por meio de compras diretas no mercado.

O país soma hoje 197.354 bitcoins, o equivalente a US$ 22 bilhões – o maior estoque de criptoativos entre todas as nações. Com a entrada das novas criptomoedas, porém, a pilha de criptos pularia para 324.625, ou cerca de US$ 36,5 bilhões.

No total, 13 países têm reserva de criptos. A China, com 190 mil BTC (US$ 21 bilhões), é a segunda maior, seguida do Reino Unido, com 61.245 BTC (US$ 6,8 bilhões), em terceiro lugar.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  +1,99%, US$ 112.491,82

Ethereum (ETH): – 8,49%, US$ 4.126,10

XRP (XRP): +3,35%, US$ 2,50

BNB (BNB): + 0,70%, US$ 1.184,50

Solana (SOL): +6,95%, US$ 205,08

Outros destaques do mercado cripto

Nova stablecoin brazuca. O real brasileiro ganhou mais uma stablecoin: a BRLV. A nova cripto, pareada à moeda nacional na proporção de 1 para 1, foi criada pela fintech Crown, que levantou US$ 8,1 milhões com investidores – entre eles, a Coinbase Ventures – para lançar o projeto no Brasil. Segundo a empresa, a BRLV é 100% lastreada em títulos públicos e voltada a investidores institucionais. Com ela, o real já soma seis stablecoins atreladas à sua paridade.

ETFs cripto com gás novamente. Após saídas massivas de capital institucional nos ETFs de bitcoin e ethereum dos EUA, provocadas pela guerra tarifária entre China e país, esses produtos financeiros voltaram a atrair recursos. Dados da plataforma SoSoValue mostram que os fundos registraram entradas líquidas de US$ 340 milhões na terça-feira, recuperando-se da saída combinada de US$ 755 milhões registrada na segunda-feira (13).

Cidade do Texas é uma potência energética. E sofre com falta de água

15 de Outubro de 2025, 06:00

O sul do Texas atraiu a Tesla, juntamente com a Exxon Mobil e outras gigantes do setor energético. Todas as empresas estavam atrás de terras, energia barata e o mais crítico de tudo: água abundante.

As empresas investiram pesado nas últimas duas décadas, construindo usinas que usam enormes quantidades de água para transformar combustíveis fósseis em gasolina, querosene de aviação e outros produtos refinados.

Outras empresas se instalaram nos últimos anos para refinar lítio para baterias de veículos elétricos e produzir pellets de plástico.

Todas foram atraídas para a região por seus lucrativos acordos fiscais, seu porto de águas profundas na Costa do Golfo e sua rede de oleodutos que transportam gás natural e petróleo bruto baratos.

Agora, Corpus Christi, a principal fornecedora de água da região, diz que está sem recursos. Uma seca devastadora está esgotando seus reservatórios, e a cidade espera não conseguir atender à demanda de água da região em apenas 18 meses.

Além dos usuários industriais, a concessionária de água atende mais de 500.000 pessoas em sete condados.

Veio o pânico.

As empresas de energia estão alertando que podem ter que interromper parte de sua produção, gerando temores de demissões e estagnação do crescimento.

A região está se esforçando para evitar a iminente escassez em meio a disputas políticas. Os moradores, por sua vez, estão tentando salvar seus quintais e se preparando para o aumento das tarifas de água.

“A situação da água no sul do Texas é a mais terrível que já vi”, disse Mike Howard, diretor executivo da Howard Energy Partners, uma empresa privada de energia que possui diversas instalações em Corpus Christi. “Ela tem toda a energia do mundo e não tem água.”

A crise pode repercutir além de Corpus Christi, a oitava maior cidade do Texas em população, localizada a apenas 240 quilômetros da fronteira com o México.

Suas refinarias fornecem produtos para aeroportos e mercados regionais em Dallas, San Antonio, Austin, Texas e no México.

A cidade também abriga uma base da Marinha que abriga o maior centro de reparos de aeronaves de asa rotativa do mundo, que presta serviços a aeronaves de combate, incluindo Black Hawks.

Desde a década de 1950, Corpus Christi expandiu seu abastecimento de água após cada seca severa. Atualmente, duas represas a oeste e uma tubulação de 162 quilômetros a leste atendem às suas necessidades.

Mas, há três anos, uma prolongada escassez de água levou a cidade a começar a decretar restrições, e a situação continuou piorando. Os níveis nas represas são os menores da história.

A última seca coincidiu com o crescimento industrial que está sugando as reservas cada vez menores.

Corpus Christi atraiu mais de US$ 57,4 bilhões em investimentos apenas na última década, segundo relatório de 2024 do município.

Água do Texas para empresas

Por outro lado, a LyondellBasell aumentou a capacidade de uma fábrica de etileno em 50%.

A fabricante de produtos químicos OxyChem e uma empresa mexicana construíram uma planta de etileno de US$ 1,5 bilhão.

A Tesla inaugurou uma refinaria de lítio, e a Exxon e a Saudi Basic Industries Corp., empresa petroquímica do reino, construíram uma unidade de plásticos de US$ 7 bilhões.

Só essa planta consome, em média, cerca de 13 milhões de galões de água por dia, de acordo com uma pessoa familiarizada com suas operações. Isso representa cerca de 13% de toda a demanda de água de Corpus Christi no inverno, de acordo com Drew Molly, que recentemente renunciou ao cargo de diretor de operações da empresa de água da cidade. Ele disse que cerca de metade do abastecimento de Corpus Christi vai para cerca de oito empresas.

“Toda cidade quer crescer”, disse ele. “Acho que a cidade de Corpus Christi estava fazendo isso de forma razoável, mas nunca imaginei que haveria uma seca dessa proporção.”

A região previu há muito tempo que períodos de seca causariam escassez de água, a menos que diversificasse seus recursos para além dos reservatórios.

Então, Corpus Christi decidiu construir a primeira usina de dessalinização de grande porte, de propriedade municipal, do país.

A instalação removeria a água do mar do Golfo e produziria até 36 milhões de galões de água potável por dia a partir de 2028. A ideia era que a usina daria tempo à cidade enquanto desenvolvia outras fontes de água.

Corpus Christi obteve licenças e recebeu sinal verde para US$ 757 milhões em empréstimos a juros baixos do estado. Então, tudo desmoronou. A prefeitura rejeitou o plano em setembro, depois que os engenheiros aumentaram suas estimativas de custo para até US$ 1,2 bilhão. Corpus Christi já havia tomado cerca de US$ 235 milhões emprestados do estado e gasto cerca de US$ 50 milhões no projeto.

Sylvia Campos, vereadora que se opôs à usina, disse que ela não teria sido construída a tempo de poupar a cidade de uma escassez. Ela afirmou que a construção beneficiaria grandes empresas de energia às custas dos moradores, mesmo que a cidade recebesse pouco em troca por sediar as instalações. “Uma vez concluída a dessalinização, não há como parar a indústria”, disse ela.

Os defensores da dessalinização dizem que a região terá dificuldades para atrair empresas, a menos que resolva seus problemas de água com soluções à prova de seca. Eles afirmam que a indústria de energia sustenta dezenas de milhares de empregos locais e gera milhões de dólares em receita tributária.

“Estamos buscando todas essas grandes coisas evamos dar um tiro no pé”, disse Denise Villalobos, deputada estadual republicana pelo 34º distrito do Texas, que abrange partes de Corpus Christi. Villalobos, que trabalha para a refinaria Flint Hills Resources, disse estar ciente de várias empresas que estão considerando abrir usinas na região e que agora estão hesitantes.

Imagem de um duto de água no Texas
Torre de resfriamento na usina Flint Hills West, em Corpus Christi, Texas – Foto: The Wall Street Journal

Emergência hídrica

Enquanto isso, os clientes industriais existentes estão se preparando para potenciais cortes de água a partir de novembro de 2026, quando Corpus Christ prevê que enfrentará uma emergência hídrica. A empresa ainda não divulgou os detalhes do corte.

Entre os que se preparam está a refinaria Flint Hills. A empresa sediada em Wichita, Kansas, opera duas usinas na cidade do Texas que, juntas, podem processar cerca de 380.000 barris de petróleo bruto por dia. As instalações fabricam gasolina, diesel e querosene de aviação, que fornecem para aeroportos regionais e mercados em todo o Texas.

As usinas consomem cerca de 5,5 milhões de galões de água bruta e tratada todos os dias para resfriar embarcações, gerar calor e lavar matéria-prima.

Desde 2010, seu consumo de água foi reduzido em 29%, para cerca de 0,55 barril de água por barril de petróleo bruto, informou Flint Hills no ano passado. A empresa está explorando maneiras de reduzir e diversificar ainda mais seus recursos hídricos.

“Cortes de água podem exigir a paralisação das operações de uma instalação”, disse Jake Reint, porta-voz de Flint Hills. Ele afirmou que isso poderia reduzir a produção de combustíveis e colocar as empresas em significativa desvantagem competitiva.

A Exxon, uma das maiores consumidoras de água industrial, está explorando fontes alternativas de água em caso de corte de fornecimento, disse uma porta-voz da empresa. Ela afirmou que sua planta foi projetada para reciclar água e que a empresa busca continuamente maneiras de reduzir seu consumo de água.

A perspectiva de cortes preocupa as autoridades municipais, que podem demitir funcionários. “Isso pode significar que esses empregos nunca mais serão recuperados e que empregos futuros não serão gerados aqui”, disse o administrador municipal Peter Zanoni.

Várias empresas estão explorando a perfuração de seus próprios poços de água subterrânea para compensar potenciais cortes, de acordo com Molly, ex-chefe de operações da concessionária de água da cidade.

Ele disse que os cortes também afetariam a base aérea naval de Corpus Christi, que é uma das maiores consumidoras de água da cidade. O Depósito do Exército de Corpus Christi, que conserta motores de turbina e aeronaves danificadas, é um inquilino da base.

Um assessor de relações públicas da base disse que a empresa continua comprometida com os esforços de conservação de água e busca novas tecnologias para reduzir o consumo de água.

Procurando água

Corpus Christi está correndo para construir projetos emergenciais e aliviar a pressão sobre os reservatórios.

A cidade está bombeando água subterrânea salobra de poços e despejando-a no Rio Nueces, que deságua em uma estação de tratamento de água.

Mais a oeste, trabalhadores estão ocupados perfurando uma dúzia de poços sob o sol escaldante. As autoridades esperam que o projeto forneça cerca de 28 milhões de galões de água por dia dentro de um ano, o que compensaria apenas parte do suprimento perdido dos reservatórios.

A longo prazo, a cidade está considerando canalizar água subterrânea do vizinho Condado de San Patricio, mas as comunidades que dependem desse suprimento estão preocupadas.

Corpus Christi está considerando outros projetos de águas subterrâneas, bem como participar de um projeto proposto de dessalinização em terras de propriedade do Porto de Corpus Christi.

Todos esses empreendimentos provavelmente levarão anos para serem concluídos, custariam centenas de milhões e aumentariam as tarifas de água de todos os clientes.

Por enquanto, alguns moradores dizem que esperam por um furacão que encha os reservatórios. Eles estão tentando se adaptar às restrições de irrigação de gramados impostas pela cidade em dezembro.
Em um dia de semana recente, cinco caminhões estavam enfileirados em frente à Estação de Tratamento de Esgoto de Oso para coletar água de reuso gratuita que pode ser usada para regar jardins.

Robert Peña, um aposentado de 62 anos, estava na caçamba de seu caminhão sob um calor de quase 38 graus Celsius e começou a encher cinco tanques com 1.270 litros de água. Ele disse que cobra US$ 200 dos vizinhos para entregar a água, compensando as cerca de sete horas que às vezes leva para esperar na fila e abastecer — e pagar a gasolina. “Gostaria que houvesse um jeito melhor”, disse ele, enxugando o suor das sobrancelhas.

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Alívio à vista: expectativa de encontro entre EUA e China anima mercado e dólar cai

13 de Outubro de 2025, 15:08

Depois de elevar a temperatura do mercado na sexta-feira (10) com um anúncio de uma nova taxa de 100% sobre produtos chineses, o próprio presidente americano Donald Trump jogou água na fervura ao amenizar o tom em relação ao rival asiático. O resultado foi que o mercado buscou um meio termo nesta segunda-feira (13).

O dólar, que tinha subido 2,39% frente ao real na sexta-feira, agora compensou parte da alta e fechou em queda de 0,75% a R$ 5,4617. O movimento de baixa da moeda americana também se repetiu frente outras moedas emergentes ao longo do dia.

Na bolsa, a melhora nos ânimos também prevaleceu e o Ibovespa terminou o dia em alta de 0,78% aos 141.783 pontos.

A moeda americana, porém, avançou na comparação com pares de países desenvolvidos. O índice dólar (DXY), que acompanha a variação da divisa frente a uma cesta com as seis principais moedas do comércio internacional, subiu 0,30% a 99,27.

O último pregão da semana passada foi conturbado. Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre os produtos comprados da China pelos EUA, além da imposição de controles de exportação sobre softwares críticos ao país asiático.

O presidente americano justificou a decisão como uma resposta aos controles criados pelo governo chinês, no dia anterior, sobre as exportações de terras raras, que são essenciais para vários setores da indústria, em especial aqueles ligados à tecnologia.

No fim de semana, porém, Trump adotou um tom mais conciliador. Afirmou que os EUA querem ajudar a China e não prejudicá-la. Além disso, a Casa Branca confirmou o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Xi Jinping, marcado para ocorrer em Seul, na Coreia do Sul.

Nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou o tom mais conciliador ao afirmar que houve comunicações substanciais entre americanos e chineses no fim de semana.

“Houve uma desescalada significativa da situação”, disse Bessent em entrevista à Fox Business Network. “O presidente Trump disse que as tarifas não entrarão em vigor até 1º de novembro. Ele se reunirá com o presidente do Partido, Xi, na Coreia”, acrescentou.

Outro reforço para uma redução da volatilidade do dólar globalmente veio pelo discurso da nova presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson. Em sua primeira fala no cargo, a dirigente defendeu mais cortes de juros pelo Fed. A redução das taxas seria necessária para dar suporte ao mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Trump e Xi Jinping geram novo impasse e colocam economia global em risco

13 de Outubro de 2025, 14:24

O último confronto direto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o líder chinês Xi Jinping chegou a um impasse nesta segunda-feira (13). Ambos os países alegaram que agora cabe ao outro dar o primeiro passo.

Depois que Trump sinalizou abertura para fechar um acordo com Pequim, o vice-presidente americano JD Vance declarou que o resultado “dependeria de como os chineses responderiam”.

Horas depois, o Ministério das Relações Exteriores da China deixou claro que Pequim seguiria as indicações dos próximos passos de Washington, depois de já ter desencadeado o que considerou ações retaliatórias.

“Se os EUA continuarem no caminho errado, a China tomará firmemente as medidas necessárias para salvaguardar os seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, em coletiva de imprensa regular em Pequim. As autoridades chinesas ainda não retaliaram à ameaça de Trump de impor tarifas de 100% sobre as recentes restrições às terras raras, já que as taxas não estão formalmente incluídas na política.

Reunião com Trump

Os mercados da China mostraram resiliência à turbulência. O índice de referência CSI 300 para ações onshore encerrou a segunda-feira com queda de 0,5%, sugerindo que os investidores veem as tensões renovadas como uma postura estratégica.

Os futuros indicam que as ações dos EUA também devem recuperar algumas perdas da venda de sexta-feira, depois que Trump suavizou o tom.

Analistas, como os da Nomura Holdings, disseram que as maiores economias do mundo poderiam cancelar a reunião de líderes neste mês na Coreia do Sul.

Ressaltando esse ponto, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse acreditar que a reunião entre Trump e Xi ainda vai acontecer. Enquanto isso, ele esperava reuniões entre as equipes americanas e da China esta semana, juntamente com medidas do governo Trump para mobilizar os aliados dos EUA para pressionar Pequim.

Por sua vez, as autoridades chinesas disseram que poderia haver “isenções” para suas restrições radicais às terras raras, a fim de facilitar o comércio.

A questão agora é qual lado cederá primeiro.

“Embora seja difícil indicar quem exatamente tem mais influência, o que é bastante claro é que o setor de exportação da China pode suportar tarifas dos EUA de cerca de 50%”, disse Christopher Beddor, vice-diretor de pesquisa para a China da Gavekal Dragonomics.

“Pequim se importa se as tarifas ultrapassarem 100%, mas enquanto esse cenário não se concretizar, as tarifas serão uma prioridade menor”, acrescentou. “As medidas sobre terras raras visam extrair concessões dos EUA nos controles de exportação de tecnologia, mas também não é do interesse de nenhum dos lados inviabilizar completamente as negociações.”

Exportações da China

Dados comerciais divulgados nesta segunda mostraram que as remessas da China para o exterior cresceram ao ritmo mais rápido em seis meses, atenuando o impacto de qualquer aumento de tarifas dos EUA. Trump tem outras ferramentas para infligir dor: ele já ameaçou impedir o acesso de Pequim a peças de jato e parar de vender software essencial à China.

Bessent, em entrevista à Fox Business, disse que espera se reunir com o colega, o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, “na Ásia” antes da reunião entre Trump e Xi. No mês passado, antes da atual polêmica, ele havia indicado Frankfurt para a próxima rodada de negociações que visa estender a trégua de 90 dias, que expira no início de novembro. As conversas provavelmente estabelecerão as bases para concessões que resolvam o recente conflito.

Um grande ano para as ações dos EUA? Nem tanto, comparado ao resto do mundo

11 de Outubro de 2025, 12:41

Confira o ranking dos índices de ações com melhor desempenho neste ano — e os Estados Unidos não aparecem nem no Top 10. Nem no Top 25. Dobre essa lista, e o S&P 500 ainda estará ausente. É preciso chegar até a 66ª posição para o índice mais valioso do mundo aparecer — atrás até do Athex, da Grécia, e do TA-35, de Israel. É uma das piores performances relativas desde a crise financeira global.

A subperformance é ainda mais surpreendente considerando a alta de 11% do S&P 500 em 2025, com múltiplos recordes históricos. Mesmo assim, o índice americano fica atrás de outros mercados desenvolvidos, como o DAX da Alemanha e o Nikkei 225 do Japão, e também de índices da Coreia do Sul, Espanha e Gana, quando medidos em dólares.

Dólar cai e impulsiona bolsas estrangeiras

Esse último detalhe é crucial — embora não determinante. O dólar caiu 7,3% neste ano, o que ajudou a inflar os retornos de bolsas estrangeiras em termos de dólar. Esse é o principal fator por trás de ganhos de pelo menos 39% em países como Colômbia e Marrocos.

Mas mesmo em moeda local, o S&P 500 ocupa apenas a 57ª posição, um desempenho pouco condizente com um índice que abriga as seis empresas mais valiosas do mundo, além de gigantes como Coca-Cola, McDonald’s e Walt Disney.

Participantes do mercado afirmam que a fraqueza reflete também uma mudança de mentalidade entre investidores estrangeiros, que passaram a mirar “campeões domésticos” à medida que o presidente Donald Trump intensifica sua guerra comercial global. As tensões aumentaram na sexta-feira, quando ele renovou ameaças de tarifas à China. Mesmo dentro dos EUA, investidores estão sendo mais seletivos, focando em big techs em vez de índices amplos.

Some-se a isso uma crescente preocupação com a estabilidade política e fiscal do país. O pacote de gastos e cortes de impostos de Trump deve ampliar o déficit. O governo está paralisado desde o início de outubro, o presidente tem ameaçado a independência do banco central e as decisões de investimento público tornaram-se menos técnicas e mais políticas.

Esses fatores abalaram a confiança na economia americana, enfraqueceram o dólar e impulsionaram uma disparada no preço do ouro. Embora os rendimentos dos Treasuries de longo prazo não tenham subido na mesma proporção, permanecem elevados em relação aos últimos anos.

A deterioração fiscal dos EUA e a crescente incerteza política estão corroendo a confiança dos investidores, enfraquecendo o dólar e levando à busca por oportunidades fora do mercado americano, disse Jasmine Duan, estrategista sênior do RBC Wealth Management Asia.

Naturalmente, analistas há anos preveem uma rotação das ações dos EUA para o resto do mundo — previsões que raramente se concretizam. A recente queda do dólar desacelerou nas últimas semanas, à medida que tensões políticas aumentam em países como França, Japão e Argentina.

E embora o S&P 500 esteja bem atrás dos três líderes — Gana, Zâmbia e Grécia, todos com altas de pelo menos 61% — sua valorização de 11% em 2025 criou cerca de US$ 6 trilhões em valor de mercado, o equivalente a mais de um terço de toda a capitalização do índice europeu Stoxx 600.

Os EUA também vêm de dois anos consecutivos de ganhos acima de 20%, superando com folga índices como o Euro Stoxx 50 e o Nikkei 225. Considerando o período de 2022 a 2024, o S&P 500 ocupava o 10º lugar global em desempenho.

Europa e Ásia ganham espaço

Ainda assim, há razões claras para o avanço das bolsas fora dos EUA. As taxas de juros na Europa estão pela metade das americanas, o que garante financiamento mais barato às empresas. Além disso, as companhias negociam a valuations cerca de 35% menores que as dos EUA.

Na Alemanha, a Rheinmetall AG mais que triplicou de valor, impulsionando o DAX a uma alta de 22%, após o governo prometer mais gastos em defesa. Bancos europeus, antes defasados, foram revitalizados — o Banco Santander, na Espanha, quase dobrou de valor.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi subiu 50% no ano, à medida que investidores apostam que a nova política de incentivo a acionistas aumentará retornos. O país, destaque na fabricação de chips, tem campeões nacionais em inteligência artificial — como Samsung Electronics e SK Hynix, que se valorizaram após fechar acordos de fornecimento com a OpenAI.

A Ásia tem sido uma ótima plataforma de diversificação de portfólio e de busca por alfa dentro das classes de ativos, afirmou Sophie Huynh, gestora da BNP Paribas Asset Management.

No Japão, a expectativa de um novo premiê com postura pró-estímulo levou o mercado a recordes históricos. As ações da SoftBank Group dispararam 142%, puxando o Nikkei 225. Fabricantes de equipamentos de defesa, como Mitsubishi Heavy Industries e Japan Steel Works, também subiram com o otimismo sobre novos gastos públicos.

Gestores globais voltaram à China após anos de aversão, atraídos pelos avanços em alta tecnologia. Os planos da Alibaba para investir mais em IA e a ambição da Huawei de desafiar a Nvidia ajudaram as ações chinesas a registrar sua melhor sequência mensal desde 2018. O índice Hang Seng Tech acumula alta de 40% no ano — mais que o dobro do Nasdaq 100.

A forte recuperação do S&P 500 desde abril elevou as avaliações a níveis que preocupam e incentivam a diversificação. O índice negocia a 22 vezes o lucro projetado, um prêmio de 46% em relação ao resto do mundo. É também notoriamente concentrado: as gigantes de tecnologia e empresas correlatas respondem por mais de um terço do peso total.

Uma valorização de 53% desde o fim de 2022 deixou investidores estrangeiros superexpostos aos EUA.

Os investidores deveriam reequilibrar suas carteiras, realizando lucros nos EUA e aumentando a exposição à Europa, Ásia e emergentes, disse Kristina Hooper, estrategista-chefe da Man Group, o maior hedge fund listado em bolsa do mundo. Os EUA continuarão atrás dos outros mercados.

Por ora, os estrangeiros seguem comprando ações americanas em ritmo recorde, conforme o medo de recessão diminui. Isso faz sentido, já que as grandes protagonistas da febre da IA — como a Nvidia — estão sediadas lá.

Mas muitos estão redirecionando recursos. Uma pesquisa do Bank of America mostrou que, em setembro, investidores globais estavam com posição líquida 14% abaixo do peso médio em ações dos EUA, enquanto estavam 15% acima na zona do euro e 27% acima em emergentes.

Há também sinais de que os estrangeiros estão mais seletivos — e não é difícil entender por quê: apenas seis ações responderam por mais da metade dos ganhos do S&P 500 neste ano. Um índice alternativo, que elimina o viés de capitalização, sobe apenas 5,6% em 2025.

Os últimos dois anos foram apenas sobre os EUA, porque os lucros das techs dispararam enquanto o resto do mundo andava de lado, disse Beata Manthey, chefe de estratégia de ações globais do Citigroup. Neste ano, a diferença entre o trade de IA e o resto do mundo diminuiu — e vai diminuir ainda mais em 2026. Há muito mais temas para escolher agora.

Trump anuncia tarifas adicionais de 100% para importações chinesas em novembro

10 de Outubro de 2025, 18:46

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país vai impor uma tarifa adicional de 100% sobre as exportações chinesas para “todo e qualquer software crítico” a partir de 1º de novembro, horas após ameaçar cancelar uma reunião futura com o líder do país, Xi Jinping.

“Algumas coisas muito estranhas estão acontecendo na China! Eles estão se tornando muito hostis e enviando cartas a países em todo o mundo, dizendo que querem impor controles de exportação sobre todos os elementos de produção relacionados a terras raras e praticamente qualquer outra coisa que possam imaginar, mesmo que não seja fabricada na China.”

A declaração veio logo após Trump ameaçar impor ações comerciais contra a China, citando os controles “hostis” de exportação introduzidos por Pequim a minerais de terras raras. Trump também disse que parecia não haver “nenhuma razão” para prosseguir com a reunião planejada com Xi à margem da cúpula da APEC na Coreia do Sul no final deste mês, embora o momento das tarifas recém-anunciadas ainda deixe espaço para que essa reunião ocorra antes de entrarem em vigor.

As tarifas planejadas por Trump aumentariam os impostos de importação sobre produtos chineses para 130%. Isso seria um pouco abaixo do nível de 145% imposto no início deste ano, antes de ambos os países reduzirem as taxas em uma trégua para avançar nas negociações comerciais.

Os mercados reagiram negativamente aos comentários iniciais do presidente, que prenunciavam novas tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. O S&P 500 caiu mais de 1,5%. O Nasdaq 100 chegou a recuar 2,4%, a maior queda desde 30 de abril. Os contratos futuros de soja em Chicago recuaram 1,9%, para US$ 10,0275 o bushel, atingindo as mínimas da sessão após a publicação. A queda intradiária é a maior desde 7 de julho.

Antes da reunião planejada, tanto os EUA quanto a China agiram para potencialmente restringir os fluxos de tecnologia e materiais entre os países — o que era visto como uma forma de ganhar vantagem nas negociações.

Na ação mais recente, a China aplicou novas taxas portuárias a navios dos EUA e iniciou uma investigação antitruste contra a Qualcomm — após novos esforços para restringir o fluxo de minerais de terras raras necessários para fabricar diversos produtos de consumo, incluindo motores, semicondutores e jatos de combate.

O anúncio coloca em dúvida não apenas a agenda da viagem planejada por Trump à Ásia, que incluía uma reunião com Xi no final deste mês na cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, mas também o futuro das negociações sobre a recusa da China em comprar soja dos EUA, o que prejudicou os agricultores americanos.

“Esse vai e vem indica a fragilidade do relacionamento bilateral”, disse Wendy Cutler, ex-negociadora comercial dos EUA. “Não há nenhuma certeza de que a calma prevalecerá, levando a uma redução da tensão a tempo” da reunião planejada entre os líderes.

Trump x Xi: a guerra comercial

Materiais de terras raras têm estado no centro das disputas comerciais entre Washington e Pequim. Depois que Trump aumentou as tarifas sobre as importações chinesas no início deste ano, o governo chinês respondeu cortando as exportações de minerais para empresas americanas. Autoridades de ambos os lados concordaram com uma trégua na primavera, sob a qual Trump reduziu as tarifas e as autoridades de Xi concordaram em retomar o fluxo dos minerais.

Mas na quinta-feira, a China exigiu que exportadores estrangeiros de itens que utilizam traços de certas terras raras obtenham uma licença de exportação, de acordo com o Ministério do Comércio, alegando preocupações com a segurança nacional. Alguns equipamentos e tecnologias para processamento de terras raras e fabricação de ímãs também estarão sujeitos a controles, informou o ministério em um comunicado separado.

Sem detalhar os próximos passos dos EUA, Trump disse que seria “forçado” a “combater financeiramente” a iniciativa, descrita no que ele disse serem cartas da China para outros parceiros comerciais. “Para cada Elemento que eles conseguiram monopolizar, temos dois”, publicou Trump.

Os comentários de Trump marcam uma mudança abrupta de tom, mesmo em relação à quinta-feira, quando ele expressou otimismo de que poderia convencer Xi a acabar com a moratória da China sobre as compras de soja dos EUA e disse sobre o líder chinês: “ele tem coisas que quer discutir comigo, e eu tenho coisas que quero discutir com ele”.

As tensões entre os EUA e a China oscilam há meses, enquanto os dois lados disputam poder em uma série de questões em negociação, incluindo tarifas, combate ao fluxo de fentanil, soja, controles de exportação e o destino das operações americanas da gigante chinesa de mídia social TikTok. A mais recente trégua comercial entre as economias suspendeu as elevadas tarifas americanas sobre a China até novembro.

“Nossa relação com a China nos últimos seis meses tem sido muito boa, o que torna esta mudança no comércio ainda mais surpreendente”, disse Trump em sua publicação na Truth Social nesta sexta-feira. “Sempre achei que eles estavam à espreita, e agora, como sempre, estou certo!”

Trump afirmou ter ouvido de outros parceiros comerciais globais que, segundo ele, receberam cartas semelhantes e estavam “extremamente irritados com essa grande hostilidade comercial” da China.

O presidente também expressou aborrecimento com o momento das cartas chinesas, que chegam enquanto ele planeja visitar o Oriente Médio para anunciar um acordo de paz que ele ajudou a intermediar entre Israel e o Hamas.

“As cartas chinesas foram especialmente inapropriadas porque este foi o dia em que, após três mil anos de confusão e luta, houve PAZ NO ORIENTE MÉDIO”, escreveu Trump.

Trump contra a China e quadro fiscal no Brasil: nervosismo no mercado cresce e dólar vai a R$ 5,51

10 de Outubro de 2025, 17:24

Novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China e mais preocupações dos investidores com o quadro fiscal brasileiro. Esses foram os motivos para os mercados encerrarem a semana sob forte pressão, com o dólar batendo o nível mais alto em sete meses e o Ibovespa estacionando na faixa dos 140 mil pontos.

A moeda americana terminou a sessão com alta de 2,4%, em R$ 5,503, após bater os R$ 5,51 no dia. Na semana, subiu 3%. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas fortes – euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço –, cai 0,6%.

A tendência do dólar no acumulado do ano ainda é de queda. Em 2025 até hoje, a baixa já está em 11%. O grande ponto de atenção, na visão de profissionais do mercado, é que a moeda americana ainda é uma boa alternativa aos investidores que querem diminuir a exposição a ativos de risco no curto prazo. É também a razão para a disparada de metais preciosos, como o ouro, que ultrapassou a marca histórica de US$ 4 mil a onça-troy.

E a busca por ativos mais seguros não ficou restrita ao mercado de câmbio. As bolsas americanas também refletiram a debandada dos investidores e os três principais índices de Wall Street ficaram no vermelho: o Dow Jones caiu 1,9%, o S&P 500 cedeu 2,7% e o Nasdaq teve baixa de 3,6%.

Na mesma toada, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,73%, aos 140.860 pontos, depois de ultrapassar os 144 mil pontos na semana. Em cinco dias, a baixa do índice foi de 2,4%.

Até ontem, a queda do dólar na semana estava na casa dos 0,5%. A fuga de mercados e ativos mais arriscados cresceu hoje, após Trump voltar a ameaçar a China com aumento de tarifas comerciais. A investida veio como resposta à decisão do gigante asiático de impor novas restrições às exportações de terras raras, como a exigência de licenças de exportação e mais controles sobre equipamentos usados no processamento dos materiais.

O presidente americano não apenas acusou a China de deixar o mundo “refém” da sua política, como reacendeu o medo de uma nova escalada dos conflitos comerciais em retaliação. E tudo isso às vésperas de uma reunião entre o governo americano e o chinês na Coreia do Sul – encontro que Trump diz “não ter mais motivo”.

Riscos fiscais de volta ao jogo

Não bastasse o exterior, o momento é de bastante nervosismo entre profissionais de mercado em relação às contas públicas do Brasil, sobretudo depois que o governo perdeu a batalha no aumento de impostos a partir da Medida Provisória 1303.

A MP, que aumentava os tributos de diversas aplicações financeiras, era a cartada que o governo Lula tinha na mão para compensar a tentativa frustrada de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Câmara dos Deputados sequer votou o texto, que perdeu validade. Com isso, cai por terra a alternativa que permitiria a arrecadação de R$ 17 bilhões para o ano que vem.

A partir daqui, sobram dúvidas de qual caminho o governo vai seguir para cumprir a meta fiscal, que é de superávit de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito que não haverá mudança na meta mesmo que o Congresso derrubasse a MP.

Preço do cobre recua com Trump ameaçando impor novas tarifas à China

10 de Outubro de 2025, 14:25

O preço do cobre despencou nesta sexta-feira (10), depois que o presidente Donald Trump ameaçou aumentar as tarifas da China, que é o maior comprador mundial do metal.

O valor do cobre caiu quase 5%, ficando abaixo de US$ 10.400 a tonelada na Bolsa de Metais de Londres, na maior queda em cinco meses. A medida anulou os ganhos que levaram os preços a uma máxima na quinta-feira (9).

Os comentários de Trump em uma publicação nas redes sociais geraram turbulência nos mercados financeiros, com as ações caindo acentuadamente nos EUA, enquanto os títulos e o ouro se valorizaram.

Os traders de cobre são sensíveis às preocupações com a economia global, devido ao amplo uso do metal na indústria e ao seu papel fundamental na crescente eletrificação mundial.

A queda do preço nesta sexta-feira (10) reverteu uma alta impulsionada por grandes contratempos em grandes minas de cobre no Chile, República Democrática do Congo e Indonésia.

Escassez de cobre

Com outros projetos também enfrentando dificuldades para atingir as metas de produção, os investidores apostavam que o mercado poderia estar caminhando para uma profunda escassez.

Trump disse que não via “nenhum motivo” para se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, em uma reunião agendada na Coreia do Sul no final deste mês, citando controles “hostis” à exportação de minerais de terras raras. “Uma contramedida que os EUA estão considerando é um aumento maciço de tarifas sobre produtos chineses que entram nos Estados Unidos da América”, disse ele.

A publicação ocorre após uma série de medidas tomadas pelos EUA e pela China para potencialmente conter os fluxos de tecnologia e materiais entre os países.

Os preços haviam subido para US$ 11.000 na quinta-feira, cerca de US$ 100 abaixo da máxima histórica atingida em maio do ano passado.

Operação salva-vidas: EUA e Argentina firmam acordo de swap de US$ 20 bilhões

9 de Outubro de 2025, 16:36

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os EUA finalizaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o banco central argentino. O anúncio foi feito em uma publicação por meio da rede social X nesta quinta-feira (9).

Bessent também informou que os EUA compraram diretamente pesos argentinos nesta quinta como parte de seu apoio ao país, alinhado estrategicamente de Donald Trump, o presidente americano.

“O Tesouro dos EUA está preparado, imediatamente, para tomar quaisquer medidas excepcionais que se mostrem necessárias para proporcionar estabilidade aos mercados”, disse Bessent.

A negociação entre os aliados políticos se desenhava há algumas semanas. Com a transação, os EUA receberam pesos argentinos como garantia.

O peso argentino subiu recentemente 0,6%, para 1.421,49 por dólar, após cair 2,6% no início do dia, de acordo com a Tullett Prebon. Não ficou claro se a recuperação foi impulsionada pela compra dos EUA e pelos rumores entre os operadores de que o banco central argentino interviria para dar suporte ao peso.

O presidente da Argentina, Javier Milei esteve nesta quinta-feira (9) na província de Mendoza para a realização de um evento de campanha para as eleições legislativas de 26 de outubro. Ele respondeu ao secretário do Tesouro americano no X:

Thank you @secscottbessent for your strong support for Argentina, and thank you President Donald Trump @realDonaldTrump for your vision and powerful leadership. Together, as the closest of allies, we will make a hemisphere of economic freedom and prosperity. We will work hard… https://t.co/IsYB1PDVFW

— Javier Milei (@JMilei) October 9, 2025

Embora o swap cambial seja visto por alguns como uma opção mais segura, economistas e analistas acreditam que a engenharia pode colocar os EUA em risco de não receberem o dinheiro emprestado integralmente.

Além disso, os especialistas argumentam que o peso está supervalorizado, apontando para taxas de câmbio do mercado paralelo que são ainda menos favoráveis ​​aos detentores de pesos do que a taxa oficial.

Alinhamento estratégico

Milei, que assumiu a presidência argentina ao final de 2023, recebeu elogios do presidente Donald Trump e dos conservadores americanos por cortar gastos e assumir uma posição de combate à esquerda. Suas políticas ajudaram a reduzir a inflação mensal para 1,9% em julho, de quase 26% quando assumiu o cargo.

Por outro lado, a taxa de desemprego também aumentou, o que prejudicou seu partido nas últimas eleições disputadas na província de Buenos Aires.

Economista libertário, Milei tem status de estrela do rock no MAGA World por seu fervor na luta contra as guerras culturais e nos cortes de gastos governamentais.

Milei tem enfrentado crescente indignação na Argentina nas últimas semanas por suas medidas de austeridade. Agora, os aliados de seu partido enfrentam eleições legislativas de meio de mandato em 26 de outubro. O presidente argentino espera que conquistar mais assentos no Congresso para seguir tocando sua reforma econômica no país.

O economista Roberto Cachanosky, que está concorrendo a uma cadeira no Congresso pela oposição, acusou os EUA de estarem efetivamente tentando ajudar o presidente argentino nas próximas eleições.

“Se os EUA tiveram que intervir nos mercados de câmbio para impedir que o dólar subisse, isso mostra o quão pouco este governo realmente acredita em um mercado livre — e a confusão monetária que eles criaram”, afirmou ele na rede social X.

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China não comprou um grão sequer da nova safra de soja dos EUA — e Trump vai correr atrás do prejuízo

3 de Outubro de 2025, 14:16

Para os agricultores dos Estados Unidos, chuvas abundantes que garantem uma supersafra normalmente seriam boas notícias. Mas isso não fará diferença em 2025 se a China — maior compradora de soja do mundo — não levar um único grão.

Em meio à guerra comercial reaberta pelo governo Trump, os EUA devem perder ainda mais participação de mercado para a América do Sul, especialmente para o Brasil — talvez de forma permanente.

“Essa teoria de dor de curto prazo para ganho lá na frente não está funcionando, e não vai funcionar”, disse Ed Hodgson, agricultor de 1.500 acres no Kansas, que planta soja desde 1967.

Quando Donald Trump anunciou em abril tarifas sobre a maioria dos países — com foco em parceiros como China, México e Canadá — Hodgson viu como um “desastre” para o campo. E não acreditou na promessa de preços melhores.

Nos últimos cinco anos, a China respondeu por 52% das compras de soja dos EUA, lembrou o produtor. Em 2025, não comprou nada por causa das tarifas e da guerra comercial. “Nosso mercado de exportação à China foi dizimado e o preço despencou”, disse.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), até agora a China não adquiriu soja da safra 2025/26. No mesmo período do ano passado, já havia comprado 6,8 milhões de toneladas — o que equivale a cerca de 250 milhões de bushels (a unidade padrão de negociação na Bolsa de Chicago, cada bushel equivale a 27,2 quilos de soja).

Tarifa pesa, Brasil avança

A combinação de tarifas retaliatórias de 20%, impostos de valor agregado e taxas de nação mais favorecida elevaram a carga sobre a soja americana para 34% em 2025, segundo a Associação Americana de Soja. Resultado: a soja dos EUA ficou “proibitiva” frente à oferta mais barata de Brasil e Argentina.

“É um mercado que perdemos e provavelmente nunca vamos recuperar”, resumiu Hodgson.

De fato, a mudança estrutural já dura 15 anos, com a China migrando para a soja brasileira, segundo Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da StoneX. 

A desvalorização do real impulsionou a produção no Brasil, barateando o grão. Além disso, Pequim investiu bilhões em infraestrutura agrícola no país, para garantir abastecimento rápido e constante.

Bioenergia pode ajudar — mas não resolve

Uma saída parcial para os EUA pode vir do programa de biocombustíveis, que aumenta a demanda doméstica por óleo de soja usado em biodiesel. A produção americana de diesel renovável subiu de 1,47 bilhão de galões em 2013 para 4,29 bilhões em 2023, segundo a Associação Americana de Soja.

Ainda assim, a capacidade de processamento doméstico não chega perto de substituir o que antes ia para a China. “Não dá para simplesmente apertar o botão. Levará anos para construir a infraestrutura necessária”, disse Suderman.

Armazéns lotados e preços baixos

Sem a China, os EUA enfrentam excesso de oferta e preços em queda. No mercado futuro de Chicago, a soja para novembro foi negociada a US$ 10,13 por bushel. Mas produtores como Hodgson dizem que na prática recebem cerca de US$ 9 — bem abaixo dos US$ 14 a US$ 15 que seriam sustentáveis, sobretudo diante da alta de fertilizantes, sementes e máquinas.

“Todo mundo quer comida barata, mas isso não é porque o agricultor está ganhando dinheiro”, disse Hodgson.

Enquanto isso, Trump prometeu discutir o tema diretamente com o presidente chinês Xi Jinping nas próximas semanas e acena com um pacote de US$ 10 bilhões em ajuda aos fazendeiros, possivelmente financiado com receitas de tarifas. Até lá, os armazéns do Meio-Oeste seguem cheios de soja que ninguém parece querer.

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Por que essa cidade americana está perdendo a paciência com os cachorros

3 de Outubro de 2025, 06:00

A violinista Rose Crelli adora cachorros. Ela cresceu com cães de trenó no Alasca e sempre acaricia um na rua. Se tivesse que dar uma nota de 1 a 10 para o seu amor, seria 10.

Mas Crelli, de 29 anos, começou a achar que talvez São Francisco seja muito amigável com cachorros. Enquanto ela e uma amiga tomavam café no parque Alamo Square, a dupla foi abordada por cinco cães diferentes, sem coleira, em uma área que exige o uso de coleira. O último, um golden retriever, deixou Crelli furiosa.

“Ele literalmente se lançou sobre o meu doce, lambeu e o cobriu de baba”, disse ela. O dono do cachorro viu tudo e continuou andando.

São Francisco é para amantes de cães. Possui amplos espaços verdes, guloseimas atrás de cada balcão e praias onde os cães podem correr e se refrescar nas ondas. Mas os amantes de cães, os que odeiam cães e os que são neutros em relação a eles estão se encontrando em uma aliança desconfortável contra um grupo que, segundo eles, está explorando a tolerância da cidade.

Patas estão nos balcões das cafeterias e ninguém se mexe. Croissants estão sendo roubados das mãos de clientes famintos por labradores pretos ainda mais famintos. Os corredores da Target e da Trader Joe’s estão cheios de “animais de serviço” que parecem não se lembrar de muita coisa do seu treinamento.

Ralph Migdal diz que os moradores locais esperam cada vez mais levar seus cães para qualquer lugar, o que ele não se importaria se seus donos tomasse conta dos cachorros.

O homem de 63 anos estava em um colchonete fazendo abdominais em sua academia quando o cachorro de alguém se aproximou e o lambeu. “Eu simplesmente não acho legal levar uma lambida na cara na academia”, disse Migdal. Quando alertou o dono, que estava ao celular, ele disse: “Desculpe, cara”. E só.

Chandra Wilson se mudou para São Francisco em parte por causa da aceitação dos cães por lá. Profissional de biotecnologia, Wilson tem uma Dachshund com 64.000 seguidores no Instagram.

Wilson leva Clementine para todos os lugares onde ela possa entrar, incluindo restaurantes e butiques. Foram ao zoológico no dia do cachorro e várias pessoas comentaram que Clementine se comportava melhor do que crianças.

Wilson espera que os cães tenham etiqueta básica. Há alguns meses, em uma loja Target em São Francisco, ela observou um comportamento impróprio para um animal de serviço.

“Vi o cachorro fazendo cocô, que ficou no chão, ninguém recolheu”, diz Wilson, 33 anos. “As pessoas ficaram um pouco perplexas.”

O gerente de uma loja Trader Joe’s local diz que o volume de cães andando pelos corredores é incontrolável.

Clare O’Malley, que trabalha com finanças e acabou de se mudar de Chicago para a região, não tem cachorro, mas descobriu que São Francisco é a cidade mais amigável a cães que já viu. “Eu não esperava encontrar cachorros em bares esportivos”, diz ela.

Enquanto estava do lado de fora de uma cafeteria com uma amiga em agosto, acariciando um cachorro, O’Malley, 33, observou dois labradores pretos se aproximando, “parecendo tão dóceis e despretensiosos”.

Num piscar de olhos, um deles pulou e arrancou um croissant da mão de um homem. O’Malley conta que o dono confessou que aquela não era a primeira vez. “É como se fosse uma coisa comum”, diz O’Malley. “Aquele cachorro é conhecido por roubar croissants e agir com inocência.”

Um cão brinca com seu dono num parque em São Francisco nos Estados Unidos
Foto: The Wall Street Journal

Comportamento dos cães

Como presidente do conselho do grupo de voluntários do Parque Lafayette, Steffen Franz ouve todo tipo de reclamação sobre cães. Franz, que também mora do outro lado da rua, diz que não é incomum ouvir latidos descontrolados ou pessoas ao celular enquanto seus cães se perdem em áreas que exigem coleiras.

“O contrato social para posse de cães se desgastou”, diz ele. Os donos de cães costumavam se respeitar. Mas a Covid inaugurou uma nova era de direitos.

“Antigamente, parecia que, se seu cachorro se comportasse mal, um grupo de pessoas vinha até você e dizia: ‘Ei, cara, isso não é legal'”, diz Franz, dono de Aroux, um pastor alemão mestiço. “Agora sinto que todo mundo vira as costas.”

As ligações para o Departamento de Parques e Recreação de São Francisco sobre cães sem coleira aumentaram 6% no último ano em comparação com o ano anterior, embora ainda sejam raras.

O passeador de cães Chris Laraway raramente vê cães se comportando mal. “Os cães de São Francisco estão indo bem”, ele diz. “São as pessoas que estão exagerando.”

Ele leva cães para estabelecimentos e eventos locais. Frequentemente, os funcionários os convidam para entrar. Uma mulher certa vez gritou com ele quando um Bernedoodle de 23 quilos pulou em uma cama em um leilão de espólio. “Não é como se eu o deixasse fazer isso”, diz ele. “Ele está sendo um cachorro.”

Xenia Giol, uma treinadora de cães local, sente-se dividida; ela quer que os cães vivam suas melhores vidas, mas acredita que alguns donos precisam assumir mais responsabilidade.

Recentemente, em um Whole Foods, Giol viu um funcionário confrontar um cliente, dizendo que cães não eram permitidos. O dono disse que o cão era um animal de serviço e foi embora.

“Então, eles colocaram o cachorro no carrinho de compras”, conta Giol.

Em outra ocasião, no Dolores Park, um amigo descreveu a Giol como um grupo de amigos da tecnologia comemorando um aniversário circulava em volta de um bolo de aparência cara.

Assim que terminaram de cantar, um cachorrinho correu para o bolo, deu uma mordida e saiu correndo, deixando o grupo sem palavras. “Era o meu cachorro”, diz Giol sobre seu poodle mini, um labrador e um shih tzu. “Não levo mais meu cachorro ao parque.”

Venezuelanos começam a abandonar Miami em massa após medidas de Trump contra imigração

30 de Setembro de 2025, 06:00

A casa de dois andares com telhado de terracota, em um condomínio fechado conhecido como Doral Landings East (EUA) parecia ideal para a família venezuelana de quatro pessoas que se mudou para lá há dois anos. Os vizinhos ficaram surpresos quando um dia a família desapareceu sem pagar o aluguel, segundo o proprietário, e deixando grande parte dos móveis para trás.

Um a um, venezuelanos e outros imigrantes começam a sair de Doral, um subúrbio de Miami às portas dos Everglades, conhecido por um resort de Trump, onde o presidente planeja sediar a cúpula do G-20 no ano que vem.

Muitos venezuelanos foram para lá com permissão legal temporária para trabalhar nos EUA. A liberação era parte de uma série de programas de imigração expandidos pelo governo Biden. O governo Trump está tentando revogar essa permissão, deixando mais de um milhão de estrangeiros de vários países em algum tipo de limbo legal, dependendo de seu tipo de status.

Poucos lugares nos EUA estão sentindo os efeitos da mudança na política de imigração de forma mais aguda do que Doral, onde cerca de 40% de seus 80.000 habitantes nasceram na Venezuela ou são descendentes de venezuelanos.

Alguns venezuelanos vivem ali há décadas, eventualmente se tornando cidadãos americanos e com filhos nascidos nos Estados Unidos. Outros são recém-chegados que construíram suas vidas na cidade nos últimos anos, graças aos programas temporários do governo.

Alguns dos esforços do governo Trump foram frustrados por um tribunal de apelações, mas muitos imigrantes estão partindo mesmo assim, sem saber se poderão ficar.

Casas vazias em Miami

As taxas de vacância de apartamentos em municípios ao redor de Doral são de 4,3%. Mas em Doral mesmo, essa taxa subiu de 5,6% para 6,5% no final do ano passado.

Em alguns edifícios de Doral, a taxa de vacância é muito maior — mais de 10% em alguns casos.

Corretores de locação de prédios dizem que as vagas são motivadas por venezuelanos que fugiram. Os aluguéis em Doral caíram para o menor nível em três anos.

“Todos estão me dizendo: ‘Não posso ficar, meu status temporário está expirando'”, disse Maria Eugenia Nucete, corretora imobiliária venezuelana-americana que trabalha em Doral há décadas. Em março, ela perdeu um inquilino venezuelano que se mudou para a Itália, disse ela.

A prefeita de Doral, a republicana Christi Fraga, diz que o aumento nas vagas reflete uma combinação de fatores, embora imigrantes que estão deixando a cidade por medo de serem pegos por agentes federais também seja um fator.

“Conheço pessoalmente algumas famílias que se autodeportaram. Seu status era incerto e elas não queriam ficar aqui ilegalmente”, disse Fraga. “Tenho certeza de que isso afetará o mercado imobiliário até certo ponto.”

Aqueles que partem frequentemente deixam para trás casas, móveis, empregos e os resquícios de novas vidas. Alguns migrantes que conversaram com o The Wall Street Journal afirmam ter planos de se mudar para a Itália e a Espanha. Alguns até voltaram para a Venezuela, de acordo com uma corretora imobiliária que disse que seu cliente entregou as chaves do apartamento e deixou todos os móveis para trás.

“Nossos planos ruíram”, disse Gabriela Hernandez, de 26 anos, que afirmou que vai deixar Doral no mês que vem. Hernandez e o namorado moravam juntos em um apartamento novo de um quarto com varanda com vista para casas de milhões de dólares. Ele trabalhava como corretor de seguros e ela, como executiva de marketing em um escritório de advocacia.

O namorado dela, que esperava perder a permissão temporária, já saiu da cidade, dirigindo no meio da noite para evitar problemas com agentes federais, disse Hernandez.

Hernandez, que chegou da Venezuela há quase uma década, disse que está legalmente nos EUA enquanto aguarda a tramitação do seu pedido de asilo no sistema judicial.

O casal agora planeja se mudar para a Espanha assim que economizarem o suficiente, juntando-se ao êxodo de venezuelanos que estão deixando seu prédio em Doral, de acordo com moradores.

Status imigratório

Os proprietários de prédios de apartamentos em Doral dizem que querem saber o status imigratório de uma família antes de permitir que ela alugue. Muitos administradores de prédios estão recusando famílias, preocupados que uma decisão judicial possa, de repente, significar que ela esteja vivendo ilegalmente nos EUA.

A Lei de Moradia Justa do governo dos EUA, promulgada em 1968, proíbe a discriminação na venda e no aluguel de imóveis. Recusar pessoas por serem da Venezuela corre o risco de violar essa lei, afirmou Courtney Cunningham, advogado especializado em moradia justa em Miami.

“Pode ser visto como discriminação racial ou como um caso envolvendo alegações de discriminação com base na nacionalidade”, disse ele.

Os imigrantes representam uma parcela substancial da população de inquilinos no sul da Flórida, afirmou Juan Arias, diretor de análise de mercado da empresa de dados CoStar Group, acrescentando que 70% dos imigrantes que chegaram desde 2010 são inquilinos.

Em julho, a família de quatro pessoas em Doral Landings East fugiu de sua casa alugada de quatro quartos devido a problemas de imigração, de acordo com o proprietário. Eles pararam de pagar o aluguel de US$ 4.000 porque haviam gastado boa parte do dinheiro para pagar assistência jurídica, disse o proprietário. A família foi embora e levou mobílias e pertences pessoais. Vanesa Eguillor, corretora imobiliária do proprietário, que trabalha na área há 20 anos, disse: “Nunca vi nada parecido”.

Como a paralisação do governo americano pode atrapalhar a vida de quem planeja aproveitar o outono nos EUA

29 de Setembro de 2025, 20:15

Viajantes que adiaram as férias de verão para aproveitar custos mais baixos e menos multidões neste outono podem ter uma surpresa desagradável se a paralisação do governo começar esta semana. É que a falta de acordo entre Democratas e Republicanos no parlamento promete paralisar o funcionalismo público do país em outubro – o chamado shutdown. E isso pode prejudicar diretamente quem está com viagem marcada para os Estados Unidos ou dentro do país.

O que está em jogo é que o ano fiscal americano começa no dia 1º de outubro. É nesta data que o governo anuncia o orçamento que as agências federais americanas terão à disposição pelos próximos 12 meses. Se o orçamento não for aprovado, então os pagamentos dos serviços públicos simplesmente deixam de ser feitos. E isso pode simplesmente paralisar as atividades do governo.

Justamente nessa data é que muitos viajantes costumam desembarcar nos aeroportos americanos, aproveitando-se do início da baixa temporada – e dos descontos nas passagens.

Embora controladores de tráfego aéreo e agentes de segurança de aeroportos sejam considerados trabalhadores essenciais – e por isso sejam obrigados a continuar trabalhando durante a paralisação –, nenhum dos grupos recebe pagamento até que o financiamento seja restabelecido. Isso pode resultar em filas de segurança mais longas ou até mesmo voos cancelados se a paralisação durar mais do que algumas semanas.

Durante a paralisação de 35 dias entre 2018 e 2019, houve um aumento no número de controladores que ligaram dizendo que estavam doentes, o que causou atrasos em voos de diversos aeroportos, incluindo La Guardia, Newark e Filadélfia, em Nova York, pouco antes do financiamento ser restaurado no final de janeiro.

Enquanto isso, o absenteísmo entre os agentes de segurança do aeroporto aumentou de 3% para 10%, o que resultou em filas mais longas para os viajantes.

Provavelmente, essa é a pior situação para os viajantes após uma paralisação. Os passaportes continuarão sendo processados, já que isso é pago por taxas. As inspeções de segurança continuarão, assim como a manutenção e a operação dos auxílios à navegação usados ​​por controladores e pilotos.

Outros impactos serão mais indiretos, como o potencial agravamento da escassez de controladores de tráfego aéreo a longo prazo. Embora o treinamento inicial para novos recrutas nas instalações da agência em Oklahoma City continue, o treinamento de campo adicional nos centros de controle será suspenso até que o financiamento seja retomado. As contratações também serão suspensas.

Se a paralisação terminar rapidamente, esses atrasos podem não ter um impacto de longo prazo no número de controladores de tráfego aéreo. Mas, com poucos sinais de comprometimento, as chances de uma paralisação estão atualmente em 73% no site de apostas Polymarket.

Analistas do Bank of America escreveram na semana passada que esperam que a paralisação não dure mais do que duas semanas “porque achamos que os democratas não estarão dispostos a incorrer no custo político de uma longa paralisação antes das eleições de meio de mandato do ano que vem”.

Outros preveem que a medida se arrastará por muito mais tempo, já que não há um prazo final para se chegar a um acordo. Isso poderia resultar em até 40% dos mais de dois milhões de funcionários públicos federais afastados, e em um sofrimento muito mais generalizado do que longas filas no aeroporto.

Fundo árabe e genro de Trump fecham capital da Electronic Arts. Acordo avalia EA em US$ 55 bilhões

29 de Setembro de 2025, 11:13

 A produtora de videogames Electronic Arts (EA) anunciou nesta segunda-feira (29) acordo para de US$ 55 bilhões com um grupo de investidores para fechar seu capital, marcando uma das maiores aquisições do setor.

O acordo prevê que a produtora de “Battlefield” será comprada por um consórcio é formado pela empresa de investimentos de risco Silver Lake, pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita  (PIF) e pela Affinity Partners, contro

Acionistas da Electronic Arts

O negócio é a maior aquisição alavancada da história. Os acionistas da Electronic Arts receberão US$ 210 por ação em dinheiro, o que representa um prêmio de 25% em relação ao preço de fechamento na quinta-feira passada, antes do surgimento de rumores na mídia sobre a transação.

A oferta chega em um momento crucial para a Electronic Arts, que está se preparando para lançar a nova versão do game de simulação de guerra “Battlefield 6”.

A transação, que deverá ser concluída no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, será financiada por uma combinação em dinheiro do PIF, Silver Lake e Affinity Partners, bem como por uma transferência da participação existente do PIF na EA.

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