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Sem referência dos EUA, juros futuros intermediários e longos sobem quase 20 pontos-base à espera de ata do Copom

19 de Junho de 2026, 18:16

A curva de juros futuros estendeu em alta pela terceira sessão consecutiva sem a referência dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) por conta do feriado de Juneteenth.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,255% ante 14,235% do fechamento anterior, leve alta de 2 pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,940% ante 14,765% do fechamento anterior, avanço de quase 18 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 18,5 pontos-base e terminou o dia a 14,650% ante 14,465% do fechamento da última quinta-feira (18).

O que mexeu com os DIs hoje?

A “rolagem” do horizonte relevante do Banco Central para a convergência à meta de inflação no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) continuou a pressionar as taxas de DIs de longo prazo.

Para analistas, o comunicado da decisão foi ‘confuso’, gerou ruídos e pareceu sugerir que o BC quer cortar novamente a Selic em agosto, a despeito da piora das expectativas de inflação.

No mercado, a expectativa é de que a ata de decisão, a ser divulgada na manhã de terça-feira(23), corrija o ruído gerado pelo comunicado.

As tensões geopolíticas também voltaram a concentrar as atenções após o cancelamento das negociações entre Estados Unidos e Irã e do encontro de autoridades dos dois países na Suíça para a assinatura oficial do acordo de paz.

Além do impasse nas negociações, os combates entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano se intensificaram durante a madrugada, com mais de 18 pessoas mortas em ataques israelenses e quatro soldados israelenses mortos em um dos ataques mais letais realizados pelo grupo apoiado pelo Irã durante esta guerra.

Teerã condenou os ataques israelenses ao Líbano e alertou sobre suas consequências para a paz e a segurança na região, afirmando que os Estados Unidos são diretamente responsáveis pela situação.

Renda fixa e bolsa: como ficam os investimentos com os novos rumos das taxas de juros

19 de Junho de 2026, 13:10

A Superquarta das decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos deixou uma mensagem dividida para investidores tanto na renda fixa como na variável.

No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e manteve aberta a possibilidade de novas reduções. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, banco central americano, manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, mas as projeções dos dirigentes voltaram a colocar no radar a chance de altas ainda em 2026.

O efeito imediato foi de pressão sobre o dólar e cautela com ativos de risco. Na quinta-feira (18), a moeda americana subiu para R$ 5,18, alta de 1,16%, enquanto a bolsa brasileira fechou em leve queda.

“A expectativa já era que o Fed mantivesse os juros. O grande ponto foi falarem em alta de juros ainda neste ano nos EUA”, disse Celson Placido, CIO da Apent, holding controladora do Clube FII e da Autem Investimentos. “Isso gera aversão ao risco e contribui para jogar o dólar para cima. Além disso, esse (menor) diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a afetar o nosso mercado.”

Renda fixa segue atrativa

Na renda fixa, com a Selic em 14,25% ao ano, as taxas nominais e reais continuam elevadas.

Para médio e longo prazo, títulos IPCA+ seguem interessantes por causa das taxas em patamares historicamente elevados, mas exigem cuidado com a chamada marcação a mercado. A taxa contratada vale para quem carrega o papel até o vencimento. Se o investidor precisar vender antes, o preço do título pode oscilar e até gerar perda se os juros futuros subirem, como tem sido o caso.

“Olhando para o médio e longo prazo, o IPCA+ segue extremamente interessante. Também tem taxa prefixada curta [com vencimento no curto prazo] atrativa”, disse Placido.

Nas cotações consultadas no Tesouro Direto, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 era vendido na quinta a uma taxa de 8,41% ao ano acima da inflação, renovando sua máxima histórica.

Nos prazos mais longos, o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050 mostraram leves recuos, mas ainda fecharam com taxas de 7,50% e 7,18% na quinta-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 era oferecido a 14,78% ao ano, ante 14,67% no dia anterior.

Para recursos pensados para formar reserva de emergência, caixa e capital de curto prazo, Placido afirma que os produtos pós-fixados de alta liquidez, como Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI com liquidez diária, seguem sendo os mais indicados.

A equipe de renda fixa da XP Investimentos também identifica oportunidades na classe. Em relatório, os analistas afirmam que a combinação de carrego elevado, spreads (prêmio de risco) em ajuste e fundamentos ainda resilientes reforça a atratividade dos títulos.

“Recomendamos prazo médio de até 6 anos, principalmente nos títulos indexados à inflação, privilegiando exposição a emissores com métricas de crédito de qualidade. O cenário atual exige maior disciplina na alocação”, comentam os analistas.

Na curva de juros (que reflete as apostas para as taxas nos próximos anos), a reação tende a ser diferente por prazo. Na chamada ponta curta, em papéis de renda fixa de vencimento no curto prazo, a possibilidade de mais um corte pode favorecer a queda das taxas.

Nos contratos com vencimentos mais longos, riscos de inflação, fiscal e câmbio mantêm os prêmios elevados: se o investidor puder carregar papéis como IPCA+ até o vencimento, terá chance de contratar retornos mais elevados.

Bolsa ainda exige seletividade

Na bolsa, o corte da Selic tende a favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico, como as de varejo, construção civil, consumo e companhias dependentes de crédito. Juros menores reduzem o custo de capital e melhoram o valor presente dos fluxos de caixa, o que se traduz em preços mais altos.

Mas o espaço para cortes, ainda que estejam no radar, é menor do que o esperado no começo do ano. O impacto para tais empresas, portanto, não deve ser muito significativo.

E o Fed com abordagem mais rigorosa limita o otimismo. Se os juros americanos subirem, ou se o mercado continuar precificando um aperto adicional, o dólar tende a ganhar força e o apetite por risco diminui. Isso pesa sobre emergentes e pode reduzir o fluxo para a bolsa brasileira.

Nesse ambiente, a seletividade continua a exercer importância. Empresas com geração de caixa, baixa alavancagem, balanços sólidos e boa previsibilidade de receitas tendem a atravessar melhor a volatilidade do que companhias muito dependentes de uma queda rápida dos juros.

A síntese é que a renda fixa continua oferecendo prêmios elevados, mas exige atenção ao prazo. A bolsa pode se beneficiar se o câmbio aliviar e a curva de juros – com as projeções da taxa ao longo dos próximos anos – cair, mas segue vulnerável ao exterior. E o dólar virou uma variável-chave a ser monitorada para entender até onde o ciclo de cortes da Selic ainda pode ir.

O que esperar do dólar e seus efeitos

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o ponto de atenção mais imediato para investidores no câmbio é o DXY, índice que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes. Quando o índice sobe, mercados emergentes costumam sentir pressão sobre câmbio, juros futuros e fluxo estrangeiro de capital para ativos.

O DXY voltou a testar a região dos 100 pontos, considerada técnica e psicologicamente relevante para os participantes do mercado.

“Se o DXY começar a bater nos 101 pontos, isso pode levar a uma arrancada do dólar, gerar uma onda de pessimismo e fazer o real a se desvalorizar, complicando um pouco a vida do BC aqui”, disse Faria.

Isso não significa que o dólar, sozinho, determine a decisão da Selic. Mas um real mais depreciado pode piorar as expectativas de inflação, elevar os prêmios de risco da renda fixa com vencimento para o longo prazo e reduzir o espaço para uma leitura mais benigna dos ativos brasileiros.

Entenda as razões do Copom…

Apesar de reconhecer em seu comunicado junto com a decisão um cenário mais desconfortável para a inflação, o Banco Central não fechou a porta para novos cortes.

O motivo está no espaço deixado para novas reduções da Selic e no chamado alongamento do horizonte relevante da política monetária.

A partir da próxima reunião, em agosto, o Copom passa a olhar com mais peso o primeiro trimestre de 2028, e não mais o quarto trimestre de 2027. Esse deslocamento dá mais tempo para a inflação convergir à meta e ajuda a explicar o corte, mesmo em um ambiente ainda desafiador.

“No Brasil, a meta é móvel. Estamos a poucos dias do terceiro trimestre, então o Copom ganha três meses. O Relatório de Política Monetária, a ser divulgado na próxima quinta-feira (25), vai trazer as expectativas de inflação para o primeiro trimestre de 2028, que será o próximo horizonte relevante”, afirma o diretor da Wagner Investimentos.

Para ele, o BC foi mais dovish por dois motivos: deu mais peso à atividade econômica e passou a considerar que a queda das commodities pode ajudar a inflação nos próximos meses. Itens como alumínio, ureia, milho, soja e trigo já recuaram, mas ainda sem repasse completo ao consumidor.

“Provavelmente, não é um ciclo de cortes. É um ciclo de ajuste. Ele [Banco Central] deixou a porta aberta. Se tivermos uma surpresa positiva com commodities e algum repasse para preços, não me surpreenderia outro corte”, disse Faria.

… e as razões do Fed

Nos EUA, a manutenção dos juros era esperada. O que mexeu com os mercados foi a sinalização do banco central de que uma alta ainda pode ocorrer este ano.

Faria avalia que o Fed pode ter usado o discurso mais duro para conter o que apontou como excesso de otimismo do mercado, não necessariamente porque a alta seja o cenário mais provável.

“Faz sentido dar um certo susto em falar em subir agora, para o mercado não ficar muito animado”, afirma.

Para ele, se os próximos dados de inflação vierem mais brandos, a alta pode não se concretizar. A queda recente do petróleo e de outras commodities ajuda essa tese.

O dado mais observado será o CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA. A leitura de junho será divulgada em 14 de julho. O CPI não é a medida oficial perseguida pelo Fed, que mira o índice de preços PCE, mas costuma influenciar as apostas do mercado para os juros americanos.

Ainda assim, Faria ressalta que cortes de juros nos EUA também não estão mais em discussão no curto prazo. A economia americana segue resiliente, o mercado de trabalho continua firme e a inflação permanece acima da meta há cinco anos.

Tesouro Direto: por que IPCA+ 8% e juro nominal de quase 15% seguem nos preços do mercado

19 de Junho de 2026, 12:35

Desde o início da Guerra do Irã, no fim de fevereiro, a volatilidade virou rotina no mercado de juros, com impacto relevante sobre o investimento em renda fixa.

A má notícia é que mesmo com o anunciado fim do conflito nesta semana, o sobe-e-desce das taxas e dos preços dos títulos deve persistir diante de um conjunto de fatores domésticos e diante do “legado” inflacionário global dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país do Oriente Médio.

As taxas de juros na plataforma do Tesouro Direto alcançaram patamares que os investidores não viam desde a crise de confiança fiscal no fim de 2024 e no início de 2025, quando o dólar passou de R$ 6,20.

E, antes disso, os títulos públicos só haviam flertado com a marca dos 15% ao ano, no caso dos prefixados, ou apresentado retornos acima de IPCA mais 8%, uma década atrás. Foi entre 2015 e 2026, quando o país enfrentou uma das mais prolongadas crises econômicas da história.

As oscilações têm sido tão fortes que o Tesouro Direto entrou em “circuit break” em várias ocasiões ao longo desta semana. A última paralisação das negociações por causa da volatilidade exagerada ocorreu na quinta-feira (18) no início da tarde, em um momento em que o Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, chegou a bater seu recorde de taxa mais elevada com IPCA+ 8,51% ao ano.

Por volta de 9h30, esse papel estava sendo negociado a IPCA+ 8,44%. O Tesouro IPCA+ 2040 tinha retorno de 7,50%, enquanto o papel atrelado à inflação com vencimento em 2050 apresentava rendimento de 7,16%.

O Tesouro Prefixado 2029 chegou a 14,81% e está no maior nível desde, pelo menos, 2022. O mesmo ocorre com o Tesouro Prefixado 2032, com uma taxa nominal de 14,79% ao ano, que apresenta o retorno mais elevado desde início de 2025, desconsiderando os picos no início da semana.

Na renda fixa, quando as taxas sobem, isso significa que os preços em reais dos papéis caíram. Isso ocorre porque os títulos negociados antes do vencimento no chamado mercado secundário sofrem a chamada marcação a mercado.

Nesse caso, os preços de compra e venda vão variar conforme as condições do momento e podem apresentar grandes descontos em relação ao valor original, como no cenário atual.

Dinâmica do Tesouro Direto

Se o detentor do título precisa vendê-lo agora e a taxa original é menor do que aquela pedida nas negociações no mercado secundário, na prática, vai ter aceitar um desconto sobre o preço que pagou para conseguir repassar o papel: ou seja, vender com prejuízo.

Por isso, para quem tem Tesouro Prefixado ou IPCA+ e pode manter os recursos aplicados nos próximos meses, o melhor é evitar vendê-los em um momento no qual a volatilidade é muito elevada. Quem pode carregar os ativos até o vencimento vai receber exatamente o que contratou.

A lógica muda para quem pode aplicar no longo prazo e tem maior tolerância ao sobe-e-desce das taxas e dos preços. Os retornos estão, como apontado acima, em patamares elevados e o investidor pode travar uma remuneração historicamente alta por vários anos.

Juros mais altos por mais tempo

Existem vários motivos pelos quais os juros longos têm subido. O aumento das taxas no Tesouro Direto é um reflexo da perda de referência sobre a inflação futura. Os economistas chamam esse processo de “desancoragem de expectativas”.

Na prática, a desancoragem mostra que o mercado prevê mais inflação no futuro e começa a perder a confiança de que a política monetária executada pelo Banco Central vai conseguir controlar o nível de preços que vem pela frente. Diante disso, investidores passam a reajustar as expectativas e as taxas sobem.

O mais recente boletim Focus, que mostra as projeções das instituições financeiras sobre inflação, juros, câmbio e PIB, trouxe pela 14ª vez seguida um ajuste para cima do IPCA esperado ao fim de 2026.

O mercado já enxerga uma inflação de 5,3% quando o ano terminar. É um nível bem acima da meta de inflação de 3% do BC e também significativamente superior ao teto da meta, que prevê uma tolerância de 1,5 ponto percentual além do centro da meta, portanto, até 4,5%.

O Focus mostra ainda que as casas de análise veem a inflação em 4,10% no fim de 2027, na quarta revisão seguida do IPCA. É um patamar que já se aproxima do teto da meta.

Esse cenário no qual expectativas de inflação futura apresentam uma desancoragem cada vez maior se junta a outras incertezas, como pressões crescentes de altas de preços, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

Diante desse conjunto de incertezas, o mercado já enxerga zero espaço para o BC continuar a cortar juros.

O consenso enxerga uma pausa ou mesmo o fim do ciclo de queda da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A perspectiva inclui um juro básico mais alto por mais tempo ou, eventualmente, a possibilidade de a autoridade ter de subir a taxa no fim do ano.

O próprio Copom reconheceu essas dificuldades no comunicado que acompanhou a decisão de juros na quarta-feira (17), quando cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

No entanto o mesmo comunicado do Copom trouxe, na visão de boa parte do mercado, a mensagem implícita de que a atual composição da diretoria do Banco Central pode ser mais leniente com as expectativas desancoradas de inflação, o que acaba autoalimentando o processo de perda de credibilidade do mercado no cumprimento do combate do trabalho de política monetária.

Se a taxa básica permanecer em 14,25% até o início do próximo ano, o juro real, ou seja, a parcela do retorno acima da inflação, pode se manter em quase 9%, considerando a projeção do IPCA de 5,3% para o fim de 2026 do Focus.

Mesmo para 2027, as expectativas seguem desafiadoras: a pesquisa do BC mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao ano, com um IPCA de 4,10%. Isso representa um juro real de 8%. Sim, o custo de oportunidade, ou seja, o rendimento no curto prazo da aplicação mais segura do mercado, pode continuar em IPCA+ 8% brutos ao ano.

Porta se fechou e BC vai interromper corte da Selic em agosto, projeta Silvia Matos, da FGV

18 de Junho de 2026, 06:20

O ciclo de cortes de juros do Banco Central pode ter durado só três reuniões. Se o Comitê de Política Monetária (Copom) realmente alcançou o limite das reduções da Selic na reunião desta quarta-feira (17) terá sido o menor ciclo de diminuições desde junho de 2002, quando a autoridade fez apenas um recuo, pausou o ciclo e, depois, teve que subir a taxa básica.

A avaliação que começa a se tornar consensual no mercado é a de que a porta dos cortes se fechou mesmo com o acordo para encerrar a Guerra do Irã. Se a pausa ou, eventualmente, o próprio fim do ciclo de queda da Selic se concretizar, há um impacto significativo sobre os investimentos.

A coordenadora do boletim Macro da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Silvia Matos, acredita que o BC, na verdade, só tinha duas opções sobre a mesa: parar o ciclo agora ou cortar mais uma vez e interromper as quedas na próxima reunião, que foi a visão que prevaleceu.

Isso diante de um cenário que se deteriorou e que agora combina pressões crescentes de altas de preços, desancoragem acentuada das expectativas de inflação futura – ou seja, na média, boa parte do mercado já não acredita que a inflação vai ficar dentro da meta no futuro -, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

É um cenário que o próprio BC reconheceu no comunicado que acompanhou a decisão de juros, em que cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

Pressão sobre a Selic

“E nem mesmo quando colocamos a perspectiva de crescimento do PIB para este ano o cenário é positivo para a política monetária. Isso porque esse avanço está apoiado em crescimento do consumo das famílias e do próprio governo, com peso maior para o setor de serviços. Ou seja, uma combinação desfavorável para a busca do equilíbrio de preços”, ressalta Silvia Matos, da FGV.

A economista avalia que o BC não tem mais espaço para cortar juros, “porque a política monetária está sendo pressionada pela política fiscal”. Para ela, o Copom vai interromper o ciclo de redução da Selic a partir de agosto.

A especialista ressalta que vários choques de oferta ainda vão ocorrer e que o nível atual dos juros no mercado, mesmo em nível elevado, não colocou no preço esses eventos.

“Nós sabemos que tem mais choque de oferta pela frente, não é só da guerra. Temos, por exemplo, os efeitos climáticos sobre alimentos e energia. E, como a economia ainda cresce, ainda tem espaço para repassar essa inflação vinda desses choques.”

Para Matos, outro fator que restringe o espaço para mais cortes vem das eleições. A coordenadora macro da FGV/Ibre diz ver os efeitos da votação em outubro ainda em seu início.

“O mercado ainda está começando a precificar as eleições e, neste ano, a corrida será especialmente competitiva”, avalia a especialista, em referência ao fato de que os gastos públicos aceleram nesses períodos.

Diante de um crescimento das despesas do governo, “o quadro fiscal vai continuar sendo uma questão importante no resto do ano, então as curvas de juros futuras vão continuar pressionadas mesmo se o cenário externo melhorar”.

O economista do ASA Leonardo Costa também enxerga a possibilidade de a decisão do BC na quarta ter representado uma pausa do ciclo de cortes. No entanto o especialista acredita que a autoridade deixou uma porta aberta para retomar as quedas – se o cenário melhorar até agosto.

Conforme Costa, “nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião, em 14,25%, contudo abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”.

Copom corta Selic em 0,25 ponto para 14,25% ao ano e endurece tom sobre inflação e expectativas

17 de Junho de 2026, 19:30

O Banco Central cortou novamente os juros, conforme amplamente esperado. Mas, apesar da queda de 0,25 ponto percentual da Selic para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (17), o comunicado trouxe um tom considerado duro para o mercado.

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que, “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

O BC reconheceu ainda que “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”.

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O comunicado citou ainda que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

Impacto da Selic para investidores

O comunicado do Copom reforça a avaliação de que o investidor brasileiro deve viver dias de ajustes pela frente. Muitas casas de análise já têm sinalizado há algum tempo: o juro brasileiro tem um espaço muito mais limitado para diminuir. E, talvez, já tenha caído tudo o que tinha para cair.

Motivos não faltam. Nos 12 meses até maio, o IPCA já superou o teto da meta de inflação do BC: o índice atingiu 4,72%, acima dos 4,50% que já inclui o 1,5 ponto de tolerância para cima dentro do intervalo da meta da autoridade, de 3,0%.

Outro argumento é que insistir em cortes adicionais em momento de deterioração inflacionária poderia colocar em xeque a credibilidade do próprio BC – e isso em um momento no qual as expectativas futuras para o IPCA estão amplamente desancoradas, ou seja, o mercado perdeu a referência sobre o que esperar das altas de preços nos próximos anos.

Os juros reais, ou seja, o retorno que vem acima da inflação, vão continuar em patamares historicamente elevados. E a sinalização do Copom mostra que essas taxas podem continuar em algo como IPCA mais 8% ou 9% ao ano – se a Selic estacionar em 14% – até o início de 2027.

A renda fixa, portanto, vai manter o protagonismo no resto do ano, mas com uma dinâmica diferente. Os títulos pós-fixados, como Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDBs que rendem 100% do CDI, mantêm seu reinado entre os produtos da classe.

Os títulos prefixados e os atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ ou os papéis de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, vão enfrentar um aumento da volatilidade nas próximas semanas.

Isso em um momento em que oscilações de taxas de juros e preços dos papéis já têm levado ao acionamento de “circuit breakers” do Tesouro Direto nas últimas semanas, ou seja, uma pausa forçada das negociações quando existe um movimento considerado disfuncional.

Por outro lado, quem consegue manter os recursos aplicados no longo prazo, pelo menos até meados do ano que vem, pode aproveitar as taxas em patamares que não são vistas havia vários anos: pelo menos desde a última crise no fim de 2024, quando títulos como o Tesouro Prefixado chegaram a passar de 15% ao ano.

Na bolsa, por outro lado, a tendência é a de haver movimentos mais contidos. O cenário de juros mais altos por mais tempo se torna uma barreira para a volta do investidor local.

O fluxo de recursos internacionais, que sustentou quebras seguidas de recordes do Ibovespa entre janeiro e abril, continua a fluir, mas se tornou bem mais restrito nas últimas semanas.

Em maio, mesmo com estrangeiros tendo retirado R$ 13 bilhões das ações brasileiras (resgates menos aportes), a participação desse perfil de investidor permaneceu acima de 60% nas negociações. Ou seja, o interesse de fora por ativos no Brasil continua presente, mas o dinheiro vai entrar e sair conforme a evolução do noticiário geopolítico e relativo ao mercado dos EUA.

A atração por mercados emergentes, que dominou as mesas financeiras de bancos e corretoras no primeiro trimestre, agora ganhou a concorrência da volta da força da tese da inteligência artificial, principalmente em meio aos mega IPOs, como o da SpaceX, que movimentou US$ 75 bilhões em 12 de junho, e das esperadas ofertas da OpenAI, dona do ChatGPT, e da Anthropic, do Claude.

Mesmo com Selic reduzida para 14,25% ao ano, pausa nos cortes de juros é ‘praticamente inevitável’, segundo analista

18 de Junho de 2026, 16:36

A semana que se encerra nesta sexta-feira (19) trouxe desdobramentos relevantes ao mercado. Além da Super Quarta (que combinou decisões de juros do Copom, no Brasil, e do Federal Reserve, nos Estados Unidos), a assinatura de um acordo preliminar entre EUA e Irã pode ser um dos primeiros passos rumo ao fim do conflito no Oriente Médio.

No Brasil, o Copom optou por reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando-a aos 14,25% ao ano. A princípio, a combinação de possível fim da guerra e cortes nos juros pode parecer um bom sinal – mas é preciso dar alguns passos para trás e entender que há mais em jogo.

Para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, os efeitos da guerra podem perdurar, e uma pausa no ciclo de cortes da taxa Selic eventualmente virá.  

“Do ponto de vista analítico, a pausa parece praticamente inevitável. A combinação entre inflação corrente elevada, expectativas desancoradas, fiscal mais ruidoso e bancos centrais globais mais duros reduz drasticamente o espaço para a continuidade do afrouxamento monetário.”

Cenário brasileiro: ‘fiscal mais ruidoso’ é protagonista das expectativas

Destrinchando os fatores trazidos pelo analista, o próprio cenário doméstico brasileiro contribui para que os cortes na Selic não perdurem.

O atual governo segue mantendo um histórico de contas públicas estouradas, que não ajuda em um contexto de inflação e juros altos por mais tempo.

Para Spiess, por mais que o acordo entre EUA e Irã ajude reduzir a pressão imediata sobre o petróleo e o câmbio, “o cenário segue desconfortável”, especialmente do ponto de vista fiscal, que “continua sendo o principal limitador de uma normalização monetária mais limpa”.

 “Como é ano eleitoral, ninguém vai falar isso, mas é um problema que tem piorado”, afirma. O que traz ainda mais à tona a necessidade de um pacote de ajustes fiscais que, em sua visão, devem vir “obrigatoriamente” em 2027.

Além disso, a comunicação do Copom nesta última reunião pode ter trazido mais incertezas em relação às próximas decisões. Na intepretação de Spiess, “o Comitê parece desejar preservar espaço para eventuais cortes adicionais, caso o cenário permita”. O que, paradoxalmente, pode ser custoso para o câmbio e os vértices mais longos dos juros.

“Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária”.

Segundo o último boletim Focus, publicado na segunda-feira (15), expectativas do mercado giram em torno de uma Selic terminal a 13,75% em 2026. Vale monitorar se haverá alguma mudança nas perspectivas nos próximos dias.

Cenário global: juros podem permanecer mais altos globalmente, mesmo com o possível fim da guerra

Além do cenário doméstico, Spiess reforça que a decisão do Copom vem em um período em que as principais economias globais possivelmente caminham na contramão: endurecendo o tom. Isso porque, por mais que o conflito no Oriente Médio acabe, ele “não devolve o mundo ao conforto monetário anterior à crise”, diz o analista.

O chamado “G4 dos bancos centrais” (EUA, Japão, Reino Unido e Zona do Euro) podem acabar por “validar um regime global de juros mais altos por mais tempo”, segundo o analista.

A Zona do Euro elevou seus juros pela primeira vez desde 2023 na quinta-feira passada (11) e, na última quarta-feira (17), o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros dos EUA no intervalo entre 3,50 e 3,75%, com parte dos membros do comitê prevendo pelo menos uma decisão pela elevação dos juros ainda em 2026.

“A paz reduz a probabilidade de um choque de oferta, mas não apaga o legado inflacionário. Energia mais cara se espalha pelo frete, pelos custos industriais, pela produção de alimentos, pelas tarifas de serviços e, sobretudo, pelas expectativas. Um choque desse tipo deixa de ser apenas um evento de mercado e passa a contaminar a formação de preços de maneira mais ampla. Por isso, o alívio em Ormuz não entrega, por si só, uma folga automática aos bancos centrais.”

Onde e como investir em um cenário global tão incerto?

Esse é um cenário que pede por mais cautela do que o usual na hora de escolher onde investir. Mas não significa que o investidor precisa, necessariamente, tomar decisões sozinho, sem orientação profissional.

Matheus Spiess é um dos responsáveis pela Empiricus Megatendências, carteira recomendada criada para em um mundo em constante transformação, que exige investimentos feitos de forma tática.

“A estratégia parte da identificação de principais mudanças em curso – sejam tecnológicas, geopolíticas e econômicas – para direcionar a alocação a setores, regiões e temas que tendem a se beneficiar dessas transformações”, afirma o analista. A atual seleção da Empiricus Megatendências traz ativos voltados para temas como:

  • Commodities;
  • Corrida aeroespacial;
  • Inteligência Artificial (IA);
  • Dentre outros.

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DISCLAIMER: Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

O post Mesmo com Selic reduzida para 14,25% ao ano, pausa nos cortes de juros é ‘praticamente inevitável’, segundo analista apareceu primeiro em Empiricus.

O que esperar da ‘superquarta’: as mudanças previstas para o Fed e o Copom

17 de Junho de 2026, 08:33

A “superquarta“, que traz hoje as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil, vai oficializar uma mudança de rumos dos juros lá fora e aqui. O recado vai ser claro: a inflação escalou, as expectativas sobre os preços futuros perderam a referência e as taxas de mercado começam a incorporar cenários financeiros mais duros.

Essa mudança de ambiente já se traduziu em guinadas de dois dos principais BCs globais, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), que subiram os juros nas últimas semanas. Os investidores esperam que outras praias, como os EUA e o Brasil, também sigam a sinalização.

O encontro do Federal Reserve (Fed, o BC americano) desta quarta-feira (17), no entanto, traz um elemento extra para o mercado: trata-se da primeira reunião do novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o novo chefe da autoridade já começa o mandato sob pressão política por uma redução de juros.

O consenso quase absoluto do mercado, no entanto, é de que o Fomc, o comitê responsável pelas decisões de juros nos EUA, vai manter as taxas inalteradas na faixa entre 3,50% e 3,75%. Mas a reunião deve formalizar a sinalização de que a perspectiva de um corte de juros em 2026 saiu da mesa.

A pergunta que fica é: como Warsh poderá conciliar as expectativas políticas com as necessidades técnicas de combate à escalada de preços ao consumidor? É bom ressaltar que a inflação nos EUA, medida pelo CPI, já alcança 4,2% em 12 meses até maio, o que tem levado o mercado a enxergar uma alta de juros já em dezembro.

Uma possibilidade é a de Warsh propor combinar a sinalização de que o Fed pretende manter os juros inalterados por mais tempo e passar a focar em uma redução expressiva do seu balanço. Isso seria deixar o “aperto quantitativo”, o nome técnico desse enxugamento do nível de ativos que a autoridade acumulou, fazer o trabalho.

Analistas esperam que Warsh defenda uma redução mais intensa do balanço de ativos, que ainda soma cerca de US$ 6,7 trilhões.

Desinflar esse portfólio funciona como um aperto das condições financeiras ao retirar dinheiro de circulação, ou, no jargão do mercado, reduzir a liquidez.

Isso ocorre porque o Fed deixa de reaplicar os recursos recebidos de títulos vencidos em novos papéis. O banco central pode até mesmo passar a vender as Treasuries de seu balanço, se optar por um movimento mais agressivo de redução.

O acúmulo de títulos do Tesouro e outros ativos no balanço do Fed ocorreu por conta do enfrentamento de grandes desequilíbrios financeiros, como na crise bancária de 2008 e durante a pandemia. Nas ocasiões, o BC americano passou a comprar títulos no mercado como forma de injetar dinheiro na economia.

Em 2022, por exemplo, o Fed detinha US$ 8,5 trilhões em papéis do Tesouro dos EUA e outros ativos. Nesse período, a autoridade iniciou um ciclo de redução cautelosa dessa carteira que durou até o fim de 2025. O BC americano conseguiu diminuir em cerca de US$ 2 trilhões o tamanho do balanço ao longo de quase quatro anos.

A perspectiva agora, com Warsh no comando, é de retomar o aperto quantitativo, mas de maneira mais assertiva. O problema é que esse assunto está longe de ser um consenso no Fed. O novo “chairman” deve ter dificuldade em seguir essa linha, se atrelar o QT à condução do combate à inflação.

Copom vive dilema diferente

O potencial reposicionamento do Fed tem ramificações sobre os mercados emergentes. Uma postura mais inclinada ao aperto monetário, mesmo sem subida de taxas, pode afetar diretamente o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e o rumo dos juros domésticos.

Com o Fed sinalizando juros altos por tempo prolongado, a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) aumenta, o que tende a desviar o fluxo de recursos globais para o mercado dos EUA.

Isso significa menos dólares ingressando no Brasil. Esse movimento, por sua vez, deve criar uma pressão de desvalorização do real. Essa dinâmica de câmbio depreciado atua como um choque de custos para a economia brasileira, porque encarece bens industriais e insumos importados.

Na prática, um dólar mais forte traz mais inflação e reduz a margem de manobra do Banco Central do Brasil para reduzir a Selic. Isso em um ambiente que já vive pressões de alta com a escalada dos preços dos combustíveis e de insumos, como fertilizantes e commodities metálicas, após a Guerra no Irã.

Mesmo diante de um cenário de forte restrição externa e pressões domésticas, o consenso para a decisão do Copom considera que o colegiado vai cortar os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira.

A Selic deve cair para 14,25% ao ano. A partir daí é que as projeções ficam nebulosas.

O fato é que, mesmo com “gordura” para cortar, os investidores e agentes do mercado enxergam cada vez menos espaço para uma queda mais acentuada dos juros.  

Diversas casas de análise, como bancos e corretoras, têm revisado para cima o nível da Selic em 2026.. O Bank of American, por exemplo, coloca a taxa básica em 14,25% no fim do ano. Outras casas, como BNP Paribas, XP e Banco Pine veem os juros básicos em 14%.

O mais recente relatório Focus, do BC, que reúne projeções de instituições financeiras, mostrou uma alta das previsões para a Selic pela segunda semana seguida. Às vésperas da reunião do Copom, o mercado elevou a expectativa da taxa para 13,75% no fim deste ano.  

A decisão desta quarta-feira, portanto, será cuidadosamente acompanhada. Não pelo potencial corte, mas pela comunicação do BC. A sinalização será de pausa imediata no ciclo de afrouxamento ou de possibilidade de ao menos mais um corte pela frente?

Selic: gestores da Faria Lima cravam juros altos por mais tempo, aponta pesquisa; confira

16 de Junho de 2026, 14:21

As expectativas para as taxas de juros permanecem tão firmes quanto alguns goleiros desta Copa do Mundo. Essa opinião foi coletada pela pesquisa da série Os Melhores Fundos de Investimentos, da Empiricus Research.

A pesquisa buscou entender a visão de 30 gestores de multimercados sobre o nível da taxa Selic, para os próximos três anos e no longo prazo.

Leitura da Selic para 2026 e 2027 piora

As opiniões dos gestores, que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido em suas estratégias da classe, estão representadas em dot plot (gráfico de pontos), como é possível observar abaixo.

O modelo de gráfico em dot plot é tradicionalmente usado nos EUA para representar as projeções de cada membro do FOMC para a taxa básica de juros dos EUA.

Analisando a percepção do Brasil, o analista Alexandre Alvarenga comenta: “O dot plot veio mais duro ao longo de toda a curva para a taxa brasileira. A mediana para 2026 subiu de forma relevante e sugere menos espaço para cortes no curto prazo.”

O gráfico aponta que predomina entre os gestores a percepção de uma Selic entre 14,00% e 14,25% ao final do ano.

Além disso, Alvarenga também nota que houve uma piora na leitura para 2027 e no longo prazo, indicando que o mercado passou a embutir uma Selic estruturalmente alta por mais tempo, em linha com uma inflação ainda desconfortável e maior cautela com a convergência do juro real.

“O descolamento em relação ao Boletim Focus reforça a mensagem de prêmio de risco mais elevado na precificação dos juros. O movimento não é só de revisão no curto prazo, mas também no longo prazo”, reforça Alvarenga.

Na segunda-feira (15), o Focus elevou a estimativa para a taxa Selic ao fim do ano de 13,50% para 13,75%.

“No Brasil, pioraram de forma clara as leituras sobre inflação e fiscal. A combinação de inflação ainda pressionada, dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e menor espaço para afrouxamento monetário manteve o ambiente mais difícil para ativos locais”, afirma o analista.

Além dos juros brasileiros, a pesquisa da Empiricus também se aprofundou na percepção dos gestores sobre os juros dos EUA e o pontos relevantes sobre o sentimento macroeconômico e a percepção do nível de risco.

“O dotplot americano ficou mais hawkish no médio prazo. A mediana para 2026 subiu de forma relevante, sugerindo menos cortes no horizonte próximo, enquanto 2027 e 2028 também avançaram, o que indica maior disposição do FOMC (Comitê de política monetária dos EUA) em manter a taxa acima do nível neutro por mais tempo”, comenta Alvarenga.

Diante dessa deterioração do quadro inflacionário, Alexandre Alvarenga e a equipe de analistas da Empiricus Research seguem diariamente se debruçando sobre os principais eventos e indicadores econômicos.

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Taxas de novos CDBs de bancos médios recuam para 107% do CDI após quebra do Master

12 de Junho de 2026, 14:30

As liquidações extrajudiciais do Banco Master e de outras instituições financeiras entre o fim de 2025 e o início deste ano afetaram o mercado de renda fixa bancária. Essas crises, de forma resumida, decretaram o fim da era dos CDBs com remunerações muito fora da curva que usavam o marketing da segurança do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para atrair investidores.

Um levantamento da provedora de dados financeiros Quantum mostra que em maio as taxas máximas oferecidas nas emissões dos certificados bancários por instituições pequenas e médias alcançaram o equivalente a 106,9% do CDI, no caso do CDB da fintech Qista Crédito.

Outros certificados com taxas de 106% do CDI foram ofertados pelos bancos Pine e BMG. Ou seja, taxas muito distantes das que eram oferecidas nas vendas massivas de títulos com retornos de 120% do CDI – e muito abaixo do que foi praticado nos últimos anos antes da quebra do Master.

Já os grandes conglomerados financeiros, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Santander, colocaram no mercado certificados que pagam abaixo de 100% do referencial pós-fixado. Os CDBs das três casas saíram com taxas médias de 95%, 90% e 97% do CDI, respectivamente.

As taxas dos novos certificados bancários têm girado entre 90% e 106% do CDI desde fevereiro, conforme os dados da Quantum.

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As taxas mais contidas dos CDBs também refletem a forte demanda por produtos de renda fixa diante de um novo contexto e de novas expectativas no mercado para a Selic.

Selic alta mantém demanda pela renda fixa

Começa a se consolidar no mercado uma visão de que a taxa básica pode se manter mais perto de 14% ao ano no fim de 2026 devido aos sinais de aceleração inflacionária no Brasil e no mundo. Na última semana de 2025, por exemplo, o consenso de mercado calculado pelo relatório Focus, do Banco Central, apontava para uma Selic de 12,25% no fim deste ano.

O relatório agora mostra que a mediana do mercado já coloca a Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026.

Algumas casas já colocam a taxa básica acima de 14% ao ano no fim de 2026. É o caso do Bank of America (BofA), que revisou sua projeção para a Selic de 13,25% para 14,25%.

A Genial, o Banco Pine, a XP e o BNP Paribas projetam que o BC pausará o ciclo de cortes quando a taxa chegar em 14% ao ano. O Itaú Unibanco estima que a queda dos juros possa chegar a 13,75%.

Com a perspectiva de a Selic e, portanto, o CDI, que segue a taxa básica de perto, permanecerem perto de 14% ao ano, a demanda pelos títulos pós-fixados se mantém elevada. Diante dessa procura, as remunerações dos certificados devem permanecer no atual patamar ao longo do ano.

A média de todas as emissões ficou em 100,67% do CDI. Está levemente abaixo de março e abril, quando o retorno médio ficou entre 101% e 102% do referencial pós-fixado.

FGC aperta as regras – CDBs impactados

Em maio, houve ainda mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito feitas pelo Banco Central. A autoridade apertou as regras para que bancos possam usar a cobertura do FGC.

O BC regulamentou o chamado “Ativo de Referência”, um indicador para medir qualidade, liquidez e diversificação dos ativos dos bancos.

Se um banco captar demais com produtos cobertos pelo fundo e não tiver ativos seguros suficientes, fica obrigado a alocar parte dos recursos captados em títulos públicos federais. Desse modo, aumenta o chamado colchão de liquidez e limita o uso de tais recursos sem critério – exatamente o que as investigações apontaram que aconteceu no banco de Daniel Vorcaro.

“Soma de todos os medos” pressiona o Ibovespa e não tem prazo para terminar

5 de Junho de 2026, 14:35

Após meses de forte alta, a bolsa de valores brasileira passa por um período de correção acentuada, levando muitos a reconsiderar o otimismo em relação a uma retomada do mercado de renda variável em 2026. Desde a máxima histórica registrada em abril, o Ibovespa recuou 14,26%, saindo do recorde de 198.657,33 pontos, apurado em 14 […]

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Juros futuros avançam na esteira dos Treasuries com impasse nas negociações EUA-Irã e Copom no radar

27 de Abril de 2026, 18:25

A curva de juros futuros encerrou as negociações desta segunda-feira (27) em alta, com avanço de mais de 10 pontos-base no vencimentos de médio e longo prazos, na esteira dos Estados Unidos após a tentativa frustrada de negociações entre Washington e Teerã.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 4 pontos-base e fechou a 14,135% ante 14,095% do ajuste anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em alta, a 13,615% ante 13,470% do fechamento anterior – um avanço de 14 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,650% ante 13,540% do fechamento da última sexta-feira (24), alta de 11 pontos-base.

Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram alta.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,799% ante 3,776% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caiu a 4,340% ante 4,349% do fechamento anterior.

“As Treasuries sobem de forma relativamente paralela, refletindo a alta no preço do petróleo em meio ao impasse para resolução definitiva entre Irã e EUA”, destacou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“Adicionalmente, o leilão de 2 anos de títulos do Tesouro americano emitido hoje apresentou leve ‘tail‘ (cauda), sinalizando demanda marginalmente mais fraca. Esse movimento é replicado na curva local, que segue o exterior de forma praticamente uniforme”, acrescentou Shahini.

O que mexeu com os DIs hoje?

Os investidores continuaram a precificar o cenário geopolítico na curva de juros futuros, após a tentativa frustrada de negociações entre Washington e Teerã no fim de semana.

Já na tarde de hoje, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente norte-americano Donald Trump discutiu uma nova proposta iraniana para resolver a guerra com Teerã com seus principais assessores de segurança nacional nesta segunda-feira.

Ela ainda afirmou que o presidente quer que a hidrovia de trânsito de petróleo do Estreito de Ormuz seja aberta e que o Irã entregue seu urânio enriquecido.

“Eu não diria que eles estão considerando a possibilidade. Eu diria apenas que houve uma discussão esta manhã que eu não quero adiantar, e vocês ouvirão diretamente do presidente, tenho certeza, sobre esse assunto”, acrescentou Leavitt.

Expectativa para Selic

O Relatório Focus desta segunda-feira mostrou que a expectativa é de redução de 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50%, na Selic na próxima quarta-feira (29).

As ações do Copom negociadas na B3 precificavam 86,35% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima semana, contra 2,5% de chance de redução de 50 pontos-base, de acordo com a atualização mais recente, da última sexta-feira (24).

O Focus ainda apontou a mediana para o IPCA em 2026 aumentou pela sétima semana seguida, a 4,86%, de 4,80% antes.

*Com informações de Reuters

Juros futuros fecham em baixa à espera de negociações entre EUA e Irã

24 de Abril de 2026, 18:18

A curva de juros futuros encerrou as negociações desta sexta-feira (24) em queda na expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã, preços do petróleo Brent abaixo de US$ 100 o barril e precificação de corte na Selic na próxima semana.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu 4 pontos-base e fechou a 14,095% ante 14,140% do ajuste anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em baixa, a 13,470% ante 13,575% do fechamento anterior – um recuo de 10 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,540% ante 13,660% do fechamento da última quinta-feira (23), queda de 12 pontos-base.

Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram perdas.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,785% ante 3,825% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – caiu a 4,306% ante 4,323% do fechamento anterior.

O que mexeu com os DIs hoje?

Os investidores continuaram a precificar o cenário geopolítico na curva de juros futuros, em meio a expectativa de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã.

Hoje, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a jornalistas que Trump planeja mandar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para negociações com o Irã em Islamabad, e a dupla partirá ao Paquistão na manhã deste sábado (25).

Leavitt ainda disse que o governo Trump viu “algum progresso” do lado iraniano nos últimos dias, sem entrar em detalhes.

Ainda em entrevista à Reuters, Trump afirmou que o país persa planeja fazer uma oferta com o objetivo de satisfazer as exigências dos EUA.

Expectativa para Selic

Na próxima semana, os investidores devem concentrar as atenções nas decisões de política monetária. Nos EUA, o mercado espera a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

Já no Brasil, a expectativa é um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros, levando a Selic para 14,50% ao ano.

Na quarta-feira (22) – dado consolidado mais recente – as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 84% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima semana, contra 7% de chance de redução de 50 pontos-base.

Em 6 de abril, um dia antes de EUA e Irã fecharem o cessar-fogo de duas semanas, depois prorrogado, os percentuais eram de 55% e 21,1%, respectivamente.

Mais do que a reunião da próxima semana do Copom, o mercado discute atualmente o que o colegiado fará na reunião seguinte, em junho.

“Tenho dúvidas se ele (o Copom) faz mais uma (redução) de 25 (pontos-base) ou se para por aí”, comentou o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares. “Mesmo que o conflito no Oriente Médio acabe hoje, já se contratou um desequilíbrio econômico no mundo que vai durar alguns trimestres.”

*Com informações de Reuters

Juros futuros invertem sinal e fecham em baixa com expectativa de negociações entre EUA e Irã

7 de Abril de 2026, 18:24

A curva de juros futuros inverteu a trajetória na reta final do pregão com expectativa de um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã “de última hora” com mediação do Paquistão.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,145%, na mínima intradia, ante 14,170% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa chegou a subir mais de 11 pontos-base, registrando máxima a 14,280%.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou a 13,680%, ante 13,725% do fechamento anterior.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o pregão a 13,795%, no menor nível diário, ante 13,820% do fechamento da última segunda-feira (6).

Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também inverteram o sinal nos últimos minutos do pregão e fecharam em queda.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – caiu a 3,800% ante 3,850% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia a 4,301% ante 4,335% do fechamento anterior.

De olho em acordo no Oriente Médio

Na tentativa de amenizar as tensões geopolíticas, o Pasquistão pediu para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estender o prazo de tratativas por duas semanas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os “os esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais em um futuro próximo”, em publicação na rede social X.

Sharif ainda sugeriu que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz “como um gesto de boa vontade” nessas duas semanas, como parte do cumprimento de um cessar-fogo entre os dois países nesse intervalo.

Em resposta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavit, disse ao Axios que Trump informado da proposta e uma “resposta será dada.”

Vale lembrar que, pela manhã, o chefe da Casa Branca afirmou que “uma civilização morrerá hoje à noite” se um acordo com o Irã não fosse firmado até às 21h (horário de Brasília), em publicação na rede social Truth.

*Com informações de Estadão Conteúdo

Guerra e eleição pesam e mercado revê inflação. Mas “gringos” colocam R$ 53 bilhões na B3

2 de Abril de 2026, 16:40

Anestesiado pelo ingresso de R$ 53,4 bilhões de investidores estrangeiros para aplicação em ações na B3 neste ano – melhor resultado trimestral desde 2022, quando, segundo a consultoria Elos Ayta, R$ 65,3 bilhões aportaram na bolsa – o mercado acompanha a estreia do Brasil em “novo” calendário, a partir de domingo, 5 de abril. No […]

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Juros futuros mantêm trajetória de alta e voltam a superar 14% em todos os vencimentos

26 de Março de 2026, 18:17

A curva de juros futuros brasileira teve mais uma sessão de fortes ganhos, com as taxas voltando a superar 14% em todos os vencimentos, em meio à cautela com a guerra no Irã e choques inflacionários na economia global.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,320% ante 14,105% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa bateu máxima a 14,360%, uma alta de 25 pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, terminou a sessão a 14,085% ante 13,815% do fechamento anterior. Na máxima intradia, o DI subiu a 14,125%, alta de 31 pontos-base.

DI para janeiro de 2036, de longo prazo, encerrou o dia a 14,105% ante 13,980% do fechamento de ontem (23), após subir 16 pontos-base, a 14,130%, na máxima intradia.

O movimento também acompanhou o exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também fecharam em alta, em meio às incertezas de duração da guerra no Oriente Médio e os preços de petróleo de volta ao nível de US$ 100 o barril.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – fechou próximo da estabilidade a 3,882% ante 3,881% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subiu a 4,412% ante 4,328% da véspera.

Todos os olhos na inflação

As taxas de DIs reagiram a novos dados de inflação e perspectivas do Banco Central (BC) para a economia brasileira.

A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,44% em março, puxada por Alimentação e Bebidas e Despesas Pessoais. A estimativa era de alta de 0,29% neste mês, de acordo com a mediana das projeções do Broadcast.

O IPCA-15 fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 3,90% – dentro do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo.

Já o BC revisou para cima suas projeções de inflação no chamado horizonte relevante — o período em que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia os efeitos de sua política sobre a economia.

Segundo o Relatório de Política Monetária (RPM), a expectativa para o terceiro trimestre de 2027 subiu 0,1 ponto percentual, para 3,3%.

Entre os fatores de alta, estão a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, que indica atividade econômica acima da capacidade potencial. Por outro lado, a apreciação do real e a leve queda nas expectativas de mercado ajudaram a conter o avanço.

Na avaliação de economistas consultados pelo Money Times, o RPM veio em linha com a ata e o comunicado do Copom, reforçando o cenário de incertezas geopolíticas com o conflito no Oriente Médio e os riscos, tanto altistas quanto baixistas, que a guerra traz para a inflação.

Durante a coletiva, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia “gordura” para poder analisar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

Entre profissionais do mercado ouvidos pela Reuters, a avaliação é de que, no cenário atual, o BC caminha para cortar a Selic em apenas 25 pontos-base em abril – e não mais em 50 pontos-base, como os ativos estavam precificando anteriormente. A Selic está em 14,75% ao ano.

“O BC vai acelerar (os cortes da Selic) apenas em junho. Mas, claro, dependendo do cenário internacional”, avaliou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.

Na B3, as opções de Copom precificavam ontem (25) –– na atualização mais recente, 37,50% de chance de o Copom cortar a Selic em 50 pontos-base, para 14,25% ao ano. A probabilidade de redução de 25 pontos-base, para 14,50% a.a., era de 37% e a chance de manutenção em 17%.

Antes da guerra, os percentuais eram de 77,50% para corte de 50 pontos-base em abril, 20,04% para redução de 25 pontos-base e zero para manutenção.

Conflito no Irã

No 27º dia de conflito no Irã, o mercado continuou a monitorar os desdobramentos e aumentou a aversão a risco, com novas incertezas sobre a duração da guerra.

Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã está desesperado por um acordo para pôr fim a quase quatro semanas de combates, mas que os negociadores iranianos são “estranhos”.

“Os negociadores iranianos são muito diferentes e ‘estranhos’. Eles estão ‘implorando’ para que façamos um acordo, o que deveriam estar fazendo, já que foram militarmente aniquilados, sem nenhuma chance de recuperação, e ainda assim declaram publicamente que estão apenas ‘analisando nossa proposta’”, disse Trump na Truth Social.

Na mesma publicação, o chefe da Casa Branca disse que o Irã deve “levar a sério” o acordo para pôr fim à guerra.

Até agora, autoridades do Irã têm negado as negociações para um cessar-fogo. Ontem (25), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que as “conversas indiretas” não equivalem a uma negociação.

Já no final da tarde, Trump anunciou que estava interrompendo os ataques às usinas de energia do Irã por 10 dias, até 6 de abril, a pedido do governo iraniano, e afirmou que as negociações com Teerã estão indo “muito bem”.

*Com informações de Reuters

Juros futuros fecham em ligeira queda com expectativa de cessar-fogo entre EUA e Irã

25 de Março de 2026, 18:41

A curva de juros futuros brasileira fechou em ligeira queda nesta quarta-feira (25), nos vencimentos de curto e médio prazos, diante de notícias sobre o envio de uma proposta dos Estados Unidos ao Irã sobre um possível cessar-fogo.

A informação ajudou a aliviar os preços do petróleo, com os contratos futuros do Brent para junho fechando abaixo dos US$ 100 o barril, e os temores inflacionários do mercado.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou próximo da estabilidade a 14,105%, ante 14,160% do ajuste anterior.

A taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, terminou a sessão a 13,815%, vindo de 13,870% em relação ao fechamento anterior. Na máxima intradia, o DI subiu a 14,030%, alta de 26 pontos-base.

Já o DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu de 13,935% ontem para 13,980% hoje.

O movimento dos DIs de curto e médio prazo acompanhou o exterior. Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também fecharam em queda, diante da moderação dos preços do petróleo e expectativas de um acordo de cessar-fogo.

O yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – fechou a 3,887% ante 3,936% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – recuou a 4,332%, ante 4,392% da véspera.

Expectativas para a Selic

O mercado aguarda maiores informações quanto às projeções do Banco Central (BC) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no Relatório de Política Monetária (RPM), que será divulgado amanhã (26), às 8h.

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, as projeções para o IPCA subiram de 3,4% para 3,9% em 2026, enquanto as expectativas para o atual horizonte relevante do BC — o terceiro trimestre de 2027 — subiram de 3,2% em janeiro para 3,3%, ainda abaixo das expectativas do último Boletim Focus, de 3,8%, elevadas com o conflito no Oriente Médio.

Além disso, amanhã, às 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a prévia da inflação de março, que nesta leitura ainda não deve refletir a pressão altista na gasolina. Segundo a pesquisa Projeções Broadcast, o mercado espera desaceleração do IPCA-15, de 0,84% em fevereiro para 0,29% em março.

Cessar-fogo no Oriente Médio

Ontem (24), o presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que as negociações com o Irã estavam mostrando progresso e que as autoridades de Teerã tinham interesse em chegar a um acordo. O jornal The New York Times também noticiou que os Estados Unidos enviaram uma proposta para o Irã.

De acordo com autoridade sênior iraniana à Reuters, o Irã ainda está avaliando uma proposta dos EUA para acabar com a guerra no Oriente Médio, apesar de uma resposta inicial negativa, sinalizando que Teerã ainda não rejeitou a oferta categoricamente.

Publicamente, as autoridades iranianas rejeitaram a perspectiva de quaisquer negociações com o governo Trump. Mas um aparente atraso na entrega de uma resposta formal ao Paquistão, que levou uma proposta de 15 pontos em nome de Washington, pareceu indicar que algumas figuras em Teerã podem estar avaliando-a.

As informações da autoridade sênior iraniana, embora a resposta inicial tenha sido “não positiva”, pareceram contradizer uma reportagem da Press TV que citou uma autoridade não identificada dizendo que o Irã a havia rejeitado.

Hoje, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que, caso o Irã não aceite a derrota, os EUA atacarão o país com mais força.

*Com informações de Reuters

“As margens para erro estão apertadas”: Volatilidade da guerra exige atenção dos investidores, segundo especialista

24 de Março de 2026, 15:02

O cenário internacional segue impactando os mercados, com as incertezas sobre a guerra no Oriente Médio impulsionando a volatilidade global e a retomada da alta do petróleo.

No Giro do Mercado desta terça-feira (24), a jornalista Paula Comassetto recebe Angelo Miloch, analista da Sacre Investimentos, para analisar os principais movimentos do mercado.

Os mercados devolvem parte do alívio observado ontem diante das incertezas sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado ter mantido conversas “muito produtivas” com o governo iraniano, Teerã negou qualquer negociação.

Nesta manhã, os preços do petróleo voltaram a subir, com o Brent a US$ 101 o barril, após queda de 10% na véspera. No Ibovespa, as petroleiras lideravam a ponta positiva.

Para Miloch, a euforia de ontem com o possível cessar-fogo foi exagerada. “Seria uma notícia excelente em termos de mundo, mas, particularmente, achei que a reação foi demais, até porque viemos de um Ibovespa que fechou na semana passada acumulando quatro semanas seguidas em queda”, afirmou.

As margens para erros dos investidores estão ficando muito apertadas. Com a volatilidade gerada pelas notícias, é preciso estar atento para não errar os passos”, completou a respeito da postura necessária para enfrentar esse momento.

No Brasil, o mercado acompanha a ata do Copom, que reforçou a mensagem de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo diante das expectativas de inflação ainda desancoradas.

O analista da Sacre comenta que a decisão sobre os juros foi pressionada pelo cenário de guerra juntamente com a expectativa do mercado brasileiro por um corte, ao contrário da maioria dos bancos centrais internacionais que, na mesma época, optaram pela manutenção dos patamares de juros.

“O comitê trouxe uma calibração da taxa e não trouxe sinalização de novos cortes. A ata não trouxe uma orientação muito clara”, disse Miloch.

O especialista ainda comentou o impacto da retomada da alta do petróleo sobre as decisões monetárias no Brasil.

“Na minha visão, o preço do petróleo impacta menos as decisões do Banco Central, se comparado à geopolítica, porque o setor de combustíveis está dentro de uma parcela do IPCA que é controlável pelo governo”.

Ele lembrou que o Brasil é um grande produtor de petróleo e que, portanto, preços elevados desse recurso seriam benéficos para o país, já que há um volume significativo de exportações, o que contribuiria positivamente para o PIB. No entanto, ponderou que esse ganho poderia ser ofuscado pelo IPCA, que não tem apresentado queda e possui projeções próximas do teto. Acrescentou ainda que o preço do petróleo, por si só, não causa tanta preocupação, mas que o maior risco está no cenário macroeconômico, especialmente em relação à inflação e ao câmbio.

O cenário eleitoral também segue no radar após o governador do Paraná, Ratinho Junior, desistir de sua candidatura à Presidência. Além disso, uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel prevista para hoje pode influenciar o comportamento dos ativos domésticos no fim do dia.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

Agenda: Ata do Copom e prévia da inflação podem redefinir apostas para a Selic; confira os indicadores desta semana

22 de Março de 2026, 12:00

A semana deve funcionar como um teste direto para o cenário traçado pelo Banco Central após o corte da taxa Selic, com a agenda doméstica concentrando os principais gatilhos para o mercado.

O destaque absoluto fica para a quinta-feira (26), quando serão divulgados o IPCA-15 e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A prévia da inflação é vista como o principal termômetro da semana e pode reforçar (ou colocar em dúvida) a continuidade do ciclo de cortes de juros. Já o RTI deve trazer mais detalhes sobre as projeções e o balanço de riscos da autoridade monetária.

Antes disso, na terça-feira (24), a ata do Copom ajuda a calibrar as expectativas ao detalhar o racional da decisão recente e sinalizar os próximos passos da política monetária.

A semana começa com o Boletim Focus na segunda-feira (23), importante para medir eventuais mudanças nas projeções do mercado, enquanto a sexta-feira (27) traz a taxa de desemprego, indicador relevante para avaliar o ritmo da atividade econômica.

No exterior, a agenda também traz pontos relevantes, especialmente nos Estados Unidos. Os dados de atividade, como os PMIs de indústria e serviços, ajudam a medir o fôlego da economia, enquanto os números do mercado de trabalho seguem no radar por sua influência nas decisões do Federal Reserve.

Além disso, indicadores como a confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan devem oferecer pistas sobre o comportamento das famílias e a ancoragem inflacionária. Discursos de dirigentes do Fed ao longo da semana também podem ajustar as apostas do mercado para os juros.

Na Europa, os PMIs e a inflação do Reino Unido ajudam a mapear o ritmo de atividade em meio a um cenário ainda frágil, enquanto falas de autoridades do Banco Central Europeu podem sinalizar os próximos passos da política monetária na região.

Mesmo assim, em um ambiente de incertezas globais, a dinâmica doméstica, especialmente a inflação, tende a seguir como principal vetor para os mercados locais.

Confira a agenda de indicadores entre 23 e 29 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (23)
    8h25 – Boletim Focus
  • Terça-feira (24)
    8h00 – Ata do Copom
  • Quarta-feira (25)
    8h00 – Confiança do Consumidor FGV
    14h30 – Fluxo Cambial Estrangeiro
  • Quinta-feira (26)
    8h00 – Relatório Trimestral de Inflação
    9h00 – IPCA-15
    9h00 – Reunião do CMN
  • Sexta-feira (27)
    8h30 – Investimento Estrangeiro Direto
    8h30 – Transações Correntes
    9h00 – Taxa de Desemprego

Estados Unidos

  • Segunda-feira (23)
    11h00 – Gastos com Construção
  • Terça-feira (24)
    9h15 – Relatório ADP
    10h45 – PMI Industrial
    10h45 – PMI de Serviços
    10h45 – PMI Composto
    19h30 – Discurso de Michael Barr (Fed)
  • Quinta-feira (26)
    9h30 – Pedidos iniciais de seguro-desemprego
    9h30 – Pedidos contínuos de seguro-desemprego
    17h30 – Balanço do Federal Reserve
    20h10 – Discurso de Michael Barr (Fed)
  • Sexta-feira (27)
    9h30 – Estoques do Varejo
    11h00 – Confiança do Consumidor
    11h00 – Expectativas de inflação
    12h30 – Discurso de Mary Daly (Fed)

Zona do Euro

  • Terça-feira (24)
    6h00 – PMI Industrial
    6h00 – PMI de Serviços
    6h00 – PMI Composto
  • Quarta-feira (25)
    5h45 – Discurso de Christine Lagarde (BCE)

Reino Unido

  • Terça-feira (24)
    6h30 – PMI de Serviços
    6h30 – PMI Composto
  • Quarta-feira (25)
    4h00 – CPI
    4h00 – PPI
  • Sexta-feira (27)
    4h00 – Vendas no Varejo
    4h00 – Núcleo de Varejo

Japão

  • Segunda-feira (23)
    8h00 – Relatório Mensal do BoJ
    20h30 – CPI
    21h30 – PMI de Serviços
  • Terça-feira (24)
    20h50 – Ata de Política Monetária
  • Quinta-feira (26)
    2h00 – CPI

Mercados hoje: alta dos preços de energia já começa a pesar nas decisões dos bancos centrais

17 de Março de 2026, 07:46

Bom dia!

Nesta terça-feira (17), véspera das decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do nosso BC, as atenções continuam voltadas para a escalada do conflito no Irã. O momento é de expectativa antes da superquarta. Todos querem saber quais sinais os BCs vão passar em meio a crise global de preços de energia. A autoridade da Austrália foi a primeira a reagir nesse novo mundo do petróleo acima de US$ 100: subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual. Por aqui, o IGP-10 dos primeiros dias de março sai ainda em tempo de ser considerado pelo Copom, mas não deve trazer surpresas.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global amanheceu sem pânico, mas também sem muita vontade de cantar vitória antes de ver o que Fed e Copom vão sinalizar. Às 7h30, os futuros das bolas de Nova York mantinham queda, com o S&P 500 futuro caindo -0,28% e o Nasdaq futuro recuando -0,37%.
  • Na Europa, as bolsas sobem levemente. O Stoxx 600 tem suida de +0,28%.
  • Na Ásia, os investidores tentam digerir o vaivém do petróleo e a perspectiva de BCs mais duros com a inflação. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com baixa de -0,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +0,13%.
  • O índice dólar (DXY) se situa em 99,75 pontos, levemente abaixo de ontem. O petróleo Brent sobe +3,31% a US$ 103,51. barril. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para a faixa de 4,224% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo mantém volatilidade vista nos últimos dias. Se ontem os preços da commodity recuaram e até perderam o piso dos US$ 100, hoje voltam a avançar e a subir acima desse patamar.
  • As cotações reagem aos novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos, com impacto sobre infraestrutura energética.
  • A continuidade do conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz recolocam pressão sobre o movimento da inflação global justamente quando o Fed inicia sua reunião de dois dias nesta terça-feira. Ao mesmo tempo, outros BCs globais como o Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão também entram no radar nesta semana.
  • Na prática, o mercado passou a olhar menos para corte de juros e mais para o risco de os BCs começarem a cogitar a possibilidade de novas subidas de juros.
  • E daí? No Brasil, Petrobras e Prio tendem a continuar no foco com a alta do barril, enquanto o restante da bolsa pode sentir o combo petróleo mais caro + juros altos por mais tempo. A curva local também deve ouvir com atenção qualquer pista do Copom a partir de hoje.

Giro pelo mundo

  • Juros na Austrália: o RBA elevou a taxa básica em 25 pontos-base, para 4,1%, tornando-se o primeiro BC a subir juros desde a escalada do conflito no Oriente Médio; o recado reforça o viés de cautela global.
  • China e petróleo: a China aumentou estoques de petróleo no começo do ano, mas ainda evita usar essas reservas, o que ajuda a manter a discussão sobre oferta apertada no radar.
  • Fed no radar: começa nesta terça a reunião de dois dias do FOMC; a decisão sai na quarta-feira, às 15h, com coletiva às 15h30 no horário de Brasília.

Giro pelo Brasil

  • Imposto de Renda 2026: a Receita confirmou as regras da declaração, com entrega entre 23 de março e 29 de maio; entra no radar de pessoas físicas e também do noticiário de serviços financeiros.
  • Copom: a reunião começa nesta terça e a decisão sai amanhã. Com o choque recente do petróleo, o mercado vai procurar qualquer ajuste no tom do BC.

Giro corporativo

  • Porto + Oncoclínicas: o acordo prevê uma nova empresa com as 150 clínicas oncológicas, sob controle da Porto, em uma estrutura de R$ 1 bilhão que tenta separar os melhores ativos do passivo mais pesado da Oncoclínicas.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

Mercados hoje: alta do petróleo rouba a cena em semana de decisão de juros do Fed e do BC brasileiro

16 de Março de 2026, 07:43

Bom dia!
A semana começa em meio às expectativas sobre como a Guerra do Irã vai afetar as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A escalada do conflito voltou a colocar o petróleo no centro do radar e reacendeu temores de inflação mais persistente no mundo. Com isso, o mercado segue sem um consenso sobre qual sinalização o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai dar após a decisão na quarta-feira (18). E, por aqui, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Copom também na quarta-feira. Os impactos da guerra vão além do petróleo e combustíveis e já afetam setores como mercado de alumínio e fertilizantes.

Enquanto você dormia…

  • Os investidores acompanham a escalada geopolítica e o impacto da Guerra no Irã nas commodities. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,54% e o Nasdaq futuro subia +0,66%.
  • Na Europa, as bolsas operam em leve alta. O Stoxx 600 tem queda de -0,32%.
  • Na Ásia, o clima foi de esperar para ver em uma semana cheia de decisões importantes. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,13%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +1,45%, impulsionado por dados da China melhor que o esperado.
  • O índice dólar (DXY) segue em queda de -0,29% aos 100,07 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,48% cotado a US$ 103,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos chegaram em 4,257% ao ano.

Destaques do dia

  • Guerra no Golfo reacende choque do petróleo. A tensão no Oriente Médio continua no centro das atenções do mercado nesta segunda-feira.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu apoio de aliados para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica, enquanto o mercado avalia o risco de nova escalada no conflito.
  • O preço do Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação e pressionando expectativas para juros globais.
  • E daí? Petróleo elevado costuma reforçar o radar sobre empresas ligadas à commodity, como Petrobras. Ao mesmo tempo, energia mais cara pode pressionar inflação global e afetar moedas e bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.

Giro pelo mundo

  • Alumínio dispara: além do petróleo, a guerra no Oriente Médio também pressiona metais industriais, com o preço do alumínio subindo diante do risco de interrupções energéticas e logísticas na produção global.
  • Pressão sobre Ormuz: o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou aliados, como Reino Unido e França, além da China, que enviem navios para proteger o estreito sob o risco de enfrentarem mais elevações de tarifas, caso não atendam o chamado.

Giro pelo Brasil

  • Petróleo e inflação: a alta da commodity no exterior pode pressionar expectativas de inflação no mundo e também no Brasil, mantendo o mercado atento ao comportamento dos juros globais.
  • Fluxo estrangeiro: investidores monitoram o impacto da volatilidade global sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e o comportamento do real.
  • Megaleilão de térmicas: o governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes.

Giro corporativo

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus – BC. Pesquisa semanal com projeções do mercado sobre PIB, Selic, IPCA e câmbio.
  • 09:00: IBC-Br – BC. O índice de atividade do Banco Central é considerado a prévia do PIB.
  • 09:30: Índice Empire State de atividade industrial — EUA. Indicador antecipado da atividade manufatureira em março.
  • 11:00: Índice de confiança do mercado imobiliário (NAHB) — EUA. Termômetro do setor de construção e sensibilidade aos juros.
  • 15:00: Leilão de Treasuries — EUA. Pode mexer com os juros globais dependendo da demanda.

Ótima segunda-feira e bons negócios!

Brasil tem a mesma meta de inflação que os vizinhos — mas os juros mais altos da região; entenda por quê

15 de Março de 2026, 12:06

O Brasil convive com a mesma meta de inflação que seus pares emergentes latinos – México, Colômbia e Chile – mas mantém as maiores taxas de juros, ainda que esteja à beira de um processo de flexibilização monetária.

Questões históricas, estruturais e de curto prazo da economia brasileira ajudam a explicar o juro elevado, mas economistas consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) ainda colocam em debate a sustentabilidade do alvo de inflação em 3% no desenho do País.

Em evento do BTG Pactual no mês passado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu que a meta de inflação do Brasil é compatível com a dos seus pares, mas questionou a necessidade de taxas de juros tão elevadas no País, em 15% ao ano, quando comparado a México (7%), Colômbia (10,25%) e Chile (4,5%).

Uma economia com a maior pressão de dívida pública entre seus pares, uma taxa de juro neutra historicamente elevada, e expectativas de inflação – tanto corrente quanto futuras – ainda desancoradas ajudam a explicar o porquê de uma taxa de juros nominal em 15% no Brasil, segundo os analistas, que defendem um maior esforço no controle das contas públicas.

Mesmo que o nível do juro seja o maior entre os seus pares, o economista para América Latina do Citi, Ernesto Revilla, considera que o BC brasileiro tem tido mais sucesso entre seus pares na missão de atingir a meta de 3%. No horizonte relevante, no terceiro trimestre de 2027, o BCB projeta inflação em 3,2%.

“México e Colômbia, por exemplo, podem ter a mesma meta, mas os bancos centrais desses países estão relutantes em realmente reduzir a inflação até a meta. Diria que o BCB é mais respeitado por sua comunicação e análise técnica quando comparado aos bancos centrais do México e Colômbia”, avalia.

Em fevereiro, o Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução em que defendia a revisão da meta de inflação, de 3%, “compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade”.

O debate sobre uma eventual mudança na meta em um momento em que as expectativas de inflação estão desancoradas, porém, não seria a melhor ideia, segundo os economistas.

“Nunca é uma boa ideia discutir isso quando você está acima da meta, porque parece que está mudando as regras do jogo”, diz Revilla.

Ele reconhece, porém, que é um tema que vale a pena ser revisitado após um processo de ganho de credibilidade.

Na mesma linha, o professor do Insper Marcelo Kfoury Moinhos considera que a meta de 3% no País é “ambiciosa” e concorda que uma mudança seria “contraproducente”.

Mas ele pondera que, ainda que o alvo fosse maior – de 4%, por exemplo, a dinâmica nos juros não seria tão diferente. “Vimos que a desaceleração da economia foi pequena frente ao nível do juro, por exemplo”, disse.

O problema é fiscal

Ex-diretor de Política Econômica do BC e professor da Fundação Getulio Vargas, Sérgio Werlang, defende há tempos uma meta de inflação maior para o desenho da economia brasileira, mas pondera que isso só será possível com um ajuste do lado fiscal.

Werlang lembra que os pares latinos não têm o mesmo grau de indexação de gastos frente ao Orçamento brasileiro. “Se esses países conseguem conviver com uma meta de 3%, o Brasil talvez precise conviver com uma meta um pouco mais alta”, afirma.

Uma reforma na estrutura de gastos públicos deve ser o principal desafio a ser enfrentado para novos desenhos da inflação no Brasil, segundo o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani.

Ele também chama atenção para o momento atual, em que o BC passa por um processo de consolidação da credibilidade. “Quando alcançar o alvo de 3% e ancorar as expectativas, vale a pena o debate estrutural para uma eventual mudança”, acrescenta.

Kfoury, do Insper, ainda considera que a potência da política monetária, sozinha, têm se mostrado insuficiente para uma ancoragem das expectativas de inflação. “Uma hipótese é a má coordenação com a política fiscal. É como estar com o acelerador em um pé e o freio no outro – o carro derrapa.”

Conflito no Oriente Médio traz dúvidas ao BC e exige ‘serenidade’, segundo Nilton David

5 de Março de 2026, 11:44

O diretor de política monetária do Banco Central do Brasil, Nilton David, afirmou nesta quinta-feira (5) que a autoridade monetária deve agir com cautela diante do aumento das incertezas globais, especialmente após a escalada das tensões no Oriente Médio.

Segundo ele, a postura do BC exige “serenidade”, mas isso não significa falta de ação. “Serenidade não significa inação, significa tirar emoção do tratamento dos dados”, afirmou durante participação na Latam Macro Conference 2026, evento organizado pelo Goldman Sachs, em São Paulo.

Nilton destacou que o conflito no Oriente Médio traz dúvidas relevantes para o cenário econômico, principalmente por causa dos possíveis impactos do petróleo sobre a inflação. “É natural pensar que quando o petróleo sobe há pressão inflacionária, mas por quanto tempo? Não sabemos a duração”, disse.

Para o diretor, caso o choque geopolítico tivesse ocorrido há alguns meses, o ambiente seria mais complexo para a condução da política monetária.

No momento, ele avalia que já é possível observar uma inflexão da atividade econômica, com o nível de atividade retornando ao seu potencial. Ainda assim, o cenário exige cautela na interpretação dos dados e no ritmo das decisões, disse.

Nilton também relembrou que, após a queda da volatilidade do real e dos juros em dezembro, houve questionamentos sobre a comunicação do BC. Em janeiro, porém, segundo ele, os dados passaram a evoluir de forma mais próxima do esperado, reforçando a percepção de que o próximo movimento da autoridade monetária seria apenas de “calibração”.

“É um processo de calibração, não é um processo de afrouxamento da política monetária. A busca aqui não é a taxa de juro neutro”, afirmou. “Esse processo de calibração passa por terminar em ponto restritivo.”

Segundo ele, o próprio BC entende que o ambiente de mercado deve ficar mais volátil ao longo deste ano por causa das eleições presidenciais, o que tende a reduzir a eficácia da política monetária. Nesse contexto, a “camada extra de juros” aplicada até agora pela autoridade monetária deve ajudar a lidar com esse cenário.

“Com tudo isso posto, o Comitê decidiu que o processo de calibração deve começar na próxima reunião, e por isso que é uma calibração, a gente está vendo até onde a gente pode ir”, disse.

Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o processo de corte dos juros neste mês.

No mercado, a principal dúvida agora é o tamanho desse corte. Com o aumento das incertezas globais após o início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, investidores reduziram as apostas em uma queda de 0,50 pontos percentuais e passaram a elevar as posições em um corte menor, de 0,25 p.p.

Durante sua fala, David afirmou que não pode antecipar a decisão do Copom, acrescentando que os acontecimentos envolvendo o Irã são relevantes, mas cercados de incertezas

*Com informações da Broadcast

Tesouro IPCA+ aumenta prêmio de risco e oferece até 7,58% com guerra no radar; confira as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira (5)

5 de Março de 2026, 10:13

As taxas do Tesouro Direto operam com movimentos mistos na sessão desta quinta-feira (5), com leve alta em alguns vértices da curva e ajustes pontuais em relação ao fechamento anterior.

Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 oferece 13,52% ao ano, praticamente estável frente aos 13,51% registrados no fechamento anterior, uma alta marginal de 1 ponto-base. Já o Tesouro Prefixado 2029 paga 12,97%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 oferece 13,69% ao ano.

Nos papéis atrelados à inflação, o movimento foi de abertura da taxa em alguns vencimentos. O Tesouro IPCA+ 2032 rende IPCA + 7,58%, acima dos IPCA + 7,49% observados no fechamento anterior.

Em vencimentos mais longos, os retornos seguem elevados. O Tesouro IPCA+ 2040 oferece IPCA + 7,14%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2050 paga IPCA + 6,86%. Entre os títulos com pagamento de juros semestrais, o Tesouro IPCA+ 2037 rende IPCA + 7,41%, e o Tesouro IPCA+ 2045 oferece IPCA + 7,14%.

O Tesouro Selic 2031, por sua vez, é negociado a Selic + 0,099% ao ano, mantendo o comportamento mais estável típico dos títulos pós-fixados.

Os movimentos indicam pequena reabertura da curva real, com investidores exigindo prêmio ligeiramente maior em alguns títulos atrelados à inflação, enquanto os prefixados mostram estabilidade após o recuo observado na sessão anterior.

O conflito no oriente Médio segue no radar dos investidores que calculam até quanto o preço do petróleo pode chegar e o impacto que isso teria na inflação mundial. Apesar de um alívio ontem com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã, os temores de uma escalada da guerra voltaram ao radar.

Mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correrem para abrigos antiaéreos, enquanto Israel lançou uma grande onda de ataques à Teerã nesta quinta-feira.

Taxas dos títulos do Tesouro Direto hoje (5):

Título Rendimento Anual Investimento mínimo Preço unitário Vencimento
Tesouro Selic 2031 Selic + 0,099% R$ 184,39 R$ 18.439,33 01/03/2031
Tesouro Prefixado 2029 12,97% R$ 7,10 R$ 710,93 01/01/2029
Tesouro Prefixado 2032 13,52% R$ 4,80 R$ 480,13 01/01/2032
Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 13,69% R$ 8,23 R$ 823,78 01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 7,58% R$ 28,93 R$ 2.893,55 15/08/2032
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037 IPCA + 7,41% R$ 42,43 R$ 4.243,20 15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,14% R$ 17,16 R$ 1.716,03 15/08/2040
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045 IPCA + 7,14% R$ 41,90 R$ 4.190,45 15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 6,86% R$ 9,22 R$ 922,04 15/08/2050
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060 IPCA + 7,07% R$ 40,35 R$ 4.035,11 15/08/2060
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2030 IPCA + 7,20% R$ 19,23 R$ 1.923,50 15/12/2049
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2035 IPCA + 7,05% R$ 13,93 R$ 1.393,36 15/12/2054
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2040 IPCA + 6,94% R$ 10,15 R$ 1.015,33 15/12/2059
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2045 IPCA + 6,90% R$ 7,34 R$ 734,78 15/12/2064
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2050 IPCA + 6,89% R$ 5,28 R$ 528,96 15/12/2069
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2055 IPCA + 6,91% R$ 3,77 R$ 377,26 15/12/2074
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2060 IPCA + 6,92% R$ 2,69 R$ 269,59 15/12/2079
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2065 IPCA + 6,92% R$ 1,93 R$ 193,32 15/12/2084
Tesouro Educa+ 2027 IPCA + 7,72% R$ 36,37 R$ 3.637,77 15/12/2031
Tesouro Educa+ 2028 IPCA + 7,65% R$ 33,87 R$ 3.387,60 15/12/2032
Tesouro Educa+ 2029 IPCA + 7,60% R$ 31,55 R$ 3.155,77 15/12/2033
Tesouro Educa+ 2030 IPCA + 7,56% R$ 29,40 R$ 2.940,32 15/12/2034
Tesouro Educa+ 2031 IPCA + 7,51% R$ 27,43 R$ 2.743,55 15/12/2035
Tesouro Educa+ 2032 IPCA + 7,46% R$ 25,62 R$ 2.562,52 15/12/2036
Tesouro Educa+ 2033 IPCA + 7,42% R$ 23,93 R$ 2.393,80 15/12/2037
Tesouro Educa+ 2034 IPCA + 7,36% R$ 22,42 R$ 2.242,45 15/12/2038
Tesouro Educa+ 2035 IPCA + 7,31% R$ 21,00 R$ 2.100,78 15/12/2039
Tesouro Educa+ 2036 IPCA + 7,26% R$ 19,69 R$ 1.969,46 15/12/2040
Tesouro Educa+ 2037 IPCA + 7,21% R$ 18,47 R$ 1.847,99 15/12/2041
Tesouro Educa+ 2038 IPCA + 7,16% R$ 17,35 R$ 1.735,66 15/12/2042
Tesouro Educa+ 2039 IPCA + 7,11% R$ 16,31 R$ 1.631,52 15/12/2043
Tesouro Educa+ 2040 IPCA + 7,07% R$ 15,32 R$ 1.532,89 15/12/2044
Tesouro Educa+ 2041 IPCA + 7,03% R$ 14,41 R$ 1.441,39 15/12/2045
Tesouro Educa+ 2042 IPCA + 7,00% R$ 13,54 R$ 1.354,17 15/12/2046
Tesouro Educa+ 2043 IPCA + 6,97% R$ 12,73 R$ 1.273,03 15/12/2047
Tesouro Educa+ 2044 IPCA + 6,95% R$ 11,95 R$ 1.195,19 15/12/2048

Tesouro Direto: taxas dos títulos IPCA+ recuam e voltam para perto das mínimas do semestre

12 de Dezembro de 2025, 11:57

O Banco Central evitou sinalizar qualquer chance de um corte da Selic já em janeiro de 2026. Mas, mesmo assim, as taxas do Tesouro Direto passaram a cair depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa básica em 15% ao ano na quarta-feira (10).

Nesta sexta-feira (12), os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+, voltaram a cair. Agora estão em patamares mais próximos das mínimas vistas antes dos ruídos políticos contaminarem os mercados e fazerem os retornos desses papéis retomarem ao nível de 8% ao ano.

O Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, saiu de 7,98% de juro acima da inflação vista na super quarta-feira (10) da política monetária para 7,79% nesta sexta-feira (12). O Tesouro IPCA+ 2040, que chegou a 7,01% no dia do Copom, voltou para 6,87% ao ano. E o papel mais longo da plataforma Tesouro Direto, o IPCA+ 2050, está com rendimento de inflação mais 6,88% contra 7,02% visto pouco antes da decisão de juros.

As mínimas anteriores ao episódio do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro foram alcançadas entre fim de novembro e início do mês. O Tesouro IPCA+ 2029 chegou a 7,64% ao ano em 4 de dezembro. O Tesouro IPCA+ 2040 no mesmo dia chegou a 6,82%. E o Tesouro IPCA+ 2050 foi negociado a 6,78% no mesmo dia.

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Menos política e mais visão sobre juros

Mas o que mudou de lá para cá? Em primeiro lugar, o ruído politico arrefeceu. Ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenha reafirmado sua pré-candidatura como o escolhido do próprio pai, os investidores passaram a considerar o evento mais como uma jogada para tentar aprovar uma anistia ao ex-presidente no Congresso. Ou seja, os nomes na futura corrida presidencial ainda não estão definidos.

Mas o fator mais importante veio mesmo do cenário para juros. Ainda que o Copom tenha evitado alimentar expectativas para um corte de taxas no início do próximo ano, o mercado entendeu que o ciclo de reduções está mais perto do que nunca. Mesmo se o BC não baixar em janeiro, a visão é a de que a primeira diminuição da Selic não passa de março.

E tem mais: diante de um juro real no maior patamar em 10 anos, combinado a uma inflação que mostra estar controlada, à convergência de expectativas para o cenário vislumbrado pelo Copom no horizonte relevante – que vai até o segundo trimestre de 2027 – e sinais claros de desaceleração da atividade, os investidores veem crescentes possibilidade de a autoridade ter de acelerar o passo nos cortes.

Mercado vê cortes mais amplos

O último boletim Focus do BC, que reúne projeções para indicadores como Selic, IPCA, PIB e câmbio, mostra a mediana de estimativas do mercado para a taxa de juros no fim de 2026 em 12,25% ao ano. Isso representa uma queda de 2,75% no ano que vem. Se o Copom optar por iniciar o ciclo com um corte de 0,25 ponto percentual teria de realizar reduções de 0,50 ponto em, ao menos, metade das oito reuniões no ano.

Esse, por exemplo, é o cenário base do Citi. O economista-chefe do banco no Brasil, Leonardo Porto, enxerga o Copom cortando  0,25 ponto já a partir de janeiro e acelerando posteriormente para ajustes de 0,50 pp. Isso até que a Selic alcance 12% no fim do próximo ano.

Já existem casas, como o Itaú, que começam a ver espaço para o juro cair a 11% ao ano no fim de 2026. Nesse caso, o banco central teria de realizar cortes de 0,5 ponto percentual em todas as reuniões do ano que vem, começando já em janeiro.

Onda de otimismo anima bolsas globais e empurra Ibovespa para novo recorde

27 de Outubro de 2025, 18:25

Um “alinhamento dos astros” nesta segunda-feira (27) sustentou o ânimo de quase todos os mercados globais – e o Brasil não ficou de fora. Com expectativas positivas rodando o cenário econômico, político e monetário, as bolsas ao redor do mundo tiveram um dia positivo e o Ibovespa, na mesma toada, renovou a sua máxima histórica.

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em um novo recorde de 146.991 pontos, com alta de 0,56%. No desempenho intradiário (dentro de uma sessão), o indicador também quebrou o recorde ao alcançar 147.976 pontos na parte da manhã.

Em linha com o enfraquecimento ante outras moedas globais, o dólar à vista fechou em baixa de 0,42%, aos R$ 5,3706. No ano, a divisa acumula queda de 13,08%.

A principal força para o mercado veio da sinalização de um potencial final feliz para o embate tarifário entre os Estados Unidos e a China. No domingo (26), os principais negociadores comerciais das duas economias disseram ter chegado a um entendimento preliminar sobre uma série de pontos delicados. Isso pavimenta o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, da China, finalizem um acordo em uma reunião marcada para a quinta-feira (30).

Caso os dois líderes consigam um passo concreto, sairá de cena o principal fator que tem abalado os mercados globais nos últimos meses. Na última escalada das tensões comerciais, em 10 de outubro, Trump anunciou um aumento de tarifas para 100% sobre todos os produtos chineses.

E outros fatores se somaram para explicar o bom humor dos investidores, como a perspectiva de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já na quarta-feira (29).

O mercado já trabalha majoritariamente com um corte de 0,25 ponto percentual nos juros americanos. A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária, coloca essa possibilidade em 97,8%. A potencial redução alimenta o interesse dos investidores para buscar aplicações mais arriscadas, mas com maior potencial de retorno – o que traz um fluxo grande para mercados em desenvolvimento.

Aqui no Brasil, o mercado também se apoiou no clima amistoso entre Lula e Trump em encontro realizado no domingo (26). A reunião, que durou 45 minutos, foi considerada pelos dois lados como produtiva. Agora, a expectativa é por movimentos concretos de costura de acordos em novas reuniões entre representantes dos países. Esse foi o primeiro evento com participação dos dois governantes após o mandatário americano decidir aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, no fim de julho.

Até os dados macroeconômicos deram uma força ao desempenho positivo da bolsa no dia. O boletim Focus, que traz as estimativas de economistas para alguns indicadores, continuou mostrando mais quedas das expectativas sobre a inflação. Esse processo de “ancoragem” ou seja, de convergência das projeções para a meta estabelecida pelo Banco Central, é sempre citado pela autoridade como um dos principais fatores para o início do ciclo de cortes da Selic.

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