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Chama-se “flaking” o mais novo crime de Vorcaro descoberto pela PF

17 de Junho de 2026, 09:25
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em seminário da Esfera Brasil em São Paulo. Foto: Reprodução.

O banditismo de Daniel Vorcaro está muito além das famigeradas redes de corrupção brasileiras. Trata-se não apenas da cooptação de políticos e de quadros técnicos das estruturas estatais para favorecimentos e enriquecimento nos ambientes financeiros, mas da adoção sem pudor de práticas mafiosas para solução mesmo de entreveros de ordem pessoal ou amorosa. Os métodos de intimidação da “Turma”, nome dado à milícia privada à serviço do dono do Banco Master, não devem nada aos das máfias transnacionais, reais ou cinematográficas. Assim nos fazem deduzir as recentes revelações da Polícia Federal.

Diálogos interceptados pela PF mostraram que Vorcaro ordenou à “Turma” uma ação de vingança contra o DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, que teve um relacionamento com Martha Graeff – eles têm uma filha. À época das mensagens, Graeff era namorada de Vorcaro. O método sugerido pelo banqueiro-mafioso, disposto a investir R$10 milhões na empreitada, foi o flaking: termo que designa “plantar” drogas e forjar uma situação de flagrante policial.

Seikaly morava em Miami. Nas conversas capturadas pela PF não parece decidido se o flaking ocorreria na cidade da Flórida ou se o DJ seria seduzido a realizar uma apresentação no Brasil, onde se armaria a cilada. Vorcaro orienta Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, a acionar “o amigo da Interpol” para viabilizar a tarefa.

Fato é que a polícia de Miami possui notória expertise quando se trata de plantar provas falsas, e o banqueiro mostra-se conhecedor dos métodos intimidatórios que, digamos, possuem alto potencial de gerar o resultado esperado. Rememore-se o caso Raul Iglesias, de 2012.

Iglesias era um policial veterano com 18 anos de corporação e liderava uma unidade de elite de combate ao tráfico de drogas. Na verdade, era o rei do flaking. Investigações conduzidas pelo FBI e pela Corregedoria descobriram que ele e sua equipe rotineiramente plantavam sacos de cocaína e crack em suspeitos que queriam prender, mesmo quando nenhuma droga era encontrada com o alvo. O esquema era duplo: além de forjar os flagrantes, o sargento Iglesias roubava pacotes de drogas e milhares de dólares em espécie apreendidos de traficantes reais, usando parte do entorpecente roubado para abastecer seu “estoque” e plantar em futuras vítimas inocentes.

Em janeiro de 2013, um júri federal em Miami julgou Raul Iglesias culpado por conspiração para violar direitos civis, distribuição de narcóticos e obstrução de justiça. O Departamento de Justiça americano classificou o caso como uma traição absoluta à confiança pública. Parece que o “método Iglesias” seduziu Daniel Vorcaro e seus sicários – sem surpresa, se forem consideradas as dimensões dos outros métodos adotados pela “Turma”.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. Foto: reprodução

As organizações mafiosas modernas, como a liderada por Danilel Vorcaro, utilizam aparatos de vigilância privada e infiltrações para antecipar passos de adversários e neutralizar ameaças internas. Perseguição, levantamento de rotinas e descoberta de endereços residenciais de ex-funcionários, colaboradores insatisfeitos ou críticos são práticas rotineiras. No caso de Vorcaro, a PF identificou ordens expressas para conseguir o endereço e rastrear os passos de ex-empregados que ameaçavam expô-lo.

O banqueiro também usava de agentes ou contatos policiais para invadir ilegalmente bancos de dados sigilosos do Ministério Público Federal e da própria Polícia Federal, como apurou a investigação. O leque criminoso incluída planejamento de emboscadas violentas disfarçadas de crimes comuns para aplicar surras ou punições físicas, como àquela desvendada que se armava contra o jornalista Lauro Jardim.

A umbilical relação entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira, recebedor de mesadas milionárias e mimos variados, bem como o tratamento fraterno desnudado entre o banqueiro-mafioso e Flávio Bolsonaro com vistas à produção da hagiografia do pai – ou ao sustento luxuoso do foragido Eduardo Bolsonaro -, ou ainda a escandalosa promiscuidade apurada entre o CEO do Banco Master e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro atestam o que já era público e notório: a intimidade dos bolsonaristas com adeptos de práticas milicianas. Gente da pior espécie se admira e se atrai.

PF identifica mecanismo para ocultar pagamento de mesada de R$ 6 milhões de Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira 

17 de Junho de 2026, 09:15

Relatório da Polícia Federal apontou que empresas ligadas a Ciro Nogueira (PP-PI) desenvolveram uma estrutura financeira para ocultar pagamentos de mesada feitos ao senador por Daniel Vorcaro. 

A PF acredita que existe um esquema integrado de movimentação financeira entre empresas das famílias Nogueira e Vorcaro, em especial a CNLF, do senador, e a BRGD, controlada por Vorcaro e seus parentes.

Leia também: PF afirma que executivo do BTG aprovou operação suspeita de R$ 132 mi para primo de Vorcaro

O mecanismo de lavagem de dinheiro usaria estruturas interligadas que seriam usadas para “a ocultação, dissimulação e reinserção de recursos de origem incompatível com a capacidade econômico-financeira formal dos envolvidos, tendo como possível beneficiário final o senador Ciro Nogueira”, apontou a PF.  

Por meio desse fluxo, o ex-banqueiro teria pago uma mesada ao senador que soma ao menos R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, justamente o período mais crítico das tentativas de salvar o Banco Master. 

A reportagem da Times Brasil – Licenciado exclusivo CNBC, procurou o senador, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. 

Pagamento de viagem a Lisboa

Investigações da PF também dão conta de que Vorcaro bancou as despesas de uma viagem a Lisboa de Nogueira e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

As informações foram obtidas pela PF no celular do dono do Banco Master e foram enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) dentro da mesma operação que realizou busca e apreensão contra Ciro Nogueira. Motta não foi alvo de nenhuma diligência na ocasião.

Leia também: DENÚNCIA: Forbes Brasil tem fundo do Banco Master como sócio oculto

Nas conversas e documentos obtidos pela PF, Vorcaro determina o pagamento de cinco diárias de “suíte jr.” no Four Seasons Hotel para Ciro e Hugo Motta. De acordo com a PF, o custo total para cada um seria de cerca de R$ 90 mil, com base na cotação do euro da época. Em conversa com jornalistas, Motta disse ter “muita tranquilidade” sobre as diárias pagas pelo banqueiro.

“As investigações estão aí, os órgãos estão trabalhando e eu defendo que as apurações possam acontecer da maneira mais isenta e imparcial possível. Eu sou um deputado que sempre defendi o bom exercício da atividade parlamentar, sempre legislei com responsabilidade e presido a Câmara com essa mesma responsabilidade”, afirmou.

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Vorcaro pagou ao menos R$ 6 milhões em mesada a Ciro Nogueira, diz PF

17 de Junho de 2026, 05:45
Por João Gabriel, José Marques, Luisa Martins, Constança Rezende, Mateus Vargas, Nathalia Garcia, Raphael Di Cunto e Felipe Mendes (Folhapress)) – O senador Ciro Nogueira recebeu ao menos R$ 6 milhões em mesadas do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entre 2024 e 2025, aponta a PF (Polícia Federal). Os dados constam em documentos do […]

Conselho decide punir Ciro Nogueira por propina investigada na Lava Jato

31 de Maio de 2026, 18:49
(Folhapress) – Acuado por investigação sobre o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) tem uma outra pendência jurídica de peso, relativa ainda aos tempos da Operação Lava Jato. O Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) decidiu manter multa e cobrança de imposto a ele em decorrência de propina que teria sido recebida em esquema […]

PF revela repasse de R$ 14,2 milhões da Refit para empresa de Ciro Nogueira

21 de Maio de 2026, 16:10
O senador Ciro Nogueira. Foto: Divulgação

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter identificado a transferência de R$ 14,2 milhões, em 2024, de um fundo ligado ao grupo Refit para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária LTDA, pertencente a familiares do senador Ciro Nogueira (PP).

A movimentação consta de relatório encaminhado ao STF no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga suposto esquema de fraudes fiscais e sonegação no setor de combustíveis. Segundo os investigadores, os recursos saíram da empresa Athena Real Estate LTDA, vinculada ao fundo EUV Gladiator, que possui ligação societária com estruturas associadas ao grupo empresarial investigado.

De acordo com a PF, a análise contábil da Athena apontou capital social de R$ 22 milhões e uma transferência de R$ 14,2 milhões para a empresa ligada à família do senador. O relatório não detalha as circunstâncias da operação, que permanece sob apuração.

O grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, é controlado pelo empresário Ricardo Magro, apontado pela investigação como líder de uma organização criminosa suspeita de utilizar estruturas públicas para favorecer interesses empresariais.

Magro teve prisão decretada na Operação Sem Refino e é considerado foragido pelas autoridades brasileiras. Ao g1, o senador afirmou que o valor corresponde à venda de uma área de 40 hectares em Teresina (PI), destinada à instalação de uma distribuidora de combustíveis.

“Pelo que fui informado, aqui pela empresa, uma empresa que eu não sou nem sócio, mas eles compraram uma grande área para construir uma distribuidora aqui em Teresina, uma área de R$ 14 milhões, 40 hectares na saída de Teresina, uma das áreas mais valorizadas de Teresina. E é uma área que hoje vale muito mais do que esses R$ 14 milhões. E que essa empresa ia construir, depois, ela teve uma série de denúncias, resolveu não fazer esse empreendimento”, declarou o senador.

O empresário Ricardo Magro. Foto: Divulgação

Em nota, a assessoria do parlamentar afirmou que a negociação ocorreu de forma regular e foi comunicada aos órgãos competentes. O texto informa ainda que a empresa familiar atua no mercado imobiliário e que, na época da transação, a participação societária de Ciro era inferior a 1%.

Atualmente, segundo a nota, ele não possui participação na companhia. A defesa sustenta que os valores envolvidos eram compatíveis com os preços praticados no mercado para a região onde está localizado o imóvel.

Embora não seja alvo da Operação Sem Refino, o senador aparece de forma indireta nas investigações. O STF autorizou buscas contra Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário-executivo da Casa Civil durante a gestão de Nogueira no governo Bolsonaro.

Segundo a PF, uma empresa apontada como “de passagem” e ligada ao grupo investigado transferiu cerca de R$ 1,3 milhão para estruturas relacionadas ao ex-assessor. Os investigadores afirmam que os recursos recebidos por Jonathas eram rapidamente repassados ao beneficiário final.

“Os valores creditados foram rapidamente transferidos diretamente ao próprio beneficiário final JONATHAS ASSUNÇÃO SALVADOR NERY DE CASTRO, cerca de R$1.325.000,00. Tal padrão evidencia baixa permanência dos recursos na conta, típico de empresa de passagem, sem identificação de despesas operacionais compatíveis com a atividade declarada de consultoria, como folha de pagamento, estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos valores recebidos”, diz a PF no relatório enviado ao STF.

A nota divulgada pela assessoria do senador afirma que ele não praticou qualquer irregularidade e atribui a divulgação do caso a tentativas de desgastar sua imagem. O comunicado sustenta que o parlamentar é “o principal interessado no esclarecimento dos fatos” e destaca que as acusações surgem em período eleitoral.

Vorcaro foi ao casamento da filha de Ciro Nogueira dias antes da “emenda Master”

10 de Março de 2026, 15:36
Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira. Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, esteve no casamento da filha do senador Ciro Nogueira (PP-PI), realizado em Angra dos Reis em 3 de agosto de 2024. A presença no evento ocorreu 10 dias antes do senador apresentar a proposta que modificava o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), aumentando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Antes do casamento, Vorcaro trocou mensagens com a então companheira, Martha Graeff, planejando ir ao evento. Em uma dessas mensagens, ela questiona o sobrenome de Ciro e confirma se ele é pai de Maria Eduarda Portela Nogueira, a noiva.

A conversa também revelou que o banqueiro queria que a então namorada fosse com ele ao casamento, mas acabou indo sozinho. Dez dias após o casamento, Vorcaro comemorou com sua namorada a atuação de Ciro no Congresso, ao comentar sobre a medida, que ficou conhecida como “emenda Master”.

Ele descreveu o projeto de lei como uma “bomba atômica” para o mercado financeiro, que ajudaria os bancos médios e enfraqueceria os grandes, gerando uma reação positiva entre os envolvidos. “Ciro [Nogueira] soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, diz a mensagem.

Ciro Nogueira falando e gesticulando
Ciro Nogueira, do PP. Foto: Reprodução

Em outras mensagens, Vorcaro descreveu Ciro como um “grande amigo”. “Ciro nogueira. É um senador. Muito amigo meu. Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida” (sic), diz o texto encontrado em seu celular.

Um segundo e-mail encontrado no telefone do banqueiro mostra uma viagem de helicóptero que foi reservada por uma empresa do banqueiro para Ciro e Antônio Rueda, líder do União Brasil.

A emenda de Ciro, ao modificar os limites do FGC, trouxe benefícios para bancos menores. O fundo é uma associação privada, sem fins lucrativos, que atua na manutenção da estabilidade financeira e na prevenção de crises bancárias, além da proteção de investidores. Ele funciona como uma espécie de seguro.

Ciro Nogueira e Rueda voaram em helicóptero de Vorcaro após corrida da F1 em SP

5 de Março de 2026, 06:40
Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antônio Rueda, do União Brasil. Foto: reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ofereceu um helicóptero para Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, deixarem o autódromo de Interlagos após o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo, em 2024. O episódio aparece em registros obtidos a partir da quebra de sigilo telefônico do empresário, investigado pela Polícia Federal e preso sob suspeita de comandar um esquema de fraude financeira e ameaças contra adversários.

Segundo informações obtidas pela Folha, Vorcaro recebeu em 2 de novembro de 2024 um e-mail da empresa Prime You confirmando a solicitação de três voos de helicóptero partindo do Kartódromo Ayrton Senna com destino ao Aeroporto de Congonhas. O deslocamento estava previsto para o fim da tarde do dia 3 de novembro, após a corrida de Fórmula 1 realizada no Autódromo de Interlagos.

De acordo com a confirmação enviada pela empresa, o primeiro voo estava reservado para Rueda, acompanhado de sete convidados. O segundo transporte seria utilizado pelo próprio Daniel Vorcaro e outros sete convidados. Já o terceiro helicóptero estaria reservado exclusivamente para o senador Ciro Nogueira.

O modelo contratado foi um helicóptero EC 155 B1, aeronave considerada de categoria executiva e frequentemente utilizada para transporte de passageiros em serviços classificados como “transporte VIP”, segundo sites especializados do setor de aviação.

Antônio Rueda, Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira. Foto: reprodução

Daniel Vorcaro teve participação societária na Prime You por meio de um fundo de investimento. A empresa é conhecida no mercado por oferecer serviços de compartilhamento de aeronaves e helicópteros executivos.

Em 2022, um jato pertencente à companhia também foi utilizado na campanha eleitoral do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, a aeronave percorreu todas as capitais do Nordeste e diversas cidades do interior de Minas Gerais entre os dias 20 e 28 de outubro.

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicam ainda proximidade do banqueiro com o senador Ciro Nogueira. Em conversa com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, o empresário descreve o parlamentar como uma pessoa próxima.

“Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, escreveu Vorcaro em mensagem enviada em maio de 2024.

Em outra troca de mensagens, ocorrida em agosto do mesmo ano, o banqueiro comenta uma proposta legislativa apresentada por Ciro Nogueira relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A emenda foi apresentada durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que discutia a autonomia do Banco Central.

“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu Vorcaro.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação

A proposta defendida pelo senador sugeria elevar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante, além de transferir a gestão do fundo das instituições financeiras para o Banco Central. A medida acabou não sendo incluída no texto final aprovado pelo Congresso Nacional.

Nos diálogos analisados, Vorcaro também comenta a repercussão da proposta entre agentes do mercado financeiro. “Kkk todo mundo me ligando”, afirmou em uma das mensagens. Em seguida, acrescenta: “Sentiram o golpe”.

As conversas também mostram menções à vida social do senador. Em uma delas, Vorcaro comenta com Martha Graeff sobre o casamento de Duda Nogueira, filha de Ciro Nogueira, ocorrido em agosto de 2024. O banqueiro manifesta interesse em que a namorada o acompanhasse no evento.

Os diálogos fazem parte de documentos reunidos por investigações e também foram citados em material analisado pela CPI do INSS. O Banco Master foi colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central, e investidores com aplicações de até R$ 250 mil na instituição foram posteriormente ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos.

Os elogios de Vorcaro ao bolsonarista Ciro Nogueira: “Grande amigo de vida”

4 de Março de 2026, 23:29
senador Ciro Nogueira (PP-PI) sentado, olhando para o lado
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) – Reprodução

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro obtidas pelo jornal “O Globo” registram conversas de 2024 nas quais ele menciona o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e se refere ao parlamentar como “um dos meus grandes amigos de vida”. Os diálogos também tratam de uma emenda apresentada pelo senador durante a tramitação da PEC 65 de 2023, que discutia a autonomia orçamentária do Banco Central.

Nas mensagens, Vorcaro comenta a proposta de Ciro Nogueira relacionada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A emenda sugeria elevar o limite de cobertura do fundo de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante e também previa mudança na gestão do mecanismo.

Atualmente, o FGC é administrado pelas próprias instituições financeiras. Pela proposta apresentada pelo senador, a gestão passaria para a alçada do Banco Central. A sugestão acabou não sendo incluída no texto final aprovado pelo Congresso Nacional.

banqueiro Daniel Vorcaro falando, sem olhar para a câmera
O banqueiro Daniel Vorcaro – Reprodução

Em um dos trechos das mensagens, Vorcaro comenta a iniciativa e afirma que a proposta poderia alterar o equilíbrio entre instituições financeiras. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu.

Na sequência do diálogo, o banqueiro descreve reações que teria recebido após a divulgação da proposta. “Kkk todo mundo me ligando”, afirmou. Em outra mensagem, acrescentou: “Sentiram o golpe”. Em outro momento da conversa, Vorcaro diz que a situação teria “tantos desdobramentos loucos” caso fosse retratada em um filme.

Os diálogos fazem parte de documentos reunidos pela CPI do INSS. Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, investidores com aplicações de até R$ 250 mil na instituição foram reembolsados pelo Fundo Garantidor de Créditos. Procurado para comentar as mensagens, o senador Ciro Nogueira ainda não se manifestou.

Ciro Nogueira rejeita Lula, descarta Ratinho Jr. e condiciona apoio a Flávio Bolsonaro

22 de Fevereiro de 2026, 12:27
Ciro Nogueira é senador pelo PP do Piauí — Foto: Brenno Carvalho

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, tem afirmado a interlocutores que ainda não definiu oficialmente seu posicionamento na sucessão presidencial de 2026, mas já estabeleceu condições claras para eventual apoio. Com informações de Lauro Jardim, no Globo.

Segundo relatos de bastidores, Ciro sinaliza que poderá apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desde que o senador adote uma estratégia de campanha mais voltada ao centro político. A avaliação é de que uma candidatura restrita ao eleitorado bolsonarista não teria o respaldo do comando do PP.

A posição ocorre mesmo após um encontro recente entre Ciro Nogueira e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que resultou em uma trégua política. Apesar do gesto, o dirigente do PP tem indicado que não há possibilidade de alinhamento com o atual chefe do Executivo em 2026.

No cenário apresentado pelo senador, Lula estaria fora de qualquer composição. O dirigente também descarta apoio a Ratinho Jr. (PSD-PR) ou a outro nome que venha a ser lançado pelo PSD na disputa presidencial.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução

Ciro Nogueira tem defendido internamente que o apoio do PP dependerá do perfil adotado pelo candidato que pretenda reunir forças de centro e centro-direita. A legenda busca preservar espaço político e influência no próximo ciclo eleitoral.

De acordo com aliados, a decisão formal do partido deve ser anunciada apenas em junho, quando o cenário eleitoral estiver mais consolidado e as articulações partidárias mais avançadas.

O movimento é acompanhado de perto por lideranças do Congresso, já que o PP integra um bloco relevante na Câmara e no Senado e pode ter peso decisivo na montagem de alianças nacionais.

A sinalização pública de condições para apoio reforça a estratégia do partido de negociar com margem de manobra até o momento considerado mais estratégico, mantendo diálogo aberto enquanto observa a evolução das pré-candidaturas.

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