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Usuários do Instagram são impactados por conteúdo explícito após Meta flexibilizar regras

Aplicativo do Instagram. Foto: reprodução

A Meta flexibilizou sua política de conteúdo explícito, e vídeos sexuais passaram a permanecer por mais tempo no Instagram, com distribuição em feeds por meio de hashtags sem relação direta com pornografia, como aeronaves, ets e ciência.

A colunista Bruna Maia relatou nesta sexta-feira (10) que o conteúdo adulto deixou de depender apenas da busca ativa do usuário e começou a se misturar à navegação comum na plataforma de Mark Zuckerberg. Para ela, o fenômeno transforma o sexo em uma espécie de spam visual.

Bruna contou que percebeu o mecanismo ao receber vídeos de mulheres com roupas cor da pele em situações banais, como dobrar lençóis, abastecer carros, experimentar joias e passear com cachorros. Um amigo classificou esse tipo de produção como “soft porn”, feito para driblar restrições de conteúdo adulto.

A colunista afirmou que bloqueava uma conta e via outras semelhantes surgirem em seguida. Depois de alterar o comportamento de interação, disse que conseguiu aproximar o feed do que queria consumir, com vídeos de lontras e texugos do mel.

Censura que aparecia em conteúdo inadequado no Instagram. Foto: reprodução

Hashtags comuns ajudam vídeos explícitos a entrar no feed

A mudança apontada por Bruna envolve conteúdos mais explícitos do que os vídeos de “elastano bege” que ela havia encontrado antes. Esses materiais passaram a circular com marcadores aparentemente inocentes, o que permite que apareçam para usuários interessados em temas como animais, astronomia ou ciência.

Ela citou o risco para crianças e adolescentes e a objetificação recorrente do corpo feminino, mas concentrou a análise no impacto sobre a formação do desejo sexual. “O consumo de pornografia vira algorítmico e compulsório”, escreveu.

Bruna comparou o cenário atual com formas anteriores de acesso à pornografia, como revistas, fitas VHS, sites pornográficos e plataformas pagas como OnlyFans e Privacy. A diferença, para ela, está no fato de que o Instagram leva esse conteúdo para o mesmo espaço em que familiares publicam crochês, animais domésticos e cenas cotidianas.

“Quando esse desejo ou impulso deixa de ser um precedente, o sexo ganha ares de spam –aquele conteúdo que você não buscou e não necessariamente quer”, afirmou a colunista. Ela acrescentou que sua reação ao excesso de estímulo tende à irritação ou à indiferença, e não ao interesse.

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Empresas de IA deixam de focar em modelos maiores e passam para sistemas mais baratos e inteligentes

Nos últimos dois anos, tem sido fácil pontuar a corrida da inteligência artificial (IA): modelos maiores, melhores referências de desempenho (benchmarks) e qualquer empresa que pudesse reivindicar a liderança, pelo menos até o próximo lançamento.

Esse painel de pontuação começa a parecer insuficiente.

À medida que as empresas passam dos testes de IA para o uso em produtos e fluxos de trabalho reais, não se trata mais de acionar o melhor modelo, mas sim de acessar aquele que melhor se adapta a um trabalho específico, pelo custo certo, com os dados necessários e no ambiente escolhido.

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Essa mudança está abrindo as portas para um novo tipo de competição em IA, focado menos no tamanho do modelo e mais no roteamento, custo, controle e computação.

“O modelo por si só não é mais o produto”, disse o CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, à CNBC. “É o arranjo, o sistema de orquestração que coloca o modelo dentro de uma estrutura muito capaz e o combina com uma série de ferramentas”, completou.

Isso significa que os produtos de IA estão se tornando sistemas que podem decidir qual modelo usar, quando usá-lo e quais ferramentas externas ou fontes de dados da empresa são necessárias. Uma tarefa de atendimento ao cliente pode não precisar do modelo mais caro. Um problema complexo de programação pode precisar. Um fluxo de trabalho interno rotineiro poderia rodar em um modelo aberto mais barato. Uma etapa mais difícil poderia ser escalada para um mais potente.

“A resposta é sempre usar o que for melhor para a tarefa”, disse Srinivas.

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O surgimento de modelos alternativos ocorre no momento em que as corporações americanas reduzem os gastos com IA, e apresenta outro desafio para a OpenAI e a Anthropic, que prosperaram nos últimos anos vendendo a tecnologia mais inovadora do mercado.

A Perplexity apresentou nesta semana uma prévia de um novo sistema para o seu produto de uso de computador (computer-use) construído em torno do GLM 5.2, um modelo aberto da empresa chinesa Z.ai. O sistema foi projetado para permitir que um modelo mais barato lide com a maior parte do trabalho, acionando um modelo mais forte apenas quando necessário.

Essa abordagem reflete uma mudança mais ampla no mercado. Modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser baixados, ajustados e executados pelas próprias empresas, estão se tornando mais capazes. Eles também são mais baratos de operar do que os modelos proprietários premium dos maiores laboratórios de IA.

Peter Fenton, sócio-gerente da Benchmark, disse que a mudança pode ser drástica.

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“Uma visão talvez contrária, que está se tornando consenso, é a nossa crença de que mais de 90% dos tokens criados virão de modelos de pesos abertos nos próximos 18 a 24 meses, possivelmente até o final do ano”, disse Fenton à CNBC.

Tokens são as unidades de dados que os modelos de IA processam e geram.

“As margens de inferência geradas pelas empresas de modelos de fronteira, acredito, sofrerão pressão quando for possível executá-los sem a margem de lucro que elas aplicam, e quando houver modelos de pesos abertos bons o suficiente”, disse Fenton.

Fenton afirmou que a migração para modelos abertos não se trata apenas de economizar dinheiro. Em alguns casos, modelos menores ajustados para uma tarefa específica podem ser mais rápidos e ter melhor desempenho do que modelos maiores de uso geral.

“Onde funciona e como funciona

Essa é uma das razões pelas quais a Benchmark investiu na Ollama, uma empresa que facilita para desenvolvedores e empresas o download, a execução e o gerenciamento de modelos abertos.

“Uma coisa é de onde o modelo vem e onde ele foi criado e treinado”, disse o CEO da Ollama, Jeff Morgan. “No entanto, o mais importante para essas empresas com quem conversamos é onde ele roda e como roda”.

Morgan disse que a Ollama foi adotada por mais de 85% das empresas da Fortune 500, incluindo companhias em setores regulamentados, como aviação, seguros e saúde. Ele afirmou que muitas empresas começam com modelos menores rodando perto de seus próprios dados e, depois, expandem para modelos abertos maiores à medida que ganham mais confiança.

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A ascensão dos modelos abertos também cria um desafio estratégico para os EUA. Muitos dos modelos de pesos abertos mais competitivos estão vindo de laboratórios chineses, incluindo Z.ai e DeepSeek. Isso tornou a IA de código aberto uma questão de negócios, de política pública e de competitividade nacional.

Srinivas disse que os EUA deveriam apoiar os modelos abertos porque eles tornam a IA mais acessível e economicamente viável.

“Se você quer que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos para pequenas empresas na América e em países aliados dos EUA, então você realmente precisa que a IA seja muito mais acessível”, disse Srinivas. “E o código aberto é a única maneira de fazer isso”.

A mudança também pode afetar a enorme construção de centros de dados em andamento em todo o setor de tecnologia.

O atual boom da IA pressupõe que a demanda continuará fluindo para grandes data centers em nuvem repletos de chips de última geração. Srinivas diz que parte do trabalho de IA pode, eventualmente, ser executada localmente, em dispositivos de propriedade de consumidores ou empresas.

Isso não eliminaria a necessidade de data centers, mas poderia criar um sistema de IA mais híbrido, com tarefas rotineiras executadas localmente e o trabalho mais difícil enviado para um modelo mais potente na nuvem.

Para os investidores, a questão é se os maiores laboratórios de IA conseguirão manter seu poder de fixação de preços à medida que os modelos abertos melhoram e as empresas se tornam mais seletivas sobre o que utilizam.

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Domínio online do Google dá sinais de desgaste na era da IA

Mais de três anos após o início do boom da inteligência artificial generativa, o Google desafiou muitos céticos que acreditavam que o ChatGPT seria o golpe fatal para o gigante das buscas. Mas alguns problemas estão abalando seu negócio principal.

O mecanismo de busca DuckDuckGo está registrando aumentos nas taxas de instalação de até 40% por semana. O Bing, da Microsoft, alcançou 1 bilhão de usuários pela primeira vez no último trimestre. E o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu ligeiramente no último mês, enquanto o ChatGPT registrou uma pequena alta.

O Google ainda controla 90% do mercado de buscas, o preço de suas ações mais do que dobrou no último ano e o crescimento da receita no primeiro trimestre foi o mais rápido desde 2022. Mas a preocupação com a IA persiste à medida que mais pessoas recorrem aos chatbots como método preferido para encontrar informações.

O ChatGPT ocupa consistentemente a posição de aplicativo gratuito mais baixado no iOS da Apple, e o Claude, da Anthropic, está atualmente em oitavo lugar, uma posição atrás do Gemini, do Google.

Enquanto isso, outra onda de usuários da internet está se afastando completamente das buscas impulsionadas por IA em favor de alternativas sem IA. Um estudo do Pew Research Center publicado em março constatou que cerca de metade dos americanos sentia que a IA em suas vidas diárias os deixava “mais preocupados do que entusiasmados”.

Navegar pela internet sem ela é um dos mecanismos de adaptação e, no início deste mês, o DuckDuckGo lançou um mecanismo de busca “sem IA” com novas extensões para navegador que permitem aos usuários utilizar por padrão o endereço noai.duckduckgo.com.

“Muitas pessoas usam o Google porque o Google é como a página inicial da internet, mas elas querem fazer essas jornadas, clicar e pesquisar por conta própria e tomar suas próprias decisões”, disse Lily Ray, vice-presidente de otimização para mecanismos de busca e busca por IA da empresa de marketing Amsive.

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O Google também enfrenta o desafio de conter startups de IA fortemente financiadas, que estão pagando valores elevados por talentos antes de suas potenciais ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).

Na semana passada, Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia e copresidente do Gemini AI, anunciou que estava deixando o Google para ingressar na OpenAI. E, na sexta-feira, John Jumper, vice-presidente da DeepMind e fellow de engenharia, informou que estava saindo para trabalhar na Anthropic.

As ações da Alphabet tiveram, na segunda-feira, seu pior desempenho em mais de um ano, com queda de 5%.

Analistas da Jefferies escreveram em um relatório que “não interpretam as recentes saídas como um sinal de que o Google esteja fazendo menos em IA, mas sim como mais um dado em uma guerra por talentos que afeta toda a indústria, na qual laboratórios de ponta estão oferecendo lances agressivos”.

Um porta-voz do Google se recusou a comentar para esta reportagem.

Para o Google, o surgimento da IA generativa representa uma espécie de risco existencial desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, que recentemente ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais. A ameaça é dupla: o Google pode perder sua posição dominante e, ao tentar competir em IA, pode canibalizar seu próprio mecanismo de busca em favor de uma nova forma de encontrar informações que ainda não possui um modelo comprovado de publicidade digital.

Os anúncios ainda representam cerca de três quartos da receita da empresa. As margens extremamente elevadas da publicidade permitem ao Google financiar apostas de longo prazo e alto custo, como a Waymo e a IA baseada no espaço, além de investir perto de US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA.

Em sua conferência anual para desenvolvedores, realizada no mês passado, o Google anunciou que redesenharia a caixa de busca pela primeira vez em 25 anos, posicionando o botão “Modo IA” diretamente dentro dela. O botão de busca agora fica abaixo da caixa.

“Esta é a maior atualização da nossa icônica caixa de busca desde sua estreia, há mais de 25 anos”, afirmou Elizabeth Reid, responsável pela organização de buscas do Google, durante o evento.

Além disso, a popular ferramenta de geração de imagens Nano Banana também está disponível na caixa de busca por meio do botão de adição. No aplicativo móvel do Google Search, uma grande caixa clicável do “Modo IA” tem praticamente o mesmo tamanho da caixa de busca tradicional.

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Reação contrária à IA

No último mês, o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu mais de 1%. O tráfego do ChatGPT aumentou um pouco. O DuckDuckGo, que há muito tempo se posiciona contra o Google como uma opção de busca mais privada, afirma que as taxas de instalação cresceram até 75% em relação ao período anterior ao anúncio do Google I/O, em maio.

O Google precisa “encontrar um equilíbrio, porque, se avançar demais com a IA, perderá seus usuários”, disse Ray, da Amsive. Ela classificou a participação de mercado do DuckDuckGo como “microscópica”, mas afirmou que houve um grande aumento recentemente.

Até mesmo o CEO da Alphabet, Sundar Pichai, reconhece os receios em torno da IA. Em um episódio recente do podcast “Hard Fork”, Pichai afirmou que as pessoas estão “justificadamente” ansiosas sobre o tipo de futuro que a tecnologia criará, classificando a escala da mudança como sem precedentes.

Google e OpenAI enfrentaram processos por morte culposa movidos por familiares de pessoas que supostamente cometeram atos de violência ou automutilação devido ao uso de chatbots. Em março, o Google foi processado pelo pai de um homem de 36 anos, que alegou que o chatbot Gemini convenceu seu filho a tentar realizar “um ataque com múltiplas vítimas” e, posteriormente, a cometer suicídio.

No mercado de buscas, o DuckDuckGo não é o único mecanismo respondendo à demanda por alternativas. A Microsoft lançou uma extensão para navegador chamada “Bing AI Search Choice”, que permite aos usuários desativar recursos semelhantes a chats de IA.

“A IA está fazendo coisas poderosas para as buscas, mas as pesquisas mostram que nem todos querem usar IA para tudo o tempo todo”, escreveu Jordi Ribas, presidente de busca e IA da Microsoft, em uma publicação no LinkedIn sobre a atualização.

Também cresce a antipatia entre editoras e veículos de mídia, que viram o tráfego proveniente das buscas do Google despencar, em parte porque a IA reúne informações em resumos exibidos no topo dos resultados, eliminando a necessidade de clicar nos links.

Em uma disputa antitruste com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o Google admitiu no ano passado, em documento judicial, que a web aberta já está “em rápido declínio”, uma avaliação que contrastou com declarações públicas de executivos da empresa.

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Estudos de painéis de dados como SparkToro e Similarweb mostram que aproximadamente 68% de todas as buscas no Google agora terminam sem um único clique para um site externo. Roger Lynch, CEO da Condé Nast, afirmou em entrevista no mês passado à TBPN que sua equipe prevê quedas no tráfego oriundo das buscas há três anos e que “todos os anos a queda foi maior do que a prevista”.

“No ano passado, eu disse às nossas equipes para assumirem que não existe busca”, afirmou. “Vocês precisam planejar seus negócios como se a busca fosse zero.”

Mesmo após a queda das ações do Google na segunda-feira, o papel ainda acumula alta superior a 100% no último ano, superando com folga todos os seus pares entre as chamadas hyperscalers. A empresa demonstrou capacidade de sobreviver e prosperar em meio a grandes mudanças de plataforma, principalmente na transição da web para os smartphones, e provou ser uma participante relevante na IA generativa, apesar de um início lento.

Na última teleconferência de resultados, Pichai atribuiu o aumento do engajamento dos usuários a experiências baseadas em IA, como o AI Mode e o AI Overviews, áreas que recebem investimentos significativos.

“A IA continua impulsionando o uso das buscas e o volume de consultas está em nível recorde”, afirmou Pichai durante a conferência.

No entanto, o Google ativa o AI Overview automaticamente, o que significa, nas palavras de Kamyl Bazbaz, diretor de políticas do DuckDuckGo, que os usuários não recebem “uma escolha”.

Reid, líder da área de buscas do Google, afirmou em um podcast da Bloomberg, em abril, que “existe esse tipo de mito de que as pessoas querem IA ou a web”.

“Na verdade, acho que o que vemos é que as pessoas querem IA e a web juntas”, disse ela.

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Mais da metade dos jovens de 9 a 17 anos usam IA para tirar dúvidas sobre o próprio corpo

Hoje, a maioria das crianças e adolescentes já usa algum tipo de ferramenta de IA, seja para conversar com chatbots, tirar dúvidas ou resumir informações. É o que mostra o relatório mais recente da Common Sense Media, organização sem fins lucrativos que avalia a segurança de tecnologias e conteúdos voltados para o público infantil.

Segundo o estudo, 81% das crianças entre 9 e 12 anos, 89% dos adolescentes de 13 a 15 anos e 92% dos jovens de 16 a 17 anos dizem usar ou interagir com inteligência artificial. Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, 29% afirmam usar essas ferramentas todos os dias.

“A IA já faz parte da infância de muita gente”, afirma Michael Robb, diretor de pesquisa da Common Sense Media.

De acordo com o levantamento, crianças e adolescentes recorrem à IA para buscar conselhos sobre decisões futuras, praticar situações sociais e até conversar sobre sentimentos e problemas pessoais.

Além disso, 57% disseram já ter usado ferramentas de IA para buscar informações ou orientações relacionadas à própria saúde ou ao próprio corpo. Para Robb e a psiquiatra infantil Suzan Song, esse dado acende um sinal de alerta. Eles também explicam o que os pais podem fazer diante dessa realidade.

O receio de passar vergonha

A Common Sense Media não investigou exatamente quais perguntas sobre saúde ou corpo estão sendo feitas às ferramentas de IA. Mas um relatório da OpenAI publicado em setembro de 2025, intitulado How People Use ChatGPT (“Como as Pessoas Usam o ChatGPT”), traz exemplos de dúvidas enquadradas na categoria de saúde, beleza, condicionamento físico e autocuidado:

  • “Como arrumar minhas sobrancelhas?”
  • “Qual é uma boa rotina para cuidar da pele oleosa?”
  • “Como posso melhorar meu condicionamento cardiovascular?”

Segundo os especialistas, existem várias razões para que crianças e adolescentes procurem a IA para esse tipo de assunto.

Uma delas é a praticidade: essas ferramentas estão disponíveis o tempo todo e são fáceis de acessar. Outra é a forma como interagem com os usuários. Segundo Robb, muitas delas tendem a responder de um jeito que valida ou reforça aquilo que a pessoa gostaria de ouvir.

Além disso, fazer perguntas íntimas nem sempre é fácil para crianças e adolescentes. “Muitas vezes eles querem evitar o constrangimento de falar sobre determinados assuntos ou de se mostrar vulneráveis diante dos pais ou de outras pessoas”, explica Robb.

A IA não substitui relações humanas

Mas essa tendência também traz riscos.

O primeiro deles é que, segundo Robb, a IA costuma transmitir muita segurança mesmo quando está errada. “As respostas geralmente soam muito confiantes, e as crianças nem sempre conseguem perceber quando a informação está incorreta.” Isso pode levar à aceitação de informações equivocadas como se fossem verdadeiras.

Outro ponto é que, embora a pesquisa tenha mostrado que 73% dos jovens ainda procuram primeiro um adulto de confiança antes de recorrer à IA, existe o risco de alguns passarem a depender cada vez mais dessas ferramentas.

Para Suzan Song, isso é preocupante porque a inteligência artificial não consegue oferecer o tipo de vínculo humano que crianças e adolescentes precisam para se desenvolver.

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“Somos biologicamente recompensados quando nos conectamos profundamente com outras pessoas e convivemos com elas em toda a sua complexidade e imperfeição.” Esse tipo de experiência simplesmente não existe na relação com a IA.

Além disso, os relacionamentos humanos são cheios de conflitos, divergências e negociações, e é justamente nesse processo que as crianças aprendem sobre si mesmas e sobre o mundo. “Nossa identidade é construída a partir dos atritos que temos com os pais, amigos e colegas”, diz Song. “A IA elimina boa parte desse atrito.”

As crianças precisam lembrar que não estão sozinhas

Algumas empresas de tecnologia já começaram a adotar medidas de proteção para usuários mais jovens. O ChatGPT, por exemplo, oferece recursos de controle parental, como limites de horário de uso e restrições para determinados conteúdos sensíveis.

Para ajudar os filhos a entender quando faz sentido conversar com a IA e quando é melhor procurar uma pessoa de verdade, Robb e Song sugerem que os pais mantenham uma postura aberta e curiosa.

Robb recomenda perguntas como: “Como você costuma usar a IA? O que você acha mais interessante nela? Em quais situações ela ajuda mais?” A partir daí, os pais podem aprofundar a conversa. “Você já pensou em perguntar isso para uma pessoa antes de recorrer à IA? Por quê?” Ou ainda: “Se fosse conversar sobre esse assunto com alguém da sua vida, quem seria?”

Segundo Song, esse tipo de diálogo ajuda a reforçar uma mensagem importante. “As crianças precisam lembrar que não estão sozinhas com a IA.” Ela conclui: “Elas fazem parte de uma rede de relacionamentos. E esse sentimento de pertencimento é fundamental.”

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Brasil pode virar peça-chave na disputa tecnológica entre EUA e China

A disputa conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil vai além de tarifas sobre produtos. Entre os pontos levantados para implantar novas taxas pelo governo americano estão temas ligados à economia digital, propriedade intelectual, plataformas tecnológicas e serviços eletrônicos. 

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciada exclusiva CNBC, Thaíse Hittenband, cofundadora e sócia da Convex aponta que o Brasil pode até mesmo se beneficiar de uma corrida entre Estados Unidos e China nesse mercado, se colocando como personagem central na corrida da Inteligência Artificial.  

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“Temos uma oportunidade de barganha nessa disputa. Os Estados Unidos enxergam o Brasil como uma potência capaz de oferecer infraestrutura para a corrida tecnológica atual, que hoje é liderada pela disputa entre EUA e China. O Brasil pode oferecer espaço e infraestrutura para essa cadeia”, apontou. 

Brasil não pode tomar lado

China e Estados Unidos são, respectivamente, os dois maiores parceiros comerciais do Brasil. Por conta disso, Thaíse explica que o país não pode ter nenhum alinhamento ideológico a favor de qualquer um deles. O pragmatismo deve comandar as ações comerciais brasileiras nesse momento. 

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“A grande vantagem para o país é não tomar um lado, mas sim se beneficiar dessa competição global. Os Estados Unidos estão pressionando para entender quem são os seus aliados. O Brasil não tem indicado claramente uma aproximação total aos EUA, mas também não tem contrariado as diretrizes americanas; o país busca um canal de comunicação e alinhamento equilibrado, mesmo sem cooperar em tempo integral”, encerrou. 

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CryptoRave 2026 tem debates sobre privacidade, segurança digital e crise climática

A CryptoRave, um dos principais encontros sobre privacidade, segurança digital e liberdade na internet do Brasil, realiza sua 10ª edição nos dias 8 e 9 de maio, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Com o tema “85 segundos para o fim do mundo”, o evento propõe uma reflexão urgente sobre os impactos das tecnologias na sociedade contemporânea, reunindo dezenas de atividades ao longo de 24 horas ininterruptas. Saiba mais na TVT News.

Inspirada no movimento internacional das CryptoParties e organizada de forma colaborativa, independente e gratuita, a iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento sobre proteção de dados, criptografia e segurança digital, além de estimular práticas mais seguras no ambiente online.

A programação inclui oficinas, palestras, rodas de conversa e intervenções artísticas distribuídas em nove trilhas temáticas, que abordam desde os avanços e vulnerabilidades em segurança da informação até questões mais amplas, como governança da internet e impactos sociais da tecnologia.

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Entre os principais eixos de debate desta edição estão temas centrais para a compreensão dos impactos da tecnologia na sociedade contemporânea. A programação aborda a privacidade e a proteção de dados em um contexto marcado pelo avanço da vigilância digital e pelo uso massivo de informações pessoais. Também ganha destaque a tecnopolítica e a regulação da internet, com discussões que envolvem relações de poder, o papel das grandes plataformas e os desafios para a democracia. Outro ponto relevante é a relação entre tecnologia e interseccionalidades, considerando como gênero, raça e classe influenciam o acesso e o uso das ferramentas digitais. A crise climática e a justiça ambiental também entram em pauta, especialmente no que diz respeito ao papel das infraestruturas digitais e à busca por alternativas mais sustentáveis. Por fim, o evento explora a cultura hacker e o uso de tecnologias livres como caminhos para inovação, autonomia e resistência no ambiente digital.

Outro destaque são as oficinas práticas voltadas ao uso de ferramentas de comunicação segura e proteção de dados, além de atividades voltadas para crianças e adolescentes, ampliando o alcance do debate para diferentes públicos.

A CryptoRave também reforça seu caráter independente: o evento não conta com
patrocínio de empresas privadas e é financiado, em grande parte, por meio de
financiamento coletivo.

A iniciativa se consolida como um espaço de articulação entre sociedade civil, ativistas, pesquisadores e pessoas interessadas em compreender e transformar as relações entre tecnologia, direitos e democracia.
Todas as informações podem ser encontradas no site do evento: https://2026.cryptorave.org/.

Programação da CryptoRave 2026

A programação completa da CryptoRave 2026 já está disponível online e reúne dezenas de atividades distribuídas ao longo das 24 horas de evento, organizadas em múltiplas trilhas temáticas.
Entre os destaques estão:

● Oficinas práticas sobre segurança digital, criptografia e proteção de dados
● Debates sobre regulação da internet, tecnopolítica e democracia
● Rodas de conversa sobre interseccionalidades e acesso à tecnologia
● Atividades sobre cultura hacker e tecnologias livres
● Discussões sobre crise climática e o impacto ambiental das infraestruturas
digitais
● Intervenções artísticas e atividades abertas ao público em geral


A agenda detalhada, com horários e salas, pode ser acessada em: https://cpa.cryptorave.org/cryptorave-2026/schedule/

SERVIÇO

Evento: CryptoRave 2026
Data: 8 e 9 de maio
Horário: A partir das 18h (sexta) até 18h (sábado)
Local: Biblioteca Mário de Andrade – Rua da Consolação, 94, São Paulo (SP)
Entrada: Gratuita (https://tickets.cryptorave.org/cr/cr2026/)

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De remédios a bebidas: governo zera imposto de importação de quase mil produtos

Navio com carga

O governo federal aprovou a redução a zero do imposto de importação para quase mil produtos em 2026. A medida foi definida pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) em reunião realizada nesta semana.

A decisão tem como objetivo suprir a ausência ou insuficiência de produção nacional em diferentes setores da economia. Os itens contemplados foram considerados estratégicos para abastecimento e funcionamento de cadeias produtivas.

Entre os produtos incluídos estão medicamentos utilizados no tratamento de doenças como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia. Também fazem parte da lista insumos industriais e agrícolas.

A medida abrange ainda produtos voltados à nutrição hospitalar, insumos da indústria têxtil e lúpulo utilizado na fabricação de cerveja. O alcance envolve diferentes segmentos produtivos.

Container para carga de produtos

Cerca de 970 itens classificados como Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) também foram incluídos. Parte dessas reduções tarifárias terá caráter provisório, conforme resoluções específicas do comitê.

A iniciativa busca reduzir custos de produção e ampliar a competitividade da indústria nacional. O foco está em setores que dependem de equipamentos e tecnologia importados.

Além da redução das tarifas, o Gecex-Camex decidiu aplicar medidas antidumping por cinco anos sobre a importação de etanolaminas da China e resinas de polietileno dos Estados Unidos e do Canadá.

No caso das resinas, houve ajuste por interesse público com redução das tarifas antidumping para níveis provisórios. A medida busca evitar impactos adicionais nas cadeias produtivas que utilizam esses insumos.

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Ombudsman da Folha admite que outros ‘autores’ usam IA mas ‘não querem falar’

Texto da Ombudsman da Folha sobre IA. Foto: Reprodução

Alexandra Moraes, a ombudsman da Folha de S.Paulo, publicou um texto crítico neste sábado (21) sobre o uso de inteligência artificial (IA) nas colunas de opinião do jornal, admitindo que muitos autores utilizam a tecnologia, mas preferem não revelar essa prática. De acordo com o levantamento, 8,9% das colunas publicadas entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026 contêm conteúdo gerado por IA, sendo que 2,6% delas possuem mais de 80% do texto produzido por máquinas. A ombudsman questiona a transparência do jornal em relação ao uso de IA e critica a falta de uma postura mais aberta sobre o tema:

Com base no caso do mês passado sobre o uso de IA em coluna da Folha, fiz um levantamento para ver como anda o uso da inteligência artificial em colunas do jornal. Contei com ajuda da própria IA para extração e compilação dos dados. O Claude, da Anthropic, entrou com o código, e a ferramenta Pangram foi usada para fazer a avaliação.

Os dados foram coletados no último 22 de fevereiro, com 3.732 colunas de opinião publicadas desde 1º de setembro de 2025 até aquele dia. A ideia era dar uma olhada nos quase seis meses anteriores àquela polêmica da IA.

Em 332 colunas, ou 8,9%, havia texto de IA, segundo a ferramenta. Mas isso ia de pequenos trechos até a quase totalidade dos textos. Esta última era o foco. Em 98 artigos, o texto detectado como de IA ocupava mais de 80% do conteúdo. Eles eram 2,6% do total avaliado —apenas colunas opinativas, sem colunas de notas, reportagens, análises etc.

No topo, estava mesmo Natalia Beauty. De 25 artigos, 18 apareciam com mais de 80% de conteúdo gerado por IA. Cabe lembrar que a Folha considera que a colunista se saiu bem em seus argumentos e não vê problema no modus operandi, pelo contrário. […]

A taxa de erro é de menos de 0,5% se desconsiderado o modelo o1 Pro, da OpenAI, que a eleva a 2%, segundo um estudo sobre o Pangram conduzido por uma pesquisadora da Universidade de Maryland (e também conclui que humanos acostumados a usar a IA generativa são a melhor ferramenta de detecção). […]

O ideal seria revelar os nomes e fazer uma discussão aberta, mas a ausência é também um sintoma. Nenhum outro autor mostrou disposição de admitir o uso de IA como a colunista Natalia Beauty fez no mês passado. Talvez escaldados pela polêmica, foram do “ghosting” (parou de responder) à ameaça (“graves consequências e desdobramentos”). Menos pela ameaça e mais pela sensação iminente de tempestade em copo d’água, deixei os nomes para lá e me concentrei nos efeitos do levantamento. Até porque a questão central aqui é o jornal, não os autores em si. […]

O próprio jornal tem embarcado numa confusão que associa o questionamento ao ludismo. Não é disso que se trata —e até o ludita mais raivoso reconheceria que um breve banho de IA ajudaria a melhorar títulos, legendas e textos noticiosos que vão ao ar com erros de português e de acabamento.

Mas isso não deveria invalidar a cobrança por transparência diante do uso pesado no texto, ainda o principal produto do jornal.

A Folha afirma ter “entusiasmo crítico” com a IA. O comando do jornal já comparou a questão à troca das máquinas de escrever pelo computador e ao buscador do Google, com base na ideia de que ninguém cita termos que pesquisou para escrever um artigo. Pode ser, mas o buscador pré-IA não tinha o poder de entregar textos prontos. Quem fosse pego colando trechos catados no Google era tratado como plagiário. […]

A Folha afirma, em nota à ombudsman, que “é entusiasta do uso da inteligência artificial para melhorar a qualidade do serviço que presta ao leitor —como deixou claro em editorial recente— e acredita que, em um futuro não distante, a polêmica que essa tecnologia ainda provoca será vista como estéril, pura perda de tempo e energia”

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Compra do Twitter leva Musk a responder por fraude na Justiça dos EUA

Elon Musk é dono do X, antigo Twitter. Foto: reprodução

Elon Musk foi considerado responsável nesta sexta-feira (20) por um júri federal dos Estados Unidos em uma ação movida por ex-acionistas do Twitter, atual X, sobre a compra da plataforma por US$ 44 bilhões em 2022. O processo tratava de acusações de fraude ligadas a declarações públicas do bilionário sobre a presença de bots e contas falsas na rede social durante o período em que tentava renegociar ou abandonar o acordo.

A decisão foi tomada após um julgamento civil iniciado em 2 de março, com deliberação do júri a partir da última terça-feira (17). Com informações da Reuters.

Os autores da ação afirmaram que Musk tentou pressionar a queda do valor das ações do Twitter ao publicar mensagens que colocavam em dúvida os dados da empresa sobre contas falsas. Entre as declarações contestadas estavam a de que a compra estaria “temporariamente suspensa” até a confirmação de que bots representavam menos de 5% dos usuários e a de que esse percentual poderia ser “muito” superior a 20%.

Os jurados concluíram que duas dessas falas foram enganosas e responsabilizaram Musk por elas, embora não tenham reconhecido prova de um esquema fraudulento mais amplo.

Durante o julgamento, a defesa dos ex-acionistas sustentou que as manifestações públicas de Musk interferiram no preço dos papéis da companhia em um momento decisivo da negociação.

O grupo que entrou com a ação reúne investidores que disseram ter vendido ações do Twitter entre 13 de maio e 4 de outubro de 2022 por valores artificialmente deprimidos. Segundo Francis Bottini, advogado dos autores, os danos ainda serão calculados, mas podem chegar a cerca de US$ 2,5 bilhões.

A equipe de defesa de Musk argumentou no tribunal que a preocupação do empresário com a quantidade de bots era legítima e que comentar o tema não significava fraude nem intenção deliberada de enganar o mercado. Após o veredito, os advogados do escritório Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan classificaram a decisão como “um obstáculo no caminho” e informaram que pretendem recorrer, afirmando esperar uma absolvição em instâncias superiores.

Logo do X
Logo do X – Reprodução

O caso se soma a outras disputas judiciais travadas por Musk nos últimos anos com acionistas e órgãos reguladores dos Estados Unidos. Em 2023, ele venceu um julgamento sobre a declaração de 2018 em que afirmou ter “financiamento garantido” para fechar o capital da Tesla.

Também saiu vitorioso em litígio em Delaware sobre seu pacote de remuneração na montadora. Paralelamente, Musk negocia um acordo com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA em outro processo civil, relacionado à demora na divulgação de suas compras iniciais de ações do Twitter em 2022.

Na ação da SEC, a agência sustenta que Musk demorou além do prazo legal para informar ao mercado que havia ultrapassado 5% de participação no Twitter, o que teria permitido a compra de mais de US$ 500 milhões em ações antes da reação dos investidores.

Segundo a Reuters, as negociações para um possível acordo seguem em andamento, com pedido conjunto para adiar etapas do processo até 1º de abril de 2026. A nova derrota no caso dos ex-acionistas amplia a pressão judicial sobre o empresário em torno das operações que antecederam a aquisição da plataforma, depois rebatizada como X.

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A brasileira mais jovem do mundo a se tornar bilionária

A empresaria bilionária Luana Lopes Lara. Foto: Divulgação

Luana Lopes Lara, de 29 anos, é a cofundadora e diretora de operações da startup Kalshi, que se especializa em contratos de eventos. Ela acaba de se tornar a bilionária mais jovem do mundo a conquistar sua fortuna sem herança. A notícia foi divulgada pela revista Forbes, que reconheceu ela como uma das figuras mais notáveis do mercado financeiro global.

A empresa que a jovem fundou em 2018 com seu sócio, Tarek Mansour, funciona de maneira única. Ela permite que investidores compitam no mercado com base nas probabilidades de eventos futuros, como a inflação dos Estados Unidos ou o risco de um governo entrar em colapso.

Antes de fundar a Kalshi, Luana teve uma trajetória de vida multifacetada. Nascida em Belo Horizonte (MG), ela se destacou desde cedo no Brasil, conquistando medalhas em competições acadêmicas como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e a Olimpíada Catarinense de Matemática.

Sua paixão pela dança também a levou à Escola de Teatro Bolshoi, em Joinville (SC), onde ela treinou ballet e se apresentou profissionalmente por nove meses na Áustria, antes de seguir para os Estados Unidos para estudar Ciência da Computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Foi no MIT que ela conheceu Tarek Mansour, seu futuro sócio. Ambos ingressaram no mercado financeiro durante a faculdade e trabalharam em gigantes como Goldman Sachs e Bridgewater Associates. Nesse ambiente, eles perceberam que muitos dos investimentos eram baseados em previsões sobre o futuro, mas não existia uma maneira simples e direta para negociar com base nessas previsões.

Luana Lopes Lara ao lado do sócio Tarek Mansour. Foto: Divulgação

A solução surgiu com a criação da Kalshi, uma plataforma de negociação de contratos baseada na probabilidade de eventos futuros. A ideia era simples: permitir que as pessoas comprassem e vendessem contratos com base nos resultados de eventos, como a taxa de desemprego nos EUA ou o resultado de uma eleição.

A proposta inovadora conquistou grande apoio no mercado, e a empresa obteve um financiamento de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em uma rodada de investimentos no final de 2025, elevando seu valor de mercado de US$ 2 bilhões (R$ 10,7 bilhões) para US$ 11 bilhões (R$ 58,8 bilhões).

Esse aumento de avaliação resultou em um grande aumento na fortuna dos cofundadores. Tanto Luana quanto Mansour possuem aproximadamente 12% das ações da empresa, o que fez com que o patrimônio de cada um superasse a marca de US$ 1 bilhão.

Com isso ela se tornou a bilionária “self-made” mais jovem do planeta, superando até mesmo Lucy Guo, fundadora da Scale AI. Em 2020, a Kalshi obteve aprovação regulatória da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), tornando-se a primeira bolsa de futuros nos EUA totalmente regulamentada para contratos de eventos.

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Executivo uma das principais empresas de IA pede demissão e alerta: “O mundo está em perigo”

Mrinank Sharma, responsável pela área de pesquisa em salvaguardas da Anthropic, anunciou sua saída do cargo por meio de uma carta pública divulgada na rede X na segunda (9), que rapidamente alcançou grande repercussão. “O mundo está em perigo”, escreveu.

No texto, ele afirma que chegou o momento de seguir outro caminho e alerta que o planeta vive uma situação de risco não apenas por causa da inteligência artificial, mas por um conjunto de crises interligadas que se aprofundam ao mesmo tempo.

A Anthropic é uma empresa de pesquisa em inteligência artificial fundada por ex-integrantes da OpenAI e é focada no desenvolvimento de sistemas avançados de IA com ênfase em segurança, alinhamento ético e redução de riscos.

A companhia é responsável pelo modelo Claude, concorrente direto do ChatGPT, e defende uma abordagem chamada “IA constitucional”, na qual regras explícitas orientam o comportamento dos sistemas.

Na carta de despedida, Sharma diz ter vivenciado, dentro da empresa, a dificuldade recorrente de permitir que valores éticos orientem decisões práticas. Segundo ele, há pressões constantes para relativizar princípios considerados centrais, ainda que não detalhe episódios específicos.

Em um dos trechos, afirma que a humanidade se aproxima de um ponto crítico em que a capacidade de intervir no mundo cresce mais rápido do que a sabedoria para lidar com esse poder.

Com doutorado em aprendizado de máquina pela Universidade de Oxford, Sharma ingressou na Anthropic em 2023 e liderou pesquisas voltadas à mitigação de riscos associados à IA.

Entre os temas trabalhados estavam a prevenção do uso de sistemas de linguagem em atividades criminosas, como bioterrorismo, e estudos sobre comportamentos de chatbots que tendem a reforçar excessivamente crenças dos usuários, criando relações de dependência ou distorções da realidade.

Pouco antes de deixar a empresa, Sharma publicou um estudo apontando que interações com chatbots podem gerar percepções distorcidas do mundo em milhares de casos diários, especialmente em áreas sensíveis como saúde emocional e relações pessoais.

Para ele, os dados evidenciam a necessidade de sistemas que preservem a autonomia humana, em vez de enfraquecê-la.

Após a saída, o pesquisador afirmou que pretende se dedicar a outros caminhos, incluindo estudos em poesia e ao que chamou de “fala corajosa”, buscando uma atuação pública coerente com seus valores. O episódio se soma a uma série de desligamentos recentes no setor de inteligência artificial motivados por preocupações éticas, reforçando o debate sobre os limites, responsabilidades e impactos sociais do avanço acelerado dessas tecnologias.

Leia a carta na íntegra:

Caros colegas,

Decidi deixar a Anthropic. Meu último dia será 9 de fevereiro.

Obrigado. Há muito aqui que inspira e que me inspirou. Para citar algumas dessas coisas: um desejo sincero e uma disposição real para estar presente em uma situação tão desafiadora, aspirando a contribuir de forma impactante e com integridade; a disposição para tomar decisões difíceis e defender o que é correto; uma quantidade quase absurda de brilho intelectual e determinação; e, claro, a considerável gentileza que permeia nossa cultura.

Alcancei aqui o que me propus a fazer. Cheguei a São Francisco há dois anos, após concluir meu doutorado, querendo contribuir para a segurança em inteligência artificial. Sinto-me privilegiado por ter conseguido contribuir com o que fiz aqui: compreender a bajulação em sistemas de IA e suas causas; desenvolver defesas para reduzir riscos de bioterrorismo assistido por IA; efetivamente colocar essas defesas em produção; e escrever um dos primeiros estudos de caso em segurança de IA. Tenho especial orgulho dos meus esforços recentes para nos ajudar a viver nossos valores por meio de mecanismos internos de transparência; e também do meu projeto final sobre como assistentes de IA podem nos tornar menos humanos ou distorcer nossa humanidade. Obrigado pela confiança.

Ainda assim, ficou claro para mim que chegou o momento de seguir em frente. Tenho constantemente me confrontado com a nossa situação. O mundo está em perigo. E não apenas por causa da IA ou de biotecnologias, mas por uma série inteira de crises interconectadas que estão se desenrolando neste exato momento. Parece que estamos nos aproximando de um limiar no qual nossa sabedoria precisa crescer na mesma proporção da nossa capacidade de afetar o mundo, para que não enfrentemos as consequências. Além disso, ao longo do meu tempo aqui, vi repetidamente o quão difícil é permitir que nossos valores realmente orientem nossas ações. Vi isso em mim mesmo, dentro da organização — onde enfrentamos constantemente pressões para deixar de lado o que mais importa — e também na sociedade em geral.

É ao sustentar essa situação e ao escutar da melhor forma que consigo que aquilo que devo fazer se torna claro. Quero contribuir de uma forma que esteja plenamente alinhada com minha integridade e que me permita colocar em jogo mais das minhas particularidades. Quero explorar as questões que considero verdadeiramente essenciais para mim — aquelas que, como diria David Whyte, “não têm o direito de desaparecer”, as questões que Rilke nos implora que “vivamos”. Para mim, isso significa partir.

O que vem a seguir, eu não sei. Tenho um carinho especial pela famosa citação zen: “não saber é o mais íntimo”. Minha intenção é criar espaço para deixar de lado as estruturas que me sustentaram nesses últimos anos e ver o que pode emergir na ausência delas. Sinto-me chamado à escrita que dialogue de forma plena com o lugar em que nos encontramos, e que coloque a verdade poética ao lado da verdade científica como formas igualmente válidas de conhecimento — ambas, acredito, com algo essencial a contribuir no desenvolvimento de novas tecnologias. Espero explorar uma formação em poesia e me dedicar à prática da fala corajosa. Também estou animado para aprofundar minha prática em facilitação, mentoria, construção de comunidades e trabalho em grupo. Veremos o que se desenrola.

Obrigado, e adeus. Aprendi muito aqui e desejo o melhor a todos vocês. Deixo vocês com um dos meus poemas favoritos, “The Way It Is”, de William Stafford.

Boa sorte,
Mrinank


The Way It Is

Há um fio que você segue.
Ele passa entre as coisas que mudam. Mas ele não muda.
As pessoas perguntam o que você está buscando.
Você precisa explicar sobre o fio.
Mas é difícil para os outros verem.
Enquanto você o segura, você não se perde.
Tragédias acontecem; pessoas se machucam
ou morrem; e você sofre e envelhece.
Nada do que você faz pode impedir o desdobramento do tempo.
Você nunca solta o fio.

William Stafford

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