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Tokenização já soma R$ 9 bilhões em captações no Brasil

Os emissores de tokens captaram cerca de R$ 9 bilhões no Brasil até agora, segundo dados da plataforma RWA Monitor, que acompanha o mercado local de tokenização.

Apenas entre os dias 8 e 14 de junho, as captações somaram R$ 24,74 milhões, uma queda de 13% em relação à semana anterior.

No total, o mercado brasileiro já acumula R$ 11,5 bilhões em emissões distribuídas em 3,8 bilhões de tokens.

As debêntures concentram a maior parte dos recursos captados, com R$ 3,4 bilhões, o equivalente a 37,9% do total.

Em seguida aparecem as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), que somam R$ 1,4 bilhão (15,3%), as notas comerciais, com R$ 1,2 bilhão (13,3%), e as Cédulas de Produto Rural (CPRs), também com cerca de R$ 1,2 bilhão (13,2%).

Duplicatas e contratos de recebíveis completam a lista dos principais instrumentos tokenizados, com participações de 6,9% e 5%, respectivamente.

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Prioridade da CVM

Vale lembrar que a tokenização é uma das prioridades do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, que tomou posse no início deste mês.

Na ocasião, ele afirmou que esse setor e a inteligência artificial estão reconfigurando a forma como ativos são emitidos, negociados e custodiados e que a autarquia “precisa regular dois mercados em paralelo (o tradicional e o tokenizado) sem parar nenhum dos dois”.

A CVM pretende iniciar até setembro deste ano a discussão pública dos pilares do marco regulatório para esse segmento.

Tokenização no mundo

Não é só no Brasil que a tokenização está ganhando força.

O mercado global de ativos do mundo real tokenizados (RWAs, na sigla em inglês) superou a marca de US$ 10 bilhões neste mês, segundo relatório da Binance Research.

A expectativa do braço de pesquisa da exchange é que esse mercado alcance US$ 6,78 trilhões nos próximos anos. Se a projeção se confirmar, o setor ficará 645 vezes maior do que é hoje.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  -2,90%, US$ 62.176,74

Ethereum (ETH): -5,58%, US$ 1.648,63

BNB (BNB): -3,39%, US$ 571,03

XRP (XRP): -2,99%, US$ 1,10

Solana (SOL): -6,67%, US$ 68,68

Outros destaques do mercado cripto

OranjeBTC vai às compras. A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, resolveu reforçar o caixa. A empresa comunicou nesta semana a compra de mais 18 bitcoins por cerca de US$ 1,15 milhão, a um preço médio de US$ 64.121 por unidade. Com a nova aquisição, a firma passou a deter 3.822 BTCs, o que a coloca entre as maiores empresas de capital aberto com reservas de bitcoin no mundo, ocupando a 24ª posição no ranking global.

Cripto fora das eleições. O Ministério Público Federal (MPF) reforçou nesta semana que criptomoedas não podem ser usadas para financiar campanhas eleitorais no Brasil. Segundo o órgão, a proibição existe porque as doações eleitorais precisam ter origem identificada e ser facilmente fiscalizadas. Por isso, candidatos e partidos só podem receber recursos por meios que permitam rastrear o doador, como Pix e transferências bancárias vinculadas ao CPF.

Trump mira ameaça quântica. A computação quântica voltou ao radar do mercado. Nesta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou duas ordens executivas para acelerar o desenvolvimento da tecnologia e, ao mesmo tempo, reforçar a proteção de sistemas digitais contra ataques quânticos. A preocupação não é à toa: especialistas alertam que computadores quânticos poderão, no futuro, quebrar métodos de criptografia usados por muitas blockchains.

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ETFs de bitcoin perdem US$ 5,9 bilhões em seis semanas

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) americanos de bitcoin (BTC) registraram a sexta semana consecutiva de saídas líquidas de recursos.

No período, os investidores retiraram US$ 5,94 bilhões desses produtos, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Trata-se da mais longa sequência de saídas desde o lançamento dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024.

Como esses fundos são a principal porta de entrada dos investidores institucionais para o mercado cripto, o movimento é visto como um sinal de maior cautela por parte desse público.

“O crescimento das compras de bitcoin pelos ETFs está prestes a zerar. A demanda por bitcoin segue em retração”, escreveu Julio Moreno, head de research da CryptoQuant.

Pressão sobre o bitcoin

As saídas afetam diretamente o preço da criptomoeda. Quando investidores resgatam recursos dos ETFs, os gestores precisam vender parte dos bitcoins mantidos em carteira para honrar essas retiradas, aumentando a pressão vendedora no mercado.

Por volta das 8h desta segunda-feira (22), o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 64 mil, com queda de 0,36% no dia. Nos últimos 30 dias, a maior criptomoeda do mercado acumula perdas de 14%.

As altcoins – termo usado para designar criptomoedas diferentes do bitcoin – operam sem direção única nesta manhã. Enquanto o XRP (XRP) recua, o ethereum (ETH) e a solana (SOL) avançam.

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Não são só os ETFs

Mas os ETFs não explicam tudo. O mercado cripto também vem sendo pressionado pelo cenário macroeconômico nos Estados Unidos.

A manutenção dos juros em níveis elevados e a sinalização de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) pode voltar a elevar a taxa reduzem o apetite por risco e afetam ativos como o bitcoin.

“Quem esperava que o Fed aproveitasse o Brent mais baixo para sinalizar cortes saiu decepcionado. O bitcoin sentiu o golpe”, afirma André Franco, CEO da Boost Research.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,36%, US$ 64.066,74

Ethereum (ETH): -1,55%, US$ 1.750,63

BNB (BNB): +0,88%, US$ 593,90

XRP (XRP): -0,36%, US$ 1,14

Solana (SOL): +0,50%, US$ 73,89

Outros destaques do mercado cripto

BC adia regra para criptos. O Banco Central deu mais tempo para empresas do setor cripto se adaptarem às novas exigências de reporte de operações ligadas ao mercado de câmbio. A obrigação, que começaria a valer em maio deste ano, foi adiada para operações realizadas a partir de 3 de novembro de 2026. As regras envolvem transações internacionais com criptoativos, stablecoins e movimentações entre carteiras autocustodiadas.

Dividendo vira bitcoin. A gestora Franklin Templeton pediu autorização para colocar no mercado americano dois ETFs que usam uma estratégia diferente: em vez de reinvestir os dividendos pagos pelas empresas da carteira em novas ações, os recursos seriam direcionados para bitcoin. Os fundos manteriam exposição majoritária a ações americanas, mas poderiam ampliar gradualmente a participação da cripto.

Cartel no ethereum? Está rolando um debate acalorado na comunidade do ethereum. A pergunta é: será que vale usar parte das recompensas do staking (método de renda passiva) para financiar o desenvolvimento do ecossistema? Defensores argumentam que a medida ajudaria a financiar melhorias de longo prazo, enquanto críticos alertam para riscos de centralização, conflitos de interesse e até a criação de um “cartel” entre validadores.

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Sai guerra, chega risco climático: ‘Super El Niño’ entra no radar dos investidores

À medida que os temores em relação à guerra no Irã começam a arrefecer e os preços do petróleo recuam para perto dos níveis de antes do conflito, os investidores de ações enfrentam uma nova ameaça: o risco climático. O cenário está forçando uma revisão global de estratégias em diversos setores, que vão da agricultura ao mercado de seguros.

A alta probabilidade de ocorrência de um “Super El Niño” na virada para 2027 ameaça elevar as temperaturas em várias partes do planeta. O fenômeno deve impulsionar a demanda por energia, prejudicar a produtividade das lavouras e reacender as pressões inflacionárias.

Essa combinação tende a complicar a vida dos bancos centrais, representando um risco para as bolsas globais, que operam perto de máximas históricas. Uma alta de preços de alimentos e energia, por exemplo, vai afetar as perspectivas para os juros em grandes mercados.

Se grandes BCs como o Federal Reserve, dos EUA, e o Banco Central Europeu (BCE) tiverem de lidar com novos choques de preços, o efeito de políticas monetárias mais duras pode levar ao fortalecimento do dólar e do euro e, ao mesmo tempo, um enfraquecimento de divisas de mercados emergentes.

Juros mais elevados em moedas fortes também costumam inibir os fluxos de recursos internacionais para os mercados vistos como mais arriscados, como o brasileiro.

Evento favorável à soja brasileira

O fenômeno representa um grande risco devido ao desequilíbrio de padrões climáticos que causa, por exemplo, secas no Norte e excesso de chuvas no Sul do Brasil. Mas também traz algumas oportunidades ao agronegócio nacional.

O ‘Super El Niño’ pode favorecer a oferta global de soja, com as perdas na Ásia e África, mas com ganhos de produtividade em grandes produtores como Brasil, Estados Unidos e Argentina, segundo estudo de padrões anteriores do fenômeno feito pelo Itaú BBA.

O levantamento projeta nova produção recorde de soja para o Brasil, estimada em 182,4 milhões de toneladas no ciclo 2026/27. “Em anos de El Niño, a tendência média para o Brasil é neutra a ligeiramente positiva, e isso manteria o balanço global relativamente equilibrado”, afirma o Itaú BBA. 

O El Niño pode, portanto, impactar positivamente algumas ações de companhias brasileiras, como a produtora de açúcar e etanol São Martinho e das companhias ligadas ao ciclo da soja SLC Agrícola e Boa Safra.

As companhias do setor de energia, como Axia, Copel, Eneva, Taesa e Equatorial devem manter a atratividade, com perspectiva de distribuição robusta de dividendos. É um grupo de empresas com perfil mais defensivo em meio a ocorrência do evento climático.

Por outro lado, o excesso de chuvas e a ocorrência de secas severas pode afetar custos e a logística de companhias do setor de mineração, como a Vale, CSN e Usiminas. Como os efeitos e riscos são imprevisíveis, os papéis das empresas podem apresentar maior volatilidade.

Chuvas torrenciais e secas severas

“O El Niño chega em um momento especialmente sensível”, avalia Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank. “A economia global ainda está se ajustando aos impactos inflacionários do conflito no Irã, e as cadeias de suprimentos continuam vulneráveis após meses de interrupções.”

O El Niño é um padrão climático caracterizado pelo aquecimento contínuo das águas superficiais do Oceano Pacífico. Alterações na pressão atmosférica decorrentes desse aquecimento provocam chuvas torrenciais em algumas regiões e secas severas em outras. De acordo com o Centro de Previsão Climática dos EUA, há 63% de chance de o fenômeno evoluir para um evento de forte intensidade — o chamado “Super El Niño” — até 2027.

Os reflexos já são visíveis em várias partes do mundo, provocando desde o atraso no início do período chuvoso na Índia até a suspensão temporária da temporada de pesca no Peru.

A última vez que o planeta enfrentou um El Niño dessa magnitude, entre 2015 e 2016, o prejuízo em produtividade superou os US$ 7,8 trilhões, segundo estudo da Universidade de Dartmouth.

Veja como o fenômeno afeta os principais setores monitorados de perto pelos investidores:

Agricultura sob pressão

Os produtores agrícolas devem ser os mais afetados pelo El Niño, embora o impacto varie dependendo da região e da commodity. Na Indonésia, maior produtor mundial de óleo de palma, o clima mais quente e seco costuma reduzir a produtividade, nublando as projeções de lucro das empresas do setor e pressionando as ações locais — que já sofrem com incertezas sobre a classificação de mercado do país e a centralização dos embarques de commodities.

A produção global de milho e trigo também pode ser prejudicada, aponta o UBS Group AG, assim como a de açúcar na Ásia. Por outro lado, a alta dos preços do açúcar podem beneficiar empresas da América Latina, como a brasileira São Martinho e a argentina Adecoagro, segundo o Morgan Stanley.

O El Niño também costuma favorecer a safra mundial de soja, beneficiando especialmente os grandes produtores nos EUA e no Sul do Brasil, apontam analistas do UBS.

No front de investimentos, empresas voltadas para irrigação e gestão hídrica despontam como oportunidade diante da seca. Companhias indianas como VA Tech Wabag, Jain Irrigation Systems, Astral e Shakti Pumps India podem registrar ganhos.

Sebastian Bray, analista do setor químico do banco Berenberg, destaca ainda os produtores de óleo de peixe. Com os preços do produto atingindo recordes no Peru nos últimos dois meses, a tendência favorece indústrias que produzem óleos baseados em algas e ricos em Ômega-3, como a europeia Corbion NV.

Fertilizantes são beneficiados

As fabricantes de fertilizantes podem figurar entre as maiores beneficiadas se o El Niño reduzir a oferta global de grãos, o que impulsionaria a demanda por nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio.

“Considerando todas as variáveis, para operar o cenário de um Super El Niño, buscaríamos maximizar a exposição a empresas focadas em nitrogênio, que possuem ciclo curto e forte reação a preços”, escreveu Ben Isaacson, analista da Scotia Capital. Ações de fertilizantes nitrogenados, como a CF Industries Holdings e a Nutrien, despontam como favoritas.

Apesar disso, a seca provocada pelo fenômeno já começou a desacelerar a demanda por potássio, alerta Andrew Wong, analista da RBC Capital Markets. Em um cenário de agravamento da estiagem, companhias muito expostas ao potássio, como a The Mosaic Co., podem ser prejudicadas.

Já os fornecedores de insumos agrícolas podem registrar aumento nas vendas, à medida que os produtores buscam mitigar as perdas climáticas. Isso tende a sustentar os papéis de gigantes de proteção de cultivos, como a americana Corteva.

“A produtividade menor pode forçar os agricultores a investir mais em tecnologia (sementes) e até mesmo em defensivos químicos para proteger a receita da safra”, destacou o analista Arun Viswanathan, da RBC Capital Markets.

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Renda fixa e bolsa: como ficam os investimentos com os novos rumos das taxas de juros

A Superquarta das decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos deixou uma mensagem dividida para investidores tanto na renda fixa como na variável.

No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, e manteve aberta a possibilidade de novas reduções. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve, banco central americano, manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, mas as projeções dos dirigentes voltaram a colocar no radar a chance de altas ainda em 2026.

O efeito imediato foi de pressão sobre o dólar e cautela com ativos de risco. Na quinta-feira (18), a moeda americana subiu para R$ 5,18, alta de 1,16%, enquanto a bolsa brasileira fechou em leve queda.

“A expectativa já era que o Fed mantivesse os juros. O grande ponto foi falarem em alta de juros ainda neste ano nos EUA”, disse Celson Placido, CIO da Apent, holding controladora do Clube FII e da Autem Investimentos. “Isso gera aversão ao risco e contribui para jogar o dólar para cima. Além disso, esse (menor) diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a afetar o nosso mercado.”

Renda fixa segue atrativa

Na renda fixa, com a Selic em 14,25% ao ano, as taxas nominais e reais continuam elevadas.

Para médio e longo prazo, títulos IPCA+ seguem interessantes por causa das taxas em patamares historicamente elevados, mas exigem cuidado com a chamada marcação a mercado. A taxa contratada vale para quem carrega o papel até o vencimento. Se o investidor precisar vender antes, o preço do título pode oscilar e até gerar perda se os juros futuros subirem, como tem sido o caso.

“Olhando para o médio e longo prazo, o IPCA+ segue extremamente interessante. Também tem taxa prefixada curta [com vencimento no curto prazo] atrativa”, disse Placido.

Nas cotações consultadas no Tesouro Direto, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 era vendido na quinta a uma taxa de 8,41% ao ano acima da inflação, renovando sua máxima histórica.

Nos prazos mais longos, o Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2050 mostraram leves recuos, mas ainda fecharam com taxas de 7,50% e 7,18% na quinta-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 era oferecido a 14,78% ao ano, ante 14,67% no dia anterior.

Para recursos pensados para formar reserva de emergência, caixa e capital de curto prazo, Placido afirma que os produtos pós-fixados de alta liquidez, como Tesouro Reserva, Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI com liquidez diária, seguem sendo os mais indicados.

A equipe de renda fixa da XP Investimentos também identifica oportunidades na classe. Em relatório, os analistas afirmam que a combinação de carrego elevado, spreads (prêmio de risco) em ajuste e fundamentos ainda resilientes reforça a atratividade dos títulos.

“Recomendamos prazo médio de até 6 anos, principalmente nos títulos indexados à inflação, privilegiando exposição a emissores com métricas de crédito de qualidade. O cenário atual exige maior disciplina na alocação”, comentam os analistas.

Na curva de juros (que reflete as apostas para as taxas nos próximos anos), a reação tende a ser diferente por prazo. Na chamada ponta curta, em papéis de renda fixa de vencimento no curto prazo, a possibilidade de mais um corte pode favorecer a queda das taxas.

Nos contratos com vencimentos mais longos, riscos de inflação, fiscal e câmbio mantêm os prêmios elevados: se o investidor puder carregar papéis como IPCA+ até o vencimento, terá chance de contratar retornos mais elevados.

Bolsa ainda exige seletividade

Na bolsa, o corte da Selic tende a favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico, como as de varejo, construção civil, consumo e companhias dependentes de crédito. Juros menores reduzem o custo de capital e melhoram o valor presente dos fluxos de caixa, o que se traduz em preços mais altos.

Mas o espaço para cortes, ainda que estejam no radar, é menor do que o esperado no começo do ano. O impacto para tais empresas, portanto, não deve ser muito significativo.

E o Fed com abordagem mais rigorosa limita o otimismo. Se os juros americanos subirem, ou se o mercado continuar precificando um aperto adicional, o dólar tende a ganhar força e o apetite por risco diminui. Isso pesa sobre emergentes e pode reduzir o fluxo para a bolsa brasileira.

Nesse ambiente, a seletividade continua a exercer importância. Empresas com geração de caixa, baixa alavancagem, balanços sólidos e boa previsibilidade de receitas tendem a atravessar melhor a volatilidade do que companhias muito dependentes de uma queda rápida dos juros.

A síntese é que a renda fixa continua oferecendo prêmios elevados, mas exige atenção ao prazo. A bolsa pode se beneficiar se o câmbio aliviar e a curva de juros – com as projeções da taxa ao longo dos próximos anos – cair, mas segue vulnerável ao exterior. E o dólar virou uma variável-chave a ser monitorada para entender até onde o ciclo de cortes da Selic ainda pode ir.

O que esperar do dólar e seus efeitos

Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o ponto de atenção mais imediato para investidores no câmbio é o DXY, índice que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes. Quando o índice sobe, mercados emergentes costumam sentir pressão sobre câmbio, juros futuros e fluxo estrangeiro de capital para ativos.

O DXY voltou a testar a região dos 100 pontos, considerada técnica e psicologicamente relevante para os participantes do mercado.

“Se o DXY começar a bater nos 101 pontos, isso pode levar a uma arrancada do dólar, gerar uma onda de pessimismo e fazer o real a se desvalorizar, complicando um pouco a vida do BC aqui”, disse Faria.

Isso não significa que o dólar, sozinho, determine a decisão da Selic. Mas um real mais depreciado pode piorar as expectativas de inflação, elevar os prêmios de risco da renda fixa com vencimento para o longo prazo e reduzir o espaço para uma leitura mais benigna dos ativos brasileiros.

Entenda as razões do Copom…

Apesar de reconhecer em seu comunicado junto com a decisão um cenário mais desconfortável para a inflação, o Banco Central não fechou a porta para novos cortes.

O motivo está no espaço deixado para novas reduções da Selic e no chamado alongamento do horizonte relevante da política monetária.

A partir da próxima reunião, em agosto, o Copom passa a olhar com mais peso o primeiro trimestre de 2028, e não mais o quarto trimestre de 2027. Esse deslocamento dá mais tempo para a inflação convergir à meta e ajuda a explicar o corte, mesmo em um ambiente ainda desafiador.

“No Brasil, a meta é móvel. Estamos a poucos dias do terceiro trimestre, então o Copom ganha três meses. O Relatório de Política Monetária, a ser divulgado na próxima quinta-feira (25), vai trazer as expectativas de inflação para o primeiro trimestre de 2028, que será o próximo horizonte relevante”, afirma o diretor da Wagner Investimentos.

Para ele, o BC foi mais dovish por dois motivos: deu mais peso à atividade econômica e passou a considerar que a queda das commodities pode ajudar a inflação nos próximos meses. Itens como alumínio, ureia, milho, soja e trigo já recuaram, mas ainda sem repasse completo ao consumidor.

“Provavelmente, não é um ciclo de cortes. É um ciclo de ajuste. Ele [Banco Central] deixou a porta aberta. Se tivermos uma surpresa positiva com commodities e algum repasse para preços, não me surpreenderia outro corte”, disse Faria.

… e as razões do Fed

Nos EUA, a manutenção dos juros era esperada. O que mexeu com os mercados foi a sinalização do banco central de que uma alta ainda pode ocorrer este ano.

Faria avalia que o Fed pode ter usado o discurso mais duro para conter o que apontou como excesso de otimismo do mercado, não necessariamente porque a alta seja o cenário mais provável.

“Faz sentido dar um certo susto em falar em subir agora, para o mercado não ficar muito animado”, afirma.

Para ele, se os próximos dados de inflação vierem mais brandos, a alta pode não se concretizar. A queda recente do petróleo e de outras commodities ajuda essa tese.

O dado mais observado será o CPI, índice de preços ao consumidor dos EUA. A leitura de junho será divulgada em 14 de julho. O CPI não é a medida oficial perseguida pelo Fed, que mira o índice de preços PCE, mas costuma influenciar as apostas do mercado para os juros americanos.

Ainda assim, Faria ressalta que cortes de juros nos EUA também não estão mais em discussão no curto prazo. A economia americana segue resiliente, o mercado de trabalho continua firme e a inflação permanece acima da meta há cinco anos.

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Tesouro Direto: por que IPCA+ 8% e juro nominal de quase 15% seguem nos preços do mercado

Desde o início da Guerra do Irã, no fim de fevereiro, a volatilidade virou rotina no mercado de juros, com impacto relevante sobre o investimento em renda fixa.

A má notícia é que mesmo com o anunciado fim do conflito nesta semana, o sobe-e-desce das taxas e dos preços dos títulos deve persistir diante de um conjunto de fatores domésticos e diante do “legado” inflacionário global dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país do Oriente Médio.

As taxas de juros na plataforma do Tesouro Direto alcançaram patamares que os investidores não viam desde a crise de confiança fiscal no fim de 2024 e no início de 2025, quando o dólar passou de R$ 6,20.

E, antes disso, os títulos públicos só haviam flertado com a marca dos 15% ao ano, no caso dos prefixados, ou apresentado retornos acima de IPCA mais 8%, uma década atrás. Foi entre 2015 e 2026, quando o país enfrentou uma das mais prolongadas crises econômicas da história.

As oscilações têm sido tão fortes que o Tesouro Direto entrou em “circuit break” em várias ocasiões ao longo desta semana. A última paralisação das negociações por causa da volatilidade exagerada ocorreu na quinta-feira (18) no início da tarde, em um momento em que o Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, chegou a bater seu recorde de taxa mais elevada com IPCA+ 8,51% ao ano.

Por volta de 9h30, esse papel estava sendo negociado a IPCA+ 8,44%. O Tesouro IPCA+ 2040 tinha retorno de 7,50%, enquanto o papel atrelado à inflação com vencimento em 2050 apresentava rendimento de 7,16%.

O Tesouro Prefixado 2029 chegou a 14,81% e está no maior nível desde, pelo menos, 2022. O mesmo ocorre com o Tesouro Prefixado 2032, com uma taxa nominal de 14,79% ao ano, que apresenta o retorno mais elevado desde início de 2025, desconsiderando os picos no início da semana.

Na renda fixa, quando as taxas sobem, isso significa que os preços em reais dos papéis caíram. Isso ocorre porque os títulos negociados antes do vencimento no chamado mercado secundário sofrem a chamada marcação a mercado.

Nesse caso, os preços de compra e venda vão variar conforme as condições do momento e podem apresentar grandes descontos em relação ao valor original, como no cenário atual.

Dinâmica do Tesouro Direto

Se o detentor do título precisa vendê-lo agora e a taxa original é menor do que aquela pedida nas negociações no mercado secundário, na prática, vai ter aceitar um desconto sobre o preço que pagou para conseguir repassar o papel: ou seja, vender com prejuízo.

Por isso, para quem tem Tesouro Prefixado ou IPCA+ e pode manter os recursos aplicados nos próximos meses, o melhor é evitar vendê-los em um momento no qual a volatilidade é muito elevada. Quem pode carregar os ativos até o vencimento vai receber exatamente o que contratou.

A lógica muda para quem pode aplicar no longo prazo e tem maior tolerância ao sobe-e-desce das taxas e dos preços. Os retornos estão, como apontado acima, em patamares elevados e o investidor pode travar uma remuneração historicamente alta por vários anos.

Juros mais altos por mais tempo

Existem vários motivos pelos quais os juros longos têm subido. O aumento das taxas no Tesouro Direto é um reflexo da perda de referência sobre a inflação futura. Os economistas chamam esse processo de “desancoragem de expectativas”.

Na prática, a desancoragem mostra que o mercado prevê mais inflação no futuro e começa a perder a confiança de que a política monetária executada pelo Banco Central vai conseguir controlar o nível de preços que vem pela frente. Diante disso, investidores passam a reajustar as expectativas e as taxas sobem.

O mais recente boletim Focus, que mostra as projeções das instituições financeiras sobre inflação, juros, câmbio e PIB, trouxe pela 14ª vez seguida um ajuste para cima do IPCA esperado ao fim de 2026.

O mercado já enxerga uma inflação de 5,3% quando o ano terminar. É um nível bem acima da meta de inflação de 3% do BC e também significativamente superior ao teto da meta, que prevê uma tolerância de 1,5 ponto percentual além do centro da meta, portanto, até 4,5%.

O Focus mostra ainda que as casas de análise veem a inflação em 4,10% no fim de 2027, na quarta revisão seguida do IPCA. É um patamar que já se aproxima do teto da meta.

Esse cenário no qual expectativas de inflação futura apresentam uma desancoragem cada vez maior se junta a outras incertezas, como pressões crescentes de altas de preços, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

Diante desse conjunto de incertezas, o mercado já enxerga zero espaço para o BC continuar a cortar juros.

O consenso enxerga uma pausa ou mesmo o fim do ciclo de queda da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A perspectiva inclui um juro básico mais alto por mais tempo ou, eventualmente, a possibilidade de a autoridade ter de subir a taxa no fim do ano.

O próprio Copom reconheceu essas dificuldades no comunicado que acompanhou a decisão de juros na quarta-feira (17), quando cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

No entanto o mesmo comunicado do Copom trouxe, na visão de boa parte do mercado, a mensagem implícita de que a atual composição da diretoria do Banco Central pode ser mais leniente com as expectativas desancoradas de inflação, o que acaba autoalimentando o processo de perda de credibilidade do mercado no cumprimento do combate do trabalho de política monetária.

Se a taxa básica permanecer em 14,25% até o início do próximo ano, o juro real, ou seja, a parcela do retorno acima da inflação, pode se manter em quase 9%, considerando a projeção do IPCA de 5,3% para o fim de 2026 do Focus.

Mesmo para 2027, as expectativas seguem desafiadoras: a pesquisa do BC mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao ano, com um IPCA de 4,10%. Isso representa um juro real de 8%. Sim, o custo de oportunidade, ou seja, o rendimento no curto prazo da aplicação mais segura do mercado, pode continuar em IPCA+ 8% brutos ao ano.

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Por que a criptomoeda ligada ao ChatGPT disparou 160%?

Enquanto bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas vêm operando em queda nas últimas semanas, uma moeda digital roubou os holofotes: a Worldcoin (WLD), projeto cofundado por Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa criadora do ChatGPT.

A criptomoeda faz parte de um ecossistema desenvolvido pela Tools for Humanity, startup fundada por Altman e pelo empreendedor alemão Alex Blania. A empresa é responsável pelo World ID, sistema de identidade digital que utiliza o escaneamento da íris para comprovar que um usuário é humano em um mundo cada vez mais dominado por inteligência artificial.

Nos últimos 30 dias, o polêmico token – que recompensa usuários pela verificação de identidade por meio do escaneamento da íris – acumulou alta de 160%, segundo dados do CoinMarketCap. No mesmo período, o bitcoin (BTC) caiu 17%, enquanto o ethereum (ETH) recuou 20%.

Segundo especialistas, três fatores ajudam a explicar a disparada.

Motivos para a alta

O primeiro é a expectativa em torno do IPO da OpenAI. Neste mês, a empresa enviou documentação para a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). Embora a Worldcoin não tenha ligação societária com a OpenAI, muitos investidores enxergam o token como uma forma indireta de exposição aos temas de inteligência artificial e identidade digital.

O segundo fator é a entrada de investidores institucionais. A empresa listada em bolsa Eightco Holdings revelou ter cerca de 8% dos tokens atualmente em circulação, reduzindo a oferta disponível no mercado e reforçando a percepção de demanda institucional.

Já o terceiro fator é técnico. A partir do fim de julho, o ritmo de emissão de novos tokens deve cair 43%, reduzindo a pressão de venda e favorecendo a dinâmica de oferta e demanda.

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Vale como investimento?

Segundo Felipe Mendes, head de Research da Vault Capital, o que está sendo precificado hoje é principalmente narrativa – a aposta de que a Worldcoin captura os temas de inteligência artificial e identidade digital, e não necessariamente fundamentos já consolidados.

De acordo com o especialista, trata-se de um ativo de altíssima volatilidade e fortemente dependente do sentimento dos investidores. A criptomoeda subiu porque a narrativa está em evidência, mas pode cair com a mesma velocidade caso o entusiasmo em torno da inteligência artificial diminua.

“Para o investidor, a régua certa é não tratar isso como uma posição central de carteira, e sim como uma aposta satélite, pequena, em que você aceita conscientemente a chance de perder uma fatia relevante. O tamanho da posição importa mais do que a tese”, afirma.

Riscos

A forte valorização também aumenta os riscos. Depois da disparada das últimas semanas, Mendes afirma que indicadores técnicos apontam uma condição de sobrecompra, cenário que historicamente costuma anteceder correções de curto prazo.

Outro ponto é a concentração da oferta. Quando um único investidor institucional controla uma parcela relevante dos tokens em circulação, qualquer movimento de compra ou venda pode ampliar a volatilidade. Além disso, investidores acompanham de perto possíveis vendas de tokens pela própria fundação responsável pelo projeto.

O risco mais estrutural, porém, continua sendo regulatório, avalia Mendes. O modelo da Worldcoin depende da coleta de dados biométricos por meio do escaneamento da íris, prática que já motivou suspensões, investigações e questionamentos em países como Espanha, Quênia, Coreia do Sul e Hong Kong.

No ano passado, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu no Brasil a distribuição de tokens em troca da coleta da biometria da íris, por entender que o modelo poderia ferir regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O projeto também foi alvo de CPI em São Paulo.



Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -2,36%, US$ 62.412,74

Ethereum (ETH): -3,05%, US$ 1.687,63

BNB (BNB): -2,88%, US$ 571,90

XRP (XRP): -4,06%, US$ 1,12

Solana (SOL): -4,31%, US$ 68,11

Outros destaques do mercado cripto

Audiência pública sobre stablecoins. Cripto tem movimentado Brasília. A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir um projeto de lei que cria regras para as stablecoins no Brasil. Entre os convidados estão representantes do Banco Central, da Receita Federal e da Polícia Federal. A expectativa é que o encontro aconteça em julho.

Lutador brasileiro vira token. Olha essa. A Vib3, joint venture criada pela exchange Mercado Bitcoin e pela startup Sportheca, tokenizou a carreira do lutador brasileiro de UFC André “Mascote” Lima. Na prática, foi realizada uma oferta de R$ 526 mil, e os investidores terão direito a uma fatia das receitas futuras do atleta, incluindo premiações, patrocínios e valores recebidos por participação em eventos ao longo dos próximos oito anos.

Mineradores de bitcoin no prejuízo. A rentabilidade da mineração de bitcoin está bastante pressionada neste ano. Segundo analistas do JPMorgan, o custo médio para produzir uma unidade da criptomoeda gira em torno de US$ 78 mil hoje, enquanto a cripto é negociada na faixa dos US$ 62 mil. Com isso, cerca de 20% dos mineradores estão operando no prejuízo. Isso tem levado parte dos mineradores a desligar equipamentos e reduzir operações

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Bitcoin e criptomoedas recuam após Fed manter juros nos EUA

O bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas recuam nesta quinta-feira (18), após a decisão de política monetária dos Estados Unidos. Na quarta-feira (17), o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) manteve a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, como já era esperado pelo mercado.

Juros elevados costumam pressionar ativos de risco, como criptomoedas e ações. Isso porque tornam os títulos do Tesouro americano (as famosas Treasuries) mais atraentes para investidores em busca de retornos com menor risco.

Por volta das 8h desta manhã, o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 64 mil, com queda de 0,88%. O ethereum (ETH) recuava cerca de 1%, para a faixa dos US$ 1.700, enquanto o XRP (XRP) caía 2,09%, para US$ 1,16.

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Juros vão cair?

Mais importante do que a decisão em si era o tom adotado pelo Fed após a reunião. O mercado queria saber se o banco central americano daria alguma pista sobre cortes de juros ainda neste ano. Mas o recado foi outro.

O Fed reforçou as preocupações com a inflação e esfriou as apostas de flexibilização da política monetária. Agora, investidores já trabalham com a possibilidade de os juros permanecerem elevados por mais tempo e até de novas altas nos próximos meses.

A alta dos preços da energia, impulsionada pela valorização do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio, é um dos fatores que seguem no radar.

O cenário é bem diferente do observado no fim do ano passado, quando parte do mercado acreditava que os Estados Unidos poderiam promover dois ou até três cortes de juros ao longo de 2026.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -0,88%, US$ 64.121,74

Ethereum (ETH): -1,06%, US$ 1.746,63

BNB (BNB): -1,86%, US$ 590,29

XRP (XRP): -2,09%, US$ 1,16

Solana (SOL): -0,86%, US$ 71,44

Outros destaques do mercado cripto

Críticas à norma da CVM. Uma das resoluções mais usadas pelas empresas que emitem tokens no Brasil é a CVM 88, criada originalmente para regular o crowdfunding. A Comissão de Valores Mobiliários quer modernizar essa norma – uma demanda antiga do setor. Nem todo mundo, porém, gostou das mudanças propostas. Alguns participantes do mercado avaliam que as alterações podem aumentar custos e tornar as operações mais complexas, o que poderia dificultar o avanço da tokenização no país.

Baleias estão comprando bitcoin. Enquanto parte dos investidores reduziu a exposição ao bitcoin após a postura mais dura do Fed, as chamadas “baleias” fizeram o movimento contrário. Segundo dados da Santiment, carteiras com pelo menos 1.000 BTC aumentaram suas posições e agora controlam a maior quantidade de moedas desde março. O movimento reforça um padrão observado nas últimas semanas: grandes investidores seguem acumulando BTC mesmo em momentos de incerteza no mercado.

Os bilhões em bitcoin da SpaceX. A estreia da SpaceX na Nasdaq, na semana passada, chamou atenção pela captação bilionária, mas um detalhe passou mais despercebido: a empresa revelou ter 18.712 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 1,3 bilhão. Diferentemente de companhias como a Strategy (a maior tesouraria cripto do mundo), que têm o BTC como foco principal, a companhia de Elon Musk mantém moedas digitais como uma reserva estratégica de caixa.

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Porta se fechou e BC vai interromper corte da Selic em agosto, projeta Silvia Matos, da FGV

O ciclo de cortes de juros do Banco Central pode ter durado só três reuniões. Se o Comitê de Política Monetária (Copom) realmente alcançou o limite das reduções da Selic na reunião desta quarta-feira (17) terá sido o menor ciclo de diminuições desde junho de 2002, quando a autoridade fez apenas um recuo, pausou o ciclo e, depois, teve que subir a taxa básica.

A avaliação que começa a se tornar consensual no mercado é a de que a porta dos cortes se fechou mesmo com o acordo para encerrar a Guerra do Irã. Se a pausa ou, eventualmente, o próprio fim do ciclo de queda da Selic se concretizar, há um impacto significativo sobre os investimentos.

A coordenadora do boletim Macro da FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Silvia Matos, acredita que o BC, na verdade, só tinha duas opções sobre a mesa: parar o ciclo agora ou cortar mais uma vez e interromper as quedas na próxima reunião, que foi a visão que prevaleceu.

Isso diante de um cenário que se deteriorou e que agora combina pressões crescentes de altas de preços, desancoragem acentuada das expectativas de inflação futura – ou seja, na média, boa parte do mercado já não acredita que a inflação vai ficar dentro da meta no futuro -, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

É um cenário que o próprio BC reconheceu no comunicado que acompanhou a decisão de juros, em que cortou a taxa básica em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

Pressão sobre a Selic

“E nem mesmo quando colocamos a perspectiva de crescimento do PIB para este ano o cenário é positivo para a política monetária. Isso porque esse avanço está apoiado em crescimento do consumo das famílias e do próprio governo, com peso maior para o setor de serviços. Ou seja, uma combinação desfavorável para a busca do equilíbrio de preços”, ressalta Silvia Matos, da FGV.

A economista avalia que o BC não tem mais espaço para cortar juros, “porque a política monetária está sendo pressionada pela política fiscal”. Para ela, o Copom vai interromper o ciclo de redução da Selic a partir de agosto.

A especialista ressalta que vários choques de oferta ainda vão ocorrer e que o nível atual dos juros no mercado, mesmo em nível elevado, não colocou no preço esses eventos.

“Nós sabemos que tem mais choque de oferta pela frente, não é só da guerra. Temos, por exemplo, os efeitos climáticos sobre alimentos e energia. E, como a economia ainda cresce, ainda tem espaço para repassar essa inflação vinda desses choques.”

Para Matos, outro fator que restringe o espaço para mais cortes vem das eleições. A coordenadora macro da FGV/Ibre diz ver os efeitos da votação em outubro ainda em seu início.

“O mercado ainda está começando a precificar as eleições e, neste ano, a corrida será especialmente competitiva”, avalia a especialista, em referência ao fato de que os gastos públicos aceleram nesses períodos.

Diante de um crescimento das despesas do governo, “o quadro fiscal vai continuar sendo uma questão importante no resto do ano, então as curvas de juros futuras vão continuar pressionadas mesmo se o cenário externo melhorar”.

O economista do ASA Leonardo Costa também enxerga a possibilidade de a decisão do BC na quarta ter representado uma pausa do ciclo de cortes. No entanto o especialista acredita que a autoridade deixou uma porta aberta para retomar as quedas – se o cenário melhorar até agosto.

Conforme Costa, “nossa projeção é de encerramento de ciclo nessa reunião, em 14,25%, contudo abriu-se uma possibilidade (grande) de o Banco Central seguir em seu ciclo de calibragem de juros, cortando novamente na reunião de agosto, esperando o desenrolar do cenário até lá”.

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Copom corta Selic em 0,25 ponto para 14,25% ao ano e endurece tom sobre inflação e expectativas

O Banco Central cortou novamente os juros, conforme amplamente esperado. Mas, apesar da queda de 0,25 ponto percentual da Selic para 14,25% ao ano nesta quarta-feira (17), o comunicado trouxe um tom considerado duro para o mercado.

O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que, “nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”.

O BC reconheceu ainda que “o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”.

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O comunicado citou ainda que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente.

Impacto da Selic para investidores

O comunicado do Copom reforça a avaliação de que o investidor brasileiro deve viver dias de ajustes pela frente. Muitas casas de análise já têm sinalizado há algum tempo: o juro brasileiro tem um espaço muito mais limitado para diminuir. E, talvez, já tenha caído tudo o que tinha para cair.

Motivos não faltam. Nos 12 meses até maio, o IPCA já superou o teto da meta de inflação do BC: o índice atingiu 4,72%, acima dos 4,50% que já inclui o 1,5 ponto de tolerância para cima dentro do intervalo da meta da autoridade, de 3,0%.

Outro argumento é que insistir em cortes adicionais em momento de deterioração inflacionária poderia colocar em xeque a credibilidade do próprio BC – e isso em um momento no qual as expectativas futuras para o IPCA estão amplamente desancoradas, ou seja, o mercado perdeu a referência sobre o que esperar das altas de preços nos próximos anos.

Os juros reais, ou seja, o retorno que vem acima da inflação, vão continuar em patamares historicamente elevados. E a sinalização do Copom mostra que essas taxas podem continuar em algo como IPCA mais 8% ou 9% ao ano – se a Selic estacionar em 14% – até o início de 2027.

A renda fixa, portanto, vai manter o protagonismo no resto do ano, mas com uma dinâmica diferente. Os títulos pós-fixados, como Tesouro Selic, Tesouro Reserva e CDBs que rendem 100% do CDI, mantêm seu reinado entre os produtos da classe.

Os títulos prefixados e os atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+ ou os papéis de crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs, vão enfrentar um aumento da volatilidade nas próximas semanas.

Isso em um momento em que oscilações de taxas de juros e preços dos papéis já têm levado ao acionamento de “circuit breakers” do Tesouro Direto nas últimas semanas, ou seja, uma pausa forçada das negociações quando existe um movimento considerado disfuncional.

Por outro lado, quem consegue manter os recursos aplicados no longo prazo, pelo menos até meados do ano que vem, pode aproveitar as taxas em patamares que não são vistas havia vários anos: pelo menos desde a última crise no fim de 2024, quando títulos como o Tesouro Prefixado chegaram a passar de 15% ao ano.

Na bolsa, por outro lado, a tendência é a de haver movimentos mais contidos. O cenário de juros mais altos por mais tempo se torna uma barreira para a volta do investidor local.

O fluxo de recursos internacionais, que sustentou quebras seguidas de recordes do Ibovespa entre janeiro e abril, continua a fluir, mas se tornou bem mais restrito nas últimas semanas.

Em maio, mesmo com estrangeiros tendo retirado R$ 13 bilhões das ações brasileiras (resgates menos aportes), a participação desse perfil de investidor permaneceu acima de 60% nas negociações. Ou seja, o interesse de fora por ativos no Brasil continua presente, mas o dinheiro vai entrar e sair conforme a evolução do noticiário geopolítico e relativo ao mercado dos EUA.

A atração por mercados emergentes, que dominou as mesas financeiras de bancos e corretoras no primeiro trimestre, agora ganhou a concorrência da volta da força da tese da inteligência artificial, principalmente em meio aos mega IPOs, como o da SpaceX, que movimentou US$ 75 bilhões em 12 de junho, e das esperadas ofertas da OpenAI, dona do ChatGPT, e da Anthropic, do Claude.

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O que esperar da ‘superquarta’: as mudanças previstas para o Fed e o Copom

A “superquarta“, que traz hoje as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil, vai oficializar uma mudança de rumos dos juros lá fora e aqui. O recado vai ser claro: a inflação escalou, as expectativas sobre os preços futuros perderam a referência e as taxas de mercado começam a incorporar cenários financeiros mais duros.

Essa mudança de ambiente já se traduziu em guinadas de dois dos principais BCs globais, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), que subiram os juros nas últimas semanas. Os investidores esperam que outras praias, como os EUA e o Brasil, também sigam a sinalização.

O encontro do Federal Reserve (Fed, o BC americano) desta quarta-feira (17), no entanto, traz um elemento extra para o mercado: trata-se da primeira reunião do novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o novo chefe da autoridade já começa o mandato sob pressão política por uma redução de juros.

O consenso quase absoluto do mercado, no entanto, é de que o Fomc, o comitê responsável pelas decisões de juros nos EUA, vai manter as taxas inalteradas na faixa entre 3,50% e 3,75%. Mas a reunião deve formalizar a sinalização de que a perspectiva de um corte de juros em 2026 saiu da mesa.

A pergunta que fica é: como Warsh poderá conciliar as expectativas políticas com as necessidades técnicas de combate à escalada de preços ao consumidor? É bom ressaltar que a inflação nos EUA, medida pelo CPI, já alcança 4,2% em 12 meses até maio, o que tem levado o mercado a enxergar uma alta de juros já em dezembro.

Uma possibilidade é a de Warsh propor combinar a sinalização de que o Fed pretende manter os juros inalterados por mais tempo e passar a focar em uma redução expressiva do seu balanço. Isso seria deixar o “aperto quantitativo”, o nome técnico desse enxugamento do nível de ativos que a autoridade acumulou, fazer o trabalho.

Analistas esperam que Warsh defenda uma redução mais intensa do balanço de ativos, que ainda soma cerca de US$ 6,7 trilhões.

Desinflar esse portfólio funciona como um aperto das condições financeiras ao retirar dinheiro de circulação, ou, no jargão do mercado, reduzir a liquidez.

Isso ocorre porque o Fed deixa de reaplicar os recursos recebidos de títulos vencidos em novos papéis. O banco central pode até mesmo passar a vender as Treasuries de seu balanço, se optar por um movimento mais agressivo de redução.

O acúmulo de títulos do Tesouro e outros ativos no balanço do Fed ocorreu por conta do enfrentamento de grandes desequilíbrios financeiros, como na crise bancária de 2008 e durante a pandemia. Nas ocasiões, o BC americano passou a comprar títulos no mercado como forma de injetar dinheiro na economia.

Em 2022, por exemplo, o Fed detinha US$ 8,5 trilhões em papéis do Tesouro dos EUA e outros ativos. Nesse período, a autoridade iniciou um ciclo de redução cautelosa dessa carteira que durou até o fim de 2025. O BC americano conseguiu diminuir em cerca de US$ 2 trilhões o tamanho do balanço ao longo de quase quatro anos.

A perspectiva agora, com Warsh no comando, é de retomar o aperto quantitativo, mas de maneira mais assertiva. O problema é que esse assunto está longe de ser um consenso no Fed. O novo “chairman” deve ter dificuldade em seguir essa linha, se atrelar o QT à condução do combate à inflação.

Copom vive dilema diferente

O potencial reposicionamento do Fed tem ramificações sobre os mercados emergentes. Uma postura mais inclinada ao aperto monetário, mesmo sem subida de taxas, pode afetar diretamente o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e o rumo dos juros domésticos.

Com o Fed sinalizando juros altos por tempo prolongado, a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) aumenta, o que tende a desviar o fluxo de recursos globais para o mercado dos EUA.

Isso significa menos dólares ingressando no Brasil. Esse movimento, por sua vez, deve criar uma pressão de desvalorização do real. Essa dinâmica de câmbio depreciado atua como um choque de custos para a economia brasileira, porque encarece bens industriais e insumos importados.

Na prática, um dólar mais forte traz mais inflação e reduz a margem de manobra do Banco Central do Brasil para reduzir a Selic. Isso em um ambiente que já vive pressões de alta com a escalada dos preços dos combustíveis e de insumos, como fertilizantes e commodities metálicas, após a Guerra no Irã.

Mesmo diante de um cenário de forte restrição externa e pressões domésticas, o consenso para a decisão do Copom considera que o colegiado vai cortar os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira.

A Selic deve cair para 14,25% ao ano. A partir daí é que as projeções ficam nebulosas.

O fato é que, mesmo com “gordura” para cortar, os investidores e agentes do mercado enxergam cada vez menos espaço para uma queda mais acentuada dos juros.  

Diversas casas de análise, como bancos e corretoras, têm revisado para cima o nível da Selic em 2026.. O Bank of American, por exemplo, coloca a taxa básica em 14,25% no fim do ano. Outras casas, como BNP Paribas, XP e Banco Pine veem os juros básicos em 14%.

O mais recente relatório Focus, do BC, que reúne projeções de instituições financeiras, mostrou uma alta das previsões para a Selic pela segunda semana seguida. Às vésperas da reunião do Copom, o mercado elevou a expectativa da taxa para 13,75% no fim deste ano.  

A decisão desta quarta-feira, portanto, será cuidadosamente acompanhada. Não pelo potencial corte, mas pela comunicação do BC. A sinalização será de pausa imediata no ciclo de afrouxamento ou de possibilidade de ao menos mais um corte pela frente?

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Stablecoins de dólar superam bitcoin pela primeira vez na América Latina

As compras de stablecoins atreladas ao dólar ultrapassaram as de bitcoin (BTC) pela primeira vez na América Latina, segundo relatório divulgado pela exchange Bitso na terça-feira (16).

Em 2025, USDT e USDC – as duas maiores stablecoins de dólar do mercado – responderam por 40% das aquisições de criptomoedas na plataforma, enquanto o bitcoin representou 18%. Os dados consideram cerca de 10 milhões de investidores de varejo da região.

O movimento sugere uma mudança no uso desses ativos, segundo a corretora. Em vez de servirem apenas como ponte para a compra de outras criptomoedas, as stablecoins estão sendo cada vez mais utilizadas como uma forma digital de acessar o dólar.

“Cada vez mais, os consumidores não estão adquirindo stablecoins para trocá-las por outros ativos digitais. Em vez disso, eles as estão usando como representações digitais do dólar americano para preservar valor, facilitar pagamentos e acessar os mercados financeiros globais”.

No Brasil, vale lembrar, as stablecoins já dominam as carteiras dos investidores há algum tempo. Em 2025, elas responderam por cerca de 70% dos R$ 505,5 bilhões em criptomoedas declaradas à Receita Federal.

Uso comercial também cresce

As stablecoins também estão ampliando seu espaço nas operações comerciais da América Latina. Segundo a Bitso, os volumes processados por sua divisão corporativa cresceram 81% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

De acordo com a corretora, as empresas estão deixando de usar esses ativos apenas como instrumentos cambiais ou garantias para negociação e passando a adotá-los como infraestrutura para pagamentos, transferências internacionais e outras operações financeiras do dia a dia.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  -2,74%, US$ 64.288,74

Ethereum (ETH): -1,65%, US$ 1.764,63

BNB (BNB): -1,96%, US$ 601,56

XRP (XRP): -3,95%, US$ 1,19

Solana (SOL): -3,72%, US$ 71,95

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real mira câmbio. A Crown, emissora da BRLV (uma stablecoin atrelada ao real), agora tem uma mesa de câmbio para converter reais, dólares e criptoativos. A iniciativa busca ampliar o uso do token, que já soma R$ 373 milhões em circulação, segundo a empresa. O movimento reflete o avanço das stablecoins brasileiras, um mercado que já reúne mais de uma dezena de moedas digitais lastreadas na moeda nacional.

Axia e a mineração de bitcoin. No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) faz cortes na geração de energia quando a produção supera a capacidade da rede, um processo conhecido como curtailment. Para reduzir esse desperdício, a Axia criou um sistema em miniatura com fontes solares e eólicas, baterias e simuladores de grandes consumidores, como mineradoras de bitcoin. A ideia é testar como esses consumidores poderiam aproveitar a energia excedente.

CBDC? Não nos EUA. O Congresso dos EUA deu mais um passo para manter as moedas digitais de banco central (CBDCs) longe do mercado americano. Um projeto de lei que avança no Senado proíbe o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) de emitir esse tipo de ativo até 2030. Críticos argumentam que uma CBDC daria ao governo acesso sem precedentes aos dados financeiros dos cidadãos.

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Golpe do falso investimento usa IA para adaptar estratégia a cada vítima. É o ‘crime as a service’

O médico Ricardo (nome fictício) chega ao consultório de forma disciplinada às oito da manhã. Aos 52 anos, tem uma carreira consolidada, filhos na faculdade, investimentos diversificados entre renda fixa, ações e fundos imobiliários. Acreditava estar com a vida confortavelmente estabilizada.

A sensação de controle pleno sobre a vida pessoal e profissional, no entanto, se revelou uma vulnerabilidade, que foi explorada com uso de IA. Com planos que se tornaram tão elaborados que parecem saídos do roteiro de um filme de espionagem.

O mais recente golpe de falsos investimentos, não por acaso, recebeu o apelido por parte da polícia de “Truman Show Scam”. O nome faz referência ao filme em que o protagonista Truman Burbank, em papel interpretado por Jim Carrey, vive em uma realidade artificial criada para enganá-lo, enquanto seu dia a dia é transmitido em um “reality show”.

Nesse tipo de golpe, os criminosos usam IA para criar um falso ambiente interativo, mas extremamente realista, que consegue convencer a vítima de que está cercada por pessoas reais e histórias autênticas.

Na verdade, os personagens são criminosos, perfis falsos ou conteúdo gerado por inteligência artificial. O Truman Show Scam cria uma convincente realidade paralela em que todos parecem ganhar dinheiro e ninguém questiona nada.

Ostentação dos lucros

No caso de Ricardo, tudo começou em um domingo como outro qualquer. Enquanto assistia vídeos nas redes sociais, apareceu um em que um suposto especialista em investimentos participava de uma entrevista sobre seu método. O cenário era impecável: gráficos em movimento, comentários de dezenas de pessoas comemorando ganhos extraordinários. O médico clicou no vídeo.

Nos dias seguintes, recebeu o convite para entrar em um grupo fechado. Havia centenas de participantes. Todos pareciam reais.

Um empresário de Curitiba agradecia por ter dobrado o patrimônio. Uma dentista de Belo Horizonte mostrava extratos. Um engenheiro aposentado comemorava a compra de um carro novo. As mensagens surgiam em ritmo constante, como uma comunidade da prosperidade para poucos abençoados.

A cada manhã, recebia mensagens de “alunos” que agradeciam ao mentor financeiro. À tarde, apareciam capturas de tela com lucros expressivos. À noite, os administradores divulgavam oportunidades “exclusivas”. Era como entrar em um teatro em que todos conheciam o roteiro, exceto ele.

Durante três semanas, limitou-se a observar. O que o convenceu não foi a promessa de rentabilidade mas a sensação de normalidade. Os participantes discutiam futebol, reclamavam do trânsito, comentavam o preço do café. As conversas pareciam espontâneas.

O ambiente transmitia a percepção de uma comunidade genuína. Era exatamente esse o objetivo. Segundo especialistas em segurança digital, esses golpes se apoiam menos na tecnologia e mais na manipulação psicológica, construindo confiança gradual por meio de validação social permanente.

Quando finalmente decidiu investir, o processo parecia profissional. Baixou um aplicativo sofisticado. Fez verificação de identidade. Recebeu login, senha e acesso a uma plataforma repleta de gráficos e ferramentas.

Bom demais para ser verdade

O saldo começou a crescer imediatamente: R$ 20 mil viraram R$ 22 mil. Depois, R$ 27 mil. Em seguida, R$ 34 mil.

Toda vez que entrava no sistema, havia lucro. Toda vez que acessava o grupo, encontrava alguém celebrando ganhos ainda maiores. Era impossível não sentir que estava atrasado em relação aos demais.

A lógica passou a dar lugar a uma emoção: o medo de ficar de fora. Quando pediu o primeiro resgate, recebeu o dinheiro.

A transferência de alguns milhares de reais serviu como selo de autenticidade. A partir dali, Ricardo aumentou os aportes. Resgatou aplicações conservadoras e transferiu recursos que havia acumulado ao longo de alguns anos.

Quando o aplicativo já mostrava um patrimônio superior a R$ 600 mil, Ricardo solicitou um saque maior. A resposta veio em minutos: para liberar os recursos, seria necessário pagar uma taxa regulatória. Depois surgiu uma exigência tributária. Cada transferência apenas criava uma nova exigência.

Foi quando a realidade “fake” começou a rachar. Os participantes da comunidade desapareceram. Tentou ligar para os responsáveis, mas ninguém atendeu. Procurou o endereço da empresa. Não existia.

Quando finalmente procurou a polícia, descobriu que não era o único. Havia diversas outras vítimas. Médicos, advogados, empresários, engenheiros e profissionais liberais. Pessoas instruídas, experientes e financeiramente bem-sucedidas.

O médico Ricardo foi uma das 40 vítimas de uma quadrilha que criou um golpe do tipo Truman Show Scam e atuou em São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás até o início do ano.

Miragem financeira termina na polícia

O esquema funcionou até ser desbaratado pela Operação Mirage realizada pela Polícias Civis dos três Estados. A ação prendeu três pessoas e cumpriu 125 ordens judiciais, incluindo cinco mandados de prisão preventiva, 13 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas de 85 pessoas físicas e jurídicas, sequestro de veículos, além do bloqueio de carteiras de criptoativos custodiados por 17 corretoras digitais.

Segundo a delegada Isadora Galian, da Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp/Dercc) do Rio Grande do Sul, uma das vítimas perdeu sozinha R$ 4,3 milhões. As estimativas colocam os prejuízos na casa de dezenas de milhões de reais.

A delegada explicou que a Mirage foi apenas o início de uma investigação muito mais profunda e que vai se estender ao longo do ano e vai rastrear a estrutura de lavagem e ocultação dos recursos.

A quadrilha usou agentes de IA e até mesmo contratou serviços em formato que a delegada descreveu como “crime as a service”. Nesse caso, os protagonistas do esquema, a partir de Goiás, pagaram operadores em São Paulo e no Camboja, na Ásia, para criarem e manterem o ambiente de falsa realidade artificial de investimentos para fazer o golpe funcionar em larga escala. 

Nos EUA, esse tipo de esquema já causa prejuízos de mais de US$ 12 bilhões anualmente.

Uso de IA permite escalar golpes

Dados da Polícia Federal no Brasil revelaram que, em 2025, 42,5% das fraudes financeiras no país já contaram com ferramentas de IA. O uso de deepfakes, como, por exemplo, criação de identidades falsas ou com vídeos falsos de celebridades oferecendo investimentos fraudulentos, cresceu 830% entre 2024 e 2025, colocando o país na liderança desse tipo de crime na América Latina.

Só os golpes envolvendo Pix somaram cerca de 28 milhões de casos em 2025 e R$ 2,7 bilhões em prejuízos acumulados em dois anos.

A engenharia social por trás desses golpes se tornou algo bem mais sofisticado com a chegada dos grandes modelos de linguagem (LLMs). Em vez de mensagens mal escritas, com erros de ortografia e gírias suspeitas, o que chega ao cliente são textos praticamente perfeitos, com vocabulário bem encaixado e argumentos persuasivos adaptados ao perfil da vítima.

Esses modelos ajudam na produção em massa de e-mails, SMS, páginas falsas e até scripts de atendimento por voz e na simulação de conversas realistas por meio de redes como WhatsApp e Telegram.

Some a isso a capacidade da IA de cruzar dados públicos – gênero, faixa etária, hábitos de consumo – e os investimentos falsos ficam cada vez mais difíceis de serem identificados.

Empresas de segurança já identificam mais de 300 tipos de golpes diferentes circulando no mercado, muitos com recortes específicos para cada grupo de vítima.

Como se proteger

A regra é sempre desconfiar de ofertas rentáveis demais para serem de verdade. Mesmo que as “pessoas” da comunidade pareçam reais, você pode fazer um teste: chame um dos integrantes para uma conversa privada e busque informações como registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), CNPJ, ativos que compõem as carteiras de investimentos, informações sobre os “ganhos” diários ou mensais.

Faça uma checagem desses dados na própria CVM, no Banco Central, na Receita Federal e em plataformas de investimentos para verificar se os dados de retorno são reais. Vale também verificar sites de reputação, como o Reclame Aqui.

Além disso, nunca faça transferências para contas que não sejam de corretoras cadastradas e autorizadas pela CVM. Se a conta for de uma pessoa física (CPF), há grande chance de ser uma fraude.

E se a intermediadora pediu o pagamento de taxas, impostos ou tarifas para você sacar o próprio dinheiro, desconfie e denuncie. As plataformas sérias não pedem ao investidor para enviar um Pix para liberar os próprios recursos.

Denúncias podem ser feitas pelo site safernet.org.br — parceira do Ministério Público que mapeia golpes digitais no Brasil e orienta vítimas. Faça um boletim de ocorrência (BO), caso verifique ter sido vítima de golpe.

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Bitcoin e criptomoedas avançam após Japão elevar juros ao maior nível em 31 anos


O bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas ampliam os ganhos nesta terça-feira (16), mesmo após o Banco do Japão (BoJ) elevar sua taxa básica de juros para 1%, o maior patamar em 31 anos.

A decisão foi tomada por causa das pressões inflacionárias enfrentadas pelo país, agravadas pela alta do preço do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio.

Em teoria, juros mais elevados no Japão tendem a pressionar ativos de risco, como ações e criptomoedas, assim como costuma ocorrer quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), aumenta suas taxas de juros.

Desta vez, porém, o mercado reagiu de forma positiva. Isso porque o Banco do Japão anunciou também a suspensão da redução gradual de suas compras de títulos públicos, sinalizando que continuará oferecendo suporte à liquidez da economia.

A avaliação dos investidores é que a autoridade monetária japonesa busca equilibrar o combate à inflação com a sustentação da atividade econômica, evitando um aperto monetário mais agressivo.

Com isso, o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 66 mil, com alta de 1,11%. O ethereum (ETH) avança 3,44%, para a região dos US$ 1.700, enquanto a solana (SOL) sobe 4,55%, sendo negociada próxima dos US$ 75.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  +1,11%, US$ 66.543,19

Ethereum (ETH): +3,44%, US$ 1.797,63

BNB (BNB): -0,24%, US$ 613,56

XRP (XRP): +4,36%, US$ 1,23

Solana (SOL): +4,55%, US$ 74,84

Outros destaques do mercado cripto

Juntos por Cripto no Brasil. Vai rolar nesta semana o lançamento do movimento Juntos por Cripto no Brasil, versão nacional da Stand With Crypto, uma organização que defende regulamentações mais claras para o mercado de criptomoedas. O objetivo do grupo é mobilizar usuários de moedas digitais para participar do debate regulatório e pressionar os legisladores por um ambiente mais favorável. A meta é alcançar 100 mil apoiadores antes das eleições.

Mapa das stablecoins. A startup brasileira Lumx colocou no mercado o Stable Operator Map, um mapa colaborativo que reúne firmas que operam com stablecoins na América Latina. A proposta é funcionar como um diretório aberto do setor, com participação gratuita e critérios públicos para inclusão. O mapa estreia com dezenas de empresas já listadas, entre elas Bitso, Bridge, Crossmint e Fireblocks.

SpaceX no mundo cripto. A estreia da SpaceX na Nasdaq movimentou não apenas Wall Street, mas também o mercado cripto. No dia do IPO, o contrato perpétuo ligado às ações da empresa na exchange descentralizada Hyperliquid registrou US$ 1,4 bilhão em volume negociado, quase 30% de toda a movimentação desses mercados. O interesse foi tão grande que o token HYPE avançou cerca de 10% no mesmo dia.

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Com o fim da Guerra do Irã, como ficam os investimentos? O que esperar da renda fixa e de ações

A reação positiva dos mercados no Brasil neste começo de semana diante do fim da Guerra do Irã, com queda do dólar e alta da bolsa, acompanha um movimento global. No curto prazo, a redução dos preços do petróleo vai ajudar o câmbio, reduzir a pressão inflacionária e melhorar as perspectivas para setores mais sensíveis aos juros. Mas, no médio prazo, o cenário não vai ser o mesmo de antes do conflito.

A tendência é que a bolsa retome o rumo das altas com ajuda de setores que se beneficiam desse cenário mais otimista, como varejo, construção civil, shopping centers e ações de companhias de menor porte, as small caps – ainda que o Ibovespa fique pressionado pela correção das ações da Petrobras, que respondem por 12% do índice e, com o fim da guerra, perde 4% nesta segunda-feira (15).

Juros futuros

Os juros futuros também caem, dado que passam a embutir menos prêmio de risco diante da perspectiva de alívio sobre os preços globais de energia. Isso significa que quem aproveitou os momentos mais críticos para aplicar em títulos com taxas elevadas, como IPCA + 8% ao ano ou um prefixado acima de 14% anuais, verá seu saldo em reais na carteira aumentar.

Mas a janela dos juros em patamares historicamente elevados ainda está aberta. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os papéis prefixados se mantêm acima de 14% ao ano.

Isso significa que, mesmo com o fim da guerra, a volatilidade dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados deve se manter ao longo dos próximos meses. As incertezas continuam elevadas no lado doméstico, com ameaças de novas tarifas dos EUA e diante da aproximação das eleições.

Portanto, o investidor que busca travar os rendimentos deve estar preparado para o sobe-e-desce de taxas e preços de títulos. Por outro lado, quem pode manter os recursos aplicados no longo prazo, no mínimo até 2027, vai se beneficiar do juros nos maiores níveis em vários anos.

Na plataforma Tesouro Direto, os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra têm se traduzido em queda expressivas de taxas. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saiu de 14,97% no pico da semana passada, visto da quarta-feira (10), para 14,32% nesta segunda-feira (15). Esse recuo de taxas representa um ganho de 1,57% no valor do papel em uma semana.

O Tesouro IPCA+ 2032 também apresentou ganhos no seu valor com o recuo de taxas. O título saiu de um pico de inflação mais 8,36% no momento mais tenso da semana anterior para os atuais IPCA + 8,04%, com tendência de queda. A variação representou uma alta de 2,1% no saldo em reais.

No IPCA+2040, mais longo e, portanto, mais sensível a mudanças de taxa, a alta no saldo é de 6%.

Bolsa na berinda

A questão é o que vem depois desse alívio imediato. Mesmo que a guerra tenha durado pouco menos de quatro meses, o mundo já não é mais o mesmo de antes de fevereiro deste ano, quando eclodiu.

O movimento de diversificação internacional voltou a perder força entre abril e maio. Os investidores globais registraram só em maio vendas líquidas de R$ 13 bilhões na bolsa brasileira.

Ainda que o saldo no ano ainda seja positivo em R$ 43 bilhões, em maio e início de junho mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local.

E o que isso significa para os investidores? No caso da bolsa, o novo mundo pós-guerra pode manter ventos contrários ao movimento de entrada de recursos que sustentou várias quebra de recordes do Ibovespa no primeiro trimestre.

O momento, portanto, é ajustar estratégias. Uma forma de se precaver de oscilações mais intensas da bolsa daqui para a frente é se tornar mais seletivo na escolha dos papéis.

O setor de “utilities”, por exemplo, eleva o lado defensivo da carteira de renda variável. O nome em inglês se refere às empresas de utilidade pública, como saneamento e energia elétrica. Esse setor inclui nomes como Sabesp, Axia, Copel e Eneva.

São, em geral, negócios mais estáveis e com receitas previsíveis por serem reguladas. Grande parte das companhias também costuma aparecer com frequência nas listas de maiores pagadoras de dividendos.

Setor de tecnologia volta a decolar

Um dos principais ventos contras para a renda variável vem da retomada da “força gravitacional” das ações de tecnologia, em especial aquelas ligadas à cadeia de inteligência artificial. O repique recente ocorre em meio às notícias sobre novas ofertas iniciais de ações trilionárias.

O IPO da SpaceX, do bilionário Elon Musk, movimentou US$ 75 bilhões e levou a fabricante de foguetes e operadora do sistema de internet via satélite Starlink a um valor de mercado de US$ 1,75 trilhão.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deve ser a próxima. A companhia pode captar US$ 60 bilhões em uma abertura de capital no segundo semestre. Esse volume de recursos colocaria a companhia no seleto clube do trilhão, com um “valuation” de US$ 1 trilhão.

Outro mega IPO no horizonte é o da Anthropic, rival da OpenAI e dona da plataforma Claude.

As narrativas de inovação disruptiva — IA, computação avançada, infraestrutura espacial, defesa tecnológica — têm levado boa parte do dinheiro internacional de volta à órbita do mercado americano.

Juros das Treasuries

Outra mudança trazida pela guerra diz respeito ao nível dos juros de longo prazo americanos. Antes do conflito, a Treasury de 10 anos, principal referência nesse mercado, negociava a taxas levemente abaixo de 4% ao ano. No cenário atual, o retorno tem variado entre 4,4% e 4,5% anuais. Na manhã desta segunda feira, com o acordo de cessar-fogo digerido pelo mercado, a taxa operava em leve queda, a 4,45%.

O título mais longo do Tesouro americano, a Treasury de 30 anos, chegou a tocar o maior nível em 19 anos no fim de maio, aos 5,196%. Nesta segunda-feira (15), a taxa permanece perto de 5% ao ano, aos 4,994%. O rendimento atual se mantém no maior nível desde julho de 2007.

Na renda fixa, quando as taxas sobem significa que os preços dos títulos caíram. Com as altas atuais, a remuneração das Treasuries volta a patamares historicamente elevados. O avanço dos retornos passa a atrair mais capital ao mercado dos EUA e fortalece o dólar globalmente.

A alta das taxas vem a reboque das preocupações com a escalada da inflação global. A percepção é que a alta de preços criada pelo conflito não vai desaparecer automaticamente.

Há uma aceleração inflacionária “contratada” e espalhada pelas cadeias globais: fretes marítimos mais caros, seguros elevados, custos energéticos ainda represados e uma normalização da oferta de óleo e gás que ainda deve levar alguns meses. Mesmo com o petróleo em queda, parte desse choque vai contaminar os índices ao longo dos próximos trimestres e tirar a visibilidade futura da inflação.

E isso muda tudo nos mercados. Se antes da guerra os bancos centrais globais ainda administravam ciclos de cortes de juros, agora o caminho se inverteu: o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual e outros BCs, como o Bando da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ), já começam a sinalizar a possibilidade de subir as taxas nas próximas reuniões.

Volatilidade em alta na renda fixa brasileira

No médio prazo, portanto, a renda fixa brasileira pode ver a volatilidade voltar ao mercado de juros prefixados e atrelados à inflação. Se nesta segunda-feira predomina o alívio, daqui a alguns meses, no entanto, tudo pode mudar.

A perspectiva de freio no ciclo de queda de juros aqui e uma guinada lá fora vai afetar as taxas locais. Isso porque, diante das incertezas sobre as decisões dos BCs, os preços vão oscilar ao sabor do noticiário e das preocupações de investidores.

Para o investidor brasileiro, o importante é ter sangue frio. Quem aproveitou para travar taxas historicamente elevadas em títulos IPCA+, por exemplo, tende a ganhar com o chamado “carrego”, ou seja, pelo fato de manter o papel em carteira por um tempo mais prolongado ou até o vencimento.

Há, por exemplo, perspectiva de ganhos se a inflação subir mais do que o esperado. Mas também com uma queda de taxas em um cenário mais favorável. Quem tem mais tolerância ao risco pode, inclusive, aproveitar os momentos de estresse para travar novas taxas.

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Petróleo cai ao menor nível em três meses após acordo entre Estados Unidos e Irã

As ações e os títulos de renda fixa avançaram, enquanto o petróleo caiu para o menor nível em três meses após os Estados Unidos e o Irã concordarem em encerrar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Nasdaq 100 subiram 1,9%, enquanto os do S&P 500 avançaram 1,2%. As ações europeias ganharam 0,7% e superaram o recorde histórico registrado antes da guerra. O petróleo Brent caiu para cerca de US$ 83 por barril. Ouro e Bitcoin registraram fortes altas, enquanto o dólar perdeu terreno frente a todas as principais moedas. Os títulos europeus tiveram desempenho superior ao de seus pares globais.

O acordo entre Washington e Teerã sinaliza o fim de um conflito de três meses que custou milhares de vidas e abalou os mercados financeiros. A retomada dos fluxos de energia também ajudaria a eliminar o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo, trazendo alívio para formuladores de política monetária que lutam contra a inflação.

“A disposição para assumir riscos voltou, mas a questão é saber se o estreito será totalmente reaberto”, disse Christopher Dembik, gestor sênior de investimentos da Pictet Asset Management. “Trump não tem um histórico muito sólido de acordos duradouros no Oriente Médio, então existe o risco de as tensões voltarem a aumentar durante o verão.”

Entre as ações individuais, a SpaceX parecia pronta para ampliar os ganhos após sua estreia explosiva no mercado. Fabricantes de chips avançaram nas negociações pré-abertura, com a Nvidia subindo 2%. Mineradoras de ouro tiveram desempenho superior, enquanto as grandes petroleiras continuaram em queda.

A queda do petróleo também pressionou as ações de empresas do setor. No pré-mercado de Nova York, os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras acompanhavam o movimento negativo das petroleiras globais. Às 7h55 (horário de Brasília), os papéis PBR, equivalentes aos PETR3, recuavam 4,16%, para US$ 17,61, enquanto os PBR-A, equivalentes aos PETR4, caíam 3,01%, para US$ 15,81, refletindo a forte baixa dos preços do petróleo após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã.

O Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, afirmou o presidente Donald Trump em uma rede social. O evento dará início a 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Trump disse ao The New York Times que, caso não haja um acordo nuclear, poderá retomar os ataques militares.

Por sua vez, o Irã permitirá a livre navegação pela via marítima por apenas 60 dias, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte familiarizada com o assunto.

“Não se trata de uma solução permanente, portanto um prêmio de risco relevante provavelmente continuará embutido nos mercados”, disse George Moran, estrategista macroeconômico para a Europa do RBC. “Mas, se o petróleo permanecer na faixa de US$ 80 a US$ 85, isso certamente reduz bastante a pressão sobre os bancos centrais.”

Os investidores apostam que a reabertura do Estreito de Ormuz ajudaria a aliviar as pressões inflacionárias e reforçaria as expectativas de juros mais baixos. Operadores do mercado de swaps precificam cerca de 70% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve até dezembro, abaixo dos aproximadamente 80% registrados na sexta-feira.

O rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu quatro pontos-base, para 4,44%. Segundo a corretora ACCM, ele pode recuar para a faixa de 4,20% à medida que as preocupações com a inflação diminuírem.

Além da geopolítica, o próximo grande evento para os mercados ocorrerá na quarta-feira, quando o Federal Reserve votará sobre os juros pela primeira vez sob a presidência de Kevin Warsh. Os investidores também aguardam uma série de decisões de outros bancos centrais ao longo da semana.

“A principal questão é saber se as recentes pressões sobre os preços serão temporárias ou se ficarão incorporadas à dinâmica mais ampla da inflação”, afirmou Laura Cooper, estrategista global de investimentos e chefe de crédito macro da Nuveen. “Uma redução das tensões pode diminuir as preocupações com um choque persistente nos preços da energia, mas dificilmente será suficiente, por si só, para alterar as orientações de política monetária.”

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“Quando o entusiasmo inicial em torno do acordo diminuir, as ações podem continuar subindo graças ao crescimento resiliente dos lucros, ao otimismo com inteligência artificial e à tendência dos mercados de ignorar choques geopolíticos. Já para renda fixa e câmbio, a mudança no cenário macroeconômico tende a representar um obstáculo mais duradouro.”

— Skylar Montgomery Koning, estrategista macroeconômico.

Destaques corporativos

  • A decisão extraordinária dos Estados Unidos de restringir o acesso estrangeiro aos modelos de IA mais avançados da Anthropic destaca a crescente disposição do governo Trump de exercer controle sobre um setor considerado estratégico.
  • UniCredit e Commerzbank intensificaram o conflito corporativo, à medida que o banco italiano segue tentando adquirir a rival alemã.
  • O investidor ativista Elliott Investment Management adquiriu uma participação próxima de 5% na Bunzl, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, após um alerta de lucro emitido no ano passado provocar forte queda das ações da empresa.

Mercados

Ações

  • Índice Stoxx Europe 600: +0,7%
  • Futuros do S&P 500: +1,2%
  • Futuros do Nasdaq 100: +1,9%
  • Futuros do Dow Jones: +0,9%
  • MSCI Ásia-Pacífico: +3,0%
  • MSCI Mercados Emergentes: +2,8%

Moedas

  • Índice Bloomberg Dollar Spot: -0,3%
  • Euro: +0,4%, para US$ 1,1614
  • Iene japonês: estável em 160,09 por dólar
  • Yuan offshore: estável em 6,7579 por dólar
  • Libra esterlina: +0,2%, para US$ 1,3432

Criptomoedas

  • Bitcoin: +2,7%, para US$ 65.674,98
  • Ether: +3,3%, para US$ 1.725,18

Renda fixa

  • Treasury de 10 anos dos EUA: 4,44% (-4 pontos-base)
  • Título de 10 anos da Alemanha: 2,95% (-5 pontos-base)
  • Título de 10 anos do Reino Unido: 4,79% (-4 pontos-base)

Commodities

  • Petróleo Brent: -4,9%, para US$ 83,02 por barril
  • Ouro à vista: +2,8%, para US$ 4.337,48 por onça-troy.
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Bitcoin e outros criptoativos sobem após acordo de paz entre EUA e Irã

O bitcoin (BTC) subiu e opera acima dos US$ 65 mil na manhã desta segunda-feira (15), refletindo a redução da aversão ao risco nos mercados após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

No domingo (14), após quase quatro meses de conflito, os dois países anunciaram o fim das hostilidades.

O anúncio foi feito inicialmente pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador das negociações.

Pouco depois, o presidente Donald Trump e a mídia estatal iraniana confirmaram o acordo, embora Teerã tenha retratado o desfecho como uma capitulação dos Estados Unidos.

Segundo Trump, a reabertura do estreito de Ormuz – rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo – deve ocorrer na sexta-feira (19).

Além do bitcoin, as altcoins – termo usado para definir qualquer criptomoeda diferente do bitcoin – acompanham o movimento de alta nesta manhã.

O alívio também é observado em outros mercados. O petróleo recua, enquanto os futuros das bolsas americanas avançam. Os contratos do Dow Jones sobem 0,84%, os do S&P 500 ganham 1,19% e os do Nasdaq valorizam 2,04%.

ETFs também ajudam

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a melhora do sentimento não se explica apenas pelo acordo de paz. A retomada dos fluxos para os ETFs americanos de bitcoin também contribui para o movimento.

“Os ETFs de bitcoin à vista registraram US$ 85,9 milhões em entradas líquidas na sexta-feira – o maior fluxo diário desde 14 de maio, encerrando uma sequência de saídas que totalizou mais de US$ 400 milhões em quatro sessões”, diz.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  +1,72%, US$ 65.695,19

Ethereum (ETH): +2,99%, US$ 1.725,63

BNB (BNB): +0,47%, US$ 614,56

XRP (XRP): +3,50%, US$ 1,18

Solana (SOL): +4,45%, US$ 71,45

Outros destaques do mercado cripto

Quase R$ 7 bi em stablecoins. Não é só futebol que desperta paixão no Brasil. As stablecoins de dólar – criptomoedas atreladas à moeda americana – também estão em alta. Nas duas primeiras semanas de junho, o volume negociado pelos brasileiros em USDT e USDC chegou a quase R$ 7 bilhões, segundo dados do índice Biscoint. Para efeito de comparação, as negociações com bitcoin somaram R$ 1,35 bilhão no período. Já o ethereum ficou bem atrás e não movimentou nem R$ 500 milhões até agora.

Stablecoin de Trump chega ao UFC. A USD1, criptomoeda ligada ao projeto World Liberty Financial, da família Trump, ganhou mais uma vitrine. No fim de semana, lutadores do UFC receberam bônus de desempenho pagos na moeda digital durante um evento realizado na Casa Branca. A ação acontece em meio ao crescimento da USD1, cuja oferta em circulação já ultrapassa US$ 4,6 bilhões. Ela também reforça a estratégia do projeto de ampliar a visibilidade da stablecoin fora do universo cripto.

Pokémon vira aposta no mundo cripto. Nem só de bitcoin vive o mercado cripto. Plataformas que tokenizam cartas físicas de Pokémon estão ganhando força ao transformar os colecionáveis em ativos negociáveis na blockchain. Segundo a consultoria Messari, as sete maiores plataformas do segmento movimentaram US$ 230 milhões em maio, ante US$ 32 milhões um ano antes. A proposta é simples: investidores compram NFTs lastreados em cartas reais armazenadas em cofres e podem negociá-los com poucos cliques.

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Taxas de novos CDBs de bancos médios recuam para 107% do CDI após quebra do Master

As liquidações extrajudiciais do Banco Master e de outras instituições financeiras entre o fim de 2025 e o início deste ano afetaram o mercado de renda fixa bancária. Essas crises, de forma resumida, decretaram o fim da era dos CDBs com remunerações muito fora da curva que usavam o marketing da segurança do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para atrair investidores.

Um levantamento da provedora de dados financeiros Quantum mostra que em maio as taxas máximas oferecidas nas emissões dos certificados bancários por instituições pequenas e médias alcançaram o equivalente a 106,9% do CDI, no caso do CDB da fintech Qista Crédito.

Outros certificados com taxas de 106% do CDI foram ofertados pelos bancos Pine e BMG. Ou seja, taxas muito distantes das que eram oferecidas nas vendas massivas de títulos com retornos de 120% do CDI – e muito abaixo do que foi praticado nos últimos anos antes da quebra do Master.

Já os grandes conglomerados financeiros, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Santander, colocaram no mercado certificados que pagam abaixo de 100% do referencial pós-fixado. Os CDBs das três casas saíram com taxas médias de 95%, 90% e 97% do CDI, respectivamente.

As taxas dos novos certificados bancários têm girado entre 90% e 106% do CDI desde fevereiro, conforme os dados da Quantum.

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As taxas mais contidas dos CDBs também refletem a forte demanda por produtos de renda fixa diante de um novo contexto e de novas expectativas no mercado para a Selic.

Selic alta mantém demanda pela renda fixa

Começa a se consolidar no mercado uma visão de que a taxa básica pode se manter mais perto de 14% ao ano no fim de 2026 devido aos sinais de aceleração inflacionária no Brasil e no mundo. Na última semana de 2025, por exemplo, o consenso de mercado calculado pelo relatório Focus, do Banco Central, apontava para uma Selic de 12,25% no fim deste ano.

O relatório agora mostra que a mediana do mercado já coloca a Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026.

Algumas casas já colocam a taxa básica acima de 14% ao ano no fim de 2026. É o caso do Bank of America (BofA), que revisou sua projeção para a Selic de 13,25% para 14,25%.

A Genial, o Banco Pine, a XP e o BNP Paribas projetam que o BC pausará o ciclo de cortes quando a taxa chegar em 14% ao ano. O Itaú Unibanco estima que a queda dos juros possa chegar a 13,75%.

Com a perspectiva de a Selic e, portanto, o CDI, que segue a taxa básica de perto, permanecerem perto de 14% ao ano, a demanda pelos títulos pós-fixados se mantém elevada. Diante dessa procura, as remunerações dos certificados devem permanecer no atual patamar ao longo do ano.

A média de todas as emissões ficou em 100,67% do CDI. Está levemente abaixo de março e abril, quando o retorno médio ficou entre 101% e 102% do referencial pós-fixado.

FGC aperta as regras – CDBs impactados

Em maio, houve ainda mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito feitas pelo Banco Central. A autoridade apertou as regras para que bancos possam usar a cobertura do FGC.

O BC regulamentou o chamado “Ativo de Referência”, um indicador para medir qualidade, liquidez e diversificação dos ativos dos bancos.

Se um banco captar demais com produtos cobertos pelo fundo e não tiver ativos seguros suficientes, fica obrigado a alocar parte dos recursos captados em títulos públicos federais. Desse modo, aumenta o chamado colchão de liquidez e limita o uso de tais recursos sem critério – exatamente o que as investigações apontaram que aconteceu no banco de Daniel Vorcaro.

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Vale investir nas criptomoedas do futebol durante a Copa do Mundo?

A Copa do Mundo começou na quinta-feira (11), com o México vencendo a África do Sul por 2 a 0. Enquanto a bola rola no campo, no mercado de criptomoedas muita gente se pergunta se o evento esportivo pode dar um novo fôlego aos fan tokens.

Esses ativos digitais são ligados a times e organizações esportivas. Diferentemente de criptomoedas tradicionais, como bitcoin (BTC), ethereum (ETH) e companhia, eles funcionam de forma semelhante a programas de sócio-torcedor.

Ou seja, quem compra ganha alguns benefícios, como participar de decisões da equipe, ter acesso a promoções exclusivas e experiências diferenciadas.

Entre 2021 e 2022, os fan tokens atingiram seu auge, chegando a um valor de mercado de cerca de US$ 500 milhões, segundo dados da plataforma Rocket Fan. De lá para cá, no entanto, a coisa esfriou bastante: hoje, eles valem cerca de US$ 136 milhões.

Para efeito de comparação, o bitcoin tem valor de mercado de aproximadamente US$ 1,2 trilhão, o ethereum de US$ 200 bilhões e as stablecoins, somadas, de quase US$ 320 bilhões.

A Copa pode impulsionar os fan tokens?

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a resposta é sim. Grandes eventos esportivos costumam aumentar a atenção sobre esses ativos e podem gerar movimentos positivos de curto prazo.

Isso não significa, porém, que eles sejam vistos como investimentos atraentes.

“Não vemos fan tokens como uma tese de investimento estruturalmente interessante neste momento, mesmo em um período de Copa do Mundo”, diz Francis Wagner, head de criptoativos da Hurst Capital.

Ele fala que, embora seja natural que grandes eventos esportivos aumentem a atenção sobre esse tipo de ativo, entende que a dinâmica desses tokens costuma ser mais especulativa do que fundamentalista.

Matheus Gutierrez, analista de criptomoedas da Levante, vai na mesma linha. Ele afirma que o comportamento desses tokens é muito semelhante ao das memecoins, mas com gatilhos ligados ao esporte.

“Eles podem ter momentos de forte valorização em eventos esportivos relevantes, mas carregam riscos elevados e fundamentos mais frágeis que outras criptomoedas”.

Os riscos

Entre os principais riscos estão a volatilidade, a baixa liquidez e a dependência de narrativas esportivas. Além disso, esses ativos podem sofrer quedas acentuadas após eventos importantes ou eliminações, especialmente quando o interesse dos torcedores diminui.

Também pesam fatores como a concentração em poucas plataformas, a ausência de fundamentos financeiros tradicionais e o fato de que, por serem ativos relativamente pequenos, movimentos de compra e venda podem provocar oscilações expressivas nos preços.

Mais ferramenta de marketing do que investimento

No geral, segundo os especialistas, os fan tokens tendem a continuar existindo no futuro como ferramentas de marketing, fidelização e relacionamento entre entidades esportivas e suas bases de torcedores, e não como uma forma de investimento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.

Bitcoin (BTC):  +1,22%, US$ 63.608,19

Ethereum (ETH): +1,09%, US$ 1.674,63

BNB (BNB): +0,89%, US$ 604,56

XRP (XRP): +2,12%, US$ 1,14

Solana (SOL): +2,01%, US$ 66,77

Outros destaques do mercado cripto

Um bitcoin para cada gol do Brasil. E falando em Copa, olha essa. A OranjeBTC, maior tesouraria de bitcoin do Brasil, prometeu comprar um BTC para cada gol marcado pela seleção brasileira durante o torneio. A iniciativa acontece em um momento em que a empresa vê o valor de sua tesouraria ser pressionado pela recente queda da cripto. Ainda assim, a firma segue aumentando sua posição: na semana passada, comprou mais 41 BTC e agora acumula 3.803 bitcoins.

Seleção brasileira com 9% em apostas cripto. Mais uma sobre a Copa. Já existem vários mercados sobre a competição no Polymarket, plataforma que permite apostar em eventos futuros usando criptomoedas. O principal deles – e isso impressiona – já movimentou mais de US$ 2 bilhões em volume. A aposta é simples: quem será o campeão? Nesta sexta-feira (12), a Espanha liderava com 17% de probabilidade implícita, seguida pela França, com 16%. O Brasil aparecia logo atrás, com 9%.

Novo PL cripto. Agora chega de Copa e vamos para Brasília. Um novo projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados para disciplinar os processos de autorização das prestadoras de serviços de ativos virtuais – nome oficial dado às empresas que atuam com criptomoedas. Na prática, a proposta busca transformar em lei regras publicadas pelo Banco Central no ano passado. O texto também reforça exigências relacionadas a capital mínimo, governança e gestão de riscos das empresas do setor.

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Ritmo de compras corporativas de bitcoin despenca em junho

As tesourarias de bitcoin (BTC) – empresas que mantêm a criptomoeda em seus caixas – reduziram bastante o ritmo de compras. E não foi pouco.

Dados da empresa de análise de blockchain Glassnode mostram que a média diária de aquisições está entre US$ 20 milhões e US$ 40 milhões em junho.

O valor representa uma queda de aproximadamente 95% em relação aos mais de US$ 500 milhões registrados diariamente entre abril e maio.

Em entrevista ao portal especializado CoinDesk, analistas da Glassnode afirmaram que o movimento sugere uma postura mais cautelosa das empresas em relação ao bitcoin, justamente em um momento de enfraquecimento do sentimento do mercado.

O cenário se soma às recentes saídas dos ETFs americanos de bitcoin – os preferidos dos investidores institucionais -, aumentando a pressão sobre a maior criptomoeda do mundo.

Apenas nesta semana, esses fundos registraram retiradas líquidas de US$ 388 milhões, segundo dados da SoSoValue.

Em meio às vendas, aos juros elevados e às incertezas geopolíticas, o bitcoin segue negociado na faixa dos US$ 62 mil na manhã desta quinta-feira (11).

A criptomoeda está cerca de 50% abaixo da máxima histórica de US$ 126 mil registrada em outubro do ano passado.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50.

Bitcoin (BTC):  +2,62%, US$ 62.830,34

Ethereum (ETH): +1,93%, US$ 1.620,63

BNB (BNB): +2,58%, US$ 599,45

XRP (XRP): +0,79%, US$ 1,11

Solana (SOL): +3,05%, US$ 65,42

Outros destaques do mercado cripto

Menos uma stablecoin brasileira. As empresas brasileiras volta e meia lançam novas stablecoins. Mas também encerram projetos. Foi o que aconteceu com a BTG Dol (BTGDOL), stablecoin de dólar emitida pela Mynt. A empresa, braço cripto do BTG Pactual, informou que o ativo será descontinuado em 1º de julho. Os saldos remanescentes serão convertidos para USD Coin (USDC). O motivo? Segundo a firma, a decisão faz parte da evolução de seu portfólio cripto.

ETF de renda baseado em bitcoin. A BlackRock deu mais um passo para lançar um ETF que combina exposição ao bitcoin com geração de renda. A maior gestora do mundo enviou uma nova versão da documentação do produto para a SEC (a CVM dos EUA). O fundo pretende gerar receita adicional por meio da venda de opções sobre cotas de seu famosinho IBIT, o maior ETF de bitcoin do mercado.

Trump lucra, investidores perdem. Olha essa. Mais de um milhão de pessoas registraram perdas ao investirem em empreendimentos cripto da família Trump – como a World Liberty Financial e a memecoin $TRUMP -, segundo a agência Reuters. Por outro lado, a própria família teria acumulado cerca de US$ 2,3 bilhões em ganhos. A investigação aponta que os negócios se beneficiaram da popularidade e da influência política do presidente para atrair investidores, mas vários dos ativos perderam valor após o lançamento.

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Tesouro Direto: taxas disparam com piora de cenário e já passam de IPCA+ 8% ao ano

Se você está vendo o saldo em reais de suas aplicações no Tesouro IPCA+ e no Tesouro Prefixado recuarem, tem um motivo. As taxas do Tesouro Direto voltaram a disparar e se mantêm no maior nível do ano nesta sexta-feira (5), emenda do feriado de Corpus Christi.

No início das negociações, a plataforma entrou em “circuit breaker“, ou seja, houve uma paralisação das negociações que acontece quando a oscilação foge do padrão. O Tesouro Direto só retomou as operações por volta de 11h20.

O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032, o título indexado à inflação de prazo mais curto disponível na plataforma, superou nesta semana, pela primeira vez, a marca psicológica dos 8% ao ano.

O papel era negociado a IPCA+ 8,23% por volta de 14h30. É o rendimento mais alto do título desde que estreou no Tesouro Direto em fevereiro deste ano.

A taxa do Tesouro IPCA+ 2050, por sua vez, passou para 7,23% ao ano, ante 7,09% vista na terça-feira (2). O nível atual é o mais elevado desde outubro de 2025.

Entre os prefixados, os papéis com vencimento em 2029 apresentam retornos de 14,70%, no maior nível desde fevereiro de 2022 e já vislumbrando a marca de 15% ao ano. Já o Tesouro Prefixado 2032 alcança 14,69% ao ano, na máxima desde abril de 2025.

Na renda fixa, quando a taxa de retorno sobe, isso significa que o preço do papel cai.

Por exemplo, na terça-feira, quando o Tesouro IPCA+ 2050 estava sendo negociado com um retorno equivalente à inflação mais 7,09% ao ano, o preço do título estava em R$ 908,52. Com o retorno atual na casa de 7,23%, o valor do papel caiu para R$ 881,61 nesta sexta-feira. Trata-se de um recuo de quase 3% em apenas dois dias úteis.

Guerra e tarifas na conta

O movimento de subida das taxas ocorre diante de uma onda de revisões de bancos e gestoras sobre os cortes da taxa Selic. Começa a se consolidar no mercado uma visão consensual de que a taxa básica pode se manter mais perto de 14% no fim de 2026 em meio aos sinais de aceleração inflacionária no Brasil e no mundo.

Além disso, nesta sexta-feira, o relatório de emprego nos EUA, o payroll, trouxe um cenário de aquecimento no mercado de trabalho da maior economia do mundo. O volume de criação de postos em maio foi de 172 mil e superou em muito as estimativas de economistas e analistas, de cerca de 80 mil vagas no consenso.

Os títulos do Tesouro americano passaram a enfrentar uma onda de vendas, o que elevou os rendimentos dos papéis de dois anos em cerca de 10 pontos-base, para 4,15%. O Treasury de 10 anos subiu para 4,534%.

Os contratos passaram a precificar majoritariamente um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) até o fim do ano, na contramão das projeções de cortes que vigoraram em boa parte deste começo de ano em 2026.

Outro ponto de pressão sobre os juros vem da percepção de que houve – mais uma vez – retrocesso nas negociações para um acordo de paz entre EUA e Irã. Isso ajuda a impulsionar as perspectivas de inflação futura lá fora e aqui por causa essencialmente dos efeitos sobre o petróleo. Investidores também reagem às ameaças de novas tarifas contra o Brasil por parte do governo americano.

Oportunidades no estresse no Tesouro Direto

Investidores que tiverem uma visão de médio e longo prazos, ou seja, que possam manter os recursos aplicados por um horizonte de, no mínimo, um ano, podem aproveitar a janela para “travar juros” em patamares historicamente elevados.

Por outro lado, é preciso estar preparado para a volatilidade que vai imperar nos próximos meses. Isso significa uma oscilação forte dos preços e taxas de títulos prefixados e IPCA+.

Se você já tem títulos do Tesouro IPCA+ ou do Tesouro Prefixado na carteira, o melhor é tentar evitar olhar a carteira neste momento. Com a subida de taxas, o efeito de marcação a mercado faz com que o saldo em reais diminua, se as taxas contratadas originalmente forem menores que as atuais.

Nessa situação, vale de novo destacar: se você não precisa do recurso no curto prazo, o melhor é esperar o cenário ficar mais positivo. Ou, idealmente, carregar o título até o vencimento. Isso porque quando você leva o papel até o fim recebe exatamente o que contratou.

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Bitcoin recua 50% desde máxima histórica; hora de comprar?

O ano de 2026 não está sendo nada gentil com o bitcoin. A maior criptomoeda do mercado recuou cerca de 30% desde o primeiro dia de janeiro, saindo da faixa dos US$ 88 mil para a faixa dos US$ 62 mil na manhã desta sexta-feira (5).

Em relação à máxima histórica de US$ 126 mil, registrada no início de outubro do ano passado, a queda já passa de 50%.

Vários fatores ajudam a explicar o movimento. Entram nessa conta os resgates dos ETFs americanos de bitcoin — que somaram US$ 4,4 bilhões desde meados de maio —, vendas por parte de grandes tesourarias corporativas e um cenário geopolítico cada vez mais incerto.

O mercado também foi pressionado nesta semana por resultados financeiros abaixo do esperado da fabricante de chips de inteligência artificial Broadcom.

A reação negativa contaminou o setor de tecnologia e levou os futuros das bolsas americanas para o vermelho. Como costuma acontecer, os ativos digitais acabaram acompanhando o movimento.

Hora de vender ou comprar?

E no meio de toda essa turbulência surge a pergunta de sempre: é hora de vender porque a situação piorou ou aproveitar a queda para comprar mais?

Analistas de mercado geralmente não recomendam vender durante movimentos de forte baixa — a menos que o investidor precise do dinheiro. A lógica é simples: quem vende após uma queda expressiva corre o risco de realizar prejuízo justamente antes de uma recuperação.

Uma estratégia frequentemente mencionada por especialistas é aumentar posições durante períodos de queda. O problema é que é difícil saber quando exatamente o ativo atingiu o fundo.

André Franco, CEO da Boost Research, afirma que a leitura para o mercado cripto continua desfavorável no curto prazo, com investidores priorizando liquidez e proteção.

“No curto prazo, o bitcoin tende a oscilar entre US$ 61.500 e US$ 65.500, com risco de novo teste da parte inferior caso as tensões entre EUA e Irã continuem escalando ou o dólar mantenha força”, diz.

Ou seja, novas quedas ainda não podem ser descartadas.

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O longo prazo

O ponto central é que em cripto, assim como em ações, analistas recomendam tomar decisões olhando horizontes mais longos. Sob essa ótica, o bitcoin continua atraindo recomendações, e a correção recente é vista por alguns deles como uma oportunidade de entrada.

Na carteira moderada recomendada para junho, por exemplo, o BTG Pactual aumentou sua exposição ao bitcoin. Segundo a instituição, o ativo digital é o “principal vetor defensivo dentro do universo cripto em um ambiente de maior aversão a risco”.

Como mostramos no início da semana, analistas de diferentes exchanges também mantiveram o BTC entre as principais recomendações para junho.

Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul da Bitso, afirma que o BTC deve continuar sendo o principal direcionador do mercado neste mês, reagindo aos eventos macroeconômicos, mas preservando sua relevância como ativo estratégico de longo prazo.

Riscos

Criptomoedas continuam sendo ativos de alto risco e elevada volatilidade. Por isso, especialistas costumam recomendar que apenas uma pequena parcela do patrimônio — geralmente entre 1% e 5% da carteira — seja destinada a esse tipo de investimento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  -0,14%, US$ 62.521,11

Ethereum (ETH): -4,02%, US$ 1.675,63

BNB (BNB): +0,12%, US$ 592,80

XRP (XRP): -1,98%, US$ 1,12

Solana (SOL): -2,50%, US$ 66,44

Outros destaques do mercado cripto

Um respiro para os ETFs. Depois de 13 pregões seguidos de saídas, os ETFs de bitcoin americanos finalmente voltaram a registrar entrada de recursos. O fluxo positivo foi modesto, de apenas US$ 3 milhões, mas interrompeu uma sequência que já acumulava mais de US$ 4,4 bilhões em resgates desde meados de maio. Os ETFs de ethereum também quebraram uma maré negativa de 17 dias, registrando aportes de US$ 19,3 milhões.

Bancos dos EUA reagem às stablecoins. Os maiores bancos dos EUA estão preparando uma resposta ao avanço das stablecoins. Segundo o Wall Street Journal, gigantes como JPMorgan, Citi e Bank of America trabalham em uma rede compartilhada de depósitos tokenizados, prevista para entrar em operação até o primeiro semestre de 2027. Na prática, a ideia é transformar depósitos bancários em versões digitais que circulam em blockchain.

Privacidade no mercado cripto brasileiro. Um dos desafios do mercado de moedas digitais é equilibrar privacidade e transparência. Especialistas discutiram o tema no segundo dia da TokenNation, evento cripto em São Paulo. Daryl Akamine, country manager da Ledger no Brasil, falou que privacidade é diferente de anonimato. “Sem suas chaves (para ter acesso às criptos), não existe soberania sobre seus dados e todo o resto deixa de fazer sentido”.

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Disparada de fabricantes de chips nas bolsas reacende o debate: é bolha?

As ações das fabricantes de chips são, de longe, as que mais sobem — e a escalada joga lenha numa discussão já clássica: estamos em meio à formação de uma bolha?

O índice de semicondutores caminha para seu melhor trimestre na história, depois de subir 69% nos últimos dois meses. Os chips lideram com folga o desempenho setorial do S&P 500 no ano. A alta foi tão forte e disseminada que o grupo domina hoje a lista de papéis que mais puxam o índice.

Os movimentos mais espetaculares vêm do segmento de memória, em que a demanda avassaladora por chips de alta largura de banda usados em data centers de IA empurra os preços para o alto. As ações da Micron Technology mais que triplicaram no ano. Na Ásia, a SK Hynix saltou 260%, e a Samsung, maior fabricante de chips de memória do mundo, sobe 165%. As três já valem mais de US$ 1 trilhão cada — somadas, valem mais que Meta e Tesla juntas.

É aí que entra o debate. Os otimistas enxergam um boom impulsionado por mudanças estruturais que estariam transformando a tradicionalmente cíclica indústria de semicondutores. Os pessimistas veem um mercado superaquecido, hipnotizado pelo brinquedo da vez. E os investidores ficam no meio, fascinados pelo momento, mas com um pé atrás em relação ao que vem depois.

“Dá para ver mais uma perna de alta se você quiser comprar aqui, mas eu sempre volto a pensar em quão voláteis os chips podem ser — tudo vai bem até parar de ir bem”, diz Ed O’Gorman, presidente e sócio-gestor da River Wealth Advisors, que tem posições em Nvidia e Broadcom.

O risco é alto porque o mercado acionário ficou dependente dessas empresas para crescer.

Quase 80% da alta de 11% do S&P 500 no ano vem de apenas 10 companhias — todas de tecnologia, sete delas do setor de chips. Micron e Nvidia são as duas maiores contribuições.

A indústria de semicondutores é considerada cíclica porque alterna períodos de euforia e ressaca. Do pedido à entrega, podem se passar meses. Quando a demanda está aquecida, esse descompasso não é problema. Mas quando a economia desacelera ou os pedidos esfriam por excesso de oferta, as fabricantes ficam com estoques inflados, preços fracos e lucro em queda livre.

Esse efeito é mais brutal nas fabricantes de memória, porque o produto é uma commodity. O ciclo anterior de memória aconteceu na pandemia, com o consumidor correndo para comprar eletrônicos. Em 2022, a Micron lucrou US$ 8,7 bilhões. Em 2023, registrou prejuízo de US$ 5,8 bilhões, por causa de um excesso de oferta que a própria administração da empresa havia previsto — mas que veio pior do que o esperado.

A ascensão dos chips de memória de alta largura de banda mudou um pouco a equação: são mais difíceis de fabricar e têm taxa de falha mais alta. Isso significa que ocupam uma fatia desproporcional da capacidade produtiva, apertando ainda mais a oferta. O resultado tem sido escassez em outros mercados-chave, como smartphones e computadores pessoais.

Os lucros das fabricantes de memória hoje são impressionantes. A projeção para a Micron em 2026 é de US$ 66,8 bilhões, ante US$ 8,5 bilhões em 2025. Em 2027, o lucro líquido esperado é de cerca de US$ 120 bilhões — mais do que se espera da Amazon.

E é esse o ponto central do debate: o crescimento se sustenta porque algo mudou de forma permanente ou é apenas um pico cíclico exuberante? A conversa vai além da memória e atinge todo o setor. Os lucros das empresas ligadas a semicondutores no S&P 500 devem dobrar neste ano, mais de quatro vezes o avanço esperado para o índice como um todo, segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

“Não estamos no time do ‘desta vez é totalmente diferente’, mas estamos firmemente no time do ‘mais alto por mais tempo'”, afirma Jorry Noeddekaer, chefe de mercados emergentes globais e Ásia da Polar Capital, em Londres, que tem posições em Micron e Sandisk. “A oferta mudou de maneira relevante com a evolução da memória de alta largura de banda, e a demanda segue forte. Também vemos um cenário plausível em que surgem contratos de longo prazo com preços negociados, o que reduziria a ciclicidade e permitiria uma gestão melhor de capacidade e preços na hora da virada.”

O salto dos lucros tem ajudado a segurar os múltiplos das fabricantes de memória, apesar do rali. Micron e Sandisk parecem até baratas, negociadas a cerca de 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, enquanto o índice de semicondutores da Filadélfia opera a quase 27 vezes.

Até quando?

Esses números, porém, assumem que o boom vai durar. Pelo lucro realizado nos últimos 12 meses, o quadro muda: a Micron negocia a 46 vezes e a Sandisk a 58. O índice de semicondutores está em torno de 71 vezes — o múltiplo mais alto desde a ressaca da crise financeira de 2008. E a 15 vezes a receita, é o maior nível desde o início da série, em 2002, mais que o triplo da média do período.

“No caso dos chips, só dá para saber qual foi o pico do lucro olhando para trás”, diz Kai Wu, diretor de investimentos da Sparkline Capital, cujos ETFs têm Intel e NXP Semiconductors. “Tudo se resume a: até quando dá para esperar que a construção da infraestrutura de IA continue? Se continuar, os chips provavelmente seguem indo bem. Mas também existe a chance de a gente estar esquiando além das próprias pernas.”

Os gastos que sustentam o ciclo parecem firmes, ao menos por enquanto. As quatro maiores compradoras de equipamento de computação — Amazon, Meta, Alphabet e Microsoft — pretendem investir até US$ 725 bilhões em capital em 2026, a maior parte em data centers de IA. E planejam gastar bem mais em 2027. Só que essas empresas começam a recorrer cada vez mais ao endividamento para bancar a conta, o que abre um novo conjunto de dúvidas.

“Parece provável, no mínimo, que esse gasto vá entrar em platô — ainda que em patamar bem mais alto do que era antes”, afirma O’Gorman, da River Advisors. “Sabemos que os chips passam por ciclos e por movimentos de boom e ressaca. E isso continua valendo mesmo quando se está diante de algo com crescimento gigantesco.”

Por Jeran Wittenstein e Ryan Vlastelica, Ian King e Youkyung Lee.

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Juros nos EUA sobem para níveis historicamente altos: oportunidade para investir em dólar

As chances de que o próximo movimento do Fed seja uma alta de juros e não um corte, como o mercado esperava há menos de um mês, só aumentam.

Nesta quinta-feira (21), o FedWatch, ferramenta que acompanha o posicionamento de investidores sobre o rumo da política monetária do BC americano, mostra que o mercado já enxerga mais de 62% de possibilidades de uma elevação de taxas já em dezembro. Dois dias atrás, o percentual era de 56%.

E se o Fed realmente passar a sinalizar que uma alta se aproxima? Para o investidor local, há uma oportunidade clara: aumentar a fatia do portfólio na renda fixa em dólar.

Os retornos dos Treasuries, os títulos do governo americano, têm subido nas últimas semanas e voltaram a patamares historicamente elevados. Tudo por conta da preocupação com uma eventual guinada no rumo da política monetária dos EUA em meio aos sinais de que a inflação lá fora vai acelerar.

O papel com vencimento em 10 anos já alcança um “yield” de 4,6% ao ano nesta quinta-feira, no nível mais elevado desde janeiro de 2025.

A Treasury de 30 anos está com rendimento de 5,14% anuais, o maior em 19 anos.

Existe ainda um outro argumento para o investidor brasileiro passar a olhar com mais atenção a renda fixa gringa. Se o Fed realmente passar a sinalizar uma alta de juros para os últimos meses do ano, um efeito esperado é o fortalecimento do dólar.

A moeda americana voltou nesta semana ao patamar de R$ 5, justamente, por conta da subida das taxas dos títulos americanos. Isso porque um aumento de retorno nas Treasuries passa a atrair mais recursos ao mercado dos EUA, tanto pela alta dos yields quanto pela própria perspectiva de fortalecimento do dólar.

Agora vamos considerar a hipótese de a moeda americana valorizar 10% até o fim do ano e os juros das Treasuries se manterem em um patamar entre 4% e 4,5% ao ano, caso o Fed realmente decida subir as taxas.

Nesse cenário, o retorno em dólar já superaria 100% da Selic/CDI.

Diante da aceleração inflacionária global persistente, esse quadro, cada vez mais, torna-se uma possibilidade real.

O momento para o investidor também recebe ajuda do câmbio – ainda – favorável. Apesar da alta recente, a moeda americana exibe recuo de 8,91% em 2026, de janeiro a metade de maio.

Na prática, significa que a cotação do dólar se mantém positiva ao mesmo tempo que os juros lá fora sobem.

Basta a moeda americana zerar a queda do ano, por exemplo, para a parte dolarizada da carteira, praticamente, igualar o retorno da Selic e do CDI esperado pelo mercado no fim de 2026, de 13%, conforme o boletim Focus do Banco Central.

Como investir em dólar no Brasil

Quem busca investir na moeda americana encontra nos ETFs, ou seja, nos fundos de índice listados em bolsa, os principais aliados.

Aqui mesmo na B3 há diferentes produtos – de ETFs a BDRs de ETFs – que podem ser usados para as aplicações na renda fixa gringa.

O It Now S&P Tesouro Americano 10 Anos (T10R11), do Itaú, segue um índice que acompanha o desempenho de contratos futuros de títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos.

O investidor pode ainda buscar ETFs de índices de renda variável, como o S&P 500, como opção para dolarizar parte do portfólio. Entre os mais conhecidos estão o iShares S&P 500 FIC (IVVB11), da BlackRock, e o IT Now S&P500 TRN (SPYI11), da Buena Vista.

Já os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são recibos que representam um ativo estrangeiro aqui no nosso mercado. Um BDR de ETF, portanto, é uma maneira de “importar” para o ambiente da B3 as cotas de fundos de índice internacionais.

A BlackRock, por exemplo, disponibiliza diversos BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

E direto no exterior

O investidor brasileiro também consegue investir diretamente em ETFs internacionais por meio das contas globais, como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

A maioria dos ETFs de títulos públicos americanos, mesmo os de curto prazo, já rendem em torno de 4% ou mais ao ano.

O ETF VBILL, da Vanguard, que segue um índice de notas do Tesouro americano de curtíssimo prazo, por exemplo, já apresenta um retorno perto de 4% ao ano.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços acessíveis, entre US$ 75 e US$ 100.

Moeda forte vira proteção

A fatia dolarizada do portfólio, no entanto, tem de ser vista como um complemento aos vários tipos de ativos dentro de uma carteira diversificada. A moeda forte dentro desse conceito funciona, justamente, como uma maneira de proteger o conjunto dos investimentos em momentos de estresse.

Um cenário de alta de juros nos EUA, por exemplo, pode levar a uma reversão estrutural do fluxo de recursos estrangeiro que entrou no Brasil com força desde 2025 até meados de abril. A indefinição sobre a guerra no Irã e, portanto, sobre a duração dos choques de queda na oferta e de alta de preços do petróleo, tem levado investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

E mais cautela significa embolsar os lucros dos investimentos mais arriscados, como aqueles realizados nos emergentes, e um reposicionamento nos chamados “portos seguros”, como o dólar.

Se o fluxo se reverter de vez, a consequência é uma queda sustentada da bolsa no curto prazo e o aumento da pressão inflacionária por meio do câmbio. Nesse ambiente, o Banco Central pode ter de pausar os cortes da Selic mais cedo.

A parcela do portfólio em dólar, por outro lado, tende a se valorizar – daí a idéia de proteger a carteira em momentos mais complicados.

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Fundos de crédito privado têm resgates de mais de R$ 22 bilhões em abril diante de perdas

Depois de crises de grandes grupos como Raízen e GPA, que causaram perdas a investidores, fundos de crédito privado enfrentaram uma sangria de capital em abril.

Novos dados da Anbima – associação de entidades e empresas do mercado de capitais – confirmam o que dados prévios já mostravam: houve uma forte saída de recursos dos portfólios com títulos de renda fixa emitidos por empresas – CRIs, CRAs, debêntures.

Em uma das principais categorias, a de fundos com papéis com “duração livre”, ou seja, títulos de vencimentos variados, houve um resgate líquido de R$ 14,1 bilhões apenas em abril.

Em um recorte mais específico, a categoria de fundos com “duração livre grau de investimento”, que adquire apenas papéis com notas de crédito mais altas, registrou saídas de R$ 10,2 bilhões.

A saída líquida total foi de R$ 22,3 bilhões na soma das 8 categorias de fundos de crédito privado da Anbima – ou seja, os resgates ultrapassaram os depósitos.

Foi um movimento considerado natural dado o clima de perdas que se instaurou.

Não faltaram eventos que sacudiram o setor, afinal: as citadas recuperações extrajudiciais da Raízen, do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e da Kora Saúde, mais o pedido de proteção contra credores na Justiça da Oncoclínicas e os sinais de uma esperada reestruturação de dívidas da Braskem.

Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da Guerra do Irã e da consequente escalada de preços do petróleo.

Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Retornos de menos da metade do CDI

Como os resgates dos fundos de crédito levam em torno de 30 dias para serem contabilizados no valor das cotas, os impactos desse movimento começaram a ser vistos em abril.

A queda no valor das cotas fica evidente na rentabilidade da categoria “Renda Fixa Crédito Livre e Duração Livre”, uma das classificações da Anbima com maior número de fundos de crédito privado. No mês passado, a média de retorno de portfólios desse tipo ficou em 45% do CDI.

Outra categoria, a “Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre”, que concentra fundos com carteiras de crédito privado de longo prazo, amargou saídas liquidas de R$ 255,2 milhões em abril. O retorno médio também ficou significativamente abaixo do CDI, com rendimento por cota de 83% do referencial conservador.

Busca por posições conservadoras

Essa percepção de perda pode retroalimentar o movimento de saques.

Com isso, se fundos tiverem que vender mais ativos no mercado secundário para cobrir as saídas líquidas, podem ter de aceitar ainda mais descontos.

No mês passado, as duas únicas categorias de fundos de crédito privado que apresentaram captação líquida positiva foram a “Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre”, com entradas líquidas de R$ 8,2 bilhões, e a “Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento”, com aportes de R$ 1,4 bilhão.

São fundos com características mais defensivas dentro da classe de crédito privado – títulos com vencimento mais curtos são menos voláteis.

Investidores precisam ter paciência

O momento de perdas em fundos de crédito privado pede resiliência ao investidor. No médio e no longo prazos, os efeitos da volatilidade se diluem. Desmontar a posição agora vai significar vender na baixa e tornar real o prejuízo que está no papel.

Com uma eventual melhora do quadro no futuro, o valor das cotas tende a se recompor e pode até superar o nível de preços em que o investidor entrou.

Quem tiver mais tolerância ao risco pode até aproveitar os momentos de quedas mais acentuadas para adquirir mais cotas, olhando para um horizonte de mais de um ano.

O carrego, ou seja, o ganho por manter os títulos na carteira no longo prazo, está favorável, com taxas de retorno historicamente altas.

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Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

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Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

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Viajar, estudar e até apostar em bet: a visão de milhões de brasileiros sobre o que é investir

O que é investir? Muitos podem pensar em títulos de renda fixa, ações, poupança ou até criptoativos, mas uma nova pesquisa mostra que milhões de brasileiros adotam uma definição bem mais abrangente sobre o tema. Para uma parcela significativa da população, viajar, estudar, comprar a casa própria e até fazer apostas online podem ser classificados como investimentos.

Os dados são parte da 9ª edição do Raio-X do Investidor 2026, pesquisa recém-divulgada pela Anbima, associação que representa entidades e empresas do mercado de capitais no Brasil, em parceria com o Datafolha. Foram entrevistadas 5.832 pessoas de todas as classes sociais e nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual.

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Segundo o levantamento, um em cada quatro brasileiros – 24% dos entrevistados – afirmaram ter investido ao longo de 2025. Mas apenas 10% em aplicações financeiras propriamente ditas. A aparente contradição, na verdade, reflete essa visão mais flexível do que muitos brasileiros consideram como investimentos.

Do total da amostra, outros 9% citaram, por exemplo, que “investiram” na compra de um bem durável, como carro ou imóvel, enquanto outra parcela incluiu viagens, educação dos filhos, intercâmbio e até gastos com saúde. Uma fatia de 4% também citou empreendimentos e negócios.

A pesquisa revela ainda, sem especificar um período pré-determinado, que 5% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 7,8 milhões de pessoas, diz investir, mas sem utilizar nenhum produto financeiro. E quase a metade desse conjunto que afirma não fazer aplicações financeiras, ou 44%, apenas deixa o dinheiro guardado em casa.

A renda é um fator importante nessa visão. Isso porque a ideia de risco financeiro, ou seja, de obter um retorno menor do que poderia alcançar ou até amargar um prejuízo, passa a fazer sentido mesmo para quem já construiu um patrimônio e tem sobra de recursos após os gastos com educação, saúde e lazer.

“É uma pessoa que já tem o dinheiro para viajar, comprar carro ou imóvel e então a relação risco-retorno tem a ver com o CDI e a rentabilidade de produtos financeiros”, diz o consultor financeiro e conselheiro do Instituto Planejar, Carlos Castro. Para quem tem menos renda, “a prioridade não é se o investimento vai bater o CDI, mas se ele vai ter o dinheiro para fazer a viagem ou comprar o carro”.

A escritora e planejadora financeira Wanessa Guimarães acrescenta ainda que os brasileiros têm uma tendência de buscar retornos mais imediatos devido ao histórico de períodos com juros muito elevados. “É uma herança de décadas de rendimentos altos com pouco esforço.”

Os investidores ainda consideram a ideia de retorno como algo além do plano financeiro. “Quando a pessoa fala de escola dos filhos, pensa em entrega de capital humano, na casa, em um investimento tangível, na viagem, em retorno de bem-estar”, explica.

Caixinhas e poupança viram conceitos

Outra aparente contradição vem da citada preferência pela poupança como principal instrumento de investimentos. Um total de 22% apontou a tradicional caderneta entre os produtos que utiliza para aplicar seus recursos.

Por outro lado, uma parcela equivalente a um terço desse contingente, de 7%, citou que investe em títulos privados, que incluem os CDBs mas também letras de crédito imobiliário (LCI), do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA) e debêntures.

No entanto em valores o quadro é o inverso: enquanto a poupança atualmente tem um estoque de pouco mais de R$ 1 trilhão, os CDBs alcançam R$ 2,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

O superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi, explica que, durante a pesquisa, foi possível perceber que muitos entrevistados confundiam algumas aplicações com a caderneta. “Muita gente mencionou como poupança dinheiro guardado em ‘caixinhas’ de bancos digitais.” E a maior parte das “caixinhas” é, justamente, baseada em CDBs.

“A caixinha é justamente uma maneira de juntar o produto financeiro com a solução do problema, porque dá um nome da vida real para essa aplicação, tipo a caixinha da viagem”, diz Billi. “Quando uma instituição oferece um ‘fundo DI‘, isso é muito imaterial para a pessoa.”

Castro, da Planejar, lembra que até o Tesouro Direto tem buscado se aproximar mais da “vida real”, com nomes menos complicados para os títulos. “O Tesouro começou a se conectar com o investidor do varejo quando criou Renda A+, o Educa+ e agora vai ter também o Reserva Financeira.”

Bets como atalho

A chegada das plataformas de apostas online, conhecida como bets, também teve impacto no universo das aplicações financeiras. Cerca de 20% dos entrevistados disseram considerar as bets como uma forma de investimento. E os dados deixam claras as explicações por trás da visão.

A maior motivação, segundo quem aposta, vem da chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade. Esse tem sido o principal objetivo para 39% dos apostadores, enquanto a possibilidade de obter uma grande quantidade de dinheiro aparece em seguida com 37% das respostas.

“É que, na lógica de muita gente, se tem possibilidade de ganhar algo, essa pessoa considera um retorno, portanto parece ser um investimento”, afirma Guimarães. “Esse tipo de pensamento faz parte de uma espécie de lógica curto-prazista, de querer ganhar dinheiro rápido.”

O Rio-X do Investidor mostra ainda que uma parcela significativa tem problemas com descontrole financeiro nas apostas.

Um grupo que representa 39% de quem declarou fazer apostas online foi classificado como tendo risco moderado ou alto risco para o vício no jogo. A pesquisa usou a metodologia internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI) para essa medição.

E as apostas online concorrem diretamente com os investimentos tradicionais. A pesquisa indica que 17% dos brasileiros acessaram plataformas e aplicativos de bets no ano passado.

Outro levantamento, da consultoria Tendências junto com a Peers Consulting + Technology, revela que apenas as empresas autorizadas pelo governo no mercado de apostas online registraram uma receita bruta estimada em R$ 37 bilhões em 2025 – e que mais de 25 milhões de pessoas realizaram apostas.

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Will Bank: FGC inicia segunda fase de pagamento a credores. Veja o rendimento que já foi perdido

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou nesta terça-feira (7) a segunda fase de pagamentos aos credores do Will Bank, que aguardavam desde 21 de janeiro o ressarcimento após a liquidação do banco. E essa espera já comprometeu os investimentos em CDBs instituição financeira, já que qualquer rentabilidade é congelada no momento da liquidação.

Como os investidores deixaram de receber os rendimentos por cerca de dois meses, de janeiro até hoje, um CDB a 125% do CDI, por exemplo, como foi o caso de alguns produtos do banco colocados no mercado, passou a ter um retorno equivalente perto de 103% do CDI – bem perto de emissões de grandes bancos, muito menos arriscadas.

Neste momento, o FGC estima que R$ 6,06 bilhões serão pagos a 312 mil credores do Will Bank. Os pagamentos estão sendo feitos via aplicativo do FGC.

Em 13 de fevereiro, houve uma antecipação do pagamento aos credores que tinham valores a receber até R$ 1 mil. Esse processo está acontecendo via aplicativo do próprio Will Bank.

Nesse caso, já foram pagos R$ 126 milhões, ou 70,8% do total de antecipações. Cerca de 1,14 milhão de pessoas já receberam os valores, o equivalente a 18,3% do total de 6,3 milhões com direito a esses recursos.

O Will Bank fazia parte do conglomerado do Banco Master, que também teve a sua liquidação decretada pelo Banco Central, mas em novembro do ano passado. Até o dia 6 de abril, R$ 39,3 bilhões já foram pagos a 90,9% dos credores do grupo com direito à garantia.

Só no caso do Master, o fundo já pagou R$ 35,1 bilhões, ou 87% do montante total. Em número de beneficiários, 612 mil credores já receberam os valores, o que equivale a 79% do total de pessoas com direito aos pagamentos, segundo o FGC.

Em março deste ano, o FGC também iniciou o pagamento aos credores do Banco Pleno e 70,4% dos investidores já foram ressarcidos. Nesse caso, o volume chegou a R$ 3,6 bilhões.

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Vale: uma aposta menos óbvia, mas mais protegida da volatilidade da guerra

Além das petroleiras e de outras empresas do setor de energia e combustíveis, existe uma outra ação menos óbvia – e relativamente mais protegida – para se investir na bolsa em meio aos conflitos no Oriente Médio e à volatilidade decorrente deles: a Vale.

O atual ambiente tende a promover pressões de custo sobre as companhias, com insumos encarecendo até que os conflitos geopolíticos se resolvam. Mas a Vale entra nesse contexto com instrumentos que ajudam a mitigar parte relevante desses efeitos.

Entre esses instrumentos estão contratos de frete de longo prazo e de proteção para os preços de combustível marítimo, além da baixa probabilidade de enfrentar escassez de diesel no Brasil.

Isso não significa que a empresa esteja imune ao choque inflacionário decorrente da alta da energia. O aumento do preço do petróleo já impacta o setor por meio de fretes mais caros e custos mais elevados de insumos. Mas essas estratégias contra a oscilação de preços a colocam em uma situação melhor, especialmente frente a pares do setor.

O efeito indireto da guerra: liquidez para os estrangeiros

A Vale sofreu um choque importante com a escalada dos conflitos no Irã porque, como uma das maiores empresas da bolsa, ela serve de veículo para os grandes alocadores, especialmente estrangeiros, se posicionarem estrategicamente no mercado brasileiro.

Ou seja: no pico da aversão ao risco, logo que a guerra estourou, em 27 de fevereiro, a fuga de ativos considerados mais arriscados atingiu a companhia. É o tipo de evento que não tem relação com os fundamentos da empresa, mas com uma abordagem comum e tática, com foco no curtíssimo prazo.

Nos últimos pregões, a ação da companhia já vem esboçando uma retomada. Conforme as perspectivas paras os conflitos no Oriente Médio melhorem, a empresa tem boas condições de retomar uma trajetória de alta, sobretudo se pautada pela sua situação financeira e operacional.

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Fundamentos: o que faz a Vale ser um investimento viável?

Do lado das receitas, a empresa também tem uma boa história para convencer os investidores. Os preços do minério reagiram desde o início do conflito, refletindo o repasse inflacionário: ao encarecer os custos de energia e transporte, também fica mais caro produzir e entregar minério, e esse aumento é repassado para o preço final da commodity.

A isso se soma a demanda ainda resiliente pela matéria-prima. O minério de ferro tem girado em torno de US$ 110 por tonelada, acima das expectativas do mercado, conforme notam os analistas do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes.

Mesmo diante de dados mais fracos divulgados pela China, participantes do mercado indicam que a produção de aço pode estar sendo subestimada. Se de fato há mais aço sendo produzido, cresce a procura por minério.

Além disso, os prêmios por qualidade seguem elevados – ou seja, minérios de maior teor de ferro continuam sendo vendidos com preço adicional, o que favorece a Vale.

A expectativa é de que a demanda global permaneça estável ao longo do tempo, com crescimento vindo de países como Índia e do Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, a entrada de nova oferta tende a ser compensada pelo esgotamento gradual de minas existentes, o que ajuda a sustentar o equilíbrio entre oferta e demanda.

Ou seja, o combo de preços mais altos e menor exposição a custos mais voláteis melhora a perspectiva de geração de caixa da companhia. A estratégia de frete, a menor dependência do petróleo e a manutenção da demanda desenham um cenário mais favorável.

Os analistas do BTG também destacam como a disciplina de capital é importante para a companhia agora. A Vale vem mantendo o foco na execução de projetos e no crescimento orgânico, com menos interesse para aquisições.

Com isso, a geração de caixa tende a se traduzir em retorno ao acionista, com a possibilidade de pagamento adicional de dividendos à medida que os resultados surpreenderem positivamente.

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Meio milhão de famílias a mais: as mudanças no Minha Casa, Minha Vida que animam as construtoras na bolsa

As mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida anunciadas na terça-feira (24) ampliam em até 24% a capacidade de compra dos participantes do sistema de financiamento de habitação popular com juros subsidiados. Isso significa uma inclusão potencial de até 500 mil de famílias na plataforma.

Esse avanço da base representa um impulso direto na geração de novos negócios para as construtoras — movimento que ainda não estava totalmente precificado nas ações. O mercado já especulava sobre a ampliação de limites, mas os ajustes feitos pelo Conselho Curador do FGTS vieram acima do esperado.

O mercado começou a incorporar esse novo cenário nesta quarta-feira (25), movimento refletido na alta dos papéis das incorporadoras.

Com a perspectiva de aumento dos negócios imobiliários em 2026, as ações de empresas com atuação nesses segmentos sobem até 8% nesta quarta-feira.

Por volta de 16h30, as ações ordinárias (ON) de MRV subiam 8%, enquanto os papéis da Tenda avançavam 2,46%. Já Cury e Direcional ganhavam, respectivamente, 3,26% e 1,14%.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. A alta mais forte da MRV ocorre em parte por conta de um ajuste após a queda acentuada ocorrida no último mês. As ações ordinárias da companhia chegaram a cair 14% após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O recuo ocorreu devido às preocupações com o alto endividamento e com os prejuízos da operação nos EUA, que estavam impactando a geração de caixa e os resultados gerais da empresa.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Mas o que mudou no Minha Casa, Minha Vida? O Conselho Curador do FGTS elevou tanto as faixas salariais elegíveis aos subsídios quanto os valores dos imóveis que podem ser adquiridos dentro do progama.

No caso das Faixas 3 e 4, as mais rentáveis e voltadas às famílias de classe média, os tetos de renda subiram R$ 1 mil em cada segmento para R$ 9,6 mil e R$ 13 mil.

Os valores de residências que podem ser financiadas aumentaram para até R$ 400 mil na Faixa 3 e até R$ 600 mil, no caso da 4.

Nos cálculos do Itaú BBA, os compradores agora elegíveis à Faixa 1 poderiam adquirir imóveis até 8% mais caros; na Faixa 2 teriam capacidade para pagar por unidades com preços 13% maiores; na Faixa 3, o avanço seria de 24%; e, na Faixa 4, de 17%.

Já o BTG Pactual calcula um aumento médio de 21% do ganho de poder de compra em cada faixa.

No caso da Faixa 4, os novos limites significam a inclusão de até 400 mil novas famílias elegíveis aos financiamentos só nesse segmento. O cálculo leva em conta os dados da PNAD contínua do IBGE. A pesquisa considera a classe média ou classe B um contingente de 11 milhões de famílias com rendas entre R$ 8 mil e R$ 24 mil mensais.



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Bitcoin sustenta os US$ 71 mil com trégua no Oriente Médio

O bitcoin (BTC) opera em leve alta na manhã desta terça-feira (24), sustentado pela trégua de cinco dias no conflito no Oriente Médio, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O movimento reflete a retirada de parte do prêmio de risco geopolítico que vinha pressionando os preços”, escreveu Jasper de Maere, estrategista de mesa e trader OTC da Wintermute, em relatório desta semana.

Por volta das 9h15, o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 71 mil, com valorização de 0,78% nas últimas 24 horas. No acumulado da semana, no entanto, a criptomoeda ainda registra queda de cerca de 4%.

Entre as principais altcoins – termo usado para criptos que não o BTC – o desempenho é misto. O ethereum (ETH) recuava 0,27%, para US$ 2.173,22, enquanto a solana (SOL) avançava 2,22%, negociada a US$ 91,34.

A dinâmica geopolítica no Oriente Médio, segundo analistas, deve continuar ditando o ritmo dos mercados – não só de cripto, mas também dos ativos tradicionais – ao lado de fatores como inflação e juros nos Estados Unidos.

Uma eventual normalização, ainda que parcial, do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz tende a aliviar as pressões inflacionárias, alegam. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ganharia mais margem para considerar cortes de juros – cenário que costuma favorecer ativos de risco, como as criptomoedas.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h15.

Bitcoin (BTC):  +0,78%, US$ 71.280,62

Ethereum (ETH): -0,27%, US$ 2.173,22

XRP (XRP): -0,06%, US$ 1,42

BNB (BNB): -0,66%, US$ 639,70

Solana (SOL): +2,22%, US$ 91,34

Outros destaques do mercado cripto

Brasileiros injetam US$ 1,3 mi em fundos cripto. Os investidores brazucas colocaram US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 6,8 milhões) em fundos de criptomoedas na última semana. No acumulado de março, a entrada nesses produtos já chega a US$ 5,7 milhões (quase R$ 30 milhões). O movimento local acompanhou o ritmo global. No mundo todo, os fundos cripto captaram US$ 230 milhões (R$ 1,2 bilhão) só na última semana e US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões) nos últimos 30 dias.

Brasil vira vitrine cripto. O mercado internacional de cripto está cada vez mais atento ao Brasil – e isso ficou mais claro recentemente. A Crypto Finance, braço de ativos digitais da Deutsche Börse, desembarcou no país neste ano após demanda direta de clientes – não só pelo mercado local, mas também como porta de entrada para a América Latina. Na visão do CEO, Stijn Vander Straeten, o ambiente brasileiro já figura entre os mais avançados do setor, tanto em adoção quanto em desenvolvimento de infraestrutura.

R$ 8,5 bi em stablecoins no mês. Março ainda não acabou, mas os brasileiros já movimentaram cerca de R$ 8,5 bilhões em stablecoins atreladas ao dólar. A USDT segue absoluta: responde por R$ 7,8 bilhões desse total. Na sequência aparece a USDC, com R$ 751 milhões negociados no período. Os números reforçam a preferência local por ativos dolarizados dentro do universo cripto. O volume de bitcoin (BTC), para efeito de comparação, foi de R$ 3,32 bilhões.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Mercados hoje: ata do Copom traz pistas sobre o que esperar dos cortes de juros no Brasil

Bom dia!

Nesta terça-feira (24), com os mercados globais mais amenos, os investidores se voltam à divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. No encontro da semana passada, o colegiado cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, iniciando o ciclo de queda de juros. No entanto, o mercado busca pistas sobre o que o BC deve fazer daqui para a frente: vai manter um ritmo de conta-gotas na redução da taxa básica ou pode acelerar o passo? Lá fora, após a euforia de ontem, os investidores aguardam ações mais concretas sobre as eventuais negociações entre EUA e Irã para o fim do conflito.

Enquanto você dormia…

  • O humor global entrou em um modo de cautela após o rali de ontem perder tração. Os futuros das bolsas de Nova York se mantêm praticamente estáveis: às 7h25, o S&P 500 futuro tem queda de -0,08%, enquanto o Nasdaq futuro tem alta de +0,01%.
  • Na Europa, as bolsas operam em queda leve. O Stoxx 600 recua -0,02%
  • Na Ásia, os investidores entraram no modo risco ainda embalados pela possibilidade de acordo ente EUA e Irã. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou a sessão em alta de +1,43%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +2,79%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,19% aos 99,32 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,88% aos US$ 100,89 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos avançam para 4,372% ao ano.

Destaques do dia

  • O mercado voltou a se preocupar com a oferta global de petróleo após sinais contraditórios sobre possíveis negociações entre EUA e Irã. A ausência de avanços concretos reduziu a confiança em uma solução rápida para tensões no Oriente Médio.
  • Ao mesmo tempo, dados de atividade na Europa vieram fracos, reforçando o cenário incômodo de crescimento fraco com pressão inflacionária — o famoso “cobertor curto”.
  • E daí? No Brasil, o setor de óleo e gás tendem a manter a tração no curto prazo, mas o efeito colateral pode ser uma curva de juros mais pressionada e maior cautela com ativos domésticos sensíveis à Selic.

Giro pelo mundo

  • Danone avança em proteínas: a empresa anunciou a compra da Huel por cerca de €1 bilhão, reforçando a estratégia em nutrição e bebidas proteicas — segmento que cresce acima da média global; o mercado deve observar impactos em margens e expansão internacional.
  • Japão libera estoques: o governo japonês indicou uso de reservas estratégicas de petróleo para conter impactos de preços; sinal importante de que países já começam a agir para mitigar choques de oferta.
  • Europa em marcha lenta: PMIs preliminares indicaram atividade quase estagnada na zona do euro em março, aumentando a pressão sobre o BCE em meio ao dilema entre crescimento fraco e inflação resistente.

Giro pelo Brasil

  • Ata do Copom no radar: o documento deve detalhar o corte de 0,25 p.p. da Selic e, principalmente, o grau de cautela do Banco Central diante de riscos externos — como o petróleo — e internos — como expectativas de inflação.
  • Segurança no sistema financeiro: o BTG Pactual sofreu uma fraude via Pix, que chegou a desviar R$ 100 milhões, dos quais a maior parte já foi recuperada. Houve alerta automatizado do BC, mas o caso levanta discussões sobre robustez do sistema e eventuais ajustes regulatórios.
  • Juros e petróleo: o cenário externo mais pressionado pode dificultar cortes mais agressivos da Selic, mantendo o mercado sensível a qualquer sinal do BC.

Giro corporativo

  • Movida: resultados de 2025 vieram com crescimento de receita, Ebitda e lucro, indicando melhora operacional; guidance aponta continuidade da recuperação, com atenção à alavancagem e custo financeiro.
  • Fleury, Porto e Oncoclínicas: negociações para criar uma nova empresa focada em oncologia avançam; o mercado acompanha potenciais sinergias e estrutura societária.
  • Casas Bahia: parceria com a Amazon reforça estratégia de ampliar canais digitais e acelerar vendas via marketplace, buscando ganho de escala e giro de estoque.
  • Embraer: pedido relevante da Finnair de até 46 jatos comerciais E195 E2 reacendeu o apetite pelo papel após período de volatilidade; investidores acompanham impacto na carteira de pedidos e no fluxo de entregas.

Agenda do dia

  • 08:00: Ata do Copom — detalha a decisão recente e sinaliza próximos passos da política monetária.
  • 10:45: PMI preliminar — EUA; indicador-chave para medir ritmo da economia e pressões inflacionárias.
  • 11:30: Estoques de petróleo — EUA; dado pode amplificar ou aliviar a pressão recente nos preços da commodity.

Ótima terça-feira e bons negócios!

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Mercados hoje: EUA dão sinais de preparações para invasão por terra ao Irã e acendem alerta entre investidores

Bom dia!

Nesta segunda-feira (23), as preocupações com a inflação global sobem mais um degrau: o petróleo negocia acima de US$ 110 o barril, enquanto os juros americanos de 10 anos já superam 4,4% ao ano, no maior patamar desde julho do ano passado. Outra preocupação do mercado vem dos sinais de que os EUA se preparam para operações com soldados em terra, o que marcaria uma nova fase mais complexa e duradoura da Guerra no Irã. Por aqui, o investidor acompanha o boletim Focus, que pode sinalizar como o mercado absorveu o corte de 0,25 da Selic e a comunicação do Banco Central sobre os rumos dos juros no país.

Enquanto você dormia…

  • O pano de fundo segue sendo o conflito no Oriente Médio, com o ultimato dos EUA ao Irã sobre o Estreito de Ormuz elevando o prêmio de risco global. O futuros das bolsas de Nova York se mantêm em queda: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,44% e o Nasdaq futuro caía -0,53%.
  • Na Europa, as bolsas caem em bloco. O Stoxx 600 tem recuo de -2,24%.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -3,48%. O Hang Seng, de Hong, Kong, fechou em baixa de -3,54%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,47% aos 100,12 pontos. O petróleo Brent sobe +1,16% a US$ 113,46 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos ao redor de 4,437% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo se mantém no centro do pregão. O principal vetor desta segunda-feira é a nova escalada entre EUA e Irã. O mercado passou a precificar um conflito mais longo e mais caro para a energia, com o Brent acima de US$ 113 o barril.
  • Ao mesmo tempo, os juros globais sobem porque o barril mais caro embaralha a aposta de cortes por bancos centrais.
  • E daí? Para o Brasil, o efeito é ambíguo: petroleiras como Petrobras e Prio tendem a seguir no radar positivo, enquanto setores dependentes de combustível, como o aéreo e o de logistica,a podem sentir a pressão.

Giro pelo mundo

  • EUA se preparam para invasão: o Pentágono está enviando milhares de fuzileiros navais adicionais para o Oriente Médio e fontes militares citam ‘preparações intensas’ para o envio de tropas terrestres ao Irã.
  • IEA no radar: a Agência Internacional de Energia discute eventual liberação de estoques estratégicos de petróleo caso a crise se intensifique — mercado monitora qualquer anúncio.
  • BCE mais duro: dirigentes reforçaram que podem agir se a inflação de energia contaminar o restante da economia — falas seguem ao longo da semana.

Giro pelo Brasil

  • Focus na mesa: boletim semanal do Banco Central ganha relevância após o corte recente da Selic para 14,75% — atenção às revisões de inflação e juros.
  • IR 2026: começa o prazo de entrega da declaração, com envio até o fim de maio — programa já disponível para os contribuintes.
  • Combustíveis: governo monitora impacto da alta global e avalia medidas para suavizar o preço do diesel — tema segue sensível.

Giro corporativo

  • CSN: companhia fechou empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para alongar dívidas e reforçar o caixa.
  • Desktop: Claro acertou a compra do controle por R$ 4 bilhões, acelerando a consolidação da fibra no interior — negócio depende de aprovações regulatórias.
  • Petrobras: refinarias seguem operando com alta utilização para reduzir pressão no mercado doméstico de combustíveis.

Agenda do dia

Ótima segunda-feira e bons negócios!

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Calendário de balanços: o que esperar de Americanas, Braskem e Azul na semana

A temporada de balanços está quase no fim, mas alguns grandes nomes ainda merecem atenção dos investidores.

Entre as companhias que publicam os resultados do quarto trimestre de 2025 no período estão empresas que enfrentaram processos recentes de reestruturação e recuperação judicial, como Americanas, Braskem e Azul.

Ainda semana, o mercado acompanha também a divulgação dos números de Equatorial e Movida.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 23/03 a 27/03.

Segunda-feira (23 de março)

Movida (MOVI3)

O mercado tem expectativas melhores depois da prévia operacional da companhia: a receita veio acima do esperado em locação e venda de seminovos, as margens (fatia da receita que vira lucro depois de pagar os custos e despesas) seguiram resilientes e o lucro líquido preliminar de R$ 102 milhões superou a projeção divulgada pela empresa.

O endividamento caiu para 2,6 vezes na relação dívida líquida/Ebitda – indicador que mostra quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas mantendo o atual nível de geração operacional de caixa.

Para 2026, a leitura continua apoiada em disciplina de preços, continuidade da redução do endividamento e melhora do lucro, embora o ritmo de renovação de frota e o ambiente competitivo em seminovos sigam no radar.

Principais desafios

  1. Sustentar reajustes em locação sem perder ocupação e crescimento de clientes. É um ambiente mais desafiador em um momento no qual o cenário econômico tem sido desfavorável ao crescimento das viagens.
  2. Preservar margem de seminovos e acerto nas premissas de depreciação. O cenário de juros altos e maior endividamento dos consumidores pode manter pressionado o negócio de venda de carros usados do estoque.
  3. Continuar a redução do endividamento em um negócio ainda intensivo em capital e dependente do custo de crédito. O ritmo mais lento esperado para a queda de juros pode manter os custos ainda elevados neste ano.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 13,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 6,3%.

Quarta-feira (25 de março)

Americanas (AMER3)

O quarto trimestre de 2025 deve ser lido menos pelo lucro trimestral e mais pelos sinais de normalização operacional e financeira. A companhia ainda segue muito marcada pela recuperação judicial iniciada em 2023 e o mercado espera que ela seja encerrada neste ano, retirando a empresa do “modo sobrevivência” para uma companhia viável.

As atenções estarão sobre a geração de caixa, o nível de capital de giro (dinheiro necessário para cobrir as operações diárias, como salários e pagamento de fornecedores), estabilização da base de clientes e prova de que a reestruturação vai se tornar uma melhora operacional.

Principais desafios

  1. Recuperar tráfego, clientes e vendas sem voltar a queimar margem (vender com menos lucro para manter volume ou disputar mercado). Com a imagem da rede ainda abalada, a Americanas precisa implementar uma estratégia eficaz de expansão de vendas.
  2. Mostrar uma retomada consistente de participação de mercado.
  3. Encerrar a recuperação judicial e reconstruir credibilidade com credores e investidores.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 6,50. Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Equatorial (EQTL3)

A leitura esperada é de continuidade da tese que tornou a companhia uma das preferidas dos investidores que buscam empresas de valor: execução operacional sólida, com distribuição resiliente de lucro. Para 2026, a expectativa continua sendo de uma empresa com execução forte, portfólio diversificado e geração de valor, ainda que o crescimento do lucro possa ficar menos linear do que em 2025.

Principais desafios

  1. Reduzir perdas (energia comprada que não se converteu em faturamento) e melhorar indicadores regulatórios nas distribuidoras com desempenho mais pressionado.
  2. Entregar valor do portfólio diversificado sem aumento excessivo de complexidade operacional. A Equatorial é, por exemplo, acionista de referência da Sabesp, com 15% de participação.
  3. Sustentar crescimento com disciplina de capital, especialmente em saneamento e novos projetos.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 47,30. Dividend yield em 2026 (consenso): 2,5%.

Quinta-feira (26 de março)

Braskem (BRKM3, BRKM5, BRKM6)

O mercado espera um quarto trimestre de 2025 fraco. A prévia operacional mostrou números pressionados, e a leitura predominante dos analistas é de margens de produtos petroquímicos – diferença entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas e da produção – ainda deprimidas, geração de caixa fraca e um incômodo nível de endividamento.

A gestora IG4 assumirá o controle da Braskem até o fim do mês. A nova administração vai precisar colocar em prática uma plano de reestruturação operacional, com melhora das margens, prejudicadas por um longo período no qual a companhia ficou sem uma liderança efetiva.

Principais desafios

  1. As margens petroquímicas globais seguem pressionadas por excesso de capacidade: há produção demais para demanda de menos, o que reduz a rentabilidade. A rápida expansão da capacidade petroquímica na China, focada na autossuficiência, continua a pressionar os preços mundialmente.
  2. Geração de caixa ainda apertada, com risco de nova pressão sobre o endividamento.
  3. Demanda ainda irregular e alta sensibilidade a cenário macroeconômico e de câmbio.
  4. Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 15 (BRKM3 – ON), R$ 11,37 (BRKM5 – PNA), e R$ 9,50 (BRKM6 – PNB). Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.

Sexta-feira (27 de março)

Azul (AZUL53)

Os números do quarto trimestre vão sair com a companhia já em um contexto totalmente diferente. A Azul concluiu em fevereiro de 2026 o processo de recuperação judicial nos EUA, sob as regras do chamado Chapter 11, que é a legislação americana desse tipo de processo.

A “nova Azul” saiu do processo com estrutura de capital mais leve, menor endividamento e liquidez reforçada. Para 2026, em tese, a empresa pode apresentar melhora consistente de números operacionais.

O problema atual é a guerra no Oriente Médio, que fez os preços do petróleo e dos combustíveis saltarem. A alta do querosene de aviação pega em cheio nos custos. Além disso, um dólar mais forte globalmente também tende a pesar sobre o caixa das companhias aéreas em geral.

Principais desafios

  1. Mostrar uma melhora do balanço pós-Chapter 11, sobretudo na geração recorrente de caixa.
  2. Crescer com disciplina, sem voltar a elevar demais o endividamento e o custo fixo, em um cenário adverso, com alta dos preços de combustíveis, redução de demanda por viagens aéreas e potencial aumento da inflação se o conflito no Oriente Médio persistir.
  3. Administrar exposição estrutural ao dólar, leasing (aluguel de aeronaves) e combustível num setor ainda volátil.
  4. Preço-alvo em 2026 (Consenso): R$ 138,24. Dividend Yield em 2026 (consenso): sem previsão.
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Bitcoin cai 20% desde o início da guerra e abala tese de porto seguro

Bitcoin e outras criptomoedas voltaram a cair enquanto EUA, Israel e Irã trocavam novas ameaças e ataques.

A maior criptomoeda recuou até 3,3% no domingo (22), sendo negociada a cerca de US$ 68.150 — o menor nível desde o início de março. A queda foi ainda mais intensa entre outros tokens: o Ether perdeu quase 5% em determinado momento, chegando a US$ 2.050, e Solana, XRP e Cardano também registraram perdas expressivas.

O Bitcoin acumula queda de cerca de 20% desde que EUA e Israel iniciaram os ataques ao Irã no fim de fevereiro. O tombo escancarou os limites de um argumento recorrente no mundo cripto: o de que o Bitcoin funcionaria como um porto seguro em tempos de crise.

Mas outros fatores também pesam, segundo Peter Tchir, responsável pela estratégia macro da Academy Securities. O Bitcoin foi arrastado por uma onda de aversão ao risco que derrubou também ações e outros ativos. O encarecimento da energia, provocado pelo conflito, pode estar pressionando adicionalmente o setor — já que torna mais caro o processo de mineração.

“Boa parte dos ganhos recentes parecia apostar em novas leis favoráveis ao setor, algo que ficou mais difícil de acontecer — Washington está focada na guerra, e as novas regulações não têm gerado o entusiasmo de novos investidores que a comunidade cripto esperava”, disse Tchir no domingo. “O risco parece estar aumentando de novo.”

Durante o conflito, o mercado cripto — que opera 24 horas por dia, sete dias por semana — tem funcionado como uma janela antecipada do humor dos mercados tradicionais nos fins de semana.

Contratos futuros negociados na Hyperliquid, plataforma que se tornou uma das maiores para derivativos contínuos, mostravam por volta das 17h (horário de Brasília) de domingo contratos ligados ao petróleo subindo mais de 4%, a mais de US$ 99 o barril. Já os contratos atrelados ao Nasdaq 100 e ao S&P 500 recuavam mais de 1% cada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que bombardearia as usinas de energia do Irã caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz — passagem estratégica para o comércio global de petróleo, efetivamente fechada há semanas. A ameaça impulsionou o preço do petróleo e de outras commodities. O Irã respondeu com suas próprias advertências, dizendo que atacaria bases americanas e israelenses no Oriente Médio se sua infraestrutura de energia fosse alvo. Enquanto isso, os ataques iranianos contra Israel se intensificaram.

A queda recente se soma a um ciclo de baixa que começou no início de outubro, quando o Bitcoin era negociado acima de US$ 120.000. A derrocada inicial foi suficiente para deteriorar o sentimento do mercado e impedir que qualquer tentativa de recuperação ganhasse força suficiente para tirar a moeda do buraco.

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BC volta a intervir no câmbio: o que fazer com os seus investimentos com a volatilidade do dólar

O Banco Central entrou em campo ontem (19) com uma intervenção dupla no mercado de câmbio: vendeu dólares à vista e atuou com contratos futuros ao mesmo tempo.

O movimento, conhecido como “casadão”, é uma resposta ao nervosismo que tomou conta dos mercados desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro. Nesse ambiente, uma pergunta que muitos investidores se fazem é: o que fazer com os investimentos em dólar na carteira?

O momento aponta para manter os ativos na moeda americana – seja via fundos negociados em plataformas de corretoras, seja via ETFs de câmbio – como uma clássica defesa contra choques externos.

Para quem não tem tais ativos no portfólio e deseja montar uma reserva em moeda forte, é preciso evitar exageros, porque o cenário está mais complexo do que o habitual.

O ideal é evitar um nível de exposição muito grande, que fique acima do equivalente a 5% do patrimônio em um portfólio, na média — pode ser um pouco mais se a posição estiver em ações, ativos de baixa correlação com o dólar.

Isso porque, como dizem economistas, o real está “resiliente”. Nos últimos 30 dias, mesmo diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a moeda americana sobe apenas 0,9% contra a moeda brasileira.

Em relação ao sol peruano, o dólar já ganha 3% em valor no mesmo período; contra o peso colombiano, a alta é de 1,2%; ante o peso chileno, de 7%; em relação ao peso mexicano, a moeda avança 4,2%.

Desde o começo do ano, na verdade, a moeda americana está na contramão, com queda de 3% em relação ao real.

A palavra que define o momento, porém, é “instabilidade”.

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O BC realizou o “casadão” ontem com o objetivo de providenciar liquidez e referência de preços ao mercado – uma resposta ao mesmo ambiente de estresse que levou o Tesouro Nacional a também intervir e fazer grandes recompras de títulos públicos nos últimos dias para conter o que classifica como disfuncionalidades no mercado de renda fixa.

Por isso, apesar da citada resiliência do real neste momento, é importante levar em conta movimentos mais amplos como parte de padrões históricos.

Quando há forte busca por proteção no mundo, moedas e ativos emergentes tendem a sofrer mais. É por essa razão que vender investimentos em dólar é uma má escolha.

Nesta sexta-feira (20), por exemplo, o dólar subiu 1,75%, cotado a R$ 5,3110, depois de uma sessão com estabilidade no dia anterior.

Diversificação global

O real tem demonstrado força ante o dólar diante de uma tendência mais ampla de desvalorização da moeda globalmente, motivada pelo interesse de grandes gestoras e fundos e de bancos centrais de diversificar suas reservas para além da moeda americana em um momento de incertezas nos Estados Unidos com as políticas de Donald Trump.

O que faz a moeda brasileira se destacar em relação a outros países emergentes é o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, algo que segue elevado. E isso persiste mesmo com o corte da Selic feito pelo Banco Central nesta semana, que levou a taxa básica a 14,75% ao ano. Na maior economia do mundo, o juro está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Isso mantém o Brasil relativamente atrativo para o investidor estrangeiro, dado que os ativos em reais oferecem maior remuneração. Isso tende a estimular a entrada de dólares e contribuir para a valorização do real.

E há ainda o efeito da alta do petróleo a ser observado nessa equação do dólar.

O aumento das cotações da commodity para o patamar de US$ 100 com a Guerra no Irã joga incerteza sobre a inflação diante da necessidade de repasses para os preços dos combustíveis.

Só que, de outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de commodities em geral. Isso significa que o aumento dos preços tende a apreciar a nossa moeda, e não o contrário.

Com o petróleo mais caro, o Brasil exporta mais em valor e recebe mais dólares, o que aumenta a oferta de moeda estrangeira e isso acaba fortalecendo o real.

Tudo isso posto, é preciso levar em conta que o câmbio é um dos canais do mercado que mais expressam as incertezas na economia. Isso significa que tentar acertar o “momento certo” de adquirir ou vender dólares é uma má decisão.

Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre o piso de R$ 5,12 e o teto de R$ 5,32 no mercado brasileiro com a escalada da guerra no Oriente Médio. Não é uma variação desprezível para um intervalo de tempo tão curto, e não à toa o Banco Central decidiu atuar para atenuar os movimentos.

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Stablecoins de real passam de R$ 500 milhões, mas ainda engatinham frente às criptos de dólar

As stablecoins de real seguem em expansão no Brasil. Os emissores desses tokens atrelados à moeda brasileira já colocaram no mercado cerca de R$ 530 milhões, segundo dados da plataforma RWA Monitor, que acompanha seis projetos do tipo.

Vale o lembrete: stablecoins são criptomoedas pareadas a ativos tradicionais – como dólar, euro ou o próprio real – geralmente numa relação de 1 para 1. Na prática, funcionam como uma versão digital dessas moedas.

Entre as brasileiras, a BRLV lidera, somando R$ 221,8 milhões emitidos. Logo atrás vem a BRLY, com R$ 220 milhões. Depois aparecem a BRLA, com R$ 88,7 milhões, e a BRL1, ainda bem menor, com quase R$ 6 milhões. Veja o gráfico abaixo.



Esse mercado não surgiu agora. Ao longo de 2025, o uso dessas criptos já movimentou cerca de R$ 20 bilhões.

E tem mais vindo por aí: nos últimos meses, a B3 e o ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, divulgaram que novos tokens atrelados ao real vão entrar em cena neste ano.

Ainda assim, vale colocar em perspectiva: o mercado brasileiro segue minúsculo perto das stablecoins em dólar. Juntas, USDT e USDC (as duas maiores do setor) somam cerca de US$ 264 bilhões em valor de mercado – algo equivalente a duas Petrobras.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h25.

Bitcoin (BTC):  +1,22%, US$ 70.579,62

Ethereum (ETH): -0,58%, US$ 2.146,22

XRP (XRP): -0,09%, US$ 1,45

BNB (BNB): -0,14%, US$ 643,70

Solana (SOL): +20,20%, US$ 89,34

Outros destaques do mercado cripto

Cripto turbina tesouraria. A Méliuz, plataforma brasileira de cashback e cupons que mantém parte da tesouraria em bitcoin, divulgou ontem o balanço do 4º trimestre de 2025. O resultado animou o mercado – e o papel fechou com alta de 11%. Além dos números, a empresa deu um recado claro: quer avançar na criação de produtos que conectem investidores ao universo cripto.

Impasses na lei cripto. O projeto que cria regras para o mercado de criptomoedas nos EUA, o Clarity Act, segue naquele “quase vai” há semanas – e ainda não destravou. Republicanos se reuniram na quinta para tentar fechar os últimos pontos que devem definir como o setor será regulado. A novela continua girando em torno de recompensas de stablecoins (uma espécie de “rendimento” em cripto), algo que os bancos não curtem nada.

De olho no ouro tokenizado. O World Gold Council, organização que atua para promover o metal, quer dar um upgrade no mercado de ouro tokenizado – e, de quebra, ganhar espaço no mundo cripto. Em parceria com o Boston Consulting Group, a entidade propôs um modelo chamado “Gold as a Service”, que cria uma espécie de infraestrutura compartilhada para lastrear tokens em ouro físico.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Mercados hoje: lideranças adiam greve de caminhoneiros, mas alta do diesel mantém risco elevado

Bom dia!

O clima da sexta-feira (20) reprisa aquele que prevaleceu durante a semana inteira: mercados sob pressão. O petróleo resiste acima de US$ 110 o barril, nível que inspira temores sobre a volta da inflação. Os bancos centrais globais sinalizam ver a Guerra no Irã como a principal variável de curto prazo para o juros e a persistência do choque pode levar as autoridades a pausarem por mais tempo os ciclos de queda de taxas ou até mesmo darem uma guinada altista. Por aqui, o nosso BC fez eco às preocupações, mas sustentou a indicação de que vai continuar a cortar na próxima reunião. A subida dos preços do diesel passou a alimentar a possibilidade de uma greve de caminhoneiros, evento que, no passado, chegou a tirar mais de 0,2 ponto percentual do PIB.

Enquanto você dormia…

  • O desenvolvimento da Guerra no Irã ainda está no foco dos mercados. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em queda, prenunciando mais uma sessão de cautela: às 7h25, o S&P 500 futuro recua -0,68% e o Nasdaq futuro cai -0,93%.
  • Na Europa, as bolsas europeias ficam levemente negativas. O Stoxx 600 recua -0,28%.
  • Na Ásia, as bolsas tiveram queda, sensíveis ao choque de energia e à reprecificação de juros. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com recuo de -3,38%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve queda de -0,88%.
  • O índice dólar (DXT) está em alta de +0,34% aos 99,56 pontos. O petróleo Brent tem alta de +1,67%, aUS$ 110,47 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para 4,306% ao ano.

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Destaques do dia

  • O principal tema continua sendo o choque de energia ligado à escalada no conflito do Oriente Médio. Apesar de esforços dos EUA e aliados para elevar oferta e aliviar gargalos logísticos, o Brent se sustenta acima de US$ 110 e mantém a pressão inflacionária no radar global.
  • Esse cenário tem deixado bancos centrais mais cautelosos: Fed, BCE, Banco da Inglaterra e outros BCs mantiveram juros recentemente, mas o mercado já revisa a possibilidade de cortes mais lentos — ou até novas altas em alguns casos.
  • No Brasil, isso conversa diretamente com a Selic em 14,75% e com o tom mais conservador do Banco Central após o último corte.
  • E daí? Petrobras e Prio seguem no radar com petróleo forte. Por outro lado, juros globais elevados e risco de desaceleração podem pesar em cíclicas como Vale, Gerdau e CSN.

Giro pelo mundo

  • BYD na vitrine: a alta dos combustíveis está acelerando a demanda por veículos elétricos na Ásia; o mercado observa se vira tendência estrutural.
  • Japão em alerta: governo avalia reforçar estoques e importação de petróleo para reduzir vulnerabilidade energética.

Giro pelo Brasil

  • IR 2026: a Receita liberou o programa nesta sexta; o prazo começa na segunda e vai até 29 de maio — o clássico “deixa para depois” já está no radar.
  • Sem greve, por enquanto: lideranças de caminhoneiros decidiram suspender a proposta de greve que estava prevista para esta semana e serão recebidas em Brasília, pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
  • Diesel na conta: reajuste recente da Petrobras segue no radar por seus efeitos sobre inflação e percepção política. Combustível já sobe mais de 7% na bomba.
  • Canetas emagrecedoras no foco: A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Rybelsus, expira hoje, 20 de março. Versões potencialmente mais baratas do medicamento e a maior disponibilidade da tirzepatida — base do Mounjaro, da Eli Lilly — cria o cenário para uma expansão acelerada do mercado.

Giro corporativo

  • Santander/B3: CEO da B3, Gilson Finkelsztain, foi escolhido para suceder Mario Leão no Santander Brasil; atenção agora se volta para a sucessão na bolsa.
  • Hapvida no foco: após forte volatilidade pós-balanço, o papel virou termômetro de confiança em turnaround no setor de saúde.

Agenda do dia

Ótima sexta-feira e bons negócios!

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BC assume risco sobre inflação com postura menos cautelosa, diz Solange Srour, do UBS

O Banco Central sinalizou que poderá cortar os juros em sua próxima reunião, no fim de abril, mesmo que a Guerra do Irã ainda persista até lá. O risco, porém, é de que, embora o ciclo de queda de juros mal tenha começado, já precise ser interrompido, avaliou a diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, em entrevista ao InvestNews.

Na opinião da economista, o Comitê de Política Monetária, o Copom, não deveria ter iniciado o ciclo de redução da Selic. O BC cortou a taxa básica para 14,75% ao ano na quarta-feira (18), na primeira diminuição em quase dois anos.

“Pessoalmente, acho que o BC deveria ter adiado”, disse. “Ninguém sabe se a guerra vai demorar mais duas semanas ou quatro meses.”

Mesmo se o conflito terminar em breve, já existe uma inflação “contratada” devido ao aumento dos preços do petróleo, de energia e de insumos, como fertilizantes.

“A inflação deste ano já está mais perto de 4,5%. Mas se o choque durar mais duas semanas e o preço do petróleo ficar mais perto de US$ 100 do que de US$ 80, a inflação deste ano vai ficar mais próxima de 5%, eventualmente acima disso”, disse Srour.

Em um cenário no qual o conflito se estenda muito mais tempo e o choque de oferta e de preços de energia perdure por meses, “o risco é o de o BC cortar 0,50 ponto e ter de parar”.

Além disso, Srour lembra que, mesmo com um eventual cessar-fogo ou fim do conflito, ninguém sabe a extensão dos danos à infraestrutura produtiva de petróleo e gás na região.

“Não é só ‘ligou e desligou’. Se uma instalação foi destruída ou danificada, pode levar meses até que a região consiga retomar os níveis [de produção de petróleo] de antes da guerra. Isso significa que o efeito sobre a oferta vai durar muito mais tempo.”

A diretora do UBS GWM ressalta ainda que o mercado leu o comunicado da decisão da quarta-feira (18) como mais “suave” ou “dovish“, no jargão do mercado. Isso porque o Banco Central não só cortou como evitou deixar em aberto a possibilidade de uma pausa.

Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management
Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. Foto: Divulgação

“Ficou para o mercado uma mensagem de que, se tudo continuar do jeito que está, o banco continua cortando 0,25 ponto. E, se melhorar mais, pode cortar 0,50. Acho um pouco arriscada essa mensagem, se o BC pretende realmente atingir a meta de inflação no horizonte relevante.”

Segundo a economista, um dos principais riscos de uma comunicação menos cautelosa é iniciar um processo de desancoragem das expectativas de inflação. Ou seja, de os agentes de mercado passarem a embutir projeções cada vez mais elevadas para os preços no futuro.

A desacoragem, na prática, representa uma perda de confiança na capacidade de a política monetária controlar a alta dos preços, o que acaba por criar um efeito inflacionário. Nesse cenário, o BC pode reavaliar os rumos dos juros e até mesmo ter de elevar as taxas novamente.

O UBS GWM, por outro lado, ainda projeta uma probabilidade maior de os efeitos do conflito serem transitórios, o que possibilitaria ao Copom dar continuidade ao ciclo de cortes.

Nesse cenário mais positivo, o preço do petróleo voltaria a um patamar mais perto de US$ 85 o barril e a situação no Estreito de Ormuz se normalizaria até o fim de abril.

A economista do UBS mantém no cenário-base a possibilidade de a Selic terminar o ano no intervalo entre 12% e 12,5% ao ano. “Mas um ciclo de corte de três pontos [percentuais] ou menos já representa um espaço menor do que o mercado tinha começado a projetar antes da guerra.”

Dificuldades do BC no pós-guerra

As dificuldades da política monetária não vão acabar quando a guerra terminar. Para Srour, quando o peso do cenário internacional começar a diminuir, o doméstico passará a predominar.

“O ponto é que o desequilíbrio fiscal volta a se tornar o novo foco de atenção. Se houver uma sensação de que não vai haver uma inversão completa da política fiscal, se não houver uma âncora fiscal, que permita vislumbrar uma estabilização da dívida, acredito que o país terá uma crise de confiança.”

Nesse cenário, o esperado é que a curva de juros abra ainda mais, o câmbio deprecie e a aversão ao risco nos mercados volte a predominar.

“Seria o pior cenário, porque essa crise de confiança levaria a mais inflação e a uma desaceleração econômica. E o BC não teria outra alternativa a não ser subir juros novamente.”

Na visão da economista, o risco desse cenário se tornará mais presente conforme as eleições fiquem mais próximas. Para Srour, para evitar esse quadro, os candidatos com mais chances de vitória terão que sinalizar que vão endereçar a questão fiscal em seu mandato.

“É muito importante que o presidente eleito entenda que não tem muito tempo para apresentar esse ajuste. E não pode ser mais do mesmo, porque não será mais suficiente para segurar as expectativas.”

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Mercados hoje: alta dos preços de energia já começa a pesar nas decisões dos bancos centrais

Bom dia!

Nesta terça-feira (17), véspera das decisões de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do nosso BC, as atenções continuam voltadas para a escalada do conflito no Irã. O momento é de expectativa antes da superquarta. Todos querem saber quais sinais os BCs vão passar em meio a crise global de preços de energia. A autoridade da Austrália foi a primeira a reagir nesse novo mundo do petróleo acima de US$ 100: subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual. Por aqui, o IGP-10 dos primeiros dias de março sai ainda em tempo de ser considerado pelo Copom, mas não deve trazer surpresas.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global amanheceu sem pânico, mas também sem muita vontade de cantar vitória antes de ver o que Fed e Copom vão sinalizar. Às 7h30, os futuros das bolas de Nova York mantinham queda, com o S&P 500 futuro caindo -0,28% e o Nasdaq futuro recuando -0,37%.
  • Na Europa, as bolsas sobem levemente. O Stoxx 600 tem suida de +0,28%.
  • Na Ásia, os investidores tentam digerir o vaivém do petróleo e a perspectiva de BCs mais duros com a inflação. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com baixa de -0,09%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +0,13%.
  • O índice dólar (DXY) se situa em 99,75 pontos, levemente abaixo de ontem. O petróleo Brent sobe +3,31% a US$ 103,51. barril. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para a faixa de 4,224% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo mantém volatilidade vista nos últimos dias. Se ontem os preços da commodity recuaram e até perderam o piso dos US$ 100, hoje voltam a avançar e a subir acima desse patamar.
  • As cotações reagem aos novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos, com impacto sobre infraestrutura energética.
  • A continuidade do conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz recolocam pressão sobre o movimento da inflação global justamente quando o Fed inicia sua reunião de dois dias nesta terça-feira. Ao mesmo tempo, outros BCs globais como o Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra e Banco do Japão também entram no radar nesta semana.
  • Na prática, o mercado passou a olhar menos para corte de juros e mais para o risco de os BCs começarem a cogitar a possibilidade de novas subidas de juros.
  • E daí? No Brasil, Petrobras e Prio tendem a continuar no foco com a alta do barril, enquanto o restante da bolsa pode sentir o combo petróleo mais caro + juros altos por mais tempo. A curva local também deve ouvir com atenção qualquer pista do Copom a partir de hoje.

Giro pelo mundo

  • Juros na Austrália: o RBA elevou a taxa básica em 25 pontos-base, para 4,1%, tornando-se o primeiro BC a subir juros desde a escalada do conflito no Oriente Médio; o recado reforça o viés de cautela global.
  • China e petróleo: a China aumentou estoques de petróleo no começo do ano, mas ainda evita usar essas reservas, o que ajuda a manter a discussão sobre oferta apertada no radar.
  • Fed no radar: começa nesta terça a reunião de dois dias do FOMC; a decisão sai na quarta-feira, às 15h, com coletiva às 15h30 no horário de Brasília.

Giro pelo Brasil

  • Imposto de Renda 2026: a Receita confirmou as regras da declaração, com entrega entre 23 de março e 29 de maio; entra no radar de pessoas físicas e também do noticiário de serviços financeiros.
  • Copom: a reunião começa nesta terça e a decisão sai amanhã. Com o choque recente do petróleo, o mercado vai procurar qualquer ajuste no tom do BC.

Giro corporativo

  • Porto + Oncoclínicas: o acordo prevê uma nova empresa com as 150 clínicas oncológicas, sob controle da Porto, em uma estrutura de R$ 1 bilhão que tenta separar os melhores ativos do passivo mais pesado da Oncoclínicas.

Agenda do dia

Ótima terça-feira e bons negócios!

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Petrobras sobe 50% no ano e pode avançar com cenário favorável. Mas eleição é risco no radar

Preços do petróleo, imposto sobre exportações, riscos com as eleições presidenciais e aquisições potenciais. Esses são temas fundamentais hoje para o cenário de quem investe na Petrobras.

Esses elementos indicam que ainda há espaço para novas altas para as ações da estatal, mas tudo depende da concretização de um cenário favorável, conforme tem acontecido até agora. Não se trata de algo garantido, especialmente com o risco de ingerência política na gestão, algo que potencialmente pode levar a estatal a represar reajustes no mercado local antes das eleições.

No acumulado deste ano, as ações preferenciais da companhia (PETR4) acumulam ganhos de 49,4%. Já o papel preferencial (PETR3) sobe 56,3% até agora. O Ibovespa avança 12,6% no mesmo período.

Nos cálculos de analistas do setor e gestores, o petróleo do tipo Brent, referência global para a commodity, precisa estar no preço mínimo de US$ 70 o barril para manter a Petrobras com forte geração de caixa e, portanto, como boa alternativa no setor de óleo e gás brasileiro.

Esse também é o piso para garantir que a empresa mantenha o pagamento dos dividendos ordinários. Com o Brent na casa dos US$ 80, analistas do BTG Pactual estimam um dividend yield (rentabilidade dos dividendos) de cerca de 9%.

Nesse contexto, a geração de caixa livre sobre o patrimônio (quanto caixa a empresa produz para cada real de patrimônio dos acionistas) fica em aproximadamente 10% para 2026. São números que se destacam frente a pares globais, que negociam com retorno total médio ao acionista de 5,5%.

Com a Guerra do Irã e os riscos que envolvem a produção de petróleo no Oriente Médio, a cotação da matéria-prima ultrapassou os US$ 100.

Se houver uma solução no curto prazo para o conflito, os preços devem se estabilizar em níveis mais baixos, mas não tão baixos a ponto de prejudicar a geração de caixa da Petrobras, sobretudo porque levaria tempo até que a produção global voltasse ao normal.

Imposto, aquisições e ‘efeito Braskem’

Outro tema relevante para quem investe na empresa é o recém-anunciado imposto sobre exportações. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou medidas para aliviar o impacto dos preços dos combustíveis com a alta do petróleo, entre elas um imposto de 12% sobre exportações de óleo cru.

Isso representa um custo direto para a Petrobras, grande exportadora da commodity, já incorporado nos modelos dos analistas.

Ao mesmo tempo, o aumento do preço do diesel nas refinarias em 11,6%, anunciado na última semana para aproximar os preços locais dos internacionais — representa uma receita adicional relevante para a empresa.

O aumento não resolve a defasagem em relação aos preços globais, mas, dado que os custos de extração de petróleo e de refino seguem iguais, compensa em parte a incidência do novo imposto.

Além disso, considerados em conjunto, o ambiente atual de preços mais altos e o ajuste nos combustíveis melhoram materialmente a geração de caixa da Petrobras, o que mais do que compensa os custos adicionais.

Analistas também observam o movimento da Petrobras em torno de aquisições de usinas de etanol de milho e da necessidade de participar da reestruturação da Braskem.

Esse envolvimento poderia se dar por meio de uma injeção direta de recursos ou via ajuste de preços de nafta, em que a estatal precisaria rever quanto cobra pela matéria-prima vendida à Braskem.

Os dois fatores podem gerar impactos importantes sobre o fluxo de caixa e nos pagamentos de dividendos no curto prazo – um dos maiores riscos para o investimento na empresa agora porque os preços das ações não estão “embutindo” esses eventos atualmente.

Eleições: a maior dúvida

Como uma estatal, a Petrobras está sujeita ao risco de ingerências do governo, especialmente em relação ao repasse das variações dos preços do petróleo para o mercado interno – exatamente como aconteceu recentemente.

Com a alta de dois dígitos registrada neste ano, é possível afirmar que parte do otimismo já está refletida nos preços, o que torna os riscos ainda mais relevantes de serem monitorados.

Esse tema é o que mais divide opiniões no mercado. Enquanto alguns dos grandes fundos de investimento no país mantêm posição vendida, ou short – que ganha com a queda das ações – exatamente por causa desse risco, há aqueles que enxergam pouca mudança de cenário.

Ou o atual governo vence as eleições e, tal qual até aqui, não interfere tanto na companhia, ou muda-se o governo para uma linha mais liberal, o que significa um cenário potencial melhor.

Nesse segundo caso, analistas do BTG Pactual estimam que uma eventual compressão no custo de capital da empresa poderia levar o preço-alvo das ações a US$ 26 por ADR (o recibo de ação negociado no mercado americano), contra os US$ 21 do cenário-base atual.

“Acreditamos que é menos provável que o atual governo faça mudanças significativas para a Petrobras se reeleito”, afirmam os analistas do BTG Pactual em relatório.

“Na verdade, as medidas anunciadas na semana passada reforçam a abordagem cautelosa do governo em relação à governança e aos preços dos combustíveis no mercado interno.”

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Não é só Vale e Petrobras: de Grupo Ultra a SLC, investidor estrangeiro diversifica compras

A guerra do Irã não interrompeu o apetite de investidores estrangeiros pela bolsa no Brasil, o que sinaliza a continuidade de uma força que sustenta o Ibovespa próximo a patamares recordes.

Nos últimos cinco pregões da B3 até dia 13, ou seja, já na segunda semana de embates no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, investidores internacionais acrescentaram mais R$ 1,1 bilhão líquido (aportes menos resgates) a um volume que já alcança R$ 43 bilhões só neste ano.

Esse capital de fora tem negociado em maior volume ações de empresas de commodities e serviços públicos (utilities) nas últimas semanas. E o interesse estrangeiro já vai muito além de Petrobras e Vale, segundo aponta um levantamento do time de pesquisa em ações do Itaú BBA.

O estrangeiro passou a comprar ações de companhias como SLC Agrícola (SLCE3), uma das maiores produtoras de soja do país; Copel (CPLE3), companhia de energia do Paraná; Grupo Ultra (UGPA3), dono da rede de postos Ipiranga e com atuação relevante em logística; e Copasa (CSMG3), companhia de saneamento mineira, que está em processo de privatização.

Todos os papéis acumulam altas acima de 18% no ano até a manhã desta segunda-feira (16): a SLC sobe 23,60%; a Copel tem alta de 18,95%; o Grupo Ultra avança 25%; e a Copasa tem ganho de 19,90%.

Existe um racional sobre o interesse do investidor por tais ativos. A procura pelo setor agrícola tem a ver com o período de safra no país. A colheita da soja, por exemplo, se estende de fevereiro a maio.

E as expectativas para a safra colocam a régua da produtividade no topo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um volume histórico de 177,8 milhões de toneladas para a soja. Já a previsão para a safra total de grãos é a de uma colheita recorde de 353,4 milhões de toneladas.

No caso das utilities, as companhias são vistas como sendo de perfil defensivo, especialmente em um momento no qual o preço da energia está em alta diante da Guerra do Irã.

Empresas de serviços públicos têm receitas previsíveis e recorrentes no longo prazo e regulações bem definidas. Esse grupo pode se beneficiar tanto do crescimento de demanda por energia quanto pelo próprio déficit de infraestrutura de saneamento no país.

O banco de investimento do Itaú desenvolveu um indicador que leva em conta variáveis como o desempenhos dos papéis em relação ao Ibovespa, o volume diário negociado, a volatilidade e a quantidade de dias em que a ação subiu mais que o principal índice da bolsa.

Entre as dez primeiras da lista aparecem ainda empresas financeiras, uma telecom e uma construtora: Vivo (VIVT3), Caixa Seguridade (CXSE3), Banco do Brasil (BBAS3) e Tenda (TEND3).

O indicador levou em conta os resultados dos últimos dois meses. Como estrangeiros basicamente dominaram os aportes na bolsa neste ano, o levantamento pode ser visto como um reflexo dos ativos mais negociados por investidores globais no período.

Por outro lado, tanto investidores individuais quanto institucionais locais registraram resgates líquidos (resgates menos aportes) de R$ 5,8 bilhões e R$ 32 bilhões nos últimos dois meses e meio, respectivamente.

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Stablecoins: cripto dólar USDC supera USDT em volume “real” pela primeira vez desde 2019

A stablecoin de dólar USDC, emitida pela empresa americana Circle, movimentou US$ 2,2 trilhões em volume ajustado de transações em 2026, contra US$ 1,3 trilhão da USDT, da Tether, segundo nota do banco japonês Mizuho divulgada pelo portal especializado CoinDesk. É a primeira vez que isso acontece desde 2019.

Essa métrica de volume ajustado de transações tenta medir apenas o uso econômico real dessas moedas digitais – como pagamentos, transferências internacionais e integração com serviços financeiros – deixando de fora movimentações automáticas ou puramente técnicas da rede.

As stablecoins, vale sempre lembrar, são criptomoedas que acompanham o valor de outros ativos, como dólar, real ou ouro. No caso das versões atreladas à moeda americana, cada token costuma manter paridade de 1 para 1 com o dólar.

O avanço da USDC também animou investidores com a Circle. Após os dados, o banco japonês elevou o preço-alvo das ações da empresa de US$ 100 para US$ 120. Nos últimos cinco dias, os papéis da companhia subiram cerca de 12%, para US$ 115, acumulando alta de 95% nos últimos 30 dias.

USDT se mantém na liderança

Apesar do avanço da USDC no uso real, a USDT segue líder em valor de mercado. O token da Tether responde por cerca de 57% dos US$ 321 bilhões que hoje circulam nesse setor. A USDC aparece em segundo lugar, com pouco menos de 25%.

O volume total de USDT – considerando todas as movimentações, e não apenas o volume ajustado – também é maior. E o cenário no Brasil mostra isso. Nos últimos 15 dias, brasileiros movimentaram cerca de R$ 5,1 bilhões nessa stablecoin, contra pouco mais de R$ 500 milhões em USDC, segundo dados da plataforma Índice Biscoint.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +3,64%, US$ 73.689,33

Ethereum (ETH): +7,95%, US$ 2.286,22

XRP (XRP): +4,01%, US$ 1,47

BNB (BNB): +2,69%, US$ 678,70

Solana (SOL): +6,27%, US$ 93,98

Outros destaques do mercado cripto

Tesouraria cripto brazuca ganha fôlego. A recente alta do bitcoin chegou à bolsa. As ações da OranjeBTC, considerada a maior tesouraria cripto do Brasil, subiram 11% nos últimos 30 dias, para R$ 7,14. No mesmo período, o BTC avançou cerca de 6%. Apesar do fôlego recente, o papel ainda está cerca de 70% abaixo dos R$ 24 registrados quando a empresa abriu capital, em outubro do ano passado.

Escândalo cripto na Argentina. Está rolando um baita bafafá na Argentina. O jornal Clarín, um dos maiores do país, revelou a existência de um suposto acordo de US$ 5 milhões ligado ao apoio do presidente Javier Milei à criptomoeda Libra. Esse token foi lançado no início de 2025 e chegou a ser promovido pelo político. Depois, porém, despencou de preço, deixando um monte de investidores no prejuízo.

Corretora americana pede recuperação judicial. A situação apertou para a corretora institucional de cripto Blockfills, sediada em Chicago (EUA). A empresa entrou com pedido de recuperação judicial depois de acumular perdas de cerca de US$ 75 milhões e enfrentar problemas de liquidez. A firma tem entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em ativos, contra passivos que podem chegar a US$ 500 milhões. A companhia já havia suspendido saques em fevereiro e ainda enfrenta um processo por suposto uso indevido de ativos de clientes.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Mercados hoje: alta do petróleo rouba a cena em semana de decisão de juros do Fed e do BC brasileiro

Bom dia!
A semana começa em meio às expectativas sobre como a Guerra do Irã vai afetar as decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A escalada do conflito voltou a colocar o petróleo no centro do radar e reacendeu temores de inflação mais persistente no mundo. Com isso, o mercado segue sem um consenso sobre qual sinalização o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai dar após a decisão na quarta-feira (18). E, por aqui, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Copom também na quarta-feira. Os impactos da guerra vão além do petróleo e combustíveis e já afetam setores como mercado de alumínio e fertilizantes.

Enquanto você dormia…

  • Os investidores acompanham a escalada geopolítica e o impacto da Guerra no Irã nas commodities. Os futuros das bolsas de Nova York seguem em alta: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,54% e o Nasdaq futuro subia +0,66%.
  • Na Europa, as bolsas operam em leve alta. O Stoxx 600 tem queda de -0,32%.
  • Na Ásia, o clima foi de esperar para ver em uma semana cheia de decisões importantes. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -0,13%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu +1,45%, impulsionado por dados da China melhor que o esperado.
  • O índice dólar (DXY) segue em queda de -0,29% aos 100,07 pontos. O petróleo Brent tem alta de +0,48% cotado a US$ 103,57 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos chegaram em 4,257% ao ano.

Destaques do dia

  • Guerra no Golfo reacende choque do petróleo. A tensão no Oriente Médio continua no centro das atenções do mercado nesta segunda-feira.
  • O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu apoio de aliados para ajudar a proteger o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica, enquanto o mercado avalia o risco de nova escalada no conflito.
  • O preço do Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação e pressionando expectativas para juros globais.
  • E daí? Petróleo elevado costuma reforçar o radar sobre empresas ligadas à commodity, como Petrobras. Ao mesmo tempo, energia mais cara pode pressionar inflação global e afetar moedas e bolsas de países emergentes, incluindo o Brasil.

Giro pelo mundo

  • Alumínio dispara: além do petróleo, a guerra no Oriente Médio também pressiona metais industriais, com o preço do alumínio subindo diante do risco de interrupções energéticas e logísticas na produção global.
  • Pressão sobre Ormuz: o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou aliados, como Reino Unido e França, além da China, que enviem navios para proteger o estreito sob o risco de enfrentarem mais elevações de tarifas, caso não atendam o chamado.

Giro pelo Brasil

  • Petróleo e inflação: a alta da commodity no exterior pode pressionar expectativas de inflação no mundo e também no Brasil, mantendo o mercado atento ao comportamento dos juros globais.
  • Fluxo estrangeiro: investidores monitoram o impacto da volatilidade global sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e o comportamento do real.
  • Megaleilão de térmicas: o governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes.

Giro corporativo

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus – BC. Pesquisa semanal com projeções do mercado sobre PIB, Selic, IPCA e câmbio.
  • 09:00: IBC-Br – BC. O índice de atividade do Banco Central é considerado a prévia do PIB.
  • 09:30: Índice Empire State de atividade industrial — EUA. Indicador antecipado da atividade manufatureira em março.
  • 11:00: Índice de confiança do mercado imobiliário (NAHB) — EUA. Termômetro do setor de construção e sensibilidade aos juros.
  • 15:00: Leilão de Treasuries — EUA. Pode mexer com os juros globais dependendo da demanda.

Ótima segunda-feira e bons negócios!

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Calendário de balanços: o que esperar de Natura, Itaúsa e MBRF na semana

A nova semana de resultados do quarto trimestre de 2025 terá a divulgação de grandes frigoríficos a companhias de infraestrutura.

Entre as gigantes que divulgam os números financeiros nos próximos dias estão Minerva e MBRF, do lado das proteínas animais, e Cemig e Taesa, entre as companhias de energia.

Saiba o que esperar dos principais nomes da semana de 16/03 a 20/03:

Segunda-feira (16 de março)

Natura (NTCO3)

A retração do consumo ao longo do ano é apontada como um dos riscos no curto prazo. O mercado de beleza no Brasil desacelerou, pressionado por juros altos e menor poder de compra. As vendas da Natura já vinham desacelerando em 2025, inclusive no seu principal mercado. Analistas veem demanda fraca no Brasil e em parte da América Latina como um obstáculo para a recuperação do crescimento após a reestruturação que terminou com a venda das operações da Avon fora da América Latina.

  • Estratégia: a Natura concluiu a venda da Avon Internacional no fim do ano passado, mas manteve a marca na América Latina sob seu guarda-chuva. O foco da companhia para este ano é o projeto “Onda 2”, que integra as forças de vendas da Natura e Avon AL para reduzir custos logísticos e de marketing.
  • Foco regional: após voltar atrás na ambição global, o grupo passou a concentrar os esforços na ampliação dos mercados no Brasil e América Latina, que respondem por cerca de 85% das vendas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18. Dividend yield em 2026 (consenso): sem consenso

Itaúsa (ITSA3 e ITSA4)

O principal desafio estrutural da holding continua sendo sua concentração no Itaú Unibanco. O banco representa mais de 90% do resultado econômico da Itaúsa. Isso significa que o desempenho da holding está quase totalmente ligado ao ciclo do banco.

  • Estratégia: tem concentrado esforços da gestão de passivos no alongamento de prazos. A holding foca em reduzir custos financeiros para liberar mais caixa para dividendos.
  • Ativos: estratégia da empresa tem sido manter o Itaú Unibanco como principal gerador de lucros, mas ampliando investimentos em empresas não financeiras. O portfólio da holding atual reúne participações na companhia de materiais de construção Dexco, na Alpargatas, que é dona da Havaianas, na companhia de infraestrutura Motiva (ex-CCR), na Aegea Saneamento, na Copa Energia e na NTS, especializada em gás natural.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 16 (ITSA4) e R$ 13,20 (ITSA3). Dividend yield em 2026 (consenso): 10%.

Terça-feira (17 de março)

Taesa (TAEE11)

Analistas apontam preocupação com o aumento da dívida da companhia. O nível de dívida chegou a mais de 4 vezes a métrica de dívida líquida/Ebitda em 2025, acima do nível considerado confortável para transmissoras de 2,5 vezes. Isso pode gerar percepção de risco de execução. A empresa precisa reduzir a alavancagem e aumentar a geração de caixa.

  • Alavancagem: a relação dívida líquida/Ebitda gira em torno de 3,8 vezes. Não precisa de capitalização, mas tem pouco espaço para aumento de investimentos e de custos.
  • Proventos: continua sendo uma das favoritas do mercado. Seus contratos são corrigidos pela inflação, garantindo um rendimento real constante.
  • Estratégia: o endividamento tem crescido justamente devido ao momento de investimento em novas concessões, que são feitos por meio de dívidas antes de começarem a gerar caixa.
  • O que monitorar: Precisa ser agressiva em novos leilões de transmissão para repor a receita de concessões que vencerão nos próximos anos.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 37,70. Dividend yield em 2026 (consenso): 8%

Quarta-feira (18 de março)

Minerva (BEEF3)

Analistas projetam que 2026 deve ser um período mais difícil para o ciclo da carne bovina, que pode ficar negativo na oferta e demanda, com margens pressionadas em parte da cadeia. A Minerva, por sua vez, é uma das empresas brasileiras mais expostas ao mercado externo. Mudanças nas cotas de importação da China podem impactar preços e demanda.

  • Alavancagem: saltou com a compra de ativos da Marfrig na Argentina por R$ 7,5 bilhões. O nível de endividamento medido pela relação entre dívida líquida e ebitda subiu para 2,5 vezes no terceiro trimestre de 2025, patamar que acende uma luz amarela.
  • Estratégias: reduzir despesas financeiras pesadas por meio geração de caixa operacional. Foco em vender estoque e integrar rapidamente as plantas adquiridas da Marfrig na Argentina para capturar margem.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 7,90. Dividend yield em 2026 (consenso): 3,80%.

MBRF (BRFS3)

O principal desafio é integrar as operações da Marfrig e da BRF, após a fusão que resultou na MBRF, concretizada em setembro de 2025. O sucesso da nova empresa depende em parte da captura de sinergias operacionais. Analistas estimam sinergias potenciais de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por ano. A fusão criou uma companhia com maior complexidade operacional, mas presença global e forte atuação em todas as áreas de proteína animal.

  • Estratégia: Programa “BRF+”, focado em eficiência fabril e redução de desperdícios de grãos. Em termos de endividamento, a companhia vive uma situação confortável com o nível medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda abaixo de 1 vez – o mercado enxerga como patamares saudáveis múltiplos abaixo de 2 vezes.
  • Mercados internacionais: a criação da Sadia Halal, no fim de 2025, é uma sociedade entre a MBRF e a Halal Products Development Company (HPDC), braço do PIF – o maior fundo soberano do mundo – estruturada para atender o mercado de alimentos halal da Arábia Saudita e do Golfo.
  • Ativos: Pode buscar aquisições pontuais no mercado de “pet food” ou produtos processados de maior valor agregado.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,80. Dividend yield em 2026 (consenso): 33%.

Quinta-feira (19 de março)

Cemig (CMIG3 e CMIG4)

Controlada pelo governo de Minas Gerais, a Cemig tem o risco político associado ao acionista como um fator relevante para o rating de crédito e a avaliação da empresa. A migração de consumidores para a geração distribuída e o mercado livre pode afetar o segmento de distribuição no médio e longo prazos. Além disso, a empresa planeja investir cerca de R$ 7 bilhões em 2026 para expansão e modernização.

  • Estratégia: foco atual está no investimento em distribuição para aumentar a base de ativos remunerados pela Aneel. Apesar disso, a empresa tem um perfil de dívida bem alongado e baixo custo.
  • Desinvestimentos: Estratégia de venda de ativos considerados como não essenciais, como participações em gasodutos ou usinas menores para concentrar capital na transmissão e distribuição.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 12 (CMIG4) e R$ 15,70 (CMIG3). Dividend yield em 2026 (consenso): 11% a 14%.
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Às vésperas de cortes de juros, Ibovespa ainda tem espaço para subir? O que diz a história

Apesar do impacto global da guerra sobre o preço do petróleo e potencialmente sobre a inflação, a expectativa de corte de juros na próxima semana segue firme no Brasil – ainda que um pouco menor do que há algumas semanas. E isso costuma ser uma boa notícia para o Ibovespa.

Historicamente, ações tendem a atrair mais capital em períodos de queda da Selic. Parte desse movimento já foi precificado: o índice da B3 subiu cerca de 25% nos últimos seis meses e 45% em um ano, para os 180 mil pontos (com ajuda importante do capital estrangeiro, vale lembrar).

Ainda assim, pode haver espaço para novas altas – ao menos se o histórico, as projeções e a visão de especialistas servirem de guia para o comportamento dos preços das ações, com a sempre necessária ressalva de que performance no passado não é garantia de retorno no futuro.

O que diz o histórico

Depois dos últimos cinco inícios de ciclos de cortes de juros no Brasil – em setembro de 2005, janeiro de 2009, setembro de 2011, outubro de 2016 e agosto de 2023 -, o Ibovespa, na maioria das vezes, já havia iniciado um movimento de valorização antes mesmo do primeiro corte, algo parecido com o que acontece agora e esperado, dado que investidores costumam se antecipar a tais pontos de inflexão. Mas o movimento não parou por aí.

Em boa parte dos ciclos acima mencionados, a bolsa continuou a subir nos seis e nos doze meses seguintes ao início do ciclo de queda da Selic, segundo um levantamento da Rico ao qual o InvestNews teve acesso.

Em 2005, por exemplo, o Ibovespa avançou quase 28% nos seis meses seguintes e 23,17% em um ano. Em 2009, a alta foi ainda mais expressiva: 40,48% em seis meses e 74,75% em 12 meses.

Veja o desempenho na tabela abaixo:



Há diferentes razões para essa correlação.

Juros menores reduzem o custo de capital para empresas, aumentam o valor presente dos fluxos de caixa futuros das mesmas, estimulam o consumo e os investimentos produtivos e, portanto, ampliam as perspectivas de crescimento dos negócios e, consequentemente, dos lucros.

Na outra ponta, a da demanda, taxas de juros mais baixas aumentam a disposição de investidores para assumir risco na renda variável em detrimento da segurança da renda fixa – que passa a ficar menos atrativa nessa comparação com o mercado de ações.

Ou seja: olhando apenas para o histórico, ainda não seria tarde para o Ibovespa subir mais.

Mas, claro, os juros não contam toda a história – e cada ciclo de relaxamento monetário tem suas próprias características.

O ciclo de 2005, por exemplo, ocorreu em um ambiente macroeconômico bastante favorável: inflação em queda, um longo ciclo de redução da Selic (de 19,75% para 11,25% ao ano até 2008), crescimento econômico forte e um boom global de commodities.

Já o ciclo iniciado em 2009 foi impulsionado pelo contexto de recuperação após a crise financeira global de 2008, que havia derrubado os preços dos ativos de forma considerada exagerada. A pergunta agora é: com tudo o que está acontece agora, algo parecido pode acontecer novamente?

Por que analistas veem espaço para alta

Para parte dos analistas, sim, ainda há espaço para valorização da bolsa.

O primeiro fator é o próprio ciclo de queda da Selic. Segundo o último boletim Focus, a expectativa consensual de economistas do mercado brasileiro é que a taxa básica possa cair dos atuais 15% ao ano para cerca de 12% até o fim do ano.

“O investidor está em busca de fatores que lhe tragam esperança de melhora do ambiente econômico. Assim, um eventual novo ciclo poderia endereçar a questão fiscal (um problema no Brasil), o que levaria a uma significativa reprecificação dos ativos”, disse Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos, em referência ao menor gasto do governo com juros da dívida pública.

Outro ponto importante a ser levado em consideração é o cenário internacional.

Diante da continuidade das incertezas sobre a economia americana no governo de Donald Trump, com subsequente enfraquecimento do dólar, uma fração do capital global continua a migrar para mercados emergentes. E o Brasil segue como um dos principais destinos para capturar parte desse fluxo.

Só neste ano, a B3 já recebeu cerca de R$ 44 bilhões de investidores estrangeiros. Como o mercado acionário brasileiro é relativamente pequeno, movimentos de entrada de capital costumam ter impacto significativo nos preços.

Quais setores tendem a se beneficiar

Os setores cujos negócios são mais sensíveis aos juros costumam ser os principais beneficiados quando a Selic começa a cair. Entre eles estão:

  • Varejo
  • Construção civil
  • Small caps em geral
  • Empresas mais alavancadas (dívida sobre o lucro operacional)
  • Companhias ligadas ao consumo doméstico
  • Bancos médios – caso o ciclo de cortes seja consistente.

Nos ciclos anteriores, alguns setores reagiram com ainda mais força do que o próprio Ibovespa. No varejo, por exemplo, as ações chegaram a subir até 108% seis meses após o início dos cortes e até 160% em 12 meses. A relação é direta: com juros menores, o crédito fica mais barato, os valores das parcelas caem e o consumo tende a ganhar fôlego junto à população.

Veja abaixo o desempenho de ações de varejistas:



Na construção civil, o movimento costuma ser igualmente intenso.

Em ciclos passados, ações do setor chegaram a avançar quase 166% em seis meses e 246% em um ano. Isso acontece porque o mercado imobiliário é muito sensível à taxa de juros. Quando o custo do financiamento cai, mais pessoas conseguem tomar crédito para comprar imóveis – e isso dá um gás extra para vendas, lançamentos e expectativas de receita de incorporadoras.

Veja abaixo o desempenho de ações do setor de construção:

Outros pontos a serem considerados

É importante destacar que o comportamento da bolsa não depende apenas da política monetária brasileira. O cenário externo continua sendo um fator relevante – a favor e contra.

As tensões no Oriente Médio com os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã elevaram o preço do petróleo para a casa de US$ 100 e realimentaram temores inflacionários mundo afora, o que pode pressionar juros e reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes diante do sentimento de aversão a risco.

E tem o campo doméstico também, em que o principal ponto de atenção continua sendo o quadro fiscal e a sustentabilidade da trajetória da dívida pública – ou seja, a capacidade de o governo honrar com os seus compromissos de longo prazo, segundo a visão consensual de mercado.

“O mercado acompanha de perto a trajetória da dívida pública, o compromisso com metas fiscais e o ambiente político, principalmente com a proximidade de eventos eleitorais. Qualquer sinal de deterioração pode limitar o impacto positivo da queda da Selic, mesmo em um cenário de juros menores”, disse Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos

Mas, afinal, vale entra agora?

Diante de todo esse contexto de prós e contras, para investidores que ainda não têm exposição à bolsa, entrar agora pode fazer sentido – mas de forma estratégica -, segundo Rios.

“Historicamente, esperar a confirmação do ciclo de queda pode significar perder parte do movimento de alta, mas isso não significa que o mercado vai subir em linha reta”, explicou.

Segundo ele, a abordagem mais prudente para o investidor é entrar de forma gradual, priorizando setores sensíveis a juros e empresas que tenham boa geração de caixa.

Para Boselli, da Rio Bravo Investimentos, o valuation das empresas brasileiras – métrica usada pelo mercado para estimar o valor justo de uma companhia – está chamando a atenção de forma positiva neste momento. “Sob essa ótica, as ações brasileiras estão muito atrativas”, disse.

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Volatilidade no Tesouro Direto: título prefixado supera 14% ao ano e IPCA+ flerta com 8%

O Tesouro Direto tem três “marcas psicológicas” que, quando atingidas, deixam mais evidentes a percepção de que o mercado passa por momento de maior estresse, diante do aumento das incertezas. Isso sob a ótica de investidores.

No caso dos títulos Tesouro Prefixado 2032, trata-se do patamar de 14% ao ano.

Para o Tesouro IPCA+ 2032, o papel mais curto desse tipo oferecido na plataforma, é o nível de retorno de 8% ao ano acima da inflação.

E, para o produto mais longo atrelado à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050, um retorno de 7% ao ano.

Desses três títulos, dois já superaram esses patamares nesta sexta-feira e um está bem perto disso.

O Tesouro Prefixado 2032 terminou a sexta-feira (13) em 14,25% ao ano, após o Tesouro Direto acionar o “circuit breaker”, um mecanismo que paralisa as negociações quando a volatilidade fica muito elevada.

Esse nível foi alcançado pela última vez em abril de 2025.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 alcançou a taxa de 7% ao ano e igualou a máxima do ano. A versão 2032 alcançou 7,93%, a um passo dos 8%, e no maior nível desde sua estréia na plataforma em fevereiro deste ano.

A alta das taxas de juros ocorre em momento de aumento das preocupações no mercado com a inflação. Se até fevereiro a avaliação era a de que a economia estava em processo de desaceleração da alta de preços, a partir deste mês de março a percepção deu uma guinada.

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No mês passado, as taxas atingiram as mínimas do ano. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, chegou a 6,73%, muito perto do menor patamar em pelo menos dois anos.

Já o Tesouro Prefixado 2032 alcançou 13,23% ao ano, também bem perto da mínima em dois anos. No caso desse título, a última vez em que a taxa passou de 14% foi em julho de 2025.

E, não por acaso, as taxas se movem por motivos semelhantes ao de agora, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã pela primeira vez, antecedendo o quadro atual de guerra. As cotações mais altas do petróleo representam uma ameaça relevante para a inflação no Brasil e no mundo.

No Tesouro Direto, taxas mais altas significam que o valor dos papéis cai. O investidor que tem esses títulos na carteira percebe esse efeito, porque o saldo em reais passa a diminuir.

A volatilidade dos títulos mais longos, ou seja, de prazos de vencimentos que podem ser de anos ou até décadas, costuma aumentar em momentos de estresse nos mercados. Esses papéis são muito sensíveis a mudanças macroeconômicas e eventos geopolíticos que afetem as perspectivas de inflação e juros.

De qualquer modo, é importante o detentor dos títulos lembrar que vender em momentos de estresse pode significar realizar o prejuízo que, por enquanto, está só na tela do computador ou celular.

Se o cenário melhorar, as taxas podem voltar a recuar – e os preços dos títulos subirem novamente.

Taxas mais altas – e as atuais estão em um nível historicamente elevado – podem também ser uma oportunidade de “travar” retornos considerados atrativos por muitos anos, se o investidor levar os títulos até o vencimento. Isso porque, nesse caso, sempre valem as condições contratadas ao adquirir o papel.

A forte oscilação vista neste momento, que remetem até à renda variável, deve-se ao efeito da chamada marcação a mercado, ou seja, da variação diária dos preços dos papéis.

A marcação a mercado reflete o quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo ativo naquele momento. E essa avaliação é afetada por vários fatores, como as perspectivas para inflação, juros, câmbio ou questões geopolíticas.

Em momento de alta volatilidade, que atinge de maneira mais acentuada os títulos com prazos mais longos, o melhor a fazer é evitar entrar em ondas de vendas.

Desde o início do conflito, o Tesouro Prefixado 2032 já perdeu 3,30% em termos de preços. Mas ainda acumula uma alta de 20% no ano.

O Tesouro IPCA+ 2032 recua 2% nas duas semanas do conflito no Oriente Médio. Mas, mesmo com essa queda, no ano, o papel está no “zero a zero”.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 apresenta uma perda de 4,8% desde quando eclodiu a guerra no Irã até o momento. Mas em 2026, ainda acumula uma alta de 2,2%.

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Bitcoin caminha para melhor semana desde setembro; memecoin de Trump sobe 50%

O conflito no Irã continua no radar dos mercados, mas o bitcoin (BTC) tem conseguido navegar relativamente bem em meio ao ambiente de tensão. Na manhã desta sexta-feira (13), a criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 72 mil, com alta de quase 3% nas últimas 24 horas.

Se mantiver o ritmo e nenhum novo fator negativo surgir no radar, o ativo digital caminha para um ganho semanal próximo de 10% – algo que não acontece desde setembro do ano passado, segundo dados da plataforma CoinGlass.

O movimento sugere, segundo analistas, que parte dos investidores pode estar voltando a enxergar o bitcoin como um ativo de diversificação em momentos de incerteza macroeconômica. Além disso, a criptomoeda parece atravessar uma fase de consolidação de preços, após períodos recentes de maior volatilidade.

“O BTC tem demonstrado resiliência em meio ao aumento da volatilidade global e continua se beneficiando da narrativa de ativo alternativo em cenários de instabilidade geopolítica”, falou André Franco, CEO da Boost Research.

No curto prazo, porém, a expectativa para o bitcoin segue neutra a levemente negativa, segundo o especialista. É provável, falou, que o preço permaneça entre US$ 69 mil e US$ 73 mil, enquanto investidores acompanham os próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as expectativas para a política monetária global.

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Token do Trump dispara 50%

Se o dia está positivo para o bitcoin, ele começou ainda melhor para os detentores da memecoin Official Trump (TRUMP), ligada ao polêmico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O token disparou 50% nas últimas 24 horas, para US$ 4,28, após a equipe do projeto anunciar que os maiores detentores da criptomoeda serão convidados para um jantar fechado com Trump em Mar-a-Lago, residência do político na Flórida.

O anúncio desencadeou uma corrida entre investidores – e fãs do presidente – para comprar o ativo e tentar entrar na lista dos maiores holders, condição necessária para garantir o convite.

Não é a primeira vez que algo assim acontece. O projeto já promoveu iniciativa semelhante ano passado – estratégia que, na época, gerou críticas no Congresso americano, por misturar política, celebridade e especulação no mercado cripto.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +2,80%, US$ 72.426,33

Ethereum (ETH): +3,33%, US$ 2.129,22

XRP (XRP): +2,49%, US$ 1,42

BNB (BNB): +2,43%, US$ 668,70

Solana (SOL): +3,87%, US$ 90,30

Outros destaques do mercado cripto

IOF nas stablecoins? Entidades dizem não. A possibilidade de cobrança de IOF nas stablecoins continua dando o que falar. Ontem, as entidades ABcripto, ABFintechs, Abracam, ABToken e Zetta, que representam mais de 850 empresas, divulgaram uma nota conjunta com um recado direto: a eventual tributação sobre essas criptos seria ilegal. O argumento é o seguinte: o IOF de câmbio exige a entrega efetiva de moedas fiduciárias – como real ou dólar – o que, segundo as entidades, não acontece na negociação de ativos virtuais.

Novo prazo para projeto-piloto de tokenização. A Anbima prorrogou até 27 de março as inscrições para seu projeto-piloto de tokenização. A ideia é que participantes testem, em um ambiente simulado e supervisionado, o desenvolvimento de debêntures e fundos de investimento em blockchain ou tecnologias semelhantes. A entidade pretende selecionar até 20 propostas. Detalhe: os testes serão realizados sem movimentação financeira real.

Sem moeda digital estatal nos EUA. Desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, os EUA adotaram um discurso mais favorável à cripto – especialmente entre republicanos. Há, porém, um tipo de ativo digital que não agrada aos legisladores: as CBDCs, moedas digitais emitidas por bancos centrais. Ontem, o Senado do país aprovou por 89 votos a 10 a inclusão, em um projeto de lei sobre habitação, de uma cláusula que proíbe a criação direta ou indireta de uma CBDC. A justificativa é que a inovação financeira deve partir do setor privado – e não do governo.

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Mercados hoje: inflação global volta ao centro das atenções com petróleo acima de US$ 100 e dados do PCE nos EUA

Bom dia!

A sexta-feira (13) começa com o mercado fazendo contas. A inflação segue como uma das principais preocupações. Todos querem entender qual será o impacto sobre os preços de diversos setores globais, se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por mais tempo. As incertezas em torno da Guerra no Irã reforçam o dólar globalmente. Nesta sexta-feira, sai um dado visto como um dos mais importantes para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a poucos dias da decisão sobre juros: os números da inflação pelo PCE, a medida preferida do BC dos EUA. Por aqui, a combinação é parecida, mas com sotaque local: governo tentando amortecer o impacto da guerra sobre o diesel e evitar uma potencial greve de caminhoneiros, além, é claro, de aliviar o peso sobre a inflação.

Enquanto você dormia…

  • O humor lá fora segue cauteloso: ninguém está em pânico, mas também não parece disposto a bancar qualquer aposta sobre os rumos da Guerra no Irã e os impactos sobre a inflação. Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York seguem em leve alta: o S&P 500 futuro sobe +0,10% e o Nasdaq futuro avança +0,08%.
  • Na Europa, as bolsas caminham para a segunda semana seguida no vermelho. O Stoxx 600 cai -0,31%.
  • Na Ásia, o tom também foi negativo, com o petróleo acima de US$ 100, reacendendo o medo de inflação. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -1,16%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou -0,98%.
  • O índice dólar (DXY) ultrapassa a marca dos 100 pontos, com alta de +0,48% a 100,15 pontos. O petróleo Brent segue em alta de +0,36% cotado aUS$ 100,83 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos alcança 4,271% ao ano, mas seguem estáveis.

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Destaques do dia

  • Brasília tenta segurar o diesel enquanto o petróleo esquenta: o barril da commodity voltou a operar acima de US$ 100 nesta sexta-feira, mas passou a recuar após os EUA liberarem parte do petróleo russo de sanções tomadas na guerra contra a Ucrânia.
  • O preço do Brent segue próximo dos três dígitos acima de US$ 99 o barril. O problema é que o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda permanece apesar do discurso de vitória do governo americano.
  • Por aqui, o governo brasileiro anunciou um pacote que incluiu zerar PIS/Cofins do diesel, criar subvenção para importadores e produtores e cobrar imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre exportações de diesel. A equipe econômica estima alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas.
  • E daí? Para a bolsa local, o tema deixa Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e demais exportadoras de óleo no radar por causa do imposto, enquanto transporte e agro tendem a acompanhar de perto o efeito real do diesel mais barato na cadeia.

Giro pelo mundo

  • PCE na vitrine: o dado de inflação preferido do Fed mostra a inflação acima da meta de 2% ao ano. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • Petróleo manda no humor: com o Brent perto de US$ 100, o mercado reduz apostas de cortes de juros diante da pressão inflacionária.

Giro pelo Brasil

  • Diesel no centro da mesa: governo zerou PIS/Cofins e anunciou subvenção para tentar segurar a alta nas bombas para o diesel. No total, a previsão é de que haverá um alívio de R$ 0,64 por litro no preço do combustível.
  • Conta do pacote: a compensação vem com imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre diesel.

Giro corporativo

  • Sabesp amplia posição: a companhia comprou por R$ 171,6 milhões uma fatia de 23,17% das ações ordinárias da Emae que pertenciam ao fundo Oceania, ligada ao controlador da Ambipar, Tercio Borleghi Jr, com liquidação prevista para esta sexta-feira.
  • Gol muda de altitude: a aérea anunciou cinco Airbus A330, classe executiva e expansão internacional via Galeão, mirando elevar a fatia internacional de 17% para 25% até 2029.
  • Raízen ganha fôlego: a Justiça aceitou a recuperação extrajudicial da companhia para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas e suspendeu cobranças por até 180 dias.

Agenda do dia

  • 09:00: Pesquisa Mensal de Serviços de janeiro — Brasil. Ajuda a medir o pulso da atividade. (Consenso: +0,1% mês; +2,8% ano)
  • 09:30: PCE de janeiro — EUA. É a inflação que o Fed mais acompanha. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • 09:30: PIB do 4º trimestre — EUA. Termômetro do crescimento. O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre de 2025, bem abaixo das estimativas de +1,4%.
  • 09:30: Bens duráveis de janeiro — EUA. Sinal de investimento industrial. (Consenso: +1,2%)
  • 10:30: Fazenda detalha impactos do conflito no Oriente Médio — Brasil. Importa para inflação, combustíveis e fiscal.
  • 11:00: JOLTS e confiança do consumidor — EUA. Mais duas peças para o quebra-cabeça da economia americana. (Consenso: 6,7 mi e 55,0)

Ótima sexta-feira e bons negócios!

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Arte ou abate? Investidores decidirão destino do boi Angus

Há dois anos, o grupo artístico de Brooklyn vendeu cotas de um bezerro preto apelidado de Angus, prometendo transformá-lo em hambúrgueres e bolsas de couro caso os investidores não escolhessem salvá-lo. Em 13 de março, o destino do touro, agora totalmente crescido, será decidido — e o cenário não parece favorável.

Apenas cerca de um terço dos 404 proprietários de Angus enviaram suas participações tokenizadas do animal para o portal online do grupo chamado Remorse Portal, indicando que desejam salvar sua vida. Se Angus não ultrapassar a marca de 50% até sexta-feira, ele será abatido e transformado em 1.200 hambúrgueres e quatro bolsas de couro desenhadas pelo grupo para parecer carne.

“Acho que percebemos intelectualmente que as chances de salvá-lo eram menores do que as de comê-lo, porque estamos pedindo que as pessoas mudem de ideia ativamente para salvá-lo”, disse o cofundador do MSCHF, Kevin Wiesner. “Mas agora isso é de partir o coração.”

O mundo da arte costuma estar acostumado com obras chocantes, mas “Our Cow Angus” está provocando debates polarizados entre colecionadores e em fóruns online em um nível que não se via desde que o artista britânico Damien Hirst exibiu cabeças de vaca em decomposição como arte nos anos 1990.

Crueldade ou consicentização?

Ativistas pelos direitos dos animais criticam o projeto do MSCHF como uma manobra bárbara, enquanto curadores de museus o veem como uma crítica relevante à dissonância dos consumidores em relação ao consumo de carne bovina — especialmente em um momento em que os preços da carne moída estão disparando devido à escassez de gado nas pastagens americanas.

Poucas horas após o lançamento do site “Our Cow Angus” em 2024, Angus praticamente esgotou: o plano era produzir 400 pacotes com três hambúrgueres vendidos por US$ 35 cada e quatro bolsas de couro vendidas por US$ 1.200. (Quatro “tokens de hambúrguer” estão sendo revendidos por cerca de US$ 233 cada no site StockX.)

Wiesner disse que ele e os cerca de 20 integrantes do MSCHF não imaginavam quão brutal pareceria a possível morte de Angus depois de acompanharem seu crescimento em uma fazenda de produção de carne no interior do estado de Nova York. Segundo ele, ninguém do grupo consegue sequer pedir um hambúrguer agora.

O coletivo esteve por trás de vários projetos virais recentemente, incluindo o “ATM Leaderboard” de 2022, uma instalação apresentada na feira Art Basel Miami Beach que usava um caixa eletrônico real para fotografar usuários e projetar seus saldos bancários em uma tela acima. Colecionadores passaram a competir exibindo suas fortunas, e o vencedor revelou uma conta com mais de US$ 9,5 milhões.

No ano seguinte, o grupo vendeu mais de 20 mil pares das gigantescas botas de borracha “Big Red Boots”, de estilo cartunesco.

Desde sua fundação em 2019, os artistas ganharam reputação internacional por usar estratégias típicas de marketing e moda para satirizar o consumismo e as cadeias de produção. “Our Cow Angus” representa um retorno ao mais primitivo, disse Sabina Lee, diretora de curadoria do Daelim Museum, em Seul, que organizou a primeira exposição individual do grupo em museu em 2023.

A vaca sempre esteve destinada a virar carne, disse Lee, então o coletivo criou uma forma extrema de oferecer às pessoas a chance de mudar esse destino — ou não.

“Esse desconforto é exatamente o ponto”, afirmou.

Wiesner contou que a ideia de comprar e vender Angus surgiu após outro projeto que envolveu a venda de bolsas de couro personalizadas. Os artistas ficaram curiosos para investigar a cadeia de produção de couro e carne depois de instalar uma fábrica temporária em Italy, Texas, um local que lhes permitia estampar “Made in Italy” nas bolsas.

Segundo ele, dois proprietários das bolsas feitas com Angus já desistiram de suas participações, aumentando as chances de sobrevivência do animal. Outro investidor ofereceu abrir mão de sua parte na segunda-feira, mas apenas se mais investidores de hambúrguer fizerem o mesmo.

Ele se surpreende que apenas poucos investidores tenham desistido de suas cotas. “Está acima do preço de mercado”, disse sobre o valor dos hambúrgueres. Wiesner teme que alguns proprietários tenham simplesmente esquecido o prazo após a compra, feita há dois anos. Outros podem temer abrir a embalagem do token, que contém instruções para acessar o portal online e salvar Angus — já que o item pode ter valor como colecionável.

Quem devolve sua participação não recebe o dinheiro de volta, mas aumenta as chances de sobrevivência do boi.

Segundo o artista, o custo de abater Angus e transformá-lo em carne e bolsas é aproximadamente o mesmo que mantê-lo em um santuário pelo resto de sua vida natural, que poderia durar mais 20 anos.

O artista de retratos de animais David McDonald, de Nova York, conhecido profissionalmente como Davis McDavis, disse que sempre admirou o MSCHF, mas acredita que o grupo foi longe demais desta vez.

Ele já comprou um par de tênis Gobstomper do coletivo por US$ 117, cujas solas se desgastam revelando cores diferentes, em referência a um tipo de doce de casca dura. Mas agora não consegue mais usá-los — especialmente porque também é vegetariano.

“Eu sei que as pessoas comem hambúrgueres, mas vocês deram um nome a ele, então agora ele virou um animal de estimação”, disse. “Vou ficar só com meus Hoka.”

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GPA: recuperação extrajudicial acende alerta em fundos imobiliários expostos ao grupo

O pedido de recuperação judicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) acendeu um alerta entre investidores de fundos imobiliários (FIIs). Isso porque tanto FIIs de tijolo, que investem em imóveis alugados para redes da empresa, quanto FIIs de papel, que compram CRIs ligados à companhia ou a operações estruturadas com seus imóveis, estão expostos à difícil situação da empresa.

O caso dos CRIs é mais dramático porque o impacto tende a ser mais direto, já que os fundos atuam como financiador dessas operações e ficam expostos ao risco de crédito do GPA – quer dizer, o risco da companhia não honrar seus débitos.

Parte das dívidas ligadas ao grupo já vinha sendo negociada no mercado com forte desconto, reflexo da percepção de risco crescente entre investidores e ao aumento da probabilidade de perdas mais relevantes para os credores.

Alguns títulos estavam a 60% do valor de face – ou seja, um papel que daria direito a receber R$ 100 no vencimento estava sendo vendido por aproximadamente R$ 60. Após o anúncio da reestruturação, o preço caiu para perto de R$ 25.

O que está em jogo?

Em um processo de reestruturação, é comum que credores tenham de fazer concessões. Isso pode incluir um haircut — quando o credor aceita receber apenas parte do valor da dívida — ou a conversão da dívida em participação acionária na empresa.

Para fundos que têm títulos de crédito ligados ao GPA, como CRIs, esse tipo de medida pode levar à desvalorização desses papéis e reduzir o patrimônio do fundo.

Segundo levantamento da EQI Research compartilhado com a reportagem do InvestNews, os fundos de papel com exposição ao GPA são:

  • XPCI11 (4,9%)
  • BTCI11 (4,3%)
  • MXRF11 (2,44%)
  • VRTA11 (2,19%)
  • KNIP11 (1,3%)
  • HGCR11 (1,25%)
  • AFHI11 (1,2%)
  • VGIP11 (0,76%)
  • CPTS11 (0,7%)
  • HSAF11 (0,44%)
  • VGHF11 (0,38%)

O quadro se torna mais delicado porque, mesmo com uma eventual renegociação das dívidas financeiras, o GPA ainda carrega um volume significativo de passivos tributários e trabalhistas, estimado em cerca de R$ 17 bilhões. Esse tipo de obrigação costuma ser mais difícil de reestruturar e, em muitos casos, não entra diretamente nos acordos com credores privados.

Alguns exemplos: o GPA estima desembolsos de cerca de R$ 389 milhões com processos trabalhistas, em sua maioria relacionados ao Extra Hiper, atualmente em fase de redução, segundo o balanço do quarto trimestre de 2025.

A companhia também prevê pagamentos de aproximadamente R$ 129 milhões referentes a acordos tributários, incluindo adesões ao Acordo Paulista e à Anistia da Bahia, entre outros compromissos.

Além disso, a empresa mantém discussões administrativas e judiciais sobre a apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de processos ligados à cobrança de eventuais diferenças nesses tributos.

Em outras palavras: mesmo com ajustes na estrutura de capital, a companhia ainda precisa lidar com um passivo relevante fora da negociação principal, fator que ajuda a explicar por que o mercado tem precificado a dívida da empresa com descontos tão expressivos.

E os FIIs de tijolo?

Já no caso dos FIIs de tijolo, aqueles que têm o Pão de Açúcar como inquilino, o impacto tende a ser mais limitado. Isso porque a recuperação extrajudicial mira exclusivamente credores financeiros e não afeta o funcionamento do dia a dia da companhia. Ou seja, despesas operacionais como fornecedores, salários e aluguéis seguem sendo honradas.

Entre os fundos de tijolo com maior exposição ao GPA estão GARE11, TRXF11 e RBVA11, que têm imóveis alugados para a companhia em seus portfólios.

De acordo com levantamento da EQI Research, o fundo mais dependente da receita proveniente do grupo é o GARE11. Ao todo, são sete contratos de locação, que respondem por cerca de 14% da receita do fundo, com prazos de vigência que ultrapassam duas décadas.

O TRXF11 também mantém uma relação relevante com a varejista, somando 19 contratos de aluguel. Esses imóveis estão distribuídos principalmente entre São Paulo e Goiânia, com destaque para unidades maiores localizadas em bairros como Vila Mariana (SP) e na cidade de São Caetano do Sul (SP). A participação do GPA na receita do fundo é de aproximadamente 8%.

Já o RBVA11 tem oito imóveis locados ao grupo, espalhados por três estados, com contratos válidos até 2029. Nesse caso, os ativos tendem a ter menor área bruta locável (ABL) em comparação com os demais fundos citados. Ainda assim, o GPA representa cerca de 8,1% da receita total do portfóli.o

O que o investidor deve fazer agora?

Diante do cenário, analistas recomendam cautela, mas não necessariamente uma reação precipitada por parte dos investidores. No caso dos FIIs de papel, o principal ponto de atenção é acompanhar se haverá impacto direto nos CRIs ligados ao GPA e eventuais revisões no valor desses ativos nas carteiras dos fundos.

Como esses títulos podem passar por renegociação ou sofrer desvalorização no mercado secundário, mudanças no valor patrimonial ou até nos dividendos distribuídos não estão descartadas.

Já para os FIIs de tijolo, a recomendação é observar a evolução da situação financeira da companhia e eventuais mudanças operacionais, como fechamento de lojas ou renegociação de contratos. Apesar de os contratos de locação com o GPA serem, em sua maioria, atípicos e de longo prazo, investidores devem monitorar o peso do inquilino na receita de cada fundo.

Não é um monitoramento simples para a maioria dos investidores, mas as informações costumam estar disponíveis nos relatórios gerenciais nos sites de cada gestora.

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Raízen em recuperação extrajudicial: os efeitos para o mercado de crédito e para fundos

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen pode gerar volatilidade nos preços de títulos negociados no mercado, além de efeitos também sobre fundos de crédito privado e da cadeia do agronegócio (Fiagros).

Segundo gestores de crédito de grandes casas ouvidos pelo InvestNews, a situação da Raízen já havia sido “precificada”, como se diz no jargão do mercado, nos títulos da companhia – CRAs, debêntures e bonds – dado o quadro de deterioração de sua saúde financeira há alguns meses.

Isso significa que esses ativos vinham sendo negociados com grande desconto em relação ao seu valor de face (o valor original definido na emissão e pago ao investidor no vencimento).

Mas, apesar dessa antecipação dos efeitos da crise da empresa, como credores ainda podem vender e comprar os papéis em plataformas de corretoras, o investidor que apostou na Raízen ainda poderá ver grande volatilidade nos preços de títulos até que a empresa resolva – ou não – a sua situação financeira.

Se muitos investidores tentarem vender o papel, o preço ainda pode cair mais, e essa situação, gerar uma piora mais ampla na percepção de risco por parte de investidores e na demanda por títulos de outras companhias, gerando uma contaminação para o mercado como um todo.

Esse é o efeito considerado mais relevante no mercado de crédito privado porque os CRAs da Raízen estão principalmente nas mãos de investidores de varejo.

Mas, como os títulos – e, sobretudo as debêntures -, estão espalhados em fundos de crédito no mercado brasileiro, casas de investimento que tiverem o papel podem sentir essa desvalorização e serem obrigadas a “marcar” (registrar) uma performance pior – ainda que isso seja marginal.

Segundo dados de janeiro deste ano, Itaú, Banco do Brasil, Absolute e BTG Pactual estavam entre as gestoras e os bancos que possuem (ou detinham) os papéis da Raízen em carteiras.

Conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), gestoras devem deixar públicas as informações das suas carteiras com uma defasagem de no máximo três meses.

Conforme os profissionais de gestão ouvidos pelo InvestNews, o que ajuda a dissipar efeitos mais dramáticos da crise da Raízen no momento atual é o fato de que o percentual de patrimônio de fundos alocado em papéis da empresa é considerado limitado, em quadro que diverge de crises como a da Americanas e a da Light, em que havia maior concentração nas carteiras.

Além disso, como esses fundos estão com bastante caixa disponível neste momento – ou seja, com investimentos em títulos públicos de alta liquidez –, o efeito tende a ser moderado e se diluir com o tempo, mesmo que os investidores decidam resgatar mais recursos em um contexto de piora da percepção de risco e de um desempenho pior desses ativos.

Entre os Fiagros, a gestora mais relevante com posição na Raízen é a KNCA11 (Kinea Crédito Agro), um veículo mais diversificado, mas que prioriza grandes empresas.

A exposição é equivalente a 1% do patrimônio. O fundo adquiriu um CRA com vencimento em 2032 no valor de R$ 57,9 milhões; hoje, o valor “marcado” é de R$ 22 milhões.

Se os preços dos títulos da Raízen caírem, as taxas de retorno dos papéis sobe – essa é a dinâmica da renda fixa. E aí, pode até parecer que comprar o papel representa um bom negócio, dado que estará pagando uma remuneração maior.

Mas é preciso dar um passo atrás porque cada movimento nesse sentido significa que o risco também está ficando proporcionalmente maior.

Quem decide entrar em momentos de mercado como o atual à espera de uma remuneração maior pode enfrentar um cenário ainda mais grave caso a companhia não consiga se reestruturar em 90 dias, o prazo previsto dentro da recuperação extrajudicial.

Neste momento, segundo os gestores ouvidos pelo InvestNews, os fundos têm menos interesse em vender os títulos da Raízen diante da expectativa de que haverá chance de alguma recuperação de uma parte do investimento caso o processo de reestruturação da empresa seja bem-sucedido.

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Recuperação extrajudicial da Raízen pode afetar outras empresas na bolsa, da JSL a MRS Logística

A recuperação extrajudicial da gigante da energia Raízen vai respingar em várias empresas listadas na bolsa brasileira. São companhias com exposição em maior ou menor grau ao grupo produtor e distribuidor de etanol.

Setores como produtores de cana e fornecedores de insumos, transportadores rodoviários, hidroviários e ferroviários, além de parceiros estratégicos e clientes industriais, estão vulneráveis, avalia o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

A Raízen, por exemplo, é uma grande consumidora de fertilizantes. Mesmo com reaproveitamento de resíduos da produção de álcool, a empresa precisa de insumos complementares como nitrogênio e outros.

A Fertilizantes Heringer (FHER3) tem exposição relevante às operações da produtora de etanol. Uma reorganização operacional da Raízen em busca de redução de custos pode afetar a empresa. Nesta quarta-feira (10), por volta de 12h20, a ação da companhia de fertilizantes subia +2,16%, cotada a R$ 4,25.

Na área de logística, a Raízen utiliza por safra 750 caminhões para escoar 45 milhões de toneladas de cana.

A JSL (JSLG3), controlada da Simpar (SIMH3), tem um grande volume de contratos com a companhia de etanol. As ações da JSL e Simpar tinham quedas de -0,13% e -2,38%, cotadas a R$ 7,84 e R$ 11,51, respectivamente.

A Rumo (RAIL3), controlada pela Cosan, tem um contrato firmado em 2025 com a Raízen no valor de R$ 916 milhões para transporte ferroviário das commodities. A ON da Rumo recuava -0,12% no mesmo horário, negociada a R$ 17,03.

Outra companhia ferroviária com exposição às operações da Raízen é a MRS Logística (MRSA3B). Isso porque a companhia é fundamental para o escoamento de cargas pelo Porto de Santos, com operação do acesso ferroviário da Serra do Mar.

A Raízen, por sua vez, tem uma grande operação em Santos para escoar açúcar e etanol pelo porto paulista. A companhia é a maior exportadora do mundo dessas commodities.

Eventuais negociações sobre os contratos podem afetar os resultados das companhias de logística.

As ações da MRS são negociadas no mercado de balcão da B3, com foco em investidores institucionais, portanto a liquidez é limitada.

Para Cruz, da RB, “mesmo com a companhia afirmando que segue operando normalmente, o elevado endividamento combinado com ciclo agrícola mais desafiador aumenta a probabilidade de problemas em empresas envolvidas em sua cadeia”.

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O que vai acontecer com as debêntures e CRAs da Raízen com a recuperação extrajudicial?

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen vai impactar R$ 11,4 bilhões em dívidas ainda vigentes detidas por investidores de debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Do total, há R$ 5,4 bilhões alocados em cada instrumento.

Para os investidores, o impacto mais direto recai sobre os CRAs, dado que entre 60% e 90% das emissões desses certificados pela produtora e distribuidora de etanol foram parar nas mãos de pessoas físicas, segundo levantamento exclusivo obtido pelo InvestNews, realizado pela plataforma de crédito privado Vitrify.

Já no caso das debêntures, a maior parte está nas mãos de bancos e fundos de crédito.

Trata-se, portanto, do maior evento de perdas em crédito privado no mercado brasileiro desde o caso Americanas, no primeiro semestre de 2023.

Mas, em termos de volume de títulos de dívida privada, a Raízen supera – em muito – a situação da rede varejista, que tinha, na época, um volume de R$ 5 bilhões em debêntures e quase nada em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).

O que investidor deve fazer?

E o que o investidor deve fazer a partir de agora? Um gestor de crédito, que falou com o InvestNews e pediu para não ser identificado, recomendou às pessoas físicas aguardarem as negociações entre a companhia e os principais credores.

Como se trata de uma recuperação extrajudicial (REJ), e não uma recuperação judicial (RJ), a tendência é que os descontos propostos pela Raízen sejam menores do que as perdas se os títulos forem vendidos no mercado secundário.

Na recuperação extrajudicial, diferentemente da versão judicial, os papéis de crédito ainda podem ser vendidos nesse ambiente de negociação de títulos “usados”, em que os ativos são repassados a outro interessado antes dos vencimentos.

No entanto, diante das incertezas sobre as negociações, o valor dos títulos deve despencar. Uma consulta às plataformas digitais na manhã desta quarta-feira (11) mostrava uma ausência de oferta de debêntures e certificados da Raízen.

Antes da recuperação extrajudicial, esses papéis chegaram ser vendidos no mercado secundário com descontos de até 70% em relação ao valor original.

Diante do agravamento da crise, esse mercado ficou praticamente inviável neste primeiro momento, porque, enquanto as negociações não avançarem, não há bases concretas de precificação.

Outro problema: lastro em debêntures

Os R$ 5,4 bilhões em CRAs da Raízen no mercado têm ainda outra característica considerada problemática. Embora sejam instrumentos com garantias, que, no caso de um evento de crédito, seriam passíveis de serem acionadas, todas as emissões de certificados da produtora tiveram como lastro debêntures emitidas por empresas do próprio grupo.

Na prática, isso significa que não há, no momento, garantias a serem acionadas. Nesse caso, o tamanho do estrago em termos de descontos no valor dos ativos e de aumento de prazos de recebimento vai depender das negociações feitas pelos debenturistas.

“Nesse caso, o investidor não é credor direto da empresa emissora das debêntures; o fluxo de pagamento do CRA depende do desempenho desses ativos”, explica a especialista Letícia Domingues, do escritório Zonenschein Advocacia.

De qualquer modo, o investidor que comprou tais certificados não se envolve diretamente nas negociações com a Raízen, porque a empresa de securitização que estruturou as emissões fica responsável por representar os detentores de CRAs.

O esperado para as negociações é que os detentores de títulos de dívida vão ter de amargar algum desconto dos valores a receber, bem como um alongamento de prazos. Em outros casos de recuperação extrajudicial, houve até troca de indexadores dos papéis.

Dívidas vão ter “moratória” de três meses

Os descontos (haircut) tendem a ser menos agressivos do que no caso de uma recuperação judicial, em que os cortes podem atingir até 80% do valor da dívida. Em casos recentes de recuperação extrajudicial, houve perdas mais suaves, de até 20% do valor original, com foco maior no alongamento de prazos.

No caso das debêntures, muitas propostas incluíram a conversão dos títulos em participação acionária.

De qualquer modo, ainda é cedo para saber quais serão as condições propostas e aprovadas nas assembleias de credores.

Outro custo para os investidores é que, durante o prazo de standstill (período em que os credores suspendem temporariamente as cobranças para permitir a negociação da dívida), que deve ser de 90 dias, os pagamentos ficam congelados. É uma espécie de moratória em que os detentores da dívida ficam sem receber, enquanto a companhia negocia as novas condições.

Capacidade de pagamento

Em termos de capacidade de pagamento, a situação é menos preocupante. A Raízen ainda teria R$ 20 bilhões em caixa, o que seria suficiente para honrar as dívidas que vencem em 2026 e 2027.

Ou seja, a pressão do custo da dívida, que drena R$ 7,5 bilhões por ano da companhia, é maior do que a dos vencimentos próximos.

A companhia tem um vencimento de R$ 600 milhões neste mês de março. E, depois, apenas outro de R$ 352 milhões, mas em junho de 2027.

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Ações de Magalu, Casas Bahia e outras varejistas sobem até 11%. O que está por trás das altas?

As varejistas estão em alta na bolsa brasileira nesta terça-feira (10). As ações da Magalu e da Casas Bahia, por exemplo, duas das companhias com maiores bases de acionistas pessoas físicas, por volta das 16h, os papéis subiam 7% e 11%, respectivamente.

Todos os setores de empresas ligadas ao consumo cíclico também avançam com força na B3. A recuperação das ações de varejo e de outras companhias de consumo ocorre em meio ao clima mais favorável ao risco. A mudança veio na esteira da sinalização do governo dos Estados Unidos de que o fim da Guerra no Irã pode estar perto.

Além do alívio geopolítico e da redução de incertezas, as alta se amparam na percepção de que a alta do petróleo pode ter um efeito mais pontual e curto do que o esperado. Com isso, o mercado retoma as perspectivas de cortes de juros mais agressivos pelo Banco Central a partir da semana que vem.

Um cenário de Selic mais baixa ajuda os resultados das varejistas, do turismo e de outras companhias do chamado consumo discricionário.

O setor de varejo de moda também mostra forte avanço. As ações de Lojas Renner sobem 4,60% cotada a R$ 15,24. A rival C&A tem sua ação cotada a R$ 12,05, com subida de 6,17%.

A Azzas 2154, dona de 34 marcas, entre as quais Farm, Arezzo e Hering, tem alta de 6,50% cotada a R$ 27,54.

Em outro setores cíclicos como turismo e aluguel de automóveis, os ganhos são também significativos. A CVC, por exemplo, sobe 5,50% cotada a R$ 2,11.

Os papéis de Localiza e a da rival Movida avançam, respectivamente, 4,20% e 4,20% cotados a R$ 47,65 e R$ 12,94.

Aluguel de ações

Um fator técnico que pode ajudar a impulsionar os papéis das varejistas é o nível de aluguel de ações em relação ao “free float”, ou seja, a quantidade de ações negociadas na bolsa.

No caso da Magalu, são 16%. E para Casas Bahia esta taxa sobe para 31%. São patamares considerados elevados.

O aluguel é uma forma de os investidores apostarem na queda dos papéis. Essa estratégia é chamada no mercado de “short” ou posição vendida.

Níveis acima de 15% são altos porque já podem causar o chamado “short squeeze“, ou seja, uma corrida para cobrir posições (comprar as ações de volta para devolver a quem emprestou os papéis) e evitar prejuízos crescente após valorizações significativas das ações. O short squeeze retroalimenta e amplifica as altas.

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Volatilidade no Tesouro Direto aumenta: saiba como lidar com o sobe desce das taxas

Os títulos do Tesouro vêm demonstrando alta volatilidade em meio à guerra no Oriente Médio e à brusca mudança de humor do mercado nas últimas semanas. E isso reforça uma mensagem para o investidor desses produtos, que são justamente os mais conservadores: para evitar perdas é hora de ter sangue frio e paciência.

O investidor precisa lembrar que vender o título neste momento significa embolsar aquilo que o mercado estiver pagando por ele.

Ou seja, ver eventuais perdas na carteira por causa da instabilidade no mercado e decidir se desfazer do título é deixar na mesa a rentabilidade contratada, já que nada muda para quem carregar o papel até o vencimento. O que foi acordado na hora da compra continua valendo se o investimento for mantido.

Na iminência de cortes da Selic, manter os títulos em mãos é uma grande chance de ter ganhos porque a remuneração deles acompanha a taxa básica e também cede. E aí, na dinâmica da renda fixa, os preços dos papéis sobem. É preciso ressaltar que o Banco Central se reúne na semana que vem e deve cortar os juros em 0,25 ou 0,50 ponto percentual, segundo a expectativa majoritária do mercado.

E quem não tem esses investimentos na carteira ainda encontra uma boa janela para se posicionar e lucrar com esse movimento. Afinal, é um momento oportuno para travar uma taxa maior antes de a Selic começar a ser reduzida, o que pode ser uma grande vantagem se levar o título até o vencimento.

Para se ter uma ideia do tamanho da instabilidade no mercado, no dia 26 de fevereiro, logo antes dos primeiros ataques dos EUA ao Irã e da morte do líder supremo do país, Ali Khamenei, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 custava R$ 715,98 e estava pagando uma taxa de 12,59%.

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Depois do estouro do conflito, a taxa desses títulos disparou – e, reforçando, o preço desabou. No última sexta-feira (6), a taxa atingiu um pico de 13,33%. E o preço, foi para o fundo, em R$ 704,98. O mesmo comportamento aconteceu com outros vencimentos e em outros títulos, como os indexados à inflação.

De lá para cá, os títulos já tiveram uma recuperação das perdas recentes: o mesmo papel prefixado para 2029 subiu para R$ 710,38, enquanto a taxa foi a 13,06%.

Vale lembrar que a expectativa é de que a taxa básica continue a cair ao longo do ano e atinja os 12,25% no fim de 2026, também na leitura da maioria dos economistas.

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Vai viajar ao exterior? ETFs e outros ativos que pagam juros em dólar ajudam no planejamento

Para quem pretende viajar ao exterior nos próximos meses, o momento voltou a ficar favorável para a compra do dólar, que caiu de novo para a casa de R$ 5,15, o menor nível em quase dois anos. A moeda americana tem oscilado com força nas últimas semanas diante da Guerra do Irã.

Declarações de Donald Trump de que o conflito pode se estender menos que o esperado têm levado investidores a retomar a atenção a fundamentos. A janela para diversificação internacional voltou a reabrir, mas, como continua muito sensível ao noticiário, pode fechar rapidamente de novo.

De qualquer modo, quem tem de juntar recursos em moeda forte para viajar nos próximos meses pode aproveitar esses momentos de alívio antes de um novo repique.

O turista tem alternativas que vão muito além da compra da moeda física ou em carteiras digitais – as wallets. Há diferentes produtos – de ETFs (fundos passivos de índice) a BDRs de ETFs e mesmo renda fixa em dólar – que podem ser usados para montar uma reserva de viagem.

A melhor estratégia é aplicar regularmente os recursos em produtos que tragam exposição à moeda americana e que tenham alta liquidez.

O ETF USDB11, da Investo, por exemplo, segue um índice com títulos do mercado de renda fixa americana de melhor qualidade (grau de investimento) e prazos intermediários.

O investidor pode ainda aplicar em ETFs do exterior fazendo a aplicação na bolsa brasileira, por meio dos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos que representam cotas de fundos de índice internacionais. Por meio deles, é possível investir em ETFs de fora, mas na própria plataforma da bolsa brasileira e em reais.

A gestora BlackRock, por exemplo, disponibiliza BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Investir diretamente lá fora é opção

Outra maneira de montar sua reserva de viagem em dólar é investir diretamente em títulos de renda fixa de curto prazo emitidos pelo governo americano, as T-bills. São papéis com vencimentos entre 4 e 52 semanas, com alta liquidez no mercado secundário, o que permite ao investidor vendê-los rapidamente antes do vencimento se precisar do dinheiro.

Os americanos usam as T-Bills da mesma forma como os brasileiros usam o Tesouro Selic. É nesses papéis, cujas taxas variam hoje entre 3,5% e 3,7% ao ano, que os americanos montam suas reservas de emergência. Eles não são pós-fixados, como os nossos.

Mas, por serem prefixados de prazo curtíssimo, tais ativos tendem a fazer com que o saldo suba constantemente. Esse tipo de aplicação pode ser acessada pelos brasileiros por meio de plataformas de contas globais de empresas como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

ETFs estrangeiros facilitam investimento em dólar

Da mesma forma que é possível investir diretamente nas T-bils por meio de contas globais de investimentos, há a alternativa de ETFs internacionais.

Alguns ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo, por exemplo, mantêm uma carteira com até 80% de alocação em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

O ETF VBILL, da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,54%. Outro fundo, TBLL, da Invesco, nos últimos 12 meses teve rentabilidade de 4,5%.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços entre US$ 75 e US$ 100.

Os Estados Unidos também têm um produto equivalente ao fundo DI no Brasil. No mercado americano esse é o papel do chamado money market. O nome diz tudo: aplicações nesses fundos são consideradas como equivalente a dinheiro em caixa na contabilidade de empresas e instituições.

A remuneração desses produtos segue de perto as taxas de curto prazo definidas pelo banco central americano, o Federal Reserve. Em fevereiro de 2026, estavam em torno de 4,01% ao ano em dólar. O investimento mínimo é de US$ 1 mil.

Outra vantagem de investir para viajar

Essa aplicação em dólar pode trazer um benefício extra: compensar parte da volatilidade ao longo dos meses. Aqui é preciso fazer uma conta para explicar.

Um retorno de 4% ao ano bruto equivale a cerca de 0,33% ao mês. Então, se o dólar recuar 0,33% frente ao real em um mês, o ganho, basicamente, vai zerar essa diferença. Ou, eventualmente, suavizar essa queda.

Por outro lado, qualquer valorização da moeda americana vai se somar ao ganho mensal. Se a divisa dos EUA subir, digamos, 0,5% no mês, significa que sua reserva valorizou 0,88% em reais no período.

E porque o câmbio médio? É uma forma de fazer um “seguro” contra a volatilidade. Se o dólar subir, você vai ter comprado a moeda por um preço médio menor do que esperar até a véspera de embarcar para comprar tudo de uma vez.

Caso a moeda americana recue ainda mais, o preço médio, na prática, reduz a diferença entre o maior e o menor valor no período. Além disso, os juros da aplicação vão atenuar ou até mesmo compensar essa oscilação.

Câmbio pode mudar a qualquer momento

Esperar para comprar tudo de uma vez é uma aposta muito arriscada. A volatilidade pode voltar com força – e de repente – por vários motivos. Esses fatores vão desde incertezas eleitorais, a fatores geopolíticos e até mesmo alguma supresa na política monetária dos EUA e do Brasil.

A boa notícia: a fraqueza do dólar ainda é estrutural, ou seja, vem de fatores que tendem a se manter presentes, pelo menos, ao longo do semestre. No entanto, como não dá para prever o comportamento do câmbio, então vale a pena aproveitar a janela atual mais favorável que pode fechar a qualquer momento.

“O período eleitoral, por exemplo, pode introduzir maior volatilidade ao longo do segundo semestre”, ressalta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

E só para relembrar, a guerra no Irã ainda em andamento tem feito o dólar oscilar com força. Momentos como os da última semana, quando o dólar chegou a tocar os R$ 5,30, podem se tornar mais frequentes daqui para a frente.

Quer outro exemplo? No fim de 2024, as preocupações com a situação fiscal no Brasil pressionaram o real e levaram a cotação da moeda americana a mais de R$ 6,20. E esse cenário de trajetória de alta do endividamento púbico mudou pouco de lá para cá.

O próprio mercado vê o dólar na casa de R$ 5,41 no fim de 2026, segundo a pesquisa Focus, do BC, que faz um levantamento semanal das projeções de analistas e economistas de instituições financeiras.

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MBRF, Minerva e o outro custo da guerra no Oriente Médio: a logística

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionaram um novo ponto de atenção ao setor de proteína animal: a logística. Duas companhias brasileiras – MBRF e Minerva – são aquelas com exposição mais evidente a mercados e fluxos comerciais ligados à região.

O ponto de partida dessa preocupação está no peso da região para as exportações brasileiras. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações de frango do Brasil, o que coloca a MBRF, dona de marcas relevantes nesse segmento, entre as empresas mais sensíveis a eventuais mudanças nas rotas de embarque.

No caso da Minerva, a exposição aparece na carne bovina: cerca de 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA.

Até aqui, não é possível afirmar que o impacto esteja “contratado” para as empresas ou que há interrupção dos embarques, mas a instabilidade geopolítica joga luz sobre um um novo risco operacional que se desenha no horizonte.

As tensões geopolíticas são o grande ponto de atenção porque podem gerar gargalos logísticos na entrega de embarques das companhias para a região, que devem contar com alternativas para tentar driblar as dificuldades.

Segundo o Itaú BBA, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia alertado para possíveis interrupções decorrentes da mudança de fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, que já está fechado e já vem, por isso, afetando a cadeia de produção de outras commodities, caso do petróleo. E isso se soma a uma capacidade operacional menor no Canal de Suez, outra fonte de escoamento.

Como estratégia de segurançca alimentar, os produtores da região estão priorizando, atualmente, produção local em vez de importações. Além disso, a MBRF tem operações locais de frango halal, voltado ao consumo de acordo com as regras islâmicas.

Esses dois fatores permitem que a companhia consiga uma menor pressão sobre as vendas no curto prazo, mas isso só valerá se o conflito não se prolongar de forma significativa.

No caso das exportações brasileiras de carne bovina, a exposição é menor do que no segmento de aves, mas é possível ver efeitos potenciais sobre os produtores que já vinham trabalhando para redirecionar embarques para outras regiões após a imposição de cotas de produtos pela China.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, trazendo novos riscos para a cadeia de suprimentos do setor.

Os volumes destinados ao Oriente Médio pela Minerva representaram 9% das exportações totais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025 e, mesmo não entregando produtos diretamente para o Irã, a companhia ainda tem pela frente desafios logísticos para atender a região se a guerra continuar no processo de escalada.

Nos cálculos do Itaú BBA, os spreads da carne bovina no Brasil – a diferença entre o preço de venda da carne e o custo da matéria-prima – recuaram 5,6% na comparação trimestral até agora no primeiro trimestre deste ano. O movimento é resultado da alta de 4,4% nos custos do gado, combinada com uma queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.

Desde o começo de março, as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perdas de 12,6%. Já os papéis da Minerva (BEEF3) têm baixa de 13,8% no mesmo período.

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Guerra no Irã coloca aposta de Wall Street em mercados emergentes à prova

A guerra no Irã deu um golpe em uma das apostas favoritas de Wall Street: os mercados emergentes. Isso não significa que o cenário esteja perdido, mas os riscos aumentaram e continuam se acumulando.

Ações e moedas registraram fortes perdas recentes, com o índice de ações MSCI de mercados emergentes marcando sua maior queda semanal em seis anos, enquanto os rendimentos dos títulos subiram, em um tradicional movimento de busca por proteção.

Até aqui, gestores de recursos de empresas como Pimco, Barings e T. Rowe Price Group afirmam que o argumento de longo prazo a favor dos mercados emergentes permanece intacto. Alguns estão fazendo ajustes pontuais em seus portfólios, enquanto a maioria evita mudanças mais profundas – ao menos por enquanto.

A convicção desses investidores se baseia no que eles veem como os principais motores da alta recente dos emergentes: a busca por diversificação em relação aos ativos dos Estados Unidos, avaliações de preço mais atraentes e crescimento econômico sólido.

A expectativa é que esses fatores voltem a ganhar peso quando o choque geopolítico diminuir e parte do mercado já começa a aproveitar as quedas recentes para ampliar posições. Investidores injetaram US$ 12,6 bilhões em ações e títulos de mercados emergentes na semana até quarta-feira (4), segundo relatório do Bank of America, citando dados da EPFR Global.

Impactos e riscos

Os rendimentos dos títulos em moeda local de mercados emergentes atingiram os níveis mais altos desde abril. A queda das moedas desses países levou investidores a vender esses papéis, o que derrubou seus preços e elevou os juros.

“Estamos esperando mais clareza“, disse Nick Eisinger, chefe de estratégia de crédito soberano de mercados emergentes da J.P. Morgan Asset Management. “Gostamos da história fundamental de muitos emergentes, mas infelizmente os fundamentos não contam muito neste momento, então precisamos que esse choque passe.

Nesse ambiente, a percepção é de que os riscos estão aumentando, com o petróleo Brent superando US$ 90 por barril e o conflito no Oriente Médio se intensificando. A preocupação é que a alta dos preços do petróleo pressione o crescimento econômico em países que dependem de importações de energia.

Ao mesmo tempo, o dólar mais forte – que voltou a ser visto como um ativo de proteção em momentos de turbulência, especialmente frente às moedas emergentes – tende a apertar as condições financeiras globais e reduzir os retornos para investidores nesses mercados.

O J.P. Morgan reduziu suas recomendações para ativos de mercados emergentes três vezes na última semana, à medida que a incerteza aumentou em relação às perspectivas para essa classe de ativos.

Os estrategistas do banco reduziram suas posições otimistas para posição neutra em câmbio e juros locais e passaram a recomendar “subexposição tática” — quando a indicação é vender e permanecer com menos exposição no curto prazo — em títulos soberanos e corporativos denominados em dólar.

Eric Fine, chefe de dívida ativa de mercados emergentes da VanEck Associates, avalia que a queda nas moedas emergentes que abriu oportunidade de compra: a gestora aumentou exposição a países como África do Sul, Colômbia e Chile.

Segundo Fine, muitos mercados emergentes são exportadores de commodities, o que pode beneficiar regiões como América Latina e África Subsaariana em um cenário de preços elevados de matérias-primas.

A Ásia, por sua vez, pode enfrentar desafios econômicos maiores, embora ainda apresente oportunidades de investimento devido à solidez de suas políticas econômicas e à valorização do yuan chinês.

O fator decisivo agora é quanto tempo o conflito vai durar. “Se o mercado começar a estimar que a guerra será mais longa, aumentará também a probabilidade de recessão global”, disse.

Para Samy Muaddi, chefe de renda fixa de mercados emergentes da T. Rowe Price, os fundamentos dos emergentes continuam relativamente sólidos. A preocupação está na combinação de petróleo mais caro e política fiscal mais expansionista nos Estados Unidos, que pode alterar o cenário para taxas de juros globais e aumentar a volatilidade.

“Qualquer coisa que mude as taxas básicas, a volatilidade ou o risco nos mercados acionários tende a afetar os mercados emergentes”, disse. A gestora tem preferido ativos de maior qualidade e maior liquidez, reduzindo exposição a países considerados mais arriscados.

Nos mercados locais, Muaddi afirma que prefere países onde não há eleições importantes nos próximos meses e onde as taxas de juros reais permanecem elevadas, citando México, Romênia e Turquia como exemplos. Segundo ele, a América Latina tende a ser menos vulnerável do ponto de vista das condições financeiras globais e pode se beneficiar de uma rotação de portfólio de investidores internacionais.

Onde está o otimismo?

Se a crise permanecer contida, o ambiente global de crescimento e a convergência entre economias emergentes e desenvolvidas devem continuar favorecendo os ativos desses países. É a visão de Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine Group, para quem o conflito não altera os fundamentos de longo prazo dos emergentes.

“Não estou no grupo que acha que isso muda tudo fundamentalmente e que é hora de sair completamente dos mercados emergentes. Vejo isso muito mais como um choque externo”, disse. “Os mercados emergentes oferecem muito valor e formas diversificadas de investir.”

Campbell afirma que muitos dos movimentos recentes foram provocados pelo desmonte de posições muito populares no mercado, o que pode abrir oportunidades. “Se tivermos mais clareza sobre a situação no Irã, pode ser um excelente momento para voltar a investir em moedas e títulos locais de mercados emergentes.”

Para Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da Pimco, o episódio atual mostra justamente uma das principais fragilidades para a classe de ativos: tensões geopolíticas.

Ainda assim, ele acredita que os emergentes continuam sustentados por fatores estruturais, como maior credibilidade fiscal dos governos, inflação mais controlada graças à atuação dos bancos centrais e maior interesse de investidores globais em diversificar suas carteiras.

“Esse ciclo de mercados emergentes parece mais durável do que altas anteriores, incluindo o ciclo de 2008”, disse.

O efeito dos preços mais altos do petróleo de fato pode prejudicar os países importadores de energia, mas isso vale tanto para economias desenvolvidas, como as emergentes, segundo Ghadir Cooper, chefe global de ações da Barings. Ele acredita que os mercados emergentes seguem apoiados por avaliações atrativas e por ainda estarem sub-representados nas carteiras globais de investimento.

Como os emergentes tiveram desempenho inferior por mais de uma década, o argumento de diversificação ganha força: investidores podem migrar parte de seus recursos de ativos americanos para esses lugares agora.

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Balanços do 4º tri mostram mais surpresas positivas que negativas na bolsa – pelo menos até agora

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 das empresas brasileiras listadas em bolsa tem apresentado um desempenho melhor do que o esperado, ao menos até agora. Entre as companhias que já divulgaram resultados, os lucros superaram as estimativas de analistas com mais frequência do que ficaram abaixo das projeções, indicando um início de temporada relativamente positivo para o mercado.

Até o momento, 65 empresas já divulgaram seus resultados. Na próxima semana, 39 publicarão seus números, entre grandes e pequenas companhias.

Entre as que já divulgaram os dados, 32,3% superaram as estimativas de lucro, enquanto 26,2% ficaram abaixo do esperado. A maior parte (41,5%) ficou em linha com as expectativas. O levantamento é do Itaú BBA, que estabelece um índice de “beat/miss” de 1,2 vez.

O indicador compara quantas empresas superaram as estimativas de analistas (“beat”) com quantas ficaram abaixo delas (“miss”). Quando o índice fica acima de 1, significa que as surpresas positivas predominam.

Bancos e setores ligados à economia doméstica lideram resultados

Os dados setoriais mostram um desempenho relativamente forte em alguns segmentos da economia. Entre os bancos, por exemplo, cerca de 22% das instituições superaram as estimativas de lucro, enquanto a maior parte ficou próxima das projeções.

Banco do Brasil e Itaú, por exemplo, divulgaram lucros expressivos no período, reforçando o desempenho sólido do setor. E algumas instituições tiveram reação mais cautelosa do mercado, mesmo com números fortes, como foi o caso do Santander.

Empresas ligadas ao consumo mostraram resultados mais heterogêneos. Os dados indicam que cerca de um terço das empresas superou as estimativas, enquanto uma parcela semelhante ficou dentro das projeções.

Entre os destaques positivos aparece o Mercado Livre, que registrou crescimento relevante de receita, enquanto companhias como Assaí enfrentaram reação mais negativa do mercado após a divulgação dos números.

Outros nomes do setor, como Raia Drogasil, Lojas Renner e Iguatemi, divulgaram resultados mais próximos das expectativas dos analistas, refletindo um ambiente de consumo ainda desigual.

Nos setores ligados à indústria e commodities, os resultados apareceram em grande parte alinhados às previsões do mercado.

Empresas como Vale, Usiminas e Gerdau reportaram números próximos das expectativas em indicadores operacionais, enquanto companhias de capital industrial, como WEG, também apresentaram resultados dentro do intervalo projetado pelos analistas.

Esse comportamento reflete um ambiente mais estável nesses setores, em que as projeções já incorporavam fatores como preços de commodities e ritmo da atividade global.

Receita e lucro operacional superam projeções

Além do lucro líquido, outros indicadores operacionais mostram desempenho relativamente forte. Quando analisados os resultados de Ebitda – métrica que mede o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização –, cerca de 20,4% das empresas superaram as estimativas, enquanto 27,4% ficaram abaixo delas.

No caso das receitas, os números foram mais favoráveis: mais de 80% das empresas reportaram faturamento dentro ou acima das projeções, indicando que muitas companhias conseguiram manter crescimento ou estabilidade nas vendas.

Esses indicadores ajudam investidores a entender não apenas o lucro final, mas também a evolução da atividade operacional das empresas.

Entre os resultados já divulgados, a reação dos analistas também tem sido predominantemente positiva. Aproximadamente 46% das empresas receberam avaliação positiva após a divulgação dos resultados, enquanto cerca de 37% tiveram reação neutra e 17%, negativa.

Esse tipo de análise acompanha como os analistas revisam suas avaliações após os balanços, indicando se os números divulgados reforçam ou enfraquecem as perspectivas das companhias.

Sentimento do mercado perde força no final da temporada

Apesar do início relativamente positivo da temporada, o sentimento agregado do mercado apresentou leve deterioração no final do período analisado.

Um indicador que mede a percepção dos participantes de mercado nas conferências de resultados das empresas, por meio da análise de comentários de executivos e analistas, recuou para uma nota 7,3 no quarto trimestre de 2025, abaixo da nota 8 registrada entre o segundo e terceiro trimestres.

Esse indicador mede o grau de otimismo ou cautela nas discussões entre empresas e investidores. Quanto mais alto o índice, mais positivo tende a ser o tom das expectativas.

Mesmo com essa queda recente, o nível atual ainda permanece acima dos mínimos registrados em 2024, sugerindo que o ambiente corporativo segue relativamente estável.

As conferências de resultados também indicam algumas tendências estratégicas entre as empresas. Segundo a análise das apresentações e chamadas com investidores, executivos têm enfatizado temas como eficiência operacional, digitalização e disciplina na alocação de capital.

Outro ponto recorrente é a preocupação com controle de custos e geração de caixa, especialmente em setores mais expostos ao ciclo econômico ou a preços de commodities.

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O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

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Petrobras sobe ao maior preço em 18 anos após balanço; o que esperar da ação e dos dividendos

O balanço da Petrobras, divulgado na noite de quinta-feira (6), foi bem recebido por analistas e investidores.

As ações ordinárias da estatal (PETR3), que já vinham surfando o movimento de alta do preço do petróleo em meio às tensões crescentes no Oriente Médio, avançaram mais de 5% ao longo desta sexta-feira (6), para um patamar acima de R$ 46, a maior valorização da B3 no dia e o melhor preço do papel desde maio de 2008. No fechamento, a alta foi de 4,12%, a R$ 45,78. O papel preferencial (PETR4) subiu 3,49%, a R$ 42,11.

Parte dos ganhos tem relação direta com os dividendos. No balanço, a Petrobras anunciou o pagamento de R$ 8,1 bilhões em proventos, valor acima do que vinha sendo projetado pelo mercado. Isso equivale a R$ 0,62 por ação.

Em teleconferência, a CEO da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a superação das metas de produção e o aumento da extração de petróleo contribuíram para uma maior geração de caixa, ampliando tanto a capacidade de investimento quanto a distribuição de dividendos.

A produção de petróleo e gás totalizou 3,1 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 2% na comparação trimestral. Para colocar esse número em perspectiva: um barril de petróleo tem cerca de 159 litros, o que significa que a produção diária equivale a quase 500 milhões de litros.

Um carro comum tem tanque de cerca de 50 litros – ou seja, daria para abastecer quase 10 milhões de tanques de carro por dia. E o preço do petróleo nas alturas (US$ 93 hoje) ajudou.

Um gestor afirmou que, se os preços do petróleo permanecerem nos níveis atuais por um período prolongado, a empresa pode se tornar uma máquina de gerar dinheiro.

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Dividendos extraordinários?

Sobre a possibilidade de pagamentos extraordinários, o CFO da Petrobras, Fernando Melgarejo, afirmou que a companhia “adoraria” realizá-los caso haja um nível elevado de caixa – desde que isso não comprometa o financiamento dos projetos previstos no plano de negócios.

O executivo ressaltou, no entanto, que a prática da empresa é avaliar distribuições adicionais durante a elaboração do planejamento estratégico. Por essa razão, ainda é cedo para pensar em garantir novos pagamentos trimestrais além dos já previstos.

No balanço, a Petrobras indicou US$ 20,3 bilhões em capex para 2025, número próximo do limite superior do planejamento divulgado anteriormente. O capex mede quanto a empresa investe em projetos e infraestrutura. Um valor elevado assim indica que a companhia está acelerando investimentos – o que pode pressionar a geração de caixa no curto prazo e reduzir o montante disponível para dividendos.

Por outro lado, esses investimentos também podem fortalecer a geração de caixa nos próximos anos, base que sustenta a distribuição de dividendos ao longo do tempo.

E o que esperar da ação?

No curto prazo, o desempenho das ações da Petrobras tende a continuar bastante ligado ao comportamento do preço do petróleo, que segue sensível ao cenário geopolítico no Oriente Médio e às condições da economia global.

Ao mesmo tempo, fatores internos também permanecem no radar dos investidores, como decisões de alocação de capital, nível de investimentos e eventuais discussões sobre a política de preços dos combustíveis no âmbito das eleições deste ano.

Nesse contexto, analistas da XP mantêm recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 47 por ação preferencial, destacando a forte geração de caixa da companhia e o potencial de distribuição de dividendos.

Analistas do BTG têm recomendação de compra para os ADRs da petroleira, com preço-alvo a US$ 15. O Bank of America reiterou recomendação neutra, com preço-alvo a R$ 44.

Ou seja, a expectativa é que o preço permaneça próximo

Resultado forte. Mas há dúvidas

A Petrobras reportou fluxo de caixa de US$ 10,2 bilhões, número 14% acima das estimativas do mercado. Esse indicador mede quanto dinheiro a empresa efetivamente gera com suas operações, depois de pagar custos e despesas. Em outras palavras, mostra a capacidade da companhia de transformar suas atividades – produção e venda de petróleo e derivados – em caixa.

Mesmo assim, nem todo analista enxerga a empresa como o melhor investimento do setor neste momento. Isso porque, apesar de se beneficiar da alta do petróleo e dos números fortes do balanço, a Petrobras segue bastante exposta ao cenário político.

As dúvidas recaem principalmente sobre decisões de alocação de capital e sobre a política de preços dos combustíveis, áreas que parte do mercado considera mais suscetíveis a interferências.

Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos, disse que vê um risco adicional caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e leve a uma disparada ainda maior da cotação do petróleo. Nesse cenário, poderia surgir pressão política sobre os preços dos combustíveis no Brasil.

“Se o preço do petróleo disparar e isso começar a pesar muito na bomba, o mercado pode passar a temer algum tipo de intervenção. Como a empresa é estatal, esse risco sempre existe.”

Segundo ele, uma eventual tentativa da estatal de segurar os preços ou subsidiar parte do combustível poderia ser negativa para as ações no curto e médio prazo.

Diante desse cenário, alguns gestores avaliam que a relação entre risco e retorno não favorece a companhia neste momento. Por essa razão, eles mantêm exposição reduzida às ações da empresa ou até posições vendidas – estratégia que ganha com a queda do papel.

Ainda assim, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) acumulam alta de 41% no ano, enquanto as ordinárias sobem perto de 45%.

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Ações da Embraer caem até 7% após resultado. Para analistas, a recomendação é de compra

As ações da Embraer operam em queda acentuada nesta sexta-feira (6) após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. E o recuo pode ser uma oportunidade de entrada no papel, segundo analistas.

As ações ordinárias (ON) chegaram a cair mais de 7% por volta de 13h, na cotação mínima do dia. Por volta das 14h, as perdas eram de 5%, com o papel negociado na casa de R$ 82.

O recuo ocorre a despeito de os números do quarto trimestre terem vindo acima das expectativas de analistas.

A queda das ações da Embraer nesta sexta-feira vem de uma reação pontual de investidores globais, preocupados com a evolução da guerra no Oriente Médio.

Como o papel é um dos preferidos os estrangeiros, o movimento de rebalanceamento em meio ao movimento de redução de exposição a risco em todo o mundo passou a penalizar a fabricante, assim como outras companhias que tenham alguma vulnerabilidade à crise do petróleo.

No caso da fabricante brasileira de aviões, a alta do preço do combustível de aviação traz insegurança sobre os rumos do setor. Isso porque os resultados das companhias aéreas são, historicamente, muito sensíveis às oscilações tanto cambiais quanto de produtos derivados do petróleo.

O ETF americano JETS, que acompanha o desempenho de ações da indústria global de aviação, apresenta um recuo de 3% nesta sexta-feira e de cerca de 7% na semana.

De qualquer modo, após o balanço da Embraer, diferentes bancos e casas de análise reforçaram a recomendação de compra para os papéis.

O JPMorgan manteve o preço-alvo em 12 meses da ação da companhia em R$ 108. O patamar representa um potencial de alta de 30% sobre as cotações atuais.

O Goldman Sachs avaliou o preço-alvo em 12 meses dos ADRs, ou seja, dos recibos de ações da Embraer negociados nos EUA, em US$ 78. Esse nível embute um potencial de ganho (upseide) de 26% em dólar para o recibo.

O Santander ajustou o preço-alvo dos ADRs para US$ 86. Isso representa um “upside” potencial de 38% frente ao nível atual das cotações.

Números recordes e perspectivas sólidas

O balanço do quarto trimestre foi considerado sólido pelo mercado. Os relatórios mostram que tanto a receita quanto o lucro operacional medido pelo Ebitda superaram em 4% o consenso do mercado.

A carteira de pedidos firmes (backlog) alcançou um recorde histórico no último trimestre de 2025. O faturamento potencial alcançou US$ 31,6 bilhões, com crescimento de 1% frente ao terceiro trimestre e de 20% quando comparado ao mesmo período de 2024.

A Embraer ainda planeja expandir sua atuação global. Há planos, por exemplo, de instalar uma fábrica de aviões comerciais na Índia, um dos maiores mercados de aviação do mundo.

Na carteira de produtos, as casas destacaram a parceria com a Northrop Grumman para o avião militar KC-390 e o lançamento dos novos jatos executivos Praetor 500E/600E, que são vistos como catalisadores para novas altas.

A companhia divulgou ainda metas consideradas otimistas para este ano, com previsão de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais em 2026, versus 78 em 2025. Na aviação executiva, o plano é expandir a capacidade para até 200 jatos por ano.

As perspectivas de longo prazo também trazem potencial de crescimento sustentado para os próximos anos. A parcerias internacionais já firmadas pela Embraer incluem a colaboração com a indiana Mahindra, que pode gerar pedidos de 40 a 80 aeronaves de defesa (KC-390) já em 2026. Há também uma parceria com o grupo Adani para o modelo de jato comercial E175.

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Bitcoin sobe e puxa ethereum, solana e outras altcoins

O bitcoin registrou seu melhor preço em cerca de um mês ontem, impulsionado por novas compras de investidores. Mas não foi só a principal criptomoeda que subiu. As altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também avançaram junto.

O ethereum (ETH) sobe pouco mais de 4% nesta quinta-feira (5), para US$ 2.140, enquanto a solana (SOL) avança 2,37%, negociada acima de US$ 92. Criptomoedas menores, com menor liquidez, também registram alta. O monero (XMR), um dos principais tokens de privacidade do mercado, sobe cerca de 8%.

Quando o bitcoin sobe, ele costuma melhorar o sentimento do mercado e atrair mais capital para o setor cripto como um todo. Com mais dinheiro entrando, parte desse fluxo acaba migrando para altcoins, que muitos investidores veem como apostas com maior potencial de valorização

Além disso, houve uma leve melhora no sentimento global de risco, o que ajudou a aliviar a pressão vendedora sobre os ativos digitais.

Nos Estados Unidos, Donald Trump também se posicionou ao lado do setor cripto na disputa entre plataformas de criptomoedas e bancos sobre o pagamento de rendimento em stablecoins, o que também serviu como impulsionador.

Apesar da recuperação recente, o cenário ainda é incerto, especialmente por causa das tensões geopolíticas. Estados Unidos, Israel e Irã continuam em conflito, e novos ataques foram registrados no Oriente Médio nos últimos dias.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +2,78%, US$ 72.896,33

Ethereum (ETH): +4,25%, US$ 2.140,22

XRP (XRP): +3,06%, US$ 1,44

BNB (BNB): +1,91%, US$ 661,50

Solana (SOL): +2,37%, US$ 92,77

Outros destaques do mercado cripto

Cripto em fuga no Irã. As exchanges cripto iranianas registraram um movimento alto após os ataques aéreos de EUA e Israel no fim de semana. Entre 28 de fevereiro e 2 de março, cerca de US$ 10,3 milhões em cripto saíram dessas plataformas, segundo dados da Chainalysis. Para onde foi esse dinheiro ainda não está claro. Os fundos, segundo a empresa, podem ter sido enviados para carteiras pessoais de cidadãos, novas infraestruturas de exchanges locais ou até movimentações ligadas ao Estado.

Visa acelera no mundo cripto. A gigante de pagamentos Visa está aprofundando sua aposta em moedas digitais. A empresa ampliou sua parceria com a plataforma de infraestrutura cripto Bridge para permitir cartões Visa vinculados a stablecoins. Na prática, usuários poderão gastar stablecoins normalmente em qualquer estabelecimento que aceite Visa – uma rede com mais de 175 milhões de comerciantes no mundo. A iniciativa já está disponível em 18 países e deve chegar a mais de 100 até o fim do ano.

BC avança na regulação. Tem mais regras chegando para o mercado cripto no Brasil. O Banco Central publicou nesta semana as resoluções 552 e 553. A primeira trata de regras de governança e gestão das empresas, enquanto a segunda aborda questões contábeis. Na prática, as normas trazem mais clareza sobre as obrigações que as empresas do setor devem seguir após a nova regulação cripto, que entrou em vigor em fevereiro.

Cartórios brasileiros na blockchain. A tecnologia por trás das criptomoedas também começa a ganhar espaço nos cartórios brasileiros. Entre 2020 e 2025, pouco mais de 9 milhões de atos notariais – como escrituras públicas, procurações e certidões eletrônicas – foram registrados em blockchain. O movimento mostra como até setores tradicionais começam a embarcar na digitalização e na tokenização de documentos.

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Mercados hoje: desemprego no Brasil mexe com expectativas sobre juros com proximidade da reunião do Copom

Bom dia!
A agenda da quinta-feira (5) tem a divulgação da taxa de desemprego de janeiro no Brasil. A expectativa é de que se mantenha perto das mínimas históricas. Os investidores avaliam se os números podem influenciar a decisão sobre juros do Banco Central daqui a pouco mais de uma semana. Ao mesmo tempo, a agenda econômica dos EUA começa a ganhar relevância com dados que antecedem o relatório oficial de emprego americano, o payroll, marcado para a sexta-feira. Nos mercados, mais um dia de alta do petróleo, com o Brent, a referência global em alta de quase 2% no início da manhã. A alta da commodity tem inspirado preocupação sobre um aumento de pressões inflacionárias.

Enquanto você dormia…

  • A madrugada foi de cautela nos mercados globais, com investidores monitorando os desdobramentos no Oriente Médio e seus efeitos sobre petróleo e inflação. Os futuros das bolsas de Nova York seguem quase estáveis: às 7h20, o S&P 500 futuro recua -0,02% e o Nasdaq futuro sobe +0,01%.
  • Na Europa, os investidores estão atentos à alta do petróleo e ao impacto potencial na inflação global. O Stoxx 600 avança +0,51%.
  • Na Ásia, as bolsas fecharam em alta. O índice Nikkei, de Tóquio, terminou com avanço de +1,90%. O Hang Seng, de Hong Kong, fechou com alta de +0,28%.
  • O índice dólar (DXY) tem alta de +0,12% aos 98,93 pontos. O petróleo Brent mantém-se em alta de +1,74% a US$ 82,80 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos avançam para 4,113% ao ano.

Destaques do dia

  • A escalada de tensões no Oriente Médio segue como principal fator de risco global. Com energia mais cara, investidores voltam a discutir o efeito sobre inflação global e sobre a trajetória de juros nas principais economias.
  • O movimento também fortalece ativos considerados defensivos, como dólar e ouro, enquanto aumenta a volatilidade nos mercados de ações.
  • E daí? Para o Brasil, petróleo mais alto tende a manter Petrobras, que divulga o balanço do quarto trimestre hoje, e as “junior oils” no radar. Já setores intensivos em combustível — como logística e companhias aéreas — podem enfrentar pressão de custos caso a alta da commodity se prolongue.

Giro pelo mundo

  • Mercado de trabalho dos EUA: pedidos semanais de seguro-desemprego saem hoje e ajudam a calibrar expectativas para o relatório oficial de emprego (payroll) que será divulgado amanhã.
  • Petróleo no foco: a commodity segue reagindo às tensões geopolíticas, o que reacende debates sobre inflação global e política monetária.

Giro pelo Brasil

  • Dados e expectativas: investidores acompanham indicadores recentes da economia brasileira em busca de sinais sobre o ritmo de desaceleração da atividade.
  • Petróleo e Petrobras: a trajetória do barril continua influenciando projeções para receitas e dividendos da companhia.

Giro corporativo

  • Raízen em reestruturação: a empresa avalia recorrer a uma recuperação extrajudicial e, ao mesmo tempo, levantar cerca de R$ 4 bilhões em capital junto aos controladores, para reforçar o caixa e enfrentar o aumento do endividamento.
  • Braskem e Cade: demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Agenda do dia

  • 09:00: Taxa de desemprego (jan) – Brasil. Dado é termômetro do aquecimento da economia e do consumo.
  • 09:30: Pedidos semanais de seguro-desemprego — EUA. Indicador ajuda a calibrar expectativas para o payroll de sexta-feira.
  • 12:00: Discurso de dirigente do Federal Reserve — investidores buscam sinais sobre juros.
  • 15:00: Balança comercial (fev) – Brasil.
  • 15:00: Estoques semanais de petróleo — EUA. Dado relevante para a dinâmica da commodity.
  • Ao longo do dia: mercado segue atento a novos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.

Ótima quinta-feira e bons negócios!

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Prio sobe com petróleo e produção maior – e dividendos podem ser o próximo impulso

Petróleo em alta, aumento da produção e novos projetos prestes a entrar em operação ajudam a explicar por que a Prio virou uma das ações mais procuradas por grandes investidores locais e estrangeiros. Agora, com geração de caixa crescente, começa a ganhar espaço no mercado a expectativa de que a companhia entre em uma fase de retorno direto ao acionista.

No acumulado do ano, a Prio já sobe 33%, superando até mesmo o Ibovespa. Em 12 meses, 45%. É um desempenho melhor do que todo mundo no setor, caso da Brava, PetroReconcavo e da própria Petrobras.

Parte do mercado começa a enxergar que a próxima etapa da história da Prio pode vir de um novo elemento: a distribuição de lucros para os investidores.

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Historicamente, a Prio concentrou seus esforços em crescer: adquirir campos maduros, aumentar a eficiência operacional e elevar a produção. Essa estratégia permitiu à empresa ampliar rapidamente sua escala nos últimos anos.

Agora, com novos projetos entrando em operação e a produção atingindo um novo patamar, a empresa começa a se aproximar de uma fase em que crescimento e geração de caixa podem ocorrer ao mesmo tempo.

Quando isso acontece, muda também a forma como a empresa é avaliada. A companhia deixa de ser vista apenas como uma história de expansão e passa a ser avaliada também pela sua capacidade de devolver capital aos acionistas.

Essas percepções foram coletadas em uma pesquisa realizada pelo BTG com hedge funds, os nossos multimercados (que compram várias classes de ativos), e fundos long only, que investem apenas em ações e em prazos maiores. No levantamento, 48% dos participantes citaram a Prio como o consenso de melhor investimento no setor de óleo e gás.

Além dessa leitura sobre o potencial de retorno ao acionista, os gestores também deram ênfase aos preços do petróleo e ao início da produção no campo de Wahoo, na Bacia de Campos, como grande ponto de virada para a empresa.

Em contraste, a maioria dos fundos está com exposição baixa ou short (os “vendidos”, que ganham com a queda do papel) em Petrobras. Isso porque as ações dependem dos preços do petróleo e do fluxo estrangeiro, mas não só isso. Existe a parte que atrapalha: as eleições e o ciclo político, que começarão a se desenhar ao longo deste ano.

A vantagem operacional da Prio

Diferentemente de outras companhias de energia que também atuam em refino ou gás natural, a Prio tem praticamente toda a sua produção concentrada em petróleo bruto. Isso significa que suas receitas reagem mais rapidamente quando o preço do barril sobe.

Esse tipo de perfil tende a se tornar mais atrativo em períodos de incerteza no mercado de energia, como o atual. O acirramento dos conflitos no Oriente Médio impulsionou ainda mais os preços da commodity, que já sobe 32% desde o começo do ano.

Nos últimos anos, a Prio ficou conhecida por adquirir campos maduros de petróleo e aumentar sua eficiência operacional nesses ativos.

Esse modelo fez a empresa crescer rapidamente. No fim de 2025, a produção atingiu cerca de 128 mil barris de petróleo por dia, avanço expressivo em relação aos trimestres anteriores.

Parte desse crescimento veio da ampliação da participação da companhia no campo de Peregrino, na Bacia de Campos. Com uma fatia maior no ativo, a empresa passa a capturar uma parcela maior da produção e da receita gerada ali.

Esse aumento de escala é relevante porque muda a estrutura da empresa. Quanto maior for a produção, maior tende a ser a geração de caixa quando o preço do petróleo está elevado. E, agora, Wahoo deve representar o próximo salto.

Com a licença ambiental concedida, a expectativa é que cada poço produza cerca de 10 mil barris por dia, com potencial de chegar a aproximadamente 40 mil barris diários conforme novos poços sejam conectados.

Se esse volume se confirmar, o campo pode representar uma adição relevante à produção atual da empresa. É justamente esse aumento de escala que faz o mercado acompanhar de perto o início das operações. Em empresas de petróleo, novos campos costumam ser o principal motor de crescimento.

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Ouro digital? Bitcoin ignora tensão no Irã e registra melhor preço em um mês

O bitcoin (BTC) ignorou o clima de aversão ao risco provocado pelas tensões no Oriente Médio e avançou cerca de 7% nas últimas 24 horas, ultrapassando a marca dos US$ 73 mil na tarde desta quarta-feira (4). É o maior preço em um mês, segundo dados do gráfico do InvestNews.

Com exceção de algumas altcoins de menor liquidez, a maioria das criptomoedas acompanhou o movimento do ativo digital líder. O ethereum (ETH), segundo maior criptoativo do mercado, avança cerca de 8,45%, enquanto a solana (SOL) registra alta próxima de 7%.

Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, afirmou que o gráfico de quatro horas do bitcoin já indicava pela manhã uma forte entrada de volume financeiro.

“Este movimento sugere captura de liquidez em busca das próximas resistências dos US$ 72.500 e US$ 75.500”, disse a especialista. Em análise técnica, resistência é um nível de preço em que a alta costuma perder força, podendo abrir espaço para uma queda.

Caso o fluxo comprador não se sustente nessa região de preços, porém, o mercado pode voltar a testar suportes mais baixos, na faixa dos US$ 60.000 e US$ 53.000, segundo Ana. Suporte é o nível de preço em que ativo costuma parar de cair e pode voltar a subir.

A valorização do bitcoin – que vinha sendo pressionado nas últimas semanas e viu sua tese de ouro digital ser questionada – começou ainda na madrugada desta quarta. O movimento ocorreu após novos fluxos positivos para os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos Estados Unidos, que registraram cerca de US$ 1,4 bilhão em entradas nos últimos cinco dias, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Esses produtos são amplamente utilizados por investidores institucionais, o que indica que o apetite desse grupo por criptomoedas voltou a ganhar força.

“Apesar do sentimento fragilizado, a estabilidade do preço do bitcoin sugere que instituições podem estar acumulando de forma silenciosa durante períodos de medo impulsionado pelo varejo”, disse Guilherme Prado, country manager da Bitget.

A recuperação das criptos ocorre mesmo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O Irã sinalizou que não pretende negociar com Estados Unidos e Israel após a morte do líder supremo Ali Khamenei e indicou que o conflito pode se prolongar.

A onça-troy do ouro também avança nesta quarta-feira e é negociada a US$ 5.124, com alta de quase 1%.

Ventos de Washington

Também há ventos favoráveis vindos de Washington. Em uma postagem na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou os bancos de tentar travar o avanço do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras mais claras para o mercado de criptomoedas no país. O posicionamento foi interpretado por parte do mercado como um sinal de apoio ao setor.

O projeto enfrenta resistência do setor bancário porque pode permitir que stablecoins continuem oferecendo rendimento aos investidores – algo que, na visão dos bancos, poderia incentivar a saída de depósitos do sistema financeiro tradicional.

Apesar da recuperação de hoje, o cenário para o curto prazo ainda inspira cautela. Para André Franco, CEO da Boost Research, o ambiente global de risco segue pressionando o mercado.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 14h20.

Bitcoin (BTC):  +7,08%, US$ 73.020,01

Ethereum (ETH): +8,45%, US$ 2.139,10

XRP (XRP): +5,92%, US$ 1,44

BNB (BNB): +3,73%, US$ 656,90

Solana (SOL): +7,47%, US$ 91,66

Outros destaques do mercado cripto

Cripto invade São Paulo. Notícia para quem mora em São Paulo. Nos dias 18 e 19 de março, o World Trade Center São Paulo recebe o MERGE, um dos principais eventos de cripto da América Latina. A expectativa é reunir mais de 300 palestrantes e 40 expositores do Brasil e da região para discutir de tudo um pouco: mercado, tecnologia e, claro, regulação – assunto que ainda deixa muita gente com dúvida.

Grana nova no mundo cripto. As empresas brasileiras de cripto seguem atraindo investidores. A fintech Oxus Finance, que desenvolveu um agregador de stablecoins com inteligência artificial, levantou US$ 2,4 milhões em uma rodada que contou com investidores como Echo3 Participações e Underblock. A ideia é usar o dinheiro em uma solução que conecta criptomoedas ao sistema Swift, usado por bancos no mundo todo, para facilitar transferências internacionais.

Polymarket remove aposta sobre ataque nuclear. A plataforma de previsões Polymarket, que permite apostar em eventos futuros usando tokens, tirou do ar um mercado que perguntava se uma arma nuclear seria detonada ainda neste ano. A aposta, que já tinha movimentado mais de US$ 838 mil na plataforma, gerou forte reação nas redes sociais. Antes de ser removido, o próprio mercado indicava cerca de 22% de chance de uma detonação nuclear até o fim de 2026.

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Itaú, Localiza, Axia… Veja as 5 ações mais indicadas pelas corretoras em março

As carteiras recomendadas de ações das corretoras costumam ir de A a Z: têm empresas do setor financeiro, saneamento, mineração, agricultura, energia elétrica e por aí vai. Mas, nas sugestões deste mês, cinco companhias aparecem com mais frequência do que as outras, mostra levantamento feito pelo InvestNews com 11 instituições. São elas: Itaú, Localiza, Axia, Vale e Petrobras.

Na visão do mercado, essas gigantes brasileiras – que, aliás, já tinham aparecido na carteiras de fevereiro – se destacam por motivos diferentes. Algumas entregam retorno forte e consistente, enquanto outras devem se beneficiar de movimentos esperados para este ano, como a tão aguardada queda dos juros, a alta da energia no Brasil ou a sustentação do preço do minério lá fora.

Antes de entrar nos detalhes, vale um aviso: esta não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia aqui é mostrar para onde os analistas estão olhando agora e quais as tendências.

Além disso, quando o assunto é renda variável, a estratégia mais inteligente combina mais com longo prazo do que trocar de ação todo mês.

Ações recomendadas para março

Itaú Unibanco

Presente em sete das 11 carteiras consultadas, o Itaú foi um dos beneficiados pelo fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira – que já superou os R$ 40 bilhões neste ano. A expectativa é que o banco continue atraindo esse capital e consiga atravessar um cenário ainda incerto no Brasil.

No quarto trimestre, o banco reportou lucro líquido de R$ 10,87 bilhões e ROE de 23,1%. Traduzindo: para cada R$ 100 de patrimônio, o Itaú gerou cerca de R$ 23 de lucro. É um nível elevado de rentabilidade.

Na avaliação do mercado, o banco tem estrutura suficiente para sustentar margens mesmo em um ambiente mais turbulento. E, se o cenário econômico melhorar, ainda pode ganhar participação de mercado com mais velocidade.



Localiza

A tese da Localiza se apoia em cinco pilares. Primeiro, há espaço para revisões positivas de lucro. Segundo, a companhia tende a se beneficiar de uma eventual queda de juros, que reduz o custo de capital e favorece a demanda. O setor também tem mostrado mais disciplina competitiva, com foco em preço e recomposição de margens. E a gestão segue concentrada em eficiência operacional.

Os números recentes reforçam esse cenário. Nos dois primeiros meses de 2026, a empresa vendeu 59 mil carros, alta de 15% na comparação anual, segundo o BTG. Esse ritmo já ajuda a reduzir a idade média da frota de aluguel para 15 meses, melhorando qualidade dos ativos e reduzindo custos.

Outro avanço foi a redução da frota de uso severo, que caiu de 31 mil para 18 mil veículos em 2025 – e pode fechar 2026 abaixo de 10 mil. Esse ajuste no mix, somado a margens mais fortes, abre espaço para revisões altistas nos resultados.

Axia Energia

A Axia aparece nas carteiras principalmente por causa da perspectiva de maior demanda por energia no Brasil – e de contas de luz mais caras. Algumas consultorias já projetam reajustes acima da inflação, pressionados por custos de geração.

Com a retomada do crescimento econômico e o avanço de setores intensivos em energia, geradoras bem posicionadas tendem a capturar tanto receita quanto participação de mercado.

Segundo os analistas, a Axia tem vantagem por sua exposição direta à geração de energia, sem depender de ciclos de petróleo ou gás. Isso pode colocá-la em posição estratégica tanto no mercado regulado quanto no livre.



Vale

Três pontos explicam a presença da Vale nas carteiras. O primeiro é a redução relevante de custos de produção, que fortalece margens e mostra ganho de eficiência operacional.

O segundo é a expectativa de dividendos. O mercado projeta dividend yield (taxa de retorno apenas com dividendos) em torno de 5,5% – abaixo do patamar dos últimos 12 meses, mas ainda atrativo.

Por fim, o preço do minério de ferro. O Safra acha que a commodity deve se manter acima de US$ 100 por tonelada, enquanto o Santander vê demanda “decente” no curto prazo. Se o cenário se confirmar, isso tende a sustentar os resultados da companhia.

Cyrela

A tese da Cyrela combina rentabilidade, preço e posicionamento estratégico. A ação negocia a múltiplos abaixo da média do setor, mesmo entregando ROE em torno de 20% desde 2024. Em termos simples: para cada R$ 100 de capital próprio, a empresa gera cerca de R$ 20 de lucro por ano – um nível forte no mercado imobiliário.

A companhia também tem um portfólio diversificado, que vai da baixa à alta renda, com exposição crescente ao Minha Casa Minha Vida. Isso ajuda a diluir riscos e dar mais previsibilidade aos resultados.

E há ainda o fator juros. Se o ciclo de queda se confirmar – com taxa próxima de 12% ao ano no fim de 2026 –, empresas do setor com balanço mais sólido e portfólio diversificado tendem a navegar melhor o cenário. Para o mercado, a Cyrela está nesse grupo.

Relatórios consultados: Genial, Terra, Itaú, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora, Rico, XP e Empiricus.

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FIIs mais indicados em março: chegou a vez dos fundos imobiliários de tijolo

Os fundos imobiliários (FIIs) de tijolo – aqueles que investem diretamente em imóveis – dominaram as carteiras recomendadas de corretoras e bancos neste mês, segundo levantamento feito pela reportagem do InvestNews. Era algo relativamente esperado, já que o mercado começa a olhar para a possibilidade de queda de juros no Brasil.

Esses produtos navegam melhor em cenários de juros mais baixos. Isso acontece porque os imóveis costumam se valorizar nesse ambiente, já que crédito fica mais barato, o que estimula a atividade econômica e aumenta a demanda por espaços comerciais.

Ao mesmo tempo, os FIIs de papel – que investem em títulos de crédito imobiliário – tendem a pagar menos quando as taxas caem, o que reduz sua atratividade relativa.

Antes de seguir, vale um adendo: este texto não é uma recomendação de investimento. A ideia aqui é mostrar para onde os analistas estão olhando agora e quais tendências aparecem nas carteiras. Além disso, quando o assunto é renda variável, a estratégia costuma ter mais a ver com visão de longo prazo do que com trocar ativos todo mês.

Veja os FIIs para março e os principais pontos destacados pelos analistas. O levantamento levou em consideração sete carteiras recomendadas de corretoras e bancos.

FIIs mais citados nas carteiras de março

HSML11
É um fundo imobiliário de tijolo do segmento de shoppings. A tese de investimento no produto, citado em cinco das sete carteiras analisadas, se apoia na qualidade e na localização do portfólio. São oito ativos distribuídos em cinco estados brasileiros – São Paulo, Alagoas, Acre, Minas Gerais e Bahia – o que tende a reduzir a volatilidade operacional ao longo do tempo.

Outro ponto central é o controle dos ativos. O HSML11 detém pelo menos 51% em sete dos oito empreendimentos do portfólio, o que garante maior poder de decisão na gestão e nas estratégias de valorização dos imóveis.

Além disso, o fundo apresenta taxa de ocupação de 97,4%, nível considerado bom pelo mercado. Na prática, isso significa que a vacância (a desocupação de um imóvel) é de menos de 3%, o que é um ótimo número.


BRCO11
É outro FII de tijolo, mas focado no segmento logístico. Um dos destaques da tese de investimento é a qualidade da carteira de locatários, formada por empresas com elevado nível de crédito. Entre os principais nomes estão Natura (14%), Mercado Livre (11%), Whirlpool (9%), GPA (7%) e Magalu (7%), companhias relevantes em seus respectivos setores.

Em termos operacionais, a vacância física é de 7%, o que implica cerca de 93% de ocupação do portfólio. Já a vacância financeira, que indica quanto da receita potencial de aluguel o fundo deixa de receber, estava em 8,4%. Esses níveis são considerados administráveis para fundos logísticos. O BRCO11 apareceu em quatro carteiras.

Outro ponto citado pelos analistas é o impacto positivo de indenizações por rescisões antecipadas de contratos – ou seja, quando um inquilino sai do imóvel antes do fim do contrato e precisa pagar uma multa. Esse movimento gerou um acúmulo de R$ 1,28 por cota em lucros não distribuídos, o que pode ajudar a sustentar os dividendos do fundo no curto prazo.

VILG11
Esse FII é mencionado em três carteiras. Também é um fundo imobiliário de tijolo focado em ativos logísticos e industriais, com estratégia voltada à geração de renda por meio da locação de galpões.

Um dos pontos citados pelos analistas é a diversificação da base de inquilinos. As empresas dos setores de transporte e logística e e-commerce representam juntas cerca de 60% da receita do fundo, o que reduz a dependência de um único segmento.

Em janeiro, a taxa de ocupação atingiu 99,5%, nível considerado excelente no setor, enquanto a receita média de aluguel por metro quadrado avançou 1,3% na comparação anual. Além disso, o fundo vendeu quatro galpões recentemente, embolsando um lucro de R$ 6,22 por cota. Na prática, isso ajuda a reduzir a alavancagem e elevou a projeção de dividendos até junho de 2026 para a faixa entre R$ 0,80 e R$ 0,87 por cota.

PVBI11
Este fundo imobiliário concentra seu portfólio no segmento de lajes corporativas. Ele apareceu em três das sete carteiras. Hoje, a vacância física está em 16,5%, enquanto a vacância financeira chega a 17,6%, patamares que exigem atenção dos investidores. Apesar disso, os analistas destacam alguns pontos positivos na carteira.

Cerca de 80% dos imóveis têm padrão construtivo AAA, a classificação mais alta do mercado, e estão localizados em regiões corporativas premium de São Paulo, como a Faria Lima e seu entorno. A

Além disso, há negociações em andamento: 1.013 m² estão em fase final de contrato e 3.279 m² seguem em negociação, o que pode ajudar a reduzir a vacância ao longo do tempo. Parte relevante dos contratos também terá revisões de aluguel nos próximos anos, o que pode melhorar a geração de receita do fundo.

KNCR11
Único fundo de papel da lista, o KNCR11 investe principalmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Ele apareceu em quatro carteiras.

A estratégia do fundo é gerar renda por meio de crédito imobiliário com perfil mais conservador, priorizando operações com garantias reais e emissores de boa qualidade. Entre os títulos dos principais nomes presentes na carteira estão Brookfield, JHSF e MRV.

Segundo analistas, outro ponto positivo é que as operações têm garantias fortes, como imóveis dados em garantia e recebíveis imobiliários, o que reduz o risco de calote. O fundo também tem histórico consistente de distribuição de dividendos, alta liquidez no mercado e correlação positiva com a taxa Selic, características que costumam torná-lo uma opção mais defensiva dentro do universo de FIIs.

Relatórios consultados: Terra Investimentos, BTG Pactual, Itaú, XP, Empiricus, BB Investimentos e Daycoval.

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Mercados hoje: guerra no Oriente Médio continua no foco e petróleo segue em alta, acima de US$ 80 o barril

Bom dia!
A quarta-feira (4) começa com um humor dos investidores um pouco melhor após a queda generalizada das bolsas no mundo e da subida do dólar. Os mercados reagiram ontem à escalada da guerra no Oriente Médio, com as ameaças do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, por onda passa um quinto do petróleo global. O dia também está cheio de indicadores. Na agenda dos EUA, saem dados de emprego privado pela ADP, que são vistos como uma prévia do “payroll”, o relatório de emprego oficial, que sai na sexta-feira (6). O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulga ainda o seu Livro Bege, com dados de atividade regionais, o que pode fornecer pistas sobre a visão da autoridade sobre os rumos dos juros.

Enquanto você dormia…

  • Lá fora, os investidores monitoram a escalada de tensões no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre o petróleo e a inflação global. Os futuros das bolsas de Nova York mantêm-se em leve alta, indicando recuperação parcial após as quedas de ontem: às 7h20, o S&P 500 futuro tinha alta de +0,16% e o Nasdaq futuro seguia no mesmo ritmo com +0,16%.
  • Na Europa, os principais índices operam em alta nesta manhã. O Stoxx 600 sobe +0,74%.
  • Na Ásia, as bolsas asiáticas fecharam em queda. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou com recuo de -3,61%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu -2,01%.
  • O índice dólar (DXY) opera em queda de -0,21% aos 98,82 pontos. O petróleo Brent sobe mais +1,24% para US$ 82,41 o barril. O rendimento da Treasury de 10 anos tem leve alta para 4,075% ao ano.

Destaques do dia

  • A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
  • A reação mais imediata apareceu na commodity: o petróleo avançou nos mercados internacionais, reacendendo preocupações sobre inflação global.
  • E daí? Petróleo mais caro tende a beneficiar empresas do setor de energia e pressionar expectativas de inflação. No Brasil, petroleiras como Petrobras, que divulga seu balanço amanhã, e companhias ligadas à cadeia de óleo e gás tendem a se manter no radar.

Giro pelo mundo

  • Estreito de Ormuz fechado: declaração da Guarda Revolucionária do Irã sobre controle do Estreito de Ormuz elevou o risco geopolítico e impulsionou o petróleo.
  • Dados dos EUA no radar: investidores aguardam ADP de emprego e o Livro Bege do Fed para calibrar expectativas sobre atividade e juros.

Giro pelo Brasil

  • Compulsório liberado: o Banco Central liberou cerca de R$ 30 bilhões em compulsório em 2026 para ajudar bancos a recompor o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após efeitos ligados ao caso Master.

Giro corporativo

  • Reestruturação no GPA: a companhia contratou o escritório Munhoz Advogados para auxiliar na reestruturação de sua dívida.
  • Investimento na Raízen: a Shell pretende investir cerca de R$ 3,5 bilhões na empresa no Brasil, segundo o CEO da companhia. A Raízen é uma joint venture entre a empresa holandesa e a brasileira Cosan.

Agenda do dia

Ótima quarta-feira e bons negócios!

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Petróleo além do barril: como aproveitar a escalada dos preços da commodity

O petróleo já se valorizou cerca de 30% no acumulado de 2026. Em apenas dois dias, com a escalada de conflitos no Oriente Médio, a alta é de 8%. Esse movimento levanta questionamentos da parte de investidores sobre a melhor forma de buscar tirar proveito da alta das cotações.

As maneiras mais acessíveis são ETFs negociados no exterior, atrelados aos preços do petróleo ou a empresas do setor de petróleo e gás; BDRs de ETFs negociados na B3, também ligados a petrolíferas estrangeiras; BDRs de empresas estrangeiras; e ações brasileiras do setor, em que a exposição ao petróleo existe, mas com particularidades operacionais que precisam ser levadas em conta.

ETFs fora do Brasil

Por meio de uma conta internacional, o investidor brasileiro que procura ativos americanos tem à disposição alternativas com grande liquidez. Uma delas é o USO, sigla para United States Oil Fund. O fundo acompanha o desempenho do WTI, a principal referência de preço do petróleo bruto nos Estados Unidos.

Há também o BNO, ou United States Brent Oil Fund. Nesse caso, o investidor tem exposição ao desempenho do Brent, referência global para os preços do petróleo, utilizada em grande parte dos contratos internacionais e nas exportações de diversos países.

Nos dois casos, o investidor não compra petróleo físico. A exposição ocorre por meio de contratos futuros, que precisam ser renovados periodicamente. Como esses contratos têm vencimento, o fundo precisa vender um contrato que está para expirar e comprar outro mais adiante no tempo.

O custo dessa troca pode influenciar o retorno final, fazendo com que o desempenho do ETF não seja exatamente igual ao do preço do barril à vista. Ainda assim, é uma forma de se expor à commodity.

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BDRs de ETFs

Quem não quer alternativas fora do Brasil encontra algumas opções na B3, com dois BDRs de ETFs que oferecem exposição ao setor nos EUA.

Um deles é o BIYE39, BDR que acompanha um ETF atrelado ao índice Dow Jones U.S. Oil & Gas. Esse índice reúne grandes empresas americanas do setor, como as gigantes ExxonMobil e Chevron, além da ConocoPhillips e de outras menos conhecidas, caso da EOG Resources, da Occidental Petroleum e da Phillips 66.

Há também o BIEO39, BDR que replica um ETF focado principalmente em empresas de exploração e produção de petróleo nos EUA. Nesse grupo estão companhias mais diretamente expostas ao preço da commodity, como a ConocoPhillips, e a outras menos conhecidas (EOG Resources, Occidental Petroleum e Marathon Oil, por exemplo).

Nos dois casos, porém, vale destacar que a liquidez é muito baixa, ou seja, o investidor deve encontrar dificuldades de comprar e vender rapidamente os ativos na bolsa. Nesse caso, uma saída é negociar os ETFs diretamente lá fora em vez dos BDRs que os replicam aqui no Brasil.

Empresas americanas

Para quem deseja ir diretamente a empresas beneficiadas pelo movimento do petróleo, é possível buscar BDRs na B3 ou ações no mercado americano, via corretoras internacionais. Entre as mais relevantes estão a ConocoPhillips (Nova York:COP; B3:COPH34), a Chevron (Nova York:CVX; B3:CHVX34) e a ExxonMobil (Nova York:XOM; B3:EXXO34).

A ConocoPhillips é uma empresa focada em exploração e produção (upstream). Isso significa que sua geração de caixa depende diretamente do preço do petróleo e do gás natural. Por não contar com operações relevantes de refino e distribuição que amortecem ciclos, seus resultados tendem a ser mais sensíveis às oscilações da commodity.

Chevron e ExxonMobil são empresas com cadeias integradas. Além da produção de petróleo, atuam em refino, distribuição e petroquímica. Isso tende a suavizar parcialmente os efeitos das oscilações do petróleo sobre os resultados, já que as margens de refino (o que sobra da receita depois dos custos e dos investimentos) podem se comportar de maneira distinta do preço do barril.

Ainda assim, para as duas empresas, o segmento de exploração e produção continua sendo determinante para a rentabilidade em ciclos de alta da commodity.

Empresas brasileiras

No campo das empresas brasileiras, a Petrobras é a alternativa mais evidente, embora o futuro da empresa esteja muito mais ligado à sua capacidade de execução do que simplesmente à direção do petróleo.

De qualquer forma, o preço da commodity interfere diretamente na receita no segmento de exploração e produção, que responde pela maior parte do lucro operacional da companhia. Ou seja, a correlação com a matéria-prima existe, mesmo não sendo o único fator a ser levado em conta.

A estatal brasileira é uma das maiores produtoras globais em águas profundas e no pré-sal, com custo de extração considerado competitivo internacionalmente. Quando o Brent sobe, a receita por barril vendido aumenta, ampliando a geração de caixa.

Mas existe um componente adicional a ser levado em conta: os eventos políticos. Isso porque, em ano eleitoral como é o caso de 2026, começam a pesar as dúvidas para o futuro da política de preços de combustíveis, câmbio e decisões de alocação de capital. É o período em que os papéis podem apresentar ainda mais volatilidade do que o normal.

Entre as empresas brasileiras independentes, aquelas que tendem a responder de forma mais direta ao movimento do petróleo é a Prio, segundo analistas. A companhia atua predominantemente em exploração e produção e não possui operações relevantes de refino ou distribuição.

Sua receita é diretamente ligada ao preço do Brent e ao volume produzido nos campos em que opera. Por ser uma empresa focada em ativos maduros adquiridos de grandes operadoras, sua geração de caixa tende a ser altamente sensível às variações da commodity, o que pode potencializar ganhos em ciclos de alta — mas também ampliar a volatilidade em momentos de queda.

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O reinado do dólar pode estar chegando ao fim – e o investidor vai precisar se adaptar

O dólar está em declínio – e os investidores precisam aprender a conviver com isso. Os últimos 12 meses foram difíceis para a moeda americana. O índice do dólar que mede seu valor frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, o DXY, recuou 8% no período, e a lista de preocupações só cresce. 

Entre elas estão a fragmentação do sistema multilateral liderado pelos EUA, o aumento das preocupações com o uso do dólar como instrumento de sanções e bloqueios de ativos, dúvidas sobre a independência do Federal Reserve (Fed), inquietação com os gastos excessivos do governo americano e um reequilíbrio há muito esperado, à medida que crescimento e rendimentos no exterior se tornam relativamente mais atraentes.

Nada disso significa que o dólar vá perder repentinamente seu prestígio, abandonado em uma onda de vendas em pânico. Ele não está prestes a perder seu status de moeda de reserva global, nem a ser substituído de forma súbita pelo yuan chinês ou por qualquer outra moeda. 

Mas o dólar está se tornando menos popular como reserva de poupança, meio de troca comercial e ativo de refúgio. Isso torna a diversificação – por meio de ações e títulos internacionais, especialmente em mercados emergentes – e uma parcela de ouro como proteção, boas alternativas para os próximos anos.

Se investidores individuais e grandes instituições decidirem coletivamente reduzir sua exposição ao dólar, isso deixará marcas. “Parte do privilégio exorbitante dos EUA vai desaparecer”, afirma Daleep Singh, vice-presidente do PGIM e economista-chefe global, além de ex-vice-assessor de segurança nacional no governo Biden. 

O custo dessa perda de brilho pode incluir custos mais altos de financiamento, menor capacidade de absorver choques financeiros e menor poder de aplicar sanções. O dólar sempre foi mais poderoso do que o tamanho da economia americana sugeriria. Sua participação nas reservas globais e nas emissões internacionais de dívida varia entre 60% e 80% – o equivalente a duas ou três vezes a fatia dos EUA na economia mundial. 

Durante anos, críticos argumentaram que essa primazia seria corroída. Não foi. Não havia alternativa. Isso começou a mudar há mais de uma década, quando a China passou a reduzir sua dependência do dólar, diversificando reservas em ouro e promovendo maior uso do yuan. 

Ponto de mudança

Mas o verdadeiro impulso veio com a invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções e congelamentos de ativos que se seguiram. A instrumentalização do dólar levou bancos centrais a reduzir parte de suas posições e aumentar reservas em ouro. 

A pressão do presidente Donald Trump para anexar a Groenlândia e suas constantes ameaças tarifárias também abalaram aliados europeus e sua confiança nos EUA, forçando-os a considerar alternativas.

Pense nisso como uma “demissão silenciosa”, e não como um frenesi de “Sell América”. Em vez de liquidar títulos do Tesouro em massa, muitos bancos centrais estão deixando seus papéis vencerem e substituindo-os por ouro. Muitos investidores também estão reduzindo o risco de duration nos EUA, migrando para títulos de prazo mais curto.

Uma colagem com elementos financeiros mostra um executivo de costas, uma mão oferecendo cem dólares, e duas mãos com uma calculadora e gesto de decisão, sobre símbolos de cálculos.
Ilustração: Daniela Arbex

Nos dois últimos meses de 2025, os fluxos líquidos para fundos de ações de mercados emergentes totalizaram US$ 70,8 bilhões, enquanto os fundos de ações americanas captaram US$ 43 bilhões.

Em janeiro, os fundos de ações dos EUA registraram saídas líquidas de US$ 34 bilhões, enquanto fundos internacionais captaram US$ 31 bilhões e emergentes receberam US$ 15 bilhões.

A mudança mais relevante ocorreu entre bancos centrais. O ouro deve representar um quarto das reservas globais ao fim de 2025, ante 10% em 2017. China, Turquia e Rússia lideram esse movimento.

Diversificação

A participação do dólar nas reservas caiu para cerca de 57%, ante 64% em 2017. Países também passaram a utilizar mais o yuan em financiamentos comerciais e investimento direto na China. Ainda assim, os controles de capital chineses dificultam que o yuan se torne um verdadeiro concorrente como moeda de reserva.

Mas diversificação não significa desdolarização. “Diversificação e fraqueza do dólar não devem ser confundidas com o fim do dólar”, afirma Joyce Chang, chefe global de pesquisa do J.P. Morgan.

Mesmo assim, a diversificação altera o comportamento dos ativos. Durante décadas, investidores estrangeiros podiam contar com a valorização do dólar em momentos de estresse, compensando perdas em ações americanas. Essa correlação começou a mudar.

Isso leva investidores a rever estratégias de hedge. Fundos de pensão com grande exposição a ações dos EUA estão repensando o risco cambial.

A expectativa de alguns estrategistas é de um ciclo de baixa de vários anos para o dólar, citando fragmentação de alianças e preocupações com dependência de cadeias produtivas.

Ilustração: João Brito

Ao mesmo tempo, condições econômicas fora dos EUA começam a melhorar. A Alemanha planeja investir 1 trilhão de euros em defesa e infraestrutura até 2035. O Japão busca reformas estruturais após vitória eleitoral robusta. 

Mercados emergentes combinam cortes de juros, reformas pró-negócios e boom de commodities. Os lucros em emergentes devem crescer 29% este ano, mais que o dobro do esperado nos EUA.

O dólar ainda pode ter períodos de força, especialmente se os EUA elevarem juros ou se tensões geopolíticas diminuírem. Além disso, a moeda segue próxima ao meio da faixa histórica das últimas três décadas — longe de qualquer colapso.

Ainda responde por mais de 90% das transações globais de câmbio e permanece a moeda dominante em mercados líquidos. Mas a dependência global diminuiu. O prêmio exigido para manter Treasuries longos subiu para cerca de 1,25 ponto percentual.

Para investidores, isso significa olhar além dos EUA. Fundos globais amplos, ETFs de mercados emergentes e exposição a títulos internacionais ganham relevância.

O ouro se tornou o sinal mais claro dessa mudança. Alguns estrategistas projetam que, se a alocação global subir modestamente, o metal poderia alcançar US$ 6.000, US$ 8.500 ou até US$ 10.000 até o fim da década.

Talvez não seja um movimento de “Sell América”. Mas, após décadas de domínio do dólar, pode ser hora de comprar mais fora dos EUA.

Escreva para Reshma Kapadia em reshma.kapadia@barrons.com

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Bitcoin enfrenta crise de identidade trilionária – e a queda vai além do preço

Há um ano, parecia impossível. Mas o bitcoin entrou em uma de suas crises mais profundas – e, desta vez, sem uma saída óbvia.

A maior criptomoeda do mundo caiu mais de 40% desde o pico, e o roteiro habitual não está funcionando. Os compradores de “queda” desapareceram, e as forças que normalmente impulsionariam uma recuperação agora jogam contra.

Um dos motivos é que os usos mais tradicionais para a cripto encontraram porto seguro em outra tese. O ouro venceu o argumento de proteção macro. As stablecoins venceram nos pagamentos internacionais. E os mercados de previsão, como o Polymarket, estão vencendo como instrumento de especulação.

O curioso é que nada disso aconteceu porque o sistema falhou com o bitcoin. Washington nunca foi tão receptivo. A adoção institucional nunca foi tão ampla e Wall Street nunca esteve tão comprometida. O bitcoin conseguiu tudo o que queria, mas não foi suficiente.

Se não é o melhor hedge, nem o melhor meio de pagamento, nem o melhor veículo especulativo — afinal, para que serve? “A narrativa central do bitcoin era ‘o número sempre sobe’ — e isso acabou”, afirma Owen Lamont, gestor da Acadian Asset Management. “Agora o número está caindo. Não é uma boa história.”

O problema da narrativa

Ao contrário de ações ou commodities, o bitcoin não tem fundamentos tradicionais. Seu valor depende essencialmente da crença e da força de histórias que atraem novos compradores. E essas histórias estão enfraquecendo.

Investidores de varejo que entraram no rali impulsionado pelas decisões de início de mandato de Donald Trump estão no prejuízo. E novos veículos especulativos estão drenando atenção do mercado cripto.

“Mercados de previsão e até bolsas de commodities estão tirando foco das criptos”, reforça Noelle Acheson, autora da newsletter Crypto is Macro Now. “Agora que o BTC virou um ‘ativo macro’, ele compete com alternativas mais fáceis de explicar para conselhos, clientes e gestores.”

A virada das stablecoins

Um sinal simbólico veio em novembro, quando Jack Dorsey anunciou que o Cash App passaria a suportar stablecoins. Durante anos, Dorsey foi um dos principais defensores corporativos do bitcoin maximalista. A mudança indicou que a corrida pelos pagamentos já havia avançado.

Em Washington, as stablecoins ganharam centralidade regulatória. O projeto bipartidário Genius Act foi aprovado com facilidade. Reguladores incentivam infraestrutura de tokens lastreados em dólar.

Dentro do próprio universo cripto, tokenização de ativos, derivativos em blockchain e pagamentos internacionais com stablecoins surgem como casos de uso robustos – nenhum deles dependente do bitcoin.

“Ninguém hoje vê o Bitcoin como mecanismo de pagamento”, disse Carlos Domingo, CEO da plataforma de tokenização Securitize.

A armadilha

Ironicamente, o enfraquecimento começou durante o próprio boom. O rali de 2025 trouxe uma onda de institucionalização: ETFs à vista, produtos estruturados, opções de curtíssimo prazo. O que deveria legitimar o ativo também retirou parte de seu misticismo.

O bitcoin deixou de ser símbolo libertário e virou mais um ticker na plataforma da corretora.

Seus defensores ainda citam a escassez programada – limite de 21 milhões de unidades, ciclos de halving. Mas no mercado moderno, a escassez relevante não é apenas de oferta, é de atenção. E a competição por atenção hoje é praticamente infinita: altcoins, derivativos de altcoins, ações tokenizadas, produtos alavancados.

‘Ouro digital’

Apesar da narrativa de “ouro digital”, o bitcoin falhou no principal teste macro recente. Mesmo com tensões geopolíticas e fraqueza do dólar, ouro e prata registraram fortes altas este ano. Já o bitcoin só caiu.

Nos últimos três meses, ETFs americanos de ouro captaram mais de US$ 16 bilhões, enquanto ETFs de bitcoin registraram cerca de US$ 3,3 bilhões em saídas líquidas, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O valor de mercado do Bitcoin encolheu mais de US$ 1 trilhão.

“As pessoas estão percebendo que o Bitcoin é o que sempre foi: um ativo especulativo”, disse Tom Essaye, fundador da Sevens Report. “Não substitui o ouro, não é hedge contra inflação, nem proteção contra o caos.”

Efeito em empresas

Empresas como Strategy (antiga MicroStrategy) acumularam bitcoin e emitiram ações lastreadas nessas posições, criando um ciclo de valorização durante a alta. Agora o ciclo se inverteu.

As maiores empresas com tesouraria em bitcoin caíram ainda mais do que o próprio ativo. Muitas negociam abaixo do valor dos bitcoins que detêm.

E o bitcoin também perdeu parte do monopólio da adrenalina. Plataformas de previsão como Polymarket e Kalshi atraem o mesmo público que antes operava memecoins, com resultados binários, resolução rápida e eventos do mundo real. Até a Coinbase passou a oferecer contratos de previsão.

Ainda assim, nada disso significa que o bitcoin acabou.Ele continua sendo o ativo digital mais líquido e sobreviveu a crises existenciais – do colapso da Mt. Gox à proibição da mineração na China e ao crash de 2022.

Se isso é uma crise temporária ou estrutural é uma das grandes perguntas da economia digital.

@investnewsbr

Roberto Campos Neto, vice-chairman e head global de políticas públicas do Nubank, fala sobre a participação das stablecoins na dívida americana ao podcast Perspectivas, do Investnews. stablecoins nubank podcast

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Fundos católicos, tese agnóstica: a carteira de investimentos apoiada pelo Vaticano

O Banco do Vaticano lançou, em parceria com a gestora Morningstar, dois índices de ações baseados em princípios católicos: o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos.

Cada índice reúne 50 empresas de médio e grande porte nos setores de tecnologia, financeiro e telecomunicações, selecionadas por critérios éticos e morais.

São excluídas companhias envolvidas com aborto, contraceptivos, pesquisa com embriões, pornografia e armamentos controversos. Entre elas estão Johnson & Johnson, Pfizer, Disney e fabricantes de armamento nuclear, além de multinacionais como LVMH e Schneider Electric, consideradas fora dos princípios definidos pelo Vaticano.

No índice norte-americano, Meta e Amazon têm os principais pesos, enquanto na Europa lideram ASML Holding, Deutsche Telekom e SAP. Além das exclusões, os índices priorizam empresas que “promovem o bem comum, a justiça social e a ecologia integral”, segundo a Doutrina Social da Igreja.

A Morningstar aplica filtros quantitativos e qualitativos para assegurar que as empresas selecionadas estejam alinhadas à doutrina católica.

Embora siga princípios éticos, a carteira do Banco do Vaticano adota uma tese de investimento que também considera desempenho financeiro e qualidade dos ativos, independentemente da fé do investidor. A “agnosticidade percebida” é relativa.

Os critérios éticos permanecem válidos, mas empresas como Nvidia e Meta entram na carteira com base em sua performance: a Nvidia representava cerca de 8% do ETF Global X CATH em fevereiro de 2026, enquanto a Meta acumulou valorização de mais de 200% desde 2016.

Outros fundos

Fundos como o ETF Global X S&P 500 Catholic Values Index (Índice de Valores Católicos) e os Ave Maria Mutual Funds (Fundos Mútuos Ave Maria) mostram que a abordagem de investimentos guiada por princípios católicos pode gerar retorno financeiro ao longo do tempo. Os Ave Maria Mutual Funds, criados em 2001, acumulam US$ 3,8 bilhões em ativos sob gestão até 2025.

Já o ETF Global X CATH, listado na Nasdaq em 18 de abril de 2016, rastreia o S&P 500 Catholic Values Index (criado em 2015) e registra valorização acumulada de mais de 214% desde seu lançamento, incluindo ganho de 16% em 2025. Entre suas principais posições estão Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet (Google) e Amazon.

Reputação e escândalo

Para o Banco do Vaticano, a iniciativa também tem objetivo estratégico de reorganizar seus investimentos após décadas de escândalos financeiros, incluindo casos de lavagem de dinheiro e perdas de US$ 200 milhões em 2022.

Em outubro de 2025, o Papa Leão XIV aprovou regras que diversificam os investimentos do Vaticano entre a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e outras instituições, aumentando transparência e ativos líquidos do banco para US$ 7 bilhões.

Analistas projetam que ETFs rastreando o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos poderão surgir até o fim de 2026, com US$ 500 milhões iniciais em ativos nos Estados Unidos e na Europa.

Desde a sua criação em 1942, o Banco do Vaticano desempenha funções financeiras ligadas à Igreja Católica, administrando recursos destinados a obras religiosas e sociais. Apesar de não atuar como um banco comercial, mantém operações internacionais e desenvolve índices e fundos com critérios éticos, combinando gestão financeira e princípios religiosos.

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Ibovespa já marca 10 recordes no ano, mas ainda faltam 25% para a máxima em dólar

As coisas vão bem para o Ibovespa, obrigado. O principal índice da bolsa brasileira já soma 10 renovações históricas só neste ano. O último disparo veio na segunda-feira (9), quando bateu 186.241 pontos. Deixou o pobre do bitcoin (BTC), que anda meio cambaleante em 2026, no chinelo.

A sequência atual de altas começou ainda em janeiro, com novas máximas nos dias 14, 15, 20, 21, 22, 23, 27 e 28. Ufa. Neste mês, além de ontem, o índice também avançou no dia 3. Hoje, o indicador negocia na casa dos 185 mil pontos – 185.104,34, para ser exato.

“O Ibovespa renovou suas máximas históricas em 32 oportunidades (em 2025). Ou seja, em pouco mais de um mês, 2026 já concentrou praticamente um terço de todos os recordes registrados ao longo de 2025”, diz Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.

Valem dois adendos.

Primeiro: o Ibovespa vem renovando o recorde nominal – isto é, apenas em números correntes. A máxima histórica real, ajustada pelo IPCA, ainda não foi superada. Ela remonta a 20 de maio de 2008, quando o índice atingiu 73.517 pontos. Corrigido pela inflação, esse patamar equivaleria hoje a cerca de 195,2 mil pontos. Em outras palavras, mesmo após a marca recente, o Ibovespa ainda está 5% abaixo do recorde real.

Segundo: o Ibovespa também tem uma pontuação em dólar, e essa está ainda mais longe do auge. Neste momento, são 35.872 pontos. Ainda faltam 25% para a máxima, de 44.638, também de maio de 2008.

O dinheiro gringo

Investidores estrangeiros têm buscado alternativas à bolsa americana. Ela dá sinais de estar cara – ou seja, o preço das ações subiu bem mais rápido que o lucro das empresas nos últimos anos. Nas bolsas emergentes, como a nossa, a história é outra: elas passaram os últimos anos em Black Friday.

Agora, os gringos vieram às compras por aqui.

Só em janeiro, eles despejaram R$ 26,31 bilhões na B3. Para ter ideia do tamanho do fluxo: é mais do que os R$ 25,47 bilhões acumulados ao longo de todo o ano passado. Em um mês, entrou mais dinheiro estrangeiro na bolsa brasileira do que em 12 meses de 2025.

Tem também um fator estrutural nessa histórica toda. A bolsa brasileira ainda é pequena no contexto global. O valor de mercado total gira em torno de US$ 730 bilhões. Parece muito, mas não é nada perto das gigantes americanas: a Nyse vale cerca de US$ 31 trilhões e a Nasdaq, outros US$ 30 trilhões. Na prática, isso significa que qualquer mudança de alocação lá fora – mesmo que marginal – já faz um belo estrago (positivo) por aqui.


Mais calma no radar?

No meio do rali, teve também um movimento do governo que ajuda a explicar por que a volatilidade anda mais comportada por aqui. O Tesouro Nacional voltou ao mercado internacional nesta semana e levantou US$ 4,5 bilhões com a emissão de um novo título em dólar, com vencimento em 2036, e a reabertura de um outro para 2056.

Na prática, quando o Brasil consegue se financiar lá fora com procura elevada e spreads relativamente controlados, o recado para o mercado é claro: o risco percebido do país não está saindo do trilho. Isso ajuda a ancorar expectativas, principalmente em momentos de barulho global. Menos prêmio de risco exigido pelos investidores em títulos soberanos costuma significar um ambiente um pouco mais previsível para ativos locais, como as ações.


Mercado doméstico ainda de lado – mas isso pode virar


O investidor local, por enquanto, não está exatamente ainda em clima de festa com a bolsa. E não chega a ser surpresa. Com a taxa de juros na casa dos 15% ao ano, a conta é simples: a renda fixa segue pagando bem, com risco baixo e previsibilidade alta. Em um cenário assim, faz sentido que boa parte do dinheiro continue estacionada em títulos públicos, CDBs e afins, em vez de correr para a bolsa.

Mas esse quadro pode mudar mais adiante. Há uma expectativa crescente de que o ciclo de juros comece a ceder nos próximos meses. O último boletim Focus aponta para uma Selic terminal perto de 12,25%. Se esse movimento se confirmar, a matemática do investidor muda junto: com retornos menores na renda fixa, a busca por alternativas mais rentáveis tende a ganhar força – e a renda variável costuma ser a primeira beneficiada.

Em outras palavras, o investidor estrangeiro já está puxando o bonde. O doméstico ainda observa da plataforma, mais confortável com o rendimento garantido. Quando os juros começarem a cair de verdade, porém, essa dinâmica pode se inverter e trazer mais fôlego para o rali do Ibovespa.

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Petrobras, Axia, Localiza… Veja as 8 ações mais indicadas pelas corretoras para fevereiro

Itaú, Localiza, Vale, Petrobras, Cyrela, Bradesco, Aura Minerals e Axia. Essas são as ações mais indicadas por corretoras e bancos em fevereiro. É o que mostra a avaliação de 10 carteiras recomendadas feita pelo InvestNews.

São ações que se destacam em um momento de exuberância da renda variável vista poucas vezes nos últimos anos: o Ibovespa, por exemplo, superou os 187.334 pontos na terça-feira e deu um show em janeiro. Subiu 12,56%, o melhor início de ano desde 2021 – e um avanço até mais brilhante do que o do ouro. Boa parte desse movimento veio do fluxo de investidores estrangeiros, que voltaram os olhos para mercados emergentes, como o nosso, em meio à desvalorização do dólar.

E a expectativa é que, nos próximos meses, o dinheiro vindo de fora continue pingando nos emergentes. Por aqui, a perspectiva de cortes de juros nos próximos meses também ajuda: a renda fixa que acompanha a Selic perde um pouco do poder de atração e as ações ganham espaço no radar do investidor local.

Vale o aviso: nossa seleção não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia é mostrar o que está acontecendo no mercado e quais tendências estão ganhando força. E é sempre bom lembrar: em renda variável, a melhor estratégia não é ficar trocando de papel todo mês, mas pensar no longo prazo.

As ações no radar do mercado em fevereiro

Itaú Unibanco (ITUB4)

Presente em sete das dez carteiras analisadas, o Itaú segue como uma das apostas mais recorrentes entre os analistas. A ação é negociada a R$ 42,88, mas há casas que projetam alta para R$ 50. O otimismo se apoia, principalmente, na expectativa de que o banco volte a acelerar a concessão de crédito em alguns segmentos específicos, agora que a instituição conseguiu estabilizar os níveis de inadimplência da carteira.

Além disso, o mercado espera que a margem financeira – a receita líquida de juros, que reflete a diferença entre o que o banco ganha ao emprestar dinheiro e o que paga para captar recursos – cresça a taxas de dois dígitos. Esse avanço deve ser impulsionado pela melhora dos spreads, ou seja, do quanto o banco ganha em cada operação de financiamento, e pela retomada gradual do crédito.

A ação negociada a 9,5 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L) – esse múltiplo significa uma antecipação do potencial de crescimento do negócio. Na prática, o mercado está disposto a pagar R$ 9,50 hoje para cada R$ 1 de lucro que a empresa gera atualmente.

Isso acontece porque os investidores mantêm a perspectiva de que o grupo tende a atingir esse patamar no futuro. Não é exatamente barato, mas também não chega a ser caro – especialmente se o banco conseguir entregar crescimento consistente de resultados, segundos os analistas.

Localiza (RENT3)

Depois de um período mais turbulento, marcado por questionamentos sobre custos e margens, a Localiza começa a mostrar sinais mais claros de estabilização. Na leitura dos analistas, a companhia acertou a mão na estratégia: os reajustes de preços vêm sendo absorvidos sem perda relevante de volume, enquanto ganhos de eficiência operacional ajudam a sustentar a recuperação das margens.

Além disso, a gestão da frota tem sido conduzida com foco em rentabilidade. A empresa vem ajustando o portfólio de veículos e acelerando a renovação, com a retirada de carros mais rodados para elevar a qualidade dos ativos e melhorar os retornos. No segmento de seminovos, os impactos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foram absorvidos e hoje estão refletidos nos preços, o que também é visto como algo positivo.

Nesse contexto, o valuation (valor percebido da empresa no mercado) também joga a favor. O papel negocia a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2026. O que significa isso? Que o mercado hoje aceita pagar R$ 13 pela ação para cada R$ 1 de lucro que a empresa deve gerar no ano. Em termos simples, isso indica que a ação não está cara e já embute expectativas mais moderadas, o que melhora a relação entre risco e potencial de retorno para o investidor.



Vale (VALE3)

2025 foi um bom ano para a Vale. A companhia entregou resultados sólidos nas três frentes em que atua – minério de ferro, níquel e cobre – e entrou em 2026 com expectativas mais positivas. A leitura de parte do mercado é que esse bom momento deve se estender ao longo dos próximos 12 meses, apoiado em fundamentos mais estáveis.

O principal motor desse otimismo segue sendo o minério de ferro. A expectativa de que o preço da commodity se mantenha acima de US$ 100 por tonelada ao longo do ano tem dado sustentação à tese da Vale.

Além disso, a oferta global pode ficar mais restrita, à medida que as minas pelo mundo envelhecem e perdem produtividade. A Vale, por outro lado, tem acesso a reservas de alta qualidade no Brasil, com baixo teor de sílica – o que reduz custos e aumenta a eficiência na produção de aço. Esse diferencial reforça a posição da empresa como uma das principais fornecedoras globais da matéria-prima e pode seguir favorecendo seus resultados.



Petrobras (PETR4)

Produção forte, ativos de alta qualidade e valuation baixo. Esses são alguns dos principais motivos que levam o mercado a apostar na petroleira brasileira, que aproveitou a recente alta do petróleo e acumulou uma valorização de 24%.

A empresa concentra boa parte da sua produção no pré-sal – região do litoral brasileiro onde o petróleo é mais produtivo, mais barato de extrair e que concentra as maiores reservas -, o que garante eficiência mesmo em cenários mais desafiadores, segundo analistas. Um possível catalisador adicional é a licença para perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, concedida ano passado. Os resultados devem ser conhecidos nos próximos dois anos, mas já alimentam as expectativas em torno de uma área que tem potencial de se tornar um novo pré-sal.

Outro ponto-chave é a forte geração de caixa, que sustenta expectativas elevadas para o pagamento de dividendos. O dividend yield – métrica que mede o retorno da ação apenas com proventos – gira em torno de 9% a 10% ao ano para 2026, patamar considerado atrativo em comparação com pares globais.

Cyrela (CYRE3)

Queridinha do setor imobiliário, a Cyrela tem chamado a atenção dos analistas por conta de uma carteira robusta de lançamentos, focados principalmente nos segmentos de média e alta renda em São Paulo, Rio de Janeiro e na região Sul.

O mercado enxerga margens elevadas, em torno de 36%, e um ROE (retorno sobre o patrimônio) próximo de 20%. Na prática, margens nesse patamar indicam que, a cada R$ 100 em vendas de imóveis, cerca de R$ 36 viram lucro operacional, antes de despesas financeiras e impostos. Já o ROE mostra a capacidade da empresa de gerar resultado com o capital dos próprios acionistas: para cada R$ 100 investidos, a Cyrela entrega aproximadamente R$ 20 de lucro ao ano.

Há ainda outro ponto a favor. Parte do mercado avalia que o valuation da Cyrela embute um cenário desafiador de juros altos – justamente em um momento em que cresce a expectativa de corte de taxas no Brasil. Soma-se a isso o fato de a empresa ser vista como o principal nome do setor para capturar o fluxo de capital estrangeiro, que segue forte na bolsa brasileira.


Bradesco (BBDC4)

Os papéis do Bradesco são negociados na casa dos R$ 21. Tem analista que projeta uma alta até R$ 25 para 2026. No geral, a leitura é que o banco pode se beneficiar da queda de juros no Brasil – até mais do que as outras instituicões financeiras. Um banco pode ganhar mais com a queda dos juros quando sua receita principal está mais ligada à atividade de crédito tradicional, que ganha mais tração com taxas menores.

O plano de transformação do banco também é visto como um impulsionador. Em resumo, é um um pacote de mudanças para tornar o banco mais eficiente, rentável e competitivo, depois de alguns anos de pressão sobre resultados.

Neste ano, existe expectativa de que o banco consiga ganhar escala, reduzir custos e dar um “up” nas operações, o que tende a melhorar a rentabilidade. Com isso, o ROE pode alcançar cerca de 15% até o fim de 2025 e avançar para algo próximo de 17% neste ano, indicando uma geração de lucro mais eficiente para os acionistas.


Aura Minerals (AURA33)

A Aura Minerals é uma mineradora de ouro que se beneficiou diretamente da forte valorização do metal nos últimos meses. A ação subiu 65% no ano passado e começou 2025 em alta. Mesmo com a correção recente do ouro, o papel segue no radar de quatro das dez carteiras analisadas, já que o cenário de incertezas globais continua favorecendo ativos considerados proteção, como o ouro.

Outro ponto que sustenta a tese é o valuation atrativo. A Aura negocia a um múltiplo P/NAV de 0,9 vez, enquanto mineradoras internacionais costumam operar acima de 1,3 vez. Em termos simples, o P/NAV compara o preço da empresa em bolsa com o valor estimado de suas reservas de ouro. Quando esse número fica abaixo de 1, como no caso da Aura, significa que o mercado está pagando menos do que o valor teórico dos ativos, o que sugere desconto em relação às pares.

Além disso, a tese não depende apenas de uma alta contínua do ouro. A expectativa é de forte geração de caixa, com crescimento de cerca de 18% no caixa operacional e de 50% no EBITDA – indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de juros, impostos e outros efeitos financeiros. Na prática, isso mostra que a Aura tende a ganhar mais dinheiro com sua operação, o que ajuda a sustentar o valor da ação mesmo em períodos de maior volatilidade da commodity.

Axia (AXIA3)

A Axia (antiga Eletrobras) pode se beneficiar da expansão do setor elétrico nos próximos anos, segundo os analistas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) prevê um aumento de mais de 9 mil megawatts na capacidade instalada do país em 2026 – o que, na prática, significa mais usinas e maior demanda por energia. Em paralelo, mudanças regulatórias tendem a manter os preços de energia elevados, criando um ambiente favorável para empresas bem posicionadas no setor.

A empresa ganha relevância em momentos de maior volatilidade do mercado elétrico, quando cresce a necessidade de energia firme – aquela que pode ser entregue de forma contínua, sem depender tanto do clima. Com uma expectativa mais otimista para os preços da energia, essa combinação deve se traduzir em receitas mais robustas ao longo do tempo.

Além disso, segundo analistas, a Axia começa a se consolidar como uma boa pagadora de dividendos. Essa narrativa ficou mais evidente em 2025, quando a companhia anunciou pagamentos adicionais de R$ 4 bilhões, referentes a 2024, e outros R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre.

Fontes consultadas: Genial Investimentos, Itaú Unibanco, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora Investimentos, Daycoval, Rico e XP.

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Queda do bitcoin faz mercado cripto perder o equivalente a duas Petrobras

O fim de semana foi de estrago para o bitcoin (BTC) e as altcoins. A indústria de ativos digitais perdeu cerca de US$ 220 bilhões em valor de mercado entre o sábado (31) e o domingo (1º), segundo dados da plataforma CoinMarketCap. O tombo equivale a mais de duas Petrobras (PETR4), hoje avaliada em torno de US$ 98 bilhões.

A pancada nas criptomoedas reflete um combo nada amigável que tomou conta dos mercados nos últimos dias: tensões geopolíticas, incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, o setor de tecnologia andando em terreno instável – e levando as criptos junto – além de um dólar mais forte.

Esse cenário elevou a aversão global ao risco a níveis altos. Nessas horas, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais voláteis – e o bitcoin e as demais criptos acabam no centro das vendas.

Um bom termômetro disso são os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de BTC nos Estados Unidos. Na semana passada, esses produtos registraram quase US$ 1,5 bilhão em resgates, segundo dados da plataforma SoSoValue – o maior volume semanal de retiradas em quase um ano.

O movimento gerou burburinho no mercado cripto. Depois de ter renovado máximas recentemente, o bitcoin entrou em uma sequência mais prolongada de quedas, reacendendo um velho debate entre investidores: afinal, qual é o papel do BTC na carteira? Onde fica o argumento do “ouro digital”?

Na manhã desta segunda-feira (2), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 78 mil, com queda de 0,59% no dia e 11,30% nos últimos sete dias. O ethereum (ETH) cai 4,30% hoje, para US$ 2.303,11, e 20% no acumulado semanal.

“Baleias” nadam contra a maré

Apesar da pressão vendedora, há um movimento curioso por baixo da superfície.

Enquanto investidores de varejo apertam o botão de venda, muitas vezes realizando prejuízos, as chamadas “baleias” – grandes detentores de criptomoedas – aproveitam os preços mais baixos para acumular ativos, segundo dados da Glassnode divulgados pelo portal CoinDesk. O número de entidades com mais de 1.000 BTC subiu de 1.207 em outubro para 1.303 hoje.

Na prática, segundo André Franco, CEO da Boost Research, isso significa “uma transferência de riqueza das ‘mãos fracas’ para investidores de longo prazo que antecipam a recuperação do mercado”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,59%, US$ 78.052,12

Ethereum (ETH): -4,30%, US$ 2.303,11

XRP (XRP): -0,32%, US$ 1,64

BNB (BNB): -0,39%, US$ 766,37

Solana (SOL): -1,33%, US$ 103,09

Outros destaques do mercado cripto

Regras do BC dão a largada. As novas regras para o mercado de criptomoedas, publicadas pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado, começam a valer hoje. Na prática, o BC passa a definir quem pode atuar no mercado local, quais autorizações são necessárias e como algumas criptomoedas devem ser enquadradas. Um ponto importante: as stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio.

Mais uma stablecoin brasileira no pedaço. O Brasil acaba de ganhar mais uma stablecoin atrelada ao real: a BRLN. Ela foi lançada pela empresa Núclea e deve ser usada, inicialmente, para dar suporte aos processos internos de liquidação e compensação da firma. Vale lembrar: só nos últimos dois meses, quatro stablecoins ligadas à moeda brasileira foram lançadas ou anunciadas. Somadas às que já existem, o país caminha para ter 11 stablecoins “made in Brazil”.

Visa e Mastercard jogam água fria nas stablecoins. Stablecoins estão em alta, ok. Mas gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard ainda veem pouco apelo dessas criptos para os pagamentos do dia a dia – ao menos por enquanto. Em calls sobre resultados, executivos das empresas disseram que, em mercados desenvolvidos, os consumidores já contam com meios digitais rápidos e eficientes para pagar, o que acaba limitando a demanda por stablecoins no varejo.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Show do trilhão: debêntures ‘usadas’ superam todo o volume do mercado de capitais ‘zero km’

O mercado secundário de debêntures já é maior do que todo o mercado primário de capitais. A compra e venda de títulos do gênero antes do vencimento movimentou um volume 13% maior do que a soma de todas as emissões feitas por empresas brasileiras em 2025.

Trata-se de um movimento que tem a ver com a entrada de cada vez mais investidores pessoa física no mercado de títulos privados, que oferecem um bônus de remuneração comparados aos títulos públicos (mais sobre isso adiante).

Esses títulos movimentaram quase um trilhão de reais ou, mais precisamente, R$ 947,4 bilhões no mercado secundário de debêntures no ano passado. Mais do que os R$ 838,8 bilhões que as empresas captaram por meio de emissões de títulos – contando ações, notas comerciais, notas promissórias, Fdics, FIIs, CRIs, CRAs e as debêntures primárias (vendidas diretamente pelas empresas).

Em tempo: o mercado secundário é o ambiente de negociação dos títulos “usados”, ou seja, aqueles já em circulação e que o investidor quer passar para a frente antes do vencimento. Já o primário se refere aos papéis “zero km” – os novos lançamentos, que as próprias empresas vendem ao público para levantar recursos.

Esse mercado de segunda mão cresceu de maneira acelerada principalmente nos últimos dois anos. Saltou de R$ 444 bilhões em 2023 para R$ 707 bilhões no ano seguinte, ou seja, um avanço de 59%. E de 2024 para 2025, o volume subiu para quase um trilhão de reais, com um incremento de mais 34%.

E agora o mercado secundário de debêntures já é quase duas vezes maior do que o mercado primário desses títulos. Veja aqui:

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O crescimento acelerado do mercado secundário mostra o seguinte: que o apetite dos investidores pelas debêntures cresceu mais rápido que a oferta.

E entra aí a fome do investidor pessoa física, principalmente no caso das debêntures incentivadas, que oferecem isenção de imposto de renda à pessoa física. Esse perfil de investidor adquiriu 12,2% desses títulos emitidos em 2025. Foi um crescimento expressivo na comparação a 2024, quando os aplicadores individuais responderam por 9,8% do volume.

As incentivadas bancam projetos de infraestrutura, e o governo as mantém livres de IR para estimular o setor. E o motivo da atração é óbvio. Há debêntures incentivadas pagando até IPCA+10% ao ano, por uma década. É bem mais do que os títulos do Tesouro para o mesmo período, que estão no patamar de IPCA+7%.

Claro que se trata de um prêmio por conta do risco. A hipótese de o Tesouro não pagar é basicamente nula. Já uma empresa pode falir e deixar seus credores na mão. É a velha ausência de almoço grátis: quanto maior a taxa, maior o risco.

De qualquer forma, a ascenção das debêntures se retroalimenta, tornando o ativo mais atraente. É que o crescimento do mercado secundário das debêntures ajuda na liquidez. Na prática, significa que o detentor do papel tem muito mais chances de vender o título antes do vencimento se precisar em lugar de ficar preso à aplicação por um período que pode alcançar mais de uma década.

As incentivadas, por exemplo, têm prazo médio entre 8 anos e 15 anos. Mas há muitos papéis que alcançam até 20 anos de duração – os projetos de infraestrutura que geram essas emissões costumam ser de longuíssimo prazo, afinal.

A MP que foi sem nunca ter sido

O cenário macroeconômico não foi o único fator de impulso a esse crescimento. Em meados de 2025, o governo editou uma medida provisória (MP) que derrubava a isenção de IR para todos os produtos até então isentos, como LCI, LCA, CRI, CRA, FII e debêntures incentivadas. Isso a partir de janeiro de 2026. No fim, a ameaça não prosperou. A MP foi derrubada pelo Congresso em outubro do ano passado.

No entanto, durante todo o terceiro trimestre, houve uma espécie de corrida aos produtos isentos, porque as regras preservavam os investimentos feitos antes de 2026. Além dessa MP, o governo conseguiu aprovar uma reforma do próprio IR, que instituiu uma tributação de lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas com renda não tributada acima de R$ 600 mil por ano.

Essa mudança, que passou a valer a partir deste mês, incentivou a migração de recursos para instrumentos isentos. A avaliação de Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, reforça essa percepção. “A perspectiva de mexer nos títulos isentos e o potencial impacto da tributação de dividendos podem ter dado um impulso extra no terceiro e quarto trimestres.”

As emissões de debêntures incentivadas em 2025 cresceram 31,7% comparadas a 2024 para R$ 178 bilhões. Trata-se do nível mais elevado da série histórica da Anbima, que remonta a 2012.

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Bolsa já sobe 46% em 12 meses com a entrada de estrangeiros. Entenda o que traz o dinheiro de fora para cá

Os investidores estrangeiros já aportaram R$ 12,3 bilhões nas ações brasileiras. O movimento é tão forte que já equivale a quase metade do dinheiro que entrou na bolsa no ano passado, de R$ 26,7 bilhões – na contabilidade líquida, ou seja, o tanto que as entradas superam as saídas. Esse é o grande motivo para o Ibovespa ter rompido recorde após recorde nesta semana, já na faixa dos 179 mil pontos.

Em apenas cinco pregões, o principal índice da B3 subiu 8%, impulsionado pelo movimento das maiores empresas da bolsa – caso da Vale, que também chegou aos picos históricos. No ano, alta já soma 11%. Em 12 meses, 46%.

Enquanto isso, o dólar permaneceu abaixo dos R$ 5,30, nos menores níveis desde novembro do ano passado.

No fechamento de hoje, o Ibovespa avançou 1,86%, aos 178.858 pontos. O dólar encerrou perto da estabilidade, a R$ 5,2865.

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Os estrangeiros estão fazendo a festa no Brasil porque o país é um dos mais líquidos entre os mercados emergentes e, em especial, na América Latina. Em um momento de alta procura por diversificação internacional, são os ativos brasileiros que entram na rota dos recursos internacionais.

Esta semana em especial foi propícia à demanda por ativos considerados mais arriscados. Donald Trump deu um passo atrás no “caso Groenlândia” ao dizer que não aplicaria as tarifas e que não tomaria o território à força. Com menos aversão nos mercados globais, a porteira abriu-se de novo aos emergentes, com mais intensidade.

Mas já faz tempo que uma parte do dinheiro de fora busca outros portos fora dos EUA. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – acumula ganhos acima de 7% no ano. Em 12 meses, 38%.

No mesmo período, o S&P 500 soma apenas 13%. Um sinal de que a apostas nas big techs, o motor das bolsas americanas, já não é tão intensa.

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Mas nada disso significa uma migração em massa de capital – das bolsas americanas para as da periferia do planeta, como a nossa. Para os estrangeiros, a quantidade de recursos remetida aos emergentes é muito pequena em relação ao que flui todos os dias em Nova York. Para bolsas como a nossa, porém, é um caminhão de dinheiro, capaz de mexer de forma significativa com os preços.

Essa procura por diversificação fora dos EUA explica a demanda pela moeda brasileira nesse momento, em um ambiente de enfraquecimento generalizado do dólar contra outras divisas globais. Do fim de dezembro para cá, o dólar já acumula baixa de 3,5% ante o real.

O desempenho do mercado de bolsa também destoa dos juros dos títulos públicos, justamente porque a justificativa para a disparada das ações é o movimento estrangeiro.

Do lado doméstico, o nível de “prêmio” (ou retorno a mais) exigido pelos investidores para comprar títulos de dívida do governo ainda é muito alto por questões domésticas sensíveis, caso das contas públicas e da proximidade das eleições presidenciais.

Mesmo assim, esse mercado vive um certo alívio. As taxas de juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+2040 caem de 7,37%, taxa de fechamento de ontem, para 7,30% nesta sexta. AInda nos patamares da história. Mas, ainda assim, trata-se da maior queda no ano.

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As dificuldades do FGC em devolver o dinheiro aos clientes do Banco Master

João (nome fictício) já realizou o cadastro no aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para receber os recursos investidos em CDBs do Banco Master, mas os documentos estão em análise há mais de uma semana. Os títulos do banco já saíram da custódia – quer dizer: o CDB não está mais sendo “guardado” pelo banco onde foi comprado, que é o esperado em processos de liquidação –, mas o dinheiro ainda não foi devolvido.

Em diversos grupos de WhatsApp e relatos colhidos pela reportagem, antigos clientes e credores do Master relatam estar à espera dos pagamentos, que estão demorando ou foram feitos apenas parcialmente. E não há também aparentemente uma ordem, já que muitas pessoas já cadastradas há mais tempo estão recebendo o dinheiro depois de outras que fizeram o pedido mais tarde.

O FGC tem recursos suficientes para fazer os ressarcimentos dos clientes do Master e também das fintechs que integram o conglomerado e foram liquidadas, caso do Letsbank e do Will Bank. Mas o fundo nunca antes teve que lidar com um volume tão grande de recursos a serem distribuídos.

Em número de indenizações, o ressarcimento do Master é o segundo maior da história do FGC. Em 1998, quando o Bamerindus foi liquidado, 3,9 milhões de correntistas e investidores foram pagos. Dessa vez, 600 mil pedidos já foram feitos ao fundo de um total de 800 mil pessoas que têm direito aos pagamentos.

Mas, em volumes, a situação do Master não tem precedentes: o FGC pagou antes um total R$ 6 bilhões em casos de liquidação de instituições financeiras, sendo R$ 4 bilhões apenas referente ao Bamerindus. Atualizado pela inflação, esse ressarcimento do banco representaria hoje R$ 20 bilhões, menos da metade do que vai acontecer no caso do Master e de suas fintechs liquidadas.

No caso do Will Bank, o fundo ainda sequer recebeu a lista para iniciar os pagamentos. Procurado para comentar sobre eventuais atrasos e dificuldades nos pagamentos aos clientes, o FGC afirmou não ter novidades a respeito do caso.

O quanto realmente vale o dinheiro

Cada dia de atraso no recebimento dos recursos faz com que os investidores tenham, na prática, um prejuízo, já que o rendimento dos CDBs a partir da data de liquidação banco não entram na conta do ressarcimento.

Quer dizer: apenas os rendimentos até novembro do ano passado são considerados na devolução dos recursos – e cada dia sem colocar a mão no dinheiro equivale a uma parcela de rentabilidade perdida.

Quem comprou em janeiro de 2025 um CDB do Banco Master pagando 120% do CDI e permaneceu com o título após a decretação da liquidação pelo Banco Central deve acabar recebendo algo próximo do equivalente a 102% do CDI, caso os recursos caiam na conta ainda neste mês.

Se a devolução ficar para fevereiro, o rendimento efetivo cai mais um degrau e passa a ficar perto de 101% do CDI, nível muito semelhante ao de um CDB de grande banco, mas com risco incomparavelmente menor.

A situação é mais dura para quem comprou o papel perto da data da liquidação. Nesses casos, o retorno anualizado pode cair para algo entre 80% e 90% do CDI, a depender do tempo em que o dinheiro ficou indisponível. É um nível próximo ao que rende a poupança, apesar de o risco assumido ter sido muito maior.

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Efeito Will Bank faz CDBs do Pleno (ex-Voiter) saltarem a até 170% do CDI

O trauma do caso Banco Master e Will Bank tem impactado o mercado secundário de títulos de renda fixa de outras instituições. Os investidores têm vendido com grandes descontos CDBs, LCIs e LCAs de duas instituições envolvidas em algum grau na história do conglomerado liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

As LCIs e LCAs do Banco de Brasília (BRB) têm sido oferecidas nas plataformas digitais a taxas de 108% do CDI. Vale lembrar que, como são papéis isentos de imposto de renda sobre os rendimentos, esses níveis de retorno equivalem a 139% do CDI em produtos com IR, como os CDBs.

Já os CDBs do antigo banco Voiter, que mudou de nome para Pleno, aparecem com taxas de até 170% do CDI.

O Banco Pleno foi adquirido em julho de 2025 por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-CEO do Banco Master, com aval do Banco Central — mesmo enquanto as autoridades já investigavam irregularidades relacionadas ao Master.

Lima chegou a ser preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Master, mas o Banco Pleno não foi alvo direto dessa investigação e segue operando sob nova direção.

Já o O BRB tem enfrentado uma série de questionamento das agências de rating. A Fitch rebaixou as notas de crédito do banco ema 26 de novembro e colocou em observação negativa. A agência citou enfraquecimento da governança e doscontroles de risco, além de suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.

A Moody’s e a S&P Global retiraram todos os ratings (global e nacional) do BRB, que estavam sob observação negativa devido a questões de governança e gestão de risco. A S&P informou que a retirada foi feita a pedido do banco.

A mecânica das taxas

Vale lembrar que as taxas no mercado secundário são um termômetro do risco percebido pelos investidores. Isso porque os retornos oferecidos, na verdade, representam descontos sobre a remuneração original do papel.

O mercado secundário é o ambiente onde os detentores de títulos já emitidos vendem os papéis antes dos vencimentos. Quando querem se desfazer rapidamente dos CDBs e outros investimentos precisam oferecer descontos que se traduzem em taxas mais elevadas do que a originalmente contratada.

E como isso funciona? Os papéis são comercializados por meio das corretoras. É um processo semelhante ao do mercado de carros usados, onde o dono do veículo pode tanto deixar em consignação na vitrine da loja, quanto vender para a própria concessionária, que, depois, negocia com lucro.

Para passar o título para frente oferecendo uma taxa mais alta do que aquela pela qual comprou o papel, o investidor precisa vender por um preço menor do que o atual.

Por exemplo. Imagine um título a 110% do CDI com mais um ano de prazo e CDI de 15% ao ano. Vamos considerar que o valor atual do título, calculado a partir da aplicação das taxas contratadas, ou seja, o valor justo, seria de R$ 1.000. Para que esse mesmo título seja vendido no mercado secundário pagando 150% do CDI, o vendedor oferece um desconto sobre esse preço. Nesse caso, teria de vender o papel a R$ 951.

Liquidação e atraso do FGC

O trauma dos investidores não vem só da liquidação do conglomerado Master. Houve também a demora de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que reduziu significativamente o que, de fato, os investidores obtiveram de retorno com as aplicações.

Questionamentos do Tribunal de Contas da união (TCU) feitos ao Banco Central sobre o processo de liquidação do Master atrasou o início dos pagamentos por mais de dois meses. Com isso, o dinheiro dos investidores de CDBs do banco ficou parado sem rendimento, o que corroeu o retorno prometido originalmente.

Quem comprou um CDB do Master a 120% do CDI em janeiro do ano passado, por exemplo, vai receber, na verdade, algo perto de 102% do CDI. Isso porque o recurso ficou sem rendimento desde 18 de novembro, data da liquidação do banco. Ou seja, o risco não valeu a pena.

Isso porque o investidor poderia ter obtido retorno semelhante por meio de títulos de bancos de grande porte, com perfil muito mais sólido e sem ter de passar pelo estresse da liquidação e da espera pelo FGC.

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Bolsa de Nova York quer levar Wall Street para a blockchain

Há tempos o mercado financeiro flerta com um dos principais benefícios da blockchain: funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e de forma muito mais ágil. O problema sempre foi o mesmo: como encaixar isso num sistema cheio de regras e numa engrenagem pesada de bastidores – compensação, custódia e liquidação –, que acaba freando qualquer mudança maior. Agora, a Bolsa de Nova York (Nyse) resolveu dar um passo concreto nessa direção.

Na segunda-feira (19), como mostramos no nosso morning cripto de hoje, a gigante americana anunciou que está desenvolvendo uma plataforma para negociação e liquidação de acões e valores mobiliários tokenizados – ou seja, ativos que passam a rodar na tecnologia por trás das criptomoedas, a famosinha blockchain. A proposta é permitir que essas negociações aconteçam de forma contínua, inclusive fora do horário tradicional de pregão, com liquidação praticamente imediata.

Essas ações tokenizadas, segundo a Nyse, serão equivalentes às ações tradicionais e aos valores mobiliários digitais. Portanto, os investidores terão direito aos mesmos dividendos e direitos de voto das ações convencionais. Segundo a bolsa, esses papéis poderão ser negociados como ações “de verdade”, apenas em formato digital.

A bolsa de valores disse que ainda vai buscar as aprovações regulatórias necessárias para tirar o projeto do papel. A ideia é liberar ainda neste ano. Se isso acontecer, será a primeira vez que a Nyse terá um ambiente dedicado à negociação de ações tokenizadas.

Como funciona

O jeito como o mercado financeiro funciona hoje foi pensado para um mundo que ainda fecha as portas no fim do dia. Quando um investidor compra ou vende um ativo, o negócio até é encerrado na hora, mas a parte burocrática vem depois.

A operação precisa atravessar vários sistemas e instituições diferentes até ser oficialmente concluída, passando por corretoras, estruturas de compensação, custódia e bancos. Esse vai e vem de registros e checagens torna o processo lento e pesado.

Para piorar, o dinheiro só anda quando o sistema bancário está aberto. Fins de semana, feriados e diferenças de fuso entram na conta. Na prática, isso significa que os recursos ficam parados no meio do caminho por um tempo, o que encarece a operação e deixa as partes expostas a riscos até que tudo seja liquidado de vez. A proposta da Nyse é reduzir esse intervalo e aproximar a liquidação do momento da negociação.

É justamente aí que entra a mudança. Em vez de usar apenas a infraestrutura financeira tradicional para registrar quem comprou, quem vendeu e transferir dinheiro e ativos, a Nyse quer passar a usar blockchains (sim, várias) nessa etapa de bastidores para liquidação e custódia. A ideia é que essa tecnologia permita registrar e transferir ações de forma mais rápida e contínua.

Na prática, a bolsa vai continuar usando seu sistema tradicional – chamado Pillar –, que é o motor responsável por casar ordens de compra e venda. Mas todo o “back-end” da operação, ou seja, a parte de registro, liquidação e custódia, passa a rodar na tecnologia por trás das criptos.

A empresa informou que já está trabalhando com instituições como BNY e Citi para viabilizar depósitos tokenizados em suas câmaras de compensação.

Vale lembrar que outras empresas também “namoram” o setor cripto. No fim ano passado, a Nasdaq apresentou uma proposta formal à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês) para permitir que ações tokenizadas e produtos negociados em bolsa (ETPs) sejam listados e negociados diretamente em sua plataforma, usando tecnologia blockchain. O CME Group também divulgou em 2025 que está explorando e testando tecnologias de tokenização.

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Estrangeiro movimentou quase R$ 3 trilhões na bolsa brasileira em 2025. Saiba quais foram as ações preferidas

Já virou até lugar comum falar que quem aproveitou mesmo a alta da bolsa brasileira no ano passado foram os estrangeiros. Mas os dados da B3 dão uma dimensão do tamanho desse fluxo.

O chamado investidor não residente negociou R$ 2,8 trilhões em ações no mercado brasileiro à vista entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados da plataforma Datawise+, da B3 e Neoway.

O dinheiro de fora foi responsável por 62% do movimento total das ações brasileiras. Os dados da B3 mostram que se ampliarmos ainda mais o universo de ativos de renda variável, considerando além do mercado à vista, os BDRs, ETFs e fundos imobiliários (FII), a cifra pula para astronômicos R$ 3,5 trilhões.

O fluxo de fora aumentou em 15% comparado aos R$ 2,4 trilhões de 2024.

Só em dezembro de 2025, os estrangeiros negociaram R$ 255 bilhões, um crescimento de 6% na comparação com o mesmo período de 2024.

As ações preferidas dos estrangeiros foram:

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A lista coincide em grande parte com as ações de maior peso no Ibovespa. Do top 10 por esse quesito, não constam da lista acima apenas Axia, BTG e Embraer.

Já entre as que não estão entre as 10 maiores do Ibovespa, mas fazem parte das preferidas dos estrangeiros, temos WEG, Banco do Brasil e Ambev.

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As ações com maior potencial de dividendos em 2026

O ano de 2026 já tem seus destaques universo das boas pagadoras de dividendos: as instituições financeiras, além de nomes fortes em setores como construção, celulose, saneamento e varejo.

As financeiras lideram os dividend yield entre os setores, com 9% projetados para 2026. Fazem parte desse grupo as empresas B3, Méliuz, Caixa Seguridade, Stone e PagBank – companhia com maior pagamento potencial, em 12,9%. Entre outros destaques nos setores, a Marcopolo, a Suzano e a Sanepar também estão na lista. O levantamento é da XP.

Dividend yield (DY), sempre vale lembrar, é a rentabilidade obtida com dividendos. Ele ajuda a identificar as empresas com maior potencial de pagar proventos.

O dividend yield é calculado assim: pega-se o valor dos dividendos pagos e divide-se pelo preço de sua ação. O resultado mostra quanto o investidor recebe em proventos em relação ao valor investido no papel. Por exemplo: se uma ação custa R$ 20 e paga R$ 2 em dividendos ao longo do ano, o DY é de 10%. Quanto maior esse percentual, maior é a renda gerada pela ação.

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Como tudo na vida, existe um “porém” a ser considerado: a empresa não é necessariamente a melhor pagadora de dividendos só por causa do DY, já que ele pode subir porque o preço da ação caiu, e não porque a empresa está distribuindo proventos a mais. Nesse caso, as expectativas negativas do próprio mercado com a empresa podem pressionar as ações em um período e gerar a distorção no DY.

Uma forma de entender o DY, então, é também acompanhar a evolução da geração de caixa da empresa com o passar do tempo, um dado que explica de fato a capacidade de distribuição de proventos. Afinal, os dividendos são pagos com caixa, e não com o lucro contábil. Quem gera mais dinheiro com as próprias operações é que tem mais chance de devolvê-lo aos acionistas.

Empresas com um nível de endividamento muito alto também são um sinal amarelo. Isso porque uma companhia endividada que decide distribuir proventos está fazendo isso à custa de maior risco no futuro, já que pode nunca gerar recursos para fazer frente aos pagamentos.

Também vale notar que as companhias com negócios mais previsíveis, que é o caso de bancos, saneamento e energia, costumam sustentar dividendos melhores do que as companhias muito cíclicas, que dependem do cenário macroeconômico ou da dinâmica do seu setor para gerar caixa.

As empresas também frequentemente optam por investir os recursos nas próprias operações ou em compra de outros ativos ao invés de pagar dividendo aos investidores – e isso pode significar uma boa decisão de investimento. Para quem busca renda com ações, provavelmente não será a melhor escolha de aplicação, mas é uma condição importante para quem busca ganho de capital, já que empresas com disciplina na alocação de recursos ao longo do tempo atraem mais investidores.

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Volatilidade: como o ‘caso Groenlândia’ pode atrapalhar sua vida financeira

As novas ameaças comerciais de Donald Trump, agora parte do “caso Groenlândia“, voltaram a elevar a incerteza global.

Ao usar as tarifas comerciais como instrumento de pressão geopolítica, o presidente reforça um padrão já conhecido: quando a previsibilidade some, a volatilidade aumenta e a direção dos mercados se torna mais difícil de antecipar.

A experiência recente ajuda a ilustrar esse efeito. No anúncio do primeiro tarifaço, no ano passado, a volatilidade disparou e os investidores concentraram perdas justamente em ativos amplamente presentes nas carteiras, como ações, crédito e moedas de mercados emergentes, como a nossa.

Basta observar o comportamento do S&P/B3 Ibovespa VIX, índice que mede a volatilidade implícita do principal indicador da bolsa brasileira. Em termos simples, o indicador mede o grau de dispersão dos preços em relação ao seu comportamento médio esperado. Ele mostra o quanto o mercado vem se mostrando cada vez mais sensível a temas políticos e geopolíticos, dentro e fora do Brasil.

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Volatilidade, vale lembrar, não é apenas pressão negativa sobre os preços, mas a expressão da incerteza. Ela mede o grau de afastamento dos ativos em relação ao comportamento esperado diante de choques de informação e mudanças de percepção. Por isso, enfrentá-la não significa tentar prever o próximo movimento, mas estruturar o portfólio com ativos descorrelacionados antes que os choques ocorram.

“Dinheiro é rei”: liquidez como proteção estratégica

O ditado financeiro “cash is king” não se refere apenas a ter dinheiro parado, mas à capacidade de manter liquidez com baixo risco, algo essencial em ambientes de incerteza elevada, como o atual. Em ciclos de maior volatilidade, o valor da liquidez aumenta porque ela preserva opcionalidade: permite reagir rapidamente, seja para aproveitar distorções de preço, seja para amortecer perdas em outras classes de ativos.

Por isso, essa parcela do portfólio deve estar alocada em instrumentos de baixo risco de crédito, baixa volatilidade e alta previsibilidade. No Brasil, esse papel é cumprido de forma eficiente pelos títulos públicos pós-fixados, com destaque para o Tesouro Selic.

Trata-se de um ativo que carrega essencialmente o risco soberano, acompanha a taxa básica de juros e apresenta mínima sensibilidade a oscilações de mercado. Ele não é desenhado para gerar retornos extraordinários, mas para proteger capital, funcionar como reserva de emergência e servir como fonte de recursos para realocações táticas quando surgem oportunidades em ativos mais arriscados.

Títulos públicos dos EUA

Com a popularização das plataformas de investimento no exterior, o investidor brasileiro passou a ter acesso direto a ativos que historicamente cumprem um papel central na diversificação global de risco, como os títulos da dívida americana (Treasuries).

Mesmo em um ambiente de maior ruído político nos Estados Unidos, intensificado por decisões imprevisíveis da atual administração, o mercado americano continua sendo o mais profundo, líquido e institucionalmente robusto do mundo. Isso confere aos Treasuries um status singular: em momentos de estresse global, eles tendem a ser vistos como porto seguro, atraindo fluxo de capital justamente quando ativos de risco sofrem.

Do ponto de vista técnico, títulos de vencimento mais curto são preferíveis nesse contexto. Eles apresentam menor risco de duração, menor sensibilidade às oscilações de juros e funcionam quase como um “estacionamento” de capital em moeda forte, preservando valor com baixa volatilidade.

Esse comportamento explica por que Treasuries frequentemente se movem em sentido oposto a ativos como ações, crédito privado ou mercados emergentes, atuando com posição estratégica: um elemento estabilizador do portfólio na combinação com as demais classes.

O papel do dólar: a força da assimetria

O mesmo raciocínio se aplica ao dólar. À primeira vista, pode parecer contraditório investir na moeda americana em um momento em que há questionamentos sobre a liderança global dos EUA e maior busca por alternativas fora do país. No entanto, essa análise ignora um ponto crucial: a assimetria estrutural entre o real e o dólar.

O real é uma moeda de país emergente, altamente sensível a ciclos globais de liquidez, percepção de risco fiscal local, fluxo de capital estrangeiro e choques políticos e institucionais.

Já o dólar, apesar de suas fragilidades, segue sendo a principal moeda de reserva, de comércio e de financiamento global. Em períodos de aversão ao risco, o movimento típico não é a fuga do dólar, mas sim a fuga para o dólar, especialmente contra moedas emergentes.

Por isso, manter exposição cambial ao dólar não é uma aposta direcional, mas uma estratégia de hedge. Historicamente, ele tende a se valorizar justamente quando ativos locais e mercados mais arriscados sofrem, cumprindo um papel anticíclico dentro da carteira.

Por que não outras moedas?

É legítimo questionar se outras moedas fortes poderiam cumprir a mesma função. A resposta é: nem sempre.

A relação entre o real e o dólar é muito mais direta e estrutural do que com outras divisas. Além disso, nem todas as moedas têm mercados tão profundos e líquidos, nem todas funcionam como refúgio em crises globais e algumas são altamente correlacionadas com ciclos regionais específicos.

Isso faz com que o dólar continue sendo, na prática, a principal ferramenta de diversificação cambial para o investidor brasileiro.

Ouro: proteção contra risco sistêmico e geopolítico

O aumento da demanda por ativos clássicos de proteção recoloca o ouro no centro das estratégias defensivas. Diferentemente de moedas e títulos, o metal precioso não depende de governos, políticas monetárias ou sistemas financeiros para preservar valor.

Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes, uso crescente de sanções financeiras, questionamentos sobre a neutralidade do sistema financeiro internacional, o ouro passa a ser visto como um ativo “fora do sistema”, o que explica a forte demanda recente.

Esse movimento não é exclusivo dos investidores privados. Bancos centrais ao redor do mundo vêm aumentando suas reservas em ouro e reduzindo exposição ao dólar. A lógica é simples: reservas concentradas em títulos públicos estrangeiros podem ser congeladas ou confiscadas em cenários de conflito político — como ocorreu com a Rússia.

A China lidera esse processo justamente por enxergar o risco de depender excessivamente de ativos financeiros denominados em dólar. Se governos e bancos centrais estão buscando proteção fora do sistema tradicional, é razoável supor que o ouro ainda tenha papel relevante como hedge e potencial de valorização em um mundo mais fragmentado e instável.

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Ameaça de tarifas de Trump pesa sobre a Europa e derruba LVMH, Volkswagen e Mercedes-Benz

As ações europeias despencaram a partir de uma máxima próxima de recorde, enquanto os indicadores de risco de crédito subiram depois que Donald Trump reacendeu a guerra comercial entre os EUA e a Europa, ao ameaçar novas tarifas contra oito países por causa da Groenlândia.

O índice Stoxx Europe 600 caiu 1,1% às 14h32 em Paris, com os setores mais expostos ao mercado americano — incluindo montadoras e ações de luxo — sofrendo fortes perdas. O setor de defesa avançou diante do aumento das tensões geopolíticas. Os futuros de ações dos EUA também recuaram, enquanto o mercado à vista permaneceu fechado por conta de um feriado.

Os indicadores de risco de crédito europeu subiram, esfriando o que já deveria ser um início de semana mais tranquilo para emissões de dívida, dado o feriado nos EUA. O índice iTraxx Crossover, que mede o risco de crédito de empresas com grau especulativo (junk), avançou até 8,5 pontos-base, segundo dados compilados pela Bloomberg. Um indicador semelhante para empresas com grau de investimento subiu até 1,8 ponto-base.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre produtos de países europeus que se mobilizaram para apoiar a Groenlândia diante de ameaças dos EUA de tomar o território. Ele afirmou que as tarifas aumentariam para 25% em junho, caso não seja fechado um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia”. O ministro das Finanças da Alemanha disse que Trump cruzou uma linha vermelha e pediu que a Europa prepare sua medida comercial de retaliação mais forte.

“Se olharmos estritamente para o aumento das tarifas, é algo que, do ponto de vista econômico, poderia ser absorvido”, disse Vincent Juvyns, estrategista-chefe de investimentos do ING em Bruxelas. “Mas a possibilidade de uma ruptura dentro do mundo ocidental teria consequências cuja dimensão eu não consigo medir.”

Em outras classes de ativos, o dólar americano caiu frente à maioria das moedas do Grupo dos Dez, enquanto o franco suíço — um tradicional porto seguro — se destacou. Títulos públicos de curto prazo lideraram os ganhos, com o rendimento do título alemão de dois anos recuando até quatro pontos-base, para 2,07%. Os futuros dos Treasuries de 10 anos dos EUA ficaram estáveis, indicando pouca variação nos rendimentos. O mercado à vista de títulos americanos está fechado.

Embora a expectativa fosse de desaceleração na emissão de bônus na Europa após o ritmo recorde recente, em função do feriado nos EUA, alguns emissores optaram por adiar suas operações e adotar uma postura de “esperar para ver” diante da incerteza, segundo pessoas familiarizadas com as transações.

Há apenas uma oferta no mercado primário em euros, do banco suíço Zuercher Kantonalbank, com rating AAA, tornando esta a segunda-feira mais fraca para emissões desde dezembro de 2024, de acordo com dados da Bloomberg.

O anúncio de Trump provocou uma reação imediata de líderes europeus. A União Europeia estaria em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos EUA, caso Trump leve adiante a ameaça da tarifa de 10%. A reação mais concreta e imediata da UE foi a decisão de suspender a aprovação do acordo comercial fechado com os EUA em julho.

Montadoras caem

Entre ações individuais, a gigante francesa do luxo LVMH caiu mais de 4%, na maior queda desde abril, enquanto as montadoras alemãs Volkswagen AG e Mercedes-Benz Group recuaram pelo menos 3% cada. A empresa de defesa Rheinmetall AG subiu mais de 2%.

“Uma escalada da guerra comercial entre EUA e Europa motivada pela Groenlândia pode apagar a maior parte do crescimento dos lucros europeus em 2026”, escreveu Laurent Douillet, estrategista sênior de ações da Bloomberg Intelligence. “Isso pode desencadear uma correção de alguns pontos percentuais”, acrescentou.

Economistas do Goldman Sachs Group estimam que uma tarifa americana de 10% reduziria o PIB real entre 0,1% e 0,2% nos países afetados, via menor comércio, com a Alemanha sofrendo o maior impacto. “O efeito pode ser maior caso haja impactos negativos sobre a confiança ou os mercados financeiros”, escreveram em nota.

A ameaça tarifária de Trump interrompe de forma indesejada a recente alta das ações europeias, que vinham superando seus pares americanos à medida que investidores direcionavam recursos para setores regionais, como defesa, mineração e fabricantes de equipamentos para chips. Como resultado, o índice europeu vinha mostrando sinais de superaquecimento e agora está no nível de sobrecompra mais elevado em 26 anos.

“O nervosismo é palpável. No fim das contas, há tantos problemas se acumulando — de cartões de crédito à independência do Fed e às tarifas — que realmente não vejo motivo para os mercados acionários continuarem rompendo novos recordes”, disse Alexandre Baradez, analista-chefe de mercado da IG em Paris.

Desde o início de 2025, o Stoxx Europe 600 acumulou alta de 36% em dólares até sexta-feira, o dobro do ganho do S&P 500 no mesmo período. O índice europeu agora é negociado a quase 16 vezes o lucro projetado, acima da média dos últimos 15 anos, reduzindo o desconto em relação aos pares americanos para cerca de 30%.

O Deutsche Bank AG prevê impacto limitado para o euro, em parte devido ao quanto os EUA dependem da Europa para capital. As tarifas também podem servir de catalisador para maior coesão política na UE, o que reduziria a chance de uma desvalorização sustentada do euro frente ao dólar nesta semana.

“O principal ponto a observar nos próximos dias será se a UE decide ativar seu instrumento anti-coerção, colocando sobre a mesa medidas que afetem os mercados de capitais”, escreveu George Saravelos, chefe global de pesquisa cambial do Deutsche Bank, em nota a clientes.

Ainda assim, diversos participantes do mercado expressaram confiança de que um confronto total será evitado. Muitos citaram o jargão popular entre investidores conhecido como “Trump Always Chickens Out” (Trump sempre recua).

“Vai ser mais um TACO”, disse David Kruk, chefe de trading da La Financière de l’Echiquier, acrescentando que mantém sua visão otimista para o ano.

Krishna Guha, chefe de estratégia para bancos centrais da Evercore ISI, observou que uma decisão iminente da Suprema Corte dos EUA pode limitar a capacidade de Trump de impor tarifas.

“Os mercados vão operar em modo aversão ao risco, mas apostando que ou a Suprema Corte vai retirar de Trump essa autoridade, ou ele acabará promovendo mais uma reversão do tipo TACO”, afirmou.

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Bitcoin recua com risco de guerra comercial entre EUA e Europa

O bitcoin e as principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – operam em queda na manhã desta segunda-feira (19), acompanhando o movimento negativo dos futuros de Nova York.

O gatilho vem da política internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas contra países europeus caso a Dinamarca não aceite vender a Groenlândia.

O polêmico chefe do Executivo americano disse recentemente, em suas redes sociais, que a ilha é essencial para a segurança nacional, especialmente por causa de um projeto de sistema antimísseis do país.

Na Dinamarca, manifestantes protestam contra a investida de Trump. A União Europeia (UE), por sua vez, estuda impor tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos ou até restringir o acesso de empresas americanas ao bloco.

Quando esse tipo de incerteza global entra em cena, os investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais arriscados, como ações e criptomoedas.

O bitcoin é negociado em queda de 2,19%, enquanto o ethereum (ETH) escorrega quase 3%. Nos EUA, o índice Dow Jones recua 0,17%, enquanto Nasdaq e S&P 500 caem 0,06%.

“No curtíssimo prazo, a incerteza macro segue elevada, especialmente com Trump adicionando novas camadas de ruído via tarifas. Isso pode limitar movimentos mais agressivos imediatamente”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital.

E a semana promete novos capítulos. A tensão comercial entre EUA e União Europeia deve ganhar ainda mais destaque no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Trump e outros líderes se reúnem nos próximos dias.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  -2,19%, US$ 93.128,88

Ethereum (ETH): -2,98%, US$ 3.222,10

XRP (XRP): -3,96%, US$ 1,97

BNB (BNB): -2,16%, US$ 925,24

Solana (SOL): -5,92%, US$ 133,70

Outros destaques do mercado cripto

Até a Selic foi parar na blockchain. As plataformas de previsão em blockchain estão ganhando espaço no debate político e econômico, inclusive no Brasil. Na Polymarket, por exemplo, já tem gente apostando no resultado da próxima decisão de juros do Banco Central, marcada para os dias 27 e 28 deste mês. Por enquanto, 89% dos apostadores acreditam que o Copom vai manter a taxa no nível atual. Nessas plataformas, os usuários compram tokens de “sim” ou “não” para cada cenário. Se acertarem o resultado, trocam as criptos pelo valor proporcional da aposta.

Regulação no centro do palco. Regulação é aquele assunto que nunca sai de moda no mundo cripto – e vive mudando. Entre os dias 17 e 19 de março, São Paulo recebe o MERGE, uma conferência internacional focada justamente em regulação, além de outros assuntos como Web3, blockchain e stablecoins. O encontro terá participação do Banco Central e de várias instituições que movimentam o mercado cripto brasileiro. Vale anotar na agenda.

Treta entre Coinbase e Casa Branca? A relação entre a Coinbase e a Casa Branca pode ter dado uma azedada nos últimos dias. Uma jornalista americana disse no X que o governo Trump teria ficado irritado depois que a exchange retirou seu apoio ao projeto de lei Clarity Act, por causa do risco de o texto acabar proibindo o pagamento de rendimentos com stablecoins. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, porém, tratou de esfriar o clima: segundo ele, a Casa Branca pediu apenas que a empresa tente costurar um acordo com os bancos, que não são nada fãs da ideia de empresas cripto distribuindo “juros” aos investidores.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Quem recebe primeiro quando o FGC é acionado?

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve liberar nos próximos dias os R$ 41 bilhões que estavam investidos em CDBs do Banco Master, liquidado em 18 de novembro, de acordo com informações levantadas pelo Valor e pelo O Globo.

Para acionar o FGC, o investidor precisa formalizar um pedido de ressarcimento dos valores pelo aplicativo do fundo, canal em que pode acompanhar de forma transparente todo o andamento do processo. A seguir, confira quem recebe primeiro quando o fundo é acionado.

O que determina a ordem de pagamento?

Diferentemente do que muitos imaginam, não existe um “ranking pré-definido” de quem recebe primeiro com base no tipo de cliente ou valor investido. A ordem depende principalmente de dois fatores operacionais.

1 – Envio e validação da lista de credores pelo liquidante

Assim que o Banco Central decreta a liquidação, o responsável legal (o liquidante indicado pelo Banco Central) prepara uma lista com todos os credores e os valores que cada um tem a receber. Essa lista é entregue ao FGC para que o processo de pagamento seja iniciado.

2 – Manifestação do credor no sistema

Depois que o fundo recebe e valida a base de credores, libera o sistema para que cada investidor ou correntista solicite formalmente o ressarcimento. Assim, quem solicita primeiro e tem seus dados corretamente validados tende a receber primeiro, porque o sistema processa os pedidos na ordem em que são feitos.

Em resumo, não é o valor investido nem a data da aplicação que define quem recebe antes. É a ordem em que cada credor completa sua solicitação no sistema do FGC — após o envio e a validação da lista dos credores.

O que é o FGC?

O FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos que protege investidores e correntistas caso um banco ou instituição financeira venha a quebrar ou sofrer liquidação. Ele funciona como uma espécie de “garantia” para quem mantém dinheiro em produtos financeiros emitidos pelos bancos.

Na prática, se a instituição associada ao FGC não tiver mais condições de devolver o dinheiro aos clientes, o fundo faz o reembolso até o limite definido pelas regras atuais. Isso dá segurança ao sistema financeiro e evita que a perda seja total para o investidor.

Como o FGC funciona na prática?

Confira como o fundo funciona na prática.

Liquidação pelo Banco Central

O Banco Central declara a liquidação da instituição financeira — como ocorreu com o Banco Master, Banco Letsbank e outras instituições recentemente.

Preparação da lista de credores

O liquidante reúne os dados de todos os correntistas e investidores com valores a receber e envia ao FGC, agrupando os créditos por CPF ou CNPJ.

Solicitação pelo credor

Assim que a base é recebida e validada, o FGC libera o sistema (geralmente por aplicativo para pessoas físicas e portal para pessoas jurídicas), e cada credor deve solicitar o pagamento.

Processamento em ordem de manifestação

O sistema processa os pedidos conforme são feitos, e, por isso, quem se manifesta primeiro no aplicativo ou portal e completa todas as validações (como biometria, envio de documentos e conta bancária) é quem recebe o pagamento antes no cronograma de liquidação.

Em relação ao prazo para receber o dinheiro do fundo, em um comunicado recente, o FGC afirmou: “Cabe destacar que não existe um prazo definido na legislação para o pagamento da garantia em caso de liquidação de instituição financeira. O pagamento somente se inicia depois que o liquidante, apontado pelo BCB, consolida a lista de credores com os respectivos valores de cada um. Nos casos mais recentes de liquidação, esse período tem sido de aproximadamente um mês”.

Como baixar e acessar o aplicativo do FGC

Na loja de aplicativos, pesquise por “FGC – Fundo Garantidor de Créditos” e baixe o app oficial, acessando a App Store (iPhone) ou Play Store (Android). Na sequência, siga os seguintes passos:

1 – Crie seu cadastro:

  • Abra o aplicativo e clique em “Não tenho cadastro”.
  • Preencha seus dados pessoais: nome completo, CPF, data de nascimento
  • Clique em “Continuar”
  • Crie uma senha de acesso.

2 – Acesse a conta:

  • Faça login com seu CPF e a senha que acabou de criar.

3 – Cadastre uma conta bancária para receber os recursos:

  • No app, clique em Menu.
  • Vá em Meu Perfil.
  • Selecione Contas Bancárias.
  • Cadastre a conta onde deseja receber o ressarcimento do FGC.

Quem financia o FGC?

O FGC não é custeado pelos clientes. São as próprias instituições financeiras participantes que contribuem mensalmente com um percentual sobre os depósitos garantidos. O investidor não paga nada por essa proteção.

Quais investimentos o FGC cobre?

A garantia vale para produtos bancários emitidos por instituições associadas. Entre eles:

  • Conta corrente e depósitos à vista
  • Poupança
  • CDB
  • LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
  • LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
  • Letra de câmbio
  • RDB (Recibo de Depósito Bancário)

Esses produtos só são cobertos se emitidos por instituições participantes do FGC.

O que o FGC não cobre?

O FGC não cobre investimentos que não sejam depósitos bancários, como:

  • Fundos de investimento
  • Debêntures
  • Ações
  • Criptomoedas
  • Previdência privada (PGBL/VGBL)
  • Tesouro Direto
  • CRI/CRA

Esses produtos possuem outras estruturas jurídicas e modelos próprios de garantia.

Qual é o limite de cobertura do FGC?

O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição emissora, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

Exemplo: R$ 240 mil em CDB do Banco A + R$ 240 mil em CDB do Banco B → Ambos cobertos (instituições diferentes). R$ 400 mil em CDBs do mesmo banco → O FGC cobre apenas R$ 250 mil.

Quando o FGC é acionado?

O FGC só atua em três situações formalmente decretadas pelo Banco Central:

  • Intervenção: gestão do banco é assumida pelo BC.
  • Liquidação extrajudicial: encerramento forçado das atividades.
  • Falência: dissolução judicial da instituição.

Só a partir dessas determinações o fundo inicia os pagamentos.

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Quando uma LCI ou LCA, isenta de IR, rende mais do que um CDB? Veja a resposta nesta calculadora

Não existe investimento mágico – quanto maior a rentabilidade, maior o risco. Mas o cardápio é vasto. E a leitura dele nem sempre é fácil, especialmente no Brasil, que tem produtos de aplicação isentos e não-isentos de Imposto de Renda, alíquotas variadas, come-cotas e novas regras surgindo a todo momento.

LCIs e LCAs, por exemplo. As duas aplicações de renda fixa são primas dos CDBs, mas não pagam imposto de renda. O rendimento bruto é também o rendimento líquido. Vantagem automática, então? 

Não. Tudo depende de outros fatores, relativamente complexos. Para ajudar você a fazer a conta, o InvestNews está lançando uma nova ferramenta, sua Calculadora de Renda Fixa.

Via de regra, LCIs e LCAs vão ser oferecidas no app do banco ou da corretora com um rendimento aparentemente menor que o dos CDBs: 85% do CDI, 83%, 82%… Contra algo sempre próximo de 100% no caso de um CDB – às vezes um pouco menos, às vezes um pouco mais, às vezes muito mais…    

Mas o que paga mais? Um CDB que rende 100% do CDI e está sujeito à cobrança de IR ou uma LCA que paga 78% do CDI e é isenta do imposto?

Tudo depende do prazo. Você pode se surpreender, mas uma LCA que paga 78% do CDI vai render mais do que um CDB 100% do CDI se o vencimento do papel acontecer em menos de seis meses. Se for em um ano, uma LCA com esse mesmo rendimento perde para o primo que paga imposto. Isso acontece porque o imposto vai diminuindo com o tempo. Até 180 dias são 22,5% em cima do rendimento. Aí vai diminuindo até 15%, que é o piso, depois de dois anos.

Ou seja: ao investir numa LCI/LCA é fundamental saber quanto ela renderia caso ela pagasse imposto – calcular o gross up, no jargão financeiro – para poder comparar o rendimento com um produto sujeito ao IR. Calcular o gross up é relativamente complexo, já que sempre depende da data de vencimento.   

Alguns bancos e corretoras (como Nubank e XP) já fazem isso. No menu de renda fixa aparece mais ou menos assim: “LCI 85% do CDI com vencimento em 10/06/2026 – rendimento equivalente a 109% do CDI”. Isso facilita muito. Mas a informação não está disponível em todo lugar e às vezes você quer comparar opções de investimento em duas instituições diferentes, por exemplo. Por isso é que o InvestNews, que sempre busca descomplicar a vida do investidor, criou sua Calculadora de Renda Fixa

Na calculadora, você pode comparar produtos isentos e não-isentos e também prefixados (quando a rentabilidade do papel é conhecida já no momento do investimento), pós-fixados (com rendimento sujeito à variação do CDI) ou atrelados à inflação (que rendem uma taxa de juro mais a variação do IPCA).

Ao fim da comparação, o sistema envia um relatório completo para o seu endereço de email, mostrando as rentabilidades reais de cada ativom(em percentual e em valores), valores pagos de imposto, custos e outros dados.

Use sem moderação

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50% das ações da bolsa perdem para a inflação em 15 anos

Quem tinha exposição à bolsa de valores em 2025 obteve o ótimo lucro de 34% no ano do Ibovespa, como amplamente sabido. Mas são as janelas mais longas que contam as verdadeiras histórias. E, tomando por base os últimos 15 anos, as ações brasileiras deram ganho real – acima da inflação – aos investidores, mas foram incapazes de oferecer um lucro maior do que um simples título público.

Os cálculos foram feitos pela gestora Sharp, que oferece fundos de investimentos em ações aos investidores. A casa analisou o universo “investível” de papéis historicamente e concluiu o que o gráfico abaixo mostra: se o investidor buscou qualquer remuneração que fosse mais do que o IPCA em uma década e meia, ficou à deriva.

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Isso mostra o tamanho do custo de oportunidade do mercado de renda variável no Brasil. Na escolha de ações dedo a dedo, é mais provável que o investidor tenha escorregado e ganhado menos do que investimentos mais simples ligados à taxa básica de juros – os produtos indexados ao CDI, no caso – ou à inflação, como as NTN-Bs, conhecidas popularmente como Tesouro IPCA+.

Isso não significa que o investimento em ações seja uma má escolha. Ao contrário: toda carteira equilibrada precisa ter renda variável. Mas é uma realidade que testa a capacidade do investidor em localizar e aplicar dinheiro em papéis de boa qualidade, com retornos consistentes, e observar sempre o longo prazo, que no fim é o que remunera de verdade.

Para a própria Sharp, esses números tão baixos são consequência de um “mercado pouco funcional” no Brasil, em que o custo de capital das empresas é excessivamente elevado. “Se 85% dos alunos reprovam, talvez o problema seja a prova”, provoca a gestora na sua carta.

Mesmo em um “ambiente infrutífero”, como descreve a casa, algumas companhias conseguem prosperar – e outras conseguem entregar bem acima disso. Difícil mesmo é chegar a elas. É um assunto para discutir à parte.

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Bitcoin pega embalo com ajuda dos ETFs e da inflação dos EUA

Depois de alguns dias em queda ou andando de lado, o bitcoin (BTC) acordou de melhor humor nesta quarta-feira (14) e voltou a namorar a faixa dos US$ 95 mil – movimento que respingou também nas demais criptomoedas.

Um dos impulsionadores foi a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), que subiu 0,3% em dezembro e ficou em 2,7% em 2025. Tudo dentro do que o mercado já esperava.

“Os dados de inflação tinham potencial para funcionar como catalisador, ajudando o mercado a sair do congestionamento recente e buscar um movimento mais direciona”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital

A inflação, junto com o dado de emprego divulgado na semana passada, reforça a narrativa de que cortes de juros podem estar no horizonte – o que é sempre música para os ouvidos de quem investe em cripto e outros ativos de risco.

Agora, resta saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai mesmo apertar o botão neste ano. Vale lembrar que Jerome Powell, presidente da instituição, anda sob uma pressão danada de Donald Trump, depois da abertura de uma investigação sobre um projeto de reforma de prédios históricos.

O empurrão dos ETFs

Outro empurrãozinho para o bom humor do mercado veio dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA. Ontem, eles registraram entradas de US$ 753,7 milhões – o maior volume diário desde 7 de outubro, segundo a plataforma SoSoValue.

Esse tipo de fluxo costuma funcionar como um vento a favor para o preço do bitcoin. Quando entra mais dinheiro nos ETFs, os gestores precisam comprar BTC no mercado para montar as posições, o que aumenta a demanda e ajuda a puxar as cotações para cima.

O projeto de lei dos EUA

Além dos dados macro e do fluxo para os ETFs, há mais um ingrediente animando a indústria. Nesta quinta-feira (15), o Senado dos EUA deve votar o Clarity Act, um projeto super aguardado que busca criar um marco regulatório para o setor cripto.

Havia, porém, um trecho do texto que vinha tirando o sono dos players: a possível proibição de stablecoins pagarem rendimento. Hoje, por exemplo, quem deixa o dólar digital USDC “parado” em certas plataformas consegue algo perto de 3,5% ao ano.

Só que o clima mudou. O comitê bancário da Casa apresentou uma espécie de ajuste na proposta e, pelo que está desenhado agora, a ideia é liberar esse tipo de recompensa. Ou seja: as stablecoins ganharam uma sobrevida no jogo da renda passiva.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h40.

Bitcoin (BTC):  +3,31%, US$ 95.043,27

Ethereum (ETH): +5,15%, US$ 3.291,10

XRP (XRP): +3,03%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,92%, US$ 933,50

Solana (SOL): +1,83%, US$ 144,40

Outros destaques do mercado cripto

Bancos não curtem a renda passiva das stablecoins. Como era de se esperar, os bancos não estão nada animados com essa história de stablecoins pagando rendimento. O CFO do JPMorgan, Jeremy Barnum, disse que isso cria uma espécie de “sistema bancário paralelo”. Segundo ele, empresas de cripto estão oferecendo algo muito parecido com contas bancárias – rendem juros e tudo – só que sem o mesmo nível de supervisão, exigências de capital ou proteção ao investidor. Tradução: a disputa ficou séria.

Kobra entra no mundo dos NFTs. O muralista brasileiro Eduardo Kobra, conhecido no mundo todo, resolveu dar um pulo no universo cripto e transformar suas obras em tokens não fungíveis (NFTs). Para quem anda meio por fora: NFT é um bem digital único, registrado em blockchain. Esse mercado esfriou nos últimos anos, mas já viveu dias de glória – com obras sendo vendidas por milhões de dólares.

Imóvel de luxo vira token no Brasil. A onda da tokenização – o processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – segue firme no Brasil. A startup Rooftop captou R$ 17,2 milhões com tokens imobiliários lastreados em um imóvel de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, localizado entre Itatiba e Bragança Paulista, em São Paulo. Na prática, é o mercado imobiliário mergulhando cada vez mais na tecnologia por trás das criptos.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Mercados hoje: Livro Bege, inflação ao produtor nos EUA e varejo em foco

Bom dia!
A quarta-feira começa com os mercados globais atentos a dados econômicos que podem ajudar a desenhar o panorama de inflação e atividade, especialmente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a agenda tem indicadores de produção industrial e fluxo cambial, em um dia em que o noticiário externo dita o tom. Vamos aos principais pontos.

Enquanto você dormia…

  • O mercado externo acordou alinhado com a expectativa por indicadores que ajudam a compor a fotografia da economia americana;
  • Futuros de NY: S&P, Nasdaq e Dow Jones operam em leve queda;
  • Europa e Ásia: bolsas europeias avançam moderadamente, com investidores à espera de desdobramentos dos protestos contra o governo no Irã e do embate entre o presidente americano, Donald Trump, contra a Dinamarca para “comprar” a Groenlândia, rica em minerais; o índice Nikkei do Japão renovou máximas, enquanto outras bolsas encerraram em leve queda.
  • Dólar (DXY) oscila em leve queda; petróleo WTI (EUA) e Brent (Reino Unido) operam em alta; ouro avança acima dos US$ 4,6 mil a onça.

Destaques do dia

  • Os investidores têm hoje três grandes focos externos: o Livro Bege, relatório do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) que reúne percepções qualitativas sobre a economia nos 12 distritos americanos; os dados de inflação ao produtor (PPI) e de vendas no varejo nos EUA, que são monitorados de perto pelo Fed para calibrar avaliação de preços e demanda;
  • E daí? Esses indicadores oferecem pistas sobre a saúde do consumo, pressões de preços e ambiente de crédito nos EUA, fatores que influenciam expectativas para os juros no país e podem mover dólar, juros e ações globalmente. Uma economia mais aquecida pode fazer o BC americano ficar ainda mais cauteloso pelo risco de uma nova pressão inflacionária.

Giro pelo mundo

  • Livro Bege em foco: o relatório qualitativo do Fed é publicado hoje, com percepções regionais sobre atividade econômica, emprego e preços que podem influenciar a visão sobre juros;
  • Inflação PPI e varejo: dados americanos de preços ao produtor e vendas no varejo ajudam a completar o quadro de inflação e consumo, antes do Livro Bege.
  • Balanços de bancos: após o J.P. Morgan, mercados aguardam balanços de Bank of America, Wells Fargo e Citigroup antes da abertura em Nova York.
  • Independência do Fed: ainda no foco do mercado está a pressão de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell. O republicano tem interesse que o Fed corte os juros mais rápido, enquanto a autoridade monetária defende sua posição técnica.

Giro pelo Brasil

  • Produção industrial regional: o IBGE divulga hoje pela manhã a produção industrial de novembro por região, dado importante para avaliar atividade econômica local.
  • Fluxo cambial semanal: também hoje sai o relatório de entradas e saídas de capital, indicador relevante para câmbio e confiança estrangeira.
  • Nova ofensiva: a polícia federal realiza hoje mais uma operação de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio à investigação de fraudes envolvendo a instituição financeira. O ex-banqueiro está em prisão domiciliar.

Giro corporativo

  • Amil: no mercado de planos de saúde mais populares, empresa bate de frente com Hapvida. A Amil liderou o ganho de novos beneficiários em 2025 em produtos de tíquete mais baixo e grande volume, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Neogrid: companhia suspendeu temporariamente o processo de registro da sua oferta pública de ações (OPA) para aquisição do controle e deslitagem da empresa. A decisão ocorreu após a gestora L4acionista minoritária, contestar o preço de R$ 29 por ação oferecido pelo grupo Hindiana para a aquisição da empresa.
  • Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, está estruturando um fundo de infraestrutura para captar até R$ 300 milhões para investir em concessões rodoviárias.

Agenda do dia

  • 09:00 — Produção industrial regional (Brasil) — indicador de atividade local por região do IBGE.
  • 10:30 — Inflação ao produtor e vendas no varejo (EUA) — pistas sobre dinâmica de preços e consumo.
  • 14:30 — Fluxo cambial semanal (Brasil) — revela movimentos de capital na conta financeira e comercial, relevante para câmbio e juros.
  • 16:00 — Livro Bege (Fed) — conjunto de avaliações qualitativas sobre economia americana.

Bons negócios!

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Faca de dois gumes: como a pressão de Trump sobre o Fed atinge os investidores brasileiros

O Fed está de novo na mira de Trump – e isso tem tudo a ver com o Brasil. Com o republicano fechando o cerco contra Jerome Powell, presidente do BC americano, o clima esquenta. Mais investidores com dinheiro nos EUA tendem a buscar diversificação em outros mercados, incluindo as bolsa de países emergentes, como o nosso.

Ao mesmo tempo, também há uma pressão para a busca de investimentos mais tradicionais – leia-se tirar dinheiro da bolsa americana e exigir mais retorno para emprestar ao governo. E isso empurra os juros daqui para cima – porque lá fora eles também sobem.

Primeiramente, o que aconteceu: o Departamento de Justiça dos EUA ameaçou abrir uma investigação criminal contra Powell a respeito de um depoimento prestado em junho por ele ao Senado sobre a reforma da sede do Fed em Washington. Às claras, o objetivo é exigir respostas sobre os custos dessa reforma. Por trás do evento, porém, o que temos é um novo método de pressão sobre Powell e o Fed – Trump tem zero simpatia pela condução da política monetária americana. Deseja mais cortes de juros.

De um lado, isso tem força para empurrar mais dinheiro para ativos emergentes, incluindo o Brasil. Afinal, as dúvidas envolvendo o governo de Trump foi um dos motivos a estimular a procura por outras opções para diversificar o risco (o outro impulso veio do corte de juros, claro). O dinheiro de fora foi fundamental para que a bolsa subisse 34% no ano passado. E neste início de 2026, considerando dados até 8 de janeiro, os estrangeiros já aportaram R$ 750 milhões na B3.

Esse é um movimento, aliás, que vem acontecendo desde o ano passado, quando a guerra tarifária de Trump e a alta forte das ações americanas e da bolsa motivaram a procura por outras alternativas no mundo. Não à toa o investidor estrangeiro ingressou com R$ 27 bilhões na bolsa brasileira no ano passado – e ganhou 50% de retorno, considerando na conta a desvalorização do dólar frente ao real no ano.

A faca de dois gumes acontece por causa de um outro lado nesse ambiente todo: o efeito sobre os juros futuros e o ouro.

Na busca por proteção, é comum que as taxas dos contratos de juros futuros nos EUA subam. Quando há incertezas, os investidores passam a exigir um retorno maior para financiar o governo americano, seja por dúvidas sobre política fiscal, inflação ou independência do banco central. E também pelo efeito de liquidez: para fazer caixa, os títulos são vendidos; com muita gente vendendo, o preço cai – e, como bem funciona a renda fixa, a taxa sobe.

É exatamente o preço da cautela na reprecificação do risco americano. E, quando isso acontece lá fora, é muito comum que as taxas dos contratos futuros aqui no Brasil acompanhem o movimento e também subam.

Na mesma linha fica a procura pelo ouro, que é um tradicional meio de proteção. A cotação do metal ultrapassou os US$ 4,6 mil a onça, em nova máxima histórica.

Nos mercados, os eventos envolvendo o Fed e o presidente Trump tiveram um efeito contido em linhas gerais no fechament do pregão desta segunda-feira, mas já indicam como os investidores estão precificando o cenário.

Os títulos da dívida americana de dois anos fecharam com as taxas em leve alta, enquanto os juros dos papéis de 10 anos avançaram mais, incorporando riscos tanto no curto quanto no longo prazo. Os três principais índices americanos fecharam em leve alta, enquanto o dólar recuou de forma comedida frente a outras moedas globais. Por aqui, o Ibovespa encerrou o dia com leve queda.

A queda de braço entre o Fed e Trump não tem hora para acabar. O próprio Powell deixou clara essa preocupação: em vídeo divulgado no domingo (11), afirmou que a investigação contra ele não se refere ao seu depoimento, nem às reformas e nem ao papel do Congresso.

“São pretextos”, disse. “A ameaça de acusações criminais é uma consequência do fato de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público em vez de seguir as preferências do presidente.”

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Emprego nos EUA e IPCA no Brasil: como os novos dados mexem com os seus investimentos

Dois dados divulgados nesta sexta-feira (9) ajudaram o mercado a recalibrar as expectativas para os juros e, por consequência, para todo tipo de investimento.

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) mostrou uma economia que perde fôlego, mas sem sinais unânimes de fraqueza. No Brasil, um IPCA mais comportado abriu espaço para apostas mais firmes em cortes da Selic. Esse ajuste apareceu primeiro na chamada curva de juros, onde o mercado precifica o custo do dinheiro no futuro.

Na bolsa de valores, tudo se negocia, inclusive o futuro da taxa básica de juros. É para isso que existem os contratos de juros futuros, que têm vários vencimentos justamente para capturar as perspectivas para a Selic em diferentes horizontes. E, se a Selic reage a dados e estimativas do mercado, com esses contratos não seria diferente – e por isso, hoje, as informações novas sobre o mercado de trabalho nos EUA e inflação por aqui pautou o desempenho desses ativos.

Primeiro, o que aconteceu. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2028 saíram de 13,02% para 13,07%, enquanto os contratos para 2029 avançaram de 13,01% para 13,06%.

Nos vértices de médio prazo, o movimento foi de queda uma parte do dia, mas, no fechamento, o desempenho teve uma pequena mudança: os contratos para 2033 saíram de 13,5% para 13,51%, enquanto a taxa do contrato para 2035 ficou praticamente estável.

Esse cenário conta a seguinte história: a pressão para uma Selic em alta, sem cortes profundos, se mantém nos próximos meses. Ou seja: bom para ativos que acompanham o CDI (que segue a taxa básica); ruim para títulos prefixados de curto prazo do Tesouro Direto. Se você tem eles na carteira, seu saldo cai quando a expectativa de juros no horizonte próximo sobe.

Na outra ponta, a dos juros longos caindo – como aconteceu durante boa parte do dia hoje –, é bom para os títulos de prazo mais longo (caso da maior parte dos IPCA+). A expectativa de juros menores para a próxima década, ditada pelo mercado de juros futuros, tende a fazer com que eles valorizem – ainda que de forma branda, já que a queda nos juros futuros está moderada.

Agora, o que está movimentando esse mercado? Resposta: o IPCA, a inflação “oficial” do Brasil, que veio abaixo do esperado em dezembro, fechando o ano dentro da meta do Banco Central. Boa notícia: inflação controlada eleva ainda mais as apostas de um corte da Selic no primeiro semestre, como acreditam (e esperam) os investidores.

Ok. Mas isso explicou o desempenho de uma parte do mercado – o dos títulos mais longos, que estavam caindo. Por que o jogo virou e esses contratos subiram junto com os demais?

Resposta: por causa do movimento dos títulos da dívida americana de curto prazo (Treasuries), de dois anos. O dia começou com um movimento mais modesto e ganhou força na reta final do dia: a taxa saiu de 3,501% no começo da tarde e foi para 3,536%. E essa alta acompanha a tentativa dos investidores de ajustarem suas perspectivas para o futuro da taxa de juros nos EUA, ditadas pelo payroll.

Duas leituras convivem nesse momento: de um lado, a criação de postos de trabalho veio abaixo do esperado; mas, de outro, a taxa de desemprego caiu e os salários aumentaram. É por isso que os juros futuros lá fora sobem: se a atividade perdeu força, mas não tanto a ponto de esfriar a inflação, o saldo ainda é favorável a um juro maior.

Ou seja, nos EUA, a expectativa é que postura do banco central deve continuar sendo mais cautelosa, sobretudo depois de uma sequência de cortes desde setembro de 2025. A leitura geral é de que os juros serão mantidos nos atuais níveis, e não elevados, mas o espaço para cortes como se viu antes não é mais unanimidade.

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Bitcoin patina entre cruz da morte e saídas de ETFs

O bitcoin (BTC) amanheceu andando de lado nesta sexta-feira (9), com leve alta de 0,50% nas últimas 24 horas. A análise técnica da criptomoeda e as recentes saídas de dinheiro de fundos de ativos digitais seguem limitando qualquer tentativa de alta mais robusta.

A maior criptomoeda do mercado – negociada na faixa dos US$ 90 mil hoje – continua presa na temida “cruz da morte”. Esse padrão acontece quando a média móvel de preço de 50 dias cruza para baixo da média de 200 dias.

Historicamente, esse sinal costuma estar associado a quedas. Não é uma regra escrita em pedra, mas é algo que deixa traders com o pé atrás.

Do outro lado, os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de bitcoin nos Estados Unidos também seguem sob pressão. Depois de registrarem US$ 697 milhões em entradas na segunda-feira (5) – o maior volume em três meses – o fluxo virou completamente.

Nos últimos três dias, segundo a plataforma SoSoValue, esses produtos somaram US$ 1,1 bilhão em saídas. Esses movimentos costumam pesar sobre o preço e mostram que os investidores institucionais, grandes usuários desses veículos, estão adotando uma postura mais cautelosa.

“As recentes saídas de capital de ETFs continuam a refletir o rebalanceamento de portfólios, a realização de lucros após uma alta inicial e a cautela de curto prazo em meio à consolidação do mercado, em vez de uma mudança fundamental na demanda institucional”, disse Nick Ruck, diretor da LVRG Research, ao site The Block.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  +0,50%, US$ 90.316,71

Ethereum (ETH): -0,51%, US$ 3.087,07

XRP (XRP): +1,22%, US$ 2,09

BNB (BNB): +0,64%, US$ 889,01

Solana (SOL): +2,74%, US$ 138,10

Outros destaques do mercado cripto

Futuros de cripto ganham novo horário na B3. Boa notícia para quem negocia derivativos de criptomoedas e ouro na B3. A partir desta sexta-feira (9), os contratos futuros de bitcoin (BIT), ethereum (ETR), solana (SOL) e ouro (GLD) passam a ser negociados desde as 8h. Além disso, a partir de 20 de abril, o horário de negociação será estendido até as 20h. Segundo a bolsa, a mudança atende a uma demanda dos próprios investidores locais.

Quase R$ 6 bi em tokenização no Brasil. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – começou 2026 em ritmo acelerado no Brasil. Só neste mês, cerca de R$ 1,5 bilhão em tokens foram emitidos, levando o volume total no país para R$ 5,85 bilhões. Até agora, os principais ativos tokenizados nos primeiros dias do ano foram debêntures e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).

Submundo cripto movimenta US$ 154 bilhões. Apesar do avanço da regulação, as criptomoedas ainda seguem sendo usadas em atividades ilegais. Um relatório divulgado pela Chainalysis ontem mostra que transações ligadas a crimes com ativos digitais somaram US$ 154 bilhões no ano passado, alta de 155% em relação a 2024. Segundo o estudo, as stablecoins foram os principais instrumentos usados por criminosos virtuais, respondendo por 88% de todo o volume movimentado em atividades ilícitas.

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Mercados hoje: relatório de emprego nos EUA e inflação no Brasil orientam os negócios

Bom dia!
Os mercados começam o dia à espera dos dados do payroll, o relatório de emprego dos EUA que traz informações da taxa de ocupação do país, além da dinâmica de salários e horas trabalhadas. Depois de outros duas divulgações sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta semana – o ADP e o Jolts –, investidores esperam uma menor abertura de vagas em dezembro. No Brasil, as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo IPCA, com expectativa de um recuo para 4,30%, dentro da meta estabelecida.

Enquanto você dormia…

  • O viés dos mercados no exterior é levemente positivo, mas ainda em modo cautela antes do principal dado do dia nos EUA.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve alta.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias sobem de forma mais ampla, puxadas por ações de energia, mineração e tecnologia; na Ásia, os mercados fecharam em alta, estendendo o rali recente em Wall Street.
  • Dólar (DXY) em leve alta e petróleo sobe, mas sem movimentos bruscos, ainda resiliente às questões geopolíticas; minério de ferro oscila em queda, após máximas recentes e observando a inflação na China.

Destaques do dia

  • O payroll dos Estados Unidos está no centro das atenções hoje, com consenso projetando criação de cerca de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%. A leitura será crucial para as expectativas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
  • No Brasil, o IPCA de dezembro, o índice oficial de inflação, está no calendário e pode influenciar o debate doméstico sobre juros e consumo.
  • E daí? Esses dois indicadores — um externo e um doméstico — pintam o quadro macro para o futuro do juro básico. Com uma economia perdendo força e um mercado de trabalho mais fraco, a inflação tende a cair e, com isso, elevar ainda mais as apostas de corte de juros.

Giro pelo mundo

  • Payroll em foco: mercado de trabalho dos EUA segue como principal ponto de atenção antes da divulgação de amanhã, com reflexos em juros e dólar.
  • Suprema Corte dos EUA: autoridade discute a legalidade das tarifas comerciais globais do presidente americano Donald Trump.

Giro pelo Brasil

  • Inflação na pauta: o IPCA de dezembro vai ajudar a reforçar ou a esfriar a trajetória de controle da inflação em relação à meta, de 3%, com teto em 4,5% ao ano.
  • Narrativas políticas continuam ecoando no mercado, agora com o governo decidindo que os Estados e municípios deverão cobrir o rombo dos fundos de previdência do Master. A novela sobre a anulação ou não da decisão do Banco Central de liquidar a instituição segue no radar.

Giro corporativo

  • GPA anunciou a renúncia de Rafael Russowsky dos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. A função será acumulada interinamente pelo novo CEO, Alexandre Santoro, em meio a planos de corte de custos e reestruturação interna.
  • Alphabet supera Apple em valor de mercado: a controladora do Google ultrapassou a Apple e virou a segunda empresa mais valiosa do mundo em capitalização, depois da Nvidia, refletindo o papel crescente da tecnologia no mercado global.
  • Política alimentar nos EUA pode beneficiar carnes brasileiras: uma nova diretriz nos Estados Unidos favorece o consumo de proteína vermelha, o que pode representar um cenário de demanda para exportadoras como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
  • O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas empresas terem fracassado.

Agenda do dia

  • 9:00 – IPCA (Brasil)
  • 10:30 – Payroll (EUA)
  • 10:30 – Construção de novas casas (EUA)
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Saque dos fundos de ações soma R$ 54 bilhões em 2025. É realmente hora de ir para a bolsa?

Uma parte do mercado quer acreditar que o estrondoso ganho da bolsa em 2025 vai se repetir em 2026. Tudo por conta da famigerada expectativa de juros menores no exterior, como foi ano passado, e também aqui, como parece “prometido”.

Só que as pessoas físicas seguem fazendo o movimento oposto: os fundos de ações registraram saques bilionários, evidenciando um descompasso crescente entre o discurso otimista sobre a bolsa e o comportamento efetivo do dinheiro. Quem está certo, afinal?

Enquanto o Ibovespa entregou um retorno de 34% no acumulado de 2025, os investidores de varejo sacaram dos fundos de ações R$ 54,5 bilhões. É o segundo ano seguido de retirada de recursos. No caso dos multimercados, que investem em várias classes de ativos, a situação é ainda pior: as saídas foram de R$ 58,9 bilhões, o quarto ano seguido de retiradas. Os dados foram divulgados hoje pela Anbima, entidade do mercado de capitais.

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Está claro que a concorrência com os ETFs pesou. Os fundos negociados em bolsa cobram taxas menores, sem perda de desempenho na comparação com a maior parte dos fundos. Os grandes ETFs são de renda variável – seguem índices de ações. O crescimento deles (+R$ 22,9 bi no ano), então, mostra que houve algum apetite pela bolsa, mas por outra via.

Já os multimercados concorrem de algum modo com os fundos de renda fixa. Com a Selic no maior nível em 19 anos, é natural que a competição tenha sido dura – mais ainda levando em conta que os de RF cobram taxas menores. Isso ajuda a explicar a alta captação deles (+ R$ 84,3).

Outro concorrente foram os FIDCs (Fundos de Direitos Creditórios). Trata-se de um produto de renda fixa, mas voltado a dar mais retorno que os tradicionais (ainda que ofereça mais risco). Eles têm atraído investidores de bolsos mais fundos, enxugando ainda mais o dinheiro que iria para os fundos de ações e os multimercados.

Para onde a bolsa vai?

De volta para o futuro da renda variável.

Quem vê espaço para a bolsa se valorizar ao longo deste ano se pauta sobretudo pelo corte de juros no Brasil, esperado logo para o primeiro semestre. O boletim Focus, pesquisa do Banco Central com economistas, não deixa mentir: a expectativa é de uma Selic em 12,25% no fim de 2026. Para uma taxa que começa o ano em 15% não parece muito, mas há quem veja como suficiente para dar fôlego às ações.

“A tendência é de recuperação porque partimos de uma base muito grande de saída de dinheiro”, diz Pedro Rudge, diretor da Anbima, durante a apresentação de resultados hoje. “À medida que os fundos apresentarem ou continuarem apresentando retornos, o investidor vai voltar a procurá-los.”

E tem também o movimento dos juros lá fora. Em setembro do ano passado, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começou a dar seus passos no corte das taxas, levando-as para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

A matemática é: juros menores lá fora empurram dinheiro dos estrangeiros para outros mercados considerados mais arriscados. Afinal, se for para ganhar menos na renda fixa americana, melhor procurar outra coisa. Em um momento em que o mercado se questiona o quão caras estão as ações americanas, especialmente as de tecnologia, o Brasil e os demais emergentes ainda parecem estar na rota do dinheiro vindo de fora.

Mas quem encara a bolsa como uma classe de investimento com menos apelo se pauta justamente pelo fato de que os juros no Brasil estão – e ficarão – em níveis altos. Não há motivo para sair da confortável renda fixa nesse contexto.

De 15% para 12,25% a conta ainda não fecha. A conta fechava mesmo em 2020: com o juro em um dígito, os fundos de ações e multimercados viram uma entrada gigantesca de recursos – foram R$ 73 bilhões para o primeiro e R$ 103 bilhões para o segundo.

E aí vem o argumento sobre o momento no exterior agora: se o impulso dos juros menores em economias desenvolvidas foi essencial para trazer o investidor estrangeiro para a bolsa brasileira, esse ano o cenário é um pouco diferente. A expectativa é de que o Fed adote uma postura mais cautelosa: apenas 11,6% do mercado espera um corte dos juros na primeira reunião do ano, no dia 28, segundo dados da ferramenta CME FedWatch.

Entre otimismo e cautela, o investidor que evitou tentar acertar o momento de entrar ou sair do mercado acabou ganhando mais. Para refrescar a memória: em 2024, quando o dólar subiu 27% e a bolsa caiu 10%, boa parte dos analistas acreditava que o movimento rumo ao fundo do poço continuaria em 2025. É comum que aconteça: esperar que a realidade atual seja a do futuro próximo.

O investidor que decidiu comprar bolsa naquele momento de queda das ações – que é justamente o que manda o “manual” do bom investimento – colheu os 34% de alta. Quem demorou e esperou chegar no fim do semestre, por exemplo, ganhou 19%. A ver o que o futuro reserva.

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O próximo Lehman pode ser cripto? O risco escondido nas stablecoins

As stablecoins – criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – cresceram rápido demais. Hoje, já somam um valor de mercado de cerca de US$ 317 bilhões, o equivalente a 10% dos US$ 3,1 trilhões da indústria de ativos digitais. Tradicionalmente, elas são usadas para trading. Porém, aos poucos, também vêm invadindo o sistema financeiro: aparecem em remessas internacionais, plataformas de pagamento, compra de títulos públicos e até em parcerias com gigantes como Visa e Mastercard.

É algo inovador sim – afinal, cripto é mais rápida, funciona 24 horas por dia e corta intermediários, reduzindo um bocado dos custos. Mas esse avanço todo também acende um alerta. Se essas moedas digitais estão com os braços espalhados por todo o sistema financeiro, um problema maior com seus emissores – risco inerente a qualquer empresa, especialmente num setor cuja regulação ainda está sendo construída – pode virar o estopim de um risco sistêmico. Ou seja, uma bela bagunça em escala global.

Risco sistêmico é quando o problema de uma parte do sistema tem efeito dominó e começa a derrubar o resto. Imagine um grande banco quebrando: outras instituições têm dinheiro aplicado nele, empresas dependem dele para operar, investidores entram em pânico, o crédito trava e a economia desacelera. Um exemplo clássico é a quebra do Lehman Brothers, em 2008, que tinha cerca de US$ 639 bilhões em ativos e espalhou a crise pelo mundo inteiro.

Cripto é igual? Não exatamente – mas a lógica do risco é parecida.

Se uma stablecoin grande quebrar (poucas dominam o mercado), o problema não fica restrito a ela: exchanges que usam essa moeda como base de negociação travam, fundos e empresas que guardam caixa nelas ficam com buracos no balanço e até o mercado de títulos públicos pode sentir o impacto, porque eles compõem parte do lastro delas. O filme é conhecido: pânico, vendas forçadas, contágio e crise de confiança.

“Elas (as stablecoins) se tornaram fundamentais para pagamentos, liquidação e liquidez internacional. Com o crescimento da tokenização e parcerias com bancos tradicionais, uma crise geraria um choque de liquidez imediato em empresas que as utilizam para capital de giro e pagamentos”, disse Gabriel Fioravante, professor da FIA Business School.

“Os sinais de contágio aparecem no volume investido e no interesse crescente de instituições como Morgan Stanley e Bank of America, além de empresas de pagamento como Visa, Mastercard e PayPal”, falou Humberto Aillón, professor da FIPECAFI.

Vamos por partes.

Risco de concentração extrema

Hoje, as duas maiores stablecoins mercado – a USDT e a USDC – concentram 82% do valor de mercado das stablecoins. A USDT, sozinha, abocanha pouco mais da metade – 58,68%. É uma gigante cripto. Isso cria um problema simples: se essas duas empresas tiverem problemas, quase todo o mercado sente. É o clássico problema de “too big to fail” no mundo cripto.

E não existe “banco central das stablecoins”. Em crises do sistema tradicional, essas entidades podem comprar títulos públicos, ativos privados, injetar liquidez no sistema, abrir linha de crédito etc. Mas no caso das stablecoins, não há nada disso.

Volatilidade e risco de corrida

Mesmo prometendo estabilidade, stablecoins podem perder a paridade se houver dúvidas sobre reservas ou governança. Em crises, investidores correm para sair ao mesmo tempo. Como nem todos conseguem resgatar direto no emissor, vendem no mercado com desconto, alimentando o pânico.

Isso já aconteceu.

A Tether, emissora da USDT, já perdeu a paridade em momentos de estresse. No fim do ano passado, a S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da moeda de manter o vínculo com o dólar para a pior nota da escala, citando justamente falta de transparência e maior risco dos ativos.

Impacto no mercado de títulos públicos

Hoje, stablecoins já detêm cerca de 2% de todos os T-bills (títulos americanos de curto prazo), segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado no final do ano passado. Veja o caso da Tether. Seu último balanço mostra US$ 127 bilhões em treasuries – mais do que a Alemanha. É ótimo para o governo dos EUA, que tem cada vez mais compras de sua dívida. No entanto, apontou o FMI, isso também pode ser um problema.

Se continuarem crescendo, disse a entidade, eles podem distorcer o funcionamento desse mercado, pressionando os juros (rendimento) para baixo. Pior: em caso de corrida, o emissor teria de vender enormes volumes de títulos de uma vez, causando “fire sales” (venda forçada e apressada de ativos) e bagunçando mercados que são a base do sistema financeiro e da política monetária.

“Uma deterioração grave nesses mercados poderia potencialmente exigir a intervenção do banco central. Além disso, uma deterioração no mercado de títulos do Tesouro poderia impactar negativamente a capacidade do governo de captar recursos”, disse a entidade.

Concorrência com depósitos bancários

Se stablecoins se tornarem amplamente usadas fora do sistema bancário tradicional (por exemplo, em pagamentos ou reservas de valor), isso pode reduzir depósitos bancários – o que enfraquece uma fonte tradicional de financiamento para bancos, segundo o FMI. Essa perda de depósitos pode, em teoria, reduzir a capacidade dos bancos de emprestar à economia e aumentar o custo do crédito se os bancos tiverem que substituir esses depósitos por fontes de financiamento mais caras

Em países frágeis, stablecoins em dólar podem substituir a moeda local rapidamente. Isso poderia enfraquecer o controle do banco central sobre juros e liquidez, reduz a arrecadação de senhoriagem (o “lucro” que um governo obtém ao emitir dinheiro) e dificulta a política monetária, ainda segundo a entidade. E isso pode acontecer muito mais rápido do que a dolarização tradicional, porque stablecoins funcionam via celular e internet.

Regulação poderia dar um help?

A regulação normalmente chega depois da tecnologia – e no caso das stablecoins isso tem se confirmado. Regras e supervisão ainda variam muito entre países, o que pode ser um problema sério se algo der errado.

Alguns países e blocos já avançaram: exigem reservas um pouco mais transparentes, mecanismos de resgate e proteção ao cliente, e estabeleceram frameworks específicos para moedas digitais. No ano passado, os Estados Unidos publicaram a Genius Act, visto por analistas como um grande avanço para o setor. Também tem a regulamentação de mercados de ativos digitais europeia, a MiCA. Enquanto isso, outros países ainda estão no começo – ou sequer têm legislação clara.

Essa desigualdade, segundo o Banco Central Europeu (BCE), cria lacunas regulatórias que podem ser exploradas por emissores de stablecoins escolhendo operar em lugares com regras mais leves. Falando especificamenteo do bloco, a entidade disse seguinte:

“As discrepâncias globais entre as jurisdições constituem a principal fonte de risco das stablecoins para a zona do euro. Apesar das muitas semelhanças entre os diversos conjuntos de legislação, permanecem diferenças importantes em relação aos requisitos de reserva e se as taxas de resgate são permitidas ou não, por exemplo. Essas diferenças facilitam a arbitragem regulatória”.

O professor Humberto Aillón, da FIPECAFI, lembrou que, no Brasil, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vêm trabalhando com foco na segurança do investidor. A regulamentação foi publicada no fim do ano passado e aumentou as exigências de reservas, regras de custódia e governança, em linha com o marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/22).

Ainda assim, por se tratar de uma classe de ativos relativamente nova e muito dependente de infraestrutura de blockchain e tecnologia, o consenso no mercado é que a regulação ainda tem bastante espaço para ajustes e melhorias, disse.

O lado A

Existe todo esse medo, mas nem tudo é problema – claro. Apesar dos riscos, as stablecoins resolvem problemas reais – como já foi falado muito por aqui e em vários veículos. Elas tornam pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, podem ser usadas para viagem, reduzem intermediários, funcionam de domingo a domingo, e já estão sendo usadas por empresas e bancos para liquidação financeira.

Além disso, as firmas emissoras estão se mexendo e melhorando cada vez mais. “A transparência melhorou significativamente. Emissores como a Circle (dona da USDC) utilizam a BlackRock para gerir reservas, com auditorias regulares e verificáveis”, lembrou Fioravante, professor da FIA Business School. Contudo, falou, o mercado ainda cobra auditorias “em tempo real” para garantir que cada token tem 100% de cobertura em ativos seguros, e não em papéis comerciais de menor qualidade

O ponto, dizem especialistas, não é frear a tecnologia. É impedir que ela cresça rápido demais sem uma rede de proteção, como já aconteceu tantas vezes na história do sistema financeiro.

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Bitcoin escorrega com aversão ao risco e ruído técnico

O bitcoin (BTC) não conseguiu sustentar a alta do início da semana e amanheceu no vermelho nesta quarta-feira (7), perdendo o patamar dos US$ 93 mil.

No cenário macro, a criptomoeda reage a um leve aumento da aversão ao risco, em meio à expectativa por dados de emprego nos Estados Unidos e às incertezas geopolíticas envolvendo o petróleo.

Hoje, os EUA divulgam o relatório de emprego privado da ADP de dezembro e, mais tarde, a pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade. Esses indicadores são importantes porque ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

No campo geopolítico, os olhos seguem voltados para o desenrolar da prisão de Nicolás Maduro, que adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário global.

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin dos EUA sentiram o clima. Depois de registrarem o melhor dia desde o início de outubro no início desta semana, o fluxo virou para o negativo, com US$ 243 milhões em saques ontem.

A movimentação de capital nesses produtos, preferidos por investidores institucionais, costuma repercutir no preço do bitcoin – e vice-versa – em uma dinâmica quase cíclica.

Segundo a CryptoQuant, a demanda aparente on-chain (toda a movimentação registrada diretamente na blockchain) também segue fraca e precisaria de uma recuperação mais consistente para sustentar um retorno aos US$ 100 mil.

“Com o sentimento ainda incerto e o baixo volume de negociação no mercado, a demanda por um retorno à movimentação on-chain ainda não mostrou sinais sólidos de melhora”, disse a casa.

Falha no bitcoin?

Há outro burburinho no mercado. Na terça, desenvolvedores do bitcoin (BTC) divulgaram a existência de um bug em duas versões recentes do principal software da rede – o Bitcoin Core 30.0 e o 30.1 -, lançadas em outubro do ano passado.

Esse problema poderia apagar o conteúdo de carteiras antigas durante a migração em “raras circunstâncias”, disseram. Ou seja, poderia fazer o investidor perder suas criptomoedas. Mas calma: não é o fim do mundo.

Primeiro, porque os desenvolvedores já removeram o download das versões afetadas e prometeram uma correção. Segundo, porque nem de longe todo mundo usa essas versões – que, aliás, já vinham sendo pouco adotadas desde o lançamento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -1,96%, US$ 91.951,45

Ethereum (ETH): -0,75%, US$ 3.212,19

XRP (XRP): -5,33%, US$ 2,24

BNB (BNB): +0,58%, US$ 905,79

Solana (SOL): -1,03%, US$ 137,65

Outros destaques do mercado cripto

Mais uma stablecoin brazuca na praça. Tem mais uma stablecoin brasileira chegando no pedaço. O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon anunciou nesta semana, na CNN, que vai lançar o BRD, uma cripto lastreada em títulos públicos do Tesouro Nacional. Hoje, o Brasil já tem pelo menos seis stablecoins – BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV – e a própria B3 revelou, no fim do ano passado, que também está desenvolvendo um token. O mercado cripto definitivamente não para.

Fundos cripto brasileiros ficam no vermelho. Os fundos brasileiros de criptomoedas terminaram 2025 com mais saídas do que entradas. No total, os produtos registraram um fluxo negativo de US$ 1 milhão, bem diferente dos US$ 234 milhões que entraram em 2024. O Brasil ficou na contramão do resto do mundo: globalmente, os fundos cripto tiveram influxos de US$ 47,2 bilhões no ano passado, pouco abaixo dos US$ 48,7 bilhões de 2024.

Morgan Stanley quer ETF cripto. O Morgan Stanley pediu à SEC (a CVM dos EUA) autorização para lançar um ETF de bitcoin à vista e um produto ligado à solana (SOL), mostrando que a velha guarda de Wall Street segue cada vez mais confortável com o mundo cripto. O pedido vem num momento em que esses produtos estão em alta: os ETFs de bitcoin nos EUA já somam US$ 123 bilhões sob gestão e seguem recebendo dinheiro novo, enquanto os fundos ligados à solana também já passaram da marca de US$ 1 bilhão.

Quer saber mais sobre cripto? Assine o morning call do InvestNews!

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Mercados hoje: dados de emprego nos EUA e política brasileira movimentam os negócios

Bom dia!
Os mercados acordam à espera dos dados de emprego nos Estados Unidos. Relatórios de emprego e desemprego serão divulgados ainda pela manhã, com potencial de ditar o rumo dos ativos lá fora e também no Brasil, onde a agenda é marcada pelo fluxo cambial e por temas políticos. Vamos aos pontos principais para abrir o pregão.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global operou com pouca direção clara, em compasso de espera pela agenda de dados.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve queda.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias próximas da estabilidade; Ásia fechou também encerrou com os índices se movendo sem direção definida antes da leva de indicadores econômicos.
  • Dólar (DXY) em leve queda; petróleo e minério de ferro estáveis.

Destaques do dia

Emprego nos EUA é o grande termômetro
O grande destaque externo do dia são os dados de emprego dos Estados Unidos. Às 10h15 sai o relatório de emprego privado da ADP de dezembro, seguido mais tarde pela pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade.

E daí? Emprego mais forte significa inflação potencialmente mais forte, e isso tende a diminuir expectativas de cortes de juros. Nesse cenário, os investidores se afastam de ativos de risco, enquanto dados mais fracos fazem o caminho contrário.

Giro pelo mundo

  • ADP e JOLTS em foco: indicadores do mercado de trabalho americano são vistos como prévia do payroll, o mais importante relatório de emprego e desemprego, e podem balizar decisões de política monetária.
  • Fed em cena: Michelle Bowman, dirigente do Fed, participa de evento hoje à noite, com possíveis comentários a mercado.
  • PMIs e inflação ao redor: leituras recentes e posteriores de atividade e inflação ajudam a compor o quadro de crescimento global esperado.

Giro pelo Brasil

  • Fluxo cambial semanal: números aguardados hoje devem dar pista sobre fluxo de capital, que é importante para câmbio e juros.
  • Agenda política no radar: movimentos políticos em Brasília podem ganhar importância para o clima de risco no curto prazo. Entre os eventos recentes, o PT ingressou com ações judiciais contra políticos de oposição que ligaram o partido e o presidente Lula ao narcotráfico nas redes, adicionando ruído no cenário.
  • Cenário eleitoral em movimento: Marina Silva descartou disputar a Câmara, mas uma eventual candidatura ao Senado dependerá de articulações com o ministro Haddad, o que pode movimentar expectativas sobre o ambiente político.

Giro corporativo

  • Petrobras e Foz do Amazonas: a Petrobras anunciou a interrupção temporária da perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, após a detecção de um vazamento de fluido em uma tubulação auxiliar. A ocorrência volta a chamar atenção para os desafios ambientais e regulatórios associados à exploração na região, vista como uma das principais apostas da estatal para ampliar sua produção no futuro.
  • Batistas e a Venezuela: o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tem no geólogo Ricardo Savini — CEO da Fluxus, empresa controlada pelo grupo — um nome chave na estratégia de explorar oportunidades no setor de óleo e gás da Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
  • BYD acelera planos no Brasil: a montadora chinesa negocia a estreia de seus modelos em grandes locadoras e investe na expansão de sua rede de carregadores ultra-rápidos, aprofundando sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados e intensificando a concorrência local.

Agenda do dia

  • 09:15: Emprego privado (ADP, EUA) — prévia da criação de vagas no setor privado.
  • 12:00: JOLTS (EUA) — vagas e rotatividade de emprego, outro componente importante do mercado de trabalho.
  • 14:30: Fluxo cambial semanal (Brasil) — indicador de entrada e saída de capital no país, relevante para câmbio e juros

Bons negócios!

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Petrobras? Não. Por que a Aura Minerals reaparece no radar com aumento dos riscos geopolíticos

O petróleo mal se mexeu após o ataque dos EUA à Venezuela, mas o mercado segue em estado de alerta. Para o investidor brasileiro, é natural que a atenção se volte à Petrobras, mas há um nome menos óbvio que pode ser atingido – e para o bem – por esse novo equilíbrio geopolítico: a Aura Minerals.

A Aura é uma mineradora de ouro. O ouro subiu 65% no ano passado – e a tendência é que a escalada continue. Depois do ataque americano ao governo venezuelano e da retirada de Nicolás Maduro do poder, o mercado rapidamente reagiu para um movimento de procura por ativos considerados defensivos – e o ouro subiu 2% em seguida.

É aquela coisa: quando não se sabe o que vai acontecer, o melhor é já ter uma proteção na carteira. Vale para um grande investidor, como vale para você.

Do lado “macro”…

Na frente macroeconômica, o grande ponto é: o ouro deve seguir avançando nesse ano. Os riscos geopolíticos, que eram apenas “risco” há um tempo, cresceram: agora, eles se tornaram um medo recorrente com a escalada das tensões na América Latina. Lembrando: em um mundo que já enfrenta conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Junto disso vem a deterioração das contas públicas em várias economias e o temor de pressões inflacionárias, que reforçaram o status do metal como instrumento de proteção.

Não só entre investidores. O ouro conta com um comprador sólido: bancos centrais. Eles vêm recorrendo ao ouro como alternativa para diversificar reservas além do dólar.

O ouro, afinal, não é imune a crises geopolíticas. Para a China, por exemplo, não interessa ter só dólares em suas reservas internacionais. Em última instância, eles podem ser confiscados pelos EUA – como aconteceu com a Rússia –, já que ficam na forma de títulos públicos. Logo, o país de Xi Jinping tem trocado paulatinamente suas reservas em dólar por ouro. Com o caso da Venezuela, o caldeirão geopolítico ganha mais temperatura. E o jogo fica mais favorável para o metal amarelo.

A China não está sozinha, claro. Turquia, Polônia, Cazaquistão e até o Brasil estão entre os maiores compradores. Não só por “medo de confisco”, mas porque a dívida americana está no maior nível desde 1946 (120% do PIB). Isso tira confiança no dólar – os EUA podem imprimir moeda para pagar, gerando inflação e corroendo o valor da moeda. Não dá para imprimir ouro. Logo, os bancos centrais correm para o metal amarelo.

A perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos – que no fim do ano passado virou realidade – também tornou o metal mais atrativo. Um corte de juros reduz o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Para este ano, muitas casas já trabalham com um cenário em que o ouro possa perder um pouco de força, mas sem afetar o ciclo atual do metal, que é de alta, consolidado na faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil a onça (o equivalente a 31 gramas).

…e do lado “micro”

Depois de ser negociada na bolsa do Canadá, a Aura Minerals estreou na Nasdaq em julho de 2025, de olho em um aumento da liquidez de seus papéis. De lá para cá, teve enorme valorização na bolsa americana – e o BDR, a “versão brasileira” da ação lá fora, acompanhou o desempenho.

O que explica o descolamento do BDR da ação em Nova York é a variação do ouro, que foi mais relevante que a do câmbio e é melhor capturada pela ação diretamente lá fora.

Toda essa euforia é resultado da leitura sobre o momento operacional da empresa. Na frente de volumes produzidos, o crescimento estimado é de 39% em 2026 na comparação anual, segundo cálculos do BTG Pactual. O impulso deve vir sobretudo do aumento de produção na mina de Borborema (RN) e da plena atividade da mina de Serra Grande (GO).

chart visualization

Os papéis estão entre os mais “esticados” da bolsa, quer dizer, avaliados como caros no comparativo com outras companhias de mineração – Vale, CSN Mineração e Usiminas entre os mais importantes. Ainda assim, partindo da premissa que o ciclo do ouro vai permanecer, a expectativa é de que a Aura apresente uma forte geração de caixa.

O fluxo de caixa livre – o dinheiro que sobra após os investimentos para manter e expandir as operações – equivaleria a aproximadamente 11% do valor de mercado. É um nível elevado, que indica que, em um único ano, a empresa gera caixa correspondente a mais de um décimo do que o mercado paga hoje por ela. Um fluxo de caixa forte estimula a compra do papel, portanto, porque representa um percentual muito grande do preço da ação.

Além disso, a Aura seria avaliada a cerca de 3,9 vezes o Ebitda (uma medida de lucro operacional) projetado para 2026, também nas contas do BTG. Essa é uma métrica calculada dividindo-se a dívida líquida pelo Ebitda e expressa quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em linhas gerais, níveis abaixo de 2 vezes são considerados mais saudáveis, mas empresas com operações mais alavancadas pode acabar operando com relações mais altas.

O papel também negociaria com “desconto” em relação ao valor de seus ativos, já que o múltiplo que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial (P/NAV) é de 0,68 vez. Ou seja: o mercado ainda atribui à companhia um valor inferior ao das minas e projetos que ela tem.

Por fim, a empresa teria capacidade de sustentar um dividend yield na faixa de 7% a 8%, ou seja, um retorno anual em dividendos equivalente a esse percentual do preço da ação, desde que mantidas as atuais condições de geração de caixa.

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