Visualização de leitura

Irã admite que pode não disputar a Copa do Mundo de 2026

A participação do Irã na Copa do Mundo 2026 ainda está em cheque. Pelo menos é o que garante Ahmad Donyamali, Ministro do Esporte e da Juventude do país.

“Devemos estar preparados, mas é possível que não participemos da Copa do Mundo. No entanto, a decisão final será tomada pelo governo e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional”, disse Donyamali à agência iraniana de notícias Tasnim.

Há cerca de dois meses, o país do Oriente Médio convive com conflitos com Israel e Estados Unidos (um dos países-sede do Mundial). Por isso, a presença da seleção iraniana segue incerta, uma vez que todos os jogos da nação asiática serão disputados em solo americano.

O governo iraniano chegou a sugerir à Fifa que seus jogos na Copa fossem transferidos para o México. Porém, as partidas seguem previstas para serem disputadas nas sedes já previstas.

Segundo Doyanmali, as autoridades dos Estados Unidos devem garantir segurança para que a delegação iraniana viaje ao país da América do Norte.

“A seleção realizará um período de treinamento em um país vizinho (Turquia) nas próximas três semanas. Se a segurança dos membros da seleção nos Estados Unidos for garantida, viajaremos para lá para participar da Copa do Mundo de 2026”, afirmou.

No início de março, Doyanmali havia dito que o Irã não disputaria a competição. Entretanto, no final do mesmo mês, Gianni Infantino, presidente da Fifa, garantiu que o país asiático estará na Copa.

Segundo o regulamento da Fifa, a seleção que abandonar a competição está sujeita a multa mínima de R$ 1,6 milhão (250 mil francos suíços). Caso o Irã confirme a desistência, a entidade pode manter o grupo original dos asiáticos com apenas três seleções ou convidar outro país para ocupar a vaga.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A seleção asiática tem estreia marcada para o dia 15 de junho, às 22h (horário de Brasília) contra os neozelandeses, no SoFi Stadium, em Inglewood, na Califórnia.

The post Irã admite que pode não disputar a Copa do Mundo de 2026 appeared first on InfoMoney.

  •  

EUA e Irã confirmam nova rodada de negociações indiretas no Paquistão

EUA e Irã concordaram em retomar as negociações de paz no Paquistão, mas de forma indireta.

Os dois representantes norte-americanos, Steve Witkoff, enviado de Donald Trump, e Jared Kushner, genro do presidente norte-americano, embarcam neste sábado (25) para Islamabad. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, chegou nesta sexta-feira (24), na capital paquistanesa.

Ontem, autoridades iranianas haviam afirmado que Araghchi planejava se encontrar com os dois americanos, mas a imprensa oficial e o porta-voz da chancelaria, Esmail Baqaei, negaram.

Nas redes sociais, Baqaei afirmou que “nenhum encontro está previsto entre representantes de Irã e EUA”.

“As observações iranianas serão transmitidas ao Paquistão”, disse o porta-voz.

O governo paquistanês, como mediador do diálogo, se reuniria em seguida com Kushner e Witkoff. Duas fontes do regime iraniano, citadas pelo portal Axios, disseram que o encontro entre os enviados de Trump e Araghchi, se houver, pode ocorrer na segunda-feira (27).

A previsão é que o chanceler iraniano viaje de Islamabad para Muscat, em Omã, e depois para Moscou. Araghchi se reuniu ontem com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, com o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, e com o marechal Asim Munir, comandante do exército do Paquistão.

Segundo dois funcionários do alto escalão do governo iraniano, que falaram sob condição de anonimato ao New York Times, Araghchi deve apresentar uma resposta por escrito à proposta dos EUA para um acordo.

Casa Branca otimista, mas cautelosa

Publicamente, a Casa Branca não escondeu o otimismo com a retomada do diálogo em Islamabad. “Os iranianos querem negociar. Steve e Jared vão ao Paquistão para ouvi-los”, disse Karoline Leavitt, secretária de imprensa de Trump.

“Esperamos que haja progresso. O presidente (Trump), o vice-presidente (J.D. Vance) e o secretário de Estado (Marco Rubio) estarão aguardando atualizações aqui nos EUA.”

Em privado, no entanto, a posição do governo norte-americano é de cautela. O fato de Vance, vice de Trump, que liderou a equipe dos EUA na primeira rodada de negociação, em meados de abril, não ter viajado mostra que a missão de Kushner e Witkoff é mais prospectiva.

Divergências entre EUA e Irã

A notícia de uma nova reunião no Paquistão veio depois que o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio naval dos EUA a navios e portos iranianos continuaria “pelo tempo que for necessário”, para que o Irã aceitasse um acordo.

Os iranianos, no entanto, condicionaram a retomada das negociações ao levantamento do cerco.

Muitos pontos de atrito ainda persistem entre os dois lados, principalmente o controle do Estreito de Ormuz e o futuro do estoque de urânio enriquecido iraniano.

Outra questão sem solução é a exigência americana de que o regime abandone suas milícias aliadas no exterior: Hezbollah (Líbano), houthis (Iêmen), Hamas (Faixa de Gaza) e os grupos armados xiitas no Iraque.

  •  

EUA não renovarão isenções petrolíferas para Irã e Rússia

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta sexta-feira (24) que o país não planeja renovar uma isenção que permite a compra, sem sanções, de petróleo e derivados russos atualmente em trânsito marítimo.

Ele acrescentou que a renovação da isenção para o petróleo iraniano também está totalmente descartada.

“Não para os iranianos”, disse Bessent à Associated Press. “Temos o bloqueio, o petróleo não está saindo do Golfo Pérsico e acreditamos que, nos próximos dois ou três dias, eles terão que começar a fechar a produção, o que será muito ruim para seus poços de petróleo.”

Os Estados Unidos emitiram originalmente uma isenção para as vendas de petróleo e derivados russos em março, com o objetivo de estabilizar os mercados globais de energia após os preços do petróleo ultrapassarem os US$ 100 por barril.

O Departamento do Tesouro renovou a isenção dois dias depois de Bessent ter afirmado na Casa Branca que não pretendia estender o alívio de sanções. Bessent explicou sua mudança de posição anterior e descartou a possibilidade de renovar isenções de sanções tanto para a Rússia quanto para o Irã.

“Não imagino que haja outra prorrogação. Acho que o petróleo russo que está no mar já foi amplamente absorvido”, disse ele.

  •  

Extensão do cessar-fogo e disputa em Ormuz: o que marcou a semana na guerra no Irã

O conflito no Oriente Médio que envolve diretamente Irã, Estados Unidos, Israel e Líbano completou oito semanas nesta sexta-feira (24) e ainda não dá sinais claros de estar perto do fim.

A semana foi marcada sobretudo pela extensão do cessar-fogo nas duas frentes de batalha — nos ataques que envolvem o Irã e no confronto entre Israel e Líbano. Na terça-feira (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação da trégua com o Irã até que uma nova proposta seja apresentada pelas autoridades iranianas e as discussões sejam concluídas.

A medida foi recebida com ceticismo em Teerã. O assessor do presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou o anúncio como uma “manobra para ganhar tempo”. Um vídeo produzido por inteligência artificial também ironizou a trégua.

Já na quinta-feira (23), Trump anunciou a decisão de estender o cessar-fogo entre Israel e Líbano após uma reunião de representantes dos dois países na Casa Branca.

Mesmo assim, os ataques nunca cessaram completamente. Nesta semana, por exemplo, Israel interceptou mísseis iranianos lançados contra Tel Aviv ao mesmo tempo em que atacou infraestruturas iranianas.

O país também segue mirando e invadindo áreas no sul do Líbano. O país árabe chegou a acusar Israel de crime de guerra após bombardeios matarem uma jornalista libanesa.

Com isso, a extensão do cessar-fogo foi considerada “sem sentido” pelo Hezbollah, segundo declarou o parlamentar Ali Fayyad, representante do grupo.

Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz segue no centro do conflito, e as hostilidades continuam na passagem. Ao longo da semana, o Irã intensificou o controle na região e apreendeu e atacou navios estrangeiros.

Por outro lado, os Estados Unidos afirmam que não encerrarão o bloqueio naval enquanto a guerra não terminar. O país também apreendeu petroleiros iranianos que tentaram cruzar o estreito.

Sanções econômicas

Ao longo da semana, Washington também impôs novas sanções econômicas relacionadas ao Irã. Na terça-feira (21), anunciou embargos a indivíduos e empresas ligados ao comércio e a viagens aéreas.

Já nesta sexta, os EUA divulgaram novas sanções que incluem o congelamento de US$ 344 milhões em criptomoedas.

Possibilidade de acordo

Diante do quadro, a percepção ao longo da semana é de que a possibilidade de um acordo de paz entre Irã e Estados Unidos foi se distanciando. “Não me apresse”, disse Donald Trump na quinta-feira (23), ao ser questionado por jornalistas sobre o tema.

Da mesma forma, o Irã afirma não ter pressa para fechar um acordo e sustenta que seu regime está totalmente estável, segundo autoridades ouvidas pela rede de TV americana NBC News.

Ainda assim, nesta sexta-feira (24) um novo movimento dos dois países reacendeu esperanças de um possível fim da guerra: a CNN noticiou que o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, serão novamente enviados ao Paquistão para conversas. Do outro lado, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, também irá ao país mediador para tratar do conflito.

Números da guerra

  • Mais de 50 mil residências foram destruídas ou danificadas no Líbano desde o início da guerra;
  • O país contabiliza ao menos 2.294 mortes;
  • No Irã, ao menos 3.375 pessoas morreram;
  • Os EUA já gastaram entre US$ 28 bilhões e US$ 35 bilhões na guerra, o equivalente a pouco menos de US$ 1 bilhão por dia, segundo estimativas de grupos independentes.

The post Extensão do cessar-fogo e disputa em Ormuz: o que marcou a semana na guerra no Irã appeared first on InfoMoney.

  •  

Irã fará oferta para atender às exigências dos EUA, diz Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Reuters nesta sexta-feira que o Irã planeja fazer uma oferta para atender às exigências norte-americanas, em meio à expectativa de retomada das negociações no Paquistão.

“Eles estão fazendo uma oferta e teremos que ver o que acontece”, disse Trump durante uma entrevista por telefone, acrescentando desconhecer qual seria a oferta.

Questionado sobre quem seriam os interlocutores dos EUA nas negociações, Trump disse: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora.”

Trump planeja escalar os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner para conversas com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, em Islamabad, e a dupla partirá na manhã de sábado, disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a jornalistas nesta sexta-feira.

A Reuters havia informado anteriormente que Araqchi era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta-feira, para discutir propostas para a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos.

  •  

Bancos centrais mandam “recado” sobre a guerra (e ele não é nada bom)

Na última semana de abril de agenda lotada de dados fiscais e mercado de trabalho no Brasil, em 72 horas, seis bancos centrais darão seu recado sobre os impactos econômicos do conflito no Oriente Médio que completará dois meses. E que está longe de acabar, apesar do cessar-fogo por tempo indefinido anunciado por Donald Trump. […]

O post Bancos centrais mandam “recado” sobre a guerra (e ele não é nada bom) apareceu primeiro em NeoFeed.

  •  

Disparada do querosene de aviação cancela rotas aéreas mundo afora

Os passageiros devem se preparar para mais dor de cabeça nos próximos meses, à medida que companhias aéreas do mundo todo aprofundam cancelamentos e deixam aviões no chão para tentar conter a escalada estratosférica no preço do combustível de aviação.

A holandesa KLM foi a mais recente a cortar sua malha. Na quinta (16), a companhia anunciou que vai cancelar 80 voos de ida e volta no Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, ao longo do próximo mês. Com isso, ela entra no mesmo time da United Airlines, da Lufthansa e da Cathay Pacific, que também já enxugaram itinerários para conter o estrago.

A capacidade global prevista para maio foi reduzida em cerca de 3 pontos percentuais, e 19 das 20 maiores empresas do setor cortaram voos, segundo dados compilados pela consultoria Cirium. A casa está revisando a projeção inicial, de crescimento de 4% a 6% no ano, e afirma que, em certos cenários, uma queda de até 3% está no radar.

“Parece extremamente provável que venham novas reduções pela frente”, escreveu Richard Evans, consultor sênior da Cirium, em relatório divulgado na quinta-feira.

Não há solução à vista no curto prazo. “Qualquer rota que a gente esteja operando no limite, talvez sem render o que gostaríamos, tende a ser reavaliada”, disse Ed Bastian, presidente da Delta Air Lines, ao anunciar um custo extra de US$ 2,5 bilhões com combustível neste trimestre. “Vai ser um teste e tanto para o setor.”

Como se não bastasse, há dúvidas sobre se vai haver combustível suficiente para todo mundo. A Agência Internacional de Energia (AIE) diz que a Europa tem “talvez seis semanas” de estoque. Ryanair, Virgin Atlantic e EasyJet só projetaram a disponibilidade do produto até meados de maio.

A União Europeia afirmou que pode ter problemas no abastecimento de querosene de aviação “em futuro próximo”. O bloco prepara um plano conjunto de ação caso a situação no Estreito de Ormuz se arraste, segundo um porta-voz ouvido na sexta-feira em Bruxelas.

Por ora, o setor pode ter ganhado algum fôlego depois que o Irã afirmou, na sexta, que o estreito estava “completamente aberto” ao tráfego comercial. Na sequência, o petróleo Brent de referência chegou a cair 11%. Mas qualquer trégua ainda é frágil, já que os dois lados tentam manter poder de barganha no conflito.

Os ajustes recentes de capacidade mostram que muitas empresas entraram em modo de preservação, contando com uma piora prolongada dos negócios por causa do conflito. Mesmo que os combates terminem logo, a reconstrução da infraestrutura danificada deve levar meses ou anos.

A Lufthansa adotou medidas drásticas na última semana, enquanto uma onda de greves agravava sua crise de combustível. O grupo encerrou a unidade CityLine, tirando 27 aeronaves de operação, e enxugou a capacidade no resto da rede ao deixar no chão os widebodies mais velhos e beberrões.

“O pacote para acelerar as medidas de frota e capacidade é inevitável diante do forte aumento do preço do querosene e da instabilidade geopolítica que continua em curso”, disse Till Streichert, diretor financeiro do grupo, na quinta-feira.

A lista não para. Ainda no guarda-chuva da Lufthansa, a suíça Edelweiss suspendeu os voos para Denver e Seattle e reduziu a frequência de Las Vegas.

A Air Canada cancelou as operações de Montreal e Toronto para o aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, mas vai continuar atendendo os outros dois hubs da cidade, Newark e La Guardia.

A Norse Atlantic, de baixo custo e com sede na Noruega, suspendeu todos os voos de e para Los Angeles. A Virgin Atlantic desistiu da rota Londres-Riad depois de apenas um ano no ar, e a British Airways encerrou o trecho até Jeddah.

Na Nigéria, companhias locais alertaram que enfrentam “ameaças existenciais” e podem suspender voos nos próximos dias, a não ser que o governo adote medidas para baixar o preço do combustível.

A australiana Qantas vai reduzir os voos para os Estados Unidos e cortar cerca de 5% da capacidade doméstica, diante de uma estimativa de conta extra de A$ 800 milhões (US$ 575 milhões) com combustível no segundo semestre do ano fiscal.

A Cathay Pacific, de Hong Kong, vai cortar 2% da frequência de voos na Ásia-Pacífico entre meados de maio e o fim de junho. Sua unidade de baixo custo, a HK Express, que já operava no prejuízo, vai fazer um recuo ainda mais forte, de 6%.

Os cortes vieram depois de a companhia impor taxas extras de combustível de até US$ 400 em passagens de ida e volta nas rotas de longa distância.

“Exploramos todos os meios à nossa disposição para manter nossos voos operando normalmente”, afirmou Lavinia Lau, diretora comercial e de relacionamento com clientes da Cathay, em comunicado de 11 de abril. “Mas essas medidas não foram suficientes para absorver a alta expressiva no custo do combustível.”

Muitas empresas europeias têm boa proteção via hedge sobre o combustível, ao menos para os próximos meses, enquanto a maioria das americanas — as maiores do mundo em capacidade — não faz esse tipo de operação e acaba engolindo as contas mais salgadas.

A United Airlines foi uma das primeiras a anunciar cortes, tirando 5% da capacidade já neste ano, com reduções que se estendem até setembro. A Delta tenta se equilibrar repassando aumentos ao consumidor e mexendo na capacidade, com recuo de cerca de 3,5%.

As companhias da China, que também não contam com hedge no combustível, estão intensificando os cancelamentos diários de voos, segundo análise da Bloomberg News sobre dados da provedora chinesa DAST. A alta nos cortes vem justamente no momento em que as empresas chinesas programam menos voos domésticos por dia, conforme dados compilados pela BloombergNEF.

Nas redes sociais, passageiros chineses lotaram as timelines com reclamações sobre cancelamentos de última hora pouco antes do feriadão de cinco dias da Golden Week (“Semana Dourada”), em maio. E, enquanto os viajantes ao redor do planeta fecham suas férias de verão e outono, muitos podem descobrir que várias rotas para destinos menos óbvios simplesmente sumiram do mapa da aviação global.

“Se o preço do querosene continuar alto por muito tempo, vai haver mais cancelamentos”, disse Dudley Shanley, analista do Goodbody.

  •  

“Não faz diferença”, diz Trump sobre resultado das negociações sobre a guerra

O presidente Donald Trump afirmou, neste sábado (11), que o resultado das negociações em curso no Paquistão é irrelevante para os Estados Unidos. Em conversa com a imprensa na Casa Branca, o republicano demonstrou indiferença quanto à possibilidade de um acordo com o governo iraniano, alegando que os EUA já alcançaram seus objetivos por meio da força.

Para o líder americano, o país já pode ser considerado vitorioso no conflito. Trump justificou sua posição repetindo que as capacidades militares do Irã (incluindo sua marinha, força aérea e comando central) foram desmanteladas pelas ações dos EUA. “Não faz diferença”, declarou ao ser questionado sobre o diálogo que ocorre em Islamabad.

“Independentemente do que aconteça, nós vencemos”, afirmou. “Derrotamos completamente aquele país.”

Além de subestimar as negociações diplomáticas, Trump reiterou que os esforços atuais de Washington são especificamente para manter o Estreito de Ormuz liberado. 

Segundo ele, essa operação de segurança marítima beneficia nações que ele classificou como incapazes de agir por conta própria, chamando-as de “fracas” ou “medrosas”.

O presidente também aproveitou a oportunidade para disparar críticas contra os aliados tradicionais. 

Ele afirmou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não prestou o auxílio esperado aos Estados Unidos durante o enfrentamento, reforçando sua postura de distanciamento em relação à aliança militar.

The post “Não faz diferença”, diz Trump sobre resultado das negociações sobre a guerra appeared first on InfoMoney.

  •  

Mídia iraniana diz que EUA têm ‘exigências excessivas’ sobre Estreito de Ormuz

A imprensa iraniana afirma que os Estados Unidos apresentam “exigências excessivas” em relação ao Estreito de Ormuz, importante canal para o trânsito global de petróleo e cuja abertura é uma exigência central para Washington.

As negociações entre os dois países começaram em Islamabad, no Paquistão, neste sábado, 11. A Casa Branca e oficiais iranianos confirmaram que as conversas estão sendo realizadas de forma direta, com a presença de oficiais paquistaneses.

Depois de mais de cinco horas de conversa, as negociações já tiveram duas pausas e foram retomadas para uma terceira rodada de conversas, de acordo com a agência estatal iraniana.

Os Estados Unidos estão sendo representados pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner.

Já o Irã desembarcou na capital do Paquistão com uma delegação de 70 pessoas, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

O encontro acontece dias depois do anúncio de um frágil cessar-fogo de duas semanas em uma guerra que já deixou milhares de mortos e tem impactado os mercados globais ao entrar em sua sétima semana.

O Irã bloqueou efetivamente a passagem do Estreito de Ormuz, e sua reabertura foi o foco de um ultimato de Trump, que disse que aniquilaria uma “civilização inteira” se Teerã não reabrisse o estreito – Washington também deseja que o Irã desista de seu projeto nuclear e arsenal de mísseis balísticos.

Já o Irã anunciou que quer manter o controle da passagem e exige que os Estados Unidos retirem suas forças de todas as bases na região e quer preservar o direito dos iranianos de prosseguir com o enriquecimento nuclear.

A televisão estatal iraniana afirmou que, no encontro com oficiais do Paquistão, a delegação do Irã apresentou seus termos para o fim do conflito. As exigências também incluem indenização pelos danos causados ??pelos ataques conjuntos de EUA e Israel e a liberação dos ativos congelados do país.

Antes das reuniões, o primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, disse nas redes sociais que, se os interesses israelenses forem priorizados nas negociações, “não haverá acordo”.

Em meio às negociações com o Irã, Trump postou na rede social Truth Social que as Forças Armadas do Irã tinham sido destruídas e Washington havia começado o processo de reabrir o Estreito de Ormuz.

Não ficou claro na publicação se Trump se referia ao possível uso de minas no Estreito de Ormuz ou à capacidade mais ampla do Irã de controlar a área.

“Estamos agora iniciando o processo de limpeza do Estreito de Ormuz como um favor a países de todo o mundo, incluindo China, Japão, Coreia do Sul, França, Alemanha e muitos outros”, publicou Trump. “Inacreditavelmente, eles não têm a coragem ou a vontade de fazer esse trabalho por conta própria.”

Qual é a importância do Líbano?

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou à televisão estatal iraniana que o cessar-fogo no Líbano é uma “exigência fundamental”, durante o encontro da delegação iraniana com autoridades paquistanesas.

Israel continuou atacando o Líbano após o anúncio do cessar-fogo na semana passada entre os EUA e o Irã. O Paquistão havia apontado que o país estava incluso no acordo de trégua, mas oficiais israelenses negaram a informação.

Baghaei descreveu as negociações como um “momento particular” para o Irã e enquadrou a diplomacia como uma “continuação da defesa e uma continuação da guerra”.

“Uma intensa luta está em curso na frente diplomática”, disse ele.

Impactos da guerra

A guerra teve início em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Os ataques resultaram na morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, e o conflito logo se espalhou para países vizinhos.

Foi a segunda vez em menos de um ano que o presidente Trump envolveu diretamente os EUA em um conflito militar com Teerã.

O republicano justificou o confronto como parte de um esforço para incitar os iranianos a derrubar sua liderança teocrática, mas a guerra escalou e se transformou em um conflito regional que resultou em milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, mas também nos países do Golfo e em Israel. Centenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, e a economia global foi gravemente abalada.

A guerra praticamente paralisou o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e danificou instalações de produção de petróleo e gás em todo o Oriente Médio.

Em resposta, os preços do petróleo dispararam em todo o mundo. O petróleo bruto Brent, referência internacional, passou de cerca de US$ 70 por barril antes da guerra para mais de US$ 119 em alguns momentos.

The post Mídia iraniana diz que EUA têm ‘exigências excessivas’ sobre Estreito de Ormuz appeared first on InfoMoney.

  •  

Petróleo Brent cai mais de 6% no after market à espera de prazo de Trump para Irã

Após encerrar o pregão com sinais mistos, com ligeira queda para o contrato WTI e alta para o Brent, o petróleo passou a recuar com força durante o after market.

O otimismo nas negociações da commodity vieram do potencial aumento de prazo dos EUA para o Irã a pedido do Paquistão. Mais cedo, aumentavam as tensões com a aproximação do prazo estipulado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã aceite um cessar-fogo e realize a reabertura do Estreito de Ormuz.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio operava em queda de 1,84% (US$ 0,54), a US$ 110,34 o barril.

Já o Brent para junho caia 6,17% (US$ 0,50), a US$ 103 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

A commodity energética oscilou ao longo do pregão em meio aos relatos sobre as negociações Estados Unidos-Irã.

Segundo o New York Times, o Irã interrompeu as negociações com os EUA e informou ao Paquistão que não participará mais de conversas sobre um cessar-fogo. No pico da sessão, o petróleo WTI atingiu os US$ 117 e o Brent US$ 111 por barril, antes de perderem fôlego.

Trump intensificou ainda mais as ameaças contra o Irã nesta terça-feira ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite”.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) alertou que poderá atingir infraestruturas energéticas e privar a região de petróleo e gás “por anos”.

Com a guerra já em sua sexta semana, o Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês) elevou sua projeção para o preço médio do petróleo Brent em 2026 para US$ 96 por barril e passou a estimar valor médio de US$ 76 em 2027, em virtude da guerra no Irã.

Já analistas do UBS avaliam que a recuperação da produção de petróleo aos níveis anteriores ao conflito deve levar mais tempo o que indica que os preços tendem a permanecer elevados por algum período.

Enquanto isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou que sua produção de petróleo despencou 25% em março, a maior queda em pelo menos quatro décadas, de acordo com um levantamento da Bloomberg.

Como a guerra no Irã afetou o mercado

AtivoPreço 27/02Preço 07/04Variação (%)
Petróleo Brent (US$)72,48109,27+50,8%
Petróleo WTI (US$)67,02112,95+68,5%
Ibovespa (pontos)188.787188.259-0,28%
PETR4 (R$)39,3348,52+23,4%
S&P 500 (pontos)6.878,886.616,84-3,8%

(com Estadão Conteúdo)

The post Petróleo Brent cai mais de 6% no after market à espera de prazo de Trump para Irã appeared first on InfoMoney.

  •  

Guerra no Irã faz Vale parar plantas em Omã e redirecionar navios de minério

A Vale antecipou a parada de manutenção das duas plantas de pelotas em Omã para reduzir possíveis impactos da guerra no Irã, segundo uma fonte a par do assunto.

As paradas, previstas para o primeiro semestre, foram adiantadas em algumas semanas, disse a fonte, que pediu anonimato. Ela não detalhou por quanto tempo as unidades ficarão fora de operação.

As operações em Omã têm capacidade de 9 milhões de toneladas por ano — cerca de 29% da produção total da companhia no ano passado.

A mineradora vende para países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Mas o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã está travando as entregas, segundo a fonte.

A decisão ajuda a explicar o desvio de navios com minério brasileiro da Vale que tinham como destino o Oriente Médio.

A companhia não pretende revisar o guidance de produção para o ano, com previsão de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Guerra no Irã faz Vale parar plantas em Omã e redirecionar navios de minério

A Vale antecipou a parada de manutenção das duas plantas de pelotas em Omã para reduzir possíveis impactos da guerra no Irã, segundo uma fonte a par do assunto.

As paradas, previstas para o primeiro semestre, foram adiantadas em algumas semanas, disse a fonte, que pediu anonimato. Ela não detalhou por quanto tempo as unidades ficarão fora de operação.

As operações em Omã têm capacidade de 9 milhões de toneladas por ano — cerca de 29% da produção total da companhia no ano passado.

A mineradora vende para países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos. Mas o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã está travando as entregas, segundo a fonte.

A decisão ajuda a explicar o desvio de navios com minério brasileiro da Vale que tinham como destino o Oriente Médio.

A companhia não pretende revisar o guidance de produção para o ano, com previsão de 30 milhões a 34 milhões de toneladas de pelotas.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Embaixadas no Golfo recomendam que brasileiros avaliem deixar a região

Embaixadas do Brasil nos países árabes do Golfo estão recomendando aos brasileiros que avaliem deixar a região diante da possibilidade de intensificação dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, e das possíveis retaliações iranianas a alvos nas nações vizinhas. “O conflito regional dá sinais de escalada e não há como prever sua evolução”, afirmam as embaixadas nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait em alertas postados em seus perfis nas redes sociais.

As representações diplomáticas brasileiras no Bahrein e no Catar fizeram manifestações semelhantes.

O presidente dos EUA, Donald Trump, deu até a noite desta terça-feira para que o Irã libere a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, que liga o Golfo ao mar aberto e por onde passam cerca de 25% do transporte mundial de petróleo e derivados. Caso contrário, promete intensificar os bombardeiros à infraestrutura iraniana, incluindo usinas elétricas e pontes. Em contrapartida, o Irã ameaça ampliar as retaliações contra alvos em países vizinhos aliados dos EUA.

“Nesse contexto, a embaixada recomenda aos nacionais brasileiros avaliar, em caráter individual, a conveniência de permanecer no país ou considerar opções de deslocamento para locais considerados mais seguros”, dizem as embaixadas do Brasil nos Emirados e no Kuwait. A representação brasileira no Bahrein já havia feito esta sugestão na última sexta-feira.

Desde o início dos combates, em 28 de fevereiro, o Irã tem lançado mísseis e drones contra alvos nestes países, visando instalações militares norte-americanas ou que possam dar apoio aos EUA, mas também indústrias, aeroportos, refinarias e outras.

Em caso de permanência nos países, as embaixadas recomendam que os brasileiros priorizem a segurança pessoal e familiar, acompanhem os alertas e sigam as orientações das autoridades locais e, em caso de aviso de ataque iminente, busquem abrigo em local fechado, longe de janelas e de preferência ao nível do solo.

Outras recomendações incluem evitar locais sensíveis e aglomerações, não fotografar instalações de segurança, monitorar os canais de comunicação das embaixadas, ter uma reserva de água potável, alimentos não perecíveis e medicamentos essenciais, além de lanternas e pilhas, kit de primeiros socorros, manter as baterias de celulares carregadas e deixar dinheiro, passaportes e outros documentos à mão.

O espaço aéreo da região sofre alterações com frequência. Nos Emirados, por exemplo, voos estão saindo, mas há o risco de alterações. Já no Kuwait, o espaço aéreo está fechado, de acordo com a embaixada brasileira. Há a possibilidade de saída por terra pela Arábia Saudita, que faz fronteira com as demais nações árabes do Golfo.

The post Embaixadas no Golfo recomendam que brasileiros avaliem deixar a região appeared first on InfoMoney.

  •  

“Se Trump vacilar, as coisas vão piorar muito”, diz Roubini sobre guerra dos EUA com Irã

O mundo – e os mercados – torcem para que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã termine o quanto antes, para colocar fim à pressão sobre o preço do petróleo. Mas o economista Nouriel Roubini avalia que a situação ainda vai piorar antes de melhorar. Com a ameaça de Donald Trump […]

O post “Se Trump vacilar, as coisas vão piorar muito”, diz Roubini sobre guerra dos EUA com Irã apareceu primeiro em NeoFeed.

  •  

Trump reitera ameaça de destruir o Irã. ‘Uma civilização inteira morrerá esta noite’

O presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou seu ultimato para que o Irã aceite um acordo de cessar-fogo ou enfrente uma grande escalada militar, enquanto ambos os lados mantêm ataques na sexta semana de guerra.

Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais na terça-feira (7). “Talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Vamos descobrir esta noite.”

Os comentários vieram enquanto os EUA e Israel mantinham bombardeios contra o Irã — incluindo ataques ao polo exportador de petróleo da Ilha de Kharg — enquanto a República Islâmica disparava mísseis através do Golfo Pérsico. Trump ameaçou destruir usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso não haja acordo até as 20h (horário do leste dos EUA).

Falando em Budapeste, o vice-presidente JD Vance disse estar confiante de que o Irã dará uma resposta até lá.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados a infraestrutura civil podem constituir crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade.

O mais recente ultimato marca um momento crítico no conflito, que já matou mais de 5.200 pessoas — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia em toda a região. O presidente começou a impor prazos em 21 de março para forçar o Irã a reabrir o estratégico Estreito de Ormuz, tendo prorrogado o prazo diversas vezes, mas disse na segunda-feira que é “altamente improvável” que volte a fazê-lo.

A liberdade de navegação pelo estreito deve fazer parte de qualquer acordo, afirmou Trump.

A agência semioficial iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas na Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país.

A Fox News relatou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de um impacto não intencional nos cais da ilha. Duas pessoas morreram em um ataque EUA-Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade iraniana de Kashan, segundo a agência estatal Nour News.

Israel se prepara para a possibilidade de que os combates continuem por várias semanas e, na terça-feira, alertou iranianos a não utilizarem a rede ferroviária até as 21h no horário local — um tipo de aviso que costuma anteceder ataques a áreas civis.

Petróleo

O petróleo reduziu ganhos à medida que investidores hesitam diante do prazo imposto por Trump, com o risco de escalada sendo parcialmente compensado por sinais de cessar-fogo. O Brent era negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com o Irã estão “indo bem” e que a reabertura do estreito é “uma prioridade muito grande”.

“Precisamos de um acordo aceitável para mim, e parte disso será garantir o livre fluxo de petróleo e de tudo mais”, disse.

O militar norte-americano poderia destruir “todas as pontes do Irã”, acrescentou. Usinas seriam deixadas “em chamas, explodindo e sem nunca mais poderem ser usadas”.

O Irã alertou que responderia a uma escalada desse tipo intensificando seus próprios ataques à infraestrutura energética no Golfo — o que poderia agravar a crise global de combustíveis e ampliar os danos à economia mundial.

A República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita durante a madrugada de terça-feira, e destroços de interceptações caíram nas proximidades de instalações energéticas, segundo o reino. Uma ponte importante que liga Bahrein e Arábia Saudita foi temporariamente fechada como precaução.

As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia-noite, mirando diversos pontos em Tel Aviv e cidades vizinhas.

Israel aprovou novas missões contra o Irã para as próximas três semanas, se necessário, segundo um porta-voz militar. O país também trava uma guerra paralela no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, e atacou alvos em Beirute na segunda-feira.

O principal diplomata de Singapura alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os investidores ainda não ajustaram totalmente suas expectativas. “Tenho certeza de que os mercados não estão precificando completamente o pior cenário”, disse o chanceler Vivian Balakrishnan à Bloomberg Television.

Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para o conflito, que se torna cada vez mais impopular entre os americanos, com o preço médio da gasolina acima de US$ 4 por galão. Ele afirmou que JD Vance participa das negociações de cessar-fogo, junto com o enviado especial Steve Witkoff, embora Teerã tenha rejeitado uma proposta na segunda-feira.

“Posso dizer que temos um participante ativo e disposto do outro lado”, disse Trump. “Eles estão negociando, acreditamos, de boa-fé — vamos descobrir.”

O Irã pediu o fim permanente da guerra, esforços de reconstrução e o levantamento de sanções, além de protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA.

A ofensiva iraniana contra EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump, disse um porta-voz militar, citado pela mídia estatal.

Teerã afirmou que só permitirá a normalização do tráfego no estreito após ser compensado pelos danos da guerra.

A República Islâmica reduziu quase a zero o fluxo pelo Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.

Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda-feira, mas fizeram retorno poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

Teerã tem permitido apenas um fluxo limitado de embarcações na via marítima, que também utiliza para suas próprias exportações de petróleo.

Trump lamentou que gostaria de utilizar o petróleo iraniano para os EUA, mas afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito.

“Sou um homem de negócios antes de tudo”, disse. “E já disse: por que não usamos isso? Ao vencedor, os despojos? Mas não temos isso.”

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Trump diz que reunião dos EUA com o Irã para negociar acordo será sexta à noite

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira, 26, que uma reunião do seu governo com o Irã para negociar um acordo de cessar-fogo acontecerá sexta à noite, em entrevista à Fox News, sem dar mais detalhes. Ele também reiterou que a prorrogação do prazo para o início das tratativas foi feita a pedido do país persa.

“O Irã veio até mim pedindo sete dias, e eu os dei 10 dias porque eles nos deram navios de petróleo”, disse Trump, em referência aos “presentes” que ele havia citado na quarta. “Militarmente, nós vencemos a guerra contra o Irã”, acrescentou.

Ao ser questionado, Trump ressaltou que a diferença desta guerra para outros conflitos travados por presidentes americanos é que seu governo garantiu a autossuficiência em energia, com uma forte produção doméstica e agora com a “parceria” de importações da Venezuela.

Segundo ele, neste cenário, os EUA não necessariamente precisam do Estreito de Ormuz liberado para consumo energético interno. “Estamos lá pelos nossos aliados. Os EUA hoje produzem mais petróleo do que Rússia e Arábia Saudita combinados”, disse.

O presidente americano disse que a ausência de protestos contra o regime no Irã se deve à forte repressão promovida pelo governo. Conforme Trump, a população estaria intimidada para ir às ruas após a onda de assassinatos, atribuída por ele ao regime violento, no contexto das manifestações contra o aumento do custo de vida e por mais liberdades civis.

Perguntado, o republicano comentou rumores de que o novo líder supremo do Irã, o aiatolá Motjaba Khamenei, seria gay. “A CIA me disse isso, e isso o colocaria em um péssimo começo nesse país. Lá eles matam os gays e matam as mulheres se não usarem certas vestes”, afirmou.

Sobre a falta de apoio do grupo MAGA, Trump disse ter 100% de apoio dos republicanos nos EUA. “Acredito que o MAGA esteja incluso dentro dessa classificação”, disse. “As pessoas do MAGA adoraram o que fizemos na Venezuela quando voltamos com 100 milhões de barris de petróleo”.

  •  

Vale: uma aposta menos óbvia, mas mais protegida da volatilidade da guerra

Além das petroleiras e de outras empresas do setor de energia e combustíveis, existe uma outra ação menos óbvia – e relativamente mais protegida – para se investir na bolsa em meio aos conflitos no Oriente Médio e à volatilidade decorrente deles: a Vale.

O atual ambiente tende a promover pressões de custo sobre as companhias, com insumos encarecendo até que os conflitos geopolíticos se resolvam. Mas a Vale entra nesse contexto com instrumentos que ajudam a mitigar parte relevante desses efeitos.

Entre esses instrumentos estão contratos de frete de longo prazo e de proteção para os preços de combustível marítimo, além da baixa probabilidade de enfrentar escassez de diesel no Brasil.

Isso não significa que a empresa esteja imune ao choque inflacionário decorrente da alta da energia. O aumento do preço do petróleo já impacta o setor por meio de fretes mais caros e custos mais elevados de insumos. Mas essas estratégias contra a oscilação de preços a colocam em uma situação melhor, especialmente frente a pares do setor.

O efeito indireto da guerra: liquidez para os estrangeiros

A Vale sofreu um choque importante com a escalada dos conflitos no Irã porque, como uma das maiores empresas da bolsa, ela serve de veículo para os grandes alocadores, especialmente estrangeiros, se posicionarem estrategicamente no mercado brasileiro.

Ou seja: no pico da aversão ao risco, logo que a guerra estourou, em 27 de fevereiro, a fuga de ativos considerados mais arriscados atingiu a companhia. É o tipo de evento que não tem relação com os fundamentos da empresa, mas com uma abordagem comum e tática, com foco no curtíssimo prazo.

Nos últimos pregões, a ação da companhia já vem esboçando uma retomada. Conforme as perspectivas paras os conflitos no Oriente Médio melhorem, a empresa tem boas condições de retomar uma trajetória de alta, sobretudo se pautada pela sua situação financeira e operacional.

visualization

Fundamentos: o que faz a Vale ser um investimento viável?

Do lado das receitas, a empresa também tem uma boa história para convencer os investidores. Os preços do minério reagiram desde o início do conflito, refletindo o repasse inflacionário: ao encarecer os custos de energia e transporte, também fica mais caro produzir e entregar minério, e esse aumento é repassado para o preço final da commodity.

A isso se soma a demanda ainda resiliente pela matéria-prima. O minério de ferro tem girado em torno de US$ 110 por tonelada, acima das expectativas do mercado, conforme notam os analistas do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes.

Mesmo diante de dados mais fracos divulgados pela China, participantes do mercado indicam que a produção de aço pode estar sendo subestimada. Se de fato há mais aço sendo produzido, cresce a procura por minério.

Além disso, os prêmios por qualidade seguem elevados – ou seja, minérios de maior teor de ferro continuam sendo vendidos com preço adicional, o que favorece a Vale.

A expectativa é de que a demanda global permaneça estável ao longo do tempo, com crescimento vindo de países como Índia e do Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, a entrada de nova oferta tende a ser compensada pelo esgotamento gradual de minas existentes, o que ajuda a sustentar o equilíbrio entre oferta e demanda.

Ou seja, o combo de preços mais altos e menor exposição a custos mais voláteis melhora a perspectiva de geração de caixa da companhia. A estratégia de frete, a menor dependência do petróleo e a manutenção da demanda desenham um cenário mais favorável.

Os analistas do BTG também destacam como a disciplina de capital é importante para a companhia agora. A Vale vem mantendo o foco na execução de projetos e no crescimento orgânico, com menos interesse para aquisições.

Com isso, a geração de caixa tende a se traduzir em retorno ao acionista, com a possibilidade de pagamento adicional de dividendos à medida que os resultados surpreenderem positivamente.

  •  

No South Summit Brazil, uma ausência e dois temas quentes (spoiler: não é IA)

A abertura do South Summit Brazil, que começou sua maratona de três dias de painéis e eventos paralelos em Porto Alegre, não contou com a presença do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Leite viajou para São Paulo para se encontrar com Gilberto Kassab, o presidente do PSD, para discutir quem será […]

O post No South Summit Brazil, uma ausência e dois temas quentes (spoiler: não é IA) apareceu primeiro em NeoFeed.

  •  

Banco suíço fecha sob acusação de lavagem de dinheiro iraniano, russo e venezuelano

Sempre que conseguia uma comissão de seis dígitos para seu pequeno banco suíço, Paul-Michel von Merey era conhecido por gritar pelo escritório em plano aberto, perto do Lago de Zurique, tocando ruidosamente um sino de vaca em celebração.

O barulho constante refletia uma fonte lucrativa que sua empresa explorava. O MBaer Merchant Bank, cofundado por von Merey em 2018, às vezes cobrava dos clientes até dez vezes a taxa de mercado para processar pagamentos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, principalmente em transações que outros bancos não aceitavam.

Mas, mesmo após o banco ter sido apontado como um dos “mais prósperos” bancos privados suíços, no ano passado, em um evento local de gestão de fortunas, seu fim estava próximo. A suposta facilitação de lavagem de dinheiro chamou a atenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que, às vésperas da guerra contra o Irã no final do mês passado, praticamente o forçou a fechar as portas.

“O MBAer canalizou mais de cem milhões de dólares por meio do sistema financeiro dos EUA em nome de agentes ilícitos ligados ao Irã e à Rússia”, disse Bessent em comunicado. A ameaça de cortar o acesso do banco ao sistema financeiro americano foi suficiente para superar os desafios legais da ordem anterior da autoridade reguladora suíça Finma de liquidar o banco.

A seguir está um relato de como o MBaer conseguiu operar sem ser detectado, enquanto, segundo autoridades dos EUA, em alguns casos, era “provavelmente cúmplice das atividades de lavagem de dinheiro de seus clientes”. Seu fim desonroso compromete os esforços de longa data da Suíça para sanear o sistema financeiro e provar que Zurique e Genebra não oferecem mais um refúgio fácil para dinheiro ligado ao crime.

Um porta-voz do MBaer não quis comentar sobre esta reportagem. A Finma também não se manifestou.

Banco foi fundado por herdeiro do Julius Baer

O MBaer foi fundado como um banco de investimentos concebido para atender tanto aos interesses empresariais dos clientes — como o financiamento do comércio — quanto ao seu patrimônio pessoal. Seu cofundador homônimo e primeiro diretor-executivo do banco, Mike Baer, ​​passou 12 anos no Julius Baer Group, banco fundado por seu bisavô. Durante esse período, ele ocupou diversos cargos sêniores, incluindo a chefia das áreas de banking, trading e TI, de acordo com seu perfil no LinkedIn. No Julius Baer, ​​ele também conheceu muitos clientes em potencial e alguns dos outros sócios do MBaer.

Mike Baer e Paul von Merey não quiseram comentar para esta reportagem.

No início de 2005, Mike Baer deixou o banco da família e, nos anos seguintes, ocupou vários cargos em conselhos de administração, de acordo com seu perfil no LinkedIn, incluindo na Odey Asset Management e no Falcon Private Bank, ambos com problemas regulatórios não relacionados nos últimos anos.

Corredor entusiasta, que completou maratonas nos polos Norte e Sul, Baer utilizou fortemente o nome da família. “A herança do MBaer Merchant Bank remonta a 1890, quando Julius Bär lançou as bases para uma longa tradição bancária em Zurique”, afirmou o banco em seu site.

Expansão acelerada a partir de 2023

Ao longo dos anos, o banco expandiu-se rapidamente, em particular, vivenciando um salto nos ativos em 2023. No final de 2025, detinha ativos de clientes no valor de cerca de 4,9 bilhões de francos suíços (US$ 6,2 bilhões), e contava com cerca de 700 clientes e 60 funcionários. Seu tamanho o enquadrava inicialmente na categoria mais baixa de supervisão da autoridade reguladora suíça Finma — destinada a pequenos participantes no mercado, ou de “baixo risco”.

Fontes internas descreveram a cultura do banco como uma reminiscência dos tempos mais liberais das finanças suíças — antes do confronto com os EUA sobre a evasão fiscal nos anos 2000, que levou a tentativas de “limpeza” e ao fim do sigilo bancário absoluto.

Segundo investigadores da unidade de crimes financeiros do Tesouro dos EUA, a FinCEN, o banco começou a atrair atenção por possíveis atividades de lavagem de dinheiro ligadas à Venezuela por volta de 2020. O banco teria então facilitado o financiamento da máquina de guerra russa e ajudado a canalizar fundos petrolíferos iranianos de volta ao regime — incluindo para o Corpo da Guarda Revolucionária.

Lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo

“O MBaer também proporcionou acesso ao sistema financeiro dos EUA a pessoas que oferecem apoio material a esforços de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo relacionados ao Irã, incluindo apoio a organizações terroristas iranianas”, afirmou a FinCEN em um documento publicado em 2 de março.

As autoridades acusaram o MBaer de facilitar pagamentos em conexão com um esquema internacional de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro conduzido pela Força Quds, da Guarda Revolucionária. Os EUA consideram a Força Quds, que opera fora do país, como uma organização terrorista estrangeira.

Clientes do MBaer transferiram cerca de US$ 37 milhões em conexão com uma empresa sancionada, chamada Turkoca Import Export Transit Co. Ltd., em grandes pagamentos arredondados em dólares, que normalmente levantariam suspeitas de lavagem de dinheiro, declara a FinCEN. A Turkoca era uma “entidade intermediária” usada por afiliados da Força Quds para lavar fundos para o Irã, disse a FinCEN.

Cultura de medo

O MBaer supostamente tinha diversos métodos para conduzir negócios sem chamar atenção. Funcionários permitiam pagamentos em francos suíços ou euros para clientes de alto risco, em uma tentativa de contornar controles mais rigorosos sobre transações em dólares, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Alguns funcionários de fato geraram alarmes sobre deficiências operacionais. Muitos enfrentaram obstáculos internos significativos após expressarem suas preocupações ou acabaram deixando a empresa. Isso criou uma cultura de medo entre os funcionários e uma relutância em denunciar irregularidades percebidas, afirmaram as fontes.

Em 2023, autoridades dos EUA e a Finma começaram a investigar o banco mais de perto.

Por volta da mesma época, o MBaer rompeu com a empresa que atuava como seu banco correspondente nos EUA — o agora extinto Credit Suisse, de acordo com pessoas familiarizadas com o tema. O JPMorgan passou a prestar esse serviço posteriormente, disseram as pessoas a par do assunto, juntamente com diversas outras instituições financeiras.

O JPMorgan não quis comentar sobre seu relacionamento com o MBAer.

Em 2024, Bignia Vieli, então membro do conselho administrativo, contratou o escritório de advocacia do qual era sócia para realizar uma revisão da infraestrutura operacional do banco, que identificou riscos sistêmicos generalizados. O relatório chegou a sugerir que o banco deveria se autoreportar à Finma.

Fontes de ‘alto risco’

Apesar das preocupações com lavagem de dinheiro, aparentemente nenhuma medida corretiva significativa foi tomada após o relatório, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que afirmaram que a administração continuou recebendo seus bônus integrais. Vieli não respondeu a um pedido de comentário.

A Finma iniciou formalmente procedimentos de execução contra o MBaer em 2024. Posteriormente, informou que 98% dos ativos recentes de clientes do banco vinham de fontes de “alto risco”, segundo um comunicado. O banco havia sistematicamente falhado em investigar o histórico dos relacionamentos de seus clientes e auxiliado ativamente clientes a contornar o congelamento de ativos, afirmou a Finma.

Contudo, no sistema regulatório suíço, um processo sancionador pode se arrastar por anos, e os bancos podem continuar a operar enquanto contestam judicialmente as ordens da Finma. No início de 2026, uma ordem da Finma para fechar o MBaer estava travada nos tribunais — até a intervenção do Tesouro dos EUA.

Liquidação forçada

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, Annett Viehweg, CEO do MBaer desde janeiro de 2025, tentou tranquilizar os funcionários do banco, segundo uma pessoa presente na reunião. O MBaer se defenderia na justiça, Viehweg teria afirmado, de acordo com a pessoa.

O banco acabou negociando com a Finma os termos de sua autoliquidação, segundo fontes a par do assunto. As duas partes estavam em desacordo sobre se a lavagem de dinheiro seria mencionada especificamente no comunicado que anunciava o fechamento, até que o Tesouro dos EUA as forçou a agir, disseram as fontes. Posteriormente, o MBaer retirou seu recurso, o que significa que a ordem de liquidação entrou em vigor em 27 de fevereiro.

Von Merey e Mike Baer deixaram o banco, e ambos têm mantido um perfil discreto. O perfil de Von Merey no LinkedIn minimiza sua função no MBaer. No mês passado, a Finma também informou ter aberto processos contra quatro indivíduos não identificados associados ao MBaer. Esses procedimentos se concentram em pessoas que já deixaram o banco, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. Os funcionários foram informados de que até 25 pessoas seriam demitidas em março e abril.

A carteira de clientes de “alto risco” do MBaer agora enfrenta uma espera por uma resolução que pode levar anos, com poucos ou nenhum outro banco na Suíça dispostos a aceitá-los.

Para um banco acusado de lavagem de dinheiro para venezuelanos, russos e iranianos, o fim do MBaer demorou surpreendentemente a chegar. O país está em processo de reformulação da regulamentação financeira, incluindo medidas para ampliar os poderes da agência reguladora Finma. As lições da crise do Credit Suisse, em 2023, estão sendo incorporadas à legislação em tramitação no Parlamento suíço.

Por ora, a aparente incapacidade da Finma de fazer cumprir sua decisão inicial destaca a fragilidade da Suíça no combate eficaz aos crimes do setor financeiro, segundo Mark Pieth, advogado especializado na área e membro fundador do Grupo de Ação Financeira, radicado em Basileia, na Suíça.

“Os americanos tiveram que intervir novamente e apontar uma arma para o peito deles”, disse Pieth. “Em termos de sistema jurídico, a Suíça ainda é um centro offshore, onde os casos se arrastam por anos sob o pretexto do devido processo legal”.

  •  

Mercados hoje: EUA dão sinais de preparações para invasão por terra ao Irã e acendem alerta entre investidores

Bom dia!

Nesta segunda-feira (23), as preocupações com a inflação global sobem mais um degrau: o petróleo negocia acima de US$ 110 o barril, enquanto os juros americanos de 10 anos já superam 4,4% ao ano, no maior patamar desde julho do ano passado. Outra preocupação do mercado vem dos sinais de que os EUA se preparam para operações com soldados em terra, o que marcaria uma nova fase mais complexa e duradoura da Guerra no Irã. Por aqui, o investidor acompanha o boletim Focus, que pode sinalizar como o mercado absorveu o corte de 0,25 da Selic e a comunicação do Banco Central sobre os rumos dos juros no país.

Enquanto você dormia…

  • O pano de fundo segue sendo o conflito no Oriente Médio, com o ultimato dos EUA ao Irã sobre o Estreito de Ormuz elevando o prêmio de risco global. O futuros das bolsas de Nova York se mantêm em queda: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,44% e o Nasdaq futuro caía -0,53%.
  • Na Europa, as bolsas caem em bloco. O Stoxx 600 tem recuo de -2,24%.
  • Na Ásia, o índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -3,48%. O Hang Seng, de Hong, Kong, fechou em baixa de -3,54%.
  • O índice dólar (DXY) sobe +0,47% aos 100,12 pontos. O petróleo Brent sobe +1,16% a US$ 113,46 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos ao redor de 4,437% ao ano.

Destaques do dia

  • Petróleo se mantém no centro do pregão. O principal vetor desta segunda-feira é a nova escalada entre EUA e Irã. O mercado passou a precificar um conflito mais longo e mais caro para a energia, com o Brent acima de US$ 113 o barril.
  • Ao mesmo tempo, os juros globais sobem porque o barril mais caro embaralha a aposta de cortes por bancos centrais.
  • E daí? Para o Brasil, o efeito é ambíguo: petroleiras como Petrobras e Prio tendem a seguir no radar positivo, enquanto setores dependentes de combustível, como o aéreo e o de logistica,a podem sentir a pressão.

Giro pelo mundo

  • EUA se preparam para invasão: o Pentágono está enviando milhares de fuzileiros navais adicionais para o Oriente Médio e fontes militares citam ‘preparações intensas’ para o envio de tropas terrestres ao Irã.
  • IEA no radar: a Agência Internacional de Energia discute eventual liberação de estoques estratégicos de petróleo caso a crise se intensifique — mercado monitora qualquer anúncio.
  • BCE mais duro: dirigentes reforçaram que podem agir se a inflação de energia contaminar o restante da economia — falas seguem ao longo da semana.

Giro pelo Brasil

  • Focus na mesa: boletim semanal do Banco Central ganha relevância após o corte recente da Selic para 14,75% — atenção às revisões de inflação e juros.
  • IR 2026: começa o prazo de entrega da declaração, com envio até o fim de maio — programa já disponível para os contribuintes.
  • Combustíveis: governo monitora impacto da alta global e avalia medidas para suavizar o preço do diesel — tema segue sensível.

Giro corporativo

  • CSN: companhia fechou empréstimo de até US$ 1,4 bilhão para alongar dívidas e reforçar o caixa.
  • Desktop: Claro acertou a compra do controle por R$ 4 bilhões, acelerando a consolidação da fibra no interior — negócio depende de aprovações regulatórias.
  • Petrobras: refinarias seguem operando com alta utilização para reduzir pressão no mercado doméstico de combustíveis.

Agenda do dia

Ótima segunda-feira e bons negócios!

  •  

Bessent, do Tesouro, diz que EUA têm “dinheiro de sobra” para guerra contra Irã

O governo dos Estados Unidos tem “dinheiro de sobra” para financiar a guerra contra o Irã, mas está solicitando financiamento suplementar do Congresso para garantir que as Forças Armadas estejam bem abastecidas no futuro, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, neste domingo (22).

Bessent, falando no programa “Meet the Press” da NBC News, também descartou aumentar impostos para financiar a guerra.

O pedido das Forças Armadas dos EUA de US$ 200 bilhões em financiamento adicional para a guerra no Irã enfrenta forte oposição no Congresso, com democratas e até mesmo alguns republicanos questionando a necessidade após grandes verbas para defesa no ano passado.

Bessent defendeu o pedido sem confirmar o valor.

O presidente Donald Trump ainda não enviou uma solicitação para que Senado e Câmara dos Deputados aprovem a quantia e seu governo deixou claro que o número pode mudar.

“Temos dinheiro de sobra para financiar essa guerra”, afirmou Bessent. “Isso é suplementar. O presidente Trump fortaleceu as Forças Armadas, como fez em seu primeiro mandato, como está fazendo agora em seu segundo mandato, e quer garantir que as Forças Armadas estejam bem supridas no futuro.”

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse na semana passada que o dinheiro extra era necessário “para garantir que estejamos adequadamente financiados para o que foi feito e para o que talvez tenhamos que fazer no futuro”.

As primeiras indicações sugerem que a guerra será a mais cara para os EUA desde os longos conflitos no Iraque e no Afeganistão. Autoridades do governo disseram aos parlamentares que os primeiros seis dias da guerra contra o Irã custaram mais de US$ 11 bilhões.

  •  

Após ultimato de Trump, Irã diz ter atingido caça F-15 ‘inimigo’ que sobrevoava Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irã disse ter abatido um caça F-15 “inimigo” que sobrevoava a costa sul do país. Um vídeo do suposto ataque foi divulgado pela Agência de Notícias Iranianas neste domingo (22).

A ação ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar, em postagem na rede Truth Social, destruir as usinas elétricas do Irã, começando pela maior, caso o país se recuse a abrir completamente o Estreito de Ormuz dentro de 48 horas. O prazo termina na segunda-feira (23).

O mandatário americano também afirmou que tinha alcançado as metas antes do previsto e pontuou que “a liderança iraniana se foi”, assim como a marinha e a força aérea estão “mortas”. “Eles não têm absolutamente nenhuma defesa e querem um acordo. Eu não”, disse.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é uma via crucial para o fluxo mundial de petróleo.

Ataques a navios comerciais e ameaças de novos atentados impediram quase todos os petroleiros de transportar petróleo, gás e outras mercadorias pela passagem, levando a cortes na produção de alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, porque seu petróleo bruto não tem para onde ir.

Seyed Ali Mousavi, enviado do Irã à Organização Marítima Internacional, afirmou que a navegação pelo estreito é possível para “todos, exceto inimigos” – indicando que Teerã determinará quais embarcações terão permissão para passar. O Irã já aprovou a passagem de navios pelo estreito com destino à China e a outros países da Ásia.

Os acontecimentos recentes sinalizaram que a guerra no Oriente Médio, agora em sua quarta semana, escala sem previsão de fim.

Sirenes soaram por todo Israel enquanto o Irã lançava novos bombardeios neste domingo. No sul do país, moradores enfrentaram a devastação nas cidades de Dimona e Arad. No norte de Israel, um homem foi morto em um ataque do grupo militante libanês Hezbollah.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, visitou Arad e disse que foi um “milagre” que ninguém tenha morrido na explosão, que danificou gravemente vários prédios. Mas afirmou que, se todos os moradores tivessem corrido para os abrigos, ninguém teria se ferido e pediu a todos que obedecessem às sirenes.

Netanyahu também afirmou que Israel atacará “pessoalmente” todos os dirigentes do Irã. “Vamos atrás do regime. Vamos atrás da Guarda Revolucionária Islâmica, essa quadrilha de criminosos”, disse na cidade de Arad, no sul de Israel, alvo na véspera de um ataque com mísseis iranianos.

“E vamos atacá-los pessoalmente, seus dirigentes, suas instalações, seus ativos econômicos”, declarou à imprensa, entre os escombros do local onde caiu um dos mísseis.

(Com agências internacionais)

  •  

Trump dá ultimato ao Irã e ameaça bombardear usinas se Hormuz não reabrir

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Irã um prazo de dois dias para reabrir o Estreito de Hormuz ou ver suas usinas de energia serem bombardeadas, elevando o tom de uma guerra que, já em sua quarta semana, não mostra sinais de desescalada.

Trump, num indicativo da pressão que enfrenta para conter a disparada dos preços do petróleo, disse que o Irã precisa “abrir totalmente, sem ameaças” a via marítima vital para o fluxo global de energia. Ele deu ao país 48 horas “a partir deste exato momento”, em uma postagem na Truth Social publicada no fim da noite de sábado (21).

Os militares iranianos responderam dizendo que vão mirar “toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização pertencente aos EUA e ao regime israelense na região” caso a infraestrutura de combustíveis e energia do Irã seja atacada, segundo a agência semioficial Tasnim. A TV estatal iraniana publicou relatos semelhantes.

A retórica indica que nenhum dos lados está disposto a recuar. A guerra — iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã em 28 de fevereiro — já desencadeou uma crise inédita no fornecimento de petróleo e gás. As ameaças mais recentes vieram depois de uma semana de ataques pesados contra infraestrutura energética crucial no Oriente Médio, aprofundando o risco de efeitos mais duradouros sobre a economia global.

Os fluxos de petróleo e gás provavelmente levarão tempo para voltar ao normal mesmo depois da reabertura do Estreito de Hormuz, já que muitos locais de produção foram danificados. Os bloqueios também estão provocando escassez de fertilizantes e nutrientes agrícolas, o que eleva a perspectiva de disrupções graves na produção de alimentos.

Estados Unidos e Israel continuaram, no domingo, a atacar alvos no Irã, que por sua vez segue lançando mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo.

Mais de 4 mil pessoas morreram em toda a região, segundo governos e organizações não governamentais, sendo mais de três quartos das vítimas no Irã. No Líbano, onde Israel intensificou a ofensiva contra militantes do Hezbollah apoiados por Teerã, o número de mortos já supera 1 mil. Dezenas de pessoas morreram em Israel e em países árabes.

Os ataques com mísseis iranianos contra Israel se intensificaram nos últimos dias. No sábado, cerca de 115 pessoas ficaram feridas nas cidades de Arad e Dimona, no sul do país — esta última conhecida por dar nome a uma instalação de pesquisa nuclear nas proximidades. A mídia iraniana afirmou que o ataque foi uma retaliação a uma ofensiva contra a instalação nuclear de Natanz.

“Esta é uma noite muito difícil na luta pelo nosso futuro”, disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acrescentando que estava reforçando as equipes de resgate nas áreas atingidas.

Donald Trump está com terno escuro e gravata vermelha, e aponta para à esquerda

Falando no domingo, Netanyahu pediu que líderes de outros países se juntem à guerra e afirmou que alguns já começam a dar sinais nessa direção. “Fico feliz em dizer que consigo ver alguns deles começando a se mover nessa direção”, afirmou.

A nova ameaça de Trump ao Irã veio um dia depois de ele dizer que estava pensando em “reduzir” as operações militares e que a responsabilidade por vigiar Hormuz caberia a outros países. Isso exemplifica os sinais contraditórios enviados pelo presidente ao longo da guerra, deixando governos e mercados correndo para acompanhar os desdobramentos.

O tráfego por Hormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito — praticamente parou desde o início da guerra. O barril do Brent disparou para mais de US$ 112, o maior nível em quase quatro anos. Também subiram os preços da gasolina nos Estados Unidos, dos fertilizantes e de vários metais transportados por Hormuz.

Autoridades iranianas relutam até mesmo em discutir a reabertura do estreito, enquanto concentram esforços em sobreviver à ofensiva de EUA e Israel, segundo uma pessoa envolvida em contatos diretos e de alto nível com Teerã.

Alguns países, no entanto, vêm encontrando formas de fazer cargas atravessarem o corredor. A Marinha iraniana escoltou um navio-tanque indiano de gás natural liquefeito pelo estreito após articulação diplomática de Nova Déli. O Irã afirmou que a passagem está aberta a todos, exceto embarcações ligadas a países inimigos.

Até agora, Estados Unidos e Israel evitaram em grande parte atacar usinas de energia e instalações de água do Irã. Israel chegou a bombardear depósitos de combustível em Teerã duas semanas atrás, provocando nuvens de chuva ácida e atraindo críticas veladas dos Estados Unidos, que avaliaram a ação como um erro estratégico capaz de voltar a população iraniana contra a ofensiva.

Israel e Estados Unidos falaram em mudança de regime nos primeiros dias da guerra, mas agora enfatizam objetivos mais limitados, como destruir as capacidades nuclear e de mísseis do Irã. O regime iraniano não parece perto de colapsar, e autoridades vêm se reagrupando em torno das lideranças remanescentes, segundo avaliações de inteligência ocidentais e pessoas familiarizadas com o assunto.

O Irã tem cerca de 100 usinas termelétricas a gás natural em operação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre as maiores estão a usina de Damavand, perto de Teerã; a de Ramin, ao norte de Ahvaz, no oeste do país; e a de Kerman, em Chatroud, no sudeste.

Os ativos energéticos do Oriente Médio vêm entrando cada vez mais no centro do conflito à medida que os ataques se ampliam. Israel bombardeou o campo de gás de South Pars na quarta-feira passada, e o Irã retaliou com ataques contra a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, no Catar, além de outros ativos energéticos no Golfo.

Os preços do petróleo em Londres subiram mais de 50% desde o início da guerra, reacendendo temores de inflação global. A disparada dos preços — especialmente da gasolina — traz riscos políticos para Trump dentro dos Estados Unidos, faltando apenas oito meses para as eleições legislativas de meio de mandato.

Os Estados Unidos estão produzindo volumes recordes de petróleo e gás no mercado doméstico, mas regiões como Europa, China e Japão dependem mais dos recursos energéticos do Oriente Médio.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou no sábado que a campanha conjunta será intensificada de forma significativa, um dia depois de Teerã lançar mísseis balísticos contra a base militar conjunta de EUA e Reino Unido em Diego Garcia — a quase 4 mil quilômetros do Irã.

A base não sofreu danos, segundo uma pessoa a par do assunto que falou sob condição de anonimato. Ainda assim, o ataque demonstrou uma capacidade que vai além do que se sabia até então sobre o arsenal iraniano.

Os esforços de Trump para mobilizar aliados dos Estados Unidos na reabertura do estreito ao tráfego comercial em larga escala têm sido, em grande medida, rejeitados. Em resposta, o presidente americano atacou verbalmente membros da Otan, chamando-os de “covardes” por não aderirem à operação.

  •  

BC volta a intervir no câmbio: o que fazer com os seus investimentos com a volatilidade do dólar

O Banco Central entrou em campo ontem (19) com uma intervenção dupla no mercado de câmbio: vendeu dólares à vista e atuou com contratos futuros ao mesmo tempo.

O movimento, conhecido como “casadão”, é uma resposta ao nervosismo que tomou conta dos mercados desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro. Nesse ambiente, uma pergunta que muitos investidores se fazem é: o que fazer com os investimentos em dólar na carteira?

O momento aponta para manter os ativos na moeda americana – seja via fundos negociados em plataformas de corretoras, seja via ETFs de câmbio – como uma clássica defesa contra choques externos.

Para quem não tem tais ativos no portfólio e deseja montar uma reserva em moeda forte, é preciso evitar exageros, porque o cenário está mais complexo do que o habitual.

O ideal é evitar um nível de exposição muito grande, que fique acima do equivalente a 5% do patrimônio em um portfólio, na média — pode ser um pouco mais se a posição estiver em ações, ativos de baixa correlação com o dólar.

Isso porque, como dizem economistas, o real está “resiliente”. Nos últimos 30 dias, mesmo diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a moeda americana sobe apenas 0,9% contra a moeda brasileira.

Em relação ao sol peruano, o dólar já ganha 3% em valor no mesmo período; contra o peso colombiano, a alta é de 1,2%; ante o peso chileno, de 7%; em relação ao peso mexicano, a moeda avança 4,2%.

Desde o começo do ano, na verdade, a moeda americana está na contramão, com queda de 3% em relação ao real.

A palavra que define o momento, porém, é “instabilidade”.

visualization

O BC realizou o “casadão” ontem com o objetivo de providenciar liquidez e referência de preços ao mercado – uma resposta ao mesmo ambiente de estresse que levou o Tesouro Nacional a também intervir e fazer grandes recompras de títulos públicos nos últimos dias para conter o que classifica como disfuncionalidades no mercado de renda fixa.

Por isso, apesar da citada resiliência do real neste momento, é importante levar em conta movimentos mais amplos como parte de padrões históricos.

Quando há forte busca por proteção no mundo, moedas e ativos emergentes tendem a sofrer mais. É por essa razão que vender investimentos em dólar é uma má escolha.

Nesta sexta-feira (20), por exemplo, o dólar subiu 1,75%, cotado a R$ 5,3110, depois de uma sessão com estabilidade no dia anterior.

Diversificação global

O real tem demonstrado força ante o dólar diante de uma tendência mais ampla de desvalorização da moeda globalmente, motivada pelo interesse de grandes gestoras e fundos e de bancos centrais de diversificar suas reservas para além da moeda americana em um momento de incertezas nos Estados Unidos com as políticas de Donald Trump.

O que faz a moeda brasileira se destacar em relação a outros países emergentes é o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, algo que segue elevado. E isso persiste mesmo com o corte da Selic feito pelo Banco Central nesta semana, que levou a taxa básica a 14,75% ao ano. Na maior economia do mundo, o juro está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Isso mantém o Brasil relativamente atrativo para o investidor estrangeiro, dado que os ativos em reais oferecem maior remuneração. Isso tende a estimular a entrada de dólares e contribuir para a valorização do real.

E há ainda o efeito da alta do petróleo a ser observado nessa equação do dólar.

O aumento das cotações da commodity para o patamar de US$ 100 com a Guerra no Irã joga incerteza sobre a inflação diante da necessidade de repasses para os preços dos combustíveis.

Só que, de outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de commodities em geral. Isso significa que o aumento dos preços tende a apreciar a nossa moeda, e não o contrário.

Com o petróleo mais caro, o Brasil exporta mais em valor e recebe mais dólares, o que aumenta a oferta de moeda estrangeira e isso acaba fortalecendo o real.

Tudo isso posto, é preciso levar em conta que o câmbio é um dos canais do mercado que mais expressam as incertezas na economia. Isso significa que tentar acertar o “momento certo” de adquirir ou vender dólares é uma má decisão.

Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre o piso de R$ 5,12 e o teto de R$ 5,32 no mercado brasileiro com a escalada da guerra no Oriente Médio. Não é uma variação desprezível para um intervalo de tempo tão curto, e não à toa o Banco Central decidiu atuar para atenuar os movimentos.

  •  

Petrobras sobe 50% no ano e pode avançar com cenário favorável. Mas eleição é risco no radar

Preços do petróleo, imposto sobre exportações, riscos com as eleições presidenciais e aquisições potenciais. Esses são temas fundamentais hoje para o cenário de quem investe na Petrobras.

Esses elementos indicam que ainda há espaço para novas altas para as ações da estatal, mas tudo depende da concretização de um cenário favorável, conforme tem acontecido até agora. Não se trata de algo garantido, especialmente com o risco de ingerência política na gestão, algo que potencialmente pode levar a estatal a represar reajustes no mercado local antes das eleições.

No acumulado deste ano, as ações preferenciais da companhia (PETR4) acumulam ganhos de 49,4%. Já o papel preferencial (PETR3) sobe 56,3% até agora. O Ibovespa avança 12,6% no mesmo período.

Nos cálculos de analistas do setor e gestores, o petróleo do tipo Brent, referência global para a commodity, precisa estar no preço mínimo de US$ 70 o barril para manter a Petrobras com forte geração de caixa e, portanto, como boa alternativa no setor de óleo e gás brasileiro.

Esse também é o piso para garantir que a empresa mantenha o pagamento dos dividendos ordinários. Com o Brent na casa dos US$ 80, analistas do BTG Pactual estimam um dividend yield (rentabilidade dos dividendos) de cerca de 9%.

Nesse contexto, a geração de caixa livre sobre o patrimônio (quanto caixa a empresa produz para cada real de patrimônio dos acionistas) fica em aproximadamente 10% para 2026. São números que se destacam frente a pares globais, que negociam com retorno total médio ao acionista de 5,5%.

Com a Guerra do Irã e os riscos que envolvem a produção de petróleo no Oriente Médio, a cotação da matéria-prima ultrapassou os US$ 100.

Se houver uma solução no curto prazo para o conflito, os preços devem se estabilizar em níveis mais baixos, mas não tão baixos a ponto de prejudicar a geração de caixa da Petrobras, sobretudo porque levaria tempo até que a produção global voltasse ao normal.

Imposto, aquisições e ‘efeito Braskem’

Outro tema relevante para quem investe na empresa é o recém-anunciado imposto sobre exportações. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou medidas para aliviar o impacto dos preços dos combustíveis com a alta do petróleo, entre elas um imposto de 12% sobre exportações de óleo cru.

Isso representa um custo direto para a Petrobras, grande exportadora da commodity, já incorporado nos modelos dos analistas.

Ao mesmo tempo, o aumento do preço do diesel nas refinarias em 11,6%, anunciado na última semana para aproximar os preços locais dos internacionais — representa uma receita adicional relevante para a empresa.

O aumento não resolve a defasagem em relação aos preços globais, mas, dado que os custos de extração de petróleo e de refino seguem iguais, compensa em parte a incidência do novo imposto.

Além disso, considerados em conjunto, o ambiente atual de preços mais altos e o ajuste nos combustíveis melhoram materialmente a geração de caixa da Petrobras, o que mais do que compensa os custos adicionais.

Analistas também observam o movimento da Petrobras em torno de aquisições de usinas de etanol de milho e da necessidade de participar da reestruturação da Braskem.

Esse envolvimento poderia se dar por meio de uma injeção direta de recursos ou via ajuste de preços de nafta, em que a estatal precisaria rever quanto cobra pela matéria-prima vendida à Braskem.

Os dois fatores podem gerar impactos importantes sobre o fluxo de caixa e nos pagamentos de dividendos no curto prazo – um dos maiores riscos para o investimento na empresa agora porque os preços das ações não estão “embutindo” esses eventos atualmente.

Eleições: a maior dúvida

Como uma estatal, a Petrobras está sujeita ao risco de ingerências do governo, especialmente em relação ao repasse das variações dos preços do petróleo para o mercado interno – exatamente como aconteceu recentemente.

Com a alta de dois dígitos registrada neste ano, é possível afirmar que parte do otimismo já está refletida nos preços, o que torna os riscos ainda mais relevantes de serem monitorados.

Esse tema é o que mais divide opiniões no mercado. Enquanto alguns dos grandes fundos de investimento no país mantêm posição vendida, ou short – que ganha com a queda das ações – exatamente por causa desse risco, há aqueles que enxergam pouca mudança de cenário.

Ou o atual governo vence as eleições e, tal qual até aqui, não interfere tanto na companhia, ou muda-se o governo para uma linha mais liberal, o que significa um cenário potencial melhor.

Nesse segundo caso, analistas do BTG Pactual estimam que uma eventual compressão no custo de capital da empresa poderia levar o preço-alvo das ações a US$ 26 por ADR (o recibo de ação negociado no mercado americano), contra os US$ 21 do cenário-base atual.

“Acreditamos que é menos provável que o atual governo faça mudanças significativas para a Petrobras se reeleito”, afirmam os analistas do BTG Pactual em relatório.

“Na verdade, as medidas anunciadas na semana passada reforçam a abordagem cautelosa do governo em relação à governança e aos preços dos combustíveis no mercado interno.”

  •  

Petrobras, Prio e cia: como o novo imposto de exportação afeta o caixa das petroleiras 

De um lado, o barril acima de US$ 100 – um patamar que ninguém esperava até o início da guerra com o Irã. De outro, o pacote do governo para aliviar os preços internos dos combustíveis em meio à alta do petróleo; que incluem um imposto de exportação de 12% para o óleo cru.  

O imposto, anunciado na quinta (12) e válido a princípio por quatro meses, entra para compensar o PIS/Cofins zerado sobre o diesel e também um auxílio financeiro de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível.   

Vejamos aqui como essa realidade, de petróleo em alta e imposto surpresa, impacta cada uma das nossas petroleiras de capital aberto: Petrobras, Prio, Brava Energia e PetroReconcavo.

Petrobras

A estatal ganha por conta do parque de refino. Ela aumentou o diesel na boca das refinarias em 11,6%, para aproximar os preços locais dos internacionais. Ainda que a defasagem siga alta, o custo de extração de matéria-prima (petróleo) e de refino permanecem os mesmos. Logo, o aumento compensa em parte o novo imposto sobre a fatia de óleo cru que a petroleira exporta. 

O custo de extração da Petrobras, vale notar, é particularmente baixo: US$ 9 por barril. No quarto trimestre de 2025, a estatal fez um Ebitda equivalente a US$ 10,9 bilhões com o Brent, o preço de referência para o barril, entre US$ 60 e US$ 65. 

Antes mesmo do conflito, o barril já estava em um patamar superior, US$ 73. Caso venha um cessar fogo, a produção dos países árabes ainda levaria algum tempo até voltar ao normal. Eles já cortaram a produção em 30% (10 milhões de barris por dia, o equivalente a um décimo do consumo global).

A Agência Internacional de Energia estima que um retorno aos níveis pré-guerra pode levar semanas e, em alguns casos, meses – religar poços de forma apressada poderia danificar equipamentos, gerando novas paradas. 

Ou seja: a pressão sobre a oferta não terminaria da noite para o dia, favorecendo as petroleiras daqui. Somando isso à margem maior do refino, o cenário para a Petrobras segue positivo mesmo com o imposto.     

Prio

A Prio exporta toda sua produção e não tem refino para compensar a taxa de 12%. Por conta disso, o Safra prevê uma redução de 15% no lucro operacional previsto para 2026 caso o imposto de exportação se mantenha até dezembro. 

O cálculo, porém, leva em conta uma eventual realidade com o Brent a um preço médio de US$ 70. Caso o barril permaneça a um patamar mais elevado do que esse, o impacto arrefece. 

Também vale lembrar que o barril em alta vem num momento de expansão da Prio. Ela acaba de colocar um novo campo em operação, Wahoo, com capacidade para extrair 40 mil barris por dia. O Itaú BBA estima que a produção chegue a 201 mil bpd neste ano – praticamente o dobro dos 106 mil bpd de 2025.    

Brava Energia e PetroReconcavo

A Brava exporta só um terço de sua produção. Diante disso, os analistas do Safra vêem um impacto menor do novo imposto ali: redução de 7% do lucro operacional em 2026. Também ajuda o fato de ela trabalhar com refino – a petroleira opera a refinaria de Camarão (RN). As margens maiores no diesel, então, mitigam o efeito do imposto.

A Brava é a segunda maior junior oil do país (80 mil barris por dia em 2025) e passa por um momento de virada. Aumentou produção em 46% no ano passado e reverteu o prejuízo de R$ 1,1 bilhão em lucro de R$ 1,5 bilhão. O plano interno é aumentar a produção para 100 mil bpd em 2027. 

Já na PetroReconcavo o efeito do imposto seria desprezível. Focada em campos maduros e em terra no Nordeste, com produção de 24 mil bpd, a empresa tem escala menor e perfil pouco exposto à exportação. De acordo com o Safra, ela praticamente não sofre impacto da taxa de 12%.

O que mais preocupa, para o setor como um todo, nem é o impacto financeiro imediato, mas o precedente aberto pelo governo. Para os analistas do Morgan Stanley e do Bradesco BBI, a criação do imposto aumenta a incerteza regulatória na exploração de petróleo no Brasil, o que pode reduzir o apetite de investidores.

Na outra ponta, a vantagem geopolítica conta a favor das brasileiras. Não estamos, afinal, numa região sujeita a conflitos militares capazes de interromper a produção.

Países que dependem fortemente de petróleo importado, especialmente China, Índia e Japão, agora tendem a buscar mais fontes de suprimento alternativas ao Oriente Médio. E, definitivamente, somos uma delas.

  •  

Petrobras, Prio e cia: como o novo imposto de exportação afeta o caixa das petroleiras 

De um lado, o barril acima de US$ 100 – um patamar que ninguém esperava até o início da guerra no Irã. De outro, o pacote do governo para aliviar os preços internos dos combustíveis em meio à alta do petróleo; que incluem um imposto de exportação de 12% para o óleo cru.  

O imposto foi anunciado na quinta (12) e vai valer a por quatro meses, a princípio. Ele entra para compensar o PIS/Cofins zerado sobre o diesel e também um auxílio financeiro de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores do combustível.   

Vejamos aqui como essa nova realidade, com petróleo em alta de um lado e imposto surpresa do outro, impacta cada uma das nossas petroleiras de capital aberto: Petrobras, Prio, Brava Energia e PetroReconcavo.

Petrobras

A estatal ganha por conta do parque de refino. Ela aumentou o diesel na boca das refinarias em 11,6%, para aproximar os preços locais dos internacionais. Ainda que a defasagem siga alta, o custo de extração de matéria-prima (petróleo) e de refino permanecem os mesmos. Logo, o aumento compensa em parte o novo imposto sobre a fatia de óleo cru que a petroleira exporta. 

O custo de extração da Petrobras, vale notar, é particularmente baixo: US$ 9 por barril. No quarto trimestre de 2025, a estatal fez um Ebitda equivalente a US$ 10,9 bilhões com o barril a um preço entre US$ 60 e US$ 65. 

Antes mesmo do conflito, o barril já estava em um patamar superior, US$ 73. Caso venha um cessar fogo, a produção dos países árabes ainda levaria algum tempo até voltar ao normal. Eles já cortaram a produção em 30% (10 milhões de barris por dia, o equivalente a um décimo do consumo global).

A Agência Internacional de Energia estima que um retorno aos níveis pré-guerra pode levar semanas e, em alguns casos, meses. É que eligar poços de forma apressada poderia danificar equipamentos, gerando novas paradas. 

Ou seja: a pressão sobre a oferta não terminaria da noite para o dia, favorecendo as petroleiras daqui. Some isso à margem maior do refino, e temos que o cenário para a Petrobras segue positivo mesmo com o imposto.     

Prio

A maior das junior oils exporta toda sua produção e não tem refino para compensar a taxa de 12%. Por conta disso, o Safra prevê uma redução de 15% no lucro operacional previsto para 2026 caso o imposto de exportação se mantenha até dezembro. 

O cálculo, porém, leva em conta uma eventual realidade com o Brent a US$ 70. Caso o barril permaneça a um patamar mais elevado do que esse, o impacto arrefece. 

Também vale lembrar que o barril em alta vem num momento de expansão da Prio. A petroleira acaba de colocar um novo campo em operação, Wahoo, com capacidade para extrair 40 mil barris por dia. O Itaú BBA estima que a produção chegue a 201 mil bpd neste ano – praticamente o dobro dos 106 mil bpd de 2025.    

Brava Energia e PetroReconcavo

A Brava exporta só um terço de sua produção. Diante disso, os analistas do Safra vêem um impacto menor do novo imposto ali: redução de 7% do lucro operacional previsto para 2026 (naquele cenário de barril a US$ 70). Também ajuda o fato de ela trabalhar com refino – a petroleira opera a refinaria de Camarão (RN). As margens maiores na venda de diesel, então, mitigam o efeito do imposto, como acontece (em escala maior) com a Petrobras.

A Brava é a segunda maior junior oil do país (80 mil barris por dia em 2025) e passa por um momento de virada. Aumentou produção em 46% no ano passado e reverteu o prejuízo de R$ 1,1 bilhão em lucro de R$ 1,5 bilhão. O plano interno é aumentar a produção para 100 mil bpd em 2027.  

Já na PetroReconcavo o efeito do imposto seria desprezível. Focada em campos maduros e em terra no Nordeste, com produção de 24 mil bpd, a empresa tem escala menor e fica pouco exposta à exportação. De acordo com o Safra, ela praticamente não sofre impacto com a taxa de 12%.

O que mais preocupa, para o setor como um todo, nem é o impacto financeiro imediato, mas o precedente aberto pelo governo. Para os analistas do Morgan Stanley e do Bradesco BBI, a criação do imposto aumenta a incerteza regulatória na exploração de petróleo no Brasil, o que pode reduzir o apetite de investidores.

Na outra ponta, a vantagem geopolítica conta a favor das brasileiras. Não estamos, afinal, numa região sujeita a conflitos militares capazes de interromper a produção. Para quem deseja segurança energética, o Brasil é um bom fornecedor.

Países que dependem fortemente de petróleo importado, especialmente China, Índia e Japão, agora tendem, na medida do possível, a buscar mais fontes de suprimento alternativas ao Oriente Médio. Definitivamente, somos uma delas.

  •  

Barril a US$ 120? Analistas esperam mais altas no petróleo após ataques à ilha de Kharg

A semana do petróleo começa às 20h deste domingo – com a abertura das negociações do Brent, às 23h de Londres. Será a primeira sessão após o ataque americano ao principal hub de exportação iraniano, que vem operando apesar do conflito. Na sexta (13), o barril fechou a US$ 103.

Forças americanas atingiram alvos militares na estratégica Ilha de Kharg e ameaçou estender os ataques à infraestrutura de energia caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz – a estreita passagem que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo.

Kharg é uma ilha a 25 km da costa iraniana. Ela serve como um hub de exportação porque o mar profundo ao redor da massa de terra é bom para receber superpetroleiros, que não navegam em águas rasas. O petróleo chega do continente via oleodutos e daí flui para os berços de atracação do lugar.

E mesmo com a guerra em andamento o Irã continua exportando petróleo, principalmente para a China – navios chineses e, claro, iranianos, têm passagem liberada pelo estreito de Ormuz. Seguem, portanto, indo e voltando à ilha de Kharg. Também foram identificados recentemente dois navios com destino à Índia, carregados de gás liquefeito de petróleo (GLP), e um petroleiro grego.

Caso esse fluxo pare também, o suprimento global de petróleo sofrerá mais uma baixa. Até agora, cortes nos países árabes já reduziram o output global em 10%.

O Irã afirmou que ataques à infraestrutura de petróleo em Kharg provocarão retaliação contra instalações de energia ligadas aos EUA na região.

Nos Emirados Árabes, as operações de carregamento no porto de Fujairah – outro hub estratégico – foram interrompidas após um ataque de drone nas primeiras horas de sábado (14), bloqueando os embarques pela única rota de exportação do país que não passa por Ormuz (fica de cara para o Oceano Índico, fora do Golfo). As atividades foram retomadas no domingo (15).

“Não acho que os mercados vão reagir bem aos últimos desdobramentos”, disse Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade. “Espero mais um início de semana tenso, com o destino da Ilha de Kharg ainda incerto, dada sua importância para o fornecimento global de energia.”

O Brent subiu 11% na semana passada, chegando a bater US$ 119,50 o barril, antes de fechar um pouco acima de US$ 103. Foi a semana mais volátil para o marcador europeu desde que os contratos futuros começaram a ser negociados, em 1988.

“Seguimos em disparada na rodovia, na faixa da esquerda, sem nenhum sinal de quando vamos conseguir pegar a saída”, disse Stephen Schork, fundador da Schork Group, com sede em Radnor, Pensilvânia, acrescentando que não ficaria surpreso de ver o petróleo abrir acima de US$ 117 o barril — “ou até além disso.”

Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS, concorda: “Com o fluxo de petróleo por Ormuz ainda restrito, o caminho de menor resistência para os preços do petróleo segue sendo o de alta”.

Para o Brasil, duas consequências diretas. De um lado, somos grandes exportadores de petróleo – e, obviamente, nenhum cliente que compra daqui precisa passar pelo Estreito de Ormuz.

Petrobras sobe 13% desde o início do conflito. Prio, 10%. Petroreconcavo vem mais atrás, com 5%. A exceção é a Brava Energia, que cai 4% no mesmo intervalo – ela vinha subindo também, mas entregou os pontos após divulgar um balanço mal visto pelo mercado na quinta (12).

Por outro lado, o país sofre com a alta nos preços internacionais do diesel, já que 25% do consumo nacional depende de importações.

O gargalo

O mercado global de petróleo foi jogado ao caos. A Agência Internacional de Energia alertou que a interrupção no abastecimento é sem precedentes, e os países-membros concordaram na semana passada em liberar 400 milhões de barris de reservas de emergência para tentar conter a alta dos preços.

O número pode impressionar, mas equivale a apenas quatro dias do consumo global.

Com o fechamento efetivo de Ormuz cortando as exportações marítimas dos demais países do Golfo, os tanques de armazenamento da região foram enchendo, forçando alguns produtores a reduzir a extração. A Arábia Saudita, o peso-pesado da região, vem aumentando o fluxo por um oleoduto que cruza o país até o litoral do Mar Vermelho, o que pode permitir exportações de cerca de 5 milhões de barris por dia.

A Ilha de Kharg é uma instalação vital para Teerã, pois por ela passa a maior parte das exportações de petróleo bruto do país. Ao anunciar o ataque, Trump disse que as instalações militares do local foram “destruídas por completo”. A agência de notícias estatal iraniana Fars informou que as exportações seguem normalmente após o ataque.

  •  

Alumínio dispara 9% com bloqueio ao estreito de Ormuz. Maior usina do mundo freia a produção

O alumínio sobe 9% na Bolsa de Metais de Londres desde o início da guerra, há duas semanas.

É mais uma consequência do bloqueio ao estreito de Ormuz. Pelo menos 5 milhões de toneladas atravessam a passagem marítima por ano. Dá 7% da produção global, de 74 milhões de toneladas. Vários países do golfo são exportadores da commodity: Bahrain, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Sem ter como escoar boa parte da produção, as usinas locais começam a cortar o output. A Aluminum Alba, do Bahrain e que opera a maior usina de alumínio do mundo, iniciou uma paralisação gradual.

A empresa desligou três linhas de produção, que juntas respondem por 19% de sua capacidade total de 1,6 milhão de toneladas por ano.

E o problema não é só no escoamento do alumínio. É na chegada da matéria prima também: a alumina, mineral que serve de base para a produção do metal brilhante, chega em grande parte pelo Estreito de Ormuz.

  •  

Alumínio dispara 9% com bloqueio ao estreito de Ormuz. Maior usina do mundo freia a produção

O alumínio sobe 9% na Bolsa de Metais de Londres desde o início da guerra, há duas semanas.

É mais uma consequência do bloqueio ao estreito de Ormuz. Pelo menos 5 milhões de toneladas atravessam a passagem marítima por ano. Dá 7% da produção global, de 74 milhões de toneladas. Vários países do golfo são exportadores da commodity: Bahrain, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Sem ter como escoar boa parte da produção, as usinas locais começam a cortar o output. A Aluminum Alba, do Bahrain e que opera a maior usina de alumínio do mundo, iniciou uma paralisação gradual.

A empresa desligou três linhas de produção, que juntas respondem por 19% de sua capacidade total de 1,6 milhão de toneladas por ano.

E o problema não é só no escoamento do alumínio. É na chegada da matéria prima também: a alumina, mineral que serve de base para a produção do metal brilhante, chega em grande parte pelo Estreito de Ormuz.

  •  

Trump pede que outros países enviem navios de guerra para reabrir o Estreito de Ormuz

Donald Trump, intensificou os apelos para a reabertura do vital Estreito de Ormuz, afirmando “ter esperança” de que que navios de guerra de outros países também serão enviados à região para garantir a passagem de petroleiros.

Seus comentários, no Truth Social, vieram horas depois de ele ordenar ataques a instalações militares na Ilha de Kharg, de onde o Irã exporta quase todo o seu petróleo, escalando um conflito no Oriente Médio que dura duas semanas e não dá sinais de arrefecimento.

O presidente afirmou que as instalações militares na ilha do Golfo Pérsico foram “destruídas por completo”, acrescentando que optou por não atacar a infraestrutura petrolífera “por uma questão de decência”. Ele ameaçou fazer exatamente isso caso o Irã “tome qualquer atitude para interferir na passagem livre e segura de navios pelo Estreito de Ormuz.”

“Muitos países, especialmente os afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra em conjunto com os Estados Unidos da América para manter o Estreito aberto e seguro”, escreveu em sua publicação mais recente. Ele deu poucos detalhes além de expressar a esperança de que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido também enviem navios de guerra.

Trump declarou que, embora as forças militares do Irã estivessem “já 100% destruídas”, era “fácil” para Teerã continuar ameaçando navios com drones, minas e mísseis de curto alcance. Os EUA, disse ele, irão “bombardear pesado” o litoral iraniano para tentar conter essas ameaças.

Quase ao mesmo tempo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que o estreito — por onde normalmente passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo — estava fechado apenas para navios de “países inimigos”.

Durante a noite e ao longo do sábado, Israel e os EUA continuaram atacando o Irã, que por sua vez seguiu bombardeando países árabes do Golfo.

O Irã, claramente inferior em poderio militar frente aos EUA e a Israel, está atacando países vizinhos, além de rotas marítimas e instalações de energia, numa tentativa de semear o caos na região e nos mercados de petróleo e gás — esperando pressionar Trump a encerrar os combates. O presidente americano enfrenta críticas internas à medida que os preços da gasolina disparam, com muitos opositores alegando que ele subestimou a resposta e a resiliência do Irã.

A incerteza sobre a duração da guerra cresce diante dos sinais contraditórios de Trump e da contínua resistência iraniana. Na sexta-feira, o presidente disse que os EUA manteriam sua campanha “pelo tempo que for necessário” e sinalizou que a Marinha americana começaria em breve a escortar navios pelo Estreito de Ormuz — uma mudança de tom em relação a declarações anteriores de que os objetivos militares americanos estavam “praticamente cumpridos.”

No sábado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, elogiou o ataque a Kharg e afirmou que a guerra está entrando em sua “fase de vitória”, acrescentando que os combates durarão “o tempo que for preciso.”

Ataque nos Emirados

Nos Emirados Árabes Unidos, as operações no estratégico porto petrolífero de Fujairah, no Golfo de Omã, foram suspensas após um ataque de drone e um incêndio na manhã de sábado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O carregamento de petróleo bruto e derivados em Fujairah, localizado logo fora do Estreito de Ormuz, foi interrompido por precaução enquanto os danos são avaliados, de acordo com as fontes, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa.

Fujairah é um importante hub de exportação tanto de petróleo bruto quanto de combustíveis, e ganhou relevância ainda maior para os Emirados e para os mercados globais por ser um dos poucos pontos de escoamento de petróleo do Golfo que contorna Ormuz.

O barril de petróleo fechou a US$ 103 na sexta-feira (13), atingindo seu nível mais alto desde 2022. Arábia Saudita, Iraque, EAU e Kuwait tiveram de reduzir a produção de petróleo bruto em razão do fechamento de fato de Ormuz, enquanto o Catar suspendeu as operações de gás natural liquefeito — sendo um dos três maiores fornecedores mundiais do combustível.

Dois petroleiros estavam atracados na Ilha de Kharg horas após o ataque americano às instalações militares, segundo o Tankertrackers.com, empresa especializada em monitoramento de embarcações. A mídia estatal iraniana afirmou que as exportações continuam normalmente.

Ainda assim, o Irã advertiu que atacará instalações de petróleo e energia ligadas aos EUA no Oriente Médio caso sua própria infraestrutura petroleira seja atingida. A mídia iraniana informou que todos os trabalhadores da indústria do petróleo na ilha — situada a cerca de 25 quilômetros do continente — estão sãos e salvos.

“Todas as instalações de petróleo, econômicas e energéticas pertencentes a empresas petrolíferas na região que sejam parcialmente de propriedade dos Estados Unidos ou que cooperem com os Estados Unidos serão imediatamente destruídas e reduzidas a cinzas” caso os ativos energéticos e econômicos do Irã sejam atacados, noticiou a agência Fars News, citando o comando central militar do país.

O veículo informou que mais de 15 explosões sacudiram a Ilha de Kharg, com alvos incluindo sistemas de defesa antiaérea, uma base naval, a torre de controle do aeroporto e um hangar de helicópteros — sem especificar a extensão dos danos.

Os militares americanos afirmaram ter destruído infraestruturas de armazenamento de mísseis e minas navais.

Nos dias anteriores aos ataques americano-israelenses, o Irã acelerou as exportações a partir de Kharg para níveis próximos ao recorde, acima de 3 milhões de barris por dia — quase o triplo do ritmo habitual —, segundo analistas do JPMorgan Chase, incluindo Natasha Kaneva, em nota de pesquisa.

Um ataque às instalações petrolíferas de Kharg “interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma retaliação severa no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”, avaliaram os analistas do JPMorgan.

Por Arsalan Shahla

  •  

Brasil importa um quarto do diesel que consome. E lá fora a alta já é de 50%

Desde o início da guerra, há 15 dias, o diesel no mercado internacional sobe 50% – ainda mais do que os 42% do petróleo. E boa parte do diesel que abastece os caminhões brasileiros vem de fora. 

O Brasil, apesar de ser um grande exportador de petróleo, não tem capacidade de refino para atender a demanda interna por diesel. As importações suprem 25% do nosso consumo.

Daí as altas nos postos. De acordo com a ANP, o preço médio do diesel nos postos subiu 12% na última semana. E dados do sistema de monitoramento TruckPag,levantados pelo Valor, mostram um acréscimo de 18,75% desde o dia 27 de fevereiro, o último antes da eclosão do conflito. 

Foi nesse contexto que a Petrobras anunciou na sexta (13) o primeiro reajuste do diesel em refinarias após 312 dias: alta de R$ 0,38 por litro, ou 11,6%, com o preço passando de R$ 3,27 para R$ 3,65 a partir deste sábado (14).

O reajuste, de qualquer forma, não cobre nem de longe a defasagem ante o preço internacional. Para isso, o preço teria de subir a R$ 5,61 por litro, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). 

Essa diferença é central para entender como a guerra pesa no mercado brasileiro. Quando a cotação internacional dispara, os importadores passa a trazer diesel a um custo muito mais alto que o da Petrobras – a estatal controla 84% do nosso parque de refino. 

Isso aumenta a pressão sobre a Petrobras para abastecer o mercado. A estatal chegou a rejeitar pedidos extras de diesel. O aumento no preço, então, é uma forma de tentar conter a demanda e evitar uma crise de abastecimento.

O governo busca amortecer o choque de forma indireta. Na quinta (12), o Brasil zerou tributos federais sobre o diesel e anunciou uma subvenção para produtores e importadores, numa tentativa de conter o avanço dos preços domésticos.

Em grande parte porque altas no diesel significam altas no frete, o que afeta basicamente todos os setores da economia e joga a inflação para cima. 

Mas enquanto não houver um cessar-fogo no Irã qualquer medida será como enxugar gelo. O barril fechou ontem (13) acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo – o que não acontecia desde 2022, com a invasão da Ucrânia. Cortesia do fechamento do Estreito de Ormuz. O bloqueio da passagem marítima de apenas 3,7 km de largura entre Irã e Omã tira de circulação 20 milhões de barris por dia. Um quinto do suprimento global. 

Na gasolina, o efeito para o Brasil é menor. Importamos entre 6% e 7%, apenas. E a frota de carros flex, que roda com etanol, dá um refresco para a demanda do derivado de petróleo. Com o diesel, porém, não há escapatória. A alta nos preços internacionais bate por aqui de forma automática, como o preço nas bombas deixa claro.

  •  

Brent fecha acima dos US$ 100 pelo 2º dia consecutivo; petróleo dispara mais de 11% na semana

Os preços do petróleo encerraram o pregão desta sexta-feira (13) em alta, com a perspectiva de prolongamento do conflito no Oriente Médio no radar do mercado. Pelo segundo dia consecutivo, o Brent fechou acima dos US$ 100.

Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para maio fecharam com avanço de 2,67%, a US$ 103,14 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI), para abril, subiram 3,11%, a US$ 98,71 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.

Na semana, o Brent acumulou alta de 11,27%, enquanto o WTI subiu 8,59%.

Atenções voltadas ao Oriente Médio

O conflito no Irã, em seu 14º dia de combates, segue sem sinais de um cessar-fogo próximo.

Nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que cabe a ele decidir sobre o término da guerra. Trump prometeu ainda que os EUA atingirão “com muita força na próxima semana” o Irã.

Após as falas do presidente dos EUA, os contratos futuros do petróleo Brent voltaram a operar acima dos US$ 100.

Na tentativa de aliviar os preços do petróleo e do gás, pressionados pela guerra com o Irã, os Estados Unidos emitiram uma isenção de 30 dias para que os países comprem produtos petrolíferos russos sancionados que estão atualmente no mar.

Além disso, Trump considera flexibilizar as regras da lei marítima Jones Act, que exigem que navios americanos transportem mercadorias entre portos domésticos, incluindo petróleo e gás, em um esforço para reduzir custos.

As medidas, no entanto, parecem não ter acalmado os ânimos dos mercados. Segundo a Capital Economics, os investidores veem um risco elevado de que os preços do petróleo sigam altos.

Hoje, o posicionamento dos investidores no mercado de opções aponta probabilidade de 20% de os preços da commodity atingirem ou ultrapassarem os US$ 100 o barril daqui a três meses, afirma.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

  •  

Navios devem se coordenar com marinha do Irã para passar pelo Estreito de Ormuz, diz ministério iraniano

Navios devem se coordenar com a marinha do Irã para passar pelo Estreito de Ormuz, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país em comentários veiculados pela agência de notícias Mehr nesta quinta-feira (12).

O Irã continuará lutando e manterá o Estreito de Ormuz fechado como uma alavanca contra os Estados Unidos e Israel, disse o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, nesta quinta-feira, nos primeiros comentários desafiadores atribuídos a ele desde que sucedeu seu pai morto.

  • CONFIRA:Está em dúvida sobre onde aplicar o seu dinheiro? O Money Times mostra os ativos favoritos das principais instituições financeiras do país; acesse gratuitamente 

“A segurança do Estreito de Ormuz é de importância vital para o Irã, porque a segurança do país está ligada à segurança da região. Com os litorais mais longos do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, o Irã sempre arcou com os custos para proteger essa hidrovia estratégica”, disse Esmaeil Baghaei, o porta-voz.

Khamenei também pediu aos vizinhos do Irã que fechem as bases dos EUA em seus territórios e alertou que o Irã continuará a atacá-los.

“A insegurança criada na região pelos Estados Unidos e pelo regime sionista pode afetar o movimento de navios. No entanto, o Irã não quer que esse estreito se torne inseguro, e os navios devem se coordenar com a marinha iraniana ao passar por ele para que a segurança marítima seja mantida”, acrescentou Baghaei.

A perspectiva de que uma das mais graves perturbações já ocorridas no fornecimento global de energia possa se arrastar fez com que os preços do petróleo voltassem a subir acima de US$ 100 por barril, depois de terem caído anteriormente na semana devido à esperança de um fim rápido para o conflito.

  •  

Petróleo Brent e WTI: entenda a diferença entre os barris da commodity

O petróleo voltou ao centro das atenções do mercado internacional com a escalada da guerra que envolve Irã, Estados Unidos e Israel. A cotação do barril do Brent, referência global da commodity, encerrou esta quinta-feira (12) acima da marca de US$ 100, pela primeira vez desde 2022.

Em meio às tensões no Oriente Médio e aos riscos em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, dois tipos de petróleo ganham destaque neste momento: Brent e WTI, as principais referências globais para o preço da commodity.

Apesar de aparecerem frequentemente lado a lado nas cotações internacionais, o petróleo Brent e o WTI possuem características diferentes de origem, produção e formação de preço.

  • Além das referências globais, existem também classificações utilizadas para caracterizar diferentes tipos de petróleo produzidos em países específicos.

No caso do Brasil, a indústria nacional utiliza denominações próprias para identificar a qualidade e a origem do óleo extraído em campos locais e também recorre aos padrões internacionais para se posicionar dentro do mercado global da commodity.

Leia Mais: Carlos Kawall: na conta da inflação, câmbio pesa mais do que choque do petróleo

Produção do petróleo Brent e WTI

A diferença entre os dois tipos de barril começa pela origem da extração.

O Brent, principal referência internacional da commodity, é extraído de campos petrolíferos no Mar do Norte, em uma região situada entre o Reino Unido e a Noruega.

Por se tratar de um petróleo marítimo, isto é, extraído do fundo do mar, o Brent possui maior facilidade logística para ser transportado para diferentes portos internacionais.

  • Devido a essa flexibilidade logística, o petróleo Brent tornou-se a principal referência do mercado, utilizada para precificar cerca de 80% do petróleo comercializado globalmente.

Já o WTI (West Texas Intermediate), produzido onshore (em terra) nos EUA, também é uma referência importante, porém com particularidades diferentes.

A extração da commodity é feita em campos localizados no Texas e em outras regiões produtoras do país, sendo o armazenamento centralizado na região de Cushing, localizada em Oklahoma, que funciona como ponto central de estocagem e entrega física do petróleo.

A logística nesse hub é feita por meio de tanques de armazenamento conectados a diversos oleodutos que distribuem o petróleo para refinarias ou outros pontos da rede energética dos EUA.

  • Com isso, o petróleo WTI está mais associado ao mercado norte-americano e serve como principal parâmetro de preços para o mercado energético dos EUA, maior economia do mundo.

Composição química do petróleo Brent e WTI

Na composição química, as diferenças entre o petróleo Brent e o WTI também aparecem de forma mais técnica.

O WTI é classificado como um petróleo leve e “doce”, com teor de enxofre em torno de 0,24%, característica que facilita o processo de refino e permite uma produção maior de derivados como gasolina e diesel.

  • O termo “doce” (sweet) é usado para indicar baixo teor de enxofre na composição do óleo bruto, enquanto o tipo com alto teor é chamado de “ácido” (sour).

O Brent também possui baixo teor de enxofre e densidade considerada média a leve, mas costuma apresentar uma classificação ligeiramente mais pesada na escala API quando comparado ao WTI.

  • API é uma escala que indica a densidade do óleo em relação à água, utilizada para classificar diferentes tipos de petróleo bruto. Quanto mais leve, melhor a qualidade do petróleo.

A diferença de composição influencia diretamente a eficiência do refino: petróleos mais leves e com menos enxofre exigem menos etapas de processamento e demandam menos processos adicionais para a produção de combustíveis.

Cotação do petróleo Brent e WTI

Além disso, o Brent e o WTI também se diferenciam pelos ambientes em que são negociados, ligados a diferentes centros financeiros do mercado de energia.

O Brent tem seus contratos futuros e derivativos negociados principalmente na Bolsa de Londres, que reúne operações ligadas ao mercado internacional de energia.

Sua cotação é mais influenciada por fatores geopolíticos, econômicos e logísticos, sendo especialmente sensível a mudanças no ambiente político internacional.

Conflitos em regiões produtoras, especialmente no Oriente Médio, costumam ter impacto direto sobre as cotações do petróleo Brent, uma vez que elevam o risco de interrupção no abastecimento e adicionam um prêmio de risco ao barril.

E a sensibilidade do Brent não para por aí.

Decisões da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) que alteram a oferta global, eventos climáticos extremos e variações cambiais — especialmente do dólar — também podem afetar os custos de produção, transporte e importação do petróleo.

Já o WTI é negociado na Nymex (Bolsa de Mercadorias de Nova York), que concentra as operações ligadas ao mercado de energia nos Estados Unidos.

Os estoques de petróleo em Cushing são centrais na formação do preço do WTI. A relação segue a lógica básica de oferta e demanda.

Estoques elevados tendem a pressionar os preços da commodity para baixo. Já quedas nos níveis de armazenamento costumam impulsionar a cotação do barril.

  • Em condições normais de mercado, o petróleo WTI tende a ser negociado por um valor ligeiramente superior ao Brent, devido à sua composição química e ao menor custo de refino.

No entanto o aumento das tensões no Oriente Médio e os riscos de interrupção nas rotas marítimas internacionais tendem a pressionar mais a cotação do Brent, devido ao seu uso como padrão internacional.

Como a alta do Brent e do WTI podem afetar o petróleo produzido no Brasil?

As variedades de petróleo produzidas no Brasil também seguem a dinâmica do mercado internacional.

Os barris de petróleo Tupi e Marlim têm seus preços influenciados diretamente pelas cotações globais, principalmente pelo Brent, que serve de referência para decisões comerciais de empresas como Petrobras e PRIO.

Extraído das reservas do pré-sal, o petróleo Tupi é classificado como um óleo leve, por apresentar características semelhantes às de petróleos de alta qualidade no mercado internacional.

  • Com isso, sua cotação tende a acompanhar a valorização do Brent quando os preços globais sobem.

O petróleo Marlim, por sua vez, é classificado como um óleo pesado, produzido na Bacia de Campos, localizada no litoral entre o norte do Rio de Janeiro e o sul do Espírito Santo.

Seu preço também segue os movimentos de alta do Brent, mas normalmente é negociado com “desconto” em relação aos óleos mais leves, devido à maior complexidade no processo de refino.

O WTI também influencia os preços locais, embora o Brent seja a principal referência utilizada no Brasil.

Por ser um petróleo mais leve e com menor teor de enxofre, o WTI costuma ser negociado por valores mais altos que o Brent.

  • Quando a cotação do WTI atinge níveis elevados, isso pode indicar mudanças de oferta ou demanda nos Estados Unidos, com reflexos nas cotações globais.

Na prática, movimentos de alta do WTI tendem a elevar o valor de exportação dos petróleos brasileiros, ao mesmo tempo em que pressionam o custo dos combustíveis no mercado interno.

  •  

Petróleo tomba 11% com expectativa de conflito de curta duração

Após três sessões consecutivas de forte alta, o petróleo fechou em queda de 11% nesta terça-feira (10), diante das expectativas de um conflito de curta duração pelo mercado.

Na segunda-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que a guerra deve encerrar em breve e que o plano dos EUA está adiantado em relação ao cronograma inicial de quatro a cinco semanas de conflito.

O Brent para maio recuou 11,2%, a US$ 87,80 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Já o West Texas Intermediate (WTI) para abri caiu 11,9%, a US$ 83,45 o barril.

Em reunião hoje, os ministros de Energia do G7 não chegaram a um consenso quanto à liberação das reservas estratégicas de petróleo e, em vez disso, pediram à Agência Internacional de Energia (AIE) que avalie a situação antes de agir.

A AIE disse estar convocando uma reunião extraordinária de seus países membros nesta terça-feira.

Os integrantes devem “avaliar a segurança atual do fornecimento e as condições do mercado para orientar uma decisão subsequente sobre disponibilizar ou não os estoques de emergência dos países da AIE para o mercado”, afirmou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

O petróleo chegou a aprofundar as quedas após as falas de Birol, diante da expectativa de que a entidade discuta a liberação de petróleo com países que integram a AIE.

Na avaliação do Scotiabank, a bola da vez para acabar com a guerra está nas mãos de Trump, visto que a negociação diplomática seria uma forma de finalizar o conflito e potencialmente estabilizar os mercados de energia.

O banco aponta ainda que, ao considerar a infraestrutura energética do Golfo, que não sofreu danos graves, é esperada uma rápida moderação nos preços da commodity.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

  •  

Saudi Aramco alerta para ‘catástrofe’ no mercado de petróleo em caso de guerra prolongada

O diretor-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, alertou que o impacto sobre os mercados globais de petróleo será “catastrófico” quanto mais tempo durar a interrupção causada pela guerra com o Irã.

Em seus primeiros comentários públicos desde que o conflito prejudicou os embarques de energia do Oriente Médio, o chefe da maior produtora de petróleo da região disse que a Aramco pode redirecionar mais petróleo para uma rota alternativa que evita o Estreito de Hormuz. Ainda assim, a empresa não consegue exportar seus volumes normais devido a limitações de capacidade.

A Arábia Saudita está reduzindo a produção em até 2,5 milhões de barris por dia, juntando-se a Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait no aprofundamento dos cortes, informou a Bloomberg. Nasser não revelou os níveis de produção, mas disse em uma teleconferência que a Aramco “não está utilizando por enquanto” algumas de suas variedades mais pesadas de petróleo.

“Haverá consequências catastróficas para o mercado mundial de petróleo quanto mais tempo durar essa interrupção, e consequências ainda mais drásticas para a economia global”, disse Nasser. “Embora já tenhamos enfrentado interrupções no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.”

Interrupções de energia no Oriente Médio

As hostilidades na região interromperam a produção e o tráfego de petroleiros.

A Aramco está correndo para desviar petróleo da rota habitual pelo Estreito de Hormuz para Yanbu, na costa do Mar Vermelho. A companhia pode transportar até 7 milhões de barris por dia por um oleoduto que liga o leste ao oeste do país e pretende atingir esse nível nos próximos dias, disse Nasser.

Cerca de 2 milhões de barris por dia desse volume serão enviados para refinarias domésticas ao longo da costa do Mar Vermelho. A empresa continua exportando produtos refinados, como diesel, a partir dessas refinarias.

Normalmente, a Aramco exporta cerca de 7 milhões de barris por dia de petróleo. A maior parte dos embarques atuais pelo oleoduto East-West é do tipo Arab Light, o mais abundante da empresa, além de algum volume de Extra Light, disse Nasser.

Segundo ele, certos campos com petróleo médio e pesado não estão sendo utilizados temporariamente, pois a companhia tem capacidade suficiente para atender às necessidades atuais com outras variedades. A empresa também está usando sua rede global de armazenamento, inclusive fora do reino, para abastecer o mercado.

A Aramco também foi forçada a fechar a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita após um ataque de drone, e trabalha para reiniciar a operação, disse Nasser. Alguns outros campos de petróleo também foram alvo de ataques, segundo o governo saudita.

Recompra de ações e dividendos

Na terça-feira, a Aramco anunciou seu primeiro plano de recompra de ações, no valor de US$ 3 bilhões. A empresa pretende recomprar até 350 milhões de ações ordinárias nos próximos 18 meses, a partir de março, podendo mantê-las por até 10 anos.

O programa é pequeno para uma empresa avaliada em cerca de US$ 1,7 trilhão e deve reduzir ainda mais o já limitado free float da companhia. A recompra ocorre em um momento em que as ações da Aramco subiram quase 12% neste ano, embora tenham ficado atrás de outras supermajors globais, como Shell e Exxon Mobil Corp.

A Aramco também está aumentando seu dividendo base para US$ 21,9 bilhões no trimestre encerrado em 31 de dezembro, alta de 3,5% em relação aos três meses anteriores. O pagamento maior beneficia o governo saudita e o fundo soberano do país, que juntos detêm mais de 97% da empresa.

O fluxo de caixa livre da companhia — recursos que sobram após investimentos e despesas — subiu para US$ 27,5 bilhões no trimestre, valor suficiente para cobrir o dividendo total pelo segundo trimestre consecutivo, após um período prolongado em que isso não ocorria.

O lucro líquido ajustado no período caiu 1,9%, para US$ 25,1 bilhões, em linha com as estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Saudi Aramco alerta para ‘catástrofe’ no mercado de petróleo em caso de guerra prolongada

O diretor-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, alertou que o impacto sobre os mercados globais de petróleo será “catastrófico” quanto mais tempo durar a interrupção causada pela guerra com o Irã.

Em seus primeiros comentários públicos desde que o conflito prejudicou os embarques de energia do Oriente Médio, o chefe da maior produtora de petróleo da região disse que a Aramco pode redirecionar mais petróleo para uma rota alternativa que evita o Estreito de Hormuz. Ainda assim, a empresa não consegue exportar seus volumes normais devido a limitações de capacidade.

A Arábia Saudita está reduzindo a produção em até 2,5 milhões de barris por dia, juntando-se a Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait no aprofundamento dos cortes, informou a Bloomberg. Nasser não revelou os níveis de produção, mas disse em uma teleconferência que a Aramco “não está utilizando por enquanto” algumas de suas variedades mais pesadas de petróleo.

“Haverá consequências catastróficas para o mercado mundial de petróleo quanto mais tempo durar essa interrupção, e consequências ainda mais drásticas para a economia global”, disse Nasser. “Embora já tenhamos enfrentado interrupções no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.”

Interrupções de energia no Oriente Médio

As hostilidades na região interromperam a produção e o tráfego de petroleiros.

A Aramco está correndo para desviar petróleo da rota habitual pelo Estreito de Hormuz para Yanbu, na costa do Mar Vermelho. A companhia pode transportar até 7 milhões de barris por dia por um oleoduto que liga o leste ao oeste do país e pretende atingir esse nível nos próximos dias, disse Nasser.

Cerca de 2 milhões de barris por dia desse volume serão enviados para refinarias domésticas ao longo da costa do Mar Vermelho. A empresa continua exportando produtos refinados, como diesel, a partir dessas refinarias.

Normalmente, a Aramco exporta cerca de 7 milhões de barris por dia de petróleo. A maior parte dos embarques atuais pelo oleoduto East-West é do tipo Arab Light, o mais abundante da empresa, além de algum volume de Extra Light, disse Nasser.

Segundo ele, certos campos com petróleo médio e pesado não estão sendo utilizados temporariamente, pois a companhia tem capacidade suficiente para atender às necessidades atuais com outras variedades. A empresa também está usando sua rede global de armazenamento, inclusive fora do reino, para abastecer o mercado.

A Aramco também foi forçada a fechar a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita após um ataque de drone, e trabalha para reiniciar a operação, disse Nasser. Alguns outros campos de petróleo também foram alvo de ataques, segundo o governo saudita.

Recompra de ações e dividendos

Na terça-feira, a Aramco anunciou seu primeiro plano de recompra de ações, no valor de US$ 3 bilhões. A empresa pretende recomprar até 350 milhões de ações ordinárias nos próximos 18 meses, a partir de março, podendo mantê-las por até 10 anos.

O programa é pequeno para uma empresa avaliada em cerca de US$ 1,7 trilhão e deve reduzir ainda mais o já limitado free float da companhia. A recompra ocorre em um momento em que as ações da Aramco subiram quase 12% neste ano, embora tenham ficado atrás de outras supermajors globais, como Shell e Exxon Mobil Corp.

A Aramco também está aumentando seu dividendo base para US$ 21,9 bilhões no trimestre encerrado em 31 de dezembro, alta de 3,5% em relação aos três meses anteriores. O pagamento maior beneficia o governo saudita e o fundo soberano do país, que juntos detêm mais de 97% da empresa.

O fluxo de caixa livre da companhia — recursos que sobram após investimentos e despesas — subiu para US$ 27,5 bilhões no trimestre, valor suficiente para cobrir o dividendo total pelo segundo trimestre consecutivo, após um período prolongado em que isso não ocorria.

O lucro líquido ajustado no período caiu 1,9%, para US$ 25,1 bilhões, em linha com as estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Petróleo dispara 15% e supera US$ 106 com nomeação de novo líder do Irã

Os preços do petróleo dispararam neste domingo (8) e ultrapassaram US$ 106 por barril, em meio à escalada da guerra envolvendo o Irã e temores de impactos sobre a produção e o transporte da commodity.

O movimento ganhou novo fôlego após a mídia estatal iraniana informar que Mojtaba Khamenei foi nomeado novo líder supremo do país, sucedendo seu pai, Ali Khamenei.

Esta é a primeira vez em quatro anos que o barril é negociado acima de US$ 100.

Por volta das 19h30 (horário de Brasília), o petróleo West Texas Intermediate crude oil (WTI) para abril avançava 17,47%, a US$ 106,60 o barril, enquanto o Brent crude oil para maio subia 14,86%, a US$ 106,34.

Segundo a mídia estatal iraniana, Mojtaba, de 56 anos, vinha sendo apontado desde as primeiras horas do dia como possível sucessor. Considerado um nome de linha-dura, ele ganhou influência após ajudar a organizar a repressão aos protestos da chamada “Onda Verde”, em 2009, ligados às eleições contestadas que mantiveram Mahmoud Ahmadinejad no poder.

O presidente Donald Trump afirmou ao canal ABC News que poderia haver novas retaliações caso o nome escolhido não tivesse aprovação prévia de Washington. “Se não tiver nossa aprovação, não vai durar muito tempo”, disse. Questionado se aprovaria alguém com ligações ao antigo regime, Trump respondeu que poderia apoiar “um bom líder”.

Israel já afirmou que qualquer novo líder iraniano poderá se tornar alvo militar.

*Com Estadão Conteúdo

  •  

MBRF, Minerva e o outro custo da guerra no Oriente Médio: a logística

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionaram um novo ponto de atenção ao setor de proteína animal: a logística. Duas companhias brasileiras – MBRF e Minerva – são aquelas com exposição mais evidente a mercados e fluxos comerciais ligados à região.

O ponto de partida dessa preocupação está no peso da região para as exportações brasileiras. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações de frango do Brasil, o que coloca a MBRF, dona de marcas relevantes nesse segmento, entre as empresas mais sensíveis a eventuais mudanças nas rotas de embarque.

No caso da Minerva, a exposição aparece na carne bovina: cerca de 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA.

Até aqui, não é possível afirmar que o impacto esteja “contratado” para as empresas ou que há interrupção dos embarques, mas a instabilidade geopolítica joga luz sobre um um novo risco operacional que se desenha no horizonte.

As tensões geopolíticas são o grande ponto de atenção porque podem gerar gargalos logísticos na entrega de embarques das companhias para a região, que devem contar com alternativas para tentar driblar as dificuldades.

Segundo o Itaú BBA, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia alertado para possíveis interrupções decorrentes da mudança de fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, que já está fechado e já vem, por isso, afetando a cadeia de produção de outras commodities, caso do petróleo. E isso se soma a uma capacidade operacional menor no Canal de Suez, outra fonte de escoamento.

Como estratégia de segurançca alimentar, os produtores da região estão priorizando, atualmente, produção local em vez de importações. Além disso, a MBRF tem operações locais de frango halal, voltado ao consumo de acordo com as regras islâmicas.

Esses dois fatores permitem que a companhia consiga uma menor pressão sobre as vendas no curto prazo, mas isso só valerá se o conflito não se prolongar de forma significativa.

No caso das exportações brasileiras de carne bovina, a exposição é menor do que no segmento de aves, mas é possível ver efeitos potenciais sobre os produtores que já vinham trabalhando para redirecionar embarques para outras regiões após a imposição de cotas de produtos pela China.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, trazendo novos riscos para a cadeia de suprimentos do setor.

Os volumes destinados ao Oriente Médio pela Minerva representaram 9% das exportações totais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025 e, mesmo não entregando produtos diretamente para o Irã, a companhia ainda tem pela frente desafios logísticos para atender a região se a guerra continuar no processo de escalada.

Nos cálculos do Itaú BBA, os spreads da carne bovina no Brasil – a diferença entre o preço de venda da carne e o custo da matéria-prima – recuaram 5,6% na comparação trimestral até agora no primeiro trimestre deste ano. O movimento é resultado da alta de 4,4% nos custos do gado, combinada com uma queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.

Desde o começo de março, as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perdas de 12,6%. Já os papéis da Minerva (BEEF3) têm baixa de 13,8% no mesmo período.

  •  

MBRF, Minerva e o outro custo da guerra no Oriente Médio: a logística

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionaram um novo ponto de atenção ao setor de proteína animal: a logística. Duas companhias brasileiras – MBRF e Minerva – são aquelas com exposição mais evidente a mercados e fluxos comerciais ligados à região.

O ponto de partida dessa preocupação está no peso da região para as exportações brasileiras. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações de frango do Brasil, o que coloca a MBRF, dona de marcas relevantes nesse segmento, entre as empresas mais sensíveis a eventuais mudanças nas rotas de embarque.

No caso da Minerva, a exposição aparece na carne bovina: cerca de 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA.

Até aqui, não é possível afirmar que o impacto esteja “contratado” para as empresas ou que há interrupção dos embarques, mas a instabilidade geopolítica joga luz sobre um um novo risco operacional que se desenha no horizonte.

As tensões geopolíticas são o grande ponto de atenção porque podem gerar gargalos logísticos na entrega de embarques das companhias para a região, que devem contar com alternativas para tentar driblar as dificuldades.

Segundo o Itaú BBA, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia alertado para possíveis interrupções decorrentes da mudança de fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, que já está fechado e já vem, por isso, afetando a cadeia de produção de outras commodities, caso do petróleo. E isso se soma a uma capacidade operacional menor no Canal de Suez, outra fonte de escoamento.

Como estratégia de segurançca alimentar, os produtores da região estão priorizando, atualmente, produção local em vez de importações. Além disso, a MBRF tem operações locais de frango halal, voltado ao consumo de acordo com as regras islâmicas.

Esses dois fatores permitem que a companhia consiga uma menor pressão sobre as vendas no curto prazo, mas isso só valerá se o conflito não se prolongar de forma significativa.

No caso das exportações brasileiras de carne bovina, a exposição é menor do que no segmento de aves, mas é possível ver efeitos potenciais sobre os produtores que já vinham trabalhando para redirecionar embarques para outras regiões após a imposição de cotas de produtos pela China.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, trazendo novos riscos para a cadeia de suprimentos do setor.

Os volumes destinados ao Oriente Médio pela Minerva representaram 9% das exportações totais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025 e, mesmo não entregando produtos diretamente para o Irã, a companhia ainda tem pela frente desafios logísticos para atender a região se a guerra continuar no processo de escalada.

Nos cálculos do Itaú BBA, os spreads da carne bovina no Brasil – a diferença entre o preço de venda da carne e o custo da matéria-prima – recuaram 5,6% na comparação trimestral até agora no primeiro trimestre deste ano. O movimento é resultado da alta de 4,4% nos custos do gado, combinada com uma queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.

Desde o começo de março, as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perdas de 12,6%. Já os papéis da Minerva (BEEF3) têm baixa de 13,8% no mesmo período.

  •  

Guerra no Irã coloca aposta de Wall Street em mercados emergentes à prova

A guerra no Irã deu um golpe em uma das apostas favoritas de Wall Street: os mercados emergentes. Isso não significa que o cenário esteja perdido, mas os riscos aumentaram e continuam se acumulando.

Ações e moedas registraram fortes perdas recentes, com o índice de ações MSCI de mercados emergentes marcando sua maior queda semanal em seis anos, enquanto os rendimentos dos títulos subiram, em um tradicional movimento de busca por proteção.

Até aqui, gestores de recursos de empresas como Pimco, Barings e T. Rowe Price Group afirmam que o argumento de longo prazo a favor dos mercados emergentes permanece intacto. Alguns estão fazendo ajustes pontuais em seus portfólios, enquanto a maioria evita mudanças mais profundas – ao menos por enquanto.

A convicção desses investidores se baseia no que eles veem como os principais motores da alta recente dos emergentes: a busca por diversificação em relação aos ativos dos Estados Unidos, avaliações de preço mais atraentes e crescimento econômico sólido.

A expectativa é que esses fatores voltem a ganhar peso quando o choque geopolítico diminuir e parte do mercado já começa a aproveitar as quedas recentes para ampliar posições. Investidores injetaram US$ 12,6 bilhões em ações e títulos de mercados emergentes na semana até quarta-feira (4), segundo relatório do Bank of America, citando dados da EPFR Global.

Impactos e riscos

Os rendimentos dos títulos em moeda local de mercados emergentes atingiram os níveis mais altos desde abril. A queda das moedas desses países levou investidores a vender esses papéis, o que derrubou seus preços e elevou os juros.

“Estamos esperando mais clareza“, disse Nick Eisinger, chefe de estratégia de crédito soberano de mercados emergentes da J.P. Morgan Asset Management. “Gostamos da história fundamental de muitos emergentes, mas infelizmente os fundamentos não contam muito neste momento, então precisamos que esse choque passe.

Nesse ambiente, a percepção é de que os riscos estão aumentando, com o petróleo Brent superando US$ 90 por barril e o conflito no Oriente Médio se intensificando. A preocupação é que a alta dos preços do petróleo pressione o crescimento econômico em países que dependem de importações de energia.

Ao mesmo tempo, o dólar mais forte – que voltou a ser visto como um ativo de proteção em momentos de turbulência, especialmente frente às moedas emergentes – tende a apertar as condições financeiras globais e reduzir os retornos para investidores nesses mercados.

O J.P. Morgan reduziu suas recomendações para ativos de mercados emergentes três vezes na última semana, à medida que a incerteza aumentou em relação às perspectivas para essa classe de ativos.

Os estrategistas do banco reduziram suas posições otimistas para posição neutra em câmbio e juros locais e passaram a recomendar “subexposição tática” — quando a indicação é vender e permanecer com menos exposição no curto prazo — em títulos soberanos e corporativos denominados em dólar.

Eric Fine, chefe de dívida ativa de mercados emergentes da VanEck Associates, avalia que a queda nas moedas emergentes que abriu oportunidade de compra: a gestora aumentou exposição a países como África do Sul, Colômbia e Chile.

Segundo Fine, muitos mercados emergentes são exportadores de commodities, o que pode beneficiar regiões como América Latina e África Subsaariana em um cenário de preços elevados de matérias-primas.

A Ásia, por sua vez, pode enfrentar desafios econômicos maiores, embora ainda apresente oportunidades de investimento devido à solidez de suas políticas econômicas e à valorização do yuan chinês.

O fator decisivo agora é quanto tempo o conflito vai durar. “Se o mercado começar a estimar que a guerra será mais longa, aumentará também a probabilidade de recessão global”, disse.

Para Samy Muaddi, chefe de renda fixa de mercados emergentes da T. Rowe Price, os fundamentos dos emergentes continuam relativamente sólidos. A preocupação está na combinação de petróleo mais caro e política fiscal mais expansionista nos Estados Unidos, que pode alterar o cenário para taxas de juros globais e aumentar a volatilidade.

“Qualquer coisa que mude as taxas básicas, a volatilidade ou o risco nos mercados acionários tende a afetar os mercados emergentes”, disse. A gestora tem preferido ativos de maior qualidade e maior liquidez, reduzindo exposição a países considerados mais arriscados.

Nos mercados locais, Muaddi afirma que prefere países onde não há eleições importantes nos próximos meses e onde as taxas de juros reais permanecem elevadas, citando México, Romênia e Turquia como exemplos. Segundo ele, a América Latina tende a ser menos vulnerável do ponto de vista das condições financeiras globais e pode se beneficiar de uma rotação de portfólio de investidores internacionais.

Onde está o otimismo?

Se a crise permanecer contida, o ambiente global de crescimento e a convergência entre economias emergentes e desenvolvidas devem continuar favorecendo os ativos desses países. É a visão de Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine Group, para quem o conflito não altera os fundamentos de longo prazo dos emergentes.

“Não estou no grupo que acha que isso muda tudo fundamentalmente e que é hora de sair completamente dos mercados emergentes. Vejo isso muito mais como um choque externo”, disse. “Os mercados emergentes oferecem muito valor e formas diversificadas de investir.”

Campbell afirma que muitos dos movimentos recentes foram provocados pelo desmonte de posições muito populares no mercado, o que pode abrir oportunidades. “Se tivermos mais clareza sobre a situação no Irã, pode ser um excelente momento para voltar a investir em moedas e títulos locais de mercados emergentes.”

Para Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da Pimco, o episódio atual mostra justamente uma das principais fragilidades para a classe de ativos: tensões geopolíticas.

Ainda assim, ele acredita que os emergentes continuam sustentados por fatores estruturais, como maior credibilidade fiscal dos governos, inflação mais controlada graças à atuação dos bancos centrais e maior interesse de investidores globais em diversificar suas carteiras.

“Esse ciclo de mercados emergentes parece mais durável do que altas anteriores, incluindo o ciclo de 2008”, disse.

O efeito dos preços mais altos do petróleo de fato pode prejudicar os países importadores de energia, mas isso vale tanto para economias desenvolvidas, como as emergentes, segundo Ghadir Cooper, chefe global de ações da Barings. Ele acredita que os mercados emergentes seguem apoiados por avaliações atrativas e por ainda estarem sub-representados nas carteiras globais de investimento.

Como os emergentes tiveram desempenho inferior por mais de uma década, o argumento de diversificação ganha força: investidores podem migrar parte de seus recursos de ativos americanos para esses lugares agora.

  •  

O que tem feito os lucros do S&P 500 crescerem e como a guerra no Irã pode impactar esse movimento

O ponto central da temporada de resultados do S&P 500 é simples: o índice entregou mais um trimestre muito bom de lucros, e o número agregado continua forte o suficiente para sustentar a narrativa de resiliência do índice.

Com quase todas as empresas já tendo divulgado os seus números, 73% bateram o mercado, e o lucro consolidado cresceu 13% a/a, bem acima dos 7% esperados no início da temporada.

A conclusão aqui é que a barra de resultados estava baixa demais, e o índice voltou a surpreender para cima.

Os resultados do S&P 500 estão crescendo de maneira consistente há mais de 1 ano

Esse resultado ganha ainda mais peso porque não foi um evento isolado: o 4T25 marca também o quinto trimestre consecutivo de crescimento de lucros acima de dois dígitos no S&P 500.

Em ciclos normais, cinco trimestres seguidos nessa faixa costumam vir acompanhados de uma narrativa de expansão de qualidade, difusão e confiança no crescimento da maioria das empresas.

A leitura prática, porém, é que o ciclo está forte, mas mais “seletivo” do que parece quando olhamos só as notícias mais recentes.

Como foi a performance das empresas em geral (excluindo as 7 Magníficas)

O principal alerta da temporada está na baixa difusão do crescimento de lucros, que não avançou, movimento que está oposto à performance de mercado do S&P 500 no ano, com mais de 300 empresas com uma performance acima do índice.

Quando excluímos as 7 Magníficas (Apple, Nvidia, Meta, Microsoft, Amazon, Alphabet e Tesla), o ritmo de crescimento do LPA (lucro por ação) das outras 493 empresas desacelerou para 9,8% a/a no 4T25, versus 12,2% no 3T25.

Ou seja: o S&P 500 continua crescendo bem, mas o crescimento não está sendo difundido entre as companhias.

E a rentabilidade das companhias aumentou

Do lado de rentabilidade, o trimestre trouxe um reforço positivo: a margem líquida do S&P 500 subiu 20 bps, de 13,1% para 13,3% nesse trimestre.

Isso sugere eficiência operacional, mas também uma composição cada vez mais favorável, dado o peso cada vez maior de tecnologia e comunicação no consolidado e as maiores taxas de crescimento desses setores versus o índice (excluindo as 7 Magníficas).

Uma nova América está nascendo: setor industrial foi melhor do que tecnologia

O dado setorial mais interessante do 4T25 foi o desempenho das empresas industriais, com surpresa de LPA de 28,6% versus o consenso, cerca de 3 vezes acima da surpresa de tecnologia (8%).

Em paralelo, saúde, consumo discricionário, materiais básicos, financeiro e consumo não discricionário ficaram essencialmente em linha (até 5% de surpresa), e serviços básicos foi o único setor com surpresa negativa (-1,6%).

Ou seja, o mercado pode estar concentrado em poucas narrativas, mas estamos observando cada vez mais a expansão dos investimentos nos EUA e a recuperação dos EUA como potência industrial e manufatureira após anos de baixos investimentos.

Por que as principais empresas do mundo de tecnologia estão performando mal em 2026?

O mercado parece ter olhado menos para a qualidade do trimestre e mais para dois pontos: investimentos maiores e menor clareza de monetização imediata dos investimentos em IA.

Em outras palavras, a temporada mostrou crescimento ainda sólido das principais companhias de tecnologia do mundo, mas com o investidor exigindo mais “prova de retorno” e menos disposto a pagar apenas por narrativa.

A conclusão é que, hoje, bater o consenso não é suficiente; o mercado quer entender a trajetória de fluxo de caixa e os retornos dos investimentos dessas companhias.

Em 2026 o mercado está mais cético com novos investimentos em IA, após 3 anos exuberantes de performance

Nos hyperscalers (Meta, Microsoft, Amazon e Alphabet), isso ficou explícito na revisão positiva de US$ 120 bilhões no capex para 2026 versus as estimativas iniciais do consenso.

Esse tipo de revisão costuma ser ótima notícia para a cadeia de infraestrutura de IA, mas tende a ser uma notícia ambígua para as próprias ações no curtíssimo prazo, porque aumenta a sensibilidade a qualquer frustração de monetização.

A conclusão é que o mercado está tratando capex como “risco de execução”, não como “garantia de crescimento”, pelo menos por enquanto.

A Meta foi a exceção e, por isso, virou o melhor exemplo do que o mercado quer ver, subindo 10%. O motivo foi a combinação de aceleração dos negócios tradicionais em anúncios com sinais mais claros de monetização de IA (anúncios, Reels e recomendação) — isto é, investimento alto, mas com retornos.

Por que a Nivida caiu mesmo após um resultado positivo?

A Nvidia também ilustra bem essa fase do ciclo de mercado. Os números foram fortes e acima do consenso, com receita de US$ 68,1 bilhões, mas a ação caiu 4% após o resultado.

A interpretação mais provável é que o mercado está precificando a hipótese de “pico de lucros” e que deveriam, no longo prazo, mostrar uma desaceleração devido aos menores investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

A nossa leitura é que esse ceticismo parece prematuro diante da elevada demanda estrutural por capacidade computacional e novas aplicações de IA artificial que ainda estão apenas começando, com destaque para a IA física.

E como a guerra atual no Oriente Médio influencia os meus investimentos?

Apesar da incerteza quanto à duração da guerra no Oriente Médio e aos seus impactos negativos sobre a inflação e o crescimento global, historicamente, conflitos geopolíticos tendem a não dominar a narrativa do mercado financeiro no médio prazo. Ou seja, os fundamentos econômicos tendem a prevalecer sobre as notícias.

Em outras palavras, em períodos de medo e incerteza, os retornos em ações podem ser maiores, justamente porque a aversão ao risco aumenta e os ativos são precificados com desconto.

É importante lembrar também que, em última instância, são os fundamentos econômicos que determinam a economia e os mercados.

E, quando olhamos para os EUA, os dados reforçam esse ponto: o Federal Reserve informou que os balanços patrimoniais das famílias estão sólidos, não apenas no agregado ou entre as famílias de maior renda, mas em todas as faixas de renda.

Para ilustrar, a dívida como percentual do patrimônio líquido das famílias mais pobres do país está atualmente em 16,1%, após recuar gradualmente de 20% no início da década e, tecnicamente, atingir agora o menor nível desde 1999.

E vale sempre lembrar o que, no fim do dia, move o S&P 500: o consumidor americano. O consumo nos EUA representa mais de dois terços do PIB do país (cerca de US$ 20 trilhões) e, se fosse uma economia separada, teria escala comparável à da China. Até aqui, essa força segue positiva, em expansão e com baixa alavancagem.

Concluindo…

Em conclusão, o cenário para o S&P 500 em 2026 revela um mercado de fortes fundamentos, mas que exige maior seletividade do investidor. Embora a resiliência dos lucros seja evidente, com o quinto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos, o otimismo agora é temperado pelo ceticismo quanto ao retorno imediato dos investimentos em IA e pelas incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

No entanto, o surgimento de uma “Nova América” industrial, a resiliência do consumidor americano e a eficiência operacional das companhias sugerem que, apesar do ruído das manchetes de guerra, os fundamentos econômicos tendem a prevalecer no médio prazo. O investidor que focar em empresas com capacidade real de monetização e fluxo de caixa sólido estará melhor posicionado para transformar o prêmio de risco atual em retornos consistentes.

  •  

Irã já tem sucessor de Khamenei; nome está sob sigilo

O Irã já tem um novo sucessor do líder supremo após a morte Aiatolá Ali Khamenei em um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel, segundo a mídia iraniana.

Apesar disso, um entrave burocrático impede um anúncio oficial: o grupo teve uma pequena divergência sobre se precisariam se reunir pessoalmente para emitir sua decisão final ou se deveriam ignorar essa formalidade.

Seja como for, é provável que o nome tenha rejeição dos Estados Unidos, algo que o próprio Khamenei já deixou claro. O filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, é um dos principais cotados.

“Até o Grande Satã (EUA) mencionou o nome dele”, disse o clérigo sênior sobre o sucessor escolhido, dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que Khamenei era uma escolha “inaceitável” para ele.

Trump afirmou na quinta-feira que o filho mais novo de Khamenei, um clérigo linha-dura de escalão médio, era o sucessor mais provável, mas alertou que rejeitaria tal opção e que deveria se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder do Irã.

Outro membro do conselho, o aiatolá Mohsen Heidari Alekasir, disse em vídeo que um candidato havia sido selecionado com base na orientação de Khamenei de que o líder máximo do Irã deveria ser “odiado pelo inimigo”.

Escolha rápida

Em meio à guerra, clérigos da linha dura pediram a escolha rápida de um novo líder supremo para ajudar a guiar o Irã.

Os apelos sugerem que alguns membros do establishment clerical podem não se sentir confortáveis em deixar o poder nas mãos do conselho de três homens encarregado temporariamente após a morte do líder supremo.

O grande aiatolá Naser Makarem Shirazi, cujo título significa que ele tem um grande número de seguidores para suas decisões religiosas, disse que uma nomeação era necessária rapidamente para “ajudar a organizar melhor os assuntos do país”, informou a mídia estatal.

Na semana passada, duas autoridades religiosas xiitas de alto escalão também emitiram fatwas, ou decretos religiosos, conclamando os muçulmanos de todo o mundo a vingar o assassinato de Khamenei. Makarem Shirazi disse que esse era um dever religioso dos muçulmanos “até que o mal desses criminosos seja erradicado do mundo”.

A constituição estabelece que um líder supremo deve ser escolhido dentro de três meses.

Com Reuters

  •  

Petrobras (PETR4): Petróleo pode turbinar retorno de dividendos — mas tudo depende de um fator

O petróleo teve a maior alta semanal desde a década de 80 impulsionado pela guerra no Irã. Até o começo do ano, a commodity parecia estabilizada em US$ 60 em um momento de oferta elevada e demanda menos aquecida. Mas agora, tudo mudou. De acordo com especialistas, uma guerra prolongada pode deixar os preços altos por boas semanas.

Nesse caso, os mercados estão de olho em como as petrolíferas podem surfar nessa disparada, principalmente a Petrobras (PETR4), maior e empresa mais procurada por investidores. A boa notícias, segundo cálculos do Bradesco BBI, é que companhia pode ver o seu retorno de dividendos alcançar até 12,5% com a disparada dos preços.

Porém, tudo vai depender do grau de repasse aos preços. Desde que mudou a política de preços, o repasse à gasolina não é feito de maneira automática. No cálculo, é considerado outros fatores, como o preço do dólar.

Até quinta-feira o desconto do diesel da Petrobras em relação ao produto importado havia atingido cerca de 30%, a maior defasagem desde 2022, apontou o Goldman Sachs em nota aos clientes.

Petrobras: Dividendos extraordinários no radar?

Depois de anunciar R$ 8,1 bilhões em proventos, investidores tentaram entender se o patamar pode se repetir — e a diretoria reforçou que a companhia não gosta de carregar caixa “sobrando”: se enxergar um nível elevado e sem necessidade para financiar projetos, prefere devolver ao acionista.

“Reforço que nossa estratégia é gerar valor no longo prazo, conciliando investimentos e projetos de alto retorno com nossa política de dividendos”, disse o diretor financeiro (CFO), Fernando Melgarejo, ao apresentar o balanço e a proposta de distribuição.

Em meio à alta do petróleo por causa do conflito no Oriente Médio, Melgarejo admitiu que pode haver espaço para dividendos extraordinários se o caixa ficar acima do necessário.

“Se a gente entender que temos um nível elevado de caixa, a gente adoraria… fazer uma distribuição de dividendos extraordinários, desde que a gente tenha certeza que não há impacto na financiabilidade dos nossos projetos”, afirmou.

Outras petrolíferas

Mas o Bradesco não se limitou a analisar a Petrobras. Segundo os analistas, com o petróleo nas alturas, os maiores benefícios recaem sobre empresas mais alavancadas e com fluxo de caixa mais concentrado no curto prazo, como a Brava (BRAV3).

“A maior assimetria aparece em BRAV3, cujo desempenho recente não reflete integralmente o nível atual da curva futura, onde estimamos potencial de valorização adicional caso os preços do petróleo permaneçam acima dos patamares embutidos nas projeções atuais”.

Por outro lado, nomes de menor sensibilidade marginal —como PRIO (PRIO3), devido à duração mais curta de geração de caixa —tendem a capturar menor variação percentual.

 

  •  

Irã anuncia suspensão de ataques a países vizinhos; Trump renova ameaças por “mau comportamento do Irã”

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse neste sábado (7) que o conselho de liderança temporário aprovou a suspensão de ataques contra países vizinhos, exceto se esses países facilitarem ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O anúncio ocorreu enquanto o Irã continuava atacando a região, como resposta às ações dos Estados Unidos e de Israel, informou a Reuters.

O assessor Moghadam Far da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que o Irã não recuará diante dos Estados Unidos ou de Israel.

“Os países que não permitiram que seus territórios ou instalações fossem usados ​​pelos Estados Unidos ou pelo regime sionista não foram e não serão alvos”, disse Far em um comunicado.

“Todas as bases que foram usadas como pontos de partida para ataques contra o Irã foram atingidas”, acrescentou.

Nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na rede Truth Social que “áreas e grupos de pessoas” no Irã estão “sob séria consideração para destruição completa e morte certa”, citando o que ele chamou de “mau comportamento do Irã”.

Trump também respondeu ao anúncio de Pezeshkian e disse que o Irã “pediu desculpas e se rendeu” aos seus vizinhos, acrescentando: “essa promessa só foi feita por causa do ataque implacável dos EUA e de Israel. Eles queriam dominar e governar o Oriente Médio.”

Além disso, o presidente norte-americano escreveu que “O Irã não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’, mas sim ‘O PERDEDOR DO ORIENTE MÉDIO”, destacando que esse cenário seguirá por muitas décadas até que se renda ou entre em “colapso total”.

*Com informações de Reuters e CNBC

  •  

Navegação entra em colapso no Estreito de Ormuz

O tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz praticamente paralisou em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Apenas dois navios graneleiros e um pequeno porta-contêineres foram vistos atravessando a hidrovia na terça-feira (3). Todos estavam saindo do Golfo Pérsico, e não entrando.

O estreito mergulhou em uma espécie de “névoa digital”. Interferências de sinal e a desativação generalizada de transponders de posição dificultaram o rastreamento por satélite e tornaram mais complexo monitorar o tráfego na via marítima. Ainda assim, entender o que — se é que algo — está se movimentando é crucial para avaliar o impacto do conflito sobre os mercados de petróleo, gás e outras commodities.

Os países do Golfo Pérsico são fundamentais para o fornecimento global de petróleo bruto, combustíveis, gás natural e insumos para fertilizantes. Quase toda a produção da região precisa passar por Ormuz, tornando-o um gargalo estratégico para cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de metade do comércio marítimo mundial de enxofre.

O fechamento efetivo da hidrovia já está levando países como o Iraque a interromper parte da produção, contribuindo para uma alta de 14% nos preços do petróleo desde o fim de semana e elevando o gás natural ao nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A situação também deixou traders de enxofre em busca de fontes alternativas de suprimento para as indústrias de fertilizantes e processamento de níquel.

Queda de 95%

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg mostram que o tráfego despencou mais de 95%, com grandes petroleiros e navios de gás natural liquefeito evitando a rota. As poucas embarcações ainda em movimento estão deixando o Golfo com os transponders de localização desligados — uma prática comum em zonas de conflito.

Apenas sete embarcações cruzaram a região na segunda-feira, segundo dados de rastreamento, ante mais de 100 na sexta-feira — um dia antes de Estados Unidos e Israel lançarem a Operação Epic Fury. Na terça-feira, o número caiu para três.

As poucas travessias que continuaram ocorreram principalmente com navios deixando o Golfo Pérsico à medida que o conflito se intensificava e as embarcações recebiam comunicados informando que a passagem estava proibida.

Como os navios podem navegar sem sinais de AIS até estarem bem distantes de Ormuz, os sinais automáticos de posição foram compilados em uma ampla área que abrange o Golfo de Omã, o Mar da Arábia e o Mar Vermelho para identificar embarcações que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico.

Quando possíveis travessias são identificadas, os históricos de sinal são analisados para determinar se o movimento parece genuíno ou resultado de spoofing — quando interferências eletrônicas falsificam a posição aparente de um navio.

Esse tipo de atividade se tornou generalizado na região de Ormuz desde o início do conflito, com sinais de embarcações provavelmente afetados por uma guerra eletrônica mais ampla.

Algumas travessias podem não ter sido detectadas caso os transponders não tenham sido religados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente partem do Golfo Pérsico sem transmitir sinais de AIS até alcançarem o Estreito de Malaca, cerca de 10 dias após passarem por Fujairah. Outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes e não aparecerão nas telas de rastreamento por vários dias.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.
  •  

Trump diz que vai cortar comércio com Espanha após país negar uso de bases para atacar Irã

Donald Trump disse que vai “cortar todo o comércio com a Espanha” após o país negar acesso às suas bases militares para sua campanha de bombardeio contra o Irã, o que provocou uma forte reprimenda de Madri de que o presidente dos Estados Unidos deve respeitar os acordos comerciais internacionais.

“Eu disse ao Scott para cortar todos os negócios com a Espanha,” disse Trump na terça-feira (3) durante uma reunião na Casa Branca, referindo-se ao Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Trump não explicou como planejava cumprir essa ameaça, que pode se mostrar particularmente difícil, dado que os EUA têm um relacionamento comercial com a União Europeia mais ampla.

Mais tarde, ele sugeriu que tinha o poder de impor um embargo total a bens do país, embora não tenha indicado explicitamente que planejava fazê-lo.

Se a administração Trump deseja revisar sua relação comercial com a Espanha, deve fazê-lo respeitando a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais entre a UE e os EUA, disse um funcionário do governo espanhol em resposta ao comentário de Trump.

A Espanha tem os recursos necessários para conter impactos potenciais e apoiar setores que podem ser afetados por uma proibição comercial, afirmou o funcionário.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve fazer uma declaração na quarta-feira (4) às 9h no horário de Madri.

Em uma entrevista em janeiro ao New York Times, Trump disse que não “precisa de direito internacional.” Ele então acrescentou que isso depende da definição de direito internacional.

“A Espanha não tem absolutamente nada de que precisamos, exceto por grandes pessoas,” disse Trump na terça-feira. “Eles têm grandes pessoas, mas não têm uma liderança grande.”

Impacto na bolsa

O comentário de Trump na terça-feira veio após o fechamento da Bolsa de Madri. O ETF iShares MSCI Espanha caía 5,7% às 18h32 em Madri, após reduzir uma queda anterior que havia chegado a 6,8%, enquanto as ações europeias eram atingidas por preocupações com a inflação ao longo da sessão.

No domingo (1), Sánchez disse que a operação dos EUA e de Israel equivalia a uma “intervenção militar injustificada e perigosa fora do direito internacional.”

O governo em Madri alertou Washington de que os EUA não poderiam usar as duas bases militares no sul do país para apoiar a operação, argumentando que tal envolvimento estaria fora do tratado que rege as instalações.

“Queremos ações militares sempre sob a carta das Nações Unidas e sob esforço coletivo,” disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, em uma entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. “Um mundo baseado em regras previsíveis é melhor do que um mundo em que a força é a única regra.”

Trump expressou repetidamente frustração com Sánchez por rejeitar seu apelo para que os aliados da OTAN aumentassem os gastos com defesa para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto. Em outubro passado, o presidente dos EUA disse que a Espanha deveria receber uma “punição comercial” pela discordância.

“Eu poderia amanhã parar — ou hoje, ainda melhor — tudo que tem a ver com a Espanha, todos os negócios que têm a ver com a Espanha, ter o direito de parar, embargos, fazer o que eu quiser com isso,” continuou Trump. “E podemos fazer isso com a Espanha.”

Bessent, na reunião, afirmou sua crença de que Trump tinha a capacidade legal de embargar bens espanhóis, sem dizer se ele seguiria esse caminho.

“O anúncio poderia ter um efeito no sentimento do mercado mais do que em números macro, embora, se a ameaça avançar, seria ruim para as exportações de vinho e azeite para os EUA,” disse Ricardo Gil, vice-chefe de investimentos da Trea Asset Management. “Do lado político, isso é um golpe para a credibilidade do governo.”

O chanceler alemão Friedrich Merz, que estava na reunião da Casa Branca com Trump, interveio para apoiar o apelo do presidente para que Madri aumentasse seus gastos com defesa.

“Estamos tentando convencer a Espanha a alcançar” a meta de gastos da OTAN, disse Merz enquanto se sentava ao lado de Trump durante sua visita à Casa Branca.

“A Espanha é a única que não está disposta a aceitar isso, e estamos tentando convencê-los de que isso faz parte da nossa segurança comum, que todos devemos cumprir com esses números.”

Trump também criticou o Reino Unido por bloqueá-lo de usar uma base militar na ilha de Diego Garcia para realizar ataques ao Irã, dizendo que estava “surpreso” enquanto se absteve de fazer uma ameaça comercial semelhante.

“Esta não é a era de Churchill. Eu vou dizer, o Reino Unido tem sido muito, muito não cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm,” disse Trump.

O Supremo Tribunal dos EUA derrubou no mês passado o alegado direito de Trump de usar uma lei de poderes de emergência para impor suas chamadas tarifas recíprocas ao redor do mundo. Ele anunciou uma nova taxa global de 10%, que depois ameaçou aumentar para 15%.

A equipe de Trump disse que as tarifas continuarão sendo centrais em sua política comercial, reiterando planos de lançar uma série de investigações em cronogramas acelerados que lhe permitam impor unilateralmente direitos — tudo com o objetivo de reconstruir o regime tarifário que a decisão do tribunal mais alto dos EUA efetivamente destruiu.

  •