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Embraer vê combustível mais caro impulsionar demanda por jatos menores

A Embraer está mirando aumentar a produção de jatos comerciais no próximo ano, à medida que a alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã impulsiona a demanda por aeronaves mais eficientes.

A companhia tem a ambição de entregar até 100 jatos comerciais em 2027, quase 20% acima deste ano, afirmou o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista em Nova York.

A fabricante brasileira manteve sua projeção de entregas de 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 aeronaves executivas em 2026, mesmo com a persistente escassez de componentes como motores e partes da fuselagem.

A Embraer construiu seus negócios no mercado de jatos regionais, como a família E2, com capacidade entre 70 e 145 passageiros, além de um portfólio de aeronaves executivas para até cerca de 12 passageiros.

Avião maior

Agora, a empresa estuda como será seu futuro portfólio de produtos, disse Gomes Neto, incluindo a possibilidade de desenvolver um avião narrow-body maior, que competiria mais diretamente com os modelos A320, da Airbus, e 737, da Boeing.

A Embraer também pode decidir lançar um novo jato executivo, afirmou o executivo.

“Não queremos fracassar como outras empresas fracassaram no passado, então não estamos nos pressionando”, disse Gomes Neto, acrescentando que a Embraer não lançará dois novos projetos simultaneamente.

Por enquanto, os jatos E2 continuam no centro da estratégia da fabricante para atingir US$ 10 bilhões em receita até 2030, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados em 2025.

Embora espere que os preços mais altos do combustível sustentem a demanda por aeronaves mais eficientes, Gomes Neto afirmou que a empresa ainda não observou um aumento relevante em novos pedidos.

A Embraer vê oportunidade para vender mais aviões na India e anunciou em janeiro um memorando de entendimento com o conglomerado do bilionário Gautam Adani para estudar a produção de jatos regionais no país. Em fevereiro, a companhia também informou que trabalharia com a Hindalco Industries para avaliar oportunidades de negócios na Índia.

Qualquer plano para construir uma linha de montagem final no país dependerá da conquista de pedidos para pelo menos 200 aeronaves, afirmou Gomes Neto.

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Alívio externo e queda dos juros impulsionam Ibovespa; bancos e metais lideram ganhos

No exterior, os mercados operam em tom mais construtivo nesta quinta-feira (30), favorecidos pela acomodação dos preços do petróleo, que recuam ao redor de 3%, após a recente escalada e pela ausência de novos catalisadores que elevem as tensões geopolíticas.

A agenda macroeconômica americana também esteve no radar: o índice de preços ao consumidor (PCE) de março mostrou aceleração da inflação cheia, puxada por combustíveis, enquanto o núcleo perdeu fôlego na margem, permanecendo dentro do esperado.

Já o PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 2% no primeiro trimestre, abaixo das projeções, mas sinalizando uma economia ainda resiliente, sustentada por investimentos e consumo de serviços.

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Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de juros estáveis no curto prazo e limita movimentos mais bruscos nos Treasuries, títulos do Tesouro americano, e no dólar, permitindo avanço das bolsas globais.

No Brasil, o ambiente externo mais benigno se soma ao recuo das taxas de juros futuros, mesmo após o tom mais cauteloso adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A leitura de que o ciclo de flexibilização monetária segue aberto — ainda que dependente da evolução do cenário internacional — sustenta o desempenho dos ativos locais.

Por volta das 15h, o Ibovespa avançava 1,39%, aos 187.318 pontos, impulsionado por ações de bancos e empresas ligadas a commodities metálicas. No câmbio, o dólar operava praticamente estável frente ao real (-0,02%), cotado a R$ 4,98, refletindo forças técnicas associadas à Ptax e o suporte do diferencial de juros doméstico.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, o movimento positivo é majoritário, com destaque para o setor financeiro, beneficiado tanto pelo ajuste de carteiras de fim de mês quanto pelo alívio observado nos juros futuros. Na ponta oposta, a Suzano (SUZB3) registra desempenho inferior após a divulgação de um resultado trimestral mais fraco, pressionado pelo desempenho da celulose.

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Já empresas de mineração e siderurgia ensaiam recuperação após as perdas recentes, acompanhando a melhora dos preços internacionais. Movimentos pontuais em petroquímicas e companhias industriais refletem fatores corporativos específicos e revisões de expectativas sobre gestão e resultados.

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JHSF compra terminal de aviação executiva em Miami e reforça expansão internacional

A JHSF anunciou, nesta segunda-feira (27), a aquisição do FBO (Fixed Base Operator) Embassair, um ativo de infraestrutura voltado ao atendimento de clientes de aviação executiva localizado no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, nos Estados Unidos.

A operação, cujo valor não foi divulgado, foi realizada por meio do JHSF Capital FBOs Fund LP, fundo internacional recém-constituído e gerido pela JHSF Capital, que tem a própria companhia como investidora majoritária.

30 minutos de Miami

O terminal já está em operação e oferece uma plataforma integrada de serviços ininterruptos, com funcionamento 24 horas, incluindo abastecimento de combustíveis, serviços aeronáuticos e atendimento a passageiros, além de infraestrutura de hangares com potencial de expansão futura.

Localizado a cerca de 30 minutos do centro de Miami, o aeroporto foi escolhido por sua relevância no mercado de aviação executiva e por sua conexão com rotas internacionais frequentes a partir do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, o que pode gerar sinergias operacionais para a companhia.

Há ainda a previsão de implementação de controle migratório no próprio terminal, por meio do U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pela imigração e alfândega nos Estados Unidos, o que deve elevar o nível de conveniência para voos internacionais ao permitir que passageiros realizem todo o processo no próprio local.

A aquisição está alinhada à estratégia da JHSF de ampliar sua presença internacional e fortalecer sua atuação em ativos de alto padrão com geração de receita recorrente. Nesse contexto, a operação em Miami representa mais um passo no processo de internacionalização da companhia.

Fasano no exterior

No começo deste mês, a JHSF anunciou no começo deste mês um acordo para adquirir 100% da Baluma, dona do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai. O plano é transformar o ativo em um projeto multiuso de alto padrão, com shopping, hotel Fasano, cassino e unidades residenciais, aprofundando a presença do grupo no país, onde já atua há mais de 15 anos. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e antitruste.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento da marca Fasano no exterior. Atualmente, a companhia tem dois hotéis fora do Brasil — em Punta del Este e Nova York — e outros projetos em desenvolvimento em destinos como Londres, Miami, Portugal, Itália (Sardenha) e novamente no Uruguai. Em fevereiro, a empresa também anunciou a compra de um edifício histórico em Milão para conversão em hotel.

Com um portfólio que inclui ainda shoppings, aeroporto executivo e empreendimentos residenciais e de lazer, a JHSF vem ampliando sua diversificação de receitas. No quarto trimestre de 2025, a área de Hospitalidade e Gastronomia respondeu por 17,8% do resultado operacional recorrente, enquanto shoppings lideraram com 40,1%, seguidos pelo aeroporto (21,4%) e pelos segmentos de residências e clubes (20,7%).

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A Gol passa por uma transformação profunda após sua recuperação judicial. Agora sob o controle da holding Abra, a companhia abandonou o modelo focado estrit...
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JHSF compra terminal de aviação executiva em Miami e reforça expansão internacional

A JHSF anunciou, nesta segunda-feira (27), a aquisição do FBO (Fixed Base Operator) Embassair, um ativo de infraestrutura voltado ao atendimento de clientes de aviação executiva localizado no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, nos Estados Unidos.

A operação, cujo valor não foi divulgado, foi realizada por meio do JHSF Capital FBOs Fund LP, fundo internacional recém-constituído e gerido pela JHSF Capital, que tem a própria companhia como investidora majoritária.

30 minutos de Miami

O terminal já está em operação e oferece uma plataforma integrada de serviços ininterruptos, com funcionamento 24 horas, incluindo abastecimento de combustíveis, serviços aeronáuticos e atendimento a passageiros, além de infraestrutura de hangares com potencial de expansão futura.

Localizado a cerca de 30 minutos do centro de Miami, o aeroporto foi escolhido por sua relevância no mercado de aviação executiva e por sua conexão com rotas internacionais frequentes a partir do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, o que pode gerar sinergias operacionais para a companhia.

Há ainda a previsão de implementação de controle migratório no próprio terminal, por meio do U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pela imigração e alfândega nos Estados Unidos, o que deve elevar o nível de conveniência para voos internacionais ao permitir que passageiros realizem todo o processo no próprio local.

A aquisição está alinhada à estratégia da JHSF de ampliar sua presença internacional e fortalecer sua atuação em ativos de alto padrão com geração de receita recorrente. Nesse contexto, a operação em Miami representa mais um passo no processo de internacionalização da companhia.

Fasano no exterior

No começo deste mês, a JHSF anunciou no começo deste mês um acordo para adquirir 100% da Baluma, dona do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai. O plano é transformar o ativo em um projeto multiuso de alto padrão, com shopping, hotel Fasano, cassino e unidades residenciais, aprofundando a presença do grupo no país, onde já atua há mais de 15 anos. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e antitruste.

O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento da marca Fasano no exterior. Atualmente, a companhia tem dois hotéis fora do Brasil — em Punta del Este e Nova York — e outros projetos em desenvolvimento em destinos como Londres, Miami, Portugal, Itália (Sardenha) e novamente no Uruguai. Em fevereiro, a empresa também anunciou a compra de um edifício histórico em Milão para conversão em hotel.

Com um portfólio que inclui ainda shoppings, aeroporto executivo e empreendimentos residenciais e de lazer, a JHSF vem ampliando sua diversificação de receitas. No quarto trimestre de 2025, a área de Hospitalidade e Gastronomia respondeu por 17,8% do resultado operacional recorrente, enquanto shoppings lideraram com 40,1%, seguidos pelo aeroporto (21,4%) e pelos segmentos de residências e clubes (20,7%).

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Para CEO da Chevron, abertura da Venezuela vai na direção certa – mas ainda não é o suficiente

O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que as mudanças na política de petróleo da Venezuela são um sinal de progresso na tentativa de atrair investimento estrangeiro, embora outras medidas ainda sejam necessárias.

“Está caminhando na direção certa”, disse Wirth ao programa Face the Nation, da CBS. “Ainda precisa de algum trabalho. Provavelmente não é o suficiente para atrair o nível de investimento que seria desejável. Mas acho que houve algum progresso.”

Wirth manifestou confiança na política venezuelana do governo Trump depois de os Estados Unidos derrubarem Nicolás Maduro em janeiro e Delcy Rodríguez assumir como presidente interina do país. Em poucas semanas após a prisão de Maduro, a Venezuela alterou sua antiga política nacionalista de petróleo na tentativa de atrair investidores.

Maduro foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro num ataque americano em larga escala sobre Caracas, e enviado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e corrupção. 

Delcy Rodríguez, então vice-presidente, foi designada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e iniciou uma rápida liberalização econômica, com abertura ao investimento estrangeiro de petróleo, fim do controle cambial e retomada das relações com o FMI. Parte da comunidade internacional, incluindo a União Europeia, não reconhece a legitimidade do governo interino.

Um grupo de executivos do petróleo americano que se reuniu com Rodríguez em Caracas na semana passada pediu garantias de que a Venezuela é segura para investir, sinal de que o interesse das companhias dos EUA está se ampliando para além da Chevron e de outras gigantes, à medida que o presidente Donald Trump pede a retomada da produção venezuelana.

“Um aumento da produção lá melhoraria a confiabilidade e a oferta de energia nos Estados Unidos”, disse Wirth.

Mike Wirth, CEO da Chevron, no WSJ CEO Council Summit do mês passado. Foto: Sean T. Smith para o WSJ.

Ele afirmou ainda que a força de trabalho do petróleo na Venezuela está enxuta, com muitos profissionais qualificados perdidos para a emigração, o que faz com que qualquer recuperação em escala da indústria dependa do retorno desses expatriados, ponto também levantado pela líder da oposição María Corina Machado.

Wirth fez uma ressalva sobre a decisão do governo Trump, na semana passada, de invocar o Defense Production Act, lei que permite ao governo direcionar recursos federais a projetos de energia, num momento em que a Casa Branca enfrenta pressão para conter a alta dos custos de energia.

“Não dá para abrir a torneira da produção de uma hora para outra”, afirmou. “É preciso engenharia, cadeia de suprimentos, contratos, e mover e mobilizar trabalhadores.”

©2026 Bloomberg L.P.

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Reação do governo Lula atingiu 2 policiais dos EUA; entenda crise diplomática

A reação do governo Lula à expulsão do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho do território americano acabou atingindo dois funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Ambos atuavam no Brasil.

O governo brasileiro expulsou do País o adido civil Michael William Myers. Ele atuava na área de segurança e havia sido credenciado por meio da embaixada americana desde setembro de 2024, em Brasília. Além disso, a PF barrou temporariamente um segundo agente policial, cuja identidade não foi revelada.

As medidas, somadas, significariam uma escalada diplomática na crise e poderiam ser vistas em Washington como uma retaliação além da “reciprocidade” pregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por isso, geraram apreensão no Itamaraty.

O Ministério das Relações Exteriores defendeu que o governo Lula deveria responder à decisão americana com recriprocidade “na forma e no conteúdo”. Com dois punidos, porém, o lado brasileiro agravaria o caso.

Com a expulsão oficializada, a Polícia Federal, então, decidiu recuar e restituir as credenciais de um agente policial americano, antes suspensas. A decisão da PF era administrativa e portanto, passível de revisão, como ocorreu.

“São duas coisas. Eu cortei temporariamente o acesso de um funcionário dos EUA à PF, até o MRE definir qual medida adotaria”, disse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. “A segunda situação foi a determinação que Michael saia do Brasil, o que ocorreu hoje.”

Na prática, a suspensão de credenciais significava a barrar o acesso dele à sede da PF e sistemas da corporação, algo que ocorreu com Marcelo Ivo em Miami, onde desempenhava a função de oficial de ligação junto ao ICE, a polícia de imigração dos EUA.

O governo Donald Trump determinou que ele fosse expulso do país, embora estivesse prestes a ser substituído pela delegada Tatiana Alves Torres, nomeada em março.

Lotado em Miami, Flórida, Marcelo Ivo foi acusado pelo Departamento de Estado de tentar “manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.

O comunicado do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, publicado no X e republicado pela Embaixada dos EUA, falava que, naquela data, “pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país”.

O delegado Marcelo Ivo atuava em cooperação policial e forneceu informações ao ICE sobre o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) também delegado de carreira da PF.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão na trama golpista, escapou para a Flórida com passaporte diplomático – que foi cancelado posteriormente – e era considerado foragido da Justiça brasileira. Ramagem foi preso por causa do seu status migratório. Ele relatou, ao ser solto depois de dois dias detido, que entrou no país com visto válido e solicitou asilo político.

O Departamento de Estado comunicou publicamente a expulsão por meio de um tuíte na segunda-feira, dia 20, enquanto as principais autoridades do governo Lula, inclusive o presidente, estavam em viagem na Europa.

O tom e o teor da publicação, além da celebração de bolsonaristas radicados nos EUA, levaram integrantes do governo Lula a uma leitura de que o assunto fora politizado, após apelos de oposicionistas junto a uma ala do Departamento de Estado hostil a Lula.

A reação brasileira começou a ser decidida na terça-feira, dia 21. Na Alemanha, o presidente Lula, o chanceler Mauro Vieira e o delegado Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, discutiram o caso e deram entrevistas, manifestando “surpresa” e citando a “reciprocidade”.

A suspensão das credenciais de um agente americano, cuja identidade não foi revelada, ocorreu primeiro, segundo integrantes da PF. Ele continua no País, no entanto.

Em paralelo, autoridades diplomáticas conduziam, por determinação vinda da Europa, a crise para a aplicação de reciprocidade imediata, com o aval do presidente.

Na tarde de terça-feira, 21, o diretor do Departamento de América do Norte do Itamaraty, Cristiano Figueroa, convocou em Brasília para uma queixa a ministra-conselheira da Embaixada americana no Brasil, Kimberly Kelly. Na conversa, ela deixou claro que Marcelo Ivo de Carvalho de fato havia sido expulso dos EUA. E na mesma oportunidade foi avisada que o governo Lula então responderia na mesma moeda.

Figueroa reclamou do tratamento sumário e do desrespeito ao acordo entre os países para troca de oficiais de ligação, um memorando de entendimento que previa conversas entre as partes.

O Itamaraty, porém, decidiu aguardar 24 horas para comunicar a decisão publicamente, um gesto para expor diferença no tratamento e a boa praxe diplomática em relação à condução dos americanos.

O MRE também usou uma publicação no X, divulgada na tarde do dia 22, quarta-feira, para comunicar a expulsão de um representante do governo americano (Michael Myers), após a informação verbal à embaixada. E pediu a saída imediata do país, o que ocorreu com Marcelo Ivo.

Ainda não está claro quais serão todas as consequências da crise e se o acordo de cooperação terá ou não continuidade. O governo brasileiro, por meio de manifestações públicas de Lula e de Andrei Rodrigues, disse que as partes precisam conversar e que esperam que a cooperação prossiga.

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Justiça dos EUA barra proibição imposta por Trump para solicitar asilo na fronteira

Nesta sexta-feira, 24, um tribunal de apelação bloqueou o decreto do presidente americano, Donald Trump, que suspendia o acesso ao asilo na fronteira sul dos Estados Unidos, um pilar fundamental do plano do presidente republicano para reprimir a imigração.

Um painel de três juízes do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia concluiu que as leis de imigração conferem às pessoas o direito de solicitar asilo na fronteira, e que o presidente não pode contornar essa disposição.

A decisão do tribunal decorre de uma medida tomada por Trump no dia da posse em 2025, quando ele declarou que a situação na fronteira sul constituía uma invasão dos Estados Unidos e que estava “suspendo a entrada física” de migrantes e sua capacidade de solicitar asilo até que ele decidisse que a situação havia terminado.

O tribunal concluiu que a Lei de Imigração e Nacionalidade não autoriza o presidente a remover os requerentes por meio de “procedimentos de sua própria autoria”, nem lhe permite suspender o direito dos requerentes de solicitar asilo ou restringir os procedimentos para julgar suas alegações contra a tortura.

“O poder, por meio de proclamação, de suspender temporariamente a entrada de estrangeiros específicos nos Estados Unidos não inclui autoridade implícita para se sobrepor ao processo obrigatório previsto na Lei de Imigração e Nacionalidade (INA) para a remoção sumária de estrangeiros”, escreveu a juíza J. Michelle Childs.

“Concluímos que o texto, a estrutura e a história da INA deixam claro que, ao conceder o poder de suspender a entrada por meio de proclamação presidencial, o Congresso não teve a intenção de conceder ao Executivo a ampla autoridade de remoção que este alega ter”, afirmou o parecer.

O governo pode solicitar que o tribunal de apelações, em sua composição completa, reconsidere a decisão ou recorrer à Suprema Corte. A ordem não entra formalmente em vigor até que o tribunal analise qualquer pedido de reconsideração.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em entrevista ao canal de TV Fox News, disse que não tinha visto a decisão, mas a considerou “previsível”, culpando juízes com motivações políticas. “Eles não estão agindo como verdadeiros defensores da lei. Estão analisando esses casos sob uma ótica política”, disse ela. Leavitt afirmou que Trump estava tomando medidas que estão “totalmente dentro de seus poderes como comandante-chefe”.

Outra porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, afirmou que o Departamento de Justiça irá recorrer da decisão. “Estamos certos de que seremos absolvidos”, escreveu ela em comunicado enviado por e-mail.

O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) declarou discordar veementemente da decisão. “A principal prioridade do presidente Trump continua sendo a triagem e a verificação de todos os estrangeiros que pretendem entrar, morar ou trabalhar nos Estados Unidos”, afirmou o DHS em comunicado.

Defensores acolhem a decisão

Aaron Reichlin-Melnick, pesquisador sênior do Conselho Americano de Imigração, disse que ações judiciais anteriores já haviam suspendido a proibição de asilo, e que a decisão não mudará muito na prática. A decisão, no entanto, representa mais uma derrota jurídica para uma das principais políticas do presidente.

“Isso confirma que o presidente Trump não pode, por conta própria, impedir que as pessoas busquem asilo; que foi o Congresso que determinou que os requerentes de asilo têm o direito de solicitar asilo, e que o presidente não pode simplesmente invocar sua autoridade para sustentar essa medida”, disse Reichlin-Melnick.

Defensores afirmam que o direito de solicitar asilo está consagrado na legislação de imigração do país e que negar esse direito aos migrantes coloca em grave perigo as pessoas que fogem da guerra ou da perseguição.

Lee Gelernt, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que defendeu o caso, afirmou em comunicado que a decisão do tribunal de apelação é “essencial para aqueles que fogem do perigo e aos quais foi negada até mesmo uma audiência para apresentar pedidos de asilo, em virtude do decreto ilegal e desumano do governo Trump”.

O Las Americas Immigrant Advocacy Center, um dos demandantes no processo, saudou a decisão do tribunal como uma vitória para seus clientes. “A decisão de hoje do Circuito de DC afirma que ações caprichosas do presidente não podem suplantar o Estado de Direito nos Estados Unidos”, disse Nicolas Palazzo, diretor de defesa e serviços jurídicos do Las Americas.

O juiz Justin Walker, indicado por Trump, redigiu um voto divergente parcial. Ele afirmou que a lei oferece proteção aos imigrantes contra a deportação para países onde seriam perseguidos, mas que o governo pode emitir recusas generalizadas de pedidos de asilo.

Walker, no entanto, concordou com a maioria ao afirmar que o presidente não pode deportar migrantes para países onde serão perseguidos nem privá-los dos procedimentos obrigatórios que os protegem contra a expulsão.

No decreto presidencial, Trump argumentou que a Lei de Imigração e Nacionalidade confere aos presidentes a autoridade para suspender a entrada de qualquer grupo que considerem “prejudicial aos interesses dos Estados Unidos”.

A ordem de Trump foi mais um golpe contra o acesso ao asilo nos EUA, que foi severamente restringido sob o governo Biden, embora sob Biden, algumas vias de proteção para um número limitado de requerentes de asilo na fronteira sul tenham continuado.

Para Josué Martínez, psicólogo que trabalha em um pequeno abrigo para migrantes no sul do México, a decisão representou uma possível “luz no fim do túnel” para muitos migrantes que antes esperavam pedir asilo nos EUA, mas acabaram presos em condições precárias no México.

“Espero que haja algo mais concreto, porque já ouvimos esse tipo de notícia antes: um juiz distrital entra com um recurso, há uma suspensão temporária, mas é apenas temporária e depois acaba”, disse ele.

Enquanto isso, migrantes do Haiti, de Cuba, da Venezuela e de outros países têm lutado para sobreviver enquanto tentam buscar refúgio no sistema de asilo do México, que está praticamente colapsado sob o peso de novas pressões e cortes nos fundos internacionais.

Esta semana, centenas de migrantes, em sua maioria migrantes do Haiti que ficaram retidos, deixaram a cidade de Tapachula, no sul do México, a pé, em busca de melhores condições de vida em outras partes do país. 

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Nada de iPhone: Febre entre crianças nos EUA agora é telefone fixo ‘retrô’ de US$ 100

Quando os dois filhos de Justin Finn, que estão no ensino fundamental, chegam em casa, eles não ligam a TV nem pegam um iPad. Em vez disso, vão direto para o telefone — não um smartphone, mas um telefone fixo. As chamadas chegam em um aparelho cor creme chamado Tin Can, um dispositivo inspirado em telefones fixos, com conexão Wi-Fi, que custa US$ 100 e viralizou nos últimos doze meses.

“Não é incomum o telefone começar a tocar poucos minutos depois”, conta Finn. “Existe um entusiasmo real em torno dele que não vimos com muitas outras novidades dentro de casa.”

Desde o lançamento, em abril de 2025, o aparelho de estilo retrô se tornou um sucesso, com centenas de milhares de unidades vendidas, principalmente graças à recomendação boca a boca, segundo a empresa.

Isso apesar de um marketing limitado e de um volume relativamente pequeno de captação, incluindo US$ 3,5 milhões durante o verão e uma rodada seed de US$ 12 milhões em dezembro, liderada pela Greylock Partners.

Aposta no básico

O Tin Can é conectado à tomada e inclui viva-voz, botões de discagem rápida e secretária eletrônica. O telefone, que também é vendido em várias cores vibrantes, permite fazer chamadas gratuitas entre aparelhos Tin Can e para serviços de emergência.

Os usuários também podem pagar US$ 10 por mês para ligar e receber chamadas de números externos aprovados pelos pais. O dispositivo está disponível nos Estados Unidos e no Canadá.

O Tin Can encontrou boa receptividade em um momento em que pais, educadores e legisladores buscam alternativas ao uso constante de telas. Países ao redor do mundo estudam restringir redes sociais para jovens após a Austrália aprovar uma proibição para menores de 16 anos.

Nos EUA, por sua vez, Meta e o Google, da Alphabet, perderam no mês passado um caso judicial emblemático em Los Angeles, movido por uma jovem de 20 anos que afirmou que o vício nessas plataformas alimentou problemas de saúde mental.

A família Finn recebeu o Tin Can gratuitamente como parte de uma iniciativa liderada por pais na Nativity Parish School, nos arredores de Kansas City — uma entre um número crescente de escolas que estão distribuindo o dispositivo a alunos na tentativa de conter a dependência de redes sociais desde cedo.

Escolas e pais entram na onda

Pedidos de escolas estão entre os segmentos de mercado que mais crescem para o Tin Can, segundo a empresa sediada em Seattle. A startup afirmou à Bloomberg News que tem visto uma “demanda avassaladora” por parte de instituições de ensino, com milhares de administradores nos EUA considerando compras em massa e coordenando como integrar suas comunidades à rede.

Na Nativity Parish School, cerca de 95% das famílias do jardim de infância ao quinto ano aderiram. Os alunos sabem para quem ligar anotando números em um diretório de papel — uma referência a como as pessoas faziam no século passado quando queriam telefonar para alguém.

Tracy Foster, mãe de dois alunos da escola, liderou a iniciativa.

“Para muitas pessoas, é difícil manter as crianças longe dos smartphones na prática, mas programas como esse dão mais ferramentas para que sintam que conseguem fazer isso”, afirmou. Tracy acrescentou que é mais fácil adiar o uso de smartphones para um grupo inteiro do que apenas para uma ou outra criança.

Foster afirmou que desde então recebeu mais de cem pedidos de pais interessados em replicar o programa em suas próprias escolas.

Em todo o país, a St. James’ Episcopal School, em Los Angeles, planeja distribuir um Tin Can para cada uma de suas 220 famílias na saída das aulas. A expectativa é que os alunos usem os aparelhos durante as longas férias de verão.

“Queremos que nossos alunos continuem conectados entre si e usem essa opção em vez de mensagens em grupo ou outras formas de contato que podem, às vezes, gerar sentimentos ruins ou fazer alguém se sentir excluído”, disse Jules Leyser, diretor de desenvolvimento e comunicação da escola.

O CEO Chet Kittleson, de 38 anos, fundou a Tin Can há cerca de um ano e meio em resposta à ansiedade que sentia ao organizar encontros pós-escola para seus filhos. Crescendo nos anos 1990, ele percebeu, o telefone fixo era sua rede social.

Ele acredita que a forma como as crianças se comunicam hoje — por mensagens de texto ou chamadas de vídeo — prejudica o desenvolvimento de habilidades de comunicação. Todos deveriam saber “lidar com o silêncio de uma maneira significativamente diferente”, disse, referindo-se às pausas naturais em conversas por voz.

Finn afirmou que percebeu rapidamente avanços significativos no comportamento dos filhos. “Eles são mais cuidadosos ao falar, melhores ouvintes e, no geral, mais confiantes”, disse. No entanto, seu filho do jardim de infância aprendeu da forma difícil que o número de emergência 911 funciona no Tin Can, o que resultou em uma visita surpresa à porta da família.

Kittleson atribui o sucesso inicial do Tin Can ao boca a boca e a uma crescente desconfiança em relação aos smartphones, combinada com a nostalgia de pais da geração X e dos millennials.

“Poderíamos ter criado um dispositivo moderno com aparência infantilizada”, disse Kittleson. “Mas eu queria algo imediatamente reconhecível para o comprador — o pai ou a mãe —, algo intuitivo que lembrasse uma infância mais simples, porque é isso que todos estamos buscando. Isso ajudou muito no nosso crescimento rápido.”

Segundo ele, o maior desafio agora é acompanhar o crescimento acelerado, contratar rapidamente, investir em infraestrutura e manter um serviço confiável que consiga escalar. Após um pico de instalações no dia de Natal, a empresa enfrentou falhas nos servidores e pediu desculpas pela instabilidade.

“Nosso trabalho é entregar um produto e um serviço realmente bons e confiáveis”, disse. “Acho que vamos conseguir – e chegar lá de forma sustentável”.

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O Sphere, espaço imersivo em Las Vegas, se torna a arena de maior faturamento do mundo

À medida que os acordes de “Sigma Oasis” ecoavam no último sábado à noite, parecia para os 17.600 fãs do Phish que eles estavam dentro de um ovo. A casca se quebrava, e eles eram pássaros nascendo e ganhando voo.

Eles estavam no Sphere, em Las Vegas — ou simplesmente “Sphere”, como fãs e seu proprietário o chamam.

O espaço, que criou um novo tipo de entretenimento ao vivo, tornou-se a arena de maior faturamento do mundo, com US$ 379 milhões em receitas e 1,7 milhão de ingressos vendidos no ano passado, segundo a Pollstar.

Quando foi inaugurado, há três anos, reunia todos os sinais de um desastre iminente.

O Sphere foi concluído em 2023 por US$ 2,3 bilhões — quase US$ 1 bilhão acima do orçamento e com anos de atraso. O projeto foi idealizado por James Dolan, figura constante nos holofotes por seu império esportivo e de entretenimento, que inclui o New York Knicks, o New York Rangers e o Madison Square Garden.

Exportar o conceito

Hoje, a Sphere Entertainment planeja levar o conceito do Sphere para Abu Dhabi e para uma segunda unidade nos EUA, menor, com cerca de 6 mil lugares, prevista para o National Harbor, em Maryland, nos arredores de Washington, D.C. Executivos também avaliam outras cidades para novas unidades. Dolan já afirmou que a empresa pode tocar cinco ou seis projetos simultaneamente e pretende expandir “basicamente o máximo possível”.

O Sphere encontrou uma fórmula de sucesso inesperada: um espaço com tecnologia de ponta combinado com bandas cujos vocalistas acumulam décadas de grandes sucessos conhecidos pelo público. Assim, consegue atrair tanto fãs da mesma geração dos artistas — como Bono, do U2 — quanto jovens curiosos por experiências “retrô”.

A agenda é preenchida com residências de artistas consagrados, que podem durar dias, semanas ou meses, combinando atrações populares com espetáculos visuais grandiosos que levam meses para serem produzidos.

Entre eles estão Eagles, Kenny Chesney e Backstreet Boys. Durante o dia, antes dos shows, a arena também exibe experiências como O Mágico de Oz, remasterizado para dar ao público a sensação de caminhar ao lado de Dorothy na estrada de tijolos amarelos.

A ideia do Sphere surgiu em 2016, a partir de um esboço simples de Dolan — um círculo com uma pessoa dentro. Ele encarregou sua equipe de transformar o conceito em realidade.

A construção começou em 2018, com orçamento inicial de US$ 1,2 bilhão. No meio do processo, a pandemia de Covid-19 interrompeu as obras e colocou em dúvida o futuro de grandes espaços de entretenimento ao vivo.

Durante a construção, executivos e observadores tiveram dificuldade para definir o projeto. A revista Rolling Stone o descreveu como um “local de shows insano”, enquanto um executivo disse que seria como um “planetário multiplicado por 10”.

Havia dúvidas: artistas estariam dispostos a investir milhões em produções para o Sphere e convencer fãs a viajar até o deserto? E o espetáculo tecnológico não acabaria ofuscando os próprios artistas?

A resposta começou com o U2. A banda irlandesa, conhecida por seus shows tecnológicos, aceitou inaugurar o espaço antes mesmo de sua conclusão.

A residência do U2, iniciada em setembro de 2023, foi um sucesso e contou com 40 apresentações. Desde então, outras residências apostaram na nostalgia e em públicos com maior poder aquisitivo, como Dead & Company, além de Phish, Eagles e Backstreet Boys. Para este ano, estão previstos nomes como No Doubt, Metallica e Carín León.

“Estamos apenas arranhando a superfície”, disse Josephine Vaccarello, executiva da Sphere Entertainment. “Cada artista que chega tenta superar o anterior.”

A arena também aposta em experiências imersivas. Para recriar O Mágico de Oz, Dolan recorreu a engenheiros de IA do Google em um projeto de US$ 100 milhões. Em uma cena, maçãs caem do teto; em outra, folhas giram como em um tornado.

Entre agosto e janeiro, o filme gerou mais de US$ 260 milhões em vendas de ingressos.

O sucesso acompanha uma tendência maior da indústria musical, em que grandes turnês — como a de Taylor Swift — movimentam economias inteiras e mostram que fãs estão dispostos a viajar para experiências únicas.

Após prejuízo inicial, a Sphere Entertainment registrou lucro líquido de US$ 33,4 milhões no último ano, revertendo perdas de US$ 325 milhões no período anterior. As ações também dispararam.

Os ingressos para shows no Sphere variam de algumas centenas a milhares de dólares. O preço médio de revenda neste ano é de US$ 521, segundo a SeatGeek — acima dos US$ 415 do ano passado. Entre os mais caros estão os shows do Phish, seguidos por U2 e Eagles.

Para artistas, o espaço também abre novas possibilidades criativas. O DJ Illenium, por exemplo, produziu um álbum pensado especificamente para o ambiente visual da arena.

Para fãs como Jeff Stein, músico de São Francisco, a experiência redefine o padrão de espetáculos. “Lembra quando o IMAX surgiu e não entregou tudo o que prometia?”, disse. “O Sphere é o que aquilo deveria ter sido.”

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Por que as ações da Intel estão se aproximando dos níveis da era da bolha pontocom

As ações da Intel estão a caminho de atingir seu maior nível histórico, impulsionadas por uma projeção de receitas que superou amplamente as expectativas de Wall Street e reforçou a confiança no processo de recuperação da fabricante de chips.

A companhia informou que espera faturar entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho. O número ficou bem acima da estimativa média de analistas, de cerca de US$ 13 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Com o anúncio, os papéis da empresa chegaram a subir até 31% no pré-mercado na sexta-feira, abrindo caminho para superar o pico registrado há cerca de 26 anos, durante a era da bolha pontocom. As ações já acumulavam alta de 81% no ano antes da divulgação do balanço.

Reestruturação

O otimismo do mercado reflete a percepção de que o CEO Lip-Bu Tan está avançando em seu plano de reestruturação, focado em reposicionar a Intel para se beneficiar da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

Investimentos estratégicos realizados no ano passado ajudaram a reforçar o balanço da companhia, enquanto a gestão agora busca melhorar eficiência operacional e capacidade produtiva.

“Todos estão começando a direcionar pedidos para a Intel, e acho que estamos nos estágios iniciais disso”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital e investidor da empresa, à Bloomberg TV. “Passamos de um cenário de desânimo para euforia em um curto período de tempo.”

O avanço também reflete o impacto do crescimento da demanda por chips de data centers voltados a aplicações de IA. Segundo a empresa, há forte procura pelos processadores Xeon, usados em servidores, que voltaram ao centro da estratégia da Intel em meio à corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Em entrevista, Tan afirmou que a empresa teve um “resultado sólido” e que a demanda por processadores segue acelerando. No entanto, ele destacou que a Intel ainda enfrenta limitações de capacidade produtiva.

“Há uma demanda enorme. Estamos trabalhando muito para entregar, mas ainda estamos aquém porque a demanda continua crescendo”, afirmou.

A companhia também afirmou que está lidando com a escassez de chips de memória que afeta a indústria de PCs e servidores, o que tem pressionado a produção global de dispositivos.

Outro ponto de destaque foi o reforço do balanço financeiro por meio de investimentos externos. A Intel chegou a recomprar participação em uma fábrica na Irlanda que havia sido vendida anteriormente para levantar capital, movimento visto pelo mercado como sinal de confiança na retomada.

No campo estratégico, a empresa também ganhou atenção após declarações do CEO da Tesla, Elon Musk, indicando que poderá utilizar tecnologia da Intel em um projeto de fabricação de chips próprio.

Em termos financeiros, a Intel projeta lucro ajustado de cerca de 20 centavos por ação no segundo trimestre, acima da estimativa de 9 centavos do mercado. No primeiro trimestre, a receita subiu 7%, para US$ 13,6 bilhões, também acima das projeções.

Apesar da melhora recente, a empresa ainda enfrenta desafios para recuperar sua antiga posição dominante no setor de semicondutores, especialmente na corrida por chips de inteligência artificial, hoje liderada pela Nvidia.

“Hoje a Intel é uma empresa fundamentalmente diferente”, disse Tan. “A conversa deixou de ser sobre sobrevivência e passou a ser sobre a velocidade com que conseguimos ampliar capacidade e atender à demanda.”

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USA Rare Earth compra Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras, por US$ 2,8 bilhões

A USA Rare Earth, empresa americana de terras raras listada na Nasdaq, concordou em adquirir a Serra Verde, mineradora brasileira, em uma transação que envolve dinheiro e ações, ampliando uma série recente de negócios no setor.

A empresa americana informou nesta segunda-feira (20) que pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de 126,8 milhões de ações para comprar a Serra Verde, que possui uma grande mina de terras raras no Brasil. A proposta avalia a companhia em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, segundo comunicado.

A transação, prevista para ser concluída no terceiro trimestre, ocorre em meio à corrida dos Estados Unidos e seus aliados para garantir fontes alternativas de terras raras — um mercado há muito dominado pela China. Esses minerais são usados em ímãs de alta potência aplicados em eletrônicos de consumo, automóveis e sistemas de defesa.

O Brasil detém as maiores reservas de terras raras fora da China, e a Serra Verde é atualmente a única produtora desses metais no país. Sua jazida de Pela Ema contém elementos de terras raras leves e pesadas, principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, essenciais para a fabricação de ímãs utilizados em uma ampla gama de aplicações.

A recente onda de negociações destaca um movimento global para expandir a capacidade de produção de terras raras após a China ter ameaçado, no ano passado, paralisações industriais ao restringir exportações. Em janeiro, a Energy Fuels, dos EUA, fez uma oferta de US$ 299 milhões pela Australian Strategic Materials para construir uma cadeia de suprimentos integrada “da mina ao metal” para esses recursos críticos.

Da mina ao imã

A combinação entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve viabilizar a primeira cadeia integrada de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia, reunindo ativos de mineração, separação, metalização e fabricação de ímãs nos Estados Unidos, no Brasil e em países aliados. A empresa combinada terá presença global, com operações também na Europa, incluindo França e Reino Unido.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024 e pretende elevar a produção anual para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o final do próximo ano. A companhia também avalia dobrar sua capacidade produtiva nos próximos quatro anos.

Como parte da estratégia, a empresa firmou um contrato de fornecimento de 15 anos para 100% da produção inicial com uma entidade apoiada por agências do governo dos EUA e capital privado. O acordo prevê preços mínimos garantidos para elementos críticos como disprósio e térbio, assegurando previsibilidade de receita e reduzindo riscos do projeto.

A Serra Verde também conta com um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), voltado à expansão e otimização das operações no Brasil, reforçando o apoio institucional dos EUA ao desenvolvimento de cadeias alternativas de terras raras fora da China.

A operação em Goiás produz um carbonato misto de terras raras (MREC), com alta concentração de elementos pesados, considerados mais escassos e estratégicos, como disprósio e térbio.

A mina é um “ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, os quatro principais elementos de terras raras magnéticas”, afirmou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton em comunicado.

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Genes podem prever quanto você vai emagrecer com Mounjaro e Ozempic

Algumas pessoas, de forma frustrante, não perdem tanto peso quanto outras ao usar medicamentos populares para emagrecimento, como Wegovy. Um novo estudo sugere que a resposta pode estar nos genes.

Pesquisadores da 23andMe, serviço de testes genéticos ao consumidor que possui um dos maiores bancos de DNA do mundo a partir de amostras de saliva, analisaram dados genéticos de 27.885 clientes que usaram medicamentos como Wegovy e Zepbound para verificar se havia genes ou variantes associados à quantidade de peso perdida ou à intensidade dos efeitos colaterais.

Os resultados, publicados online na quarta-feira pela revista Nature, mostraram que pessoas com uma variante genética comum perderam mais peso com medicamentos GLP-1 do que aquelas sem essa variante. Os pesquisadores também identificaram que certas variantes aumentam a probabilidade de efeitos colaterais como náusea e vômito.

“Isso justifica mais estudos”, disse a Dra. Noura Abul-Husn, diretora médica do instituto de pesquisa da 23andMe. “Hoje, não há praticamente nada que oriente a personalização do uso desses medicamentos ou a gestão das expectativas dos pacientes.”

A 23andMe entrou com pedido de proteção contra falência no ano passado, após enfrentar dificuldades para encontrar um modelo de negócios lucrativo. Testes genéticos preditivos podem ser uma forma de a empresa tentar recuperar sua operação.

A companhia está incorporando testes para prever a resposta a medicamentos para emagrecimento em um de seus serviços de saúde, na esperança de que esse tipo de exame se torne comum para ajudar as pessoas a entender quanto peso podem perder com esses tratamentos. Com novos medicamentos sendo aprovados nos próximos anos, esse tipo de teste pode orientar a escolha do remédio mais adequado.

Alguns médicos acreditam que testes genéticos para prever a resposta a esses medicamentos podem se tornar tão rotineiros quanto os usados em doenças como câncer de mama.

O Dr. Andres Acosta, gastroenterologista da Mayo Clinic, afirmou que essa informação é valiosa, já que muitos pacientes pagam centenas de dólares do próprio bolso pelos medicamentos.

“Podemos identificar quem realmente precisa desse medicamento caro e quem pode não responder e precisar de outra opção”, disse Acosta, cofundador da Phenomix Sciences, empresa que comercializa testes genéticos para prever respostas a tratamentos de perda de peso.

Medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, funcionam imitando hormônios intestinais como o GLP-1, reduzindo o apetite e aumentando a sensação de saciedade.

Esses medicamentos podem levar à perda de mais de 20% do peso corporal, mas nem todos os pacientes alcançam esse resultado. Médicos estimam que cerca de 10% a 15% das pessoas perdem menos de 5% do peso. Entre os efeitos colaterais conhecidos estão náusea e vômito, que também variam entre os pacientes.

Diferença genética

Condições médicas pré-existentes, idade e outros fatores explicam parte dessa variação, mas médicos já suspeitavam que diferenças genéticas também desempenhassem um papel.

Os pesquisadores da 23andMe identificaram que uma variante no gene GLP1R está associada a uma perda adicional modesta de peso com medicamentos GLP-1. Esse gene codifica os receptores de GLP-1 no organismo — alvo de medicamentos como Ozempic e Wegovy.

Pessoas com essa variante perderam até cerca de 1,5 kg a mais do que aquelas sem a mutação e também apresentaram maior probabilidade de efeitos colaterais como náusea e vômito. A perda de peso mediana no estudo foi de aproximadamente 11 kg.

Essa variante é relativamente comum, presente em cerca de 40% das pessoas de ascendência europeia e 38% das de origem do Oriente Médio, sendo menos frequente em pessoas de ascendência africana (cerca de 7%).

Outra variante, no gene GIPR, foi associada a maior probabilidade de efeitos colaterais especificamente com medicamentos como Mounjaro e Zepbound, que também atuam sobre o hormônio GIP.

Apesar dos achados, ainda há muitas incertezas sobre por que os resultados variam tanto entre os pacientes. Fatores genéticos e não genéticos explicam apenas parte dessa variação, segundo Ruth J.F. Loos, professora da Universidade de Copenhague, em comentário publicado na Nature.

Para a Dra. Marie Spreckley, pesquisadora da Universidade de Cambridge, ainda é cedo para usar testes genéticos na prática clínica para orientar o uso desses medicamentos.

“No geral, este é um passo importante para entender a variabilidade e o potencial de abordagens mais precisas no futuro”, disse. “Mas os efeitos ainda são modestos e as evidências não são suficientes para orientar decisões clínicas rotineiras com base em dados genéticos.”

Escreva para Peter Loftus em: peter.loftus@wsj.com

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“Se Trump vacilar, as coisas vão piorar muito”, diz Roubini sobre guerra dos EUA com Irã

O mundo – e os mercados – torcem para que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã termine o quanto antes, para colocar fim à pressão sobre o preço do petróleo. Mas o economista Nouriel Roubini avalia que a situação ainda vai piorar antes de melhorar. Com a ameaça de Donald Trump […]

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Por que Doritos a US$ 7 o pacote custaram bilhões à PepsiCo

Os preços dos chips da PepsiCo ficaram altos demais nos Estados Unidos. O Walmart vinha alertando a fabricante de Doritos, Lay’s, Cheetos e outros snacks populares sobre isso há mais de um ano. Executivos da PepsiCo também tinham ciência do problema, já que as vendas destes produtos estavam caindo. Alguns pacotes de chips custavam mais de US$ 7; no Walmart, o preço dos Doritos subiu quase 50% desde 2021, segundo dados da Attain, que acompanha gastos dos consumidores.

Mesmo quando o Walmart reduziu o espaço de prateleira dos salgadinhos em favor de suas marcas próprias mais baratas e de concorrentes como Takis, os preços não caíram. Somente em fevereiro, a PepsiCo anunciou que cortaria preços em até 15% em alguns snacks salgados. Até então, os snacks da Pespico já tinham perdido suas metas internas de receita por dois anos consecutivos, com déficit superior a US$ 1 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Agora que a redução de preços começou, novos desafios surgem e podem reduzir o impacto esperado. Com a guerra no Irã elevando os preços do petróleo, consumidores sob maior pressão econômica podem não se sentir atraídos por descontos de menos de um dólar por pacote. Além disso, custos mais altos de alimentos e embalagens podem comprometer as margens da empresa, dependendo da duração do conflito.

Antes da guerra, os cortes de preços eram “provavelmente suficientes” para atrair clientes e aumentar a receita da PepsiCo, disse Nik Modi, co-chefe de pesquisa global de consumo e varejo do RBC Capital Markets. “Mas e agora?” Um porta-voz da PepsiCo se recusou a comentar a reportagem.

Cidades selecionadas

O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, disse em fevereiro que a empresa saberá até o verão se os cortes são “suficientes”. Testes em cidades selecionadas no ano passado já geraram aumento significativo de volume. Ao concordar em reduzir os preços, a empresa garantiu, em média, um aumento de dois dígitos no espaço de prateleira em grandes varejistas como Walmart, Costco e Target. A expectativa é que essas mudanças estejam totalmente implementadas até o final do mês.

Executivos da PepsiCo discutiam como lidar com os preços desde pelo menos 2024, quando a receita dos snacks ficou negativa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Ninguém queria assumir a responsabilidade por uma queda de receita de curto prazo provocada por cortes de preço. A empresa tentou outras estratégias para atrair clientes: promoções, redução de quantidade nas embalagens. Nada funcionou.

Quando Rachel Ferdinando assumiu a divisão de alimentos dos EUA no início de 2025, constatou que os preços precisavam cair. Assim, a PepsiCo testou cortes de preços em mercados selecionados na segunda metade de 2025 e iniciou o plano de forma mais ampla no início de 2026.

Pressões externas aumentavam. As receitas que tinham crescido por 53 trimestres consecutivos, mais de 13 anos, começaram a cair. A PepsiCo perdia participação de mercado para marcas próprias mais baratas, enquanto concorrentes como Conagra Brands e General Mills já estavam reduzindo preços.

Reuniões com varejistas como Walmart, que queriam que a empresa resolvesse rapidamente a questão da acessibilidade, ficaram tensas.

Na sede da PepsiCo em Nova York, Laguarta também se preocupava com outras prioridades. Consumidores americanos buscavam cada vez mais opções mais saudáveis. Laguarta incentivou a empresa a investir mais em alimentos ricos em proteína e fibra, que geralmente custam mais que os chips. Ele também trabalhava na abertura de um restaurante com a marca Lay’s na Espanha.

Em setembro, com a ação da empresa caindo mais de 20% desde o pico de 2023, a Elliott Investment Management adquiriu participação de US$ 4 bilhões, com uma lista de exigências, incluindo tornar os produtos mais acessíveis.

No final do ano, a PepsiCo anunciou que reduziria preços em até 15% em alguns snacks, focando em pacotes maiores das marcas mais populares, incluindo Doritos e Cheetos. Laguarta descreveu os cortes como “muito cirúrgicos”. A empresa também implementou cortes de custos, incluindo demissões.

Com o valor de mercado da PepsiCo caído mais de US$ 50 bilhões desde 2023, os preços mais baixos começaram a aparecer nas lojas no início de 2026.

Em um Walmart em Washington, no final de março, pacotes de Cheetos eram exibidos em local de destaque, com um grande cartaz vermelho anunciando o preço promocional US$ 3,97, reduzido de US$ 4,43.

Lee Jones, aposentado, disse que não compra chips com frequência, mas colocou um pacote de Tostitos de milho azul orgânico no carrinho porque estava em promoção e identificado como orgânico. “O preço importa”, afirmou.

Em outro mercado em El Monte, Califórnia, pacotes de salgadinhos estavam com preços reduzidos. O dono, Amar Singh, disse que ainda não notou aumento nas vendas. Um grande pacote de Ruffles custava US$ 5,49, 80 centavos a menos. “As vendas caíram muito desde o ano passado”, disse, atribuindo não só aos preços altos, mas também a fatores como operações de imigração. “As pessoas simplesmente estão gastando menos.”

O mantra da divisão de snacks da PepsiCo era “Frito-Lay Five Forever”, com a meta de crescer 5% ao ano, como vinha acontecendo há décadas. A Lay’s era a galinha dos ovos de ouro da PepsiCo, gerando recursos para a divisão de bebidas. Diferente das marcas de refrigerantes, que competem com a Coca-Cola, a Lay’s domina o mercado de salgadinhos, controlando quase 60% do mercado americano, segundo o RBC Capital Markets.

Durante a pandemia, como outras empresas de alimentos, a PepsiCo aumentou preços para cobrir custos de cadeia de suprimentos e mão de obra. No início, consumidores com dinheiro do auxílio emergencial não se incomodaram. Mas aumentos modestos se tornaram significativos: até o terceiro trimestre de 2022, os preços líquidos subiram 20% em relação ao ano anterior.

O crescimento da receita disparou nos dois anos seguintes, e bônus internos aumentaram. “Os snacks são a joia da PepsiCo”, disse Laguarta em 2023, destacando que tinham as maiores margens. “Não importa o que aconteça com o consumidor, continuaremos sendo a escolha preferida.”

Mas os clientes começaram a recusar o alto preço dos pacotes de chips. “Reduzi um pouco as compras”, disse Denton Malcom, consultor de negócios em Washington, DC, que gosta de Doritos, Tostitos e Ruffles — mas não a qualquer preço.

Quando as vendas começaram a cair em 2023, funcionários alertaram que os preços estavam altos e aumentos muito frequentes. Mesmo assim, gerentes seniores não quiseram reduzir preços.

A PepsiCo tentou outras estratégias: pacotes menores, promoções, multi-packs mais baratos, novos produtos sem corantes artificiais e opções mais ricas em proteína e fibra, para atrair consumidores preocupados com saúde.

Em 2023 e 2024, Laguarta previu que o volume da Lay’s se recuperaria. “Testamos diferentes táticas para atender ao consumidor e vemos que está funcionando.”

Em 2024, a receita da divisão de snacks ficou negativa pela primeira vez em mais de uma década. A empresa perdia não só clientes, mas também espaço de prateleira, incluindo os pontos mais cobiçados. Alguns funcionários se incomodaram com pacotes custando mais de US$ 7.

Em 2025, a revisão de Ferdinando deixou claro que a PepsiCo precisava cortar preços. No segundo semestre de 2025, foram feitos testes, e em 2026 a redução começou a ser aplicada em maior escala.

Analistas afirmam que a empresa deveria ter cortado preços antes. “A PepsiCo, como muitas, assumia que os consumidores suportariam os aumentos e só agora entende a importância da ‘acessibilidade’ para o consumidor típico.”

Agora, a mensagem é que a PepsiCo está totalmente comprometida em oferecer valor. “Os consumidores deixaram claro: a acessibilidade nunca foi tão importante”, disse Ferdinando.

Em supermercados Safeway em Washington, DC, pacotes familiares de Doritos e Tostitos eram vendidos por até US$ 2,49, se comprados em múltiplos de três. Pacotes maiores, como Tostitos estilo restaurante, ainda custavam US$ 7,29.

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Por que Doritos a US$ 7 o pacote custaram bilhões à PepsiCo

Os preços dos chips da PepsiCo ficaram altos demais nos Estados Unidos. O Walmart vinha alertando a fabricante de Doritos, Lay’s, Cheetos e outros snacks populares sobre isso há mais de um ano. Executivos da PepsiCo também tinham ciência do problema, já que as vendas destes produtos estavam caindo. Alguns pacotes de chips custavam mais de US$ 7; no Walmart, o preço dos Doritos subiu quase 50% desde 2021, segundo dados da Attain, que acompanha gastos dos consumidores.

Mesmo quando o Walmart reduziu o espaço de prateleira dos salgadinhos em favor de suas marcas próprias mais baratas e de concorrentes como Takis, os preços não caíram. Somente em fevereiro, a PepsiCo anunciou que cortaria preços em até 15% em alguns snacks salgados. Até então, os snacks da Pespico já tinham perdido suas metas internas de receita por dois anos consecutivos, com déficit superior a US$ 1 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Agora que a redução de preços começou, novos desafios surgem e podem reduzir o impacto esperado. Com a guerra no Irã elevando os preços do petróleo, consumidores sob maior pressão econômica podem não se sentir atraídos por descontos de menos de um dólar por pacote. Além disso, custos mais altos de alimentos e embalagens podem comprometer as margens da empresa, dependendo da duração do conflito.

Antes da guerra, os cortes de preços eram “provavelmente suficientes” para atrair clientes e aumentar a receita da PepsiCo, disse Nik Modi, co-chefe de pesquisa global de consumo e varejo do RBC Capital Markets. “Mas e agora?” Um porta-voz da PepsiCo se recusou a comentar a reportagem.

Cidades selecionadas

O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, disse em fevereiro que a empresa saberá até o verão se os cortes são “suficientes”. Testes em cidades selecionadas no ano passado já geraram aumento significativo de volume. Ao concordar em reduzir os preços, a empresa garantiu, em média, um aumento de dois dígitos no espaço de prateleira em grandes varejistas como Walmart, Costco e Target. A expectativa é que essas mudanças estejam totalmente implementadas até o final do mês.

Executivos da PepsiCo discutiam como lidar com os preços desde pelo menos 2024, quando a receita dos snacks ficou negativa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Ninguém queria assumir a responsabilidade por uma queda de receita de curto prazo provocada por cortes de preço. A empresa tentou outras estratégias para atrair clientes: promoções, redução de quantidade nas embalagens. Nada funcionou.

Quando Rachel Ferdinando assumiu a divisão de alimentos dos EUA no início de 2025, constatou que os preços precisavam cair. Assim, a PepsiCo testou cortes de preços em mercados selecionados na segunda metade de 2025 e iniciou o plano de forma mais ampla no início de 2026.

Pressões externas aumentavam. As receitas que tinham crescido por 53 trimestres consecutivos, mais de 13 anos, começaram a cair. A PepsiCo perdia participação de mercado para marcas próprias mais baratas, enquanto concorrentes como Conagra Brands e General Mills já estavam reduzindo preços.

Reuniões com varejistas como Walmart, que queriam que a empresa resolvesse rapidamente a questão da acessibilidade, ficaram tensas.

Na sede da PepsiCo em Nova York, Laguarta também se preocupava com outras prioridades. Consumidores americanos buscavam cada vez mais opções mais saudáveis. Laguarta incentivou a empresa a investir mais em alimentos ricos em proteína e fibra, que geralmente custam mais que os chips. Ele também trabalhava na abertura de um restaurante com a marca Lay’s na Espanha.

Em setembro, com a ação da empresa caindo mais de 20% desde o pico de 2023, a Elliott Investment Management adquiriu participação de US$ 4 bilhões, com uma lista de exigências, incluindo tornar os produtos mais acessíveis.

No final do ano, a PepsiCo anunciou que reduziria preços em até 15% em alguns snacks, focando em pacotes maiores das marcas mais populares, incluindo Doritos e Cheetos. Laguarta descreveu os cortes como “muito cirúrgicos”. A empresa também implementou cortes de custos, incluindo demissões.

Com o valor de mercado da PepsiCo caído mais de US$ 50 bilhões desde 2023, os preços mais baixos começaram a aparecer nas lojas no início de 2026.

Em um Walmart em Washington, no final de março, pacotes de Cheetos eram exibidos em local de destaque, com um grande cartaz vermelho anunciando o preço promocional US$ 3,97, reduzido de US$ 4,43.

Lee Jones, aposentado, disse que não compra chips com frequência, mas colocou um pacote de Tostitos de milho azul orgânico no carrinho porque estava em promoção e identificado como orgânico. “O preço importa”, afirmou.

Em outro mercado em El Monte, Califórnia, pacotes de salgadinhos estavam com preços reduzidos. O dono, Amar Singh, disse que ainda não notou aumento nas vendas. Um grande pacote de Ruffles custava US$ 5,49, 80 centavos a menos. “As vendas caíram muito desde o ano passado”, disse, atribuindo não só aos preços altos, mas também a fatores como operações de imigração. “As pessoas simplesmente estão gastando menos.”

O mantra da divisão de snacks da PepsiCo era “Frito-Lay Five Forever”, com a meta de crescer 5% ao ano, como vinha acontecendo há décadas. A Lay’s era a galinha dos ovos de ouro da PepsiCo, gerando recursos para a divisão de bebidas. Diferente das marcas de refrigerantes, que competem com a Coca-Cola, a Lay’s domina o mercado de salgadinhos, controlando quase 60% do mercado americano, segundo o RBC Capital Markets.

Durante a pandemia, como outras empresas de alimentos, a PepsiCo aumentou preços para cobrir custos de cadeia de suprimentos e mão de obra. No início, consumidores com dinheiro do auxílio emergencial não se incomodaram. Mas aumentos modestos se tornaram significativos: até o terceiro trimestre de 2022, os preços líquidos subiram 20% em relação ao ano anterior.

O crescimento da receita disparou nos dois anos seguintes, e bônus internos aumentaram. “Os snacks são a joia da PepsiCo”, disse Laguarta em 2023, destacando que tinham as maiores margens. “Não importa o que aconteça com o consumidor, continuaremos sendo a escolha preferida.”

Mas os clientes começaram a recusar o alto preço dos pacotes de chips. “Reduzi um pouco as compras”, disse Denton Malcom, consultor de negócios em Washington, DC, que gosta de Doritos, Tostitos e Ruffles — mas não a qualquer preço.

Quando as vendas começaram a cair em 2023, funcionários alertaram que os preços estavam altos e aumentos muito frequentes. Mesmo assim, gerentes seniores não quiseram reduzir preços.

A PepsiCo tentou outras estratégias: pacotes menores, promoções, multi-packs mais baratos, novos produtos sem corantes artificiais e opções mais ricas em proteína e fibra, para atrair consumidores preocupados com saúde.

Em 2023 e 2024, Laguarta previu que o volume da Lay’s se recuperaria. “Testamos diferentes táticas para atender ao consumidor e vemos que está funcionando.”

Em 2024, a receita da divisão de snacks ficou negativa pela primeira vez em mais de uma década. A empresa perdia não só clientes, mas também espaço de prateleira, incluindo os pontos mais cobiçados. Alguns funcionários se incomodaram com pacotes custando mais de US$ 7.

Em 2025, a revisão de Ferdinando deixou claro que a PepsiCo precisava cortar preços. No segundo semestre de 2025, foram feitos testes, e em 2026 a redução começou a ser aplicada em maior escala.

Analistas afirmam que a empresa deveria ter cortado preços antes. “A PepsiCo, como muitas, assumia que os consumidores suportariam os aumentos e só agora entende a importância da ‘acessibilidade’ para o consumidor típico.”

Agora, a mensagem é que a PepsiCo está totalmente comprometida em oferecer valor. “Os consumidores deixaram claro: a acessibilidade nunca foi tão importante”, disse Ferdinando.

Em supermercados Safeway em Washington, DC, pacotes familiares de Doritos e Tostitos eram vendidos por até US$ 2,49, se comprados em múltiplos de três. Pacotes maiores, como Tostitos estilo restaurante, ainda custavam US$ 7,29.

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Bill Ackman faz oferta de US$ 60 bilhões pela gravadora Universal Music

O investidor ativista bilionário Bill Ackman propôs uma oferta pela Universal Music Group, avaliando a empresa em cerca de US$ 60 bilhões — mais uma tentativa de assumir a maior gravadora do mundo. A Universal Music reúne alguns dos maiores artistas do mundo, como Taylor Swift, Bad Bunny, The Beatles, Bob Dylan, Kendrick Lamar, Elton John, Coldplay e Billie Eilish. Ela é uma das “três grandes” gravadoras globais, ao lado da Warner Music e da Sony Music, com mais de 30% do mercado mundial de música gravada.

A gestora de Bill Ackman, a Pershing Square Capital Management, controla mais de 4,5% das ações da Universal Music, quer combinar a gravadora com a Pershing Square SPARC Holdings, um veículo de aquisição criado especificamente para essa operação. A nova empresa seria sediada em Nevada e transferiria sua listagem principal de Amsterdã para a Bolsa de Nova York.

O negócio, se aprovado, pode ser concluído até o fim do ano. Ackman afirmou que a transação avaliaria a Universal Music em €30,40 por ação (cerca de US$ 35,15), o que implicaria um valor superior a US$ 63 bilhões.

Os acionistas que aceitarem a proposta receberiam uma combinação de dinheiro e ações — incluindo €9,4 bilhões em caixa — podendo optar inclusive por receber tudo em dinheiro ou tudo em ações. Em alguns cenários, investidores poderiam receber até €22 por ação em dinheiro.

A operação também prevê o cancelamento de cerca de 17% das ações da empresa, o que reduziria o valor patrimonial para cerca de US$ 58 bilhões após os pagamentos em dinheiro. A estrutura depende de premissas como valorização futura das ações, aumento de lucros e mudanças no balanço, incluindo cerca de US$ 5,8 bilhões em nova dívida e a venda da participação na Spotify Technology SA por aproximadamente US$ 1,6 bilhão.

Ackman argumenta que a ação da Universal Music tem sido prejudicada por fatores não relacionados ao desempenho operacional do negócio musical e que poderiam ser resolvidos com a transação.

Entre os principais acionistas estão o bilionário francês Vincent Bolloré, a Vivendi e a Tencent Holdings, que juntos detêm participação relevante e poder de voto. A proposta exige aprovação de dois terços dos acionistas — o que pode ser um obstáculo importante.

As ações da Universal Music Group chegaram a subir cerca de 13%, para aproximadamente US$ 21, mas ainda permanecem bem abaixo da avaliação proposta por Ackman. O valor de mercado gira em torno de US$ 38 bilhões, pouco acima do preço de referência de cerca de US$ 20,00 na abertura de capital em 2021.

A empresa tem sede operacional em Santa Monica, nos EUA, e sede corporativa em Hilversum, na Holanda. Foi listada na Euronext Amsterdam em setembro de 2021 após ser desmembrada da Vivendi.

Taylor Swift tocando violão branco em palco com vestido preto cintilante e microfone.
Taylor Swift Photographer: Terry Wyatt/Getty Images

Ackman já tenta investir na Universal Music desde 2021, quando tentou usar o veículo Pershing Square Tontine Holdings para adquirir uma participação, mas abandonou o plano após resistência de reguladores e investidores. Posteriormente, comprou cerca de 10% da empresa via seu hedge fund, integrou o conselho e depois deixou o cargo em 2025.

O veículo Pershing Square SPARC Holdings, utilizado na nova proposta, foi aprovado pela U.S. Securities and Exchange Commission (órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, equivalente à CVM no Brasil) em 2023 e funciona como uma alternativa aos SPACs tradicionais.

LEIA MAIS: Os shows estão cada vez mais caros. E agora é preciso também gastar com a viagem nos EUA

Diferentemente desses veículos, que captam recursos antes de definir uma empresa-alvo, o modelo SPARC permite que o investidor decida participar apenas depois que o negócio já foi identificado e estruturado, no caso, a aquisição da Universal Music Group, aumentando a transparência e reduzindo o risco para quem entra na operação.

Como parte do plano, Ackman também propôs um novo conselho de administração, incluindo Michael Ovitz, ex-presidente da The Walt Disney Company. Apesar do entusiasmo do investidor, analistas apontam que a aprovação depende fortemente do apoio dos principais acionistas, especialmente Bolloré e que, sem isso, a proposta pode não avançar.

Quem é Bill Ackman

Bill Ackman é um investidor bilionário americano e gestor de hedge funds conhecido por seu estilo ativista, no qual adquire participações relevantes em empresas para pressionar por mudanças estratégicas e destravar valor.

Fundador da Pershing Square Capital Management, ele ganhou notoriedade em Wall Street por apostas de alto impacto — tanto bem-sucedidas quanto controversas — e por seu envolvimento direto na gestão das companhias em que investe. Ao longo da carreira, Ackman se destacou por campanhas em empresas de grande porte e por sua disposição em assumir posições públicas firmes sobre governança e desempenho corporativo. Sua fortuna é estimada em cerca de US$ 8,5 bilhões em 2026, segundo o ranking Bloomberg Billionaires Index.

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Como os ETFs podem ajudar a investir no exterior em um cenário de juros altos e tensão

marfcelo

 Em um cenário global atravessado por juros ainda elevados e novas tensões geopolíticas, como equilibrar riscos e fazer a escolha certa de investimentos no exterior? Na avaliação de Marcelo Carramaschi, gestor de offshore da Monte Bravo, a construção de portfólio precisa considerar diferentes cenários. “O investidor precisa entender como os ativos se comportam em […]

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Blue Owl vê US$ 5,4 bilhões “baterem asa” em meio à crise do crédito privado nos EUA

A crise que acomete o segmento de crédito privado nos Estados Unidos segue forte. E um dos principais nomes do setor está sofrendo com um aumento expressivo no número de resgates em seus dois principais fundos no primeiro trimestre Trata-se da Blue Owl Capital, que teve resgates da ordem de US$ 4,5 bilhões, segundo cálculo […]

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Governo oferece R$ 15 bilhões a empresas afetadas por tarifas e Guerra no Oriente Médio

O Brasil lançou um novo programa para oferecer financiamento a empresas que enfrentam dificuldades devido ao impacto das tarifas dos Estados Unidos e da guerra no Oriente Médio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou nesta quarta-feira uma medida provisória que oferece R$ 15 bilhões em crédito para ajudar empresas afetadas por razões geopolíticas e instabilidade internacional, como a guerra no Oriente Médio e medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Uma ampla gama de empresas pode se qualificar, desde exportadores do setor industrial atingidos por tarifas até produtores de fertilizantes, considerados essenciais para reduzir a dependência do Brasil em relação às importações, interrompidas pela guerra.

A medida, noticiada inicialmente pelo jornal O Globo, marca uma nova fase do programa Brasil Soberano, lançado no ano passado após o presidente americano Donald Trump ter imposto tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras para os EUA.

Na época, o programa fazia parte de uma resposta mais ampla de Lula que ajudou a impulsionar sua popularidade. Agora, o líder de esquerda está lutando para conter o aumento dos custos dos combustíveis e as interrupções na oferta de fertilizantes, que ameaçam elevar a inflação e gerar insatisfação entre caminhoneiros, agricultores e empresários.

Os recursos serão direcionados para capital de giro, aquisição de bens de capital e investimentos voltados à adaptação da produção, ampliação da capacidade produtiva e investimentos em inovação tecnológica. Os recursos virão de superávits financeiros do Tesouro, do fundo garantidor de exportações e de outras fontes orçamentárias. 

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Estée Lauder avalia comprar a Puig e criar gigante de US$ 20 bilhões com marcas Rabanne e Carolina Herrera

A Estée Lauder anunciou que está em conversas para comprar a Puig Brands em um acordo que criaria um gigante de cosméticos com cerca de US$ 20 bilhões em vendas anuais.

As empresas não divulgaram detalhes sobre os termos. A Puig, com sede na Espanha, tem valor de mercado de cerca de €10 bilhões ( US$11,6 bilhões).

Uma aquisição da empresa espanhola daria à Estée Lauder marcas de perfumes e moda bem conhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, ajudando-a a competir melhor com a maior empresa de cosméticos do mundo, L’Oréal SA.

Para a Puig, que gerou cerca de €5 bilhões (US$5,8 bilhões) em vendas no ano passado, a movimentação ocorre após desaceleração do crescimento e revisões para baixo nas estimativas de lucros, o que derrubou suas ações desde a oferta pública inicial (IPO) em 2024.

As ações da Puig dispararam até 17% na terça-feira em Madri, registrando a maior alta da história. Já as ações da Estée Lauder caíram 7,7% no fechamento de segunda-feira em Nova York.

“O potencial aquisição da Puig desviaria a Estée Lauder de seu curso”, disseram analistas do Barclays liderados por Lauren R. Lieberman, afirmando que a empresa com sede em Barcelona não se encaixa na reorganização da Estée Lauder, incluindo seu plano de focar em fragrâncias de luxo e nicho, que representam apenas cerca de 15% do portfólio da Puig.

As ações da Estée Lauder subiram no último ano com otimismo em relação à estratégia de recuperação sob o comando do CEO Stephane de la Faverie. Ainda assim, a orientação mais recente da empresa decepcionou os investidores. De la Faverie reconheceu que “há mais trabalho a ser feito” durante uma teleconferência com analistas.

A Puig também passou por grandes mudanças, recentemente anunciando um novo CEO. Marc Puig, membro da família fundadora, deixou o cargo de CEO, mantendo-se como presidente executivo, com foco em fusões e aquisições.

A Puig ainda é controlada pela terceira geração da família que criou a empresa há mais de um século.

As ações da empresa estavam 37% abaixo do preço da IPO no fechamento de segunda-feira. Os papéis foram impactados por decepções iniciais em lucros e preocupações de investidores com a exposição a fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita.

“Estamos surpresos que a família Puig abra mão da independência e do controle majoritário”, disse a analista do JPMorgan, Céline Pannuti, acrescentando que acredita que “interesse potencial de outros players da indústria poderia surgir”.

Segundo Regis Bégué, sócio da Zadig Asset Management, que detém cerca de 1% da empresa espanhola, os problemas da Puig vêm da falha em comunicar seus sucessos em um setor que tem sido fortemente impactado em toda a Europa.

Ainda assim, “uma combinação com a Estée Lauder seria um passo na direção que a empresa já estava seguindo”, disse ele. “Eles teriam participação na Estée Lauder, seja minoritária ou outra. Com o tempo, poderiam reduzir essa participação, facilitando o plano de sucessão da família.”

Riscos de Integração

A Estée Lauder possui um portfólio de cerca de duas dúzias de marcas de cosméticos, incluindo La Mer e The Ordinary. A adição da Puig, dona das marcas Byredo e Charlotte Tilbury, provavelmente levantaria questões de investidores e analistas sobre a capacidade da empresa de integrar efetivamente novas marcas, enquanto continua sua estratégia de recuperação.

“Com a Estée Lauder adicionando ainda mais marcas a um portfólio já grande, acreditamos que isso poderia gerar ainda mais complexidade para a organização, que vem tentando simplificar operações e portfólio”, disseram os analistas do Barclays liderados por Lieberman.

De la Faverie tem focado em transferir a venda das marcas para canais online de crescimento mais rápido, como a Amazon.com, que a empresa havia evitado por anos devido a preocupações de que isso prejudicaria sua imagem premium. A companhia também vem vendendo produtos de preço mais baixo, em parte para atrair uma geração mais jovem de consumidores.

Em função de uma experiência anterior, o CEO supervisionou a enorme divisão de fragrâncias da Estée Lauder, que teve bom desempenho em meio ao aumento da demanda pós-pandemia. O potencial acordo para adquirir a Puig provavelmente aposta na continuidade da força desses produtos.

O negócio também permitiria que a Estée Lauder enfrentasse a L’Oréal, que a superou nos EUA. A L’Oréal foi mais rápida em aproveitar o boom pós-pandemia de produtos dermatológicos, com marcas como CeraVe.

O Financial Times publicou informações sobre o potencial negócio na segunda-feira.

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Estée Lauder avalia comprar a Puig e criar gigante de US$ 20 bilhões com marcas Rabanne e Carolina Herrera

A Estée Lauder anunciou que está em conversas para comprar a Puig Brands em um acordo que criaria um gigante de cosméticos com cerca de US$ 20 bilhões em vendas anuais.

As empresas não divulgaram detalhes sobre os termos. A Puig, com sede na Espanha, tem valor de mercado de cerca de €10 bilhões ( US$11,6 bilhões).

Uma aquisição da empresa espanhola daria à Estée Lauder marcas de perfumes e moda bem conhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, ajudando-a a competir melhor com a maior empresa de cosméticos do mundo, L’Oréal SA.

Para a Puig, que gerou cerca de €5 bilhões (US$5,8 bilhões) em vendas no ano passado, a movimentação ocorre após desaceleração do crescimento e revisões para baixo nas estimativas de lucros, o que derrubou suas ações desde a oferta pública inicial (IPO) em 2024.

As ações da Puig dispararam até 17% na terça-feira em Madri, registrando a maior alta da história. Já as ações da Estée Lauder caíram 7,7% no fechamento de segunda-feira em Nova York.

“O potencial aquisição da Puig desviaria a Estée Lauder de seu curso”, disseram analistas do Barclays liderados por Lauren R. Lieberman, afirmando que a empresa com sede em Barcelona não se encaixa na reorganização da Estée Lauder, incluindo seu plano de focar em fragrâncias de luxo e nicho, que representam apenas cerca de 15% do portfólio da Puig.

As ações da Estée Lauder subiram no último ano com otimismo em relação à estratégia de recuperação sob o comando do CEO Stephane de la Faverie. Ainda assim, a orientação mais recente da empresa decepcionou os investidores. De la Faverie reconheceu que “há mais trabalho a ser feito” durante uma teleconferência com analistas.

A Puig também passou por grandes mudanças, recentemente anunciando um novo CEO. Marc Puig, membro da família fundadora, deixou o cargo de CEO, mantendo-se como presidente executivo, com foco em fusões e aquisições.

A Puig ainda é controlada pela terceira geração da família que criou a empresa há mais de um século.

As ações da empresa estavam 37% abaixo do preço da IPO no fechamento de segunda-feira. Os papéis foram impactados por decepções iniciais em lucros e preocupações de investidores com a exposição a fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita.

“Estamos surpresos que a família Puig abra mão da independência e do controle majoritário”, disse a analista do JPMorgan, Céline Pannuti, acrescentando que acredita que “interesse potencial de outros players da indústria poderia surgir”.

Segundo Regis Bégué, sócio da Zadig Asset Management, que detém cerca de 1% da empresa espanhola, os problemas da Puig vêm da falha em comunicar seus sucessos em um setor que tem sido fortemente impactado em toda a Europa.

Ainda assim, “uma combinação com a Estée Lauder seria um passo na direção que a empresa já estava seguindo”, disse ele. “Eles teriam participação na Estée Lauder, seja minoritária ou outra. Com o tempo, poderiam reduzir essa participação, facilitando o plano de sucessão da família.”

Riscos de Integração

A Estée Lauder possui um portfólio de cerca de duas dúzias de marcas de cosméticos, incluindo La Mer e The Ordinary. A adição da Puig, dona das marcas Byredo e Charlotte Tilbury, provavelmente levantaria questões de investidores e analistas sobre a capacidade da empresa de integrar efetivamente novas marcas, enquanto continua sua estratégia de recuperação.

“Com a Estée Lauder adicionando ainda mais marcas a um portfólio já grande, acreditamos que isso poderia gerar ainda mais complexidade para a organização, que vem tentando simplificar operações e portfólio”, disseram os analistas do Barclays liderados por Lieberman.

De la Faverie tem focado em transferir a venda das marcas para canais online de crescimento mais rápido, como a Amazon.com, que a empresa havia evitado por anos devido a preocupações de que isso prejudicaria sua imagem premium. A companhia também vem vendendo produtos de preço mais baixo, em parte para atrair uma geração mais jovem de consumidores.

Em função de uma experiência anterior, o CEO supervisionou a enorme divisão de fragrâncias da Estée Lauder, que teve bom desempenho em meio ao aumento da demanda pós-pandemia. O potencial acordo para adquirir a Puig provavelmente aposta na continuidade da força desses produtos.

O negócio também permitiria que a Estée Lauder enfrentasse a L’Oréal, que a superou nos EUA. A L’Oréal foi mais rápida em aproveitar o boom pós-pandemia de produtos dermatológicos, com marcas como CeraVe.

O Financial Times publicou informações sobre o potencial negócio na segunda-feira.

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Preço da carne não para de subir. Para McDonald’s e Burger King, é hora de apostar em promoções

Os lucros das maiores redes de hambúrguer dos Estados Unidos estão sob pressão — e, ainda assim, elas seguem apostando em descontos.

As marcas de fast-food vêm enfrentando o aumento acelerado no custo da carne bovina, que subiu 48% nos últimos 12 meses no atacado para o tipo de carne moída mais comum no setor, segundo dados federais.

Ainda assim, quando os americanos comem fora, mais consumidores estão optando por itens com promoções do que em qualquer momento dos últimos 50 anos, de acordo com a consultoria Circana.

A combinação de mais descontos com custos mais altos ameaça pressionar ainda mais as margens. No ano passado, a lucratividade média por restaurante do Burger King nos EUA caiu cerca de 10%. A Jack in the Box afirmou no mês passado que o custo da carne e vendas mais fracas reduziram os ganhos dos franqueados.

“Os dias de gastar mais de US$ 15 em uma refeição de hambúrguer ficaram para trás para nós, quando há opções melhores”, disse Josh Fulps, de 28 anos, que trabalha com gestão de patrimônio em Vancouver, Washington. Ele afirmou que, quando vai ao fast-food, busca religiosamente descontos no aplicativo do McDonald’s ou opta por combos promocionais como o Biggie Bag da Wendy’s.

Os preços da carne devem permanecer elevados, já que pecuaristas reduziram seus rebanhos ao menor nível em 75 anos e não têm pressa para expandi-los.

O movimento de queda no fluxo de clientes começou em 2024, levando McDonald’s, Taco Bell, Burger King e outras empresas a intensificarem as promoções. No ano passado, as redes de hambúrguer nos EUA lançaram cerca de 3.000 promoções — quase o triplo de 2019, segundo a Technomic.

Neste ano, as ofertas avançam ainda mais. O McDonald’s deve lançar no próximo mês um novo menu de US$ 3 ou menos, com itens como McDouble, batatas fritas ou hash browns, segundo pessoas familiarizadas com o plano. Essa será a quarta atualização nacional de ofertas de valor da rede em cerca de 21 meses.

“Vamos fazer o que for preciso para atender os consumidores de uma forma que também seja lucrativa para o nosso negócio”, disse o diretor financeiro do McDonald’s, Ian Borden, em entrevista em fevereiro.

As redes de fast-food registraram margem média de lucro de 4% no ano passado, pressionadas pela alta de custos, especialmente de mão de obra, segundo a National Restaurant Association. Em 2016, essa margem era estimada em 6,6%.

Segundo Jim Lewis, franqueado do McDonald’s por 32 anos até 2019, a rede deve conseguir lidar com o cenário graças ao alto volume de vendas, mas a guerra de descontos deve agravar os desafios de lucratividade para outras redes.

“O vencedor está indo bem, mas a categoria de hambúrgueres está sob pressão”, afirmou.

O Burger King mantém suas ofertas atuais de valor — US$ 5 por dois itens ou US$ 7 por três — como forma de dar flexibilidade entre hambúrgueres, acompanhamentos e sobremesas. A empresa diz estar confiante nos resultados dessas estratégias.

Outras iniciativas, como campanhas de marketing, reformas de lojas e melhorias operacionais, também têm ajudado a sustentar a rentabilidade dos franqueados em um ambiente desafiador.

Na Jack in the Box, o diretor de clientes e digital, Ryan Ostrom, afirmou que a marca tem lançado ofertas no momento certo, “não apenas quando os concorrentes fazem o mesmo”. Wendy’s e Jack in the Box disseram que seguem comprometidas em proteger a rentabilidade dos franqueados com investimentos em tecnologia e eficiência.

No mercado financeiro, as ações do McDonald’s subiram 0,9% no último ano, enquanto os papéis da controladora do Burger King, Restaurant Brands International, avançaram cerca de 9%. Já a Shake Shack caiu 1,8%, a Wendy’s recuou 53,8% e a Jack in the Box despencou 64,4%.

Para Greg Creed, ex-CEO da Yum! Brands (dona de KFC e Taco Bell), os descontos só funcionam se atraírem mais clientes sem comprometer a saúde financeira dos operadores.

“O futuro da marca depende do sucesso financeiro dos franqueados, não da saúde financeira da franqueadora”, disse.

As promoções ajudaram a conter a queda no movimento, embora os consumidores mais pressionados ainda não tenham retornado totalmente, segundo a Revenue Management Solutions. O tráfego melhorou ao longo de 2025, e as visitas em dezembro superaram o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Technomic.

As redes de hambúrguer ainda lideram o fast-food nos EUA, com o dobro das vendas das cadeias de frango, mas segmentos como frango, café e comida mexicana crescem mais rápido.

Desde 2019, o número de restaurantes de hambúrguer no país caiu cerca de 6%, segundo a Datassential. Wendy’s e Jack in the Box estão fechando centenas de unidades.

Executivos do setor afirmam que, mesmo com preços mais baixos, promoções como “leve um, pague outro” e combos de US$ 5 ainda podem gerar lucro para as empresas e seus franqueados.

Jim Lewis lembra que ajudou a impulsionar o menu de US$ 1 no McDonald’s nos anos 2000, quando as vendas estavam fracas. A estratégia aumentou o fluxo de clientes — e também os lucros.

“Você pode tolerar muita dor se conseguir aumentar as vendas”, disse.

@investnewsbr

Dilemas na Copa do Mundo, provocação no fast food e mais no Giro InvestNews de sexta, com conteúdo exclusivo do The Wall Street Journal. #notícias #WSJ

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Os EUA agora têm mais spas, academias e serviços do que lojas de produtos

Hoje em dia, quando os americanos saem para fazer compras, é mais provável que estejam pagando por Botox ou aulas de boxe do que comprando sapatos ou xampu.

Pela primeira vez na história, o aluguel de espaços no varejo por empresas voltadas a serviços superou o de lojas que vendem produtos — uma virada impulsionada em grande parte pela proliferação de salões de beleza, spas e estúdios de fitness.

Empresas de serviços ocuparam pouco mais de 50% da área total de varejo alugada em 2025, segundo a empresa de dados CoStar Group. Quinze anos atrás, esse número era de apenas 40%.

“Os gastos dos consumidores continuam firmemente direcionados para serviços”, disse Brandon Svec, diretor nacional de análise de varejo da CoStar nos EUA. “Nada indica que isso vá mudar tão cedo.”

Mudanças no nível dos imóveis também refletem como o comércio eletrônico reduziu a necessidade de espaço físico para vender itens como roupas, calçados e materiais de escritório.

Svec espera que a demanda por espaços por empresas de serviços continue forte, mesmo com o maior segmento do setor — bares e restaurantes — mostrando sinais de enfraquecimento, devido à redução de gastos de alguns consumidores e à concorrência de grandes redes pressionando pequenos negócios.

Isso ocorre porque o mercado de bem-estar está em rápida expansão nos EUA, totalizando US$ 2,1 trilhões em 2024, segundo o Global Wellness Institute, que mede gastos em 11 setores, incluindo spas, beleza, nutrição, saúde mental e saúde pública.

“Uma bolsa costumava ser o símbolo de luxo”, disse Svec. Hoje, segundo ele, um sinal mais comum de status é gastar dinheiro com coisas como aulas de yoga ou tratamentos faciais.

As empresas estão atendendo à demanda crescente. Há estabelecimentos de tratamentos faciais a laser, hidratação intravenosa e infusão de vitaminas, Botox e terapia com luz vermelha. As pessoas também estão experimentando crioterapia, que envolve expor o corpo a temperaturas extremamente baixas para reduzir inflamações e acelerar a recuperação muscular.

“Os consumidores se preocupam mais hoje do que nunca com a aparência e com o bem-estar”, disse Brian Finnegan, CEO da operadora de shoppings Brixmor Property Group.

Depois que uma loja de bebidas deixou o Whitemarsh Shopping Center, nos subúrbios da Filadélfia, a Brixmor dividiu o espaço de cerca de 950 metros quadrados em quatro lojas menores.

Os novos inquilinos — um hospital veterinário, uma rede de spas faciais, uma rede de estúdios de alongamento e um salão de manicure — geram juntos 20% mais aluguel do que o antigo locatário e atraem mais consumidores ao local, segundo Finnegan.

As redes sociais também impulsionaram o crescimento de negócios voltados a melhorar a aparência nas fotos, desde salões de escova até redes de depilação. A abertura de academias disparou, e o setor respondeu por quase 30% dos contratos de locação de serviços no ano passado, ante 20% em 2016, segundo a CoStar.

Nos bairros Flatiron e NoMad, em Manhattan, marcas de autocuidado e fitness alugaram cerca de 9 mil metros quadrados nos últimos dois anos, segundo a Flatiron NoMad Partnership. As ruas agora são repletas de saunas, estúdios de pilates e até academias especializadas em treino para esqui cross-country.

Noah Neiman, cofundador da rede de boxe Rumble Boxing, abriu recentemente na região o Pack, um estúdio de defesa pessoal e fitness em grupo que, segundo ele, aproveita a maior preocupação dos americanos com saúde e socialização no pós-pandemia.

“Queremos que você venha aqui, talvez encontre um amigo, traga colegas de trabalho”, disse Neiman. “Este é o novo happy hour.”

Uma das redes que mais crescem no país é a Planet Fitness, que adicionou mais de 1 milhão de membros no ano passado e planeja abrir quase 200 novas unidades em 2026.

O diretor de desenvolvimento, Chip Ohlsson, afirmou que as pessoas estão se exercitando com mais frequência e de forma mais social do que antes, com famílias inteiras ou grupos de colegas indo juntos à academia. A rede também espera benefícios adicionais com o aumento do uso de medicamentos como Ozempic e outros da classe GLP-1.

“Se eu perdi muito peso e começo a me sentir melhor comigo mesmo, isso me dá uma oportunidade de ir à academia e melhorar ainda mais”, disse Ohlsson.

As vendas online também estão reduzindo a necessidade de espaço físico para itens como roupas e produtos de higiene. O e-commerce representou 16,4% das vendas totais no varejo no ano passado, segundo o Departamento de Comércio dos EUA, contra cerca de 8% em 2016. Muitas lojas de vestuário também estão reduzindo o tamanho de suas unidades.

Apesar disso, a vacância no varejo nos EUA, em 4,4%, segue próxima de mínimas históricas, devido à forte demanda por empresas de serviços. A Planet Fitness, por exemplo, tem aberto academias em espaços deixados por varejistas que faliram, como a Rite Aid e a rede de artesanato Joann.

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A identidade de Banksy foi revelada — e suas obras podem passar a valer muito mais

O enigmático artista de rua Banksy foi recentemente identificado como um homem na casa dos 50 anos, de Bristol, na Inglaterra. Seu nome seria Robin Gunningham, segundo uma reportagem da Reuters baseada em um registro policial no qual ele teria assinado com seu próprio nome.

O artista ficou conhecido por destruir parcialmente sua obra mais famosa, Menina com Balão, durante um leilão em 2018, quando o comprador pagou US$ 1,4 milhão. Ele também espalhou pelo mundo imagens provocativas em estêncil — como ratos e manifestantes — pintadas em prédios. Ao mesmo tempo, trabalhou intensamente para manter sua identidade em segredo. Após investigações feitas há quase duas décadas pelo Mail on Sunday, que já apontavam Gunningham como o artista, ele teria mudado legalmente seu nome para David Jones — um dos nomes mais comuns da Inglaterra.

A reação do mundo da arte: que ele seja conhecido. Em vez de prejudicar o mistério em torno do artista, a revelação pode, na verdade, impulsionar seu mercado, dizem especialistas.

O colecionador Peter Brant nunca adquiriu obras de Banksy por causa da incerteza sobre sua identidade, embora seja conhecido por colecionar artistas de rua como Keith Haring — atualmente em exposição em sua fundação em Nova York. Durante anos, Brant chegou a suspeitar que o artista fosse na verdade Damien Hirst, cujas obras ele compra, mas disse que a identidade opaca de Banksy “jogava contra ele”.

“É difícil comprar obras de alguém que se esforça tanto para não ser conhecido, porque você está comprando uma espécie de folclore”, afirmou Brant. “É importante saber quem é o artista e como ele evolui.”

Os preços das obras de Banksy têm sido voláteis nos últimos anos. O recorde foi a revenda por US$ 25,4 milhões, em 2021, da obra parcialmente destruída — rebatizada de O amor está no lixo — na Sotheby’s. Quatorze de seus 20 maiores preços foram registrados entre 2021 e 2022, impulsionados em parte pelo interesse de investidores em criptomoedas. Desde então, porém, nenhuma obra ultrapassou US$ 10 milhões em leilão, segundo a base de dados Artdai.

Artistas como Mike Winkelmann, conhecido como Beeple, e Marcel Duchamp, que criou obras sob o pseudônimo Rrose Sélavy, também adotaram nomes artísticos. Ainda assim, o mercado tende a valorizar a clareza — quanto mais informações existem sobre a trajetória de um artista, maior a confiança dos colecionadores, afirma Jean-Paul Engelen, diretor da Acquavella Galleries, em Nova York.

Mesmo assim, o mundo da arte também aprecia certa dose de humor. O fato de Banksy ter adotado um nome comum como David Jones foi bem recebido por especialistas, já que esse é o nome de nascimento de David Bowie. “É uma homenagem divertida”, disse Engelen.

A empresa do artista, Pest Control Office, recusou-se a confirmar ou negar as conclusões da Reuters, afirmando apenas que o artista “decidiu não dizer nada”.

Não está claro quantas obras Banksy produziu, embora galeristas estimem que sejam milhares. Seus trabalhos, incluindo gravuras, já foram negociados cerca de 9 mil vezes em leilões, segundo a base Artnet. Obras mais políticas costumam alcançar preços mais altos, como a imagem de um manifestante lançando um buquê de flores em vez de uma bomba, além de releituras de clássicos, Mostre-me o Monet, que retrata um lago com lixo flutuante e um cone de trânsito.

“Banksy pode se ver como um rebelde, mas já faz parte do mercado estabelecido de arte, então quanto mais se souber sobre sua vida, melhor”, disse Engelen. “Isso não diminui suas aventuras artísticas.”

Nos últimos anos, seus preços vinham em queda, acompanhando a desaceleração do mercado de arte. O galerista Acoris Andipa afirmou que versões não destruídas de “Menina com Balão” chegaram a ser vendidas por até US$ 4 milhões há cinco anos — mas obras da mesma série eram negociadas por cerca de US$ 600 mil há um ano. Desde então, a demanda voltou a crescer levemente, com preços atuais girando em torno de US$ 1 milhão no mercado secundário.

A revelação da identidade também pode afetar a logística dos projetos do artista. O anonimato permitia que ele evitasse prisão, já que muitas de suas obras eram feitas em espaços públicos ou privados de forma que poderia ser considerada vandalismo. No ano passado, ele pintou uma imagem em um prédio histórico em Londres, na Corte Real de Justiça, mostrando um manifestante no chão segurando um cartaz manchado de sangue, enquanto um juiz com peruca empunhava um martelo como arma. A obra foi posteriormente removida.

Agora que pode ser identificado como Gunningham — ou Jones — sua capacidade de criar livremente pode ser reduzida. Colecionadores, incluindo Brant, acompanharão de perto seus próximos trabalhos, o que também pode influenciar os preços em leilões.

“Se a próxima obra que ele fizer for boa, isso fortalecerá seus trabalhos anteriores, feitos no anonimato”, disse Brant. “Se não for, não terá o mesmo efeito.”

Escreva para Kelly Crow em kelly.crow@wsj.com

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McCormick: a ‘rainha dos temperos’ que fez proposta pela divisão de alimentos da Unilever

A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.

A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.

O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.

As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.

A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.

Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.

A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.

A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.

“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.

Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.

A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.

Multinacionais vêm se desfazendo de marcas de alimentos diante da perda de poder de compra dos consumidores e do avanço das marcas próprias. Além disso, o crescimento de medicamentos para perda de peso tem levado as pessoas a comer menos e optar por opções mais saudáveis. A Unilever já vendeu sua divisão de sorvetes, que inclui a marca Ben & Jerry’s.

Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.

A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).

A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.

Origem da empresa

A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.

Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.

Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.

O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

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McCormick: a ‘rainha dos temperos’ que fez proposta pela divisão de alimentos da Unilever

A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.

A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.

O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.

As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.

A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.

Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.

A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.

A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.

“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.

Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.

A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.

Multinacionais vêm se desfazendo de marcas de alimentos diante da perda de poder de compra dos consumidores e do avanço das marcas próprias. Além disso, o crescimento de medicamentos para perda de peso tem levado as pessoas a comer menos e optar por opções mais saudáveis. A Unilever já vendeu sua divisão de sorvetes, que inclui a marca Ben & Jerry’s.

Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.

A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).

A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.

Origem da empresa

A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.

Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.

Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.

O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

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Economistas não veem recessão nos EUA a menos que o petróleo atinja US$ 138 — e fique nesse nível por semanas

A guerra contra o Irã provocou uma interrupção recorde na oferta de petróleo e fez disparar os preços do barril e de outras commodities. Ainda assim, economistas duvidam que os EUA estejam sob grande risco de recessão.

O consenso de economistas ouvidos nesta semana pelo The Wall Street Journal é de que a inflação deve subir temporariamente, enquanto crescimento e desemprego devem permanecer praticamente inalterados — assumindo que o choque do petróleo seja passageiro.

“Diante da guerra em curso no Oriente Médio, da disparada dos preços do petróleo, das tarifas elevadas, da inteligência artificial e das fortes restrições à imigração, vale destacar o quanto a economia dos EUA tem se mostrado resiliente até agora”, disse Bernard Baumohl, do Economic Outlook Group. “Mas não devemos tomar essa resiliência como garantida.”

A pesquisa reuniu respostas de 50 economistas de instituições que vão de bancos de Wall Street e universidades a pequenas consultorias, entre os dias 16 e 18 de março. Nem todos responderam a todas as perguntas.

Os economistas estimam em 32% a probabilidade de recessão nos próximos 12 meses, levemente acima dos 27% registrados em janeiro. Questionados sobre até que nível o petróleo precisaria subir para elevar essa probabilidade acima de 50%, as respostas variaram de US$ 90 a US$ 200 por barril, com média de US$ 138. Sobre o tempo necessário com preços elevados, as estimativas vão de quatro a 55 semanas, com média de 14 semanas. Os contratos futuros de petróleo nos EUA fecharam a US$ 96,32 o barril na quarta-feira, ante média de cerca de US$ 65 em fevereiro.

Robert Fry, da Robert Fry Economics, que atualmente vê 40% de chance de recessão, afirmou que petróleo a US$ 125 por oito semanas é seu ponto decisivo.

“Minha projeção depende da hipótese de que o Estreito de Ormuz estará totalmente aberto ao tráfego de petroleiros até meados de abril”, disse. “Se isso não acontecer, os preços do petróleo subirão muito mais e passarei a incluir uma recessão no meu cenário.”

Em média, os economistas projetam que o Produto Interno Bruto (PIB), ajustado pela inflação, crescerá 2,1% no quarto trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior — ligeiramente abaixo dos 2,2% estimados em janeiro. A taxa de desemprego deve encerrar dezembro em 4,5%, em linha com a previsão anterior. No mês passado, estava em 4,4%.

Em contraste com o crescimento, os economistas ficaram mais pessimistas em relação à inflação. Eles agora esperam que o índice de preços ao consumidor suba 2,9% em dezembro de 2026 na comparação anual, acima dos 2,6% projetados em janeiro.

Essa revisão não reflete apenas o aumento da gasolina: o núcleo do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), que exclui itens voláteis como alimentos e energia, deve subir 2,8% no quarto trimestre — acima dos 2,6% previstos anteriormente. O Federal Reserve usa esse indicador como referência.

Com a inflação mais alta, diminuíram as expectativas de cortes de juros. Na quarta-feira, o Fed manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%. Em média, os economistas veem o ponto médio dessa faixa encerrando o ano em 3,26%, o que implica entre um e dois cortes de 0,25 ponto percentual. Em janeiro, a projeção era de 3,08%, sugerindo dois cortes.

Isso aproxima os economistas da visão dos dirigentes do Fed. Projeções divulgadas após a reunião indicam que os formuladores de política monetária esperam, em média, um corte de 0,25 ponto neste ano. As previsões de crescimento e desemprego pouco mudaram desde dezembro, mas a expectativa de inflação aumentou.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que essas projeções têm menor relevância diante das incertezas sobre o desfecho da guerra.

“Simplesmente não sabemos”, disse. “As pessoas estão colocando números que parecem fazer sentido, mas sem convicção.”

Muitos economistas expressaram incerteza semelhante. Beth Ann Bovino, do U.S. Bank, afirmou que sua projeção foi concluída quando a guerra começava e que “as condições mudam a cada hora”.

Cerca de 20 milhões de barris de petróleo — o equivalente a 20% da oferta global — costumam passar diariamente pelo Estreito de Ormuz. Esse fluxo caiu drasticamente. Como resultado, o petróleo chegou a ser negociado acima de US$ 100 por barril recentemente. O preço médio da gasolina nos EUA atingiu US$ 3,84 por galão na quarta-feira, ante US$ 2,92 um mês antes, segundo a AAA. Os contratos futuros indicam que o preço pode ultrapassar US$ 4 nas próximas semanas.

Os economistas esperam que o petróleo termine junho em US$ 86,70 e o ano em US$ 73,54. Já economistas da California Lutheran University destacaram: “Os EUA são o maior produtor de petróleo do mundo desde 2018… Do ponto de vista econômico geral, preços entre US$ 80 e US$ 100 não são totalmente negativos. Em 2008, o petróleo chegou ao equivalente a US$ 200 por barril em valores atuais.”

Escreva para Anthony DeBarros em anthony.debarros@wsj.com e Justin Lahart em Justin.Lahart@wsj.com

@investnewsbr

Preços do petróleo, imposto sobre exportações, riscos com as eleições presidenciais e aquisições potenciais são temas da vez para o cenário de quem investe na Petrobras. #petrobras #petróleo #investimentos

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Greve em planta da JBS nos Estados Unidos é a maior do setor em décadas

Funcionários de uma importante planta de processamento de carne bovina da JBS iniciaram uma greve nesta segunda-feira, interrompendo a produção em um momento em que os preços da proteína atingem níveis recordes.

A unidade localizada em Greeley, no estado do Colorado, é uma das maiores do tipo nos Estados Unidos. A planta tem capacidade para abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e responde por aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país.

A paralisação de trabalhadores sindicalizados é a maior em um frigorífico em décadas. O movimento ocorre em um momento em que empresas do setor de carne têm acumulado prejuízos de bilhões de dólares por ano na produção de carne bovina. O menor rebanho bovino dos EUA em 75 anos elevou o custo de compra de gado junto a pecuaristas, pressionando as margens das processadoras.

A JBS, que tem sede no Brasil, é a maior processadora de carne do mundo e a principal produtora de carne bovina dos EUA em volume. Nos primeiros nove meses de 2025, a empresa registrou prejuízo operacional de US$ 566 milhões em seu negócio de carne bovina na América do Norte, ante perda de US$ 64 milhões no mesmo período do ano anterior.

O sindicato United Food and Commercial Workers International Union firmou no ano passado um novo contrato trabalhista de longo prazo que cobre cerca de 26 mil trabalhadores em mais de uma dúzia de unidades nos EUA.

No entanto, a seção sindical que representa cerca de 3.800 trabalhadores da planta de Greeley optou por não aderir ao acordo nacional, argumentando que o contrato não leva em conta o custo de vida mais elevado no Colorado.

A JBS e o sindicato local negociaram por meses um novo acordo trabalhista, mas não conseguiram chegar a um consenso.

Segundo o sindicato, a empresa se recusou a conceder aumentos salariais compatíveis com a inflação. A entidade também quer que a companhia pare de cobrar dos funcionários por determinados equipamentos de proteção, como luvas usadas durante o trabalho.

“A JBS parece mais interessada em um conflito trabalhista na planta de Greeley do que em resolver essas questões”, afirmou Kim Cordova, presidente da seção sindical que representa os trabalhadores da unidade.

Na semana passada, a empresa começou a cancelar embarques de gado e interromper o abate na planta, preparando-se para uma possível paralisação. A JBS também passou a redirecionar entregas de gado de confinamentos para outras grandes unidades de processamento nos EUA, como as fábricas em Grand Island, no estado de Nebraska, e em Cactus, no Texas.

A companhia afirmou que seu objetivo é minimizar o impacto para clientes e para o mercado em geral. Também disse que empregados que não quiserem aderir à greve podem continuar trabalhando e receberão normalmente.

“Não acreditamos que uma greve seja do melhor interesse de nossos funcionários ou de suas famílias”, afirmou uma porta-voz da empresa. “Mantemos a proposta apresentada, que é forte, justa e consistente com o histórico acordo nacional firmado em 2025.”

As ações da JBS negociadas nos EUA acumulam queda de cerca de 6% no último mês.

O fechamento temporário da planta deixa os pecuaristas americanos com um comprador a menos para seu gado, o que tende a pressionar os preços do gado vivo. Isso pode tornar mais lucrativo para frigoríficos manter suas unidades operando plenamente para atender à crescente demanda por proteína no país.

Os contratos futuros de gado vivo, que indicam o preço pago pelos frigoríficos aos confinamentos, caíram cerca de 4% no último mês diante da expectativa de greve. Ainda assim, acumulam alta superior a 13% nos últimos 12 meses.

Empresas do setor têm ajustado suas operações diante da escassez de oferta de gado nos EUA. A rival da JBS, Tyson Foods, fechou uma de suas maiores plantas em Nebraska em janeiro e demitiu 3.200 trabalhadores devido ao aumento do custo do gado. No início deste ano, a companhia também reduziu pela metade a produção em uma grande unidade no Texas para cortar despesas.

Os custos do gado devem permanecer elevados nos próximos anos, já que pecuaristas têm se mostrado relutantes em recompor seus rebanhos. Para os consumidores, isso se traduziu em preços recordes da carne bovina. O preço da carne moída subiu 15% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Departamento do Trabalho dos EUA.

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Arte ou abate? Investidores decidirão destino do boi Angus

Há dois anos, o grupo artístico de Brooklyn vendeu cotas de um bezerro preto apelidado de Angus, prometendo transformá-lo em hambúrgueres e bolsas de couro caso os investidores não escolhessem salvá-lo. Em 13 de março, o destino do touro, agora totalmente crescido, será decidido — e o cenário não parece favorável.

Apenas cerca de um terço dos 404 proprietários de Angus enviaram suas participações tokenizadas do animal para o portal online do grupo chamado Remorse Portal, indicando que desejam salvar sua vida. Se Angus não ultrapassar a marca de 50% até sexta-feira, ele será abatido e transformado em 1.200 hambúrgueres e quatro bolsas de couro desenhadas pelo grupo para parecer carne.

“Acho que percebemos intelectualmente que as chances de salvá-lo eram menores do que as de comê-lo, porque estamos pedindo que as pessoas mudem de ideia ativamente para salvá-lo”, disse o cofundador do MSCHF, Kevin Wiesner. “Mas agora isso é de partir o coração.”

O mundo da arte costuma estar acostumado com obras chocantes, mas “Our Cow Angus” está provocando debates polarizados entre colecionadores e em fóruns online em um nível que não se via desde que o artista britânico Damien Hirst exibiu cabeças de vaca em decomposição como arte nos anos 1990.

Crueldade ou consicentização?

Ativistas pelos direitos dos animais criticam o projeto do MSCHF como uma manobra bárbara, enquanto curadores de museus o veem como uma crítica relevante à dissonância dos consumidores em relação ao consumo de carne bovina — especialmente em um momento em que os preços da carne moída estão disparando devido à escassez de gado nas pastagens americanas.

Poucas horas após o lançamento do site “Our Cow Angus” em 2024, Angus praticamente esgotou: o plano era produzir 400 pacotes com três hambúrgueres vendidos por US$ 35 cada e quatro bolsas de couro vendidas por US$ 1.200. (Quatro “tokens de hambúrguer” estão sendo revendidos por cerca de US$ 233 cada no site StockX.)

Wiesner disse que ele e os cerca de 20 integrantes do MSCHF não imaginavam quão brutal pareceria a possível morte de Angus depois de acompanharem seu crescimento em uma fazenda de produção de carne no interior do estado de Nova York. Segundo ele, ninguém do grupo consegue sequer pedir um hambúrguer agora.

O coletivo esteve por trás de vários projetos virais recentemente, incluindo o “ATM Leaderboard” de 2022, uma instalação apresentada na feira Art Basel Miami Beach que usava um caixa eletrônico real para fotografar usuários e projetar seus saldos bancários em uma tela acima. Colecionadores passaram a competir exibindo suas fortunas, e o vencedor revelou uma conta com mais de US$ 9,5 milhões.

No ano seguinte, o grupo vendeu mais de 20 mil pares das gigantescas botas de borracha “Big Red Boots”, de estilo cartunesco.

Desde sua fundação em 2019, os artistas ganharam reputação internacional por usar estratégias típicas de marketing e moda para satirizar o consumismo e as cadeias de produção. “Our Cow Angus” representa um retorno ao mais primitivo, disse Sabina Lee, diretora de curadoria do Daelim Museum, em Seul, que organizou a primeira exposição individual do grupo em museu em 2023.

A vaca sempre esteve destinada a virar carne, disse Lee, então o coletivo criou uma forma extrema de oferecer às pessoas a chance de mudar esse destino — ou não.

“Esse desconforto é exatamente o ponto”, afirmou.

Wiesner contou que a ideia de comprar e vender Angus surgiu após outro projeto que envolveu a venda de bolsas de couro personalizadas. Os artistas ficaram curiosos para investigar a cadeia de produção de couro e carne depois de instalar uma fábrica temporária em Italy, Texas, um local que lhes permitia estampar “Made in Italy” nas bolsas.

Segundo ele, dois proprietários das bolsas feitas com Angus já desistiram de suas participações, aumentando as chances de sobrevivência do animal. Outro investidor ofereceu abrir mão de sua parte na segunda-feira, mas apenas se mais investidores de hambúrguer fizerem o mesmo.

Ele se surpreende que apenas poucos investidores tenham desistido de suas cotas. “Está acima do preço de mercado”, disse sobre o valor dos hambúrgueres. Wiesner teme que alguns proprietários tenham simplesmente esquecido o prazo após a compra, feita há dois anos. Outros podem temer abrir a embalagem do token, que contém instruções para acessar o portal online e salvar Angus — já que o item pode ter valor como colecionável.

Quem devolve sua participação não recebe o dinheiro de volta, mas aumenta as chances de sobrevivência do boi.

Segundo o artista, o custo de abater Angus e transformá-lo em carne e bolsas é aproximadamente o mesmo que mantê-lo em um santuário pelo resto de sua vida natural, que poderia durar mais 20 anos.

O artista de retratos de animais David McDonald, de Nova York, conhecido profissionalmente como Davis McDavis, disse que sempre admirou o MSCHF, mas acredita que o grupo foi longe demais desta vez.

Ele já comprou um par de tênis Gobstomper do coletivo por US$ 117, cujas solas se desgastam revelando cores diferentes, em referência a um tipo de doce de casca dura. Mas agora não consegue mais usá-los — especialmente porque também é vegetariano.

“Eu sei que as pessoas comem hambúrgueres, mas vocês deram um nome a ele, então agora ele virou um animal de estimação”, disse. “Vou ficar só com meus Hoka.”

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Esqueça os influenciadores. Bem-vindo ao mundo dos ‘influentes alternativos’

Pessoas que jamais postariam um vídeo no Instagram para promover suplementos alimentares ou tiras de clareamento dental estão, cada vez mais, fechando acordos com marcas.

Só não as chame de influenciadores.

Eles são os “Influentes alternativos”, segundo a Figures, uma nova empresa de representação para pensadores públicos e formadores de gosto que exercem grande influência em seus próprios campos — apesar de terem seguidores relativamente modestos na internet, em comparação com o enorme alcance online de celebridades e grandes criadores de conteúdo.

No mundo da gestão de talentos, “você tem agentes literários ou agentes tradicionais voltados para modelos ou estrelas de cinema, e, no outro extremo, agências de criadores e influenciadores criadas para entregar escala”, disse a cofundadora da Figures, Jacqueline Kavanagh. “Essas pessoas não se veem em nenhum desses mundos.”

Entre os primeiros clientes da Figures estão Jaime Perlman, executiva de moda de luxo que publica a revista semestral sobre moda sustentável More or Less; Sari Azout, fundadora do aplicativo de ideias para criativos Sublime; a nutricionista registrada e autora de newsletter Kat Chan; e Lucy Kumara Moore, fundadora do negócio de varejo, editorial e eventos The Sensual World. Todos representam algum tipo de “bom gosto”, atributo que ganhou importância na era da inteligência artificial.

A revista More or Less, de Perlman, já publicou conteúdo patrocinado pela Microsoft e pelo site de revenda de luxo The RealReal, enquanto Chan organizou eventos ao vivo patrocinados pela rede de salões de cabelo Salt e pelo restaurante londrino Rita’s Dining. Outros, como Mindy Seu, artista, tecnóloga e acadêmica por trás da publicação Cyberfeminism Index, têm menos experiência com acordos com marcas.

“Eu realmente não me considero uma influenciadora — acontece que distribuo meu trabalho e eventos online, mas não crio coisas especificamente para redes sociais”, disse Seu, professora associada da University of California, Los Angeles. “Ter alguém na equipe para defender você em coisas meio desconfortáveis, como negociar cachês ou decidir quais parcerias fazem sentido eticamente, é muito útil.”

Na última década, Kavanagh e sua cofundadora Leila McGlew acompanharam de perto a ascensão e o declínio da mídia digital em massa. Kavanagh trabalhou no lado comercial de veículos como Vice Media e Refinery29, enquanto McGlew atuou em estratégia de marca e parcerias na revista Dazed e na empresa de pesquisa cultural Protein.

Elas decidiram focar em uma proposta mais específica após verem marcas se desgastarem tentando alcançar escala nas redes sociais enquanto algoritmos e comportamento do consumidor continuavam mudando.

A Figures se junta a um pequeno grupo de empresas que contestam a ideia de que o marketing de influência se resume a alcançar o maior número possível de pessoas.

As redes sociais ficaram lotadas de pessoas vendendo produtos, muitas vezes de maneira padronizada. Criadores profissionais e os chamados microinfluenciadores frequentemente fazem parte de verdadeiros exércitos de marcas organizados por plataformas como ShopMy, LTK e, mais recentemente, a startup Devotion.

A rede de roupas Old Navy aumentou seu portfólio de criadores para 15 mil no último trimestre, três vezes mais do que um ano antes, informou a controladora Gap. Já a fabricante do sabonete Dove, da Unilever, trabalha com dezenas de milhares de influenciadores e quer ampliar esse número em 10 a 20 vezes.

Como resultado, alguns profissionais de marketing estão buscando diversificar seus orçamentos de marketing de influência para incluir pessoas com audiências menores — mas mais propensas a prestar atenção ao que dizem — em espaços fora do barulho dos feeds das redes sociais.

Podcast e newsletter

A fintech Mercury, voltada para startups e pequenas empresas, destina a maior parte de seu orçamento publicitário a mídias tradicionais como anúncios digitais e outdoors. Mas cerca de 20% é direcionado a parcerias com clientes reais que apresentam podcasts intelectuais, canais no YouTube e newsletters no Substack, segundo a diretora de marca Heather MacKinnon.

“Nos concentramos em fundadores de empresas, e sabemos que, quando eles não estão trabalhando, geralmente estão aprendendo algo novo ou se desafiando”, disse MacKinnon. “Nossa abordagem não é ir para a maior sala possível, mas para a sala que tem as pessoas certas.”

Entre os influenciadores mais intelectuais que trabalham com a Mercury estão o podcaster de tecnologia e história Dwarkesh Patel, a jornalista científica Cleo Abram e Azout, fundadora do Sublime e agora representada pela Figures.

“Sempre haverá momentos em que as marcas precisam de alcance massivo”, disse Max Stein, fundador e CEO da empresa de gestão de talentos Brigade. “Mas às vezes elas precisam do oposto: mergulhar profundamente em uma comunidade, em vez de tentar alcançar todas.”

Stein abriu a Brigade em 2015 para representar o que chama de profissionais criativos e formadores de gosto de alto perfil. Seu portfólio se expandiu desde a primeira geração de blogueiros de moda e estilistas famosos na internet para incluir o podcaster e consultor criativo Chris Black, a bailarina Isabella Boylston e escritores do Substack como Emily Sundberg e Casey Lewis. Stein também intermediou recentemente parcerias entre a newsletter de cultura jovem “After School”, de Lewis, e marcas como Adobe e Target.

A Figures planeja se concentrar em ajudar seus clientes a desenvolver propriedade intelectual que possa ser patrocinada por marcas ou monetizada de outras formas. Isso inclui projetos como salões de debate, workshops, livros, relatórios, performances, zines e residências criativas. A estratégia é enfatizar o que torna essas pessoas influentes em primeiro lugar, promovendo seus projetos criativos em vez de suas personalidades.

“O que buscamos é um senso de originalidade, novas ideias, pessoas cujas ideias são difíceis de a IA copiar”, disse Kavanagh.

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A estratégia do bilionário do fast-food para ressuscitar a Domino’s

Desde que assumiu o comando da Domino’s Pizza Enterprises em julho passado, o bilionário do fast-food Jack Cowin, de 83 anos, reformulou uma estratégia de crescimento a qualquer custo que havia pressionado os lucros e feito as ações da empresa despencarem. Os investidores ainda não estão convencidos de que a mudança está funcionando.

A reestruturação de Cowin foca em reverter a dependência da rede australiana de pizzarias de descontos, cupons e promoções “compre mais e pague menos”. Em vez disso, ele está cortando custos e promovendo um cardápio mais simples, com pizzas de preço mais alto. O objetivo é gerar vendas mais lucrativas para os centenas de franqueados da Domino’s, dos quais a empresa depende.

Em entrevista em seu escritório em Sydney, Cowin afirmou que as vendas nas mesmas lojas — um indicador-chave acompanhado pelos analistas — vinham crescendo na Austrália nas duas semanas desde a última atualização da empresa, em 25 de fevereiro. Enquanto outros mercados do grupo Domino’s, incluindo Alemanha, França e Japão, estão em diferentes estágios da recuperação, Cowin disse que sua reestruturação já foi amplamente implementada.

“Se você consegue ter vendas lucrativas em vez de descontadas, os franqueados ganham mais dinheiro”, disse ele. “É isso que está avançando.”

Reviravolta estratégica

Para a Domino’s, a mudança de Cowin representa uma reviravolta estratégica. Por anos, a empresa priorizou as vendas acima de quase tudo, saturando bairros com lojas e promoções de pizza para manter o caixa ativo. Cowin quer ocupar um meio-termo mais lucrativo para enfrentar o aumento de custos e a concorrência de plataformas de entrega de fast-food.

Dados de um teste recente em lojas da Domino’s na Austrália Ocidental, que introduziu o novo modelo de preços, indicaram que cerca de 10% dos clientes — os mais sensíveis a preço — deixaram de comprar pizzas. Porém, os lucros nessas lojas aumentaram, afirmou Cowin.

O mercado ainda não abraçou a visão de Cowin. As ações da Domino’s caíram quase 90% desde o pico em 2021, quando a pandemia da Covid-19 levou a um aumento na demanda por delivery. Na atualização de 25 de fevereiro, a empresa informou que as vendas nas mesmas lojas nos primeiros oito semanas deste ano caíram 7,2%, e suas ações despencaram 11% naquele dia.

Investidores exigem mais evidências de que as vendas nas mesmas lojas estão crescendo e proporcionando melhorias significativas na lucratividade para os franqueados, disse Craig Woolford, analista da MST Financial Services Pty, com sede em Sydney.

“No momento, não estamos vendo esses resultados”, afirmou Woolford, que mantém avaliação de manutenção para as ações da Domino’s. “A teoria é muito plausível, mas a realidade muitas vezes é mais desafiadora.”

Loja da Domino's em Sydney, na Austrália
Loja da Domino’s em Sydney, na Austrália (Bloomberg)

No ano passado, um franqueado da Domino’s normalmente ganhou US$ 73.400 por loja, acima dos US$ 70.700) do ano anterior, mostram documentos da empresa. Ainda assim, isso está bem abaixo dos US$ 116.000 registrados durante a pandemia em 2021. Woolford disse que uma meta mais sustentável seria cerca de US$ 92.500.

Desde que Cowin assumiu como presidente executivo em julho, as ações da rede de pizzarias caíram cerca de 10%, deixando a Domino’s avaliada em apenas US$ 1,2 bilhão.

Fast-food

Fatores econômicos mais amplos também pressionam o fast-food. As taxas de juros começaram a subir novamente, aumentando a pressão sobre o custo de vida, e a guerra no Irã ameaça elevar os preços ao consumidor. A concorrência também está crescendo, e até lojas de conveniência 7-Eleven vendem pizzas e frango frito na tentativa de se tornarem destinos rápidos de comida.

A Domino’s é a segunda empresa mais vendida a descoberto no índice de referência da Austrália, com quase 22% de seu free float nas mãos de investidores apostando na queda das ações. Em sinal de pessimismo do mercado sobre o setor, a rede de burritos Guzman y Gomez Ltd. é a ação mais vendida a descoberto no índice, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Quem é o bilionário

Cowin, um magnata do setor de alimentos e bebidas autodidata, nasceu em Windsor, Canadá, e vendeu seguros em Toronto antes de se mudar para a Austrália no final dos 20 anos. Ele abriu sua primeira loja do Kentucky Fried Chicken em 1969 com dinheiro emprestado de 30 investidores canadenses.

Cowin é o maior acionista da Domino’s Pizza Enterprises, o maior franqueado da Domino’s fora dos EUA. Ele também é dono da rede Hungry Jack’s, que detém a franquia master do Burger King na Austrália. Cowin tem um patrimônio líquido de US$ 3,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Andrew Gregory, veterano do McDonald’s, assumirá como novo CEO da Domino’s Pizza Enterprises em julho. Cowin disse que está feliz em dar a Gregory autonomia para tomar suas próprias decisões, mas não planeja se afastar. Ele se inspira no aparentemente atemporal frontman dos Rolling Stones.

Jack Cowin – Fotógrafo: Brent Lewin/Bloomberg

“Tenho a mesma idade que Mick Jagger e já fui a shows em que o vi tocar por três horas sem parar”, disse. “Enquanto você puder continuar aparecendo, por que não fazer coisas que gosta?”

Se houver algo, Cowin se aprofunda nos detalhes da Domino’s. Para ter uma visão mais clara da reviravolta, ele exige relatórios diários de vendas, em vez de semanais, acompanhando a frequência das atualizações que recebe da Hungry Jack’s.

Cowin aponta os negócios da Domino’s na Alemanha e no Benelux — união econômica da Bélgica, Holanda e Luxemburgo — como prova dos lucros que podem ser obtidos sem descontos e cupons. “Eles não tinham aquela ‘heroína’ nas veias”, disse. “Tiveram um negócio muito mais constante sem depender de preço.”

O lucro operacional da Domino’s na Europa saltou 23% no segundo semestre de 2025.

Impactos da guerra

A guerra no Irã, que abalou os mercados de energia, pode complicar a recuperação de Cowin. Preços mais altos de combustível tornarão mais caro distribuir alimentos e ingredientes às lojas. A escassez de gasolina seria uma ameaça ainda maior.

“É um risco, mas não há muito o que possamos fazer”, disse. “Se faltar combustível, não estaremos sozinhos.” No fim, os custos mais altos, incluindo inflação de alimentos, seriam repassados principalmente aos clientes, afirmou.

A Domino’s está melhor preparada para lidar com o aumento de custos do que há um ano, segundo Cowin. Seu plano de recuperação elimina cerca de A$ 100 milhões (US$ 71,200 milhões) em despesas com alimentos, tecnologia e outros itens.

E cortar gastos é algo familiar para ele. Cowin cresceu em uma casa de dois quartos, seus pais em um quarto, e ele e a irmã no outro. Quando seu tio voltava do turno noturno na Ford Motor Co., assumia o beliche de baixo. “A cama nunca ficava vazia”, disse Cowin.

Uma lição-chave desse período frugal: “Não desperdice dinheiro”, afirmou Cowin.

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Por que uma rival da Starbucks quase não vende café quente nos Estados Unidos

A Dutch Bros, rede de café e bebidas ainda pouco conhecida em muitas partes dos Estados Unidos, está se tornando uma pedra no sapato da Starbucks.

Fundada em 1992 por dois produtores de leite do Oregon que estavam deixando o negócio da família, a Dutch Bros é hoje a terceira maior rede de café dos EUA em vendas e número de lojas, atrás da Starbucks e da Dunkin‘, segundo a consultoria de mercado Technomic. A Starbucks ainda responde por cerca de 48% das vendas do mercado de redes de café no país, mas a Dutch Bros e outros concorrentes menores começaram a reduzir essa liderança.

A Geração Z aderiu em peso à Dutch Bros por causa de suas bebidas energéticas chamativas e outras bebidas geladas altamente personalizáveis, como a OG Gummy Bear Lemonade e a Shark Attack Rebel, que mistura camadas de sabores de frutas verde, vermelho e amarelo — e pode ter até 111 gramas de açúcar em um copo grande com gelo.

Bebidas geladas

A rede, que possui cerca de 1.140 lojas, também vende café, mas quase nada dele é quente: aproximadamente 90% das bebidas da Dutch Bros são servidas geladas. É assim que os jovens preferem consumir bebidas, dizem executivos da companhia.

“O mercado está caminhando nessa direção, e isso está no centro do que fazemos”, afirma Tana Davila, diretora de marketing da Dutch Bros.

A executiva tem a missão de ajudar a empresa, sediada em Tempe, a manter sua vantagem em um momento de competição crescente no mercado de bebidas.

A Starbucks anunciou em janeiro que lançará suas próprias bebidas energéticas personalizáveis, notícia que fez as ações da Dutch Bros caírem. Já o McDonald’s pretende lançar novas bebidas geladas nos EUA neste ano, após testar refrigerantes artesanais e energéticos em algumas lojas — com destaque para bebidas com Red Bull.

Hoje, as bebidas energéticas personalizadas já representam cerca de 25% dos US$ 1,6 bilhão em receita da Dutch Bros.

Competição com os gigantes

Davila diz que a empresa se vê como criadora das bebidas energéticas personalizadas feitas sob encomenda.

A ideia surgiu quando clientes começaram a pedir para adicionar sabores aos energéticos. Com o tempo, a empresa desenvolveu sua própria marca proprietária de energético, chamada Rebel, que pode receber diversos sabores e coberturas.

Segundo ela, o mercado de energéticos está crescendo mais rápido que o mercado de café, o que coloca a empresa em boa posição.

A personalização também é central para a marca. Com café, energéticos, limonadas, chás e refrigerantes, o cliente pode criar praticamente qualquer combinação usando mais de 40 sabores diferentes.

Um exemplo recente é o banana-bread mocha, que pode ser preparado como latte, mocha ou café gelado batido, com coberturas como caldas, espuma fria (“soft-top”) ou até boba (bolinhas típicas do bubble tea).

As inspirações vêm de várias áreas: supermercados, cafeterias de terceira onda e até do universo da coquetelaria.

Desafios atuais

Um dos maiores desafios da Dutch Bros é a conveniência.

Muitas pessoas simplesmente não têm uma loja próxima. Redes maiores, como Starbucks e Dunkin’, possuem mais unidades, o que facilita o acesso.

Outro ponto é o horário das vendas: apenas cerca de um terço das vendas ocorre pela manhã, enquanto o restante acontece à tarde ou à noite.

Para tentar capturar mais clientes no início do dia, a empresa lançou a opção de pedido antecipado pelo aplicativo — algo que clientes do programa de fidelidade pediam há anos. Hoje, cerca de 14% dos pedidos já são feitos dessa forma.

Mais comida no cardápio

A empresa também quer ampliar as vendas de alimentos, que hoje representam uma parcela pequena do negócio em comparação com a Starbucks.

Historicamente, a Dutch Bros vendia basicamente alguns tipos de muffin tops (parte superior de muffins). Agora, a rede está adicionando mais itens de padaria e alimentos quentes, como mini-sanduíches de café da manhã.

Conquistando a Geração Z

Atrair consumidores jovens é central para a estratégia da marca.

Segundo Davila, clientes da Geração Z:

  • compram mais bebidas geladas;
  • gostam de personalizar pedidos;
  • valorizam atendimento amigável;

A empresa também aposta forte em redes sociais e divulgação, distribuindo brindes — como capas de canudo ou adesivos para carros — em compras de bebidas.

Expansão acelerada

A Dutch Bros aumentou seu número de lojas em 16% no ano passado, ritmo superior ao de muitos concorrentes.

A estratégia envolve três pilares principais:

  1. Inovação em bebidas, como café com proteína
  2. Programa de fidelidade Dutch Rewards, responsável por cerca de 73% das transações
  3. Publicidade em novos mercados

A rede começou na costa oeste dos EUA, mas agora avança para o leste e vê oportunidades no Meio-Oeste e Nordeste do país.

No Texas, por exemplo, a empresa já possui mais de 200 lojas, a maioria aberta nos últimos anos, criando densidade suficiente para tornar a marca mais conhecida.

Davila resume a ambição da companhia: “Eu certamente gostaria que nos tornássemos um nome presente em todos os lares.”

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Messi ganha até US$ 80 milhões por ano no Inter Miami, diz dono do clube

Lionel Messi, astro do futebol argentino, recebe entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões por ano do Inter Miami CF quando são considerados direitos de participação societária e remuneração como jogador, segundo o dono do clube, Jorge Mas.

Messi, de 38 anos, assinou um novo contrato de três anos com o Inter Miami no ano passado, o que deve mantê-lo no clube — a franquia mais valiosa da Major League Soccer — até os 40 anos. Os termos completos do acordo não foram divulgados, mas espera-se que ele se torne sócio do clube quando encerrar a carreira, dado o formato das negociações desde sua chegada em 2023.

Para pagar um dos maiores jogadores da história — além de outros veteranos como Luis Suárez e Rodrigo De Paul —, mas depende fortemente de patrocínios e acordos comerciais, que representam cerca de 55% da receita do clube.

Já direitos de mídia, que são uma fonte essencial para muitas franquias esportivas, representam apenas 2% das receitas do Inter Miami, segundo o dirigente.

“A razão pela qual preciso ter patrocinadores — e que eles sejam de classe mundial — é que jogadores são caros”, disse Mas em entrevista nesta semana. “Eu pago Messi — e vale cada centavo —, mas isso custa de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões por ano. Somando tudo.”

Mas não detalhou como o contrato de Messi é estruturado nem como os custos anuais são calculados. Ainda assim, o argentino é o segundo jogador de futebol mais bem pago do mundo, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, que tem contrato estimado em mais de US$ 400 milhões com o Al‑Nassr FC, da Arábia Saudita.

Mas, empresário de 63 anos baseado em Miami, construiu sua carreira na empresa familiar de construção e desenvolvimento imobiliário MasTec Inc. A companhia listada em bolsa, especializada em infraestrutura de energia e telecomunicações, vale cerca de US$ 23 bilhões.

Nubank

Seu movimento mais recente foi fechar uma parceria de vários anos com a fintech brasileira Nu Holdings. O novo estádio do Inter Miami, que será inaugurado em abril, se chamará Nu Stadium, e o logotipo da empresa aparecerá nas costas das camisas do time a partir de agosto.

O empresário, que controla o clube ao lado do irmão Jose Mas e do ex-astro do futebol inglês David Beckham, disse que não vê necessariamente outros times da MLS como concorrentes fora de campo, mas sim os grandes clubes europeus na disputa por talentos.

Os investimentos pesados no Inter Miami já começaram a gerar resultados esportivos. O clube conquistou sua primeira MLS Cup na última temporada e celebrou o título na quinta-feira na Casa Branca ao lado do presidente Donald Trump.

Em 2022, a Apple fechou um acordo de US$ 2,5 bilhões por 10 anos para garantir os direitos globais exclusivos de transmissão da MLS nos Estados Unidos. No entanto, o contrato foi revisado recentemente e agora terminará ao fim da temporada 2028-29.

Mas recomenda que outros proprietários de clubes foquem mais em patrocínios e acordos de marca do que em receitas de mídia por enquanto.

“Use esse ecossistema para seus patrocinadores, para os patrocinadores que já trabalham com seus times e para gerar valor”, disse Mas. “As pessoas não pensam assim. Eu penso. Porque a avaliação do meu time se baseia nisso. O dinheiro da mídia não muda isso.”

O valor do Inter Miami subiu 22% em 2025, alcançando US$ 1,45 bilhão, o que o tornou o clube mais valioso da MLS, segundo a Sportico.

Ainda não está claro o que acontecerá quando a chamada “Messimania” perder força e Mas e seus parceiros precisarem encontrar o próximo grande astro para atrair torcedores ao estádio e impulsionar as vendas de produtos.

Mas, diz aceitar o desafio.

“Eu transformei a MLS. Alguns criticam, outros elogiam. Eu conduzo o barco porque acredito que precisamos mudar muitas coisas”, afirmou. “Você não pode ter medo da mudança. Para prosperar e ter sucesso, é preciso fazer as coisas de forma diferente.”

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Contratos secretos de petróleo de Maduro atraem atenção dos Estados Unidos

A Venezuela e os Estados Unidos examinam dezenas de contratos confidenciais de petróleo assinados durante o regime do líder deposto, Nicolás Maduro, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação.

Os acordos, concebidos como um meio de contornar as sanções dos EUA para financiar o regime socialista, envolviam campos de petróleo em todo o país, disseram as fontes.

Os acordos conhecidos como contratos de participação produtiva permitiam que investidores bombeassem e comercializassem petróleo bruto, mantendo seus nomes em segredo para evitar represálias econômicas por parte dos EUA, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de assunto confidencial.

Os contratos também permitiam que o governo trabalhasse com empresas privadas, apesar das restrições legais à venda de petróleo por entidades não estatais.

Agora, sob pressão do governo Trump, o governo venezuelano está auditando as empresas envolvidas, enquanto autoridades americanas inspecionam a documentação de exportação, disseram as fontes. As investigações podem desacelerar qualquer recuperação do setor petrolífero venezuelano, especialmente se fizerem com que outras empresas relutem em assinar novos contratos para perfuração de petróleo bruto.

“Há muitas preocupações sobre como esses contratos foram concedidos”, disse Juan Fernández, ex-executivo da estatal petrolífera PDVSA que agora assessora a líder da oposição, María Corina Machado, em política petrolífera. “Mas, por outro lado, se eles estão produzindo barris de petróleo atualmente, precisamos desses barris. Portanto, precisamos equilibrar como vamos lidar com isso”. 

Também não está claro se a Venezuela resistirá ao apelo dos EUA. Na terça-feira, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) anunciou que havia assinado contratos de fornecimento com empresas que comercializam petróleo bruto e produtos refinados destinados aos EUA, poucos dias após a presidente interina, Delcy Rodríguez, pedir que os acordos firmados durante o governo de Maduro “sejam respeitados”.

A PDVSA e o Ministério da Informação não responderam a pedidos de comentários.

A PDVSA não publicou uma lista oficial das empresas que detêm contratos assinados antes da captura de Maduro pelas forças dos EUA, em 3 de janeiro.

Rodriguez tem afirmado que havia um total de 31 desses acordos. Apenas alguns, de fato, bombeiam e comercializam petróleo, de acordo com documentos analisados ​​pela Bloomberg. Oito deles produziam juntos, em média, 210.000 barris por dia em meados de fevereiro.

Muitos dos contratos cobrem partes da prolífica região do Lago Maracaibo e da Faixa do Orinoco. Os contratos foram uma iniciativa da PDVSA para preencher o vazio deixado quando os produtores ocidentais tiveram ativos retirados durante uma campanha de nacionalização, ou que posteriormente foram pressionados a deixar o país sob pressão dos EUA.

A guerra com o Irã tem destacado o valor geopolítico da produção de petróleo na América Latina, que fica próxima tanto da Europa quanto dos EUA e que não depende de rotas comerciais que atravessem a zona de conflito.

A Venezuela é única na região por possuir vastas quantidades de campos petrolíferos ainda pouco desenvolvidos que poderiam gerar um aumento sustentado da produção na próxima década. Muitos outros produtores de petróleo bruto na região estão em declínio ou atingirão o pico de produção até meados da década de 2030, sem grandes novas descobertas.

“O petróleo bruto pesado venezuelano, que pode abastecer as refinarias da Costa do Golfo nos EUA, torna-se ainda mais estratégico e valioso”, disse Theodore Kahn, diretor da Control Risks, em Bogotá. “Temos eleições legislativas se aproximando e Trump não quer que os preços da gasolina aumentem nos EUA”.

Também há joint ventures com entidades russas e chinesas, países que Trump quer afastar da Venezuela, que agora estão incertas.

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Navegação entra em colapso no Estreito de Ormuz

O tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz praticamente paralisou em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Apenas dois navios graneleiros e um pequeno porta-contêineres foram vistos atravessando a hidrovia na terça-feira (3). Todos estavam saindo do Golfo Pérsico, e não entrando.

O estreito mergulhou em uma espécie de “névoa digital”. Interferências de sinal e a desativação generalizada de transponders de posição dificultaram o rastreamento por satélite e tornaram mais complexo monitorar o tráfego na via marítima. Ainda assim, entender o que — se é que algo — está se movimentando é crucial para avaliar o impacto do conflito sobre os mercados de petróleo, gás e outras commodities.

Os países do Golfo Pérsico são fundamentais para o fornecimento global de petróleo bruto, combustíveis, gás natural e insumos para fertilizantes. Quase toda a produção da região precisa passar por Ormuz, tornando-o um gargalo estratégico para cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de metade do comércio marítimo mundial de enxofre.

O fechamento efetivo da hidrovia já está levando países como o Iraque a interromper parte da produção, contribuindo para uma alta de 14% nos preços do petróleo desde o fim de semana e elevando o gás natural ao nível mais alto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A situação também deixou traders de enxofre em busca de fontes alternativas de suprimento para as indústrias de fertilizantes e processamento de níquel.

Queda de 95%

Dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg mostram que o tráfego despencou mais de 95%, com grandes petroleiros e navios de gás natural liquefeito evitando a rota. As poucas embarcações ainda em movimento estão deixando o Golfo com os transponders de localização desligados — uma prática comum em zonas de conflito.

Apenas sete embarcações cruzaram a região na segunda-feira, segundo dados de rastreamento, ante mais de 100 na sexta-feira — um dia antes de Estados Unidos e Israel lançarem a Operação Epic Fury. Na terça-feira, o número caiu para três.

As poucas travessias que continuaram ocorreram principalmente com navios deixando o Golfo Pérsico à medida que o conflito se intensificava e as embarcações recebiam comunicados informando que a passagem estava proibida.

Como os navios podem navegar sem sinais de AIS até estarem bem distantes de Ormuz, os sinais automáticos de posição foram compilados em uma ampla área que abrange o Golfo de Omã, o Mar da Arábia e o Mar Vermelho para identificar embarcações que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico.

Quando possíveis travessias são identificadas, os históricos de sinal são analisados para determinar se o movimento parece genuíno ou resultado de spoofing — quando interferências eletrônicas falsificam a posição aparente de um navio.

Esse tipo de atividade se tornou generalizado na região de Ormuz desde o início do conflito, com sinais de embarcações provavelmente afetados por uma guerra eletrônica mais ampla.

Algumas travessias podem não ter sido detectadas caso os transponders não tenham sido religados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente partem do Golfo Pérsico sem transmitir sinais de AIS até alcançarem o Estreito de Malaca, cerca de 10 dias após passarem por Fujairah. Outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes e não aparecerão nas telas de rastreamento por vários dias.

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Tarifas de Trump devem subir a 15% nesta semana, diz secretário do Tesouro dos EUA

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o plano do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar a alíquota da tarifa ampla de 10% para 15% será provavelmente concluído nesta semana.

“Isso provavelmente acontecerá em algum momento desta semana”, disse Bessent na quarta-feira à CNBC, em resposta a uma pergunta sobre quando o aumento para 15% seria implementado.

Os comentários de Bessent oferecem a indicação mais clara até agora sobre quando os EUA irão cumprir a promessa de Trump de elevar as tarifas. No mês passado, Trump impôs uma taxa universal de 10% depois que a Suprema Corte do país invalidou a maior parte de seu regime tarifário anterior, e logo em seguida ameaçou aumentar a alíquota para 15%.

O governo, no entanto, deixou a taxa de 10% entrar em vigor sem aumentá-la imediatamente. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sugeriu na semana passada que a taxa mais alta não seria universal. A União Europeia espera não estar sujeita à tarifa de 15%, em virtude do seu pacto comercial-quadro com Washington, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Bessent, em entrevista à CNBC, não especificou a quais parceiros comerciais a tarifa mais alta se aplicaria. Ele observou que a autorização para as novas tarifas permite que elas permaneçam em vigor por apenas 150 dias sem a aprovação do Congresso. Durante esse período, ele afirmou que funcionários do governo usariam outros poderes legais para restabelecer o regime tarifário vigente antes da decisão da Suprema Corte.

“Acredito firmemente que as alíquotas das tarifas irão retornar aos seus níveis anteriores dentro de cinco meses”, disse Bessent. “Elas são de movimentação muito mais lenta, mas mais robustas”, afirmou, referindo-se às chamadas tarifas da Seção 301 e da Seção 232, que devem substituir as tarifas invalidadas implementadas sob uma lei de emergência.

Os futuros das bolsas em Nova York apagaram os ganhos após o comentário de Bessent sobre o aumento da tarifa, embora o S&P 500 tenha avançado após a abertura do pregão em Nova York.

Petróleo

O secretário do Tesouro americano também minimizou os riscos para o mercado de petróleo decorrentes da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, afirmando que há ampla oferta global da commodity e que o governo Trump irá tomar medidas para apoiar o setor.

“Eu encorajaria a todos a ignorar o ruído e ver para onde estamos caminhando depois disso em termos de mercados de petróleo bruto — os mercados de petróleo bruto estão muito bem abastecidos”, disse Bessent. “Há centenas de milhões de barris armazenados em alto-mar, longe do Golfo. Mas, mais importante ainda, temos uma série de anúncios que faremos.”

Ele mencionou o plano previamente anunciado para que o governo dos EUA oferecesse seguro para navios de carga de petróleo quando apropriado, e para que a marinha americana garantisse a travessia segura pelo Estreito de Ormuz.

Bessent destacou a vulnerabilidade da China a qualquer interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico, afirmando que mais de 50% da energia do país provém dessa região.

“Eles provavelmente estavam comprando 95% do petróleo bruto iraniano. Obviamente, isso está suspenso agora”, disse ele.

Questionado sobre o comentário de Trump na terça-feira, quando foi perguntado sobre a possibilidade de um embargo comercial à Espanha e se o secretário do Tesouro seria responsável por isso, Bessent disse que “seria um esforço conjunto”. Ele não comentou especificamente se tal sanção será implementada.

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O dinheiro que vai pra Cuba: sob pressão dos EUA, regime comunista amplia parcerias com setor privado

Cuba autorizou empresas privadas a fazerem parcerias com empresas estatais, um passo cauteloso para afrouxar seu controle sobre a economia, enquanto Havana luta para fornecer serviços básicos sob intensa pressão de Washington.

De acordo com novas regulamentações publicadas nesta terça-feira (3), o incipiente setor privado da ilha poderá fechar acordos com entidades estatais em “qualquer área legal”, exceto educação, saúde e defesa. No entanto, as regras permitem que os braços comerciais desses setores celebrem contratos, o que significa que as empresas poderão trabalhar com a GAESA, o poderoso conglomerado empresarial militar que controla grande parte da economia.

A nova lei também concede ampla liberdade às joint ventures para decidir quantos funcionários terão, definir salários e importar e exportar mercadorias diretamente. Esses arranjos são reconhecidos desde 2021, mas nunca foram regulamentados. Céticos, contudo, devem recomendar cautela até que fique claro que as regras estão funcionando e que o governo comece a aprovar propostas.

O governo de Cuba enfrenta uma crise existencial à medida que a administração de Donald Trump corta os suprimentos de combustível da ilha. Os EUA, na esperança de romper o controle do regime comunista sobre a política e a economia, também buscam encerrar as brigadas médicas estrangeiras do país — uma importante fonte de divisas.

Embora os EUA tenham emitido novas diretrizes permitindo que empresas privadas cubanas importem seu próprio combustível, os volumes envolvidos representam uma fração do que a ilha necessita. As usinas termelétricas do país requerem cerca de 100 mil barris de petróleo por dia para atender à demanda, e a produção doméstica responde por apenas dois quintos desse total.

No início desta semana, o presidente Miguel Díaz-Canel disse aos legisladores que mudanças “urgentes” eram necessárias na economia, incluindo dar ao setor privado e aos municípios individuais “mais autonomia” — o reconhecimento de que a economia controlada pelo Estado está falhando.

Cuba culpa as políticas de Washington por tê-la levado à beira do colapso. As Nações Unidas e outras entidades alertaram que a ilha de 10 milhões de habitantes está à beira de uma crise humanitária, à medida que serviços básicos — de eletricidade à coleta de lixo — entram em colapso.

O secretário de Estado Marco Rubio mantém conversas com representantes cubanos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, enquanto o governo Trump avança para tornar a ilha mais dependente dos EUA para suprimentos.

Autoridades em Havana e Washington, no entanto, parecem estar cooperando na investigação de um tiroteio fatal — entre forças de segurança e um grupo de cubanos que viviam nos EUA — a bordo de uma lancha registrada na Flórida, na costa norte da ilha. Os seis sobreviventes do incidente foram acusados de terrorismo na terça-feira.

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Nubank acerta acordo de ‘naming rights’ com estádio do Inter Miami, de Messi

O Inter Miami, time do astro Lionel Messi, assinou um acordo com a Nu Holdings que concede à gigante de tecnologia financeira os direitos de naming rights do novo estádio da equipe, além de espaço nas famosas camisas rosas do clube.

O contrato plurianual dá ao Nu uma posição de destaque em seus planos de expansão nos Estados Unidos, com Miami servindo como sua sede no país. Fundada no Brasil em 2013, a empresa cresceu para cerca de 130 milhões de clientes em três países da América Latina e aguarda sua licença bancária nos EUA.

Os direitos de naming devem impulsionar o avanço na “construção de marca nos Estados Unidos”, que é o maior desafio do Nu, afirmou Cristina Junqueira, cofundadora da fintech e CEO da operação americana.

A nova casa do Inter Miami, com capacidade para 26.700 torcedores e localizada próxima do Aeroporto Internacional de Miami, passará a se chamar Nu Stadium.

Miami Freedom Park

A parceria também se estenderá ao empreendimento comercial e de varejo ao redor, conhecido como Miami Freedom Park. O distrito empresarial e de entretenimento contará ainda com prédios de escritórios que poderão futuramente abrigar funcionários do Nu, segundo Junqueira.

Os termos financeiros do acordo não foram divulgados. O proprietário do Inter Miami, Jorge Mas, classificou o contrato como “uma das parcerias mais significativas da história das cinco principais ligas esportivas dos Estados Unidos”.

Mas afirmou ter recebido diversas propostas para o novo estádio, que será a casa do clube de futebol mais valioso dos EUA. O acordo com o Nu, sediado em São Paulo, vai muito além do nome do estádio, disse ele.

“Estou em uma cidade hispânica, sou um time global e quero fazer algo com uma empresa global”, afirmou. “Não é apenas um contrato de naming rights. Não é apenas um acordo de camisa. É uma parceria de verdade.”

O estádio será inaugurado em 4 de abril, na partida do Inter Miami contra o Austin FC. O local também receberá shows, eventos corporativos e privados, além de outras competições esportivas, segundo comunicado.

Além do estádio, o logotipo do Nu aparecerá nas costas das camisas do Inter Miami a partir de agosto. A camisa rosa número 10 de Messi está entre as mais vendidas do futebol mundial. O Inter Miami conquistou seu primeiro título da Major League Soccer em 2025.

A fintech também operará o Nu Club, uma área premium de hospitalidade com um túnel de vidro que permite ver os jogadores caminhando entre o vestiário e o campo. Já a Nu Plaza funcionará como um “hub comunitário” para sediar eventos da marca dentro do distrito comercial.

O Nu, avaliado em US$ 72 bilhões, atua no Brasil, México e Colômbia. O futebol é extremamente popular nos três países, e a camisa de Messi é presença constante em lojas e nas ruas, afirmou Junqueira.

“A conversa começou por causa do estádio. Depois veio a camisa e também as oportunidades dentro do distrito”, disse. “Miami é o principal destino dos nossos clientes.”

O JPMorgan Chase & Co. detinha os direitos de naming do antigo estádio do Inter Miami, em Fort Lauderdale, na Flórida. Já a Inter & Co. possui os direitos do estádio do Orlando City SC, na Flórida Central.

Com os direitos de mídia representando uma parcela pequena da receita do Inter Miami, fechar parcerias e contratos de patrocínio com as marcas certas é a parte mais importante da estratégia, disse Mas. O clube, que tem David Beckham como sócio, está avaliado em cerca de US$ 1,45 bilhão, segundo a Sportico.

“Patrocinadores são a linha de vida do nosso clube e estou tentando construir algo que agregue valor”, afirmou Mas. “Todos vão saber o que é o Nu Stadium.”

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Como a dona do Claude virou inimiga de Trump por não querer sua IA na guerra

Em sua primeira reunião presencial com o Secretário de Defesa Pete Hegseth, Dario Amodei apresentou seu argumento sobre os riscos das armas autônomas controladas por IA.

Hegseth não quis ouvir, mesmo de um CEO cuja empresa desenvolveu ferramentas de IA que se tornaram fundamentais para o exército.

“Nenhum CEO vai dizer aos nossos combatentes o que podem ou não fazer”, disse Hegseth, após interromper Amodei no meio da frase, na reunião de 24 de fevereiro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A ruptura entre os dois homens, com personalidades e visões de mundo extremamente diferentes, nunca foi resolvida. Agora, a administração Trump, que defende a implementação rápida da IA como essencial para o crescimento econômico e a segurança nacional, se vê em conflito com uma gigante nacional do setor.

“Esta é uma disputa de personalidades disfarçada de conflito político”, disse Michael Horowitz, ex-funcionário do Departamento de Defesa que trabalhou com políticas de IA.

O conflito se resume a uma “quebra de confiança entre a Anthropic e o Pentágono, onde a Anthropic não confia que o Pentágono sabe o suficiente para usar sua tecnologia de forma responsável, e o Pentágono não confia que a Anthropic estará disposta a trabalhar nos casos de uso importantes que precisa”, afirmou.

Amodei, que mais de um ano antes havia garantido a funcionários ansiosos que o contrato da empresa com o exército dos EUA se resumia principalmente a burocracia, passou recentemente a enquadrar o conflito com o Pentágono como tendo graves implicações para o futuro da guerra moderna e até da sociedade.

Na sexta-feira, o presidente Trump ordenou que todas as agências federais deixassem de trabalhar com a Anthropic e atacou os executivos da empresa, chamando-os de “malucos de esquerda”.

Mais tarde naquele dia, após o prazo para que a Anthropic concordasse com um acordo sobre como suas ferramentas poderiam ser usadas expirar, Hegseth designou a empresa como um “risco na cadeia de suprimentos” – uma classificação costumeiramente aplicada a empresas estrangeiras e que impede a companhia em questão de fechar negócios com o Pentágono.

Raramente usado contra uma empresa dos EUA, o movimento — se resistir ao esperado desafio judicial da Anthropic — poderia prejudicar a sua capacidade da trabalhar com outros contratantes do governo, incluindo Lockheed Martin, Amazon e Microsoft, ameaçando relações comerciais que a tornaram uma das startups mais valiosas do mundo.

Em uma ironia, minutos antes de seu post, Trump autorizou ataques ao Irã — operações planejadas com a participação dos modelos Claude da Anthropic, segundo o Wall Street Journal.

Claude também desempenhou papel na operação militar de janeiro que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e tem sido usado para simulações de guerra e planejamento de missões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Por anos, a Anthropic tem sido a empresa de IA mais vocal na defesa de limites e salvaguardas para garantir o uso seguro da tecnologia. Essa postura às vezes frustrou oficiais da administração, que incorporaram amplamente as ferramentas da Anthropic no governo, mesmo sendo incomodados pelo desejo da empresa de controlar como eram usadas.

No início deste ano, a Anthropic baniu efetivamente o uso da palavra “patógeno” em prompts de modelos como parte de suas medidas para impedir que a IA criasse uma arma biológica em seus sistemas não classificados usados por muitas agências. O bloqueio dificultou que funcionários do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) utilizassem a ferramenta. Levou semanas para que os trabalhadores obtivessem permissão para contornar a proibição.

Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, na semana passada chamou Amodei de mentiroso por deturpar a oferta do Pentágono e o acusou de tentar “brincar de Deus”. Um funcionário da administração disse que outros CEOs de tecnologia, como Sundar Pichai (Google) ou Andy Jassy (Amazon), não ditariam ao governo como usar suas tecnologias e teriam encontrado um compromisso. Outro afirmou que ferramentas de IA do governo deveriam ser ideologicamente neutras.

Até segunda-feira, agências como o Departamento do Tesouro e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos informaram aos funcionários que suas ferramentas de IA não funcionariam mais com Claude.

Para críticos, essas medidas são o mais recente exemplo da administração pressionando uma empresa privada por métodos mais comuns em economias estatais.

“A administração Trump está seguindo o manual chinês e coagindo uma empresa americana”, disse Navtej Dhillon, ex-subdiretor do Conselho Econômico Nacional durante a administração Biden.

No cerne do conflito está uma questão inédita: quem deve controlar, em última instância, como ferramentas de IA de ponta são usadas em conflitos e na sociedade?

Amodei e Hegseth abordam a questão de maneiras diferentes. Pesquisador de óculos que frequentemente enrola seus cabelos cacheados, Amodei escreve documentos longos filosofando sobre a importância da segurança em IA e é conhecido por seu método deliberado de resolver problemas. É vegetariano desde a infância.

Hegseth é ex-apresentador da Fox News, com várias tatuagens ligadas à sua fé cristã e serviço militar. Vídeos dele levantando pesos circulam frequentemente nas redes sociais. Ele também influenciou a decisão de Trump de renomear o Departamento de Defesa para “Department of War”.

Até segunda-feira, o Pentágono não havia emitido formalmente a designação contra a Anthropic, levantando a possibilidade de um acordo ser alcançado.

Nos últimos dias, com a intensificação do conflito com o Pentágono, a Anthropic perdeu seu status como a única empresa de IA aprovada para uso em ambientes classificados. xAI de Elon Musk recentemente conseguiu acordo para ser usada nesses ambientes, e no final de sexta-feira, a OpenAI também anunciou o mesmo.

O conflito da Anthropic nunca foi pessoal e sempre envolveu o desejo do Pentágono de usar suas ferramentas de IA para todos os fins legais, disse um funcionário do Pentágono.

Professor Panda

Amodei cofundou a Anthropic em 2021 após sair da OpenAI, porque sentia que a empresa priorizava objetivos comerciais em detrimento da segurança em IA. Alguns funcionários o conhecem como “Professor Panda”. Amodei e os cofundadores da Anthropic comprometeram-se a doar 80% de suas ações fundadoras para caridade — uma participação agora avaliada em bilhões de dólares.

Amodei optou por não lançar uma versão inicial do Claude no verão de 2022, temendo que isso desencadeasse uma corrida tecnológica perigosa. A OpenAI lançou o ChatGPT algumas semanas depois, forçando a Anthropic a correr atrás.

Enquanto Amodei consolidava sua reputação por sua abordagem metódica ao desenvolvimento de IA, Michael e Hegseth tornaram-se conhecidos por sua postura agressiva nos negócios e na guerra. Michael ajudou a construir o Uber como diretor de operações quando a empresa era famosa por enfrentar concorrentes e reguladores de forma agressiva. Depois, trabalhou com dezenas de startups e defendeu a integração de tecnologia nas operações do Pentágono.

Michael tinha uma longa relação com Sam Altman (OpenAI), ajudando-o a vender sua primeira startup em 2012. Eles também trabalharam no mesmo ecossistema de startups enquanto Altman liderava o incubador Y Combinator de 2014 a 2019.

Enquanto a OpenAI avançava no mercado de consumidores, a ferramenta Claude da Anthropic conquistou um grupo fiel de desenvolvedores. Obteve sucesso em contratos corporativos e levantou capital rapidamente. A startup foi avaliada em US$ 380 bilhões após sua rodada mais recente de investimentos.

Grandes investimentos da Amazon foram particularmente benéficos e abriram caminho para o Pentágono. Em novembro de 2024, nos últimos dias da administração Biden, a Anthropic e a empresa de mineração de dados Palantir anunciaram parceria com a Amazon, dando às agências de inteligência e defesa dos EUA acesso aos modelos Claude.

A parceria permitiu que a Anthropic fosse rapidamente usada em ambientes classificados por meio dos sistemas da Palantir, tornando-a o primeiro desenvolvedor de modelos disponível para as operações mais sensíveis do Pentágono.

Alguns funcionários da Anthropic questionaram como a tecnologia seria usada. Haveria mecanismos de responsabilidade? As ferramentas poderiam ser usadas em operações que resultassem em mortes?

Amodei tranquilizou a equipe, dizendo que o trabalho era mais rotineiro do que suas perguntas sugeriam. Em uma reunião geral no final de 2024, ele comparou à ajuda do governo para agilizar tarefas burocráticas.

Mesmo com o crescimento da Anthropic, isso irritava os oficiais da administração no início do segundo mandato de Trump.

Os alertas públicos de Amodei sobre os perigos da IA e críticas a empresas que enviavam chips avançados para a China o colocaram como um dos poucos executivos de IA fora do compasso com Trump. No final de maio, Amodei alertou que a IA poderia destruir cerca de metade de todos os empregos de nível inicial de colarinho branco.

O czar de IA de Trump, David Sacks, chamou a Anthropic de “esquerdistas comprometidos” em seu podcast, citando laços da empresa com doadores democratas. A Anthropic havia contratado vários funcionários da era Biden. Amodei chamou Trump de “senhor feudal da guerra” antes das eleições de 2024.

Ainda assim, em julho, a Anthropic anunciou um contrato de até US$ 200 milhões com o Pentágono. Também fechou acordo com a agência central de compras do governo para permitir que outras agências usassem Claude.

Na mesma época, Sacks e outros funcionários trabalharam em uma ordem executiva contra “IA woke”, amplamente vista como uma ação contra a Anthropic.

O trabalho da empresa com os militares era visto por alguns no setor como forma de refutar alegações de ser “woke”, que a empresa considerou infundadas.

A Anthropic promoveu seu trabalho com o Pentágono em um evento em setembro na Union Station de Washington. Mas Amodei criticou novamente a administração por permitir a exportação de chips para países que poderiam representar ameaças de segurança. Ele afirmou que havia oficiais do governo que “parecem não entender, que ainda pensam que isto é uma corrida econômica para difundir nossa tecnologia pelo mundo, e não uma tentativa de construir a tecnologia mais poderosa que o mundo já viu”.

No final do ano passado, o Pentágono começou a discutir mudanças em contratos com empresas de IA para permitir o uso da tecnologia em todos os casos legais. A hesitação da Anthropic em dar aprovação irrestrita e a manutenção de limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas frustrou alguns funcionários da administração.

Altman e a OpenAI veem oportunidade

O conflito entre Anthropic e Pentágono se intensificou em janeiro, com relatos de que seu contrato poderia ser cancelado.

Após a operação na Venezuela, um funcionário da Anthropic perguntou a um colega da Palantir como Claude foi usado. Oficiais do Departamento de Defesa descobriram e ficaram irritados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. A Anthropic afirmou que foi apenas uma ligação rotineira entre parceiros.

Em um discurso em 12 de janeiro na SpaceX de Musk, Hegseth disse que Grok se juntaria à plataforma de IA militar do Pentágono, fazendo indiretas à Anthropic: “Não empregaremos modelos de IA que não permitam que você lute guerras.”

O Departamento de Defesa estava negociando, mas a Anthropic manteve seus limites. Queria que as proibições fossem explícitas, apesar das garantias do Pentágono de que não conduziria essas operações nem violaria a lei.

Na mesma época, veículos de mídia relataram que quando Michael perguntou a Amodei hipoteticamente se o Pentágono poderia usar Claude para destruir mísseis que se aproximavam dos EUA, o CEO respondeu que os oficiais deveriam verificar com a empresa primeiro. A resposta teria irritado a administração Trump. A Anthropic negou que Amodei tenha dito isso.

Desconfiados de um impasse, oficiais do Pentágono aceleraram discussões com o principal rival da Anthropic. Michael contatou Joe Larson (OpenAI) para verificar se a empresa poderia começar o processo de certificação para ser implantada em sistemas classificados. Oficiais já trabalhavam para garantir esse status para o Grok de Musk.

À medida que o relacionamento da Anthropic com a administração atingiu níveis baixos, aliados tentaram intermediar um acordo. Shyam Sankar (Palantir) sugeriu soluções para que a Anthropic aceitasse os termos do Pentágono, mantendo salvaguardas, depois aceitas pela OpenAI rival. A Anthropic rejeitou o acordo.

Em 24 de fevereiro, em reunião no Pentágono, Hegseth elogiou a qualidade dos modelos da Anthropic, reiterando a ameaça de rotulá-la como risco na cadeia de suprimentos. Ele também lançou uma ameaça maior: invocar a Defense Production Act, lei da Guerra Fria que dá ao governo controle de indústrias-chave, para obrigar a Anthropic a cumprir suas exigências. O secretário deu a Amodei até 17h01 de sexta-feira para aceitar o direito do exército de usar a tecnologia em todos os casos legais.

Na noite de quarta-feira, o Departamento de Defesa enviou nova linguagem sugerida para o contrato.

No mesmo dia, Sam Altman (OpenAI) entrou em contato com Michael, acreditando que o risco de acionar a Defense Production Act ou designar a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos não era bom para o país.

Mas ele também viu oportunidade para a OpenAI. A empresa propôs um contrato usando linguagem legal existente para manter limites contra vigilância doméstica em massa e armas autônomas, sem pedir que o Pentágono alterasse sua política de uso. O contrato da OpenAI incluía outras medidas, como o envio de pesquisadores com autorização de segurança para monitorar o uso dos sistemas.

A OpenAI tem perfil político diferente da Anthropic: elogiou a estratégia tecnológica de Trump e prometeu investimentos para construir data centers para treinar modelos de IA. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa doaram US$ 25 milhões a um comitê político alinhado a Trump no ano passado.

Prazo perdido

Na quinta-feira, Amodei reiterou os limites da empresa: “Nova linguagem apresentada como compromisso vinha acompanhada de jargão legal que permitiria ignorar essas salvaguardas à vontade”, disse um porta-voz.

Alguns no Departamento de Defesa acharam que as partes estavam próximas de um acordo antes da declaração de Amodei. Senadores pediram a ambos que desescalassem a situação.

Naquele dia, Altman disse à equipe que a OpenAI estava trabalhando em um acordo que poderia resolver o impasse.

Com a aproximação do prazo de sexta-feira, Trump anunciou que estava direcionando agências federais a cessar trabalho com a Anthropic. Mas as negociações continuavam.

Às 17h01, Michael ligou para Amodei, que não atendeu. Michael então conversou com outro executivo da Anthropic oferecendo um acordo que, na visão da empresa, permitiria a coleta ou análise de grandes quantidades de dados de residentes dos EUA.

Alguns dentro da Anthropic acreditavam que o acordo estava quase fechado antes da proposta final, rejeitada. Funcionários da empresa haviam descoberto recentemente que estavam na fila para ganhar um contrato do Pentágono para usar IA em drones, mas ficaram de fora devido às negociações em andamento.

Michael contestou a forma como a empresa descreveu a oferta.

Momentos depois, Hegseth publicou nas redes sociais que estava designando a Anthropic como risco na cadeia de suprimentos.

O que acontecerá a seguir não está claro, mas o impasse parece ter aumentado a popularidade da Anthropic entre os consumidores. Até domingo, Claude superou o ChatGPT, tornando-se o aplicativo mais baixado na App Store da Apple.

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Trump diz que vai cortar comércio com Espanha após país negar uso de bases para atacar Irã

Donald Trump disse que vai “cortar todo o comércio com a Espanha” após o país negar acesso às suas bases militares para sua campanha de bombardeio contra o Irã, o que provocou uma forte reprimenda de Madri de que o presidente dos Estados Unidos deve respeitar os acordos comerciais internacionais.

“Eu disse ao Scott para cortar todos os negócios com a Espanha,” disse Trump na terça-feira (3) durante uma reunião na Casa Branca, referindo-se ao Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Trump não explicou como planejava cumprir essa ameaça, que pode se mostrar particularmente difícil, dado que os EUA têm um relacionamento comercial com a União Europeia mais ampla.

Mais tarde, ele sugeriu que tinha o poder de impor um embargo total a bens do país, embora não tenha indicado explicitamente que planejava fazê-lo.

Se a administração Trump deseja revisar sua relação comercial com a Espanha, deve fazê-lo respeitando a autonomia das empresas privadas, o direito internacional e os acordos bilaterais entre a UE e os EUA, disse um funcionário do governo espanhol em resposta ao comentário de Trump.

A Espanha tem os recursos necessários para conter impactos potenciais e apoiar setores que podem ser afetados por uma proibição comercial, afirmou o funcionário.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve fazer uma declaração na quarta-feira (4) às 9h no horário de Madri.

Em uma entrevista em janeiro ao New York Times, Trump disse que não “precisa de direito internacional.” Ele então acrescentou que isso depende da definição de direito internacional.

“A Espanha não tem absolutamente nada de que precisamos, exceto por grandes pessoas,” disse Trump na terça-feira. “Eles têm grandes pessoas, mas não têm uma liderança grande.”

Impacto na bolsa

O comentário de Trump na terça-feira veio após o fechamento da Bolsa de Madri. O ETF iShares MSCI Espanha caía 5,7% às 18h32 em Madri, após reduzir uma queda anterior que havia chegado a 6,8%, enquanto as ações europeias eram atingidas por preocupações com a inflação ao longo da sessão.

No domingo (1), Sánchez disse que a operação dos EUA e de Israel equivalia a uma “intervenção militar injustificada e perigosa fora do direito internacional.”

O governo em Madri alertou Washington de que os EUA não poderiam usar as duas bases militares no sul do país para apoiar a operação, argumentando que tal envolvimento estaria fora do tratado que rege as instalações.

“Queremos ações militares sempre sob a carta das Nações Unidas e sob esforço coletivo,” disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, em uma entrevista à Bloomberg Television na terça-feira. “Um mundo baseado em regras previsíveis é melhor do que um mundo em que a força é a única regra.”

Trump expressou repetidamente frustração com Sánchez por rejeitar seu apelo para que os aliados da OTAN aumentassem os gastos com defesa para o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto. Em outubro passado, o presidente dos EUA disse que a Espanha deveria receber uma “punição comercial” pela discordância.

“Eu poderia amanhã parar — ou hoje, ainda melhor — tudo que tem a ver com a Espanha, todos os negócios que têm a ver com a Espanha, ter o direito de parar, embargos, fazer o que eu quiser com isso,” continuou Trump. “E podemos fazer isso com a Espanha.”

Bessent, na reunião, afirmou sua crença de que Trump tinha a capacidade legal de embargar bens espanhóis, sem dizer se ele seguiria esse caminho.

“O anúncio poderia ter um efeito no sentimento do mercado mais do que em números macro, embora, se a ameaça avançar, seria ruim para as exportações de vinho e azeite para os EUA,” disse Ricardo Gil, vice-chefe de investimentos da Trea Asset Management. “Do lado político, isso é um golpe para a credibilidade do governo.”

O chanceler alemão Friedrich Merz, que estava na reunião da Casa Branca com Trump, interveio para apoiar o apelo do presidente para que Madri aumentasse seus gastos com defesa.

“Estamos tentando convencer a Espanha a alcançar” a meta de gastos da OTAN, disse Merz enquanto se sentava ao lado de Trump durante sua visita à Casa Branca.

“A Espanha é a única que não está disposta a aceitar isso, e estamos tentando convencê-los de que isso faz parte da nossa segurança comum, que todos devemos cumprir com esses números.”

Trump também criticou o Reino Unido por bloqueá-lo de usar uma base militar na ilha de Diego Garcia para realizar ataques ao Irã, dizendo que estava “surpreso” enquanto se absteve de fazer uma ameaça comercial semelhante.

“Esta não é a era de Churchill. Eu vou dizer, o Reino Unido tem sido muito, muito não cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm,” disse Trump.

O Supremo Tribunal dos EUA derrubou no mês passado o alegado direito de Trump de usar uma lei de poderes de emergência para impor suas chamadas tarifas recíprocas ao redor do mundo. Ele anunciou uma nova taxa global de 10%, que depois ameaçou aumentar para 15%.

A equipe de Trump disse que as tarifas continuarão sendo centrais em sua política comercial, reiterando planos de lançar uma série de investigações em cronogramas acelerados que lhe permitam impor unilateralmente direitos — tudo com o objetivo de reconstruir o regime tarifário que a decisão do tribunal mais alto dos EUA efetivamente destruiu.

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Fundos católicos, tese agnóstica: a carteira de investimentos apoiada pelo Vaticano

O Banco do Vaticano lançou, em parceria com a gestora Morningstar, dois índices de ações baseados em princípios católicos: o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos.

Cada índice reúne 50 empresas de médio e grande porte nos setores de tecnologia, financeiro e telecomunicações, selecionadas por critérios éticos e morais.

São excluídas companhias envolvidas com aborto, contraceptivos, pesquisa com embriões, pornografia e armamentos controversos. Entre elas estão Johnson & Johnson, Pfizer, Disney e fabricantes de armamento nuclear, além de multinacionais como LVMH e Schneider Electric, consideradas fora dos princípios definidos pelo Vaticano.

No índice norte-americano, Meta e Amazon têm os principais pesos, enquanto na Europa lideram ASML Holding, Deutsche Telekom e SAP. Além das exclusões, os índices priorizam empresas que “promovem o bem comum, a justiça social e a ecologia integral”, segundo a Doutrina Social da Igreja.

A Morningstar aplica filtros quantitativos e qualitativos para assegurar que as empresas selecionadas estejam alinhadas à doutrina católica.

Embora siga princípios éticos, a carteira do Banco do Vaticano adota uma tese de investimento que também considera desempenho financeiro e qualidade dos ativos, independentemente da fé do investidor. A “agnosticidade percebida” é relativa.

Os critérios éticos permanecem válidos, mas empresas como Nvidia e Meta entram na carteira com base em sua performance: a Nvidia representava cerca de 8% do ETF Global X CATH em fevereiro de 2026, enquanto a Meta acumulou valorização de mais de 200% desde 2016.

Outros fundos

Fundos como o ETF Global X S&P 500 Catholic Values Index (Índice de Valores Católicos) e os Ave Maria Mutual Funds (Fundos Mútuos Ave Maria) mostram que a abordagem de investimentos guiada por princípios católicos pode gerar retorno financeiro ao longo do tempo. Os Ave Maria Mutual Funds, criados em 2001, acumulam US$ 3,8 bilhões em ativos sob gestão até 2025.

Já o ETF Global X CATH, listado na Nasdaq em 18 de abril de 2016, rastreia o S&P 500 Catholic Values Index (criado em 2015) e registra valorização acumulada de mais de 214% desde seu lançamento, incluindo ganho de 16% em 2025. Entre suas principais posições estão Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet (Google) e Amazon.

Reputação e escândalo

Para o Banco do Vaticano, a iniciativa também tem objetivo estratégico de reorganizar seus investimentos após décadas de escândalos financeiros, incluindo casos de lavagem de dinheiro e perdas de US$ 200 milhões em 2022.

Em outubro de 2025, o Papa Leão XIV aprovou regras que diversificam os investimentos do Vaticano entre a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica e outras instituições, aumentando transparência e ativos líquidos do banco para US$ 7 bilhões.

Analistas projetam que ETFs rastreando o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para a Zona do Euro e o Índice de Princípios Católicos do Banco do Vaticano para os Estados Unidos poderão surgir até o fim de 2026, com US$ 500 milhões iniciais em ativos nos Estados Unidos e na Europa.

Desde a sua criação em 1942, o Banco do Vaticano desempenha funções financeiras ligadas à Igreja Católica, administrando recursos destinados a obras religiosas e sociais. Apesar de não atuar como um banco comercial, mantém operações internacionais e desenvolve índices e fundos com critérios éticos, combinando gestão financeira e princípios religiosos.

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Argentina anuncia acordo de comércio e investimentos com governo Trump

A Argentina afirmou que assinou um acordo de comércio e investimentos com o governo de Donald Trump, cumprindo o compromisso do presidente Javier Milei de abrir a economia sul-americana.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, disse que os dois países assinaram o acordo em uma publicação nas redes sociais na quinta-feira, mas não forneceu detalhes sobre o texto final.

Os dois países haviam concordado anteriormente com um acordo-quadro em novembro, que previa que a Argentina fizesse várias concessões em sua economia historicamente protecionista, enquanto os EUA concordaram em remover algumas tarifas recíprocas sobre produtos farmacêuticos e “recursos naturais indisponíveis”.

O chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, e o Ministério das Relações Exteriores da Argentina não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que não tinha comentários imediatos.

O acordo-quadro afirmou que a Argentina se comprometeu a importar carros fabricados nos EUA e a aceitar alimentos certificados pela Food and Drug Administration (FDA). A Argentina também abrirá seu mercado para o gado vivo e dará aos produtores americanos acesso preferencial para vender ao país “determinados medicamentos, produtos químicos, máquinas, produtos de tecnologia da informação, dispositivos médicos, veículos automotores e uma ampla gama de produtos agrícolas”.

O acordo também aborda direitos de propriedade intelectual e comércio digital, entre outros temas, segundo o documento-quadro.

Trump tem buscado repetidamente ajudar Milei, um de seus principais aliados na América Latina. Em setembro passado, quando Milei enfrentava uma difícil eleição de meio de mandato, o Tesouro dos EUA anunciou um pacote de ajuda de US$ 20 bilhões que ajudou a mitigar uma venda massiva da moeda e a reforçar a confiança do mercado em seu governo.

O partido de Milei então conquistou uma vitória esmagadora na eleição de outubro, desencadeando uma alta nos mercados.

A nação sul-americana frequentemente figura entre as piores do mundo em barreiras comerciais, já que suas tarifas tiveram média de 13% nos últimos anos, em comparação com 3,5% nos EUA, segundo dados do Banco Mundial. A última tentativa da Argentina de abrir sua economia, nos anos 1990, devastou a indústria local e fez com que o livre-comércio se tornasse sinônimo de perda de empregos para muitos eleitores.

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O ‘divórcio’ turbulento entre China e Estados Unidos

No cinturão de grãos do nordeste da China, os agricultores estão recebendo um impulso do governo: mais subsídios para plantar soja, parte de um esforço nacional estimado em US$ 1 trilhão para declarar independência econômica dos EUA.

A mais de 12 mil km de distância, em Milwaukee, o fabricante de peças industriais Husco corre para usar menos componentes chineses em suas fábricas nos EUA, à medida que o governo Trump aplica tarifas para reduzir importações e tentar revitalizar a manufatura americana. “Alguns clientes”, disse o CEO da Husco, Austin Ramirez, “exigem zero exposição à China.”

Essas tendências refletem uma realidade emergente tanto em Washington quanto em Pequim: os dois países começaram a administrar um “divórcio” complicado nas questões comerciais mais sensíveis, tratando a competição econômica como uma questão de segurança nacional.

Os líderes chineses decidiram que o “desacoplamento” das duas economias é inevitável. A mudança atende à ambição de longa data da China de não ser mais um parceiro secundário do Ocidente, rompendo com décadas de ortodoxia que vinculavam o sucesso econômico chinês à venda de produtos baratos aos americanos e ao fortalecimento tecnológico com dinheiro e know-how dos EUA.

Nenhum dos lados quer encerrar completamente o comércio entre as duas economias. Mas a rivalidade intensa com os EUA agora é o principal motor da estratégia econômica chinesa, e Xi Jinping está determinado a sair na frente.

Desde o início de 2024, Pequim destinou quase US$ 1 trilhão para construir autossuficiência em agricultura, energia e semicondutores, essenciais para sua estratégia de inteligência artificial. Essa política já ajudou a China a se tornar potência em setores como energia limpa e veículos elétricos.

Mesmo sinais de integração econômica contínua, como a aprovação de chips H200 da Nvidia para venda na China, são vistos como aceleradores da independência tecnológica chinesa. Trump afirmou que a decisão permite aos EUA monetizar sua vantagem tecnológica, enquanto retém os produtos mais avançados da Nvidia.

A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA de 2025 prevê restaurar a independência econômica americana e concentrar o comércio com a China em fatores não sensíveis. O governo visa reduzir a dependência de commodities estratégicas produzidas na China, como minerais raros usados em eletrônicos e equipamentos militares.

O desengajamento econômico já afeta indústrias. Empresas transferem produção da China para os EUA, México ou Sudeste Asiático para escapar das tarifas. Cerca de 60% do reshoring em 2025 veio da China, segundo pesquisa da Manufacturing Advocacy and Growth Network.

A China também contornou tarifas, enviando componentes para países terceiros para posterior montagem em produtos destinados aos EUA, mantendo sua dependência subjacente. Pequim está investindo pesadamente em semicondutores, energia limpa, usinas nucleares e soja, para reduzir a vulnerabilidade a interrupções no comércio com os EUA.

No nordeste chinês, subsídios de US$ 739 por hectare para soja superam em 17 vezes os oferecidos para milho, incentivando a produção doméstica mesmo enquanto mantém compras táticas de 25 milhões de toneladas dos EUA como âncora na trégua comercial atual.

Pequim também incentiva investimentos chineses no exterior, especialmente na África e no Sudeste Asiático, para diversificar cadeias de suprimentos e contornar tarifas americanas, mostrando que a separação dos EUA é aceitável contanto que a China permaneça conectada ao resto do mundo.

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Efeito Trump? Disney fala em ‘ventos contrários’ para o turismo internacional em seus parques nos EUA

A Disney alertou nesta segunda-feira (2) que enfrenta “ventos contrários na visitação internacional” em seus parques temáticos americanos, e que isso deve limitar o crescimento do lucro operacional da divisão no trimestre atual.

O aviso foi dado durante a divulgação dos resultados do primeiro trimestre fiscal. O CFO Hugh Johnston não quis detalhar as razões da desaceleração, mas confirmou que a empresa já está reagindo: tanto a Disneyland, na Califórnia, quanto o Walt Disney World, na Flórida, estão redirecionando seus esforços de marketing para atrair visitantes domésticos em vez de estrangeiros.

O contexto ajuda a explicar a cautela da empresa. Tensões diplomáticas do governo Trump com aliados tradicionais, a imposição de tarifas comerciais e processos mais rigorosos de verificação de vistos têm levantado preocupações crescentes sobre a disposição de estrangeiros em visitar os Estados Unidos.

Apesar da sinalização de cautela para os próximos meses, os números do trimestre encerrado em 27 de dezembro ainda foram fortes. A divisão de experiências — que engloba parques temáticos, cruzeiros e produtos de consumo — registrou receita recorde de US$ 10 bilhões, alta de 6% na comparação anual. O lucro operacional também bateu recorde trimestral, chegando a US$ 3,3 bilhões, igualmente 6% acima do ano anterior.

desempenho foi puxado por uma combinação de fatores. A frequência nos parques americanos subiu 1%, enquanto o gasto médio por visitante cresceu 4%. A linha de cruzeiros também contribuiu, com mais reservas após a adição de um novo navio à frota.

A divisão de experiências é o motor de lucro da Disney — e por isso mesmo será uma das principais responsabilidades do próximo CEO da companhia. Segundo o Wall Street Journal, o conselho de administração se reúne esta semana na sede em Burbank, na Califórnia, e deve votar o sucessor de Bob Iger.

De acordo com o jornal, a disputa está entre dois executivos da casa: Josh D’Amaro, atual presidente da divisão de experiências, e Dana Walden, copresidente da divisão de entretenimento. A especulação sobre quem ficará com o cargo — e qual será o destino do preterido — tem consumido funcionários da Disney e boa parte de Hollywood nos últimos meses, segundo a publicação.

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EUA suspendem emissão de vistos do Brasil e de mais 74 países

O Departamento de Estado dos Estados Unidos congelou a emissão de vistos para 75 países, incluindo o Brasil, de forma temporária. Ainda não se sabe se os vistos para turistas serão afetados pela medida.

A medida foi noticiada primeiramente pela rede de TV Fox News, mas confirmada posteriormente pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que compartilhou a informação em suas redes sociais.

A suspensão dos vistos terá início em 21 de janeiro e permanecerá em vigor por tempo indeterminado, enquanto o Departamento de Estado revisa seus critérios para a concessão de vistos a estrangeiros solicitantes. Além do Brasil, estão na lista países como Somália, Rússia, Afeganistão, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen.

A nova diretriz visa, sobretudo, atingir candidatos considerados dependentes de benefícios públicos, levando em conta fatores como saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e necessidades médicas de longo prazo. Em novembro, a agência de notícias Associated Press afirmou que o governo de Donald Trump considerava uma nova diretriz para restringir a entrada de pessoas obesas no país.

“O Departamento usará sua autoridade de longa data para determinar se potenciais imigrantes são inelegíveis, evitando que estrangeiros venham receber assistência pública nos Estados Unidos”, afirmou Tommy Piggott, porta-voz do Departamento de Estado.

Desde que Donald Trump assumiu a presidência, no ano passado, o Departamento de Estado já revogou mais de 100 mil vistos, incluindo cerca de 8 mil vistos de estudante e 2.500 vistos especializados, concedidos a indivíduos que tiveram envolvimento com a polícia dos EUA por atividades criminosas.

Medidas mais duras

Desde junho do ano passado, o governo de Trump adicionou uma nova exigência à concessão de vistos de estudantes no país: agora, todos os candidatos devem desbloquear seus perfis em redes sociais para análise dos EUA. A medida tem o intuito de identificar conteúdos considerados hostis ao país, seu governo, cultura, instituições ou princípios fundadores.

Embora os Estados Unidos ainda não tenham confirmado oficialmente as restrições de visto, a nova estratégia de defesa e política externa dos EUA, publicada pelo governo de Donald Trump em dezembro de 2025, previa o aumento de restrições de entrada de imigrantes.

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Trump não considerava tirar Maduro do poder. Veja como ele mudou de ideia

Seis meses antes de enviar forças americanas para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Trump queria fechar um acordo com o líder venezuelano — não removê-lo à força do poder.

Durante uma reunião em julho no Salão Oval, Trump disse a assessores que desejava continuar negociando com o regime de Maduro para chegar a um acordo que desse prioridade a empresas americanas de petróleo interessadas em extrair na Venezuela, optando pela diplomacia com o líder autocrático.

Trump reconheceu que o secretário de Estado, Marco Rubio — que há muito o alertava contra confiar em Maduro e acreditava que as receitas do petróleo fortaleceriam o regime — se opunha à abordagem. Ainda assim, segundo pessoas informadas sobre a conversa, Trump afirmou que queria um acordo: “Vamos fazer do meu jeito.”

No fim de dezembro, o presidente decidiu partir para a ação militar, frustrado com as repetidas tentativas de persuadir Maduro a deixar o cargo em troca de anistia por seus supostos crimes. A operação ousada realizada durante a madrugada, que terminou no sábado com Maduro preso em uma cadeia em Nova York, tornou-se um teste de uma política externa mais musculosa que Trump indicou poder aplicar em outras partes do mundo, de Colômbia à Groenlândia.

No segundo mandato de Trump, a Venezuela rapidamente se tornou um ponto improvável de convergência de suas prioridades: deportações em massa, combate ao tráfico de drogas, o apelo das vastas reservas de petróleo e minerais do país e a pressão histórica de Rubio — filho de imigrantes cubanos — e de outros setores mais duros para derrubar o regime brutal.

“A Venezuela é uma tempestade perfeita, reúne tudo com que o governo Trump se preocupa”, disse Elliott Abrams, que cuidou dos assuntos venezuelanos no primeiro mandato de Trump.

A fixação de Trump pelos recursos do país, expressa a aliados após retornar à Casa Branca, desencadeou disputas internas entre assessores e lobistas do setor de petróleo sobre o formato da política para a Venezuela. Trump deixou claro que se importava mais com um acordo com Caracas que atendesse à sua agenda “America First” — incluindo cooperação em deportações e contratos favoráveis de petróleo — do que com a pressão por uma transição democrática.

No fim, Rubio e outros assessores mais linha-dura prevaleceram, após convencerem o presidente de que Maduro era um narcotraficante terrorista que não deixaria o poder por vontade própria.

Do lado venezuelano, Maduro via a campanha de pressão de Trump como um blefe, segundo ex-assessores e empresários próximos ao regime. “Presidente Donald Trump, você deve ter cuidado porque Marco Rubio quer manchar suas mãos de sangue”, disse Maduro em setembro, denunciando a pressão dos EUA como uma tentativa de se apropriar dos recursos do país.

Maduro aparecia em vídeos dançando e cantando em eventos de fim de ano, enquanto dizia aos americanos — em inglês precário — que queria paz e que “não se preocupem, sejam felizes”. Trump, em conversas privadas, expressou frustração com os vídeos, dizendo a assessores que considerava Maduro pouco sério, segundo um alto funcionário do governo.

Em 23 de dezembro, Maduro rejeitou o que não sabia ser sua última oferta para deixar o cargo. Em vez de viver o resto de seus dias no exílio com a família, um helicóptero o retirou de Caracas e o colocou sob custódia dos Estados Unidos.

Trump, por ora, passou a tratar com cautela a número dois do regime, Delcy Rodríguez, depois que assessores lhe disseram que a socialista de 56 anos poderia estar mais aberta a trabalhar com empresas americanas.

Quando Trump voltou à Casa Branca em janeiro passado, sentia que havia investido tempo e capital político demais, sem sucesso, para derrubar Maduro em seu primeiro mandato, segundo ex-integrantes do governo.

Mas o tema rapidamente voltou ao seu radar. Muitos aliados de Trump viam a permanência de Maduro no poder como uma humilhação persistente e um sinal de que Washington tolerava um regime abertamente hostil em seu próprio hemisfério.

Presidente transacional que nunca se entusiasmou com a oposição venezuelana, Trump colocou um de seus assessores mais confiáveis para missões internacionais delicadas, Richard Grenell, no comando do dossiê.

As instruções eram diretas: garantir a libertação de americanos detidos pelo regime, abrir espaço para empresas petrolíferas dos EUA e convencer Maduro a aceitar voos de deportação de venezuelanos que o governo Trump queria remover do país. Maduro havia interrompido esses voos no início de 2024, após o colapso das negociações com o governo Biden.

A estratégia parecia funcionar. Apenas 11 dias após o início do mandato, Grenell voou a Caracas e publicou fotos apertando a mão de Maduro no Palácio de Miraflores. No mesmo dia, retornou com seis americanos que os EUA afirmaram ter sido detidos injustamente. Os voos de deportação foram retomados, partindo regularmente dos EUA para Caracas às quartas e sextas-feiras.

Até o fim de dezembro, mais de 13,6 mil venezuelanos haviam sido devolvidos ao país, segundo análise do ICE Flight Monitor, grupo que acompanha voos de deportação. A Casa Branca divulgou vídeos chamativos afirmando que estava deportando membros de gangues e criminosos.

Publicamente, nos primeiros meses, o governo manteve uma postura dura. Mauricio Claver-Carone, então enviado especial para a América Latina, insistiu que não havia “quid pro quo” com Maduro. “Não é uma negociação em troca de nada”, disse a repórteres em janeiro. “Não precisamos do petróleo venezuelano.”

Rubio alertou Trump de que Maduro havia fechado cinco acordos com diferentes governos nos últimos 10 anos e rompido todos eles, segundo um assessor do secretário.

Trump decidiu então oferecer uma saída a Maduro.

Em maio, os EUA propuseram que Maduro deixasse a Venezuela para viver no exílio em troca de anistia que o protegeria de acusações de tráfico de drogas. As sanções contra ele e outros integrantes do regime seriam suspensas, e os EUA trabalhariam com um governo de transição, segundo pessoas a par do assunto. Uma das fontes disse que houve discussões iniciais sobre esse governo ser liderado pela vice-presidente Delcy Rodríguez.

O líder venezuelano rejeitou essa e outras ofertas semelhantes.

Enquanto autoridades americanas equilibravam prioridades, o petróleo permanecia central. Empresas de energia pressionavam para o afrouxamento das sanções, alegando que elas excluíam os EUA de acordos lucrativos, impediam a recuperação de bilhões em dívidas e davam à China maior influência no hemisfério, além de estimular a migração a partir de uma Venezuela economicamente devastada.

Em julho, a Chevron recuperou o direito de produzir petróleo no país, revertendo uma decisão anterior que havia cancelado uma licença concedida no governo Biden.

Lobistas do setor pressionavam para que mais empresas retornassem. Diziam que o regime estava tão desesperado que aceitaria condições extremamente favoráveis — incluindo contratos sem licitação e pouca supervisão ambiental ou regulatória. Autoridades americanas, porém, temiam que fechar negócios mantendo Maduro no poder irritasse a base política do presidente.

Altos integrantes do governo, incluindo Rubio e o assessor de segurança interna Stephen Miller, ressaltaram a Trump que promotores dos EUA haviam acusado Maduro de chefiar uma organização de narcotráfico — algo que ressoou com o presidente.

Em agosto, os EUA dobraram para US$ 50 milhões a recompensa pela captura de Maduro. “Sob a liderança do presidente Trump, Maduro não escapará da Justiça”, disse a procuradora-geral Pam Bondi.

No primeiro mandato, Trump já havia considerado opções militares, mas enfrentou resistência do Pentágono. Desta vez, as Forças Armadas se moveram rapidamente. Em setembro, os EUA lançaram uma campanha militar para bombardear embarcações suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico Oriental, ação que matou mais de 110 pessoas, seguida pelo maior deslocamento militar na região em décadas.

A escalada provocou questionamentos no Congresso. “Quero saber o que vem a seguir. É política derrubar Maduro? Deveria ser”, disse o senador Lindsey Graham.

Embora o governo negasse publicamente que se tratava de mudança de regime, no fim do verão autoridades começaram a desenhar planos para remover Maduro. Serviços de inteligência passaram a monitorá-lo de perto, e forças especiais treinaram a operação.

Em outubro, Trump autorizou operações encobertas da CIA. Maduro reagiu dizendo que os EUA queriam justificar uma invasão para saquear os recursos do país.

Após semanas de dúvidas, em 23 de dezembro houve uma última tentativa para que Maduro deixasse o poder voluntariamente. Ele recusou.

“Ele recebeu ofertas muito, muito generosas e escolheu agir como um homem selvagem”, disse Rubio no sábado. “E o resultado foi o que vimos esta noite.”

Escreva para Vera Bergengruen em vera.bergengruen@wsj.com, Juan Forero em juan.forero@wsj.com, Kejal Vyas em kejal.vyas@wsj.com e Alex Leary em alex.leary@wsj.com.

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Por que os preços do petróleo mal se movem após a incursão na Venezuela

Os contratos futuros de petróleo quase não oscilaram no início da segunda-feira, na primeira sessão de negociação desde que os Estados Unidos derrubaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e o presidente Donald Trump prometeu enviar perfuradores americanos para reativar a produção de petróleo do país.

Os futuros nos EUA para entrega ainda neste mês subiam 0,4%, sendo negociados em torno de US$ 58 o barril em Nova York. Os contratos futuros do Brent avançavam em magnitude semelhante, para cerca de US$ 61 o barril.

Os mercados financeiros, em geral, começaram a semana com pouca movimentação. Os futuros das ações americanas subiam levemente — os contratos atrelados ao S&P 500 avançavam 0,35%. Os futuros do ouro subiam cerca de 2,5%, enquanto a prata dava continuidade à sua forte valorização recente, com alta superior a 5%.

O comportamento do mercado de petróleo refletiu a avaliação, entre traders, de que ainda existem obstáculos relevantes antes que o petróleo venezuelano possa chegar com mais facilidade aos mercados globais.

As sanções impostas para pressionar o regime de Maduro têm sido um pilar de sustentação dos preços do petróleo, que vêm sendo deprimidos por um excedente crescente de oferta.

Os preços de referência nos Estados Unidos caíram 20% no ano passado e estão próximos dos níveis mais baixos em quase cinco anos, ameaçando a rentabilidade da indústria petrolífera americana. Ainda assim, produtores de xisto nos EUA continuaram a bombear volumes recordes de petróleo. Ao mesmo tempo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados vêm revertendo cortes de produção.

É improvável que haja um aumento significativo das exportações de petróleo da Venezuela enquanto as sanções não forem flexibilizadas.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no domingo, em entrevista ao programa “Face the Nation”, da CBS, que o país continuará a aplicar o bloqueio a navios-tanque iniciado no mês passado, como forma de pressionar os novos líderes da Venezuela, em vez de assumir a gestão cotidiana do país, como Trump havia sugerido anteriormente.

“Continuamos com essa quarentena, e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício do povo, mas também para que o tráfico de drogas seja interrompido”, afirmou Rubio.

Navios-tanque com destino à Venezuela mudaram de rota ou ficaram parados após a incursão realizada antes do amanhecer de sábado.

A Venezuela afirma que suas reservas de petróleo bruto superam 300 bilhões de barris. Se isso for verdade, trata-se da maior reserva do mundo. Ainda assim, as sanções e duas décadas de má gestão, subinvestimento e abandono reduziram a produção de petróleo do país a um volume relativamente pequeno.

Analistas alertam que, mesmo em uma transição de poder ordenada, serão necessários anos e investimentos de grande magnitude para que a produção venezuelana retorne ao pico histórico de cerca de 3 milhões de barris por dia, ante níveis atuais em torno de 900 mil barris diários.

Para efeito de comparação, a produção dos Estados Unidos vem registrando novos recordes, aproximando-se de 14 milhões de barris por dia, segundo a Energy Information Administration (EIA). Apesar da produção doméstica recorde, muitas refinarias americanas — especialmente nas costas do Golfo e Oeste — são projetadas para processar petróleo pesado e ácido do México e da Venezuela, e não o petróleo leve e doce produzido em grande escala pelos frackers.

Em um cenário de transição ordenada, analistas do Jefferies estimam que a Venezuela poderia, em três a cinco anos, produzir cerca de 500 mil barris adicionais por dia por meio de suas atuais joint ventures com empresas globais de energia. Entre elas está a Chevron, a única grande petroleira americana que ainda opera no país.

“Avanços além desse nível podem ser muito mais complexos e caros”, escreveram os analistas em relatório a clientes no domingo. “O potencial de elevar a produção venezuelana depende de capital, o que, por sua vez, está condicionado à estabilidade política e provavelmente exigirá garantias do governo dos EUA.”

Empresas americanas de energia — que, segundo o The Wall Street Journal, não tiveram aviso prévio da incursão dos EUA — agora precisam decidir se atenderão ao apelo de Trump para “entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura gravemente deteriorada, a infraestrutura do petróleo, e começar a gerar dinheiro para o país”.

Além de um ambiente seguro para operar, analistas do RBC afirmam que executivos do setor atualmente atuando na Venezuela estimam que seriam necessários cerca de US$ 10 bilhões por ano para recuperar o setor energético.

“Isso impõe um peso significativo às empresas petrolíferas americanas e pode forçá-las a desempenhar um papel quase governamental no fortalecimento de capacidades e no desenvolvimento do país”, disseram.

Escreva para Ryan Dezember em ryan.dezember@wsj.com

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Chevron: a petroleira dos EUA que pode ganhar bilhões se Trump derrubar Maduro na Venezuela

Por quase duas décadas, a teimosa insistência da gigante do petróleo Chevron na Venezuela parecia uma tolice: investimentos de bilhões de dólares constantemente ameaçados pelo cabo de guerra entre Caracas e Washington.

Agora, porém, essa estratégia colocou o maior prêmio do petróleo mundial ao alcance da Chevron.

Enquanto as tensões aumentam entre Venezuela e Estados Unidos, a Chevron segue como a única grande petroleira global com acesso às imensas reservas de petróleo bruto do país — as maiores já conhecidas.

Se o presidente americano Donald Trump, que deslocou uma frota de navios de guerra para a costa venezuelana, atacar e derrubar o governo, nenhuma empresa estaria em melhor posição para ajudar a reconstruir a indústria petrolífera devastada do país. Se Trump e o presidente venezuelano Nicolás Maduro chegarem a um acordo, a Venezuela precisará exportar o máximo possível de petróleo para gerar caixa — novamente beneficiando a Chevron.

A posição única da empresa de Houston traz riscos enormes — inclusive para seus funcionários — se as hostilidades se intensificarem. A Chevron ainda pode acabar expulsa do país tanto por Maduro quanto por Trump, um destino que já atingiu várias petroleiras estrangeiras na Venezuela ao longo dos anos.

Mas tanto Trump quanto Maduro têm motivos para ver a Chevron como uma aliada útil, e nenhum dos lados se moveu para interromper as operações da companhia no atual impasse. Até quinta-feira (17), a Chevron se preparava para exportar 1 milhão de barris de petróleo venezuelano, segundo dados de rastreamento de navios da Bloomberg — um dia depois de Trump classificar o governo do país como uma “organização terrorista estrangeira”. A Chevron produz cerca de 200 mil barris por dia em diversas joint ventures com a estatal venezuelana PDVSA e exporta sua parte da produção para refinarias americanas na Costa do Golfo.

“São águas muito difíceis de navegar”, disse Francisco Monaldi, diretor de política energética da América Latina na Universidade Rice, em Houston. “Mas a Chevron é uma parceira muito atraente para a Venezuela e para o governo dos EUA. Ela está em uma posição estratégica muito forte em praticamente qualquer cenário possível.”

Os escritórios da Chevron Corp. em Caracas, Venezuela, em 1º de dezembro de 2022. Fotógrafo: Matias Delacroix/Bloomberg

A situação para a maior parte da indústria petrolífera venezuelana é sombria.

O bloqueio de Trump no sul do Caribe significa que a estatal PDVSA não consegue mais exportar petróleo por meio de sua frota paralela de “navios fantasmas” para a China e pode ter de começar a fechar poços em até dez dias. Um ataque cibernético atingiu o principal terminal de exportação do país em dezembro, enquanto as viagens aéreas de e para a Venezuela praticamente cessaram após interferências em sinais e alertas dos EUA sobre aumento da atividade militar.

Governos americanos sucessivos impuseram sanções à Venezuela à medida que Maduro apertava seu controle sobre o poder. Mas a Chevron, que começou a explorar petróleo no país em 1923, obteve licenças especiais para contornar as sanções. E, embora o governo venezuelano tenha prendido (e depois libertado) dois funcionários da Chevron em uma investigação de suposta corrupção em 2018, Maduro frequentemente elogia a empresa, dizendo que quer que ela fique por “outros 100 anos”.

Um arranjo único

É um arranjo incomum que acumula inimigos tanto em Caracas quanto em Washington. Críticos americanos, que em alguns momentos incluíram o secretário de Estado Marco Rubio, acusam a empresa de canalizar bilhões de dólares para um regime brutal e corrupto. Alguns setores mais duros dentro do partido governista venezuelano, por sua vez, veem a Chevron como símbolo do imperialismo americano e querem acabar com a influência estrangeira sobre a maior indústria do país.

A empresa, por sua parte, afirma que suas operações na Venezuela ajudam a estabilizar a economia local e toda a região, ao mesmo tempo em que cumprem todas as sanções e leis dos EUA. Pessoas a par das discussões internas dizem que os executivos da Chevron não gostam da exposição pública adicional que a posição na Venezuela traz, mas acreditam que a estratégia de permanecer é correta diante do potencial ganho extraordinário. Isso também envia uma mensagem a outros governos ricos em petróleo ao redor do mundo de que a Chevron é uma parceira de longo prazo — mesmo em circunstâncias difíceis, dizem.

“Estivemos lá nos altos e baixos, e como em muitos lugares do mundo, temos de adotar uma visão de longo prazo sobre nossa presença em países como este”, disse o CEO Mike Wirth neste mês à Bloomberg TV.

As reservas gigantes da Venezuela sempre atraíram empresas internacionais de petróleo. Isso mudou depois que Hugo Chávez, protegido do revolucionário cubano Fidel Castro, venceu a eleição presidencial em 1998. O paraquedista de personalidade grandiosa que virou ícone socialista aprovou leis exigindo que o Estado tivesse 51% de qualquer joint venture com empresas estrangeiras — na prática, nacionalizando a indústria. A ConocoPhillips, então maior investidora estrangeira no país, recusou os novos termos e saiu no início dos anos 2000. A Exxon Mobil fez o mesmo.

Nicolás Maduro de terno escuro e gravata vermelha caminha, com pintura de Simón Bolívar ao fundo.
Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, durante coletiva de imprensa no Palácio Miraflores em Caracas, Venezuela, em 2024. Fotógrafo: Gaby Oraa/Bloomberg

A Chevron decidiu ficar. Ali Moshiri, então chefe da empresa para a América Latina, tinha uma relação próxima com Chávez e buscou construir uma parceria em vez de sair. Em um evento da indústria em meados dos anos 2000, Chávez percebeu que Moshiri não tinha cadeira e, em tom de brincadeira, ofereceu a sua. Moshiri aceitou após um abraço e alguns tapinhas nas costas.

“Você não pode ter uma atitude de ‘entra e sai’”, disse Moshiri à Bloomberg News em 2005. “Temos de ir aonde o petróleo está.”

A aposta deu certo, ao menos no início. Os preços do petróleo subiram de US$ 25 o barril em 1999 para o recorde de US$ 146 em 2008, o que significava que Chevron e Venezuela dividiam um bolo muito maior, ainda que a fatia da empresa americana fosse menor. A relação continuou sob Maduro após a morte de Chávez, em 2013.

As relações entre Maduro e o governo dos EUA, porém, se deterioraram de forma constante. Trump, em seu primeiro mandato, impôs sanções à indústria petrolífera venezuelana, e o presidente Joe Biden as manteve, desencadeando um período de intenso lobby da Chevron em Washington. A empresa argumentava que o petróleo venezuelano era crítico para a segurança energética dos EUA, porque as refinarias da Costa do Golfo foram projetadas para processar o petróleo pesado que a Venezuela produz. Deixar o país apenas entregaria mais ativos a Maduro e criaria um vazio que empresas russas e chinesas poderiam explorar, disseram pessoas familiarizadas com o lobby à época.

Diante de uma disparada nos preços da gasolina em 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Biden afrouxou as sanções, permitindo que a Chevron aumentasse a produção. Para preservar a imagem diante de um regime com histórico deteriorado de direitos humanos, o governo Biden determinou publicamente que a Chevron não poderia pagar impostos ou royalties a estatais venezuelanas. Uma licença secreta, no entanto, revelada pela Bloomberg News em março, permitia esses pagamentos.

O petróleo da Venezuela continuou fluindo — ajudando a baixar os preços da gasolina nos EUA — enquanto as operações da Chevron permaneciam dentro da lei. O episódio mostrou o quanto os EUA ainda se beneficiam da presença da Chevron no país, mesmo enquanto tentam aumentar a pressão sobre Maduro.

O jogo de longo prazo

A Venezuela não é o primeiro país em que a Chevron aplica sua estratégia de “ficar onde está o petróleo”.

Como Standard Oil of California, fez a primeira descoberta comercial na Arábia Saudita em 1938 e manteve presença produtiva ali por sete décadas, mesmo com a maior parte da produção hoje nas mãos da estatal Saudi Aramco. A Chevron foi a primeira grande petroleira no Cazaquistão após o fim da União Soviética e enfrentou desafios técnicos e políticos ao elevar a produção para mais de 1 milhão de barris por dia ao longo de três décadas.

Mas a estratégia não vem sem custos. Ela expõe a Chevron a interrupções provocadas por conflitos ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, críticos atacam a empresa por fazer parcerias com governos antidemocráticos que usam o dinheiro do petróleo para reprimir direitos humanos — incluindo a Venezuela.

“Empresas como a Chevron estão, na prática, colocando bilhões de dólares nos cofres do regime”, disse Rubio em janeiro. “E o regime não cumpriu nenhuma das promessas que fez.”

Embora Trump e Rubio evitem dizer que querem derrubar Maduro, eles vêm aumentando gradualmente a pressão. E os preços fracos do petróleo, agora perto do menor nível em quatro anos, deram espaço para uma postura mais agressiva dos EUA, segundo Carlos Bellorin, vice-presidente executivo da Welligence Energy Analytics.

Diversas bombas de petróleo operam em área de terra batida, ao lado de campos verdes. Colinas e céu nublado ao fundo.
Campo de exploração de petróleo da Chevron, em San Ardo, Califórnia (David Paul Morris/Bloomberg)

Trump “pode se dar ao luxo de interromper os fluxos venezuelanos com muito menos risco de uma disparada de preços, especialmente algo que afete a gasolina nos EUA”, disse ele. Bloquear petroleiros sancionados no sul do Caribe ajuda Trump a eliminar uma fonte-chave de receita de Maduro, cujo governo se tornou especialista em usar uma “frota escura” de navios que desligam ou adulteram seus sinais para exportar petróleo apesar das sanções.

Se houvesse uma mudança de regime na Venezuela, é improvável que a Chevron fosse a única grande petroleira interessada. A Exxon olharia qualquer oportunidade potencial, mas com cautela, já que seus ativos no país foram expropriados no passado, disse o CEO Darren Woods em entrevista no mês passado.

“Eu não colocaria na lista nem tiraria da lista”, disse Woods. “Teríamos de ver quais seriam as circunstâncias no momento.”

Wirth, CEO da Chevron, em contraste, segue firme na convicção de que a empresa vai permanecer, apesar das dificuldades.

“Nós não escolhemos onde está o recurso”, disse ele na cúpula de CEOs do Wall Street Journal no início deste mês. “Se saíssemos toda vez que discordamos de um governo, acabaríamos saindo de todos os lugares — inclusive deste país.”

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Donald Trump diz que anunciará novo presidente do Fed no início de 2026

O presidente americano Donald Trump afirmou que pretende anunciar sua escolha para liderar o Federal Reserve (banco central americano) no início de 2026, alimentando ainda mais especulações sobre o próximo chefe do banco central dos EUA.

“Vamos anunciar alguém, provavelmente no início do próximo ano, para o novo presidente do Fed”, disse Trump na terça-feira (2) durante uma reunião do Gabinete na Casa Branca.

Os comentários de Trump oferecem um cronograma mais claro para o anúncio. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que supervisiona o processo de seleção, havia dito anteriormente que a escolha poderia ser revelada por volta do Natal.

O presidente afirmou que considerou cerca de 10 candidatos para o cargo, em consulta com Bessent e o secretário de Comércio Howard Lutnick, mas agora “reduzimos para um”.

Kevin Hassett

O diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, é visto como o provável escolhido para suceder Jerome Powell, segundo pessoas familiarizadas com o assunto relataram à Bloomberg na semana passada.

Ainda assim, Trump é conhecido por tomar decisões-surpresa de pessoal e políticas, o que significa que a nomeação não é definitiva até ser tornada pública. Outros finalistas incluíram os governadores do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman, o ex-governador do Fed Kevin Warsh e Rick Rieder, da BlackRock.

Trump pressionou o Fed por meses para reduzir as taxas de juros, e nomear um sucessor de Jerome Powell, cujo mandato como presidente do Fed expira em maio, daria ao presidente sua maior oportunidade até agora de remodelar a instituição. Trump criticou Powell por ser “lento e tímido” ao implementar cortes e sinalizou que espera que seu substituto aja de forma mais enérgica para reduzir as taxas.

Trump repetiu essas críticas na terça-feira, chamando Powell de “boi teimoso, que provavelmente não gosta do seu presidente”. Embora o mandato de Powell como presidente termine no próximo ano, ele poderia permanecer no conselho por mais dois anos como governador.

Em setembro, Trump destacou Hassett, Warsh e Waller como seus três principais candidatos. Trump também afirma regularmente que gostaria de Bessent como presidente, embora o secretário do Tesouro tenha rejeitado a ideia repetidamente.

As escolhas para presidente e governadores do Fed representam normalmente a forma mais direta de os presidentes influenciarem o banco central. Mas Trump tem criticado publicamente o Fed por agir lentamente para reduzir os custos de empréstimos e pelos caros projetos de renovação de sua sede. A Casa Branca também está envolvida em litígio sobre a tentativa de Trump de demitir a governadora do Fed, Lisa Cook.

Quem quer que Trump escolha precisará de confirmação do Senado como presidente. Se o selecionado for um outsider, ele provavelmente receberá um mandato de 14 anos como governador do Fed, com início em 1º de fevereiro.

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Kevin Hassett surge como favorito de Trump para comandar o Federal Reserve

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, é visto por assessores e aliados do presidente Donald Trump como o principal candidato a ser o próximo presidente do Federal Reserve, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, com a busca por um novo chefe do banco central americano entrando em suas semanas finais.

Com Hassett, Trump teria um aliado próximo, alguém que o presidente conhece bem e em quem confia, instalado na autoridade monetária independente, disseram as fontes sob condição de anonimato. Hassett é visto como alguém que traria ao Fed a abordagem do presidente em relação à redução das taxas de juros — algo que Trump há muito tempo deseja controlar, afirmaram algumas dessas pessoas.

Ainda assim, Trump é conhecido por tomar decisões surpreendentes de pessoal e política, o que significa que uma nomeação não é definitiva até ser tornada pública, disseram.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em comunicado que “ninguém realmente sabe o que o presidente Trump fará até que ele o faça”, acrescentando que as pessoas fiquem atentas.

As escolhas para presidente e diretores do Fed são historicamente as formas mais diretas de um presidente influenciar o banco central. Trump nomeou o atual presidente, Jerome Powell, durante seu primeiro mandato, mas se arrependeu da decisão quando Powell não reduziu as taxas de juros na velocidade que Trump desejava.

Kevin Hassett

Hassett é visto como alinhado à visão de Trump sobre a economia, incluindo a necessidade de reduzir as taxas de juros. Ele disse à Fox News em 20 de novembro que estaria “cortando as taxas agora” se fosse o presidente do Fed, porque “os dados sugerem que deveríamos”. Hassett também criticou o banco central por ter perdido o controle da inflação após a pandemia.

O Fed tem sido repetidamente alvo das críticas de Trump, que acusou Powell de ser “lento demais” para reduzir os juros e chegou a cogitar publicamente demiti-lo. O presidente também atacou reformas no campus do banco central, e a Casa Branca está atualmente envolvida em litígio sobre a tentativa de Trump de demitir uma dirigente do Fed, Lisa Cook.

Isso colocou pressão sobre o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que lidera o processo de seleção do próximo presidente do Fed, para equilibrar cuidadosamente candidatos favoráveis à redução dos custos de empréstimo e que tenham a confiança tanto do presidente quanto dos mercados financeiros.

Depois de uma pausa na maior parte de 2025, o Fed começou a reduzir as taxas de juros neste outono, cortando sua taxa básica em 25 pontos-base em setembro e outubro. No entanto, os dirigentes estão cada vez mais divididos quanto às perspectivas para a inflação e o mercado de trabalho, o que torna provável que um novo corte em dezembro seja uma decisão apertada.

Bessent disse à CNBC na terça-feira (25) que há uma boa chance de Trump anunciar sua escolha para o presidente do Fed dentro de um mês, antes do feriado de Natal em 25 de dezembro.

O próprio Trump sugeriu que está próximo de fazer uma decisão. Em 18 de novembro, ele declarou: “Acho que já sei minha escolha”, sem revelar o nome. Em setembro, Trump afirmou que Hassett, o ex-dirigente do Fed Kevin Warsh e Christopher Waller, dirigente do banco central dos EUA, eram os três principais candidatos.

Desde o verão, Bessent tem conduzido o processo de seleção para substituir Powell, entrevistando quase doze candidatos, agora reduzidos a cinco finalistas: Hassett, Warsh, Waller, a vice-presidente de supervisão do Fed, Michelle Bowman, e Rick Rieder, da BlackRock.

Bessent disse que as entrevistas com esses candidatos terminarão esta semana. Um grupo menor de finalistas se reunirá em breve com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o vice-presidente JD Vance.

A preferência por Hassett surge enquanto Trump se mostra cada vez mais frustrado com Powell. Na semana passada, Trump chamou o presidente do Fed de “grosseiramente incompetente”, dizendo que adoraria demiti-lo se não fosse por pessoas como Bessent pedindo que ele esperasse. Em tom de brincadeira, Trump acrescentou que, se Bessent não ajudar a garantir taxas de juros mais baixas, também o demitiria do Tesouro.

Apesar da piada, Bessent continua em boa posição com Trump, que afirmou repetidamente considerá-lo um possível candidato à presidência do Fed. Bessent diz gostar de seu cargo no Tesouro e não desejar comandar o banco central.

O próximo presidente provavelmente será nomeado para um mandato de 14 anos como dirigente do Fed, que se inicia em 1º de fevereiro.

O mandato que expira nessa data é o de Stephen Miran, atualmente em licença não remunerada do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca. O mandato de Powell como presidente do banco central termina em maio de 2026, embora ele possa permanecer no conselho por mais dois anos como dirigente.

Powell não declarou se pretende deixar o conselho quando seu mandato como presidente expirar. Caso o faça, isso daria ao governo outra vaga a preencher no próximo ano.

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Alívio para os EUA: retirada da tarifa sobre café e carne do Brasil reduz pressão sobre alimentos

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar uma sobretaxa de 40% sobre as importações de café e carne bovina brasileiros deve trazer algum alívio para os mercados e para consumidores americanos, que vinham sofrendo com a disparada dos preços desses itens básicos.

O Brasil é o maior fornecedor global tanto de café quanto de carne bovina, e a tarifa adicional de 40%, anunciada em julho, fez os embarques para os EUA despencarem. A queda da oferta agravou uma escalada de preços enfrentada pelos americanos em meio à maior inflação de alimentos em décadas.

A nova ordem executiva assinada por Trump na quinta-feira (20) deve reduzir essa pressão. Na semana passada, o governo já havia cortado uma tarifa separada de 10% que incidia sobre os mesmos produtos.

“Dois terços dos adultos americanos tomam café todos os dias, e cada xícara vai ficar mais barata graças à decisão do presidente Trump”, disse a National Coffee Association, que representa a indústria de café nos EUA.

Inflação

A mudança, que inclui um conjunto de commodities, reflete a necessidade de conter os preços dos alimentos, em um momento em que os americanos seguem frustrados com o custo da cesta básica e atribuem ao presidente notas cada vez piores em relação ao desempenho econômico.

O índice de confiança do consumidor caiu em novembro a um dos níveis mais baixos já registrados, com piora na percepção sobre as finanças pessoais. Os contratos futuros do café arábica caíram até 6,6% na sexta-feira (21) em Nova York, atingindo a mínima de quase dois meses, antes de reduzir parte das perdas.

Os preços haviam alcançado recorde em outubro, quando as tarifas agravaram um cenário de oferta apertada após colheitas fracas ao redor do mundo. Um índice de inflação para café torrado atingiu máxima histórica em agosto, segundo o Bureau of Labor Statistics.

“Esperamos que as exportações sejam retomadas”, disse Fernando Maximiliano, analista da StoneX. Temores de escassez no mercado americano vinham pressionando os futuros para cima, mas agora há expectativa de alívio, afirmou.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

A carne bovina, por sua vez, tem sido um dos pontos mais sensíveis para a administração Trump, já que os preços ao consumidor atingiram recordes em meio à retração do rebanho nos EUA.

O país tem recorrido cada vez mais às importações para preencher a lacuna, o que derrubou os preços do gado vivo diante da expectativa de maior entrada de produto estrangeiro. Mas os embarques brasileiros caíram fortemente após as ameaças tarifárias.

Os futuros de gado vivo chegaram a recuar até 3,4%, menor nível desde junho, antes de suavizar as perdas. Mesmo assim, o custo menor para frigoríficos e varejistas ainda não se traduziu em carne mais barata para o consumidor, já que a demanda continua elevada.

Não está claro se a remoção da tarifa será suficiente para provocar “um aumento dramático” nas importações vindas do Brasil, segundo analistas da Steiner Consulting Group. Isso porque a baixa disponibilidade de gado no próprio Brasil e a forte demanda da China — maior compradora mundial — seguem como obstáculos.

Ainda assim, o relatório aponta que um cenário de mais importações e menos exportações americanas poderia “moderar a inflação da carne bovina” nos EUA em 2026.

Para o Brasil, o efeito das tarifas foi relativamente limitado: mesmo com a queda para os EUA, o país conseguiu aumentar as exportações totais de carne bovina em 2025, compensando com vendas maiores para México, Oriente Médio e, sobretudo, China.

“Quem acabou sofrendo mais com essa tarifa foram os produtores e consumidores americanos”, disse Marcos Jank, professor sênior do Insper. A oferta apertada em outras regiões do mundo permitiu que o Brasil encontrasse mercados alternativos com relativa facilidade, completou.

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A guerra comercial de Trump vai romper o vício dos EUA em produtos baratinhos?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que crianças americanas deveriam se contentar com duas bonecas em vez de 30. Mas o hábito de consumo do país foi construído ao longo de décadas de importações abundantes da Ásia.

Quando estava no ensino médio, nos anos 1950, Kay Washburn trabalhou 50 horas como babá para conseguir comprar o vestido dos seus sonhos, que custava US$ 25. Depois de ver o modelo verde-musgo, na altura do joelho, com um bolero combinando, na vitrine da loja JJ Newberry’s, ela passou um mês e meio pagando em prestações e o usou por anos, até quase se desfazer.

Nas décadas seguintes, conforme os americanos deixaram de ser principalmente fabricantes de coisas e se tornaram compradores, o consumo de Washburn disparou. Ela não junta mais moedas para comprar roupas e acostumou-se a adquirir o que quer, quando quer.

Hoje com 89 anos, ela recentemente clicou em “comprar” da própria cama para adquirir uma calça capri leve por US$ 5,95 na Shein, a varejista chinesa de fast-fashion. O preço é menor do que o que paga por um hambúrguer com batatas no In-N-Out, sua rede de fast-food favorita. Ela planeja usar a calça só por uma ou duas temporadas.

Grande parte das roupas, utensílios domésticos, ferramentas e brinquedos comprados pelos americanos é tão barata que pode ser adquirida quase sem pensar. Isso alimentou um vício em produtos baratos. Não importa quão rápido seja o frete: a sensação que nossos cases personalizados e pijamas combinando provocam dura pouco. Muitos desses itens são jogados fora depois de poucos usos, e o ciclo recomeça. Com a aproximação da Black Friday, a manifestação mais visível da compulsão americana por compras está chegando.

As tarifas impostas pelo presidente Trump e sua visão de restaurar os EUA como potência manufatureira desafiam essa mentalidade do “compre agora, preocupe-se depois”.

Segundo a Tax Foundation, Trump elevou a tarifa efetiva média sobre todos os bens importados de 2,5% em 2022 para 13% atualmente — o maior nível desde 1941.

No verão, o governo fechou uma brecha que permitia que alguns produtos baratos, como a capri de Washburn, entrassem no país sem tarifa. EUA e China chegaram a um acordo preliminar que reduz tarifas que chegaram a 135% na primavera, segundo o Peterson Institute for International Economics, mas ainda deixa muitos produtos chineses sujeitos a uma tarifa média estimada em 48%.

A Suprema Corte está avaliando se o governo Trump tem autoridade para impor muitas dessas novas tarifas.

Respondendo a críticas de que as tarifas tornam os produtos mais caros, Trump sugeriu que os americanos simplesmente deveriam comprar menos. “Talvez as crianças tenham duas bonecas em vez de 30”, disse ele nesta primavera. Isso representaria uma mudança radical no rumo do país — embora nem todos se oponham a comprar menos coisas.

“Eu penso: ‘Eu quero isso, vou comprar’, e não: ‘Isso vale 50 horas de babá?’”, disse Washburn, aposentada e moradora de Rohnert Park, Califórnia. “Tem que existir um meio-termo.” Ela diz que quer mudar seus hábitos tanto pelo país — que acredita estar excessivamente dependente de produtos baratos importados — quanto por sua própria saúde financeira.

Produtos mais caros

O valor de algumas categorias de produtos baratos exportados para os EUA por China e Vietnã, dois dos maiores fornecedores de itens de baixo custo, aumentou 36% entre 2015 e 2025, chegando a US$ 176 bilhões.

Eles representam aproximadamente 61% dos artigos domésticos, 55% dos móveis, 69% dos calçados e 50% das roupas e têxteis comprados pelos americanos em 2024, segundo a consultoria AlixPartners.

Essas participações caíram levemente nos últimos anos com a expansão da manufatura em outros países, mas o volume total de importações aumentou e abrange uma gama muito maior de produtos. “O consumo de produtos baratos explodiu”, disse Nitin Jain, diretor-gerente de varejo da AlixPartners.

Esse consumo também é o principal motor da economia americana. O gasto do consumidor respondeu por 68,2% do PIB dos EUA no segundo trimestre de 2025, segundo o Bureau of Economic Analysis — um pouco acima da média histórica.

Pode haver um limite para os aumentos de preços que o consumidor americano está disposto a aceitar. As empresas sabem disso e dizem que, até agora, escolheram não repassar totalmente o impacto das tarifas. Mas poucos economistas acreditam que isso vá durar.

A inflação já começa a subir, e os eleitores voltaram a se irritar com o custo de vida, elegendo recentemente democratas que fizeram da acessibilidade seu principal foco na Virgínia, em Nova Jersey e em Nova York.

Ainda assim, psicólogos e especialistas em comportamento do consumidor afirmam que será preciso um longo período de preços mais altos e menor disponibilidade, além de uma mudança geral na mentalidade coletiva, para que os hábitos de compra mudem de forma duradoura.

“O fato de ser gostoso comprar coisas não vai desaparecer”, disse Stephanie Preston, professora de psicologia da Universidade de Michigan que pesquisa consumismo. “As pessoas ainda têm a expectativa de poder comprar essas coisas. Elas só vão ficar cada vez mais irritadas com o preço.”

Recompensa imediata

O cérebro humano é programado para recompensar prazer imediato em vez de metas de longo prazo, diz Preston. Cada vez que compramos algo que achamos que vai tornar nossa vida um pouco mais simples, prazerosa ou estilosa, sentimos uma descarga de dopamina. “É um prazer imediato que faz você esquecer o que quer que estivesse preocupando você”, disse ela.

O problema é a rapidez com que esses sentimentos positivos desaparecem — e como ficou fácil obter outra dose com um único clique. Parar exige ignorar esse impulso e ir contra uma sociedade que historicamente reforçou, em vez de condenar, a acumulação constante de itens, afirma Preston.

Houve alguma reação, especialmente entre jovens, ao impacto ambiental da fast-fashion e do consumo excessivo, mas os gastos do consumidor continuam crescendo.

Consumidores ao redor do mundo devem comprar cerca de 40% mais peças de roupa em 2025, em média, do que em 2005, segundo a McKinsey. Nos EUA, esse aumento provavelmente é bem maior. As pessoas agora vestem uma peça apenas sete vezes, em média, antes de doá-la ou jogá-la fora.

Entre 2019 e 2024, o número médio anual de compras de artigos para casa e jardim feito por famílias americanas aumentou 16%, de 95 para 110 por domicílio.

As compras de brinquedos — majoritariamente importados da China — subiram 15%, de 33 para 38. Roupas femininas, também amplamente importadas da China e de outros países asiáticos, cresceram 27%, de 15 para 19 peças por domicílio, segundo a AlixPartners.

Pandemia

O amor do país por produtos baratos se transformou em vício completo durante a pandemia, quando os americanos ficaram presos em casa enquanto a tecnologia avançava e tornava as compras online mais fáceis que nunca.

Kanwal Haq foi uma dessas pessoas que intensificou seu consumo digital, comprando pijamas, itens de decoração, materiais de artesanato e jogos. E, como muitos outros, não parou quando a quarentena terminou.

Em 2024, ela fez 144 pedidos na Amazon — de um suporte frágil para toalhas a um pacote multicor com oito pulseiras para Apple Watch que precisou cortar para caber no pulso. Ela comprou máscaras faciais hidratantes recomendadas por influenciadores no TikTok (que a fizeram ter alergia). E pediu uma dúzia de roupas de viagem mal ajustadas da Shein.

O hábito começou até a prejudicar seu casamento. “Eu percebi que algo tinha que mudar quando comecei a tentar chegar antes do meu marido na sala de correspondência para esconder o que tinha comprado”, disse Haq, diretora de uma ONG de saúde feminina em Troy, Nova York.

Filha de imigrantes da classe trabalhadora, Haq se deixou levar por como cada compra individual parecia barata. Mas depois de fazer uma resolução de Ano-Novo para registrar cada gasto no cartão, percebeu que uma parcela significativa de sua renda estava indo para “tralhas”.

Ela cancelou e-mails de marketing das marcas favoritas, encerrou a assinatura da Amazon e está tentando comprar apenas o que precisa — priorizando negócios pequenos e liderados por mulheres. Ainda escorrega às vezes. Mas quando o marido perguntou, há alguns meses, quantos dos pacotes abarrotando a sala de entregas eram dela, ela se orgulhou de responder, honestamente: “nenhum”.

O consumo se tornou fundamental para a economia americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando indústrias voltadas ao esforço de guerra passaram a produzir bens de consumo e precisaram criar mercados para eles.

Anúncios da época diziam aos americanos que comprar carros e máquinas de lavar não apenas atenderia seus desejos e necessidades, mas também — após a Grande Depressão — ajudaria a impulsionar uma economia próspera no pós-guerra, explicou Lizabeth Cohen, historiadora de Harvard e autora de A Consumers’ Republic: The Politics of Mass Consumption in Postwar America.

Uma reportagem de duas páginas da revista Life em 1947 incentivava famílias a “comprar mais para si mesmas para melhorar a vida dos outros”. Argumentos semelhantes foram retomados após os atentados de 11 de setembro.

Nos anos 1970, fabricantes passaram a transferir produção para países com mão de obra barata e não sindicalizada, em busca de maiores margens, disse Cohen. Nos anos 1990, a China despontou como líder em produção de baixo custo, com varejistas como Zara e Forever 21 dependendo amplamente de fabricantes chineses. Isso marcou o início de uma mudança cultural ampla em direção a ciclos mais curtos de moda e decoração — e a jogar coisas fora em vez de consertá-las.

Chip Colwell, antropólogo e autor de So Much Stuff, uma história do consumismo, acredita que tarifas farão as pessoas comprarem menos no curto prazo. “Mas assim que puderem comprar mais, vão comprar.” As interrupções temporárias na cadeia de suprimentos durante a pandemia, explicou ele, não diminuíram a demanda de longo prazo.

Alterar nossos hábitos de compra de forma permanente exigiria “uma mudança muito fundamental na nossa relação com os objetos”, afirma Colwell. “O valor que eles trazem, a forma como às vezes prejudicam o meio ambiente e até a nós mesmos.”

Uma mudança real, acredita ele, exigiria um longo período de dificuldade econômica semelhante à Grande Depressão. Mas mesmo nesse cenário, pessoas que não podem comprar casa, trocar de carro ou fazer férias podem continuar comprando produtos baratos.

“Se as pessoas vão continuar comprando tanta coisa, é muito difícil prever”, disse Devashish Mitra, professor de economia da Universidade de Syracuse. “Produtos chineses ainda podem continuar relativamente mais baratos do que as alternativas.”

As tarifas podem oferecer aos americanos a chance de criar novos padrões de consumo. As pessoas podem descobrir que preferem comprar de segunda mão ou de artesãos locais se forem obrigadas a isso — especialmente se os produtos durarem mais e tiverem melhor qualidade do que aqueles vindos do exterior.

“Todos esses itens estão se tornando mais acessíveis por causa do preço mais baixo, mas a qualidade é inferior, então precisam ser substituídos com mais frequência”, disse Kimberly Reuter, CEO da consultoria de cadeia de suprimentos CSG Consulting. “Nos tornamos viciados no ciclo de comprar algo novo, usá-lo até o fim da sua vida útil sem manutenção, descartá-lo e comprar outro.”

Em alguns cantos da internet, comprar menos — ou “subconsumo” — já começa a ganhar força. Defensores citam benefícios ambientais, financeiros e psicológicos.

Em Rohnert Park, Califórnia, Kay Washburn assinou um aplicativo de meditação que abre toda vez que sente vontade de entrar no Temu para fazer compras. “Estou tentando me treinar para esquecer essa opção e ajudar a nos levar de volta para onde precisamos estar como país”, disse Washburn. “Mas é uma aula de disciplina, pode acreditar.”

As tarifas fizeram a influenciadora Ava Vancour, caloura universitária, repensar o conteúdo que produz. “Abrir pacotes é literalmente a melhor sensação do mundo”, disse ela — e era o que a tornava conhecida. Sua compra de volta às aulas no último ano do ensino médio teve 6,8 milhões de visualizações, enquanto seguidores buscavam inspiração para seus próprios guarda-roupas.

Este ano, porém, seus vídeos de compras para o dormitório e roupas receberam menos de 100 mil visualizações. Ela suspeita que isso se deve ao fato de as pessoas hesitarem em comprar itens que, apesar de ainda baratos, começaram a subir de preço.

Então, ela está mudando o foco para vídeos de rotina, mostrando como se arruma para o dia com roupas que já tem. Também vem participando do Project Pan, que exige terminar um produto de maquiagem — “atingir o fundo” — antes de comprar outro. “Eu não preciso comprar um milhão de coisas”, disse Vancour. “Se não é algo com que meus seguidores se identificam.”

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Eles derrubam paredes e contratam arquitetos para decorar a casa com Lego

A utopia de Cristie North é feita de milhares de tijolinhos de plástico e ocupa a maior parte do porão.
Tem uma rua principal movimentada e uma praia com banhistas. Tem uma montanha-russa e uma roda-gigante em movimento. Tudo feito de Lego.

A casa da moradora de Salt Lake City, de 55 anos, já passou por várias obras, inclusive derrubar paredes, para abrir espaço para seus projetos com brinquedos. North, executiva de uma empresa de hipotecas, diz ter gasto US$ 100 mil para construir seu mundo de Lego e o espaço para exibi-lo. Isso sem contar os custos de um grande mosaico de Lego que ela encomendou para a área externa do cômodo do porão que virou seu “covil” do Lego.

“Eu queria deixar tudo cada vez maior e melhor”, disse North sobre a cidade, que começou a montar em 2022, pouco depois de comprar seu primeiro kit de Lego para espantar o tédio durante a pandemia. “Isso alimenta a minha alma.”

North abre a porta da sala de Lego por um leitor de impressão digital. Ela cogita instalar câmeras ao redor do cenário para poder vê-lo quando estiver viajando.

Nos últimos anos, a Lego cultivou uma base devotada de fãs adultos, que talvez não pudessem bancar os caros kits dinamarqueses quando crianças, mas agora vêm munidos de fervor e renda disponível.

Isso cria um novo problema, já que os maiores conjuntos de Lego têm milhares de peças e rapidamente consomem o espaço de exposição disponível. Alguns montadores dedicam cômodos inteiros ao Lego. Outros decoram aparadores de lareira, estantes e paredes com suas construções de plástico — muitas vezes para desgosto dos cônjuges.

Lego: Adobe Stock

“Acho que vou ter é que comprar uma casa maior”, diz Steve Isom, 39, diretor financeiro de uma empresa de tecnologia em Omaha, Nebraska. Sua mesa de jantar e o aparador foram tomados por conjuntos de Lego montados por ele e três de seus filhos, assim como seu escritório. Naves espaciais pendem do teto presas por fio de pesca.

Isom montou pessoalmente 275 conjuntos nos últimos quatro anos, incluindo um Titanic titânico atracado numa longa prateleira e uma Torre Eiffel de 10 mil peças, com quase 1,5 m de altura.
“Não é brinquedo, é um sistema sofisticado de blocos interligados”, diz Isom. O hobby o ajuda a relaxar depois de dias corridos.

Sua esposa, Preston Isom, diz que os tijolinhos de plástico não combinam necessariamente com a estética “farmhouse moderna” da casa, mas fica feliz que o marido e as crianças encontrem prazer neles. Ainda assim, ela baniu exposições de Lego no quarto. “É uma bola de neve”, brinca.

O arquiteto de Seattle Jeff Pelletier diz que ajudou a projetar cerca de 25 casas desde a pandemia com salas de Lego, 90% delas para adultos. Fã de Lego ele mesmo, Pelletier aconselha clientes a evitar cômodos com muito sol — para não desbotar as peças — e a usar armários envidraçados para exibir as criações, evitando poeira.

Um banho rápido no chuveiro, diz ele, é seu truque usual para limpá-las.
Pelletier tem uma sala de Lego para os filhos e planeja outra para si em uma casa de piscina no quintal.

Em outros espaços, tenta cultivar “pequenos momentos de Lego” — um arranjo botânico de tijolinhos sobre um armário ou versões em Lego de quadros famosos, como “A Grande Onda”, de Hokusai, incorporadas a uma parede-galeria.

Niko Cejic, corretor da Douglas Elliman que já vendeu várias casas com salas de Lego, diz que esses toques dão personalidade. Em recentes visitas abertas de uma casa de US$ 2 milhões nos Hamptons, o vendedor deixou seu Lamborghini e suas Ferraris de Lego à mostra, encantando vários compradores. “Temos tantas casas estéreis, sem graça”, diz Cejic. “Isto aqui é bem mais divertido.”

Evan Rubin, 41, concorda. Entre levar os filhos para esportes e escola e fazer o trajeto até seu trabalho em uma empresa de equipamentos médicos no sudeste da Pensilvânia, “a vida pode ficar monótona”.
“Isto traz de volta um pouco da nossa infância”, diz Rubin. “Ninguém quer realmente crescer.”

Ainda assim, por deferência à esposa, ele mantém a maioria de suas construções confinadas a um único cômodo no andar de baixo. “Minha esposa fica com a casa e eu fico com o porão”, diz, embora às vezes tente encaixar um conjunto em outro lugar. Uma vez ele escondeu uma casa na árvore de Lego acima do aparador da louça por mais de um mês antes de ela notar. Muitas salas de Lego acabam em porões, que têm a vantagem da discrição, diz Brodie Overton, 40, enfermeiro e fã de Lego no centro de Iowa.

“Quando o cara da climatização ou o encanador vem, eles perguntam: ‘O que está acontecendo aqui?’”, diz ele sobre sua própria sala subterrânea de Lego. “Aí passam 20 minutos olhando tudo.”

A base de fãs adultos da Lego explodiu desde 2020, quando a empresa passou a mirá-los com conjuntos embalados elegantemente em preto. Hoje, suas ofertas para “crescidinhos” incluem desde uma Estrela da Morte de US$ 1 mil até itens mais apropriados para a sala, incluindo flores e decoração sazonal.

Especialmente para quem tem cônjuges céticos, estes últimos são uma mão na roda, diz Ridwan Adhami, 45, que se apaixonou por Lego quando começou a montar com a filha, então com 4 anos. Hoje, ela tem 17 e há muito perdeu o interesse. Ele continuou montando, mesmo com os revirar de olhos dela.

Sua esposa insiste que ele restrinja o hobby a um cômodo de depósito no porão. Ainda assim, Adhami segue tentando ganhar terreno. No ano passado, o diretor de criação de Montclair, Nova Jersey, comemorou quando ela concordou em deixá-lo montar uma vila de inverno de Lego na lareira. “Foi como um pitch. Eu tive que levar os conjuntos lá”, diz ele. “Ela falou: ‘Não gosto desse boneco de neve. Esse correio pequenininho é fofo, pode ficar.’”

Recentemente ele mostrou a ela a foto de uma guirlanda de outono de Lego para tentar ganhar aprovação. Ele espera tomar outra parte do porão, atualmente reservada para os gatos da família. “Só estou tentando acostumá-la com a ideia para começar a enfiar mais coisas”, diz.

Escreva para Te-Ping Chen em Te-ping.Chen@wsj.com

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Baterias, chips e remédios: os setores em que a China controla o jogo

A China já demonstrou que pode transformar em arma seu controle sobre cadeias de suprimento globais ao restringir o fluxo de minerais críticos de terras raras. O presidente Trump foi para a mesa de negociação quando a falta de materiais chineses ameaçou a produção americana, e na semana passada fechou uma trégua com o líder chinês Xi Jinping que, segundo ambos, deve facilitar o fluxo de terras raras.

Mas as ferramentas de Pequim vão além desses minerais críticos. Outros três setores em que a China tem o “gargalo” — baterias de íons de lítio, chips maduros e ingredientes farmacêuticos — dão uma ideia do que os EUA precisariam fazer para se livrar totalmente dessa vulnerabilidade.

Por trás do domínio chinês nas cadeias de suprimento estão políticas industriais construídas ao longo de décadas.

Quando empresas chinesas passam a dominar uma ampla faixa da cadeia, inundando os mercados globais com produtos de menor preço nesse processo, Pequim introduz controles de exportação que lhe permitem alavancar essa vantagem e impor dor ou ameaçar economias rivais. Às vezes, os países conseguem obter alternativas a um custo maior, mas em outros casos é difícil — ou quase impossível — encontrar fornecedores fora da China.

Em um ensaio de 2020, Xi afirmou que o controle de cadeias de suprimento não deveria ser transformado em arma, mas também disse que a China deve “apertar a dependência das cadeias industriais internacionais em relação ao nosso país” para dissuadir outros de prejudicar a China.

A seguir, um guia do manual da China para flexionar seu músculo exportador.

Baterias de íons de lítio

As baterias de íons de lítio são usadas em veículos elétricos, armazenamento de energia e eletrônicos de consumo. Quem as controla tem vantagem em tecnologia automotiva e energia verde.

Os dois maiores produtores globais de baterias são chineses: CATL e BYD. Mesmo quando uma bateria é fabricada em outro lugar, suas “entranhas” incluem uma contribuição chinesa significativa. Fornecedores chineses produzem 79% dos cátodos dentro das baterias e 92% dos ânodos, segundo a Benchmark Mineral Intelligence. As baterias também utilizam materiais como lítio, no qual produtores chineses detêm 63% de participação de mercado na versão química refinada. A China também controla 80% da oferta de cobalto refinado e 98% de grafite refinado.

Em 2015, Pequim declarou a meta de ampliar sua indústria doméstica de veículos elétricos, o que abriu as comportas para centenas de montadoras e fabricantes de baterias locais. Entre 2015 e 2019, Pequim estimulou as montadoras chinesas de EV a usar baterias produzidas localmente e aprovadas.

Neste ano, a China tomou medidas para manter seu controle garantindo que sua tecnologia não vaze para rivais. Em julho, Pequim disse que exigiria licenças para transferir ao exterior certas tecnologias ligadas à fabricação de baterias de íons de lítio e, em outubro, passou a exigir licenças de exportação para determinados equipamentos de fabricação e materiais de cátodo.

Semicondutores

A China responde hoje por cerca de um terço da capacidade global de produção de semicondutores “maduros”. Esses chips ainda são críticos para setores como automóveis, eletrônicos de consumo e defesa, embora sejam mais simples de produzir do que os chips de ponta.

Enquanto isso, minerais como gálio e germânio são amplamente usados em chips — tanto avançados quanto maduros — e em outros produtos semicondutores, como células fotovoltaicas. A China respondeu por 99% da produção global de gálio em 2024, segundo dados do Serviço Geológico dos EUA (USGS). A China é a principal produtora mundial de germânio, disse o USGS, sem fornecer números exatos.

A China gastou bilhões de dólares para construir capacidade de fabricação de semicondutores com vistas à autossuficiência. Isso gerou preocupações globais sobre excesso de capacidade chinesa em chips maduros, o que pode reduzir a rentabilidade de outros produtores e, em última instância, expulsá-los do mercado.

Em 2023, a China anunciou restrições de exportação ao gálio e ao germânio, exigindo licenças para envios ao exterior.

Recentemente, a China bloqueou a exportação de chips maduros produzidos por uma empresa holandesa chamada Nexperia, usados em lanternas e eletrônicos automotivos. Os chips são majoritariamente fabricados na Europa, mas acabam sendo exportados ao mundo a partir da China, onde ocorrem o processamento e a encapsulação.

A China disse que bloqueou essas exportações como retaliação depois de o governo holandês ter assumido o controle da Nexperia de seu antigo controlador chinês, que está numa lista de sanções comerciais dos EUA.

Após as conversas entre Trump e Xi na semana passada, a China afirmou que voltaria a permitir que os chips da Nexperia chegassem a clientes globais. Ainda assim, o caso mostrou as consequências quando um único fabricante de chips maduros, de tamanho relativamente modesto, fica impossibilitado de vender seus produtos. Montadoras globais como a Honda tiveram de fechar fábricas em poucas semanas após a medida chinesa.

Farmacêuticos

Embora os remédios vendidos em farmácias dos EUA ou sem prescrição geralmente não tragam “feito na China”, o país frequentemente fornece os ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) dos medicamentos ou os químicos precursores usados para produzir esses IFAs.

A maior parte do paracetamol (acetaminofeno) e do ibuprofeno importados pelos EUA vem da China. Esses são os ingredientes ativos de Tylenol e Advil, respectivamente. A China também é uma produtora relevante de ingredientes para antibióticos.

Os EUA importam muitos medicamentos de marca da Europa, enquanto, no caso dos genéricos, dependem fortemente da Índia. Ainda assim, uma parcela significativa dos ingredientes ativos usados nos genéricos fabricados na Índia tem origem na China.

Em 2015, a China tornou a produção de medicamentos e dispositivos médicosuma prioridade industrial. Mais recentemente, disse que planeja apoiar o desenvolvimento de medicamentos e dispositivos médicos inovadores nos próximos cinco anos.

Talvez ciente da sensibilidade de transformar remédios em ferramenta política, a China raramente ameaçou cortar o fornecimento de medicamentos aos EUA. Ainda assim, sinalizou consciência de sua alavancagem no início da pandemia de Covid-19, quando o mundo enfrentou escassez de máscaras e equipamentos de proteção individual devido a interrupções de fornecimento na China. Em março de 2020, a agência oficial Xinhua disse que, se a China restringisse as exportações de produtos médicos, os “EUA seriam lançados no vasto oceano do coronavírus”.

Escreva para Yoko Kubota em yoko.kubota@wsj.com

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EUA e China se aproximam de acordo histórico e abrem caminho para novo pacto comercial

Os principais negociadores comerciais dos Estados Unidos e da China disseram ter chegado a um entendimento sobre uma série de pontos delicados, preparando o terreno para que os presidentes Donald Trump e Xi Jinping finalizem um acordo e aliviem as tensões comerciais que têm abalado os mercados globais.

Após dois dias de conversas na Malásia, encerradas neste domingo, um funcionário chinês afirmou que as duas partes chegaram a um consenso preliminar sobre temas como controles de exportação, tráfico de fentanil e taxas portuárias.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em entrevista à CBS News que a ameaça de tarifas de 100% sobre produtos chineses “está efetivamente fora de questão”, e disse esperar que a China faça “compras substanciais” de soja e adie as restrições sobre exportações de terras-raras. Bessent acrescentou que os EUA não pretendem alterar seus próprios controles de exportação direcionados à China.

“A ameaça dos 100% desapareceu, assim como a possibilidade de a China impor imediatamente um regime global de controle de exportações”, disse Bessent. Ele afirmou ainda à ABC News acreditar que Pequim deve adiar por um ano as restrições às terras-raras enquanto reavalia a política.

Bessent sinalizou que o acordo em discussão entre Trump e Xi deve ser amplo, incluindo a extensão da trégua tarifária, a resolução de diferenças sobre a venda do TikTok e a manutenção do fluxo de ímãs de terras-raras usados em produtos de alta tecnologia, de semicondutores a motores de aviões. Os dois líderes também planejam discutir um plano global de paz, após Trump declarar que pretende contar com a ajuda de Xi para buscar uma solução para a guerra da Ucrânia.

Os sinais positivos de ambos os lados contrastam com as últimas semanas, marcadas por ameaças de tarifas e restrições de exportação que reacenderam temores de uma nova guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Trump disse a repórteres, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Kuala Lumpur, que prevê “um bom acordo com a China” e espera novos encontros de alto nível nos EUA e na China.

“Eles querem fazer um acordo, e nós também queremos”, declarou Trump.

Ainda assim, os mercados devem acompanhar de perto os detalhes do acordo final, após quase um ano de mudanças bruscas nas políticas comerciais e tarifárias entre EUA e China.

O enviado comercial chinês Li Chenggang afirmou acreditar que houve consenso em relação ao fentanil — o que poderia levar os EUA a reduzir uma tarifa de 20% imposta para pressionar Pequim a conter o fluxo de precursores químicos usados na produção da droga. Ele disse ainda que os países pretendem resolver a disputa sobre taxas portuárias impostas por Washington a navios chineses, que motivaram tarifas retaliatórias sobre embarcações americanas.

Li — que Bessent havia chamado de “desequilibrado” neste mês — descreveu as negociações como intensas, mas produtivas, elogiando o avanço das discussões. Ambas as partes devem agora relatar os resultados a seus líderes antes da cúpula entre Trump e Xi, marcada para quinta-feira.

“As turbulências e reviravoltas atuais são algo que não desejamos ver”, afirmou Li. “Uma relação econômica e comercial estável entre China e EUA é benéfica para ambos os países e para o mundo.”

A retomada das compras de soja pelos chineses, caso confirmada, seria uma vitória política significativa para Trump. Em março, a China havia imposto tarifas retaliatórias sobre produtos agrícolas dos EUA, fechando o mercado às exportações de soja antes mesmo do início da colheita. No ano passado, o país asiático comprou US$ 13 bilhões em soja americana, mais de 20% da safra total, e a paralisação atingiu em cheio os agricultores, uma das bases políticas mais fiéis de Trump.

Talvez ainda mais importante seja resolver a disputa sobre as terras-raras, depois de a China ter cortado o fornecimento desses minerais estratégicos no início do ano em resposta à ofensiva tarifária de Trump. Embora os fluxos tenham sido restaurados após uma trégua que reduziu tarifas acima de 100%, Pequim voltou a ampliar as restrições neste mês, após Washington endurecer as medidas contra empresas chinesas.

As negociações aconteceram no arranha-céu Merdeka 118, enquanto Trump se reunia com líderes do Sudeste Asiático em um centro de convenções próximo, onde buscava novos acordos comerciais regionais para diversificar o comércio americano além da China.

A delegação chinesa foi liderada por He, principal autoridade econômica do país, e contou com o vice-ministro das Finanças Liao Min. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participou das conversas.

O encontro entre Trump e Xi será o primeiro desde o retorno de Trump à Casa Branca. O presidente americano disse acreditar que as conversas diretas são a melhor forma de resolver as pendências sobre tarifas, exportações, compras agrícolas, tráfico de fentanil e questões geopolíticas como Taiwan e a guerra na Ucrânia.

“Vamos falar sobre muita coisa”, disse Trump. “Acho que temos uma boa chance de fechar um acordo realmente abrangente.”

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Embraer calcula impacto de US$ 80 milhões com tarifas dos EUA e alerta para risco de cancelamentos

A Embraer alertou que pode enfrentar cancelamentos e atrasos de pedidos caso sejam mantidas as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

“Por enquanto, não temos nenhum problema de cancelamento, mas, no médio prazo, isso pode acontecer”, afirmou o presidente-executivo Francisco Gomes Neto em entrevista à Bloomberg Television neste domingo, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump.

Segundo Gomes Neto, a continuidade das tarifas seria ruim também para a indústria americana. “Se produzirmos menos aviões, compraremos menos equipamentos dos Estados Unidos. É por isso que o fim das tarifas é importante.” O executivo estimou que a medida poderia aumentar em até US$ 2 milhões o custo de cada aeronave.

A fabricante calcula um impacto tarifário de cerca de US$ 80 milhões neste ano, valor equivalente ao lucro líquido do segundo trimestre. A empresa chegou a ter parte de seus produtos e peças isentos das sobretaxas impostas por Washington, mas ainda sente os efeitos das barreiras comerciais.

Gomes Neto disse também que a companhia mantém uma carteira de pedidos de US$ 31 bilhões, o maior nível em nove anos.

Neste domingo, os presidentes Lula e Donald Trump conversaram por 45 minutos. Lula pediu a suspensão das tarifas durante o processo de negociação, enquanto o presidente norte-americano afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a “bons acordos” em breve.

Para a Embraer, o resultado dessas conversas pode ser decisivo. As tarifas elevam o custo dos aviões brasileiros e afetam planos de investimento, como os US$ 500 milhões previstos para uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, que criaria cerca de 2,5 mil empregos caso o cargueiro militar KC-390 seja escolhido pelo governo americano. Outros US$ 500 milhões estão destinados à expansão das fábricas no Brasil nos próximos cinco anos.

Apesar das incertezas, Gomes Neto afirmou que a empresa mantém forte crescimento nos lucros e segue “com um plano robusto para o próximo ano”.

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Em reunião de 45 minutos, Lula e Trump ensaiam fim da disputa tarifária

Brasil e Estados Unidos iniciaram neste domingo (26) um processo de negociação para tentar encerrar as tarifas comerciais impostas por Washington a produtos brasileiros. O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, ocorreu em Kuala Lumpur, durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), e marcou a primeira reunião oficial entre os dois desde o início da atual crise diplomática.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, a conversa, que durou cerca de 45 minutos, foi “muito positiva e produtiva”. Lula pediu que as tarifas sejam suspensas durante as negociações, enquanto Trump afirmou acreditar que os dois países poderão chegar a “bons acordos” em breve.

Lula pubicou sobre o encontro com Trump em suas redes socias. “Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, escreveu.

O líder norte-americano disse que os secretários do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, conduzirão as tratativas com o Brasil e previu uma “conclusão rápida” das discussões. Já Lula declarou estar otimista e afirmou que não há “razão para qualquer desavença” entre os dois países.

Lula e Trump em reunião
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião com presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia 26/10/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

O encontro simboliza a retomada de um diálogo de alto nível após meses de tensão. As relações haviam se deteriorado desde que Trump impôs tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras de café e carne, além de sanções e restrições de visto a autoridades. O gesto também vem depois de uma breve aproximação entre os líderes na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que abriu caminho para a retomada das conversas.

Nos bastidores, o governo brasileiro tenta aproveitar o momento para discutir não apenas as barreiras comerciais, mas também temas mais amplos, como regulação de redes sociais de empresas americanas, políticas para o etanol e oportunidades ligadas a minerais críticos — área em que o Brasil, que tem a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, vê espaço para estreitar parcerias estratégicas com os Estados Unidos.

Lula ainda se ofereceu para atuar como interlocutor nas relações com a Venezuela. Nos últimos meses, os Estados Unidos derrubaram diversas embarcações que, segundo o governo americano, transportavam drogas a partir da Venezuela, o que gerou especulações de que o país possa estar se preparando para atacar o território venezuelano. Embora o Brasil tenha evitado qualquer envolvimento direto, Lula já havia dito a Trump, em uma ligação anterior, que um conflito militar na América do Sul seria devastador para a região.

*Com informações de Reuters e Bloomberg

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Em Kuala Lumpur, Lula e Trump testam terreno para uma trégua comercial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (25), em Kuala Lumpur, que espera se reunir com Donald Trump durante a viagem do norte-americano à Ásia e que busca uma solução para o impasse comercial entre os dois países.

“Espero realmente que o encontro aconteça”, disse Lula a jornalistas na capital da Malásia, antes da chegada de Trump. “Vim aqui com a intenção de que possamos encontrar uma solução.”

“Tudo depende da conversa”, acrescentou. “Não há exigências dele, nem minhas, até agora. Vamos colocar os temas na mesa e tentar encontrar uma saída.”

O presidente brasileiro tenta convencer Trump a suspender as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil, além das sanções aplicadas a ministros do Supremo Tribunal Federal, autoridades e familiares.

Trump, por sua vez, disse que espera se reunir com Lula durante sua viagem e que está aberto a reduzir as tarifas aplicadas sobre o Brasil. “Nas circunstâncias certas, claro”, afirmou o presidente americano a repórteres na sexta-feira (24), a bordo do Air Force One.

O governo brasileiro tem trabalhado para organizar o encontro às margens da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que acontece neste fim de semana na Malásia.

Segundo a Folha de S.Paulo, negociadores dos dois países vêm mantendo conversas informais sobre um possível acordo que siga o modelo adotado por China e México — com suspensão temporária das tarifas enquanto se negociam novos termos comerciais.

A reportagem também informa que os Estados Unidos pretendem colocar em pauta o acesso ao mercado brasileiro de etanol e a regulação das big techs, enquanto o Brasil busca garantir a reversão de sanções contra autoridades nacionais.

Lula in a suit pointing his finger
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista no Palácio da Alvorada. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Trump disse acreditar que os dois líderes já têm uma reunião programada durante o evento. Lula deixou sua agenda livre no fim da tarde de domingo para um possível encontro. A agenda de Trump também prevê um intervalo sem compromissos oficiais no mesmo período.

“Estou muito interessado em ter essa reunião”, disse Lula a repórteres na sexta-feira, na Indonésia, antes de embarcar para a Malásia. “Estou totalmente preparado para defender os interesses do Brasil e mostrar que as tarifas impostas ao país foram um erro.”

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Protestos anti-Trump espalham-se pelos 50 Estados americanos. Veja imagens

Protestos em Washington, DC. Foto: Bloomberg

Foram 2,7 mil manifestações contra a agenda política de Donald Trump, em atos batizados como “No Kings”, que espalharam-se pelos 50 Estados americanos, de acordo com os organizadores.

Manifestação em Chicago. Foto: Bloomberg

As manifestações em massa seguem protestos semelhantes realizados em 14 de junho, também chamados “No Kings”, organizados para coincidir com o desfile militar promovido por Trump em Washington naquele dia – em comemoração ao 250º aniversário do Exército dos EUA e ao aniversário do próprio presidente. Os organizadores estimaram que entre 4 e 6 milhões de pessoas participaram das manifestações de junho.

Marcha ‘No Kings’ em Nova York. Foto: Bloomberg

Também estão previstos protestos na Europa

O governo dos EUA está paralisado há 18 dias, enquanto democratas e republicanos no Senado continuam em impasse sobre a extensão dos subsídios de saúde — ponto de bloqueio de um projeto de gastos que permitiria reabrir o governo.

Os manifestantes buscam demonstrar oposição pública à tentativa de Trump de enviar tropas da Guarda Nacional para cidades americanas, às suas operações de imigração e aos cortes em ajuda externa e programas domésticos apoiados pelos democratas.

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Trump escala guerra comercial com a China: agora o alvo é o óleo de cozinha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pode suspender o comércio de óleo de cozinha com a China, reacendendo as tensões entre as duas maiores economias do planeta.

Trump apresentou a possível medida como retaliação à decisão de Pequim de interromper a compra de soja americana, o que ele classificou como um “ato economicamente hostil” que estaria “causando dificuldades aos nossos produtores de soja”.

“Estamos considerando encerrar os negócios com a China envolvendo óleo de cozinha e outros elementos do comércio, como forma de retaliação. Podemos facilmente produzir nosso próprio óleo de cozinha; não precisamos comprá-lo da China”, escreveu Trump em rede social.

As declarações levaram o índice S&P 500 a virar para o campo negativo, anulando ganhos anteriores, e reacenderam o temor de uma nova escalada comercial com a China. Horas antes, tanto o presidente quanto o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, haviam sinalizado confiança de que as tensões seriam amenizadas com as negociações em andamento.

As ações das tradings agrícolas Archer-Daniels-Midland (ADM) e Bunge Global subiram após o anúncio, revertendo perdas do início do pregão.

Impacto

Cortar o comércio de óleo de cozinha com a China poderia ter efeitos amplos sobre o agronegócio americano e sobre o mercado de energia. O óleo usado — assim como a soja — é uma das matérias-primas para a produção de biocombustíveis, como o diesel renovável.

O governo Trump já vinha reduzindo incentivos à importação de óleo usado estrangeiro, especialmente da China, cujas exportações para os EUA atingiram um recorde histórico em 2024, segundo o Departamento de Agricultura americano.

Retaliações

Os eventos desta terça-feira reforçam o vai e vem diplomático que tem marcado a relação entre Washington e Pequim desde o retorno de Trump à Casa Branca — um movimento que mantém investidores em alerta quanto ao risco de uma nova guerra comercial.

Mais cedo, o representante comercial Jamieson Greer havia dito que as conversas tarifárias continuavam abertas, e que autoridades de alto escalão dos dois países se reuniram na segunda-feira. Ele confirmou que Trump e o presidente chinês Xi Jinping ainda têm uma “reunião programada” para o fim do mês.

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Enquanto o Brasil vive um dos períodos mais fortes das exportações de soja, os EUA estão colhendo uma safra recorde, mas sem o principal cliente: a China. #China #EUA #soja

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Trump também demonstrou cauteloso otimismo: “Temos uma relação justa com a China e acho que ficará tudo bem. E, se não ficar, tudo bem também”, afirmou a jornalistas na Casa Branca. “Estamos trocando muitos golpes, e temos sido muito bem-sucedidos.”

Essas falas ajudaram a acalmar parte do mercado, que havia reagido negativamente após Pequim sancionar filiais americanas de um grupo naval sul-coreano e ameaçar novas medidas contra o setor — o mais recente episódio da retaliação mútua entre os dois países.

Commodities no centro

Tanto os EUA quanto a China vêm buscando ganhar vantagem nas negociações impondo restrições a exportações de minérios de terras-raras e semicondutores — insumos centrais na disputa tecnológica e comercial entre as duas potências.

Em resposta às novas medidas chinesas, Trump ameaçou aplicar uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses até 1º de novembro, e também levantou a possibilidade de cancelar o encontro com Xi Jinping durante a cúpula da APEC, marcada para acontecer na Coreia do Sul.

“Se essa reunião vai acontecer ou não, não quero me comprometer nem da nossa parte nem da parte deles. Mas acho que faz sentido manter o diálogo quando possível”, disse Greer.

O representante comercial acrescentou que a decisão de impor a tarifa de 100% “depende muito do que a China fizer”.
Mais cedo neste ano, os dois países haviam estabelecido uma trégua tarifária, após os impostos americanos sobre produtos chineses chegarem a até 145%. O acordo, contudo, expira em 10 de novembro.

“Nosso acordo era: manteremos tarifas baixas se vocês continuarem enviando terras-raras. Agora eles dizem que vão restringir mais esses materiais e seus derivados. Então, faz sentido que possamos aumentar as tarifas também”, afirmou Greer.

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Trump ameaça controles de exportação de peças da Boeing em resposta à China

Os Estados Unidos poderão impor controles de exportação de peças de avião da Boeing como parte da resposta de Washington aos limites de exportação chineses de minerais de terras raras, disse o presidente Donald Trump nesta sexta-feira (10).

“Temos muitas coisas, incluindo uma grande coisa que é o avião. Eles (a China) têm muitos aviões Boeing e precisam de peças e muitas coisas desse tipo”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, quando perguntado sobre quais itens os EUA poderiam impor controles de exportação.

As companhias aéreas chinesas têm pedidos de pelo menos 222 jatos da Boeing, de acordo com a Cirium, uma empresa de análise de aviação.

O país tem 1.855 aviões Boeing em serviço. A grande maioria dos aviões encomendados e em serviço é o popular jato de corredor único 737 da Boeing.

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Trump transfere para 2026 a promessa de recuperação econômica e tenta conter o pessimismo

Os assessores do presidente Trump estão aconselhando-o a refinar sua mensagem econômica com um apelo aos eleitores voltado a aliviar a ansiedade com o fraco crescimento do emprego e a inflação persistente.

O novo mantra: espere até o ano que vem.

Em conversas privadas com o presidente, os assessores de Trump, em vez de se deterem em dados econômicos instáveis, pintaram um cenário otimista, insistindo que os indicadores começarão a melhorar no primeiro trimestre de 2026, segundo pessoas a par do assunto, incluindo altos funcionários do governo.

Após um relatório que mostrou apenas 22 mil novos postos de trabalho em agosto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse a Trump que acredita que os números de emprego começarão a subir quando as políticas de sua lei “Big Beautiful” de impostos e gastos estiverem totalmente implementadas, rumo ao próximo ano, de acordo com uma pessoa próxima a Bessent.

Antes, em uma reunião a portas fechadas no Salão Oval, outros assessores disseram a Trump que cabia a ele decidir como abordar publicamente os dados fracos de empregos e que ele poderia simplesmente passar por cima das informações apontando para o futuro, segundo um alto funcionário do governo. Eles garantiram que os indicadores econômicos mostrarão melhorias à medida que 2025 se aproxima do fim, disse o funcionário.

O próprio Trump mudou o tom. Embora a economia tenha sido fundamental em sua bem-sucedida campanha de reeleição, agora ele parece preferir focar em imigração, crime e acertos de contas com inimigos que considera ter.

Durante um evento recente sobre autismo, o presidente desconversou sobre perguntas de repórteres a respeito da economia. “Prefiro não falar de algumas bobagens sobre a economia. Dito isso: a economia é inacreditável”, afirmou na ocasião.

Em comunicado, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse que o governo “está focado em impulsionar reformas do lado da oferta, garantir trilhões em investimentos manufatureiros e implementar acordos comerciais históricos que irão reviver a dominância industrial dos EUA”.

Homem de terno e óculos, mão no queixo, observa Donald Trump desfocado em primeiro plano, que fala.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent e o presidente Donald Trump. Foto: Getty Images

Quando fala da economia, Trump costuma se referir ao mercado de ações e apontar para o ano que vem, no mínimo, quando os eleitores começarão a sentir suas políticas. “Nosso grande ano na realidade não será o próximo — será o seguinte”, disse ele recentemente a repórteres.

Isso representa uma mudança acentuada na mensagem de Trump desde as primeiras semanas no cargo, quando a economia era o centro de sua comunicação.

As primeiras ações econômicas de Trump estão entre as mais disruptivas em gerações. Ele impôs tarifas abrangentes sobre quase todas as importações — com mais por vir —, reduziu a imigração a quase zero enquanto ampliou deportações e pressionou empresas a firmarem acordos com seu governo.

O presidente inicialmente previu que essas medidas inaugurariam uma idade de ouro. Isso ainda não aconteceu, embora Trump continue a vangloriar-se de uma economia forte. Alguns indicadores são positivos. O PIB cresceu a uma taxa anualizada de 3,8% no segundo trimestre e caminha para um ritmo semelhante no terceiro trimestre, encerrado nesta semana.

Mas alguns dados econômicos importantes ainda estão atrasados.

O crescimento mensal do emprego diminuiu. Mesmo que as tarifas não tenham elevado os preços tanto quanto economistas esperavam inicialmente, a inflação continua a frustrar consumidores, já que os preços dos bens seguem em alta. Casas continuam sendo vistas como inacessíveis em todo o país.

A opinião pública sobre a liderança de Trump na economia tornou-se mais negativa nos últimos meses. Apenas 37% dos adultos ouvidos em setembro aprovaram a condução da economia por Trump, segundo pesquisa AP-NORC, enquanto 62% desaprovaram. Em uma pesquisa recente do New York Times, 45% dos eleitores disseram que Trump piorou a economia desde que assumiu, enquanto 32% disseram que ele a melhorou.

mercado de ações EUA Nova York

O presidente e seu partido estão sob enorme pressão para melhorar o sentimento público sobre a economia. Trump e os republicanos caminham para eleições legislativas de meio de mandato em 2026 consideradas difíceis, em que os democratas têm chance de conquistar a maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Um prolongado fechamento do governo poderia azedar ainda mais o humor dos eleitores com os republicanos, especialmente se subsídios de saúde não forem renovados, elevando custos para muitos americanos.

Alguns assessores do presidente tentam lapidar as falas republicanas para enfatizar os esforços do partido em ajudar a classe média.

Durante um jantar em agosto em Jackson Hole, Wyoming, com doadores republicanos, o pesquisador Tony Fabrizio e o veterano consultor político Chris LaCivita disseram aos presentes que haviam informado o presidente sobre levantamentos internos mostrando que o apelido “One Big Beautiful Bill” não agradava aos eleitores. A legislação emblemática de Trump talvez precisasse de uma nova marca, disseram, segundo uma pessoa presente. Em vez disso, os republicanos deveriam passar a se referir à lei como um corte de impostos para famílias trabalhadoras. Desde então, os republicanos adotaram essa formulação.

Economistas independentes dizem que muitas políticas de Trump, especialmente sobre imigração e tarifas, tendem a pesar sobre o crescimento e elevar custos, ao menos no curto prazo. Muitos desses economistas esperam melhora no ano que vem, à medida que a incerteza em torno das tarifas diminui e o Fed reduz os juros.

Para autoridades do governo, mudar de rumo não é opção. Em seu primeiro mandato, Trump se irritava com auxiliares que tentavam conter seus impulsos. Gary Cohn, seu primeiro diretor do Conselho Econômico Nacional, por exemplo, retirava cartas e memorandos relacionados a comércio da mesa de Trump antes que o presidente pudesse assiná-los, disseram autoridades à época.

Em contraste, Stephen Miran, um dos principais assessores econômicos de Trump que recentemente ingressou no conselho de governadores do Fed, às vezes parece minimizar indicadores negativos. Neste verão, após um relatório fraco de empregos, Miran reduziu a importância dos números em entrevistas na TV a cabo e a repórteres. Os dados eram resultado de fatores técnicos, disse, acrescentando que o emprego voltaria a crescer nos próximos meses.

Conselheiros externos também escolhem suas batalhas. Art Laffer, economista pró-livre-comércio que assessorou o presidente Ronald Reagan, não critica as ideias de Trump durante as reuniões.

Laffer diz ter conversado com Trump sobre como a Lei Tarifária Smoot-Hawley, de 1930, elevou tarifas de importação sobre milhares de produtos, levando à retaliação e a uma depressão mais profunda, para sustentar seu argumento de que tarifas podem voltar a prejudicar a economia dos EUA — tudo isso sem dizer diretamente que o presidente não deveria adotá-las. “Uma das coisas que você precisa fazer como funcionário é respaldar as decisões do presidente”, disse Laffer.

O presidente dos EUA, Donald Trump, painel grande exibindo uma tabela de tarifas recíprocas. A tabela lista as tarifas cobradas por vários países nos Estados Unidos e as tarifas aplicadas pelos EUA em retorno. Os países mencionados são China, União Europeia, Vietnã, Taiwan, Japão, Índia, Coreia do Sul, Tailândia, Suíça, Indonésia, Malásia, Camboja, Reino Unido, África do Sul, Brasil, Bangladesh, Singapura, Israel e Filipinas. A tabela contém números percentuais das tarifas de ambos os lados. Ao fundo, há uma bandeira com um padrão vermelho e branco.
Presidente dos EUA, Donald Trump, segura um cartaz de tarifas recíprocas durante um anúncio no Jardim das Rosas da Casa Branca em Washington, DC. Foto: Bloomberg/Kent Nishimura

A confiança de Trump em seus instintos traz riscos políticos e econômicos.

“O risco é que, em algum momento, a recusa em considerar toda a gama de indicadores econômicos válidos na formulação de políticas leve o governo a um erro colossal”, disse Russell Riley, copresidente do programa de história oral presidencial da Universidade da Virgínia.

Por ora, porém, grande parte do retorno que Trump tem recebido é positivo.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, em uma reunião com o presidente, comparou Trump a um comandante da Marinha dos EUA do século XIX chamado Matthew Perry, que pressionou o Japão a abrir mais seus mercados ao Ocidente, segundo autoridades do governo. Para isso, Perry liderou uma frota de navios de guerra até o Japão e exigiu que abrissem seus portos aos navios americanos.

Lutnick disse a Trump que Perry parou antes de abrir totalmente os mercados japoneses, segundo um dos funcionários. Ao firmar um acordo comercial com o Japão, argumentou Lutnick, Trump conseguiu onde Perry falhara.

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China não comprou um grão sequer da nova safra de soja dos EUA — e Trump vai correr atrás do prejuízo

Para os agricultores dos Estados Unidos, chuvas abundantes que garantem uma supersafra normalmente seriam boas notícias. Mas isso não fará diferença em 2025 se a China — maior compradora de soja do mundo — não levar um único grão.

Em meio à guerra comercial reaberta pelo governo Trump, os EUA devem perder ainda mais participação de mercado para a América do Sul, especialmente para o Brasil — talvez de forma permanente.

“Essa teoria de dor de curto prazo para ganho lá na frente não está funcionando, e não vai funcionar”, disse Ed Hodgson, agricultor de 1.500 acres no Kansas, que planta soja desde 1967.

Quando Donald Trump anunciou em abril tarifas sobre a maioria dos países — com foco em parceiros como China, México e Canadá — Hodgson viu como um “desastre” para o campo. E não acreditou na promessa de preços melhores.

Nos últimos cinco anos, a China respondeu por 52% das compras de soja dos EUA, lembrou o produtor. Em 2025, não comprou nada por causa das tarifas e da guerra comercial. “Nosso mercado de exportação à China foi dizimado e o preço despencou”, disse.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), até agora a China não adquiriu soja da safra 2025/26. No mesmo período do ano passado, já havia comprado 6,8 milhões de toneladas — o que equivale a cerca de 250 milhões de bushels (a unidade padrão de negociação na Bolsa de Chicago, cada bushel equivale a 27,2 quilos de soja).

Tarifa pesa, Brasil avança

A combinação de tarifas retaliatórias de 20%, impostos de valor agregado e taxas de nação mais favorecida elevaram a carga sobre a soja americana para 34% em 2025, segundo a Associação Americana de Soja. Resultado: a soja dos EUA ficou “proibitiva” frente à oferta mais barata de Brasil e Argentina.

“É um mercado que perdemos e provavelmente nunca vamos recuperar”, resumiu Hodgson.

De fato, a mudança estrutural já dura 15 anos, com a China migrando para a soja brasileira, segundo Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da StoneX. 

A desvalorização do real impulsionou a produção no Brasil, barateando o grão. Além disso, Pequim investiu bilhões em infraestrutura agrícola no país, para garantir abastecimento rápido e constante.

Bioenergia pode ajudar — mas não resolve

Uma saída parcial para os EUA pode vir do programa de biocombustíveis, que aumenta a demanda doméstica por óleo de soja usado em biodiesel. A produção americana de diesel renovável subiu de 1,47 bilhão de galões em 2013 para 4,29 bilhões em 2023, segundo a Associação Americana de Soja.

Ainda assim, a capacidade de processamento doméstico não chega perto de substituir o que antes ia para a China. “Não dá para simplesmente apertar o botão. Levará anos para construir a infraestrutura necessária”, disse Suderman.

Armazéns lotados e preços baixos

Sem a China, os EUA enfrentam excesso de oferta e preços em queda. No mercado futuro de Chicago, a soja para novembro foi negociada a US$ 10,13 por bushel. Mas produtores como Hodgson dizem que na prática recebem cerca de US$ 9 — bem abaixo dos US$ 14 a US$ 15 que seriam sustentáveis, sobretudo diante da alta de fertilizantes, sementes e máquinas.

“Todo mundo quer comida barata, mas isso não é porque o agricultor está ganhando dinheiro”, disse Hodgson.

Enquanto isso, Trump prometeu discutir o tema diretamente com o presidente chinês Xi Jinping nas próximas semanas e acena com um pacote de US$ 10 bilhões em ajuda aos fazendeiros, possivelmente financiado com receitas de tarifas. Até lá, os armazéns do Meio-Oeste seguem cheios de soja que ninguém parece querer.

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