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Grupos se mobilizam para ataques coordenados ao ECA Digital, mostra levantamento

ECA Digital. (Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil)
Por Bruno Lucca (Folhapress) – Grupos se mobilizam para ataques coordenados ao ECA Digital, com narrativas alarmistas e desinformação. Essa é a conclusão de um levantamento feito pelo Observatório Lupa e enviado com exclusividade para a Folha de S.Paulo. A pesquisa analisou mais de 33.700 publicações feitas no Facebook, Instagram, TikTok, BlueSky e X, além […]
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Irã vence guerra digital contra os EUA com memes virais e vídeos de IA ridicularizando Trump

Donald Trump em LEGO – Foto: Divulgação

Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.

O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.

Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.

A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.

Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.

Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.

Trump cantor de rock – Foto: Reprodução

Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.

Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.

Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.

Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.

Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.

A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.

Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.

Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.

I’m no fan of Iran at all… but this one actually nails him. 😂😂 pic.twitter.com/0NxAsaRyco

— Jon Cooper 🇺🇸 (@joncoopertweets) April 10, 2026

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VÍDEO: Adrilles imita Nikolas, põe peruca e chama PL da Misoginia de “esdrúxulo”

O vereador bolsonarista Adrilles Jorge. Foto: Reprodução

A aprovação do Projeto de Lei (PL) que visa criminalizar o discurso de ódio contra mulheres, conhecido como “PL da Misoginia”, no Senado, provocou reações histéricas de políticos de direita. Um desses casos aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, onde o vereador bolsonarista Adrilles Jorge (União) usou o plenário para promover um espetáculo de misoginia e transfobia, em protesto contra a aprovação do projeto.

Durante a sessão, Adrilles Jorge, indignado com o avanço do projeto no Senado, fez uma performance polêmica. O vereador copiou uma ação do deputado Nikolas Ferreira e colocou uma peruca, em uma tentativa de atacar o “PL da misoginia” de maneira provocativa.

Ele afirmou que a lei, por não definir claramente o que é uma mulher, permitiria que qualquer homem se julgasse mulher e, consequentemente, promova discurso de ódio contra as mulheres.

“Eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula, que ela não define o que é uma mulher, então, eu, enquanto homem, posso contestar as senhoras, eu posso agredir verbalmente as senhoras, porque aos homens […] as mulheres se colocam como vítimas preferenciais […] essa lei não resolve nada […] então, eu, como mulher, agora como Geórgia, posso falar como mulher porque a lei me permite assim”, disse o vereador durante a sessão.

TRANSFOBIA NA CÂMARA DE SP!

O vereador Adrilles Jorge, em mais um episódio de desrespeito, reproduz o mesmo comportamento de Nikolas Ferreira ao usar uma peruca no plenário para ridicularizar pessoas trans.

Poucos dias antes, Fabiana Bolsonaro também protagonizou uma cena… pic.twitter.com/BJmZ6NyIIL

— Duda Salabert (@DudaSalabert) March 25, 2026

Enquanto isso, o PL da Misoginia continua a tramitar na Câmara dos Deputados, onde será discutido por parlamentares e, se aprovado, seguirá para a sanção do presidente Lula. A proposta aprovada no Senado no dia 25 de abril define a misoginia como crime, equiparando-a ao racismo na legislação brasileira.

A medida visa punir comportamentos que manifestem ódio ou aversão às mulheres, fundamentados na crença da supremacia masculina. A nova lei inclui manifestações verbais, como injúrias e discursos de ódio, bem como ofensas que atentem contra a dignidade feminina.

Isso inclui também as agressões no ambiente digital, como em redes sociais e fóruns, onde muitos discursos misóginos têm sido proliferados. O projeto prevê penas de prisão que variam de dois a cinco anos, além de multas, para os envolvidos em práticas misóginas.

Em casos de incitação ou indução à misoginia, as penas podem ser de um a três anos, com a mesma penalidade de multa. A medida é vista como um avanço no combate a atitudes discriminatórias contra as mulheres, especialmente no cenário atual, onde os ataques à dignidade feminina têm aumentado na sociedade, principalmente pela internet.

Embora o projeto tenha sido aprovado por unanimidade no Senado, com 67 votos favoráveis, a reação de políticos de extrema-direita tem sido polarizada. O ato de Adrilles Jorge é apenas um exemplo das tentativas de impedir a implementação da proposta, com alegações de que a lei poderia ser mal interpretada ou abrir brechas para abusos.

O “PL da Misoginia” foi apresentado pela senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA) e teve a relatoria de Soraya Thronicke (Podemos-MS), que destacou a importância da medida no enfrentamento de discursos de ódio. A senadora afirmou que a proposta visa combater não apenas agressões físicas, mas também discursos misóginos que têm ganhado força nas redes sociais.

Thronicke defendeu que o projeto é essencial para coibir a propagação de ideias que sustentam a superioridade masculina, especialmente em tempos de crescente radicalização política e social. “O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, crescente e ceifa vidas todos os dias”, afirmou ao defender o projeto.

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O centro que tenta nascer em meio ao barulho dos extremos

Por Nilson Hashizumi


Há algo curioso acontecendo na política brasileira.

Enquanto os extremos seguem organizados, barulhentos e emocionalmente mobilizados, uma parte significativa do país parece ter entrado em silêncio.

Não é apatia.
É exaustão.

Exaustão de um debate que não avança, de posições que não dialogam e de uma lógica onde vencer parece mais importante do que governar.

É nesse espaço — difuso, fragmentado, ainda sem identidade clara — que surge, mais uma vez, a tentativa de construção de uma terceira via.

Mas há um detalhe importante que costuma ser ignorado:

O centro não nasce da ausência de extremos. Ele precisa ser construído como presença.

A engenharia política que tentou dar forma ao centro

No fim de janeiro de 2026, Gilberto Kassab fez um movimento que, à primeira vista, parecia reunir todos os elementos da racionalidade política.

Atraiu três governadores em fim de mandato — Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite — e organizou uma espécie de “pré-seleção” para a disputa presidencial.

A ideia era simples, quase didática:

escolher entre os três aquele que tivesse melhores condições de competir, unificar o grupo e apresentar ao país uma candidatura de centro, moderada, dialogadora, sem os vícios dos extremos.

Na lógica da estratégia, fazia sentido.

Na lógica da política real, nem tanto.

Porque política não é apenas construção de cenário.

É disputa de percepção.

Quando o plano encontra a realidade

Ratinho Junior foi anunciado como pré-candidato.

Duas semanas depois, desistiu.

E esse movimento, que pode parecer apenas mais um capítulo da dinâmica eleitoral, na verdade revela algo mais profundo:

O centro ainda não encontrou o seu próprio chão

Com cerca de 7% das intenções de voto no início de março, segundo a Genial/Quaest, Ratinho ocupava exatamente o lugar onde muitas candidaturas de centro param:

existe, aparece, mas não se impõe.

É lembrado — mas ainda não é escolhido.

E na política, essa diferença é brutal.

O jogo que acontece fora dos holofotes

Enquanto o centro tenta se organizar, os extremos seguem jogando.

A reaproximação entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro não é apenas um gesto político.

É reposicionamento de força.

É reorganização de território.

É mensagem para dentro e para fora.

Ao fortalecer o palanque no Paraná, ao mesmo tempo em que reconfigura relações internas, o campo conservador demonstra algo que o centro ainda não conseguiu fazer:

agir como bloco.

Já o centro, até aqui, se comporta como soma.

E soma, em política, raramente vence bloco organizado.

O dado que revela o espaço — e o problema

Se a movimentação das lideranças mostra o jogo político, os dados mostram o humor da sociedade.

E o humor é claro: o país está dividido — e cansado.

A pesquisa Genial/Quaest de fevereiro de 2026 mostra um cenário de equilíbrio tenso: 45% aprovam o governo Lula, enquanto 49% desaprovam.

Em março, a desaprovação cresce para 51%, com 44% de aprovação.

Não há ruptura.

Mas há desgaste.

E mais do que isso: há um dado que costuma passar despercebido —

os eleitores independentes, aqueles que poderiam sustentar uma candidatura de centro, não estão plenamente convencidos por nenhum dos lados.

O centro existe.
Mas ainda não se reconhece como escolha.

O erro recorrente: tratar o centro como estratégia — e não como identidade

Há um equívoco que se repete eleição após eleição.

Imaginar que o centro pode ser construído por engenharia política.

Não pode.

Centro não é posicionamento técnico.
Centro é percepção social.

Não se define em reunião.
Se constrói na trajetória.

Não se impõe por acordo.
Se conquista por confiança.

E aqui entra um ponto que deveria ser óbvio, mas raramente é tratado com a devida seriedade:

reputação não se improvisa em ano eleitoral.

Entre a intenção e a viabilidade

O movimento de Kassab tem mérito.

É, talvez, a tentativa mais estruturada dos últimos anos de dar forma a uma alternativa fora da polarização.

Mas esbarra em três barreiras que não se resolvem com articulação:

1. O eleitor não escolhe apenas com a razão — escolhe com identidade
E identidade, hoje, está ancorada nos extremos.

2. O centro não mobiliza — ainda
Porque não oferece pertencimento claro.

3. Visibilidade não é viabilidade
Ser conhecido não é o mesmo que ser escolhido.

E a política, no fim, é sobre escolha.

2026 não será uma eleição simples

Lula chega competitivo, mas sob desgaste.

O campo conservador se reorganiza e tenta reviver sua força.

E, entre esses dois polos, existe um eleitor que não quer repetir 2018, nem reviver 2022.

Mas querer algo diferente não significa saber o que escolher.

E esse é o espaço — e o desafio — da terceira via.

A travessia que ainda não começou

A pergunta não é se há espaço para o centro.

Há.

A pergunta é outra: há alguém capaz de transformar esse espaço em confiança?

Porque, no fim, é sempre sobre isso.

Trajetória gera reputação.
Reputação gera confiança.
E confiança é o que sustenta qualquer projeto de poder legítimo.

Sem isso, não há terceira via.

Há apenas tentativa.

Sobre o autor

NILSON HASHIZUMI

Nilson Hashizumi é estrategista de marketing político e corporativo, jornalista, fotógrafo, gestor de cultura e preparador de candidatos, grupos e agremiações políticas, com MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político. Co-fundador da Alcateia Política, orientou, coordenou e defendeu candidatos majoritários em São Paulo e Pará e candidatos proporcionais em São Paulo e Minas Gerais.

Orientado a resultados, trabalha com visão de processos na gestão da comunicação on e off-line para a construção de reputação, imagem e formação de opinião. Atuou por mais de 30 anos na iniciativa privada, organizações da sociedade civil e entidades de classe antes de atuar em favor de entes políticos. Associado ao CAMP.

Especialista em campanhas e comunicação governamental, integra estratégias on-line e off-line na construção de imagem pública

Defende que reputação é patrimônio — construída pela trajetória, sustentada pela coerência e reconhecida pela confiança.


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Como a polarização engoliu o debate moderado e como reconquistar o eleitor independente

Por Edson Panes de Oliveira Filho

Como a polarização engoliu o debate moderado e qual estratégia pode reconquistar o eleitor independente

Nos últimos anos, a política brasileira deixou de ser um campo plural de ideias para se transformar em um território de trincheiras. Em 2026, essa lógica não apenas persiste: ela se intensifica.

A polarização, que antes parecia um fenômeno conjuntural, tornou-se estrutural, moldando comportamentos, narrativas e até identidades sociais.

O espaço tradicionalmente ocupado pelo debate moderado encolheu diante de duas máquinas narrativas poderosas: a da direita conservadora e a da esquerda progressista.

Em meio a esse fogo cruzado, permanece um grupo silencioso, mas decisivo: o eleitor independente, que rejeita os extremos e busca uma política pragmática, de resultados.

Mas como chegamos até aqui? E, mais importante, como os candidatos podem “pescar” esse eleitor que está fora das bolhas?

A implosão do centro político: quando a moderação deixou de viralizar

A política brasileira sempre conviveu com contrastes, mas a hiperconexão trouxe novas regras. O algoritmo recompensa:

  • Paixão;
  • Conflito;
  • Identidade;
  • Reação imediata.

E penaliza:

  • Conteúdo técnico;
  • Discussões equilibradas;
  • Argumentos racionais;
  • Tom moderado.

No ecossistema atual, o centro não viraliza e quem não viraliza, desaparece. O debate moderado, portanto, não acabou por falta de demanda, mas por falta de tração algorítmica.

A esquerda e a direita entenderam isso antes de todos.

A direita construiu uma comunidade digital hiperengajada, alimentada por símbolos, antagonismos e linguagem simples. A esquerda, por sua vez, responde com forte narrativa institucional e foco na defesa de políticas públicas. Ambas prosperam nas redes e ambas ocupam a maior parte do espaço mental do eleitor comum.

O eleitor independente: quem é e como pensa em 2026

Apesar da predominância dos polos, o eleitor independente não desapareceu. Ele apenas ficou soterrado na guerra de narrativas.

Os dados dos últimos 120 dias mostram que:

  • De 17% a 20% dos brasileiros se apresentam como “centro”;
  • Um grupo adicional — entre 15% e 18% — rejeita abertamente tanto a esquerda quanto a direita, o famoso “nem-nem”;
  • A taxa de indecisos caiu a níveis historicamente baixos (cerca de 2%), indicando que esse eleitor não é desinformado — ele é desinteressado pelas narrativas tradicionais.

O que todos esses grupos têm em comum?

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Eleitora realizando o processo de biometria para realizar o voto em Santa Catarina (SC). Foto: Reprodução/ TRE-SC

Eles querem resultados, não guerras culturais.

O eleitor independente não está interessado em quem “lacrou”, quem “expôs”, quem “venceu o debate”. Ele quer:

  • Segurança;
  • Estabilidade econômica;
  • Previsibilidade;
  • Políticas públicas tangíveis;
  • Uma narrativa de futuro.

Mas, por não ver essas pautas bem explicadas, ele se afasta — não da política, mas do barulho político.

O desafio dos candidatos: romper as bolhas sem ser engolido por elas

Para conquistar o eleitor independente em 2026, o candidato precisa de uma estratégia clara: falar com o centro sem irritar as bases — uma manobra delicada em tempos de radicalização digital.

Isso exige três movimentos essenciais:

1. Abandonar a “terceira via” abstrata e adotar uma proposta concreta de gestão

O eleitor moderado não se move por ideologias. Ele se move por:

  • Projetos;
  • Planos;
  • Indicadores;
  • Soluções reais.

O discurso deve enfatizar capacidade de gestão, eficiência e pragmatismo sem cair no tecnicismo frio que não gera conexão emocional.

2. Usar linguagem simples, mas não simplista

A grande vantagem das campanhas radicais é que elas são entendidas imediatamente.

Para competir nesse terreno, o candidato moderado precisa:

  • Traduzir políticas públicas em histórias reais;
  • Explicar medidas complexas com metáforas cotidianas;
  • Mostrar impacto direto na vida do eleitor.

Não basta “comunicar bem”: é preciso performar bem, porque a arena digital é visual, rápida e emocional.

3. Apostar na narrativa da “solução possível”

Enquanto a esquerda oferece esperança institucional e a direita oferece ordem moral, falta quem ofereça resolução prática.

O centro precisa se transformar na narrativa da “solução possível”:

“Enquanto eles brigam, eu resolvo.”

Esta mensagem, repetida com consistência, tem força para atrair quem está cansado da luta ideológica.

A estratégia vencedora: microsegmentação emocional + proposta concreta

A campanha eficaz para conquistar o eleitor independente precisa unir duas frentes:

1. Microsegmentação algorítmica

Falar com o eleitor pelo ângulo certo:

  • Para o jovem: mobilidade, ensino técnico, futuro do trabalho;
  • Para a mãe solo: renda, creches, proteção social;
  • Para o empreendedor: crédito, simplificação e juros;
  • Para o evangélico moderado: acolhimento emocional sem guerra cultural;
  • Para o motorista de app: combustível, segurança e renda mínima.

Cada grupo recebe um recorte do “projeto de futuro”, que dialoga com suas dores e expectativas.

2. Proposta de gestão narrada de forma humana

O centro só funcionará quando deixar de ser um “meio-termo” e passar a ser:

  • um projeto;
  • uma visão de país;
  • uma resposta à fadiga política da polarização.

O eleitor independente não quer neutralidade. Ele quer solução.

Conclusão: o centro não morreu — ele só precisa aprender a falar alto de novo

A polarização não engoliu o eleitor moderado. Ela apenas silenciou sua representação política. Para compreender e traduzir eficiência, equilíbrio e futuro em narrativas digitais e desbloquear um caminho poderoso para 2026, procure um dos profissionais de Marketing Político da Alcateia e assim, em um país cansado de extremos, verá que existe espaço e demanda por uma nova liderança capaz de unir:

  • performance digital;
  • solução prática;
  • empatia social.

Essa é a fórmula para conquistar quem realmente decide a eleição: o eleitor que não quer escolher um lado, mas escolher um caminho.


Sobre o autor

Edson Panes de Oliveira Filho


Edson Panes de Oliveira Filho é advogado e estrategista politico, Especialista em Direito Eleitoral, com MBA em Direito Empresarial, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político, proprietário da CRIA Marketing Digital e Politico e cofundador do Alcateia Política.


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Lula vai regulamentar ECA Digital e restringir conteúdos sensíveis para menores online

Lula, presidente do Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assina nesta terça-feira (17), no Palácio do Planalto, um conjunto de decretos que regulamenta o chamado ECA Digital, com regras voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.

Entre as medidas previstas, está a proibição de acesso de menores de 18 anos a conteúdos relacionados a armas, jogos de apostas ilegais e plataformas que utilizam sistemas de recompensa. As normas buscam estabelecer limites para o consumo de conteúdos considerados sensíveis na internet.

O secretário Nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, afirmou que os decretos têm como objetivo dar efetividade às regras já previstas na legislação. “Esses três decretos vão conferir operacionalidade e mais eficácia ainda para as regras que estão previstas no ECA Digital. É uma sinalização clara do nosso governo federal de que não haverá interstício, não haverá intervalo, não haverá zona cinzenta. Amanhã começa e é para valer”, disse.

Criança assiste a desenho animado no celular. Foto: Reprodução

Parte das regras ainda dependerá de regulamentação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por definir detalhes técnicos, incluindo os mecanismos de verificação de idade nas plataformas digitais. A implementação será feita de forma escalonada, com prazos a serem apresentados pela agência.

O presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior, afirmou que diferentes métodos poderão ser utilizados na verificação etária, desde que não violem a privacidade dos usuários. “Desde a publicação [da lei] em setembro, já desenhamos algumas medidas. Elencamos 37 empresas que têm mais atuação em produtos ou serviços ofertados a crianças e adolescentes. É um monitoramento onde abrimos um diálogo para saber o que essas empresas estão fazendo para atender ao ECA digital. É um processo muito importante, o diálogo”, declarou.

Os decretos também preveem a criação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, sob responsabilidade da Polícia Federal. A estrutura será responsável por receber denúncias de crimes envolvendo menores na internet, com obrigação das plataformas de comunicar conteúdos suspeitos. “Isso é fundamental porque não existe um dever claro de as empresas reportarem esses crimes para a polícia. Hoje, esse momento de notificação, de compartilhamento das informações é feito via cooperação internacional voluntária. Isso acaba amanhã”, afirmou Fernandes.

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ECA Digital proíbe recursos que prendem atenção de crianças nas redes sociais

Por Bruno Lucca e Bárbara Sá (FOLHAPRESS) – Redes sociais que operam no Brasil serão obrigadas a abandonar o uso de recursos que possam prender a atenção de crianças e adolescentes, como a rolagem infinita de feed sem pausas naturais e a reprodução automática de vídeos. Essas medidas estão no decreto produzido pelo Ministério da […]
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VÍDEO: Lula critica “jogo do tigrinho” e defende lei para barrar cassinos online

O presidente Lula. Foto: Divulgação

O presidente Lula se manifestou contra a legalização de cassinos online no Brasil, defendendo uma lei que proíba esse tipo de jogo. Em um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, ele afirmou que não faz sentido permitir jogos digitais como o “Jogo do Tigrinho”, que, segundo ele, tem levado famílias a se endividarem.

“Os cassinos são proibidos no Brasil, não faz sentido permitir que o Jogo do Tigrinho entre nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar unindo Governo, Congresso e Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando as famílias e destruindo lares”, declarou o presidente.

Os cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular. Vamos trabalhar unindo o Governo, o Congresso e o Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando famílias e… pic.twitter.com/wp1zNSPlyd

— Lula (@LulaOficial) March 8, 2026

Lula sancionou a lei em dezembro de 2023, exigindo que as plataformas de apostas digitais, incluindo os cassinos virtuais, tivessem regras específicas para operar no país.

Ele destacou em seu pronunciamento que o problema causado pelos jogos online é grave, já que muitos jogadores acabam perdendo o dinheiro necessário para o sustento da família. Lula afirmou que os cassinos digitais têm um impacto devastador, prejudicando financeiramente as pessoas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.

“Muitas famílias acabam jogando o dinheiro da comida, dos filhos, em apostas”, lamentou o presidente, ressaltando a importância de uma fiscalização rigorosa para coibir os danos causados pelos cassinos online.

O presidente também comentou sobre a necessidade de o Governo, o Congresso e o Judiciário trabalharem juntos para garantir que a regulamentação dos jogos de azar no Brasil não prejudique ainda mais as famílias. Lula mencionou a importância de limitar a expansão dos cassinos online, que têm crescido em popularidade no Brasil, mas muitas vezes são utilizados como forma de entretenimento predatório.

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PF cumpre mandatos de prisão em operação contra vazamento de dados de Moraes

Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Dataleaks para investigar o acesso indevido a dados pessoais do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação inclui o cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e quatro mandados de busca e apreensão.

Segundo a PF, os alvos da operação são responsáveis por uma plataforma que reunia uma base de dados não oficial com informações pessoais de autoridades, incluindo integrantes do STF. O sistema seria alimentado por meio de acessos ilegais a bancos de dados governamentais.

A operação ocorre simultaneamente nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas. As investigações buscam identificar integrantes de um grupo suspeito de manipular e comercializar informações obtidas ilegalmente.

Agente da PF. Foto: reprodução

De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da ofensiva é “desarticular uma organização criminosa especializada na obtenção, na adulteração, na comercialização e na disseminação ilícita de dados pessoais e sensíveis provenientes de bases governamentais e privadas”.

As apurações indicam que dados de Alexandre de Moraes teriam sido alterados e inseridos na plataforma usada pelo grupo para venda de informações. Até o momento, não há detalhes públicos sobre quais dados específicos do ministro teriam sido manipulados.

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Governo registra recorde de incidentes cibernéticos em 2025, aponta GSI

Ilustração sobre golpes cibernéticos — Foto: Freepik

O governo federal registrou em 2025 o maior número de incidentes cibernéticos desde o início da série histórica, iniciada em 2021. Os dados são do Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), órgão vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Ao todo, foram contabilizadas 18.092 notificações de incidentes de segurança e vulnerabilidades no ano passado. O volume representa um aumento de 21% em relação a 2024, quando foram registradas 14.921 ocorrências.

Em 2023, o número de notificações havia sido de 15.132. Já em 2022 e 2021, os registros foram significativamente menores, com 8.530 e 9.867 incidentes, respectivamente, evidenciando uma tendência de crescimento nos últimos anos.

O principal tipo de ocorrência em 2025 foi o vazamento de dados, que somou 7.112 registros. Esse tipo de incidente envolve exposição indevida de informações sensíveis ou sigilosas, tanto de órgãos públicos quanto de cidadãos.

Reclamações por vazamento de dados disparam no interior de SP — Foto: Reprodução

Os dados do CTIR Gov consideram notificações feitas por órgãos da administração pública federal e incluem diferentes categorias de ameaças digitais, como invasões, tentativas de acesso indevido e exploração de vulnerabilidades em sistemas.

O aumento no número de registros pode refletir tanto maior incidência de ataques quanto aprimoramento nos mecanismos de detecção e comunicação de incidentes por parte dos órgãos governamentais.

O crescimento contínuo das notificações desde 2022 reforça o desafio da segurança digital no setor público, especialmente diante da ampliação de serviços digitais e do armazenamento de grandes volumes de dados sensíveis.

A série histórica indica que, em quatro anos, o total anual de incidentes praticamente dobrou, colocando 2025 como o período com maior pressão sobre as estruturas de proteção cibernética do governo federal.

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