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Bitcoin é um ouro digital emergente? Entenda afirmação de especialista e quais os riscos de não ter BTC na carteira

8 de Maio de 2026, 08:57

O bitcoin (BTC) é um “ouro digital emergente”, na visão de Marcello Cestari, analista de criptoativos da Empiricus. Segundo ele, a criptomoeda ainda não é considerada um ouro digital por instituições financeiras pois ainda ocupa o posto de um ativo relativamente novo e tem um market cap menor em relação a outros ativos, como o próprio ouro.

Ao lado de Matheus Parizotto, research de digital asset do BTG Pactual, Cestari participou do ETF Day, evento promovido pelo banco para assessores de investimento nesta quarta-feira (6).

O especialista ainda pontua que a volatilidade das criptomoedas – mais expressiva que a do ouro ou das bolsas de valores, por exemplo – também dificulta na classificação do bitcoin como um ouro digital atualmente.

“Com a institucionalização que está acontecendo, o bitcoin tem se comportado mais correlacionado com o ‘Nasdaq alavancado’ do que como um ‘ouro digital’, que é como chamamos”, afirma.

Na leitura do especialista, contudo, o bitcoin e outras criptomoedas estão caminhando para se tornarem parte estratégica na composição de portfólios institucionais e de pessoas físicas para além de um investimento alternativo.

Qual é o risco de não investir em criptomoedas?

No evento do ETF Day, ao explicar o risco de não investir nos ativos digitais, Cestari faz uma comparação de valores de mercado aproximados:

  • Ouro: US$ 30 a US$ 32 trilhões em market cap;
  • Mercado cripto (incluindo BTC): US$ 2,5 trilhões;
  • Bitcoin: US$ 1,5 trilhão;

Diante dessa disparidade, Cestari avalia que o que move os investidores desse mercado diz respeito a uma opinião que já foi dita até pelo CEO da BlackRock, Larry Fink: o bitcoin pode chegar à marca do market cap do ouro, saindo de US$ 1,5 trilhão para US$ 30 trilhões.

“Óbvio que para isso acontecer, é preciso um mercado mais maduro, com mais regulamentação, criando regras e plataformas institucionais que caminhem para que o bitcoin se torne uma classe de ativo como as outras”, explica o especialista.

BTC deve ganhar mais protagonismo nas carteiras institucionais

Diante deste cenário, Cestari e Parizotto reforçam como é um risco não ter BTC na carteira. Para os especialistas, diversos ativos digitais estão no rumo de deixar a posição de investimentos alternativos e ganhar espaço como parte estratégica na composição de portfólios.

Um dos argumentos para isso é que o dólar vem perdendo sua posição de segundo protagonista nas reservas de valor mundial. “Não queremos dizer que o dólar vai acabar, mas a moeda vem sendo usada como arma política para sancionar alguns países e isso coloca a confiança em xeque”, disse o especialista.

Nessas circunstâncias, Cestari aponta que o bitcoin tem propriedades parecidas com o ouro que podem posicioná-lo como uma alternativa de reserva de valor. Na verdade, segundo o especialista, não investir em bitcoin no momento implica o risco de perda da “maior assimetria da década”.

Além disso, durante o evento ele também citou uma pesquisa da BlackRock que apontou que alocar parte da carteira em criptomoedas pode aumentar a eficiência dos portfólios, com maior Sharpe (relação de risco e retorno de um investimento) e menor volatilidade e drawdown (máxima perda que se pode ter com um investimento).

Ademais, a respeito das vias de institucionalização, o especialista também reforçou um potencial significativo neste sentido. Como exemplo, ele citou a entrada por meio da criação de ETFs (fundos negociados em bolsa, em tradução direta), tesourarias de bitcoin dentro das empresas e por meio de grandes nações adotando o ativo como parte do tesouro. O avanço dessas medidas, em sua visão, são vias da consolidação da posição do bitcoin como ouro digital.

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Alívio externo e queda dos juros impulsionam Ibovespa; bancos e metais lideram ganhos

30 de Abril de 2026, 15:13

No exterior, os mercados operam em tom mais construtivo nesta quinta-feira (30), favorecidos pela acomodação dos preços do petróleo, que recuam ao redor de 3%, após a recente escalada e pela ausência de novos catalisadores que elevem as tensões geopolíticas.

A agenda macroeconômica americana também esteve no radar: o índice de preços ao consumidor (PCE) de março mostrou aceleração da inflação cheia, puxada por combustíveis, enquanto o núcleo perdeu fôlego na margem, permanecendo dentro do esperado.

Já o PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 2% no primeiro trimestre, abaixo das projeções, mas sinalizando uma economia ainda resiliente, sustentada por investimentos e consumo de serviços.

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Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de juros estáveis no curto prazo e limita movimentos mais bruscos nos Treasuries, títulos do Tesouro americano, e no dólar, permitindo avanço das bolsas globais.

No Brasil, o ambiente externo mais benigno se soma ao recuo das taxas de juros futuros, mesmo após o tom mais cauteloso adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A leitura de que o ciclo de flexibilização monetária segue aberto — ainda que dependente da evolução do cenário internacional — sustenta o desempenho dos ativos locais.

Por volta das 15h, o Ibovespa avançava 1,39%, aos 187.318 pontos, impulsionado por ações de bancos e empresas ligadas a commodities metálicas. No câmbio, o dólar operava praticamente estável frente ao real (-0,02%), cotado a R$ 4,98, refletindo forças técnicas associadas à Ptax e o suporte do diferencial de juros doméstico.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, o movimento positivo é majoritário, com destaque para o setor financeiro, beneficiado tanto pelo ajuste de carteiras de fim de mês quanto pelo alívio observado nos juros futuros. Na ponta oposta, a Suzano (SUZB3) registra desempenho inferior após a divulgação de um resultado trimestral mais fraco, pressionado pelo desempenho da celulose.

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Já empresas de mineração e siderurgia ensaiam recuperação após as perdas recentes, acompanhando a melhora dos preços internacionais. Movimentos pontuais em petroquímicas e companhias industriais refletem fatores corporativos específicos e revisões de expectativas sobre gestão e resultados.

Bolsa de crocodilo? Luxo, agora, é o couro de dinossauro T. rex

11 de Abril de 2026, 09:07

No universo da moda de altíssimo luxo não existe pele mais preciosa e mais exclusiva do que a de crocodilo. É nesse território que marcas como Hermès constroem algumas das bolsas mais desejadas (raras e caras) do planeta. Uma Birkin em Crocodylus niloticus ou em Crocodylus porosus, por exemplo, pode custar de US$ 45 mil […]

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O próximo desafio da construtora que entregou a “obra eterna” da Linha 17-Ouro do metrô

10 de Abril de 2026, 16:45

A Agis Construtora resolveu um problema de mobilidade urbana de mais de uma década em São Paulo: o fim da obra da Linha 17-Ouro, que faz conexão com o aeroporto de Congonhas. O primeiro prazo da obra era para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. A construtora, que pertence ao empresário Eduardo […]

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Ouro fecha mais um dia em queda em meio a conflito no Oriente Médio e posições de BCs

24 de Março de 2026, 16:30

O contrato futuro do ouro fechou queda nesta terça-feira (24), estendendo perdas após encerrar a última sessão em baixa de quase 4%, à medida que os investidores monitoram desdobramentos do conflito no Oriente Médio, bem como a veracidade do diálogo entre os EUA e o Irã para encerrar as hostilidades.

O mercado também acompanha a compra do metal precioso por bancos centrais e sinalizações sobre a trajetória de juros dos principais BCs do mundo.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, o ouro para abril encerrou em queda de 0,12%, a US$ 4.402,00 por onça-troy. Já a prata para maio teve alta de 0,31%, a US$ 69,569 por onça-troy.

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O Irã lançou novas séries de mísseis contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico hoje, um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer que as partes estavam envolvidas em um diálogo que poderia encerrar as tensões no Oriente Médio.

Diante do ambiente de elevada incerteza e dos riscos geopolíticos, o chefe global de bancos centrais do Conselho Mundial do Ouro (WGC), Shaokai Fan, afirmou que o papel do ouro como proteção deve incentivar os bancos centrais que estiveram ausentes do mercado a comprar o metal precioso este ano.

Ainda no noticiário do metal precioso, fontes disseram à Bloomberg que o banco central da Turquia prepara um conjunto de ferramentas para defender a lira da volatilidade cambial decorrente a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que inclui a possibilidade de utilizar suas vastas reservas de ouro.

Para o Saxo Bank, o impasse geopolítico segue desencadeando um amplo choque macroeconômico nos mercados globais, forçando os investidores a reavaliar simultaneamente a inflação, as taxas de juros, o crescimento e as condições de liquidez, o que tem pressionado o ouro, no geral.

“O ouro está sendo vendido porque continua sendo um dos poucos ativos líquidos que ainda apresentam ganhos no último ano”, pondera.

*Com informações da Dow Jones Newswires

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Ouro fecha queda com continuidade do conflito no Irã em foco

24 de Março de 2026, 15:29

O contrato futuro do ouro fechou queda nesta terça-feira (24), estendendo perdas da véspera, à medida que os investidores monitoram desdobramentos do conflito no Oriente Médio, bem como a veracidade do diálogo entre os EUA e o Irã para encerrar as hostilidades.

O mercado também acompanha a compra do metal precioso por bancos centrais e sinalizações sobre a trajetória de juros dos principais Bancos Centrais do mundo.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em queda de 0,12%, a US$ 4.402,00 por onça-troy.

Já a prata para maio teve alta de 0,31%, a US$ 69,569 por onça-troy.



Intensificação do conflito no Irã

O Irã lançou novas séries de mísseis contra Israel e países árabes do Golfo Pérsico nesta terça, um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer que as partes estavam envolvidas em um diálogo que poderia encerrar as tensões no Oriente Médio.

Diante do ambiente de elevada incerteza e dos riscos geopolíticos, o chefe global de bancos centrais do Conselho Mundial do Ouro (WGC), Shaokai Fan, afirmou que o papel do ouro como proteção deve incentivar os bancos centrais que estiveram ausentes do mercado a comprar o metal precioso este ano.

Ainda no noticiário do metal precioso, fontes disseram à Bloomberg que o banco central da Turquia prepara um conjunto de ferramentas para defender a lira da volatilidade cambial decorrente a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que inclui a possibilidade de utilizar suas vastas reservas de ouro.

Para o Saxo Bank, o impasse geopolítico segue desencadeando um amplo choque macroeconômico nos mercados globais, forçando os investidores a reavaliar simultaneamente a inflação, as taxas de juros, o crescimento e as condições de liquidez, o que tem pressionado o ouro, no geral. “O ouro está sendo vendido porque continua sendo um dos poucos ativos líquidos que ainda apresentam ganhos no último ano”, afirma.

Guerra do Irã estressa os mercados; Ibovespa em dólar cai hoje (23)

23 de Março de 2026, 07:12

 Os mercados globais operam em queda nesta segunda-feira (23), pressionados pela escalada das tensões entre Irã e os Estados Unidos, em meio à troca de ameaças entre Teerã e o presidente Donald Trump.

O conflito na região entra em sua quarta semana em um cenário considerado crítico, à beira de uma escalada mais intensa. Durante o fim de semana, a crise se intensificou: no sábado, o presidente norte-americano declarou que, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por 48 horas, poderá ordenar ataques à infraestrutura energética iraniana.

Em resposta, Teerã lançou novos ataques, após prometer retaliação às ameaças de Washington, elevando ainda mais o nível de tensão entre as duas potências.

No mercado de commodities, os preços do petróleo seguem em alta, refletindo o risco de interrupções no fornecimento global. O movimento intensifica preocupações com um possível efeito cascata sobre a inflação global.

Mercado brasileiro

 Por aqui, os investidores aguardam a divulgação do Relatório Focus, o primeiro após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom na última reunião. Na temporada de balanços do quarto trimestre, o destaque vai para os dados da Movida (MOVI3).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3092, com alta de 1,79%. Apesar da forte valorização de hoje, o dólar acumulou queda de 0,13% ante o real na semana.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — sobe 0,05% no pré-market, cotado a US$ 36,52.

Mercados internacionais

 Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa. Na Europa, os principais índices também operam no negativo, enquanto os futuros de Nova York indicam abertura em queda.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam.
  • Criptomoedas: O mercado cripto está em baixa. O bitcoin (BTC) cai 0,6%, negociado em torno de US$ 68 mil. O ethereum (ETH) recua 1,9%, cotado a US$ 2 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 7h – Zona do euro – Balança comercial

Lula

  • O presidente não tem compromissos agendados para hoje

Dario Durigan

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 11h – ​Reunião com Luiz Antonio Guariente, Auditor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil)
  • 15h30 – ​Reunião com Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (PSB/DF)

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -3,68%
  • Hong Kong/Hang Seng: -3,54%
  • China/Xangai: -3,63%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: -2,13%
  • Frankfurt/DAX: -2,06%
  • Paris/CAC 40: -1,91%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,70%
  • S&P 500: -0,63%
  • Dow Jones: -0,49%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +2,33%, a US$ 108,87 barril
  • Petróleo/WTI: +1,18%, a US$ 99,37 barril
  • Ouro:  -6,92%, a US$ 4.292,90 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): -0,6%, a US$ 68.309,24
  • Ethereum (ETH): -1,9%, a US$ 2.044,57

Choque inflacionário pode mudar planos do Copom; Ibovespa em dólar cai hoje (17)

17 de Março de 2026, 07:25

Nesta terça-feira (17), o Banco Central inicia o primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em um cenário de tensão geopolítica, disparada dos preços do petróleo e riscos de choque inflacionário, fatores que podem alterar os planos para a Selic.

A autoridade monetária já havia sinalizado que estava pronta para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em março. No entanto, a guerra no Irã tem levado o mercado a revisar o ritmo dos cortes: nos últimos dias, expectativas de redução de 0,50 ponto percentual deram lugar a projeções de 0,25 pp.

O mercado de opções do Copom, medido pela B3, reflete essa mudança, com o corte de 0,25 pp ganhando força, mas com a possibilidade de manutenção da taxa básica de juros entrando no radar dos investidores.

Mercado brasileiro

No cenário corporativo, serão divulgados os balanços do quarto trimestre de 2025 da EcoRodovias e da Taesa. Além disso, investidores repercutem o pagamento de R$ 583,6 milhões em juros sobre capital próprio da Sabesp (SBSP3) e de R$ 1,3 bilhão da Itaúsa (ITSA4).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2298, com queda de 1,63%.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — cai 0,19% no pré-market, cotado a US$ 36,46.

Mercados internacionais

Lá fora, o mercado acompanha de perto o desenrolar da guerra e a alta dos preços do petróleo. Entre as notícias corporativas, Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, projeta uma receita de US$ 1 trilhão com chips de inteligência artificial entre 2025 e 2027.

Nos mercados asiáticos, as bolsas fecharam mistas. Na Europa, os principais índices operam em alta, enquanto os futuros de Nova York apontam para uma abertura negativa.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam, com o tipo Brent no patamar de US$ 100 o barril.
  • Criptomoedas: O mercado cripto avança. O bitcoin (BTC) sobe 1,4%, negociado em torno de US$ 74 mil. O ethereum (ETH) avança 3,1%, cotado a US$ 2,3 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 08h – Brasil – IGP-10
  • 11h – EUA – Vendas pendentes de imóveis

Lula

  • 09h – Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
  • 11h – Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck
  • 15h30 – Encontro com o atleta Cristian Ribera, medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, e delegação
  • 16h30 – Ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira
  • 17h30 – Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Vice-Presidente da República Geraldo Alckmin

Fernando Haddad

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 10h – ​Participa da primeira sessão da Reunião do Copom – Análise de Conjuntura
  • 14h – ​Participa da primeira sessão da Reunião do Copom – Análise de Conjuntura

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -0,22%
  • Hong Kong/Hang Seng: +0,13%
  • China/Xangai: -0,85%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: +0,48%
  • Frankfurt/DAX: -0,04%
  • Paris/CAC 40: +0,48%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,19%
  • S&P 500: -0,13%
  • Dow Jones: -0,03%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +3,31%, a US$ 103,50 barril
  • Petróleo/WTI: +3,89%, a US$ 96,07 barril
  • Ouro:  +0,20%, a US$ 5.011,44 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): +1,4%, a US$ 74.293,46
  • Ethereum (ETH): +3,1%, a US$ 2.325,04

Ouro cai 1% com dólar forte e escalada das tensões no Irã

11 de Março de 2026, 16:03

O ouro, considerado um dos ativos mais seguros do mundo, encerrou a sessão desta quarta-feira (11) em forte queda, em meio a escalada das tensões no Irã e fortalecimento do dólar.

O contrato mais líquido do ouro, com vencimento em abril, fechou com recuo de 1,20%, a US$ 5.179,10 por onça-troy na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.



O que mexeu com o ouro?

Os investidores continuaram a monitorar a guerra no Irã e as possíveis consequências do conflito na inflação e trajetória dos juros dos Estados Unidos.

Hoje, o presidente norte-americano Donald Trump voltou a dizer que a guerra no Oriente Médio deve ser encerrada “em breve”, já que não há mais estruturas a serem atacadas.

O Irã, porém, intensificou a sua ofensiva. Durante a madrugada, o comando militar iraniano atacou mais três navios no Golfo Pérsico bloqueado, enquanto Teerã disparou contra Israel e alvos em toda a região. O país também disse que o mundo deveria estar preparado para que o petróleo atinja US$ 200 por barril.

O mercado acompanhou novos dados econômicos. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês de fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho do país.

inflação norte-americana no acumulado dos últimos 12 meses soma 2,4%. Com isso, os preços ainda estão acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed).

Apesar de ser considerada a referência inflacionária pelo Fed, o mercado consolidou a aposta de corte nos juros pelo Fed a partir de julho. Para a próxima decisão de política monetária, que acontece na semana que vem, há 99,3% de chance de o BC manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.

*Com informações de Estadão Conteúdo

Dólar, ouro ou petróleo: qual ativo oferece uma proteção mais eficiente hoje? Veja a opinião de 30 gestoras

11 de Março de 2026, 14:50

A intensificação dos conflitos no Oriente Médio já repercute em alguns estudos do mercado financeiro. Enquanto Estados Unidos, Israel e Irã aprofundam uma guerra ainda sem fim previsto, a produção de petróleo mundial é pressionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Assim, gestores começam a antecipar seus próximos movimentos.

Em uma pesquisa realizada com cerca de 30 gestoras de multimercados que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido, a equipe da série Os Melhores Fundos de Investimento, da Empiricus Research, constatou que há um ativo de proteção preferido pelas casas.

Segundo os gestores, entre os ativos avaliados para uma proteção mais eficiente em um portfólio global diversificado, o dólar americano lidera com 41% das respostas. “A moeda reforça o seu papel como principal ativo de liquidez em momentos de aversão a risco”, comenta Alexandre Alvarenga, um dos analistas da série.

Na sequência petróleo e ouro empatam com 18%, refletindo a percepção de que choques na região tendem a impactar o mercado de energia e aumentar a demanda por ativos tradicionais de proteção, segundo o analista.

Ademais, 73% das gestoras também apontam que as decisões de posicionamento atual estão embasadas de forma tática e temporária. Já os outros 27%, enxergam o movimento dentro de uma mudança mais estrutural de regime.

Juros no Brasil e EUA devem mudar de rota com pressão sobre o petróleo?

Alvarenga salienta que as expectativas das gestoras seguem indicando uma trajetória gradual de queda de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, pelos próximos anos. Nos EUA, as projeções apontam taxas ligeiramente abaixo das estimativas do próprio Federal Reserve, com mediana estável em 3%.

Embora nesta semana as projeções do Boletim Focus, sugiram um ciclo de corte de juros menor, “o cenário sugerido pelas gestoras aponta para queda gradual da taxa nos próximos anos, com estabilização em patamar ainda elevado no horizonte mais longo”, comenta Alvarenga.

  • Contextualizando: A taxa Selic reside em 15,00% a.a atualmente e a projeção atual do Focus é que ela consiga regressar a um patamar de 12,13% ao ano.

Enquanto isso, a expectativa das gestoras para a taxa de juros no Brasil indica uma mediana de 12,00% em 2026. Para 2027 e 2028, as estimativas dos especialistas permanecem estáveis em 10,00%.

Já nos EUA, a taxa de juros atualmente está em torno de 3,75% ao ano. As gestoras enxergam um leve ajuste para baixo no curto prazo, com a mediana das projeções para 2026 recuando de 3,5% para 3,0% – valor abaixo da estimativa mais recente do Federal Reserve (3,6%).

Diante de conflitos no Oriente Médio, apetite por risco evaporou?

A pesquisa mostrou que o viés permanece favorável para bolsas fora dos EUA, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, ainda que com um posicionamento equilibrado considerando uma dinâmica de risco.

Alvarenga observa que há um aumento gradual do orçamento de risco. Assim, a maior parte das gestoras têm deixado uma fatia de 25% a 50% investida em ativos mais arriscados.

Em relação ao mês anterior, entretanto, nota-se um crescimento das estratégias que alocam 75% a 100% nesses ativos, indicando maior apetite ao risco.

Para os próximos seis meses, predomina a expectativa de aumento adicional do risco, seguida das visões de estabilidade. A possibilidade de redução permanece minoritária, ainda que tenha ganhado força se comparada ao mês anterior.

Acompanhe a pesquisa mensal completa no relatório da equipe de Os Melhores Fundos de Investimentos aqui.

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O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

7 de Março de 2026, 12:12

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

Riscos geopolíticos e incertezas sobre o Fed impulsionam ouro à melhor semana desde 2020

23 de Janeiro de 2026, 15:43

O ouro caminha para sua melhor semana em seis anos, com o rali impulsionado por riscos geopolíticos e ameaças renovadas à independência do Federal Reserve.

O metal precioso se estabilizou após disparar para um recorde acima de US$ 4.967 a onça nesta sexta-feira, e estava a caminho de um ganho semanal de mais de 7%, o desempenho mais forte desde março de 2020. A prata subiu para uma máxima histórica, pouco abaixo de US$ 100 a onça, enquanto a platina também atingiu um recorde. Um importante indicador da moeda americana também está no rumo para sua pior semana em sete meses, tornando os metais preciosos mais baratos para a maioria dos compradores.

“O ouro está passando por uma reavaliação sustentada à medida que fissuras aparecem na ordem baseada em regras do pós-Segunda Guerra Mundial”, disse Yuxuan Tang, chefe de estratégia macro para a Ásia do JPMorgan Private Bank. “Os investidores veem cada vez mais o ouro como uma proteção confiável contra esses riscos de mudança de regime difíceis de quantificar.”

Após registrar o melhor desempenho anual desde 1979, o ouro estendeu um rali vertiginoso, e ganhou mais 14% neste ano. Os ataques renovados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Federal Reserve, juntamente com a intervenção militar na Venezuela e as ameaças de anexação da Groenlândia, adicionaram ímpeto ao chamado trade de desvalorização, no qual os investidores recuam de títulos soberanos e moedas em favor de ativos de refúgio alternativos, como o ouro.

“A busca por um refúgio seguro continua sendo o fator mais importante”, escreveram analistas do Commerzbank em nota nesta sexta-feira: “No curto prazo, entretanto, o rali pode dar uma pausa, já que a disputa pela Groenlândia parece ter sido resolvida por ora.”

O banco central da Polônia, o maior comprador de ouro do mundo, nesta semana aprovou planos para adquirir mais 150 toneladas, conforme se prepara para uma elevada instabilidade geopolítica. Enquanto isso, as participações da Índia em Treasuries dos EUA caíram para uma mínima de cinco anos, à medida que o ouro e outras alternativas conquistam uma fatia maior, refletindo uma guinada mais ampla de algumas das grandes economias para fora do maior mercado de títulos de dívida do mundo.

Escolha de Trump

Os investidores agora aguardam a escolha de Trump para o próximo presidente do Federal Reserve, depois que o presidente americano disse que havia concluído as entrevistas com os candidatos e ter reiterado que já tinha alguém em mente. Uma nomeação mais dovish reforçaria as expectativas de novos cortes na taxa de juros neste ano — o que normalmente favorece o ouro, sem rendimento — após três reduções consecutivas.

Os investidores também estão acompanhando de perto o resultado das negociações entre o presidente russo, Vladimir Putin, e os enviados dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, sobre uma proposta de plano de paz para encerrar a guerra na Ucrânia.

A prata, embalada pelo rali do ouro, mais que triplicou no último ano. O metal também foi impulsionado por um histórico aperto no mercado e por uma disparada nas compras de varejo que deixou bancos e refinarias correndo para atender à demanda sem precedentes.

A confusão em torno de uma atualização de política chinesa sobre licenças de exportação alimentou ainda mais a percepção de escassez, enquanto o mercado permanece excepcionalmente volátil, mesmo depois de os EUA terem deixado de impor tarifas amplas de importação sobre minerais críticos, incluindo prata e platina.

Depois de bater recorde, ouro tem maior queda em quatro anos

21 de Outubro de 2025, 10:44

O ouro teve a maior queda em quatro anos, após semanas de alta.

O ouro em barra caiu 3,8%, após atingir um novo pico de US$ 4.381,52 a onça na segunda-feira (20).

A demanda por metais preciosos, como o ouro, esfriou um pouco, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, devem se reunir em breve para resolver suas diferenças comerciais, e uma onda sazonal de compras na Índia chegou ao fim.

O fortalecimento do dólar encareceu boa parte dos metais preciosos.

“Os traders têm se preocupado cada vez mais com correção e consolidação”, disse Ole Hansen, estrategista de commodities do Saxo Bank AS. “É durante as correções que a verdadeira força do mercado é revelada, e desta vez não deve ser diferente, com uma oferta subjacente provavelmente mantendo qualquer recuo limitado.”

Com a paralisação do governo americano em curso, os traders de commodities também ficaram sem uma de suas ferramentas mais valiosas: o relatório semanal da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (Commodity Futures Trading Commission), que indica como os fundos de hedge estão posicionados nos contratos futuros de ouro e prata nos EUA.

Sem os dados, os especuladores podem estar mais propensos a construir posições anormalmente grandes de uma forma ou de outra.

“A ausência de dados de posicionamento ocorre em um momento delicado, com um potencial acúmulo de exposição especulativa comprada em ambos os metais, tornando-os mais vulneráveis ​​à correção”, disse Hansen.

A volatilidade dos metais preciosos aumentou nos últimos dias, com os traders buscando se proteger contra potenciais quedas de preços em outras partes de suas carteiras ou lucrar com a queda. Mais de 2 milhões de contratos de opções vinculados ao maior fundo negociado em bolsa lastreado em ouro do mundo foram negociados na quinta e sexta-feira da semana passada, superando um recorde anterior.

Queda da prata

A prata também despencou após uma alta de quase 80% neste ano — com ganhos impulsionados por alguns dos mesmos fatores macroeconômicos que sustentam o ouro, além de uma pressão histórica no mercado londrino.

Os preços de referência estão sendo negociados acima dos futuros de Nova York, o que levou os investidores a enviar o metal para a capital do Reino Unido para aliviar a pressão. Na terça-feira, a prata em cofres vinculados à Bolsa de Futuros de Xangai registrou a maior saída de prata em um único dia desde fevereiro, enquanto os estoques de Nova York também caíram.

O ouro caiu 3,4%, para US$ 4.208,73 a onça, às 14h21 em Londres. A prata caiu 5,1%, para US$ 49,78 a onça, após despencar até 6,2%.

Mania, pânico, esgotamento. Como o mercado da prata entrou em colapso

19 de Outubro de 2025, 06:00

Por meses, Vipin Raina vinha se preparando para uma disparada nas compras de clientes indianos carregando prata para homenagear a deusa hindu da riqueza.

Mas, quando aconteceu, ele ainda ficou atônito. No início da semana passada, sua empresa, a maior refinaria de metais preciosos da Índia, ficou sem estoque de prata pela primeira vez na sua história.

“A maioria das pessoas que trabalham com prata e moedas de prata está literalmente sem estoque porque não há prata”, disse Raina, chefe de negociação da MMTC-Pamp India Pvt. “Esse tipo de mercado maluco — em que as pessoas compram a esses níveis — eu não vi em 27 anos de carreira.”

Em poucos dias, a escassez era sentida não apenas na Índia, mas no mundo todo. Aos compradores de festivais na Índia somaram-se investidores internacionais e fundos hedge entrando em metais preciosos como aposta na fragilidade do dólar — ou simplesmente seguindo a irreprimível disparada do mercado.

Clientes compram joias de prata em uma loja em Mumbai, em 17 de outubro. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg
Clientes compram joias de prata em uma loja em Mumbai, em 17 de outubro. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg

Ao fim da semana passada, a febre já havia se espalhado para o mercado de prata de Londres, onde se formam os preços globais e onde os maiores bancos do mundo compram e vendem em grandes volumes. Agora, faltava de metal disponível. Traders descrevem um mercado em colapso, em que até grandes bancos recuaram de fornecer cotações enquanto atendiam ligações repetidas de clientes gritando de frustração e exaustão.

Os preços continuaram escalando na semana seguinte e, na sexta-feira, atingiram máximas históricas acima de US$ 54 por onça, antes de despencarem subitamente até 6,7%. Para traders exaustos, a queda era apenas a indicação mais recente do estresse extremo sentido no mercado de prata — a pior crise desde que os irmãos Hunt tentaram dominar o mercado 45 anos atrás.

Este relato de como o mercado da prata “quebrou” baseia-se em conversas com mais de duas dezenas de traders, banqueiros, refinadores, investidores e outros participantes, muitos dos quais falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a falar publicamente.

É a história de como uma tempestade perfeita de eventos coincidiu para drenar o colchão de estoques do mercado de prata — incluindo um boom plurianual de energia solar, uma corrida para enviar metal aos EUA para se antecipar a possíveis tarifas, uma onda de investimento em metais preciosos como parte da chamada “aposta na desvalorização” (debasement trade) e um súbito pico de demanda vindo da Índia.

Relação de 100 para 1 com o ouro

Quando traders e analistas tentam apontar a causa imediata da crise da prata em 2025, invariavelmente miram a Índia.

Durante a temporada do Diwali, centenas de milhões de devotos compram bilhões de rúpias em joias para celebrar a deusa Lakshmi. As refinarias da Ásia costumam atender a essa demanda, que tipicamente favorece o ouro. Mas, neste ano, muitos indianos recorreram a um metal precioso diferente: a prata.

A virada não foi aleatória. Por meses, influenciadores das redes sociais da Índia promoveram a ideia de que, após a alta recorde do ouro, a prata seria a próxima a disparar. O burburinho começou em abril, quando o banqueiro de investimentos e criador de conteúdo Sarthak Ahuja disse a seus quase 3 milhões de seguidores que a relação de preço de 100 para 1 entre prata e ouro fazia da prata a compra óbvia do ano.

Seu vídeo viralizou durante o Akshaya Tritiya, dia auspicioso para comprar ouro — atrás apenas do festival Dhanteras, em 18 de outubro.

“Nunca foi assim antes. A demanda por prata desta vez foi gigantesca”, disse Amit Mittal, gerente-geral da M.D. Overseas Bullion, negociante de ouro e prata em Nova Délhi.

Os prêmios da prata na Índia em relação aos preços globais — normalmente de alguns centavos por onça — começaram a subir acima de US$ 0,50 e depois acima de US$ 1, à medida que a oferta rareava.

E, justamente quando a demanda indiana disparava, a China — uma fonte-chave de oferta — fechou por um feriado de uma semana. Assim, os negociantes de ouro recorreram a Londres.

Produtos de prata em uma joalheria em Mumbai. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg
Produtos de prata em uma joalheria em Mumbai. Foto: Dhiraj Singh/Bloomberg

Logo descobriram que os cofres de metais preciosos da cidade estavam em grande parte esgotados. Embora os cofres que sustentam o mercado global em Londres guardem mais de US$ 36 bilhões em prata, a maior parte pertencia a investidores em ETFs.

A demanda por ETFs de prata disparou nos últimos meses, em meio a preocupações com a estabilidade do dólar, numa onda de investimento que ficou conhecida como “debasement trade”. Desde o início de 2025, investidores em ETFs aspiraram mais de 100 milhões de onças de prata, segundo dados compilados pela Bloomberg — deixando um estoque minguante disponível para atender o súbito boom de demanda indiana.

Cerca de duas semanas atrás, o JPMorgan Chase & Co. — o maior negociador de metais preciosos e fornecedor importante de ouro e prata para o mercado indiano — disse a ao menos um cliente que não tinha mais prata disponível para entregar à Índia no mês de outubro e que a oferta mais próxima seria em novembro. Um porta-voz do JPMorgan preferiu não comentar.

À medida que a febre de compras ganhava ritmo na Índia, Satish Dondapati mantinha um olhar atento sobre os estoques. Gestor da Kotak Asset Management, ele administra vários ETFs de metais preciosos, que precisam de prata física para lastrear as cotas quando entram novos investidores.

Dondapati observou, surpreso, os grandes negociantes que dominam o mercado indiano ficarem sem prata em seus cofres, enquanto os prêmios locais continuavam subindo acima das cotações internacionais.

A situação ficou tão grave que a Kotak decidiu suspender novas subscrições do seu fundo de prata. Fundos semelhantes administrados pela UTI Asset Management Co. e pelo State Bank of India fizeram o mesmo.

“Analistas e negociantes estavam emitindo chamadas otimistas sobre a prata na mídia indiana de um jeito que não se via há 14 anos”, disse ele. “O fator FOMO funcionou.”

Em outras partes do país, negociantes nos bazares de ouro mais movimentados de Mumbai passaram a cobrar preços bem acima dos referenciais internacionais, enquanto disputas de lances estouravam entre compradores ricos que se importavam mais com a disponibilidade do que com o preço.

Os prêmios dispararam acima de US$ 5 por onça, muito além do spread normal de alguns centavos. “Estou nesta empresa há 28 anos e nunca vi esse tipo de prêmio”, disse Mittal, da M.D. Overseas.

A relutância do JPMorgan em enviar mais prata para a Índia indicava que a pressão na oferta era global.

Em 9 de outubro, com o festival Dhanteras a apenas uma semana, o mercado de prata de Londres seria tomado pelo maior squeeze (falta de metal para entrega imediata) que qualquer um dos vários traders ouvidos pela Bloomberg havia visto em suas carreiras.

Pânico em Londres

Traders descreveram um pânico crescente à medida que a liquidez secava. O custo de tomar prata emprestada overnight disparou para taxas anualizadas de até 200%, segundo a consultoria Metals Focus. À medida que os grandes bancos que dominam o mercado londrino recuavam, os spreads de compra e venda ficaram tão amplos que quase inviabilizaram as negociações.

Um alto executivo bancário descreveu como os ânimos se exaltaram quando clientes que haviam tomado prata emprestada — geralmente empresas da cadeia física de suprimento, como refinadores e distribuidores — ligavam repetidamente para pedir o custo mais recente de rolagem do empréstimo. Quando seu banco já não conseguia oferecer um preço para rolar os empréstimos dos clientes, alguns começaram a gritar ao telefone, disse ele.

Em outro sinal da desorganização do mercado, um trader disse que os grandes bancos ofereciam cotações tão discrepantes que ele conseguiu comprar de um banco ao preço de venda dele e, simultaneamente, vender para outro ao preço de compra — lucrando na hora —, um sinal raro de disfunção em um mercado tão grande e competitivo.

“Há pouco ou quase nenhuma liquidez realmente disponível para leasing em Londres”, disse Robin Kolvenbach, co-CEO da refinadora suíça de metais preciosos Argor-Heraeus. “Basicamente paramos toda entrada de prata que não esteja contratualmente comprometida.”

Energia solar

Nos últimos cinco anos, a demanda por prata superou a oferta vinda de minas e de metal reciclado — em grande parte graças ao boom da indústria solar, que usa prata em células fotovoltaicas. Desde 2021, a demanda superou a oferta em um total de 678 milhões de onças, segundo o Silver Institute, com a demanda fotovoltaica mais que dobrando no período. Isso se compara a estoques totais em Londres de cerca de 1,1 bilhão de onças no início de 2021.

A tensão no mercado de prata vinha se acumulando desde o começo do ano, quando temores de que a prata fosse atingida pelas tarifas recíprocas do presidente Donald Trump levaram traders a tentar se antecipar a possíveis cobranças enviando mais de 200 milhões de onças de metal para armazéns em Nova York.

Além das retiradas por causa de tarifas, mais de 100 milhões de onças de prata fluíram para ETFs globais no ano até setembro, numa onda de demanda por metais preciosos que turbina uma alta que ajudou o ouro a superar US$ 4 mil por onça pela primeira vez na história.

Juntos, os dois movimentos drenaram as reservas de Londres, deixando perigosamente pouco metal disponível para sustentar as cerca de 250 milhões de onças que trocam de mãos no mercado londrino todos os dias. Com base em estimativas da Metals Focus, no início de outubro o estoque livre (não detido por ETFs) no mercado londrino havia caído para menos de 150 milhões de onças, menos do que o suficiente para sustentar um dia de negócios.

Por Sybilla Gross, Preeti Soni, Jack Ryan, Yvonne Yue Li e Jack Farchy

Foto da abertura: Getty Images

Ação em foco: Aura Minerals supera o próprio ouro e dispara na bolsa; há espaço para mais?

17 de Outubro de 2025, 17:51

O ouro não para de subir – e a Aura Minerals, mineradora canadense, também não. Desde a estreia na bolsa de Nova York, em julho deste ano, os papéis da empresa deslancharam e já sobem 49%; no Brasil, o recibo lastreado na ação (BDR), 52%. Enquanto isso, nesse mesmo período, o metal amarelo avançou 28%. Ou seja: a empresa está sob o efeito de um “combo” de fatores positivos, que vai além da valorização do ouro – e deve continuar atraindo a atenção dos investidores.

A ação da Aura é hoje um bom instrumento para o investidor tirar proveito da valorização do ouro. Mas é também um caminho de diversificação: o papel tende a ter um bom desempenho em períodos que podem ser negativos para a maioria das empresas e, portanto, pode servir de contrapeso para a carteira.

Momento dourado

Dos nove analistas que fazem o acompanhamento regular das ações da Aura, todos têm recomendação de compra para a empresa, fruto da confiança de que os resultados financeiros vão continuar fortes.

Uma das razões para esse otimismo, claro, tem a ver com o cenário favorável para o ouro. Com o ambiente geopolítico tenso e o enfraquecimento do dólar no mundo, a commodity vem ocupando o posto de “ativo de segurança”, o que explica a valorização recente. Ao que tudo indica, essa dinâmica deve prosseguir. E a Aura Minerals é uma das companhias que se beneficiam desse quadro.

Uma prévia desse desempenho já se viu na mais recente divulgação de dados operacionais da companhia: no terceiro trimestre deste ano, a Aura teve recorde de produção, com 74,2 mil onças equivalentes de ouro (GEO, em inglês). É um aumento de 16% em relação ao segundo trimestre e de 9% frente o terceiro trimestre de 2024. Números alinhados à meta da companhia de atingir uma produção entre 266 mil a 300 mil onças em 2025.

Os analistas do Itaú BBA classificaram a performance operacional como “levemente positiva”. E destacaram o retorno acima do esperado das minas de Apoena (MT) e Minosa (Honduras) e com aceleração da exploração na mina de Borborema (RN). A produção até setembro deste ano já equivale a 70% da projeção da companhia.

O ponto é que existe entre investidores a percepção de que a mineradora está bem preparada para tirar proveito desse cenário forte para a commodity. E o resultado da companhia já traz essa visão. No segundo trimestre, a mineradora reverteu o prejuízo que havia contabilizado em igual período do ano anterior e mostrou um lucro de US$ 8,1 milhões. A receita líquida, US$ 190,4 milhões, e o lucro operacional ajustado, de US$ 106 milhões, foram recordes.

“Com preços fortes do ouro e performance operacional estável, amparados por um controle forte de custos, esperamos que a Aura entregue resultados fortes no terceiro trimestre”, atestam os analistas do BTG Pactual, em relatório. A recomendação do banco para o papel negociado em NY é de compra.

O horizonte positivo para a mineradora vem também como resultado de projetos que devem acelerar os volumes produzidos. Em 2 de junho, Aura anunciou a compra da mina Serra Grande, em Goiás, por US$ 76 milhões. É uma planta que produziu perto de 80 mil onças em 2024. A nova mina e o aumento da extração em Borborema devem ter impacto total na produção da Aura em 2026, mas as expectativas devem já direcionar o interesse dos investidores ao longo dos próximos meses.

Canadá x Brasil

A Aura Minerals ainda não tem o tamanho de gigantes do setor, caso das canadenses Barrick e Agnico Eagle e da americana Newmont, mas nasce como uma importante produtora de ouro e cobre com operações nas Américas a partir da também canadense Canadian Baldwin Holdings, fundada em 1946.

Em 2006 teve o nome alterado para Aura Gold para focar exploração aurífera no Brasil e, mais tarde, foi reorganizada como Aura Minerals, após concluir em 2018 a fusão com a Rio Novo Gold (BVI). A chegada efetiva ao Brasil veio do redirecionamento estratégico de 2006, com a aquisição do complexo EPP (Ernesto/Pau-a-Pique), conjunto de minas de ouro no Mato Grosso, anunciada em 2015 e concluída em 2016, quando o novo controle acionário foi estabelecido.

O atual CEO da empresa, Rodrigo Barbosa, ocupa o cargo desde 2017. Hoje, a companhia opera com minas em Honduras e no México, além das plantas em Apoena (MT), Almas (TO) e Borborema (RN) e dos projetos de exploração em Carajás (PA) e na Colômbia.

Fundamentos para o ouro

No mercado internacional, o ouro fechou a semana com o maior ganho acumulado desde o colapso do Lehaman Brothers em setembro de 2008. Os contratos para dezembro da matéria-prima, o mais negociado no mercado, avançaram 6,75% em cinco dias. No ano, o ouro sobe 62%.

O metal vem marcando recorde após de recorde, acima de US$ 4.300 por onça, com os investidores na corrida por ativos de proteção para fugir dos impactos das tensões geopolíticas e comerciais, sobretudo com o vaivém nos atritos entre EUA e China. Um dólar mais fraco também ajuda a commodity, barateando o ouro para quem compra em outras moedas e ampliando a demanda global.

Os cortes de juros nos EUA também reduzem o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros e nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Um outro efeito que leva o ouro a perseguir novas marcas históricas são as compras pelos bancos centrais no mundo: depois de um pico histórico em 2024, as compras permanecem elevadas, com acréscimo líquido de 19 toneladas só em agosto, segundo dados compilados pelo World Gold Council a partir de relatórios ao FMI. O Banco Popular da China, por exemplo, reportou aumento de reservas por 11 meses seguidos até setembro.

Para a frente, há razões para a alta continuar, ainda que com volatilidade. Casas como HSBC e UBS apontam que o recuo dos juros reais e a provável continuidade da fraqueza do dólar mantêm o suporte ao ouro, enquanto a XP cita uma “visão construtiva” sobre os preços tanto pela continuidade das compras por bancos centrais, quanto pela “tendência contínua de desdolarização”.

Incentivo à liquidez

A Aura já era negociada em NY antes de realizar a oferta de ações (IPO, em inglês) que levantou US$ 200 milhões para o caixa, mas os papéis estavam no mercado chamado “over-the-counter” (OTC), um ambiente fora de bolsa em que empresas, sobretudo estrangeiras, podem ter seus papéis negociados sem fazer listagem tradicional. Para entrar no segmento, são precisos padrões rígidos de divulgação de informações e governança, mas a liquidez e a cobertura dos analistas são reduzidas.

Com o IPO na Nasdaq, a empresa ganhou visibilidade e aumentou a sua base de investidores. Quem apostou na empresa desde então recebeu outras boas notícias, como o pagamento de dividendos de US$ 0,33 por ação (US$ 0,11 por BDR). Para “destravar” mais valor aos papéis, a companhia também anunciou neste mês um programa de incentivo para converter BDRs (AURA33) em ações (AUGO) com isenção de taxas do banco depositário por 32 dias — medida que tende a reduzir eventuais desalinhamentos de preço entre Brasil e EUA.

Se considerado na conta o desempenho no acumulado apenas deste ano das ações da Aura, antes da migração para a bolsa de NY, o avanço é ainda mais estrondoso: AUGO subiu 230%, enquanto AURA33 teve ganho de 187%; o ouro avançou 62,5%. A diferença entre o desempenho no exterior e no mercado brasileiro tem a ver com a desvalorização do dólar frente ao real.

‘Não estou no escritório. Fui para o garimpo’: O renascimento da febre do ouro nos EUA

14 de Outubro de 2025, 06:00

Há duas semanas, Mike Hewlett encontrou ouro. Quer dizer, mais ou menos.

O soldador californiano tem muitos hobbies, incluindo snowboard, esqui e motocross. Mas com os preços do ouro atingindo recordes, ele adotou um novo compromisso na agenda: procurar ouro.

Enquanto caminhava por uma floresta na região do Monte Shasta com um detector de metais, examinando pedras e terra, sua máquina começou a apitar. Hewlett havia detectado metal enterrado em cascalho — ao desenterrá-lo, encontrou um pedaço de ouro com cerca de metade do tamanho da unha do seu mindinho.

“Eu estava pulando para todos os lados, como se fosse um desenho animado”, disse o homem de 50 anos. A pepita, que ele pesou mais tarde, não foi exatamente transformadora. “Valia US$ 175”, disse ele. “Mas, por outro lado, estava ali, à espera de ser pega.”

Em todo o país, uma corrida do ouro moderna está em andamento. Pessoas nas redes sociais brandem panelas e pepitas salpicadas de ouro enquanto exibem seus equipamentos, que vão de picaretas antigas a caixas separadoras de ouro. Outros trocam dicas e examinam mapas, determinados a descobrir quais áreas ainda podem esconder riquezas metálicas.

O sonho de encontrar uma mina-mãe pode ser improvável, mas com os preços do ouro chegando a US$ 4.000 a onça, é tentador.

“Durante todo o caminho, fico pensando que vou tirar essa maldita pepita de US$ 100.000”, disse Hewlett.

Aula para garimpar ouro

A Mina de Ouro Big Thunder, na Dakota do Sul, tem sido inundada com pedidos de consultoria, disse a coproprietária Sandi McLain.

O museu de mineração de ouro, que contém uma coleção de artefatos que datam da Corrida do Ouro de Black Hills de 1874, oferece aulas de garimpo e a oportunidade de prospectar em suas terras: quem acha, fica com ele.

As aulas já estão esgotadas. As vendas de seus baldes de 5 galões de “terra paga” — que custam US$ 55 cada e contêm terra local — aumentaram 50% em relação ao ano passado.

“As pessoas levam para casa e sentam na garagem com uma cuba do Walmart para garimpar”, disse McLain. Em seus 33 anos como proprietária do museu, ela nunca viu tanta febre.

Como nas corridas do ouro de antigamente, o caminho mais seguro para ganhar dinheiro geralmente vem da venda de equipamentos de mineração. Em uma versão mais moderna, há também o ouro nas mídias sociais: as maiores contas do YouTube dedicadas à prospecção ostentam mais de meio milhão de seguidores.

Em Sacramento, Cody Blanchard procurava ouro há vários anos no norte da Califórnia antes de abrir seu próprio negócio vendendo equipamentos e oferecendo passeios de prospecção no ano passado. Ele encontrou pessoalmente cerca de 170 gramas. Mas o negócio — um bico para o trabalhador do saneamento — provou ser mais lucrativo.

Em alguns dias, Blanchard dá uma passada rápida em um parque local com um detector de metais na esperança de encontrar joias de ouro perdidas. Mas, quando tem mais tempo, prefere mergulhar com snorkel em leitos de rios, onde escava o leito rochoso.

Ele disse que a emoção da primeira descoberta de ouro na natureza é imbatível e faz com que as pessoas voltem sempre. “É como um vício em heroína”, disse ele.

Foto: Divulgação

Muito além do ouro

Às vezes, os caçadores de ouro tropeçam em outras descobertas. Certa vez, quando Blanchard estava garimpando com amigos, eles encontraram botões antigos de uma calça jeans Levi’s que datava de meados do século XIX. Ainda havia um pouco de jeans preso.

Dois anos atrás, enquanto Chris Spangler acampava com a família no Deserto de Mojave e escavava ouro à noite, um de seus filhos olhou para cima e percebeu que estavam cercados por centenas de tarântulas. Aparentemente, elas foram atraídas pelas vibrações de seus equipamentos, incluindo uma lavadora a seco e um gerador.

“Foi meio bizarro, mas, ao mesmo tempo, algo que você nunca experimentaria de outra forma”, disse Spangler, um administrador de saúde de 39 anos da Marinha dos EUA, agora baseado em Sydney. Ele tem registrado a jornada de caça ao ouro de sua família nas redes sociais, onde tem um total de 430.000 seguidores. Sua presença nas redes sociais rendeu à família cerca de US$ 30.000, superando qualquer ouro que tenham encontrado.

Parker Schnabel tem um programa sobre extração de ouro usa boné, cavanhaque e está de camisa vermelha
Parker Schnabel tem um programa sobre extração de ouro – Foto: Divulgação

“Em muitos países, a mineração de ouro em pequena escala é um modo de vida”, disse Parker Schnabel, um minerador de ouro do Alasca que estrela a longa série “Gold Rush” da Discovery.

Em contraste, nos EUA, ele observa, regulamentações ambientais mais rígidas podem dificultar a extração de grandes quantidades. “Mas a alta dos preços do ouro está ajudando a mudar esse cálculo”, disse ele, especialmente considerando a dificuldade financeira que muitos americanos enfrentam.

“Essa é uma das coisas mais legais sobre a mineração de ouro e a razão pela qual existe um programa de TV sobre o assunto”, disse Schnabel. “Você pode ter muita sorte e encontrar quantias de dinheiro que podem mudar sua vida se encontrar o lugar certo.”

A febre do ouro traz um sintoma sério: competição. A alta dos preços atraiu mais pessoas para o evento anual de mineração Goldzilla, em um acampamento no Alabama, perto da fronteira com a Geórgia, onde tudo o que é encontrado é dividido entre a multidão. “Quanto mais pessoas participam, menos ouro você vai levar para casa”, disse Cannady. O dono do acampamento usa equipamentos de lavagem de ouro que ele mesmo construiu.

Mesmo assim, o mecânico, de 46 anos, disse que a experiência é divertida de qualquer maneira. Ele planeja participar novamente e quer transformar o ouro que coletou em anéis para sua esposa e filha.

Todos os anos, ônibus lotados de alunos do quarto ano se reúnem no Parque Histórico Estadual Marshall Gold Discovery, em Coloma, Califórnia, para aprender sobre a Corrida do Ouro no estado e experimentar a arte da garimpagem, usando água em um cocho que os funcionários do parque semeiam com flocos de ouro. Em um fim de semana, o local sediou uma encenação de uma cidade de tendas da década de 1850, com atores fantasiados.

Embora o preço do ouro tenha disparado, disse a assistente sênior do parque, Cynthia Flewelling, eles continuarão com a atividade, que custa US$ 10 por pessoa e inclui uma aula de 15 minutos e meia hora para garimpar flocos, que os participantes podem ficar com eles.

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Como 35.000 toneladas de ouro (o peso de 6.000 elefantes) aumentaram a riqueza das famílias indianas

10 de Outubro de 2025, 09:08

As famílias indianas estão testemunhando um aumento da riqueza com suas 35.000 toneladas de ouro — que pesam mais de 6.000 elefantes. Motivo? A valorização recorde do ouro.

A enorme reserva de ouro acumulada ao longo de gerações, estimada em quase US$ 3,8 trilhões, está criando um “efeito positivo de riqueza no balanço patrimonial das famílias, dada a tendência de alta dos preços do ouro”, escreveram os economistas Upasana Chachra e Bani Gambhir, do Morgan Stanley, em um relatório.

Ouro dos indianos

Para os indianos, o ouro está presente na vida cultural, religiosa e social.

As famílias acumulam ouro não apenas como forma de poupança a longo prazo ou segurança financeira em emergências, mas também como símbolo de prosperidade em rituais religiosos.

O metal é frequentemente presenteado em casamentos e festivais, fortalecendo os laços familiares e transmitindo riqueza de uma geração para a outra.

Mulher indiana coberta por ouro ri para um homem
Foto: Getty Images

A estimativa mais recente é muito superior à de um relatório do World Gold Council de julho de 2023, que estimava a coleção total de ouro das famílias indianas em cerca de 25.000 toneladas. O país do sul da Ásia é o segundo maior consumidor mundial de ouro.

O forte aumento na estimativa de riqueza em ouro ocorre em um momento em que os preços subiram mais de 50% este ano, atingindo uma máxima recorde acima de US$ 4.000 a onça, colocando-o no caminho para seu maior ganho desde 1979.

A alta está sendo impulsionada pelas compras do banco central, tensões geopolíticas e cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve dos EUA.

Na Índia, os preços locais tendem a acompanhar os movimentos globais, já que o país mais populoso do mundo importa a maior parte de suas necessidades de metal amarelo.

O Banco da Reserva da Índia (RBI) ajudou a sustentar o sentimento do mercado, comprando cerca de 75 toneladas de ouro desde 2024 e elevando seu estoque total para 880 toneladas — cerca de 14% das reservas cambiais da Índia.

O efeito riqueza relacionado ao ouro no país está ganhando um impulso extra, em meio a cortes no ciclo de taxas de juros pelo RBI e à redução dos impostos sobre o consumo pelo governo, afirma a nota.

Opinião: O que o preço do ouro está nos dizendo?

8 de Outubro de 2025, 12:12

Empresas e fortunas vão e vêm, mas o ouro sempre está conosco. Às vezes, é um ativo especulativo, um porto seguro ou uma jogada de diversificação, mas certamente vale a pena ficar de olho quando o preço do ouro sobe para US$ 4.000 a onça pela primeira vez, como aconteceu nesta semana.

O ouro é um refúgio tradicional em tempos de incerteza econômica ou inflação, e você pode ver isso acontecendo agora.

O governo dos EUA está fechado em meio a um impasse partidário, e crescem os temores de que o presidente Trump ceda em uma expansão permanente dos subsídios à saúde, que custariam US$ 450 bilhões (dinheiro que o governo não tem).

O Federal Reserve pode abandonar sua batalha contra a inflação antes que ela seja vencida.

Mais adiante, a França está ingovernável, e outras partes da Europa quase. A economia da China está vacilante, e ninguém sabe se o provável novo primeiro-ministro do Japão tem um plano para reanimar o que costumava ser uma vibrante potência industrial.

As cadeias de suprimentos globais estão no limbo em meio a diversas guerras comerciais e tarifárias.

Os riscos geopolíticos estão aumentando.

Investidores com muito dinheiro em caixa buscam segurança, ao mesmo tempo em que querem maximizar os retornos.

Apesar dos cortes de juros de curto prazo do Fed, as taxas dos títulos de longo prazo permanecem altas — possivelmente um sinal de que os mercados estão cautelosos com os riscos de inflação ou com as perspectivas incertas de crescimento econômico, ou ambos.

Mas há um crescimento em outros mercados de crédito, especialmente para formas exóticas de dívida, como títulos lastreados em financiamentos automotivos subprime.

As ações estão em avaliações recordes, graças à mania da inteligência artificial e às expectativas de maiores lucros corporativos após a recente lei tributária.

É difícil saber o quanto disso constitui uma bolha, enquanto os mercados fazem seu trabalho de canalizar capital para novas tecnologias promissoras, mas arriscadas, como a IA.

Seria útil se os investidores pudessem ponderar esses riscos em um cenário de estabilidade monetária, mas tanto o presidente Trump quanto o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, parecem ter ideias diferentes.

Por mais que discordem um do outro em palavras, na prática ambos parecem dispostos a tolerar uma inflação acima da meta declarada pelo Fed de 2%. Então, por que não comprar ouro?

Uma maneira útil de entender isso é que o valor do dólar caiu para 1/4000 de uma onça de ouro. Quaisquer que sejam as razões específicas para uma determinada variação de preço, essa queda no poder de compra não é consistente com a vitória na guerra contra a inflação que os eleitores elegeram Trump para travar.

Não interprete isso como uma previsão de pânico ou crise.

A inflação ainda pode cair, e a IA pode muito bem cumprir a promessa que os investidores acreditam ver. Em vez disso, o preço do ouro é um conselho ao Sr. Trump e ao Fed: os investidores buscam garantias sobre a inflação, o dólar e uma política econômica menos maníaca.

A alta do ouro mostra uma erosão na confiança nos bancos centrais em todo o mundo

8 de Outubro de 2025, 11:53

No sábado, o Japão ganhou uma nova primeira-ministra. Na terça-feira, o ouro ultrapassou US$ 4.000 pela primeira vez. Não foi coincidência.

Sanae Takaichi, líder do Partido Liberal Democrata do Japão, é uma figura conservadora em termos fiscais e monetários. Takaichi quer mais estímulos econômicos e que o Banco do Japão ajude, não aumentando os juros. A notícia de sua escolha derrubou o iene e elevou os rendimentos das ações e títulos japoneses.

A notícia também contribuiu para a corrida épica do ouro neste ano, com um salto adicional de 2,6% na segunda (6) e terça-feira (7).

Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão – Foto: Getty Images

Acontece que os EUA não são o único país onde dívidas públicas e políticas populistas ameaçam o valor de moedas fiduciárias como o dólar.

No mês passado, Nigel Farage, líder do partido populista Reform UK, agora à frente nas pesquisas no Reino Unido, criticou o Banco da Inglaterra por vender títulos, porque as perdas resultantes e a pressão ascendente sobre as taxas de juros estavam custando caro aos contribuintes.

O Banco Central Europeu, criado com quase total independência dos políticos, parece seguro por enquanto. Mas a pressão sobre ele também pode aumentar. A França acaba de perder seu quarto primeiro-ministro em pouco mais de um ano, em meio a um impasse sobre o controle de sua dívida. Tanto na França quanto na Alemanha, populistas que no passado defendiam o abandono do euro lideram as pesquisas.

Alta do ouro parcelada

A alta do ouro ocorreu em várias etapas. A primeira começou depois que os países ocidentais congelaram as reservas cambiais da Rússia após sua invasão em larga escala da Ucrânia em 2022. Bancos centrais e governos estrangeiros, em busca de algo que os adversários não pudessem tomar, começaram a investir em ouro.

A segunda acoonteceu em abril, com a guerra comercial do presidente Trump, que minou a confiança nos EUA como estabilizadores do sistema econômico global e o lugar preeminente do dólar nesse sistema.

A terceira veio no final de agosto, quando o Federal Reserve (Fed) sinalizou que cortaria as taxas de juros para neutralizar a fraqueza do mercado de trabalho, apesar da inflação estar acima da meta de 2%.

Dias depois, Trump, que vinha defendendo taxas de juros mais baixas durante todo o ano, buscou aumentar seu controle sobre a política monetária demitindo a governadora do Fed, Lisa Cook, por supostas declarações falsas sobre hipotecas. Ela contestou as alegações e mantém seu cargo por enquanto.

É impossível saber se o ouro está corretamente precificado a US$ 4.000 a onça.

Ken Griffin, CEO da gestora de fundos Citadel, citando a forte queda do dólar neste ano, disse no início desta semana: “Soberanos, bancos centrais e investidores individuais em todo o mundo agora dizem: ‘Agora vejo o ouro como um ativo de porto seguro, da mesma forma que o dólar costumava ser visto.'”

Ainda assim, como observou Robin Brooks, da Brookings Institution, o dólar tem se mantido estável desde agosto, sugerindo que a recente alta do ouro está relacionada à erosão da confiança em todas as moedas fiduciárias.

Embora as circunstâncias sejam diferentes em cada país, o que o Japão, os EUA e a Europa Ocidental têm em comum é a dívida.

Uma fórmula simples mostra a sustentabilidade dessa dívida.

Quando a taxa de juros média da dívida está abaixo do crescimento nominal (ou seja, sem ajuste pela inflação) do PIB, a dívida tende a cair como parcela do PIB. Quando a taxa de juros é mais alta, essa proporção tende a aumentar.

De 2008 a 2022, as dívidas nas economias desenvolvidas dispararam em resposta, primeiro à crise financeira global e, depois, à pandemia de Covid-19. Mas, como as taxas de juros estavam muito abaixo do crescimento nominal do PIB, essas dívidas eram fáceis de sustentar.

Não mais. Com o retorno da inflação, as taxas de juros estão retornando aos padrões históricos.

Em um novo relatório, o Morgan Stanley observou que, nos mercados desenvolvidos, o crescimento nominal desacelerou, o custo da dívida aumentou e os déficits se deterioraram — um triplo golpe para a sustentabilidade da dívida.

O relatório prevê que, até 2030, o custo médio do serviço da dívida será igual às taxas de crescimento. Evitar um aumento explosivo da dívida exigiria um superávit orçamentário considerável, excluindo juros — ou seja, cortes drásticos de gastos ou aumentos de impostos. Isso está se mostrando politicamente intragável.

Trump herdou um déficit orçamentário anual de cerca de 6% do PIB e uma dívida (a soma de todos os déficits ao longo do tempo) próxima de 100% do PIB, e pouco fez para mudar sua trajetória.

A receita proveniente de tarifas compensa os cortes de impostos previstos no projeto de lei fiscal dos republicanos, assinado em julho, mas pode desaparecer se a Suprema Corte decidir que algumas tarifas foram impostas ilegalmente. Enquanto isso, o governo está paralisado devido às exigências democratas de que certos subsídios à saúde sejam estendidos, às quais Trump e os republicanos parecem abertos.

Juros e dívida dos EUA

Trump acredita que existe uma maneira mais fácil de reduzir os déficits: fazer com que o Fed reduza as taxas de juros e, assim, barateie o serviço da dívida. Quando os bancos centrais mudam sua prioridade da inflação para ajudar o Tesouro, isso se chama dominância fiscal e geralmente leva à inflação.

Seth Carpenter, economista-chefe global do Morgan Stanley, disse que, embora ninguém possa ter certeza de como será o Fed após a saída do atual presidente, Jerome Powell, “Trump pode fazer algumas escolhas e deixou claro o que quer”. O Fed, disse ele, pode estar migrando para uma política monetária mais branda ao longo do tempo, o que implica um dólar mais baixo, uma inflação esperada mais alta e um ouro mais caro do que o normal.

O domínio fiscal também paira no Japão. Takaichi, a nova primeira-ministra, é uma defensora da estratégia das “três flechas” do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe para a recuperação econômica: reformas estruturais para impulsionar a competitividade e estímulos fiscais e monetários.

No ano passado, ela disse que era “estúpido” o Banco do Japão aumentar as taxas de juros. Desde então, ela suavizou um pouco o tom, reiterando que o governo deve “determinar a direção da política econômica e monetária”.

Os mercados concluíram que o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, será mais lento no aumento das taxas de juros.

O problema é que, assim como nos EUA, a inflação no Japão está notavelmente mais alta do que antes da pandemia. Acatar as exigências do governo corre o risco de levar a inflação a subir ainda mais.

Os rendimentos dos títulos japoneses de 10 anos ainda estão bastante baixos, em torno de 1,6%. Mas Brooks, da Brookings Institution, observou que os rendimentos de 30 anos subiram acentuadamente, especialmente desde a escolha de Takaichi, e isso implica que os rendimentos de 10 anos ficarão acima de 4% em 20 anos. O mesmo padrão é visível em outros países, disse ele. “O mercado está dizendo: ‘Vocês vão inflar a dívida, não agora, mas no longo prazo’”, disse Brooks.

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