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Afastado do caso Master, Toffoli vai relatar pedido de CPI contra o banco

11 de Março de 2026, 16:46
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado para relatar a ação movida pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que pede a instalação imediata de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara dos Deputados para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master e o BRB.

O pedido, feito pelo deputado e ex-governador do Distrito Federal, foi apresentado após a coleta das assinaturas necessárias e o cumprimento das formalidades exigidas para a criação da comissão na Câmara.

Rollemberg acusa o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de omissão em relação ao pedido, afirmando que não há outra CPI em andamento no momento e que a comissão para investigar o Banco Master é urgente.

Ele recorreu ao STF para garantir que a Câmara instale a CPI, já que o requerimento foi protocolado há alguns dias e, segundo o deputado, atende a todos os requisitos legais.

Sede do Banco Master em São Paulo. Foto: Reprodução

O sorteio do relator foi feito pelo sistema do STF, e o ministro Toffoli recebeu a responsabilidade de analisar o caso. Vale lembrar que, no mês passado, o magistrado havia se afastado das investigações sobre o Banco Master, após a Polícia Federal revelar que seu nome aparecia em mensagens no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco.

Além das mensagens, Toffoli voou em um jatinho particular de um advogado do Master para assistir à final da Libertadores, em novembro de 2025. Um resort pertencente a uma empresa da família de Toffoli, a Maridt Participações, também teve cotas vendidas para a R.C. Empreendimentos, que pertence a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.

A saída de Toffoli da relatoria gerou discussões na Corte, mas o STF afirmou que não havia impedimento legal para o ministro atuar no caso.

Atualmente, as investigações sobre o Banco Master estão sob a relatoria do ministro André Mendonça. A terceira fase da operação, que ocorreu na semana passada, resultou na prisão de Vorcaro e Fabiano Zettel.

Escândalo do Banco Master avança, mas CPI esbarra em ligações políticas de Vorcaro

7 de Março de 2026, 09:15
Imagem aérea mostra Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews

A revelação de mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes (STF) no dia de sua primeira prisão ampliou a pressão política para que o Congresso avance em investigações sobre o caso do Banco Master. Apesar disso, parlamentares avaliam que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica enfrenta forte resistência política.

Segundo informações divulgadas pelo O Globo, as mensagens foram encontradas no celular do empresário durante as investigações da Polícia Federal. Moraes afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas e classificou a interpretação como uma tentativa de atacar o Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares reconhecem que o caso envolve conexões políticas que dificultam o avanço das apurações. Vorcaro teria proximidade com líderes partidários e políticos influentes, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em conversas privadas como “um dos meus grandes amigos de vida”.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, falando em microfone, sério
O dono do Master, Daniel Vorcaro – Reprodução

A atual CPI do INSS, que analisa dados obtidos na quebra de sigilo do empresário, deve encerrar seus trabalhos no fim de março. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que não pretende prorrogar o prazo da comissão nem avançar rapidamente com uma nova CPI focada exclusivamente no Banco Master.

Mesmo assim, alguns parlamentares defendem aprofundar a investigação. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que os fatos revelados exigem apuração transparente, enquanto o deputado Duarte Júnior (PSB-MA) avalia levar o tema à CPI do INSS e discutir possíveis esclarecimentos sobre as relações entre o banqueiro e autoridades.

Outros requerimentos apresentados no Congresso buscam ampliar a investigação sobre o caso. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) pediu a convocação de Martha Graeff, então companheira de Vorcaro, além de solicitar esclarecimentos sobre as mensagens interceptadas pela Polícia Federal que mencionam contatos entre o empresário e integrantes do Judiciário.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é preso novamente pela PF

4 de Março de 2026, 07:19
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Investigado por fraude financeira, ele foi alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura a venda de títulos de créditos falsos da fintech.

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na última terça-feira (3) havia tirado a obrigação de Vorcaro ir à CPI do Crime Organizado no Senado. Vorcaro foi detido em sua residência na capital paulista no início da manhã e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Segundo a PF, a operação investiga a atuação de uma organização criminosa associada ao empresário. De acordo com a corporação, a ação mira a “prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A nova fase da operação também inclui o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e quinze mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além de Vorcaro, há outro alvo de prisão na capital paulista que ainda não foi localizado pelos agentes. A Justiça também determinou a aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas, contra outros investigados.

As investigações contam com apoio do Banco Central do Brasil e buscam identificar a estrutura financeira e tecnológica utilizada pelo grupo suspeito. A Polícia Federal apura indícios de manipulação de mercado, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro envolvendo operações ligadas ao Banco Master.

Sede do Banco Master em São Paulo. Foto: reprodução

Entre as medidas determinadas pelo STF está o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a até R$ 22 bilhões. A decisão tem como objetivo impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores que possam estar relacionados às práticas ilícitas sob investigação.

A nova fase da Operação Compliance Zero também investiga suspeitas de invasão de dispositivos informáticos atribuídas a integrantes da organização criminosa ligada a Vorcaro e a aliados próximos. Segundo os investigadores, essas ações podem ter sido utilizadas para intimidar adversários ou interferir em processos ligados às apurações.

Daniel Vorcaro já havia sido preso anteriormente durante a primeira fase da operação, deflagrada em novembro por decisão da Justiça Federal de Brasília. Na ocasião, ele permaneceu detido por 11 dias.

Posteriormente, a defesa do banqueiro conseguiu levar o caso ao Supremo Tribunal Federal. Sob relatoria inicial do ministro Dias Toffoli, o inquérito passou a registrar tensões entre a Polícia Federal e o STF durante o andamento das investigações.

Toffoli deixou o caso no mês passado após a PF apresentar ao Supremo um relatório contendo menções ao nome do ministro e registros de conversas atribuídas a ele com Daniel Vorcaro. Após a redistribuição do processo, o caso passou a ser conduzido por André Mendonça, que analisava o material investigativo e autorizou a deflagração desta nova fase da operação.

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