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Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS: Diferença entre Flávio e Lula em SP chama atenção pelo histórico do estado, diz cientista político Leonardo Paz

O cientista político e professor de Relações Internacionais do Ibmec Leonardo Paz analisou, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, os resultados da pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS, que mostra Flávio com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Lula.

Segundo o professor, a leitura leva em conta o histórico eleitoral paulista, onde candidatos do PT tradicionalmente enfrentam maior resistência.
“São Paulo tradicionalmente não vota muito no PT, o Lula sofre muito para pontuar lá”, disse.

Na avaliação de Paz, o fato de a distância entre os dois principais candidatos ser de apenas três pontos percentuais chama atenção justamente por esse contexto.

Leia também: DECISÃO 2026 – Flávio Bolsonaro lidera corrida presidencial em SP e aparece à frente de Lula no 2º turno, indica pesquisa AMERICAN ANALYTICS Times Brasil | CNBC

Tarcísio ainda não transfere todo o apoio para Flávio, avalia Paz

O cientista político também comparou o desempenho de Flávio Bolsonaro com a força eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado.

A pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS para o governo paulista mostra Tarcísio com 46% das intenções de voto, contra 29% de Fernando Haddad (PT).

Para Paz, a diferença entre os desempenhos sugere que o governador, apesar de ser aliado de Flávio, ainda não consegue transferir integralmente sua base eleitoral para o senador.

“O Tarcísio não está conseguindo carregar os seus votos todos para o Flávio Bolsonaro”, afirmou.

No segundo turno presidencial testado pela pesquisa, Flávio aparece com 46%, contra 41% de Lula. A vantagem numérica é de cinco pontos percentuais.

Nos demais confrontos, Lula registra 42% contra 36% de Renan Santos (Missão), 42% contra 37% de Romeu Zema (Novo) e empata em 41% com Ronaldo Caiado (PSD).

Relação com os EUA será desafio central

Além da leitura eleitoral, Paz afirmou que a relação com os Estados Unidos deve ser um dos principais desafios de política externa para quem assumir a Presidência em 2027.

“É o primeiro ponto: como é que o próximo presidente, seja Lula, seja Flávio Bolsonaro ou outro, vai lidar com os Estados Unidos”, afirmou.

O professor destacou que a relação bilateral atravessa um período de tensão e que o próximo governo terá de administrar questões comerciais, diplomáticas e políticas acumuladas nos últimos meses.

Na avaliação dele, uma eventual vitória de Lula poderia exigir uma reconstrução mais difícil do diálogo com Washington. Já uma vitória de Flávio Bolsonaro tenderia, segundo Paz, a encontrar um ambiente político mais favorável junto ao governo de Donald Trump, mas também poderia abrir discussões sobre quais concessões fariam parte de uma eventual negociação.

“Minha preocupação em relação ao Flávio é se ele vai realmente, para conseguir derrubar certas tarifas ou certas punições que o Brasil sofreu, entregar algo de fato em termos de negociação”, afirmou.

A avaliação é do cientista político e não representa uma conclusão sobre eventuais negociações futuras.

América Latina também entra no radar

Paz também apontou a América Latina como outro desafio relevante para o próximo governo.

No caso de uma reeleição de Lula, o professor destacou especialmente a relação com o presidente argentino Javier Milei, hoje marcada por divergências políticas.

Para ele, porém, interesses econômicos e comerciais podem levar a uma redução das tensões depois da eleição brasileira.

“Se o Lula ganha efetivamente, eu imagino que o Milei vai também baixar um pouco o perfil dele, até porque eventualmente ele precisa do Brasil”, disse.

Em uma eventual gestão Flávio Bolsonaro, Paz vê maior facilidade de diálogo político com governos de direita da região, mas disse não identificar, até agora, um projeto claro de integração regional associado a esse campo político.

“Eu não consigo ver, de certa maneira, nenhum grande projeto”, afirmou.

Leia também: Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS: Economia e infraestrutura serão desafios centrais do próximo governo de SP, diz economista César Bergo

Governo Lula tem 55% de desaprovação em São Paulo

A pesquisa também mostra que 55% dos entrevistados em São Paulo desaprovam o governo Lula, enquanto 35% aprovam a administração federal. Outros 10% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Na avaliação detalhada, 37% consideram o governo péssimo e 13%, ruim. Outros 20% classificam a gestão como regular, enquanto 16% avaliam como boa e 12%, ótima.

A pesquisa Times | CNBC AMERICAN ANALYTICS foi realizada entre os dias 4 e 8 de agosto de 2026 e ouviu 1.500 pessoas no estado de São Paulo. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob os números SP-03436/26 e BR-03025/26.

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Tech Check: Mudança de liderança para era da IA precisa acontecer agora, diz presidente da Korn Ferry Vinicius De Luca

A adaptação das lideranças empresariais à inteligência artificial precisa começar imediatamente para que as companhias consigam acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas até 2030. É o que afirma Vinicius De Luca, presidente da Korn Ferry para a América do Sul.

A avaliação foi feita durante estreia do Tech Check, novo programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, comandado pela jornalista Christiane Pelajo. A atração é dedicada a mostrar como a inteligência artificial e as novas tecnologias estão transformando o ambiente corporativo e os negócios.

Durante a entrevista, De Luca afirmou que as empresas precisam avançar não apenas na adoção de ferramentas de IA, mas principalmente no desenvolvimento das competências comportamentais necessárias para conduzir a transformação.

“Essa mudança do time de liderança precisa acontecer agora. Caso ela não aconteça, a gente vai ter uma outra discussão, que é como isso vai inviabilizar algumas dessas empresas dentro desse período de tempo extremamente curto”, afirmou.

Segundo o executivo, a velocidade da transformação faz com que capacidades como curiosidade, execução, inovação, adaptabilidade e aprendizado contínuo ganhem peso na seleção e no desenvolvimento de profissionais.

“O ponto principal dessa questão, para mim, é, sem dúvida nenhuma, a capacidade de aprendizado contínuo”, disse.

Leia também: ESTREIAS DE AGOSTO — Times | CNBC lança programas em seu novo estúdio de Inteligência Artificial Integrada

Quase 40% das habilidades podem ficar defasadas

O levantamento mais recente do Fórum Econômico Mundial citado durante o programa estima que 39% das habilidades utilizadas atualmente pelos profissionais podem ficar defasadas até 2030.

A pesquisa também aponta que 59 em cada 100 trabalhadores deverão precisar de treinamento ou requalificação diante das mudanças no mercado de trabalho.

Para De Luca, o cenário exige uma mudança na forma como as empresas avaliam profissionais. Experiência e histórico de carreira continuam relevantes, mas competências relacionadas à capacidade de adaptação tendem a ganhar importância.

“Hoje ainda a gente contrata muito com base na experiência, com base no histórico. Quando a gente projeta isso para 2030, tem uma questão muito importante de competências que são o cerne da discussão”, afirmou.

Entre elas, o executivo destacou curiosidade, capacidade de execução, aprendizado e inovação.

Liderança será ‘força motriz’ da transformação

De Luca afirmou que a adaptação dos funcionários dependerá diretamente da capacidade das lideranças de conduzir a mudança.

“O time de liderança é a grande força motriz dessa mudança”, disse.

Segundo ele, o desafio não se limita aos CEOs e demais integrantes da alta administração. Conselhos de administração também precisam participar da discussão sobre as mudanças provocadas pela inteligência artificial.

“Não somente em níveis de C-level ou CEOs, mas também de governança. Os conselhos das empresas também necessitam entrar nessa parte da discussão da liderança”, afirmou.

O executivo destacou ainda que mudanças tecnológicas precisam ser acompanhadas por uma transformação da cultura das organizações.

“Os líderes são os grandes embaixadores. Quando a gente trabalha com processos como esse, tem um lado principal, que é a cultura”, disse.

Empresas ainda tratam IA como problema de TI

Apesar do avanço da discussão sobre inteligência artificial, De Luca avalia que muitas empresas da América do Sul ainda não incorporaram completamente o tema às suas estratégias.

Segundo ele, a transformação está mais avançada dentro das áreas de tecnologia do que em outras estruturas das companhias.

“A gente vê o movimento, sim, de intenção de mudança. Entretanto, ainda percebe um modelo que não está tão avançado”, afirmou.

O executivo disse já ter ouvido dentro de organizações a avaliação de que a inteligência artificial seria uma responsabilidade exclusiva das equipes de tecnologia.

“Já ouvi histórias de: ‘Não, essa é uma preocupação de TI e não é preocupação nossa’. Isso, para mim, é sem dúvida nenhuma uma preocupação”, disse.

Para De Luca, a adoção da IA precisa envolver toda a organização, especialmente quem ocupa posições de liderança.

Aprender rápido será competência central

Entre as características mais importantes para profissionais e executivos, De Luca destacou o chamado learning agility, ou agilidade de aprendizado.

“Existe uma das competências que eu sempre falo, que é exatamente o learning agility, ou seja, minha capacidade e minha agilidade de aprendizado”, afirmou.

Segundo ele, o curto intervalo até 2030 torna mais urgente o investimento em desenvolvimento de pessoas, especialmente porque competências comportamentais costumam exigir mais tempo para serem consolidadas.

“A capacidade mais de comportamento, que a gente fala de competências, leva um tempo maior para se desenvolver. E, visto que a gente tem um tempo extremamente curto, esse investimento tem que ser feito agora”, disse.

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Requalificação entra na estratégia das empresas

De Luca também destacou a importância dos processos de upskilling e reskilling para preparar profissionais para novas exigências.

O upskilling envolve ampliar as competências de um profissional para que ele acompanhe a evolução de sua área, enquanto o reskilling busca desenvolver novas capacidades diante das transformações das funções e do mercado.

Para o presidente da Korn Ferry na América do Sul, essas iniciativas precisam fazer parte das prioridades estratégicas das companhias.

“É uma responsabilidade, sem dúvida nenhuma, de todos que lideram as empresas. Espero que isso esteja na agenda dos executivos e, principalmente nas empresas de capital aberto, também na agenda dos seus conselhos”, afirmou.

Na avaliação de De Luca, o diferencial dos próximos anos não estará apenas no acesso à inteligência artificial, mas na capacidade das empresas e de seus profissionais de aprender, adaptar-se e transformar a tecnologia em mudanças concretas nos negócios.

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Impasse no STF mantém socorro ao BRB travado; quatro caminhos podem definir futuro do banco

Mais de dois meses depois do acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF), o socorro de até R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB) continua sem solução definitiva.

A nova audiência conduzida nesta quinta-feira (13) pelo ministro Luiz Fux terminou sem destravar a operação. Permanecem dúvidas sobre as contas do banco, as garantias exigidas e quais instituições aceitariam assumir parte do risco.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) afirma que ainda precisa das demonstrações financeiras auditadas de 2025 e do primeiro semestre de 2026 para avaliar a situação do BRB e verificar se o valor solicitado é suficiente.

Ao mesmo tempo, o Banco do Brasil informou ao STF que nunca houve a constituição formal de um consórcio de bancos para garantir o empréstimo e que não possui mandato para assumir obrigações em nome de outras instituições.

A União também afastou a possibilidade de aval federal. Já o Ministério Público Federal afirmou que o acordo não permite obrigar o FGC a conceder assistência nem bancos a oferecer garantias.

Com essas travas ainda abertas, quatro caminhos concentram agora as discussões sobre o futuro do BRB.

1. Socorro com o FGC continua sendo o caminho principal

    A primeira alternativa continua sendo fazer funcionar a operação negociada desde maio.

    O Distrito Federal está autorizado a contratar até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC e direcionar os recursos para a capitalização do BRB. O valor representa o teto da operação de crédito discutida e não deve ser tratado como uma medida definitiva do prejuízo do banco.

    Para o financiamento avançar, porém, o FGC precisa concluir sua avaliação financeira e uma estrutura de garantias precisa ser aceita pelos participantes.

    O problema é que o grupo de bancos que vinha sendo mencionado como possível fiador sequer chegou a ser formalmente constituído.

    Em petição ao STF, o Banco do Brasil afirmou que nunca houve um consórcio de bancos e que não representa outras instituições nas negociações.

    A audiência desta quinta não descartou o financiamento. Governo do Distrito Federal e demais envolvidos continuarão negociando ajustes capazes de tornar a operação viável.

    2. Modelo das garantias pode ser redesenhado

      Outra possibilidade é modificar a própria engenharia financeira do socorro.

      O Distrito Federal já defendeu reduzir ou eliminar a dependência de bancos privados como fiadores, utilizando outras estruturas de garantia para viabilizar a contratação junto ao FGC.

      A dificuldade está em encontrar um desenho que seja juridicamente seguro e aceito pelo fundo sem transferir o risco para a União.

      A Advocacia-Geral da União reiterou nesta quinta-feira que o governo federal não dará aval à operação.

      Também há questionamentos entre as instituições financeiras sobre a segurança das contragarantias oferecidas pelo Distrito Federal, especialmente sobre a possibilidade de execução desses recursos em caso de inadimplência.

      Fux sinalizou que o STF pode contribuir para dar segurança jurídica às negociações, mas deixou claro que o Judiciário não pretende obrigar instituições a assumir compromissos financeiros.

      3. GDF pode buscar outras fontes para capitalizar o banco

      O Distrito Federal também pode recorrer a patrimônio e outras estruturas financeiras para reforçar o capital do BRB.

      O banco trabalha com um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, que pode ser realizado em etapas à medida que os recursos forem efetivamente incorporados.

      A legislação distrital permite diferentes mecanismos, incluindo utilização e venda de ativos e outras formas de monetização patrimonial.

      Essas alternativas podem complementar o empréstimo do FGC ou diminuir a necessidade de recursos da operação.

      O principal obstáculo é o tempo. Transformar ativos em dinheiro exige avaliações, estruturação e compradores, o que torna difícil substituir rapidamente uma operação de crédito bilionária.

      Caso essas medidas não sejam suficientes, soluções mais profundas, como entrada de novos investidores ou uma reorganização societária, podem ganhar espaço.

      4. Banco Central aparece no cenário mais extremo

      Se as tentativas de capitalização não forem suficientes para recompor a situação patrimonial do BRB, o caso pode avançar para medidas de responsabilidade do Banco Central.

      Antes de uma eventual retirada de uma instituição do mercado, o regulador pode determinar soluções como aporte dos controladores, transferência de controle ou reorganização societária.

      Em situações mais graves, existem regimes como intervenção, Regime de Administração Especial Temporária (Raet) e liquidação extrajudicial.

      Caso Master está na origem da crise

      A necessidade de capitalização surgiu após a exposição do BRB às operações realizadas com o Banco Master.

      O banco estatal informou ter feito cerca de R$ 30 bilhões em negócios com o Master entre 2024 e 2025. A administração estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos estejam ligados a ativos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.

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      Lobista recebeu R$ 22 mi em comissão para direcionar bilhões do Rioprevidência ao Banco Master

      Lobista apontado pela Polícia Federal (PF) como principal articulador do esquema que desviou de bilhões de reais do fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro teria recebido comissão de 0,6% sobre cada real aplicado pelo Rioprevidência no Banco Master. O percentual consta em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou a oitava fase da Operação Compliance Zero na semana passada.

      Considerando o total de R$ 3,69 bilhões aplicado pelo Rioprevidência no Master, o operador, Ricardo Siqueira Rodrigues, teria recebido comissão superior a R$ 22 milhões.

      O pagamento veio à tona a partir de uma mensagem enviada por Siqueira a Daniel Vorcaro, fundador do Master. O texto foi recuperado pela PF no celular do ex-banqueiro. “Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe q vc disponibilizou desde novembro”, escreveu Siqueira. “Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF [letra financeira] nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de um bilhão.”

      A linguagem comercial da mensagem ilustra como a captação de recursos previdenciários públicos teria sido operada como campanha de vendas, com metas, prazo e remuneração definidos.

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      Segundo a PF, Siqueira atuava identificando oportunidades junto a fundos de previdência estaduais e aproximando Vorcaro de autoridades com poder de decisão sobre as aplicações. No caso do Rioprevidência, teria dito ao banqueiro que “resolveria os trâmites internos”, pendente apenas o “alinhamento político” — expressão que, segundo os investigadores, se referia ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).

      A decisão aponta que Castro teria exercido papel politicamente relevante na viabilização dos aportes. Mendonça cita “sincronismo” entre os encontros do então governador com Vorcaro — custeados pelo banqueiro, inclusive no exterior — e os investimentos subsequentes do fundo. A investigação apura ainda se houve nomeação estratégica de dirigentes do Rioprevidência para facilitar as operações.

      Os recursos teriam sido aplicados em desacordo com as normas regulatórias e com a própria política de investimentos do fundo, segundo a decisão. O esquema incluía ainda a Planner Corretora de Valores, que teria atuado como intermediária para ampliar as taxas de corretagem e incrementar a remuneração dos operadores, e a empresa Mídias Promotora Ltda., usada para receber e distribuir os pagamentos.

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      Sabesp conclui compra de 70% da Águas de Castilho por R$ 30,7 milhões

      A Sabesp concluiu a aquisição de 70% do capital social da Águas de Castilho, empresa que atua na prestação de serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário no município de Castilho, no interior de São Paulo.

      A operação foi realizada por meio da Sabesp Participações, subsidiária da companhia, que pagou R$ 30,7 milhões à Iguá Saneamento pela fatia. Com a conclusão da compra, a Sabesp passa a deter 100% do capital social da Águas de Castilho.

      Segundo comunicado ao mercado divulgado pela companhia, foram cumpridas todas as condições precedentes previstas no contrato, incluindo a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

      Leia também: Quem é Carlos Piani, citado em representação sobre Sabesp, EMAE e Banco Master

      A Águas de Castilho opera por meio de contrato de concessão com prazo até 2041. De acordo com a Sabesp, os serviços já estão universalizados e atendem uma população de aproximadamente 21 mil habitantes.

      A receita operacional líquida da empresa no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025 foi de R$ 10,254 milhões.

      A Sabesp afirmou que a conclusão da operação faz parte de seu plano estratégico e fortalece a atuação da companhia no setor de saneamento básico no Brasil.

      A companhia também informou que a aquisição da Águas de Castilho não está sujeita à deliberação em assembleia geral e não gera direito de recesso aos acionistas.

      Leia também: Ministério Público investiga ligações entre a Equatorial e o escândalo do Banco Master na privatização da Sabesp

      Compra da Águas de Andradina ainda não foi concluída

      O contrato firmado com a Iguá também prevê a aquisição de 70% do capital social da Águas de Andradina.

      Segundo a Sabesp, o Cade já aprovou a operação envolvendo Andradina, mas a conclusão ainda depende do cumprimento das demais condições previstas no contrato.

      A companhia informou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre novos desdobramentos relacionados à compra da participação na Águas de Andradina.

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      Macron condena violência em festa do PSG após título da Champions League

      O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou neste domingo (31) os episódios de violência registrados durante as comemorações do título da Liga dos Campeões conquistado pelo Paris Saint-Germain (PSG).

      Os confrontos ocorreram no sábado (30), em Paris e em outras cidades francesas, após a vitória do clube. Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Núñez, 780 pessoas foram detidas, das quais 457 foram presas. Ao todo, 57 policiais ficaram feridos.

      Macron comentou os episódios durante a recepção aos jogadores do PSG no Palácio do Eliseu. Antes de parabenizar a equipe, o presidente francês afirmou que o governo não aceitará a repetição desse tipo de cena.

      “Não queremos mais ver isso. Acabou. Estamos fartos. Acabou”, disse Macron.

      Leia também: Copa do Mundo: Brasil enfrenta Panamá em amistoso neste domingo; veja quanto vale cada Seleção

      Violência após o título

      Macron classificou como “inaceitáveis” as cenas registradas durante a noite de sábado e a madrugada de domingo.

      “Ninguém quer que nos acostumemos com isso”, afirmou. “Isso não é futebol. Isso não é esporte. Isso não é o que amamos. Graças aos nossos policiais e gendarmes, seremos implacáveis com aqueles que foram detidos.”

      O presidente francês também agradeceu a atuação das forças de segurança e citou comerciantes e vítimas afetados pelos distúrbios.

      “Penso nos comerciantes e nas vítimas. Isso não é esporte, isso não é o futebol que amamos. Seremos inflexíveis. Chega! Estamos fartos!”, afirmou.

      Leia também: PSG vence Arsenal e conquista a Champions League; veja os maiores campeões europeus

      Macron elogia campanha do PSG

      Apesar das críticas à violência, Macron destacou a conquista do Paris Saint-Germain e elogiou jogadores e comissão técnica.

      “Parabéns à comissão técnica, a cada um dos jogadores. Este PSG é um time formidável. Sem dúvida, depois desta dobradinha: é o melhor time da Europa. Toda a França está orgulhosa. Que time incrível!”, disse o presidente francês.

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      Trump diz não ter pressa por acordo, e EUA e Irã seguem sem solução para a guerra

      Estados Unidos e Irã seguem sem acordo para encerrar a guerra, que já se arrasta pelo quarto mês, apesar das negociações para transformar o cessar-fogo em uma solução definitiva.

      O presidente americano, Donald Trump, disse no sábado (30) que não pretende apressar as conversas. Segundo ele, um acordo rápido poderia ajudar a derrubar os preços da gasolina, mas também aumentaria o risco de um pacto considerado ruim por Washington.

      Trump afirmou que exige garantias de que o Irã não terá uma arma nuclear. Ele voltou a ameaçar uma resposta militar caso as negociações fracassem.

      “Eu gostaria de dizer que estou com pressa porque os preços da gasolina vão despencar, mas, se você estiver com pressa, não vai fazer um bom acordo”, disse Trump. “E, lenta mas seguramente, estamos conseguindo, eu acho, o que queremos. E, se não conseguirmos o que queremos, vamos encerrar isso de outro jeito.”

      “Vamos fazer um grande acordo, caso contrário, vamos voltar e encerrar isso pela via militar”, afirmou.

      Leia também:

      Pressão sobre energia e inflação

      O conflito provocou turbulência nos mercados globais de energia desde o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã no início da guerra. A passagem responde por cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo e segue praticamente bloqueada.

      Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina chegou a US$ 4,34 por galão no domingo (31), segundo a AAA. A pressão sobre energia também levou a inflação ao maior nível desde maio de 2023.

      Nas negociações, Trump cobra que o Irã aceite duas condições: assumir o compromisso de nunca obter uma arma nuclear e reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz.

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      Petrobras confirma redução no preço do diesel a partir desta segunda-feira

      A Petrobras informou que aplicará, a partir de segunda-feira (1º), um desconto de R$ 0,3515 por litro no preço de venda do óleo diesel A, usado no transporte rodoviário. Com a medida, o preço médio cobrado pela estatal das distribuidoras cairá de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro.

      O desconto faz parte da subvenção econômica criada pelo governo federal.

      “Para o consumidor final, o desconto em valor equivalente ao da subvenção econômica concedida através da referida MP neutralizará a reoneração de PIS e Cofins que também ocorrerá a partir de 1.º de junho”, disse a Petrobras.

      Leia também:

      Novo auxílio ao diesel

      A Petrobras informou ainda que avalia os termos da nova subvenção anunciada pelo governo.

      Em medida provisória publicada no sábado (30), o governo criou um novo auxílio de R$ 1,12 por litro de óleo diesel para produtores e importadores do combustível.

      O novo mecanismo sucede os programas de auxílio adotados desde março, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de energia.

      “Qualquer decisão da companhia sobre esse tema será tempestivamente divulgada ao mercado nacional”, informou a Petrobras.

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      Entrelinhas de Mercado: iFood já opera como empresa de inteligência artificial, diz CEO

      O iFood já está mais próximo de ser uma empresa de inteligência artificial do que apenas uma empresa de tecnologia, afirmou Diego Barreto, CEO do iFood, no Entrelinhas de Mercado, programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC apresentado por Junior Borneli.

      Segundo Barreto, a definição de uma empresa deve considerar qual é a alavanca que orienta suas decisões, sua operação e sua geração de valor. No caso do iFood, afirmou, essa alavanca é a inteligência artificial.

      “Eu diria que a gente está mais hoje para ser já uma IA company do que uma tech company”, disse.

      O executivo afirmou que mais de 50% dos funcionários do iFood atuam em tecnologia e dados. Segundo ele, todas as áreas da companhia têm estruturas próprias de tech e data, incluindo marketing, branding e pessoas.

      Barreto disse que a empresa tem hoje mais de 150 modelos proprietários de inteligência artificial. Para ele, esses sistemas são centrais para a operação.

      “Se eu desligar os modelos, a empresa não funciona. A empresa para de uma hora para outra”, afirmou.

      Leia também: iFood anuncia R$ 17 bilhões em investimentos no Brasil até março de 2026

      Modelos próprios e crédito para restaurantes

      Barreto citou o antifraude do iFood como exemplo de modelo interno. Segundo ele, a solução é própria e supera benchmarks do mercado brasileiro.

      O CEO também destacou a fintech da companhia, o iFood Pago. Ele afirmou que a área já desembolsa R$ 100 milhões em crédito, principalmente para pequenos comerciantes que normalmente têm dificuldade de acesso a financiamento no mercado tradicional.

      “Ela tem hoje uma carteira que desembolsa R$ 100 milhões de crédito. R$ 100 milhões por um perfil que no Brasil pouquíssima gente dá dinheiro, que é o pequeno comerciante”, disse.

      Segundo Barreto, o prazo médio da carteira é de 18 meses, e a inadimplência é de 7%.

      O executivo afirmou que o diferencial do iFood está nos dados operacionais da plataforma. Segundo ele, o modelo de crédito da empresa não se baseia principalmente em receita ou lucro, mas em informações como cancelamentos, faturamento, turnos de funcionamento, comportamento de preços e correlação com inflação.

      “O meu modelo de crédito tem como maior componente questões operacionais”, afirmou.

      iFood como canal de vendas

      Barreto disse que o iFood se tornou um grande canal de vendas, especialmente para pequenos comerciantes. A plataforma tem 60 milhões de usuários, segundo o executivo.

      Para ele, o principal valor do iFood está em permitir que pequenos negócios acessem demanda sem precisar investir em tecnologia própria, marketing ou canais digitais complexos.

      “O iFood é um grande canal de vendas, uma grande ferramenta em especial para o pequeno comerciante”, afirmou.

      O CEO citou o exemplo de uma padaria que vende pizza apenas fisicamente, mas pode criar uma operação digital separada dentro da plataforma e alcançar consumidores que não associariam aquele estabelecimento a uma pizzaria.

      “Essa é a beleza. É um canhão de vendas com flexibilidade que permite as pessoas serem criativas”, disse.

      Barreto afirmou que a companhia não pretende operar lojas físicas ou estoques próprios. Segundo ele, a estratégia do iFood é entrar na rotina das pessoas por meio da conveniência regionalizada.

      “Eu não tenho a pretensão de ser a loja física, eu não tenho a pretensão de ter o meu estoque”, afirmou.

      Leia também: iFood Pago quer alcançar a marca de R$ 2,4 bilhões em crédito para restaurantes em SP

      Além da comida

      O CEO disse que o food delivery foi o ponto de partida porque é a categoria de maior frequência de consumo. A partir dela, o iFood passou a conhecer melhor os hábitos dos usuários e avançou para áreas adjacentes.

      Segundo Barreto, a empresa começou, em 2021, a desenvolver negócios em mercado, farmácia, bebidas e conveniência, além de pet shop.

      O executivo afirmou que farmácia tem maior proximidade com a estrutura logística já existente do iFood, enquanto supermercado é mais complexo por exigir operação offline e gestão de estoque mais sofisticada.

      A empresa também testa há cerca de um ano a categoria de shopping, com entrega de produtos vendidos em centros comerciais. Barreto disse que o objetivo não é competir diretamente com varejistas ou marketplaces, mas atender demandas de conveniência em prazo curto.

      “Você precisa dela nos próximos 30 minutos. É aí que eu começo a entrar nessa história”, afirmou.

      Marca, testes e cultura

      Barreto afirmou que construir uma marca querida em um negócio como o do iFood é difícil porque a experiência do consumidor depende de partes que a empresa não controla diretamente, como restaurantes e entregadores.

      “A marca não é só o que você parece ser, ela é o que você é também”, disse.

      Segundo ele, a companhia atua em uma janela curta de conveniência. Se há atraso, erro no pedido ou problema na entrega, o iFood precisa resolver em minutos.

      “Eu sou um business de conveniência. Não é que eu tenho um dia para resolver um eventual problema. Eu tenho 30 minutos de janela para resolver tudo”, afirmou.

      O CEO disse que a cultura do iFood parte do princípio de sonhar grande e testar continuamente. Segundo ele, a empresa não estrutura inovação a partir de cronogramas rígidos, mas por experimentos rápidos.

      Barreto citou a metodologia interna chamada de “jet ski”, usada para testar ideias em pequenos times antes de escalar.

      “O que é o jet ski? É quando eu te obrigo a fazer, por exemplo, em uma ou duas semanas, pequenos times, com os ativos que estão aqui para você”, disse.

      Para o executivo, a lógica de produto é diferente da lógica de projeto. Em vez de aprovar grandes planos e só depois colocá-los no mercado, a empresa testa hipóteses, aprende e escala apenas quando encontra sinais de tração.

      “Você tem um problema, não sabe qual é a solução, abre 10, 20 hipóteses, testa, aprende, testa, aprende”, afirmou.

      Leia também: EXCLUSIVO: Em Davos, iFood defende regras para plataformas e projeta novo ciclo de investimentos no Brasil

      Entregadores e impacto social

      Barreto afirmou que o iFood tem quase 400 mil entregadores e reconheceu a responsabilidade social da plataforma na geração de renda.

      Segundo ele, a empresa identificou três perfis de entregadores: os que se dedicam de forma recorrente à atividade, os que usam a plataforma para complementar renda em momentos específicos e os que trabalham temporariamente enquanto buscam outra ocupação.

      Para o primeiro grupo, disse Barreto, o foco é garantir ganho absoluto. Segundo ele, entregadores que se dedicam diariamente ao iFood recebem, líquidos das despesas com moto ou bicicleta, o equivalente a dois salários mínimos.

      “Quem se dedica aqui dentro do iFood nessa primeira categoria por dia ganha, líquido da despesa da moto ou da bicicleta, dois salários mínimos”, afirmou.

      O executivo também destacou iniciativas de educação. Segundo ele, o iFood é hoje o maior formador de ensino médio do Brasil pelo Encceja, programa voltado a pessoas que não concluíram essa etapa na idade regular.

      “Todo ano a gente forma pelo menos 5 mil entregadores aqui dentro”, disse.

      Barreto afirmou que 75% dos entregadores do iFood têm ensino médio completo. Entre os que concluem essa etapa com apoio da plataforma, quatro em cada dez vão para a faculdade, segundo ele.

      Regulação e futuro do modelo

      O CEO disse que a evolução do trabalho por aplicativo depende de um arcabouço legal mais claro. Segundo ele, a empresa vem conversando com o governo e com o Ministério do Trabalho sobre o tema.

      “A grande evolução está em a gente ter um arcabouço legal”, afirmou.

      Barreto disse que não há foco em internacionalização. Para ele, a estratégia exige escolhas e renúncias, e a expansão global cabe à Prosus, acionista do iFood.

      “Estratégia é a arte de você definir opções e dizer não para o resto”, disse.

      O executivo também afirmou que não vê o iFood como um super app nos moldes asiáticos. Para ele, a cultura do consumidor ocidental aponta mais para um modelo de integração entre diferentes aplicativos.

      “O iFood será um multi-app”, afirmou.

      Segundo Barreto, a primeira grande experiência dessa estratégia deve surgir ainda neste ano.

      “Vou ter vários apps diferentes, alguns meus, outros não meus, que vão se integrar e criar esse ecossistema de multi-apps”, disse.

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      Rioprevidência expõe falha de governança em aportes no Banco Master

      O Rioprevidência falhou em sua estrutura de governança ao aplicar mais de R$ 3 bilhões no Banco Master, afirmou Luís Garcia, sócio do Tax Group e especialista em governança e compliance.

      Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Garcia disse que um fundo previdenciário precisa ter perfil de risco conservador, especialmente por administrar recursos ligados à aposentadoria de servidores.

      “Um fundo previdenciário desse não é um fundo qualquer. Ele precisa ter um perfil de risco muito mais conservador do que os demais”, afirmou.

      Segundo o especialista, as aplicações feitas no Banco Master não encontram justificativa clara quando analisadas à luz da política de investimentos que deveria orientar o Rioprevidência.

      “Você não pode fazer qualquer tipo de investimento que tenha um perfil de risco consideravelmente alto, principalmente para quem está tratando de investimentos ligados à aposentadoria”, disse.

      Leia também: Diretor da Rioprevidência foi nomeado no mesmo dia do credenciamento do Master, diz PF

      Garcia afirmou que o ponto central da investigação é entender como aportes tão relevantes foram direcionados a uma instituição que já apresentava risco elevado.

      “O principal ponto é como você deixa um fundo dessa importância, com aportes tão substanciais, fazer investimentos numa instituição que já vinha com um perfil de risco muito elevado”, afirmou.

      Na avaliação dele, a governança do fundo não funcionou. Garcia citou a ausência de freios capazes de impedir a alocação de recursos em operações de risco, como auditoria independente, controles internos, conselho atuante e níveis de aprovação adequados.

      “O que faltou foi uma governança adequada, uma auditoria independente, um eventual conselho que poderia aprovar ou não esse tipo de investimento.”

      Questionado sobre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), Garcia disse que ainda é preciso estabelecer materialidade entre decisões tomadas no fundo e eventual ligação política.

      Segundo ele, a investigação deve apurar se pessoas ligadas ao ex-governador tiveram participação nas decisões de investimento.

      “O que precisa ser feito agora é uma ligação de materialidade entre a decisão que foi tomada e a eventual ligação com o governador. Acho que carece ainda de investigação”, disse.

      Garcia afirmou que, mesmo em caso de proximidade política entre agentes públicos e dirigentes de instituições financeiras, os controles internos do fundo deveriam impedir decisões incompatíveis com sua política de risco.

      “Mesmo que houvesse uma relação, o fundo deveria ter uma série de controles institucionais para impedir que decisões de investimento dessa natureza fossem tomadas.”

      Sobre a relação entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o especialista disse que a apuração aponta indícios de proximidade, mas que é preciso avançar na investigação para verificar eventual relação de causa e efeito.

      “Quando você tem um governador que eventualmente tem uma relação de proximidade, tem a capacidade de fazer eventuais nomeações, e um fundo de previdência que toma decisões de investimento com quem você tem proximidade, você acaba suspeitando que não são simples coincidências”, afirmou.

      Leia também: Caso Rioprevidência reacende debate sobre fragilidade da previdência pública

      Garcia disse ainda que eventuais alertas técnicos podem ter sido ignorados. Para ele, a própria política de investimentos do fundo deveria estabelecer travas para impedir concentração de risco em instituições com perfil inadequado.

      “Você tem que investir em instituições que têm rating muito elevado. Tem que ter níveis de aprovação muito importantes, conselho, auditoria externa”, disse.

      O especialista afirmou que os recursos de aposentados podem correr risco, principalmente diante do processo de liquidação e da possibilidade de insuficiência de ativos para ressarcimento.

      Segundo Garcia, parte dos valores pode não estar coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos. Além disso, a recuperação dependerá da liquidação e da existência de ativos suficientes.

      “A gente não pode esquecer que uma das características da fraude do Banco Master foi a superestimação, a supervalorização de ativos. Eventualmente, todos aqueles ativos que existiam podem não existir ou estar superestimados e não ter capacidade de pagar aqueles recursos que iriam, no final das contas, para os aposentados”, disse.

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      Da recuperação judicial à Bolsa de Valores de Nova York: a virada da Azul em menos de um ano

      Doze meses — essa é a distância que separa dois eventos importantes e de dimensões completamente distintas da história da Azul Linhas Aéreas: o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos e o anúncio da estreia em uma das bolsas de valores mais importantes do mundo, a NYSE American.

      De lá pra cá, o caminho não foi simples. A Azul enfrentou uma trajetória cheia de obstáculos, marcada por uma das maiores crises do setor aéreo brasileiro, uma fusão frustrada com a concorrente Gol e uma renegociação bilionária com credores que redesenhou por completo o balanço de uma das maiores companhias aéreas do Brasil.

      A crise que levou ao Chapter 11

      Quando recorreu à Justiça de Nova York, em 28 de maio de 2025, a Azul carregava o passivo acumulado de anos de turbulência. A dívida havia alcançado R$ 31,35 bilhões no primeiro trimestre de 2025, mais de 50% superior à de um ano antes. Os fatores somavam os efeitos prolongados da pandemia sobre a demanda, a valorização do dólar, atrasos na entrega de aeronaves pelas fabricantes e as enchentes que mantiveram o aeroporto de Porto Alegre (uma das principais bases da companhia) fechado por meses em 2024.

      A decisão de pedir socorro à Justiça americana, e não à brasileira, tinha lógica. No Brasil, a lei não permite que dívidas de leasing de aeronaves entrem no processo de recuperação judicial, e como boa parte da frota da Azul é arrendada, ficaria de fora qualquer renegociação.

      Além de permitirem incluir esses contratos, os EUA oferecem o financiamento DIP (sigla em inglês para debtor-in-possession, ou “devedor em posse”), uma linha de crédito desenhada para companhias em reestruturação, em que o credor entra na frente dos demais na fila de recebimento. É esse dinheiro que mantém a empresa operando, pagando salários e voando, enquanto o plano de reorganização é negociado. Sem ele, a Azul teria pouca margem para sobreviver à travessia.

      Mas a companhia chegou à Justiça de Nova York preparada. Levou para o tribunal acordos pré-arranjados com seus principais credores. O pacote previa cerca de US$ 1,6 bilhão em financiamento durante o processo, o corte de mais de US$ 2 bilhões em dívidas e até US$ 950 milhões em novos aportes na saída. Era um plano costurado para encurtar a rota.

      Leia também: Azul anuncia entrada na bolsa de valores de Nova York após reestruturação financeira

      Uma fusão que naufragou

      No meio do processo, um capítulo paralelo se encerrou. Em setembro de 2025, a Abra, controladora da Gol, e a Azul anunciaram o fim das negociações para uma possível fusão — uma união que vinha sendo costurada desde janeiro daquele ano e que criaria a maior companhia aérea do Brasil, com cerca de 60% do mercado doméstico. O negócio esbarrou em obstáculos como o descompasso financeiro entre as duas empresas, pressões políticas e a perspectiva de uma análise concorrencial complexa pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

      No mercado, as ações da Azul dispararam 17,1% no pregão seguinte ao anúncio do fim das tratativas. Para os investidores, a desistência era menos uma derrota do que uma libertação. Afinal, sem o peso da negociação com a Gol, a Azul podia finalmente concentrar suas energias em colocar a própria casa em ordem.

      Saída em tempo recorde

      E foi o que aconteceu. Em 20 de fevereiro de 2026, menos de nove meses depois de ter pedido o Chapter 11, a Azul anunciou a conclusão do processo — uma das saídas mais rápidas entre as companhias aéreas da América Latina que passaram por reestruturações parecidas na última década. A empresa emergiu mais leve, com US$ 850 milhões em capital novo, US$ 2,5 bilhões a menos em dívidas e obrigações de leasing, além da menor alavancagem da história.

      Os primeiros resultados pós-reestruturação, divulgados em maio, confirmaram a virada. A Azul reportou prejuízo ajustado de R$ 44,4 milhões no primeiro trimestre, queda de 97,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a empresa ainda afundava em vermelho. O Ebitda atingiu R$ 1,7 bilhão, recorde para um primeiro trimestre, com margem de 31,1%. A liquidez praticamente dobrou em um ano, chegando a R$ 4,7 bilhões. Era uma companhia diferente da que havia entrado no tribunal de Nova York.

      Leia também: Azul registra melhor março da história com alta de 170% nos fretamentos e maior pontualidade do Brasil

      A chegada a Wall Street

      Foi nesse cenário que veio o anúncio desta terça-feira (26). A Azul informou ao mercado que teve aprovada a listagem de suas ações na NYSE American, em Nova York. A negociação começa em 1º de junho.

      Mas a estreia em Wall Street é só uma escala. A própria companhia já avisou que pretende migrar para a New York Stock Exchange (NYSE), a bolsa principal, logo no início de julho.

      “A nossa listagem na NYSE American marca um momento decisivo para a Azul, à medida que saímos do nosso processo de reestruturação com uma posição financeira mais sólida”, afirmou John Rodgerson, CEO da empresa, em comunicado ao mercado.

      Doze meses depois de bater à porta da Justiça americana pedindo socorro, a Azul aterrissa na mesma cidade — mas desta vez, para tocar o sino da bolsa.

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      David Dias: Brasil já vive o “novo normal” da inteligência artificial

      O Brasil já vive o “novo normal” da inteligência artificial, com uso disseminado da tecnologia entre consumidores e empresas. É o que avalia David Dias, sócio e líder de inteligência artificial da EY Brasil e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

      Dias disse que a adoção da IA generativa avançou rapidamente desde o lançamento do ChatGPT e passou a fazer parte da rotina dos brasileiros.

      “Hoje é muito comum que, para qualquer dúvida, para qualquer questão, a gente vá lá no GPT. Então o GPT hoje se tornou quase que uma companhia das pessoas”, afirmou.

      Segundo o Notável, uma pesquisa global feita pela EY mostra que o Brasil está entre os países pioneiros no uso e na adoção de inteligência artificial.

      “Só para você entender, 94% da população economicamente ativa usa inteligência artificial. Então o Brasil está nessa perspectiva de pioneiros”, disse.

      Leia também: Filme de baixo orçamento em Cannes teve US$ 400 mil gastos com I.A; veja qual

      Nas empresas, o uso da tecnologia também já é amplo. De acordo com Dias, 88% das organizações usam inteligência artificial, e 79% utilizam inteligência artificial generativa.

      Apesar disso, ele afirmou que o impacto econômico da IA ainda aparece de forma limitada nos resultados corporativos.

      “A gente pode ver inteligência artificial dentro de todas as empresas, mas ainda não está enxergando a geração de valor através da inteligência artificial”, afirmou. “O grande valor da inteligência artificial ainda não apareceu nos balanços finais das organizações.”

      Para Dias, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela tem sido implementada. Segundo ele, muitas empresas ainda usam IA de maneira isolada, em atividades específicas, sem transformar processos ou modelos de negócio.

      “Inteligência artificial vai muito além da possibilidade de automatizar uma determinada atividade. A inteligência artificial tem a capacidade de transformar organizações, pivotar o negócio, ser a nova estratégia de crescimento das empresas”, disse.

      O Notável afirmou que as empresas mais avançadas em IA têm quatro características em comum: envolvimento da alta liderança, programas de alfabetização em inteligência artificial, revisão profunda de processos e adoção de práticas de IA responsável.

      “As empresas bem-sucedidas hoje têm quatro pontos absolutamente importantes: envolvimento da alta gestão, um programa de letramento que vai do estagiário ao presidente, revisão dos processos e um programa de responsible AI”, afirmou.

      Dias disse que um dos maiores desafios para escalar IA nas empresas é medir o retorno sobre o investimento. Segundo ele, o ROI não deve ser calculado apenas a partir de redução de custos ou corte de pessoal.

      “O ROI vem muitas vezes de um business novo que você está criando, de um processo novo, do custo de aquisição de clientes que cai, de novos canais, novas possibilidades de venda, novos produtos e novos serviços inovadores”, afirmou.

      Leia também: CNBC Disruptor 50 de 2026: veja a lista completa de empresas, rankings e a nova líder na corrida da I.A.

      Para o Notável, as empresas precisam mudar a forma de avaliar projetos de IA e abandonar métricas centradas apenas na implementação de ferramentas.

      “A gente não está falando em redução de custos, está falando em geração de valor. Então o ROI tem que ser calculado dentro de uma lógica de geração de valor”, disse.

      Dias afirmou ainda que a inteligência artificial deve alterar a cultura das organizações, com avanço de uma lógica que chamou de “AI first”.

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      Delação Vorcaro: PGR se mantém nas negociações mas alerta defesa que proposta inicial é insuficiente

      A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu manter aberta a negociação de delação premiada com Daniel Vorcaro, do Banco Master, mas avisou à defesa do banqueiro que a proposta apresentada até agora é insuficiente.

      A avaliação da Procuradoria é que o relato inicial tem lacunas relevantes e precisa ser complementado. Ainda assim, a equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu dar espaço para que os advogados reformulem a proposta.

      Com isso, a negociação seguirá sem a participação da Polícia Federal (PF), que rejeitou o material apresentado pela defesa e deixou a mesa de tratativas.

      Leia também: PF rejeita delação de Daniel Vorcaro; defesa ainda mantém negociação com a PGR

      PF deixou a mesa de negociação

      A defesa de Vorcaro apresentou a proposta de colaboração no início deste mês, após 45 dias de trabalho. O banqueiro está preso desde março por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

      A PF avaliou que a proposta inicial não trazia elementos novos além do que a corporação já apura a partir da apreensão do primeiro celular de Vorcaro. Por esse motivo, os investigadores decidiram não avançar nas conversas.

      Na PGR, a leitura é diferente. A Procuradoria reconhece que há omissões importantes, mas avalia que alguns pontos podem ajudar no avanço das investigações. Integrantes do órgão também consideram que encerrar as tratativas de forma tão rápida poderia abrir margem para questionamentos sobre a condução do acordo.

      Pela legislação, uma colaboração premiada pode ser firmada apenas com o Ministério Público, sem a participação da Polícia Federal. A estratégia da defesa, agora, será tentar convencer Gonet a assinar o acordo.

      Leia também: Valor, prazo e provas frágeis: o que trava a delação de Daniel Vorcaro no caso Master

      Homologação no STF será etapa decisiva

      Mesmo que a PGR aceite negociar a delação, o acordo só terá validade e poderá gerar benefícios a Vorcaro depois de homologado pelo Judiciário.

      Esse ponto também deve ser um obstáculo. André Mendonça, relator do caso no STF, já avisou aos advogados que não homologaria uma colaboração com lacunas ou omissões.

      Após o recado do ministro, o advogado José Luís Oliveira Lima afirmou que recorreria ao colegiado do STF caso a delação fosse rejeitada, numa tentativa de levar a decisão à Turma.

      O episódio deteriorou a relação entre a defesa e o gabinete de Mendonça. O ministro tem dito que não pretende mais receber pessoalmente os advogados de Vorcaro.

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