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Sóstenes é apontado como lanranja no esquema de Valdemar para desviar R$ 119 milhões

Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden
Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden. Foto: Reprodução

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e os deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA) aparecem como solicitantes formais de R$ 119 milhões em emendas parlamentares que a Polícia Federal atribui ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em investigação sobre suspeita de desvio de recursos públicos.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (10) o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. A suspeita é que o dirigente do PL tenha comandado a destinação de 21 emendas mesmo sem exercer mandato parlamentar. Os recursos saíram do Orçamento da União em 2024 e 2025.

A PF aponta que deputados federais foram indicados de forma falsa como “solicitantes” das emendas para dar aparência de legalidade a repasses que teriam sido apropriados politicamente por Valdemar. A investigação também afirma que o presidente do PL usou servidores da Câmara para direcionar recursos de emendas de comissão.

Sóstenes colocou seu nome em R$ 94 milhões em emendas que, para a PF, pertenciam a Valdemar. Embora seja deputado pelo Rio de Janeiro, ele aparece como solicitante de recursos para municípios de São Paulo, Paraná, Bahia, Pará e Rio. A maior emenda citada foi de R$ 25 milhões para Porto Seguro (BA).

Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Foto: Beto Barata/PL

Documentos apreendidos e decisão de Flávio Dino

Luiz Carlos Motta assumiu a indicação de duas emendas, no valor de R$ 22,8 milhões, destinadas a Suzano e Ubatuba, em São Paulo. Capitão Alden aparece como solicitante de uma emenda de R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia (BA). Todas as emendas citadas pertencem às comissões de Saúde e de Turismo da Câmara.

Documentos apreendidos pela Polícia Federal com Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), levaram os investigadores a apontar Valdemar como verdadeiro padrinho das emendas. Dino escreveu que “um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público”.

Em relatório enviado ao ministro, a PF afirmou: “Se tomarmos o mais condescendente dos quadros, e considerarmos os desvios ‘apenas’ das emendas já pagas, temos uma consolidação de um desvio de R$ 104 milhões”. Os investigadores suspeitam que Valdemar tenha sido beneficiário direto desse montante.

A defesa de Valdemar negou crime e criticou as medidas cautelares. Em nota divulgada pelos advogados e compartilhada pelo dirigente nas redes sociais, a defesa afirmou que a decisão parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária” e disse que a Procuradoria-Geral da República foi contrária às cautelares.

Luiz Carlos Motta disse que seu nome aparece nos registros porque ele exerceu a função de relator do Orçamento Geral da União em 2024. “Isso, porém, não significa que os recursos tenham sido escolhidos ou destinados por decisão individual minha”, afirmou. Capitão Alden declarou que não participou da execução financeira, da contratação de fornecedores nem de pagamentos, e atribuiu a presença de seu nome ao “procedimento institucional adotado” para formalizar a emenda. Sóstenes não comentou.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, saiu em defesa de Valdemar e criticou a Polícia Federal. “Lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”, afirmou o parlamentar.

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VÍDEO – Lula tira foto com prefeitos do PL e diz que Valdemar “vai bater neles”

O presidente Lula ao lado de prefeitos do ABC Paulista. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula posou nesta segunda (9) para uma foto com prefeitos do ABC Paulista durante um evento em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Entre os gestores presentes estavam dois filiados ao PL: Tite Campanella, de São Caetano do Sul, e Guto Volpi, de Ribeirão Pires.

Ao perceber a composição do grupo, Lula fez um gesto de “joia” e brincou sobre a reação interna no partido adversário: “O presidente do partido deles [Valdemar Costa Neto] vai bater neles, porque eles estão em uma foto comigo”.

A fala arrancou risadas dos presentes e foi repetida pelo próprio presidente logo depois, já em discurso, ao comentar a diversidade partidária entre os prefeitos do Grande ABC.

“Só para vocês terem ideia, aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é o partido do [Jair Bolsonaro], o PL é o maior inimigo nosso na Câmara, mesmo assim vocês estão recebendo ambulância, porque vocês foram eleitos pelo voto e eu respeito o voto da cidade de vocês”, afirmou Lula, ao justificar a presença de gestores de oposição no evento.

Prefeitos do PL, partido de Bolsonaro, tiram foto com Lula em Mauá (SP), durante evento de entrega de ambulâncias e investimentos em saúde. Lula olha, ri e solta: “O presidente do partido deles (Valdemar Costa Neto) vai bater neles” 😂

Lula é gigante! pic.twitter.com/39hkFXMVys

— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) February 10, 2026

Além dos prefeitos do PL, participaram da cerimônia Marcelo Oliveira (PT–Mauá), Gilvan Junior (PSDB–Santo André), Marcelo Lima (Podemos–São Bernardo do Campo), Taka Yamauchi (MDB–Diadema) e Akira Auriani (PSB–Rio Grande da Serra). O encontro reuniu lideranças municipais de diferentes partidos em torno de anúncios de investimentos federais.

Durante o evento, o governo federal entregou ambulâncias do Samu, kits de equipamentos para a Atenção Básica e estruturas de teleconsulta. Também foram assinadas ordens de serviço para obras de uma policlínica, unidades básicas de saúde e para a implantação de um campus do Instituto Federal de São Paulo em Mauá.

Na cerimônia realizada no Paço Municipal, Lula destacou que um presidente da República não pode agir de forma “mesquinha” ou “pequena” ao deixar de atender municípios administrados por adversários políticos. Segundo ele, o critério para o repasse de recursos deve ser o interesse da população, e não a filiação partidária dos prefeitos.

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