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Oracle admite que IA substituiu funcionários e cortou 21 mil empregos em um ano

A Oracle reduziu seu quadro global em 21 mil funcionários nos últimos 12 meses, em uma magnitude maior do que havia sido reportado anteriormente, e admitiu em documento regulatório que a adoção de inteligência artificial eliminou parte dessas funções.

“A adoção e implementação de tecnologias de IA em nossas operações resultou, e pode continuar a resultar, em reduções da nossa força de trabalho”, afirmou a companhia em filing anual ao regulador americano divulgado nesta segunda-feira (22). 

É uma das primeiras vezes que uma gigante de tecnologia faz admissão tão direta a investidores sobre a substituição de empregos por IA. O quadro global encolheu de 162 mil para 141 mil funcionários no encerramento do ano fiscal em 31 de maio, queda de 13% em 12 meses.

Os cortes geraram cerca de US$ 1,8 bilhão em custos de reestruturação, contra US$ 374 milhões no exercício anterior. Dos 141 mil funcionários atuais, 49 mil estão nos Estados Unidos e 92 mil em outros países.

A escala foi tamanha que o quadro hoje é menor do que era antes da aquisição da Cerner, especialista em prontuários eletrônicos médicos, comprada em 2022 por US$ 28 bilhões. A compra havia adicionado milhares de funcionários, muitos concentrados próximo à sede da Cerner, na região de Kansas City.

Corrida pela IA

A Oracle está sob pressão financeira justamente por causa do investimento bilionário em data centers de IA para clientes como a OpenAI. A companhia tem assinado contratos massivos no segmento, incluindo recentemente um com a Meta, em uma corrida por capacidade computacional que vem moldando os balanços das gigantes de tecnologia.

Para sustentar o capex em infraestrutura de IA, a Oracle cortou custos em outras pontas. E uma das pontas é o próprio quadro de funcionários, em parte substituído pela tecnologia que a companhia ajuda a hospedar. Segundo estimativas do TD Cowen reportadas em março, os cortes podem liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões em fluxo de caixa anual.

A história começou a se desenhar publicamente em 5 de março, quando a Bloomberg reportou que a Oracle planejava demissões em milhares de cargos em várias divisões, com algumas voltadas especificamente a funções que a companhia considera substituíveis por IA. 

Em 31 de março, funcionários da Oracle nos Estados Unidos, Índia, Canadá e México receberam e-mails de demissão pela manhã, sem aviso prévio dos gestores diretos.

A Oracle se junta a uma onda crescente de cortes na indústria de tecnologia. Segundo o site Layoffs.fyi, 196 empresas do setor demitiram mais de 119,8 mil pessoas em 2026 até agora. 

A Oracle não respondeu aos pedidos de comentário.

©2026 Bloomberg L.P.

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MRV vende dois complexos no Texas por US$ 139 milhões e reduz dívida de subsidiária

A MRV anunciou nesta segunda-feira (22) a venda de dois empreendimentos da subsidiária americana Resia. Os complexos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos no Texas, foram negociados por US$ 139 milhões (R$ 716 milhões). A liquidação está prevista para julho e há um depósito não recuperável de US$ 12 milhões garantindo o negócio.

Os dois ativos estavam registrados no balanço por US$ 188 milhões e saíram por menos. A operação embute uma perda contábil de 26% sobre o valor patrimonial. O Ten Oaks foi o pior caso: avaliado em US$ 122 milhões, vendido por US$ 86 milhões, perda de 30%, com ocupação de apenas 73%. O Rayzor Ranch, com 93% de ocupação, saiu com 20% de desconto.

A MRV atribui a perda ao cenário de juros altos nos Estados Unidos e ao fato de os projetos não estarem estabilizados, com aluguéis e ocupação abaixo do potencial. Em troca, diz antecipar os benefícios da desalavancagem. A transação reduz em 7,5% a dívida líquida consolidada, ou US$ 87 milhões, e corta US$ 46 milhões em minority interest – a participação de não controladores nos projetos.

Em março, a Resia havia vendido o complexo Tributary, na Geórgia, por US$ 73 milhões, um ativo descrito como totalmente estabilizado e de ocupação madura. Foi a maior operação individual do plano de desinvestimento.

Como mostrou o InvestNews, no ano passado a Resia teve prejuízo de US$ 243 milhões e acumulou US$ 695 milhões em dívida. Mercados como Dallas, Houston e Atlanta enfrentaram excesso de oferta, que comprimiu aluguéis e atrasou a estabilização dos projetos.

Com a venda de hoje, a MRV chegou a US$ 380 milhões em ativos vendidos desde o anúncio do plano de reestruturação, em dezembro de 2024. A meta é chegar a US$ 800 milhões em desinvestimentos até o final deste ano.

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Em concessão histórica, EUA permitem que Irã venda petróleo em dólar

O governo dos Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções que impediam o Irã de vender petróleo em dólar, em um movimento que reverte uma das peças centrais da estratégia americana de pressão sobre o regime iraniano nas últimas décadas.

Isso significa que, pela primeira vez em quase 40 anos, refinarias americanas terão a opção legal de comprar petróleo bruto do Irã. A decisão veio acompanhada do anúncio, pelo vice-presidente JD Vance, de que o Irã teria concordado em receber de volta os inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O Departamento do Tesouro americano emitiu nesta segunda-feira (22) um waiver com validade de 60 dias, autorizando a venda de petróleo iraniano em dólar enquanto avançam as negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, lidar com o programa nuclear iraniano e discutir alívios adicionais de sanções.

A liberação se aplica a transações em dólar, incluindo para compradores americanos. Por anos, o Irã foi obrigado a usar uma rede oculta de petroleiros sob sanções para vender seu petróleo, majoritariamente para refinarias chinesas. 

Agora, bancos iranianos podem receber pagamentos diretamente do exterior, o que permite ao regime repatriar suas receitas de petróleo com mais facilidade. A medida vai além do waiver temporário emitido pelo Tesouro em março, que permitiu ao Irã vender o petróleo já embarcado mas mantinha as restrições sobre transações em dólar.

O alívio histórico

A liberação representa “uma ruptura fundamental com a arquitetura de sanções ao Irã construída pelo Congresso ao longo das últimas duas décadas”, segundo Miad Maleki, ex-funcionário sênior do Tesouro americano que hoje trabalha na Foundation for Defense of Democracies. 

O waiver também isenta entidades iranianas, incluindo o Banco Central do país, das sanções voltadas a atividades de terrorismo, não apenas das relacionadas ao programa nuclear.

As relações entre Estados Unidos e Irã estão tensionadas desde a crise dos reféns de 1979, quando 52 cidadãos americanos foram mantidos reféns na embaixada dos EUA em Teerã. Em 1995, o presidente Bill Clinton determinou o embargo total ao petróleo iraniano. 

Os volumes que tinham chegado a 850 mil barris por dia em 1977 caíram a zero poucos meses depois da ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder. Chevron e Marathon Petroleum estavam entre as últimas refinarias americanas a importarem petróleo iraniano, em 1991.

Operadores europeus já procuraram comprar petróleo iraniano após o anúncio, segundo Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo de Teerã. Mas, segundo Hosseini, nenhuma empresa americana entrou em contato até agora.

Normalização

A trégua interina alcançada na semana passada inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, ponto crítico por onde flui até 20% do petróleo mundial. 

O tráfego marítimo na região aparentou acelerar ao longo do fim de semana, contrariando o anúncio iraniano de que teria fechado o estreito novamente. Mesmo assim, o número de navios passando diariamente ainda é fração do nível pré-guerra.

Em maio, o governo americano impôs um bloqueio aos portos iranianos, asfixiando a economia do regime, dependente das exportações. Com o acordo, o bloqueio foi retirado, e a venda de petróleo foi autorizada.

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Para alimentar a Microsoft na corrida da IA, Chevron entra na geração de energia

A Chevron assinou um contrato de 20 anos para fornecer eletricidade à Microsoft, em um movimento que marca a entrada definitiva da petroleira americana no mercado de geração de energia, em resposta à demanda explosiva por capacidade computacional dos gigantes de inteligência artificial.

O contrato prevê o fornecimento de energia para o Project Kilby, um campus de data center que a Microsoft planeja construir perto da cidade de Pecos, no Oeste do Texas.

A planta deve começar a gerar energia em 2028 e atingir 2,67 gigawatts ao longo do tempo, o suficiente para abastecer mais de 530 mil residências. O custo do projeto não foi divulgado, mas a TD Securities estima o investimento em cerca de US$ 9 bilhões.

A operação é desenvolvida em conjunto com a Engine No. 1, gestora americana de investimentos focada em transição energética, que tem a opção de adquirir 50% do projeto via sua subsidiária Joulent. Sete turbinas a gás da GE Vernova vão alimentar a planta. A decisão final de investimento será tomada ainda este ano.

“Este é um diferencial competitivo para nós”, disse Jeff Gustavson, presidente da divisão de novas energias da Chevron, em entrevista ao Financial Times. “De todos os projetos de data center anunciados nos Estados Unidos, quase nenhum atingiu o marco que alcançamos hoje, nem em escala ampla, nem dentro do nosso grupo de pares.”

Disputa com a Exxon

A Chevron disputa com a rival ExxonMobil a entrada no mercado de geração de energia off-grid (fora da rede pública), aproveitando a abundante produção de gás natural na Bacia do Permiano, no Oeste do Texas, principal região produtora de petróleo dos Estados Unidos. 

A NextEra Energy, distribuidora elétrica baseada na Flórida, anunciou no ano passado parceria com a ExxonMobil para desenvolver usinas térmicas a gás voltadas a seus clientes, entre eles o Google.

A aposta da Chevron se posiciona em meio à corrida bilionária dos gigantes de tecnologia, como Microsoft, Amazon e Alphabet, para ampliar a capacidade de seus data centers. 

A Microsoft, segundo a Bloomberg, pretende dobrar sua infraestrutura de data center nos próximos dois anos para acompanhar a expansão em IA, em um momento em que recua de seu compromisso de operar com 100% de energia renovável até 2030.

O excesso de gás

O modelo de negócio da Chevron se apoia em uma anomalia do mercado americano: há tanto gás natural no Permiano que falta capacidade de escoamento por gasodutos. 

O gás é subproduto da produção de petróleo, e em meses recentes o Waha Hub, principal referência de preço do gás da região, registrou cotações negativas, sinal de que produtores chegam a pagar para retirar o excedente do sistema.

“Esta é uma das marcas do projeto: trazer demanda para a bacia e evitar que esse cenário se repita”, afirmou Gustavson ao FT. A planta deve operar isolada da rede pública, sem afetar as tarifas locais. 

“Os consumidores estão preocupados com o crescimento da demanda elétrica e já sentem o efeito disso. Projetamos especificamente esta operação, nessa parte do país, para evitar qualquer um desses problemas.”

Arun Jayaram, analista do JPMorgan Chase, escreveu em relatório que a operação dá à Chevron “um fluxo de caixa não correlacionado à commodity subjacente, oferecendo diversificação valiosa”. É justamente esse o ângulo estratégico: criar uma fonte de receita previsível, de 20 anos, que não dependa das oscilações do preço do petróleo.

Capital da IA

O Texas hoje concentra 33 gigawatts em projetos de data center planejados, a maior fatia do país, segundo a BloombergNEF, à frente até da Virgínia (que ainda lidera em obras em execução). 

Os Estados Unidos devem dobrar sua capacidade total de data centers para 77 gigawatts até 2030, projeção que vem pressionando a rede elétrica e elevando o custo de energia para consumidores residenciais, com reação política crescente em diversos estados.

Para Gustavson, o projeto inicial não terá energia renovável, mas a Chevron estuda incorporar geração solar no futuro. “Haverá outros desenvolvimentos nesta área e em outras partes do país, e uma coisa que vamos continuar olhando é se conseguimos encaixar algumas dessas tecnologias de baixo carbono nessas operações”, disse ao FT.

“Liderança na era da IA será determinada por quem entrega energia e capacidade computacional de forma mais rápida, mais confiável e ao menor custo”, afirmou Chris James, fundador da Engine No. 1, em comunicado.

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A reconstrução da Nike vai demorar e CEO promete a Wall Street a volta ao topo

A maior marca esportiva do mundo está demorando mais do que o esperado para sair da crise – e essa é uma avaliação do próprio CEO. Elliott Hill, o executivo por trás da reestruturação da Nike há mais de um ano e meio, admite que o trabalho para colocar a marca do swoosh de volta aos trilhos é maior do que ele previa.

“O que eu não percebia, até estar dentro, era a quantidade de trabalho que precisava ser feita”, afirmou Hill, em entrevista publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira (22). “Eu queria que estivéssemos um pouco mais adiante.”

E a constatação não veio apenas do CEO da empresa. Bancos como RBC, JPMorgan, Goldman Sachs e HSBC rebaixaram a recomendação de compra para o papel nos últimos meses.

O UBS alertou para um “ritmo modesto de vendas globais”, e analistas do BNP Paribas projetam novos cortes de receita, especialmente por causa da China, onde as vendas caíram 11% nos primeiros nove meses do ano fiscal atual. Resultado: uma queda de 45% no valor de mercado da Nike desde agosto do ano passado.

O diagnóstico de Hill é que a Nike apostou pesado em vendas diretas ao consumidor (o chamado direct-to-consumer) e abandonou parcialmente o varejo físico, ficando ausente das prateleiras justamente no momento em que o consumo presencial voltou após a pandemia. 

O movimento abriu espaço para concorrentes mais ágeis, como a suíça On e a americana Hoka, na corrida; e para chinesas como Anta e Li-Ning na China, que rapidamente preencheram o vácuo deixado pela líder.

Em paralelo, a marca derivou para moda e lifestyle, deixando de lado sua presença no equipamento esportivo. O catálogo, segundo críticos, ficou velho. E a aura cultural, que sustentava prêmio de preço por décadas, se diluiu.

Disputa nos campos

A Copa do Mundo nos Estados Unidos, México e Canadá, em curso, é o palco mais imediato para mostrar se a virada proposta por Elliot Hill está dando certo.

A campanha “Rip the Script” (em tradução livre, “rasgue o roteiro”), com estrelas como Cristiano Ronaldo, LeBron James, Kylian Mbappé e Vinícius Júnior, já acumula mais de 1 bilhão de visualizações nas plataformas digitais.

E as chuteiras da marca estão superando as da Adidas em gols marcados na proporção de mais de 2 para 1, segundo a empresa. “A mensagem que queremos passar para a indústria e para Wall Street é que a Nike voltou. A Nike voltou a liderar, a liderar com produto e inovação”, prosseguiu Hill. “Estamos aqui para vencer.”

O ceticismo do mercado, porém, é grande. Em abril, a marca sofreu um revés simbólico: dois corredores cruzaram a Maratona de Londres abaixo da barreira das duas horas calçando supershoes da Adidas. A Nike vem tentando quebrar essa marca há anos. “Não vamos ficar parados esperando, vamos responder”, disse Hill.

Mas, em meio à reestruturação, um produto inesperado virou sucesso comercial. O Nike Mind 001, uma sandália slip-on de US$ 95 que “altera a mente” por meio de pontos de pressão na sola dos pés, esgotou no lançamento. 

Cerca de 2 milhões de pessoas se cadastraram para ser avisadas quando o produto voltar ao estoque, e a produção foi dobrada. É produto excêntrico, fora do core histórico da marca, mas que sinaliza que a Nike pode inovar quando quer, e que o consumidor está disposto a apostar quando a marca surpreende.

De volta ao jogo

Hill, de 62 anos, é parte da história da Nike. Texano criado por uma mãe solteira em Austin, entrou na companhia como estagiário nos anos 1980, depois de uma passagem breve como preparador físico no Dallas Cowboys, time da NFL. Subiu pelos cargos executivos ao longo de 32 anos. Saiu em 2020, poucos meses depois da chegada de John Donahoe à presidência.

“Eu estava cansado. Fisicamente, precisava ficar em forma”, disse sobre a saída. O retorno aconteceu durante um casamento em Palm Springs. Hill almoçou com Phil Knight, fundador da Nike. A conversa começou sobre família e futebol americano (paixão declarada do executivo), e terminou em uma proposta. “Antes que eu percebesse, eu estava de volta como CEO.”

A primeira visita técnica ao mercado, antes mesmo da contratação, marcou Hill. Em um shopping perto de Stanford, na Califórnia, ele se deparou com o estado em que a marca havia chegado nas prateleiras.

“Ver a falta de orgulho no nosso produto e na nossa apresentação foi humilhante. Não só humilhante, foi desanimador. Foi provavelmente o momento em que percebi quanto trabalho seria necessário”, diz o CEO. A Nike reporta os resultados do quarto trimestre em 30 de junho. A empresa já havia projetado que a receita cairia entre 2% e 4%.

O efeito pleno da reestruturação, segundo Hill, deve ser sentido apenas no início do próximo ano, quando produtos novos chegarem a todas as divisões e geografias. Até lá, a paciência de Wall Street segue à prova.

“É uma corrida de revezamento. Meu trabalho é pegar o bastão e garantir que, quando eu passar adiante, esteja melhor do que estava quando peguei. E essa é a corrida que estou correndo agora.”

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Gestoras Elliott e SVP compram dívida da Braskem em meio à tentativa de reestruturação

A Elliott Investment Management e a SVP Global compraram recentemente dívida da Braskem, a petroquímica brasileira que corre para conseguir o apoio de credores a um plano de reestruturação, segundo pessoas a par do assunto.

As gestoras compraram partes da linha de crédito rotativo (RCF, na sigla em inglês) da Braskem de credores existentes, enquanto a Elliott também acumulou posições em alguns dos bonds internacionais da empresa, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas por discutirem transações privadas.

A Elliott e a SVP declinaram de comentar, assim como a Braskem e sua controladora, a IG4 Capital. As aquisições dão aos investidores assento à mesa enquanto a Braskem negocia um plano para reestruturar sua dívida, depois de uma desaceleração prolongada da indústria petroquímica global e do desastre ambiental que corroeu o balanço da empresa.

A Elliott e a SVP, que não fazem parte do mesmo grupo, devem defender termos de reestruturação diferentes dos atualmente apresentados pela Braskem, segundo as fontes.

A Braskem apresentou aos credores um plano que inclui extensão dos prazos de vencimento da dívida, redução de cupons e mais períodos de carência, segundo a Bloomberg apurou no início deste mês. 

O plano não inclui injeção de capital nem conversão de dívida em ações (debt-to-equity swap). O pedido de extensão de cinco anos no vencimento, combinado com a redução dos cupons, foi considerado agressivo por parte dos credores, disseram algumas das fontes.

A petroquímica precisa do apoio de um terço dos credores para iniciar o processo de recuperação extrajudicial. 

Mas a empresa e a IG4, sua nova controladora, têm tido dificuldade para conseguir esse apoio e fechar todos os trâmites jurídicos a tempo de avançar com um acordo em julho, quando precisará pagar cerca de US$ 150 milhões, segundo apurou a Bloomberg nesta semana.

A Braskem quer evitar esse pagamento e pode pedir proteção judicial emergencial caso não consiga fechar um acordo para a chamada recuperação extrajudicial.

©2026 Bloomberg L.P.

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Com concorrentes parados no Oriente Médio, Braskem acelera produção para ganhar mercado

A Braskem, gigante petroquímica brasileira altamente endividada que busca uma recuperação extrajudicial, segue aumentando a produção mesmo com a queda dos preços após o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Um conselheiro da Braskem disse esperar que as plantas petroquímicas atingidas no Oriente Médio levem entre 12 e 18 meses para voltar à operação, o que abre uma janela para ganhar fatia de mercado.

“A estratégia é capitalizar com a alta atual e se preparar para o próximo ciclo de alta”, disse William França, diretor-executivo da Petrobras recentemente eleito para o conselho da Braskem, em entrevista. Segundo ele, o mercado global de petroquímicos, mergulhado em uma desaceleração que já dura anos, deve se recuperar de forma significativa a partir de 2028.

Os preços globais de produtos petroquímicos dispararam quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no fim de fevereiro, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz e bloquear o fluxo de petroquímicos do Golfo Pérsico. Os preços, no entanto, recuaram à medida que EUA e Irã se aproximaram de um acordo de paz, com o etileno spot caindo 4,1% na última semana.

A Braskem se esforçou para elevar a produção durante o conflito e aumentou a eficiência geral de suas plantas para cerca de 70%, disse França, que comanda as refinarias e processos industriais da Petrobras. A petroquímica pretende elevar essa eficiência para 85% até dezembro.

A Braskem declinou de comentar.

A companhia e seus controladores, a gestora brasileira IG4 Capital e a Petrobras, lutam para conseguir o apoio de credores suficientes para tocar a proposta de recuperação extrajudicial, segundo apurou a Bloomberg nesta semana. A falta de acordo aumentaria as chances de uma recuperação judicial.

Novo controle

França entrou no conselho da Braskem no início deste mês como parte do acordo com a IG4 Capital, que tomou o controle da companhia das mãos do conglomerado Novonor (antiga Odebrecht). A Petrobras, que mantém participação minoritária relevante na Braskem, ampliou seu controle sobre a gestão da petroquímica como parte do acordo com a IG4.

A CEO da Petrobras, Magda Chambriard, assumiu como presidente do conselho da Braskem, enquanto França e o diretor financeiro Fernando Melgarejo entraram como conselheiros. A petroleira também indicou o diretor de operações da Braskem e o diretor de logística.

A estatal busca novas formas de trabalhar em conjunto com a Braskem, incluindo o fornecimento de mais etano (matéria-prima) à petroquímica, segundo França. A Petrobras também quer que a Braskem forneça mais hidrogênio para suas refinarias e está em negociação com fornecedores americanos de nafta.

A IG4, por sua vez, lidera as negociações de dívida com os credores da Braskem, disse Melgarejo.

“Questões externas são responsabilidade da IG4”, disse o CFO em entrevista. “A Petrobras não vai estar envolvida em nenhuma questão de estrutura de capital. Internamente, do ponto de vista operacional, é a Petrobras.”

©2026 Bloomberg L.P.

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Da Equatorial à PetroReconcavo: a ascensão discreta do Opportunity, de Daniel Dantas

Poucas empresas têm demonstrado tanto apetite por novos negócios nos últimos anos como a Equatorial. O grupo de energia criado no fim dos anos 1990 e pouco conhecido fora do mercado financeiro até meados de 2024 transformou-se em pouco tempo em uma gigante do saneamento.

Em menos de dois anos, a Equatorial investiu cerca de R$ 12,5 bilhões para vencer os leilões de privatização da Sabesp e da Copasa, tornando-se acionista de referência das estatais de água e esgoto de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente.

A ascensão da Equatorial tem a digital do Opportunity, dono da maior fatia individual. A gestora – fundada em 1994 como banco pelo empresário baiano Daniel Dantas, sua irmã Verônica e Dorio Ferman – possui 10% da empresa, que opera como corporation, ou seja, sem um controlador definido.

É hoje sua aposta de maior visibilidade pública, em uma fase low profile do Opportunity. Longe dos holofotes há mais de uma década, a gestora segue presente em algumas das maiores operações do mercado brasileiro.

O Opportunity conta com mais de 230 veículos de investimentos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com levantamento feito pelo InvestNews.

A casa mantém até hoje uma das maiores carteiras de equity do país, com posições em nomes como Energisa, na distribuição de energia, e Alupar, na transmissão. Está também envolvida no processo de recuperação judicial da Ambipar, da qual tornou-se uma das acionistas em 2023.

Procurada pelo InvestNews, a gestora não concedeu entrevista.

Tiago Noel, o chefe do private equity da gestora, é hoje o principal representante do Opportunity em suas investidas. O executivo ocupa cadeira no conselho de administração da Equatorial e, desde março, preside o conselho da PetroReconcavo. Foi conselheiro da Sabesp até o início deste ano.

Além do envolvimento em grandes investimentos, a gestora dos Dantas também realiza movimentos de saída.

Em setembro de 2024, vendeu a fatia de 48% que tinha na Santos Brasil, da qual era acionista desde 1997: a dona do Tecon Santos, principal terminal de contêineres do país, foi vendida à francesa CMA CGM por R$ 6,3 bilhões, em uma das maiores transações do setor portuário dos últimos anos.

Ascensão nas privatizações

A presença do Opportunity em grandes negócios vem de longa data. Nos anos 1990, pouco após sua criação, a casa fundada pelos irmãos Dantas e por Ferman esteve em três leilões emblemáticos das privatizações que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Em maio de 1997, integrou o Consórcio Brasil, que arrematou o controle da então Vale do Rio Doce (hoje Vale), ao lado de CSN, do fundo de pensão Previ e do americano Nations Bank.

Em setembro do mesmo ano, liderou outro consórcio na compra do Tecon, no porto de Santos, por US$ 250 milhões. Os parceiros eram a Multiterminais, da família Klien, tradicional operadora carioca de logística portuária, e os fundos de pensão Previ, Sistel e Funcef. O ativo deu origem à Santos Brasil.

Já em 1998, esteve presente no leilão da Telebrás, em que o consórcio comandado pelo Opportunity arrematou a operadora Tele Centro Sul, depois renomeada Brasil Telecom, por cerca de R$ 2 bilhões. A casa detinha apenas 3,3% do capital, mas controlava a gestão graças a um acordo de acionistas.

Os anos 2000 foram um momento da ascensão mas também de controvérsias.

O Opportunity iniciou a década em disputa com a sócia Telecom Italia. Os italianos entraram no capital da Brasil Telecom ainda em 1999 e brigaram com Dantas pelo controle da operadora em tribunais de São Paulo, Nova York e Milão, em meio a acusações cruzadas de espionagem.

A tele italiana foi forçada a sair em 2005, o que abriu caminho para a fusão da Brasil Telecom com a Telemar, três anos depois, no acordo que criou a supertele Oi, uma das chamadas “campeãs nacionais” que marcaram os primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência (2003-2010).

Em abril de 2008, o Opportunity tinha saído da Brasil Telecom com cerca de US$ 1 bilhão, no acordo que criou a Oi. Naquele momento, a casa administrava perto de R$ 18 bilhões em ativos, e Dantas era um dos nomes mais notórios do mercado financeiro.

Alvo da justiça

A ascensão foi interrompida em julho de 2008, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha. Daniel Dantas foi preso duas vezes em três dias, solto em ambas por habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos meses seguintes, mais de R$ 4,5 bilhões em ativos do Opportunity foram congelados em contas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, e mais de duas dezenas de fazendas da AgroSB, empresa agrícola da gestora, foram sequestradas pela Justiça.

A submersão do Opportunity e de Dantas começou a partir desse momento.

Quase três anos depois, em junho de 2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a Operação Satiagraha integralmente, apontando que as interceptações telefônicas haviam sido feitas de maneira irregular. Em junho de 2015, o STF ratificou a decisão.

Em fevereiro de 2016, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região arquivou a última ação penal e absolveu Daniel Dantas dos crimes que lhe eram imputados. Em julho daquele ano, a Justiça desbloqueou os R$ 4,5 bilhões. Nenhuma condenação contra ele transitou em julgado.

Daniel Dantas, cofundador da Opportunity
Daniel Dantas, cofundador do Opportunity: histórico de investimento em empresas (Bloomberg)

Desde janeiro de 2015, o Opportunity passou a atuar como um gestora pura, após pedir para o Banco Central cancelar sua licença bancária. Naquele ano Daniel Dantas concedeu sua última entrevista conhecida, no Festival Piauí GloboNews de Jornalismo. Falou sobre o acordo de abril de 2008 que criou a Oi, no qual aceitou entregar o controle da Brasil Telecom.

Para ele, a saída do comando da operadora encerraria as ações políticas e judiciais que sofria. Disse à plateia que entendia o acordo como a compra da própria paz, mas que, dois meses depois, foi preso na Satiagraha.

Desde então, o ex-banqueiro, que hoje mora em Londres e completa 72 anos em 2026, não voltou a dar entrevistas.

Nova tese

Na nova fase do Opportunity, a gestora passou a concentrar investimentos em empresas de serviços públicos, as chamadas utilities, além de educação básica. Três investimentos resumem o momento atual: Equatorial, PetroReconcavo e Grupo Salta.

A Equatorial é a mais antiga das três. A elétrica foi criada em 1999 pela americana PPL Global para participar do leilão de privatização da Cemar, distribuidora maranhense em situação crítica, que arrematou no ano seguinte.

Em 2004, foi reestruturada pela GP Investimentos e desde então se especializou em assumir distribuidoras estaduais com problemas operacionais, como Celpa (Pará), Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas) e Celg-D (Goiás). Mais recentemente, desde 2024, passou a investir em saneamento básico e conquistou o posto de acionista de referência de Sabesp e Copasa.

Após a reestruturação, o Opportunity passou a investir na companhia, em que detém posição há mais de uma década, comprando ações periodicamente. Em entrevista à Exame em 2022, Dorio Ferman, um dos sócios fundadores, descreveu a Equatorial como um “exemplo de boa governança”.

Em janeiro de 2025, a casa consolidou posição de 10,12% e se tornou a maior fatia individual da corporation, que tem ainda entre seus acionistas a gestora carioca Squadra, a americana BlackRock e um dos fundos soberanos de Singapura, o GIC.

É na PetroReconcavo, porém, que a Opportunity tem mais protagonismo.

Dona de 27,64% da petroleira independente criada em 1997 no Recôncavo Baiano, a casa está na empresa desde o início e divide a estrutura societária com a americana PetroSantander e o Grupo Perbras, da família fundadora Cintra Santos.

O movimento mais recente foi em educação. Em novembro, a Opportunity comprou junto com a Gera Capital uma fatia de 26% que a americana Warburg Pincus detinha no Grupo Salta, maior conglomerado privado de educação básica do país, do qual já era investidora indireta, por meio de outros fundos. A transação avaliou a empresa em R$ 5,8 bilhões.

Além das três posições principais, a Opportunity mantém 10,22% da Alupar, de transmissão de energia, e 3,93% da Energisa, distribuidora de energia que atua em 12 estados e atende cerca de 21 milhões de clientes, com forte presença no Centro-Oeste e no Norte do país.

Operação da PetroReconcavo
Operação da PetroReconcavo, um dos investimentos da Opportunity (Divulgação)

Ainda hoje a Opportunity segue com o trio Daniel Dantas, Verônica Dantas e Dorio Ferman à frente das principais decisões. Verônica responde pela área de gestão de fundos e ativos dos clientes, enquanto Ferman cuida dos investimentos do patrimônio próprio da casa, ao lado de Dantas.

João Manoel Pinho de Mello, ex-diretor do Banco Central e um dos arquitetos do Pix, voltou ao Opportunity em 2023 e é um dos principais sócios da gestora, que tem hoje mais de R$ 117 bilhões em patrimônio, mais de seis vezes o que administrava na época da Satiagraha.

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Procurada por bancos, IG4 tem apoio para controlar a Raízen, mas base de credores é o obstáculo

Poucos dias após assumir de fato a gestão da Braskem, a gestora IG4 avançou para tentar obter controle da Raízen, com o apoio de parte dos grandes credores e chances reais de êxito. Se a investida vingar, a casa fundada por Paulo Mattos reunirá sob o mesmo teto as duas maiores reestruturações empresariais em curso no país.

A Raízen fechou com seus credores a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil, para reorganizar R$ 64,7 bilhões em dívidas. Pelo plano, 45% desse valor será convertido em ações, o que torna os credores donos de cerca de 80% da produtora de açúcar e etanol ao final do processo.

Como a negociação envolve uma base dispersa, não há certeza de que a proposta da IG4 prospere. Na dívida da Raízen, os bancos respondem por cerca de metade, com maior exposição do francês BNP Paribas, dono de cerca de R$ 4,2 bilhões em créditos, seguido por Santander, Rabobank e Bradesco, com cerca de R$ 2 bilhões cada.

A outra metade é o nó. Está espalhada entre detentores de bonds no exterior, debêntures e CRAs, fatia tipicamente fragmentada entre fundos e investidores pessoa física. É essa dispersão que dificulta articular uma liderança entre os credores.

Diante disso, a IG4 foi procurada por instituições nacionais e internacionais interessadas em saber se havia interesse em tocar a reestruturação da Raízen, segundo uma pessoa a par da proposta ouvida pelo InvestNews.

A procura encontrou terreno fértil: a gestora já estudava o ativo desde o fim de 2025, quando montou um time dedicado a acompanhar os números e o negócio.

Estrutura da oferta

O objetivo da IG4 agora é concentrar créditos suficientes para ficar com pouco mais de 50% do capital, consolidando o controle, com poder de indicar a diretoria executiva e conselheiros e conduzir o turnaround de forma ordenada. Caso não alcance esse percentual, a gestora não seguirá com a oferta.

A estrutura desenhada para obter o controle da Raízen seria mista: reunir os créditos dos credores maiores num fundo de investimento em participações, em conversão parecida com a que a casa fez na Braskem com os bancos.

Outra frente seria comprar os créditos dos menores, como debenturistas e detentores de CRAs. Esses credores poderiam escolher entre cotas do fundo, pagamento em dinheiro definido caso a caso, ou derivativos que renderiam ganhos quando a IG4 vendesse a participação após a reestruturação.

Vácuo de gestão

O interesse da IG4 se apoia em uma provável fragilidade no desenho final da Raízen pós-recuperação extrajudicial. A avaliação de quem defende a proposta é que, nas condições atuais, a empresa corre o risco de sair da reestruturação com a maior parte das ações nas mãos de sócios que não têm intenção de administrá-la, com pouca chance de um turnaround ter êxito.

A própria Shell, que permanecerá como sócia após a diluição da Cosan, já teria sido consultada e se mostrado favorável a ter uma casa especializada à frente da reconstrução da Raízen. 

Hoje, boa parte do C-level da Raízen é composta por profissionais indicados pela holding do empresário Rubens Ometto, que deixaria de ter o controle do negócio após a recuperação extrajuidicial.

O Moelis, banco que assessora a maioria dos bondholders, responsáveis por mais de R$ 26 bilhões em dívidas da Raízen, também teria sinalizado que não há entre seus representados nenhuma gestora disposta a tocar um negócio de açúcar e etanol no Brasil.

O motivo do aparente desinteresse é que setor sucroenergético não está entre os favoritos dos investidores estrangeiros, sobretudo de bancos e gestoras internacionais. O histórico ruim dos gringos ao se aventurar no açúcar e etanol brasileiros está por trás do desânimo.

Algumas das maiores tradings agrícolas do mundo – entre elas, LDC e Bunge – penaram no mercado local. A avaliação é que tocar uma operação de cana no Brasil pede fôlego de caixa e estômago para um ciclo agrícola que poucos investidores financeiros aceitam encarar.

As duas maiores

Caso a operação atinja seu objetivo, IG4, uma casa especializada em recuperação de empresas, fundada há uma década por Paulo Mattos, terá no portfólio o desafio de reestruturar mais de R$ 120 bilhões em passivos.

Enquanto a Raízen já acertou as bases de sua reestruturação, a Braskem, maior petroquímica do país, prepara seu plano de recuperação extrajudicial, com cerca de R$ 60 bilhões em dívidas a serem renegociadas.

Mas acumular as duas maiores reestruturações de dívida da história do país vai exigir um esforço inédito da IG4. 

Apesar dos resultados positivos no turnaround de empresas como a Iguá Saneamento e a recém-vendida CLI, o tamanho da dupla Braskem-Raízen supera com folga o de suas investidas anteriores, e a operação é vista como capaz de mudar o patamar da casa frente aos concorrentes.

Por outro lado, o histórico recente e o caixa estariam prontos para o desafio. A IG4 encerrou a captação de seu terceiro fundo em março e teria recursos suficientes para tocar a operação.

O espaço no portfólio também não seria um problema, reforça uma das fontes.

A IG4 costuma manter cerca de cinco empresas em turnaround ao mesmo tempo, mas opera hoje com apenas três: a Opy, de gestão hospitalar, uma empresa já consolidada; a empresa peruana de infraestrutura Aenza; e a Braskem, cujo controle assumiu no início deste mês.

Procurada, a IG4 não comentou.

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ConectCar compra o iCarros, portal de classificados de automóveis do Itaú

A ConectCar, empresa de pagamentos eletrônicos de pedágios e estacionamentos, fechou a compra da totalidade do iCarros, plataforma de classificados de veículos até então 100% do Itaú Unibanco, apurou o InvestNews.

Os valores não foram informados. O negócio ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e do Banco Central.  Embora seja formalmente uma aquisição, o ativo não deixa totalmente a órbita do banco. A ConectCar é controlada em partes iguais por pela Rede, do Itaú, e a Porto.

Na prática, a operação funciona como uma reorganização que abre metade do iCarros à sócia Porto. Com isso, a plataforma deixa de ser uma operação isolada de classificados automotivos do Itaú e passa a integrar a estratégia da ConectCar, que registrou receita líquida de serviços de R$ 221,46 milhões em 2025..

O objetivo da transação é que a ConectCar, que já atuava na fase de uso do veículo, com a tag de pedágio, passe a estar presente também no momento da compra do carro, funcionando como um marketplace automotivo.

A aquisição abrange apenas o segmento C2C do iCarros, que conecta vendedores pessoa física a compradores. A parte B2C, que atendia lojistas, concessionárias e montadoras, está sendo descontinuada pelo Itaú. O encerramento da operação PJ já havia sido comunicado aos funcionários no início deste mês, de acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A iCarros é um player relativamente pequeno no setor. A plataforma registra cerca de 6 milhões de visitantes mensais e responde por aproximadamente 140 mil anúncios ativos, o equivalente a 6% do mercado de classificados automotivos no Brasil, conforme estimativas de mercado. À frente aparecem OLX Autos, com 30%, e Webmotors, com 18%.

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JHSF prepara compra de fatia de R$ 454 milhões do Shopping Cidade Jardim

A JHSF está montando um novo fundo imobiliário para comprar uma fatia de 16,99% do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, avaliada em R$ 454 milhões, apurou o InvestNews. A companhia de José “Zeco” Auriemo controla 51% do shopping de luxo. Pelo valor da operação, o empreendimento estaria avaliado em cerca de R$ 2,7 bilhões.

A operação foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última semana. O veículo em questão, o JHSF Capital SCJ FII, criado no início deste mês, está captando até R$ 293,8 milhões no mercado de capitais, em uma oferta coordenada pelo Itaú BBA. Está prevista ainda uma tranche subordinada, o que elevaria a captação total a R$ 400 milhões.

Embora o documento não cite nominalmente quem está na outra ponta do negócio, o vendedor seria o XP Malls, maior fundo de shoppings do país e único sócio do grupo JHSF no Cidade Jardim – um outro fundo imobiliário criado pela empresa de Auriemo detém os 33% restantes do empreendimento. O fundo imobiliário da XP passou a deter participação no empreendimento em 2018.

No relatório gerencial mais recente do XP Malls, referente a maio, o XPML11 afirma ter participação de 16,99% no shopping, percentual idêntico ao da fatia à venda. Um segundo indício está na dívida. O prospecto prevê que o fundo da JHSF assumirá cerca de R$ 155 milhões em obrigações, valor semelhante ao saldo que o XP Malls carrega em carteira.

Procuradas pelo InvestNews, XP e JHSF não comentaram até a publicação do texto.

O Cidade Jardim é um dos principais ativos da JHSF. Inaugurado em 2008 na Marginal Pinheiros, na zona sul de São Paulo, concentra, segundo a companhia, a maior quantidade de flagships de marcas internacionais da América Latina.

Ali estão a global store da Louis Vuitton e lojas de Hermès, Prada, Dior e Celine, entre outras. A JHSF define o empreendimento como o principal shopping de alta renda do continente.

Outros negócios do Cidade Jardim

Não é a primeira vez que a fatia troca de mãos. Em 2023, a JHSF Capital comprou 33% do Cidade Jardim da israelense Gazit por R$ 560 milhões, numa operação que avaliava o shopping inteiro em R$ 1,68 bilhão. A fatia havia sido vendida pela própria JHSF à Gazit em 2016, por R$ 410 milhões, quando o grupo precisava reduzir dívida.

Caso a operação seja confirmada, será a segunda negociação entre JHSF e XP Malls em menos de um mês. Em maio, o FII da XP vendeu sua participação de 30% no Shops Jardins, no mesmo complexo, para outro fundo da JHSF Capital, o JCCJ11. A transação saiu por R$ 20 milhões.

O pagamento não foi em dinheiro: o XP Malls recebeu cotas do fundo comprador. À época, a gestora do XPML11 descreveu a venda como reciclagem de portfólio e saída de um ativo de baixa relevância na carteira.

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JBS faz primeiro aniversário em NY ajustando suas engrenagens para acessar um mercado de trilhões

A JBS completa neste sábado (13) seu primeiro aniversário como uma “empresa americana”. Há um ano, a maior processadora de carnes do mundo passou a listar as suas ações na Bolsa de Nova York (NYSE), após 18 anos sendo negociada na B3 – em um IPO longínquo que, curiosamente, ajudou a bancar a aquisição da americana Swift, iniciando a incursão da família Batista no mercado dos Estados Unidos.

O grande objetivo da empresa segue como aquele que foi anunciado mais de um ano atrás: ser incluído nos principais índices de negociação da bolsa americana e, com isso, alcançar o dinheiro dos fundos passivos, como os ETFs, que seguem tais benchmarks de mercado de forma automática. 

Esse fluxo adicional oferece potencial para que a JBS multiplique seu valor de mercado, uma vez que ainda é negociada com desconto frente a concorrentes, especialmente a Tyson Foods, que figura no S&P 500.

Só as três maiores gestoras passivas do mundo, Vanguard, BlackRock e State Street, somam cerca de US$ 2,6 trilhões em patrimônio com essa finalidade. Somando só os fundos que seguem o S&P 500, o mercado chega a US$ 17 trilhões.

Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS desde janeiro de 2019, conta que nunca viveu tanto na ponte aérea entre Nova York e São Paulo, sede administrativa da companhia, como no último ano. O encontro com investidores internacionais cresceu no período, como esperado.

Se antes da listagem na NYSE a fatia de investidores estrangeiros que negociavam o papel da empresa era de 72%, hoje está em 90%, sendo a maior parcela (74%) de americanos.

“Passamos a ter diariamente pedidos de investidores que nunca haviam interagido conosco para conversas e mais detalhes. Essa é a vantagem de um mercado mais pulverizado como o dos Estados Unidos”, explicou Cavalcanti em conversa com o InvestNews.

Diretoria da JBS toca o sino da NYSE, a Bolsa de Nova York
Diretoria e acionistas da JBS tocam o sino da Bolsa de Nova York em junho de 2025 (Divulgação)

Mas, para chegar ao Olimpo das grandes empresas americanas, ao lado de nomes como as big techs Apple, Microsoft, Alphabet e Nvidia, existe um grande trabalho de bastidor, sobretudo de apresentação de índices financeiros que a JBS precisa seguir.

O principal deles é comprovar que mais da metade da receita é proveniente dos EUA e que exista uma diferença de pelo menos 20 pontos percentuais sobre o segundo maior mercado. Para isso, a JBS passou a desmembrar seus resultados nos EUA para dar visibilidade aos investidores.

Atualmente, 52% da receita anual de US$ 86,2 bilhões vem do mercado americano, com o Brasil na sequência, com 26%.

Embora esses percentuais possam parecer algo trivial, os números também passam a definir a estratégia de crescimento da companhia dos irmãos Batista.

Uma aquisição de empresa em outro mercado, a depender do tamanho, pode desbalancear esse percentual e jogar contra o plano que busca acessar os grandes índices. “Eu brinco que, se fizer uma aquisição fora dos Estados Unidos, vou ter que fazer uma lá também”, prossegue o CFO.

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Outra mudança, que já vai ocorrer a partir da divulgação dos resultados do segundo trimestre, previstos para agosto, é divulgar os balanços anuais e trimestrais e os fatos relevantes no mesmo prazo de empresas registradas nos EUA.

Como a companhia listada na NYSE tem sede fiscal na Holanda, a SEC (Securities and Exchange Commission, a CVM americana) permite prazos mais alongados para essas divulgações, mas, para acessar os grandes índices de ações, essa não é uma possibilidade.

Entrando nas carteiras

Os primeiros sinais de resultados da estratégia de acessar os grandes índices começaram a aparecer já no fim de maio, quando a JBS figurou na prévia do Russell 3000, índice de entrada da família Russell.

O principal, o Russell 1000, reúne as mil maiores empresas americanas por valor de mercado e é o mais observado pelos grandes fundos passivos.

A entrada no Russell 1000 é considerada uma questão de tempo, uma vez que a JBS avalia que está cumprindo todos os critérios para ingressar na carteira, sendo o valor de mercado o principal deles. Hoje a companhia tem market cap de US$ 13,1 bilhões.

Com o Russell 3000, o Citi estima uma demanda passiva imediata de US$ 210 milhões a 300 milhões, o equivalente hoje a quase três dias de negociação da JBS em Nova York. E projeta um fluxo financeiro de US$ 1 bilhão a US$ 4 bilhões ao longo de um a dois anos, conforme ETFs e gestores normalizem a posição.

“A carteira do Russell 1000 é mais objetiva. Se você seguir os critérios deles, entra naturalmente. Já o S&P 500 é um pouco mais subjetivo: além de seguir os critérios de elegibilidade, eles consideram o setor econômico da empresa e a consistência do desempenho de mercado”, prossegue Guilherme Cavalcanti.

Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS (Divulgação)
Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS: trabalho para entrar nos índices de ações nos EUA (Divulgação)

Pela metodologia, o S&P 500 exige valor de mercado total de no mínimo US$ 22,7 bilhões, ainda muito acima, portanto, da capitalização atual da JBS.

E há um segundo filtro de tamanho que pega a empresa: o valor de mercado ajustado pelo capital em circulação precisa ser de pelo menos metade desse piso, cerca de US$ 11,35 bilhões. Como só um terço das ações da JBS está em circulação, esse float vale hoje perto de US$ 4,3 bilhões.

A dificuldade se dá, sobretudo, pela composição acionária da JBS. A J&F, holding da família Batista, detém cerca de 48% das ações, e o BNDESPar, outros 18,61%, fatias que não contam como capital livre no cálculo dos índices. Sobram cerca de 33% de papéis em circulação. “Nosso peso no índice poderia ser maior, mas a gente tem o free float mais limitado”, reconhece o CFO.

A decisão para o S&P 500 é de um comitê e geralmente leva de três a quatro anos após uma estreia na bolsa. Cavalcanti aposta em um atalho: o setor de consumo está sub-representado no S&P 500, com apenas 6% do índice. Sobraria, em tese, um espaço setorial para uma companhia de consumo grande como é a JBS.

Efeitos do primeiro ano

Enquanto a jornada pelos grandes índices prossegue, a JBS já consegue perceber a diferença de ser uma empresa negociada no maior mercado do mundo. A liquidez das ações da empresa quase triplicou, segundo cálculos do Citi, passando de cerca de US$ 37 milhões diários para US$ 115 milhões.

E houve uma primeira reprecificação. Antes da estreia na NYSE, conta o CFO, a JBS negociava a 4,5 vezes o lurco operacional (Ebitda) projetado para os 12 meses seguintes, em linha com as conterrâneas MBRF e Minerva. Hoje negocia com um múltiplo próximo ao da Pilgrim’s, sua subsidiária americana de frango, que sempre valeu mais por estar em um índice S&P, o 400.

O degrau que falta é a Tyson. A rival americana negocia a cerca de 7,5 vezes o Ebitda, uma vez e meio o múltiplo atual da JBS, embora o desempenho operacional seja inferior ao do grupo brasileiro.

“Em 95% do tempo, nós performamos melhor que eles no negócio de porco; 80% no de bife e 65% no de frango”, diz Cavalcanti.

A JBS faturou US$ 86 bilhões em 2025, contra US$ 54 bilhões da Tyson, gerou quase o dobro de Ebitda e cerca de quatro vezes o lucro líquido. Ainda assim, vale menos na bolsa: os citados US$ 13,1 bilhões, contra cerca de US$ 20 bilhões da americana – uma cortesia dos grandes índices.

A Vanguard, maior gestora passiva do mundo, tinha US$ 100 milhões em ações da JBS antes da listagem na NYSE. Depois, vendeu e reduziu para US$ 26 milhões, porque a JBS saiu dos índices brasileiros e ainda não entrou nos americanos. Na Tyson, a mesma Vanguard tem US$ 2,4 bilhões alocados. Cem vezes mais, por causa justamente da presença no S&P 500.

Enquanto o prêmio na ação não vem, a listagem na NYSE trouxe outra vantagem relevante.

O custo da dívida despencou. O spread dos títulos de dez anos da JBS em relação aos da Tyson era de 3 pontos percentuais em 2019, conta Cavalcanti, e caiu para 0,2 ponto com a negociação da ação na bolsa americana. Em abril, a JBS passou a ser reconhecida pela SEC como emissor frequente bem conhecido (WKSI, na sigla em inglês), o que agiliza novas captações.

Diretoria da JBS toca o sino da NYSE, a Bolsa de Nova York
Diretoria e acionistas da JBS no dia de estreia na Bolsa de Nova York em junho de 2025 (Divulgação)

Por outro lado, o desafio do valor de mercado é grande, especialmente pela crise do gado nos Estados Unidos, que vem afetando as margens da JBS em seu principal mercado.

No primeiro trimestre deste ano, o negócio de carne bovina nos EUA registrou prejuízo operacional. O lucro consolidado caiu 56%, para US$ 221 milhões. A raiz está no boi. O rebanho americano está escasso, e isso encareceu o gado mais rapidamente do que subiu o preço da carne.

Wesley Batista Filho, presidente-executivo da JBS USA, não suavizou o quadro na teleconferência de resultados. Disse esperar que 2026 seja “um ano mais desafiador que 2025” e classificou janeiro e fevereiro como um dos períodos “mais desafiadores que já vimos na história”.

Após o balanço, os papéis da JBS saíram de seu maior patamar desde a listagem, na casa dos US$ 18 por ação, para voltarem a ser negociados perto dos US$ 12, abaixo até dos US$ 13,87 de um ano atrás.

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TVs encontram mais uma forma de ganhar dinheiro na Copa: a pausa para hidratação

A Fifa criou para a Copa do Mundo de 2026 uma novidade que ela vende como medida de saúde: pausa obrigatória para hidratação aos 22 minutos de cada tempo, em todos os 104 jogos. A justificativa é proteger os jogadores do calor extremo do verão americano. 

A consequência paralela, no entanto, é uma nova janela de receita publicitária. E as emissoras americanas começaram a explorar essa janela já no jogo de abertura realizado nesta quinta-feira (11).

O canal Fox interrompeu a transmissão do jogo de abertura entre México e África do Sul para exibir comerciais durante a pausa para hidratação. A emissora, que tem os direitos da Copa em inglês para os Estados Unidos, exibiu quatro comerciais que somaram cerca de dois minutos.

A pausa ocorreu por volta dos 22 minutos do primeiro tempo, com o locutor anunciando que ela era patrocinada pela Powerade, da Coca-Cola. Na sequência, entraram anúncios de AT&T, Michelob Ultra, Lowe’s e FanDuel.

Já a Telemundo, da Comcast, que detém os direitos em espanhol da Copa nos EUA, anunciou que não vai exibir comerciais nas pausas para hidratação, decisão que algumas vozes do mercado têm criticado por considerar disruptiva ao ritmo de jogo e um movimento para arrancar mais dinheiro de publicidade. 

Durante a transmissão do jogo de abertura, a Telemundo manteve a transmissão no campo e agradeceu à Coca-Cola por permitir que continuasse com o jogo, enquanto mostrava os jogadores se hidratando ao lado de um banner da marca.

Se a Fox continuar com os comerciais no mesmo ritmo, isso abriria mais de 800 espaços publicitários adicionais ao longo do torneio, com cerca de quatro comerciais por tempo em cada uma das 104 partidas.

A regra

A pausa para hidratação foi introduzida pela Fifa nesta Copa do Mundo. Diferentemente das tradicionais “cooling breaks“, que dependiam da temperatura e da umidade no dia, as novas paradas ocorrem em todos os jogos, independentemente do clima.

A regra atende, segundo a Fifa, à saúde dos jogadores, especialmente diante do calor extremo registrado na Copa de Clubes de 2025, quando algumas partidas superaram 38°C.

As normas determinam que os comerciais não podem começar nos primeiros 20 segundos da parada, e a transmissão deve retornar ao jogo pelo menos 30 segundos antes do reinício. Na prática, sobram até 2 minutos e 10 segundos para publicidade. A Conmebol já adota pausa parecida nas competições sul-americanas desde fevereiro, com duração de até 90 segundos.

No Brasil, têm os direitos de transmissão a TV Globo (54 jogos, incluindo todas as partidas do Brasil e a final), o SBT (32 jogos em parceria com o N Sports), e a CazéTV, que transmite os 104 jogos via YouTube.

©2026 Bloomberg L.P.

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Musk conseguiu. SpaceX emplaca maior IPO da história e levanta US$ 75 bilhões

A SpaceX entrou para a história ao fazer o maior IPO de todos os tempos, abertura que colocou a empresa entre as maiores companhias listadas do mundo e deixou seu fundador, Elon Musk, à beira de se tornar o primeiro trilionário do planeta.

A companhia captou US$ 75 bilhões na oferta inicial de ações na Nasdaq, ao precificar 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, segundo comunicado divulgado no site da empresa nesta quinta-feira (11), avaliada em US$ 1,77 trilhão. O IPO da SpaceX é mais que o dobro do tamanho da abertura da estatal Saudi Aramco, em 2019, que captou US$ 29,4 bilhões.

A Space Exploration Technologies Corp., como é oficialmente conhecida, deu aos bancos coordenadores a opção de comprar 83,3 milhões de ações adicionais ao preço do IPO, o que elevaria o tamanho da operação para cerca de US$ 86 bilhões se totalmente exercida. A oferta atraiu demanda quatro vezes superior às ações disponíveis, segundo a Bloomberg News.

Pelo preço do IPO, a SpaceX vale US$ 1,77 trilhão. Considerando as ações em diluição plena (incluindo opções e ações restritas de funcionários), o valuation chega a US$ 1,8 trilhão.

A base de fãs de Musk teve papel decisivo na operação. Esses investidores fizeram pedidos superiores a US$ 100 bilhões em ações, segundo fontes familiarizadas com o assunto, valor muito acima dos 20% das ações que estavam reservadas para eles.

Nem todo mundo está animado. O vendedor a descoberto veterano James Chanos, fundador da Chanos & Co., chamou a operação de “IPO da esperança e dos sonhos”, movido por entusiasmo com Musk e inteligência artificial em vez dos fundamentos de uma empresa que ainda não dá lucro.

“O mercado endereçável total do espaço é infinito”, disse Chanos no iConnections Global Alts conference, em Nova York. “Você pode construir as histórias que quiser, colônias em Marte, fábricas na Lua, data centers no espaço, para justificar o valuation.”

Ainda assim, com mudanças regulatórias que podem acelerar a entrada da ação em índices como o Nasdaq-100, a demanda dos fundos passivos e dos investidores varejistas que não conseguiram comprar pelo preço do IPO deve criar um sólido grupo comprador para as ações da fabricante de foguetes, satélites e produtos de IA quando começarem a ser negociadas.

A onda dos IPOs de IA

A SpaceX é o primeiro de três grandes IPOs esperados para capitalizar o apetite dos investidores pelas líderes em inteligência artificial, demanda que tem impulsionado os principais índices americanos a recordes neste ano, apesar da aceleração da inflação e da disrupção econômica causada pela guerra no Irã.

A Anthropic PBC e a OpenAI, duas das concorrentes da SpaceX em IA, devem abrir capital ainda este ano e podem buscar valuations acima de US$ 1 trilhão cada uma. Por isso, o desempenho da ação da SpaceX será acompanhado com a mesma atenção por venture capitalists do Vale do Silício e por traders de Wall Street.

O volume de novas ofertas de ações, somado à oferta de US$ 85 bilhões da Alphabet e ao potencial de outras gigantes seguirem o mesmo caminho, alimenta o debate sobre se haverá demanda suficiente para a oferta que se aproxima.

A vantagem de quem chega primeiro permite à SpaceX cravar mais um salto de valuation em menos de um ano. A aquisição da xAI, também de Musk, em fevereiro, elevou o valor combinado das duas para US$ 1,25 trilhão, e o valor original da SpaceX a US$ 1 trilhão. O número era de cerca de US$ 800 bilhões em venda de ações entre acionistas em dezembro, aproximadamente o dobro da marca de julho de 2025.

Pelo preço do IPO, a SpaceX entra no top 10 global de empresas listadas, e se torna maior que a própria Tesla, também de Musk.

De foguetes a infraestrutura de IA

A virada reflete a evolução da empresa em seis meses, de uma operação focada em lançamentos de foguetes e provisão de internet via satélite para uma aspirante a gigante da IA, cujos contratos de infraestrutura computacional com Anthropic e Alphabet, que podem chegar a US$ 2,17 bilhões por mês, devem se tornar a maior fonte de receita.

O pitch de Musk, que coloca a SpaceX no centro de uma visão de ficção científica do futuro, com data centers no espaço e fábricas de robôs na Lua, chegou no momento certo para capitalizar o apetite por investimentos ligados ao boom da IA.

Boa parte do plano da SpaceX de dominar o que a empresa enxerga como um mercado endereçável total de US$ 26,5 trilhões em IA, no entanto, depende de tecnologia que ainda não existe ou que nunca foi testada em escala. A companhia também enfrenta forte concorrência da Anthropic e da OpenAI, cujos chatbots foram mais amplamente adotados por consumidores e clientes corporativos do que o Grok, da xAI.

O patrimônio de Musk

O patrimônio de Musk vai saltar cerca de US$ 275 bilhões, para US$ 970 bilhões, a um passo do status de trilionário, segundo cálculos do Bloomberg Billionaires Index. A participação dele na SpaceX, incluindo opções, vale US$ 688 bilhões ao preço de US$ 135 por ação. Um desempenho forte no pregão de sexta-feira pode levá-lo a cruzar o limite.

A fortuna de Musk pode crescer ainda mais se ele cumprir as metas de desempenho atreladas a até 1,3 bilhão de ações classe B adicionais, divididas em tranches. As condições para receber todas essas ações são ambiciosas: o valor de mercado da empresa precisa atingir US$ 7,5 trilhões, a SpaceX terá de operar data centers fora da Terra com capacidade de 100 terawatts por ano, e estabelecer uma colônia humana permanente em Marte com pelo menos 1 milhão de habitantes.

O CEO, que não poderá vender ações até um ano após o início da negociação, controla 84% do poder de voto da empresa após o IPO, sem considerar a alocação adicional. As políticas de governança da SpaceX dão a Musk poder efetivo de escolher os membros do conselho, o que significa que apenas ele pode tirar a si mesmo do cargo de CEO.

Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase lideram a operação, com outros 18 bancos participando. A estreia na Nasdaq e na Nasdaq Texas será nesta sexta-feira (12), sob o código SPCX.

©2026 Bloomberg L.P.

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O auge das apostas esportivas vai ser na Copa do Mundo. E pode ser também o começo do fim

A Copa do Mundo de 2026 deve ser o maior evento de apostas da história, as populares bets. Cerca de US$ 50 bilhões devem ser apostados globalmente no torneio, que reúne 48 seleções em 104 jogos ao longo de 39 dias. 

Nos Estados Unidos, os fusos horários favoráveis vão permitir apostas ao vivo durante todas as partidas. Segundo a Sportradar, cerca de 90% dos americanos que planejam apostar no torneio o farão pela primeira vez numa Copa.

O mês também traz as finais da NBA, as finais da Stanley Cup (no hóquei) e o U.S. Open de golfe. A enxurrada de apostas será um respiro para as casas, especialmente o duopólio americano formado por FanDuel e DraftKings.

Mas, para além desses eventos pontuais, o futuro do setor parece incerto. Depois de uma longa onda de legalizações estaduais que já se exauriu, o crescimento fácil parece ter ficado para trás. 

Excluído o novo mercado do Missouri, o volume total de apostas esportivas (o chamado handle) caiu 3,1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a American Gaming Association. Março registrou a queda mais acentuada desde junho de 2020.

A Flutter Entertainment, controladora da Betfair, Betnacional e FanDuel, reduziu a projeção de receita para o ano ao reportar os números do primeiro trimestre em maio.

O handle da DraftKings cresceu modestos 1,5% no período. As ações refletem a desaceleração: a DraftKings cai 27% no ano, a Flutter, 53%. O ETF Roundhill Sports Betting & iGaming acumula queda de 25% em relação à máxima dos últimos 12 meses.

O setor lida ainda com um novo concorrente: os mercados de previsão, que essencialmente permitem apostas esportivas em todo o país, independentemente da legislação estadual. Para manter o apostador engajado, as casas tradicionais gastam quase US$ 700 milhões por ano em propaganda na TV, segundo dados da Nielsen encomendados pela AGA.

Inflação e impostos federais mais altos sobre os ganhos comprimem o bolso do apostador. E o público começa a mostrar sinais de fadiga, à medida que crescem as preocupações com saúde pública e integridade esportiva.

Ressaca regulatória

A mudança de humor vem despertando ceticismo entre legisladores, agora mais dispostos a enfrentar o setor. Em março, uma tentativa de legalizar apostas esportivas na Geórgia fracassou no legislativo estadual. O senado estadual do Colorado aprovou recentemente um projeto que proíbe depósitos em casas de aposta com cartão de crédito, além de restrições à publicidade.

“Historicamente, um estado nunca reabriria uma lei de jogo. De uma hora para outra, isso deixou de ser tabu”, diz Steve Ruddock, analista do setor e autor da newsletter Straight to the Point.

No total, oito estados aumentaram impostos sobre apostas esportivas desde 2023, e cinco impuseram limites à dedução fiscal de gastos com promoções. Illinois impôs uma nova alíquota que pode chegar a 40% da receita das casas de aposta, em cima do imposto municipal de Chicago, de 10,25%. Neste mês, a DraftKings fechou a casa física que operava no Wrigley Field, estádio do Chicago Cubs.

Para Jonathan Cohen, que lidera a política para apostas esportivas no American Institute for Boys and Men, a maioria dos americanos nunca pediu tanta aposta esportiva. “Não houve mandato público”, diz ele, lembrando que a onda de legalização foi impulsionada por uma decisão da Suprema Corte em 2018 e pelo desespero dos estados por nova arrecadação no auge da pandemia.

“É a clássica arrogância americana de legalizar a forma mais agressiva de um produto de uma vez só, e só depois lidar com as externalidades negativas”, afirma Cohen.

O fantasma da manipulação

Para Cohen, o vício não será o que vai virar a maré regulatória. O que pode fazer isso são as preocupações sobre os próprios jogos.

As ligas esportivas já acreditaram que apostas legalizadas minariam a percepção de honestidade das competições. “As posses mais preciosas que temos como liga de futebol americano são as nossas reputações de integridade e a integridade dos nossos jogos”, disse Paul Tagliabue, então comissário da NFL, em audiência no Congresso sobre apostas esportivas em 1990.

Trinta e quatro anos depois, o Super Bowl LVIII foi realizado em Las Vegas.

O alerta de Tagliabue se revelou profético. Segundo pesquisa recente da Morning Consult, 50% dos americanos acreditam que atletas profissionais frequentemente ou às vezes alteram a forma como jogam para ajudar apostadores a vencer apostas.

Depois que dois lançadores do Cleveland Guardians foram indiciados pela acusação de receber subornos de apostadores, o governador de Ohio, Mike DeWine, chamou a legalização das apostas esportivas de um dos maiores arrependimentos de sua carreira de meio século na política. “Ohio não deveria ter feito isso”, disse à Associated Press.

DeWine se opôs especificamente a apostas atreladas ao desempenho individual de jogadores, conhecidas como prop bets. Essas apostas são ingrediente popular nos parlays, em que apostas individuais são amarradas em uma só, e respondem por parte significativa dos lucros tanto da DraftKings quanto da FanDuel.

Outros escândalos recentes, como uma série de denúncias de manipulação de resultados no basquete profissional e universitário, “desafiam a confiança dos americanos na integridade do esporte”, disse a senadora Marsha Blackburn (R-Tenn.) em audiência do Senado em maio. “E tudo isso foi inflamado pela rápida explosão das apostas esportivas legalizadas em todo o nosso país.”

Mercados de previsão

Se as apostas esportivas são uma história velha, os mercados de previsão certamente não são. O crescimento dos principais nomes do setor, Kalshi e Polymarket, é vertiginoso. A Kalshi viu volume recorde de US$ 14,8 bilhões em contratos negociados em abril, alta de cerca de 3.100% em relação ao ano anterior.

Os mercados de previsão “atingiram a mentalidade do trader, o tipo de usuário que não jogaria blackjack porque a leitura dele é que é jogo perdido”, diz Nigel Eccles, cofundador da FanDuel.

A maior parte dos contratos negociados está ligada a esportes, mas são os mercados sobre política, cultura e negócios que chamam a atenção do público. No Brasil, o governo decidiu proibir esse tipo de abordagem dos mercados preditivos.

Em maio, uma audiência do Senado pensada para discutir integridade esportiva virou um debate acalorado sobre mercados de previsão. Há algumas semanas, a Comissão de Supervisão da Câmara abriu uma investigação sobre uso de informação privilegiada nos mercados administrados por Kalshi e Polymarket. “É o velho oeste”, disse o republicano James Comer, presidente da comissão.

Futebol
Ilustração: R. Kikuo Johnson/Barron`s

As plataformas iniciantes tomaram Wall Street de assalto e abalaram o setor de jogo, com avaliações pré-IPO que superam as capitalizações de mercado atuais da Flutter e da DraftKings.

Os contratos de evento regulados federalmente que essas plataformas oferecem se parecem muito com apostas esportivas, mas estão isentos de impostos estaduais e disponíveis em todo o país a qualquer pessoa com mais de 18 anos.

DraftKings e FanDuel lançaram seus próprios mercados de previsão para se manterem competitivas, uma virada cara que pesa sobre os resultados. Pesquisa recente encomendada pela American Gaming Association com executivos do setor mostrou que 81% deles consideram os mercados de previsão uma “ameaça muito significativa à indústria regulada de jogo”.

Kalshi e Polymarket prosperam em estados como Texas e Califórnia, onde apostas esportivas tradicionais permanecem ilegais. Embora 22% dos americanos vivam nesses estados, eles responderam por 43% do volume de mercado esportivo da Kalshi nos EUA no primeiro trimestre, segundo dados da Eilers & Krejcik Gaming.

Los Angeles, San Francisco, Dallas e Houston vão receber jogos da Copa do Mundo neste mês. Os mercados de previsão serão a única opção legal para apostadores locais. A Kalshi diz ter 326 mercados ligados à Copa do Mundo.

Luana Lopes Lara e Tarek Mansour fundadores da Kalshi

A atividade de negociação ligada ao futebol cresceu 208 vezes ao longo do último ano, segundo a empresa. A Polymarket, por sua vez, tem parcerias com a MLS (liga americana), a La Liga espanhola e a Serie A italiana.

Jordan Bender, analista do Citizens que cobre o setor, diz que o crescimento dos mercados de previsão não é surpresa: “Se você der a qualquer parte subexplorada do planeta uma forma de apostar, vai estourar.”

Em estados que já têm aposta esportiva online, no entanto, o boom não é tão evidente. No primeiro trimestre, a Kalshi respondeu por 2% do handle em estados com mercados de aposta esportiva desenvolvidos.

Os apostadores ainda preferem casas tradicionais aos mercados de previsão, diz Peter Jackson, presidente-executivo da Flutter. Ele aponta a estreia recente das apostas esportivas online da FanDuel no Arkansas: em poucas semanas após o lançamento, a casa havia cadastrado 5% da população adulta do estado. A Kalshi estava em Arkansas havia meses antes da chegada da FanDuel.

Por enquanto, a maior parte de Wall Street parece compartilhar o otimismo de Jackson. A maioria dos analistas que cobrem Flutter e DraftKings mantém recomendação de compra, com preço-alvo médio 53% e 35% acima dos valores atuais, respectivamente.

A única recomendação de venda para a DraftKings vem do analista Charlie Muir-Sands, do BNP Paribas. “O sentimento político mais amplo nos EUA sobre jogo está se tornando menos favorável e pode levar a regras mais rígidas de jogo responsável ou impostos mais altos”, escreveu ele a clientes.

“Vemos riscos para os resultados, especialmente se as alíquotas subirem, enquanto os múltiplos de avaliação ainda parecem esticados, apesar da queda de 65% das ações em relação ao pico histórico.”

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União Europeia oficializa veto à carne do Brasil e fixa bloqueio para 3 de setembro

A União Europeia formalizou o veto às importações de carne bovina, de frango e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio começa em 3 de setembro e atinge também pescado, mel, ovos, equinos e tripas. 

O documento foi assinado na quinta-feira (4) e publicado na sexta pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a decisão que o bloco havia anunciado em maio.

A medida exclui o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação do bloco proíbe o uso de certas substâncias para acelerar o crescimento dos rebanhos ou aumentar a produtividade, além de vetar antibióticos reservados ao tratamento de infecções humanas. 

A justificativa europeia não aponta carne contaminada nem surto sanitário. A Comissão afirma não ter recebido informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos.

Os demais integrantes do Mercosul, Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar produtos de origem animal ao bloco, o que enfraquece o argumento de que a decisão teve como alvo o acordo comercial firmado recentemente entre Mercosul e UE. 

A Comissão cita nominalmente Armênia, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, Sérvia, Tanzânia, Tunísia, Uganda e Uzbequistão entre os países que enviaram as comprovações e foram aceitos.

Resposta tardia

A lista de países habilitados foi instituída pelo Regulamento de Execução (UE) 2024/2598, de outubro de 2024, com vigência marcada desde então para 3 de setembro de 2026. Ou seja, o prazo é conhecido há mais de um ano e meio.

Uma reportagem recente da Folha de S.Paulo mostrou que o Ministério da Agricultura tinha, pelo menos 40 dias antes da decisão, um parecer técnico interno apontando a fragilidade do sistema brasileiro. 

O Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do ministério concluiu que os controles eram insuficientes porque dependem de autodeclaração dos produtores e das empresas, sem fiscalização oficial e independente em granjas e propriedades. 

A resposta brasileira veio tarde e com brecha. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou duas portarias vedando os medicamentos questionados, uma sobre antimicrobianos reservados à medicina humana, outra sobre promotores de crescimento. 

Mas abriu uma janela de 180 dias para que as empresas esgotem estoques até outubro, prazo que extrapola a própria data-limite europeia de setembro. 

Efeito para os frigoríficos

A UE é o segundo maior destino das carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, e responde por cerca de 5,8% das vendas externas de carne bovina. 

A estimativa do setor é de perda de quase US$ 2 bilhões por ano. Quando o bloco anunciou a decisão, em 12 de maio, as ações dos frigoríficos reagiram: JBS recuou 3,47%, MBRF cedeu 5,38% e Minerva caiu 1,16%.

Para reabrir o mercado, o Brasil vai precisa demonstrar fiscalização verificável sobre o uso de medicamentos no campo, ou garantir cadeias segregadas de animais que nunca receberam as substâncias proibidas, o que esbarra na rastreabilidade e nos ciclos de produção do rebanho.

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Adeus Nickelodeon e Cartoon Network? Paramount cogita venda de canais para aprovar compra da Warner

A Paramount Skydance está disposta, se necessário, a vender alguns canais infantis para conseguir a aprovação da União Europeia para sua oferta de US$ 110 bilhões pela Warner Bros. Discovery, segundo pessoas a par do assunto.

A empresa quer evitar a venda de qualquer ativo, mas está aberta a abrir mão dos canais infantis caso a UE levante questões sobre sobreposições que ameacem a concorrência, de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, que falaram sob condição de anonimato. 

A decisão sobre se e quando submeterá medidas formais ao bloco ainda não foi tomada, num momento em que se aproxima o prazo de 7 de julho para que a UE aprove o negócio ou abra uma investigação mais profunda.

A operação une dois estúdios de Hollywood por trás de filmes lendários, de Casablanca e Harry Potter a Missão Impossível, dois canais de notícias de peso (CNN e CBS), o serviço de streaming HBO Max e dezenas de redes a cabo. 

Junta também a Nickelodeon, da Paramount, e o Cartoon Network, da Warner Bros. Discovery, duas das marcas mais conhecidas de TV infantil na Europa, num mercado em que cerca de metade dos canais infantis pertence a empresas americanas.

O escrutínio da Comissão Europeia, sediada em Bruxelas, é um dos últimos obstáculos que o presidente-executivo da Paramount, David Ellison, precisa superar depois de bater a rival Netflix com múltiplas ofertas ao longo de mais de cinco meses. 

A trajetória incluiu visitas a Washington, reuniões com acionistas e com o presidente Donald Trump, e o apoio pessoal de seu pai bilionário, Larry Ellison, fundador da Oracle. Se aprovada por reguladores globais, a transação daria à família Ellison o controle de um dos impérios de mídia mais poderosos do mundo.

Referências infantis

A possível venda dos canais infantis tem peso simbólico que vai além da disputa concorrencial. Fundada em 1979, a Nickelodeon foi a casa que formou parte significativa da cultura pop dos anos 1990 e 2000. 

Pelos seus estúdios passaram Melissa Joan Hart, descoberta no programa “Clarissa Explains It All” antes de virar a “Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira” na televisão; Kenan Thompson, de Kenan & Kel, hoje veterano do “Saturday Night Live”.

Ainda nomes mais recentes, como Miranda Cosgrove, de “iCarly”; Jamie Lynn Spears, de “Zoey 101”; e Ariana Grande, descoberta em “Victorious” antes de se tornar uma das maiores popstars do planeta, papel agora coroado com a indicação ao Oscar por “Wicked”. 

Ariana Grande: estrela surgiu em série da Nickelodeon
Ariana Grande: estrela surgiu em série da Nickelodeon (Reprodução/Instragram)

Do lado da Warner, o Cartoon Network construiu nas últimas três décadas o catálogo que inclui “Johnny Bravo”, “Hora de Aventura”, “Apenas um Show” e “Steven Universo”, marcos da animação contemporânea reconhecidos por gerações de crianças e adultos.

“É bem provável que a comissão escrutine sobreposições entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery no fornecimento atacadista de canais de TV infantil” na região, disse Jennifer Rie, analista da Bloomberg Intelligence. “Preocupações seriam levantadas se as participações de mercado combinadas excedessem 40% em qualquer país.”

Outros obstáculos

O conteúdo infantil não é a única pedra no caminho da investigação europeia. Salas de cinema pediram compromissos sobre as “janelas teatrais”, o período após o lançamento de um filme nos cinemas em que ele só pode ser visto nas salas, antes de aparecer em streaming. 

A Comissão Europeia tem se aproximado das redes de cinema para entender o impacto provável do acordo sobre o negócio delas, segundo outras pessoas a par do assunto.

As regras europeias dão aos compradores uma janela curta para apaziguar preocupações concorrenciais na fase 1 da análise. Os “remédios” (concessões formais) precisariam ser apresentados no começo de julho, para que a comissão tenha tempo de testá-los. Depois disso, a Comissão pode aprovar a fusão ou abrir uma fase 2, o que adiaria a decisão por cerca de três meses.

A Paramount não comentou os detalhes da investigação europeia, mas reiterou que “vem se relacionando com todos os órgãos regulatórios e de aplicação da lei de forma construtiva e transparente”. A executivo da Paramount mira fechar o negócio no terceiro trimestre deste ano.

No Reino Unido, a Competition and Markets Authority deve abrir uma investigação inicial e vem sendo pressionada por grupos de interesse público, sindicatos e organizações do setor cinematográfico a adotar uma postura dura. 

Nos EUA, os reguladores antitruste parecem prontos para aprovar a transação, segundo a Semafor. Mas um grupo de procuradores estaduais liderado por Rob Bonta, da Califórnia, vem investigando o negócio e pode entrar com ação para barrar o acordo ainda neste mês.

Os bilhões do Oriente Médio

A compra precisa sobreviver ainda à Regulação de Subsídios Estrangeiros, lei recente do bloco europeu para impedir que empresas bancadas por Estados soberanos, como nações do Golfo e a China, distorçam a concorrência nos 27 países da UE.

Um trio de fundos do Oriente Médio concordou em fornecer cerca de US$ 24 bilhões em capital próprio para bancar a oferta da Paramount: o Public Investment Fund (PIF) da Arábia Saudita, a Qatar Investment Authority e a menos conhecida L’Imad Holding, de Abu Dhabi. 

Os fundos receberão ações classe B sem direito a voto, recém-emitidas, o que limita sua influência sobre a governança da empresa combinada. O detalhe pode jogar a favor do acordo na análise regulatória.

Esses fundos são supervisionados por Estados ricos do Golfo que há muito financiam gestoras globais. A Mubadala Investment Company, de Abu Dhabi, mantém relação de longa data com a Apollo Global Management, que está entre as gestoras que financiam a oferta da Paramount com bilhões em dívida. O braço de venture capital do PIF saudita também investe em fundos da Apollo.

O financiamento do Oriente Médio gerou também preocupações nos EUA. Um grupo de senadores democratas pediu à Federal Communications Commission “uma revisão rigorosa e profunda do investimento estrangeiro na Paramount”, em carta ao presidente da agência, Brendan Carr.

©2026 Bloomberg L.P.

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Raízen destrava maior recuperação extrajudicial do país com adesão de 75% dos credores

A Raízen alcançou nesta sexta-feira (5) a adesão de 75,45% de seus credores, conseguindo assim destravar seu plano de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, a maior do tipo já realizada no Brasil.

A adesão supera com folga o mínimo legal de mais da metade exigido pela lei para que o processo de RE siga em frente, e foi alcançada dentro do prazo de 90 dias previsto para a fase de negociação.

O plano agora segue para homologação da Justiça, sujeito a um período de 30 dias para eventuais objeções de credores. Uma vez homologado, o acordo vincula toda a base credora, incluindo aqueles que não aderiram ou se manifestaram contra.

O valor total da dívida sujeita à reestruturação é de R$ 64,7 bilhões, excluídos os créditos intercompany, que são créditos entre empresas do mesmo grupo econômico.

Os termos do acordo

Os pilares do plano foram detalhados em material apresentado aos credores no fim de maio. O primeiro é um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões da Shell, com a possibilidade de mais R$ 500 milhões via Aguassanta Participações, holding patrimonial do fundador da Cosan, Rubens Ometto.

Embora Ometto tenha afirmado ao InvestNews que pretende fazer o aporte, o fato relevante traz pela primeira vez a ressalva “caso venha a aderir”, em referência à Aguassanta. Nos bastidores, credores já não trabalhavam com esse valor, uma vez que Ometto não deverá seguir na presidência do conselho, condição que, segundo interlocutores envolvidos no processo, o empresário teria colocado para manter o cheque de pé.

O segundo pilar é a conversão de dívida em capital. A proposta é que 45% do valor da dívida, equivalente a cerca de R$ 29 bilhões, se transforme em ações da companhia. Credores aderentes receberão Units, ao preço de R$ 0,50 cada, compostas por uma ação ordinária, com direito a voto, e uma preferencial, sem voto, mas com prioridade no recebimento de dividendos. O preço de referência por ação é de R$ 0,25.

Os 55% restantes viram dívida nova, batizada de Novas Notas RSA e Novas Notas RESA, distribuída entre as duas pernas do negócio: 37,4% ficam na Raízen Combustíveis e 17,6% na Raízen Energia, nome dado à unidade agrícola do grupo.

A dívida nova da operação de combustíveis sai a CDI + 275 bps em reais ou 8,5% ao ano em dólar, com vencimentos em 2032 e 2034. A da vertical agrícola sai a CDI + 125 bps ou 7% ao ano em dólar, com prazos até 2033 e 2035.

A operação agrícola ganha ainda um alívio adicional: nos três primeiros anos, a companhia poderá capitalizar os juros em vez de pagá-los em dinheiro, ao custo de 200 bps acima da taxa contratada.

Há ainda duas opções alternativas para credores: um título de prazo muito longo, com vencimento em 2047 e deságio de 80%, e uma janela de pagamento à vista limitada a credores de menor valor, com teto agregado de aproximadamente R$ 150 milhões.

Duas empresas

O terceiro pilar é a divisão da atual Raízen em duas empresas.

Pelo plano, o negócio ESB (etanol, açúcar e bioenergia) passa a ser da Raízen Energia. Já a distribuição de combustíveis no Brasil, com a marca Shell, os 6,8 mil postos e o negócio de lubrificantes, vai para a Raízen Combustíveis. A operação de distribuição na Argentina, que no desenho original do plano integraria a Raízen Energia, foi vendida na quinta-feira (3) por US$ 1,4 bilhão.

Pós-transação, a alavancagem da operação de combustíveis fica em 4,8 vezes Ebitda, e a de energia em 2,2 vezes. O plano prevê ainda buscar um investidor para a empresa de combustíveis, em processo competitivo conduzido pelo conselho, que pode incluir uma oferta secundária de ações.

Novo conselho

A governança da Raízen também será reestruturada. O conselho de administração passará a ter sete membros: quatro indicados pelos credores aderentes, incluindo o presidente, e três pelos acionistas que aportarem capital.

A Shell mantém pelo menos um assento enquanto o contrato da marca estiver vigente.

Além disso, será criado o cargo de Chief Restructuring Officer (CRO), responsável pela condução da reestruturação, sob o comando de Lorival Luz, atual diretor financeiro da Raízen.

O CRO será monitorado pelo Creditor Restructuring Advisory Officer (CRAO), executivo indicado pelos credores, e por um comitê de cinco membros, todos indicados pelos credores aderentes.

O acordo de licenciamento da marca Shell, hoje peça central da operação de distribuição, será renovado com prazo de 15 mais 15 anos e cálculo de royalties que passa a incluir veículos elétricos e o varejo não-combustível dos postos, com piso e teto trimestrais corrigidos por IPCA + 3%, em vez do atual CDI + 3%.

O fechamento depende de três condições: o acordo de transação tributária federal, a renegociação das obrigações de reembolso devidas por Cosan e Shell sobre contingências anteriores à formação da joint venture, e o desenho final do plano de desinvestimentos.

A meta da Raízen é concluir a operação até 31 de março de 2027, e finalizar a segregação dos negócios até o fim do mesmo ano.

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JBS redobra aposta americana mesmo com crise do gado e cerco de Trump

Sob pressão do governo dos Estados Unidos desde a pandemia, a indústria de carnes enfrenta uma nova ofensiva do presidente Donald Trump, que culpa os frigoríficos de capital estrangeiro pelo preço recorde da carne bovina nos supermercados americanos.

Esse mercado se concentra em quatro grandes companhias, que respondem por cerca de 85% do abate. Duas são controladas por brasileiros. A maior delas é a JBS, da família Batista, líder em carne bovina no país e a maior processadora de carnes do mundo. Virou, assim, um dos principais alvos. 

Para se defender, o grupo adota um discurso apaziguador: o de uma empresa cujo futuro está cada vez mais ligado aos Estados Unidos. “Estamos bastante otimistas em investir nos EUA”, declarou Wesley Batista Filho, neto do fundador e CEO da operação americana do grupo, em um evento promovido pelo The Wall Street Journal no início desta semana.

Enquanto a rival Tyson Foods fechou de vez sua fábrica de carne bovina em Lexington, Nebraska, em janeiro, a primeira das grandes a desativar uma planta na atual crise de gado nos EUA, Wesley Filho lembrou que a JBS foi na direção oposta e resolveu reformar a sua em Cactus, no Texas. 

A unidade em questão é uma das maiores unidades de abate bovino do país: emprega mais de 3.600 pessoas e paga cerca de US$ 3,3 bilhões por ano aos pecuaristas da região pelo gado que processa. 

A JBS pretende injetar US$ 150 milhões na planta, com um novo piso de desossa e uma sala ampliada de carne moída, e prevê concluir as obras no início de 2027. “Estamos modernizando nossa planta no Texas para deixá-la pronta para os próximos 30, 40, 50 anos”, disse. “Vai ser, com sorte, a melhor do Texas.”

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)

A relevância do mercado americano não é só retórica. Metade da receita da JBS já vem dos EUA, que devem receber mais US$ 800 milhões em aportes neste ano, incluindo duas fábricas novas, em Iowa e na Geórgia.

“Uma parcela cada vez maior da nossa receita deve vir dos EUA”, disse o executivo. No primeiro trimestre, a maior unidade do grupo, a de carne bovina americana, faturou US$ 7,2 bilhões, mas fechou o período no vermelho. A escassez de gado nos EUA encareceu a compra do boi e comprimiu as margens.

A importância dos Estados Unidos para a JBS também pode ser vista também na migração da listagem da companhia do Brasil para a Bolsa de Nova York, que completa um ano neste mês. “Há pouquíssimos países no mundo [como os EUA] com o conhecimento, os recursos naturais e a estabilidade jurídica para fazer o que fazemos”, prosseguiu Wesley Filho.

Crise do boi nos EUA

Enquanto reforça a aposta nos Estados Unidos, a JBS enfrenta um cerco crescente do próprio governo americano.  No mês passado, o Departamento de Justiça abriu uma investigação antitruste contra as quatro maiores processadoras de carne bovina do país: Tyson Foods, JBS, Cargill e National Beef

Duas delas são controladas por brasileiros: JBS e a National Beef, controlada pela MBRF, do empresário Marcos Molina. Ao pedir a apuração, em novembro, Trump responsabilizou os “frigoríficos majoritariamente de capital estrangeiro” pela alta dos preços da carne bovina.

O cerco não é novo, mas mudou de patamar. A investigação anterior, aberta em 2020, durante a pandemia, foi encerrada sem acusações no ano passado, poucas semanas antes de Trump pedir uma nova. 

A apuração quer descobrir se os frigoríficos combinaram entre si a forma como compram gado dos pecuaristas. O Departamento de Justiça abriu até um canal para delatores, com recompensa a quem ajudar a comprovar irregularidades.

Na esfera civil, o histórico é mais antigo e fragmentado. Desde o começo da década, os quatro grupos respondem a uma série de ações movidas por pecuaristas, consumidores, atacadistas e redes como o McDonald’s, que os acusam de coordenar, desde meados dos anos 2010, a redução do abate para pagar menos ao produtor e cobrar mais do consumidor. 

JBS em negociação na NYSE, a Bolsa de Nova York
JBS em negociação na NYSE, a Bolsa de Nova York (Divulgação)

As empresas vêm fechando acordos aos poucos, sem admitir culpa. A JBS assinou um acordo de US$ 83,5 milhões, homologado pela Justiça em agosto de 2025, para encerrar a ação dos pecuaristas, e se comprometeu a cooperar com as autoridades. Tyson e Cargill fecharam acordo de US$ 87,5 milhões juntas na ação movida por consumidores.

A pressão política, porém, convive com uma crise estrutural real. O rebanho americano caiu a 86,2 milhões de cabeças em janeiro, o menor nível desde 1951. Anos de seca e custos altos encolheram o gado, e repor um animal leva de três a quatro anos. “A oferta de gado é uma das coisas mais inelásticas que existem”, disse Wesley Filho. “Uma decisão de hoje só afeta a oferta daqui a três, quatro anos.”

O paradoxo é que preço recorde não vira lucro para quem abate. “Oferta e demanda, simples assim. Há muito mais capacidade de processamento do que gado disponível”, resumiu o executivo. Falta boi, sobra capacidade ociosa, e as margens evaporaram. 

A National Beef viu a sua ir a perto de zero, e a Tyson projeta prejuízo na divisão de carne bovina neste ano. A JBS sente menos porque tem Austrália e Brasil em ciclos de oferta mais favoráveis para compensar.

“Se existisse mesmo um cartel, seria o cartel mais burro do mundo… só perde dinheiro”, avalia um executivo do setor ouvido pelo InvestNews.

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Sob nova direção, Braskem prepara recuperação extrajudicial e venda de ativos

A gestora IG4 assumiu oficialmente nesta quarta-feira (3) o controle da Braskem após a Novonor (ex-Odebrecht) concluir a transferência de suas ações para a casa fundada pelo investidor Paulo Mattos. Agora, IG4 e Petrobras passam a compartilhar oficialmente o comando da maior petroquímica do Brasil.

O fechamento da operação encerra um processo iniciado em dezembro de 2025, quando a IG4 comprou os créditos que Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES detinham contra a Novonor, garantidos pelas próprias ações da Braskem – uma dívida que já chegava perto dos R$ 19 bilhões.

Já nesta segunda-feira (8) será realizada uma assembleia extraordinária para eleger o novo conselho de administração e definir também a nova diretoria executiva. No board, a novidade é a indicação de Luciano Coutinho, presidente do BNDES entre 2007 e 2016, como conselheiro independente. 

Também chega ao board Walter Susini, ex-executivo global de Coca-Cola e Unilever, para cuidar da estratégia internacional e do negócio de polímeros verdes – bioplásticos produzidos a partir do etanol da cana-de-açúcar, segmento em que a Braskem é líder global e que a nova gestão vê como o futuro da companhia.

Outros nomes encaminhados para o conselho são Hélio Novaes, sócio-diretor da IG4 e ex-executivo da Alvarez & Marsal, consultoria especializada em reestruturações, e Octavio Lopes, ex-CEO da Light, que também liderou uma complexa recuperação judicial.

Novaes será o vice-presidente do conselho comandado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Com a operação concluída, a IG4 passa a ter 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, enquanto a Petrobras terá 47%. Já a Novonor fica com apenas uma fatia minoritária de 4% em ações preferenciais, sem direito a voto.

Recuperação extrajudicial ganha força

Já está confirmado também que Helcio Tokeshi, que comandou a operadora portuária CLI até o início deste ano, será o novo CEO. Carlos Brandão, ex-CEO da Iguá Saneamento e ex-CFO da Oi durante sua recuperação judicial, assumirá a diretoria financeira da petroquímica.

A prioridade imediata segue sendo um acordo para garantir a reestruturação financeira da Braskem. O novo comando da empresa irá apresentar na próxima semana uma proposta aos credores que envolve um standstill – suspensão temporária do pagamento de dívidas – de 90 dias, como passo inicial para negociar uma recuperação extrajudicial.

O prazo é curto. Entre julho e agosto, a Braskem terá de pagar juros sobre dívidas emitidas no exterior, algo em torno de US$ 150 milhões. “Os credores vão ter que ter um pouco de paciência, a Braskem não tem condições de honrar esses pagamentos. Mas a proposta que será apresentada deve surpreender positivamente os credores”, diz ao InvestNews uma fonte envolvida nas conversas.

Helcio Tokeshi, futuro CEO da Braskem
Helcio Tokeshi, futuro CEO da Braskem (Ilustração: Daniela Arbex)

A negociação envolve também a subsidiária mexicana Braskem Idesa, joint venture com o grupo local Idesa que está na iminência de pedir recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo mecanismo do Chapter 11

Como a Braskem mantém com a subsidiária um contrato de suporte financeiro, um eventual pedido de recuperação judicial nos EUA pode gerar obrigações adicionais para a matriz brasileira – o chamado cross-default.

Os números do primeiro trimestre de 2026 mostram a dimensão do desafio que a IG4 herda. A dívida líquida ajustada encerrou março em US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), alta de 9% em relação a igual período do ano anterior, com alavancagem de 16,81 vezes o lucro operacional (Ebitda) recorrente. 

A companhia tem cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos de dívida ainda em 2026.

Venda de ativos

Embora a Petrobras tenha mostrado resistência inicial à venda de ativos, a agenda do novo comando da Braskem passa também por desinvestimentos. 

Na lista de ativos que deverão ser negociados estão terminais portuários, plantas de geração de energia e unidades de tratamento de resíduos. A companhia opera terminais próprios em Triunfo e Rio Grande (RS), Duque de Caxias (RJ) e no Porto de Aratu, na Bahia.

A ideia, diz uma das fontes, é reduzir a complexidade operacional e concentrar recursos nas linhas de negócio mais rentáveis, com ênfase na produção baseada em gás natural em detrimento da nafta – petróleo refinado usado como matéria-prima petroquímica, mais caro e menos eficiente que o gás para determinados processos.

Outra aposta central é o negócio de polímeros verdes. A Braskem lançou em 2010 o primeiro polietileno de fonte renovável produzido em escala industrial no mundo, fabricado a partir do etanol da cana-de-açúcar, e é hoje líder global na produção de biopolímeros, com capacidade para fabricar 200 mil toneladas por ano. 

A nova gestão vê o segmento como o futuro da companhia e pretende acelerar seu crescimento.

“A IG4 levou sete anos para reestruturar a Iguá, na CLI [vendida recentemente por US$ 835 milhões] foram cinco anos. Uma reestruturação desse porte vai exigir tempo e paciência de todos, sobretudo dos credores”, completa uma fonte.

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GPA vende fatia na Stix à RD Saúde por R$ 23 milhões e deixa programa de fidelidade

O GPA, grupo dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, anunciou nesta quarta-feira (20) que acertou a venda de sua participação de 66,7% na Stix, empresa de programa de fidelidade, para sua sócia no negócio, a RD Saúde, por R$ 23 milhões.

Com isso, a RD, dona das redes de farmácias Raia e Drogasil, passará a ter 100% do negócio. A conclusão da operação depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Após o fechamento, GPA e RD firmarão acordo para um período de transição, no qual o programa seguirá operando nas lojas do grupo nas mesmas condições atuais, incluindo o acúmulo e o resgate de pontos pelos clientes do GPA.

O valor do negócio chama atenção pelo desencontro com a ambição original da Stix. Anunciada em novembro de 2019, a empresa nasceu apresentada como a primeira coalizão de fidelidade de grandes varejistas no Brasil, com uma base inicial de 55 milhões de clientes somados entre Pão de Açúcar Mais, Clube Extra, Sua Raia e Drogasil e Você.

O plano era atrair grandes marcas de outras verticais, como vestuário e postos de combustível, para criar uma moeda única de pontos no varejo brasileiro, mirando concorrer com programas como Smiles e Livelo.

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Após Tanure, Sabesp lança operação para incorporar Emae e tirar empresa da B3

A Sabesp informou na noite de sexta-feira (24) uma operação para incorporar a Emae e tirar da Bolsa a antiga estatal paulista, dona das represas Billings e Guarapiranga e de um conjunto de hidrelétricas no interior de São Paulo, que até ano passado era controlada pelo empresário Nelson Tanure

O movimento se dará em duas etapas: primeiro uma oferta em dinheiro aos minoritários, a R$ 61,83 por ação, e depois a incorporação dos acionistas remanescentes, que trocarão suas ações da Emae por papéis da Sabesp.

A operação é o ato de encerramento da passagem de Tanure pelo controle da Emae, capítulo que durou pouco mais de um ano e meio e terminou com a empresa sendo tomada por credores e vendida na sequência para a Sabesp por cerca de R$ 1 bilhão.

A oferta

Quando uma empresa troca de dono na bolsa, a lei manda que o novo controlador faça uma oferta para comprar também as ações de quem é minoritário, dando a esses acionistas a chance de sair pelo mesmo preço de quem vendeu o controle. 

No caso da Emae, a Sabesp teria de fazer duas dessas ofertas em paralelo, por motivos diferentes previstos em lei. Para evitar duplicar trabalho, pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para juntar tudo numa única oferta.

O preço será de R$ 61,83 por ação, o mesmo que a Sabesp pagou pelo bloco controlador, corrigido pela Selic desde 21 de janeiro deste ano, data do fechamento da compra. Os minoritários têm 15 dias para, se quiserem, convocar uma assembleia e pedir um laudo de avaliação independente sobre o preço.

O passo seguinte

Em comunicado separado, Sabesp e Emae informaram que estudam um segundo movimento. As administrações das duas empresas vão avaliar uma operação em que a Emae deixaria de existir como companhia aberta e seria absorvida pela Sabesp. 

Os acionistas que ainda restassem na Emae depois da oferta pública de aquisição (OPA) em dinheiro receberiam, em troca de seus papéis, ações da própria Sabesp, em proporção a ser calculada por comitês independentes.

Ao fim do processo, a Emae não terá mais ações negociadas em Bolsa.

Privatização

A Emae foi privatizada em abril de 2024, num leilão em que o Fundo Phoenix, que tem Tanure como beneficiário final e foi montado em parceria com Tércio Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, arrematou o controle por cerca de R$ 1 bilhão, com ágio de 33,68% sobre o preço mínimo. 

O financiamento combinou empréstimo da XP e emissão de R$ 520 milhões em debêntures, lastreadas em garantias pessoais dos empresários e em ações da Ambipar. Mas a crise vivida pelo grupo de Borlenghi Júnior, resultado em recuperação judicial, fez as garantias originais perderem valor. 

Com as garantias minguando e a inadimplência no pagamento da dívida, os credores tomaram a Emae e negociaram com a Sabesp em outubro do ano passado. Em março, a Sabesp comprou ainda os 9,22% que estavam no fundo Oceania (depois rebatizado de Arys), ligado a Borlenghi, por R$ 171,6 milhões.

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Após Tanure, Sabesp lança operação para incorporar Emae e tirar empresa da B3

A Sabesp informou na noite de sexta-feira (24) uma operação para incorporar a Emae e tirar da Bolsa a antiga estatal paulista, dona das represas Billings e Guarapiranga e de um conjunto de hidrelétricas no interior de São Paulo, que até ano passado era controlada pelo empresário Nelson Tanure

O movimento se dará em duas etapas: primeiro uma oferta em dinheiro aos minoritários, a R$ 61,83 por ação, e depois a incorporação dos acionistas remanescentes, que trocarão suas ações da Emae por papéis da Sabesp.

A operação é o ato de encerramento da passagem de Tanure pelo controle da Emae, capítulo que durou pouco mais de um ano e meio e terminou com a empresa sendo tomada por credores e vendida na sequência para a Sabesp por cerca de R$ 1 bilhão.

A oferta

Quando uma empresa troca de dono na bolsa, a lei manda que o novo controlador faça uma oferta para comprar também as ações de quem é minoritário, dando a esses acionistas a chance de sair pelo mesmo preço de quem vendeu o controle. 

No caso da Emae, a Sabesp teria de fazer duas dessas ofertas em paralelo, por motivos diferentes previstos em lei. Para evitar duplicar trabalho, pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para juntar tudo numa única oferta.

O preço será de R$ 61,83 por ação, o mesmo que a Sabesp pagou pelo bloco controlador, corrigido pela Selic desde 21 de janeiro deste ano, data do fechamento da compra. Os minoritários têm 15 dias para, se quiserem, convocar uma assembleia e pedir um laudo de avaliação independente sobre o preço.

O passo seguinte

Em comunicado separado, Sabesp e Emae informaram que estudam um segundo movimento. As administrações das duas empresas vão avaliar uma operação em que a Emae deixaria de existir como companhia aberta e seria absorvida pela Sabesp. 

Os acionistas que ainda restassem na Emae depois da oferta pública de aquisição (OPA) em dinheiro receberiam, em troca de seus papéis, ações da própria Sabesp, em proporção a ser calculada por comitês independentes.

Ao fim do processo, a Emae não terá mais ações negociadas em Bolsa.

Privatização

A Emae foi privatizada em abril de 2024, num leilão em que o Fundo Phoenix, que tem Tanure como beneficiário final e foi montado em parceria com Tércio Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, arrematou o controle por cerca de R$ 1 bilhão, com ágio de 33,68% sobre o preço mínimo. 

O financiamento combinou empréstimo da XP e emissão de R$ 520 milhões em debêntures, lastreadas em garantias pessoais dos empresários e em ações da Ambipar. Mas a crise vivida pelo grupo de Borlenghi Júnior, resultado em recuperação judicial, fez as garantias originais perderem valor. 

Com as garantias minguando e a inadimplência no pagamento da dívida, os credores tomaram a Emae e negociaram com a Sabesp em outubro do ano passado. Em março, a Sabesp comprou ainda os 9,22% que estavam no fundo Oceania (depois rebatizado de Arys), ligado a Borlenghi, por R$ 171,6 milhões.

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Na Rossi Residencial, família fundadora e Silvio Tini selam paz e encerram disputa societária

A Rossi Residencial anunciou na noite de sexta-feira (24) que a família fundadora e o investidor Silvio Tini firmaram um acordo para para encerrar todos as disputas societárias em curso na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), pondo fim a uma disputa que já dura quase dois anos.

A briga entre os Rossi e o dono da Bonsucex mobilizou sete arbitragens, o que travou a governança da construtora, será arquivada se uma assembleia marcada para a próxima segunda-feira (28) aprovar sem ressalvas as contas da administração de 2024.

Pelos termos do acordo, a Rossi Residencial desiste da ação de responsabilidade que movia contra ex-administradores ligados a Tini, com base no artigo 159 da Lei das S.A. Em troca, esses ex-administradores abrem mão de eventual ressarcimento futuro à companhia até o máximo de R$ 12 milhões.

As partes envolvidas nos cinco processos arbitrais sobre a oferta pública obrigatória (OPA estatutária) também renunciam mutuamente às pretensões, mantendo a versão atual do estatuto social, aprovada em uma assembleia de novembro de 2024.

A pacificação chega em momento delicado para a incorporadora, em recuperação judicial desde 2022 com mais de R$ 1 bilhão em dívidas. 

Em fato relevante, a administração argumenta que o acordo “permitirá uma economia substancial de recursos financeiros e humanos” e criará “ambiente societário e institucional mais favorável” à retomada dos negócios.

Início da briga

A disputa começou em meados de 2024, quando os irmãos João Paulo e Renata Rossi Cuppoloni, herdeiros da família fundadora, acusaram Tini e veículos a ele relacionados, entre eles a Lagro Participações, de terem ultrapassado em conjunto a fatia de 25% do capital da companhia, patamar que aciona a poison pill prevista no estatuto e obrigaria à realização de uma OPA aos demais acionistas. 

Os Rossi também questionaram a independência de três conselheiros que, segundo eles, atuariam em favor de Tini, e pediram a destituição do trio.

A briga azedou. Renata Rossi foi destituída da diretoria em outubro de 2024. Em assembleia no mesmo mês, os acionistas rejeitaram a proposta de suspender os direitos políticos de Tini e da Lagro. 

Em dezembro, num movimento então inédito, a CAM-B3 chegou a suspender cautelarmente os direitos políticos de Tini e de quatro acionistas ligados a ele, decisão posteriormente revertida na esfera societária. O conselho ficou dividido entre dois representantes da família e três conselheiros associados ao investidor.

Tini, que comanda o Grupo Bonsucex, com participações em Alpargatas, GPA, Gerdau e Terra Santa, foi condenado pela CVM em processo de uso de informação privilegiada e está proibido por cinco anos de exercer cargo de administrador ou de conselheiro fiscal em companhias abertas.

O que falta

A homologação dos acordos depende de três condições: a manutenção da aprovação das contas de 2022 e 2023, a aprovação sem ressalvas das contas de 2024 e 2025 em assembleia, e o aval do conselho de administração ao acordo do artigo 159 em até dez dias. 

As ações ordinárias da Rossi (RSID3) acumulam queda relevante desde o estouro da crise, e a expectativa do mercado é de que o desfecho da assembleia defina se a construtora consegue, enfim, deslocar o foco de seu conselho do tribunal arbitral para o plano de recuperação.

A Rossi foi uma das primeiras incorporadoras brasileiras a abrir capital, em 1997, antes mesmo da onda de IPOs do setor, ocorrida entre 2006 e 2007, quando Cyrela, Gafisa, MRV, PDG e outras foram listadas. Foi também uma das mais castigadas pela crise do setor no início da década passada, o que a levou à recuperação judicial em 2022.

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Na Rossi Residencial, família fundadora e Silvio Tini selam paz e encerram disputa societária

A Rossi Residencial anunciou na noite de sexta-feira (24) que a família fundadora e o investidor Silvio Tini firmaram um acordo para para encerrar todos as disputas societárias em curso na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), pondo fim a uma disputa que já dura quase dois anos.

A briga entre os Rossi e o dono da Bonsucex mobilizou sete arbitragens, o que travou a governança da construtora, será arquivada se uma assembleia marcada para a próxima segunda-feira (28) aprovar sem ressalvas as contas da administração de 2024.

Pelos termos do acordo, a Rossi Residencial desiste da ação de responsabilidade que movia contra ex-administradores ligados a Tini, com base no artigo 159 da Lei das S.A. Em troca, esses ex-administradores abrem mão de eventual ressarcimento futuro à companhia até o máximo de R$ 12 milhões.

As partes envolvidas nos cinco processos arbitrais sobre a oferta pública obrigatória (OPA estatutária) também renunciam mutuamente às pretensões, mantendo a versão atual do estatuto social, aprovada em uma assembleia de novembro de 2024.

A pacificação chega em momento delicado para a incorporadora, em recuperação judicial desde 2022 com mais de R$ 1 bilhão em dívidas. 

Em fato relevante, a administração argumenta que o acordo “permitirá uma economia substancial de recursos financeiros e humanos” e criará “ambiente societário e institucional mais favorável” à retomada dos negócios.

Início da briga

A disputa começou em meados de 2024, quando os irmãos João Paulo e Renata Rossi Cuppoloni, herdeiros da família fundadora, acusaram Tini e veículos a ele relacionados, entre eles a Lagro Participações, de terem ultrapassado em conjunto a fatia de 25% do capital da companhia, patamar que aciona a poison pill prevista no estatuto e obrigaria à realização de uma OPA aos demais acionistas. 

Os Rossi também questionaram a independência de três conselheiros que, segundo eles, atuariam em favor de Tini, e pediram a destituição do trio.

A briga azedou. Renata Rossi foi destituída da diretoria em outubro de 2024. Em assembleia no mesmo mês, os acionistas rejeitaram a proposta de suspender os direitos políticos de Tini e da Lagro. 

Em dezembro, num movimento então inédito, a CAM-B3 chegou a suspender cautelarmente os direitos políticos de Tini e de quatro acionistas ligados a ele, decisão posteriormente revertida na esfera societária. O conselho ficou dividido entre dois representantes da família e três conselheiros associados ao investidor.

Tini, que comanda o Grupo Bonsucex, com participações em Alpargatas, GPA, Gerdau e Terra Santa, foi condenado pela CVM em processo de uso de informação privilegiada e está proibido por cinco anos de exercer cargo de administrador ou de conselheiro fiscal em companhias abertas.

O que falta

A homologação dos acordos depende de três condições: a manutenção da aprovação das contas de 2022 e 2023, a aprovação sem ressalvas das contas de 2024 e 2025 em assembleia, e o aval do conselho de administração ao acordo do artigo 159 em até dez dias. 

As ações ordinárias da Rossi (RSID3) acumulam queda relevante desde o estouro da crise, e a expectativa do mercado é de que o desfecho da assembleia defina se a construtora consegue, enfim, deslocar o foco de seu conselho do tribunal arbitral para o plano de recuperação.

A Rossi foi uma das primeiras incorporadoras brasileiras a abrir capital, em 1997, antes mesmo da onda de IPOs do setor, ocorrida entre 2006 e 2007, quando Cyrela, Gafisa, MRV, PDG e outras foram listadas. Foi também uma das mais castigadas pela crise do setor no início da década passada, o que a levou à recuperação judicial em 2022.

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Agora com sócio chinês, Patria reorganiza participação em usina bilionária no Rio

O Patria Investimentos está captando R$ 500 milhões em debêntures para reorganizar seu investimento na termelétrica Marlim Azul Energia, localizada no norte do Rio de Janeiro.

A operação envolve dois fundos da gestora: na ponta compradora, está o Patria Infra Core FIP, dono da holding Infraestrutura Brasil XVIII, criada em 2022 para gerir ativos maduros com fluxo de caixa previsível. Já do lado vendedor está o Patria Infraestrutura III, veículo montado há mais de uma década.

A transação trata apenas da compra de 50,1% das ações da Marlim, já que os outros 49,9% pertencem ao fundo chinês Claifund, que se tornou sócio do Patria em janeiro deste ano.

Caso a totalidade da captação de R$ 500 milhões seja alocada para a aquisição da Marlim Azul, isso indicaria um valor de mercado para o ativo de R$ 1 bilhão para a usina inteira, o equivalente à receita da termelétrica em 2024. 

O cálculo se refere ao valor do equity: a Marlim carrega ainda a dívida de projeto contraída na fase de construção, o que pode elevar o valor total do empreendimento.

O ativo 

A Marlim é uma termelétrica a gás natural de 565 MW, cerca de metade da capacidade de uma usina nuclear como Angra 1, localizada em Macaé. A usina, a primeira a utilizar gás-natural do pré-sal, arrematou um contrato de fornecimento de energia em 2019 e tem sua disponibilidade vendida até 2044.

Em janeiro, o fundo chinês China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund (Claifund) comprou a fatia de Shell e Mitsubishi Power no projeto. 

Além do investimento na usina termelétrica, o Claifund anunciou nesta semana que se tornou sócio do Patria no projeto de um data center do TikTok no Ceará, que deverá demandar R$ 200 bilhões de investimentos em dez anos.

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Agora com sócio chinês, Patria reorganiza participação em usina bilionária no Rio

O Patria Investimentos está captando R$ 500 milhões em debêntures para reorganizar seu investimento na termelétrica Marlim Azul Energia, localizada no norte do Rio de Janeiro.

A operação envolve dois fundos da gestora: na ponta compradora, está o Patria Infra Core FIP, dono da holding Infraestrutura Brasil XVIII, criada em 2022 para gerir ativos maduros com fluxo de caixa previsível. Já do lado vendedor está o Patria Infraestrutura III, veículo montado há mais de uma década.

A transação trata apenas da compra de 50,1% das ações da Marlim, já que os outros 49,9% pertencem ao fundo chinês Claifund, que se tornou sócio do Patria em janeiro deste ano.

Caso a totalidade da captação de R$ 500 milhões seja alocada para a aquisição da Marlim Azul, isso indicaria um valor de mercado para o ativo de R$ 1 bilhão para a usina inteira, o equivalente à receita da termelétrica em 2024. 

O cálculo se refere ao valor do equity: a Marlim carrega ainda a dívida de projeto contraída na fase de construção, o que pode elevar o valor total do empreendimento.

O ativo 

A Marlim é uma termelétrica a gás natural de 565 MW, cerca de metade da capacidade de uma usina nuclear como Angra 1, localizada em Macaé. A usina, a primeira a utilizar gás-natural do pré-sal, arrematou um contrato de fornecimento de energia em 2019 e tem sua disponibilidade vendida até 2044.

Em janeiro, o fundo chinês China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund (Claifund) comprou a fatia de Shell e Mitsubishi Power no projeto. 

Além do investimento na usina termelétrica, o Claifund anunciou nesta semana que se tornou sócio do Patria no projeto de um data center do TikTok no Ceará, que deverá demandar R$ 200 bilhões de investimentos em dez anos.

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Dona da Sadia, MBRF investe US$ 70 milhões para quadruplicar produção de hambúrguer no Uruguai

A MBRF, dona da Sadia e da Perdigão, anunciou nesta quinta-feira (23) um investimento de US$ 70 milhões (cerca de R$ 350 milhões na cotação atual) para a ampliação de uma fábrica em Tacuarembó, no norte do Uruguai.

O aporte vai quadruplicar a capacidade de produção de hambúrgueres da unidade e consolida o país como mais um polo da operação internacional da companhia. Com a obra, a produção de hambúrguer vai chegar a 500 mil por dia. Vale lembrar que a MBRF, por meio da Marfrig, é uma das fornecedoras do McDonald’s.

A capacidade de abate cresce de 900 para 1.400 animais diários, tornando Tacuarembó o maior complexo de abate de bovinos do Uruguai. A ampliação deve criar 570 postos de trabalho diretos, elevando o quadro total da unidade para cerca de 2.270 funcionários.

O anúncio foi feito em cerimônia com a presença do presidente uruguaio, Yamandú Orsi, ao lado de Marcos Molina, chairman da MBRF, Miguel Gularte, CEO da companhia, e Marcelo Secco, CEO da operação uruguaia.

Movimento internacional

A MBRF opera no Uruguai desde 2006, quando a então Marfrig iniciou ali a internacionalização de sua plataforma de bovinos na América do Sul.

A companhia responde hoje por cerca de 30% das exportações de carne bovina do país, com embarques para Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul e União Europeia. A marca Sadia tem participação de aproximadamente 70% no mercado uruguaio de industrializados.

No Oriente Médio, a MBRF também acelerou movimentos nas últimas semanas.

Há duas semanas, a companhia fechou parceria de R$ 1,3 bilhão com a Halal Products Development Company, subsidiária do fundo soberano saudita PIF, para tirar do papel a Sadia Halal, joint venture avaliada em US$ 2,07 bilhões que agora mira um IPO. Dias depois, ampliou com a Salic, também do PIF, o fornecimento de frango e bovinos à Arábia Saudita.

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Petrobras e IG4 correm para eleger nova gestão da Braskem neste mês; Helcio Tokeshi será o CEO

A IG4 e a Petrobras, os co-controladores da Braskem, começam a desenhar a nova diretoria da empresa após a troca de controle estar praticamente fechada.

O plano é que um novo conselho e uma nova diretoria sejam eleitos já na próxima assembleia de acionistas, que ocorre na quarta-feira da semana que vem, dia 29, apurou o InvestNews.

A tendência é que os cargos de CEO e CFO sejam ocupados por profissionais ligados à gestora, enquanto as diretorias de operação e comercial venham de indicações da estatal.

A presidência do conselho, por sua vez, deverá ser indicada pela Petrobras. Um dos nomes ventilados para presidir o board é o da atual CEO Magda Chambriard.

Novo CEO

O InvestNews apurou que o novo CEO da Braskem será Helcio Tokeshi, sócio da IG4 que comandou entre 2019 e fevereiro deste ano a CLI, braço de logística portuária da gestora fundada por Paulo Mattos.

Economista de formação, Tokeshi foi secretário da Fazenda de São Paulo entre 2016 e 2018, passou pelo Banco Mundial e esteve na Secretaria de Acompanhamento Econômico no primeiro governo Lula.

A diretoria financeira deverá ficar com Carlos Brandão, que comandou a Iguá Saneamento de julho de 2020 até agosto de 2023. Brandão também foi CFO da Oi entre 2017 e 2019, participando de uma das maiores recuperações judiciais da história corporativa brasileira.

Mais cedo, a IG4 informou que estava recrutando “profissionais altamente experientes na condução de processos de reestruturação (turnarounds) de empresas líderes em seus segmentos de atuação, incluindo nos setores de logística e de água e esgotamento sanitário”.

Standstill a caminho

A missão de Brandão será lidar com o alto endividamento da petroquímica. A dívida líquida da Braskem encerrou 2025 em US$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões). Em termos brutos, o endividamento corporativo soma US$ 9,4 bilhões, perto de R$ 50 bilhões.

Diante da dificuldade em honrar seus compromissos nos próximos meses, a tendência é que a Braskem peça proteção contra credores em breve, como revelou o InvestNews.

A previsão é que a nova diretoria tome posse no fim de abril e já apresente um plano de reestruturação da companhia. Até lá, são poucas as chances de qualquer acordo ou pedido de proteção contra os credores.

A ideia é que, efetividada a troca de diretoria, esteja amarrado também um acordo para a suspensão do pagamento de dívidas (“standstill“) com a maioria dos credores, o que abre caminho para uma recuperação extrajudicial nos moldes da Raízen. Uma recuperação judicial ainda não está totalmente descartada.

“O que queremos deixar claro para os credores é que nenhum credor vai levar a Braskem. Nem aqui no Brasil e nem no México”, diz ao InvestNews uma fonte próxima à companhia, lembrando da crise de endividamento da Braskem Idesa, em que o empresário Carlos Slim, sócio da Braskem na subsidiária, tornou-se também seu principal credor.

Procurada pelo InvestNews, a IG4 não comentou.

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Justiça de SP proíbe Casino de vender participação no GPA em disputa de R$ 2,6 bilhões

O GPA, varejista dona das redes Pão de Açúcar e Extra, conseguiu nesta segunda-feira (20) uma decisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo que proíbe o Casino de vender suas ações no grupo.

O grupo francês, que foi controlador do GPA até março de 2024, também não poderá finalizar operações de venda que estivessem em andamento, com interrupção da liquidação financeira dessas operações na bolsa antes que sejam concretizadas.

A decisão foi proferida dentro de um pedido de reconhecimento de processo estrangeiro apresentado pelo próprio Casino, que buscava homologar no Brasil uma autorização obtida em sua recuperação judicial na França para vender as ações do GPA. A varejista brasileira se antecipou e, dentro desse mesmo processo, obteve a cautelar que bloqueou a saída.

O episódio marca uma escalada significativa na briga entre as duas empresas.

Até a semana passada, a disputa corria exclusivamente na esfera arbitral, na CCI, onde o GPA busca responsabilizar o Casino pela disputa tributária de R$ 2,55 bilhões com a Receita Federal, decorrente de deduções de ágio no imposto de renda entre 2007 e 2013. O pedido de bloqueio das ações havia sido negado nesta instância.

Agora, o conflito ganha um segundo front na Justiça comum brasileira. A decisão da vara de falências de São Paulo é, por natureza, provisória e pode ser contestada pelo Casino. Mas, enquanto vigorar, impede qualquer movimentação das cerca de 110 milhões de ações que o grupo francês detém na varejista, hoje avaliadas em aproximadamente R$ 240 milhões.

Um detalhe no documento enviado pelo GPA chama a atenção: existe uma indicação de que o Casino havia começado a vender ações após a decisão do tribunal arbitral, em 13 de abril, que o havia liberado para negociar livremente. O GPA, antecipando o esvaziamento da posição, correu à Justiça local para travar a saída.

O juiz reconheceu dois fundamentos para conceder a medida: a probabilidade do direito alegado pelo GPA e o risco de que a alienação das ações esvaziasse o patrimônio do Casino no Brasil, comprometendo eventuais obrigações futuras.

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Braskem encaminha novo controlador: gestora IG4 assina contrato para assumir a petroquímica

A gestora IG4 assinou o contrato com a Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações do grupo na Braskem e passará a ser a controladora da maior petroquímica do país. O negócio havia sido anunciado em dezembro de 2025, mas o contrato de compra e venda foi formalizado somente na última sexta-feira (17).

O negócio, comunicado ao mercado nesta segunda-feira (20), transfere 50,11% do capital votante e 34,32% do capital total da Braskem para a IG4, uma gestora especializada em reestruturação tocada pelo investidor Paulo Mattos.

A Petrobras permanece como sócia relevante da Braskem, na condição de co-controladora. Com o fechamento, um novo acordo de acionistas entre a estatal e a IG4 entrará em vigor, com controle compartilhado: deliberações no conselho e na assembleia exigirão consenso entre as partes, que indicarão número igual de membros para o conselho de administração e a diretoria estatutária.

A IG4 informou ter recrutado profissionais com experiência em turnarounds nos setores de logística e saneamento para assumir posições de gestão na Braskem, sem revelar os nomes. O objetivo declarado é conduzir, junto com a Petrobras, uma reestruturação financeira e operacional da companhia.

A gestora assumirá em um momento decisivo. Com cerca de US$ 100 milhões em juros para pagar no meio do ano, a Braskem discute uma recuperação extrajudicial com seus credores.

Com prazo apertado, a tendência é que a petroquímica peça proteção judicial para evitar uma avalanche de execução de dívidas, como mostrou o InvestNews. “Um novo plano de reestruturação da Braskem será apresentado pela nova Diretoria Executiva tão logo assuma suas funções”, declarou a IG4, em nota.

Estrutura do negócio

A transação entre IG4 e Novonor não haverá pagamento em dinheiro: em troca das ações, a IG4 entregará à NSP Investimentos, subsidiária da Novonor que detém os papéis da Braskem, debêntures da própria NSP, na proporção de três títulos por ação adquirida (dois da primeira série e um da segunda, tickers OSPI12 e OSPI22), dando como quitada essas emissões de dívida.

Em nota, a Novonor afirmou que a Braskem foi fruto de um ciclo de décadas de investimento do grupo no setor petroquímico e que tem “orgulho em ter contribuído com um ativo de tamanha importância estratégica para o país”.

A estrutura tem raízes em dezembro de 2025, quando o FIDC Shine, da IG4, comprou dos bancos credores da Novonor os créditos garantidos pelas próprias ações da Braskem. O que se consuma agora é, na prática, a conversão de uma garantia em controle societário — uma execução judicial estruturada que contorna a necessidade de desembolso imediato.

Apesar de o negócio já ter obtido aprovação das autoridades antitruste do Brasil, México, Estados Unidos e União Europeia, ainda há condições que podem cancelá-lo.

Será necessária autorização judicial e a Petrobras comunicar que não irá exercer seu direito de preferência e tag along previstos no acordo de acionistas vigente.

Por força da legislação societária, o comprador deverá protocolar junto à CVM pedido de OPA para adquirir a totalidade das ações em circulação da Braskem, nas mesmas condições da transação. Se a CVM negar o registro, o contrato se desfaz — condição resolutiva expressa no acordo.

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A JBS sobreviveu ao ciclo do boi em 2025. O teste de 2026 promete ser mais duro

A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.

Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.

Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.

A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.

O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.

O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.

Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.

Greve no radar

Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.

A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)

A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.

O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.

Boi mais caro no Brasil

Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.

Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul
Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)

A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.

Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.

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A JBS sobreviveu ao ciclo do boi em 2025. O teste de 2026 promete ser mais duro

A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.

Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.

Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.

A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.

O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.

O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.

Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.

Greve no radar

Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.

A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)

A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.

O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.

Boi mais caro no Brasil

Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.

Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul
Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)

A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.

Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.

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Iguá evita corrida por Copasa e IPO e diz que vai crescer com o que já tem

O saneamento talvez seja hoje o ativo de infraestrutura essencial mais atrasado do país, quando comparado à energia elétrica e ao transporte público. Não por acaso, o setor tem sido um dos principais motores de investimento da economia brasileira, exigindo algumas algumas centenas de bilhões de reais para levar água e esgoto encanado para locais onde isso não é realidade.

Com uma necessidade de capital cada vez maior, as maiores operadoras privadas se movimentam. A Aegea, líder do setor, e a BRK Ambiental preparam aberturas de capital que podem movimentar bilhões na B3 depois de quase cinco anos sem IPOs.

O objetivo da dupla é ter fôlego financeiro para encarar uma bateria de leilões nos próximos anos que vão demandar pelo menos R$ 80 bilhões em investimentos. Mesmo assim, a Iguá Saneamento, terceira maior operadora privada do país, observa tudo isso com uma distância deliberadamente calculada.

“A gente não precisa de novos leilões para o crescimento da companhia”, disse o CFO João Luiz Guillaumon Lopes, em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (25). “A companhia tem um crescimento orgânico contratado muito grande. Rio é uma operação recente ainda, Sergipe tem tudo para acontecer. São operações onde a gente vê uma criação de valor muito forte.”

O momento da Iguá, prossegue o executivo, é diferente do de suas concorrentes. Tanto que, mesmo com uma chance de reabertura de IPOs, a empresa não está engajada numa tentativa e não vem participando de grandes leilões, como o de Pernambuco, ocorrido em dezembro, que foi um dos principais certames do setor em 2025.

Tampouco demonstra apetite pela privatização da Copasa, tida como o principal leilão de 2026. O CFO explicou que o modelo da estatal mineira não permite integração plena com o portfólio existente e que o serviço de saneamento de Sergipe, incorporado em maio do ano passado após exigir um grande desembolso em 2024, exige toda a atenção da empresa.

O argumento é que, com os ativos atuais, a companhia já projeta crescimento de dois dígitos ao ano, o suficiente para crescer sem conquistar um único contrato novo. “Daqui a três, quatro anos eu dobrei o tamanho da companhia, só com as operações que eu já tenho”, afirmou o CEO René Silva.

Crescimento em 2025

E os números de 2025 sustentam o argumento dos executivos. No ano passado, a Iguá atingiu receita líquida ajustada de R$ 2,7 bilhões, alta de 42,5% em relação ao ano anterior, puxada principalmente pela entrada da operação de Sergipe a partir do segundo trimestre. 

O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 1,16 bilhão, com margem de 42,7%, e os investimentos totais chegaram a R$ 828 milhões, crescimento de 28%. A Iguá encerrou 2025 com 2,38 milhões de economias de água e esgoto, a métrica que o setor usa para contar cada ligação ativa no sistema, alta de 75,4% puxada pela entrada de Sergipe.

René Silva, CEO da Iguá Saneamento
René Silva, CEO da Iguá Saneamento (Divulgação)

Praticamente todo esse avanço veio de dentro de casa. A operação do Rio de Janeiro, que responde por 45% da receita, totalizou R$ 1,4 bilhão no acumulado de 2025, com margem Ebitda de 53,5% no quarto trimestre.

Enquanto isso, Sergipe, que passou a segunda maior operação, já contribuiu com R$ 583 milhões em receita. As duas concessões, somadas a Cuiabá, a mais antiga da Iguá, representam quase 90% do faturamento anual da empresa.

A concentração é reforçada por um processo ativo de venda de ativos que a companhia realizou nos últimos anos. A Iguá vendeu nove operações menores e anunciou a negociação de mais três (Andradina, Castilho e Sanessol, todas em São Paulo) para a Sabesp, outra interessada na Copasa, em processo de fechamento. 

Quando olhar novamente para novas concessões, os critérios serão mais seletivos: municípios com mais de 200 mil habitantes e proximidade geográfica do que já opera. “A gente quer concessões maiores e que tenham sinergia com o que a gente já tem”, diz Silva. Atualmente, a Iguá possui 10 operações em seis estados brasileiros e 121 municípios, com cerca de 6 milhões de pessoas atendidas.

Casa pronta

A Iguá é, tecnicamente, uma empresa listada. Integrava o Bovespa Mais, o antigo segmento de acesso à bolsa, e na semana passada migrou para o segmento principal após a B3 extinguir a categoria. 

Só que 100% das ações pertencem a seus três únicos acionistas: os fundos de pensão canadenses CPP Investments e AIMCo, que são seus controladores, e o BNDESPar. “A Iguá é a plataforma exclusiva dos nossos controladores para investimento no saneamento do Brasil. Eles são muito seletivos”, diz René Silva.

Desde 2018, os três investidores já aportaram mais de R$ 5 bilhões na companhia. O CFO reforça que o trio é composto por investidores institucionais em fase de acumulação, com horizonte de décadas e sem pressão por saída. “Eles têm uma visão de longuíssimo prazo e um bolso fundo”, prossegue Lopes.

A diretoria afirma que, em termos de estrutura de capital, a Iguá não precisa de um IPO para sustentar as operações atuais, mas também não pretende ignorar a conjuntura caso ela se torne favorável para novas listagens, o que não ocorre desde dezembro de 2021. 

“No Brasil, como você tem janelas muito marcadas, não dá para esperar o projeto ideal e depois ir para o mercado. O mais importante seria ter uma janela adequada”, diz o CFO.

João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento
João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento (Divulgação)

A alavancagem de 10,4 vezes dívida líquida sobre Ebitda ao fim de 2025 pode soar elevada para os padrões de empresas maduras do setor, que costumam operar entre 2 e 3 vezes. Mas a Iguá argumenta que a estrutura é inteiramente composta por financiamentos de projeto com prazo superior a 20 anos, sem necessidade de rolagem. 

O índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se o caixa gerado é suficiente para honrar os pagamentos, se mantém acima de 1,2 vez, o que significa que a empresa gera 20% mais de caixa do que precisa para cobrir suas obrigações. 

A Iguá prevê refinanciar as captações restantes até 2029 em condições compatíveis com o prazo das concessões. “Para o Rio de Janeiro, eu não vou mais ao mercado. Vou só operar bem, gerar caixa e ir pagando”, resume Lopes.

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Iguá evita corrida por Copasa e IPO e diz que vai crescer com o que já tem

O saneamento talvez seja hoje o ativo de infraestrutura essencial mais atrasado do país, quando comparado à energia elétrica e ao transporte público. Não por acaso, o setor tem sido um dos principais motores de investimento da economia brasileira, exigindo algumas algumas centenas de bilhões de reais para levar água e esgoto encanado para locais onde isso não é realidade.

Com uma necessidade de capital cada vez maior, as maiores operadoras privadas se movimentam. A Aegea, líder do setor, e a BRK Ambiental preparam aberturas de capital que podem movimentar bilhões na B3 depois de quase cinco anos sem IPOs.

O objetivo da dupla é ter fôlego financeiro para encarar uma bateria de leilões nos próximos anos que vão demandar pelo menos R$ 80 bilhões em investimentos. Mesmo assim, a Iguá Saneamento, terceira maior operadora privada do país, observa tudo isso com uma distância deliberadamente calculada.

“A gente não precisa de novos leilões para o crescimento da companhia”, disse o CFO João Luiz Guillaumon Lopes, em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (25). “A companhia tem um crescimento orgânico contratado muito grande. Rio é uma operação recente ainda, Sergipe tem tudo para acontecer. São operações onde a gente vê uma criação de valor muito forte.”

O momento da Iguá, prossegue o executivo, é diferente do de suas concorrentes. Tanto que, mesmo com uma chance de reabertura de IPOs, a empresa não está engajada numa tentativa e não vem participando de grandes leilões, como o de Pernambuco, ocorrido em dezembro, que foi um dos principais certames do setor em 2025.

Tampouco demonstra apetite pela privatização da Copasa, tida como o principal leilão de 2026. O CFO explicou que o modelo da estatal mineira não permite integração plena com o portfólio existente e que o serviço de saneamento de Sergipe, incorporado em maio do ano passado após exigir um grande desembolso em 2024, exige toda a atenção da empresa.

O argumento é que, com os ativos atuais, a companhia já projeta crescimento de dois dígitos ao ano, o suficiente para crescer sem conquistar um único contrato novo. “Daqui a três, quatro anos eu dobrei o tamanho da companhia, só com as operações que eu já tenho”, afirmou o CEO René Silva.

Crescimento em 2025

E os números de 2025 sustentam o argumento dos executivos. No ano passado, a Iguá atingiu receita líquida ajustada de R$ 2,7 bilhões, alta de 42,5% em relação ao ano anterior, puxada principalmente pela entrada da operação de Sergipe a partir do segundo trimestre. 

O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 1,16 bilhão, com margem de 42,7%, e os investimentos totais chegaram a R$ 828 milhões, crescimento de 28%. A Iguá encerrou 2025 com 2,38 milhões de economias de água e esgoto, a métrica que o setor usa para contar cada ligação ativa no sistema, alta de 75,4% puxada pela entrada de Sergipe.

René Silva, CEO da Iguá Saneamento
René Silva, CEO da Iguá Saneamento (Divulgação)

Praticamente todo esse avanço veio de dentro de casa. A operação do Rio de Janeiro, que responde por 45% da receita, totalizou R$ 1,4 bilhão no acumulado de 2025, com margem Ebitda de 53,5% no quarto trimestre.

Enquanto isso, Sergipe, que passou a segunda maior operação, já contribuiu com R$ 583 milhões em receita. As duas concessões, somadas a Cuiabá, a mais antiga da Iguá, representam quase 90% do faturamento anual da empresa.

A concentração é reforçada por um processo ativo de venda de ativos que a companhia realizou nos últimos anos. A Iguá vendeu nove operações menores e anunciou a negociação de mais três (Andradina, Castilho e Sanessol, todas em São Paulo) para a Sabesp, outra interessada na Copasa, em processo de fechamento. 

Quando olhar novamente para novas concessões, os critérios serão mais seletivos: municípios com mais de 200 mil habitantes e proximidade geográfica do que já opera. “A gente quer concessões maiores e que tenham sinergia com o que a gente já tem”, diz Silva. Atualmente, a Iguá possui 10 operações em seis estados brasileiros e 121 municípios, com cerca de 6 milhões de pessoas atendidas.

Casa pronta

A Iguá é, tecnicamente, uma empresa listada. Integrava o Bovespa Mais, o antigo segmento de acesso à bolsa, e na semana passada migrou para o segmento principal após a B3 extinguir a categoria. 

Só que 100% das ações pertencem a seus três únicos acionistas: os fundos de pensão canadenses CPP Investments e AIMCo, que são seus controladores, e o BNDESPar. “A Iguá é a plataforma exclusiva dos nossos controladores para investimento no saneamento do Brasil. Eles são muito seletivos”, diz René Silva.

Desde 2018, os três investidores já aportaram mais de R$ 5 bilhões na companhia. O CFO reforça que o trio é composto por investidores institucionais em fase de acumulação, com horizonte de décadas e sem pressão por saída. “Eles têm uma visão de longuíssimo prazo e um bolso fundo”, prossegue Lopes.

A diretoria afirma que, em termos de estrutura de capital, a Iguá não precisa de um IPO para sustentar as operações atuais, mas também não pretende ignorar a conjuntura caso ela se torne favorável para novas listagens, o que não ocorre desde dezembro de 2021. 

“No Brasil, como você tem janelas muito marcadas, não dá para esperar o projeto ideal e depois ir para o mercado. O mais importante seria ter uma janela adequada”, diz o CFO.

João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento
João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento (Divulgação)

A alavancagem de 10,4 vezes dívida líquida sobre Ebitda ao fim de 2025 pode soar elevada para os padrões de empresas maduras do setor, que costumam operar entre 2 e 3 vezes. Mas a Iguá argumenta que a estrutura é inteiramente composta por financiamentos de projeto com prazo superior a 20 anos, sem necessidade de rolagem. 

O índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se o caixa gerado é suficiente para honrar os pagamentos, se mantém acima de 1,2 vez, o que significa que a empresa gera 20% mais de caixa do que precisa para cobrir suas obrigações. 

A Iguá prevê refinanciar as captações restantes até 2029 em condições compatíveis com o prazo das concessões. “Para o Rio de Janeiro, eu não vou mais ao mercado. Vou só operar bem, gerar caixa e ir pagando”, resume Lopes.

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JBS bate recorde de receita, mas escassez de gado nos EUA aperta margens

A JBS fechou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita, mas voltou a sentir pressão nas margens, em um cenário ainda desafiador para a operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa da família Batista e que enfrenta escassez na oferta de gado pronto para o abate.

Entre outubro e dezembro, a companhia registrou vendas de US$ 23,1 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional (Ebitda) ajustado recuou 7%, refletindo o aumento dos custos ao longo da cadeia.

Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado, que sobem mais rápido do que o valor da carne vendida. Na prática, a conta não fecha: a margem dos frigoríficos encolhe mesmo com demanda ainda firme.

Esse movimento ajuda a explicar o resultado misto. Ainda assim, no consolidado de 2025, a JBS registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 15%.

Apesar do crescimento de dois dígitos na primeira e na última linha do balanço, a rentabilidade perdeu força. O Ebitda ajustado caiu 5% no ano, indicando compressão de margens – uma cortesia do (pouco) gado americano. Outro problema recente vivido pela JBS nos Estados Unidos é a greve na principal planta da empresa no país, em Greeley, no Colorado.

Mas nem todas as operações seguiram essa dinâmica. 

Unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália ajudaram a sustentar o resultado, com avanço em produtos de maior valor agregado, ganho de eficiência e expansão em mercados internacionais.

No Brasil, a operação também cresceu com força, com alta de 26% na receita no trimestre e recorde de volumes de abate, impulsionada pela demanda externa e preços mais altos. Ainda assim, a alta no custo do gado no país também limitou os ganhos de margem no período.

Mesmo com a pressão operacional, a companhia manteve a estrutura financeira sob controle. A alavancagem encerrou o ano em 2,4 vezes dívida líquida pelo Ebitda, dentro da faixa alvo, enquanto o retorno sobre o patrimônio ficou em torno de 25%.

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JBS bate recorde de receita, mas escassez de gado nos EUA aperta margens

A JBS fechou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita, mas voltou a sentir pressão nas margens, em um cenário ainda desafiador para a operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa da família Batista e que enfrenta escassez na oferta de gado pronto para o abate.

Entre outubro e dezembro, a companhia registrou vendas de US$ 23,1 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional (Ebitda) ajustado recuou 7%, refletindo o aumento dos custos ao longo da cadeia.

Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado, que sobem mais rápido do que o valor da carne vendida. Na prática, a conta não fecha: a margem dos frigoríficos encolhe mesmo com demanda ainda firme.

Esse movimento ajuda a explicar o resultado misto. Ainda assim, no consolidado de 2025, a JBS registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 15%.

Apesar do crescimento de dois dígitos na primeira e na última linha do balanço, a rentabilidade perdeu força. O Ebitda ajustado caiu 5% no ano, indicando compressão de margens – uma cortesia do (pouco) gado americano. Outro problema recente vivido pela JBS nos Estados Unidos é a greve na principal planta da empresa no país, em Greeley, no Colorado.

Mas nem todas as operações seguiram essa dinâmica. 

Unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália ajudaram a sustentar o resultado, com avanço em produtos de maior valor agregado, ganho de eficiência e expansão em mercados internacionais.

No Brasil, a operação também cresceu com força, com alta de 26% na receita no trimestre e recorde de volumes de abate, impulsionada pela demanda externa e preços mais altos. Ainda assim, a alta no custo do gado no país também limitou os ganhos de margem no período.

Mesmo com a pressão operacional, a companhia manteve a estrutura financeira sob controle. A alavancagem encerrou o ano em 2,4 vezes dívida líquida pelo Ebitda, dentro da faixa alvo, enquanto o retorno sobre o patrimônio ficou em torno de 25%.

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Localiza e Movida ditam o avanço de marcas chinesas no Brasil. E não há pressa

As locadoras de veículos compraram um em cada quatro carros novos vendidos no Brasil em 2025, num mercado que movimentou R$ 79,3 bilhões só em aquisições, segundo dados da associação que representa o setor, a Abla. Com cifras desse porte, transformar empresas como Localiza e Movida em fiéis clientes tornou-se essencial para qualquer montadora que deseja crescer no país.

É uma lógica de negócios que se aplica sobretudo para as chinesas, como BYD, GWM e Geely, que despejaram bilhões de reais em fábricas, marketing e contratações – e que agora precisam de quem absorva o que são capazes de produzir.

Em um ambiente em que o número de marcas no Brasil só cresce, a necessidade de vender conferiu às locadoras um poder de barganha ainda maior do que o habitual.

“Somos procurados por todas elas”, diz Gustavo Moscatelli, CEO da Movida, em conversa com o InvestNews, em referência às montadoras chinesas. “Mas somos bem cuidadosos com a qualidade do carro e a aceitação do cliente, e não só com a condição comercial.”

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São compras que exigem muito, prossegue o executivo: quando se compra 2 mil, 5 mil, 10 mil carros de uma vez, o preço de aquisição é apenas o começo da conta. O que importa também é quanto esse carro vai valer na hora de revendê-lo. E, para veículos elétricos, essa resposta ainda não existe.

“No elétrico, temos um olhar bastante conservador, porque ainda existe uma incerteza muito grande no valor residual”, afirma Moscatelli. Por ora, a Movida não tem pretensão de ampliar a sua frota de cerca de mil veículos híbridos, majoritariamente da GWM, e segue sem carros elétricos puros.

A Localiza, por sua vez, maior player do segmento, acertou em fevereiro um acordo inédito com a BYD para adquirir até 10 mil veículos ao longo de dois anos, no maior contrato de uma locadora brasileira com uma montadora chinesa.

O CEO Bruno Lasansky, ao explicar para analistas o que motivou o acordo, deixou claro que é uma decisão menos sobre os carros e mais sobre relacionamento. Segundo ele, a empresa levou meses testando veículos e negociando condições, com o objetivo de demonstrar aos novos fabricantes no país a importância da Localiza para o setor.

Em relatório publicado no mês passado, os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo, do Itaú BBA, observaram que, embora irrelevante para os resultados de curto prazo das duas empresas, o negócio sinaliza que “elos da cadeia antes vistos como antagônicos agora trabalham para gerar valor para ambos os lados”.

Construindo demanda

O fundador e presidente global da BYD, Wang Chuanfu, veio ao Brasil em outubro do ano passado para inaugurar o maior complexo industrial da montadora fora da Ásia, em Camaçari, na Bahia.

A fábrica, erguida sobre o que foi um dia a planta da americana Ford, recebeu R$ 5,5 bilhões em investimentos e nasceu com capacidade para produzir 150 mil veículos por ano, com ambição de chegar a 600 mil no futuro.

Só que a capacidade instalada não se justifica sozinha. A gigante chinesa tem movido seus ponteiros para garantir pedidos que mantenham a planta em funcionamento: neste mês, anunciou encomendas de exportação de 100 mil unidades para Argentina e México, todas saindo de Camaçari.

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No mercado doméstico, o caminho é mais estreito. O investimento médio por veículo adquirido pelas locadoras atingiu R$ 126 mil em 2025, uma alta de 19%, ainda de acordo com a Abla.

Carros mais caros, frota recorde de 1,7 milhão de automóveis e um ciclo de renovação cada vez mais curto fazem das locadoras o parceiro que nenhuma montadora pode ignorar.

O vice-presidente da operação brasileira da BYD, Alexandre Baldy, disse em entrevista ao InvestNews que as locadoras se tornaram uma via para “diluir os custos de seus vultosos aportes”.

Aposta controlada

Entre as duas principais locadoras do país, não há pressa em incorporar marcas como BYD, GWM e Geely ao portfólio, mas tampouco há intenção de ignorá-las. O movimento da Localiza atesta esse racional.

A maior locadora da América Latina encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões e 655,7 mil veículos na frota. Foi com esse poderio que a locadora da família Mattar negociou com a BYD.

Com uma frota desse tamanho, o volume encomendado de 10 mil da marca chinesa equivale a apenas uma fração, mas representa um sinal de abertura e que, se o teste for considerado bem sucedido, novos pedidos (mais numerosos) poderão vir.

A empresa concentrou o acordo em veículos híbridos, não em elétricos puros.

Lasansky contextualizou: o brasileiro já está mais familiarizado com esse modelo. No ano passado, as vendas de híbridos no Brasil cresceram 77%, enquanto os elétricos avançaram 33%. Para cada elétrico zero quilômetro vendido, cerca de 2,5 híbridos foram comercializados.

Na visão de Lasansky, os 100% elétricos se encaixam melhor em nichos de alta quilometragem, como motoristas de aplicativo e entregas de última milha – até a casa do consumidor.

O CFO da Localiza, Rodrigo Tavares, acrescentou que a chegada de novas montadoras asiáticas ao Brasil é, no médio prazo, positiva para as locadoras: mais fornecedores significam maior oferta, menor pressão sobre preços e depreciação mais previsível.

Sem pressa

Se a Localiza está testando o terreno, a Movida decidiu que ainda não é hora de pisar no acelerador do segmento de híbridos e elétricos.

A empresa, controlada pelo grupo Simpar, fechou 2025 com 275 mil carros, crescimento anual de apenas 2,4%. A decisão foi deliberada: a companhia ainda carrega um endividamento elevado e não pretende ampliar significativamente a frota em 2026.

Com pouco mais de mil híbridos na frota, o CEO Gustavo Moscatelli não vislumbra um aumento expressivo nem um acordo nos moldes do fechado entre BYD e Localiza.

Para o executivo, o híbrido “é uma realidade de curto prazo”, com boa aceitação do público e valor de revenda já conhecido, “muito parecido com um carro 100% a combustão”. 

No elétrico puro, a disparidade de preços no mercado de usados ainda é grande demais para justificar a tomada de risco em escala.

O que torna a posição da Movida confortável é que a empresa continua a extrair valor crescente de sua frota de veículos a combustão. No quarto trimestre, a empresa cresceu 12,3% em volume de diárias, com reajuste de preço de 6,6% na comparação anual. A Localiza, no mesmo intervalo, avançou 1,8% em volume e 6,3% no valor de diária média.

O resultado deixou a empresa confiante a ponto de divulgar guidance (projeção) para o lucro no primeiro trimestre entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, quase o dobro do consenso de mercado.

Aprendizado com os outros

A cautela das locadoras brasileiras encontra respaldo em um caso emblemático: o da Hertz, uma das maiores do mundo. Em outubro de 2021, a empresa americana anunciou a compra de 100 mil veículos elétricos da Tesla, em um investimento que à época parecia visionário.

Três anos depois, a aposta se revelou onerosa: ao longo de 2024, a Hertz revendeu 30 mil veículos elétricos e acumulou US$ 2,9 bilhões em prejuízo. Em 2025, registrou nova baixa de US$ 500 milhões relacionada aos chamados EVs, em sinal de risco elevado ao setor.

O que derrubou a Hertz não foi a falta de demanda mas outras dinâmicas de mercado.

Os cortes agressivos de preço da Tesla para defender seu market share perante o avanço da concorrência corroeram o valor de revenda da frota, enquanto os custos de manutenção se mostraram persistentemente mais altos do que o previsto.

A partir do aprendizado, a Hertz redirecionou a frota elétrica para transporte por aplicativo, em que o uso intensivo dilui melhor o custo do ativo.

Na teleconferência do quarto trimestre de 2025, o CEO Gil West descreveu a empresa como “provavelmente mais experiente do que qualquer um como operador de frota EV em escala”.

A frota da Tesla remanescente na Hertz passa por recondicionamento de interiores, em uma lógica que West comparou à reforma de aeronaves antigas: custo controlado e ganho relevante de longevidade.

Os novos números refletem a virada: a depreciação mensal por veículo caiu de US$ 592 para US$ 300, com a idade média da frota inferior a 10 meses

Essa combinação garantiu uma melhora do Ebitda ajustado (métrica de geração de caixa operacional) em mais de US$ 1 bilhão no ano, mas a recuperação não está completa. A Hertz ainda não gera caixa livre e esse é o desafio.

Trata-se de uma mensagem para as locadoras brasileiras de que a eletrificação não deve ser obrigatoriamente evitada, mas com o recado de que o custo de errar a dose pode comprometer anos de resultado.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

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Movida aumenta lucro em 2025 com frota estável e dívida sob controle

A Movida conseguiu fazer o que nem sempre é trivial em um setor sensível a preço como o de aluguel de veículos: aumentou tarifas e ainda ganhou participação de mercado. Em outra frente, a companhia começou a reduzir sua alavancagem, após o nível de endividamento ter gerado preocupações no mercado.

No quarto trimestre de 2025, a locadora da família Simões elevou o volume de diárias em mais de 12% na comparação anual, ao mesmo tempo em que reajustou os preços em 13,3% de um ano para o outro. A diária média ficou em R$ 158, segundo a companhia. Nas frotas, a média mensal subiu 14,3% entre 2024 e 2025 para cerca de R$ 3 mil.

A combinação de mais carros alugados com preços mais altos impulsionou a receita e ampliou as margens, levando o retorno sobre o capital (ROIC, em inglês) ao maior nível da história recente da empresa, de 16,6%, afirma o CEO Gustavo Moscatelli

Quando essas duas variáveis avançam juntas — volume e preço —, o impacto aparece diretamente no caixa, diz o executivo.No ano, a companhia registrou crescimento de receita e uma alta ainda maior no resultado operacional (Ebitda), além de atingir o maior retorno sobre o capital da sua história recente. 

Para o CEO da Movida, esse desempenho não é apenas reflexo de um mercado mais aquecido. “Não dá para dizer que foi uma circunstância de mercado porque os outros concorrentes não entregaram crescimentos nesses números”, diz Moscatelli, em conversa com o InvestNews.

Gustavo Moscatelli, CEO da Movida
Gustavo Moscatelli, CEO da Movida (Divulgação)

Segundo ele, enquanto concorrentes cresceram pouco no volume de locações, a Movida avançou bem acima disso, indicando ganho de participação de mercado – a companhia não divulga seu market share.

No quarto trimestre de 2025, a Movida registrou receita líquida de R$ 3,93 bilhões, crescimento de 12,7% em relação a igual período do ano anterior. Já o Ebitda cresceu 19,8% no mesmo comparativo, para R$ 1,49 bilhão e margem de 40,7%, aumento de 2,5 pontos percentuais.

O lucro líquido no trimestre foi de R$ 102,3 milhões, alta de 64,5%, enquanto o desempenho nos 12 meses foi de R$ 318,4 milhões, crescimento de 37,5% na comparação com 2024.

Para o primeiro trimestre deste ano, a empresa anunciou um guidance que projeta que o lucro líquido ficará entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, bem acima das estimativas do mercado.

Espaço para reajustes

A explicação para alugar mais – e mais caro –, segundo o executivo, passa por melhorias no serviço e maior disposição do cliente em pagar por uma experiência melhor.

Mesmo após o repasse recente de preços nas diárias, o CEO da Movida afirma que ainda existe “um espaço importante de reajuste”. Parte desse potencial, diz, vem de um uso mais eficiente de inteligência de mercado na formação de preços.

Moscatelli afirma que a companhia investiu em ferramentas mais sofisticadas de precificação, com uso de dados e modelos mais detalhados para definir o valor ideal de cada locação. Para o CEO, esse avanço abre espaço para novos reajustes mesmo após o ciclo recente de altas, sem necessariamente comprometer a demanda.

Na prática, o preço do aluguel varia de acordo com fatores como demanda, local, antecedência da reserva e duração da locação – uma lógica mais próxima da usada por companhias aéreas e redes de hotéis. “É saber qual é o preço certo para o carro naquele dia, com aquela antecedência e para aquele cliente”, afirma o executivo.

Alavancagem controlada

A Movida encerrou 2025 com melhora na estrutura de capital, sobretudo no tamanho do endividamento – uma preocupação que ocupou as atenções do mercado ao longo do último ano.

Moscatelli destaca que a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem, indicador que mede a relação entre dívida e geração de caixa, que caiu em um ano de 3,1 vezes o Ebitda para 2,6 vez. 

O resultado, prossegue o CEO, se deve à maior geração de caixa e a um capex controlado – a frota da empresa cresceu apenas 2,4% em 2025, para 275 mil carros. “Nós prometemos e direcionamos nossa geração de caixa para reduzir o endividamento”, diz o CEO.

As obrigações financeira para 2026 estão praticamente resolvidas após algumas emissões de dívidas feitas pela companhia ao longo do segundo semestre.

O processo de gestão do passivo deve ganhar reforço com a entrada de até R$ 750 milhões no caixa da Movida, em um aumento de capital promovido pela sua controladora, a Simpar, em parceria com o BNDES, na qual cada um irá colocar R$ 375 milhões na companhia, como parte de uma operação mais ampla de até R$ 3,35 bilhões envolvendo a holding e outras subsidiárias. 

O CEO da Movida afirma que os recursos devem ser usados principalmente para o chamado liability management, ou seja, a reorganização e o alongamento das dívidas.

Por outro lado, as despesas financeiras – basicamente o custo da dívida – cresceram 22,3% na comparação anual, chegando a R$ 3,2 bilhões. Isso significa que, embora a empresa esteja ganhando mais com sua operação, uma parte relevante desse ganho ainda é consumida pelo pagamento de juros.

A Movida encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 15,5 bilhões, aumento de 5,5% em relação ao ano anterior, enquanto a dívida bruta chegou a R$ 18,1 bilhões, queda de 5% no mesmo comparativo.

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Ex-executivo da XP vai captar R$ 100 milhões para comprar rede de academias Skyfit

O empresário Caio Murad Peres, ex-head de distribuição da XP, está estruturando a compra da rede de academias Skyfit, apurou o InvestNews. A transação será feita por meio da SFH Holding, veículo liderado por Peres, que lançou uma emissão de R$ 100 milhões para financiar a aquisição, que foi assinada no início de janeiro.

Os recursos da operação, destinada a investidores profissionais – aqueles com mais de R$ 10 milhões aplicados – serão usados integralmente para a compra de 100% da Skyfit Franchising, empresa dos fundadores da rede, os empresários Bruno Belluci Berardo e Ewerton Carvalho Oliveira Silva.

A SFH é uma empresa pré-operacional, criada para absorver o novo ativo. A aquisição da Skyfit será feita de forma alavancada, em uma estrutura na qual a própria rede de academias servirá como garantia. 

Cerca de 55% das quotas da empresa foram dadas em alienação fiduciária aos futuros credores, além de outros ativos e garantias pessoais dos sócios envolvidos. O Itaú BBA coordena a oferta.

Atualmente, Peres é sócio da startup de locação de veículos Turbi e do time de e-sports Furia. Além do empresário, outro sócio no projeto de compra da Skyfit é o gestor Paulo Maranesi, da KYR Capital

O InvestNews tentou contato com Peres e a Skyfit, mas não obteve retorno.

A Skyfit

Fundada durante a pandemia, a Skyfit cresceu apoiada em um modelo de academias de baixo custo e expansão via franquias, com foco em preços acessíveis e menor investimento inicial para franqueados. 

A empresa, ao lado de redes como Panobianco, Selfit e Bluefit, busca disputar espaço com a líder Smart Fit no segmento low cost, como já mostrou o InvestNews.

A primeira unidade da Skyfit foi inaugurada em 2020, no interior de São Paulo, e a rede chegou a dezenas de unidades em operação e mais de uma centena comercializadas nos primeiros anos.

A rede também ganhou projeção ao associar sua imagem a celebridades. O cantor Lucas Lucco participou da estratégia inicial como sócio e garoto-propaganda, enquanto atualmente a comunicação da rede está vinculada ao apresentador Rodrigo Faro.

Mais recentemente, a companhia passou a apostar em localizações de alto fluxo, como aeroportos. Uma unidade está em implantação no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, com operação 24 horas e integração a plataformas corporativas de bem-estar, como Wellhub e TotalPass.

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Minerva prevê margens mais apertadas em 2026 após ano recorde

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, entrou em 2026 com resultados recordes, mas já alertou o mercado que a rentabilidade será mais pressionada neste ano.

A companhia da família Vilela de Queiroz reportou lucro líquido de R$ 848 milhões em 2025, revertendo o prejuízo do ano anterior, e um resultado operacional (Ebitda) recorde de R$ 4,8 bilhões – alta de 54,1% na comparação anual. 

Para 2026, a expectativa da diretoria é de margens mais apertadas, diante da pressão de custos com frete, energia e, principalmente, a alta no preço do gado. “Isso tudo deve fazer com que a nossa margem em 2026 seja pior do que a margem de 2025”, afirmou o CFO Edison Ticle, durante teleconferência com analistas.

Segundo o executivo, o ciclo pecuário no Brasil entrou em uma fase de oferta mais restrita, com retenção de fêmeas e menor disponibilidade de animais para abate, o que deve manter o preço da arroba em patamares elevados e acima da inflação. 

O movimento ocorre em um contexto global de menor oferta de carne bovina, especialmente nos Estados Unidos, com estimativas de queda de produção em grandes mercados, o que pode retirar até 1 milhão de toneladas do mercado internacional.

A avaliação de um ano de margens mais apertadas pressionou os papéis da Minerva na B3: a ação da empresa fechou esta quinta-feira (19) com queda 10,7%, para R$ 3,84, liderando as baixas do Ibovespa.

Crescimento na receita

Ainda assim, a Minerva projeta crescimento de receita de até 10% em 2026, impulsionado principalmente pelo repasse de preços no mercado externo. O Ebitda de 2025 deve servir como “piso” para os resultados deste ano, indicou a companhia.

Para chegar nesses números, a aposta passa pela diversificação geográfica, que permite redirecionar fluxos comerciais diante de mudanças regulatórias – como as cotas de importação da China – e restrições em mercados específicos. 

Hoje, cerca de metade da operação da Minerva está fora do Brasil, o que amplia a capacidade de arbitragem entre países e destinos, disse o CEO Fernando Galletti de Queiroz. Ao mesmo tempo, o mercado local segue mais desafiador, avalia a empresa, com o consumo pressionado e migração para proteínas mais baratas, como frango e suíno.

Em paralelo, após concluir a integração dos ativos adquiridos da Marfrig – processo que contribuiu para o salto de receita e rentabilidade em 2025 –, a companhia agora volta seu foco para a redução do endividamento. A meta para 2026 é de levar a dívida líquida para cerca de 2 vezes o Ebitda, abaixo dos 2,6 vezes registrados ao fim do ano passado.

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Megaleilão de energia térmica atrai de Eneva a Âmbar. E enfrenta desafio de falta de turbina

Quem quiser construir uma usina termelétrica (ou térmica) hoje precisa antes resolver um desafio global: encontrar uma turbina disponível.

Os maiores fabricantes de equipamentos do mundo já comprometeram boa parte da produção para os próximos anos. Quem reservou máquinas antes paga menos e recebe antes. Quem chegou tarde entra em uma fila que, em alguns casos, já avança até o fim da década – e sairá bem mais caro.

Esse gargalo industrial, praticamente invisível para a maioria dos consumidores de energia, está prestes a influenciar o resultado do maior leilão de capacidade da história recente do Brasil.

O governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Empresas como Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes do leilão.

O Ministério de Minas e Energia pretende contratar usinas por 15 anos para garantir oferta de energia despachável – aquela que pode ser acionada imediatamente quando a demanda aumenta – nos momentos de pico de consumo. Mas a capacidade de competir nesse mercado agora depende menos de capital e mais de timing.

Estimativas do setor apontam para uma contratação de até 30 gigawatts (GW) de capacidade, o equivalente a mais de duas usinas de Itaipu, que tem capacidade instalada de 14 GW. Para o certame foram inscritos 368 projetos, que somam mais de 126 GW – ou 126 mil megawatts de potência, quase todos de usinas térmicas.

“Os fabricantes dizem: ‘eu produzo [turbinas para o equivalente a] 20 mil megawatts por ano. Já vendi 2026, já vendi 2027’. O que sobra é de 2029 para frente, e já não sai pelo mesmo preço dos primeiros contratos”, afirma Lourival Teixeira, executivo que lidera a área de geração do grupo Delta Energia. “É custo de oportunidade. Todo mundo está atrás da mesma coisa.”

Lourival Teixeira, presidente da Delta Geração
Lourival Teixeira, presidente da Delta Geração: desafio para compra de turbinas (Divulgação)

Disputa global por equipamentos

A fila que Teixeira descreve é global. Nos últimos três anos, a demanda por turbinas e equipamentos de geração a gás disparou, impulsionada pela expansão de data centers, pela corrida energética na Europa após a guerra na Ucrânia e por programas de reforço de capacidade em vários países.

Em 2024, foram encomendados cerca de 80 gigawatts em turbinas a gás no mundo, segundo o Instituto de Economia de Energia e Análise Financeira (IEEFA), volume quase três vezes superior à capacidade anual combinada de produção dos três maiores fabricantes – GE Vernova, Siemens Energy e Mitsubishi Heavy Industries –, que é estimada em cerca de 30 gigawatts por ano.

O resultado é um mercado travado.

As carteiras de pedidos já se estendem até o final da década, e executivos do setor estimam que praticamente toda a capacidade de produção de turbinas a gás até 2030 já esteja reservada ou em negociação. Quem quiser garantir uma vaga na linha de produção hoje precisa pagar antecipadamente para assegurar posição na fila. 

Fabricantes estão exigindo depósitos milionários para garantir posição na fila de produção. Segundo análise do IEEFA, um desenvolvedor de usina chegou a adiantar US$ 25 milhões, cerca de 20% do valor total do pedido, somente para reservar uma turbina com entrega prevista para 2030.

A corrida por equipamentos também ajuda a explicar por que alguns projetos chegam ao leilão em condições muito diferentes de outros. Empresas que já tinham usinas existentes ou infraestrutura instalada antes da escalada global de preços largam na frente.

Além disso, o custo dos equipamentos foi um dos motivos que levou o governo federal a rever os preços ofertados às usinas no leilão de reserva de capacidade.

Pronta para a próxima

É o caso da Delta Energia, que pretende participar do leilão de março com quatro projetos em Mato Grosso do Sul: a ampliação de sua usina no Estado, a William Arjona, com até 80 megawatts adicionais; uma nova termelétrica a gás natural de 250 megawatts; e duas usinas movidas a biodiesel, com capacidades de 150 e 30 megawatts.

Todos os projetos ficam na mesma região da usina existente, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul), a poucos quilômetros do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

O grupo também é produtor de biodiesel, com fábricas no Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, o que possibilita uma integração natural entre geração e combustível. “Existe toda uma sinergia por trás, e isso nos traz competitividade”, afirma Teixeira.

Se vencer os quatro projetos inscritos no próximo leilão de reserva de capacidade, a companhia estima que os investimentos podem chegar a R$ 1 bilhão.

Usina termelétrica William Arjona, da Delta Energia
Usina termelétrica William Arjona, da Delta Energia (Divulgação)

A nova aposta da empresa vem logo depois da conclusão de um projeto que poucos no setor acreditavam que daria certo. 

No fim de fevereiro, a Delta entregou ao sistema elétrico a quinta e última unidade geradora da UTE William Arjona, concluindo o compromisso assumido no primeiro Leilão de Reserva de Capacidade, realizado em 2021. A entrega ocorreu quatro meses antes do prazo previsto no contrato com o governo.

A usina, movida a gás natural, tem capacidade instalada de 177 megawatts – suficiente para abastecer cerca de metade de uma cidade do porte de Campo Grande quando opera em carga total.

Para cumprir o contrato, o grupo realizou um processo de modernização das turbinas, desmontando e reconstruindo internamente cada unidade geradora. O projeto envolveu investimentos da ordem de R$ 200 milhões. “Você abre a turbina, tira o motor, troca os componentes internos. Na prática, vira um equipamento novo”, lembra Teixeira.

Mudança no consumo

A história da usina ajuda a explicar a posição atual da empresa. Em 2019, quando o grupo decidiu comprar a planta, o movimento foi recebido com ceticismo no mercado.

Naquele momento, o país vivia uma expansão acelerada de fontes renováveis, os reservatórios de usinas hidrelétricas estavam relativamente cheios e o debate dominante apontava para uma matriz elétrica cada vez mais solar e eólica. Uma térmica a gás parecia, para muitos, um ativo fora de moda.

Dois anos depois, a resposta veio de forma inesperada. A crise hídrica de 2021, uma das mais severas das últimas décadas, reduziu drasticamente os níveis dos reservatórios e obrigou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a acionar termelétricas em todo o país para evitar riscos de apagão.

No mesmo ano, a Delta venceu o primeiro leilão de reserva de capacidade e assinou contrato de 15 anos para fornecer potência ao sistema elétrico.

Hoje, com a expansão de geração solar e eólica como uma realidade, o papel das termelétricas também mudou.

O país passou a registrar excesso de energia em determinados momentos do dia – principalmente nas horas de maior geração solar –, fenômeno que tem levado ao chamado curtailment, em que usinas precisam reduzir ou interromper a produção por falta de demanda ou limitações do sistema para absorver essa oferta.

Já o desafio de abastecimento aparece no início da noite, quando a produção fotovoltaica cai e o consumo permanece elevado. Nesse intervalo, conhecido como horário de ponta, o sistema precisa de usinas capazes de entrar rapidamente em operação para equilibrar oferta e demanda.

No leilão marcado para esta quarta-feira, o mercado descobrirá quantos dos projetos inscritos conseguem atender a todas as condições necessárias para competir. Além do preço, será preciso ter acesso a equipamentos, o que está cada vez mais difícil.

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Investidor Silvio Tini ultrapassa Casino e vira o segundo maior acionista do GPA

O investidor Silvio Tini, por meio de sua holding Bonsucex, elevou sua participação no GPA para 23,025% das ações ordinárias, tornando-se o segundo maior acionista da companhia e ultrapassando o varejista francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital.

A informação foi divulgada ao mercado nesta quinta-feira (12) após a Bonsucex comunicar que, somadas suas participações diretas e indiretas, passou a deter 113 milhões de ações ordinárias do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Com o movimento, Tini se aproxima da participação da família Coelho Diniz, dona de 24,6% do GPA, hoje o principal bloco de influência no conselho da companhia e responsável pela presidência do colegiado.

A ultrapassagem do Casino tem peso simbólico na história do GPA. O grupo francês foi controlador da companhia por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

Mudanças no GPA

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA lida com uma recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

No comunicado enviado ao GPA, a Bonsucex afirma que a participação foi adquirida para “fins de investimento, sem intenção de alterar o controle da companhia”. Em janeiro, Silvio Tini já havia indicado dois conselheiros na companhia, em seu primeiro movimento para participar da governança do grupo.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Investidor Silvio Tini ultrapassa Casino e vira o segundo maior acionista do GPA

O investidor Silvio Tini, por meio de sua holding Bonsucex, elevou sua participação no GPA para 23,025% das ações ordinárias, tornando-se o segundo maior acionista da companhia e ultrapassando o varejista francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital.

A informação foi divulgada ao mercado nesta quinta-feira (12) após a Bonsucex comunicar que, somadas suas participações diretas e indiretas, passou a deter 113 milhões de ações ordinárias do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Com o movimento, Tini se aproxima da participação da família Coelho Diniz, dona de 24,6% do GPA, hoje o principal bloco de influência no conselho da companhia e responsável pela presidência do colegiado.

A ultrapassagem do Casino tem peso simbólico na história do GPA. O grupo francês foi controlador da companhia por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

Mudanças no GPA

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA lida com uma recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

No comunicado enviado ao GPA, a Bonsucex afirma que a participação foi adquirida para “fins de investimento, sem intenção de alterar o controle da companhia”. Em janeiro, Silvio Tini já havia indicado dois conselheiros na companhia, em seu primeiro movimento para participar da governança do grupo.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Sabesp compra fatia da Emae ligada ao controlador da Ambipar por R$ 171,6 milhões

A Sabesp anunciou na noite desta quinta-feira (12) que comprou 23,17% das ações ordinárias da Emae, participação que pertencia ao fundo Oceania, ligado ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior. Os papéis representam 9,22% do capital total da companhia.

A antiga estatal paulista assumiu o controle da geradora de energia em outubro de 2025 por R$ 1,13 bilhão. A aquisição ocorreu após após a execução de uma dívida do fundo Phoenix Água e Energia, do empresário Nelson Tanure, cujas ações da Emae haviam sido dadas em garantia a credores que financiaram a aquisição da empresa no processo de privatização realizado em abril de 2024.

A nova aquisição foi fechada por R$ 171,6 milhões e será liquidada nesta sexta-feira (13). O preço pago corresponde ao valor da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela companhia, de R$ 49,47 por ação, atualizado pela Selic até chegar a R$ 50,38 por papel.

O Oceania tem como único ativo as ações da Emae. O fundo, anteriormente chamado de Arys, é associado a Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, que foi sócio de Tanure na aquisição da empresa em 2024. No fim de 2025, a Sabesp teria oferecido cerca de R$ 210 milhões pela participação do empresário, conforme noticiou o Valor Econômico.

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Sabesp compra fatia da Emae ligada ao controlador da Ambipar por R$ 171,6 milhões

A Sabesp anunciou na noite desta quinta-feira (12) que comprou 23,17% das ações ordinárias da Emae, participação que pertencia ao fundo Oceania, ligado ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior. Os papéis representam 9,22% do capital total da companhia.

A antiga estatal paulista assumiu o controle da geradora de energia em outubro de 2025 por R$ 1,13 bilhão. A aquisição ocorreu após após a execução de uma dívida do fundo Phoenix Água e Energia, do empresário Nelson Tanure, cujas ações da Emae haviam sido dadas em garantia a credores que financiaram a aquisição da empresa no processo de privatização realizado em abril de 2024.

A nova aquisição foi fechada por R$ 171,6 milhões e será liquidada nesta sexta-feira (13). O preço pago corresponde ao valor da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela companhia, de R$ 49,47 por ação, atualizado pela Selic até chegar a R$ 50,38 por papel.

O Oceania tem como único ativo as ações da Emae. O fundo, anteriormente chamado de Arys, é associado a Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, que foi sócio de Tanure na aquisição da empresa em 2024. No fim de 2025, a Sabesp teria oferecido cerca de R$ 210 milhões pela participação do empresário, conforme noticiou o Valor Econômico.

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Com Carbono Oculto, Vibra bate recorde de independentes que viraram posto Petrobras

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, registrou em 2025 o maior número de novos postos embandeirados dos últimos anos, movimento impulsionado por mudanças no ambiente regulatório do setor de combustíveis. Entre elas está a Operação Carbono Oculto, que intensificou o combate a fraudes tributárias, adulteração de combustíveis e empresas de fachada no mercado.

A companhia avalia que essa tendência pode ganhar ainda mais força este ano diante da instabilidade recente nos preços do petróleo e do diesel, provocada pelo conflito no Irã e pelo descompasso entre os preços domésticos e o mercado internacional.

O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, disse, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre, que esse ambiente tem aumentado o interesse de postos independentes em firmar contratos de fornecimento com a distribuidora, responsável pelo licenciamento da marca Petrobras até junho de 2029 e que a estatal já informou que não pretende renovar.

Leia também: Maior acionista da Vibra, fundador da Inpasa tem aval para seguir investindo na empresa

O movimento aparece principalmente entre os chamados postos de bandeira branca – estabelecimentos que operam sem exclusividade com uma distribuidora. Segundo a Vibra, muitos desses operadores passaram a buscar contratos mais estáveis diante de um ambiente de maior volatilidade no abastecimento e nos preços do diesel.

A tendência, reforça Pousada está alinhada a uma estratégia que a Vibra vem construindo nos últimos anos: fortalecer sua rede de postos embandeirados e reduzir a dependência de vendas no mercado spot (pronta entrega).

Posto Petrobras, da Vibra Energia
Posto Petrobras, da Vibra Energia (Divulgação)

Em 2025, a companhia incorporou 404 novos postos à rede, o maior número de embandeiramentos dos últimos cinco anos, elevando a base para 7.456 unidades espalhadas por todo o país.

Rentabilidade

Esse cenário ajuda a explicar também uma decisão tomada pela companhia no início deste ano. Em janeiro, a Vibra registrou perda de market share após reduzir vendas a clientes não recorrentes em um mês marcado por excesso de combustível no mercado, provocado em parte pela antecipação de compras antes de mudanças tributárias.

A empresa diz que preferiu preservar rentabilidade a disputar volumes com distribuidores menores dispostos a operar com margens menores. A estratégia reflete uma mudança gradual no posicionamento comercial da Vibra, que passou a priorizar margem e contratos mais estáveis em vez de competir agressivamente por participação de mercado.

No setor de distribuição de combustíveis, onde também estão Ultrapar (dona dos postos Ipiranga) e Raízen, a principal métrica operacional é o chamado Ebitda por metro cúbico – indicador que mede quanto sobra de resultado para cada unidade de combustível vendida após custos de compra, logística e operação. 

Nos últimos anos, a Vibra tem buscado ampliar esse indicador enquanto tenta preservar sua posição de liderança no mercado. A recuperação de margens da companhia também foi favorecida por mudanças no ambiente competitivo do setor. 

No ano passado, autoridades intensificaram o combate a fraudes tributárias, adulteração de combustíveis e empresas de fachada – práticas que, segundo estimativas do mercado, provocavam perdas bilionárias anuais e distorciam a concorrência.

No acumulado de 2025, a participação de mercado da Vibra cresceu 0,8 ponto percentual, alcançando 24,5% no quarto trimestre, enquanto o volume total comercializado chegou a 35,9 milhões de metros cúbicos.

Outro fator que pode ampliar a competitividade da empresa, avaliou Pousada, é o fim da joint venture Evolua, com a Copersucar, previsto para o final de março. Com a dissolução da parceria, a Vibra passará a negociar etanol diretamente no mercado, o que deve dar mais flexibilidade na gestão do suprimento.

Comerc

Durante a teleconferência, a diretoria da Vibra afirmou ainda que segue trabalhando para melhorar o desempenho da Comerc, plataforma de comercialização de energia elétrica da companhia.

O negócio elétrico, porém, exige investimentos elevados e opera com ciclos de retorno mais longos do que a distribuição de combustíveis, o que tem pressionado a estrutura de capital da companhia.

Executivos da Vibra afirmaram que a prioridade agora é melhorar a eficiência da operação e alcançar equilíbrio na geração de caixa da Comerc nos próximos anos, ao mesmo tempo em que avaliam alternativas estratégicas para o ativo. No entanto, neste momento, a companhia descarta a venda da comercializadora.

No quarto trimestre de 2025, a Vibra registrou receita líquida ajustada de R$ 50,5 bilhões, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 2,62 bilhões, avanço de 27% na mesma base de comparação, enquanto o lucro líquido foi de R$ 615 milhões, crescimento de 20%.

No acumulado de 2025, o Ebitda ajustado alcançou R$ 8,2 bilhões, enquanto o lucro líquido chegou a R$ 3,3 bilhões, alta de 12% em relação a 2024. A geração de caixa da companhia somou R$ 5,5 bilhões no ano.

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Com R$ 9,4 bilhões em dívidas vencendo em 2026, CSN corre para reforçar caixa

Com R$ 9,4 bilhões em dívidas vencendo ao longo deste ano, incluindo um bond de cerca de R$ 1 bilhão que vence já no final de abril, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) enfrenta um teste de liquidez em meio a uma crescente desconfiança do mercado em relação a empresas altamente alavancadas.

O grupo de Benjamin Steinbruch encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o resultado operacional (Ebitda), o primeiro aumento do indicador após três trimestres consecutivos de queda. O número também ficou acima da expectativa sinalizada pela própria CSN, de que a meta era encerrar o ano com alavancagem próxima de 3 vezes ou menos.

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A solução mais avançada até agora para mitigar a preocupação do mercado com a capacidade de liquidez da empresa é um empréstimo-ponte de até US$ 1,5 bilhão, tendo como garantia ativos da CSN Cimentos. O CFO Marco Rabello disse na teleconferência com analistas nesta quinta-feira (12) que a operação estava “extremamente madura” e que a assinatura seria “questão de dias”.

As negociações haviam travado semanas atrás em meio à turbulência no mercado de crédito corporativo brasileiro, com as recuperações extrajudiciais de GPA e Raízen, mas foram retomadas. Morgan Stanley, Citi, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC estão entre os bancos envolvidos, segundo a Bloomberg. Os juros discutidos estariam girando entre 14% e 15% ao ano em dólar.

O cronograma de vencimentos pressiona porque não está concentrado em um único instrumento. A dívida que vence em 2026 está distribuída entre bonds, linhas bancárias, adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC), pré-pagamentos de exportação de minério e financiamentos de longo prazo com BNDES e Finep. 

Problema em 2028

A maior concentração de vencimentos, porém, aparece mais adiante. Em 2028 vencem R$ 11,7 bilhões, parcela dominada por dívida em dólar — o que executivos chamaram na teleconferência de a principal “torre” de amortizações da companhia.

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O aumento da dívida líquida no quarto trimestre de 2025 teve causas específicas que a empresa classifica como pontuais. A principal foi a não renovação de contratos de pré-pagamento de exportação de minério de ferro, operações que normalmente ocorrem duas vezes ao ano em volumes entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. A companhia não fechou nenhuma operação desse tipo no primeiro trimestre.

Somaram-se a isso o efeito da desvalorização cambial sobre a dívida externa, parcialmente revertido com a valorização do real no início de 2026, e uma reavaliação de estoques considerados de segunda linha, que gerou impacto contábil relevante no período.

Estoques altos

Os estoques, aliás, viraram um ponto de atenção. Na teleconferência, o CEO Benjamin Steinbruch afirmou que o grupo carrega cerca de R$ 12 bilhões em estoques e que há espaço para monetizar parte desse volume ao longo do ano, o que poderia liberar caixa sem depender de venda de ativos ou novos financiamentos.

O plano estrutural de desalavancagem anunciado em janeiro prevê levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões por meio de três movimentos: a venda do controle da CSN Cimentos, a alienação de participação minoritária na plataforma de infraestrutura e logística e a busca de um sócio estratégico para investir na siderurgia.

Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN
Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN (Ilustração: João Brito)

O Morgan Stanley lidera o processo de venda da divisão de cimento, enquanto Citi e Bradesco conduzem o mandato de infraestrutura. Rabello disse que a meta é ter os dois primeiros acordos assinados até o terceiro trimestre de 2026, acrescentando que já há compradores potenciais da Ásia, Europa e Brasil mapeados.

Apesar do peso da dívida, a operação industrial apresentou avanços em 2025. O Ebitda ajustado cresceu 15%, para R$ 11,8 bilhões, impulsionado por volumes recordes na mineração, que superou 45 milhões de toneladas vendidas pela primeira vez na história.

Na siderurgia, o custo de produção de aço caiu para o menor nível desde 2021, segundo a companhia. Para 2026, a CSN projeta aumento de preços entre 4,5% e 6% já no primeiro trimestre, com perspectiva de margens de dois dígitos a partir do segundo trimestre, após medidas antidumping contra importações chinesas.

R$ 6,5 bilhões em juros

O problema é que essa melhora operacional ainda não se traduz em lucro. A CSN encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão, e o quarto trimestre sozinho gerou perda de R$ 721 milhões.

O principal fator é o custo da dívida. O resultado financeiro foi negativo em R$ 6,5 bilhões no ano, pressionado pela combinação de juros elevados e variação cambial sobre a dívida externa. Somente em encargos financeiros pagos ao longo de 2025, a companhia desembolsou cerca de R$ 3 bilhões.

Steinbruch encerrou a teleconferência reafirmando o compromisso com a desalavancagem e sinalizando que a empresa tem outras alternativas financeiras além do empréstimo-ponte e da venda de ativos já anunciada.

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Raízen cita risco de ‘efeito dominó’ de R$ 60 bilhões em dívidas e bloqueio do caixa

A Raízen afirma que recorreu ao pedido de recuperação extrajudicial para evitar um efeito dominó em sua estrutura de dívida que poderia antecipar o vencimento de mais de R$ 60 bilhões em obrigações financeiras.

Em petição apresentada à Justiça nesta quarta-feira (11), a companhia controlada por Shell e Cosan afirma que diversos contratos de financiamento possuem cláusulas de cross-default, que permitem a credores declarar vencimento antecipado caso haja descumprimento de qualquer obrigação relevante do grupo.

Com cerca de R$ 70 bilhões em dívida bruta, a empresa incluiu na reestruturação aproximadamente R$ 65,1 bilhões em créditos para renegociação. Ainda segundo o documento, a aceleração dessas cláusulas poderia atingir grande parte da dívida financeira da empresa, no Brasil e no exterior.

Risco ao caixa

A companhia também alertou para o risco de que algumas instituições financeiras utilizem mecanismos contratuais de compensação para reter recursos diretamente das contas do grupo.

A Raízen afirma que esses dispositivos poderiam levar à retenção de até R$ 8 bilhões em caixa, pressionando sua liquidez durante as negociações com credores. De acordo com o balanço mais recente, a empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes, como aplicações com liquidez imediata.

A pressa em protocolar o pedido também teve relação com um compromisso financeiro iminente. A empresa teria que pagar cerca de R$ 1 bilhão em juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nesta sexta-feira (12), como mostrou o Pipeline.

No pedido judicial, a companhia afirma que a suspensão temporária de execuções e vencimentos antecipados é necessária para preservar caixa enquanto negocia a reestruturação do passivo.

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Raízen cita risco de ‘efeito dominó’ de R$ 60 bilhões em dívidas e bloqueio do caixa

A Raízen afirma que recorreu ao pedido de recuperação extrajudicial para evitar um efeito dominó em sua estrutura de dívida que poderia antecipar o vencimento de mais de R$ 60 bilhões em obrigações financeiras.

Em petição apresentada à Justiça nesta quarta-feira (11), a companhia controlada por Shell e Cosan afirma que diversos contratos de financiamento possuem cláusulas de cross-default, que permitem a credores declarar vencimento antecipado caso haja descumprimento de qualquer obrigação relevante do grupo.

Com cerca de R$ 70 bilhões em dívida bruta, a empresa incluiu na reestruturação aproximadamente R$ 65,1 bilhões em créditos para renegociação. Ainda segundo o documento, a aceleração dessas cláusulas poderia atingir grande parte da dívida financeira da empresa, no Brasil e no exterior.

Risco ao caixa

A companhia também alertou para o risco de que algumas instituições financeiras utilizem mecanismos contratuais de compensação para reter recursos diretamente das contas do grupo.

A Raízen afirma que esses dispositivos poderiam levar à retenção de até R$ 8 bilhões em caixa, pressionando sua liquidez durante as negociações com credores. De acordo com o balanço mais recente, a empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes, como aplicações com liquidez imediata.

A pressa em protocolar o pedido também teve relação com um compromisso financeiro iminente. A empresa teria que pagar cerca de R$ 1 bilhão em juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nesta sexta-feira (12), como mostrou o Pipeline.

No pedido judicial, a companhia afirma que a suspensão temporária de execuções e vencimentos antecipados é necessária para preservar caixa enquanto negocia a reestruturação do passivo.

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Cade autoriza venda do controle da CBA para Chinalco e Rio Tinto; empresa deverá sair da Bolsa

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para uma joint venture formada pela chinesa Chinalco e pela anglo-australiana Rio Tinto.

A decisão, assinada pelo superintendente-geral Alexandre Barreto de Souza, foi sem restrições. Agora, haverá um prazo de 15 dias para eventuais contestações e, caso não ocorra, haverá o aval definitivo.

A operação, anunciada em 29 de janeiro, avalia a maior produtora de alumínio da América Latina em mais de R$ 10 bilhões, somando valor de mercado mais as dívidas. A Votorantim recebe R$ 4,7 bilhões pela sua fatia de 68,6% na companhia. Os compradores ainda farão uma oferta pública de aquisição (OPA) para retirar a CBA da bolsa, o que deve demandar outros R$ 2,1 bilhões.

Além da aprovação regulatória, os compradores precisarão lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para os acionistas minoritários, que detêm os 31,4% restantes da companhia, ao preço de R$ 10,50 por ação. 

A OPA é obrigatória por lei em casos de troca de controle em empresas listadas no Novo Mercado da B3, mas a Chinalco e a Rio Tinto vão além: no pedido ao Cade, declaram explicitamente que a intenção é usar a oferta para cancelar o registro da CBA como companhia aberta, tirando a empresa da Bolsa.

Outras etapas

A aprovação do Cade é uma das etapas regulatórias necessárias para o fechamento do negócio. A operação ainda aguarda aval de autoridades de concorrência da China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai, além da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no Brasil.

Para a Chinalco, controlada pelo governo chinês, a aquisição representa a entrada na América Latina e o acesso a uma cadeia produtiva integrada, da extração de bauxita à fabricação de produtos de alumínio. Para a Rio Tinto, é uma plataforma de alumínio de baixo carbono alimentada por fontes renováveis, em linha com sua estratégia global no setor.

A CBA chegou à transação com dívida líquida de R$ 3,3 bilhões e alavancagem de 2,97 vezes o Ebitda, patamar que limitava sua capacidade de bancar projetos de expansão, como o Projeto Rondon, de mineração de bauxita no Pará, que demandaria cerca de US$ 2,5 bilhões em investimentos. Em 2025, a empresa faturou R$ 8,8 bilhões, com lucro líquido anual de R$ 230 milhões.

A venda marca mais um capítulo da saída da Votorantim de negócios intensivos em capital e sujeitos a ciclos de commodities.

Nos últimos anos, o grupo controlado pela família Ermírio de Moraes já havia se desfeito da Votorantim Siderurgia, vendida à ArcelorMittal em 2018, e da Fibria, incorporada pela Suzano em 2019. No fim de 2025, vendeu ainda uma participação na Citrosuco, produtora de suco de laranja, para o fundo de pensão canadense PSP.

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Inpasa se tornou a líder do etanol de milho. E ganha dinheiro muito além do combustível

Nas usinas da Inpasa, cada tonelada de milho se transforma em combustível, ração animal e óleo industrial. Foi essa lógica que fez a companhia fundada pelo empresário José Odvar Lopes, o “Seu Zé”, se tornar a maior produtora de etanol de milho da América Latina.

Com receita próxima de R$ 23 bilhões e capacidade de produzir 6,2 bilhões de litros de etanol por ano, a empresa familiar construiu ao longo da última década uma rede de oito biorrefinarias agrícolas, com duas no Paraguai e outras seis em alguns dos principais polos do agronegócio brasileiro. Ainda estão previstas mais duas plantas, em um programa de investimentos que passa dos R$ 5 bilhões.

A lógica por trás desse crescimento é simples: no etanol de milho, o dinheiro não está apenas no combustível. Está em tudo o que sai do grão.

Mas chegada até aqui não foi óbvia.

Na década passada, falar em etanol de milho no Brasil soava como aposta de alto risco. A cana-de-açúcar dominava, o setor era consolidado e ninguém apostaria que uma empresa de origem paraguaia, que começou do zero em uma única usina no país vizinho, superaria a líder histórica Raízen – das gigantes Shell e Cosan – e se tornaria a maior produtora de etanol do Brasil.

“Nós sempre recebemos umas perguntas de instituição financeira: qual é o breakeven do negócio, em que momento vale a pena transformar o milho em etanol?”, diz Fernando Alfini, CFO da companhia, ao InvestNews. “Eu brinco que nós estamos tentando descobrir esse brinquedo faz mais de 15 anos.”

Agora, o desafio mudou de natureza. Convencer o mercado já não está na pauta. O novo desafio da Inpasa é logístico: transportar esses quase 6 bilhões de litros anuais de etanol de regiões remotas do agronegócio até os mercados consumidores.

Tentativa e erro

Quando a Inpasa começou a produzir etanol de milho no Paraguai, em 2008, a eficiência do processo estava longe do considerado ideal: cada tonelada de milho gerava cerca de 220 litros de etanol.

“No início, nós não tínhamos tecnologia nenhuma. Foi tentativa e erro mesmo, por falta de recurso”, recorda Alfini.

A empresa ficou uma década nessa fase, operando uma única planta, com Seu Zé determinado a dominar a tecnologia antes de buscar o ganho de escala. O esforço valeu: hoje, as usinas da companhia extraem quase 450 litros por tonelada, praticamente o dobro do ponto de partida.

A referência e o método de produção vieram dos Estados Unidos, berço do etanol de milho. Visitas a feiras e o contato com o mercado americano abriram o caminho para a aquisição da tecnologia da Katzen, empresa americana do setor. Foi só então que a eficiência começou a avançar de forma consistente.

O negócio do etanol de milho opera inteiramente entre duas correntes de commodities: a empresa compra milho a preços de mercado e vende etanol também a preços de mercado. Não controla nenhuma das duas pontas. O diferencial está na eficiência operacional e, cada vez mais, na capacidade de extrair valor de tudo o que sai do grão além do combustível.

Em 2018, com a segunda planta paraguaia em fase final, Seu Zé tomou a decisão que mudaria o tamanho e o destino da empresa: vir para o Brasil. O plano foi abrir uma usina em Sinop, no norte de Mato Grosso, o principal Estado produtor de grãos do país.

A lógica era ao mesmo tempo geográfica e produtiva. O Paraguai, apesar das vantagens tributárias, tem produção de milho equivalente à de uma única região do Mato Grosso. Construir uma terceira usina no país vizinho desequilibraria toda a cadeia local de grãos. 

O Brasil, por outro lado, tinha matéria-prima em abundância e espaço para crescer – no ano-safra 2025/26, a expectativa é que o Brasil produza 131 milhões de toneladas do cereal, enquanto os paraguaios deverão colher 5,2 milhões de toneladas.

A primeira fase da planta de Sinop recebeu investimento de R$ 750 milhões e entrou em operação em agosto de 2019. A partir daí, o ritmo não parou. Vieram plantas em Nova Mutum, também em Mato Grosso, em Dourados e Sidrolândia, ambas em Mato Grosso do Sul, e em Balsas, no Maranhão. 

A unidade de Sinop foi ampliada duas vezes e se tornou, por um período, a maior usina de etanol independente de matéria-prima do mundo em uma única planta – consegue processar 6 milhões de litros por dia. O dinheiro para o início de tudo veio do Paraguai.

“Sem o Paraguai a gente não teria conseguido”, admite Alfini. “O país foi a nossa escola e o nosso banco.”

Expansão regional

O passo seguinte foi distribuir as usinas por diferentes regiões, formando uma rede de hubs industriais. Hoje a Inpasa está presente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Maranhão, com novas unidades previstas em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e em Rio Verde, em Goiás.

A lógica da presença no Nordeste, por exemplo, é específica: a região é deficitária em etanol e tem portos próximos para a exportação de coprodutos como DDGS (sigla em inglês para distillers dried grains with solubles, ou grãos secos de destilaria com solúveis) e óleo.

“Nós decidimos diversificar geograficamente. Eu poderia construir todas as fases em Mato Grosso, mas não foi essa a escolha”, explica Alfini.

Ao todo, a empresa prevê dez unidades em operação quando as plantas de Rio Verde e Rondonópolis, em Mato Grosso, entrarem em funcionamento. Esta última receberá investimento de cerca de R$ 3,5 bilhões e terá capacidade para produzir aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol por ano.

José Odvar Lopes (à esquerda, sem boné), fundador da Inpasa
José Odvar Lopes (segundo à esquerda sem boné), fundador da Inpasa (Divulgação)

Para garantir a conexão entre os hubs produtivos, a Inpasa vem investindo de forma crescente em logística. Em 2023, a empresa deu um primeiro passo concreto no modal ferroviário: gastou cerca de R$ 100 milhões na aquisição de 50 vagões e duas locomotivas, operados pela Rumo no corredor entre Rondonópolis e Paulínia, no interior paulista.

O movimento equivale a retirar 17 mil viagens de caminhão das estradas por ano. Mas foi só o começo. Alfini diz que a empresa pretende chegar a quase 500 vagões e 32 locomotivas. “O nosso investimento tem que ser bastante pesado para sermos competitivos”, diz o CFO.

A capacidade de armazenagem também é parte da equação. A empresa acumulou mais de 5,6 milhões de toneladas de capacidade estática nos estados onde opera, o suficiente para garantir seis meses de produção sem depender do ritmo da colheita.

É uma vantagem que a cana-de-açúcar não tem: o grão pode esperar nos silos, enquanto a cana precisa ser moída em horas após o corte, além do fato de o etanol produzido a partir do milho ser cerca de 40% mais barato.

Essa “folga” também protege a empresa de oscilações sazonais de preço. “A hora em que começa a nova colheita é o momento em que os silos estão esvaziando”, explica Alfini. “Você consegue arbitrar os melhores momentos.”

Outros produtos do milho

Além da expansão geográfica, a Inpasa investiu para que suas usinas tivessem aproveitamento máximo do grão. Para cada tonelada de milho que entra, saem etanol, DDGS e óleo vegetal. Esses produtos têm mercado e preço próprios.

O DDGS é um farelo rico em proteína utilizado na alimentação animal e uma das principais apostas de agregação de valor da Inpasa. Junto com o óleo de milho, o DDGS já representa cerca de 15% da receita da empresa, algo próximo a R$ 4 bilhões por ano, e chega a cobrir entre 35% e 40% do custo de aquisição do milho.

A empresa produz cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS por ano. A Inpasa reivindica um diferencial técnico no produto: não utiliza ácido sulfúrico nem antibiótico em seu processo industrial, o que reduz o risco de contaminação e abre portas em mercados mais exigentes.

Fernando Alfini, CFO da Inpasa
Fernando Alfini, CFO da Inpasa (Divulgação)

A empresa criou uma marca própria, a FortiPro, para o ingrediente para se diferenciar em um mercado que, segundo Alfini, aprendeu a pedir especificamente pelo produto da companhia.

A Inpasa já responde por mais de 95% das exportações brasileiras de DDGS. Em 2025, o Brasil vendeu cerca de 879 mil toneladas do produto para 25 países, com Turquia, Vietnã e Nova Zelândia entre os principais compradores. 

Em 2026, a China recebeu sua primeira carga brasileira da Insapa: um navio com cerca de 62 mil toneladas. O mercado deve crescer junto com a produção nacional: estimativas do setor apontam para 7 milhões de toneladas de DDGS até a safra 2029/30, ante um consumo interno de cerca de 2,4 milhões de toneladas.

Governança e próximos passos

Paralelamente à expansão industrial, a Inpasa passa por uma transformação de governança. O fundador José Odvar Lopes tornou-se chairman (presidente do conselho) e seu filho Éder assumiu a presidência executiva.

Além da sucessão familiar, a companhia começa a estruturar um conselho consultivo. “Depois desse crescimento que nós tivemos, tornou-se mais latente a necessidade de sofisticar a governança corporativa”, diz Alfini.

O primeiro passo foi a chegada de José Olympio Pereira, ex-CEO do banco J. Safra e um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro brasileiro. A expectativa é que mais dois nomes do mesmo peso sejam anunciados como conselheiros independentes.

O movimento sinaliza o novo momento de uma empresa que começa a se preparar para um eventual próximo passo — seja no mercado de capitais, com uma oferta pública inicial de ações (IPO), seja com emissões de dívida no exterior.

Com a expansão praticamente financiada com capital prórpio, a Inpasa realizou até o momento quatro emissões de debêntures incentivadas pela Lei 12.431, captando cerca de R$ 1,5 bilhão no mercado, e o CFO não descarta outras estruturas. “Gostamos de dinheiro barato”, resume Alfini.

No mercado, circulou no ano passado a informação de que a Petrobras buscaria um sócio estratégico para a produção de etanol, com a Inpasa despontando como uma das favoritas.  Alfini nega qualquer negociação: “Nunca tivemos nenhuma conversa com a Petrobras.”

Sobre a Vibra Energia, cujo maior acionista individual é o próprio Seu Zé, com mais de 10% das ações da antiga BR Distribuidora, Alfini reconhece que existem sinergias óbvias entre as empresas, mas descarta qualquer discussão formal. “A Vibra é um investimento pessoal do Seu Zé e seguirá sendo tratada na Inpasa como mais um cliente”, conclui.

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Com R$ 70 bilhões em dívidas, Raízen pede recuperação extrajudicial

A gigante do etanol Raízen entrou na noite desta terça-feira (10) com um pedido de recuperação extrajudicial depois de se ver sem alternativas diante de uma dívida bruta que ultrapassa os R$ 70 bilhões, em uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. A informação foi confirmada pela companhia na manhã desta quarta-feira (11).

A Raízen – controlada por Cosan e Shell – já conta com o apoio de credores que representam mais de 47% da dívida e terá 90 dias para atingir a maioria necessária (50% mais um) para a aprovação do plano, conforme exige a legislação, segundo apurou o InvestNews com fontes próximas à companhia.

Trata-se da maior recuperação extrajudicial já registrada no país e representa um capítulo importante da derrocada de uma empresa que protagonizou pouco menos de cinco anos atrás um dos maiores IPOs (oferta pública inicial de ações) da história da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 76 bilhões à época. Nesta terça, a Raízen valia menos de 1%, ou cerca de R$ 700 milhões.

O plano de recuperação deverá abranger cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas e vai estabelecer a suspensão do pagamento de juros, o chamado “standstill“, válido também por 90 dias a partir desta quarta-feira (11), segundo as fontes.

Nesses três meses pela frente, Raízen e credores vão negociar os termos definitivos da reestruturação, o que deverá incluir alongamento de prazos, conversão de parte da dívida em ações e eventuais descontos no valor da dívida, os chamados haircuts.

Negociação em curso

Conforme mostrou a Bloomberg mais cedo nesta terça, alguns dos maiores bancos do país são credores que somam cerca de metade da dívida da companhia, enquanto bondholders, detentores de CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e de debêntures respondem pela outra metade.

Tanto a Raízen quanto seus credores já reduziram posições de hedge cambial que haviam sido montadas para honrar dívidas em dólar, sinal de que as conversas avançavam.

Em paralelo, a companhia negocia um plano de capitalização em que a Shell irá aportar R$ 3,5 bilhões, com um compromisso conjunto do empresário Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física, por meio de sua empresa Aguassanta Investimentos.

Nesta terça, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia não estava mais em negociações com a Shell para resgatar a Raízen, o que deixa credores e a petroleira como protagonistas da solução financeira.

Negociações com credores

As negociações da Raízen com credores preveem a conversão de dívida em participação acionária estimada na casa de 40%, com o objetivo de levar a alavancagem da Raízen para menos de 3 vezes o lucro operacional (Ebitda).

Atualmente, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia está em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, uma alta de 43% em um ano.

Segundo as mesmas fontes que falaram com o InvestNews, a Raízen continuará a pagar fornecedores normalmente – a recuperação extrajudicial suspende “apenas” o serviço das dívidas financeiras.

A informação sobre o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen nesta noite de terça-feira foi publicada inicialmente pelo Brazil Journal.

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Grupo Mateus prepara entrada no mercado de medicamentos

O Grupo Mateus está se preparando para entrar na distribuição e venda de medicamentos no Norte e Nordeste, regiões onde já concentra suas operações de atacarejo, por meio de uma parceria com um operador regional do setor, apurou o InvestNews.

A iniciativa envolve o Armazém Mateus, braço operacional do grupo maranhense, e a AS&J Holding, empresa ligada ao Grupo Toureiro, do Piauí, que atua na distribuição de produtos farmacêuticos para farmácias, hospitais e órgãos públicos.

O movimento marca mais um passo do Grupo Mateus na expansão de suas operações além do varejo alimentar. A parceria deverá ser estruturada como uma joint venture dedicada às atividades de comércio e distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares em estados do Norte e Nordeste.

Segundo as empresas, a iniciativa busca gerar ganhos logísticos e operacionais, além de ampliar a oferta de medicamentos com maior eficiência na cadeia de distribuição regional. A transação ainda depende de aval do  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)

O movimento do Grupo Mateus acompanha uma tendência mais ampla no setor de atacarejo. Redes como o Assaí já vêm avançando nesse mercado: a companhia decidiu acelerar a abertura de farmácias próprias em seus complexos comerciais e pretende inaugurar 25 unidades até julho, aproveitando a estrutura já existente em suas lojas.

A expansão para o setor farmacêutico ocorre em meio ao crescimento da operação de atacado do grupo. No terceiro trimestre de 2025, a divisão B2B do Grupo Mateus registrou receita de R$ 2,1 bilhões, alta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atendendo mais de 48 mil clientes por mês por meio de sua rede de centros de distribuição.

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Grupo Mateus prepara entrada no mercado de medicamentos

O Grupo Mateus está se preparando para entrar na distribuição e venda de medicamentos no Norte e Nordeste, regiões onde já concentra suas operações de atacarejo, por meio de uma parceria com um operador regional do setor, apurou o InvestNews.

A iniciativa envolve o Armazém Mateus, braço operacional do grupo maranhense, e a AS&J Holding, empresa ligada ao Grupo Toureiro, do Piauí, que atua na distribuição de produtos farmacêuticos para farmácias, hospitais e órgãos públicos.

O movimento marca mais um passo do Grupo Mateus na expansão de suas operações além do varejo alimentar. A parceria deverá ser estruturada como uma joint venture dedicada às atividades de comércio e distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares em estados do Norte e Nordeste.

Segundo as empresas, a iniciativa busca gerar ganhos logísticos e operacionais, além de ampliar a oferta de medicamentos com maior eficiência na cadeia de distribuição regional. A transação ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Tendência no setor de atacarejo

O movimento do Grupo Mateus acompanha uma tendência mais ampla no setor de atacarejo. Redes como o Assaí já vêm avançando nesse mercado: a companhia decidiu acelerar a abertura de farmácias próprias em seus complexos comerciais e pretende inaugurar 25 unidades até julho, aproveitando a estrutura já existente em suas lojas.

A expansão para o setor farmacêutico ocorre em meio ao crescimento da operação de atacado do grupo. No terceiro trimestre de 2025, a divisão B2B do Grupo Mateus registrou receita de R$ 2,1 bilhões, alta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atendendo mais de 48 mil clientes por mês por meio de sua rede de centros de distribuição.

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Cosan precisa de caixa, mas avisa que não vai vender a Rumo a qualquer preço

A Cosan reforçou que segue com seu plano de zerar o endividamento da holding, mesmo após ter reduzido sua dívida líquida expandida de R$ 23,5 bilhões para R$ 9,8 bilhões ao longo de 2025. O grupo descarta, porém, vender parte de seus ativos a qualquer valor para acelerar esse processo.

Mesmo com a necessidade de fazer caixa, a diretoria do grupo controlado por Rubens Ometto e André Esteves desmentiu negociações para vender sua fatia de 30% na operadora ferroviária Rumo para a Ultrapar e a gestora Perfin, uma das principais acionistas da Cosan desde o follow-on de setembro.

O CEO Marcelo Martins disse que a movimentação seria fruto de especulação de potenciais interessados tentando derrubar o preço das ações para comprar barato. Em 12 meses, os papéis da companhia recuam 5,5%, com market cap próximo a R$ 30 bilhões.

“Não temos neste momento absolutamente nenhum engajamento para fazer a operação que foi veiculada no mercado”, afirmou durante a teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 nesta terça-feira (10). “Isso não nos interessa.”

Abertos a negócio

Martins reconheceu que a venda de participações em ativos do portfólio faz parte da estratégia de desalavancagem, mas foi enfático ao negar que haja urgência ou que algum negócio específico esteja na linha de frente. “Nenhum acionista da companhia hoje nos pressiona para fazer um deal a qualquer preço”, disse o CEO.

O CFO Rafael Bergman destacou que a companhia também enxugou sua estrutura interna: o quadro de funcionários da Cosan foi reduzido entre 40% e 45%. O objetivo final, segundo Martins, é mais ambicioso: zerar a dívida da holding. 

“No passado, podíamos justificar nossa alavancagem pelo objetivo de crescimento do portfólio. Hoje, essas questões estão todas fora da mesa.” Para o CEO, a estrutura que a Cosan mantinha até então perdeu o sentido. “A holding da forma como existia no ano passado não tem mais razão de continuar.”

A Cosan encerrou o quarto trimestre de 2025 com dívida líquida expandida de R$ 9,8 bilhões, queda de quase R$ 14 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, após uma série de operações que incluíram a venda de ações da Vale, um follow-on de R$ 10,5 bilhões ancorado por BTG Pactual e Perfin.

Em paralelo, o grupo também fez uma venda parcial de ações da Rumo, cerca de 10% do capital, combinada com a contratação de um total return swap, instrumento pelo qual a Cosan vendeu parte da fatia na ferrovia para reforçar o caixa, mas manteve exposição econômica ao ativo.

O avanço, porém, ainda não se reflete no fluxo de caixa da holding: o índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se os dividendos recebidos das controladas são suficientes para pagar os juros, encerrou o ano em 0,9 vez, abaixo do patamar mínimo de 1,0 vez. 

IPO da Compass

O próximo passo concreto da desalavancagem já tem endereço: a Cosan protocolou na semana passada o pedido de registro para um IPO da Compass Gás e Energia, dona da Comgás.

A oferta será integralmente secundária, ou seja, sem emissão de novas ações, com os recursos indo diretamente para o caixa da holding, que será a vendedora dos papéis. A expectativa no mercado é que a operação movimente cerca de R$ 5 bilhões.

Na teleconferência, Martins reforçou que a capitalização de setembro nunca foi o ponto de chegada. “Sempre deixamos claro que o follow-on não era o último passo dessa história, era o início”, disse o CEO. O IPO da Compass é, segundo ele, a demonstração mais concreta desse compromisso.

Crise da Raízen

Enquanto a Cosan avança na desalavancagem, a Raízen segue em terreno incerto. A joint venture com a Shell acumula prejuízo de R$ 19,8 bilhões no ano-safra 2025/26 e, em fato relevante divulgado na última, revelou estar avaliando uma solução abrangente para sua estrutura de capital.

A proposta inclui um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo da família Ometto, a Aguassanta Investimentos, além da reestruturação do endividamento com possível conversão de dívida em capital. Uma recuperação extrajudicial segue como instrumento possível, caso necessário.

Chama atenção, porém, que a Cosan não participa dessa solução. Segundo Martins, a companhia dedicou os últimos seis meses tentando construir uma estrutura de capitalização que justificasse sua participação direta. As conversas, porém, não chegaram a um acordo nos termos que considerava adequados.

O ponto de ruptura foi a arquitetura do negócio. A Cosan defende que uma solução definitiva para a Raízen passa pela separação dos negócios da joint venture, com estruturas de capital distintas para o segmento de etanol, açúcar e bioenergia e para a distribuição de combustíveis. 

“São negócios com geração de caixa distintas e que exigem uma estrutura de capital também distinta”, disse Martins. “A não separação dos negócios para a gente é um problema.” Sem essa condição atendida, o aporte não estava justificado, especialmente diante das restrições de capital que a própria holding ainda enfrenta.

Martins afirmou que a Cosan continua acompanhando o processo como acionista e conselheira, e acredita que “nos próximos dias” devem surgir novos desdobramentos. O engajamento dos credores, segundo ele, está avançando de forma estruturada.

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Cosan precisa de caixa, mas avisa que não vai vender a Rumo a qualquer preço

A Cosan reforçou que segue com seu plano de zerar o endividamento da holding, mesmo após ter reduzido sua dívida líquida expandida de R$ 23,5 bilhões para R$ 9,8 bilhões ao longo de 2025. O grupo descarta, porém, vender parte de seus ativos a qualquer valor para acelerar esse processo.

Mesmo com a necessidade de fazer caixa, a diretoria do grupo controlado por Rubens Ometto e André Esteves desmentiu negociações para vender sua fatia de 30% na operadora ferroviária Rumo para a Ultrapar e a gestora Perfin, uma das principais acionistas da Cosan desde o follow-on de setembro.

O CEO Marcelo Martins disse que a movimentação seria fruto de especulação de potenciais interessados tentando derrubar o preço das ações para comprar barato. Em 12 meses, os papéis da companhia recuam 5,5%, com market cap próximo a R$ 30 bilhões.

“Não temos neste momento absolutamente nenhum engajamento para fazer a operação que foi veiculada no mercado”, afirmou durante a teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 nesta terça-feira (10). “Isso não nos interessa.”

Abertos a negócio

Martins reconheceu que a venda de participações em ativos do portfólio faz parte da estratégia de desalavancagem, mas foi enfático ao negar que haja urgência ou que algum negócio específico esteja na linha de frente. “Nenhum acionista da companhia hoje nos pressiona para fazer um deal a qualquer preço”, disse o CEO.

O CFO Rafael Bergman destacou que a companhia também enxugou sua estrutura interna: o quadro de funcionários da Cosan foi reduzido entre 40% e 45%. O objetivo final, segundo Martins, é mais ambicioso: zerar a dívida da holding. 

“No passado, podíamos justificar nossa alavancagem pelo objetivo de crescimento do portfólio. Hoje, essas questões estão todas fora da mesa.” Para o CEO, a estrutura que a Cosan mantinha até então perdeu o sentido. “A holding da forma como existia no ano passado não tem mais razão de continuar.”

A Cosan encerrou o quarto trimestre de 2025 com dívida líquida expandida de R$ 9,8 bilhões, queda de quase R$ 14 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, após uma série de operações que incluíram a venda de ações da Vale, um follow-on de R$ 10,5 bilhões ancorado por BTG Pactual e Perfin.

Em paralelo, o grupo também fez uma venda parcial de ações da Rumo, cerca de 10% do capital, combinada com a contratação de um total return swap, instrumento pelo qual a Cosan vendeu parte da fatia na ferrovia para reforçar o caixa, mas manteve exposição econômica ao ativo.

O avanço, porém, ainda não se reflete no fluxo de caixa da holding: o índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se os dividendos recebidos das controladas são suficientes para pagar os juros, encerrou o ano em 0,9 vez, abaixo do patamar mínimo de 1,0 vez. 

IPO da Compass

O próximo passo concreto da desalavancagem já tem endereço: a Cosan protocolou na semana passada o pedido de registro para um IPO da Compass Gás e Energia, dona da Comgás.

A oferta será integralmente secundária, ou seja, sem emissão de novas ações, com os recursos indo diretamente para o caixa da holding, que será a vendedora dos papéis. A expectativa no mercado é que a operação movimente cerca de R$ 5 bilhões.

Na teleconferência, Martins reforçou que a capitalização de setembro nunca foi o ponto de chegada. “Sempre deixamos claro que o follow-on não era o último passo dessa história, era o início”, disse o CEO. O IPO da Compass é, segundo ele, a demonstração mais concreta desse compromisso.

Crise da Raízen

Enquanto a Cosan avança na desalavancagem, a Raízen segue em terreno incerto. A joint venture com a Shell acumula prejuízo de R$ 19,8 bilhões no ano-safra 2025/26 e, em fato relevante divulgado na última, revelou estar avaliando uma solução abrangente para sua estrutura de capital.

A proposta inclui um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo da família Ometto, a Aguassanta Investimentos, além da reestruturação do endividamento com possível conversão de dívida em capital. Uma recuperação extrajudicial segue como instrumento possível, caso necessário.

Chama atenção, porém, que a Cosan não participa dessa solução. Segundo Martins, a companhia dedicou os últimos seis meses tentando construir uma estrutura de capitalização que justificasse sua participação direta. As conversas, porém, não chegaram a um acordo nos termos que considerava adequados.

O ponto de ruptura foi a arquitetura do negócio. A Cosan defende que uma solução definitiva para a Raízen passa pela separação dos negócios da joint venture, com estruturas de capital distintas para o segmento de etanol, açúcar e bioenergia e para a distribuição de combustíveis. 

“São negócios com geração de caixa distintas e que exigem uma estrutura de capital também distinta”, disse Martins. “A não separação dos negócios para a gente é um problema.” Sem essa condição atendida, o aporte não estava justificado, especialmente diante das restrições de capital que a própria holding ainda enfrenta.

Martins afirmou que a Cosan continua acompanhando o processo como acionista e conselheira, e acredita que “nos próximos dias” devem surgir novos desdobramentos. O engajamento dos credores, segundo ele, está avançando de forma estruturada.

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Exclusivo: Cade libera troca de controle na Braskem e abre caminho para gestora IG4

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acaba de aprovar sem restrições a transação em que a gestora IG4 assumirá o controle da Braskem. Agora, haverá um prazo de 15 dias para que haja manifestações e, caso não ocorra contestações, a operação será aprovada em definitivo.

A decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira (6) após 73 dias de análise, prazo considerado atípico para transações deste tipo. A demora poderia levar a um desmanche do negócio, como mostrou com exclusividade o InvestNews na última quarta-feira (4).

A demora na análise vinha pressionando as negociações entre IG4 e Petrobras e colocando em risco a própria situação financeira da petroquímica. Como revelou o InvestNews, a Braskem teria apenas cerca de quatro meses de caixa e enfrentaria vencimentos relevantes de juros já no meio do ano, sem espaço no mercado para novas captações.

Sem o aval do Cade, a gestora e a Petrobras não poderiam assumir formalmente o controle da companhia nem liderar uma eventual renegociação de suas dívidas — um passo considerado essencial para estabilizar a empresa. Uma recuperação judicial já vinha sendo preparada.

No parecer que embasou a decisão, a Superintendência-Geral do Cade concluiu que a operação representa apenas a substituição da Novonor como acionista da Braskem por um fundo estruturado sob consultoria da IG4, sem efeitos concorrenciais relevantes no setor petroquímico. Por isso, a autarquia aprovou a transação sem remédios.

Atrasos

O processo acabou se estendendo após manifestações de entidades do setor plástico e de órgãos públicos. No parecer, o Cade registra que essas intervenções levantaram preocupações sobre estrutura de mercado e contratos da cadeia petroquímica, mas concluiu que esses temas não têm relação direta com a mudança de controle da companhia.

Também houve manifestação do Ministério Público Federal (MPF) pedindo que fossem considerados os impactos ambientais do caso Alagoas. O Cade afirmou, porém, que não identificou nexo de causalidade entre a operação societária e o cenário descrito, limitando sua análise aos efeitos concorrenciais da transação.

Relembre a operação

O acordo que levou a IG4 ao controle da Braskem foi anunciado em dezembro e estruturado a partir das dívidas da Novonor com cinco bancos credores – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES – que tinham ações da petroquímica dadas em garantia em empréstimos concedidos à antiga Odebrecht.

Esses credores transferiram cerca de R$ 20 bilhões em créditos, garantidos por ações da Braskem, para o fundo Shine I, ligado à gestora IG4, do empresário Paulo Mattos. Com isso, a gestora passa a assumir as ações que estavam dadas em alienação fiduciária, herdando a participação que antes pertencia à Novonor.

Ao final da operação, a IG4 ficará com cerca de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da Braskem, tornando-se a principal acionista da companhia. A Petrobras, que já detém 47% das ações com direito a voto, seguirá como sócia relevante e dividirá o controle da petroquímica com a gestora.

As duas empresas deverão firmar um novo acordo de acionistas para formalizar o co-controle e definir a nova governança da companhia. O CEO deverá ser indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho ficaria a cargo de um nome ligado à Petrobras.

A Novonor permanecerá apenas com uma participação residual de cerca de 4% do capital, em ações preferenciais e sem direito a voto.

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Exclusivo: Cade libera troca de controle na Braskem e abre caminho para gestora IG4

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acaba de aprovar sem restrições a transação em que a gestora IG4 assumirá o controle da Braskem. Agora, haverá um prazo de 15 dias para que haja manifestações e, caso não ocorra contestações, a operação será aprovada em definitivo.

A decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira (6) após 73 dias de análise, prazo considerado atípico para transações deste tipo. A demora poderia levar a um desmanche do negócio, como mostrou com exclusividade o InvestNews na última quarta-feira (4).

A demora na análise vinha pressionando as negociações entre IG4 e Petrobras e colocando em risco a própria situação financeira da petroquímica. Como revelou o InvestNews, a Braskem teria apenas cerca de quatro meses de caixa e enfrentaria vencimentos relevantes de juros já no meio do ano, sem espaço no mercado para novas captações.

Sem o aval do Cade, a gestora e a Petrobras não poderiam assumir formalmente o controle da companhia nem liderar uma eventual renegociação de suas dívidas — um passo considerado essencial para estabilizar a empresa. Uma recuperação judicial já vinha sendo preparada.

No parecer que embasou a decisão, a Superintendência-Geral do Cade concluiu que a operação representa apenas a substituição da Novonor como acionista da Braskem por um fundo estruturado sob consultoria da IG4, sem efeitos concorrenciais relevantes no setor petroquímico. Por isso, a autarquia aprovou a transação sem remédios.

Atrasos

O processo acabou se estendendo após manifestações de entidades do setor plástico e de órgãos públicos. No parecer, o Cade registra que essas intervenções levantaram preocupações sobre estrutura de mercado e contratos da cadeia petroquímica, mas concluiu que esses temas não têm relação direta com a mudança de controle da companhia.

Também houve manifestação do Ministério Público Federal (MPF) pedindo que fossem considerados os impactos ambientais do caso Alagoas. O Cade afirmou, porém, que não identificou nexo de causalidade entre a operação societária e o cenário descrito, limitando sua análise aos efeitos concorrenciais da transação.

Relembre a operação

O acordo que levou a IG4 ao controle da Braskem foi anunciado em dezembro e estruturado a partir das dívidas da Novonor com cinco bancos credores – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES – que tinham ações da petroquímica dadas em garantia em empréstimos concedidos à antiga Odebrecht.

Esses credores transferiram cerca de R$ 20 bilhões em créditos, garantidos por ações da Braskem, para o fundo Shine I, ligado à gestora IG4, do empresário Paulo Mattos. Com isso, a gestora passa a assumir as ações que estavam dadas em alienação fiduciária, herdando a participação que antes pertencia à Novonor.

Ao final da operação, a IG4 ficará com cerca de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da Braskem, tornando-se a principal acionista da companhia. A Petrobras, que já detém 47% das ações com direito a voto, seguirá como sócia relevante e dividirá o controle da petroquímica com a gestora.

As duas empresas deverão firmar um novo acordo de acionistas para formalizar o co-controle e definir a nova governança da companhia. O CEO deverá ser indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho ficaria a cargo de um nome ligado à Petrobras.

A Novonor permanecerá apenas com uma participação residual de cerca de 4% do capital, em ações preferenciais e sem direito a voto.

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Petrobras se esquiva sobre Braskem e aponta ciclo de geração de caixa com pré-sal, refino e gás

Após registrar produção recorde de petróleo em 2025, impulsionada pelo avanço do pré-sal, a Petrobras vê espaço para ampliar a geração de caixa nos próximos anos com três frentes: crescimento da produção, maior utilização das refinarias e expansão do mercado de gás natural.

A estratégia da maior empresa do país será executada em um cenário de maior volatilidade do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a pressão do mercado sobre eventuais repasses de preços dos combustíveis no Brasil.

Já sobre a crise da Braskem, com o risco de a gestora IG4 abandonar as negociações para assumir o controle da petroquímica diante da demora na análise do caso pelo Cade, a diretoria da Petrobras se esquivou e demonstrou otimismo de que o órgão regulador libere a transação “o mais breve possível”. Após a publicação deste texto, o Cade autorizou a troca de controle na Braskem.

Crise da Braskem

A situação da Braskem voltou ao radar da diretoria da Petrobras. Executivos foram questionados na manhã desta sexta-feira (6) sobre o andamento da operação que pode levar a gestora IG4, do investidor Paulo Mattos, a assumir o controle da petroquímica ao lado da estatal.

O processo aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) desde dezembro e vem se arrastando mais do que o esperado, aumentando a incerteza sobre o futuro da empresa.

Como o InvestNews mostrou com exclusividade na quarta-feira (4), a demora regulatória começa a pressionar a situação financeira da petroquímica, que teria cerca de três meses de caixa para fazer frente às suas obrigações.

O cenário de incerteza também passou a afetar o destino da transação. A IG4 já sinalizou a bancos credores que pode abandonar as negociações caso o processo no Cade siga se arrastando a situação financeira da companhia se deteriore ainda mais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal segue acompanhando o processo, mas destacou que a conclusão da operação depende da decisão das autoridades concorrenciais. A executiva disse esperar que a análise do Cade seja concluída “o mais breve possível”.

Refinaria da Braskem nos Estados Unidos
Refinaria da Braskem nos Estados Unidos(Bloomberg/Luke Sharrett)

“Enquanto o processo não é concluído, seguimos acompanhando a situação. As decisões estruturais dependem da conclusão dessa etapa”, acrescentou o diretor financeiro Fernando Melgarejo, durante a apresentação dos resultados da Petrobras no quarto trimestre de 2025.

A Braskem encerrou o terceiro trimestre do ano passado com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o Ebitda, patamar considerado elevado por analistas e que limita o acesso da empresa a novas captações no mercado. 

Diante do aperto de liquidez, uma eventual recuperação judicial já passa a ser discutida.

Crescimento no pré-sal

Sobre óleo e gás, Magda destacou que o crescimento de 11% na produção de 2025 se deve, em grande parte, a melhorias na gestão de reservatórios, que reduziram o declínio natural dos campos e permitiram que plataformas recém-instaladas no pré-sal se traduzissem em crescimento líquido de produção.

“A gente conseguiu reduzir o declínio das jazidas e isso muda o patamar de produção. Com novas plataformas entrando em operação, elas passam a representar aumento real de produção”, afirmou a CEO da Petrobras.

Entre os projetos que sustentam essa estratégia estão novas plataformas no pré-sal e o ramp-up de unidades que entraram recentemente em operação. A Petrobras citou, entre os sistemas em aceleração, os FPSOs Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, Marechal Duque de Caxias, em Mero, e Maria Quitéria, em Jubarte, além da P-78, também em Búzios. 

Plataforma P-74 no campo de Búzios, operado pela Petrobras com duas sócias chinesas. Foto: Divulgação/Petrobrás

Nos próximos anos, a companhia ainda prevê a entrada de novas unidades no mesmo campo, como P-79, P-80, P-82 e P-83, que devem sustentar o aumento gradual da produção no pré-sal.

Búzios, em particular, vem se consolidando como o principal motor de crescimento da Petrobras. O campo já ultrapassou a marca de 1 milhão de barris por dia de produção e concentra boa parte dos novos sistemas que entrarão em operação ao longo da década.

Refino e gás

Outro eixo da estratégia é ampliar o uso das refinarias. As unidades operaram com capacidade média de utilização de 91% em 2025, nível que a companhia pretende elevar ainda mais neste ano. O objetivo é aumentar a produção de derivados de maior valor agregado –principalmente diesel, gasolina e querosene de aviação – e capturar mais margem no mercado doméstico.

“Aumentar a utilização das refinarias é uma forma direta de capturar valor adicional na cadeia. Quando operamos próximos da capacidade máxima, conseguimos melhorar o mix de derivados e ampliar a rentabilidade do refino”, afirmou Magda Chambriard.

A estratégia também inclui investimentos para ampliar a produção de combustíveis de maior qualidade e adaptar unidades industriais para novos produtos, como diesel de baixo teor de enxofre e combustíveis de aviação.

Técnico de capacete inspeciona tubulações e válvulas de estação de gás ou petróleo.
Gás Natural – Foto: Agência Petrobras

No segmento de gás natural, a companhia também vê espaço para crescimento, impulsionado pela abertura gradual do mercado brasileiro e pela expansão do consumo industrial. A diretoria destacou o aumento da base de clientes no mercado livre de gás, com novos contratos firmes assinados nos últimos meses.

“Estamos ampliando nossa presença no mercado livre e diversificando a carteira de clientes. O gás natural é um vetor importante de crescimento para a companhia nos próximos anos”, acrescentou Melgarejo.

A Petrobras também aposta na expansão da infraestrutura de escoamento e processamento de gás, incluindo projetos ligados ao Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, que deve reforçar a oferta do combustível para o mercado brasileiro.

Política de preços

Apesar da volatilidade recente do petróleo, a Petrobras indicou que pretende manter sua estratégia comercial para combustíveis no Brasil, baseada na observação das paridades internacionais, mas evitando repassar automaticamente oscilações de curto prazo ao consumidor.

“A nossa estratégia comercial foi construída justamente para momentos de volatilidade. A gente observa o mercado, mas não transfere automaticamente cada movimento para o preço doméstico”, disse Melgarejo.

Irã sofre ataques dos EUA
Irã sofre ataques dos EUA neste sábado (28/02) (Foto: Bloomberg)

Executivos lembraram que o diesel permanece há cerca de 300 dias sem reajuste, citando o dado como exemplo da estratégia de estabilidade de preços no mercado interno.

A estratégia operacional ocorre em um momento de maior incerteza no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas e oscilações recentes no Brent. Executivos disseram que a companhia foi estruturada para operar em uma ampla faixa de preços da commodity.

“Temos que estar preparados para qualquer cenário. Se o petróleo estiver a US$ 85 ou a US$ 55, a empresa precisa continuar gerando caixa e executando seus projetos”, concluiu Magda.

Resultados

No quarto trimestre de 2025, a Petrobras registrou receita líquida de R$ 127,4 bilhões, alta de 5% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões, avanço de cerca de 46,3% frente ao mesmo período de 2024.

A companhia também voltou ao azul no período, com lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, após ter registrado prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre do ano anterior.

No acumulado de 2025, a petroleira reportou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões, quase triplicando o resultado em relação a 2024.

A produção total de óleo e gás cresceu 11%, com média próxima de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, impulsionada principalmente pela entrada de novos sistemas no pré-sal.

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Petrobras se esquiva sobre Braskem e aponta ciclo de geração de caixa com pré-sal, refino e gás

Após registrar produção recorde de petróleo em 2025, impulsionada pelo avanço do pré-sal, a Petrobras vê espaço para ampliar a geração de caixa nos próximos anos com três frentes: crescimento da produção, maior utilização das refinarias e expansão do mercado de gás natural.

A estratégia da maior empresa do país será executada em um cenário de maior volatilidade do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a pressão do mercado sobre eventuais repasses de preços dos combustíveis no Brasil.

Já sobre a crise da Braskem, com o risco de a gestora IG4 abandonar as negociações para assumir o controle da petroquímica diante da demora na análise do caso pelo Cade, a diretoria da Petrobras se esquivou e demonstrou otimismo de que o órgão regulador libere a transação “o mais breve possível”. Após a publicação deste texto, o Cade autorizou a troca de controle na Braskem.

Crise da Braskem

A situação da Braskem voltou ao radar da diretoria da Petrobras. Executivos foram questionados na manhã desta sexta-feira (6) sobre o andamento da operação que pode levar a gestora IG4, do investidor Paulo Mattos, a assumir o controle da petroquímica ao lado da estatal.

O processo aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) desde dezembro e vem se arrastando mais do que o esperado, aumentando a incerteza sobre o futuro da empresa.

Como o InvestNews mostrou com exclusividade na quarta-feira (4), a demora regulatória começa a pressionar a situação financeira da petroquímica, que teria cerca de três meses de caixa para fazer frente às suas obrigações.

O cenário de incerteza também passou a afetar o destino da transação. A IG4 já sinalizou a bancos credores que pode abandonar as negociações caso o processo no Cade siga se arrastando a situação financeira da companhia se deteriore ainda mais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal segue acompanhando o processo, mas destacou que a conclusão da operação depende da decisão das autoridades concorrenciais. A executiva disse esperar que a análise do Cade seja concluída “o mais breve possível”.

Refinaria da Braskem nos Estados Unidos
Refinaria da Braskem nos Estados Unidos(Bloomberg/Luke Sharrett)

“Enquanto o processo não é concluído, seguimos acompanhando a situação. As decisões estruturais dependem da conclusão dessa etapa”, acrescentou o diretor financeiro Fernando Melgarejo, durante a apresentação dos resultados da Petrobras no quarto trimestre de 2025.

A Braskem encerrou o terceiro trimestre do ano passado com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o Ebitda, patamar considerado elevado por analistas e que limita o acesso da empresa a novas captações no mercado. 

Diante do aperto de liquidez, uma eventual recuperação judicial já passa a ser discutida.

Crescimento no pré-sal

Sobre óleo e gás, Magda destacou que o crescimento de 11% na produção de 2025 se deve, em grande parte, a melhorias na gestão de reservatórios, que reduziram o declínio natural dos campos e permitiram que plataformas recém-instaladas no pré-sal se traduzissem em crescimento líquido de produção.

“A gente conseguiu reduzir o declínio das jazidas e isso muda o patamar de produção. Com novas plataformas entrando em operação, elas passam a representar aumento real de produção”, afirmou a CEO da Petrobras.

Entre os projetos que sustentam essa estratégia estão novas plataformas no pré-sal e o ramp-up de unidades que entraram recentemente em operação. A Petrobras citou, entre os sistemas em aceleração, os FPSOs Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, Marechal Duque de Caxias, em Mero, e Maria Quitéria, em Jubarte, além da P-78, também em Búzios. 

Plataforma P-74 no campo de Búzios, operado pela Petrobras com duas sócias chinesas. Foto: Divulgação/Petrobrás

Nos próximos anos, a companhia ainda prevê a entrada de novas unidades no mesmo campo, como P-79, P-80, P-82 e P-83, que devem sustentar o aumento gradual da produção no pré-sal.

Búzios, em particular, vem se consolidando como o principal motor de crescimento da Petrobras. O campo já ultrapassou a marca de 1 milhão de barris por dia de produção e concentra boa parte dos novos sistemas que entrarão em operação ao longo da década.

Refino e gás

Outro eixo da estratégia é ampliar o uso das refinarias. As unidades operaram com capacidade média de utilização de 91% em 2025, nível que a companhia pretende elevar ainda mais neste ano. O objetivo é aumentar a produção de derivados de maior valor agregado –principalmente diesel, gasolina e querosene de aviação – e capturar mais margem no mercado doméstico.

“Aumentar a utilização das refinarias é uma forma direta de capturar valor adicional na cadeia. Quando operamos próximos da capacidade máxima, conseguimos melhorar o mix de derivados e ampliar a rentabilidade do refino”, afirmou Magda Chambriard.

A estratégia também inclui investimentos para ampliar a produção de combustíveis de maior qualidade e adaptar unidades industriais para novos produtos, como diesel de baixo teor de enxofre e combustíveis de aviação.

Técnico de capacete inspeciona tubulações e válvulas de estação de gás ou petróleo.
Gás Natural – Foto: Agência Petrobras

No segmento de gás natural, a companhia também vê espaço para crescimento, impulsionado pela abertura gradual do mercado brasileiro e pela expansão do consumo industrial. A diretoria destacou o aumento da base de clientes no mercado livre de gás, com novos contratos firmes assinados nos últimos meses.

“Estamos ampliando nossa presença no mercado livre e diversificando a carteira de clientes. O gás natural é um vetor importante de crescimento para a companhia nos próximos anos”, acrescentou Melgarejo.

A Petrobras também aposta na expansão da infraestrutura de escoamento e processamento de gás, incluindo projetos ligados ao Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, que deve reforçar a oferta do combustível para o mercado brasileiro.

Política de preços

Apesar da volatilidade recente do petróleo, a Petrobras indicou que pretende manter sua estratégia comercial para combustíveis no Brasil, baseada na observação das paridades internacionais, mas evitando repassar automaticamente oscilações de curto prazo ao consumidor.

“A nossa estratégia comercial foi construída justamente para momentos de volatilidade. A gente observa o mercado, mas não transfere automaticamente cada movimento para o preço doméstico”, disse Melgarejo.

Irã sofre ataques dos EUA
Irã sofre ataques dos EUA neste sábado (28/02) (Foto: Bloomberg)

Executivos lembraram que o diesel permanece há cerca de 300 dias sem reajuste, citando o dado como exemplo da estratégia de estabilidade de preços no mercado interno.

A estratégia operacional ocorre em um momento de maior incerteza no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas e oscilações recentes no Brent. Executivos disseram que a companhia foi estruturada para operar em uma ampla faixa de preços da commodity.

“Temos que estar preparados para qualquer cenário. Se o petróleo estiver a US$ 85 ou a US$ 55, a empresa precisa continuar gerando caixa e executando seus projetos”, concluiu Magda.

Resultados

No quarto trimestre de 2025, a Petrobras registrou receita líquida de R$ 127,4 bilhões, alta de 5% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões, avanço de cerca de 46,3% frente ao mesmo período de 2024.

A companhia também voltou ao azul no período, com lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, após ter registrado prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre do ano anterior.

No acumulado de 2025, a petroleira reportou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões, quase triplicando o resultado em relação a 2024.

A produção total de óleo e gás cresceu 11%, com média próxima de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, impulsionada principalmente pela entrada de novos sistemas no pré-sal.

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EMS vence disputa pela Medley e compra marca de genéricos por US$ 600 milhões

A EMS, farmacêutica controlada pela família Sanchez, fechou a compra da Medley, marca de medicamentos genéricos da francesa Sanofi no Brasil, em uma operação avaliada em cerca de US$ 600 milhões, aproximadamente R$ 3,2 bilhões na conversão de hoje.

O acordo foi assinado nesta sexta-feira (6) e ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A transação encerra um processo competitivo que envolveu outros interessados, como Aché, Hypera, Biolab e a indiana Sun Pharma, como noticiaram os colegas do Neofeed.

Com a aquisição, a EMS reforça sua posição como uma das maiores fabricantes de medicamentos genéricos do país após uma tentativa frustrada de fusão com a concorrente Hypera. A Medley registrou faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025, com resultado operacional (Ebitda) próximo de R$ 200 milhões.

O processo de venda da Medley havia sido antecipado pelo InvestNews em dezembro de 2024, quando a Sanofi iniciou a busca por um comprador, em meio a uma reorganização global de portfólio. À época, a pedida era de US$ 1,5 bilhão, mas o negócio acabou saindo por menos da metade.

Em comunicado conjunto divulgado nesta sexta-feira, as empresas afirmaram que a operação abre um novo capítulo para a Medley ao combinar a marca consolidada da companhia no mercado brasileiro com a escala industrial da EMS.

“A Medley representa um ativo estratégico complementar às operações do grupo. A empresa construiu uma marca muito sólida e respeitada no mercado brasileiro”, afirmou, em nota, Carlos Sanchez, presidente do conselho de administração da EMS.

Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS
Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS (Fiesc/Divulgação)

A Sanofi, por sua vez, disse que a venda está alinhada à estratégia global da companhia de concentrar investimentos em medicamentos biofarmacêuticos, produtos OTCs (como antigripais e outros remédios sem necessidade de prescrição por meio da Opella) e vacinas.

Segundo as empresas, a Medley continuará operando normalmente até a conclusão da transação e será mantida como uma marca independente dentro da estrutura da EMS. A Medley foi comprada da família Negrão pela Sanofi em 2009 por R$ 1,5 bilhão.

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Exclusivo: Demora no Cade coloca em xeque caixa da Braskem e acordo IG4-Petrobras

A demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira, apurou o InvestNews. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Segundo pessoas próximas às negociações, a Braskem teria apenas mais quatro meses de caixa e enfrentaria dificuldades para quitar pagamentos de juros já na metade do ano. Procurada, a Braskem não comentou.

Sem o aval do órgão antitruste, nem a IG4 nem a Petrobras podem assumir de fato as discussões sobre a renegociação das dívidas da companhia. “É uma situação insustentável, não existe justificativa técnica para não aprovarem”, diz uma das fontes.

De acordo com o balanço mais recente da Braskem, a petroquímica encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o resultado operacional (Ebitda).

A avaliação neste momento é que o impasse, considerado “político-institucional”, pode levar a gestora a desistir da operação. Procurada, a IG4 não comentou.

Processo longo

Um executivo lembra que, quando o empresário Nelson Tanure tentou adquirir o controle da Braskem, em julho do ano passado, a aprovação do Cade ocorreu sem restrições em apenas 12 dias – o processo acabou se alongando por mais três meses depois que a Petrobras contestou a decisão.

Um dos pontos levantados nos bastidores é que a demora na análise pelo Cade poderia refletir pressões políticas em torno da autarquia e da Petrobras. “Está sem prazo [de análise] e ninguém sabe quando será”, reforça outra fonte.

Em paralelo, a estatal estaria em desentendimentos com a Novonor (ex-Odebrecht), sua atual sócia na Braskem, sobre investimentos na Refinaria Riograndense, no Rio Grande do Sul, um projeto de conversão da unidade para produção de combustíveis renováveis, conduzido em parceria com o grupo Ultrapar.

Profissionais que acompanham a Braskem de perto afirmam que a companhia enfrenta uma situação financeira cada vez mais delicada, com vencimentos relevantes de juros previstos para o meio do ano e sem nenhum espaço no mercado para novas captações.

Reestruturação maior

A avaliação de momento é que, se mantido o ritmo atual da análise regulatória, existe o risco de que a Braskem vá precisar discutir uma reestruturação mais ampla da dívida antes mesmo da conclusão da mudança de controle. “Se a situação continuar se deteriorando e não houver tempo, a companhia pode acabar parando em uma recuperação judicial”, acrescenta a fonte.

No dia 15 de dezembro, a gestora IG4, do empresário Paulo Mattos, fechou um acordo com os credores da Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações da Braskem e se tornar o controlador da petroquímica, ao lado da Petrobras, que seguirá como sócia relevante e co-controladora. A tendência é que o CEO seja indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho fique com a Petrobras.

Em 23 de dezembro, IG4 e Petrobras deram entrada com o pedido no Cade. As partes sustentam que se trata apenas de uma substituição de controlador, sem efeitos concorrenciais relevantes. No mês passado, o Cade decidiu esticar a análise do processo, sem prazo determinado. A última movimentação no processo ocorreu nesta quarta-feira (4), com despacho no gabinete da presidência do órgão.

Procurados, Braskem, Cade e Petrobras não comentaram até a publicação deste texto.

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Exclusivo: Demora no Cade coloca em xeque caixa da Braskem e acordo IG4-Petrobras

A demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira, apurou o InvestNews. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Segundo pessoas próximas às negociações, a Braskem teria apenas mais quatro meses de caixa e enfrentaria dificuldades para quitar pagamentos de juros já na metade do ano. Procurada, a Braskem não comentou.

Sem o aval do órgão antitruste, nem a IG4 nem a Petrobras podem assumir de fato as discussões sobre a renegociação das dívidas da companhia. “É uma situação insustentável, não existe justificativa técnica para não aprovarem”, diz uma das fontes.

De acordo com o balanço mais recente da Braskem, a petroquímica encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o resultado operacional (Ebitda).

A avaliação neste momento é que o impasse, considerado “político-institucional”, pode levar a gestora a desistir da operação. Procurada, a IG4 não comentou.

Processo longo

Um executivo lembra que, quando o empresário Nelson Tanure tentou adquirir o controle da Braskem, em julho do ano passado, a aprovação do Cade ocorreu sem restrições em apenas 12 dias – o processo acabou se alongando por mais três meses depois que a Petrobras contestou a decisão.

Um dos pontos levantados nos bastidores é que a demora na análise pelo Cade poderia refletir pressões políticas em torno da autarquia e da Petrobras. “Está sem prazo [de análise] e ninguém sabe quando será”, reforça outra fonte.

Em paralelo, a estatal estaria em desentendimentos com a Novonor (ex-Odebrecht), sua atual sócia na Braskem, sobre investimentos na Refinaria Riograndense, no Rio Grande do Sul, um projeto de conversão da unidade para produção de combustíveis renováveis, conduzido em parceria com o grupo Ultrapar.

Profissionais que acompanham a Braskem de perto afirmam que a companhia enfrenta uma situação financeira cada vez mais delicada, com vencimentos relevantes de juros previstos para o meio do ano e sem nenhum espaço no mercado para novas captações.

Reestruturação maior

A avaliação de momento é que, se mantido o ritmo atual da análise regulatória, existe o risco de que a Braskem vá precisar discutir uma reestruturação mais ampla da dívida antes mesmo da conclusão da mudança de controle. “Se a situação continuar se deteriorando e não houver tempo, a companhia pode acabar parando em uma recuperação judicial”, acrescenta a fonte.

No dia 15 de dezembro, a gestora IG4, do empresário Paulo Mattos, fechou um acordo com os credores da Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações da Braskem e se tornar o controlador da petroquímica, ao lado da Petrobras, que seguirá como sócia relevante e co-controladora. A tendência é que o CEO seja indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho fique com a Petrobras.

Em 23 de dezembro, IG4 e Petrobras deram entrada com o pedido no Cade. As partes sustentam que se trata apenas de uma substituição de controlador, sem efeitos concorrenciais relevantes. No mês passado, o Cade decidiu esticar a análise do processo, sem prazo determinado. A última movimentação no processo ocorreu nesta quarta-feira (4), com despacho no gabinete da presidência do órgão.

Procurados, Braskem, Cade e Petrobras não comentaram até a publicação deste texto.

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Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

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Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

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Cosan e BTG recuam e deixam Shell conduzir a reestruturação da Raízen

Cosan e BTG Pactual decidiram dar um passo atrás e deixar a Shell assumir o comando da reestruturação financeira da Raízen. Desde o início das conversas, os brasileiros defendiam que caberia à petroleira anglo-holandesa liderar a solução – e, diante dos impasses recentes, esse acabou sendo o caminho adotado.

A declaração pública feita na terça-feira (3) pelo presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, de que a petroleira estava pronta para investir R$ 3,5 bilhões na Raízen e esperava o mesmo de sua sócia, a Cosan, foi mal recebida do outro lado da mesa e ajudou a azedar as negociações, apurou o InvestNews.

As divergências entre os sócios vão desde o tamanho do aporte necessário na companhia até a conveniência de dividir a empresa em duas estruturas, além de discussões sobre conversão de dívidas e o uso de créditos tributários.

No desenho que hoje ganha força nas negociações, a Shell colocaria cerca de R$ 3,5 bilhões no caixa da Raízen, enquanto o empresário Rubens Ometto, um dos controladores da Cosan, aportaria diretamente R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, a Aguassanta.

A Cosan, que chegou a anunciar na segunda etapa de seu follow-on de R$ 10 bilhões que poderia usar parte dos recursos para capitalizar a Raízen, e o BTG ficariam de fora de qualquer novo investimento.

A avaliação entre os envolvidos é que esse arranjo tende a prevalecer, diante da dificuldade de construir consenso em torno de outras alternativas.

Impasse

Na semana passada, executivos do BTG, da Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram em Londres para discutir possíveis caminhos para a reestruturação, mas deixaram a capital britânica sem um acordo.

A discussão sobre uma reestruturação ocorre em meio ao forte aumento do endividamento da companhia. A dívida bruta da Raízen chegou a cerca de R$ 70 bilhões, com R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, o que coloca a alavancagem em 5,3 vezes o resultado operacional (Ebitda).

visualization

O custo financeiro para carregar esse passivo já supera R$ 7 bilhões por ano, segundo pessoas próximas das negociações. Nos nove meses do ano-safra 2025/26, a companhia reportou cerca de R$ 4 bilhões em despesas com o serviço da dívida.

Com a Shell liderando o aporte e sem uma contraparte da Cosan, a petroleira passaria a consolidar os R$ 70 bilhões de dívida bruta em seu balanço, algo próximo a US$ 13,5 bilhões. Por outro lado, o grupo de Ometto e André Esteves seria diluído na composição acionária – hoje, Shell e Cosan possuem 88% da Raízen, sendo 44% de cada.

Visões diferentes

A petroleira anglo-holandesa defende uma solução considerada mais simples e imediata, com um aporte de cerca de R$ 7 bilhões – metade da Shell e metade da Cosan – combinado à renegociação das dívidas, com possíveis haircuts e conversão de parte do débito em ações da Raízen. 

Já a Cosan, hoje co-controlada por Rubens Ometto e o BTG Pactual defende uma alternativa mais estrutural. A proposta do grupo brasileiro prevê dividir a Raízen em duas empresas, separando a produção e o processamento da cana-de-açúcar da operação de distribuição de combustíveis. 

Nesse desenho, fundos de private equity do BTG teriam mandato para aportar cerca de R$ 5,5 bilhões na empresa de combustíveis, assumindo o controle do negócio e tendo a Shell como sócia.

Por regras internas, no entanto, o private equity do banco não investe diretamente em empresas expostas a commodities, o que ajuda a explicar o interesse apenas na divisão de combustíveis, e não na operação agrícola e industrial ligada à cana.

A lógica por trás da proposta é que os dois negócios têm perfis de risco muito distintos. Enquanto a distribuição de combustíveis tende a gerar fluxo de caixa mais previsível, a produção de açúcar e etanol está mais sujeita ao ciclo das commodities e à volatilidade das safras.

Diante do impasse entre os sócios, prevaleceu a avaliação de que caberia à Shell liderar a solução.

A marca Shell e a rede de postos – ativos centrais da operação de combustíveis da Raízen – pertencem ao grupo anglo-holandês. “A solução acabou voltando para a Shell”, disse uma pessoa próxima das negociações. “A marca e os postos são dela.”

Tributos

Parte da discussão sobre a reestruturação envolve também o tratamento de passivos tributários, prejuízos fiscais acumulados e créditos fiscais relevantes que a companhia possui.

Nas demonstrações financeiras mais recentes, a Raízen reportou R$ 23,5 bilhões em prejuízos fiscais acumulados, que poderiam gerar ativos fiscais diferidos de aproximadamente R$ 5,9 bilhões. Parte desses créditos, porém, não é reconhecida no balanço por falta de previsibilidade de lucros tributáveis suficientes para sua utilização.

Segundo uma das fontes, esses créditos e passivos podem ganhar nova dimensão com a implementação da reforma tributária, que tende a simplificar a tributação do setor de combustíveis e tornar mais previsível a carga fiscal da atividade de distribuição.

Nesse contexto, a eventual separação entre os negócios poderia permitir isolar os ativos de distribuição em uma estrutura com maior capacidade de atrair investidores financeiros ou suportar níveis mais altos de endividamento.

“Tem uma série de créditos fiscais e passivos tributários que precisam ser renegociados e que podem mudar com a reforma tributária”, disse a fonte.

Reorganização

Movimentos recentes da própria companhia sugerem que a estrutura do grupo já vem sendo reorganizada.

Nesta semana, a Raízen anunciou uma cisão parcial da Raízen Energia, com a transferência de participações societárias e outros ativos para uma nova empresa do grupo, a Raízen Participações.

A cisão envolve principalmente participações em subsidiárias e ativos intangíveis ligados a essas estruturas – um tipo de reorganização frequentemente usado para concentrar ativos em holdings antes de processos de venda, entrada de investidores ou separação de unidades de negócio.

Segundo o documento divulgado pela companhia, a operação tem como objetivo simplificar a estrutura societária do grupo.

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Cosan e BTG recuam e deixam Shell conduzir a reestruturação da Raízen

Cosan e BTG Pactual decidiram dar um passo atrás e deixar a Shell assumir o comando da reestruturação financeira da Raízen. Desde o início das conversas, os brasileiros defendiam que caberia à petroleira anglo-holandesa liderar a solução – e, diante dos impasses recentes, esse acabou sendo o caminho adotado.

A declaração pública feita na terça-feira (3) pelo presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, de que a petroleira estava pronta para investir R$ 3,5 bilhões na Raízen e esperava o mesmo de sua sócia, a Cosan, foi mal recebida do outro lado da mesa e ajudou a azedar as negociações, apurou o InvestNews.

As divergências entre os sócios vão desde o tamanho do aporte necessário na companhia até a conveniência de dividir a empresa em duas estruturas, além de discussões sobre conversão de dívidas e o uso de créditos tributários.

No desenho que hoje ganha força nas negociações, a Shell colocaria cerca de R$ 3,5 bilhões no caixa da Raízen, enquanto o empresário Rubens Ometto, um dos controladores da Cosan, aportaria diretamente R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, a Aguassanta.

A Cosan, que chegou a anunciar na segunda etapa de seu follow-on de R$ 10 bilhões que poderia usar parte dos recursos para capitalizar a Raízen, e o BTG ficariam de fora de qualquer novo investimento.

A avaliação entre os envolvidos é que esse arranjo tende a prevalecer, diante da dificuldade de construir consenso em torno de outras alternativas. Após a publicação deste texto, a Raízen confirmou o aporte e diz que considera, inclusive, uma recuperação extrajudicial.

Impasse

Na semana passada, executivos do BTG, da Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram em Londres para discutir possíveis caminhos para a reestruturação, mas deixaram a capital britânica sem um acordo.

A discussão sobre uma reestruturação ocorre em meio ao forte aumento do endividamento da companhia. A dívida bruta da Raízen chegou a cerca de R$ 70 bilhões, com R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, o que coloca a alavancagem em 5,3 vezes o resultado operacional (Ebitda).

visualization

O custo financeiro para carregar esse passivo já supera R$ 7 bilhões por ano, segundo pessoas próximas das negociações. Nos nove meses do ano-safra 2025/26, a companhia reportou cerca de R$ 4 bilhões em despesas com o serviço da dívida.

Com a Shell liderando o aporte e sem uma contraparte da Cosan, a petroleira passaria a consolidar os R$ 70 bilhões de dívida bruta em seu balanço, algo próximo a US$ 13,5 bilhões. Por outro lado, o grupo de Ometto e André Esteves seria diluído na composição acionária – hoje, Shell e Cosan possuem 88% da Raízen, sendo 44% de cada.

Visões diferentes

A petroleira anglo-holandesa defende uma solução considerada mais simples e imediata, com um aporte de cerca de R$ 7 bilhões – metade da Shell e metade da Cosan – combinado à renegociação das dívidas, com possíveis haircuts e conversão de parte do débito em ações da Raízen. 

Já a Cosan, hoje co-controlada por Rubens Ometto e o BTG Pactual defende uma alternativa mais estrutural. A proposta do grupo brasileiro prevê dividir a Raízen em duas empresas, separando a produção e o processamento da cana-de-açúcar da operação de distribuição de combustíveis. 

Nesse desenho, fundos de private equity do BTG teriam mandato para aportar cerca de R$ 5,5 bilhões na empresa de combustíveis, assumindo o controle do negócio e tendo a Shell como sócia.

Por regras internas, no entanto, o private equity do banco não investe diretamente em empresas expostas a commodities, o que ajuda a explicar o interesse apenas na divisão de combustíveis, e não na operação agrícola e industrial ligada à cana.

A lógica por trás da proposta é que os dois negócios têm perfis de risco muito distintos. Enquanto a distribuição de combustíveis tende a gerar fluxo de caixa mais previsível, a produção de açúcar e etanol está mais sujeita ao ciclo das commodities e à volatilidade das safras.

Diante do impasse entre os sócios, prevaleceu a avaliação de que caberia à Shell liderar a solução.

A marca Shell e a rede de postos – ativos centrais da operação de combustíveis da Raízen – pertencem ao grupo anglo-holandês. “A solução acabou voltando para a Shell”, disse uma pessoa próxima das negociações. “A marca e os postos são dela.”

Tributos

Parte da discussão sobre a reestruturação envolve também o tratamento de passivos tributários, prejuízos fiscais acumulados e créditos fiscais relevantes que a companhia possui.

Nas demonstrações financeiras mais recentes, a Raízen reportou R$ 23,5 bilhões em prejuízos fiscais acumulados, que poderiam gerar ativos fiscais diferidos de aproximadamente R$ 5,9 bilhões. Parte desses créditos, porém, não é reconhecida no balanço por falta de previsibilidade de lucros tributáveis suficientes para sua utilização.

Segundo uma das fontes, esses créditos e passivos podem ganhar nova dimensão com a implementação da reforma tributária, que tende a simplificar a tributação do setor de combustíveis e tornar mais previsível a carga fiscal da atividade de distribuição.

Nesse contexto, a eventual separação entre os negócios poderia permitir isolar os ativos de distribuição em uma estrutura com maior capacidade de atrair investidores financeiros ou suportar níveis mais altos de endividamento.

“Tem uma série de créditos fiscais e passivos tributários que precisam ser renegociados e que podem mudar com a reforma tributária”, disse a fonte.

Reorganização

Movimentos recentes da própria companhia sugerem que a estrutura do grupo já vem sendo reorganizada.

Nesta semana, a Raízen anunciou uma cisão parcial da Raízen Energia, com a transferência de participações societárias e outros ativos para uma nova empresa do grupo, a Raízen Participações.

A cisão envolve principalmente participações em subsidiárias e ativos intangíveis ligados a essas estruturas – um tipo de reorganização frequentemente usado para concentrar ativos em holdings antes de processos de venda, entrada de investidores ou separação de unidades de negócio.

Segundo o documento divulgado pela companhia, a operação tem como objetivo simplificar a estrutura societária do grupo.

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Atlas Renewable Energy, de energia solar, promove demissões no Brasil e cita impacto do curtailment

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia solar do país, promoveu nesta semana demissões em seu quadro de funcionários no Brasil após revisão da estrutura operacional, apurou o InvestNews.

Segundo a empresa, o ajuste foi “pontual” e está relacionado aos níveis elevados de curtailment – limitação da geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) diante de gargalos na transmissão – que vêm afetando a previsibilidade de receitas das geradoras renováveis no sistema elétrico brasileiro.

Criada em 2017 e controlada pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), que participou da compra da AES nos Estados Unidos nesta segunda-feira (2), a Atlas soma mais de 10 GW em ativos renováveis na América Latina e tem presença em países como Chile, México, Colômbia e Brasil.

A companhia atua no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de energia solar e, mais recentemente, de armazenamento em baterias. No Brasil, mantém ativos principalmente em Minas Gerais, com cerca de 80% da operação localizada no Estado.

Nos bastidores do setor, circulou a informação de que a redução teria alcançado cerca de 20% do quadro local e que estaria buscando compradores para alguns de seus ativos. Em nota enviada ao InvestNews, Atlas nega o número e afirma que o percentual foi “significativamente inferior”.

“Quando a geração é frequentemente limitada por gargalos estruturais no sistema, torna-se necessário que as empresas adequem, de forma responsável, suas estruturas operacionais a essa realidade”, disse a Atlas.

A empresa afirma que o Brasil segue como mercado estratégico, mas ressaltou que o enfrentamento “estrutural” do curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das renováveis no país.

No fim de fevereiro, a Atlas anunciou o que classificou como o maior refinanciamento corporativo já registrado para energia limpa na América Latina, envolvendo US$ 3 bilhões e um pool de bancos internacionais, entre eles BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Santander CIB.

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Atlas Renewable Energy, de energia solar, promove demissões no Brasil e cita impacto do curtailment

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia solar do país, promoveu nesta semana demissões em seu quadro de funcionários no Brasil após revisão da estrutura operacional, apurou o InvestNews.

Segundo a empresa, o ajuste foi “pontual” e está relacionado aos níveis elevados de curtailment – limitação da geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) diante de gargalos na transmissão – que vêm afetando a previsibilidade de receitas das geradoras renováveis no sistema elétrico brasileiro.

Criada em 2017 e controlada pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), que participou da compra da AES nos Estados Unidos nesta segunda-feira (2), a Atlas soma mais de 10 GW em ativos renováveis na América Latina e tem presença em países como Chile, México, Colômbia e Brasil.

A companhia atua no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de energia solar e, mais recentemente, de armazenamento em baterias. No Brasil, mantém ativos principalmente em Minas Gerais, com cerca de 80% da operação localizada no Estado.

Nos bastidores do setor, circulou a informação de que a redução teria alcançado cerca de 20% do quadro local e que estaria buscando compradores para alguns de seus ativos. Em nota enviada ao InvestNews, Atlas nega o número e afirma que o percentual foi “significativamente inferior”.

“Quando a geração é frequentemente limitada por gargalos estruturais no sistema, torna-se necessário que as empresas adequem, de forma responsável, suas estruturas operacionais a essa realidade”, disse a Atlas.

A empresa afirma que o Brasil segue como mercado estratégico, mas ressaltou que o enfrentamento “estrutural” do curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das renováveis no país.

No fim de fevereiro, a Atlas anunciou o que classificou como o maior refinanciamento corporativo já registrado para energia limpa na América Latina, envolvendo US$ 3 bilhões e um pool de bancos internacionais, entre eles BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Santander CIB.

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Na Hidrovias do Brasil, escoamento truncado da safra de soja no Pará testa recuperação financeira

O início de 2026, período que coincide com o pico do escoamento da safra de soja pelo Arco Norte, começou mais fraco do que o ano passado para a Hidrovias do Brasil, empresa de logística controlada pela Ultrapar.

Durante a teleconferência de resultados, a administração afirmou que, apesar das boas condições de navegabilidade e das perspectivas favoráveis para a safra, a recepção de cargas tem enfrentado dificuldades relevantes neste começo de ano.

O problema, segundo o CEO Décio Amaral, está em um dos pontos mais sensíveis da operação: a estação de transbordo de cargas (ETC) de Miritituba, no Pará, onde caminhões que saem do Mato Grosso descarregam grãos para embarque em barcaças rumo aos portos do Norte.

É ali que o fluxo rodoviário se converte em transporte hidroviário – e onde qualquer gargalo afeta volumes, tarifas e margens do corredor Norte, principal motor de geração de caixa da companhia, responsável por quase 60% do lucro operacional (Ebitda) em 2025.

Segundo os executivos, o elevado número de caminhões, as chuvas intensas e as interdições decorrentes de obras de asfaltamento na via de acesso à estação têm prejudicado a fluidez operacional.

“Estamos observando resultados inferiores àqueles vistos no mesmo período do ano anterior”, afirmou o CFO, André Saleme Hachem, ao comentar o desempenho preliminar do primeiro trimestre.

Trimestre mais importante

O alerta é relevante porque o primeiro trimestre concentra o pico da safra de soja, quando os volumes transportados pelo corredor Norte tradicionalmente ganham tração. A rota pelo Arco Norte é estratégica para produtores do Centro-Oeste por reduzir distâncias até os portos em comparação com o escoamento pelo Sudeste.

A companhia reconheceu que o cenário eleva a disputa comercial entre os corredores Norte e Sul – onde estão portos como Santos, Paranaguá e Rio Grande – em um ambiente de fluxo intenso de grãos.

Para mitigar os efeitos no curto prazo, a empresa afirma estar adotando medidas contingenciais, como asfaltamento provisório de trechos críticos, sistema de agendamento conjunto entre operadores e aluguel de capacidade de terceiros.

Ainda assim, classificou 2026 como um “ano de transição” até a conclusão definitiva das obras, prevista para o fim deste ano.

Resultado de 2025

O alerta para o início de 2026 surge após um ano de forte recuperação operacional. Em 2025, a Hidrovias registrou resultado operacional (Ebitda) ajustado recorrente de R$ 1,1 bilhão, alta de 95% na comparação anual, e reduziu a alavancagem de 7 vezes para 2,3 vezes a dívida líquida pelo Ebitda.

No entanto, o lucro ainda não acompanhou integralmente a melhora operacional. A companhia encerrou o ano com prejuízo líquido de R$ 141 milhões, afetado por itens não recorrentes ligados à venda da operação de navegação costeira e ajustes contábeis.

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Rio Open e ascensão de João Fonseca reacendem ligação entre tênis e mercado financeiro

A rápida ascensão do tenista João Fonseca devolveu ao Brasil um entusiasmo pelo tênis que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Mesmo eliminado nas oitavas de final do Rio Open este ano, Fonseca, de 19 anos, ainda disputa neste domingo (22) o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.

Além do maior interesse do público, refletido em arquibancadas cheias e maior procura por ingressos, o efeito também aparece nas transmissões e, principalmente, entre patrocinadores do mercado financeiro. Afinal, em um esporte historicamente associado às elites, o gosto e o dinheiro raramente competem – costumam atuar em dupla.

E na semana do maior torneio de tênis da América do Sul, o mercado financeiro aproveitou para ampliar sua presença no tênis: desde financiamento de jovens promessas e da criação de plataformas de relacionamento com clientes a patrocínios diretos de campeonatos.

Afinal, o tênis sempre foi território natural de empresários e investidores: um esporte caro, de base social concentrada e ambiente propício para relacionamento e para fechar negócios.

Se antes o apoio vinha de entusiastas que bancavam atletas de forma quase artesanal, hoje ele começa a passar por estruturas financeiras organizadas.

Apostando no futuro

A corretora EQI, por exemplo, criou no ano passado um fundo de renda fixa com liquidez diária cuja taxa de administração é integralmente destinada ao financiamento de atletas brasileiros. O produto, chamado Fundo Match Point, já soma cerca de R$ 53 milhões sob gestão e mais de 100 cotistas.

Em 2025, o projeto contou com R$ 241,3 mil em receitas – sendo R$ 208,3 mil aportados como seed money da própria EQI – uma casa com R$ 50 bilhões sob gestão – e outros R$ 32,9 mil oriundos do fundo. Ao longo do ano, cerca de R$ 100 mil foram efetivamente investidos em cinco atletas profissionais.

Parte dos recursos é destinada ao treinamento, como acesso a técnicos, fisioterapia e preparação física. Outra fatia cobre viagens, um dos principais custos da carreira profissional. E há ainda um sistema de bônus atrelado a desempenho, como avanço em rankings e resultados em torneios.

A corretora, cujos sócios são tenistas amadores, decidiu se aproximar do circuito profissional ainda em 2023. O primeiro nome foi o gaúcho Rafael Matos. O acordo foi fechado às pressas, às vésperas do Australian Open daquele ano. Segundo Patrik Castilho, diretor de marketing da EQI, houve tempo apenas de entregar os “patches” com a marca antes de o atleta embarcar.

O contrato formal ainda nem estava assinado quando Matos, que disputava duplas mistas ao lado da também brasileira Luisa Stefani, começou a avançar rodada após rodada em Melbourne. Ele acabaria conquistando o título – tornando-se parte da primeira dupla 100% brasileira a vencer um Grand Slam, grupo que reúne os quatro principais torneios do circuito: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023
Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023 (Divulgação/Tennis Australia)

O episódio consolidou a aposta da corretora no esporte. Desde então, a empresa ampliou o portfólio e hoje patrocina cerca de dez atletas entre profissionais e juvenis, como Thiago Monteiro, Marcelo Zormann, João Lucas Reis, Ingrid Martins, Mateus Pucinelli e o juvenil Miguel Dahia, além de dois nomes do pádel, outro esporte de raquete.

A seleção, segundo a companhia, passou por um processo de profissionalização. “No começo era muito emocional. A gente gostava do atleta, acompanhava e apoiava. Hoje a curadoria é técnica”, afirmou Castilho. A triagem passou a ser feita em parceria com a Tênis Root, estrutura especializada em formação e alto rendimento, que acompanha desempenho, ranking e potencial de evolução.

Por trás dessa engenharia está uma estratégia mais ampla da EQI para ocupar o território do tênis. A corretora, que até poucos anos atrás dividia investimentos em outras modalidades como o automobilismo, decidiu concentrar esforços exclusivamente nos esportes de raquete.

Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI
Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI (Divulgação/Rio Open)

Além do fundo, a EQI mantém criou a chamada “Match Point Mansion”, uma casa paralela ao Rio Open onde clientes convivem com jogadores, participam de clínicas e assistem aos jogos em ambiente exclusivo. O investimento no espaço foi de cerca de R$ 2 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 2,6 milhões neste ano.

A lógica é dupla: fortalecer a marca no esporte e usar o tênis como plataforma de relacionamento. “A casa começa às oito da manhã e vai até a noite. O cliente fica imerso, convive com o atleta. É uma experiência que dificilmente teria só com o patrocínio tradicional do torneio”, disse o executivo.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de atletas apoiados à medida que o patrimônio do fundo cresce. “O nosso foco agora é fazer o fundo ganhar escala para que a gente consiga trazer mais atletas para dentro do projeto”, disse.

Paixão empresarial

A proximidade entre tênis e mercado financeiro está longe de ser novidade. O esporte sempre orbitou as elites econômicas – seja como parte da formação social, seja como ambiente de relacionamento e negócios.

O exemplo está no próprio João Fonseca: principal nome da nova geração, ele cresceu em uma família já consolidada no mercado financeiro. Seu pai, Christiano Fonseca Filho, é fundador da IP Capital Partners, uma das primeiras gestoras independentes do país. 

A estrutura familiar permitiu a João competir em alto nível desde cedo, algo essencial em um esporte de custos elevados, que exige viagens internacionais frequentes, equipe técnica especializada e raquetes que podem custar mais de R$ 1,5 mil cada.

João Fonseca entrando em quadra no Rio Open
João Fonseca entrando em quadra no Rio Open (Divulgação/Rio Open)

A associação entre quadra e capital também aparece na trajetória de empresários influentes. O bilionário Jorge Paulo Lemann, por exemplo, jogava tênis no Rio de Janeiro na juventude antes de se tornar um dos maiores investidores brasileiros.

Fora do país, o bilionário americano Bill Ackman, fundador da Pershing Square, chegou a disputar, aos 59 anos, um torneio profissional da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em duplas. E há casos emblemáticos como o do romeno Ion Țiriac, ex-top 10 do ranking mundial que, após pendurar a raquete, construiu um império empresarial e se tornou um dos homens mais ricos da Europa Oriental.

Hoje, essa relação ganha escala institucional. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, é um ds principais patrocinadores desta edição do Rio Open, ao lado da XP – a empresa de Guilherme Benchimol substituiu o Santander em um dos espaços principais e também apoia João Fonseca. O BTG Pactual, de André Esteves, mantém histórico de patrocínios no circuito.

O Itaú é patrocinador da tenista Bia Haddad Maia, além de ter promovido no ano passado, em Miami um jogo exibição entre Fonseca e o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz – confronto que será repetido neste ano em São Paulo.

No plano internacional, os valores são ainda mais expressivos. O Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, tornou-se, em 2024, o patrocinador oficial da ATP e passou a financiar etapas do circuito global. 

PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP
PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP (Divulgação/ATP)

A influência saudita avançou a ponto de o país garantir, a partir de 2028, a realização de uma etapa de Masters 1000 – torneios que estão entre os mais importantes do calendário, atrás apenas dos Grand Slams – ampliando a estratégia do fundo de usar o esporte como instrumento de projeção internacional, como já fez no futebol e no golfe.

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Rio Open e ascensão de João Fonseca reacendem ligação entre tênis e mercado financeiro

A rápida ascensão do tenista João Fonseca devolveu ao Brasil um entusiasmo pelo tênis que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Mesmo eliminado nas oitavas de final do Rio Open este ano, Fonseca, de 19 anos, ainda disputa neste domingo (22) o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.

Além do maior interesse do público, refletido em arquibancadas cheias e maior procura por ingressos, o efeito também aparece nas transmissões e, principalmente, entre patrocinadores do mercado financeiro. Afinal, em um esporte historicamente associado às elites, o gosto e o dinheiro raramente competem – costumam atuar em dupla.

E na semana do maior torneio de tênis da América do Sul, o mercado financeiro aproveitou para ampliar sua presença no tênis: desde financiamento de jovens promessas e da criação de plataformas de relacionamento com clientes a patrocínios diretos de campeonatos.

Afinal, o tênis sempre foi território natural de empresários e investidores: um esporte caro, de base social concentrada e ambiente propício para relacionamento e para fechar negócios.

Se antes o apoio vinha de entusiastas que bancavam atletas de forma quase artesanal, hoje ele começa a passar por estruturas financeiras organizadas.

Apostando no futuro

A corretora EQI, por exemplo, criou no ano passado um fundo de renda fixa com liquidez diária cuja taxa de administração é integralmente destinada ao financiamento de atletas brasileiros. O produto, chamado Fundo Match Point, já soma cerca de R$ 53 milhões sob gestão e mais de 100 cotistas.

Em 2025, o projeto contou com R$ 241,3 mil em receitas – sendo R$ 208,3 mil aportados como seed money da própria EQI – uma casa com R$ 50 bilhões sob gestão – e outros R$ 32,9 mil oriundos do fundo. Ao longo do ano, cerca de R$ 100 mil foram efetivamente investidos em cinco atletas profissionais.

Parte dos recursos é destinada ao treinamento, como acesso a técnicos, fisioterapia e preparação física. Outra fatia cobre viagens, um dos principais custos da carreira profissional. E há ainda um sistema de bônus atrelado a desempenho, como avanço em rankings e resultados em torneios.

A corretora, cujos sócios são tenistas amadores, decidiu se aproximar do circuito profissional ainda em 2023. O primeiro nome foi o gaúcho Rafael Matos. O acordo foi fechado às pressas, às vésperas do Australian Open daquele ano. Segundo Patrik Castilho, diretor de marketing da EQI, houve tempo apenas de entregar os “patches” com a marca antes de o atleta embarcar.

O contrato formal ainda nem estava assinado quando Matos, que disputava duplas mistas ao lado da também brasileira Luisa Stefani, começou a avançar rodada após rodada em Melbourne. Ele acabaria conquistando o título – tornando-se parte da primeira dupla 100% brasileira a vencer um Grand Slam, grupo que reúne os quatro principais torneios do circuito: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023
Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023 (Divulgação/Tennis Australia)

O episódio consolidou a aposta da corretora no esporte. Desde então, a empresa ampliou o portfólio e hoje patrocina cerca de dez atletas entre profissionais e juvenis, como Thiago Monteiro, Marcelo Zormann, João Lucas Reis, Ingrid Martins, Mateus Pucinelli e o juvenil Miguel Dahia, além de dois nomes do pádel, outro esporte de raquete.

A seleção, segundo a companhia, passou por um processo de profissionalização. “No começo era muito emocional. A gente gostava do atleta, acompanhava e apoiava. Hoje a curadoria é técnica”, afirmou Castilho. A triagem passou a ser feita em parceria com a Tênis Root, estrutura especializada em formação e alto rendimento, que acompanha desempenho, ranking e potencial de evolução.

Por trás dessa engenharia está uma estratégia mais ampla da EQI para ocupar o território do tênis. A corretora, que até poucos anos atrás dividia investimentos em outras modalidades como o automobilismo, decidiu concentrar esforços exclusivamente nos esportes de raquete.

Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI
Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI (Divulgação/Rio Open)

Além do fundo, a EQI mantém criou a chamada “Match Point Mansion”, uma casa paralela ao Rio Open onde clientes convivem com jogadores, participam de clínicas e assistem aos jogos em ambiente exclusivo. O investimento no espaço foi de cerca de R$ 2 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 2,6 milhões neste ano.

A lógica é dupla: fortalecer a marca no esporte e usar o tênis como plataforma de relacionamento. “A casa começa às oito da manhã e vai até a noite. O cliente fica imerso, convive com o atleta. É uma experiência que dificilmente teria só com o patrocínio tradicional do torneio”, disse o executivo.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de atletas apoiados à medida que o patrimônio do fundo cresce. “O nosso foco agora é fazer o fundo ganhar escala para que a gente consiga trazer mais atletas para dentro do projeto”, disse.

Paixão empresarial

A proximidade entre tênis e mercado financeiro está longe de ser novidade. O esporte sempre orbitou as elites econômicas – seja como parte da formação social, seja como ambiente de relacionamento e negócios.

O exemplo está no próprio João Fonseca: principal nome da nova geração, ele cresceu em uma família já consolidada no mercado financeiro. Seu pai, Christiano Fonseca Filho, é fundador da IP Capital Partners, uma das primeiras gestoras independentes do país. 

A estrutura familiar permitiu a João competir em alto nível desde cedo, algo essencial em um esporte de custos elevados, que exige viagens internacionais frequentes, equipe técnica especializada e raquetes que podem custar mais de R$ 1,5 mil cada.

João Fonseca entrando em quadra no Rio Open
João Fonseca entrando em quadra no Rio Open (Divulgação/Rio Open)

A associação entre quadra e capital também aparece na trajetória de empresários influentes. O bilionário Jorge Paulo Lemann, por exemplo, jogava tênis no Rio de Janeiro na juventude antes de se tornar um dos maiores investidores brasileiros.

Fora do país, o bilionário americano Bill Ackman, fundador da Pershing Square, chegou a disputar, aos 59 anos, um torneio profissional da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em duplas. E há casos emblemáticos como o do romeno Ion Țiriac, ex-top 10 do ranking mundial que, após pendurar a raquete, construiu um império empresarial e se tornou um dos homens mais ricos da Europa Oriental.

Hoje, essa relação ganha escala institucional. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, é um ds principais patrocinadores desta edição do Rio Open, ao lado da XP – a empresa de Guilherme Benchimol substituiu o Santander em um dos espaços principais e também apoia João Fonseca. O BTG Pactual, de André Esteves, mantém histórico de patrocínios no circuito.

O Itaú é patrocinador da tenista Bia Haddad Maia, além de ter promovido no ano passado, em Miami um jogo exibição entre Fonseca e o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz – confronto que será repetido neste ano em São Paulo.

No plano internacional, os valores são ainda mais expressivos. O Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, tornou-se, em 2024, o patrocinador oficial da ATP e passou a financiar etapas do circuito global. 

PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP
PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP (Divulgação/ATP)

A influência saudita avançou a ponto de o país garantir, a partir de 2028, a realização de uma etapa de Masters 1000 – torneios que estão entre os mais importantes do calendário, atrás apenas dos Grand Slams – ampliando a estratégia do fundo de usar o esporte como instrumento de projeção internacional, como já fez no futebol e no golfe.

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Tanure vende Ligga sob pressão de credores e preço sai abaixo do pedido

O empresário Nelson Tanure fechou nesta sexta-feira (20) a venda dos principais ativos de fibra da Ligga Telecom para a Brasil TecPar por R$ 495 milhões, além da assunção de pouco mais de R$ 1 bilhão em dívidas.

A transação envolve contratos de internet banda larga por fibra óptica e ainda depende de aval do Cade, da Anatel e dos debenturistas. O InvestNews antecipou, em agosto, que Tanure havia colocado a operadora à venda.

Do valor anunciado, apenas cerca de R$ 120 milhões devem ser desembolsados à vista. A maior parte será quitada por meio da emissão de debêntures conversíveis da própria Brasil TecPar. Além disso, a compradora assumirá aproximadamente R$ 1 bilhão em dívidas da Ligga, relacionadas à quinta emissão de debêntures da companhia.

A operação avalia a Ligga, antiga Copel Telecom, em cerca de R$ 1,7 bilhão, considerando equity e dívida assumida. O valor implícito, no entanto, fica bem abaixo dos R$ 2,5 bilhões que Tanure buscava quando colocou a empresa à venda, em agosto do ano passado.

A venda ocorre em meio à crise de liquidez enfrentada pelo empresário. Após não conseguir honrar o vencimento de cerca de R$ 1,2 bilhão em debêntures ligadas à compra da antiga Copel Telecom, Tanure foi pressionado por credores a buscar a alienação de ativos relevantes de seu portfólio.

Nos últimos meses, perdeu o controle da Emae por inadimplência, viu ações da Light e da Alliança Saúde serem executadas como garantia e passou a enfrentar maior escrutínio institucional após a liquidação do Banco Master, instituição com a qual mantinha relações comerciais.

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Exclusivo: Venda de ações da Eletronuclear à J&F segue travada à espera de decisão do governo

Mais de quatro meses após a assinatura do contrato e dois meses depois da aprovação do Cade, a venda da participação da Axia (ex-Eletrobras) na Eletronuclear para a Âmbar Energia, do grupo J&F, ainda não foi concluída – enquanto a estatal operadora das usinas de Angra afirma ter caixa apenas até meados de março.

O motivo seria contratual. Pelo acordo de acionistas firmado em 2022 entre a Axia e a União – representada pela ENBPar – o governo federal tem direito de preferência para adquirir as ações nas mesmas condições pactuadas com a J&F. Segundo apurou o InvestNews, o governo ainda não comunicou formalmente se exercerá ou não esse direito.

No ano passado, a Axia anunciou a venda de 67,95% do capital total da Eletronuclear, sendo 35,9% de ações com direito a voto e 99,9% de preferenciais, para a Âmbar Energia, do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, por R$ 535 milhões. Com isso, a Âmbar passaria a ser sócia da ENBPar na estatal.

O contrato foi assinado em 14 de outubro de 2025 e aprovado pelo Cade em 17 de dezembro. Pelo acordo de acionistas da Eletronuclear, a ENBPar dispõe de 120 dias para exercer a preferência após a notificação formal da proposta. Não está claro quando a ENBPar foi formalmente notificada. Procurada pelo InvestNews, a empresa não comentou.

Caso a notificação tenha ocorrido na data da assinatura do contrato, o prazo teria se encerrado em 11 de fevereiro. Se a contagem tiver início apenas após a aprovação pelo Cade, o direito poderá ser exercido até 16 de abril.

O InvestNews também procurou o Ministério de Minas e Energia, a Axia e a Âmbar Enegia, mas não obteve resposta.

Aperto financeiro

Enquanto o governo não decide se exercerá ou não o direito de preferência, a Eletronuclear enfrenta uma crise de liquidez.

No início do mês, o presidente interino da estatal, Alexandre Caporal, afirmou que a companhia tem recursos em caixa apenas até meados de março e pode entrar em colapso financeiro caso não haja uma definição sobre o futuro de Angra 3 – a terceira usina nuclear brasileira, cujas obras estão paralisadas há anos.

Usina nuclear em complexo industrial costeiro, com reatores, subestação e píer, cercada por floresta e montanhas.
Foto: Getty Images

Segundo Caporal, a empresa negocia com bancos públicos a suspensão temporária da cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas vinculadas ao projeto. A medida é considerada essencial para preservar a sustentabilidade financeira da estatal.

O pagamento de juros da dívida soma cerca de R$ 800 milhões em 2026 e, somado aos custos de manutenção da usina, os desembolsos anuais associados a Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão.

Pessoas próximas à Âmbar afirmam ao InvestNews que a companhia ainda não teve acesso à gestão da Eletronuclear e que eventuais medidas de reestruturação dependem da formalização da mudança societária.

Acordos

A venda das ações ocorre em meio a um rearranjo institucional mais amplo. No fim do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo firmado entre a União e a Axia Energia que redefiniu aspectos da governança da companhia após a privatização da antiga Eletrobras.

O termo de conciliação ampliou o Conselho de Administração da Axia, de sete para dez membros, com três representantes adicionais indicados pela União. O acordo também excluiu a responsabilidade da Axia pelos aportes necessários à conclusão de Angra 3 – mudança que exigiu novos estudos sobre o futuro do empreendimento e abriu espaço para a entrada de um novo investidor privado.

Foi nesse contexto que a Âmbar Energia fechou acordo para comprar a totalidade da participação da Axia na Eletronuclear, além de assumir a aquisição de R$ 2,4 bilhões em debêntures em favor da estatal.

Dados financeiros do impasse de uma usina: custos de construção (gasto e falta), desistência, manutenção e energia gerada.

A decisão sobre a retomada ou encerramento definitivo de Angra 3 agora depende do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Para concluir a obra, seriam necessários cerca de R$ 23 bilhões. Enquanto o governo não define o destino do projeto, a estatal nuclear segue sob pressão financeira e com a troca de acionistas ainda pendente.

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Motiva (ex-CCR) reforça plano em rodovias e trens após venda de aeroportos; alavancagem persiste

A Motiva (ex-CCR) chega ao terceiro ano da gestão de Miguel Setas tentando consolidar de vez a estratégia que marcou a chegada do executivo português, em março de 2023: concentrar a companhia em rodovias e trilhos e manter a estrutura de capital sob controle para que a alavancagem deixe de ser um freio à expansão.

A aguardada venda da operação de aeroportos – defendida por Setas desde que assumiu o comando da então CCR – foi finalmente anunciada em novembro, restando agora a conclusão do acordo de R$ 11,5 bilhões com a mexicana Asur

A negociação, que envolve 20 terminais, é tratada pela gestão da Motiva como peça central dessa reorientação estratégica, reposicionando o grupo como operadora concentrada em estradas de grande circulação e nos sistemas de trens e metrôs.

Em conversas com analistas nesta terça-feira (9), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, Setas afirmou que a prioridade é atuar apenas em negócios onde a companhia tenha vantagem frente aos concorrentes. “Estamos focados nos ativos onde somos líderes e temos competências claramente distintivas”, reforçou o CEO.

Endividamento

O movimento ocorre em paralelo a um esforço explícito de controle de endividamento — tema que segue no radar do bloco de controle da companhia, formado por Votorantim, Mover (ex-Camargo Corrêa), Itaúsa e a família Soares Penido, e que se tornou um dos principais mandatos desses acionistas para a gestão de Miguel Setas.

Ao fim de 2025, a dívida líquida somava R$ 34,1 bilhões, ante R$ 27,1 bilhões um ano antes, elevando a alavancagem para 3,6 vezes o resultado operacional (Ebitda) ajustado, contra 3,3 vezes em 2024.

A administração atribui o avanço ao ciclo de investimentos em ativos ainda em fase de maturação e afirma que a desalavancagem depende do fechamento da venda da plataforma de aeroportos, previsto para este ano. Segundo a companhia, a transação deve reduzir a alavancagem para abaixo de 3 vezes.

chart visualization

Segundo a companhia, a alta da alavancagem reflete principalmente por causa de quatro novas concessões vencidas recentemente. Só os projetos das rodovias Rota Sorocabana e da PRVias adicionaram cerca de R$ 3,1 bilhões em dívida, enquanto a Motiva executou R$ 8,7 bilhões em investimentos em 2025 – ritmo que deve permanecer elevado neste ano.

Setas argumenta que, apesar da alavancagem ainda elevada, o volume de obras sob responsabilidade da companhia mais que dobrou desde o início de sua gestão. “Quando chegamos à empresa, tínhamos R$ 28 bilhões. Hoje, estamos com R$ 65 bilhões”, afirmou.

O comando da Motiva afirma trabalhar com um limite interno de alavancagem de 3,5 vezes, faixa considerada saudável para o porte atual da empresa. No longo prazo, a ambição é operar entre 2,5 e 3 vezes, patamar visto como estruturalmente mais confortável.

Novas receitas

Setas indicou que a companhia pretende participar de novos leilões apenas em ativos considerados estratégicos e alinhados ao eixo rodovias–trilhos. Perder disputas, segundo ele, faz parte do processo quando os preços não refletem rentabilidade adequada. “Vamos continuar extremamente rigorosos na alocação de capital”, afirmou.

Mais do que buscar expansão via novas concessões, a Motiva vê nos aditivos contratuais de ativos existentes uma das principais avenidas de geração de valor. Em 2025, a empresa anunciou reequilíbrios e expansões relevantes, como a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, que prevê cerca de R$ 4 bilhões em investimentos adicionais e alongamento do prazo da concessão.

Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (
Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (Divulgação)

A companhia também afirma estar se antecipando à reforma tributária. Segundo executivos, já há estudos internos para estimar impactos e preparar pedidos de reequilíbrio contratual junto aos reguladores, com o objetivo de evitar compressão de margens. A administração diz tratar o tema como prioridade antes da entrada plena do novo regime fiscal, prevista para o ano que vem.

Gestão de gastos

Enquanto a redução da dívida não se materializa, a empresa afirma ter acelerado iniciativas de eficiência. O indicador de despesas operacionais sobre receita caiu para 37,5% – meta originalmente prevista para 2026 – e o custo caixa ajustado recuou 14% no ano. O quadro de funcionários foi reduzido em 8,6%.

Apesar da pressão sobre o balanço, o ritmo de investimentos permanece elevado. A Motiva projeta R$ 8,3 bilhões em capex para 2026, concentrados em rodovias e trilhos.

A estratégia declarada é priorizar aditivos contratuais e a expansão de ativos já operados, vistos como investimentos de menor risco e retorno mais previsível do que projetos greenfield, que são aqueles iniciados do zero.

Aos números

No quarto trimestre de 2025, a Motiva registrou receita líquida ajustada de R$ 4,0 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada por reajustes tarifários nas rodovias estaduais de São Paulo e pelo crescimento das receitas complementares.

No mesmo comparativo, o lucro líquido ajustado somou R$ 606 milhões, avanço de 68,3%, refletindo melhora operacional e redução de custos. 

No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado da companhia atingiu R$ 2,2 bilhões, alta de 25% sobre o ano anterior.

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Motiva (ex-CCR) reforça plano em rodovias e trens após venda de aeroportos; alavancagem persiste

A Motiva (ex-CCR) chega ao terceiro ano da gestão de Miguel Setas tentando consolidar de vez a estratégia que marcou a chegada do executivo português, em março de 2023: concentrar a companhia em rodovias e trilhos e manter a estrutura de capital sob controle para que a alavancagem deixe de ser um freio à expansão.

A aguardada venda da operação de aeroportos – defendida por Setas desde que assumiu o comando da então CCR – foi finalmente anunciada em novembro, restando agora a conclusão do acordo de R$ 11,5 bilhões com a mexicana Asur

A negociação, que envolve 20 terminais, é tratada pela gestão da Motiva como peça central dessa reorientação estratégica, reposicionando o grupo como operadora concentrada em estradas de grande circulação e nos sistemas de trens e metrôs.

Em conversas com analistas nesta terça-feira (9), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, Setas afirmou que a prioridade é atuar apenas em negócios onde a companhia tenha vantagem frente aos concorrentes. “Estamos focados nos ativos onde somos líderes e temos competências claramente distintivas”, reforçou o CEO.

Endividamento

O movimento ocorre em paralelo a um esforço explícito de controle de endividamento — tema que segue no radar do bloco de controle da companhia, formado por Votorantim, Mover (ex-Camargo Corrêa), Itaúsa e a família Soares Penido, e que se tornou um dos principais mandatos desses acionistas para a gestão de Miguel Setas.

Ao fim de 2025, a dívida líquida somava R$ 34,1 bilhões, ante R$ 27,1 bilhões um ano antes, elevando a alavancagem para 3,6 vezes o resultado operacional (Ebitda) ajustado, contra 3,3 vezes em 2024.

A administração atribui o avanço ao ciclo de investimentos em ativos ainda em fase de maturação e afirma que a desalavancagem depende do fechamento da venda da plataforma de aeroportos, previsto para este ano. Segundo a companhia, a transação deve reduzir a alavancagem para abaixo de 3 vezes.

chart visualization

Segundo a companhia, a alta da alavancagem reflete principalmente por causa de quatro novas concessões vencidas recentemente. Só os projetos das rodovias Rota Sorocabana e da PRVias adicionaram cerca de R$ 3,1 bilhões em dívida, enquanto a Motiva executou R$ 8,7 bilhões em investimentos em 2025 – ritmo que deve permanecer elevado neste ano.

Setas argumenta que, apesar da alavancagem ainda elevada, o volume de obras sob responsabilidade da companhia mais que dobrou desde o início de sua gestão. “Quando chegamos à empresa, tínhamos R$ 28 bilhões. Hoje, estamos com R$ 65 bilhões”, afirmou.

O comando da Motiva afirma trabalhar com um limite interno de alavancagem de 3,5 vezes, faixa considerada saudável para o porte atual da empresa. No longo prazo, a ambição é operar entre 2,5 e 3 vezes, patamar visto como estruturalmente mais confortável.

Novas receitas

Setas indicou que a companhia pretende participar de novos leilões apenas em ativos considerados estratégicos e alinhados ao eixo rodovias–trilhos. Perder disputas, segundo ele, faz parte do processo quando os preços não refletem rentabilidade adequada. “Vamos continuar extremamente rigorosos na alocação de capital”, afirmou.

Mais do que buscar expansão via novas concessões, a Motiva vê nos aditivos contratuais de ativos existentes uma das principais avenidas de geração de valor. Em 2025, a empresa anunciou reequilíbrios e expansões relevantes, como a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, que prevê cerca de R$ 4 bilhões em investimentos adicionais e alongamento do prazo da concessão.

Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (
Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (Divulgação)

A companhia também afirma estar se antecipando à reforma tributária. Segundo executivos, já há estudos internos para estimar impactos e preparar pedidos de reequilíbrio contratual junto aos reguladores, com o objetivo de evitar compressão de margens. A administração diz tratar o tema como prioridade antes da entrada plena do novo regime fiscal, prevista para o ano que vem.

Gestão de gastos

Enquanto a redução da dívida não se materializa, a empresa afirma ter acelerado iniciativas de eficiência. O indicador de despesas operacionais sobre receita caiu para 37,5% – meta originalmente prevista para 2026 – e o custo caixa ajustado recuou 14% no ano. O quadro de funcionários foi reduzido em 8,6%.

Apesar da pressão sobre o balanço, o ritmo de investimentos permanece elevado. A Motiva projeta R$ 8,3 bilhões em capex para 2026, concentrados em rodovias e trilhos.

A estratégia declarada é priorizar aditivos contratuais e a expansão de ativos já operados, vistos como investimentos de menor risco e retorno mais previsível do que projetos greenfield, que são aqueles iniciados do zero.

Aos números

No quarto trimestre de 2025, a Motiva registrou receita líquida ajustada de R$ 4,0 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada por reajustes tarifários nas rodovias estaduais de São Paulo e pelo crescimento das receitas complementares.

No mesmo comparativo, o lucro líquido ajustado somou R$ 606 milhões, avanço de 68,3%, refletindo melhora operacional e redução de custos. 

No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado da companhia atingiu R$ 2,2 bilhões, alta de 25% sobre o ano anterior.

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Em meio a ‘saldão’ de ativos, Raízen faz uma rara aquisição

A Raízen fechou a compra da participação da japonesa Sumitomo na Raízen Biomassa e passou a deter 100% da subsidiária, apurou o InvestNews. A operação consolida o controle da Raízen sobre a empresa, criada para produzir pellets de biomassa, um combustível sólido feito a partir de resíduos de cana usado para geração de energia. O valor do negócio não foi revelado.

Na prática, o ativo hoje está inativo: a única planta industrial da Raízen Biomassa, no interior de São Paulo está desligada há anos e não há plano de reativação no curto prazo. A transação decorre do exercício de uma opção de venda prevista em 2016, quando a Sumitono investiu na subsidiária.

A obrigação de compra fez a Raízen sair momentaneamente do modo vendedor para o de compradora. O movimento ocorre em meio a um amplo programa de desinvestimentos: a produtora e distribuidora de combustíveis controlada por Cosan e Shell está vendendo usinas, ativos de geração distribuída e operações no exterior para reduzir alavancagem e reorganizar o balanço.

Em uma companhia altamente endividada e em plena reciclagem de portfólio, a consolidação do controle da Raízen Biomassa surge como uma rara exceção.

Dívida alta

Segundo o balanço mais recente da Raízen, a companhia encerrou o mês de setembro com R$ 53,4 bilhões em dívida líquida, um salto de quase 50% em 12 meses, e uma alavancagem de 5,1 vezes o resultado operacional (Ebitda). Um ano antes, essa relação estava em 2,6 vezes.

O custo financeiro disparou com a combinação de mais dívida e CDI elevado, pressionando o resultado: o prejuízo acumulado no semestre chegou a R$ 4,1 bilhões. A empresa vem alongando prazos e trocando linhas de curto prazo por dívida longa, mas depende da venda de ativos – cerca de R$ 3,9 bilhões já anunciados – para recompor caixa e aliviar a estrutura de capital.

Em paralelo, Cosan e Shell, controladoras da Raízen, seguem discutindo um aumento de capital para reequilibrar a estrutura financeira da companhia. No mercado, estima-se que seria necessário um aporte da ordem de US$ 1,5 bilhão, mas tanto Shell quanto Cosan demonstram relutância em ancorar a operação.

A equação envolve ainda o BTG Pactual, que recentemente se tornou um dos principais acionistas do grupo fundado por Rubens Ometto.

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Antes de IPO, Aegea é avaliada em quase R$ 60 bilhões com aumento de participação do GIC

O GIC, o fundo soberano de Singapura e um dos principais acionistas da Aegea, deve aumentar sua participação na companhia por meio do aumento de capital de até R$ 1,2 bilhão aprovado no fim de dezembro, apurou o InvestNews.

A operação, estruturada a um preço de R$ 55,29 por ação, implica um valuation de R$ 58,9 bilhões para a maior operadora privada de saneamento do país após o aumento de capital. A transação deve também funciuonar como um shadow price – uma referência de valor para os planos da empresa de realizar uma oferta pública de ações (IPO) ainda neste ano.

O preço sinaliza a faixa de avaliação que deve balizar a oferta pública e indica que a Aegea tende a buscar no mercado um valor próximo ao da rodada privada, ou até superior, caso o ambiente de negócios permita. A título de comparação, a Sabesp vale hoje R$ 102,5 bilhões na B3.

A estrutura do aumento de capital – com renúncia de preferência dos outros sócios – abre espaço para que o GIC concentre a maior parte da subscrição e amplie sua fatia no capital votante da companhia. A operação ainda depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Aumento de participação

Em documento enviado recentemente ao Cade, o GIC afirma que pretende exercer seu direito de preferência na subscrição das novas ações e, sobretudo, adquirir eventuais sobras do aumento de capital.

Caso isso ocorra, sua participação pode ultrapassar o patamar de 20% do capital votante da companhia, gatilho que exige notificação ao órgão antitruste. O fundo soberano detém, de forma indireta, cerca de 19% das ações ordinárias, que são a com direito a voto nas assembleias, e 34% do capital total (somando ações preferenciais e ordinárias).

De acordo com o documento enviado ao Cade, a Aegea sustenta que tem participação inferior a 20% no mercado nacional de serviços de água e esgoto, apesar de ser a maior operadora privada do setor, o que não criaria problemas concorrenciais.

A empresa atende cerca de 39 milhões de pessoas em 892 municípios e registrou receita bruta de aproximadamente R$ 15,4 bilhões em 2024, segundo dados mais recentes. Seu portfólio inclui concessões relevantes como Águas do Rio, no estado do Rio de Janeiro, além de operações em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pará e interior de São Paulo.

Hoje, o controle da companhia está concentrado na Equipav, das famílias Toledo e Vettorazzo, que detém pouco mais de 53% do capital total, enquanto a Itaúsa, da família Setúbal, uma das controladoras do Itaú, possui outros 13% das ações.

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Nelson Tanure: entenda os últimos movimentos do empresário, agora alvo das investigações sobre o Master

Nelson Tanure se tornou alvo das investigações sobre o Banco Master. Na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso, a Polícia Federal apreendeu o celular de Tanure, cumprindo um mandato de busca e apreensão do STF que também inclui endereços ligados a Daniel Vorcaro, o dono do Master, e seus parentes.

Tanure é conhecido no mercado por comprar empresas em crise e conduzir reestruturações duras. Mas seu modelo de negócios passa por um momento de fragilidade financeira.

A renegociação da dívida da Ligga Telecom, fechada no início de dezembro, escancarou esse problema, que espalhou-se pelos negócios de Nelson Tanure no decorrer do ano passado.

Após não conseguir honrar o vencimento de cerca de R$ 1,2 bilhão em debêntures emitidas para financiar a compra da operadora, em 2020, Tanure obteve um prazo adicional junto aos credores — mas ao custo de aceitar condições duras. Entre elas, a obrigação de buscar a venda de ativos relevantes do seu portfólio, como a própria Ligga e sua posição de controle na Alliança Saúde.

A crise de liquidez do empresário já ganhou eco na Faria Lima, com banqueiros especulando os próximos passos de Tanure. “Vai ser complicado, pois a Ligga é um ativo difícil de vender muito acima do valor da dívida. A Alliança é outro ativo com poucos interessados”, afirma um banqueiro ouvido pelo InvestNews.

A renegociação envolvendo a compra da Ligga fechou um ano que começou com planos ambiciosos de Tanure e que terminou em modo defensivo, com ativos à venda e maior escrutínio do empresário por parte de credores e autoridades.

Ao longo de 2025, Tanure já havia perdido o controle da geradora de energia Emae por inadimplência, além de ver suas tentativas de avançar sobre empresas como a varejista GPA e a petroquímica Braskem não saírem conforme o esperado. 

Em paralelo, a crise do Banco Master. Tanure utilizou a instituição financeira em operações por empresas de seu portfólio. A liquidação do banco acabou afetando uma de suas investidas mais recentes, o supermercado Dia, que chegou a comprometer parte relevante do caixa aplicando em CDBs do banco.

E agora, com seu nome envolvido nas investigações sobre o banco, configura-se um cenário de crise para o empresário de 73 anos.

Os avanços recentes

Há um ano, o cenário era bem diferente. 

Após uma sequência de aquisições realizadas entre 2020 e 2024, Nelson Tanure consolidava-se como um dos investidores mais ativos na compra de empresas em dificuldades financeiras. O ambiente parecia feito sob medida para um empresário que construiu sua reputação explorando crises e reestruturando ativos estressados.

Nos anos anteriores, Tanure havia montado um portfólio diversificado a partir de negócios considerados fora do radar de grandes grupos. 

Comprou a Copel Telecom, posteriormente rebatizada de Ligga, apostando na consolidação do mercado de fibra óptica; assumiu o controle da Alliança Saúde, rede de diagnósticos médicos; virou um dos investidores de referência da Light; ampliou sua influência na incorporadora Gafisa; e, já no fim de 2024, fez parte do fundo que comprou a operação brasileira da rede de supermercados Dia.

Com esse histórico, 2025 se desenhava como um ano propício para novas investidas. A primeira grande aposta veio no varejo alimentar. Após concluir a compra do Dia, Tanure passou a articular uma combinação de negócios com o GPA, grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra, como forma de ganhar escala rapidamente e acelerar a reestruturação de dois negócios pressionados.

O plano envolvia ampliar sua influência na governança do GPA, que atravessa uma crise financeira, e abrir caminho para uma reorganização mais profunda da companhia. A movimentação chegou a animar parte do mercado no início do ano.

A estratégia, no entanto, encontrou resistência. Em 5 de maio, a assembleia de acionistas do GPA rejeitou parte da chapa apoiada por Tanure, que não conseguiu eleger a maioria de seus indicados para o conselho de administração. Com isso, perdeu espaço para o bloco formado pelo Grupo Coelho Diniz, hoje controlador do GPA, e pelo investidor Rafael Ferri.

Sem espaço na nova estrutura, Tanure vendeu rapidamente sua posição acionária. O movimento abrupto pressionou as ações da varejista e encerrou de forma precoce a tentativa de consolidação no setor, marcando seu primeiro grande revés de 2025.

A aposta petroquímica

A derrota no GPA não levou Nelson Tanure a recuar. Poucos dias depois, em 23 de maio, ele voltou suas atenções para um alvo ainda maior: a petroquímica Braskem, companhia que atravessa um dos períodos de maior pressão financeira de sua história.

Na ocasião, Tanure assinou um acordo de exclusividade com a Novonor — antiga Odebrecht e controladora da Braskem — para negociar a aquisição de uma participação que lhe daria o controle da companhia. Apresentou-se como alguém capaz de destravar um impasse histórico que envolve a família Odebrecht, bancos credores e a Petrobras, segunda maior acionista da petroquímica.

O discurso público foi cuidadosamente calibrado. Tanure defendeu maior protagonismo da Petrobras na gestão da Braskem, acenou a bancos credores e condicionou o avanço da operação à resolução de passivos relevantes, como as indenizações relacionadas ao desastre ambiental de Maceió.

Planta petroquímica da Braskem
Planta petroquímica da Braskem: empresa foi alvo de Tanure em 2025 (Bloomberg)

O próprio empresário reconheceu à Reuters que as negociações se mostraram mais complexas do que o esperado. A sensibilidade política do tema, a falta de consenso com os bancos e o surgimento de outros interessados, como a gestora IG4, minaram a viabilidade da transação.

O prazo de exclusividade, de três meses, expirou sem acordo, e Tanure acabou recuando da disputa. No início de dezembro, a IG4 encaminhou um acordo com a Novonor, bancos e a Petrobras, colocando fim a uma disputa societária que se arrastava desde 2018. A operação ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A virada da maré

O ponto de inflexão mais duro veio no segundo semestre, com a perda do controle da Emae. A geradora de energia paulista, adquirida na privatização em 2024, acabou sendo tomada pelos credores e vendida à Sabesp após Nelson Tanure não honrar o pagamento de um financiamento usado para viabilizar a compra do ativo. Tanure entrou na Justiça para reverter a execução da dívida e retomar o controle da Emae.

A perda da Emae foi precedida pela crise da Ambipar, empresa de gestão ambiental que entrou em recuperação judicial após uma rápida deterioração financeira. 

O controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, era sócio de Tanure na Emae, o que ampliou a exposição cruzada entre os negócios. Parte do financiamento da aquisição da Emae tinha como garantia ações da Ambipar, que perderam valor de forma acentuada em poucas semanas, corroendo o lastro da operação.

Tercio Borlenghi Jr Jr, ceo-ambipar
Tercio Borlenghi Júnior, CEO da Ambipar: empresário era sócio de Tanure na Emae

Esse quadro foi agravado pela crise do Banco Master, iniciada no fim de março e que atingiu seu ápice em novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira fundada por Daniel Vorcaro. 

A debacle do banco afetou Tanure, que utilizava a instituição em diversas operações e aplicações por meio de empresas de seu portfólio. Na prática, o colapso simultâneo da Ambipar e do Master comprometeu garantias, restringiu fontes de financiamento e acelerou a execução de contratos.

Além da Emae, outros negócios de Tanure sentiram o impacto. A rede de supermercados Dia, adquirida no fim de 2024, chegou a manter mais de 70% de seu caixa aplicado em um CDB ligado ao conglomerado do Banco Master.

Dos cerca de R$ 163,3 milhões aplicados, o Dia conseguiu reaver aproximadamente R$ 20 milhões à vista e um precatório avaliado em R$ 116 milhões, como revelou o InvestNews. O saldo remanescente seria pago de forma parcelada, mas, com a liquidação da instituição financeira, o recebimento passou a ser incerto.

As renegociações

Foi nesse contexto que a crise da Ligga Telecom ganhou contornos maiores. À venda desde agosto, conforme antecipado pelo InvestNews, Nelson Tanure precisou renegociar cerca de R$ 1,2 bilhão em dívidas relacionadas à compra da antiga Copel Telecom após não conseguir honrar o vencimento do débito.

O acordo fechado no início de dezembro deu fôlego temporário, mas impôs uma condição clara dos credores: a busca pela venda da própria Ligga, avaliada em cerca de R$ 2,5 bilhões, e das ações da Alliança Saúde, estimadas em torno de R$ 4 bilhões — dois dos principais ativos do portfólio construído ao longo dos últimos anos.

No caso da Alliança, a companhia informou ter contratado o BTG Pactual para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas que podem incluir reorganizações societárias, entrada de sócios ou a venda parcial ou total da participação dos acionistas controladores – no caso, Tanure.

Paralelamente ao aperto financeiro, o empresário passou a enfrentar maior escrutínio institucional. Também dezembro, após o Ministério Público Federal (MPF) apresentar denúncia em um caso relacionado a um possível uso de informações privilegiadas na Gafisa, a defesa de Nelson Tanure pediu que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e submetido a sigilo total, sob o argumento de conexão com apurações mais amplas envolvendo o Banco Master, que tramitam exclusivamente na Corte.

Tanure nega qualquer relação societária com a instituição financeira e afirma que sua atuação sempre se limitou a relações comerciais e operações financeiras, sustentando que os temas em discussão devem ser tratados exclusivamente no âmbito judicial.

Do turnaround ao turnaround

O balanço de 2025 também ajuda a iluminar o próprio estilo de atuação de Nelson Tanure, um investidor de perfil old school que construiu sua trajetória comprando ativos pressionados em momentos de crise e apostando em reestruturações profundas.

Ao longo de décadas, sua estratégia se baseou em identificar empresas em dificuldade, assumir riscos elevados e negociar duramente com credores para tentar reescrever contratos e recuperar valor Em entrevista dada ao podcast “Atrás do retorno” no fim de 2024, o próprio Tanure explicou que sua inclinação por ativos estressados nasceu menos de convicção teórica e mais de necessidade prática.

“Eu tive que procurar negócios onde a minha capacidade de trabalho fizesse diferença. E onde estão essas oportunidades? Geralmente, no distress [ativos estressados economicamente]. O distress é o local de oportunidades”, afirmou.

Seu maior acerto foi a entrada na petroleira HRT, em 2014. Sob nova estratégia e gestão liderada por seu filho, Nelson Queiroz Tanure, a companhia foi rebatizada de PetroRio — hoje PRIO — e se transformou em uma das companhias mais rentáveis do setor de óleo e gás no país, frequentemente citada como o caso mais bem-sucedido de seu portfólio.

Funcionários da Prio.
Funcionários da PRIO: petroleira é considerada a aposta mais bem sucedida de Tanure. Foto: Divulgação

Nem todas as apostas, porém, tiveram o mesmo desfecho. Tanure também esteve envolvido em reestruturações complexas e de resultado mais limitado, como na operadora Oi, da qual foi investidor relevante entre 2003 e 2008. Por outro lado, após deixar a companhia, assumiu o controle da concorrente Interlig, que acabou incorporada pela TIM em 2009.

A lógica por trás dessas investidas sempre foi a mesma. Tanure prospera em ambientes de distress, quando o poder de barganha está concentrado em quem aceita risco e consegue impor condições mais favoráveis em renegociações de prazos e valores. Em ciclos assim, seu modelo tende a funcionar.

O problema é que 2025 marcou uma inflexão desse ambiente. Com a melhora gradual do mercado e menor tolerância a estruturas altamente alavancadas, o espaço para renegociação diminuiu, o custo do capital subiu e as engrenagens que sustentaram sua expansão passaram a trabalhar contra ele. 

Em outro momento da entrevista concedida em 2024, Tanure resumiu essa lógica com franqueza: “A capacidade de recuar é uma grande virtude. Recuar de momento, se fortalecer e voltar, na maior parte das vezes, é uma brilhante ideia”.

Procurado pelo InvestNews, Nelson Tanure não concedeu entrevista.

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Após questionamento, Cade prorroga análise do aporte de US$ 100 milhões da United Airlines na Azul

O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto Freitas de Lima, decidiu prorrogar a análise do processo que autoriza a United Airlines a subscrever US$ 100 milhões em ações da Azul, após a manifestação de uma associação de consumidores que questiona a operação. O Cade deu um prazo de 15 dias para a entidade, chamada IPSConsumo, apresentar suas alegações.

Com isso, Freitas de Lima suspendeu a emissão da certidão de trânsito em julgado — documento que encerra formalmente a análise do caso. A medida cria um atraso burocrático no fechamento do acordo, apesar de a transação já ter sido aprovada sem restrições pela área técnica do Cade na última semana de 2025.

Em nota, a Azul afirma que a companhia “segue à disposição da autoridade para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

A operação envolve a aquisição, pela United, de uma participação societária minoritária na Azul, que elevará sua fatia acionária para cerca de 8% do capital da companhia brasileira.

A aérea americana irá investir US$ 100 milhões na aquisição de ações da Azul, em uma etapa do pacote de reestruturação financeira da empresa no âmbito do Chapter 11 nos Estados Unidos, tratado pela companhia como um dos pilares para sua saída da recuperação judicial.

A American Airlines se comprometeu a aportar outros US$ 100 milhões, sendo esses recursos fundamentais para o caixa da coempresa brasileira – essa operação também dependerá de autorização do Cade.

O aumento da participação da United na Azul ocorre em paralelo a uma diluição sem precedentes promovida pela companhia aérea para acomodar seus credores.

Nesta semana, a Azul concluiu um aumento de capital de R$ 7,4 bilhões, com a emissão de mais de 1,4 trilhão de novas ações, operação desenhada para reduzir drasticamente seu endividamento, mas que também resultou em uma diluição superior a 90% da participação dos acionistas originais.

(ATUALIZAÇÃO: Diferentemente do que foi publicado inicialmente, a United irá aportar US$ 100 milhões na Azul, não será uma operação de conversão de créditos. O texto corrigido às 20h34)

Os argumentos

A trava imposta pelo Cade decorre de um pedido apresentado pelo IPSConsumo (Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo), que solicitou ingresso no processo como terceiro interessado. O instituto questiona a aprovação da operação e sustenta que o investimento da United vai além de um aporte financeiro passivo, podendo gerar riscos concorrenciais no mercado aéreo — especialmente nas rotas entre Brasil e Estados Unidos.

Nesse contexto, o instituto defende que o Cade deveria analisar o caso em conjunto com a entrada da American Airlines no capital da Azul, argumentando que United e American se tornariam acionistas de referência da companhia, com presença em instâncias de governança, ao mesmo tempo em que mantêm vínculos societários e comerciais com a Abra Group, holding que controla Gol e Avianca, concorrentes diretas em rotas relevantes no Brasil e entre Brasil e Estados Unidos.

A Azul e a United rebatem as alegações. Em manifestações protocoladas no processo, as companhias afirmam que o investimento é estritamente minoritário, não confere controle, poder de veto ou influência relevante sobre a estratégia competitiva da Azul e apenas “dá continuidade a uma relação comercial existente há mais de uma década”. Segundo as empresas, a conversão de dívida da United em ações “fortalece a posição financeira” da Azul e preserva sua capacidade de competir no mercado.

No despacho publicado na noite desta quinta-feira (8), Freitas de Lima reconhece que o pedido do IPSConsumo foi apresentado dentro do prazo legal, mas afirma que, até o momento, o instituto não apresentou documentos ou pareceres técnicos suficientes para comprovar suas alegações. Por isso, concedeu um prazo de 15 dias para que a entidade complemente a documentação. Caso isso não ocorra, o pedido será rejeitado sumariamente.

O IPSConsumo é uma associação civil criada em 2018 que atua na produção de estudos, pesquisas e atividades de advocacy relacionadas às relações de consumo. Entre os integrantes de seu quadro está o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, segundo informações disponíveis no site oficial da entidade.

Esta não é a primeira vez que o IPSConsumo atua em processos envolvendo a Azul. A entidade também questionou um acordo de codeshare celebrado entre Azul e Gol em maio de 2024, que permitia às duas companhias compartilhar e vender voos em rotas selecionadas.

O acordo, no entanto, foi encerrado pelas empresas em setembro de 2025, e a Superintendência-Geral do Cade concluiu que o processo foi arquivado por conta do fim da parceria.

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Glencore e Rio Tinto: eventual megafusão pode impor uma ‘nova ordem global’ à Vale

A negociação entre Glencore e Rio Tinto para formar a maior mineradora do mundo pode redesenhar o cenário de competição entre as principais empresas do setor. Para a brasileira Vale, o possível acordo pode significar a chegada de um concorrente ainda maior — e potencialmente mais eficiente — em mercados-chave, do minério de ferro ao cobre.

As duas companhias confirmaram que mantêm conversas preliminares sobre uma possível combinação de negócios, que pode incluir uma fusão integral por troca de ações. Se avançar, a operação criaria um grupo com valor empresarial acima de US$ 250 bilhões, configurando uma das negociações mais ambiciosas da história recente da mineração global.

A anglo-australiana Rio Tinto informou que tem até 5 de fevereiro para decidir se apresenta uma proposta formal pela suíça Glencore. Pelas regras do mercado britânico, a companhia precisará, até essa data, anunciar uma oferta firme ou declarar que não pretende seguir adiante. Em 2024, as duas empresas também discutiram uma fusão, mas não chegaram a um acordo.

No caso da Vale, o cronograma adiciona um elemento de curto prazo a uma discussão estratégica de longo alcance. Em poucas semanas, pode ficar mais claro se o setor caminha para a formação de um novo gigante global — com presença relevante na América do Sul — ou se a pressão por consolidação seguirá viva, à espera de outra oportunidade.

Ainda é cedo para cravar ou prever qualquer efeito sobre a Vale. Mas, seja qual for a decisão, a mineradora brasileira terá de lidar com um ambiente em que a concorrência tende a ficar mais concentrada e com players maiores, com influência direta sobre suas decisões estratégicas daqui para frente.

Desafio à Vale

A Vale atravessa um momento de reafirmação estratégica após as turbulências internas e crises ambientais da última década. Em uma agenda conduzida pelo CEO Gustavo Pimenta, a mineradora aposta em um balanço mais sólido e com baixo endividamento. A estratégia do executivo está ancorada em minério de ferro de maior qualidade e na expansão gradual de metais ligados à transição energética, como cobre e níquel.

Pimenta tem reiterado o objetivo de recolocar a companhia como a maior mineradora do mundo, mas sem recorrer a grandes aquisições. A estratégia adotada até aqui privilegia projetos já existentes, como o complexo de Carajás (PA), além de ganhos operacionais e disciplina de capital.

A eventual criação de um gigante a partir da união entre Rio Tinto e Glencore, no entanto, introduziria um concorrente com perfil distinto: mais diversificado, mais integrado e com exposição simultânea a minério de ferro, cobre e ao trading de commodities.

A pressão concorrencial se intensifica porque esse novo grupo teria presença relevante justamente na América do Sul, região que concentra alguns dos ativos mais estratégicos para a Vale.

A Rio Tinto mantém operações industriais no Brasil, como a refinaria de alumina da Alumar, no Maranhão, além de participações históricas na cadeia do alumínio. Fora do país, a mineradora anglo-australiana vem ampliando sua aposta em minerais críticos, com projetos de lítio no Chile e na Argentina.

Além disso, a Rio Tinto avança no desenvolvimento do megaprojeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné — um ativo fora da América do Sul, evidentemente, mas com impacto direto sobre o mercado global de minério de ferro de alta qualidade, hoje amplamente dominado pela Vale.

A Glencore, por sua vez, tem uma presença ainda mais extensa e diversificada na América do Sul, especialmente no cobre. No Chile, a companhia detém participação relevante em ativos de grande escala, como a mina de Collahuasi, uma das maiores produtoras globais do metal, além de operações como Lomas Bayas. 

No Peru, opera minas como Antapaccay e desenvolve projetos adjacentes que ampliam a vida útil e a escala dessas operações. Já na Argentina, a empresa trabalha para destravar projetos de cobre de grande porte, como El Pachón e Agua Rica, que o mercado já enxerga como parte da próxima fronteira de expansão do metal.

Para a Vale, esse cenário significaria competir não apenas com projetos isolados, mas com um grupo capaz de otimizar portfólio, realocar capital entre diferentes commodities e capturar sinergias operacionais e comerciais em escala global — com reflexos diretos sobre preços, investimentos e participação de mercado.

Momentos distintos

Do ponto de vista financeiro, a Vale chega a esse momento em posição confortável. No terceiro trimestre de 2025, a companhia teve receita de US$ 10,4 bilhões, com um resultado operacional (Ebitda) de US$ 4,4 bilhões e lucro líquido de US$ 2,7 bilhões, com dívida líquida de US$ 12,5 bilhões — representando uma alavancagem de 0,8 vez o Ebitda. 

No plano operacional, a produção de minério de ferro somou 94,4 milhões de toneladas, o maior volume para um terceiro trimestre desde 2018, no que a empresa atribui a custos baixos e melhora no mix de produtos. Hoje, o valor de mercado da Vale está em US$ 63 bilhões.

A Rio Tinto, por sua vez, vive um momento de maior pressão, mas ainda com números expressivos. A mineradora anglo-australiana registrou lucro de US$ 4,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 (dados mais recentes), com Ebitda próximo de US$ 10 bilhões.

No minério de ferro, os embarques chegaram a 157 milhões de toneladas, impactados por eventos climáticos na Austrália. A Rio Tinto tem um market cap estimado em US$ 200 bilhões.

Já a Glencore apresentou resultados mais voláteis. No primeiro semestre de 2025, a empresa teve receita de US$ 117,4 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 5,4 bilhões, mas fechou o período com prejuízo de US$ 655 milhões, pressionada por ajustes em ativos de carvão e pela queda de preços de algumas commodities. 

Ainda assim, mantém forte exposição ao cobre, com expectativa de produzir entre 850 mil e 890 mil toneladas do metal ao longo do ano. O valor de mercado da Glencore gira em torno dos US$ 70 bilhões.

Consolidação

A retomada das negociações entre Rio Tinto e Glencore representa mais um capítulo das conversas de consolidação entre gigantes da mineração diante dos desafios crescentes da atividade. No ano passado, o setor voltou a dar sinais claros de que a busca por escala e por maior exposição a metais estratégicos — especialmente o cobre — passou novamente a orientar as discussões sobre fusões e aquisições.

Um dos exemplos mais recentes foi o acordo entre Anglo American e Teck Resources, anunciado em setembro de 2025 e aprovado pelos acionistas em dezembro. A operação resultou na criação do grupo Anglo Teck, hoje uma das maiores produtoras de cobre do mundo, com capacidade combinada superior a 1,2 milhão de toneladas e sinergias estimadas em cerca de US$ 800 milhões por ano.

O negócio foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão após um período em que o setor evitou grandes movimentos de consolidação, em parte por negociações que não avançaram — como o fracasso das conversas entre Rio Tinto e Glencore no fim de 2024. “As megafusões no setor de mineração estão de volta”, escreveram analistas da Jefferies em um relatório a clientes.

A escalada do cobre

A eventual fusão entre Rio Tinto e Glencore controlaria 7% da produção mundial de cobre. Em 2024, a Glencore extraiu 950 mil de toneladas; a Rio Tinto, 700 mil. Juntas, portanto, as duas alcançariam 1,65 milhão – chegando bem perto da líder BHP (1,86 milhão de toneladas).

A produção combinada seria equivalente a 4,5 vezes o que a Vale extrai de cobre – foram 350 mil toneladas em 2024.

O foco no metal marrom-alaranjado é natural. Ele sobe 40% nos últimos 12 meses, por conta da demanda de data centers e motores elétricos pelo mais clássico dos bons condutores de energia. Trata-se de uma alta que nem fica tão atrás daquela do ouro, a mais alardeada, com 67%.

Escassez de projetos

Só que a pressão por escala não é apenas uma reação aos preços elevados do cobre, mas também reflexo da escassez de projetos de grande porte próximos de entrar em produção. Com novos empreendimentos cada vez mais caros, longos e arriscados, as empresas passaram a buscar alternativas que permitam ganhar acesso mais rápido a novas reservas e diluir riscos financeiros.

No caso específico de Rio Tinto e Glencore, a retomada das conversas é lida por operadores e analistas como parte dessa mesma lógica. A Glencore vem reorganizando seu portfólio, com a reestruturação de ativos de carvão e maior foco em metais críticos, enquanto a Rio Tinto ajusta sua estratégia para reduzir custos e ampliar a presença em minerais além do minério de ferro.

Esse movimento ocorre em um momento em que outros grandes nomes também figuram no tabuleiro da consolidação. A BHP, maior mineradora do mundo em valor de mercado, tentou sem sucesso adquirir a Anglo American nos últimos anos e agora deve buscar alternativas para não ficar para trás. 

Analistas do Bank of America ouvidos pelo The Wall Street Journal observam que o acordo entre Anglo American e Teck criou uma espécie de momento de “agora ou nunca” no setor — e que a principal incógnita passa a ser como a BHP responderá a esse novo ciclo.

Colaborou Alexandre Versignassi

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Copa do Mundo e geladeira bivolt: os trunfos da LG para disputar mercado com Samsung e Brastemp

Três décadas depois de desembarcar no Brasil, a sul-coreana LG começa 2026 com um plano apoiado em duas grandes frentes para ampliar sua receita no país em 30% nos próximos dois anos. Hoje, o mercado brasileiro já figura entre os três maiores da companhia no mundo, ao lado da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

A estratégia da multinacional combina o aumento da procura por televisores em um ano de Copa do Mundo com uma inflexão mais estrutural na chamada linha branca — que inclui geladeiras, máquinas de lavar e outros eletrodomésticos —, marcada pela inauguração de uma fábrica bilionária no Paraná no segundo semestre.

Segundo Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG no Brasil, é justamente nos segmentos de refrigeradores e lavadoras que está a principal fonte de receita da companhia no mundo, mas que ainda não se traduziu em escala no mercado brasileiro. “No Brasil, essa presença ainda é tímida porque praticamente todo o portfólio é importado”, diz.

Brasil na tela

Para as fabricantes de TV, como a LG, há um momento que funciona como espécie de Copa do Mundo: a própria Copa do Mundo. É nesse período que os brasileiros tendem a adiantar a troca de aparelho, m migrando para modelos maiores.

Na avaliação da companhia, porém, o consumidor está mais seletivo. Passou a valorizar características que vão além do tamanho e do preço.

Qualidade de imagem em ambientes iluminados, taxas de atualização mais altas para esportes e games e integração com plataformas de streaming ganharam mais peso na decisão de compra. Segundo Fiani, em um mercado maduro o consumidor não troca mais a TV apenas por necessidade, mas pelo tipo de uso que espera fazer do aparelho.

Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil
Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil (Divulgação)

O mercado brasileiro de televisores é liderado pela Samsung, que construiu ao longo dos anos uma posição dominante tanto em volume quanto em percepção de marca, apoiada em escala e forte presença no varejo. 

A LG aparece logo atrás entre os principais players, disputando espaço sobretudo nos segmentos de maior valor agregado. Enquanto isso, fabricantes chinesas como a TCL avançam com força nas categorias intermediárias e aumentam a pressão competitiva sobre preços.

Mas, para a LG, o verdadeiro salto não está apenas no calendário esportivo. A aposta em TVs ajuda a ganhar fôlego no curto prazo, enquanto a virada mais estrutural da operação brasileira começa a ser preparada para a segunda metade do ano.

Fábrica bilionária

Se a Copa ajuda a impulsionar o curto prazo, é na linha branca que a LG aposta suas fichas — mais precisamente R$ 1,5 bilhão em fichas. O valor está sendo investido na construção de uma nova fábrica no Paraná, com inauguração prevista para o segundo semestre, voltada à produção local de refrigeradores e lavadoras.

O projeto marca a primeira tentativa consistente da companhia de ganhar escala em um mercado no qual, até aqui, sua presença era marginal. Hoje, o setor é dominado pela americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, além da sueca Electrolux. A LG possui 3% de participação em linha branca no país. A meta declarada é chegar a 20% de market share nos próximos anos.

Com 770 mil metros quadrados, a fábrica no Paraná nascerá focada na produção de geladeiras e terá capacidade inicial para fabricar até 500 mil unidades por ano, segundo a empresa. A partir de 2027, o plano prevê a entrada de máquinas de lavar e das lava e seca, ampliando o portfólio local.

Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR)
Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR) (Divulgação)

A ofensiva começa pelos refrigeradores, com o lançamento de 25 modelos já no primeiro ano de operação, cobrindo do segmento intermediário ao premium. A ideia, segundo Rodrigo Fiani, não é disputar apenas nichos de maior valor agregado, mas massificar a oferta e ganhar escala no varejo. O Brasil vende quase 5 milhões de geladeiras por ano, movimentando mais de R$ 15 bilhões a cada 12 meses, com forte concentração nos produtos de preço intermedário.

Um dos símbolos dessa abordagem é a aposta em geladeiras bivolt — uma característica ainda pouco disseminada no mercado brasileiro. Mais do que um diferencial técnico para o consumidor, o recurso tem impacto direto na cadeia de vendas. “Para o varejista, ter um único produto que funciona em qualquer voltagem simplifica muito a operação e reduz erros na hora da compra”, diz Fiani.

Até aqui, a atuação da LG na linha branca no Brasil era limitada pela dependência de produtos importados, o que restringia o portfólio aos modelos mais caros. “Quando tudo vem de fora, não faz sentido eu encher o contêiner com produtos de menor preço. O custo logístico acaba empurrando a operação para o topo do portfólio”, afirma o executivo.

Geladeira e lavadoras da LG
Geladeira e lavadoras da LG: produtos de linha branca atualmente são importados (Bloomberg)

Com a produção local, essa lógica muda. A fabricação no Brasil permite ampliar o leque de modelos, reduzir custos e tornar os preços mais competitivos. Hoje, a geladeira mais barata da LG custa cerca de R$ 3 mil, enquanto modelos equivalentes de concorrentes partem de R$ 2 mil — uma diferença que a companhia espera reduzir à medida que a nova planta entre em operação.

Hoje, a principal fonte de receita — e, sobretudo, de lucro — da LG é a divisão de Home Appliance Solution, responsável pela linha branca do grupo. No terceiro trimestre do ano passado, a unidade faturou US$ 4,9 bilhões gloobalmente, e registrou lucro operacional US$ 270 milhões.

O contraste aparece quando se olha para o negócio de TVs. A divisão de Media Entertainment, que reúne televisores e outros produtos de entretenimento doméstico, foi a segunda maior em receita no mundo, com US$ 3,4 bilhões no 3T25. Ainda assim, o segmento encerrou o período com prejuízo operacional, refletindo a pressão de preços e a competição acirrada.

No consolidado, a LG global registrou receita líquida US$ 16 bilhões — e lucro operacional US$ 500 milhões. A empresa não divulga números específicos da operação brasileira.

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Próxima da Aegea, gestora Perfin se consolida como maior acionista privado da Copasa

A gestora Perfin elevou sua participação na Copasa para 12,31% do capital e se consolidou como a segunda maior acionista individual da companhia, atrás apenas do governo de Minas Gerais, em um movimento que ganha peso com o avanço do processo de privatização da estatal mineira de saneamento.

O aumento de posição foi comunicado ao mercado na manhã desta quarta-feira (24) e ocorre um dia após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sancionar a lei que autoriza a desestatização da empresa e anunciar a troca no comando da Copasa, com a substituição do então presidente Fernando Passalio pela secretária estadual de Meio Ambiente, Marília Melo.

A movimentação da Perfin, no entanto, não é recente. A gestora passou a figurar como acionista relevante da companhia no fim de agosto, quando atingiu 5% do capital, e manteve compras ao longo do segundo semestre. No comunicado enviado à Copasa, a Perfin afirmou que o investimento tem objetivo “estritamente financeiro” e que não pretende alterar o controle da companhia.

Na primeira quinzena de dezembro, quando a proposta de privatização da Copasa ganhou tração na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a gestora já havia elevado sua participação para 9,61%, antes de retomar as aquisições nesta semana, já com o processo oficialmente destravado.

Segundo o formulário de referência mais recente da Copasa, antes mesmo da aquisição anunciada nesta quarta-feira, a Perfin já figurava como a maior acionista privada individual da companhia, atrás apenas do governo de Minas Gerais, que detém pouco mais de 50% do capital.

No documento, publicado na segunda-feira (22), não havia outros acionistas com participação igual ou superior a 5%, patamar que enquadra investidores relevantes em companhias abertas.

Especializada em infraestrutura

Focada em ativos de infraestrutura, a Perfin foi criada pelo ex-Safra Ralph Rosenberg em 2007 e mantém relações próximas com os principais grupos privados do setor. A gestora foi sócia da Aegea no consórcio que venceu em 2022 a privatização da Corsan, empresa de saneamento do Rio Grande do Sul — posição que foi vendida recentemente ao Bradesco BBI.

A Perfin também é sócia da Equipav, controladora da Aegea, no segmento de rodovias, por meio da EPR, plataforma criada para disputar concessões estaduais. A gestora, que tem o BTG Pactual como um de seus sócios, ainda participou da capitalização da Cosan neste ano, investindo cerca de R$ 2 bilhões na holding fundada por Rubens Ometto.

Privatização da Copasa

Com o projeto de privatização da Copasa sancionado nesta semana, a expectativa é que a operação ocorra no primeiro semestre de 2026, em um processo cuja modelagem vem sendo desenhada pelo BTG Pactual.

Hoje, duas empresas despontam como principais interessadas na Copasa. De um lado, a Aegea, maior operadora privada de saneamento do país, controlada pela Equipav e que tem Itaúsa e o fundo soberano de Singapura (GIC) como sócios.

De outro, a Sabesp, que passou a ter pretensões nacionais após sua privatização e hoje tem a Equatorial Energia como acionista de referência.

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Em recuperação judicial, Azul corta pela metade encomenda bilionária de jatos da Embraer

A Embraer informou nesta terça-feira (23) que renegociou com a Azul Linhas Aéreas a encomenda de aeronaves do modelo E195-E2, reduzindo o pedido firme de 51 para 25 jatos. Os contratos originais, firmados entre 2014 e 2018, somavam um valor de referência de cerca de US$ 3,1 bilhões a preços de catálogo à época.

O novo acordo foi assinado em 26 de novembro e homologado no processo de Chapter 11 — equivalente à recuperação judicial no Brasil — da companhia aérea nos Estados Unidos, em decisão da Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York publicada em 22 de dezembro.

A renegociação encerra um ciclo iniciado em 2014, quando a Azul se tornou a primeira cliente global do E195-E2 e operadora-lançadora do modelo.

Primeiro cliente

Naquele ano, durante o salão aeronáutico de Farnborough, no Reino Unido — um dos principais eventos globais da indústria aeronáutica —, a companhia assinou uma carta de intenções para 30 pedidos firmes, com direitos de compra para outros 20 jatos.

À época, a Embraer estimou que o contrato poderia alcançar US$ 3,1 bilhões a preços de lista, caso todas as opções fossem convertidas. O pedido adicional foi anunciado em dezembro 2018, novamente em Farnborough, quando Embraer e Azul divulgaram uma nova carta de intenções para 21 aeronaves adicionais.

Embraer E195-E2, a maior aeronave comercial da fabricante brasileira
Embraer E195-E2, a maior aeronave comercial da fabricante brasileira

O preço de lista é uma referência utilizada pela indústria para padronizar o valor dos contratos, mas não reflete necessariamente o preço efetivamente pago pelas companhias aéreas, que costuma incluir descontos relevantes, além de condições comerciais específicas como financiamento, cronograma de entregas e pacotes de manutenção.

Com isso, o total encomendado pela Azul chegaria a 51 jatos E2. O contrato foi formalizado em dezembro de 2018 e incluído no backlog da Embraer no quarto trimestre daquele ano.

Jato da Embraer

O E195-E2 é a segunda geração da família de jatos E-Jets, desenvolvida para voos regionais e domésticos de curta e média distância, com capacidade de até cerca de 130 passageiros. 

Diferentemente dos modelos mais populares da Boeing e da Airbus, como o 737 e o A320, utilizados em rotas mais longas e de maior densidade, o E2 é voltado à ligação entre cidades médias, onde aeronaves maiores tendem a ser menos eficientes do ponto de vista operacional.

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Entre educação e mídia, Chaim Zaher inaugura sede de sua escola de direito e atrai a elite política

O empresário Chaim Zaher inaugurou nesta sexta-feira (12) seu mais novo investimento, a nova sede da Escola Paulista de Direito (EPD), projeto que custou cerca de R$ 80 milhões ao Grupo SEB, fundado em 1969 e comandado até hoje por Zaher. A inauguração do prédio também funcionou como termômetro do prestígio acumulado pelo empresário ao longo de décadas no ramo da educação.

O edifício de 11 andares na Bela Vista, em São Paulo, abrigava até pouco tempo atrás o prédio da escola de Direto da FGV, mas o Grupo SEB, dono do imóvel, optou por reaver o prédio para instalar a sede da EPD, instituição fundada em 1994 e que foi comprada em 2012 pelo conglomerado educacional. Antes, a escola de direito estava localizada no bairro da Liberdade, também na região central da cidade.

Aos 71 anos, Zaher construiu um grupo que atende cerca de 500 mil alunos no Brasil e no exterior, com atuação da educação básica ao ensino superior especializado. No ano passado, o Grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro) faturou pouco mais de R$ 500 milhões, reunindo cerca de R$ 900 milhões em ativos. Segundo a revista Forbes, a fortuna da família Zaher gira em torno dos R$ 3,5 bilhões.

O SEB reúne marcas do ensino básico e fundamental como Pueri Domus, COC e Escola Concept, além da EPD e da Harven Agribusiness School nos cursos de graduação e pós-graduação. No ano passado, recebeu um aporte de R$ 415 milhões da gestora Kinea para ampliar a oferta de escolas de alta performance.

O grupo também é responsável pela expansão da Maple Bear no Brasil, a maior rede de escolas bilíngues do mundo. A família Zaher ainda tem 12,16% da Yduqs, sendo a maior acionista individual de um dos principais grupos de ensino superior do país.

Mídia

Nos últimos anos, o empresário ampliou sua atuação para a mídia. Por meio do Sistema Thathi de Comunicação, comprou recentemente emissoras afiliadas do SBT no interior de São Paulo, além de ser dono de uma afiliada da Band no litoral paulista – todas sob a marca TH+ – além da rádio Nova Brasil FM. 

O grupo de rádio e TV dos Zaher carrega no nome uma homenagem direta às quatro filhas: Thalita, Thamila, Thiciana e Thiara. A família, aliás, é um elemento central da estratégia de longo prazo do grupo. Casado há 45 anos com Adriana Baptiston Zaher, Chaim a considera a principal responsável pela consolidação e expansão do braço educacional do grupo.

Enquanto Chaim Zaher se posicionou como investidor, formulador e articulador institucional, Adriana liderou a estruturação acadêmica, as metodologias e a organização das marcas. “Eu nem fiquei sabendo quanto investimos aqui, é a Adriana quem cuida de tudo”, afirmou.

Transição

Zaher afirma que já iniciou a transição de comando de seus negócios de educação e mídia para a próxima geração. As quatro filhas foram incorporadas aos negócios desde cedo, mas Thamila Zaher, a terceira filha, desponta como a figura mais visível da nova geração. Ela também representa a família no conselho da Yduqs.

Hoje, Zaher diz que seu papel é mais institucional e de mentoria do que de comando no dia a dia. “Me considerem como sal. Quando a comida está temperada, todo mundo come e ninguém reclama. Falta o sal no filé para ver”, disse, ao explicar que sua função agora é ajustar e acompanhar, não liderar diretamente.

Chaim Zaher (no centro) com família e políticos na nova sede da EPD
Chaim Zaher (no centro) com família e políticos na nova sede da EPD (InvestNews)

Zaher chegou ao Brasil em 1960 vindo do Líbano e iniciou a trajetória profissional no ensino como porteiro de cursinho. Filho de professor, construiu um grupo educacional de escala, mas rejeita a ideia de que suas decisões sejam guiadas apenas pelo lucro.

“Quando fazemos um investimento, a gente não pensa só no retorno financeiro. A gente faz coisas que gosta, faz aquilo que dá prazer”, afirmou. Segundo ele, essa lógica explica tanto a expansão no ensino quanto a entrada no setor de mídia: “Ninguém segura quem faz o que gosta”.

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Exclusivo: Com R$ 163 milhões em CDB ligado ao Banco Master, Dia recebe só 12% à vista

Em recuperação judicial há mais de um ano, o supermercado Dia conseguiu recuperar apenas R$ 20 milhões à vista – cerca de 12% – dos R$ 163,3 milhões que tinha aplicados em um CDB do Letsbank, parte do conglomerado do Banco Master, apurou o InvestNews. A rede de supermercado tinha ao menos 70% de seu caixa comprometido neste investimento.

Em 22 de outubro, menos de um mês antes de o Master ser liquidado pelo Banco Central, o Dia fechou um acordo com o Letsbank para reaver os R$ 163,3 milhões investidos, prevendo o pagamento de R$ 20 milhões à vista, além de R$ 50 milhões a serem pagos ao longo de 2026, em dez parcelas mensais de R$ 5 milhões a partir de fevereiro, corrigidas por 109% do CDI. Para quitar o restante, o Letsbank cedeu um precatório com valor de face de R$ 116 milhões.

Com a liquidação extrajudicial do Master, decretada em 18 de novembro, o pagamento destas parcelas agora é incerto. O acordo passa agora pelo crivo do liquidante nomeado pelo BC. A tendência é que nenhuma dívida seja quitada até a liquidação dos ativos do banco. À administradora judicial, a diretoria do Dia disse “aguardar o relatório do liquidante nomeado pelo Banco Central com a relação dos credores e devedores da instituição, para eventuais providências”.

Procurado pelo InvestNews, o Dia afirma que está cumprindo “100% das obrigações previstas no processo de Recuperação Judicial, não alterando a condução das operações, o abastecimento das lojas ou qualquer relação com parceiros, fornecedores e clientes”.

O Dia mudou de controle em maio de 2024, quando o grupo espanhol de mesmo nome vendeu a operação brasileira por um valor simbólico a um fundo investido pelo empresário Nelson Tanure. Para viabilizar a transação, a matriz aportou 40 milhões de euros – cerca de R$ 214 milhões na cotação da época – a fim de dar fôlego à reestruturação da empresa, então recém-ingressada em recuperação judicial.

Precatório

Os R$ 93,3 milhões restantes foram quitados por meio da cessão de um precatório federal com valor de face de R$ 116 milhões. Embora o número seja elevado no papel, esse tipo de ativo não representa caixa disponível e tampouco tem liquidez capaz de reforçar rapidamente o capital de giro do Dia.

Precatórios, que são dívidas judiciais reconhecidas pelo poder público, não são títulos de pagamento imediato: dependem de fila orçamentária, decisões judiciais e disponibilidade fiscal da União. Não há qualquer previsão de recebimento.

Caso o Dia precise converter esse papel em dinheiro no curto prazo, terá de recorrer ao mercado secundário, onde precatórios costumam ser negociados com deságios entre 30% e 60% do valor de face.

A administradora judicial alerta que o título deve passar por teste de recuperabilidade (“impairment”), já que o valor real recuperável “pode ser significativamente inferior” ao registrado no acordo.

Não há clareza total sobre o precatório cedido, porque parte do acordo de confissão de dívida firmada entre o Letsbank e o Dia foi entregue à Justiça sob sigilo. O Dia alega que informações bancárias são protegidas por sigilo bancário.

“Ainda que não haja nenhuma cláusula de confidencialidade na confissão de dívida levada aos autos pelas recuperandas, o documento foi juntado sob sigilo, que por ora está mantido, inviabilizando assim a divulgação da nossa análise acerca de informações relevantes que constam do acordo”, escreveu a administradora judicial, a Expertise Mais.

De acordo com o relatório mais recente da administração judicial do grupo, a diretoria do Dia registrou em seu balanço uma receita financeira de R$ 23,3 milhões considerando o resgate da aplicação (R$ 163,3 milhões), frente ao valor recebido (R$ 20 milhões), o valor a receber (R$ 50 milhões) e o valor de face dos precatórios cedidos (R$ 116,6 milhões).

Queima de caixa continua

Segundo o relatório do administrador judicial, a liquidez do Dia já vinha se deteriorando antes mesmo do problema provocado pela liquidação do Banco Master. De acordo com o relatório, o Dia agora opera sob “risco relevante”.

A adminsitradora judicial também mostra que o desempenho operacional do Dia segue frágil, adicionando pressão ao caixa.

Em outubro, a companhia consumiu R$ 42 milhões, sendo boa parte disso para o pagamento de credores e investimentos na empresa. Hoje, a rede opera com 240 lojas, menos da metade das cerca de 500 unidades que mantinha antes da RJ, e receita mensal chegou a R$ 159,3 milhões em outubro.

A liquidez apertada do Dia ocorre pouco mais de um ano e meio após o início da recuperação judicial, decretada em março de 2024, quando a rede acumulava mais de R$ 1 bilhão em dívidas e vinha perdendo competitividade após sucessivas mudanças de gestão. 

Dois meses depois, a controladora espanhola – pressionada por um plano global de enxugamento – decidiu vender a operação brasileira por 100 euros a um fundo gerido pela Trustee e investido por Tanure, em uma operação classificada no mercado como “venda com valor negativo”. Para viabilizar a transação, a antiga dona aportou 40 milhões de euros no caixa do Dia antes de vendê-lo.

Como mostrou recentemente o InvestNews, a expectativa é que a injeção de caixa ajudasse a companhia a ter liquidez para recompor estoques e ter fôlego para renegociar dívidas, mas a queima de caixa segue sendo um ponto de atenção, com a companhia mais dependente da conversão de créditos tributários para manter sua estrutura de capital.

Outras empresas

A situação do Dia espelha o que ocorreu com outras empresas que tinham aplicações no Master. A Oncoclínicas, por exemplo, também possuía CDBs do conglomerado e chegou a renegociar o recebimento dos valores. Com a liquidação do banco, porém, a companhia executou garantias e assumiu as ações que Daniel Vorcaro – controlador do Master – detinha na operadora de saúde.

Já a Emae, vendida recentemente para a Sabesp após o grupo formado por Nelson Tanure e o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, enfrentarem dificuldades para honrar a aquisição da companhia, mantinha cerca de R$ 140 milhões aplicados em títulos do Letsbank – igualmente sem previsão de recuperação após a liquidação.

Nos três casos, vale lembrar, a proteção do Fundo Garantidor de Créditos é limitada: o FGC cobre até R$ 250 mil por CNPJ, independentemente do tamanho do prejuízo ou do valor total aplicado. Para empresas com posições multimilionárias, esse mecanismo é praticamente irrelevante para recompor o caixa.

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Na nova InterCement, um bilionário britânico ganha espaço

Um bilionário britânico desponta como o principal acionista da InterCement, fabricante de cimentos ainda controlada pela antiga Camargo Corrêa (hoje Mover).

A Lago Escondido, veículo de investimento ligado a Joe Lewis, deverá ficar com cerca de 19,5% da cimenteira após a conversão de créditos da recuperação judicial, apurou o InvestNews. Logo atrás surge o argentino Marcelo Mindlin, que deve alcançar aproximadamente 8% do capital no novo desenho acionário.

A entrada de Mindlin e Lewis na cimenteira ocorre por meio da Latcem, o veículo montado pelos credores para receber até 38,5% das ações da InterCement. A estrutura reúne fundos como Moneda, Redwood e outros gestores que compraram dívidas da companhia, que gira na casa dos R$ 9 bilhões.

Empresário Marcelo Mindlin
O empresário Marcelo Mindlin (Bloomberg)

Mas quem de fato assume o comando do veículo são Lewis — dono de 50% da Latcem — e Mindlin, que lidera o bloco minoritário com 21%. Os demais investidores ficam pulverizados, com participações inferiores a 3%.

A nova composição acionária decorre do plano de recuperação judicial aprovado pelos credores da Mover, que prevê a conversão de dívidas em ações e a diluição quase total da antiga controladora.

Bilionário britânico

Joe Lewis, 87, é dono do conglomerado Tavistock Group, que reúne investimentos em imóveis, hotelaria, clubes esportivos e empresas de energia. Seu patrimônio é estimado em mais de US$ 6 bilhões.

Embora seja britânico, Lewis investe há anos na Argentina, onde possui propriedades na Patagônia — incluindo a região do Lago Escondido — por meio de estruturas societárias como a holding Hidden Lake S.A. e outros veículos associados.

Ele também já teve mais de 8% da Pampa Energía, conglomerado controlado por Marcelo Mindlin. Não há registros públicos de investimentos relevantes do bilionário no Brasil, o que torna sua presença na InterCement ainda mais inusitada.

O investidor britânico Joe Lewis (Bloomberg)

Em 2024, Joe Lewis admitiu culpa em um caso de insider trading nos Estados Unidos. O bilionário fez um acordo com o Departamento de Justiça e pagou uma multa de US$ 5 milhões — enquanto sua holding Broad Bay Ltd. desembolsou outros US$ 44 milhões em penalidades civis.

Lewis também é ligado ao grupo que controla o clube de futebol Tottenham Hotspur — o bilionário transferiu o controle formal do clube para um veículo de investimento da família em 2022.

Loma Negra

O investimento da dupla indica que Mindlin contará com um sócio de peso na disputa pela Loma Negra, líder do mercado de cimento na Argentina e um dos ativos mais valiosos da InterCement, que entrou em recuperação judicial no fim do ano passado.

O interesse de Mindlin pelo negócio é antigo, e a presença de Lewis — também enraizado no país — reforça a leitura de que a operação argentina será o eixo central da reorganização. A venda da Loma Negra está prevista no plano e será decisiva para tirar a InterCement da RJ.

Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement
Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement (Bloomberg)

Com a aprovação do plano de recuperação judicial em outubro, a gestão e o futuro da InterCement passam definitivamente para as mãos dos credores — agora reorganizados na Latcem — enquanto a Mover permanece apenas com uma fatia residual, sem influência na governança. A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O InvestNews tentou contato com Lewis e Mindlin, mas não obteve sucesso.

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Fundo soberano saudita deve pagar US$ 29 bilhões pela produtora de games EA

O fundo soberano da Arábia Saudita (PIF), o maior do mundo, irá assumir 93,4% da Electronic Arts (EA) e desembolsar cerca de US$ 29 bilhões para concluir a compra da companhia, segundo documento enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação — estruturada como um leveraged buyout (LBO), um modelo em que parte relevante do negócio é financiada com emissão de dívida — avalia a EA em US$ 55 bilhões e deve se tornar a maior aquisição alavancada da história do setor de tecnologia.

A composição acionária foi publicada inicialmente pelo The Wall Street Journal e confirmada pelo InvestNews. O consórcio liderado pelo PIF indica que, após o fechamento, o fundo ficará com 93,4% da EA, enquanto as gestores Silver Lake e Affinity Partners ficarão com 5,5% 1,1%, respectivamente.

O modelo adotado para a aquisição da EA prevê US$ 36,4 bilhões em equity e quase US$ 20 bilhões em dívida. Como o PIF aportará praticamente todo o capital próprio da transação, o desembolso adicional necessário para atingir sua participação final é de aproximadamente US$ 29 bilhões. A oferta de fechamento de capital da EA prevê pagamento em dinheiro de US$ 210 por ação.

Fundada em 1982, a Electronic Arts é uma das principais desenvolvedoras globais de jogos e serviços digitais para consoles, PC e dispositivos móveis. Seu portfólio inclui franquias como EA SPORTS FC (sucessor do Fifa), Madden NFL, Apex Legends e The Sims.

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Família Muffato compra 10% do Assaí e se torna segundo maior acionista do concorrente

Os irmãos Ederson e Everton Muffato, controladores da rede de supermercados que leva o nome da família, compraram uma participação equivalente a 10,26% do Assaí, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A fatia foi adquirida por meio de dois fundos geridos por BTG Pactual e WHG, tornando a dupla de empresários o segundo maior acionista da rede de atacarejo, em uma composição acionária dominada por gestoras, como Orbis (11,57%) e Dynamo (5,01%).

Apesar de comandarem um grupo forte no Paraná, os Muffato têm presença ainda tímida em São Paulo – justamente o mercado onde o Assaí é mais dominante. Além dos supermercados Super Muffato, o grupo é dono de uma rede de atacarejos, a Max Atacadista.

O movimento vem num momento em que a expansão orgânica do grupo paranaense enfrenta limitações: forte concentração regional e dificuldade de avançar em cidades onde o próprio Assaí e o Atacadão, do grupo Carrefour, operam com maior escala e capilaridade.

‘Operação financeira’

Embora afirmem no documento que a operação tem caráter estritamente financeiro, os irmãos se colocaram “à disposição” da administração do Assaí para colaborar com a experiência que acumulam no setor – gesto que sugere um interesse maior do que o de um investidor tradicional.

Por envolver a compra de ações por um concorrente direto, a tendência natural é que a transação seja analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a exemplo do que ocorre no caso em que o fundador da produtra de etanol Inpasa, José Odvar Lopes, pediu aval da autarquia para seguir investindo na distribuidora de combustíveis Vibra.

Sem o aval do órgão antitruste, fica comprometida qualquer iniciativa dos Muffato de pleitearem uma cadeira no conselho de administração do Assaí, embora já detenham participação suficiente para isso.

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Venda de ações da CSN na MRS pode movimentar mais de R$ 3 bilhões

A CSN está negociando a venda de suas ações na MRS Logística, operadora de uma das principais malhas ferroviárias do país, para a CSN Mineração, sua controlada direta. A operação pode envolver até 18,75% do capital que a siderúrgica detém na MRS – uma fatia avaliada em cerca de R$ 3,26 bilhões, de acordo com o balanço mais recente da companhia.

A transação em curso tem potencial de aliviar a estrutura de capital da principal empresa de Benjamin Steinbruch. Ao vender suas ações para a subsidiária, a CSN receberia recursos diretamente da CSN Mineração, que encerrou o terceiro trimestre com cerca de R$ 16 bilhões em liquidez.

Já a CSN encerrou o período com fluxo de caixa operacional negativo — ou seja, suas atividades do dia a dia consumiram recursos em vez de gerar — e mantém como prioridade reduzir a alavancagem para perto de 3 vezes o Ebitda.

Atualmente, a dívida líquida consolidada do grupo é de R$ 37,5 bilhões, com alavancagem de 3,14 vezes o Ebitda. A companhia, porém, não detalha ao mercado os parâmetros de seus covenants, limitando-se nos documentos públicos mais recentes a afirmar que está “adimplente”.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a CSN diz apenas que está em negociações com a CSN Mineração, mas que a quantidade e o preço das ações não foram determinados. 

Infraestrutura

Ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a CSN afirma que a aquisição funcionaria como uma simplificação societária: concentrar a participação logística na CSN Mineração, que depende da MRS para escoar o minério produzido no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), até o terminal marítimo de Itaguaí (RJ).

A transação também se conecta ao plano anunciado pela CSN de criar a CSN Infraestrutura, empresa que vai concentrar participação na MRS, terminais portuários e ativos rodoviários e ferroviários do grupo. 

A nova companhia, prevista para ser estruturada nos próximos meses, deve servir como um veículo para que a CSN consiga levantar “alguns bilhões” ao longo de 2026, de acordo com Antonio Marco Rabello, CFO da CSN, em teleconferência recente com analistas.

Ferrovia das mineradoras

A MRS é um dos ativos logísticos mais estratégicos do país. A concessionária opera cerca de 1.700 km de linhas ferroviárias entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, formando o chamado “corredor Sudeste” – rota crucial para o transporte de minério, carvão e produtos siderúrgicos.

O capital da MRS é concentrado nas principais companhias do setor: a Vale controla cerca de 44% do capital; o grupo CSN/CSN Mineração detém aproximadamente 38%; Usiminas, 11%; e Gerdau, 6%.

Procurada pelo InvestNews, a CSN não comentou.

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O BTG além do banco: como a holding de André Esteves e sócios virou um dos maiores grupos empresariais do país

Sob a gestão do banqueiro carioca e hoje chairman André Esteves, o BTG Pactual não apenas consolidou sua posição como maior banco de investimentos do país, como também viu a holding formada pelos seus 410 sócios – a chamada “partnership” – se transformar em um dos grupos empresariais mais influentes do Brasil. Tudo isso uma década depois de o banco atravessar sua maior crise.

Energia, telecomunicações, varejo, educação e logística compõem um portfólio que, pela diversidade e pela escala, ocupa um terreno que grupos empresariais tradicionais e holdings financeiras, como Itaúsa e Bradespar, jamais tiveram.

São histórias de grandes negócios, mas também de apostas frustradas, como a tentativa de consolidar o varejo farmacêutico com a BR Pharma, que terminou em falência, ou o da Sete Brasil, projeto criado para atender o pré-sal e que desmoronou em meio a denúncias de corrupção na Petrobras e que chegou a levar Esteves à prisão em 2015. Naquele momento, o grupo de sócios assumiu a dianteira dos negócios e manteve o banco de pé. O processo foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A compra de participações em empresas pela partnership dos sócios do BTG tem uma mecânica própria. Os sócios estruturam as operações considerando que os fundos administrados pela casa e grandes clientes tenham prioridade no investimento. Só depois dessa alocação entra a partnership.

O resultado é que boa parte das participações é compartilhada entre a holding dos sócios e veículos administrados pelo banco, o que torna mais difícil distinguir o que pertence exclusivamente a partnership e o que são dos fundos da casa. O BTG não usa capital próprio nas operações.

Ainda assim, é possível identificar a amplitude dessa atuação: a rede de investimentos se espalha por setores centrais da economia brasileira.

Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento
Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento

A partnership do BTG, o “CNPJ” que reúne o capital dos sócios e administra os dividendos do grupo, ganhou o formato atual a partir de 2009, quando André Esteves e outros executivos recompraram o Pactual do UBS por US$ 2,5 bilhões. O negócio foi emblemático porque voltou a priorizar o modelo de gestão adotado pelo Pactual antes da venda aos suíços.

Uma fonte ouvida pelo InvestNews lembra que a partnership do BTG não nasceu com a ambição de se tornar um grupo empresarial. Mas que, de certa forma, a holding acabou evoluindo para isso. “No fim do dia, é um grupo de investidores empreendedores, são todos banqueiros ali”, disse.

Dos quase R$ 10 bilhões distribuídos em JCP pelo BTG Pactual em 2024, cerca de R$ 6,9 bilhões foram para a partnership. Parte desses recursos é distribuída proporcionalmente aos sócios, enquanto outra parcela permanece na holding para novos investimentos do grupo.

A mecânica

A governança da holding de sócios se organiza em três círculos decisórios. O primeiro é o comitê principal da partnership, o núcleo duro formado pelos sete principais acionistas, responsáveis pela estratégia e pela alocação de capital. São eles: André Esteves; o CEO do BTG, Roberto Sallouti; Renato Santos – o “Renatão” – (tesouraria); Guilherme Paes (banco de investimento); Renato Cohn (CFO); Rogério Pessoa (gestão de patrimônio); e Rodrigo Góes (sales & trading).

O segundo é o comitê ampliado, composto por cerca de 12 sócios seniores – líderes das principais unidades de negócios, que apresentam propostas ao núcleo principal. Além dos sete principais acionistas, existem outros nomes proeminentes no grupo, como Antônio “Totó” Porto (institucional), Huw Jenkins (vice-chairman), Renato Mazzola (private equity), João Marcello Dantas (controladoria), Alexandre Camara (special situations), Marcelo Flora (varejo) e Rubens Henriques (gestão de ativos).

O terceiro núcleo envolve os comitês temáticos, que reúnem outros sócios em discussões sobre crédito, risco e modelagem de investimentos. São eles que sustentam a máquina que permite ao BTG executar investimentos bilionários com velocidade.

Um caso recente que ilustra bem a forma de trabalhar da partnership é a entrada na Cosan, negócio que envolveu um cheque total de R$ 4,5 bilhões. A operação transformou o grupo de sócios do BTG no maior acionista individual do conglomerado de Rubens Ometto, que vive uma crise de endividamento causada pela Raízen e por uma aposta mal-sucedida na Vale.

Eis o modus operandi. A operação foi estruturada pelo BTG e oferecida aos fundos administrados pelo banco abertos ao público, que têm prioridade.

O fundo de infraestrutura gerido pelo BTG alocou R$ 600 milhões no negócio. Como os fundos de private equity têm um limite de exposição de 25% do seu patrimônio, esse era o valor o máximo que o veículo em questão poderia investir. Em seguida, a mesma oportunidade foi aberta a clientes institucionais e de alta renda – que aportaram outros R$ 400 milhões por meio de coinvestimento.

Só depois desse duplo filtro (fundos e clientes) foi que a operação chegou aos sócios do BTG, que completaram o cheque com os R$ 3,5 bilhões restantes, ganhando maior peso nessa composição. A partnership nunca disputa com o cliente, mas completa a operação – muitas vezes com o maior cheque.

André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan
André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan (Ilustração: João Brito)

Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual e um dos poucos que acompanharam as duas eras do banco por dentro, lembra que o negócio envolvendo a Cosan é o que diferencia os sócios do BTG. “O banqueiro de investimento entra onde o banco comercial não entra: em empresas pressionadas, nas operações complexas – naquilo que precisa ser salvo”.

No caso da Cosan, com alto endividamento, o que os sócios do BTG viram foi um potencial de retorno alto com a reestruturação da dívida e a exposição a setores onde a capacidade de execução faz toda a diferença – ferrovias, combustíveis e terras agrícolas. Esse diferencial colocou o grupo de Ometto exatamente no tipo de jogo que o BTG gosta de jogar. “A estratégia é sempre oportunística, no bom sentido. É entrar no ponto mais baixo para criar valor”, prossegue Cezar, em entrevista ao InvestNews.

O avanço da partnership para dentro da economia real também ampliou, de forma inevitável, o raio de influência de André Esteves nas conversas com Brasília.

Um banco que estrutura operações de financiamento para grandes empresas já é relevante; agora um banco cujos sócios têm participações expressivas em setores que empregam milhares de pessoas, operam infraestrutura crítica e afetam preços regulados ocupa um degrau completamente diferente.

Erros…

O começo da trajetória de André Esteves e dos sócios do BTG como força empresarial não seguiu um linha reta rumo ao sucesso.

Um dos primeiros investimentos do grupo, a BR Pharma, nasceu em 2009 com a ambição de consolidar redes regionais e criar uma gigante nacional do varejo farmacêutico. Dona da bandeira Farmais, a companhia enfrentou problemas de integração, não conseguiu capturar sinergias e acumulou prejuízos. Dez anos depois, a empresa teve sua falência decretada pela Justiça, com dívidas que superam R$ 1 bilhão.

Mas nenhum revés se compara ao da Sete Brasil, empresa que o BTG pagou US$ 1 bilhão em 2012 para ter 30% do negócio. O projeto, concebido para criar a frota de sondas do pré-sal, ruiu em meio a denúncias de corrupção, atrasos crônicos e contratos inviáveis. Um “super fiasco”, nas palavras do próprio Esteves. O colapso da Sete Brasil ganhou força na Lava-Jato e respingou diretamente no BTG. Em novembro de 2015, André Esteves, então CEO do banco, foi preso preventivamente e ficou um mês detido.

Anos depois, em 2018, o STF arquivou um dos processos e, em 2020, suspendeu outro, mas o episódio deixou marcas profundas, exigiu uma reestruturação interna e redefiniu a percepção de risco dentro da casa. O BTG continuou entrando onde o mercado hesitava, mas passou a escolher melhor os terrenos onde pisa. O episódio também fortaleceu o núcleo duro de sócios para além de Esteves.

…e acertos

A Eneva foi uma das apostas mais bem-sucedidas do grupo de sócios do BTG. Originária da MPX Energia, uma das empresas de Eike Batista, a companhia entrou em recuperação judicial em 2014 com cerca de R$ 2,3 bilhões em dívidas – um dos casos mais sensíveis do setor elétrico brasileiro. 

No ano seguinte, os credores optaram por converter parte da dívida em ações. E o BTG acabou se tornando um dos principais acionistas. No ano passado, após um aumento de capital, o BTG e a partnership ampliaram sua posição e passaram a deter 48,06% do capital da Eneva, tornando-se o maior acionista da companhia, que é uma das maiores operadoras de usinas termelétricas do Brasil, rivalizando com a Âmbar Energia, dos irmãos Batista.

Eneva Complexo de Parnaíba
Complexo de Parnaíba da Eneva (Divulgação)

Outros investimentos promissores são a V.tal, rede neutra de fibra óptica, e a Nio, provedora de internet, ambas derivadas do processo de recuperação judicial da Oi. Na V.tal, o BTG fez parte de um consórcio que pagou R$ 12,9 bilhões por 57,9% das ações da companhia, enquanto a Nio custou cerca de R$ 5,8 bilhões.

Há também negócios menos visíveis, mas muito relevantes, como a Engelhart, trading de commodities que nasceu dentro do BTG, e o Timberland Investment Group (TIG), braço florestal do banco, que compra, administra e arrenda áreas para produção de madeira e projetos de carbono.

Outras apostas recentes vieram da compra de ativos diretamente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Por R$ 1,5 bilhão, o grupo de sócios do BTG levou ações da Veste, Metalfrio e Light – nas três empresas, o BTG figura entre os principais acionistas. Além disso, o pacote incluia o hotel Fasano Itaim, um ícone imobiliário de São Paulo.

Donos

A ideia de que o BTG pudesse ir além do investment banking não é nova e nasceu ainda no Pactual original, nos anos 1980, quando Luiz Cezar Fernandes tentava convencer seus sócios André Jakurski e Paulo Guedes de que seria possível ter um banco capaz de aconselhar, financiar e, quando necessário, virar sócio dos clientes. 

Quem acabou executando aquilo que Cezar idealizou – e em uma escala ainda maior do que ele próprio imaginava – foi André Esteves, o estagiário quieto que entrou no Pactual em 1989 e nunca mais saiu daquele universo.

Recentemente, viralizou uma foto de André Esteves sozinho lendo jornal na sede do BTG no que parece ser um fim de semana, gerando curiosidade nas redes sociais.

André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)
André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)

Quem convive com ele garante que aquilo é rotineiro. Esteves repete em palestras e entrevistas que a única forma de construir algo duradouro é cercar-se de gente tão boa quanto ou melhor. “Aqui eu contrato donos, não funcionários”, costuma dizer.

Na prática, isso significa povoar o BTG de pessoas que tratam cada decisão como se o capital fosse delas – porque, em boa parte dos casos, é mesmo.

Procurado pelo InvestNews, o BTG não comentou.

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Marcos Molina, da Sadia, diz que Ozempic já está mudando o consumo: ‘é o Natal da proteína’

O “efeito Ozempic” já começa a redesenhar o consumo no Brasil e até a tese de investimento de grandes fundos internacionais. A avaliação é de Marcos Molina, controlador da MBRF – grupo dono de marcas como Sadia, Perdigão e Marfrig –, um dos principais empresários do setor de proteína animal no país.

Em conversa com jornalistas, Molina afirmou que as redes de supermercados brasileiras têm reportado uma queda expressiva nas vendas de produtos ricos em carboidratos e açúcar, enquanto o consumo de proteína segue firme. E, em alguns casos, cresce.

“É o Natal da proteína”, afirmou, citando relatos de varejistas que já identificam o impacto direto do uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro no comportamento de compra dos consumidores.

Relatórios recentes da Abras, associação que representa os supermercadistas, confirmam o movimento. Na semana de 3 a 9 de novembro, a cesta de proteína animal registrou alta de 16,6% nas vendas em valor frente ao ano anterior, enquanto arroz, feijão e açúcar despencaram 18,2% no mesmo período.

O movimento não se limita ao varejo: investidores americanos começam a rever suas carteiras. “Pela primeira vez ouvimos que os fundos estão tirando dinheiro de empresas de snacks e colocando em proteína”, disse Molina, que esteve com gestores na semana passada em Nova York, em um evento promovido pelo Bradesco BBI.

O diagnóstico reforça um movimento que já vinha despontando na indústria alimentícia. Como mostrou o InvestNews, empresas como Danone, JBS e a própria MBRF vêm reposicionando portfólios para um consumidor que come menos, mas busca mais valor nutricional com lançamentos de refeições proteicas, iogurtes enriquecidos e produtos voltados a quem usa análogos de GLP-1, conhecido como o “hormônio da saciedade”.

Para Molina, a tendência deve se intensificar em 2026, com a consolidação dos medicamentos para emagrecimento e o foco crescente dos consumidores em manter a massa magra. É a “Ozempic economy” ganhando forma no Brasil.

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Fundador da Inpasa pede ao Cade autorização para seguir investindo na Vibra

A produtora de etanol Inpasa está se aproximando, ainda que de forma indireta, da Vibra Energia, a maior distribuidora de combustíveis do Brasil. É que o fundador da companhia com sede em Mato Grosso, José Odvar Lopes, pediu autorização ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para manter o investimento feito por meio de seu veículo pessoal, o Fundo Infiniti JL, na Vibra.

A operação precisa ser notificada porque envolve empresas do mesmo setor econômico. O Seu Zé, como Lopes é conhecido, inclusive, mantém uma pequena rede de postos, a Rodobrás, com presença limitada no Centro-Oeste. De toda forma, o investidor só poderá exercer direitos políticos na Vibra somente após o aval do órgão.

Embora apresentado como um investimento financeiro, o Infiniti JL é também o veículo controlador da Inpasa, maior produtora de etanol de milho do país e integrante do mesmo grupo econômico sob o comando de Seu Zé.

A presença simultânea na produção (Inpasa) com participação relevante na distribuição (Vibra) colocou o caso sob atenção do Cade. A Vibra tem a rede de postos de combustíveis com a bandeira Petrobras, a maior do Brasil.

Avanço na Vibra

Pessoas próximas ao negócio relataram ao InvestNews que Seu Zé estaria aguardando o aval do Cade para formalizar a indicação de seu nome ao conselho de administração da Vibra. Atualmente, o Infiniti JL detém 10,14% da distribuidora, percentual que lhe daria condições de obter um assento.

O estatuto social da Vibra não impõe vedações específicas para a eleição de conselheiros por investidores que atuem no setor de combustíveis e prevê apenas que o candidato não pode incorrer em “conflito de interesses”, sem especificar o que caracterizaria isso.

A autorização do órgão também poderia abrir espaço para que o empresário compre mais ações da companhia. Por outro lado, uma negativa do Cade poderia obrigar Lopes a reduzir sua participação na Vibra para menos de 5%, deixando assim a condição de acionista relevante.

O principal limitador acionário é a poison pill. Qualquer acionista que atingir 25% do capital é obrigado a lançar uma oferta pública para adquirir 100% das ações da companhia, por um preço no mínimo igual à maior cotação dos últimos 18 meses, atualizada pela taxa DI e acrescida de um prêmio de 15%, além dos ajustes por proventos e eventos societários. É um mecanismo desenhado para tornar economicamente proibitiva qualquer tomada de controle não negociada.

Hoje, a Vibra é uma corporação, ou seja, sem um acionista controlador. Seu Zé tem hoje a maior posição da empresa, seguido pela gestora Dynamo (9,99%) e pelo investidor Ronaldo Cezar Coelho, por meio do fundo Samambaia, com 8,3%. BlackRock e Lazard completam o cap table, com cerca de 5% dos papéis cada.

Olho do Cade

Nos últimos dias, o Cade decidiu aprofundar a instrução e enviou dois ofícios ao investidor. O órgão antitruste quer saber quais mecanismos serão adotados para evitar o compartilhamento de informações concorrencialmente sensíveis entre o grupo de Lopes e a Vibra, em especial dados de preços, volumes, planejamento comercial e negociações com distribuidoras e varejistas.

O regulador também pediu documentos adicionais sobre governança e eventuais barreiras informacionais. Nos documentos enviados ao Cade, o Fundo Infiniti JL sustenta que sua entrada na Vibra tem caráter “puramente financeiro” e que a participação não confere qualquer influência na gestão da companhia.

José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa
José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa (Assembleia Legislativa de MT)

O veículo afirma que a Vibra é uma empresa de “capital pulverizado, sem acordo de acionistas ou bloco de controle” e que o fundo não dispõe de “direito de veto, quórum qualificado ou qualquer prerrogativa que gere presunção de controle”.

Em resposta aos questionamentos do órgão, o Infiniti JL também frisou que não terá acesso a informações estratégicas da distribuidora e que sua posição representa “apenas uma participação minoritária, sem qualquer aquisição de controle, seja unitário ou compartilhado”.

Em ascensão

A Inpasa é hoje a maior produtora de etanol de milho do Brasil, mas sua história começa fora do país. Criada em 2007 no Paraguai – o nome é acrônimo de Industria Paraguaya de Alcoholes S.A. –, a companhia inaugurou só em 2019 sua primeira usina no Brasil, em Sinop (MT). Em 2024, registrou R$ 13,6 bilhões de receita, um avanço de 23% sobre o ano anterior; a Moody’s estima margem líquida de 18%, o que aponta para um lucro superior a R$ 2 bilhões.

O tamanho e a rentabilidade colocaram a empresa no centro das movimentações da indústria, inclusive das tratativas da Petrobras, que decidiu voltar ao mercado de etanol após mais de uma década fora. A estatal já afirmou que pretende retomar o modelo de joint ventures, com participações minoritárias, e, segundo a Bloomberg, existem negociações avançadas justamente com Inpasa e FS, as duas gigantes do etanol de milho.

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Entre Cosan e Corsan, Perfin vende fatia na companhia de saneamento ao Bradesco por R$ 2,1 bilhões

A Perfin, a mais nova sócia da Cosan, acaba de vender ao Bradesco BBI, por R$ 2,1 bilhões, um conjunto de ações preferenciais ligadas à Corsan, a empresa responsável pelo abastecimento de água e esgoto em 317 municípios do Rio Grande do Sul. O número de ações negociadas não foi revelado.

O papel vendido pela gestora de Ralph Rosenberg não representa uma fatia de controle: trata-se de um instrumento financeiro criado na privatização da Corsan em 2022, quando o governo gaúcho leiloou a companhia e o consórcio formado por Aegea, Perfin e Kinea pagou R$ 4,15 bilhões pelo ativo e assumiu o compromisso de investir mais de R$ 12 bilhões na expansão da rede de saneamento ao longo da década seguinte.

Depois do leilão, a estrutura societária da Corsan foi reorganizada dentro do consórcio vencedor. A Aegea, a Perfin e a Kinea dividiram sua participação combinando dois tipos de ações: ordinárias, que dão voto e formam o bloco de controle, e preferenciais, usadas como um instrumento financeiro que funciona como uma quota de investimento.

As preferenciais não participam das decisões da empresa, mas garantem ao investidor um retorno ligado ao desempenho da concessão ao longo do tempo. A transação fechada agora pela Perfin com o Bradesco envolve justamente esses papéis preferenciais e permite à gestora antecipar, em dinheiro presente, um fluxo de receitas futuras do contrato de saneamento.

A participação da gestora comandada por Rosenberg na Corsan aparece de maneira indireta. A Perfin é acionista da Parsan S.A., holding criada pelo consórcio vencedor da privatização e que detém 27,11% da Corsan. Considerando os fundos por meio dos quais a Perfin participa da Parsan, sua fatia econômica na companhia gaúcha fica próxima de 11%.

Cosan, Corsan

A venda da fatia financeira da Corsan ocorre dias depois de a Perfin participar da capitalização de socorro na Cosan, de Rubens Ometto. A gestora, que tem o BTG Pactual como sócio, comprometeu-se a investir R$ 2 bilhões no grupo.

O Bradesco BBI também ganhou protagonismo nesse rearranjo. O banco coordenou a emissão de R$ 750 milhões em notas comerciais da Aguassanta, veículo pessoal de Ometto, operação que permitiu ao empresário acompanhar o aumento de capital e evitar diluição no bloco de controle da holding.

Do outro lado, o BTG Pactual liderou a capitalização da Cosan com um cheque de R$ 4,5 bilhões, consolidando-se como o principal investidor financeiro na reestruturação do grupo.

Criada em 2007 por Rosenberg, ex-Safra, a Perfin ganhou projeção ao montar uma plataforma híbrida de investimentos que combina bolsa, private equity e infraestrutura pesada. Além da parceria com a Aegea em saneamento, a gestora também é sócia do grupo Equipav na empresa de concessões de rodovias EPR, outra frente relevante de infraestrutura no país.

Procurados pelo InvestNews, Bradesco BBI e Perfin não responderam.

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Exclusivo: LiveMode assume 100% da CazéTV; Casimiro vira sócio da holding global do grupo

A LiveMode vai passar a controlar integralmente a CazéTV após uma reorganização societária em que a empresa, que detinha 51% do canal, incorporou a fatia de 49% que estava nas mãos da CMiguel Produções, do jornalista e streamer Casimiro Miguel, apurou o InvestNews. A operação tem como objetivo “otimizar a estrutura acionária” do grupo.

A transação envolve a alienação das ações de Casimiro para a LiveMode em troca de sua entrada como sócio da holding do grupo, a LiveMode Cayman. O formato indica uma operação de troca de ações, mas os valores e os percentuais envolvidos no negócio não foram revelados. A operação ainda precisa de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com isso, Casimiro deixa de ser sócio direto da CazéTV e passa a integrar o capital da holding internacional que controla toda a operação da LiveMode, empresa que também negocia e produz direitos de transmissão para diversos veículos brasileiros.

Sócios grandes

A LiveMode Cayman — também chamada de LiveMode Holdings Limited — é o mesmo veículo no qual está o investimento da americana General Atlantic e que funciona como guarda-chuva societário do grupo.

Em abril do ano passado, a General Atlantic, em conjunto com o braço de private equity da XP, passou a ser sócia da LiveMode. No mercado, circula a informação de que a dupla teria investido cerca de R$ 440 milhões por uma fatia superior a 20% na empresa, embora os detalhes da operação não tenham sido divulgados oficialmente.

Fundada em 2017, a LiveMode construiu reputação como uma das empresas mais influentes do país em direitos esportivos, produção digital e transmissões multiplataforma. É a companhia responsável por negociar, por exemplo, os direitos de transmissão da Liga Forte União (LFU), que recentemente vendeu parte de seus jogos do Campeonato Brasileiro em TV aberta para a Record.

A empresa foi criada por Sergio Lopes e Edgar Diniz, fundadores do Esporte Interativo — canal vendido em 2015 ao grupo Turner (hoje Warner Bros. Discovery) por um valor que, à época, circulava no mercado na faixa de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões.

Já a CazéTV, criada em 2022 como uma joint venture entre a LiveMode e Casimiro Miguel, tornou-se rapidamente um fenômeno de audiência com transmissões do Copa do Mundo do Catar, Copa do Brasil, Jogos Olímpicos e competições internacionais.

Procurada pelo InvestNews, a LiveMode não respondeu.

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Vale e donos da Itaminas fecham mais um arrendamento de mina em MG – o terceiro em 2025

Os grupos AVG e Géo, donos da mineradora Itaminas, fecharam um acordo com a Vale para arrendar uma de suas jazidas em Minas Gerais — o terceiro contrato desse tipo entre as partes neste ano.

O negócio foi aprovado recentemente pelo Cade e, segundo fontes próximas à operação, se refere à mina Conta História, localizada em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto, e integrante do Complexo Sudeste da Vale.

A Conta História é um depósito de ferro e manganês situado no Quadrilátero Ferrífero, uma das regiões mais antigas e ricas em minério de ferro do país. A jazida está inativa há mais de uma década — a exploração industrial foi interrompida ainda nos anos 2000.

O valor da transação não foi revelado, e o contrato prevê o arrendamento dos direitos minerários, com a Vale mantendo a propriedade da jazida.

Arrendamentos

O novo contrato com a Vale é o terceiro arrendamento firmado entre os donos da Itaminas e a mineradora.

Antes da mina Conta História, o grupo já havia assumido a mina Dois Irmãos, em Barão de Cocais, e a mina Aliança, também em Ouro Preto — ambas igualmente dentro do Sistema Sudeste da Vale e também aprovadas pelo Cade.

O movimento permite à Vale gerar receita com a reativação de minas médias e inativas, em um momento em que a companhia foca seus esforços nas operações de grande escala, como o S11D, no Pará.

A Itaminas produz atualmente cerca de 6,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Em 2024, a companhia registrou faturamento próximo de R$ 1,5 bilhão e traçou um plano de expansão que prevê atingir 15 milhões de toneladas anuais até 2033.

A título de comparação, a Vale — maior mineradora do país — produziu 328 milhões de toneladas de minério de ferro em 2024, o que significa que a produção da Itaminas equivale a menos de 2% do volume da líder global do setor.

Saída de Vorcaro

O novo arrendamento marca mais um passo na expansão do grupo, que nesta semana passou por uma mudança na estrutura societária. A Itaminas comunicou na terça-feira (4) que AVG e Géo, dos empresários Bernardo Gontijo e Argeu Géo, compraram a fatia de 50% do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornando-se os únicos controladores da mineradora.

Vorcaro havia entrado no negócio em 2024, quando os três empresários compraram a companhia do colecionador e ex-controlador Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim. A operação, concluída no ano passado, custou cerca de US$ 300 milhões e foi quitada antecipadamente em maio deste ano.

Mas, com a crise recente do Master, Vorcaro vem se desfazendo de alguns ativos, sendo a Itaminas um dos que estavam em negociação.

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Suzano enfrenta maré de baixa demanda por celulose e pressão da alavancagem

A Suzano entrou no segundo semestre diante de uma equação difícil de resolver: o preço da celulose segue no piso, a dívida aumentou e o custo de capital está mais alto.

A maior produtora mundial de celulose de eucalipto – matéria-prima usada em papéis higiênicos, lenços e outros produtos de uso diário – tenta equilibrar eficiência operacional com um cenário macro que joga contra: demanda global enfraquecida, juros ainda elevados e uma China que compra menos e dita os preços de todo o setor.

“Não podemos depender de um novo patamar de preços para entregar resultados”, afirmou o CEO Beto Abreu, em conversa com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre. Segundo ele, a empresa tem sido eficiente, mas, em um setor em que os ciclos são longos, as variáveis externas seguem pesando sobre os números.

O lucro líquido da Suzano foi de R$ 1,96 bilhão, uma redução de 39% em comparação ao mesmo período de 2024, enquanto a margem caiu de 53% para 43%. O Ebitda, que mede o lucro operacional antes de juros e impostos, recuou 20% no mesmo comparativo, refletindo a pressão sobre as margens.

A alavancagem em dólar, métrica usada pela Suzano em sua política financeira, subiu para 3,3 vezes o Ebitda, o maior nível em três anos. Em reais, o indicador ficou em 3,1 vezes, mas a empresa considera a medição em dólar mais fiel à realidade, já que 74% da dívida está dolarizada (ou 87% com hedge) e boa parte da geração de caixa também.

O aumento reflete preços de celulose ainda deprimidos e geração de caixa mais fraca, limitando a desalavancagem no curto prazo. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 69 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 70 bilhões de um ano antes.

Beto Abreu, CEO da Suzano
Beto Abreu, CEO da Suzano (Divulgação)

Embora a Suzano mantenha R$ 24 bilhões em caixa, o endividamento líquido ainda consome boa parte da geração de caixa. No trimestre, a companhia alongou o perfil de pagamentos com a emissão de US$ 1 bilhão em títulos de dez anos, elevando o prazo médio (“duration”) da dívida para 80 meses, contra 74 no trimestre anterior.

Mas esse fôlego vem a um preço: o custo médio subiu para 5% ao ano em dólar, num ambiente global de juros altos. “O alongamento foi importante para reforçar a flexibilidade financeira”, afirmou o diretor financeiro Marcos Assumpção, “mas seguimos com disciplina para que a alavancagem volte a cair conforme o ciclo melhora.”

Demanda

A Suzano é especialista na venda de fibra curta, feita de eucalipto e usada em papéis mais macios — como papel higiênico, guardanapos e papéis de imprimir. Com o desaquecimento da economia chinesa e a oferta elevada no mercado internacional, o preço médio recuou para US$ 525 por tonelada, cerca de 22% abaixo do nível de um ano atrás.

Para atravessar o ciclo, a empresa vem apertando custos: o custo caixa caiu para R$ 801 por tonelada, o menor desde 2022, graças a ganhos logísticos e menor uso de insumos industriais. “Estamos entregando o menor custo em reais desde o início da pandemia, e isso é resultado de eficiência operacional, não de sorte de ciclo”, disse Abreu.

A companhia afirma já ver os primeiros sinais de melhora na demanda. “Vemos pedidos mais firmes e aumentos de preço sendo aceitos. O nível atual é insustentável para parte da indústria, e ajustes de oferta devem acontecer”, afirmou o vice-presidente comercial Leonardo Grimaldi, indicando que os reajustes de US$ 20 por tonelada, iniciados em outubro, possam aparecer nos resultados do quarto trimestre.

Já o segmento de papel e embalagens — que responde por cerca de um quarto da receita — avançou 6% em vendas, e a operação americana, adquirida em 2024, registrou seu primeiro Ebitda positivo (R$ 43 milhões).  Mesmo assim, a divisão ainda não é suficiente para compensar o ciclo fraco da celulose.

No balanço consolidado, a Suzano registrou receita líquida de R$ 12,2 bilhões, uma queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo o recuo dos preços da celulose no mercado internacional.

Mesmo com custos menores e volumes maiores, a deterioração das cotações foi suficiente para comprimir a rentabilidade e conter o avanço da geração de caixa operacional, que somou R$ 3,4 bilhões, 22% abaixo do resultado de 2024.

Tarifaço breve não afetou

O episódio do tarifaço americano também entrou na pauta. Grimaldi contou que o momento em que os EUA incluíram e depois retiraram a celulose brasileira da lista de produtos com tarifa de 50% gerou volatilidade de preços em agosto e setembro, especialmente na China, onde parte das empresas exporta para o mercado americano.

Segundo o executivo, o impacto foi temporário e afetou mais as negociações à vista (spot). Após a retirada da tarifa, os volumes voltaram ao normal, e as exportações para os EUA — menos de 5% das vendas totais — não sofreram prejuízo direto.

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