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Após Tanure, Sabesp lança operação para incorporar Emae e tirar empresa da B3

A Sabesp informou na noite de sexta-feira (24) uma operação para incorporar a Emae e tirar da Bolsa a antiga estatal paulista, dona das represas Billings e Guarapiranga e de um conjunto de hidrelétricas no interior de São Paulo, que até ano passado era controlada pelo empresário Nelson Tanure

O movimento se dará em duas etapas: primeiro uma oferta em dinheiro aos minoritários, a R$ 61,83 por ação, e depois a incorporação dos acionistas remanescentes, que trocarão suas ações da Emae por papéis da Sabesp.

A operação é o ato de encerramento da passagem de Tanure pelo controle da Emae, capítulo que durou pouco mais de um ano e meio e terminou com a empresa sendo tomada por credores e vendida na sequência para a Sabesp por cerca de R$ 1 bilhão.

A oferta

Quando uma empresa troca de dono na bolsa, a lei manda que o novo controlador faça uma oferta para comprar também as ações de quem é minoritário, dando a esses acionistas a chance de sair pelo mesmo preço de quem vendeu o controle. 

No caso da Emae, a Sabesp teria de fazer duas dessas ofertas em paralelo, por motivos diferentes previstos em lei. Para evitar duplicar trabalho, pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para juntar tudo numa única oferta.

O preço será de R$ 61,83 por ação, o mesmo que a Sabesp pagou pelo bloco controlador, corrigido pela Selic desde 21 de janeiro deste ano, data do fechamento da compra. Os minoritários têm 15 dias para, se quiserem, convocar uma assembleia e pedir um laudo de avaliação independente sobre o preço.

O passo seguinte

Em comunicado separado, Sabesp e Emae informaram que estudam um segundo movimento. As administrações das duas empresas vão avaliar uma operação em que a Emae deixaria de existir como companhia aberta e seria absorvida pela Sabesp. 

Os acionistas que ainda restassem na Emae depois da oferta pública de aquisição (OPA) em dinheiro receberiam, em troca de seus papéis, ações da própria Sabesp, em proporção a ser calculada por comitês independentes.

Ao fim do processo, a Emae não terá mais ações negociadas em Bolsa.

Privatização

A Emae foi privatizada em abril de 2024, num leilão em que o Fundo Phoenix, que tem Tanure como beneficiário final e foi montado em parceria com Tércio Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, arrematou o controle por cerca de R$ 1 bilhão, com ágio de 33,68% sobre o preço mínimo. 

O financiamento combinou empréstimo da XP e emissão de R$ 520 milhões em debêntures, lastreadas em garantias pessoais dos empresários e em ações da Ambipar. Mas a crise vivida pelo grupo de Borlenghi Júnior, resultado em recuperação judicial, fez as garantias originais perderem valor. 

Com as garantias minguando e a inadimplência no pagamento da dívida, os credores tomaram a Emae e negociaram com a Sabesp em outubro do ano passado. Em março, a Sabesp comprou ainda os 9,22% que estavam no fundo Oceania (depois rebatizado de Arys), ligado a Borlenghi, por R$ 171,6 milhões.

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Após Tanure, Sabesp lança operação para incorporar Emae e tirar empresa da B3

A Sabesp informou na noite de sexta-feira (24) uma operação para incorporar a Emae e tirar da Bolsa a antiga estatal paulista, dona das represas Billings e Guarapiranga e de um conjunto de hidrelétricas no interior de São Paulo, que até ano passado era controlada pelo empresário Nelson Tanure

O movimento se dará em duas etapas: primeiro uma oferta em dinheiro aos minoritários, a R$ 61,83 por ação, e depois a incorporação dos acionistas remanescentes, que trocarão suas ações da Emae por papéis da Sabesp.

A operação é o ato de encerramento da passagem de Tanure pelo controle da Emae, capítulo que durou pouco mais de um ano e meio e terminou com a empresa sendo tomada por credores e vendida na sequência para a Sabesp por cerca de R$ 1 bilhão.

A oferta

Quando uma empresa troca de dono na bolsa, a lei manda que o novo controlador faça uma oferta para comprar também as ações de quem é minoritário, dando a esses acionistas a chance de sair pelo mesmo preço de quem vendeu o controle. 

No caso da Emae, a Sabesp teria de fazer duas dessas ofertas em paralelo, por motivos diferentes previstos em lei. Para evitar duplicar trabalho, pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para juntar tudo numa única oferta.

O preço será de R$ 61,83 por ação, o mesmo que a Sabesp pagou pelo bloco controlador, corrigido pela Selic desde 21 de janeiro deste ano, data do fechamento da compra. Os minoritários têm 15 dias para, se quiserem, convocar uma assembleia e pedir um laudo de avaliação independente sobre o preço.

O passo seguinte

Em comunicado separado, Sabesp e Emae informaram que estudam um segundo movimento. As administrações das duas empresas vão avaliar uma operação em que a Emae deixaria de existir como companhia aberta e seria absorvida pela Sabesp. 

Os acionistas que ainda restassem na Emae depois da oferta pública de aquisição (OPA) em dinheiro receberiam, em troca de seus papéis, ações da própria Sabesp, em proporção a ser calculada por comitês independentes.

Ao fim do processo, a Emae não terá mais ações negociadas em Bolsa.

Privatização

A Emae foi privatizada em abril de 2024, num leilão em que o Fundo Phoenix, que tem Tanure como beneficiário final e foi montado em parceria com Tércio Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, arrematou o controle por cerca de R$ 1 bilhão, com ágio de 33,68% sobre o preço mínimo. 

O financiamento combinou empréstimo da XP e emissão de R$ 520 milhões em debêntures, lastreadas em garantias pessoais dos empresários e em ações da Ambipar. Mas a crise vivida pelo grupo de Borlenghi Júnior, resultado em recuperação judicial, fez as garantias originais perderem valor. 

Com as garantias minguando e a inadimplência no pagamento da dívida, os credores tomaram a Emae e negociaram com a Sabesp em outubro do ano passado. Em março, a Sabesp comprou ainda os 9,22% que estavam no fundo Oceania (depois rebatizado de Arys), ligado a Borlenghi, por R$ 171,6 milhões.

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Na Rossi Residencial, família fundadora e Silvio Tini selam paz e encerram disputa societária

A Rossi Residencial anunciou na noite de sexta-feira (24) que a família fundadora e o investidor Silvio Tini firmaram um acordo para para encerrar todos as disputas societárias em curso na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), pondo fim a uma disputa que já dura quase dois anos.

A briga entre os Rossi e o dono da Bonsucex mobilizou sete arbitragens, o que travou a governança da construtora, será arquivada se uma assembleia marcada para a próxima segunda-feira (28) aprovar sem ressalvas as contas da administração de 2024.

Pelos termos do acordo, a Rossi Residencial desiste da ação de responsabilidade que movia contra ex-administradores ligados a Tini, com base no artigo 159 da Lei das S.A. Em troca, esses ex-administradores abrem mão de eventual ressarcimento futuro à companhia até o máximo de R$ 12 milhões.

As partes envolvidas nos cinco processos arbitrais sobre a oferta pública obrigatória (OPA estatutária) também renunciam mutuamente às pretensões, mantendo a versão atual do estatuto social, aprovada em uma assembleia de novembro de 2024.

A pacificação chega em momento delicado para a incorporadora, em recuperação judicial desde 2022 com mais de R$ 1 bilhão em dívidas. 

Em fato relevante, a administração argumenta que o acordo “permitirá uma economia substancial de recursos financeiros e humanos” e criará “ambiente societário e institucional mais favorável” à retomada dos negócios.

Início da briga

A disputa começou em meados de 2024, quando os irmãos João Paulo e Renata Rossi Cuppoloni, herdeiros da família fundadora, acusaram Tini e veículos a ele relacionados, entre eles a Lagro Participações, de terem ultrapassado em conjunto a fatia de 25% do capital da companhia, patamar que aciona a poison pill prevista no estatuto e obrigaria à realização de uma OPA aos demais acionistas. 

Os Rossi também questionaram a independência de três conselheiros que, segundo eles, atuariam em favor de Tini, e pediram a destituição do trio.

A briga azedou. Renata Rossi foi destituída da diretoria em outubro de 2024. Em assembleia no mesmo mês, os acionistas rejeitaram a proposta de suspender os direitos políticos de Tini e da Lagro. 

Em dezembro, num movimento então inédito, a CAM-B3 chegou a suspender cautelarmente os direitos políticos de Tini e de quatro acionistas ligados a ele, decisão posteriormente revertida na esfera societária. O conselho ficou dividido entre dois representantes da família e três conselheiros associados ao investidor.

Tini, que comanda o Grupo Bonsucex, com participações em Alpargatas, GPA, Gerdau e Terra Santa, foi condenado pela CVM em processo de uso de informação privilegiada e está proibido por cinco anos de exercer cargo de administrador ou de conselheiro fiscal em companhias abertas.

O que falta

A homologação dos acordos depende de três condições: a manutenção da aprovação das contas de 2022 e 2023, a aprovação sem ressalvas das contas de 2024 e 2025 em assembleia, e o aval do conselho de administração ao acordo do artigo 159 em até dez dias. 

As ações ordinárias da Rossi (RSID3) acumulam queda relevante desde o estouro da crise, e a expectativa do mercado é de que o desfecho da assembleia defina se a construtora consegue, enfim, deslocar o foco de seu conselho do tribunal arbitral para o plano de recuperação.

A Rossi foi uma das primeiras incorporadoras brasileiras a abrir capital, em 1997, antes mesmo da onda de IPOs do setor, ocorrida entre 2006 e 2007, quando Cyrela, Gafisa, MRV, PDG e outras foram listadas. Foi também uma das mais castigadas pela crise do setor no início da década passada, o que a levou à recuperação judicial em 2022.

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Na Rossi Residencial, família fundadora e Silvio Tini selam paz e encerram disputa societária

A Rossi Residencial anunciou na noite de sexta-feira (24) que a família fundadora e o investidor Silvio Tini firmaram um acordo para para encerrar todos as disputas societárias em curso na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM-B3), pondo fim a uma disputa que já dura quase dois anos.

A briga entre os Rossi e o dono da Bonsucex mobilizou sete arbitragens, o que travou a governança da construtora, será arquivada se uma assembleia marcada para a próxima segunda-feira (28) aprovar sem ressalvas as contas da administração de 2024.

Pelos termos do acordo, a Rossi Residencial desiste da ação de responsabilidade que movia contra ex-administradores ligados a Tini, com base no artigo 159 da Lei das S.A. Em troca, esses ex-administradores abrem mão de eventual ressarcimento futuro à companhia até o máximo de R$ 12 milhões.

As partes envolvidas nos cinco processos arbitrais sobre a oferta pública obrigatória (OPA estatutária) também renunciam mutuamente às pretensões, mantendo a versão atual do estatuto social, aprovada em uma assembleia de novembro de 2024.

A pacificação chega em momento delicado para a incorporadora, em recuperação judicial desde 2022 com mais de R$ 1 bilhão em dívidas. 

Em fato relevante, a administração argumenta que o acordo “permitirá uma economia substancial de recursos financeiros e humanos” e criará “ambiente societário e institucional mais favorável” à retomada dos negócios.

Início da briga

A disputa começou em meados de 2024, quando os irmãos João Paulo e Renata Rossi Cuppoloni, herdeiros da família fundadora, acusaram Tini e veículos a ele relacionados, entre eles a Lagro Participações, de terem ultrapassado em conjunto a fatia de 25% do capital da companhia, patamar que aciona a poison pill prevista no estatuto e obrigaria à realização de uma OPA aos demais acionistas. 

Os Rossi também questionaram a independência de três conselheiros que, segundo eles, atuariam em favor de Tini, e pediram a destituição do trio.

A briga azedou. Renata Rossi foi destituída da diretoria em outubro de 2024. Em assembleia no mesmo mês, os acionistas rejeitaram a proposta de suspender os direitos políticos de Tini e da Lagro. 

Em dezembro, num movimento então inédito, a CAM-B3 chegou a suspender cautelarmente os direitos políticos de Tini e de quatro acionistas ligados a ele, decisão posteriormente revertida na esfera societária. O conselho ficou dividido entre dois representantes da família e três conselheiros associados ao investidor.

Tini, que comanda o Grupo Bonsucex, com participações em Alpargatas, GPA, Gerdau e Terra Santa, foi condenado pela CVM em processo de uso de informação privilegiada e está proibido por cinco anos de exercer cargo de administrador ou de conselheiro fiscal em companhias abertas.

O que falta

A homologação dos acordos depende de três condições: a manutenção da aprovação das contas de 2022 e 2023, a aprovação sem ressalvas das contas de 2024 e 2025 em assembleia, e o aval do conselho de administração ao acordo do artigo 159 em até dez dias. 

As ações ordinárias da Rossi (RSID3) acumulam queda relevante desde o estouro da crise, e a expectativa do mercado é de que o desfecho da assembleia defina se a construtora consegue, enfim, deslocar o foco de seu conselho do tribunal arbitral para o plano de recuperação.

A Rossi foi uma das primeiras incorporadoras brasileiras a abrir capital, em 1997, antes mesmo da onda de IPOs do setor, ocorrida entre 2006 e 2007, quando Cyrela, Gafisa, MRV, PDG e outras foram listadas. Foi também uma das mais castigadas pela crise do setor no início da década passada, o que a levou à recuperação judicial em 2022.

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Agora com sócio chinês, Patria reorganiza participação em usina bilionária no Rio

O Patria Investimentos está captando R$ 500 milhões em debêntures para reorganizar seu investimento na termelétrica Marlim Azul Energia, localizada no norte do Rio de Janeiro.

A operação envolve dois fundos da gestora: na ponta compradora, está o Patria Infra Core FIP, dono da holding Infraestrutura Brasil XVIII, criada em 2022 para gerir ativos maduros com fluxo de caixa previsível. Já do lado vendedor está o Patria Infraestrutura III, veículo montado há mais de uma década.

A transação trata apenas da compra de 50,1% das ações da Marlim, já que os outros 49,9% pertencem ao fundo chinês Claifund, que se tornou sócio do Patria em janeiro deste ano.

Caso a totalidade da captação de R$ 500 milhões seja alocada para a aquisição da Marlim Azul, isso indicaria um valor de mercado para o ativo de R$ 1 bilhão para a usina inteira, o equivalente à receita da termelétrica em 2024. 

O cálculo se refere ao valor do equity: a Marlim carrega ainda a dívida de projeto contraída na fase de construção, o que pode elevar o valor total do empreendimento.

O ativo 

A Marlim é uma termelétrica a gás natural de 565 MW, cerca de metade da capacidade de uma usina nuclear como Angra 1, localizada em Macaé. A usina, a primeira a utilizar gás-natural do pré-sal, arrematou um contrato de fornecimento de energia em 2019 e tem sua disponibilidade vendida até 2044.

Em janeiro, o fundo chinês China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund (Claifund) comprou a fatia de Shell e Mitsubishi Power no projeto. 

Além do investimento na usina termelétrica, o Claifund anunciou nesta semana que se tornou sócio do Patria no projeto de um data center do TikTok no Ceará, que deverá demandar R$ 200 bilhões de investimentos em dez anos.

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Agora com sócio chinês, Patria reorganiza participação em usina bilionária no Rio

O Patria Investimentos está captando R$ 500 milhões em debêntures para reorganizar seu investimento na termelétrica Marlim Azul Energia, localizada no norte do Rio de Janeiro.

A operação envolve dois fundos da gestora: na ponta compradora, está o Patria Infra Core FIP, dono da holding Infraestrutura Brasil XVIII, criada em 2022 para gerir ativos maduros com fluxo de caixa previsível. Já do lado vendedor está o Patria Infraestrutura III, veículo montado há mais de uma década.

A transação trata apenas da compra de 50,1% das ações da Marlim, já que os outros 49,9% pertencem ao fundo chinês Claifund, que se tornou sócio do Patria em janeiro deste ano.

Caso a totalidade da captação de R$ 500 milhões seja alocada para a aquisição da Marlim Azul, isso indicaria um valor de mercado para o ativo de R$ 1 bilhão para a usina inteira, o equivalente à receita da termelétrica em 2024. 

O cálculo se refere ao valor do equity: a Marlim carrega ainda a dívida de projeto contraída na fase de construção, o que pode elevar o valor total do empreendimento.

O ativo 

A Marlim é uma termelétrica a gás natural de 565 MW, cerca de metade da capacidade de uma usina nuclear como Angra 1, localizada em Macaé. A usina, a primeira a utilizar gás-natural do pré-sal, arrematou um contrato de fornecimento de energia em 2019 e tem sua disponibilidade vendida até 2044.

Em janeiro, o fundo chinês China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund (Claifund) comprou a fatia de Shell e Mitsubishi Power no projeto. 

Além do investimento na usina termelétrica, o Claifund anunciou nesta semana que se tornou sócio do Patria no projeto de um data center do TikTok no Ceará, que deverá demandar R$ 200 bilhões de investimentos em dez anos.

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Dona da Sadia, MBRF investe US$ 70 milhões para quadruplicar produção de hambúrguer no Uruguai

A MBRF, dona da Sadia e da Perdigão, anunciou nesta quinta-feira (23) um investimento de US$ 70 milhões (cerca de R$ 350 milhões na cotação atual) para a ampliação de uma fábrica em Tacuarembó, no norte do Uruguai.

O aporte vai quadruplicar a capacidade de produção de hambúrgueres da unidade e consolida o país como mais um polo da operação internacional da companhia. Com a obra, a produção de hambúrguer vai chegar a 500 mil por dia. Vale lembrar que a MBRF, por meio da Marfrig, é uma das fornecedoras do McDonald’s.

A capacidade de abate cresce de 900 para 1.400 animais diários, tornando Tacuarembó o maior complexo de abate de bovinos do Uruguai. A ampliação deve criar 570 postos de trabalho diretos, elevando o quadro total da unidade para cerca de 2.270 funcionários.

O anúncio foi feito em cerimônia com a presença do presidente uruguaio, Yamandú Orsi, ao lado de Marcos Molina, chairman da MBRF, Miguel Gularte, CEO da companhia, e Marcelo Secco, CEO da operação uruguaia.

Movimento internacional

A MBRF opera no Uruguai desde 2006, quando a então Marfrig iniciou ali a internacionalização de sua plataforma de bovinos na América do Sul.

A companhia responde hoje por cerca de 30% das exportações de carne bovina do país, com embarques para Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul e União Europeia. A marca Sadia tem participação de aproximadamente 70% no mercado uruguaio de industrializados.

No Oriente Médio, a MBRF também acelerou movimentos nas últimas semanas.

Há duas semanas, a companhia fechou parceria de R$ 1,3 bilhão com a Halal Products Development Company, subsidiária do fundo soberano saudita PIF, para tirar do papel a Sadia Halal, joint venture avaliada em US$ 2,07 bilhões que agora mira um IPO. Dias depois, ampliou com a Salic, também do PIF, o fornecimento de frango e bovinos à Arábia Saudita.

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Petrobras e IG4 correm para eleger nova gestão da Braskem neste mês; Helcio Tokeshi será o CEO

A IG4 e a Petrobras, os co-controladores da Braskem, começam a desenhar a nova diretoria da empresa após a troca de controle estar praticamente fechada.

O plano é que um novo conselho e uma nova diretoria sejam eleitos já na próxima assembleia de acionistas, que ocorre na quarta-feira da semana que vem, dia 29, apurou o InvestNews.

A tendência é que os cargos de CEO e CFO sejam ocupados por profissionais ligados à gestora, enquanto as diretorias de operação e comercial venham de indicações da estatal.

A presidência do conselho, por sua vez, deverá ser indicada pela Petrobras. Um dos nomes ventilados para presidir o board é o da atual CEO Magda Chambriard.

Novo CEO

O InvestNews apurou que o novo CEO da Braskem será Helcio Tokeshi, sócio da IG4 que comandou entre 2019 e fevereiro deste ano a CLI, braço de logística portuária da gestora fundada por Paulo Mattos.

Economista de formação, Tokeshi foi secretário da Fazenda de São Paulo entre 2016 e 2018, passou pelo Banco Mundial e esteve na Secretaria de Acompanhamento Econômico no primeiro governo Lula.

A diretoria financeira deverá ficar com Carlos Brandão, que comandou a Iguá Saneamento de julho de 2020 até agosto de 2023. Brandão também foi CFO da Oi entre 2017 e 2019, participando de uma das maiores recuperações judiciais da história corporativa brasileira.

Mais cedo, a IG4 informou que estava recrutando “profissionais altamente experientes na condução de processos de reestruturação (turnarounds) de empresas líderes em seus segmentos de atuação, incluindo nos setores de logística e de água e esgotamento sanitário”.

Standstill a caminho

A missão de Brandão será lidar com o alto endividamento da petroquímica. A dívida líquida da Braskem encerrou 2025 em US$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões). Em termos brutos, o endividamento corporativo soma US$ 9,4 bilhões, perto de R$ 50 bilhões.

Diante da dificuldade em honrar seus compromissos nos próximos meses, a tendência é que a Braskem peça proteção contra credores em breve, como revelou o InvestNews.

A previsão é que a nova diretoria tome posse no fim de abril e já apresente um plano de reestruturação da companhia. Até lá, são poucas as chances de qualquer acordo ou pedido de proteção contra os credores.

A ideia é que, efetividada a troca de diretoria, esteja amarrado também um acordo para a suspensão do pagamento de dívidas (“standstill“) com a maioria dos credores, o que abre caminho para uma recuperação extrajudicial nos moldes da Raízen. Uma recuperação judicial ainda não está totalmente descartada.

“O que queremos deixar claro para os credores é que nenhum credor vai levar a Braskem. Nem aqui no Brasil e nem no México”, diz ao InvestNews uma fonte próxima à companhia, lembrando da crise de endividamento da Braskem Idesa, em que o empresário Carlos Slim, sócio da Braskem na subsidiária, tornou-se também seu principal credor.

Procurada pelo InvestNews, a IG4 não comentou.

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Justiça de SP proíbe Casino de vender participação no GPA em disputa de R$ 2,6 bilhões

O GPA, varejista dona das redes Pão de Açúcar e Extra, conseguiu nesta segunda-feira (20) uma decisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo que proíbe o Casino de vender suas ações no grupo.

O grupo francês, que foi controlador do GPA até março de 2024, também não poderá finalizar operações de venda que estivessem em andamento, com interrupção da liquidação financeira dessas operações na bolsa antes que sejam concretizadas.

A decisão foi proferida dentro de um pedido de reconhecimento de processo estrangeiro apresentado pelo próprio Casino, que buscava homologar no Brasil uma autorização obtida em sua recuperação judicial na França para vender as ações do GPA. A varejista brasileira se antecipou e, dentro desse mesmo processo, obteve a cautelar que bloqueou a saída.

O episódio marca uma escalada significativa na briga entre as duas empresas.

Até a semana passada, a disputa corria exclusivamente na esfera arbitral, na CCI, onde o GPA busca responsabilizar o Casino pela disputa tributária de R$ 2,55 bilhões com a Receita Federal, decorrente de deduções de ágio no imposto de renda entre 2007 e 2013. O pedido de bloqueio das ações havia sido negado nesta instância.

Agora, o conflito ganha um segundo front na Justiça comum brasileira. A decisão da vara de falências de São Paulo é, por natureza, provisória e pode ser contestada pelo Casino. Mas, enquanto vigorar, impede qualquer movimentação das cerca de 110 milhões de ações que o grupo francês detém na varejista, hoje avaliadas em aproximadamente R$ 240 milhões.

Um detalhe no documento enviado pelo GPA chama a atenção: existe uma indicação de que o Casino havia começado a vender ações após a decisão do tribunal arbitral, em 13 de abril, que o havia liberado para negociar livremente. O GPA, antecipando o esvaziamento da posição, correu à Justiça local para travar a saída.

O juiz reconheceu dois fundamentos para conceder a medida: a probabilidade do direito alegado pelo GPA e o risco de que a alienação das ações esvaziasse o patrimônio do Casino no Brasil, comprometendo eventuais obrigações futuras.

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Braskem encaminha novo controlador: gestora IG4 assina contrato para assumir a petroquímica

A gestora IG4 assinou o contrato com a Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações do grupo na Braskem e passará a ser a controladora da maior petroquímica do país. O negócio havia sido anunciado em dezembro de 2025, mas o contrato de compra e venda foi formalizado somente na última sexta-feira (17).

O negócio, comunicado ao mercado nesta segunda-feira (20), transfere 50,11% do capital votante e 34,32% do capital total da Braskem para a IG4, uma gestora especializada em reestruturação tocada pelo investidor Paulo Mattos.

A Petrobras permanece como sócia relevante da Braskem, na condição de co-controladora. Com o fechamento, um novo acordo de acionistas entre a estatal e a IG4 entrará em vigor, com controle compartilhado: deliberações no conselho e na assembleia exigirão consenso entre as partes, que indicarão número igual de membros para o conselho de administração e a diretoria estatutária.

A IG4 informou ter recrutado profissionais com experiência em turnarounds nos setores de logística e saneamento para assumir posições de gestão na Braskem, sem revelar os nomes. O objetivo declarado é conduzir, junto com a Petrobras, uma reestruturação financeira e operacional da companhia.

A gestora assumirá em um momento decisivo. Com cerca de US$ 100 milhões em juros para pagar no meio do ano, a Braskem discute uma recuperação extrajudicial com seus credores.

Com prazo apertado, a tendência é que a petroquímica peça proteção judicial para evitar uma avalanche de execução de dívidas, como mostrou o InvestNews. “Um novo plano de reestruturação da Braskem será apresentado pela nova Diretoria Executiva tão logo assuma suas funções”, declarou a IG4, em nota.

Estrutura do negócio

A transação entre IG4 e Novonor não haverá pagamento em dinheiro: em troca das ações, a IG4 entregará à NSP Investimentos, subsidiária da Novonor que detém os papéis da Braskem, debêntures da própria NSP, na proporção de três títulos por ação adquirida (dois da primeira série e um da segunda, tickers OSPI12 e OSPI22), dando como quitada essas emissões de dívida.

Em nota, a Novonor afirmou que a Braskem foi fruto de um ciclo de décadas de investimento do grupo no setor petroquímico e que tem “orgulho em ter contribuído com um ativo de tamanha importância estratégica para o país”.

A estrutura tem raízes em dezembro de 2025, quando o FIDC Shine, da IG4, comprou dos bancos credores da Novonor os créditos garantidos pelas próprias ações da Braskem. O que se consuma agora é, na prática, a conversão de uma garantia em controle societário — uma execução judicial estruturada que contorna a necessidade de desembolso imediato.

Apesar de o negócio já ter obtido aprovação das autoridades antitruste do Brasil, México, Estados Unidos e União Europeia, ainda há condições que podem cancelá-lo.

Será necessária autorização judicial e a Petrobras comunicar que não irá exercer seu direito de preferência e tag along previstos no acordo de acionistas vigente.

Por força da legislação societária, o comprador deverá protocolar junto à CVM pedido de OPA para adquirir a totalidade das ações em circulação da Braskem, nas mesmas condições da transação. Se a CVM negar o registro, o contrato se desfaz — condição resolutiva expressa no acordo.

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A JBS sobreviveu ao ciclo do boi em 2025. O teste de 2026 promete ser mais duro

A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.

Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.

Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.

A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.

O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.

O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.

Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.

Greve no radar

Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.

A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)

A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.

O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.

Boi mais caro no Brasil

Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.

Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul
Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)

A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.

Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.

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A JBS sobreviveu ao ciclo do boi em 2025. O teste de 2026 promete ser mais duro

A JBS fechou 2025 com a maior receita de sua história, US$ 86 bilhões, e lucro líquido de US$ 2 bilhões. Mas o tom dos executivos que comandam a maior empresa de carnes do mundo foi menos de celebração e mais de preparo para o que vem pela frente.

Wesley Batista Filho, executivo da terceira geração da família e CEO da JBS USA, foi direto na teleconferência de resultados de 2025 da empresa: o início do primeiro trimestre de 2026 tem sido provavelmente o mais difícil que a indústria viveu em muito tempo.

Nos meses de janeiro e fevereiro, segundo Batista Filho, a diferença entre o custo do gado e o preço da carne no atacado chegou a ficar negativo, algo que ele sugeriu ser inédito na história do setor. Março está melhorando, disse, mas com ressalvas.

A declaração coloca em perspectiva o resultado do quarto trimestre, que acabou surpreendendo o mercado. A Beef North America, operação de carne bovina nos EUA que responde por cerca de um terço da receita do grupo, registrou resultado operacional (Ebitda) de US$ 56 milhões no período, uma queda de quase 50% em relação ao ano anterior, mas bem acima do que analistas esperavam.

O CEO da JBS USA explicou que a volatilidade nos preços de gado e carne, acentuada pela escassez de animais, permitiu à empresa conseguir atuar pontualmente no mercado para conseguir melhores preços e, assim, garantir um pouco mais de margem.

O BTG Pactual classificou a operação norte-americana da JBS como a principal surpresa positiva do último trimestre de 2025, o que ajuda a explicar o otimismo do mercado com as ações da empresa, que chegaram a subir mais de 9% no pregão desta quinta-feira (26) na Bolsa de Nova York. O anúncio de US$ 1 por ação em dividendos também ajudou no otimismo.

Por outro lado, o banco reconheceu que o cenário para a disponibilidade de gado segue desafiador. No acumulado de 2025, a unidade registrou prejuízo operacional ajustado de US$ 617 milhões, contra US$ 37 milhões negativos no ano anterior.

Greve no radar

Enquanto o mercado comemorava os números, a JBS lida com a maior greve em uma planta de carne bovina dos Estados Unidos em décadas. Cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, pararam em 16 de março após o sindicato local rejeitar o acordo nacional fechado pela empresa com outras 14 unidades do mesmo sindicato.

A planta de Greeley pode abater cerca de 6 mil cabeças de gado por dia e representa aproximadamente 5% da capacidade de processamento de carne bovina do país, sendo uma das principais plantas da operação dos EUA.

Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA
Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA (Seeger Gray/WSJ)

A JBS sustenta que a proposta feita aos trabalhadores é justa e inclui um plano de previdência inédito no setor em décadas, mas Batista Filho não quis prever quando pode chegar a um acordo com os grevistas.

O executivo acrescentou que a fábrica está operando em turno parcial com funcionários que cruzaram a linha de piquete, e que a empresa está redirecionando entregas de gado para outras unidades, como Grand Island, no Nebraska, e Cactus, no Texas, que já operavam abaixo da capacidade por conta da própria escassez de gado.

Boi mais caro no Brasil

Se nos Estados Unidos o cenário é de escassez consolidada, no Brasil essa virada do ciclo pecuário está apenas começando. Os pecuaristas brasileiros passaram a reter fêmeas para reconstruir rebanhos, o que significa menos animais disponíveis para abate e custos crescentes para os frigoríficos.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, reconheceu a mudança, mas argumentou que o Brasil é estruturalmente diferente dos Estados Unidos nesse aspecto. A razão, segundo ele, é que a pecuária brasileira vive um processo de modernização acelerada, apostando que a produtividade do pecuarista pode atenuar o ciclo negativo.

Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul
Presidente Lula em visita a uma fábrica da JBS em Mato Grosso do Sul (Ricardo Stuckert/PR)

A Friboi, braço de carne bovina da JBS no Brasil, registrou o maior volume de abate da história em 2025, com cerca de 42 milhões de cabeças processadas no país. Para 2026, Tomazoni disse esperar resultados da operação brasileira de carne bovina em linha com os de 2025.

Parte da confiança se apoia na expectativa de que as cotas de importação impostas pela China a diversos países se esgotem antes do fim do ano, aliviando os preços do gado no segundo semestre.

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Iguá evita corrida por Copasa e IPO e diz que vai crescer com o que já tem

O saneamento talvez seja hoje o ativo de infraestrutura essencial mais atrasado do país, quando comparado à energia elétrica e ao transporte público. Não por acaso, o setor tem sido um dos principais motores de investimento da economia brasileira, exigindo algumas algumas centenas de bilhões de reais para levar água e esgoto encanado para locais onde isso não é realidade.

Com uma necessidade de capital cada vez maior, as maiores operadoras privadas se movimentam. A Aegea, líder do setor, e a BRK Ambiental preparam aberturas de capital que podem movimentar bilhões na B3 depois de quase cinco anos sem IPOs.

O objetivo da dupla é ter fôlego financeiro para encarar uma bateria de leilões nos próximos anos que vão demandar pelo menos R$ 80 bilhões em investimentos. Mesmo assim, a Iguá Saneamento, terceira maior operadora privada do país, observa tudo isso com uma distância deliberadamente calculada.

“A gente não precisa de novos leilões para o crescimento da companhia”, disse o CFO João Luiz Guillaumon Lopes, em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (25). “A companhia tem um crescimento orgânico contratado muito grande. Rio é uma operação recente ainda, Sergipe tem tudo para acontecer. São operações onde a gente vê uma criação de valor muito forte.”

O momento da Iguá, prossegue o executivo, é diferente do de suas concorrentes. Tanto que, mesmo com uma chance de reabertura de IPOs, a empresa não está engajada numa tentativa e não vem participando de grandes leilões, como o de Pernambuco, ocorrido em dezembro, que foi um dos principais certames do setor em 2025.

Tampouco demonstra apetite pela privatização da Copasa, tida como o principal leilão de 2026. O CFO explicou que o modelo da estatal mineira não permite integração plena com o portfólio existente e que o serviço de saneamento de Sergipe, incorporado em maio do ano passado após exigir um grande desembolso em 2024, exige toda a atenção da empresa.

O argumento é que, com os ativos atuais, a companhia já projeta crescimento de dois dígitos ao ano, o suficiente para crescer sem conquistar um único contrato novo. “Daqui a três, quatro anos eu dobrei o tamanho da companhia, só com as operações que eu já tenho”, afirmou o CEO René Silva.

Crescimento em 2025

E os números de 2025 sustentam o argumento dos executivos. No ano passado, a Iguá atingiu receita líquida ajustada de R$ 2,7 bilhões, alta de 42,5% em relação ao ano anterior, puxada principalmente pela entrada da operação de Sergipe a partir do segundo trimestre. 

O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 1,16 bilhão, com margem de 42,7%, e os investimentos totais chegaram a R$ 828 milhões, crescimento de 28%. A Iguá encerrou 2025 com 2,38 milhões de economias de água e esgoto, a métrica que o setor usa para contar cada ligação ativa no sistema, alta de 75,4% puxada pela entrada de Sergipe.

René Silva, CEO da Iguá Saneamento
René Silva, CEO da Iguá Saneamento (Divulgação)

Praticamente todo esse avanço veio de dentro de casa. A operação do Rio de Janeiro, que responde por 45% da receita, totalizou R$ 1,4 bilhão no acumulado de 2025, com margem Ebitda de 53,5% no quarto trimestre.

Enquanto isso, Sergipe, que passou a segunda maior operação, já contribuiu com R$ 583 milhões em receita. As duas concessões, somadas a Cuiabá, a mais antiga da Iguá, representam quase 90% do faturamento anual da empresa.

A concentração é reforçada por um processo ativo de venda de ativos que a companhia realizou nos últimos anos. A Iguá vendeu nove operações menores e anunciou a negociação de mais três (Andradina, Castilho e Sanessol, todas em São Paulo) para a Sabesp, outra interessada na Copasa, em processo de fechamento. 

Quando olhar novamente para novas concessões, os critérios serão mais seletivos: municípios com mais de 200 mil habitantes e proximidade geográfica do que já opera. “A gente quer concessões maiores e que tenham sinergia com o que a gente já tem”, diz Silva. Atualmente, a Iguá possui 10 operações em seis estados brasileiros e 121 municípios, com cerca de 6 milhões de pessoas atendidas.

Casa pronta

A Iguá é, tecnicamente, uma empresa listada. Integrava o Bovespa Mais, o antigo segmento de acesso à bolsa, e na semana passada migrou para o segmento principal após a B3 extinguir a categoria. 

Só que 100% das ações pertencem a seus três únicos acionistas: os fundos de pensão canadenses CPP Investments e AIMCo, que são seus controladores, e o BNDESPar. “A Iguá é a plataforma exclusiva dos nossos controladores para investimento no saneamento do Brasil. Eles são muito seletivos”, diz René Silva.

Desde 2018, os três investidores já aportaram mais de R$ 5 bilhões na companhia. O CFO reforça que o trio é composto por investidores institucionais em fase de acumulação, com horizonte de décadas e sem pressão por saída. “Eles têm uma visão de longuíssimo prazo e um bolso fundo”, prossegue Lopes.

A diretoria afirma que, em termos de estrutura de capital, a Iguá não precisa de um IPO para sustentar as operações atuais, mas também não pretende ignorar a conjuntura caso ela se torne favorável para novas listagens, o que não ocorre desde dezembro de 2021. 

“No Brasil, como você tem janelas muito marcadas, não dá para esperar o projeto ideal e depois ir para o mercado. O mais importante seria ter uma janela adequada”, diz o CFO.

João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento
João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento (Divulgação)

A alavancagem de 10,4 vezes dívida líquida sobre Ebitda ao fim de 2025 pode soar elevada para os padrões de empresas maduras do setor, que costumam operar entre 2 e 3 vezes. Mas a Iguá argumenta que a estrutura é inteiramente composta por financiamentos de projeto com prazo superior a 20 anos, sem necessidade de rolagem. 

O índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se o caixa gerado é suficiente para honrar os pagamentos, se mantém acima de 1,2 vez, o que significa que a empresa gera 20% mais de caixa do que precisa para cobrir suas obrigações. 

A Iguá prevê refinanciar as captações restantes até 2029 em condições compatíveis com o prazo das concessões. “Para o Rio de Janeiro, eu não vou mais ao mercado. Vou só operar bem, gerar caixa e ir pagando”, resume Lopes.

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Iguá evita corrida por Copasa e IPO e diz que vai crescer com o que já tem

O saneamento talvez seja hoje o ativo de infraestrutura essencial mais atrasado do país, quando comparado à energia elétrica e ao transporte público. Não por acaso, o setor tem sido um dos principais motores de investimento da economia brasileira, exigindo algumas algumas centenas de bilhões de reais para levar água e esgoto encanado para locais onde isso não é realidade.

Com uma necessidade de capital cada vez maior, as maiores operadoras privadas se movimentam. A Aegea, líder do setor, e a BRK Ambiental preparam aberturas de capital que podem movimentar bilhões na B3 depois de quase cinco anos sem IPOs.

O objetivo da dupla é ter fôlego financeiro para encarar uma bateria de leilões nos próximos anos que vão demandar pelo menos R$ 80 bilhões em investimentos. Mesmo assim, a Iguá Saneamento, terceira maior operadora privada do país, observa tudo isso com uma distância deliberadamente calculada.

“A gente não precisa de novos leilões para o crescimento da companhia”, disse o CFO João Luiz Guillaumon Lopes, em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (25). “A companhia tem um crescimento orgânico contratado muito grande. Rio é uma operação recente ainda, Sergipe tem tudo para acontecer. São operações onde a gente vê uma criação de valor muito forte.”

O momento da Iguá, prossegue o executivo, é diferente do de suas concorrentes. Tanto que, mesmo com uma chance de reabertura de IPOs, a empresa não está engajada numa tentativa e não vem participando de grandes leilões, como o de Pernambuco, ocorrido em dezembro, que foi um dos principais certames do setor em 2025.

Tampouco demonstra apetite pela privatização da Copasa, tida como o principal leilão de 2026. O CFO explicou que o modelo da estatal mineira não permite integração plena com o portfólio existente e que o serviço de saneamento de Sergipe, incorporado em maio do ano passado após exigir um grande desembolso em 2024, exige toda a atenção da empresa.

O argumento é que, com os ativos atuais, a companhia já projeta crescimento de dois dígitos ao ano, o suficiente para crescer sem conquistar um único contrato novo. “Daqui a três, quatro anos eu dobrei o tamanho da companhia, só com as operações que eu já tenho”, afirmou o CEO René Silva.

Crescimento em 2025

E os números de 2025 sustentam o argumento dos executivos. No ano passado, a Iguá atingiu receita líquida ajustada de R$ 2,7 bilhões, alta de 42,5% em relação ao ano anterior, puxada principalmente pela entrada da operação de Sergipe a partir do segundo trimestre. 

O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 1,16 bilhão, com margem de 42,7%, e os investimentos totais chegaram a R$ 828 milhões, crescimento de 28%. A Iguá encerrou 2025 com 2,38 milhões de economias de água e esgoto, a métrica que o setor usa para contar cada ligação ativa no sistema, alta de 75,4% puxada pela entrada de Sergipe.

René Silva, CEO da Iguá Saneamento
René Silva, CEO da Iguá Saneamento (Divulgação)

Praticamente todo esse avanço veio de dentro de casa. A operação do Rio de Janeiro, que responde por 45% da receita, totalizou R$ 1,4 bilhão no acumulado de 2025, com margem Ebitda de 53,5% no quarto trimestre.

Enquanto isso, Sergipe, que passou a segunda maior operação, já contribuiu com R$ 583 milhões em receita. As duas concessões, somadas a Cuiabá, a mais antiga da Iguá, representam quase 90% do faturamento anual da empresa.

A concentração é reforçada por um processo ativo de venda de ativos que a companhia realizou nos últimos anos. A Iguá vendeu nove operações menores e anunciou a negociação de mais três (Andradina, Castilho e Sanessol, todas em São Paulo) para a Sabesp, outra interessada na Copasa, em processo de fechamento. 

Quando olhar novamente para novas concessões, os critérios serão mais seletivos: municípios com mais de 200 mil habitantes e proximidade geográfica do que já opera. “A gente quer concessões maiores e que tenham sinergia com o que a gente já tem”, diz Silva. Atualmente, a Iguá possui 10 operações em seis estados brasileiros e 121 municípios, com cerca de 6 milhões de pessoas atendidas.

Casa pronta

A Iguá é, tecnicamente, uma empresa listada. Integrava o Bovespa Mais, o antigo segmento de acesso à bolsa, e na semana passada migrou para o segmento principal após a B3 extinguir a categoria. 

Só que 100% das ações pertencem a seus três únicos acionistas: os fundos de pensão canadenses CPP Investments e AIMCo, que são seus controladores, e o BNDESPar. “A Iguá é a plataforma exclusiva dos nossos controladores para investimento no saneamento do Brasil. Eles são muito seletivos”, diz René Silva.

Desde 2018, os três investidores já aportaram mais de R$ 5 bilhões na companhia. O CFO reforça que o trio é composto por investidores institucionais em fase de acumulação, com horizonte de décadas e sem pressão por saída. “Eles têm uma visão de longuíssimo prazo e um bolso fundo”, prossegue Lopes.

A diretoria afirma que, em termos de estrutura de capital, a Iguá não precisa de um IPO para sustentar as operações atuais, mas também não pretende ignorar a conjuntura caso ela se torne favorável para novas listagens, o que não ocorre desde dezembro de 2021. 

“No Brasil, como você tem janelas muito marcadas, não dá para esperar o projeto ideal e depois ir para o mercado. O mais importante seria ter uma janela adequada”, diz o CFO.

João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento
João Luiz Guillaumon Lopes, CFO da Iguá Saneamento (Divulgação)

A alavancagem de 10,4 vezes dívida líquida sobre Ebitda ao fim de 2025 pode soar elevada para os padrões de empresas maduras do setor, que costumam operar entre 2 e 3 vezes. Mas a Iguá argumenta que a estrutura é inteiramente composta por financiamentos de projeto com prazo superior a 20 anos, sem necessidade de rolagem. 

O índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se o caixa gerado é suficiente para honrar os pagamentos, se mantém acima de 1,2 vez, o que significa que a empresa gera 20% mais de caixa do que precisa para cobrir suas obrigações. 

A Iguá prevê refinanciar as captações restantes até 2029 em condições compatíveis com o prazo das concessões. “Para o Rio de Janeiro, eu não vou mais ao mercado. Vou só operar bem, gerar caixa e ir pagando”, resume Lopes.

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JBS bate recorde de receita, mas escassez de gado nos EUA aperta margens

A JBS fechou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita, mas voltou a sentir pressão nas margens, em um cenário ainda desafiador para a operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa da família Batista e que enfrenta escassez na oferta de gado pronto para o abate.

Entre outubro e dezembro, a companhia registrou vendas de US$ 23,1 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional (Ebitda) ajustado recuou 7%, refletindo o aumento dos custos ao longo da cadeia.

Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado, que sobem mais rápido do que o valor da carne vendida. Na prática, a conta não fecha: a margem dos frigoríficos encolhe mesmo com demanda ainda firme.

Esse movimento ajuda a explicar o resultado misto. Ainda assim, no consolidado de 2025, a JBS registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 15%.

Apesar do crescimento de dois dígitos na primeira e na última linha do balanço, a rentabilidade perdeu força. O Ebitda ajustado caiu 5% no ano, indicando compressão de margens – uma cortesia do (pouco) gado americano. Outro problema recente vivido pela JBS nos Estados Unidos é a greve na principal planta da empresa no país, em Greeley, no Colorado.

Mas nem todas as operações seguiram essa dinâmica. 

Unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália ajudaram a sustentar o resultado, com avanço em produtos de maior valor agregado, ganho de eficiência e expansão em mercados internacionais.

No Brasil, a operação também cresceu com força, com alta de 26% na receita no trimestre e recorde de volumes de abate, impulsionada pela demanda externa e preços mais altos. Ainda assim, a alta no custo do gado no país também limitou os ganhos de margem no período.

Mesmo com a pressão operacional, a companhia manteve a estrutura financeira sob controle. A alavancagem encerrou o ano em 2,4 vezes dívida líquida pelo Ebitda, dentro da faixa alvo, enquanto o retorno sobre o patrimônio ficou em torno de 25%.

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JBS bate recorde de receita, mas escassez de gado nos EUA aperta margens

A JBS fechou o quarto trimestre de 2025 com crescimento de receita, mas voltou a sentir pressão nas margens, em um cenário ainda desafiador para a operação de bovinos nos Estados Unidos, o principal mercado da empresa da família Batista e que enfrenta escassez na oferta de gado pronto para o abate.

Entre outubro e dezembro, a companhia registrou vendas de US$ 23,1 bilhões, alta de 15% na comparação anual. O lucro líquido ficou praticamente estável, em US$ 415 milhões, enquanto o resultado operacional (Ebitda) ajustado recuou 7%, refletindo o aumento dos custos ao longo da cadeia.

Com o rebanho americano no menor nível em mais de sete décadas, a oferta restrita de animais continua sustentando preços elevados do gado, que sobem mais rápido do que o valor da carne vendida. Na prática, a conta não fecha: a margem dos frigoríficos encolhe mesmo com demanda ainda firme.

Esse movimento ajuda a explicar o resultado misto. Ainda assim, no consolidado de 2025, a JBS registrou receita recorde de US$ 86,2 bilhões, avanço de 12% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 2 bilhões, alta de 15%.

Apesar do crescimento de dois dígitos na primeira e na última linha do balanço, a rentabilidade perdeu força. O Ebitda ajustado caiu 5% no ano, indicando compressão de margens – uma cortesia do (pouco) gado americano. Outro problema recente vivido pela JBS nos Estados Unidos é a greve na principal planta da empresa no país, em Greeley, no Colorado.

Mas nem todas as operações seguiram essa dinâmica. 

Unidades como Pilgrim’s Pride, Seara e JBS Austrália ajudaram a sustentar o resultado, com avanço em produtos de maior valor agregado, ganho de eficiência e expansão em mercados internacionais.

No Brasil, a operação também cresceu com força, com alta de 26% na receita no trimestre e recorde de volumes de abate, impulsionada pela demanda externa e preços mais altos. Ainda assim, a alta no custo do gado no país também limitou os ganhos de margem no período.

Mesmo com a pressão operacional, a companhia manteve a estrutura financeira sob controle. A alavancagem encerrou o ano em 2,4 vezes dívida líquida pelo Ebitda, dentro da faixa alvo, enquanto o retorno sobre o patrimônio ficou em torno de 25%.

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Localiza e Movida ditam o avanço de marcas chinesas no Brasil. E não há pressa

As locadoras de veículos compraram um em cada quatro carros novos vendidos no Brasil em 2025, num mercado que movimentou R$ 79,3 bilhões só em aquisições, segundo dados da associação que representa o setor, a Abla. Com cifras desse porte, transformar empresas como Localiza e Movida em fiéis clientes tornou-se essencial para qualquer montadora que deseja crescer no país.

É uma lógica de negócios que se aplica sobretudo para as chinesas, como BYD, GWM e Geely, que despejaram bilhões de reais em fábricas, marketing e contratações – e que agora precisam de quem absorva o que são capazes de produzir.

Em um ambiente em que o número de marcas no Brasil só cresce, a necessidade de vender conferiu às locadoras um poder de barganha ainda maior do que o habitual.

“Somos procurados por todas elas”, diz Gustavo Moscatelli, CEO da Movida, em conversa com o InvestNews, em referência às montadoras chinesas. “Mas somos bem cuidadosos com a qualidade do carro e a aceitação do cliente, e não só com a condição comercial.”

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São compras que exigem muito, prossegue o executivo: quando se compra 2 mil, 5 mil, 10 mil carros de uma vez, o preço de aquisição é apenas o começo da conta. O que importa também é quanto esse carro vai valer na hora de revendê-lo. E, para veículos elétricos, essa resposta ainda não existe.

“No elétrico, temos um olhar bastante conservador, porque ainda existe uma incerteza muito grande no valor residual”, afirma Moscatelli. Por ora, a Movida não tem pretensão de ampliar a sua frota de cerca de mil veículos híbridos, majoritariamente da GWM, e segue sem carros elétricos puros.

A Localiza, por sua vez, maior player do segmento, acertou em fevereiro um acordo inédito com a BYD para adquirir até 10 mil veículos ao longo de dois anos, no maior contrato de uma locadora brasileira com uma montadora chinesa.

O CEO Bruno Lasansky, ao explicar para analistas o que motivou o acordo, deixou claro que é uma decisão menos sobre os carros e mais sobre relacionamento. Segundo ele, a empresa levou meses testando veículos e negociando condições, com o objetivo de demonstrar aos novos fabricantes no país a importância da Localiza para o setor.

Em relatório publicado no mês passado, os analistas Daniel Gasparete, Gabriel Rezende e Pedro Tineo, do Itaú BBA, observaram que, embora irrelevante para os resultados de curto prazo das duas empresas, o negócio sinaliza que “elos da cadeia antes vistos como antagônicos agora trabalham para gerar valor para ambos os lados”.

Construindo demanda

O fundador e presidente global da BYD, Wang Chuanfu, veio ao Brasil em outubro do ano passado para inaugurar o maior complexo industrial da montadora fora da Ásia, em Camaçari, na Bahia.

A fábrica, erguida sobre o que foi um dia a planta da americana Ford, recebeu R$ 5,5 bilhões em investimentos e nasceu com capacidade para produzir 150 mil veículos por ano, com ambição de chegar a 600 mil no futuro.

Só que a capacidade instalada não se justifica sozinha. A gigante chinesa tem movido seus ponteiros para garantir pedidos que mantenham a planta em funcionamento: neste mês, anunciou encomendas de exportação de 100 mil unidades para Argentina e México, todas saindo de Camaçari.

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No mercado doméstico, o caminho é mais estreito. O investimento médio por veículo adquirido pelas locadoras atingiu R$ 126 mil em 2025, uma alta de 19%, ainda de acordo com a Abla.

Carros mais caros, frota recorde de 1,7 milhão de automóveis e um ciclo de renovação cada vez mais curto fazem das locadoras o parceiro que nenhuma montadora pode ignorar.

O vice-presidente da operação brasileira da BYD, Alexandre Baldy, disse em entrevista ao InvestNews que as locadoras se tornaram uma via para “diluir os custos de seus vultosos aportes”.

Aposta controlada

Entre as duas principais locadoras do país, não há pressa em incorporar marcas como BYD, GWM e Geely ao portfólio, mas tampouco há intenção de ignorá-las. O movimento da Localiza atesta esse racional.

A maior locadora da América Latina encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões e 655,7 mil veículos na frota. Foi com esse poderio que a locadora da família Mattar negociou com a BYD.

Com uma frota desse tamanho, o volume encomendado de 10 mil da marca chinesa equivale a apenas uma fração, mas representa um sinal de abertura e que, se o teste for considerado bem sucedido, novos pedidos (mais numerosos) poderão vir.

A empresa concentrou o acordo em veículos híbridos, não em elétricos puros.

Lasansky contextualizou: o brasileiro já está mais familiarizado com esse modelo. No ano passado, as vendas de híbridos no Brasil cresceram 77%, enquanto os elétricos avançaram 33%. Para cada elétrico zero quilômetro vendido, cerca de 2,5 híbridos foram comercializados.

Na visão de Lasansky, os 100% elétricos se encaixam melhor em nichos de alta quilometragem, como motoristas de aplicativo e entregas de última milha – até a casa do consumidor.

O CFO da Localiza, Rodrigo Tavares, acrescentou que a chegada de novas montadoras asiáticas ao Brasil é, no médio prazo, positiva para as locadoras: mais fornecedores significam maior oferta, menor pressão sobre preços e depreciação mais previsível.

Sem pressa

Se a Localiza está testando o terreno, a Movida decidiu que ainda não é hora de pisar no acelerador do segmento de híbridos e elétricos.

A empresa, controlada pelo grupo Simpar, fechou 2025 com 275 mil carros, crescimento anual de apenas 2,4%. A decisão foi deliberada: a companhia ainda carrega um endividamento elevado e não pretende ampliar significativamente a frota em 2026.

Com pouco mais de mil híbridos na frota, o CEO Gustavo Moscatelli não vislumbra um aumento expressivo nem um acordo nos moldes do fechado entre BYD e Localiza.

Para o executivo, o híbrido “é uma realidade de curto prazo”, com boa aceitação do público e valor de revenda já conhecido, “muito parecido com um carro 100% a combustão”. 

No elétrico puro, a disparidade de preços no mercado de usados ainda é grande demais para justificar a tomada de risco em escala.

O que torna a posição da Movida confortável é que a empresa continua a extrair valor crescente de sua frota de veículos a combustão. No quarto trimestre, a empresa cresceu 12,3% em volume de diárias, com reajuste de preço de 6,6% na comparação anual. A Localiza, no mesmo intervalo, avançou 1,8% em volume e 6,3% no valor de diária média.

O resultado deixou a empresa confiante a ponto de divulgar guidance (projeção) para o lucro no primeiro trimestre entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, quase o dobro do consenso de mercado.

Aprendizado com os outros

A cautela das locadoras brasileiras encontra respaldo em um caso emblemático: o da Hertz, uma das maiores do mundo. Em outubro de 2021, a empresa americana anunciou a compra de 100 mil veículos elétricos da Tesla, em um investimento que à época parecia visionário.

Três anos depois, a aposta se revelou onerosa: ao longo de 2024, a Hertz revendeu 30 mil veículos elétricos e acumulou US$ 2,9 bilhões em prejuízo. Em 2025, registrou nova baixa de US$ 500 milhões relacionada aos chamados EVs, em sinal de risco elevado ao setor.

O que derrubou a Hertz não foi a falta de demanda mas outras dinâmicas de mercado.

Os cortes agressivos de preço da Tesla para defender seu market share perante o avanço da concorrência corroeram o valor de revenda da frota, enquanto os custos de manutenção se mostraram persistentemente mais altos do que o previsto.

A partir do aprendizado, a Hertz redirecionou a frota elétrica para transporte por aplicativo, em que o uso intensivo dilui melhor o custo do ativo.

Na teleconferência do quarto trimestre de 2025, o CEO Gil West descreveu a empresa como “provavelmente mais experiente do que qualquer um como operador de frota EV em escala”.

A frota da Tesla remanescente na Hertz passa por recondicionamento de interiores, em uma lógica que West comparou à reforma de aeronaves antigas: custo controlado e ganho relevante de longevidade.

Os novos números refletem a virada: a depreciação mensal por veículo caiu de US$ 592 para US$ 300, com a idade média da frota inferior a 10 meses

Essa combinação garantiu uma melhora do Ebitda ajustado (métrica de geração de caixa operacional) em mais de US$ 1 bilhão no ano, mas a recuperação não está completa. A Hertz ainda não gera caixa livre e esse é o desafio.

Trata-se de uma mensagem para as locadoras brasileiras de que a eletrificação não deve ser obrigatoriamente evitada, mas com o recado de que o custo de errar a dose pode comprometer anos de resultado.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

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Movida aumenta lucro em 2025 com frota estável e dívida sob controle

A Movida conseguiu fazer o que nem sempre é trivial em um setor sensível a preço como o de aluguel de veículos: aumentou tarifas e ainda ganhou participação de mercado. Em outra frente, a companhia começou a reduzir sua alavancagem, após o nível de endividamento ter gerado preocupações no mercado.

No quarto trimestre de 2025, a locadora da família Simões elevou o volume de diárias em mais de 12% na comparação anual, ao mesmo tempo em que reajustou os preços em 13,3% de um ano para o outro. A diária média ficou em R$ 158, segundo a companhia. Nas frotas, a média mensal subiu 14,3% entre 2024 e 2025 para cerca de R$ 3 mil.

A combinação de mais carros alugados com preços mais altos impulsionou a receita e ampliou as margens, levando o retorno sobre o capital (ROIC, em inglês) ao maior nível da história recente da empresa, de 16,6%, afirma o CEO Gustavo Moscatelli

Quando essas duas variáveis avançam juntas — volume e preço —, o impacto aparece diretamente no caixa, diz o executivo.No ano, a companhia registrou crescimento de receita e uma alta ainda maior no resultado operacional (Ebitda), além de atingir o maior retorno sobre o capital da sua história recente. 

Para o CEO da Movida, esse desempenho não é apenas reflexo de um mercado mais aquecido. “Não dá para dizer que foi uma circunstância de mercado porque os outros concorrentes não entregaram crescimentos nesses números”, diz Moscatelli, em conversa com o InvestNews.

Gustavo Moscatelli, CEO da Movida
Gustavo Moscatelli, CEO da Movida (Divulgação)

Segundo ele, enquanto concorrentes cresceram pouco no volume de locações, a Movida avançou bem acima disso, indicando ganho de participação de mercado – a companhia não divulga seu market share.

No quarto trimestre de 2025, a Movida registrou receita líquida de R$ 3,93 bilhões, crescimento de 12,7% em relação a igual período do ano anterior. Já o Ebitda cresceu 19,8% no mesmo comparativo, para R$ 1,49 bilhão e margem de 40,7%, aumento de 2,5 pontos percentuais.

O lucro líquido no trimestre foi de R$ 102,3 milhões, alta de 64,5%, enquanto o desempenho nos 12 meses foi de R$ 318,4 milhões, crescimento de 37,5% na comparação com 2024.

Para o primeiro trimestre deste ano, a empresa anunciou um guidance que projeta que o lucro líquido ficará entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, bem acima das estimativas do mercado.

Espaço para reajustes

A explicação para alugar mais – e mais caro –, segundo o executivo, passa por melhorias no serviço e maior disposição do cliente em pagar por uma experiência melhor.

Mesmo após o repasse recente de preços nas diárias, o CEO da Movida afirma que ainda existe “um espaço importante de reajuste”. Parte desse potencial, diz, vem de um uso mais eficiente de inteligência de mercado na formação de preços.

Moscatelli afirma que a companhia investiu em ferramentas mais sofisticadas de precificação, com uso de dados e modelos mais detalhados para definir o valor ideal de cada locação. Para o CEO, esse avanço abre espaço para novos reajustes mesmo após o ciclo recente de altas, sem necessariamente comprometer a demanda.

Na prática, o preço do aluguel varia de acordo com fatores como demanda, local, antecedência da reserva e duração da locação – uma lógica mais próxima da usada por companhias aéreas e redes de hotéis. “É saber qual é o preço certo para o carro naquele dia, com aquela antecedência e para aquele cliente”, afirma o executivo.

Alavancagem controlada

A Movida encerrou 2025 com melhora na estrutura de capital, sobretudo no tamanho do endividamento – uma preocupação que ocupou as atenções do mercado ao longo do último ano.

Moscatelli destaca que a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem, indicador que mede a relação entre dívida e geração de caixa, que caiu em um ano de 3,1 vezes o Ebitda para 2,6 vez. 

O resultado, prossegue o CEO, se deve à maior geração de caixa e a um capex controlado – a frota da empresa cresceu apenas 2,4% em 2025, para 275 mil carros. “Nós prometemos e direcionamos nossa geração de caixa para reduzir o endividamento”, diz o CEO.

As obrigações financeira para 2026 estão praticamente resolvidas após algumas emissões de dívidas feitas pela companhia ao longo do segundo semestre.

O processo de gestão do passivo deve ganhar reforço com a entrada de até R$ 750 milhões no caixa da Movida, em um aumento de capital promovido pela sua controladora, a Simpar, em parceria com o BNDES, na qual cada um irá colocar R$ 375 milhões na companhia, como parte de uma operação mais ampla de até R$ 3,35 bilhões envolvendo a holding e outras subsidiárias. 

O CEO da Movida afirma que os recursos devem ser usados principalmente para o chamado liability management, ou seja, a reorganização e o alongamento das dívidas.

Por outro lado, as despesas financeiras – basicamente o custo da dívida – cresceram 22,3% na comparação anual, chegando a R$ 3,2 bilhões. Isso significa que, embora a empresa esteja ganhando mais com sua operação, uma parte relevante desse ganho ainda é consumida pelo pagamento de juros.

A Movida encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 15,5 bilhões, aumento de 5,5% em relação ao ano anterior, enquanto a dívida bruta chegou a R$ 18,1 bilhões, queda de 5% no mesmo comparativo.

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Ex-executivo da XP vai captar R$ 100 milhões para comprar rede de academias Skyfit

O empresário Caio Murad Peres, ex-head de distribuição da XP, está estruturando a compra da rede de academias Skyfit, apurou o InvestNews. A transação será feita por meio da SFH Holding, veículo liderado por Peres, que lançou uma emissão de R$ 100 milhões para financiar a aquisição, que foi assinada no início de janeiro.

Os recursos da operação, destinada a investidores profissionais – aqueles com mais de R$ 10 milhões aplicados – serão usados integralmente para a compra de 100% da Skyfit Franchising, empresa dos fundadores da rede, os empresários Bruno Belluci Berardo e Ewerton Carvalho Oliveira Silva.

A SFH é uma empresa pré-operacional, criada para absorver o novo ativo. A aquisição da Skyfit será feita de forma alavancada, em uma estrutura na qual a própria rede de academias servirá como garantia. 

Cerca de 55% das quotas da empresa foram dadas em alienação fiduciária aos futuros credores, além de outros ativos e garantias pessoais dos sócios envolvidos. O Itaú BBA coordena a oferta.

Atualmente, Peres é sócio da startup de locação de veículos Turbi e do time de e-sports Furia. Além do empresário, outro sócio no projeto de compra da Skyfit é o gestor Paulo Maranesi, da KYR Capital

O InvestNews tentou contato com Peres e a Skyfit, mas não obteve retorno.

A Skyfit

Fundada durante a pandemia, a Skyfit cresceu apoiada em um modelo de academias de baixo custo e expansão via franquias, com foco em preços acessíveis e menor investimento inicial para franqueados. 

A empresa, ao lado de redes como Panobianco, Selfit e Bluefit, busca disputar espaço com a líder Smart Fit no segmento low cost, como já mostrou o InvestNews.

A primeira unidade da Skyfit foi inaugurada em 2020, no interior de São Paulo, e a rede chegou a dezenas de unidades em operação e mais de uma centena comercializadas nos primeiros anos.

A rede também ganhou projeção ao associar sua imagem a celebridades. O cantor Lucas Lucco participou da estratégia inicial como sócio e garoto-propaganda, enquanto atualmente a comunicação da rede está vinculada ao apresentador Rodrigo Faro.

Mais recentemente, a companhia passou a apostar em localizações de alto fluxo, como aeroportos. Uma unidade está em implantação no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, com operação 24 horas e integração a plataformas corporativas de bem-estar, como Wellhub e TotalPass.

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Minerva prevê margens mais apertadas em 2026 após ano recorde

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, entrou em 2026 com resultados recordes, mas já alertou o mercado que a rentabilidade será mais pressionada neste ano.

A companhia da família Vilela de Queiroz reportou lucro líquido de R$ 848 milhões em 2025, revertendo o prejuízo do ano anterior, e um resultado operacional (Ebitda) recorde de R$ 4,8 bilhões – alta de 54,1% na comparação anual. 

Para 2026, a expectativa da diretoria é de margens mais apertadas, diante da pressão de custos com frete, energia e, principalmente, a alta no preço do gado. “Isso tudo deve fazer com que a nossa margem em 2026 seja pior do que a margem de 2025”, afirmou o CFO Edison Ticle, durante teleconferência com analistas.

Segundo o executivo, o ciclo pecuário no Brasil entrou em uma fase de oferta mais restrita, com retenção de fêmeas e menor disponibilidade de animais para abate, o que deve manter o preço da arroba em patamares elevados e acima da inflação. 

O movimento ocorre em um contexto global de menor oferta de carne bovina, especialmente nos Estados Unidos, com estimativas de queda de produção em grandes mercados, o que pode retirar até 1 milhão de toneladas do mercado internacional.

A avaliação de um ano de margens mais apertadas pressionou os papéis da Minerva na B3: a ação da empresa fechou esta quinta-feira (19) com queda 10,7%, para R$ 3,84, liderando as baixas do Ibovespa.

Crescimento na receita

Ainda assim, a Minerva projeta crescimento de receita de até 10% em 2026, impulsionado principalmente pelo repasse de preços no mercado externo. O Ebitda de 2025 deve servir como “piso” para os resultados deste ano, indicou a companhia.

Para chegar nesses números, a aposta passa pela diversificação geográfica, que permite redirecionar fluxos comerciais diante de mudanças regulatórias – como as cotas de importação da China – e restrições em mercados específicos. 

Hoje, cerca de metade da operação da Minerva está fora do Brasil, o que amplia a capacidade de arbitragem entre países e destinos, disse o CEO Fernando Galletti de Queiroz. Ao mesmo tempo, o mercado local segue mais desafiador, avalia a empresa, com o consumo pressionado e migração para proteínas mais baratas, como frango e suíno.

Em paralelo, após concluir a integração dos ativos adquiridos da Marfrig – processo que contribuiu para o salto de receita e rentabilidade em 2025 –, a companhia agora volta seu foco para a redução do endividamento. A meta para 2026 é de levar a dívida líquida para cerca de 2 vezes o Ebitda, abaixo dos 2,6 vezes registrados ao fim do ano passado.

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Megaleilão de energia térmica atrai de Eneva a Âmbar. E enfrenta desafio de falta de turbina

Quem quiser construir uma usina termelétrica (ou térmica) hoje precisa antes resolver um desafio global: encontrar uma turbina disponível.

Os maiores fabricantes de equipamentos do mundo já comprometeram boa parte da produção para os próximos anos. Quem reservou máquinas antes paga menos e recebe antes. Quem chegou tarde entra em uma fila que, em alguns casos, já avança até o fim da década – e sairá bem mais caro.

Esse gargalo industrial, praticamente invisível para a maioria dos consumidores de energia, está prestes a influenciar o resultado do maior leilão de capacidade da história recente do Brasil.

O governo prepara para quarta-feira (18) o segundo Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), criado para contratar usinas capazes de entrar em operação quando o sistema elétrico precisar de energia adicional. Empresas como Eneva, controlada pelo BTG Pactual, e Âmbar Energia, dos irmãos Batista, são esperadas como participantes do leilão.

O Ministério de Minas e Energia pretende contratar usinas por 15 anos para garantir oferta de energia despachável – aquela que pode ser acionada imediatamente quando a demanda aumenta – nos momentos de pico de consumo. Mas a capacidade de competir nesse mercado agora depende menos de capital e mais de timing.

Estimativas do setor apontam para uma contratação de até 30 gigawatts (GW) de capacidade, o equivalente a mais de duas usinas de Itaipu, que tem capacidade instalada de 14 GW. Para o certame foram inscritos 368 projetos, que somam mais de 126 GW – ou 126 mil megawatts de potência, quase todos de usinas térmicas.

“Os fabricantes dizem: ‘eu produzo [turbinas para o equivalente a] 20 mil megawatts por ano. Já vendi 2026, já vendi 2027’. O que sobra é de 2029 para frente, e já não sai pelo mesmo preço dos primeiros contratos”, afirma Lourival Teixeira, executivo que lidera a área de geração do grupo Delta Energia. “É custo de oportunidade. Todo mundo está atrás da mesma coisa.”

Lourival Teixeira, presidente da Delta Geração
Lourival Teixeira, presidente da Delta Geração: desafio para compra de turbinas (Divulgação)

Disputa global por equipamentos

A fila que Teixeira descreve é global. Nos últimos três anos, a demanda por turbinas e equipamentos de geração a gás disparou, impulsionada pela expansão de data centers, pela corrida energética na Europa após a guerra na Ucrânia e por programas de reforço de capacidade em vários países.

Em 2024, foram encomendados cerca de 80 gigawatts em turbinas a gás no mundo, segundo o Instituto de Economia de Energia e Análise Financeira (IEEFA), volume quase três vezes superior à capacidade anual combinada de produção dos três maiores fabricantes – GE Vernova, Siemens Energy e Mitsubishi Heavy Industries –, que é estimada em cerca de 30 gigawatts por ano.

O resultado é um mercado travado.

As carteiras de pedidos já se estendem até o final da década, e executivos do setor estimam que praticamente toda a capacidade de produção de turbinas a gás até 2030 já esteja reservada ou em negociação. Quem quiser garantir uma vaga na linha de produção hoje precisa pagar antecipadamente para assegurar posição na fila. 

Fabricantes estão exigindo depósitos milionários para garantir posição na fila de produção. Segundo análise do IEEFA, um desenvolvedor de usina chegou a adiantar US$ 25 milhões, cerca de 20% do valor total do pedido, somente para reservar uma turbina com entrega prevista para 2030.

A corrida por equipamentos também ajuda a explicar por que alguns projetos chegam ao leilão em condições muito diferentes de outros. Empresas que já tinham usinas existentes ou infraestrutura instalada antes da escalada global de preços largam na frente.

Além disso, o custo dos equipamentos foi um dos motivos que levou o governo federal a rever os preços ofertados às usinas no leilão de reserva de capacidade.

Pronta para a próxima

É o caso da Delta Energia, que pretende participar do leilão de março com quatro projetos em Mato Grosso do Sul: a ampliação de sua usina no Estado, a William Arjona, com até 80 megawatts adicionais; uma nova termelétrica a gás natural de 250 megawatts; e duas usinas movidas a biodiesel, com capacidades de 150 e 30 megawatts.

Todos os projetos ficam na mesma região da usina existente, em Campo Grande (Mato Grosso do Sul), a poucos quilômetros do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

O grupo também é produtor de biodiesel, com fábricas no Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, o que possibilita uma integração natural entre geração e combustível. “Existe toda uma sinergia por trás, e isso nos traz competitividade”, afirma Teixeira.

Se vencer os quatro projetos inscritos no próximo leilão de reserva de capacidade, a companhia estima que os investimentos podem chegar a R$ 1 bilhão.

Usina termelétrica William Arjona, da Delta Energia
Usina termelétrica William Arjona, da Delta Energia (Divulgação)

A nova aposta da empresa vem logo depois da conclusão de um projeto que poucos no setor acreditavam que daria certo. 

No fim de fevereiro, a Delta entregou ao sistema elétrico a quinta e última unidade geradora da UTE William Arjona, concluindo o compromisso assumido no primeiro Leilão de Reserva de Capacidade, realizado em 2021. A entrega ocorreu quatro meses antes do prazo previsto no contrato com o governo.

A usina, movida a gás natural, tem capacidade instalada de 177 megawatts – suficiente para abastecer cerca de metade de uma cidade do porte de Campo Grande quando opera em carga total.

Para cumprir o contrato, o grupo realizou um processo de modernização das turbinas, desmontando e reconstruindo internamente cada unidade geradora. O projeto envolveu investimentos da ordem de R$ 200 milhões. “Você abre a turbina, tira o motor, troca os componentes internos. Na prática, vira um equipamento novo”, lembra Teixeira.

Mudança no consumo

A história da usina ajuda a explicar a posição atual da empresa. Em 2019, quando o grupo decidiu comprar a planta, o movimento foi recebido com ceticismo no mercado.

Naquele momento, o país vivia uma expansão acelerada de fontes renováveis, os reservatórios de usinas hidrelétricas estavam relativamente cheios e o debate dominante apontava para uma matriz elétrica cada vez mais solar e eólica. Uma térmica a gás parecia, para muitos, um ativo fora de moda.

Dois anos depois, a resposta veio de forma inesperada. A crise hídrica de 2021, uma das mais severas das últimas décadas, reduziu drasticamente os níveis dos reservatórios e obrigou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a acionar termelétricas em todo o país para evitar riscos de apagão.

No mesmo ano, a Delta venceu o primeiro leilão de reserva de capacidade e assinou contrato de 15 anos para fornecer potência ao sistema elétrico.

Hoje, com a expansão de geração solar e eólica como uma realidade, o papel das termelétricas também mudou.

O país passou a registrar excesso de energia em determinados momentos do dia – principalmente nas horas de maior geração solar –, fenômeno que tem levado ao chamado curtailment, em que usinas precisam reduzir ou interromper a produção por falta de demanda ou limitações do sistema para absorver essa oferta.

Já o desafio de abastecimento aparece no início da noite, quando a produção fotovoltaica cai e o consumo permanece elevado. Nesse intervalo, conhecido como horário de ponta, o sistema precisa de usinas capazes de entrar rapidamente em operação para equilibrar oferta e demanda.

No leilão marcado para esta quarta-feira, o mercado descobrirá quantos dos projetos inscritos conseguem atender a todas as condições necessárias para competir. Além do preço, será preciso ter acesso a equipamentos, o que está cada vez mais difícil.

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Investidor Silvio Tini ultrapassa Casino e vira o segundo maior acionista do GPA

O investidor Silvio Tini, por meio de sua holding Bonsucex, elevou sua participação no GPA para 23,025% das ações ordinárias, tornando-se o segundo maior acionista da companhia e ultrapassando o varejista francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital.

A informação foi divulgada ao mercado nesta quinta-feira (12) após a Bonsucex comunicar que, somadas suas participações diretas e indiretas, passou a deter 113 milhões de ações ordinárias do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Com o movimento, Tini se aproxima da participação da família Coelho Diniz, dona de 24,6% do GPA, hoje o principal bloco de influência no conselho da companhia e responsável pela presidência do colegiado.

A ultrapassagem do Casino tem peso simbólico na história do GPA. O grupo francês foi controlador da companhia por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

Mudanças no GPA

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA lida com uma recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

No comunicado enviado ao GPA, a Bonsucex afirma que a participação foi adquirida para “fins de investimento, sem intenção de alterar o controle da companhia”. Em janeiro, Silvio Tini já havia indicado dois conselheiros na companhia, em seu primeiro movimento para participar da governança do grupo.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Investidor Silvio Tini ultrapassa Casino e vira o segundo maior acionista do GPA

O investidor Silvio Tini, por meio de sua holding Bonsucex, elevou sua participação no GPA para 23,025% das ações ordinárias, tornando-se o segundo maior acionista da companhia e ultrapassando o varejista francês Casino, que detém cerca de 22,5% do capital.

A informação foi divulgada ao mercado nesta quinta-feira (12) após a Bonsucex comunicar que, somadas suas participações diretas e indiretas, passou a deter 113 milhões de ações ordinárias do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Com o movimento, Tini se aproxima da participação da família Coelho Diniz, dona de 24,6% do GPA, hoje o principal bloco de influência no conselho da companhia e responsável pela presidência do colegiado.

A ultrapassagem do Casino tem peso simbólico na história do GPA. O grupo francês foi controlador da companhia por mais de uma década, posição que começou a perder após a reestruturação financeira do varejista e a redução gradual de sua participação.

Mudanças no GPA

O avanço da Bonsucex ocorre em meio a um período de reacomodação acionária, enquanto o GPA lida com uma recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões.

No comunicado enviado ao GPA, a Bonsucex afirma que a participação foi adquirida para “fins de investimento, sem intenção de alterar o controle da companhia”. Em janeiro, Silvio Tini já havia indicado dois conselheiros na companhia, em seu primeiro movimento para participar da governança do grupo.

Tini é um investidor veterano do mercado acionário brasileiro. Por meio da Bonsucex, holding criada em 1982 para concentrar participações societárias, manteve ou já manteve posições relevantes em companhias como Alpargatas, Bombril e Paranapanema.

O investidor chegou a figurar entre os brasileiros mais ricos, com fortuna estimada em cerca de R$ 4 bilhões segundo ranking da revista Forbes.

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Sabesp compra fatia da Emae ligada ao controlador da Ambipar por R$ 171,6 milhões

A Sabesp anunciou na noite desta quinta-feira (12) que comprou 23,17% das ações ordinárias da Emae, participação que pertencia ao fundo Oceania, ligado ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior. Os papéis representam 9,22% do capital total da companhia.

A antiga estatal paulista assumiu o controle da geradora de energia em outubro de 2025 por R$ 1,13 bilhão. A aquisição ocorreu após após a execução de uma dívida do fundo Phoenix Água e Energia, do empresário Nelson Tanure, cujas ações da Emae haviam sido dadas em garantia a credores que financiaram a aquisição da empresa no processo de privatização realizado em abril de 2024.

A nova aquisição foi fechada por R$ 171,6 milhões e será liquidada nesta sexta-feira (13). O preço pago corresponde ao valor da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela companhia, de R$ 49,47 por ação, atualizado pela Selic até chegar a R$ 50,38 por papel.

O Oceania tem como único ativo as ações da Emae. O fundo, anteriormente chamado de Arys, é associado a Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, que foi sócio de Tanure na aquisição da empresa em 2024. No fim de 2025, a Sabesp teria oferecido cerca de R$ 210 milhões pela participação do empresário, conforme noticiou o Valor Econômico.

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Sabesp compra fatia da Emae ligada ao controlador da Ambipar por R$ 171,6 milhões

A Sabesp anunciou na noite desta quinta-feira (12) que comprou 23,17% das ações ordinárias da Emae, participação que pertencia ao fundo Oceania, ligado ao controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior. Os papéis representam 9,22% do capital total da companhia.

A antiga estatal paulista assumiu o controle da geradora de energia em outubro de 2025 por R$ 1,13 bilhão. A aquisição ocorreu após após a execução de uma dívida do fundo Phoenix Água e Energia, do empresário Nelson Tanure, cujas ações da Emae haviam sido dadas em garantia a credores que financiaram a aquisição da empresa no processo de privatização realizado em abril de 2024.

A nova aquisição foi fechada por R$ 171,6 milhões e será liquidada nesta sexta-feira (13). O preço pago corresponde ao valor da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela companhia, de R$ 49,47 por ação, atualizado pela Selic até chegar a R$ 50,38 por papel.

O Oceania tem como único ativo as ações da Emae. O fundo, anteriormente chamado de Arys, é associado a Borlenghi Júnior, controlador da Ambipar, que foi sócio de Tanure na aquisição da empresa em 2024. No fim de 2025, a Sabesp teria oferecido cerca de R$ 210 milhões pela participação do empresário, conforme noticiou o Valor Econômico.

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Com Carbono Oculto, Vibra bate recorde de independentes que viraram posto Petrobras

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, registrou em 2025 o maior número de novos postos embandeirados dos últimos anos, movimento impulsionado por mudanças no ambiente regulatório do setor de combustíveis. Entre elas está a Operação Carbono Oculto, que intensificou o combate a fraudes tributárias, adulteração de combustíveis e empresas de fachada no mercado.

A companhia avalia que essa tendência pode ganhar ainda mais força este ano diante da instabilidade recente nos preços do petróleo e do diesel, provocada pelo conflito no Irã e pelo descompasso entre os preços domésticos e o mercado internacional.

O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, disse, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre, que esse ambiente tem aumentado o interesse de postos independentes em firmar contratos de fornecimento com a distribuidora, responsável pelo licenciamento da marca Petrobras até junho de 2029 e que a estatal já informou que não pretende renovar.

Leia também: Maior acionista da Vibra, fundador da Inpasa tem aval para seguir investindo na empresa

O movimento aparece principalmente entre os chamados postos de bandeira branca – estabelecimentos que operam sem exclusividade com uma distribuidora. Segundo a Vibra, muitos desses operadores passaram a buscar contratos mais estáveis diante de um ambiente de maior volatilidade no abastecimento e nos preços do diesel.

A tendência, reforça Pousada está alinhada a uma estratégia que a Vibra vem construindo nos últimos anos: fortalecer sua rede de postos embandeirados e reduzir a dependência de vendas no mercado spot (pronta entrega).

Posto Petrobras, da Vibra Energia
Posto Petrobras, da Vibra Energia (Divulgação)

Em 2025, a companhia incorporou 404 novos postos à rede, o maior número de embandeiramentos dos últimos cinco anos, elevando a base para 7.456 unidades espalhadas por todo o país.

Rentabilidade

Esse cenário ajuda a explicar também uma decisão tomada pela companhia no início deste ano. Em janeiro, a Vibra registrou perda de market share após reduzir vendas a clientes não recorrentes em um mês marcado por excesso de combustível no mercado, provocado em parte pela antecipação de compras antes de mudanças tributárias.

A empresa diz que preferiu preservar rentabilidade a disputar volumes com distribuidores menores dispostos a operar com margens menores. A estratégia reflete uma mudança gradual no posicionamento comercial da Vibra, que passou a priorizar margem e contratos mais estáveis em vez de competir agressivamente por participação de mercado.

No setor de distribuição de combustíveis, onde também estão Ultrapar (dona dos postos Ipiranga) e Raízen, a principal métrica operacional é o chamado Ebitda por metro cúbico – indicador que mede quanto sobra de resultado para cada unidade de combustível vendida após custos de compra, logística e operação. 

Nos últimos anos, a Vibra tem buscado ampliar esse indicador enquanto tenta preservar sua posição de liderança no mercado. A recuperação de margens da companhia também foi favorecida por mudanças no ambiente competitivo do setor. 

No ano passado, autoridades intensificaram o combate a fraudes tributárias, adulteração de combustíveis e empresas de fachada – práticas que, segundo estimativas do mercado, provocavam perdas bilionárias anuais e distorciam a concorrência.

No acumulado de 2025, a participação de mercado da Vibra cresceu 0,8 ponto percentual, alcançando 24,5% no quarto trimestre, enquanto o volume total comercializado chegou a 35,9 milhões de metros cúbicos.

Outro fator que pode ampliar a competitividade da empresa, avaliou Pousada, é o fim da joint venture Evolua, com a Copersucar, previsto para o final de março. Com a dissolução da parceria, a Vibra passará a negociar etanol diretamente no mercado, o que deve dar mais flexibilidade na gestão do suprimento.

Comerc

Durante a teleconferência, a diretoria da Vibra afirmou ainda que segue trabalhando para melhorar o desempenho da Comerc, plataforma de comercialização de energia elétrica da companhia.

O negócio elétrico, porém, exige investimentos elevados e opera com ciclos de retorno mais longos do que a distribuição de combustíveis, o que tem pressionado a estrutura de capital da companhia.

Executivos da Vibra afirmaram que a prioridade agora é melhorar a eficiência da operação e alcançar equilíbrio na geração de caixa da Comerc nos próximos anos, ao mesmo tempo em que avaliam alternativas estratégicas para o ativo. No entanto, neste momento, a companhia descarta a venda da comercializadora.

No quarto trimestre de 2025, a Vibra registrou receita líquida ajustada de R$ 50,5 bilhões, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado operacional (Ebitda) ajustado somou R$ 2,62 bilhões, avanço de 27% na mesma base de comparação, enquanto o lucro líquido foi de R$ 615 milhões, crescimento de 20%.

No acumulado de 2025, o Ebitda ajustado alcançou R$ 8,2 bilhões, enquanto o lucro líquido chegou a R$ 3,3 bilhões, alta de 12% em relação a 2024. A geração de caixa da companhia somou R$ 5,5 bilhões no ano.

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Com R$ 9,4 bilhões em dívidas vencendo em 2026, CSN corre para reforçar caixa

Com R$ 9,4 bilhões em dívidas vencendo ao longo deste ano, incluindo um bond de cerca de R$ 1 bilhão que vence já no final de abril, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) enfrenta um teste de liquidez em meio a uma crescente desconfiança do mercado em relação a empresas altamente alavancadas.

O grupo de Benjamin Steinbruch encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o resultado operacional (Ebitda), o primeiro aumento do indicador após três trimestres consecutivos de queda. O número também ficou acima da expectativa sinalizada pela própria CSN, de que a meta era encerrar o ano com alavancagem próxima de 3 vezes ou menos.

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A solução mais avançada até agora para mitigar a preocupação do mercado com a capacidade de liquidez da empresa é um empréstimo-ponte de até US$ 1,5 bilhão, tendo como garantia ativos da CSN Cimentos. O CFO Marco Rabello disse na teleconferência com analistas nesta quinta-feira (12) que a operação estava “extremamente madura” e que a assinatura seria “questão de dias”.

As negociações haviam travado semanas atrás em meio à turbulência no mercado de crédito corporativo brasileiro, com as recuperações extrajudiciais de GPA e Raízen, mas foram retomadas. Morgan Stanley, Citi, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC estão entre os bancos envolvidos, segundo a Bloomberg. Os juros discutidos estariam girando entre 14% e 15% ao ano em dólar.

O cronograma de vencimentos pressiona porque não está concentrado em um único instrumento. A dívida que vence em 2026 está distribuída entre bonds, linhas bancárias, adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC), pré-pagamentos de exportação de minério e financiamentos de longo prazo com BNDES e Finep. 

Problema em 2028

A maior concentração de vencimentos, porém, aparece mais adiante. Em 2028 vencem R$ 11,7 bilhões, parcela dominada por dívida em dólar — o que executivos chamaram na teleconferência de a principal “torre” de amortizações da companhia.

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O aumento da dívida líquida no quarto trimestre de 2025 teve causas específicas que a empresa classifica como pontuais. A principal foi a não renovação de contratos de pré-pagamento de exportação de minério de ferro, operações que normalmente ocorrem duas vezes ao ano em volumes entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. A companhia não fechou nenhuma operação desse tipo no primeiro trimestre.

Somaram-se a isso o efeito da desvalorização cambial sobre a dívida externa, parcialmente revertido com a valorização do real no início de 2026, e uma reavaliação de estoques considerados de segunda linha, que gerou impacto contábil relevante no período.

Estoques altos

Os estoques, aliás, viraram um ponto de atenção. Na teleconferência, o CEO Benjamin Steinbruch afirmou que o grupo carrega cerca de R$ 12 bilhões em estoques e que há espaço para monetizar parte desse volume ao longo do ano, o que poderia liberar caixa sem depender de venda de ativos ou novos financiamentos.

O plano estrutural de desalavancagem anunciado em janeiro prevê levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões por meio de três movimentos: a venda do controle da CSN Cimentos, a alienação de participação minoritária na plataforma de infraestrutura e logística e a busca de um sócio estratégico para investir na siderurgia.

Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN
Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN (Ilustração: João Brito)

O Morgan Stanley lidera o processo de venda da divisão de cimento, enquanto Citi e Bradesco conduzem o mandato de infraestrutura. Rabello disse que a meta é ter os dois primeiros acordos assinados até o terceiro trimestre de 2026, acrescentando que já há compradores potenciais da Ásia, Europa e Brasil mapeados.

Apesar do peso da dívida, a operação industrial apresentou avanços em 2025. O Ebitda ajustado cresceu 15%, para R$ 11,8 bilhões, impulsionado por volumes recordes na mineração, que superou 45 milhões de toneladas vendidas pela primeira vez na história.

Na siderurgia, o custo de produção de aço caiu para o menor nível desde 2021, segundo a companhia. Para 2026, a CSN projeta aumento de preços entre 4,5% e 6% já no primeiro trimestre, com perspectiva de margens de dois dígitos a partir do segundo trimestre, após medidas antidumping contra importações chinesas.

R$ 6,5 bilhões em juros

O problema é que essa melhora operacional ainda não se traduz em lucro. A CSN encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão, e o quarto trimestre sozinho gerou perda de R$ 721 milhões.

O principal fator é o custo da dívida. O resultado financeiro foi negativo em R$ 6,5 bilhões no ano, pressionado pela combinação de juros elevados e variação cambial sobre a dívida externa. Somente em encargos financeiros pagos ao longo de 2025, a companhia desembolsou cerca de R$ 3 bilhões.

Steinbruch encerrou a teleconferência reafirmando o compromisso com a desalavancagem e sinalizando que a empresa tem outras alternativas financeiras além do empréstimo-ponte e da venda de ativos já anunciada.

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Raízen cita risco de ‘efeito dominó’ de R$ 60 bilhões em dívidas e bloqueio do caixa

A Raízen afirma que recorreu ao pedido de recuperação extrajudicial para evitar um efeito dominó em sua estrutura de dívida que poderia antecipar o vencimento de mais de R$ 60 bilhões em obrigações financeiras.

Em petição apresentada à Justiça nesta quarta-feira (11), a companhia controlada por Shell e Cosan afirma que diversos contratos de financiamento possuem cláusulas de cross-default, que permitem a credores declarar vencimento antecipado caso haja descumprimento de qualquer obrigação relevante do grupo.

Com cerca de R$ 70 bilhões em dívida bruta, a empresa incluiu na reestruturação aproximadamente R$ 65,1 bilhões em créditos para renegociação. Ainda segundo o documento, a aceleração dessas cláusulas poderia atingir grande parte da dívida financeira da empresa, no Brasil e no exterior.

Risco ao caixa

A companhia também alertou para o risco de que algumas instituições financeiras utilizem mecanismos contratuais de compensação para reter recursos diretamente das contas do grupo.

A Raízen afirma que esses dispositivos poderiam levar à retenção de até R$ 8 bilhões em caixa, pressionando sua liquidez durante as negociações com credores. De acordo com o balanço mais recente, a empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes, como aplicações com liquidez imediata.

A pressa em protocolar o pedido também teve relação com um compromisso financeiro iminente. A empresa teria que pagar cerca de R$ 1 bilhão em juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nesta sexta-feira (12), como mostrou o Pipeline.

No pedido judicial, a companhia afirma que a suspensão temporária de execuções e vencimentos antecipados é necessária para preservar caixa enquanto negocia a reestruturação do passivo.

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Raízen cita risco de ‘efeito dominó’ de R$ 60 bilhões em dívidas e bloqueio do caixa

A Raízen afirma que recorreu ao pedido de recuperação extrajudicial para evitar um efeito dominó em sua estrutura de dívida que poderia antecipar o vencimento de mais de R$ 60 bilhões em obrigações financeiras.

Em petição apresentada à Justiça nesta quarta-feira (11), a companhia controlada por Shell e Cosan afirma que diversos contratos de financiamento possuem cláusulas de cross-default, que permitem a credores declarar vencimento antecipado caso haja descumprimento de qualquer obrigação relevante do grupo.

Com cerca de R$ 70 bilhões em dívida bruta, a empresa incluiu na reestruturação aproximadamente R$ 65,1 bilhões em créditos para renegociação. Ainda segundo o documento, a aceleração dessas cláusulas poderia atingir grande parte da dívida financeira da empresa, no Brasil e no exterior.

Risco ao caixa

A companhia também alertou para o risco de que algumas instituições financeiras utilizem mecanismos contratuais de compensação para reter recursos diretamente das contas do grupo.

A Raízen afirma que esses dispositivos poderiam levar à retenção de até R$ 8 bilhões em caixa, pressionando sua liquidez durante as negociações com credores. De acordo com o balanço mais recente, a empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes, como aplicações com liquidez imediata.

A pressa em protocolar o pedido também teve relação com um compromisso financeiro iminente. A empresa teria que pagar cerca de R$ 1 bilhão em juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nesta sexta-feira (12), como mostrou o Pipeline.

No pedido judicial, a companhia afirma que a suspensão temporária de execuções e vencimentos antecipados é necessária para preservar caixa enquanto negocia a reestruturação do passivo.

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Cade autoriza venda do controle da CBA para Chinalco e Rio Tinto; empresa deverá sair da Bolsa

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda do controle da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para uma joint venture formada pela chinesa Chinalco e pela anglo-australiana Rio Tinto.

A decisão, assinada pelo superintendente-geral Alexandre Barreto de Souza, foi sem restrições. Agora, haverá um prazo de 15 dias para eventuais contestações e, caso não ocorra, haverá o aval definitivo.

A operação, anunciada em 29 de janeiro, avalia a maior produtora de alumínio da América Latina em mais de R$ 10 bilhões, somando valor de mercado mais as dívidas. A Votorantim recebe R$ 4,7 bilhões pela sua fatia de 68,6% na companhia. Os compradores ainda farão uma oferta pública de aquisição (OPA) para retirar a CBA da bolsa, o que deve demandar outros R$ 2,1 bilhões.

Além da aprovação regulatória, os compradores precisarão lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para os acionistas minoritários, que detêm os 31,4% restantes da companhia, ao preço de R$ 10,50 por ação. 

A OPA é obrigatória por lei em casos de troca de controle em empresas listadas no Novo Mercado da B3, mas a Chinalco e a Rio Tinto vão além: no pedido ao Cade, declaram explicitamente que a intenção é usar a oferta para cancelar o registro da CBA como companhia aberta, tirando a empresa da Bolsa.

Outras etapas

A aprovação do Cade é uma das etapas regulatórias necessárias para o fechamento do negócio. A operação ainda aguarda aval de autoridades de concorrência da China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai, além da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no Brasil.

Para a Chinalco, controlada pelo governo chinês, a aquisição representa a entrada na América Latina e o acesso a uma cadeia produtiva integrada, da extração de bauxita à fabricação de produtos de alumínio. Para a Rio Tinto, é uma plataforma de alumínio de baixo carbono alimentada por fontes renováveis, em linha com sua estratégia global no setor.

A CBA chegou à transação com dívida líquida de R$ 3,3 bilhões e alavancagem de 2,97 vezes o Ebitda, patamar que limitava sua capacidade de bancar projetos de expansão, como o Projeto Rondon, de mineração de bauxita no Pará, que demandaria cerca de US$ 2,5 bilhões em investimentos. Em 2025, a empresa faturou R$ 8,8 bilhões, com lucro líquido anual de R$ 230 milhões.

A venda marca mais um capítulo da saída da Votorantim de negócios intensivos em capital e sujeitos a ciclos de commodities.

Nos últimos anos, o grupo controlado pela família Ermírio de Moraes já havia se desfeito da Votorantim Siderurgia, vendida à ArcelorMittal em 2018, e da Fibria, incorporada pela Suzano em 2019. No fim de 2025, vendeu ainda uma participação na Citrosuco, produtora de suco de laranja, para o fundo de pensão canadense PSP.

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Inpasa se tornou a líder do etanol de milho. E ganha dinheiro muito além do combustível

Nas usinas da Inpasa, cada tonelada de milho se transforma em combustível, ração animal e óleo industrial. Foi essa lógica que fez a companhia fundada pelo empresário José Odvar Lopes, o “Seu Zé”, se tornar a maior produtora de etanol de milho da América Latina.

Com receita próxima de R$ 23 bilhões e capacidade de produzir 6,2 bilhões de litros de etanol por ano, a empresa familiar construiu ao longo da última década uma rede de oito biorrefinarias agrícolas, com duas no Paraguai e outras seis em alguns dos principais polos do agronegócio brasileiro. Ainda estão previstas mais duas plantas, em um programa de investimentos que passa dos R$ 5 bilhões.

A lógica por trás desse crescimento é simples: no etanol de milho, o dinheiro não está apenas no combustível. Está em tudo o que sai do grão.

Mas chegada até aqui não foi óbvia.

Na década passada, falar em etanol de milho no Brasil soava como aposta de alto risco. A cana-de-açúcar dominava, o setor era consolidado e ninguém apostaria que uma empresa de origem paraguaia, que começou do zero em uma única usina no país vizinho, superaria a líder histórica Raízen – das gigantes Shell e Cosan – e se tornaria a maior produtora de etanol do Brasil.

“Nós sempre recebemos umas perguntas de instituição financeira: qual é o breakeven do negócio, em que momento vale a pena transformar o milho em etanol?”, diz Fernando Alfini, CFO da companhia, ao InvestNews. “Eu brinco que nós estamos tentando descobrir esse brinquedo faz mais de 15 anos.”

Agora, o desafio mudou de natureza. Convencer o mercado já não está na pauta. O novo desafio da Inpasa é logístico: transportar esses quase 6 bilhões de litros anuais de etanol de regiões remotas do agronegócio até os mercados consumidores.

Tentativa e erro

Quando a Inpasa começou a produzir etanol de milho no Paraguai, em 2008, a eficiência do processo estava longe do considerado ideal: cada tonelada de milho gerava cerca de 220 litros de etanol.

“No início, nós não tínhamos tecnologia nenhuma. Foi tentativa e erro mesmo, por falta de recurso”, recorda Alfini.

A empresa ficou uma década nessa fase, operando uma única planta, com Seu Zé determinado a dominar a tecnologia antes de buscar o ganho de escala. O esforço valeu: hoje, as usinas da companhia extraem quase 450 litros por tonelada, praticamente o dobro do ponto de partida.

A referência e o método de produção vieram dos Estados Unidos, berço do etanol de milho. Visitas a feiras e o contato com o mercado americano abriram o caminho para a aquisição da tecnologia da Katzen, empresa americana do setor. Foi só então que a eficiência começou a avançar de forma consistente.

O negócio do etanol de milho opera inteiramente entre duas correntes de commodities: a empresa compra milho a preços de mercado e vende etanol também a preços de mercado. Não controla nenhuma das duas pontas. O diferencial está na eficiência operacional e, cada vez mais, na capacidade de extrair valor de tudo o que sai do grão além do combustível.

Em 2018, com a segunda planta paraguaia em fase final, Seu Zé tomou a decisão que mudaria o tamanho e o destino da empresa: vir para o Brasil. O plano foi abrir uma usina em Sinop, no norte de Mato Grosso, o principal Estado produtor de grãos do país.

A lógica era ao mesmo tempo geográfica e produtiva. O Paraguai, apesar das vantagens tributárias, tem produção de milho equivalente à de uma única região do Mato Grosso. Construir uma terceira usina no país vizinho desequilibraria toda a cadeia local de grãos. 

O Brasil, por outro lado, tinha matéria-prima em abundância e espaço para crescer – no ano-safra 2025/26, a expectativa é que o Brasil produza 131 milhões de toneladas do cereal, enquanto os paraguaios deverão colher 5,2 milhões de toneladas.

A primeira fase da planta de Sinop recebeu investimento de R$ 750 milhões e entrou em operação em agosto de 2019. A partir daí, o ritmo não parou. Vieram plantas em Nova Mutum, também em Mato Grosso, em Dourados e Sidrolândia, ambas em Mato Grosso do Sul, e em Balsas, no Maranhão. 

A unidade de Sinop foi ampliada duas vezes e se tornou, por um período, a maior usina de etanol independente de matéria-prima do mundo em uma única planta – consegue processar 6 milhões de litros por dia. O dinheiro para o início de tudo veio do Paraguai.

“Sem o Paraguai a gente não teria conseguido”, admite Alfini. “O país foi a nossa escola e o nosso banco.”

Expansão regional

O passo seguinte foi distribuir as usinas por diferentes regiões, formando uma rede de hubs industriais. Hoje a Inpasa está presente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Maranhão, com novas unidades previstas em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e em Rio Verde, em Goiás.

A lógica da presença no Nordeste, por exemplo, é específica: a região é deficitária em etanol e tem portos próximos para a exportação de coprodutos como DDGS (sigla em inglês para distillers dried grains with solubles, ou grãos secos de destilaria com solúveis) e óleo.

“Nós decidimos diversificar geograficamente. Eu poderia construir todas as fases em Mato Grosso, mas não foi essa a escolha”, explica Alfini.

Ao todo, a empresa prevê dez unidades em operação quando as plantas de Rio Verde e Rondonópolis, em Mato Grosso, entrarem em funcionamento. Esta última receberá investimento de cerca de R$ 3,5 bilhões e terá capacidade para produzir aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol por ano.

José Odvar Lopes (à esquerda, sem boné), fundador da Inpasa
José Odvar Lopes (segundo à esquerda sem boné), fundador da Inpasa (Divulgação)

Para garantir a conexão entre os hubs produtivos, a Inpasa vem investindo de forma crescente em logística. Em 2023, a empresa deu um primeiro passo concreto no modal ferroviário: gastou cerca de R$ 100 milhões na aquisição de 50 vagões e duas locomotivas, operados pela Rumo no corredor entre Rondonópolis e Paulínia, no interior paulista.

O movimento equivale a retirar 17 mil viagens de caminhão das estradas por ano. Mas foi só o começo. Alfini diz que a empresa pretende chegar a quase 500 vagões e 32 locomotivas. “O nosso investimento tem que ser bastante pesado para sermos competitivos”, diz o CFO.

A capacidade de armazenagem também é parte da equação. A empresa acumulou mais de 5,6 milhões de toneladas de capacidade estática nos estados onde opera, o suficiente para garantir seis meses de produção sem depender do ritmo da colheita.

É uma vantagem que a cana-de-açúcar não tem: o grão pode esperar nos silos, enquanto a cana precisa ser moída em horas após o corte, além do fato de o etanol produzido a partir do milho ser cerca de 40% mais barato.

Essa “folga” também protege a empresa de oscilações sazonais de preço. “A hora em que começa a nova colheita é o momento em que os silos estão esvaziando”, explica Alfini. “Você consegue arbitrar os melhores momentos.”

Outros produtos do milho

Além da expansão geográfica, a Inpasa investiu para que suas usinas tivessem aproveitamento máximo do grão. Para cada tonelada de milho que entra, saem etanol, DDGS e óleo vegetal. Esses produtos têm mercado e preço próprios.

O DDGS é um farelo rico em proteína utilizado na alimentação animal e uma das principais apostas de agregação de valor da Inpasa. Junto com o óleo de milho, o DDGS já representa cerca de 15% da receita da empresa, algo próximo a R$ 4 bilhões por ano, e chega a cobrir entre 35% e 40% do custo de aquisição do milho.

A empresa produz cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS por ano. A Inpasa reivindica um diferencial técnico no produto: não utiliza ácido sulfúrico nem antibiótico em seu processo industrial, o que reduz o risco de contaminação e abre portas em mercados mais exigentes.

Fernando Alfini, CFO da Inpasa
Fernando Alfini, CFO da Inpasa (Divulgação)

A empresa criou uma marca própria, a FortiPro, para o ingrediente para se diferenciar em um mercado que, segundo Alfini, aprendeu a pedir especificamente pelo produto da companhia.

A Inpasa já responde por mais de 95% das exportações brasileiras de DDGS. Em 2025, o Brasil vendeu cerca de 879 mil toneladas do produto para 25 países, com Turquia, Vietnã e Nova Zelândia entre os principais compradores. 

Em 2026, a China recebeu sua primeira carga brasileira da Insapa: um navio com cerca de 62 mil toneladas. O mercado deve crescer junto com a produção nacional: estimativas do setor apontam para 7 milhões de toneladas de DDGS até a safra 2029/30, ante um consumo interno de cerca de 2,4 milhões de toneladas.

Governança e próximos passos

Paralelamente à expansão industrial, a Inpasa passa por uma transformação de governança. O fundador José Odvar Lopes tornou-se chairman (presidente do conselho) e seu filho Éder assumiu a presidência executiva.

Além da sucessão familiar, a companhia começa a estruturar um conselho consultivo. “Depois desse crescimento que nós tivemos, tornou-se mais latente a necessidade de sofisticar a governança corporativa”, diz Alfini.

O primeiro passo foi a chegada de José Olympio Pereira, ex-CEO do banco J. Safra e um dos nomes mais respeitados do mercado financeiro brasileiro. A expectativa é que mais dois nomes do mesmo peso sejam anunciados como conselheiros independentes.

O movimento sinaliza o novo momento de uma empresa que começa a se preparar para um eventual próximo passo — seja no mercado de capitais, com uma oferta pública inicial de ações (IPO), seja com emissões de dívida no exterior.

Com a expansão praticamente financiada com capital prórpio, a Inpasa realizou até o momento quatro emissões de debêntures incentivadas pela Lei 12.431, captando cerca de R$ 1,5 bilhão no mercado, e o CFO não descarta outras estruturas. “Gostamos de dinheiro barato”, resume Alfini.

No mercado, circulou no ano passado a informação de que a Petrobras buscaria um sócio estratégico para a produção de etanol, com a Inpasa despontando como uma das favoritas.  Alfini nega qualquer negociação: “Nunca tivemos nenhuma conversa com a Petrobras.”

Sobre a Vibra Energia, cujo maior acionista individual é o próprio Seu Zé, com mais de 10% das ações da antiga BR Distribuidora, Alfini reconhece que existem sinergias óbvias entre as empresas, mas descarta qualquer discussão formal. “A Vibra é um investimento pessoal do Seu Zé e seguirá sendo tratada na Inpasa como mais um cliente”, conclui.

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Com R$ 70 bilhões em dívidas, Raízen pede recuperação extrajudicial

A gigante do etanol Raízen entrou na noite desta terça-feira (10) com um pedido de recuperação extrajudicial depois de se ver sem alternativas diante de uma dívida bruta que ultrapassa os R$ 70 bilhões, em uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. A informação foi confirmada pela companhia na manhã desta quarta-feira (11).

A Raízen – controlada por Cosan e Shell – já conta com o apoio de credores que representam mais de 47% da dívida e terá 90 dias para atingir a maioria necessária (50% mais um) para a aprovação do plano, conforme exige a legislação, segundo apurou o InvestNews com fontes próximas à companhia.

Trata-se da maior recuperação extrajudicial já registrada no país e representa um capítulo importante da derrocada de uma empresa que protagonizou pouco menos de cinco anos atrás um dos maiores IPOs (oferta pública inicial de ações) da história da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 76 bilhões à época. Nesta terça, a Raízen valia menos de 1%, ou cerca de R$ 700 milhões.

O plano de recuperação deverá abranger cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas e vai estabelecer a suspensão do pagamento de juros, o chamado “standstill“, válido também por 90 dias a partir desta quarta-feira (11), segundo as fontes.

Nesses três meses pela frente, Raízen e credores vão negociar os termos definitivos da reestruturação, o que deverá incluir alongamento de prazos, conversão de parte da dívida em ações e eventuais descontos no valor da dívida, os chamados haircuts.

Negociação em curso

Conforme mostrou a Bloomberg mais cedo nesta terça, alguns dos maiores bancos do país são credores que somam cerca de metade da dívida da companhia, enquanto bondholders, detentores de CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e de debêntures respondem pela outra metade.

Tanto a Raízen quanto seus credores já reduziram posições de hedge cambial que haviam sido montadas para honrar dívidas em dólar, sinal de que as conversas avançavam.

Em paralelo, a companhia negocia um plano de capitalização em que a Shell irá aportar R$ 3,5 bilhões, com um compromisso conjunto do empresário Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física, por meio de sua empresa Aguassanta Investimentos.

Nesta terça, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia não estava mais em negociações com a Shell para resgatar a Raízen, o que deixa credores e a petroleira como protagonistas da solução financeira.

Negociações com credores

As negociações da Raízen com credores preveem a conversão de dívida em participação acionária estimada na casa de 40%, com o objetivo de levar a alavancagem da Raízen para menos de 3 vezes o lucro operacional (Ebitda).

Atualmente, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia está em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, uma alta de 43% em um ano.

Segundo as mesmas fontes que falaram com o InvestNews, a Raízen continuará a pagar fornecedores normalmente – a recuperação extrajudicial suspende “apenas” o serviço das dívidas financeiras.

A informação sobre o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen nesta noite de terça-feira foi publicada inicialmente pelo Brazil Journal.

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Grupo Mateus prepara entrada no mercado de medicamentos

O Grupo Mateus está se preparando para entrar na distribuição e venda de medicamentos no Norte e Nordeste, regiões onde já concentra suas operações de atacarejo, por meio de uma parceria com um operador regional do setor, apurou o InvestNews.

A iniciativa envolve o Armazém Mateus, braço operacional do grupo maranhense, e a AS&J Holding, empresa ligada ao Grupo Toureiro, do Piauí, que atua na distribuição de produtos farmacêuticos para farmácias, hospitais e órgãos públicos.

O movimento marca mais um passo do Grupo Mateus na expansão de suas operações além do varejo alimentar. A parceria deverá ser estruturada como uma joint venture dedicada às atividades de comércio e distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares em estados do Norte e Nordeste.

Segundo as empresas, a iniciativa busca gerar ganhos logísticos e operacionais, além de ampliar a oferta de medicamentos com maior eficiência na cadeia de distribuição regional. A transação ainda depende de aval do  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)

O movimento do Grupo Mateus acompanha uma tendência mais ampla no setor de atacarejo. Redes como o Assaí já vêm avançando nesse mercado: a companhia decidiu acelerar a abertura de farmácias próprias em seus complexos comerciais e pretende inaugurar 25 unidades até julho, aproveitando a estrutura já existente em suas lojas.

A expansão para o setor farmacêutico ocorre em meio ao crescimento da operação de atacado do grupo. No terceiro trimestre de 2025, a divisão B2B do Grupo Mateus registrou receita de R$ 2,1 bilhões, alta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atendendo mais de 48 mil clientes por mês por meio de sua rede de centros de distribuição.

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Grupo Mateus prepara entrada no mercado de medicamentos

O Grupo Mateus está se preparando para entrar na distribuição e venda de medicamentos no Norte e Nordeste, regiões onde já concentra suas operações de atacarejo, por meio de uma parceria com um operador regional do setor, apurou o InvestNews.

A iniciativa envolve o Armazém Mateus, braço operacional do grupo maranhense, e a AS&J Holding, empresa ligada ao Grupo Toureiro, do Piauí, que atua na distribuição de produtos farmacêuticos para farmácias, hospitais e órgãos públicos.

O movimento marca mais um passo do Grupo Mateus na expansão de suas operações além do varejo alimentar. A parceria deverá ser estruturada como uma joint venture dedicada às atividades de comércio e distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares em estados do Norte e Nordeste.

Segundo as empresas, a iniciativa busca gerar ganhos logísticos e operacionais, além de ampliar a oferta de medicamentos com maior eficiência na cadeia de distribuição regional. A transação ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Tendência no setor de atacarejo

O movimento do Grupo Mateus acompanha uma tendência mais ampla no setor de atacarejo. Redes como o Assaí já vêm avançando nesse mercado: a companhia decidiu acelerar a abertura de farmácias próprias em seus complexos comerciais e pretende inaugurar 25 unidades até julho, aproveitando a estrutura já existente em suas lojas.

A expansão para o setor farmacêutico ocorre em meio ao crescimento da operação de atacado do grupo. No terceiro trimestre de 2025, a divisão B2B do Grupo Mateus registrou receita de R$ 2,1 bilhões, alta de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, atendendo mais de 48 mil clientes por mês por meio de sua rede de centros de distribuição.

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Cosan precisa de caixa, mas avisa que não vai vender a Rumo a qualquer preço

A Cosan reforçou que segue com seu plano de zerar o endividamento da holding, mesmo após ter reduzido sua dívida líquida expandida de R$ 23,5 bilhões para R$ 9,8 bilhões ao longo de 2025. O grupo descarta, porém, vender parte de seus ativos a qualquer valor para acelerar esse processo.

Mesmo com a necessidade de fazer caixa, a diretoria do grupo controlado por Rubens Ometto e André Esteves desmentiu negociações para vender sua fatia de 30% na operadora ferroviária Rumo para a Ultrapar e a gestora Perfin, uma das principais acionistas da Cosan desde o follow-on de setembro.

O CEO Marcelo Martins disse que a movimentação seria fruto de especulação de potenciais interessados tentando derrubar o preço das ações para comprar barato. Em 12 meses, os papéis da companhia recuam 5,5%, com market cap próximo a R$ 30 bilhões.

“Não temos neste momento absolutamente nenhum engajamento para fazer a operação que foi veiculada no mercado”, afirmou durante a teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 nesta terça-feira (10). “Isso não nos interessa.”

Abertos a negócio

Martins reconheceu que a venda de participações em ativos do portfólio faz parte da estratégia de desalavancagem, mas foi enfático ao negar que haja urgência ou que algum negócio específico esteja na linha de frente. “Nenhum acionista da companhia hoje nos pressiona para fazer um deal a qualquer preço”, disse o CEO.

O CFO Rafael Bergman destacou que a companhia também enxugou sua estrutura interna: o quadro de funcionários da Cosan foi reduzido entre 40% e 45%. O objetivo final, segundo Martins, é mais ambicioso: zerar a dívida da holding. 

“No passado, podíamos justificar nossa alavancagem pelo objetivo de crescimento do portfólio. Hoje, essas questões estão todas fora da mesa.” Para o CEO, a estrutura que a Cosan mantinha até então perdeu o sentido. “A holding da forma como existia no ano passado não tem mais razão de continuar.”

A Cosan encerrou o quarto trimestre de 2025 com dívida líquida expandida de R$ 9,8 bilhões, queda de quase R$ 14 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, após uma série de operações que incluíram a venda de ações da Vale, um follow-on de R$ 10,5 bilhões ancorado por BTG Pactual e Perfin.

Em paralelo, o grupo também fez uma venda parcial de ações da Rumo, cerca de 10% do capital, combinada com a contratação de um total return swap, instrumento pelo qual a Cosan vendeu parte da fatia na ferrovia para reforçar o caixa, mas manteve exposição econômica ao ativo.

O avanço, porém, ainda não se reflete no fluxo de caixa da holding: o índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se os dividendos recebidos das controladas são suficientes para pagar os juros, encerrou o ano em 0,9 vez, abaixo do patamar mínimo de 1,0 vez. 

IPO da Compass

O próximo passo concreto da desalavancagem já tem endereço: a Cosan protocolou na semana passada o pedido de registro para um IPO da Compass Gás e Energia, dona da Comgás.

A oferta será integralmente secundária, ou seja, sem emissão de novas ações, com os recursos indo diretamente para o caixa da holding, que será a vendedora dos papéis. A expectativa no mercado é que a operação movimente cerca de R$ 5 bilhões.

Na teleconferência, Martins reforçou que a capitalização de setembro nunca foi o ponto de chegada. “Sempre deixamos claro que o follow-on não era o último passo dessa história, era o início”, disse o CEO. O IPO da Compass é, segundo ele, a demonstração mais concreta desse compromisso.

Crise da Raízen

Enquanto a Cosan avança na desalavancagem, a Raízen segue em terreno incerto. A joint venture com a Shell acumula prejuízo de R$ 19,8 bilhões no ano-safra 2025/26 e, em fato relevante divulgado na última, revelou estar avaliando uma solução abrangente para sua estrutura de capital.

A proposta inclui um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo da família Ometto, a Aguassanta Investimentos, além da reestruturação do endividamento com possível conversão de dívida em capital. Uma recuperação extrajudicial segue como instrumento possível, caso necessário.

Chama atenção, porém, que a Cosan não participa dessa solução. Segundo Martins, a companhia dedicou os últimos seis meses tentando construir uma estrutura de capitalização que justificasse sua participação direta. As conversas, porém, não chegaram a um acordo nos termos que considerava adequados.

O ponto de ruptura foi a arquitetura do negócio. A Cosan defende que uma solução definitiva para a Raízen passa pela separação dos negócios da joint venture, com estruturas de capital distintas para o segmento de etanol, açúcar e bioenergia e para a distribuição de combustíveis. 

“São negócios com geração de caixa distintas e que exigem uma estrutura de capital também distinta”, disse Martins. “A não separação dos negócios para a gente é um problema.” Sem essa condição atendida, o aporte não estava justificado, especialmente diante das restrições de capital que a própria holding ainda enfrenta.

Martins afirmou que a Cosan continua acompanhando o processo como acionista e conselheira, e acredita que “nos próximos dias” devem surgir novos desdobramentos. O engajamento dos credores, segundo ele, está avançando de forma estruturada.

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Cosan precisa de caixa, mas avisa que não vai vender a Rumo a qualquer preço

A Cosan reforçou que segue com seu plano de zerar o endividamento da holding, mesmo após ter reduzido sua dívida líquida expandida de R$ 23,5 bilhões para R$ 9,8 bilhões ao longo de 2025. O grupo descarta, porém, vender parte de seus ativos a qualquer valor para acelerar esse processo.

Mesmo com a necessidade de fazer caixa, a diretoria do grupo controlado por Rubens Ometto e André Esteves desmentiu negociações para vender sua fatia de 30% na operadora ferroviária Rumo para a Ultrapar e a gestora Perfin, uma das principais acionistas da Cosan desde o follow-on de setembro.

O CEO Marcelo Martins disse que a movimentação seria fruto de especulação de potenciais interessados tentando derrubar o preço das ações para comprar barato. Em 12 meses, os papéis da companhia recuam 5,5%, com market cap próximo a R$ 30 bilhões.

“Não temos neste momento absolutamente nenhum engajamento para fazer a operação que foi veiculada no mercado”, afirmou durante a teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 nesta terça-feira (10). “Isso não nos interessa.”

Abertos a negócio

Martins reconheceu que a venda de participações em ativos do portfólio faz parte da estratégia de desalavancagem, mas foi enfático ao negar que haja urgência ou que algum negócio específico esteja na linha de frente. “Nenhum acionista da companhia hoje nos pressiona para fazer um deal a qualquer preço”, disse o CEO.

O CFO Rafael Bergman destacou que a companhia também enxugou sua estrutura interna: o quadro de funcionários da Cosan foi reduzido entre 40% e 45%. O objetivo final, segundo Martins, é mais ambicioso: zerar a dívida da holding. 

“No passado, podíamos justificar nossa alavancagem pelo objetivo de crescimento do portfólio. Hoje, essas questões estão todas fora da mesa.” Para o CEO, a estrutura que a Cosan mantinha até então perdeu o sentido. “A holding da forma como existia no ano passado não tem mais razão de continuar.”

A Cosan encerrou o quarto trimestre de 2025 com dívida líquida expandida de R$ 9,8 bilhões, queda de quase R$ 14 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, após uma série de operações que incluíram a venda de ações da Vale, um follow-on de R$ 10,5 bilhões ancorado por BTG Pactual e Perfin.

Em paralelo, o grupo também fez uma venda parcial de ações da Rumo, cerca de 10% do capital, combinada com a contratação de um total return swap, instrumento pelo qual a Cosan vendeu parte da fatia na ferrovia para reforçar o caixa, mas manteve exposição econômica ao ativo.

O avanço, porém, ainda não se reflete no fluxo de caixa da holding: o índice de cobertura do serviço da dívida, que mede se os dividendos recebidos das controladas são suficientes para pagar os juros, encerrou o ano em 0,9 vez, abaixo do patamar mínimo de 1,0 vez. 

IPO da Compass

O próximo passo concreto da desalavancagem já tem endereço: a Cosan protocolou na semana passada o pedido de registro para um IPO da Compass Gás e Energia, dona da Comgás.

A oferta será integralmente secundária, ou seja, sem emissão de novas ações, com os recursos indo diretamente para o caixa da holding, que será a vendedora dos papéis. A expectativa no mercado é que a operação movimente cerca de R$ 5 bilhões.

Na teleconferência, Martins reforçou que a capitalização de setembro nunca foi o ponto de chegada. “Sempre deixamos claro que o follow-on não era o último passo dessa história, era o início”, disse o CEO. O IPO da Compass é, segundo ele, a demonstração mais concreta desse compromisso.

Crise da Raízen

Enquanto a Cosan avança na desalavancagem, a Raízen segue em terreno incerto. A joint venture com a Shell acumula prejuízo de R$ 19,8 bilhões no ano-safra 2025/26 e, em fato relevante divulgado na última, revelou estar avaliando uma solução abrangente para sua estrutura de capital.

A proposta inclui um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões de um veículo da família Ometto, a Aguassanta Investimentos, além da reestruturação do endividamento com possível conversão de dívida em capital. Uma recuperação extrajudicial segue como instrumento possível, caso necessário.

Chama atenção, porém, que a Cosan não participa dessa solução. Segundo Martins, a companhia dedicou os últimos seis meses tentando construir uma estrutura de capitalização que justificasse sua participação direta. As conversas, porém, não chegaram a um acordo nos termos que considerava adequados.

O ponto de ruptura foi a arquitetura do negócio. A Cosan defende que uma solução definitiva para a Raízen passa pela separação dos negócios da joint venture, com estruturas de capital distintas para o segmento de etanol, açúcar e bioenergia e para a distribuição de combustíveis. 

“São negócios com geração de caixa distintas e que exigem uma estrutura de capital também distinta”, disse Martins. “A não separação dos negócios para a gente é um problema.” Sem essa condição atendida, o aporte não estava justificado, especialmente diante das restrições de capital que a própria holding ainda enfrenta.

Martins afirmou que a Cosan continua acompanhando o processo como acionista e conselheira, e acredita que “nos próximos dias” devem surgir novos desdobramentos. O engajamento dos credores, segundo ele, está avançando de forma estruturada.

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Exclusivo: Cade libera troca de controle na Braskem e abre caminho para gestora IG4

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acaba de aprovar sem restrições a transação em que a gestora IG4 assumirá o controle da Braskem. Agora, haverá um prazo de 15 dias para que haja manifestações e, caso não ocorra contestações, a operação será aprovada em definitivo.

A decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira (6) após 73 dias de análise, prazo considerado atípico para transações deste tipo. A demora poderia levar a um desmanche do negócio, como mostrou com exclusividade o InvestNews na última quarta-feira (4).

A demora na análise vinha pressionando as negociações entre IG4 e Petrobras e colocando em risco a própria situação financeira da petroquímica. Como revelou o InvestNews, a Braskem teria apenas cerca de quatro meses de caixa e enfrentaria vencimentos relevantes de juros já no meio do ano, sem espaço no mercado para novas captações.

Sem o aval do Cade, a gestora e a Petrobras não poderiam assumir formalmente o controle da companhia nem liderar uma eventual renegociação de suas dívidas — um passo considerado essencial para estabilizar a empresa. Uma recuperação judicial já vinha sendo preparada.

No parecer que embasou a decisão, a Superintendência-Geral do Cade concluiu que a operação representa apenas a substituição da Novonor como acionista da Braskem por um fundo estruturado sob consultoria da IG4, sem efeitos concorrenciais relevantes no setor petroquímico. Por isso, a autarquia aprovou a transação sem remédios.

Atrasos

O processo acabou se estendendo após manifestações de entidades do setor plástico e de órgãos públicos. No parecer, o Cade registra que essas intervenções levantaram preocupações sobre estrutura de mercado e contratos da cadeia petroquímica, mas concluiu que esses temas não têm relação direta com a mudança de controle da companhia.

Também houve manifestação do Ministério Público Federal (MPF) pedindo que fossem considerados os impactos ambientais do caso Alagoas. O Cade afirmou, porém, que não identificou nexo de causalidade entre a operação societária e o cenário descrito, limitando sua análise aos efeitos concorrenciais da transação.

Relembre a operação

O acordo que levou a IG4 ao controle da Braskem foi anunciado em dezembro e estruturado a partir das dívidas da Novonor com cinco bancos credores – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES – que tinham ações da petroquímica dadas em garantia em empréstimos concedidos à antiga Odebrecht.

Esses credores transferiram cerca de R$ 20 bilhões em créditos, garantidos por ações da Braskem, para o fundo Shine I, ligado à gestora IG4, do empresário Paulo Mattos. Com isso, a gestora passa a assumir as ações que estavam dadas em alienação fiduciária, herdando a participação que antes pertencia à Novonor.

Ao final da operação, a IG4 ficará com cerca de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da Braskem, tornando-se a principal acionista da companhia. A Petrobras, que já detém 47% das ações com direito a voto, seguirá como sócia relevante e dividirá o controle da petroquímica com a gestora.

As duas empresas deverão firmar um novo acordo de acionistas para formalizar o co-controle e definir a nova governança da companhia. O CEO deverá ser indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho ficaria a cargo de um nome ligado à Petrobras.

A Novonor permanecerá apenas com uma participação residual de cerca de 4% do capital, em ações preferenciais e sem direito a voto.

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Exclusivo: Cade libera troca de controle na Braskem e abre caminho para gestora IG4

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acaba de aprovar sem restrições a transação em que a gestora IG4 assumirá o controle da Braskem. Agora, haverá um prazo de 15 dias para que haja manifestações e, caso não ocorra contestações, a operação será aprovada em definitivo.

A decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira (6) após 73 dias de análise, prazo considerado atípico para transações deste tipo. A demora poderia levar a um desmanche do negócio, como mostrou com exclusividade o InvestNews na última quarta-feira (4).

A demora na análise vinha pressionando as negociações entre IG4 e Petrobras e colocando em risco a própria situação financeira da petroquímica. Como revelou o InvestNews, a Braskem teria apenas cerca de quatro meses de caixa e enfrentaria vencimentos relevantes de juros já no meio do ano, sem espaço no mercado para novas captações.

Sem o aval do Cade, a gestora e a Petrobras não poderiam assumir formalmente o controle da companhia nem liderar uma eventual renegociação de suas dívidas — um passo considerado essencial para estabilizar a empresa. Uma recuperação judicial já vinha sendo preparada.

No parecer que embasou a decisão, a Superintendência-Geral do Cade concluiu que a operação representa apenas a substituição da Novonor como acionista da Braskem por um fundo estruturado sob consultoria da IG4, sem efeitos concorrenciais relevantes no setor petroquímico. Por isso, a autarquia aprovou a transação sem remédios.

Atrasos

O processo acabou se estendendo após manifestações de entidades do setor plástico e de órgãos públicos. No parecer, o Cade registra que essas intervenções levantaram preocupações sobre estrutura de mercado e contratos da cadeia petroquímica, mas concluiu que esses temas não têm relação direta com a mudança de controle da companhia.

Também houve manifestação do Ministério Público Federal (MPF) pedindo que fossem considerados os impactos ambientais do caso Alagoas. O Cade afirmou, porém, que não identificou nexo de causalidade entre a operação societária e o cenário descrito, limitando sua análise aos efeitos concorrenciais da transação.

Relembre a operação

O acordo que levou a IG4 ao controle da Braskem foi anunciado em dezembro e estruturado a partir das dívidas da Novonor com cinco bancos credores – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES – que tinham ações da petroquímica dadas em garantia em empréstimos concedidos à antiga Odebrecht.

Esses credores transferiram cerca de R$ 20 bilhões em créditos, garantidos por ações da Braskem, para o fundo Shine I, ligado à gestora IG4, do empresário Paulo Mattos. Com isso, a gestora passa a assumir as ações que estavam dadas em alienação fiduciária, herdando a participação que antes pertencia à Novonor.

Ao final da operação, a IG4 ficará com cerca de 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da Braskem, tornando-se a principal acionista da companhia. A Petrobras, que já detém 47% das ações com direito a voto, seguirá como sócia relevante e dividirá o controle da petroquímica com a gestora.

As duas empresas deverão firmar um novo acordo de acionistas para formalizar o co-controle e definir a nova governança da companhia. O CEO deverá ser indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho ficaria a cargo de um nome ligado à Petrobras.

A Novonor permanecerá apenas com uma participação residual de cerca de 4% do capital, em ações preferenciais e sem direito a voto.

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Petrobras se esquiva sobre Braskem e aponta ciclo de geração de caixa com pré-sal, refino e gás

Após registrar produção recorde de petróleo em 2025, impulsionada pelo avanço do pré-sal, a Petrobras vê espaço para ampliar a geração de caixa nos próximos anos com três frentes: crescimento da produção, maior utilização das refinarias e expansão do mercado de gás natural.

A estratégia da maior empresa do país será executada em um cenário de maior volatilidade do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a pressão do mercado sobre eventuais repasses de preços dos combustíveis no Brasil.

Já sobre a crise da Braskem, com o risco de a gestora IG4 abandonar as negociações para assumir o controle da petroquímica diante da demora na análise do caso pelo Cade, a diretoria da Petrobras se esquivou e demonstrou otimismo de que o órgão regulador libere a transação “o mais breve possível”. Após a publicação deste texto, o Cade autorizou a troca de controle na Braskem.

Crise da Braskem

A situação da Braskem voltou ao radar da diretoria da Petrobras. Executivos foram questionados na manhã desta sexta-feira (6) sobre o andamento da operação que pode levar a gestora IG4, do investidor Paulo Mattos, a assumir o controle da petroquímica ao lado da estatal.

O processo aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) desde dezembro e vem se arrastando mais do que o esperado, aumentando a incerteza sobre o futuro da empresa.

Como o InvestNews mostrou com exclusividade na quarta-feira (4), a demora regulatória começa a pressionar a situação financeira da petroquímica, que teria cerca de três meses de caixa para fazer frente às suas obrigações.

O cenário de incerteza também passou a afetar o destino da transação. A IG4 já sinalizou a bancos credores que pode abandonar as negociações caso o processo no Cade siga se arrastando a situação financeira da companhia se deteriore ainda mais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal segue acompanhando o processo, mas destacou que a conclusão da operação depende da decisão das autoridades concorrenciais. A executiva disse esperar que a análise do Cade seja concluída “o mais breve possível”.

Refinaria da Braskem nos Estados Unidos
Refinaria da Braskem nos Estados Unidos(Bloomberg/Luke Sharrett)

“Enquanto o processo não é concluído, seguimos acompanhando a situação. As decisões estruturais dependem da conclusão dessa etapa”, acrescentou o diretor financeiro Fernando Melgarejo, durante a apresentação dos resultados da Petrobras no quarto trimestre de 2025.

A Braskem encerrou o terceiro trimestre do ano passado com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o Ebitda, patamar considerado elevado por analistas e que limita o acesso da empresa a novas captações no mercado. 

Diante do aperto de liquidez, uma eventual recuperação judicial já passa a ser discutida.

Crescimento no pré-sal

Sobre óleo e gás, Magda destacou que o crescimento de 11% na produção de 2025 se deve, em grande parte, a melhorias na gestão de reservatórios, que reduziram o declínio natural dos campos e permitiram que plataformas recém-instaladas no pré-sal se traduzissem em crescimento líquido de produção.

“A gente conseguiu reduzir o declínio das jazidas e isso muda o patamar de produção. Com novas plataformas entrando em operação, elas passam a representar aumento real de produção”, afirmou a CEO da Petrobras.

Entre os projetos que sustentam essa estratégia estão novas plataformas no pré-sal e o ramp-up de unidades que entraram recentemente em operação. A Petrobras citou, entre os sistemas em aceleração, os FPSOs Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, Marechal Duque de Caxias, em Mero, e Maria Quitéria, em Jubarte, além da P-78, também em Búzios. 

Plataforma P-74 no campo de Búzios, operado pela Petrobras com duas sócias chinesas. Foto: Divulgação/Petrobrás

Nos próximos anos, a companhia ainda prevê a entrada de novas unidades no mesmo campo, como P-79, P-80, P-82 e P-83, que devem sustentar o aumento gradual da produção no pré-sal.

Búzios, em particular, vem se consolidando como o principal motor de crescimento da Petrobras. O campo já ultrapassou a marca de 1 milhão de barris por dia de produção e concentra boa parte dos novos sistemas que entrarão em operação ao longo da década.

Refino e gás

Outro eixo da estratégia é ampliar o uso das refinarias. As unidades operaram com capacidade média de utilização de 91% em 2025, nível que a companhia pretende elevar ainda mais neste ano. O objetivo é aumentar a produção de derivados de maior valor agregado –principalmente diesel, gasolina e querosene de aviação – e capturar mais margem no mercado doméstico.

“Aumentar a utilização das refinarias é uma forma direta de capturar valor adicional na cadeia. Quando operamos próximos da capacidade máxima, conseguimos melhorar o mix de derivados e ampliar a rentabilidade do refino”, afirmou Magda Chambriard.

A estratégia também inclui investimentos para ampliar a produção de combustíveis de maior qualidade e adaptar unidades industriais para novos produtos, como diesel de baixo teor de enxofre e combustíveis de aviação.

Técnico de capacete inspeciona tubulações e válvulas de estação de gás ou petróleo.
Gás Natural – Foto: Agência Petrobras

No segmento de gás natural, a companhia também vê espaço para crescimento, impulsionado pela abertura gradual do mercado brasileiro e pela expansão do consumo industrial. A diretoria destacou o aumento da base de clientes no mercado livre de gás, com novos contratos firmes assinados nos últimos meses.

“Estamos ampliando nossa presença no mercado livre e diversificando a carteira de clientes. O gás natural é um vetor importante de crescimento para a companhia nos próximos anos”, acrescentou Melgarejo.

A Petrobras também aposta na expansão da infraestrutura de escoamento e processamento de gás, incluindo projetos ligados ao Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, que deve reforçar a oferta do combustível para o mercado brasileiro.

Política de preços

Apesar da volatilidade recente do petróleo, a Petrobras indicou que pretende manter sua estratégia comercial para combustíveis no Brasil, baseada na observação das paridades internacionais, mas evitando repassar automaticamente oscilações de curto prazo ao consumidor.

“A nossa estratégia comercial foi construída justamente para momentos de volatilidade. A gente observa o mercado, mas não transfere automaticamente cada movimento para o preço doméstico”, disse Melgarejo.

Irã sofre ataques dos EUA
Irã sofre ataques dos EUA neste sábado (28/02) (Foto: Bloomberg)

Executivos lembraram que o diesel permanece há cerca de 300 dias sem reajuste, citando o dado como exemplo da estratégia de estabilidade de preços no mercado interno.

A estratégia operacional ocorre em um momento de maior incerteza no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas e oscilações recentes no Brent. Executivos disseram que a companhia foi estruturada para operar em uma ampla faixa de preços da commodity.

“Temos que estar preparados para qualquer cenário. Se o petróleo estiver a US$ 85 ou a US$ 55, a empresa precisa continuar gerando caixa e executando seus projetos”, concluiu Magda.

Resultados

No quarto trimestre de 2025, a Petrobras registrou receita líquida de R$ 127,4 bilhões, alta de 5% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões, avanço de cerca de 46,3% frente ao mesmo período de 2024.

A companhia também voltou ao azul no período, com lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, após ter registrado prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre do ano anterior.

No acumulado de 2025, a petroleira reportou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões, quase triplicando o resultado em relação a 2024.

A produção total de óleo e gás cresceu 11%, com média próxima de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, impulsionada principalmente pela entrada de novos sistemas no pré-sal.

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Petrobras se esquiva sobre Braskem e aponta ciclo de geração de caixa com pré-sal, refino e gás

Após registrar produção recorde de petróleo em 2025, impulsionada pelo avanço do pré-sal, a Petrobras vê espaço para ampliar a geração de caixa nos próximos anos com três frentes: crescimento da produção, maior utilização das refinarias e expansão do mercado de gás natural.

A estratégia da maior empresa do país será executada em um cenário de maior volatilidade do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a pressão do mercado sobre eventuais repasses de preços dos combustíveis no Brasil.

Já sobre a crise da Braskem, com o risco de a gestora IG4 abandonar as negociações para assumir o controle da petroquímica diante da demora na análise do caso pelo Cade, a diretoria da Petrobras se esquivou e demonstrou otimismo de que o órgão regulador libere a transação “o mais breve possível”. Após a publicação deste texto, o Cade autorizou a troca de controle na Braskem.

Crise da Braskem

A situação da Braskem voltou ao radar da diretoria da Petrobras. Executivos foram questionados na manhã desta sexta-feira (6) sobre o andamento da operação que pode levar a gestora IG4, do investidor Paulo Mattos, a assumir o controle da petroquímica ao lado da estatal.

O processo aguarda análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) desde dezembro e vem se arrastando mais do que o esperado, aumentando a incerteza sobre o futuro da empresa.

Como o InvestNews mostrou com exclusividade na quarta-feira (4), a demora regulatória começa a pressionar a situação financeira da petroquímica, que teria cerca de três meses de caixa para fazer frente às suas obrigações.

O cenário de incerteza também passou a afetar o destino da transação. A IG4 já sinalizou a bancos credores que pode abandonar as negociações caso o processo no Cade siga se arrastando a situação financeira da companhia se deteriore ainda mais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a estatal segue acompanhando o processo, mas destacou que a conclusão da operação depende da decisão das autoridades concorrenciais. A executiva disse esperar que a análise do Cade seja concluída “o mais breve possível”.

Refinaria da Braskem nos Estados Unidos
Refinaria da Braskem nos Estados Unidos(Bloomberg/Luke Sharrett)

“Enquanto o processo não é concluído, seguimos acompanhando a situação. As decisões estruturais dependem da conclusão dessa etapa”, acrescentou o diretor financeiro Fernando Melgarejo, durante a apresentação dos resultados da Petrobras no quarto trimestre de 2025.

A Braskem encerrou o terceiro trimestre do ano passado com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o Ebitda, patamar considerado elevado por analistas e que limita o acesso da empresa a novas captações no mercado. 

Diante do aperto de liquidez, uma eventual recuperação judicial já passa a ser discutida.

Crescimento no pré-sal

Sobre óleo e gás, Magda destacou que o crescimento de 11% na produção de 2025 se deve, em grande parte, a melhorias na gestão de reservatórios, que reduziram o declínio natural dos campos e permitiram que plataformas recém-instaladas no pré-sal se traduzissem em crescimento líquido de produção.

“A gente conseguiu reduzir o declínio das jazidas e isso muda o patamar de produção. Com novas plataformas entrando em operação, elas passam a representar aumento real de produção”, afirmou a CEO da Petrobras.

Entre os projetos que sustentam essa estratégia estão novas plataformas no pré-sal e o ramp-up de unidades que entraram recentemente em operação. A Petrobras citou, entre os sistemas em aceleração, os FPSOs Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, Marechal Duque de Caxias, em Mero, e Maria Quitéria, em Jubarte, além da P-78, também em Búzios. 

Plataforma P-74 no campo de Búzios, operado pela Petrobras com duas sócias chinesas. Foto: Divulgação/Petrobrás

Nos próximos anos, a companhia ainda prevê a entrada de novas unidades no mesmo campo, como P-79, P-80, P-82 e P-83, que devem sustentar o aumento gradual da produção no pré-sal.

Búzios, em particular, vem se consolidando como o principal motor de crescimento da Petrobras. O campo já ultrapassou a marca de 1 milhão de barris por dia de produção e concentra boa parte dos novos sistemas que entrarão em operação ao longo da década.

Refino e gás

Outro eixo da estratégia é ampliar o uso das refinarias. As unidades operaram com capacidade média de utilização de 91% em 2025, nível que a companhia pretende elevar ainda mais neste ano. O objetivo é aumentar a produção de derivados de maior valor agregado –principalmente diesel, gasolina e querosene de aviação – e capturar mais margem no mercado doméstico.

“Aumentar a utilização das refinarias é uma forma direta de capturar valor adicional na cadeia. Quando operamos próximos da capacidade máxima, conseguimos melhorar o mix de derivados e ampliar a rentabilidade do refino”, afirmou Magda Chambriard.

A estratégia também inclui investimentos para ampliar a produção de combustíveis de maior qualidade e adaptar unidades industriais para novos produtos, como diesel de baixo teor de enxofre e combustíveis de aviação.

Técnico de capacete inspeciona tubulações e válvulas de estação de gás ou petróleo.
Gás Natural – Foto: Agência Petrobras

No segmento de gás natural, a companhia também vê espaço para crescimento, impulsionado pela abertura gradual do mercado brasileiro e pela expansão do consumo industrial. A diretoria destacou o aumento da base de clientes no mercado livre de gás, com novos contratos firmes assinados nos últimos meses.

“Estamos ampliando nossa presença no mercado livre e diversificando a carteira de clientes. O gás natural é um vetor importante de crescimento para a companhia nos próximos anos”, acrescentou Melgarejo.

A Petrobras também aposta na expansão da infraestrutura de escoamento e processamento de gás, incluindo projetos ligados ao Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, que deve reforçar a oferta do combustível para o mercado brasileiro.

Política de preços

Apesar da volatilidade recente do petróleo, a Petrobras indicou que pretende manter sua estratégia comercial para combustíveis no Brasil, baseada na observação das paridades internacionais, mas evitando repassar automaticamente oscilações de curto prazo ao consumidor.

“A nossa estratégia comercial foi construída justamente para momentos de volatilidade. A gente observa o mercado, mas não transfere automaticamente cada movimento para o preço doméstico”, disse Melgarejo.

Irã sofre ataques dos EUA
Irã sofre ataques dos EUA neste sábado (28/02) (Foto: Bloomberg)

Executivos lembraram que o diesel permanece há cerca de 300 dias sem reajuste, citando o dado como exemplo da estratégia de estabilidade de preços no mercado interno.

A estratégia operacional ocorre em um momento de maior incerteza no mercado internacional de petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas e oscilações recentes no Brent. Executivos disseram que a companhia foi estruturada para operar em uma ampla faixa de preços da commodity.

“Temos que estar preparados para qualquer cenário. Se o petróleo estiver a US$ 85 ou a US$ 55, a empresa precisa continuar gerando caixa e executando seus projetos”, concluiu Magda.

Resultados

No quarto trimestre de 2025, a Petrobras registrou receita líquida de R$ 127,4 bilhões, alta de 5% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 59,9 bilhões, avanço de cerca de 46,3% frente ao mesmo período de 2024.

A companhia também voltou ao azul no período, com lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, após ter registrado prejuízo de R$ 17 bilhões no quarto trimestre do ano anterior.

No acumulado de 2025, a petroleira reportou lucro líquido de R$ 110,6 bilhões, quase triplicando o resultado em relação a 2024.

A produção total de óleo e gás cresceu 11%, com média próxima de 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, impulsionada principalmente pela entrada de novos sistemas no pré-sal.

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EMS vence disputa pela Medley e compra marca de genéricos por US$ 600 milhões

A EMS, farmacêutica controlada pela família Sanchez, fechou a compra da Medley, marca de medicamentos genéricos da francesa Sanofi no Brasil, em uma operação avaliada em cerca de US$ 600 milhões, aproximadamente R$ 3,2 bilhões na conversão de hoje.

O acordo foi assinado nesta sexta-feira (6) e ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A transação encerra um processo competitivo que envolveu outros interessados, como Aché, Hypera, Biolab e a indiana Sun Pharma, como noticiaram os colegas do Neofeed.

Com a aquisição, a EMS reforça sua posição como uma das maiores fabricantes de medicamentos genéricos do país após uma tentativa frustrada de fusão com a concorrente Hypera. A Medley registrou faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025, com resultado operacional (Ebitda) próximo de R$ 200 milhões.

O processo de venda da Medley havia sido antecipado pelo InvestNews em dezembro de 2024, quando a Sanofi iniciou a busca por um comprador, em meio a uma reorganização global de portfólio. À época, a pedida era de US$ 1,5 bilhão, mas o negócio acabou saindo por menos da metade.

Em comunicado conjunto divulgado nesta sexta-feira, as empresas afirmaram que a operação abre um novo capítulo para a Medley ao combinar a marca consolidada da companhia no mercado brasileiro com a escala industrial da EMS.

“A Medley representa um ativo estratégico complementar às operações do grupo. A empresa construiu uma marca muito sólida e respeitada no mercado brasileiro”, afirmou, em nota, Carlos Sanchez, presidente do conselho de administração da EMS.

Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS
Carlos Sanchez, fundador e controlador da EMS (Fiesc/Divulgação)

A Sanofi, por sua vez, disse que a venda está alinhada à estratégia global da companhia de concentrar investimentos em medicamentos biofarmacêuticos, produtos OTCs (como antigripais e outros remédios sem necessidade de prescrição por meio da Opella) e vacinas.

Segundo as empresas, a Medley continuará operando normalmente até a conclusão da transação e será mantida como uma marca independente dentro da estrutura da EMS. A Medley foi comprada da família Negrão pela Sanofi em 2009 por R$ 1,5 bilhão.

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Exclusivo: Demora no Cade coloca em xeque caixa da Braskem e acordo IG4-Petrobras

A demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira, apurou o InvestNews. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Segundo pessoas próximas às negociações, a Braskem teria apenas mais quatro meses de caixa e enfrentaria dificuldades para quitar pagamentos de juros já na metade do ano. Procurada, a Braskem não comentou.

Sem o aval do órgão antitruste, nem a IG4 nem a Petrobras podem assumir de fato as discussões sobre a renegociação das dívidas da companhia. “É uma situação insustentável, não existe justificativa técnica para não aprovarem”, diz uma das fontes.

De acordo com o balanço mais recente da Braskem, a petroquímica encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o resultado operacional (Ebitda).

A avaliação neste momento é que o impasse, considerado “político-institucional”, pode levar a gestora a desistir da operação. Procurada, a IG4 não comentou.

Processo longo

Um executivo lembra que, quando o empresário Nelson Tanure tentou adquirir o controle da Braskem, em julho do ano passado, a aprovação do Cade ocorreu sem restrições em apenas 12 dias – o processo acabou se alongando por mais três meses depois que a Petrobras contestou a decisão.

Um dos pontos levantados nos bastidores é que a demora na análise pelo Cade poderia refletir pressões políticas em torno da autarquia e da Petrobras. “Está sem prazo [de análise] e ninguém sabe quando será”, reforça outra fonte.

Em paralelo, a estatal estaria em desentendimentos com a Novonor (ex-Odebrecht), sua atual sócia na Braskem, sobre investimentos na Refinaria Riograndense, no Rio Grande do Sul, um projeto de conversão da unidade para produção de combustíveis renováveis, conduzido em parceria com o grupo Ultrapar.

Profissionais que acompanham a Braskem de perto afirmam que a companhia enfrenta uma situação financeira cada vez mais delicada, com vencimentos relevantes de juros previstos para o meio do ano e sem nenhum espaço no mercado para novas captações.

Reestruturação maior

A avaliação de momento é que, se mantido o ritmo atual da análise regulatória, existe o risco de que a Braskem vá precisar discutir uma reestruturação mais ampla da dívida antes mesmo da conclusão da mudança de controle. “Se a situação continuar se deteriorando e não houver tempo, a companhia pode acabar parando em uma recuperação judicial”, acrescenta a fonte.

No dia 15 de dezembro, a gestora IG4, do empresário Paulo Mattos, fechou um acordo com os credores da Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações da Braskem e se tornar o controlador da petroquímica, ao lado da Petrobras, que seguirá como sócia relevante e co-controladora. A tendência é que o CEO seja indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho fique com a Petrobras.

Em 23 de dezembro, IG4 e Petrobras deram entrada com o pedido no Cade. As partes sustentam que se trata apenas de uma substituição de controlador, sem efeitos concorrenciais relevantes. No mês passado, o Cade decidiu esticar a análise do processo, sem prazo determinado. A última movimentação no processo ocorreu nesta quarta-feira (4), com despacho no gabinete da presidência do órgão.

Procurados, Braskem, Cade e Petrobras não comentaram até a publicação deste texto.

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Exclusivo: Demora no Cade coloca em xeque caixa da Braskem e acordo IG4-Petrobras

A demora na análise do processo que trata da troca de controle da Braskem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode levar a um desmanche no acordo entre a IG4 e a Petrobras para dividirem o controle da petroquímica e comprometer a sua saúde financeira, apurou o InvestNews. A operação foi apresentada à autarquia no dia 23 de dezembro.

Segundo pessoas próximas às negociações, a Braskem teria apenas mais quatro meses de caixa e enfrentaria dificuldades para quitar pagamentos de juros já na metade do ano. Procurada, a Braskem não comentou.

Sem o aval do órgão antitruste, nem a IG4 nem a Petrobras podem assumir de fato as discussões sobre a renegociação das dívidas da companhia. “É uma situação insustentável, não existe justificativa técnica para não aprovarem”, diz uma das fontes.

De acordo com o balanço mais recente da Braskem, a petroquímica encerrou o terceiro trimestre com dívida líquida de cerca de US$ 7,1 bilhões e alavancagem de 14,8 vezes o resultado operacional (Ebitda).

A avaliação neste momento é que o impasse, considerado “político-institucional”, pode levar a gestora a desistir da operação. Procurada, a IG4 não comentou.

Processo longo

Um executivo lembra que, quando o empresário Nelson Tanure tentou adquirir o controle da Braskem, em julho do ano passado, a aprovação do Cade ocorreu sem restrições em apenas 12 dias – o processo acabou se alongando por mais três meses depois que a Petrobras contestou a decisão.

Um dos pontos levantados nos bastidores é que a demora na análise pelo Cade poderia refletir pressões políticas em torno da autarquia e da Petrobras. “Está sem prazo [de análise] e ninguém sabe quando será”, reforça outra fonte.

Em paralelo, a estatal estaria em desentendimentos com a Novonor (ex-Odebrecht), sua atual sócia na Braskem, sobre investimentos na Refinaria Riograndense, no Rio Grande do Sul, um projeto de conversão da unidade para produção de combustíveis renováveis, conduzido em parceria com o grupo Ultrapar.

Profissionais que acompanham a Braskem de perto afirmam que a companhia enfrenta uma situação financeira cada vez mais delicada, com vencimentos relevantes de juros previstos para o meio do ano e sem nenhum espaço no mercado para novas captações.

Reestruturação maior

A avaliação de momento é que, se mantido o ritmo atual da análise regulatória, existe o risco de que a Braskem vá precisar discutir uma reestruturação mais ampla da dívida antes mesmo da conclusão da mudança de controle. “Se a situação continuar se deteriorando e não houver tempo, a companhia pode acabar parando em uma recuperação judicial”, acrescenta a fonte.

No dia 15 de dezembro, a gestora IG4, do empresário Paulo Mattos, fechou um acordo com os credores da Novonor (ex-Odebrecht) para assumir as ações da Braskem e se tornar o controlador da petroquímica, ao lado da Petrobras, que seguirá como sócia relevante e co-controladora. A tendência é que o CEO seja indicado pela IG4, enquanto a presidência do conselho fique com a Petrobras.

Em 23 de dezembro, IG4 e Petrobras deram entrada com o pedido no Cade. As partes sustentam que se trata apenas de uma substituição de controlador, sem efeitos concorrenciais relevantes. No mês passado, o Cade decidiu esticar a análise do processo, sem prazo determinado. A última movimentação no processo ocorreu nesta quarta-feira (4), com despacho no gabinete da presidência do órgão.

Procurados, Braskem, Cade e Petrobras não comentaram até a publicação deste texto.

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Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

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Comerc, da Vibra Energia, deixa projeto de usina solar flutuante em SP

A Comerc Energia, comercializadora de energia da Vibra, está vendendo a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, empresa criada para desenvolver um projeto de usinas solares flutuantes na represa Billings, na Grande São Paulo.

Com a operação, KWP Energia – que já era sócia no empreendimento – passará a deter 100% do capital da sociedade, assumindo o controle integral do projeto. Antes da transação, Comerc e KWP dividiam a empresa em partes iguais.

A sociedade de propósito específico (SPE) foi estruturada para viabilizar a instalação de até 80 megawatts de geração solar flutuante no reservatório, em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae). O valor da operação não foi divulgado.

O projeto tem origem em chamadas públicas realizadas pela Emae entre 2020 e 2021 para o desenvolvimento de usinas solares sobre a lâmina d’água do reservatório. A KWP foi selecionada como desenvolvedora e, posteriormente, estruturou a sociedade com a entrada da Comerc como sócia, em meados de 2024.

A iniciativa está enquadrada no modelo de geração distribuída, no qual a energia é produzida próxima ao consumo e conectada à rede de distribuição. Mesmo se atingir os 80 MW planejados, o projeto representaria uma fração pequena do mercado brasileiro de geração distribuída, que soma cerca de 45 GW instalados.

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Cosan e BTG recuam e deixam Shell conduzir a reestruturação da Raízen

Cosan e BTG Pactual decidiram dar um passo atrás e deixar a Shell assumir o comando da reestruturação financeira da Raízen. Desde o início das conversas, os brasileiros defendiam que caberia à petroleira anglo-holandesa liderar a solução – e, diante dos impasses recentes, esse acabou sendo o caminho adotado.

A declaração pública feita na terça-feira (3) pelo presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, de que a petroleira estava pronta para investir R$ 3,5 bilhões na Raízen e esperava o mesmo de sua sócia, a Cosan, foi mal recebida do outro lado da mesa e ajudou a azedar as negociações, apurou o InvestNews.

As divergências entre os sócios vão desde o tamanho do aporte necessário na companhia até a conveniência de dividir a empresa em duas estruturas, além de discussões sobre conversão de dívidas e o uso de créditos tributários.

No desenho que hoje ganha força nas negociações, a Shell colocaria cerca de R$ 3,5 bilhões no caixa da Raízen, enquanto o empresário Rubens Ometto, um dos controladores da Cosan, aportaria diretamente R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, a Aguassanta.

A Cosan, que chegou a anunciar na segunda etapa de seu follow-on de R$ 10 bilhões que poderia usar parte dos recursos para capitalizar a Raízen, e o BTG ficariam de fora de qualquer novo investimento.

A avaliação entre os envolvidos é que esse arranjo tende a prevalecer, diante da dificuldade de construir consenso em torno de outras alternativas.

Impasse

Na semana passada, executivos do BTG, da Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram em Londres para discutir possíveis caminhos para a reestruturação, mas deixaram a capital britânica sem um acordo.

A discussão sobre uma reestruturação ocorre em meio ao forte aumento do endividamento da companhia. A dívida bruta da Raízen chegou a cerca de R$ 70 bilhões, com R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, o que coloca a alavancagem em 5,3 vezes o resultado operacional (Ebitda).

visualization

O custo financeiro para carregar esse passivo já supera R$ 7 bilhões por ano, segundo pessoas próximas das negociações. Nos nove meses do ano-safra 2025/26, a companhia reportou cerca de R$ 4 bilhões em despesas com o serviço da dívida.

Com a Shell liderando o aporte e sem uma contraparte da Cosan, a petroleira passaria a consolidar os R$ 70 bilhões de dívida bruta em seu balanço, algo próximo a US$ 13,5 bilhões. Por outro lado, o grupo de Ometto e André Esteves seria diluído na composição acionária – hoje, Shell e Cosan possuem 88% da Raízen, sendo 44% de cada.

Visões diferentes

A petroleira anglo-holandesa defende uma solução considerada mais simples e imediata, com um aporte de cerca de R$ 7 bilhões – metade da Shell e metade da Cosan – combinado à renegociação das dívidas, com possíveis haircuts e conversão de parte do débito em ações da Raízen. 

Já a Cosan, hoje co-controlada por Rubens Ometto e o BTG Pactual defende uma alternativa mais estrutural. A proposta do grupo brasileiro prevê dividir a Raízen em duas empresas, separando a produção e o processamento da cana-de-açúcar da operação de distribuição de combustíveis. 

Nesse desenho, fundos de private equity do BTG teriam mandato para aportar cerca de R$ 5,5 bilhões na empresa de combustíveis, assumindo o controle do negócio e tendo a Shell como sócia.

Por regras internas, no entanto, o private equity do banco não investe diretamente em empresas expostas a commodities, o que ajuda a explicar o interesse apenas na divisão de combustíveis, e não na operação agrícola e industrial ligada à cana.

A lógica por trás da proposta é que os dois negócios têm perfis de risco muito distintos. Enquanto a distribuição de combustíveis tende a gerar fluxo de caixa mais previsível, a produção de açúcar e etanol está mais sujeita ao ciclo das commodities e à volatilidade das safras.

Diante do impasse entre os sócios, prevaleceu a avaliação de que caberia à Shell liderar a solução.

A marca Shell e a rede de postos – ativos centrais da operação de combustíveis da Raízen – pertencem ao grupo anglo-holandês. “A solução acabou voltando para a Shell”, disse uma pessoa próxima das negociações. “A marca e os postos são dela.”

Tributos

Parte da discussão sobre a reestruturação envolve também o tratamento de passivos tributários, prejuízos fiscais acumulados e créditos fiscais relevantes que a companhia possui.

Nas demonstrações financeiras mais recentes, a Raízen reportou R$ 23,5 bilhões em prejuízos fiscais acumulados, que poderiam gerar ativos fiscais diferidos de aproximadamente R$ 5,9 bilhões. Parte desses créditos, porém, não é reconhecida no balanço por falta de previsibilidade de lucros tributáveis suficientes para sua utilização.

Segundo uma das fontes, esses créditos e passivos podem ganhar nova dimensão com a implementação da reforma tributária, que tende a simplificar a tributação do setor de combustíveis e tornar mais previsível a carga fiscal da atividade de distribuição.

Nesse contexto, a eventual separação entre os negócios poderia permitir isolar os ativos de distribuição em uma estrutura com maior capacidade de atrair investidores financeiros ou suportar níveis mais altos de endividamento.

“Tem uma série de créditos fiscais e passivos tributários que precisam ser renegociados e que podem mudar com a reforma tributária”, disse a fonte.

Reorganização

Movimentos recentes da própria companhia sugerem que a estrutura do grupo já vem sendo reorganizada.

Nesta semana, a Raízen anunciou uma cisão parcial da Raízen Energia, com a transferência de participações societárias e outros ativos para uma nova empresa do grupo, a Raízen Participações.

A cisão envolve principalmente participações em subsidiárias e ativos intangíveis ligados a essas estruturas – um tipo de reorganização frequentemente usado para concentrar ativos em holdings antes de processos de venda, entrada de investidores ou separação de unidades de negócio.

Segundo o documento divulgado pela companhia, a operação tem como objetivo simplificar a estrutura societária do grupo.

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Cosan e BTG recuam e deixam Shell conduzir a reestruturação da Raízen

Cosan e BTG Pactual decidiram dar um passo atrás e deixar a Shell assumir o comando da reestruturação financeira da Raízen. Desde o início das conversas, os brasileiros defendiam que caberia à petroleira anglo-holandesa liderar a solução – e, diante dos impasses recentes, esse acabou sendo o caminho adotado.

A declaração pública feita na terça-feira (3) pelo presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, de que a petroleira estava pronta para investir R$ 3,5 bilhões na Raízen e esperava o mesmo de sua sócia, a Cosan, foi mal recebida do outro lado da mesa e ajudou a azedar as negociações, apurou o InvestNews.

As divergências entre os sócios vão desde o tamanho do aporte necessário na companhia até a conveniência de dividir a empresa em duas estruturas, além de discussões sobre conversão de dívidas e o uso de créditos tributários.

No desenho que hoje ganha força nas negociações, a Shell colocaria cerca de R$ 3,5 bilhões no caixa da Raízen, enquanto o empresário Rubens Ometto, um dos controladores da Cosan, aportaria diretamente R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, a Aguassanta.

A Cosan, que chegou a anunciar na segunda etapa de seu follow-on de R$ 10 bilhões que poderia usar parte dos recursos para capitalizar a Raízen, e o BTG ficariam de fora de qualquer novo investimento.

A avaliação entre os envolvidos é que esse arranjo tende a prevalecer, diante da dificuldade de construir consenso em torno de outras alternativas. Após a publicação deste texto, a Raízen confirmou o aporte e diz que considera, inclusive, uma recuperação extrajudicial.

Impasse

Na semana passada, executivos do BTG, da Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram em Londres para discutir possíveis caminhos para a reestruturação, mas deixaram a capital britânica sem um acordo.

A discussão sobre uma reestruturação ocorre em meio ao forte aumento do endividamento da companhia. A dívida bruta da Raízen chegou a cerca de R$ 70 bilhões, com R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, o que coloca a alavancagem em 5,3 vezes o resultado operacional (Ebitda).

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O custo financeiro para carregar esse passivo já supera R$ 7 bilhões por ano, segundo pessoas próximas das negociações. Nos nove meses do ano-safra 2025/26, a companhia reportou cerca de R$ 4 bilhões em despesas com o serviço da dívida.

Com a Shell liderando o aporte e sem uma contraparte da Cosan, a petroleira passaria a consolidar os R$ 70 bilhões de dívida bruta em seu balanço, algo próximo a US$ 13,5 bilhões. Por outro lado, o grupo de Ometto e André Esteves seria diluído na composição acionária – hoje, Shell e Cosan possuem 88% da Raízen, sendo 44% de cada.

Visões diferentes

A petroleira anglo-holandesa defende uma solução considerada mais simples e imediata, com um aporte de cerca de R$ 7 bilhões – metade da Shell e metade da Cosan – combinado à renegociação das dívidas, com possíveis haircuts e conversão de parte do débito em ações da Raízen. 

Já a Cosan, hoje co-controlada por Rubens Ometto e o BTG Pactual defende uma alternativa mais estrutural. A proposta do grupo brasileiro prevê dividir a Raízen em duas empresas, separando a produção e o processamento da cana-de-açúcar da operação de distribuição de combustíveis. 

Nesse desenho, fundos de private equity do BTG teriam mandato para aportar cerca de R$ 5,5 bilhões na empresa de combustíveis, assumindo o controle do negócio e tendo a Shell como sócia.

Por regras internas, no entanto, o private equity do banco não investe diretamente em empresas expostas a commodities, o que ajuda a explicar o interesse apenas na divisão de combustíveis, e não na operação agrícola e industrial ligada à cana.

A lógica por trás da proposta é que os dois negócios têm perfis de risco muito distintos. Enquanto a distribuição de combustíveis tende a gerar fluxo de caixa mais previsível, a produção de açúcar e etanol está mais sujeita ao ciclo das commodities e à volatilidade das safras.

Diante do impasse entre os sócios, prevaleceu a avaliação de que caberia à Shell liderar a solução.

A marca Shell e a rede de postos – ativos centrais da operação de combustíveis da Raízen – pertencem ao grupo anglo-holandês. “A solução acabou voltando para a Shell”, disse uma pessoa próxima das negociações. “A marca e os postos são dela.”

Tributos

Parte da discussão sobre a reestruturação envolve também o tratamento de passivos tributários, prejuízos fiscais acumulados e créditos fiscais relevantes que a companhia possui.

Nas demonstrações financeiras mais recentes, a Raízen reportou R$ 23,5 bilhões em prejuízos fiscais acumulados, que poderiam gerar ativos fiscais diferidos de aproximadamente R$ 5,9 bilhões. Parte desses créditos, porém, não é reconhecida no balanço por falta de previsibilidade de lucros tributáveis suficientes para sua utilização.

Segundo uma das fontes, esses créditos e passivos podem ganhar nova dimensão com a implementação da reforma tributária, que tende a simplificar a tributação do setor de combustíveis e tornar mais previsível a carga fiscal da atividade de distribuição.

Nesse contexto, a eventual separação entre os negócios poderia permitir isolar os ativos de distribuição em uma estrutura com maior capacidade de atrair investidores financeiros ou suportar níveis mais altos de endividamento.

“Tem uma série de créditos fiscais e passivos tributários que precisam ser renegociados e que podem mudar com a reforma tributária”, disse a fonte.

Reorganização

Movimentos recentes da própria companhia sugerem que a estrutura do grupo já vem sendo reorganizada.

Nesta semana, a Raízen anunciou uma cisão parcial da Raízen Energia, com a transferência de participações societárias e outros ativos para uma nova empresa do grupo, a Raízen Participações.

A cisão envolve principalmente participações em subsidiárias e ativos intangíveis ligados a essas estruturas – um tipo de reorganização frequentemente usado para concentrar ativos em holdings antes de processos de venda, entrada de investidores ou separação de unidades de negócio.

Segundo o documento divulgado pela companhia, a operação tem como objetivo simplificar a estrutura societária do grupo.

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Atlas Renewable Energy, de energia solar, promove demissões no Brasil e cita impacto do curtailment

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia solar do país, promoveu nesta semana demissões em seu quadro de funcionários no Brasil após revisão da estrutura operacional, apurou o InvestNews.

Segundo a empresa, o ajuste foi “pontual” e está relacionado aos níveis elevados de curtailment – limitação da geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) diante de gargalos na transmissão – que vêm afetando a previsibilidade de receitas das geradoras renováveis no sistema elétrico brasileiro.

Criada em 2017 e controlada pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), que participou da compra da AES nos Estados Unidos nesta segunda-feira (2), a Atlas soma mais de 10 GW em ativos renováveis na América Latina e tem presença em países como Chile, México, Colômbia e Brasil.

A companhia atua no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de energia solar e, mais recentemente, de armazenamento em baterias. No Brasil, mantém ativos principalmente em Minas Gerais, com cerca de 80% da operação localizada no Estado.

Nos bastidores do setor, circulou a informação de que a redução teria alcançado cerca de 20% do quadro local e que estaria buscando compradores para alguns de seus ativos. Em nota enviada ao InvestNews, Atlas nega o número e afirma que o percentual foi “significativamente inferior”.

“Quando a geração é frequentemente limitada por gargalos estruturais no sistema, torna-se necessário que as empresas adequem, de forma responsável, suas estruturas operacionais a essa realidade”, disse a Atlas.

A empresa afirma que o Brasil segue como mercado estratégico, mas ressaltou que o enfrentamento “estrutural” do curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das renováveis no país.

No fim de fevereiro, a Atlas anunciou o que classificou como o maior refinanciamento corporativo já registrado para energia limpa na América Latina, envolvendo US$ 3 bilhões e um pool de bancos internacionais, entre eles BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Santander CIB.

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Atlas Renewable Energy, de energia solar, promove demissões no Brasil e cita impacto do curtailment

A Atlas Renewable Energy, uma das principais geradoras de energia solar do país, promoveu nesta semana demissões em seu quadro de funcionários no Brasil após revisão da estrutura operacional, apurou o InvestNews.

Segundo a empresa, o ajuste foi “pontual” e está relacionado aos níveis elevados de curtailment – limitação da geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) diante de gargalos na transmissão – que vêm afetando a previsibilidade de receitas das geradoras renováveis no sistema elétrico brasileiro.

Criada em 2017 e controlada pela gestora Global Infrastructure Partners (GIP), que participou da compra da AES nos Estados Unidos nesta segunda-feira (2), a Atlas soma mais de 10 GW em ativos renováveis na América Latina e tem presença em países como Chile, México, Colômbia e Brasil.

A companhia atua no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de energia solar e, mais recentemente, de armazenamento em baterias. No Brasil, mantém ativos principalmente em Minas Gerais, com cerca de 80% da operação localizada no Estado.

Nos bastidores do setor, circulou a informação de que a redução teria alcançado cerca de 20% do quadro local e que estaria buscando compradores para alguns de seus ativos. Em nota enviada ao InvestNews, Atlas nega o número e afirma que o percentual foi “significativamente inferior”.

“Quando a geração é frequentemente limitada por gargalos estruturais no sistema, torna-se necessário que as empresas adequem, de forma responsável, suas estruturas operacionais a essa realidade”, disse a Atlas.

A empresa afirma que o Brasil segue como mercado estratégico, mas ressaltou que o enfrentamento “estrutural” do curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das renováveis no país.

No fim de fevereiro, a Atlas anunciou o que classificou como o maior refinanciamento corporativo já registrado para energia limpa na América Latina, envolvendo US$ 3 bilhões e um pool de bancos internacionais, entre eles BNP Paribas, Crédit Agricole, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Santander CIB.

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Na Hidrovias do Brasil, escoamento truncado da safra de soja no Pará testa recuperação financeira

O início de 2026, período que coincide com o pico do escoamento da safra de soja pelo Arco Norte, começou mais fraco do que o ano passado para a Hidrovias do Brasil, empresa de logística controlada pela Ultrapar.

Durante a teleconferência de resultados, a administração afirmou que, apesar das boas condições de navegabilidade e das perspectivas favoráveis para a safra, a recepção de cargas tem enfrentado dificuldades relevantes neste começo de ano.

O problema, segundo o CEO Décio Amaral, está em um dos pontos mais sensíveis da operação: a estação de transbordo de cargas (ETC) de Miritituba, no Pará, onde caminhões que saem do Mato Grosso descarregam grãos para embarque em barcaças rumo aos portos do Norte.

É ali que o fluxo rodoviário se converte em transporte hidroviário – e onde qualquer gargalo afeta volumes, tarifas e margens do corredor Norte, principal motor de geração de caixa da companhia, responsável por quase 60% do lucro operacional (Ebitda) em 2025.

Segundo os executivos, o elevado número de caminhões, as chuvas intensas e as interdições decorrentes de obras de asfaltamento na via de acesso à estação têm prejudicado a fluidez operacional.

“Estamos observando resultados inferiores àqueles vistos no mesmo período do ano anterior”, afirmou o CFO, André Saleme Hachem, ao comentar o desempenho preliminar do primeiro trimestre.

Trimestre mais importante

O alerta é relevante porque o primeiro trimestre concentra o pico da safra de soja, quando os volumes transportados pelo corredor Norte tradicionalmente ganham tração. A rota pelo Arco Norte é estratégica para produtores do Centro-Oeste por reduzir distâncias até os portos em comparação com o escoamento pelo Sudeste.

A companhia reconheceu que o cenário eleva a disputa comercial entre os corredores Norte e Sul – onde estão portos como Santos, Paranaguá e Rio Grande – em um ambiente de fluxo intenso de grãos.

Para mitigar os efeitos no curto prazo, a empresa afirma estar adotando medidas contingenciais, como asfaltamento provisório de trechos críticos, sistema de agendamento conjunto entre operadores e aluguel de capacidade de terceiros.

Ainda assim, classificou 2026 como um “ano de transição” até a conclusão definitiva das obras, prevista para o fim deste ano.

Resultado de 2025

O alerta para o início de 2026 surge após um ano de forte recuperação operacional. Em 2025, a Hidrovias registrou resultado operacional (Ebitda) ajustado recorrente de R$ 1,1 bilhão, alta de 95% na comparação anual, e reduziu a alavancagem de 7 vezes para 2,3 vezes a dívida líquida pelo Ebitda.

No entanto, o lucro ainda não acompanhou integralmente a melhora operacional. A companhia encerrou o ano com prejuízo líquido de R$ 141 milhões, afetado por itens não recorrentes ligados à venda da operação de navegação costeira e ajustes contábeis.

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Rio Open e ascensão de João Fonseca reacendem ligação entre tênis e mercado financeiro

A rápida ascensão do tenista João Fonseca devolveu ao Brasil um entusiasmo pelo tênis que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Mesmo eliminado nas oitavas de final do Rio Open este ano, Fonseca, de 19 anos, ainda disputa neste domingo (22) o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.

Além do maior interesse do público, refletido em arquibancadas cheias e maior procura por ingressos, o efeito também aparece nas transmissões e, principalmente, entre patrocinadores do mercado financeiro. Afinal, em um esporte historicamente associado às elites, o gosto e o dinheiro raramente competem – costumam atuar em dupla.

E na semana do maior torneio de tênis da América do Sul, o mercado financeiro aproveitou para ampliar sua presença no tênis: desde financiamento de jovens promessas e da criação de plataformas de relacionamento com clientes a patrocínios diretos de campeonatos.

Afinal, o tênis sempre foi território natural de empresários e investidores: um esporte caro, de base social concentrada e ambiente propício para relacionamento e para fechar negócios.

Se antes o apoio vinha de entusiastas que bancavam atletas de forma quase artesanal, hoje ele começa a passar por estruturas financeiras organizadas.

Apostando no futuro

A corretora EQI, por exemplo, criou no ano passado um fundo de renda fixa com liquidez diária cuja taxa de administração é integralmente destinada ao financiamento de atletas brasileiros. O produto, chamado Fundo Match Point, já soma cerca de R$ 53 milhões sob gestão e mais de 100 cotistas.

Em 2025, o projeto contou com R$ 241,3 mil em receitas – sendo R$ 208,3 mil aportados como seed money da própria EQI – uma casa com R$ 50 bilhões sob gestão – e outros R$ 32,9 mil oriundos do fundo. Ao longo do ano, cerca de R$ 100 mil foram efetivamente investidos em cinco atletas profissionais.

Parte dos recursos é destinada ao treinamento, como acesso a técnicos, fisioterapia e preparação física. Outra fatia cobre viagens, um dos principais custos da carreira profissional. E há ainda um sistema de bônus atrelado a desempenho, como avanço em rankings e resultados em torneios.

A corretora, cujos sócios são tenistas amadores, decidiu se aproximar do circuito profissional ainda em 2023. O primeiro nome foi o gaúcho Rafael Matos. O acordo foi fechado às pressas, às vésperas do Australian Open daquele ano. Segundo Patrik Castilho, diretor de marketing da EQI, houve tempo apenas de entregar os “patches” com a marca antes de o atleta embarcar.

O contrato formal ainda nem estava assinado quando Matos, que disputava duplas mistas ao lado da também brasileira Luisa Stefani, começou a avançar rodada após rodada em Melbourne. Ele acabaria conquistando o título – tornando-se parte da primeira dupla 100% brasileira a vencer um Grand Slam, grupo que reúne os quatro principais torneios do circuito: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023
Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023 (Divulgação/Tennis Australia)

O episódio consolidou a aposta da corretora no esporte. Desde então, a empresa ampliou o portfólio e hoje patrocina cerca de dez atletas entre profissionais e juvenis, como Thiago Monteiro, Marcelo Zormann, João Lucas Reis, Ingrid Martins, Mateus Pucinelli e o juvenil Miguel Dahia, além de dois nomes do pádel, outro esporte de raquete.

A seleção, segundo a companhia, passou por um processo de profissionalização. “No começo era muito emocional. A gente gostava do atleta, acompanhava e apoiava. Hoje a curadoria é técnica”, afirmou Castilho. A triagem passou a ser feita em parceria com a Tênis Root, estrutura especializada em formação e alto rendimento, que acompanha desempenho, ranking e potencial de evolução.

Por trás dessa engenharia está uma estratégia mais ampla da EQI para ocupar o território do tênis. A corretora, que até poucos anos atrás dividia investimentos em outras modalidades como o automobilismo, decidiu concentrar esforços exclusivamente nos esportes de raquete.

Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI
Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI (Divulgação/Rio Open)

Além do fundo, a EQI mantém criou a chamada “Match Point Mansion”, uma casa paralela ao Rio Open onde clientes convivem com jogadores, participam de clínicas e assistem aos jogos em ambiente exclusivo. O investimento no espaço foi de cerca de R$ 2 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 2,6 milhões neste ano.

A lógica é dupla: fortalecer a marca no esporte e usar o tênis como plataforma de relacionamento. “A casa começa às oito da manhã e vai até a noite. O cliente fica imerso, convive com o atleta. É uma experiência que dificilmente teria só com o patrocínio tradicional do torneio”, disse o executivo.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de atletas apoiados à medida que o patrimônio do fundo cresce. “O nosso foco agora é fazer o fundo ganhar escala para que a gente consiga trazer mais atletas para dentro do projeto”, disse.

Paixão empresarial

A proximidade entre tênis e mercado financeiro está longe de ser novidade. O esporte sempre orbitou as elites econômicas – seja como parte da formação social, seja como ambiente de relacionamento e negócios.

O exemplo está no próprio João Fonseca: principal nome da nova geração, ele cresceu em uma família já consolidada no mercado financeiro. Seu pai, Christiano Fonseca Filho, é fundador da IP Capital Partners, uma das primeiras gestoras independentes do país. 

A estrutura familiar permitiu a João competir em alto nível desde cedo, algo essencial em um esporte de custos elevados, que exige viagens internacionais frequentes, equipe técnica especializada e raquetes que podem custar mais de R$ 1,5 mil cada.

João Fonseca entrando em quadra no Rio Open
João Fonseca entrando em quadra no Rio Open (Divulgação/Rio Open)

A associação entre quadra e capital também aparece na trajetória de empresários influentes. O bilionário Jorge Paulo Lemann, por exemplo, jogava tênis no Rio de Janeiro na juventude antes de se tornar um dos maiores investidores brasileiros.

Fora do país, o bilionário americano Bill Ackman, fundador da Pershing Square, chegou a disputar, aos 59 anos, um torneio profissional da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em duplas. E há casos emblemáticos como o do romeno Ion Țiriac, ex-top 10 do ranking mundial que, após pendurar a raquete, construiu um império empresarial e se tornou um dos homens mais ricos da Europa Oriental.

Hoje, essa relação ganha escala institucional. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, é um ds principais patrocinadores desta edição do Rio Open, ao lado da XP – a empresa de Guilherme Benchimol substituiu o Santander em um dos espaços principais e também apoia João Fonseca. O BTG Pactual, de André Esteves, mantém histórico de patrocínios no circuito.

O Itaú é patrocinador da tenista Bia Haddad Maia, além de ter promovido no ano passado, em Miami um jogo exibição entre Fonseca e o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz – confronto que será repetido neste ano em São Paulo.

No plano internacional, os valores são ainda mais expressivos. O Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, tornou-se, em 2024, o patrocinador oficial da ATP e passou a financiar etapas do circuito global. 

PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP
PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP (Divulgação/ATP)

A influência saudita avançou a ponto de o país garantir, a partir de 2028, a realização de uma etapa de Masters 1000 – torneios que estão entre os mais importantes do calendário, atrás apenas dos Grand Slams – ampliando a estratégia do fundo de usar o esporte como instrumento de projeção internacional, como já fez no futebol e no golfe.

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Rio Open e ascensão de João Fonseca reacendem ligação entre tênis e mercado financeiro

A rápida ascensão do tenista João Fonseca devolveu ao Brasil um entusiasmo pelo tênis que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Mesmo eliminado nas oitavas de final do Rio Open este ano, Fonseca, de 19 anos, ainda disputa neste domingo (22) o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.

Além do maior interesse do público, refletido em arquibancadas cheias e maior procura por ingressos, o efeito também aparece nas transmissões e, principalmente, entre patrocinadores do mercado financeiro. Afinal, em um esporte historicamente associado às elites, o gosto e o dinheiro raramente competem – costumam atuar em dupla.

E na semana do maior torneio de tênis da América do Sul, o mercado financeiro aproveitou para ampliar sua presença no tênis: desde financiamento de jovens promessas e da criação de plataformas de relacionamento com clientes a patrocínios diretos de campeonatos.

Afinal, o tênis sempre foi território natural de empresários e investidores: um esporte caro, de base social concentrada e ambiente propício para relacionamento e para fechar negócios.

Se antes o apoio vinha de entusiastas que bancavam atletas de forma quase artesanal, hoje ele começa a passar por estruturas financeiras organizadas.

Apostando no futuro

A corretora EQI, por exemplo, criou no ano passado um fundo de renda fixa com liquidez diária cuja taxa de administração é integralmente destinada ao financiamento de atletas brasileiros. O produto, chamado Fundo Match Point, já soma cerca de R$ 53 milhões sob gestão e mais de 100 cotistas.

Em 2025, o projeto contou com R$ 241,3 mil em receitas – sendo R$ 208,3 mil aportados como seed money da própria EQI – uma casa com R$ 50 bilhões sob gestão – e outros R$ 32,9 mil oriundos do fundo. Ao longo do ano, cerca de R$ 100 mil foram efetivamente investidos em cinco atletas profissionais.

Parte dos recursos é destinada ao treinamento, como acesso a técnicos, fisioterapia e preparação física. Outra fatia cobre viagens, um dos principais custos da carreira profissional. E há ainda um sistema de bônus atrelado a desempenho, como avanço em rankings e resultados em torneios.

A corretora, cujos sócios são tenistas amadores, decidiu se aproximar do circuito profissional ainda em 2023. O primeiro nome foi o gaúcho Rafael Matos. O acordo foi fechado às pressas, às vésperas do Australian Open daquele ano. Segundo Patrik Castilho, diretor de marketing da EQI, houve tempo apenas de entregar os “patches” com a marca antes de o atleta embarcar.

O contrato formal ainda nem estava assinado quando Matos, que disputava duplas mistas ao lado da também brasileira Luisa Stefani, começou a avançar rodada após rodada em Melbourne. Ele acabaria conquistando o título – tornando-se parte da primeira dupla 100% brasileira a vencer um Grand Slam, grupo que reúne os quatro principais torneios do circuito: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023
Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023 (Divulgação/Tennis Australia)

O episódio consolidou a aposta da corretora no esporte. Desde então, a empresa ampliou o portfólio e hoje patrocina cerca de dez atletas entre profissionais e juvenis, como Thiago Monteiro, Marcelo Zormann, João Lucas Reis, Ingrid Martins, Mateus Pucinelli e o juvenil Miguel Dahia, além de dois nomes do pádel, outro esporte de raquete.

A seleção, segundo a companhia, passou por um processo de profissionalização. “No começo era muito emocional. A gente gostava do atleta, acompanhava e apoiava. Hoje a curadoria é técnica”, afirmou Castilho. A triagem passou a ser feita em parceria com a Tênis Root, estrutura especializada em formação e alto rendimento, que acompanha desempenho, ranking e potencial de evolução.

Por trás dessa engenharia está uma estratégia mais ampla da EQI para ocupar o território do tênis. A corretora, que até poucos anos atrás dividia investimentos em outras modalidades como o automobilismo, decidiu concentrar esforços exclusivamente nos esportes de raquete.

Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI
Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI (Divulgação/Rio Open)

Além do fundo, a EQI mantém criou a chamada “Match Point Mansion”, uma casa paralela ao Rio Open onde clientes convivem com jogadores, participam de clínicas e assistem aos jogos em ambiente exclusivo. O investimento no espaço foi de cerca de R$ 2 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 2,6 milhões neste ano.

A lógica é dupla: fortalecer a marca no esporte e usar o tênis como plataforma de relacionamento. “A casa começa às oito da manhã e vai até a noite. O cliente fica imerso, convive com o atleta. É uma experiência que dificilmente teria só com o patrocínio tradicional do torneio”, disse o executivo.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de atletas apoiados à medida que o patrimônio do fundo cresce. “O nosso foco agora é fazer o fundo ganhar escala para que a gente consiga trazer mais atletas para dentro do projeto”, disse.

Paixão empresarial

A proximidade entre tênis e mercado financeiro está longe de ser novidade. O esporte sempre orbitou as elites econômicas – seja como parte da formação social, seja como ambiente de relacionamento e negócios.

O exemplo está no próprio João Fonseca: principal nome da nova geração, ele cresceu em uma família já consolidada no mercado financeiro. Seu pai, Christiano Fonseca Filho, é fundador da IP Capital Partners, uma das primeiras gestoras independentes do país. 

A estrutura familiar permitiu a João competir em alto nível desde cedo, algo essencial em um esporte de custos elevados, que exige viagens internacionais frequentes, equipe técnica especializada e raquetes que podem custar mais de R$ 1,5 mil cada.

João Fonseca entrando em quadra no Rio Open
João Fonseca entrando em quadra no Rio Open (Divulgação/Rio Open)

A associação entre quadra e capital também aparece na trajetória de empresários influentes. O bilionário Jorge Paulo Lemann, por exemplo, jogava tênis no Rio de Janeiro na juventude antes de se tornar um dos maiores investidores brasileiros.

Fora do país, o bilionário americano Bill Ackman, fundador da Pershing Square, chegou a disputar, aos 59 anos, um torneio profissional da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em duplas. E há casos emblemáticos como o do romeno Ion Țiriac, ex-top 10 do ranking mundial que, após pendurar a raquete, construiu um império empresarial e se tornou um dos homens mais ricos da Europa Oriental.

Hoje, essa relação ganha escala institucional. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, é um ds principais patrocinadores desta edição do Rio Open, ao lado da XP – a empresa de Guilherme Benchimol substituiu o Santander em um dos espaços principais e também apoia João Fonseca. O BTG Pactual, de André Esteves, mantém histórico de patrocínios no circuito.

O Itaú é patrocinador da tenista Bia Haddad Maia, além de ter promovido no ano passado, em Miami um jogo exibição entre Fonseca e o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz – confronto que será repetido neste ano em São Paulo.

No plano internacional, os valores são ainda mais expressivos. O Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, tornou-se, em 2024, o patrocinador oficial da ATP e passou a financiar etapas do circuito global. 

PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP
PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP (Divulgação/ATP)

A influência saudita avançou a ponto de o país garantir, a partir de 2028, a realização de uma etapa de Masters 1000 – torneios que estão entre os mais importantes do calendário, atrás apenas dos Grand Slams – ampliando a estratégia do fundo de usar o esporte como instrumento de projeção internacional, como já fez no futebol e no golfe.

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Tanure vende Ligga sob pressão de credores e preço sai abaixo do pedido

O empresário Nelson Tanure fechou nesta sexta-feira (20) a venda dos principais ativos de fibra da Ligga Telecom para a Brasil TecPar por R$ 495 milhões, além da assunção de pouco mais de R$ 1 bilhão em dívidas.

A transação envolve contratos de internet banda larga por fibra óptica e ainda depende de aval do Cade, da Anatel e dos debenturistas. O InvestNews antecipou, em agosto, que Tanure havia colocado a operadora à venda.

Do valor anunciado, apenas cerca de R$ 120 milhões devem ser desembolsados à vista. A maior parte será quitada por meio da emissão de debêntures conversíveis da própria Brasil TecPar. Além disso, a compradora assumirá aproximadamente R$ 1 bilhão em dívidas da Ligga, relacionadas à quinta emissão de debêntures da companhia.

A operação avalia a Ligga, antiga Copel Telecom, em cerca de R$ 1,7 bilhão, considerando equity e dívida assumida. O valor implícito, no entanto, fica bem abaixo dos R$ 2,5 bilhões que Tanure buscava quando colocou a empresa à venda, em agosto do ano passado.

A venda ocorre em meio à crise de liquidez enfrentada pelo empresário. Após não conseguir honrar o vencimento de cerca de R$ 1,2 bilhão em debêntures ligadas à compra da antiga Copel Telecom, Tanure foi pressionado por credores a buscar a alienação de ativos relevantes de seu portfólio.

Nos últimos meses, perdeu o controle da Emae por inadimplência, viu ações da Light e da Alliança Saúde serem executadas como garantia e passou a enfrentar maior escrutínio institucional após a liquidação do Banco Master, instituição com a qual mantinha relações comerciais.

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Exclusivo: Venda de ações da Eletronuclear à J&F segue travada à espera de decisão do governo

Mais de quatro meses após a assinatura do contrato e dois meses depois da aprovação do Cade, a venda da participação da Axia (ex-Eletrobras) na Eletronuclear para a Âmbar Energia, do grupo J&F, ainda não foi concluída – enquanto a estatal operadora das usinas de Angra afirma ter caixa apenas até meados de março.

O motivo seria contratual. Pelo acordo de acionistas firmado em 2022 entre a Axia e a União – representada pela ENBPar – o governo federal tem direito de preferência para adquirir as ações nas mesmas condições pactuadas com a J&F. Segundo apurou o InvestNews, o governo ainda não comunicou formalmente se exercerá ou não esse direito.

No ano passado, a Axia anunciou a venda de 67,95% do capital total da Eletronuclear, sendo 35,9% de ações com direito a voto e 99,9% de preferenciais, para a Âmbar Energia, do grupo J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, por R$ 535 milhões. Com isso, a Âmbar passaria a ser sócia da ENBPar na estatal.

O contrato foi assinado em 14 de outubro de 2025 e aprovado pelo Cade em 17 de dezembro. Pelo acordo de acionistas da Eletronuclear, a ENBPar dispõe de 120 dias para exercer a preferência após a notificação formal da proposta. Não está claro quando a ENBPar foi formalmente notificada. Procurada pelo InvestNews, a empresa não comentou.

Caso a notificação tenha ocorrido na data da assinatura do contrato, o prazo teria se encerrado em 11 de fevereiro. Se a contagem tiver início apenas após a aprovação pelo Cade, o direito poderá ser exercido até 16 de abril.

O InvestNews também procurou o Ministério de Minas e Energia, a Axia e a Âmbar Enegia, mas não obteve resposta.

Aperto financeiro

Enquanto o governo não decide se exercerá ou não o direito de preferência, a Eletronuclear enfrenta uma crise de liquidez.

No início do mês, o presidente interino da estatal, Alexandre Caporal, afirmou que a companhia tem recursos em caixa apenas até meados de março e pode entrar em colapso financeiro caso não haja uma definição sobre o futuro de Angra 3 – a terceira usina nuclear brasileira, cujas obras estão paralisadas há anos.

Usina nuclear em complexo industrial costeiro, com reatores, subestação e píer, cercada por floresta e montanhas.
Foto: Getty Images

Segundo Caporal, a empresa negocia com bancos públicos a suspensão temporária da cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas vinculadas ao projeto. A medida é considerada essencial para preservar a sustentabilidade financeira da estatal.

O pagamento de juros da dívida soma cerca de R$ 800 milhões em 2026 e, somado aos custos de manutenção da usina, os desembolsos anuais associados a Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão.

Pessoas próximas à Âmbar afirmam ao InvestNews que a companhia ainda não teve acesso à gestão da Eletronuclear e que eventuais medidas de reestruturação dependem da formalização da mudança societária.

Acordos

A venda das ações ocorre em meio a um rearranjo institucional mais amplo. No fim do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo firmado entre a União e a Axia Energia que redefiniu aspectos da governança da companhia após a privatização da antiga Eletrobras.

O termo de conciliação ampliou o Conselho de Administração da Axia, de sete para dez membros, com três representantes adicionais indicados pela União. O acordo também excluiu a responsabilidade da Axia pelos aportes necessários à conclusão de Angra 3 – mudança que exigiu novos estudos sobre o futuro do empreendimento e abriu espaço para a entrada de um novo investidor privado.

Foi nesse contexto que a Âmbar Energia fechou acordo para comprar a totalidade da participação da Axia na Eletronuclear, além de assumir a aquisição de R$ 2,4 bilhões em debêntures em favor da estatal.

Dados financeiros do impasse de uma usina: custos de construção (gasto e falta), desistência, manutenção e energia gerada.

A decisão sobre a retomada ou encerramento definitivo de Angra 3 agora depende do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Para concluir a obra, seriam necessários cerca de R$ 23 bilhões. Enquanto o governo não define o destino do projeto, a estatal nuclear segue sob pressão financeira e com a troca de acionistas ainda pendente.

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Motiva (ex-CCR) reforça plano em rodovias e trens após venda de aeroportos; alavancagem persiste

A Motiva (ex-CCR) chega ao terceiro ano da gestão de Miguel Setas tentando consolidar de vez a estratégia que marcou a chegada do executivo português, em março de 2023: concentrar a companhia em rodovias e trilhos e manter a estrutura de capital sob controle para que a alavancagem deixe de ser um freio à expansão.

A aguardada venda da operação de aeroportos – defendida por Setas desde que assumiu o comando da então CCR – foi finalmente anunciada em novembro, restando agora a conclusão do acordo de R$ 11,5 bilhões com a mexicana Asur

A negociação, que envolve 20 terminais, é tratada pela gestão da Motiva como peça central dessa reorientação estratégica, reposicionando o grupo como operadora concentrada em estradas de grande circulação e nos sistemas de trens e metrôs.

Em conversas com analistas nesta terça-feira (9), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, Setas afirmou que a prioridade é atuar apenas em negócios onde a companhia tenha vantagem frente aos concorrentes. “Estamos focados nos ativos onde somos líderes e temos competências claramente distintivas”, reforçou o CEO.

Endividamento

O movimento ocorre em paralelo a um esforço explícito de controle de endividamento — tema que segue no radar do bloco de controle da companhia, formado por Votorantim, Mover (ex-Camargo Corrêa), Itaúsa e a família Soares Penido, e que se tornou um dos principais mandatos desses acionistas para a gestão de Miguel Setas.

Ao fim de 2025, a dívida líquida somava R$ 34,1 bilhões, ante R$ 27,1 bilhões um ano antes, elevando a alavancagem para 3,6 vezes o resultado operacional (Ebitda) ajustado, contra 3,3 vezes em 2024.

A administração atribui o avanço ao ciclo de investimentos em ativos ainda em fase de maturação e afirma que a desalavancagem depende do fechamento da venda da plataforma de aeroportos, previsto para este ano. Segundo a companhia, a transação deve reduzir a alavancagem para abaixo de 3 vezes.

chart visualization

Segundo a companhia, a alta da alavancagem reflete principalmente por causa de quatro novas concessões vencidas recentemente. Só os projetos das rodovias Rota Sorocabana e da PRVias adicionaram cerca de R$ 3,1 bilhões em dívida, enquanto a Motiva executou R$ 8,7 bilhões em investimentos em 2025 – ritmo que deve permanecer elevado neste ano.

Setas argumenta que, apesar da alavancagem ainda elevada, o volume de obras sob responsabilidade da companhia mais que dobrou desde o início de sua gestão. “Quando chegamos à empresa, tínhamos R$ 28 bilhões. Hoje, estamos com R$ 65 bilhões”, afirmou.

O comando da Motiva afirma trabalhar com um limite interno de alavancagem de 3,5 vezes, faixa considerada saudável para o porte atual da empresa. No longo prazo, a ambição é operar entre 2,5 e 3 vezes, patamar visto como estruturalmente mais confortável.

Novas receitas

Setas indicou que a companhia pretende participar de novos leilões apenas em ativos considerados estratégicos e alinhados ao eixo rodovias–trilhos. Perder disputas, segundo ele, faz parte do processo quando os preços não refletem rentabilidade adequada. “Vamos continuar extremamente rigorosos na alocação de capital”, afirmou.

Mais do que buscar expansão via novas concessões, a Motiva vê nos aditivos contratuais de ativos existentes uma das principais avenidas de geração de valor. Em 2025, a empresa anunciou reequilíbrios e expansões relevantes, como a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, que prevê cerca de R$ 4 bilhões em investimentos adicionais e alongamento do prazo da concessão.

Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (
Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (Divulgação)

A companhia também afirma estar se antecipando à reforma tributária. Segundo executivos, já há estudos internos para estimar impactos e preparar pedidos de reequilíbrio contratual junto aos reguladores, com o objetivo de evitar compressão de margens. A administração diz tratar o tema como prioridade antes da entrada plena do novo regime fiscal, prevista para o ano que vem.

Gestão de gastos

Enquanto a redução da dívida não se materializa, a empresa afirma ter acelerado iniciativas de eficiência. O indicador de despesas operacionais sobre receita caiu para 37,5% – meta originalmente prevista para 2026 – e o custo caixa ajustado recuou 14% no ano. O quadro de funcionários foi reduzido em 8,6%.

Apesar da pressão sobre o balanço, o ritmo de investimentos permanece elevado. A Motiva projeta R$ 8,3 bilhões em capex para 2026, concentrados em rodovias e trilhos.

A estratégia declarada é priorizar aditivos contratuais e a expansão de ativos já operados, vistos como investimentos de menor risco e retorno mais previsível do que projetos greenfield, que são aqueles iniciados do zero.

Aos números

No quarto trimestre de 2025, a Motiva registrou receita líquida ajustada de R$ 4,0 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada por reajustes tarifários nas rodovias estaduais de São Paulo e pelo crescimento das receitas complementares.

No mesmo comparativo, o lucro líquido ajustado somou R$ 606 milhões, avanço de 68,3%, refletindo melhora operacional e redução de custos. 

No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado da companhia atingiu R$ 2,2 bilhões, alta de 25% sobre o ano anterior.

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Motiva (ex-CCR) reforça plano em rodovias e trens após venda de aeroportos; alavancagem persiste

A Motiva (ex-CCR) chega ao terceiro ano da gestão de Miguel Setas tentando consolidar de vez a estratégia que marcou a chegada do executivo português, em março de 2023: concentrar a companhia em rodovias e trilhos e manter a estrutura de capital sob controle para que a alavancagem deixe de ser um freio à expansão.

A aguardada venda da operação de aeroportos – defendida por Setas desde que assumiu o comando da então CCR – foi finalmente anunciada em novembro, restando agora a conclusão do acordo de R$ 11,5 bilhões com a mexicana Asur

A negociação, que envolve 20 terminais, é tratada pela gestão da Motiva como peça central dessa reorientação estratégica, reposicionando o grupo como operadora concentrada em estradas de grande circulação e nos sistemas de trens e metrôs.

Em conversas com analistas nesta terça-feira (9), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre, Setas afirmou que a prioridade é atuar apenas em negócios onde a companhia tenha vantagem frente aos concorrentes. “Estamos focados nos ativos onde somos líderes e temos competências claramente distintivas”, reforçou o CEO.

Endividamento

O movimento ocorre em paralelo a um esforço explícito de controle de endividamento — tema que segue no radar do bloco de controle da companhia, formado por Votorantim, Mover (ex-Camargo Corrêa), Itaúsa e a família Soares Penido, e que se tornou um dos principais mandatos desses acionistas para a gestão de Miguel Setas.

Ao fim de 2025, a dívida líquida somava R$ 34,1 bilhões, ante R$ 27,1 bilhões um ano antes, elevando a alavancagem para 3,6 vezes o resultado operacional (Ebitda) ajustado, contra 3,3 vezes em 2024.

A administração atribui o avanço ao ciclo de investimentos em ativos ainda em fase de maturação e afirma que a desalavancagem depende do fechamento da venda da plataforma de aeroportos, previsto para este ano. Segundo a companhia, a transação deve reduzir a alavancagem para abaixo de 3 vezes.

chart visualization

Segundo a companhia, a alta da alavancagem reflete principalmente por causa de quatro novas concessões vencidas recentemente. Só os projetos das rodovias Rota Sorocabana e da PRVias adicionaram cerca de R$ 3,1 bilhões em dívida, enquanto a Motiva executou R$ 8,7 bilhões em investimentos em 2025 – ritmo que deve permanecer elevado neste ano.

Setas argumenta que, apesar da alavancagem ainda elevada, o volume de obras sob responsabilidade da companhia mais que dobrou desde o início de sua gestão. “Quando chegamos à empresa, tínhamos R$ 28 bilhões. Hoje, estamos com R$ 65 bilhões”, afirmou.

O comando da Motiva afirma trabalhar com um limite interno de alavancagem de 3,5 vezes, faixa considerada saudável para o porte atual da empresa. No longo prazo, a ambição é operar entre 2,5 e 3 vezes, patamar visto como estruturalmente mais confortável.

Novas receitas

Setas indicou que a companhia pretende participar de novos leilões apenas em ativos considerados estratégicos e alinhados ao eixo rodovias–trilhos. Perder disputas, segundo ele, faz parte do processo quando os preços não refletem rentabilidade adequada. “Vamos continuar extremamente rigorosos na alocação de capital”, afirmou.

Mais do que buscar expansão via novas concessões, a Motiva vê nos aditivos contratuais de ativos existentes uma das principais avenidas de geração de valor. Em 2025, a empresa anunciou reequilíbrios e expansões relevantes, como a extensão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra, que prevê cerca de R$ 4 bilhões em investimentos adicionais e alongamento do prazo da concessão.

Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (
Trem da Linha 4 do Metrô de São Paulo, concessão da Motiva (Divulgação)

A companhia também afirma estar se antecipando à reforma tributária. Segundo executivos, já há estudos internos para estimar impactos e preparar pedidos de reequilíbrio contratual junto aos reguladores, com o objetivo de evitar compressão de margens. A administração diz tratar o tema como prioridade antes da entrada plena do novo regime fiscal, prevista para o ano que vem.

Gestão de gastos

Enquanto a redução da dívida não se materializa, a empresa afirma ter acelerado iniciativas de eficiência. O indicador de despesas operacionais sobre receita caiu para 37,5% – meta originalmente prevista para 2026 – e o custo caixa ajustado recuou 14% no ano. O quadro de funcionários foi reduzido em 8,6%.

Apesar da pressão sobre o balanço, o ritmo de investimentos permanece elevado. A Motiva projeta R$ 8,3 bilhões em capex para 2026, concentrados em rodovias e trilhos.

A estratégia declarada é priorizar aditivos contratuais e a expansão de ativos já operados, vistos como investimentos de menor risco e retorno mais previsível do que projetos greenfield, que são aqueles iniciados do zero.

Aos números

No quarto trimestre de 2025, a Motiva registrou receita líquida ajustada de R$ 4,0 bilhões, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada por reajustes tarifários nas rodovias estaduais de São Paulo e pelo crescimento das receitas complementares.

No mesmo comparativo, o lucro líquido ajustado somou R$ 606 milhões, avanço de 68,3%, refletindo melhora operacional e redução de custos. 

No acumulado de 2025, o lucro líquido ajustado da companhia atingiu R$ 2,2 bilhões, alta de 25% sobre o ano anterior.

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Em meio a ‘saldão’ de ativos, Raízen faz uma rara aquisição

A Raízen fechou a compra da participação da japonesa Sumitomo na Raízen Biomassa e passou a deter 100% da subsidiária, apurou o InvestNews. A operação consolida o controle da Raízen sobre a empresa, criada para produzir pellets de biomassa, um combustível sólido feito a partir de resíduos de cana usado para geração de energia. O valor do negócio não foi revelado.

Na prática, o ativo hoje está inativo: a única planta industrial da Raízen Biomassa, no interior de São Paulo está desligada há anos e não há plano de reativação no curto prazo. A transação decorre do exercício de uma opção de venda prevista em 2016, quando a Sumitono investiu na subsidiária.

A obrigação de compra fez a Raízen sair momentaneamente do modo vendedor para o de compradora. O movimento ocorre em meio a um amplo programa de desinvestimentos: a produtora e distribuidora de combustíveis controlada por Cosan e Shell está vendendo usinas, ativos de geração distribuída e operações no exterior para reduzir alavancagem e reorganizar o balanço.

Em uma companhia altamente endividada e em plena reciclagem de portfólio, a consolidação do controle da Raízen Biomassa surge como uma rara exceção.

Dívida alta

Segundo o balanço mais recente da Raízen, a companhia encerrou o mês de setembro com R$ 53,4 bilhões em dívida líquida, um salto de quase 50% em 12 meses, e uma alavancagem de 5,1 vezes o resultado operacional (Ebitda). Um ano antes, essa relação estava em 2,6 vezes.

O custo financeiro disparou com a combinação de mais dívida e CDI elevado, pressionando o resultado: o prejuízo acumulado no semestre chegou a R$ 4,1 bilhões. A empresa vem alongando prazos e trocando linhas de curto prazo por dívida longa, mas depende da venda de ativos – cerca de R$ 3,9 bilhões já anunciados – para recompor caixa e aliviar a estrutura de capital.

Em paralelo, Cosan e Shell, controladoras da Raízen, seguem discutindo um aumento de capital para reequilibrar a estrutura financeira da companhia. No mercado, estima-se que seria necessário um aporte da ordem de US$ 1,5 bilhão, mas tanto Shell quanto Cosan demonstram relutância em ancorar a operação.

A equação envolve ainda o BTG Pactual, que recentemente se tornou um dos principais acionistas do grupo fundado por Rubens Ometto.

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Antes de IPO, Aegea é avaliada em quase R$ 60 bilhões com aumento de participação do GIC

O GIC, o fundo soberano de Singapura e um dos principais acionistas da Aegea, deve aumentar sua participação na companhia por meio do aumento de capital de até R$ 1,2 bilhão aprovado no fim de dezembro, apurou o InvestNews.

A operação, estruturada a um preço de R$ 55,29 por ação, implica um valuation de R$ 58,9 bilhões para a maior operadora privada de saneamento do país após o aumento de capital. A transação deve também funciuonar como um shadow price – uma referência de valor para os planos da empresa de realizar uma oferta pública de ações (IPO) ainda neste ano.

O preço sinaliza a faixa de avaliação que deve balizar a oferta pública e indica que a Aegea tende a buscar no mercado um valor próximo ao da rodada privada, ou até superior, caso o ambiente de negócios permita. A título de comparação, a Sabesp vale hoje R$ 102,5 bilhões na B3.

A estrutura do aumento de capital – com renúncia de preferência dos outros sócios – abre espaço para que o GIC concentre a maior parte da subscrição e amplie sua fatia no capital votante da companhia. A operação ainda depende de autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Aumento de participação

Em documento enviado recentemente ao Cade, o GIC afirma que pretende exercer seu direito de preferência na subscrição das novas ações e, sobretudo, adquirir eventuais sobras do aumento de capital.

Caso isso ocorra, sua participação pode ultrapassar o patamar de 20% do capital votante da companhia, gatilho que exige notificação ao órgão antitruste. O fundo soberano detém, de forma indireta, cerca de 19% das ações ordinárias, que são a com direito a voto nas assembleias, e 34% do capital total (somando ações preferenciais e ordinárias).

De acordo com o documento enviado ao Cade, a Aegea sustenta que tem participação inferior a 20% no mercado nacional de serviços de água e esgoto, apesar de ser a maior operadora privada do setor, o que não criaria problemas concorrenciais.

A empresa atende cerca de 39 milhões de pessoas em 892 municípios e registrou receita bruta de aproximadamente R$ 15,4 bilhões em 2024, segundo dados mais recentes. Seu portfólio inclui concessões relevantes como Águas do Rio, no estado do Rio de Janeiro, além de operações em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pará e interior de São Paulo.

Hoje, o controle da companhia está concentrado na Equipav, das famílias Toledo e Vettorazzo, que detém pouco mais de 53% do capital total, enquanto a Itaúsa, da família Setúbal, uma das controladoras do Itaú, possui outros 13% das ações.

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Nelson Tanure: entenda os últimos movimentos do empresário, agora alvo das investigações sobre o Master

Nelson Tanure se tornou alvo das investigações sobre o Banco Master. Na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso, a Polícia Federal apreendeu o celular de Tanure, cumprindo um mandato de busca e apreensão do STF que também inclui endereços ligados a Daniel Vorcaro, o dono do Master, e seus parentes.

Tanure é conhecido no mercado por comprar empresas em crise e conduzir reestruturações duras. Mas seu modelo de negócios passa por um momento de fragilidade financeira.

A renegociação da dívida da Ligga Telecom, fechada no início de dezembro, escancarou esse problema, que espalhou-se pelos negócios de Nelson Tanure no decorrer do ano passado.

Após não conseguir honrar o vencimento de cerca de R$ 1,2 bilhão em debêntures emitidas para financiar a compra da operadora, em 2020, Tanure obteve um prazo adicional junto aos credores — mas ao custo de aceitar condições duras. Entre elas, a obrigação de buscar a venda de ativos relevantes do seu portfólio, como a própria Ligga e sua posição de controle na Alliança Saúde.

A crise de liquidez do empresário já ganhou eco na Faria Lima, com banqueiros especulando os próximos passos de Tanure. “Vai ser complicado, pois a Ligga é um ativo difícil de vender muito acima do valor da dívida. A Alliança é outro ativo com poucos interessados”, afirma um banqueiro ouvido pelo InvestNews.

A renegociação envolvendo a compra da Ligga fechou um ano que começou com planos ambiciosos de Tanure e que terminou em modo defensivo, com ativos à venda e maior escrutínio do empresário por parte de credores e autoridades.

Ao longo de 2025, Tanure já havia perdido o controle da geradora de energia Emae por inadimplência, além de ver suas tentativas de avançar sobre empresas como a varejista GPA e a petroquímica Braskem não saírem conforme o esperado. 

Em paralelo, a crise do Banco Master. Tanure utilizou a instituição financeira em operações por empresas de seu portfólio. A liquidação do banco acabou afetando uma de suas investidas mais recentes, o supermercado Dia, que chegou a comprometer parte relevante do caixa aplicando em CDBs do banco.

E agora, com seu nome envolvido nas investigações sobre o banco, configura-se um cenário de crise para o empresário de 73 anos.

Os avanços recentes

Há um ano, o cenário era bem diferente. 

Após uma sequência de aquisições realizadas entre 2020 e 2024, Nelson Tanure consolidava-se como um dos investidores mais ativos na compra de empresas em dificuldades financeiras. O ambiente parecia feito sob medida para um empresário que construiu sua reputação explorando crises e reestruturando ativos estressados.

Nos anos anteriores, Tanure havia montado um portfólio diversificado a partir de negócios considerados fora do radar de grandes grupos. 

Comprou a Copel Telecom, posteriormente rebatizada de Ligga, apostando na consolidação do mercado de fibra óptica; assumiu o controle da Alliança Saúde, rede de diagnósticos médicos; virou um dos investidores de referência da Light; ampliou sua influência na incorporadora Gafisa; e, já no fim de 2024, fez parte do fundo que comprou a operação brasileira da rede de supermercados Dia.

Com esse histórico, 2025 se desenhava como um ano propício para novas investidas. A primeira grande aposta veio no varejo alimentar. Após concluir a compra do Dia, Tanure passou a articular uma combinação de negócios com o GPA, grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra, como forma de ganhar escala rapidamente e acelerar a reestruturação de dois negócios pressionados.

O plano envolvia ampliar sua influência na governança do GPA, que atravessa uma crise financeira, e abrir caminho para uma reorganização mais profunda da companhia. A movimentação chegou a animar parte do mercado no início do ano.

A estratégia, no entanto, encontrou resistência. Em 5 de maio, a assembleia de acionistas do GPA rejeitou parte da chapa apoiada por Tanure, que não conseguiu eleger a maioria de seus indicados para o conselho de administração. Com isso, perdeu espaço para o bloco formado pelo Grupo Coelho Diniz, hoje controlador do GPA, e pelo investidor Rafael Ferri.

Sem espaço na nova estrutura, Tanure vendeu rapidamente sua posição acionária. O movimento abrupto pressionou as ações da varejista e encerrou de forma precoce a tentativa de consolidação no setor, marcando seu primeiro grande revés de 2025.

A aposta petroquímica

A derrota no GPA não levou Nelson Tanure a recuar. Poucos dias depois, em 23 de maio, ele voltou suas atenções para um alvo ainda maior: a petroquímica Braskem, companhia que atravessa um dos períodos de maior pressão financeira de sua história.

Na ocasião, Tanure assinou um acordo de exclusividade com a Novonor — antiga Odebrecht e controladora da Braskem — para negociar a aquisição de uma participação que lhe daria o controle da companhia. Apresentou-se como alguém capaz de destravar um impasse histórico que envolve a família Odebrecht, bancos credores e a Petrobras, segunda maior acionista da petroquímica.

O discurso público foi cuidadosamente calibrado. Tanure defendeu maior protagonismo da Petrobras na gestão da Braskem, acenou a bancos credores e condicionou o avanço da operação à resolução de passivos relevantes, como as indenizações relacionadas ao desastre ambiental de Maceió.

Planta petroquímica da Braskem
Planta petroquímica da Braskem: empresa foi alvo de Tanure em 2025 (Bloomberg)

O próprio empresário reconheceu à Reuters que as negociações se mostraram mais complexas do que o esperado. A sensibilidade política do tema, a falta de consenso com os bancos e o surgimento de outros interessados, como a gestora IG4, minaram a viabilidade da transação.

O prazo de exclusividade, de três meses, expirou sem acordo, e Tanure acabou recuando da disputa. No início de dezembro, a IG4 encaminhou um acordo com a Novonor, bancos e a Petrobras, colocando fim a uma disputa societária que se arrastava desde 2018. A operação ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A virada da maré

O ponto de inflexão mais duro veio no segundo semestre, com a perda do controle da Emae. A geradora de energia paulista, adquirida na privatização em 2024, acabou sendo tomada pelos credores e vendida à Sabesp após Nelson Tanure não honrar o pagamento de um financiamento usado para viabilizar a compra do ativo. Tanure entrou na Justiça para reverter a execução da dívida e retomar o controle da Emae.

A perda da Emae foi precedida pela crise da Ambipar, empresa de gestão ambiental que entrou em recuperação judicial após uma rápida deterioração financeira. 

O controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, era sócio de Tanure na Emae, o que ampliou a exposição cruzada entre os negócios. Parte do financiamento da aquisição da Emae tinha como garantia ações da Ambipar, que perderam valor de forma acentuada em poucas semanas, corroendo o lastro da operação.

Tercio Borlenghi Jr Jr, ceo-ambipar
Tercio Borlenghi Júnior, CEO da Ambipar: empresário era sócio de Tanure na Emae

Esse quadro foi agravado pela crise do Banco Master, iniciada no fim de março e que atingiu seu ápice em novembro, quando o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira fundada por Daniel Vorcaro. 

A debacle do banco afetou Tanure, que utilizava a instituição em diversas operações e aplicações por meio de empresas de seu portfólio. Na prática, o colapso simultâneo da Ambipar e do Master comprometeu garantias, restringiu fontes de financiamento e acelerou a execução de contratos.

Além da Emae, outros negócios de Tanure sentiram o impacto. A rede de supermercados Dia, adquirida no fim de 2024, chegou a manter mais de 70% de seu caixa aplicado em um CDB ligado ao conglomerado do Banco Master.

Dos cerca de R$ 163,3 milhões aplicados, o Dia conseguiu reaver aproximadamente R$ 20 milhões à vista e um precatório avaliado em R$ 116 milhões, como revelou o InvestNews. O saldo remanescente seria pago de forma parcelada, mas, com a liquidação da instituição financeira, o recebimento passou a ser incerto.

As renegociações

Foi nesse contexto que a crise da Ligga Telecom ganhou contornos maiores. À venda desde agosto, conforme antecipado pelo InvestNews, Nelson Tanure precisou renegociar cerca de R$ 1,2 bilhão em dívidas relacionadas à compra da antiga Copel Telecom após não conseguir honrar o vencimento do débito.

O acordo fechado no início de dezembro deu fôlego temporário, mas impôs uma condição clara dos credores: a busca pela venda da própria Ligga, avaliada em cerca de R$ 2,5 bilhões, e das ações da Alliança Saúde, estimadas em torno de R$ 4 bilhões — dois dos principais ativos do portfólio construído ao longo dos últimos anos.

No caso da Alliança, a companhia informou ter contratado o BTG Pactual para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas que podem incluir reorganizações societárias, entrada de sócios ou a venda parcial ou total da participação dos acionistas controladores – no caso, Tanure.

Paralelamente ao aperto financeiro, o empresário passou a enfrentar maior escrutínio institucional. Também dezembro, após o Ministério Público Federal (MPF) apresentar denúncia em um caso relacionado a um possível uso de informações privilegiadas na Gafisa, a defesa de Nelson Tanure pediu que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) e submetido a sigilo total, sob o argumento de conexão com apurações mais amplas envolvendo o Banco Master, que tramitam exclusivamente na Corte.

Tanure nega qualquer relação societária com a instituição financeira e afirma que sua atuação sempre se limitou a relações comerciais e operações financeiras, sustentando que os temas em discussão devem ser tratados exclusivamente no âmbito judicial.

Do turnaround ao turnaround

O balanço de 2025 também ajuda a iluminar o próprio estilo de atuação de Nelson Tanure, um investidor de perfil old school que construiu sua trajetória comprando ativos pressionados em momentos de crise e apostando em reestruturações profundas.

Ao longo de décadas, sua estratégia se baseou em identificar empresas em dificuldade, assumir riscos elevados e negociar duramente com credores para tentar reescrever contratos e recuperar valor Em entrevista dada ao podcast “Atrás do retorno” no fim de 2024, o próprio Tanure explicou que sua inclinação por ativos estressados nasceu menos de convicção teórica e mais de necessidade prática.

“Eu tive que procurar negócios onde a minha capacidade de trabalho fizesse diferença. E onde estão essas oportunidades? Geralmente, no distress [ativos estressados economicamente]. O distress é o local de oportunidades”, afirmou.

Seu maior acerto foi a entrada na petroleira HRT, em 2014. Sob nova estratégia e gestão liderada por seu filho, Nelson Queiroz Tanure, a companhia foi rebatizada de PetroRio — hoje PRIO — e se transformou em uma das companhias mais rentáveis do setor de óleo e gás no país, frequentemente citada como o caso mais bem-sucedido de seu portfólio.

Funcionários da Prio.
Funcionários da PRIO: petroleira é considerada a aposta mais bem sucedida de Tanure. Foto: Divulgação

Nem todas as apostas, porém, tiveram o mesmo desfecho. Tanure também esteve envolvido em reestruturações complexas e de resultado mais limitado, como na operadora Oi, da qual foi investidor relevante entre 2003 e 2008. Por outro lado, após deixar a companhia, assumiu o controle da concorrente Interlig, que acabou incorporada pela TIM em 2009.

A lógica por trás dessas investidas sempre foi a mesma. Tanure prospera em ambientes de distress, quando o poder de barganha está concentrado em quem aceita risco e consegue impor condições mais favoráveis em renegociações de prazos e valores. Em ciclos assim, seu modelo tende a funcionar.

O problema é que 2025 marcou uma inflexão desse ambiente. Com a melhora gradual do mercado e menor tolerância a estruturas altamente alavancadas, o espaço para renegociação diminuiu, o custo do capital subiu e as engrenagens que sustentaram sua expansão passaram a trabalhar contra ele. 

Em outro momento da entrevista concedida em 2024, Tanure resumiu essa lógica com franqueza: “A capacidade de recuar é uma grande virtude. Recuar de momento, se fortalecer e voltar, na maior parte das vezes, é uma brilhante ideia”.

Procurado pelo InvestNews, Nelson Tanure não concedeu entrevista.

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Após questionamento, Cade prorroga análise do aporte de US$ 100 milhões da United Airlines na Azul

O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gustavo Augusto Freitas de Lima, decidiu prorrogar a análise do processo que autoriza a United Airlines a subscrever US$ 100 milhões em ações da Azul, após a manifestação de uma associação de consumidores que questiona a operação. O Cade deu um prazo de 15 dias para a entidade, chamada IPSConsumo, apresentar suas alegações.

Com isso, Freitas de Lima suspendeu a emissão da certidão de trânsito em julgado — documento que encerra formalmente a análise do caso. A medida cria um atraso burocrático no fechamento do acordo, apesar de a transação já ter sido aprovada sem restrições pela área técnica do Cade na última semana de 2025.

Em nota, a Azul afirma que a companhia “segue à disposição da autoridade para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

A operação envolve a aquisição, pela United, de uma participação societária minoritária na Azul, que elevará sua fatia acionária para cerca de 8% do capital da companhia brasileira.

A aérea americana irá investir US$ 100 milhões na aquisição de ações da Azul, em uma etapa do pacote de reestruturação financeira da empresa no âmbito do Chapter 11 nos Estados Unidos, tratado pela companhia como um dos pilares para sua saída da recuperação judicial.

A American Airlines se comprometeu a aportar outros US$ 100 milhões, sendo esses recursos fundamentais para o caixa da coempresa brasileira – essa operação também dependerá de autorização do Cade.

O aumento da participação da United na Azul ocorre em paralelo a uma diluição sem precedentes promovida pela companhia aérea para acomodar seus credores.

Nesta semana, a Azul concluiu um aumento de capital de R$ 7,4 bilhões, com a emissão de mais de 1,4 trilhão de novas ações, operação desenhada para reduzir drasticamente seu endividamento, mas que também resultou em uma diluição superior a 90% da participação dos acionistas originais.

(ATUALIZAÇÃO: Diferentemente do que foi publicado inicialmente, a United irá aportar US$ 100 milhões na Azul, não será uma operação de conversão de créditos. O texto corrigido às 20h34)

Os argumentos

A trava imposta pelo Cade decorre de um pedido apresentado pelo IPSConsumo (Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo), que solicitou ingresso no processo como terceiro interessado. O instituto questiona a aprovação da operação e sustenta que o investimento da United vai além de um aporte financeiro passivo, podendo gerar riscos concorrenciais no mercado aéreo — especialmente nas rotas entre Brasil e Estados Unidos.

Nesse contexto, o instituto defende que o Cade deveria analisar o caso em conjunto com a entrada da American Airlines no capital da Azul, argumentando que United e American se tornariam acionistas de referência da companhia, com presença em instâncias de governança, ao mesmo tempo em que mantêm vínculos societários e comerciais com a Abra Group, holding que controla Gol e Avianca, concorrentes diretas em rotas relevantes no Brasil e entre Brasil e Estados Unidos.

A Azul e a United rebatem as alegações. Em manifestações protocoladas no processo, as companhias afirmam que o investimento é estritamente minoritário, não confere controle, poder de veto ou influência relevante sobre a estratégia competitiva da Azul e apenas “dá continuidade a uma relação comercial existente há mais de uma década”. Segundo as empresas, a conversão de dívida da United em ações “fortalece a posição financeira” da Azul e preserva sua capacidade de competir no mercado.

No despacho publicado na noite desta quinta-feira (8), Freitas de Lima reconhece que o pedido do IPSConsumo foi apresentado dentro do prazo legal, mas afirma que, até o momento, o instituto não apresentou documentos ou pareceres técnicos suficientes para comprovar suas alegações. Por isso, concedeu um prazo de 15 dias para que a entidade complemente a documentação. Caso isso não ocorra, o pedido será rejeitado sumariamente.

O IPSConsumo é uma associação civil criada em 2018 que atua na produção de estudos, pesquisas e atividades de advocacy relacionadas às relações de consumo. Entre os integrantes de seu quadro está o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Carvalho, segundo informações disponíveis no site oficial da entidade.

Esta não é a primeira vez que o IPSConsumo atua em processos envolvendo a Azul. A entidade também questionou um acordo de codeshare celebrado entre Azul e Gol em maio de 2024, que permitia às duas companhias compartilhar e vender voos em rotas selecionadas.

O acordo, no entanto, foi encerrado pelas empresas em setembro de 2025, e a Superintendência-Geral do Cade concluiu que o processo foi arquivado por conta do fim da parceria.

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Glencore e Rio Tinto: eventual megafusão pode impor uma ‘nova ordem global’ à Vale

A negociação entre Glencore e Rio Tinto para formar a maior mineradora do mundo pode redesenhar o cenário de competição entre as principais empresas do setor. Para a brasileira Vale, o possível acordo pode significar a chegada de um concorrente ainda maior — e potencialmente mais eficiente — em mercados-chave, do minério de ferro ao cobre.

As duas companhias confirmaram que mantêm conversas preliminares sobre uma possível combinação de negócios, que pode incluir uma fusão integral por troca de ações. Se avançar, a operação criaria um grupo com valor empresarial acima de US$ 250 bilhões, configurando uma das negociações mais ambiciosas da história recente da mineração global.

A anglo-australiana Rio Tinto informou que tem até 5 de fevereiro para decidir se apresenta uma proposta formal pela suíça Glencore. Pelas regras do mercado britânico, a companhia precisará, até essa data, anunciar uma oferta firme ou declarar que não pretende seguir adiante. Em 2024, as duas empresas também discutiram uma fusão, mas não chegaram a um acordo.

No caso da Vale, o cronograma adiciona um elemento de curto prazo a uma discussão estratégica de longo alcance. Em poucas semanas, pode ficar mais claro se o setor caminha para a formação de um novo gigante global — com presença relevante na América do Sul — ou se a pressão por consolidação seguirá viva, à espera de outra oportunidade.

Ainda é cedo para cravar ou prever qualquer efeito sobre a Vale. Mas, seja qual for a decisão, a mineradora brasileira terá de lidar com um ambiente em que a concorrência tende a ficar mais concentrada e com players maiores, com influência direta sobre suas decisões estratégicas daqui para frente.

Desafio à Vale

A Vale atravessa um momento de reafirmação estratégica após as turbulências internas e crises ambientais da última década. Em uma agenda conduzida pelo CEO Gustavo Pimenta, a mineradora aposta em um balanço mais sólido e com baixo endividamento. A estratégia do executivo está ancorada em minério de ferro de maior qualidade e na expansão gradual de metais ligados à transição energética, como cobre e níquel.

Pimenta tem reiterado o objetivo de recolocar a companhia como a maior mineradora do mundo, mas sem recorrer a grandes aquisições. A estratégia adotada até aqui privilegia projetos já existentes, como o complexo de Carajás (PA), além de ganhos operacionais e disciplina de capital.

A eventual criação de um gigante a partir da união entre Rio Tinto e Glencore, no entanto, introduziria um concorrente com perfil distinto: mais diversificado, mais integrado e com exposição simultânea a minério de ferro, cobre e ao trading de commodities.

A pressão concorrencial se intensifica porque esse novo grupo teria presença relevante justamente na América do Sul, região que concentra alguns dos ativos mais estratégicos para a Vale.

A Rio Tinto mantém operações industriais no Brasil, como a refinaria de alumina da Alumar, no Maranhão, além de participações históricas na cadeia do alumínio. Fora do país, a mineradora anglo-australiana vem ampliando sua aposta em minerais críticos, com projetos de lítio no Chile e na Argentina.

Além disso, a Rio Tinto avança no desenvolvimento do megaprojeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné — um ativo fora da América do Sul, evidentemente, mas com impacto direto sobre o mercado global de minério de ferro de alta qualidade, hoje amplamente dominado pela Vale.

A Glencore, por sua vez, tem uma presença ainda mais extensa e diversificada na América do Sul, especialmente no cobre. No Chile, a companhia detém participação relevante em ativos de grande escala, como a mina de Collahuasi, uma das maiores produtoras globais do metal, além de operações como Lomas Bayas. 

No Peru, opera minas como Antapaccay e desenvolve projetos adjacentes que ampliam a vida útil e a escala dessas operações. Já na Argentina, a empresa trabalha para destravar projetos de cobre de grande porte, como El Pachón e Agua Rica, que o mercado já enxerga como parte da próxima fronteira de expansão do metal.

Para a Vale, esse cenário significaria competir não apenas com projetos isolados, mas com um grupo capaz de otimizar portfólio, realocar capital entre diferentes commodities e capturar sinergias operacionais e comerciais em escala global — com reflexos diretos sobre preços, investimentos e participação de mercado.

Momentos distintos

Do ponto de vista financeiro, a Vale chega a esse momento em posição confortável. No terceiro trimestre de 2025, a companhia teve receita de US$ 10,4 bilhões, com um resultado operacional (Ebitda) de US$ 4,4 bilhões e lucro líquido de US$ 2,7 bilhões, com dívida líquida de US$ 12,5 bilhões — representando uma alavancagem de 0,8 vez o Ebitda. 

No plano operacional, a produção de minério de ferro somou 94,4 milhões de toneladas, o maior volume para um terceiro trimestre desde 2018, no que a empresa atribui a custos baixos e melhora no mix de produtos. Hoje, o valor de mercado da Vale está em US$ 63 bilhões.

A Rio Tinto, por sua vez, vive um momento de maior pressão, mas ainda com números expressivos. A mineradora anglo-australiana registrou lucro de US$ 4,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 (dados mais recentes), com Ebitda próximo de US$ 10 bilhões.

No minério de ferro, os embarques chegaram a 157 milhões de toneladas, impactados por eventos climáticos na Austrália. A Rio Tinto tem um market cap estimado em US$ 200 bilhões.

Já a Glencore apresentou resultados mais voláteis. No primeiro semestre de 2025, a empresa teve receita de US$ 117,4 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 5,4 bilhões, mas fechou o período com prejuízo de US$ 655 milhões, pressionada por ajustes em ativos de carvão e pela queda de preços de algumas commodities. 

Ainda assim, mantém forte exposição ao cobre, com expectativa de produzir entre 850 mil e 890 mil toneladas do metal ao longo do ano. O valor de mercado da Glencore gira em torno dos US$ 70 bilhões.

Consolidação

A retomada das negociações entre Rio Tinto e Glencore representa mais um capítulo das conversas de consolidação entre gigantes da mineração diante dos desafios crescentes da atividade. No ano passado, o setor voltou a dar sinais claros de que a busca por escala e por maior exposição a metais estratégicos — especialmente o cobre — passou novamente a orientar as discussões sobre fusões e aquisições.

Um dos exemplos mais recentes foi o acordo entre Anglo American e Teck Resources, anunciado em setembro de 2025 e aprovado pelos acionistas em dezembro. A operação resultou na criação do grupo Anglo Teck, hoje uma das maiores produtoras de cobre do mundo, com capacidade combinada superior a 1,2 milhão de toneladas e sinergias estimadas em cerca de US$ 800 milhões por ano.

O negócio foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão após um período em que o setor evitou grandes movimentos de consolidação, em parte por negociações que não avançaram — como o fracasso das conversas entre Rio Tinto e Glencore no fim de 2024. “As megafusões no setor de mineração estão de volta”, escreveram analistas da Jefferies em um relatório a clientes.

A escalada do cobre

A eventual fusão entre Rio Tinto e Glencore controlaria 7% da produção mundial de cobre. Em 2024, a Glencore extraiu 950 mil de toneladas; a Rio Tinto, 700 mil. Juntas, portanto, as duas alcançariam 1,65 milhão – chegando bem perto da líder BHP (1,86 milhão de toneladas).

A produção combinada seria equivalente a 4,5 vezes o que a Vale extrai de cobre – foram 350 mil toneladas em 2024.

O foco no metal marrom-alaranjado é natural. Ele sobe 40% nos últimos 12 meses, por conta da demanda de data centers e motores elétricos pelo mais clássico dos bons condutores de energia. Trata-se de uma alta que nem fica tão atrás daquela do ouro, a mais alardeada, com 67%.

Escassez de projetos

Só que a pressão por escala não é apenas uma reação aos preços elevados do cobre, mas também reflexo da escassez de projetos de grande porte próximos de entrar em produção. Com novos empreendimentos cada vez mais caros, longos e arriscados, as empresas passaram a buscar alternativas que permitam ganhar acesso mais rápido a novas reservas e diluir riscos financeiros.

No caso específico de Rio Tinto e Glencore, a retomada das conversas é lida por operadores e analistas como parte dessa mesma lógica. A Glencore vem reorganizando seu portfólio, com a reestruturação de ativos de carvão e maior foco em metais críticos, enquanto a Rio Tinto ajusta sua estratégia para reduzir custos e ampliar a presença em minerais além do minério de ferro.

Esse movimento ocorre em um momento em que outros grandes nomes também figuram no tabuleiro da consolidação. A BHP, maior mineradora do mundo em valor de mercado, tentou sem sucesso adquirir a Anglo American nos últimos anos e agora deve buscar alternativas para não ficar para trás. 

Analistas do Bank of America ouvidos pelo The Wall Street Journal observam que o acordo entre Anglo American e Teck criou uma espécie de momento de “agora ou nunca” no setor — e que a principal incógnita passa a ser como a BHP responderá a esse novo ciclo.

Colaborou Alexandre Versignassi

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Copa do Mundo e geladeira bivolt: os trunfos da LG para disputar mercado com Samsung e Brastemp

Três décadas depois de desembarcar no Brasil, a sul-coreana LG começa 2026 com um plano apoiado em duas grandes frentes para ampliar sua receita no país em 30% nos próximos dois anos. Hoje, o mercado brasileiro já figura entre os três maiores da companhia no mundo, ao lado da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

A estratégia da multinacional combina o aumento da procura por televisores em um ano de Copa do Mundo com uma inflexão mais estrutural na chamada linha branca — que inclui geladeiras, máquinas de lavar e outros eletrodomésticos —, marcada pela inauguração de uma fábrica bilionária no Paraná no segundo semestre.

Segundo Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG no Brasil, é justamente nos segmentos de refrigeradores e lavadoras que está a principal fonte de receita da companhia no mundo, mas que ainda não se traduziu em escala no mercado brasileiro. “No Brasil, essa presença ainda é tímida porque praticamente todo o portfólio é importado”, diz.

Brasil na tela

Para as fabricantes de TV, como a LG, há um momento que funciona como espécie de Copa do Mundo: a própria Copa do Mundo. É nesse período que os brasileiros tendem a adiantar a troca de aparelho, m migrando para modelos maiores.

Na avaliação da companhia, porém, o consumidor está mais seletivo. Passou a valorizar características que vão além do tamanho e do preço.

Qualidade de imagem em ambientes iluminados, taxas de atualização mais altas para esportes e games e integração com plataformas de streaming ganharam mais peso na decisão de compra. Segundo Fiani, em um mercado maduro o consumidor não troca mais a TV apenas por necessidade, mas pelo tipo de uso que espera fazer do aparelho.

Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil
Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil (Divulgação)

O mercado brasileiro de televisores é liderado pela Samsung, que construiu ao longo dos anos uma posição dominante tanto em volume quanto em percepção de marca, apoiada em escala e forte presença no varejo. 

A LG aparece logo atrás entre os principais players, disputando espaço sobretudo nos segmentos de maior valor agregado. Enquanto isso, fabricantes chinesas como a TCL avançam com força nas categorias intermediárias e aumentam a pressão competitiva sobre preços.

Mas, para a LG, o verdadeiro salto não está apenas no calendário esportivo. A aposta em TVs ajuda a ganhar fôlego no curto prazo, enquanto a virada mais estrutural da operação brasileira começa a ser preparada para a segunda metade do ano.

Fábrica bilionária

Se a Copa ajuda a impulsionar o curto prazo, é na linha branca que a LG aposta suas fichas — mais precisamente R$ 1,5 bilhão em fichas. O valor está sendo investido na construção de uma nova fábrica no Paraná, com inauguração prevista para o segundo semestre, voltada à produção local de refrigeradores e lavadoras.

O projeto marca a primeira tentativa consistente da companhia de ganhar escala em um mercado no qual, até aqui, sua presença era marginal. Hoje, o setor é dominado pela americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, além da sueca Electrolux. A LG possui 3% de participação em linha branca no país. A meta declarada é chegar a 20% de market share nos próximos anos.

Com 770 mil metros quadrados, a fábrica no Paraná nascerá focada na produção de geladeiras e terá capacidade inicial para fabricar até 500 mil unidades por ano, segundo a empresa. A partir de 2027, o plano prevê a entrada de máquinas de lavar e das lava e seca, ampliando o portfólio local.

Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR)
Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR) (Divulgação)

A ofensiva começa pelos refrigeradores, com o lançamento de 25 modelos já no primeiro ano de operação, cobrindo do segmento intermediário ao premium. A ideia, segundo Rodrigo Fiani, não é disputar apenas nichos de maior valor agregado, mas massificar a oferta e ganhar escala no varejo. O Brasil vende quase 5 milhões de geladeiras por ano, movimentando mais de R$ 15 bilhões a cada 12 meses, com forte concentração nos produtos de preço intermedário.

Um dos símbolos dessa abordagem é a aposta em geladeiras bivolt — uma característica ainda pouco disseminada no mercado brasileiro. Mais do que um diferencial técnico para o consumidor, o recurso tem impacto direto na cadeia de vendas. “Para o varejista, ter um único produto que funciona em qualquer voltagem simplifica muito a operação e reduz erros na hora da compra”, diz Fiani.

Até aqui, a atuação da LG na linha branca no Brasil era limitada pela dependência de produtos importados, o que restringia o portfólio aos modelos mais caros. “Quando tudo vem de fora, não faz sentido eu encher o contêiner com produtos de menor preço. O custo logístico acaba empurrando a operação para o topo do portfólio”, afirma o executivo.

Geladeira e lavadoras da LG
Geladeira e lavadoras da LG: produtos de linha branca atualmente são importados (Bloomberg)

Com a produção local, essa lógica muda. A fabricação no Brasil permite ampliar o leque de modelos, reduzir custos e tornar os preços mais competitivos. Hoje, a geladeira mais barata da LG custa cerca de R$ 3 mil, enquanto modelos equivalentes de concorrentes partem de R$ 2 mil — uma diferença que a companhia espera reduzir à medida que a nova planta entre em operação.

Hoje, a principal fonte de receita — e, sobretudo, de lucro — da LG é a divisão de Home Appliance Solution, responsável pela linha branca do grupo. No terceiro trimestre do ano passado, a unidade faturou US$ 4,9 bilhões gloobalmente, e registrou lucro operacional US$ 270 milhões.

O contraste aparece quando se olha para o negócio de TVs. A divisão de Media Entertainment, que reúne televisores e outros produtos de entretenimento doméstico, foi a segunda maior em receita no mundo, com US$ 3,4 bilhões no 3T25. Ainda assim, o segmento encerrou o período com prejuízo operacional, refletindo a pressão de preços e a competição acirrada.

No consolidado, a LG global registrou receita líquida US$ 16 bilhões — e lucro operacional US$ 500 milhões. A empresa não divulga números específicos da operação brasileira.

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Próxima da Aegea, gestora Perfin se consolida como maior acionista privado da Copasa

A gestora Perfin elevou sua participação na Copasa para 12,31% do capital e se consolidou como a segunda maior acionista individual da companhia, atrás apenas do governo de Minas Gerais, em um movimento que ganha peso com o avanço do processo de privatização da estatal mineira de saneamento.

O aumento de posição foi comunicado ao mercado na manhã desta quarta-feira (24) e ocorre um dia após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sancionar a lei que autoriza a desestatização da empresa e anunciar a troca no comando da Copasa, com a substituição do então presidente Fernando Passalio pela secretária estadual de Meio Ambiente, Marília Melo.

A movimentação da Perfin, no entanto, não é recente. A gestora passou a figurar como acionista relevante da companhia no fim de agosto, quando atingiu 5% do capital, e manteve compras ao longo do segundo semestre. No comunicado enviado à Copasa, a Perfin afirmou que o investimento tem objetivo “estritamente financeiro” e que não pretende alterar o controle da companhia.

Na primeira quinzena de dezembro, quando a proposta de privatização da Copasa ganhou tração na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a gestora já havia elevado sua participação para 9,61%, antes de retomar as aquisições nesta semana, já com o processo oficialmente destravado.

Segundo o formulário de referência mais recente da Copasa, antes mesmo da aquisição anunciada nesta quarta-feira, a Perfin já figurava como a maior acionista privada individual da companhia, atrás apenas do governo de Minas Gerais, que detém pouco mais de 50% do capital.

No documento, publicado na segunda-feira (22), não havia outros acionistas com participação igual ou superior a 5%, patamar que enquadra investidores relevantes em companhias abertas.

Especializada em infraestrutura

Focada em ativos de infraestrutura, a Perfin foi criada pelo ex-Safra Ralph Rosenberg em 2007 e mantém relações próximas com os principais grupos privados do setor. A gestora foi sócia da Aegea no consórcio que venceu em 2022 a privatização da Corsan, empresa de saneamento do Rio Grande do Sul — posição que foi vendida recentemente ao Bradesco BBI.

A Perfin também é sócia da Equipav, controladora da Aegea, no segmento de rodovias, por meio da EPR, plataforma criada para disputar concessões estaduais. A gestora, que tem o BTG Pactual como um de seus sócios, ainda participou da capitalização da Cosan neste ano, investindo cerca de R$ 2 bilhões na holding fundada por Rubens Ometto.

Privatização da Copasa

Com o projeto de privatização da Copasa sancionado nesta semana, a expectativa é que a operação ocorra no primeiro semestre de 2026, em um processo cuja modelagem vem sendo desenhada pelo BTG Pactual.

Hoje, duas empresas despontam como principais interessadas na Copasa. De um lado, a Aegea, maior operadora privada de saneamento do país, controlada pela Equipav e que tem Itaúsa e o fundo soberano de Singapura (GIC) como sócios.

De outro, a Sabesp, que passou a ter pretensões nacionais após sua privatização e hoje tem a Equatorial Energia como acionista de referência.

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Em recuperação judicial, Azul corta pela metade encomenda bilionária de jatos da Embraer

A Embraer informou nesta terça-feira (23) que renegociou com a Azul Linhas Aéreas a encomenda de aeronaves do modelo E195-E2, reduzindo o pedido firme de 51 para 25 jatos. Os contratos originais, firmados entre 2014 e 2018, somavam um valor de referência de cerca de US$ 3,1 bilhões a preços de catálogo à época.

O novo acordo foi assinado em 26 de novembro e homologado no processo de Chapter 11 — equivalente à recuperação judicial no Brasil — da companhia aérea nos Estados Unidos, em decisão da Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York publicada em 22 de dezembro.

A renegociação encerra um ciclo iniciado em 2014, quando a Azul se tornou a primeira cliente global do E195-E2 e operadora-lançadora do modelo.

Primeiro cliente

Naquele ano, durante o salão aeronáutico de Farnborough, no Reino Unido — um dos principais eventos globais da indústria aeronáutica —, a companhia assinou uma carta de intenções para 30 pedidos firmes, com direitos de compra para outros 20 jatos.

À época, a Embraer estimou que o contrato poderia alcançar US$ 3,1 bilhões a preços de lista, caso todas as opções fossem convertidas. O pedido adicional foi anunciado em dezembro 2018, novamente em Farnborough, quando Embraer e Azul divulgaram uma nova carta de intenções para 21 aeronaves adicionais.

Embraer E195-E2, a maior aeronave comercial da fabricante brasileira
Embraer E195-E2, a maior aeronave comercial da fabricante brasileira

O preço de lista é uma referência utilizada pela indústria para padronizar o valor dos contratos, mas não reflete necessariamente o preço efetivamente pago pelas companhias aéreas, que costuma incluir descontos relevantes, além de condições comerciais específicas como financiamento, cronograma de entregas e pacotes de manutenção.

Com isso, o total encomendado pela Azul chegaria a 51 jatos E2. O contrato foi formalizado em dezembro de 2018 e incluído no backlog da Embraer no quarto trimestre daquele ano.

Jato da Embraer

O E195-E2 é a segunda geração da família de jatos E-Jets, desenvolvida para voos regionais e domésticos de curta e média distância, com capacidade de até cerca de 130 passageiros. 

Diferentemente dos modelos mais populares da Boeing e da Airbus, como o 737 e o A320, utilizados em rotas mais longas e de maior densidade, o E2 é voltado à ligação entre cidades médias, onde aeronaves maiores tendem a ser menos eficientes do ponto de vista operacional.

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Entre educação e mídia, Chaim Zaher inaugura sede de sua escola de direito e atrai a elite política

O empresário Chaim Zaher inaugurou nesta sexta-feira (12) seu mais novo investimento, a nova sede da Escola Paulista de Direito (EPD), projeto que custou cerca de R$ 80 milhões ao Grupo SEB, fundado em 1969 e comandado até hoje por Zaher. A inauguração do prédio também funcionou como termômetro do prestígio acumulado pelo empresário ao longo de décadas no ramo da educação.

O edifício de 11 andares na Bela Vista, em São Paulo, abrigava até pouco tempo atrás o prédio da escola de Direto da FGV, mas o Grupo SEB, dono do imóvel, optou por reaver o prédio para instalar a sede da EPD, instituição fundada em 1994 e que foi comprada em 2012 pelo conglomerado educacional. Antes, a escola de direito estava localizada no bairro da Liberdade, também na região central da cidade.

Aos 71 anos, Zaher construiu um grupo que atende cerca de 500 mil alunos no Brasil e no exterior, com atuação da educação básica ao ensino superior especializado. No ano passado, o Grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro) faturou pouco mais de R$ 500 milhões, reunindo cerca de R$ 900 milhões em ativos. Segundo a revista Forbes, a fortuna da família Zaher gira em torno dos R$ 3,5 bilhões.

O SEB reúne marcas do ensino básico e fundamental como Pueri Domus, COC e Escola Concept, além da EPD e da Harven Agribusiness School nos cursos de graduação e pós-graduação. No ano passado, recebeu um aporte de R$ 415 milhões da gestora Kinea para ampliar a oferta de escolas de alta performance.

O grupo também é responsável pela expansão da Maple Bear no Brasil, a maior rede de escolas bilíngues do mundo. A família Zaher ainda tem 12,16% da Yduqs, sendo a maior acionista individual de um dos principais grupos de ensino superior do país.

Mídia

Nos últimos anos, o empresário ampliou sua atuação para a mídia. Por meio do Sistema Thathi de Comunicação, comprou recentemente emissoras afiliadas do SBT no interior de São Paulo, além de ser dono de uma afiliada da Band no litoral paulista – todas sob a marca TH+ – além da rádio Nova Brasil FM. 

O grupo de rádio e TV dos Zaher carrega no nome uma homenagem direta às quatro filhas: Thalita, Thamila, Thiciana e Thiara. A família, aliás, é um elemento central da estratégia de longo prazo do grupo. Casado há 45 anos com Adriana Baptiston Zaher, Chaim a considera a principal responsável pela consolidação e expansão do braço educacional do grupo.

Enquanto Chaim Zaher se posicionou como investidor, formulador e articulador institucional, Adriana liderou a estruturação acadêmica, as metodologias e a organização das marcas. “Eu nem fiquei sabendo quanto investimos aqui, é a Adriana quem cuida de tudo”, afirmou.

Transição

Zaher afirma que já iniciou a transição de comando de seus negócios de educação e mídia para a próxima geração. As quatro filhas foram incorporadas aos negócios desde cedo, mas Thamila Zaher, a terceira filha, desponta como a figura mais visível da nova geração. Ela também representa a família no conselho da Yduqs.

Hoje, Zaher diz que seu papel é mais institucional e de mentoria do que de comando no dia a dia. “Me considerem como sal. Quando a comida está temperada, todo mundo come e ninguém reclama. Falta o sal no filé para ver”, disse, ao explicar que sua função agora é ajustar e acompanhar, não liderar diretamente.

Chaim Zaher (no centro) com família e políticos na nova sede da EPD
Chaim Zaher (no centro) com família e políticos na nova sede da EPD (InvestNews)

Zaher chegou ao Brasil em 1960 vindo do Líbano e iniciou a trajetória profissional no ensino como porteiro de cursinho. Filho de professor, construiu um grupo educacional de escala, mas rejeita a ideia de que suas decisões sejam guiadas apenas pelo lucro.

“Quando fazemos um investimento, a gente não pensa só no retorno financeiro. A gente faz coisas que gosta, faz aquilo que dá prazer”, afirmou. Segundo ele, essa lógica explica tanto a expansão no ensino quanto a entrada no setor de mídia: “Ninguém segura quem faz o que gosta”.

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Exclusivo: Com R$ 163 milhões em CDB ligado ao Banco Master, Dia recebe só 12% à vista

Em recuperação judicial há mais de um ano, o supermercado Dia conseguiu recuperar apenas R$ 20 milhões à vista – cerca de 12% – dos R$ 163,3 milhões que tinha aplicados em um CDB do Letsbank, parte do conglomerado do Banco Master, apurou o InvestNews. A rede de supermercado tinha ao menos 70% de seu caixa comprometido neste investimento.

Em 22 de outubro, menos de um mês antes de o Master ser liquidado pelo Banco Central, o Dia fechou um acordo com o Letsbank para reaver os R$ 163,3 milhões investidos, prevendo o pagamento de R$ 20 milhões à vista, além de R$ 50 milhões a serem pagos ao longo de 2026, em dez parcelas mensais de R$ 5 milhões a partir de fevereiro, corrigidas por 109% do CDI. Para quitar o restante, o Letsbank cedeu um precatório com valor de face de R$ 116 milhões.

Com a liquidação extrajudicial do Master, decretada em 18 de novembro, o pagamento destas parcelas agora é incerto. O acordo passa agora pelo crivo do liquidante nomeado pelo BC. A tendência é que nenhuma dívida seja quitada até a liquidação dos ativos do banco. À administradora judicial, a diretoria do Dia disse “aguardar o relatório do liquidante nomeado pelo Banco Central com a relação dos credores e devedores da instituição, para eventuais providências”.

Procurado pelo InvestNews, o Dia afirma que está cumprindo “100% das obrigações previstas no processo de Recuperação Judicial, não alterando a condução das operações, o abastecimento das lojas ou qualquer relação com parceiros, fornecedores e clientes”.

O Dia mudou de controle em maio de 2024, quando o grupo espanhol de mesmo nome vendeu a operação brasileira por um valor simbólico a um fundo investido pelo empresário Nelson Tanure. Para viabilizar a transação, a matriz aportou 40 milhões de euros – cerca de R$ 214 milhões na cotação da época – a fim de dar fôlego à reestruturação da empresa, então recém-ingressada em recuperação judicial.

Precatório

Os R$ 93,3 milhões restantes foram quitados por meio da cessão de um precatório federal com valor de face de R$ 116 milhões. Embora o número seja elevado no papel, esse tipo de ativo não representa caixa disponível e tampouco tem liquidez capaz de reforçar rapidamente o capital de giro do Dia.

Precatórios, que são dívidas judiciais reconhecidas pelo poder público, não são títulos de pagamento imediato: dependem de fila orçamentária, decisões judiciais e disponibilidade fiscal da União. Não há qualquer previsão de recebimento.

Caso o Dia precise converter esse papel em dinheiro no curto prazo, terá de recorrer ao mercado secundário, onde precatórios costumam ser negociados com deságios entre 30% e 60% do valor de face.

A administradora judicial alerta que o título deve passar por teste de recuperabilidade (“impairment”), já que o valor real recuperável “pode ser significativamente inferior” ao registrado no acordo.

Não há clareza total sobre o precatório cedido, porque parte do acordo de confissão de dívida firmada entre o Letsbank e o Dia foi entregue à Justiça sob sigilo. O Dia alega que informações bancárias são protegidas por sigilo bancário.

“Ainda que não haja nenhuma cláusula de confidencialidade na confissão de dívida levada aos autos pelas recuperandas, o documento foi juntado sob sigilo, que por ora está mantido, inviabilizando assim a divulgação da nossa análise acerca de informações relevantes que constam do acordo”, escreveu a administradora judicial, a Expertise Mais.

De acordo com o relatório mais recente da administração judicial do grupo, a diretoria do Dia registrou em seu balanço uma receita financeira de R$ 23,3 milhões considerando o resgate da aplicação (R$ 163,3 milhões), frente ao valor recebido (R$ 20 milhões), o valor a receber (R$ 50 milhões) e o valor de face dos precatórios cedidos (R$ 116,6 milhões).

Queima de caixa continua

Segundo o relatório do administrador judicial, a liquidez do Dia já vinha se deteriorando antes mesmo do problema provocado pela liquidação do Banco Master. De acordo com o relatório, o Dia agora opera sob “risco relevante”.

A adminsitradora judicial também mostra que o desempenho operacional do Dia segue frágil, adicionando pressão ao caixa.

Em outubro, a companhia consumiu R$ 42 milhões, sendo boa parte disso para o pagamento de credores e investimentos na empresa. Hoje, a rede opera com 240 lojas, menos da metade das cerca de 500 unidades que mantinha antes da RJ, e receita mensal chegou a R$ 159,3 milhões em outubro.

A liquidez apertada do Dia ocorre pouco mais de um ano e meio após o início da recuperação judicial, decretada em março de 2024, quando a rede acumulava mais de R$ 1 bilhão em dívidas e vinha perdendo competitividade após sucessivas mudanças de gestão. 

Dois meses depois, a controladora espanhola – pressionada por um plano global de enxugamento – decidiu vender a operação brasileira por 100 euros a um fundo gerido pela Trustee e investido por Tanure, em uma operação classificada no mercado como “venda com valor negativo”. Para viabilizar a transação, a antiga dona aportou 40 milhões de euros no caixa do Dia antes de vendê-lo.

Como mostrou recentemente o InvestNews, a expectativa é que a injeção de caixa ajudasse a companhia a ter liquidez para recompor estoques e ter fôlego para renegociar dívidas, mas a queima de caixa segue sendo um ponto de atenção, com a companhia mais dependente da conversão de créditos tributários para manter sua estrutura de capital.

Outras empresas

A situação do Dia espelha o que ocorreu com outras empresas que tinham aplicações no Master. A Oncoclínicas, por exemplo, também possuía CDBs do conglomerado e chegou a renegociar o recebimento dos valores. Com a liquidação do banco, porém, a companhia executou garantias e assumiu as ações que Daniel Vorcaro – controlador do Master – detinha na operadora de saúde.

Já a Emae, vendida recentemente para a Sabesp após o grupo formado por Nelson Tanure e o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, enfrentarem dificuldades para honrar a aquisição da companhia, mantinha cerca de R$ 140 milhões aplicados em títulos do Letsbank – igualmente sem previsão de recuperação após a liquidação.

Nos três casos, vale lembrar, a proteção do Fundo Garantidor de Créditos é limitada: o FGC cobre até R$ 250 mil por CNPJ, independentemente do tamanho do prejuízo ou do valor total aplicado. Para empresas com posições multimilionárias, esse mecanismo é praticamente irrelevante para recompor o caixa.

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Na nova InterCement, um bilionário britânico ganha espaço

Um bilionário britânico desponta como o principal acionista da InterCement, fabricante de cimentos ainda controlada pela antiga Camargo Corrêa (hoje Mover).

A Lago Escondido, veículo de investimento ligado a Joe Lewis, deverá ficar com cerca de 19,5% da cimenteira após a conversão de créditos da recuperação judicial, apurou o InvestNews. Logo atrás surge o argentino Marcelo Mindlin, que deve alcançar aproximadamente 8% do capital no novo desenho acionário.

A entrada de Mindlin e Lewis na cimenteira ocorre por meio da Latcem, o veículo montado pelos credores para receber até 38,5% das ações da InterCement. A estrutura reúne fundos como Moneda, Redwood e outros gestores que compraram dívidas da companhia, que gira na casa dos R$ 9 bilhões.

Empresário Marcelo Mindlin
O empresário Marcelo Mindlin (Bloomberg)

Mas quem de fato assume o comando do veículo são Lewis — dono de 50% da Latcem — e Mindlin, que lidera o bloco minoritário com 21%. Os demais investidores ficam pulverizados, com participações inferiores a 3%.

A nova composição acionária decorre do plano de recuperação judicial aprovado pelos credores da Mover, que prevê a conversão de dívidas em ações e a diluição quase total da antiga controladora.

Bilionário britânico

Joe Lewis, 87, é dono do conglomerado Tavistock Group, que reúne investimentos em imóveis, hotelaria, clubes esportivos e empresas de energia. Seu patrimônio é estimado em mais de US$ 6 bilhões.

Embora seja britânico, Lewis investe há anos na Argentina, onde possui propriedades na Patagônia — incluindo a região do Lago Escondido — por meio de estruturas societárias como a holding Hidden Lake S.A. e outros veículos associados.

Ele também já teve mais de 8% da Pampa Energía, conglomerado controlado por Marcelo Mindlin. Não há registros públicos de investimentos relevantes do bilionário no Brasil, o que torna sua presença na InterCement ainda mais inusitada.

O investidor britânico Joe Lewis (Bloomberg)

Em 2024, Joe Lewis admitiu culpa em um caso de insider trading nos Estados Unidos. O bilionário fez um acordo com o Departamento de Justiça e pagou uma multa de US$ 5 milhões — enquanto sua holding Broad Bay Ltd. desembolsou outros US$ 44 milhões em penalidades civis.

Lewis também é ligado ao grupo que controla o clube de futebol Tottenham Hotspur — o bilionário transferiu o controle formal do clube para um veículo de investimento da família em 2022.

Loma Negra

O investimento da dupla indica que Mindlin contará com um sócio de peso na disputa pela Loma Negra, líder do mercado de cimento na Argentina e um dos ativos mais valiosos da InterCement, que entrou em recuperação judicial no fim do ano passado.

O interesse de Mindlin pelo negócio é antigo, e a presença de Lewis — também enraizado no país — reforça a leitura de que a operação argentina será o eixo central da reorganização. A venda da Loma Negra está prevista no plano e será decisiva para tirar a InterCement da RJ.

Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement
Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement (Bloomberg)

Com a aprovação do plano de recuperação judicial em outubro, a gestão e o futuro da InterCement passam definitivamente para as mãos dos credores — agora reorganizados na Latcem — enquanto a Mover permanece apenas com uma fatia residual, sem influência na governança. A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O InvestNews tentou contato com Lewis e Mindlin, mas não obteve sucesso.

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Fundo soberano saudita deve pagar US$ 29 bilhões pela produtora de games EA

O fundo soberano da Arábia Saudita (PIF), o maior do mundo, irá assumir 93,4% da Electronic Arts (EA) e desembolsar cerca de US$ 29 bilhões para concluir a compra da companhia, segundo documento enviado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação — estruturada como um leveraged buyout (LBO), um modelo em que parte relevante do negócio é financiada com emissão de dívida — avalia a EA em US$ 55 bilhões e deve se tornar a maior aquisição alavancada da história do setor de tecnologia.

A composição acionária foi publicada inicialmente pelo The Wall Street Journal e confirmada pelo InvestNews. O consórcio liderado pelo PIF indica que, após o fechamento, o fundo ficará com 93,4% da EA, enquanto as gestores Silver Lake e Affinity Partners ficarão com 5,5% 1,1%, respectivamente.

O modelo adotado para a aquisição da EA prevê US$ 36,4 bilhões em equity e quase US$ 20 bilhões em dívida. Como o PIF aportará praticamente todo o capital próprio da transação, o desembolso adicional necessário para atingir sua participação final é de aproximadamente US$ 29 bilhões. A oferta de fechamento de capital da EA prevê pagamento em dinheiro de US$ 210 por ação.

Fundada em 1982, a Electronic Arts é uma das principais desenvolvedoras globais de jogos e serviços digitais para consoles, PC e dispositivos móveis. Seu portfólio inclui franquias como EA SPORTS FC (sucessor do Fifa), Madden NFL, Apex Legends e The Sims.

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Família Muffato compra 10% do Assaí e se torna segundo maior acionista do concorrente

Os irmãos Ederson e Everton Muffato, controladores da rede de supermercados que leva o nome da família, compraram uma participação equivalente a 10,26% do Assaí, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A fatia foi adquirida por meio de dois fundos geridos por BTG Pactual e WHG, tornando a dupla de empresários o segundo maior acionista da rede de atacarejo, em uma composição acionária dominada por gestoras, como Orbis (11,57%) e Dynamo (5,01%).

Apesar de comandarem um grupo forte no Paraná, os Muffato têm presença ainda tímida em São Paulo – justamente o mercado onde o Assaí é mais dominante. Além dos supermercados Super Muffato, o grupo é dono de uma rede de atacarejos, a Max Atacadista.

O movimento vem num momento em que a expansão orgânica do grupo paranaense enfrenta limitações: forte concentração regional e dificuldade de avançar em cidades onde o próprio Assaí e o Atacadão, do grupo Carrefour, operam com maior escala e capilaridade.

‘Operação financeira’

Embora afirmem no documento que a operação tem caráter estritamente financeiro, os irmãos se colocaram “à disposição” da administração do Assaí para colaborar com a experiência que acumulam no setor – gesto que sugere um interesse maior do que o de um investidor tradicional.

Por envolver a compra de ações por um concorrente direto, a tendência natural é que a transação seja analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a exemplo do que ocorre no caso em que o fundador da produtra de etanol Inpasa, José Odvar Lopes, pediu aval da autarquia para seguir investindo na distribuidora de combustíveis Vibra.

Sem o aval do órgão antitruste, fica comprometida qualquer iniciativa dos Muffato de pleitearem uma cadeira no conselho de administração do Assaí, embora já detenham participação suficiente para isso.

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Venda de ações da CSN na MRS pode movimentar mais de R$ 3 bilhões

A CSN está negociando a venda de suas ações na MRS Logística, operadora de uma das principais malhas ferroviárias do país, para a CSN Mineração, sua controlada direta. A operação pode envolver até 18,75% do capital que a siderúrgica detém na MRS – uma fatia avaliada em cerca de R$ 3,26 bilhões, de acordo com o balanço mais recente da companhia.

A transação em curso tem potencial de aliviar a estrutura de capital da principal empresa de Benjamin Steinbruch. Ao vender suas ações para a subsidiária, a CSN receberia recursos diretamente da CSN Mineração, que encerrou o terceiro trimestre com cerca de R$ 16 bilhões em liquidez.

Já a CSN encerrou o período com fluxo de caixa operacional negativo — ou seja, suas atividades do dia a dia consumiram recursos em vez de gerar — e mantém como prioridade reduzir a alavancagem para perto de 3 vezes o Ebitda.

Atualmente, a dívida líquida consolidada do grupo é de R$ 37,5 bilhões, com alavancagem de 3,14 vezes o Ebitda. A companhia, porém, não detalha ao mercado os parâmetros de seus covenants, limitando-se nos documentos públicos mais recentes a afirmar que está “adimplente”.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a CSN diz apenas que está em negociações com a CSN Mineração, mas que a quantidade e o preço das ações não foram determinados. 

Infraestrutura

Ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a CSN afirma que a aquisição funcionaria como uma simplificação societária: concentrar a participação logística na CSN Mineração, que depende da MRS para escoar o minério produzido no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), até o terminal marítimo de Itaguaí (RJ).

A transação também se conecta ao plano anunciado pela CSN de criar a CSN Infraestrutura, empresa que vai concentrar participação na MRS, terminais portuários e ativos rodoviários e ferroviários do grupo. 

A nova companhia, prevista para ser estruturada nos próximos meses, deve servir como um veículo para que a CSN consiga levantar “alguns bilhões” ao longo de 2026, de acordo com Antonio Marco Rabello, CFO da CSN, em teleconferência recente com analistas.

Ferrovia das mineradoras

A MRS é um dos ativos logísticos mais estratégicos do país. A concessionária opera cerca de 1.700 km de linhas ferroviárias entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, formando o chamado “corredor Sudeste” – rota crucial para o transporte de minério, carvão e produtos siderúrgicos.

O capital da MRS é concentrado nas principais companhias do setor: a Vale controla cerca de 44% do capital; o grupo CSN/CSN Mineração detém aproximadamente 38%; Usiminas, 11%; e Gerdau, 6%.

Procurada pelo InvestNews, a CSN não comentou.

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O BTG além do banco: como a holding de André Esteves e sócios virou um dos maiores grupos empresariais do país

Sob a gestão do banqueiro carioca e hoje chairman André Esteves, o BTG Pactual não apenas consolidou sua posição como maior banco de investimentos do país, como também viu a holding formada pelos seus 410 sócios – a chamada “partnership” – se transformar em um dos grupos empresariais mais influentes do Brasil. Tudo isso uma década depois de o banco atravessar sua maior crise.

Energia, telecomunicações, varejo, educação e logística compõem um portfólio que, pela diversidade e pela escala, ocupa um terreno que grupos empresariais tradicionais e holdings financeiras, como Itaúsa e Bradespar, jamais tiveram.

São histórias de grandes negócios, mas também de apostas frustradas, como a tentativa de consolidar o varejo farmacêutico com a BR Pharma, que terminou em falência, ou o da Sete Brasil, projeto criado para atender o pré-sal e que desmoronou em meio a denúncias de corrupção na Petrobras e que chegou a levar Esteves à prisão em 2015. Naquele momento, o grupo de sócios assumiu a dianteira dos negócios e manteve o banco de pé. O processo foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A compra de participações em empresas pela partnership dos sócios do BTG tem uma mecânica própria. Os sócios estruturam as operações considerando que os fundos administrados pela casa e grandes clientes tenham prioridade no investimento. Só depois dessa alocação entra a partnership.

O resultado é que boa parte das participações é compartilhada entre a holding dos sócios e veículos administrados pelo banco, o que torna mais difícil distinguir o que pertence exclusivamente a partnership e o que são dos fundos da casa. O BTG não usa capital próprio nas operações.

Ainda assim, é possível identificar a amplitude dessa atuação: a rede de investimentos se espalha por setores centrais da economia brasileira.

Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento
Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento

A partnership do BTG, o “CNPJ” que reúne o capital dos sócios e administra os dividendos do grupo, ganhou o formato atual a partir de 2009, quando André Esteves e outros executivos recompraram o Pactual do UBS por US$ 2,5 bilhões. O negócio foi emblemático porque voltou a priorizar o modelo de gestão adotado pelo Pactual antes da venda aos suíços.

Uma fonte ouvida pelo InvestNews lembra que a partnership do BTG não nasceu com a ambição de se tornar um grupo empresarial. Mas que, de certa forma, a holding acabou evoluindo para isso. “No fim do dia, é um grupo de investidores empreendedores, são todos banqueiros ali”, disse.

Dos quase R$ 10 bilhões distribuídos em JCP pelo BTG Pactual em 2024, cerca de R$ 6,9 bilhões foram para a partnership. Parte desses recursos é distribuída proporcionalmente aos sócios, enquanto outra parcela permanece na holding para novos investimentos do grupo.

A mecânica

A governança da holding de sócios se organiza em três círculos decisórios. O primeiro é o comitê principal da partnership, o núcleo duro formado pelos sete principais acionistas, responsáveis pela estratégia e pela alocação de capital. São eles: André Esteves; o CEO do BTG, Roberto Sallouti; Renato Santos – o “Renatão” – (tesouraria); Guilherme Paes (banco de investimento); Renato Cohn (CFO); Rogério Pessoa (gestão de patrimônio); e Rodrigo Góes (sales & trading).

O segundo é o comitê ampliado, composto por cerca de 12 sócios seniores – líderes das principais unidades de negócios, que apresentam propostas ao núcleo principal. Além dos sete principais acionistas, existem outros nomes proeminentes no grupo, como Antônio “Totó” Porto (institucional), Huw Jenkins (vice-chairman), Renato Mazzola (private equity), João Marcello Dantas (controladoria), Alexandre Camara (special situations), Marcelo Flora (varejo) e Rubens Henriques (gestão de ativos).

O terceiro núcleo envolve os comitês temáticos, que reúnem outros sócios em discussões sobre crédito, risco e modelagem de investimentos. São eles que sustentam a máquina que permite ao BTG executar investimentos bilionários com velocidade.

Um caso recente que ilustra bem a forma de trabalhar da partnership é a entrada na Cosan, negócio que envolveu um cheque total de R$ 4,5 bilhões. A operação transformou o grupo de sócios do BTG no maior acionista individual do conglomerado de Rubens Ometto, que vive uma crise de endividamento causada pela Raízen e por uma aposta mal-sucedida na Vale.

Eis o modus operandi. A operação foi estruturada pelo BTG e oferecida aos fundos administrados pelo banco abertos ao público, que têm prioridade.

O fundo de infraestrutura gerido pelo BTG alocou R$ 600 milhões no negócio. Como os fundos de private equity têm um limite de exposição de 25% do seu patrimônio, esse era o valor o máximo que o veículo em questão poderia investir. Em seguida, a mesma oportunidade foi aberta a clientes institucionais e de alta renda – que aportaram outros R$ 400 milhões por meio de coinvestimento.

Só depois desse duplo filtro (fundos e clientes) foi que a operação chegou aos sócios do BTG, que completaram o cheque com os R$ 3,5 bilhões restantes, ganhando maior peso nessa composição. A partnership nunca disputa com o cliente, mas completa a operação – muitas vezes com o maior cheque.

André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan
André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan (Ilustração: João Brito)

Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual e um dos poucos que acompanharam as duas eras do banco por dentro, lembra que o negócio envolvendo a Cosan é o que diferencia os sócios do BTG. “O banqueiro de investimento entra onde o banco comercial não entra: em empresas pressionadas, nas operações complexas – naquilo que precisa ser salvo”.

No caso da Cosan, com alto endividamento, o que os sócios do BTG viram foi um potencial de retorno alto com a reestruturação da dívida e a exposição a setores onde a capacidade de execução faz toda a diferença – ferrovias, combustíveis e terras agrícolas. Esse diferencial colocou o grupo de Ometto exatamente no tipo de jogo que o BTG gosta de jogar. “A estratégia é sempre oportunística, no bom sentido. É entrar no ponto mais baixo para criar valor”, prossegue Cezar, em entrevista ao InvestNews.

O avanço da partnership para dentro da economia real também ampliou, de forma inevitável, o raio de influência de André Esteves nas conversas com Brasília.

Um banco que estrutura operações de financiamento para grandes empresas já é relevante; agora um banco cujos sócios têm participações expressivas em setores que empregam milhares de pessoas, operam infraestrutura crítica e afetam preços regulados ocupa um degrau completamente diferente.

Erros…

O começo da trajetória de André Esteves e dos sócios do BTG como força empresarial não seguiu um linha reta rumo ao sucesso.

Um dos primeiros investimentos do grupo, a BR Pharma, nasceu em 2009 com a ambição de consolidar redes regionais e criar uma gigante nacional do varejo farmacêutico. Dona da bandeira Farmais, a companhia enfrentou problemas de integração, não conseguiu capturar sinergias e acumulou prejuízos. Dez anos depois, a empresa teve sua falência decretada pela Justiça, com dívidas que superam R$ 1 bilhão.

Mas nenhum revés se compara ao da Sete Brasil, empresa que o BTG pagou US$ 1 bilhão em 2012 para ter 30% do negócio. O projeto, concebido para criar a frota de sondas do pré-sal, ruiu em meio a denúncias de corrupção, atrasos crônicos e contratos inviáveis. Um “super fiasco”, nas palavras do próprio Esteves. O colapso da Sete Brasil ganhou força na Lava-Jato e respingou diretamente no BTG. Em novembro de 2015, André Esteves, então CEO do banco, foi preso preventivamente e ficou um mês detido.

Anos depois, em 2018, o STF arquivou um dos processos e, em 2020, suspendeu outro, mas o episódio deixou marcas profundas, exigiu uma reestruturação interna e redefiniu a percepção de risco dentro da casa. O BTG continuou entrando onde o mercado hesitava, mas passou a escolher melhor os terrenos onde pisa. O episódio também fortaleceu o núcleo duro de sócios para além de Esteves.

…e acertos

A Eneva foi uma das apostas mais bem-sucedidas do grupo de sócios do BTG. Originária da MPX Energia, uma das empresas de Eike Batista, a companhia entrou em recuperação judicial em 2014 com cerca de R$ 2,3 bilhões em dívidas – um dos casos mais sensíveis do setor elétrico brasileiro. 

No ano seguinte, os credores optaram por converter parte da dívida em ações. E o BTG acabou se tornando um dos principais acionistas. No ano passado, após um aumento de capital, o BTG e a partnership ampliaram sua posição e passaram a deter 48,06% do capital da Eneva, tornando-se o maior acionista da companhia, que é uma das maiores operadoras de usinas termelétricas do Brasil, rivalizando com a Âmbar Energia, dos irmãos Batista.

Eneva Complexo de Parnaíba
Complexo de Parnaíba da Eneva (Divulgação)

Outros investimentos promissores são a V.tal, rede neutra de fibra óptica, e a Nio, provedora de internet, ambas derivadas do processo de recuperação judicial da Oi. Na V.tal, o BTG fez parte de um consórcio que pagou R$ 12,9 bilhões por 57,9% das ações da companhia, enquanto a Nio custou cerca de R$ 5,8 bilhões.

Há também negócios menos visíveis, mas muito relevantes, como a Engelhart, trading de commodities que nasceu dentro do BTG, e o Timberland Investment Group (TIG), braço florestal do banco, que compra, administra e arrenda áreas para produção de madeira e projetos de carbono.

Outras apostas recentes vieram da compra de ativos diretamente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Por R$ 1,5 bilhão, o grupo de sócios do BTG levou ações da Veste, Metalfrio e Light – nas três empresas, o BTG figura entre os principais acionistas. Além disso, o pacote incluia o hotel Fasano Itaim, um ícone imobiliário de São Paulo.

Donos

A ideia de que o BTG pudesse ir além do investment banking não é nova e nasceu ainda no Pactual original, nos anos 1980, quando Luiz Cezar Fernandes tentava convencer seus sócios André Jakurski e Paulo Guedes de que seria possível ter um banco capaz de aconselhar, financiar e, quando necessário, virar sócio dos clientes. 

Quem acabou executando aquilo que Cezar idealizou – e em uma escala ainda maior do que ele próprio imaginava – foi André Esteves, o estagiário quieto que entrou no Pactual em 1989 e nunca mais saiu daquele universo.

Recentemente, viralizou uma foto de André Esteves sozinho lendo jornal na sede do BTG no que parece ser um fim de semana, gerando curiosidade nas redes sociais.

André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)
André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)

Quem convive com ele garante que aquilo é rotineiro. Esteves repete em palestras e entrevistas que a única forma de construir algo duradouro é cercar-se de gente tão boa quanto ou melhor. “Aqui eu contrato donos, não funcionários”, costuma dizer.

Na prática, isso significa povoar o BTG de pessoas que tratam cada decisão como se o capital fosse delas – porque, em boa parte dos casos, é mesmo.

Procurado pelo InvestNews, o BTG não comentou.

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Marcos Molina, da Sadia, diz que Ozempic já está mudando o consumo: ‘é o Natal da proteína’

O “efeito Ozempic” já começa a redesenhar o consumo no Brasil e até a tese de investimento de grandes fundos internacionais. A avaliação é de Marcos Molina, controlador da MBRF – grupo dono de marcas como Sadia, Perdigão e Marfrig –, um dos principais empresários do setor de proteína animal no país.

Em conversa com jornalistas, Molina afirmou que as redes de supermercados brasileiras têm reportado uma queda expressiva nas vendas de produtos ricos em carboidratos e açúcar, enquanto o consumo de proteína segue firme. E, em alguns casos, cresce.

“É o Natal da proteína”, afirmou, citando relatos de varejistas que já identificam o impacto direto do uso de medicamentos como Ozempic e Mounjaro no comportamento de compra dos consumidores.

Relatórios recentes da Abras, associação que representa os supermercadistas, confirmam o movimento. Na semana de 3 a 9 de novembro, a cesta de proteína animal registrou alta de 16,6% nas vendas em valor frente ao ano anterior, enquanto arroz, feijão e açúcar despencaram 18,2% no mesmo período.

O movimento não se limita ao varejo: investidores americanos começam a rever suas carteiras. “Pela primeira vez ouvimos que os fundos estão tirando dinheiro de empresas de snacks e colocando em proteína”, disse Molina, que esteve com gestores na semana passada em Nova York, em um evento promovido pelo Bradesco BBI.

O diagnóstico reforça um movimento que já vinha despontando na indústria alimentícia. Como mostrou o InvestNews, empresas como Danone, JBS e a própria MBRF vêm reposicionando portfólios para um consumidor que come menos, mas busca mais valor nutricional com lançamentos de refeições proteicas, iogurtes enriquecidos e produtos voltados a quem usa análogos de GLP-1, conhecido como o “hormônio da saciedade”.

Para Molina, a tendência deve se intensificar em 2026, com a consolidação dos medicamentos para emagrecimento e o foco crescente dos consumidores em manter a massa magra. É a “Ozempic economy” ganhando forma no Brasil.

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Fundador da Inpasa pede ao Cade autorização para seguir investindo na Vibra

A produtora de etanol Inpasa está se aproximando, ainda que de forma indireta, da Vibra Energia, a maior distribuidora de combustíveis do Brasil. É que o fundador da companhia com sede em Mato Grosso, José Odvar Lopes, pediu autorização ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para manter o investimento feito por meio de seu veículo pessoal, o Fundo Infiniti JL, na Vibra.

A operação precisa ser notificada porque envolve empresas do mesmo setor econômico. O Seu Zé, como Lopes é conhecido, inclusive, mantém uma pequena rede de postos, a Rodobrás, com presença limitada no Centro-Oeste. De toda forma, o investidor só poderá exercer direitos políticos na Vibra somente após o aval do órgão.

Embora apresentado como um investimento financeiro, o Infiniti JL é também o veículo controlador da Inpasa, maior produtora de etanol de milho do país e integrante do mesmo grupo econômico sob o comando de Seu Zé.

A presença simultânea na produção (Inpasa) com participação relevante na distribuição (Vibra) colocou o caso sob atenção do Cade. A Vibra tem a rede de postos de combustíveis com a bandeira Petrobras, a maior do Brasil.

Avanço na Vibra

Pessoas próximas ao negócio relataram ao InvestNews que Seu Zé estaria aguardando o aval do Cade para formalizar a indicação de seu nome ao conselho de administração da Vibra. Atualmente, o Infiniti JL detém 10,14% da distribuidora, percentual que lhe daria condições de obter um assento.

O estatuto social da Vibra não impõe vedações específicas para a eleição de conselheiros por investidores que atuem no setor de combustíveis e prevê apenas que o candidato não pode incorrer em “conflito de interesses”, sem especificar o que caracterizaria isso.

A autorização do órgão também poderia abrir espaço para que o empresário compre mais ações da companhia. Por outro lado, uma negativa do Cade poderia obrigar Lopes a reduzir sua participação na Vibra para menos de 5%, deixando assim a condição de acionista relevante.

O principal limitador acionário é a poison pill. Qualquer acionista que atingir 25% do capital é obrigado a lançar uma oferta pública para adquirir 100% das ações da companhia, por um preço no mínimo igual à maior cotação dos últimos 18 meses, atualizada pela taxa DI e acrescida de um prêmio de 15%, além dos ajustes por proventos e eventos societários. É um mecanismo desenhado para tornar economicamente proibitiva qualquer tomada de controle não negociada.

Hoje, a Vibra é uma corporação, ou seja, sem um acionista controlador. Seu Zé tem hoje a maior posição da empresa, seguido pela gestora Dynamo (9,99%) e pelo investidor Ronaldo Cezar Coelho, por meio do fundo Samambaia, com 8,3%. BlackRock e Lazard completam o cap table, com cerca de 5% dos papéis cada.

Olho do Cade

Nos últimos dias, o Cade decidiu aprofundar a instrução e enviou dois ofícios ao investidor. O órgão antitruste quer saber quais mecanismos serão adotados para evitar o compartilhamento de informações concorrencialmente sensíveis entre o grupo de Lopes e a Vibra, em especial dados de preços, volumes, planejamento comercial e negociações com distribuidoras e varejistas.

O regulador também pediu documentos adicionais sobre governança e eventuais barreiras informacionais. Nos documentos enviados ao Cade, o Fundo Infiniti JL sustenta que sua entrada na Vibra tem caráter “puramente financeiro” e que a participação não confere qualquer influência na gestão da companhia.

José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa
José Odvar Lopes, o Seu Zé, fundador da Inpasa (Assembleia Legislativa de MT)

O veículo afirma que a Vibra é uma empresa de “capital pulverizado, sem acordo de acionistas ou bloco de controle” e que o fundo não dispõe de “direito de veto, quórum qualificado ou qualquer prerrogativa que gere presunção de controle”.

Em resposta aos questionamentos do órgão, o Infiniti JL também frisou que não terá acesso a informações estratégicas da distribuidora e que sua posição representa “apenas uma participação minoritária, sem qualquer aquisição de controle, seja unitário ou compartilhado”.

Em ascensão

A Inpasa é hoje a maior produtora de etanol de milho do Brasil, mas sua história começa fora do país. Criada em 2007 no Paraguai – o nome é acrônimo de Industria Paraguaya de Alcoholes S.A. –, a companhia inaugurou só em 2019 sua primeira usina no Brasil, em Sinop (MT). Em 2024, registrou R$ 13,6 bilhões de receita, um avanço de 23% sobre o ano anterior; a Moody’s estima margem líquida de 18%, o que aponta para um lucro superior a R$ 2 bilhões.

O tamanho e a rentabilidade colocaram a empresa no centro das movimentações da indústria, inclusive das tratativas da Petrobras, que decidiu voltar ao mercado de etanol após mais de uma década fora. A estatal já afirmou que pretende retomar o modelo de joint ventures, com participações minoritárias, e, segundo a Bloomberg, existem negociações avançadas justamente com Inpasa e FS, as duas gigantes do etanol de milho.

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Entre Cosan e Corsan, Perfin vende fatia na companhia de saneamento ao Bradesco por R$ 2,1 bilhões

A Perfin, a mais nova sócia da Cosan, acaba de vender ao Bradesco BBI, por R$ 2,1 bilhões, um conjunto de ações preferenciais ligadas à Corsan, a empresa responsável pelo abastecimento de água e esgoto em 317 municípios do Rio Grande do Sul. O número de ações negociadas não foi revelado.

O papel vendido pela gestora de Ralph Rosenberg não representa uma fatia de controle: trata-se de um instrumento financeiro criado na privatização da Corsan em 2022, quando o governo gaúcho leiloou a companhia e o consórcio formado por Aegea, Perfin e Kinea pagou R$ 4,15 bilhões pelo ativo e assumiu o compromisso de investir mais de R$ 12 bilhões na expansão da rede de saneamento ao longo da década seguinte.

Depois do leilão, a estrutura societária da Corsan foi reorganizada dentro do consórcio vencedor. A Aegea, a Perfin e a Kinea dividiram sua participação combinando dois tipos de ações: ordinárias, que dão voto e formam o bloco de controle, e preferenciais, usadas como um instrumento financeiro que funciona como uma quota de investimento.

As preferenciais não participam das decisões da empresa, mas garantem ao investidor um retorno ligado ao desempenho da concessão ao longo do tempo. A transação fechada agora pela Perfin com o Bradesco envolve justamente esses papéis preferenciais e permite à gestora antecipar, em dinheiro presente, um fluxo de receitas futuras do contrato de saneamento.

A participação da gestora comandada por Rosenberg na Corsan aparece de maneira indireta. A Perfin é acionista da Parsan S.A., holding criada pelo consórcio vencedor da privatização e que detém 27,11% da Corsan. Considerando os fundos por meio dos quais a Perfin participa da Parsan, sua fatia econômica na companhia gaúcha fica próxima de 11%.

Cosan, Corsan

A venda da fatia financeira da Corsan ocorre dias depois de a Perfin participar da capitalização de socorro na Cosan, de Rubens Ometto. A gestora, que tem o BTG Pactual como sócio, comprometeu-se a investir R$ 2 bilhões no grupo.

O Bradesco BBI também ganhou protagonismo nesse rearranjo. O banco coordenou a emissão de R$ 750 milhões em notas comerciais da Aguassanta, veículo pessoal de Ometto, operação que permitiu ao empresário acompanhar o aumento de capital e evitar diluição no bloco de controle da holding.

Do outro lado, o BTG Pactual liderou a capitalização da Cosan com um cheque de R$ 4,5 bilhões, consolidando-se como o principal investidor financeiro na reestruturação do grupo.

Criada em 2007 por Rosenberg, ex-Safra, a Perfin ganhou projeção ao montar uma plataforma híbrida de investimentos que combina bolsa, private equity e infraestrutura pesada. Além da parceria com a Aegea em saneamento, a gestora também é sócia do grupo Equipav na empresa de concessões de rodovias EPR, outra frente relevante de infraestrutura no país.

Procurados pelo InvestNews, Bradesco BBI e Perfin não responderam.

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Exclusivo: LiveMode assume 100% da CazéTV; Casimiro vira sócio da holding global do grupo

A LiveMode vai passar a controlar integralmente a CazéTV após uma reorganização societária em que a empresa, que detinha 51% do canal, incorporou a fatia de 49% que estava nas mãos da CMiguel Produções, do jornalista e streamer Casimiro Miguel, apurou o InvestNews. A operação tem como objetivo “otimizar a estrutura acionária” do grupo.

A transação envolve a alienação das ações de Casimiro para a LiveMode em troca de sua entrada como sócio da holding do grupo, a LiveMode Cayman. O formato indica uma operação de troca de ações, mas os valores e os percentuais envolvidos no negócio não foram revelados. A operação ainda precisa de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com isso, Casimiro deixa de ser sócio direto da CazéTV e passa a integrar o capital da holding internacional que controla toda a operação da LiveMode, empresa que também negocia e produz direitos de transmissão para diversos veículos brasileiros.

Sócios grandes

A LiveMode Cayman — também chamada de LiveMode Holdings Limited — é o mesmo veículo no qual está o investimento da americana General Atlantic e que funciona como guarda-chuva societário do grupo.

Em abril do ano passado, a General Atlantic, em conjunto com o braço de private equity da XP, passou a ser sócia da LiveMode. No mercado, circula a informação de que a dupla teria investido cerca de R$ 440 milhões por uma fatia superior a 20% na empresa, embora os detalhes da operação não tenham sido divulgados oficialmente.

Fundada em 2017, a LiveMode construiu reputação como uma das empresas mais influentes do país em direitos esportivos, produção digital e transmissões multiplataforma. É a companhia responsável por negociar, por exemplo, os direitos de transmissão da Liga Forte União (LFU), que recentemente vendeu parte de seus jogos do Campeonato Brasileiro em TV aberta para a Record.

A empresa foi criada por Sergio Lopes e Edgar Diniz, fundadores do Esporte Interativo — canal vendido em 2015 ao grupo Turner (hoje Warner Bros. Discovery) por um valor que, à época, circulava no mercado na faixa de US$ 80 milhões a US$ 100 milhões.

Já a CazéTV, criada em 2022 como uma joint venture entre a LiveMode e Casimiro Miguel, tornou-se rapidamente um fenômeno de audiência com transmissões do Copa do Mundo do Catar, Copa do Brasil, Jogos Olímpicos e competições internacionais.

Procurada pelo InvestNews, a LiveMode não respondeu.

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Vale e donos da Itaminas fecham mais um arrendamento de mina em MG – o terceiro em 2025

Os grupos AVG e Géo, donos da mineradora Itaminas, fecharam um acordo com a Vale para arrendar uma de suas jazidas em Minas Gerais — o terceiro contrato desse tipo entre as partes neste ano.

O negócio foi aprovado recentemente pelo Cade e, segundo fontes próximas à operação, se refere à mina Conta História, localizada em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto, e integrante do Complexo Sudeste da Vale.

A Conta História é um depósito de ferro e manganês situado no Quadrilátero Ferrífero, uma das regiões mais antigas e ricas em minério de ferro do país. A jazida está inativa há mais de uma década — a exploração industrial foi interrompida ainda nos anos 2000.

O valor da transação não foi revelado, e o contrato prevê o arrendamento dos direitos minerários, com a Vale mantendo a propriedade da jazida.

Arrendamentos

O novo contrato com a Vale é o terceiro arrendamento firmado entre os donos da Itaminas e a mineradora.

Antes da mina Conta História, o grupo já havia assumido a mina Dois Irmãos, em Barão de Cocais, e a mina Aliança, também em Ouro Preto — ambas igualmente dentro do Sistema Sudeste da Vale e também aprovadas pelo Cade.

O movimento permite à Vale gerar receita com a reativação de minas médias e inativas, em um momento em que a companhia foca seus esforços nas operações de grande escala, como o S11D, no Pará.

A Itaminas produz atualmente cerca de 6,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Em 2024, a companhia registrou faturamento próximo de R$ 1,5 bilhão e traçou um plano de expansão que prevê atingir 15 milhões de toneladas anuais até 2033.

A título de comparação, a Vale — maior mineradora do país — produziu 328 milhões de toneladas de minério de ferro em 2024, o que significa que a produção da Itaminas equivale a menos de 2% do volume da líder global do setor.

Saída de Vorcaro

O novo arrendamento marca mais um passo na expansão do grupo, que nesta semana passou por uma mudança na estrutura societária. A Itaminas comunicou na terça-feira (4) que AVG e Géo, dos empresários Bernardo Gontijo e Argeu Géo, compraram a fatia de 50% do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornando-se os únicos controladores da mineradora.

Vorcaro havia entrado no negócio em 2024, quando os três empresários compraram a companhia do colecionador e ex-controlador Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim. A operação, concluída no ano passado, custou cerca de US$ 300 milhões e foi quitada antecipadamente em maio deste ano.

Mas, com a crise recente do Master, Vorcaro vem se desfazendo de alguns ativos, sendo a Itaminas um dos que estavam em negociação.

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Suzano enfrenta maré de baixa demanda por celulose e pressão da alavancagem

A Suzano entrou no segundo semestre diante de uma equação difícil de resolver: o preço da celulose segue no piso, a dívida aumentou e o custo de capital está mais alto.

A maior produtora mundial de celulose de eucalipto – matéria-prima usada em papéis higiênicos, lenços e outros produtos de uso diário – tenta equilibrar eficiência operacional com um cenário macro que joga contra: demanda global enfraquecida, juros ainda elevados e uma China que compra menos e dita os preços de todo o setor.

“Não podemos depender de um novo patamar de preços para entregar resultados”, afirmou o CEO Beto Abreu, em conversa com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre. Segundo ele, a empresa tem sido eficiente, mas, em um setor em que os ciclos são longos, as variáveis externas seguem pesando sobre os números.

O lucro líquido da Suzano foi de R$ 1,96 bilhão, uma redução de 39% em comparação ao mesmo período de 2024, enquanto a margem caiu de 53% para 43%. O Ebitda, que mede o lucro operacional antes de juros e impostos, recuou 20% no mesmo comparativo, refletindo a pressão sobre as margens.

A alavancagem em dólar, métrica usada pela Suzano em sua política financeira, subiu para 3,3 vezes o Ebitda, o maior nível em três anos. Em reais, o indicador ficou em 3,1 vezes, mas a empresa considera a medição em dólar mais fiel à realidade, já que 74% da dívida está dolarizada (ou 87% com hedge) e boa parte da geração de caixa também.

O aumento reflete preços de celulose ainda deprimidos e geração de caixa mais fraca, limitando a desalavancagem no curto prazo. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 69 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 70 bilhões de um ano antes.

Beto Abreu, CEO da Suzano
Beto Abreu, CEO da Suzano (Divulgação)

Embora a Suzano mantenha R$ 24 bilhões em caixa, o endividamento líquido ainda consome boa parte da geração de caixa. No trimestre, a companhia alongou o perfil de pagamentos com a emissão de US$ 1 bilhão em títulos de dez anos, elevando o prazo médio (“duration”) da dívida para 80 meses, contra 74 no trimestre anterior.

Mas esse fôlego vem a um preço: o custo médio subiu para 5% ao ano em dólar, num ambiente global de juros altos. “O alongamento foi importante para reforçar a flexibilidade financeira”, afirmou o diretor financeiro Marcos Assumpção, “mas seguimos com disciplina para que a alavancagem volte a cair conforme o ciclo melhora.”

Demanda

A Suzano é especialista na venda de fibra curta, feita de eucalipto e usada em papéis mais macios — como papel higiênico, guardanapos e papéis de imprimir. Com o desaquecimento da economia chinesa e a oferta elevada no mercado internacional, o preço médio recuou para US$ 525 por tonelada, cerca de 22% abaixo do nível de um ano atrás.

Para atravessar o ciclo, a empresa vem apertando custos: o custo caixa caiu para R$ 801 por tonelada, o menor desde 2022, graças a ganhos logísticos e menor uso de insumos industriais. “Estamos entregando o menor custo em reais desde o início da pandemia, e isso é resultado de eficiência operacional, não de sorte de ciclo”, disse Abreu.

A companhia afirma já ver os primeiros sinais de melhora na demanda. “Vemos pedidos mais firmes e aumentos de preço sendo aceitos. O nível atual é insustentável para parte da indústria, e ajustes de oferta devem acontecer”, afirmou o vice-presidente comercial Leonardo Grimaldi, indicando que os reajustes de US$ 20 por tonelada, iniciados em outubro, possam aparecer nos resultados do quarto trimestre.

Já o segmento de papel e embalagens — que responde por cerca de um quarto da receita — avançou 6% em vendas, e a operação americana, adquirida em 2024, registrou seu primeiro Ebitda positivo (R$ 43 milhões).  Mesmo assim, a divisão ainda não é suficiente para compensar o ciclo fraco da celulose.

No balanço consolidado, a Suzano registrou receita líquida de R$ 12,2 bilhões, uma queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo o recuo dos preços da celulose no mercado internacional.

Mesmo com custos menores e volumes maiores, a deterioração das cotações foi suficiente para comprimir a rentabilidade e conter o avanço da geração de caixa operacional, que somou R$ 3,4 bilhões, 22% abaixo do resultado de 2024.

Tarifaço breve não afetou

O episódio do tarifaço americano também entrou na pauta. Grimaldi contou que o momento em que os EUA incluíram e depois retiraram a celulose brasileira da lista de produtos com tarifa de 50% gerou volatilidade de preços em agosto e setembro, especialmente na China, onde parte das empresas exporta para o mercado americano.

Segundo o executivo, o impacto foi temporário e afetou mais as negociações à vista (spot). Após a retirada da tarifa, os volumes voltaram ao normal, e as exportações para os EUA — menos de 5% das vendas totais — não sofreram prejuízo direto.

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Com trimestre positivo, Hypera se prepara para o fim da patente do Ozempic: ‘oportunidade da década’

Após apresentar resultados acima das expectativas no terceiro trimestre, a Hypera reforçou seus planos para disputar o mercado das canetas de emagrecimento — aquela que o CEO Breno Oliveira descreveu como “a maior oportunidade do mercado farmacêutico brasileiro em uma década”.

Oliveira afirmou que a companhia pretende lançar sua própria versão da semaglutida — molécula do Ozempic e do Wegovy — logo após o vencimento da patente, previsto para março de 2026. Segundo o executivo, o mercado de medicamentos à base de GLP-1 (semaglutida e equivalentes) já movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano no país. A semaglutida é responsável por metade desse valor.

“Nosso produto não será licenciado. Será uma marca nossa, com registro nosso. Não pretendemos jogar no mercado de genéricos”, disse Oliveira em teleconferência com analistas.

A titular da patente, a dinamarquesa Novo Nordisk, tenta prorrogar a exclusividade no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o caso ainda não teve decisão final. O interesse da Hypera se dá em meio a uma corrida nacional pelos medicamentos à base de GLP-1. A EMS já estreou nesse mercado com as canetinhas Olire e Lirux — versões nacionais da liraglutida, princípio ativo do Saxenda, de geração anterior à semaglutida.

A empresa de Carlos Sanchez, que investiu mais de R$ 1 bilhão em uma fábrica de peptídeos em Hortolândia (SP) e planeja produzir 750 mil canetas, já confirmou que pretende lançar sua própria semaglutida assim que o monopólio da Novo Nordisk terminar.

Outros laboratórios — Cimed, Biomm, Eurofarma e Prati-Donaduzzi — também anunciaram planos para produzir versões genéricas da molécula a partir de 2026.

Além da semaglutida, o CEO da Hypera afirmou que a empresa prepara lançamentos em outras moléculas prestes a perder exclusividade, como a dapagliflozina — que tem efeitos semelhantes aos medicamentos GLP-1 e é usada no tratamento de diabetes tipo 2 e de insuficiência cardíaca.

Esses medicamentos ajudam o corpo a eliminar o excesso de glicose pela urina e reduzem o risco de complicações cardiovasculares — um dos segmentos que mais crescem globalmente e cuja patente da AstraZeneca também se aproxima do vencimento. “Há um conjunto de produtos com queda de patente no curto prazo, e estamos prontos para entrar nesses mercados”, acrescentou Oliveira.

Além do chamado patent cliff, a Hypera aposta em novas categorias, como probióticos, vitaminas — entre elas a B12 — e o lançamento de produtos oncológicos.

Trimestre positivo

No trimestre encerrado em setembro, a Hypera registrou receita líquida de R$ 2,23 bilhões, alta de 16,3% em relação ao mesmo período de 2024, e lucro líquido de R$ 453,9 milhões, avanço de 22,6%.

O lucro operacional (Ebitda) foi de R$ 756 milhões, crescimento de 35% na comparação anual, com margem de 34%. A dívida líquida ficou em R$ 7,3 bilhões, o equivalente a uma alavancagem de 2,4 vezes o Ebitda anualizado.

O Itaú BBA classificou o resultado como “positivo e acima das expectativas” e manteve preço-alvo de R$ 35, enquanto o BTG Pactual reiterou recomendação neutra, com target de R$ 28, elogiando o trimestre, mas alertando que “a consistência ainda precisa ser provada”.

As ações da Hypera (HYPE3) subiam mais de 4% nesta quarta-feira (29), liderando as altas do Ibovespa, em meio ao otimismo do mercado com o novo ciclo de crescimento baseado em inovação e prescrição.

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Breaking: MBRF assina acordo de US$ 500 milhões com fundo soberano da Arábia Saudita

A MBRF, empresa resultante da fusão entre Marfrig e BRF, informou nesta segunda-feira (27) que sua subsidiária BRF Arabia assinou um contrato de investimento de US$ 500 milhões com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita (PIF, em inglês).

A joint venture entre HPDC e BRF Arabia será ampliada com o aporte dos sauditas e planos de IPO na bolsa de valores do reino em 2027. O negócio passará a se chamar Sadia Halal após a conclusão da operação, prevista para o primeiro trimestre de 2026.

O HPDC ingressa inicialmente com 10% de participação e planeja elevar sua fatia para até 40% de forma escalonada, por meio de aportes sucessivos de capital — metade primário, destinado ao caixa da Sadia Halal, e metade secundário, diretamente para a MBRF.

O acordo prevê a contribuição de ativos da BRF Arabia, incluindo empresas de distribuição e fábricas em vários países do Oriente Médio, com enterprise value estimado em US$ 2,07 bilhões e faturamento anual de US$ 2,1 bilhões. “A parceria combina a experiência industrial da MBRF com o alcance institucional e financeiro do PIF por meio da HPDC, criando uma plataforma única no mercado Halal”, acrescentou Molina.

De acordo com Molina, os recursos devem zerar o endividamento da subsidiária e reforçar o capital para financiar o plano de expansão regional, que inclui a nova planta de Jeddah, prevista para entrar em operação em outubro de 2026.

O termo halal — que em árabe significa “permissível” ou “lícito” — abrange tudo aquilo que está conformidade com a lei islâmica (sharia), seja em práticas diárias, finanças, vestuário ou consumo.

No caso dos alimentos, halal refere-se a produtos que são preparados e processados segundo padrões específicos: não contêm ingredientes proibidos (como carne de porco ou bebidas alcoólicas), o abate de animais segue rito islâmico de forma ética e o equipamento usado evita contaminação com substâncias não permitidas.

Fornecimento

O contrato de fornecimento entre MBRF e Sadia Halal, com duração inicial de 10 anos, cobre exportações de frango inteiro, cortes e produtos processados, além de carne bovina. O modelo de precificação seguirá a metodologia custo mais 5%, padrão que, segundo o vice-presidente Fábio Mariano, “traz previsibilidade e reduz a volatilidade das margens”.

A parceria também abre espaço para a expansão da companhia no mercado de carne bovina halal, apontado por Molina como um dos principais vetores de crescimento da nova operação. “Foi uma das razões que despertou o interesse do HPDC — ter o bovino no portfólio e consolidar a Sadia Halal como uma empresa multiproteína”, afirmou.

A nova estrutura reúne duas fábricas em Dammam (Arábia Saudita), a planta de Kizad em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos) e centros de distribuição no Catar, Kuwait e Omã, além do canal de exportações diretas do Brasil e da participação na Addoha Poultry, produtora local de frango resfriado em Dammam.

A Sadia, principal marca da MBRF é líder em seu segmento, com 36,2% de participação nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), atendendo 17 mil pontos de venda com mais de 111 mil entregas mensais. O mercado halal movimenta mais de US$ 2 trilhões por ano e deve ultrapassar US$ 1,5 trilhão até 2027, impulsionado por uma população muçulmana de 1,9 bilhão de pessoas.

Listagem

O IPO da Sadia Halal está previsto para o primeiro trimestre de 2027, na bolsa de Riad, uma das dez maiores do mundo e quarta colocada global em número de aberturas de capital neste ano. O fechamento da transação deve ocorrer no primeiro trimestre de 2026, seguido do prazo regulatório de 12 meses exigido pela legislação saudita.

A operação atribuiu à Sadia Halal um múltiplo de 9 vezes EBITDA, considerado conservador em comparação aos 13 a 15 vezes praticados por companhias de alimentos listadas na bolsa saudita, como a Almarai, referência do setor. Marcos Molina afirmou que a listagem local permitirá destravar valor em um mercado com custo de capital cerca de metade do brasileiro e forte demanda por empresas ligadas à segurança alimentar.

Segundo o executivo, o plano não altera a estratégia da MBRF de realizar um IPO em Nova York, mas a fortalece. “Pelo contrário, isso valoriza ainda mais a companhia quando formos abrir o capital nos Estados Unidos”, disse Molina, destacando que a simplificação societária e os múltiplos mais altos da operação no Golfo devem impulsionar a avaliação global da MBRF.

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Brasil entra na rota da japonesa Hitachi no bilionário mercado de dados da América Latina

O executivo Adrian Johnson desembarcou no início deste mês em São Paulo com uma missão: entender de perto como a América Latina se tornou a região de crescimento mais acelerado da Hitachi Vantara, braço de infraestrutura tecnológica e gestão de dados do conglomerado japonês Hitachi.

É a primeira visita do australiano desde que assumiu o comando das Américas — função que se soma à sua liderança sobre a Ásia-Pacífico, responsável por 70% do negócio global da companhia. A passagem pelo Brasil, diz ele, foi mais do que protocolar: uma tentativa de compreender o que explica o dinamismo latino-americano. “É um país de oportunidades, diversidade e energia impressionantes”, afirmou ao InvestNews.

Embora persista a ideia de que a América Latina estaria apenas iniciando seu ciclo de digitalização depois de países mais desenvolvidos, Johnson discorda e diz que o ambiente econômico é hoje o maior atrativo da região. 

“Não vejo a América Latina como atrasada [tecnologicamente], vejo como uma oportunidade”, avalia o executivo. “A transformação digital e a era da IA estão nivelando o campo de jogo, e a região tem um capital humano jovem e preparado para essa nova fase.”

A Hitachi encerrou o ano fiscal de 2024, em março, com receita global de 9,78 trilhões de ienes (cerca de US$ 70 bilhões). A divisão que engloba a Vantara e outros negócios digitais foi responsável por 2,83 trilhões de ienes (cerca de US$ 20 bilhões), o equivalente a cerca de 30% do total.

Adrian Johnson e Daniel Scarafia, executivos da Hitachi Vantara
Adrian Johnson e Daniel Scarafia, executivos da Hitachi Vantara (Divulgação)

Fundada em 1910, a Hitachi é um dos maiores conglomerados industriais e tecnológicos do Japão. Suas operações vão de trens e sistemas elétricos a softwares e infraestrutura de dados.

Nos últimos anos, o grupo vem migrando de uma base industrial tradicional para o conceito de “empresa digital-industrial”, conectando seus negócios físicos à plataforma global Lumada — um ecossistema que integra dados e inteligência em todas as áreas da companhia e abrange a Hitachi Vantara, dedicada à gestão e infraestrutura de dados corporativos.

É dentro dessa unidade que a Hitachi busca se consolidar para além do perfil de gigante da engenharia pesada, posicionando-se também como fornecedora global de tecnologia e inteligência de dados.

Espinha dorsal

O negócio da Vantara é operar a infraestrutura que mantém o fluxo de dados corporativos em funcionamento — de sistemas de armazenamento usados por bancos, operadoras e governos a plataformas que integram informações espalhadas entre servidores e nuvens.

Essas soluções formam o alicerce de boa parte da economia digital, garantindo que informações críticas, como transações financeiras, registros de clientes ou históricos médicos, estejam sempre disponíveis e seguras.

A companhia também oferece serviços de gerenciamento e análise de dados que transformam informações brutas em inteligência estratégica, ajudando empresas a tomar decisões mais precisas e a gerar novas receitas.

Enquanto o mercado global de armazenamento de dados deve movimentar US$ 255 bilhões em 2025, segundo a Fortune Business Insights, a América Latina já concentra um mercado de cerca de US$ 7 bilhões, que pode dobrar até o fim da década, de acordo com projeções da Research and Markets. 

No Brasil, o segmento de storage para data centers deve alcançar US$ 850 milhões em 2025, dentro de um ecossistema doméstico avaliado em quase US$ 3 bilhões, segundo dados da Mordor Intelligence. O avanço ajuda a explicar por que o país entrou no radar estratégico da Hitachi — um mercado de bilhões crescendo em ritmo de dois dígitos.

E gigantes como Dell Technologies, IBM, NetApp e Pure Storage disputam esse espaço, adaptando suas soluções à era do big data e da IA generativa.

Crescimento de 20%

Segundo Daniel Scarafia, vice-presidente da Hitachi Vantara para a América Latina, o negócio regional deve encerrar o exercício fiscal de 2025 (que termina em março de 2026) com crescimento superior a 20%. A empresa não divulga números específicos sobre a operação na região.

Scarafia atribui o resultado à maturação digital das companhias locais e à retomada dos investimentos de longo prazo em tecnologia. “Depois de anos explicando que certos investimentos precisavam ter uma visão de longo prazo, agora vemos as empresas colocando dinheiro nisso”, afirma.

“Há também um componente geopolítico: muitas companhias preferem investir localmente para proteger seus ativos, e isso tem impulsionado o mercado.”

Sede administrativa da Hitachi Vantara
Sede administrativa da Hitachi Vantara (Divulgação)

O crescimento da Hitachi ocorre em meio a uma corrida mundial por infraestrutura de dados. Com empresas de todos os setores acelerando a digitalização e adotando inteligência artificial, cresce a demanda por sistemas capazes de armazenar e processar volumes cada vez maiores de informação.

“O dado é o novo capital das empresas”, resume Scarafia. “E nosso papel é garantir que esse capital esteja sempre acessível, íntegro e seguro.”

Estratégia “glocal”

A expansão da Vantara na América Latina se apoia numa estrutura “glocal” — tecnologia global, execução local. A divisão da Hitachi mantém equipes próprias e escritórios em todos os países da região e aposta em parceiros de canal locais para adaptar suas soluções às particularidades de cada mercado.

O Brasil é um dos principais mercados, seguido por México, Argentina e Colômbia, enquanto Chile aparece logo atrás. “O conhecimento de mercado e as relações locais são tão importantes quanto a tecnologia”, afirma Johnson. 

“Todos os países têm as mesmas necessidades digitais, independentemente do número de data centers”, acrescenta Scarafia. “Bancos, telecomunicações e varejo são os setores que mais demandam infraestrutura.”

A aposta da companhia é que essa combinação de presença local e tecnologia global posicione a Hitachi para capturar a próxima onda de investimentos digitais na região – o que deve garantir mais visitas do alto comando da empresa ao Brasil.

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Saída anunciada: CEO do GPA, Marcelo Pimentel, renuncia após atritos no conselho

O CEO do GPA, Marcelo Pimentel, renunciou nesta quarta-feira (22) ao cargo, apurou o InvestNews. O executivo será substituído interinamente pelo diretor financeiro (CFO) Rafael Sirotsky Russowsky, enquanto o conselho conduz a escolha de um novo nome para a presidência — que deverá ser mais alinhado à família Coelho Diniz, hoje a maior acionista do grupo.

A situação de Pimentel já era considerada insustentável, como o InvestNews publicou há duas semanas, quando o então CEO chegou a ameaçar deixar o cargo durante a primeira reunião do novo conselho de administração. O encontro foi marcado por um embate com o conselheiro Edison Ticle, ligado ao investidor Rafael Ferri, que acabou eleito vice-presidente do board; André Coelho Diniz comanda o conselho.

Naquele momento, Pimentel demonstrou desconforto com a eleição de Ticle por um suposto conflito de interesse (Ticle é CFO da Minerva e investidor da Shopper). Mas acabou sendo voto vencido, mostrando um enfraquecimento do executivo junto aos novos controladores.

Segundo fontes próximas ao GPA, os Coelho Diniz preparam um novo plano para a empresa, estruturado em duas etapas: primeiro, corte de custos e redução de capex; em seguida, foco nas operações mais rentáveis, especialmente no Estado de São Paulo, principal praça do grupo. Esse deverá ser o mandato do futuro CEO do grupo.

Um aumento de capital de R$ 500 milhões chegou a ser cogitado, mas não está em debate neste momento, após não encontrar adesão nem entre os Coelho Diniz, nem no Casino, os dois principais acionistas do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Indicado originalmente pelo grupo francês Casino, Pimentel também deixará o conselho, abrindo espaço para que os franceses nomeiem um novo representante. Após a publicação do texto, o GPA confirmou a renúncia do executivo em fato relevante.

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Mais de 15 anos após falência, Varig está no centro de uma batalha bilionária

O destino final da Varig chegou em 20 de agosto 2010, com a decretação de sua falência, encerrando uma trajetória de quase 80 anos daquela que foi uma das principais companhias aéreas do país. Só que, mais de 15 depois, o que restou do seu patrimônio ainda movimenta uma batalha bilionária entre a União, o fundo de pensão Aerus e um veículo de investimento ligado ao BTG Pactual.

Em disputa está um saldo de cerca de R$ 3 bilhões remanescente de um precatório de R$ 4,7 bilhões, que foi pago pela União em julho deste ano à massa falida da Varig. Precatório é uma ordem de pagamento emitida pelo Judiciário quando o Estado (União, Estado, Município ou autarquia) perde uma ação definitiva e não há mais possibilidade de recurso.

O embate ganhou força em agosto, quando o Aerus, entidade que administra as aposentadorias dos ex-funcionários, e um fundo administrado pelo BTG foram à Justiça para tentar acessar os recursos. A União, por sua vez, defende que o dinheiro permaneça bloqueado até a conclusão de outras ações judiciais relacionadas à falência.

Uma decisão recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) autorizou a divisão dos cerca de R$ 3 bilhões que devem entrar no caixa da massa falida da Varig entre os credores com garantia real — aqueles que têm créditos respaldados por bens ou garantias formais da companhia. Apesar do resultado favorável, os recursos ainda não foram liberados.

Hoje, os dois principais credores dessa categoria são o Aerus e o FIDC Precatórios Brasil, fundo gerido pelo BTG Pactual e representado pela securitizadora Travessia. O Aerus é o maior credor, com crédito original de cerca de R$ 2,6 bilhões — valor que, corrigido, pode ultrapassar R$ 5 bilhões. O fundo ligado ao BTG, por sua vez, tem um crédito reconhecido em torno de R$ 141 milhões, adquirido de uma subsidiária do Banco do Brasil.

A decisão da Justiça fluminense contrariou a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), que recorreu para tentar manter o bloqueio dos valores até o julgamento de uma ação que discute a o pagamento de dívidas tributárias da antiga Varig. O órgão sustenta que o dinheiro ainda não integra definitivamente o patrimônio da massa falida.

Segundo os representantes da Fazenda, um acordo firmado em 2024 — que deu origem ao pagamento do precatório — estabelece que o saldo remanescente só pode ser liberado após a análise dessa compensação, que está em curso na Justiça Federal de Brasília. A União tenta, com isso, abater tributos antigos antes de repassar o dinheiro para a massa falida da Varig. Para a PGFN, liberar os recursos antes dessa decisão violaria o pacto homologado e poderia gerar prejuízo aos cofres públicos.

Os credores contestam essa interpretação. Para os advogados do Aerus e da Travessia, o saldo remanescente — os R$ 3 bilhões — não está sujeito ao acordo firmado entre a União e a massa falida, já que nenhum dos dois participou da negociação. O Aerus defende que o valor seja liberado para quitar direitos previdenciários reconhecidos há mais de uma década, sem depender de uma disputa tributária da qual o fundo não é parte.

A Travessia, representada por um dos escritórios mais influentes do país, o de Sérgio Bermudes, argumenta que a União tenta prolongar indefinidamente o processo, criando uma espécie de “moratória judicial” em torno de valores que já deveriam ter sido rateados conforme a ordem de pagamentos prevista na Lei de Falências. O caso segue em tramitação.

Procurados pelo InvestNews, PGFN, BTG Pactual, Aerus e Travessia não responderam.

Origem

A disputa bilionária pelos precatórios é o capítulo mais recente do intrincado processo de falência da Varig, que começou há quase vinte anos. Em junho de 2005, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial — o primeiro de grande porte da história do país sob a nova Lei de Falências, sancionada no ano anterior. Na época, a empresa acumulava dívidas superiores a R$ 7 bilhões, com mais de 10 mil credores entre bancos, fornecedores, fundos de pensão e ex-funcionários.

O plano aprovado pela Justiça previa a cisão da empresa em duas partes: a chamada “Varig Operacional”, que reunia rotas, aeronaves e funcionários, e a “Varig Velha”, onde ficaram os passivos e litígios. A parte operacional foi vendida em 2006 à VarigLog, controlada por investidores brasileiros e pela gestora americana MatlinPatterson, por cerca de US$ 24 milhões. Um ano depois, a operação foi repassada à Gol Linhas Aéreas, que herdou as rotas e a marca Varig.

Já a “Varig Velha” teve a falência decretada em 2010, sem receita e com uma montanha de dívidas a resolver. Entre os maiores passivos estavam as contribuições previdenciárias de funcionários e aposentados do fundo Aerus, além de obrigações com a Receita Federal e com bancos públicos que haviam financiado a empresa.

O Aerus, por sua vez, entrou em colapso após a quebra da companhia e foi colocado em liquidação extrajudicial pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Em ação civil pública movida em 2004, a Justiça reconheceu que o governo federal falhou na fiscalização do Aerus, permitindo que o fundo acumulasse prejuízos sem exigir medidas corretivas.

Por essa razão, a União foi condenada a indenizar os participantes, assumindo parte das obrigações previdenciárias que antes cabiam à Varig. Desde então, a União já teria aportado cerca de R$ 7,73 bilhões no Aerus para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões — um processo que, até hoje, não teve decisão definitiva.

O precatório

Em paralelo, estava em curso uma das ações judiciais mais longas da história econômica brasileira: a ação indenizatória movida contra a União, na qual a massa falida da Varig cobrava compensações por perdas provocadas pela política tarifária do Plano Cruzado.

Entre 1985 e 1992, o governo federal controlou os preços das passagens aéreas e impediu reajustes em linha com a inflação, o que teria causado prejuízos bilionários à companhia.

Tripulação da Varig
Tripulação da Varig (Acervo)

Depois de mais de trinta anos de litígio, a disputa terminou em acordo judicial firmado em 2024, mediado pela Advocacia-Geral da União (AGU). Àquela altura, os cálculos da massa falida indicavam que o valor devido pela União poderia superar R$ 10 bilhões, somando juros e correções monetárias acumuladas desde os anos 1980.

Antes da assinatura do acordo, a massa falida negociava com o BTG Pactual uma operação para vender o crédito judicial à vista, em troca de um pagamento imediato de cerca de R$ 730 milhões. Pelo modelo proposto, o banco assumiria o direito de receber o valor integral da indenização caso o governo quitasse o precatório — uma transação comum no mercado de créditos judiciais, mas que despertou reação dentro do governo.

A AGU decidiu intervir e fechar um acordo direto com a massa falida, evitando que o crédito fosse transferido à iniciativa privada. Pelo entendimento firmado, a União se comprometeu a pagar R$ 4,7 bilhões à massa falida da Varig, valor homologado pela Justiça Federal e considerado suficiente para encerrar a disputa.

O montante foi pago por meio de precatório judicial em julho de 2025, com a condição de que parte dos recursos fosse usada para quitar dívidas trabalhistas e previdenciárias, incluindo os atrasados do FGTS de mais de 15 mil ex-funcionários da Varig. Uma parcela de R$ 575 milhões foi direcionada a esse fim, encerrando um passivo trabalhista que se arrastava desde o fechamento da companhia.

Além disso, mais de R$ 1 bilhão foi usado para quitar dívidas extraconcursais, aquelas que têm prioridade sobre os demais credores — como despesas trabalhistas e obrigações assumidas pela massa falida após a decretação da falência. O restante são os cerca de R$ 3 bilhões que estão em disputa, dando origem à disputa que agora promete avançar pelas instâncias superiores da Justiça.

A viação riograndense

Fundada em 1927, em Porto Alegre, pelo imigrante alemão Otto Ernst Meyer-Labastille, a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig) começou operando entre os municípios de Porto Alegre e Rio Grande, num tempo em que voar era raro e um privilégio de poucos.

Nas décadas seguintes, a Varig expandiu suas operações para o exterior, inaugurando a rota Rio–Nova York em 1955, e se consolidou como a maior transportadora da América Latina nos anos 1970. Sob o comando da Fundação Ruben Berta, criada em 1945 para reunir os empregados como acionistas, a empresa construiu um modelo de gestão inédito: a companhia era controlada por seus próprios funcionários, que elegiam o conselho responsável pelas decisões estratégicas.

Tripulação da Varig
Tripulação da Varig (Acervo)

A Varig também tentou expandir sua presença doméstica criando subsidiárias regionais, como a Rio-Sul e a Nordeste Linhas Aéreas, voltadas ao atendimento de rotas menores. O grupo chegou a operar uma frota de mais de 120 aeronaves e a empregar cerca de 20 mil pessoas, sendo por décadas o principal nome da aviação brasileira.

Mas a abertura do mercado aéreo, no início dos anos 1990, o aumento da concorrência e as crises cambiais minaram a competitividade da companhia. A política tarifária imposta durante o Plano Cruzado — que congelou os preços das passagens aéreas — agravou os prejuízos, dando início a um desequilíbrio financeiro que a Varig jamais conseguiria reverter.

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Ultrapar avança na revenda direta de combustíveis e compra participação em distribuidora de MG

A Ultrapar vem avançando em sua estratégia de ampliar a atuação em transporte e revenda direta de combustíveis, um segmento de margens mais altas e menos dependente da rede varejista tradicional. Nesse contexto, a dona da Ipiranga e da Ultragaz estreou em Minas Gerais com a compra de 60% da Petrovila Combustíveis, que comercializa cerca de 13 milhões de litros de diesel por mês.

O negócio marca a entrada do Grupo Ultra no mercado mineiro, um dos maiores polos regionais de combustíveis do país, onde o grupo ainda não tinha presença no segmento de TRR (Transportador-Revendedor-Retalhista). A companhia já atua nesse mercado nas regiões Sul, Norte e Nordeste, por meio das controladas Serra Diesel, MI TRR e Neoagro Diesel.

A operação em Minas foi conduzida pela subsidiária Neodiesel, criada para investimentos regionais em revenda e logística. O negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Após a conclusão, a Neodiesel ficará com 60% do capital da Petrovila, enquanto o restante permanecerá com o Grupo Vila, controlado pela família Villanueva, tradicional no setor de combustíveis em Minas Gerais.

Fundada em Betim (MG), a Petrovila atua na comercialização e entrega de combustíveis a clientes corporativos de diversos setores. A empresa possui frota própria de 61 caminhões e 11 carretas, além de uma base de armazenamento voltada a operações delivery — modelo de abastecimento direto para frotas de transportadoras, usinas e indústrias.

A aquisição reforça a agenda de expansão da Ultra em negócios de maior margem, como revenda direta e soluções logísticas integradas. No primeiro semestre de 2025, o grupo registrou receita líquida de R$ 65,2 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 2,54 bilhões, com avanço de margens e crescimento nas vendas corporativas de combustíveis.

Segundo o balanço, a companhia tem ampliado sua presença em mercados regionais de maior rentabilidade, por meio de aquisições e da expansão da rede de TRRs.

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No novo conselho do GPA, CEO ameaça sair e Coelho Diniz confirma favoritismo

A primeira reunião do novo conselho de administração do GPA elegeu nesta sexta-feira (10) André Coelho Diniz como novo presidente, apurou o InvestNews, confirmando a expectativa do mercado, já que a família Coelho Diniz é hoje o principal acionista do grupo dono das redes Pão de Açúcar e Extra.

Mas o colegiado também viveu seu primeiro impasse, evidenciando que ainda haverá um jogo de forças entre os Coelho Diniz e seu sócio, o grupo francês Casino, apesar da melhora na relação entre eles.

Na eleição para a vice-presidência do board, o mais votado foi Edison Ticle, exatamente como era esperado. Ticle membro independente e ligado ao investidor Rafael Ferri. Mas a vitória teve um placar apertado: cinco votos a quatro.

A oposição veio dos representantes do Casino e do conselheiro Rodolfo Costa Neves, ligado ao ex-CEO do GPA, Ronaldo Iabrudi.

Fontes relataram ao InvestNews que o resultado gerou desconforto para o atual CEO do GPA, Marcelo Pimentel. Ele, que também é membro do board, teria manifestado preocupação com a decisão, alegando que Ticle, por ser CFO da Minerva Foods, um fornecedor do GPA, poderia incorrer em conflito de interesse. Durante o embate, Pimentel chegou a indicar que poderia renunciar do conselho e da presidência do GPA.

Após se confrontado por outros conselheiros, lembrando que Ticle já fazia parte da antiga formação do colegiado e que essa questão nunca havia sido levantada, Pimentel teria recuado das críticas e da renúncia. Ainda assim, o movimento evidencia uma crise que pode acelerar uma troca na diretoria-executiva do GPA, como já vinha sendo especulado.

Procurado pelo InvestNews, Pimentel e Ticle não responderam.

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Mercado Livre escala disputa com farmácias no Cade: “tentam proteger reserva de mercado”

O embate entre o Mercado Livre e as redes de farmácias ganhou corpo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O que começou com a compra discreta de uma drogaria de bairro em São Paulo virou uma disputa entre o marketplace e as associações do setor, com acusações de ambos os lados sobre barreiras regulatórias, concentração de mercado e concorrência digital.

O caso teve início em setembro, quando o Cade aprovou, sem restrições, a aquisição da Cuidamos Farma, uma pequena farmácia localizada no bairro do Jabaquara, na zona sul de São Paulo. A compradora foi a K2 Intermediações, empresa ligada à Kangu, plataforma de logística adquirida pelo Mercado Livre.

A Cuidamos Farma pertencia à Memed, startup de prescrição digital controlada pela gestora DNA Capital, da família Bueno, e funcionava como a farmácia física que dava lastro regulatório às operações da empresa.

A aprovação parecia rotineira, mas acendeu um alerta no setor farmacêutico.

As associações Abrafarma — que reúne grandes redes como Raia Drogasil, DPSP, Pague Menos e Panvel — e ABCFarma, que representa farmácias independentes, recorreram da decisão alegando que a operação poderia servir como atalho regulatório para o grupo argentino ingressar no comércio de medicamentos online, um mercado estimado em mais de R$ 200 bilhões por ano e sujeito a forte regulação da Anvisa.

Por sua vez, o Mercado Livre afirma que o varejo farmacêutico brasileiro é “altamente concentrado” e acusou as associações de tentarem “tumultuar o processo” e “erguer barreiras regulatórias para proteger uma reserva de mercado”.

Uma big tech no mercado

As entidades que representam as farmácias argumentam que o Mercado Livre poderia usar a farmácia adquirida como base jurídica para vender remédios pela internet, integrando sua malha logística e de pagamentos a um ecossistema de saúde que incluiria prescrições digitais via Memed, a antiga dona da Cuidamos Farma.

A Abrafarma classificou a operação como o primeiro passo de uma “estratégia de penetração no mercado farmacêutico”, enquanto a ABCFarma disse que o Cade errou ao aprová-la por rito sumário, sem uma análise mais profunda dos efeitos da entrada de uma big tech em um setor sensível.

O Mercado Livre sustenta que a entrada de novos agentes digitais “é saudável, amplia a concorrência e beneficia o consumidor”, e argumenta que as entidades tentam preservar o controle de um setor tradicionalmente resistente à competição.

A empresa afirma ainda que não há qualquer parceria com a Memed, que a compra envolveu apenas a farmácia física, e que não vende medicamentos nem permite esse tipo de anúncio em sua plataforma. “A operação não altera a estrutura do mercado e tampouco gera qualquer sobreposição horizontal ou vertical”, diz a defesa do grupo.

A Abrafarma rebate afirmando que o caso “não se limita a uma simples farmácia de bairro”, mas à “primeira compra física do grupo no Brasil desde 1999, com potencial de engatar a estrutura do maior marketplace do país no mercado farmacêutico”. As entidades também defendem que o Cade deveria ouvir a Anvisa e a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de confirmar a aprovação.

Na semana passada, o presidente do Cade, Gustavo Lima, rejeitou o recurso apresentado pela ABCFarma, encerrando o pedido de revisão feito pela entidade. A decisão considerou que a associação não ingressou no processo como terceira interessada no prazo legal e, por isso, não tem legitimidade para recorrer.

Com isso, a aprovação da operação segue válida até segunda ordem — o Cade ainda precisa se manifestar sobre o pedido da Abrafarma, que continua em análise.

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De data centers a hospitais, ar-condicionado corporativo vira trunfo da LG em disputa com chineses

Mais conhecida pelas TVs que estão em quase todas as salas brasileiras, a LG vem em um trabalho de expansão em locais onde costuma passar despercebida, como o resfriamento de data centers e a climatização de hospitais, aeroportos e shoppings. O ar-condicionado, que já é o carro-chefe global do grupo globalmente, é o produto que a multinacional coreana vê como alavanca para que o segmento B2B no Brasil passe a representar 50% do faturamento nos próximos cinco anos.

Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG no Brasil, define a estratégia como um “trabalho de longo prazo”. Foram quase vinte anos até que a operação para clientes corporativos, iniciada de forma tímida em 2003 com a venda de televisores para hotéis, ganhasse relevância a ponto de responder hoje por cerca de 20% da receita local.

Não se trata de abandonar o varejo – TVs, linha branca e equipamentos de áudio seguem entre os produtos mais conhecidos da empresa –, mas de adicionar uma nova camada de negócios. “No B2C, o cliente compra uma TV e só vai trocar três ou quatro anos depois. No B2B, há manutenção contínua, software agregado e relacionamento de longo prazo”, diz Fiani, em conversa com o InvestNews.

Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil
Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil (Divulgação)

O ar-condicionado, dentro da divisão Home Appliance & Air Solution, é o negócio mais lucrativo da LG no mundo. Só no primeiro trimestre de 2025, a área gerou cerca de US$ 6,3 bilhões em receita e US$ 440 milhões em lucro operacional (Ebitda) – quase metade do resultado global da companhia.

No Brasil, a LG está entre as líderes em televisores e ar-condicionado, categorias que ajudam a colocar o país entre os três maiores mercados da companhia no mundo, ao lado da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

Mas Fiani reforça que as iniciativas B2B da LG não se limitam apenas ao ar-condicionado. A companhia também atua em telas profissionais. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, a empresa forneceu para a JCD Corp o primeiro painel 3D da América Latina, usado como diferencial na venda de publicidade no Terminal 3, o principal do aeroporto.

Os chillers ganham espaço

Se o ar-condicionado residencial — o popular “split” — ainda é visto como item de luxo, os chillers, sistemas de refrigeração de grande porte, são equipamentos vitais para o funcionamento de serviços essenciais. Sem eles, aeroportos, hospitais e data centers simplesmente não operam.

No caso dos data centers, setor em franca expansão no Brasil, a oportunidade é ainda mais evidente. “Nos data centers, não existe plano B. Sem ar-condicionado, não há servidor que resista”, lembra Rodrigo Fiani, acrescentando que a LG já fornece para algumas instalações no país, embora não possa divulgar os nomes.

A aposta local está alinhada à prioridade da matriz global. A LG projeta que o mercado mundial de chillers alcance US$ 12 bilhões até 2027 e fixou a meta de chegar a US$ 720 milhões em faturamento nesse segmento em apenas dois anos. A empresa é a fornecedora desses equipamentos em grandes aeroportos pelo mundo, como o King Khalid, na Arábia Saudita, e o de Incheon, na Coreia do Sul.

Chillers da LG
Chillers da LG (Divulgação)

Mais do que vender o equipamento, a empresa busca ampliar a receita no B2B com a prestação de serviços, o que garante caixa recorrente e previsível. Para clientes corporativos, a LG oferece contratos de monitoramento remoto que permitem programar a temperatura por andar, agendar manutenção preventiva e reduzir custos de energia. Os contratos têm prazo mínimo de dois anos.

No Brasil, a divisão B2B registrou crescimento de 12% no primeiro semestre, segundo a própria companhia. Internamente, áreas como climatização comercial e painéis digitais já têm peso equivalente no faturamento local. “O Brasil é super relevante para a LG global. Qualquer erro aqui se reflete em toda a região”, resume Fiani.

Impasse

O mercado de ar-condicionados vive hoje um cabo de guerra regulatório. A Eletros, associação que reúne fabricantes como a própria LG, Samsung e Whirlpool, pressiona o governo a rever regras do Processo Produtivo Básico (PPB) que obrigam a compra de compressores da Tecumseh, única fornecedora nacional.

O componente é crítico — considerado o “coração” do ar-condicionado, pode responder por até 40% do valor do equipamento. Em entrevista à Folha de S.Paulo, José Jorge do Nascimento Junior, presidente da Eletros, afirmou que a Tecumseh, que mantém fábrica em São Carlos (SP), não vem atendendo integralmente os pedidos feitos pelas empresas. A Tecumseh, por sua vez, diz que sua capacidade de produção é suficiente para que as multinacionais cumpram as metas.

Com o impasse, o setor teme descumprir as cotas de conteúdo local e perder os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus — como isenção de IPI e PIS/Cofins, redução do imposto de importação e ICMS subsidiado.

Esses benefícios podem representar até 40% do custo final de um ar-condicionado. Sem eles, a produção local se tornaria mais cara e dificilmente conseguiria competir com os equipamentos importados da Ásia.

Varejo e concorrência

Apesar das discussões regulatórias, a oportunidade para o mercado brasileiro de ar-condicionados segue firme — e não se limita ao setor corporativo. No varejo, há espaço evidente para crescer: apenas cerca de 20% dos lares brasileiros têm ar-condicionado, contra uma penetração de pelo menos 95% em TVs e geladeiras.

Com verões recordes registrados em algumas regiões do país, o aparelho de ar-condicionado vem ganhando cada vez mais presença nas residências do Brasil. “O produto vem deixando de ser artigo de luxo para se tornar necessidade, especialmente em verões cada vez mais intensos”, afirma o executivo da LG.

O desafio, no entanto, está no avanço de marcas chinesas como Midea, Hisense e Haier, que competem com preços agressivos. Fiani reconhece a disputa, mas vê espaço para diferenciação. “Se subestimarmos os chineses, cometeremos o mesmo erro que cometeram com os coreanos [como a LG] no passado”, diz.

Segundo ele, a vantagem da LG está na rede de assistência técnica, na oferta de peças de reposição e na produção local. “Preço conquista mercado no curto prazo. No longo prazo, o cliente precisa de confiança e suporte.”

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Na reconstrução da InterCement, um empresário argentino toma o lugar da antiga Camargo Corrêa

O empresário argentino Marcelo Mindlin aprendeu cedo que ter dinheiro disponível é vital para atravessar as instabilidades econômicas do seu país. Também é adepto da doutrina de que é nas crises que surgem as melhores oportunidades de compra. Foi assim que, em 2016, adquiriu a operação da Petrobras na Argentina e transformou seu grupo, a Pampa Energía, na maior empresa privada de energia dos nossos vizinhos.

Agora, com a mesma cartilha, se prepara para suceder a família Camargo, dona da Mover (a antiga Camargo Corrêa) como um dos principais acionistas da InterCement, a terceira maior produtora de cimento do Brasil.

Mindlin lidera um grupo de investidores internacionais que comprou dívidas da InterCement de bancos brasileiros para concentrar a maior fatia do passivo e, assim, ganhar poder de negociação junto ao grupo Mover. Uma assembleia nesta segunda-feira (6) tende a selar a saída definitiva da família de Sebastião Camargo do negócio de cimentos, abrindo espaço para que os credores assumam a InterCement.

Estima-se que esse consórcio — que inclui também as gestoras Moneda, Redwood e Contrarian — já tenha reunido cerca de R$ 7,3 bilhões em títulos de dívida da InterCement, tornando-se o principal credor da companhia, que tem hoje cerca de R$ 9 bilhões em passivos.

“Numa Argentina com tanta volatilidade, a questão financeira é crucial. Quem fica endividado e é pego por uma dessas crises, acaba caindo. Mas, se uma dessas crises te pega com liquidez, você pode justamente aproveitá-la e crescer, seja investindo ou comprando ativos”, disse Mindlin em uma de suas poucas entrevistas, concedida recentemente ao economista Alfredo Zaiat.

O interesse de Mindlin tem nome e sobrenome: Loma Negra, dona de 45% do mercado de cimento da Argentina e que lucrou US$ 19,2 milhões no primeiro semestre deste ano, registrando recieta líquida de US$ 291 milhões. A InterCement tem 54% das ações de Loma Negra, enquanto o restante está em circulação no mercado acionário (o chamado “free float“).

Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement
Cimentos Loma Negra: empresa da InterCement (Bloomberg)

Listada na Bolsa de Nova York, a companhia é a joia da coroa da InterCement e foi alvo de cobiça de grandes players do Brasil, entre eles Benjamin Steinbruch, o dono da CSN, que tentou até o fim do ano passado comprar a IC antes de seu pedido de recuperação judicial. Na imprensa argentina, Marcelo Mindlin já é tratado como o novo controlador de Loma Negra.

“As multinacionais continuam saindo do país. (…) Todas essas empresas foram compradas por empresários locais. Isso nunca tinha acontecido na Argentina. (…) Vejo que é uma época em que os empresários locais estão assumindo a dianteira e investindo no país”, prosseguiu Mindlin a Zait.

Além do valor simbólico de trazer de volta a icônica Loma Negra para mãos argentinas — a indústria criada por Amalia Fortabat em 1926 foi comprada pela Camargo Corrêa há 20 anos por US$ 1 bilhão —, o empresário também controla a construtora SACDE, uma das maiores do país, e pode encontrar na cimenteira a chance de verticalizar ainda mais seus negócios.

A grande dúvida agora, segundo profissionais do setor, é o destino das operações brasileiras da InterCement — um parque industrial de 10 fábricas e as marcas Cauê, Goiás e Zebu. Não estão claras as pretensões de Mindlin para essa parte da InterCement.

“A tendência é que o Mindlin fique com a Loma Negra e que o restante fique com os outros credores e seja vendido, já que não há sinergia com os negócios dele. Mas ainda é cedo para cravar”, afirma um executivo de um concorrente ouvido pelo InvestNews.

Gráfico de participação de mercado de cimentos no Brasil: Votorantim 35%, CSN 21%, InterCement 14%, Outros 30%.

Outra incógnita é qual o real tamanho da fatia que Mindlin terá na nova InterCement. O InvestNews procurou os representantes do empresário argentino na última semana, mas não obteve resposta. A InterCement e a Mover não comentam.

O futuro da InterCement

Fundada em 1939 por Sebastião Camargo e Sylvio Brand Corrêa como empreiteira, a Camargo Corrêa logo diversificou-se para outros setores. O cimento, insumo natural de suas obras, ganhou corpo com a criação da Camargo Corrêa Cimentos nos anos 1970. Sob o comando da família Camargo, a empresa se expandiu por nove países, com dezenas de fábricas e milhares de empregados e adotou o nome de InterCement.

Mas a crise que atingiu o grupo da família de Sebastião Camargo após a Lava Jato tornou suas dívidas impagáveis. Uma tentativa frustrada de abrir o capital da InterCement deflagrou uma crise ainda maior. Em dezembro, a InterCement e a Mover pediram recuperação judicial.

O plano de RJ da InterCement abriu caminho para que credores convertessem dívida em ações. Quem aceitasse a troca por equity ganharia direito a voto e participação no futuro da empresa; quem recusasse teria prazos longos, carência e fortes descontos para receber — em alguns casos superiores a 60%.

Na prática, a lógica é simples: quem concentrar a maior fatia dos bonds e debêntures será o controlador da InterCement. Com a saída definitiva da Mover do capital da companhia de cimento, a gestão passará a ser exclusiva dos credores liderados por Marcelo Mindlin.

Uma instalação industrial complexa com silos e torres sob um céu azul, cercada por algumas árvores e uma chaminé.
Instalação industrial da InterCement. Foto: Divulgação

Nos últimos meses, esse grupo comprou créditos de bancos que não tinham interesse em se tornar acionistas nem em esperar anos para reaver os recursos. Entre eles, estavam os dois principais credores da InterCement: Itaú e Banco do Brasil. 

Segundo reportagem do Pipeline, Mindlin e aliados já somam cerca de R$ 7,3 bilhões em títulos da empresa. Do total de R$ 9 bilhões da dívida, aproximadamente R$ 4 bilhões estariam vinculados à Loma Negra, que poderá ser vendida — seja para Mindlin ou para outro investidor. O restante será convertido em dívidas reestruturadas e ações da InterCement.

No fim de julho, a InterCement anunciou ter fechado um acordo com seus credores. O pacote inclui títulos participativos atrelados à Loma Negra, com direito a dividendos e a eventual venda, além de novas obrigações garantidas e suspensão de litígios. A engenharia financeira dá fôlego imediato à companhia e define como os credores serão remunerados até 2026, quando deve ser decidido o destino da joia argentina.

O acerto dos Camargo também envolve a venda da fatia de 14,86% que a Mover possui na Motiva (antiga CCR) para quitar a dívida com o Bradesco, outro grande credor. Pelo acordo, a Mover receberá R$ 450 milhões em dinheiro e até R$ 50 milhões adicionais em warrants — instrumentos que dão direito a ganhos extras caso a empresa atinja determinado valor de mercado.

O jeito Mindlin

Marcelo Mindlin nasceu em La Carlota, no interior de Córdoba, em 1964. Filho de médicos e de família judia, passou parte da juventude em Israel antes de regressar a Buenos Aires para estudar economia na Universidade de Buenos Aires (UBA) e fez um MBA no Centro de Estudios Macroeconómicos de Argentina (CEMA). No ranking de 2024 da revista Forbes, foi listado como o 31º pessoa mais rica da Argentina, com patrimônio estimado em US$ 900 milhões.

Entre 1991 e 2003, foi acionista e diretor financeiro da IRSA, um dos principais grupos imobiliários do país, além de iniciativas regionais como o Fondo de Valores Inmobiliarios, na Venezuela, e a Brazil Realty, no Brasil.

Em paralelo, criou em 1989 o Grupo Dolphin, embrião do atual Grupo Emes, seu veículo de private equity. A grande virada veio em 2005, com a fundação da Pampa Energía, hoje o maior grupo privado integrado de energia da Argentina, listada em Buenos Aires e em Nova York.

Empresário Marcelo Mindlin
Empresário Marcelo Mindlin (Bloomberg)

Mindlin construiu reputação com um estilo repetido à exaustão: comprar em momentos de crise e transformar ativos depreciados em plataformas de crescimento. Foi assim em 2016, quando comprou a Petrobras Argentina por US$ 875 milhões em meio à recessão e transformou-a em pilar da Pampa. O mesmo também ocorreu com a construtora IECSA, da família Macri, rebatizada como SACDE, que passou a disputar obras estratégicas como o gasoduto de Vaca Muerta. 

Agora, aplica a mesma lógica ao cimento: usar a estratégia “loan-to-own” — comprar dívida para converter em controle acionário — e assumir a InterCement, dona da Loma Negra na Argentina e com presença no Brasil.

Além da energia e da construção, Mindlin é co-controlador da seguradora Orígenes e fundador e presidente do Museu do Holocausto de Buenos Aires. Também mantém atuação filantrópica pela Fundação Pampa, voltada à educação, e pela ONG Tzedaká.

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Cade dá aval a Tanure para avançar pela Braskem, mas a negociação agora é outra; entenda

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por unanimidade e sem restrições, a aquisição de ações da NSP Investimentos (da família Odebrecht) — e, indiretamente, do controle da Braskem — pelo fundo de investimentos em participação Petroquímica Verde, ligado ao empresário Nelson Tanure. Mas, apesar do aval, essa não é a negociação mais quente no momento.

O pedido de Tanure foi feito no início de julho, quando o empresário baiano ainda tinha exclusividade sobre as negociações pelos papéis da Novonor (ex-Odebrecht). Após o Cade dar um primeiro aval, a Petrobras contestou a decisão. “O Cade foi provocado e não poderia deixar de dar uma resposta. É uma operação hipotética que hoje não existe”, disse uma pessoa próxima ao negócio.

A exclusividade de Tanure expirou em agosto e sem uma proposta vinculante, e agora a preferência está nas mãos da gestora IG4, que fechou acordo semelhante com os bancos credores da Odebrecht, detentores das ações da petroquímica como garantia de empréstimos.

Atualmente, é a IG4 quem está na mesa de negociação para tentar assumir o controle da Braskem. Conforme o InvestNews mostrou na terça-feira (30), as conversas entre bancos (Itaú, Bradesco, Santander, BNDES e Banco do Brasil), Petrobras e a gestora avançam para uma definição sobre a nova diretoria e os ativos que podem ser vendidos.

Com o desfecho positivo no órgão antitruste, Tanure mantém condições de voltar ao jogo e avançar em um acordo pelo controle da Braskem caso as negociações com a IG4 não tenham sucesso até 20 de novembro, quando vence a exclusividade da gestora comandada por Paulo Mattos.

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Exclusivo: Nas negociações pela Braskem, desenho da nova diretoria ganha corpo e aumento de capital é descartado

Enquanto a Braskem está às voltas com assessores financeiros para encontrar uma solução de curto prazo para suas dívidas, o futuro da empresa já está sendo desenhado nos bastidores, apurou o InvestNews. A última barreira para que esses planos se concretizem é a definição do mecanismo de transferência das ações da Novonor (antiga Odebrecht) para os cinco bancos credores que têm a fatia da petroquímica como garantia: se por meio de um acordo negociado ou pela execução da dívida e tomada dos papéis.

A gestora IG4 tem exclusividade até novembro para assumir a participação dos bancos na Braskem via um fundo de investimento. Na prática, isso colocaria a casa fundada por Paulo Mattos como co-controladora da companhia ao lado da Petrobras. A expectativa é que esse seja o desenho final e que a troca de controle ocorra dentro desse prazo.

Fontes próximas aos credores afirmam que já existe um alinhamento entre Petrobras, os bancos (Itaú, Bradesco, Santander, BNDES e Banco do Brasil) e a IG4 sobre a composição de uma nova diretoria, formada por executivos de mercado e com maior participação da estatal. No momento, a permanência dos atuais assessores financeiros contratados pela Braskem para a reestruturação não está garantida.

As partes também descartam uma capitalização imediata. “A Braskem não tem problemas de liquidez no curto prazo”, diz uma fonte, lembrando que o principal desembolso da petroquímica está previsto para janeiro de 2028. O foco atual é mapear ativos para venda e gerar liquidez imediata. Vale lembrar que a atual diretoria já abriu conversas com a Unipar para a venda de unidades nos Estados Unidos, ainda em fase inicial.

Outro fator que impede uma eventual capitalização é que nem bancos, nem a Novonor estariam dispostos a aportar recursos. Já a Petrobras, se o fizesse, assumiria o controle da Braskem – o que significaria estatizar a companhia, algo totalmente fora do radar da petroleira.

O avanço, porém, esbarra na saída amigável da Novonor. Existe um desconforto entre a holding da família Odebrecht e os bancos, sobretudo o BNDES. O InvestNews apurou que o impasse se deve a pedidos considerados “fora da realidade” feitos pela Novonor para entregar as ações de forma negociada.

Os Odebrecht insistem em manter uma fatia entre 3,5% e 5%, ponto já aceito, mas também reivindicam uma compensação financeira. “É difícil para bancos públicos cederem nessa questão: pagar para receber a dívida não faz sentido”, acrescenta outra fonte.

Procurada, a Novonor não respondeu. O BNDES declarou que “não está inviabilizando nenhum acordo e vem atuando para encontrar uma solução adequada para o caso.”

Sem consenso, cresce o risco de uma transferência forçada das ações via execução da alienação fiduciária, solução que os credores mantêm no radar caso a negociação não avance dentro da janela combinada. A fatia de 38,3% da Braskem (sendo 50,1% do capital votante) que pertence à Novonor já está dada em garantia fiduciária aos bancos. Esse mecanismo funciona como um penhor: a propriedade das ações está vinculada ao crédito e, em caso de descumprimento, pode ser executada sem necessidade da Justiça.

Na prática, basta acionar a alienação fiduciária para transferir os papéis ao fundo da IG4, destravando a troca de controle. Até aqui, os credores têm buscado uma saída negociada com a Novonor, principalmente para evitar riscos de ter que lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações ordinárias em razão da mudança de controle. Mesmo assim, a OPA já não é vista como um grande obstáculo, uma vez que o montante representaria apenas 2,9% do free float e os papéis da Braskem estão em forte desvalorização no ano.

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Nota de crédito da Braskem é rebaixada com renegociação de dívidas; ações despencam 43% no ano

A Braskem teve sua nota de crédito global rebaixada pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings neste fim de semana, em meio ao aumento das incertezas sobre sua capacidade de honrar dívidas. A Fitch reduziu o rating para CCC+ e a S&P para CCC-, ambas categorias consideradas de “alto risco de calote”, mantendo perspectiva negativa.

As revisões ocorreram após a companhia contratar o banco Lazard e os escritórios Cleary Gottlieb e E. Munhoz Advogados para “avaliar alternativas de reestruturação financeira” — o que, muito provavelmente, deverá envolver a renegociação de dívidas, intensificando a percepção de risco no mercado.

O mercado já vinha precificando esse risco: na sexta-feira (26), os títulos da Braskem com vencimento em 2031 foram negociados a apenas US$ 0,42 por dólar de face, com taxa de retorno de 28% ao ano, enquanto as ações da petroquímica despencaram 14,8%, para R$ 7,02. No pregão desta segunda-feira (29), os papéis recuam mais 3,42%, cotados a R$ 6,78. No acumulado do ano, a queda chega a 43,4%.

Segundo a Fitch, a liquidez da Braskem — antes um ponto forte — se deteriorou rapidamente. A agência projeta consumo de caixa de R$ 3,5 bilhões em 2025 e R$ 2 bilhões em 2026, além de desembolsos bilionários relacionados ao afundamento do solo em Alagoas. A avaliação é que a empresa pode ficar sem recursos já em 2026 para lidar com dívidas que vencem a partir de 2028. A relação entre dívida e geração de caixa (conhecida como alavancagem) pode ultrapassar 10 vezes o lucro operacional nos próximos dois anos.

A S&P destacou que, diante do endividamento elevado e das condições adversas da indústria química, há uma “grande probabilidade” de que a Braskem reestruture suas dívidas em até seis meses. Para a agência, um eventual acordo de renegociação forçada ou atraso no pagamento de juros seria tratado como default, isto é, o não cumprimento de obrigações financeiras.

Em linha com essa visão, o JP Morgan avaliou que a revisão da estrutura de capital da Braskem é inevitável e deve impactar diretamente seus títulos. Para o BTG Pactual, uma das alternativas já cogitadas é a conversão de parte da dívida em ações. Nesse cenário, a Petrobras, dona de 36,1% da companhia teria de acompanhar a operação com uma injeção de US$ 1,7 bilhão para manter até 49% de participação e evitar consolidar a Braskem em seu balanço.

A conversão de dívida em ações poderia trazer alívio na alavancagem, reduzindo-a de 10 para 2,6 vezes a geração de caixa em 2026, mas às custas de uma queda estimada de 0,8 ponto percentual nos dividendos da Petrobras.

Braskem em disputa

A pressão aumenta em meio à disputa pelo futuro da Braskem. O controle da petroquímica está hoje no centro de uma queda de braço entre bancos credores, a gestora IG4, o empresário Nelson Tanure, a Petrobras e a própria Novonor (ex-Odebrecht). 

A holding da família Odebrecht, em recuperação judicial desde 2019, tenta preservar ao menos 5% de participação para sustentar seu plano de reestruturação, conforme mostrou o InvestNews na semana passada.

Enquanto isso, os bancos credores da Novonor (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e BNDES) negociam com a IG4 a transferência dos créditos atrelados à fatia de 38,3% que detêm como garantia. Já a Petrobras busca ampliar sua influência na gestão e condiciona um eventual aporte de capital à saída da Novonor do bloco de controle.

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