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Rede D’Or (RDOR3), Raízen (RAIZ4), 3Tentos (TTEN3) e outros destaques desta terça (23)

O processo de aquisição da Raízen (RAIZ4), a aprovação de JCP da Rede D’Or (RDOR3) e os novos investimentos da 3tentos (TTEN3) são alguns dos destaques corporativos desta terça-feira (23).

Confira o Radar do Mercado:

Raízen (RAIZ4): IG4 busca assumir controle da companhia até março de 2027

A gestora de private equity IG4 busca finalizar uma potencial aquisição do controle da produtora de açúcar e etanol Raízen (RAIZ4) até o final de março de 2027, condicionada à aprovação dos credores a sua oferta de compra, disseram executivos da IG4 em entrevista à Reuters.

A IG4, que recentemente se tornou co-controladora da petroquímica Braskem (BRKM5), juntamente com a Petrobras, agora quer adquirir o controle da Raízen, que há pouco tempo fechou um acordo de reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões com credores locais e internacionais, a maior recuperação extrajudicial da história do país.

Rede D’Or (RDOR3) aprova R$ 400 milhões em JCP

A Rede D’Or (RDOR3) aprovou a distribuição de R$ 400 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP). O valor bruto corresponde a R$ 0,18320141504 por ação ordinária da companhia.

Segundo a empresa, a aprovação ocorreu em reunião do conselho de administração e ainda será submetida à ratificação da assembleia geral ordinária que analisará as contas do exercício de 2026. O montante será imputado aos dividendos obrigatórios referentes ao exercício social deste ano.

Terão direito ao provento os investidores com posição acionária na companhia ao final do pregão de 25 de junho de 2026. A partir de 26 de junho, as ações da Rede D’Or passarão a ser negociadas na condição “ex-JCP”.

O pagamento está previsto para 8 de julho de 2026.

3Tentos (TTEN3) abre lojas e promete nova indústria de etanol de milho

Em seu Investor Day, a 3tentos (TTEN3) anunciou um pacote de investimentos que inclui a abertura de novas lojas em importantes regiões agrícolas do país e o avanço de projetos industriais no interior do Pará, entre eles uma nova planta de etanol de milho.

Segundo comunicado enviado ao mercado, a companhia inaugurou oito lojas nos estados de Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais. As novas unidades fazem parte da estratégia de expansão da empresa em fronteiras agrícolas consideradas estratégicas para o crescimento do agronegócio brasileiro.

Em Rio Verde (GO), um dos principais polos do agronegócio nacional, a nova operação terá potencial para atender cerca de 1,6 milhão de hectares, com foco nas culturas de soja, milho e sorgo.

MRV (MRVE3) vende empreendimentos no Texas por US$ 139 milhões e reduz dívida

A MRV&Co (MRVE3) anunciou a venda dos empreendimentos legados Ten Oaks e Rayzor Ranch, localizados no Texas, Estados Unidos, por US$ 139 milhões (R$ 716 milhões). A liquidação da operação está prevista para julho de 2026 e conta com um depósito não recuperável de US$ 12 milhões como garantia.

Segundo a companhia, a transação reduz o endividamento líquido consolidado da MRV&CO em US$ 87 milhões (R$ 448 milhões), o equivalente a uma queda de 7,5%. Além disso, haverá redução de US$ 46 milhões (R$ 237 milhões) em participações de minoritários.

Espaçolaser (ESPA3) anuncia oferta secundária do Fundo Magnólia

A Espaçolaser (ESPA3) protocolou pedido de registro de oferta pública secundária de ações, que terá como vendedor o Fundo Magnólia e pode movimentar até R$ 37,2 milhões.

A operação prevê uma oferta de até 6.106.557 ações ordinárias e a precificação dos papéis será fixada após a conclusão do procedimento de coleta de intenções de investimento.

Considerando o preço de fechamento das ações da empresa em 19 de junho, de R$ 6,10, citado no fato relevante, a oferta pode movimentar entre R$ 10,6 milhões, considerando a quantidade mínima de ações, e R$ 37,2 milhões, considerando a totalidade das ações.

Uber vai começar a excluir dezenas de carros das categorias Black e Comfort

A Uber mudou as regras do jogo para os motoristas de aplicativo e vai ser mais seletiva em relação aos carros autorizados a atender as categorias Comfort e Black.

A nova lista de veículos aceitos nessas categorias passará a valer a partir de 11 de janeiro de 2027.

De acordo com a Uber, a intenção é “aprimorar a experiência do usuário” nas categorias em questão.

As categorias Comfort e Black propõem uma viagem mais confortável, de acordo com as preferências do cliente. Ao mesmo tempo, elas tendem a gerar maior retorno monetário por corrida, comparadas ao Uber X, por exemplo.

Heineken anuncia brasileiro Rafael Oliveira como CEO global

A Heineken, segunda maior cervejaria do mundo, anunciou o brasileiro Rafael Oliveira como novo presidente-executivo global da empresa. Com início previsto em 1º de outubro, Oliveira assume a vaga aberta após a renúncia de Dolf van den Brink do cargo em janeiro deste ano, devido a vendas em queda e investidores insatisfeitos.

Para assumir a vaga na cervejaria holandesa, Rafael Oliveira deixa o cargo de CEO da JDE Peet’s, maior empresa do mundo exclusivamente dedicada a café e chá, onde atuava como presidente-executivo global desde 2024.

Segundo comunicado divulgado pela Heineken, o conselho de supervisão indicará “Rafa Oliveira” para liderar a companhia por um período de quatro anos, em decisão que será tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas a ser realizada em 5 de agosto.

A disparada da Farm Rio: de um stand numa feira cultural a uma marca avaliada em até R$ 5,5 bi

Tudo começou com um stand na Babilônia Feira Hype, um evento cultural oficial do Rio de Janeiro, no ano de 1997. Foi lá que a contadora Kátia Barros e seu amigo Marcello Bastos começaram a compartilhar suas criações no mercado de moda independente, focadas em estampas vibrantes e na estética da vida carioca. Nascia, assim, a Farm Rio.

Hoje, a marca conta com mais de 100 lojas no Brasil e presença em cidades como Nova York, Los Angeles, Paris e Londres.

Nos últimos dias, a marca entrou no radar do mercado com um potencial de avaliação de R$ 5,5 bilhões, nos cálculos de analistas do JP Morgan, em meio a uma potencial venda que pode destravar um valor expressivo para a Azzas 2154 (AZZA3), atual detentora da marca.

*Com informações da Reuters

*Com supervisão de Juliana Américo

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Ibovespa hoje: IPCA-15, ata do Copom e negociações no Oriente Médio no radar; saiba o que esperar da segunda (22)

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, apesar de terem começado sob forte tensão, após Donald Trump renovar ameaças de ataques militares caso Teerã não contenha a atuação do Hezbollah no Líbano. Seja como for, alguns sinais de tímido progresso ajudaram a aliviar os preços do petróleo, que recuam nesta manhã diante da percepção de menor risco imediato, embora a normalização do tráfego marítimo ainda seja complexa e continue sujeita a novas interrupções.

No restante do cenário internacional, os mercados reagiram de forma mista a uma combinação de fatores políticos e corporativos. Na Colômbia, a eleição apertada de Abelardo de la Espriella marcou uma guinada à direita após quatro anos de governo de esquerda. No Reino Unido, Keir Starmer anunciou sua renúncia, reforçando a instabilidade política britânica e abrindo caminho para uma disputa pela liderança trabalhista. Na Ásia, as bolsas subiram impulsionadas pelo avanço de empresas ligadas à inteligência artificial, especialmente em Taiwan, Coreia do Sul e Japão.

· 00:55 — Calibrando expectativas

No Brasil, a semana será marcada pela tentativa do mercado de compreender melhor a comunicação do Banco Central após o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano. Embora a decisão já fosse esperada, como comentei na semana passada, o comunicado do Copom foi interpretado como mais dovish do que o previsto (e até heterodoxo) ao manter aberta a possibilidade de novos cortes mesmo em um ambiente de inflação acima da meta, expectativas desancoradas, atividade resiliente e riscos fiscais relevantes.

Essa leitura levou à abertura da curva de juros, sobretudo nos vencimentos mais longos, diante do receio de que uma postura mais tolerante no curto prazo possa cobrar um preço maior adiante. Nesse contexto, a ata do Copom, o Relatório de Política Monetária e a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti serão fundamentais para esclarecer se houve apenas um problema de comunicação ou se, de fato, o BC está mais inclinado a seguir reduzindo os juros.

Os principais vetores capazes de melhorar as expectativas do mercado passam por uma comunicação mais clara sobre o horizonte relevante da política monetária, os cenários de inflação considerados pelo Comitê e os critérios que orientarão os próximos passos da Selic. Caso a ata e o RPM reforcem o compromisso com a meta de inflação, expliquem melhor o alongamento do horizonte de projeção e sinalizem que novos cortes dependerão de uma melhora concreta dos dados, parte dos prêmios embutidos na curva de juros poderá ser devolvida.

Além disso, o IPCA-15, a pesquisa Focus, os dados do setor externo, o investimento direto no País e a Pnad Contínua ajudarão a calibrar a percepção sobre inflação, câmbio, atividade e mercado de trabalho, elementos centrais para avaliar se o Banco Central ainda terá espaço para continuar o ciclo de afrouxamento monetário sem comprometer sua credibilidade.

· 01:47 — Agenda carregada

Wall Street entra na última semana completa de junho com uma agenda americana concentrada em três frentes principais: inflação, inteligência artificial e bancos. O destaque macroeconômico será a divulgação do PCE de maio, na quinta-feira, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, com expectativa de aceleração especialmente no núcleo, que exclui alimentos e energia.

Os investidores também acompanharão os pedidos de bens duráveis e as falas de John Williams, presidente do Fed de Nova York, em busca de sinais sobre a trajetória da economia e da política monetária. Na quarta-feira à noite, o Fed divulgará os resultados dos testes de estresse dos bancos americanos, incluindo JPMorgan, Bank of America, Goldman Sachs e Morgan Stanley, o que deve ampliar a atenção sobre a saúde do sistema financeiro.

No campo corporativo, a Micron será o principal evento da semana, com balanço previsto para quarta-feira após o fechamento do mercado, em meio à forte demanda por chips de memória ligados à inteligência artificial e aos data centers. O resultado pode reforçar o rali das empresas de tecnologia, mas também traz uma preocupação mais ampla: a alta dos custos de memória pode pressionar os preços de smartphones, PCs e outros bens duráveis, com possível reflexo nos dados de inflação.

Além disso, eventos da Nvidia e da Qualcomm devem trazer novas leituras sobre as tendências de IA, enquanto o Prime Day da Amazon e promoções concorrentes de Walmart, Target, Best Buy e Kohl’s servirão como um teste em tempo real da demanda do consumidor americano. Os resultados de FedEx e Carnival também ajudarão a medir a força da economia, os volumes de transporte, os gastos com viagens e o possível alívio nos custos de combustível após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã.

· 02:32 — Avançando lenta e vagarosamente

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, mas começaram sob forte tensão política e militar. Apesar das ameaças de Donald Trump de retomar os ataques caso Teerã não contenha a atuação do Hezbollah no Líbano, o que gerou ruído durante o final de semana, mediadores do Catar e do Paquistão afirmaram que houve “progressos encorajadores” e que as partes concordaram com um roteiro para tentar concluir um acordo definitivo em até 60 dias.

Entre os avanços operacionais, destacam-se a criação de um mecanismo para encerrar os confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano e a abertura de um canal de comunicação voltado a evitar incidentes e garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

A implementação, porém, segue frágil e cercada de incertezas. O Irã voltou a restringir o tráfego em Ormuz antes das conversas, enquanto os Estados Unidos mantiveram a pressão militar e diplomática sobre Teerã. Ao mesmo tempo, o governo iraniano afirma já observar benefícios concretos do memorando provisório, como isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, liberação de parte dos ativos congelados e avanço de um plano de reconstrução.

Para os mercados, o petróleo permanece no centro das atenções: os preços começaram a semana em queda, mas seguem voláteis, refletindo tanto a expectativa de normalização gradual do fluxo pelo estreito quanto o risco de novas interrupções caso as negociações voltem a se deteriorar.

· 03:28 — Virada na Colômbia

A vitória de Abelardo de la Espriella no segundo turno da eleição presidencial colombiana marca uma inflexão relevante após quatro anos do governo de esquerda de Gustavo Petro. Em uma disputa historicamente apertada e altamente polarizada, De la Espriella derrotou Iván Cepeda por margem estreita, apoiado em uma plataforma centrada em segurança pública, enfrentamento aos cartéis, reabertura do setor de petróleo e gás e maior alinhamento com os Estados Unidos.

Para os mercados, o resultado foi inicialmente recebido de forma positiva para os ativos colombianos. No entanto, a forte valorização recente já limita parte do potencial de surpresa, deslocando o foco da eleição em si para a capacidade de execução do novo governo.

Com isso, a Colômbia passa a se somar a outras mudanças recentes na América do Sul, em que eleitorados têm migrado de experiências de esquerda para alternativas mais à direita, como ocorreu na Argentina com Javier Milei e no Chile com José Antonio Kast, além da disputa apertada no Peru envolvendo Keiko Fujimori. Esse movimento reflete uma combinação de desgaste com baixo crescimento, insegurança, fragilidade fiscal e insatisfação com governos anteriores.

Ainda assim, o principal desafio daqui em diante será transformar a guinada política em governabilidade: De la Espriella chega ao poder com base parlamentar limitada, necessidade de formar coalizões e uma agenda pró-mercado cuja implementação dependerá da escolha dos nomes para o gabinete, da credibilidade fiscal e da capacidade de articulação no Congresso.

· 04:16 — Difícil de governar

A renúncia de Keir Starmer, anunciada menos de dois anos após sua vitória expressiva, aprofunda a crise de governabilidade do Reino Unido e reforça a sensação de esgotamento político iniciada com o Brexit. Desde 2016, o país atravessa uma sucessão incomum de primeiros-ministros — David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e, agora, Starmer —, enquanto o próximo líder trabalhista poderá se tornar o sétimo ocupante de Downing Street em cerca de uma década.

A saída de Starmer ocorre após a perda de apoio dentro do próprio Partido Trabalhista, em meio ao desgaste provocado por escândalos políticos e pela ascensão de Andy Burnham como principal nome para sucedê-lo. Mais do que uma crise individual, a queda de Starmer evidencia como as consequências políticas do Brexit tornaram o sistema britânico cada vez mais instável.

O país parece preso a um ciclo de lideranças frágeis, maiorias que se desfazem rapidamente e governos com dificuldade de reconstruir uma agenda de longo prazo em temas como imigração, crescimento econômico, contas públicas e relação com a Europa. Nesse sentido, o Reino Unido se tornou quase ingovernável: não pela ausência de instituições, mas pela dificuldade crescente de transformar mandatos eleitorais em estabilidade política duradoura.

· 05:03 — Acelerando a expansão nos EUA e reforçando a tese de longo prazo

A TSMC (NYSE: TSM) deu mais um passo relevante para reduzir sua dependência operacional da Ásia e ampliar sua presença estratégica nos Estados Unidos. Em 16 de junho, a companhia anunciou um acordo de dez anos com a Amkor Technology para expandir a capacidade de empacotamento e teste de semicondutores avançados no Arizona.

A parceria endereça um dos principais gargalos da cadeia americana de chips: embora a TSMC já produza semicondutores avançados no país, parte desses componentes ainda precisa ser enviada à Ásia para passar pelo empacotamento avançado, etapa que integra múltiplos chips em um módulo mais eficiente, antes de retornar aos EUA. Com a Amkor assumindo essa fase em território americano, a companhia tende a reduzir custos logísticos, encurtar prazos de entrega e oferecer uma cadeia produtiva mais integrada, do silício ao chip final.

A iniciativa também fortalece a posição da TSMC junto a grandes clientes como Apple e Nvidia, que passam a contar com uma cadeia de suprimentos mais resiliente, eficiente e menos exposta a riscos geopolíticos na Ásia. Além disso, o acordo antecipa parte dos benefícios esperados da futura instalação própria de empacotamento avançado da TSMC no Arizona, prevista para 2029, sem substituir esse plano de expansão. Ao mesmo tempo, melhora a capacidade da companhia de atender à demanda crescente por chips de inteligência artificial e eletrônicos de alta performance.

Nesse contexto, a combinação entre expansão nos Estados Unidos, maior integração produtiva e investimentos robustos das hyperscalers projetados para 2026 sustenta uma visão construtiva para as ações da TSMC, com destaque para as BDRs TSMC34 como veículo de exposição ao tema no mercado brasileiro.

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Ibovespa hoje: adiamento das negociações entre EUA e Irã impõe cautela aos mercados; o que esperar da sexta-feira (19)?

As bolsas globais encerram uma semana forte em tom mais cauteloso, à medida que o alívio inicial com o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã dá lugar a dúvidas sobre sua implementação e durabilidade. As negociações previstas para ocorrer na Suíça foram adiadas após novos confrontos no sul do Líbano entre Israel e militantes do Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, elevando a incerteza sobre a sustentação da trégua.

Com os mercados à vista dos EUA fechados pelo feriado de Juneteenth e uma agenda econômica esvaziada, os investidores concentraram suas atenções no Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo voltou a preocupar diante de relatos de redução no fluxo de petroleiros, presença de minas, riscos de congestionamento e dúvidas sobre o grau de controle que o Irã poderá manter sobre a hidrovia. O petróleo voltou a subir em uma sessão volátil, embora ainda caminhe para uma das maiores quedas semanais do ano

Nos mercados acionários, o Stoxx 600 opera sem direção definida, e as bolsas europeias mostraram cautela. Na Ásia, o desempenho foi misto, com destaque para a forte alta semanal do Nikkei, beneficiado pelo alívio nas expectativas de inflação e pelo bom desempenho global dos setores de semicondutores e inteligência artificial (IA).  

00:54 — Problema de credibilidade

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira (18) em leve queda de 0,10%, aos 168.278 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,30%, para R$ 5,17, pressionado pelo tom mais duro do Federal Reserve (Fed) e, sobretudo, pela leitura do comunicado do Copom, em linha com o que comentei ontem.

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, como esperado, mas surpreendeu ao manter aberta a possibilidade de novos cortes, em vez de sinalizar uma pausa mais clara no ciclo.

A comunicação gerou ruído porque, ao mesmo tempo em que reconheceu inflação acima da meta, expectativas desancoradas, atividade ainda robusta e riscos fiscais, o Comitê recorreu a um horizonte de projeção mais longo, o primeiro trimestre de 2028, para justificar trajetórias alternativas compatíveis com a convergência da inflação à meta. Para o mercado, essa abordagem soou excessivamente heterodoxa

Com isso, a decisão foi interpretada por parte dos investidores como mais dovish do que o esperado, ou seja, mais inclinada à continuidade do afrouxamento monetário. A alta do dólar e a abertura da curva de juros mostraram que o mercado passou a questionar a consistência da comunicação e a credibilidade da estratégia da autoridade monetária, especialmente em um ambiente marcado por risco fiscal e pelo avanço do calendário eleitoral. A dinâmica do câmbio passa a ser um ponto crucial de acompanhamento, pois pode limitar a continuidade do ciclo de cortes da Selic. 

01:41 — Feriado

Antes do feriado desta sexta-feira (19) nos EUA, os índices americanos reagiram positivamente ao memorando de entendimento de 14 pontos assinado entre os EUA e o Irã, interpretado como um passo relevante para encerrar meses de hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.

A suspensão dos combates por 60 dias, o fim do bloqueio naval americano e a possibilidade de remoção gradual das sanções contra Teerã contribuíram para reduzir o prêmio de risco geopolítico, levando o petróleo Brent para perto de US$ 80 por barril e impulsionando tanto ações quanto títulos.

O S&P 500 avançou 1,1%, o Nasdaq subiu 1,9% e o setor de tecnologia teve desempenho particularmente forte, com alta de 2,9% do ETF iShares U.S. Technology. Ao mesmo tempo, os investidores passaram a lidar com uma mudança importante no Federal Reserve sob a presidência de Kevin Warsh, cuja primeira reunião trouxe uma mensagem mais dura do que o esperado.

Embora o Fed tenha mantido os juros estáveis pela quarta reunião consecutiva, a ausência de orientação futura e o foco explícito no combate à inflação levaram o mercado a precificar mais de 80% de chance de alta dos juros em setembro, além de mais de um aumento até outubro. Ainda assim, a queda recente dos preços de energia pode aliviar a inflação nos próximos meses e reduzir a necessidade de novas altas, especialmente se a trégua com o Irã se sustentar.

A próxima semana será importante para calibrar essa leitura, com a divulgação do índice PCE de maio, indicador de inflação preferido do Fed, além dos PMIs, das vendas de novas casas, dos pedidos de bens duráveis e dos balanços de empresas como FedEx e Micron Technology

02:39 — Adiamento 

Os Estados Unidos e o Irã adiaram o início das negociações sobre um acordo de paz e sobre a restrição do programa nuclear iraniano, inicialmente previstas para ocorrer na Suíça. A justificativa oficial ainda não está totalmente clara: a Casa Branca atribuiu o adiamento a dificuldades logísticas, enquanto Teerã vinha sinalizando que só avançaria para discussões técnicas após sinais concretos de implementação do acordo interino, especialmente nos pontos ligados à reabertura do Estreito de Ormuz, às isenções para exportação de petróleo e à liberação de ativos congelados.

O cancelamento da viagem do vice-presidente JD Vance aumentou a incerteza sobre a sustentação da trégua, em meio a novos confrontos entre Israel e militantes do Hezbollah no sul do Líbano, episódio que ampliou a pressão política sobre o acordo. 

O memorando provisório assinado por Donald TrumpMasoud Pezeshkian reduziu parte do risco geopolítico imediato, permitiu a retomada parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e trouxe algum alívio aos preços da energia. Ainda assim, os mercados passaram a interpretar o acordo com mais cautela, uma vez que a normalização das cadeias logísticas e energéticas pode levar meses, enquanto o Irã mantém restrições operacionais à navegação durante as operações de desminagem.

O texto prevê uma janela de 60 dias para negociar o status do programa nuclear iraniano, a redução do grau de enriquecimento do material nuclear em território iraniano sob supervisão da AIEA, isenções para exportações de petróleo, acesso a cerca de US$ 24 bilhões em fundos congelados e um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões. Os pontos mais sensíveis, porém, foram deixados para uma etapa posterior.  

No plano político e estratégico, o acordo enfrenta resistência em Washington, em Israel e entre aliados regionais, sobretudo pela percepção de que Teerã recebeu concessões relevantes antes de assumir compromissos mais claros sobre seu programa nuclear. Ao mesmo tempo, os EUA ampliaram sanções contra autoridades libanesas e redes empresariais associadas ao Hezbollah, acusadas de obstruir o processo de paz e financiar o grupo.

Para o Irã, o acordo oferece um alívio econômico, mas também expõe fragilidades internas: a liderança do país está enfraquecida, há sinais de instabilidade política e o fim da guerra pode reduzir o efeito de coesão nacional. Assim, embora tenha diminuído as incertezas de curto prazo, o acordo ainda parece mais um arcabouço político do que uma solução operacional definitiva. 

03:23 — O Projeto Manhattan do século XXI 

Anthropic enviou executivos a Washington para tentar reverter a proibição imposta pelo governo Trump ao uso do Fable 5 (versão do Claude) por estrangeiros, medida que levou a empresa a suspender totalmente o acesso ao modelo. 

Como já comentamos, lançado como uma versão supostamente mais segura do ainda inédito (e muito polêmico) Mythos, o Fable 5 foi restringido por motivos de segurança nacional, após autoridades apontarem riscos de que suas salvaguardas fossem contornadas por agentes mal-intencionados. A decisão teria sido tomada depois de alertas da Amazon, investidora da Anthropic, sobre possíveis formas de desbloquear o modelo para fins ofensivos.

A empresa, por sua vez, argumenta que recebeu pouco tempo e poucos detalhes para responder às preocupações do governo, enquanto profissionais de cibersegurança defendem que modelos avançados também são necessários para fortalecer sistemas contra ataques. Em paralelo, a Anthropic ainda enfrenta uma disputa com o Departamento de Defesa, buscando reverter sua classificação como risco para a cadeia de suprimentos. 

O episódio, porém, é apresentado como algo maior do que uma disputa regulatória envolvendo uma única empresa. A restrição ao Fable e ao Mythos é interpretada como uma continuação da estratégia americana de controle tecnológico, semelhante ao que já ocorreu com chips avançados, Nvidia e ASML: primeiro veio o controle sobre o silício; agora, o controle sobre os próprios modelos de inteligência artificial.

Nesse cenário, o acesso à melhor inteligência do mundo poderia se tornar um ativo nacionalizado, reservado prioritariamente a cidadãos, empresas e estruturas americanas. Isso abriria espaço para soluções alternativas, como empresas de fachada, diretores residentes e estruturas nos EUA, mas essas brechas tenderiam a favorecer apenas quem tem capital e sofisticação jurídica para acessá-las, ampliando a desigualdade nessa frente tecnológica. Ao mesmo tempo, bloquear modelos fechados para o resto do mundo poderia fortalecer o movimento de código aberto e beneficiar concorrentes dispostos a atender os usuários excluídos. 

Trocando em miúdos, a tese central é que a inteligência artificial pode se tornar uma nova moeda de poder, tão estratégica quanto o dólar, o petróleo ou os semicondutores. Ao perceberem que não podem depender plenamente do acesso à inteligência americana, países como Reino Unido, Austrália, membros da Europa e outras nações tenderiam a acelerar projetos de IA soberana.

O problema é que poucos têm capital, energia, infraestrutura e escala para competir com os Estados Unidos, com exceção da China. Assim, ao restringir seus modelos, Washington corre o risco de empurrar parte do mundo para alternativas chinesas ou, no limite, usar o acesso à IA como instrumento de barganha política, militar e econômica.

A restrição também já teria provocado alta nos preços de hardware, aluguel de computação em nuvem e memória DDR5, enquanto limitações energéticas nos EUA contrastam com a capacidade chinesa de ampliar infraestrutura, produzir memória e lançar modelos cada vez mais competitivos. Nesse sentido, a proibição do Fable é tratada como o início de uma disputa muito mais ampla: uma espécie de Projeto Manhattan do século XXI, centrado não mais na energia nuclear, mas no controle da inteligência. 

04:18 — Mais uma para a conta da virada do pêndulo político 

A eleição presidencial colombiana chega ao segundo turno neste domingo e pode se tornar mais um capítulo de uma tendência que começa a ganhar força na América Latina: o avanço de candidatos de direita depois de um período marcado por governos de esquerda e por uma insatisfação crescente com temas como segurança pública, crescimento econômico e combate ao crime.

Favorito nas pesquisas, Abelardo de la Espriella construiu sua campanha em torno de uma plataforma de tolerância zero à criminalidade, em forte contraste com a estratégia de “Paz Total” defendida por Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, cuja proposta prioriza negociações com grupos criminosos. A alta dos índices de violência e sequestros acabou desgastando parte do apoio à atual administração e ampliando o apelo de propostas mais duras.

Caso a vitória da direita se confirme, a Colômbia se somará a movimentos semelhantes observados recentemente em outros países da região, como o Peru, reforçando a percepção de uma mudança gradual no humor político latino-americano. A grande questão para os próximos anos é se essa dinâmica continuará se espalhando pelo continente e, sobretudo, se o Brasil seguirá ou não essa mesma trajetória em seu próximo ciclo eleitoral. 

05:05 — Escala como vantagem competitiva 

A forte correção recente das incorporadoras refletiu um conjunto de preocupações macroeconômicas (inflação, juros, discussões em torno do FGTS e incertezas geopolíticas), que acabou penalizando o setor de forma indiscriminada.

No entanto, as mensagens transmitidas pelos principais executivos do segmento durante o Real Estate Day do BTG Pactual foram mais construtivas do que a percepção embutida nos preços das ações.

A demanda por habitação econômica segue sustentada por fatores estruturais, como o elevado déficit habitacional, um mercado de trabalho ainda resiliente e condições de financiamento relativamente favoráveis ao público-alvo dessas companhias. Ao mesmo tempo, a inflação de custos continua sendo um ponto de monitoramento, mas não representa, por ora, uma ameaça estrutural para empresas com escala, disciplina operacional e capacidade de repasse. 

Nesse contexto, a escala se consolida como um dos principais diferenciais competitivos do setor. Em um mercado cada vez mais exigente, a capacidade de adquirir terrenos, acessar funding, contratar mão de obra, administrar subsídios e executar múltiplos projetos simultaneamente tornou-se uma barreira de entrada relevante, favorecendo os líderes já estabelecidos.

Embora desafios como a disponibilidade de recursos do FGTS, a escassez de mão de obra e os entraves regulatórios sigam presentes, a expectativa é de um crescimento mais disciplinado, com foco em rentabilidade, velocidade de vendas e preservação de margens. 

Para a Direcional (DIRR3), esse ambiente parece particularmente favorável. A companhia combina demanda resiliente, elevada capacidade de execução, disciplina na alocação de capital e um histórico consistente de navegação por diferentes ciclos econômicos. Mesmo sob premissas conservadoras, nossas estimativas apontam para um lucro superior a R$ 1 bilhão no próximo ano, enquanto a recente correção das ações levou os múltiplos a patamares atrativos.

Em nossa avaliação, o mercado incorporou um grau de pessimismo superior ao que os fundamentos justificam, criando uma oportunidade em uma empresa que segue entregando resultados sólidos e preservando importantes vetores de crescimento para os próximos anos. 

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Ibovespa hoje: ‘ressaca’ pós-Copom, Fed e acordo preliminar entre EUA e Irã; o que esperar da quinta-feira (18)?

Os mercados globais continuam assimilando os desdobramentos da Super Quarta e do acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando por Donald Trump, acelerando o processo de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuiu para uma nova rodada de queda nos preços do petróleo e reforçou o alívio observado nos ativos de risco ao redor do mundo.

Na Ásia, bolsas como NikkeiKospi renovaram máximas históricas, impulsionadas pelo recuo das tensões geopolíticas e pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial (IA), enquanto, na Europa, os mercados oscilaram entre o alívio proporcionado pelo acordo e a reprecificação de um ambiente de juros mais elevados por mais tempo. 

· 00:56 — O corte veio, mas a credibilidade aguenta? 

No Brasil, em uma decisão cuja divulgação acabou ocorrendo com atraso, o Copom entregou exatamente o movimento que vinha sendo esperado pelo mercado ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mais relevante do que a decisão em si, porém, foi a mudança observada na comunicação da autoridade monetária.

Diferentemente da reunião anterior, o Banco Central deixou de indicar de forma explícita que a continuidade do ciclo de cortes permanecia como o cenário mais provável. Em uma leitura superficial, isso poderia ser interpretado como um sinal mais duro.

No entanto, uma análise mais aprofundada do comunicado revela nuances importantes. Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos à melhora das expectativas ou à convergência das projeções inflacionárias. Em outras palavras, a porta para novos cortes segue aberta

A avaliação do cenário econômico, por sua vez, tornou-se significativamente mais cautelosa. O comunicado reconheceu que a atividade econômica avançou acima do esperado no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos e um mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, destacou a deterioração das expectativas de inflação, elevou a projeção inflacionária para o horizonte relevante de política monetária de 3,5% para 3,7%, e passou a enfatizar de forma mais explícita o risco de uma demanda crescendo acima da capacidade produtiva da economia.

Também chamou atenção o reconhecimento de um ambiente fiscal mais desafiador, fator que continua dificultando o processo de convergência da inflação. Sob a ótica dos fundamentos macroeconômicos, portanto, o diagnóstico foi claramente mais preocupante do que o observado nas reuniões anteriores, reforçando a percepção de que o ambiente para cortes adicionais deveria, em tese, ser mais restritivo

É justamente nesse ponto que surge o principal debate. Apesar de reconhecer uma inflação mais alta, expectativas mais deterioradas e um cenário econômico mais pressionado, o Copom introduziu uma justificativa que pode ser interpretada como relativamente complacente. O Comitê argumentou que uma política monetária excessivamente restritiva poderia levar a inflação para abaixo da meta no horizonte que passará a ser considerado nas próximas reuniões, sugerindo que o grau acumulado de aperto monetário já estaria próximo do necessário.

A questão é que o horizonte atualmente relevante (o quarto trimestre de 2027) continua exibindo inflação acima da meta e em trajetória de piora. Ainda assim, o Banco Central optou por direcionar parte de sua análise para o primeiro trimestre de 2028, um horizonte mais distante. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária.  

Essa leitura ajuda a explicar por que o ciclo não foi formalmente encerrado, mesmo diante da deterioração dos fundamentos. Em última instância, o Comitê parece desejar preservar espaço para eventuais cortes adicionais, caso o cenário permita.

O problema é que essa postura pode impor custos relevantes, especialmente sobre o câmbio e os vértices mais longos da curva de juros, tornando o ambiente mais desafiador para os ativos domésticos.

A partir daqui, a continuidade da flexibilização dependerá da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica, da dinâmica fiscal, do comportamento do câmbio e das condições financeiras globais, especialmente em um contexto de postura firme ao redor do mundo. 

· 01:49 — Um novo Federal Reserve no horizonte 

A decisão do Federal Reserve (Fed) veio em linha com as expectativas do mercado, com o FOMC mantendo a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A principal surpresa, porém, não esteve na decisão em si, mas na mudança significativa observada nas projeções dos membros do comitê.

Nove dos dezenove dirigentes passaram a prever ao menos uma elevação dos juros em 2026, ante apenas três na rodada anterior de projeções. Ao mesmo tempo, as estimativas para a inflação foram revisadas para cima, sugerindo um processo de convergência mais lento em direção à meta de 2%.

Na prática, o Fed deixou claro que o combate à inflação continua sendo sua prioridade e que o espaço para cortes de juros se tornou consideravelmente mais restrito, depois do embaraço das expectativas por conta da guerra. 

O comunicado também marcou uma inflexão relevante na forma de comunicação da instituição. Além da remoção do chamado easing bias, a inclinação implícita para futuras reduções de juros, o Federal Reserve eliminou integralmente o forward guidance, abandonando indicações mais explícitas sobre a trajetória futura da política monetária.

O texto (que ficou bem mais enxuto também) passou a enfatizar que a atividade econômica continua avançando em ritmo robusto, que o mercado de trabalho permanece resiliente, que os investimentos seguem fortes e que a inflação ainda opera acima da meta estabelecida. O resultado foi uma mensagem claramente mais cautelosa e restritiva (hawk), refletindo a preferência do comitê por preservar flexibilidade diante de um ambiente ainda cercado por incertezas. 

Na coletiva de imprensa, Kevin Warsh, agora chefe do Fed, procurou estabelecer desde o início uma identidade própria para sua gestão. O novo presidente reforçou repetidamente que a inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos e que a estabilidade de preços continuará sendo o principal compromisso do banco central.

Paralelamente, apresentou uma ampla agenda de reformas internas, incluindo grupos de trabalho voltados à revisão dos mecanismos de comunicação do Fed, da qualidade das estatísticas econômicas utilizadas nas decisões de política monetária, do impacto da inteligência artificial sobre a economia, da estrutura do balanço patrimonial da instituição e dos modelos empregados para análise inflacionária. 

Warsh também deixou evidente sua intenção de reduzir o grau de orientação fornecido aos mercados, defendendo que os preços dos ativos devem refletir informações independentes e não apenas reproduzir as sinalizações emitidas pelo próprio banco central. 

Olhando adiante, a principal mensagem é que o Federal Reserve passa a operar sob um regime de maior incerteza e menor previsibilidade. Embora nenhuma elevação de juros tenha sido anunciada nesta reunião, o mercado passou a atribuir probabilidade crescente a um aperto monetário nos próximos meses, com parte dos investidores já considerando uma alta de juros como um cenário plausível até outubro.

Ainda assim, as divergências dentro do próprio comitê permanecem relevantes, o que torna os próximos dados de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho ainda mais determinantes para a condução da política monetária. Em síntese, a era Warsh se inicia com um Fed menos comprometido com orientações antecipadas, mais focado em credibilidade institucional e com menor disposição para flexibilizar sua postura diante de sinais moderados de desaceleração econômica. 

· 02:37 — Um acordo apertado 

O acordo preliminar assinado ontem (17) entre Estados Unidos e Irã representou um importante passo na redução das tensões no Oriente Médio, e contribuiu para a forte correção recente dos preços do petróleo. Ainda assim, está longe de encerrar as incertezas que cercam a região.

O memorando estabelece o fim das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, o relaxamento de parte das sanções e a abertura de um período de 60 dias de negociações para tratar dos temas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e os mecanismos de reconstrução econômica do país.

Apesar da melhora inicial no sentimento dos mercados, permanecem dúvidas relevantes sobre a velocidade da normalização do transporte marítimo, a sustentabilidade dos compromissos assumidos por Teerã e a capacidade política de Washington de implementar, na prática, o alívio das sanções previsto no entendimento.

Paralelamente, a questão nuclear continua sendo um dos principais pontos de divergência, dividindo aqueles que defendem restrições máximas ao enriquecimento de urânio e os que consideram mais viável um modelo baseado em supervisão internacional rigorosa e mecanismos permanentes de monitoramento. 

· 03:22 — “Donroe”

Os Estados Unidos parecem estar passando por uma reavaliação gradual de suas prioridades estratégicas diante de um ambiente internacional mais complexo, marcado por múltiplos focos de tensão e limitações crescentes de recursos políticos, fiscais e militares.

Em vez de buscar o mesmo grau de envolvimento simultâneo na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, ganha espaço em Washington a visão de que a principal prioridade deve ser a consolidação da influência americana em seu entorno geográfico imediato, em linha com o que já conversamos neste espaço no passado.

Inspirada, em certa medida, nos princípios da histórica Doutrina Monroe, essa abordagem parte do entendimento de que a segurança e a projeção de poder dos Estados Unidos dependem, antes de tudo, do fortalecimento de sua posição no Hemisfério Ocidental, abrangendo áreas estratégicas como a Groenlândia, o Canal do Panamá, o Caribe, o Golfo do México e a América do Sul.

A mudança de regime na Venezuela e a postura mais assertiva em relação a países da região são frequentemente interpretadas como manifestações desse reposicionamento. Ainda assim, essa visão está longe de ser consensual dentro da própria elite política americana.

De um lado, os chamados primacistas defendem a preservação da liderança global dos Estados Unidos como objetivo central da política externa, mesmo que isso implique maior disposição para intervenções, confrontos geopolíticos e projeção de força em diferentes regiões do mundo. De outro, os defensores da contenção argumentam que o país deveria reduzir seu envolvimento em conflitos externos, transferir uma parcela maior das responsabilidades de defesa para seus aliados e direcionar recursos para a reconstrução da competitividade econômica, da infraestrutura e da base industrial doméstica.

O desfecho dos conflitos mais recentes, especialmente no Oriente Médio, poderá influenciar diretamente o equilíbrio entre essas correntes. Para os investidores, essa discussão é relevante, porque afeta decisões relacionadas a gastos militares, alianças estratégicas, segurança energética, cadeias globais de suprimentos e, em última instância, a configuração geopolítica que tende a moldar os mercados internacionais ao longo da próxima década. 

· 04:11 — Uma nova ordem mundial

Estamos assistindo à consolidação de uma ordem global cada vez mais tripolar, impulsionada por um volume sem precedentes de investimentos em três frentes estratégicas: inteligência artificial, defesa e transição energética.

Somados, os gastos públicos e privados nessas áreas já se aproximam de US$ 10 trilhões em 2026 e, segundo diversas estimativas, podem alcançar US$ 16 trilhões até o fim da década. Mais do que movimentos isolados, trata-se de uma transformação estrutural que mobiliza simultaneamente Ásia, Europa e Américas, dando forma ao que vem sendo descrito como um novo superciclo global de investimentos.

Nesse ambiente, a geopolítica deixa de atuar apenas como fonte de risco e passa a desempenhar um papel cada vez mais relevante como direcionadora dos fluxos de capital, estimulando investimentos em infraestrutura, tecnologia, energia e segurança nacional. 

Ao mesmo tempo, a mais recente cúpula do G7 evidencia os desafios de coordenação em um mundo progressivamente mais fragmentado. Criado para liderar a resposta das principais economias avançadas a crises globais, o grupo opera hoje em um contexto profundamente diferente daquele que marcou sua origem.

A ascensão da China, o crescimento da Índia e a maior relevância de outras economias emergentes reduziram o peso relativo das nações desenvolvidas na economia mundial, enquanto divergências internas tornaram mais complexa a construção de consensos.

Embora exista convergência em temas como a reabertura do Estreito de Ormuz e a não proliferação nuclear iraniana, persistem diferenças importantes em áreas como comércio internacional, regulação da inteligência artificial, governança da internet, apoio à Ucrânia e o próprio papel dos Estados Unidos na arquitetura global. 

O resultado é um ambiente em que a cooperação internacional continua sendo necessária, mas já não possui a mesma capacidade de coordenação observada nas décadas anteriores. Em vez de uma liderança global claramente definida, emerge uma estrutura mais descentralizada, na qual diferentes blocos econômicos e geopolíticos buscam defender seus próprios interesses, ainda que mantenham espaços pontuais de cooperação.

Para os investidores, essa mudança ajuda a explicar a crescente relevância de temas como defesa, segurança energética, inteligência artificial, infraestrutura estratégica e soberania tecnológica nas decisões de alocação de capital. Em um mundo mais multipolar, os fluxos de investimento tendem a responder não apenas aos fundamentos econômicos tradicionais, mas também às prioridades geopolíticas que moldarão a próxima fase do crescimento global. 

· 05:03 — O estado ‘belicoso’ das coisas 

A parceria entre General Motors e Lockheed Martin reflete uma preocupação crescente dos Estados Unidos com a necessidade de ampliar sua capacidade de produção militar em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. A iniciativa busca unir a expertise da Lockheed Martin no desenvolvimento de sistemas de defesa à escala industrial e à eficiência logística da GM, fortalecendo cadeias de suprimentos, ampliando a produção de munições e reduzindo gargalos que há anos preocupam o Pentágono.

O movimento ocorre em meio aos esforços do governo Trump para acelerar a base industrial de defesa, incluindo incentivos à fabricação de mísseis, drones e outros equipamentos estratégicos, além do uso da Lei de Produção de Defesa para expandir a capacidade produtiva do setor. 

Essa preocupação ganhou ainda mais relevância após o conflito com o Irã, que evidenciou o elevado consumo de munições modernas e levantou questionamentos sobre a velocidade de reposição dos estoques americanos em um cenário de tensões prolongadas. Autoridades estimam que a recomposição de determinados sistemas, como mísseis Tomahawk e interceptadores de defesa aérea, pode levar vários anos.

Nesse contexto, cresce a percepção de que será necessário fortalecer a base industrial do país para garantir capacidade de resposta simultânea em diferentes frentes estratégicas, incluindo uma eventual crise envolvendo Taiwan.

Ainda assim, transformar essa ambição em realidade exigirá mais do que capacidade produtiva: dependerá também da aprovação de recursos pelo Congresso e da celebração de contratos de longo prazo que ofereçam previsibilidade suficiente para sustentar os investimentos necessários da indústria. 

Para o investidor, essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL) oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que se beneficiam do aumento estrutural dos gastos militares.

No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem papel semelhante, permitindo acesso simplificado a essa temática. Ainda assim, como ocorre em qualquer tese setorial, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para o tema, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor. 

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Esses dois fatores podem fazer com que o Ibovespa volte ‘rapidamente’ à casa dos 190 mil pontos, segundo analistas

São tempos difíceis para o Ibovespa. O índice, que bateu sua máxima histórica de 199 mil pontos em abril, passou a despencar logo em seguida, salvo alguns momentos pontuais de otimismo.

Foi o caso do pregão da segunda-feira (15), no qual chegou a bater 174 mil pontos no pico intraday, surfando o bom humor do mercado após o anúncio de um acordo entre os EUA e o Irã no domingo (14). No entanto, o Ibovespa voltou a recuar e negociava na casa dos 169 mil pontos até o fechamento deste texto, na terça-feira (16).

Ou seja, a princípio, pode parecer que nem os sinais de uma resolução no Oriente Médio sejam o suficiente para sustentar a Bolsa brasileira. Será mesmo?

Para os analistas da Empiricus Research, há motivo para acreditar em uma recuperação do índice – até mesmo de volta à casa dos 190 mil pontos, como vimos em abril. Porém, essa recuperação depende da convergência de alguns fatores em especial.

Entenda os fatores que podem contribuir para uma ‘volta por cima’ do Ibovespa

Somando a contribuição de valuation e fundamentos, e supondo que a guerra vai finalmente se resolver, podemos imaginar o Ibovespa voltando rapidamente para um patamar de 180 a 190 mil pontos”, afirmam os analistas em relatório da última sexta-feira (12).

A partir dessa afirmação, podemos destrinchar os gatilhos que, se alinhados, podem contribuir para a “volta por cima” do Ibovespa.

Fim do conflito no Oriente Médio

Como falamos anteriormente, o Ibovespa pareceu não sustentar um pregão inteiro de alta com o anúncio de um acordo entre EUA e Irã, que pode, enfim, apontar para o fim da guerra no Oriente Médio. Mas vale lembrar que o fim das tensões pode ser um processo longo.

O conflito trouxe um sentimento generalizado de aversão ao risco nos mercados. Seu fim pode ainda não trazer normalização imediata. “Seria praticamente impossível alcançar um acordo rápido diante de um contexto tão complexo de direitos e deveres entre as partes”, afirmam os analistas.

Mas, aos poucos, investidores podem recuperar otimismo e reduzir o foco em posições mais defensivas, o que pode contribuir para a valorização dos ativos brasileiros.

“Contribuição” de valuation e fundamentos

O mercado brasileiro, referência em teses de commodities, tornou-se de grande interesse de estrangeiros após o início da guerra, especialmente após retirarem capital de teses ligadas ao mercado norte-americano. Inclusive, esse foi um dos principais gatilhos que carregaram a alta do Ibovespa alguns meses atrás.

Para os analistas, uma possível “ressaca” nas teses ligadas à inteligência artificial (IA) – que tem movido o otimismo de mercado nos EUA – pode “ser bom para o Kit Brasil”, considerando que poderia contribuir um retorno do fluxo estrangeiro ao país. Isso “salvo o caso de espraiamento sistêmico”, ou seja, de algum problema que afete os mercados globais de forma geral.

O valuation também entra como um ponto forte da bolsa brasileira. Em diversas ocasiões, os analistas da Empiricus reforçam a perspectiva de que os ativos brasileiros estão atualmente descontados, especialmente na ausência de fluxo comprador.

Inclusive, picos positivos recentes, como o visto no pregão da última quinta-feira (11), “não teriam acontecido se as ações brasileiras não estivessem negociando a múltiplos tão atrativos”, afirmam.

“O mercado local está bem-posicionado em fundamentos para captar esse fluxo gringo quando ele estiver pronto para voltar, e agora está bem-posicionado em valuation também”.

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Ibovespa hoje: o que esperar da Super Quarta? Veja o que é destaque no dia

A Super Quarta chegou com expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve e possível corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom.

Nos Estados Unidos, mais importante do que a decisão em si será a estreia de Kevin Warsh à frente do Fed e os sinais que sua comunicação poderá oferecer sobre os próximos passos da política monetária, em um ambiente ainda marcado por inflação resiliente e divergências crescentes dentro da própria instituição.

Enquanto isso, os mercados globais operam em tom moderadamente positivo: as bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, impulsionadas pelo bom desempenho do setor de tecnologia e pela força das exportações japonesas ligadas à inteligência artificial, ao mesmo tempo em que os investidores continuam monitorando os desdobramentos do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Na Europa e nos Estados Unidos, os ativos financeiros seguem em compasso de espera, com movimentos relativamente contidos em ações, moedas e commodities, refletindo a percepção de que o foco do mercado está gradualmente migrando da geopolítica para a política monetária, que volta a assumir o papel de principal vetor para os mercados globais nos próximos meses.

· 00:51 — Com cautela para os próximos passos

O mercado brasileiro atravessou mais uma sessão marcada por cautela, com o Ibovespa registrando sua terceira queda consecutiva, pressionado por uma combinação de fatores externos e domésticos. De um lado, o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã provocou uma forte correção nos preços do petróleo, afetando diretamente empresas ligadas ao setor de energia.

De outro, a divulgação de novas pesquisas eleitorais reacendeu preocupações em relação à trajetória fiscal dos próximos anos, contribuindo para a alta do dólar e para a manutenção de um fluxo estrangeiro mais contido.

Em paralelo, os indicadores de atividade começaram a sinalizar uma perda de fôlego da economia, com vendas no varejo significativamente abaixo das expectativas e revisões negativas para os meses anteriores, reforçando a percepção de um segundo trimestre menos dinâmico para o crescimento brasileiro.

Embora a leitura geral da atividade ainda apresente sinais mistos, os dados mais recentes caminham na direção de uma desaceleração gradual. Nesse contexto, os investidores acompanharam com atenção a divulgação do IBC-Br de abril, considerado uma prévia do PIB. O indicador também veio abaixo do esperado, corroborando a fraqueza observada no varejo e fortalecendo a leitura de moderação da atividade econômica.

Com isso, as atenções se voltam integralmente para a decisão de política monetária desta Super Quarta. O cenário-base do mercado continua sendo de um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano.

Ainda assim, o foco não está na decisão em si, mas na mensagem que acompanhará o comunicado. Cresce a avaliação de que o Banco Central deverá sinalizar uma pausa no ciclo de flexibilização, diante da inflação ainda pressionada, das incertezas fiscais e da necessidade de preservar a credibilidade do processo de convergência inflacionária.

Assim como ocorre nos Estados Unidos, a discussão deixou de ser apenas sobre o próximo movimento de juros e passou a se concentrar na trajetória da política monetária nos próximos trimestres. Em ambos os casos, a mensagem parece convergir para um ambiente de maior prudência, com juros elevados por mais tempo e espaço cada vez mais limitado para cortes rápidos ou previamente contratados.

· 01:47 — O mistério do tom de Warsh

Os mercados adotaram uma postura de cautela antes da primeira decisão de política monetária do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh. Embora o Dow Jones tenha renovado máximas históricas ao ultrapassar os 52 mil pontos pela primeira vez, o desempenho mais fraco do setor de tecnologia pressionou o Nasdaq e o S&P 500, evidenciando um ambiente de maior seletividade entre os ativos.

A sessão foi marcada por indicadores econômicos com sinais mistos, incluindo enfraquecimento da atividade imobiliária e aceleração dos preços de importação, enquanto os investidores aguardavam os números de vendas no varejo em busca de uma leitura mais clara sobre a força do consumo americano. A atenção se concentra especialmente na capacidade das famílias de sustentar os gastos em um contexto de inflação ainda elevada e menor impulso proveniente dos reembolsos tributários.

Mais do que a decisão sobre os juros, amplamente esperada como uma manutenção da taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, o mercado está concentrado na comunicação do Fed e na estreia de Warsh à frente da instituição.

Investidores buscam compreender como o novo presidente avalia o equilíbrio entre crescimento, mercado de trabalho e inflação após um período marcado por choques energéticos e pressões persistentes sobre os preços. A expectativa predominante é de que o banco central adote uma postura mais cautelosa, reduzindo qualquer sinalização implícita de cortes iminentes.

As projeções econômicas atualizadas também serão acompanhadas de perto, com possibilidade de revisões altistas para a inflação e de uma trajetória de juros mais elevada por um período prolongado. Nesse contexto, o gráfico de pontos (dot plot) poderá reforçar a percepção de que o comitê segue mais preocupado com os riscos inflacionários do que com uma eventual desaceleração da atividade.

Ao mesmo tempo, os acontecimentos recentes trouxeram novos elementos para essa discussão. A queda do petróleo após o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu parte das pressões inflacionárias de curto prazo, oferecendo maior flexibilidade ao Fed justamente na primeira coletiva de imprensa de Warsh.

Isso reduz a necessidade de uma postura excessivamente dura para demonstrar independência em relação à Casa Branca, embora a inflação subjacente continue acima do nível considerado compatível com a meta. Por isso, o mercado acompanhará atentamente qualquer sinal sobre a função de reação do novo presidente, suas prioridades para a condução da política monetária e possíveis mudanças na forma de comunicação da instituição nos próximos meses.

Embora o cenário-base continue apontando para juros estáveis ao longo de 2026, os desdobramentos recentes sugerem que o balanço de riscos se tornou menos problemático, abrindo espaço para ajustes caso a inflação volte a ceder e a atividade econômica perca força de maneira mais consistente.

· 02:33 — O que está na mesa?

O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã ganhou contornos mais concretos com a divulgação de uma minuta de entendimento com 14 pontos que prevê o encerramento imediato e permanente das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz em até 30 dias e o início de negociações para um acordo definitivo no prazo máximo de 60 dias, entre outras coisas.

Pelo texto, a normalização da navegação estaria condicionada à remoção de minas e de outros obstáculos impostos pelo Irã. Em contrapartida, Washington se comprometeria a conceder autorizações imediatas para exportações iranianas de petróleo, petroquímicos e serviços associados, incluindo operações bancárias, seguros e transporte, além de promover a liberação progressiva de ativos congelados e apoiar um amplo programa de reconstrução econômica estimado em pelo menos US$ 300 bilhões.

Na frente nuclear, Teerã reafirmaria o compromisso de não desenvolver armas nucleares, enquanto ambos os lados preservariam o status quo até a conclusão de um acordo definitivo, evitando novos avanços nucleares, sanções adicionais ou escaladas militares.

A perspectiva de um entendimento já produz efeitos relevantes nos mercados globais. O petróleo Brent acumulou forte queda nos últimos dias, negociando abaixo de US$ 80 por barril, à medida que os investidores passaram a incorporar a expectativa de uma normalização gradual dos fluxos energéticos pelo Golfo Pérsico.

A perspectiva de maior oferta e de menor risco de interrupções no abastecimento contribuiu para aliviar preocupações inflacionárias e deslocou novamente o foco dos mercados para as decisões dos bancos centrais, especialmente do Federal Reserve, em sua primeira reunião sob a presidência de Kevin Warsh. Ao mesmo tempo, o acordo pode alterar importantes dinâmicas geopolíticas.

A Rússia, que vinha sendo favorecida pelos preços mais elevados do petróleo e pelo fortalecimento de suas exportações durante o conflito, tende a enfrentar um ambiente menos favorável a partir de agora caso a oferta global aumente gradualmente e os preços da commodity permaneçam pressionados.

Apesar da melhora do sentimento dos investidores, a experiência recente recomenda cautela em relação à velocidade de normalização. O Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, oferece uma referência útil. Mesmo após o anúncio de um cessar-fogo em 2025, o fluxo de embarcações permaneceu significativamente abaixo dos níveis observados antes dos ataques dos Houthis, refletindo preocupações persistentes relacionadas à segurança, aos seguros marítimos e à previsibilidade operacional.

Em Ormuz, o processo pode seguir dinâmica semelhante. Embora os fluxos de petróleo já viessem apresentando sinais de recuperação antes mesmo do anúncio do acordo, a normalização da cadeia física de abastecimento envolve muito mais do que a simples reabertura da rota marítima. A reorganização logística de portos, refinarias, estoques, contratos de transporte e coberturas securitárias tende a ocorrer de forma gradual. Assim, embora a assinatura do acordo represente um importante catalisador para a redução dos prêmios de risco geopolítico, a normalização efetiva do mercado de energia provavelmente ocorrerá em um ritmo mais lento e complexo.

· 03:25 — Dominância energética

A política externa de Donald Trump tem sido cada vez mais orientada pela busca da chamada dominância energética americana, estratégia que combina interesses geopolíticos e econômicos ao tentar ampliar a oferta global de petróleo sob influência dos Estados Unidos.

Após iniciativas voltadas à Venezuela e ao Irã, Washington passou a dedicar maior atenção à Líbia, apostando que uma eventual estabilização política do país poderá destravar o potencial das maiores reservas de petróleo da África e elevar a produção dos atuais 1,3 milhão para cerca de 2 milhões de barris por dia.

O movimento já tem atraído grandes petroleiras americanas, como ConocoPhillips, Chevron e Exxon Mobil, mas enfrenta obstáculos relevantes, incluindo a fragmentação política, a atuação de grupos armados e a influência de potências estrangeiras sobre diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, essa estratégia baseada na expansão da produção de combustíveis fósseis contrasta com a abordagem chinesa, que segue ampliando seus investimentos em energia renovável.

No fim, a própria tentativa americana de estabilizar regiões produtoras evidencia uma realidade recorrente: embora o petróleo continue sendo uma ferramenta central de poder econômico e geopolítico, sua produção e circulação permanecem profundamente condicionadas por fatores políticos que dificilmente podem ser controlados por uma única potência.

· 04:12 — Desafios indianos

A Índia se vê diante de um desafio macroeconômico cada vez mais delicado. A combinação entre saída de capital estrangeiro, deterioração do déficit comercial após o choque energético associado ao conflito com o Irã, pressão sobre a rupia e redução das reservas internacionais reacendeu o debate sobre quais instrumentos o governo e o banco central deverão utilizar para evitar uma deterioração mais ampla do quadro cambial.

Parte do mercado defende a retomada de medidas adotadas em momentos anteriores de estresse, como a captação de recursos em moeda forte por meio dos bancos estatais e da diáspora indiana. No entanto, o ambiente atual é substancialmente diferente daquele observado em 2013.

Com os juros americanos em patamares muito mais elevados, atrair capital externo exige remunerações significativamente maiores, tornando a estratégia mais onerosa tanto para os investidores quanto para as instituições responsáveis pela captação.

Além disso, soluções que funcionaram no passado hoje carregam custos financeiros e políticos mais relevantes. Em 2013, o Banco Central da Índia absorveu parte do risco cambial para incentivar os bancos a captar recursos no exterior, reduzindo a exposição dessas instituições à desvalorização da moeda local. Repetir uma iniciativa semelhante agora poderia expor o balanço da autoridade monetária a perdas expressivas caso a rupia continue enfraquecendo.

Há também uma diferença importante no contexto político. Ao contrário do governo de então, que se aproximava do fim de seu mandato, a administração de Narendra Modi opera com um horizonte de longo prazo e tende a demonstrar maior cautela na adoção de medidas que possam gerar custos significativos no futuro. Nesse cenário, cresce a percepção de que alternativas mais convencionais, como a elevação dos juros, podem voltar ao centro das discussões como forma de estabilizar a moeda e restaurar a confiança.

O problema é que nenhuma das opções disponíveis parece confortável. Embora a inflação permaneça relativamente controlada, em torno de 3,5%, o mercado teme que a combinação entre uma moeda mais fraca, custos energéticos mais elevados e a continuidade da saída de capital acabe contaminando as expectativas econômicas.

Diante desse quadro, as autoridades indianas podem ser obrigadas a combinar juros mais altos, incentivos fiscais e outras medidas de estabilização para evitar uma desvalorização mais intensa da rupia. Em última análise, a Índia continua exibindo fundamentos estruturais favoráveis e perspectivas de crescimento robustas no longo prazo, mas enfrenta, no curto prazo, um importante teste de credibilidade econômica e capacidade de gestão em um ambiente global cada vez mais desafiador.

· 04:59 — Depois da correção, o ouro volta ao radar

A percepção dos investidores sobre os principais riscos para os mercados vem passando por uma mudança gradual. Embora a possibilidade de uma nova rodada inflacionária continue sendo vista como uma ameaça mais relevante do que um eventual excesso de otimismo em torno da inteligência artificial, a distância entre esses dois fatores diminuiu de forma significativa nos últimos meses.

Curiosamente, parte dos defensores da tese de IA, entre eles Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, argumenta que os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia poderão exercer uma pressão desinflacionária relevante ao longo do tempo. Nesse contexto, a combinação entre avanços tecnológicos e a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, após o acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, começa a favorecer uma reavaliação de ativos como o ouro.

Depois de ter sido apontado como uma das posições mais consensuais do mercado no início do ano, o metal atravessou uma correção expressiva e hoje parece negociar em níveis mais próximos de seu valor de equilíbrio, voltando a despertar interesse entre investidores.

A correção do ouro foi provocada, sobretudo, pela forte reprecificação das expectativas para a política monetária americana. Dados econômicos mais robustos, um mercado de trabalho resiliente e uma inflação persistentemente elevada, principalmente depois da alta dos preços de energia, levaram os investidores a reduzir as apostas em cortes rápidos de juros pelo Federal Reserve.

Após atingir a máxima histórica de US$ 5.595 por onça ao fim de janeiro, o metal acumulou uma queda próxima de 25% até o início de junho. O movimento foi intensificado por investidores sistemáticos e estratégias quantitativas que carregavam posições compradas relevantes após a forte valorização observada anteriormente.

Ainda assim, a correção contribuiu para tornar o posicionamento técnico do mercado significativamente mais saudável. Com a formalização do acordo entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de uma postura monetária não tão dura nos próximos trimestres, cresce a percepção de que o ouro pode voltar a encontrar suporte, especialmente diante da expressiva correção observada nas ações de empresas ligadas à mineração aurífera.

Mais importante do que os movimentos de curto prazo, os fundamentos estruturais da tese permanecem preservados. Os bancos centrais continuam desempenhando o papel de comprador marginal relevante, respondendo atualmente por cerca de 20% da demanda global pelo metal. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as compras líquidas do setor oficial alcançaram 244 toneladas, bem acima da média histórica.

China, Polônia e Turquia seguem ampliando suas reservas, enquanto o Conselho Mundial do Ouro projeta uma demanda oficial entre 700 e 900 toneladas ao longo deste ano. Por trás desse movimento está uma tendência mais ampla de diversificação das reservas internacionais e redução da dependência do dólar, processo que ganhou força após o congelamento de aproximadamente US$ 300 bilhões em reservas russas.

Essa demanda estrutural continua oferecendo um importante suporte de longo prazo para o ouro, especialmente em economias emergentes que ainda mantêm uma participação baixa do metal em suas reservas. Nesse contexto, o ouro segue tendo um papel relevante dentro de portfólios, funcionando como instrumento de proteção, preservação de capital e mitigação de riscos em períodos de maior incerteza.

Em termos de alocação, posições entre 2,5% e 5% do portfólio costumam ser suficientes para que o ouro cumpra sua função de diversificação e proteção sem comprometer o equilíbrio da carteira. Para investidores com acesso ao mercado internacional, ETFs como o iShares Gold Trust (IAU) oferecem uma forma simples e líquida de obter exposição direta ao metal.

No Brasil, alternativas como o ETF BTG Pactual B3 Ouro (GOLB11) desempenham papel semelhante. Já os fundos de ouro dolarizados, sem proteção cambial (hedge), adicionam uma camada adicional de defesa ao combinar a exposição ao metal com uma proteção natural contra eventuais episódios de desvalorização do real. Independentemente do veículo escolhido, a lógica permanece: utilizar o ouro como um instrumento complementar dentro de uma estratégia diversificada, respeitando o tamanho adequado da posição e buscando um equilíbrio entre proteção, liquidez e potencial de geração de retorno no tempo.

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WEG (WEGE3), Moura Dubeux (MDNE3), Petrobras (PETR4) e outros destaques corporativos desta quarta (17)

O pagamento de JCP da WEG (WEGE3), o programa de recompra de ações da Moura Dubeux (MDNE3) e o subsídio ao diesel da Petrobras (PETR4) são alguns dos destaques corporativos desta quarta-feira (17)

Confira os destaques de hoje:

WEG (WEGE3) aprova pagamento de R$ 438 milhões em juros sobre capital próprio

A WEG (WEGE3) aprovou a distribuição de R$ 438,1 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), informou a companhia em comunicado ao mercado nesta terça-feira (16).

O valor corresponde a R$ 0,10 por ação. Terão direito ao provento os acionistas com posição acionária em 19 de junho de 2026. A partir de 22 de junho, os papéis passarão a ser negociados na condição “ex-JCP”.

O pagamento está previsto para 10 de março de 2027. Após o desconto de 17,5% de imposto de renda na fonte, o valor líquido será de aproximadamente R$ 0,09 por ação.

Acionistas que comprovarem até 19 de junho de 2026, junto ao Banco Bradesco, a condição de imunes ou dispensados da retenção do imposto receberão o valor integral do provento, conforme a legislação vigente.

Moura Dubeux (MDNE3) cria programa de recompra de até 1,36 milhão de ações

A Moura Dubeux (MDNE3) aprovou nesta terça-feira (16) um novo programa de recompra de ações que permitirá à companhia adquirir até 1,36 milhão de papéis ordinários em circulação, equivalente a cerca de 2% do total de ações disponíveis no mercado.

O programa terá duração de 18 meses, com início em 16 de junho de 2026 e término em 16 de dezembro de 2027.

Segundo a empresa, o programa tem como objetivo maximizar a geração de valor para os acionistas. As ações recompradas poderão permanecer em tesouraria, ser posteriormente canceladas ou alienadas, além de serem utilizadas para atender obrigações relacionadas ao plano de remuneração baseado em ações da companhia.

ANP aprova pagamento de R$740 mi à Petrobras (PETR4) referente à 1ª fase do subsídio ao diesel

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou o pagamento à Petrobras (PETR4) de aproximadamente R$ 740 milhões referente ao primeiro período do programa de subvenção econômica à comercialização de diesel, de 12 de março a 31 de março, segundo documento da autarquia visto pela Reuters.

A aprovação ocorreu na segunda-feira, após a agência apurar e verificar a conformidade do valor a ser pago pela União no âmbito do programa, criado pelo governo federal para reduzir os impactos da alta do petróleo e de seus derivados com a guerra dos Estados Unidos contra o Irã.

A Petrobras havia registrado no balanço financeiro do primeiro trimestre o valor de R$741 milhões como contas a receber relativas ao primeiro período de apuração da subvenção econômica à comercialização de diesel, em março.

Estrela (ESTR3): Justiça aceita pedido e companhia entra em recuperação judicial

A tradicional fabricante de brinquedos Estrela (ESTR3) informou nesta terça-feira (16) que teve aprovado pela Justiça o processamento de seu pedido de recuperação judicial, juntamente com outras sete empresas que integram seu grupo.

Segundo fato relevante divulgado pela companhia, a decisão foi proferida em 15 de junho pelo Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas (MG), que reconheceu o cumprimento dos requisitos previstos na Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101/2005).

De acordo com a Estrela, o objetivo do processo é promover uma reorganização financeira e operacional das empresas do grupo, buscando preservar as atividades, fortalecer a estrutura econômico-financeira e garantir a continuidade dos negócios.

Assessorando credores, Moelis e Journey recebem proposta da IG4 pelo controle da Raízen (RAIZ4)

O banco de investimentos independente Moelis & Company e a consultoria financeira Journey Capital, assessores dos credores da produtora de açúcar e etanol Raízen (RAIZ4), receberam ofertas não vinculantes da gestora de private equity IG4 na noite de segunda-feira (15) para adquirir créditos e o controle da empresa, de acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto.

Duas delas, entretanto, alertaram que qualquer acordo ainda está longe de ser certo, sendo que uma acrescentou que os credores dificilmente chegarão a uma decisão em breve.

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Ainda, uma das três pessoas disse que os credores aceitaram a proposta da Raízen de converter dívida em participação acionária por ser a melhor alternativa disponível naquele momento, mas que prefeririam não permanecer como acionistas.

HSBC aposta em crescimento no Brasil mesmo após provisões ligadas a Raízen e GPA, diz CEO

O HSBC Brasil aposta no ritmo recente de crescimento de suas receitas para ganhar relevância no resultado global do grupo, afirmou o presidente-executivo (CEO) da instituição, Alexandre Guião.

“Nós queremos ser top 10. Queremos continuar crescendo para ser um país cada vez mais relevante [no grupo]”, disse o executivo em entrevista à Reuters, citando que a operação brasileira já figura no top 20 do HSBC, que está presente em 55 países.

Ele não definiu um prazo para tal ascensão, mas destacou que nos primeiros cinco meses de 2026 o banco já registra um crescimento de 39% na receita, após fechar 2025 com aumento de 20% ante 2024, que já havia registrado uma alta de 12% frente a 2023.

Supermercados Dia encerram recuperação judicial antes do prazo e miram expansão no Brasil

A rede de supermercados Dia anunciou nesta terça-feira (16) o encerramento de seu processo de recuperação judicial, pouco mais de dois anos após o pedido de proteção contra credores. A conclusão foi homologada pela Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo após a empresa comprovar o cumprimento integral das obrigações previstas no plano de reestruturação.

O fim da supervisão judicial ocorreu antes do prazo inicialmente previsto, que era outubro deste ano. Segundo a companhia, a antecipação foi possível após o cumprimento de 100% das metas e compromissos estabelecidos no processo de recuperação.

Em comunicado, o CEO do Dia no Brasil, Fabio Farina, afirmou que a conclusão da recuperação judicial marca o início de um novo ciclo para a varejista. “O encerramento da recuperação judicial representa a conclusão de uma importante etapa da transformação do Dia”, frisou.

BYD acelera investimento em produção de baterias no Brasil para carros e armazenamento de energia

A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD está ampliando a produção de baterias no Brasil, disse um alto executivo à Reuters, com foco na fabricação local para seus carros elétricos ao mesmo tempo em que se prepara para investir cerca de R$ 500 milhões em sistemas de armazenamento para dar suporte à rede elétrica nacional.

A nova capacidade de fabricação no segmento de veículos faz parte de um esforço mais amplo para atingir 50% de conteúdo nacional em seus carros fabricados no Brasil até o início de 2027, disse o vice-presidente sênior da BYD Alexandre Baldy.

“Nós estamos localizando, trazendo conteúdo local, para que consigamos de fato nos tornar uma fabricante brasileira”, disse disse Baldy. “A bateria é mais um dos itens, um importante componente”.

Conselho da Telefônica Brasil (VIVT3) aprova incorporação da FiBrasil

O conselho de administração da Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, aprovou a proposta de incorporação da subsidiária FiBrasil e convocação de Assembleia Geral Extraordinária da companhia para o dia 1 de julho de 2026 para deliberar o assunto, mostra fato relevante divulgado ao mercado na noite de terça-feira (16).

A FiBrasil atua com serviços de telecomunicações, abrangendo a disponibilização de infraestrutura de rede neutra de fibra óptica no atacado. Em maio deste ano, a Telefônica já havia anunciado a aquisição de 100% do capital social da empresa, consolidando integralmente a subsidiária em sua estrutura societária.

O plano prevê a absorção total do patrimônio líquido da FiBrasil, avaliado em cerca de R$ 812,6 milhões, pela Telefônica Brasil.

Engie Brasil (EGIE3) detalha acordo sobre participação na Jirau financiado por aumento de capital de R$ 5,74 bi

A Engie Brasil (EGIE3) detalhou, em um documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite de terça-feira (16), os termos de um acordo para adquirir uma participação de 40% na usina hidrelétrica de Jirau de seu acionista controlador, a Engie Brasil Participações, parte da francesa Engie.

A empresa informou que o negócio será financiado por um aumento de capital de cerca de R$ 5,74 bilhões por meio de uma oferta de ações vinculada à aportação do ativo.

A oferta de ações poderá arrecadar até R$ 8,36 bilhões, incluindo uma alocação adicional, informou a empresa.

Com vendas em queda, Pizza Hut é vendida por US$ 2,7 bilhões

A gigante do setor de fast-food Yum Brands fechou um acordo nesta terça-feira (16) para a venda da rede Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões. O movimento foi motivado pela desaceleração das vendas da Pizza Hut nos últimos anos, que vinha registrando um desempenho inferior ao de outras redes do grupo, como KFC e Taco Bell.

O negócio recebeu o aval do conselho de administração e deve ser oficialmente concluído no terceiro trimestre deste ano.

Ações da BMW caem ao menor nível desde 2020 após alerta sobre lucros

As ações da montadora alemã de luxo BMW recuavam cerca de 7% na bolsa de valores de Frankfurt, na Alemanha, após a empresa ter divulgado, na noite de terça-feira (16), um alerta sobre os lucros que, segundo alguns analistas, poderia indicar uma reformulação estratégica mais ampla, incluindo cortes de capacidade na Europa.

A BMW atribuiu a culpa à prolongada fraqueza na China, o maior mercado automotivo do mundo, e ao impacto da guerra no Irã sobre os preços e o ânimo dos consumidores.

Analistas do Deutsche Bank e da Jefferies afirmaram que a revisão para baixo nas perspectivas foi significativamente maior do que o esperado.

*Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo

*Com supervisão de Maria Carolina Abe

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HGRU11, KNSC11, PMLL11 e mais fundos imobiliários com novidades; confira

Nesta semana, o giro pelos fundos imobiliários traz atualizações aos cotistas sobre FIIs como CSHG Renda Urbana (HGRU11), Kinea Securities (KNSC11), Patria Malls (PMLL11) e outros. Confira:

BCIA11: Bradesco Carteira Imobiliária Ativa

O fundo informou que, ao longo de maio, realizou movimentações de aproximadamente R$ 20 milhões, equivalentes a 5,3% do PL. A gestão reduziu a exposição aos segmentos de shopping centers, de 12,1% para 11,5% do PL, e misto, de 3,3% para 2,1% do PL. Já nas compras, o destaque ficou para o aumento da alocação em galpões logísticos, que passou de 13,2% para 16% do PL, impulsionada pela participação na oferta do BTG Pactual Logistica (BTLG11), cuja posição passou a representar 3,1% do PL. Além disso, o fundo seguiu reforçando a posição em Kinea Indices de Precos (KNIP11), que permaneceu como o principal ativo da carteira, com participação de 6,7% do PL.

HGCR11: CSHG Recebíveis Imobiliários

O fundo concluiu a venda da totalidade do empreendimento vinculado ao CRI Quota, encerrando o processo de execução iniciado após a inadimplência em abr/25. A operação resultou no recebimento líquido total de R$ 76,4 milhões, já considerando o sinal pago em dez/25. Com a venda, a operação apresentou prejuízo acumulado de R$ 9,1 milhões, equivalente a R$ 0,59/cota.

HGRU11: CSHG Renda Urbana

O fundo anunciou o fim do período de exercício do direito de preferência de sua 6ª emissão de cotas. Foram subscritas apenas 33,8 mil cotas, equivalente a cerca de R$ 4,4 milhões.

KNSC11: Kinea Securities

O fundo investiu R$ 67,3 milhões em cinco novas operações de CRI durante o mês, a uma taxa média de IPCA + 10,29% ao ano. As alocações foram concentradas em estruturas de home equity originadas pelas plataformas Creditas, Galleria e Crediblue.

Os principais aportes ocorreram nos CRIs Creditas 151 Sênior A e B (R$ 29,7 milhões) e Galleria 125 Sênior e Mezanino (R$ 33,7 milhões). As operações contam com garantias de alienação fiduciária, subordinação e apresentam baixo LTV, reforçando o perfil defensivo da carteira.

PMLL11: Patria Malls

O fundo concluiu a aquisição da totalidade das cotas do RBR Malls, detidas pelo RBR Plus Multiestrategia Real Estate (RBRX11), por aproximadamente R$ 385 milhões. O pagamento foi realizado à vista, por meio de compensação com os valores devidos pelo RBRX11 na subscrição de cotas da 7ª emissão do PMLL11.

Com a operação, o fundo passa a deter participação em três shoppings consolidados de São Paulo: Shopping Eldorado, Plaza Sul Shopping e Shopping Pátio Higienópolis. A gestão estima cap rate ponderado de 7,8% para os rendimentos projetados nos próximos 12 meses.

RINV11: Real Investor

O fundo encerrou sua 6ª emissão de cotas com a subscrição de 1,1 milhão de novas cotas, totalizando aproximadamente R$ 117,9 milhões.

TRXF11: TRX Real Estate

O fundo celebrou proposta vinculante para a venda de um portfólio de 15 imóveis de renda urbana e varejo para o BRC Renda Urbana FII, em transação avaliada em R$ 207,3 milhões. O pagamento será realizado integralmente por meio de cotas de nova emissão do comprador. A operação envolve 11 agências da Caixa Econômica Federal, duas lojas do Extra, um imóvel locado à Dasa e Americanas e um centro comercial em São Luís (MA). Caso concluída, a transação deverá gerar lucro estimado de R$ 31,9 milhões, equivalente a R$ 0,51 por cota, com TIR aproximada de 38,5% ao ano e cap rate médio de 8,13%.

Além disso, o fundo celebrou compromisso para aquisição do imóvel Dynamic Faria Lima, em Pinheiros (SP), atualmente 100% locado ao Ibmec, por R$ 130 milhões. O pagamento será dividido em R$ 65 milhões em caixa, em 6 parcelas mensais, e R$ 65 milhões preferencialmente via subscrição de cotas do TRXF11 pela vendedora. O ativo possui 8,3 mil m² de ABL, contrato típico com vencimento em dez/33, e yield on cost estimado de 10,4% nos próximos 12 meses.

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Ibovespa hoje: Brasil vai ficar ‘para trás’ enquanto mercados globais respiram com acordo entre EUA e Irã? Veja destaques

O alívio geopolítico proporcionado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã favoreceu os ativos globais e pressionou os preços do petróleo, mas esse movimento não se refletiu integralmente no mercado brasileiro. A bolsa permaneceu sob pressão e o fluxo de capital estrangeiro segue negativo, em meio à deterioração dos fundamentos.

Na Ásia, o desempenho foi misto: o mercado japonês avançou após o Banco do Japão elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível em mais de três décadas, consolidando a transição para uma política monetária menos expansionista. China e Hong Kong, por outro lado, recuaram depois que os dados de maio evidenciaram fraqueza no consumo, no investimento e no setor imobiliário.

Na Europa, as bolsas mantiveram o tom positivo, apoiadas pela queda do petróleo, pela expectativa de formalização do acordo e por indicadores econômicos mais favoráveis na Alemanha.

· 00:57 — Não estamos no melhor dos ambientes, apesar da melhora externa

Ontem, o Ibovespa recuou 0,42%, aos 170.415 pontos, pressionado pela Petrobras e por outras empresas do setor de petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã provocar uma forte queda da commodity. Com isso, o índice destoou das bolsas de Nova York, que avançaram em meio à redução dos riscos inflacionários globais, enquanto o dólar encerrou o pregão próximo da estabilidade, cotado a R$ 5,06.

Como a pressão esteve concentrada em um setor com peso relevante na composição do índice, o desempenho das ações foi bastante heterogêneo. Apesar do alívio externo, o mercado local continua pressionado pela saída de capital estrangeiro e pela abertura da curva de juros, movimento que levou o múltiplo do Ibovespa ao menor nível desde agosto de 2025.

O acordo reforçou a expectativa de que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, mas não altera a percepção de que o ciclo deverá ser interrompido diante da desancoragem das expectativas. A pesquisa Focus mostrou nova deterioração do cenário, com elevação das projeções para inflação e juros e revisão para baixo do crescimento de 2027: a estimativa para a Selic no fim de 2026 subiu para 13,75%, enquanto a projeção para o IPCA de 2027 avançou para 4,10%, bem acima da meta de 3%.

Há, contudo, uma aparente inconsistência nesse movimento. Se o mercado já espera que a Selic recue menos, por que as expectativas de inflação e de câmbio continuam piorando? Essa combinação parece incorporar, ainda que implicitamente, o risco de perda de credibilidade da autoridade monetária. Isso é grave. Por isso, a atenção deve se concentrar na comunicação do Copom, que tende a adotar um tom mais cauteloso para tentar reancorar as expectativas e reconhecer que o espaço para novos cortes se tornou bastante estreito.

· 01:48 — Trump prioriza legado e controle do partido antes das eleições de 2026

Donald Trump demonstra uma preocupação menor do que o esperado com as eleições de meio de mandato de 2026, apesar de ainda estar naturalmente atento a elas, em parte porque governa sobretudo por meio de ações executivas e já conseguiu aprovar no Congresso suas principais prioridades legislativas, entre elas a “Big Beautiful Bill” e um novo pacote de US$ 70 bilhões destinado à política migratória.

No fim do dia, o presidente americano parece priorizar a consolidação de seu domínio sobre o Partido Republicano e a construção de seu legado, mesmo quando o apoio a candidatos mais arriscados pode reduzir as chances eleitorais da própria legenda.

Embora Trump continue exercendo influência decisiva sobre as campanhas republicanas, graças à força que mantém entre os eleitores do partido, uma eventual perda do controle do Congresso parece ter menos peso em sua estratégia do que teria para um presidente convencional.

Ao mesmo tempo, senadores republicanos que deixarão seus cargos, como Bill Cassidy, John Cornyn e Thom Tillis, podem adotar posições mais independentes, já que não precisam mais preservar capital político para disputar um novo mandato, abrindo espaço para eventuais rupturas dentro do partido.

· 02:35 — BoJ eleva juros, mas sinaliza cautela nos próximos passos

O mercado japonês atingiu novas máximas após o Banco do Japão elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível desde 1995. A decisão, aprovada por sete votos a um, refletiu a persistência da inflação, a fraqueza do iene e o impacto dos custos de energia sobre os preços domésticos. Embora o acordo entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido parte da pressão sobre o petróleo, a energia ainda permanece cara para os padrões japoneses, enquanto a desvalorização cambial encarece as importações.

Como comentei ontem, o legado da crise já está aqui conosco. O BoJ indicou que continuará retirando gradualmente os estímulos, mas a mudança no comunicado sugere que a política monetária já se encontra mais próxima de uma condição neutra, reduzindo o espaço para elevações muito mais agressivas dos juros.

O banco central também confirmou a redução gradual das compras de títulos públicos até abril de 2027, processo conhecido como aperto quantitativo, mas ressaltou que poderá ampliar novamente essas aquisições caso os juros de longo prazo subam de forma desordenada. A comunicação preservou a possibilidade de novas altas, ainda que sem transmitir urgência, e reforçou que o câmbio continuará sendo acompanhado de perto por seu impacto sobre a inflação.

A decisão contribuiu para que o Nikkei alcançasse um novo recorde, enquanto as bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan avançaram, impulsionadas pelo setor de semicondutores. Na China e em Hong Kong, por outro lado, o desempenho foi mais fraco, diante da desaceleração do consumo, da persistência das incertezas econômicas e da queda das ações de tecnologia.

· 03:26 — Aguardando as próximas etapas

Como conversamos ontem, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã deve ser formalizado na sexta-feira, em Genebra, estabelecendo uma trégua inicial de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O entendimento procura resolver, em grande medida, problemas que surgiram após Donald Trump abandonar o acordo nuclear de 2015, entre eles o avanço do estoque iraniano de urânio enriquecido e o fechamento de Ormuz durante a guerra.

Ao mesmo tempo, o novo memorando parece exigir concessões mais amplas em troca de um acordo nuclear potencialmente mais limitado, reforçando a percepção de que o Irã descobriu sua capacidade de pressionar a economia global por meio do controle de uma rota essencial para o comércio.

A confirmação do acordo reduziu os prêmios de risco e levou o Brent a US$ 80 por barril. O mercado passou a tratar a reabertura de Ormuz como cenário-base, embora a normalização deva ocorrer de forma gradual, condicionada às operações de desminagem da região, à segurança operacional da rota e à recuperação da confiança dos armadores. Também persistem dúvidas sobre sanções, possíveis taxas de navegação, ativos iranianos e os termos da agenda nuclear.

Assim, embora se projete no mercado uma acomodação adicional dos preços do petróleo, muitos consideram improvável um retorno rápido a patamares inferiores a US$ 70. A sustentação do otimismo dependerá, portanto, da capacidade de Washington e Teerã de avançar nas negociações e impedir que tensões paralelas comprometam a trégua.

· 04:12 — O que está rolando no G7?

A cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains sob a liderança de Emmanuel Macron, reúne uma agenda marcada por tensões diplomáticas, segurança internacional e comércio. O presidente francês busca reduzir divergências entre os membros, embora persistam atritos com os Estados Unidos em temas como mudanças climáticas, OTAN e Groenlândia. A guerra na Ucrânia divide as atenções com o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump demonstrou otimismo após conversas com Vladimir Putin e Volodymyr Zelenskyy, enquanto líderes europeus devem pressioná-lo a manter o apoio a Kiev. No Oriente Médio, os europeus adotam maior cautela quanto ao cronograma de normalização de Ormuz e defendem operações de vigilância, segurança marítima e desminagem.

O encontro também evidenciou divergências econômicas entre os aliados. A proposta americana de criar um bloco de minerais críticos, baseado em preços mínimos, subsídios e compras garantidas para reduzir a dependência da China, enfrenta resistência por dúvidas sobre custos, governança e critérios de precificação.

À margem da cúpula, Lula e Macron discutiram cooperação em defesa, projetos entre o Amapá e a Guiana Francesa, tecnologia e apoio francês à aquisição de supercomputadores. As novas barreiras comerciais dos Estados Unidos também entraram na pauta, pois, segundo a CNI, podem elevar para 37,5% as tarifas sobre mais de 30% das exportações brasileiras ao mercado americano, afetando setores como ferro gusa, açúcar, etanol e derivados de madeira.

· 05:04 — Majorana 2: o salto quântico da Microsoft rumo a 2029

Na Microsoft Build, a Microsoft apresentou o Majorana 2 e antecipou para 2029 sua meta de desenvolver um computador quântico escalável, reduzindo pela metade o prazo anteriormente considerado internamente. O novo chip representa uma evolução do Majorana 1, lançado em 2025, e segue baseado em qubits topológicos, uma arquitetura desenhada para proteger melhor a informação quântica contra interferências.

A principal mudança está na substituição do alumínio por chumbo, material que melhora o isolamento externo e amplia de forma expressiva a estabilidade dos qubits: enquanto no Majorana 1 a vida útil variava entre 1 e 12 milissegundos, no Majorana 2 a média supera 20 segundos, com casos acima de um minuto. Esse avanço reduz a necessidade de correção de erros, melhora a precisão dos cálculos e pode diminuir os custos computacionais associados ao desenvolvimento de sistemas quânticos comercialmente viáveis.

Um ponto relevante é que parte do avanço foi acelerada pelo uso de inteligência artificial na simulação de materiais, encurtando processos de pesquisa que tradicionalmente levariam semanas ou meses. Para além do ganho tecnológico da própria Microsoft, o Majorana 2 reforça o potencial da computação quântica em áreas como desenvolvimento de medicamentos, novos materiais, logística e aplicações financeiras, especialmente se combinado à inteligência artificial.

Assim, embora a tese da companhia siga ancorada em Azure, produtividade com Copilot e monetização de IA, o Majorana 2 acrescenta uma nova vertical de inovação de longo prazo, com potencial para ampliar o posicionamento estratégico da Microsoft na próxima década.

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Ibovespa abre semana de Copom reagindo a acordo EUA-Irã, mas o estrago já está feito; o que esperar do mercado nesta segunda-feira?

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça. O entendimento, mediado pelo Paquistão, foi confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas.

O acordo prevê a remoção do bloqueio naval americano, a reabertura gradual da principal rota energética do Oriente Médio e o compromisso de cessação das operações militares, inclusive no Líbano. Apesar do alívio, pontos sensíveis ainda permanecem em aberto: o texto completo não foi divulgado, a extensão dos danos à infraestrutura petrolífera segue incerta, a retomada da navegação pode ocorrer gradualmente e ainda veremos novos focos de tensão.

A reação dos mercados foi positiva, com alta das bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, queda do petróleo, recuo do dólar e recuperação dos ativos de risco, refletindo a redução do temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.

O acordo também devolve protagonismo aos bancos centrais em uma semana marcada pela reunião do Federal Reserve, a primeira sob o comando de Kevin Warsh, além das decisões do Banco do Japão e do Banco da Inglaterra, e pela cúpula do G7 na França, com a participação de Trump e Lula. Ainda assim, o alívio geopolítico não elimina os desafios inflacionários.

Christine Lagarde alertou que os preços elevados de energia já começam a se transmitir para outras partes da economia europeia, enquanto investidores seguem atentos ao risco de efeitos secundários sobre salários, inflação subjacente e política monetária. Em suma, o acordo reduz um importante risco energético global, mas o estrago da crise que vivemos já foi feito.

· 00:51 — Alívio para quem?

No Brasil, o alívio externo trazido pelo acordo entre Estados Unidos e Irã ajuda a reduzir um importante risco inflacionário global, especialmente ao aliviar as pressões sobre o petróleo e abrir espaço para alguma queda dos prêmios de risco na curva de juros e nos ativos domésticos. Ainda assim, esse alívio chega em um momento delicado para o Copom.

O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas ficou acima do esperado, com a surpresa concentrada principalmente em preços administrados, em razão de uma deflação menos intensa da gasolina, e em alimentos. A composição qualitativa trouxe algum alívio nos serviços subjacentes, mas os núcleos seguem em patamar desconfortável. Nesse contexto, as projeções permanecem pressionadas, com inflação esperada de 5,3% neste ano e 4,1% em 2027, ambas com viés altista.

Diante desse quadro, a decisão do Copom ganha relevância especial. O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual, embora eu ainda acredite que ele vá cortar. O comunicado será importante para calibrar as expectativas, já que o alívio externo melhora o ambiente, mas não resolve os problemas domésticos relacionados à inflação resistente, às expectativas deterioradas e à atividade ainda resiliente.

Além da decisão de juros, a semana também traz dados relevantes, as vendas no varejo de abril (amanhã) e o IBC-Br (quarta-feira). No campo político-institucional, investidores acompanharão a pauta do Senado, com temas como a PEC da segurança, minerais críticos e a PEC da escala 6×1. Em suma, o acordo externo ajuda, mas o cenário local ainda exige cautela.

· 01:43 — Fim das hostilidades

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça.

O entendimento, mediado pelo Paquistão e confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas, prevê o fim dos bloqueios na região, a retomada gradual do fluxo de petróleo, algum alívio nas sanções ligadas às exportações iranianas e o compromisso de ambas as partes de não realizar novos ataques. A reabertura plena do estreito, contudo, só deve ocorrer após a assinatura do acordo e a conclusão das operações de remoção de minas, o que pode levar algum tempo (até dois meses).

Seja como for, a reação dos mercados foi fortemente positiva, com valorização dos ativos de risco, queda do dólar e recuo expressivo do petróleo, refletindo o alívio diante da possibilidade de normalização de uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Ainda assim, o acordo exige cautela. O texto completo não foi divulgado, pontos centrais permanecem indefinidos, como o futuro do programa nuclear iraniano e os incentivos econômicos a Teerã, e já existem divergências nas interpretações iniciais de cada lado.

Além disso, Israel ficou fora das negociações e continua sendo visto como uma possível fonte de instabilidade para a consolidação da trégua. Em suma, o avanço diplomático reduz de maneira relevante o risco de um choque energético global, mas a implementação prática do acordo será decisiva para determinar se o alívio observado nos mercados terá sustentação.

· 02:34 — Uma chegada difícil

A chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve ocorre em um ambiente muito menos confortável do que se imaginava. Assim como outros presidentes do Fed herdaram choques inesperados, de Alan Greenspan, com a Segunda-Feira Negra, a Ben Bernanke, com a bolha imobiliária, Warsh assume o comando em meio a uma nova rodada de riscos inflacionários, impulsionada pela guerra, pelos preços de energia, pelas tarifas e por uma economia americana ainda resiliente.

Embora Donald Trump tenha uma preferência clara por juros mais baixos, as condições que permitiram a Jay Powell iniciar um ciclo de afrouxamento monetário parecem ter desaparecido. A combinação entre inflação persistente e mercado de trabalho mais firme elevou as expectativas de inflação e reduziu a margem para cortes rápidos, levando o mercado a esperar uma postura mais cautelosa do novo comando do Fed.

Ainda assim, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, caso seja confirmado e implementado, melhora o pano de fundo para a política monetária ao reduzir o risco de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz e de uma nova disparada do petróleo. Isso não deve alterar a decisão imediata do Fed, que deve manter os juros inalterados em junho, mas ajuda a remover uma fonte relevante de incerteza para os próximos meses.

O mercado acompanhará com atenção o tom da primeira reunião sob Warsh, especialmente o gráfico de pontos, que mostra as projeções dos dirigentes para a trajetória dos juros, e a sinalização sobre possíveis cortes ainda neste ano.

· 03:27 — Trilionário

Elon Musk entrou em uma categoria inédita de riqueza ao se tornar o primeiro trilionário do mundo, impulsionado pela forte valorização de uma de suas companhias na estreia em bolsa. Segundo as estimativas citadas, sua fortuna chegou a cerca de US$ 1,1 trilhão, após um ganho de aproximadamente US$ 274 bilhões em apenas uma semana e de US$ 351 bilhões no acumulado do ano.

Com isso, Musk passou a figurar em um patamar muito acima dos demais bilionários globais, tornando-se mais de três vezes mais rico que Larry Page, quase quatro vezes mais rico que Jeff Bezos e cerca de dez vezes mais rico que Bill Gates. Embora grande parte desse patrimônio esteja concentrada em participações acionárias e, portanto, sujeita à volatilidade do mercado, o episódio reforça o tamanho da influência de Musk sobre tecnologia, mercados e formação de riqueza no capitalismo contemporâneo.

· 04:17 — Acesso suspenso

A Anthropic suspendeu o acesso aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, incluindo Mythos 5 e Fable 5, após uma ordem inédita do governo Trump para impedir que a tecnologia fosse acessada por cidadãos estrangeiros. A medida gerou forte preocupação no setor, tanto por seu caráter excepcional quanto pelas possíveis implicações constitucionais, comerciais e operacionais.

A Casa Branca teria dado à empresa um prazo de apenas 90 minutos para retirar os modelos do ar; diante do não cumprimento, impôs controles de exportação que forçaram a suspensão. A Anthropic classificou a resposta como desproporcional e alertou que uma abordagem semelhante poderia comprometer novas implementações de modelos avançados.

O episódio também expôs a crescente tensão entre segurança nacional, liderança tecnológica e concentração do mercado de IA. A decisão ocorreu justamente em um momento em que grandes startups do setor, incluindo a própria Anthropic, avaliada em mais de US$ 900 bilhões, se preparam para acessar o mercado de capitais.

A discussão ganhou ainda mais relevância após relatos de que Andy Jassy, CEO da Amazon, teria levantado preocupações sobre a possibilidade de o modelo Fable ser “desbloqueado” e usado sem restrições, embora a Anthropic tenha afirmado que nenhum testador encontrou uma forma universal de contornar suas proteções.

· 05:02 — Avanços importantes, mas ainda à espera de confirmação

As notícias recentes envolvendo Raízen e Rumo sugerem avanços importantes na agenda de simplificação da Cosan, ainda que o processo continue exigindo acompanhamento. Na Rumo, a possível venda de uma participação minoritária aparece em um momento operacional mais favorável, com melhora de volumes e resultados, e pode representar uma fonte adicional de liquidez para a holding.

Na Raízen, os movimentos foram mais concretos: a venda da operação de refino e distribuição na Argentina por US$ 1,4 bilhão deve gerar entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão de caixa líquido, além de retirar dívidas associadas ao ativo do balanço consolidado. Em paralelo, a companhia deve avançar em uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 66 bilhões em dívidas, com conversão relevante de dívida em ações e aporte de cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta.

Embora a operação possa reduzir de forma significativa a participação da Cosan na Raízen, o ponto central é que a subsidiária tende a sair desse processo com uma estrutura de capital mais saudável, menor despesa financeira e melhores condições para focar na recuperação operacional. Em nossa visão, os movimentos caminham na direção correta, pois ajudam a reduzir incertezas, fortalecem o balanço das subsidiárias e diminuem o risco de novos aportes relevantes por parte da holding.

Ainda há etapas importantes a serem confirmadas, e o cenário macroeconômico segue pesando sobre as ações, mas a combinação entre venda de ativos, reforço de liquidez, redução de despesas, IPO da Compass e avanço na reestruturação da Raízen indica que a Cosan começa a construir um ambiente mais favorável do que aquele observado nos últimos meses.

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Pela trigésima-nona vez, ‘dessa vez é diferente’: e como ficam as criptomoedas?

O cenário macro pouco mudou desde nossa última edição. O Bitcoin segue em lateralização, testando a faixa dos US$ 60 mil, região técnica mais importante deste ciclo, defendida em fevereiro e novamente colocada à prova agora. 

No curtíssimo prazo, a queda foi aliviada por dois fatores: um CPI americano marginalmente melhor do que o esperado no núcleo, que reduziu parte da pressão imediata sobre os juros, e uma nova declaração de Donald Trump de que um acordo de paz com o Irã estaria próximo, reacendendo a expectativa de normalização gradual do Estreito de Ormuz e derrubando o petróleo. 

Mas o alívio ainda é frágil. Segundo levantamento da CNN, esta foi a 39ª vez que Trump afirmou que um acordo estaria próximo desde o início do conflito e, até aqui, nenhuma das promessas anteriores se concretizou. Ao mesmo tempo, a inflação segue acima da meta do Fed, enquanto o Banco Central Europeu elevou juros nesta semana pela primeira vez desde 2023. 

Nesta edição, explicamos por que esse conjunto ajuda a sustentar o Bitcoin acima dos US$ 60 mil no curto prazo, mas ainda não basta para falar em virada de tendência — e o que fazer com o portfólio nesse meio-tempo. 

Macro: alívio no petróleo, mas inflação ainda resistente 

No curtíssimo prazo, o principal alívio para os mercados veio do petróleo. O brent, principal referência internacional da commodity, voltou a recuar e segue formando fundos mais baixos. Esse movimento sugere que o mercado continua retirando parte do prêmio geopolítico incorporado desde a escalada no Oriente Médio. 

A leitura por trás desse ajuste é simples. Apesar dos percalços e da ausência de um acordo formal, o cenário-base ainda parece ser o de uma resolução gradual do conflito. A expectativa de normalização do Estreito de Ormuz reduz o risco de um choque prolongado de energia, o que ajuda a aliviar as expectativas de inflação e, por consequência, parte da pressão sobre os juros. 

Isso não elimina o risco geopolítico nem muda, sozinho, o pano de fundo macroeconômico. Mas ajuda a explicar por que os ativos de risco ganharam fôlego nos últimos dias — e por que o Bitcoin conseguiu, ao menos por ora, defender a região dos US$ 60 mil. 

Petróleo Brent — formação de fundos mais baixos 

Fonte: TradingView

Ainda assim, o quadro inflacionário segue desconfortável. O CPI americano de maio veio marginalmente melhor no núcleo, medida que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia. Mas a composição do dado ainda não foi suficiente para alterar a leitura de médio prazo. Componentes mais persistentes, como moradia e serviços médicos, seguem pressionados, enquanto o índice cheio permanece distante da meta de 2% do Federal Reserve

Um dado isolado ajuda a reduzir a pressão imediata sobre os juros, mas não resolve o problema. Enquanto a inflação continuar persistente, o mercado seguirá convivendo com a expectativa de juros altos por mais tempo e, no limite, com a discussão sobre novas altas. 

Essa dinâmica não está restrita aos Estados Unidos. Nesta semana, o Banco Central Europeu elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito para 2,25% — a primeira alta desde 2023. O movimento refletiu a combinação de inflação ainda acima da meta, energia pressionada e risco de contaminação para componentes mais persistentes da economia. 

Em resumo, o alívio recente melhora o ambiente de curto prazo, mas ainda não muda o quadro principal. Liquidez global segue pressionada, e ainda há pouca visibilidade sobre quando as condições financeiras voltarão a melhorar de forma consistente. Para o Bitcoin e, por consequência, para o mercado cripto, esse segue sendo um dos fatores centrais a monitorar.

O que isso significa para o Bitcoin (BTC)?

Para o Bitcoin, a mensagem principal é que ainda há espaço para repiques, mas não há confirmação de uma nova tendência de alta

O ativo segue negociando em uma região decisiva. A faixa dos US$ 60 mil tem funcionado como ponto de defesa relevante e conversa com o antigo topo do ciclo de 2021, uma referência técnica importante para o mercado. Enquanto esse nível for preservado, o cenário mais provável continua sendo de lateralização, com movimentos alternados de recuperação e realização. 

É por isso que nossos modelos seguem apontando para um regime de reversão à média. Em vez de uma tendência clara, o Bitcoin ainda opera dentro de uma faixa ampla de preços. Nesses momentos, o risco não está apenas em cair, mas também em comprar repiques como se fossem o início de uma nova pernada de alta. 

Caso os US$ 60 mil sejam perdidos, o próximo suporte relevante aparece próximo dos US$ 50 mil. Com as informações disponíveis hoje, essa faixa aparece como uma candidata natural a marcar uma região de fundo caso a correção se aprofunde. 

Por isso, a postura recomendada segue sendo de cautela. Faz sentido manter caixa, reduzir exposição a ativos mais voláteis e concentrar a parte cripto da carteira em nomes de maior qualidade e liquidez, com o Bitcoin ocupando papel central. 

Para o investidor de longo prazo, porém, a região atual já começa a oferecer uma janela interessante para compras fracionadas. O Bitcoin foi um dos melhores ativos da última década e, para quem acredita no crescimento estrutural dos ativos digitais, momentos de estresse como o atual podem abrir boas oportunidades de entrada gradual. 

Para quem busca exposição a esse mercado, a carteira Crypto Momentum tem se mostrado, até o momento, uma opção ainda mais interessante que o próprio Bitcoin. A estratégia é tão simples quanto comprar BTC, mas conta com gestão ativa de risco e seleção criteriosa de ativos. Desde o lançamento, tem superado com consistência o Bitcoin. 

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Regulação: tão perto, mas tão longe 

No front regulatório, a semana trouxe um capítulo frustrante para o projeto mais importante do setor nos Estados Unidos. 

Clarity Act — legislação que moderniza a estrutura regulatória de ativos digitais americana, cobrindo stablecoins, estrutura de mercado e tributação — travou em mais um impasse, dessa vez ético. Um grupo bipartidário tentou incluir no texto uma provisão que permitiria os procuradores-gerais estaduais processarem o Departamento de Justiça caso esse não aplicasse normas éticas relacionadas aos negócios cripto do próprio presidente Trump, estimados em US$ 2,3 bilhões

Os republicanos recuaram de imediato, alegando que a medida seria constitucionalmente problemática, e a reunião de negociação terminou sem acordo. 

O relógio corre contra o setor. Restam apenas 31 dias de sessão legislativa antes do recesso de agosto, prazo informal que o próprio mercado usa como referência. Se o projeto não avançar até lá, corre o risco de ser engolido pela agenda do segundo semestre, tipicamente dominada por disputas orçamentárias. 

O projeto segue bipartidário no espírito e tecnicamente avançado, tão perto quanto nunca esteve. Mas a política cripto nos EUA é inseparável da política americana em geral, e o desfecho das próximas semanas será decisivo. Hoje, os mercados de previsão atribuem 49% de chance para o Clarity Act ser sancionado ainda em 2026. Na prática, a probabilidade de aprovação se aproxima do resultado de jogar uma moeda para cima. 

Fonte: Polymarket

Diante dos impasses recentes e a corrida contra o tempo, nosso viés passa a ser neutro/pessimista. A legislação ainda pode avançar, mas o equilíbrio de probabilidades já não permite tratar a aprovação neste ano como cenário-base, o que reforça o momento de cautela.

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Dividendos: Suzano (SUBZ3) e outras 7 ações da bolsa pagam proventos de até R$ 7,90 por ação nesta semana; veja agenda

Nesta semana que se inicia, 8 ações listadas na bolsa brasileira têm dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) agendados para cair na conta de seus acionistas. Para que você fique ligado, preparamos um calendário completo com valores previstos por ação, além da ordem de pagamentos por data.

Porém, vale lembrar que investidores devem estar atentos a dois pontos:

  • “Data com” (data de corte): somente investidores que detinham posição nas ações até as datas informadas na tabela estão aptos a receber os pagamentos.
  • Tributação: JCPs estão sujeitos ao Imposto de Renda retido na fonte, à alíquota de 15%. Já os dividendos são tributados em 10% na fonte, isso quando ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.

Agenda de dividendos: 15 a 19 de junho

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por açãoData de pagamentoData de corte
HabitasulHBTS3Dividendo1,83315/06/202624/04/2026
HabitasulHBTS5Dividendo2,01615/06/202624/04/2026
SimparSIMH3Dividendo0,17115/06/202603/06/2026
SuzanoSUZB3Dividendo0,00315/06/202629/04/2026
TaurusTASA3Dividendo0,00315/06/202629/04/2026
TaurusTASA4Dividendo0,00315/06/202629/04/2026
TPI TriunfoTPIS3Dividendo0,54815/06/202630/12/2025
Vitru BrasilVTRU3Dividendo0,02518/06/202630/04/2026
Banco da AmazôniaBAZA3Dividendo3,99519/06/202609/06/2026
Banco da AmazôniaBAZA3JCP7,94719/06/202609/06/2026
WLM ParticipaçõesWLMM3JCP0,26019/06/202610/06/2026
WLM ParticipaçõesWLMM4JCP0,28619/06/202610/06/2026

Quais as melhores ações para buscar dividendos? Conheça as principais recomendações do momento no Empiricus+

O fato de uma empresa distribuir dividendos recorrentes aos seus acionistas não indica, necessariamente, que ela esteja entre as melhores pagadoras de dividendos da bolsa.

E se você deseja conhecer, de fato, as ações mais promissoras para quem busca bons dividendos na conta, o Empiricus+ veio para te ajudar.

O Empiricus+ é o mais novo serviço de assinatura “streaming“, pelo qual você pode acessar as principais séries da casa.

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Energia nuclear: por que a transição energética vai precisar dela? Confira a resposta no Empiricus Podca$t deste sábado (13)

A energia nuclear não é um tema tão frequentemente discutido entre os brasileiros. A depender do contexto, o assunto pode ser até um pouco estigmatizado. Porém, essa discussão voltou ao radar global, em tempos de guerra no Oriente Médio.

Com os conflitos entre EUA e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, o mundo ficou exposto a uma vulnerabilidade: sua grande dependência dos insumos de energia gerados e exportados pela região.

Enquanto isso, a demanda global por eletricidade não para de crescer, principalmente com o avanço da inteligência artificial e dos veículos elétricos. Para atender essa alta demanda em um mundo conflituoso, a energia nuclear voltou a ser mencionada como uma alternativa viável.

Mas por que energia nuclear, especificamente? E o mais importante: o que isso significa para o investidor brasileiro, que já está mais acostumado com outras teses de energia, como o petróleo?

Esse é o tema do Empiricus Podca$t deste sábado (13), que já está no ar. Assista na íntegra:

Os três fatores que justificam o retorno energia nuclear ao radar global

Segundo Jean Miranda, analista de commodities do BTG Pactual, o mercado de energia nuclear vinha “relativamente estagnado” nas últimas três décadas. O resgate de sua relevância se dá por “três ondas de longo prazo e duração” que “tendem a impactar o mercado positivamente”:

  • Alta demanda por energia em meio à corrida pela IA;
  • Transição energética;
  • Segurança energética em um cenário geopolítico estressado.

Tratando-se de inteligência artificial (IA), os analistas reforçam que “a IA precisa de energia limpa”, mas a energia eólica, por exemplo, é intermitente demais para atender a demanda com maior eficiência.

Já no âmbito geopolítico, em um mundo conflituoso, com a oferta de petróleo posta em xeque, “segurança energética se torna o eixo estratégico mais relevante”, segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, que conclui:

 “O mundo, por muito tempo, buscou eficiência, mas hoje está se reorganizando em torno de segurança. Alimentar, cibernética e energética”.

Energia nuclear também é parte essencial da transição para energia ‘verde’

“A energia nuclear é uma energia verde. Não é sustentável, por causa do urânio, mas é verde”, afirma Spiess. “Se você quiser migrar sua matriz econômica para energias verdes, vai precisar dela”.

Para o analista, a energia nuclear está no “mote de diversificação energética” global, e não pode ser ignorada. “É fundamental que você tenha mecanismos de farta geração de energia. Faz parte da corrida pela inteligência artificial. Ela entra justamente nessa dinâmica”.

Como o brasileiro pode se expor a uma tese aparentemente ‘distante’ do nosso mercado?

“Parece distante, mas há maneiras fáceis de aplicar esse dinheiro nessa temática”, afirma Spiess, que indica a facilidade de acesso ao mercado global atualmente.

É possível encontrar investimentos temáticos ligados ao urânio, principal matéria-prima da energia nuclear, por meio de contas internacionais disponibilizadas por bancos e corretoras brasileiras. Eventualmente, para os analistas, é um tema do qual o investidor não poderá fugir.

“Quando olhamos no longuíssimo prazo, é um assunto que o mundo não pode contornar. Vamos continuar vendo esses investimentos de forma crescente”, afirma Jean Miranda.

Para acompanhar a conversa na íntegra, e conhecer as recomendações de investimento dos analistas dentro do tema, clique no vídeo abaixo:

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Ibovespa hoje: Trump cancela ataques ao Irã, IPCA de maio e mais destaques desta sexta (12)

Os mercados globais iniciam a sexta-feira (12) em tom mais favorável, após Donald Trump anunciar o cancelamento de novos ataques contra o Irã e sinalizar avanços relevantes nas negociações para um possível acordo de paz. Embora ainda existam dúvidas sobre a adesão definitiva de Teerã, relatos indicam que as conversas avançaram de forma significativa, incluindo propostas para a reabertura do Estreito de Ormuz, alívio de sanções e redução das tensões na região.

Vale lembrar que, apesar da animação, estamos na trigésima-nona vez que a Casa Branca promete estar perto de algum entendimento (não é hipérbole). Ainda assim, a possibilidade de uma solução diplomática impulsionou os ativos de risco ao redor do mundo, favorecendo bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que provocou uma queda expressiva do petróleo.

O Brent recuou para a região de US$ 87 por barril, refletindo a expectativa de normalização gradual do fluxo global de energia. No campo macroeconômico, as atenções continuam concentradas na inflação e na política monetária. No Brasil, o foco do mercado se volta para a divulgação do IPCA de maio.  

· 00:53 — Problema inflacionário 

O mercado brasileiro acompanhou a melhora do humor global e registrou uma forte recuperação na quinta-feira (11). O Ibovespa avançou 1,71%, encerrando o pregão aos 171.497 pontos, recuperando parte das perdas recentes e alcançando o maior nível de fechamento desde o início de junho.

O dólar, por sua vez, recuou 1,37%, para R$ 5,10, refletindo o aumento do apetite por risco após Donald Trump sinalizar a possibilidade de um acordo de paz no Oriente Médio. No entanto, o foco dos investidores rapidamente migrou para a divulgação do IPCA de maio, que acabou trazendo um sinal menos favorável do que o esperado. Embora a inflação tenha desacelerado na margem, passando de 0,67% em abril para 0,58% em maio, o resultado ficou acima da mediana das projeções de mercado, que apontava para alta de 0,53%. 

A composição do dado também reforçou a necessidade de cautela. Em 12 meses, a inflação acelerou de 4,39% para 4,72%, voltando a superar o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O resultado sugere que, embora parte das pressões recentes possa estar associada a fatores temporários, a dinâmica inflacionária continua incompatível com um cenário confortável para a condução da política monetária.

Dessa forma, mesmo após a melhora observada nos ativos de risco e da recente reprecificação das expectativas em direção a um possível corte da Selic, permanece elevada a incerteza sobre o espaço para uma flexibilização dos juros no curto prazo, especialmente diante da persistência das pressões inflacionárias subjacentes. 

No campo fiscal, as preocupações seguem presentes. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento estimaram que nove propostas atualmente em tramitação no Congresso podem gerar impacto fiscal de aproximadamente R$ 111 bilhões por ano. Entre elas, destacam-se iniciativas relacionadas à renegociação de dívidas rurais, ampliação de programas de crédito subsidiado e outras medidas de estímulo econômico.

Paralelamente, cresce a discussão sobre a necessidade de aperfeiçoamentos no arcabouço fiscal, especialmente na gestão das receitas provenientes do petróleo, com propostas inspiradas em modelos adotados por países como Noruega e Chile. Em um ambiente caracterizado por dívida pública elevada, juros altos e crescimento moderado, a combinação entre inflação resiliente e incertezas fiscais continua figurando entre os principais fatores de atenção para os mercados brasileiros. 

· 01:46 — A pressão sobre os preços continua 

Como comentei ontem, a inflação ao produtor nos Estados Unidos voltou a surpreender negativamente em maio. O índice de preços ao produtor avançou 1,06% na comparação mensal, superando a expectativa de alta de 0,7% e elevando a variação acumulada em 12 meses para 6,5%, o maior patamar desde o final de 2022.

Embora a energia continue desempenhando papel relevante nesse movimento, as pressões inflacionárias passaram a se espalhar por outros segmentos da economia, com destaque para os setores de serviços financeiros e saúde.

Diante desse cenário, o mercado tem revisado para cima as projeções para o núcleo do PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, reforçando a percepção de que o processo de convergência da inflação para a meta permanece mais lento e desafiador do que o esperado. Ainda que haja baixa probabilidade a novas altas imediatas de juros, cresce a avaliação de que o Banco Central americano precisará manter uma postura restritiva por um período mais prolongado. 

Apesar do pano de fundo inflacionário menos favorável, os mercados reagiram positivamente após Donald Trump sinalizar avanços nas negociações com o Irã e anunciar o cancelamento de novos ataques militares à região. O alívio geopolítico impulsionou os principais índices acionários americanos, com destaque para o Nasdaq, que avançou 2,5%, enquanto o Dow Jones e o S&P 500 registraram altas de 1,9% e 1,8%, respectivamente.

Ainda assim, o estrago já foi feito. A combinação entre inflação persistente, juros potencialmente elevados por mais tempo e sinais de enfraquecimento gradual do consumidor americano continua exigindo cautela. Os investidores seguem atentos aos próximos indicadores econômicos, especialmente aqueles relacionados à inflação e à confiança das famílias, em um ambiente no qual o risco de convivência entre pressões inflacionárias, condições financeiras mais apertadas e desaceleração da atividade permanece presente, mesmo que ainda não configure o cenário-base para a economia americana. 

· 02:32 — 39 vezes 

A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a produzir sinais contraditórios, evidenciando a complexidade e a fragilidade do atual processo de negociação. Após afirmar que lançaria uma nova rodada de ataques contra Teerã, Donald Trump anunciou posteriormente a suspensão das operações militares, alegando avanços relevantes nas discussões de um acordo que poderia levar à reabertura do Estreito de Ormuz e à redução das hostilidades na região.

Segundo o presidente americano, os documentos estariam em fase final de elaboração e poderiam ser assinados nos próximos dias. Foi a trigésima-nona vez que o presidente americano disse estar perto de um acordo. Do lado iraniano, porém, autoridades afirmaram que nenhum entendimento foi concluído até o momento, embora relatos da imprensa indiquem a existência de uma minuta em negociação que contempla um cessar-fogo permanente, a reabertura do estreito, o alívio de sanções e um amplo programa de reconstrução.

Enquanto isso, episódios militares continuam ocorrendo na região, incluindo a interceptação de drones iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz, reforçando que a situação permanece instável e sujeita a novos episódios de escalada. 

Mesmo com a possibilidade de uma solução diplomática ganhando espaço, os impactos econômicos do conflito já se mostram relevantes. O Banco Mundial revisou para baixo suas projeções de crescimento global e passou a estimar uma expansão de apenas 2,5% para a economia mundial em 2026, citando os efeitos da guerra sobre os mercados de energia, o comércio internacional e os custos de importação.

A instituição também alertou que, caso as interrupções no fornecimento de energia se tornem mais severas e sejam acompanhadas por um ambiente de maior estresse financeiro, o crescimento global poderia desacelerar para apenas 1,3%. O episódio reforça a percepção de que o conflito já ultrapassou a dimensão regional e passou a representar um importante choque de oferta para a economia global, com potencial para pressionar não apenas os preços de energia, mas também a inflação e, eventualmente, os custos dos alimentos caso as tensões se prolonguem. 

· 03:29 — Tentando armazenar 

A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) está abrindo uma nova e relevante frente de crescimento para o setor de armazenamento de energia. Empresas de diferentes segmentos, desde a Ford até fabricantes especializadas como a Fluence Energy, vêm ampliando investimentos em sistemas de baterias de grande escala capazes de armazenar eletricidade para data centers, além de atender às aplicações tradicionais associadas às fontes renováveis.

Esse movimento ganha ainda mais força em um ambiente marcado por tarifas elevadas sobre baterias chinesas e por incentivos à produção doméstica nos Estados Unidos, fatores que estimulam a indústria local e reduzem parte da pressão competitiva exercida pelos fabricantes asiáticos. 

Mais do que uma consequência da transição energética, a crescente demanda por eletricidade gerada pelos data centers dedicados à inteligência artificial passou a se consolidar como um dos principais vetores de expansão do setor. As baterias deixaram de desempenhar apenas o papel de complemento para projetos solares e eólicos e passaram a ocupar uma posição estratégica na armazenagem, no fornecimento de energia de reserva e na estabilização do consumo elétrico.

Segundo estimativas do Morgan Stanley, a capacidade de armazenamento adicionada à rede americana, que alcançou 57 gigawatts-hora no último ano, pode atingir 279 gigawatts-hora até 2030. A magnitude desse crescimento fica evidente no plano da Ford, que pretende investir cerca de US$ 2 bilhões no segmento e iniciar suas operações comerciais em 2027, reforçando como a infraestrutura energética se tornou uma das principais beneficiárias indiretas da revolução provocada pela inteligência artificial. 

· 04:11 — Excessos que preocupam 

As distorções financeiras têm se tornado cada vez mais visíveis em diferentes mercados asiáticos, levando autoridades e instituições financeiras a adotar medidas destinadas a conter excessos e reduzir potenciais riscos de instabilidade. Na Coreia do Sul, a forte valorização de empresas ligadas à inteligência artificial, como SK Hynix e Samsung, levou bancos globais a restringirem operações alavancadas diante da preocupação com os impactos de uma correção mais profunda nos ativos.

Na China, a combinação entre crescimento mais fraco e baixa demanda por crédito gerou excesso de liquidez no sistema financeiro, incentivando as autoridades a promover condições monetárias menos expansionistas para evitar a formação de bolhas em ativos como os títulos públicos. Já na Indonésia, a pressão sobre a moeda, a saída de capital estrangeiro e a deterioração da liquidez dos mercados levaram o banco central a elevar os juros de forma inesperada e reforçar o controle sobre operações cambiais. 

Embora as respostas adotadas variem de país para país, todas refletem uma preocupação comum: os efeitos colaterais provocados por fluxos excessivos de capital e pela elevada concentração dos investidores em determinados temas, especialmente aqueles ligados à inteligência artificial. O desafio, contudo, é que a eficácia dessas medidas tende a ser limitada enquanto permanecerem presentes os fatores estruturais que alimentam essas distorções.

Em um ambiente caracterizado por abundância de liquidez em algumas economias, fragilidade econômica em outras e pela continuidade do ciclo de investimentos associado à inteligência artificial, a tendência é que investidores e formuladores de política econômica continuem convivendo com episódios recorrentes de volatilidade e com comportamentos cada vez mais incomuns nos mercados financeiros globais. 

· 05:05 — Quando a volatilidade cria oportunidades 

A abertura dos spreads no mercado de crédito incentivado era um risco que vínhamos destacando há vários meses. A combinação entre dificuldades enfrentadas por alguns emissores relevantes, o enfraquecimento do desempenho dos fundos e a continuidade dos resgates levou a uma reprecificação significativa dos ativos, especialmente das debêntures incentivadas.

Diferentemente dos fundos de crédito tradicionais, que contam com maior flexibilidade para administrar liquidez e posições de caixa, os veículos especializados em crédito incentivado tendem a ficar mais expostos aos efeitos da marcação a mercado em períodos de saída de recursos. Ainda assim, nossa avaliação era de que esse movimento começava a criar pontos de entrada mais atrativos, sobretudo nos fundos fechados de infraestrutura, cuja estrutura elimina o risco de vendas forçadas decorrentes de resgates. 

Foi nesse contexto que a Sparta anunciou uma redução temporária na distribuição do JURO11, após um longo período pagando R$ 1,00 por cota ao mês. Em nossa leitura, a decisão reflete muito mais a mudança de direção do mercado do que qualquer deterioração dos fundamentos da carteira.

Nos últimos anos, parte relevante dos rendimentos distribuídos foi sustentada não apenas pelo carrego dos títulos, mas também pelos ganhos de capital proporcionados pelo fechamento dos spreads de crédito. Com a recente abertura desses spreads e a elevação dos juros reais, fator particularmente relevante para um fundo indexado ao IPCA, esse componente adicional de retorno deixou de existir, exigindo uma postura mais conservadora na distribuição.

Em conversa com a gestora, a avaliação foi de que os preços dos ativos já apresentam melhora em relação aos momentos mais críticos, embora a dinâmica de resgates nos fundos abertos da indústria ainda continue contribuindo para a volatilidade no curto prazo. 

É justamente nesse ambiente que enxergamos uma oportunidade interessante no JURO11. Por ser um fundo fechado, o veículo não enfrenta a pressão de vender ativos para fazer frente a resgates, o que lhe confere maior capacidade de atravessar períodos de turbulência com disciplina e flexibilidade. Isso permite que a gestão recicle gradualmente a carteira em níveis mais elevados de spread, aproveitando distorções criadas pelo estresse recente do mercado.

Ao mesmo tempo, a reação negativa dos investidores ao corte de distribuição ampliou o desconto da cota de mercado para cerca de 4% e elevou a taxa implícita de negociação para aproximadamente IPCA + 9,8% ao ano, líquida de taxas.

Na nossa avaliação, a redução dos rendimentos possui caráter muito mais conjuntural do que estrutural. A combinação entre spreads mais atrativos, desconto na cota de mercado e benefícios inerentes à estrutura fechada cria uma relação risco-retorno particularmente interessante para investidores com horizonte de médio e longo prazo.

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Selic a 14% ao ano ‘ainda é lucro’, e IPCA + 8% nos títulos públicos reflete ‘risco de calote’, segundo analista

Os primeiros meses de 2026, no Brasil, foram marcados por otimismo com a Bolsa, vendo o Ibovespa atingir a máxima histórica de quase 200 mil pontos em abril, além do início de um ciclo de corte de juros amplamente esperado.

Porém, chegamos à metade de junho em um cenário totalmente diferente: o Ibovespa já caiu 15% desde o seu topo, e os cortes na taxa Selic, agora, é posto em xeque por grande parte do mercado.

A “culpa” dessa mudança de humor frequentemente recai sobre o conflito no Oriente Médio, que desencadeou pressão inflacionária e aversão ao risco ao redor do mundo. Mas para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, não se pode descartar que, tratando-se de Brasil, o maior peso nas incertezas econômicas vem de dentro de casa.

“Não faz sentido o Brasil ter juros tão altos assim, e só os tem por conta de um fiscal desequilibrado“, afirma o analista, que discutiu o assunto em participação no programa Giro do Mercado, do Money Times, na última quarta-feira (10).

IPCA + 8% pode ser ‘risco de calote’?

Enquanto a inflação pressionada dá as caras, as expectativas de juros se deterioram, e a Bolsa é tomada por aversão ao risco, é possível encontrar títulos públicos negociados a uma taxa de IPCA + 8% ao ano de retorno – o que costuma chamar a atenção dos investidores em renda fixa.

Mas, antes que essas taxas sejam consideradas exclusivamente como oportunidades de alta atratividade, é preciso reforçar que, mais uma vez, há um “recado maior” nas entrelinhas, e ele não vem diretamente da guerra:

“O fato de termos títulos longos do governo brasileiro oferecendo IPCA + 8% ao ano não é sustentável, não é normal, não é saudável, e já começa a embutir um prêmio de risco de calote.”

O problema nas entrelinhas que ‘ninguém vai te contar’, segundo analista

“O Banco Central hoje, na falta de uma âncora fiscal que o governo fracassou em apresentar, faz um trabalho duplo, que tem um custo muito elevado para a economia real brasileira. Por conta da pressão inflacionária da guerra, mas por conta da irresponsabilidade fiscal doméstica também.”

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que fica encarregado de conduzir os juros de acordo com os dados de inflação e riscos iminentes, pode acabar pausando o ciclo de cortes na Selic por um tempo.

Nos primeiros meses do ano, o mercado falava em uma Selic terminal de, possivelmente, 12% ao ano. Agora, novos cortes não estão descartados, mas podem ser de menor magnitude que as primeiras projeções.

Segundo dados do último Boletim Focus, da segunda-feira (8), as expectativas atualizadas projetam uma Selic terminal a 13,25% ao ano. “E eu ainda acho otimista”, afirma Spiess. “Se chegar a 14% na conjuntura atual, já é lucro”.

Diferentemente do final de 2024, por exemplo, quando o assunto estava mais em voga, a pauta do ajuste fiscal no Brasil acabou levemente ofuscada por temas como guerra e eleições. Porém, o atual governo segue mantendo um histórico de contas públicas estouradas, que não ajuda em um contexto de inflação e juros já em apuros.

“Continua sendo um problema gigantesco no Brasil”, afirma. “Como é ano eleitoral, ninguém vai falar isso, mas é um problema que tem piorado”. O que traz ainda mais à tona a necessidade de um pacote de ajustes fiscais.

Para o analista, o ajuste deve vir necessariamente em 2027, independentemente da manutenção do atual governo ou da eleição de um candidato de oposição.

E o Oriente Médio: saldo do conflito deve continuar ‘respingando’ nas economias?

“Devemos ver primeiro um vetor na inflação, que deve piorar enquanto não tivermos certeza de quão longo o conflito será. Depois, por conta de uma política monetária mais contracionista.”

Spiess acredita em uma normalização do conflito no Oriente Médio em breve, apesar da “confusão” das comunicações dos gabinetes de governo, tanto da parte dos Estados Unidos quanto do Irã.

Para o analista, as negociações mais recentes devem levar a um acordo “para inglês ver”, que sirva, pelo menos, para liberar o Estreito de Ormuz no curto prazo. Mas que não seria o suficiente para baratear o preço do barril de petróleo, que deve carregar um prêmio geopolítico, ainda, pelos próximos anos.

“Você já ‘disruptou’ a cadeia permanentemente, vai demorar anos para reconstruir a infraestrutura destruída”, afirma. O prêmio de risco deve ser carregado “até que haja uma maior diversificação geográfica e energética dos agentes econômicos, aos moldes do que aconteceu na década de 1970”.

Uma parte da oferta de petróleo do Oriente Médio já está sendo escoada por alternativas geográficas para o resto do mundo, mas uma parte deve seguir inevitavelmente dependente de Ormuz.

Diante de tudo isso, onde investir nesse cenário?

Mesmo com um cenário incerto, isso não significa que o investidor deve se preocupar além do necessário. Por meio das estratégias adequadas, é possível se posicionar em ativos que estejam preparados tanto para proteger sua carteira quanto para buscar lucros.

Matheus Spiess e os demais analistas da Empiricus, especialistas no assunto, estão atentos à conjuntura atual para trazer uma curadoria de recomendações de investimento preparadas sob medida para o momento de mercado.

E você pode conhecer todas elas por meio do Empiricus+, a modalidade de assinatura “streaming” da casa. No Empiricus+, você tem acesso às principais recomendações em:

  • Ações;
  • BDRs;
  • Fundos Imobiliários;
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  • E muito mais.

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Essa é uma cortesia especial da Empiricus para você. É só seguir as instruções na tela:

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Ibovespa hoje (10): nova escalada militar no Oriente Médio, inflação norte-americana, pesquisa eleitoral e mais destaques

A nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados globais após forças americanas realizarem ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Teerã prometeu retaliar e respondeu com ataques contra algumas posições americanas na região, enquanto países do Golfo elevaram seus níveis de alerta diante do risco de ampliação do conflito. Apesar do aumento das tensões, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida.

O petróleo chegou a avançar de forma mais expressiva, mas devolveu parte dos ganhos após a confirmação de que a operação americana havia sido concluída, reduzindo os temores de uma interrupção imediata do fluxo de petróleo pela principal rota energética do mundo.

Paralelamente, a atenção dos investidores migrou rapidamente para a inflação americana. Após um payroll mais forte do que o esperado e uma significativa reprecificação dos juros globais, o CPI de maio passou a ocupar o centro das atenções como principal determinante da direção dos mercados no curto prazo.

Ao mesmo tempo, sinais de inflação mais elevada na China e no Japão reforçam a percepção de que o cenário global segue marcado pela combinação de riscos geopolíticos e pressões inflacionárias persistentes.

· 00:57 — A conta vai chegar

O mercado brasileiro apresentou uma performance relativamente resiliente na terça-feira, com o Ibovespa avançando 0,68% após três sessões consecutivas de queda, enquanto o dólar encerrou o dia praticamente estável, a R$ 5,18.

O movimento ocorreu na contramão das principais bolsas internacionais, pressionadas pela realização de lucros em ações de tecnologia e pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Entre os destaques do dia, o governo passou a discutir medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, incluindo a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina e iniciativas voltadas à redução da carga tributária sobre combustíveis.

É possível que novas medidas sejam anunciadas nessa direção, embora parte delas possa aumentar as preocupações em torno da trajetória fiscal, especialmente em um ambiente já marcado por elevado grau de incerteza sobre as contas públicas.

No campo político, a agenda doméstica segue intensa. O Senado deve analisar a PEC que amplia a autonomia orçamentária do Banco Central, em um momento em que a credibilidade da política monetária continua sendo um ativo relevante para a economia brasileira.

Uma maior proteção institucional tende a reduzir percepções de interferência política na condução da autoridade monetária, fortalecendo a previsibilidade e a eficácia das decisões de juros, especialmente em um contexto de inflação persistente e condições financeiras mais apertadas.

Paralelamente, a crescente disputa global por minerais críticos levou Estados Unidos e União Europeia a intensificarem esforços para garantir acesso às reservas brasileiras de terras raras, reforçando a relevância estratégica do país na nova geopolítica dos recursos naturais.

Por fim, no cenário eleitoral, pesquisa Genial/Quaest mostrou o presidente Lula liderando as intenções de voto para 2026, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O levantamento também apontou desgaste para o senador após os recentes episódios envolvendo seu nome, tema que passou a influenciar a percepção de uma parcela relevante do eleitorado, inclusive entre grupos tradicionalmente mais alinhados ao bolsonarismo.

Em disputas polarizadas, a capacidade de preservar apoio entre eleitores independentes e de centro costuma desempenhar papel decisivo, o que torna esse movimento um elemento importante para o acompanhamento do cenário político nos próximos meses.

· 01:45 — Uma inflação contaminada

A recuperação das ações de semicondutores mostrou-se passageira, com o setor voltando a liderar as perdas em Wall Street diante de uma combinação de realização de lucros, preocupações com possíveis excessos de valuation associados à inteligência artificial e da migração de recursos para o aguardado IPO da SpaceX.

Apesar da fraqueza observada nas empresas de tecnologia, a maior parte dos setores do S&P 500 encerrou o pregão em alta, enquanto a volatilidade também foi influenciada por novos desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento reforça a percepção de que os mercados atravessam um período marcado por oscilações mais frequentes, elevada sensibilidade ao fluxo de notícias e um retorno gradual da atenção dos investidores aos fundamentos econômicos.

Nesse contexto, as atenções se voltam para a divulgação do CPI de maio nos Estados Unidos, considerado o principal evento macroeconômico da semana. Como era esperado, houve uma aceleração da inflação anual de 3,8% para 4,2%, impulsionada principalmente pelo avanço dos preços de energia, enquanto o núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis, subiu de 2,8% para 2,9%, sugerindo que parte das pressões inflacionárias começa a se disseminar por outros segmentos da economia.

Após um payroll mais forte do que o esperado e a recente reprecificação dos juros globais, o dado ganha relevância adicional por seu potencial de influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Tal dinâmica de inflação pode reacender as discussões sobre novas elevações de juros (o que ainda acho improvável).

· 02:39 — Mercado não acredita na escalada

Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades de Omã, episódio que voltou a elevar as tensões no Oriente Médio.

Embora Donald Trump continue afirmando que um acordo com o Irã poderia ser alcançado em poucos dias, os acontecimentos recentes apontam para uma escalada do conflito. O governo iraniano prometeu retaliar as ações americanas, Israel ampliou suas operações contra o Hezbollah no Líbano e autoridades de Teerã passaram a alertar sobre os riscos enfrentados por forças estrangeiras posicionadas próximas ao território iraniano. Até o momento, cerca de 14 militares americanos morreram no conflito, enquanto o número de vítimas no Irã e no Líbano já ultrapassa 7 mil pessoas.

Apesar da deterioração do ambiente geopolítico, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida. O petróleo voltou a subir, o dólar ganhou força e as bolsas asiáticas recuaram, mas os investidores parecem interpretar os ataques americanos como limitados e ainda compatíveis com a continuidade das negociações diplomáticas. Em meio a sinais contraditórios sobre o futuro do conflito e das conversas envolvendo o programa nuclear iraniano, a atenção dos mercados segue concentrada nos dados de inflação dos Estados Unidos.

· 03:24 — Um novo passo no mercado de inteligência artificial

A Anthropic anunciou o Claude Fable 5, uma versão mais segura e restrita de seu avançado modelo Mythos, que até recentemente era considerado poderoso demais para ser disponibilizado amplamente ao público.

O novo sistema incorpora mecanismos de segurança capazes de bloquear consultas potencialmente sensíveis, redirecionando temas como armas biológicas e segurança cibernética para modelos menos sofisticados. Paralelamente, a companhia segue ampliando o acesso ao Claude Mythos 5 apenas para parceiros selecionados, com o objetivo de identificar vulnerabilidades e aperfeiçoar seus protocolos de segurança. O lançamento ocorre em um momento particularmente relevante para a empresa, que recentemente abriu capital e alcançou uma avaliação próxima de US$ 965 bilhões.

Ao mesmo tempo, o superciclo de semicondutores impulsionado pela inteligência artificial continua ganhando força. Diferentemente dos ciclos anteriores, normalmente associados à reposição de estoques ou a oscilações de curto prazo na demanda por eletrônicos, o movimento atual parece refletir uma expansão estrutural da infraestrutura global de IA.

A forte demanda por chips de memória avançados, servidores especializados e componentes voltados para data centers vem impulsionando receitas, preços e ações do setor, especialmente em polos estratégicos como Coreia do Sul e Taiwan. Nesse contexto, Taiwan avalia endurecer as restrições à exportação de chips de inteligência artificial para a China, em alinhamento com os Estados Unidos, reforçando o caráter cada vez mais geopolítico da disputa tecnológica global.

· 04:12 — Megagasoduto

Após décadas tratados como projetos excessivamente caros e de execução complexa, dois megagasodutos africanos voltaram ao centro das atenções em meio à busca global por novas fontes de energia.

De um lado, Argélia, Níger e Nigéria avançam com o Gasoduto Transaariano; de outro, o Marrocos defende uma rota alternativa pela costa atlântica, conectando a Nigéria ao norte da África. Impulsionados pelas mudanças geopolíticas provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, os projetos refletem não apenas a necessidade europeia de diversificar o abastecimento de gás, mas também a histórica disputa por influência entre Marrocos e Argélia.

Apesar dos custos elevados, dos desafios de financiamento e dos riscos de segurança ao longo do Saara, a crescente demanda por segurança energética torna essas iniciativas mais plausíveis do que em qualquer outro momento das últimas décadas. A grande questão, agora, não é mais a relevância estratégica desses projetos, mas a capacidade de transformá-los em realidade.

· 05:06 — Qualidade operacional em um setor mais seletivo

A conversa do nosso time com a gestão da Multiplan reforçou nossa percepção de que a companhia continua operando em um patamar diferenciado dentro do setor de shoppings. A empresa segue apoiada em um portfólio de ativos dominantes, localizados em regiões estratégicas e cada vez mais adaptados às novas dinâmicas de consumo.

O fluxo de visitantes passou a depender menos das tradicionais lojas âncora e mais de experiências, gastronomia, entretenimento e serviços, um movimento que tem permitido à companhia aprimorar continuamente seu mix de lojistas e sustentar um desempenho operacional superior à média do mercado.

Do ponto de vista operacional, a expectativa continua sendo de crescimento de vendas acima do setor, impulsionado tanto pela qualidade dos ativos quanto pela captura de valor das recentes expansões em empreendimentos como Morumbi Shopping, BH Shopping e BarraShopping.

Embora a reforma tributária e fatores sazonais, como a Copa do Mundo, possam gerar ruídos no curto prazo, a administração entende que a qualidade dos ativos e a capacidade de reciclagem do portfólio tendem a mitigar boa parte desses impactos. Em alguns casos, esse processo pode inclusive abrir espaço para a entrada de novas marcas e operadores mais alinhados ao posicionamento premium dos empreendimentos.

Na frente financeira, a companhia segue demonstrando elevada disciplina de capital. A venda de participações minoritárias em alguns ativos contribuiu para a redução da alavancagem, enquanto a sólida geração de caixa preserva a flexibilidade financeira e pode abrir espaço para uma remuneração mais robusta aos acionistas.

Com FFO yield projetado ao redor de 9%, potencial de dividend yield próximo de 6% e ações negociando a cerca de 11 vezes o FFO esperado para 2027, entendemos que a Multiplan (MULT3) continua reunindo uma combinação atrativa de ativos de alta qualidade, balanço sólido e valuation descontado, permanecendo bem posicionada para capturar uma eventual melhora do ambiente macroeconômico e do varejo nos próximos anos.

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Novas vagas: saiba como se tornar sócio do M3 Club, ‘experiência definitiva’ do Market Makers para investidores

Se você deseja dar um passo além em sua jornada no mercado financeiro, seja como investidor ou na carreira profissional, está convidado a conhecer o M3 Club, comunidade exclusiva liderada pelo Market Makers. O clube, que aceita apenas uma quantidade restrita de membros, reabrirá vagas em caráter excepcional a partir do dia 22 de junho.

O Market Makers é um hub que oferece soluções financeiras, como cursos, pesquisas de mercado e produção de conteúdo: os podcasts da casa, por exemplo, alcançam cerca de 7 milhões de pessoas mensalmente. Muitos conhecem o Market Makers por meio dos conteúdos nas plataformas digitais, mas o M3 Club eleva essa experiência para além da internet.

Conheça vantagens exclusivas de quem é sócio do M3 Club

O coração da proposta do M3 Club está no networking – uma das principais forças motrizes do sucesso de qualquer pessoa no mercado financeiro.

Muitas vezes, um bom networking e acesso prioritário a certas ideias pode parecer se restringir a um círculo restrito de bankers e investidores na Faria Lima. O M3 Club vem para abrir esse acesso a outros investidores que, onde quer que estejam, desejam fazer parte desse grupo que “chega primeiro e bebe água limpa”.

Por meio de conteúdos e eventos exclusivos, os sócios do clube podem trocar experiências com grandes gestores e C-levels do mercado, discutindo negócios e recebendo ideias de investimento em primeira mão com quem entende do assunto.

“O M3 Club é a experiência definitiva e personalizada do Market Makers. Em vez de simplesmente assistir a um episódio e comentar, você pode interagir pessoalmente, mandar um WhatsApp e até mesmo almoçar ou fazer uma viagem com as mentes mais brilhantes do mercado financeiro”, afirma Murilo Ribeiro, diretor do M3 Club.

ENTRE NA LISTA DE ESPERA DO M3 CLUB

Ou seja, entenda o que o M3 Club traz para você:

  • Análises exclusivas de mercado e ativos;
  • Acesso a viagens internacionais de aprofundamento e negócios;
  • Contato direto com mais de 30 gestores do mercado financeiro;
  • Eventos presenciais, online e sob demanda;
  • Networking com outros investidores pessoa física de alto nível;
  • Recomendações exclusivas de investimento.
Membros do M3 Club em evento presencial (Imagens: Market Makers)

Quem são os nomes por trás do M3 Club?

Além de Murilo Ribeiro, diretor do M3 Club, os novos sócios também serão recebidos por Thiago Salomão e Matheus Soares, fundadores do Market Makers.

Thiago Salomão é analista de investimentos CNPI-P, tem MBA em Mercados Financeiros na Fipecafi e na UBS/B3. Antes de fundar o Market Makers, foi editor-chefe do InfoMoney, analista de ações na Rico Investimentos, e co-fundou o podcast Stock Pickers.

Matheus Soares é o analista responsável pela Carteira Market Makers de Ações. Antes de fundar o Market Makers, já tinha experiência com análise fundamentalista e cobertura de small caps. Também é certificado no curso de Value Investing da Columbia Business School.

Aqui, vale lembrar que as novas vagas para o M3 Club reabrem no dia 22 de junho, mas são limitadas. O clube, que já possui um número restrito de membros, distribuirá as vagas remanescentes somente a partir de uma lista de espera prévia, direcionada a quem estiver realmente comprometido a conhecer a proposta de perto.

Inscreva-se na lista prioritária para entrar no M3 Club; vagas serão disponibilizadas em 22 de junho

Caso você esteja interessado em participar do clube, precisa se registrar na lista de espera que mencionamos anteriormente.

Após registrar seu interesse, você receberá um convite para um evento online e gratuito no dia 22 de junho, a partir das 19h, no qual o M3 Club será apresentado oficialmente – e as vagas disponíveis serão liberadas.

Para acessar a lista de espera, basta clicar no botão abaixo e seguir as instruções na tela. O registro inicial na lista, e a participação no evento, são gratuitos.

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Fundos imobiliários: ALZR11, BTHF11, XPML11 e outros FIIs trazem atualizações aos cotistas; confira

No giro pelos fundos imobiliários, FIIs como Alianza Trust (ALZR11), BTG Pactual Real Estate (BTHF11), Capitania Securities II (CPTS11) e outros trouxeram novidades aos cotistas nos últimos dias. Confira:

ALZR11: Alianza Trust

O ALZR11 comunicou a intenção de realizar recompra de cotas no mercado secundário entre junho de 2026 e junho de 2027, a critério da gestão. As recompras deverão ocorrer abaixo do valor patrimonial da cota, e as cotas adquiridas serão canceladas. O programa poderá alcançar até 10% das cotas do fundo em 12 meses, equivalente a 16,45 milhões de cotas. 

BTHF11: BTG Pactual Real Estate Hedge Fund

O BTHF11 realizou R$ 268 milhões em operações no mercado secundário, utilizando R$ 102 milhões de caixa e gerando resultado líquido de aproximadamente R$ 4,8 milhões. O principal destaque foi o encerramento da posição em TEND3, que gerou ganho de capital de cerca de R$ 5 milhões e TIR de 111,2%. Parte relevante do caixa foi direcionada à compra de HSI Realty I (HSRE11), em co-investimento com parceiro institucional, mirando a obtenção de controle em um FII de renda urbana com cap rate superior a 10,5%. 

CPTS11: Capitânia Securities II 

O CPTS11 informou a padronização do calendário de distribuição de rendimentos dos FIIs sob gestão da Capitânia. A partir da competência maio/26, o aviso aos cotistas será divulgado ao final do 10º dia útil do mês subsequente, que também passará a ser a data-base para recebimento dos rendimentos. As cotas serão negociadas ex-rendimento a partir do 11º dia útil do mês subsequente. 

TRXF11: TRX Real Estate

O TRXF11 celebrou contrato para aquisição indireta de um portfólio de oito ativos de self-storage e logística urbana operados pela Guarde Aqui, por meio de investimento de até R$ 135 milhões no FII Brio Renda Imobiliária. Os imóveis estão localizados em Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Ribeirão Preto, somando 30,3 mil m² de ABL e taxa de ocupação próxima de 76%. O portfólio apresenta cap rate médio estimado de 13,4%. 

VILG11: Vinci Logística

O VILG11 concluiu a aquisição da participação remanescente de 50% no Parque Logístico Pernambuco, localizado em Ipojuca (PE), por R$ 56,2 milhões, pagos à vista. O valor equivale a aproximadamente R$ 1,6 mil/m², considerando 35,1 mil m² de ABL, com cap rate estimado de 12,1%. Com a operação, o VILG11 passa a deter 100% do ativo, que está totalmente locado para a Supporte

XPLG11: XP Logística

O fundo divulgou seu guidance de rendimentos para os próximos meses de 2026, em uma faixa entre R$ 0,79 e R$ 0,85 por cota

XPML11: XP Malls

O fundo divulgou seu guidance de rendimentos para o restante do ano, com uma banda entre R$ 0,86 e R$ 0,92 por cota até o mês de junho. A partir de julho, o limite inferior passa a ser de R$ 0,83 por cota. 

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Ibovespa hoje: petróleo cai e bolsas globais sobem com perspectiva de trégua no Oriente Médio; veja os destaques do dia

Os mercados globais operam em tom mais positivo nesta terça-feira, impulsionados pela perspectiva de uma redução das tensões no Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou que um acordo para encerrar o conflito com o Irã poderá ser alcançado nos próximos dias e voltou a defender a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.

A expectativa de avanço diplomático contribuiu para reduzir parte do prêmio de risco embutido nos mercados de energia, levando o Brent a recuar para a região de US$ 92 por barril. Como consequência, as bolsas globais reagiram positivamente, com destaque para a forte recuperação do mercado sul-coreano e para os ganhos observados nas bolsas europeias e nos futuros americanos.

Apesar do alívio geopolítico, os investidores seguem atentos aos efeitos do forte relatório de emprego divulgado nos Estados Unidos na semana passada, que reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo e, em um cenário de inflação mais persistente, até mesmo considerar novas altas.

Nesse contexto, os próximos indicadores de inflação serão fundamentais. Além da geopolítica e da política monetária, o noticiário corporativo voltou a destacar a inteligência artificial como uma das principais narrativas de mercado. A OpenAI protocolou seu pedido de abertura de capital, buscando um valuation que pode alcançar US$ 1 trilhão, movimento que reforça o entusiasmo em torno do setor.

· 00:57 — O peso dos juros

Por aqui, o mercado brasileiro iniciou a semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continua desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 0,21%, encerrando o pregão aos 168.669 pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,18, atingindo seu maior patamar desde março.

Parte desse movimento foi influenciada pelo cenário internacional, marcado pela continuidade das tensões no Oriente Médio e pela percepção de que os juros americanos deverão permanecer elevados por mais tempo após o forte relatório de emprego divulgado nos Estados Unidos. Esse ambiente fortalece o dólar globalmente, reduz o fluxo de capitais para mercados emergentes e aumenta a pressão sobre economias como a brasileira.

No cenário doméstico, o principal foco continua sendo a deterioração das expectativas para inflação e juros. O Boletim Focus voltou a registrar alta nas projeções para o IPCA de 2026 e para a Selic ao final deste ano, enquanto cresce a percepção de que o Banco Central poderá interromper o ciclo de cortes já na próxima reunião do Copom.

Ao mesmo tempo, a curva de juros abriu de forma expressiva, refletindo não apenas a expectativa de taxas elevadas por um período mais prolongado, mas também as preocupações crescentes com o quadro fiscal (juros reais de 8% são impagáveis).

A combinação entre atividade econômica resiliente, inflação persistente, petróleo mais caro e incertezas sobre a trajetória das contas públicas levou investidores a reavaliar o cenário para a política monetária. Nesse contexto, os próximos dados de inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, serão fundamentais para determinar se essa mudança de percepção continuará ganhando força nas próximas semanas.

· 01:48 — Na expectativa pela inflação

Os mercados americanos iniciaram a semana em recuperação, devolvendo parte das perdas registradas após a forte correção da sexta-feira, quando o Nasdaq registrou sua maior queda diária em pontos da história.

O movimento sugere que os investidores interpretaram a recente turbulência mais como uma realização de lucros após um período de valorização do que como uma mudança estrutural na tendência. O setor de tecnologia, especialmente os segmentos ligados à inteligência artificial e aos semicondutores, continua sendo o principal motor de desempenho das bolsas, sustentado por crescimento robusto dos lucros corporativos e pela percepção de que a transformação tecnológica ainda está em seus estágios iniciais.

Embora a reação aos resultados da Broadcom e as preocupações com avaliações elevadas tenham servido como gatilhos para a correção, a leitura predominante em Wall Street permanece construtiva, refletindo a confiança na capacidade das grandes empresas de tecnologia de continuar expandindo receitas e resultados nos próximos anos.

As atenções agora se concentram na agenda econômica da semana, com destaque para os dados de inflação dos Estados Unidos. A divulgação do CPI de maio, na quarta-feira, e do PPI, na quinta-feira, será fundamental para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve.

Paralelamente, investidores seguem acompanhando indicadores ligados ao consumo e à confiança das famílias, já que o consumidor continua sendo o principal pilar da economia americana. Apesar das preocupações envolvendo inflação, preços de energia e tensões geopolíticas, o mercado de trabalho permanece robusto e o padrão de consumo segue resiliente, especialmente entre as famílias de maior renda.

Nesse contexto, os mercados continuam tentando equilibrar três forças centrais: uma economia ainda aquecida, a continuidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial e a perspectiva de juros elevados por mais tempo. A interação entre esses fatores deverá seguir determinando o comportamento das bolsas, dos títulos públicos e do dólar.

· 02:32 — Amenizou o tom

A tentativa de novo cessar-fogo entre Irã e Israel trouxe algum alívio, mas ainda está longe de representar uma solução para o conflito. Após uma nova rodada de ataques, ambos os países anunciaram a suspensão temporária das ofensivas em resposta aos esforços diplomáticos liderados pelo presidente americano Donald Trump.

Ainda assim, tanto Teerã quanto Jerusalém deixaram claro que poderão retomar as hostilidades caso considerem que seus interesses de segurança foram ameaçados. O principal impasse continua no Líbano. O governo iraniano condiciona avanços mais amplos nas negociações ao fim das operações israelenses contra o Hezbollah, enquanto Israel afirma que continuará atuando contra o grupo até que cessem os ataques contra seu território. O resultado é uma trégua frágil, sustentada mais por conveniência estratégica do que por uma convergência efetiva entre as partes.

Para os mercados, a redução temporária das tensões ajudou a aliviar parte da pressão sobre os preços do petróleo, mas a percepção de risco permanece elevada. As negociações conduzidas pelos americanos continuam incertas, enquanto as ameaças ao tráfego marítimo no Mar Vermelho, as dúvidas sobre a normalização da navegação no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos envolvendo o Hezbollah mantêm o cenário geopolítico sensível.

Soma-se a isso o fato de que as prioridades políticas de Trump e Netanyahu nem sempre parecem alinhadas, o que adiciona uma camada adicional de imprevisibilidade ao processo diplomático. Dessa forma, mesmo sem uma escalada imediata, o conflito segue sendo uma fonte relevante de preocupação para os mercados, com potencial para influenciar os preços da energia, as expectativas de inflação e a trajetória dos juros nas principais economias do mundo.

· 03:25 — Um resultado apertado

A eleição presidencial do Peru caminha para um desfecho turbulento, em meio a uma disputa apertada entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.

A campanha foi marcada por atrasos logísticos, forte polarização e preocupação crescente dos eleitores com a criminalidade, um tema que também tem ganhado centralidade em outros países da América Latina. A demora de mais de um mês para definir os candidatos do segundo turno ampliou a sensação de desorganização institucional, enquanto protestos em Lima contra Fujimori reacenderam temores ligados ao legado autoritário de seu pai, Alberto Fujimori. Do outro lado, Sánchez também carrega vínculos controversos, especialmente por sua promessa de libertar o ex-presidente Pedro Castillo, preso por conspiração para cometer rebelião.

A apuração tem sido instável e reforça a tradição peruana de eleições extremamente apertadas. Embora Sánchez tenha ultrapassado Fujimori em parte da contagem, a expectativa é de que os votos internacionais possam recolocar a candidata da direita à frente, consolidando sua vitória nos próximos dias.

Caso confirmada, a eleição de Keiko representaria uma nova guinada política na América do Sul em direção a governos mais alinhados ao mercado, ainda que por margem estreita e após quatro tentativas presidenciais. O episódio também oferece uma leitura política mais ampla: mesmo em contextos favoráveis à oposição, níveis elevados de rejeição a um nome ou um determinado legado podem tornar qualquer vitória difícil, custosa e incerta, uma lição relevante para outras disputas na região, inclusive para a oposição no Brasil.

· 04:13 — O difícil caminho da normalização japonesa

O Japão atravessa uma fase delicada de normalização após décadas marcadas por juros extremamente baixos, controle da curva de rendimentos e uma moeda estruturalmente enfraquecida.

A elevação dos rendimentos dos títulos públicos de dez anos para níveis superiores a 2,7% e a permanência do iene acima de 160 por dólar aumentaram a pressão para que o Banco do Japão volte a elevar os juros e para que o Ministério das Finanças considere novas intervenções no mercado cambial.

O desafio é que nenhuma dessas medidas parece suficiente, isoladamente, para promover uma valorização sustentável da moeda. Para que isso ocorra, seria necessário que os juros japoneses superassem a inflação, proporcionando retornos reais positivos aos investidores. Esse cenário, porém, ainda parece distante. Parte relevante da inflação recente foi impulsionada por alimentos, especialmente o arroz, enquanto indicadores mais tradicionais de núcleo inflacionário apontam pressões bem mais moderadas. Em outras palavras, ainda permanece em aberto a questão sobre se o Japão conseguiu, de fato, superar sua longa trajetória de crescimento fraco e tendências deflacionárias.

O quadro fiscal adiciona uma camada extra de complexidade. Com uma dívida pública superior a duas vezes o PIB e a possibilidade de políticas econômicas mais expansionistas sob a liderança de Sanae Takaichi, cresce entre investidores a percepção de que a fragilidade do iene reflete também o elevado endividamento do país.

Intervenções cambiais podem conter movimentos mais extremos no curto prazo, mas tendem a tratar apenas os sintomas, sem resolver os desequilíbrios estruturais. Ao mesmo tempo, a desvalorização da moeda beneficia uma parcela importante das empresas japonesas, especialmente exportadoras e companhias com operações relevantes no exterior, contribuindo para o fortalecimento dos lucros corporativos.

Por essa razão, as ações japonesas continuam apresentando atratividade relativa, apoiadas por avanços em governança, melhora da rentabilidade empresarial e valuations menos exigentes do que as observadas no mercado americano. Ainda assim, para o investidor internacional, a principal conclusão permanece a mesma: o mercado acionário japonês segue oferecendo oportunidades interessantes, mas a exposição ao iene exige atenção e gestão cuidadosa do risco cambial.

· 05:01 — A China na nova corrida pela segurança energética

A energia nuclear voltou ao centro da agenda global, impulsionada por dois vetores relevantes: a forte expansão da demanda por eletricidade dos data centers de inteligência artificial e a renovada preocupação com segurança energética após as tensões no Estreito de Ormuz.

Como fonte de geração firme, estável e sem emissões diretas de carbono, a energia nuclear reúne atributos cada vez mais valorizados no cenário atual: confiabilidade, baixa intermitência e menor dependência de combustíveis fósseis.

Nesse novo ciclo, a China desponta como a grande protagonista. O país responde por quase metade dos novos reatores em construção no mundo e deve alcançar, até 2030, a maior frota nuclear global. Ainda assim, dada a escala gigantesca do sistema elétrico chinês, a energia nuclear continuará representando uma parcela relativamente pequena da matriz, inferior a 10% da geração total, enquanto solar e eólica seguem avançando em ritmo mais acelerado.

O avanço chinês é resultado de uma estratégia de longo prazo baseada em padronização tecnológica, domínio da cadeia de fornecedores e redução de custos. Diferentemente dos Estados Unidos e da França, onde os custos de construção nuclear aumentaram ao longo do tempo, a China conseguiu tornar seus projetos mais competitivos ao concentrar esforços em poucos modelos de reatores, substituir componentes importados por nacionais e reduzir o tempo médio de construção para cerca de seis anos.

O resultado é uma indústria doméstica mais eficiente, capaz de construir usinas nucleares a custos significativamente inferiores aos observados em projetos recentes no Ocidente. Essa vantagem reforça a atratividade da energia nuclear como fonte complementar às renováveis, especialmente em um mundo que precisará de eletricidade abundante, limpa e constante para sustentar a inteligência artificial, a eletrificação industrial e a segurança energética.

O principal gargalo, porém, está no combustível da energia nuclear: o urânio. A oferta global permanece apertada após anos de baixo investimento em mineração desde Fukushima, enquanto a demanda cresce com a retomada da construção de reatores.

A produção mundial está concentrada em poucos países, especialmente Cazaquistão e Canadá, e a China depende de importações para algo entre 80% e 90% de suas necessidades, o que transforma a segurança de suprimento em uma prioridade estratégica.

Por isso, Pequim vem adquirindo participações em minas de urânio, sobretudo na Namíbia e no Cazaquistão, além de ampliar sua capacidade de enriquecimento para reduzir dependências externas. Para os investidores, a mensagem é construtiva: a retomada da energia nuclear fortalece uma tese estrutural para o urânio, que tende a se beneficiar da combinação entre demanda crescente, oferta concentrada, estoques limitados e busca global por fontes de energia limpa.

Nesse contexto, instrumentos como os ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e Global X Uranium ETF (URA), já recomendados neste espaço, continuam sendo alternativas relevantes para investidores que desejam capturar essa tendência de longo prazo.

No mercado brasileiro, o BDR BURA39 desempenha função semelhante ao oferecer exposição ao tema por meio da B3. Ainda assim, por se tratar de uma tese com elevada volatilidade e forte componente temático, entendemos que exposições mais moderadas, tipicamente de até 1% do portfólio, tendem a ser suficientes para capturar seu potencial sem comprometer o equilíbrio geral da carteira. Como sempre, seguem válidos os princípios fundamentais da boa alocação: respeitar o perfil de risco, manter diversificação adequada e construir um portfólio capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com consistência e disciplina.

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Ibovespa hoje (8): da euforia à cautela, mercados iniciam semana com inflação, guerra e inteligência artificial (IA) no radar

O início da semana foi marcado por uma mudança relevante de humor nos mercados globais. A combinação entre a intensificação das tensões no Oriente Médio, a correção das ações ligadas à inteligência artificial (IA) e a revisão das expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos levou investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

Os confrontos entre Israel e Irã voltaram a ganhar intensidade, elevando os riscos para a estabilidade da região e impulsionando o petróleo para próximo de US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, o forte relatório de emprego dos EUA reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter uma postura mais restritiva por mais tempo, pressionando os rendimentos dos títulos públicos americanos e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital. 

O impacto foi particularmente visível no setor de tecnologia e inteligência artificial, principal motor dos mercados ao longo dos últimos meses. Após a queda superior a 4% do Nasdaq na sexta-feira (5), bolsas asiáticas com forte exposição à cadeia global de semicondutores registraram correções expressivas, com destaque para o Kospi sul-coreano, que recuou mais de 8%.

A combinação entre dados econômicos robustos, juros mais elevados, avaliações exigentes e uma realização natural de lucros após um rali expressivo ajudou a desencadear o movimento. Ainda assim, a recuperação parcial dos futuros americanos e as declarações construtivas de executivos como Jensen Huang, da Nvidia, sugerem que o mercado continua enxergando a inteligência artificial como uma tendência estrutural de longo prazo, embora agora inserida em um ambiente potencialmente mais seletivo e volátil. 

A agenda desta semana adiciona novos elementos a esse cenário. As atenções estarão voltadas para os dados de inflação, além da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e dos desdobramentos no mercado de energia.  

· 00:58 — Semanas difíceis 

O mercado brasileiro encerrou mais uma semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continuam desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 2,74% no período, registrando sua oitava semana consecutiva de queda, a sequência mais longa desde 1994, enquanto o dólar avançou para R$ 5,16, atingindo seu maior patamar no ano.

O principal catalisador do movimento veio dos Estados Unidos, onde o relatório de emprego (payroll) surpreendeu positivamente ao apontar a criação de 172 mil vagas em maio, mais que o dobro das expectativas do mercado. O resultado reforçou a percepção de que a economia americana segue resiliente, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve e impulsionando os rendimentos dos títulos públicos americanos. Como consequência, o dólar ganhou força globalmente, o fluxo de recursos para mercados emergentes enfraqueceu e os ativos brasileiros voltaram a sofrer pressão. 

No cenário doméstico, o ambiente permanece igualmente desafiador. A combinação entre inflação ainda resistente, atividade econômica mais forte do que o esperado e incertezas em relação ao quadro fiscal levou os investidores a revisarem suas expectativas para a política monetária. Com isso, a possibilidade de manutenção da Selic ganhou espaço, enquanto as apostas em novos cortes de juros se tornaram mais limitadas.

Esse movimento se refletiu diretamente na curva de juros, pressionando especialmente os ativos mais sensíveis ao custo de capital, como ações voltadas ao mercado interno e setores mais dependentes das condições financeiras. Nos próximos dias, as atenções estarão concentradas na divulgação do IPCA de maio, nos dados do setor de serviços e nas atualizações do Boletim Focus, indicadores que serão fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central e a trajetória dos mercados brasileiros ao longo do restante do mês. 

· 01:41 — Semana de dados de inflação 

O foco dos mercados nesta semana estará concentrado nos dados de inflação dos Estados Unidos, especialmente no CPI de maio, que será divulgado na quarta-feira (10). A atenção é justificada porque o mercado de trabalho voltou a surpreender positivamente. O payroll mostrou criação de 172 mil vagas, praticamente o dobro do esperado, enquanto as revisões dos meses anteriores também vieram para cima, reforçando a percepção de uma economia que continua crescendo em ritmo saudável.

Embora a taxa de desemprego tenha permanecido em 4,3% e existam alguns sinais de moderação em segmentos específicos do mercado de trabalho, o conjunto dos dados sugere que a atividade econômica segue resiliente. Nesse contexto, os números de inflação ganham importância ainda maior, pois ajudarão a determinar se essa força da economia está ou não se traduzindo em novas pressões sobre os preços. 

As implicações para a política monetária são relevantes. Um CPI mais forte pode reforçar a visão de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por mais tempo, ou até considerar novas altas em 2026, cenário que vem ganhando espaço entre algumas instituições financeiras. Isso tende a pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, elevando as taxas dos juros de mercado e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital.

Foi justamente essa dinâmica que ajudou a provocar a recente realização de lucros em ações de tecnologia, após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial. Em outras palavras, os mercados entram na semana tentando responder a uma pergunta central: a economia americana continua forte o suficiente para sustentar os lucros corporativos sem reacender a inflação? A resposta terá impacto direto sobre a curva de juros, o dólar e o comportamento das bolsas globais

· 02:39 — Sinais de escalada 

A guerra entre Israel e Irã continua sendo um dos principais focos de atenção dos mercados globais. Apesar das tentativas de cessar-fogo e das negociações conduzidas pelos Estados Unidos, os confrontos seguem ocorrendo por meio de ataques diretos, ações de grupos aliados ao Irã e novas tensões em pontos estratégicos da região, como o Líbano e o Mar Vermelho.

Até aqui, o mercado de petróleo mostrou uma resiliência maior do que a esperada, com o Brent estabilizado próximo de US$ 100 por barril, bem abaixo dos cenários mais pessimistas que chegaram a projetar preços entre US$ 150 e US$ 200. Isso ocorreu graças à utilização de estoques estratégicos, ao aumento das exportações americanas, à manutenção de fluxos relevantes pelo Estreito de Ormuz e à desaceleração da demanda em países como a China. Ainda assim, os próximos meses podem ser mais desafiadores, especialmente se houver novas interrupções logísticas ou uma escalada do conflito. 

Ao mesmo tempo, o equilíbrio do mercado de energia permanece delicado. Estima-se que cada mês adicional de restrições no fluxo de petróleo pode pressionar ainda mais os preços, enquanto a OPEP+ continua elevando gradualmente sua produção para compensar parte dos riscos de oferta.

Nos Estados Unidos, Donald Trump mantém uma postura firme em relação ao Irã, condicionando qualquer flexibilização de sanções a avanços concretos nas negociações de paz. O resultado é um cenário em que os mercados seguem monitorando simultaneamente geopolítica, oferta de petróleo e decisões dos grandes produtores.

Embora o choque inicial tenha sido absorvido melhor do que muitos esperavam, a combinação entre conflito prolongado, riscos para rotas estratégicas de transporte e estoques globais mais apertados sugere que a energia continuará sendo uma das variáveis mais importantes para inflação, crescimento econômico e comportamento dos mercados nos próximos trimestres. 

· 03:23 — Debate aprofundado 

O debate sobre inteligência artificial ganhou novos contornos. A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude e uma das principais concorrentes da OpenAI, defendeu a possibilidade de uma desaceleração temporária no desenvolvimento dos sistemas mais avançados de IA. A empresa argumenta que o ritmo atual de evolução da tecnologia pode superar a capacidade de adaptação das instituições, da regulação e das pesquisas de segurança, sugerindo que uma eventual pausa só faria sentido se fosse adotada globalmente e acompanhada de mecanismos de verificação.

Ao mesmo tempo, o governo Donald Trump publicou uma nova ordem executiva sobre inteligência artificial, optando por uma abordagem mais leve do que a inicialmente cogitada. A proposta prevê que o governo tenha um prazo de 30 dias para analisar novos modelos de inteligência artificial antes de seu lançamento ao público. A proposta preserva algum grau de supervisão sobre novos modelos, mas evita medidas mais rígidas que poderiam reduzir a competitividade das empresas americanas frente à China. 

Enquanto isso, os efeitos da inteligência artificial já começam a aparecer de forma concreta no mercado de trabalho. As empresas de tecnologia dos EUA anunciaram mais de 38 mil demissões apenas em maio, o maior volume em quase dois anos, e os cortes acumulados em 2026 já superam 123 mil vagas. Em muitos casos, a própria IA passou a ser citada como motivo para a reestruturação das equipes. Ainda assim, o quadro não é inteiramente negativo. O setor também lidera as intenções de contratação para os próximos anos, refletindo uma transformação da demanda por trabalho, mais do que uma simples destruição de empregos.

Em outras palavras, a inteligência artificial continua avançando como uma das principais forças de mudança da economia global, gerando ganhos de produtividade e novas oportunidades, mas também exigindo adaptação de empresas, trabalhadores e governos a um mercado cada vez mais moldado pela tecnologia, que promete revolucionar a economia global. 

· 04:14 — Limite populacional? 

A Suíça se aproxima de um referendo com potencial para gerar impactos econômicos relevantes. A proposta, conhecida como “Não aos 10 milhões”, busca limitar a população do país a 10 milhões de habitantes, exigindo uma redução significativa do ritmo de imigração nas próximas décadas.

Os defensores argumentam que o país enfrenta pressões crescentes sobre infraestrutura, habitação, transporte e serviços públicos, enquanto os críticos alertam que a medida pode restringir a oferta de mão de obra em uma economia altamente dependente de profissionais qualificados vindos do exterior. Grandes empresas, especialmente dos setores de tecnologia e farmacêutico, demonstraram preocupação com possíveis dificuldades para atrair talentos internacionais, considerados essenciais para a competitividade do país. 

As implicações podem ir além do mercado de trabalho. Um limite rígido à imigração entraria em conflito com o princípio da livre circulação de pessoas, um dos pilares da relação entre a Suíça e a União Europeia. Isso abre espaço para tensões diplomáticas e comerciais com o principal parceiro econômico do país, responsável por grande parte de suas exportações e investimentos.

Em última instância, o debate reflete uma questão que vem ganhando força em diversas economias desenvolvidas: como equilibrar crescimento econômico, demanda por trabalhadores qualificados e pressões sociais associadas ao aumento da imigração em mercados desenvolvidos. 

· 05:06 — Um evento que chama a atenção 

Apple (Nasdaq: AAPL) inicia hoje sua tradicional Worldwide Developers Conference (WWDC), principal evento anual da companhia voltado a desenvolvedores, software e inovação. Embora historicamente a conferência seja utilizada para apresentar atualizações dos sistemas operacionais da empresa, a edição deste ano carrega uma relevância especial para investidores.

Após as críticas recebidas pela primeira geração do Apple Intelligence e os atrasos na implementação de recursos mais avançados de inteligência artificial, o mercado espera que a companhia apresente uma resposta mais robusta para a crescente competição com OpenAI, Google, Microsoft e outras líderes da corrida pela IA. Não por acaso, a WWDC é vista como uma oportunidade para a Apple demonstrar que possui uma estratégia para a grande onda tecnológica. 

O principal destaque esperado é uma profunda reformulação da Siri. Segundo as indicações, a assistente virtual deverá incorporar recursos de inteligência artificial generativa, utilizando modelos Gemini, do Google, além de ganhar maior capacidade de compreender contexto pessoal, interpretar informações exibidas na tela e executar tarefas mais complexas em diferentes aplicativos do ecossistema Apple.

Também existe expectativa para o lançamento de uma versão independente da Siri, em formato semelhante aos atuais chatbots de IA, potencialmente abrindo espaço para novas formas de monetização. Além disso, investidores acompanham possíveis atualizações dos sistemas operacionais da companhia, adaptações para novos formatos de hardware e avanços na integração entre dispositivos, elementos que podem reforçar a competitividade do ecossistema Apple nos próximos anos. 

Embora o mercado costume reagir de forma cautelosa aos anúncios da WWDC no curto prazo, o evento possui relevância para a tese de investimento. Mais do que apresentar novos produtos, a Apple precisa convencer investidores de que está preparada para ocupar um papel relevante na era da IA.

Em nossa visão, a empresa continua reunindo atributos difíceis de replicar, como uma base extremamente fiel de usuários, forte capacidade de geração de caixa, integração única entre hardware e software e uma das marcas mais valiosas do mundo. Caso a WWDC consiga demonstrar avanços concretos na estratégia de IA, o evento poderá representar um passo importante para reforçar a confiança dos investidores na capacidade da companhia de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas ao longo da próxima década, incluindo os investidores brasileiros expostos às BDRs AAPL34

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Ibovespa hoje: payroll em foco, Hezbollah rejeita cessar-fogo e Zelenskyy volta a falar de paz com a Rússia; veja os destaques

Os mercados globais encerram a semana em compasso de espera, com as atenções concentradas em dois temas principais: o relatório de emprego dos Estados Unidos e a persistente instabilidade no Oriente Médio. Após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial, investidores realizaram lucros em tecnologia, movimento que pressionou sobretudo as bolsas asiáticas e os futuros americanos.

Ao mesmo tempo, o payroll ganha relevância por ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Um mercado de trabalho ainda resiliente reforçaria a percepção de que a economia americana continua sustentando o crescimento, enquanto uma desaceleração mais acentuada poderia provocar uma reavaliação importante das perspectivas para juros e atividade econômica.

No campo geopolítico, o cenário permanece delicado. O Hezbollah rejeitou uma nova proposta de cessar-fogo no Líbano, enquanto o Irã voltou a condicionar qualquer avanço nas negociações com Washington à implementação de uma trégua efetiva na região. Apesar da retórica mais dura e da continuidade dos combates, os mercados reagiram de forma contida. Paralelamente, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, voltou a defender negociações de paz com a Rússia, enquanto os Estados Unidos avançaram com novas medidas de apoio à Ucrânia e sanções contra Moscou.

· 00:59 — Dias de luta e dias de glória

No Brasil, o mercado encerrou a quarta-feira anterior ao feriado de Corpus Christi sob forte pressão. O Ibovespa recuou 2,22%, fechando aos 170.331 pontos, seu menor nível desde janeiro, enquanto o dólar avançou 1,15%, para R$ 5,06. A agenda doméstica desta sexta-feira é relativamente esvaziada, mas o mercado deve refletir parcialmente a recuperação observada ontem nas ADRs brasileiras negociadas em Nova York, após a forte correção da véspera. Esse movimento já aparece de forma moderada nos contratos futuros desta manhã, sugerindo uma abertura ligeiramente mais favorável para os ativos locais.

No campo político e institucional, passa a valer hoje a classificação das principais facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos, medida que pode adicionar novos elementos à relação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. Paralelamente, o chamado “tarifaço 2.0” continua no radar dos investidores, embora ainda exista espaço para adiamentos, negociações e eventuais ajustes em sua implementação.

Do ponto de vista político, ambos os temas têm potencial para influenciar o debate público e a narrativa de soberania nacional adotada pelo governo. Resta acompanhar como esses acontecimentos serão absorvidos pela opinião pública e se produzirão efeitos perceptíveis nas próximas pesquisas de popularidade e intenção de voto.

· 01:48 — Os tão aguardados dados de emprego

Nos Estados Unidos, os mercados seguem divididos entre a resiliência da economia e as dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade do entusiasmo em torno da inteligência artificial. A Broadcom frustrou parte dos investidores ao manter inalterada sua projeção de receita para o segmento de chips voltados à IA em 2027, sem apresentar revisões adicionais para cima. A reação foi imediata: as ações da companhia recuaram, pressionando outras empresas associadas ao tema e reacendendo o debate sobre possíveis excessos de valorização no setor.

As preocupações ganharam força após declarações de Ray Dalio, fundador da Bridgewater, que alertou para características típicas de ciclos de exuberância observadas em momentos anteriores do mercado. Ainda assim, a inteligência artificial continua sendo a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, sustentada por investimentos bilionários, forte crescimento de usuários em plataformas como o Gemini, da Alphabet, e pelo otimismo demonstrado por lideranças do setor, como Jensen Huang, da Nvidia.

Paralelamente, as atenções dos investidores permanecem voltadas para o mercado de trabalho e para os próximos passos do Federal Reserve. A expectativa para o payroll de maio aponta para a criação de aproximadamente 85 mil vagas, com a taxa de desemprego permanecendo estável em 4,3%. Ao mesmo tempo, a desaceleração do crescimento salarial sugere que a atividade econômica continua relativamente sólida sem gerar pressões inflacionárias adicionais significativas.

Ainda assim, a combinação entre inflação persistente, alta recente das commodities e um mercado de trabalho que segue resiliente mantém o banco central americano em posição cautelosa. Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, voltou a destacar que a autoridade monetária poderá ser obrigada a manter os juros elevados por mais tempo — ou até mesmo considerar novos ajustes de alta — caso a inflação não continue avançando de forma consistente em direção à meta. Em síntese, os mercados americanos seguem equilibrando três forças centrais: a solidez da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e o desafio de reconduzir a inflação aos níveis desejados.

· 02:34 — Aparando arestas

A tentativa de cessar-fogo anunciada entre Israel e Líbano trouxe algum alívio inicial aos mercados, mas os obstáculos para uma solução duradoura permanecem relevantes. O principal desafio é que o conflito não envolve diretamente o Estado libanês, mas sim o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã que rejeitou os termos do acordo e continua operando no sul do país.

Como Teerã condicionou qualquer avanço nas negociações com Washington à implementação de uma trégua efetiva no Líbano, a resistência do Hezbollah reduz significativamente as chances de um entendimento mais amplo capaz de diminuir as tensões na região. Ao mesmo tempo, Israel segue sob forte pressão doméstica para manter sua campanha militar, enquanto o governo iraniano afirma que ainda não houve progresso concreto nas negociações de paz conduzidas com os Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, o conflito também começa a produzir repercussões políticas internas. A Câmara dos Representantes aprovou uma resolução que busca restringir a capacidade do presidente Donald Trump de ampliar o envolvimento militar americano contra o Irã sem autorização formal do Congresso, contando inclusive com o apoio de alguns parlamentares republicanos.

Embora a proposta enfrente obstáculos para se tornar lei e tenha impacto prático limitado no curto prazo, sua aprovação sinaliza um desgaste gradual do apoio político à continuidade da guerra. Dessa forma, o Oriente Médio vive um momento de aparente distensão, mas ainda marcado por elevada fragilidade, interesses estratégicos conflitantes e riscos relevantes para a estabilidade regional, os mercados de energia e o cenário geopolítico global.

· 03:25 — Impactos heterogêneos

A escalada dos preços do petróleo e o aumento da volatilidade observados desde o início do conflito no Golfo Pérsico vêm produzindo impactos bastante distintos entre as principais economias globais. Na Ásia, Índia e Coreia do Sul estão entre os países mais expostos ao choque energético, em razão da elevada dependência de importações para suprir sua demanda doméstica por combustíveis. Como resultado, ambas passaram a sentir de forma mais intensa o aumento dos custos de energia, com reflexos sobre consumidores, empresas e expectativas para a atividade econômica.

Embora China, Japão e Coreia do Sul tenham reduzido parte de suas importações de petróleo em resposta ao novo ambiente de preços, a Índia manteve volumes praticamente estáveis. Essa postura reflete características estruturais da economia indiana, como a forte dependência de energia importada, a menor capacidade de armazenamento estratégico e a necessidade de sustentar o crescimento de uma economia que continua em expansão. Na tentativa de amenizar os impactos para a população, o governo chegou a congelar temporariamente os preços dos combustíveis, mas a medida foi gradualmente flexibilizada, permitindo novos reajustes por parte das distribuidoras locais.

Em contraste, os Estados Unidos vêm enfrentando efeitos relativamente mais moderados. A condição de exportador líquido de energia reduz a sensibilidade da economia americana aos choques internacionais no mercado de petróleo, funcionando como um importante amortecedor em períodos de tensão geopolítica.

O episódio ilustra como a estrutura energética de cada país pode influenciar significativamente sua capacidade de absorver oscilações nos preços das commodities, com consequências relevantes para a inflação, o crescimento econômico e as decisões de política monetária.

· 04:17 — O novo e fragmentado mundo

As relações entre Estados Unidos e Europa atravessam um período de crescente desgaste, refletindo as dificuldades de coordenação entre aliados em um ambiente internacional cada vez mais complexo. Segundo Jens Stoltenberg, ex-secretário-geral da OTAN, as divergências entre Washington e os países europeus tornaram-se ainda mais difíceis de administrar do que durante o primeiro mandato de Donald Trump.

Entre os principais pontos de atrito estão as diferenças de posicionamento em relação ao conflito com o Irã e a pressão exercida pelos Estados Unidos para que os membros europeus ampliem seus gastos com defesa. Enquanto Trump critica a falta de apoio europeu às iniciativas americanas no Oriente Médio e volta a questionar o comprometimento dos aliados com a segurança coletiva, diversas lideranças do continente resistem a um alinhamento automático com Washington, evidenciando uma aliança mais tensionada em um cenário marcado pela fragmentação geopolítica.

Paralelamente, o comércio global continua passando por uma transformação estrutural relevante. Embora o debate sobre o eventual fim da globalização tenha ganhado força diante da escalada das tensões comerciais, da rivalidade entre Estados Unidos e China e da adoção de políticas industriais mais intervencionistas, os dados sugerem uma dinâmica mais sofisticada do que uma simples reversão da integração econômica global.

O setor manufatureiro tem apresentado um processo gradual de regionalização, com blocos como América do Norte e União Europeia concentrando uma parcela crescente de suas cadeias produtivas dentro de suas próprias regiões. Ainda assim, segmentos como serviços, commodities e fluxos financeiros permanecem amplamente integrados em escala global. Em outras palavras, o mundo parece caminhar menos para uma desglobalização completa e mais para uma reorganização das relações econômicas em torno de grandes blocos regionais, preservando parte importante da interdependência construída nas últimas décadas.

· 05:06 — A IA está cara ou apenas no começo?

A correção observada ontem nas ações ligadas à inteligência artificial reacendeu um debate recorrente em Wall Street: estamos diante de uma transformação tecnológica sustentável ou de mais um episódio de exuberância excessiva nos mercados?

O gatilho para essa discussão foi a reação negativa aos resultados da Broadcom. Embora a companhia tenha divulgado números robustos e mantido boas projeções para seus negócios relacionados à inteligência artificial, parte dos investidores esperava revisões ainda mais agressivas para cima. O episódio serviu como lembrete de que, após um longo período de valorização, o mercado passou a exigir não apenas crescimento, mas uma aceleração constante das expectativas. Ainda assim, correções pontuais e períodos de volatilidade não invalidam a tese da inteligência artificial.

Na prática, movimentos dessa natureza costumam fazer parte de ciclos de inovação, nos quais o sentimento dos investidores oscila entre momentos de euforia e fases de maior ceticismo, sem necessariamente interromper o avanço da transformação tecnológica.

O desempenho recente das ações de tecnologia chama ainda mais atenção porque ocorreu em um ambiente que, em tese, favoreceria uma postura mais cautelosa. Mesmo diante das tensões no Oriente Médio, da alta do petróleo e dos riscos associados à inflação e às cadeias globais de suprimento, o mercado continuou direcionando capital para empresas ligadas à inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital.

Em grande medida, isso reflete a percepção de que a tecnologia deixou de ser apenas um segmento específico da economia para se tornar uma camada fundamental que sustenta praticamente todas as atividades produtivas. Bancos, indústrias, varejistas, empresas de logística e prestadores de serviços dependem cada vez mais de software, computação em nuvem, processamento de dados e capacidade computacional, o que ajuda a explicar por que os investidores continuam antecipando ganhos futuros de produtividade e crescimento.

Ao mesmo tempo, a própria natureza da revolução da inteligência artificial está alterando o foco dos mercados. Se durante muitos anos a atenção esteve concentrada em aplicativos, plataformas digitais e publicidade online, hoje a discussão gira em torno de quem controla a infraestrutura necessária para sustentar essa transformação: chips, memória, data centers, energia, redes e equipamentos especializados.

Isso cria oportunidades não apenas para as grandes empresas de tecnologia, mas também para fornecedores estratégicos distribuídos ao longo de toda a cadeia global. Ainda assim, o potencial estrutural da tese não elimina os riscos. A história mostra que grandes ciclos de inovação frequentemente convivem com momentos de exagero nos preços dos ativos. Por isso, o desafio do investidor continua sendo distinguir a força da tendência de longo prazo da qualidade de cada empresa e do preço pago por ela, equilibrando convicção e disciplina na construção do portfólio.

Para o investidor que deseja participar dessa transformação sem a necessidade de selecionar individualmente os potenciais vencedores do setor, o ETF GENB11 surge como uma alternativa eficiente e acessível. O fundo busca replicar o desempenho do índice S&P/B3 Ingenius, que reúne algumas das maiores e mais inovadoras empresas de tecnologia do mundo, incluindo nomes como Apple, Microsoft e Alphabet.

Em vez de apostar em uma única companhia ou em uma tecnologia específica, o investidor passa a ter exposição a um conjunto diversificado de líderes globais que vêm capturando o avanço da digitalização, da computação em nuvem, da inteligência artificial e da economia baseada em dados. Em minha visão, essa abordagem faz ainda mais sentido em um momento em que a inovação tecnológica continua avançando, mas a volatilidade de curto prazo permanece elevada.

Assim, o GENB11 oferece uma forma simples de acessar uma das principais tendências estruturais da economia global por meio da B3, combinando diversificação, exposição internacional e participação no crescimento de empresas que seguem moldando o futuro da tecnologia.

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EUA vs. Pix? Entenda o que está por trás da polêmica e como isso pode mexer com seus investimentos

A discussão em torno do Pix voltou a ganhar relevância esta semana, após o sistema de pagamentos instantâneos ser citado em uma investigação comercial dos Estados Unidos.

Na visão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em pesquisa a pedido do presidente Donald Trump, o Pix pode representar uma vantagem “injusta” com capacidade de restringir o comércio americano.

O debate aparenta se concentrar na infraestrutura da transferência. Sem intermediários e sem muitas etapas, um pagamento por Pix é feito de forma instantânea, pelo celular, 24 horas por dia e sem cobrança de taxas.

Segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas (cerca de 80% da população brasileira) usufruem da plataforma.

Desde o lançamento no final de 2020 até o final de 2025, estima-se que o Pix já movimentou R$ 85 trilhões em transações, mais de 7 vezes o PIB do Brasil em 2024, aponta a fintech Ebanx.

Pix pode ser o primeiro capítulo de uma disrupção financeira, segundo analista

Na visão do analista de macroeconomia da Empiricus Research, Matheus Spiess, “o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário”.

O mercado global de pagamentos movimenta trilhões de dólares por ano e historicamente foi dominado por redes privadas que atuam como intermediárias das transações financeiras.

O que mobiliza o mercado agora é a perspectiva de que o Pix pode ser o passo inicial para uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

“Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard (US$ 25 trilhões)”, compara o analista.

A tendência, segundo Spiess, aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, em que o Pix pode ser apenas um dos primeiros capítulos.

Em cenários de transformação acelerada como esse, acompanhar os movimentos do mercado e entender seus possíveis desdobramentos torna-se um diferencial para quem busca tomar decisões de investimento mais bem fundamentadas.

É justamente com esse objetivo que a Empiricus disponibiliza aos seus assinantes análises e relatórios constantemente atualizados sobre os temas que podem impactar seus investimentos.

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Mercados entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões no Oriente Médio; veja os destaques desta quarta (3)

Os mercados globais iniciam o dia divididos entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Com a recente escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, marcada por ataques a alvos estratégicos, tentativas de ofensivas com drones e novas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, o petróleo voltou a avançar e se aproxima de US$ 98 por barril, refletindo os riscos para a oferta global de energia, enquanto investidores monitoram atentamente a possibilidade de novos desdobramentos militares capazes de influenciar inflação, crescimento econômico e política monetária em diversas regiões do mundo.

Nos Estados Unidos, a agenda econômica ganha relevância com a divulgação do relatório ADP de criação de empregos no setor privado, dos PMIs de serviços e composto, dos estoques semanais de petróleo e do Livro Bege do Federal Reserve.

Além dos indicadores, o mercado acompanha discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre a trajetória dos juros. Paralelamente, Donald Trump voltou a defender uma nova rodada de tarifas sobre importantes parceiros comerciais, reforçando uma agenda mais protecionista que pode gerar pressões inflacionárias adicionais justamente em um momento em que o banco central americano ainda busca consolidar o processo de convergência da inflação para a meta.

Mesmo diante desse ambiente mais complexo, a principal força de sustentação dos mercados continua sendo o setor de tecnologia e inteligência artificial. O Nasdaq acumula forte recuperação desde as mínimas registradas em março, enquanto o S&P 500 renovou sucessivos recordes nas últimas semanas.

· 00:56 — Atividade aquecida

Apesar do aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o mercado brasileiro voltou a apresentar alguma recuperação, com o Ibovespa avançando após a forte correção observada nos últimos pregões.

Ainda assim, para hoje, o principal foco deve continuar sendo a ofensiva tarifária do governo americano. Além da proposta de tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros no âmbito da Seção 301, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a investigações envolvendo o comércio de bens produzidos com trabalho forçado, ampliando o grau de incerteza para exportadores e investidores.

Ainda assim, o impacto macroeconômico tende a ser relativamente limitado, uma vez que as exportações brasileiras para os Estados Unidos representam cerca de 2% do PIB, enquanto as medidas ainda estão passíveis de consultas públicas, negociações diplomáticas e eventuais contestações judiciais.

Paralelamente, o debate em torno do Pix ganhou relevância por representar uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

Desde seu lançamento, o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos, disponíveis 24 horas por dia e a custos reduzidos, podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário.

Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard.

A tendência aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, no qual o Pix pode ser visto como um dos primeiros capítulos de uma transformação que tende a alcançar também os mercados de capitais e os ativos tokenizados.

Na agenda doméstica, os dados de produção industrial vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de que a atividade econômica continua mais resiliente do que o esperado.

Para a política monetária, essa dinâmica se soma a um ambiente de inflação pressionada e expectativas em deterioração, reduzindo o espaço para novos cortes da Selic. Os fundamentos que sustentavam um ciclo mais prolongado de flexibilização perderam força diante da combinação entre inflação surpreendendo para cima, mercado de trabalho aquecido e crescimento econômico consistente.

Embora ainda seja possível observar mais um ajuste residual — ou, no máximo, dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual — a percepção predominante é de que o Banco Central se aproxima do fim do ciclo de redução dos juros, com elevada probabilidade de manutenção da taxa em patamar estável até o final do ano.

· 01:47 — E o rali continua apesar dos ruídos globais

Os Estados Unidos seguem no centro das atenções dos mercados globais, combinando uma economia ainda resiliente com um ambiente geopolítico e comercial cada vez mais complexo.

Apesar das tensões no Oriente Médio e da alta recente do petróleo, Wall Street permanece nas máximas históricas, sustentada principalmente pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.

Empresas como Nvidia, Alphabet, Anthropic e diversas companhias ligadas à infraestrutura tecnológica seguem anunciando investimentos bilionários, novas parcerias e captações de recursos para expandir data centers, redes e capacidade computacional.

Esse movimento reforça a percepção de que a inteligência artificial permanece como a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, ajudando a sustentar lucros, atrair fluxo de capital e impulsionar o desempenho das bolsas, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

Isso depois de um relatório de rotatividade de mão de obra mais forte do que o esperado e de novas medidas tarifárias, que pode gerar novas pressões inflacionárias em um momento em que o Fed ainda busca consolidar a convergência da inflação para a meta.

Dessa forma, os mercados americanos seguem equilibrando três forças: a resiliência da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e os riscos crescentes associados à geopolítica e ao comércio.

· 02:34 — A sanha tarifária está de volta

As tensões comerciais voltaram ao centro das atenções após o governo Donald Trump propor novas tarifas de importação para cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. A medida prevê uma alíquota mínima de 10% para produtos originários de economias como Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, enquanto países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça poderão ser submetidos a tarifas de 12,5%.

Embora a justificativa formal esteja relacionada a uma investigação sobre falhas no combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado, a iniciativa também se insere em uma estratégia mais ampla de reconstrução da política tarifária da atual administração americana, após parte das medidas anteriores ter sido contestada judicialmente. O movimento reforça a percepção de que o protecionismo continuará ocupando papel relevante na agenda comercial dos Estados Unidos.

Para o Brasil, o tema ganha importância adicional porque surge logo após a recomendação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito de outra investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), relacionada à Seção 301.

Embora ainda existam incertezas sobre uma eventual cumulatividade entre as diferentes medidas, o anúncio amplia o grau de incerteza para exportadores e investidores. Além disso, a discussão ocorre em um contexto internacional já marcado pela alta dos preços de energia e commodities em decorrência das tensões no Oriente Médio. Nesse ambiente, a nova ofensiva tarifária tem potencial para aumentar os custos de produção, pressionar a inflação global e elevar a volatilidade dos mercados financeiros ao longo dos próximos meses.

· 03:22 — Estão preparados para o Super El Niño?

O possível retorno do El Niño voltou a ganhar atenção após a Organização Meteorológica Mundial elevar para 80% a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno até o fim de agosto.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e pelo enfraquecimento dos ventos alísios, o El Niño pode provocar mudanças relevantes nos padrões climáticos globais, ampliando o risco de secas, enchentes, incêndios florestais, furacões e outros eventos extremos em diferentes regiões.

Além disso, cresce a preocupação com a possibilidade de um “Super El Niño”, episódio mais intenso que poderia contribuir para temperaturas globais recordes em 2027. Historicamente, fenômenos dessa magnitude já produziram impactos econômicos importantes, afetando cadeias produtivas, pressionando preços de commodities e reduzindo o crescimento global.

Para os mercados, o tema vai além. Alterações nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produção agrícola, a oferta de alimentos, os custos de energia e a logística global, gerando pressões inflacionárias e influenciando decisões de política monetária.

No Brasil, os riscos são particularmente relevantes para o agronegócio e para a geração hidrelétrica: enquanto o Sul costuma enfrentar excesso de chuvas e maior risco de enchentes, Norte e Nordeste tendem a sofrer com temperaturas mais elevadas e períodos de seca.

Em um ambiente já marcado por preocupações com inflação e juros, o comportamento do Pacífico passa a ser uma variável econômica importante, reforçando que fatores climáticos também podem exercer influência significativa sobre crescimento, mercados e preços de ativos nos próximos trimestres.

· 04:15 — Nova expansão fiscal

O Japão anunciou um orçamento suplementar de cerca de US$ 19,4 bilhões, para mitigar os impactos da inflação e da alta dos preços das commodities associadas à instabilidade no Oriente Médio. O pacote inclui uma reserva de US$ 16 bilhões, destinada principalmente a subsídios para combustíveis, além de recursos para recompor reservas orçamentárias e apoiar governos regionais.

A medida, porém, exigirá nova emissão de dívida em um momento em que os investidores acompanham com atenção a trajetória fiscal do país e a recente alta dos rendimentos dos títulos públicos japoneses, movimento que reflete preocupações com inflação, aumento dos gastos públicos e o processo gradual de normalização monetária conduzido pelo Banco do Japão.

Ao mesmo tempo, o governo japonês voltou a demonstrar preocupação com a desvalorização do iene. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, reiterou que as autoridades estão preparadas para intervir no mercado cambial sempre que necessário, enquanto a moeda voltou a se aproximar de 160 ienes por dólar, patamar semelhante ao que motivou intervenções recentes.

Entre o fim de abril e maio, o governo gastou um valor recorde de aproximadamente US$ 73,5 bilhões para sustentar a moeda. O movimento evidencia o desafio enfrentado pelo Japão: equilibrar estímulos fiscais, inflação mais elevada, normalização gradual dos juros e a necessidade de evitar uma depreciação excessiva do iene, fatores que devem continuar influenciando os mercados japoneses nos próximos meses.

· 05:01 — Ainda dá para comprar?

Como comentei ontem, a Marvell Technology voltou ao centro das atenções do mercado após disparar 32% em um único pregão, impulsionada por declarações de Jensen Huang, CEO da Nvidia, que afirmou enxergar a companhia como a próxima potencial integrante do seleto grupo de empresas avaliadas em US$ 1 trilhão.

A fala ganhou peso adicional por vir de uma empresa que já investiu cerca de US$ 2 bilhões na Marvell e mantém uma parceria estratégica voltada à infraestrutura de inteligência artificial. A tese está diretamente ligada ao crescimento exponencial dos data centers de IA, que exigem soluções cada vez mais sofisticadas de conectividade, redes e componentes ópticos, áreas nas quais a Marvell ocupa posição relevante. Não por acaso, outras empresas ligadas ao segmento de óptica também registraram altas.

Mesmo após a expressiva alta recente, a empresa ainda está distante da marca simbólica de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Após o rali, a Marvell passou a valer aproximadamente US$ 254 bilhões, o que significa que ainda precisaria avançar cerca de 300% para atingir o patamar mencionado por Huang.

Naturalmente, trata-se de uma projeção ambiciosa e sujeita a riscos de execução, concorrência e ciclos do setor de tecnologia. Ainda assim, a companhia permanece bem posicionada em uma das áreas mais estratégicas da revolução da inteligência artificial: a infraestrutura necessária para conectar e alimentar os gigantescos data centers que sustentam esse crescimento.

Para investidores brasileiros, as BDRs M2RV34 (lá fora o ticker é MRVL na Nasdaq) seguem oferecendo uma forma acessível de capturar essa tendência estrutural por meio da B3, mantendo exposição a uma empresa que pode continuar se beneficiando da expansão global dos investimentos em IA nos próximos anos.

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FIIs ou renda fixa: o dilema do investidor em um ciclo (ainda lento) de queda de juros

CAROLINA BORGES EQI RESEARCH

 Com a Selic iniciando um ciclo de queda, o mercado brasileiro vive um momento positivo, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização da Bolsa. Ao mesmo tempo, os juros começam a recuar, ainda que em um ritmo mais lento do que o esperado no início do ano. Para os fundos imobiliários, essa […]

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Como os ETFs podem ajudar a investir no exterior em um cenário de juros altos e tensão

marfcelo

 Em um cenário global atravessado por juros ainda elevados e novas tensões geopolíticas, como equilibrar riscos e fazer a escolha certa de investimentos no exterior? Na avaliação de Marcelo Carramaschi, gestor de offshore da Monte Bravo, a construção de portfólio precisa considerar diferentes cenários. “O investidor precisa entender como os ativos se comportam em […]

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Relação de troca entre fertilizantes e grãos atinge o pior patamar desde 2022; 2/3 dos insumos para 2026/2027 não foram adquiridos 

As compras de fertilizantes para a safra 2026/2027 seguem atrasadas no Brasil em relação a anos anteriores. Cerca de 65% dos insumos ainda não foram adquiridos, e até mesmo o Mato Grosso — tradicionalmente mais antecipado — tem postergado as negociações diante dos preços elevados.

O conflito no Oriente Médio e as restrições da China aos embarques são os principais fatores por trás da alta dos fertilizantes, deteriorando significativamente a relação de troca com os grãos. Isso ocorre porque os insumos subiram de forma expressiva, enquanto as commodities agrícolas seguem em patamares mais baixos.

A relação de troca, inclusive, atingiu um dos piores níveis dos últimos anos, superando até mesmo 2022, quando os fertilizantes alcançaram preços recordes com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

“A diferença é que, naquele momento, os grãos também estavam valorizados. Agora, temos o oposto: fertilizantes caros e commodities andando de lado”, explica Maísa Romanello, analista da Safras & Mercado.

No caso da ureia, a relação de troca chegou a 32 sacas de soja ou 59 sacas de milho por tonelada do fertilizante. Há um ano, eram necessárias 17 e 33 sacas, respectivamente.

Para o MAP, a proporção subiu para 39 sacas de soja ou 72 sacas de milho por tonelada, frente a 25 e 49 sacas no mesmo período do ano passado.

Já o sulfato de amônio, que vem ganhando espaço na adubação nitrogenada — com maior volume importado da China como alternativa à ureia — também registrou piora. A relação de troca passou de 8 para 12 sacas de soja por tonelada e de 15 para 23 sacas no caso do milho.

“Ainda há espaço para aguardar melhores condições de compra, mas existe o risco de a demanda ficar represada para o segundo semestre. Se isso acontecer e o conflito se prolongar, os preços podem subir ainda mais”, afirma Romanello.

Piora nos fertilizantes pressiona liquidez

Além disso, o cenário é agravado pelas restrições de crédito e pelo aumento do endividamento dos produtores, uma situação que se arrasta desde o ano passado.

No mercado interno, isso se reflete em baixa liquidez. Importadores evitam formar estoques elevados, com receio de não conseguir repassar os preços ao produtor.

“Surge, assim, o risco de destruição de demanda, caso os agricultores não consigam arcar com os custos de adubação”, diz a analista.

Diante desse contexto, o mercado opera praticamente sob demanda, sem grandes antecipações.

“Enquanto nitrogenados e fosfatados seguem pressionados, o cloreto de potássio não sofre impacto direto do conflito. O produto apresenta maior estabilidade de preços, com volumes relevantes chegando ao Brasil. Por isso, tem sido o fertilizante mais importado neste momento, permitindo algum planejamento antecipado por parte dos produtores”, explica Romanello.

Nesse caso, a relação de troca também piorou, ainda que de forma mais moderada: passou de 14 para 18 sacas de soja por tonelada e de 26 para 32 sacas no milho, diz o analista.

Com esse cenário, o custo total de adubação, segundo ele, deve ser significativamente mais alto em 2026, aumentando a preocupação com a formação de custos e a rentabilidade das lavouras.

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“As margens para erro estão apertadas”: Volatilidade da guerra exige atenção dos investidores, segundo especialista

O cenário internacional segue impactando os mercados, com as incertezas sobre a guerra no Oriente Médio impulsionando a volatilidade global e a retomada da alta do petróleo.

No Giro do Mercado desta terça-feira (24), a jornalista Paula Comassetto recebe Angelo Miloch, analista da Sacre Investimentos, para analisar os principais movimentos do mercado.

Os mercados devolvem parte do alívio observado ontem diante das incertezas sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado ter mantido conversas “muito produtivas” com o governo iraniano, Teerã negou qualquer negociação.

Nesta manhã, os preços do petróleo voltaram a subir, com o Brent a US$ 101 o barril, após queda de 10% na véspera. No Ibovespa, as petroleiras lideravam a ponta positiva.

Para Miloch, a euforia de ontem com o possível cessar-fogo foi exagerada. “Seria uma notícia excelente em termos de mundo, mas, particularmente, achei que a reação foi demais, até porque viemos de um Ibovespa que fechou na semana passada acumulando quatro semanas seguidas em queda”, afirmou.

As margens para erros dos investidores estão ficando muito apertadas. Com a volatilidade gerada pelas notícias, é preciso estar atento para não errar os passos”, completou a respeito da postura necessária para enfrentar esse momento.

No Brasil, o mercado acompanha a ata do Copom, que reforçou a mensagem de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo diante das expectativas de inflação ainda desancoradas.

O analista da Sacre comenta que a decisão sobre os juros foi pressionada pelo cenário de guerra juntamente com a expectativa do mercado brasileiro por um corte, ao contrário da maioria dos bancos centrais internacionais que, na mesma época, optaram pela manutenção dos patamares de juros.

“O comitê trouxe uma calibração da taxa e não trouxe sinalização de novos cortes. A ata não trouxe uma orientação muito clara”, disse Miloch.

O especialista ainda comentou o impacto da retomada da alta do petróleo sobre as decisões monetárias no Brasil.

“Na minha visão, o preço do petróleo impacta menos as decisões do Banco Central, se comparado à geopolítica, porque o setor de combustíveis está dentro de uma parcela do IPCA que é controlável pelo governo”.

Ele lembrou que o Brasil é um grande produtor de petróleo e que, portanto, preços elevados desse recurso seriam benéficos para o país, já que há um volume significativo de exportações, o que contribuiria positivamente para o PIB. No entanto, ponderou que esse ganho poderia ser ofuscado pelo IPCA, que não tem apresentado queda e possui projeções próximas do teto. Acrescentou ainda que o preço do petróleo, por si só, não causa tanta preocupação, mas que o maior risco está no cenário macroeconômico, especialmente em relação à inflação e ao câmbio.

O cenário eleitoral também segue no radar após o governador do Paraná, Ratinho Junior, desistir de sua candidatura à Presidência. Além disso, uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel prevista para hoje pode influenciar o comportamento dos ativos domésticos no fim do dia.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

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Santander (SANB11), Cemig (CMIG4), Lojas Renner (LREN3) e outros destaques desta sexta-feira (20)

A dança das cadeiras entre os CEOS do Santander (SANB11) e B3 (B3SA3), o balanço referente ao quarto trimestre de 2025 da Cemig (CMIG3) e os juros sobre o capital próprio da  Lojas Renner (LREN3), são alguns dos destaques corporativos desta sexta-feira (20).

Confira os destaques corporativos de hoje

Mário Leão deixa Santander (SANB11) e CEO da B3 (B3SA3) assume

Duas gigantes da bolsas deverão contar novos CEOs em breve. Mário Leão, CEO do Santander (SANB11) que está no cargo desde 2022, deixará o posto. Em seu lugar, entrará Gilson Finkelsztain, CEO da B3 (B3SA3) desde 2017.

Em comunicado enviado ao mercado, a B3 confirmou que Finkelsztain não será mais CEO. De acordo com o comunicado, o executivo permanecerá no cargo no final do primeiro semestre de 2026.

“A decisão foi tomada de comum acordo entre o executivo e o conselho de administração, no contexto de um processo estruturado de sucessão, iniciado com a devida antecedência”, diz a nota.

Já o Santander também agradeceu Leão, que também irá ficar no cargo até junho.

Finkelsztain chegou a ficar próximo de uma cadeira no conselho de administração do Santander, função que exerceria simultaneamente ao comando da B3.

Lucro líquido da Cemig (CMIG3) cresce 88% e fica em R$ 1,88 bilhão no 4T25

Cemig (CMIG3) teve lucro líquido de R$ 1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, aumento de 88% sobre o desempenho de um ano antes, segundo balanço divulgado na noite de quinta-feira (19).

A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda consolidado de R$ 2,95 bilhões, aumento de 53,9% sobre o quarto trimestre de 2024. A companhia disse que o acordo homologado pelo TRT resultou em um efeito positivo líquido de R$ 1,19 bilhão no Ebitda do trimestre e R$ 788,1 milhões no lucro.

A receita líquida do quarto trimestre cresceu 2,9% no período, para R$ 11,50 bilhões, segundo o balanço.

A Cemig, também na quinta-feira (19),  aprovou a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor total de R$ 657,957 milhões.

O valor bruto do provento corresponde a R$ 0,23000005834 por ação, contemplando os acionistas detentores de ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN).

Terão direito ao pagamento os investidores com posição acionária em 24 de março de 2026. A partir de 25 de março de 2026, os papéis da companhia passam a ser negociados na condição “ex-direitos”.

O pagamento será realizado em duas parcelas iguais: a primeira até 30 de junho de 2027 e a segunda até 30 de dezembro de 2027.

Lojas Renner (LREN3) aprova JCP de R$ 217,4 milhões

Lojas Renner (LREN3) aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio (JCP) de R$ 217,4 milhões, informou a companhia em aviso aos acionistas divulgado na noite de quinta-feira (19).

O valor bruto corresponde a R$ 0,222698 por ação, considerando a base de 976,3 milhões de ações ordinárias, já excluídas as ações em tesouraria.

Terão direito ao provento os acionistas com posição em 24 de março de 2026. A partir de 25 de março de 2026, inclusive, os papéis da varejista passam a ser negociados na condição “ex-JCP”.

O pagamento será feito a partir de 14 de abril de 2026, sem atualização monetária. Como de praxe nesse tipo de remuneração, haverá incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme a legislação vigente, exceto para investidores imunes ou isentos que comprovarem essa condição dentro do prazo estabelecido pela companhia.

Riachuelo (RIAA3) desiste de oferta de ações que poderia captar R$ 400 milhões

Riachuelo (RIAA3) informou ao mercado a suspensão dos estudos para a realização de uma oferta pública subsequente de distribuição primária de ações (follow-on), tendo em vista a recente instabilidade do cenário geopolítico e consequente volatilidade do mercado de capitais.

Em fevereiro deste ano, a varejista confirmou que preparava uma operação que poderia levantar o valor inicial de R$ 400 milhões.

“A suspensão da potencial oferta não acarreta qualquer modificação no direcionamento de longo prazo da companhia, que permanece integralmente focada na execução de suas prioridades estratégicas, considerando a sua sólida estrutura financeira atual”, afirma a Riachuelo.

Os recursos da captação teriam como destino iniciativas de expansão e fortalecimento operacional, incluindo aceleração da abertura e reforma de lojas, investimentos em centros de distribuição e na indústria, expansão das operações da Midway Financeira e reforço do capital de giro.

Tupy (TUPY3) amplia prejuízo a R$ 626,5 milhões no 4T25

A Tupy (TUPY3) teve prejuízo líquido de R$ 626,5 milhões no quarto trimestre de 2025, bem acima da perda de R$ 97,7 milhões registrada um ano antes, divulgou nesta quarta-feira a multinacional brasileira do setor de metalurgia.

No material de divulgação do balanço, a companhia citou um impacto de R$ 544 milhões no resultado decorrente de iniciativas de reestruturação realizadas e provisionadas ao longo do ano baseadas na execução do projeto de desmobilização de capacidade, decorrentes de iniciativas de otimização da capacidade e de realocação da produção para linhas mais eficientes

De acordo com a Tupy, tais iniciativas contribuirão para o aumento das margens, da geração de caixa e do retorno sobre o capital investido (ROIC).

O resultado do quarto trimestre também mostrou queda de 12,4% nas receitas, para R$2,18 bilhões, refletindo, principalmente, o menor volume de vendas nas aplicações para veículos comerciais, segundo a companhia.

Grupo Panvel (PNVL3) tem alta de 35% no lucro do 4T25

Grupo Panvel (PNVL3) teve lucro líquido ajustado de R$ 45,2 milhões no quarto trimestre de 2025, alta de 35% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo balanço publicado na quinta-feira (19).

A rede de varejo farmacêutico apurou resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 105 milhões no quarto trimestre, alta de 28%.

A empresa teve receita líquida de R$ 1,56 bilhão no período, um crescimento de 16,3% na comparação com o quarto trimestre de 2024.

O grupo atribui o resultado positivo ao crescimento das vendas no trimestre, impulsionado pelo ganho de produtividade das lojas.

ISA Energia (ISAE4): Conselho de administração aprova plano de conversão de ações

O conselho de administração da ISA Energia (ISAE4) aprovou a conversão de ações ordinárias em ações preferenciais da companhia, mostra fato relevante divulgado na noite de quinta-feira (19).

De acordo com o documento, a conversão das ações tem pelos acionistas tem início nesta sexta-feira (20) e poderá ocorrer até o dia 3 de abril, observando o limite individual de até 3% do capital social.

A elétrica disse ainda que a conversão está limitada ao percentual total de 5% do capital social da companhia.

O conselho também aprovou o pedido de conversão por parte do seu acionista Axia Energia (AXIA3) de cerca de 19,8 milhões de ações.

*Com informações da Reuters

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Mercado ganha fôlego com possível fim da guerra; veja o que esperar de Ibovespa, petróleo e dólar no Giro do Mercado

Nesta terça-feira (10), os ativos globais mostram sinais de acomodação, após a forte aversão ao risco que impactou os mercados nas últimas semanas. A sinalização do possível encerramento da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã impulsionou a recuperação das bolsas após as perdas recentes.

No Giro do Mercado desta terça-feira, a jornalista Paula Comassetto conversa com o Lucas Costa, analista técnico do BTG Pactual, sobre os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior.

Nesta manhã, o mercado apresentou um alívio após as quedas da última semana, com incertezas sobre o preço do petróleo e a duração da guerra no Oriente Médio.

“Nos últimos anos, o mercado americano era o mais atrativo para os investidores, mas nos últimos meses aconteceu uma rotação global para países emergentes. Outra mudança veio com o aumento das tensões geopolíticas, o que incentivou a fuga de fluxo e a busca por ativos mais seguros”, explicou Costa.

Outro destaque do dia é a decisão dos ministros de Energia do G7 sobre a liberação conjunta de 300 milhões a 400 milhões de barris de petróleo. A esse respeito, o especialista do BTG afirmou que “hoje o que vemos são as reações da fala do Trump e essas notícias que saíram. Eu costumo trabalhar com alguns níveis de preço que são referências. Entre US$ 76 e US$ 78 é a expectativa de suporte a curto prazo”.

Hoje, o dólar apresentava movimento lateral em relação aos principais pares desenvolvidos, enquanto subia frente ao real. De acordo com Castro, o suporte técnico da moeda americana está em R$ 5, R$ 4,90 e R$ 4,85. Já as resistências são próximas de R$ 5,28, enquanto a média móvel de 200 dias é R$ 5,39.

No cenário doméstico, o Ibovespa (IBOV) subia na manhã desta terça. “Quando olhamos para a tendência de longo e médio prazo, a expectativa é de alta. O Ibov teve uma alta muito forte desde 2025, o que faz com que a visão fique um pouco distorcida. Mesmo com a queda da semana passada, não chegamos próximo da média móvel de 21 semanas”, afirmou o especialista do BTG.

Segundo Castro, ainda que o índice caísse até o patamar de 171 mil pontos, “tecnicamente ele ainda estaria em tendência de alta”.

No mundo corporativo, o GPA (PCAR3) anunciou um pedido de recuperação extrajudicial após firmar acordo com credores que representam R$ 2,1 bilhões em dívidas, com adesão de 46% dos créditos afetados.

*Com supervisão de Renan Sousa.

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