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A faculdade criada do zero que colocou o Brasil no ranking global de inovação

Era 2016 e o BTG Pactual ensaiava os primeiros passos de sua transformação digital. Logo a cúpula do banco se viu diante de um desafio que, anos depois, ainda assombra muitas empresas brasileiras: a dificuldade de encontrar talentos em tecnologia. Não apenas profissionais com domínio técnico, mas pessoas capazes de pensar a inovação como ferramenta […]

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Bitcoin é um ouro digital emergente? Entenda afirmação de especialista e quais os riscos de não ter BTC na carteira

O bitcoin (BTC) é um “ouro digital emergente”, na visão de Marcello Cestari, analista de criptoativos da Empiricus. Segundo ele, a criptomoeda ainda não é considerada um ouro digital por instituições financeiras pois ainda ocupa o posto de um ativo relativamente novo e tem um market cap menor em relação a outros ativos, como o próprio ouro.

Ao lado de Matheus Parizotto, research de digital asset do BTG Pactual, Cestari participou do ETF Day, evento promovido pelo banco para assessores de investimento nesta quarta-feira (6).

O especialista ainda pontua que a volatilidade das criptomoedas – mais expressiva que a do ouro ou das bolsas de valores, por exemplo – também dificulta na classificação do bitcoin como um ouro digital atualmente.

“Com a institucionalização que está acontecendo, o bitcoin tem se comportado mais correlacionado com o ‘Nasdaq alavancado’ do que como um ‘ouro digital’, que é como chamamos”, afirma.

Na leitura do especialista, contudo, o bitcoin e outras criptomoedas estão caminhando para se tornarem parte estratégica na composição de portfólios institucionais e de pessoas físicas para além de um investimento alternativo.

Qual é o risco de não investir em criptomoedas?

No evento do ETF Day, ao explicar o risco de não investir nos ativos digitais, Cestari faz uma comparação de valores de mercado aproximados:

  • Ouro: US$ 30 a US$ 32 trilhões em market cap;
  • Mercado cripto (incluindo BTC): US$ 2,5 trilhões;
  • Bitcoin: US$ 1,5 trilhão;

Diante dessa disparidade, Cestari avalia que o que move os investidores desse mercado diz respeito a uma opinião que já foi dita até pelo CEO da BlackRock, Larry Fink: o bitcoin pode chegar à marca do market cap do ouro, saindo de US$ 1,5 trilhão para US$ 30 trilhões.

“Óbvio que para isso acontecer, é preciso um mercado mais maduro, com mais regulamentação, criando regras e plataformas institucionais que caminhem para que o bitcoin se torne uma classe de ativo como as outras”, explica o especialista.

BTC deve ganhar mais protagonismo nas carteiras institucionais

Diante deste cenário, Cestari e Parizotto reforçam como é um risco não ter BTC na carteira. Para os especialistas, diversos ativos digitais estão no rumo de deixar a posição de investimentos alternativos e ganhar espaço como parte estratégica na composição de portfólios.

Um dos argumentos para isso é que o dólar vem perdendo sua posição de segundo protagonista nas reservas de valor mundial. “Não queremos dizer que o dólar vai acabar, mas a moeda vem sendo usada como arma política para sancionar alguns países e isso coloca a confiança em xeque”, disse o especialista.

Nessas circunstâncias, Cestari aponta que o bitcoin tem propriedades parecidas com o ouro que podem posicioná-lo como uma alternativa de reserva de valor. Na verdade, segundo o especialista, não investir em bitcoin no momento implica o risco de perda da “maior assimetria da década”.

Além disso, durante o evento ele também citou uma pesquisa da BlackRock que apontou que alocar parte da carteira em criptomoedas pode aumentar a eficiência dos portfólios, com maior Sharpe (relação de risco e retorno de um investimento) e menor volatilidade e drawdown (máxima perda que se pode ter com um investimento).

Ademais, a respeito das vias de institucionalização, o especialista também reforçou um potencial significativo neste sentido. Como exemplo, ele citou a entrada por meio da criação de ETFs (fundos negociados em bolsa, em tradução direta), tesourarias de bitcoin dentro das empresas e por meio de grandes nações adotando o ativo como parte do tesouro. O avanço dessas medidas, em sua visão, são vias da consolidação da posição do bitcoin como ouro digital.

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Gigantes da saúde ganham força para subir preços após consolidação, diz BTG

A consolidação no setor de saúde no Brasil mudou a dinâmica competitiva do segmento. Com maior concentração, grandes players do setor, incluindo a Bradsaúde, passaram a ter mais poder de precificação, deixando de ser tomadores de preços para se tornarem formadores, avalia o BTG Pactual.

Em relatório, os analistas Samuel Alves e Maria Resende destacam que esse cenário tende a sustentar reajustes mais consistentes nos planos de saúde e reduzir a probabilidade de deterioração da sinistralidade (MLR) ao longo do tempo.

Além disso, os analistas destacam que, embora o índice de sinistralidade atual esteja ligeiramente abaixo da média histórica, o desvio não é significativo. Parte dessa melhora pode ser estrutural, refletindo ganhos de eficiência após ajustes feitos pelas operadoras nos últimos anos, como maior controle de fraudes, uso de coparticipação, redes mais restritas e políticas de reembolso mais rigorosas. Esses fatores contribuem para um modelo mais equilibrado e disciplinado.

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Por fim, o BTG avalia que os principais riscos para a sinistralidade não são estruturais, mas macroeconômicos, como aumento do desemprego ou perda de renda, que podem elevar o uso dos planos e dificultar repasses de preços. Ainda assim, o banco vê a Bradsaúde como uma plataforma sólida, bem capitalizada e com potencial de reprecificação das ações, reforçando uma leitura construtiva para o ativo mesmo sem indicar preço-alvo ou recomendação no relatório.

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Investidores reagem mal à oferta da Ecopetrol e veem risco de destruição de valor na Brava

brava energia

O anúncio de que a colombiana Ecopetrol fechou um acordo para adquirir 26% da Brava Energia por R$ 2,8 bilhões e realizar uma oferta pública de ações (OPA) para atingir 51% do capital social da companhia não caiu bem entre os investidores. Por volta das 12h06, as ações da petroleira independente caíam 3,87%, a R$ […]

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BTG destaca que Casas Bahia (BHIA3) entra em fase de recuperação e vê avanço após reestruturação

A Casas Bahia (BHIA3) avançou de um cenário de sobrevivência para uma trajetória de recuperação, com melhora consistente em crescimento, margens e geração de caixa, segundo avaliação do BTG Pactual após o Investor Day da companhia.

De acordo com o analista, Luiz Guanais, 2025 marcou um ponto de inflexão para a varejista, que passou de uma postura defensiva para uma abordagem mais construtiva, com foco em crescimento e eficiência operacional, mesmo em um ambiente macro ainda desafiador.

“O tom foi significativamente mais confiante, com a companhia deixando para trás o modo de reestruturação e entrando em um novo momento de aceleração”, disse.

Um dos principais pilares dessa virada tem sido a transformação do balanço. A empresa realizou iniciativas como conversão de dívida, criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e novas estruturas de financiamento, que devem gerar cerca de R$ 2,8 bilhões em economia de despesas financeiras nos próximos cinco anos.

Além disso, a Casas Bahia alongou o perfil da dívida e reduziu o custo de captação, melhorando a visibilidade de liquidez e diminuindo a pressão de curto prazo.

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No campo operacional, Guanais destaca a consistência da estratégia omnichannel (estratégia que integra todos os canais de venda e comunicação de uma empresa), com crescimento tanto no físico quanto no digital. A companhia conta com cerca de 2 mil lojas, 24 centros de distribuição e atende aproximadamente 29 milhões de clientes, com volume bruto de mercadoria (GMV) ao redor de R$ 45 bilhões.

“As lojas físicas seguem sendo um diferencial competitivo relevante, especialmente em categorias como eletrodomésticos, onde a venda assistida e o crédito são essenciais para conversão”, afirmou.

O crédito, aliás, permanece como um dos principais motores do modelo de negócios. A empresa originou cerca de R$ 10 bilhões em crediário nos últimos 12 meses, apoiada por melhorias em análise de risco e uso de dados, além de iniciativas para tornar o funding mais eficiente.

Ao mesmo tempo, a companhia tem avançado em ações de monetização de caixa, como venda de ativos não estratégicos, recuperação de créditos tributários e operações de sale-leaseback (venda de imóveis com posterior locação), o que tem reforçado a geração de caixa.

A estratégia também passa por maior foco em categorias principais, que já representam 96% da operação, e pela expansão do marketplace (3P), modelo menos intensivo em capital por reduzir a necessidade de estoque.

Apesar dos avanços, o BTG reitera recomendação neutra para o papel, citando um ambiente competitivo ainda desafiador e juros elevados no curto prazo. O relatório não traz preço-alvo.

“A estrutura de capital segue no centro das atenções, enquanto o cenário de juros altos e competição intensa ainda limita uma visão mais construtiva no curto prazo”, disse Guanais.

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‘Smart Fit (SMFT3) é uma das maiores histórias de geração de valor da América Latina’

O time de analistas do BTG Pactual, liderado por Carlos Sequeira, incluiu a Smart Fit (SMFT3) na carteira recomendada de small caps. Essa é “uma das maiores histórias de geração de valor da América Latina”, publicaram em relatório.

O portfólio considera empresas com valor de mercado ao redor dos R$ 15 bilhões e recomenda 10 companhias atualmente, considerando a rede de academias.

Neste texto, você pode saber o que levou à escolha da rede de academias, ter acesso à carteira na íntegra e saber quem saiu das recomendações.

Veja mais: A carteira recomendada de small caps do BTG Pactual acumula alta de 6.686%, muito acima dos 127,6% do SMLL no mesmo período, e você pode acessá-la aqui

Por que investir em SMFT3 agora

O time liderado por Sequeira acompanha a Smart Fit desde o IPO, em 2021, e vê a empresa “combinando expansão consistente de receita com alavancagem operacional”.

A tese de investimento está baseada em três aspectos:

  1. “Escala incomparável na América Latina”;
  2. Rentabilidade alta, com possibilidade de melhora por meio da alavancagem operacional;
  3. Atuação em um mercado fragmentado, que deixa espaço para consolidação.

Os analistas também destacam riscos de curto prazo, “como ambiente macro desafiador em algumas geografias, potencial canibalização e maior competição”.

Mesmo assim, os analistas do BTG Pactual acreditam no potencial de crescimento no longo prazo das ações SMFT3, ressaltam que se trata de “uma tese diferenciada na América Latina”, e têm visto a liquidez dos papéis melhorar nos últimos meses.

Confira: A Smart Fit integra uma seleção de 10 small caps escolhidas a dedo por profissionais do BTG Pactual; clique aqui para conhecer

A carteira que já subiu 6.686%

A carteira recomendada de small caps do BTG Pactual recebe atualizações mensais, e a adoção da Smart Fit faz parte dos ajustes mais recentes. Até fevereiro, o banco Inter ocupava o espaço que hoje é da rede de academias.

O portfólio teve alta de 3,7% no mês passado, frente ao desempenho de 1,9% do Índice Small Cap (SMLL), indicador da B3 para ações do tipo e referência adotada pela carteira remunerada.

O analista Carlos Sequeira está à frente da seleção de ativos desde julho de 2010. De lá até aqui, as ações acumulam alta de 6.686%, enquanto o SMLL avançou 127,6% no mesmo período e o Ibovespa (IBOV, o principal índice de ações da bolsa), 209,8%.

Os dados de rentabilidade apresentados aqui consideram o último preço de fechamento registrado em 2 de março.

Gráfico da rentabilidade acumulada pela carteira recomendada de small caps do BTG Pactual de julho de 2010 a fevereiro de 2025 em comparação a IBOV e SMLL

Uma das melhores características dessa carteira é a simplicidade para acessá-la e conhecer todo o portfólio na íntegra. Bata clicar no link abaixo e seguir as instruções:

CONHECER A CARTEIRA DE SMALL CAPS RECOMENDADA PELO BTG PACTUAL

DISCLAIMER: Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability).

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Mercado ganha fôlego com possível fim da guerra; veja o que esperar de Ibovespa, petróleo e dólar no Giro do Mercado

Nesta terça-feira (10), os ativos globais mostram sinais de acomodação, após a forte aversão ao risco que impactou os mercados nas últimas semanas. A sinalização do possível encerramento da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã impulsionou a recuperação das bolsas após as perdas recentes.

No Giro do Mercado desta terça-feira, a jornalista Paula Comassetto conversa com o Lucas Costa, analista técnico do BTG Pactual, sobre os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior.

Nesta manhã, o mercado apresentou um alívio após as quedas da última semana, com incertezas sobre o preço do petróleo e a duração da guerra no Oriente Médio.

“Nos últimos anos, o mercado americano era o mais atrativo para os investidores, mas nos últimos meses aconteceu uma rotação global para países emergentes. Outra mudança veio com o aumento das tensões geopolíticas, o que incentivou a fuga de fluxo e a busca por ativos mais seguros”, explicou Costa.

Outro destaque do dia é a decisão dos ministros de Energia do G7 sobre a liberação conjunta de 300 milhões a 400 milhões de barris de petróleo. A esse respeito, o especialista do BTG afirmou que “hoje o que vemos são as reações da fala do Trump e essas notícias que saíram. Eu costumo trabalhar com alguns níveis de preço que são referências. Entre US$ 76 e US$ 78 é a expectativa de suporte a curto prazo”.

Hoje, o dólar apresentava movimento lateral em relação aos principais pares desenvolvidos, enquanto subia frente ao real. De acordo com Castro, o suporte técnico da moeda americana está em R$ 5, R$ 4,90 e R$ 4,85. Já as resistências são próximas de R$ 5,28, enquanto a média móvel de 200 dias é R$ 5,39.

No cenário doméstico, o Ibovespa (IBOV) subia na manhã desta terça. “Quando olhamos para a tendência de longo e médio prazo, a expectativa é de alta. O Ibov teve uma alta muito forte desde 2025, o que faz com que a visão fique um pouco distorcida. Mesmo com a queda da semana passada, não chegamos próximo da média móvel de 21 semanas”, afirmou o especialista do BTG.

Segundo Castro, ainda que o índice caísse até o patamar de 171 mil pontos, “tecnicamente ele ainda estaria em tendência de alta”.

No mundo corporativo, o GPA (PCAR3) anunciou um pedido de recuperação extrajudicial após firmar acordo com credores que representam R$ 2,1 bilhões em dívidas, com adesão de 46% dos créditos afetados.

*Com supervisão de Renan Sousa.

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Tombo do Ibovespa, conflito no Irã e dividendos da Petrobras (PETR4): o que bombou na semana

O derretimento de 5% do Ibovespa na semana com a aversão a risco, diante do conflito no Oriente Médio, e o anúncio do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 8,1 bilhões pela Petrobras (PETR4) foram o centro das atenções entre os leitores.

Entre os temas mais lidos aqui no Money Times, estão também a ação que pode ser beneficiada pelo conflito no Irã, segundo o BTG Pactual, e a data de divulgação das regras para o Imposto de Renda (IR) de 2026. Confira o que mais ganhou destaque nos últimos dias:

Ibovespa tomba 5% na semana

Diante do sentimento de aversão a risco, com a escalada de tensão no conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irã, o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, caiu 5% nesta semana.

Um dos destaques positivos na bolsa, porém, foi a Petrobras (PETR4), com as ações ordinárias e preferenciais fechando em alta de 5% nesta sexta-feira (6), entre as maiores altas do índice, em reação ao balanço do quarto trimestre (4T25), ao anúncio de dividendos e à disparada do petróleo.

Petrobras (PETR4) paga R$ 8,1 bilhões de JCP

Na quinta-feira (5), a Petrobras (PETR4) informou que seu conselho de administração aprovou o encaminhamento à assembleia de acionistas da proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em remuneração aos acionistas, referentes ao quarto trimestre de 2025.

A proposta será analisada na Assembleia Geral Ordinária (AGO) marcada para 16 de abril de 2026.

Caso a proposta seja aprovada, os proventos serão pagos em duas parcelas, ambas na forma de juros sobre capital próprio: R$ 0,31311454 por ação em 20 de maio de 2026; R$ 0,31311454 por ação em 22 de junho de 2026.

Disparada do Brent pode beneficiar uma ação, segundo o BTG

Na semana, o petróleo Brent acumulou alta de 27%, superando os US$ 90 com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo bruto.

Nesse contexto, o BTG Pactual, recomenda a compra e preço-alvo de R$ 56 para a Prio (PRIO3), considerada a principal escolha do banco no setor. Segundo os analistas, apesar das discussões recentes sobre o grau de captura da alta do petróleo pela companhia, o papel tende a acompanhar o movimento do Brent.

O resultado do quarto trimestre de 2025 e o início da produção em Wahoo reforçam a tese, que ganha ainda mais força com preços mais elevados da commodity — ao menos nos mercados futuros.

Receita Federal anuncia regras em 16 de março

Receita Federal comunicou que a divulgação das normas para a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda 2026 ocorrerá no dia 16 de março, às 10 horas, durante coletiva de imprensa.

O anúncio, que habitualmente acontece na primeira quinzena do mês, foi postergado para o início da segunda quinzena, o que deve resultar em um período menor para o envio do documento pelos contribuintes em comparação a anos anteriores.

Como o dia 15 de março cai em um domingo e a divulgação das regras está agendada para o dia 16 (segunda-feira), a expectativa é que o início das transmissões das declarações ocorra apenas a partir do dia 17 de março.

O encerramento do prazo de entrega está previsto para o dia 29 de maio, uma vez que os dias 30 e 31 de maio coincidem com o final de semana,. Essa configuração resultará em menos tempo para preencher e transmitir a declaração do que o registrado em 2025.

XP aumenta projeção do Ibovespa

XP Investimentos revisou o preço-alvo do Ibovespa para 196 mil pontos, aumentando a projeção anterior de 190 mil, ao levar em conta o início do ciclo de cortes de juros e revisões positivas de preço-alvo de ações pelos analistas.

Durante o mês de fevereiro, o fluxo de capital estrangeiro para fora dos Estados Unidos se manteve. Além das tensões geopolíticas que envolveram o presidente dos EUA, Donald Trump, a insegurança sobre uma bolha de IA criou um cenário favorável aos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Ao longo do mês o Ibovespa atingiu máximas históricas, com um forte rali, que a XP acredita que pode “persistir no curto prazo”. Ainda assim, os analistas ressaltam a possibilidade de que os investidores migrem para um “trade de convergência, buscando nomes e setores que ficaram para trás”.

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China ou retenção? BTG vê incerteza na alta do boi, mas já projeta margens menores para frigoríficos

Desde o começo de 2026, os preços do boi subiram 10% em reais e 14% em dólares. Para o BTG Pactual, é difícil dizer se a recente alta nos preços do gado reflete sinais iniciais de retenção de vacas para abate, uma corrida para antecipar embarques para a China diante de uma cota mais apertada em comparação com os volumes exportados no ano passado, ou uma combinação desses dois fatores.

Segundo Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, se a retenção ganhar força a partir de agora, apostar em uma reversão significativa de preços parece uma decisão difícil.

“Isso deve resultar em um ambiente de margens mais pressionado para frigoríficos, e por isso projetamos queda nas margens em 2026 em relação a 2025”, explicam.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o abate de bovinos atingiu 42,7 milhões de cabeças em 2025, alta de 7,6% ano contra ano, com crescimento de 13% apenas no 4º trimestre.

Ao mesmo tempo, os preços de bezerros subiram de forma agressiva, fortalecendo o incentivo para os pecuaristas iniciarem a retenção de vacas.

O que é o ciclo do boi?

Embora pareça complexo, o ciclo pecuário é essencialmente determinado pela oferta de gado. Os preços tendem a se mover de forma inversa à proporção de vacas abatidas — ou seja, quanto menor o abate de fêmeas, maior tende a ser o preço do boi.

Quando menos fêmeas são enviadas aos frigoríficos, a oferta de animais para abate diminui, pressionando os preços para cima. Quando ocorre o contrário, com maior envio de vacas para o abate, a oferta aumenta e os preços geralmente recuam.

Nos últimos anos, a oferta atingiu níveis historicamente elevados, o que pressionou os preços do gado para baixo até meados de 2024. Desde então, porém, os preços voltaram a subir — um movimento que chama atenção porque o ritmo de abate continua forte.

Além disso, um ambiente favorável para exportações, puxado pelos Estados Unidos e pela China, provavelmente ajudou a sustentar a disposição dos frigoríficos em pagar mais pelo gado, mesmo com a recente valorização dos preços.

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Rio Open e ascensão de João Fonseca reacendem ligação entre tênis e mercado financeiro

A rápida ascensão do tenista João Fonseca devolveu ao Brasil um entusiasmo pelo tênis que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Mesmo eliminado nas oitavas de final do Rio Open este ano, Fonseca, de 19 anos, ainda disputa neste domingo (22) o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.

Além do maior interesse do público, refletido em arquibancadas cheias e maior procura por ingressos, o efeito também aparece nas transmissões e, principalmente, entre patrocinadores do mercado financeiro. Afinal, em um esporte historicamente associado às elites, o gosto e o dinheiro raramente competem – costumam atuar em dupla.

E na semana do maior torneio de tênis da América do Sul, o mercado financeiro aproveitou para ampliar sua presença no tênis: desde financiamento de jovens promessas e da criação de plataformas de relacionamento com clientes a patrocínios diretos de campeonatos.

Afinal, o tênis sempre foi território natural de empresários e investidores: um esporte caro, de base social concentrada e ambiente propício para relacionamento e para fechar negócios.

Se antes o apoio vinha de entusiastas que bancavam atletas de forma quase artesanal, hoje ele começa a passar por estruturas financeiras organizadas.

Apostando no futuro

A corretora EQI, por exemplo, criou no ano passado um fundo de renda fixa com liquidez diária cuja taxa de administração é integralmente destinada ao financiamento de atletas brasileiros. O produto, chamado Fundo Match Point, já soma cerca de R$ 53 milhões sob gestão e mais de 100 cotistas.

Em 2025, o projeto contou com R$ 241,3 mil em receitas – sendo R$ 208,3 mil aportados como seed money da própria EQI – uma casa com R$ 50 bilhões sob gestão – e outros R$ 32,9 mil oriundos do fundo. Ao longo do ano, cerca de R$ 100 mil foram efetivamente investidos em cinco atletas profissionais.

Parte dos recursos é destinada ao treinamento, como acesso a técnicos, fisioterapia e preparação física. Outra fatia cobre viagens, um dos principais custos da carreira profissional. E há ainda um sistema de bônus atrelado a desempenho, como avanço em rankings e resultados em torneios.

A corretora, cujos sócios são tenistas amadores, decidiu se aproximar do circuito profissional ainda em 2023. O primeiro nome foi o gaúcho Rafael Matos. O acordo foi fechado às pressas, às vésperas do Australian Open daquele ano. Segundo Patrik Castilho, diretor de marketing da EQI, houve tempo apenas de entregar os “patches” com a marca antes de o atleta embarcar.

O contrato formal ainda nem estava assinado quando Matos, que disputava duplas mistas ao lado da também brasileira Luisa Stefani, começou a avançar rodada após rodada em Melbourne. Ele acabaria conquistando o título – tornando-se parte da primeira dupla 100% brasileira a vencer um Grand Slam, grupo que reúne os quatro principais torneios do circuito: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023
Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023 (Divulgação/Tennis Australia)

O episódio consolidou a aposta da corretora no esporte. Desde então, a empresa ampliou o portfólio e hoje patrocina cerca de dez atletas entre profissionais e juvenis, como Thiago Monteiro, Marcelo Zormann, João Lucas Reis, Ingrid Martins, Mateus Pucinelli e o juvenil Miguel Dahia, além de dois nomes do pádel, outro esporte de raquete.

A seleção, segundo a companhia, passou por um processo de profissionalização. “No começo era muito emocional. A gente gostava do atleta, acompanhava e apoiava. Hoje a curadoria é técnica”, afirmou Castilho. A triagem passou a ser feita em parceria com a Tênis Root, estrutura especializada em formação e alto rendimento, que acompanha desempenho, ranking e potencial de evolução.

Por trás dessa engenharia está uma estratégia mais ampla da EQI para ocupar o território do tênis. A corretora, que até poucos anos atrás dividia investimentos em outras modalidades como o automobilismo, decidiu concentrar esforços exclusivamente nos esportes de raquete.

Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI
Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI (Divulgação/Rio Open)

Além do fundo, a EQI mantém criou a chamada “Match Point Mansion”, uma casa paralela ao Rio Open onde clientes convivem com jogadores, participam de clínicas e assistem aos jogos em ambiente exclusivo. O investimento no espaço foi de cerca de R$ 2 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 2,6 milhões neste ano.

A lógica é dupla: fortalecer a marca no esporte e usar o tênis como plataforma de relacionamento. “A casa começa às oito da manhã e vai até a noite. O cliente fica imerso, convive com o atleta. É uma experiência que dificilmente teria só com o patrocínio tradicional do torneio”, disse o executivo.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de atletas apoiados à medida que o patrimônio do fundo cresce. “O nosso foco agora é fazer o fundo ganhar escala para que a gente consiga trazer mais atletas para dentro do projeto”, disse.

Paixão empresarial

A proximidade entre tênis e mercado financeiro está longe de ser novidade. O esporte sempre orbitou as elites econômicas – seja como parte da formação social, seja como ambiente de relacionamento e negócios.

O exemplo está no próprio João Fonseca: principal nome da nova geração, ele cresceu em uma família já consolidada no mercado financeiro. Seu pai, Christiano Fonseca Filho, é fundador da IP Capital Partners, uma das primeiras gestoras independentes do país. 

A estrutura familiar permitiu a João competir em alto nível desde cedo, algo essencial em um esporte de custos elevados, que exige viagens internacionais frequentes, equipe técnica especializada e raquetes que podem custar mais de R$ 1,5 mil cada.

João Fonseca entrando em quadra no Rio Open
João Fonseca entrando em quadra no Rio Open (Divulgação/Rio Open)

A associação entre quadra e capital também aparece na trajetória de empresários influentes. O bilionário Jorge Paulo Lemann, por exemplo, jogava tênis no Rio de Janeiro na juventude antes de se tornar um dos maiores investidores brasileiros.

Fora do país, o bilionário americano Bill Ackman, fundador da Pershing Square, chegou a disputar, aos 59 anos, um torneio profissional da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em duplas. E há casos emblemáticos como o do romeno Ion Țiriac, ex-top 10 do ranking mundial que, após pendurar a raquete, construiu um império empresarial e se tornou um dos homens mais ricos da Europa Oriental.

Hoje, essa relação ganha escala institucional. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, é um ds principais patrocinadores desta edição do Rio Open, ao lado da XP – a empresa de Guilherme Benchimol substituiu o Santander em um dos espaços principais e também apoia João Fonseca. O BTG Pactual, de André Esteves, mantém histórico de patrocínios no circuito.

O Itaú é patrocinador da tenista Bia Haddad Maia, além de ter promovido no ano passado, em Miami um jogo exibição entre Fonseca e o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz – confronto que será repetido neste ano em São Paulo.

No plano internacional, os valores são ainda mais expressivos. O Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, tornou-se, em 2024, o patrocinador oficial da ATP e passou a financiar etapas do circuito global. 

PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP
PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP (Divulgação/ATP)

A influência saudita avançou a ponto de o país garantir, a partir de 2028, a realização de uma etapa de Masters 1000 – torneios que estão entre os mais importantes do calendário, atrás apenas dos Grand Slams – ampliando a estratégia do fundo de usar o esporte como instrumento de projeção internacional, como já fez no futebol e no golfe.

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Rio Open e ascensão de João Fonseca reacendem ligação entre tênis e mercado financeiro

A rápida ascensão do tenista João Fonseca devolveu ao Brasil um entusiasmo pelo tênis que não se via desde os tempos de Gustavo Kuerten, o Guga. Mesmo eliminado nas oitavas de final do Rio Open este ano, Fonseca, de 19 anos, ainda disputa neste domingo (22) o título nas duplas ao lado de Marcelo Melo.

Além do maior interesse do público, refletido em arquibancadas cheias e maior procura por ingressos, o efeito também aparece nas transmissões e, principalmente, entre patrocinadores do mercado financeiro. Afinal, em um esporte historicamente associado às elites, o gosto e o dinheiro raramente competem – costumam atuar em dupla.

E na semana do maior torneio de tênis da América do Sul, o mercado financeiro aproveitou para ampliar sua presença no tênis: desde financiamento de jovens promessas e da criação de plataformas de relacionamento com clientes a patrocínios diretos de campeonatos.

Afinal, o tênis sempre foi território natural de empresários e investidores: um esporte caro, de base social concentrada e ambiente propício para relacionamento e para fechar negócios.

Se antes o apoio vinha de entusiastas que bancavam atletas de forma quase artesanal, hoje ele começa a passar por estruturas financeiras organizadas.

Apostando no futuro

A corretora EQI, por exemplo, criou no ano passado um fundo de renda fixa com liquidez diária cuja taxa de administração é integralmente destinada ao financiamento de atletas brasileiros. O produto, chamado Fundo Match Point, já soma cerca de R$ 53 milhões sob gestão e mais de 100 cotistas.

Em 2025, o projeto contou com R$ 241,3 mil em receitas – sendo R$ 208,3 mil aportados como seed money da própria EQI – uma casa com R$ 50 bilhões sob gestão – e outros R$ 32,9 mil oriundos do fundo. Ao longo do ano, cerca de R$ 100 mil foram efetivamente investidos em cinco atletas profissionais.

Parte dos recursos é destinada ao treinamento, como acesso a técnicos, fisioterapia e preparação física. Outra fatia cobre viagens, um dos principais custos da carreira profissional. E há ainda um sistema de bônus atrelado a desempenho, como avanço em rankings e resultados em torneios.

A corretora, cujos sócios são tenistas amadores, decidiu se aproximar do circuito profissional ainda em 2023. O primeiro nome foi o gaúcho Rafael Matos. O acordo foi fechado às pressas, às vésperas do Australian Open daquele ano. Segundo Patrik Castilho, diretor de marketing da EQI, houve tempo apenas de entregar os “patches” com a marca antes de o atleta embarcar.

O contrato formal ainda nem estava assinado quando Matos, que disputava duplas mistas ao lado da também brasileira Luisa Stefani, começou a avançar rodada após rodada em Melbourne. Ele acabaria conquistando o título – tornando-se parte da primeira dupla 100% brasileira a vencer um Grand Slam, grupo que reúne os quatro principais torneios do circuito: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023
Rafa Matos e Luisa Stefani venceram o Australia Open de 2023 (Divulgação/Tennis Australia)

O episódio consolidou a aposta da corretora no esporte. Desde então, a empresa ampliou o portfólio e hoje patrocina cerca de dez atletas entre profissionais e juvenis, como Thiago Monteiro, Marcelo Zormann, João Lucas Reis, Ingrid Martins, Mateus Pucinelli e o juvenil Miguel Dahia, além de dois nomes do pádel, outro esporte de raquete.

A seleção, segundo a companhia, passou por um processo de profissionalização. “No começo era muito emocional. A gente gostava do atleta, acompanhava e apoiava. Hoje a curadoria é técnica”, afirmou Castilho. A triagem passou a ser feita em parceria com a Tênis Root, estrutura especializada em formação e alto rendimento, que acompanha desempenho, ranking e potencial de evolução.

Por trás dessa engenharia está uma estratégia mais ampla da EQI para ocupar o território do tênis. A corretora, que até poucos anos atrás dividia investimentos em outras modalidades como o automobilismo, decidiu concentrar esforços exclusivamente nos esportes de raquete.

Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI
Thiago Mointeiro, tenista patrocinado pela EQI (Divulgação/Rio Open)

Além do fundo, a EQI mantém criou a chamada “Match Point Mansion”, uma casa paralela ao Rio Open onde clientes convivem com jogadores, participam de clínicas e assistem aos jogos em ambiente exclusivo. O investimento no espaço foi de cerca de R$ 2 milhões no ano passado e deve chegar a R$ 2,6 milhões neste ano.

A lógica é dupla: fortalecer a marca no esporte e usar o tênis como plataforma de relacionamento. “A casa começa às oito da manhã e vai até a noite. O cliente fica imerso, convive com o atleta. É uma experiência que dificilmente teria só com o patrocínio tradicional do torneio”, disse o executivo.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de atletas apoiados à medida que o patrimônio do fundo cresce. “O nosso foco agora é fazer o fundo ganhar escala para que a gente consiga trazer mais atletas para dentro do projeto”, disse.

Paixão empresarial

A proximidade entre tênis e mercado financeiro está longe de ser novidade. O esporte sempre orbitou as elites econômicas – seja como parte da formação social, seja como ambiente de relacionamento e negócios.

O exemplo está no próprio João Fonseca: principal nome da nova geração, ele cresceu em uma família já consolidada no mercado financeiro. Seu pai, Christiano Fonseca Filho, é fundador da IP Capital Partners, uma das primeiras gestoras independentes do país. 

A estrutura familiar permitiu a João competir em alto nível desde cedo, algo essencial em um esporte de custos elevados, que exige viagens internacionais frequentes, equipe técnica especializada e raquetes que podem custar mais de R$ 1,5 mil cada.

João Fonseca entrando em quadra no Rio Open
João Fonseca entrando em quadra no Rio Open (Divulgação/Rio Open)

A associação entre quadra e capital também aparece na trajetória de empresários influentes. O bilionário Jorge Paulo Lemann, por exemplo, jogava tênis no Rio de Janeiro na juventude antes de se tornar um dos maiores investidores brasileiros.

Fora do país, o bilionário americano Bill Ackman, fundador da Pershing Square, chegou a disputar, aos 59 anos, um torneio profissional da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) em duplas. E há casos emblemáticos como o do romeno Ion Țiriac, ex-top 10 do ranking mundial que, após pendurar a raquete, construiu um império empresarial e se tornou um dos homens mais ricos da Europa Oriental.

Hoje, essa relação ganha escala institucional. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, é um ds principais patrocinadores desta edição do Rio Open, ao lado da XP – a empresa de Guilherme Benchimol substituiu o Santander em um dos espaços principais e também apoia João Fonseca. O BTG Pactual, de André Esteves, mantém histórico de patrocínios no circuito.

O Itaú é patrocinador da tenista Bia Haddad Maia, além de ter promovido no ano passado, em Miami um jogo exibição entre Fonseca e o número 1 do mundo, Carlos Alcaraz – confronto que será repetido neste ano em São Paulo.

No plano internacional, os valores são ainda mais expressivos. O Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, tornou-se, em 2024, o patrocinador oficial da ATP e passou a financiar etapas do circuito global. 

PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP
PIF, da Arábia Saudita, é o principal patrocinador da ATP (Divulgação/ATP)

A influência saudita avançou a ponto de o país garantir, a partir de 2028, a realização de uma etapa de Masters 1000 – torneios que estão entre os mais importantes do calendário, atrás apenas dos Grand Slams – ampliando a estratégia do fundo de usar o esporte como instrumento de projeção internacional, como já fez no futebol e no golfe.

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O BTG além do banco: como a holding de André Esteves e sócios virou um dos maiores grupos empresariais do país

Sob a gestão do banqueiro carioca e hoje chairman André Esteves, o BTG Pactual não apenas consolidou sua posição como maior banco de investimentos do país, como também viu a holding formada pelos seus 410 sócios – a chamada “partnership” – se transformar em um dos grupos empresariais mais influentes do Brasil. Tudo isso uma década depois de o banco atravessar sua maior crise.

Energia, telecomunicações, varejo, educação e logística compõem um portfólio que, pela diversidade e pela escala, ocupa um terreno que grupos empresariais tradicionais e holdings financeiras, como Itaúsa e Bradespar, jamais tiveram.

São histórias de grandes negócios, mas também de apostas frustradas, como a tentativa de consolidar o varejo farmacêutico com a BR Pharma, que terminou em falência, ou o da Sete Brasil, projeto criado para atender o pré-sal e que desmoronou em meio a denúncias de corrupção na Petrobras e que chegou a levar Esteves à prisão em 2015. Naquele momento, o grupo de sócios assumiu a dianteira dos negócios e manteve o banco de pé. O processo foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A compra de participações em empresas pela partnership dos sócios do BTG tem uma mecânica própria. Os sócios estruturam as operações considerando que os fundos administrados pela casa e grandes clientes tenham prioridade no investimento. Só depois dessa alocação entra a partnership.

O resultado é que boa parte das participações é compartilhada entre a holding dos sócios e veículos administrados pelo banco, o que torna mais difícil distinguir o que pertence exclusivamente a partnership e o que são dos fundos da casa. O BTG não usa capital próprio nas operações.

Ainda assim, é possível identificar a amplitude dessa atuação: a rede de investimentos se espalha por setores centrais da economia brasileira.

Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento
Os investimentos do sócios do BTG e de seus fundos de investimento

A partnership do BTG, o “CNPJ” que reúne o capital dos sócios e administra os dividendos do grupo, ganhou o formato atual a partir de 2009, quando André Esteves e outros executivos recompraram o Pactual do UBS por US$ 2,5 bilhões. O negócio foi emblemático porque voltou a priorizar o modelo de gestão adotado pelo Pactual antes da venda aos suíços.

Uma fonte ouvida pelo InvestNews lembra que a partnership do BTG não nasceu com a ambição de se tornar um grupo empresarial. Mas que, de certa forma, a holding acabou evoluindo para isso. “No fim do dia, é um grupo de investidores empreendedores, são todos banqueiros ali”, disse.

Dos quase R$ 10 bilhões distribuídos em JCP pelo BTG Pactual em 2024, cerca de R$ 6,9 bilhões foram para a partnership. Parte desses recursos é distribuída proporcionalmente aos sócios, enquanto outra parcela permanece na holding para novos investimentos do grupo.

A mecânica

A governança da holding de sócios se organiza em três círculos decisórios. O primeiro é o comitê principal da partnership, o núcleo duro formado pelos sete principais acionistas, responsáveis pela estratégia e pela alocação de capital. São eles: André Esteves; o CEO do BTG, Roberto Sallouti; Renato Santos – o “Renatão” – (tesouraria); Guilherme Paes (banco de investimento); Renato Cohn (CFO); Rogério Pessoa (gestão de patrimônio); e Rodrigo Góes (sales & trading).

O segundo é o comitê ampliado, composto por cerca de 12 sócios seniores – líderes das principais unidades de negócios, que apresentam propostas ao núcleo principal. Além dos sete principais acionistas, existem outros nomes proeminentes no grupo, como Antônio “Totó” Porto (institucional), Huw Jenkins (vice-chairman), Renato Mazzola (private equity), João Marcello Dantas (controladoria), Alexandre Camara (special situations), Marcelo Flora (varejo) e Rubens Henriques (gestão de ativos).

O terceiro núcleo envolve os comitês temáticos, que reúnem outros sócios em discussões sobre crédito, risco e modelagem de investimentos. São eles que sustentam a máquina que permite ao BTG executar investimentos bilionários com velocidade.

Um caso recente que ilustra bem a forma de trabalhar da partnership é a entrada na Cosan, negócio que envolveu um cheque total de R$ 4,5 bilhões. A operação transformou o grupo de sócios do BTG no maior acionista individual do conglomerado de Rubens Ometto, que vive uma crise de endividamento causada pela Raízen e por uma aposta mal-sucedida na Vale.

Eis o modus operandi. A operação foi estruturada pelo BTG e oferecida aos fundos administrados pelo banco abertos ao público, que têm prioridade.

O fundo de infraestrutura gerido pelo BTG alocou R$ 600 milhões no negócio. Como os fundos de private equity têm um limite de exposição de 25% do seu patrimônio, esse era o valor o máximo que o veículo em questão poderia investir. Em seguida, a mesma oportunidade foi aberta a clientes institucionais e de alta renda – que aportaram outros R$ 400 milhões por meio de coinvestimento.

Só depois desse duplo filtro (fundos e clientes) foi que a operação chegou aos sócios do BTG, que completaram o cheque com os R$ 3,5 bilhões restantes, ganhando maior peso nessa composição. A partnership nunca disputa com o cliente, mas completa a operação – muitas vezes com o maior cheque.

André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan
André Esteves e Rubens Ometto, controladores da Cosan (Ilustração: João Brito)

Luiz Cezar Fernandes, fundador do Pactual e um dos poucos que acompanharam as duas eras do banco por dentro, lembra que o negócio envolvendo a Cosan é o que diferencia os sócios do BTG. “O banqueiro de investimento entra onde o banco comercial não entra: em empresas pressionadas, nas operações complexas – naquilo que precisa ser salvo”.

No caso da Cosan, com alto endividamento, o que os sócios do BTG viram foi um potencial de retorno alto com a reestruturação da dívida e a exposição a setores onde a capacidade de execução faz toda a diferença – ferrovias, combustíveis e terras agrícolas. Esse diferencial colocou o grupo de Ometto exatamente no tipo de jogo que o BTG gosta de jogar. “A estratégia é sempre oportunística, no bom sentido. É entrar no ponto mais baixo para criar valor”, prossegue Cezar, em entrevista ao InvestNews.

O avanço da partnership para dentro da economia real também ampliou, de forma inevitável, o raio de influência de André Esteves nas conversas com Brasília.

Um banco que estrutura operações de financiamento para grandes empresas já é relevante; agora um banco cujos sócios têm participações expressivas em setores que empregam milhares de pessoas, operam infraestrutura crítica e afetam preços regulados ocupa um degrau completamente diferente.

Erros…

O começo da trajetória de André Esteves e dos sócios do BTG como força empresarial não seguiu um linha reta rumo ao sucesso.

Um dos primeiros investimentos do grupo, a BR Pharma, nasceu em 2009 com a ambição de consolidar redes regionais e criar uma gigante nacional do varejo farmacêutico. Dona da bandeira Farmais, a companhia enfrentou problemas de integração, não conseguiu capturar sinergias e acumulou prejuízos. Dez anos depois, a empresa teve sua falência decretada pela Justiça, com dívidas que superam R$ 1 bilhão.

Mas nenhum revés se compara ao da Sete Brasil, empresa que o BTG pagou US$ 1 bilhão em 2012 para ter 30% do negócio. O projeto, concebido para criar a frota de sondas do pré-sal, ruiu em meio a denúncias de corrupção, atrasos crônicos e contratos inviáveis. Um “super fiasco”, nas palavras do próprio Esteves. O colapso da Sete Brasil ganhou força na Lava-Jato e respingou diretamente no BTG. Em novembro de 2015, André Esteves, então CEO do banco, foi preso preventivamente e ficou um mês detido.

Anos depois, em 2018, o STF arquivou um dos processos e, em 2020, suspendeu outro, mas o episódio deixou marcas profundas, exigiu uma reestruturação interna e redefiniu a percepção de risco dentro da casa. O BTG continuou entrando onde o mercado hesitava, mas passou a escolher melhor os terrenos onde pisa. O episódio também fortaleceu o núcleo duro de sócios para além de Esteves.

…e acertos

A Eneva foi uma das apostas mais bem-sucedidas do grupo de sócios do BTG. Originária da MPX Energia, uma das empresas de Eike Batista, a companhia entrou em recuperação judicial em 2014 com cerca de R$ 2,3 bilhões em dívidas – um dos casos mais sensíveis do setor elétrico brasileiro. 

No ano seguinte, os credores optaram por converter parte da dívida em ações. E o BTG acabou se tornando um dos principais acionistas. No ano passado, após um aumento de capital, o BTG e a partnership ampliaram sua posição e passaram a deter 48,06% do capital da Eneva, tornando-se o maior acionista da companhia, que é uma das maiores operadoras de usinas termelétricas do Brasil, rivalizando com a Âmbar Energia, dos irmãos Batista.

Eneva Complexo de Parnaíba
Complexo de Parnaíba da Eneva (Divulgação)

Outros investimentos promissores são a V.tal, rede neutra de fibra óptica, e a Nio, provedora de internet, ambas derivadas do processo de recuperação judicial da Oi. Na V.tal, o BTG fez parte de um consórcio que pagou R$ 12,9 bilhões por 57,9% das ações da companhia, enquanto a Nio custou cerca de R$ 5,8 bilhões.

Há também negócios menos visíveis, mas muito relevantes, como a Engelhart, trading de commodities que nasceu dentro do BTG, e o Timberland Investment Group (TIG), braço florestal do banco, que compra, administra e arrenda áreas para produção de madeira e projetos de carbono.

Outras apostas recentes vieram da compra de ativos diretamente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. Por R$ 1,5 bilhão, o grupo de sócios do BTG levou ações da Veste, Metalfrio e Light – nas três empresas, o BTG figura entre os principais acionistas. Além disso, o pacote incluia o hotel Fasano Itaim, um ícone imobiliário de São Paulo.

Donos

A ideia de que o BTG pudesse ir além do investment banking não é nova e nasceu ainda no Pactual original, nos anos 1980, quando Luiz Cezar Fernandes tentava convencer seus sócios André Jakurski e Paulo Guedes de que seria possível ter um banco capaz de aconselhar, financiar e, quando necessário, virar sócio dos clientes. 

Quem acabou executando aquilo que Cezar idealizou – e em uma escala ainda maior do que ele próprio imaginava – foi André Esteves, o estagiário quieto que entrou no Pactual em 1989 e nunca mais saiu daquele universo.

Recentemente, viralizou uma foto de André Esteves sozinho lendo jornal na sede do BTG no que parece ser um fim de semana, gerando curiosidade nas redes sociais.

André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)
André Esteves, chairman do BTG, no escritório do banco em São Paulo (Reprodução/Redes Sociais)

Quem convive com ele garante que aquilo é rotineiro. Esteves repete em palestras e entrevistas que a única forma de construir algo duradouro é cercar-se de gente tão boa quanto ou melhor. “Aqui eu contrato donos, não funcionários”, costuma dizer.

Na prática, isso significa povoar o BTG de pessoas que tratam cada decisão como se o capital fosse delas – porque, em boa parte dos casos, é mesmo.

Procurado pelo InvestNews, o BTG não comentou.

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Tudo ou nada: Light espera concessão para anunciar investimento de R$ 12 bilhões no Rio

Com mais de 100 anos de operação no Rio de Janeiro, a companhia elétrica Light vive um momento decisivo em sua vasta história. Responsável pelo fornecimento de energia para 31 municípios do estado fluminense, onde atende a mais de 11 milhões de pessoas, a empresa corre contra o relógio para conseguir acertar a renovação da concessão estadual, que vence em junho de 2026. A decisão é fundamental para destravar um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão na companhia e um ciclo de investimentos de R$ 12 bilhões em cinco anos, segundo apurou o InvestNews.

Em recuperação judicial desde maio de 2023, quando declarou mais de R$ 11 bilhões em dívidas, a Light conta com o apoio das prefeituras para conseguir avançar em um acordo com a Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, pela renovação da concessão no Rio. No fim de setembro, os prefeitos dos 31 municípios onde a empresa presta serviço assinaram um abaixo-assinado solicitando que a autarquia desse tração à análise da renovação.

Outro fator que faz o mercado crer em uma virada de chave na empresa tem a ver com o leque de investidores que hoje compõem seu quadro societário: o fundo Samambaia, de Ronaldo Cezar Coelho, é o maior acionista com 20% do capital da Light; seguido pela WNT, ligada ao empresário Nelson Tanure, com 18,9%; e pelos bancos BTG Pactual (14,8%) e Santander (10,2%).

Principal investidor da Light atualmente, o banqueiro e ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho foi figura ativa no processo de pulverização do controle da empresa. Se hoje o papel é cotado a cerca de R$ 5, quando Cezar Coelho montou sua posição na companhia, em 2020, a ação superava a faixa dos R$ 20. “Eu comandei a privatização da Light. Comprei essas ações a R$ 20 da Cemig e a R$ 23 do BNDES. E aconteceu o que aconteceu depois. Mas estou aqui e estou pensando em cinco anos para frente”, afirma ele, em entrevista ao InvestNews.

Entusiasta de longa data da empresa, o megainvestidor carioca sonha com novos tempos para a Light, prevê a saída da recuperação judicial em breve e aposta em novas frentes de negócios. Cezar Coelho também acredita no bom relacionamento com a Aneel para aprovar a renovação da concessão até o início de 2026. “A relação política e com a Aneel está ótima, como nunca esteve”, diz ele.

O investidor também prevê que a renovação da concessão tenha um gatilho para as perdas não técnicas (o que ficou conhecido popularmente como “gatos”). Um balanço da empresa, divulgado em 2024, estimou que 35% dos clientes da Light fazem ligações clandestinas no Rio. “Para o balanço de 2026, vai nascer uma nova Light, uma empresa com um passivo bem menor e com um contrato com cláusulas melhores negociadas em relação aos próximos 30 anos, especialmente no que se diz respeito ao ICMS que a Light paga sobre energia roubada, que é desviada no meio do caminho”, diz Cezar Coelho.

O InvestNews apurou que a empresa pretende investir cerca de R$ 12 bilhões no estado fluminense nos próximos cinco anos. A arrecadação de parte desse montante deve se dar por meio de debêntures incentivadas e o valor servirá para suportar as melhorias nas linhas de distribuição da companhia, para mitigar as perdas por desvios na rede. “A Light tem uma rede muito antiga e atua em áreas que vão necessitar de uma grande renovação dos equipamentos da rede nos próximos cinco anos”, diz uma fonte ligada à companhia. 

Com o fim da recuperação no horizonte, a companhia pretende contratar financiamentos mais baratos e de longo prazo.

Acionista de referência e ativo nas negociações envolvendo a companhia, Cezar Coelho não poupa elogios a seus pares na empreitada, sobretudo a Nelson Tanure. Ele conta que acompanhará o aumento de capital, que será composto por aportes e conversão de dívidas em equity, e também elogia o BTG, que entrou na companhia em uma negociação pelos ativos que pertenciam ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

“O BTG tem planos de ser uma grande empresa de energia. Esse movimento que eles fizeram agora com a Cosan e antes com a Eneva mostra que os donos do BTG estão criando uma grande holding de energia”, afirma Cezar Coelho. “Uma vez que a Light esteja saneada, com gente como o BTG dentro, vai ter gente querendo comprar a Light. Seria uma grande compra para a Equatorial, Energisa ou Iberdrola. A Equatorial conhece bem a Light. Já foi acionista e conselheira.”

Uma luz no fim do túnel 

Com endividamento elevado, a Light precisou driblar uma regra da legislação brasileira para conseguir solicitar sua recuperação judicial em 2023. É que pelas regras vigentes, concessionárias de serviços públicos de energia não podem usufruir do método que prevê a paralisação de cobranças e negociação das dívidas com credores. 

A manobra, perpetrada com sucesso pelo ex-CEO Octavio Lopes, que acabava de assumir a operação para organizar seu turnaround, foi entrar com o pedido pela holding Light S.A., e não da concessionária. A estratégia foi o estopim para um intenso embate da companhia com os credores – que culminou em um acordo assinado em abril de 2024. Mas, para Cezar Coelho, a manobra foi “corajosa” e o único caminho possível para manter a empresa em pé. “Quando ele [Lopes] viu a mudança na lei do ICMS, ficou claro que o caixa ia drenar, e isso era uma condenação da empresa à morte”, diz Cezar Coelho.

A lei citada pelo megainvestidor é a 14.385, sancionada em 28 de junho de 2022, que obrigava as distribuidoras a devolverem o crédito fiscal que as empresas ganharam na Justiça depois que o STF entendeu que o ICMS havia sido indevidamente incluído na base de cobrança do PIS.

chart visualization

À época do pedido de recuperação da Light, a alternativa encontrada recebeu diversas críticas de políticos, como o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que cobrava melhorias e modernizações por parte da distribuidora de energia elétrica. Ele pedia que a empresa mirasse no exemplo das prestadoras de serviço de saneamento básico, que haviam conseguido mitigar os problemas com os ‘gatos’. “Ela [a Light] precisa se modernizar para conseguir receitas de locais onde seja fácil recuperar, agregar valor à operação dela”, disse o governador em 2023.

Antes de recorrer à RJ, a empresa também foi desinvestida por estatais. Em 2020, o BNDESPar anunciou a saída da operação. No ano seguinte, foi a vez de a Cemig vender suas ações na companhia, da qual era a maior acionista, por meio de uma oferta subsequente de ações (follow-on).

Linhas paralelas

Maior acionista atualmente da companhia, Cezar Coelho quer pensar no futuro. O investidor diz ter planos para a empresa que vão além da operação no setor de energia. A Light é dona, por exemplo, de uma das maiores reservas particulares de Mata Atlântica no país, uma área de preservação que abrange os municípios de Rio Claro e Piraí. O investidor acredita que a empresa poderia usar a área para a comercialização de créditos de carbono. Outra ideia seria usar a vasta rede de dados de consumidores como uma forma de entrar no mercado financeiro, oferecendo, por exemplo, serviço de crédito aos clientes. 

“São ideias brutas, que eu tenho há alguns anos, mas que eu acho viáveis. Só que eu sou realista. Hoje, nós estamos com um caminhão caído na beira da estrada. Estamos tirando o caminhão da ribanceira, mas ao mesmo tempo estamos arrumando o motor e trocando os pneus, com a nova concessão. Quando ele vier pra estrada, a Light vai voltar para a estrada numa outra fase da economia brasileira, podendo apostar em inteligência artificial e meios de pagamento. Esse é o futuro.”

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BTG Pactual passa a deter 49,71% da Veste SA Estilo

A Veste SA Estilo informou na noite de quinta-feira (10) que o Banco BTG Pactual exerceu o direito de compra de suas ações. Assim, o banco passou a deter 56,8 milhões de ações ordinárias da companhia, equivalendo a 49,71% do capital social.

O BTG também reteve a possibilidade de adquirir 4,4 milhões de ações da Veste, que representam aproximadamente 3,81% do capital da companhia.

A aquisição tem como finalidade exclusiva a realização de operações financeiras, alinhadas à estratégia de investimento e consistindo em oportunidade de geração de valor para o BTG Pactual.

“Não tem como objetivo – nesse momento – qualquer alteração na estrutura atual de controle ou na governança da companhia”, informou a Veste em comunicado, citando notificação do BTG.

Em nota, a Veste declarou que a WNT Gestora de Recursos reduziu a sua posição acionária em 30,67% na companhia, passando a deter 0,58% do capital social.

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BTG disputa linha de transmissão da Brookfield, dizem fontes

Um fundo de infraestrutura do BTG Pactual está entre os interessados ​​em adquirir uma linha de transmissão de energia da Brookfield Asset Management no Brasil, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Um fundo gerido pelo banco, a State Grid, o Grupo Energia Bogotá e um consórcio formado pela Taesa e a Cemig avançaram para uma segunda fase, explorando a compra da linha de transmissão Mantiqueira da Quantum Participações, empresa da Brookfield, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas, pois as negociações não são públicas. Um processo de due diligence está em andamento, disseram as pessoas.

A Bloomberg noticiou em junho que a State Grid e a GEB estavam em negociações para comprar o ativo e haviam contratado assessores. O processo de venda está sendo conduzido pelo Itaú BBA e Bradesco BBI, disseram pessoas familiarizadas com o assunto em março.

BTG, Taesa e Brookfield não quiseram comentar. State Grid, GEB e Cemig não retornaram pedidos de comentários. 

Fundada em 2017, a Quantum foi criada para gerir o fundo Brasil Energia, da Brookfield, que investe no setor de transmissão de energia. A empresa administra concessões para construir, operar e manter mais de 3.000 quilômetros de linhas de transmissão.

O projeto Mantiqueira compreende mais de 1.200 quilômetros de linhas de transmissão que atravessam 50 municípios do estado de Minas Gerais e tem 18 subestações.

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MRV, Cury, Tenda, Direcional e Plano&Plano: construtoras dobram de valor mesmo com Selic a 15%

Que o Brasil é o país dos juros altos, todo mundo já sabe. E, naturalmente, quando os juros estão nas alturas, a construção civil costuma sofrer: financiamento caro, crédito restrito, demanda menor. Mas em 2025 a lógica se inverteu. Mesmo com a Selic a 15%, no maior nível dos últimos 20 anos, construtoras de baixa renda mais do que dobraram de valor na Bolsa.

E o mais impressionante é que, mesmo depois dessa arrancada histórica, parte do mercado ainda vê espaço para mais, afinal as ações seguem negociando a múltiplos baixos e com expectativa de dividendos relevantes.

O que explica essa força é o Minha Casa Minha Vida, que foi turbinado em 2023 com mais subsídios, teto maior e a criação da Faixa 4, que atende a famílias com renda mensal de até R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil. Apenas dois anos depois, já se discute ampliar novamente o programa, incluindo imóveis de até R$ 650 mil para famílias com renda de até R$ 15 mil. Só em 2025, o MCMV já consumiu 88 bilhões de reais do FGTS, 66% de todo o orçamento previsto para o ano.

Com esse suporte, o setor continuou realizando novos lançamentos em ritmo intenso. Em 2024, 53% dos projetos imobiliários do país foram do Minha Casa Minha Vida e, em São Paulo, o programa respondeu por 60% dos financiamentos. Esse volume de atividade ajuda a sustentar as projeções de resultados fortes esperados pelos analistas para os próximos anos.

Segundo o BTG Pactual, mesmo depois da forte alta das ações, as construtoras ainda estão com preços atrativos. Hoje, elas valem na Bolsa algo entre 4,5 e 7,2 vezes o lucro que devem gerar em 2026 — enquanto empresas do mesmo setor, em países desenvolvidos como os Estados Unidos, costumam valer de 12 a 20 vezes esse lucro. Em outras palavras: as ações subiram, mas os lucros também cresceram, o que mantém a relação entre preço e lucro em níveis considerados baixos. Além disso, essas companhias devem pagar bons dividendos neste ano, entre 7% e 11%.

Na avaliação do banco, Cury, Direcional e Plano&Plano são as mais sólidas. Já MRV e Tenda carregam o maior risco – mas também o maior potencial de retorno.

No caso da MRV, os números mais recentes mostraram a fraqueza do momento: os lançamentos de novos empreendimentos caíram 42% e as vendas líquidas diminuíram 27% em relação ao ano passado. A empresa também “queimou caixa” – gastou mais do que arrecadou, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Isso, mesmo depois de vender parte de seus ativos no exterior.

Segundo o BTG, os resultados foram piores do que o esperado e podem pesar sobre a ação no curto prazo. Ainda assim, o banco destaca que o papel continua barato, sendo negociado por cerca de 0,8 vez o valor do seu patrimônio e 5 vezes o lucro estimado para 2026, o que abre espaço para forte valorização se a empresa conseguir melhorar seus resultados.

Já a Tenda carrega riscos semelhantes, mas conta com a Alea, sua subsidiária de construção modular, que pode se tornar um motor adicional de crescimento e ainda não está refletida no preço da ação.

No fim das contas, as construtoras de baixa renda deixaram de ser carta fora do baralho. E hoje sustentam uma das teses mais fortes da Bolsa brasileira.

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