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Escritório de arquitetura ou engenharia: é melhor ter funcionários CLT ou contratar PJs?

12 de Maio de 2026, 18:18

Para um pequeno escritório de arquitetura ou engenharia, a lógica de contratação de mão de obra parece óbvia. Em empresas que tocam projetos com começo, meio e fim, a ideia de ter o mínimo possível de funcionários CLT e contratar profissionais PJ conforme a demanda parece a opção mais vantajosa.

Mas a conta não fica só no custo operacional. Para empresas enquadradas no Simples Nacional, a escolha entre contratar CLTs, fechar parcerias com outras PJs ou recrutar freelancers afeta diretamente a carga tributária, a margem de lucro e os riscos jurídicos do negócio.

Afinal, o que é melhor: contar com funcionários CLT ou contratar outras pessoas jurídicas na hora de executar os projetos? A verdade é que cada caso exige fazer contas – mas, do ponto de vista tributário, ter uma folha fixa mais alta pode não ser um problema.

O ‘lado bom’ de uma folha alta

Via de regra, escritórios de arquitetura e engenharia têm a tributação mais cara do Simples. Eles são enquadrados no chamado Anexo V, com alíquota inicial de 15,5% sobre o faturamento.

Isso vale para quem tem receita pequena, de até R$ 180 mil por ano.

Quando o faturamento aumenta, as alíquotas crescem também – e rápido. Se seu escritório fatura R$ 200 mil por ano, já entra na faixa de 18%. E assim vai até o teto, de 30,5%, para aqueles com receita de R$ 3,6 milhões a R$ 4,8 milhões.

A boa notícia é que a legislação abre uma brecha para que esse tipo de empresa migre para o Anexo III do Simples, em que as alíquotas começam em 6% – bem mais palatáveis. Isso é possível quando o gasto com a folha de pagamento é alto em comparação com o faturamento da empresa.

Mas alto quanto? Entra aí o “Fator R”, um indicador que mede essa relação. Pela fórmula, basta dividir o valor da folha da empresa nos últimos 12 meses pela receita bruta no mesmo período. Já explicamos o funcionamento do indicador em detalhes nesta reportagem do Descomplica PJ.

Na folha entram os salários dos funcionários CLT, o pró-labore dos sócios e os encargos trabalhistas, como FGTS e INSS. Se o “Fator R” der 0,28 (28%) ou mais, o escritório pode migrar para o Anexo III e pagar um imposto mais baixo. Se ficar abaixo, precisa permanecer no Anexo V, com tributação mais alta.

Pagamentos a PJs ou freelancers não entram na conta. Portanto, se sua empresa só contrata dessa forma, o gasto com a folha fica baixo e ela não pode pleitear uma tributação menor.

Há também o risco jurídico, considerado grave. Se a contratação da PJ mascarar uma relação de emprego – em que existe subordinação, exigência de pessoalidade e dependência econômica -, o escritório fica exposto a potenciais processos trabalhistas.

Em resumo sobre as diferentes modalidades:

  • Funcionário CLT: Embora gere mais custos diretos de contratação (com FGTS, férias, 13º salário, entre outros), essa despesa compõe a massa salarial. Na prática, ter funcionários no regime CLT ajuda a estabilizar o Fator R em 28%, e isso permite migrar para alíquotas mais baixas no Simples.
  • PJ parceira: Esse regime não influencia o “Fator R”, pois os pagamentos são considerados serviços prestados por terceiros e entram apenas como despesa operacional da empresa, não gasto com folha.
  • Freelancer pessoa física: Neste caso, além de não contar para o “Fator R”, o escritório ainda é obrigado a recolher 20% de INSS patronal sobre o valor pago ao profissional.

A diferença de custo em um exemplo

Nada melhor que um exemplo para entender o impacto real do “Fator R”. Imagine um escritório de arquitetura ou engenharia com faturamento mensal de R$ 50 mil (R$ 600 mil ano) , com custo fixo de R$ 14 mil por mês com equipe.

No primeiro cenário, o escritório só contrata PJs para executar os projetos – ou seja, os R$ 14 mil mensais entram como despesas operacionais e não compõem a folha de pagamento. Como o “Fator R” não alcança 28%, o escritório se mantém no Anexo V.

Com isso, a empresa cairia na alíquota de 19,5% do Simples. Descontando deduções possíveis, seu gasto com impostos seria de R$ 8.925 por mês.

No segundo cenário, o escritório contrata funcionários no regime CLT e gasta os mesmos R$ 14 mil por mês com a folha de salários. Nesse caso, o “Fator R” atingiria exatamente 28% e a empresa poderia migrar para o Anexo III, com tributação menor. A alíquota do Simples seria de 13,5% e o gasto com impostos, depois de deduções, cairia para R$ 5.280 por mês.

A diferença entre fazer 100% das contratações no regime PJ e 100% no regime CLT geraria, nesse caso, uma economia de R$ 3.645 por mês no imposto do Simples. “Portanto, antes de fechar uma contratação, o cálculo na ponta do lápis deve envolver não só o RH mas também o planejamento tributário”, diz Milton Fontes, sócio do Peixoto & Cury Advogados.

Um ponto de atenção

A comparação ajuda a entender o contexto tributário, mas exige cautela. Os mesmos R$ 14 mil mensais permitem montar estruturas diferentes dependendo do modelo de contratação. E, embora a comparação tributária favoreça o regime CLT, esse modelo e o PJ não são equivalentes em custos, disponibilidade da equipe, flexibilidade operacional e risco jurídico.

No regime CLT, o valor total engloba o salário do profissional mas também encargos como FGTS, férias, 13º salário, INSS patronal e outros custos trabalhistas. O valor líquido recebido pelo funcionário é bem menor do que o desembolso total da empresa.

Já na contratação por PJ, os R$ 14 mil chegariam de forma muito mais direta ao prestador de serviço – e, por isso, talvez fosse possível contratar dois no lugar de um, por exemplo. Em compensação, a dinâmica da relação também muda: o escritório não pode exigir a subordinação típica de um vínculo de emprego, como controle de horário, exclusividade ou dedicação contínua.

Como melhorar o “Fator R” sem inchar a equipe?

Essa dinâmica tributária não é exclusividade de escritórios de arquitetura ou engenharia. Ela se aplica a muitas outras atividades sujeitas ao “Fator R” e descritas na resolução do Simples. Confira a lista completa aqui.

Segundo Fontes, para melhorar o “Fator R” e garantir o enquadramento em uma alíquota mais baixa, sem necessariamente inchar a equipe de funcionários, uma estratégia legítima é aumentar o pró-labore dos sócios, pois esse valor também entra na folha de pagamento.

Mas Fontes alerta que é preciso fazer contas: deve-se calcular o peso da contribuição ao INSS e do Imposto de Renda sobre o novo valor do pró-labore para garantir que o gasto com esses tributos na pessoa física seja menor do que a economia gerada no imposto da empresa.

O cenário que costuma fazer mais sentido, equilibrando imposto, margem e risco jurídico, segundo Fontes, é a adoção de um modelo híbrido. “O escritório deve manter a contratação CLT e o pró-labore suficientes para garantir o Fator R acima de 28%, utilizando profissionais PJ apenas para projetos específicos e parcerias técnicas genuínas”, afirma.

No Descomplica PJ, cobertura do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendedores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.

Na CVC, acordo de acionistas redesenha governança e concentra poder na família Paulus

10 de Abril de 2026, 20:36

A CVC, uma das maiores empresas de viagens do país, entrou em uma nova fase de reorganização societária. A empresa informou nesta sexta-feira (10) que a GJP, fundo ligado a Gustavo Paulus, filho do fundador Guilherme Paulus, e a gestora Apex/Carbyne firmaram um acordo de acionistas para coordenar votos, indicações ao conselho e negociação de ações.

O movimento ainda depende do aval dos demais investidores. Em assembleia geral extraordinária (AGE), eles terão de aprovar a dispensa da obrigação de oferta pública (OPA) prevista no estatuto.

No mesmo fato relevante ao mercado, a CVC informou a renúncia de Tiago Ring ao cargo de conselheiro. Segundo a companhia, ele permanecerá no posto até a posse de um sucessor. Ring é gestor da Absolute Investimentos e estava no conselho desde maio de 2024.

Diante do novo acordo e da saída de Ring, o conselho aprovou a convocação da AGE para deliberar sobre a dispensa da OPA e a eleição de um novo membro para o colegiado.

Arranjo societário

O acordo foi celebrado entre dois grupos que já figuravam entre os principais acionistas da empresa.

A GJP detinha, na data da assinatura, 106,8 milhões de ações, o equivalente a cerca de 20,3% do capital. O bloco formado por Apex/Carbyne somava 79,97 milhões de papéis, ou aproximadamente 15,2%. Juntos, passam a representar cerca de 35,5% da CVC.

Esse segundo bloco representa a Apex Partners, empresa com mais de R$ 17 bilhões em ativos e que atua com a tese de ecossistema regional de investimentos. Fundada por Fernando Cinelli em Vitória, no Espírito Santo, a Apex montou posição na CVC ao longo do último ano, em particular, por meio de sua vertical de PIPE (Private Equity in Public Investment).

Na prática, o desenho concede à GJP a liderança política do arranjo. O fundo ligado a Paulus pode enviar orientação de voto ao Apex/Carbyne antes de assembleias e reuniões do conselho. Se essa orientação for emitida, o outro lado se compromete a votar na mesma direção.

O Apex/Carbyne, por sua vez, preserva poder de veto em temas sensíveis: saída do Novo Mercado, segmento de governança mais elevada da B3, redução do pagamento de dividendo obrigatório, alterações relevantes no estatuto, dissolução da companhia, pedido de recuperação judicial ou falência e redução do conselho para menos de cinco membros.

O acordo também organiza a divisão de cadeiras. Se os dois lados conseguirem eleger entre dois e seis conselheiros, o Apex/Carbyne indicará um nome e a GJP ficará com os demais. Acima de seis, o Apex/Carbyne poderá indicar dois. Atualmente, o conselho da CVC é composto por cinco conselheiros.

A reorganização ocorre em um momento em que a base acionária também começa a mudar.

A Absolute, que começou a figurar entre os acionistas relevantes em setembro de 2023 e depois ampliou sua posição, reduziu a participação para menos de 5% em março. A gestora mantinha 9,8% do capital até 26 de janeiro, segundo formulário de referência.

Considerando a data de anúncio de participação relevante até agora, o papel acumula desvalorização de 26%.

A saída de Ring, ligado à gestora, acontece nesse contexto. A redução da posição da Absolute esvazia o peso de um investidor que havia ganhado importância na estrutura de capital da CVC ao longo dos últimos dois anos — e sua perda de relevância coincide com a articulação formal dos dois maiores blocos.

A Opportunity, com cerca de 7,8%, segue como acionista relevante, mas isoladamente passa a ter menos influência diante de um bloco organizado.

A fotografia muda: sai uma configuração com vários acionistas fortes, porém dispersos, e entra outra em que uma aliança formal tende a concentrar mais poder nas principais decisões da companhia.

Pano de fundo

Na leitura de uma fonte ouvida pelo InvestNews, a redução da fatia da Absolute também reflete um momento mais complexo para a operação da CVC.

A avaliação é que o primeiro trimestre deve trazer números mais fracos — quadro que pode se estender ao segundo trimestre. Entre os fatores de pressão estão os efeitos da Guerra do Irã sobre o petróleo, com impacto nos custos do setor aéreo e potencial reflexo sobre a demanda por viagens.

Para o restante do ano, a leitura de mercado embute cautela com o efeito da Copa do Mundo sobre o interesse por turismo e com o calendário de feriados prolongados, que tende a favorecer deslocamentos de carro — perfil menos aderente ao negócio tradicional da CVC, mais associado a pacotes, viagens aéreas e turismo estruturado.

A reorganização societária ocorre poucos meses depois de uma mudança importante no comando. Em janeiro, a CVC antecipou a sucessão de Fabio Godinho, com a posse de Fabio Mader como novo CEO.

Segundo o InvestNews apurou, a troca já vinha sendo estudada, e o nome de Mader era bem recebido pelo próprio Godinho — é um executivo próximo da família Paulus que havia retornado à companhia como CEO em 2023, quando a família voltou ao quadro de acionistas.

Embora a companhia tenha melhorado seus indicadores nos últimos anos, a avaliação entre pessoas próximas ao comando da empresa era a de que era preciso acelerar na execução. De 2023 para 2025, a margem Ebitda passou de 14,9% para 31,9%.

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Seleções campeãs do mundo: todos os vencedores da Copa até 2022

26 de Março de 2026, 18:08

Você sabia que apenas oito países já venceram a Copa em 22 edições desde que ela foi criada? As seleções de futebol masculino campeãs do mundo representam somente dois continentes. O time vencedor da Copa no Catar, a Argentina, que derrotou a França nos pênaltis na final, pertence a um desses continentes.

A seguir, confira quem foram os vencedores da Copa até o momento e quais deles tiveram a oportunidade de ganhar mais de uma vez, como o Brasil. Se você ama futebol, é hora de refrescar a memória!


Confira:

Quais são as seleções campeãs do mundo?

Em países em que o futebol é um esporte popular, participar do torneio vira questão de honra. Nesse quesito, o Brasil fez a lição de casa, porque, além de estar entre os campeões da Copa do Mundo, é o único país que participou de todas as edições

As seleções campeãs do mundo são:

  • Uruguai 
  • Itália
  • Alemanha 
  • Brasil 
  • Inglaterra
  • Argentina 
  • França 
  • Espanha

Confira, agora, qual foi o placar das partidas que definiram os vencedores da Copa e algumas curiosidades:

1930

O Uruguai sediou a primeira Copa do  Mundo e as 18 partidas foram feitas somente na capital Montevidéu. O time uruguaio foi à final contra a Argentina e venceu os vizinhos por 4 a 2. No dia seguinte, foi feriado no país para celebrar a conquista do título no primeiro campeonato. 

1934 

A Itália sediou a segunda Copa do Mundo e também se tornou campeã em casa, vencendo a antiga Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia) na prorrogação por 2 a 1. Os jogos foram transmitidos ao vivo pelo rádio para 12 países. 

O campeão Uruguai não disputou a Copa em retaliação à Itália, por ter se recusado a viajar e participar da primeira edição.

1938

A Itália se tornou bicampeã ao vencer a Hungria por 4 a 2. O Brasil foi o terceiro colocado. Pela primeira vez, um país asiático participou da Copa: as Índias Orientais Holandesas (Indonésia).

1950

Depois de um intervalo com as copas de 1942 e 1946 canceladas por causa da Segunda Guerra Mundial, a retomada foi no Brasil.

Jogando em casa, a equipe brasileira conseguiu chegar até a final, que foi disputada no Maracanã, no Rio de Janeiro, considerado o maior estádio do mundo na época. No entanto, o Uruguai conseguiu virar o jogo e se tornou bicampeão por 2 a 1.

1954

A Copa de 1954 marca o retorno da Alemanha, dessa vez como Alemanha Ocidental, à Copa desde o final da Segunda Guerra. Mesmo não sendo a favorita, os alemães venceram a Hungria de virada, por 3 a 2, marcando o gol da vitória já no fim da partida.

1958

A Copa de 1958 tinha uma dupla invencível de atacantes: Pelé e Garrincha, que levaram o Brasil à final, que venceu a anfitriã dos jogos, a Suécia, por 5 a 2. O Brasil foi o primeiro país a conquistar o título em um continente diferente

1962

Mais uma vez na final, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 na Copa no Chile. Garrincha estava suspenso da partida por conta de um cartão vermelho na semifinal. Mas até o presidente do Chile, Jorge Alessandri, solicitou que o atacante brilhasse na final e o pedido foi aceito.

1966

A Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação. A Rainha Elizabeth II estava no estádio em Wembley e presenciou o país conquistar seu primeiro e único título até o momento.

1970

O Brasil se tornou tricampeão, vencendo a Itália por 4 a 1. O time brasileiro se consagrou no futebol mundial com jogadores como Pelé, Rivelino, Tostão e Carlos Alberto.

1974

A Alemanha Ocidental venceu a Holanda em casa por 2 a 1. A Copa foi marcada pela atuação marcante do jogador holandês Johan Cruyff e do alemão Franz Beckenbauer. 

1978

Em sua segunda final consecutiva, a Holanda perdeu novamente, desta vez para a dona da casa, a Argentina. Passaram-se 48 anos desde a primeira Copa do Mundo até que os argentinos levassem o título por 3 a 1.

1982

Depois de  uma semifinal disputada nos pênaltis entre Alemanha Ocidental e França, a seleção alemã venceu, mas não conquistou a taça Jules Rimet. A Itália venceu os alemães por 3 a 1 e se igualou ao Brasil com o tricampeonato na Copa da Espanha.

1986

A Copa do México foi do argentino Diego Maradona, que estava no auge de sua carreira e contribuiu para vencer a Alemanha Ocidental. A Argentina conquistou o título pela segunda vez.

1990

Alemanha e Argentina se enfrentaram novamente em uma final, mas dessa vez os alemães levaram a melhor por 1 a 0. O gol decisivo foi de um pênalti faltando menos de cinco minutos para terminar a partida.

1994

A final clássica entre Brasil e Itália, decidida nos pênaltis. O chute para fora do gol do italiano Roberto Baggio entregou o título ao Brasil, que conquistou o primeiro tetracampeonato entre os vencedores da Copa.

1998

Depois de um tetra, a expectativa sobre a seleção brasileira caiu por terra. Apesar do Brasil chegar à final com a França, a vitória foi de 3 a 0 para os franceses.

2002

Realizada pela primeira vez na Ásia e em dois países ao mesmo tempo, a Copa da Coreia do Sul e do Japão marcou também a vitória do Brasil pela quinta vez. A seleção brasileira venceu a Alemanha por 2 a 0.

2006

Com semifinais e uma final composta apenas de países europeus, a Itália venceu a França nos pênaltis e se consagrou tetracampeã. 

2010

Pela primeira vez a ser realizada no continente africano, a Copa na África do Sul também teve um estreante entre as seleções campeãs do mundo. A Espanha, que até então nunca havia passado das quartas de final, venceu a Holanda por 1 a 0 na prorrogação.

2014

Na segunda Copa do Mundo no Brasil, a final ficou entre a Alemanha e a Argentina. A partida foi decidida só na prorrogação, que deu vitória aos alemães por 1 a 0, sendo a primeira seleção europeia a ganhar o torneio no continente americano. 

2018

A França conquistou o bicampeonato na final contra a Croácia, vencendo por 4 a 2. O francês Kylian Mbappe foi o segundo jogador mais novo a disputar uma final, com 19 anos. 

O mais novo, até o momento, continua a ser o brasileiro Pelé, que jogou a final de 1958, na Suécia, com apenas 17 anos.

2022

A Argentina levou o tricampeonato na Copa do Catar, encerrando um jejum de 36 anos sem título, ao derrotar a França nos pênaltis. A partida encerrou em 3 a 3, na prorrogação.

Países que mais venceram a Copa do Mundo

Entre as oito seleções campeãs do mundo, somente seis conquistaram o título mais de uma vez. O Brasil é o único pentacampeão até o momento, enquanto Alemanha e Itália somam quatro vitórias cada.

O ranking dos países vencedores da Copa são:

  • Brasil: 5 vitórias
  • Itália: 4 vitórias
  • Alemanha: 4 vitórias
  • Argentina: 3 vitórias
  • Uruguai: 2 vitórias
  • França: 2 vitórias
  • Inglaterra: 1 vitória
  • Espanha: 1 vitória

A Alemanha participou das Copas de 1934 e 1938 como uma única seleção. Depois da Segunda Guerra, o país voltou a disputar o torneio somente em 1954, porém como Alemanha Odicental

A Federação Internacional do Futebol (FIFA), que é o órgão responsável pela realização da Copa, atribuiu as vitórias da antiga Alemanha Ocidental à atual seleção alemã. 

De todos os campeões da Copa do Mundo, somente a Itália não vai disputar o torneio no Catar este ano. Esta será a segunda edição que a seleção italiana não se classifica para o campeonato.

Países que nunca participaram da Copa do Mundo

A FIFA reconhece mais de 200 nações que podem ou não disputar o torneio. Cabe a cada uma escolher se candidatar para participar das eliminatórias e tentar se classificar para o torneio principal.

Alguns dos países que mais tentaram participar, mas nunca conseguiram são Luxemburgo, Curaçao, Zâmbia, Malta, Síria e Venezuela. Todos eles já se inscreveram em mais de dez edições do torneio.

Preço da carne não para de subir. Para McDonald’s e Burger King, é hora de apostar em promoções

23 de Março de 2026, 06:00

Os lucros das maiores redes de hambúrguer dos Estados Unidos estão sob pressão — e, ainda assim, elas seguem apostando em descontos.

As marcas de fast-food vêm enfrentando o aumento acelerado no custo da carne bovina, que subiu 48% nos últimos 12 meses no atacado para o tipo de carne moída mais comum no setor, segundo dados federais.

Ainda assim, quando os americanos comem fora, mais consumidores estão optando por itens com promoções do que em qualquer momento dos últimos 50 anos, de acordo com a consultoria Circana.

A combinação de mais descontos com custos mais altos ameaça pressionar ainda mais as margens. No ano passado, a lucratividade média por restaurante do Burger King nos EUA caiu cerca de 10%. A Jack in the Box afirmou no mês passado que o custo da carne e vendas mais fracas reduziram os ganhos dos franqueados.

“Os dias de gastar mais de US$ 15 em uma refeição de hambúrguer ficaram para trás para nós, quando há opções melhores”, disse Josh Fulps, de 28 anos, que trabalha com gestão de patrimônio em Vancouver, Washington. Ele afirmou que, quando vai ao fast-food, busca religiosamente descontos no aplicativo do McDonald’s ou opta por combos promocionais como o Biggie Bag da Wendy’s.

Os preços da carne devem permanecer elevados, já que pecuaristas reduziram seus rebanhos ao menor nível em 75 anos e não têm pressa para expandi-los.

O movimento de queda no fluxo de clientes começou em 2024, levando McDonald’s, Taco Bell, Burger King e outras empresas a intensificarem as promoções. No ano passado, as redes de hambúrguer nos EUA lançaram cerca de 3.000 promoções — quase o triplo de 2019, segundo a Technomic.

Neste ano, as ofertas avançam ainda mais. O McDonald’s deve lançar no próximo mês um novo menu de US$ 3 ou menos, com itens como McDouble, batatas fritas ou hash browns, segundo pessoas familiarizadas com o plano. Essa será a quarta atualização nacional de ofertas de valor da rede em cerca de 21 meses.

“Vamos fazer o que for preciso para atender os consumidores de uma forma que também seja lucrativa para o nosso negócio”, disse o diretor financeiro do McDonald’s, Ian Borden, em entrevista em fevereiro.

As redes de fast-food registraram margem média de lucro de 4% no ano passado, pressionadas pela alta de custos, especialmente de mão de obra, segundo a National Restaurant Association. Em 2016, essa margem era estimada em 6,6%.

Segundo Jim Lewis, franqueado do McDonald’s por 32 anos até 2019, a rede deve conseguir lidar com o cenário graças ao alto volume de vendas, mas a guerra de descontos deve agravar os desafios de lucratividade para outras redes.

“O vencedor está indo bem, mas a categoria de hambúrgueres está sob pressão”, afirmou.

O Burger King mantém suas ofertas atuais de valor — US$ 5 por dois itens ou US$ 7 por três — como forma de dar flexibilidade entre hambúrgueres, acompanhamentos e sobremesas. A empresa diz estar confiante nos resultados dessas estratégias.

Outras iniciativas, como campanhas de marketing, reformas de lojas e melhorias operacionais, também têm ajudado a sustentar a rentabilidade dos franqueados em um ambiente desafiador.

Na Jack in the Box, o diretor de clientes e digital, Ryan Ostrom, afirmou que a marca tem lançado ofertas no momento certo, “não apenas quando os concorrentes fazem o mesmo”. Wendy’s e Jack in the Box disseram que seguem comprometidas em proteger a rentabilidade dos franqueados com investimentos em tecnologia e eficiência.

No mercado financeiro, as ações do McDonald’s subiram 0,9% no último ano, enquanto os papéis da controladora do Burger King, Restaurant Brands International, avançaram cerca de 9%. Já a Shake Shack caiu 1,8%, a Wendy’s recuou 53,8% e a Jack in the Box despencou 64,4%.

Para Greg Creed, ex-CEO da Yum! Brands (dona de KFC e Taco Bell), os descontos só funcionam se atraírem mais clientes sem comprometer a saúde financeira dos operadores.

“O futuro da marca depende do sucesso financeiro dos franqueados, não da saúde financeira da franqueadora”, disse.

As promoções ajudaram a conter a queda no movimento, embora os consumidores mais pressionados ainda não tenham retornado totalmente, segundo a Revenue Management Solutions. O tráfego melhorou ao longo de 2025, e as visitas em dezembro superaram o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Technomic.

As redes de hambúrguer ainda lideram o fast-food nos EUA, com o dobro das vendas das cadeias de frango, mas segmentos como frango, café e comida mexicana crescem mais rápido.

Desde 2019, o número de restaurantes de hambúrguer no país caiu cerca de 6%, segundo a Datassential. Wendy’s e Jack in the Box estão fechando centenas de unidades.

Executivos do setor afirmam que, mesmo com preços mais baixos, promoções como “leve um, pague outro” e combos de US$ 5 ainda podem gerar lucro para as empresas e seus franqueados.

Jim Lewis lembra que ajudou a impulsionar o menu de US$ 1 no McDonald’s nos anos 2000, quando as vendas estavam fracas. A estratégia aumentou o fluxo de clientes — e também os lucros.

“Você pode tolerar muita dor se conseguir aumentar as vendas”, disse.

@investnewsbr

Dilemas na Copa do Mundo, provocação no fast food e mais no Giro InvestNews de sexta, com conteúdo exclusivo do The Wall Street Journal. #notícias #WSJ

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Unilever tem oferta da McCormick, de tempero, por divisão de alimentos; negócio pode valer US$ 33 bi

20 de Março de 2026, 11:11

A Unilever está em negociações para vender sua divisão de alimentos para a McCormick & Company, em um movimento que pode representar a maior reestruturação da fabricante da maionese Hellmann’s desde sua fundação, há quase um século.

A multinacional anglo-holandesa afirmou nesta sexta-feira (20) que recebeu uma proposta da empresa de temperos sediada em Maryland, mas ressaltou que não há garantia de que o acordo será fechado. A unidade de alimentos tem valor potencial de até € 29 bilhões (US$ 33 bilhões), segundo a Bloomberg Intelligence.

Se concretizada, a operação será a maior da história da McCormick & Company, cuja capitalização de mercado, de US$ 14,5 bilhões, é apenas uma fração dos cerca de £ 101 bilhões (US$ 135 bilhões) da Unilever. Ainda não há detalhes sobre o financiamento, mas a transação pode ser estruturada como um “Reverse Morris Trust”, modelo de fusão com vantagens fiscais.

A venda marcaria a saída da Unilever da competição direta com gigantes de alimentos como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo. Ao mesmo tempo, transformaria a empresa em um grupo focado em produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais, em linha com concorrentes como L’Oréal, Beiersdorf e Estée Lauder.

A Bloomberg já havia informado nesta semana que a companhia avalia separar total ou parcialmente sua divisão de alimentos. As negociações avançam com a meta de um possível acordo até o fim do mês, segundo fontes.

As ações da Unilever chegaram a subir até 1,9%, antes de reduzir os ganhos. No acumulado dos últimos 12 meses até quinta-feira, os papéis ainda registram queda de cerca de 6%.

O CEO Fernando Fernandez, há cerca de um ano no cargo, já deixou claro que alimentos não são mais o foco principal. Segundo ele, beleza, cuidados pessoais e bem-estar serão os motores de crescimento da companhia.

O setor de alimentos enfrenta uma transformação prolongada, com consumidores — especialmente nos EUA — reduzindo gastos diante da inflação e incertezas geopolíticas. Supermercados também vêm ganhando espaço com marcas próprias mais competitivas, enquanto tendências como dietas mais saudáveis e o uso de medicamentos para perda de peso reduzem o consumo de produtos processados.

Essas mudanças tornam o segmento menos atrativo para multinacionais como a Unilever, em comparação com categorias como beleza e cuidados pessoais, onde os consumidores estão mais dispostos a gastar.

Fernandez já indicou que pretende elevar para dois terços a participação de marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica na receita total, ante cerca de metade atualmente.

Analistas do Bernstein avaliam que a estratégia de diversificação, comum nos anos 1990 e 2000, perdeu força. “Os benefícios de escala entre categorias já não compensam a complexidade”, escreveram.

Nos últimos anos, a Unilever vem simplificando seu portfólio. A empresa vendeu sua divisão global de chás, a área de spreads (incluindo a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além de negócios como a Graze e a The Vegetarian Butcher.

Em 2025, a companhia também separou sua divisão de sorvetes na Magnum Ice Cream Co., mantendo cerca de 20% de participação, e planeja vender entre €1 bilhão e €1,5 bilhão adicionais em marcas menores de alimentos.

Apesar disso, a empresa não deve vender sua divisão de alimentos “altamente atrativa” por um preço baixo. O portfólio inclui marcas fortes como a Hellmann’s — líder nos EUA e no Brasil — e os cubos de caldo Knorr, segunda marca mais vendida da companhia, atrás apenas da Dove.

Para a McCormick & Company, a operação também representaria um grande teste. Fundada em 1889, a empresa começou vendendo root beer e se tornou uma das maiores fabricantes de temperos do mundo, conhecida por produtos como Old Bay.

Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para além de especiarias, com aquisições em mercados como Reino Unido e Polônia, além de produtos como molhos e maioneses saborizadas, populares entre consumidores mais jovens.

O maior movimento nesse segmento ocorreu em 2017, quando a McCormick & Company comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, incorporando marcas como French’s e Frank’s RedHot.

Ainda assim, analistas alertam que a integração de um negócio do porte da Unilever não será simples, dada a diferença de escala e o nível atual de endividamento da compradora.

Especialistas também apontam que, embora a venda possa destravar valor para os acionistas no longo prazo, o processo pode gerar distrações para a gestão no curto prazo, especialmente diante de outros desafios enfrentados pela empresa.

@investnewsbr

A aguardada nova camisa da seleção brasileira chegou e causou muito burburinho. Com uma marca mais associada ao basquete e preço lá no em cima, abriu inclusive brecha para a concorrência, que agora corre atrás de uma alternativa para vestir a torcida. futebol seleção #nike

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Economistas não veem recessão nos EUA a menos que o petróleo atinja US$ 138 — e fique nesse nível por semanas

20 de Março de 2026, 06:00

A guerra contra o Irã provocou uma interrupção recorde na oferta de petróleo e fez disparar os preços do barril e de outras commodities. Ainda assim, economistas duvidam que os EUA estejam sob grande risco de recessão.

O consenso de economistas ouvidos nesta semana pelo The Wall Street Journal é de que a inflação deve subir temporariamente, enquanto crescimento e desemprego devem permanecer praticamente inalterados — assumindo que o choque do petróleo seja passageiro.

“Diante da guerra em curso no Oriente Médio, da disparada dos preços do petróleo, das tarifas elevadas, da inteligência artificial e das fortes restrições à imigração, vale destacar o quanto a economia dos EUA tem se mostrado resiliente até agora”, disse Bernard Baumohl, do Economic Outlook Group. “Mas não devemos tomar essa resiliência como garantida.”

A pesquisa reuniu respostas de 50 economistas de instituições que vão de bancos de Wall Street e universidades a pequenas consultorias, entre os dias 16 e 18 de março. Nem todos responderam a todas as perguntas.

Os economistas estimam em 32% a probabilidade de recessão nos próximos 12 meses, levemente acima dos 27% registrados em janeiro. Questionados sobre até que nível o petróleo precisaria subir para elevar essa probabilidade acima de 50%, as respostas variaram de US$ 90 a US$ 200 por barril, com média de US$ 138. Sobre o tempo necessário com preços elevados, as estimativas vão de quatro a 55 semanas, com média de 14 semanas. Os contratos futuros de petróleo nos EUA fecharam a US$ 96,32 o barril na quarta-feira, ante média de cerca de US$ 65 em fevereiro.

Robert Fry, da Robert Fry Economics, que atualmente vê 40% de chance de recessão, afirmou que petróleo a US$ 125 por oito semanas é seu ponto decisivo.

“Minha projeção depende da hipótese de que o Estreito de Ormuz estará totalmente aberto ao tráfego de petroleiros até meados de abril”, disse. “Se isso não acontecer, os preços do petróleo subirão muito mais e passarei a incluir uma recessão no meu cenário.”

Em média, os economistas projetam que o Produto Interno Bruto (PIB), ajustado pela inflação, crescerá 2,1% no quarto trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior — ligeiramente abaixo dos 2,2% estimados em janeiro. A taxa de desemprego deve encerrar dezembro em 4,5%, em linha com a previsão anterior. No mês passado, estava em 4,4%.

Em contraste com o crescimento, os economistas ficaram mais pessimistas em relação à inflação. Eles agora esperam que o índice de preços ao consumidor suba 2,9% em dezembro de 2026 na comparação anual, acima dos 2,6% projetados em janeiro.

Essa revisão não reflete apenas o aumento da gasolina: o núcleo do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), que exclui itens voláteis como alimentos e energia, deve subir 2,8% no quarto trimestre — acima dos 2,6% previstos anteriormente. O Federal Reserve usa esse indicador como referência.

Com a inflação mais alta, diminuíram as expectativas de cortes de juros. Na quarta-feira, o Fed manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%. Em média, os economistas veem o ponto médio dessa faixa encerrando o ano em 3,26%, o que implica entre um e dois cortes de 0,25 ponto percentual. Em janeiro, a projeção era de 3,08%, sugerindo dois cortes.

Isso aproxima os economistas da visão dos dirigentes do Fed. Projeções divulgadas após a reunião indicam que os formuladores de política monetária esperam, em média, um corte de 0,25 ponto neste ano. As previsões de crescimento e desemprego pouco mudaram desde dezembro, mas a expectativa de inflação aumentou.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que essas projeções têm menor relevância diante das incertezas sobre o desfecho da guerra.

“Simplesmente não sabemos”, disse. “As pessoas estão colocando números que parecem fazer sentido, mas sem convicção.”

Muitos economistas expressaram incerteza semelhante. Beth Ann Bovino, do U.S. Bank, afirmou que sua projeção foi concluída quando a guerra começava e que “as condições mudam a cada hora”.

Cerca de 20 milhões de barris de petróleo — o equivalente a 20% da oferta global — costumam passar diariamente pelo Estreito de Ormuz. Esse fluxo caiu drasticamente. Como resultado, o petróleo chegou a ser negociado acima de US$ 100 por barril recentemente. O preço médio da gasolina nos EUA atingiu US$ 3,84 por galão na quarta-feira, ante US$ 2,92 um mês antes, segundo a AAA. Os contratos futuros indicam que o preço pode ultrapassar US$ 4 nas próximas semanas.

Os economistas esperam que o petróleo termine junho em US$ 86,70 e o ano em US$ 73,54. Já economistas da California Lutheran University destacaram: “Os EUA são o maior produtor de petróleo do mundo desde 2018… Do ponto de vista econômico geral, preços entre US$ 80 e US$ 100 não são totalmente negativos. Em 2008, o petróleo chegou ao equivalente a US$ 200 por barril em valores atuais.”

Escreva para Anthony DeBarros em anthony.debarros@wsj.com e Justin Lahart em Justin.Lahart@wsj.com

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Preços do petróleo, imposto sobre exportações, riscos com as eleições presidenciais e aquisições potenciais são temas da vez para o cenário de quem investe na Petrobras. #petrobras #petróleo #investimentos

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Justiça aceita recuperação extrajudicial da Raízen para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas

12 de Março de 2026, 19:02

A Justiça de São Paulo aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, abrindo caminho para que a companhia renegocie R$ 65,1 bilhões em dívidas com credores. A informação foi publicada inicialmente no site The AgriBiz.

A decisão do juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), suspende as cobranças dos créditos incluídos no plano por até 180 dias, período em que a empresa poderá negociar novas condições com bancos e investidores. Lamêgo também é o responsável pela RE do GPA, dono do Pão de Açúcar.

A Raízen tem 90 dias, contados a partir do pedido de recuperação extrajudicial, para comprovar a adesão necessária dos credores e apresentar a versão final do plano de reestruturação. Após a apresentação do plano completo, os credores terão outros 90 dias para analisá-lo.

Negociação em curso

Documentos apresentados pela companhia à Justiça mostram que o plano já conta com o apoio de credores que representam cerca de 47% da dívida incluída na reestruturação, mas a empresa ainda precisa atingir a adesão de mais de metade dos créditos em cada empresa envolvida para que o plano possa ser homologado.

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Uma das maiores produtoras de álcool e açúcar do Brasil, a Raízen acaba de entrar em recuperação extrajudicial para tentar organizar uma dívida de quase R$ 70 bilhões. Entenda como tudo começou e quais os próximos passos da companhia para sair da crise. #energia #raizen #negócios

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Entre as principais subsidiárias, os percentuais atuais de adesão são de 44,9% na Raízen S.A., 45,4% na Raízen Energia e 34,9% na Raízen Fuels Finance, empresa que concentra parte relevante dos títulos emitidos no exterior (“bonds“).

A lista de credores apresentada no processo indica que parte relevante das adesões iniciais veio de bancos e instituições financeiras que mantêm contratos de financiamento e operações de derivativos com o grupo.

Quem já topou

Entre os credores que já aderiram ao plano aparecem nomes como Morgan Stanley, BNP Paribas Brasil, Rabobank, Banco do Brasil, JP Morgan, Crédit Agricole, Bradesco e Citibank.Esses contratos, majoritariamente ligados a operações bancárias e instrumentos de hedge, somam cerca de R$ 28,6 bilhões em créditos aderentes, segundo os documentos apresentados no processo.

Já os títulos emitidos no exterior, administrados por instituições como Bank of New York Mellon e U.S. Bank, ainda não aparecem entre os créditos aderentes, indicando que parte relevante das negociações deverá ocorrer com investidores internacionais.

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De Bradesco a BNP: quem são os principais credores da Raízen

11 de Março de 2026, 13:27

BNP Paribas, Bradesco e Rabobank estão entre os maiores credores da companhia brasileira de açúcar e etanol Raízen, que busca reestruturar extrajudicialmente cerca de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) em dívidas.

Divulgações da Raízen mostraram que o BNP, com sede em Paris, tem a receber R$ 4,2 bilhões (US$ 810 milhões), considerando a conversão do valor da dívida para a moeda local, segundo documentos da companhia divulgados na quarta-feira.

Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm, cada um, cerca de R$ 2 bilhões a receber, também com base na conversão cambial, enquanto o Itaú tem exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

A Raízen, controlada por Shell e Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo pagamentos e ganhando 90 dias para obter o apoio dos credores a um plano mais abrangente. Esse plano pode envolver aportes adicionais de capital de seus acionistas, a conversão de parte da dívida em ações ou a venda de ativos.

O trustee Bank of New York Mellon aparece nos documentos como credor de um valor equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões.

A securitizadora True Securitizadora também figura entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), uma classe relativamente nova de títulos de renda fixa usada para financiar o setor e que ajudou a impulsionar o boom do agronegócio no Brasil.

O Bradesco se recusou a comentar, e o Rabobank afirmou que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen vem sendo pressionada por juros altos, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.

O preço de seus bônus denominados em dólar caiu para níveis que indicam que a empresa está em situação de estresse financeiro. Seus ratings foram rebaixados para níveis bem dentro do grau especulativo, à medida que aumentaram as preocupações com seu endividamento e se arrastaram as negociações por um socorro de seus principais acionistas.

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O embalo da Vulcabras: dona da Olympikus traça planos para disputar lifestyle com Nike e Adidas

4 de Março de 2026, 06:00

Depois de acumular 22 trimestres consecutivos de crescimento de vendas, a Vulcabras, empresa dona da Olympikus e fabricante licenciada da Under Armour e da Mizuno no Brasil, se prepara para que 2026 seja um ano que vá além do crescimento orgânico. 

A companhia de calçados diz que está pronta para comprar ou licenciar novas marcas e, ao mesmo tempo, avançar do esporte “funcional” para um território em que as gigantes globais reinam — o esporte como moda, aquele produto que vai da corrida para a rua sem pedir licença.

Nike, Adidas e Puma ergueram impérios ao transformar performance em linguagem cultural, com tênis que corre pela manhã e circula à noite. A Adidas, por exemplo, tem quase metade da sua receita vinda de lifestyle, especialmente com os modelos Samba, Gazelle e SL72. As linhas Air Force 1 e Jordan 1 da Nike são muito conhecidas e a Puma chegou a fazer parceria com a Fenty.

A Vulcabras, que ainda é mais forte no tênis funcional do que no “território da moda”, quer alterar esse quadro e criou uma área destinada para essa área na sua sede, no Rio Grande do Sul.

Par de tênis Louis Vuitton x Nike Air Force 1 marrons e brancos sobre uma caixa LV.
Nike Air em parceria com a Louis Vuitton

Depois de o fim de 2025 sinalizar que o modelo de negócio aguenta ciclos de investimento e se traduz em rentabilidade, a empresa quer usar a máquina que construiu — fábrica, velocidade e leitura de demanda — para avançar no mercado, e isso pode acontecer indo às compras. Sua última aquisição se deu em 2021, quando levou a licença da japonesa Mizuno, que pertencia à Alpargatas. 

Oportunidades no radar

A companhia diz que “cabe mais marca” no portfólio.

“Qualquer marca esportiva que tiver dentro da Vulcabras, aproveitando os recursos da Vulcabras, vai performar melhor no Brasil”, afirmou o CEO Pedro Bartelle em entrevista ao InvestNews.

Ele diz que existe o mapeamento de oportunidades para compras e que espera um ambiente mais propício, especialmente com a esperada queda da taxa básica de juros, para que as conversas voltem a ficar ativas.

A empresa tem feito o trabalho de casa para que consiga aproveitar um potencial negócio, segundo o CFO, Wagner Dantas. Em 2025, a empresa acelerou o pagamento de dividendos e distribuiu R$ 1,54 bilhão aos acionistas.

Agora, a meta é preservar a flexibilidade no caixa. “Preferimos trabalhar com um balanço mais conservador, até para reagir se alguma oportunidade inorgânica aparecer”, afirma.

Neste ano, a tendência é canalizar mais a geração de caixa para a redução de endividamento (abaixo de 1 vez a dívida líquida/ Ebitda), em vez de manter uma pauta tão agressiva de distribuição de dividendos.

É uma nova rota também após um ano como o de 2025, que exigiu mais investimento do que a companhia previa. A Vulcabras cresceu — as vendas totais avançaram 16,7%, para R$ 4,2 bilhões —, mas também precisou contratar e reforçar a estrutura interna para sustentar o ritmo, o que pressionou margens por alguns trimestres e deixou parte do mercado mais atento.

Bartelle enquadra o período como uma escolha consciente: a companhia acelerou contratações para acompanhar a demanda e, depois, viu a rentabilidade reagir no fim do ano.

No quarto trimestre, a margem voltou a 21,9%, subindo 0,7 ponto percentual. O período, na leitura do executivo, mostra que a equação de investir para crescer fecha a conta.

A máquina por trás do crescimento

A verticalização da cadeia produtiva da Vulcabras é a sua vantagem competitiva, segundo analistas do UBS, mesmo com o domínio global do Sudeste Asiático na indústria de calçados, que costuma ter custos mais baixos de mão de obra – o principal fator de custo de produção.

O UBS desenha essa vantagem em termos quase cirúrgicos: a Vulcabras teria um ciclo do desenho ao lançamento de cerca de quatro meses, contra algo como 12 meses em pares internacionais — e um intervalo entre pedido e produção medido em semanas, não em semestres. É uma agilidade que reduz o risco de estoque e dá poder para ajustar coleção no meio do caminho.

Vulcabras é a única fábrica desse porte em fabricação de tênis fora da Ásia (Divulgação)
Vulcabras é a única marca de grande porte com fabricação de tênis fora da Ásia (Divulgação)

Bartelle afirma que, nos últimos cinco anos, a Vulcabras investiu mais de R$ 1 bilhão para expandir fábricas, modernizar maquinário e reforçar pesquisa e desenvolvimento — de software e sistemas a prototipagem e testes. É esse “pacote” que permite produzir rápido, repor com mais frequência e errar menos na prateleira.

“Como temos um negócio verticalizado, produzimos com rapidez. Isso não gera sobras nem estoques, porque não queremos participar de grandes liquidações que destroem muito margem”, afirma Bartelle.

A empresa também tenta capturar mais valor na venda direta ao consumidor. Em 2025, o e-commerce cresceu 25%, para R$ 543,1 milhões, e já respondeu por 15,3% da receita líquida.

A Vulcabras ainda é majoritariamente apoiada em vendas para o varejo multimarcas, com a venda direta ganhando espaço. Essa presença física ainda é pequena, mas está em expansão: o grupo caminha para cerca de 20 lojas próprias (sobretudo das marcas Under Armour e Mizuno). 

Para o time de analistas do UBS, a ampliação de canais próprios pode ajudar a companhia a contar “histórias completas” de vestuário e acessórios, hoje pouco expostas em um mercado dominado por sapatarias.

Empurrão do Mounjaro

Bartelle afirma que está atento ao consumidor que não “só corre”, o que deve ampliar as categorias em que o grupo atua. Hoje, por exemplo, a Mizuno tem a linha de chuteiras Morelia, enquanto a Under Armour é conhecida por seus tênis para praticantes de musculação e jogadores de basquete.

Agora, segundo o CEO, há outro “empurrão cultural” que vem das canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro — não como explicação única, mas como um vetor a mais de quem busca praticar exercícios e, sobretudo, treinos que preservem e construam massa magra.

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Ou seja, cada vez mais há o consumidor que concilia musculação com funcional e corrida e quer um modelo híbrido. A empresa, segundo ele, já estuda lançar produtos para esse uso misto.

A virada da Olympikus

No coração dessa história está a Olympikus, a única marca própria do grupo — e a grande tese vencedora desde a reestruturação que, anos atrás, formou o que Bartelle chama de “casco de tartaruga”.

Por muito tempo, a marca era vista por consumidores como sinônimo de tênis barato.

A companhia reposicionou a Olympikus ao criar a linha Corre em 2019, que envolveu de corredores amadores a atletas profissionais, pesquisadores acadêmicos, comunidade de saúde esportiva e desenvolvedores de produtos.

A linha ganhou mercado gradualmente, e a marca deixou de ter apelo apenas pelo atributo de preço: passou a ser reconhecida também pela qualidade. Foi, por exemplo, o calçado utilizado pelos seis primeiros colocados da última Maratona Internacional de São Paulo, em abril de 2025.

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Em 2026, a linha Corre ganhou mais um lançamento, o Pace, um modelo com 140 gramas – entre os mais leves da categoria de super tênis – e preço de R$ 2 mil, o mais caro já criado pela empresa.

Bartelle usa uma metáfora do automobilismo, que praticou por anos, para explicar o novo produto: “esse tênis é o pneu de classificação da Fórmula 1”. Segundo ele, trata-se de um produto de alta performance, voltado para corredores profissionais.

Vulcabras, dona da marca Olympikus
Marca Olympikus é a principal fonte de receita da Vulcabras (Divulgação)

A tese, no fundo, é a mesma que sustenta os trimestres seguidos de crescimento: competir em performance sem perder o DNA de custo-benefício. Segundo o executivo, um concorrente do Pace é o Adidas Adizero Adios Pro Evo 1, com 138 gramas e preço de R$ 4 mil.

“O Brasil ainda consome pouco tênis per capita. E, quando o brasileiro pode comprar, a primeira marca de custo-benefício somos nós”, argumenta Bartelle.

A Vulcabras chegou a esse momento depois de um ciclo duro de reestruturação a partir dos anos 2010, que moldou o que o CEO descreve como uma cultura de execução na companhia.

Em 2020, ano em que praticamente concluiu a fase de “arrumação”, a empresa reforçou a aposta no esporte e vendeu a Azaleia, de calçados femininos. 

Agora, com a corrida como vitrine e o modelo industrial como motor, a empresa tenta dar o próximo passo na estética esportiva e, com itens com apelo de lifestyle, ocupar um espaço mais amplo no guarda-roupa do brasileiro.

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A Grendene começou como uma fábrica de embalagens para bebida, mas fez sucesso fazendo sandálias de plástico, a empresa investiu no desenvolvimento do tênis Olympikus, apostando no crescimento da corrida de rua no Brasil e conquistou pódio. Conheça a história e a estratégia da família por trás de uma das maiores indústrias calçadistas do país. #grendene #melissa #olympikus #corrida

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Seara, da JBS, compra duas granjas em SP e coloca mais frango no cardápio

5 de Fevereiro de 2026, 19:42

A Seara, unidade de aves e suínos da JBS, concluiu a compra de duas granjas da Céu Azul Alimentos em Ipiguá e Guapiaçu, no interior de São Paulo. O valor não foi divulgado e o negócio foi submetido à análise do Cade.

Segundo a companhia, a operação envolve a aquisição de ativos rurais ligados à produção de frangos de corte e consolida sob gestão direta estruturas que já abasteciam a Seara. As duas unidades forneciam ovos férteis e aves destinadas ao abate — por isso, a transação é descrita como uma internalização do fornecimento, sem ampliação da capacidade produtiva já existente.

De acordo com reportagem do Estadão, no formulário encaminhado ao Cade, o grupo controlador afirma que a compra pode otimizar a atuação na cadeia de frango de corte ao ampliar o controle sobre qualidade e custos, especialmente na etapa do ovo fértil.

Já a Céu Azul diz que a venda faz parte de uma reorganização do portfólio e de uma realocação de capital para frentes consideradas prioritárias, além de ajudar a otimizar sua estrutura financeira.

As empresas sustentam que há pouca sobreposição entre as atividades e que a integração vertical resultante é limitada, motivo pelo qual pedem análise em procedimento sumário e aprovação sem restrições.

A transação reforça o movimento da JBS de avançar em diferentes elos da cadeia de proteínas. Em 2025, a companhia entrou de forma mais direta no segmento de ovos ao adquirir 50% da Mantiqueira Brasil, uma das maiores produtoras da América do Sul.

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A Mantiqueira e a JBS estão fazendo um investimento estratégico em ovos no mercado americano. 🐣🍳🇺🇸 #ovos #proteína #negócios

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Petrobras, Axia, Localiza… Veja as 8 ações mais indicadas pelas corretoras para fevereiro

5 de Fevereiro de 2026, 12:11

Itaú, Localiza, Vale, Petrobras, Cyrela, Bradesco, Aura Minerals e Axia. Essas são as ações mais indicadas por corretoras e bancos em fevereiro. É o que mostra a avaliação de 10 carteiras recomendadas feita pelo InvestNews.

São ações que se destacam em um momento de exuberância da renda variável vista poucas vezes nos últimos anos: o Ibovespa, por exemplo, superou os 187.334 pontos na terça-feira e deu um show em janeiro. Subiu 12,56%, o melhor início de ano desde 2021 – e um avanço até mais brilhante do que o do ouro. Boa parte desse movimento veio do fluxo de investidores estrangeiros, que voltaram os olhos para mercados emergentes, como o nosso, em meio à desvalorização do dólar.

E a expectativa é que, nos próximos meses, o dinheiro vindo de fora continue pingando nos emergentes. Por aqui, a perspectiva de cortes de juros nos próximos meses também ajuda: a renda fixa que acompanha a Selic perde um pouco do poder de atração e as ações ganham espaço no radar do investidor local.

Vale o aviso: nossa seleção não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia é mostrar o que está acontecendo no mercado e quais tendências estão ganhando força. E é sempre bom lembrar: em renda variável, a melhor estratégia não é ficar trocando de papel todo mês, mas pensar no longo prazo.

As ações no radar do mercado em fevereiro

Itaú Unibanco (ITUB4)

Presente em sete das dez carteiras analisadas, o Itaú segue como uma das apostas mais recorrentes entre os analistas. A ação é negociada a R$ 42,88, mas há casas que projetam alta para R$ 50. O otimismo se apoia, principalmente, na expectativa de que o banco volte a acelerar a concessão de crédito em alguns segmentos específicos, agora que a instituição conseguiu estabilizar os níveis de inadimplência da carteira.

Além disso, o mercado espera que a margem financeira – a receita líquida de juros, que reflete a diferença entre o que o banco ganha ao emprestar dinheiro e o que paga para captar recursos – cresça a taxas de dois dígitos. Esse avanço deve ser impulsionado pela melhora dos spreads, ou seja, do quanto o banco ganha em cada operação de financiamento, e pela retomada gradual do crédito.

A ação negociada a 9,5 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L) – esse múltiplo significa uma antecipação do potencial de crescimento do negócio. Na prática, o mercado está disposto a pagar R$ 9,50 hoje para cada R$ 1 de lucro que a empresa gera atualmente.

Isso acontece porque os investidores mantêm a perspectiva de que o grupo tende a atingir esse patamar no futuro. Não é exatamente barato, mas também não chega a ser caro – especialmente se o banco conseguir entregar crescimento consistente de resultados, segundos os analistas.

Localiza (RENT3)

Depois de um período mais turbulento, marcado por questionamentos sobre custos e margens, a Localiza começa a mostrar sinais mais claros de estabilização. Na leitura dos analistas, a companhia acertou a mão na estratégia: os reajustes de preços vêm sendo absorvidos sem perda relevante de volume, enquanto ganhos de eficiência operacional ajudam a sustentar a recuperação das margens.

Além disso, a gestão da frota tem sido conduzida com foco em rentabilidade. A empresa vem ajustando o portfólio de veículos e acelerando a renovação, com a retirada de carros mais rodados para elevar a qualidade dos ativos e melhorar os retornos. No segmento de seminovos, os impactos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foram absorvidos e hoje estão refletidos nos preços, o que também é visto como algo positivo.

Nesse contexto, o valuation (valor percebido da empresa no mercado) também joga a favor. O papel negocia a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2026. O que significa isso? Que o mercado hoje aceita pagar R$ 13 pela ação para cada R$ 1 de lucro que a empresa deve gerar no ano. Em termos simples, isso indica que a ação não está cara e já embute expectativas mais moderadas, o que melhora a relação entre risco e potencial de retorno para o investidor.



Vale (VALE3)

2025 foi um bom ano para a Vale. A companhia entregou resultados sólidos nas três frentes em que atua – minério de ferro, níquel e cobre – e entrou em 2026 com expectativas mais positivas. A leitura de parte do mercado é que esse bom momento deve se estender ao longo dos próximos 12 meses, apoiado em fundamentos mais estáveis.

O principal motor desse otimismo segue sendo o minério de ferro. A expectativa de que o preço da commodity se mantenha acima de US$ 100 por tonelada ao longo do ano tem dado sustentação à tese da Vale.

Além disso, a oferta global pode ficar mais restrita, à medida que as minas pelo mundo envelhecem e perdem produtividade. A Vale, por outro lado, tem acesso a reservas de alta qualidade no Brasil, com baixo teor de sílica – o que reduz custos e aumenta a eficiência na produção de aço. Esse diferencial reforça a posição da empresa como uma das principais fornecedoras globais da matéria-prima e pode seguir favorecendo seus resultados.



Petrobras (PETR4)

Produção forte, ativos de alta qualidade e valuation baixo. Esses são alguns dos principais motivos que levam o mercado a apostar na petroleira brasileira, que aproveitou a recente alta do petróleo e acumulou uma valorização de 24%.

A empresa concentra boa parte da sua produção no pré-sal – região do litoral brasileiro onde o petróleo é mais produtivo, mais barato de extrair e que concentra as maiores reservas -, o que garante eficiência mesmo em cenários mais desafiadores, segundo analistas. Um possível catalisador adicional é a licença para perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, concedida ano passado. Os resultados devem ser conhecidos nos próximos dois anos, mas já alimentam as expectativas em torno de uma área que tem potencial de se tornar um novo pré-sal.

Outro ponto-chave é a forte geração de caixa, que sustenta expectativas elevadas para o pagamento de dividendos. O dividend yield – métrica que mede o retorno da ação apenas com proventos – gira em torno de 9% a 10% ao ano para 2026, patamar considerado atrativo em comparação com pares globais.

Cyrela (CYRE3)

Queridinha do setor imobiliário, a Cyrela tem chamado a atenção dos analistas por conta de uma carteira robusta de lançamentos, focados principalmente nos segmentos de média e alta renda em São Paulo, Rio de Janeiro e na região Sul.

O mercado enxerga margens elevadas, em torno de 36%, e um ROE (retorno sobre o patrimônio) próximo de 20%. Na prática, margens nesse patamar indicam que, a cada R$ 100 em vendas de imóveis, cerca de R$ 36 viram lucro operacional, antes de despesas financeiras e impostos. Já o ROE mostra a capacidade da empresa de gerar resultado com o capital dos próprios acionistas: para cada R$ 100 investidos, a Cyrela entrega aproximadamente R$ 20 de lucro ao ano.

Há ainda outro ponto a favor. Parte do mercado avalia que o valuation da Cyrela embute um cenário desafiador de juros altos – justamente em um momento em que cresce a expectativa de corte de taxas no Brasil. Soma-se a isso o fato de a empresa ser vista como o principal nome do setor para capturar o fluxo de capital estrangeiro, que segue forte na bolsa brasileira.


Bradesco (BBDC4)

Os papéis do Bradesco são negociados na casa dos R$ 21. Tem analista que projeta uma alta até R$ 25 para 2026. No geral, a leitura é que o banco pode se beneficiar da queda de juros no Brasil – até mais do que as outras instituicões financeiras. Um banco pode ganhar mais com a queda dos juros quando sua receita principal está mais ligada à atividade de crédito tradicional, que ganha mais tração com taxas menores.

O plano de transformação do banco também é visto como um impulsionador. Em resumo, é um um pacote de mudanças para tornar o banco mais eficiente, rentável e competitivo, depois de alguns anos de pressão sobre resultados.

Neste ano, existe expectativa de que o banco consiga ganhar escala, reduzir custos e dar um “up” nas operações, o que tende a melhorar a rentabilidade. Com isso, o ROE pode alcançar cerca de 15% até o fim de 2025 e avançar para algo próximo de 17% neste ano, indicando uma geração de lucro mais eficiente para os acionistas.


Aura Minerals (AURA33)

A Aura Minerals é uma mineradora de ouro que se beneficiou diretamente da forte valorização do metal nos últimos meses. A ação subiu 65% no ano passado e começou 2025 em alta. Mesmo com a correção recente do ouro, o papel segue no radar de quatro das dez carteiras analisadas, já que o cenário de incertezas globais continua favorecendo ativos considerados proteção, como o ouro.

Outro ponto que sustenta a tese é o valuation atrativo. A Aura negocia a um múltiplo P/NAV de 0,9 vez, enquanto mineradoras internacionais costumam operar acima de 1,3 vez. Em termos simples, o P/NAV compara o preço da empresa em bolsa com o valor estimado de suas reservas de ouro. Quando esse número fica abaixo de 1, como no caso da Aura, significa que o mercado está pagando menos do que o valor teórico dos ativos, o que sugere desconto em relação às pares.

Além disso, a tese não depende apenas de uma alta contínua do ouro. A expectativa é de forte geração de caixa, com crescimento de cerca de 18% no caixa operacional e de 50% no EBITDA – indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de juros, impostos e outros efeitos financeiros. Na prática, isso mostra que a Aura tende a ganhar mais dinheiro com sua operação, o que ajuda a sustentar o valor da ação mesmo em períodos de maior volatilidade da commodity.

Axia (AXIA3)

A Axia (antiga Eletrobras) pode se beneficiar da expansão do setor elétrico nos próximos anos, segundo os analistas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) prevê um aumento de mais de 9 mil megawatts na capacidade instalada do país em 2026 – o que, na prática, significa mais usinas e maior demanda por energia. Em paralelo, mudanças regulatórias tendem a manter os preços de energia elevados, criando um ambiente favorável para empresas bem posicionadas no setor.

A empresa ganha relevância em momentos de maior volatilidade do mercado elétrico, quando cresce a necessidade de energia firme – aquela que pode ser entregue de forma contínua, sem depender tanto do clima. Com uma expectativa mais otimista para os preços da energia, essa combinação deve se traduzir em receitas mais robustas ao longo do tempo.

Além disso, segundo analistas, a Axia começa a se consolidar como uma boa pagadora de dividendos. Essa narrativa ficou mais evidente em 2025, quando a companhia anunciou pagamentos adicionais de R$ 4 bilhões, referentes a 2024, e outros R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre.

Fontes consultadas: Genial Investimentos, Itaú Unibanco, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora Investimentos, Daycoval, Rico e XP.

Queda do bitcoin faz mercado cripto perder o equivalente a duas Petrobras

2 de Fevereiro de 2026, 09:49

O fim de semana foi de estrago para o bitcoin (BTC) e as altcoins. A indústria de ativos digitais perdeu cerca de US$ 220 bilhões em valor de mercado entre o sábado (31) e o domingo (1º), segundo dados da plataforma CoinMarketCap. O tombo equivale a mais de duas Petrobras (PETR4), hoje avaliada em torno de US$ 98 bilhões.

A pancada nas criptomoedas reflete um combo nada amigável que tomou conta dos mercados nos últimos dias: tensões geopolíticas, incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, o setor de tecnologia andando em terreno instável – e levando as criptos junto – além de um dólar mais forte.

Esse cenário elevou a aversão global ao risco a níveis altos. Nessas horas, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais voláteis – e o bitcoin e as demais criptos acabam no centro das vendas.

Um bom termômetro disso são os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de BTC nos Estados Unidos. Na semana passada, esses produtos registraram quase US$ 1,5 bilhão em resgates, segundo dados da plataforma SoSoValue – o maior volume semanal de retiradas em quase um ano.

O movimento gerou burburinho no mercado cripto. Depois de ter renovado máximas recentemente, o bitcoin entrou em uma sequência mais prolongada de quedas, reacendendo um velho debate entre investidores: afinal, qual é o papel do BTC na carteira? Onde fica o argumento do “ouro digital”?

Na manhã desta segunda-feira (2), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 78 mil, com queda de 0,59% no dia e 11,30% nos últimos sete dias. O ethereum (ETH) cai 4,30% hoje, para US$ 2.303,11, e 20% no acumulado semanal.

“Baleias” nadam contra a maré

Apesar da pressão vendedora, há um movimento curioso por baixo da superfície.

Enquanto investidores de varejo apertam o botão de venda, muitas vezes realizando prejuízos, as chamadas “baleias” – grandes detentores de criptomoedas – aproveitam os preços mais baixos para acumular ativos, segundo dados da Glassnode divulgados pelo portal CoinDesk. O número de entidades com mais de 1.000 BTC subiu de 1.207 em outubro para 1.303 hoje.

Na prática, segundo André Franco, CEO da Boost Research, isso significa “uma transferência de riqueza das ‘mãos fracas’ para investidores de longo prazo que antecipam a recuperação do mercado”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,59%, US$ 78.052,12

Ethereum (ETH): -4,30%, US$ 2.303,11

XRP (XRP): -0,32%, US$ 1,64

BNB (BNB): -0,39%, US$ 766,37

Solana (SOL): -1,33%, US$ 103,09

Outros destaques do mercado cripto

Regras do BC dão a largada. As novas regras para o mercado de criptomoedas, publicadas pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado, começam a valer hoje. Na prática, o BC passa a definir quem pode atuar no mercado local, quais autorizações são necessárias e como algumas criptomoedas devem ser enquadradas. Um ponto importante: as stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio.

Mais uma stablecoin brasileira no pedaço. O Brasil acaba de ganhar mais uma stablecoin atrelada ao real: a BRLN. Ela foi lançada pela empresa Núclea e deve ser usada, inicialmente, para dar suporte aos processos internos de liquidação e compensação da firma. Vale lembrar: só nos últimos dois meses, quatro stablecoins ligadas à moeda brasileira foram lançadas ou anunciadas. Somadas às que já existem, o país caminha para ter 11 stablecoins “made in Brazil”.

Visa e Mastercard jogam água fria nas stablecoins. Stablecoins estão em alta, ok. Mas gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard ainda veem pouco apelo dessas criptos para os pagamentos do dia a dia – ao menos por enquanto. Em calls sobre resultados, executivos das empresas disseram que, em mercados desenvolvidos, os consumidores já contam com meios digitais rápidos e eficientes para pagar, o que acaba limitando a demanda por stablecoins no varejo.

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O que empresas como a dona do Center Norte fazem quando um executivo-chave morre de repente?

23 de Janeiro de 2026, 14:04

Otto Baumgart (1980-2026) sempre teve sucessão corporativa como um assunto de primeira ordem. Integrante da terceira geração do grupo familiar dono da Vedacit e do Center Norte, o empresário, que por anos liderou o conselho de administração da família, faleceu em 12 de janeiro, aos 45 anos, vítima de um câncer. Do seu legado, ficaram a consolidação de uma estrutura de governança corporativa e de processo sucessório no Grupo Baumgart.

O negócio da família foi criado pelo avô de Otto em 1936, um descendente de alemães também chamado Otto Baumgart. E a preocupação com o legado do negócio, motivou Otto (o neto) a estudar o tópico “sucessão familiar” desde cedo – esse foi o tema de sua monografia de conclusão de curso no Mackenzie, onde fez administração, e mais tarde, um dos assuntos em que mergulhou durante uma extensão acadêmica na Harvard Business School.

No início dos anos 2000, quando ele e seus primos já tinham alguma presença na empresa, o temor de que a continuidade do negócio corria algum risco motivou a segunda geração (seu pai e seus tios), a chamar os mais novos para uma conversa. Era preciso entender se todos estavam dispostos a continuar unidos à frente do grupo.

Com o “sim”, a terceira geração – composta por 10 primos de três núcleos familiares – Otto trabalhou para criar um acordo de acionistas e um protocolo da família Baumgart, que definia regras de quem poderia trabalhar no grupo, a educação mínima necessária e a exigência de ter experiências profissionais em outras empresas.

Desde 2017, os Baumgart saíram da operação e profissionalizaram a direção executiva para deixar os integrantes da família no conselho de administração e nos comitês da empresa.

No conselho, os primos dos três núcleos familiares se revezam nas cadeiras e no comando, ao lado de conselheiros independentes – que atuavam, nas palavras de Otto, como “algodão entre cristais”, mediando os planos dos núcleos familiares durante a estrutura de rodízio na presidência do conselho.

“É benéfico porque dá oportunidade de cada um dos núcleos exercer um pouco o poder e dar sua velocidade e sua visão ao negócio”, disse Otto em entrevista em fevereiro de 2025 ao podcast Ypocast, do YPO Brasil. Naquele momento, já com o diagnóstico de câncer, ele dedicava maior parte do seu tempo ao tratamento médico e se preparava para assumir novamente, em abril deste ano, o conselho da companhia, hoje ocupado pela prima, Gabriela Baumgart.

Antecipação de conflitos

Uma estrutura como a do Grupo Baumgart tem importância redobrada quando o assunto não é apenas troca de comando, mas a perda repentina de um acionista relevante, especialmente em empresas familiares.

É como uma “tríplice perda”, descreve Wagner Luiz Teixeira, sócio e presidente da Höft, consultoria que desenhou planos de governança corporativa em diversas empresas familiares. Formam esse trio o luto da família, o buraco aberto na condução da companhia e, muitas vezes, um efeito societário imediato, com risco de pulverização de participação, disputa entre herdeiros e desalinhamento entre núcleos familiares.

Segundo uma pesquisa da PwC, menos de um quarto das companhias familiares brasileiras tinham planos de sucessão definidos. Um acordo prévio entre os acionistas, segundo Teixeira, vira um “seguro”, impedindo que a confusão patrimonial ou disputas entre herdeiros paralisem o negócio.” Esse acordo deve garantir que a sociedade tenha regras de saída e entrada. “É o que permite à empresa ter continuidade independentemente de quem são os herdeiros ou se eles têm interesse no negócio.”

Hoje uma das unidades de negócio da multinacional de alimentos General Mills no Brasil, a Yoki foi comprada em 2012 pela americana após um vácuo na liderança do negócio após a saída do fundador, Yoshizo Kitano, que criou a empresa nos anos 1980. A empresa virou alvo de disputa entre as famílias das herdeiras, Misako Matsunaga e Yeda Kitano Cherubini. E a rixa levou à venda, por R$ 2 bilhões.

“Quando você consegue estruturar os acordos com antecedência, você consegue minimizar qualquer rixa familiar porque é a vontade da primeira geração”, observa Milena Brentan, psicóloga especializada em desenvolvimento para alta liderança. Sem isso, a empresa fica refém da incerteza e da insegurança jurídica no momento de maior fragilidade emocional da família.

Passagem de bastão

Um desenho sucessório bem-estruturado também impede que o legado de uma companhia se perca. Segundo os especialistas, a institucionalização dos processos permite uma empresa operar mesmo com a falta repentina de um executivo importante.

A fabricante de pães Wickbold, comprada no fim de 2025 pela mexicana Bimbo, passou por uma situação assim no fim dos anos 2000. A operação era tocada por Ronaldo Wickbold, filho do fundador, e por seu sobrinho, Edilberto. A morte precipitada de Edilberto, aos 33 anos por conta de um aneurisma cerebral, no entanto, deixou a empresa desestabilizada.

A cartada foi buscar a profissionalização do negócio, trazendo mais executivos do mercado para a alta gestão. A inclusão de pessoas de “fora do ninho” não significou, porém, o afastamento da família do comando. De 2016 até a venda para a gigante mexicana, a Wickbold foi liderada pelo bisneto do fundador, Pedro Wickbold.

O primeiro movimento numa situação como essa, diz Brentan, é mapear os cargos críticos e “ter um plano traçado de quem deve substituir a pessoa que o ocupava”, explica Brentan, sejam pessoas internas ou trazidas de fora. Numa empresa de tecnologia, por exemplo, não só cargo de CEO é crítico, mas também o de CTO, que lidera o desenvolvimento tecnológico. Numa varejista, um diretor de operações, por exemplo, pode ter mais atribuições no dia a dia da empresa do que o CEO.

A partir daí, o caminho é distribuir responsabilidades daquele C-Level ou fundador entre os executivos que eram mais próximos do dia a dia, com o cuidado de não pulverizar demais as funções e tornar a estrutura de gestão mais complexa, diz Brentan.

“Quando um evento assim pega a companhia de surpresa, algumas ações acabam acontecendo a toque de caixa, e é aí que se vê se havia um plano de sucessão contínua de verdade. O ideal é ter um acompanhamento permanente das posições-chave, com planos desenhados com horizonte de médio e longo prazo”, acrescenta Luiz Marcatti, presidente da Mesa Corporate Governance.

Abílio Diniz
Abílio Diniz: no processo de sucessão, legado de paixão por varejo não se manteve (Foto: Divulgação)

Mas só os processos formais não são suficientes para garantir o legado. Na Península, empresa de investimentos do empresário Abílio Diniz, morto em 18 de fevereiro de 2024, a sucessão formal, com testamento e nomes combinados para o pós-morte foram endereçadas, segundo uma pessoa próxima ouvida pelo InvestNews. Só que não bastou.

“O investimento no Carrefour, no Brasil e no exterior, era uma vontade muito particular de Abílio”, diz essa fonte. Mas a Península vendeu toda sua participação no Carrefour em novembro do ano passado. “Ficou a impressão de que a família não tinha o mesmo apetite para carregar esse tipo de exposição e de engajamento.”

É preciso que haja uma “corrida de revezamento de bastão”, nas palavras de Teixeira, sócio da Höft. “Se o fundador toma todas as decisões sozinho até morrer, mesmo que exista um sucessor nomeado no papel, o legado é transmitido. Sem a vivência compartilhada das decisões, o sucessor recebe o cargo, mas não a ‘alma’ do negócio”. E na ausência de passagem de bastão, o mais provável é que a corrida acabe antes.

*Colaborou Felipe Mendes

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Templo do luxo nos EUA, Saks pede recuperação judicial

14 de Janeiro de 2026, 11:23

A Saks Global Enterprises entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) para lidar com prejuízos crescentes e uma dívida elevada que vem pesando sobre a icônica varejista de luxo – o que coloca gigantes como LVMH, Kering (dona da Gucci) e Chanel na lista de credores.

A companhia estimou que seu número de credores fique entre 10 mil e 25 mil, numa lista que inclui a Chanel, com cerca de US$ 136 milhões, seguida pela Kering (controladora da Gucci), com US$ 60 milhões. O conglomerado de luxo LVMH tem US$ 26 milhões a receber.

A empresa, que opera as lojas Saks Fifth Avenue junto com Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, entrou com o pedido de Chapter 11 no Texas, segundo informou em comunicado.

A Saks nomeou o ex-CEO do Neiman Marcus Group, Geoffroy van Raemdonck, como novo CEO e disse que está avaliando sua “pegada operacional” para investir onde há maior potencial de longo prazo.

O movimento ocorre pouco mais de um ano depois de investidores de dívida terem fornecido à Saks bilhões de dólares em novas dívidas para ajudar a financiar a aquisição da Neiman Marcus. Mas, em poucos meses, esses títulos despencaram para níveis de forte estresse, e, no fim de 2025, a Saks deixou de pagar juros devidos a detentores de bonds, num total superior a US$ 100 milhões.

“Este é um momento definidor para a Saks Global, e o caminho adiante apresenta uma oportunidade relevante para fortalecer a base do nosso negócio e posicioná-lo para o futuro”, disse van Raemdonck no comunicado. Van Raemdonck substituiu Richard Baker, que deixou o cargo na terça-feira.

A Saks garantiu aproximadamente US$ 1,75 bilhão em financiamento, incluindo US$ 1,5 bilhão de um grupo ad hoc de detentores de bonds seniores com garantia da companhia, segundo o comunicado divulgado na quarta-feira. As lojas das marcas Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus, Bergdorf Goodman e Saks OFF 5TH permanecerão abertas, acrescentou a empresa.

A varejista afirmou que espera manter todos os programas para clientes, fazer pagamentos futuros a fornecedores e continuar pagando salários e benefícios dos funcionários durante o processo de Chapter 11.

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Após aprovação do tribunal, o financiamento “debtor-in-possession” (DIP) de US$ 1 bilhão, vindo do grupo ad hoc, fornecerá liquidez para financiar as operações da Saks e iniciativas de reestruturação, disse a empresa no comunicado. Um adicional de US$ 500 milhões em financiamento ficará disponível quando a companhia sair da recuperação judicial — o que é esperado para mais tarde neste ano —, acrescentou.

Os provedores desse novo dinheiro também poderão incorporar (“roll up”) parte de seus bonds atuais na nova linha de financiamento, de acordo com um documento apresentado ao tribunal na quarta-feira.

Momento de virada da Saks

A recuperação judicial é um marco para a Saks, cuja história remonta a mais de 150 anos. Sua loja principal na Quinta Avenida de Nova York foi inaugurada em 1924, quando o trecho desse endereço — hoje um dos mais valiosos do mundo — era majoritariamente residencial. Nas décadas seguintes, o negócio se expandiu de costa a costa, tornando-se uma porta de entrada para a alta moda para muitos americanos, e abriu capital pela primeira vez em meados dos anos 1990.

Mas a empresa tem tido dificuldade para se adaptar às mudanças do setor, à medida que as marcas de luxo vendidas em suas lojas de departamento também passaram a comercializar diretamente ao consumidor. A varejista vinha negociando uma reestruturação com credores e avaliando outras formas de reforçar a liquidez — incluindo levantar financiamento emergencial ou vender ativos —, mas acabou optando pelo Chapter 11.

O caminho até a recuperação judicial foi turbulento em alguns momentos nas últimas semanas, à medida que credores se frustraram com a situação da empresa e com sua equipe de gestão. Foi apenas em junho que credores adicionaram centenas de milhões de dólares em dívida à Saks numa tentativa de melhorar suas finanças, como parte de um acordo que reorganizou a ordem de prioridade de pagamento entre os credores.

O acordo criou múltiplas camadas de detentores de bonds, cada uma com diferentes direitos sobre os ativos da companhia. A linha de crédito com lastro em ativos (asset-backed lending facility) da Saks também foi alterada para exigir que a empresa mantivesse um nível mínimo de liquidez excedente, mas o desempenho ficou abaixo do esperado desde então.

A Saks reduziu sua projeção para o ano inteiro em outubro, depois de reportar queda nas vendas ligada a desafios de gestão de estoques, e uma redução de 13% na receita, na comparação anual, para US$ 1,6 bilhão no segundo trimestre.

No documento apresentado ao tribunal, o diretor de reestruturação da Saks, Mark Weinsten, afirmou que o financiamento levantado durante o verão (no Hemisfério Norte) se mostrou insuficiente para quitar o que a empresa devia a parceiros comerciais ou para restabelecer o fluxo de estoques aos níveis planejados antes da temporada de fim de ano.

Isso não só afetou a receita, como também limitou a capacidade da companhia de acessar sua linha de crédito garantida por ativos. Por fim, no início de janeiro — um período de baixa sazonal para vendas —, a empresa enfrentou uma “tempestade perfeita” de desafios de liquidez.

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Bitcoin pega embalo com ajuda dos ETFs e da inflação dos EUA

14 de Janeiro de 2026, 09:51

Depois de alguns dias em queda ou andando de lado, o bitcoin (BTC) acordou de melhor humor nesta quarta-feira (14) e voltou a namorar a faixa dos US$ 95 mil – movimento que respingou também nas demais criptomoedas.

Um dos impulsionadores foi a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), que subiu 0,3% em dezembro e ficou em 2,7% em 2025. Tudo dentro do que o mercado já esperava.

“Os dados de inflação tinham potencial para funcionar como catalisador, ajudando o mercado a sair do congestionamento recente e buscar um movimento mais direciona”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital

A inflação, junto com o dado de emprego divulgado na semana passada, reforça a narrativa de que cortes de juros podem estar no horizonte – o que é sempre música para os ouvidos de quem investe em cripto e outros ativos de risco.

Agora, resta saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai mesmo apertar o botão neste ano. Vale lembrar que Jerome Powell, presidente da instituição, anda sob uma pressão danada de Donald Trump, depois da abertura de uma investigação sobre um projeto de reforma de prédios históricos.

O empurrão dos ETFs

Outro empurrãozinho para o bom humor do mercado veio dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA. Ontem, eles registraram entradas de US$ 753,7 milhões – o maior volume diário desde 7 de outubro, segundo a plataforma SoSoValue.

Esse tipo de fluxo costuma funcionar como um vento a favor para o preço do bitcoin. Quando entra mais dinheiro nos ETFs, os gestores precisam comprar BTC no mercado para montar as posições, o que aumenta a demanda e ajuda a puxar as cotações para cima.

O projeto de lei dos EUA

Além dos dados macro e do fluxo para os ETFs, há mais um ingrediente animando a indústria. Nesta quinta-feira (15), o Senado dos EUA deve votar o Clarity Act, um projeto super aguardado que busca criar um marco regulatório para o setor cripto.

Havia, porém, um trecho do texto que vinha tirando o sono dos players: a possível proibição de stablecoins pagarem rendimento. Hoje, por exemplo, quem deixa o dólar digital USDC “parado” em certas plataformas consegue algo perto de 3,5% ao ano.

Só que o clima mudou. O comitê bancário da Casa apresentou uma espécie de ajuste na proposta e, pelo que está desenhado agora, a ideia é liberar esse tipo de recompensa. Ou seja: as stablecoins ganharam uma sobrevida no jogo da renda passiva.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h40.

Bitcoin (BTC):  +3,31%, US$ 95.043,27

Ethereum (ETH): +5,15%, US$ 3.291,10

XRP (XRP): +3,03%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,92%, US$ 933,50

Solana (SOL): +1,83%, US$ 144,40

Outros destaques do mercado cripto

Bancos não curtem a renda passiva das stablecoins. Como era de se esperar, os bancos não estão nada animados com essa história de stablecoins pagando rendimento. O CFO do JPMorgan, Jeremy Barnum, disse que isso cria uma espécie de “sistema bancário paralelo”. Segundo ele, empresas de cripto estão oferecendo algo muito parecido com contas bancárias – rendem juros e tudo – só que sem o mesmo nível de supervisão, exigências de capital ou proteção ao investidor. Tradução: a disputa ficou séria.

Kobra entra no mundo dos NFTs. O muralista brasileiro Eduardo Kobra, conhecido no mundo todo, resolveu dar um pulo no universo cripto e transformar suas obras em tokens não fungíveis (NFTs). Para quem anda meio por fora: NFT é um bem digital único, registrado em blockchain. Esse mercado esfriou nos últimos anos, mas já viveu dias de glória – com obras sendo vendidas por milhões de dólares.

Imóvel de luxo vira token no Brasil. A onda da tokenização – o processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – segue firme no Brasil. A startup Rooftop captou R$ 17,2 milhões com tokens imobiliários lastreados em um imóvel de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, localizado entre Itatiba e Bragança Paulista, em São Paulo. Na prática, é o mercado imobiliário mergulhando cada vez mais na tecnologia por trás das criptos.

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Copa do Mundo e geladeira bivolt: os trunfos da LG para disputar mercado com Samsung e Brastemp

9 de Janeiro de 2026, 06:00

Três décadas depois de desembarcar no Brasil, a sul-coreana LG começa 2026 com um plano apoiado em duas grandes frentes para ampliar sua receita no país em 30% nos próximos dois anos. Hoje, o mercado brasileiro já figura entre os três maiores da companhia no mundo, ao lado da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

A estratégia da multinacional combina o aumento da procura por televisores em um ano de Copa do Mundo com uma inflexão mais estrutural na chamada linha branca — que inclui geladeiras, máquinas de lavar e outros eletrodomésticos —, marcada pela inauguração de uma fábrica bilionária no Paraná no segundo semestre.

Segundo Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG no Brasil, é justamente nos segmentos de refrigeradores e lavadoras que está a principal fonte de receita da companhia no mundo, mas que ainda não se traduziu em escala no mercado brasileiro. “No Brasil, essa presença ainda é tímida porque praticamente todo o portfólio é importado”, diz.

Brasil na tela

Para as fabricantes de TV, como a LG, há um momento que funciona como espécie de Copa do Mundo: a própria Copa do Mundo. É nesse período que os brasileiros tendem a adiantar a troca de aparelho, m migrando para modelos maiores.

Na avaliação da companhia, porém, o consumidor está mais seletivo. Passou a valorizar características que vão além do tamanho e do preço.

Qualidade de imagem em ambientes iluminados, taxas de atualização mais altas para esportes e games e integração com plataformas de streaming ganharam mais peso na decisão de compra. Segundo Fiani, em um mercado maduro o consumidor não troca mais a TV apenas por necessidade, mas pelo tipo de uso que espera fazer do aparelho.

Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil
Rodrigo Fiani, vice-preisdente de vendas da LG no Brasil (Divulgação)

O mercado brasileiro de televisores é liderado pela Samsung, que construiu ao longo dos anos uma posição dominante tanto em volume quanto em percepção de marca, apoiada em escala e forte presença no varejo. 

A LG aparece logo atrás entre os principais players, disputando espaço sobretudo nos segmentos de maior valor agregado. Enquanto isso, fabricantes chinesas como a TCL avançam com força nas categorias intermediárias e aumentam a pressão competitiva sobre preços.

Mas, para a LG, o verdadeiro salto não está apenas no calendário esportivo. A aposta em TVs ajuda a ganhar fôlego no curto prazo, enquanto a virada mais estrutural da operação brasileira começa a ser preparada para a segunda metade do ano.

Fábrica bilionária

Se a Copa ajuda a impulsionar o curto prazo, é na linha branca que a LG aposta suas fichas — mais precisamente R$ 1,5 bilhão em fichas. O valor está sendo investido na construção de uma nova fábrica no Paraná, com inauguração prevista para o segundo semestre, voltada à produção local de refrigeradores e lavadoras.

O projeto marca a primeira tentativa consistente da companhia de ganhar escala em um mercado no qual, até aqui, sua presença era marginal. Hoje, o setor é dominado pela americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, além da sueca Electrolux. A LG possui 3% de participação em linha branca no país. A meta declarada é chegar a 20% de market share nos próximos anos.

Com 770 mil metros quadrados, a fábrica no Paraná nascerá focada na produção de geladeiras e terá capacidade inicial para fabricar até 500 mil unidades por ano, segundo a empresa. A partir de 2027, o plano prevê a entrada de máquinas de lavar e das lava e seca, ampliando o portfólio local.

Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR)
Obras na futura fábrica de geladeiras e lavadoras da LG no município de Fazenda Rio Grande (PR) (Divulgação)

A ofensiva começa pelos refrigeradores, com o lançamento de 25 modelos já no primeiro ano de operação, cobrindo do segmento intermediário ao premium. A ideia, segundo Rodrigo Fiani, não é disputar apenas nichos de maior valor agregado, mas massificar a oferta e ganhar escala no varejo. O Brasil vende quase 5 milhões de geladeiras por ano, movimentando mais de R$ 15 bilhões a cada 12 meses, com forte concentração nos produtos de preço intermedário.

Um dos símbolos dessa abordagem é a aposta em geladeiras bivolt — uma característica ainda pouco disseminada no mercado brasileiro. Mais do que um diferencial técnico para o consumidor, o recurso tem impacto direto na cadeia de vendas. “Para o varejista, ter um único produto que funciona em qualquer voltagem simplifica muito a operação e reduz erros na hora da compra”, diz Fiani.

Até aqui, a atuação da LG na linha branca no Brasil era limitada pela dependência de produtos importados, o que restringia o portfólio aos modelos mais caros. “Quando tudo vem de fora, não faz sentido eu encher o contêiner com produtos de menor preço. O custo logístico acaba empurrando a operação para o topo do portfólio”, afirma o executivo.

Geladeira e lavadoras da LG
Geladeira e lavadoras da LG: produtos de linha branca atualmente são importados (Bloomberg)

Com a produção local, essa lógica muda. A fabricação no Brasil permite ampliar o leque de modelos, reduzir custos e tornar os preços mais competitivos. Hoje, a geladeira mais barata da LG custa cerca de R$ 3 mil, enquanto modelos equivalentes de concorrentes partem de R$ 2 mil — uma diferença que a companhia espera reduzir à medida que a nova planta entre em operação.

Hoje, a principal fonte de receita — e, sobretudo, de lucro — da LG é a divisão de Home Appliance Solution, responsável pela linha branca do grupo. No terceiro trimestre do ano passado, a unidade faturou US$ 4,9 bilhões gloobalmente, e registrou lucro operacional US$ 270 milhões.

O contraste aparece quando se olha para o negócio de TVs. A divisão de Media Entertainment, que reúne televisores e outros produtos de entretenimento doméstico, foi a segunda maior em receita no mundo, com US$ 3,4 bilhões no 3T25. Ainda assim, o segmento encerrou o período com prejuízo operacional, refletindo a pressão de preços e a competição acirrada.

No consolidado, a LG global registrou receita líquida US$ 16 bilhões — e lucro operacional US$ 500 milhões. A empresa não divulga números específicos da operação brasileira.

O próximo Lehman pode ser cripto? O risco escondido nas stablecoins

8 de Janeiro de 2026, 17:49

As stablecoins – criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – cresceram rápido demais. Hoje, já somam um valor de mercado de cerca de US$ 317 bilhões, o equivalente a 10% dos US$ 3,1 trilhões da indústria de ativos digitais. Tradicionalmente, elas são usadas para trading. Porém, aos poucos, também vêm invadindo o sistema financeiro: aparecem em remessas internacionais, plataformas de pagamento, compra de títulos públicos e até em parcerias com gigantes como Visa e Mastercard.

É algo inovador sim – afinal, cripto é mais rápida, funciona 24 horas por dia e corta intermediários, reduzindo um bocado dos custos. Mas esse avanço todo também acende um alerta. Se essas moedas digitais estão com os braços espalhados por todo o sistema financeiro, um problema maior com seus emissores – risco inerente a qualquer empresa, especialmente num setor cuja regulação ainda está sendo construída – pode virar o estopim de um risco sistêmico. Ou seja, uma bela bagunça em escala global.

Risco sistêmico é quando o problema de uma parte do sistema tem efeito dominó e começa a derrubar o resto. Imagine um grande banco quebrando: outras instituições têm dinheiro aplicado nele, empresas dependem dele para operar, investidores entram em pânico, o crédito trava e a economia desacelera. Um exemplo clássico é a quebra do Lehman Brothers, em 2008, que tinha cerca de US$ 639 bilhões em ativos e espalhou a crise pelo mundo inteiro.

Cripto é igual? Não exatamente – mas a lógica do risco é parecida.

Se uma stablecoin grande quebrar (poucas dominam o mercado), o problema não fica restrito a ela: exchanges que usam essa moeda como base de negociação travam, fundos e empresas que guardam caixa nelas ficam com buracos no balanço e até o mercado de títulos públicos pode sentir o impacto, porque eles compõem parte do lastro delas. O filme é conhecido: pânico, vendas forçadas, contágio e crise de confiança.

“Elas (as stablecoins) se tornaram fundamentais para pagamentos, liquidação e liquidez internacional. Com o crescimento da tokenização e parcerias com bancos tradicionais, uma crise geraria um choque de liquidez imediato em empresas que as utilizam para capital de giro e pagamentos”, disse Gabriel Fioravante, professor da FIA Business School.

“Os sinais de contágio aparecem no volume investido e no interesse crescente de instituições como Morgan Stanley e Bank of America, além de empresas de pagamento como Visa, Mastercard e PayPal”, falou Humberto Aillón, professor da FIPECAFI.

Vamos por partes.

Risco de concentração extrema

Hoje, as duas maiores stablecoins mercado – a USDT e a USDC – concentram 82% do valor de mercado das stablecoins. A USDT, sozinha, abocanha pouco mais da metade – 58,68%. É uma gigante cripto. Isso cria um problema simples: se essas duas empresas tiverem problemas, quase todo o mercado sente. É o clássico problema de “too big to fail” no mundo cripto.

E não existe “banco central das stablecoins”. Em crises do sistema tradicional, essas entidades podem comprar títulos públicos, ativos privados, injetar liquidez no sistema, abrir linha de crédito etc. Mas no caso das stablecoins, não há nada disso.

Volatilidade e risco de corrida

Mesmo prometendo estabilidade, stablecoins podem perder a paridade se houver dúvidas sobre reservas ou governança. Em crises, investidores correm para sair ao mesmo tempo. Como nem todos conseguem resgatar direto no emissor, vendem no mercado com desconto, alimentando o pânico.

Isso já aconteceu.

A Tether, emissora da USDT, já perdeu a paridade em momentos de estresse. No fim do ano passado, a S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da moeda de manter o vínculo com o dólar para a pior nota da escala, citando justamente falta de transparência e maior risco dos ativos.

Impacto no mercado de títulos públicos

Hoje, stablecoins já detêm cerca de 2% de todos os T-bills (títulos americanos de curto prazo), segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado no final do ano passado. Veja o caso da Tether. Seu último balanço mostra US$ 127 bilhões em treasuries – mais do que a Alemanha. É ótimo para o governo dos EUA, que tem cada vez mais compras de sua dívida. No entanto, apontou o FMI, isso também pode ser um problema.

Se continuarem crescendo, disse a entidade, eles podem distorcer o funcionamento desse mercado, pressionando os juros (rendimento) para baixo. Pior: em caso de corrida, o emissor teria de vender enormes volumes de títulos de uma vez, causando “fire sales” (venda forçada e apressada de ativos) e bagunçando mercados que são a base do sistema financeiro e da política monetária.

“Uma deterioração grave nesses mercados poderia potencialmente exigir a intervenção do banco central. Além disso, uma deterioração no mercado de títulos do Tesouro poderia impactar negativamente a capacidade do governo de captar recursos”, disse a entidade.

Concorrência com depósitos bancários

Se stablecoins se tornarem amplamente usadas fora do sistema bancário tradicional (por exemplo, em pagamentos ou reservas de valor), isso pode reduzir depósitos bancários – o que enfraquece uma fonte tradicional de financiamento para bancos, segundo o FMI. Essa perda de depósitos pode, em teoria, reduzir a capacidade dos bancos de emprestar à economia e aumentar o custo do crédito se os bancos tiverem que substituir esses depósitos por fontes de financiamento mais caras

Em países frágeis, stablecoins em dólar podem substituir a moeda local rapidamente. Isso poderia enfraquecer o controle do banco central sobre juros e liquidez, reduz a arrecadação de senhoriagem (o “lucro” que um governo obtém ao emitir dinheiro) e dificulta a política monetária, ainda segundo a entidade. E isso pode acontecer muito mais rápido do que a dolarização tradicional, porque stablecoins funcionam via celular e internet.

Regulação poderia dar um help?

A regulação normalmente chega depois da tecnologia – e no caso das stablecoins isso tem se confirmado. Regras e supervisão ainda variam muito entre países, o que pode ser um problema sério se algo der errado.

Alguns países e blocos já avançaram: exigem reservas um pouco mais transparentes, mecanismos de resgate e proteção ao cliente, e estabeleceram frameworks específicos para moedas digitais. No ano passado, os Estados Unidos publicaram a Genius Act, visto por analistas como um grande avanço para o setor. Também tem a regulamentação de mercados de ativos digitais europeia, a MiCA. Enquanto isso, outros países ainda estão no começo – ou sequer têm legislação clara.

Essa desigualdade, segundo o Banco Central Europeu (BCE), cria lacunas regulatórias que podem ser exploradas por emissores de stablecoins escolhendo operar em lugares com regras mais leves. Falando especificamenteo do bloco, a entidade disse seguinte:

“As discrepâncias globais entre as jurisdições constituem a principal fonte de risco das stablecoins para a zona do euro. Apesar das muitas semelhanças entre os diversos conjuntos de legislação, permanecem diferenças importantes em relação aos requisitos de reserva e se as taxas de resgate são permitidas ou não, por exemplo. Essas diferenças facilitam a arbitragem regulatória”.

O professor Humberto Aillón, da FIPECAFI, lembrou que, no Brasil, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vêm trabalhando com foco na segurança do investidor. A regulamentação foi publicada no fim do ano passado e aumentou as exigências de reservas, regras de custódia e governança, em linha com o marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/22).

Ainda assim, por se tratar de uma classe de ativos relativamente nova e muito dependente de infraestrutura de blockchain e tecnologia, o consenso no mercado é que a regulação ainda tem bastante espaço para ajustes e melhorias, disse.

O lado A

Existe todo esse medo, mas nem tudo é problema – claro. Apesar dos riscos, as stablecoins resolvem problemas reais – como já foi falado muito por aqui e em vários veículos. Elas tornam pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, podem ser usadas para viagem, reduzem intermediários, funcionam de domingo a domingo, e já estão sendo usadas por empresas e bancos para liquidação financeira.

Além disso, as firmas emissoras estão se mexendo e melhorando cada vez mais. “A transparência melhorou significativamente. Emissores como a Circle (dona da USDC) utilizam a BlackRock para gerir reservas, com auditorias regulares e verificáveis”, lembrou Fioravante, professor da FIA Business School. Contudo, falou, o mercado ainda cobra auditorias “em tempo real” para garantir que cada token tem 100% de cobertura em ativos seguros, e não em papéis comerciais de menor qualidade

O ponto, dizem especialistas, não é frear a tecnologia. É impedir que ela cresça rápido demais sem uma rede de proteção, como já aconteceu tantas vezes na história do sistema financeiro.

Bitcoin escorrega com aversão ao risco e ruído técnico

7 de Janeiro de 2026, 09:55

O bitcoin (BTC) não conseguiu sustentar a alta do início da semana e amanheceu no vermelho nesta quarta-feira (7), perdendo o patamar dos US$ 93 mil.

No cenário macro, a criptomoeda reage a um leve aumento da aversão ao risco, em meio à expectativa por dados de emprego nos Estados Unidos e às incertezas geopolíticas envolvendo o petróleo.

Hoje, os EUA divulgam o relatório de emprego privado da ADP de dezembro e, mais tarde, a pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade. Esses indicadores são importantes porque ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

No campo geopolítico, os olhos seguem voltados para o desenrolar da prisão de Nicolás Maduro, que adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário global.

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin dos EUA sentiram o clima. Depois de registrarem o melhor dia desde o início de outubro no início desta semana, o fluxo virou para o negativo, com US$ 243 milhões em saques ontem.

A movimentação de capital nesses produtos, preferidos por investidores institucionais, costuma repercutir no preço do bitcoin – e vice-versa – em uma dinâmica quase cíclica.

Segundo a CryptoQuant, a demanda aparente on-chain (toda a movimentação registrada diretamente na blockchain) também segue fraca e precisaria de uma recuperação mais consistente para sustentar um retorno aos US$ 100 mil.

“Com o sentimento ainda incerto e o baixo volume de negociação no mercado, a demanda por um retorno à movimentação on-chain ainda não mostrou sinais sólidos de melhora”, disse a casa.

Falha no bitcoin?

Há outro burburinho no mercado. Na terça, desenvolvedores do bitcoin (BTC) divulgaram a existência de um bug em duas versões recentes do principal software da rede – o Bitcoin Core 30.0 e o 30.1 -, lançadas em outubro do ano passado.

Esse problema poderia apagar o conteúdo de carteiras antigas durante a migração em “raras circunstâncias”, disseram. Ou seja, poderia fazer o investidor perder suas criptomoedas. Mas calma: não é o fim do mundo.

Primeiro, porque os desenvolvedores já removeram o download das versões afetadas e prometeram uma correção. Segundo, porque nem de longe todo mundo usa essas versões – que, aliás, já vinham sendo pouco adotadas desde o lançamento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -1,96%, US$ 91.951,45

Ethereum (ETH): -0,75%, US$ 3.212,19

XRP (XRP): -5,33%, US$ 2,24

BNB (BNB): +0,58%, US$ 905,79

Solana (SOL): -1,03%, US$ 137,65

Outros destaques do mercado cripto

Mais uma stablecoin brazuca na praça. Tem mais uma stablecoin brasileira chegando no pedaço. O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon anunciou nesta semana, na CNN, que vai lançar o BRD, uma cripto lastreada em títulos públicos do Tesouro Nacional. Hoje, o Brasil já tem pelo menos seis stablecoins – BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV – e a própria B3 revelou, no fim do ano passado, que também está desenvolvendo um token. O mercado cripto definitivamente não para.

Fundos cripto brasileiros ficam no vermelho. Os fundos brasileiros de criptomoedas terminaram 2025 com mais saídas do que entradas. No total, os produtos registraram um fluxo negativo de US$ 1 milhão, bem diferente dos US$ 234 milhões que entraram em 2024. O Brasil ficou na contramão do resto do mundo: globalmente, os fundos cripto tiveram influxos de US$ 47,2 bilhões no ano passado, pouco abaixo dos US$ 48,7 bilhões de 2024.

Morgan Stanley quer ETF cripto. O Morgan Stanley pediu à SEC (a CVM dos EUA) autorização para lançar um ETF de bitcoin à vista e um produto ligado à solana (SOL), mostrando que a velha guarda de Wall Street segue cada vez mais confortável com o mundo cripto. O pedido vem num momento em que esses produtos estão em alta: os ETFs de bitcoin nos EUA já somam US$ 123 bilhões sob gestão e seguem recebendo dinheiro novo, enquanto os fundos ligados à solana também já passaram da marca de US$ 1 bilhão.

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Investir em dólar em 2026 faz sentido para os brasileiros?

26 de Dezembro de 2025, 10:39

Fazer previsões sobre investimentos internacionais e dólar nunca é simples – e fica ainda mais difícil quando o cenário reúne incertezas sobre juros, conflitos geopolíticos e eleições no Brasil. Ainda assim, alguns sinais começam a se desenhar e podem ajudar o investidor a pelo menos calibrar decisões para 2026.

O principal é o enfraquecimento do dólar no cenário global. Há certo consenso entre as casas de análise de que a moeda americana tende a perder valor. Não por acaso, bancos centrais vêm aumentando a parcela de ouro em suas reservas, em detrimento do dólar. Três fatores ajudam a explicar esse movimento:

Juros: boa parte do mercado trabalha com a hipótese de cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. Quando as taxas caem, os títulos em dólar perdem parte da atratividade, o que tende a direcionar capital para outros ativos.

Inflação: a inflação americana segue mais elevada do que a da zona do euro e de outras economias desenvolvidas. Isso corrói o poder de compra do dólar frente a essas moedas.

Fiscal: O governo dos Estados Unidos vem ampliando gastos e elevando o déficit fiscal. Esse desequilíbrio pesa sobre a percepção do dólar como moeda porto seguro e como reserva de valor global.

Mas isso significa que o brasileiro deve evitar o dólar ou reduzir a exposição? Não necessariamente.

Por que vale ter exposição ao dólar?

Primeiro, porque a moeda segue forte no contexto internacional – o que se discute é uma redução marginal de exposição, não um abandono, e isso para quem já tem a divisa na carteira. E, segundo, porque a realidade do investidor brasileiro é distinta da do investidor global.

“O percentual alocado em outras moedas fortes nas carteiras de brasileiros é muito pequeno. Então, é preciso ajustar algo que está muito fora do padrão global. Na verdade, o Brasil é que é muito diferente do mundo, nesse sentido”, afirmou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Até 31 de dezembro de 2024, somente 29.068 brasileiros declararam ter ativos no exterior, segundo dados do Banco Central. É pouco. Só na renda fixa local, há pouco mais de 100 milhões de brasileiros, enquanto na renda variável há cerca de 5,4 milhões, segundo dados da B3.

Outro ponto, segundo Alves, é que 2026 tende a ser um ano de elevada volatilidade, impulsionada pela incerteza eleitoral no Brasil. Nos últimos dias, o mercado já teve uma amostra disso, com anúncios de candidaturas, pesquisas e ruídos políticos.

“Para o investidor brasileiro, como forma de proteção diante de um cenário tão binário, é fundamental ter exposição ao dólar”, disse.

Quando se fala em investir na moeda americana, muita gente pensa imediatamente em comprar dólar em uma casa de câmbio. É uma possibilidade, claro, mas não a única. Há alternativas tanto na renda fixa quanto na renda variável.

Renda fixa em dólar

Com a expectativa de queda de juros nos EUA e um possível enfraquecimento do dólar, a tendência é que os Treasuries – os títulos do governo americano – passem a oferecer retornos menores.

Ainda assim, segundo especialistas, é possível encontrar papéis de crédito privado pagando entre 5% e 6% ao ano em dólar. São ativos mais arriscados do que os Treasuries, consideradas as mais seguras do mercado, mas que compensam com rendimento maior.

“O mercado de renda fixa americano é muito pujante. Vemos essas alocações muito mais como estratégicas e perenes dentro do portfólio do que como apostas táticas em oportunidades pontuais”, afirmou Juan Schiavo, portfolio manager da Cimo Family Office.

Renda variável

É impossível falar de renda variável no exterior sem olhar para o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos. Em 2025, ele ficou atrás do Ibovespa – subiu 16%, contra alta de 35% do índice brasileiro. Ainda assim, o histórico joga a favor do gigante: entre 1950 e 2024, o índice avançou, em média, 9,3% ao ano, segundo dados da Avenue.

De acordo com o BTG Pactual, a dinâmica de lucros das empresas americanas segue favorável. “O consenso projeta para 2026 um crescimento de aproximadamente 11% nos lucros do S&P 500, liderado por Tecnologia (+14%), Comunicações (+11%) e Energia (+9%)”, afirmou o banco em relatório.

A principal narrativa, portanto, deve continuar sendo a mesma: a tal da inteligência artificial. Apesar do debate sobre possíveis excessos e até uma pequena bolha, é no próximo ano que devem ficar mais evidentes as “profundas transformações econômicas e sociais provocadas por essa nova inovação”, segundo a XP.

Na visão de Schiavo, o setor de tecnologia nos EUA se tornou tão grande que hoje é o principal driver dos mercados globais.

Riscos

Investir no exterior, como qualquer investimento, envolve riscos. Um dos principais é a oscilação cambial: a valorização do dólar pode ampliar ganhos, mas o movimento inverso tem impacto direto sobre o retorno em reais. O último boletim Focus do Banco Central projeta o dólar na faixa dos R$ 5,50 para 2026, o mesmo patamar deste ano.

Além disso, fatores políticos e econômicos do país onde o capital está alocado pesam bastante. Mudanças na política monetária (lembrando que os EUA terão um novo presidente no seu banco central ano que vem), crises institucionais ou até declarações de líderes influentes – Donald Trump que o diga – podem gerar volatilidade e alterar rapidamente o humor do mercado, mesmo em economias consideradas estáveis, como a americana.

Quanto investir em dólar?

Definir quanto do patrimônio deve estar exposto ao dólar não tem resposta única. A alocação ideal varia conforme renda, padrão de consumo e objetivos financeiros. Ainda assim, alguns estudos ajudam a oferecer um ponto de partida mais concreto para quem busca proteção cambial e diversificação internacional.

Um levantamento divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no início deste ano mostrou que a variação do dólar impacta entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros, a depender da faixa de renda. Com base nisso, o estudo sugere que manter algo próximo a esse percentual aplicado em ativos internacionais – especialmente atrelados à moeda americana – pode ajudar a equilibrar os efeitos do câmbio no dia a dia.

Stablecoins latinas movimentam R$ 25,6 bilhões; Brasil lidera o jogo

17 de Dezembro de 2025, 09:57

Enquanto todo mundo fala das stablecoins de dólar, um outro movimento acontece mais perto da gente. As versões latino-americanas estão ganhando cada vez mais espaço no cenário cripto.

Um estudo divulgado pela Iporanga Ventures nesta semana mostra que as stablecoins do Brasil, México e Colômbia já movimentaram, juntas, R$ 25,6 bilhões em 2025. A expectativa é que o total até o último dia do ano alcance R$ 32 bilhões.

Ainda é pouco se comparado à USDT – que sozinha tem volume diário cerca de três vezes maior do que isso -, mas o avanço chama atenção

E o Brasil é o grande destaque da região. Sozinhas, as stablecoins atreladas ao real brasileiro devem registrar um volume negociado de R$ 21,3 bilhões até o final do ano.

Hoje, o país conta com seis criptos ligadas à sua moeda oficial: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV. De acordo com o estudo, elas colocam o Brasil como o terceiro maior mercado do mundo em circulação e volume desse tipo de ativo, atrás apenas de tokens de dólar e de euro.

Detalhe: há mais uma cripto “brazuca” prestes a ser criada. Ontem, a B3 anunciou que deve lançar, ainda no primeiro semestre, a sua própria stablecoin. A moeda digital será lastreada em reais e criada para permitir a liquidação de ativos tokenizados dentro da bolsa.

Vale lembrar que esses criptoativos são lastreados, em grande parte, por títulos públicos – o que ajuda a ampliar a demanda por dívida soberana e entra, inclusive, no radar das discussões sobre financiamento do setor público.

Quem usa stablecoins latinas?

No fim do ano passado, investidores profissionais e as chamadas “baleias” (pessoas ou grupos com grandes volumes de ativos digitais) respondiam por 60% do volume movimentado. Os institucionais representavam apenas 5%, enquanto o varejo somava 35%.

Em 2025, esse cenário se inverteu. Hoje, 84% do volume já vem de investidores institucionais, 12% de profissionais e apenas 4% de varejo.

“Stablecoins locais estão se tornando uma ponte entre a economia latino-americana e o sistema financeiro global. Elas já movimentam bilhões de dólares – e dezenas de bilhões de reais -, estão sendo adotadas por instituições e começam a reescrever como câmbio e pagamentos acontecem on-chain”, disse Rodrigo Trindade, research lead da Iporanga Ventures.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h50:

Bitcoin (BTC):  -0,12%, US$ 87.050,09

Ethereum (ETH): -0,68%, US$ 2.929,45

XRP (XRP): -0,81%, US$ 1,90

BNB (BNB): -0,92%, US$ 859,17

Solana (SOL): -0,44%, US$ 127,90

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoins nos bancos dos EUA. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), agência federal dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma estrutura para que bancos regulados possam pedir autorização para emitir stablecoins de pagamento. Por enquanto, a proposta está em consulta pública e só depois deve virar regra. Mas a direção é clara: as stablecoins estão deixando de ser um experimento cripto para entrar, de vez, no sistema financeiro tradicional.

Fed mais amigável às criptos? O presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando possíveis substitutos de Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve (Fed). Nesta quarta (17), ele vai entrevistar Christopher Waller, diretor do banco central americano. Waller é visto como pró-cripto e já declarou apoio, no passado, especialmente às stablecoins e às finanças descentralizadas (DeFi).

Leilão público com tecnologia cripto. A blockchain também começa a avançar no setor público. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) vai realizar, agora em dezembro, o primeiro leilão público usando essa tecnologia. O sistema foi desenvolvido pela empresa InspireIP. Todo o processo – edital, laudos, fotos, anexos, retificações e o histórico completo de alterações – foi registrado em uma estrutura cripto.

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Efeito pré-IOF: brasileiros movimentam mais de R$ 10 bi em stablecoins

9 de Dezembro de 2025, 10:16

A movimentação das stablecoins em dólar segue a todo vapor no Brasil. Em novembro, o volume total negociado dessas criptos nas exchanges locais somou R$ 10,7 bilhões, segundo dados divulgados na segunda-feira (8) pela plataforma Biscoint, do Bitybank.

A USDT, da Tether, continua na liderança: foram R$ 10,22 bilhões só no mês passado – praticamente o mesmo patamar de outubro. Já a USDC, da Circle, movimentou R$ 463 milhões, ligeiramente abaixo dos R$ 477 milhões do mês anterior.

O apetite dos brasileiros por esses tokens, apelidados de “cripto dólar”, vem crescendo nos últimos anos porque eles podem ser usados para operações de câmbio e ainda são isentos de IOF. Essa vantagem, no entanto, tem prazo para acabar: até maio de 2026.

A norma que muda o jogo foi publicada pelo Banco Central em novembro, quando a autarquia federal regulamentou o mercado de cripto e enquadrou as stablecoins dentro das regras de câmbio.

A Receita Federal – responsável por fazer a administração dos tributos federais – ainda não detalhou como exatamente será a cobrança do IOF, mas a expectativa é que publique algo nos próximos meses.

Bitcoin e Ethereum seguem firmes

Apesar da preferência por stablecoins, o volume de bitcoin e ethereum também permanece robusto.

O BTC movimentou R$ 4,84 bilhões em novembro, contra R$ 5,2 bilhões em outubro. O ethereum somou R$ 1,22 bilhão, ante R$ 1,57 bilhão no mês anterior.

Na manhã desta terça-feira (9), as duas maiores criptomoedas do mercado operam em baixa: bitcoin na casa dos US$ 90.630,70 e ethereum a US$ 3.130,78.

Andre Franco, CEO da Boost Research, disse que o mercado de criptomoedas apresenta uma expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa.

“A aversão ao risco e a indefinição sobre o futuro da política monetária global exercem pressão sobre ativos mais voláteis, como as criptomoedas”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,53%, US$ 90.630,70

Ethereum (ETH): -0,10%, US$ 3.130,78

XRP (XRP): -0,29%, US$ 2,08

BNB (BNB): -1,95%, US$ 888,08

Solana (SOL): -3,97%, US$ 132,91

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real levanta uma boa grana. A empresa brasileira Crown, responsável pela BRLV – uma stablecoin atrelada ao real -, recebeu um aporte de US$ 13,5 milhões (R$ 70 milhões) liderado pela Paradigm, uma das gigantes do mundo cripto. Com o caixa reforçado, a firma promete expandir a infraestrutura da BRLV, que já soma R$ 360 milhões em valor de mercado. Mais um sinal de que as stablecoins “made in Brazil” estão chamando atenção além do quintal.

Strategy engorda o caixa de BTC. A Strategy, maior tesouraria corporativa de bitcoin do mercado, abriu a carteira mais uma vez. A empresa informou que acrescentou 10.624 BTC ao portfólio – um investimento de US$ 926 milhões. Com isso, a companhia passa a deter 660.624 bitcoins, algo em torno de US$ 60 bilhões. O saldo equivale a cerca de 3% de toda a oferta máxima de 21 milhões de BTC previstos para existir no mundo.

ETF de ethereum com “dividendos”. A BlackRock deu mais um passo no universo cripto e entrou com um pedido nos EUA para lançar um ETF de ethereum com staking. O staking permite que investidores mantenham seus ETH bloqueados na blockchain para ajudar a validar transações – e, em troca, recebem recompensas em criptomoedas. Na prática, funciona como uma espécie de “dividendo” do mundo cripto.

A nova habilidade profissional em alta: ser um tiktoker no trabalho

5 de Dezembro de 2025, 06:00

Em um dia de folga das funções de preparar lattes e Frappuccinos, a barista da Starbucks Bridget Baron entrou no trabalho para fazer algo que a empresa normalmente desaprova: postar um TikTok durante o expediente.

Para este vídeo, no entanto, a jovem de 21 anos usou um tripé fornecido pela empresa e vestiu o avental com o logo da Starbucks. O vídeo em que ela mostrava a preparação de chantilly em bebidas de fim de ano acumulou mais de 800 mil visualizações — proporcionando à Starbucks um rápido impacto de marketing viral.

Há uma tradição de funcionários postarem sobre a vida no trabalho. Mas, geralmente, é para satirizar o atendimento ao cliente ou a cultura corporativa, e muitos fazem isso sem aprovação explícita ou sem revelar onde trabalham.

Agora, em vez de desencorajar a prática, empresas como Starbucks e Delta Air Lines estão apostando nela — transformando funcionários em seus próprios influenciadores de mídias sociais. E querem participar da criação do conteúdo.

A estratégia permite que os empregadores mostrem seus locais de trabalho como ambientes felizes e gerem um marketing espontâneo com seus funcionários jovens e nativos digitais. Para os empregados, é uma oportunidade de canalizar suas habilidades de criação de conteúdo para maior visibilidade e acesso a benefícios, como viagens de trabalho e treinamentos de desenvolvimento profissional.

Também pode servir como um diferencial no currículo.

@bridgetthebarista

The holidays officially start when the red cups drop ❤️ @starbucks @starbuckspartners #RedCupSeason #GreenApronCreator

♬ original sound – Bridget

“Cresci nas redes sociais e adoro criar conteúdo”, disse Baron, que estuda ciência da computação em Charlotte, na Carolina do Norte, e deseja se tornar designer de experiência do usuário. Recentemente, ela adicionou “criadora de conteúdo” à sua experiência de trabalho na Starbucks no LinkedIn. Depois de três anos na empresa, afirmou: “Achei que seria um ótimo ponto de interseção entre as duas coisas.”

Baron foi uma das 53 baristas escolhidas desde 2024 para a iniciativa Green Apron Creators da Starbucks, que incentiva funcionários a postar vídeos durante o trabalho. A empresa envia sugestões ocasionais sobre promoções, como o retorno do xarope Apple Crisp. Os criadores são pagos por postagem, embora a empresa não tenha divulgado os valores.

Em programas similares na Ulta Beauty e na sede alemã da Hugo Boss, esses funcionários geralmente não são estrelas de mídia social por conta própria. Baron, por exemplo, tem menos de 1.000 seguidores no TikTok.

Fora desses programas, a Starbucks ainda proíbe que baristas postem durante o expediente, com o avental ou atrás do balcão, a menos que as postagens sejam previamente aprovadas e coordenadas com a equipe de marketing ou comunicação da marca.

Nos últimos anos, um barista relatou ter sido demitido após postar um pedido de bebida detalhado de um cliente. Outra funcionária foi demitida depois de um desabafo sobre seu turno viralizar. A empresa não comentou casos específicos, mas afirmou que analisa o histórico de violações de políticas e se a conduta viola seus valores antes de disciplinar funcionários.

Às vezes, transformar funcionários em influenciadores atende a uma estratégia de negócios específica. A rede de restaurantes Portillo’s planeja expandir nacionalmente, então deseja aumentar o reconhecimento da marca além de sua base principalmente na região de Chicago e contratar mais pessoas, disse Jill Waite, diretora de pessoas da empresa.

Neste ano, Portillo’s escolheu 15 funcionários para seu programa Maxwell Street Mavens — nomeado por um item popular do menu, a salsicha Maxwell Street Polish — com base no conteúdo que publicaram no LinkedIn e em canais internos.

Zach Hawkins, gerente da unidade de Chandler, no Arizona, é um deles. Hawkins, 33 anos, disse que geralmente não se sente confortável diante das câmeras, mas viu o programa como uma oportunidade de se desenvolver profissional e pessoalmente.

Recentemente, Portillo’s enviou instruções para Hawkins e outros funcionários-criadores produzirem vídeos relacionados à National Italian Beef Week e à National Hot Dog Week. Inspirado, ele vestiu uma camiseta de cachorro-quente e fez um colega se fantasiar de cachorro-quente. Amantes de hot dogs no estilo Chicago têm forte aversão a ketchup, então filmaram uma cena em que o colega afastava a garrafa de ketchup da mão de Hawkins, criando uma pequena bagunça.

Incluindo edição, a produção levou cerca de 45 minutos. Depois, o vídeo foi enviado para aprovação antes de ser publicado.

“Com tantos influenciadores por aí, acho ótimo que estamos acompanhando os tempos e usando nossos próprios recursos”, disse Hawkins. Portillo’s não oferece compensação extra, mas está estudando incentivos como brindes da empresa, disse Waite.

@zachhawkins33

If you’ve never had a delicious #italianbeefsandwich from @portilloshotdogs you’re missing out! Here is how we make them. Warning, it will make you hungry! #Portillos #portillossurprise #portillosarizona #delicious #food #beef

♬ original sound – zach

Transformar funcionários em influenciadores internos precisa parecer autêntico, disse Josh Bersin, analista de trabalho e consultor corporativo. Se o funcionário parecer roteirizado e inverossímil, tudo será em vão.

Mas, se o empregado for carismático, “ele pode acabar viralizando”, afirmou.

Deltalina, apelido da comissária que começou a protagonizar vídeos de segurança da Delta em 2008, ficou famosa por sua brincadeira de balançar o dedo na tela. Reconhecida pessoalmente por anos, ela voltou a aparecer em um vídeo de segurança destacando funcionários da Delta com uniformes de todas as eras da companhia.

Para um novo projeto com funcionários-criadores, a Delta selecionou 15 funcionários da linha de frente, incluindo pilotos, comissários e agentes de atendimento, e os levou à sede da empresa em Atlanta para orientação. Lá, a empresa explicou a diferença entre uma interação rápida dentro do avião e vídeos de mídia social que permanecem na internet, disse Tim Mapes, diretor de comunicações da Delta. Alguns funcionários já tinham seguidores nas redes sociais.

Entre eles estava Pamela Kucera, 64 anos, que começou a postar dicas de viagem no TikTok e Instagram há três anos, incentivada pela filha. No início, Kucera achava que ninguém se interessaria por conselhos de uma comissária “velha”. Mas ganhou milhares de seguidores ao dar dicas para novos funcionários e explicar conceitos como senioridade e escalas de tripulação.

Agora influenciadora oficial da Delta, Kucera assiste a tutoriais sobre edição de vídeos com música, criação de narrações e legendas. Estima dedicar cinco horas por semana à produção de conteúdo, entrevistando colegas e compartilhando memórias favoritas com passageiros.

“Isso dá uma ótima noção de quem somos na Delta”, disse ela.

Escreva para Allison Pohle em allison.pohle@wsj.com

Agenda de dividendos: ainda dá tempo de aproveitar. Veja o prazo para investir nessas ações

3 de Dezembro de 2025, 18:22

A corrida da distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) já começou. Diversas empresas têm anunciado o pagamento aos acionistas antes de terminar o ano. Isso porque uma norma tributária recém-sancionada criou uma nova alíquota de IR sobre distribuição de dividendos acima de R$ 600 mil por ano, mas que passa a valer só a partir de janeiro de 2026.

Nos últimos dias, cinco gigantes da bolsa de valores, por exemplo, já anunciaram R$ 56 bilhões de distribuição de lucro para seus acionistas.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Mas ainda dá tempo para entrar nessa distribuição? Sim, tem ainda muitos pagamentos de proventos para aproveitar em dezembro e início de janeiro de 2026.

É preciso lembrar que o preço da ação sofre um ajuste automático quando fica “ex-dividendo”, ou seja, no dia seguinte ao prazo limite para ter direito aos proventos. No início do pregão, a bolsa desconta do preço da ação o valor do dividendo por ação.

Por exemplo, se o papel estiver cotado a R$ 20 e o dividendo por ação for de R$ 1, então a cotação passará a R$ 19 no início da sessão em que o papel ficar “ex-dividendo”. O ajuste ocorre para refletir essa distribuição de parte do caixa ou das reservas de lucros aos acionistas.

De qualquer modo, para quem gosta de renda passiva, há várias oportunidades nas próximas semanas.

Veja a seguir a agenda de distribuição de dividendos e JCP já anunciados, com o valor por ação, a data limite se você quiser garantir esse quinhão do lucro da empresa e o período em que o dinheiro será depositado:

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EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban, estuda adquirir fatia de até 10% da Armani

22 de Novembro de 2025, 09:30

A EssilorLuxottica, maior grupo óptico do mundo e controladora de marcas como Ray-Ban, Oakley e Persol, estuda comprar entre 5% e 10% da grife Armani, segundo reportagem do jornal italiano Il Sole 24 Ore. A movimentação ocorre pouco mais de dois meses após a morte do fundador, Giorgio Armani, aos 91 anos.

De acordo com o jornal, a EssilorLuxottica teria indicado que não pretende assumir papel ativo na gestão da grife italiana, nem ocupar assentos no conselho da empresa. Procuradas pela Bloomberg, nem a EssilorLuxottica nem a Armani comentaram o assunto.

O testamento de Armani abriu caminho para uma eventual mudança de controle. Ele recomendou que seus herdeiros vendessem 15% da empresa a um de três compradores preferenciais — LVMH, EssilorLuxottica ou L’Oréal (ou empresas equivalentes) — em um prazo de 18 meses. 

Giorgio Armani no desfile de alta-costura Giorgio Armani Privé Primavera 2025, em Paris
Giorgio Armani no desfile de alta-costura Giorgio Armani Privé Primavera 2025, em Paris (Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images)

Caso a família feche um acordo, o comprador poderá elevar sua participação ao controle acionário após três anos. O testamento também prevê a alternativa de uma abertura de capital.

Após a morte do estilista, um porta-voz da EssilorLuxottica disse que o grupo — que já licencia e produz há anos a linha de óculos Armani Exchange e Giorgio Armani — avaliaria “cuidadosamente” uma eventual participação na empresa.

@investnewsbr

Girgio Armani deixou tudo preparado para que a sua marca siga nos holofotes do mundo da moda. #armani #moda #negócios

♬ som original – InvestNews BR

Bitcoin acorda de bom humor: China, EUA e Fed dão aquela força

27 de Outubro de 2025, 07:42

O bitcoin (BTC) começou a semana em território positivo, obrigado. O movimento foi impulsionado pelo avanço das negociações entre China e Estados Unidos e pelas expectativas de corte de juros na maior economia do mundo.

No fim de semana, autoridades das duas potências se encontraram à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur, na Malásia, e sinalizaram a possível estruturação de um acordo comercial.

Nenhum martelo foi batido ainda. As negociações continuam, e o presidente Donald Trump deve se reunir com Xi Jinping na quinta-feira (30), na Coreia do Sul.

Outro vento favorável ao bitcoin é a decisão de política monetária dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (29). O mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

O otimismo ganhou força após a divulgação da inflação ao consumidor de setembro dos EUA (CPI, na sigla em inglês), na sexta-feira (24), que veio abaixo do esperado. Como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) monitora de perto a inflação para definir sua política de juros, isso reforçou as apostas de corte.

“Apesar da incerteza gerada pela paralisação do governo e por inconsistências nos dados, o sentimento do mercado segue amplamente construtivo. Nesse contexto, os criptoativos podem reagir de forma positiva, já que o posicionamento atual parece mais limpo e equilibrado”, disse Fabio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase.

Vale lembrar: quedas de juros costumam beneficiar criptos e outros ativos de risco, já que os títulos do Tesouro americano (as treasuries) passam a render menos, estimulando a busca por retornos maiores.

E não é só o bitcoin que opera no azul nesta manhã. Algumas das principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também sobem.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +2,73%, US$ 115.432,52

Ethereum (ETH): + 4,73%, US$ 4.168,37

XRP (XRP): -0,81%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 2,75%, US$ 1.153,30

Solana (SOL): +2,56%, US$ 200,39

Outros destaques do mercado cripto

Blockchain cada vez mais pop. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens em blockchain – fisgou a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A entidade lançou um projeto-piloto para tokenizar fundos de investimento e debêntures, simulando todo o ciclo de vida de um ativo tokenizado: da estruturação à liquidação. Segundo o presidente da associação, Carlos André, a iniciativa é uma oportunidade de explorar um “território novo” para o mercado financeiro tradicional.

Nova stablecoin no pedaço. O Japão agora tem uma criptomoeda para chamar de sua. A fintech JPYC anunciou o lançamento da primeira stablecoin (cripto atrelada a algum outro ativo) pareada ao iene japonês, batizada de JPYC. O token mantém paridade de 1:1 com a moeda local e roda em blockchains como Avalanche, Ethereum e Polygon. De acordo com a empresa, as emissões começam nesta segunda-feira, e todas as unidades serão lastreadas em títulos do governo japonês.

Argentina vai às urnas em votação que definirá o fôlego político de Milei

26 de Outubro de 2025, 08:34

A Argentina vota neste domingo (26) em uma eleição de meio de mandato que servirá como um referendo crucial sobre as políticas de austeridade do presidente Javier Milei — e, possivelmente, sobre o pacote de resgate de US$ 40 bilhões oferecido pelo governo de Donald Trump.

As urnas fecham às 18h, e os resultados são esperados para a noite deste domingo. Os argentinos elegem representantes para metade das cadeiras da Câmara dos Deputados — 127 no total — e 24 dos 72 assentos do Senado. Os resultados oficiais serão divulgados por província, e não como um único resultado nacional.

Dois anos após chegar à presidência com uma vitória expressiva, Milei e seu partido agora enfrentam dificuldades. O líder libertário conseguiu reduzir a inflação e conter a pobreza, mas a recuperação econômica do país perdeu fôlego: os salários não acompanham o aumento do custo de vida, e o desemprego está mais alto do que quando ele assumiu o cargo.

Três escândalos de corrupção também abalaram a imagem de Milei como um político antissistema e enfraqueceram sua popularidade. Sua taxa de reprovação está no nível mais alto desde o início do mandato.

Uma derrota expressiva para o partido A Liberdade Avança (La Libertad Avanza, ou LLA) em eleições locais realizadas em setembro aumentou a pressão. As perdas na província de Buenos Aires — que concentra mais de um terço da população argentina — provocaram temores entre investidores sobre a força política de Milei antes das eleições legislativas, o que levou a uma queda do peso argentino e à desvalorização dos títulos soberanos.

Duas semanas depois, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, interveio para conter a desvalorização da moeda, mas o peso continuou enfraquecendo.

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Os EUA querem salvar a Argentina (e o governo Javier Milei), por meio da venda e empréstimo de dólares. #argentina #EUA #dolar #peso

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Agora, investidores observam se Milei — cujo partido controla cerca de 15% das cadeiras no Congresso — conseguirá garantir ao menos um terço dos assentos, suficiente para manter o poder de veto. Nos últimos meses, a oposição derrubou diversos vetos presidenciais, o que o governo classificou como ataques às políticas fiscais que resultaram em superávit orçamentário.

“Precisamos de um terço em uma das Casas para bloquear esses ataques, e vamos conseguir isso, ganhando por cinco pontos ou perdendo por sete”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, em evento do Atlantic Council em Washington. “Mas precisamos de maioria simples em ambas as Casas para aprovar todas as reformas que queremos, e isso não teremos mesmo se vencermos por 15 pontos.”

Segundo analistas da Bloomberg Economics, a disputa pode permitir que ambos os lados reivindiquem vitória.

“Salvo cenários extremos, acreditamos que cada lado conseguirá moldar a narrativa a seu favor. Em grande parte dos cenários, o partido de Milei deve obter um resultado compatível com dois objetivos principais: garantir o apoio dos EUA e a governabilidade mínima”, disse Jimena Zuniga, economista para a América Latina.

Caputo tem negado que o resultado eleitoral vá provocar mudanças na política econômica — independentemente de vitória ou derrota. Na teoria, o peso argentino flutua em uma faixa de variação que se amplia a cada dia; na prática, tanto os governos de Milei quanto o de Trump têm intervindo para sustentar a moeda, vista por investidores como supervalorizada.

Há especulações no mercado de que o pacote de resgate dos EUA esteja condicionado a algum ajuste na política cambial, embora Bessent tenha expressado apoio ao modelo atual. Outro ponto-chave é se o Banco Central da Argentina voltará a acumular reservas internacionais, após não cumprir uma meta estabelecida no acordo de US$ 20 bilhões com o FMI.

Além das compras diretas de pesos, o apoio americano inclui uma linha de swap de US$ 20 bilhões e uma promessa adicional de financiamento de US$ 20 bilhões de bancos de Wall Street, ainda em negociação.

As tensões se intensificaram desde o encontro entre Milei e Trump na Casa Branca, em 14 de outubro.

“Se ele vencer, continuaremos com ele; se não vencer, saímos”, disse Trump durante a reunião.

Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca
Donald Trump e Javier Milei se reuniram na Casa Branca (Divulgação)

Independentemente do resultado, Milei tentará avançar com suas reformas econômicas e tributárias assim que o novo Congresso assumir em 10 de dezembro. Por ora, sua equipe tenta minimizar o tom de “tudo ou nada” que domina o pleito, reconhecendo que será preciso negociar com outros partidos para aprovar leis que reflitam sua força política.

“Essas eleições de meio de mandato estão recebendo mais atenção do que deveriam”, disse Caputo. “Ganhando ou perdendo, o governo terá muito trabalho para construir as coalizões necessárias entre governadores, deputados e senadores, para aprovar as leis de que o país precisa.”

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Na crise da Ambipar, Bradesco repete tática jurídica usada contra a Americanas

24 de Outubro de 2025, 18:38

Um dos principais credores entre os bancos da Ambipar está recorrendo a uma tática jurídica semelhante à usada quando a Americanas entrou em colapso: tentar alcançar o patrimônio pessoal dos executivos para recuperar o que lhe é devido.

O Bradesco que detém R$ 390 milhões em dívidas da empresa de gestão ambiental e tenta impedir o diretor de integração e finanças, Thiago da Costa Silva, de vender bens, segundo processo protocolado na Justiça de São Paulo na terça-feira. A petição alega que Costa Silva e outros executivos podem ser responsabilizados pela situação financeira da companhia.

O Bradesco informou que tomará as mesmas medidas contra outros dirigentes da Ambipar, incluindo o fundador e CEO, Tércio Borlenghi Júnior. Pessoas próximas ao caso afirmam que, até o mês passado, ele tentava vender seu jato particular.

Segundo o processo, a iniciativa do banco abre caminho para uma ação que busca responsabilizar a gestão da Ambipar pessoalmente pelo que o Bradesco classifica como “fraude ostensiva” nas demonstrações financeiras da empresa e “manobras contábeis” que criaram “liquidez artificial”.

O banco também afirma que os principais executivos da Ambipar vinham dissipando recursos da empresa há algum tempo, antes do pedido de recuperação judicial.

Bradesco, Ambipar e Borlenghi não comentaram o caso.

O Bradesco, um dos maiores credores financeiros da companhia, usou estratégia semelhante em 2023, quando a Americanas entrou em recuperação judicial após a revelação de uma fraude contábil de R$ 25 bilhões.

Na ocasião, o banco tentou impedir que os principais acionistas da varejista — os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — vendessem seus bens, sob o argumento de que poderiam ser responsabilizados por ressarcir os credores. O caso terminou com um acordo entre a Americanas e os credores no fim daquele ano.

Tercio Borlenghi Jr Jr, ceo-ambipar
Tércio Borlenghi Jr, CEO da Ambipar

Agora, o Bradesco alega que o caso da Ambipar pode ser enquadrado como fraude. O processo se baseia no fato de que o caixa da empresa “desapareceu”, com um fundo de recebíveis supostamente usado para inflar artificialmente as finanças da companhia e, ao mesmo tempo, drenar recursos dela. O banco já havia perdido uma ação com alegações semelhantes contra Borlenghi no início deste mês.

O Bradesco também vendeu parte das ações da Ambipar pertencentes a Borlenghi que estavam dadas como garantia de empréstimo, medida que o executivo classificou como ilegal.

O caminho até a recuperação judicial da Ambipar

A Ambipar estreou no mercado global de dívida em janeiro de 2024, com uma emissão de títulos verdes de US$ 750 milhões, acima da meta inicial de US$ 500 milhões. A operação rendeu à companhia o título de “Emissora de Dívida do Ano”, segundo a LatinFinance.

Mas, para uma empresa que ostentava credenciais de ESG, foram problemas de governança que levaram à sua queda. Após investigações internas e saídas de executivos, a Ambipar passou, em poucas semanas, de tranquilizar investidores a pedir proteção judicial — depois que alguns credores declararam vencimento antecipado de dívidas em meio a uma crise de confiança.

Os títulos, que vinham sendo negociados próximos ao valor de face até o início de agosto, agora valem cerca de 22 centavos por dólar, após atingirem mínimas de 12 centavos nos dias anteriores ao pedido de recuperação.

O Bradesco destacou que a Ambipar informou possuir R$ 4,7 bilhões em caixa em meados de 2025, mas mesmo assim buscou proteção contra credores por uma dívida de R$ 60 milhões.

A empresa acabou entrando com pedido de recuperação judicial no Rio de Janeiro nesta semana, enquanto sua subsidiária Ambipar Emergency Response solicitou proteção sob o Chapter 11 no Texas. A companhia afirmou que a medida é essencial para reestruturar sua dívida e preservar empregos, citando irregularidades em operações de swap conduzidas pelo departamento financeiro e a renúncia abrupta do ex-diretor financeiro (CFO), o que abalou a confiança dos investidores e desencadeou pedidos de vencimento antecipado por parte dos credores.

O caso abalou o mercado de crédito no Brasil e nos Estados Unidos e serviu como alerta aos investidores em dívida corporativa brasileira. A Fitch Ratings comparou a sequência de crises à da Americanas em 2023, embora o governo brasileiro não veja risco sistêmico, segundo a Bloomberg News.

Nas últimas semanas, os títulos da Braskem S.A. também despencaram para níveis de risco elevado, após a empresa contratar assessores para revisar sua estrutura de capital, enquanto problemas no Banco Master ameaçam atingir empresas e fundos de pensão expostos a seus instrumentos de dívida.

Por Matheus Piovesana, Giovanna Bellotti Azevedo e Rachel Gamarski

Por que assistir a ‘O Agente Secreto’, a aposta brasileira para o Oscar

24 de Outubro de 2025, 17:19

O filme “O Agente Secreto”, novo longa de Kleber Mendonça Filho, chega aos cinemas em 6 de novembro na esteira do sucesso nacional e internacional de “Ainda Estou Aqui”. Assim como o filme de Walter Salles, aplaudido em festivais e celebrado pela crítica, a obra de Mendonça, que pode representar o país no Oscar, combina reconhecimento artístico com alta repercussão internacional.

O longa saiu do Festival de Cannes com três prêmios importantes: Melhor Diretor, Melhor Ator (Wagner Moura) e o Prêmio da Crítica Internacional (FIPRESCI). Esse tipo de chancela serve como um selo de confiança para o mercado global, elevando o valor de venda internacional, acelerando negociações e ampliando a visibilidade junto às principais distribuidoras internacionais. Na prática, cada prêmio é convertido em aumento de alcance e potencial de receita.

Sobre a produção cinematográfica brasileira, Mendonça Filho afirmou recentemente, em entrevista à Veja, que “proteger a cultura é estratégico”, defendendo a importância de políticas públicas para fortalecer a cultura cinematográfica nacional.

O cineasta ressaltou ainda que temos “problemas crônicos de distribuição, falta de salas e necessidade urgente de formação de público”. “Precisamos de políticas públicas como as que existem na França, que são essenciais para fortalecer a cultura cinematográfica nacional”, disse ele.

Orçamento e coprodução internacional

O orçamento de “O Agente Secreto” gira em torno de R$ 27 milhões, somando capital privado e recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Esse tipo de coprodução, envolvendo também França, Alemanha e Holanda, aumenta o grau de competitividade nos festivais internacionais e melhora a entrada do Brasil no mercado europeu, onde a presença latino-americana ainda é limitada.

Antes mesmo da estreia no Brasil, “O Agente Secreto” já havia fechado acordos de distribuição com a Neon, nos Estados Unidos, e com a MUBI, na América Latina (exceto Brasil), Reino Unido e Índia. Ao todo, já são mais de 90 países confirmados ou em negociação avançada.

Mendonça Filho opera na mesma lógica bem-sucedida de “Aquarius” e “Bacurau”, mas em um patamar de escala maior. “O Agente Secreto” se beneficia de um cenário internacional mais receptivo ao Brasil e de uma plataforma de distribuição mais ampla.

História do filme

Para o público, a motivação é diferente: trata-se de uma história que resgata passagens do Brasil recente com tensão, ritmo e linguagem contemporânea, sem abrir mão da dimensão simbólica. No centro da narrativa do longa está a trajetória de um agente do governo envolvido em operações secretas em meio a tensões políticas e sociais no Recife contemporâneo.

O filme acompanha a luta desse personagem entre lealdade, ética e sobrevivência, enquanto eventos do passado influenciam decisões do presente. Com ritmo de thriller e elementos de drama social, “O Agente Secreto” explora a complexidade das estruturas de poder no Brasil, revelando dilemas pessoais e coletivos.

Oscar

A possível indicação ao Oscar traz ainda mais visibilidade à produção. Mesmo que o filme ainda esteja na etapa anterior à shortlist, lista em que são definidos os filmes que vão disputar a estatueta no dia 15 de março de 2026, o simples fato de circular como candidato já aumenta o valor negociado nos contratos de exibição, principalmente no mercado norte-americano.

“O Agente Secreto” foi escolhido como o representante brasileiro ao Oscar no mês passado, mas isso não significa que a obra já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como seu representante para a disputa. A partir dessas indicações, o Oscar faz uma seleção das películas que, de fato, vão concorrer ao prêmio mais famoso do cinema mundial.

Os outros filmes que estavam na lista dos pré-selecionados eram “Baby”, de Marcelo Caetano; “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal; “Manas”, de Marianna Brennand; “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro e Oeste Outra Vez, de Erico Rassi.

No início deste ano, o Brasil conquistou seu primeiro Oscar, com o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, na categoria de Melhor Filme Internacional.

Estreia de “O Agente Secreto” no Brasil

Título: O Agente Secreto
Direção: Kleber Mendonça Filho
Protagonista: Wagner Moura
Estreia nos cinemas brasileiros: 6 de novembro de 2025
Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes
Distribuição internacional: Neon (EUA) / MUBI (América Latina, Reino Unido, Índia e demais territórios)
Classificação indicativa: 14 anos

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Tokenização avança no Brasil e oferece renda fixa pagando 20% ao ano; quais os riscos?

22 de Outubro de 2025, 12:07

A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – está super pop. Tem gestor financeiro gigante falando sobre isso (vide Larry Fink, da BlackRock), quase todo dia sai matéria na imprensa a respeito desse assunto e até a família Trump – que tem um apreço especial por cripto – está de olho.

Mas como funciona exatamente esse setor, em que pé está no Brasil atualmente e como o investidor pessoa física pode tirar uma casquinha dele, sem correr tanto risco? Vamos por partes.

Primeiro, o básico. As empresas precisam de dinheiro para crescer e manter o negócio rodando. Tradicionalmente, isso é feito com a emissão de debêntures ou outros títulos de dívida – um processo burocrático, um pouco salgado e demorado, que pode levar de três a seis meses. A tokenização surgiu como uma alternativa mais rápida e acessível, entre 30 e 45 dias, segundo players – mas para empresas menores.

Em vez de passar por todas as etapas do mercado tradicional, a firma emite seus títulos diretamente na blockchain (a tecnologia por trás das criptos), em forma de tokens, que podem ser comprados por investidores. Em troca, quem investe nesses ativos recebe um retorno sobre o valor investido. É uma renda fixa mais moderninha e digital.

Todo o processo de emissão segue o rito de uma resolução chamada CVM 88, de abril de 2022. Ela, na verdade, foi criada para startups que precisavam levantar grana via crowdfunding (financiamento coletivo), mas em 2023 a Comissão de Valores Mobiliários também expandiu para as emissoras cripto. Aí foi um Deus nos acuda de emissões.

Naquele ano, por exemplo, foram R$ 273 milhões em ofertas por meio dessa regra, segundo dados do próprio xerife do mercado de capitais. Em 2024, o valor de oferta já pulou para R$ 1,3 bilhão – ou seja, quatro a cinco vezes mais. Até outubro de 2025, já foram R$ 1,45 bilhão em emissões encerradas, além de R$ 1,37 bilhão em andamento.

Tem de tudo um pouco


Hoje, há tokenização de todo tipo de instrumento. O RWA Monitor, uma plataforma para monitoramento e análise de ativos reais tokenizados, reuniu os dados de seis grandes emissoras – elas não são as únicas, mas já dá para ter uma ideia do que já foi ofertado e do que existe por aí.

Entre os tipos de ativos tokenizados, 42,1% são Crédito do Produtor Rural (CPRs), 22,3% nota comercial, 19,5% debêntures, 7% recebível de cartões, 4,8% duplicatas, 2% acordo de participação em empréstimo e 1,9% Cédula de Crédito Bancário (CCB). Ufa.

“A tokenização é muito mais simples, porque são títulos que as pessoas já estão acostumadas e que vão ser transformados em tokens. E, apesar de não ser uma coisa tão popular e tão falada quanto o investimento em cripto, como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), é um movimento que talvez se aplique muito mais ao dia a dia das pessoas que investem”, disse André Gouvinhas, chief financial officer (CFO) do MB | Mercado Bitcoin.

A empresa, que começou como exchange, hoje aposta alto também na tokenização e já emitiu quase R$ 1 bilhão em tokens, segundo dados compilados na plataforma RWA. Já a GCB Investimentos, uma das pioneiras nesse segmento, informou nesta semana que, de novembro de 2023 até outubro deste ano, realizou R$ 1 bilhão em emissões de ofertas públicas tokenizadas sob a resolução CVM 88 – entre operações de Certificados de Recebíveis (CRs) e outras dívidas estruturadas.

Outras firmas do setor são Vert Capital, com R$ 743 milhões; Liqi, com R$ 22 milhões; Dexcap Finance, com R$ 9 milhões; Invex, com R$ 2,24 milhões; e Foxbit, com R$ 1,08 milhão.

E para o investidor?


Como a tokenização é mais barata, as empresas conseguem oferecer aos investidores um rendimento maior na outra ponta. Hoje, nas emissões abertas em período de captação, há tokens oferecendo IPCA + 13% ao ano, bem como 18%, 20% e até 24% em 365 dias.

São retornos bem mais chamativos do que os já atraentes títulos públicos – que estão pagando hoje IPCA + 8% (o de 2029) e 13,38% ao ano nos prefixados – e até mais do que o crédito privado tradicional, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que pagam 100% do CDI ou um pouco mais.

Riscos


Todo investimento tem risco – e a renda fixa digital também tem. Alguns deles são riscos de mercado (variação nos preços dos ativos que compõem o investimento), de crédito (possibilidade de o emissor não honrar o pagamento) e tributários (alterações nas leis que podem mudar a forma de tributação ou aumentar a carga de impostos), segundo relatório da BlockWise Capital.

Além disso, podem existir riscos operacionais (falhas em sistemas, processos ou na gestão da plataforma), jurídicos/regulatórios (mudanças nas regras que afetam o funcionamento do investimento) e de liquidez (dificuldade em vender o ativo rapidamente sem perder valor).

Também não existe mercado secundário para esses tokens – ou seja, não é possível comprar e vender o ativo digital antes do vencimento, o que aumenta ainda mais o problema da liquidez e exige um comprometimento com o prazo da operação.

Além disso, diferente da renda fixa tradicional, esses ativos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma espécie de “seguro” que garante ao investidor a devolução de valores investidos – até R$ 250 mil por investidor e instituição – caso a empresa emissora do título apresente problemas.

O que olhar antes de investir?

Rodrigo Caldas de Carvalho Borges, sócio do CBA Advogados, disse que, em relacão ao token em si, é essencial que o investidor interessado nesse tipo de produto entenda o que ele representa. “Vale verificar se há um lastro real e verificável (como um recebível, uma nota comercial ou um contrato de crédito), qual é o fluxo de pagamento e de liquidação, e se os contratos inteligentes passaram por auditoria técnica”.

Já em relação à empresa emissora, falou, o investidor deve observar sua governança, histórico de atuação e situação financeira. “É importante verificar se o emissor tem estrutura para honrar os pagamentos, se os recursos captados têm uma destinação operacional clara e se há relatórios de acompanhamento”.

Mudanças na legislação?


Para tentar contornar algumas das limitações desse setor, a CVM lançou, no mês passado, uma consulta pública sobre a reforma da resolução de crowdfunding. A ideia do regulador é liberar outras empresas para emitir por meio desse arcabouço jurídico (especiamente do agro), aumentar limites e ajustar outras regras. O mercado gostou do movimento.

“A proposta amplia o rol de emissores elegíveis, permitindo que securitizadoras, cooperativas e produtores rurais possam realizar ofertas reguladas por meio de plataformas registradas. Isso consolida o uso da tecnologia blockchain dentro de um arcabouço jurídico sólido, aumentando a confiança do investidor e reduzindo a incerteza quanto à natureza desses ativos. A ampliação da distribuição por meio de bancos e corretoras tende a aumentar a liquidez das ofertas”, falou Borges.

Trump escala guerra comercial com a China: agora o alvo é o óleo de cozinha

14 de Outubro de 2025, 18:28

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pode suspender o comércio de óleo de cozinha com a China, reacendendo as tensões entre as duas maiores economias do planeta.

Trump apresentou a possível medida como retaliação à decisão de Pequim de interromper a compra de soja americana, o que ele classificou como um “ato economicamente hostil” que estaria “causando dificuldades aos nossos produtores de soja”.

“Estamos considerando encerrar os negócios com a China envolvendo óleo de cozinha e outros elementos do comércio, como forma de retaliação. Podemos facilmente produzir nosso próprio óleo de cozinha; não precisamos comprá-lo da China”, escreveu Trump em rede social.

As declarações levaram o índice S&P 500 a virar para o campo negativo, anulando ganhos anteriores, e reacenderam o temor de uma nova escalada comercial com a China. Horas antes, tanto o presidente quanto o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, haviam sinalizado confiança de que as tensões seriam amenizadas com as negociações em andamento.

As ações das tradings agrícolas Archer-Daniels-Midland (ADM) e Bunge Global subiram após o anúncio, revertendo perdas do início do pregão.

Impacto

Cortar o comércio de óleo de cozinha com a China poderia ter efeitos amplos sobre o agronegócio americano e sobre o mercado de energia. O óleo usado — assim como a soja — é uma das matérias-primas para a produção de biocombustíveis, como o diesel renovável.

O governo Trump já vinha reduzindo incentivos à importação de óleo usado estrangeiro, especialmente da China, cujas exportações para os EUA atingiram um recorde histórico em 2024, segundo o Departamento de Agricultura americano.

Retaliações

Os eventos desta terça-feira reforçam o vai e vem diplomático que tem marcado a relação entre Washington e Pequim desde o retorno de Trump à Casa Branca — um movimento que mantém investidores em alerta quanto ao risco de uma nova guerra comercial.

Mais cedo, o representante comercial Jamieson Greer havia dito que as conversas tarifárias continuavam abertas, e que autoridades de alto escalão dos dois países se reuniram na segunda-feira. Ele confirmou que Trump e o presidente chinês Xi Jinping ainda têm uma “reunião programada” para o fim do mês.

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Enquanto o Brasil vive um dos períodos mais fortes das exportações de soja, os EUA estão colhendo uma safra recorde, mas sem o principal cliente: a China. #China #EUA #soja

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Trump também demonstrou cauteloso otimismo: “Temos uma relação justa com a China e acho que ficará tudo bem. E, se não ficar, tudo bem também”, afirmou a jornalistas na Casa Branca. “Estamos trocando muitos golpes, e temos sido muito bem-sucedidos.”

Essas falas ajudaram a acalmar parte do mercado, que havia reagido negativamente após Pequim sancionar filiais americanas de um grupo naval sul-coreano e ameaçar novas medidas contra o setor — o mais recente episódio da retaliação mútua entre os dois países.

Commodities no centro

Tanto os EUA quanto a China vêm buscando ganhar vantagem nas negociações impondo restrições a exportações de minérios de terras-raras e semicondutores — insumos centrais na disputa tecnológica e comercial entre as duas potências.

Em resposta às novas medidas chinesas, Trump ameaçou aplicar uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses até 1º de novembro, e também levantou a possibilidade de cancelar o encontro com Xi Jinping durante a cúpula da APEC, marcada para acontecer na Coreia do Sul.

“Se essa reunião vai acontecer ou não, não quero me comprometer nem da nossa parte nem da parte deles. Mas acho que faz sentido manter o diálogo quando possível”, disse Greer.

O representante comercial acrescentou que a decisão de impor a tarifa de 100% “depende muito do que a China fizer”.
Mais cedo neste ano, os dois países haviam estabelecido uma trégua tarifária, após os impostos americanos sobre produtos chineses chegarem a até 145%. O acordo, contudo, expira em 10 de novembro.

“Nosso acordo era: manteremos tarifas baixas se vocês continuarem enviando terras-raras. Agora eles dizem que vão restringir mais esses materiais e seus derivados. Então, faz sentido que possamos aumentar as tarifas também”, afirmou Greer.

Mais leve, Latam avança sobre o mercado regional com jatos da Embraer

14 de Outubro de 2025, 06:00

Quando o presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, entrou na sala de imprensa da reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que aconteceu no começo de junho em Nova Déli, para cumprimentar jornalistas brasileiros, carregava uma sacola com o logo da Embraer. O evento é um dos mais importantes do setor aéreo, e reúne executivos e fabricantes para discutir tendências — e, nos bastidores, destravar negócios. Por isso, a sacola de papel com o nome da fabricante brasileira representava mais do que um simples brinde de estande.

Meses depois, em setembro, a Latam anunciaria seu primeiro pedido de jatos da Embraer: 24 aeronaves E195-E2 firmes, com 50 opções adicionais, num contrato avaliado em US$ 2,1 bilhões. Muito mais do que uma renovação de frota, a operação — classificada pela própria empresa como “o maior passo desde a fusão” — é um marco do novo estágio da companhia que emergiu do seu processo de reestruturação e que, agora, briga para abocanhar um mercado em que ainda tem pouca presença e a demanda é crescente: o de voos regionais.

Frota com cara nova

A encomenda à Embraer reforça essa racionalidade. O modelo E195-E2, de 132 a 146 lugares, é o jato mais eficiente já produzido pela fabricante brasileira — 30% mais econômico em combustível por assento do que a geração anterior. As entregas começam no segundo semestre de 2026, com impacto cheio a partir de 2027.

Segundo o time de Lucas Marquiori, do BTG Pactual, o pedido criou uma nova frente de expansão para a companhia, em um momento em que Azul e Gol ainda reorganizam suas finanças. O Itaú BBA classifica a operação como “expansão calibrada e compatível com disciplina de capital”. Embora o “valor de tabela” seja de US$ 2,1 bilhões, analistas de mercado acreditam que, com os descontos, o preço tenha saído perto de US$ 1 bilhão, diluído em vários anos.

Para o analista François Duflot, da Bloomberg Intelligence, a chegada dos E2s marca o início de uma mudança estrutural no mercado brasileiro. “A Azul tem quase um monopólio nas rotas regionais, com pouca concorrência e margens elevadas. A entrada da Latam nesse segmento muda o equilíbrio. O impacto será gradual, mas é um movimento estratégico e de longo prazo”, diz. 

Na visão de Duflot, os E2s permitem à Latam ajustar a oferta à demanda em mercados onde hoje ela opera com aeronaves maiores, como o A319, da Airbus. “Algumas rotas podem ser melhor atendidas pelo E195-E2, que é mais eficiente e adequado a diferentes perfis de cliente”, diz. Ele observa ainda que os jatos poderão ser configurados para um público mais corporativo — o que combina com a imagem da Latam como companhia voltada ao viajante de negócios.

A companhia pretende usar os novos jatos para alimentar seus hubs em rotas curtas e médias, além de abrir novos destinos em cidades menores. Segundo Cadier, a Latam deve adicionar 25 a 30 novos destinos no Brasil com os E2s, decisão que será tomada “relativamente rápido”.

“Hoje vemos oportunidades de abrir novas rotas, colocar mais aviões para voar, porque o passageiro está demandando isso”, diz Cadier ao InvestNews. Pelos seus cálculos, o cenário atual se assemelha ao de 2010, quando o mercado aéreo operava em ritmo elevado. 

O voo depois da tormenta

A Latam entrou em Chapter 11, como é chamado o processo de recuperação judicial sob a lei americana, ainda em 2020, quando aviões estavam parados em pátios e o setor vivia seu pior colapso em décadas. A companhia reportou US$ 18 bilhões em passivos totais à época do pedido e ficou sob os holofotes e — as críticas — do mercado por ter optado pelo processo de recuperação judicial, um caminho que só mais tarde seria seguido pelas concorrentes.

O processo durou dois anos, mais longo que o da Gol ( de aproximadamente de 1,5 ano) e o que se prevê para a Azul (há menos de 1 ano em Chapter 11), mas terminou como o mais profundo e bem-sucedido. A empresa reduziu significativamente sua alavancagem, alongou dívidas e saiu da crise com uma estrutura de custos mais leve — algo que agora se reflete nos números. Ao fim do segundo trimestre, sua dívida bruta era de US$ 7,5 bilhões. Isso significa que a alavancagem financeira é significativamente menor do que a da concorrência: enquanto a dívida da Latam equivale a 1,6 vez o lucro operacional, esse indicador é de 3,7 vezes para a Gol e de 4,9 vezes na Azul. 

A recuperação também se traduz em ganho de mercado, em um momento em que as concorrentes estão em plena crise. E também em que parece ter terminado – ao menos por enquanto – o namoro entre Azul e Abra, holding que controla a Gol, para uma fusão. A Latam fechou agosto com 41,4% de participação no mercado doméstico brasileiro, segundo a Anac — o maior patamar desde 2013. A Gol ficou com 30,1% e a Azul, com 28,4%. Em 2021, a Latam tinha 33%.

“Neste ano, projetamos crescer de 8,5% a 9,5% em relação ao passado. Crescemos mais que o mercado, ganhamos participação, mas com bastante racionalidade — sem apostas grandes, sendo criterioso na quantidade de aeronaves e onde as utilizo”, diz Cadier.

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil

O executivo comanda a operação brasileira desde 2017, ano seguinte à adoção da marca Latam, criada após a fusão da brasileira TAM com a chilena LAN. Os dois grupos se juntaram em 2012, depois de dois anos do anúncio da combinação dos negócios. As duas marcas, porém, só tiveram operações encerradas em 2016.

A estrutura acionária da Latam passou por uma grande mudança desde a saída do Chapter 11. O fundo americano Sixth Street Partners ainda é o maior acionista individual, com cerca de 15% do capital, após reduzir parte da posição adquirida durante a reestruturação. Delta Air Lines e Qatar Airways mantêm fatias estratégicas próximas de 10% cada, enquanto as famílias Cueto e Piñera, antigas controladoras da LAN detêm aproximadamente 5% cada.

Negociadas em Nova York, as ações da Latam subiram 75% desde a saída do Chapter 11 e mais de 60% apenas em 2025. Grande parte da alta também tem a ver com a saída dos antigos credores da base acionária, o que aumentou a oferta de papéis negociados na Bolsa.

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E mesmo com a alta recente, os bancos de investimento têm mantido recomendação de compra, projetando novo potencial de valorização. Para o Itaú BBA, por exemplo, o papel ainda pode subir cerca de 30%.

Risco de execução

O contexto competitivo favorece a expansão. O mercado doméstico brasileiro cresce cerca de 7% ao ano, segundo o BTG, e a Latam mantém taxas de ocupação elevadas — 85% em setembro, 2 pontos acima do ano anterior. No acumulado de 2025, o grupo já transportou 64,5 milhões de passageiros.

Passado o período crítico do Chapter 11, a companhia também acelerou investimentos em tecnologia e atendimento. “No fim da década de 2010, percebemos que só competir por preço não era suficiente. Trouxemos a Premium Economy, reforçamos treinamento e atendimento e aceleramos as ferramentas digitais. Antes tínhamos problemas sérios no site e no aplicativo, que hoje não temos mais”, diz Cadier. “Isso fez com que muitos passageiros voltassem, e a companhia alcançasse 40% de participação e um nível de satisfação inédito.”

Apesar da leitura positiva, analistas apontam que a execução será determinante. Para Duflot, o impacto competitivo só virá se a Latam usar os E2s de forma estratégica — alimentando seus hubs e conectando mercados que hoje não têm voos diretos. “Uma nova frota sempre traz complexidade e custos adicionais. A Latam tem experiência em integrar diferentes aeronaves, mas o desafio é manter eficiência e rentabilidade”, pondera.

Os relatórios do BTG e do Itaú reforçam a cautela: o cenário de combustível e câmbio continua pressionando margens, e a demanda corporativa ainda não voltou totalmente aos níveis pré-pandemia. Mesmo assim, o Itaú vê disciplina de capital e execução consistente, e o BTG aponta que o grupo “mantém flexibilidade financeira e foco em rentabilidade”, mesmo com a expansão.

@investnewsbr

A Latam encomendou 24 aeronaves do modelo E-195 da Embraer para operar em rotas domésticas. O último negócio de uma aérea brasileira com a Embraer foi feito pela Azul, em 2018. #aviação #embraer #latam

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A companhia planeja estrear os E2s em aeroportos menores e rotas aos poucos, muitas delas hoje exclusivas da Azul. Segundo Duflot, “a entrada da Latam nesse segmento muda o equilíbrio, mas o impacto será gradual e vai depender da forma como ela empregar os novos jatos”.

O analista acrescenta que, embora o movimento sinalize uma mudança estrutural no mercado doméstico, a Azul, ainda líder nas rotas regionais, não deve sentir impacto relevante no curto prazo, já que “a Latam vai precisar de tempo para ganhar escala e ajustar sua malha”.

Depois do ouro, agora é a vez da prata: preço passa de US$ 50 pela primeira vez desde 1980

9 de Outubro de 2025, 10:45

Os preços à vista da prata atingiram o nível mais alto em décadas, com a crescente demanda por ativos considerados portos seguros.

A prata chegou subiu 4%, ultrapassando US$ 50,85 a onça nesta quinta-feira (9), a maior cotação desde o notório aperto orquestrado pelos bilionários irmãos Hunt em 1980.

A prata está ampliando uma alta que elevou os preços em mais de 70% neste ano, superando a alta recorde do ouro.

Isso faz parte de uma busca crescente por ativos seguros, desencadeada por temores de riscos fiscais nos EUA, um mercado de ações superaquecido e ameaças à independência do Federal Reserve (Fed).

Enquanto isso, a escassez de prata disponível no mercado de Londres sustentou os preços, ao mesmo tempo em que elevou drasticamente o custo do empréstimo.

Na bolsa de futuros Comex de Nova York, a prata ainda está sendo negociada abaixo da máxima histórica de US$ 50,35 a onça, estabelecida em janeiro de 1980.

Prata no comércio da desvalorização

O metal foi impulsionado pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores migrando para a segurança percebida no bitcoin, ouro e prata, enquanto se afastavam das principais moedas. A preocupação com a erosão do valor dos títulos financeiros pela inflação e déficits fiscais insustentáveis ​​levou esses ativos a estabelecer novos marcos.

“A discussão sobre desvalorização, independentemente de suas realidades, acendeu o entusiasmo dos investidores em relação ao ouro e à prata a ponto de a análise de regressão dar lugar a algo mais próximo de como os investidores veem a IA ou o setor de tecnologia”, disse Kieron Hodgson, analista de commodities da Peel Hunt.

A prata é usada em todo o mundo como ativo de investimento, mas também tem aplicações industriais, incluindo painéis solares e turbinas eólicas, que juntos respondem por mais da metade da prata vendida. A demanda deve superar a oferta pelo quinto ano consecutivo em 2025.

“Acredito que os déficits são uma reação lenta”, disse Philip Newman, diretor da consultoria Metals Focus Ltd. “Apenas o tamanho dos déficits tem sido notável, e leva tempo para que isso se manifeste no preço.”

Tarifas de Trump

O mercado de prata em Londres também se contraiu a um nível quase sem precedentes, com custos de empréstimo altíssimos. Este ano, o temor de que os EUA possam impor tarifas sobre a prata estimulou uma corrida para o embarque do metal para os EUA, reduzindo os estoques em Londres e a quantidade de material disponível para empréstimo.

Grande parte do estoque de prata em Londres está guardado em cofres lastreados em fundos negociados em bolsa (ETFs), não estando disponível para compra ou empréstimo no mercado.

“Acredito que, quando você analisa os estoques de prata acima do solo em Londres, está se deparando com uma parcela cada vez menor, que não é alocada em ETFs”, disse Newman.

A prata frequentemente acompanha o ouro, compartilhando sua forte correlação negativa com o dólar americano e as taxas de juros do Federal Reserve (Fed). Mas o metal também é notoriamente volátil e tem seguidores fiéis entre investidores de varejo que veem os preços da prata como reprimidos por grandes bancos e instituições.

Esses seguidores apaixonados ajudaram a impulsionar fortes altas na prata em 2011 e 2020, quando ela subiu 140% em menos de cinco meses. No ano seguinte, os Redditors aderiram, enquanto a hashtag #silversqueeze rapidamente ganhou força nas redes sociais.

A imagem retrata um estojo prateado de joias aberto sobre uma mesa de mármore cinza. Dentro dele, anéis com pedras preciosas estão dispostos em compartimentos de veludo bege, acompanhados por uma pulseira prateada; ao lado, fora do estojo, há brincos de argola, um colar brilhante e uma pulseira com pingente de franjas metálicas, ressaltando o luxo dos acessórios.
Foto: Adobe Stock

Irmãos Hunt

Em 1980, foram os irmãos Hunt, bilionários do petróleo texano e notórios especuladores, cujo medo da inflação e a crença no metal como reserva de riqueza os levaram a tentar monopolizar o mercado global. Eles estocaram mais de 200 milhões de onças de prata, elevando o preço acima de US$ 50 a onça antes de cair abaixo de US$ 11.

Isso faz deste mercado um dos poucos cujos recordes de alta das commodities das décadas de 1970 e 1980 ainda não foram superados.

Em termos ajustados pela inflação, a nova máxima vale apenas aproximadamente um quarto do seu pico de 1980.

A Bloomberg não conseguiu obter dados de preços intradiários no mercado à vista de Londres para aquele período, quando o leilão diário de preços fechou em um recorde de US$ 49,450 em 18 de janeiro de 1980. A máxima histórica na Comex foi estabelecida no mesmo dia, de acordo com um porta-voz da CME. O recorde do contrato da Chicago Board of Trade, agora extinto, era de US$ 52,50.

BNB virou a 3ª maior criptomoeda do mundo à frente do XRP e até da stablecoin USDT

8 de Outubro de 2025, 15:35

O BNB, token nativo da blockchain da Binance – a maior exchange do mundo – alcançou o posto de terceira maior criptomoeda em valor de mercado na terça-feira (7), desbancando o XRP (XRP) e ficando à frente até do USDT, a maior stablecoin global.

O BNB agora soma US$ 182 bilhões em capitalização, ante US$ 174 bilhões do XRP e US$ 177 bilhões do USDT. Para efeito de comparação, o bitcoin (BTC) segue na liderança com US$ 2,4 trilhões, enquanto o Ethereum (ETH) ocupa a segunda posição, com US$ 546 bilhões.

A valorização da cripto reflete em boa medida o crescimento das finanças descentralizadas (DeFi), como os empréstimos descentralizados e outras operações baseadas em contratos inteligentes. O avanço atual é atribuído a uma combinação de fatores – a começar pelo aumento do valor total bloqueado em sua rede (TVL, na sigla em inglês), um indicador de quanto dinheiro está alocado em projetos DeFi, em sua blockchain, a BNB Chain. Hoje, está na casa dos US$ 9,22 bilhões, segundo dados do site DefiLlama.

A BNB Chain também recuperou sua posição como a mais utilizada em número de endereços ativos diários, superando solana e ethereum, segundo dados da própria corretora levantados em plataformas de dados.

O movimento também coincide com o crescimento das operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como o Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por campanhas promocionais.

Na tarde desta quarta-feira (8), o BNB é negociado a US$ 1.308, com alta de 1,50% no dia e valorização de 30% na semana. Ontem, a cripto registrou sua máxima histórica, de US$ 1.331, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O BNB foi lançado em meados de 2017, por meio de uma Initial Coin Offering (ICO) – uma oferta inicial de criptomoedas semelhante a um IPO. Na época, chamava-se Binance Coin, e sua função era permitir que os usuários pagassem taxas e recebessem descontos nas operações dentro da exchange.

Com o tempo, o token evoluiu e passou a integrar a BNB Chain. Hoje, é utilizado para processar transações, executar aplicativos descentralizados – aqueles apps que ficam em blockchains – e dar suporte a projetos de finanças descentralizadas (DeFi), termo que se refere aos produtos financeiros que rodam no sistema das criptomoedas.

O Instagram não ouve suas conversas. Pelo menos ele jura que não faz isso

4 de Outubro de 2025, 11:57

O Instagram não escuta as suas conversas. Pelo menos é o que garante Adam Mosseri, chefe da rede social. Em um vídeo recente, o executivo decidiu enfrentar uma das suspeitas mais persistentes da vida digital: a de que o aplicativo usaria o microfone do celular para espionar conversas privadas e, a partir daí, exibir anúncios com precisão assustadora.

“Nós não usamos o microfone do telefone para espionar você. Primeiramente, se fizéssemos isso, seria uma grave violação de privacidade”, disse Mosseri. “Você notaria o consumo excessivo da bateria do seu telefone, além de ver uma pequena luz no topo da tela indicando que o microfone está ativo”.

Ele admitiu que a desconfiança já virou tema até dentro de casa. “Talvez umas duas ou três vezes já tive essa conversa com a minha esposa”, brincou.

Quatro explicações para o “efeito espião”

Se o Instagram não ouve, como explicar quando alguém fala sobre um produto e, logo em seguida, vê exatamente esse item aparecer no feed? Mosseri apresentou quatro hipóteses que, segundo ele, justificam as coincidências.

  1. Você pesquisou antes. O usuário pode ter clicado em algo relacionado ou feito uma busca online. “Trabalhamos com anunciantes que compartilham informações conosco sobre quem esteve em seus sites para tentar direcionar anúncios a essas pessoas. Então, se você estava olhando um produto em um site, esse anunciante pode ter nos pago para alcançá-lo com um anúncio”, afirmou
  2. Interesses de amigos e pessoas parecidas. O algoritmo também cruza informações com base no que amigos ou perfis semelhantes estão consumindo. Se alguém da sua rede demonstrou interesse em determinado produto, esse anúncio pode chegar até você.
  3. Você já viu, mas não percebeu. “Nós rolamos rapidamente pelos anúncios e, às vezes, internalizamos parte disso sem perceber. Isso realmente afeta o que você fala mais tarde”, explicou
  4. Coincidência. Mosseri também incluiu o acaso como fator: às vezes, simplesmente acontece

“Quero reiterar: nós não escutamos o seu microfone”, reforçou Adam.

A persistência da dúvida

A suspeita de que o Instagram bisbilhota conversas não é nova. Desde pelo menos 2016, a Meta — controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp — é obrigada a responder sobre o assunto. Há inclusive uma página oficial de suporte que diz que o microfone só é usado quando o usuário aciona recursos específicos, como gravar um vídeo para um story ou iniciar uma chamada de voz.

Apesar disso, a teoria resiste. E parte dessa resistência se explica pela própria lógica da publicidade digital: anúncios muito certeiros soam mágicos, ou suspeitos. Mesmo quando há explicações técnicas, como o retargeting de anunciantes ou o cruzamento de interesses entre amigos, a percepção de estar sendo ouvido se mantém.

Mosseri reconhece essa barreira. “Eu sei que alguns de vocês simplesmente não vão acreditar em mim”.

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