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Câmeras nas calçadas viraram um grande negócio nas grandes cidades. Falta provar que coíbem o crime

16 de Junho de 2026, 06:00

Eles são quase onipresentes nos bairros mais ricos de São Paulo e do Rio de Janeiro e já se espalham por outras capitais brasileiras: totens de metal com câmeras embutidas, instalados nas calçadas em frente a condomínios, escritórios e restaurantes.

Esse mercado ganhou corpo no país nos últimos cinco anos, impulsionado pela promessa de inibir a ação de criminosos e proteger o entorno dos imóveis, na esteira do aumento do número de assaltos em regiões mais valorizadas.

Os totens são o produto mais aparente de uma indústria mais ampla: o mercado de segurança eletrônica gerou faturamento de R$ 16 bilhões em 2025, com alta de 16% em um ano e de 73% desde 2021, segundo a Abese, associação que reúne empresas do ramo.

Trata-se de uma resposta privada a uma questão de segurança pública: redes de câmeras, sensores e inteligência artificial são demandados como ferramentas que, segundo se espera, ajudam a prevenir crimes e identificar suspeitos.

Mas o mercado dos totens avançou mais rápido que as regras e que as evidências sobre sua eficácia. E abriu um debate: como regular um negócio privado baseado em vigiar o espaço público?

O negócio dos totens

Duas empresas lideram essa expansão: a CoSecurity, do Grupo Haganá, e a Gabriel.

A CoSecurity foi criada em 2022 por Chen Gilad, CEO da Haganá, empresa de segurança privada fundada por sua família, e Luciano Caruso, diretor de tecnologia do grupo.

O faturamento é modesto: a CoSecurity encerrou 2025 com receita de R$ 20 milhões. Mas seus equipamentos se multiplicam no país. Hoje, a empresa opera 12 mil câmeras, contra pouco mais de 6 mil em 2024. Desse total, 11,5 mil estão em São Paulo, mas a rede começou a avançar por Rio e Curitiba.

Totem de monitoramento da CoSecurity com câmeras de vídeo e sinalização luminosa, posicionado em área externa próxima ao acesso de um condomínio fechado.
Totens com câmeras da CoSecurity, do Grupo Haganá (Divulgação)

Gilad chama o modelo de “segurança colaborativa”. Condomínios e comércios contratam o serviço individualmente, mas as imagens passam a integrar uma base maior de câmeras espalhadas pela região, sob supervisão da empresa.

“É como uma rede social”, disse Gilad ao InvestNews. “Sozinho, não tem graça. Mas se todos os seus vizinhos também estão, a inteligência começa a aparecer.”

O totem é a face do produto que o cliente vê no dia a dia, mas não é o centro da operação. Para Gilad, o hardware vale 20% do negócio.

Cada totem custa R$ 499 – ou R$ 299 na versão de parede – por mês, enquanto o software sai de R$ 199 a R$ 499 por mês a depender do nível de inteligência.

O grosso do faturamento está na plataforma que cruza dados de placas, rostos e histórico de ocorrências para gerar alertas em tempo real. Isso significa acumular e organizar informações sobre veículos, pessoas e eventos registrados pela rede – quem apareceu onde, quando e em quais circunstâncias.

A empresa diz limitar o acesso às imagens – a funcionários com permissões específicas – e submeter os alertas a revisão humana antes de comunicar clientes ou autoridades.

É um modelo diferente de sua principal concorrente, a Gabriel, que afirma não fazer reconhecimento facial, enquanto a CoSecurity realiza análises biométricas.

Segundo declarações públicas, a decisão busca evitar riscos jurídicos com uma tecnologia que identifica pessoas na rua sem autorização.

Procurada pelo InvestNews, a Gabriel não concedeu entrevista. 

Totem de segurança da Gabriel instalado em área urbana, com câmeras voltadas para a rua e iluminação em LED verde.
Totens da startup Gabriel: 14 mil câmeras em operação (Divulgação)

A Gabriel nasceu em 2020, fundada por Erick Coser, Otávio Miranda e Sérgio Andrade – este último um dos fundadores da rede de academias Bodytech. Hoje, a empresa diz ter 14 mil câmeras em operação, entre Rio, São Paulo, Niterói e Belo Horizonte.

A empresa ficou conhecida pela luz verde que emana de seus totens e demarca as áreas monitoradas. Mas essa presença ostensiva virou alvo de questionamento.

Em dezembro de 2025, a companhia terminou de realocar 400 câmeras instaladas em áreas públicas no Rio, a mando da prefeitura, que considerou os equipamentos irregulares por ocuparem espaços como praças, canteiros e rotatórias.

O episódio resume um dos dilemas do setor: os clientes são privados, mas as câmeras ocupam as calçadas e apontam para a rua. 

Essa fronteira se torna ainda menos nítida quando as redes privadas passam a se conectar aos sistemas de vigilância do poder público. 

Breve história da vigilância pública

O país testou a biometria facial pela primeira vez em 2014, na Copa do Mundo, em centrais de monitoramento criadas para coordenar a segurança do torneio. Mas a experiência foi localizada.

A tecnologia voltou com mais força em 2019, na Bahia. No Carnaval de Salvador, as forças de segurança realizaram a primeira prisão com auxílio de reconhecimento facial no país.

A partir dali, outros municípios passaram a adotar sistemas parecidos, com câmeras em postes, centrais de monitoramento, leitura de placas e bancos de dados de procurados.

Nos anos seguintes, essas iniciativas se transformariam em programas de vigilância consolidados, que passaram a reunir câmeras públicas e privadas na mesma rede.

A maior vitrine desse modelo é o Smart Sampa. Lançado pela Prefeitura de São Paulo em 2024, o programa já reúne 50 mil câmeras: apenas 20 mil são operadas pelo município. 

As outras 30 mil pertencem a parceiros privados que aderiram, como Gabriel e CoSecurity.

Em troca, as empresas ganham um diferencial comercial: suas câmeras passam a operar integradas ao sistema de vigilância da cidade.

O Smart Sampa usa reconhecimento facial, leitura de placas e cruzamento com bases de procurados e desaparecidos. Quando há possível correspondência, envia um alerta à central, que aciona a Guarda Civil Metropolitana.

Operadores trabalham na central de monitoramento do Smart Sampa, sistema da Prefeitura de São Paulo que integra câmeras de vigilância e tecnologias de reconhecimento facial para apoiar ações de segurança pública.
Central de monitoramento do Programa Smart Sampa (Prefeitura de SP)

Em escala estadual, o principal projeto é o Muralha Paulista, do governo de São Paulo. O sistema busca integrar câmeras públicas e privadas dos 645 municípios do estado em uma plataforma.

A cidade de São Paulo não está sozinha. O Rio criou a Civitas, que já reúne mais de 10 mil equipamentos e pretende chegar a 20 mil câmeras próprias até 2028.

Curitiba tem a Muralha Digital e passou a incorporar equipamentos de condomínios e empresas pelo Conecta Muralha. Belo Horizonte lançou a Muralha BH, com previsão de mais de 12 mil câmeras, 1,5 mil delas com reconhecimento facial. 

O Brasil tem hoje 525 projetos ativos de reconhecimento facial, capazes de alcançar 96 milhões de pessoas. Desde 2019, estados e municípios direcionaram ao menos R$ 2,65 bilhões em iniciativas, segundo um levantamento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

Limbo jurídico no combate ao crime

Esse crescimento, no entanto, aconteceu sem que houvesse um marco regulatório específico para vigilância biométrica em espaço público. O que existe é um mosaico: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), decretos estaduais, contratos e normas técnicas que variam de estado para estado.

A LGPD é a referência legal do setor – mas tem um limite. O artigo 4º exclui do seu alcance o tratamento de dados para fins de segurança pública e defesa nacional. Isso significa que programas públicos de reconhecimento facial, como o Smart Sampa, não estão sujeitos às mesmas obrigações. 

As empresas privadas, por outro lado, estão no escopo da lei. Mas a operação fica turva quando a câmera privada é usada para finalidades de segurança pública – ou quando as imagens são compartilhadas com o poder público. 

“Existe uma relação muito difícil de dimensionar entre o público e o privado. Isso atrapalha a discussão e nos afasta da construção de regras mínimas para o uso das câmeras”, diz Pablo Nunes, pesquisador do CESeC.

E funciona?

As empresas do setor operam com a promessa de aumentar a segurança de ruas, condomínios e comércios.

Gilad cita uma redução de 80% nas ocorrências em uma área da Faria Lima, em São Paulo, em um projeto com maior nível de integração tecnológica. Em operações mais básicas, afirma receber relatos de condomínios e ruas onde a instalação dos totens teria reduzido a criminalidade em até 20%.

Mas faltam evidências independentes ou oficiais de que redes de câmeras e reconhecimento facial reduzam efetivamente a criminalidade – e de forma consistente ao longo do tempo.

O principal estudo sobre o Smart Sampa, do projeto Panóptico, do CESeC, comparou a evolução dos indicadores criminais da capital paulista com a de outros municípios do estado após a implementação do sistema.

A conclusão foi que não houve redução estatisticamente significativa de furtos, roubos ou homicídios. Os pesquisadores não encontraram aumento relevante da produtividade policial, medida pelo número de prisões em flagrante e cumprimento de mandados.

Os autores ressaltam que isso não significa que as câmeras sejam ineficazes. Elas podem auxiliar investigações ou aumentar a sensação de segurança. O ponto é que, até aqui, não há evidências robustas de que tais sistemas reduzam a criminalidade nas áreas onde são instalados.

Quem paga a energia de data center? Reajuste pode chegar a 14,5% para residências nos EUA

4 de Junho de 2026, 16:04

O novo estilo de arquitetura que tem surgido nos vastos subúrbios do Deserto de Sonora são data centers sem janelas que funcionam 24 horas por dia e consomem tanta eletricidade quanto uma cidade de porte médio.

Enquanto a Microsoft e outras gigantes de tecnologia expandem sua presença em um dos maiores mercados de data centers dos Estados Unidos, trava-se uma disputa de alto risco sobre como pagar pelas enormes atualizações da rede elétrica necessárias para impulsionar a revolução da inteligência artificial.

A Arizona Public Service (APS), maior empresa de energia do estado, está no centro da polêmica. A APS propõe um aumento de 45% nas tarifas de eletricidade para “grandes consumidores de energia”, principalmente data centers, e um reajuste de cerca de 14,5% para clientes residenciais.

Quase ninguém ficou satisfeito.

Defensores dos consumidores alertam que o plano transferiria os riscos financeiros da expansão da IA para famílias que já enfrentam contas de luz elevadas no verão e temperaturas que frequentemente ultrapassam os 37°C.

Caso o boom de IA perca fôlego ou o consumo de energia dos data centers diminua, eles temem que os moradores fiquem pagando pelas obras de infraestrutura durante anos.

A Microsoft, que opera três grandes data centers no Vale Oeste de Phoenix, afirma que está pagando por conta própria pelas atualizações necessárias na rede — mas argumenta que a concessionária tem uma abordagem equivocada para financiar novas usinas.

A APS diz que seu plano garantiria que “o crescimento pague pelo crescimento”.

“Estamos garantindo que eles paguem sua parte justa”, afirmou Ted Geisler, presidente da APS e da controladora Pinnacle West Capital. “Esses data centers exigem usinas inteiras construídas só para eles ou linhas de transmissão completas. Por isso precisamos modernizar as tarifas.”

Data centers no centro do debate

O debate faz parte de um embate nacional.

Disputas semelhantes sobre como financiar a expansão da rede surgiram no Texas, na Carolina do Norte em outros mercados, onde clientes residenciais enfrentam propostas de grandes aumentos.

Os riscos são altos. Os preços da eletricidade estão subindo mais rápido que a inflação como um todo e se tornaram uma questão política bipartidária.

Os clientes residenciais nos Estados Unidos viram suas tarifas de eletricidade aumentarem em média 32% entre 2020 e 2025. No Arizona, o salto foi de 26%.

O país corre para construir infraestrutura e manter a liderança sobre a China na corrida da IA, mas a reação dos consumidores está crescendo. Além do apetite voraz por eletricidade, os data centers enfrentam críticas pelo uso intensivo de terra e água.

A demanda por eletricidade nos EUA permaneceu estagnada por décadas antes de acelerar com a mania da inteligência artificial. O consumo comercial de energia deve superar o residencial no próximo ano pela primeira vez, segundo a Energy Information Administration.

A pedido do presidente Donald Trump, as grandes empresas de tecnologia prometeram cobrir os custos para alimentar os data centers.

Quem paga a conta

A Microsoft pede aos reguladores do Arizona que permita a ela e a outros grandes consumidores construir suas próprias usinas, em vez de depender de geração controlada pela concessionária, cujos custos acabam sendo pagos em parte também por outros clientes.

“Desde que começamos a operar no Arizona em 2021, a Microsoft tem se comprometido a pagar por conta própria para garantir que nossos data centers não aumentem os preços da eletricidade”, disse Jeff Riles, diretor sênior de mercados de energia da empresa.

A APS afirmou que está desenvolvendo uma forma de permitir que grandes clientes construam sua própria geração, mas sem comprometer a confiabilidade ou acessibilidade para os demais.

Distribuir de forma justa os custos de infraestrutura entre diferentes grupos de clientes é complexo. As concessionárias estão investindo não apenas para atender data centers mas também para reforçar a rede contra eventos climáticos extremos e substituir equipamentos antigos — mudanças que beneficiam todos os consumidores.

Existem mais de 120 processos em todo o país em que concessionárias discutem como cobrar de clientes de grande porte, segundo registros compilados pela startup de IA Halcyon.

A definição das tarifas é supervisionada por reguladores estaduais em processos jurídicos que duram cerca de um ano, como o que ocorre em Phoenix, onde clientes e grupos defesa podem pedir para participar.

Os cinco comissários eleitos de serviços públicos do Arizona devem definir o reajuste da APS ainda neste ano. A última aprovação foi em 2024, quando a concessionária pediu 13,6% para a maioria dos clientes e obteve 8%.

Geisler, presidente da APS, afirmou que os aumentos são necessários para cobrir gastos já realizados com melhorias e reparos na rede. A inflação crescente, os juros mais altos e a volatilidade da cadeia de suprimentos elevaram os custos dos projetos. O preço de alguns transformadores subiu 90% nos últimos anos, acrescentou.

Até dois anos atrás, a APS conectava novos clientes à rede conforme eles solicitavam o serviço. Agora, a empresa se prepara para atender clientes que pedem mais de 4 mil megawatts — e há outros 19 mil megawatts em fila de espera, mais que o dobro da demanda de pico do sistema.

Temor de subsídio por consumidores

Essa corrida deixa os moradores do Arizona preocupados.

Jane Andersen, líder estadual no Arizona da Mormon Women for Ethical Government, disse temer que os residentes e os pequenos negócios acabem subsidiando as necessidades energéticas dos data centers.

Ela classificou o aumento de 14,5% proposto para as famílias como “fora da realidade” em comparação com as médias nacionais. Famílias de baixa renda e idosos com renda fixa já têm dificuldade para pagar as contas, e o ar-condicionado é indispensável, afirmou.

“É uma medida de sobrevivência”, disse Andersen.

A procuradora-geral do Arizona, Kris Mayes, democrata ex-comissária de serviços públicos, quer que os data centers assumam uma parcela maior dos custos. Mesmo um aumento de 45% não cobriria integralmente as despesas de conexão, afirmou, defendendo que os clientes residenciais tenham reajuste de cerca de 3%.

A prefeita de Phoenix, Kate Gallego, que já trabalhou em desenvolvimento econômico na Salt River Project, concessionária federal da região de Phoenix, vê paralelos com um boom anterior.

“Em 2008, com a crise imobiliária, o Arizona foi duramente atingido porque estava muito ligado ao mercado imobiliário residencial”, disse ela.

A região de Phoenix é um importante mercado de data centers, além de abrigar fábricas de semicondutores e mineração de cobre, commodity essencial para o setor elétrico.

Nem todo data center proposto será construído, mas concentrar demais a rede elétrica do Arizona em um único setor seria irresponsável, afirmou Gallego.

“Estamos fazendo uma aposta enorme em um único setor”, concluiu.

Maior oferta de ações da história: dona do Google levanta US$ 85 bilhões para bancar expansão da IA

4 de Junho de 2026, 13:08

A controladora do Google, a Alphabet, ampliou sua oferta de ações para US$ 84,75 bilhões, acima dos US$ 80 bilhões anunciados apenas dois dias antes, numa tentativa de financiar o aumento dos investimentos em inteligência artificial.

Mesmo antes da ampliação, a operação já estava a caminho de se tornar a maior oferta de ações da história, segundo dados compilados pela Bloomberg. Se concluída nesse valor, superará a venda de US$ 70 bilhões realizada pela Petrobras em 2010.

É raro que uma empresa do porte da Alphabet levante volumes tão grandes de recursos por meio de uma oferta de ações. Em um ano marcado por IPOs de empresas de tecnologia nos Estados Unidos, o mercado foi surpreendido ao ver uma gigante já consolidada optar por uma captação bilionária, em vez de intensificar programas de recompra de ações.

O Google tenta aproveitar a crescente demanda por seus chips próprios de inteligência artificial, conhecidos como TPUs (Tensor Processing Units). Eles se tornaram uma das principais alternativas aos processadores da Nvidia em um setor que exige volumes cada vez maiores de capacidade computacional.

Detalhes da operação

A operação inclui um programa de US$ 40 bilhões que permitirá à Alphabet vender ações diretamente no mercado ao longo do tempo, a partir do terceiro trimestre. Também faz parte da oferta um acordo de US$ 10 bilhões com a Berkshire Hathaway.

Os US$ 34,75 bilhões restantes foram levantados por meio de uma oferta tradicional de ações e outros papéis ligados ao capital da empresa.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a demanda dos investidores superou em várias vezes o volume ofertado.

Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia

27 de Abril de 2026, 12:46

Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.

O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.

“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.

Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.

A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.

O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.

“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”

Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.

O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.

A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Escolha de novo CEO da Apple indica preocupação maior com aparelhos como o iPhone
Lançamento da Apple, iPhone 17 – Foto: Getty Images

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.

Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.

As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.

Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.

O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.

O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.

O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

Tela de celular com ícones de apps: Facebook, Amazon, Netflix, Google.
Ícones do aplicativo Facebook, do aplicativo Amazon.com, do aplicativo Netflix Inc. e do aplicativo Google, uma unidade da Alphabet, aparecem em um smartphone iPhone da Apple nesta fotografia organizada em Londres, Reino Unido. Foto: Jason Alden/Bloomberg

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.

“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”

Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.

Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.

“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”

Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.

Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”

iPhone 17e: uma boa alternativa ao bem mais caro iPhone 17

14 de Março de 2026, 10:10

Depois de atualizar o iPhone tradicional com uma série de melhorias relevantes, a Apple elevou a barra bem alta na linha de entrada, a “e”.

Há diferenças importantes entre o iPhone 17e e o modelo mais caro da linha, e dá para argumentar que vale a pena gastar R$ 1 mil a mais para ter um aparelho mais completo. Ainda assim, o novo modelo de entrada traz avanços suficientes para fazer mais sentido para quem quer gastar o mínimo possível sem abrir mão de um aparelho confiável.

É um celular para quem prioriza preço, e não a melhor câmera do mercado ou os recursos mais chamativos. Mas muita gente simplesmente quer um iPhone. Qualquer iPhone. E, para esse público, eu me sinto bem mais à vontade para recomendar o 17e do que o antecessor, que dizia pouco a que veio.

iPhone 17e, o modelo de entrada da Apple. Foto: Bloomberg

A Apple equipou o 17e com o chip A19 e 256 GB de armazenamento já na versão básica — o que deve garantir vida longa ao aparelho, sem travamentos e sem aperto de espaço para fotos, vídeos e músicas. O modelo também passou a trazer ímãs integrados, o que o torna compatível com a ampla linha de acessórios MagSafe e com bases de carregamento.

As concessões feitas para chegar ao preço na casa dos R$ 5 mil vão saltar aos olhos de quem acompanha tecnologia de perto. Mas, para o público a que o 17e se destina, a maioria delas não deve pesar tanto.

Os pontos fracos do iPhone 17e

Como já acontecia com o antecessor, a tela do 17e continua limitada a 60 hertz, enquanto o 17, o 17 Pro e o iPhone Air oferecem 120 hertz, o que deixa a navegação e os jogos mais fluidos. Algumas pessoas — eu, inclusive — percebem a diferença. Mas muita gente não vai ligar para isso.

A tela também continua com o entalhe tradicional da Apple para abrigar os sensores do Face ID e a câmera frontal. Nos outros iPhones, esses componentes ficam no recorte menor e mais interativo da Dynamic Island.

Também não há modo de tela sempre ativa, que mostra hora e notificações quando o celular está longe das mãos — sobre a mesa ou numa base de carregamento, por exemplo.

Mas a concessão mais evidente está no conjunto de câmeras. A câmera principal de 48 megapixels fica abaixo do nível do que entregam os modelos mais caros da família.

O aparelho não traz lente ultrawide para fotos com enquadramento mais aberto. Sem ela, o usuário também perde o modo macro.

Na parte da frente, a câmera não conta com o sensor quadrado presente no 17, no 17 Pro e no Air, que permite alternar rapidamente entre retrato e paisagem sem precisar girar o aparelho.

Quem comprar o iPhone 17e também fica sem os estilos fotográficos mais recentes da Apple, que oferecem mais flexibilidade e uma variedade maior de filtros para editar imagens. Isso só deve incomodar quem leva fotografia mais a sério. Também aqui, é difícil imaginar que a maioria das pessoas vá sentir falta.

O aparelho grava vídeo em 4K e com alto alcance dinâmico, mas não traz recursos extras como o Action Mode, para estabilização mais eficiente, ou o modo Cinematic, que desfoca o fundo atrás do assunto filmado.

Mas ele também melhorou. Mesmo que a tela mantenha o mesmo brilho e a mesma resolução do 16e, o vidro que a protege está mais resistente, já que usa o mesmo Ceramic Shield dos modelos mais caros.

Na prática, isso significa resistência a riscos três vezes maior que a do 16e, o que reduz a necessidade de usar película. (No meu 17 Pro Max, eu já abandonei esse hábito.) Agora o vidro também tem revestimento antirreflexo, que ajuda a diminuir reflexos. Faz diferença, embora não seja algo transformador.

E, embora a câmera desse iPhone de US$ 599 seja muito parecida com a do 16e, ela ainda representa um salto para quem vem de um iPhone mais antigo. As fotos que fiz até agora saíram nítidas e com boas cores. Quem tira dezenas de fotos por dia talvez ache melhor juntar mais dinheiro e ir de iPhone 17 convencional, que tem lentes superiores. Mas, para registros do dia a dia, o que se vê aqui dá conta do recado.

Para muita gente, os 256 GB de armazenamento da versão básica serão mais do que suficientes. Para mim já bastam — e eu sou do tipo que gosta de tecnologia. O chip A19 também faz o iPhone 17e parecer rápido e responsivo ao navegar pelo iOS 26 e pela interface Liquid Glass. Essa versão do processador tem menos núcleos gráficos — quatro, contra cinco no iPhone 17 e no iPhone Air. Ainda assim, não tive problema para rodar jogos com gráficos pesados.

Mesmo assim, para quem gosta de jogar fora de casa ou usa o celular com frequência para ver vídeos, as telas maiores e os alto-falantes melhores dos modelos superiores podem ser tentadores.

Pagar mais traz, de fato, bastante coisa junto — e a receita recorde da Apple no trimestre passado mostra que muita gente está disposta a isso. Ainda assim, com desempenho mais rápido, tela mais resistente e carregamento MagSafe — além de vários anos de suporte de software pela frente —, o iPhone 17e parece bem menos um modelo de “mínimo necessário” do que o 16e parecia.

Por Chris Welch

Do ‘Twitter’ à Starlink: Elon Musk fecha acordo para unir SpaceX e xAI antes de mega IPO

2 de Fevereiro de 2026, 18:43

O bilionário Elon Musk acertou nesta segunda-feira (2) a fusão entre SpaceX e xAI, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, em um acordo que engloba as ambições cada vez mais dispendiosas do bilionário de dominar a inteligência artificial e a exploração espacial.

O acordo foi anunciado em um memorando nesta segunda. A expectativa é que a empresa resultante da fusão precifique suas ações em cerca de US$ 527 cada e tenha uma avaliação de mercado de US$ 1,25 trilhão, disseram algumas das fontes.

Os representantes da SpaceX e da xAI não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. 

A Bloomberg já havia noticiado as discussões. A SpaceX planeja uma oferta pública inicial (IPO) que pode arrecadar até US$ 50 bilhões, segundo a Bloomberg News. A empresa também discutiu uma possível fusão com a Tesla.

O acordo reúne duas das maiores empresas de capital fechado do mundo. A XAI captou recursos em janeiro com uma avaliação de US$ 230 bilhões, enquanto a SpaceX planejava realizar uma oferta pública inicial (IPO) em dezembro, com uma avaliação de cerca de US$ 800 bilhões, segundo a Bloomberg, e está explorando a possibilidade de um IPO.

Isso também complica ainda mais os diversos empreendimentos comerciais de Musk. O bilionário adquiriu a plataforma de mídia social Twitter no final de 2022, renomeou-a para X e, em seguida, fundiu o site com sua startup de inteligência artificial xAI em um negócio de US$ 33 bilhões .

A xAI, que também opera o chatbot Grok, é uma operação cara, consumindo cerca de US$ 1 bilhão por mês para alcançar sua ambição declarada de obter “uma compreensão mais profunda do nosso universo”. Uma fusão com a SpaceX reúne capital, talento, acesso a poder computacional — e dilui as fronteiras corporativas.

A parceria pode cristalizar a visão de Musk de colocar data centers no espaço para realizar computação complexa para IA. A SpaceX está solicitando permissão para lançar até um milhão de satélites na órbita da Terra para esse plano, de acordo com um documento apresentado na sexta-feira.

Alibaba começa a vender óculos com IA na China e se posiciona como rival da Meta na corrida dos “wearables”

27 de Novembro de 2025, 14:17

O Alibaba lançou nesta quinta-feira (27) seus novos óculos de inteligência artificial Quark na China, sinalizando os esforços da empresa chinesa de tecnologia para entrar no mercado de wearables com IA, dominado pela Meta.

Os preços começarão em 1.899 iuanes para o headset, que será alimentado pelo modelo e aplicativo de IA Qwen da Alibaba. Ao contrário de outros headsets fabricados por empresas como a Meta, os óculos Quark têm a aparência de óculos comuns, com armação de plástico preto.

A Alibaba afirmou que os óculos seriam profundamente integrados aos seus aplicativos, incluindo o Alipay e seu site de compras Taobao, permitindo que os usuários os utilizassem para tarefas como tradução em tempo real e reconhecimento instantâneo de preços.

“Os pontos fortes da Alibaba são compras, pagamentos e navegação, então seus óculos com IA funcionam mais como um assistente pessoal”, disse Li Chengdong, analista da indústria eletrônica baseado em Pequim.

A empresa está investindo no mercado de IA para o consumidor, após ter ficado historicamente atrás da concorrência. No início deste mês, ela lançou uma grande atualização para seu chatbot de IA.

Li afirmou que a estratégia da Alibaba para óculos de IA inclui um foco na captura de tráfego futuro em meio à intensa competição no setor de comércio eletrônico da China.

“O Alibaba não detém o monopólio do comércio eletrônico”, afirmou. “A empresa espera que a IA possa ajudá-la a garantir a segurança do gateway de tráfego da próxima geração.”

Os novos óculos de IA da Quark estão disponíveis nas principais plataformas de comércio eletrônico chinesas, incluindo Tmall, JD.com e Douyin. Os números de vendas ainda não estão disponíveis, pois o produto foi lançado oficialmente apenas na quinta-feira.

A corrida para encontrar novas formas de dispositivos para entretenimento e computação, baseadas em IA, alimentou uma batalha entre as maiores empresas de tecnologia. A Meta, proprietária do Instagram, domina amplamente o setor de headsets de realidade virtual, com cerca de 80% do mercado. A Apple vende seu headset Vision Pro enquanto a Samsung Electronics lançou seu headset de realidade estendida Galaxy XR em outubro, que utiliza recursos de IA do Google, da Alphabet .

Outras empresas de tecnologia chinesas também lançaram óculos semelhantes com inteligência artificial. A Xiaomi lançou um produto em junho, enquanto a Baidu já possui um produto similar à venda.

CEO da Nvidia se prepara para revelar acordos de IA com Samsung e Hyundai

28 de Outubro de 2025, 20:05

O executivo-chefe da Nvidia, Jensen Huang, planeja revelar novos contratos para fornecimento de chips de IA para grandes empresas sul-coreanas, incluindo a Samsung e a Hyundai, quando visitar o país esta semana para buscar novas oportunidades para seus negócios.

Os acordos têm o potencial de ajudar a fabricante de chips americana a expandir sua presença num mercado chave como a Coreia do Sul, uma vez que a Nvidia está cada vez mais excluída da China devido ao conflito comercial entre Washington e Pequim. Para os conglomerados coreanos, um relacionamento mais próximo com a Nvidia significa um fornecimento mais confiável de unidades de processamento gráfico essenciais para o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial.

Huang quer estreitar seus laços com a quarta maior economia da Ásia, que é fundamental para o fornecimento global de chips de memória e tem ambições de se tornar um grande centro de computação de IA, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Além da Samsung e da Hyundai Motor, a Nvidia planeja fornecer seus chips para o SK Group, que planeja construir um centro de dados de IA de 7 trilhões de wons (US$ 4,9 bilhões) na Coreia do Sul e conta com a fabricante de chips SK Hynix entre suas afiliadas.

Huang deve anunciar essas parcerias antes de participar da Cúpula de CEOs da APEC em Gyeongju na próxima sexta-feira, dia 31, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por tratar de assuntos particulares. O CEO da Nvidia presidirá uma conferência em Washington na terça-feira, e o presidente Donald Trump disse que se encontrará com Huang mais tarde, enquanto viaja pela Ásia.

Quando questionado em um evento da Nvidia em Washington nesta terça-feira (28) sobre os acordos que a empresa poderia revelar na Coreia do Sul, Huang se recusou a dar detalhes, mas deu a entender que pode ter mais a dizer nos próximos dias.

“Se você observar todo o ecossistema sul-coreano, todas as empresas são minhas grandes amigas e ótimas parceiras”, disse ele em declarações aos repórteres. “Quando eu partir, espero que tenhamos alguns anúncios que sejam realmente muito agradáveis ​​para o povo da Coreia e ​​para o presidente Trump.”

O Hyundai Motor Group não quis comentar. Representantes da Samsung e da SK não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

O governo Trump deve assinar um amplo acordo com a Coreia do Sul nesta quarta-feira, com o objetivo de fortalecer a cooperação em inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia e tecnologia sem fio 6G, de acordo com uma autoridade americana, que discutiu planos ainda não divulgados sob condição de anonimato. A autoridade não identificou quais empresas poderiam estar envolvidas em projetos sob o acordo. 

A Nvidia está no centro de uma onda de investimentos em infraestrutura de IA que deve ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão nos próximos anos. Da OpenAI à Oracle, os líderes do setor estão correndo para construir os data centers que sustentarão a era pós-ChatGPT. Essa corrida por investimentos, aliada à rápida valorização das ações de tecnologia, tem sido comparada à ‘bolha das pontocom’, dada a persistente ausência de aplicativos e serviços de IA convencionais.

A Coreia do Sul planeja investimentos significativos em infraestrutura de computação, incluindo planos para que o país garanta até 200.000 GPUs de alto desempenho até 2030. Esse esforço pode custar cerca de US$ 3 bilhões.

Embora essa demanda geral seja modesta em comparação às necessidades da OpenAI e da Meta, os contratos ajudariam a Nvidia a fazer incursões em um país crucial para a produção e o design de chips de memória — componentes essenciais para todos os eletrônicos modernos. 

A Nvidia também está interessada em se aprofundar em mercados alternativos após ter sido praticamente excluída da China. Pequim ordenou que empresas locais suspendessem os pedidos da RTX Pro 6000D da Nvidia e desencorajou empresas e agências a usarem seus chips H20. Huang afirmou este mês que a participação de mercado da Nvidia na China caiu de 95% em seu pico para zero.

Trump planeja se reunir com o líder chinês Xi Jinping na Coreia do Sul na quinta-feira, à margem da Cúpula de CEOs da APEC, com o objetivo de elaborar algum tipo de acordo comercial. Não está claro se a capacidade da Nvidia de vender para empresas chinesas faria parte de algum acordo. 

Ibovespa tem maior concentração em 12 anos: como isso atrapalha a diversificação da sua carteira

21 de Outubro de 2025, 11:29

O Ibovespa vive o maior nível de concentração em mais de uma década. As dez maiores ações representam juntas mais de 50% do índice — o peso mais alto desde 2013, segundo levantamento do InvestNews. Na prática, isso significa que tentar replicar o Ibovespa hoje – seja por meio de ETFs ou fundos passivos – deixou de ser sinônimo de diversificação.

Entre as 82 ações que formam o índice, dez empresas dominam o desempenho: Vale (11,2%), Itaú Unibanco PN (8,2%), Petrobras (10,4%, somando ações preferenciais e ordinárias), Eletrobras (4,4%), Bradesco PN (4,1%), Sabesp (3,6%), B3 (3,2%), BTG Pactual (3,1%) e Itaúsa (3,1%).

Algumas delas até ganharam espaço nos últimos anos — casos de Sabesp e BTG Pactual —, mas o avanço mais expressivo veio das gigantes que já carregavam peso histórico. A Vale, por exemplo, tinha participação de apenas 3,5% há 12 anos; hoje, sozinha, responde por mais de um décimo do índice.

A concentração é um desafio para quem busca uma carteira equilibrada. Uma das formas mais clássicas de se investir de forma diversificada é por meio de ETFs, fundos negociados em bolsa que acompanham índices como o Ibovespa ou o S&P 500. Mas, com o peso crescente de poucas companhias, o investidor que escolhe um ETF do Ibovespa acaba mais exposto aos riscos específicos dessas grandes empresas do que imagina.

O jeito, então, é combinar mais coisas. O planejador financeiro Robson Ortis sugere como alternativa intercalar setores e segmentos menos representativos nos grandes índices – e sem sequer abandonar o uso dos ETFs, que são de fato alternativas práticas, simples e de baixo custo.

Para os investidores com perfil mais agressivo, ETFs de empresas menores (small caps) são um bom caminho. Assim como para a maioria das ações, as pequenas se aproveitam de um cenário positivo para a renda variável, mas são bem mais sensíveis às perspectivas de juros e atividade econômica, o que apimenta mais a carteira.

O ETF de maior liquidez ligado a essas companhias é o SMAL11, que segue o índice SMLL, composto por papéis bastante diversos. Os 10 de maior participação no índice são todos de empresas com fatia muito pequena dentro do Ibovespa, que não chegam a 1%: Lojas Renner, Assaí, Allos, SmartFit, Multiplan, Brava Energia, Taesa, Cyrela, Natura e Sanepar (que nem no principal índice da B3 está).

Do lado um pouco menos volátil, mas ainda dentro da renda variável, setores com receitas estáveis e menos dependentes do cenário macroeconômico também funcionam para equilibrar a carteira, caso das empresas reguladas de utilidade pública: energia elétrica, saneamento, água e gás.

O mais recente ETF lançado para acompanhar essas companhias é o UTLL11, que segue o índice UTIL, composto por papéis que aparecem no Ibovespa, caso de Sabesp e Eletrobras, mas com importante participação de outras representantes do setor, como Equatorial, Eneva, Cemig, Copel, Energisa e Engie Brasil.

Ao comprar um ETF de Ibovespa, o investidor tem 15% de exposição a essas companhias; via um ETF do setor, a participação desses nomes sobe para 85%. Aqui, aumentar a concentração ao setor na carteira teria uma finalidade de diversificação do portfólio para um perfil mais “defensivo” contra sobressaltos no mercado.

Vale a ressalva de que o UTLL11 ainda está com a liquidez em formação, já que foi lançado em setembro deste ano – o que pode dificultar um pouco a vida de quem desejar comprar e vender o fundo mais rapidamente na bolsa.

Uma camada a mais, com um pé fora do Brasil

Um investidor poderia se perguntar se comprar um ETF simples de S&P 500 não seria o suficiente para trazer mais diversidade para o portfólio. À primeira vista, sim: comprar as 500 maiores companhias americanas é, de cara, uma solução básica indicada por vários consultores e planejadores financeiros.

Ocorre que, da mesma forma que no Ibovespa, a concentração das empresas no índice americano é mais alta da história. Os 10 principais papéis atingiram o pico de 38% de participação no indicador desde 1880, segundo dados do Citi Global Insights. E, hoje, eles são praticamente todos do setor de tecnologia: Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet, Meta, Tesla e Broadcom.

Com praticamente nenhuma representatividade no mercado brasileiro, o setor de tecnologia tem um papel extremamente importante na estratégia de investimentos. Por isso, nesse caso, um ETF de S&P simples, como o IVVB11, cumpre bem o papel. É preciso se atentar apenas para o risco adicional de ter esse produto: a exposição cambial.

Para o investidor que quer diluir o efeito dessa concentração em poucas empresas e reduzir a volatilidade da carteira, sem precisar abrir uma conta em uma corretora internacional, uma opção são os ETFs híbridos na B3. É o caso do GOAT11, que tem 80% de exposição à renda fixa, via títulos públicos, e 20% ao S&P 500.

A parte de renda fixa acompanha o índice IMA-B, que dá a variação dos títulos atrelados ao IPCA, o conhecido Tesouro IPCA+. E a parte de bolsa americana apenas replica o índice lá fora. Se sete empresas equivalem a 38% do S&P 500, o GOAT11 dilui isso para cerca de 7,6%. Um bom negócio para quem quer dar um passo em direção ao mar, mas sem se molhar demais.

OpenAI começa a transformar o ChatGPT num sistema operacional. Testamos

18 de Outubro de 2025, 19:12

O ChatGPT está se transformando num sistema operacional, ou seja, num agente que controla outros aplicativos.

Na segunda-feira passada, a OpenAI lançou a integração entre o GPT e alguns apps. Isso significa que você agora pode usar outros aplicativos direto no Chat.

Agora, no início, são bem poucos, mas dá pra ter uma boa ideia de como a coisa funciona.

Vamos ver o caso do Spotify. Você pode pedir para o Chat montar uma playlist, na linha “faz uma só com músicas que tocaram na trilha sonora do filme tal”. Pronto.

Ele faz a Playlist e já joga dentro do Spotify. Na prática, você passa a interagir com outros apps da mesma forma como lida com o GPT: na base da conversa, como se estivesse falando com um amigo.

Neste episódio da sére IA:Modo de Usar, o jornalista Pedro Burgos mostra os detalhes.

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A nova febre dos jovens é a velha tecnologia

8 de Outubro de 2025, 06:00

Lucy Jackson usa um telefone que faz pouco além de ligações e, com algum esforço, envia mensagem de texto. Isso complica a vida de uma jovem estudante em 2025.

Mas, para Lucy, que usa mapas de papel e liga para a empresa de táxi local quando precisa de uma carona, os desafios adicionais da vida com pouca tecnologia são um pequeno preço a pagar.

“Aprecio muito mais coisas que não posso acessar facilmente na ponta dos dedos, como qualquer tipo de mídia”, disse Lucy, de 17 anos. “Mas é um pouco mais difícil fazer amizade com as pessoas e manter contato.”

Adolescentes e jovens de vinte e poucos anos podem ter crescido consumindo mídia em seus celulares, pedindo comida em aplicativos e usando caronas compartilhadas, mas alguns já se cansaram.

Motivados pelo desejo de escapar das telas e recuperar a sensação de controle, eles estão ressuscitando câmeras, celulares flip e CDs. Não é incomum vê-los circulando pelos corredores de uma loja de discos ou fazendo sessões de fotos na calçada com câmeras de fotografia, como se tivessem viajado de volta ao início dos anos 2000.

O Luddite Club, um grupo sem fins lucrativos que apoia pausas sem smartphones, tem 26 filiais, quase todas em escolas de ensino médio ou faculdades. Lucy Jackson é membro do conselho.

Músicos com ouvintes mais jovens, incluindo Taylor Swift, Sabrina Carpenter e Chappell Roan, vendem diversas formas de mídia física — CDs, discos de vinil e fitas cassete. Alguns até vendem singles em CD, um formato esquecido.

Jovem de camisa branca escolhe CDs em uma pilha
Foto: Getty Images

Carpenter, o cantor islandês Laufey e Roan, todos da Geração Z, recentemente lideraram as paradas de CDs da Amazon. Artistas mais velhos também aparecem nas paradas, mas os ouvintes de John Fogerty provavelmente não são nativos digitais que compram discos por diversão.

Até o TikTok está cheio de vídeos para tocadores de CD Bluetooth, celulares flip e câmeras.
“As pessoas, especialmente da Geração Z, estão cansadas de não ter nada”, disse Hunter White, engenheiro de dados de 25 anos e autodenominado membro dos “nerds da música da internet”.

White disse que coleciona CDs para escapar do domínio dos serviços de streaming, que, segundo ele, pagam mal aos artistas e têm ofertas inconsistentes. Ele compra os discos em leilões de garagem e de imóveis, brechós, lojas de discos e eventos de vendedores, e ouve em um tocador que a Sony lançou em 2002.

No ano passado, White lançou um aplicativo chamado Dissonant. Sim, você pode amar mídia física e ainda criar um aplicativo. Os membros pagam para receber um CD pelo correio de acordo com seu gosto, juntamente com uma nota escrita à mão sobre o álbum. Eles podem ficar com o CD ou devolvê-lo e receber um novo gratuitamente. O Dissonant tem 800 discos e cerca de 350 membros, a maioria com a idade de Hunter White.

80% dos entrevistados do Zoomer relataram sentir que os jovens eram muito dependentes da tecnologia, de acordo com uma pesquisa da Harris Poll de 2023. E 60% disseram que gostariam de “poder voltar a uma época em que todos não estavam ‘conectados'”.

“Eles estão fazendo uma interessante caminhada na corda bamba”, disse Clay Routledge, cuja equipe de pesquisa no Human Flourishing Lab fez parceria com a Harris Poll para a pesquisa. “Eles gostam de tecnologia, mas sentem que estão perdendo algo e querem ter mais controle sobre como a usam.”

Jovens e tecnologia

Lucy Jackson ganhou seu primeiro iPhone no ensino fundamental. As redes sociais a faziam sentir como se estivesse vivendo uma vida dupla. “Havia a versão 3D da vida real, onde eu era feliz, e havia esse mundo 2D, onde eu conseguia retratar uma imagem de mim mesma”, disse ela. “Era tão falso.”

No primeiro ano do ensino médio, ela conheceu pessoas que também queriam se livrar dos celulares e comprou um modelo flip. “A maneira como eu tocava música mudou drasticamente”, disse ela. “A navegação era um problema real. Para os trabalhos escolares, você tinha que estar realmente por dentro.”

A câmera digital compacta é uma das tecnologias redescobertas mais valorizadas. Há uma piada no TikTok que diz que uma pessoa em cada grupo é a “amiga da câmera digital”, brigando com todos para tirar fotos e manuseando cartões SD e adaptadores. Kendall Jenner recentemente usou uma Canon PowerShot como acessório em uma postagem no Instagram.

Essas câmeras variam de US$ 15 a mais de US$ 300.

Tumasi Agyapong, de 26 anos, de Chicago, disse que começou a se interessar por câmeras há cerca de dois anos, motivada por uma sensação de nostalgia e qualidade de imagem.

Ela adora o fato de elas serem de uso único, sem as distrações de um smartphone. Pelas suas contas, ela agora tem 15. “Na verdade, isso vem do desejo de me desintoxicar do meu celular, que é tudo para mim”, disse ela.

Como a AMD saiu das sombras para desafiar gigantes na guerra dos chips de IA

8 de Outubro de 2025, 06:00

Quando Lisa Su assumiu o cargo de CEO da empresa de chips Advanced Micro Devices (AMD) em 2014, o valor de mercado da empresa era pouco menos de US$ 3 bilhões.

Hoje, a AMD vale mais de US$ 330 bilhões, um aumento de mais de cem vezes que reflete a habilidade da AMD em mudar de uma estratégia de produção. A empresa saiu da fabricação de placas de vídeo para jogos e processadores para computadores pessoais para chips de data center que impulsionam a revolução da inteligência artificial.

O preço das ações da AMD subiu 24% na segunda-feira (6), logo depois que a empresa anunciou uma parceria com a OpenAI, dona do ChatGPT.

Segundo os termos do acordo, a OpenAI comprará dezenas de milhares de chips AMD para gerar 6 gigawatts de capacidade computacional para funções que permitem que modelos de IA respondam às consultas dos usuários.

O acordo impulsionou o preço das ações da AMD e as ambições da empresa de competir com a concorrente Nvidia, que é de longe a concorrente dominante na indústria de semicondutores para IA.

O acordo especifica que a OpenAI receberá warrants para 160 milhões de ações da AMD, a um preço marginal de 1 centavo por ação, assim que a OpenAI atingir certas metas de implantação e o preço das ações da AMD subir.

A última parcela de ações será concedida somente se as ações da AMD atingirem US$ 600 por ação, o que daria à AMD uma avaliação de mercado de US$ 1 trilhão.

Por enquanto, com uma capitalização de mercado de US$ 4,5 trilhões, a Nvidia é quase 14 vezes maior que a AMD, e a maioria das estimativas de analistas estima sua participação de mercado para as unidades de processamento gráfico, ou GPUs, que alimentam o treinamento e a inferência de IA em mais de 75%.

Mas, além da AMD, a Nvidia enfrenta pressão de empresas como a Broadcom, que produz chips personalizados para aplicações específicas para clientes como a OpenAI, e até mesmo dos próprios grandes clientes, alguns dos quais já começaram a projetar seus próprios chips.

Empurrão da IA

O acordo com a OpenAI pode ter mudado um pouco a situação a favor da AMD. A AMD chegou a esse ponto de inflexão graças a uma combinação de planejamento estratégico cuidadoso e de estar no lugar certo, na hora certa.

“Nos últimos anos, o importante foi entendermos as cargas de trabalho que realmente impulsionariam a IA, o treinamento e a inferência da próxima geração”, disse Su em uma entrevista. “Este acordo representa uma enorme expansão do trabalho que estamos fazendo.”

Durante grande parte da última década, a arquirrival da AMD foi a Intel, a problemática projetista e fabricante de chips que recentemente recebeu grandes investimentos da Nvidia e do governo dos EUA.

Com base nos designs populares dos chips gráficos usados ​​nos sistemas de jogos PlayStation e Xbox e nas CPUs usadas em PCs de consumo, a AMD vem conquistando a fatia de mercado da Intel há anos.

A Intel, por sua vez, estava atolada em um esforço dispendioso para recuperar seu negócio de fabricação de chips. A AMD desmembrou seu negócio de manufatura, agora conhecido como GlobalFoundries, em 2009, enquanto a Intel continuou a investir em seu segmento de fundição, que não era lucrativo, mesmo estando muito atrás de rivais tecnologicamente mais avançados, como a Taiwan Semiconductor Manufacturing.

Em 2018, a AMD fez uma mudança drástica para a computação em nuvem, lançando sua linha Instinct de GPUs para data centers, seus primeiros chips projetados para cargas de trabalho de IA.

Desde então, a AMD tem lutado para acompanhar a Nvidia, que dominou não apenas o espaço de chips de IA, mas também os sistemas de software necessários para executar grandes clusters de data centers.

Nos últimos anos, à medida que os laboratórios de IA se apressavam para aperfeiçoar seus modelos mais recentes, a demanda por chips poderosos que podem ser usados ​​para treinar esses modelos em bilhões ou até trilhões de parâmetros de entrada aumentou.

Agora, no entanto, a demanda mudou para funções de inferência, em vez de treinamento, à medida que as empresas buscam ferramentas de IA que sejam mais úteis nos mundos dos negócios, entretenimento e pesquisa. Essas aplicações também tendem a ser mais lucrativas.

“A computação tem sido mais direcionada para o treinamento no passado e, nos próximos anos, tenderá a se deslocar muito mais para a inferência, à medida que a demanda por esses serviços de IA cresce”, disse Jacob Feldgoise, pesquisador de IA do Centro de Segurança e Tecnologias Emergentes da Universidade de Georgetown. “A AMD tem se esforçado cada vez mais para se posicionar como fornecedora preferencial de soluções para inferência.”

Su, da AMD, assim como os principais executivos da OpenAI, concordaram que a demanda por inferência será o principal impulsionador da infraestrutura de IA e argumentaram que, à medida que a indústria de IA cresce, qualquer empresa que ofereça poder computacional aos desenvolvedores verá grandes benefícios.

A AMD possui algumas vantagens cruciais que podem ajudar em sua busca por maior participação de mercado da Nvidia. Seus chips são geralmente mais baratos que os da Nvidia, e sua eficiência e qualidade estão melhorando. Há também a questão da disponibilidade: como os chips da Nvidia são amplamente considerados os melhores disponíveis, a concorrência para comprá-los é acirrada.

O aumento expressivo da demanda abre uma oportunidade para a AMD oferecer seus próprios produtos como uma alternativa mais acessível e prontamente disponível.

“Acreditamos realmente que o mundo está subestimando a demanda por IA e que estamos caminhando para um mundo onde simplesmente não há tecnologia suficiente”, disse Greg Brockman, presidente e cofundador da OpenAI. “Não haverá chips suficientes.”

O Instagram não ouve suas conversas. Pelo menos ele jura que não faz isso

4 de Outubro de 2025, 11:57

O Instagram não escuta as suas conversas. Pelo menos é o que garante Adam Mosseri, chefe da rede social. Em um vídeo recente, o executivo decidiu enfrentar uma das suspeitas mais persistentes da vida digital: a de que o aplicativo usaria o microfone do celular para espionar conversas privadas e, a partir daí, exibir anúncios com precisão assustadora.

“Nós não usamos o microfone do telefone para espionar você. Primeiramente, se fizéssemos isso, seria uma grave violação de privacidade”, disse Mosseri. “Você notaria o consumo excessivo da bateria do seu telefone, além de ver uma pequena luz no topo da tela indicando que o microfone está ativo”.

Ele admitiu que a desconfiança já virou tema até dentro de casa. “Talvez umas duas ou três vezes já tive essa conversa com a minha esposa”, brincou.

Quatro explicações para o “efeito espião”

Se o Instagram não ouve, como explicar quando alguém fala sobre um produto e, logo em seguida, vê exatamente esse item aparecer no feed? Mosseri apresentou quatro hipóteses que, segundo ele, justificam as coincidências.

  1. Você pesquisou antes. O usuário pode ter clicado em algo relacionado ou feito uma busca online. “Trabalhamos com anunciantes que compartilham informações conosco sobre quem esteve em seus sites para tentar direcionar anúncios a essas pessoas. Então, se você estava olhando um produto em um site, esse anunciante pode ter nos pago para alcançá-lo com um anúncio”, afirmou
  2. Interesses de amigos e pessoas parecidas. O algoritmo também cruza informações com base no que amigos ou perfis semelhantes estão consumindo. Se alguém da sua rede demonstrou interesse em determinado produto, esse anúncio pode chegar até você.
  3. Você já viu, mas não percebeu. “Nós rolamos rapidamente pelos anúncios e, às vezes, internalizamos parte disso sem perceber. Isso realmente afeta o que você fala mais tarde”, explicou
  4. Coincidência. Mosseri também incluiu o acaso como fator: às vezes, simplesmente acontece

“Quero reiterar: nós não escutamos o seu microfone”, reforçou Adam.

A persistência da dúvida

A suspeita de que o Instagram bisbilhota conversas não é nova. Desde pelo menos 2016, a Meta — controladora do Instagram, Facebook e WhatsApp — é obrigada a responder sobre o assunto. Há inclusive uma página oficial de suporte que diz que o microfone só é usado quando o usuário aciona recursos específicos, como gravar um vídeo para um story ou iniciar uma chamada de voz.

Apesar disso, a teoria resiste. E parte dessa resistência se explica pela própria lógica da publicidade digital: anúncios muito certeiros soam mágicos, ou suspeitos. Mesmo quando há explicações técnicas, como o retargeting de anunciantes ou o cruzamento de interesses entre amigos, a percepção de estar sendo ouvido se mantém.

Mosseri reconhece essa barreira. “Eu sei que alguns de vocês simplesmente não vão acreditar em mim”.

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