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Ibovespa recua aos 180 mil pontos com IPCA e queda da Petrobras (PETR4); dólar fecha a R$ 4,89

12 de Maio de 2026, 17:27

O Ibovespa (IBOV) encerrou a terça-feira (12) em queda, pela segunda sessão consecutiva, após os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos

Os investidores acompanharam ainda o recuo da Petrobras após o balanço do primeiro trimestre de 2026 e a continuidade na escalada de tensões entre Irã e EUA.

Hoje, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 4,8954, com ligeira alta de 0,08%.

Por aqui, o mercado acompanhou os dados da inflação de abril, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi a maior para o mês desde 2022.

O IPCA registrou alta de 0,67%, o que representa desaceleração após avanço de 0,88% em março. O resultado veio em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.

No acumulado em 12 meses, a inflação acelerou de 4,14% em março para 4,39% em abril, ficando próximo do teto da meta inflacionária de 4,5% do Banco Central (BC).

Na avaliação da economista Claudia Moreno, do C6 Bank, as medidas do governo – como subsídios e redução de impostos – devem mitigar parte dos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação brasileira no curto prazo. Ainda assim, ela afirma que combustíveis e alimentos já podem estar sendo impactados pelo conflito no Oriente Médio.

Além disso, “o mercado de trabalho aquecido junto com a perspectiva de desvalorização do real deve fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre”, diz Moreno. A projeção do C6 para o IPCA  de 2026 é de 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%.

Altas e quedas do Ibovespa

No sentido contrário da véspera, a Petrobras (PETR3;PETR4) recuou após o balanço do primeiro trimestre e os dividendos virem abaixo do esperado pelo mercado, contrariando a alta do petróleo. PETR4 tombou 1,62% (R$ 45,68), enquanto PETR3 caiu 0,85% (R$ 50,38).

Segundo o time do Itaú BBA, liderado por Monique Martins Greco, o avanço do Brent ao longo de março “não foi totalmente refletido no trimestre”, já que existe uma defasagem entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita na transferência de propriedade das cargas exportadas.

“Embora a frustração possa gerar pressão de curto prazo, a combinação de preços mais altos do petróleo e a realização das exportações em trânsito deve reverter esse efeito temporário, preparando um segundo trimestre mais forte”, escreveram os analistas.

Por outro lado, Vale (VALE3) conseguiu se recuperar no fim do pregão e subiu 0,37% (R$ 83,76), destoando da queda de 0,98% do minério de ferro, cotado a 812,5 yuans (US$ 119,57) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China. O avanço ocorreu após a mineradora divulgar suas projeções para 2026 e 2027.

Para o Safra, os números são positivos uma vez que o aumento na sensbilidade do fluxo de caixa livre das Soluções de Minério de Ferro não estava no cenário base do banco.

Adicionalmente, o banco avalia que isso ajuda a aliviar as preocupações do mercado em relação à perda de rentabilidade decorrente dos custos de caixa e do frete desde o início do conflito, algo que aparentemente pressionou as ações após o balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26).

A ponta negativa do índice foi encabeçada pela Natura (NATU3), que recuou 5,62%, a R$ 9,91, após o resultado do 1T26 ser considerado fraco pelos analistas do mercado.

Já a ponta positiva foi liderada pela Braskem (BRKM5), que disparou 29,02%, a R$ 11,87, depois de o JP Morgan realizar dupla elevação do papel. A recomendação passou de neutro para compra e o banco também subiu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15, com potencial de valorização de 63% ante o fechamento anterior (11).

Segundo o JP, a elevação do papel reflete a melhora nos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança após a reestruturação.

Exterior

Os índices de Wall Street fecharam sem direção única com a inflação pressionada, alta dos preços do petróleo e queda das ações de tecnologia.

No front econômico, o índice de preços ao consumidor (CPI, em inglês) dos EUA aumentou 0,6% em abril, depois de ter subido 0,9% em março, informou o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho nesta terça-feira. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,6%, com as estimativas variando de 0,4% a 0,9%.

Mas nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor avançaram 3,8%. Esse foi o maior aumento anual desde maio de 2023 e seguiu-se à alta de 3,3% em março, o que reforçou ainda mais as expectativas de que o Federal Reserve deve deixar a taxa de juros dos Estados Unidos inalterada por algum tempo.

Diante da recente escalada de tensões no Oriente Médio, o parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei disse nesta terça-feira que o país pode enriquecer urânio a até 90% de pureza, um nível considerado grau de armamento, se o Irã for atacado novamente.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,11%, aos 49.760,56 pontos;
  • S&P 500: -0,16%, aos 7.400,97 pontos;
  • Nasdaq: -0,71%, aos 26.088,203 pontos.

Na Europa, os índices fecharam em forte queda com a tensão geopolítica e crise política no Reino Unido. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com recuo de 1,01%, aos 606,63 pontos.

Na Ásia, os principais índices encerram majoritariamente negativos. O índice de Nikkei, do Japão, encerrou com avanço de 0,52%, 62.742,57 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,22%, aos 26.347,91 pontos.

Dólar em queda: ‘não vejo a cotação abaixo de R$ 5′, diz analista que recomenda se posicionar na moeda agora

9 de Abril de 2026, 17:04

Desde a quarta-feira (8), o dólar começou a recuar em relação ao real, tendência que se manteve até o fechamento deste texto, na tarde de quinta-feira (9). Na mínima intraday da quinta-feira, a cotação chegou a atingir R$ 5,06, o menor nível em dois anos.

De maneira geral, um câmbio mais baixo pode ser explicado pela maior oferta da moeda em solo nacional. O que explica esse maior fluxo de dólar em solo brasileiro agora, e até onde a queda da moeda pode ir?

Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research, comentou o assunto na edição de quinta-feira (9) do programa Giro do Mercado, do Money Times. Confira:

Coincidência? Dólar em queda é concomitante às máximas históricas do Ibovespa nesta semana

Antes de abordar especificamente a cotação do dólar, é preciso relembrar os eventos que a acompanham. Em especial, os fatores que atraem o fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil no momento.

A tendência de queda coincide com a maior volatilidade das tensões da guerra do Oriente Médio. Na noite de terça-feira (7), os Estados Unidos anunciaram um cessar-fogo, que não foi totalmente confirmado por todas as partes envolvidas no conflito. 

Vale lembrar que o conflito no Oriente Médio está associado a fatores como:

  • Alta do preço do petróleo;
  • Maior sentimento de desconfiança dos investidores com a economia dos Estados Unidos, e
  • Pressão inflacionária ao redor do mundo, com a disrupção na cadeia de suprimentos.

Todos esses pontos convergem para o maior interesse do investidor estrangeiro em migrar parte do portfólio para o Brasil, que é um grande exportador de petróleo e outras commodities como a soja, por exemplo – refletindo também nas empresas representantes do setor na B3.

“Como o Brasil tem um mercado muito ‘pesado’ em commodities, os investidores estão buscando alternativas para se posicionar devido ao preço do petróleo, que não vai voltar aos níveis do começo de ano”, afirma Pacheco.

Segundo o analista, é provável que o barril de petróleo seja negociado na casa dos US$ 80 mesmo em um cenário de arrefecimento dos conflitos no Oriente Médio.

“Com isso, teremos as empresas de commodities entregando melhores resultados. E a bolsa brasileira, querendo ou não, tem esse peso importante”. Como principais exemplos, Pacheco cita Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3), grandes conhecidas dos investidores.

Carry trade: o fator dos juros que continua a atrair fluxo estrangeiro para os ativos brasileiros

Além de ser um nome de peso para commodities, um outro fator que pode jogar “a favor” da entrada de fluxo estrangeiro no Brasil são os juros altos.

Para Pacheco, se os EUA optarem por interromper seu ciclo de corte de juros em meio às incertezas geopolíticas, é provável que o ciclo de cortes na Selic também seja interrompido no Brasil, mantendo os juros nos dois dígitos por aqui.

Esse cenário favorece o chamado carry trade: se o ambiente nos EUA acabar não favorecendo os ativos de risco por lá, o investidor pode “pegar seus recursos na moeda americana, investir no Brasil [a juros altos] e, com isso, se proteger da variação cambial”, segundo o analista.

“Quando calculamos a diferença do juro brasileiro para o americano, aqui [o juro] é muito alto, e ainda muito atrativo para o investidor”, conclui.

Até onde o dólar pode cair? Para analista, preço abaixo de R$ 5 é improvável

“Não sei se veremos [o dólar] abaixo de R$ 5”, afirma Pacheco. “Há muito tempo é falado que um ‘dólar de equilíbrio’ pode estar entre R$ 4,50 e R$ 4,80, mas toda vez que chega perto disso, ‘alguma coisa estoura’”.

Nesse caso, o analista dá um “conselho” a investidores que ainda não carregam posições em moeda forte ou ativos internacionais no momento, por estarem à espera de uma queda ainda maior do dólar: a indicação é começar o quanto antes.

“Para quem não tem nenhuma posição em dólar hoje, eu não esperaria muito mais para começar a montar”, afirma.

Pacheco indica que, no momento, o dólar um pouco mais baixo não é a única vantagem. “Penso não apenas no câmbio em si, mas também em encontrar oportunidades ‘lá fora’ com patamares de preço muito interessantes”, conclui.

No caso, para o analista, há ações internacionais de qualidade e descontadas no momento, o que pode abrir janelas de oportunidade para quem se posicionar a partir de agora.

Como montar uma carteira ‘dolarizada’? Conheça as recomendações de Enzo Pacheco para o momento

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Dólar hoje fecha estável a R$ 5,15 à espera de desfecho para ultimato de Trump ao Irã

7 de Abril de 2026, 17:47

Após exibir altas em diferentes momentos da sessão, o dólar fechou a terça-feira praticamente estável ante o real, após notícia de que a Casa Branca avalia uma proposta para estender o prazo dado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo e reabra o Estreito de Ormuz.

Leia mais: Dólar Hoje: Confira a cotação e fechamento diário do dólar comercial

Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,16%, aos R$5,1549. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 6,09%.

Dólar comercial

  • Compra: R$ 5,154
  • Venda: R$ 5,154

O que aconteceu do dólar hoje?

O ultimato dado ao Irã permeou os mercados globais nesta terça-feira, sem que surgisse uma solução até o momento para que o Estreito de Ormuz seja reaberto à navegação. O prazo dado originalmente por Trump para que um acordo seja fechado vai até 21h (pelo horário de Brasília).

Pela manhã, Trump reiterou as ameaças contra o Irã e disse que “uma civilização inteira morrerá esta noite” se não for alcançado um acordo. Em contrapartida, uma fonte iraniana afirmou que “toda a região e a Arábia Saudita cairão na escuridão total com os ataques de retaliação do Irã”.

Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,1738 (+0,53%) às 14h, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, como o peso chileno e o rand sul-africano.

No fim da sessão, no entanto, a notícia de que Trump foi informado sobre uma proposta do Paquistão para estender em duas semanas o prazo dado ao Irã trouxe certo alívio para os mercados globais de moedas. A Casa Branca prometeu uma resposta.

Em função disso, o dólar à vista se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto a divisa para maio, negociada até mais tarde na B3, desacelerou.

Como a guerra no Irã afetou o mercado

AtivoPreço 27/02Preço 07/04Variação (%)
Petróleo Brent (US$)72,48109,27+50,8%
Petróleo WTI (US$)67,02112,95+68,5%
Ibovespa (pontos)188.787188.259-0,28%
PETR4 (R$)39,3348,52+23,4%
S&P 500 (pontos)6.878,886.616,84-3,8%

(Com Reuters)

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Ibovespa ganha fôlego na reta final do pregão e fecha em leve alta; dólar sobe a R$ 5,15

7 de Abril de 2026, 17:23

O Ibovespa (IBOV) ganhou fôlego nos últimos minutos do pregão com expectativa de avanço nas negociações de última hora para um cessar-fogo no Oriente Médio.

Nesta terça-feira (7), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com leve alta de 0,05%, aos 188.258,91 pontos, na máxima intradia.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,1550, com alta de 0,16%.

Por aqui, os investidores dividiram as atenções com cenário eleitoral, novas medidas do governo para conter os preços dos combustíveis e dados econômicos.

Entre os dados, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 6,405 bilhões em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado de março ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 7,55 bilhões, após saldo positivo de US$ 4,208 bilhões em fevereiro.

Na avaliação de Luiza Pinese, economista da XP, os efeitos do choque do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio devem se tornar mais evidentes nos próximos meses.

O MDIC também revisou as estimativas para 2026 e prevê saldo positivo de US$ 72,1 bilhões, próximo ao piso da projeção anterior, divulgada em janeiro.

Altas e quedas do Ibovespa

Entre as ações negociadas no Ibovespa, a Suzano (SUZB3) despencou 6,39% (R$ 46,43), pressionada pela revisão do Bank of America (BofA). O banco rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra.

Além disso, a equipe de analistas cortou o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 82 para R$ 57.

SUZB3 também foi a ação mais negociada da B3 com 56,585 mil negócios e giro financeiro de R$ 2,122 bilhões.

A ponta negativa foi liderada por MRV (MVRE3), com queda de 9,45% (R$ 7,19), em reação à prévia operacional do primeiro trimestre deste ano (1T26).

Já a ponta positiva foi encabeçada por Braskem (BRKM5), que encerrou o pregão com alta de 7,26% (R$ 9,01), em recuperação das perdas da véspera. Ontem (6), os papéis caíram mais de 7%.

Exterior

Os índices de Wall Street tiveram mais um dia de perdas com novo ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Pela manhã, o chefe da Casa Branca disse que “toda a civilização morrerá hoje à noite” se um acordo com o Irã não for firmado, em publicação na rede social Truth. O prazo final de negociações imposto por Trump se encerra ainda hoje, às 21h (horário de Brasília).

No final da tarde, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas. Em resposta, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavit, disse ao Axios que Trump informado da proposta e uma “resposta será dada.”

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,18%, aos 46.584,46 pontos;
  • S&P 500: +0,08%, aos 6.616,85 pontos;
  • Nasdaq: +0,10%, aos 22.017,84 pontos.

LEIA MAIS EM: Wall Street fecha sem direção única com expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio

Na Europa, os principais índices também encerraram em queda com incertezas sobre o conflito no Oriente Médio na retomada do feriado prolongado. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com baixa de 1,01%, aos 590,59 pontos.

Na Ásia, os índices tiveram uma sessão mista no primeiro dia de negociações da semana. O índice Nikkei, do Japão, ficou praticamente estável com alta de 0,03%, aos 52.429,56 pontos.

Dólar tem leve alta a R$ 5,15 com ultimato de Trump ao Irã

7 de Abril de 2026, 17:08

O dólar à vista ganhou força ante o real, em uma sessão marcada pela expectativa de um acordo de paz no Oriente Médio após o ultimato do presidente norte-americano, Donald Trump.

Nesta terça-feira (7), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,1550, com leve alta de 0,17%.



O movimento destoou do desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,33%, aos 99,651 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

A escalada de tensões no Oriente Médio continuou a concentrar o foco dos investidores.

Pela manhã, presidente dos Estados Unidos elevou o tom contra o Irã e disse que “toda uma civilização morrerá hoje à noite” se um acordo de cessar-fogo não fosse firmado ainda hoje, em publicação na rede social Truth.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, também afirmou que a guerra com o Irã será concluída “muito em breve” e indicou que Washington ainda espera avanços diplomáticos até o prazo final imposto pelo presidente Donald Trump, às 21h (de Brasília).

No início da tarde, o New York Times noticiou que o Irã suspendeu as negociações com os EUA e também informou ao Paquistão, mediador das tratativas entre os dois países, que não participará de mais conversas sobre um cessar-fogo.

Já na reta final do pregão, o Pasquistão pediu para Trump estender o prazo de tratativas por duas semanas.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os “os esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da guerra em curso no Oriente Médio estão progredindo de forma constante, firme e eficaz, com potencial para alcançar resultados substanciais em um futuro próximo”, em publicação na rede social X.

Dados locais

Em segundo plano, os investidores reagiram a dados domésticos. Entre eles, a balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 6,405 bilhões em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O valor foi alcançado com exportações de US$ 31,603 bilhões e importações de US$ 25,199 bilhões.

O resultado de março ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 7,55 bilhões, após saldo positivo de US$ 4,208 bilhões em fevereiro.

O MDIC também revisou as estimativas para 2026 e prevê saldo positivo de US$ 72,1 bilhões, próximo ao piso da projeção anterior, divulgada em janeiro.

*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters

Trump vai assinar o dólar e encerrar 165 anos de tradição nas cédulas mais famosas do mundo

26 de Março de 2026, 20:08

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (26) que a assinatura do presidente Donald Trump passará a figurar nas cédulas de dólar, um feito inédito para um presidente americano em exercício.

As primeiras notas de US$ 100 com o nome de Trump e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, serão impressas em junho. As cédulas de outros valores virão nos meses seguintes.

A decisão rompe uma convenção tão antiga quanto o próprio papel-moeda americano.

Desde 1861, quando o governo federal começou a emitir suas próprias cédulas, o dinheiro dos Estados Unidos carrega duas assinaturas: a do secretário do Tesouro e a do tesoureiro nacional. São dois cargos técnicos, não políticos. No Brasil, a lógica é semelhante: assinam as cédulas do real o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central.

Ao manter o presidente fora das cédulas, os Estados Unidos estabeleceram uma separação simbólica entre o chefe de Estado e o dinheiro que circula em seu nome. A legislação que rege a impressão das cédulas permite retratos apenas de indivíduos falecidos, e as assinaturas sempre pertenceram a funcionários do Tesouro, nunca ao ocupante da Casa Branca.

Trump rompe uma tradição de 34 ocupantes do cargo que assinaram cédulas ao longo de 165 anos. O Tesouro justificou a mudança como homenagem ao 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, celebrado neste 4 de Julho.

Personificação

O gesto se insere num padrão mais amplo do novo governo Trump. A troca de assinaturas é a mais recente de uma série de iniciativas do presidente para estampar o nome do presidente em edifícios, instituições, programas governamentais, navios de guerra e moedas, como lembrou o The Wall Street Journal.

O Kennedy Center, um dos principais espaços culturais de Washington, criado como memorial ao presidente assassinado John F. Kennedy, passou a carregar também o nome de Trump. O Instituto da Paz dos Estados Unidos foi renomeado.

Um painel federal aprovou o desenho de uma moeda de ouro comemorativa com o rosto do presidente, algo que, por tradição, só ocorre após a morte do homenageado. A exceção mais próxima é Calvin Coolidge, que apareceu numa moeda em 1926, no 150º aniversário do país.

Em seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia testado o recurso: assinou pessoalmente os cheques de auxílio emergencial distribuídos aos americanos durante a pandemia de covid-19. A diferença agora é de escala e permanência.

Uma cédula de dólar circula, em média, por anos, dentro e fora dos Estados Unidos, e carrega consigo o peso simbólico da maior economia do mundo.

Banco suíço fecha sob acusação de lavagem de dinheiro iraniano, russo e venezuelano

25 de Março de 2026, 13:21

Sempre que conseguia uma comissão de seis dígitos para seu pequeno banco suíço, Paul-Michel von Merey era conhecido por gritar pelo escritório em plano aberto, perto do Lago de Zurique, tocando ruidosamente um sino de vaca em celebração.

O barulho constante refletia uma fonte lucrativa que sua empresa explorava. O MBaer Merchant Bank, cofundado por von Merey em 2018, às vezes cobrava dos clientes até dez vezes a taxa de mercado para processar pagamentos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, principalmente em transações que outros bancos não aceitavam.

Mas, mesmo após o banco ter sido apontado como um dos “mais prósperos” bancos privados suíços, no ano passado, em um evento local de gestão de fortunas, seu fim estava próximo. A suposta facilitação de lavagem de dinheiro chamou a atenção do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que, às vésperas da guerra contra o Irã no final do mês passado, praticamente o forçou a fechar as portas.

“O MBAer canalizou mais de cem milhões de dólares por meio do sistema financeiro dos EUA em nome de agentes ilícitos ligados ao Irã e à Rússia”, disse Bessent em comunicado. A ameaça de cortar o acesso do banco ao sistema financeiro americano foi suficiente para superar os desafios legais da ordem anterior da autoridade reguladora suíça Finma de liquidar o banco.

A seguir está um relato de como o MBaer conseguiu operar sem ser detectado, enquanto, segundo autoridades dos EUA, em alguns casos, era “provavelmente cúmplice das atividades de lavagem de dinheiro de seus clientes”. Seu fim desonroso compromete os esforços de longa data da Suíça para sanear o sistema financeiro e provar que Zurique e Genebra não oferecem mais um refúgio fácil para dinheiro ligado ao crime.

Um porta-voz do MBaer não quis comentar sobre esta reportagem. A Finma também não se manifestou.

Banco foi fundado por herdeiro do Julius Baer

O MBaer foi fundado como um banco de investimentos concebido para atender tanto aos interesses empresariais dos clientes — como o financiamento do comércio — quanto ao seu patrimônio pessoal. Seu cofundador homônimo e primeiro diretor-executivo do banco, Mike Baer, ​​passou 12 anos no Julius Baer Group, banco fundado por seu bisavô. Durante esse período, ele ocupou diversos cargos sêniores, incluindo a chefia das áreas de banking, trading e TI, de acordo com seu perfil no LinkedIn. No Julius Baer, ​​ele também conheceu muitos clientes em potencial e alguns dos outros sócios do MBaer.

Mike Baer e Paul von Merey não quiseram comentar para esta reportagem.

No início de 2005, Mike Baer deixou o banco da família e, nos anos seguintes, ocupou vários cargos em conselhos de administração, de acordo com seu perfil no LinkedIn, incluindo na Odey Asset Management e no Falcon Private Bank, ambos com problemas regulatórios não relacionados nos últimos anos.

Corredor entusiasta, que completou maratonas nos polos Norte e Sul, Baer utilizou fortemente o nome da família. “A herança do MBaer Merchant Bank remonta a 1890, quando Julius Bär lançou as bases para uma longa tradição bancária em Zurique”, afirmou o banco em seu site.

Expansão acelerada a partir de 2023

Ao longo dos anos, o banco expandiu-se rapidamente, em particular, vivenciando um salto nos ativos em 2023. No final de 2025, detinha ativos de clientes no valor de cerca de 4,9 bilhões de francos suíços (US$ 6,2 bilhões), e contava com cerca de 700 clientes e 60 funcionários. Seu tamanho o enquadrava inicialmente na categoria mais baixa de supervisão da autoridade reguladora suíça Finma — destinada a pequenos participantes no mercado, ou de “baixo risco”.

Fontes internas descreveram a cultura do banco como uma reminiscência dos tempos mais liberais das finanças suíças — antes do confronto com os EUA sobre a evasão fiscal nos anos 2000, que levou a tentativas de “limpeza” e ao fim do sigilo bancário absoluto.

Segundo investigadores da unidade de crimes financeiros do Tesouro dos EUA, a FinCEN, o banco começou a atrair atenção por possíveis atividades de lavagem de dinheiro ligadas à Venezuela por volta de 2020. O banco teria então facilitado o financiamento da máquina de guerra russa e ajudado a canalizar fundos petrolíferos iranianos de volta ao regime — incluindo para o Corpo da Guarda Revolucionária.

Lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo

“O MBaer também proporcionou acesso ao sistema financeiro dos EUA a pessoas que oferecem apoio material a esforços de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo relacionados ao Irã, incluindo apoio a organizações terroristas iranianas”, afirmou a FinCEN em um documento publicado em 2 de março.

As autoridades acusaram o MBaer de facilitar pagamentos em conexão com um esquema internacional de contrabando de petróleo e lavagem de dinheiro conduzido pela Força Quds, da Guarda Revolucionária. Os EUA consideram a Força Quds, que opera fora do país, como uma organização terrorista estrangeira.

Clientes do MBaer transferiram cerca de US$ 37 milhões em conexão com uma empresa sancionada, chamada Turkoca Import Export Transit Co. Ltd., em grandes pagamentos arredondados em dólares, que normalmente levantariam suspeitas de lavagem de dinheiro, declara a FinCEN. A Turkoca era uma “entidade intermediária” usada por afiliados da Força Quds para lavar fundos para o Irã, disse a FinCEN.

Cultura de medo

O MBaer supostamente tinha diversos métodos para conduzir negócios sem chamar atenção. Funcionários permitiam pagamentos em francos suíços ou euros para clientes de alto risco, em uma tentativa de contornar controles mais rigorosos sobre transações em dólares, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Alguns funcionários de fato geraram alarmes sobre deficiências operacionais. Muitos enfrentaram obstáculos internos significativos após expressarem suas preocupações ou acabaram deixando a empresa. Isso criou uma cultura de medo entre os funcionários e uma relutância em denunciar irregularidades percebidas, afirmaram as fontes.

Em 2023, autoridades dos EUA e a Finma começaram a investigar o banco mais de perto.

Por volta da mesma época, o MBaer rompeu com a empresa que atuava como seu banco correspondente nos EUA — o agora extinto Credit Suisse, de acordo com pessoas familiarizadas com o tema. O JPMorgan passou a prestar esse serviço posteriormente, disseram as pessoas a par do assunto, juntamente com diversas outras instituições financeiras.

O JPMorgan não quis comentar sobre seu relacionamento com o MBAer.

Em 2024, Bignia Vieli, então membro do conselho administrativo, contratou o escritório de advocacia do qual era sócia para realizar uma revisão da infraestrutura operacional do banco, que identificou riscos sistêmicos generalizados. O relatório chegou a sugerir que o banco deveria se autoreportar à Finma.

Fontes de ‘alto risco’

Apesar das preocupações com lavagem de dinheiro, aparentemente nenhuma medida corretiva significativa foi tomada após o relatório, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que afirmaram que a administração continuou recebendo seus bônus integrais. Vieli não respondeu a um pedido de comentário.

A Finma iniciou formalmente procedimentos de execução contra o MBaer em 2024. Posteriormente, informou que 98% dos ativos recentes de clientes do banco vinham de fontes de “alto risco”, segundo um comunicado. O banco havia sistematicamente falhado em investigar o histórico dos relacionamentos de seus clientes e auxiliado ativamente clientes a contornar o congelamento de ativos, afirmou a Finma.

Contudo, no sistema regulatório suíço, um processo sancionador pode se arrastar por anos, e os bancos podem continuar a operar enquanto contestam judicialmente as ordens da Finma. No início de 2026, uma ordem da Finma para fechar o MBaer estava travada nos tribunais — até a intervenção do Tesouro dos EUA.

Liquidação forçada

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, Annett Viehweg, CEO do MBaer desde janeiro de 2025, tentou tranquilizar os funcionários do banco, segundo uma pessoa presente na reunião. O MBaer se defenderia na justiça, Viehweg teria afirmado, de acordo com a pessoa.

O banco acabou negociando com a Finma os termos de sua autoliquidação, segundo fontes a par do assunto. As duas partes estavam em desacordo sobre se a lavagem de dinheiro seria mencionada especificamente no comunicado que anunciava o fechamento, até que o Tesouro dos EUA as forçou a agir, disseram as fontes. Posteriormente, o MBaer retirou seu recurso, o que significa que a ordem de liquidação entrou em vigor em 27 de fevereiro.

Von Merey e Mike Baer deixaram o banco, e ambos têm mantido um perfil discreto. O perfil de Von Merey no LinkedIn minimiza sua função no MBaer. No mês passado, a Finma também informou ter aberto processos contra quatro indivíduos não identificados associados ao MBaer. Esses procedimentos se concentram em pessoas que já deixaram o banco, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto. Os funcionários foram informados de que até 25 pessoas seriam demitidas em março e abril.

A carteira de clientes de “alto risco” do MBaer agora enfrenta uma espera por uma resolução que pode levar anos, com poucos ou nenhum outro banco na Suíça dispostos a aceitá-los.

Para um banco acusado de lavagem de dinheiro para venezuelanos, russos e iranianos, o fim do MBaer demorou surpreendentemente a chegar. O país está em processo de reformulação da regulamentação financeira, incluindo medidas para ampliar os poderes da agência reguladora Finma. As lições da crise do Credit Suisse, em 2023, estão sendo incorporadas à legislação em tramitação no Parlamento suíço.

Por ora, a aparente incapacidade da Finma de fazer cumprir sua decisão inicial destaca a fragilidade da Suíça no combate eficaz aos crimes do setor financeiro, segundo Mark Pieth, advogado especializado na área e membro fundador do Grupo de Ação Financeira, radicado em Basileia, na Suíça.

“Os americanos tiveram que intervir novamente e apontar uma arma para o peito deles”, disse Pieth. “Em termos de sistema jurídico, a Suíça ainda é um centro offshore, onde os casos se arrastam por anos sob o pretexto do devido processo legal”.

Ameaça de Trump sobre Irã deve gerar aversão a risco e favorecer dólar, diz Michael Brown

23 de Março de 2026, 05:35

Os mercados globais estão se preparando para um início de semana avesso ao risco, diz o estrategista sênior de Pesquisa da Pepperstone, Michael Brown.

Os traders enfrentam um evento de risco significativo com o prazo de 48 horas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reabrir o Estreito de Ormuz, afirma ele.

Isso manterá os investidores em alerta, sustentando a demanda por refúgios como o dólar americano, diz Brown. O risco de retaliação do Irã também preocupa os traders.

É impossível precificar um caminho concreto sobre como tudo isso evoluirá, então a preservação de capital provavelmente será a prioridade, afirma Brown.

Ibovespa tomba 2% com Petrobras (PETR4) e Wall Street em meio à escalada das tensões no Irã; dólar sobe a R$ 5,31

20 de Março de 2026, 17:31

O Ibovespa (IBOV) derreteu 4 mil pontos durante a sessão e zerou os ganhos da semana com a escalada da aversão a risco global, em meio a novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

Nesta sexta-feira (20), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%.

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3092, com alta de 1,79%. Apesar da forte valorização de hoje, o dólar acumulou queda de 0,13% ante o real na semana.

Por aqui, a cautela externa continuou a contaminar o mercado em dia de vencimento de opções. O risco de ingerência na Petrobras (PETR4) diante das medidas do governo para atenuar os efeitos da disparada do petróleo sobre os preços de energia também concentrou as atenções dos investidores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a estatal poderá recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves – Rlam), na Bahia. “Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”, disse Lula, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento na refinaria da Petrobras em Minas Gerais (Regap).

Altas e quedas do Ibovespa

Apenas cinco ações fecharam em alta no Ibovespa: Prio (PRIO3), Yduqs (YDUQ3), Rede D’Or (RDOR3), Vivara (VIVA3) e Cemig (CMIG4).

Em destaque, as ações da Cemig (CMIG4) figuraram como a única alta nas primeiras duas horas do pregão. Na máxima intradia, CMIG4 subiu 3,53% (R$ 12,62), em reação aos números do balanço do quarto trimestre (4T25) e anúncio da distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) de R$ 658 milhões, com data “ex-direito” em 25 de março.  

Os papéis da elétrica fecharam com alta de 0,41%, a R$ 12,24.

Já a ponta negativa foi liderada por Braskem (BRKM5), que fechou em queda de 14,21%, a R$ 10,20. O movimento foi atribuído a uma realização de lucros recentes, com as mudanças do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) já precificadas anteriormente. 

O benefício corresponde a créditos de PIS/Cofins, incidentes sobre as matérias-primas das indústrias química e petroquímica, passíveis de compensação com tributos federais.

Entre os pesos-pesados, Petrobras (PETR4;PETR3) caiu mais de 2%, em dia de alta nos preços do petróleo Brent no mercado internacional. O movimento de baixa foi acentuado após a publicação de uma Medida Provisória (MP) pelo governo federal que estabelece um subsídio ao diesel para mitigar os efeitos da alta das commodities no mercado global.

PETR4 fechou com queda de 2,37%, a R$ 45,67, sendo a ação mais negociada da B3. O papel teve 95,7 mil negócios e movimentou R$ 2,25 bilhões. PETR3 terminou o dia com baixa de 2,62%, a R$ 50,22.

Exterior 

Os índices de Wall Street encerraram a sessão em forte queda com as novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito no Irã.

No final da tarde, Trump, disse que “está no processo de resolver a situação no Irã”, mas sem mencionar uma perspectiva de cessar-fogo. “Não fazemos cessar-fogo quando estamos vencendo e o outro lado está destruído. […] Estamos muito adiantados no cronograma”, disse o presidente norte-americano.

Mais cedo, a CBS News informou que autoridades do Pentágono fizeram preparativos detalhados para a possível mobilização de forças terrestres dos Estados Unidos no Irã.

O mercado também manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) até dezembro deste ano.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,96%, aos 45.577,47 pontos;
  • S&P 500: -1,51%, aos 6.506,48 pontos; 
  • Nasdaq: -2,01%, aos 21.647,61 pontos.

Na Europa, os principais índices também encerraram em tom negativo, com o temor de um choque inflacionário com a escalada dos preços do petróleo no radar. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 1,78%, aos 573,28 pontos.

Na Ásia, os índices fecharam em queda. O índice Nikkei, do Japão, não operou em razão de feriado local e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve recuo de 0,88%, aos 25.277,32 pontos. 

Por lá, o Banco da China (BPoC, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela 10ª decisão consecutiva. A taxa primária de empréstimo de um ano (LPR) foi mantida em 3,0%, enquanto a LPR de cinco anos ficou inalterada em 3,5%.

BC volta a intervir no câmbio: o que fazer com os seus investimentos com a volatilidade do dólar

20 de Março de 2026, 12:37

O Banco Central entrou em campo ontem (19) com uma intervenção dupla no mercado de câmbio: vendeu dólares à vista e atuou com contratos futuros ao mesmo tempo.

O movimento, conhecido como “casadão”, é uma resposta ao nervosismo que tomou conta dos mercados desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro. Nesse ambiente, uma pergunta que muitos investidores se fazem é: o que fazer com os investimentos em dólar na carteira?

O momento aponta para manter os ativos na moeda americana – seja via fundos negociados em plataformas de corretoras, seja via ETFs de câmbio – como uma clássica defesa contra choques externos.

Para quem não tem tais ativos no portfólio e deseja montar uma reserva em moeda forte, é preciso evitar exageros, porque o cenário está mais complexo do que o habitual.

O ideal é evitar um nível de exposição muito grande, que fique acima do equivalente a 5% do patrimônio em um portfólio, na média — pode ser um pouco mais se a posição estiver em ações, ativos de baixa correlação com o dólar.

Isso porque, como dizem economistas, o real está “resiliente”. Nos últimos 30 dias, mesmo diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a moeda americana sobe apenas 0,9% contra a moeda brasileira.

Em relação ao sol peruano, o dólar já ganha 3% em valor no mesmo período; contra o peso colombiano, a alta é de 1,2%; ante o peso chileno, de 7%; em relação ao peso mexicano, a moeda avança 4,2%.

Desde o começo do ano, na verdade, a moeda americana está na contramão, com queda de 3% em relação ao real.

A palavra que define o momento, porém, é “instabilidade”.

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O BC realizou o “casadão” ontem com o objetivo de providenciar liquidez e referência de preços ao mercado – uma resposta ao mesmo ambiente de estresse que levou o Tesouro Nacional a também intervir e fazer grandes recompras de títulos públicos nos últimos dias para conter o que classifica como disfuncionalidades no mercado de renda fixa.

Por isso, apesar da citada resiliência do real neste momento, é importante levar em conta movimentos mais amplos como parte de padrões históricos.

Quando há forte busca por proteção no mundo, moedas e ativos emergentes tendem a sofrer mais. É por essa razão que vender investimentos em dólar é uma má escolha.

Nesta sexta-feira (20), por exemplo, o dólar subiu 1,75%, cotado a R$ 5,3110, depois de uma sessão com estabilidade no dia anterior.

Diversificação global

O real tem demonstrado força ante o dólar diante de uma tendência mais ampla de desvalorização da moeda globalmente, motivada pelo interesse de grandes gestoras e fundos e de bancos centrais de diversificar suas reservas para além da moeda americana em um momento de incertezas nos Estados Unidos com as políticas de Donald Trump.

O que faz a moeda brasileira se destacar em relação a outros países emergentes é o chamado diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, algo que segue elevado. E isso persiste mesmo com o corte da Selic feito pelo Banco Central nesta semana, que levou a taxa básica a 14,75% ao ano. Na maior economia do mundo, o juro está no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Isso mantém o Brasil relativamente atrativo para o investidor estrangeiro, dado que os ativos em reais oferecem maior remuneração. Isso tende a estimular a entrada de dólares e contribuir para a valorização do real.

E há ainda o efeito da alta do petróleo a ser observado nessa equação do dólar.

O aumento das cotações da commodity para o patamar de US$ 100 com a Guerra no Irã joga incerteza sobre a inflação diante da necessidade de repasses para os preços dos combustíveis.

Só que, de outro lado, o Brasil é um grande exportador de petróleo e de commodities em geral. Isso significa que o aumento dos preços tende a apreciar a nossa moeda, e não o contrário.

Com o petróleo mais caro, o Brasil exporta mais em valor e recebe mais dólares, o que aumenta a oferta de moeda estrangeira e isso acaba fortalecendo o real.

Tudo isso posto, é preciso levar em conta que o câmbio é um dos canais do mercado que mais expressam as incertezas na economia. Isso significa que tentar acertar o “momento certo” de adquirir ou vender dólares é uma má decisão.

Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre o piso de R$ 5,12 e o teto de R$ 5,32 no mercado brasileiro com a escalada da guerra no Oriente Médio. Não é uma variação desprezível para um intervalo de tempo tão curto, e não à toa o Banco Central decidiu atuar para atenuar os movimentos.

Ibovespa cai com Petrobras (PETR4) e aversão a risco em Wall Street; dólar sobe a R$ 5,31 e atinge maior nível desde janeiro

13 de Março de 2026, 17:17

O Ibovespa (IBOV) acompanhou a piora do humor dos investidores no exterior e as mudanças nas precificações de corte nos juros nos Estados Unidos e no Brasil, em meio a disparada dos preços do petróleo.

Nesta sexta-feira (13), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,91%, aos 177.653,31 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou perda de 0,95%. 

Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3163, com alta de 1,41%, no maior patamar desde janeiro. Na semana, o dólar teve valorização de 1,38% sobre o real.

Por aqui, os investidores ainda repercutiram o pacote de medidas do governo para conter os preços dos combustíveis, anunciado no dia anterior. Hoje, a Petrobras (PETR4) anunciou um reajuste de 11,6% no preço do litro do diesel para as refinarias – o que, nas contas do BCG Liquidez, cancelou o efeito baixista das medidas do governo no IPCA.

Os mercado também ajustou as apostas sobre a trajetória da taxa de juros brasileira, em meio a escalada das tensões geopolícias e possíveis impactos nos preços de energia.

Tanto as Opções do Copom da B3 quanto a curva a termo precificam, majoritariamente, um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 15% para 14,75% ao ano, na próxima semana.

Antes da guerra no Irã, a aposta majoritária era de redução inicial de 0,50 ponto percentual.

As pesquisas eleitorais também continuaram no radar. Ainda na seara política, a Reuters noticiou que Fernando Haddad lançará a candidatura para o governo de São Paulo na próima quinta-feira (19).

Altas e quedas do Ibovespa

Em dia de forte aversão a risco, as ações cíclicas lideraram a ponta negativa do Ibovespa, com a abertura da curva de juros. Vivara (VIVA3) figurou enhtre as maiores perdas do pregão, acompanhada de Braskem (BRKM5),  CSN (CSNA3) ainda em reação aos balanços trimestrais e recentes notícias das companhias.

Em destaque, as ações da Petrobras (PETR4), um dos pesos-pesados do Ibovespa, também encerraram em tom negativo após o aumento nos preços do diesel. PETR3 fechou com queda de 0,10%, a R$ 49,60; PETR4 terminou o dia com perda de 0,53%, a R$ 44,76.

Apesar do reajuste, os analistas consideram que os preços praticados pela estatal seguem defasados na comparação a paridade de importação (PPI).

Segundo a Abicom, para alinhar totalmente os preços domésticos às referências internacionais, a Petrobras precisaria elevar o diesel em R$ 2,34 por litro, após mais de 300 dias sem reajustes. No caso da gasolina, a defasagem é de 43%, o que implicaria um aumento de R$ 1,10 por litro.

A expectativa, no entanto, é de que a estatal não repasse integralmente a volatilidade externa ao consumidor. Medidas anunciadas pelo governo nesta semana deram algum alívio à companhia, que já confirmou adesão ao programa de subvenção ao diesel.

Já a ponta positiva do Ibovespa foi liderada por BB Seguridade (BBSE3) e SLC Agrícola (SLCE3).

Exterior 

Os índices de Wall Street intensificaram as perdas na segunda parte do pregão, monitorando as tensões no Oriente Médio.

Os investidores também dividiram as atenções com novos dados de inflação nos Estados Unidos.

O índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,3% em janeiro, em linha com as expectativas. Na comparação anual, o índice apresentou um aumento de 2,8%, ligeiramente abaixo dos 2,9% previstos pelos economistas consultados pela Dow Jones. O dado é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Com a escalada das tensões e dados de inflação em linha com o esperado, o mercado voltou a considerar setembro comoo mês mais provável para a retomada do ciclo de corte nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Perto do fechamento, a probabilidade de corte no sétimo mês do ano era de 54,2%, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group. Na véspera, os traders observaram chance de redução dos juros apenas em dezembro.

Para a decisão da próxima semana, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano é de 99,1%.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: -0,26%, aos 46.558,47 pontos;
  • S&P 500: -0,61%, aos 6.632,19 pontos; 
  • Nasdaq: -0,93%, aos 22.105,35 pontos.

Na Europa, os principais índices também encerraram em tom negativo, ainda pressionados pelas incertezas geopolíticas. O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou as negociações com queda de 0,50%, aos 595,85 pontos.

Na Ásia, os índices tiveram mais uma sessão de perdas com os investidores incertos quanto à duração do fechamento do Estreito de Ormuz. O índice Nikkei, do Japão, caiu 1,16%, aos 53.819,61 pontos; enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,98%, aos 25.465,60 pontos. 

Dólar tem novo salto e fecha a R$ 5,31 com disparada do petróleo e precificação de corte menor na Selic

13 de Março de 2026, 17:05

O dólar repetiu o movimento de fortes ganhos da véspera e encerrou o pregão em alta. 

Nesta sexta-feira (13), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,3163, com ganho de 1,41%. 



  • LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se

O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,73%, aos 100,466 pontos.

Na semana, o dólar teve valorização de 1,38% sobre o real.

O que mexeu com o dólar hoje?

As tensões no Oriente Médio deram gás para uma nova valorização do petróleo, com o barril Brent encerrando o dia cotado acima de US$ 100.

Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA escoltarão embarcações pelo Estreito de Ormuz, se necessário. Em entrevista à Fox News, o chefe da Casa Branca ainda declarou que as forças militares norte-americanas vão atacar o Irã  “com muita força na próxima semana”.

A declaração foi uma resposta ao Irã. Na véspera, o novo líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que o estreito deve permanecer fechado “como instrumento de pressão contra os EUA e Israel”.

Os investidores também dividiram as atenções com novos dados de inflação nos Estados Unidos.

O índice de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,3% em janeiro, em linha com as expectativas. Na comparação anual, o índice apresentou um aumento de 2,8%, ligeiramente abaixo dos 2,9% previstos pelos economistas consultados pela Dow Jones. O dado é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Com a escalada das tensões e dados de inflação em linha com o esperado, o mercado voltou a considerar setembro como o mês mais provável para a retomada do ciclo de corte nos juros dos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Perto do fechamento, a probabilidade de corte no sétimo mês do ano era de 54,2%, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group. Na véspera, os traders observaram chance de redução dos juros apenas em dezembro.

Para a decisão da próxima semana, a probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano é de 99,1%.

No Brasil, o mercado também ajustou as apostas de afrouxamento monetário. Tanto as Opções do Copom da B3 quanto a curva a termo precificam um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), de 15% para 14,75% ao ano, na próxima semana. Antes da guerra no Irã, a aposta majoritária era de redução inicial de 0,50 ponto percentual.

Por aqui, o mercado ainda repercutiu o pacote de medidas do governo para conter os preços dos combustíveis, anunciado no dia anterior. As pesquisas eleitorais também continuaram no radar.

Pela manhã, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso – neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

Ao fazer o “casadão”, o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em que o dólar tem sido pressionado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O efeito das operações sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

*Com informações de Reuters

Dólar fica estável a R$ 5,15 com incertezas sobre a guerra no Irã

11 de Março de 2026, 17:02

Depois de duas sessões de queda, o dólar recuperou o fôlego com a escalada das tensões no Oriente Médio. Dados de inflação nos Estados Unidos e cenário eleitoral no Brasil ficaram em segundo plano 

Nesta quarta-feira (11), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1593, com leve alta de 0,03%. 



  • LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se

O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,38%, aos 99.210 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

A guerra no Irã ganhou uma nova escalada nas tensões com ataques iranianos a três navios, durante a madrugada desta quarta-feira (11), no Golfo Pérsico.

O comando militar do país persa também afirmou que o mundo deve estar preparado para o petróleo atingir US$ 200 por barril. “Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em comentários dirigidos aos Estados Unidos.

Até o momento, não houve nenhuma trégua em terra, nem qualquer sinal de que navios já podem navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz – por onde 20% do petróleo do mundo é escoado em tempos de normalidade geopolítica – , na pior interrupção do fornecimento de energia desde os choques do petróleo da década de 1970.

Por outro lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou que “praticamente não há mais nada” para atacar no Irã e que a guerra naquele país terminará “em breve”, em entrevista ao site Axios. “Pequenas coisas aqui e ali. Quando eu quiser que isso acabe, vai acabar”, declarou Trump.

Em segundo plano, os investidores acompanharam novos dados de inflação norte-americana. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% no mês de fevereiro, segundo dados do Departamento do Trabalho do país. No acumulado de 12 meses, o CPI acumula alta de 2,4%.

Embora o dado não seja a referência inflacionária do Federal Reserve (Fed), o CPI ‘ajuda’ o mercado a calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Após o resultado, os traders adiaram a leitura de que o Fed vai retomar o ciclo de cortes nos juros de julho para setembro.

Para a próxima decisão de política monetária, que acontece na semana que vem, há 99,4% de chance de o BC manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.

“O mercado vem ajustando as expectativas para a política monetária norte-americana com o mercado passando a precificar cerca de 30 pontos-base de cortes até o fim do ano” como consequências das preocupações sobre inflação em meio a disparada dos preços do petróleo, afirma Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad.

Saída de dólares e cenário eleitoral

Segundo dados do Banco Central, o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US $3,897 bilhões em março até o dia 6 – a primeira semana de conflitos no Irã.

Por aqui, o cenário eleitoral também movimentou o mercado de câmbio. As pesquisas de intenção de votos apontaram para um empate técnico entre os candidatos  Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

*Com informações de Reuters

Dólar, ouro ou petróleo: qual ativo oferece uma proteção mais eficiente hoje? Veja a opinião de 30 gestoras

11 de Março de 2026, 14:50

A intensificação dos conflitos no Oriente Médio já repercute em alguns estudos do mercado financeiro. Enquanto Estados Unidos, Israel e Irã aprofundam uma guerra ainda sem fim previsto, a produção de petróleo mundial é pressionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Assim, gestores começam a antecipar seus próximos movimentos.

Em uma pesquisa realizada com cerca de 30 gestoras de multimercados que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido, a equipe da série Os Melhores Fundos de Investimento, da Empiricus Research, constatou que há um ativo de proteção preferido pelas casas.

Segundo os gestores, entre os ativos avaliados para uma proteção mais eficiente em um portfólio global diversificado, o dólar americano lidera com 41% das respostas. “A moeda reforça o seu papel como principal ativo de liquidez em momentos de aversão a risco”, comenta Alexandre Alvarenga, um dos analistas da série.

Na sequência petróleo e ouro empatam com 18%, refletindo a percepção de que choques na região tendem a impactar o mercado de energia e aumentar a demanda por ativos tradicionais de proteção, segundo o analista.

Ademais, 73% das gestoras também apontam que as decisões de posicionamento atual estão embasadas de forma tática e temporária. Já os outros 27%, enxergam o movimento dentro de uma mudança mais estrutural de regime.

Juros no Brasil e EUA devem mudar de rota com pressão sobre o petróleo?

Alvarenga salienta que as expectativas das gestoras seguem indicando uma trajetória gradual de queda de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, pelos próximos anos. Nos EUA, as projeções apontam taxas ligeiramente abaixo das estimativas do próprio Federal Reserve, com mediana estável em 3%.

Embora nesta semana as projeções do Boletim Focus, sugiram um ciclo de corte de juros menor, “o cenário sugerido pelas gestoras aponta para queda gradual da taxa nos próximos anos, com estabilização em patamar ainda elevado no horizonte mais longo”, comenta Alvarenga.

  • Contextualizando: A taxa Selic reside em 15,00% a.a atualmente e a projeção atual do Focus é que ela consiga regressar a um patamar de 12,13% ao ano.

Enquanto isso, a expectativa das gestoras para a taxa de juros no Brasil indica uma mediana de 12,00% em 2026. Para 2027 e 2028, as estimativas dos especialistas permanecem estáveis em 10,00%.

Já nos EUA, a taxa de juros atualmente está em torno de 3,75% ao ano. As gestoras enxergam um leve ajuste para baixo no curto prazo, com a mediana das projeções para 2026 recuando de 3,5% para 3,0% – valor abaixo da estimativa mais recente do Federal Reserve (3,6%).

Diante de conflitos no Oriente Médio, apetite por risco evaporou?

A pesquisa mostrou que o viés permanece favorável para bolsas fora dos EUA, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, ainda que com um posicionamento equilibrado considerando uma dinâmica de risco.

Alvarenga observa que há um aumento gradual do orçamento de risco. Assim, a maior parte das gestoras têm deixado uma fatia de 25% a 50% investida em ativos mais arriscados.

Em relação ao mês anterior, entretanto, nota-se um crescimento das estratégias que alocam 75% a 100% nesses ativos, indicando maior apetite ao risco.

Para os próximos seis meses, predomina a expectativa de aumento adicional do risco, seguida das visões de estabilidade. A possibilidade de redução permanece minoritária, ainda que tenha ganhado força se comparada ao mês anterior.

Acompanhe a pesquisa mensal completa no relatório da equipe de Os Melhores Fundos de Investimentos aqui.

Empiricus+: saiba como transformar a visão dos gestores em oportunidades de investimento por apenas 12x de R$ 14,90/mês

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O post Dólar, ouro ou petróleo: qual ativo oferece uma proteção mais eficiente hoje? Veja a opinião de 30 gestoras apareceu primeiro em Empiricus.

Dólar engata 2º dia de perdas e fecha a R$ com possível fim do conflito no Irã no radar

10 de Março de 2026, 17:03

O dólar engatou o segundo dia de perdas consecutivas com a melhora no apetite ao risco externo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar o fim do conflito no Irã nos próximos dias. 

Nesta terça-feira (10), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1575, com queda de 0,13%. 



  • LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se

O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com baixa de 0,26%, aos 98,912 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

A expectativa de cessar-fogo no Irã melhorou o apetite ao risco dos investidores e o dólar, considerado um dos ativos de proteção, manteve a trajetória de queda.

Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode negociar com o Irã, dependendo das condições, em entrevista à Fox News.

Questionado sobre a possibilidade de diálogo com líderes iranianos, Trump afirmou que há sinais de que Teerã deseja conversar. “Estou ouvindo que eles querem muito conversar”.

Na véspera, o chefe da Casa Branca já havia afirmado que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída”.

Em reação, os preços do petróleo Brent, referência para o mercado global, tombaram mais de 10% ao longo do pregão e voltaram a operar abaixo de US$ 90 o barril.

“A sinalização [de Trump] levou a uma forte correção nos preços do petróleo, o que ajudou a reduzir os temores de um choque energético prolongado e de pressões inflacionárias globais. Com isso, a parte da demanda defensiva por dólar perdeu força”, afirmou Bruno Shahini. especialista de investimentos da Nomad.

No Brasil, o real também foi favorecido pela entrada de fluxo estrangeiro.

*Com informações de Reuters

Mercado ganha fôlego com possível fim da guerra; veja o que esperar de Ibovespa, petróleo e dólar no Giro do Mercado

10 de Março de 2026, 16:15

Nesta terça-feira (10), os ativos globais mostram sinais de acomodação, após a forte aversão ao risco que impactou os mercados nas últimas semanas. A sinalização do possível encerramento da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã impulsionou a recuperação das bolsas após as perdas recentes.

No Giro do Mercado desta terça-feira, a jornalista Paula Comassetto conversa com o Lucas Costa, analista técnico do BTG Pactual, sobre os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior.

Nesta manhã, o mercado apresentou um alívio após as quedas da última semana, com incertezas sobre o preço do petróleo e a duração da guerra no Oriente Médio.

“Nos últimos anos, o mercado americano era o mais atrativo para os investidores, mas nos últimos meses aconteceu uma rotação global para países emergentes. Outra mudança veio com o aumento das tensões geopolíticas, o que incentivou a fuga de fluxo e a busca por ativos mais seguros”, explicou Costa.

Outro destaque do dia é a decisão dos ministros de Energia do G7 sobre a liberação conjunta de 300 milhões a 400 milhões de barris de petróleo. A esse respeito, o especialista do BTG afirmou que “hoje o que vemos são as reações da fala do Trump e essas notícias que saíram. Eu costumo trabalhar com alguns níveis de preço que são referências. Entre US$ 76 e US$ 78 é a expectativa de suporte a curto prazo”.

Hoje, o dólar apresentava movimento lateral em relação aos principais pares desenvolvidos, enquanto subia frente ao real. De acordo com Castro, o suporte técnico da moeda americana está em R$ 5, R$ 4,90 e R$ 4,85. Já as resistências são próximas de R$ 5,28, enquanto a média móvel de 200 dias é R$ 5,39.

No cenário doméstico, o Ibovespa (IBOV) subia na manhã desta terça. “Quando olhamos para a tendência de longo e médio prazo, a expectativa é de alta. O Ibov teve uma alta muito forte desde 2025, o que faz com que a visão fique um pouco distorcida. Mesmo com a queda da semana passada, não chegamos próximo da média móvel de 21 semanas”, afirmou o especialista do BTG.

Segundo Castro, ainda que o índice caísse até o patamar de 171 mil pontos, “tecnicamente ele ainda estaria em tendência de alta”.

No mundo corporativo, o GPA (PCAR3) anunciou um pedido de recuperação extrajudicial após firmar acordo com credores que representam R$ 2,1 bilhões em dívidas, com adesão de 46% dos créditos afetados.

*Com supervisão de Renan Sousa.

Vai viajar ao exterior? ETFs e outros ativos que pagam juros em dólar ajudam no planejamento

10 de Março de 2026, 14:09

Para quem pretende viajar ao exterior nos próximos meses, o momento voltou a ficar favorável para a compra do dólar, que caiu de novo para a casa de R$ 5,15, o menor nível em quase dois anos. A moeda americana tem oscilado com força nas últimas semanas diante da Guerra do Irã.

Declarações de Donald Trump de que o conflito pode se estender menos que o esperado têm levado investidores a retomar a atenção a fundamentos. A janela para diversificação internacional voltou a reabrir, mas, como continua muito sensível ao noticiário, pode fechar rapidamente de novo.

De qualquer modo, quem tem de juntar recursos em moeda forte para viajar nos próximos meses pode aproveitar esses momentos de alívio antes de um novo repique.

O turista tem alternativas que vão muito além da compra da moeda física ou em carteiras digitais – as wallets. Há diferentes produtos – de ETFs (fundos passivos de índice) a BDRs de ETFs e mesmo renda fixa em dólar – que podem ser usados para montar uma reserva de viagem.

A melhor estratégia é aplicar regularmente os recursos em produtos que tragam exposição à moeda americana e que tenham alta liquidez.

O ETF USDB11, da Investo, por exemplo, segue um índice com títulos do mercado de renda fixa americana de melhor qualidade (grau de investimento) e prazos intermediários.

O investidor pode ainda aplicar em ETFs do exterior fazendo a aplicação na bolsa brasileira, por meio dos BDRs. Os Brazilian Depositary Receipts são recibos que representam cotas de fundos de índice internacionais. Por meio deles, é possível investir em ETFs de fora, mas na própria plataforma da bolsa brasileira e em reais.

A gestora BlackRock, por exemplo, disponibiliza BDRs de ETFs de renda fixa americana no Brasil. Entre eles estão o BGOV39, que segue o iShares US Treasury Bond ETF, focado em títulos do Tesouro americano com prazos variados; o BSHV39, que replica um índice de títulos do Tesouro americano de curto prazo; e o BLQD39, de títulos corporativos de empresas com grau de investimento.

Investir diretamente lá fora é opção

Outra maneira de montar sua reserva de viagem em dólar é investir diretamente em títulos de renda fixa de curto prazo emitidos pelo governo americano, as T-bills. São papéis com vencimentos entre 4 e 52 semanas, com alta liquidez no mercado secundário, o que permite ao investidor vendê-los rapidamente antes do vencimento se precisar do dinheiro.

Os americanos usam as T-Bills da mesma forma como os brasileiros usam o Tesouro Selic. É nesses papéis, cujas taxas variam hoje entre 3,5% e 3,7% ao ano, que os americanos montam suas reservas de emergência. Eles não são pós-fixados, como os nossos.

Mas, por serem prefixados de prazo curtíssimo, tais ativos tendem a fazer com que o saldo suba constantemente. Esse tipo de aplicação pode ser acessada pelos brasileiros por meio de plataformas de contas globais de empresas como Avenue, Wise e Nomad, entre outras.

ETFs estrangeiros facilitam investimento em dólar

Da mesma forma que é possível investir diretamente nas T-bils por meio de contas globais de investimentos, há a alternativa de ETFs internacionais.

Alguns ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo, por exemplo, mantêm uma carteira com até 80% de alocação em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

O ETF VBILL, da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,54%. Outro fundo, TBLL, da Invesco, nos últimos 12 meses teve rentabilidade de 4,5%.

Existem outros ETFs de títulos curtos do Tesouro americano. Os dois com maior liquidez – facilidade de negociação – além do VBILL são o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill ETF e o iShares 0-3 Month Treasury Bond ETF. As cotas desses ETFs têm sido negociadas por preços entre US$ 75 e US$ 100.

Os Estados Unidos também têm um produto equivalente ao fundo DI no Brasil. No mercado americano esse é o papel do chamado money market. O nome diz tudo: aplicações nesses fundos são consideradas como equivalente a dinheiro em caixa na contabilidade de empresas e instituições.

A remuneração desses produtos segue de perto as taxas de curto prazo definidas pelo banco central americano, o Federal Reserve. Em fevereiro de 2026, estavam em torno de 4,01% ao ano em dólar. O investimento mínimo é de US$ 1 mil.

Outra vantagem de investir para viajar

Essa aplicação em dólar pode trazer um benefício extra: compensar parte da volatilidade ao longo dos meses. Aqui é preciso fazer uma conta para explicar.

Um retorno de 4% ao ano bruto equivale a cerca de 0,33% ao mês. Então, se o dólar recuar 0,33% frente ao real em um mês, o ganho, basicamente, vai zerar essa diferença. Ou, eventualmente, suavizar essa queda.

Por outro lado, qualquer valorização da moeda americana vai se somar ao ganho mensal. Se a divisa dos EUA subir, digamos, 0,5% no mês, significa que sua reserva valorizou 0,88% em reais no período.

E porque o câmbio médio? É uma forma de fazer um “seguro” contra a volatilidade. Se o dólar subir, você vai ter comprado a moeda por um preço médio menor do que esperar até a véspera de embarcar para comprar tudo de uma vez.

Caso a moeda americana recue ainda mais, o preço médio, na prática, reduz a diferença entre o maior e o menor valor no período. Além disso, os juros da aplicação vão atenuar ou até mesmo compensar essa oscilação.

Câmbio pode mudar a qualquer momento

Esperar para comprar tudo de uma vez é uma aposta muito arriscada. A volatilidade pode voltar com força – e de repente – por vários motivos. Esses fatores vão desde incertezas eleitorais, a fatores geopolíticos e até mesmo alguma supresa na política monetária dos EUA e do Brasil.

A boa notícia: a fraqueza do dólar ainda é estrutural, ou seja, vem de fatores que tendem a se manter presentes, pelo menos, ao longo do semestre. No entanto, como não dá para prever o comportamento do câmbio, então vale a pena aproveitar a janela atual mais favorável que pode fechar a qualquer momento.

“O período eleitoral, por exemplo, pode introduzir maior volatilidade ao longo do segundo semestre”, ressalta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

E só para relembrar, a guerra no Irã ainda em andamento tem feito o dólar oscilar com força. Momentos como os da última semana, quando o dólar chegou a tocar os R$ 5,30, podem se tornar mais frequentes daqui para a frente.

Quer outro exemplo? No fim de 2024, as preocupações com a situação fiscal no Brasil pressionaram o real e levaram a cotação da moeda americana a mais de R$ 6,20. E esse cenário de trajetória de alta do endividamento púbico mudou pouco de lá para cá.

O próprio mercado vê o dólar na casa de R$ 5,41 no fim de 2026, segundo a pesquisa Focus, do BC, que faz um levantamento semanal das projeções de analistas e economistas de instituições financeiras.

Guerra no Irã coloca aposta de Wall Street em mercados emergentes à prova

8 de Março de 2026, 15:40

A guerra no Irã deu um golpe em uma das apostas favoritas de Wall Street: os mercados emergentes. Isso não significa que o cenário esteja perdido, mas os riscos aumentaram e continuam se acumulando.

Ações e moedas registraram fortes perdas recentes, com o índice de ações MSCI de mercados emergentes marcando sua maior queda semanal em seis anos, enquanto os rendimentos dos títulos subiram, em um tradicional movimento de busca por proteção.

Até aqui, gestores de recursos de empresas como Pimco, Barings e T. Rowe Price Group afirmam que o argumento de longo prazo a favor dos mercados emergentes permanece intacto. Alguns estão fazendo ajustes pontuais em seus portfólios, enquanto a maioria evita mudanças mais profundas – ao menos por enquanto.

A convicção desses investidores se baseia no que eles veem como os principais motores da alta recente dos emergentes: a busca por diversificação em relação aos ativos dos Estados Unidos, avaliações de preço mais atraentes e crescimento econômico sólido.

A expectativa é que esses fatores voltem a ganhar peso quando o choque geopolítico diminuir e parte do mercado já começa a aproveitar as quedas recentes para ampliar posições. Investidores injetaram US$ 12,6 bilhões em ações e títulos de mercados emergentes na semana até quarta-feira (4), segundo relatório do Bank of America, citando dados da EPFR Global.

Impactos e riscos

Os rendimentos dos títulos em moeda local de mercados emergentes atingiram os níveis mais altos desde abril. A queda das moedas desses países levou investidores a vender esses papéis, o que derrubou seus preços e elevou os juros.

“Estamos esperando mais clareza“, disse Nick Eisinger, chefe de estratégia de crédito soberano de mercados emergentes da J.P. Morgan Asset Management. “Gostamos da história fundamental de muitos emergentes, mas infelizmente os fundamentos não contam muito neste momento, então precisamos que esse choque passe.

Nesse ambiente, a percepção é de que os riscos estão aumentando, com o petróleo Brent superando US$ 90 por barril e o conflito no Oriente Médio se intensificando. A preocupação é que a alta dos preços do petróleo pressione o crescimento econômico em países que dependem de importações de energia.

Ao mesmo tempo, o dólar mais forte – que voltou a ser visto como um ativo de proteção em momentos de turbulência, especialmente frente às moedas emergentes – tende a apertar as condições financeiras globais e reduzir os retornos para investidores nesses mercados.

O J.P. Morgan reduziu suas recomendações para ativos de mercados emergentes três vezes na última semana, à medida que a incerteza aumentou em relação às perspectivas para essa classe de ativos.

Os estrategistas do banco reduziram suas posições otimistas para posição neutra em câmbio e juros locais e passaram a recomendar “subexposição tática” — quando a indicação é vender e permanecer com menos exposição no curto prazo — em títulos soberanos e corporativos denominados em dólar.

Eric Fine, chefe de dívida ativa de mercados emergentes da VanEck Associates, avalia que a queda nas moedas emergentes que abriu oportunidade de compra: a gestora aumentou exposição a países como África do Sul, Colômbia e Chile.

Segundo Fine, muitos mercados emergentes são exportadores de commodities, o que pode beneficiar regiões como América Latina e África Subsaariana em um cenário de preços elevados de matérias-primas.

A Ásia, por sua vez, pode enfrentar desafios econômicos maiores, embora ainda apresente oportunidades de investimento devido à solidez de suas políticas econômicas e à valorização do yuan chinês.

O fator decisivo agora é quanto tempo o conflito vai durar. “Se o mercado começar a estimar que a guerra será mais longa, aumentará também a probabilidade de recessão global”, disse.

Para Samy Muaddi, chefe de renda fixa de mercados emergentes da T. Rowe Price, os fundamentos dos emergentes continuam relativamente sólidos. A preocupação está na combinação de petróleo mais caro e política fiscal mais expansionista nos Estados Unidos, que pode alterar o cenário para taxas de juros globais e aumentar a volatilidade.

“Qualquer coisa que mude as taxas básicas, a volatilidade ou o risco nos mercados acionários tende a afetar os mercados emergentes”, disse. A gestora tem preferido ativos de maior qualidade e maior liquidez, reduzindo exposição a países considerados mais arriscados.

Nos mercados locais, Muaddi afirma que prefere países onde não há eleições importantes nos próximos meses e onde as taxas de juros reais permanecem elevadas, citando México, Romênia e Turquia como exemplos. Segundo ele, a América Latina tende a ser menos vulnerável do ponto de vista das condições financeiras globais e pode se beneficiar de uma rotação de portfólio de investidores internacionais.

Onde está o otimismo?

Se a crise permanecer contida, o ambiente global de crescimento e a convergência entre economias emergentes e desenvolvidas devem continuar favorecendo os ativos desses países. É a visão de Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine Group, para quem o conflito não altera os fundamentos de longo prazo dos emergentes.

“Não estou no grupo que acha que isso muda tudo fundamentalmente e que é hora de sair completamente dos mercados emergentes. Vejo isso muito mais como um choque externo”, disse. “Os mercados emergentes oferecem muito valor e formas diversificadas de investir.”

Campbell afirma que muitos dos movimentos recentes foram provocados pelo desmonte de posições muito populares no mercado, o que pode abrir oportunidades. “Se tivermos mais clareza sobre a situação no Irã, pode ser um excelente momento para voltar a investir em moedas e títulos locais de mercados emergentes.”

Para Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da Pimco, o episódio atual mostra justamente uma das principais fragilidades para a classe de ativos: tensões geopolíticas.

Ainda assim, ele acredita que os emergentes continuam sustentados por fatores estruturais, como maior credibilidade fiscal dos governos, inflação mais controlada graças à atuação dos bancos centrais e maior interesse de investidores globais em diversificar suas carteiras.

“Esse ciclo de mercados emergentes parece mais durável do que altas anteriores, incluindo o ciclo de 2008”, disse.

O efeito dos preços mais altos do petróleo de fato pode prejudicar os países importadores de energia, mas isso vale tanto para economias desenvolvidas, como as emergentes, segundo Ghadir Cooper, chefe global de ações da Barings. Ele acredita que os mercados emergentes seguem apoiados por avaliações atrativas e por ainda estarem sub-representados nas carteiras globais de investimento.

Como os emergentes tiveram desempenho inferior por mais de uma década, o argumento de diversificação ganha força: investidores podem migrar parte de seus recursos de ativos americanos para esses lugares agora.

Ibovespa abre em queda de olho no conflito no Oriente Médio; 5 coisas para saber antes de investir hoje (5)

5 de Março de 2026, 10:30

A incerteza quanto à duração no conflito no Irã deve seguir como ponto focal dos mercados internacionais, influenciando o Ibovespa (IBOV), que começa o dia em queda.

Por volta de 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,44%, aos 184.551,33 pontos. 



O dólar à vista opera em alta ante o real e acompanha o desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, a moeda norte-americana subia a R$ 5,2455 (+0,51%).

O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, voltou a subir aos 98,924 pontos.

Radar do Mercado: 

Day trade: 

5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quinta-feira (5)

1 – Conflito no Oriente Médio

Apesar de na véspera o New York Times ter noticiado o contato entre agentes do Ministério da Inteligência do Irã e a CIA para negociações sobre um possível fim da guerra no Oriente Médio na quarta-feira (4), a tensão deu uma nova escalada nesta manhã.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido um petroleiro norte-americano na parte norte do Golfo e que o navio estava em chamas. A Guarda disse, em comunicado divulgado pela mídia estatal, que, em tempo de guerra, a passagem pelo Estreito de Ormuz estaria sob o controle da República Islâmica.

As defesas aéreas da Otan destruíram um míssil balístico iraniano disparado contra a Turquia na quarta-feira, disse a Turquia, marcando a primeira vez que o membro da aliança que faz fronteira com a Ásia foi envolvido no conflito do Oriente Médio e aumentando a possibilidade de uma grande expansão envolvendo seus aliados do bloco.

O Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, no entanto, negou hoje ter disparado mísseis contra a Turquia, afirmando que a República Islâmica respeita a soberania da “amiga” Turquia, de acordo com um comunicado divulgado pela mídia iraniana.

Ainda nesta manhã, Israel lançou uma grande onda de ataques contra Teerã, visando atingir infraestrutura pertencente às autoridades iranianas, depois que mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correr para abrigos antiaéreos.

Autoridades em Washington estão céticas quanto à possibilidade de o Irã ou o governo de Donald Trump estarem realmente dispostos a uma “saída”, pelo menos no curto prazo.

2 – Petróleo em alta

Os preços do petróleo sobem nesta quinta-feira, prolongando um rali, uma vez que a escalada da guerra entre os EUA e Israel com o Irã interrompeu o abastecimento e o transporte, levando alguns dos principais produtores a reduzir a produção.

O petróleo Brent subia 2,05%, para US$83,07 por barril às 10h25 (horário de Brasília), a quinta sessão de ganhos. O petróleo West Texas Intermediate dos EUA subiu 2,89%, para US$ 76,82.

Duas refinarias de petróleo na China e na Índia fecharam suas unidades de petróleo bruto após a interrupção no abastecimento, já que ambos os países dependem das importações de petróleo bruto do Oriente Médio.

Como resultado da perspectiva de menor oferta nos mercados de combustíveis, os futuros do diesel europeu atingiram seu nível mais alto desde outubro de 2022, a US$ 1.130.

3 – Taxa de desemprego estável

taxa de desemprego brasileira ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, mantendo-se estável em relação ao trimestre móvel de agosto a outubro de 2025, quando também havia marcado 5,4%.

Segundo os dados divulgados pelo IBGE, a população desocupada somou 5,9 milhões de pessoas.

Já na comparação anual, houve recuo de 1,1 ponto percentual, frente aos 6,5% registrados entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, sendo 1,2 milhão de pessoas a menos em busca de trabalho.

Já a população ocupada alcançou 102,7 milhões, mantendo estabilidade frente ao trimestre anterior e registrando alta de 1,7% em um ano, com a criação de 1,7 milhão de ocupações.

nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas empregadas dentro da população em idade de trabalhar, ficou em 58,7%, praticamente estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do observado um ano antes.

4 – Caso Banco Master

Novos desdobramentos do caso Banco Master vieram à tona ontem na terceira fase da Operação Compliance Zero. Pela manhã, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso, com suspeito de comandar uma estrutura privada de vigilância e coerção, denominada “A Turma”, voltada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos da instituição financeira.

Ontem, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’, responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas e ao monitoramento de pessoas, que incluía agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, se suicidou na prisão e entrou em protocolo de morte cerebral.

A Polícia Federal encontrou no telefone de Vorcaro diálogos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ordens do empresário para pagamento a uma pessoa de nome “Ciro”. Por ora, não há uma investigação formal instaurada contra o senador.

5 – Pesquisa Datafolha

Hoje, os investidores também devem acompanhar com atenção a primeira pesquisa Datafolha do ano voltada às eleições de 2026, com cenários da disputa à presidência e aos governo estaduais.

O levantamento trará o nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contra o atual governador paulista, Tarcísio de Freitas, para o cargo do Executivo estadual.

*Com informações de Reuters

O reinado do dólar pode estar chegando ao fim – e o investidor vai precisar se adaptar

22 de Fevereiro de 2026, 10:11

O dólar está em declínio – e os investidores precisam aprender a conviver com isso. Os últimos 12 meses foram difíceis para a moeda americana. O índice do dólar que mede seu valor frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, o DXY, recuou 8% no período, e a lista de preocupações só cresce. 

Entre elas estão a fragmentação do sistema multilateral liderado pelos EUA, o aumento das preocupações com o uso do dólar como instrumento de sanções e bloqueios de ativos, dúvidas sobre a independência do Federal Reserve (Fed), inquietação com os gastos excessivos do governo americano e um reequilíbrio há muito esperado, à medida que crescimento e rendimentos no exterior se tornam relativamente mais atraentes.

Nada disso significa que o dólar vá perder repentinamente seu prestígio, abandonado em uma onda de vendas em pânico. Ele não está prestes a perder seu status de moeda de reserva global, nem a ser substituído de forma súbita pelo yuan chinês ou por qualquer outra moeda. 

Mas o dólar está se tornando menos popular como reserva de poupança, meio de troca comercial e ativo de refúgio. Isso torna a diversificação – por meio de ações e títulos internacionais, especialmente em mercados emergentes – e uma parcela de ouro como proteção, boas alternativas para os próximos anos.

Se investidores individuais e grandes instituições decidirem coletivamente reduzir sua exposição ao dólar, isso deixará marcas. “Parte do privilégio exorbitante dos EUA vai desaparecer”, afirma Daleep Singh, vice-presidente do PGIM e economista-chefe global, além de ex-vice-assessor de segurança nacional no governo Biden. 

O custo dessa perda de brilho pode incluir custos mais altos de financiamento, menor capacidade de absorver choques financeiros e menor poder de aplicar sanções. O dólar sempre foi mais poderoso do que o tamanho da economia americana sugeriria. Sua participação nas reservas globais e nas emissões internacionais de dívida varia entre 60% e 80% – o equivalente a duas ou três vezes a fatia dos EUA na economia mundial. 

Durante anos, críticos argumentaram que essa primazia seria corroída. Não foi. Não havia alternativa. Isso começou a mudar há mais de uma década, quando a China passou a reduzir sua dependência do dólar, diversificando reservas em ouro e promovendo maior uso do yuan. 

Ponto de mudança

Mas o verdadeiro impulso veio com a invasão da Ucrânia pela Rússia e as sanções e congelamentos de ativos que se seguiram. A instrumentalização do dólar levou bancos centrais a reduzir parte de suas posições e aumentar reservas em ouro. 

A pressão do presidente Donald Trump para anexar a Groenlândia e suas constantes ameaças tarifárias também abalaram aliados europeus e sua confiança nos EUA, forçando-os a considerar alternativas.

Pense nisso como uma “demissão silenciosa”, e não como um frenesi de “Sell América”. Em vez de liquidar títulos do Tesouro em massa, muitos bancos centrais estão deixando seus papéis vencerem e substituindo-os por ouro. Muitos investidores também estão reduzindo o risco de duration nos EUA, migrando para títulos de prazo mais curto.

Uma colagem com elementos financeiros mostra um executivo de costas, uma mão oferecendo cem dólares, e duas mãos com uma calculadora e gesto de decisão, sobre símbolos de cálculos.
Ilustração: Daniela Arbex

Nos dois últimos meses de 2025, os fluxos líquidos para fundos de ações de mercados emergentes totalizaram US$ 70,8 bilhões, enquanto os fundos de ações americanas captaram US$ 43 bilhões.

Em janeiro, os fundos de ações dos EUA registraram saídas líquidas de US$ 34 bilhões, enquanto fundos internacionais captaram US$ 31 bilhões e emergentes receberam US$ 15 bilhões.

A mudança mais relevante ocorreu entre bancos centrais. O ouro deve representar um quarto das reservas globais ao fim de 2025, ante 10% em 2017. China, Turquia e Rússia lideram esse movimento.

Diversificação

A participação do dólar nas reservas caiu para cerca de 57%, ante 64% em 2017. Países também passaram a utilizar mais o yuan em financiamentos comerciais e investimento direto na China. Ainda assim, os controles de capital chineses dificultam que o yuan se torne um verdadeiro concorrente como moeda de reserva.

Mas diversificação não significa desdolarização. “Diversificação e fraqueza do dólar não devem ser confundidas com o fim do dólar”, afirma Joyce Chang, chefe global de pesquisa do J.P. Morgan.

Mesmo assim, a diversificação altera o comportamento dos ativos. Durante décadas, investidores estrangeiros podiam contar com a valorização do dólar em momentos de estresse, compensando perdas em ações americanas. Essa correlação começou a mudar.

Isso leva investidores a rever estratégias de hedge. Fundos de pensão com grande exposição a ações dos EUA estão repensando o risco cambial.

A expectativa de alguns estrategistas é de um ciclo de baixa de vários anos para o dólar, citando fragmentação de alianças e preocupações com dependência de cadeias produtivas.

Ilustração: João Brito

Ao mesmo tempo, condições econômicas fora dos EUA começam a melhorar. A Alemanha planeja investir 1 trilhão de euros em defesa e infraestrutura até 2035. O Japão busca reformas estruturais após vitória eleitoral robusta. 

Mercados emergentes combinam cortes de juros, reformas pró-negócios e boom de commodities. Os lucros em emergentes devem crescer 29% este ano, mais que o dobro do esperado nos EUA.

O dólar ainda pode ter períodos de força, especialmente se os EUA elevarem juros ou se tensões geopolíticas diminuírem. Além disso, a moeda segue próxima ao meio da faixa histórica das últimas três décadas — longe de qualquer colapso.

Ainda responde por mais de 90% das transações globais de câmbio e permanece a moeda dominante em mercados líquidos. Mas a dependência global diminuiu. O prêmio exigido para manter Treasuries longos subiu para cerca de 1,25 ponto percentual.

Para investidores, isso significa olhar além dos EUA. Fundos globais amplos, ETFs de mercados emergentes e exposição a títulos internacionais ganham relevância.

O ouro se tornou o sinal mais claro dessa mudança. Alguns estrategistas projetam que, se a alocação global subir modestamente, o metal poderia alcançar US$ 6.000, US$ 8.500 ou até US$ 10.000 até o fim da década.

Talvez não seja um movimento de “Sell América”. Mas, após décadas de domínio do dólar, pode ser hora de comprar mais fora dos EUA.

Escreva para Reshma Kapadia em reshma.kapadia@barrons.com

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Bolsa já sobe 46% em 12 meses com a entrada de estrangeiros. Entenda o que traz o dinheiro de fora para cá

23 de Janeiro de 2026, 16:17

Os investidores estrangeiros já aportaram R$ 12,3 bilhões nas ações brasileiras. O movimento é tão forte que já equivale a quase metade do dinheiro que entrou na bolsa no ano passado, de R$ 26,7 bilhões – na contabilidade líquida, ou seja, o tanto que as entradas superam as saídas. Esse é o grande motivo para o Ibovespa ter rompido recorde após recorde nesta semana, já na faixa dos 179 mil pontos.

Em apenas cinco pregões, o principal índice da B3 subiu 8%, impulsionado pelo movimento das maiores empresas da bolsa – caso da Vale, que também chegou aos picos históricos. No ano, alta já soma 11%. Em 12 meses, 46%.

Enquanto isso, o dólar permaneceu abaixo dos R$ 5,30, nos menores níveis desde novembro do ano passado.

No fechamento de hoje, o Ibovespa avançou 1,86%, aos 178.858 pontos. O dólar encerrou perto da estabilidade, a R$ 5,2865.

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Os estrangeiros estão fazendo a festa no Brasil porque o país é um dos mais líquidos entre os mercados emergentes e, em especial, na América Latina. Em um momento de alta procura por diversificação internacional, são os ativos brasileiros que entram na rota dos recursos internacionais.

Esta semana em especial foi propícia à demanda por ativos considerados mais arriscados. Donald Trump deu um passo atrás no “caso Groenlândia” ao dizer que não aplicaria as tarifas e que não tomaria o território à força. Com menos aversão nos mercados globais, a porteira abriu-se de novo aos emergentes, com mais intensidade.

Mas já faz tempo que uma parte do dinheiro de fora busca outros portos fora dos EUA. O EEM – ETF ligado ao iShares MSCI Emerging Markets, principal indicador das bolsas dos países emergentes – acumula ganhos acima de 7% no ano. Em 12 meses, 38%.

No mesmo período, o S&P 500 soma apenas 13%. Um sinal de que a apostas nas big techs, o motor das bolsas americanas, já não é tão intensa.

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Mas nada disso significa uma migração em massa de capital – das bolsas americanas para as da periferia do planeta, como a nossa. Para os estrangeiros, a quantidade de recursos remetida aos emergentes é muito pequena em relação ao que flui todos os dias em Nova York. Para bolsas como a nossa, porém, é um caminhão de dinheiro, capaz de mexer de forma significativa com os preços.

Essa procura por diversificação fora dos EUA explica a demanda pela moeda brasileira nesse momento, em um ambiente de enfraquecimento generalizado do dólar contra outras divisas globais. Do fim de dezembro para cá, o dólar já acumula baixa de 3,5% ante o real.

O desempenho do mercado de bolsa também destoa dos juros dos títulos públicos, justamente porque a justificativa para a disparada das ações é o movimento estrangeiro.

Do lado doméstico, o nível de “prêmio” (ou retorno a mais) exigido pelos investidores para comprar títulos de dívida do governo ainda é muito alto por questões domésticas sensíveis, caso das contas públicas e da proximidade das eleições presidenciais.

Mesmo assim, esse mercado vive um certo alívio. As taxas de juro real (acima da inflação) do Tesouro IPCA+2040 caem de 7,37%, taxa de fechamento de ontem, para 7,30% nesta sexta. AInda nos patamares da história. Mas, ainda assim, trata-se da maior queda no ano.

Volatilidade: como o ‘caso Groenlândia’ pode atrapalhar sua vida financeira

19 de Janeiro de 2026, 15:17

As novas ameaças comerciais de Donald Trump, agora parte do “caso Groenlândia“, voltaram a elevar a incerteza global.

Ao usar as tarifas comerciais como instrumento de pressão geopolítica, o presidente reforça um padrão já conhecido: quando a previsibilidade some, a volatilidade aumenta e a direção dos mercados se torna mais difícil de antecipar.

A experiência recente ajuda a ilustrar esse efeito. No anúncio do primeiro tarifaço, no ano passado, a volatilidade disparou e os investidores concentraram perdas justamente em ativos amplamente presentes nas carteiras, como ações, crédito e moedas de mercados emergentes, como a nossa.

Basta observar o comportamento do S&P/B3 Ibovespa VIX, índice que mede a volatilidade implícita do principal indicador da bolsa brasileira. Em termos simples, o indicador mede o grau de dispersão dos preços em relação ao seu comportamento médio esperado. Ele mostra o quanto o mercado vem se mostrando cada vez mais sensível a temas políticos e geopolíticos, dentro e fora do Brasil.

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Volatilidade, vale lembrar, não é apenas pressão negativa sobre os preços, mas a expressão da incerteza. Ela mede o grau de afastamento dos ativos em relação ao comportamento esperado diante de choques de informação e mudanças de percepção. Por isso, enfrentá-la não significa tentar prever o próximo movimento, mas estruturar o portfólio com ativos descorrelacionados antes que os choques ocorram.

“Dinheiro é rei”: liquidez como proteção estratégica

O ditado financeiro “cash is king” não se refere apenas a ter dinheiro parado, mas à capacidade de manter liquidez com baixo risco, algo essencial em ambientes de incerteza elevada, como o atual. Em ciclos de maior volatilidade, o valor da liquidez aumenta porque ela preserva opcionalidade: permite reagir rapidamente, seja para aproveitar distorções de preço, seja para amortecer perdas em outras classes de ativos.

Por isso, essa parcela do portfólio deve estar alocada em instrumentos de baixo risco de crédito, baixa volatilidade e alta previsibilidade. No Brasil, esse papel é cumprido de forma eficiente pelos títulos públicos pós-fixados, com destaque para o Tesouro Selic.

Trata-se de um ativo que carrega essencialmente o risco soberano, acompanha a taxa básica de juros e apresenta mínima sensibilidade a oscilações de mercado. Ele não é desenhado para gerar retornos extraordinários, mas para proteger capital, funcionar como reserva de emergência e servir como fonte de recursos para realocações táticas quando surgem oportunidades em ativos mais arriscados.

Títulos públicos dos EUA

Com a popularização das plataformas de investimento no exterior, o investidor brasileiro passou a ter acesso direto a ativos que historicamente cumprem um papel central na diversificação global de risco, como os títulos da dívida americana (Treasuries).

Mesmo em um ambiente de maior ruído político nos Estados Unidos, intensificado por decisões imprevisíveis da atual administração, o mercado americano continua sendo o mais profundo, líquido e institucionalmente robusto do mundo. Isso confere aos Treasuries um status singular: em momentos de estresse global, eles tendem a ser vistos como porto seguro, atraindo fluxo de capital justamente quando ativos de risco sofrem.

Do ponto de vista técnico, títulos de vencimento mais curto são preferíveis nesse contexto. Eles apresentam menor risco de duração, menor sensibilidade às oscilações de juros e funcionam quase como um “estacionamento” de capital em moeda forte, preservando valor com baixa volatilidade.

Esse comportamento explica por que Treasuries frequentemente se movem em sentido oposto a ativos como ações, crédito privado ou mercados emergentes, atuando com posição estratégica: um elemento estabilizador do portfólio na combinação com as demais classes.

O papel do dólar: a força da assimetria

O mesmo raciocínio se aplica ao dólar. À primeira vista, pode parecer contraditório investir na moeda americana em um momento em que há questionamentos sobre a liderança global dos EUA e maior busca por alternativas fora do país. No entanto, essa análise ignora um ponto crucial: a assimetria estrutural entre o real e o dólar.

O real é uma moeda de país emergente, altamente sensível a ciclos globais de liquidez, percepção de risco fiscal local, fluxo de capital estrangeiro e choques políticos e institucionais.

Já o dólar, apesar de suas fragilidades, segue sendo a principal moeda de reserva, de comércio e de financiamento global. Em períodos de aversão ao risco, o movimento típico não é a fuga do dólar, mas sim a fuga para o dólar, especialmente contra moedas emergentes.

Por isso, manter exposição cambial ao dólar não é uma aposta direcional, mas uma estratégia de hedge. Historicamente, ele tende a se valorizar justamente quando ativos locais e mercados mais arriscados sofrem, cumprindo um papel anticíclico dentro da carteira.

Por que não outras moedas?

É legítimo questionar se outras moedas fortes poderiam cumprir a mesma função. A resposta é: nem sempre.

A relação entre o real e o dólar é muito mais direta e estrutural do que com outras divisas. Além disso, nem todas as moedas têm mercados tão profundos e líquidos, nem todas funcionam como refúgio em crises globais e algumas são altamente correlacionadas com ciclos regionais específicos.

Isso faz com que o dólar continue sendo, na prática, a principal ferramenta de diversificação cambial para o investidor brasileiro.

Ouro: proteção contra risco sistêmico e geopolítico

O aumento da demanda por ativos clássicos de proteção recoloca o ouro no centro das estratégias defensivas. Diferentemente de moedas e títulos, o metal precioso não depende de governos, políticas monetárias ou sistemas financeiros para preservar valor.

Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes, uso crescente de sanções financeiras, questionamentos sobre a neutralidade do sistema financeiro internacional, o ouro passa a ser visto como um ativo “fora do sistema”, o que explica a forte demanda recente.

Esse movimento não é exclusivo dos investidores privados. Bancos centrais ao redor do mundo vêm aumentando suas reservas em ouro e reduzindo exposição ao dólar. A lógica é simples: reservas concentradas em títulos públicos estrangeiros podem ser congeladas ou confiscadas em cenários de conflito político — como ocorreu com a Rússia.

A China lidera esse processo justamente por enxergar o risco de depender excessivamente de ativos financeiros denominados em dólar. Se governos e bancos centrais estão buscando proteção fora do sistema tradicional, é razoável supor que o ouro ainda tenha papel relevante como hedge e potencial de valorização em um mundo mais fragmentado e instável.

Mercados hoje: Livro Bege, inflação ao produtor nos EUA e varejo em foco

14 de Janeiro de 2026, 07:43

Bom dia!
A quarta-feira começa com os mercados globais atentos a dados econômicos que podem ajudar a desenhar o panorama de inflação e atividade, especialmente nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a agenda tem indicadores de produção industrial e fluxo cambial, em um dia em que o noticiário externo dita o tom. Vamos aos principais pontos.

Enquanto você dormia…

  • O mercado externo acordou alinhado com a expectativa por indicadores que ajudam a compor a fotografia da economia americana;
  • Futuros de NY: S&P, Nasdaq e Dow Jones operam em leve queda;
  • Europa e Ásia: bolsas europeias avançam moderadamente, com investidores à espera de desdobramentos dos protestos contra o governo no Irã e do embate entre o presidente americano, Donald Trump, contra a Dinamarca para “comprar” a Groenlândia, rica em minerais; o índice Nikkei do Japão renovou máximas, enquanto outras bolsas encerraram em leve queda.
  • Dólar (DXY) oscila em leve queda; petróleo WTI (EUA) e Brent (Reino Unido) operam em alta; ouro avança acima dos US$ 4,6 mil a onça.

Destaques do dia

  • Os investidores têm hoje três grandes focos externos: o Livro Bege, relatório do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) que reúne percepções qualitativas sobre a economia nos 12 distritos americanos; os dados de inflação ao produtor (PPI) e de vendas no varejo nos EUA, que são monitorados de perto pelo Fed para calibrar avaliação de preços e demanda;
  • E daí? Esses indicadores oferecem pistas sobre a saúde do consumo, pressões de preços e ambiente de crédito nos EUA, fatores que influenciam expectativas para os juros no país e podem mover dólar, juros e ações globalmente. Uma economia mais aquecida pode fazer o BC americano ficar ainda mais cauteloso pelo risco de uma nova pressão inflacionária.

Giro pelo mundo

  • Livro Bege em foco: o relatório qualitativo do Fed é publicado hoje, com percepções regionais sobre atividade econômica, emprego e preços que podem influenciar a visão sobre juros;
  • Inflação PPI e varejo: dados americanos de preços ao produtor e vendas no varejo ajudam a completar o quadro de inflação e consumo, antes do Livro Bege.
  • Balanços de bancos: após o J.P. Morgan, mercados aguardam balanços de Bank of America, Wells Fargo e Citigroup antes da abertura em Nova York.
  • Independência do Fed: ainda no foco do mercado está a pressão de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell. O republicano tem interesse que o Fed corte os juros mais rápido, enquanto a autoridade monetária defende sua posição técnica.

Giro pelo Brasil

  • Produção industrial regional: o IBGE divulga hoje pela manhã a produção industrial de novembro por região, dado importante para avaliar atividade econômica local.
  • Fluxo cambial semanal: também hoje sai o relatório de entradas e saídas de capital, indicador relevante para câmbio e confiança estrangeira.
  • Nova ofensiva: a polícia federal realiza hoje mais uma operação de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio à investigação de fraudes envolvendo a instituição financeira. O ex-banqueiro está em prisão domiciliar.

Giro corporativo

  • Amil: no mercado de planos de saúde mais populares, empresa bate de frente com Hapvida. A Amil liderou o ganho de novos beneficiários em 2025 em produtos de tíquete mais baixo e grande volume, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Neogrid: companhia suspendeu temporariamente o processo de registro da sua oferta pública de ações (OPA) para aquisição do controle e deslitagem da empresa. A decisão ocorreu após a gestora L4acionista minoritária, contestar o preço de R$ 29 por ação oferecido pelo grupo Hindiana para a aquisição da empresa.
  • Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, está estruturando um fundo de infraestrutura para captar até R$ 300 milhões para investir em concessões rodoviárias.

Agenda do dia

  • 09:00 — Produção industrial regional (Brasil) — indicador de atividade local por região do IBGE.
  • 10:30 — Inflação ao produtor e vendas no varejo (EUA) — pistas sobre dinâmica de preços e consumo.
  • 14:30 — Fluxo cambial semanal (Brasil) — revela movimentos de capital na conta financeira e comercial, relevante para câmbio e juros.
  • 16:00 — Livro Bege (Fed) — conjunto de avaliações qualitativas sobre economia americana.

Bons negócios!

Emprego nos EUA e IPCA no Brasil: como os novos dados mexem com os seus investimentos

9 de Janeiro de 2026, 12:13

Dois dados divulgados nesta sexta-feira (9) ajudaram o mercado a recalibrar as expectativas para os juros e, por consequência, para todo tipo de investimento.

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) mostrou uma economia que perde fôlego, mas sem sinais unânimes de fraqueza. No Brasil, um IPCA mais comportado abriu espaço para apostas mais firmes em cortes da Selic. Esse ajuste apareceu primeiro na chamada curva de juros, onde o mercado precifica o custo do dinheiro no futuro.

Na bolsa de valores, tudo se negocia, inclusive o futuro da taxa básica de juros. É para isso que existem os contratos de juros futuros, que têm vários vencimentos justamente para capturar as perspectivas para a Selic em diferentes horizontes. E, se a Selic reage a dados e estimativas do mercado, com esses contratos não seria diferente – e por isso, hoje, as informações novas sobre o mercado de trabalho nos EUA e inflação por aqui pautou o desempenho desses ativos.

Primeiro, o que aconteceu. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2028 saíram de 13,02% para 13,07%, enquanto os contratos para 2029 avançaram de 13,01% para 13,06%.

Nos vértices de médio prazo, o movimento foi de queda uma parte do dia, mas, no fechamento, o desempenho teve uma pequena mudança: os contratos para 2033 saíram de 13,5% para 13,51%, enquanto a taxa do contrato para 2035 ficou praticamente estável.

Esse cenário conta a seguinte história: a pressão para uma Selic em alta, sem cortes profundos, se mantém nos próximos meses. Ou seja: bom para ativos que acompanham o CDI (que segue a taxa básica); ruim para títulos prefixados de curto prazo do Tesouro Direto. Se você tem eles na carteira, seu saldo cai quando a expectativa de juros no horizonte próximo sobe.

Na outra ponta, a dos juros longos caindo – como aconteceu durante boa parte do dia hoje –, é bom para os títulos de prazo mais longo (caso da maior parte dos IPCA+). A expectativa de juros menores para a próxima década, ditada pelo mercado de juros futuros, tende a fazer com que eles valorizem – ainda que de forma branda, já que a queda nos juros futuros está moderada.

Agora, o que está movimentando esse mercado? Resposta: o IPCA, a inflação “oficial” do Brasil, que veio abaixo do esperado em dezembro, fechando o ano dentro da meta do Banco Central. Boa notícia: inflação controlada eleva ainda mais as apostas de um corte da Selic no primeiro semestre, como acreditam (e esperam) os investidores.

Ok. Mas isso explicou o desempenho de uma parte do mercado – o dos títulos mais longos, que estavam caindo. Por que o jogo virou e esses contratos subiram junto com os demais?

Resposta: por causa do movimento dos títulos da dívida americana de curto prazo (Treasuries), de dois anos. O dia começou com um movimento mais modesto e ganhou força na reta final do dia: a taxa saiu de 3,501% no começo da tarde e foi para 3,536%. E essa alta acompanha a tentativa dos investidores de ajustarem suas perspectivas para o futuro da taxa de juros nos EUA, ditadas pelo payroll.

Duas leituras convivem nesse momento: de um lado, a criação de postos de trabalho veio abaixo do esperado; mas, de outro, a taxa de desemprego caiu e os salários aumentaram. É por isso que os juros futuros lá fora sobem: se a atividade perdeu força, mas não tanto a ponto de esfriar a inflação, o saldo ainda é favorável a um juro maior.

Ou seja, nos EUA, a expectativa é que postura do banco central deve continuar sendo mais cautelosa, sobretudo depois de uma sequência de cortes desde setembro de 2025. A leitura geral é de que os juros serão mantidos nos atuais níveis, e não elevados, mas o espaço para cortes como se viu antes não é mais unanimidade.

Mercados hoje: relatório de emprego nos EUA e inflação no Brasil orientam os negócios

9 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados começam o dia à espera dos dados do payroll, o relatório de emprego dos EUA que traz informações da taxa de ocupação do país, além da dinâmica de salários e horas trabalhadas. Depois de outros duas divulgações sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta semana – o ADP e o Jolts –, investidores esperam uma menor abertura de vagas em dezembro. No Brasil, as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo IPCA, com expectativa de um recuo para 4,30%, dentro da meta estabelecida.

Enquanto você dormia…

  • O viés dos mercados no exterior é levemente positivo, mas ainda em modo cautela antes do principal dado do dia nos EUA.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve alta.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias sobem de forma mais ampla, puxadas por ações de energia, mineração e tecnologia; na Ásia, os mercados fecharam em alta, estendendo o rali recente em Wall Street.
  • Dólar (DXY) em leve alta e petróleo sobe, mas sem movimentos bruscos, ainda resiliente às questões geopolíticas; minério de ferro oscila em queda, após máximas recentes e observando a inflação na China.

Destaques do dia

  • O payroll dos Estados Unidos está no centro das atenções hoje, com consenso projetando criação de cerca de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%. A leitura será crucial para as expectativas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
  • No Brasil, o IPCA de dezembro, o índice oficial de inflação, está no calendário e pode influenciar o debate doméstico sobre juros e consumo.
  • E daí? Esses dois indicadores — um externo e um doméstico — pintam o quadro macro para o futuro do juro básico. Com uma economia perdendo força e um mercado de trabalho mais fraco, a inflação tende a cair e, com isso, elevar ainda mais as apostas de corte de juros.

Giro pelo mundo

  • Payroll em foco: mercado de trabalho dos EUA segue como principal ponto de atenção antes da divulgação de amanhã, com reflexos em juros e dólar.
  • Suprema Corte dos EUA: autoridade discute a legalidade das tarifas comerciais globais do presidente americano Donald Trump.

Giro pelo Brasil

  • Inflação na pauta: o IPCA de dezembro vai ajudar a reforçar ou a esfriar a trajetória de controle da inflação em relação à meta, de 3%, com teto em 4,5% ao ano.
  • Narrativas políticas continuam ecoando no mercado, agora com o governo decidindo que os Estados e municípios deverão cobrir o rombo dos fundos de previdência do Master. A novela sobre a anulação ou não da decisão do Banco Central de liquidar a instituição segue no radar.

Giro corporativo

  • GPA anunciou a renúncia de Rafael Russowsky dos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. A função será acumulada interinamente pelo novo CEO, Alexandre Santoro, em meio a planos de corte de custos e reestruturação interna.
  • Alphabet supera Apple em valor de mercado: a controladora do Google ultrapassou a Apple e virou a segunda empresa mais valiosa do mundo em capitalização, depois da Nvidia, refletindo o papel crescente da tecnologia no mercado global.
  • Política alimentar nos EUA pode beneficiar carnes brasileiras: uma nova diretriz nos Estados Unidos favorece o consumo de proteína vermelha, o que pode representar um cenário de demanda para exportadoras como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
  • O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas empresas terem fracassado.

Agenda do dia

  • 9:00 – IPCA (Brasil)
  • 10:30 – Payroll (EUA)
  • 10:30 – Construção de novas casas (EUA)

Mercados hoje: dados de emprego nos EUA e política brasileira movimentam os negócios

7 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados acordam à espera dos dados de emprego nos Estados Unidos. Relatórios de emprego e desemprego serão divulgados ainda pela manhã, com potencial de ditar o rumo dos ativos lá fora e também no Brasil, onde a agenda é marcada pelo fluxo cambial e por temas políticos. Vamos aos pontos principais para abrir o pregão.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global operou com pouca direção clara, em compasso de espera pela agenda de dados.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve queda.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias próximas da estabilidade; Ásia fechou também encerrou com os índices se movendo sem direção definida antes da leva de indicadores econômicos.
  • Dólar (DXY) em leve queda; petróleo e minério de ferro estáveis.

Destaques do dia

Emprego nos EUA é o grande termômetro
O grande destaque externo do dia são os dados de emprego dos Estados Unidos. Às 10h15 sai o relatório de emprego privado da ADP de dezembro, seguido mais tarde pela pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade.

E daí? Emprego mais forte significa inflação potencialmente mais forte, e isso tende a diminuir expectativas de cortes de juros. Nesse cenário, os investidores se afastam de ativos de risco, enquanto dados mais fracos fazem o caminho contrário.

Giro pelo mundo

  • ADP e JOLTS em foco: indicadores do mercado de trabalho americano são vistos como prévia do payroll, o mais importante relatório de emprego e desemprego, e podem balizar decisões de política monetária.
  • Fed em cena: Michelle Bowman, dirigente do Fed, participa de evento hoje à noite, com possíveis comentários a mercado.
  • PMIs e inflação ao redor: leituras recentes e posteriores de atividade e inflação ajudam a compor o quadro de crescimento global esperado.

Giro pelo Brasil

  • Fluxo cambial semanal: números aguardados hoje devem dar pista sobre fluxo de capital, que é importante para câmbio e juros.
  • Agenda política no radar: movimentos políticos em Brasília podem ganhar importância para o clima de risco no curto prazo. Entre os eventos recentes, o PT ingressou com ações judiciais contra políticos de oposição que ligaram o partido e o presidente Lula ao narcotráfico nas redes, adicionando ruído no cenário.
  • Cenário eleitoral em movimento: Marina Silva descartou disputar a Câmara, mas uma eventual candidatura ao Senado dependerá de articulações com o ministro Haddad, o que pode movimentar expectativas sobre o ambiente político.

Giro corporativo

  • Petrobras e Foz do Amazonas: a Petrobras anunciou a interrupção temporária da perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, após a detecção de um vazamento de fluido em uma tubulação auxiliar. A ocorrência volta a chamar atenção para os desafios ambientais e regulatórios associados à exploração na região, vista como uma das principais apostas da estatal para ampliar sua produção no futuro.
  • Batistas e a Venezuela: o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tem no geólogo Ricardo Savini — CEO da Fluxus, empresa controlada pelo grupo — um nome chave na estratégia de explorar oportunidades no setor de óleo e gás da Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
  • BYD acelera planos no Brasil: a montadora chinesa negocia a estreia de seus modelos em grandes locadoras e investe na expansão de sua rede de carregadores ultra-rápidos, aprofundando sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados e intensificando a concorrência local.

Agenda do dia

  • 09:15: Emprego privado (ADP, EUA) — prévia da criação de vagas no setor privado.
  • 12:00: JOLTS (EUA) — vagas e rotatividade de emprego, outro componente importante do mercado de trabalho.
  • 14:30: Fluxo cambial semanal (Brasil) — indicador de entrada e saída de capital no país, relevante para câmbio e juros

Bons negócios!

Petrobras? Não. Por que a Aura Minerals reaparece no radar com aumento dos riscos geopolíticos

6 de Janeiro de 2026, 16:27

O petróleo mal se mexeu após o ataque dos EUA à Venezuela, mas o mercado segue em estado de alerta. Para o investidor brasileiro, é natural que a atenção se volte à Petrobras, mas há um nome menos óbvio que pode ser atingido – e para o bem – por esse novo equilíbrio geopolítico: a Aura Minerals.

A Aura é uma mineradora de ouro. O ouro subiu 65% no ano passado – e a tendência é que a escalada continue. Depois do ataque americano ao governo venezuelano e da retirada de Nicolás Maduro do poder, o mercado rapidamente reagiu para um movimento de procura por ativos considerados defensivos – e o ouro subiu 2% em seguida.

É aquela coisa: quando não se sabe o que vai acontecer, o melhor é já ter uma proteção na carteira. Vale para um grande investidor, como vale para você.

Do lado “macro”…

Na frente macroeconômica, o grande ponto é: o ouro deve seguir avançando nesse ano. Os riscos geopolíticos, que eram apenas “risco” há um tempo, cresceram: agora, eles se tornaram um medo recorrente com a escalada das tensões na América Latina. Lembrando: em um mundo que já enfrenta conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Junto disso vem a deterioração das contas públicas em várias economias e o temor de pressões inflacionárias, que reforçaram o status do metal como instrumento de proteção.

Não só entre investidores. O ouro conta com um comprador sólido: bancos centrais. Eles vêm recorrendo ao ouro como alternativa para diversificar reservas além do dólar.

O ouro, afinal, não é imune a crises geopolíticas. Para a China, por exemplo, não interessa ter só dólares em suas reservas internacionais. Em última instância, eles podem ser confiscados pelos EUA – como aconteceu com a Rússia –, já que ficam na forma de títulos públicos. Logo, o país de Xi Jinping tem trocado paulatinamente suas reservas em dólar por ouro. Com o caso da Venezuela, o caldeirão geopolítico ganha mais temperatura. E o jogo fica mais favorável para o metal amarelo.

A China não está sozinha, claro. Turquia, Polônia, Cazaquistão e até o Brasil estão entre os maiores compradores. Não só por “medo de confisco”, mas porque a dívida americana está no maior nível desde 1946 (120% do PIB). Isso tira confiança no dólar – os EUA podem imprimir moeda para pagar, gerando inflação e corroendo o valor da moeda. Não dá para imprimir ouro. Logo, os bancos centrais correm para o metal amarelo.

A perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos – que no fim do ano passado virou realidade – também tornou o metal mais atrativo. Um corte de juros reduz o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Para este ano, muitas casas já trabalham com um cenário em que o ouro possa perder um pouco de força, mas sem afetar o ciclo atual do metal, que é de alta, consolidado na faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil a onça (o equivalente a 31 gramas).

…e do lado “micro”

Depois de ser negociada na bolsa do Canadá, a Aura Minerals estreou na Nasdaq em julho de 2025, de olho em um aumento da liquidez de seus papéis. De lá para cá, teve enorme valorização na bolsa americana – e o BDR, a “versão brasileira” da ação lá fora, acompanhou o desempenho.

O que explica o descolamento do BDR da ação em Nova York é a variação do ouro, que foi mais relevante que a do câmbio e é melhor capturada pela ação diretamente lá fora.

Toda essa euforia é resultado da leitura sobre o momento operacional da empresa. Na frente de volumes produzidos, o crescimento estimado é de 39% em 2026 na comparação anual, segundo cálculos do BTG Pactual. O impulso deve vir sobretudo do aumento de produção na mina de Borborema (RN) e da plena atividade da mina de Serra Grande (GO).

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Os papéis estão entre os mais “esticados” da bolsa, quer dizer, avaliados como caros no comparativo com outras companhias de mineração – Vale, CSN Mineração e Usiminas entre os mais importantes. Ainda assim, partindo da premissa que o ciclo do ouro vai permanecer, a expectativa é de que a Aura apresente uma forte geração de caixa.

O fluxo de caixa livre – o dinheiro que sobra após os investimentos para manter e expandir as operações – equivaleria a aproximadamente 11% do valor de mercado. É um nível elevado, que indica que, em um único ano, a empresa gera caixa correspondente a mais de um décimo do que o mercado paga hoje por ela. Um fluxo de caixa forte estimula a compra do papel, portanto, porque representa um percentual muito grande do preço da ação.

Além disso, a Aura seria avaliada a cerca de 3,9 vezes o Ebitda (uma medida de lucro operacional) projetado para 2026, também nas contas do BTG. Essa é uma métrica calculada dividindo-se a dívida líquida pelo Ebitda e expressa quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em linhas gerais, níveis abaixo de 2 vezes são considerados mais saudáveis, mas empresas com operações mais alavancadas pode acabar operando com relações mais altas.

O papel também negociaria com “desconto” em relação ao valor de seus ativos, já que o múltiplo que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial (P/NAV) é de 0,68 vez. Ou seja: o mercado ainda atribui à companhia um valor inferior ao das minas e projetos que ela tem.

Por fim, a empresa teria capacidade de sustentar um dividend yield na faixa de 7% a 8%, ou seja, um retorno anual em dividendos equivalente a esse percentual do preço da ação, desde que mantidas as atuais condições de geração de caixa.

Investir em dólar em 2026 faz sentido para os brasileiros?

26 de Dezembro de 2025, 10:39

Fazer previsões sobre investimentos internacionais e dólar nunca é simples – e fica ainda mais difícil quando o cenário reúne incertezas sobre juros, conflitos geopolíticos e eleições no Brasil. Ainda assim, alguns sinais começam a se desenhar e podem ajudar o investidor a pelo menos calibrar decisões para 2026.

O principal é o enfraquecimento do dólar no cenário global. Há certo consenso entre as casas de análise de que a moeda americana tende a perder valor. Não por acaso, bancos centrais vêm aumentando a parcela de ouro em suas reservas, em detrimento do dólar. Três fatores ajudam a explicar esse movimento:

Juros: boa parte do mercado trabalha com a hipótese de cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. Quando as taxas caem, os títulos em dólar perdem parte da atratividade, o que tende a direcionar capital para outros ativos.

Inflação: a inflação americana segue mais elevada do que a da zona do euro e de outras economias desenvolvidas. Isso corrói o poder de compra do dólar frente a essas moedas.

Fiscal: O governo dos Estados Unidos vem ampliando gastos e elevando o déficit fiscal. Esse desequilíbrio pesa sobre a percepção do dólar como moeda porto seguro e como reserva de valor global.

Mas isso significa que o brasileiro deve evitar o dólar ou reduzir a exposição? Não necessariamente.

Por que vale ter exposição ao dólar?

Primeiro, porque a moeda segue forte no contexto internacional – o que se discute é uma redução marginal de exposição, não um abandono, e isso para quem já tem a divisa na carteira. E, segundo, porque a realidade do investidor brasileiro é distinta da do investidor global.

“O percentual alocado em outras moedas fortes nas carteiras de brasileiros é muito pequeno. Então, é preciso ajustar algo que está muito fora do padrão global. Na verdade, o Brasil é que é muito diferente do mundo, nesse sentido”, afirmou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Até 31 de dezembro de 2024, somente 29.068 brasileiros declararam ter ativos no exterior, segundo dados do Banco Central. É pouco. Só na renda fixa local, há pouco mais de 100 milhões de brasileiros, enquanto na renda variável há cerca de 5,4 milhões, segundo dados da B3.

Outro ponto, segundo Alves, é que 2026 tende a ser um ano de elevada volatilidade, impulsionada pela incerteza eleitoral no Brasil. Nos últimos dias, o mercado já teve uma amostra disso, com anúncios de candidaturas, pesquisas e ruídos políticos.

“Para o investidor brasileiro, como forma de proteção diante de um cenário tão binário, é fundamental ter exposição ao dólar”, disse.

Quando se fala em investir na moeda americana, muita gente pensa imediatamente em comprar dólar em uma casa de câmbio. É uma possibilidade, claro, mas não a única. Há alternativas tanto na renda fixa quanto na renda variável.

Renda fixa em dólar

Com a expectativa de queda de juros nos EUA e um possível enfraquecimento do dólar, a tendência é que os Treasuries – os títulos do governo americano – passem a oferecer retornos menores.

Ainda assim, segundo especialistas, é possível encontrar papéis de crédito privado pagando entre 5% e 6% ao ano em dólar. São ativos mais arriscados do que os Treasuries, consideradas as mais seguras do mercado, mas que compensam com rendimento maior.

“O mercado de renda fixa americano é muito pujante. Vemos essas alocações muito mais como estratégicas e perenes dentro do portfólio do que como apostas táticas em oportunidades pontuais”, afirmou Juan Schiavo, portfolio manager da Cimo Family Office.

Renda variável

É impossível falar de renda variável no exterior sem olhar para o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos. Em 2025, ele ficou atrás do Ibovespa – subiu 16%, contra alta de 35% do índice brasileiro. Ainda assim, o histórico joga a favor do gigante: entre 1950 e 2024, o índice avançou, em média, 9,3% ao ano, segundo dados da Avenue.

De acordo com o BTG Pactual, a dinâmica de lucros das empresas americanas segue favorável. “O consenso projeta para 2026 um crescimento de aproximadamente 11% nos lucros do S&P 500, liderado por Tecnologia (+14%), Comunicações (+11%) e Energia (+9%)”, afirmou o banco em relatório.

A principal narrativa, portanto, deve continuar sendo a mesma: a tal da inteligência artificial. Apesar do debate sobre possíveis excessos e até uma pequena bolha, é no próximo ano que devem ficar mais evidentes as “profundas transformações econômicas e sociais provocadas por essa nova inovação”, segundo a XP.

Na visão de Schiavo, o setor de tecnologia nos EUA se tornou tão grande que hoje é o principal driver dos mercados globais.

Riscos

Investir no exterior, como qualquer investimento, envolve riscos. Um dos principais é a oscilação cambial: a valorização do dólar pode ampliar ganhos, mas o movimento inverso tem impacto direto sobre o retorno em reais. O último boletim Focus do Banco Central projeta o dólar na faixa dos R$ 5,50 para 2026, o mesmo patamar deste ano.

Além disso, fatores políticos e econômicos do país onde o capital está alocado pesam bastante. Mudanças na política monetária (lembrando que os EUA terão um novo presidente no seu banco central ano que vem), crises institucionais ou até declarações de líderes influentes – Donald Trump que o diga – podem gerar volatilidade e alterar rapidamente o humor do mercado, mesmo em economias consideradas estáveis, como a americana.

Quanto investir em dólar?

Definir quanto do patrimônio deve estar exposto ao dólar não tem resposta única. A alocação ideal varia conforme renda, padrão de consumo e objetivos financeiros. Ainda assim, alguns estudos ajudam a oferecer um ponto de partida mais concreto para quem busca proteção cambial e diversificação internacional.

Um levantamento divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no início deste ano mostrou que a variação do dólar impacta entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros, a depender da faixa de renda. Com base nisso, o estudo sugere que manter algo próximo a esse percentual aplicado em ativos internacionais – especialmente atrelados à moeda americana – pode ajudar a equilibrar os efeitos do câmbio no dia a dia.

Depois da alegria, o maremoto: Ibovespa derrete e dólar dispara com futuro das eleições em jogo

5 de Dezembro de 2025, 15:46

As especulações em torno do futuro das eleições presidenciais no Brasil começaram de vez a mexer com o humor dos investidores. Depois dos recordes do Ibovespa ao longo da semana, o mercado inverteu totalmente a direção na sessão de hoje com a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido o escolhido pelo pai para concorrer à Presidência.

Às 17h35, o Ibovespa recuava 4,29%, aos 157.395 pontos. Das 82 ações do Ibovespa, 78 registravam queda.

Enquanto isso, o dólar subiu 2,29%, fechando em R$ 5,431. Os contratos de juros futuros também disparam no dia, com todos os vencimentos entre 2027 e 2033 oscilando acima dos 13% – um claro sinal de aumento da aversão ao risco.

A informação de que Bolsonaro escolheu seu filho como candidato foi divulgada pelo portal Metrópoles e pela CNN, que afirmam que a escolha do integrante da família foi comunicada a interlocutores. Às 15h33, Flávio Bolsonaro confirmou a informação no X. A notícia joga um balde de água fria nas expectativas do mercado em torno na indicação do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como candidato.

Na leitura de operadores de mercado, os investidores receberam mal a notícia porque veem em Tarcísio um nome mais forte para disputar a cadeira com o presidente Lula, em especial com a agenda liberal que ele poderia trazer e pelo descolamento da sua imagem diretamente de Bolsonaro – algo que um membro da família não conseguiria fazer.

A oficialização de Flávio como candidato também divide a direita, pois o filho do ex-presidente tende a tirar votos de outros nomes que poderiam fazer frente a Lula, ao mesmo tempo em que carrega a alta rejeição a Bolsonaro. Em tese, então, a candidatura torna mais fácil o caminho de Lula para a reeleição – algo que o mercado sempre temeu por conta da leniência fiscal do atual presidente.

Por conta disso, os juros futuros entraram em disparada. E o Tesouro Nacional chegou a interromper as negociações de títulos prefixados e IPCA+, prerrogativa usada para evitar distorções pesadas nos preços em momentos como esse.

Venda de ações em bloco derruba Azzas e Allos

Um grande investidor institucional vendeu um bloco grande de ações de duas empresas – a Allos e a Azzas – na manhã desta sexta-feira (5), antes das notícias políticas. O movimento indica que as oscilações recentes das ações deixaram espaço para que grandes acionistas vendam papéis para realizar lucro ou ajustar seus portfólios.

As vendas de blocos de ações, ou block trade, ocorrem por muitos motivos. Nesse caso, um grande acionista faz esse movimento quando vê oportunidade de lucrar com os papéis após um período de valorização deles na bolsa ou porque quer executar uma estratégia específica para a empresa ou para a carteira de investimentos como um todo.

Quem vendeu os papéis das duas empresas na bolsa foi o fundo de pensão canadense CPPIB. Na Allos, o fundo detém hoje 14% das ações. Foram 23 milhões de ações vendidas a R$ 28,38 o papel, totalizando R$ 650 milhões. Os papéis caem 4,51% na bolsa, entre as maiores baixas das ações integrantes do Ibovespa.

Na Azzas, o fundo tem 5,1% do capital. O bloco de venda foi de 10 milhões ações, com preço de R$ 27,10. Ou seja: a operação movimentou R$ 270 milhões. As ações da companhia recuam 5,79%, segunda maior baixa entre os papéis do principal índice da bolsa.

Alta do Ibovespa em dólar já passa de 50% no ano. Ainda há lenha para queimar?

30 de Novembro de 2025, 13:11

O Ibovespa sobe 32% no ano. O dólar cai 14%. Significa o seguinte: um dos melhores investimentos do mundo para estrangeiros foi a bolsa brasileira. Somando a alta da bolsa com a valorização do real nesses 11 meses, temos que o Ibovespa sobe 53% em dólar.

Uma grande virada em relação a 2024, quando o Ibovespa em dólar tombou 30%. E algo comparável com a alta do ouro (63% em dólar), cantada em verso e prosa pelo noticiário internacional há meses. 

Mas o caso brasileiro não é um fenômeno isolado. Longe disso. Várias bolsas de países da série B (e C, e D) das finanças globais têm desempenhos semelhantes. E 12 delas estão na nossa frente. Veja aqui: 

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O maior destaque na tabela é para as bolsas da África subsaariana. Gana e Zâmbia lideram o ranking; além disso, Nigéria e Quênia compõem o top 20.

Outra participação relevante é a do Leste Europeu. Hungria, República Tcheca, Eslovênia e Polônia figuram com ganhos superiores aos do Ibovespa. 

Enquanto isso, a bolsa americana fica em mais modestos 17%. Ainda assim, é o terceiro ano seguido que o S&P 500 fecha em dois dígitos – depois de marcar 24% em 2023 e 23% em 2024.

Mas o momento é, sem dúvida, dos times pequenos. Só fica a pergunta: ainda há lenha para queimar? Vamos ver aqui. 

Se você somar o preço de todas as ações da B3 e dividir pelo lucro que as empresas deram nos últimos 12 meses, vai dar 11,5. Esse é o P/L (preço sobre lucro) atual do Ibovespa. Ele é baixo na comparação com o S&P 500, que opera num P/L de 30. Mas já está acima da média dos últimos 20 anos, que foi de 10,5%.

Pelo histórico, portanto, a bolsa já saiu daquele terreno em que pode ser chamada de “barata”. A ver o que 2026 trará.   

Vendas na Black Friday sobem nos EUA: má notícia para a trajetória dos juros do Brasil

29 de Novembro de 2025, 18:11

As vendas na Black Friday aumentaram 4,1% em relação ao ano passado nos EUA. O resultado supera a alta de 3,4% registrada em 2024. Bom para o consumidor americano, mas talvez nem tanto para a economia global – a começar pela nossa.

Consumo vigoroso faz de tudo, menos puxar os preços para baixo. Logo, uma Black Friday pródiga por lá joga contra a ideia de cortes mais profundos nos juros do Fed, o banco central dos EUA.

Juros americanos num patamar alto, como os 4% de agora, existem para baixar a inflação freando a atividade econômica. E se essa atividade se mostra forte, é sinal de que o remédio não está fazendo tanto efeito.

Como não há outro remédio contra a inflação, fica mais difícil reduzir a dose diante desse sintoma.

E como está a inflação? Não se sabe. O CPI (“IPCA” dos EUA) relativo a outubro, que deveria ser o mais recente, não foi apurado – uma cortesia do shutdown, a paralisação parcial do governo americano por falta de dinheiro autorizado pelo Congresso.

O CPI de setembro ficou em 3% para os últimos 12 meses – e sem sinais de convergência para a meta (de 2%), já que o índice foi subindo mês a mês desde abril, o ponto mais baixo do ano (2,4%).

O consenso do mercado aponta para mais um corte de 0,25 p.p. nos juros americanos na próxima reunião do Fomc (o Copom deles), que acontece no dia 10 de dezembro.

Mas dirigentes do banco central americano, como Beth Hammack, do Fed de Cleveland, já alertaram que vendas de fim de ano mais fortes que o esperado podem atrasar o retorno da inflação à meta, o que justificaria uma postura mais conservadora do Fomc. Em outras palavras: uma Black Friday exuberante alimenta um cenário de juros altos por mais tempo.

Juros altos nos EUA não são uma questão restrita aos EUA. Eles aumentam a remuneração dos títulos públicos americanos. Eles ficam mais atraentes. Como você precisa de dólares para comprar esses títulos, a demanda por moeda americana aumenta. E empurra o valor do dólar para cima.

Nos últimos meses, a queda do dólar foi importante para arrefecer a inflação no Brasil. O IPCA cedeu de 5,53% em abril para 4,68% em outubro. Caso a tendência arrefeça, ou se reverta, a desaceleração nos preços daqui fica comprometida. E aí quem se vê obrigado a manter os juros lá no alto é nosso Banco Central.


Foto da abertura: Getty Images

Sinal de corte de juros pelo Fed anima mercados internacionais – mas Brasil não segue a festa

21 de Novembro de 2025, 18:32

A sexta-feira dos mercados começou em clima azedo no exterior. Mas bastou o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Nova York, John Williams, colocar um corte de juros em dezembro no radar dos investidores para o humor mudar radicalmente.

Dá para notar essa mudança de rumo pelo comportamento da ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas nos rumos da política monetária dos EUA. No início da manhã, o monitor mostrava que 39% dos investidores viam como possível um corte de 0,25 ponto percentual nos juros na reunião de 9 a 10 de dezembro do Fed.

Logo após o presidente do Fed de Nova York ponderar ver “espaço para um novo ajuste no curto prazo” em um discurso feito durante um evento em Santiago, no Chile, ainda nas primeiras horas de negócio, o indicador virou o ponteiro para 70% de chance de corte de 0,25 ponto. O FedWatch no fim do dia mostra que 71,7% do mercado acredita na redução dos juros no último mês de 2025.

Williams defendeu um movimento que aproxime a taxa de política monetária do chamado nível neutro, ou seja, aquele que mantém o crescimento sem impulsionar a inflação. Conforme o dirigente do BC americano, o atual patamar entre 3,75% e 4% está “levemente restritivo”.

As bolsas de Nova York vêm de um movimento de venda de ações de tecnologia em meio às preocupações sobre uma potencial bolha de preços de papéis ligados à cadeia de inteligência artificial. Nem mesmo o lucro acima do esperado da Nvidia, principal símbolo das companhias da economia da IA, de US$ 31,9 bilhões no terceiro trimestre, divulgado na quarta-feira após o fechamento dos mercados, foi suficiente para afastar os temores.

O S&P 500 fechou com alta de 0,98% aos 6.602,96 pontos. O Nasdaq subiu 0,88% para 22.273,08 pontos. Na semana, os indicadores acumularam quedas de, respectivamente, 2% e 2,7%.

O movimento de alta nesta sexta-feira contrastou com a bolsa brasileira. O Ibovespa amargou um recuo de 0,39% para 154.770 pontos. E o dólar registrou alta de 1,18% cotado a R$ 5,4010.

O recuo do índice de ações e a alta da moeda americana refletem a cautela que ainda impera entre os investidores globais. Mesmo após a sinalização do Fed ter recolocado um corte em dezembro no radar do mercado, as preocupações com uma eventual bolha de IA ainda pesam e têm inspirado um posicionamento mais cauteloso dos investidores.

Outro fator que traz cautela para o mercado é o mal-estar entre o governo e o presidente do Senado, David Alcolumbre. A indicação do chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal na vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso contrariou o líder da casa legislativa, que apoiava a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

O presidente do Senado agendou a votação de um “projeto-bomba”, com forte impacto fiscal para a próxima semana. Trata-se do o projeto de lei complementar que confere aposentadoria especial aos agentes de saúde, que pode gerar despesas de até R$ 800 bilhões em 50 anos.

A votação do projeto ocorre em meio aos questionamentos sobre o equilíbrio fiscal do governo. O crescimento do endividamento público pode acelerar diante do esperado aumento de gastos devido às eleições em 2026. Esse avanço da dívida traz um aumento dos prêmios pedidos pelo mercado e pressiona a inflação diante da elevação de recursos injetados na economia.

O desequilíbrio fiscal torna a política monetária menos eficaz e, com isso, o Banco Central pode ser obrigado a manter os juros altos por mais tempo tanto para segurar a pressão sobre os preços quanto para evitar uma contaminação das expectativas futuras para a inflação.

Apple, Microsoft, Amazon… 5 dos BDRs das 7 Magníficas estão no negativo em 2025

19 de Novembro de 2025, 06:00

É um massacre. Enquanto o Ibovespa sobe 30% no ano, o grosso dos BDRs das sete companhias mais valiosas dos EUA amargam quedas. Em alguns casos, duras quedas. 

BDRs, vale lembrar, são “recibos” de ações gringas. Você negocia na B3 em reais, como se fossem papéis brasileiros. E eles refletem a variação das ações para valer, aquelas negociadas em Nova York.

Esses papéis também flutuam ao sabor do câmbio – já que ações americanas são precificadas em moeda americana, lógico. As quedas do dólar puxam os BDRs para baixo. E haja queda. No ano, as notas verdes cedem 15,5%. E o cenário que temos é o seguinte: 

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O tombo da moeda americana cria distorções interessantes. A Alphabet vai bem, obrigado – até a Berkshire, que não tem comprado quase nada, fez uma fezinha de US$ 5 bilhões na dona do Google. A alta, na bolsa americana, é de 50,1% ano ano. Em reais, porém, a alta se restringe a 26,4%. 

A Nvidia, rainha da IA, também segue testando limites, você sabe. Em julho, virou a primeira empresa a romper a barreira dos US$ 4 trilhões em valor de mercado. No final de outubro, inaugurou o patamar dos US$ 5 trilhões. Desde lá, Nvidia cai 12% (US$ 600 bilhões) – e o termo “bolha da IA” entrou de vez para o léxico popular do planeta. Mesmo assim, ela ainda sobe 35% no ano. Em reais, perém, a alta é menos gráfica: 14,5%.

E daí para baixo é todo mundo debaixo d’água: Microsoft (-0,8%), Apple (-8%), Meta (-13,8%) Amazon (-14,1%), Tesla (-17,2%). 

Mas o dólar não é o único vilão, claro. À parte a Microsoft, que sobe razoáveis 17,1% em sua moeda natal, o cenário é modorrento, com Apple abaixo dos 10%; e Amazon, Meta e Tesla praticamente no zero a zero. Aqui:

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Não é novidade: tem crescido entre investidores a percepção de que a bolsa americana está cara. E na letra fria dos dados está mesmo.

Sabe-se se uma bolsa está cara quando você olha o P/L (preço sobre lucro). Você soma o valor de mercado de todas as empresas do índice e divide pelo lucro que elas deram nos últimos 12 meses.

Se essa divisão dá 10, por exemplo, significa que as empresas valem, na média, 10 anos do lucro que elas propiciam hoje. Quanto dá o do S&P 500? 27,6. É mais do que a média dos últimos 10 anos, 22,8. E bem mais do que série de longo prazo (desde 1950), de 19. 

No Brasil é o contrário. P/L de 8,6, contra uma média maior, de 10,5, para os últimos 20 anos.

Em outros países emergentes, a situação é parecida. E tal como o Brasil eles têm recebido mais dinheiro de fora. Tanto dinheiro que as bolsas de alguns países latino americanos estão até mais exuberantes do que a nossa no ano: 

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Mas o fato é que os movimentos de mercado e de câmbio se retroalimentam. Quando cresce o fluxo de dólares para as bolsas dos emergentes, aumenta a oferta de dólares nesses países. E a moeda americana desvaloriza. É justamente o que está acontecendo: 

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Seja como for, a negociação de BDRs é relativamente pequena na B3. Um levantamento da Quantum Finance mostra que as Mag 7 movimentam algo entre 100 mil e 200 mil negócios por dia. Trata-se de um patamar equivalente ao de empresas brasileiras menos expressivas, que ficam de fora do ranking das 100 mais negociadas.

Ibovespa segura recorde, mesmo após o Fed esfriar apostas de um novo corte em dezembro

29 de Outubro de 2025, 17:54

Bastou Jerome Powell levantar dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros em dezembro para esfriar os ânimos dos investidores no mundo todo. Mas, mesmo com essa dose pouco esperada de cautela presidente do Fed, a bolsa brasileira conseguiu forças renovar sua pontuação recorde – pela nona vez neste ano.

O Ibovespa encerrou o dia com alta de 0,74% aos 148.520 pontos, pela primeira vez na história acima dos 148 mil pontos. E fez mais: na parte da manhã, o principal índice acionário brasileiro alcançou uma nova máxima intradiária, aos 149.067,16 pontos.

O dia começou com os mercados em modo euforia. E o Fed correspondeu ao cortar os juros em 0,25 ponto percentual, como amplamente esperado. Mas durante a coletiva após a decisão de politica monetária nesta quarta-feira (29), Jerome Powell, resolveu jogar água no chope das bolsas.

O dirigente pontuou o seguinte: que há um crescente movimento dentro do banco central americano no sentido de dar um “passo atrás”. No caso, pausar os cortes já e esperar para ver.

Nos EUA, as falas desasceleraram nitidamente o otimismo.

A ferramenta FedWatch, que monitora as apostas de investidores nos rumos da política monetária americana, agora coloca as chances de um corte em dezembro em 56,4%. Antes da coletiva, o percentual chegou a tocar os 90%.

Nas bolsas de Nova York, o S&P 500 terminou o dia quase na mesma, com queda de 0,01% aos 6.890,59 pontos. O Nasdaq subiu 0,55% para 23.958,47 em meio às expectativas para os balanços de Microsoft, Alphabet e Meta nesta quarta-feira. Já o Dow Jones caiu 0,16% aos 47.632 pontos.

Outros mercados acionários emergentes, além do Brasil, também se seguraram no território positivo – numa amostra de busca por diversificação entre os investidores globais. A bolsa mexicana subiu 0,97%. A chilena, 0,99%.

Por fim, o dólar. A moeda americana fechou estável: -0,04%, a R$ 5,35. No ano, a moeda já acumula queda de 13,29%.

Alívio à vista: expectativa de encontro entre EUA e China anima mercado e dólar cai

13 de Outubro de 2025, 15:08

Depois de elevar a temperatura do mercado na sexta-feira (10) com um anúncio de uma nova taxa de 100% sobre produtos chineses, o próprio presidente americano Donald Trump jogou água na fervura ao amenizar o tom em relação ao rival asiático. O resultado foi que o mercado buscou um meio termo nesta segunda-feira (13).

O dólar, que tinha subido 2,39% frente ao real na sexta-feira, agora compensou parte da alta e fechou em queda de 0,75% a R$ 5,4617. O movimento de baixa da moeda americana também se repetiu frente outras moedas emergentes ao longo do dia.

Na bolsa, a melhora nos ânimos também prevaleceu e o Ibovespa terminou o dia em alta de 0,78% aos 141.783 pontos.

A moeda americana, porém, avançou na comparação com pares de países desenvolvidos. O índice dólar (DXY), que acompanha a variação da divisa frente a uma cesta com as seis principais moedas do comércio internacional, subiu 0,30% a 99,27.

O último pregão da semana passada foi conturbado. Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre os produtos comprados da China pelos EUA, além da imposição de controles de exportação sobre softwares críticos ao país asiático.

O presidente americano justificou a decisão como uma resposta aos controles criados pelo governo chinês, no dia anterior, sobre as exportações de terras raras, que são essenciais para vários setores da indústria, em especial aqueles ligados à tecnologia.

No fim de semana, porém, Trump adotou um tom mais conciliador. Afirmou que os EUA querem ajudar a China e não prejudicá-la. Além disso, a Casa Branca confirmou o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, Xi Jinping, marcado para ocorrer em Seul, na Coreia do Sul.

Nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou o tom mais conciliador ao afirmar que houve comunicações substanciais entre americanos e chineses no fim de semana.

“Houve uma desescalada significativa da situação”, disse Bessent em entrevista à Fox Business Network. “O presidente Trump disse que as tarifas não entrarão em vigor até 1º de novembro. Ele se reunirá com o presidente do Partido, Xi, na Coreia”, acrescentou.

Outro reforço para uma redução da volatilidade do dólar globalmente veio pelo discurso da nova presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson. Em sua primeira fala no cargo, a dirigente defendeu mais cortes de juros pelo Fed. A redução das taxas seria necessária para dar suporte ao mercado de trabalho dos Estados Unidos.

Trump contra a China e quadro fiscal no Brasil: nervosismo no mercado cresce e dólar vai a R$ 5,51

10 de Outubro de 2025, 17:24

Novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China e mais preocupações dos investidores com o quadro fiscal brasileiro. Esses foram os motivos para os mercados encerrarem a semana sob forte pressão, com o dólar batendo o nível mais alto em sete meses e o Ibovespa estacionando na faixa dos 140 mil pontos.

A moeda americana terminou a sessão com alta de 2,4%, em R$ 5,503, após bater os R$ 5,51 no dia. Na semana, subiu 3%. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas fortes – euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço –, cai 0,6%.

A tendência do dólar no acumulado do ano ainda é de queda. Em 2025 até hoje, a baixa já está em 11%. O grande ponto de atenção, na visão de profissionais do mercado, é que a moeda americana ainda é uma boa alternativa aos investidores que querem diminuir a exposição a ativos de risco no curto prazo. É também a razão para a disparada de metais preciosos, como o ouro, que ultrapassou a marca histórica de US$ 4 mil a onça-troy.

E a busca por ativos mais seguros não ficou restrita ao mercado de câmbio. As bolsas americanas também refletiram a debandada dos investidores e os três principais índices de Wall Street ficaram no vermelho: o Dow Jones caiu 1,9%, o S&P 500 cedeu 2,7% e o Nasdaq teve baixa de 3,6%.

Na mesma toada, o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,73%, aos 140.860 pontos, depois de ultrapassar os 144 mil pontos na semana. Em cinco dias, a baixa do índice foi de 2,4%.

Até ontem, a queda do dólar na semana estava na casa dos 0,5%. A fuga de mercados e ativos mais arriscados cresceu hoje, após Trump voltar a ameaçar a China com aumento de tarifas comerciais. A investida veio como resposta à decisão do gigante asiático de impor novas restrições às exportações de terras raras, como a exigência de licenças de exportação e mais controles sobre equipamentos usados no processamento dos materiais.

O presidente americano não apenas acusou a China de deixar o mundo “refém” da sua política, como reacendeu o medo de uma nova escalada dos conflitos comerciais em retaliação. E tudo isso às vésperas de uma reunião entre o governo americano e o chinês na Coreia do Sul – encontro que Trump diz “não ter mais motivo”.

Riscos fiscais de volta ao jogo

Não bastasse o exterior, o momento é de bastante nervosismo entre profissionais de mercado em relação às contas públicas do Brasil, sobretudo depois que o governo perdeu a batalha no aumento de impostos a partir da Medida Provisória 1303.

A MP, que aumentava os tributos de diversas aplicações financeiras, era a cartada que o governo Lula tinha na mão para compensar a tentativa frustrada de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Câmara dos Deputados sequer votou o texto, que perdeu validade. Com isso, cai por terra a alternativa que permitiria a arrecadação de R$ 17 bilhões para o ano que vem.

A partir daqui, sobram dúvidas de qual caminho o governo vai seguir para cumprir a meta fiscal, que é de superávit de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito que não haverá mudança na meta mesmo que o Congresso derrubasse a MP.

Apostar contra o dólar pode sair caro para os investidores

10 de Outubro de 2025, 16:29

Apostar contra o dólar tem sido a negociação dominante no mercado de câmbio de US$ 9,6 trilhões por dia neste ano. Mas esta aposta começa a dar sinais de fraqueza.

A principal moeda de reserva mundial está perto de uma máxima há dois meses, mesmo com a paralisação do governo dos Estados Unidos se arrastando, e operadores da Ásia e da Europa dizendo que hedge funds adicionam opções com apostas de que a recuperação em relação à maioria dos principais concorrentes se estenderá até o final do ano.

Os acontecimentos no exterior foram um fator-chave, com o euro e o iene em queda abrupta neste mês. Ao mesmo tempo, comentários de autoridades do Federal Reserve que recomendavam cautela em relação a novos cortes na taxa de juros aumentaram o apelo do dólar.

Quanto mais tempo a força persistir, mais doloroso será para aqueles que insistem em que o dólar caia novamente. Entre os pessimistas estão o Goldman Sachs, o JPMorgan e o Morgan Stanley.

A tendência, se continuar, pode repercutir na economia global, ao dificultar que outros bancos centrais flexibilizem a política monetária, ao elevar o custo das commodities e ampliar o peso dos empréstimos estrangeiros na moeda.

Otimismo sobre o dólar

Uma recuperação rápida pode prejudicar algumas das negociações favoritas do ano, minando expectativas otimistas para as ações e títulos de dívida de mercados emergentes e pesando sobre ações dos exportadores americanos.

Entre os pessimistas em relação ao dólar que mudaram de ideia, está Ed Al-Hussainy, na Columbia Threadneedle. A gestora abriu uma posição vendida, que aposta na queda, no final de 2024, quando o dólar ainda estava em rali, como parte da chamada negociação Trump após a eleição nos EUA.

No último mês e meio, ele amenizou essa postura, e reduziu a exposição aos mercados emergentes. Para ele, isso se resume à inclinação excessiva dos mercados para cortes de juros pelo Fed, dada a resiliência da economia americana.

“Nos tornamos muito mais positivos em relação ao dólar”, disse. “Os mercados precificaram uma série de cortes muito agressivos, e será difícil executá-los sem causar muito mais sofrimento ao mercado de trabalho.”

O índice Bloomberg Dollar Spot subiu cerca de 2% desde meados do ano, após a maior queda no primeiro semestre em décadas.

O indicador acumulou alta de 1,2% nesta semana, o melhor desempenho desde novembro. No início de 2025, após o presidente americano Donald Trump ter adiado a aplicação de tarifas generalizadas quando assumiu o cargo, o dólar caiu, em parte, devido à visão de que a inflação seria controlada o suficiente para que o Fed retomasse os cortes dos juros.

A crise agravou-se com a implementação de impostos abrangentes em abril, o que alimentou preocupações de que a guerra comercial poderia azedar a percepção dos investidores estrangeiros sobre os EUA. Houve também especulações de que o presidente era a favor de um dólar mais fraco, o que ajudaria os exportadores americanos, além de sua pressão sobre o Fed para reduzir os juros, o que amplificou a onda de baixa.

Investidores globais

Contudo, como se viu, os investidores internacionais não se afastaram dos EUA, embora haja sinais de que tenham comprado derivativos para se proteger contra perdas do dólar. O apelo das ações americanas, lideradas por ações de tecnologia de megacaps, tem sido grande demais. E a demanda externa para leilões de Treasuries tem sido, em sua maioria, sólida.

Os dados mais recentes da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities mostram que hedge funds, gestoras de ativos e consultores de operações de commodities ainda estavam vendidos em dólar no final de setembro. Embora as posições estejam bem abaixo do pico atingido em meados do ano, isso ainda deixa espaço considerável para perdas, caso o dólar continue a se valorizar.

Hedge funds que intensificam as negociações de opções com apostas de alta sobre o dólar no final do ano estão expressando esta visão em relação à maioria das moedas do Grupo dos 10, de acordo com Mukund Daga, chefe global de opções de moedas no Barclays Bank.

Há também sinais de que operadores de opções estão pagando mais para se proteger contra o risco de um rali do dólar do que de uma queda. Uma medida da diferença na demanda por apostas otimistas e pessimistas mostra que os operadores estão no nível mais otimista em relação ao dólar desde abril.

Queda na volatilidade do dólar abre janela para investir lá fora. Saiba como aproveitar

10 de Outubro de 2025, 11:28

Quem buscou diversificar seus investimentos em dólar viveu “mixed feelings” desde a metade de 2024: ou a moeda americana não parava de subir, como no ano passado, ou manteve uma queda constante, como neste ano. E aí, ficava difícil acertar a hora de aplicar. Mas agora chegou a hora de tirar da gaveta os planos de investir no exterior.

Desde meados do ano, a moeda americana tem estado muito mais comportada. A volatilidade praticamente sumiu e o dólar se estabilizou em um patamar bem mais baixo do que o visto no início de 2025.

De julho para cá, o dólar acumulou uma leve queda de 1% frente ao real. No ano, a moeda dos EUA recua 14,74%, ou seja, a queda se concentrou, basicamente, na primeira metade do ano. Além disso, a perspectiva da taxa de câmbio é se manter abaixo de R$ 5,40, pelo menos, nos próximos meses.

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É justamente a volatilidade que traz um dos principais riscos e atrapalha a vida dos aplicadores que ficam tentando acerta o melhor momento de investir. Por isso, a calmaria cambial ajuda quem tem planos de manter uma parcela do patrimônio em moeda forte.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, cita oportunidades, por exemplo, em títulos de renda fixa emitidos tanto pelo governo americano quanto por empresas de maior qualidade de crédito. “É uma chance de travar, em dólar, taxas prefixadas ainda elevadas.”

Uma possibilidade para o investidor brasileiro é aplicar em bonds de companhias brasileiras com melhor perfil de crédito. “Lá fora, o mercado enxerga nossas gigantes, como Petrobras e Vale, como empresas de mercados emergentes que precisam pagar um prêmio maior comparadas aos pares americanos”, explica. Mas, para os brasileiros, são os grupos mais sólidos do mercado.

A Petrobras tem um bond com vencimento em 2029 que hoje está sendo negociado com uma taxa de retorno (yield) de 5,80% ao ano. Outro papel com prazo em 2035 oferece um yield de 6,10% anual.

O bond da Vale com vencimento em 2034 é negociado a uma taxa de 8,20%. Outro título em dólar da mineradora com prazo até 2039 paga atualmente um yield de 6,87% ao ano.

No caso dos títulos públicos americanos, os chamadas Treasuries, os retornos prefixados se mantêm perto dos 4% ao ano. O papel de 5 anos, por exemplo, está pagando uma taxa de 3,74%. Já o de 10 anos está com um retorno de 4,15% anuais.

Para quem busca investir em dólar, mas quer manter a possibilidade de sacar o dinheiro a qualquer momento, a estrategista da Nomad cita como opção de aplicações os ETFs de títulos públicos americanos de curto prazo. São fundos de índices com cotas negociadas na bolsa. Esses veículos mantêm uma carteira com até 80% aplicada em papéis do Tesouro dos EUA com prazos de até 3 meses.

Como as cotas são negociadas na bolsa, o investidor pode entrar e sair a qualquer momento. O ETF VBILL da Vanguard, por exemplo, tem hoje um retorno em 12 meses de 3,44%. Outro fundo o TBLL, da Invesco, tem um yield em 12 meses de 3,89%. “Funciona de maneira parecida com o nosso CDI.”

Zogbi enxerga ainda oportunidade de diversificação em ações internacionais. Na visão da estrategista, o investidor brasileiro pode aplicar em vários mercados também por meio de ETFs. Há vários fundos de índice que seguem referenciais com os índices globais da MSCI. Um ETF do MSCI World ex-US, por exemplo, possibilita ao investidor ter exposição a 22 mercados desenvolvidos, mas tira os EUA da lista.

Por outro lado, quem busca manter um pé nas bolsas americanas encontra fundos de índice que replicam referenciais amplos do mercado acionário dos EUA, como o S&P 500 e o Russell 2000. “O setor de tecnologia lá fora pode até estar caro, mas há muitos outros entregando resultados acima das expectativas. Tem ainda muitas oportunidades nas ações dos Estados Unidos.”

Os títulos de renda fixa e os fundos são oferecidos em plataformas digitais e podem ser acessados por meio de contas globais de investimentos.

A especialista da Nomad lembra ainda que pensar em investimentos lá fora é muito diferente de comprar dólar para viajar. “Na viagem, o melhor é fazer um câmbio médio. Mas no caso de diversificação internacional, o quanto antes começar, melhor.”

Isso porque a oscilação cambial é atenuada pelo efeito dos juros compostos, então quanto mais tempo o dinheiro ficar investido maior a vantagem na rentabilidade da carteira. Zogbi ressalta ainda que manter os recursos no longo prazo ainda ajuda a aproveitar os melhores dias do mercado, que podem representar um reforço significativo na hora de resgatar.

De qualquer modo, essa janela de calmaria provavelmente tem um prazo de validade. A estrategista-chefe da Nomad vê a partir do ano que vem uma chance cada vez maior da volta da volatilidade. “A questão fiscal tende a influenciar mais o câmbio no ano que vem, principalmente quando o tema das eleições ficar mais no foco.”

A economista lembra que no fim de 2024 o dólar subiu para a casa dos R$ 6,18 principalmente por conta das preocupações com o desequilíbrio fiscal. Na visão da estrategista da Nomad, esse fator ganhou um contrapeso com o enfraquecimento global da moeda americana ao longo do ano e o grande diferencial de juros existente entre Brasil e EUA.

Para 2026, o cenário pode mudar. Essa virada pode acontecer porque o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem sinalizado para uma redução de ritmo ou até mesmo uma pausa nos cortes de juros a partir do ano que vem. Além disso, o BC brasileiro pode começar seu próprio ciclo de redução de taxas, o que reduzia a diferença entre os rendimentos de ativos locais e americanos. Essa diminuição do diferencial de juros tende a fortalecer a moeda americana.

Além disso, o Brasil tem suas próprias incertezas internas. A principal tem a ver com a trajetória do endividamento público e a menor disposição para enfrentar o problema em um ano de eleições. São incertezas que elevam o prêmio de risco pedido pelos investidores globais e, com um fluxo menor de dinheiro de fora vindo para o país, tendem a enfraquecer o real.

Argentina vende dólares pelo quinto dia seguido e reduz reservas

7 de Outubro de 2025, 10:19

O governo argentino vendeu dólares no mercado de câmbio na segunda-feira (6) pela quinta sessão consecutiva, enquanto tenta conter a queda do peso, de acordo com duas pessoas com conhecimento direto do assunto.

O banco central da Argentina realizou as vendas, provavelmente como agente financeiro do Tesouro no mercado de câmbio local.

O banco vendeu entre US$ 450 milhões e US$ 480 milhões, por cerca de 1.430 pesos por dólar, disseram as fontes, que pediram anonimato por discutirem operações confidenciais. O peso caiu 0,4%.

O governo do presidente Javier Milei vendeu cerca de US$ 1,3 bilhão desde a última terça-feira, esgotando a já escassa posição de caixa do Tesouro.

O governo tinha US$ 1,8 bilhão em depósitos em dólares em 1º de outubro, segundo os dados oficiais mais recentes.

De acordo com os termos do acordo do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o banco central da Argentina não pode usar suas reservas, a menos que o peso ultrapasse a faixa flutuante, que variou de 943 a 1.484 por dólar na segunda-feira (6).

Pressão na Argentina

As vendas ressaltam a pressão sobre o peso, mesmo depois que os Estados Unidos prometeram assistência e as autoridades locais reintroduziram controles de capital nas últimas semanas, incluindo uma proibição de 90 dias à revenda de dólares.

O ministro da Economia da Argentina, Luís Caputo, e o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, viajaram para Washington na sexta-feira para conversas com o Secretário do Tesouro americano Scott Bessent e o FMI.

O governo havia vendido US$ 1,1 bilhão para estabilizar o peso antes de Bessent prometer socorro financeiro no mês passado.

Bessent reiterou novamente seu apoio em uma publicação no X na noite de segunda-feira, sem dar detalhes. Acompanhado de uma foto sua apertando a mão de Caputo, ele prometeu “continuar as discussões produtivas sobre as diversas opções que o Tesouro tem à disposição para apoiar as políticas firmes da Argentina”.

“Os títulos caíram tanto nas últimas semanas que vemos a distribuição de retorno distorcida para cima”, disse Matias Montes, estrategista da EMFI. “Por outro lado, a diferença mostrou alguma estabilidade hoje, mas acreditamos que os comentários de Bessent, demonstrando apoio renovado à Argentina, foram o principal impulsionador.”

Um porta-voz do banco central não quis comentar, enquanto o Ministério da Economia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O presidente Javier Milei minimizou questões sobre o custo de defender o peso em meio ao crescente ceticismo sobre a sustentabilidade de sua estratégia cambial durante uma entrevista. Ele acrescentou que os resultados das negociações com os EUA logo ficariam claros. “Você sabe quanto tínhamos em reservas brutas quando assumimos o cargo?”, perguntou, dizendo que as reservas haviam subido de US$ 21 bilhões para US$ 43 bilhões desde então. “É isso. A discussão acabou.”

Dólar fraco tem prazo de validade? Tudo pode mudar a partir de 2026

1 de Outubro de 2025, 16:30

O dólar vem comportado desde o início do ano. Mas do começo do segundo semestre para cá, a queda da moeda americana em relação ao real diminuiu o ritmo: foram apenas 2,6% de desvalorização, comparados aos 14% no acumulado do ano. Essa desaceleração parece prenunciar uma mudança de ventos se aproximando.

Por volta das 16h29, o dólar era negociado a R$ 5,3209, praticamente estável. Em setembro, a moeda americana acumulou recuo de 2%.

A queda do dólar está, atualmente, na conta do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Isso porque a autoridade planeja cortar os juros ao menos mais uma vez e, quem sabe, até mesmo duas antes de 2025 acabar.

Porém, no caso do Brasil, esse roteiro de fraqueza do dólar parece ter um “plot twist”, ou seja, uma reviravolta programada no próximo ano. E o que pode acontecer para mudar o cenário atual?

É que o início do ciclo de queda da taxa de juros no Brasil vai coincidir com uma desaceleração do ritmo de corte pelo Fed ou até mesmo uma pausa prolongada lá fora. Esse cenário pode reforçar a cautela entre investidores globais.

Uma postura menos voluntariosa para tomar risco pode secar, justamente, uma das fontes da recente valorização das moedas emergentes: a busca por diversificação fora do mercado americano.

Inflação nos EUA ainda não foi domada

Uma mudança de posicionamento do Fed teria como causa uma preocupação com um aumento de pressão sobre preços nos próximos trimestres. Acontece que o BC dos EUA passou a manifestar, logo após a decisão de retomar os corte de juros em setembro, estar desconfortável com a persistência da inflação.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Fed, subiu para 2,7% em agosto, o que indica uma leve aceleração comparado aos 2,6% de julho. “Com o PCE avançando para 2,7% em 12 meses, fica claro que o Fed terá de manter cautela na condução da política monetária”, afirma Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

O plano de voo do Fed leva em consideração uma redução de juros para evitar a aceleração do desemprego. Mas, por outro lado, há a necessidade de calibrar o ritmo do afrouxamento de maneira a evitar a volta da inflação. Daí a necessidade de o BC americano adotar uma postura mais prudente em algum momento nos próximos trimestres.

“Acho que nem poderíamos chamar esse movimento de um ciclo de cortes”, afirma o sócio e gestor da Az Quest, Eduardo Aun. “Parece-me mais um ajuste fino devido à deterioração marginal do mercado de trabalho. Não vejo espaço para muito mais cortes além dos já sinalizados pelo Fed.”

BC brasileiro não tem pressa para cortar

Do lado de cá, o relatório Focus, que reúne as projeções de instituições financeiras em relação a juros, inflação e PIB, mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao fim de de 2026. Isso significa uma redução de 3 pontos percentuais.

Se o BC fizer reduções de 0,25 ponto na Selic, precisaria de 12 reuniões para chegar na projeção do Focus. Porém, como o Comitê de Politica Monetária (Copom) se reúne apenas oito vezes no ano, a estimativa de Selic a 12% no fim do próximo ano embute a perspectiva de vários cortes de 0,5 ponto.

Em resumo, enquanto o Fed tem sinalizado haver chance de cortar uma vez ou nem cortar os juros em 2026, por aqui o mercado avalia que o BC brasileiro vai acelerar o passo no ano que vem. Com a redução do chamado diferencial de juros, o mercado local tende a se tornar menos atrativos aos investidores estrangeiros.

As estimativas da equipe de pesquisas econômicas do Itaú, por exemplo, reforçam essa dualidade de cenários daqui até o fim do ano e o que poderá ser visto já em 2026. O time do Itaú, liderado pelo economista-chefe Mario Mesquita, ressaltou ver o real forte no curto prazo. Mas, para o próximo ano, “o estreitamento do diferencial de juros, o prêmio de risco e o cenário desafiador das contas externas limitam perspectivas mais favoráveis”.

Os especialistas do banco enxergam o dólar no fim de 2025 em R$ 5,35. Mas preveem que a moeda americana termine 2026 cerca de 3% mais alta. Segundo a casa de análise, a taxa de câmbio deve subir para R$ 5,50 no ano que vem. Isso significa que, na visão do Itaú, a maior parte da potencial desvalorização do dólar frente ao real já passou.

O Focus também mostra uma visão menos otimista para 2026. O relatório do BC projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,58 no final do ano que vem.

Volatilidade pode voltar

Aun, da AZ Quest, lembra ainda que o real tem sido muito utilizado em operações de “carry trade”, ou seja, quando uim investidor toma emprestado em moeda de juros baixos e investe em outra moeda de juros altos para capturar o diferencial de juros (“carry”). Se houver uma reversão da tendência do dólar fraco, o desmonte de posições de carry em reais levaria a um aumento da volatilidade no mercado brasileiro.

Para o ano que vem, o especialista em portfólio da Azimut Brasil WM, Marcelo Bacelar, cita ainda o problema da piora nos números de conta correte no país como outro ponto de pressão contra o real. “Não é um desespero, mas é um sinal amarelo porque começa a mostrar uma saída de dólares estrutural.”

Apesar das nuvens cambiais mais escuras em 2026, as previsões não desenham nenhum cenário crítico, mas, basicamente, uma mudança de ventos no horizonte. De qualquer modo, parece que, pelo menos as viagens internacionais no fim de ano estarão garantidas.

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