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Fundos de crédito privado têm resgates de mais de R$ 22 bilhões em abril diante de perdas

12 de Maio de 2026, 16:09

Depois de crises de grandes grupos como Raízen e GPA, que causaram perdas a investidores, fundos de crédito privado enfrentaram uma sangria de capital em abril.

Novos dados da Anbima – associação de entidades e empresas do mercado de capitais – confirmam o que dados prévios já mostravam: houve uma forte saída de recursos dos portfólios com títulos de renda fixa emitidos por empresas – CRIs, CRAs, debêntures.

Em uma das principais categorias, a de fundos com papéis com “duração livre”, ou seja, títulos de vencimentos variados, houve um resgate líquido de R$ 14,1 bilhões apenas em abril.

Em um recorte mais específico, a categoria de fundos com “duração livre grau de investimento”, que adquire apenas papéis com notas de crédito mais altas, registrou saídas de R$ 10,2 bilhões.

A saída líquida total foi de R$ 22,3 bilhões na soma das 8 categorias de fundos de crédito privado da Anbima – ou seja, os resgates ultrapassaram os depósitos.

Foi um movimento considerado natural dado o clima de perdas que se instaurou.

Não faltaram eventos que sacudiram o setor, afinal: as citadas recuperações extrajudiciais da Raízen, do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e da Kora Saúde, mais o pedido de proteção contra credores na Justiça da Oncoclínicas e os sinais de uma esperada reestruturação de dívidas da Braskem.

Além das crises de crédito, o mercado enfrenta um movimento de reprecificação por causa dos efeitos da Guerra do Irã e da consequente escalada de preços do petróleo.

Com o aumento das pressões inflacionárias, os preços e as taxas de papéis de renda fixa prefixada e da atrelada à inflação têm passado por ajustes e enfrentado uma onda de vendas desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Retornos de menos da metade do CDI

Como os resgates dos fundos de crédito levam em torno de 30 dias para serem contabilizados no valor das cotas, os impactos desse movimento começaram a ser vistos em abril.

A queda no valor das cotas fica evidente na rentabilidade da categoria “Renda Fixa Crédito Livre e Duração Livre”, uma das classificações da Anbima com maior número de fundos de crédito privado. No mês passado, a média de retorno de portfólios desse tipo ficou em 45% do CDI.

Outra categoria, a “Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre”, que concentra fundos com carteiras de crédito privado de longo prazo, amargou saídas liquidas de R$ 255,2 milhões em abril. O retorno médio também ficou significativamente abaixo do CDI, com rendimento por cota de 83% do referencial conservador.

Busca por posições conservadoras

Essa percepção de perda pode retroalimentar o movimento de saques.

Com isso, se fundos tiverem que vender mais ativos no mercado secundário para cobrir as saídas líquidas, podem ter de aceitar ainda mais descontos.

No mês passado, as duas únicas categorias de fundos de crédito privado que apresentaram captação líquida positiva foram a “Renda Fixa Duração Baixa Crédito Livre”, com entradas líquidas de R$ 8,2 bilhões, e a “Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento”, com aportes de R$ 1,4 bilhão.

São fundos com características mais defensivas dentro da classe de crédito privado – títulos com vencimento mais curtos são menos voláteis.

Investidores precisam ter paciência

O momento de perdas em fundos de crédito privado pede resiliência ao investidor. No médio e no longo prazos, os efeitos da volatilidade se diluem. Desmontar a posição agora vai significar vender na baixa e tornar real o prejuízo que está no papel.

Com uma eventual melhora do quadro no futuro, o valor das cotas tende a se recompor e pode até superar o nível de preços em que o investidor entrou.

Quem tiver mais tolerância ao risco pode até aproveitar os momentos de quedas mais acentuadas para adquirir mais cotas, olhando para um horizonte de mais de um ano.

O carrego, ou seja, o ganho por manter os títulos na carteira no longo prazo, está favorável, com taxas de retorno historicamente altas.

Câmara avança em projeto que endurece combate à violência financeira contra idosos

27 de Abril de 2026, 19:31

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que prevê medidas para prevenir e punir a violência financeira contra idosos. A proposta cria regras para instituições financeiras, estabelece novo crime e mecanismos de proteção para proteger esse grupo.

O texto aprovado é um substitutivo ao Projeto de Lei 1973/25 e determina que bancos, cooperativas de crédito e cartórios capacitem seus funcionários para identificar sinais de abuso ou exploração financeira. Também será obrigatória a comunicação imediata de suspeitas de fraude a autoridades como a Polícia Civil e o Ministério Público.

A proposta ainda proíbe instituições financeiras de realizar operações de crédito com idosos exclusivamente por telefone ou meios digitais. Segundo o texto, as contratações deverão contar com contrato físico disponível para leitura e assinatura do cliente.

O projeto cria ainda um crime específico para quem obtiver vantagem ilícita contra idosos por meio de fraude, abuso de confiança ou uso de recursos eletrônicos ou bancários. A pena prevista é de reclusão de quatro a oito anos, além de multa. Se for cometido por parentes, representantes legais ou pessoas em posição de confiança da vítima, a pena poderá aumentar para cinco a dez anos de reclusão.

O projeto original previa a criação do fundo “Protege 60+”, mas a versão aprovada opta por integrar as ações ao já existente Fundo Nacional do Idoso. O substitutivo também prevê o fomento a tecnologias assistivas e sistemas de alerta para proteger pessoas com limitações sensoriais ou cognitivas e pessoas idosas contra fraudes.

A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de seguir para votação no Plenário da Câmara. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado por deputados e senadores e, depois, sancionado pelo presidente da República.

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Meio milhão de famílias a mais: as mudanças no Minha Casa, Minha Vida que animam as construtoras na bolsa

25 de Março de 2026, 16:47

As mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida anunciadas na terça-feira (24) ampliam em até 24% a capacidade de compra dos participantes do sistema de financiamento de habitação popular com juros subsidiados. Isso significa uma inclusão potencial de até 500 mil de famílias na plataforma.

Esse avanço da base representa um impulso direto na geração de novos negócios para as construtoras — movimento que ainda não estava totalmente precificado nas ações. O mercado já especulava sobre a ampliação de limites, mas os ajustes feitos pelo Conselho Curador do FGTS vieram acima do esperado.

O mercado começou a incorporar esse novo cenário nesta quarta-feira (25), movimento refletido na alta dos papéis das incorporadoras.

Com a perspectiva de aumento dos negócios imobiliários em 2026, as ações de empresas com atuação nesses segmentos sobem até 8% nesta quarta-feira.

Por volta de 16h30, as ações ordinárias (ON) de MRV subiam 8%, enquanto os papéis da Tenda avançavam 2,46%. Já Cury e Direcional ganhavam, respectivamente, 3,26% e 1,14%.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. A alta mais forte da MRV ocorre em parte por conta de um ajuste após a queda acentuada ocorrida no último mês. As ações ordinárias da companhia chegaram a cair 14% após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O recuo ocorreu devido às preocupações com o alto endividamento e com os prejuízos da operação nos EUA, que estavam impactando a geração de caixa e os resultados gerais da empresa.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Mas o que mudou no Minha Casa, Minha Vida? O Conselho Curador do FGTS elevou tanto as faixas salariais elegíveis aos subsídios quanto os valores dos imóveis que podem ser adquiridos dentro do progama.

No caso das Faixas 3 e 4, as mais rentáveis e voltadas às famílias de classe média, os tetos de renda subiram R$ 1 mil em cada segmento para R$ 9,6 mil e R$ 13 mil.

Os valores de residências que podem ser financiadas aumentaram para até R$ 400 mil na Faixa 3 e até R$ 600 mil, no caso da 4.

Nos cálculos do Itaú BBA, os compradores agora elegíveis à Faixa 1 poderiam adquirir imóveis até 8% mais caros; na Faixa 2 teriam capacidade para pagar por unidades com preços 13% maiores; na Faixa 3, o avanço seria de 24%; e, na Faixa 4, de 17%.

Já o BTG Pactual calcula um aumento médio de 21% do ganho de poder de compra em cada faixa.

No caso da Faixa 4, os novos limites significam a inclusão de até 400 mil novas famílias elegíveis aos financiamentos só nesse segmento. O cálculo leva em conta os dados da PNAD contínua do IBGE. A pesquisa considera a classe média ou classe B um contingente de 11 milhões de famílias com rendas entre R$ 8 mil e R$ 24 mil mensais.



Minha Casa Minha Vida passa a atender famílias com renda até R$ 13 mil mensais

24 de Março de 2026, 13:25

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida ganhou novos teto salarial e valor máximo de imóvel que pode ser financiado dentro das taxas subsidiadas. Todas as quatro faixas foram reajustadas e o limite máximo de renda familiar mensal passou de R$ 12 mil para R$ 13 mil.

As mudanças foram aprovadas pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nesta terça-feira (24).

Com as alterações, a Faixa 1 passa a atender famílias com renda mensal até R$ 3,5 mil. Na regra antiga, o teto era de R$ 2.850.

Já a Faixa 2 passou de R$ 4.700 para até R$ 5 mil, enquanto a Faixa 3 avançou de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil.

O mesmo incremento foi aplicado ao teto da Faixa 4, voltada à classe média. O limite subiu R$ 1 mil para R$ 13 mil.

Os valores máximos de imóveis que podem ser financiados no programa também subiu. A Faixa 3 teve um incremento de R$ 50 mil. Esse segmento vai atender aquisições de residências de até R$ 400 mil.

Na Faixa 4, o limite subiu R$ 100 mil e agora as famílias poderão comprar imóveis com valor de até R$ 600 mil.

A última grande mudança do programa ocorreu em abril do ano passado. Foi justamente a criação da Faixa 4 para atender famílias de classe média, que acabaram excluídas do crédito imobiliário no atual cenário de juros altos.

As taxas dos empréstimos não mudaram. A Faixa 1 continua com juros de até 4,25% ao ano. Na Faixa 2, as taxas vão até 7%, enquanto na 3, os custos podem alcançar 8,16% anuais. A Faixa 4 tem taxas de até 10,5% ao ano.

PicPay e Banco Sofisa trazem novidades para a alta renda; veja

13 de Março de 2026, 17:56

O segmento de alta renda segue no radar das instituições financeiras digitais. PicPay e Banco Sofisa anunciaram novos benefícios voltados a esse público, que vão desde conectividade internacional até vantagens em serviços de delivery premium.

PicPay lança eSIM internacional para clientes Epic

O PicPay anunciou a entrada no mercado de conectividade global para competir no segmento de alta renda, movimento semelhante ao adotado por outras instituições digitais, como o Nubank.

Em parceria com a empresa internacional Gigs, o banco passa a oferecer um eSIM global gratuito com 10 GB de dados, válidos por um ano. O benefício é exclusivo para clientes do segmento Epic, voltado a usuários que buscam experiências premium e maior conveniência em viagens internacionais.

Ao oferecer conectividade internacional dentro da conta global para clientes Epic, ampliamos a proposta de valor do produto e entregamos uma experiência ainda mais completa para quem busca conveniência, liberdade e tecnologia’, afirma Pedro Romero, diretor executivo de Wallet e Banking do PicPay.

Segundo o banco, a tecnologia da Gigs permite conectar usuários a redes móveis internacionais diretamente pelo aplicativo, sem os custos e a complexidade de operar como uma empresa de telecomunicações.

Sofisa oferece cupom no iFood Gourmet

De olho no Dia do Consumidor, o Banco Sofisa lançou uma campanha para clientes dos cartões Visa Infinite e Platinum. Entre 13 e 15 de março, quem fizer compras a partir de R$ 100 na seção Gourmet iFood poderá receber um cupom de R$ 20.

Para clientes do cartão Sofisa Visa Infinite, o benefício é cumulativo com o cashback de 5% oferecido pelo banco para gastos em bares, restaurantes e delivery.

A iniciativa com o iFood para o Dia do Consumidor busca recompensar a fidelidade dos nossos clientes e unir a praticidade do delivery com uma vantagem financeira’, afirma André Jatene, superintendente executivo do Banco Sofisa.

Raízen em recuperação extrajudicial: os efeitos para o mercado de crédito e para fundos

11 de Março de 2026, 14:09

O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen pode gerar volatilidade nos preços de títulos negociados no mercado, além de efeitos também sobre fundos de crédito privado e da cadeia do agronegócio (Fiagros).

Segundo gestores de crédito de grandes casas ouvidos pelo InvestNews, a situação da Raízen já havia sido “precificada”, como se diz no jargão do mercado, nos títulos da companhia – CRAs, debêntures e bonds – dado o quadro de deterioração de sua saúde financeira há alguns meses.

Isso significa que esses ativos vinham sendo negociados com grande desconto em relação ao seu valor de face (o valor original definido na emissão e pago ao investidor no vencimento).

Mas, apesar dessa antecipação dos efeitos da crise da empresa, como credores ainda podem vender e comprar os papéis em plataformas de corretoras, o investidor que apostou na Raízen ainda poderá ver grande volatilidade nos preços de títulos até que a empresa resolva – ou não – a sua situação financeira.

Se muitos investidores tentarem vender o papel, o preço ainda pode cair mais, e essa situação, gerar uma piora mais ampla na percepção de risco por parte de investidores e na demanda por títulos de outras companhias, gerando uma contaminação para o mercado como um todo.

Esse é o efeito considerado mais relevante no mercado de crédito privado porque os CRAs da Raízen estão principalmente nas mãos de investidores de varejo.

Mas, como os títulos – e, sobretudo as debêntures -, estão espalhados em fundos de crédito no mercado brasileiro, casas de investimento que tiverem o papel podem sentir essa desvalorização e serem obrigadas a “marcar” (registrar) uma performance pior – ainda que isso seja marginal.

Segundo dados de janeiro deste ano, Itaú, Banco do Brasil, Absolute e BTG Pactual estavam entre as gestoras e os bancos que possuem (ou detinham) os papéis da Raízen em carteiras.

Conforme as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), gestoras devem deixar públicas as informações das suas carteiras com uma defasagem de no máximo três meses.

Conforme os profissionais de gestão ouvidos pelo InvestNews, o que ajuda a dissipar efeitos mais dramáticos da crise da Raízen no momento atual é o fato de que o percentual de patrimônio de fundos alocado em papéis da empresa é considerado limitado, em quadro que diverge de crises como a da Americanas e a da Light, em que havia maior concentração nas carteiras.

Além disso, como esses fundos estão com bastante caixa disponível neste momento – ou seja, com investimentos em títulos públicos de alta liquidez –, o efeito tende a ser moderado e se diluir com o tempo, mesmo que os investidores decidam resgatar mais recursos em um contexto de piora da percepção de risco e de um desempenho pior desses ativos.

Entre os Fiagros, a gestora mais relevante com posição na Raízen é a KNCA11 (Kinea Crédito Agro), um veículo mais diversificado, mas que prioriza grandes empresas.

A exposição é equivalente a 1% do patrimônio. O fundo adquiriu um CRA com vencimento em 2032 no valor de R$ 57,9 milhões; hoje, o valor “marcado” é de R$ 22 milhões.

Se os preços dos títulos da Raízen caírem, as taxas de retorno dos papéis sobe – essa é a dinâmica da renda fixa. E aí, pode até parecer que comprar o papel representa um bom negócio, dado que estará pagando uma remuneração maior.

Mas é preciso dar um passo atrás porque cada movimento nesse sentido significa que o risco também está ficando proporcionalmente maior.

Quem decide entrar em momentos de mercado como o atual à espera de uma remuneração maior pode enfrentar um cenário ainda mais grave caso a companhia não consiga se reestruturar em 90 dias, o prazo previsto dentro da recuperação extrajudicial.

Neste momento, segundo os gestores ouvidos pelo InvestNews, os fundos têm menos interesse em vender os títulos da Raízen diante da expectativa de que haverá chance de alguma recuperação de uma parte do investimento caso o processo de reestruturação da empresa seja bem-sucedido.

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Endividamento alto de Raízen e CSN reacende temor no mercado de bonds

10 de Fevereiro de 2026, 18:13

A crise financeira da Raízen e as dúvidas sobre a capacidade da CSN de reduzir seu endividamento reacenderam o nervosismo no mercado de crédito corporativo brasileiro, provocando fuga de investidores e reabrindo o debate sobre o risco de um estresse mais amplo entre empresas altamente endividadas em um ambiente de juros no maior nível em duas décadas.

O gatilho foi a Raízen. Na segunda-feira (9), a empresa perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos de rating, em meio à relutância de seus controladores — Shell e Cosan — em aportar novos recursos. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma reestruturação da dívida que atingiria diretamente os detentores de títulos.

A reação foi imediata. Investidores venderam papéis em massa, derrubando o preço de alguns bonds para cerca de 46 centavos por dólar — queda próxima de 50% em uma semana. O rendimento disparou para 18% ao ano, patamar normalmente associado a empresas em dificuldades financeiras.

O nervosismo se espalhou para a CSN. Mesmo prometendo reduzir a alavancagem por meio da venda de ativos, a siderúrgica viu seus títulos perderem cerca de 30 centavos por dólar nos últimos dias, à medida que investidores desmontaram posições antes de qualquer melhora concreta no balanço.

Para gestores globais, o choque foi a velocidade. A S&P cortou a classificação da Raízen em sete níveis de uma só vez; a Fitch, em oito.

“Nenhum outro país tem emissores cujos ratings caem tanto em um único dia”, disse Omotunde Lawal, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Barings. “Isso indica que o prêmio de risco corporativo brasileiro estava mal precificado.”

O pano de fundo é o custo da dívida. Com a taxa básica em 15%, o maior nível desde 2006, empresas muito alavancadas sentem pressão crescente. Ainda assim, o estresse permanece concentrado no crédito: a bolsa brasileira segue em alta e o real se fortaleceu com a entrada de capital estrangeiro.

O mercado já havia passado por episódio semelhante no ano passado, com os casos de Ambipar e Braskem. Na época, o choque foi tratado como pontual. Agora, investidores voltam a se perguntar se os casos recentes são isolados — ou sinal de um problema mais amplo.

“O mercado de dívida corporativa está relativamente nervoso e pouco líquido”, disse Sergey Dergachev, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Union Investment. “Os investidores ainda tentam entender a dimensão real do risco.”

A situação da Raízen amplia a apreensão. Desde o IPO de 2021, a empresa enfrenta custos elevados de dívida, safras mais fracas do que o esperado e investimentos que ainda não deram retorno. A ausência de apoio explícito de Shell e Cosan é vista como um sinal negativo pelo mercado.

Na segunda-feira, a S&P afirmou que a companhia pode caminhar para uma reestruturação equivalente a default. Horas depois, a Fitch realizou novo corte após a contratação de assessores financeiros — movimento que costuma anteceder renegociações.

“A Raízen destruiu valor para acionistas desde o IPO; agora os credores dividem a dor”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital. A velocidade da queda surpreendeu até analistas otimistas. JPMorgan e Balanz haviam elevado a recomendação dos títulos neste mês, vendo a liquidação inicial como oportunidade.

“Subestimamos a probabilidade de um cenário extremo”, disse Nicolas Giannone, da Balanz. “E definitivamente não esperávamos a velocidade do selloff.”

Endividamento alto de Raízen e CSN reacende temor no mercado de bonds

10 de Fevereiro de 2026, 18:13

A crise financeira da Raízen e as dúvidas sobre a capacidade da CSN de reduzir seu endividamento reacenderam o nervosismo no mercado de crédito corporativo brasileiro, provocando fuga de investidores e reabrindo o debate sobre o risco de um estresse mais amplo entre empresas altamente endividadas em um ambiente de juros no maior nível em duas décadas.

O gatilho foi a Raízen. Na segunda-feira (9), a empresa perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos de rating, em meio à relutância de seus controladores — Shell e Cosan — em aportar novos recursos. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma reestruturação da dívida que atingiria diretamente os detentores de títulos.

A reação foi imediata. Investidores venderam papéis em massa, derrubando o preço de alguns bonds para cerca de 46 centavos por dólar — queda próxima de 50% em uma semana. O rendimento disparou para 18% ao ano, patamar normalmente associado a empresas em dificuldades financeiras.

O nervosismo se espalhou para a CSN. Mesmo prometendo reduzir a alavancagem por meio da venda de ativos, a siderúrgica viu seus títulos perderem cerca de 30 centavos por dólar nos últimos dias, à medida que investidores desmontaram posições antes de qualquer melhora concreta no balanço.

Para gestores globais, o choque foi a velocidade. A S&P cortou a classificação da Raízen em sete níveis de uma só vez; a Fitch, em oito.

“Nenhum outro país tem emissores cujos ratings caem tanto em um único dia”, disse Omotunde Lawal, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Barings. “Isso indica que o prêmio de risco corporativo brasileiro estava mal precificado.”

O pano de fundo é o custo da dívida. Com a taxa básica em 15%, o maior nível desde 2006, empresas muito alavancadas sentem pressão crescente. Ainda assim, o estresse permanece concentrado no crédito: a bolsa brasileira segue em alta e o real se fortaleceu com a entrada de capital estrangeiro.

O mercado já havia passado por episódio semelhante no ano passado, com os casos de Ambipar e Braskem. Na época, o choque foi tratado como pontual. Agora, investidores voltam a se perguntar se os casos recentes são isolados — ou sinal de um problema mais amplo.

“O mercado de dívida corporativa está relativamente nervoso e pouco líquido”, disse Sergey Dergachev, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Union Investment. “Os investidores ainda tentam entender a dimensão real do risco.”

A situação da Raízen amplia a apreensão. Desde o IPO de 2021, a empresa enfrenta custos elevados de dívida, safras mais fracas do que o esperado e investimentos que ainda não deram retorno. A ausência de apoio explícito de Shell e Cosan é vista como um sinal negativo pelo mercado.

Na segunda-feira, a S&P afirmou que a companhia pode caminhar para uma reestruturação equivalente a default. Horas depois, a Fitch realizou novo corte após a contratação de assessores financeiros — movimento que costuma anteceder renegociações.

“A Raízen destruiu valor para acionistas desde o IPO; agora os credores dividem a dor”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital. A velocidade da queda surpreendeu até analistas otimistas. JPMorgan e Balanz haviam elevado a recomendação dos títulos neste mês, vendo a liquidação inicial como oportunidade.

“Subestimamos a probabilidade de um cenário extremo”, disse Nicolas Giannone, da Balanz. “E definitivamente não esperávamos a velocidade do selloff.”

Hapvida perto de mínimas históricas com onda de rebaixamentos

19 de Novembro de 2025, 12:59

As ações da Hapvida estão próximas das mínimas históricas após um resultado abaixo do esperado na semana passada ter desencadeado uma onda de rebaixamentos para a operadora de saúde.

O UBS BB foi o banco mais recente a rebaixar a recomendação da ação esta semana, reduzindo-a de compra para neutra e cortando o preço-alvo de R$ 55 para R$ 21. O resultado abaixo do esperado desencadeou um mergulho de 42% nas ações. Os papéis da empresa registraram a pior sessão da história em 13 de novembro, com a empresa perdendo mais de R$ 7,7 bilhões em valor de mercado desde então.

Analistas de bancos como JPMorgan, Citi, Banco Safra e Banco do Brasil rebaixaram a Hapvida na última semana, após os resultados trimestrais ficarem amplamente abaixo das estimativas, com custos médicos mais altos, maior concorrência e dinâmica de preços pressionando ainda mais as margens. A empresa agora tem sete recomendações de compra e sete de manutenção, com o número de analistas otimistas no nível mais baixo desde que a empresa abriu capital há sete anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. E a perspectiva continua desafiadora.

“A Hapvida apresentou um conjunto muito fraco de resultados no 3T25, ficando bem abaixo do consenso e desencadeando uma forte venda das ações”, afirmou o analista Ricardo Boiati, do Banco Safra, em nota: “A ausência de metas de margem, seja de curto ou longo prazo, deixa o mercado praticamente no escuro quanto ao caminho da recuperação e ao equilíbrio de longo prazo.”

O analista do UBS BB André Salles afirmou que as margens da Hapvida devem permanecer sob pressão nos próximos dois anos devido ao crescimento da base de beneficiários abaixo do esperado e aos modestos aumentos de preços.

O Citi também revisou as estimativas para os próximos dois anos, reduzindo as previsões de lucros em 46% e 40% para 2026 e 2027, respectivamente, ao mesmo tempo em que cortou drasticamente o preço-alvo das ação de R$ 57 para R$ 23.

“A combinação de uma piora na receita líquida no curto prazo e a contínua recuperação de custos e despesas aumentou o risco para nossa tese de margem, que deve levar muito mais tempo para se materializar”, afirmou o analista Leandro Bastos, do Citi, em uma nota aos clientes. O banco rebaixou a recomendação da ação para neutra. “A visibilidade dos resultados permanece próxima de zero neste momento.”

Correios buscam aporte de R$ 20 bilhões e aposta em PDV para dar tração a plano de reestruturação

15 de Outubro de 2025, 16:52

Os Correios confirmaram nesta quarta-feira (15) que irão realizar uma operação de crédito no valor de R$20 bilhões para dar conta da necessidade de caixa de 2025 e 2026, segundo comunicado da empresa.

A medida faz parte do plano de reestruturação apresentado pela estatal, que contém três grupos de medidas: corte de despesas operacionais e administrativas; busca pela diversificação de receitas, com recuperação da capacidade de geração de caixa; e recuperação da liquidez da empresa.

De acordo com a nota divulgada pela estatal, a operação de crédito faz parte do terceiro bloco de medidas. O modelo proposto é de um consórcio de bancos, informou a empresa.

Desenho do aporte

O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, confirmou a informação em entrevista coletiva concedida em Brasília nesta quarta. Além do empréstimo de R$ 20 bilhões, a estatal também implementará um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV).

“O primeiro ponto fundamental que estamos entabulando neste momento é um programa de demissão voluntário para reduzir a estrutura de gastos da empresa e começar o equacionamento entre receita e despesa”, afirmou.

Rondon detalhou que o programa não será linear, e sim focado em áreas com excesso de carga de trabalho. Com isso, a empresa acredita que não irá comprometer sua capacidade operacional.

Os Correios, que faziam parte do programa de desestatização do governo de Jair Bolsonaro, acumula perdas desde 2022, com prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025. A crise, segundo a companhia, foi agravada por questões como a “taxa das blusinhas”, que impactou compras internacionais e reduziu receitas.

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