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O que brasileiros gastam a mais em Portugal por não conhecer o sistema

22 de Março de 2026, 06:30

Ao fazer a mudança para Portugal, muitos brasileiros pagam mais caro por serviços básicos. Não necessariamente porque os preços sejam mais altos, ou pelo fato de as contas serem em euro, mas porque o funcionamento de algumas coisas é diferente do que estamos acostumados.

Existem pequenos macetes que só aprendemos depois de alguns meses vivendo em terras lusas. Alguns aprendi depois que o gasto pesou no meu orçamento. Outros descobri com amigos que tomaram decisões na pressa da chegada e até hoje não conseguiram reverter a situação.

Em geral, eu diria que encontrar onde morar é um dos principais desafios. Primeiro porque conseguir um contrato de arrendamento, como eles chamam o aluguel, tende a ser difícil para quem acabou de chegar, especialmente se os rendimentos de trabalho estão no Brasil ou quando não há um fiador local.

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Quando fui buscar um lugar para morar, tive bastante dificuldade. O mercado imobiliário em Portugal, principalmente em Lisboa, está cada vez mais aquecido, como contei neste outro artigo. Cada anúncio de imóvel com um ou dois quartos recebe dezenas de visitantes disputando a atenção dos proprietários.

Os corretores ficam responsáveis por filtrar os possíveis inquilinos e, nesse processo, a preferência costuma ser para quem já tem histórico no país ou nacionalidade portuguesa. Para outros imigrantes, a situação pode ser ainda mais difícil. Presenciei uma paquistanesa que fingiu ser portuguesa para conseguir conhecer um imóvel porque sequer estava conseguindo agendar visitas.

Na prática, esse processo acaba empurrando as pessoas para arranjos informais com os proprietários. O problema é que aceitar um quarto ou apartamento em subarrendamento, ou sem contrato, pode trazer riscos. Sem um contrato formal, o morador pode ser obrigado a sair rapidamente ou receber um pedido de caução para formalizar a situação depois, gerando pagamentos extras que não estavam previstos. Quando isso acontece sem uma reserva financeira, há quem acabe recorrendo até a crédito para resolver o problema.

Falando em contratos, eles também podem ser uma armadilha. Nos planos de internet, TV e academias, a fidelização é bastante comum no país, às vezes por 12 ou 24 meses. Quem assina o contrato sem prestar atenção pode acabar preso a mensalidades que poderiam ser evitadas.

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E pode confiar que existem alternativas sem fidelização em academias e também em operadoras móveis mais baratas. Neste outro artigo contei um pouco sobre como escolher boas opções. Quando achar que não há alternativas sem fidelização, vale parar e pesquisar um pouco mais. Elas existem.

Pequenos truques que fazem diferença no orçamento

Outro detalhe pouco conhecido aparece nas contas de energia. Em Portugal, a fatura não depende apenas do consumo de eletricidade. Existe a chamada potência contratada, que define quanta energia pode ser usada ao mesmo tempo na casa e influencia a parte fixa da conta mensal. Muitos contratos são feitos com uma potência maior do que o necessário para apartamentos pequenos e, na hora de alugar, a transferência de titularidade é feita sem alterar essa potência. Na prática, isso significa pagar todos os meses por uma capacidade que talvez nunca seja usada. Para quem quer comparar preços, existe inclusive um comparador oficial de tarifas de energia da ERSE, o regulador do setor.

No supermercado, alguns truques também fazem diferença no orçamento mensal. As grandes redes trabalham com campanhas promocionais frequentes, seja por meio de cashback ou com vales para compras futuras.

No Pingo Doce, por exemplo, há uma campanha mensal, normalmente perto do fim do mês, em que a cada 100 euros em compras o cliente recebe um vale de 20 euros para combustível e outros 20 euros para gastar no próprio supermercado na semana seguinte. Na prática, quem gastou 100 euros recebe 40 euros em benefícios para usar depois.

Já o Continente costuma oferecer cupons que devolvem parte do valor da compra em saldo para usar depois, que podem chegar a 15% do valor total da compra. Quem não usa os aplicativos ou não acompanha essas promoções acaba simplesmente pagando mais caro pela mesma compra.

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Na saúde, outra diferença importante aparece na forma como funcionam os seguros. Ao contrário do Brasil, os planos em Portugal trabalham com coparticipação. Isso significa que cada consulta ou exame tem um valor adicional a ser pago e não costuma ser barato. A diferença entre seguradoras pode ser grande, dependendo da tabela negociada para consultas e exames. Portanto, peça a tabela antes de assinar o contrato e entenda quanto você vai pagar por cada atendimento, exame, ida à emergência ou internação.

Agora, uma boa notícia. Para procedimentos sem urgência, o Serviço Nacional de Saúde costuma funcionar bem para marcações e exames, embora o tempo de espera possa variar. Fiz algumas marcações que demoraram cerca de três meses, mas não paguei pela consulta e os exames também foram realizados sem custo, em um caso inclusive de um dia para o outro. Em situações de emergência, porém, a história é diferente. Por isso, ter um seguro pode evitar gastos inesperados.

Outro ponto que pode pesar no orçamento de quem acabou de chegar é o transporte. Aplicativos como Uber e Bolt funcionam muito bem e costumam ter preços acessíveis em comparação com outros países da Europa. Mas o sistema de mobilidade nas cidades portuguesas foi pensado principalmente para quem utiliza o transporte público com passe mensal.

Em Lisboa, por exemplo, o passe Navegante dá acesso aos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, seja por metrô, trem, ônibus ou elétricos, por 40 euros por mês. É um valor que compensa rapidamente para quem se desloca com frequência, algo que muita gente só percebe depois de já ter gastado bastante com corridas individuais.

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Com o tempo, esses detalhes deixam de ser surpresa. Aprende-se qual supermercado tem as melhores campanhas, qual operadora vale a pena e qual potência de energia realmente faz sentido para a casa ou apartamento. Os aplicativos entram na rotina, os contratos passam a ser assinados com mais cuidado e algumas decisões deixam de ser tomadas na pressa.

O problema é que quase ninguém chega sabendo disso. Nos primeiros meses, essa curva de aprendizado costuma aparecer direto na fatura do fim do mês. É um custo silencioso de adaptação por desconhecimento. Quanto antes essas regras ficam claras, mais fácil fica evitar gastos desnecessários!

Agenda: Decisões de juros esquentam mercados enquanto conflito no Oriente Médio segue no radar; confira os indicadores desta semana

15 de Março de 2026, 12:00

A semana de 15 a 20 de março promete ser movimentada para os mercados globais – não que eles já não estejam. No centro das atenções está a chamada Super Quarta, quando Brasil e Estados Unidos divulgam suas decisões de política monetária, em um momento de elevada incerteza no cenário internacional.

Por aqui, a expectativa gira em torno do início do ciclo de afrouxamento monetário. A Taxa Selic permanece em 15% ao ano desde junho de 2025, nível considerado bastante restritivo, e após a última reunião do Banco Central o mercado passou a projetar que os primeiros cortes poderiam começar já em março.

Assim, nesta quarta-feira (18), os investidores acompanham de perto a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O pano de fundo, no entanto, ganhou novos elementos de cautela: a escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e reacendeu dúvidas sobre possíveis pressões inflacionárias globais.

Além da decisão de juros, a agenda também traz dados relevantes. Na segunda-feira (16), será divulgado o IBC-Br de janeiro, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que pode oferecer pistas sobre o ritmo de crescimento da economia no início do ano. Já na terça-feira (17), o mercado acompanha o IGP-10 de março, indicador que ajuda a antecipar movimentos de preços na economia.

Nos Estados Unidos, a Super Quarta também concentra as atenções com a decisão de juros do Federal Reserve. Mais do que a manutenção ou não da taxa, investidores estarão atentos ao tom do comunicado e às sinalizações sobre os próximos passos da política monetária, em um cenário de inflação ainda resiliente e com novas pressões vindas do petróleo.

Na Ásia, o destaque fica para o Banco do Japão (BoJ), que também anuncia sua decisão de política monetária ao longo da semana. O mercado acompanha de perto qualquer indicação sobre o processo de normalização da política monetária no país, após anos de estímulos e juros extremamente baixos.

Ainda na região, a China divulga uma bateria de indicadores de atividade referentes a fevereiro, incluindo produção industrial, vendas no varejo, investimento em ativos fixos e taxa de desemprego. Os dados são importantes para avaliar o ritmo de recuperação da segunda maior economia do mundo e seus possíveis impactos sobre o comércio e a demanda global por commodities.

Na Europa, a agenda também reserva indicadores relevantes. Na zona do euro, serão divulgados dados como o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI), além de números de atividade, como a produção na construção civil e a balança comercial.

Já no Reino Unido, investidores seguem atentos aos sinais da economia e ao cenário inflacionário, que continuam influenciando as expectativas para a trajetória da política monetária do país.

Confira a agenda de indicadores entre 15 e 20 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (16)
    8h00 – IBC-Br – Atividade econômica (% m/m) – jan/26
    8h25 – Boletim Focus
  • Terça-feira (17)
    8h00 – IGP-10
  • Quarta-feira (18)
    18h30 – Decisão do Copom – Taxa Selic

Estados Unidos

  • Segunda-feira (16)
    10h15 – Produção Industrial
  • Quarta-feira (18)
    9h30 – Núcleo do PPI
    9h30 – Pedidos de Bens de Capitais
    15h00 – Decisão de juros do FOMC
  • Quinta-feira (19)
    11h00 – Vendas de Novas Casas
    11h00 – Concessões de Alvarás

Zona do Euro

  • Quarta-feira (18)
    7h00 – Núcleo do CPI
  • Quinta-feira (19)
    7h00 – Atividade na Construção Civil
    9h15 – Decisão de juros
  • Sexta-feira (20)
    7h00 – Conta Corrente
    7h00 – Balança Comercial

China 

  • Domingo (15)
    22h30 – Preços de Imóveis
    23h00 – Vendas no Varejo
    23h00 – Produção Industrial
    23h00 – Taxa de Desemprego
    23h00 – Investimento em Ativos Fixos
    23h00 – Coletiva de imprensa do Departamento Nacional de Estatísticas

Japão

  • Terça-feira (17)
    20h50 – Balança Comercial
  • Quarta-feira (18)
    23h30 – Declaração de Política Monetária do Banco do Japão
  • Quinta-feira (19)
    00h00 – Decisão de juros do Banco do Japão
    01h30 – Produção Industrial
    03h30 – Coletiva de imprensa do Banco do Japão
  • Sexta-feira (20)
    – Feriado: Equinócio da Primavera (mercados fechados)

Agenda: Inflação no Brasil e nos EUA concentra atenções antes de decisões de juros; confira agenda da semana

8 de Março de 2026, 12:00

Antes da Super Quarta marcada para o dia 18 de março – dia que reunirá as decisões de juros dos Estados Unidos e do Brasil – os investidores irão receber os dados de inflação em ambos os países, o que ajudará a calibrar as exceptivas para as decisões que serão tomadas em meio um conflito geopolítico que assombra os mercados.

Por aqui, o dado de inflação, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), será disponibilizado na quinta-feira (12), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número será olhado com cautela, uma vez que o IPCA-15 de fevereiro, que é a prévia da inflação, veio acima do esperado.

Na semana ainda será divulgado o Boletim Focus, na segunda-feira (9), vendas no varejo na quarta-feira (11), acompanhado do crescimento do setor de serviços, na sexta-feira (13).

Já nos Estados Unidos, o Índice de Preços de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação preferida do Fed, sai apenas na sexta-feira (13), acompanhado do Relatório JOLTS. Além disso, no início da semana o mercado acompanha a variação semanal de empregos ADP na terça-feira (10) e a balança comercial na quinta-feira (12).

Na Zona do Euro, o foco fica com a reunião do Eurogrupo na segunda-feira (9), e na Inglaterra, na sexta-feira (13), o Produto Interno Bruto (PIB).

Do lado Oriental do globo, Japão também divulga o PIB, na segunda. China compartilha com os investidores no domingo (8) o IPC e o Índice de Preços ao Produtor (PPI), já a terça-feira (10) é dia de balança comercial.

Confira a agenda de indicadores entre 9 a 14 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (9)
    8h25 – Boletim Focus
  • Quarta-feira (11)
    9h00 – Vendas no Varejo
    14h30 – Fluxo Cambial Estrangeiro
  • Quinta-feira (12)
    9h00 – IPCA
  • Sexta-feira (13)
    9h00 – Crescimento do Setor de Serviços

Estados Unidos

  • Terça-feira (10)
    9h15 – Variação semanal de empregos ADP
    11h00 – Vendas de Casas Usadas
    17h30 – Estoques de Petróleo Bruto – API
  • Quarta-feira (11)
    9h30 – IPC
    9h30 – Discurso de Bowman, membro do FOMC
    11h30 – Estoques de Petróleo Bruto
    15h00 – Balanço Orçamentário Federal
  • Quinta-feira (12)
    9h30 – Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego
    9h30 – Balança Comercial
    9h30 – Construção de Novas Casas
    12h00 – Discurso de Bowman, membro do FOMC
    17h30 – Balanço Patrimonial do Federal Reserve
  • Sexta-feira (13)
    9h30 – Índice de preços PCE
    9h30 – Pedidos de Bens Duráveis
    11h00 – Relatório JOLTS

Zona do Euro

  • Segunda-feira (9)
    7h00 – Encontro do Eurogrupo
  • Sexta-feira (13)
    7h00 – Produção Industrial

Inglaterra

  • Segunda-feira (9)
    21h01 – Vendas no Varejo do BRC
  • Quinta-feira (12)
    6h30 – Discurso de Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
  • Sexta-feira (13)
    4h00 – PIB
    4h00 – Produção Industrial
    4h00 – Balança Comercial

Japão

  • Domingo (8)
    20h50 – Transações Correntes
  • Segunda-feira (9)
    20h30 – Gastos Domésticos (mensal)
    20h50 – PIB

China

  • Domingo (8)
    22h30 – IPC
    22h30 – Índice de Preços ao Produtor (PPI)
  • Terça-feira (10)
    0h00 – Balança Comercial
  • Sábado (14)
    6h00 – Novos Empréstimos

Empresas da zona do euro estão otimistas, mas lucros caem, mostra pesquisa

27 de Outubro de 2025, 09:27

O crescimento do crédito para as empresas da zona do euro desacelerou em setembro, mas as companhias permaneceram otimistas, mesmo que os lucros estejam se deteriorando e a inflação possa ficar mais elevada. É o que mostraram pesquisas separadas do Banco Central Europeu (BCE) nesta segunda-feira (27).

A economia da zona do euro mostrou-se resiliente este ano em meio à incerteza tarifária, mas o crescimento ainda é de apenas 1%, sugerindo que a diferença econômica em relação aos EUA continuará a aumentar.

“Cerca de 25% das empresas permaneceu otimista em relação aos acontecimentos no próximo trimestre – mais do que no trimestre anterior”, mostrou a Pesquisa sobre o Acesso das Empresas a Financiamento. “Ao mesmo tempo, as empresas continuaram a observar uma deterioração em seus lucros.”

Inflação na zona do euro

A pesquisa também mostrou que as expectativas de inflação ficaram, de modo geral, estáveis, mas as empresas veem um crescimento de preços acima da meta de 2% do BCE para os próximos anos e até mesmo um risco de aceleração.

A inflação tem se mantido em torno da meta durante quase todo o ano e o próprio BCE a vê abaixo de 2% durante a maior parte dos próximos dois anos, antes de voltar a subir para a meta em 2027.

“A mediana das expectativas para a inflação anual um ano à frente permaneceram em 2,5%, enquanto as expectativas para três e cinco anos à frente permaneceram em 3,0%”, disse o BCE. “Para o horizonte de cinco anos, a maioria das empresas continua a indicar que os riscos para as perspectivas de inflação estão inclinados para o lado positivo.”

O crescimento do crédito às empresas, por sua vez, desacelerou em setembro, embora a taxa tenha permanecido perto de uma máxima de dois anos, e os empréstimos às famílias continuaram a expandir no ritmo mais forte desde o início de 2023, mostrou o relatório do BCE sobre a evolução monetária.

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