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Solução para restrição de oferta de combustíveis é reajuste da Petrobras, dizem fontes do setor

20 de Março de 2026, 18:35

A solução para a atual crise de restrição de oferta de combustíveis no Brasil seria um reajuste de preços pela Petrobras (PETR4), para que se abra novamente uma janela de importação e mais agentes tenham segurança de trazer o produto do exterior e remunerar suas atividades, afirmaram fontes diversas do setor de distribuição à Reuters.

“Enquanto a Petrobras não equalizar seus preços aos dos importados e mantiver a prática de não atender pedidos adicionais e suspender leilões — mesmo que estes cheguem a negociar produtos, em alguns casos, a até R$2,50 por litro acima do preço de lista — a situação tende a se agravar”, disse uma fonte do setor, na condição de anonimato.

Com sua produção, a Petrobras responde por mais de 50% do consumo de diesel no país, com aproximadamente 20% vindo das refinarias privadas e o restante da importação, realizada por uma série de players, entre grandes e pequenos — e pela própria estatal.

Por isso a importância de equiparar as cotações do país, que estão defasadas em mais de 70% em relação ao produto no exterior, para viabilizar as compras externas, e a retomada dos leilões, que incluem o produto importado pela Petrobras, disseram as fontes.

Na véspera, a agência reguladora ANP pediu que a Petrobras retome leilões de combustíveis, que foram interrompidos repentinamente no início da semana, após o sindicato Sindicom, que representa as distribuidoras nacionais Raízen, Vibra e Ipiranga, apontar riscos ao abastecimento em carta enviada à autarquia e ao governo. A associação Brasilcom, que representa mais de 40 distribuidoras regionais, também manifestou preocupação com o abastecimento, fazendo coro contra a ausência de paridade com o diesel importado.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, justificou a jornalistas na semana passada que a parada foi para reavaliar estoques, sem dar detalhes, e a companhia ainda não indicou se as concorrências serão retomadas.

Questionada sobre o pedido da ANP, a Petrobras afirmou que analisaria o assunto, mas destacou que continua entregando ao mercado todo o volume de combustíveis produzidos em suas refinarias, que estão operando em carga máxima. A petroleira relatou também que tem ampliado e antecipado entregas às distribuidoras, fornecendo volumes cerca de 15% superiores aos montantes acordados no início do mês.

A paralisação das ofertas extras de diesel pela petroleira em leilões, que estavam sendo negociadas entre R$1,80 e R$2,00 por litro acima do preço de referência das refinarias da própria companhia, segundo entidades do setor, ocorre enquanto o governo busca meios para evitar o impacto ao consumidor, em meio a um ano importante de eleições.

O governo cortou tributos federais sobre os combustíveis e lançou um programa de subsídio ao diesel. Agora, tem feito pressão sobre os Estados, para que eles reduzam o ICMS sobre os combustíveis, enquanto tem conseguido evitar uma greve de caminhoneiros.

“Se o governo quer salvar os caminhoneiros, pode reativar o cartão do caminhoneiro, ao invés de pressionar Estados a perder ICMS, ameaçar agentes privados com tabela de preços”, disse uma outra fonte de uma distribuidora. “Tabelar fretes mais altos como estão fazendo vira preço no final… vai impactar até o diesel, a gasolina, o etanol.”

As medidas do governo, segundo fontes e especialistas, buscam endereçar impactos ao consumidor, mas não atenuam as restrições à oferta, já sentidas pelo mercado, e muito menos os riscos ao desabastecimento nacional.

Procurada para comentar as afirmações das pessoas integrantes do mercado de combustíveis, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

Inexorável

Mas, segundo fontes do mercado, o impacto da disparada recente dos preços do petróleo no mercado externo chega ao consumidor brasileiro de qualquer forma, mesmo que atenuado por algumas medidas do governo, uma vez que o Brasil não é autossuficiente na produção de combustíveis.

Além disso, regras do mercado impedem que empresas comprem produtos no exterior e vendam com prejuízo em benefício do governo federal e da sociedade, sem serem remuneradas por isso. Até mesmo a Petrobras, uma empresa de capital misto, não pode tomar prejuízo para abastecer o mercado, pois há regras que a impedem em seu estatuto e por ter ações negociadas na Bolsa de Nova York, sob risco dos membros de sua diretoria serem acionados na Justiça.

Prova disso, segundo agentes do mercado, é que a Petrobras reduziu a oferta de diesel dentro do permitido em contratos e por preços bem abaixo da paridade de importação, e estava vendendo os volumes excedentes nos leilões, a valores mais altos.

“A pauta do governo é o preço, e o governo vai ter que entender que existe a mão do mercado internacional que ele não consegue controlar. O preço é o que o mercado internacional fala, o preço é o que a Petrobras ganha quando ela vende no leilão”, disse a fonte de uma outra distribuidora, na condição de anonimato.

“O que resolve esse problema é a Petrobras praticar a paridade de preço internacional”, acrescentou, pontuando que só assim empresas que trabalham no mercado spot no Brasil poderão voltar a trazer cargas do exterior.

Segundo as fontes, as grandes distribuidoras nacionais, que têm contratos e compromissos com rede embandeirada, têm condições e importarão volumes adicionais, garantindo o abastecimento de seus clientes, inclusive sob pena de multa, apesar de forte risco nessas operações.

“Porque, se no meio do caminho de trazer esses navios (do exterior), o Trump abraçar o aiatolá, acabar a guerra, liberar o Estreito de Ormuz e o barril voltar para US$60, a gente vai tomar um prejuízo de hedge na cabeça”, disse a pessoa.

Entretanto, os fornecedores menores, que atuam apenas quando a janela de importação está aberta, ficam sem opção para atender ao mercado, em uma situação que tem causado restrição de oferta pelo Brasil, principalmente em regiões que dependem de produto importado.

Alta do diesel já afeta exportações de soja do Brasil

16 de Março de 2026, 18:51

A alta de preços de combustível gerada pela guerra no Oriente Médio tem prejudicado os exportadores do Brasil, que depende fortemente de caminhões movidos a diesel para o transporte de produtos. 

O Brasil está no no pico das exportações de soja, seu principal produto agrícola de exportação. O incremento nos preços do diesel está elevando o custo de transporte da soja até os terminais de exportação, além de aumentar as pressões inflacionárias de forma mais ampla.

Diversas empresas de comércio de commodities agrícolas paralisaram ofertas de compra de soja no mercado local na última semana em meio a medo de uma alta acentuada nos custos de frete, segundo analistas e corretores. O diesel representa uma parcela importante do custo de comercialização de soja, e a ausência de instrumentos de hedge que protejam contra elevações bruscas pode expor os traders a prejuízos.

Algumas das maiores companhias de comercialização de soja estiveram menos ativas no mercado brasileiro recentemente, uma vez que os riscos de frete se somaram a preocupações sanitárias que atingiram exportações para a China, disse João Henrique Teodoro, consultor de mercado na Patria Agronegócios. 

Os problemas ocorrem em um período particularmente sensível para a agricultura brasileira, uma vez que o país é o principal fornecedor de soja para a China nessa época do ano. Uma guerra prolongada, e contínua volatilidade nos fretes, poderia criar gargalos logísticos, eventualmente levando importadores a buscar outros fornecedores como os Estados Unidos ou a Argentina. 

“As companhias precisam de uma forma de planejamento, e dependendo de quanto tempo isso levar, podemos ver complicações na logística,” disse Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural. 

Agora, empresas de transporte podem começar a cobrar taxas de emergência por conta da guerra, disse Silvio Kasnodzei, presidente de um sindicato que representa transportadoras no estado do Paraná. O governo brasileiro anunciou uma redução em impostos federais pra proteger consumidores da alta do petróleo, mas as transportadoras acreditam que o movimento foi insuficiente pra aliviar a incerteza, disse Kasnodzei.

Enquanto nos Estados Unidos as barcaças tem um papel significativo no transporte de longa distância da soja para exportação, no Brasil um estudo da Universidade de São Paulo apontou que 55% da soja depende de caminhões para chegar aos portos. Volumes movimentados por estrada tiveram um crescimento em anos recentes, uma vez que investimentos em ferrovias ou hidrovias não acompanharam o ritmo de crescimento da produção agrícola. 

Ao firmarem negócios de compra pra soja no Brasil, traders que compram cargas para serem entregues nos próximos meses ficam expostos à flutuações no custo de frete, disse Rodrigo Gonçalves, diretor-executivo da empresa de soluções logísticas goFlux. Se uma empresa negociando soja para maio for confrontada com aumentos no custo de frete, aquilo que antes seria uma transação lucrativa termina se transformando em prejuízo, disse ele.

Mão com bico de combustível amarelo abastecendo carro vermelho.

Isso ocorre num momento de custos já elevados para o frete de commodities agrícolas, devido a alta demanda nessa época do ano. Os custos de transporte por caminhão chegaram a um pico por conta de chuvas que forçaram os produtores rurais a acelerarem a colheita, fazendo o setor movimentar volumes grandes em um curto período de tempo. Más condições nas estradas também levaram a prazos mais longos do que o usual em algumas rotas durante o mês de fevereiro.

Embora os preços de combustível no Brasil sejam influenciados pela política da Petrobras, os caminhoneiros viram preços se elevarem no interior do país antes mesmo de a empresa implementar um aumento oficialmente.

Nos primeiros oito dias de março, o preço do diesel vendido pelas distribuidoras a postos de combustivel subiu cerca de 8%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O preço da Petrobras não havia sido alterado no período, mas a companhia anunciou na última sexta-feira que iria elevar o custo aos distribuidores.

Subsídio ao diesel: ANP deve divulgar preço de referência nesta semana

16 de Março de 2026, 13:41

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deve definir ainda nesta semana os preços de referência que vão orientar a política de subvenção do governo para produtores e importadores de diesel, disse nesta segunda-feira (16) o diretor-geral da autarquia, Artur Watt.

A expectativa é de que o tema seja aprovado em reuniões extraordinárias da diretoria da ANP, acrescentou.

Segundo Watt, esse preço de referência servirá como parâmetro para o mercado, uma vez que a Medida Provisória que trata do assunto tem efeitos retroativos à data de sua publicação.

“A subvenção já está em vigor. Fixamos o preço, e ele retroage. Divulgar esse valor ajuda o mercado a entender que, para se beneficiar da subvenção, é necessário manter o preço dentro do limite estabelecido”, afirmou Watt durante evento na sede da Firjan.

O programa prevê um subsídio de R$ 0,32 por litro para as empresas que aderirem.

A subvenção, juntamente com a redução dos tributos PIS/Cofins, foi anunciada pelo governo para conter o impacto da alta do petróleo Brent, causada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

A ANP poderá revisar o preço de referência sempre que considerar necessário para atender aos “interesses do consumidor”.

“O próprio anúncio da MP já sinaliza ao mercado que os preços devem seguir um patamar reduzido, compatível com a subvenção”, completou Watt.

Brasil importa um quarto do diesel que consome. E lá fora a alta já é de 50%

14 de Março de 2026, 12:57

Desde o início da guerra, há 15 dias, o diesel no mercado internacional sobe 50% – ainda mais do que os 42% do petróleo. E boa parte do diesel que abastece os caminhões brasileiros vem de fora. 

O Brasil, apesar de ser um grande exportador de petróleo, não tem capacidade de refino para atender a demanda interna por diesel. As importações suprem 25% do nosso consumo.

Daí as altas nos postos. De acordo com a ANP, o preço médio do diesel nos postos subiu 12% na última semana. E dados do sistema de monitoramento TruckPag,levantados pelo Valor, mostram um acréscimo de 18,75% desde o dia 27 de fevereiro, o último antes da eclosão do conflito. 

Foi nesse contexto que a Petrobras anunciou na sexta (13) o primeiro reajuste do diesel em refinarias após 312 dias: alta de R$ 0,38 por litro, ou 11,6%, com o preço passando de R$ 3,27 para R$ 3,65 a partir deste sábado (14).

O reajuste, de qualquer forma, não cobre nem de longe a defasagem ante o preço internacional. Para isso, o preço teria de subir a R$ 5,61 por litro, de acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). 

Essa diferença é central para entender como a guerra pesa no mercado brasileiro. Quando a cotação internacional dispara, os importadores passa a trazer diesel a um custo muito mais alto que o da Petrobras – a estatal controla 84% do nosso parque de refino. 

Isso aumenta a pressão sobre a Petrobras para abastecer o mercado. A estatal chegou a rejeitar pedidos extras de diesel. O aumento no preço, então, é uma forma de tentar conter a demanda e evitar uma crise de abastecimento.

O governo busca amortecer o choque de forma indireta. Na quinta (12), o Brasil zerou tributos federais sobre o diesel e anunciou uma subvenção para produtores e importadores, numa tentativa de conter o avanço dos preços domésticos.

Em grande parte porque altas no diesel significam altas no frete, o que afeta basicamente todos os setores da economia e joga a inflação para cima. 

Mas enquanto não houver um cessar-fogo no Irã qualquer medida será como enxugar gelo. O barril fechou ontem (13) acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo – o que não acontecia desde 2022, com a invasão da Ucrânia. Cortesia do fechamento do Estreito de Ormuz. O bloqueio da passagem marítima de apenas 3,7 km de largura entre Irã e Omã tira de circulação 20 milhões de barris por dia. Um quinto do suprimento global. 

Na gasolina, o efeito para o Brasil é menor. Importamos entre 6% e 7%, apenas. E a frota de carros flex, que roda com etanol, dá um refresco para a demanda do derivado de petróleo. Com o diesel, porém, não há escapatória. A alta nos preços internacionais bate por aqui de forma automática, como o preço nas bombas deixa claro.

Petrobras aumenta o diesel em 11,6%, mas defasagem segue alta  

13 de Março de 2026, 13:31

A Petrobras anunciou o primeiro aumento do diesel em suas refinarias depois de 312 dias sem alteração. A partir de sábado (14), o litro sobe R$ 0,38, de R$ 3,27 para R$ 3,65. Uma alta de 11,6%.

O reajuste vem num momento de escassez de petróleo. A produção mundial já foi cortada em 10%, por conta do bloqueio ao estreito de Ormuz, e o barril passou dos US$ 100 pela primeira vez desde 2022.

Isso elevou o preço do diesel no mercado global, obviamente. De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o litro do diesel nas refinarias teria de subir a R$ 5,61 para entrar em paridade com o preço internacional.

A defasagem do diesel, portanto, está agora em 54%. Na gasolina, de acordo com a entidade, ela é de 43%.

Não custa lembrar: o preço dos combustíveis na refinarias é livre. Só que a Petrobras tem 84% da capacidade brasileira de refino, então é ela quem determina, na prática, o valor de mercado.

Petrobras (PETR4) adere à subvenção econômica ao óleo diesel

13 de Março de 2026, 06:11

A Petrobras (PETR4) informou que o seu conselho de administração aprovou a adesão da estatal à subvenção econômica à comercialização de óleo diesel de uso rodoviário, de acordo com fato relevante na quinta-feira (12) à noite.

“Diante do caráter facultativo do programa e do potencial benefício adicional, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia”, acrescentou a petrolífera.

A decisão da Petrobras foi tomada horas depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a medida para zerar a cobrança de PIS/Cofins que incide sobre importação e comercialização do óleo diesel após a alta de preços do petróleo por causa da eclosão do conflito militar no Irã.

Segundo o Palácio do Planalto, o corte de PIS/Cofins representa uma redução de R$ 0,32 por litro do diesel nas refinarias, enquanto a subvenção representará outros R$ 0,32 por litro.

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