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Alívio externo e queda dos juros impulsionam Ibovespa; bancos e metais lideram ganhos

30 de Abril de 2026, 15:13

No exterior, os mercados operam em tom mais construtivo nesta quinta-feira (30), favorecidos pela acomodação dos preços do petróleo, que recuam ao redor de 3%, após a recente escalada e pela ausência de novos catalisadores que elevem as tensões geopolíticas.

A agenda macroeconômica americana também esteve no radar: o índice de preços ao consumidor (PCE) de março mostrou aceleração da inflação cheia, puxada por combustíveis, enquanto o núcleo perdeu fôlego na margem, permanecendo dentro do esperado.

Já o PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 2% no primeiro trimestre, abaixo das projeções, mas sinalizando uma economia ainda resiliente, sustentada por investimentos e consumo de serviços.

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Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de juros estáveis no curto prazo e limita movimentos mais bruscos nos Treasuries, títulos do Tesouro americano, e no dólar, permitindo avanço das bolsas globais.

No Brasil, o ambiente externo mais benigno se soma ao recuo das taxas de juros futuros, mesmo após o tom mais cauteloso adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A leitura de que o ciclo de flexibilização monetária segue aberto — ainda que dependente da evolução do cenário internacional — sustenta o desempenho dos ativos locais.

Por volta das 15h, o Ibovespa avançava 1,39%, aos 187.318 pontos, impulsionado por ações de bancos e empresas ligadas a commodities metálicas. No câmbio, o dólar operava praticamente estável frente ao real (-0,02%), cotado a R$ 4,98, refletindo forças técnicas associadas à Ptax e o suporte do diferencial de juros doméstico.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, o movimento positivo é majoritário, com destaque para o setor financeiro, beneficiado tanto pelo ajuste de carteiras de fim de mês quanto pelo alívio observado nos juros futuros. Na ponta oposta, a Suzano (SUZB3) registra desempenho inferior após a divulgação de um resultado trimestral mais fraco, pressionado pelo desempenho da celulose.

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Já empresas de mineração e siderurgia ensaiam recuperação após as perdas recentes, acompanhando a melhora dos preços internacionais. Movimentos pontuais em petroquímicas e companhias industriais refletem fatores corporativos específicos e revisões de expectativas sobre gestão e resultados.

Analista da Empiricus explica novo cenário da geopolítica e indica estratégia que pode se beneficiar

3 de Abril de 2026, 09:00

O mundo mudou em relação ao que os investidores conheceram até pouco tempo atrás. A guerra no Oriente Médio é uma mostra disso. Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, explica: “mesmo que o conflito atual acabe, o pano de fundo segue marcado por tensões geopolíticas, reorganização de cadeias globais e disputas entre grandes potências”.

Ray Dalio, grande investidor e bilionário norte-americano, escreveu recentemente um artigo para a Fortune em que fala sobre uma transição da ordem mundial de relativa paz para outra marcada por conflitos entre potências.

A geopolítica e a economia não são mais as mesmas. Assim, não faz sentido carteiras de investimentos continuarem como antes – esperando o crescimento de empresas de tecnologia, o controle da inflação e a queda dos juros.

Veja mais: Mudanças no cenário chamam a atenção, mas abrem oportunidades para investimento que ainda não recebeu a devida atenção do mercado; entenda aqui

Estreito de Ormuz no centro do novo cenário

Para entender melhor o contexto, é importante lembrar que o fechamento do Estreito de Ormuz tem sido caracterizado como o maior choque de petróleo da história, uma visão que se espalha na imprensa e entre especialistas, como Ian Bremmer, do Eurasia Group.

Spiess detalha em relatório que o local é rota de aproximadamente 20 milhões de barris por dia, o equivalente a cerca de 20% da oferta global.

Diferentes países buscam soluções para amenizar o problema, mas na melhor das hipóteses, faltaria “algo entre 12,6 e 13,4 milhões de barris por dia, ou 13% do consumo do mundo”. É essa assimetria que pressiona os preços da commodity ao redor dos US$ 100 por barril do tipo brent.

E nem só de petróleo vive Ormuz. Outros produtos passam pelo estreito, como fertilizantes agrícolas, que também têm a produção concentrada na região. O analista cita o Brasil como exemplo, onde, de todos os químicos desse tipo consumidos no país, 40% vêm do Golfo Persa.

“Na prática, esse movimento se traduz em um aumento relevante do custo de produção agrícola ao redor do mundo, com efeitos diretos sobre os preços dos alimentos.”

Entenda: Disrupção de cadeias de produção e conflitos entre potências estão entre os combustíveis para a alta de um investimento específico; conheça em detalhes quem se beneficia desse cenário

O que mais deixa o petróleo caro

Apesar de as paralizações no Estreito de Ormuz terem um impacto significativo para o petróleo e, consequentemente, para grande parte do mercado de energia, os problemas em torno do conflito são maiores do que ele.

A guerra está em sua quinta semana, e Spiess lembra de algo importante: quando ocorreram os primeiros ataques, a Casa Branca e o Pentágono anunciaram que tudo acabaria no período de quatro a seis semanas.

O prazo ainda é válido, mas não há sinais de que a solução chegará até o dia 4 de abril.

O analista da Empiricus Research explica que em mercados sensíveis a choques de oferta, como é visto hoje, “a dificuldade de antecipar a duração e a intensidade do conflito sustenta um prêmio relevante nos preços de energia”.

Em resumo, no momento geopolítico atual, diversos fatos contribuem para mudanças na economia e nos investimentos.

VEJA COMO INVESTIR DIANTE DA NOVA GEOPOLÍTICA

O que muda para os investidores

O mundo passou por um período de concentração dos investimentos em empresas de tecnologia. Foi nesse momento que surgiram termos como “big techs“, para as grandes corporações do ramo, e “sete magníficas“, que se refere às maiores delas nos EUA – Google, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.

Um relatório do Bank of America aponta que, juntas, essas empresas somavam US$ 20,9 trilhões em valor de mercado no final de 2025, um valor maior até mesmo que o PIB brasileiro, que encerrou o último ano em R$ 12,7 trilhões.

Porém, as coisas mudaram. “Vivemos um ambiente global mais fragmentado, marcado por episódios recorrentes de tensão e disrupção, o que altera o paradigma de alocação”, explica Matheus Spiess.

O analista aponta que ativos de outras áreas passaram a ter uma relevância não só como “oportunidades táticas” para a carteira, mas de forma estrutural dentro do portfólio.

“Em um ambiente marcado por disputas geopolíticas e choques recorrentes, as convicções passam a moldar decisões econômicas e, no limite, preços.”

Como investir no novo cenário geopolítico

Existe uma saída para a carteira, mesmo diante das tensões geopolíticas e mudanças nos mercados. Há um investimento que pode se beneficiar nesse cenário.

“Para o investidor, a assimetria é clara: partimos de níveis historicamente deprimidos em um cenário que se torna progressivamente mais favorável, sugerindo que este pode ser menos um trade circunstancial e mais o início de um ciclo mais amplo de valorização”, explica Matheus Spiess sobre o investimento.

Em resumo, trata-se de algo que estava relativamente de lado no mercado financeiro, mas que tem visto o jogo começando a virar e vislumbra um grande potencial de ganhos pela frente.

Para conhecer esse investimento em detalhes e entender melhor como ele pode se beneficiar das mudanças em curso, clique no botão abaixo:

Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability). Os Exchange Traded Funds (ETFs) são fundos de investimento que buscam refletir o desempenho de um índice de referência. Embora negociados em bolsa como ações, os ETFs apresentam riscos específicos, tais como variações no valor das cotas, diferença entre o desempenho do ETF e do índice (“tracking error”), liquidez variável no mercado secundário, e, quando aplicável, riscos associados à exposição internacional, cambial ou setorial. ETFs que utilizam derivativos, replicação sintética, alavancagem ou estratégias ativas podem apresentar riscos adicionais, que devem ser compreendidos previamente pelo investidor. A negociação de cotas em bolsa pode ocorrer por valores superiores ou inferiores ao valor patrimonial das cotas (NAV). Aspectos tributários podem variar conforme o tipo de ETF, a jurisdição do índice de referência e o perfil do investidor. A rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Assim, não é possível prever o desempenho futuro de um investimento a partir da variação de seu valor de mercado no passado. A RENTABILIDADE DIVULGADA NÃO É LÍQUIDA DE IMPOSTOS. Não há garantia de que os investidores vão obter lucros, nem responsabilização pelas perdas. FUNDOS DE INVESTIMENTO NÃO CONTAM COM GARANTIA DO ADMINISTRADOR, DO GESTOR, DE QUALQUER MECANISMO DE SEGURO OU FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO – FGC. LEIA O PROSPECTO E O REGULAMENTO ANTES DE INVESTIR.

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Tensões geopolíticas voltam ao centro do cenário global e há um investimento ‘obrigatório’ para se posicionar, segundo analista da Empiricus

1 de Abril de 2026, 08:00

O mundo segue acompanhando de perto o desenrolar do conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre o mercado de energia. A interrupção no Estreito de Ormuz, rota por onde passam em torno de 20 milhões de barris de petróleo diariamente, tem pressionado os preços das commodities para cima.

Em 28 de março, a guerra completou um mês, ainda dentro do intervalo projetado pelos Estados Unidos, de quatro a seis semanas. A questão central, porém, é o elevado nível de incerteza sobre como o conflito será concluído. É justamente essa falta de visibilidade que vem impactando os preços de energia.

O analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, destaca que esse é um mercado sensível a choques de ofertas e, somada a dificuldade de antecipar qual será a duração e a intensidade do conflito, cria-se um prêmio relevante nos preços.

Episódios como este geram dúvidas sobre se o movimento observado nos mercados é conjuntural, em que o trade acaba junto com o conflito, ou se é um ciclo mais amplo de valorização.

Vale lembrar que em crises anteriores à essa, o petróleo chegou a subir mais de 300%, enquanto outros ativos chegaram a superar essa marca. A leitura de Spiess é de que a situação atual pode dar início a um ciclo de valorização mais estrutural do que circunstancial.

Neste sentido, há um investimento que reúne ativos preparados para capturar as movimentações geradas pelo atual período de conflito geopolítico.

VEJA MAIS: Descubra qual o investimento “obrigatório” para capturar oportunidades em tempos de conflito

Os impactos do atual choque do petróleo

A região do Estreito de Ormuz, localizado no Oriente Médio, é a responsável pelo escoamento de quase 20% do consumo mundial de petróleo, e está no centro do mais recente conflito geopolítico.

O efeito inicial é direto no mercado de energia, que leva ao acionamento de mecanismos para compensar as perdas das disrupções no Estreito de Ormuz.

Enquanto parte do fluxo pode ser redirecionada por oleodutos alternativos, outro caminho é a liberação de reservas estratégicas, ainda que com limitação na velocidade de injeção no mercado. Há ainda algum efeito de incrementos de produção.

Apesar de todos os esforços, o analista da Empiricus destaca que o resultado é a reposição de algo entre 7 e 7,8 milhões de barris de petróleo por dia, muito abaixo dos cerca de 20 milhões que atravessam Ormuz.

“O resultado é um déficit estrutural expressivo: o mundo permanece ‘short’ em algo ente 12,6 e 13,4 milhões de barris por dia, o equivalente a aproximadamente 13% do consumo global”, diz Spiess.

Para além do mercado de energia e a consequente alta no preço dos combustíveis, o conflito cria riscos para a inflação dos alimentos, especialmente no Brasil.

Isso ocorre porque o problema causado pelas disrupções em Ormuz não fica limitado ao petróleo, ainda que seja um grande protagonista da situação. A situação atinge também os fertilizantes, uma vez que quase metade dos importados pelo Brasil também precisam cruzar a região de conflito.

Ainda que o Brasil conte com cerca de US$ 8 bilhões em importações vindas dessa região, o país não é único grande importador. Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã se consolidaram como fornecedores de fertilizantes nitrogenados desde 2020, atendendo também a Índia, Estados Unidos e países do Sudeste Asiático.

Neste cenário, o analista Matheus Spiess pondera que, além do petróleo, Ormuz marca um ponto de partida para um possível novo ciclo das commodities. A dinâmica dentro desses ciclos é bastante conhecida, conforme o analista.

O movimento costuma começar pelos metais preciosos, como o ouro. Em seguida, os metais industriais ganham tração, como o cobre, seguidos pelo setor de energia. Tudo isso já se concretizou até o momento, e as commodities agrícolas costumam aparecer em uma fase mais tardia do processo.

“A leitura central, portanto, é que o rali atual não é um fenômeno isolado, mas parte de um ciclo mais amplo de valorização das commodities, no qual diferentes classes de ativos avançam de forma sequencial […] Em outras palavras, o movimento observado em energia e, de forma incipiente, nas commodities agrícolas, pode ser apenas uma etapa de um ciclo mais amplo que começa a se desenhar”, diz o analista da Empiricus Research.

Oportunidades em cenário de conflito

O conflito atual, em todas suas nuances e impactos, evidencia um ambiente global mais fragmentando, com situações recorrentes de conflitos geopolíticos. Na prática, enquanto uma era de enfretamento entre potências corre, a forma de pensar em alocação muda.

O analista Matheus Spiess destaca que, após um longo período de protagonismo das ações do setor de tecnologia, surge um novo espaço mais equilibrado, em que ativos relacionados a energias, materiais e infraestrutura não só voltam a ganhar relevância, mas se tornam componentes estruturais de um portfólio.

“Em um mundo que se reorganiza em blocos de influência, no qual segurança e resiliência passam a ter peso igual ou superior à eficiência produtiva, é natural observar um novo ciclo de investimentos intensivos em infraestrutura, energia e capacidade industrial”, diz Spiess.

A combinação do aumento estrutural da demanda por commodities e um ambiente inflacionário mais persistente formam vetores que, juntos, reforçam a atratividade de ativos ligados a recursos naturais.

Somado a isso, desde 2025 um ambiente de dólar globalmente mais fraco se instalou, o que torna razoável argumentar sobre a aproximação de um ponto de inflexão mais amplo nos mercados, na avaliação do analista da Empiricus.

Ainda que o atual conflito se estabilize, sucessivas tensões geopolíticas têm se manifestado, em um mundo mais fragmentado e que tende a sofrer mais com choques de oferta. Neste cenário, cabe ao investidor incluir no portfólio ativos que historicamente se beneficiam de cenário de escassez e pressão sobre os recursos naturais.

Em tempos de conflito, há um investimento que reúne empresas brasileiras ligadas, incluindo nomes do petróleo, mineração e agronegócio, que posiciona investidores para o novo cenário.

Para saber como ter a chance de aproveitar as oportunidades que surgem das crises, vale conhecer qual o investimento dedicado para tempos de conflito.

O acesso é totalmente gratuito. Basta realizar um cadastro com apenas quatro informações para entrar na lista prioritária de acesso.

Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (Suitability). Os Exchange Traded Funds (ETFs) são fundos de investimento que buscam refletir o desempenho de um índice de referência. Embora negociados em bolsa como ações, os ETFs apresentam riscos específicos, tais como variações no valor das cotas, diferença entre o desempenho do ETF e do índice (“tracking error”), liquidez variável no mercado secundário, e, quando aplicável, riscos associados à exposição internacional, cambial ou setorial. ETFs que utilizam derivativos, replicação sintética, alavancagem ou estratégias ativas podem apresentar riscos adicionais, que devem ser compreendidos previamente pelo investidor. A negociação de cotas em bolsa pode ocorrer por valores superiores ou inferiores ao valor patrimonial das cotas (NAV). Aspectos tributários podem variar conforme o tipo de ETF, a jurisdição do índice de referência e o perfil do investidor. A rentabilidade passada não representa garantia de resultados futuros. Assim, não é possível prever o desempenho futuro de um investimento a partir da variação de seu valor de mercado no passado. A RENTABILIDADE DIVULGADA NÃO É LÍQUIDA DE IMPOSTOS. Não há garantia de que os investidores vão obter lucros, nem responsabilização pelas perdas. FUNDOS DE INVESTIMENTO NÃO CONTAM COM GARANTIA DO ADMINISTRADOR, DO GESTOR, DE QUALQUER MECANISMO DE SEGURO OU FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO – FGC. LEIA O PROSPECTO E O REGULAMENTO ANTES DE INVESTIR.

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Açúcar bruto atinge máxima de 5 meses com retomada da alta do petróleo

26 de Março de 2026, 18:36

Os contratos futuros do açúcar bruto na bolsa ICE atingiram uma máxima de cinco meses nesta quinta-feira, com a retomada da alta dos preços do petróleo em meio à incerteza entre os investidores sobre as perspectivas do fim da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Um aumento sustentado nos preços do petróleo pode fazer com que as usinas de cana no maior produtor, o Brasil, e em outros países reduzam a produção de açúcar em favor do etanol.

O açúcar bruto subiu 0,32 centavo, ou 2,1%, a 15,87 centavos de dólar por libra-peso, depois de ter atingido uma máxima de cinco meses de 15,97 centavos mais cedo.

Sinais contraditórios emitidos anteriormente pelos EUA e pelo Irã sobre as negociações para acabar com a guerra no Oriente Médio deixaram os mercados nervosos, com as ações e títulos caindo em meio ao aumento do preço do petróleo.

O Brasil deve reduzir as exportações de açúcar na temporada 2026/27 em 14,2%, já que as usinas desviam a cana-de-açúcar para produzir etanol devido aos altos preços da energia, informou a consultoria Safras & Mercado na quinta-feira.

A AP commodities disse que, embora o açúcar esteja sob pressão devido aos modestos excedentes e à forte venda especulativa, é provável que surjam recuperações, mesmo que temporárias, dada a sensibilidade do adoçante aos riscos climáticos e a fatores ligados ao etanol.

A consultoria acrescentou que as posições vendidas dos especuladores, ou apostas na queda dos preços, são grandes, o que significa que há o risco de que muitos revertam o curso e apostem em ganhos de preços se suas posições permanecerem no vermelho por muito mais tempo.

O açúcar branco subiu 1,2%, para US$459,60 a tonelada.

Café

O café arábica caiu 8,45 centavos de dólar, ou 2,7%, para US$3,0765 por libra-peso, depois de ter atingido a máxima de sete semanas, de US$3,1950, na terça-feira.

A anomalia climática conhecida como El Niño deverá se desenvolver globalmente por volta do terceiro trimestre deste ano e deverá trazer secura e temperaturas mais altas até o início de 2027 para as áreas tropicais onde o café e o cacau são cultivados, informou a trader Sucafina.

O café robusta caiu 0,9%, para US$3.596 a tonelada.

Os negociantes do Vietnã, maior produtor de robusta, disseram que os agricultores não estão vendendo no momento e que aqueles que precisam cumprir contratos começaram a buscar grãos no Brasil e na Indonésia.

Cacau

O cacau em Londres fechou em alta de 28 libras, ou 1,2%, a 2.356 libras por tonelada.

O cacau está sob pressão da fraca demanda e de uma perspectiva geralmente favorável para as safras na África Ocidental, embora grande parte disso esteja precificada por enquanto.

O cacau em Nova York subiu 1%, para US$3.164 a tonelada, depois de cair 3,2% na quarta-feira.

Após petróleo, guerra no Oriente Médio ameaça disparar commodities agrícolas; veja onde investir

25 de Março de 2026, 20:36

A escalada da guerra entre EUA e Irã já incendiou as cotações de petróleo, e agora flerta com o próximo front: as commodities agrícolas. Com o risco de interrupção em cadeias logísticas e o encarecimento de insumos, o setor surge como a nova fronteira de um rali com contornos estruturais — e o investidor pode estar de cara com a oportunidade de bons retornos.

“Não é só uma ou outra commodity que está subindo, todas estão. A última que falta reagir são as agrícolas”, afirma Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Na leitura dele, esse movimento não se explica apenas pela guerra no Irã, mas por uma mudança mais estrutural de cenário.

Ele avalia que o mundo pode estar à beira de um novo ciclo de alta das commodities, sustentado por fatores que vão além do curto prazo.

Tradicionalmente, commodities e dólar caminham em direções opostas: a moeda norte-americana mais forte costuma pressionar os preços das matérias-primas — e o inverso também é verdadeiro.

Spiess aposta em um cenário de enfraquecimento do dólar no horizonte estrutural, o que abriria espaço para uma valorização mais consistente das commodities.

“Episodicamente, o dólar pode se fortalecer, como vimos em março. Mas, estruturalmente, podemos estar perto de um novo ciclo em que o dólar volte para a média histórica”, afirma.

Por trás dessa visão está uma combinação de fatores macroeconômicos. Spiess cita o aumento da dívida dos Estados Unidos, o risco fiscal elevado e um movimento global de diversificação cambial.

Há também uma questão de posicionamento: na leitura dele, o dólar ficou “caro demais” desde a crise de 2008, enquanto commodities ficaram relativamente baratas.

Segundo Spiess, pode haver um movimento de busca estrutural por mais exposição em commodities.

O resultado, segundo o analista, é um ambiente propício para um novo ciclo de alta — com potencial de beneficiar países exportadores, como o Brasil.

Fertilizante mais caro, comida mais cara

O conflito, que já pressiona o petróleo e deve chegar às commodities agrícolas, também atinge um elo menos visível, mas igualmente estratégico: o mercado de fertilizantes, essencial para a produção de alimentos.

Nesta terça-feira (24), a Rússia anunciou a suspensão das exportações de fertilizantes por um mês, priorizando o abastecimento interno.

A medida se soma a um cenário de rotas marítimas alteradas, redução da produção no Golfo Pérsico e dificuldades no escoamento via Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio global desses insumos antes do conflito.

No Brasil, o efeito tende a ser direto: aproximadamente 40% dos fertilizantes usados no agronegócio passam pela região.

E o impacto nos preços já começou. A ureia, por exemplo, acumula alta de cerca de 50% desde o início da guerra, impulsionada também pelo encarecimento do gás natural — insumo essencial para sua produção.

Segundo Spiess, o efeito deve se espalhar rapidamente pela economia real. “Se o fertilizante ficar mais caro, os alimentos vão ficar mais caros. Então, há um medo inflacionário generalizado no Ocidente”, afirma.

Na avaliação dele, esse risco preocupa governos, inclusive nos envolvidos na guerra, como os Estados Unidos.

“Os governantes não querem isso para si, porque inflação acaba gerando impopularidade”, pontua.

Ele relembra que o próprio presidente norte-americano, Donald Trump, que neste ano passa por uma eleição de meio de mandato, deve se preocupar com a possível aceleração da inflação no país.

“Ele não pode se dar ao luxo de ver a popularidade cair ainda mais. Então, tem motivo para que o conflito acabe antes [da eleição]”, afirma Spiess.

Crise hídrica e risco de colapso no Oriente Médio

As preocupações não se limitam aos preços do petróleo, do fertilizante ou das commodities agrícolas. Segundo Spiess, há um risco estrutural mais grave se o conflito avançar sobre a infraestrutura da região.

“O Irã tem muito petróleo, mas não tem comida nem água em abundância. Grande parte do abastecimento passa pelo Estreito de Ormuz. Se isso for comprometido, você pode ter uma crise alimentar humanitária”, afirma.

Outro ponto crítico são as usinas de dessalinização existentes nas proximidades do Irã, essenciais para o abastecimento de água em diversos países do Oriente Médio.

Segundo Spiess, essas instalações não possuem proteção e um eventual ataque teria consequências imediatas.

“Se você ‘queimar’ essas estações, cidades inteiras, como a capital saudita, serão inviabilizadas”, alerta.

Apesar de, em tese, serem protegidas pelo direito internacional, ele pondera que esse tipo de regra vem perdendo força.

“Temos visto um enfraquecimento do direito internacional. As pessoas estão indo pela lei do mais forte. Então, o Irã, em um movimento de desespero, pode acabar atacando essas instalações”, afirma.

O que o investidor deve fazer diante desse cenário?

Spiess defende uma estratégia menos exposta à volatilidade direta das commodities e mais ancorada na geração de caixa.

A preferência, segundo o analista, é por empresas do setor, que conseguem capturar os ganhos do ciclo de alta com maior previsibilidade.

“Eu prefiro me expor a isso com fluxo de caixa em petróleo, por meio de ações do setor”, afirma.

Nessa leitura, o Brasil aparece bem posicionado. “O Brasil tem muito disso e pode se beneficiar. Se essa tese for verdadeira — e gente grande lá fora defende isso —, pode ser muito bom para os ativos brasileiros de maneira geral”, diz.

Entre as alternativas, o analista cita o ETF CMDB11, que permite acessar o tema de forma simples e diversificada.

“Você compra como se fosse uma ação e ganha exposição a empresas brasileiras de commodities”, explica.

Segundo Spiess, o produto reúne algumas vantagens: exposição ao fluxo de caixa gerado pelas commodities, forte presença em petróleo e gás (cerca de 40% da carteira), diversificação, baixo custo e boa liquidez — com prazos de resgate de cerca de dois dias.

Guerra no Irã impulsiona grãos, mas pressiona setor de carnes, diz BB Investimentos; uma ação pode avançar 82,2%

22 de Março de 2026, 10:00

As commodities agrícolas têm apresentado alta em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

De acordo com o BB Investimentos, as perspectivas para a soja e o milho são de crescimento para este mês, já para as carnes, os preços têm sido pressionados.

Em fevereiro, a soja teve bons resultados na bolsa de Chicago, com crescimento de 6,7% em comparação ao mês anterior. A alta partiu de perspectivas de maior consumo de grãos nos Estados Unidos, além da expectativa de exportação para a China, com a possível elevação do uso de óleo de soja para biocombustíveis.

Em março, a cotação da soja teve novas altas, após o início do conflito entre EUA e Irã. De acordo com o BB Investimentos, a cotação mais alta do petróleo influencia os valores das commodities agrícolas, “dado que a cotação dos biocombustíveis se correlaciona com a do petróleo”.

Já o milho, no mês passado, teve uma leve queda de 0,3% comparado a janeiro, devido a expectativa de redução do trade global dos EUA, com maior competição contra exportadores sul-americanos e pouco crescimento da demanda global. Todavia, a guerra também elevou a cotação do grão, que fechou a US$ 4,53 no dia 12 de março.

Pressão sobre os preços

No caso das carnes, as perspectivas a médio e longo prazo para o BB não são tão otimistas.

A carne bovina teve uma desaceleração no ritmo de abates, mas manteve um patamar de exportações elevado. Esse desequilíbrio tem pressionado os preços da arroba do boi gordo, que está sendo negociada em torno de R$ 350/@, segundo o banco.

Para a carne de frango e a carne suína, o cenário é semelhante: crescimento dos abates, mas níveis de exportação reduzidos, prejudicando a rentabilidade tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico.

A analista Georgia Jorge, que assina o relatório, indica uma expectativa de que esse cenário se mantenha nos próximos meses e impacte negativamente a lucratividade do setor ao longo de 2026.

Ainda assim, entre as recomendações, os frigoríficos foram destaque de fevereiro para o BB, com 3 recomendações de compra em Minerva Foods (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3). Já em março, SLC Agrícola (SLCE3) fica em evidência, apontando para os melhores resultados nos preços dos grãos.

Veja todas as recomendações:

Empresa Ticker Cotação Mar (%) No ano (%) 12 meses (%) Preço-alvo 2026 Potencial (%) Recomendação
3Tentos TTEN3 15.02 -12.2 -8 4.8 20.8 38.5 Compra
Ambev ABEV3 15.1 -7.2 9 20.3 16 6 Neutra
Minerva BEEF3 4.39 -15.9 -23.8 -19.3 8 82.2 Compra
JBS JBSS32 79.34 -7.4 0.3 109 37.4 Compra
M. Dias Branco MDIA3 21.9 -6.4 -8.4 0.4 27.2 24.2 Neutra
Marfrig MBRF3 16.83 -18.6 -15.8 4.2 28.6 69.9 Compra
Ourofino OFSA3 27.5 12.2 19.6 29.3 24 -12.7 Neutra
SLC Agrícola SLCE3 18.09 9.8 26.8 18.7 18.4 1.7 Neutra
Boa Safra SOJA3 8.09 0.8 -10.5 -15.6 14.9 84.2 Neutra

O ouro ficou para trás? Bancos centrais freiam compras, mas guerra mantém metal em evidência

7 de Março de 2026, 12:12

As compras de ouro por bancos centrais globais perderam força no início do ano, pressionadas pela volatilidade nos preços do metal. Mas a escalada da guerra entre Irã e EUA no Oriente Médio ainda mantém a commodity em evidência como grande alternativa de acumulação de reservas ao longo de 2026.

O banco central da China, um importante referencial quando o assunto é a troca de reservas em dólar pelo metal, comprou mais ouro em fevereiro, estendendo sua sequência de compras para 16 meses.

O volume de ouro detido pelo Banco do Povo da China aumentou em 30 mil onças-troy (0,93 tonelada) no mês passado, chegando a 74,22 milhões de onças (2.308 toneladas), segundo dados divulgados no sábado (7). A compra estende a rodada mais recente de acumulação que começou em novembro de 2024.

O movimento do metal precioso nos últimos dias tem respondido a uma queda de braço entre forças distintas. As baixas mais recentes respondem ao fato de que os investidores costumam aproveitar situações de forte estresse não apenas para comprar o metal, mas para usá-lo como forma de fazer caixa, por meio da venda da commodity.

É basicamente levantar recursos para investir em títulos públicos considerados mais seguros para cada país. Esse movimento já vinha acontecendo conforme o ouro atingia recordes, momento em que embolsar o que já foi ganho é uma estratégia melhor.

Mas, em um segundo momento, depois de recuar recentemente, o ouro superou novamente a marca dos US$ 5 mil por onça, respondendo à volta da clássica procura por ativos mais diversificados e que funcionam como reserva de valor.

A redução de compras de ouro por bancos centrais no mundo consta em nota divulgada nesta semana pelo World Gold Council, entidade financiada por produtores do metal. As compras líquidas, lideradas por países da Ásia Central e do Leste Asiático, somaram cinco toneladas em janeiro, em comparação com a média de 27 toneladas nos 12 meses anteriores.

Mas a trajetória para 2026 tende a seguir positiva para o metal enquanto os conflitos durarem. “Os preços voláteis do ouro e a temporada de feriados podem ter levado alguns bancos centrais a fazer uma pausa”, escreveu Marissa Salim, analista do World Gold Council, em relatório. “Mas as tensões geopolíticas, que mostram poucos sinais de diminuir, provavelmente manterão a acumulação ao longo de 2026 e além.”

Petrobras? Não. Por que a Aura Minerals reaparece no radar com aumento dos riscos geopolíticos

6 de Janeiro de 2026, 16:27

O petróleo mal se mexeu após o ataque dos EUA à Venezuela, mas o mercado segue em estado de alerta. Para o investidor brasileiro, é natural que a atenção se volte à Petrobras, mas há um nome menos óbvio que pode ser atingido – e para o bem – por esse novo equilíbrio geopolítico: a Aura Minerals.

A Aura é uma mineradora de ouro. O ouro subiu 65% no ano passado – e a tendência é que a escalada continue. Depois do ataque americano ao governo venezuelano e da retirada de Nicolás Maduro do poder, o mercado rapidamente reagiu para um movimento de procura por ativos considerados defensivos – e o ouro subiu 2% em seguida.

É aquela coisa: quando não se sabe o que vai acontecer, o melhor é já ter uma proteção na carteira. Vale para um grande investidor, como vale para você.

Do lado “macro”…

Na frente macroeconômica, o grande ponto é: o ouro deve seguir avançando nesse ano. Os riscos geopolíticos, que eram apenas “risco” há um tempo, cresceram: agora, eles se tornaram um medo recorrente com a escalada das tensões na América Latina. Lembrando: em um mundo que já enfrenta conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Junto disso vem a deterioração das contas públicas em várias economias e o temor de pressões inflacionárias, que reforçaram o status do metal como instrumento de proteção.

Não só entre investidores. O ouro conta com um comprador sólido: bancos centrais. Eles vêm recorrendo ao ouro como alternativa para diversificar reservas além do dólar.

O ouro, afinal, não é imune a crises geopolíticas. Para a China, por exemplo, não interessa ter só dólares em suas reservas internacionais. Em última instância, eles podem ser confiscados pelos EUA – como aconteceu com a Rússia –, já que ficam na forma de títulos públicos. Logo, o país de Xi Jinping tem trocado paulatinamente suas reservas em dólar por ouro. Com o caso da Venezuela, o caldeirão geopolítico ganha mais temperatura. E o jogo fica mais favorável para o metal amarelo.

A China não está sozinha, claro. Turquia, Polônia, Cazaquistão e até o Brasil estão entre os maiores compradores. Não só por “medo de confisco”, mas porque a dívida americana está no maior nível desde 1946 (120% do PIB). Isso tira confiança no dólar – os EUA podem imprimir moeda para pagar, gerando inflação e corroendo o valor da moeda. Não dá para imprimir ouro. Logo, os bancos centrais correm para o metal amarelo.

A perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos – que no fim do ano passado virou realidade – também tornou o metal mais atrativo. Um corte de juros reduz o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Para este ano, muitas casas já trabalham com um cenário em que o ouro possa perder um pouco de força, mas sem afetar o ciclo atual do metal, que é de alta, consolidado na faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil a onça (o equivalente a 31 gramas).

…e do lado “micro”

Depois de ser negociada na bolsa do Canadá, a Aura Minerals estreou na Nasdaq em julho de 2025, de olho em um aumento da liquidez de seus papéis. De lá para cá, teve enorme valorização na bolsa americana – e o BDR, a “versão brasileira” da ação lá fora, acompanhou o desempenho.

O que explica o descolamento do BDR da ação em Nova York é a variação do ouro, que foi mais relevante que a do câmbio e é melhor capturada pela ação diretamente lá fora.

Toda essa euforia é resultado da leitura sobre o momento operacional da empresa. Na frente de volumes produzidos, o crescimento estimado é de 39% em 2026 na comparação anual, segundo cálculos do BTG Pactual. O impulso deve vir sobretudo do aumento de produção na mina de Borborema (RN) e da plena atividade da mina de Serra Grande (GO).

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Os papéis estão entre os mais “esticados” da bolsa, quer dizer, avaliados como caros no comparativo com outras companhias de mineração – Vale, CSN Mineração e Usiminas entre os mais importantes. Ainda assim, partindo da premissa que o ciclo do ouro vai permanecer, a expectativa é de que a Aura apresente uma forte geração de caixa.

O fluxo de caixa livre – o dinheiro que sobra após os investimentos para manter e expandir as operações – equivaleria a aproximadamente 11% do valor de mercado. É um nível elevado, que indica que, em um único ano, a empresa gera caixa correspondente a mais de um décimo do que o mercado paga hoje por ela. Um fluxo de caixa forte estimula a compra do papel, portanto, porque representa um percentual muito grande do preço da ação.

Além disso, a Aura seria avaliada a cerca de 3,9 vezes o Ebitda (uma medida de lucro operacional) projetado para 2026, também nas contas do BTG. Essa é uma métrica calculada dividindo-se a dívida líquida pelo Ebitda e expressa quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em linhas gerais, níveis abaixo de 2 vezes são considerados mais saudáveis, mas empresas com operações mais alavancadas pode acabar operando com relações mais altas.

O papel também negociaria com “desconto” em relação ao valor de seus ativos, já que o múltiplo que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial (P/NAV) é de 0,68 vez. Ou seja: o mercado ainda atribui à companhia um valor inferior ao das minas e projetos que ela tem.

Por fim, a empresa teria capacidade de sustentar um dividend yield na faixa de 7% a 8%, ou seja, um retorno anual em dividendos equivalente a esse percentual do preço da ação, desde que mantidas as atuais condições de geração de caixa.

Ouro e prata despencam após investidores realizarem lucros com altas recordes

29 de Dezembro de 2025, 19:10

O ouro e a prata despencaram com a realização de lucros por parte dos investidores após uma forte alta no final do ano que levou ambos os metais a máximas históricas, sendo a baixa liquidez do mercado um fator que exacerbou as oscilações de preço.

O ouro à vista caiu até 5%, registrando a maior queda intradia desde 21 de outubro. Foi a segunda vez neste ano que o metal precioso despencou tanto em um único dia. A prata, por sua vez, declinou 11%, sua maior queda intradiária desde setembro de 2020. Ambos os metais apresentaram uma forte retração após atingirem novas máximas históricas, o que sinalizou que suas altas foram rápidas demais e prematuras.

“Não interprete movimentos bruscos como uma grande oportunidade”, disse Michael Haigh, chefe de pesquisa de renda fixa, investimentos e commodities do banco europeu Societe Generale, acrescentando que o final de cada ano tende a ser “muito ilíquido”.

Segundo Haigh, a queda desta segunda-feira (29) deve-se principalmente à realização de lucros após uma forte alta sazonal tanto do ouro quanto da prata. Historicamente, os metais preciosos apresentam uma forte valorização no final do ano e no início do ano seguinte. O ouro registrou ganhos de cerca de 4% nesse período nos últimos 10 anos, enquanto a prata normalmente subiu quase 7%, afirmou ele.

Os indicadores técnicos para o ouro corroboraram a queda, com o índice de força relativa (RSI) de 14 dias — uma medida do ímpeto de compra e venda — em território de sobrecompra nas últimas duas semanas. Isso sinalizou que a alta do ouro estava prestes a sofrer uma correção.

A situação é semelhante na prata, embora mais dramática: o metal branco valorizou mais de 25% desde meados de dezembro, com seu RSI permanecendo bem acima de 70. Uma leitura acima de 70 indica que muitos investidores compraram em excesso em um curto período.

O iShares Silver Trust, o maior fundo negociado em bolsa lastreado fisicamente em prata do mundo, caiu até 10%, registrando sua maior queda desde 2020.

A forte queda da prata na segunda-feira ocorreu horas depois de ela ter ultrapassado os US$ 84 por onça, impulsionada pela crescente demanda de investimentos chineses. Os prêmios para a prata à vista em Xangai subiram para mais de US$ 8 por onça em relação aos preços de Londres, o maior spread já registrado.

“O clima de especulação está muito forte”, disse Wang Yanqing, analista da China Futures Ltd. “Há muita expectativa em torno da escassez de oferta no mercado à vista, e isso está um pouco extremo agora.”

Algumas bolsas estão tomando medidas para conter o risco. As margens para alguns contratos futuros de prata na Comex serão aumentadas a partir de segunda-feira, de acordo com um comunicado do CME Group Inc. — uma medida que, segundo Wang, ajudará a reduzir a especulação.

Quando uma bolsa aumenta os requisitos de margem, os investidores precisam depositar mais dinheiro para manter suas posições abertas. Alguns especuladores não têm esse dinheiro extra e, portanto, são forçados a reduzir ou fechar suas posições.

Abalo da prata: maior queda intradiária desde 2021

A mais recente valorização da prata ocorreu apenas dois meses depois de o mercado de prata de Londres ter sofrido uma forte pressão, com os fluxos para fundos negociados em bolsa e as exportações para a Índia corroendo os estoques que já estavam criticamente baixos. Os cofres de Londres têm recebido fluxos significativos desde então, mas grande parte da prata disponível no mundo permanece em Nova York, enquanto os investidores aguardam o resultado de uma investigação nos EUA que pode levar a tarifas ou outras restrições comerciais.

Às 15h05 em Nova York, o ouro caiu 4,2%, para US$ 4.343,38 a onça. As ações de empresas ligadas ao setor de mineração de ouro também despencaram, com a Newmont Corp., a Barrick Mining Corp. e a Agnico Eagle Mines Ltd. caindo mais de 6%.

A prata à vista caiu 8,5%, para US$ 72,58 a onça, após ter atingido um novo recorde de US$ 84,01 a onça. A platina despencou 14%, enquanto o paládio caiu quase 16%, após ter registrado sua maior queda intradiária desde 2020.

Ouro e prata alcançam novos recordes na esteira da atuação bélica dos EUA

26 de Dezembro de 2025, 09:51

Ouro, prata e platina saltaram para novos recordes, ampliando um rali histórico de final de ano para os metais preciosos, com suporte da escalada das tensões geopolíticas e da fraqueza do dólar dos EUA.

O preço do ouro à vista subiu até 1,2%, para um pico acima de US$ 4.530 a onça. Atritos na Venezuela, onde os Estados Unidos têm bloqueado petroleiros e intensificado a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, aumentaram o apelo do metal precioso como porto seguro. Washington também lançou um ataque militar contra o Estado Islâmico na Nigéria em colaboração com o governo da nação africana.

A prata à vista para entrega imediata avançou pela quinta sessão consecutiva, subindo até 4,6% para ultrapassar os US$ 75 por onça. O recente avanço do metal branco foi impulsionado por fluxos especulativos e por persistentes desalinhamentos na oferta em importantes centros de negociação, após um histórico aperto de vendidos em outubro.

O índice Bloomberg Dollar Spot, um indicador fundamental da força da moeda americana, caiu 0,7% na semana, a maior queda desde junho. Um dólar mais fraco geralmente favorece o ouro e a prata.

O ouro ganhou cerca de 70% neste ano e a prata mais de 150%, com ambos os metais a caminho de seus melhores desempenhos anuais desde 1979. O intenso rali tem sido impulsionado por elevadas compras de bancos centrais, entradas em fundos negociados em bolsa e três cortes consecutivos da taxa de juros pelo Federal Reserve dos EUA. Taxas mais baixas são um fator favorável para os metais preciosos, que não pagam juros, e operadores apostam em mais cortes em 2026.

As medidas agressivas do presidente americano Donald Trump para reformular o comércio global, juntamente com as ameaças à independência do Fed, adicionaram ímpeto ao rali anteriormente neste ano. A demanda dos investidores também foi sustentada pelo chamado “debasement trade”, à medida que as preocupações com o aumento da dívida levam a uma retirada dos títulos soberanos e das moedas nas quais são emitidos.

A resiliência do ouro foi demonstrada por sua rápida recuperação após recuar de um pico anterior de US$ 4.381 em outubro, quando o rali foi considerado excessivo. A forte compra de ETFs tem sido um dos principais motores da recente valorização, com participações no SPDR Gold Trust, da State Street, — o maior ETF de metais preciosos — aumentando em mais de um quinto neste ano.

O rali da prata tem sido ainda mais espetacular do que o do ouro. Os cofres em Londres receberam fluxos consideráveis desde o aperto de outubro, embora grande parte da prata disponível no mundo permaneça em Nova York, enquanto operadores aguardam o resultado de uma investigação do Departamento de Comércio dos EUA sobre se as importações de minerais críticos representam um risco à segurança nacional. A revisão pode abrir caminho para tarifas ou outras restrições comerciais sobre o metal.

“Você tem muitas negociações ou posições no papel: agora precisa cobri-las com volume físico — e não há muita oferta para suprir essa demanda”, disse Manav Modi, analista de commodities da Motilal Oswal Financial Services. “Você precisa alimentar a prata no papel com prata real”, acrescentou.

Escalada do ouro aumenta em 40% as previsões de investimento na mineração brasileira

5 de Dezembro de 2025, 06:00
Complexo da AngloGold Ashanti em Minas Gerais. Foto: Divulgação

Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei… No século 18, metade da produção mundial de ouro saía do Brasil – quase tudo dessas cidades mineiras e arredores. De lá para cá, as coisas mudaram. Minas ainda dá muito ouro, mas o país responde por apenas 2% da extração global: 84 toneladas em 2024. Somos o 15º no ranking mundial de produção.

Só que temos potencial para mais. “O Brasil possui grandes reservas geológicas de ouro no subsolo. E uma parte significativa ainda não está explorada”, diz Rafael Marchi, diretor para Infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal.  

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São pelo menos 2,4 mil toneladas em reservas. Isso coloca o Brasil entre as dez maiores reservas mundiais, com 4% do total. Um potencial interessante para um momento em que o ouro redefine seu patamar de valorização. São 155% na década. 60% só em 2025 – a US$ 135 o grama (ou US$ 4,2 mil a onça, como prefere o mercado).

Uma alta alimentada em grande parte por compras vorazes dos Bancos Centrais. Vários deles, a começar pelo da China, têm trocado parte de seus dólares pelo metal amarelo – seja por desafinidade geopolítica, seja por medo da dívida americana. Ela está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial (120% do PIB), o que enfraquece a credibilidade do dólar.

A expansão do ouro e a retração do dólar nas reservas dos BCs ficam nítidas a partir de 2020. Veja aqui:

Mas essas são outras histórias. O ponto é que a alta sustentada do ouro estimula investimentos nas pesquisas em busca de novas áreas de exploração, e de ampliar as que já existem. 

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revisou para cima as previsões de investimento das empresas na extração de ouro. O instituto faz esse cálculo para períodos de quatro anos. No ano passado, previram US$ 1,4 bilhões (R$ 8,1 bi) para o intervalo 2024-2028. Neste ano, aumentaram a estimativa para 2,1 bilhões (R$ 11,4 bi). Uma alta de 39%.

Trata-se da maior mudança de previsão entre todos os minerais, exceto terras raras – nesse caso, alta de 49% nas previsões de investimentos; um salto catapultado pela urgência americana de acabar com o monopólio chinês nesse quesito. Mas voltemos ao metal que brilha. 

Saint John d’El Rey 

Uma das companhias com investimentos robustos no Brasil é a sul-africana AngloGold Ashanti. Ela é a terceira maior produtora em território nacional, com 10,6 toneladas em 2024 (atrás da canadense Kinross e da Vale). E a mais antiga – de longe.

Começou por aqui há quase 200 anos, em 1834, quando a operação brasileira se chamava Saint John d’El Rey Mining Company – uma mineradora com capital britânico que recebeu autorização do Império para explorar ouro em Minas Gerais. 

Desde lá, a história dela segue uma linha contínua, com a empresa mudando de controle e de nome ao longo do tempo, até chegar na estrutura atual da AngloGold Ashanti. E hoje um destaque ali é justamente a tecnologia para seguir tirando ouro – de camadas cada vez mais profundas, conforme as minas a céu aberto vão se exaurindo.    

Ela opera a mina mais profunda do país, no complexo Operações Cuiabá (apesar do nome, ele fica em Minas Gerais, nos municípios de Caeté e Sabará). A mina tem 1,6 km de profundidade. É o ponto mais profundo do território brasileiro. 

E em sondagens recentes, a companhia identificou ocorrências de ouro 2,4 km abaixo da superfície. E a extração pode ser viável – a mina de Mponeng, na África do Sul e que já foi da AngloGold, extrai o metal precioso a 4 km de profundidade. 

Em sondagens recentes, a AngloGold identificou ocorrências de ouro a mais de 2.400 metros de profundidade (Divulgação)

Com operação em nove países, a AngloGold se programou para investir R$ 800 milhões no Brasil neste ano. O grosso do dinheiro envolve melhorias nas operações atuais. E uma parte (R$ 15 milhões) foi destinada a pesquisas greenfield – de prospecção de novas áreas.   

É devagar, devagarinho

O efeito da cotação do ouro nos resultados das mineradoras é óbvio. O lucro operacional (Ebitda) da AngloGold cresceu 109% no terceiro trimestre de 2025 pela comparação anual, a US$ 1,55 bilhão.  

“A valorização do ouro tem um efeito positivo para o setor como um todo, pois tende a atrair investimentos e estimular projetos em países com alto potencial geológico, como o Brasil”, diz Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti para a América Latina. Ele assumiu a posição em junho deste ano, após o antigo comandante, Marcelo Pereira, ascender ao cargo de COO global. 

Na mineração, porém, não existe um “aperta o botão aí e dobra a produção”. Os projetos levam anos, décadas, para amadurecer. E com ouro a situação é ainda mais peculiar. Para extrair a quantidade que vai numa aliança (6 gramas), você precisa explodir pelo menos uma tonelada de rochas na mina. Haja expansão.

Por essas, a produção global de ouro cresceu apenas 2% entre o 3T24 e o 3T25, mesmo com um rali de 45% no preço do metal nesse intervalo. A do complexo Operações Cuiabá, de qualquer forma, avançou mais: 6%

Tal como no petróleo

O caso da AngloGold, por sinal, ajuda a explicar a dinâmica da mineração de ouro. Num aspecto, ela é parecida com a exploração de petróleo. Da mesma forma que junior oils compram campos maduros das majors, mineradoras menores costumam comprar ativos das maiores, com a ideia de explorá-los sob uma estrutura de custos mais enxuta. 

O caso mais recente nessa linha, em território brasileiro, aconteceu justamente entre a sênior AngloGold (faturamento US$ 5,8 bilhões/ano) e a canadense Aura Minerals, de menor porte (US$ 594 milhões/ano).     

Na última terça-feira (2), a sul-africana concluiu a venda da Mineração Serra Grande, que possui três minas subterrâneas e uma a céu aberto na cidade de Crixás (GO), para a canadense. Em 2024, a unidade produziu 2,5 toneladas de ouro, um pouco abaixo das 2,7 toneladas de um ano antes.

O acordo, anunciado em junho, foi fechado por US$ 76 milhões mais 3% em royalties sobre os lucros futuros da operação. Lima comenta que o ativo não fazia mais parte do plano estratégico da companhia: 77% da produção da AngloGold no país veio das operações em Minas Gerais. 

Agora ficam só elas no portfólio brasileiro da empresa – na mesma região onde ela já extraía ouro em 1834, nos tempos de Saint John d’El Rey Mining Company, quando o ouro era cotado a US$ 20,67 a onça. Contabilizando 194 anos de inflação do dólar, aliás, isso só US$ 760 em dinheiro de hoje, o que dá uma ideia da dimensão do rali pelo qual estamos passando agora. 

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