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Experiências interativas de matemática, estatística e computação são destaque na Feira USP e as Profissões
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Curativo líquido pode acelerar a cicatrização de feridas em até 50%

O uso de curativos tradicionais no tratamento de feridas pode causar desconforto aos pacientes e dificuldades que atrasam a recuperação. O banho e a substituição dos curativos costumam incomodar ou até arrancar o tecido novo em formação, por exemplo. Outra desvantagem é a limitação dos movimentos, pois os curativos geram atrito nos ferimentos localizados em áreas de articulação, como o cotovelo.
A fim de melhorar a qualidade de vida de pacientes em tratamento de feridas, pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp desenvolveram uma tecnologia biocompatível, segura e não poluente. Na prática, trata-se de um curativo líquido aplicável diretamente na região lesionada. A tecnologia cria uma película protetora transparente sobre o ferimento em até 45 segundos, dispensando o uso de gaze, esparadrapo ou outros elementos sobre a ferida e acelerando a cicatrização natural do machucado. O tempo de recuperação do paciente pode diminuir em até 50%, segundo os pesquisadores.
A pesquisa foi coordenada pelo professor Rubens Maciel Filho, com a participação dos pesquisadores André Luiz Jardini Munhoz, Ana Flávia Pattaro e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon. O curativo foi licenciado exclusivamente para a Dermbio Biotech, empresa spin-off acadêmica da Unicamp, que tem a participação dos próprios inventores, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento comercial da tecnologia. A empresa já havia licenciado uma outra tecnologia da Unicamp para produção de polímeros a partir do ácido lático. O licenciamento das tecnologias foi conduzido com o suporte estratégico da Agência de Inovação Inova Unicamp.
A Dermbio Biotech é uma empresa-filha da Unicamp, por ter sido fundada por um docente, dois pesquisadores e uma egressa da Universidade, e também é considerada uma spin-off acadêmica por ter sido criada a partir do resultado de uma pesquisa produzida na Unicamp e que recebeu o Prêmio Inventores Unicamp em 2024.

Limitações dos tratamentos tradicionais
Os métodos convencionais de proteção e de cobertura de ferimentos (gazes, ataduras, fitas adesivas e outros) podem causar desconforto ao paciente durante a substituição ou remoção do curativo, que frequentemente arranca o tecido novo em formação, atrasando a cura. O banho pode ser mais um obstáculo que posterga a recuperação, com esfregação acidental e aumento da umidade na área machucada. Outro problema é o risco de infecções, uma vez que a manipulação de instrumentos não estéreis e a retenção de umidade favorecem a proliferação de bactérias no local ferido.
Para Maciel Filho, o diferencial do curativo líquido está na eliminação completa do contato físico com a região afetada. “O ferimento afeta a qualidade de vida e a pessoa sacrifica muitas atividades que precisam ser realizadas no dia a dia. O grande atrativo da tecnologia em que a Dermbio se baseou é que ela pode levar a um novo método de cobertura da ferida sem haver nenhum toque nela, sem você colocar uma gaze ou atadura. Estamos formando um filme inteligente, no sentido de que ele interage muito bem com a pele e cria uma condição de barreira contra agentes externos que causam infecção, servindo como substrato para acelerar a cicatrização da ferida”, aprofunda o professor e pesquisador.
A tecnologia desenvolvida na FEQ Unicamp utiliza um polímero reconhecido por sua excelência em biocompatibilidade com o corpo humano. No entanto, segundo o coordenador da pesquisa, um desafio histórico enfrentado por cientistas e pelas indústrias estava no processamento e na solubilização desse material. Os métodos populares exigiam o uso de solventes tóxicos para transformar o polímero em líquido, o que inviabilizava a aplicação sobre a pele humana, afirma o inventor.
A invenção superou essa barreira ao formular um sistema exclusivo de solventes de origem renovável, ambientalmente sustentáveis e totalmente atóxicos para o ser humano. Ao ser aplicado sobre a ferida, o líquido seca em até 45 segundos e atua como uma estrutura 3D servindo como suporte para que as células se regenerem, explica Maciel Filho. Durante o processo, o organismo metaboliza naturalmente o polímero, o que torna desnecessária a remoção manual do curativo, ou seja, o organismo absorve o curativo ao mesmo tempo em que cicatriza o ferimento.
“O que existe hoje na pesquisa acadêmica e em empresas internacionais é o uso de solventes tóxicos. A nossa inovação e o nosso grande diferencial em escala mundial foi encontrar um sistema de solventes que solubiliza o polímero sem ser tóxico para o ser humano, permitindo a aplicação direta sobre a pele lesada. Então você não tem que cortar ou ajustar o tamanho dessa membrana: ela vai se adaptar conforme a necessidade de cada paciente”, comenta Ana Flávia Pattaro, doutora em Engenharia Química pela Unicamp.


Formas de aplicação do curativo líquido
Outra característica positiva da invenção apontada por Pattaro é a sua eficácia no tratamento de ferimentos em regiões de dobras e articulações, como cotovelos e joelhos. A tecnologia é capaz de preservar a mobilidade do paciente sem que o curativo descole ou se rompa. Além disso, a película formada é impermeável à água externa, então o paciente pode tomar banho sem se preocupar em cobrir a região, e é transparente, permitindo o acompanhamento da cicatrização do machucado sem precisar retirar a proteção.
“O fato de não precisar cortar e não precisar trocar também traz uma potencial diminuição na contaminação cruzada. Porque, se você tem uma manta ou gaze e pega uma tesoura que não está esterilizada para cortar, você corre o risco de levar contaminação de uma região para outra. E o fato de você não precisar trocar e de esse material ser absorvido pelo corpo faz com que você também não gere resíduos biológicos”, completa a doutora em Engenharia Química pela Unicamp Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon.
Expansão para a saúde animal
Os pesquisadores da FEQ também identificaram o potencial de uso da tecnologia no tratamento de ferimentos em animais, visto que os métodos tradicionais costumam falhar porque eles arrancam as ataduras ou lambem as feridas. O novo curativo líquido, portanto, pode resolver esse problema com sua forte aderência à pele e resistência à água. A forma de aplicação em animais é a mesma planejada para seres humanos.
“A tecnologia é totalmente escalável. Nós já realizamos com sucesso os testes de escalonamento do processo saindo da bancada do laboratório. Desenvolvemos equipamentos e processos próprios que não exigem altos investimentos, o que nos garante alta capacidade produtiva, agilidade e custo competitivo no mercado.”, resume Rubens Filho.

Apoio à inovação
O desenvolvimento da tecnologia contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Paralelamente, todo o suporte estratégico para o licenciamento exclusivo foi fornecido pela Inova Unicamp.
Presente, futuro e versatilidade
A tecnologia já passou por ensaios pré-clínicos in vivo, realizados em colaboração com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). Nesses estudos, o curativo demonstrou a capacidade de reduzir aproximadamente pela metade o tempo de cicatrização em comparação aos curativos tradicionais,relata Pattaro.
Atualmente, a Dermbio Biotech concentra esforços no avanço das etapas regulatórias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na estruturação comercial, para que o curativo possa ser disponibilizado no mercado.
O futuro da tecnologia vai além do uso em ferimentos. O grupo de pesquisadores revelou que a invenção também pode ser usada na formulação de dermocosméticos para antienvelhecimento, no recobrimento de implantes e próteses e como um dispositivo para a liberação controlada de antibióticos e anti-inflamatórios.
PRÊMIO INVENTORES 2026
Em sua 19ª edição, o Prêmio Inventores da Unicamp, organizado pela Inova Unicamp, reconhece e valoriza os inventores que se destacaram na transferência de tecnologias da Universidade e na criação de empresas spin-offs acadêmicas.
INVENTORES PREMIADOS:
Rubens Maciel Filho, André Luiz Jardini Munhoz, Ana Flávia Pattaro e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon foram premiados na categoria Propriedade Intelectual Licenciada em 2026.
Confira a lista completa dos premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.
O Prêmio Inventores 2026 tem o apoio institucional do Lumina, o Fundo Patrimonial da Unicamp, e o patrocínio de ClarkeModet e FM2S.
Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.
Foto de capa:

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Unicamp tem 4 trabalhos contemplados no Prêmio Capes de Teses 2026
Quatro pesquisas de doutorado realizadas na Unicamp foram contempladas no Prêmio Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) de Teses 2026. Foram premiadas as teses de Leticia Mara Berto, do programa Ciência da Computação, e de Rodrigo Stein Pizani, do programa Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo. Receberam menções honrosas os trabalhos de João Victor Rossetti Brancato, na área de História, e Maura Lima Pereira Bueno, do programa de Fisiopatologia Médica.
O prêmio Capes reconhece as melhores teses de doutorado defendidas no Brasil ao longo de 2025, levando em conta critérios de originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação e o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato.
“Quero deixar meus parabéns a todos os premiados. Isso é sempre um orgulho para a nossa Pós-Graduação”, disse a Pró-Reitora de Pós-Graduação (PRPG) Claudia Morelli. “Temos sido premiados pela Capes recorrentemente. Trata-se de um trabalho que envolve estudante, orientador e coorientador. Antes de mais nada, é o desenvolvimento de um trabalho de equipe”, acrescentou Morelli.

Criado em 2005 e entregue pela primeira vez em 2006, o prêmio abrange todas as áreas de conhecimento que têm um representante na avaliação da pós-graduação stricto sensu. Um dos objetivos da iniciativa é aumentar a visibilidade das ações positivas e indutoras da Capes na pós-graduação brasileira.
A tese de Berto, na área da Ciência da Computação, avalia o crescimento da integração de robôs nas atividades cotidianas, exigindo sua adaptação a ambientes cada vez mais complexos. Essa adaptação requer o desenvolvimento de capacidades de aprendizado por meio da interação com o ambiente e outros agentes, permitindo a execução de tarefas além das instruções programadas. O estudo teve a orientação de Esther Luna Colombini e a coorientação de Ricardo Ribeiro Gudwin.
Por sua vez, a tese de Pizani tratou de propriedades do alecrim (Rosmarinus officinalis), uma erva de origem mediterrânea, amplamente utilizada na culinária por seus compostos de sabor e aroma. Para além da gastronomia, o alecrim apresenta diversas moléculas bioativas de grande interesse para as indústrias alimentícia, farmacêutica e cosmética. Da área de Ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo do curso de Nutrição de Limeira, o trabalho foi orientado por Maurício Ariel Rostagno e coorientado por Juliane Vianó.

Contemplado com a menção honrosa, Brancato investigou a trajetória de Helios Aristides Seelinger ao longo da Primeira República (1889-1930), período de sua formação e consolidação como um pintor moderno no meio artístico brasileiro. A partir da análise de obras exibidas em circuitos artísticos, da recepção crítica na imprensa e de sua inserção em redes de sociabilidade, Brancato reconstitui sua atuação com base em pesquisas em coleções públicas e privadas, arquivos institucionais e pessoais e periódicos da época. O trabalho teve a orientação de Jorge Coli Jr.
Na área de Medicina, Bueno estudou novos tratamentos para neoplasias da medula óssea, investigando moduladores de vias de sinalização desreguladas. O estudo, que recebeu menção honrosa, teve a orientação de Sara Teresinha Olalla e a coorientação de Fernanda Marconi Rove.
Foram habilitadas as teses defendidas em 2025, registradas na Plataforma Sucupira e vinculadas a Programas de Pós-Graduação stricto sensu que tenham realizado ao menos uma defesa de doutorado no período.
Os autores das teses vencedoras receberão certificado e medalha, além de bolsa de pós-doutorado em instituição nacional por até 12 meses. Os orientadores contemplados receberão prêmio no valor de R$ 3 mil. Também estão previstos prêmios adicionais concedidos por instituições parceiras, como a Fundação Carlos Chagas, o Instituto Serrapilheira e a Dimensions Sciences.
Confira todos os premiados da Capes.
Leia mais:
Um pintor moderno, porém esquecido
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Unicamp
- Pioneiro nos estudos sobre microplásticos defende políticas públicas e participação da indústria para combater poluição
Pioneiro nos estudos sobre microplásticos defende políticas públicas e participação da indústria para combater poluição
Pioneiro em sua área de atuação e apontado como o pesquisador responsável por colocar no radar da Academia e da imprensa global o termo “microplástico”, Richard Thompson, professor de Biologia Marinha e diretor do Instituto Marinho na Universidade de Plymouth, na Inglaterra, defende que o enfrentamento da poluição plástica deve ir além da simples mudança de hábitos individuais. Para ele, é fundamental envolver a indústria na busca por alternativas mais sustentáveis e incentivar políticas públicas que possam regrar e direcionar novas condutas.
Thompson é um dos conferencistas da “Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos”, iniciativa realizada na Unicamp em parceria com a UFSCar, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O evento, que acontece até o próximo dia 11, busca auxiliar estudantes a compreenderem um dos desafios ambientais mais urgentes da atualidade, sob uma perspectiva estruturada e fundamentada na ciência.
Com mais de 30 anos de trabalhos voltados aos detritos encontrados, principalmente, nos oceanos, o pesquisador britânico é reconhecido por mapear a amplitude da presença de plásticos e seu impacto poluidor entre as mais variadas espécies e habitats pelo mundo.
“Minha equipe foi a primeira a descrever microplásticos, há cerca de 20 anos, e desde então mostramos que eles literalmente contaminam nosso planeta, dos polos ao Equador, dos oceanos mais profundos até perto do cume do Monte Everest. Na verdade, os microplásticos estão agora no ar que respiramos, na água que bebemos e na comida que comemos”, alerta.

Segundo o professor, o objetivo não é acabar com a produção de plástico, mas enfrentar a poluição provocada por esses materiais. Sendo assim, a estratégia para uma reação efetiva ao problema passa pelo desenvolvimento de produtos mais seguros e sustentáveis, capazes de reduzir os impactos quando deixam de ser utilizados e passam a se degradar no ambiente. Essa abordagem desloca parte da responsabilidade do consumidor para os sistemas de produção. Para o pesquisador, não basta esperar que as pessoas mudem seus hábitos enquanto produtos continuam sendo fabricados sem considerar adequadamente seus impactos ambientais futuros. “Soluções para a poluição por partículas pequenas dependem, em grande medida, de mudanças no desenvolvimento e no ciclo de vida de todos os produtos plásticos”, aponta.
Thompson lembra que os chamados microplásticos devem ser entendidos como parte de um problema maior. A poluição plástica envolve desde objetos grandes, facilmente visíveis, até partículas cada vez menores, incluindo os nanoplásticos, que podem ser difíceis de detectar. Fragmentos maiores presentes no ambiente também podem se degradar e dar origem a partículas menores. Com isso, o pesquisador considera que a “invisibilidade” de parte dos microplásticos não é necessariamente o principal obstáculo para conscientizar a população. “As pessoas já reconhecem a poluição plástica a partir dos resíduos que conseguem ver e podem compreender que partículas menores também estão presentes no ar, na água e nos alimentos”, reforça.
Critérios
O professor comenta que, ao redor do planeta, há empresas preocupadas com a questão ambiental, mas observa que outras continuam priorizando a redução de custos e os lucros. Por isso, considera insuficiente confiar apenas nas forças de mercado para garantir produtos seguros e sustentáveis. “Não podemos depender do mercado livre para criar produtos que sejam automaticamente seguros para a sociedade e o ambiente. Por isso, políticas públicas são necessárias para estimular a inovação, estabelecer critérios de segurança e sustentabilidade e evitar que empresas que investem em produtos mais responsáveis sejam prejudicadas pela concorrência de alternativas mais baratas e menos sustentáveis”, ressalta.
Entre as medidas defendidas por Thompson, estão testes para verificar a segurança dos materiais, sistemas de identificação e rotulagem que permitam reconhecer produtos desenvolvidos segundo critérios mais sustentáveis e mecanismos capazes de incentivar empresas a investir em novas soluções.


Espaço de colaboração
Nesta busca por soluções conjuntas e viáveis social e economicamente, o pesquisador britânico aponta a estrutura encontrada na Unicamp e a realização da ESPCA como exemplos da importância da colaboração entre diferentes áreas do conhecimento para se chegar a um ganho em comum para a sociedade. Thompson diz estar impressionado com o campus de Campinas, os laboratórios e a capacidade da Universidade de reunir pesquisadores de diferentes especialidades. Para ele, questões ambientais complexas exigem a integração de áreas como química, biologia, ciências ambientais e ciências sociais. Espaços que permitam essa interação, como o da Universidade, contribuem para a formação de comunidades científicas mais atuantes e para a busca de soluções inovadoras.
125 pesquisadores
A “ESPCA em Microplásticos” reúne 125 pesquisadores de 35 países – 75 brasileiros e 50 estrangeiros –, selecionados entre 1.103 inscritos. A programação inclui palestras, aulas teóricas e práticas, apresentações de trabalhos, desenvolvimento de projetos e atividades no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
Coordenadora da escola, a professora Cassiana Carolina Montagner, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, destaca que o estudo dos microplásticos envolve diferentes áreas, como química, ciências sociais, monitoramento ambiental e avaliação dos efeitos sobre organismos. Além de tratarem sobre os impactos ambientais e de saúde, os pesquisadores envolvidos acreditam que os resultados científicos obtidos podem contribuir para a criação de políticas públicas, regulamentação internacional e desenvolvimento de materiais mais sustentáveis.
O professor Walter Waldman, da UFSCar, que também responde pela coordenação do evento, lembra que aproximar os resultados das pesquisas acadêmicas da sociedade em geral é fundamental para fortalecer o enfrentamento dos desafios impostos pela poluição plástica.
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AIChE Unicamp é campeão nacional na competição Chem-E-Car

O Capítulo Estudantil do American Institute of Chemical Engineers (AIChE) da Unicamp conquistou o primeiro lugar nacional na Chem-E-Car Competition, realizada durante a Brazil Student Regional Conference (BSRC) 2026, na Universidade Estadual de Maringá (PR), entre os dias 24 e 28 de agosto. O grupo de estudantes da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) também terminou em segundo lugar na competição Chem-E-Jeopardy e na terceira colocação na categoria Pôster Chem-E-Car.
Na competição Chem-E-Car a disputa envolve um pequeno carro, uma distância desconhecida e uma única chance de fazê-lo parar no lugar certo. Não há controle remoto nem piloto para corrigir a trajetória: depois que o veículo é colocado em movimento, os competidores precisam confiar nas reações químicas cuidadosamente planejadas para fazê-lo chegar o mais perto possível da marca.

Bruno Bianchessi Zago, um dos diretores da equipe, compara a dinâmica da prova a uma partida de bocha. “Gosto muito dessa analogia. Você solta o carrinho e ele tem que andar e parar de forma autônoma o mais próximo da marca possível”, explica. A distância a ser percorrida, entre 15 e 30 metros, só é conhecida pela equipe uma hora antes da disputa, o que exige que o sistema seja calibrado para diferentes possibilidades.
Na edição deste ano, a distância sorteada foi de exatamente 15 metros, e o carro da equipe da Unicamp parou a cerca de 18 centímetros da marca. “Foi uma precisão muito absurda, um resultado que nos garantiria facilmente o top 10 global”, destaca Zago, que comanda o grupo com o colega Rafael Lima Rodrigues. “Ele é o capitão da equipe e protagonista do projeto junto comigo.”
Para movimentar o veículo, a equipe utilizou uma célula a combustível alimentada por hidrogênio. Neste ano, houve uma mudança importante no projeto: em vez de produzir o gás a partir de reagentes domésticos, como anteriormente, os estudantes passaram a produzir hidrogênio por eletrólise da água.
Além de adaptar uma tecnologia existente para a pequena escala do projeto, o grupo projetou o próprio reator que gerou o combustível do carro. Segundo Zago, eles utilizaram um software de modelagem tridimensional para desenvolver o equipamento e depois buscaram uma empresa de usinagem para produzir as peças.

Engenharia mão na massa
O professor da FEQ Raphael Suppino, orientador do Capítulo Estudantil AIChE Unicamp, explica que a autonomia do veículo é parte essencial do desafio. Os próprios estudantes, explica Suppino, desenvolvem o projeto, fazem o design e montam o carro. Segundo o professor, a experiência permite aplicar, em um projeto concreto, conhecimentos que fazem parte da formação em Engenharia Química. “É um desenvolvimento de um projeto de engenharia mão na massa. Nós, como professores, cuidamos para que eles tenham um bom caminho, mas são eles quem tomam as decisões, montam e decidem o quê e como vão fazer.”
A experiência também extrapola a sala de aula e a própria competição. Ao participar de eventos, visitar outras universidades e apresentar o projeto ao público, os estudantes levam consigo os saberes produzidos na Universidade. “Não é só no primeiro lugar do pódio, mas a importância de levar o conhecimento gerado pela Unicamp para fora”, destaca.

A vitória em Maringá garantiu à equipe a classificação para a competição internacional, que será realizada em Minneapolis, nos Estados Unidos, entre os dias 6 e 9 de novembro. No ano passado, quando a Unicamp sediou a disputa, a equipe foi vice-campeã nacional na Chem-E-Car. Neste ano, além do primeiro lugar na prova do carro, o grupo conquistou mais resultados e estará na etapa internacional em mais dois desafios: na competição de perguntas e respostas, inspirada no tradicional formato Jeopardy da TV norte-americana, e na apresentação em formato de pôster sobre o projeto do carro. Na competição internacional do Jeopardy, a equipe irá defender o título da Unicamp, conquistado em Boston, na conferência do ano passado.
Criado em 2021 por iniciativa dos próprios estudantes, o Capítulo Estudantil do AIChE Unicamp reúne atualmente cerca de 40 integrantes, envolvidos em diferentes projetos. Na equipe que compete na Chem-E-Car, são oito estudantes, além de outros integrantes que colaboram com o desenvolvimento do projeto. O Capítulo Estudantil conquistou, no ano passado, o reconhecimento como Outstanding Student Chapter, título concedido aos capítulos estudantis de destaque da organização.
Despertar o interesse
A experiência também ultrapassa os limites da competição. O projeto, que foi apresentado durante o evento Unicamp de Portas Abertas (UPA) em agosto, será levado a escolas como parte das atividades de extensão e estará presente na Virada Tecnológica de Paulínia, de 17 a 19 de setembro. “Uma das nossas grandes motivações é exatamente essa, despertar o interesse dos estudantes do ensino médio”, afirma Zago.
Para o orientador, o projeto demonstra que a formação universitária pode acontecer também por meio da experimentação. “É importante o tempo de estudo, mas ele também pode ser usado em atividades práticas, tornando a teoria aplicável de forma lúdica e recompensadora”, ressalta.
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Unicamp
- Projeto busca universitários surdos para desenvolver plataforma inédita de Matemática em Libras
Projeto busca universitários surdos para desenvolver plataforma inédita de Matemática em Libras
O projeto LibrasMat, sediado na Unicamp, abriu inscrições para selecionar 16 estudantes surdos de graduação de cursos de ciências exatas como bolsistas de iniciação científica, podendo receber valores de até R$1.140 por mês. Os estudantes integrarão a equipe formada por pesquisadores(as) e professores(as) que desenvolve uma plataforma inédita de matemática em Língua Brasileira de Sinais (Libras). As inscrições podem ser feitas até 7 de novembro neste link.
A plataforma de acesso gratuito disponibilizará, no formato de vídeos curtos, a resolução em Libras de mais de 1,2 mil questões de matemática que já caíram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O intuito é que essa ferramenta seja usada por estudantes surdos de todo o país para se prepararem para ingressar no Ensino Superior. A plataforma também trará as resoluções das questões em português, e as gravações desses vídeos já começaram no final de julho.
“Uma das lacunas nessa área são termos matemáticos que não têm sinal Libras”, explica Marcelo Firer, professor da Unicamp e coordenador do projeto. Por isso, a equipe também desenvolverá um sinalário e um dicionário de matemática em Libras, incluindo variações regionais.
Na plataforma, o usuário poderá escolher como visualizar o professor e a lousa: lado a lado, no mesmo tamanho, ou dando maior destaque para um deles. “Isso é inovador, porque coloca o usuário surdo no controle da experiência, permitindo adaptar a visualização às suas necessidades”, comenta Firer.
O trabalho dos estudantes selecionados será realizado de maneira remota por até dois anos, com acompanhamento próximo da equipe do projeto. Além disso, os selecionados vão receber treinamento e equipamentos para a gravação dos vídeos e terão hospedagem e transporte pagos para participar de quatro encontros presenciais com duração de duas semanas cada, durante as férias escolares.
“Nossa designer é surda, e o editor de vídeo, que vai orientar os estudantes na edição e nos cortes, também é intérprete de Libras. A participação dos estudantes surdos bolsistas é fundamental não apenas para a produção dos vídeos, mas também para garantir representatividade e protagonismo surdo no desenvolvimento da plataforma, e o mais importante: formar uma comunidade surda interessada no ensino de matemática.”
O LibrasMat é um projeto de inovação e extensão universitária do Centro Brasileiro de Geometria (CBG), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e sediado na Unicamp. O centro conta com uma ampla rede de pesquisadores (as) de diversas instituições acadêmicas distribuídas pelo país e é a primeira iniciativa especializada em geometria na América Latina e no Sul Global. Suas ações estão organizadas em quatro verticais temáticas: Geometria Diferencial, Geometria Algébrica, Aplicações de Geometria e Educação, Difusão & Inovação (ED&I). Firer é um dos coordenadores de ED&I.
Serão realizadas duas lives para solucionar dúvidas sobre as bolsas com os organizadores do projeto LibrasMat, uma em setembro e outra em outubro. O resultado sairá no dia 1 de dezembro no site, e o início do trabalho está previsto para a segunda quinzena de janeiro de 2027.
Matéria publicada originalmente no site do CBG.
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Unicamp
- Ivan Vilela aproxima saber popular e academia em residência no Instituto de Estudos Avançados
Ivan Vilela aproxima saber popular e academia em residência no Instituto de Estudos Avançados
O que separa o conhecimento legitimado pela academia daquele produzido e transmitido fora dela ao longo de gerações? É a partir dessa questão que Ivan Vilela inicia, em setembro, uma residência artística de três meses no Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA). Professor da Universidade de São Paulo (USP), o violeiro, compositor e pesquisador participa do Programa Hilda Hilst” do Artista Residente entre 14 de setembro e 14 de dezembro de 2026.
O projeto, intitulado A Horta e o Mato, parte de uma metáfora para discutir diferentes formas de produção e transmissão do conhecimento. Na horta, cada espécie cultivada é conhecida, nomeada e organizada. Fora dela está aquilo que genericamente se chama de “mato”. Para Vilela, algo semelhante ocorre quando o conhecimento sistematizado pela escrita se torna o principal parâmetro para reconhecer aquilo que merece ser preservado e estudado.
É nesse território menos sistematizado –formado pela oralidade, pela música, pelas práticas comunitárias, pelo corpo e pela memória – que o pesquisador pretende concentrar parte das atividades desenvolvidas na Unicamp. Para Vilela, a música ocupa um lugar privilegiado nesse processo: além de manifestação artística, ela preserva experiências, modos de vida e narrativas de grupos que nem sempre encontraram espaço nos registros escritos da história.
“A escrita é fundamental para a preservação e a socialização do conhecimento, mas ela pode virar uma armadilha quando se torna um cânone exclusivo”, afirma Vilela.
Violeiro com 17 discos gravados e trajetória dedicada tanto à criação musical quanto à pesquisa, Ivan Vilela foi também o idealizador do primeiro curso superior de viola caipira da USP, implantado no campus de Ribeirão Preto. Durante a residência na Unicamp, promoverá aulas-espetáculos, oficinas, debates e outras atividades voltadas à relação entre música, cultura e diferentes formas de conhecimento.

O conhecimento que passa pela escuta
Uma das atividades previstas, a aula-espetáculo História e cultura no som da viola, sintetiza a proposta da residência ao combinar reflexão e execução musical. Em vez de apresentar a música apenas como objeto de análise, Vilela pretende utilizá-la como parte do próprio processo de produção e transmissão do conhecimento.
“A música amacia e azeita o conhecimento. Ela entra por caminhos que não passam exclusivamente pela racionalidade estrita”, afirma. Segundo o pesquisador, quando conceito e performance aparecem juntos, outras dimensões da experiência também são mobilizadas no processo de compreensão. “A pessoa se permite participar daquela reflexão de forma mais intensa, pois está acionando também a sua dimensão afetiva e emocional.”
A proposta está relacionada a uma crítica que atravessa as pesquisas de Vilela: a predominância da visão e do registro escrito sobre outras formas de apreensão do conhecimento. Na música, essa diferença se torna particularmente evidente. Uma partitura pode registrar notas, ritmos e estruturas, mas não reproduz integralmente aspectos ligados à interpretação, à intenção e ao contexto no qual determinada prática musical se desenvolveu.
“Uma partitura te dá a estrutura melódica, mas não traduz o estilo, a intenção ou a estética. Você só entende o som escutando e vivenciando o ambiente”, afirma.
Para o pesquisador, reconhecer a escuta e a oralidade como formas de conhecimento não significa negar a importância da escrita. A questão é ampliar as possibilidades utilizadas para compreender manifestações culturais que historicamente se desenvolveram fora dos ambientes formais de produção intelectual.
Viola, memória e encontro
A viola ocupa posição central nessa reflexão. Mais do que objeto de pesquisa ou instrumento de trabalho do músico, ela é compreendida por Vilela como uma mediadora entre pessoas, grupos sociais e diferentes formas de transmissão cultural.
O pesquisador aponta as orquestras de viola espalhadas pelo estado de São Paulo como exemplo dessa capacidade de aproximação. Segundo ele, existem mais de 250 conjuntos desse tipo, nos quais “você verá reunidas pessoas de idades, classes sociais e níveis de escolaridade completamente diferentes, que dificilmente se encontrariam em outra situação. E quem promove esse encontro é a viola.”
Essa dimensão social também ajuda a explicar o valor documental que Vilela atribui à música popular. Em sociedades nas quais parcelas significativas da população permaneceram durante muito tempo distantes da cultura escrita, canções e práticas musicais também funcionaram como meios de registrar experiências, conflitos, modos de vida e transformações sociais.
“Até meados do século 20, a criação de gêneros como o samba e a música caipira estava no domínio criativo dos pobres e dos negros. Era a resistência e a narrativa de quem não escrevia a história oficial”, diz.
É nesse sentido que a música assume, para Vilela, o papel de cronista da sociedade. Aquilo que nem sempre chegou aos documentos oficiais permaneceu registrado em versos, melodias, modos de tocar e práticas transmitidas entre gerações. Levar esses repertórios para a universidade, argumenta o pesquisador, não pressupõe substituir uma forma de conhecimento por outra. A proposta é colocar essas diferentes formas de conhecimento em diálogo.
“A universidade é o templo do saber escrito, e isso tem um valor extraordinário na racionalização do mundo. No entanto, o Brasil só será compreendido na sua plenitude quando aceitarmos somar ao modo escrito esses outros modos orais de existir e criar. Não se trata de excluir nada, mas de somar”, afirma Vilela.

Um novo ouvido para o Clube da Esquina
A residência também traz para a Unicamp outra vertente da trajetória de Vilela: sua pesquisa sobre o Clube da Esquina, desenvolvida desde 1992. O pesquisador investiga as características harmônicas, estéticas e culturais do movimento mineiro associado a músicos como Milton Nascimento.
Vilela chama a atenção para procedimentos harmônicos, formas de arranjo e combinações de elementos de diferentes tradições musicais que identifica como algumas das inovações introduzidas pelo grupo.
“O Clube da Esquina criou soluções harmônicas e estéticas que impressionaram o jazz internacional, o rock progressivo e a world music”, afirma. Nas atividades dedicadas ao tema, Vilela pretende combinar audição e análise para investigar essas características e discutir como elas contribuíram para a singularidade do movimento.
A proposta se conecta ao argumento que percorre toda a residência: para compreender determinadas formas de produção cultural, não basta transformá-las em objetos escritos. É necessário também ouvi-las, observar seus contextos de circulação e reconhecer os conhecimentos produzidos pelas comunidades que as mantiveram vivas.
Entre a “horta” dos conhecimentos sistematizados e o “mato” dos saberes que permaneceram à margem dos registros formais, Vilela propõe não uma escolha, mas um encontro. Durante os três meses de residência no IdEA, a música será o território dessa aproximação – e também uma forma de revisitar histórias, experiências e conhecimentos que nem sempre encontraram lugar nos registros escritos.

Programação (sujeita a alteração)
- 17/09 às 18h30 | Abertura da residência | Aula-espetáculo “História e cultura no som da viola”
- Auditório do Instituto de Artes da Unicamp
- 05/10 a 09/10, das 14h às 16h | Oficina para alunos de graduação e pós-graduação em Música do IA
- Instituto de Artes
- atividade restrita aos alunos
- 05/11 às 09h | Seminário IdEA | participação no Seminário dos Grupos de Estudos Temáticos do IdEA
- Centro de Convenções da Unicamp
- 05/11 a 26/11, das 14h às 17h | Nada ficou como antes | encontros sobre o “Clube da Esquina”
- Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA)
- 03/12 às 19h | Mesa | Música popular em pauta: dilemas e perspectivas
- Auditório do Instituto de Artes da Unicamp
- 10/12 às 14h | Café com IdEA, edição especial com Ivan Vilela
- Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA)

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Grupo Alle-Aula mantém diálogo com escola pública há uma década
Há dez anos, a Faculdade de Educação (FE) da Unicamp passou a abrigar uma iniciativa marcada por um desafio central: aproximar a produção acadêmica sobre leitura da realidade concreta da sala de aula. Criado em 2016, a partir da integração dos grupos Alle (Alfabetização, Leitura e Escrita) e Aula, dedicado ao trabalho e à formação docente, o Grupo de Pesquisa Alle-Aula se caracteriza por sua produção científica, por formar pesquisadores e manter um diálogo permanente com a escola pública. Parte significativa dessa trajetória contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A primeira década do grupo vem sendo celebrada por meio de um ciclo de atividades iniciado em junho e com encerramento previsto para outubro, quando será realizado um evento presencial na Faculdade de Educação. Mais do que comemorar uma data, porém, a programação procura recuperar a história do Alle-Aula, avaliar sua atuação no presente e projetar os desafios que orientarão seu trabalho nos próximos anos.
Para o coordenador do grupo, professor Ezequiel Theodoro da Silva, referência nacional nos estudos sobre leitura e formação de leitores, a criação do Alle-Aula nasceu da necessidade de fortalecer os vínculos entre pesquisa, formação docente e práticas escolares.
“Desde o início, compreendemos que não basta produzir conhecimentos sobre a leitura. É necessário pensar como esses conhecimentos chegam à escola e se transformam em práticas de ensino, mediação e formação de leitores”, explica. “A própria palavra Aula, incorporada ao nome do grupo, expressa esse compromisso: pesquisar a leitura sem perder de vista aqueles que, todos os dias, enfrentam o desafio de formar leitores.”
O Alle-Aula é herdeiro de uma sólida tradição de estudos sobre alfabetização, leitura e escrita desenvolvida na FE-Unicamp, especialmente no âmbito do antigo grupo Alle. Ao incorporar a dimensão do trabalho docente, o novo grupo preservou esse legado e ampliou seu campo de atuação, conferindo maior atenção à escola, à sala de aula e aos processos de formação de professores.
Segundo Silva, esse movimento também procurou enfrentar uma questão recorrente na pesquisa educacional: a distância entre a produção teórica das universidades e as necessidades concretas do cotidiano escolar. “Na Faculdade de Educação da Unicamp já existia uma tradição muito forte de estudos da leitura. A constituição do Alle-Aula procurou preservar e ampliar essa herança, colocando maior ênfase na escola, na sala de aula, nos professores e nos processos de formação de leitores”, afirma.
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Unicamp
- Diferentes gerações de pesquisadores se encontram na Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos
Diferentes gerações de pesquisadores se encontram na Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos
Na combinação entre ciência, formação e colaboração, a Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos, aberta nesta terça-feira (1º/9), no auditório do Instituto de Geociências (IG), reúne diferentes gerações de pesquisadores em torno de um desafio ambiental global. A resposta para esse problema dependerá, cada vez mais, da capacidade de produzir conhecimento e de trabalhar de forma conjunta.

A proposta da ESPCA em Microplásticos é oferecer formação multidisciplinar na pesquisa sobre a presença de micro e nanoplásticos no ambiente e seus impactos sobre os seres vivos. Organizada pela Unicamp e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a escola oferece, até 11 de setembro, uma programação que combina palestras, aulas teóricas e práticas e apresentações de pesquisas.
Na abertura, Cassiana Montagner, docente do Instituto de Química (IQ) e coordenadora da ESPCA em Microplásticos, destacou que o projeto foi criado para fortalecer a formação em uma área contemporânea e estratégica. “A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos foi pensada para empoderar jovens cientistas, promovendo a cooperação entre nossa comunidade.”


Dos 1.103 inscritos, foram selecionados 125 participantes, sendo 75 brasileiros e 50 estrangeiros, de 35 países. A seleção resultou em um grupo formado por pesquisadores de diferentes áreas, níveis de experiência e instituições, com forte presença do Sul Global. Do Brasil, há participantes de 19 estados. Para Montagner, os selecionados têm um papel importante na construção de respostas. “Acreditamos que cada um poderá ser protagonista dessa ação colaborativa.”
Walter Waldman, docente do Departamento de Física, Química e Matemática da UFSCar e vice-coordenador da ESPCA, também ressaltou a importância dessa imersão científica. “A Escola auxiliará cientistas do Brasil a se inserirem no debate global sobre esse tema, contribuindo para a formação de uma rede internacional.”
O representante da Fapesp, o professor Rodolfo Jardim de Azevedo, do Instituto de Computação (IC), coordenador de Tecnologias e Parcerias em Inovação da Fundação, destacou a articulação entre as instituições de pesquisa paulistas para a realização do evento. Segundo ele, Unicamp, UFSCar e as instituições de pesquisa do estado formam um ecossistema de excelência capaz de criar espaços voltados à ciência avançada. “É um chamado à ação, ao estudo, a novas oportunidades e ao que queremos conhecer no futuro”, afirmou.

A pró-reitora de Pesquisa da Unicamp, professora Ana Frattini, destacou a importância do evento para ampliar o conhecimento sobre microplásticos, seus impactos ambientais e os desafios regulatórios e ressaltou o papel da formação de jovens pesquisadores. “Precisamos produzir pesquisas que ampliem as fronteiras do conhecimento humano, para que ele possa ser utilizado na formulação de políticas públicas que tragam benefícios sociais reais e promovam a justiça ambiental.”
Para o professor Pedro Sérgio Fadini, pró-reitor de Pesquisa da UFSCar, o esforço dos organizadores para possibilitar o evento merece destaque. “O tema está entre os grandes desafios ambientais enfrentados pela humanidade. Precisamos entender os mecanismos de transporte, transformação e ação dos poluentes no ambiente e seus efeitos nos organismos”, apontou.
O físico Raul de Oliveira Freitas, que representou o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), destacou a importância da infraestrutura de pesquisa para avançar nos estudos sobre o tema. Freitas lembrou ainda sua colaboração em uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que identificou microplásticos no cérebro humano, o que, segundo ele, reforça a urgência de compreender a presença e os efeitos desses materiais no organismo. “É uma situação realmente crítica”, alertou.

Oportunidades sem fronteiras
A pesquisadora paquistanesa Aamna Naeem, da Lappeenranta-Lahti University of Technology, da Finlândia, visita o Brasil pela primeira vez. Para ela, a ESPCA representa uma oportunidade de conhecer trabalhos desenvolvidos em diferentes partes do mundo e estabelecer novas possibilidades de colaboração. “É bom estar aqui para poder conhecer o que cada pesquisador está fazendo, entender as perspectivas para o futuro e descobrir como podemos colaborar”, afirmou.
Para a doutoranda Maria Fernanda Rosa da Silva, do campus Sorocaba da UFSCar, a participação representa também uma oportunidade de aprofundar conhecimentos em uma área na qual começou a atuar ainda no mestrado. Ela pesquisa microplásticos e pretende aproveitar a programação para ampliar sua formação e ganhar autonomia nos experimentos. “Tenho muito para aprender”, afirmou.
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Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos
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Microplásticos: um desafio que a ciência tenta compreender
“São uma infinidade de partículas diferentes, com propriedades diferentes, características diferentes, que do ponto de vista analítico é um desafio bastante grande identificar e quantificá-las da forma como elas estão no ambiente.” A afirmação é da professora Cassiana Carolina Montagner, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, em entrevista ao programa Analisa, gravado no dia 31 de agosto na TV Unicamp.
Montagner coordena, ao lado do professor Walter Waldman, do Departamento de Física, Química e Matemática da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), as atividades da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos, realizadas entre 1º e 11 de setembro na Unicamp.
Os micro e nano plásticos são partículas em tamanho reduzido, que podem ser produzidas de forma intencional pela indústria ou resultarem da degradação de materiais plásticos. Alguns tipos de microplásticos interagem com contaminantes como os agrotóxicos, impactando o ambiente e os seres vivos. Esta interação também é objeto de estudo dos dois professores por meio do projeto Plast-Agrotox, que busca preencher lacunas sobre o conhecimento dos destinos e impactos dos agrotóxicos e dos microplásticos quando encontrados isolados e associados em ambientes naturais.
A contaminação por microplásticos é considerada um dos desafios ambientais mais urgentes da atualidade. As diferentes características e componentes químicos presentes nessas substâncias contribuem para tornar mais complexa a tarefa de combatê-los. Os pesquisadores explicam como essas substâncias estão disseminadas em ambientes aquáticos, terrestres e aéreos, e até mesmo na cadeia alimentar e nos seres vivos.
Outro grande desafio é regular o setor produtivo, por meio de um Tratado Internacional de Combate à Poluição Plástica. “Existe um dissenso entre blocos de países sobre querer um tratado global ambicioso, em que se regulem as substâncias químicas dentro do plástico, em que se regule a produção de plástico, e um bloco de países que não quer regular a produção de plástico e quer focar na reciclagem”, afirma Waldman, que também participou do programa.
O evento promovido pela Unicamp é uma oportunidade para auxiliar os estudantes a compreender a complexidade dessa temática sob uma perspectiva científica, ampliando a busca de soluções interdisciplinares.
A ESPCA em Microplásticos é organizada pela Unicamp e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e reúne as maiores referências nacionais e internacionais na pesquisa em microplásticos.
Acesse para saber mais sobre a Escola São Paulo de Ciência Avançada.
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Levedura pode tornar a produção de etanol de milho mais eficiente

A produção de etanol de milho é um fenômeno recente no Brasil, mas essa indústria já responde por cerca de 30% da produção de álcool etílico do país, que é o segundo maior produtor mundial desse biocombustível. Para acompanhar esse crescimento acelerado, pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma levedura geneticamente modificada capaz de aumentar a eficiência da fermentação do milho.
A invenção foi desenvolvida por pesquisadores do Laboratório de Genômica e Bioenergia do Instituto de Biologia (IB) da Universidade, sob a coordenação do professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira. A tecnologia foi protegida e licenciada para a Bioinfood, empresa-filha da Unicamp, por meio de estratégia da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp), com participação da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).
O desafio da fermentação do milho para etanol
O etanol de milho surgiu como alternativa complementar ao etanol de cana-de-açúcar, uma vez que o milho oferece vantagens logísticas importantes. Diferentemente da cana, que precisa ser processada até 48 horas após o corte, o grão de milho pode ser armazenado em silos por meses sem perder qualidade. Essa característica permite que produtores aproveitem a entressafra da soja para cultivar milho, o que favorece a rotação de culturas e reduz o impacto ambiental. Além disso, a cadeia produtiva do milho gera subprodutos de alto valor, como óleo e ração animal, o que torna a biorrefinaria do milho ainda mais atrativa economicamente.
“O custo do etanol de milho é muito inferior ao custo do etanol de cana, e muito menos complexo de fazer, porque, após colhido, o milho pode ser armazenado, coisa que não é possível com a cana”, enfatiza Pereira.
Apesar das vantagens, o processo de fermentação do milho enfrenta um desafio técnico específico. A levedura tradicionalmente usada na produção de etanol converte facilmente o açúcar da cana em etanol. Porém, o milho não contém esse mesmo tipo de açúcar. Seu principal componente é o amido, uma longa cadeia de moléculas de glicose que a levedura não consegue processar diretamente.
Para resolver isso, é preciso quebrar o amido em moléculas menores antes da fermentação, em um processo que usa duas enzimas chamadas amilases. A primeira, a alfa-amilase, fragmenta o amido em cadeias médias. A segunda, a glucoamilase, atua durante a fermentação e finaliza a quebra, transformando essas cadeias em moléculas de glicose que a levedura consegue fermentar.
O problema é que a alfa-amilase tradicional só funciona em temperaturas superiores a 90 oC, o que é incompatível com a fase de fermentação, que ocorre por volta de 30 oC. Por isso, ela precisa ser adicionada antes, em uma etapa separada, o que encarece o processo. Além disso, mesmo com essa etapa prévia, cerca de 10% dos amidos não são totalmente quebrados e acabam descartados durante a fermentação, reduzindo o rendimento final de etanol.
Solução com ajuda computacional
A tecnologia desenvolvida na Unicamp atua como uma solução justamente para esse gargalo. Usando ferramentas de bioinformática e análise computacional de grandes bancos de dados genômicos, a equipe procurou enzimas ainda não usadas em leveduras industriais. O critério mais desafiador foi encontrar uma alfa-amilase capaz de funcionar em baixa temperatura, próxima à da fermentação, algo raro entre as enzimas conhecidas, já que a quase totalidade delas só funciona em altas temperaturas.
“Foi um esforço grande de procurar, nos milhões de dados públicos de proteínas que existem, de todos os organismos sequenciados, uma alfa-amilase que atuasse em baixa temperatura, já que 99,9% das alfa-amilases só funcionam a 90 oC”, explica Marcelo Falsarella Carazzolle, um dos pesquisadores responsáveis pela tecnologia.
Após identificar as enzimas promissoras, a equipe inseriu os genes correspondentes em uma levedura industrial e criou uma linhagem capaz de produzir sozinha tanto a nova alfa-amilase quanto uma nova glucoamilase, sem depender da adição externa dessas enzimas durante o processo. Em testes de bancada, comparando a nova levedura com uma linhagem convencional, os pesquisadores verificaram que a nova cepa dispensa completamente a adição de glucoamilase externa e ainda consegue quebrar parte do amido residual que normalmente se perde no processo tradicional.
Essa dupla capacidade representa uma vantagem direta para a indústria, com potencial de aumentar a produção de etanol usando a mesma quantidade de milho, além de reduzir custos com a compra de enzimas comerciais.
Leia matéria na íntegra publicada originalmente no site da Inova Unicamp.
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Médico da Unicamp criou o primeiro livro didático de Anatomia Patológica do país

Médico da Unicamp criou o primeiro livro didático de Anatomia Patológica do país
Obra buscava suprir a ausência de fontes de estudo para estudantes da Faculdade de Medicina e tornou-se referência por mais de 30 anos
Era início da década de 1960 quando o professor de Anatomia Patológica e médico José Lopes de Faria percebeu a dificuldade de seus alunos — a primeira turma da então Faculdade de Medicina — em prestar atenção ao que ele falava e, ao mesmo tempo, anotar cada detalhe do que ensinava.
Como não havia livros da área de Anatomia Patológica disponíveis no Brasil, os estudantes não tinham fontes de estudo e eram obrigados a criar suas próprias apostilas dessa especialidade médica, que diagnostica doenças por meio do estudo de células, tecidos e órgãos.


Foi isso que motivou o professor a se debruçar sobre o problema e escrever o livro Anatomia Patológica, considerada a primeira obra científica publicada pela editora da Unicamp, em 1971, e a primeira da área no Brasil.
O jornal Diário do Povo, de Campinas, publicou uma reportagem na época intitulada “Unicamp lança primeira obra científica”, em que dizia: “Contribuindo com a campanha em favor do livro didático no Brasil, o volume que será lançado terá baixo custo para os estudantes [e] foi escrito em linguagem simples, de fácil compreensão, ao mesmo tempo que possui conhecimentos profundos sobre anatomia patológica”.

“Na época, existiam apenas livros editados em alemão e em inglês, o que dificultava o acesso e utilização. Então, o professor Faria criou o livro do zero, usando o material das rotinas de atendimento e das autópsias”, conta Athanase Billis, professor colaborador da Unicamp e ex-aluno de Faria na segunda turma de Medicina.
Segundo Billis, que também seguiu carreira nessa especialidade, o livro foi inteiramente produzido por Faria entre 1965 e 1971. A obra, com 211 páginas, traz imagens e materiais colecionados e fotografados a partir dos atendimentos que o professor realizava na Santa Casa de Misericórdia, em Campinas.
A Unicamp foi fundada pelo professor Zeferino Vaz somente em 1966, mas antes disso a Faculdade de Medicina — hoje Faculdade de Ciências Médicas (FCM) — já funcionava na Santa Casa. Incorporado à nova universidade, o curso de medicina só migrou para o campus de Barão Geraldo após a construção do Hospital de Clínicas (HC), em 1985.
Na década de 1960, o Departamento de Anatomia Patológica da Unicamp, fundado pelo professor Lopes de Faria, contava com um fotógrafo responsável por documentar as lâminas e materiais coletados, um trabalho que contribuiu para a qualidade da obra escrita por ele.
“Na anatomia patológica, as imagens são muito importantes. Quando ele [Faria] não estava, por exemplo, dando aula ou corrigindo as lâminas ou as autópsias, estava se dedicando, exatamente, a escrever o livro e a documentar os materiais coletados”, relembra Billis.



Imagens feitas em laboratório fundamentaram a obra

A introdução do livro didático revela o contexto em que foi produzido. Após a página em que o professor declara seus agradecimentos à esposa, Júlia, e aos cinco filhos, seguem-se três parágrafos que dizem, segundo a grafia da época: “Estimulou-nos a escrever êste [sic] compêndio a dificuldade que encontram nossos alunos de estudar em livros a matéria por nós ensinada, o que nos leva ao uso de apostilas. Tem êle [sic], assim, caráter didático”.
A obra aborda a Anatomia patológica geral, apresentando os diferentes tipos de lesões e a natureza degenerativa delas ( inflamatória, circulatória, necrótica ou neoplásica, entre outras), independentemente de onde ocorrem no corpo humano.
Também apresenta a parte teórica e, dentro de cada um dos capítulos, descreve as degenerações e como elas são classificadas, como cada doença se desenvolve (patogênese) e como é feito seu diagnóstico, com ilustrações baseadas em lâminas de casos, biópsias ou autópsias.
“Era algo inédito. O livro passou a ser de grande utilidade para os nossos alunos, mas também passou a ser utilizado por professores de outras universidades”, conta Billis.
Seis anos depois, em 1977, a obra de Faria ganhou uma segunda edição, revista e ampliada, chamada “Anatomia Patológica Geral”, pela editora Guanabara Koogan.
No prefácio, Faria declara estar “alegre” por saber que a primeira edição, esgotada, havia sido acessada por colegas de vários estados do Brasil. O professor também reforçava que o livro se destinava aos estudantes do curso de graduação e àqueles que tivessem interesse em aprender sobre anatomia patológica.
“É necessário que o aprendizado seja feito com lógica, a fim de se esquecer o menos possível o que se aprendeu, bem como para modificar pontos de vista e ser, no futuro, o próprio professor”, escreveu o docente no prefácio.
Mais tarde, em 1988, pela mesma editora, foi publicada a terceira edição, “Patologia geral: fundamentos das doenças, com aplicações clínicas”, dedicada, desta vez, não só aos graduandos, mas também a residentes e patologistas em formação. A obra teve colaboração de ex-alunos que haviam se tornado professores da Unicamp.
Segundo Billis, a obra de Faria foi usada no ensino de Anatomia Patológica por cerca de 30 anos, até o começo dos anos 2000. Atualmente, o livro referência na área é o manual “Bogliolo – Patologia”, criado em 1972 por Luigi Bogliolo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), falecido em 1981. Diferente da obra de Lopes de Faria, o livro do docente da UFMG continua sendo editado por especialistas da área e, em 2022, chegou à 10ª edição. O livro de Faria ainda está disponível para retirada na Biblioteca da FCM.

Professor tinha apelido de ‘homenageado crônico’
José Lopes de Faria era conhecido na Unicamp como um “homenageado crônico”, devido aos inúmeros convites de homenagens em formaturas que recebia dos estudantes da Unicamp. Isso era um reflexo do respeito e da admiração que os alunos e colegas tinham por ele e pelo trabalho dedicado que realizava na Universidade.
Faria nasceu em 1917, no interior de Minas Gerais, sendo o primeiro de oito irmãos. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1941. Sua carreira docente começou no Departamento de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Em 1954, obteve uma oportunidade no Instituto de Patologia da Universidade de Freiburg, na Alemanha, sob a direção de Franz Büchner, onde se destacou e ganhou muitas características “germânicas” que passou a carregar para o resto da vida, em especial na atividade acadêmica. Era conhecido pelos colegas da Unicamp por ser exigente e muito sério.

Em 1963, ingressou na Unicamp, onde desempenhou um papel central na fundação e na direção do Departamento de Anatomia Patológica. Tornou-se professor titular em 1965 e dirigiu a Faculdade de Ciências Médicas entre 1967 e 1969 e entre 1972 e 1976.
Antonio Frederico Novais de Magalhães, médico gastrologista, professor aposentado e ex-diretor da FCM, relembra a dedicação de Lopes para estruturar e fortalecer o Departamento de Anatomia Patológica.
“Desde o início, ele conseguiu um espaço físico, que era um predinho, e espaços para fazer as análises de lâminas. E, para ensinar os alunos, ele conseguiu microscópios para que todos estudassem no seu próprio equipamento. Os alunos dele, depois, tornavam-se profissionais muito competentes”, afirma.
“Apesar de ser uma pessoa mais reservada, de não fazer muitas brincadeiras, ele era extremamente respeitado e muito admirado pelos alunos”, acrescenta Magalhães.
O médico pediatra José Martins Filho, ex-reitor e ex-diretor da FCM, conta que ingressou na Universidade quando Faria já tinha carreira consolidada e lembra-se do respeito que os colegas tinham por ele.
“Como somos de áreas diferentes, não convivemos diretamente. Mas me recordo de que, nas reuniões de congregação, a palavra dele era muito forte e ele tinha uma liderança importante. Eu estava apenas começando e o admirava bastante”, relata.
Lopes de Faria (segundo da esquerda para a direita) no Instituto de Patologia Ludwig-Aschoff-Haus na Universidade de Freiburg, Alemanha (Fonte: Siarq)

Dedicação à pesquisa e à divulgação da ciência
A dedicação de Faria ao ensino e à pesquisa era reconhecida na Unicamp, tanto pelas mais de 80 publicações científicas ao longo da vida quanto por sua disposição em dedicar o máximo de tempo possível às atividades acadêmicas.
O laboratório do professor, conforme rememora Billis, era o único, entre todos os outros da Santa Casa, que funcionava aos sábados, um dia reservado exclusivamente à pesquisa. Tudo que aprendeu sobre anatomia patológica, diz o ex-aluno, foi com Faria.
“Ele estava sempre do nosso lado, ajudando na redação do trabalho, na correção das lâminas. E isso era sempre feito aos sábados”, conta Billis.
Naquela época, início dos anos 1960, quando a Unicamp ainda se consolidava, a pesquisa científica não era institucionalizada como hoje, e muito do que era realizado dependia do esforço e do envolvimento dos docentes com os seus alunos.
Em 1971, a direção da FCM criou uma Comissão de Pesquisa, que teve o professor Faria entre os membros eleitos. O objetivo era cumprir o que previa o estatuto da própria Universidade: a promoção do conhecimento por meio da pesquisa científica.
A criação dessa comissão consta na primeira e única publicação da Revista da Universidade Estadual de Campinas, editada em 1971 pelo Diretório Acadêmico Adolfo Lutz, com artigos assinados por diversos docentes.
No artigo, consta que a Comissão havia distribuído um questionário a todos os professores da FCM a fim de coletar informações sobre o que cada departamento estava produzindo.
O historiador Ivan Luiz Martins Franco do Amaral, que trabalhou no Centro de Memória da FCM, conta que, quando o professor Lopes morreu, em 2009, houve autorização para o arquivamento do material da sala dele, que estava sem uso desde a sua aposentadoria, em 1987.
Durante o trabalho de listagem e documentação dos materiais, foram encontradas peças anatômicas dentro de recipientes de vidro e álcool — como um pé de um paciente com doença de Chagas, um feto e até um cérebro — acompanhados de anotações a mão.[2]
“Ele tinha os prontuários, as peças anatômicas e as lâminas para que os alunos estudassem. Era como se tivesse construído uma biblioteca de peças anatômicas. Isso era um material didático que apresentava principalmente casos raros”, afirma Amaral.
A médica e professora de Anatomia Patológica da Unicamp Liliana De Angelo Andrade foi aluna do professor José Lopes de Faria, que criou a primeira obra científica da Universidade, em 1971.
Ela relembra as memórias com o professor e como ele a influenciou a seguir a carreira de pesquisadora e docente na mesma área.
Com relação próxima com seus alunos, Faria convencia os melhores estudantes a seguirem a carreira acadêmica na Unicamp, estimulando sempre o desenvolvimento e o crescimento profissional na Universidade, como ocorreu com Billis. “Ele gostava de contratar quem conhecia, aqueles que se destacavam. Era um incentivador, no sentido de que cada um podia seguir a carreira”, relembra.
Em uma entrevista com Faria publicada por ocasião dos 40 anos da FCM, em 2003, ele declarou que sempre procurou dar o máximo de si. “Fui, por isso, talvez, um homenageado crônico pelos alunos, tanto que os professores passavam por trotes, mas eu sempre fui poupado. Se há algum conselho que eu deva dar para quem deseja ter uma carreira bem-sucedida na FCM, digo: ‘Trabalhe, para chegar a um bom resultado’.”
Faria aposentou-se por limite de idade em 1987. No ano seguinte, recebeu o título de professor emérito da Unicamp, uma honraria entregue pelo então reitor Paulo Renato Souza. Apesar da aposentadoria, permaneceu ativo até o seu falecimento, em 2009, revisando as edições de suas obras e contribuindo para a ciência.
Conforme histórico disponibilizado pela FCM, além das três edições de “Anatomia Patológica”, ao longo da carreira Faria editou também a obra “Nevos, tumores da pele, dermatoses cancerizáveis” (1981), em colaboração com o professor Aureliano da Fonseca.
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- Em atividade na UnB, reitora da UFRGS debate desafios e conquistas das mulheres na carreira acadêmica
Em atividade na UnB, reitora da UFRGS debate desafios e conquistas das mulheres na carreira acadêmica
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Com presença de Márcia Barbosa, ciclo de palestras no Instituto de Geociências é dedicado à valorização da participação feminina nas ciências
Universidade promove 4ª Jornada de Estudos Negros
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Discussões sobre pesquisas raciais em interseção com gênero, trabalho, política, educação e saúde concentram a programação, marcada por significativa participação internacional
Seminário internacional debate dupla carreira esportiva
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Evento reúne pesquisadores de nove países e trabalhos de todas as regiões do Brasil para discutir apoio ao atleta, formação acadêmica e transição profissional
UnB marca presença no 59º Festival de Brasília de Cinema Brasileiro
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Produções de docentes e egressos da Universidade de Brasília serão exibidas entre os dias 11 e 20 de setembro. Estudantes também participam de júri
UnB abre inscrições para Programa de Avaliação Seriada
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Prazo termina em 21 de setembro, para PAS 3, e em 30 de setembro, para PAS 1 e 2. Seleção completa 30 anos com mudanças no acesso, renovação das obras de referência e ações para aproximação com a educação básica
Professor da UnB recebe título de membro correspondente da Academia de Ciências de Cuba
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Distinção reconhece trajetória acadêmica e científica do vice-reitor Márcio Muniz e sua atuação em projetos de cooperação com instituições cubanas
UnB oferece capacitação para combater o assédio
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Curso visa auxiliar servidores na identificação de condutas e no combate a episódios na instituição. Aulas vão até quarta (2), no auditório do Instituto de Química
Relação entre política e religião é tema que encerra primeiro bloco do Espírito do Tempo
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Pesquisadores apresentam histórico da presença religiosa no debate político e apontam particularidades atuais do contexto brasileiro
Embaixador do Vietnã visita a UFRGS
Na tarde desta terça-feira, 18 de agosto, a UFRGS recebeu a visita oficial do embaixador do Vietnã Bùi Văn Nghi para uma conversa sobre perspectivas de cooperação acadêmica com o país do sudeste asiático. O diplomata estava acompanhado pelo oficial da embaixada Le Hồng Ngoc e foi recebido pelo vice-reitor Pedro Costa, pelo pró-reitor da Secretaria de Relações Internacionais (Relinter) Benito Bisso Schmidt e pelo diretor do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (Cinted) Dante Barone.
Durante a visita, o embaixador reiterou o interesse de seu país em renovar e estreitar laços com instituições de ensino brasileiras. A UFRGS já possui um acordo de cooperação com a Vietnam Academy of Social Sciences e deve assinar um memorando de entendimento para o estabelecimento de parceria com a FPT University, uma das universidades mais importantes do Vietnã.
Para o secretário de Relações Internacionais Benito Schmidt, a assinatura de mais esse acordo representa a diversificação dos parceiros acadêmicos da UFRGS, em geral muito focados no Norte Global. “Há tempos estamos buscando essa diversidade, até porque enfrentamos problemas bastante semelhantes aos de nossos parceiros do Sul Global, na América Latina, África e também na Ásia”. Benito esclarece que o novo convênio com a FPT University abrangerá as áreas de computação e de tecnologias na educação.





Também estiveram presentes no encontro a chefe de Gabinete Maria Luiza Saraiva Pereira; o vice-diretor do Cinted Marcos Basso; o acadêmico e assessorando do Cinted Lorenzo Ciulla; o doutorando vietnamita Le Cao Binh; e os representantes da Associação de Amizade Brasil-Vietnã (Abraviet) Oscar José Plentz Neto e Peter Hansen.
Inovação e transformação digital
Na quarta-feira, ao lado da reitora Marcia Barbosa, o embaixador participa do “Fórum Vietnã-América Latina sobre Inovação e Transformação Digital”, evento que reunirá especialistas das áreas de educação, transformação digital, semicondutores e agricultura de precisão.
Integrarão a mesa de abertura: Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul; Rafael Roessler, diretor técnico-científico da Fapergs; e Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, secretário municipal do Gabinete de Inovação da Prefeitura de Porto Alegre.
O encontro tem entrada franca e ocorre na sede do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação, no Anexo III da Reitoria (Av. Paulo Gama, 110) – Campus Centro da UFRGS.
Confira a programação detalhada
9h45-10h45
Painel 1: “Sul Global: Vietnã nos séculos 20 e 21”
Painelista: Bruno Hendler
10h45-11h30
Painel 2: “Transformação digital, inteligência artificial e perspectivas educacionais
Painelistas: Sérgio Franco e Cristiano Both
Moderador: Dante Barone
11h30-12h30
Painel 3: “Semicondutores e agricultura de precisão”
Painelistas: Christian Bredemeier e Cristiano Paim Buss (Stara)
Moderador: Celso Peter
Nesta abertura, além da reitora Marcia Barbosa e do embaixador do Vietnã no Brasil, devem estar presentes outras autoridades, como a secretária de Estado de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, o diretor científico da Fapergs, representando a Agência, e o secretário do Gabinete de Inovação de POA.
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Abertas inscrições para cursos de Alemão para fins acadêmicos
O Centro de Línguas para Fins Acadêmicos (CLA), do Instituto de Letras da UFRGS, recebe até 22 de agosto as inscrições para novas turmas de Alemão no formato online. São oferecidos os cursos Leitura de Alemão para Fins Acadêmicos e Compreensão Oral de Alemão para Fins Acadêmicos, com início em 24 de agosto e término em 15 de outubro. O público-alvo são os membros de comunidade acadêmica de universidades brasileiras.
Leitura de Alemão para Fins Acadêmicos
- Período: 24/08/2026 a 15/10/2026
- Dias: segundas e quintas-feiras (das 8h30 às 10h10)
- Professora: Ana Luiza Schneider
- Nível: A1
- online
Compreensão Oral de Alemão para Fins Acadêmicos
- Período: 24/08/2026 a 15/10/2026
- Dias: segundas e quintas-feiras (das 10h30 às 12h10)
- Professora: Ana Luiza Schneider
- Nível: A2
- online
As inscrições encerram-se às 18h do dia 22 de agosto. Interessados devem acessar o formulário de inscrições neste link.
O CLA é um programa de extensão que oferece cursos gratuitos de línguas apenas para estudantes, docentes e técnicos administrativos de universidades. Dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail cla@ufrgs.br.
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Estudante da UFRGS conclui graduação em Física durante experiência no CERN, na Suíça
A curiosidade sobre como as coisas funcionam em uma escala cada vez mais elementar levou Allan Ferreira, de 24 anos, a escolher a Física como carreira. Natural de Montenegro, no Rio Grande do Sul, o estudante iniciou o bacharelado na UFRGS em 2022 e, quatro anos depois, concluiu a graduação durante uma experiência internacional na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, da sigla em francês), na Suíça, um dos principais centros mundiais de pesquisa em física de partículas.
Desde o primeiro semestre, quando passou a residir em Porto Alegre, Allan atua na área de Física Experimental de Partículas, sob orientação do professor César Bernardes e junto ao Grupo Experimental da Colaboração CMS (Solenoide Compacto de Múons). Ao longo da graduação, participou de formações em escolas, eventos científicos e apresentou trabalhos de pesquisa em diferentes oportunidades. A experiência acumulada contribuiu para que fosse selecionado para o programa do CERN, concorrendo com cerca de 3 mil candidatos de diversos países. “Como o Centro fica situado bem na fronteira entre a Suíça e a França, minha rotina acaba sendo meio engraçada: estou hospedado em um hotel em Saint-Genis-Pouilly, na França, e o escritório onde atuo fica na parte suíça do CERN (em Meyrin). Todo dia pela manhã, atravesso a fronteira e fico trabalhando em meu projeto e, ao fim da tarde, retorno ao hotel. À noite, costumo sair para algum lugar em Saint-Genis ou Genebra, e nos fins de semana livres, viajo para outras localidades na Suíça ou na França”, resume Allan ao relatar que está na Europa desde o fim de maio e ficará até o final de agosto.
Experiência que amplia a formação

Para Allan, que não pôde participar da formatura que aconteceu há poucos dias no Salão de Atos da UFRGS, o período no CERN está permitindo conhecer de perto uma realidade que até então fazia parte de seus objetivos acadêmicos: trabalhar exclusivamente com pesquisa em um dos maiores laboratórios de Física do mundo. O recém-formado conta que participou do processo seletivo em 2025, mas não foi aprovado. Porém desta vez deu tudo certo. “Essa é minha primeira experiência no exterior, e muitas coisas são completamente diferentes de tudo que estou acostumado no Rio Grande do Sul, mas, por outro lado, é engraçado perceber que tem coisas que funcionam do mesmo jeito, tanto em Porto Alegre quanto em Genebra. Sinto que me desenvolvi muito como pesquisador no tempo que passei aqui e tenho certeza de que é um baita diferencial no currículo”, reflete, ao revelar que os custos de passagens, seguro-saúde, hospedagem e auxílio financeiro são custeados pelo CERN.
Gustavo Gil da Silveira, professor do Instituto de Física da UFRGS e líder do Grupo Experimental da Colaboração CMS (GECMS), ressalta a importância da conquista de Allan. Segundo ele, a estadia dos estudantes no CERN representa uma oportunidade valiosa para que recebam treinamento técnico avançado e adquiram conhecimentos que poderão ser aplicados diretamente nas atividades de pesquisa desenvolvidas no Instituto de Física. “Como muitos deles já estão envolvidos em atividades de análise de dados ou de desenvolvimento de software para o experimento CMS no CERN, grande parte do aprendizado adquirido durante esse período retorna para a Universidade e é incorporada aos seus Trabalhos de Conclusão de Curso ou projetos de pesquisa de mestrado”.
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UFRGS avança posições no Shanghai Ranking (ARWU)
O Shangai Ranking 2026 (ARWU), divulgado no último sábado, 15 de agosto, classifica a UFRGS entre as 600 melhores universidades do mundo e na faixa do 4º a 6º lugar entre as 14 instituições brasileiras classificadas, ao lado da UFRJ e da UFMG. Essas posições mostram que a UFRGS avançou em relação à edição anterior do ARWU, quando, em âmbito mundial, a Universidade situava-se entre as 700 melhores. Em nível nacional, na edição de 2025, a UFRGS ocupava a faixa entre 6º e 7º lugar. Conforme avaliação da Secretaria de Avaliação Institucional da UFRGS (SAI), estes resultados se devem ao fato de que houve uma melhora nos indicadores HiCI (pesquisadores altamente citados, em que apenas as afiliações primárias são consideradas) e N&S (artigos publicados nas revistas Nature e Science), ambos com peso de 20% no escore total do ranking. A avaliação completa da SAI sobre o desempenho da UFRGS no ARWU pode ser acessada neste link.
O ARWU utiliza seis indicadores objetivos para classificar as universidades do mundo, incluindo o número de ex-alunos e docentes que tenham conquistado Prêmios Nobel e/ou Medalhas Fields, o número de pesquisadores altamente citados, o número de artigos publicados nos periódicos Nature e Science, o número de artigos indexados no Science Citation Index – Expanded (SCIE) e no Social Sciences Citation Index (SSCI), e o desempenho per capita da universidade. Mais de 2.500 universidades foram classificadas pelo ARWU em 2026, e as 1.000 melhores foram publicadas, assim como nas edições anteriores.
O Painel da Qualidade elaborado pela SAI e disponível em https://www1.ufrgs.br/sistemas/paineldaqualidade/ apresenta o desempenho da UFRGS em diferentes rankings nacionais e internacionais e em sistemas de avaliação.
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PPG em Política Social e Serviço Social celebra 10 anos com aula comemorativa
O Programa de Pós-Graduação em Política Social e Serviço Social (PPGPSSS) da UFRGS comemorou, entre os dias 11 e 13 de agosto, uma década de história e dedicação à pesquisa científica. Consolidando-se como uma referência gaúcha e nacional, o programa comemora o atestado de sua alta qualidade acadêmica: a conquista da nota 5 na avaliação da Capes. Com bases sólidas, o PPG agora se prepara para o desafio da implementação do curso de doutorado.
A programação de aniversário teve início em 11 de agosto, com uma mesa comemorativa que revisitou a primeira década da instituição. O momento foi marcado pela presença de todos os docentes que já assumiram a coordenação do programa: Jussara Mendes, Rosa Maria Castilhos Fernandes, Alzira Lewgoy e o atual coordenador Giovane Scherer. A mediação do encontro ficou a cargo da professora Jane Prates (PUCRS), que conduziu as reflexões sobre os avanços, as lutas e as perspectivas da área.
No segundo dia de evento, ocorreu a Aula Magna do PPG, com a professora Ivanete Boschetti (UFRJ), pesquisadora que é referência nacional e internacional no campo do Serviço Social e na análise crítica das políticas sociais, proporcionando um debate denso e atual com os presentes.
Para encerrar o ciclo de atividades, o dia 13 de agosto foi dedicado à realização de um minicurso, com a professora Ivanete, estruturado para acolher não apenas os alunos da UFRGS, mas também a comunidade externa, como forma de reafirmar o compromisso do programa com a democratização do conhecimento e a extensão universitária.

Seleção para nova turma de mestrado
Reconhecido nacionalmente pela excelência na formação de mestres, o PPG terá inscrições para a seleção do curso de mestrado no período de 1º de setembro a 5 de outubro. Serão oferecidas 18 vagas, sendo 12 para ingresso regular e 6 vagas reservadas para ingresso vinculado às ações afirmativas.
Os interessados poderão apresentar candidaturas para duas linhas de pesquisa: “Estado, sociedade e políticas sociais: estudo das relações do Estado e sociedade e seu impacto na materialização das políticas sociais” e “Fundamentos do Serviço Social, formação e trabalho profissional”. As aulas iniciam em março de 2027, e o edital completo está disponível no site do PPG. Dúvidas devem ser encaminhadas ao e-mail ppgpservicosocial@ufrgs.br
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UFRGS
- UFRGS e MCTI assinam protocolo para transferência de conhecimento sobre gestão de riscos climáticos e ambientais
UFRGS e MCTI assinam protocolo para transferência de conhecimento sobre gestão de riscos climáticos e ambientais
Foi assinado na tarde desta segunda-feira, 17 de agosto, o protocolo de intenções entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a UFRGS para cooperação técnica no desenho de políticas públicas sobre gestão de riscos climáticos e ambientais. O documento foi assinado pela reitora Marcia Barbosa e pela ministra Luciana Barbosa de Oliveira Santos, em cerimônia realizada no Salão Nobre da Reitoria com a presença do vice-reitor Pedro Costa, de servidores do MCTI, de integrantes da Administração Central e diretores de Unidades da UFRGS e de representantes das entidades estudantis UNE, UEE e DCE da UFRGS.
O protocolo prevê a elaboração de ações conjuntas para o fortalecimento, acompanhamento, avaliação e disseminação de produtos e conhecimentos gerados pela UFRGS, através do Centro de Gestão de Riscos Climáticos e Ambientais (CGRCA), de forma a aprimorar as políticas públicas nacionais e estaduais para a gestão de risco de desastres. Este é o primeiro protocolo do MCTI com uma universidade brasileira na área climática e ambiental. Conforme o diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do MCTI, Osvaldo Leal de Moraes, o pioneirismo do acordo com a UFRGS deve-se à forma como a Universidade vem atuando, reunindo diferentes áreas do conhecimento em torno do tema. O CGRCA/UFRGS é citado no documento como órgão que congrega em uma mesma instituição produção e gestão do conhecimento científico, tecnológico, educacional, econômico e de saúde no atendimento das questões de risco climático e ambiental.
A reitora Marcia Barbosa destacou em sua fala as ações transdisciplinares empreendidas pela UFRGS nos debates sobre mudanças climáticas, na gestão de riscos e no enfrentamento dos desastres e afirmou que as experiências a partir da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul mostraram que somente a universidade é capaz de juntar as pessoas e formar redes para atuar nesses problemas. Marcia lembrou do protagonismo da UFRGS em 2024 e do propósito da Universidade em criar o CGRCA e, a partir dessa colaboração com o MCTI, poder colaborar com todo o País, reunindo a força de todas as áreas do conhecimento sincronizadas. “Esta parceria é única. A UFRGS está a serviço do povo brasileiro, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação”, disse.
A ministra Luciana Santos ressaltou a importância de unir esforços para o enfrentamento dos fenômenos climáticos que atualmente movem a humanidade. Afirmou ainda que o protocolo é estratégico para o Brasil e que tem certeza que está contando com a excelência da inteligência brasileira a partir da UFRGS.



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Após cerimônia na UFRGS, Néstor Canclini recebe diploma de Doutor Honoris Causa no México
Referência internacional nos estudos sobre cultura, antropologia, modernidade e transformações sociais na América Latina, Néstor García Canclini recebeu, no México, o diploma de Doutor Honoris Causa concedido pela UFRGS. A homenagem, iniciada meses antes em uma cerimônia híbrida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ganhou um encontro presencial: como o antropólogo não pôde estar em Porto Alegre para receber o título, a entrega ocorreu em julho, no Departamento de Antropologia da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM), Unidade Iztapalapa.
O diploma foi entregue pela professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS Nilda Jacks, que representou a Universidade na ocasião. O título havia sido concedido anteriormente, em evento híbrido, em reconhecimento à trajetória acadêmica do cientista social argentino e à sua contribuição para os estudos latino-americanos sobre as transformações das sociedades contemporâneas.
Na cerimônia ocorrida em abril na UFRGS, Nilda, que foi a oradora, percorreu em seu discurso marcos da trajetória e da vasta produção intelectual de Canclini, destacando como sua obra impactou fortemente a formação de pesquisadores da Universidade, especialmente da Fabico. Nilda disse que Canclini sempre agiu com humildade intelectual e honestidade acadêmica, o que, segundo ela, é “uma prática exemplar, uma posição pedagógica que muito nos tem a ensinar”. Em agradecimento à homenagem e às palavras da oradora, Canclini afirmou que o ato culminava uma relação de proximidade entre o Brasil e a UFRGS. Em seu discurso, intitulado Acá y allá en la Era Digital, destacou a reorganização tecnológica da vida social, em que os modos de conhecer e de estar juntos mudaram.
O encontro em solo mexicano teve as participações de Rocío Gil Martínez de Escobar, chefe do Departamento de Antropologia da UAM-Iztapalapa; Javier Rodríguez Lagunas, secretário da Unidade Iztapalapa; e Nilda Jacks. Também estiveram presentes professores da universidade mexicana que mantêm ou mantiveram atividades de pesquisa com Canclini, entre eles o antropólogo Gustavo Lins Ribeiro, além de estudantes do Departamento de Antropologia.
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Rede Saúde Única divulga Nota Técnica sobre comunicação de risco no El Niño 2026–2027
A professora da UFRGS Eloisa Beling Loose, coordenadora do Laboratório de Comunicação Climática (CNPq/UFRGS), é uma das autoras da Nota Técnica: Integridade da informação e comunicação de risco no El Niño 2026–2027, divulgada nesta semana pela Rede Saúde Única (RSU/Fiocruz). Elaborado por pesquisadores e profissionais vinculados a instituições de ensino, pesquisa e saúde do Rio Grande do Sul e à RSU/Fiocruz, o documento consolida informações disponíveis sobre o El Niño 2026–2027 e apresenta orientações para a comunicação de riscos associados a diferentes cenários climáticos e sanitários.
Eloisa Loose é docente e pesquisadora do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS e atua nas áreas de jornalismo ambiental, divulgação científica, comunicação de riscos e desastres e comunicação climática. Ela destaca que o objetivo do grupo é sublinhar o papel da comunicação de riscos em um cenário em que a população está exposta a uma grande circulação de informações, baseadas em modelos de previsão, que indicam a intensificação do El Niño nos próximos meses. “Esta nota é um esforço conjunto de pesquisadores para sublinhar o papel da comunicação de riscos neste contexto e evitar ou, ao menos, minimizar que a forma como se divulgam os riscos climáticos promova pânico desnecessário, fadiga, desconfiança em relação às orientações de prevenção e preparação, ou ainda novos problemas decorrentes do compartilhamento de desinformação – que agravam qualquer processo de gestão”, afirma a pesquisadora.
O documento aborda a interpretação de cenários climáticos, a comunicação de incertezas e os potenciais impactos sobre a saúde, reunindo também ferramentas de aplicação prática, como protocolos de verificação e correção de informações, checklist para publicação de conteúdos e modelo de boletim público, oferecendo suporte a instituições e profissionais responsáveis pela comunicação de riscos e pelo planejamento diante de situações marcadas por incertezas climáticas. Eloisa enfatiza que “é necessário um trabalho de todos os comunicadores para que possamos entender e saber lidar melhor com as incertezas. A construção de uma cultura de prevenção está articulada ao reconhecimento do papel da comunicação de riscos e desastres”.
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Antes que a tragédia se instale
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Grupo do Ambulatório de Substâncias Psicoativas do HC da Unicamp já reúne cerca de 30 pessoas que buscam tratamento regular por conta da dependência em apostas
A percepção de um aumento na procura por atendimentos relacionados à dependência em apostas online levou o Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa) a criar um grupo específico para pessoas com problemas relacionados às chamadas bets. A iniciativa começou em abril em uma área do Hospital de Clínicas (HC) e, desde então, a equipe passou a dedicar especial atenção a casos envolvendo endividamento, perda de controle e, o maior alerta, relatos associados a pensamentos suicidas.
A iniciativa já reúne mais de 30 pessoas que buscam regularmente esse tipo de apoio. O atendimento começa pelo acolhimento, sempre às quartas-feiras, das 8h às 11h30. Não é necessário agendamento, basta fazer cadastro na recepção do hospital e seguir para o acolhimento. O objetivo é oferecer um ambiente protegido, sem julgamentos e com garantia de sigilo. Antes do encaminhamento, os participantes respondem a um questionário que aponta o grau de presença das apostas em seu cotidiano. Geralmente, o interesse pelo jogo surge na esperança de reforçar o orçamento ou atenuar as dificuldades em um momento de desemprego, ou ainda pela ilusão de estar diante de um investimento.
A psiquiatra e professora da Faculdade de Ciências Médicas, Renata Azevedo, responsável pelo trabalho, conta que a demanda surgiu inicialmente entre pacientes que já eram acompanhados por problemas relacionados ao consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Com o tempo, porém, pessoas sem histórico de dependência de substâncias também começaram a procurar ajuda por causa das apostas.

A estratégia, segundo a psiquiatra, é oferecer informação para que a pessoa busque ajuda o mais cedo possível, evitando avançar a um estágio mais problemático. “A equipe buscou referências em um serviço da USP [Universidade de São Paulo], que já atendia pessoas com dependência comportamental em jogos e, posteriormente, estruturou o grupo aqui na Unicamp. Em junho, profissionais da rede pública de Campinas também foram capacitados para identificar e encaminhar pacientes com problemas relacionados às apostas. A capacitação, inicialmente planejada para 40 pessoas, recebeu 110 inscrições”, lembra Azevedo. A estratégia prevê ampliar o atendimento para além do ambulatório, com a participação de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) campineiros.
O serviço tem recebido principalmente adultos na faixa dos 30 a 40 anos. Atualmente, há uma maioria de homens – 75% do total -, embora também haja um número considerável de mulheres entre os pacientes.
“Adolescentes também apresentam risco de desenvolver transtornos relacionados ao jogo, mas esse público ainda não chega com frequência aos serviços de atendimento. Uma das possíveis explicações é o menor acesso deles ao dinheiro, o que pode retardar o aparecimento de problemas como o endividamento e também o momento em que as famílias percebem a situação”, diz a responsável pelo Aspa.
Vergonha
Um dos principais obstáculos para a busca por ajuda é a vergonha. De acordo com a psiquiatra, pacientes frequentemente escondem da família as dívidas e a perda de controle sobre as apostas. Alguns chegam ao atendimento no HC da Unicamp constrangidos e demoram a se apresentar quando são chamados para participar do grupo. “Quando avisamos do início do atendimento, alguns continuam sentados, esperam algum tempo e só depois levantam e se dirigem às salas. Eles não querem ter seus nomes ligados a isso publicamente”, conta Azevedo.
A responsável pelo Aspa explica ainda que a dependência de jogos apresenta uma característica particular. Ao contrário de outras drogas, em que o usuário não costuma acreditar que uma nova dose resolverá seus problemas, o jogador pode manter a expectativa de que uma nova aposta permitirá recuperar o dinheiro perdido. “Essa percepção está relacionada a uma distorção cognitiva. O paciente passa a acreditar que esteve perto de ganhar e que, na próxima tentativa, poderá recuperar as perdas e solucionar as dificuldades financeiras. É comum que essas pessoas consigam dizer exatamente o quanto já ganharam, mas têm dificuldade para dimensionar quanto já perderam”, revela a psiquiatra.
A facilidade de acesso proporcionada pelos celulares é apontada como um dos fatores que ajudam a explicar o rápido avanço das bets. Disponível diretamente no smartphone, o jogo pode ser realizado a qualquer momento, sem a necessidade de deslocamento até um estabelecimento físico, como acontecia com os bingos, por exemplo.
Desespero

A percepção de perda de controle e o agravamento das dívidas estão entre os principais fatores que levam os pacientes a procurar atendimento. A psiquiatra responsável pelo Aspa reforça a preocupação com o risco de suicídio. Segundo ela, profissionais que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Campinas têm recebido cada vez mais chamados de pessoas com ideação ou tentativa de suicídio associadas ao desespero provocado pelo endividamento decorrente das apostas.
Parte do problema está relacionada à maneira como essa atividade é apresentada ao público, avalia Azevedo. Influenciadores, atletas, artistas e outras pessoas com grande exposição nas redes sociais transmitem a falsa ideia de que apostar é divertido e permite obter lucro rápido e fácil.
A psiquiatra destaca que o perfil socioeconômico dos apostadores com problemas reforça a preocupação e a necessidade de uma ação. Dados de estudos epidemiológicos indicam maior concentração de dependentes entre pessoas de baixa renda, incluindo aquelas que recebem até um salário mínimo. Nesse contexto, a expectativa de obter uma renda adicional pode funcionar como um dos fatores que levam ao início das apostas. Neste caso, não é algo pela “aventura de ganhar”, mas a busca por reforço em um orçamento familiar já bastante apertado.
A recuperação
A psiquiatra Renata Azevedo, atua há cerca de 30 anos com dependências dos mais variados tipos e considera totalmente possível a recuperação dos envolvidos em apostas online. Ela defende a regulamentação e maior fiscalização da prática, com amplo acesso do público a informação e tratamento para reduzir os danos do jogo.
Entre as medidas disponíveis até o momento está o sistema de autoexclusão, criado pelo Governo Federal, que permite ao indivíduo bloquear o próprio acesso a plataformas legalizadas.
Acesse para mais informações sobre o serviço.
É um passo importante, mas não é tudo. Empresas consideradas ilegais seguem atuando no país. O Governo Federal já bloqueou mais de 50 mil sites, aplicativos e plataformas clandestinas, mas os envolvidos continuam driblando a fiscalização por meio de servidores internacionais e alternativas como os canais do Telegram.
Além do Aspa na Unicamp, pessoas com problemas relacionados ao jogo ainda podem buscar ajuda em unidades de saúde, Caps ou serviços especializados. O tratamento combina avaliação individual, acompanhamento em grupo e, quando necessário, medicamentos para o controle dos impulsos.
A participação da família, segundo Azevedo, também é fundamental. Os parentes são orientados a não fornecer dinheiro para apostas nem tratar o jogo como investimento. No próprio Aspa, parentes de dependentes já se organizam dessa forma, para trocar informações e apoio. Dos especialistas, eles ouvem a orientação.
A docente aponta ainda a necessidade de uma maior responsabilidade sobre a publicidade de bets. “Ampliar o debate sobre os riscos das apostas é essencial para estimular a busca por ajuda antes que o problema se agrave”, reforça a psiquiatra.

Pensamentos ‘mágicos’ e a falsa sensação de domínio sobre a máquina
Outro aspecto observado pelos profissionais que atuam no Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa), localizado no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, é a crença de que o conhecimento sobre o funcionamento das apostas aumenta as chances de vitória. O apostador pode interpretar uma sequência de resultados como evidência de que aprendeu a “jogar melhor”, mesmo diante de perdas sucessivas.
Esse mecanismo pode alimentar os chamados pensamentos “mágicos” e gerar a falsa sensação de controle. A pessoa passa a atribuir significado a acontecimentos aleatórios – como sonhos, sinais ou sequências de vitórias e derrotas – e acredita que consegue antecipar o resultado.
Para a psiquiatra, é necessário ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento dos jogos de azar – por meio de um maior letramento digital, por exemplo –e deixar claro que compreender as regras não significa controlar o resultado.

Assista ao programa Analisa com a psiquiatra Renata Azevedo:

RAIO-X DA DEPENDÊNCIA
- A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a ludopatia como um transtorno mental e uma dependência comportamental
- Entre 2018 e 2023, o número de atendimentos a dependentes em jogos aumentou 1.094% no Brasil
- As apostas online, conhecidas como bets, provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros

EM BUSCA DE AJUDA
Frases de dependentes em apostas online (depoimentos concedidos sob sigilo):
“Este mês não resisti: usei o dinheiro do aluguel para jogar e tive que pedir ajuda para a minha família, que tem poucos recursos.”
“Sei que não posso jogar, mas ainda não consigo parar.”
“Eu não tinha com quem conversar; aqui sinto que posso falar sem sentir medo ou vergonha.”
“Existem horários em que as plataformas pagam mais e é mais fácil ganhar, porém não consigo sacar o dinheiro ganho porque continuo jogando e acabo perdendo tudo novamente.”
“Estou há mais de um mês sem jogar, entendi que tenho que parar.”
“Ninguém sabe que eu jogo e estou endividado. Tenho vergonha de falar até para a minha mãe.”
“Sempre paguei minhas contas certinho, mas depois que viciei passei a dever para muitas pessoas, inclusive no meu trabalho.”
Não aposte sua saúde – autoteste: Disponibilizado pelo Ministério da Saúde, o “Autoteste do Jogo” é uma ferramenta que auxilia as pessoas a refletirem sobre a sua relação com os jogos e apostas, mas não é um instrumento de diagnóstico.
Reflita sobre sua relação com o jogo. Acesse!
Foto de capa:

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