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VÍDEO: “Não aos transfóbicos, não aos red pills”, diz Eduardo Moscovis ao ganhar prêmio Shell

22 de Março de 2026, 11:32
Eduardo Moscovis com o Prêmio Shell, em cerimônia no Teatro Paulo Autran – Divulgação

Na noite de quarta-feira (17), o ator Eduardo Moscovis recebeu o Prêmio Shell de Teatro, por sua atuação no monólogo “O Motociclista no Globo da Morte”. Em seu discurso, ele repudiou movimentos machistas, homofóbicos, transfóbicos e o movimento red pill, que promove ideias misóginas sobre relacionamentos e papéis de gênero. Moscovis afirmou: “Eu agora aqui, como homem branco e com todos os privilégios que eu tenho e tive, reafirmo: Não aos machistas, não aos racistas, não aos misóginos, não aos homofóbicos, não aos transfóbicos, não aos neonazistas, não ao movimento red pill.” Sua fala foi amplamente aplaudida pela plateia.

Moscovis usou seu prêmio para criticar comportamentos violentos e estereótipos associados a certos modelos de masculinidade, ressaltando a importância de uma mudança de postura. “Vamos tentar criar uma nova geração de homens que possam habitar o mundo de uma forma mais equilibrada”, destacou. A atriz Larissa Luz, vencedora do prêmio de Melhor Atriz, também fez um discurso emocionante, dedicando seu prêmio às mulheres, especialmente às mulheres trans, vítimas de feminicídio e à vereadora Marielle Franco: “Às mulheres que não são vistas e ouvidas, às mulheres trans que, sim, são mulheres.”

O evento ocorreu em meio às declarações transfóbicas do apresentador Ratinho, que desrespeitou a deputada federal Erika Hilton, recém-eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Ratinho afirmou que, para ser mulher, é necessário ter útero e menstruar, o que gerou ampla repercussão negativa, incluindo dentro da própria emissora SBT. No mesmo dia, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro também fez uma performance de blackface em protesto contra Erika Hilton, intensificando o debate sobre intolerância e desrespeito à identidade de gênero e à luta contra o racismo.

O sangue como ‘símbolo de autonomia e emancipação dos corpos’: Porto Alegre recebe festival de arte menstrual

Por:Sul 21
15 de Março de 2026, 11:01

Durante a próxima semana, espaços culturais de Porto Alegre sediarão o 1º Festival Latino-Americano de Artes e Menstruação (FLAM). Integrando performances, mostras artísticas, cine-debates, oficinas, palestras e ações educativas, o evento propõe colocar a menstruação no centro da criação artística e do debate público.

As inscrições para oficinas e palestras do festival estão abertas, e a programação completa está sendo divulgada no site www.flamfestival.com

O FLAM terá quatro dias de atividades, entre 25 e 29 de março, incluindo ações descentralizadas e apresentações em escolas. A proposta é reconhecer a arte menstrual como linguagem, campo de pesquisa e prática de transformação social, abordando temas relacionados ao corpo, ciclicidade, gênero, sexualidade, direitos das mulheres e dissidências de gênero, a partir de perspectivas decolonial, ecofeminista e antirracista.

Uma das idealizadoras do FLAM, Paola Mallmann explica que enquanto algumas obras participantes têm o próprio fluido menstrual como matéria prima, outras artistas usam diversos materiais para fazer essa associação. “A menstruação é uma experiência que passa pelo corpo, mas que também constrói sentidos sociais. A própria interpretação em performance pode ser usada para expressar, de forma artística, essa experiência. E não é só sobre o sangramento menstrual, mas todo o ciclo. Teremos um monólogo sobre a menopausa, por exemplo”, detalha.

 

Performance Portal – Vibra Mujer. Foto: Divulgação/Opará Cultural

Além de artistas, pesquisadoras, educadoras e ativistas de diversas regiões do Brasil, o festival também reúne trabalhos de pessoas da Colômbia, da Argentina e do Chile. Esta primeira edição do FLAM contou com a curadoria das idealizadoras e com um processo de seleção para receber propostas.

Uma das premissas da mostra é que a experiência menstrual sempre foi tangenciada pelo tempo, pela geografia, pela cultura, por questões étnicas e econômicas. “Se a menstruação antes era vista como algo sujo ou vergonhoso, esse tipo de crença vai mudando conforme o tempo passa. E o próprio ciclo da mulher, com os métodos contraceptivos, também mudou, assim como começou a surgir a própria arte menstrual como um símbolo de autonomia e emancipação dos nossos corpos”, destaca Paola. “Muitas vezes a menarca é vista como algo que envolve o início da vida sexual, mas também envolve o despertar da própria sexualidade e do poder feminino”.

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“Normalmente a menstruação é condicionada a um espaço doméstico, íntimo. Mas, ainda mais nesse mês, em que vivenciamos tantas notícias nos anunciando que é preciso sempre discutir o direito à vida das mulheres e autonomia dos nossos corpos, o festival não é isolado das outras pautas. Não é um festival focado na saúde, mas sim no diálogo da arte com a educação”, acrescenta a organizadora. “Existem, no mundo todo, diversas artistas que trabalham a questão do sangue menstrual. Eu acho que quem cruzar com o festival pode achar irreverente ou se chocar, mas isso também é importante. O evento é pensado em fortalecer essas práticas”.

Entre as presenças confirmadas estão Carolina Ramírez, psicóloga social e psicoeducadora menstrual; Johanna G. Novarin, performer e diretora artística; Angela Dippe, atriz e escritora; Isa Graciano, artista visual e educadora menstrual; Maria Chantal, educadora corporal; Caroline Amanda (Yoni das Pretas), cientista social e psicanalista;  Garotas de Vermelho, desenvolvido pelo Coletivo Luisa Marques em escolas da periferia de Porto Alegre, com a Contação de Histórias sobre Menstruação, a performance Rubra Fluidez, de Camila Matzenauer, artista e também co-organizadora do evento, entre outras.

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