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Noventa por cento dos CFOs usam IA para cortar custos, mas não querem investir nela
Em alguma hora no meio da tarde, dentro de qualquer grande empresa europeia, o diretor financeiro abre seu laptop, chama uma tela de análise preditiva e, sem muita cerimônia, deixa que um modelo de linguagem sugira o próximo movimento. Isso não é ficção, nem piloto experimental e não é iniciativa de um departamento de TI entusiasmado demais. Já é rotina, com número de pesquisa para provar.
Uma pesquisa da Deloitte realizada com cem diretores financeiros holandeses entre setembro (16) e outubro (17) de 2025, mostrou que 90% dos CFOs entrevistados já se apoiam em inteligência artificial para usar nas decisões que tomam. E vai além, mais de um terço deles espera que, dentro de cinco anos, a IA sustente mais da metade de suas escolhas mais importantes.
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O número é expressivo, mas o que vem depois dele é onde a história fica interessante e até engraçado. Se 90% dos CFOs já usam as ferramentas, e mais de um terço acredita que elas vão dominar suas decisões em meia década, seria razoável imaginar que o dinheiro estivesse fluindo para essa direção com a mesma velocidade. Não está.
A mesma pesquisa apontou que mais de 80% das organizações ainda pretende gastar menos de um quarto do orçamento de tecnologia em IA nos próximos anos. Há, portanto, uma fissura visível entre o que os executivos esperam da tecnologia e o quanto estão dispostos a investir para que ela chegue lá.
Traduzindo do corporativês: acreditamos muito na IA, só não a ponto de gastar dinheiro de verdade com ela.
O mesmo estudo revelou que 70% dos CFOs europeus esperam crescimento de receita neste ano de 2026. Sabe como? Cortando gente e contratando serviços de IA. O famoso “fazer mais com menos”, o que na prática significa crescer achando que vai economizar.
Esse ponto merece atenção. Crescimento de receita e redução de pessoal vivem na mesma frase dentro das salas de conselho. Empresas de serviços e tecnologia estão em posição mais confortável para conciliar os dois objetivos, já que ganhos de produtividade por automação compensam a perda de volume humano.
Empresas manufatureiras, no entanto, segundo o levantamento, enfrentam perspectivas mais frágeis de receita e podem reduzir trabalhadores apenas para estabilizar as operações, sem crescimento real à vista.
CFO com mais poder e menos talento
Outro dado da pesquisa merece mais atenção do que costuma receber. Cerca de 80% dos CFOs entrevistados afirmaram que a influência do diretor financeiro dentro do conselho de administração aumentou nos últimos cinco anos. É um salto considerável de prestígio. O CFO, que durante décadas foi o guardião dos números, passou a ser convocado para moldar a direção estratégica dos negócios.
O problema é que esse poder bate em um limite. Falta de gente qualificada para operar as ferramentas que sustentariam esse novo papel.
Mais da metade dos CFOs identificou, no estudo, carências em habilidades ligadas a dados, tecnologia digital e IA dentro de suas próprias equipes. O executivo tem mais voz no conselho, quer usar IA para decidir melhor e mais rápido, mas não encontra os profissionais capazes de construir essa infraestrutura de dentro.
Me lembra o arquétipo do “cabeça de planilha”, o executivo que olha para qualquer problema e enxerga uma linha de custo a eliminar. No anos 90 a Boeing elevou esse perfil ao posto máximo e passou anos explicando para autoridades de aviação por que as portas dos aviões saíam voando sozinhas. Dar mais poder ao CFO sem dar a ele uma equipe capaz de entender o que a IA faz é, guardadas as proporções, a mesma aposta.
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Sul21
- Cerca de 4 mil pessoas estão em tratamento por uso de álcool e outras drogas na rede de saúde de Porto Alegre
Cerca de 4 mil pessoas estão em tratamento por uso de álcool e outras drogas na rede de saúde de Porto Alegre
Em Porto Alegre, cerca de 4 mil pessoas estão em acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), serviços que acolhem quem enfrenta dificuldades relacionadas ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas. O dia 20 de fevereiro é a data que marca o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo.
Os CAPS AD funcionam com portas abertas e não exigem encaminhamento. São serviços especializados da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) que, além do atendimento direto, coordenam o cuidado em seus territórios, articulando ações com unidades de saúde, assistência social e outras políticas públicas.
Segundo o secretário de Saúde, Fernando Ritter, o enfrentamento ao uso problemático de álcool e outras drogas passa, necessariamente, pela compreensão das vulnerabilidades sociais. “Temos um cenário desafiador, com aumento da população em situação de rua e regiões com altos índices de vulnerabilidade. Por isso, a secretaria tem investido na ampliação dos Consultórios na Rua, na implantação de duas Unidades de Acolhimento e no fortalecimento da Atenção Primária, garantindo acesso e continuidade do cuidado”, afirma.
Desde setembro de 2024, a Atenção Primária passou a contar também com equipes multiprofissionais, as EMULTI, que hoje alcançam aproximadamente 45% de cobertura. Essas equipes atuam tanto no acompanhamento de usuários quanto na prevenção de agravos em saúde mental e uso de substâncias psicoativas.
Para a coordenadora de Saúde Mental da SMS, Marta Fadrique, o cuidado começa no momento em que surge a dúvida. “Quando a pessoa começa a se perguntar se o seu consumo está se tornando um problema, esse já é um sinal importante. A principal orientação é buscar ajuda. O CAPS AD está de portas abertas, mas esse cuidado também pode começar na unidade de saúde, com a família, no trabalho ou na escola”, explica.
O atendimento nos CAPS AD é realizado por equipes multidisciplinares, com profissionais como psiquiatra, psicólogo, assistente social, terapeuta ocupacional, enfermeiro, técnico de enfermagem, oficineiro e redutor de danos. Além das consultas individuais, são ofertados grupos, oficinas e atividades que fortalecem vínculos, promovem autonomia e apoiam a reinserção social. O acompanhamento também envolve a rede de apoio do usuário.
A redução de danos é uma diretriz central do cuidado. “A abordagem prioriza o acolhimento e o respeito à autonomia, com foco na diminuição de riscos, na proteção da vida e na melhoria da qualidade de vida. A abstinência pode fazer parte do Projeto Terapêutico Singular, mas não é a única estratégia de trabalho”, salienta Marta.
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