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Tech Check: Mudança de liderança para era da IA precisa acontecer agora, diz presidente da Korn Ferry Vinicius De Luca

A adaptação das lideranças empresariais à inteligência artificial precisa começar imediatamente para que as companhias consigam acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas até 2030. É o que afirma Vinicius De Luca, presidente da Korn Ferry para a América do Sul.

A avaliação foi feita durante estreia do Tech Check, novo programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, comandado pela jornalista Christiane Pelajo. A atração é dedicada a mostrar como a inteligência artificial e as novas tecnologias estão transformando o ambiente corporativo e os negócios.

Durante a entrevista, De Luca afirmou que as empresas precisam avançar não apenas na adoção de ferramentas de IA, mas principalmente no desenvolvimento das competências comportamentais necessárias para conduzir a transformação.

“Essa mudança do time de liderança precisa acontecer agora. Caso ela não aconteça, a gente vai ter uma outra discussão, que é como isso vai inviabilizar algumas dessas empresas dentro desse período de tempo extremamente curto”, afirmou.

Segundo o executivo, a velocidade da transformação faz com que capacidades como curiosidade, execução, inovação, adaptabilidade e aprendizado contínuo ganhem peso na seleção e no desenvolvimento de profissionais.

“O ponto principal dessa questão, para mim, é, sem dúvida nenhuma, a capacidade de aprendizado contínuo”, disse.

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Quase 40% das habilidades podem ficar defasadas

O levantamento mais recente do Fórum Econômico Mundial citado durante o programa estima que 39% das habilidades utilizadas atualmente pelos profissionais podem ficar defasadas até 2030.

A pesquisa também aponta que 59 em cada 100 trabalhadores deverão precisar de treinamento ou requalificação diante das mudanças no mercado de trabalho.

Para De Luca, o cenário exige uma mudança na forma como as empresas avaliam profissionais. Experiência e histórico de carreira continuam relevantes, mas competências relacionadas à capacidade de adaptação tendem a ganhar importância.

“Hoje ainda a gente contrata muito com base na experiência, com base no histórico. Quando a gente projeta isso para 2030, tem uma questão muito importante de competências que são o cerne da discussão”, afirmou.

Entre elas, o executivo destacou curiosidade, capacidade de execução, aprendizado e inovação.

Liderança será ‘força motriz’ da transformação

De Luca afirmou que a adaptação dos funcionários dependerá diretamente da capacidade das lideranças de conduzir a mudança.

“O time de liderança é a grande força motriz dessa mudança”, disse.

Segundo ele, o desafio não se limita aos CEOs e demais integrantes da alta administração. Conselhos de administração também precisam participar da discussão sobre as mudanças provocadas pela inteligência artificial.

“Não somente em níveis de C-level ou CEOs, mas também de governança. Os conselhos das empresas também necessitam entrar nessa parte da discussão da liderança”, afirmou.

O executivo destacou ainda que mudanças tecnológicas precisam ser acompanhadas por uma transformação da cultura das organizações.

“Os líderes são os grandes embaixadores. Quando a gente trabalha com processos como esse, tem um lado principal, que é a cultura”, disse.

Empresas ainda tratam IA como problema de TI

Apesar do avanço da discussão sobre inteligência artificial, De Luca avalia que muitas empresas da América do Sul ainda não incorporaram completamente o tema às suas estratégias.

Segundo ele, a transformação está mais avançada dentro das áreas de tecnologia do que em outras estruturas das companhias.

“A gente vê o movimento, sim, de intenção de mudança. Entretanto, ainda percebe um modelo que não está tão avançado”, afirmou.

O executivo disse já ter ouvido dentro de organizações a avaliação de que a inteligência artificial seria uma responsabilidade exclusiva das equipes de tecnologia.

“Já ouvi histórias de: ‘Não, essa é uma preocupação de TI e não é preocupação nossa’. Isso, para mim, é sem dúvida nenhuma uma preocupação”, disse.

Para De Luca, a adoção da IA precisa envolver toda a organização, especialmente quem ocupa posições de liderança.

Aprender rápido será competência central

Entre as características mais importantes para profissionais e executivos, De Luca destacou o chamado learning agility, ou agilidade de aprendizado.

“Existe uma das competências que eu sempre falo, que é exatamente o learning agility, ou seja, minha capacidade e minha agilidade de aprendizado”, afirmou.

Segundo ele, o curto intervalo até 2030 torna mais urgente o investimento em desenvolvimento de pessoas, especialmente porque competências comportamentais costumam exigir mais tempo para serem consolidadas.

“A capacidade mais de comportamento, que a gente fala de competências, leva um tempo maior para se desenvolver. E, visto que a gente tem um tempo extremamente curto, esse investimento tem que ser feito agora”, disse.

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Requalificação entra na estratégia das empresas

De Luca também destacou a importância dos processos de upskilling e reskilling para preparar profissionais para novas exigências.

O upskilling envolve ampliar as competências de um profissional para que ele acompanhe a evolução de sua área, enquanto o reskilling busca desenvolver novas capacidades diante das transformações das funções e do mercado.

Para o presidente da Korn Ferry na América do Sul, essas iniciativas precisam fazer parte das prioridades estratégicas das companhias.

“É uma responsabilidade, sem dúvida nenhuma, de todos que lideram as empresas. Espero que isso esteja na agenda dos executivos e, principalmente nas empresas de capital aberto, também na agenda dos seus conselhos”, afirmou.

Na avaliação de De Luca, o diferencial dos próximos anos não estará apenas no acesso à inteligência artificial, mas na capacidade das empresas e de seus profissionais de aprender, adaptar-se e transformar a tecnologia em mudanças concretas nos negócios.

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EXCLUSIVO CNBC: Cisco vê IA impulsionar novo ciclo de crescimento, diz CEO

A Cisco está nos estágios iniciais de diferentes ciclos de crescimento, impulsionados pela inteligência artificial, pelos hiperescaladores e pela expansão da demanda de empresas e operadoras de telecomunicações, segundo Chuck Robbins, CEO da companhia. Em entrevista à CNBC, o executivo defendeu os resultados da gigante de tecnologia, destacou o desempenho recorde e afirmou que todas as áreas do negócio contam atualmente com ventos favoráveis.

As ações da Cisco caem forte em Wall Street, mesmo após a companhia superar as expectativas e projetar resultados acima do previsto. Robbins evitou avaliar diretamente a reação dos papéis. “Não vou comentar sobre o que está acontecendo com as ações. Veremos como as coisas se desenrolam nas próximas semanas, que é quando importa”, afirmou o executivo, antes de ressaltar o desempenho alcançado pela empresa. “Estou orgulhoso da equipe. Tivemos um ano recorde. Trimestre recorde”, acrescentou.

Resultados acima das expectativas

O CEO chamou atenção para a diferença entre as projeções dos analistas e o crescimento efetivamente entregue pela Cisco. “Os analistas projetavam um crescimento de 9%. Achei curioso que esperassem apenas 9%. Entregamos 15% e eles perguntaram por que fomos tão conservadores”, relatou Robbins, ao defender os números apresentados pela companhia.

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Apesar do desempenho acima do esperado, o executivo explicou que a Cisco prefere adotar alguma cautela no começo do novo exercício. “Nesta época do ano estamos iniciando um novo ano fiscal. Operamos em mercados fantásticos”, destacou, acrescentando que esse também é um momento para “começar o ano sendo um pouco prudentes” diante dos desafios que ainda precisam ser enfrentados.

A avaliação sobre as perspectivas da companhia, entretanto, permanece positiva. “Se você pensar em todas as áreas do nosso negócio que você acabou de listar, todas elas têm ventos favoráveis agora”, ressaltou Robbins. O CEO acrescentou que a Cisco está “super otimista e satisfeita” com sua posição atual.

Silicon One fortalece posição em IA

O desenvolvimento de chips próprios é um dos principais componentes da estratégia da Cisco para capturar o aumento dos investimentos em inteligência artificial. Robbins destacou especialmente o Silicon One, resultado de uma decisão tomada há cerca de dez anos para desenvolver tecnologia própria.

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“Se não tivéssemos nosso silício, pois projetamos o nosso, somos efetivamente uma das três empresas que podem fornecer a camada de rede para esses grandes exercícios de treinamento de IA”, explicou o CEO, ressaltando que a oportunidade também deverá avançar conforme os clientes ampliarem o uso dos modelos. Segundo ele, a Cisco poderá fornecer “a rede que nossos clientes precisarão à medida que avançam na inferência”.

A estratégia também incluiu aquisições no segmento de tecnologias ópticas. “Tomamos uma decisão sobre algumas aquisições estratégicas em óptica”, lembrou Robbins, ao citar o desempenho da Acacia. “A Acacia teve outro trimestre de US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) em óptica coerente”, destacou.

Para o executivo, a combinação entre chips próprios, sistemas de rede e tecnologias ópticas tornou-se uma vantagem competitiva diante do crescimento da infraestrutura necessária para a inteligência artificial.

Cisco garante capacidade de produção

Robbins também destacou a relação direta mantida pela Cisco com a TSMC e afirmou que a companhia já definiu sua capacidade dedicada para atender às necessidades previstas para o ano.

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“A estratégia que adotamos de projetar nosso próprio silício, de construir sistemas, manter um relacionamento direto com a TSMC e ter nossa capacidade dedicada já definida para o ano” permite à Cisco enfrentar o aumento da demanda, explicou o executivo. Segundo ele, “já temos os componentes, nosso silício e tudo alinhado para entregar a tecnologia para o número do ano que projetamos”.

A estrutura também oferece margem para atender uma procura superior às projeções atuais. Robbins afirmou que a companhia está preparada “para ganhos adicionais, caso precisemos”, reforçando que os componentes necessários já estão alinhados com a estratégia para o período.

O CEO relacionou essa preparação ao desempenho financeiro da companhia. “Acho que o principal é o modelo de negócios que estamos operando agora, com margens operacionais no nível mais alto que talvez já tenhamos visto no quarto trimestre”, observou Robbins, destacando também as perspectivas para as margens e para o lucro por ação.

Na avaliação do executivo, os resultados validam as escolhas feitas pela empresa. “As decisões de modelo de negócios que tomamos, os negócios que conquistamos dos hiperescaladores e o crescimento que observamos são decisões prudentes”, avaliou.

Crescimento vai além dos hiperescaladores

Questionado por Jim Cramer sobre a possibilidade de a Cisco estar sendo beneficiada simultaneamente por diferentes ciclos de investimentos, Robbins indicou que o movimento pode ter continuidade. Para o CEO, “estamos nos estágios iniciais de tudo”, com crescimento aparecendo entre hiperescaladores, operadoras de telecomunicações, empresas e clientes do setor público.

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O desempenho junto aos maiores clientes de tecnologia é um dos destaques. “A ironia é que nosso negócio de hiperescaladores com todos os quatro grandes cresceu em dígitos triplos”, ressaltou Robbins, ao indicar que a expansão não está limitada a uma base específica do negócio.

As operadoras de telecomunicações também participam desse movimento. “Você tem um negócio de telecomunicações que as pessoas não achavam que realmente participaria de todo esse ciclo”, afirmou o executivo, acrescentando que “nossos pedidos cresceram mais de 30% no trimestre”.

O avanço também aparece em outras categorias de clientes. “O corporativo subiu 21%, o público 30%”, enumerou Robbins. Regionalmente, os números apresentados pelo executivo apontaram crescimento de 44% nas Américas, 25% na Europa e 19% na Ásia, reforçando a avaliação de que os atuais vetores de expansão da Cisco estão distribuídos por diferentes áreas do negócio.

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SK Hynix investirá US$ 38 bilhões na construção de novas fábricas de chips de memória

A SK Hynix anunciou na sexta-feira que investirá 54 trilhões de wons sul-coreanos (US$ 38,1 bilhões) para construir duas novas fábricas de produção de chips de memória, à medida que a demanda pelos componentes, essenciais para a inteligência artificial (IA), continua crescendo.

A gigante tecnológica sul-coreana anunciou um investimento de 35,2 trilhões de wons em uma fábrica de semicondutores, ou fab, em Yongin, chamada “Y2”, com 19,1 trilhões de wons destinados a uma instalação em Cheongju chamada “M17”.

O anúncio ocorre em meio a uma alta nos preços das memórias, impulsionada pela escassez de oferta e pela enorme demanda de empresas que constroem infraestrutura de IA, como data centers, e de companhias de chips, como a Nvidia, que exigem grandes volumes de memória de alta largura de banda (HBM).

Leia também: SK Hynix cai 13%; por que as ações da empresa se comportam como fichas de cassino nos pregões pós IPO

A alta nos preços das memórias levou os maiores produtores do produto — SK Hynix, Samsung e Micron — a registrarem uma forte valorização de suas ações, à medida que investidores apostam que o desequilíbrio entre oferta e demanda continuará por algum tempo.

A SK Hynix enfrenta uma concorrência crescente da Samsung, que recuperou a liderança em participação de mercado no segmento de memória dinâmica de acesso aleatório, ou DRAM, no segundo trimestre, segundo a Counterpoint Research. A DRAM é um tipo de memória cuja demanda está particularmente elevada.

“Isso levou a SK Hynix a injetar novos investimentos de capital para expandir sua presença. No curto prazo, isso não alterará a produção da SK Hynix, mas foi planejado para 2029 e além”, disse Neil Shah, vice-presidente de pesquisa e cofundador da Counterpoint Research, à CNBC.

“Analisando o mercado mais amplo, as expansões de múltiplos fornecedores da Samsung, SK Hynix, Micron e CXMT ampliarão significativamente a oferta global até 2028. No entanto, com a demanda crescendo ainda mais rápido do que a capacidade planejada, é improvável que os preços das memórias diminuam antes do fim de 2028.”

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Os planos da SK Hynix

A unidade Yongin Y2 é a segunda de quatro fábricas que a SK Hynix planeja construir no Cluster de Semicondutores de Yongin. A empresa afirmou que ela servirá como base de produção de DRAM. A SK Hynix iniciará a construção em julho de 2027, com a inauguração de sua primeira sala limpa em junho de 2029 para produzir HBM e outros produtos DRAM de próxima geração.

Uma sala limpa é um ambiente controlado, essencial para a fabricação de chips.

A SK Hynix afirmou que a instalação de Cheongju produzirá memória NAND, um produto cuja “demanda está aumentando rapidamente”, segundo a empresa. A fábrica Cheongju M17 iniciará as obras em fevereiro de 2027, com a abertura da primeira sala limpa em dezembro de 2028.

“Na era da IA, apenas a competitividade tecnológica não é suficiente, e a capacidade de fornecer o volume necessário exatamente no momento em que os clientes precisam é a vantagem competitiva definitiva”, afirmou a SK Hynix em um comunicado à imprensa. “Chegamos a essa decisão de investimento após uma análise aprofundada da demanda do mercado.”

Os investimentos representam a próxima etapa do “plano mestre” da empresa, anunciado no ano passado, que prevê que a SK Hynix invista 600 trilhões de wons no Cluster de Semicondutores de Yongin e 100 trilhões de wons para expandir sua base de produção em Cheongju.

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Volkswagen prepara corte de até 50% na linha de modelos; entenda o plano

A Volkswagen apresentou um plano para transformar sua operação global e reduzir significativamente sua linha de modelos nos próximos anos. A montadora alemã pretende diminuir em até 50% o portfólio de veículos e reduzir a complexidade da oferta em até 75%.

A medida faz parte do chamado Plano Futuro, apresentado pela Diretoria Executiva da empresa ao Conselho de Supervisão. Segundo a Volkswagen, o objetivo é tornar o grupo mais eficiente, resiliente e competitivo diante das mudanças no mercado automotivo.

Além da redução da variedade de modelos, a companhia também pretende ajustar sua capacidade produtiva. A meta é alcançar uma produção anual de aproximadamente 9 milhões de veículos, abaixo da capacidade de cerca de 12 milhões planejada antes da pandemia de Covid-19.

Leia também: Volkswagen vai cortar modelos e reduzir capacidade, mas evita falar em demissões

Volkswagen quer concentrar produção nos segmentos mais estratégicos

De acordo com a empresa, a redução da linha de modelos permitirá direcionar recursos para veículos e tecnologias com maior potencial de retorno.

Atualmente, a Volkswagen possui uma das maiores ofertas de produtos de sua história. No entanto, a companhia afirma que a simplificação do portfólio ajudará a reduzir custos e melhorar a eficiência no desenvolvimento de novos veículos.

Além disso, a montadora pretende harmonizar plataformas tecnológicas, arquiteturas eletrônicas e sistemas de software. A estratégia busca eliminar estruturas paralelas e ampliar as sinergias entre as marcas do grupo.

Plano ocorre em meio à pressão sobre a indústria automotiva

A decisão acontece em um momento de transformação no setor automotivo global. Nos últimos meses, fabricantes enfrentaram aumento de custos, novas exigências regulatórias e uma disputa mais intensa no mercado de veículos elétricos.

A Volkswagen também enfrenta maior concorrência de empresas chinesas, principalmente no segmento de carros elétricos, além dos impactos relacionados às tarifas comerciais.

Leia também: Volkswagen registra receita de 75,7 bilhões de euros, apesar de tombo no lucro operacional

Segundo a montadora, os desafios externos foram parcialmente compensados por programas de desempenho realizados nos últimos anos.

Além disso, a empresa afirma que essas medidas ajudaram a fortalecer sua estrutura. Agora, como parte desse processo de transformação, a Volkswagen inicia uma nova etapa de reorganização com foco no negócio automotivo.

Cortes de empregos ainda não foram confirmados pela Volkswagen

Apesar do anúncio do novo plano, a Volkswagen não confirmou demissões em massa. Nas últimas semanas, surgiram relatos de que a empresa avaliava medidas mais duras, incluindo possíveis cortes de até 100 mil empregos e o fechamento de unidades na Alemanha. As informações, divulgadas pela imprensa, geraram resistência entre trabalhadores e sindicatos.

O conselho de trabalhadores da Volkswagen e o sindicato industrial alemão IG Metall afirmaram que pretendem lutar contra possíveis cortes e encerramentos de fábricas. Um protesto chegou a ser realizado em frente à unidade da Volkswagen em Zwickau, na Alemanha.

A montadora já havia iniciado discussões sobre redução de custos e aumento da eficiência, mas ainda não apresentou oficialmente um plano final com demissões ou fechamento de fábricas.

Leia também: Volkswagen aguarda parecer do Conselho de Administração sobre plano de corte de custos

Volkswagen busca fortalecer negócio principal

Outro ponto do Plano Futuro envolve a revisão do portfólio de participações e investimentos da empresa. A Volkswagen informou que pretende concentrar recursos em negócios ligados diretamente ao setor automotivo.

A venda de uma participação majoritária na Everllence, anunciada no fim de junho, faz parte dessa estratégia e deve gerar uma entrada de caixa de aproximadamente 7,4 bilhões de euros. Com as mudanças, a montadora busca construir uma estrutura mais enxuta e preparada para competir em um mercado global cada vez mais disputado.

“O Grupo Volkswagen está entrando na próxima fase de transformação por seus próprios meios. Estamos tornando a empresa mais rápida, mais resiliente e mais competitiva”, afirmou Oliver Blume, CEO da Volkswagen.

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Quais são os maiores desafios para implementar I.A nas empresas?

A adoção da inteligência artificial (I.A) pelas empresas brasileiras avança, mas ainda enfrenta desafios para transformar a tecnologia em resultados concretos.

Um estudo global realizado pelo SAS Institute em parceria com a International Data Corporation (IDC) mostra que apenas 8% das companhias do Brasil conseguem equilibrar a confiança na I.A com estruturas adequadas de governança, transparência e gestão de riscos.

Leia também: Estudo do SAS mostra que só 8% das empresas do Brasil confiam na I.A. para governança

O índice brasileiro fica abaixo da média global, de 9%, e revela um dos principais obstáculos para a implementação da tecnologia: muitas organizações apostam na inteligência artificial, mas ainda não possuem processos preparados para garantir um uso seguro e eficiente.

A pesquisa, baseada em 2.375 entrevistas realizadas em diferentes regiões do mundo, aponta para o chamado “dilema da confiança”. O cenário acontece quando a expectativa das empresas em relação à I.A não acompanha os investimentos necessários em controles, qualidade de dados e estratégias de gerenciamento de riscos.

Falta de governança é um dos principais desafios da I.A nas empresas

No Brasil, 48% das empresas aparecem no grupo classificado pelo estudo como “retardatárias”. Essas organizações apresentam baixa confiança na inteligência artificial e também pouca estrutura de governança para acompanhar o avanço da tecnologia.

Além disso, 26% das companhias demonstram excesso de confiança, ou seja, acreditam mais no potencial da I.A do que sua estrutura atual consegue sustentar. Enquanto isso, 19% utilizam menos recursos de inteligência artificial do que poderiam, mesmo tendo condições para ampliar o uso.

Dessa forma, apenas 8% das empresas brasileiras atingem o equilíbrio considerado ideal pelo levantamento, combinando confiança, preparação interna e mecanismos de controle.

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Confiança muda conforme o tipo de I.A

Outro ponto destacado pelo estudo é que a percepção das empresas sobre a I.A varia conforme a tecnologia utilizada. Na inteligência artificial tradicional, 29% das companhias brasileiras afirmam ter algum nível de confiança, enquanto 22% relatam confiança total.

Já na IA generativa, que ganhou espaço com ferramentas capazes de criar textos, imagens e análises, 25% demonstram alguma confiança e 32% afirmam confiar totalmente. No caso da I.A agêntica, tecnologia capaz de executar ações de forma mais autônoma, 37% dizem ter alguma confiança e apenas 17% afirmam confiar totalmente.

Apesar disso, o Brasil apresenta um Índice de Confiabilidade da I.A de 3,35 pontos, em uma escala de 0 a 5. O resultado supera países como Alemanha e China. Entretanto, quando o assunto é impacto nos negócios, o desempenho brasileiro fica atrás.

O Índice de Impacto da I.A no país chegou a 2,84 pontos, abaixo de mercados como Irlanda e Austrália, que conseguem unir maior confiança na tecnologia com resultados empresariais mais consistentes.

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Estrutura de dados limita avanço da inteligência artificial

Além da governança, a preparação dos dados aparece como outro desafio para a implementação da I.A. Segundo o levantamento, a infraestrutura de dados das empresas brasileiras ainda é fragmentada.

Cerca de 35% das organizações operam em estágios considerados “ad hoc” ou fragmentados, enquanto a média global é de 16%. Na prática, essa falta de organização dificulta a criação de sistemas mais eficientes e reduz a capacidade das empresas de transformar investimentos de inteligência artificial em ganhos reais.

O impacto também aparece no retorno financeiro. Para cada dólar investido em I.A, as empresas brasileiras registram um retorno médio de US$ 1,52. O valor fica abaixo da média mundial, de US$ 1,61, e da média das Américas e América Latina, de US$ 1,63.

Empresas aumentam investimentos, mas precisam melhorar preparação

Mesmo diante dos desafios, o cenário indica que as empresas continuam apostando na expansão da inteligência artificial. A América Latina aparece como a região com maior expectativa de crescimento nos investimentos em I.A entre os mercados analisados.

Nos próximos 12 meses, 20% das empresas latino-americanas esperam aumentar seus orçamentos para a tecnologia em mais de 20%, quase o dobro da média global.

No entanto, o avanço dos investimentos exige uma preparação maior. Sem uma base estruturada de dados, regras claras de uso e mecanismos de acompanhamento, a adoção da I.A pode não alcançar todo o potencial esperado pelas organizações.

Para Jim Goodnight, CEO e cofundador do SAS, a tecnologia precisa estar associada à capacidade de tomar decisões confiáveis. Segundo ele, esse princípio acompanha a empresa desde sua criação e se tornou ainda mais relevante com a expansão da inteligência artificial.

Leia também: Tencent testa assistente de I.A no aplicativo mais popular da China em tentativa de alcançar rivais

SAS completa 50 anos com foco em dados e I.A

O estudo também marca um momento importante para o SAS, que completa 50 anos em julho de 2026. Fundada em 1976 como um projeto de pesquisa na North Carolina State University, a companhia se consolidou como uma das principais fornecedoras globais de softwares para análise de dados e inteligência artificial.

Atualmente, a empresa afirma atender clientes em mais de 150 países e manter investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento. Ao longo de cinco décadas, a companhia passou a acompanhar a evolução do mercado de dados, que agora enfrenta o desafio de equilibrar inovação, segurança e confiança no uso da I.A.

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Empresas de IA deixam de focar em modelos maiores e passam para sistemas mais baratos e inteligentes

Nos últimos dois anos, tem sido fácil pontuar a corrida da inteligência artificial (IA): modelos maiores, melhores referências de desempenho (benchmarks) e qualquer empresa que pudesse reivindicar a liderança, pelo menos até o próximo lançamento.

Esse painel de pontuação começa a parecer insuficiente.

À medida que as empresas passam dos testes de IA para o uso em produtos e fluxos de trabalho reais, não se trata mais de acionar o melhor modelo, mas sim de acessar aquele que melhor se adapta a um trabalho específico, pelo custo certo, com os dados necessários e no ambiente escolhido.

Leia também: Demanda por IA acelera investimentos em infraestrutura e amplia oportunidades para o Brasil

Essa mudança está abrindo as portas para um novo tipo de competição em IA, focado menos no tamanho do modelo e mais no roteamento, custo, controle e computação.

“O modelo por si só não é mais o produto”, disse o CEO da Perplexity, Aravind Srinivas, à CNBC. “É o arranjo, o sistema de orquestração que coloca o modelo dentro de uma estrutura muito capaz e o combina com uma série de ferramentas”, completou.

Isso significa que os produtos de IA estão se tornando sistemas que podem decidir qual modelo usar, quando usá-lo e quais ferramentas externas ou fontes de dados da empresa são necessárias. Uma tarefa de atendimento ao cliente pode não precisar do modelo mais caro. Um problema complexo de programação pode precisar. Um fluxo de trabalho interno rotineiro poderia rodar em um modelo aberto mais barato. Uma etapa mais difícil poderia ser escalada para um mais potente.

“A resposta é sempre usar o que for melhor para a tarefa”, disse Srinivas.

Leia também: Brasil pode exportar inteligência artificial em setores estratégicos, diz CEO do Templo

O surgimento de modelos alternativos ocorre no momento em que as corporações americanas reduzem os gastos com IA, e apresenta outro desafio para a OpenAI e a Anthropic, que prosperaram nos últimos anos vendendo a tecnologia mais inovadora do mercado.

A Perplexity apresentou nesta semana uma prévia de um novo sistema para o seu produto de uso de computador (computer-use) construído em torno do GLM 5.2, um modelo aberto da empresa chinesa Z.ai. O sistema foi projetado para permitir que um modelo mais barato lide com a maior parte do trabalho, acionando um modelo mais forte apenas quando necessário.

Essa abordagem reflete uma mudança mais ampla no mercado. Modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser baixados, ajustados e executados pelas próprias empresas, estão se tornando mais capazes. Eles também são mais baratos de operar do que os modelos proprietários premium dos maiores laboratórios de IA.

Peter Fenton, sócio-gerente da Benchmark, disse que a mudança pode ser drástica.

Leia também: IA impulsiona produtividade e eficiência no setor de saúde

“Uma visão talvez contrária, que está se tornando consenso, é a nossa crença de que mais de 90% dos tokens criados virão de modelos de pesos abertos nos próximos 18 a 24 meses, possivelmente até o final do ano”, disse Fenton à CNBC.

Tokens são as unidades de dados que os modelos de IA processam e geram.

“As margens de inferência geradas pelas empresas de modelos de fronteira, acredito, sofrerão pressão quando for possível executá-los sem a margem de lucro que elas aplicam, e quando houver modelos de pesos abertos bons o suficiente”, disse Fenton.

Fenton afirmou que a migração para modelos abertos não se trata apenas de economizar dinheiro. Em alguns casos, modelos menores ajustados para uma tarefa específica podem ser mais rápidos e ter melhor desempenho do que modelos maiores de uso geral.

“Onde funciona e como funciona

Essa é uma das razões pelas quais a Benchmark investiu na Ollama, uma empresa que facilita para desenvolvedores e empresas o download, a execução e o gerenciamento de modelos abertos.

“Uma coisa é de onde o modelo vem e onde ele foi criado e treinado”, disse o CEO da Ollama, Jeff Morgan. “No entanto, o mais importante para essas empresas com quem conversamos é onde ele roda e como roda”.

Morgan disse que a Ollama foi adotada por mais de 85% das empresas da Fortune 500, incluindo companhias em setores regulamentados, como aviação, seguros e saúde. Ele afirmou que muitas empresas começam com modelos menores rodando perto de seus próprios dados e, depois, expandem para modelos abertos maiores à medida que ganham mais confiança.

Leia também: A inteligência artificial e o compreendimento da mente humana

A ascensão dos modelos abertos também cria um desafio estratégico para os EUA. Muitos dos modelos de pesos abertos mais competitivos estão vindo de laboratórios chineses, incluindo Z.ai e DeepSeek. Isso tornou a IA de código aberto uma questão de negócios, de política pública e de competitividade nacional.

Srinivas disse que os EUA deveriam apoiar os modelos abertos porque eles tornam a IA mais acessível e economicamente viável.

“Se você quer que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos para pequenas empresas na América e em países aliados dos EUA, então você realmente precisa que a IA seja muito mais acessível”, disse Srinivas. “E o código aberto é a única maneira de fazer isso”.

A mudança também pode afetar a enorme construção de centros de dados em andamento em todo o setor de tecnologia.

O atual boom da IA pressupõe que a demanda continuará fluindo para grandes data centers em nuvem repletos de chips de última geração. Srinivas diz que parte do trabalho de IA pode, eventualmente, ser executada localmente, em dispositivos de propriedade de consumidores ou empresas.

Isso não eliminaria a necessidade de data centers, mas poderia criar um sistema de IA mais híbrido, com tarefas rotineiras executadas localmente e o trabalho mais difícil enviado para um modelo mais potente na nuvem.

Para os investidores, a questão é se os maiores laboratórios de IA conseguirão manter seu poder de fixação de preços à medida que os modelos abertos melhoram e as empresas se tornam mais seletivas sobre o que utilizam.

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Domínio online do Google dá sinais de desgaste na era da IA

Mais de três anos após o início do boom da inteligência artificial generativa, o Google desafiou muitos céticos que acreditavam que o ChatGPT seria o golpe fatal para o gigante das buscas. Mas alguns problemas estão abalando seu negócio principal.

O mecanismo de busca DuckDuckGo está registrando aumentos nas taxas de instalação de até 40% por semana. O Bing, da Microsoft, alcançou 1 bilhão de usuários pela primeira vez no último trimestre. E o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu ligeiramente no último mês, enquanto o ChatGPT registrou uma pequena alta.

O Google ainda controla 90% do mercado de buscas, o preço de suas ações mais do que dobrou no último ano e o crescimento da receita no primeiro trimestre foi o mais rápido desde 2022. Mas a preocupação com a IA persiste à medida que mais pessoas recorrem aos chatbots como método preferido para encontrar informações.

O ChatGPT ocupa consistentemente a posição de aplicativo gratuito mais baixado no iOS da Apple, e o Claude, da Anthropic, está atualmente em oitavo lugar, uma posição atrás do Gemini, do Google.

Enquanto isso, outra onda de usuários da internet está se afastando completamente das buscas impulsionadas por IA em favor de alternativas sem IA. Um estudo do Pew Research Center publicado em março constatou que cerca de metade dos americanos sentia que a IA em suas vidas diárias os deixava “mais preocupados do que entusiasmados”.

Navegar pela internet sem ela é um dos mecanismos de adaptação e, no início deste mês, o DuckDuckGo lançou um mecanismo de busca “sem IA” com novas extensões para navegador que permitem aos usuários utilizar por padrão o endereço noai.duckduckgo.com.

“Muitas pessoas usam o Google porque o Google é como a página inicial da internet, mas elas querem fazer essas jornadas, clicar e pesquisar por conta própria e tomar suas próprias decisões”, disse Lily Ray, vice-presidente de otimização para mecanismos de busca e busca por IA da empresa de marketing Amsive.

Leia também: Google cria estratégia bilionária para enfrentar a Nvidia

O Google também enfrenta o desafio de conter startups de IA fortemente financiadas, que estão pagando valores elevados por talentos antes de suas potenciais ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).

Na semana passada, Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia e copresidente do Gemini AI, anunciou que estava deixando o Google para ingressar na OpenAI. E, na sexta-feira, John Jumper, vice-presidente da DeepMind e fellow de engenharia, informou que estava saindo para trabalhar na Anthropic.

As ações da Alphabet tiveram, na segunda-feira, seu pior desempenho em mais de um ano, com queda de 5%.

Analistas da Jefferies escreveram em um relatório que “não interpretam as recentes saídas como um sinal de que o Google esteja fazendo menos em IA, mas sim como mais um dado em uma guerra por talentos que afeta toda a indústria, na qual laboratórios de ponta estão oferecendo lances agressivos”.

Um porta-voz do Google se recusou a comentar para esta reportagem.

Para o Google, o surgimento da IA generativa representa uma espécie de risco existencial desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, que recentemente ultrapassou 1 bilhão de usuários ativos mensais. A ameaça é dupla: o Google pode perder sua posição dominante e, ao tentar competir em IA, pode canibalizar seu próprio mecanismo de busca em favor de uma nova forma de encontrar informações que ainda não possui um modelo comprovado de publicidade digital.

Os anúncios ainda representam cerca de três quartos da receita da empresa. As margens extremamente elevadas da publicidade permitem ao Google financiar apostas de longo prazo e alto custo, como a Waymo e a IA baseada no espaço, além de investir perto de US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA.

Em sua conferência anual para desenvolvedores, realizada no mês passado, o Google anunciou que redesenharia a caixa de busca pela primeira vez em 25 anos, posicionando o botão “Modo IA” diretamente dentro dela. O botão de busca agora fica abaixo da caixa.

“Esta é a maior atualização da nossa icônica caixa de busca desde sua estreia, há mais de 25 anos”, afirmou Elizabeth Reid, responsável pela organização de buscas do Google, durante o evento.

Além disso, a popular ferramenta de geração de imagens Nano Banana também está disponível na caixa de busca por meio do botão de adição. No aplicativo móvel do Google Search, uma grande caixa clicável do “Modo IA” tem praticamente o mesmo tamanho da caixa de busca tradicional.

Leia também: Google permitirá que os sites se excluam dos resultados de pesquisa gerados por I.A.

Reação contrária à IA

No último mês, o tráfego do mecanismo de busca do Google caiu mais de 1%. O tráfego do ChatGPT aumentou um pouco. O DuckDuckGo, que há muito tempo se posiciona contra o Google como uma opção de busca mais privada, afirma que as taxas de instalação cresceram até 75% em relação ao período anterior ao anúncio do Google I/O, em maio.

O Google precisa “encontrar um equilíbrio, porque, se avançar demais com a IA, perderá seus usuários”, disse Ray, da Amsive. Ela classificou a participação de mercado do DuckDuckGo como “microscópica”, mas afirmou que houve um grande aumento recentemente.

Até mesmo o CEO da Alphabet, Sundar Pichai, reconhece os receios em torno da IA. Em um episódio recente do podcast “Hard Fork”, Pichai afirmou que as pessoas estão “justificadamente” ansiosas sobre o tipo de futuro que a tecnologia criará, classificando a escala da mudança como sem precedentes.

Google e OpenAI enfrentaram processos por morte culposa movidos por familiares de pessoas que supostamente cometeram atos de violência ou automutilação devido ao uso de chatbots. Em março, o Google foi processado pelo pai de um homem de 36 anos, que alegou que o chatbot Gemini convenceu seu filho a tentar realizar “um ataque com múltiplas vítimas” e, posteriormente, a cometer suicídio.

No mercado de buscas, o DuckDuckGo não é o único mecanismo respondendo à demanda por alternativas. A Microsoft lançou uma extensão para navegador chamada “Bing AI Search Choice”, que permite aos usuários desativar recursos semelhantes a chats de IA.

“A IA está fazendo coisas poderosas para as buscas, mas as pesquisas mostram que nem todos querem usar IA para tudo o tempo todo”, escreveu Jordi Ribas, presidente de busca e IA da Microsoft, em uma publicação no LinkedIn sobre a atualização.

Também cresce a antipatia entre editoras e veículos de mídia, que viram o tráfego proveniente das buscas do Google despencar, em parte porque a IA reúne informações em resumos exibidos no topo dos resultados, eliminando a necessidade de clicar nos links.

Em uma disputa antitruste com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o Google admitiu no ano passado, em documento judicial, que a web aberta já está “em rápido declínio”, uma avaliação que contrastou com declarações públicas de executivos da empresa.

Leia também: Google lança novos modelos de IA e agentes pessoais

Estudos de painéis de dados como SparkToro e Similarweb mostram que aproximadamente 68% de todas as buscas no Google agora terminam sem um único clique para um site externo. Roger Lynch, CEO da Condé Nast, afirmou em entrevista no mês passado à TBPN que sua equipe prevê quedas no tráfego oriundo das buscas há três anos e que “todos os anos a queda foi maior do que a prevista”.

“No ano passado, eu disse às nossas equipes para assumirem que não existe busca”, afirmou. “Vocês precisam planejar seus negócios como se a busca fosse zero.”

Mesmo após a queda das ações do Google na segunda-feira, o papel ainda acumula alta superior a 100% no último ano, superando com folga todos os seus pares entre as chamadas hyperscalers. A empresa demonstrou capacidade de sobreviver e prosperar em meio a grandes mudanças de plataforma, principalmente na transição da web para os smartphones, e provou ser uma participante relevante na IA generativa, apesar de um início lento.

Na última teleconferência de resultados, Pichai atribuiu o aumento do engajamento dos usuários a experiências baseadas em IA, como o AI Mode e o AI Overviews, áreas que recebem investimentos significativos.

“A IA continua impulsionando o uso das buscas e o volume de consultas está em nível recorde”, afirmou Pichai durante a conferência.

No entanto, o Google ativa o AI Overview automaticamente, o que significa, nas palavras de Kamyl Bazbaz, diretor de políticas do DuckDuckGo, que os usuários não recebem “uma escolha”.

Reid, líder da área de buscas do Google, afirmou em um podcast da Bloomberg, em abril, que “existe esse tipo de mito de que as pessoas querem IA ou a web”.

“Na verdade, acho que o que vemos é que as pessoas querem IA e a web juntas”, disse ela.

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O espaço virou o novo ouro? Startups captam US$ 7,1 bilhões em corrida global; entenda

O mercado espacial vive um novo ciclo de expansão. Em 2025, startups dos Estados Unidos ligadas ao setor captaram US$ 7,1 bilhões em investimentos de risco, quase três vezes mais do que no ano anterior.

O movimento ocorre em meio ao fortalecimento da indústria espacial, impulsionado pelo sucesso da SpaceX, pela crescente demanda por satélites e pelo surgimento de novas tecnologias voltadas para comunicação, defesa e infraestrutura orbital.

O aumento do fluxo de capital mostra que investidores passaram a enxergar o espaço como uma oportunidade concreta de negócios e não apenas como uma aposta futurista.

Leia também: ‘Sete Magníficas’ dão lugar às ‘FAB 10’ após estreia da SpaceX na Bolsa

Empresas que desenvolvem sistemas de comunicação a laser, componentes eletrônicos para missões espaciais e serviços de suporte em órbita estão entre as que mais atraem recursos.

De acordo com o The Wall Street Journal, nos últimos meses, diversas startups anunciaram rodadas milionárias de financiamento para ampliar operações e acelerar projetos.

A percepção do mercado mudou à medida que algumas empresas começaram a demonstrar capacidade de gerar receitas e fechar contratos de longo prazo. O setor, antes visto como altamente experimental, passou a apresentar modelos de negócios mais definidos.

Efeito SpaceX e nova onda de investimentos

Grande parte do entusiasmo dos investidores está relacionada ao desempenho da SpaceX. A empresa fundada por Elon Musk transformou o mercado de lançamentos espaciais, criou uma das maiores constelações de satélites do mundo e se tornou uma das companhias mais valiosas do planeta.

O recente sucesso da abertura de capital da empresa reforçou a confiança dos investidores em negócios ligados ao espaço.

Para muitos fundos, o desempenho da SpaceX serviu como prova de que projetos considerados arriscados podem se transformar em operações altamente lucrativas.

Leia também: O que justifica um valuation de mais de US$ 2 trilhões para a SpaceX?

Esse efeito tem beneficiado principalmente startups criadas por ex-funcionários da companhia, que carregam experiência técnica e credibilidade junto ao mercado financeiro.

Satélites maiores

Uma das áreas que mais despertam interesse é a fabricação de satélites de grande porte. Empresas do setor apostam em equipamentos mais potentes para atender demandas de comunicação, monitoramento e defesa.

O crescimento da inteligência artificial também tem ampliado a necessidade de transmissão de dados em alta velocidade, criando oportunidades para redes espaciais mais avançadas.

Leia também: SpaceX sobe 6% no primeiro dia completo de negociações após estreia recorde

Além disso, novas soluções estão sendo desenvolvidas para permitir a movimentação de cargas e equipamentos no espaço, criando um mercado que alguns especialistas já chamam de “logística orbital”.

Defesa e governo ampliam oportunidades

Outro fator que ajuda a explicar o interesse dos investidores é o aumento da participação dos governos no setor espacial.

Nos Estados Unidos, empresas do segmento veem oportunidades crescentes em contratos militares e projetos ligados à segurança nacional.

A expectativa de expansão dos gastos públicos com tecnologia espacial tem servido como incentivo adicional para a entrada de novos investidores.

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Para muitas startups, a combinação de clientes governamentais e contratos comerciais representa uma fonte importante de estabilidade financeira.

Riscos continuam elevados

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que o setor continua carregando riscos significativos.

Desenvolver tecnologias capazes de operar no ambiente espacial exige investimentos elevados, longos períodos de testes e alta tolerância a falhas. Um único problema técnico pode comprometer anos de trabalho e milhões de dólares em recursos.

O histórico recente do setor também serve como alerta. Nos últimos anos, algumas empresas espaciais abriram capital com grande expectativa, mas não conseguiram sustentar seus planos de crescimento e acabaram encerrando atividades.

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Por isso, investidores seguem adotando uma postura seletiva, priorizando empresas que já possuem contratos assinados, clientes definidos e perspectivas reais de geração de receita.

A atual onda de investimentos sugere que o espaço está deixando de ser apenas uma fronteira científica para se tornar uma nova fronteira econômica.

Com bilhões de dólares sendo direcionados para satélites, comunicações, infraestrutura orbital e serviços espaciais, o setor vive uma corrida semelhante à observada em outras revoluções tecnológicas das últimas décadas.

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A diferença é que, desta vez, startups aposta que parte do crescimento econômico do futuro poderá vir de atividades realizadas muito além da atmosfera terrestre.

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Como o Claude Fable passou de grande aposta da I.A a uma crise de reputação para a Anthropic

A Anthropic, gigante do setor de I.A., passou cerca de quatro anos construindo uma imagem de empresa mais cautelosa e transparente no setor de inteligência artificial. Porém, o lançamento do Claude Fable 5 mudou esse cenário em apenas 96 horas.

Apresentado em 9 de junho como o modelo mais poderoso já lançado pela empresa, o Claude Fable 5 saiu do ambiente restrito do Project Glasswing e chegou ao público como o primeiro integrante da família Mythos. Poucos dias depois, o projeto virou alvo de críticas técnicas, pressão regulatória e desgaste de imagem.

Leia também: Anthropic se reúne com governo Trump para tentar reverter bloqueio de modelos de IA

Detalhe escondido no Claude da Anthropic

Junto com o lançamento, a Anthropic publicou um system card com 319 páginas para explicar o funcionamento e os limites do modelo. Entretanto, pesquisadores encontraram no documento uma informação que rapidamente gerou reação negativa. 

O Claude Fable 5 utilizava uma salvaguarda invisível contra distilação que altera respostas quando identifica tentativas de usar o sistema para treinar modelos menores. O problema central surgiu porque o usuário recebia respostas modificadas sem qualquer aviso.

Após a repercussão, a Anthropic publicou um pedido de desculpas em 11 de junho e reconheceu que adotou a estratégia errada ao priorizar proteções invisíveis.

Filtros e respostas inconsistentes

As críticas não ficaram restritas apenas ao detalhe oculto da ferramenta. Pesquisadores apontaram problemas na forma como o modelo tratava conteúdos simples ligados à biologia.

O sistema recusava perguntas básicas sobre mitocôndria, causas da febre do feno e vacinas de mRNA, mas respondia sobre uso de gás cloro como arma química. Especialistas entenderam que o filtro priorizou riscos de forma inconsistente.

Além de não informar assuntos educativos, a falta de transparência do aplicativo e a abertura para assuntos violentos pioraram ainda mais a imagem do lançamento da Anthropic.

Leia também: Entenda como IPO de OpenAI e Anthropic pode ampliar euforia do mercado com IA

Governo americano

Como resultado do fracasso da plataforma, a Anthropic recebeu uma diretiva do Departamento de Comércio dos Estados Unidos que determinou suspensão imediata do acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para estrangeiros dentro e fora do território americano.

Segundo o governo, uma empresa teria conseguido realizar um jailbreak no sistema e desbloquear capacidades consideradas sensíveis para a segurança nacional.

Como a Anthropic não conseguia diferenciar nacionalidades entre centenas de milhões de usuários, a empresa optou por interromper o acesso de forma ampla. A companhia contestou a gravidade da falha e afirmou que o mesmo método funcionava no GPT 5.5, da OpenAI, sem qualquer suspensão.

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Quem realmente mede melhor sua saúde: relógio, anel ou sensor de assinatura?

Os dispositivos vestíveis evoluíram rapidamente e hoje disputam espaço central na rotina de quem busca monitorar saúde e desempenho.

Para entender qual deles entrega os dados mais confiáveis, uma jornalista testou simultaneamente quatro tecnologias: Apple Watch, Oura Ring, Fitbit Air e Whoop MG. O foco foi comparar precisão, especialmente no sono e na frequência cardíaca.

O experimento durou três semanas, com todos os dispositivos usados ao mesmo tempo. Para ampliar a precisão da análise, a experiência também incluiu uma noite em um laboratório de sono na Universidade de Stanford, referência em estudos clínicos do tema, de acordo com o The Wall Street Journal.

Leia também: A corrida da I.A está deixando celulares, notebooks e consoles mais caros?

Sono e saúde: onde os dispositivos acertam e erram

No sono, o Apple Watch apresentou os resultados mais próximos do exame clínico, com diferença mínima na duração total e melhor alinhamento nos estágios do sono.

O Fitbit Air veio logo depois, seguido pelo Oura Ring. O Whoop MG apresentou inconsistências iniciais na leitura, embora a empresa afirme que estudos clínicos validem seus algoritmos

Mesmo assim, todos os dispositivos enfrentaram o mesmo desafio: superestimar o sono profundo, um dos estágios mais difíceis de medir sem equipamentos hospitalares. Isso mostra que, apesar dos avanços em inteligência artificial, ainda existem limitações importantes na leitura do sono.

Na frequência cardíaca, os resultados foram mais equilibrados. Em treinos controlados, todos os dispositivos ficaram muito próximos de uma cinta peitoral.

Porém, em atividades com mais movimento, o Apple Watch manteve maior consistência, enquanto Fitbit e Oura variaram mais. O Whoop teve melhor desempenho quando usado no braço, em posição mais estável.

Leia também: Claude Fable 5 marca nova era de I.A. com limites programados de segurança; entenda

Experiência de uso, assinaturas e o veredito final

Além da precisão, a forma como cada dispositivo apresenta os dados também influencia a experiência. O Apple aposta na simplicidade, o Fitbit em recomendações guiadas, o Whoop em análises profundas e o Oura em sinais de recuperação mais sutis.

Outro ponto importante é o modelo de negócio. Whoop e Oura exigem assinatura para liberar dados completos, enquanto Apple Watch e Fitbit oferecem uso mais amplo sem obrigatoriedade de pagamento recorrente.

Não há um único vencedor na forma de medir a saúde. O Apple Watch se destaca pela consistência geral, o Whoop pela profundidade, o Oura pela sensibilidade e o Fitbit pelo equilíbrio.

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Mais da metade dos jovens de 9 a 17 anos usam IA para tirar dúvidas sobre o próprio corpo

Hoje, a maioria das crianças e adolescentes já usa algum tipo de ferramenta de IA, seja para conversar com chatbots, tirar dúvidas ou resumir informações. É o que mostra o relatório mais recente da Common Sense Media, organização sem fins lucrativos que avalia a segurança de tecnologias e conteúdos voltados para o público infantil.

Segundo o estudo, 81% das crianças entre 9 e 12 anos, 89% dos adolescentes de 13 a 15 anos e 92% dos jovens de 16 a 17 anos dizem usar ou interagir com inteligência artificial. Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, 29% afirmam usar essas ferramentas todos os dias.

“A IA já faz parte da infância de muita gente”, afirma Michael Robb, diretor de pesquisa da Common Sense Media.

De acordo com o levantamento, crianças e adolescentes recorrem à IA para buscar conselhos sobre decisões futuras, praticar situações sociais e até conversar sobre sentimentos e problemas pessoais.

Além disso, 57% disseram já ter usado ferramentas de IA para buscar informações ou orientações relacionadas à própria saúde ou ao próprio corpo. Para Robb e a psiquiatra infantil Suzan Song, esse dado acende um sinal de alerta. Eles também explicam o que os pais podem fazer diante dessa realidade.

O receio de passar vergonha

A Common Sense Media não investigou exatamente quais perguntas sobre saúde ou corpo estão sendo feitas às ferramentas de IA. Mas um relatório da OpenAI publicado em setembro de 2025, intitulado How People Use ChatGPT (“Como as Pessoas Usam o ChatGPT”), traz exemplos de dúvidas enquadradas na categoria de saúde, beleza, condicionamento físico e autocuidado:

  • “Como arrumar minhas sobrancelhas?”
  • “Qual é uma boa rotina para cuidar da pele oleosa?”
  • “Como posso melhorar meu condicionamento cardiovascular?”

Segundo os especialistas, existem várias razões para que crianças e adolescentes procurem a IA para esse tipo de assunto.

Uma delas é a praticidade: essas ferramentas estão disponíveis o tempo todo e são fáceis de acessar. Outra é a forma como interagem com os usuários. Segundo Robb, muitas delas tendem a responder de um jeito que valida ou reforça aquilo que a pessoa gostaria de ouvir.

Além disso, fazer perguntas íntimas nem sempre é fácil para crianças e adolescentes. “Muitas vezes eles querem evitar o constrangimento de falar sobre determinados assuntos ou de se mostrar vulneráveis diante dos pais ou de outras pessoas”, explica Robb.

A IA não substitui relações humanas

Mas essa tendência também traz riscos.

O primeiro deles é que, segundo Robb, a IA costuma transmitir muita segurança mesmo quando está errada. “As respostas geralmente soam muito confiantes, e as crianças nem sempre conseguem perceber quando a informação está incorreta.” Isso pode levar à aceitação de informações equivocadas como se fossem verdadeiras.

Outro ponto é que, embora a pesquisa tenha mostrado que 73% dos jovens ainda procuram primeiro um adulto de confiança antes de recorrer à IA, existe o risco de alguns passarem a depender cada vez mais dessas ferramentas.

Para Suzan Song, isso é preocupante porque a inteligência artificial não consegue oferecer o tipo de vínculo humano que crianças e adolescentes precisam para se desenvolver.

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“Somos biologicamente recompensados quando nos conectamos profundamente com outras pessoas e convivemos com elas em toda a sua complexidade e imperfeição.” Esse tipo de experiência simplesmente não existe na relação com a IA.

Além disso, os relacionamentos humanos são cheios de conflitos, divergências e negociações, e é justamente nesse processo que as crianças aprendem sobre si mesmas e sobre o mundo. “Nossa identidade é construída a partir dos atritos que temos com os pais, amigos e colegas”, diz Song. “A IA elimina boa parte desse atrito.”

As crianças precisam lembrar que não estão sozinhas

Algumas empresas de tecnologia já começaram a adotar medidas de proteção para usuários mais jovens. O ChatGPT, por exemplo, oferece recursos de controle parental, como limites de horário de uso e restrições para determinados conteúdos sensíveis.

Para ajudar os filhos a entender quando faz sentido conversar com a IA e quando é melhor procurar uma pessoa de verdade, Robb e Song sugerem que os pais mantenham uma postura aberta e curiosa.

Robb recomenda perguntas como: “Como você costuma usar a IA? O que você acha mais interessante nela? Em quais situações ela ajuda mais?” A partir daí, os pais podem aprofundar a conversa. “Você já pensou em perguntar isso para uma pessoa antes de recorrer à IA? Por quê?” Ou ainda: “Se fosse conversar sobre esse assunto com alguém da sua vida, quem seria?”

Segundo Song, esse tipo de diálogo ajuda a reforçar uma mensagem importante. “As crianças precisam lembrar que não estão sozinhas com a IA.” Ela conclui: “Elas fazem parte de uma rede de relacionamentos. E esse sentimento de pertencimento é fundamental.”

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Brasil pode virar peça-chave na disputa tecnológica entre EUA e China

A disputa conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil vai além de tarifas sobre produtos. Entre os pontos levantados para implantar novas taxas pelo governo americano estão temas ligados à economia digital, propriedade intelectual, plataformas tecnológicas e serviços eletrônicos. 

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciada exclusiva CNBC, Thaíse Hittenband, cofundadora e sócia da Convex aponta que o Brasil pode até mesmo se beneficiar de uma corrida entre Estados Unidos e China nesse mercado, se colocando como personagem central na corrida da Inteligência Artificial.  

Leia também: Brasil vira centro da aviação global e recebe CEOs para discutir inovação e sustentabilidade

“Temos uma oportunidade de barganha nessa disputa. Os Estados Unidos enxergam o Brasil como uma potência capaz de oferecer infraestrutura para a corrida tecnológica atual, que hoje é liderada pela disputa entre EUA e China. O Brasil pode oferecer espaço e infraestrutura para essa cadeia”, apontou. 

Brasil não pode tomar lado

China e Estados Unidos são, respectivamente, os dois maiores parceiros comerciais do Brasil. Por conta disso, Thaíse explica que o país não pode ter nenhum alinhamento ideológico a favor de qualquer um deles. O pragmatismo deve comandar as ações comerciais brasileiras nesse momento. 

Leia também: Tarifas de Trump reduzem investimentos dos EUA no Brasil ao menor nível em oito anos

“A grande vantagem para o país é não tomar um lado, mas sim se beneficiar dessa competição global. Os Estados Unidos estão pressionando para entender quem são os seus aliados. O Brasil não tem indicado claramente uma aproximação total aos EUA, mas também não tem contrariado as diretrizes americanas; o país busca um canal de comunicação e alinhamento equilibrado, mesmo sem cooperar em tempo integral”, encerrou. 

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David Dias: Brasil já vive o “novo normal” da inteligência artificial

O Brasil já vive o “novo normal” da inteligência artificial, com uso disseminado da tecnologia entre consumidores e empresas. É o que avalia David Dias, sócio e líder de inteligência artificial da EY Brasil e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Dias disse que a adoção da IA generativa avançou rapidamente desde o lançamento do ChatGPT e passou a fazer parte da rotina dos brasileiros.

“Hoje é muito comum que, para qualquer dúvida, para qualquer questão, a gente vá lá no GPT. Então o GPT hoje se tornou quase que uma companhia das pessoas”, afirmou.

Segundo o Notável, uma pesquisa global feita pela EY mostra que o Brasil está entre os países pioneiros no uso e na adoção de inteligência artificial.

“Só para você entender, 94% da população economicamente ativa usa inteligência artificial. Então o Brasil está nessa perspectiva de pioneiros”, disse.

Leia também: Filme de baixo orçamento em Cannes teve US$ 400 mil gastos com I.A; veja qual

Nas empresas, o uso da tecnologia também já é amplo. De acordo com Dias, 88% das organizações usam inteligência artificial, e 79% utilizam inteligência artificial generativa.

Apesar disso, ele afirmou que o impacto econômico da IA ainda aparece de forma limitada nos resultados corporativos.

“A gente pode ver inteligência artificial dentro de todas as empresas, mas ainda não está enxergando a geração de valor através da inteligência artificial”, afirmou. “O grande valor da inteligência artificial ainda não apareceu nos balanços finais das organizações.”

Para Dias, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela tem sido implementada. Segundo ele, muitas empresas ainda usam IA de maneira isolada, em atividades específicas, sem transformar processos ou modelos de negócio.

“Inteligência artificial vai muito além da possibilidade de automatizar uma determinada atividade. A inteligência artificial tem a capacidade de transformar organizações, pivotar o negócio, ser a nova estratégia de crescimento das empresas”, disse.

O Notável afirmou que as empresas mais avançadas em IA têm quatro características em comum: envolvimento da alta liderança, programas de alfabetização em inteligência artificial, revisão profunda de processos e adoção de práticas de IA responsável.

“As empresas bem-sucedidas hoje têm quatro pontos absolutamente importantes: envolvimento da alta gestão, um programa de letramento que vai do estagiário ao presidente, revisão dos processos e um programa de responsible AI”, afirmou.

Dias disse que um dos maiores desafios para escalar IA nas empresas é medir o retorno sobre o investimento. Segundo ele, o ROI não deve ser calculado apenas a partir de redução de custos ou corte de pessoal.

“O ROI vem muitas vezes de um business novo que você está criando, de um processo novo, do custo de aquisição de clientes que cai, de novos canais, novas possibilidades de venda, novos produtos e novos serviços inovadores”, afirmou.

Leia também: CNBC Disruptor 50 de 2026: veja a lista completa de empresas, rankings e a nova líder na corrida da I.A.

Para o Notável, as empresas precisam mudar a forma de avaliar projetos de IA e abandonar métricas centradas apenas na implementação de ferramentas.

“A gente não está falando em redução de custos, está falando em geração de valor. Então o ROI tem que ser calculado dentro de uma lógica de geração de valor”, disse.

Dias afirmou ainda que a inteligência artificial deve alterar a cultura das organizações, com avanço de uma lógica que chamou de “AI first”.

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Gastos com IA devem superar R$ 5 trilhões em 2 anos – e estimativa está muito baixa se Jensen Huang estiver certo

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, acredita que os investimentos em inteligência artificial devem crescer muito além das projeções atuais de Wall Street. Durante a teleconferência de resultados realizada na quarta-feira, Huang afirmou que os gastos com infraestrutura de IA podem chegar a US$ 4 trilhões (R$ 20 trilhões).

O capex está em US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) e está crescendo em direção à marca de US$ 3 trilhões (R$ 15 trilhões) a US$ 4 trilhões (R$ 20 trilhões)”, disse Huang, referindo-se apenas aos investimentos de hyperscalers como Alphabet e Amazon, sem incluir outros segmentos do mercado de supercomputação, como as chamadas neoclouds.

A diretora financeira da Nvidia, Colette Kress, foi ainda mais específica durante a apresentação dos resultados. “Com analistas agora prevendo que o capex dos hyperscalers ultrapasse US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) em 2027 e a IA agêntica começando a se proliferar em todos os setores, os gastos com infraestrutura de IA estão no caminho para alcançar entre US$ 3 trilhões (R$ 15 trilhões) e US$ 4 trilhões (R$ 20 trilhões) anuais até o fim desta década”, afirmou.

Leia também: Google acelera corrida por infraestrutura de IA e busca reduzir dependência da Nvidia

Wall Street mais cautelosa

As projeções da Nvidia estão muito acima das estimativas atuais do mercado financeiro.

Uma análise conduzida por Laura Martin, da Needham, mostra que a projeção consensual de Wall Street aponta para investimentos de hyperscalers em torno de US$ 1,03 trilhão (R$ 5,2 trilhões) em 2028 – algo entre um terço e um quarto do valor estimado pela Nvidia apenas dois anos depois.

Se a previsão de Jensen Huang estiver correta, então as estimativas consensuais do mercado deverão ser revisadas para cima”, escreveram Martin e o analista Dan Medina em relatório divulgado nesta quinta-feira. Segundo eles, a visão de Huang sobre o futuro dos hyperscalers é “mais interessante” do que o discurso adotado atualmente pelas próprias empresas em suas apresentações de resultados.

Leia também: Nvidia vira termômetro da IA e sustenta aposta do mercado; entenda

Alguns analistas de Wall Street já projetam que os investimentos em IA ultrapassem US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) até o fim do próximo ano, mas ainda assim os números permanecem muito abaixo das previsões da Nvidia, que indicam uma quadruplicação dos gastos nos três anos seguintes.

Receita das nuvens cresce

O aumento dos investimentos em infraestrutura beneficia diretamente a Nvidia, líder global no mercado de chips para inteligência artificial. O otimismo de Huang também é sustentado pelo crescimento contínuo das receitas de computação em nuvem e pelos avanços dos modelos mais avançados de IA.

As receitas trimestrais superaram as expectativas nas principais plataformas de nuvem. A Alphabet registrou crescimento de 63%, a AWS, da Amazon, avançou 28%, enquanto a Microsoft teve alta de 40%.

Leia também: Além dos números, NVIDIA revelou que não depende da China e que vai avançar no mercado da Intel e AMD

O mundo tem 1 bilhão de usuários humanos. Minha percepção é que o mundo terá bilhões de agentes de IA, e cada um desses agentes criará subagentes”, afirmou Huang.

Dúvidas sobre produtividade

Apesar do avanço acelerado da inteligência artificial, persistem dúvidas relevantes sobre os impactos de longo prazo da tecnologia sobre lucratividade, produtividade e viabilidade econômica.

O JPMorgan estimou, em novembro, que um retorno de 10% sobre investimentos em IA até 2030 exigiria cerca de US$ 650 bilhões em receita anual permanente (R$ 3,3 trilhões). O banco classificou esse valor como “assustadoramente grande”, equivalente a 0,58 ponto percentual do PIB global, ou cerca de US$ 34,72 mensais (R$ 174) de cada usuário atual de iPhone ou US$ 180 mensais (R$ 901,8) de cada assinante da Netflix.

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Para comparação, as receitas globais de computação em nuvem nos 12 meses encerrados em abril somaram US$ 455 bilhões (R$ 2,3 trilhões), segundo a consultoria Synergy Research Group.

Se os ganhos de eficiência se materializarem, não haverá problema; empresas bem-sucedidas terão recursos suficientes para pagar essa conta”, escreveu em janeiro o economista Cédric Durand, da Universidade de Genebra.

Ganhos ainda não apareceram

Economistas afirmam, porém, que os ganhos de produtividade prometidos pela IA ainda não apareceram de forma consistente.

Isso pode ser o começo de um boom de produtividade impulsionado por IA? Talvez”, escreveu em fevereiro a economista Martha Gimbel, do Yale Budget Lab. “Até termos um sinal claro em uma direção ou outra, não deveríamos colocar todos os ovos na cesta dos dados de produtividade”, acrescentou.

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Economistas do Federal Reserve apontaram, em março, uma “heterogeneidade substancial” na adoção de inteligência artificial pelas empresas, descrevendo uma diferença relevante entre percepção e realidade nos impactos econômicos da tecnologia.

Os ganhos de produtividade percebidos são maiores do que os ganhos efetivamente medidos, provavelmente refletindo um atraso na geração de receitas”, escreveram os pesquisadores.

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