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Irã vence guerra digital contra os EUA com memes virais e vídeos de IA ridicularizando Trump

Donald Trump em LEGO – Foto: Divulgação

Se o Irã conseguisse produzir mísseis na mesma velocidade com que cria memes virais, o Comando Central dos EUA já teria se rendido — ao menos no campo simbólico. Um dos aspectos mais inesperados do conflito entre Irã e Estados Unidos é justamente a superioridade iraniana na guerra de comunicação digital.

O Irã surpreende ao mobilizar uma geração jovem — especialmente millennials e Gen Z — para disputar narrativas nas redes sociais com humor, sarcasmo e domínio das linguagens digitais.

Do outro lado, Donald Trump enfrenta desgaste crescente, com níveis de aprovação comparáveis aos de Richard Nixon durante o processo de impeachment. Erros de comunicação se acumulam, incluindo postagens apagadas e declarações polêmicas, como quando tentou se comparar a uma figura messiânica.

A ofensiva digital iraniana vai de perfis de embaixadas até figuras centrais do regime, como Mohammad Qalibaf. O sucesso é ainda mais paradoxal considerando que o próprio governo mantém a população sob um dos mais longos apagões de internet do mundo, além de restringir a imprensa local a reproduzir versões oficiais.

Mesmo assim, desse ambiente repressivo emerge uma produção criativa voltada ao público internacional. Contas pró-governo utilizam vídeos gerados por inteligência artificial — incluindo animações com estética de Lego — para conectar temas como o escândalo de Jeffrey Epstein à guerra, ou para satirizar lideranças ocidentais.

Um dos exemplos mais populares mostra Trump como um cantor de rock dos anos 1980 em uma paródia musical que viralizou rapidamente, acumulando dezenas de milhares de interações em poucas horas. Em outro momento, uma embaixada iraniana publicou o vídeo de um cachorro olhando para a câmera enquanto “nada acontecia”, ironizando ameaças de destruição feitas pelo presidente americano.

Trump cantor de rock – Foto: Reprodução

Para especialistas, o Irã entendeu rapidamente que guerras modernas são travadas em dois campos: o militar e o comunicacional. A antropóloga Narges Bajoghli afirma que o país conseguiu praticamente monopolizar a narrativa nas redes sociais, atingindo públicos de diferentes espectros políticos nos Estados Unidos — da direita radical à esquerda.

Segundo ela, o Irã reconhece que não conseguirá espaço na mídia tradicional americana, onde há décadas é retratado como um Estado terrorista. Por isso, aposta em “hackear” o debate público nas redes, explorando temas sensíveis e conteúdos que têm potencial de viralização global.

Esse fenômeno também se estende ao mundo árabe, onde o Irã tenta influenciar discussões sobre soberania regional, questionando o papel de Israel como potência militar respaldada pelos EUA.

Enquanto isso, a comunicação americana enfrenta dificuldades, agravadas por cortes institucionais e uma estratégia que muitas vezes se limita a discursos voltados à própria base política. O contraste com a agilidade e o humor da produção iraniana é evidente.

Apesar do sucesso digital, especialistas alertam que memes não são suficientes para transformar completamente a imagem internacional do Irã, marcada por repressão interna. Ainda assim, a capacidade de influenciar percepções — especialmente entre públicos jovens — pode ter efeitos duradouros.

A importância desse campo já havia sido reconhecida por Ali Khamenei, que afirmou em 2024: a mídia pode ser mais eficaz que armas tradicionais na guerra por corações e mentes.

Por ora, nessa batalha específica, o chamado “país dos tech bros” está ficando para trás.

Damn. Iran just dropped an A+ level troll on Trump in this new LEGO movie.

I’m no fan of Iran at all… but this one actually nails him. 😂😂 pic.twitter.com/0NxAsaRyco

— Jon Cooper 🇺🇸 (@joncoopertweets) April 10, 2026

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Lula convoca velha guarda do PT e cobra reação rápida contra Flávio Bolsonaro

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou aliados históricos para reforçar sua campanha à reeleição, pedindo a formação de um “gabinete de pronta-resposta” para enfrentar ataques, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante um encontro no Palácio da Alvorada com figuras da velha-guarda petista, Lula destacou que a disputa será difícil e que o governo enfrenta um cenário de baixa aprovação, com pesquisas apontando apenas 32% a 33% de apoio à sua gestão. O PT busca superar a avaliação negativa e enfrentar a resistência popular, apesar dos avanços econômicos como inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012. As informações são do Estadão.

Para coordenar a campanha, Lula e o PT reuniram uma equipe de aliados experientes, incluindo Gilberto Carvalho, Aloizio Mercadante e Wellington Dias. A estratégia é reforçar a comunicação política e aumentar o apoio, focando em temas como a crise no INSS e a crescente influência da direita nas redes sociais. Lula também se mostrou preocupado com o crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e, como parte da nova tática, o PT passou a associar o nome do senador diretamente a escândalos como a “rachadinha”, além de destacar os perigos do retorno do bolsonarismo ao poder.

Gilberto Carvalho, ex-ministro e membro da campanha, compartilhou preocupações com os desafios da campanha. “Dificilmente um governo consegue a reeleição sem chegar a, pelo menos, 45% de aprovação”, afirmou, questionando como superar a resistência crescente. O ex-ministro ressaltou que o governo deve se concentrar em apresentar os resultados de suas ações, comparando-as com o governo anterior. Para Carvalho, a crítica social e a desconstrução do adversário político são elementos chave para recuperar a confiança do eleitor.

O presidente Lula e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria Geral) conversam em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Além disso, Lula e seus aliados discutem estratégias de engajamento com diferentes grupos sociais, incluindo os trabalhadores informais, atualmente influenciados pelo bolsonarismo. Para lidar com essa questão, a campanha contará com Guilherme Boulos, que ficará responsável pela relação com esses grupos, e Mônica Valente, que fará a ponte com as campanhas estaduais. A presença de Paulo Okamotto será fundamental para impulsionar a comunicação digital, com projetos como “Pode Espalhar”, focado em ampliar a divulgação das pautas positivas do governo.

Lula também direcionou críticas ao governo Bolsonaro, associando-o ao escândalo do Banco Master. “Esse Banco Master é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos (Neto)”, protestou, defendendo que o PT não seja culpabilizado pelo caso. As investigações sobre o banco, que causaram um prejuízo de R$ 50 bilhões, continuam a se expandir, atingindo figuras do Centrão e ministros do STF. O ex-presidente também mencionou as dificuldades de governar com a autonomia do Banco Central, com um foco em reforçar a autonomia da política monetária no novo programa de governo.

Por fim, a campanha de Lula visa formar uma rede de influenciadores digitais para engajar mais jovens e setores da sociedade. A proposta de criar o “Clube de Influência do Time Lula” envolve um esforço coordenado para melhorar a comunicação e garantir a difusão de suas ações políticas nas redes sociais. “Vamos atuar com muita disciplina e organização para explicar e dar mais centralidade ao que o governo está fazendo para melhorar a vida do povo”, afirmou Okamotto.

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