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Financiamento é o grande gargalo da pesquisa gaúcha, aponta Rafael Roesler

Embora o Rio Grande do Sul esteja na liderança em rankings nacionais de números de pesquisadores e de pesquisas com maior impacto, o financiamento que o Estado reserva para a pesquisa científica e acadêmica é um dos mais baixos do País. O diagnóstico é do professor titular do Departamento de Farmacologia da Ufrgs, Rafael Roesler, que está no segundo mandato como diretor técnico-científico do Conselho Técnico Administrativo (CTA) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).

A Fapergs é a principal agência de fomento à pesquisa científica e à inovação tecnológica do RS, uma fundação pública da administração estadual. Conforme o diretor, o setor nunca recebeu os recursos previstos em legislação, o que, para ele, denota um problema sistêmico de baixo financiamento para estudos no RS.

No entanto, mesmo com poucos recursos, ele ressalta que os pesquisadores gaúchos são protagonistas em momentos de crise como nas enchentes de 2024, quando diversos especialistas de universidades gaúchas se mobilizaram para oferecer diagnósticos e soluções para diminuir os impactos das cheias.

O professor é o convidado do encontro promovido pelo Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia da Adufrgs-Sindical e palestra, nessa segunda-feira (22), na sede da entidade. Nessa entrevista ao Sul21, o professor ainda defende que o Brasil precisa aprender com os modelos de financiamento de pesquisa de países como China e Coreia do Sul, que conseguiram usar a inovação local para impulsionar a economia.

Confira:

Sul21: O que falta para o Brasil se destacar?

Rafael Roesler: Há várias carências crônicas e várias instabilidades crônicas. E entra na questão do financiamento, que é o principal fator que determina se as coisas vão acontecer ou não. Temos, em nível federal, as principais agências de fomento: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que é fomento mais à pesquisa, incluindo a pesquisa básica; a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que é mais para a formação de pessoas, com bolsas de pós-graduação; e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que é voltada para grandes infraestruturas de pesquisa e de inovação, inclusive inovação nas empresas, onde é necessário esse fomento público também. Temos que enxergar a atividade de pesquisa científica vinculada à inovação tecnológica, a atuação das universidades, das empresas, dos institutos de pesquisa, do poder público, da sociedade civil, idealmente como atores articulados em torno de um projeto de desenvolvimento socioeconômico do país.

Sul21: Quais os exemplos estrangeiros que podem ser apropriados pelo Brasil?

Roesler:  Todos os países que conseguiram um desenvolvimento soberano, uma economia avançada e socialmente justa, baseada em pesquisa científica na base da economia, articularam esses atores todos. Precisamos dessa articulação com o poder público coordenando esse processo e dando a diretriz, principalmente o governo federal, com as agências públicas dos estados, os laboratórios nacionais públicos, as universidades de todas as matizes e características de gestão, e também com a indústria nacional. Vale enfatizar ainda a participação da geração de start ups nacionais, pequenas empresas de alta densidade tecnológica, que diversificam a economia, com alto conteúdo científico, para que projetem a economia para um modelo baseado em tecnologia mais sustentável e mais avançado. Esses agentes podem trabalhar de forma harmoniosa e benéfica para a sociedade. E o critério é estar inserido num projeto de desenvolvimento nacional. Tem sido assim a experiência de todos os países que conseguiram dar um salto a partir de uma posição de capitalismo periférico. Como a Coreia do Sul, que se tornou uma economia de maior produtividade e maior renda, capaz de prestar serviços sociais mais generosos. Outro grande modelo que temos agora é a China.

Sul21: E como está o RS nesse cenário?

Roesler: O Rio Grande do Sul tem um sistema acadêmico, científico e tecnológico muito rico. As universidades comunitárias têm um papel fundamental nisso. Temos os institutos federais, as unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sete universidades federais sediadas no estado, parques tecnológicos, incubadoras de ponta. É um estado muito rico e muito competitivo para captação desses recursos federais que existem. O Rio Grande do Sul tem a maior densidade de pesquisadores ativos profissionalmente por habitante, a maior densidade de publicações científicas por habitante no Brasil e a maior qualidade de produção científica no Brasil medida pelo impacto. Também tem a maior formação de doutores no Brasil e a maior formação de pós-graduação. Se analisarmos a produção conforme as métricas por habitante. o Rio Grande do Sul lidera tudo isso no país, mais até do que São Paulo, que tem um financiamento muitíssimo maior. Agora, o nosso financiamento é muito baixo. A gente tem um problema crônico de subfinanciamento, que é um dos orçamentos mais baixos do Brasil.

Rafael Roesler é diretor-técnico da Fapergs

Sul21: Qual o orçamento da Fapergs?

Roesler: Quando começa o ano, o orçamento base da Fapergs, que é destinado na lei de orçamentária da Assembleia, historicamente, fica em torno de R$ 30 milhões. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) fica em torno de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões. Rio de Janeiro e Minas Gerais praticam orçamento de R$ 700 a R$ 900 milhões por ano. Todos os outros estados da região Sul e Sudeste e a maior parte dos estados do Nordeste e do Norte recebem mais financiamento estadual do que o Rio Grande do Sul. Temos conseguido algumas suplementações importantes nos últimos anos, graças ao esforço de vários agentes, da própria Fapergs, da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia e do Governo do Estado. Com isso, tem executado orçamento na casa de R$ 100 milhões, mas isso são suplementações que são incertas, que não estão organicamente incluídas ainda no orçamento que é aprovado pela Assembleia na lei orçamentária. E esse é o grande gargalo aqui para o Estado em termos de política estadual, de ciência, tecnologia e inovação.

Sul21: Há um contraste entre esses dados de liderança nas pesquisas. O que está faltando para o orçamento reconhecer a extensão da pesquisa?

Roesler: Temos conversado com muitos deputados e o Governo do Estado, que conhecem essa realidade. O Tribunal de Contas do Estado todo ano aponta o Governo do Estado por causa dessa deficiência. Temos uma lei na constituição que diz que 1,5% da arrecadação líquida de impostos do estado deveria vir para pesquisa científica, principalmente para Fapergs. Isso nunca foi cumprido. Nunca chegou perto de ser cumprido. E não é que os agentes desconhecem a situação. Pois estamos em todos os fóruns comunicando, isso é público. Parece que é um problema estrutural, todos os governos falam que o RS é um estado financeiramente complicado. Pessoalmente, penso que é uma questão de priorização, porque há competição pelo orçamento público por diferentes demandas. Tem que haver um entendimento de que o financiamento em pesquisa gera lá na frente um crescimento econômico que compensa esse financiamento pelos benefícios sociais. Mas é um problema crônico histórico do Estado. Existe esse clichê de que a culpa é dos pesquisadores que não sabem se comunicar com a sociedade. Mas discordo, tem muito canal de divulgação científica hoje em dia, tem muitos comunicadores bons e todos os caminhos para conhecer o que é feito. É realmente um problema político e de modelo econômico.

Sul21: Professor, durante as enchentes de 2024, os órgãos de pesquisa do RS foram muito acionados. Como o senhor avalia esse momento?

Roesler: Naquela época, imediatamente quando ocorreu a enchente, a posição da Fapergs foi de acionar a comunidade científica acadêmica do Rio Grande do Sul, porque ela queria muito oferecer especialistas e centros de pesquisa dessa área que são de ponta, que teriam soluções e diagnósticos. E precisam de espaço para conseguirem aprimorar, trabalhar e serem ouvidos. E foi assim na covid-19 também, na hora em que a gente precisa da informação apurada, do conteúdo real com substância e do parecer técnico real, onde é que o Jornal Nacional veio fazer a transmissão? Foi no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, veio para a universidade federal. Na covid-19 também, as pessoas foram procurar informação de qualidade dentro da universidade federal. É ali que está o conhecimento, e principalmente o conhecimento de qualidade. Então após as enchentes fizemos um movimento para construir um grande programa de apoio à pesquisa, para resiliência, prevenção e resposta a desastres climáticos.

Sul21: Como foi essa articulação?

Roesler: Pesquisamos muito a experiência internacional, o que as agências de fomento americanas fizeram nos Estados Unidos em resposta ao furacão Katrina em New Orleans. Estudamos o que o Japão faz em questão de pesquisa científica na resposta aos terremotos e tsunamis. Pesquisamos o sistema científico internacional de tsunami da Indonésia e usamos isso como modelo para construção de um edital. Conseguimos viabilizar esse edital com o apoio do Governo do Estado e dos recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), que o Governo Federal disponibilizou na época para o RS. E lançamos um edital de R$ 45 milhões para desastres climáticos. Esse foi o maior, mas houve outros editais também acessórios a esse e outros em paralelo. Então lançamos uma série de programas para tentar manter os jovens talentos científicos no estado, não fazer eles desistirem do estado por causa daquilo, para tentar estimular a pesquisa nessa área, dando a prioridade para a própria comunidade acadêmica e científica gaúcha, não para agentes externos. E para apoiar as pequenas empresas tecnológicas que precisavam de apoio para continuar no estado. Fizemos vários programas e editais. E houve uma resposta muito boa. Então, houve uma ativação da comunidade científica em resposta a esse processo climático.

Sul21: O uso da Inteligência Artificial (IA) em pesquisas e no ambiente acadêmico traz preocupações para o senhor?

Roesler: Não sou especialista nessa área, mas, como todo mundo, estou muito perplexo com a rapidez que vem sendo utilizada. A IA claramente apresenta enormes oportunidades, é uma mudança irreversível na maneira como nós fazemos as coisas e apresenta também ameaças. Espero que a gente consiga construir um modelo brasileiro de IA, onde não fiquemos subalternos tecnologicamente, nem subalternos do ponto de vista de entrega da informação estratégica brasileira para essas grandes corporações internacionais. Deveríamos ter uma discussão mais profunda sobre o que está havendo, para criar um modelo brasileiro de governança, que nos fornecesse segurança e um uso benéfico para a sociedade brasileira.

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Choro bolsonarista contra o Itamaraty ignora regras de embaixadas; entenda

Flávio Bolsonaro durante entrevista após encontro com Trump em Wasington. Reprodução

Bolsonaristas reclamaram da negativa da Embaixada do Brasil em Washington ao pedido do senador Flávio Bolsonaro para usar o local em uma coletiva de imprensa após encontro com Donald Trump. O uso de embaixadas e consulados brasileiros no exterior, no entanto, segue regras diplomáticas, administrativas e protocolares do Itamaraty, e o acesso à estrutura não é informal nem automático.

As representações brasileiras no exterior podem ser usadas para apoio institucional, reuniões, agendas oficiais e articulações de interesse do Estado. O Ministério das Relações Exteriores mantém normas internas de protocolo e coordenação que determinam que agendas oficiais sejam previamente comunicadas às missões diplomáticas brasileiras.

Em viagens presidenciais ou ministeriais, por exemplo, o Cerimonial do Itamaraty é responsável por organizar programas, contatos e logística. O Decreto nº 70.274/1972, que regula o cerimonial público brasileiro, atribui ao Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores a elaboração do programa de visitas oficiais do presidente da República e do ministro das Relações Exteriores ao exterior.

Na prática diplomática, embaixadas e consulados não funcionam como espaços livres para uso político pessoal de autoridades. As representações pertencem ao Estado brasileiro e têm finalidade institucional. Pedidos de utilização para reuniões, eventos, apoio logístico, segurança, transporte oficial ou encontros políticos precisam passar por autorização e coordenação da chefia do posto diplomático — normalmente o embaixador ou cônsul responsável.

Também existe a necessidade operacional de antecedência. Embora não haja uma lei geral fixando prazo único em dias para toda autoridade, o protocolo diplomático trabalha com planejamento prévio porque as missões precisam organizar segurança, agenda, recepção, transporte, interlocução com autoridades locais e eventual uso da estrutura pública.

No caso de autoridades de alto escalão — como presidente da República, ministros, presidentes de Poderes, parlamentares em missão oficial ou governadores — a prática institucional é que as embaixadas sejam avisadas com antecedência suficiente para preparação diplomática. Em viagens improvisadas ou agendas não informadas previamente, a missão pode prestar assistência mínima, mas não é obrigada a disponibilizar estrutura ampla ou assumir atos que não tenham sido formalmente comunicados.

O caso de Flávio Bolsonaro em Washington ilustra esse limite. Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o gabinete do senador enviou na noite de segunda-feira (25) um pedido para usar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos como local de uma coletiva de imprensa após o encontro com Trump. A solicitação foi negada na terça-feira (26), por e-mail, sob o argumento de que Flávio Bolsonaro não estava em visita oficial.

Diplomatas ouvidos pela coluna afirmaram que, para o pedido ser atendido, o Senado precisaria ter informado oficialmente à embaixada que Flávio Bolsonaro estava em missão oficial. Segundo a apuração, isso não foi feito pela Casa Legislativa. Com a negativa, o senador realizou a coletiva em uma casa de eventos privada em Washington.

SBT censura fala de Flávio Bolsonaro sobre proibição de coletiva na Embaixada do Brasil https://t.co/qxcQPMDzsk pic.twitter.com/nHetBaGPiB

— Blog Thalita Moema (@blogdatm) May 26, 2026

O episódio também mostra a diferença entre viagem oficial e viagem político-partidária. Membros do Itamaraty lembraram que, em 2025, a embaixada brasileira em Washington prestou apoio a uma comitiva de senadores, inclusive de oposição ao governo Lula, porque a missão havia sido oficialmente comunicada pelo Senado. Na ocasião, participaram parlamentares como Tereza Cristina e Astronauta Marcos Pontes, ambos ex-ministros do governo Jair Bolsonaro, e a embaixada cedeu espaço para reuniões e uma coletiva de imprensa.

Quando a autoridade viaja em caráter pessoal ou político-partidário, o uso da estrutura estatal pode gerar questionamentos administrativos e políticos, especialmente se envolver servidores públicos, veículos oficiais, segurança diplomática ou instalações da embaixada para fins sem relação direta com interesses do Estado brasileiro. Nessas situações, entra em debate o limite entre representação institucional e atividade político-partidária.

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8,8% dos adolescentes brasileiros já foram vítimas de violência sexual, revela IBGE

Cartaz apresentado em manifestação dos alunos do Colégio Pedro II. Foto: Divulgação

Na manhã desta quarta-feira (25), o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) de 2024, revelando dados alarmantes sobre a violência sexual entre adolescentes brasileiros. Entre os jovens de 13 a 17 anos, 8,8% afirmam já ter sido forçados a ter relação sexual, o que representa mais de 1,1 milhão de adolescentes vítimas de violência sexual no Brasil.

O aumento de 2,5 pontos percentuais em comparação com 2019 chama atenção, sendo um reflexo de um problema persistente e de grande gravidade. A pesquisa, que abrangeu mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas em 1.282 cidades de todas as regiões do país, também indicou uma queda preocupante na orientação sexual nas escolas.

O índice de adolescentes que afirmam ter recebido orientação sobre sexo seguro, prevenção de gravidez e uso de preservativos caiu mais de 10 pontos percentuais entre 2019 e 2024, o que pode agravar ainda mais a situação da saúde sexual e reprodutiva entre os jovens. O aumento no número de adolescentes que relataram ter sido forçados a ter relações sexuais também traz à tona a falta de consciência sobre o abuso sexual em muitos casos.

Para Leiliane Rocha, psicóloga especialista em sexualidade, a ausência de uma educação sexual mais aprofundada nas escolas impede que as vítimas reconheçam comportamentos abusivos e busquem ajuda. “O fato da maioria das vítimas terem menos de 13 anos indica que muitas talvez nem saibam que foram violentadas. Esse número, que já é assustador, tende a ser ainda maior na realidade”, alertou.

Entre as vítimas, a grande maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência. As meninas são as mais afetadas, com 11,7% afirmando ter sido forçadas a ter relações sexuais, contra 5,8% dos meninos.

Além disso, a pesquisa revelou que a violência sexual ocorre com maior frequência em escolas públicas, onde 9,3% dos estudantes relataram ser vítimas, enquanto na rede privada o índice é de 5,7%. A região Norte apresentou a maior taxa de incidência, com 11,7%.

Figuras representando corpos masculinos e femininos utilizadas em aulas de educação sexual. Foto: Divulgação

Outro dado alarmante da pesquisa foi o aumento de casos de assédio sexual, que afetam 18,5% dos estudantes, contra 14,7% em 2019. Esse tipo de violência é mais prevalente entre as meninas, com 26,0% delas afirmando já ter sido vítimas, enquanto 10,9% dos meninos relataram o mesmo.

“O movimento Escola sem Partido, a proibição do termo “gênero” em planos de educação, a censura a professores e materiais didáticos, e a exclusão sistemática de termos como “gênero”, “sexualidade” e “diversidade” de documentos normativos são agendas responsáveis pela redução da discussão sobre igualdade de gênero e sobre educação para sexualidade nas escolas. Não à toa, temos tido tantos ataques misóginos em escolas, que têm deixado tantas vítimas meninas e mulheres.”, destacou Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Os pesquisadores também observaram que os agressores, em grande parte, são pessoas próximas das vítimas, como familiares (35,5%) ou ex-namorados (22,6%). Além disso, 23,2% dos adolescentes afirmaram que os abusos foram cometidos por agressores desconhecidos.

“A maioria dos casos de violência são cometidos por pessoas de confiança da criança ou adolescente, muitas vezes acontecendo até mesmo dentro de casa. Por isso, a importância da escola tratar sobre esse assunto: a vítima pode não se sentir segurança com a família para relatar o abuso. A escola pode ser o único espaço para que ela peça ajuda”, disse Leiliane Rocha.

A PeNSE também revelou uma diminuição na idade de início da atividade sexual entre os jovens. Em 2015, 37,5% dos adolescentes relataram já ter tido a primeira relação sexual, mas em 2024 esse número caiu para 30,4%. No entanto, a pesquisa aponta que os adolescentes têm reduzido a proteção ao longo do tempo, o que aumenta os riscos de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce.

Entre os jovens que iniciaram a vida sexual, o uso de preservativos na primeira relação sexual foi de 61,7%, uma redução em relação a 2019, quando o índice foi de 63,3%. Além disso, o uso da pílula do dia seguinte é comum, com 42,1% das meninas afirmando já ter utilizado o método.

Em um cenário preocupante, a pesquisa também apontou que 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram, o que representa 7,3% das adolescentes sexualmente ativas. O impacto disso é ainda mais intenso na rede pública de ensino, onde 98,7% das gestantes pertencem a esse sistema.

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Oscar 2026: confira quem deve levar o prêmio de melhor filme segundo o Rotten Tomatoes

“O Agente Secreto” e o selo do Rotten Tomatoes

A expectativa é grande para saber quais filmes conquistarão a estatueta na principal categoria do Oscar 2026. Para ajudar a entender como os críticos vêm avaliando os concorrentes, o Rotten Tomatoes, agregador de críticas renomado, trouxe um ranking dos indicados.

Até a entrega dos troféus, tudo pode acontecer, mas essa análise oferece uma boa visão sobre a recepção da crítica para os filmes indicados.

Ranking de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes:

  1. O Agente Secreto: 98% de aprovação
  2. Pecadores: 97% de aprovação
  3. F1 – O Filme: 97% de aprovação
  4. Valor Sentimental: 96% de aprovaçã
  5. Sonhos de Trem: 94% de aprovação
  6. Uma Batalha Após a Outra: 94% de aprovação
  7. Marty Supreme: 93% de aprovação
  8. Bugonia: 87% de aprovação
  9. Hamnet – A Vida Antes de Hamlet: 86% de aprovação
  10. Frankenstein: 85% de aprovação

Além da avaliação dos críticos, o Rotten Tomatoes também apresenta a aprovação do público, que tem um ranking bem diferente:

Ranking de aprovação do público no Rotten Tomatoes

  1. F1 – O Filme: 97% de aprovação
  2. Pecadores: 96% de aprovação
  3. Valor Sentimental: 94% de aprovação
  4. Frankenstein: 94% de aprovação
  5. Hamnet – A Vida Antes de Hamlet: 93% de aprovação
  6. Sonhos de Trem: 90% de aprovação
  7. Uma Batalha Após a Outra: 85% de aprovação
  8. Bugonia: 84% de aprovação
  9. O Agente Secreto: 82% de aprovação
  10. Marty Supreme: 82% de aprovação

Bem ranqueado no Rotten Tomatoes, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal após muitos anos fora. No entanto, ele acaba descobrindo que sua cidade escondia perigos. Estamos em plena ditadura, em 1977.

O filme aborda questões políticas e sociais do Brasil daquela década, tocando temas como repressão política, restrição de direitos e o uso da tecnologia como ferramenta de controle totalitário. A produção, dirigida por Kleber Mendonça Filho, também é reconhecida por seu elenco, que conta com grandes nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Roberto Diogenes, Hermila Guedes e o falecido Udo Kier, de “Bacurau”.

O filme foi aclamado pela crítica e está concorrendo a quatro categorias no Oscar 2026, incluindo Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (para Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco.

 

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