Visualização de leitura

  •  

Israel Orders Military to Intensify Demolitions in Southern Lebanon

Israel Katz, the defense minister, said he ordered troops to destroy more bridges and buildings in southern Lebanon, stoking worries that Israel was widening a military-controlled buffer zone there.
  •  

On Beirut’s Waterfront, Loss Meets Life, and Luxury, Amid War

Thousands displaced by Israeli strikes on Lebanon’s capital now shelter along the promenade hugging the Mediterranean Sea. They share it with joggers, cyclists and dog walkers, alongside dizzying displays of wealth.
  •  

Here’s What Happened in the War in the Middle East on Saturday

An Iranian missile wounded dozens in Dimona, a city believed to house Israel’s nuclear weapons program, as Iran showed no signs of backing down.
  •  

As Israel Expands Ground Assault in Lebanon, One Strategic Town Resists

The town of Khiam’s location on high ground just a few miles north of the border between Israel and Lebanon has made it coveted territory over multiple conflicts.
  •  

Israel Says Michigan Synagogue Attacker’s Brother Was a Hezbollah Commander

The Israeli military said it killed the brother of Ayman Mohamad Ghazali in an airstrike in Lebanon a week before the attack on the synagogue.
  •  

A Timeline of the Fraught Relationship Between Iran and the U.S.

The governments of both countries have repeatedly cast the other as evil, perpetuating a cycle that has culminated in the present war.
  •  

As Rockets Fly Overhead, Residents of Israel’s Border City Stay Underground

The Israeli government evacuated Kiryat Shmona during the last round of fighting with Hezbollah in 2023. Residents who were told it was safe to return are again under fire.
  •  

Netanyahu posta vídeo em cafeteria em Tel Aviv e diz que Israel ataca o Irã ‘com muita força’

Benjamin Netanyahu reapareceu em público neste domingo (15) em uma cafeteria em Tel Aviv, em meio à escalada do conflito entre Israel e o Irã. A visita informal foi registrada em vídeo e circulou nas redes sociais, com o premiê israelense conversando com frequentadores do local e agradecendo o apoio da população.

A aparição pública tem peso político. Nos dias anteriores, especulações sobre o paradeiro de Netanyahu haviam se multiplicado, alimentadas por sua ausência das câmeras em momento de intensa escalada militar.

Leia também: “Perseguir e matar”: Guarda Revolucionária ameaça Netanyahu enquanto Israel ataca líderes do Irã

Mensagem de normalidade

Na cafeteria, Netanyahu cumprimentou os presentes e agradeceu o suporte dos cidadãos israelenses. “O apoio de vocês dá força ao governo e às forças de segurança do país”, disse o premiê, segundo relatos da visita.

A escolha de um estabelecimento público e cotidiano para a reaparição não parece casual. Em tempos de guerra, a imagem de um líder tomando café entre civis carrega uma mensagem deliberada de normalidade e controle da situação.

אומרים שאני מה? צפו >> pic.twitter.com/ijHPkM3ZHZ

— Benjamin Netanyahu – בנימין נתניהו (@netanyahu) March 15, 2026

Operações em curso no Irã e no Líbano

Netanyahu confirmou que Israel segue realizando operações militares contra o Irã e também no Líbano, mas recusou detalhar as ações. “Estamos fazendo coisas que não posso compartilhar neste momento, mas estamos atingindo o Irã com muita força, também hoje, e continuando no Líbano”, declarou.

O premiê aproveitou a ocasião para pedir que a população siga as orientações do Comando da Frente Interna e permaneça sempre próxima a abrigos protegidos. “Vocês me dizem para continuar. Eu estou dizendo a vocês: vocês também continuem”, afirmou.

Ao encerrar a visita, Netanyahu brincou com o café que lhe foi servido: “O café é excelente. Não sei sobre as calorias, parece muito perigoso para mim.”

Leia também: Trump fala em bombardear ilha iraniana “só por diversão”

Leia a transcrição da fala de Netanyahu

Essa transcrição foi gerada por tradução automática de um vídeo original em hebraico. Há trechos sem sentido (“montanhas Rasha”, “sair para se apresentar”, “a coisa carrega”) que não correspondem a nenhuma fala coerente, que são erros de tradução, não de português.

“Obrigado pelo que você me perguntou. Acho que dizem on-line que você é uma bênção. Eu morro por café – mas você sabe que eu também morro pelo meu povo.”

“Eu ajo de forma fantástica. Você quer contar nos dedos? Você pode nos mostrar aqui? Ha, ha.”

“Aqui estava você. Muito bonito para a vida. Pensando na mensagem para as pessoas que saem de casa para se apresentar… mas sempre perto de um espaço protegido. E o tamanho do apoio de vocês é incrível. Me dá força. Dá força ao governo.”

“Nós fazemos coisas que não posso compartilhar neste momento. Mas estamos atingindo o Irã com muita força, mesmo hoje. E também no Líbano, continuamos. Vocês me dizem para continuar. Eu estou dizendo a vocês: vocês também continuem.”

“Continuem seguindo as instruções do Comando da Frente Interna. Respirem de acordo com as instruções. E estejam sempre perto de um espaço protegido. Vamos tornar isso mais fácil enquanto a situação avança.”

“E obrigado. O café é excelente. Não sei sobre as calorias – parece muito perigoso para mim.”

O post Netanyahu posta vídeo em cafeteria em Tel Aviv e diz que Israel ataca o Irã ‘com muita força’ apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.

  •  

Assessor de Trump veio sondar intervenção e Forças Armadas sabem disso, diz especialista militar

Darren Beattie e Donald Trump

O historiador e professor titular da UFRJ, Francisco Carlos Teixeira, o Chico Teixeira, comentou em entrevista ao DCMTV que militares brasileiros têm discutido nos bastidores a possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil.

Segundo ele, esse seria hoje o principal tema de preocupação dentro das Forças Armadas, mais relevante do que a narrativa divulgada por parte da imprensa sobre pressões relacionadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A visita barrada do emissário extremista do governo Trump, Darren Beattie, é muito mais que provocação, diz ele. Beattie é conselheiro sênior para políticas sobre o Brasil do Departamento de Estado.

Na conversa, Teixeira criticou a alegação de Merval Pereira na GloboNews, segundo o qual Lula estaria sendo alertado por militares sobre a crise no Supremo Tribunal Federal, e afirmou que a tese de que militares estariam tentando salvar patentes de oficiais condenados não representa o centro do debate dentro da caserna. Ele também falou do Irã e das disputas envolvendo Estados Unidos, China e a política externa brasileira.

O comando militar e a possibilidade de golpe

Eu acho que aí tem pontos para a gente tentar esclarecer. Foi o Merval que trouxe a questão de que os militares estariam aproveitando a situação de relativo enfraquecimento, de crise, no STF, em decorrência do caso Master, para pressionar e salvar patentes daqueles condenados pela tentativa frustrada de golpe do Estado. Então, tudo partiu do Merval. A Andréia Sadi pegou carona e requentou a notícia. Daí, decorrem duas coisas. Primeiro, estão ocorrendo consultas entre a Presidência da República e os militares nesse momento? Houve, de fato, reuniões? Sim, tem havido reuniões, tem havido contatos, tem havido um certo cuidado e pressão. O tema é salvar os militares condenados? Não.

As reuniões e as conversas que têm tido tem sido fundamentalmente, não exclusivamente, sobre outra coisa que está gerando uma situação de apreensão e desconforto muito grande nas Forças Armadas, que é a hipótese cada vez mais concreta de uma intervenção americana. Essa é a questão. A questão do STF entrou subsidiariamente na conversa. Quais são os sinais de uma possível intervenção americana aí? Em primeiro lugar, o relatório feito pela Segurança Nacional americana para a Presidência da República apontando a presença de uma grande empresa chinesa minerando terras raras na Bahia. Em segundo lugar, a presença de uma pretensa base militar chinesa na Paraíba. Em terceiro lugar, a questão de declaração do PCC e do CV como organizações terroristas internacionais que colocam em risco a segurança dos Estados Unidos. E, portanto, os Estados Unidos teriam todo o direito de agir sem inclusive nenhuma consulta com as autoridades brasileiras.

Em quarto lugar, a chegada das tropas americanas no Paraguai, inclusive na fronteira, cuidando da questão do narcotráfico. E, por fim, um quinto ponto, um relatório que circula requentado também, muito requentado, na Polícia Federal, apontando a presença de terroristas islâmicos em Foz do Iguaçu. Esse relatório que, vira e volta, ele é retirado e ele foi encomendado claramente pelas autoridades de Israel, do Mossad, à Polícia Federal. Eles têm um monte de convênios e um monte de atos de cooperação, inclusive de treinamento e inteligência. E o Mossad não se conforma da existência dessas 40 mil pessoas de origem palestina existentes na Foz do Iguaçu, alguns deles na lista de procurados por Israel.

Como o governo brasileiro avisou a Israel que não aceitam no território brasileiro o programa de assassinatos de lideranças, que Israel continua colocando em prática, o Brasil avisou que isso não pode ocorrer aqui, então eles devolveram a bola fazendo um relatório a partir de uma comissão composta pela Argentina, Paraguai, Brasil e Estados Unidos. Os Estados Unidos pediram para participar dessa comissão de segurança na fronteira brasileira lá em Foz do Iguaçu. E aí eles responderam dizendo que existe atividade nítida do Hezbollah no Brasil. E isso coloca em risco empresas, pessoas, cidadãos dos Estados Unidos tanto no Brasil quanto no Paraguai e na Argentina.

Também o Milei colocou na gaveta aqueles atentados terroristas feitos contra a AMIA, a Associação Mutualista Israel e Argentina, e contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires, acusando o Irã e o Hezbollah de serem os autores e de terem guarida em Foz do Iguaçu. Isso é uma mentira feita pelos grupos de inteligência da Argentina, que são profundamente antissemitas. Os atentados foram feitos por grupos nazistas que se reproduzem na polícia e na segurança argentina. Como o negócio ficou muito quente, eles acusaram o Irã de ser autor desses atentados. O que a gente vê aqui é que a gente está numa situação muito tensa de relações internacionais, onde ficou muito claro que Trump já quer encerrar a guerra no Irã, porque não saiu como ele esperava, e ele quer fazer novamente uma outra guerra onde ele possa aparecer como campeão invicto, e isso seria Cuba.

Mas um grande problema para uma invasão de Cuba, ou uma operação cirúrgica em Cuba, é qual a situação do Brasil. Eles conseguiram o José Antonio Kast, no Chile, o presidente do Paraguai, o Pena, o presidente Milei da Argentina e o Fernandes da Bolívia. Então eles precisam que o Brasil abandone Cuba. Estão fazendo uma pressão imensa sobre o Brasil para que o Brasil aceite a mudança de regime em Cuba, coisa que não é aceitável para nós. Não aceitando, eles desenvolveram então a possibilidade de uma intervenção direta no Brasil. É esse o quadro, essa a grande preocupação. O que foi falado sobre o STF foi de que a crise institucional desenvolvida pelo caso Master ajuda a mostrar para fora, para os americanos, que as instituições brasileiras estão em crise e que é preciso uma intervenção para evitar que o Brasil vire um esconderijo do terrorismo, seja criminoso, narcotraficante, narcoterrorismo, como eles dizem, seja do terrorismo do Hezbollah.

O representante de Trump no Brasil

Esse senhor Darren Beattie é um anticomunista notório, militante, uma das cabeças mais importantes do movimento ultraconservador americano e que não foi à toa que foi nomeado para esse cargo de subsecretário de Estado para a América do Sul, com ênfase em Brasil. Ele é um especialista em Brasil, ele conhece a história do PT, a história do Lula, e não foi à toa que ele foi nomeado para isso. E a primeira coisa que ele quis fazer foi uma visita a Bolsonaro na prisão, onde ele iria receber, evidentemente, o relatório das probabilidades, todas elas fantasiosas de derrubar o governo brasileiro num ano eleitoral.

Então é isso que está acontecendo. Essa proposta trazida pelo Merval é uma tentativa de colocar mais fogo na fogueira, colocar mais combustível aí para dizer que nós estamos paralisados. E vocês vejam que há mais de dez dias não tem nenhum assunto na Rede Globo, a não ser que as instituições estão paralisadas, o Supremo não funciona, a corrupção chegou ao cargo dos ministros, aquela coisa toda, para justificar, então, a intervenção que será uma intervenção militar no Brasil.

Celso Amorim avisou

Há dez dias, o conselheiro de política externa do Brasil, o embaixador Celso Amorim, fez uma declaração numa aula magna na UFRJ, de que a situação era muito perigosa. A imprensa acabou dizendo: “Ah, Celso Amorim tá apavorado, tá não sei o quê”. O embaixador Celso Amorim é um homem extremamente experiente e frio e tranquilo. E, além de tudo, muito gentil também. Quando ele vem a público e diz que a situação é muito grave, é porque ela é. E quando Lula declara para um chefe de estado estrangeiro que foi humilhado pelo Trump, que é o Ramaphosa, da África do Sul, que precisamos de uma proteção coletiva, de uma defesa coletiva, ele não está falando da América Latina nem da América do Sul, ele tá falando do BRICS, no âmbito do BRICS, porque não tem sentido uma defesa comum na África do Sul fora do âmbito do BRICS. Então, nós estamos aqui perante uma escalada muito grande da política intervencionista norte-americana.

EUA querem Cuba, Venezuela, Paraguai e Brasil

Trump declarou que, na verdade, Cuba seria resolvida pelo [Secretário de estado] Marco Rubio, que é cubano e que faz coisas maravilhosas, segundo ele, e que Rubio poderia, inclusive, assumir o governo de Cuba. Esse momento que vivemos hoje não tem precedente. Eu acho que a gente, inclusive, tem que abandonar essa ideia de precedentes e de ressignificação. Têm pessoas falando em Doutrina Trump, tem gente falado em política de terceira bandeira, essa coisa toda. Não, isso é inteiramente novo, é uma etapa diferenciada, como diria a direita, o novo sempre vem e nem sempre é para melhor.

Nesse caso, estamos assistindo uma dinamitação completa da ordem mundial, uma total paralisia da ONU, a substituição da OEA, da ONU, do pan-americanismo, por outras políticas de intervenção direta nesse sentido. Não nos ajuda ficar falando de Doutrina Monroe. Só para você ter uma ideia, a Doutrina Monroe foi formulada em 1823, quando os potências reunidas anteriormente no Congresso de Viena, de 1815, se constituíram numa espécie de polícia internacional para acabar com os regimes independentistas da América Hispânica e da América Portuguesa, foi essa a visão. Além disso, os russos já estavam quase em Los Angeles, já estavam quase chegando em Los Angeles, eles tinham avançado por uma uma tripazinha que desce pelo litoral do Canadá e tinham chegado até Bodega Bay, nas imediações de Los Angeles.

Isso foi antes da guerra civil americana, antes da industrialização dos Estados Unidos, antes de se constituir, classicamente, a política imperialista das potências do capitalismo avançado. Então, comparar essas coisas não fecha nesse sentido. O que a gente vê aqui é o mais alto imperialismo, que é uma etapa muito superior do desenvolvimento capitalista, que não corresponde a 1820, não é isso que funciona nesse sentido.

O que a gente está vendo aqui é um mega, um ultra imperialismo novo, baseado no poder tecnológico das armas, e baseado nos interesses das grandes companhias de alta tecnologia, sejam elas espaciais, aeronáuticas, tecnológicas, cibernéticas, que estão agora formando o núcleo central desse capitalismo ultra desenvolvido, tecnologicamente, nesse sentido. Eu estou falando isso, agora, porque as coisas tendem a ir para trás, em vez de ir para a frente. As pessoas estão falando em Doutrina Donroe, como se fosse um corolário. Não, é outra coisa. Não existiu imperialismo como Lenin, como Rosa Luxemburgo definiram, em 1820. Aquilo era quase mercantilismo, era outra coisa. Agora não, a gente está vendo um ultra imperialismo com muito poder.

Os EUA são um império em decadência?

Eu diria uma coisa também, que talvez contrarie muito os nossos ouvintes. O Panamá expulsou todas as empresas chinesas que estavam lá. O México expulsou os chineses também. A Claudia Sheinbaum fica falando, fazendo aqueles discursos muito bons, mas ela tirou todas as montadoras chinesas que estavam no México. Ela fez o que o Trump pediu. Ela apanhou cidadãos mexicanos, os chefes dos cartéis, e entregou aos Estados Unidos, para serem julgados nos Estados Unidos. Então, tudo que o Trump está pedindo, ela está fazendo, porque ela sabe que a capacidade de intervenção é grande.

A exigência sobre a Groenlândia, tudo isso é uma etapa nova desse ultraimperialismo que a gente está vendo aí. E isso nos diz que aquilo que muitos de nós, à esquerda, falamos, que os Estados Unidos são uma potência em decadência, não é mais do que desejo da gente. Isso não é mapa de uma potência em decadência. Uma potência que pode gastar bilhões em uma semana para atacar o Irã, não é uma potência em decadência. Ah, se isso vai dar certo, é outra coisa. Ninguém adivinha na história. Nem o Trump. Se vai dar certo ou não é outra coisa. Mas a ideia de uma potência em decadência é extremamente perigosa para a gente hoje. Porque pode dar um conforto que é absolutamente irreal.

Quem está ganhado a guerra com o Irã?

Eu tenho a impressão de que a gente pode variar a tática, mas não muda a estratégia. Nós vemos que, na verdade, as críticas ao Trump são poucas, não são abundantes. Eu estava vendo a CNN americana,  e uma pesquisa diz que 81% da população de Israel apoia Netanyahu. E 67% da população americana apoia Trump no ataque ao Irã. Não é pouco. Pode ser que tenha pessoas que não apoiam a forma como ele age, a questão Epstein etc. Mas, na guerra do Irã, ele tem maioria. Na guerra do Irã, ele conseguiu construir o Irã como uma potência do mal, nesse sentido. A gente não está vendo, como vimos, por exemplo, na guerra de Iraque, com milhares de pessoas nas ruas, nos Estados Unidos, protestando contra a guerra.

Isso não está acontecendo. Aconteceu quando houve várias políticas, por exemplo, da expulsão de estrangeiros. Na questão do ICE, da expulsão de estrangeiros, ele recuou. Também tem uma coisa aí muito estranha, todo mundo montou nesse slogan, que é um slogan dos democratas americanos, do Partido Democrata, que é que o Trump sempre amarela. Onde que ele amarela? Onde está o Maduro? Onde está o Khamenei? Quer dizer, se eu sou dirigente em Cuba hoje, eu estou olhando o que aconteceu na Venezuela e no Irã, e não acreditando nos liberais americanos que dizem que o Trump sempre amarela.

Nenhuma potência reagirá

China e Índia, no passado, foram à guerra. Foi terrível para que a coisa não escalasse. Temos uma guerra em curso hoje entre Afeganistão e Paquistão que paralisa inteiramente a China. A Índia tinha desenvolvido todo um objetivo de transformar o Afeganistão talibã numa profundidade estratégica dela para enfrentar o Paquistão. Agora ela vai ser atropelada. E o Paquistão está bombardeando Cabul. A situação não é fácil. Também tem um outro errinho aí de análise, penso eu, que é a ideia de que no Alasca houve no encontro do Putin com o Trump uma redivisão do mundo.

O Trump ficaria com as Américas, o Putin ficaria com a Eurásia e a China ficaria com o Sul global e a África. Isso não aconteceu. Quer dizer, o Trump está agindo no Japão, está agindo na Índia, está agindo no Irã, está agindo na Venezuela, vai agir em Cuba. E o que a gente vê claramente é uma política global, ultraimperialista do Trump, no qual ele quer de qualquer maneira colocar em prática uma coisa que os neoconservadores americanos vinham falando desde Bush filho, que é quando os Estados Unidos olharem para trás, eles usam a expressão “no second place”, não há segundo lugar. A potência próxima deles estaria em terceiro, quarto ou quinto lugar. Não haveria mais.

A política deles agora é de que não tenha ninguém, nem aliado, nem inimigo. O segundo e terceiro lugar vão estar vagos. Quem vier vai vir lá atrás,  muito mal colocado. Para isso é preciso cercar a China. Quando você ataca Venezuela e Irã, você está assumindo a torneira energética da China. Quando você retira as companhias chinesas do canal do Panamá, você está fechando áreas geopolíticas para a China. Quando você quer ocupar a Groenlândia, você está tentando colocar a mão na passagem do norte e evitar que a China possa utilizar isso a seu contento. Na verdade, a gente vê claramente uma grande luta de grandes potências pela hegemonia mundial. Não pela hegemonia nas Américas, é a hegemonia mundial.

Trump e Lula

Os buracos no poderio militar americano

A indústria de transformação nos Estados Unidos envelheceu, claramente. Durante um longo tempo, se colocou as indústrias fora dos Estados Unidos, no México, em Taiwan, na Coreia do Sul, etc. Em algum momento, as cadeias foram até para dentro da China popular. A indústria de transformação envelheceu. Em compensação, a alta tecnologia, a pesquisa tecnológica foi muito à frente. Desde a internet, a gente só vê por causa da pesquisa tecnológica americana, a internet é uma invenção dos Estados Unidos. Foi Al Gore que transformou de sistema militar em sistema civil. Ordenou e possibilitou isso. Ela é muito avançada. Além disso, a política de tarifas econômicas agora colocada em prática, principalmente o aumento do preço do petróleo, favorecem os Estados Unidos. Os Estados Unidos arrecadaram milhões e milhões com as tarifas. A Suprema Corte derrubou. O que ele fez? Estabeleceu uma nova tarifa igual para todo mundo. Hoje tem uma tarifa para todo mundo, inclusive quem não conhece agora tem. Inclusive à revelia dos acordos que ele tinha feito antes. E isso gera dinheiro.

E os Estados Unidos também são o maior produtor de gás petróleo do mundo. Quando ele briga pelo petróleo no Irã ou na Venezuela, ele não briga pelo petróleo para ele consumir. Ele é autossuficiente no petróleo. Ele briga pelo petróleo por duas razões. Para as empresas americanas terem o monopólio da exploração, do refino e da distribuição e, portanto, ganharem dinheiro vendendo esse petróleo para os outros. E em segundo lugar, para dizer quem pode ter ou não ter petróleo. Em 1940, os Estados Unidos decretaram um bloqueio contra o Japão, não permitiu que o Japão comprasse mais petróleo, minérios, borracha e sucata. Parava a indústria japonesa.

Quando o Japão decide atacar os Estados Unidos, um ataque preventivo, segundo eles, claramente é porque já tinha. Quando você corta o petróleo, o aço, a sucata de um país altamente colonizado como já era o Japão, você está fazendo uma declaração de guerra. Isso é uma declaração de guerra. Não pode. Imagina, nós somos altamente dependentes do trigo. O Brasil não produz trigo que seja necessário para a população, para o consumo da população brasileira. Se os Estados Unidos chegam e dizem assim, olha, bloqueamos o trigo, vocês não podem mais comprar e trigo… Como eles fazem em Cuba, até com remédios. É um ato de guerra, é um ato de agressão. O que nós estamos vendo agora, claramente, é que os Estados Unidos têm interesse pelo petróleo para manter o monopólio das suas empresas e para utilizar isso como arma de guerra contra concorrentes.

Lula com Trump nos EUA

Está se discutindo muito a ida de Lula em abril aos Estados Unidos. Isso parece um erro, um erro, né? Quer dizer, nós não temos nenhum rascunho de declaração, de acordo, de pauta comum, de cinco ou seis ou sete pontos sobre a ordem mundial já acordados nos Estados Unidos, né? Lula iria para a Casa Branca com as mãos vazias, sem saber o que poderia acontecer naquele salão com Marco Rubio de um lado, [o secretário de Defesa] Pete Hegseth do outro e Trump no meio. Vou falar uma coisa que eu acho que a gente tem que entender, senão vão me chamar de elitista, né? As duas pessoas que foram humilhadas na Casa Branca pelo Trump foram Zelensky e Ramaphosa. Falam inglês fluentemente e podiam reagir na hora e dizer “não sei, não conheço, não acho” etc. O Lula não tem essa vantagem, ele precisa de intérpretes. Que precisam de tempo. E eles próprios não dão tempo de resposta, né? Ficaria o Lula tentando entender o que está sendo dito, esperando a tradução e já os jornais do mundo inteiro gravando e transmitindo o esporro que o Lula vai levar no ano eleitoral.

Imagina o que isso vai virar de cortes na campanha eleitoral… Então, é muito desaconselhável, profundamente desaconselhável, que o Lula vá agora em abril. É absolutamente desaconselhável sem existir um rascunho de declaração final, já pronto e comprometido que isso possa aparecer. Além de tudo, Viaro, tem uma outra coisa. A gente não sabe o que que vai acontecer no Irã. A situação no Irã está se complicando, né? Porque se esperava alguma coisa de perfil venezuelano e o Irã está mostrando força e resiliência nesse sentido. Não sabemos o que os americanos podem fazer. O Trump pode dizer assim: “Eu ganhei a guerra, pronto, acabou. E ir embora”. Mas ele pode piorar muito a situação lá. O que vai acontecer para a figura do Lula, a figura mundial do Lula, se o Lula está na Casa Branca quando acontecer um ataque ainda mais brutal ao Irã? Não teremos a ideia de que o Lula concordou. O Lula vai poder, dentro da Casa Branca, dizer que está acontecendo um novo genocídio no Irã? Não é aconselhável, enquanto essa guerra durar, sem um memorando previamente acordado entre as partes, que Lula faça essa viagem.

  •  

Where Israeli Strikes Are Hitting Beirut

Our Beirut bureau chief, Christina Goldbaum, shows how Israeli airstrikes have affected Lebanon and its capital. Hundreds of thousands of people have fled areas around Beirut and in a huge swath of southern Lebanon after Israel issued evacuation warnings in its conflict with Hezbollah.
  •  

Here’s What Happened in the War in the Middle East on Thursday

Iran’s new supreme leader delivered a forceful message in his first public statement since succeeding his slain father, as the Israeli military bombarded Tehran and the Lebanese capital with strikes.
  •  

Iran’s Retaliatory Strikes Appear to Be Slowing

U.S. officials say the country’s weapons have been diminished, slowing its attacks on Gulf nations and Israel. Iran may also be holding some weapons in reserve in case the conflict is prolonged.
  •  

Here’s What Happened in the Conflict on Sunday

Iran named Mojtaba Khamenei, a son of Ayatollah Ali Khamenei, as his father’s successor. The Pentagon announced the death of a seventh U.S. service member.
  •  

A Beirut Hotel Sheltering the Displaced Comes Under Fire

A Christian hotel owner opened her doors to Shia Muslims fleeing Israel’s bombardment of the southern outskirts of Beirut. Then a missile struck the hotel, killing her 34-year-old receptionist.
  •  

Eles passam e sempre passarão? Por Moisés Mendes

Chalé da Praça XV, no centro de Porto Alegre. Foto: Luciano Lanes/PMPA

Dois amigos bebem cerveja sem álcool no Chalé da Praça XV, no centro de Porto Alegre, onde tomaram porres inesquecíveis nos anos da ditadura. Um ainda repete que o fascismo não passará, e o outro tem certeza de que eles passaram e continuarão passando.

Passam no mundo todo, diz o amigo pessimista, que foi líder estudantil e comunista tardio e hoje não é mais nada. Esse, o pessimista, faz balanços terríveis da conjuntura toda vez que os dois se encontram.

A conversa é sobre cenários mundiais, porque se for sobre o Brasil qualquer debate vai parar em Michelle e Malafaia, e aí ninguém aguenta.

O amigo otimista, que foi da Libelu, do PT e do PSOL e hoje simpatiza com a UP por influência de um neto, diz que ‘eles’ podem até matar todos os aiatolás, mas que em Cuba não passarão, porque tentaram várias vezes e falharam. Cuba vai resistir, diz ele.

O pessimista retruca. Passaram no Iraque, passaram no Afeganistão, passaram na Síria, passam por onde querem. Passam por cima do Irã. Sempre disseram que eles não passariam em Gaza, porque o Hamas não iria deixar.

Destroços em Gaza, região palestina destruída por Israel. Foto: Maher Alabed/NRC

O Hamas não conseguiu conter a matança neonazista. Mas eles não teriam a petulância de atacar o Hezbollah. Porque entram em Gaza, mas no sul do Líbano eles não entrariam. Com o Hezbollah o furo seria mais embaixo.

Entraram e mataram quem queriam matar. Pararam de matar quando quiseram. Mataram sete líderes do Hezbollah dentro do Líbano. O amigo pessimista conta nos dedos: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. E pede mais uma cerveja sem álcool.

Mataram e ficou por isso mesmo. E agora se preparam para ocupar as terras do Líbano, aproveitando os pretextos da guerra contra o Irã. Vão acabar com o Hezbollah e se adonar do Líbano.

Mas com o Irã eles não iriam se meter, porque o Irã terá logo armas nucleares, talvez daqui a alguns meses. Mas eles mataram o general Suleiman, alto chefe da segurança do Irã, que foi cercado e morto por drones no Iraque.

Nuvem de fumaça após ataque no Irã. Foto: Reprodução

Poderiam até matar um líder iraniano em Bagdá, mas de Teerã eles não chegariam perto. Eles chegaram e mataram dois chefes da Guarda Revolucionária, dentro de Teerã. O pessimista vai falando e chega a se exaltar com próprio relato de tanta desgraça.

Mataram um chefe do Hamas dentro do Irã. Invadiram o espaço iraniano com aviões e largaram as bombas em instalações nucleares. Largaram mais de uma vez, no ano passado. Atacaram, foram embora e voltaram a atacar de novo. Atacaram três usinas.

Mas o Irã iria reagir com força nunca vista. E então o Irã atacou bases americanas no Catar. E não atacou mais nada, diz o pessimista, com a arrogância de quem está vencendo o debate.

O amigo ainda otimista diz que vizinhos árabes não podem ser assim tão covardes diante dos ataques aos povos amigos ou pelo menos vizinhos.

Por que nenhum poderoso do mundo árabe ou não árabe defendeu Gaza com determinação?, pergunta o pessimista. O outro finge que a pergunta não foi feita. Mas responde: porque os árabes poderosos, quase todos, são amigos dos americanos.

E seguem os dois tomando cerveja sem álcool e comendo bolinho de bacalhau, até que o amigo pessimista diz que a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos foi para mostrar que eles fazem o que bem entendem.

O amigo otimista admite que o sequestro de Maduro havia sido de fato um duro golpe. Pegaram Maduro como se fosse um sabiá distraído. Mas o chavismo irá se reorganizar sem Maduro.

O amigo pessimista lembra, enquanto o outro escuta, quieto, que a Europa toda comemorou até a possibilidade de ascensão de Maria Corina ao poder.

Maria Corina em discurso. Foto: REUTERS/Gaby Oraa/File Photo

O amigo otimista rebate, como se esse fosse seu único argumento disponível ali naquele momento, mas meio sem força na voz, que Maria Corina foi rejeitada pelo próprio Trump. E que já esqueceram Maria Corina.

E o pessimista contra-ataca: mas esse é o teu consolo? É o que te resta diante do próximo ataque, que pode ser a Cuba ou à Colômbia?

Eles acabaram com Ali Khamenei e meia dúzia de aiatolás no primeiro dia da guerra e vão acabar com o Irã e depois partirão pra cima dos cubanos. Talvez só não se metam com o Putin.

O amigo otimista ergue os ombros, no seu jeito de expressar desprezo pela ideia alheia desde o movimento estudantil, e pede outra cerveja, mas agora com álcool. O pessimista provoca, em voz baixa e olhando para o lado, com um ar meio blasé: e a China?

  •  

Hezbollah Plunges Lebanon Back Into War Despite Its Weakness

The militant group’s attacks, apparently at the behest of Iran, led to retaliation from Israel and were “practically a suicide mission” for Hezbollah, an analyst said.
  •