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Sócia da Raízen, Shell paga US$ 16,4 bilhões por petroleira canadense

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, anunciou nesta segunda-feira (27) a compra da canadense ARC Resources num negócio avaliado em US$ 16,4 bilhões, incluindo a assunção de US$ 2,8 bilhões em dívida líquida. 

É a maior aquisição da petroleira britânica desde 2016, quando comprou a BG Group, e marca uma virada estratégica do grupo em direção ao Canadá, num momento em que a guerra entre Estados Unidos e Irã encareceu os ativos do Oriente Médio.

Pelos termos do acordo, os acionistas da ARC, sediada em Calgary, receberão CAD 32,80 por ação, sendo 75% em ações da Shell e 25% em dinheiro. O preço representa prêmio de 27% sobre o fechamento da ARC na bolsa de Toronto na sexta-feira (24) anterior à divulgação. O valor patrimonial da ARC ficou em US$ 13,6 bilhões.

A operação adiciona ao portfólio da Shell cerca de 370 mil barris de óleo equivalente por dia, dois bilhões de barris em reservas provadas e prováveis e 1,5 milhão de acres na bacia de Montney, formação de xisto que ocupa parte da Columbia Britânica e de Alberta.

Combinada aos 440 mil acres que a Shell já operava na região, a aquisição transforma a empresa em um dos maiores produtores de gás natural e líquidos da Montney. “Isto estabelece o Canadá como um heartland para a Shell”, disse o presidente-executivo Wael Sawan em comunicado, em referência aos núcleos operacionais estratégicos da empresa.

A produção total da Shell deve passar de uma taxa de crescimento anual de 1% para 4% até 2030 com a incorporação dos ativos.

Virada de chave

A movimentação representa uma virada da própria Shell em relação ao Canadá. Em 2017, a empresa havia se desfeito de boa parte de sua posição no país, vendendo ativos nas areias betuminosas de Alberta. 

Agora, faz o caminho inverso, sob a justificativa de que os recursos da Montney são “de baixa intensidade de carbono”, o que ajuda a empresa a reconciliar o crescimento da produção com seus compromissos de transição energética.

A integração com o LNG Canada, projeto de gás natural liquefeito da Columbia Britânica do qual a Shell é principal acionista, é peça central do racional do negócio. Os contratos da ARC já vinculam parte de sua produção de gás aos preços internacionais de LNG, o que cria sinergia direta com a infraestrutura existente da Shell. 

A empresa estima sinergias anuais de US$ 250 milhões em até um ano após o fechamento, previsto para o segundo semestre de 2026.

Analistas avaliam que a aquisição pode ser apenas o primeiro movimento de uma onda de M&A no setor de petróleo e gás. Os preços altos sustentados pela guerra elevaram o valor dos ativos e criaram janela para que companhias menores aceitem ser vendidas por valuations que antes pareciam inatingíveis.

“Acho que está na mesa para este ano”, disse Tim Rezvan, analista do KeyBanc Capital Markets, em entrevista à Barron’s na semana passada. Segundo ele, o que define o preço dos negócios é a curva de futuros de petróleo nos próximos meses, e essa curva subiu o suficiente para destravar o apetite vendedor.

No Brasil, outra conta

A operação contrasta com o cenário enfrentado pela Shell no Brasil, onde a empresa é sócia da Cosan na Raízen, maior produtora de biocombustíveis do país e que negocia neste momento a reestruturação de R$ 65 bilhões em dívidas. 

No fim de semana, a companhia apresentou aos credores uma contraproposta para captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, em cima dos R$ 4 bilhões já comprometidos por Shell e pelo bilionário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

Os credores pediam aporte de R$ 8 bilhões dos atuais sócios para fechar o acordo.

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Raízen aumenta oferta a credores, mas exige manutenção de Ometto no comando do conselho

A Raízen, empresa fundada por Rubens Ometto e controlada por Shell e Cosan, apresentou uma contraproposta a seus credores para avançar com seu plano de recuperação extrajudicial de R$ 65 bilhões. A oferta prevê mais recursos para um aumento de capital da empresa de açúcar e etanol. 

A companhia, que tem até o início de junho para ter aval da maioria dos detentores de sua dívida, não abre mão de manter Ometto na presidência do conselho de administração.

Na proposta apresentada na noite de sábado (25), a Raízen disse aos credores que está em conversas para captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital novo, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg

Embora o detalhe seja bem-vindo aos detentores de dívida, que haviam proposto que os atuais acionistas injetassem R$ 8 bilhões, a companhia rejeitou outras mudanças pedidas pelos credores, incluindo a perda do controle do conselho de administração.

O capital incluído na nova proposta da Raízen seria adicional aos R$ 4 bilhões que a Shell e o bilionário Rubens Ometto já se comprometeram a aportar na empresa de bioenergia, segundo as fontes, que pediram para não ser identificadas por se tratar de discussão privada. 

Não ficou claro de onde viria o dinheiro novo. A Cosan, conglomerado fundado por Ometto e que divide o controle da Raízen com a Shell, não está injetando recursos na empresa de combustíveis. 

O BTG Pactual e a gestora Perfin, que hoje são sócios de Ometto na Cosan, não querem se envolver.

A Raízen está resistindo a exigências dos credores de que os acionistas abram mão da maioria das cadeiras no conselho, ou de que executivos sejam responsabilizados por eventuais passivos que possam se materializar no futuro, segundo as fontes. 

Comitê de credores

A Raízen teria, no entanto, aceitado o pedido de criar um comitê de credores para acompanhar mais de perto a governança, segundo uma das pessoas.

Ometto ainda quer permanecer como presidente do conselho da Raízen, embora a empresa esteja ciente de que esse será um ponto de tensão com os detentores de dívida, segundo as fontes. 

Bancos credores e bondholders já haviam pedido, em propostas anteriores noticiadas pela Bloomberg, a saída do empresário do comando do colegiado. Raízen, Cosan e Ometto não quiseram comentar. A Shell não respondeu a pedido de comentário fora do horário comercial.

A companhia reiterou sua proposta de oferecer aos credores fatia de 70% num eventual debt-to-equity swap, mecanismo de troca de dívida por ações. A nova oferta, no entanto, não incorpora a sugestão dos bancos credores de que 30% dos recursos da venda dos ativos argentinos sejam destinados ao abatimento da dívida.

A Raízen vem negociando com os credores um acordo que evite a necessidade de pedir recuperação judicial, depois de protocolar pedido de recuperação extrajudicial em março. As partes correm contra um prazo legal: têm até 6 de junho para chegar a um acordo extrajudicial com adesão suficiente de bondholders e credores bancários.

Outrora a maior produtora de biocombustíveis do Brasil, a Raízen foi atingida pelos juros altos, por uma rodada pesada de investimentos que ainda não gerou retorno e por desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol, o que resultou numa sequência de balanços abaixo do esperado. 

Os tropeços corroeram o caixa e fizeram a dívida disparar. À medida que as conversas entre os acionistas para um socorro se arrastavam, os bonds da empresa despencaram para território de “distressed“. 

Quando a Raízen contratou assessores para reorganizar a estrutura de capital, as agências de rating tiraram a companhia do grau de investimento e a jogaram bem para dentro do território especulativo, aprofundando a queda dos papéis.

©2026 Bloomberg L.P.

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Bancos credores apresentam nova proposta de reestruturação à Raízen

Os bancos credores da Raízen apresentaram uma nova proposta de reestruturação à sucroalcoleira, segundo pessoas a par do assunto.

A proposta: 30% do que for arrecadado com a venda dos ativos na Argentina deve ir para a redução da dívida, afirmaram as fontes. Os bancos também pedem a substituição de Rubens Ometto, fundador da Cosan, controladora da Raízen, na presidência do conselho — repetindo uma exigência já feita pelos detentores de títulos de dívida.

Enquanto esses pediram um aporte de R$ 8 bilhões, a proposta dos bancos não especifica um valor.

A Shell, sócia da Cosan na Raízen, concordou em março em injetar R$ 3,5 bilhões como parte da reestruturação, enquanto Ometto se comprometeu com outros R$ 500 milhões. No início deste mês, a companhia apresentou aos credores uma proposta que poderia entregar a eles até 70% das ações ordinárias da Raízen.

Cosan, Raízen e Ometto não quiseram comentar quando procurados ao longo do fim de semana. Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Itaú Unibanco, que estão entre os credores, também não se manifestaram. A Shell não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Bloomberg.

Os detentores de títulos apresentaram a própria proposta de reestruturação, que inclui uma injeção de capital de R$ 8 bilhões. Eles também querem a saída de Ometto e mais voz na gestão da companhia – e, junto dos bancos, pedem uma fatia de até 90% da empresa em troca de 45% da dívida.

A Raízen cultiva 13 mil km² de cana (o equivalente a metade do Estado do Sergipe), e entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março, com uma dívida de R$ 65 bilhões. Desde então, a join venture da Cosan e da Shell tem negociado com os credores para fechar um acordo e evitar precisar pedir recuperação judicial.

A empresa vem sofrendo o impacto dos juros altos, que encarecem sua dívida colossal, de problemas operacionais nas divisões de açúcar e etanol e de grandes investimentos que não deram retorno. Entre eles, está a malfadada tentativa da Cosan de ter uma participação relevante na Vale — a holding chegou a investir cerca de R$ 21 bilhões para montar uma fatia de 4,05% da mineradora (apesar da intenção inicial de alcançar 6,5%) e se desfez das ações em 2025 por cerca de R$ 9 bilhões.

Outro negócio mal-fadado foi a participação nas lojas Oxxo, em parceria com a Femsa. A joint venture acumulou perto de R$ 1 bilhão em prejuízo nos últimos três anos, e em fevereiro a Raízen abandonou a sociedade.

Em 2024, a Raízen perdeu o posto de maior produtora de etanol do país para a Inpasa, que faz o biocombustível a partir de milho – matéria-prima mais eficiente que a cana, o custo de produção chega a ser 40% menor. Uma tempestade perfeita no império de Rubens Ometto.

A recuperação extrajudicual da Raízen é a maior da história do Brasil.

Por Giovanna Bellotti Azevedo, Rachel Gamarski, Matheus Piovesana, Leda Alvim e Redação InvestNews.

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Petróleo em alta testa ganhos de Vibra, Ipiranga e Raízen com repressão a combustível ilegal

A disparada de mais de 30% no preço do petróleo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já começa a chegar com força ao Brasil – e voltou a colocar Vibra, Ipiranga e Raízen, as principais distribuidoras de combustíveis do país, sob pressão, após meses de relativa calmaria.

Desde o início da Guerra do Irã no fim de fevereiro, o preço médio do diesel subiu cerca de 19% no país, enquanto a gasolina avançou mais de 5%, segundo dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

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O movimento reacendeu temores de impacto na inflação e levou o governo federal a agir, com medidas como a zeragem de tributos sobre o diesel e o reforço na fiscalização para conter repasses considerados abusivos, com multas que podem chegar a R$ 500 milhões.

Mas, para além da pressão estatal sobre os preços, o setor vê um outro risco emergir: o de que soluções de emergência para garantir o abastecimento acabem reabrindo espaço para práticas ilegais na cadeia de combustíveis, como permitir o funcionamento de refinarias que operam sob ilegalidade.

Para as distribuidoras, o cenário representa uma reversão brusca após um período de melhora operacional – ainda que o setor chegue a esse momento com alguma “gordura” para absorver parte da pressão.

Em meio a esse ambiente mais adverso, Vibra, Ipiranga e Raízen passaram a capturar um ganho que por anos parecia fora de alcance: aumento simultâneo de margens, volumes e participação de mercado.

Segundo as próprias empresas, todas de capital aberto na bolsa brasileira, o motor dessa mudança não esteve na demanda, mas no ambiente competitivo, marcado pelo avanço do combate ao mercado ilegal na cadeia de combustíveis – simbolizado especialmente pela Operação Carbono Oculto, que revelou a ligação do crime organizado com a distribuição de combustíveis e o mercado financeiro quando deflagrada em agosto de 2025.

Esse é um movimento que agora passa a ser testado pela volatilidade das cotações do petróleo.

Margem melhorou

A melhora operacional, agora em risco, aparece no principal indicador do setor: a margem por metro cúbico. No caso da Vibra, responsável pelos postos com a marca Petrobras, o indicador subiu 73,4% no quarto trimestre de 2025 na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 251 por metro cúbico.

A analistas de mercado, o CEO Ernesto Pousada disse que “2025 foi um ano de inflexão […] muito pelas ações que nós vimos da Carbono Oculto e de todas as ações contra as irregularidades”. Ao mesmo tempo, a Vibra voltou a crescer em volume, com alta de 5% no quarto trimestre, e ampliou sua participação de mercado para 24,5%.

Outro efeito do ambiente de combate à venda ilegal foi o recorde de embandeiramento de postos – quando estabelecimentos independentes passam a operar sob a bandeira de uma grande distribuidora. Com a força da marca Petrobras, a Vibra adicionou 404 novos postos no período, o que levou a rede para cerca de 7,5 mil unidades no país.

Agora, com a escalada dos preços de combustíveis, essa melhora operacional passa a ser colocada à prova. Em entrevista à CNN Brasil na semana passada, Pousada afirmou que o setor enfrenta um choque externo sem precedentes recentes, com impactos diretos sobre custos e abastecimento.

“Estamos à beira de uma crise energética global”, disse o executivo, ao comentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimento. Como o Brasil depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, a pressão acaba sendo inevitável.

Ao mesmo tempo, o aumento da importação em caráter emergencial eleva os custos logísticos, pois exige mais transporte, armazenamento e frete. “Você mobiliza toda uma cadeia que aumenta exponencialmente o seu custo”, afirmou.

Na prática, o choque de custos reduz o espaço de manobra das distribuidoras. Segundo o CEO da Vibra, o diesel importado já chega ao Brasil até R$ 2,50 por litro mais caro do que o produto doméstico, enquanto a subvenção anunciada pelo governo cubra apenas cerca de R$ 0,30 dessa diferença.

Com a distribuição representando apenas cerca de 5% do preço final dos combustíveis, ainda de acordo com Pousada, o espaço para absorver esses custos sem repasse é limitado – o que coloca à prova o patamar de margens conquistado nos últimos trimestres.

Efeito Carbono Oculto

Para o Instituto Combustível Legal (ICL), que representa as principais empresas do setor, a melhora recente dos resultados está diretamente ligada à redução de práticas históricas de fraude, como sonegação fiscal e comercialização irregular de combustíveis – alvo de operações como Carbono Oculto, Poço de Lobato e Tank.

“O que estamos vendo agora é um mercado mais equilibrado, em que o preço começa a refletir o custo real”, afirmou Emerson Kapaz, presidente do ICL, em entrevista ao InvestNews, em referência ao quadro sem levar em conta as pressões com o encarecimento do petróleo.

Essas distorções da venda irregular permitiam que parte dos agentes operasse com custos artificialmente mais baixos, o que pressiona toda a cadeia formal. “Quando você combate o ilegal, você devolve competitividade para quem paga imposto”, prossegue Kapaz.

Na Ultrapar, dona da Ipiranga, os efeitos também já aparecem nos números. A receita subiu 5% em 2025, para R$ 127,6 bilhões, enquanto a margem recorrente avançou 2%, para R$ 145 por metro cúbico.

O CEO do grupo, Rodrigo Pizzinatto, atribuiu o resultado “ao início da recuperação do mercado após a intensificação das medidas de combate às irregularidades” e afirmou que o setor voltou a operar com margens mais saudáveis.

Ao mesmo tempo, a melhora do ambiente competitivo começou a atrair o interesse de investidores estratégicos. A gigante americana Chevron negocia a compra de uma fatia de cerca de 30% da Ipiranga junto à Ultrapar. “O interesse de empresas como a Chevron ajuda a chancelar a melhora que o mercado vem passando”, afirmou Kapaz.

Até mesmo na Raízen, que atravessa um delicado processo de reestruturação financeira com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas na maior recuperação extrajudicial da história do país, a melhora operacional foi uma das poucas notícias positivas recentes.

A joint venture entre Cosan e Shell informou que sua divisão de distribuição registrou crescimento de 50% no Ebitda no terceiro trimestre da safra 2025/26 na comparação anual, impulsionado por aumento simultâneo de volumes e margens. No período, a rentabilidade por metro cúbico cresceu 35,2%, para R$ 215, enquanto o volume vendido avançou 11,6%.

Apesar dos avanços, o próprio ICL alerta que o cenário atual de alta de preços e risco de desabastecimento pode reabrir espaço para a atuação de agentes irregulares.

Segundo o instituto, mecanismos criados pelo governo federal para ampliar a oferta de combustíveis podem ser utilizados de forma oportunista por sonegadores e devedores contumazes.

Esse risco já começa a aparecer no radar do mercado.

Com a possibilidade de escassez de diesel, a Refit, refinaria ligada ao empresário Ricardo Magro, estaria em fase de estudo para retomar suas operações no Rio de Janeiro, aproveitando instrumentos como a subvenção ao combustível, de acordo com Lauro Jardim, de O Globo.

Em outras oportunidades, a Refit alegou que seus débitos tributários etão sendo questionados na Justiça e que esses procedimentos são normais para qualquer empresa do setor. Também afirma sofrer perseguições de outros concorrentes.

Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL)
Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL) (Divulgação)

A unidade está atualmente interditada pela ANP, após apontamentos relacionados a irregularidades operacionais e riscos de segurança.

Para o ICL, a preocupação é que soluções emergenciais possam abrir brechas para a rearticulação de agentes que, no passado, já foram associados a distorções concorrenciais e práticas irregulares.

“Abrir espaço para agentes com histórico de irregularidades não é solução; é retrocesso”, afirmou Emerson Kapaz, do ICL, que defende fiscalização rigorosa e maior controle sobre a origem e a movimentação dos combustíveis.

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Bancos pressionam Cosan e BTG Pactual por melhores termos na reestruturação da Raízen

Alguns bancos brasileiros com exposição à Raízen estão pressionado a controladora Cosan e seu assessor BTG Pactual, buscando melhores termos na reestruturação da dívida da empresa de açúcar e etanol, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O Bradesco intensificou a pressão, exigindo compromissos mais claros em relação à Raízen, de acordo com as fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. Essa postura pode atrapalhar os planos da Cosan de listar sua unidade de gás Compass, da qual o Bradesco é acionista.

O Itaú também sinalizou que pode adotar uma postura mais dura nas negociações, alertando que pode restringir o acesso a crédito para empresas dentro do ecossistema da Cosan caso todos os envolvidos não compartilhem o ônus da reestruturação financeira da Raízen, disseram algumas das fontes.

Os bancos estão buscando um valor maior da Shell, acrescentaram. A gigante do petróleo, que é co-proprietária da Raízen junto com a Cosan, já concordou em contribuir com R$ 3,5 bilhões (US$ 664 milhões).

A Cosan não está mais em negociações para aportar recursos, mas seu fundador, Rubens Ometto, concordou em investir R$ 500 milhões por meio de sua holding. O BTG, que ganhou relevância significativa nas discussões após investir R$ 4,5 bilhões na Cosan, já havia dito que não teria um papel ativo na reestruturação financeira da Raízen, mesmo antes de surgirem desentendimentos com a Shell.

Bradesco, Itaú, BTG, Cosan e Raízen não comentaram.

Credores estão frustrados com a decisão da Cosan de não injetar capital novo na Raízen, apesar das crescentes preocupações com a situação financeira da empresa. A decisão acabou forçando a Raízen — que já foi a principal produtora de biocombustíveis do Brasil — a fechar um acordo para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões.

O acordo de recuperação extrajudicial foi firmado na semana passada com credores que detêm pouco menos da metade da dívida da empresa — ele dá fôlego à Raízen, suspendendo obrigações de dívida e concedendo 90 dias para obter adesão de outros credores a um plano mais abrangente.

O acordo encerrou alguns meses turbulentos para a Raízen, que viu seus títulos caírem para níveis de alto risco enquanto as negociações por um resgate de seus principais acionistas se arrastavam, consumindo caixa.

Quando contratou consultores para otimizar sua estrutura de capital, as agências de rating rebaixaram a empresa do grau de investimento para níveis profundos de alto risco. A Raízen afirmou que os rebaixamentos representavam uma “ameaça grave, imediata e palpável”, à medida que credores pressionavam por vencimento antecipado de algumas dívidas, o que poderia desencadear um default cruzado e acelerar mais de R$ 60 bilhões em obrigações.

Divulgações da Raízen na semana passada mostraram que o Bradesco tem cerca de R$ 2 bilhões ajustados pelo câmbio a receber, enquanto o Itaú possui exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

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Uma das maiores produtoras de álcool e açúcar do Brasil, a Raízen acaba de entrar em recuperação extrajudicial para tentar organizar uma dívida de quase R$ 70 bilhões. Entenda como tudo começou e quais os próximos passos da companhia para sair da crise. #energia #raizen #negócios

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Justiça aceita recuperação extrajudicial da Raízen para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas

A Justiça de São Paulo aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, abrindo caminho para que a companhia renegocie R$ 65,1 bilhões em dívidas com credores. A informação foi publicada inicialmente no site The AgriBiz.

A decisão do juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), suspende as cobranças dos créditos incluídos no plano por até 180 dias, período em que a empresa poderá negociar novas condições com bancos e investidores. Lamêgo também é o responsável pela RE do GPA, dono do Pão de Açúcar.

A Raízen tem 90 dias, contados a partir do pedido de recuperação extrajudicial, para comprovar a adesão necessária dos credores e apresentar a versão final do plano de reestruturação. Após a apresentação do plano completo, os credores terão outros 90 dias para analisá-lo.

Negociação em curso

Documentos apresentados pela companhia à Justiça mostram que o plano já conta com o apoio de credores que representam cerca de 47% da dívida incluída na reestruturação, mas a empresa ainda precisa atingir a adesão de mais de metade dos créditos em cada empresa envolvida para que o plano possa ser homologado.

@investnewsbr

Uma das maiores produtoras de álcool e açúcar do Brasil, a Raízen acaba de entrar em recuperação extrajudicial para tentar organizar uma dívida de quase R$ 70 bilhões. Entenda como tudo começou e quais os próximos passos da companhia para sair da crise. #energia #raizen #negócios

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Entre as principais subsidiárias, os percentuais atuais de adesão são de 44,9% na Raízen S.A., 45,4% na Raízen Energia e 34,9% na Raízen Fuels Finance, empresa que concentra parte relevante dos títulos emitidos no exterior (“bonds“).

A lista de credores apresentada no processo indica que parte relevante das adesões iniciais veio de bancos e instituições financeiras que mantêm contratos de financiamento e operações de derivativos com o grupo.

Quem já topou

Entre os credores que já aderiram ao plano aparecem nomes como Morgan Stanley, BNP Paribas Brasil, Rabobank, Banco do Brasil, JP Morgan, Crédit Agricole, Bradesco e Citibank.Esses contratos, majoritariamente ligados a operações bancárias e instrumentos de hedge, somam cerca de R$ 28,6 bilhões em créditos aderentes, segundo os documentos apresentados no processo.

Já os títulos emitidos no exterior, administrados por instituições como Bank of New York Mellon e U.S. Bank, ainda não aparecem entre os créditos aderentes, indicando que parte relevante das negociações deverá ocorrer com investidores internacionais.

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Recuperação extrajudicial: o que é o mecanismo legal usado pela Raízen e GPA para renegociar dívidas

A recuperação extrajudicial é uma das alternativas previstas na legislação brasileira quando empresas enfrentam dificuldades financeiras e precisam reorganizar dívidas sem recorrer à falência.

O instrumento legal permite que companhias negociem diretamente com credores para reestruturar seu passivo e recuperar fôlego financeiro em momentos de pressão no caixa.

Previsto na Lei 11.101/2005, o mecanismo foi desenhado para preservar a atividade empresarial por meio de acordos com credores homologados pela Justiça. Dessa forma, os interesses das partes envolvidas são protegidos e evita-se que crises financeiras evoluam para um processo de falência.

Recentemente, o mecanismo foi utilizado por grandes empresas brasileiras.

A Raízen informou, na manhã desta quarta-feira (11), ter recorrido ao mesmo instrumento para negociar obrigações financeiras que, segundo a companhia, superam R$ 70 bilhões em dívida bruta.

No dia anterior, o GPA, controlador da rede Pão de Açúcar, anunciou um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais e reorganizar seu passivo.

O que é recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial consiste em uma renegociação de dívidas realizada diretamente entre o devedor e seus credores, fora das vias judiciais iniciais e com menor rigidez processual.

Na prática, trata-se de um acordo privado de reestruturação financeira que busca viabilizar a continuidade das operações da empresa.

Para ter acesso à recuperação extrajudicial, a companhia deve cumprir alguns requisitos mínimos estabelecidos em lei:

  • Deve exercer atividades regulares há mais de dois anos;
  • Não ser falida ou ter as responsabilidades de falência anterior extintas por sentença transitada em julgado;
  • Não ter obtido concessão de recuperação judicial ou especial nos últimos cinco anos.

Além disso, administradores ou sócios controladores não podem ter condenações por crimes falimentares, como fraude contra credores ou ocultação de bens em processos de falência ou recuperação judicial.

O que muda para a empresa com a recuperação extrajudicial

Ao optar pela recuperação extrajudicial, a empresa mantém a administração de seus negócios e continua operando normalmente, seguindo as diretrizes do plano negociado com os credores.

Para que o plano tenha eficácia, a empresa devedora precisa obter o apoio de credores que representem ao menos três quintos (60%) dos créditos envolvidos antes de levá-lo ao Poder Judiciário para homologação.

Após a homologação, os termos passam a ter caráter vinculante para todas as partes. Em outras palavras, o acordo ganha força legal e deve ser cumprido tanto pela empresa quanto pelos credores.

Em geral, não há suspensão automática de ações e execuções contra a companhia no início das negociações.

Caso o plano não seja cumprido, as dívidas podem retornar às condições originais e, em situações mais graves, levar à decretação de falência.

A diferença entre recuperação extrajudicial e judicial

A principal diferença entre recuperação extrajudicial e recuperação judicial está no grau de intervenção do Estado sobre a empresa devedora.

A recuperação judicial é um procedimento formal supervisionado pelo juiz desde o início do processo e envolve a nomeação de um administrador judicial responsável por fiscalizar as atividades da empresa.

  • Esse modelo costuma ser utilizado por empresas que enfrentam crises mais profundas, já que oferece a suspensão de execuções por até 180 dias.

Já a recuperação extrajudicial é considerada uma solução híbrida: a negociação ocorre de forma privada entre empresa e credores, seguida apenas da chancela judicial ao final do processo.

  • Importante: embora a recuperação judicial possa resultar em falência caso o plano seja rejeitado em assembleia ou descumprido pela empresa, a recuperação extrajudicial segue uma lógica diferente.

Se o plano extrajudicial for rejeitado pelo juiz ou não alcançar o quórum mínimo de aprovação, não há decretação automática de falência, permitindo que a companhia busque outras formas de reestruturação.

O que não pode em recuperação extrajudicial

Apesar de ser mais flexível, a legislação impõe limites sobre quais dívidas podem ser renegociadas na recuperação extrajudicial.

Não podem ser incluídos no plano:

  • Créditos de natureza tributária;
  • Créditos derivados da legislação trabalhista ou decorrentes de acidentes de trabalho;
  • Dívidas com garantia fiduciária, arrendamento mercantil (leasing) e contratos de compra e venda com reserva de domínio;
  • Contratos de câmbio para exportação.

Além disso, o plano não pode prever o pagamento antecipado de determinadas dívidas nem conferir tratamento desfavorável a credores que não tenham aderido ao acordo.

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Raízen cita risco de ‘efeito dominó’ de R$ 60 bilhões em dívidas e bloqueio do caixa

A Raízen afirma que recorreu ao pedido de recuperação extrajudicial para evitar um efeito dominó em sua estrutura de dívida que poderia antecipar o vencimento de mais de R$ 60 bilhões em obrigações financeiras.

Em petição apresentada à Justiça nesta quarta-feira (11), a companhia controlada por Shell e Cosan afirma que diversos contratos de financiamento possuem cláusulas de cross-default, que permitem a credores declarar vencimento antecipado caso haja descumprimento de qualquer obrigação relevante do grupo.

Com cerca de R$ 70 bilhões em dívida bruta, a empresa incluiu na reestruturação aproximadamente R$ 65,1 bilhões em créditos para renegociação. Ainda segundo o documento, a aceleração dessas cláusulas poderia atingir grande parte da dívida financeira da empresa, no Brasil e no exterior.

Risco ao caixa

A companhia também alertou para o risco de que algumas instituições financeiras utilizem mecanismos contratuais de compensação para reter recursos diretamente das contas do grupo.

A Raízen afirma que esses dispositivos poderiam levar à retenção de até R$ 8 bilhões em caixa, pressionando sua liquidez durante as negociações com credores. De acordo com o balanço mais recente, a empresa tinha R$ 17,3 bilhões em caixa e equivalentes, como aplicações com liquidez imediata.

A pressa em protocolar o pedido também teve relação com um compromisso financeiro iminente. A empresa teria que pagar cerca de R$ 1 bilhão em juros de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) nesta sexta-feira (12), como mostrou o Pipeline.

No pedido judicial, a companhia afirma que a suspensão temporária de execuções e vencimentos antecipados é necessária para preservar caixa enquanto negocia a reestruturação do passivo.

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De Bradesco a BNP: quem são os principais credores da Raízen

BNP Paribas, Bradesco e Rabobank estão entre os maiores credores da companhia brasileira de açúcar e etanol Raízen, que busca reestruturar extrajudicialmente cerca de US$ 12,6 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) em dívidas.

Divulgações da Raízen mostraram que o BNP, com sede em Paris, tem a receber R$ 4,2 bilhões (US$ 810 milhões), considerando a conversão do valor da dívida para a moeda local, segundo documentos da companhia divulgados na quarta-feira.

Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm, cada um, cerca de R$ 2 bilhões a receber, também com base na conversão cambial, enquanto o Itaú tem exposição superior a R$ 1 bilhão à empresa.

A Raízen, controlada por Shell e Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida de R$ 65 bilhões, suspendendo pagamentos e ganhando 90 dias para obter o apoio dos credores a um plano mais abrangente. Esse plano pode envolver aportes adicionais de capital de seus acionistas, a conversão de parte da dívida em ações ou a venda de ativos.

O trustee Bank of New York Mellon aparece nos documentos como credor de um valor equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões.

A securitizadora True Securitizadora também figura entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), uma classe relativamente nova de títulos de renda fixa usada para financiar o setor e que ajudou a impulsionar o boom do agronegócio no Brasil.

O Bradesco se recusou a comentar, e o Rabobank afirmou que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen vem sendo pressionada por juros altos, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.

O preço de seus bônus denominados em dólar caiu para níveis que indicam que a empresa está em situação de estresse financeiro. Seus ratings foram rebaixados para níveis bem dentro do grau especulativo, à medida que aumentaram as preocupações com seu endividamento e se arrastaram as negociações por um socorro de seus principais acionistas.

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Com R$ 70 bilhões em dívidas, Raízen pede recuperação extrajudicial

A gigante do etanol Raízen entrou na noite desta terça-feira (10) com um pedido de recuperação extrajudicial depois de se ver sem alternativas diante de uma dívida bruta que ultrapassa os R$ 70 bilhões, em uma das maiores crises corporativas do país nos últimos anos. A informação foi confirmada pela companhia na manhã desta quarta-feira (11).

A Raízen – controlada por Cosan e Shell – já conta com o apoio de credores que representam mais de 47% da dívida e terá 90 dias para atingir a maioria necessária (50% mais um) para a aprovação do plano, conforme exige a legislação, segundo apurou o InvestNews com fontes próximas à companhia.

Trata-se da maior recuperação extrajudicial já registrada no país e representa um capítulo importante da derrocada de uma empresa que protagonizou pouco menos de cinco anos atrás um dos maiores IPOs (oferta pública inicial de ações) da história da bolsa brasileira, com valor de mercado de R$ 76 bilhões à época. Nesta terça, a Raízen valia menos de 1%, ou cerca de R$ 700 milhões.

O plano de recuperação deverá abranger cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas e vai estabelecer a suspensão do pagamento de juros, o chamado “standstill“, válido também por 90 dias a partir desta quarta-feira (11), segundo as fontes.

Nesses três meses pela frente, Raízen e credores vão negociar os termos definitivos da reestruturação, o que deverá incluir alongamento de prazos, conversão de parte da dívida em ações e eventuais descontos no valor da dívida, os chamados haircuts.

Negociação em curso

Conforme mostrou a Bloomberg mais cedo nesta terça, alguns dos maiores bancos do país são credores que somam cerca de metade da dívida da companhia, enquanto bondholders, detentores de CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e de debêntures respondem pela outra metade.

Tanto a Raízen quanto seus credores já reduziram posições de hedge cambial que haviam sido montadas para honrar dívidas em dólar, sinal de que as conversas avançavam.

Em paralelo, a companhia negocia um plano de capitalização em que a Shell irá aportar R$ 3,5 bilhões, com um compromisso conjunto do empresário Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física, por meio de sua empresa Aguassanta Investimentos.

Nesta terça, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia não estava mais em negociações com a Shell para resgatar a Raízen, o que deixa credores e a petroleira como protagonistas da solução financeira.

Negociações com credores

As negociações da Raízen com credores preveem a conversão de dívida em participação acionária estimada na casa de 40%, com o objetivo de levar a alavancagem da Raízen para menos de 3 vezes o lucro operacional (Ebitda).

Atualmente, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia está em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, uma alta de 43% em um ano.

Segundo as mesmas fontes que falaram com o InvestNews, a Raízen continuará a pagar fornecedores normalmente – a recuperação extrajudicial suspende “apenas” o serviço das dívidas financeiras.

A informação sobre o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen nesta noite de terça-feira foi publicada inicialmente pelo Brazil Journal.

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Cosan registra prejuízo de R$ 5,8 bilhões com impacto da crise na Raízen

O conglomerado brasileiro Cosan registrou prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais (US$ 1,1 bilhão) no quarto trimestre, em meio à fraqueza na Raízen, seu negócio de açúcar e etanol.

A Cosan, que também controla operações em ferrovias, gás natural e lubrificantes, encerrou dezembro com dívida líquida de 9,7 bilhões de reais, uma queda de 46% em relação ao trimestre anterior, após a companhia receber um aporte de capital no fim de 2025.

Recentemente, as classificações de crédito da Cosan foram rebaixadas por diferentes agências, diante das preocupações com a Raízen, sua joint venture problemática com a Shell.

A Raízen vem enfrentando juros elevados, safras mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram os retornos esperados, o que reduziu o fluxo de caixa e elevou a alavancagem a níveis considerados insustentáveis por investidores.

Para reduzir o endividamento, a Cosan tem buscado vender parte de seus ativos.

A Raízen registrou 11 bilhões de reais em perdas por impairment em seu balanço divulgado no mês passado, já que o aumento da dívida passou a representar risco para suas operações. A produtora de açúcar e etanol afirmou recentemente que poderá recorrer a um processo de reestruturação extrajudicial, após o fracasso nas negociações entre seus controladores, Cosan e Shell, sobre um plano de resgate mais amplo.

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Raízen avalia recuperação extrajudicial e aporte de R$ 4 bilhões para tentar sobreviver

A Raízen informou na noite de quarta-feira (4) que avalia pedir recuperação extrajudicial para tentar encontrar saídas para sua crise financeira.

Em um fato relevante, a gigante sucroalcoleira disse que Shell e Cosan, seus acionistas controladores, discutem a injeção de R$ 4 bilhões em uma estratégia que pode incluir ainda a conversão de dívida em participação acionária e “alogamento do saldo remanescente da dívida”.

A proposta, discutida nas últimas semanas com seus acionistas controladores, inclui um aporte de R$ 3,5 bilhões provenientes do Grupo Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos, empresa ligada à família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan.

Além disso, a Raízen fala em dar prosseguimento à venda de ativos classificados como “não estratégicos”. A companhia afirma que essas medidas não afetarão suas operações ou seus parceiros de negócios.

Impasse

Na semana passada, executivos do BTG Pactual – um acionista e credor relevante da Raízen -, da Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram em Londres para discutir possíveis caminhos para a reestruturação, mas deixaram a capital britânica sem um acordo.

A discussão sobre uma reestruturação ocorre diante do aumento do endividamento da companhia. A dívida bruta da Raízen chegou ao fim de setembro a cerca de R$ 70 bilhões, com R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, o que coloca a alavancagem em 5,3 vezes o resultado operacional (Ebitda).

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O custo financeiro para carregar esse passivo já supera R$ 7 bilhões por ano, segundo pessoas próximas das negociações. Nos nove meses do ano-safra 2025/26, a companhia reportou cerca de R$ 4 bilhões em despesas com o serviço da dívida.

Com a Shell liderando o aporte e sem uma contraparte da Cosan, a petroleira passaria a consolidar os R$ 70 bilhões de dívida bruta em seu balanço, algo próximo a US$ 13,5 bilhões.

Por outro lado, o grupo de acionistas com Ometto e André Esteves, do BTG Pactual, seria diluído na composição acionária – hoje, Shell e Cosan possuem 88% da Raízen, sendo 44% cada um.

Visões diferentes

A petroleira anglo-holandesa defende uma solução considerada mais simples e imediata, com um aporte de cerca de R$ 7 bilhões – metade da Shell e metade da Cosan – combinado à renegociação das dívidas, com possíveis haircuts (descontos) e conversão de parte do débito em ações da Raízen. 

Já a Cosan, hoje co-controlada por Rubens Ometto e o BTG Pactual, defende uma alternativa que classifica como mais estrutural. A proposta do grupo brasileiro prevê dividir a Raízen em duas empresas, separando a produção e o processamento da cana-de-açúcar da operação de distribuição de combustíveis. 

Nesse desenho, fundos de private equity do BTG teriam mandato para aportar cerca de R$ 5,5 bilhões na empresa de combustíveis, assumindo o controle do negócio e tendo a Shell como sócia.

Por regras internas, no entanto, a área de private equity do banco não investe diretamente em empresas expostas a commodities, o que ajuda a explicar o interesse apenas na divisão de combustíveis, e não na operação agrícola e industrial ligada à cana.

A lógica por trás da proposta é que os dois negócios têm perfis de risco muito distintos. Enquanto a distribuição de combustíveis tende a gerar fluxo de caixa mais previsível, a produção de açúcar e etanol está mais sujeita ao ciclo das commodities e à volatilidade das safras.

Diante do impasse entre os sócios, prevaleceu a avaliação de que caberia à Shell liderar a solução.

A marca Shell e a rede de postos – ativos centrais da operação de combustíveis da Raízen – pertencem ao grupo anglo-holandês. “A solução acabou voltando para a Shell”, disse uma pessoa próxima das negociações. “A marca e os postos são dela.”

Joint venture entre Shell e Cosan, a Raízen é uma das maiores produtoras de etanol e energia renovável do Brasil, com presença relevante no mercado de combustíveis.

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Cosan e Shell abandonam conversas sobre capitalização na Raízen

As negociações para resgatar a Raízen fracassaram depois que as duas empresas que controlam a empresa, Cosan e Shell, não chegaram a um acordo sobre um plano de capitalização, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, deixando a produtora brasileira de açúcar e etanol com opções cada vez menores para sair da crise de dívida.

A Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escala do apoio financeiro que a Shell havia prometido oferecer à Raízen, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela Shell, disse uma das pessoas, que pediu para não ser identificada por estar discutindo conversas privadas.

Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, disse outra pessoa.

A empresa sediada em Londres prometeu publicamente injetar R$ 3,5 bilhões em capital novo na Raízen na terça-feira e deve apresentar seu próprio plano para os bancos já nesta quarta-feira, segundo uma das pessoas. A Shell não quis comentar.

A Raízen busca capital após enfrentar dificuldades devido a uma combinação de altas taxas de juros, safras fracas e investimentos malsucedidos. Seus títulos de dívida despencaram e sua classificação de risco crédito foi rebaixada, chegando a preocupar o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

O plano da Shell pode ser a melhor esperança da Raízen para evitar um pedido de recuperação judicial. A proposta ainda incluiria um potencial aporte de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, fundador da Cosan, e converteria cerca de R$ 25 bilhões de dívida em ações — melhorando o balanço patrimonial da empresa, mas diluindo a participação dos acionistas.

A proposta também tornaria a Shell acionista majoritária e exigiria que a empresa absorvesse a dívida da Raízen em seu próprio balanço e administrasse a empresa.

Credores pedem R$ 12 bilhões

Credores têm pressionado a Shell e a Cosan para injetarem até R$ 12 bilhões, argumentando que são empresas lucrativas com caixa suficiente para contribuir com mais do que estão oferecendo, conforme relatado anteriormente pela Bloomberg. Alguns credores argumentam que a Raízen precisa de cerca de R$ 25 bilhões em capital.

Se o plano da Shell for rejeitado, um pedido de recuperação judicial é o caminho mais provável — um resultado que também poderia prejudicar a Cosan. O conglomerado de Ometto ainda está trabalhando para administrar sua situação financeira após aceitar uma injeção de capital dos sócios do BTG no final do ano passado, mas seu nível de endividamento permanece desafiador. Sua exposição à Raízen poderia mergulhar a empresa novamente em crise, disse uma das fontes.

A Cosan não planeja mais injetar o R$ 1 bilhão na Raízen que havia proposto anteriormente em negociações com a Shell, disseram as fontes. Os fundos de private equity da BTG desistiram da ideia de adquirir uma participação significativa no negócio de distribuição de combustíveis da Raízen por cerca de R$ 5,5 bilhões, disse a pessoa.

A decisão da Cosan de abandonar seus planos de investimento na Raízen foi noticiada anteriormente nesta terça-feira pelo Valor Econômico.

No início da terça-feira, o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a empresa está comprometida em investir R$ 3,5 bilhões e que espera que a Cosan invista um valor equivalente.

A possibilidade de Ometto participar individualmente pode depender da obtenção de um empréstimo para contribuir com os R$ 500 milhões que propôs.

A BTG Pactual Holding, veículo de investimento para sócios do banco, investiu R$ 4,5 bilhões na Cosan em um aumento de capital no ano passado. Embora a Ometto mantenha o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50,01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos, com quase 25%.

Os fundos de private equity da BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas pela empresa em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global, bem como ao valor dos pagamentos de royalties, disse uma das pessoas.

Também não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores e sobre o nível de redução da alavancagem necessário, disse a pessoa. Tampouco houve consenso sobre o que fazer com os passivos fiscais da Raízen, segundo a mesma pessoa.

A Shell também se opôs a um plano dos fundos da BTG para uma reestruturação que incluiria uma reorganização corporativa imediata, separando a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da unidade de distribuição de combustíveis na qual os fundos do BTG investiriam.

Pinto da Costa afirmou na terça-feira que a Shell não se opõe a uma reestruturação mais ampla que poderia envolver a divisão do negócio. No entanto, ele disse que, dada a interdependência das duas áreas e a complexidade da dívida da Raízen, a solução ideal seria primeiro tentar recapitalizar a empresa.

“Essa é a visão da Shell e dos principais credores. Se fizermos isso com a empresa ainda instável, o risco de implementar essa estratégia pode ser muito alto”, disse ele.

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Em aceno a Cosan e BTG, Shell diz que vai investir R$ 3,5 bilhões na Raízen

A Shell está comprometida a injetar R$ 3,5 bilhões na Raízen, produtora brasileira de etanol fruto de uma joint venture com a Cosan. A companhia também espera que a Cosan invista valor equivalente na Raízen, afirmou o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, durante coletiva no Rio de Janeiro.

A Bloomberg News informou no fim do mês passado que as empresas estavam em negociações avançadas para aportar novo capital na joint venture, que enfrenta dificuldades.

“As negociações seguem ativas com o objetivo de encontrar uma solução estrutural e de longo prazo para a Raízen, compatível com as restrições de cada uma das partes envolvidas”, disse Pinto da Costa.

A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, busca novos recursos após ser pressionada por juros elevados, safras abaixo do esperado e uma série de investimentos que ainda não geraram retornos significativos. Seu rating de crédito foi rebaixado, e os títulos da companhia despencaram à medida que sua situação financeira se deteriorou.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou diretamente das discussões sobre a Raízen, evidenciando o peso político e econômico do agravamento da crise financeira da empresa. O governo tem demonstrado crescente preocupação de que uma reestruturação desordenada possa abalar os mercados de crédito e prejudicar a confiança dos investidores em um momento delicado para a maior economia da América Latina.

No centro das negociações estão os acionistas da Raízen — Cosan e Shell — além do Banco BTG Pactual, que propôs investir na divisão de distribuição de combustíveis da companhia como parte de uma reestruturação mais ampla, segundo a Bloomberg em fevereiro.

Credores, no entanto, têm reagido, argumentando que a injeção de capital proposta é insuficiente diante do elevado nível de alavancagem da Raízen e da deterioração de seu perfil de crédito. Alguns detentores de títulos e bancos defendem um aumento de capital substancialmente maior, de cerca de R$ 25 bilhões, sustentando que Shell e Cosan têm capacidade financeira para contribuir mais após anos de pagamento de dividendos.

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Crise da Raízen respinga no grupo Cosan e Rumo adia emissão de R$ 1,5 bilhão

A escalada da crise da Raízen, controlada da Cosan, já começa a respingar em outras empresas do grupo fundado por Rubens Ometto. Como efeito colateral da perda do grau de investimento da produtora de etanol, a operadora ferroviária Rumo suspendeu a precificação de uma emissão de R$ 1,5 bilhão em debêntures incentivadas.

A operação, que seria concluída nesta semana, foi remarcada para o dia 20, após o Carnaval. Coordenada por Itaú BBA e BTG Pactual, a oferta prevê a venda de títulos com vencimentos em 2036 e 2041, atrelados às NTN-B de 2035 e 2040, com remuneração de 1,12% e 1,05% ao ano abaixo desses papéis, respectivamente.

De acordo com apuração publicada inicialmente no The AgriBiz, investidores que haviam manifestado interesse nos papéis recuaram após o agravamento da percepção de risco em torno do grupo, esvaziando o book.

O movimento chama atenção porque a emissão da Rumo tem rating máximo na escala local (AAA) da S&P e se enquadra como debênture incentivada de infraestrutura – categoria que normalmente encontra demanda estável entre investidores institucionais.

Nos últimos dias, a Raízen sofreu rebaixamentos de rating e passou a figurar em empresas com grau especulativo. A empresa de combustíveis também anunciou a contratação de assessores financeiros para discutir alternativas de reestruturação de dívida.

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Endividamento alto de Raízen e CSN reacende temor no mercado de bonds

A crise financeira da Raízen e as dúvidas sobre a capacidade da CSN de reduzir seu endividamento reacenderam o nervosismo no mercado de crédito corporativo brasileiro, provocando fuga de investidores e reabrindo o debate sobre o risco de um estresse mais amplo entre empresas altamente endividadas em um ambiente de juros no maior nível em duas décadas.

O gatilho foi a Raízen. Na segunda-feira (9), a empresa perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos de rating, em meio à relutância de seus controladores — Shell e Cosan — em aportar novos recursos. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma reestruturação da dívida que atingiria diretamente os detentores de títulos.

A reação foi imediata. Investidores venderam papéis em massa, derrubando o preço de alguns bonds para cerca de 46 centavos por dólar — queda próxima de 50% em uma semana. O rendimento disparou para 18% ao ano, patamar normalmente associado a empresas em dificuldades financeiras.

O nervosismo se espalhou para a CSN. Mesmo prometendo reduzir a alavancagem por meio da venda de ativos, a siderúrgica viu seus títulos perderem cerca de 30 centavos por dólar nos últimos dias, à medida que investidores desmontaram posições antes de qualquer melhora concreta no balanço.

Para gestores globais, o choque foi a velocidade. A S&P cortou a classificação da Raízen em sete níveis de uma só vez; a Fitch, em oito.

“Nenhum outro país tem emissores cujos ratings caem tanto em um único dia”, disse Omotunde Lawal, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Barings. “Isso indica que o prêmio de risco corporativo brasileiro estava mal precificado.”

O pano de fundo é o custo da dívida. Com a taxa básica em 15%, o maior nível desde 2006, empresas muito alavancadas sentem pressão crescente. Ainda assim, o estresse permanece concentrado no crédito: a bolsa brasileira segue em alta e o real se fortaleceu com a entrada de capital estrangeiro.

O mercado já havia passado por episódio semelhante no ano passado, com os casos de Ambipar e Braskem. Na época, o choque foi tratado como pontual. Agora, investidores voltam a se perguntar se os casos recentes são isolados — ou sinal de um problema mais amplo.

“O mercado de dívida corporativa está relativamente nervoso e pouco líquido”, disse Sergey Dergachev, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Union Investment. “Os investidores ainda tentam entender a dimensão real do risco.”

A situação da Raízen amplia a apreensão. Desde o IPO de 2021, a empresa enfrenta custos elevados de dívida, safras mais fracas do que o esperado e investimentos que ainda não deram retorno. A ausência de apoio explícito de Shell e Cosan é vista como um sinal negativo pelo mercado.

Na segunda-feira, a S&P afirmou que a companhia pode caminhar para uma reestruturação equivalente a default. Horas depois, a Fitch realizou novo corte após a contratação de assessores financeiros — movimento que costuma anteceder renegociações.

“A Raízen destruiu valor para acionistas desde o IPO; agora os credores dividem a dor”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital. A velocidade da queda surpreendeu até analistas otimistas. JPMorgan e Balanz haviam elevado a recomendação dos títulos neste mês, vendo a liquidação inicial como oportunidade.

“Subestimamos a probabilidade de um cenário extremo”, disse Nicolas Giannone, da Balanz. “E definitivamente não esperávamos a velocidade do selloff.”

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