A Embraer está mirando aumentar a produção de jatos comerciais no próximo ano, à medida que a alta dos preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã impulsiona a demanda por aeronaves mais eficientes.
A companhia tem a ambição de entregar até 100 jatos comerciais em 2027, quase 20% acima deste ano, afirmou o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista em Nova York.
A fabricante brasileira manteve sua projeção de entregas de 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 aeronaves executivas em 2026, mesmo com a persistente escassez de componentes como motores e partes da fuselagem.
A Embraer construiu seus negócios no mercado de jatos regionais, como a família E2, com capacidade entre 70 e 145 passageiros, além de um portfólio de aeronaves executivas para até cerca de 12 passageiros.
Avião maior
Agora, a empresa estuda como será seu futuro portfólio de produtos, disse Gomes Neto, incluindo a possibilidade de desenvolver um avião narrow-body maior, que competiria mais diretamente com os modelos A320, da Airbus, e 737, da Boeing.
A Embraer também pode decidir lançar um novo jato executivo, afirmou o executivo.
“Não queremos fracassar como outras empresas fracassaram no passado, então não estamos nos pressionando”, disse Gomes Neto, acrescentando que a Embraer não lançará dois novos projetos simultaneamente.
Por enquanto, os jatos E2 continuam no centro da estratégia da fabricante para atingir US$ 10 bilhões em receita até 2030, acima dos US$ 7,5 bilhões registrados em 2025.
Embora espere que os preços mais altos do combustível sustentem a demanda por aeronaves mais eficientes, Gomes Neto afirmou que a empresa ainda não observou um aumento relevante em novos pedidos.
A JHSF anunciou, nesta segunda-feira (27), a aquisição do FBO (Fixed Base Operator) Embassair, um ativo de infraestrutura voltado ao atendimento de clientes de aviação executiva localizado no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, nos Estados Unidos.
A operação, cujo valor não foi divulgado, foi realizada por meio do JHSF Capital FBOs Fund LP, fundo internacional recém-constituído e gerido pela JHSF Capital, que tem a própria companhia como investidora majoritária.
O terminal já está em operação e oferece uma plataforma integrada de serviços ininterruptos, com funcionamento 24 horas, incluindo abastecimento de combustíveis, serviços aeronáuticos e atendimento a passageiros, além de infraestrutura de hangares com potencial de expansão futura.
Localizado a cerca de 30 minutos do centro de Miami, o aeroporto foi escolhido por sua relevância no mercado de aviação executiva e por sua conexão com rotas internacionais frequentes a partir do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, o que pode gerar sinergias operacionais para a companhia.
Há ainda a previsão de implementação de controle migratório no próprio terminal, por meio do U.S. Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pela imigração e alfândega nos Estados Unidos, o que deve elevar o nível de conveniência para voos internacionais ao permitir que passageiros realizem todo o processo no próprio local.
A aquisição está alinhada à estratégia da JHSF de ampliar sua presença internacional e fortalecer sua atuação em ativos de alto padrão com geração de receita recorrente. Nesse contexto, a operação em Miami representa mais um passo no processo de internacionalização da companhia.
Fasano no exterior
No começo deste mês, a JHSF anunciou no começo deste mês um acordo para adquirir 100% da Baluma, dona do complexo Enjoy Punta del Este, no Uruguai. O plano é transformar o ativo em um projeto multiuso de alto padrão, com shopping, hotel Fasano, cassino e unidades residenciais, aprofundando a presença do grupo no país, onde já atua há mais de 15 anos. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e antitruste.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento da marca Fasano no exterior. Atualmente, a companhia tem dois hotéis fora do Brasil — em Punta del Este e Nova York — e outros projetos em desenvolvimento em destinos como Londres, Miami, Portugal, Itália (Sardenha) e novamente no Uruguai. Em fevereiro, a empresa também anunciou a compra de um edifício histórico em Milão para conversão em hotel.
Com um portfólio que inclui ainda shoppings, aeroporto executivo e empreendimentos residenciais e de lazer, a JHSF vem ampliando sua diversificação de receitas. No quarto trimestre de 2025, a área de Hospitalidade e Gastronomia respondeu por 17,8% do resultado operacional recorrente, enquanto shoppings lideraram com 40,1%, seguidos pelo aeroporto (21,4%) e pelos segmentos de residências e clubes (20,7%).
A Gol passa por uma transformação profunda após sua recuperação judicial. Agora sob o controle da holding Abra, a companhia abandonou o modelo focado estrit...
O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que as mudanças na política de petróleo da Venezuela são um sinal de progresso na tentativa de atrair investimento estrangeiro, embora outras medidas ainda sejam necessárias.
“Está caminhando na direção certa”, disse Wirth ao programa Face the Nation, da CBS. “Ainda precisa de algum trabalho. Provavelmente não é o suficiente para atrair o nível de investimento que seria desejável. Mas acho que houve algum progresso.”
Wirth manifestou confiança na política venezuelana do governo Trump depois de os Estados Unidos derrubarem Nicolás Maduro em janeiro e Delcy Rodríguez assumir como presidente interina do país. Em poucas semanas após a prisão de Maduro, a Venezuela alterou sua antiga política nacionalista de petróleo na tentativa de atrair investidores.
Maduro foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro num ataque americano em larga escala sobre Caracas, e enviado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e corrupção.
Delcy Rodríguez, então vice-presidente, foi designada presidente interina pelo Tribunal Supremo de Justiça venezuelano e iniciou uma rápida liberalização econômica, com abertura ao investimento estrangeiro de petróleo, fim do controle cambial e retomada das relações com o FMI. Parte da comunidade internacional, incluindo a União Europeia, não reconhece a legitimidade do governo interino.
Um grupo de executivos do petróleo americano que se reuniu com Rodríguez em Caracas na semana passada pediu garantias de que a Venezuela é segura para investir, sinal de que o interesse das companhias dos EUA está se ampliando para além da Chevron e de outras gigantes, à medida que o presidente Donald Trump pede a retomada da produção venezuelana.
“Um aumento da produção lá melhoraria a confiabilidade e a oferta de energia nos Estados Unidos”, disse Wirth.
Mike Wirth, CEO da Chevron, no WSJ CEO Council Summit do mês passado. Foto: Sean T. Smith para o WSJ.
Ele afirmou ainda que a força de trabalho do petróleo na Venezuela está enxuta, com muitos profissionais qualificados perdidos para a emigração, o que faz com que qualquer recuperação em escala da indústria dependa do retorno desses expatriados, ponto também levantado pela líder da oposição María Corina Machado.
Wirth fez uma ressalva sobre a decisão do governo Trump, na semana passada, de invocar o Defense Production Act, lei que permite ao governo direcionar recursos federais a projetos de energia, num momento em que a Casa Branca enfrenta pressão para conter a alta dos custos de energia.
“Não dá para abrir a torneira da produção de uma hora para outra”, afirmou. “É preciso engenharia, cadeia de suprimentos, contratos, e mover e mobilizar trabalhadores.”
As ações da Intel estão a caminho de atingir seu maior nível histórico, impulsionadas por uma projeção de receitas que superou amplamente as expectativas de Wall Street e reforçou a confiança no processo de recuperação da fabricante de chips.
A companhia informou que espera faturar entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho. O número ficou bem acima da estimativa média de analistas, de cerca de US$ 13 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Com o anúncio, os papéis da empresa chegaram a subir até 31% no pré-mercado na sexta-feira, abrindo caminho para superar o pico registrado há cerca de 26 anos, durante a era da bolha pontocom. As ações já acumulavam alta de 81% no ano antes da divulgação do balanço.
Reestruturação
O otimismo do mercado reflete a percepção de que o CEO Lip-Bu Tan está avançando em seu plano de reestruturação, focado em reposicionar a Intel para se beneficiar da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.
Investimentos estratégicos realizados no ano passado ajudaram a reforçar o balanço da companhia, enquanto a gestão agora busca melhorar eficiência operacional e capacidade produtiva.
“Todos estão começando a direcionar pedidos para a Intel, e acho que estamos nos estágios iniciais disso”, disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital e investidor da empresa, à Bloomberg TV. “Passamos de um cenário de desânimo para euforia em um curto período de tempo.”
O avanço também reflete o impacto do crescimento da demanda por chips de data centers voltados a aplicações de IA. Segundo a empresa, há forte procura pelos processadores Xeon, usados em servidores, que voltaram ao centro da estratégia da Intel em meio à corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.
Em entrevista, Tan afirmou que a empresa teve um “resultado sólido” e que a demanda por processadores segue acelerando. No entanto, ele destacou que a Intel ainda enfrenta limitações de capacidade produtiva.
“Há uma demanda enorme. Estamos trabalhando muito para entregar, mas ainda estamos aquém porque a demanda continua crescendo”, afirmou.
A companhia também afirmou que está lidando com a escassez de chips de memória que afeta a indústria de PCs e servidores, o que tem pressionado a produção global de dispositivos.
Outro ponto de destaque foi o reforço do balanço financeiro por meio de investimentos externos. A Intel chegou a recomprar participação em uma fábrica na Irlanda que havia sido vendida anteriormente para levantar capital, movimento visto pelo mercado como sinal de confiança na retomada.
No campo estratégico, a empresa também ganhou atenção após declarações do CEO da Tesla, Elon Musk, indicando que poderá utilizar tecnologia da Intel em um projeto de fabricação de chips próprio.
Em termos financeiros, a Intel projeta lucro ajustado de cerca de 20 centavos por ação no segundo trimestre, acima da estimativa de 9 centavos do mercado. No primeiro trimestre, a receita subiu 7%, para US$ 13,6 bilhões, também acima das projeções.
Apesar da melhora recente, a empresa ainda enfrenta desafios para recuperar sua antiga posição dominante no setor de semicondutores, especialmente na corrida por chips de inteligência artificial, hoje liderada pela Nvidia.
“Hoje a Intel é uma empresa fundamentalmente diferente”, disse Tan. “A conversa deixou de ser sobre sobrevivência e passou a ser sobre a velocidade com que conseguimos ampliar capacidade e atender à demanda.”
A USA Rare Earth, empresa americana de terras raras listada na Nasdaq, concordou em adquirir a Serra Verde, mineradora brasileira, em uma transação que envolve dinheiro e ações, ampliando uma série recente de negócios no setor.
A empresa americana informou nesta segunda-feira (20) que pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de 126,8 milhões de ações para comprar a Serra Verde, que possui uma grande mina de terras raras no Brasil. A proposta avalia a companhia em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, segundo comunicado.
A transação, prevista para ser concluída no terceiro trimestre, ocorre em meio à corrida dos Estados Unidos e seus aliados para garantir fontes alternativas de terras raras — um mercado há muito dominado pela China. Esses minerais são usados em ímãs de alta potência aplicados em eletrônicos de consumo, automóveis e sistemas de defesa.
O Brasil detém as maiores reservas de terras raras fora da China, e a Serra Verde é atualmente a única produtora desses metais no país. Sua jazida de Pela Ema contém elementos de terras raras leves e pesadas, principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, essenciais para a fabricação de ímãs utilizados em uma ampla gama de aplicações.
A recente onda de negociações destaca um movimento global para expandir a capacidade de produção de terras raras após a China ter ameaçado, no ano passado, paralisações industriais ao restringir exportações. Em janeiro, a Energy Fuels, dos EUA, fez uma oferta de US$ 299 milhões pela Australian Strategic Materials para construir uma cadeia de suprimentos integrada “da mina ao metal” para esses recursos críticos.
Da mina ao imã
A combinação entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve viabilizar a primeira cadeia integrada de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia, reunindo ativos de mineração, separação, metalização e fabricação de ímãs nos Estados Unidos, no Brasil e em países aliados. A empresa combinada terá presença global, com operações também na Europa, incluindo França e Reino Unido.
A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024 e pretende elevar a produção anual para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o final do próximo ano. A companhia também avalia dobrar sua capacidade produtiva nos próximos quatro anos.
Como parte da estratégia, a empresa firmou um contrato de fornecimento de 15 anos para 100% da produção inicial com uma entidade apoiada por agências do governo dos EUA e capital privado. O acordo prevê preços mínimos garantidos para elementos críticos como disprósio e térbio, assegurando previsibilidade de receita e reduzindo riscos do projeto.
A Serra Verde também conta com um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), voltado à expansão e otimização das operações no Brasil, reforçando o apoio institucional dos EUA ao desenvolvimento de cadeias alternativas de terras raras fora da China.
A operação em Goiás produz um carbonato misto de terras raras (MREC), com alta concentração de elementos pesados, considerados mais escassos e estratégicos, como disprósio e térbio.
A mina é um “ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, os quatro principais elementos de terras raras magnéticas”, afirmou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton em comunicado.
Os preços dos chips da PepsiCo ficaram altos demais nos Estados Unidos. O Walmart vinha alertando a fabricante de Doritos, Lay’s, Cheetos e outros snacks populares sobre isso há mais de um ano. Executivos da PepsiCo também tinham ciência do problema, já que as vendas destes produtos estavam caindo. Alguns pacotes de chips custavam mais de US$ 7; no Walmart, o preço dos Doritos subiu quase 50% desde 2021, segundo dados da Attain, que acompanha gastos dos consumidores.
Mesmo quando o Walmart reduziu o espaço de prateleira dos salgadinhos em favor de suas marcas próprias mais baratas e de concorrentes como Takis, os preços não caíram. Somente em fevereiro, a PepsiCo anunciou que cortaria preços em até 15% em alguns snacks salgados. Até então, os snacks da Pespico já tinham perdido suas metas internas de receita por dois anos consecutivos, com déficit superior a US$ 1 bilhão, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Agora que a redução de preços começou, novos desafios surgem e podem reduzir o impacto esperado. Com a guerra no Irã elevando os preços do petróleo, consumidores sob maior pressão econômica podem não se sentir atraídos por descontos de menos de um dólar por pacote. Além disso, custos mais altos de alimentos e embalagens podem comprometer as margens da empresa, dependendo da duração do conflito.
Antes da guerra, os cortes de preços eram “provavelmente suficientes” para atrair clientes e aumentar a receita da PepsiCo, disse Nik Modi, co-chefe de pesquisa global de consumo e varejo do RBC Capital Markets. “Mas e agora?” Um porta-voz da PepsiCo se recusou a comentar a reportagem.
Cidades selecionadas
O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, disse em fevereiro que a empresa saberá até o verão se os cortes são “suficientes”. Testes em cidades selecionadas no ano passado já geraram aumento significativo de volume. Ao concordar em reduzir os preços, a empresa garantiu, em média, um aumento de dois dígitos no espaço de prateleira em grandes varejistas como Walmart, Costco e Target. A expectativa é que essas mudanças estejam totalmente implementadas até o final do mês.
Executivos da PepsiCo discutiam como lidar com os preços desde pelo menos 2024, quando a receita dos snacks ficou negativa, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Ninguém queria assumir a responsabilidade por uma queda de receita de curto prazo provocada por cortes de preço. A empresa tentou outras estratégias para atrair clientes: promoções, redução de quantidade nas embalagens. Nada funcionou.
Quando Rachel Ferdinando assumiu a divisão de alimentos dos EUA no início de 2025, constatou que os preços precisavam cair. Assim, a PepsiCo testou cortes de preços em mercados selecionados na segunda metade de 2025 e iniciou o plano de forma mais ampla no início de 2026.
Pressões externas aumentavam. As receitas que tinham crescido por 53 trimestres consecutivos, mais de 13 anos, começaram a cair. A PepsiCo perdia participação de mercado para marcas próprias mais baratas, enquanto concorrentes como Conagra Brands e General Mills já estavam reduzindo preços.
Reuniões com varejistas como Walmart, que queriam que a empresa resolvesse rapidamente a questão da acessibilidade, ficaram tensas.
Na sede da PepsiCo em Nova York, Laguarta também se preocupava com outras prioridades. Consumidores americanos buscavam cada vez mais opções mais saudáveis. Laguarta incentivou a empresa a investir mais em alimentos ricos em proteína e fibra, que geralmente custam mais que os chips. Ele também trabalhava na abertura de um restaurante com a marca Lay’s na Espanha.
Em setembro, com a ação da empresa caindo mais de 20% desde o pico de 2023, a Elliott Investment Management adquiriu participação de US$ 4 bilhões, com uma lista de exigências, incluindo tornar os produtos mais acessíveis.
No final do ano, a PepsiCo anunciou que reduziria preços em até 15% em alguns snacks, focando em pacotes maiores das marcas mais populares, incluindo Doritos e Cheetos. Laguarta descreveu os cortes como “muito cirúrgicos”. A empresa também implementou cortes de custos, incluindo demissões.
Com o valor de mercado da PepsiCo caído mais de US$ 50 bilhões desde 2023, os preços mais baixos começaram a aparecer nas lojas no início de 2026.
Em um Walmart em Washington, no final de março, pacotes de Cheetos eram exibidos em local de destaque, com um grande cartaz vermelho anunciando o preço promocional US$ 3,97, reduzido de US$ 4,43.
Lee Jones, aposentado, disse que não compra chips com frequência, mas colocou um pacote de Tostitos de milho azul orgânico no carrinho porque estava em promoção e identificado como orgânico. “O preço importa”, afirmou.
Em outro mercado em El Monte, Califórnia, pacotes de salgadinhos estavam com preços reduzidos. O dono, Amar Singh, disse que ainda não notou aumento nas vendas. Um grande pacote de Ruffles custava US$ 5,49, 80 centavos a menos. “As vendas caíram muito desde o ano passado”, disse, atribuindo não só aos preços altos, mas também a fatores como operações de imigração. “As pessoas simplesmente estão gastando menos.”
O mantra da divisão de snacks da PepsiCo era “Frito-Lay Five Forever”, com a meta de crescer 5% ao ano, como vinha acontecendo há décadas. A Lay’s era a galinha dos ovos de ouro da PepsiCo, gerando recursos para a divisão de bebidas. Diferente das marcas de refrigerantes, que competem com a Coca-Cola, a Lay’s domina o mercado de salgadinhos, controlando quase 60% do mercado americano, segundo o RBC Capital Markets.
Durante a pandemia, como outras empresas de alimentos, a PepsiCo aumentou preços para cobrir custos de cadeia de suprimentos e mão de obra. No início, consumidores com dinheiro do auxílio emergencial não se incomodaram. Mas aumentos modestos se tornaram significativos: até o terceiro trimestre de 2022, os preços líquidos subiram 20% em relação ao ano anterior.
O crescimento da receita disparou nos dois anos seguintes, e bônus internos aumentaram. “Os snacks são a joia da PepsiCo”, disse Laguarta em 2023, destacando que tinham as maiores margens. “Não importa o que aconteça com o consumidor, continuaremos sendo a escolha preferida.”
Mas os clientes começaram a recusar o alto preço dos pacotes de chips. “Reduzi um pouco as compras”, disse Denton Malcom, consultor de negócios em Washington, DC, que gosta de Doritos, Tostitos e Ruffles — mas não a qualquer preço.
Quando as vendas começaram a cair em 2023, funcionários alertaram que os preços estavam altos e aumentos muito frequentes. Mesmo assim, gerentes seniores não quiseram reduzir preços.
A PepsiCo tentou outras estratégias: pacotes menores, promoções, multi-packs mais baratos, novos produtos sem corantes artificiais e opções mais ricas em proteína e fibra, para atrair consumidores preocupados com saúde.
Em 2023 e 2024, Laguarta previu que o volume da Lay’s se recuperaria. “Testamos diferentes táticas para atender ao consumidor e vemos que está funcionando.”
Em 2024, a receita da divisão de snacks ficou negativa pela primeira vez em mais de uma década. A empresa perdia não só clientes, mas também espaço de prateleira, incluindo os pontos mais cobiçados. Alguns funcionários se incomodaram com pacotes custando mais de US$ 7.
Em 2025, a revisão de Ferdinando deixou claro que a PepsiCo precisava cortar preços. No segundo semestre de 2025, foram feitos testes, e em 2026 a redução começou a ser aplicada em maior escala.
Analistas afirmam que a empresa deveria ter cortado preços antes. “A PepsiCo, como muitas, assumia que os consumidores suportariam os aumentos e só agora entende a importância da ‘acessibilidade’ para o consumidor típico.”
Agora, a mensagem é que a PepsiCo está totalmente comprometida em oferecer valor. “Os consumidores deixaram claro: a acessibilidade nunca foi tão importante”, disse Ferdinando.
Em supermercados Safeway em Washington, DC, pacotes familiares de Doritos e Tostitos eram vendidos por até US$ 2,49, se comprados em múltiplos de três. Pacotes maiores, como Tostitos estilo restaurante, ainda custavam US$ 7,29.
O investidor ativista bilionário Bill Ackman propôs uma oferta pela Universal Music Group, avaliando a empresa em cerca de US$ 60 bilhões — mais uma tentativa de assumir a maior gravadora do mundo. A Universal Music reúne alguns dos maiores artistas do mundo, como Taylor Swift, Bad Bunny, The Beatles, Bob Dylan, Kendrick Lamar, Elton John, Coldplay e Billie Eilish. Ela é uma das “três grandes” gravadoras globais, ao lado da Warner Music e da Sony Music, com mais de 30% do mercado mundial de música gravada.
A gestora de Bill Ackman, a Pershing Square Capital Management, controla mais de 4,5% das ações da Universal Music, quer combinar a gravadora com a Pershing Square SPARC Holdings, um veículo de aquisição criado especificamente para essa operação. A nova empresa seria sediada em Nevada e transferiria sua listagem principal de Amsterdã para a Bolsa de Nova York.
O negócio, se aprovado, pode ser concluído até o fim do ano. Ackman afirmou que a transação avaliaria a Universal Music em €30,40 por ação (cerca de US$ 35,15), o que implicaria um valor superior a US$ 63 bilhões.
Os acionistas que aceitarem a proposta receberiam uma combinação de dinheiro e ações — incluindo €9,4 bilhões em caixa — podendo optar inclusive por receber tudo em dinheiro ou tudo em ações. Em alguns cenários, investidores poderiam receber até €22 por ação em dinheiro.
A operação também prevê o cancelamento de cerca de 17% das ações da empresa, o que reduziria o valor patrimonial para cerca de US$ 58 bilhões após os pagamentos em dinheiro. A estrutura depende de premissas como valorização futura das ações, aumento de lucros e mudanças no balanço, incluindo cerca de US$ 5,8 bilhões em nova dívida e a venda da participação na Spotify Technology SA por aproximadamente US$ 1,6 bilhão.
Ackman argumenta que a ação da Universal Music tem sido prejudicada por fatores não relacionados ao desempenho operacional do negócio musical e que poderiam ser resolvidos com a transação.
Entre os principais acionistas estão o bilionário francês Vincent Bolloré, a Vivendi e a Tencent Holdings, que juntos detêm participação relevante e poder de voto. A proposta exige aprovação de dois terços dos acionistas — o que pode ser um obstáculo importante.
As ações da Universal Music Group chegaram a subir cerca de 13%, para aproximadamente US$ 21, mas ainda permanecem bem abaixo da avaliação proposta por Ackman. O valor de mercado gira em torno de US$ 38 bilhões, pouco acima do preço de referência de cerca de US$ 20,00 na abertura de capital em 2021.
A empresa tem sede operacional em Santa Monica, nos EUA, e sede corporativa em Hilversum, na Holanda. Foi listada na Euronext Amsterdam em setembro de 2021 após ser desmembrada da Vivendi.
Taylor Swift Photographer: Terry Wyatt/Getty Images
Ackman já tenta investir na Universal Music desde 2021, quando tentou usar o veículo Pershing Square Tontine Holdings para adquirir uma participação, mas abandonou o plano após resistência de reguladores e investidores. Posteriormente, comprou cerca de 10% da empresa via seu hedge fund, integrou o conselho e depois deixou o cargo em 2025.
O veículo Pershing Square SPARC Holdings, utilizado na nova proposta, foi aprovado pela U.S. Securities and Exchange Commission (órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, equivalente à CVM no Brasil) em 2023 e funciona como uma alternativa aos SPACs tradicionais.
Diferentemente desses veículos, que captam recursos antes de definir uma empresa-alvo, o modelo SPARC permite que o investidor decida participar apenas depois que o negócio já foi identificado e estruturado, no caso, a aquisição da Universal Music Group, aumentando a transparência e reduzindo o risco para quem entra na operação.
Como parte do plano, Ackman também propôs um novo conselho de administração, incluindo Michael Ovitz, ex-presidente da The Walt Disney Company. Apesar do entusiasmo do investidor, analistas apontam que a aprovação depende fortemente do apoio dos principais acionistas, especialmente Bolloré e que, sem isso, a proposta pode não avançar.
Quem é Bill Ackman
Bill Ackman é um investidor bilionário americano e gestor de hedge funds conhecido por seu estilo ativista, no qual adquire participações relevantes em empresas para pressionar por mudanças estratégicas e destravar valor.
Fundador da Pershing Square Capital Management, ele ganhou notoriedade em Wall Street por apostas de alto impacto — tanto bem-sucedidas quanto controversas — e por seu envolvimento direto na gestão das companhias em que investe. Ao longo da carreira, Ackman se destacou por campanhas em empresas de grande porte e por sua disposição em assumir posições públicas firmes sobre governança e desempenho corporativo. Sua fortuna é estimada em cerca de US$ 8,5 bilhões em 2026, segundo o ranking Bloomberg Billionaires Index.
A Estée Lauder anunciou que está em conversas para comprar a Puig Brands em um acordo que criaria um gigante de cosméticos com cerca de US$ 20 bilhões em vendas anuais.
As empresas não divulgaram detalhes sobre os termos. A Puig, com sede na Espanha, tem valor de mercado de cerca de €10 bilhões ( US$11,6 bilhões).
Uma aquisição da empresa espanhola daria à Estée Lauder marcas de perfumes e moda bem conhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, ajudando-a a competir melhor com a maior empresa de cosméticos do mundo, L’Oréal SA.
Para a Puig, que gerou cerca de €5 bilhões (US$5,8 bilhões) em vendas no ano passado, a movimentação ocorre após desaceleração do crescimento e revisões para baixo nas estimativas de lucros, o que derrubou suas ações desde a oferta pública inicial (IPO) em 2024.
As ações da Puig dispararam até 17% na terça-feira em Madri, registrando a maior alta da história. Já as ações da Estée Lauder caíram 7,7% no fechamento de segunda-feira em Nova York.
“O potencial aquisição da Puig desviaria a Estée Lauder de seu curso”, disseram analistas do Barclays liderados por Lauren R. Lieberman, afirmando que a empresa com sede em Barcelona não se encaixa na reorganização da Estée Lauder, incluindo seu plano de focar em fragrâncias de luxo e nicho, que representam apenas cerca de 15% do portfólio da Puig.
As ações da Estée Lauder subiram no último ano com otimismo em relação à estratégia de recuperação sob o comando do CEO Stephane de la Faverie. Ainda assim, a orientação mais recente da empresa decepcionou os investidores. De la Faverie reconheceu que “há mais trabalho a ser feito” durante uma teleconferência com analistas.
A Puig também passou por grandes mudanças, recentemente anunciando um novo CEO. Marc Puig, membro da família fundadora, deixou o cargo de CEO, mantendo-se como presidente executivo, com foco em fusões e aquisições.
A Puig ainda é controlada pela terceira geração da família que criou a empresa há mais de um século.
As ações da empresa estavam 37% abaixo do preço da IPO no fechamento de segunda-feira. Os papéis foram impactados por decepções iniciais em lucros e preocupações de investidores com a exposição a fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita.
“Estamos surpresos que a família Puig abra mão da independência e do controle majoritário”, disse a analista do JPMorgan, Céline Pannuti, acrescentando que acredita que “interesse potencial de outros players da indústria poderia surgir”.
Segundo Regis Bégué, sócio da Zadig Asset Management, que detém cerca de 1% da empresa espanhola, os problemas da Puig vêm da falha em comunicar seus sucessos em um setor que tem sido fortemente impactado em toda a Europa.
Ainda assim, “uma combinação com a Estée Lauder seria um passo na direção que a empresa já estava seguindo”, disse ele. “Eles teriam participação na Estée Lauder, seja minoritária ou outra. Com o tempo, poderiam reduzir essa participação, facilitando o plano de sucessão da família.”
Riscos de Integração
A Estée Lauder possui um portfólio de cerca de duas dúzias de marcas de cosméticos, incluindo La Mer e The Ordinary. A adição da Puig, dona das marcas Byredo e Charlotte Tilbury, provavelmente levantaria questões de investidores e analistas sobre a capacidade da empresa de integrar efetivamente novas marcas, enquanto continua sua estratégia de recuperação.
“Com a Estée Lauder adicionando ainda mais marcas a um portfólio já grande, acreditamos que isso poderia gerar ainda mais complexidade para a organização, que vem tentando simplificar operações e portfólio”, disseram os analistas do Barclays liderados por Lieberman.
De la Faverie tem focado em transferir a venda das marcas para canais online de crescimento mais rápido, como a Amazon.com, que a empresa havia evitado por anos devido a preocupações de que isso prejudicaria sua imagem premium. A companhia também vem vendendo produtos de preço mais baixo, em parte para atrair uma geração mais jovem de consumidores.
Em função de uma experiência anterior, o CEO supervisionou a enorme divisão de fragrâncias da Estée Lauder, que teve bom desempenho em meio ao aumento da demanda pós-pandemia. O potencial acordo para adquirir a Puig provavelmente aposta na continuidade da força desses produtos.
O negócio também permitiria que a Estée Lauder enfrentasse a L’Oréal, que a superou nos EUA. A L’Oréal foi mais rápida em aproveitar o boom pós-pandemia de produtos dermatológicos, com marcas como CeraVe.
O Financial Times publicou informações sobre o potencial negócio na segunda-feira.
A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.
A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.
O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.
As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.
A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.
Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.
A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.
A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.
Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.
“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.
Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.
A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.
Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.
A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).
A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.
Origem da empresa
A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.
Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.
Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.
O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.
Desde que assumiu o comando da Domino’s Pizza Enterprises em julho passado, o bilionário do fast-food Jack Cowin, de 83 anos, reformulou uma estratégia de crescimento a qualquer custo que havia pressionado os lucros e feito as ações da empresa despencarem. Os investidores ainda não estão convencidos de que a mudança está funcionando.
A reestruturação de Cowin foca em reverter a dependência da rede australiana de pizzarias de descontos, cupons e promoções “compre mais e pague menos”. Em vez disso, ele está cortando custos e promovendo um cardápio mais simples, com pizzas de preço mais alto. O objetivo é gerar vendas mais lucrativas para os centenas de franqueados da Domino’s, dos quais a empresa depende.
Em entrevista em seu escritório em Sydney, Cowin afirmou que as vendas nas mesmas lojas — um indicador-chave acompanhado pelos analistas — vinham crescendo na Austrália nas duas semanas desde a última atualização da empresa, em 25 de fevereiro. Enquanto outros mercados do grupo Domino’s, incluindo Alemanha, França e Japão, estão em diferentes estágios da recuperação, Cowin disse que sua reestruturação já foi amplamente implementada.
“Se você consegue ter vendas lucrativas em vez de descontadas, os franqueados ganham mais dinheiro”, disse ele. “É isso que está avançando.”
Reviravolta estratégica
Para a Domino’s, a mudança de Cowin representa uma reviravolta estratégica. Por anos, a empresa priorizou as vendas acima de quase tudo, saturando bairros com lojas e promoções de pizza para manter o caixa ativo. Cowin quer ocupar um meio-termo mais lucrativo para enfrentar o aumento de custos e a concorrência de plataformas de entrega de fast-food.
Dados de um teste recente em lojas da Domino’s na Austrália Ocidental, que introduziu o novo modelo de preços, indicaram que cerca de 10% dos clientes — os mais sensíveis a preço — deixaram de comprar pizzas. Porém, os lucros nessas lojas aumentaram, afirmou Cowin.
O mercado ainda não abraçou a visão de Cowin. As ações da Domino’s caíram quase 90% desde o pico em 2021, quando a pandemia da Covid-19 levou a um aumento na demanda por delivery. Na atualização de 25 de fevereiro, a empresa informou que as vendas nas mesmas lojas nos primeiros oito semanas deste ano caíram 7,2%, e suas ações despencaram 11% naquele dia.
Investidores exigem mais evidências de que as vendas nas mesmas lojas estão crescendo e proporcionando melhorias significativas na lucratividade para os franqueados, disse Craig Woolford, analista da MST Financial Services Pty, com sede em Sydney.
“No momento, não estamos vendo esses resultados”, afirmou Woolford, que mantém avaliação de manutenção para as ações da Domino’s. “A teoria é muito plausível, mas a realidade muitas vezes é mais desafiadora.”
Loja da Domino’s em Sydney, na Austrália (Bloomberg)
No ano passado, um franqueado da Domino’s normalmente ganhou US$ 73.400 por loja, acima dos US$ 70.700) do ano anterior, mostram documentos da empresa. Ainda assim, isso está bem abaixo dos US$ 116.000 registrados durante a pandemia em 2021. Woolford disse que uma meta mais sustentável seria cerca de US$ 92.500.
Desde que Cowin assumiu como presidente executivo em julho, as ações da rede de pizzarias caíram cerca de 10%, deixando a Domino’s avaliada em apenas US$ 1,2 bilhão.
Fast-food
Fatores econômicos mais amplos também pressionam o fast-food. As taxas de juros começaram a subir novamente, aumentando a pressão sobre o custo de vida, e a guerra no Irã ameaça elevar os preços ao consumidor. A concorrência também está crescendo, e até lojas de conveniência 7-Eleven vendem pizzas e frango frito na tentativa de se tornarem destinos rápidos de comida.
A Domino’s é a segunda empresa mais vendida a descoberto no índice de referência da Austrália, com quase 22% de seu free float nas mãos de investidores apostando na queda das ações. Em sinal de pessimismo do mercado sobre o setor, a rede de burritos Guzman y Gomez Ltd. é a ação mais vendida a descoberto no índice, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Quem é o bilionário
Cowin, um magnata do setor de alimentos e bebidas autodidata, nasceu em Windsor, Canadá, e vendeu seguros em Toronto antes de se mudar para a Austrália no final dos 20 anos. Ele abriu sua primeira loja do Kentucky Fried Chicken em 1969 com dinheiro emprestado de 30 investidores canadenses.
Cowin é o maior acionista da Domino’s Pizza Enterprises, o maior franqueado da Domino’s fora dos EUA. Ele também é dono da rede Hungry Jack’s, que detém a franquia master do Burger King na Austrália. Cowin tem um patrimônio líquido de US$ 3,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
Andrew Gregory, veterano do McDonald’s, assumirá como novo CEO da Domino’s Pizza Enterprises em julho. Cowin disse que está feliz em dar a Gregory autonomia para tomar suas próprias decisões, mas não planeja se afastar. Ele se inspira no aparentemente atemporal frontman dos Rolling Stones.
Jack Cowin – Fotógrafo: Brent Lewin/Bloomberg
“Tenho a mesma idade que Mick Jagger e já fui a shows em que o vi tocar por três horas sem parar”, disse. “Enquanto você puder continuar aparecendo, por que não fazer coisas que gosta?”
Se houver algo, Cowin se aprofunda nos detalhes da Domino’s. Para ter uma visão mais clara da reviravolta, ele exige relatórios diários de vendas, em vez de semanais, acompanhando a frequência das atualizações que recebe da Hungry Jack’s.
Cowin aponta os negócios da Domino’s na Alemanha e no Benelux — união econômica da Bélgica, Holanda e Luxemburgo — como prova dos lucros que podem ser obtidos sem descontos e cupons. “Eles não tinham aquela ‘heroína’ nas veias”, disse. “Tiveram um negócio muito mais constante sem depender de preço.”
O lucro operacional da Domino’s na Europa saltou 23% no segundo semestre de 2025.
Impactos da guerra
A guerra no Irã, que abalou os mercados de energia, pode complicar a recuperação de Cowin. Preços mais altos de combustível tornarão mais caro distribuir alimentos e ingredientes às lojas. A escassez de gasolina seria uma ameaça ainda maior.
“É um risco, mas não há muito o que possamos fazer”, disse. “Se faltar combustível, não estaremos sozinhos.” No fim, os custos mais altos, incluindo inflação de alimentos, seriam repassados principalmente aos clientes, afirmou.
A Domino’s está melhor preparada para lidar com o aumento de custos do que há um ano, segundo Cowin. Seu plano de recuperação elimina cerca de A$ 100 milhões (US$ 71,200 milhões) em despesas com alimentos, tecnologia e outros itens.
E cortar gastos é algo familiar para ele. Cowin cresceu em uma casa de dois quartos, seus pais em um quarto, e ele e a irmã no outro. Quando seu tio voltava do turno noturno na Ford Motor Co., assumia o beliche de baixo. “A cama nunca ficava vazia”, disse Cowin.
Uma lição-chave desse período frugal: “Não desperdice dinheiro”, afirmou Cowin.
Lionel Messi, astro do futebol argentino, recebe entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões por ano do Inter Miami CF quando são considerados direitos de participação societária e remuneração como jogador, segundo o dono do clube, Jorge Mas.
Messi, de 38 anos, assinou um novo contrato de três anos com o Inter Miami no ano passado, o que deve mantê-lo no clube — a franquia mais valiosa da Major League Soccer — até os 40 anos. Os termos completos do acordo não foram divulgados, mas espera-se que ele se torne sócio do clube quando encerrar a carreira, dado o formato das negociações desde sua chegada em 2023.
Para pagar um dos maiores jogadores da história — além de outros veteranos como Luis Suárez e Rodrigo De Paul —, mas depende fortemente de patrocínios e acordos comerciais, que representam cerca de 55% da receita do clube.
Já direitos de mídia, que são uma fonte essencial para muitas franquias esportivas, representam apenas 2% das receitas do Inter Miami, segundo o dirigente.
“A razão pela qual preciso ter patrocinadores — e que eles sejam de classe mundial — é que jogadores são caros”, disse Mas em entrevista nesta semana. “Eu pago Messi — e vale cada centavo —, mas isso custa de US$ 70 milhões a US$ 80 milhões por ano. Somando tudo.”
Mas não detalhou como o contrato de Messi é estruturado nem como os custos anuais são calculados. Ainda assim, o argentino é o segundo jogador de futebol mais bem pago do mundo, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, que tem contrato estimado em mais de US$ 400 milhões com o Al‑Nassr FC, da Arábia Saudita.
Mas, empresário de 63 anos baseado em Miami, construiu sua carreira na empresa familiar de construção e desenvolvimento imobiliário MasTec Inc. A companhia listada em bolsa, especializada em infraestrutura de energia e telecomunicações, vale cerca de US$ 23 bilhões.
Nubank
Seu movimento mais recente foi fechar uma parceria de vários anos com a fintech brasileira Nu Holdings. O novo estádio do Inter Miami, que será inaugurado em abril, se chamará Nu Stadium, e o logotipo da empresa aparecerá nas costas das camisas do time a partir de agosto.
O empresário, que controla o clube ao lado do irmão Jose Mas e do ex-astro do futebol inglês David Beckham, disse que não vê necessariamente outros times da MLS como concorrentes fora de campo, mas sim os grandes clubes europeus na disputa por talentos.
Os investimentos pesados no Inter Miami já começaram a gerar resultados esportivos. O clube conquistou sua primeira MLS Cup na última temporada e celebrou o título na quinta-feira na Casa Branca ao lado do presidente Donald Trump.
Em 2022, a Apple fechou um acordo de US$ 2,5 bilhões por 10 anos para garantir os direitos globais exclusivos de transmissão da MLS nos Estados Unidos. No entanto, o contrato foi revisado recentemente e agora terminará ao fim da temporada 2028-29.
Mas recomenda que outros proprietários de clubes foquem mais em patrocínios e acordos de marca do que em receitas de mídia por enquanto.
“Use esse ecossistema para seus patrocinadores, para os patrocinadores que já trabalham com seus times e para gerar valor”, disse Mas. “As pessoas não pensam assim. Eu penso. Porque a avaliação do meu time se baseia nisso. O dinheiro da mídia não muda isso.”
O valor do Inter Miami subiu 22% em 2025, alcançando US$ 1,45 bilhão, o que o tornou o clube mais valioso da MLS, segundo a Sportico.
Ainda não está claro o que acontecerá quando a chamada “Messimania” perder força e Mas e seus parceiros precisarem encontrar o próximo grande astro para atrair torcedores ao estádio e impulsionar as vendas de produtos.
Mas, diz aceitar o desafio.
“Eu transformei a MLS. Alguns criticam, outros elogiam. Eu conduzo o barco porque acredito que precisamos mudar muitas coisas”, afirmou. “Você não pode ter medo da mudança. Para prosperar e ter sucesso, é preciso fazer as coisas de forma diferente.”
O Inter Miami, time do astro Lionel Messi, assinou um acordo com a Nu Holdings que concede à gigante de tecnologia financeira os direitos de naming rights do novo estádio da equipe, além de espaço nas famosas camisas rosas do clube.
O contrato plurianual dá ao Nu uma posição de destaque em seus planos de expansão nos Estados Unidos, com Miami servindo como sua sede no país. Fundada no Brasil em 2013, a empresa cresceu para cerca de 130 milhões de clientes em três países da América Latina e aguarda sua licença bancária nos EUA.
Os direitos de naming devem impulsionar o avanço na “construção de marca nos Estados Unidos”, que é o maior desafio do Nu, afirmou Cristina Junqueira, cofundadora da fintech e CEO da operação americana.
A nova casa do Inter Miami, com capacidade para 26.700 torcedores e localizada próxima do Aeroporto Internacional de Miami, passará a se chamar Nu Stadium.
Miami Freedom Park
A parceria também se estenderá ao empreendimento comercial e de varejo ao redor, conhecido como Miami Freedom Park. O distrito empresarial e de entretenimento contará ainda com prédios de escritórios que poderão futuramente abrigar funcionários do Nu, segundo Junqueira.
Os termos financeiros do acordo não foram divulgados. O proprietário do Inter Miami, Jorge Mas, classificou o contrato como “uma das parcerias mais significativas da história das cinco principais ligas esportivas dos Estados Unidos”.
Mas afirmou ter recebido diversas propostas para o novo estádio, que será a casa do clube de futebol mais valioso dos EUA. O acordo com o Nu, sediado em São Paulo, vai muito além do nome do estádio, disse ele.
“Estou em uma cidade hispânica, sou um time global e quero fazer algo com uma empresa global”, afirmou. “Não é apenas um contrato de naming rights. Não é apenas um acordo de camisa. É uma parceria de verdade.”
O estádio será inaugurado em 4 de abril, na partida do Inter Miami contra o Austin FC. O local também receberá shows, eventos corporativos e privados, além de outras competições esportivas, segundo comunicado.
Além do estádio, o logotipo do Nu aparecerá nas costas das camisas do Inter Miami a partir de agosto. A camisa rosa número 10 de Messi está entre as mais vendidas do futebol mundial. O Inter Miami conquistou seu primeiro título da Major League Soccer em 2025.
A fintech também operará o Nu Club, uma área premium de hospitalidade com um túnel de vidro que permite ver os jogadores caminhando entre o vestiário e o campo. Já a Nu Plaza funcionará como um “hub comunitário” para sediar eventos da marca dentro do distrito comercial.
O Nu, avaliado em US$ 72 bilhões, atua no Brasil, México e Colômbia. O futebol é extremamente popular nos três países, e a camisa de Messi é presença constante em lojas e nas ruas, afirmou Junqueira.
“A conversa começou por causa do estádio. Depois veio a camisa e também as oportunidades dentro do distrito”, disse. “Miami é o principal destino dos nossos clientes.”
O JPMorgan Chase & Co. detinha os direitos de naming do antigo estádio do Inter Miami, em Fort Lauderdale, na Flórida. Já a Inter & Co. possui os direitos do estádio do Orlando City SC, na Flórida Central.
Com os direitos de mídia representando uma parcela pequena da receita do Inter Miami, fechar parcerias e contratos de patrocínio com as marcas certas é a parte mais importante da estratégia, disse Mas. O clube, que tem David Beckham como sócio, está avaliado em cerca de US$ 1,45 bilhão, segundo a Sportico.
“Patrocinadores são a linha de vida do nosso clube e estou tentando construir algo que agregue valor”, afirmou Mas. “Todos vão saber o que é o Nu Stadium.”