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Bitcoin sustenta os US$ 71 mil com trégua no Oriente Médio

O bitcoin (BTC) opera em leve alta na manhã desta terça-feira (24), sustentado pela trégua de cinco dias no conflito no Oriente Médio, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“O movimento reflete a retirada de parte do prêmio de risco geopolítico que vinha pressionando os preços”, escreveu Jasper de Maere, estrategista de mesa e trader OTC da Wintermute, em relatório desta semana.

Por volta das 9h15, o bitcoin era negociado na faixa dos US$ 71 mil, com valorização de 0,78% nas últimas 24 horas. No acumulado da semana, no entanto, a criptomoeda ainda registra queda de cerca de 4%.

Entre as principais altcoins – termo usado para criptos que não o BTC – o desempenho é misto. O ethereum (ETH) recuava 0,27%, para US$ 2.173,22, enquanto a solana (SOL) avançava 2,22%, negociada a US$ 91,34.

A dinâmica geopolítica no Oriente Médio, segundo analistas, deve continuar ditando o ritmo dos mercados – não só de cripto, mas também dos ativos tradicionais – ao lado de fatores como inflação e juros nos Estados Unidos.

Uma eventual normalização, ainda que parcial, do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz tende a aliviar as pressões inflacionárias, alegam. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) ganharia mais margem para considerar cortes de juros – cenário que costuma favorecer ativos de risco, como as criptomoedas.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h15.

Bitcoin (BTC):  +0,78%, US$ 71.280,62

Ethereum (ETH): -0,27%, US$ 2.173,22

XRP (XRP): -0,06%, US$ 1,42

BNB (BNB): -0,66%, US$ 639,70

Solana (SOL): +2,22%, US$ 91,34

Outros destaques do mercado cripto

Brasileiros injetam US$ 1,3 mi em fundos cripto. Os investidores brazucas colocaram US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 6,8 milhões) em fundos de criptomoedas na última semana. No acumulado de março, a entrada nesses produtos já chega a US$ 5,7 milhões (quase R$ 30 milhões). O movimento local acompanhou o ritmo global. No mundo todo, os fundos cripto captaram US$ 230 milhões (R$ 1,2 bilhão) só na última semana e US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões) nos últimos 30 dias.

Brasil vira vitrine cripto. O mercado internacional de cripto está cada vez mais atento ao Brasil – e isso ficou mais claro recentemente. A Crypto Finance, braço de ativos digitais da Deutsche Börse, desembarcou no país neste ano após demanda direta de clientes – não só pelo mercado local, mas também como porta de entrada para a América Latina. Na visão do CEO, Stijn Vander Straeten, o ambiente brasileiro já figura entre os mais avançados do setor, tanto em adoção quanto em desenvolvimento de infraestrutura.

R$ 8,5 bi em stablecoins no mês. Março ainda não acabou, mas os brasileiros já movimentaram cerca de R$ 8,5 bilhões em stablecoins atreladas ao dólar. A USDT segue absoluta: responde por R$ 7,8 bilhões desse total. Na sequência aparece a USDC, com R$ 751 milhões negociados no período. Os números reforçam a preferência local por ativos dolarizados dentro do universo cripto. O volume de bitcoin (BTC), para efeito de comparação, foi de R$ 3,32 bilhões.

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Stablecoins de real passam de R$ 500 milhões, mas ainda engatinham frente às criptos de dólar

As stablecoins de real seguem em expansão no Brasil. Os emissores desses tokens atrelados à moeda brasileira já colocaram no mercado cerca de R$ 530 milhões, segundo dados da plataforma RWA Monitor, que acompanha seis projetos do tipo.

Vale o lembrete: stablecoins são criptomoedas pareadas a ativos tradicionais – como dólar, euro ou o próprio real – geralmente numa relação de 1 para 1. Na prática, funcionam como uma versão digital dessas moedas.

Entre as brasileiras, a BRLV lidera, somando R$ 221,8 milhões emitidos. Logo atrás vem a BRLY, com R$ 220 milhões. Depois aparecem a BRLA, com R$ 88,7 milhões, e a BRL1, ainda bem menor, com quase R$ 6 milhões. Veja o gráfico abaixo.



Esse mercado não surgiu agora. Ao longo de 2025, o uso dessas criptos já movimentou cerca de R$ 20 bilhões.

E tem mais vindo por aí: nos últimos meses, a B3 e o ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon, divulgaram que novos tokens atrelados ao real vão entrar em cena neste ano.

Ainda assim, vale colocar em perspectiva: o mercado brasileiro segue minúsculo perto das stablecoins em dólar. Juntas, USDT e USDC (as duas maiores do setor) somam cerca de US$ 264 bilhões em valor de mercado – algo equivalente a duas Petrobras.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h25.

Bitcoin (BTC):  +1,22%, US$ 70.579,62

Ethereum (ETH): -0,58%, US$ 2.146,22

XRP (XRP): -0,09%, US$ 1,45

BNB (BNB): -0,14%, US$ 643,70

Solana (SOL): +20,20%, US$ 89,34

Outros destaques do mercado cripto

Cripto turbina tesouraria. A Méliuz, plataforma brasileira de cashback e cupons que mantém parte da tesouraria em bitcoin, divulgou ontem o balanço do 4º trimestre de 2025. O resultado animou o mercado – e o papel fechou com alta de 11%. Além dos números, a empresa deu um recado claro: quer avançar na criação de produtos que conectem investidores ao universo cripto.

Impasses na lei cripto. O projeto que cria regras para o mercado de criptomoedas nos EUA, o Clarity Act, segue naquele “quase vai” há semanas – e ainda não destravou. Republicanos se reuniram na quinta para tentar fechar os últimos pontos que devem definir como o setor será regulado. A novela continua girando em torno de recompensas de stablecoins (uma espécie de “rendimento” em cripto), algo que os bancos não curtem nada.

De olho no ouro tokenizado. O World Gold Council, organização que atua para promover o metal, quer dar um upgrade no mercado de ouro tokenizado – e, de quebra, ganhar espaço no mundo cripto. Em parceria com o Boston Consulting Group, a entidade propôs um modelo chamado “Gold as a Service”, que cria uma espécie de infraestrutura compartilhada para lastrear tokens em ouro físico.

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Stablecoins: cripto dólar USDC supera USDT em volume “real” pela primeira vez desde 2019

A stablecoin de dólar USDC, emitida pela empresa americana Circle, movimentou US$ 2,2 trilhões em volume ajustado de transações em 2026, contra US$ 1,3 trilhão da USDT, da Tether, segundo nota do banco japonês Mizuho divulgada pelo portal especializado CoinDesk. É a primeira vez que isso acontece desde 2019.

Essa métrica de volume ajustado de transações tenta medir apenas o uso econômico real dessas moedas digitais – como pagamentos, transferências internacionais e integração com serviços financeiros – deixando de fora movimentações automáticas ou puramente técnicas da rede.

As stablecoins, vale sempre lembrar, são criptomoedas que acompanham o valor de outros ativos, como dólar, real ou ouro. No caso das versões atreladas à moeda americana, cada token costuma manter paridade de 1 para 1 com o dólar.

O avanço da USDC também animou investidores com a Circle. Após os dados, o banco japonês elevou o preço-alvo das ações da empresa de US$ 100 para US$ 120. Nos últimos cinco dias, os papéis da companhia subiram cerca de 12%, para US$ 115, acumulando alta de 95% nos últimos 30 dias.

USDT se mantém na liderança

Apesar do avanço da USDC no uso real, a USDT segue líder em valor de mercado. O token da Tether responde por cerca de 57% dos US$ 321 bilhões que hoje circulam nesse setor. A USDC aparece em segundo lugar, com pouco menos de 25%.

O volume total de USDT – considerando todas as movimentações, e não apenas o volume ajustado – também é maior. E o cenário no Brasil mostra isso. Nos últimos 15 dias, brasileiros movimentaram cerca de R$ 5,1 bilhões nessa stablecoin, contra pouco mais de R$ 500 milhões em USDC, segundo dados da plataforma Índice Biscoint.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +3,64%, US$ 73.689,33

Ethereum (ETH): +7,95%, US$ 2.286,22

XRP (XRP): +4,01%, US$ 1,47

BNB (BNB): +2,69%, US$ 678,70

Solana (SOL): +6,27%, US$ 93,98

Outros destaques do mercado cripto

Tesouraria cripto brazuca ganha fôlego. A recente alta do bitcoin chegou à bolsa. As ações da OranjeBTC, considerada a maior tesouraria cripto do Brasil, subiram 11% nos últimos 30 dias, para R$ 7,14. No mesmo período, o BTC avançou cerca de 6%. Apesar do fôlego recente, o papel ainda está cerca de 70% abaixo dos R$ 24 registrados quando a empresa abriu capital, em outubro do ano passado.

Escândalo cripto na Argentina. Está rolando um baita bafafá na Argentina. O jornal Clarín, um dos maiores do país, revelou a existência de um suposto acordo de US$ 5 milhões ligado ao apoio do presidente Javier Milei à criptomoeda Libra. Esse token foi lançado no início de 2025 e chegou a ser promovido pelo político. Depois, porém, despencou de preço, deixando um monte de investidores no prejuízo.

Corretora americana pede recuperação judicial. A situação apertou para a corretora institucional de cripto Blockfills, sediada em Chicago (EUA). A empresa entrou com pedido de recuperação judicial depois de acumular perdas de cerca de US$ 75 milhões e enfrentar problemas de liquidez. A firma tem entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em ativos, contra passivos que podem chegar a US$ 500 milhões. A companhia já havia suspendido saques em fevereiro e ainda enfrenta um processo por suposto uso indevido de ativos de clientes.

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Às vésperas de cortes de juros, Ibovespa ainda tem espaço para subir? O que diz a história

Apesar do impacto global da guerra sobre o preço do petróleo e potencialmente sobre a inflação, a expectativa de corte de juros na próxima semana segue firme no Brasil – ainda que um pouco menor do que há algumas semanas. E isso costuma ser uma boa notícia para o Ibovespa.

Historicamente, ações tendem a atrair mais capital em períodos de queda da Selic. Parte desse movimento já foi precificado: o índice da B3 subiu cerca de 25% nos últimos seis meses e 45% em um ano, para os 180 mil pontos (com ajuda importante do capital estrangeiro, vale lembrar).

Ainda assim, pode haver espaço para novas altas – ao menos se o histórico, as projeções e a visão de especialistas servirem de guia para o comportamento dos preços das ações, com a sempre necessária ressalva de que performance no passado não é garantia de retorno no futuro.

O que diz o histórico

Depois dos últimos cinco inícios de ciclos de cortes de juros no Brasil – em setembro de 2005, janeiro de 2009, setembro de 2011, outubro de 2016 e agosto de 2023 -, o Ibovespa, na maioria das vezes, já havia iniciado um movimento de valorização antes mesmo do primeiro corte, algo parecido com o que acontece agora e esperado, dado que investidores costumam se antecipar a tais pontos de inflexão. Mas o movimento não parou por aí.

Em boa parte dos ciclos acima mencionados, a bolsa continuou a subir nos seis e nos doze meses seguintes ao início do ciclo de queda da Selic, segundo um levantamento da Rico ao qual o InvestNews teve acesso.

Em 2005, por exemplo, o Ibovespa avançou quase 28% nos seis meses seguintes e 23,17% em um ano. Em 2009, a alta foi ainda mais expressiva: 40,48% em seis meses e 74,75% em 12 meses.

Veja o desempenho na tabela abaixo:



Há diferentes razões para essa correlação.

Juros menores reduzem o custo de capital para empresas, aumentam o valor presente dos fluxos de caixa futuros das mesmas, estimulam o consumo e os investimentos produtivos e, portanto, ampliam as perspectivas de crescimento dos negócios e, consequentemente, dos lucros.

Na outra ponta, a da demanda, taxas de juros mais baixas aumentam a disposição de investidores para assumir risco na renda variável em detrimento da segurança da renda fixa – que passa a ficar menos atrativa nessa comparação com o mercado de ações.

Ou seja: olhando apenas para o histórico, ainda não seria tarde para o Ibovespa subir mais.

Mas, claro, os juros não contam toda a história – e cada ciclo de relaxamento monetário tem suas próprias características.

O ciclo de 2005, por exemplo, ocorreu em um ambiente macroeconômico bastante favorável: inflação em queda, um longo ciclo de redução da Selic (de 19,75% para 11,25% ao ano até 2008), crescimento econômico forte e um boom global de commodities.

Já o ciclo iniciado em 2009 foi impulsionado pelo contexto de recuperação após a crise financeira global de 2008, que havia derrubado os preços dos ativos de forma considerada exagerada. A pergunta agora é: com tudo o que está acontece agora, algo parecido pode acontecer novamente?

Por que analistas veem espaço para alta

Para parte dos analistas, sim, ainda há espaço para valorização da bolsa.

O primeiro fator é o próprio ciclo de queda da Selic. Segundo o último boletim Focus, a expectativa consensual de economistas do mercado brasileiro é que a taxa básica possa cair dos atuais 15% ao ano para cerca de 12% até o fim do ano.

“O investidor está em busca de fatores que lhe tragam esperança de melhora do ambiente econômico. Assim, um eventual novo ciclo poderia endereçar a questão fiscal (um problema no Brasil), o que levaria a uma significativa reprecificação dos ativos”, disse Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos, em referência ao menor gasto do governo com juros da dívida pública.

Outro ponto importante a ser levado em consideração é o cenário internacional.

Diante da continuidade das incertezas sobre a economia americana no governo de Donald Trump, com subsequente enfraquecimento do dólar, uma fração do capital global continua a migrar para mercados emergentes. E o Brasil segue como um dos principais destinos para capturar parte desse fluxo.

Só neste ano, a B3 já recebeu cerca de R$ 44 bilhões de investidores estrangeiros. Como o mercado acionário brasileiro é relativamente pequeno, movimentos de entrada de capital costumam ter impacto significativo nos preços.

Quais setores tendem a se beneficiar

Os setores cujos negócios são mais sensíveis aos juros costumam ser os principais beneficiados quando a Selic começa a cair. Entre eles estão:

  • Varejo
  • Construção civil
  • Small caps em geral
  • Empresas mais alavancadas (dívida sobre o lucro operacional)
  • Companhias ligadas ao consumo doméstico
  • Bancos médios – caso o ciclo de cortes seja consistente.

Nos ciclos anteriores, alguns setores reagiram com ainda mais força do que o próprio Ibovespa. No varejo, por exemplo, as ações chegaram a subir até 108% seis meses após o início dos cortes e até 160% em 12 meses. A relação é direta: com juros menores, o crédito fica mais barato, os valores das parcelas caem e o consumo tende a ganhar fôlego junto à população.

Veja abaixo o desempenho de ações de varejistas:



Na construção civil, o movimento costuma ser igualmente intenso.

Em ciclos passados, ações do setor chegaram a avançar quase 166% em seis meses e 246% em um ano. Isso acontece porque o mercado imobiliário é muito sensível à taxa de juros. Quando o custo do financiamento cai, mais pessoas conseguem tomar crédito para comprar imóveis – e isso dá um gás extra para vendas, lançamentos e expectativas de receita de incorporadoras.

Veja abaixo o desempenho de ações do setor de construção:

Outros pontos a serem considerados

É importante destacar que o comportamento da bolsa não depende apenas da política monetária brasileira. O cenário externo continua sendo um fator relevante – a favor e contra.

As tensões no Oriente Médio com os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã elevaram o preço do petróleo para a casa de US$ 100 e realimentaram temores inflacionários mundo afora, o que pode pressionar juros e reduzir o fluxo de capital para mercados emergentes diante do sentimento de aversão a risco.

E tem o campo doméstico também, em que o principal ponto de atenção continua sendo o quadro fiscal e a sustentabilidade da trajetória da dívida pública – ou seja, a capacidade de o governo honrar com os seus compromissos de longo prazo, segundo a visão consensual de mercado.

“O mercado acompanha de perto a trajetória da dívida pública, o compromisso com metas fiscais e o ambiente político, principalmente com a proximidade de eventos eleitorais. Qualquer sinal de deterioração pode limitar o impacto positivo da queda da Selic, mesmo em um cenário de juros menores”, disse Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos

Mas, afinal, vale entra agora?

Diante de todo esse contexto de prós e contras, para investidores que ainda não têm exposição à bolsa, entrar agora pode fazer sentido – mas de forma estratégica -, segundo Rios.

“Historicamente, esperar a confirmação do ciclo de queda pode significar perder parte do movimento de alta, mas isso não significa que o mercado vai subir em linha reta”, explicou.

Segundo ele, a abordagem mais prudente para o investidor é entrar de forma gradual, priorizando setores sensíveis a juros e empresas que tenham boa geração de caixa.

Para Boselli, da Rio Bravo Investimentos, o valuation das empresas brasileiras – métrica usada pelo mercado para estimar o valor justo de uma companhia – está chamando a atenção de forma positiva neste momento. “Sob essa ótica, as ações brasileiras estão muito atrativas”, disse.

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Bitcoin caminha para melhor semana desde setembro; memecoin de Trump sobe 50%

O conflito no Irã continua no radar dos mercados, mas o bitcoin (BTC) tem conseguido navegar relativamente bem em meio ao ambiente de tensão. Na manhã desta sexta-feira (13), a criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 72 mil, com alta de quase 3% nas últimas 24 horas.

Se mantiver o ritmo e nenhum novo fator negativo surgir no radar, o ativo digital caminha para um ganho semanal próximo de 10% – algo que não acontece desde setembro do ano passado, segundo dados da plataforma CoinGlass.

O movimento sugere, segundo analistas, que parte dos investidores pode estar voltando a enxergar o bitcoin como um ativo de diversificação em momentos de incerteza macroeconômica. Além disso, a criptomoeda parece atravessar uma fase de consolidação de preços, após períodos recentes de maior volatilidade.

“O BTC tem demonstrado resiliência em meio ao aumento da volatilidade global e continua se beneficiando da narrativa de ativo alternativo em cenários de instabilidade geopolítica”, falou André Franco, CEO da Boost Research.

No curto prazo, porém, a expectativa para o bitcoin segue neutra a levemente negativa, segundo o especialista. É provável, falou, que o preço permaneça entre US$ 69 mil e US$ 73 mil, enquanto investidores acompanham os próximos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e as expectativas para a política monetária global.

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Token do Trump dispara 50%

Se o dia está positivo para o bitcoin, ele começou ainda melhor para os detentores da memecoin Official Trump (TRUMP), ligada ao polêmico presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O token disparou 50% nas últimas 24 horas, para US$ 4,28, após a equipe do projeto anunciar que os maiores detentores da criptomoeda serão convidados para um jantar fechado com Trump em Mar-a-Lago, residência do político na Flórida.

O anúncio desencadeou uma corrida entre investidores – e fãs do presidente – para comprar o ativo e tentar entrar na lista dos maiores holders, condição necessária para garantir o convite.

Não é a primeira vez que algo assim acontece. O projeto já promoveu iniciativa semelhante ano passado – estratégia que, na época, gerou críticas no Congresso americano, por misturar política, celebridade e especulação no mercado cripto.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +2,80%, US$ 72.426,33

Ethereum (ETH): +3,33%, US$ 2.129,22

XRP (XRP): +2,49%, US$ 1,42

BNB (BNB): +2,43%, US$ 668,70

Solana (SOL): +3,87%, US$ 90,30

Outros destaques do mercado cripto

IOF nas stablecoins? Entidades dizem não. A possibilidade de cobrança de IOF nas stablecoins continua dando o que falar. Ontem, as entidades ABcripto, ABFintechs, Abracam, ABToken e Zetta, que representam mais de 850 empresas, divulgaram uma nota conjunta com um recado direto: a eventual tributação sobre essas criptos seria ilegal. O argumento é o seguinte: o IOF de câmbio exige a entrega efetiva de moedas fiduciárias – como real ou dólar – o que, segundo as entidades, não acontece na negociação de ativos virtuais.

Novo prazo para projeto-piloto de tokenização. A Anbima prorrogou até 27 de março as inscrições para seu projeto-piloto de tokenização. A ideia é que participantes testem, em um ambiente simulado e supervisionado, o desenvolvimento de debêntures e fundos de investimento em blockchain ou tecnologias semelhantes. A entidade pretende selecionar até 20 propostas. Detalhe: os testes serão realizados sem movimentação financeira real.

Sem moeda digital estatal nos EUA. Desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, os EUA adotaram um discurso mais favorável à cripto – especialmente entre republicanos. Há, porém, um tipo de ativo digital que não agrada aos legisladores: as CBDCs, moedas digitais emitidas por bancos centrais. Ontem, o Senado do país aprovou por 89 votos a 10 a inclusão, em um projeto de lei sobre habitação, de uma cláusula que proíbe a criação direta ou indireta de uma CBDC. A justificativa é que a inovação financeira deve partir do setor privado – e não do governo.

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GPA: recuperação extrajudicial acende alerta em fundos imobiliários expostos ao grupo

O pedido de recuperação judicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) acendeu um alerta entre investidores de fundos imobiliários (FIIs). Isso porque tanto FIIs de tijolo, que investem em imóveis alugados para redes da empresa, quanto FIIs de papel, que compram CRIs ligados à companhia ou a operações estruturadas com seus imóveis, estão expostos à difícil situação da empresa.

O caso dos CRIs é mais dramático porque o impacto tende a ser mais direto, já que os fundos atuam como financiador dessas operações e ficam expostos ao risco de crédito do GPA – quer dizer, o risco da companhia não honrar seus débitos.

Parte das dívidas ligadas ao grupo já vinha sendo negociada no mercado com forte desconto, reflexo da percepção de risco crescente entre investidores e ao aumento da probabilidade de perdas mais relevantes para os credores.

Alguns títulos estavam a 60% do valor de face – ou seja, um papel que daria direito a receber R$ 100 no vencimento estava sendo vendido por aproximadamente R$ 60. Após o anúncio da reestruturação, o preço caiu para perto de R$ 25.

O que está em jogo?

Em um processo de reestruturação, é comum que credores tenham de fazer concessões. Isso pode incluir um haircut — quando o credor aceita receber apenas parte do valor da dívida — ou a conversão da dívida em participação acionária na empresa.

Para fundos que têm títulos de crédito ligados ao GPA, como CRIs, esse tipo de medida pode levar à desvalorização desses papéis e reduzir o patrimônio do fundo.

Segundo levantamento da EQI Research compartilhado com a reportagem do InvestNews, os fundos de papel com exposição ao GPA são:

  • XPCI11 (4,9%)
  • BTCI11 (4,3%)
  • MXRF11 (2,44%)
  • VRTA11 (2,19%)
  • KNIP11 (1,3%)
  • HGCR11 (1,25%)
  • AFHI11 (1,2%)
  • VGIP11 (0,76%)
  • CPTS11 (0,7%)
  • HSAF11 (0,44%)
  • VGHF11 (0,38%)

O quadro se torna mais delicado porque, mesmo com uma eventual renegociação das dívidas financeiras, o GPA ainda carrega um volume significativo de passivos tributários e trabalhistas, estimado em cerca de R$ 17 bilhões. Esse tipo de obrigação costuma ser mais difícil de reestruturar e, em muitos casos, não entra diretamente nos acordos com credores privados.

Alguns exemplos: o GPA estima desembolsos de cerca de R$ 389 milhões com processos trabalhistas, em sua maioria relacionados ao Extra Hiper, atualmente em fase de redução, segundo o balanço do quarto trimestre de 2025.

A companhia também prevê pagamentos de aproximadamente R$ 129 milhões referentes a acordos tributários, incluindo adesões ao Acordo Paulista e à Anistia da Bahia, entre outros compromissos.

Além disso, a empresa mantém discussões administrativas e judiciais sobre a apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de processos ligados à cobrança de eventuais diferenças nesses tributos.

Em outras palavras: mesmo com ajustes na estrutura de capital, a companhia ainda precisa lidar com um passivo relevante fora da negociação principal, fator que ajuda a explicar por que o mercado tem precificado a dívida da empresa com descontos tão expressivos.

E os FIIs de tijolo?

Já no caso dos FIIs de tijolo, aqueles que têm o Pão de Açúcar como inquilino, o impacto tende a ser mais limitado. Isso porque a recuperação extrajudicial mira exclusivamente credores financeiros e não afeta o funcionamento do dia a dia da companhia. Ou seja, despesas operacionais como fornecedores, salários e aluguéis seguem sendo honradas.

Entre os fundos de tijolo com maior exposição ao GPA estão GARE11, TRXF11 e RBVA11, que têm imóveis alugados para a companhia em seus portfólios.

De acordo com levantamento da EQI Research, o fundo mais dependente da receita proveniente do grupo é o GARE11. Ao todo, são sete contratos de locação, que respondem por cerca de 14% da receita do fundo, com prazos de vigência que ultrapassam duas décadas.

O TRXF11 também mantém uma relação relevante com a varejista, somando 19 contratos de aluguel. Esses imóveis estão distribuídos principalmente entre São Paulo e Goiânia, com destaque para unidades maiores localizadas em bairros como Vila Mariana (SP) e na cidade de São Caetano do Sul (SP). A participação do GPA na receita do fundo é de aproximadamente 8%.

Já o RBVA11 tem oito imóveis locados ao grupo, espalhados por três estados, com contratos válidos até 2029. Nesse caso, os ativos tendem a ter menor área bruta locável (ABL) em comparação com os demais fundos citados. Ainda assim, o GPA representa cerca de 8,1% da receita total do portfóli.o

O que o investidor deve fazer agora?

Diante do cenário, analistas recomendam cautela, mas não necessariamente uma reação precipitada por parte dos investidores. No caso dos FIIs de papel, o principal ponto de atenção é acompanhar se haverá impacto direto nos CRIs ligados ao GPA e eventuais revisões no valor desses ativos nas carteiras dos fundos.

Como esses títulos podem passar por renegociação ou sofrer desvalorização no mercado secundário, mudanças no valor patrimonial ou até nos dividendos distribuídos não estão descartadas.

Já para os FIIs de tijolo, a recomendação é observar a evolução da situação financeira da companhia e eventuais mudanças operacionais, como fechamento de lojas ou renegociação de contratos. Apesar de os contratos de locação com o GPA serem, em sua maioria, atípicos e de longo prazo, investidores devem monitorar o peso do inquilino na receita de cada fundo.

Não é um monitoramento simples para a maioria dos investidores, mas as informações costumam estar disponíveis nos relatórios gerenciais nos sites de cada gestora.

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Petrobras sobe ao maior preço em 18 anos após balanço; o que esperar da ação e dos dividendos

O balanço da Petrobras, divulgado na noite de quinta-feira (6), foi bem recebido por analistas e investidores.

As ações ordinárias da estatal (PETR3), que já vinham surfando o movimento de alta do preço do petróleo em meio às tensões crescentes no Oriente Médio, avançaram mais de 5% ao longo desta sexta-feira (6), para um patamar acima de R$ 46, a maior valorização da B3 no dia e o melhor preço do papel desde maio de 2008. No fechamento, a alta foi de 4,12%, a R$ 45,78. O papel preferencial (PETR4) subiu 3,49%, a R$ 42,11.

Parte dos ganhos tem relação direta com os dividendos. No balanço, a Petrobras anunciou o pagamento de R$ 8,1 bilhões em proventos, valor acima do que vinha sendo projetado pelo mercado. Isso equivale a R$ 0,62 por ação.

Em teleconferência, a CEO da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a superação das metas de produção e o aumento da extração de petróleo contribuíram para uma maior geração de caixa, ampliando tanto a capacidade de investimento quanto a distribuição de dividendos.

A produção de petróleo e gás totalizou 3,1 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 2% na comparação trimestral. Para colocar esse número em perspectiva: um barril de petróleo tem cerca de 159 litros, o que significa que a produção diária equivale a quase 500 milhões de litros.

Um carro comum tem tanque de cerca de 50 litros – ou seja, daria para abastecer quase 10 milhões de tanques de carro por dia. E o preço do petróleo nas alturas (US$ 93 hoje) ajudou.

Um gestor afirmou que, se os preços do petróleo permanecerem nos níveis atuais por um período prolongado, a empresa pode se tornar uma máquina de gerar dinheiro.

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Dividendos extraordinários?

Sobre a possibilidade de pagamentos extraordinários, o CFO da Petrobras, Fernando Melgarejo, afirmou que a companhia “adoraria” realizá-los caso haja um nível elevado de caixa – desde que isso não comprometa o financiamento dos projetos previstos no plano de negócios.

O executivo ressaltou, no entanto, que a prática da empresa é avaliar distribuições adicionais durante a elaboração do planejamento estratégico. Por essa razão, ainda é cedo para pensar em garantir novos pagamentos trimestrais além dos já previstos.

No balanço, a Petrobras indicou US$ 20,3 bilhões em capex para 2025, número próximo do limite superior do planejamento divulgado anteriormente. O capex mede quanto a empresa investe em projetos e infraestrutura. Um valor elevado assim indica que a companhia está acelerando investimentos – o que pode pressionar a geração de caixa no curto prazo e reduzir o montante disponível para dividendos.

Por outro lado, esses investimentos também podem fortalecer a geração de caixa nos próximos anos, base que sustenta a distribuição de dividendos ao longo do tempo.

E o que esperar da ação?

No curto prazo, o desempenho das ações da Petrobras tende a continuar bastante ligado ao comportamento do preço do petróleo, que segue sensível ao cenário geopolítico no Oriente Médio e às condições da economia global.

Ao mesmo tempo, fatores internos também permanecem no radar dos investidores, como decisões de alocação de capital, nível de investimentos e eventuais discussões sobre a política de preços dos combustíveis no âmbito das eleições deste ano.

Nesse contexto, analistas da XP mantêm recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 47 por ação preferencial, destacando a forte geração de caixa da companhia e o potencial de distribuição de dividendos.

Analistas do BTG têm recomendação de compra para os ADRs da petroleira, com preço-alvo a US$ 15. O Bank of America reiterou recomendação neutra, com preço-alvo a R$ 44.

Ou seja, a expectativa é que o preço permaneça próximo

Resultado forte. Mas há dúvidas

A Petrobras reportou fluxo de caixa de US$ 10,2 bilhões, número 14% acima das estimativas do mercado. Esse indicador mede quanto dinheiro a empresa efetivamente gera com suas operações, depois de pagar custos e despesas. Em outras palavras, mostra a capacidade da companhia de transformar suas atividades – produção e venda de petróleo e derivados – em caixa.

Mesmo assim, nem todo analista enxerga a empresa como o melhor investimento do setor neste momento. Isso porque, apesar de se beneficiar da alta do petróleo e dos números fortes do balanço, a Petrobras segue bastante exposta ao cenário político.

As dúvidas recaem principalmente sobre decisões de alocação de capital e sobre a política de preços dos combustíveis, áreas que parte do mercado considera mais suscetíveis a interferências.

Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos, disse que vê um risco adicional caso o conflito no Oriente Médio se prolongue e leve a uma disparada ainda maior da cotação do petróleo. Nesse cenário, poderia surgir pressão política sobre os preços dos combustíveis no Brasil.

“Se o preço do petróleo disparar e isso começar a pesar muito na bomba, o mercado pode passar a temer algum tipo de intervenção. Como a empresa é estatal, esse risco sempre existe.”

Segundo ele, uma eventual tentativa da estatal de segurar os preços ou subsidiar parte do combustível poderia ser negativa para as ações no curto e médio prazo.

Diante desse cenário, alguns gestores avaliam que a relação entre risco e retorno não favorece a companhia neste momento. Por essa razão, eles mantêm exposição reduzida às ações da empresa ou até posições vendidas – estratégia que ganha com a queda do papel.

Ainda assim, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) acumulam alta de 41% no ano, enquanto as ordinárias sobem perto de 45%.

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Bitcoin sobe e puxa ethereum, solana e outras altcoins

O bitcoin registrou seu melhor preço em cerca de um mês ontem, impulsionado por novas compras de investidores. Mas não foi só a principal criptomoeda que subiu. As altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também avançaram junto.

O ethereum (ETH) sobe pouco mais de 4% nesta quinta-feira (5), para US$ 2.140, enquanto a solana (SOL) avança 2,37%, negociada acima de US$ 92. Criptomoedas menores, com menor liquidez, também registram alta. O monero (XMR), um dos principais tokens de privacidade do mercado, sobe cerca de 8%.

Quando o bitcoin sobe, ele costuma melhorar o sentimento do mercado e atrair mais capital para o setor cripto como um todo. Com mais dinheiro entrando, parte desse fluxo acaba migrando para altcoins, que muitos investidores veem como apostas com maior potencial de valorização

Além disso, houve uma leve melhora no sentimento global de risco, o que ajudou a aliviar a pressão vendedora sobre os ativos digitais.

Nos Estados Unidos, Donald Trump também se posicionou ao lado do setor cripto na disputa entre plataformas de criptomoedas e bancos sobre o pagamento de rendimento em stablecoins, o que também serviu como impulsionador.

Apesar da recuperação recente, o cenário ainda é incerto, especialmente por causa das tensões geopolíticas. Estados Unidos, Israel e Irã continuam em conflito, e novos ataques foram registrados no Oriente Médio nos últimos dias.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  +2,78%, US$ 72.896,33

Ethereum (ETH): +4,25%, US$ 2.140,22

XRP (XRP): +3,06%, US$ 1,44

BNB (BNB): +1,91%, US$ 661,50

Solana (SOL): +2,37%, US$ 92,77

Outros destaques do mercado cripto

Cripto em fuga no Irã. As exchanges cripto iranianas registraram um movimento alto após os ataques aéreos de EUA e Israel no fim de semana. Entre 28 de fevereiro e 2 de março, cerca de US$ 10,3 milhões em cripto saíram dessas plataformas, segundo dados da Chainalysis. Para onde foi esse dinheiro ainda não está claro. Os fundos, segundo a empresa, podem ter sido enviados para carteiras pessoais de cidadãos, novas infraestruturas de exchanges locais ou até movimentações ligadas ao Estado.

Visa acelera no mundo cripto. A gigante de pagamentos Visa está aprofundando sua aposta em moedas digitais. A empresa ampliou sua parceria com a plataforma de infraestrutura cripto Bridge para permitir cartões Visa vinculados a stablecoins. Na prática, usuários poderão gastar stablecoins normalmente em qualquer estabelecimento que aceite Visa – uma rede com mais de 175 milhões de comerciantes no mundo. A iniciativa já está disponível em 18 países e deve chegar a mais de 100 até o fim do ano.

BC avança na regulação. Tem mais regras chegando para o mercado cripto no Brasil. O Banco Central publicou nesta semana as resoluções 552 e 553. A primeira trata de regras de governança e gestão das empresas, enquanto a segunda aborda questões contábeis. Na prática, as normas trazem mais clareza sobre as obrigações que as empresas do setor devem seguir após a nova regulação cripto, que entrou em vigor em fevereiro.

Cartórios brasileiros na blockchain. A tecnologia por trás das criptomoedas também começa a ganhar espaço nos cartórios brasileiros. Entre 2020 e 2025, pouco mais de 9 milhões de atos notariais – como escrituras públicas, procurações e certidões eletrônicas – foram registrados em blockchain. O movimento mostra como até setores tradicionais começam a embarcar na digitalização e na tokenização de documentos.

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Ouro digital? Bitcoin ignora tensão no Irã e registra melhor preço em um mês

O bitcoin (BTC) ignorou o clima de aversão ao risco provocado pelas tensões no Oriente Médio e avançou cerca de 7% nas últimas 24 horas, ultrapassando a marca dos US$ 73 mil na tarde desta quarta-feira (4). É o maior preço em um mês, segundo dados do gráfico do InvestNews.

Com exceção de algumas altcoins de menor liquidez, a maioria das criptomoedas acompanhou o movimento do ativo digital líder. O ethereum (ETH), segundo maior criptoativo do mercado, avança cerca de 8,45%, enquanto a solana (SOL) registra alta próxima de 7%.

Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, afirmou que o gráfico de quatro horas do bitcoin já indicava pela manhã uma forte entrada de volume financeiro.

“Este movimento sugere captura de liquidez em busca das próximas resistências dos US$ 72.500 e US$ 75.500”, disse a especialista. Em análise técnica, resistência é um nível de preço em que a alta costuma perder força, podendo abrir espaço para uma queda.

Caso o fluxo comprador não se sustente nessa região de preços, porém, o mercado pode voltar a testar suportes mais baixos, na faixa dos US$ 60.000 e US$ 53.000, segundo Ana. Suporte é o nível de preço em que ativo costuma parar de cair e pode voltar a subir.

A valorização do bitcoin – que vinha sendo pressionado nas últimas semanas e viu sua tese de ouro digital ser questionada – começou ainda na madrugada desta quarta. O movimento ocorreu após novos fluxos positivos para os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos Estados Unidos, que registraram cerca de US$ 1,4 bilhão em entradas nos últimos cinco dias, segundo dados da plataforma SoSoValue.

Esses produtos são amplamente utilizados por investidores institucionais, o que indica que o apetite desse grupo por criptomoedas voltou a ganhar força.

“Apesar do sentimento fragilizado, a estabilidade do preço do bitcoin sugere que instituições podem estar acumulando de forma silenciosa durante períodos de medo impulsionado pelo varejo”, disse Guilherme Prado, country manager da Bitget.

A recuperação das criptos ocorre mesmo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O Irã sinalizou que não pretende negociar com Estados Unidos e Israel após a morte do líder supremo Ali Khamenei e indicou que o conflito pode se prolongar.

A onça-troy do ouro também avança nesta quarta-feira e é negociada a US$ 5.124, com alta de quase 1%.

Ventos de Washington

Também há ventos favoráveis vindos de Washington. Em uma postagem na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou os bancos de tentar travar o avanço do Clarity Act, projeto que pretende estabelecer regras mais claras para o mercado de criptomoedas no país. O posicionamento foi interpretado por parte do mercado como um sinal de apoio ao setor.

O projeto enfrenta resistência do setor bancário porque pode permitir que stablecoins continuem oferecendo rendimento aos investidores – algo que, na visão dos bancos, poderia incentivar a saída de depósitos do sistema financeiro tradicional.

Apesar da recuperação de hoje, o cenário para o curto prazo ainda inspira cautela. Para André Franco, CEO da Boost Research, o ambiente global de risco segue pressionando o mercado.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 14h20.

Bitcoin (BTC):  +7,08%, US$ 73.020,01

Ethereum (ETH): +8,45%, US$ 2.139,10

XRP (XRP): +5,92%, US$ 1,44

BNB (BNB): +3,73%, US$ 656,90

Solana (SOL): +7,47%, US$ 91,66

Outros destaques do mercado cripto

Cripto invade São Paulo. Notícia para quem mora em São Paulo. Nos dias 18 e 19 de março, o World Trade Center São Paulo recebe o MERGE, um dos principais eventos de cripto da América Latina. A expectativa é reunir mais de 300 palestrantes e 40 expositores do Brasil e da região para discutir de tudo um pouco: mercado, tecnologia e, claro, regulação – assunto que ainda deixa muita gente com dúvida.

Grana nova no mundo cripto. As empresas brasileiras de cripto seguem atraindo investidores. A fintech Oxus Finance, que desenvolveu um agregador de stablecoins com inteligência artificial, levantou US$ 2,4 milhões em uma rodada que contou com investidores como Echo3 Participações e Underblock. A ideia é usar o dinheiro em uma solução que conecta criptomoedas ao sistema Swift, usado por bancos no mundo todo, para facilitar transferências internacionais.

Polymarket remove aposta sobre ataque nuclear. A plataforma de previsões Polymarket, que permite apostar em eventos futuros usando tokens, tirou do ar um mercado que perguntava se uma arma nuclear seria detonada ainda neste ano. A aposta, que já tinha movimentado mais de US$ 838 mil na plataforma, gerou forte reação nas redes sociais. Antes de ser removido, o próprio mercado indicava cerca de 22% de chance de uma detonação nuclear até o fim de 2026.

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Itaú, Localiza, Axia… Veja as 5 ações mais indicadas pelas corretoras em março

As carteiras recomendadas de ações das corretoras costumam ir de A a Z: têm empresas do setor financeiro, saneamento, mineração, agricultura, energia elétrica e por aí vai. Mas, nas sugestões deste mês, cinco companhias aparecem com mais frequência do que as outras, mostra levantamento feito pelo InvestNews com 11 instituições. São elas: Itaú, Localiza, Axia, Vale e Petrobras.

Na visão do mercado, essas gigantes brasileiras – que, aliás, já tinham aparecido na carteiras de fevereiro – se destacam por motivos diferentes. Algumas entregam retorno forte e consistente, enquanto outras devem se beneficiar de movimentos esperados para este ano, como a tão aguardada queda dos juros, a alta da energia no Brasil ou a sustentação do preço do minério lá fora.

Antes de entrar nos detalhes, vale um aviso: esta não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia aqui é mostrar para onde os analistas estão olhando agora e quais as tendências.

Além disso, quando o assunto é renda variável, a estratégia mais inteligente combina mais com longo prazo do que trocar de ação todo mês.

Ações recomendadas para março

Itaú Unibanco

Presente em sete das 11 carteiras consultadas, o Itaú foi um dos beneficiados pelo fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira – que já superou os R$ 40 bilhões neste ano. A expectativa é que o banco continue atraindo esse capital e consiga atravessar um cenário ainda incerto no Brasil.

No quarto trimestre, o banco reportou lucro líquido de R$ 10,87 bilhões e ROE de 23,1%. Traduzindo: para cada R$ 100 de patrimônio, o Itaú gerou cerca de R$ 23 de lucro. É um nível elevado de rentabilidade.

Na avaliação do mercado, o banco tem estrutura suficiente para sustentar margens mesmo em um ambiente mais turbulento. E, se o cenário econômico melhorar, ainda pode ganhar participação de mercado com mais velocidade.



Localiza

A tese da Localiza se apoia em cinco pilares. Primeiro, há espaço para revisões positivas de lucro. Segundo, a companhia tende a se beneficiar de uma eventual queda de juros, que reduz o custo de capital e favorece a demanda. O setor também tem mostrado mais disciplina competitiva, com foco em preço e recomposição de margens. E a gestão segue concentrada em eficiência operacional.

Os números recentes reforçam esse cenário. Nos dois primeiros meses de 2026, a empresa vendeu 59 mil carros, alta de 15% na comparação anual, segundo o BTG. Esse ritmo já ajuda a reduzir a idade média da frota de aluguel para 15 meses, melhorando qualidade dos ativos e reduzindo custos.

Outro avanço foi a redução da frota de uso severo, que caiu de 31 mil para 18 mil veículos em 2025 – e pode fechar 2026 abaixo de 10 mil. Esse ajuste no mix, somado a margens mais fortes, abre espaço para revisões altistas nos resultados.

Axia Energia

A Axia aparece nas carteiras principalmente por causa da perspectiva de maior demanda por energia no Brasil – e de contas de luz mais caras. Algumas consultorias já projetam reajustes acima da inflação, pressionados por custos de geração.

Com a retomada do crescimento econômico e o avanço de setores intensivos em energia, geradoras bem posicionadas tendem a capturar tanto receita quanto participação de mercado.

Segundo os analistas, a Axia tem vantagem por sua exposição direta à geração de energia, sem depender de ciclos de petróleo ou gás. Isso pode colocá-la em posição estratégica tanto no mercado regulado quanto no livre.



Vale

Três pontos explicam a presença da Vale nas carteiras. O primeiro é a redução relevante de custos de produção, que fortalece margens e mostra ganho de eficiência operacional.

O segundo é a expectativa de dividendos. O mercado projeta dividend yield (taxa de retorno apenas com dividendos) em torno de 5,5% – abaixo do patamar dos últimos 12 meses, mas ainda atrativo.

Por fim, o preço do minério de ferro. O Safra acha que a commodity deve se manter acima de US$ 100 por tonelada, enquanto o Santander vê demanda “decente” no curto prazo. Se o cenário se confirmar, isso tende a sustentar os resultados da companhia.

Cyrela

A tese da Cyrela combina rentabilidade, preço e posicionamento estratégico. A ação negocia a múltiplos abaixo da média do setor, mesmo entregando ROE em torno de 20% desde 2024. Em termos simples: para cada R$ 100 de capital próprio, a empresa gera cerca de R$ 20 de lucro por ano – um nível forte no mercado imobiliário.

A companhia também tem um portfólio diversificado, que vai da baixa à alta renda, com exposição crescente ao Minha Casa Minha Vida. Isso ajuda a diluir riscos e dar mais previsibilidade aos resultados.

E há ainda o fator juros. Se o ciclo de queda se confirmar – com taxa próxima de 12% ao ano no fim de 2026 –, empresas do setor com balanço mais sólido e portfólio diversificado tendem a navegar melhor o cenário. Para o mercado, a Cyrela está nesse grupo.

Relatórios consultados: Genial, Terra, Itaú, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora, Rico, XP e Empiricus.

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FIIs mais indicados em março: chegou a vez dos fundos imobiliários de tijolo

Os fundos imobiliários (FIIs) de tijolo – aqueles que investem diretamente em imóveis – dominaram as carteiras recomendadas de corretoras e bancos neste mês, segundo levantamento feito pela reportagem do InvestNews. Era algo relativamente esperado, já que o mercado começa a olhar para a possibilidade de queda de juros no Brasil.

Esses produtos navegam melhor em cenários de juros mais baixos. Isso acontece porque os imóveis costumam se valorizar nesse ambiente, já que crédito fica mais barato, o que estimula a atividade econômica e aumenta a demanda por espaços comerciais.

Ao mesmo tempo, os FIIs de papel – que investem em títulos de crédito imobiliário – tendem a pagar menos quando as taxas caem, o que reduz sua atratividade relativa.

Antes de seguir, vale um adendo: este texto não é uma recomendação de investimento. A ideia aqui é mostrar para onde os analistas estão olhando agora e quais tendências aparecem nas carteiras. Além disso, quando o assunto é renda variável, a estratégia costuma ter mais a ver com visão de longo prazo do que com trocar ativos todo mês.

Veja os FIIs para março e os principais pontos destacados pelos analistas. O levantamento levou em consideração sete carteiras recomendadas de corretoras e bancos.

FIIs mais citados nas carteiras de março

HSML11
É um fundo imobiliário de tijolo do segmento de shoppings. A tese de investimento no produto, citado em cinco das sete carteiras analisadas, se apoia na qualidade e na localização do portfólio. São oito ativos distribuídos em cinco estados brasileiros – São Paulo, Alagoas, Acre, Minas Gerais e Bahia – o que tende a reduzir a volatilidade operacional ao longo do tempo.

Outro ponto central é o controle dos ativos. O HSML11 detém pelo menos 51% em sete dos oito empreendimentos do portfólio, o que garante maior poder de decisão na gestão e nas estratégias de valorização dos imóveis.

Além disso, o fundo apresenta taxa de ocupação de 97,4%, nível considerado bom pelo mercado. Na prática, isso significa que a vacância (a desocupação de um imóvel) é de menos de 3%, o que é um ótimo número.


BRCO11
É outro FII de tijolo, mas focado no segmento logístico. Um dos destaques da tese de investimento é a qualidade da carteira de locatários, formada por empresas com elevado nível de crédito. Entre os principais nomes estão Natura (14%), Mercado Livre (11%), Whirlpool (9%), GPA (7%) e Magalu (7%), companhias relevantes em seus respectivos setores.

Em termos operacionais, a vacância física é de 7%, o que implica cerca de 93% de ocupação do portfólio. Já a vacância financeira, que indica quanto da receita potencial de aluguel o fundo deixa de receber, estava em 8,4%. Esses níveis são considerados administráveis para fundos logísticos. O BRCO11 apareceu em quatro carteiras.

Outro ponto citado pelos analistas é o impacto positivo de indenizações por rescisões antecipadas de contratos – ou seja, quando um inquilino sai do imóvel antes do fim do contrato e precisa pagar uma multa. Esse movimento gerou um acúmulo de R$ 1,28 por cota em lucros não distribuídos, o que pode ajudar a sustentar os dividendos do fundo no curto prazo.

VILG11
Esse FII é mencionado em três carteiras. Também é um fundo imobiliário de tijolo focado em ativos logísticos e industriais, com estratégia voltada à geração de renda por meio da locação de galpões.

Um dos pontos citados pelos analistas é a diversificação da base de inquilinos. As empresas dos setores de transporte e logística e e-commerce representam juntas cerca de 60% da receita do fundo, o que reduz a dependência de um único segmento.

Em janeiro, a taxa de ocupação atingiu 99,5%, nível considerado excelente no setor, enquanto a receita média de aluguel por metro quadrado avançou 1,3% na comparação anual. Além disso, o fundo vendeu quatro galpões recentemente, embolsando um lucro de R$ 6,22 por cota. Na prática, isso ajuda a reduzir a alavancagem e elevou a projeção de dividendos até junho de 2026 para a faixa entre R$ 0,80 e R$ 0,87 por cota.

PVBI11
Este fundo imobiliário concentra seu portfólio no segmento de lajes corporativas. Ele apareceu em três das sete carteiras. Hoje, a vacância física está em 16,5%, enquanto a vacância financeira chega a 17,6%, patamares que exigem atenção dos investidores. Apesar disso, os analistas destacam alguns pontos positivos na carteira.

Cerca de 80% dos imóveis têm padrão construtivo AAA, a classificação mais alta do mercado, e estão localizados em regiões corporativas premium de São Paulo, como a Faria Lima e seu entorno. A

Além disso, há negociações em andamento: 1.013 m² estão em fase final de contrato e 3.279 m² seguem em negociação, o que pode ajudar a reduzir a vacância ao longo do tempo. Parte relevante dos contratos também terá revisões de aluguel nos próximos anos, o que pode melhorar a geração de receita do fundo.

KNCR11
Único fundo de papel da lista, o KNCR11 investe principalmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Ele apareceu em quatro carteiras.

A estratégia do fundo é gerar renda por meio de crédito imobiliário com perfil mais conservador, priorizando operações com garantias reais e emissores de boa qualidade. Entre os títulos dos principais nomes presentes na carteira estão Brookfield, JHSF e MRV.

Segundo analistas, outro ponto positivo é que as operações têm garantias fortes, como imóveis dados em garantia e recebíveis imobiliários, o que reduz o risco de calote. O fundo também tem histórico consistente de distribuição de dividendos, alta liquidez no mercado e correlação positiva com a taxa Selic, características que costumam torná-lo uma opção mais defensiva dentro do universo de FIIs.

Relatórios consultados: Terra Investimentos, BTG Pactual, Itaú, XP, Empiricus, BB Investimentos e Daycoval.

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Ibovespa já marca 10 recordes no ano, mas ainda faltam 25% para a máxima em dólar

As coisas vão bem para o Ibovespa, obrigado. O principal índice da bolsa brasileira já soma 10 renovações históricas só neste ano. O último disparo veio na segunda-feira (9), quando bateu 186.241 pontos. Deixou o pobre do bitcoin (BTC), que anda meio cambaleante em 2026, no chinelo.

A sequência atual de altas começou ainda em janeiro, com novas máximas nos dias 14, 15, 20, 21, 22, 23, 27 e 28. Ufa. Neste mês, além de ontem, o índice também avançou no dia 3. Hoje, o indicador negocia na casa dos 185 mil pontos – 185.104,34, para ser exato.

“O Ibovespa renovou suas máximas históricas em 32 oportunidades (em 2025). Ou seja, em pouco mais de um mês, 2026 já concentrou praticamente um terço de todos os recordes registrados ao longo de 2025”, diz Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.

Valem dois adendos.

Primeiro: o Ibovespa vem renovando o recorde nominal – isto é, apenas em números correntes. A máxima histórica real, ajustada pelo IPCA, ainda não foi superada. Ela remonta a 20 de maio de 2008, quando o índice atingiu 73.517 pontos. Corrigido pela inflação, esse patamar equivaleria hoje a cerca de 195,2 mil pontos. Em outras palavras, mesmo após a marca recente, o Ibovespa ainda está 5% abaixo do recorde real.

Segundo: o Ibovespa também tem uma pontuação em dólar, e essa está ainda mais longe do auge. Neste momento, são 35.872 pontos. Ainda faltam 25% para a máxima, de 44.638, também de maio de 2008.

O dinheiro gringo

Investidores estrangeiros têm buscado alternativas à bolsa americana. Ela dá sinais de estar cara – ou seja, o preço das ações subiu bem mais rápido que o lucro das empresas nos últimos anos. Nas bolsas emergentes, como a nossa, a história é outra: elas passaram os últimos anos em Black Friday.

Agora, os gringos vieram às compras por aqui.

Só em janeiro, eles despejaram R$ 26,31 bilhões na B3. Para ter ideia do tamanho do fluxo: é mais do que os R$ 25,47 bilhões acumulados ao longo de todo o ano passado. Em um mês, entrou mais dinheiro estrangeiro na bolsa brasileira do que em 12 meses de 2025.

Tem também um fator estrutural nessa histórica toda. A bolsa brasileira ainda é pequena no contexto global. O valor de mercado total gira em torno de US$ 730 bilhões. Parece muito, mas não é nada perto das gigantes americanas: a Nyse vale cerca de US$ 31 trilhões e a Nasdaq, outros US$ 30 trilhões. Na prática, isso significa que qualquer mudança de alocação lá fora – mesmo que marginal – já faz um belo estrago (positivo) por aqui.


Mais calma no radar?

No meio do rali, teve também um movimento do governo que ajuda a explicar por que a volatilidade anda mais comportada por aqui. O Tesouro Nacional voltou ao mercado internacional nesta semana e levantou US$ 4,5 bilhões com a emissão de um novo título em dólar, com vencimento em 2036, e a reabertura de um outro para 2056.

Na prática, quando o Brasil consegue se financiar lá fora com procura elevada e spreads relativamente controlados, o recado para o mercado é claro: o risco percebido do país não está saindo do trilho. Isso ajuda a ancorar expectativas, principalmente em momentos de barulho global. Menos prêmio de risco exigido pelos investidores em títulos soberanos costuma significar um ambiente um pouco mais previsível para ativos locais, como as ações.


Mercado doméstico ainda de lado – mas isso pode virar


O investidor local, por enquanto, não está exatamente ainda em clima de festa com a bolsa. E não chega a ser surpresa. Com a taxa de juros na casa dos 15% ao ano, a conta é simples: a renda fixa segue pagando bem, com risco baixo e previsibilidade alta. Em um cenário assim, faz sentido que boa parte do dinheiro continue estacionada em títulos públicos, CDBs e afins, em vez de correr para a bolsa.

Mas esse quadro pode mudar mais adiante. Há uma expectativa crescente de que o ciclo de juros comece a ceder nos próximos meses. O último boletim Focus aponta para uma Selic terminal perto de 12,25%. Se esse movimento se confirmar, a matemática do investidor muda junto: com retornos menores na renda fixa, a busca por alternativas mais rentáveis tende a ganhar força – e a renda variável costuma ser a primeira beneficiada.

Em outras palavras, o investidor estrangeiro já está puxando o bonde. O doméstico ainda observa da plataforma, mais confortável com o rendimento garantido. Quando os juros começarem a cair de verdade, porém, essa dinâmica pode se inverter e trazer mais fôlego para o rali do Ibovespa.

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Petrobras, Axia, Localiza… Veja as 8 ações mais indicadas pelas corretoras para fevereiro

Itaú, Localiza, Vale, Petrobras, Cyrela, Bradesco, Aura Minerals e Axia. Essas são as ações mais indicadas por corretoras e bancos em fevereiro. É o que mostra a avaliação de 10 carteiras recomendadas feita pelo InvestNews.

São ações que se destacam em um momento de exuberância da renda variável vista poucas vezes nos últimos anos: o Ibovespa, por exemplo, superou os 187.334 pontos na terça-feira e deu um show em janeiro. Subiu 12,56%, o melhor início de ano desde 2021 – e um avanço até mais brilhante do que o do ouro. Boa parte desse movimento veio do fluxo de investidores estrangeiros, que voltaram os olhos para mercados emergentes, como o nosso, em meio à desvalorização do dólar.

E a expectativa é que, nos próximos meses, o dinheiro vindo de fora continue pingando nos emergentes. Por aqui, a perspectiva de cortes de juros nos próximos meses também ajuda: a renda fixa que acompanha a Selic perde um pouco do poder de atração e as ações ganham espaço no radar do investidor local.

Vale o aviso: nossa seleção não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia é mostrar o que está acontecendo no mercado e quais tendências estão ganhando força. E é sempre bom lembrar: em renda variável, a melhor estratégia não é ficar trocando de papel todo mês, mas pensar no longo prazo.

As ações no radar do mercado em fevereiro

Itaú Unibanco (ITUB4)

Presente em sete das dez carteiras analisadas, o Itaú segue como uma das apostas mais recorrentes entre os analistas. A ação é negociada a R$ 42,88, mas há casas que projetam alta para R$ 50. O otimismo se apoia, principalmente, na expectativa de que o banco volte a acelerar a concessão de crédito em alguns segmentos específicos, agora que a instituição conseguiu estabilizar os níveis de inadimplência da carteira.

Além disso, o mercado espera que a margem financeira – a receita líquida de juros, que reflete a diferença entre o que o banco ganha ao emprestar dinheiro e o que paga para captar recursos – cresça a taxas de dois dígitos. Esse avanço deve ser impulsionado pela melhora dos spreads, ou seja, do quanto o banco ganha em cada operação de financiamento, e pela retomada gradual do crédito.

A ação negociada a 9,5 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L) – esse múltiplo significa uma antecipação do potencial de crescimento do negócio. Na prática, o mercado está disposto a pagar R$ 9,50 hoje para cada R$ 1 de lucro que a empresa gera atualmente.

Isso acontece porque os investidores mantêm a perspectiva de que o grupo tende a atingir esse patamar no futuro. Não é exatamente barato, mas também não chega a ser caro – especialmente se o banco conseguir entregar crescimento consistente de resultados, segundos os analistas.

Localiza (RENT3)

Depois de um período mais turbulento, marcado por questionamentos sobre custos e margens, a Localiza começa a mostrar sinais mais claros de estabilização. Na leitura dos analistas, a companhia acertou a mão na estratégia: os reajustes de preços vêm sendo absorvidos sem perda relevante de volume, enquanto ganhos de eficiência operacional ajudam a sustentar a recuperação das margens.

Além disso, a gestão da frota tem sido conduzida com foco em rentabilidade. A empresa vem ajustando o portfólio de veículos e acelerando a renovação, com a retirada de carros mais rodados para elevar a qualidade dos ativos e melhorar os retornos. No segmento de seminovos, os impactos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foram absorvidos e hoje estão refletidos nos preços, o que também é visto como algo positivo.

Nesse contexto, o valuation (valor percebido da empresa no mercado) também joga a favor. O papel negocia a cerca de 13 vezes o lucro projetado para 2026. O que significa isso? Que o mercado hoje aceita pagar R$ 13 pela ação para cada R$ 1 de lucro que a empresa deve gerar no ano. Em termos simples, isso indica que a ação não está cara e já embute expectativas mais moderadas, o que melhora a relação entre risco e potencial de retorno para o investidor.



Vale (VALE3)

2025 foi um bom ano para a Vale. A companhia entregou resultados sólidos nas três frentes em que atua – minério de ferro, níquel e cobre – e entrou em 2026 com expectativas mais positivas. A leitura de parte do mercado é que esse bom momento deve se estender ao longo dos próximos 12 meses, apoiado em fundamentos mais estáveis.

O principal motor desse otimismo segue sendo o minério de ferro. A expectativa de que o preço da commodity se mantenha acima de US$ 100 por tonelada ao longo do ano tem dado sustentação à tese da Vale.

Além disso, a oferta global pode ficar mais restrita, à medida que as minas pelo mundo envelhecem e perdem produtividade. A Vale, por outro lado, tem acesso a reservas de alta qualidade no Brasil, com baixo teor de sílica – o que reduz custos e aumenta a eficiência na produção de aço. Esse diferencial reforça a posição da empresa como uma das principais fornecedoras globais da matéria-prima e pode seguir favorecendo seus resultados.



Petrobras (PETR4)

Produção forte, ativos de alta qualidade e valuation baixo. Esses são alguns dos principais motivos que levam o mercado a apostar na petroleira brasileira, que aproveitou a recente alta do petróleo e acumulou uma valorização de 24%.

A empresa concentra boa parte da sua produção no pré-sal – região do litoral brasileiro onde o petróleo é mais produtivo, mais barato de extrair e que concentra as maiores reservas -, o que garante eficiência mesmo em cenários mais desafiadores, segundo analistas. Um possível catalisador adicional é a licença para perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, concedida ano passado. Os resultados devem ser conhecidos nos próximos dois anos, mas já alimentam as expectativas em torno de uma área que tem potencial de se tornar um novo pré-sal.

Outro ponto-chave é a forte geração de caixa, que sustenta expectativas elevadas para o pagamento de dividendos. O dividend yield – métrica que mede o retorno da ação apenas com proventos – gira em torno de 9% a 10% ao ano para 2026, patamar considerado atrativo em comparação com pares globais.

Cyrela (CYRE3)

Queridinha do setor imobiliário, a Cyrela tem chamado a atenção dos analistas por conta de uma carteira robusta de lançamentos, focados principalmente nos segmentos de média e alta renda em São Paulo, Rio de Janeiro e na região Sul.

O mercado enxerga margens elevadas, em torno de 36%, e um ROE (retorno sobre o patrimônio) próximo de 20%. Na prática, margens nesse patamar indicam que, a cada R$ 100 em vendas de imóveis, cerca de R$ 36 viram lucro operacional, antes de despesas financeiras e impostos. Já o ROE mostra a capacidade da empresa de gerar resultado com o capital dos próprios acionistas: para cada R$ 100 investidos, a Cyrela entrega aproximadamente R$ 20 de lucro ao ano.

Há ainda outro ponto a favor. Parte do mercado avalia que o valuation da Cyrela embute um cenário desafiador de juros altos – justamente em um momento em que cresce a expectativa de corte de taxas no Brasil. Soma-se a isso o fato de a empresa ser vista como o principal nome do setor para capturar o fluxo de capital estrangeiro, que segue forte na bolsa brasileira.


Bradesco (BBDC4)

Os papéis do Bradesco são negociados na casa dos R$ 21. Tem analista que projeta uma alta até R$ 25 para 2026. No geral, a leitura é que o banco pode se beneficiar da queda de juros no Brasil – até mais do que as outras instituicões financeiras. Um banco pode ganhar mais com a queda dos juros quando sua receita principal está mais ligada à atividade de crédito tradicional, que ganha mais tração com taxas menores.

O plano de transformação do banco também é visto como um impulsionador. Em resumo, é um um pacote de mudanças para tornar o banco mais eficiente, rentável e competitivo, depois de alguns anos de pressão sobre resultados.

Neste ano, existe expectativa de que o banco consiga ganhar escala, reduzir custos e dar um “up” nas operações, o que tende a melhorar a rentabilidade. Com isso, o ROE pode alcançar cerca de 15% até o fim de 2025 e avançar para algo próximo de 17% neste ano, indicando uma geração de lucro mais eficiente para os acionistas.


Aura Minerals (AURA33)

A Aura Minerals é uma mineradora de ouro que se beneficiou diretamente da forte valorização do metal nos últimos meses. A ação subiu 65% no ano passado e começou 2025 em alta. Mesmo com a correção recente do ouro, o papel segue no radar de quatro das dez carteiras analisadas, já que o cenário de incertezas globais continua favorecendo ativos considerados proteção, como o ouro.

Outro ponto que sustenta a tese é o valuation atrativo. A Aura negocia a um múltiplo P/NAV de 0,9 vez, enquanto mineradoras internacionais costumam operar acima de 1,3 vez. Em termos simples, o P/NAV compara o preço da empresa em bolsa com o valor estimado de suas reservas de ouro. Quando esse número fica abaixo de 1, como no caso da Aura, significa que o mercado está pagando menos do que o valor teórico dos ativos, o que sugere desconto em relação às pares.

Além disso, a tese não depende apenas de uma alta contínua do ouro. A expectativa é de forte geração de caixa, com crescimento de cerca de 18% no caixa operacional e de 50% no EBITDA – indicador que mede o desempenho operacional da empresa antes de juros, impostos e outros efeitos financeiros. Na prática, isso mostra que a Aura tende a ganhar mais dinheiro com sua operação, o que ajuda a sustentar o valor da ação mesmo em períodos de maior volatilidade da commodity.

Axia (AXIA3)

A Axia (antiga Eletrobras) pode se beneficiar da expansão do setor elétrico nos próximos anos, segundo os analistas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) prevê um aumento de mais de 9 mil megawatts na capacidade instalada do país em 2026 – o que, na prática, significa mais usinas e maior demanda por energia. Em paralelo, mudanças regulatórias tendem a manter os preços de energia elevados, criando um ambiente favorável para empresas bem posicionadas no setor.

A empresa ganha relevância em momentos de maior volatilidade do mercado elétrico, quando cresce a necessidade de energia firme – aquela que pode ser entregue de forma contínua, sem depender tanto do clima. Com uma expectativa mais otimista para os preços da energia, essa combinação deve se traduzir em receitas mais robustas ao longo do tempo.

Além disso, segundo analistas, a Axia começa a se consolidar como uma boa pagadora de dividendos. Essa narrativa ficou mais evidente em 2025, quando a companhia anunciou pagamentos adicionais de R$ 4 bilhões, referentes a 2024, e outros R$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre.

Fontes consultadas: Genial Investimentos, Itaú Unibanco, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora Investimentos, Daycoval, Rico e XP.

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Queda do bitcoin faz mercado cripto perder o equivalente a duas Petrobras

O fim de semana foi de estrago para o bitcoin (BTC) e as altcoins. A indústria de ativos digitais perdeu cerca de US$ 220 bilhões em valor de mercado entre o sábado (31) e o domingo (1º), segundo dados da plataforma CoinMarketCap. O tombo equivale a mais de duas Petrobras (PETR4), hoje avaliada em torno de US$ 98 bilhões.

A pancada nas criptomoedas reflete um combo nada amigável que tomou conta dos mercados nos últimos dias: tensões geopolíticas, incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, o setor de tecnologia andando em terreno instável – e levando as criptos junto – além de um dólar mais forte.

Esse cenário elevou a aversão global ao risco a níveis altos. Nessas horas, investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais voláteis – e o bitcoin e as demais criptos acabam no centro das vendas.

Um bom termômetro disso são os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de BTC nos Estados Unidos. Na semana passada, esses produtos registraram quase US$ 1,5 bilhão em resgates, segundo dados da plataforma SoSoValue – o maior volume semanal de retiradas em quase um ano.

O movimento gerou burburinho no mercado cripto. Depois de ter renovado máximas recentemente, o bitcoin entrou em uma sequência mais prolongada de quedas, reacendendo um velho debate entre investidores: afinal, qual é o papel do BTC na carteira? Onde fica o argumento do “ouro digital”?

Na manhã desta segunda-feira (2), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 78 mil, com queda de 0,59% no dia e 11,30% nos últimos sete dias. O ethereum (ETH) cai 4,30% hoje, para US$ 2.303,11, e 20% no acumulado semanal.

“Baleias” nadam contra a maré

Apesar da pressão vendedora, há um movimento curioso por baixo da superfície.

Enquanto investidores de varejo apertam o botão de venda, muitas vezes realizando prejuízos, as chamadas “baleias” – grandes detentores de criptomoedas – aproveitam os preços mais baixos para acumular ativos, segundo dados da Glassnode divulgados pelo portal CoinDesk. O número de entidades com mais de 1.000 BTC subiu de 1.207 em outubro para 1.303 hoje.

Na prática, segundo André Franco, CEO da Boost Research, isso significa “uma transferência de riqueza das ‘mãos fracas’ para investidores de longo prazo que antecipam a recuperação do mercado”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -0,59%, US$ 78.052,12

Ethereum (ETH): -4,30%, US$ 2.303,11

XRP (XRP): -0,32%, US$ 1,64

BNB (BNB): -0,39%, US$ 766,37

Solana (SOL): -1,33%, US$ 103,09

Outros destaques do mercado cripto

Regras do BC dão a largada. As novas regras para o mercado de criptomoedas, publicadas pelo Banco Central do Brasil no fim do ano passado, começam a valer hoje. Na prática, o BC passa a definir quem pode atuar no mercado local, quais autorizações são necessárias e como algumas criptomoedas devem ser enquadradas. Um ponto importante: as stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio.

Mais uma stablecoin brasileira no pedaço. O Brasil acaba de ganhar mais uma stablecoin atrelada ao real: a BRLN. Ela foi lançada pela empresa Núclea e deve ser usada, inicialmente, para dar suporte aos processos internos de liquidação e compensação da firma. Vale lembrar: só nos últimos dois meses, quatro stablecoins ligadas à moeda brasileira foram lançadas ou anunciadas. Somadas às que já existem, o país caminha para ter 11 stablecoins “made in Brazil”.

Visa e Mastercard jogam água fria nas stablecoins. Stablecoins estão em alta, ok. Mas gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard ainda veem pouco apelo dessas criptos para os pagamentos do dia a dia – ao menos por enquanto. Em calls sobre resultados, executivos das empresas disseram que, em mercados desenvolvidos, os consumidores já contam com meios digitais rápidos e eficientes para pagar, o que acaba limitando a demanda por stablecoins no varejo.

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Bolsa de Nova York quer levar Wall Street para a blockchain

Há tempos o mercado financeiro flerta com um dos principais benefícios da blockchain: funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana e de forma muito mais ágil. O problema sempre foi o mesmo: como encaixar isso num sistema cheio de regras e numa engrenagem pesada de bastidores – compensação, custódia e liquidação –, que acaba freando qualquer mudança maior. Agora, a Bolsa de Nova York (Nyse) resolveu dar um passo concreto nessa direção.

Na segunda-feira (19), como mostramos no nosso morning cripto de hoje, a gigante americana anunciou que está desenvolvendo uma plataforma para negociação e liquidação de acões e valores mobiliários tokenizados – ou seja, ativos que passam a rodar na tecnologia por trás das criptomoedas, a famosinha blockchain. A proposta é permitir que essas negociações aconteçam de forma contínua, inclusive fora do horário tradicional de pregão, com liquidação praticamente imediata.

Essas ações tokenizadas, segundo a Nyse, serão equivalentes às ações tradicionais e aos valores mobiliários digitais. Portanto, os investidores terão direito aos mesmos dividendos e direitos de voto das ações convencionais. Segundo a bolsa, esses papéis poderão ser negociados como ações “de verdade”, apenas em formato digital.

A bolsa de valores disse que ainda vai buscar as aprovações regulatórias necessárias para tirar o projeto do papel. A ideia é liberar ainda neste ano. Se isso acontecer, será a primeira vez que a Nyse terá um ambiente dedicado à negociação de ações tokenizadas.

Como funciona

O jeito como o mercado financeiro funciona hoje foi pensado para um mundo que ainda fecha as portas no fim do dia. Quando um investidor compra ou vende um ativo, o negócio até é encerrado na hora, mas a parte burocrática vem depois.

A operação precisa atravessar vários sistemas e instituições diferentes até ser oficialmente concluída, passando por corretoras, estruturas de compensação, custódia e bancos. Esse vai e vem de registros e checagens torna o processo lento e pesado.

Para piorar, o dinheiro só anda quando o sistema bancário está aberto. Fins de semana, feriados e diferenças de fuso entram na conta. Na prática, isso significa que os recursos ficam parados no meio do caminho por um tempo, o que encarece a operação e deixa as partes expostas a riscos até que tudo seja liquidado de vez. A proposta da Nyse é reduzir esse intervalo e aproximar a liquidação do momento da negociação.

É justamente aí que entra a mudança. Em vez de usar apenas a infraestrutura financeira tradicional para registrar quem comprou, quem vendeu e transferir dinheiro e ativos, a Nyse quer passar a usar blockchains (sim, várias) nessa etapa de bastidores para liquidação e custódia. A ideia é que essa tecnologia permita registrar e transferir ações de forma mais rápida e contínua.

Na prática, a bolsa vai continuar usando seu sistema tradicional – chamado Pillar –, que é o motor responsável por casar ordens de compra e venda. Mas todo o “back-end” da operação, ou seja, a parte de registro, liquidação e custódia, passa a rodar na tecnologia por trás das criptos.

A empresa informou que já está trabalhando com instituições como BNY e Citi para viabilizar depósitos tokenizados em suas câmaras de compensação.

Vale lembrar que outras empresas também “namoram” o setor cripto. No fim ano passado, a Nasdaq apresentou uma proposta formal à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês) para permitir que ações tokenizadas e produtos negociados em bolsa (ETPs) sejam listados e negociados diretamente em sua plataforma, usando tecnologia blockchain. O CME Group também divulgou em 2025 que está explorando e testando tecnologias de tokenização.

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Bitcoin recua com risco de guerra comercial entre EUA e Europa

O bitcoin e as principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – operam em queda na manhã desta segunda-feira (19), acompanhando o movimento negativo dos futuros de Nova York.

O gatilho vem da política internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas contra países europeus caso a Dinamarca não aceite vender a Groenlândia.

O polêmico chefe do Executivo americano disse recentemente, em suas redes sociais, que a ilha é essencial para a segurança nacional, especialmente por causa de um projeto de sistema antimísseis do país.

Na Dinamarca, manifestantes protestam contra a investida de Trump. A União Europeia (UE), por sua vez, estuda impor tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos ou até restringir o acesso de empresas americanas ao bloco.

Quando esse tipo de incerteza global entra em cena, os investidores tendem a reduzir exposição a ativos considerados mais arriscados, como ações e criptomoedas.

O bitcoin é negociado em queda de 2,19%, enquanto o ethereum (ETH) escorrega quase 3%. Nos EUA, o índice Dow Jones recua 0,17%, enquanto Nasdaq e S&P 500 caem 0,06%.

“No curtíssimo prazo, a incerteza macro segue elevada, especialmente com Trump adicionando novas camadas de ruído via tarifas. Isso pode limitar movimentos mais agressivos imediatamente”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital.

E a semana promete novos capítulos. A tensão comercial entre EUA e União Europeia deve ganhar ainda mais destaque no Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde Trump e outros líderes se reúnem nos próximos dias.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h20.

Bitcoin (BTC):  -2,19%, US$ 93.128,88

Ethereum (ETH): -2,98%, US$ 3.222,10

XRP (XRP): -3,96%, US$ 1,97

BNB (BNB): -2,16%, US$ 925,24

Solana (SOL): -5,92%, US$ 133,70

Outros destaques do mercado cripto

Até a Selic foi parar na blockchain. As plataformas de previsão em blockchain estão ganhando espaço no debate político e econômico, inclusive no Brasil. Na Polymarket, por exemplo, já tem gente apostando no resultado da próxima decisão de juros do Banco Central, marcada para os dias 27 e 28 deste mês. Por enquanto, 89% dos apostadores acreditam que o Copom vai manter a taxa no nível atual. Nessas plataformas, os usuários compram tokens de “sim” ou “não” para cada cenário. Se acertarem o resultado, trocam as criptos pelo valor proporcional da aposta.

Regulação no centro do palco. Regulação é aquele assunto que nunca sai de moda no mundo cripto – e vive mudando. Entre os dias 17 e 19 de março, São Paulo recebe o MERGE, uma conferência internacional focada justamente em regulação, além de outros assuntos como Web3, blockchain e stablecoins. O encontro terá participação do Banco Central e de várias instituições que movimentam o mercado cripto brasileiro. Vale anotar na agenda.

Treta entre Coinbase e Casa Branca? A relação entre a Coinbase e a Casa Branca pode ter dado uma azedada nos últimos dias. Uma jornalista americana disse no X que o governo Trump teria ficado irritado depois que a exchange retirou seu apoio ao projeto de lei Clarity Act, por causa do risco de o texto acabar proibindo o pagamento de rendimentos com stablecoins. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, porém, tratou de esfriar o clima: segundo ele, a Casa Branca pediu apenas que a empresa tente costurar um acordo com os bancos, que não são nada fãs da ideia de empresas cripto distribuindo “juros” aos investidores.

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Bitcoin pega embalo com ajuda dos ETFs e da inflação dos EUA

Depois de alguns dias em queda ou andando de lado, o bitcoin (BTC) acordou de melhor humor nesta quarta-feira (14) e voltou a namorar a faixa dos US$ 95 mil – movimento que respingou também nas demais criptomoedas.

Um dos impulsionadores foi a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), que subiu 0,3% em dezembro e ficou em 2,7% em 2025. Tudo dentro do que o mercado já esperava.

“Os dados de inflação tinham potencial para funcionar como catalisador, ajudando o mercado a sair do congestionamento recente e buscar um movimento mais direciona”, disse Marco Aurelio Camargo, CIO da Vault Capital

A inflação, junto com o dado de emprego divulgado na semana passada, reforça a narrativa de que cortes de juros podem estar no horizonte – o que é sempre música para os ouvidos de quem investe em cripto e outros ativos de risco.

Agora, resta saber se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) vai mesmo apertar o botão neste ano. Vale lembrar que Jerome Powell, presidente da instituição, anda sob uma pressão danada de Donald Trump, depois da abertura de uma investigação sobre um projeto de reforma de prédios históricos.

O empurrão dos ETFs

Outro empurrãozinho para o bom humor do mercado veio dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA. Ontem, eles registraram entradas de US$ 753,7 milhões – o maior volume diário desde 7 de outubro, segundo a plataforma SoSoValue.

Esse tipo de fluxo costuma funcionar como um vento a favor para o preço do bitcoin. Quando entra mais dinheiro nos ETFs, os gestores precisam comprar BTC no mercado para montar as posições, o que aumenta a demanda e ajuda a puxar as cotações para cima.

O projeto de lei dos EUA

Além dos dados macro e do fluxo para os ETFs, há mais um ingrediente animando a indústria. Nesta quinta-feira (15), o Senado dos EUA deve votar o Clarity Act, um projeto super aguardado que busca criar um marco regulatório para o setor cripto.

Havia, porém, um trecho do texto que vinha tirando o sono dos players: a possível proibição de stablecoins pagarem rendimento. Hoje, por exemplo, quem deixa o dólar digital USDC “parado” em certas plataformas consegue algo perto de 3,5% ao ano.

Só que o clima mudou. O comitê bancário da Casa apresentou uma espécie de ajuste na proposta e, pelo que está desenhado agora, a ideia é liberar esse tipo de recompensa. Ou seja: as stablecoins ganharam uma sobrevida no jogo da renda passiva.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h40.

Bitcoin (BTC):  +3,31%, US$ 95.043,27

Ethereum (ETH): +5,15%, US$ 3.291,10

XRP (XRP): +3,03%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,92%, US$ 933,50

Solana (SOL): +1,83%, US$ 144,40

Outros destaques do mercado cripto

Bancos não curtem a renda passiva das stablecoins. Como era de se esperar, os bancos não estão nada animados com essa história de stablecoins pagando rendimento. O CFO do JPMorgan, Jeremy Barnum, disse que isso cria uma espécie de “sistema bancário paralelo”. Segundo ele, empresas de cripto estão oferecendo algo muito parecido com contas bancárias – rendem juros e tudo – só que sem o mesmo nível de supervisão, exigências de capital ou proteção ao investidor. Tradução: a disputa ficou séria.

Kobra entra no mundo dos NFTs. O muralista brasileiro Eduardo Kobra, conhecido no mundo todo, resolveu dar um pulo no universo cripto e transformar suas obras em tokens não fungíveis (NFTs). Para quem anda meio por fora: NFT é um bem digital único, registrado em blockchain. Esse mercado esfriou nos últimos anos, mas já viveu dias de glória – com obras sendo vendidas por milhões de dólares.

Imóvel de luxo vira token no Brasil. A onda da tokenização – o processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – segue firme no Brasil. A startup Rooftop captou R$ 17,2 milhões com tokens imobiliários lastreados em um imóvel de alto padrão no condomínio Quinta da Baroneza, localizado entre Itatiba e Bragança Paulista, em São Paulo. Na prática, é o mercado imobiliário mergulhando cada vez mais na tecnologia por trás das criptos.

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Bitcoin patina entre cruz da morte e saídas de ETFs

O bitcoin (BTC) amanheceu andando de lado nesta sexta-feira (9), com leve alta de 0,50% nas últimas 24 horas. A análise técnica da criptomoeda e as recentes saídas de dinheiro de fundos de ativos digitais seguem limitando qualquer tentativa de alta mais robusta.

A maior criptomoeda do mercado – negociada na faixa dos US$ 90 mil hoje – continua presa na temida “cruz da morte”. Esse padrão acontece quando a média móvel de preço de 50 dias cruza para baixo da média de 200 dias.

Historicamente, esse sinal costuma estar associado a quedas. Não é uma regra escrita em pedra, mas é algo que deixa traders com o pé atrás.

Do outro lado, os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de bitcoin nos Estados Unidos também seguem sob pressão. Depois de registrarem US$ 697 milhões em entradas na segunda-feira (5) – o maior volume em três meses – o fluxo virou completamente.

Nos últimos três dias, segundo a plataforma SoSoValue, esses produtos somaram US$ 1,1 bilhão em saídas. Esses movimentos costumam pesar sobre o preço e mostram que os investidores institucionais, grandes usuários desses veículos, estão adotando uma postura mais cautelosa.

“As recentes saídas de capital de ETFs continuam a refletir o rebalanceamento de portfólios, a realização de lucros após uma alta inicial e a cautela de curto prazo em meio à consolidação do mercado, em vez de uma mudança fundamental na demanda institucional”, disse Nick Ruck, diretor da LVRG Research, ao site The Block.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  +0,50%, US$ 90.316,71

Ethereum (ETH): -0,51%, US$ 3.087,07

XRP (XRP): +1,22%, US$ 2,09

BNB (BNB): +0,64%, US$ 889,01

Solana (SOL): +2,74%, US$ 138,10

Outros destaques do mercado cripto

Futuros de cripto ganham novo horário na B3. Boa notícia para quem negocia derivativos de criptomoedas e ouro na B3. A partir desta sexta-feira (9), os contratos futuros de bitcoin (BIT), ethereum (ETR), solana (SOL) e ouro (GLD) passam a ser negociados desde as 8h. Além disso, a partir de 20 de abril, o horário de negociação será estendido até as 20h. Segundo a bolsa, a mudança atende a uma demanda dos próprios investidores locais.

Quase R$ 6 bi em tokenização no Brasil. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – começou 2026 em ritmo acelerado no Brasil. Só neste mês, cerca de R$ 1,5 bilhão em tokens foram emitidos, levando o volume total no país para R$ 5,85 bilhões. Até agora, os principais ativos tokenizados nos primeiros dias do ano foram debêntures e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs).

Submundo cripto movimenta US$ 154 bilhões. Apesar do avanço da regulação, as criptomoedas ainda seguem sendo usadas em atividades ilegais. Um relatório divulgado pela Chainalysis ontem mostra que transações ligadas a crimes com ativos digitais somaram US$ 154 bilhões no ano passado, alta de 155% em relação a 2024. Segundo o estudo, as stablecoins foram os principais instrumentos usados por criminosos virtuais, respondendo por 88% de todo o volume movimentado em atividades ilícitas.

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O próximo Lehman pode ser cripto? O risco escondido nas stablecoins

As stablecoins – criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – cresceram rápido demais. Hoje, já somam um valor de mercado de cerca de US$ 317 bilhões, o equivalente a 10% dos US$ 3,1 trilhões da indústria de ativos digitais. Tradicionalmente, elas são usadas para trading. Porém, aos poucos, também vêm invadindo o sistema financeiro: aparecem em remessas internacionais, plataformas de pagamento, compra de títulos públicos e até em parcerias com gigantes como Visa e Mastercard.

É algo inovador sim – afinal, cripto é mais rápida, funciona 24 horas por dia e corta intermediários, reduzindo um bocado dos custos. Mas esse avanço todo também acende um alerta. Se essas moedas digitais estão com os braços espalhados por todo o sistema financeiro, um problema maior com seus emissores – risco inerente a qualquer empresa, especialmente num setor cuja regulação ainda está sendo construída – pode virar o estopim de um risco sistêmico. Ou seja, uma bela bagunça em escala global.

Risco sistêmico é quando o problema de uma parte do sistema tem efeito dominó e começa a derrubar o resto. Imagine um grande banco quebrando: outras instituições têm dinheiro aplicado nele, empresas dependem dele para operar, investidores entram em pânico, o crédito trava e a economia desacelera. Um exemplo clássico é a quebra do Lehman Brothers, em 2008, que tinha cerca de US$ 639 bilhões em ativos e espalhou a crise pelo mundo inteiro.

Cripto é igual? Não exatamente – mas a lógica do risco é parecida.

Se uma stablecoin grande quebrar (poucas dominam o mercado), o problema não fica restrito a ela: exchanges que usam essa moeda como base de negociação travam, fundos e empresas que guardam caixa nelas ficam com buracos no balanço e até o mercado de títulos públicos pode sentir o impacto, porque eles compõem parte do lastro delas. O filme é conhecido: pânico, vendas forçadas, contágio e crise de confiança.

“Elas (as stablecoins) se tornaram fundamentais para pagamentos, liquidação e liquidez internacional. Com o crescimento da tokenização e parcerias com bancos tradicionais, uma crise geraria um choque de liquidez imediato em empresas que as utilizam para capital de giro e pagamentos”, disse Gabriel Fioravante, professor da FIA Business School.

“Os sinais de contágio aparecem no volume investido e no interesse crescente de instituições como Morgan Stanley e Bank of America, além de empresas de pagamento como Visa, Mastercard e PayPal”, falou Humberto Aillón, professor da FIPECAFI.

Vamos por partes.

Risco de concentração extrema

Hoje, as duas maiores stablecoins mercado – a USDT e a USDC – concentram 82% do valor de mercado das stablecoins. A USDT, sozinha, abocanha pouco mais da metade – 58,68%. É uma gigante cripto. Isso cria um problema simples: se essas duas empresas tiverem problemas, quase todo o mercado sente. É o clássico problema de “too big to fail” no mundo cripto.

E não existe “banco central das stablecoins”. Em crises do sistema tradicional, essas entidades podem comprar títulos públicos, ativos privados, injetar liquidez no sistema, abrir linha de crédito etc. Mas no caso das stablecoins, não há nada disso.

Volatilidade e risco de corrida

Mesmo prometendo estabilidade, stablecoins podem perder a paridade se houver dúvidas sobre reservas ou governança. Em crises, investidores correm para sair ao mesmo tempo. Como nem todos conseguem resgatar direto no emissor, vendem no mercado com desconto, alimentando o pânico.

Isso já aconteceu.

A Tether, emissora da USDT, já perdeu a paridade em momentos de estresse. No fim do ano passado, a S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da moeda de manter o vínculo com o dólar para a pior nota da escala, citando justamente falta de transparência e maior risco dos ativos.

Impacto no mercado de títulos públicos

Hoje, stablecoins já detêm cerca de 2% de todos os T-bills (títulos americanos de curto prazo), segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado no final do ano passado. Veja o caso da Tether. Seu último balanço mostra US$ 127 bilhões em treasuries – mais do que a Alemanha. É ótimo para o governo dos EUA, que tem cada vez mais compras de sua dívida. No entanto, apontou o FMI, isso também pode ser um problema.

Se continuarem crescendo, disse a entidade, eles podem distorcer o funcionamento desse mercado, pressionando os juros (rendimento) para baixo. Pior: em caso de corrida, o emissor teria de vender enormes volumes de títulos de uma vez, causando “fire sales” (venda forçada e apressada de ativos) e bagunçando mercados que são a base do sistema financeiro e da política monetária.

“Uma deterioração grave nesses mercados poderia potencialmente exigir a intervenção do banco central. Além disso, uma deterioração no mercado de títulos do Tesouro poderia impactar negativamente a capacidade do governo de captar recursos”, disse a entidade.

Concorrência com depósitos bancários

Se stablecoins se tornarem amplamente usadas fora do sistema bancário tradicional (por exemplo, em pagamentos ou reservas de valor), isso pode reduzir depósitos bancários – o que enfraquece uma fonte tradicional de financiamento para bancos, segundo o FMI. Essa perda de depósitos pode, em teoria, reduzir a capacidade dos bancos de emprestar à economia e aumentar o custo do crédito se os bancos tiverem que substituir esses depósitos por fontes de financiamento mais caras

Em países frágeis, stablecoins em dólar podem substituir a moeda local rapidamente. Isso poderia enfraquecer o controle do banco central sobre juros e liquidez, reduz a arrecadação de senhoriagem (o “lucro” que um governo obtém ao emitir dinheiro) e dificulta a política monetária, ainda segundo a entidade. E isso pode acontecer muito mais rápido do que a dolarização tradicional, porque stablecoins funcionam via celular e internet.

Regulação poderia dar um help?

A regulação normalmente chega depois da tecnologia – e no caso das stablecoins isso tem se confirmado. Regras e supervisão ainda variam muito entre países, o que pode ser um problema sério se algo der errado.

Alguns países e blocos já avançaram: exigem reservas um pouco mais transparentes, mecanismos de resgate e proteção ao cliente, e estabeleceram frameworks específicos para moedas digitais. No ano passado, os Estados Unidos publicaram a Genius Act, visto por analistas como um grande avanço para o setor. Também tem a regulamentação de mercados de ativos digitais europeia, a MiCA. Enquanto isso, outros países ainda estão no começo – ou sequer têm legislação clara.

Essa desigualdade, segundo o Banco Central Europeu (BCE), cria lacunas regulatórias que podem ser exploradas por emissores de stablecoins escolhendo operar em lugares com regras mais leves. Falando especificamenteo do bloco, a entidade disse seguinte:

“As discrepâncias globais entre as jurisdições constituem a principal fonte de risco das stablecoins para a zona do euro. Apesar das muitas semelhanças entre os diversos conjuntos de legislação, permanecem diferenças importantes em relação aos requisitos de reserva e se as taxas de resgate são permitidas ou não, por exemplo. Essas diferenças facilitam a arbitragem regulatória”.

O professor Humberto Aillón, da FIPECAFI, lembrou que, no Brasil, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vêm trabalhando com foco na segurança do investidor. A regulamentação foi publicada no fim do ano passado e aumentou as exigências de reservas, regras de custódia e governança, em linha com o marco legal dos criptoativos (Lei 14.478/22).

Ainda assim, por se tratar de uma classe de ativos relativamente nova e muito dependente de infraestrutura de blockchain e tecnologia, o consenso no mercado é que a regulação ainda tem bastante espaço para ajustes e melhorias, disse.

O lado A

Existe todo esse medo, mas nem tudo é problema – claro. Apesar dos riscos, as stablecoins resolvem problemas reais – como já foi falado muito por aqui e em vários veículos. Elas tornam pagamentos internacionais mais rápidos e baratos, podem ser usadas para viagem, reduzem intermediários, funcionam de domingo a domingo, e já estão sendo usadas por empresas e bancos para liquidação financeira.

Além disso, as firmas emissoras estão se mexendo e melhorando cada vez mais. “A transparência melhorou significativamente. Emissores como a Circle (dona da USDC) utilizam a BlackRock para gerir reservas, com auditorias regulares e verificáveis”, lembrou Fioravante, professor da FIA Business School. Contudo, falou, o mercado ainda cobra auditorias “em tempo real” para garantir que cada token tem 100% de cobertura em ativos seguros, e não em papéis comerciais de menor qualidade

O ponto, dizem especialistas, não é frear a tecnologia. É impedir que ela cresça rápido demais sem uma rede de proteção, como já aconteceu tantas vezes na história do sistema financeiro.

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Bitcoin escorrega com aversão ao risco e ruído técnico

O bitcoin (BTC) não conseguiu sustentar a alta do início da semana e amanheceu no vermelho nesta quarta-feira (7), perdendo o patamar dos US$ 93 mil.

No cenário macro, a criptomoeda reage a um leve aumento da aversão ao risco, em meio à expectativa por dados de emprego nos Estados Unidos e às incertezas geopolíticas envolvendo o petróleo.

Hoje, os EUA divulgam o relatório de emprego privado da ADP de dezembro e, mais tarde, a pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade. Esses indicadores são importantes porque ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

No campo geopolítico, os olhos seguem voltados para o desenrolar da prisão de Nicolás Maduro, que adiciona mais uma camada de incerteza ao cenário global.

Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin dos EUA sentiram o clima. Depois de registrarem o melhor dia desde o início de outubro no início desta semana, o fluxo virou para o negativo, com US$ 243 milhões em saques ontem.

A movimentação de capital nesses produtos, preferidos por investidores institucionais, costuma repercutir no preço do bitcoin – e vice-versa – em uma dinâmica quase cíclica.

Segundo a CryptoQuant, a demanda aparente on-chain (toda a movimentação registrada diretamente na blockchain) também segue fraca e precisaria de uma recuperação mais consistente para sustentar um retorno aos US$ 100 mil.

“Com o sentimento ainda incerto e o baixo volume de negociação no mercado, a demanda por um retorno à movimentação on-chain ainda não mostrou sinais sólidos de melhora”, disse a casa.

Falha no bitcoin?

Há outro burburinho no mercado. Na terça, desenvolvedores do bitcoin (BTC) divulgaram a existência de um bug em duas versões recentes do principal software da rede – o Bitcoin Core 30.0 e o 30.1 -, lançadas em outubro do ano passado.

Esse problema poderia apagar o conteúdo de carteiras antigas durante a migração em “raras circunstâncias”, disseram. Ou seja, poderia fazer o investidor perder suas criptomoedas. Mas calma: não é o fim do mundo.

Primeiro, porque os desenvolvedores já removeram o download das versões afetadas e prometeram uma correção. Segundo, porque nem de longe todo mundo usa essas versões – que, aliás, já vinham sendo pouco adotadas desde o lançamento.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30.

Bitcoin (BTC):  -1,96%, US$ 91.951,45

Ethereum (ETH): -0,75%, US$ 3.212,19

XRP (XRP): -5,33%, US$ 2,24

BNB (BNB): +0,58%, US$ 905,79

Solana (SOL): -1,03%, US$ 137,65

Outros destaques do mercado cripto

Mais uma stablecoin brazuca na praça. Tem mais uma stablecoin brasileira chegando no pedaço. O ex-diretor do Banco Central Tony Volpon anunciou nesta semana, na CNN, que vai lançar o BRD, uma cripto lastreada em títulos públicos do Tesouro Nacional. Hoje, o Brasil já tem pelo menos seis stablecoins – BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV – e a própria B3 revelou, no fim do ano passado, que também está desenvolvendo um token. O mercado cripto definitivamente não para.

Fundos cripto brasileiros ficam no vermelho. Os fundos brasileiros de criptomoedas terminaram 2025 com mais saídas do que entradas. No total, os produtos registraram um fluxo negativo de US$ 1 milhão, bem diferente dos US$ 234 milhões que entraram em 2024. O Brasil ficou na contramão do resto do mundo: globalmente, os fundos cripto tiveram influxos de US$ 47,2 bilhões no ano passado, pouco abaixo dos US$ 48,7 bilhões de 2024.

Morgan Stanley quer ETF cripto. O Morgan Stanley pediu à SEC (a CVM dos EUA) autorização para lançar um ETF de bitcoin à vista e um produto ligado à solana (SOL), mostrando que a velha guarda de Wall Street segue cada vez mais confortável com o mundo cripto. O pedido vem num momento em que esses produtos estão em alta: os ETFs de bitcoin nos EUA já somam US$ 123 bilhões sob gestão e seguem recebendo dinheiro novo, enquanto os fundos ligados à solana também já passaram da marca de US$ 1 bilhão.

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Bitcoin sobe com rumores sobre reserva oculta de cripto na Venezuela

O bitcoin (BTC) chegou a tocar os US$ 93.350 no fim de semana, o maior nível em cerca de um mês, antes de se estabilizar na faixa dos US$ 92 mil na manhã desta segunda-feira (5). O movimento coincidiu com a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, mas a relação não é direta.

O que entrou no radar do mercado foi a possibilidade de a Venezuela deter uma grande reserva oculta de bitcoin, o que poderia ter implicações relevantes para a indústria. Em nota citada pelo The Wall Street Journal, a analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote Bank, afirmou que estimativas apontam para uma reserva superior a 600 mil bitcoins.

Se confirmado, o país se tornaria o maior detentor de BTC do mundo, à frente dos Estados Unidos (328,3 mil unidades), China (190 mil) e Reino Unido (61,2 mil), segundo dados do site Bitcoin Treasuries Companies.

Ozkardeskaya destacou que a oferta de bitcoin poderia ser impactada caso esses ativos sejam apreendidos pelos Estados Unidos em investigações por narcoterrorismo ou incorporados a reservas estratégicas.

O que esperar no curto prazo?

No curto prazo, a leitura para o bitcoin é neutra a levemente positiva, segundo André Franco, CEO da Boost Research. Para ele, o início de ano favorece ativos de risco, com recuperação de bolsas globais, maior liquidez e um sentimento de “restart” após o período de festas.

“A força relativa das bolsas e a estabilidade do preço do BTC acima de US$ 91 .000 sugerem que, mesmo sem um catalisador macro imediato, o ativo pode consolidar seus níveis com leve viés de alta”.

Ainda assim, Franco ressalta que uma agenda econômica carregada e o dólar mais forte podem atuar como freios, limitando movimentos mais agressivos no curtíssimo prazo. As principais altcoins também operam em alta nesta manhã, acompanhando o bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h.

Bitcoin (BTC):  +1,89%, US$ 92.808,88

Ethereum (ETH): +1,05%, US$ 3.168,12

XRP (XRP): +0,81%, US$ 2,12

BNB (BNB): +2,11%, US$ 905,40

Solana (SOL): +0,63%, US$ 128,28

Outros destaques do mercado cripto

Quase R$ 100 bi em dólar digital no Brasil. Em 2025, os brasileiros intensificaram o uso da stablecoin USDT, o principal “dólar digital” do mercado. O volume negociado nas exchanges chegou a R$ 98,9 bilhões, quase o dobro do registrado em 2024 (R$ 52,6 bilhões). O apetite por esse tipo de cripto não é novidade por aqui, mas no ano passado houve um impulso extra: as stablecoins, que funcionam como instrumento de câmbio, eram isentas de IOF. Esse cenário, porém, mudou em 2026, com a entrada da regulação.

Eleições brasileiras na blockchain. A corrida presidencial brasileira entrou no radar da Polymarket, plataforma construída em blockchain que permite apostas sobre eventos futuros. O mercado relacionado às eleições já movimentou cerca de US$ 10 milhões em volume. O funcionamento é simples: os usuários compram tokens de “sim” ou “não”, que representam possíveis desfechos. Se o resultado escolhido se confirmar, os tokens podem ser trocados pelo valor proporcional ao total apostado, descontadas as taxas da plataforma.

PwC amplia aposta em cripto. A PwC decidiu aprofundar sua atuação no setor cripto, embalada por um ambiente regulatório mais favorável nos Estados Unidos e pela popularização das stablecoins. A gigante global vê na aprovação do GENIUS Act (lei dos EUA para stablecoins) um divisor de águas para a adoção institucional de ativos digitais, além de reforçar a tese de crescimento da tokenização. Após anos de cautela, a PwC agora planeja atuação mais intensa tanto em auditoria quanto em consultoria, apostando que o setor entrou em uma fase mais madura e previsível.

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Mercados hoje: com Venezuela no centro do noticiário, ouro sobe e petróleo escorrega

Bom dia!
Os mercados começam a semana olhando para dois lados ao mesmo tempo: a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro no fim de semana, e a divulgação de dados econômicos ao longo dos próximos dias. Bolsas globais tentam sustentar o tom positivo, moedas reagem com mais cautela, enquanto o petróleo recua e o ouro avança. É aquele início de ano em que ninguém quer correr demais – mas também não quer ficar parado.

Enquanto você dormia…

  • A tendência global é de leve alta, com juros e macro no radar, mas sem grandes rompantes. Os futuros de NY operam em terreno positivo nesta manhã: Dow Jones sobe +0,1%, S&P 500 avança +0,25% e Nasdaq ganha +0,55%
  • As bolsas europeias operam em alta moderada, com STOXX600 subindo +0,49%.
  • Na Ásia, o Nikkei sobe 2,97%, puxado por ações de tecnologia, enquanto o Hang Seng anda de lado, com leve alta de 0,03%.
  • O Índice Dólar (DXY) sobe +0,16% aos 98,6 pontos, sustentando força moderada frente às principais moedas.
  • O ouro avança +2,17%, para US$ 4.425/onça-troy, impulsionado pela busca por proteção após notícias geopolíticas.
  • Já o petróleo Brent cai -0,7%, ainda sem direção clara.

Destaques do dia

  • A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas no fim de semana introduziu um novo elemento de incerteza no início de 2026. Do ponto de vista de risco de mercado, o episódio aumentou a demanda por ativos considerados seguros, como o ouro, e deixou o petróleo em compasso de espera, diante da possibilidade de mudanças no fluxo global da commodity.
  • A Venezuela concentra a maior reserva provada de petróleo do mundo – cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a 17% das reservas globais, majoritariamente na forma de óleo pesado. Para os Estados Unidos, garantir acesso a esse “tesouro negro” é uma questão estratégica sob o prisma econômico. Ao mesmo tempo, o movimento muda o tabuleiro geopolítico, já que Rússia e China mantêm interesses relevantes na região, o que ajuda a explicar a cautela dos mercados.

Giro pelo mundo

  • AI e inflação: investidores apontam que o forte fluxo de investimentos em tecnologia e inteligência artificial pode reacender pressões inflacionárias globalmente em 2026, desafiando a narrativa de cortes de juros e levando bancos centrais a repensar a trajetória de política monetária. Esse risco subjacente vem de gastos intensivos em data centers e outros ativos de tecnologia que podem impulsionar custos em energia e semicondutores.
  • Chuva de dados. Os EUA divulgam nesta semana vários indicadores sobre o mercado de trabalho de dezembro – dados que são usados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para tomar decisões de política monetária. O principal deles é o Relatório de Emprego, na sexta-feira (9). Há expectativa para desaceleração na criação de empregos não agrícolas – de 64 mil para 55 mil vagas.

Giro pelo Brasil

  • Boletim Focus. O relatório, que será divulgado hoje, pode reforçar a expectativa de que a segunda reunião do Copom em 2026 traga um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica de 15,0% para 14,5%.
  • Balança comercial. O governo federal divulga a balança comercial de dezembro e o resultado fechado de 2025. A mediana das projeções aponta para um superávit comercial maior do que o registrado em novembro.
  • Juros futuros. Curvas no Brasil começaram 2026 em queda firme, sinalizando alguma acomodação nas expectativas de política monetária.
  • Risco fiscal ainda monitorado. Ambiente político permanece pano de fundo para prêmios de risco, sobretudo em ativos atrelados ao crédito soberano.

Giro corporativo

  • Posição privilegiada. A Chevron, única grande empresa dos EUA na Venezuela, aparece em posição privilegiada para cumprir a promessa do presidente Trump de rejuvenescer o setor petrolífero no país.
  • Bolha da IA vai estourar? Enquanto a narrativa da inteligência artificial segue levando o mercado acionário a novas máximas, investidores se perguntam se o setor vive um novo ciclo de euforia excessiva. A história mostra que a resposta raramente é simples.
  • Obsessão por sushi. A comida japonesa ganha espaço como prato principal em festas infantis nos EUA, pressionando o bolso dos pais. As vendas de sushi no varejo, como supermercados, somaram US$ 2,9 bilhões nos 12 meses até novembro de 2025.

Agenda do dia

  • 08:25: Boletim Focus — Brasil (Banco Central). Reúne as expectativas do mercado para IPCA, Selic, PIB e câmbio; costuma mexer com juros e dólar logo na abertura.
  • 12:00: PMI Industrial ISM — EUA. Termômetro da atividade manufatureira americana, com impacto direto em juros e dólar global. (Consenso: desaceleração marginal).
  • 13:30: Leilão de títulos do Tesouro — EUA. Influencia a curva de juros americana e o humor dos mercados globais.
  • 15:00: Balança Comercial — Brasil. Mede exportações menos importações; resultado maior que o esperado tende a ser positivo para o real. (Previsto ~US$ 6,39 bi)

Ótima segunda-feira e bons negócios!

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Rali relâmpago: bitcoin toca nos US$ 90 mil, mas perde força

O bitcoin (BTC) deu um suspiro de esperança aos investidores no domingo (28), ao voltar a superar a marca psicológica dos US$ 90 mil. A animação, porém, durou pouco.

Na manhã desta segunda-feira (29), a maior criptomoeda do mercado perdeu fôlego e voltou a operar na faixa dos US$ 86 mil, segundo dados do gráfico do InvestNews.

O movimento acompanhou os futuros da Nasdaq, que recuam 0,37%. Nos últimos meses, o BTC tem mostrado maior correlação com o índice de tecnologia dos Estados Unidos – e menos com o ouro, ativo tradicionalmente visto como proteção.

“O gráfico de preços do bitcoin parece muito promissor para níveis mais altos no futuro, mas há menos certeza no curto prazo”, disse John Glover, diretor de investimentos da Ledn, ao portal especializado CoinDesk.

Segundo o especialista, o mercado tende a andar de lado ou até registrar uma leve correção nas próximas semanas ou meses.

As altcoins – termo usado para criptomoedas que não são o bitcoin – também operam em queda nesta manhã.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30:

Bitcoin (BTC):  -0,58%, US$ 86.991,24

Ethereum (ETH): -0,35%, US$ 2.930,70

XRP (XRP): -0,29%, US$ 1,87

BNB (BNB): -0,36%, US$ 851,69

Solana (SOL): -0,66%, US$ 123,70

Outros destaques do mercado cripto

Mineração de BTC avança no Brasil. A mineração de bitcoin – o motor que emite novas moedas – está encontrando terreno fértil no Brasil. Projetos já estão a todo vapor na Bahia, no Mato Grosso do Sul… Os motivos? Estados oferecendo vantagens tributárias e um empurrão do governo federal, que tem ajudado data centers. Uma combinação potente. Mas ainda tem um “porém” para resolver: essa atividade é voraz em energia e a regulação para isso no Brasil ainda é cinzenta.

DeFi de mãos dadas com mercado tradicional. Já ouviram falar das finanças descentralizadas (DeFi)? É o ecossistema de serviços financeiros que roda direto na blockchain, a tecnologia por trás das criptos. E adivinha? Aqui no Brasil, o DeFi tem caminhado para perto do mercado financeiro tradicional. Prova disso é que o volume dos Tokens de Investimento em Direitos Creditórios (os TIDC`s, como são conhecidos) já alcançou a marca de R$ 1 bilhão. Um sinal forte, né?

Cripto estatal com juros. O Yuan digital, a moeda do banco central da China, passou por uma repaginada. A cripto estatal deixará de funcionar apenas como “dinheiro digital” para se tornar uma “moeda de depósito digital” a partir de 1º de janeiro de 2026. Ou seja, vai pagar juros para quem segurar. O objetivo do governo do país é impulsionar a adoção da moeda governamental, que é uma das mais avançadas do mundo, mas ainda enfrenta desafios de popularização.

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Investir em dólar em 2026 faz sentido para os brasileiros?

Fazer previsões sobre investimentos internacionais e dólar nunca é simples – e fica ainda mais difícil quando o cenário reúne incertezas sobre juros, conflitos geopolíticos e eleições no Brasil. Ainda assim, alguns sinais começam a se desenhar e podem ajudar o investidor a pelo menos calibrar decisões para 2026.

O principal é o enfraquecimento do dólar no cenário global. Há certo consenso entre as casas de análise de que a moeda americana tende a perder valor. Não por acaso, bancos centrais vêm aumentando a parcela de ouro em suas reservas, em detrimento do dólar. Três fatores ajudam a explicar esse movimento:

Juros: boa parte do mercado trabalha com a hipótese de cortes de juros nos Estados Unidos em 2026. Quando as taxas caem, os títulos em dólar perdem parte da atratividade, o que tende a direcionar capital para outros ativos.

Inflação: a inflação americana segue mais elevada do que a da zona do euro e de outras economias desenvolvidas. Isso corrói o poder de compra do dólar frente a essas moedas.

Fiscal: O governo dos Estados Unidos vem ampliando gastos e elevando o déficit fiscal. Esse desequilíbrio pesa sobre a percepção do dólar como moeda porto seguro e como reserva de valor global.

Mas isso significa que o brasileiro deve evitar o dólar ou reduzir a exposição? Não necessariamente.

Por que vale ter exposição ao dólar?

Primeiro, porque a moeda segue forte no contexto internacional – o que se discute é uma redução marginal de exposição, não um abandono, e isso para quem já tem a divisa na carteira. E, segundo, porque a realidade do investidor brasileiro é distinta da do investidor global.

“O percentual alocado em outras moedas fortes nas carteiras de brasileiros é muito pequeno. Então, é preciso ajustar algo que está muito fora do padrão global. Na verdade, o Brasil é que é muito diferente do mundo, nesse sentido”, afirmou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Até 31 de dezembro de 2024, somente 29.068 brasileiros declararam ter ativos no exterior, segundo dados do Banco Central. É pouco. Só na renda fixa local, há pouco mais de 100 milhões de brasileiros, enquanto na renda variável há cerca de 5,4 milhões, segundo dados da B3.

Outro ponto, segundo Alves, é que 2026 tende a ser um ano de elevada volatilidade, impulsionada pela incerteza eleitoral no Brasil. Nos últimos dias, o mercado já teve uma amostra disso, com anúncios de candidaturas, pesquisas e ruídos políticos.

“Para o investidor brasileiro, como forma de proteção diante de um cenário tão binário, é fundamental ter exposição ao dólar”, disse.

Quando se fala em investir na moeda americana, muita gente pensa imediatamente em comprar dólar em uma casa de câmbio. É uma possibilidade, claro, mas não a única. Há alternativas tanto na renda fixa quanto na renda variável.

Renda fixa em dólar

Com a expectativa de queda de juros nos EUA e um possível enfraquecimento do dólar, a tendência é que os Treasuries – os títulos do governo americano – passem a oferecer retornos menores.

Ainda assim, segundo especialistas, é possível encontrar papéis de crédito privado pagando entre 5% e 6% ao ano em dólar. São ativos mais arriscados do que os Treasuries, consideradas as mais seguras do mercado, mas que compensam com rendimento maior.

“O mercado de renda fixa americano é muito pujante. Vemos essas alocações muito mais como estratégicas e perenes dentro do portfólio do que como apostas táticas em oportunidades pontuais”, afirmou Juan Schiavo, portfolio manager da Cimo Family Office.

Renda variável

É impossível falar de renda variável no exterior sem olhar para o S&P 500, principal índice de ações dos Estados Unidos. Em 2025, ele ficou atrás do Ibovespa – subiu 16%, contra alta de 35% do índice brasileiro. Ainda assim, o histórico joga a favor do gigante: entre 1950 e 2024, o índice avançou, em média, 9,3% ao ano, segundo dados da Avenue.

De acordo com o BTG Pactual, a dinâmica de lucros das empresas americanas segue favorável. “O consenso projeta para 2026 um crescimento de aproximadamente 11% nos lucros do S&P 500, liderado por Tecnologia (+14%), Comunicações (+11%) e Energia (+9%)”, afirmou o banco em relatório.

A principal narrativa, portanto, deve continuar sendo a mesma: a tal da inteligência artificial. Apesar do debate sobre possíveis excessos e até uma pequena bolha, é no próximo ano que devem ficar mais evidentes as “profundas transformações econômicas e sociais provocadas por essa nova inovação”, segundo a XP.

Na visão de Schiavo, o setor de tecnologia nos EUA se tornou tão grande que hoje é o principal driver dos mercados globais.

Riscos

Investir no exterior, como qualquer investimento, envolve riscos. Um dos principais é a oscilação cambial: a valorização do dólar pode ampliar ganhos, mas o movimento inverso tem impacto direto sobre o retorno em reais. O último boletim Focus do Banco Central projeta o dólar na faixa dos R$ 5,50 para 2026, o mesmo patamar deste ano.

Além disso, fatores políticos e econômicos do país onde o capital está alocado pesam bastante. Mudanças na política monetária (lembrando que os EUA terão um novo presidente no seu banco central ano que vem), crises institucionais ou até declarações de líderes influentes – Donald Trump que o diga – podem gerar volatilidade e alterar rapidamente o humor do mercado, mesmo em economias consideradas estáveis, como a americana.

Quanto investir em dólar?

Definir quanto do patrimônio deve estar exposto ao dólar não tem resposta única. A alocação ideal varia conforme renda, padrão de consumo e objetivos financeiros. Ainda assim, alguns estudos ajudam a oferecer um ponto de partida mais concreto para quem busca proteção cambial e diversificação internacional.

Um levantamento divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no início deste ano mostrou que a variação do dólar impacta entre 16% e 18% da cesta de consumo dos brasileiros, a depender da faixa de renda. Com base nisso, o estudo sugere que manter algo próximo a esse percentual aplicado em ativos internacionais – especialmente atrelados à moeda americana – pode ajudar a equilibrar os efeitos do câmbio no dia a dia.

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Stablecoins latinas movimentam R$ 25,6 bilhões; Brasil lidera o jogo

Enquanto todo mundo fala das stablecoins de dólar, um outro movimento acontece mais perto da gente. As versões latino-americanas estão ganhando cada vez mais espaço no cenário cripto.

Um estudo divulgado pela Iporanga Ventures nesta semana mostra que as stablecoins do Brasil, México e Colômbia já movimentaram, juntas, R$ 25,6 bilhões em 2025. A expectativa é que o total até o último dia do ano alcance R$ 32 bilhões.

Ainda é pouco se comparado à USDT – que sozinha tem volume diário cerca de três vezes maior do que isso -, mas o avanço chama atenção

E o Brasil é o grande destaque da região. Sozinhas, as stablecoins atreladas ao real brasileiro devem registrar um volume negociado de R$ 21,3 bilhões até o final do ano.

Hoje, o país conta com seis criptos ligadas à sua moeda oficial: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e BRLV. De acordo com o estudo, elas colocam o Brasil como o terceiro maior mercado do mundo em circulação e volume desse tipo de ativo, atrás apenas de tokens de dólar e de euro.

Detalhe: há mais uma cripto “brazuca” prestes a ser criada. Ontem, a B3 anunciou que deve lançar, ainda no primeiro semestre, a sua própria stablecoin. A moeda digital será lastreada em reais e criada para permitir a liquidação de ativos tokenizados dentro da bolsa.

Vale lembrar que esses criptoativos são lastreados, em grande parte, por títulos públicos – o que ajuda a ampliar a demanda por dívida soberana e entra, inclusive, no radar das discussões sobre financiamento do setor público.

Quem usa stablecoins latinas?

No fim do ano passado, investidores profissionais e as chamadas “baleias” (pessoas ou grupos com grandes volumes de ativos digitais) respondiam por 60% do volume movimentado. Os institucionais representavam apenas 5%, enquanto o varejo somava 35%.

Em 2025, esse cenário se inverteu. Hoje, 84% do volume já vem de investidores institucionais, 12% de profissionais e apenas 4% de varejo.

“Stablecoins locais estão se tornando uma ponte entre a economia latino-americana e o sistema financeiro global. Elas já movimentam bilhões de dólares – e dezenas de bilhões de reais -, estão sendo adotadas por instituições e começam a reescrever como câmbio e pagamentos acontecem on-chain”, disse Rodrigo Trindade, research lead da Iporanga Ventures.


Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h50:

Bitcoin (BTC):  -0,12%, US$ 87.050,09

Ethereum (ETH): -0,68%, US$ 2.929,45

XRP (XRP): -0,81%, US$ 1,90

BNB (BNB): -0,92%, US$ 859,17

Solana (SOL): -0,44%, US$ 127,90

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoins nos bancos dos EUA. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), agência federal dos Estados Unidos, está desenvolvendo uma estrutura para que bancos regulados possam pedir autorização para emitir stablecoins de pagamento. Por enquanto, a proposta está em consulta pública e só depois deve virar regra. Mas a direção é clara: as stablecoins estão deixando de ser um experimento cripto para entrar, de vez, no sistema financeiro tradicional.

Fed mais amigável às criptos? O presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando possíveis substitutos de Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve (Fed). Nesta quarta (17), ele vai entrevistar Christopher Waller, diretor do banco central americano. Waller é visto como pró-cripto e já declarou apoio, no passado, especialmente às stablecoins e às finanças descentralizadas (DeFi).

Leilão público com tecnologia cripto. A blockchain também começa a avançar no setor público. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) vai realizar, agora em dezembro, o primeiro leilão público usando essa tecnologia. O sistema foi desenvolvido pela empresa InspireIP. Todo o processo – edital, laudos, fotos, anexos, retificações e o histórico completo de alterações – foi registrado em uma estrutura cripto.

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Bitcoin recua com pressão de macro, IA e vendas

O cenário não está nada favorável para o mercado cripto nesta terça-feira (16). O bitcoin (BTC) e as principais altcoins tomaram um novo tombo, com a aversão ao risco em alta e pressão vendedora vindo de vários lados.

O bitcoin é negociado na faixa dos US$ 87 mil, com queda de 3% nas últimas 24 horas. O ethereum (ETH) cai ainda mais forte, com perdas superiores a 6% no mesmo período.

A pressão começa pelo cenário macro. Traders aguardam novos dados de emprego e inflação nos Estados Unidos, que devem influenciar as próximas decisões de juros do Federal Reserve (Fed). O ambiente segue de cautela, com menos apetite por risco.

Os olhos também continuam voltados para o Japão, que pode elevar os juros ainda nesta semana. Um movimento assim tende a afetar o carry trade – estratégia em que investidores tomam recursos em ienes a juros baixos para aplicar em mercados de maior retorno -, o que costuma pressionar ativos de risco, incluindo criptomoedas.

Outro catalisador negativo vem do setor de inteligência artificial. O mercado passa por uma nova rodada de reavaliação, com discussões crescentes sobre excesso de otimismo e até risco de bolha. Vale lembrar que, recentemente, o mercado cripto tem se comportado mais como ações de tecnologia do que como ativo de proteção, como o ouro.

“Para o mercado de criptomoedas, isso cria uma dinâmica mais sutil: a perda de dominância da IA libera atenção e capital, mas o setor cripto continua estruturalmente sensível ao sentimento mais amplo de crescimento. Uma deflação ordenada da narrativa de IA tende a ser construtiva; um desmonte violento, não”, escreveu o trader Jasper de Maere, da Wintermute, em relatório.

Por fim, a pressão vendedora aumentou de forma relevante, especialmente entre investidores de longo prazo. Dados da empresa de análise de blockchain CryptoQuant mostram que o pico de vendas desses holders (usuários que mantêm cripto por um bom tempo) nos últimos 30 dias está entre os maiores dos últimos cinco anos.

Essa pressão vendedora também aparece nos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin listados nos Estados Unidos. Após registrarem entradas líquidas de US$ 49 milhões na sexta-feira (12), o fluxo virou rapidamente. Na segunda-feira (15), os produtos tiveram saídas de US$ 357,6 milhões – o pior resultado diário desde 20 de novembro.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 9h30:

Bitcoin (BTC):  -3,00%, US$ 87.030,09

Ethereum (ETH): -6,36%, US$ 2.955,00

XRP (XRP): -3,30%, US$ 1,91

BNB (BNB): -2,74%, US$ 863,17

Solana (SOL): -2,85%, US$ 128,80

Outros destaques do mercado cripto

Brasileiros sacam fundos cripto. Em meio à volatilidade do bitcoin, alguns investidores brasileiros em fundos de criptomoedas decidiram reduzir a exposição. Na semana passada, segundo dados da CoinShares, foram sacados US$ 1,7 milhão (R$ 9,1 milhões) desses produtos no Brasil. O movimento vai na contramão do cenário global: no mesmo período, os fundos cripto ao redor do mundo registraram entradas líquidas de US$ 864 milhões (R$ 4,6 bilhões).

JPMorgan e seu novo fundo tokenizado. A onda da tokenização segue ganhando força. O JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos, lançou um fundo tokenizado na rede do ethereum. O produto, voltado exclusivamente para investidores qualificados, permite obter rendimento mantendo o capital alocado no fundo. A iniciativa se apoia na própria infraestrutura do ethereum, que oferece o staking – mecanismo de renda passiva que remunera quem mantém ativos travados na blockchain.

ETFs de XRP passam de US$ 1 bi. Os ETFs (fundos negociados em bolsa) de XRP listados nos Estados Unidos vão muito bem, obrigado. Lançados em 13 de novembro, os produtos ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões) em entradas acumuladas. O desempenho reforça que o apetite institucional por criptoativos regulados vai além dos fundos focados apenas em bitcoin e ethereum, as duas maiores criptomoedas do mercado.

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Efeito pré-IOF: brasileiros movimentam mais de R$ 10 bi em stablecoins

A movimentação das stablecoins em dólar segue a todo vapor no Brasil. Em novembro, o volume total negociado dessas criptos nas exchanges locais somou R$ 10,7 bilhões, segundo dados divulgados na segunda-feira (8) pela plataforma Biscoint, do Bitybank.

A USDT, da Tether, continua na liderança: foram R$ 10,22 bilhões só no mês passado – praticamente o mesmo patamar de outubro. Já a USDC, da Circle, movimentou R$ 463 milhões, ligeiramente abaixo dos R$ 477 milhões do mês anterior.

O apetite dos brasileiros por esses tokens, apelidados de “cripto dólar”, vem crescendo nos últimos anos porque eles podem ser usados para operações de câmbio e ainda são isentos de IOF. Essa vantagem, no entanto, tem prazo para acabar: até maio de 2026.

A norma que muda o jogo foi publicada pelo Banco Central em novembro, quando a autarquia federal regulamentou o mercado de cripto e enquadrou as stablecoins dentro das regras de câmbio.

A Receita Federal – responsável por fazer a administração dos tributos federais – ainda não detalhou como exatamente será a cobrança do IOF, mas a expectativa é que publique algo nos próximos meses.

Bitcoin e Ethereum seguem firmes

Apesar da preferência por stablecoins, o volume de bitcoin e ethereum também permanece robusto.

O BTC movimentou R$ 4,84 bilhões em novembro, contra R$ 5,2 bilhões em outubro. O ethereum somou R$ 1,22 bilhão, ante R$ 1,57 bilhão no mês anterior.

Na manhã desta terça-feira (9), as duas maiores criptomoedas do mercado operam em baixa: bitcoin na casa dos US$ 90.630,70 e ethereum a US$ 3.130,78.

Andre Franco, CEO da Boost Research, disse que o mercado de criptomoedas apresenta uma expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa.

“A aversão ao risco e a indefinição sobre o futuro da política monetária global exercem pressão sobre ativos mais voláteis, como as criptomoedas”.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,53%, US$ 90.630,70

Ethereum (ETH): -0,10%, US$ 3.130,78

XRP (XRP): -0,29%, US$ 2,08

BNB (BNB): -1,95%, US$ 888,08

Solana (SOL): -3,97%, US$ 132,91

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin de real levanta uma boa grana. A empresa brasileira Crown, responsável pela BRLV – uma stablecoin atrelada ao real -, recebeu um aporte de US$ 13,5 milhões (R$ 70 milhões) liderado pela Paradigm, uma das gigantes do mundo cripto. Com o caixa reforçado, a firma promete expandir a infraestrutura da BRLV, que já soma R$ 360 milhões em valor de mercado. Mais um sinal de que as stablecoins “made in Brazil” estão chamando atenção além do quintal.

Strategy engorda o caixa de BTC. A Strategy, maior tesouraria corporativa de bitcoin do mercado, abriu a carteira mais uma vez. A empresa informou que acrescentou 10.624 BTC ao portfólio – um investimento de US$ 926 milhões. Com isso, a companhia passa a deter 660.624 bitcoins, algo em torno de US$ 60 bilhões. O saldo equivale a cerca de 3% de toda a oferta máxima de 21 milhões de BTC previstos para existir no mundo.

ETF de ethereum com “dividendos”. A BlackRock deu mais um passo no universo cripto e entrou com um pedido nos EUA para lançar um ETF de ethereum com staking. O staking permite que investidores mantenham seus ETH bloqueados na blockchain para ajudar a validar transações – e, em troca, recebem recompensas em criptomoedas. Na prática, funciona como uma espécie de “dividendo” do mundo cripto.

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ETF de bitcoin da BlackRock registra maior sequência de saídas da história

O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) de bitcoin (BTC) à vista da gigante dos investimentos BlackRock, atravessa sua pior sequência desde o lançamento, em janeiro de 2024.

Nas últimas cinco semanas, o fundo registrou US$ 2,7 bilhões em saídas, segundo dados da Bloomberg até 28 de novembro.

Se o ritmo continuar, o ETF – “queridinho” dos investidores institucionais – deve completar seis semanas consecutivas de resgates. Só ontem, foram US$ 113 milhões em saques.

A onda de saídas anda lado a lado com a queda do bitcoin. Do início de novembro até esta sexta-feira (5), o BTC recuou 16%, pressionado por dúvidas sobre juros globais, aumento da aversão ao risco e incertezas envolvendo empresas cripto.

Nesta manhã, a maior criptomoeda do mercado é negociada a US$ 91.204, em queda de quase 2%, segundo a cotação do InvestNews.

Num efeito dominó, os resgates nesses ETFs também aceleram o movimento de baixa: quando os investidores vendem as cotas, os fundos precisam se desfazer de parte das criptos que mantêm em custódia para o lastro.

E não é só o ETF da BlackRock que está na maré negativa. Os outros fundos de BTC nos EUA também vêm perdendo fôlego. Juntos, os 10 produtos acumulam US$ 4,5 bilhões em saídas nas últimas seis semanas, de acordo com dados da plataforma SoSoValue.

A movimentação nesses fundos tem impacto no mercado cripto, visto que eles somam US$ 120,8 bilhões em patrimônio acumulado – 6,54% de todo o valor de mercado do bitcoin. O IBIT, sozinho, responde por US$ 71,54 bilhões, quase 60% desse total.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1,98%, US$ 91.204,03

Ethereum (ETH): -1,44%, US$ 3.129,78

XRP (XRP): -3,60%, US$ 2,06

BNB (BNB): -1,80%, US$ 893,08

Solana (SOL): -4,40%, US$ 136,69

Outros destaques do mercado cripto

Regulação provoca primeira baixa. A regulamentação das criptos endureceu as regras e passou a exigir capital mínimo – entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões – para empresas atuarem no setor. Muita startup cripto local não tem essa grana. Especialistas já sinalizaram que algumas poderiam fechar as portas. E isso já começou. A Crypto Use, que trabalha com infraestrutura de pagamentos, anunciou que encerrou as operações porque o novo cenário ficou insustentável.

Stablecoins na cola das moedas fracas. As stablecoins seguem no radar de organismos internacionais. Em relatório divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que essas criptos – que mantêm paridade com ativos tradicionais – podem ganhar espaço em países onde a moeda local é fraca ou a inflação é persistente. A instituição alerta que, nesses contextos, a população tende a migrar para alternativas digitais mais estáveis. Fica a pergunta: o real brasileiro entra nesse grupo de risco?

De volta para o Brasil. Em um passado não tão distante, o Brasil foi inundado por golpes com cripto. Um dos últimos a cair foi o esquema Braiscompany, que prometia 8% ao mês, não pagou e desviou mais de R$ 1 bilhão de 20 mil clientes. Foi uma novela só, e o casal responsável pelo esquema fugiu para a Argentina. Lá, eles foram presos em 2024. Agora, a Justiça autorizou a extradição deles para o Brasil. Que isso ajude a recuperar o dinheiro das vítimas, né?

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Bitcoin, cadê os US$ 200 mil? Tese do ‘ouro digital’ perdeu o brilho?

O bitcoin (BTC) vez ou outra é chamado de “ouro digital” por sua escassez – lembrando que só 21 milhões de criptos podem ser emitidas, algo que só deve ocorrer por volta de 2140. Gestoras, especialistas e até o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já bateram nessa tecla. Mas, neste momento, a moeda digital está longe de brilhar como o metal precioso.

Enquanto o ouro sobe 60% no ano e bate US$ 4.200 nesta quinta-feira (5), o bitcoin acumula queda de 0,50% entre janeiro e dezembro. Ou seja, quem entrou na cripto apostando nas previsões otimistas ao longo de 2025 está no prejuízo.

E não foram poucas projeções. O JPMorgan falou que o BTC poderia alcançar os US$ 165 mil; o Standard Chartered mencionou US$ 200 mil; o fundador da BitMex, Arthur Hayes, conhecido no mercado cripto, chutou US$ 250 mil; e o fundador da Binance, Changpeng Zhao, exagerou: até US$ 1 milhão.

Nesta quinta-feira (4), a criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 93 mil. Para bater na menor previsão, teria que subir 61% em 27 dias. Na maior, o pulo precisaria ser de 975%. Pode ocorrer? Por um milagre, talvez, mas nunca na história a cripto conseguiu fazer uma proeza dessas.

O melhor desempenho do bitcoin em dezembro foi em 2020, quando a criptomoeda saltou 52%, de US$ 19 mil para perto dos US$ 29 mil. Naquele ano ocorreu o terceiro halving – processo que reduz a emissão da cripto – e a empresa Strategy, até então somente uma empresa da área de software, começou a comprar BTC. Hoje, ela é a maior bitcoin treasury company do mercado.

Veja o comportamento do bitcoin em dezembro nos últimos 13 anos:

AnoPreços (4 → 31 de dezembro)Variação %
2024US$ 95.873 – US$ 93.420-2,56%
2023US$ 40.681 → US$ 42.654+4,85%
2022US$ 17.005 → US$ 16.558-2,63%
2021US$ 53.212 → US$ 46.810-12,03%
2020US$ 19.271 → US$ 29.347+52%
2019US$ 7.158 → US$ 7.204+0,64%
2018US$ 3.902 → US$ 3.696-5,29%
2017US$ 12.174 → US$ 14.903+22,36%
2016US$ 752 → US$ 998+32,71%
2015US$ 390 → US$ 434+11,28%
2014 US$ 376 → US$ 313-16,77%
2013US$ 989 → US$ 767-22,43%
Fonte: CoinGecko

O “ouro digital” perdeu o brilho? Não exatamente.

Não é bem assim. O bitcoin é uma espécie de quimera. Segundo o pessoal da TAG Investimentos, de vez em quando ele se comporta como ouro e reserva de valor, mas nesse momento tem se comportado mais como um ativo de risco e de liquidez.

“As correlações mudam sempre, por definição, mas agora a correlação do bitcoin é com o Nasdaq e com a liquidez na economia global”, escreveram na carta mensal de dezembro. Mas aqui vale uma nota: a Nasdaq sobe 20% – e o BTC não acompanhou.

A Tag reforçou que, mesmo no momento ruim, a cripto virou ativo institucional: ETFs (fundos negociados em bolsa), tesourarias corporativas e fundos soberanos passaram a comprar. Até o JPMorgan, historicamente crítico a cripto, liberou produtos para clientes.

“Isso não volta atrás. Volatilidade permanece, mas legitimidade está consolidada”, escreveram.

As previsões que atrapalham

Mesmo mais institucionalizado, o bitcoin ainda convive com projeções de preço consideradas exageradas por parte do mercado. Parte dessa euforia pode ser explicada pelo comportamento quase religioso de alguns investidores, algo que o economista Paul Krugman, Nobel de Economia em 2008 e um dos principais haters do BTC, destacou recentemente.

Em texto publicado em novembro, ele voltou a dizer que o bitcoin só sobe porque funciona como uma seita – com fiéis que dobram a mão sempre que o preço cai.

“Esse status de culto permitiu que o bitcoin se recuperasse de contratempos e escândalos que teriam afundado qualquer investimento normal, porque os verdadeiros crentes respondem a qualquer queda em seu preço investindo mais do que nunca”, disse.

O que esperar para o restante de dezembro?

Há gatilhos positivos à frente, como a possível queda de juros nos Estados Unidos na próxima semana – algo que tende a favorecer ativos de risco. Por outro lado, uma alta de juros no Japão, como já sinalizado pelo BOJ (o banco central do país), pode afetar a liquidez global, respingado na cripto.

No geral, os traders estão mais pés no chão. Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, disse que, se houver força compradora, as próximas resistências (níveis de preço onde a alta tende a encontrar dificuldade e pode desacelerar) estão nas áreas de US$ 94.500 e US$ 101.300.

Já os suportes (níveis de preço onde a queda tende a ser freada e pode se estabilizar) de curto e médio prazo estão nas regiões de liquidez dos US$ 85.600 e US$ 79.000.

Já Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, falou que apesar de o BTC operar na faixa dos US$ 93 mil, o mercado ainda observa a resistência crítica em US$ 98.500. “Superar esse nível seria essencial para reverter a tendência de queda que já dura semanas”, falou.

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ETFs da cripto XRP atraem quase US$ 1 bi e deixam ethereum e solana para trás

Lançados em novembro nos Estados Unidos, os ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de XRP – criptomoeda criada pela empresa Ripple para facilitar transferências de dinheiro entre países – começaram com o pé direito. Em apenas 12 dias de negociação, eles atraíram US$ 824 milhões em entradas líquidas, segundo dados da plataforma SoSoValue.

O desempenho garantiu aos produtos a segunda melhor estreia entre os ETFs americanos de grandes criptomoedas, acima dos primeiros dias dos fundos de ethereum (ETH) e solana (SOL) e atrás somente dos ETFs de bitcoin.

Só nos últimos seis dias, os ETFs de XRP acumularam US$ 401 milhões. Apesar do volume, a criptomoeda em si não reagiu muito bem: caiu 2,86% na semana e 7,58% nos últimos 30 dias, um resultado pior do que o do bitcoin.

Os ETFs à vista de BTC, liberados para negociação em janeiro de 2024, registraram US$ 1,01 bilhão em entradas nos primeiros 12 dias, um volume apenas US$ 186 milhões maior do que o do XRP.

Há, porém, um detalhe importante no caso dos fundos de bitcoin: além dos novos ETFs lançados, um fundo fechado da gestora Grayscale, o GBTC, foi convertido em ETF, passando a ser negociado em bolsa, em vez de ficar restrito ao ambiente da empresa.

Como o GBTC cobrava uma taxa bem mais alta, muitos investidores aproveitaram a conversão para realocar o dinheiro em produtos mais baratos, como o IBIT, da BlackRock. Isso inflou o volume de saídas do GBTC e, ao mesmo tempo, impulsionou as entradas nos ETFs recém-lançados.

Com o ethereum aconteceu algo parecido. Os ETFs da cripto, lançados em julho de 2024, tiveram um início turbulento e, no acumulado de 12 dias, registraram saídas de US$ 387 milhões. O motivo: o ETF ETH da Grayscale, que também era fechado e virou ETF, tinha taxa elevada e sofreu resgates, enquanto os investidores buscavam alternativas mais baratas.

Já os ETFs de solana, lançados no fim de outubro deste ano, tiveram uma estreia positiva, com entradas de US$ 342 milhões nos primeiros 12 dias de negociação.

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De olho no futuro da economia digital, ethereum veste novo ‘modelito’ Fusaka hoje. O que muda?

O grande dia do ethereum (ETH) chegou. A segunda maior criptomoeda do mercado, negociada na faixa dos US$ 3 mil nesta quarta-feira (3), vai passar por uma nova atualização hoje, por volta das 18h50. O nome do seu novo “modelito” é Fusaka.

O nome Fusaka combina Fulu e Osaka, apelidos das duas camadas principais da cripto (partes de sua blockchain): a de execução e a de consenso. A camada de execução é onde tudo acontece: as transações, a criação de contratos inteligentes e o movimento de tokens. Já a camada de consenso funciona como o sistema de segurança da rede, validando e confirmando cada transação para que todos concordem com o que aconteceu.

Essas camadas foram criadas durante a famosa atualização Merge, em 2022, que modificou completamente a forma como a criptomoeada é gerada – dando um ar mais “eco-friendly”. Antes só existia uma. Essa separação, além de alterar a mineração (emissão) de ether, permitiu que a rede ficasse mais “moderninha” sem comprometer a segurança. A ideia é que a Fusaka reforce essa estrutura e deixe as transações mais rápidas e baratas.

Vale uma nota: Fulu é também uma estrela da constelação de Cassiopeia, enquanto Osaka faz referência à cidade japonesa que recebeu um encontro da comunidade Ethereum em 2024.

Qual impacto?

O efeito tende a ser mais estrutural na rede da criptomoeda. Especialistas acreditam que a atualização reforça uma das principais teses de longo prazo do ether – ou seja, se firmar ainda mais como uma infraestrutura para o desenvolvimento de uma economia digital.

Lembrando que, diferente do bitcoin, o ethereum funciona como um grande ecossistema flexível onde qualquer um pode construir. E vale de tudo: projetos de tokenização (processo de transformar ativos em tokens da blockchain), plataformas de empréstimo, emissão de novas moedas – como stablecoins – e um universo que não para de crescer.

Hoje, de acordo com levantamento da RWA.xyz, empresa de análise especializada em ativos tokenizados, todo o ecossistema global de tokens em blockchain soma US$ 18,41 bilhões em todo o mundo. O ethereum, sozinho, responde por 64,4% do mercado.

“O ethereum já é hoje a principal plataforma de contratos inteligentes, mas para sustentar esse papel precisa continuar evoluindo sem abrir mão de segurança nem de descentralização – e é exatamente isso que a Fusaka busca entregar”, disse Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management.

Entre as alterações previstas, uma das mais importantes impactará os rollups, nome dado às soluções tecnológicas que rodam em cima do ethereum e ajudam a dar vazão ao sistema. A partir da mudança, esses protocolos com nome estranho não vão precisar carregar tantos dados para estar na rede. Como assim?

Por ter muita gente usando a rede do ethereum, o ecossistema acaba ficando congestionado, quase como uma rodovia em horário de pico. Os rollups funcionam como estradas menores que se conectam à via principal, ajudando a desafogar o tráfego e tornando tudo mais rápido.

Até agora, para operar no ethereum, eles precisavam carregar uma grande quantidade de dados, o que tornava o processo mais caro. Com a atualização Fusaka, eles vão precisar armazenar e transmitir menos dados, o que reduz custos e aumenta a fluidez da rede.

E o preço?

O ETH é negociado a US$ 3.072, com alta de 2% – pela manhã, chegou a ficar com valorização de 9%. Parte do movimento vem do clima positivo em torno da Fusaka, mas o humor mais amplo do mercado ajudou mais.

Os ETFs de bitcoin (BTC) nos EUA já acumulam cinco dias seguidos de entradas – algo que não acontecia desde o início de outubro -, e essa volta dos compradores de cripto repercutiu no ether e em todo o mercado.

Algumas notícias também ajudaram, como a aproximação de gigantes financeiros – a gestora Vanguard, segunda maior do mundo, e o Bank of America, um dos maiores dos EUA, para ser exato – no mercado cripto.

Apesar de algum otimismo hoje e da expectativa pela atualização, a perspectiva de preço para o mês segue moderada. O Itaú, em relatório publicado ontem, avalia que o ether pode entrar em tendência de baixa no médio prazo agora em dezembro, com alvos em US$ 1.863 e US$ 1.578 (R$ 9.900 e R$ 8.385 – o banco usa preços em real). Segundo a instituição financeira, em caso de recuperação a cripto pode avançar para US$ 3.138 (R$ 16.675) – preço próximo o nível atual.

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Bitcoin sobe 7% em dia de alívio, mas riscos seguem no retrovisor

O mercado cripto parece uma montanha-russa nos últimos dias – um sobe e desce bravo. Hoje, pelo menos, o carrinho está no trecho da subida. O bitcoin (BTC) avança 7% nas últimas 24 horas e volta para a faixa dos US$ 93 mil.

As altcoins acompanham o embalo: o ethereum (ETH), que passa por uma nova atualização nesta quarta-feira (3), salta 9%, para a faixa dos US$ 3 mil, enquanto a solana (SOL) dispara 10%, para US$ 141,80, recuperando parte das perdas recentes.

O que animou o mercado?

Há uma pressão compradora – ainda tímida – se formando. Os ETFs de bitcoin dos Estados Unidos, por exemplo, registraram US$ 58 milhões em entradas líquidas ontem. Foi o quinto dia consecutivo de influxos positivos, algo que não acontecia desde o início de outubro.

“As tendências dos ETFs melhoraram significativamente. Os fluxos líquidos tornaram-se positivos, o que indica um renovado interesse institucional, apesar dos volumes de ETFs permanecerem abaixo do limite inferior da faixa de negociação”, disse a empresa de análise Glassnode em relatório desta semana.

Outras notícias também empurraram as criptos para cima. O Bank of America, um dos maiores bancos dos EUA, liberou alocação de até 4% em produtos de ativos digitais para clientes de alta renda. Lembrando que ontem a Vanguard, segunda maior gestora do mundo, deu sinal verde para clientes investirem em ETFs de criptos.

E tem mais vento a favor: a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos. Segundo a ferramenta CME FedWatch, 89% dos agentes apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima quarta-feira (10). Tesouradas nas taxas costumam dar um gás em ativos de risco, como as criptos.

Calma lá

Ainda assim, não é dia de soltar fogos. O ambiente segue delicado, segundo especialistas. A possível queda de juros no Japão ainda neste mês segue tirando o sono dos mercados porque pode mexer na liquidez global.

“A taxa livre de risco do Japão é importante devido ao carry trade que ela cria e à relevância dessa prática para o financiamento global”, lembrou o trader Jasper de Maere em relatório desta semana.

O tal do carry trade é uma estratégia comum no mercado global em que investidores tomam dinheiro emprestado em um país onde os juros são mais baixos e aplicam esse dinheiro em outro lugar com taxas mais altas.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +7%, US$ 93.040,10

Ethereum (ETH): +9,27%, US$ 3.083,50

XRP (XRP): +7,46%, US$ 2,17

BNB (BNB): +7,15%, US$ 901,45

Solana (SOL): +10,17%, US$ 141,80

Outros destaques do mercado cripto

Harvard escorrega no timing do bitcoin. A Universidade de Harvard revelou em novembro que saiu às compras e encheu o carrinho com quase meio bilhão de dólares do IBIT, o ETF de bitcoin da BlackRock. Só que, desde então, o BTC deslizou um bocado, deixando a instituição com um prejuízo estimado de 14% nas 4,9 milhões de cotas do fundo adquiridas no último trimestre, segundo o Wall Street Journal. Um lembrete de que nem as instituições mais tradicionais escapam do sobe e desce das criptos.

Congresso quer colocar ordem nas stablecoins. No meio de toda a volatilidade do mercado cripto, os parlamentares brasileiros seguem discutindo as regras do setor. Nesta semana, o deputado federal Lucas Ramos (PSB-PE) apresentou parecer ao Projeto de Lei nº 4.308, que disciplina as stablecoins – aquelas criptos atreladas a outros ativos. No texto, ele insiste que as plataformas locais adotem mecanismos de prevenção para evitar que esses tokens sejam usados em crimes.

Cartórios vão parar na blockchain – e já tem data. Os cartórios planejam colocar todos os registros de imóveis das capitais brasileiras na blockchain – a tecnologia por trás das criptos – já no 1º semestre de 2026. A ideia é que esses documentos se tornem autoexecutáveis: ou seja, quando um banco financiar um imóvel, o sistema poderá controlar o pagamento das parcelas e comunicar automaticamente eventuais atrasos. Tudo graças aos contratos inteligentes.

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Fantasma do lastro assombra a stablecoin USDT após rebaixamento pela S&P

O fantasma que assombra a USDT – maior stablecoin do mercado cripto, emitida pela Tether – sempre foi a transparência e a qualidade de suas reservas. Desde o lançamento, em 2014, há dúvidas se o token é realmente sustentado por um lastro sólido, capaz de manter a paridade de 1 para 1 com o dólar americano.

Agora, esse fantasma voltou a aparecer.

A S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, rebaixou a capacidade da USDT de manter sua ligação com a moeda americana de 4 (“limitada”) para 5 (“fraca”) – a pior nota da escala. Segundo a agência, a estabilidade do ativo digital está cada vez mais vulnerável justamente por causa de dois fatores conhecidos: falta de transparência e maior exposição a ativos de risco.

Como era de se esperar, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, não recebeu bem a classificação. Em suas redes sociais, ele acusou a “máquina de propaganda das finanças tradicionais” de ficar preocupada “quando qualquer empresa tenta desafiar a força da gravidade do sistema financeiro falido”. (No final do texto tem mais da resposta dele)

Vamos contar essa histórica por partes.

O problema nas reservas

O último relatório da Tether, publicado em 30 de setembro de 2025, diz que a empresa tinha US$ 181,2 bilhões em reservas para lastrear US$ 174,4 bilhões em USDT emitidos no mercado. Haveria, portanto, “sobrecolateralização” – ou seja, mais dinheiro em caixa do que tokens emitidos. Até aí, tudo bem.

O problema, porém, é a mudança na composição desse lastro.

A proporção de ativos considerados de risco aumentou, enquanto a de títulos seguros diminuiu. Esses papéis mais voláteis agora representam 24% do total, ante 17% de um ano atrás. Dentre eles, está o bitcoin, cuja participação nas reservas saltou de 3,9% para 5%.

A S&P alertou que uma queda acentuada no preço do bitcoin ou no valor de outros ativos de maior risco poderia deixar a a USDT potencialmente sublastreada (ou seja, sem lastro para sustentar seus tokens). “Acreditamos que a crescente participação de ativos arriscados expõe as reservas da USDT a maiores flutuações de mercado”, escreveu a agência.

Nos últimos dias, o bitcoin realmente sofreu uma significativa desvalorização desde seu pico histórico no início de outubro, chegando a perder quase 30% de seu valor. Embora tenha se recuperado parcialmente nesta quinta-feira (27), persistem as incertezas sobre uma retomada consistente.

A queda dos ativos seguros

A Tether é uma das maiores detentoras de títulos do Tesouro dos EUA, com uma carteira de US$ 130 bilhões – um montante que supera as reservas de países como Alemanha e Coreia do Sul. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, até comentou em evento recente que o Tesouro americano deve estar feliz da vida com as compras da cripto.

De acordo com o relatório, títulos americanos de curto prazo (com vencimento médio inferior a 90 dias), títulos lastreados em everse repo overnight (instrumentos de curtíssimo prazo super seguros) e outros ativos semelhantes representam 75% do caixa. No entanto, esse percentual é menor do que os 81% registrados no ano anterior.

Ou seja: a Tether aumentou em 7% a parcela de ativos de risco do caixa, enquanto diminiu 6% de produtos financeiros considerados seguros.

Quem são os custodiantes?

Outro ponto crítico destacado pela S&P é a falta de transparência. A agência menciona que, embora fontes públicas sugiram que uma instituição financeira dos EUA atue como custodiante desses títulos, os relatórios da Tether não divulgam informações sobre quem são esses custodiantes, contrapartes ou provedores de contas bancárias.

“A transparência sobre contrapartes, custodiantes e provedores de contas bancárias permanece limitada. A Tether não publica informações sobre essas entidades, o que poderia inflar os riscos caso a credibilidade de crédito delas seja fraca”, disse a agência.

A S&P também destacou que a Tether faz atestações trimestrais por meio da BDO Italia, um auditor independente. No entanto, concorrentes publicam relatórios mensais. Falou ainda que a empresa divulga regularmente números sobre reservas e passivos em seu próprio site, mas, diferente do relatório trimestral, eles não são auditados nem detalhados.

Além de ativos de risco e títulos do tesouro americano, as reservas da empresa incluem fundos do mercado monetário (4%) e caixa e depósitos bancários (menos de 0,5%).

“Sem reservas tóxicas”

Em resposta direta ao rebaixamento pela S&P, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, não recebeu bem a classificação e criticou os modelos de classificação tradicionais, argumentando que eles historicamente levaram investidores a alocar recursos em empresas com “classificação de grau de investimento” que, mesmo assim, entraram em colapso.

Ele afirmou que a Tether construiu “a primeira empresa sobrecapitalizada na indústria financeira, sem reservas tóxicas” e que, apesar disso, permanece extremamente lucrativa. Disse ainda que “a Tether é a prova viva de que o sistema financeiro tradicional está tão falido que está a começar a ser temido pelos reis que estão nus”.

USDT já perdeu a paridade antes

Apesar das críticas do CEO, a stablecoin já perdeu a paridade com o dólar em diferentes momentos do passado – e esse é um dos riscos dessas criptomoedas.

Em abril de 2017, quando a Tether enfrentou problemas de liquidez e questionamentos sobre o lastro de suas reservas – agravados por dificuldades bancárias da exchange Bitfinex, sua parceira – o USDT chegou a ser negociado abaixo de US$ 0,91 em algumas exchanges, segundo a plataforma CoinMarketCap, refletindo a desconfiança do mercado.

No final de 2022, durante o colapso da corretora cripto FTX, a USDT voltou a escorregar: caiu para US$ 0,98 por algumas horas na manhã de 10 de novembro. Já em 15 de junho de 2023, a stablecoin oscilou de novo, chegando a US$ 0,997, após o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalizar novas altas de juros.

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Bitcoin e criptos retomam força com aposta em corte de juros nos EUA

Depois de uma sequência de dias com quedas aqui e altas tímidas acolá, o bitcoin (BTC) e as principais altcoins finalmente engataram uma valorização mais firme na manhã desta quinta-feira (27).

O BTC era negociado na faixa dos US$ 91 mil por volta das 10h de hoje, com alta de 5% no dia, enquanto ethereum (ETH) era trocado de mãos acima dos US$ 3 mil, com valorização de 4%.

O gatilho veio dos juros nos Estados Unidos. A ferramenta CME FedWatch, que mede as expectativas com a taxa, mostra que o mercado passou a ver 85% de probabilidade de corte em dezembro. Para comparar: há uma semana essa chance era de 39%.

A mudança de humor ganhou força após declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) defendendo juros mais baixos, além de novos dados e projeções que apontam um crescimento mais forte da economia americana em 2026, mas com crescimento morno de empregos.

Vale sempre reforçar: ciclos de queda de juros tendem a favorecer criptomoedas e outros ativos de risco, como ações, porque reduzem o apelo da renda fixa, como os títulos do Tesouro americano (as treasuries).

Historicamente, nos dois últimos grandes ciclos de cortes nos EUA – 31/07/2019 a 15/03/2020 e 18/09/2024 a 17/09/2025 – o bitcoin subiu em 50% das vezes três meses após o início dos cortes e caiu na outra metade. Em janelas de seis meses, o desempenho melhora: 75% de altas e 25% de quedas.

Outro impulso veio dos ETFs de bitcoin dos EUA. Eles registraram dois dias seguidos de entradas, somando cerca de US$ 150 milhões, segundo a ferramenta SoSoValue – algo que não acontecia havia um mês e indica uma volta, ainda tímida, da confiança.

Os ETFs de ethereum estão ainda mais aquecidos: quatro dias consecutivos de entradas, perto de US$ 300 milhões no total.

“Nos últimos dias, o comportamento do mercado mudou. O bitcoin encontrou zonas de suporte importantes, o volume vendedor diminuiu e começou um processo gradual de recomposição”, disse Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +5,60%, US$ 91.298,94

Ethereum (ETH): +4,00%, US$ 3.012,86

XRP (XRP): +1,50%, US$ 2,18

BNB (BNB): +4,40%, US$ 891,47

Solana (SOL): +4,20%, US$ 141,69

Outros destaques do mercado cripto

IOF se aproxima das criptos. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) está cada vez mais perto de alcançar as criptomoedas. Ontem, em coletiva no Palácio do Planalto, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo estuda a taxação dos ativos digitais após o Banco Central enquadrar os criptoativos como operações cambiais. Fica a dúvida: será que as stablecoins perdem apelo quando isso avançar?

A regulação é um desafio. O mercado cripto brasileiro ainda é jovem – e carrega desafios proporcionais à idade. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) em parceria com a PwC Brasil, 90% das empresas do setor apontam a regulação como o principal entrave para avançar. Também preocupam a cibersegurança (48%), a escassez de profissionais qualificados (47%) e as fraudes (45%).

USDT sob pressão. A Tether, emissora da USDT – a maior stablecoin do mercado, ligada ao dólar – levou um baque nesta semana. A agência de classificação de risco S&P rebaixou a empresa para a nota 5 (a pior da escala) ao avaliar que parte das reservas que sustentam o token é composta por ativos de maior risco. Entre eles estão bitcoin e dívidas corporativas. Para a agência, essa estrutura pode comprometer a capacidade do criptoativo de manter a paridade de 1:1 com a moeda americana.

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O tombo de R$ 2,8 bi do patrimônio dos ETFs cripto brasileiros

A queda recente do mercado cripto atingiu em cheio os ETFs (fundos negociados em bolsa) brasileiros de ativos digitais. Desde a máxima histórica do bitcoin (BTC), em 6 de outubro, até esta terça-feira (25), o patrimônio líquido (PL) desses fundos caiu de R$ 9,7 bilhões para R$ 6,9 bilhões – um tombo de quase 30%.

O PL representa o valor total do fundo em determinado momento. Como esses ETFs compram criptomoedas, guardam em custodiante e vendem cotas que representam uma fração desses ativos, o patrimônio líquido recua quando os preços das criptos caem.

O bitcoin escorregou de US$ 126 mil no início de outubro para a faixa dos US$ 86 mil nesta quarta-feira (26), um deslize de 31% no período, impulsionado por um cenário global de aversão ao risco.

Dois exemplos: o HASH11, maior ETF local de criptmoedas, da gestora Hashdex, viu seu patrimônio liquido cair de R$ 4,3 bilhões no ápice do BTC para R$ 2,9 bilhões (o bitcoin tem peso de 74,20% no fundo). O PL do QBTC11, da QR Asset, que figura entre os maiores do Brasil, recuou de R$ 825,7 milhões para R$ 622,2 milhões.

No total, o Brasil tem cerca de 20 ETFs de criptomoedas. Os dados para esta reportagem foram obtidos nos boletins da B3 e no site Status Invest. BDRs de fundos não entraram no levantamento por não disponibilizarem dados isolados.

Brasileiros “compram a queda”

Apesar da queda no patrimônio líquido e do recuo no preço do bitcoin, os investidores brasileiros “compraram a queda”. Dados da CoinShares mostram que os ETFs locais acumulam entradas de US$ 20,9 milhões no mês (R$ 112 milhões) – o único país no positivo. Só na semana passada, as aplicações somaram US$ 3,5 milhões (R$ 18,7 milhões). Fora o Brasil, apenas a Austrália registrou resultado positivo, com US$ 2 milhões (R$ 10,7 milhões), no mesmo período.

Enquanto isso, os produtos globais de investimento em ativos digitais tiveram saídas de US$ 4,59 bilhões (R$ 24,64 bilhões) no acumulado mensal. Na semana passada, as retiradas chegaram a US$ 1,9 bilhão (R$ 10,2 bilhões), puxadas principalmente pelos produtos dos Estados Unidos, que viram US$ 1,6 bi (R$ 8,6 bi) em retiradas.

O número de cotistas de ETFs cripto no Brasil também aumentou no período: a quantidade pulou de 270,2 mil investidores em 6 de outubro, data da máxima do bitcoin, para 276,7 mil atualmente.

Os ETFs de cripto no Brasil têm uma dinâmica diferente, segundo Henry Oyama, diretor da Hashdex. “Vemos resgates em momentos de euforia e novas aplicações quando há correções, refletindo um investidor mais disciplinado e experiente. Essa maturidade é resultado de anos de trabalho em educação e estruturação de produtos regulados”, falou.

Por que os ETFs de cripto se popularizaram

O primeiro ETF cripto do Brasil foi lançado em 2021. De lá para cá, outros foram criados. Esses produtos atraíram investidores porque têm exposição às criptomoedas, mas funcionam no mercado regulado de fundos negociados em bolsa, com regras já estabelecidas no país há algum tempo.

Isso facilitou a entrada tanto do varejo quanto de investidores institucionais – muitos deles ainda impedidos, por política interna, de operar diretamente em exchanges, que oferecem a possibilidade de investir diretamente em criptomoedas.

Os ETFs e fundos de cripto locais ainda continuam sendo dominados pelo investidor de varejo, segundo Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset. “Esse público valoriza a simplicidade operacional do ETF e a ausência da necessidade de lidar com autocustódia, senhas e carteiras digitais”.

Ao mesmo tempo, segundo Fleury, há um crescimento gradual da participação institucional. “Essa tendência dialoga com o movimento global de profissionalização da classe de ativos, impulsionado pela entrada de grandes gestoras internacionais”, falou ele.

Já Oyama, da Hashdex, disse que os investidores de varejo começam com tíquetes menores, mas vê também uma presença crescente de institucionais que aproveitam distorções e oportunidades táticas.

Nos boletins de produtos da B3 dos últimos três meses, dois ETFs criptos figuram na lista dos 10 mais negociados do mercado, ao lado de fundos já ”famosinhos”, como o BOVA11, que replica o desempenho do Ibovespa.

Desvantagens e riscos

Se até o tesouro direto tem risco – mesmo sendo quase nulo –, os ETFs não seriam diferentes, ainda mais os atrelados a criptomoedas. O primeiro risco é justamente a volatilidade, que ficou evidente nos últimos dias com a queda do bitcoin.

ETFs menores também carregam o problema de liquidez – quando há pouca procura pelas cotas no mercado, pode ser difícil vendê-las sem ter de aceitar um preço mais baixo do que o de ativos equivalentes mais líquidos. Outro ponto: esses fundos mantêm as criptomoedas em custodiantes. Se houver qualquer problema com essas empresas, os ativos podem ser diretamente prejudicados.

Além disso, a negociação desses ETFs segue o horário da B3, de segunda a sexta. Já as criptomoedas operam 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana. Por isso, se o investidor quiser aproveitar uma alta expressiva fora do horário de bolsa para realizar lucro, simplesmente não conseguirá.

Esses fundos ainda cobram taxa de administração e, por serem negociados na bolsa, estão sujeitos a corretagem e custódia das corretoras, além de emolumentos e à taxa de custódia da própria B3. Esses custos reduzem parte do retorno que o investidor teria com as criptos.

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Bitcoin volta a cair, apesar de cenário macro mais favorável

Depois do breve respiro de ontem, o bitcoin (BTC) voltou a escorregar nesta quarta-feira (26). A criptomoeda é negociada na faixa dos US$ 86 mil, com queda de 1% nas últimas 24 horas.

A queda vem apesar de um ambiente um pouco mais favorável do que no início da semana. A expectativa de corte de juros nos Estados Unidos aumentou depois de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), defender a redução da taxa – um movimento que costuma impulsionar ativos de risco.

Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a perspectiva de juros mais baixos reduz o custo de oportunidade da renda fixa. Somada ao clima de risco um pouco mais construtivo, tende a favorecer criptos.

No entanto, o movimento recente sugere que o bitcoin deve continuar operando em um canal lateral/levemente ascendente – isto é, oscilando sem direção clara -, “salvo a ocorrência de um catalisador forte, como dados macro surpreendentes, falas dovish do Fed (postura favorável a taxas mais baixas) ou fluxo institucional relevante”, disse.

O fluxo dos ETFs (fundos negociados em bolsa) de bitcoin nos EUA, que costuma pesar no humor do mercado, também deu uma trégua. Na terça-feira (25), os fundos registraram entradas de US$ 128 milhões, um dado considerado positivo.

Mas, para que o mercado volte a ganhar tração, será preciso mais. De acordo com Marco Aurélio Camargo, CIO da Vault, um movimento de recuperação consistente depende de dias seguidos de entradas líquidas nos ETFs e de um alívio mais claro na pressão vendedora.

As principais altcoins – termo para identificar qualquer cripto diferente do BTC – operam de forma mista hoje. Ethereum (ETH) e solana (SOL) recuam, enquanto tron (TRX) e dogecoin (DOGE) registram altas moderadas nesta manhã.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  -1%, US$ 86.544,50

Ethereum (ETH): -0,65%, US$ 2.899,10

XRP (XRP): -2,50%, US$ 2,15

BNB (BNB): -0,36%, US$ 854,47

Solana (SOL): -0,03%, US$ 135,90

Outros destaques do mercado cripto

Banco Central reclassifica criptos. Enquanto os investidores estão atentos ao sobe e desce de preços, o Banco Central reclassificou as criptos em suas estatísticas do setor externo. É algo mais técnico, mas vale a notícia. Em resumo, o bitcoin agora é tratado como um passivo sem correspondente (ou seja, sem lastro) e as stablecoins como passivos com correspondente (ou seja, com lastro). Lembrando que as stablecoins normalmente são atreladas a outros ativos, como dólar, real, ouro etc.

Mais problemas para o fundador da Binance. O fundador e ex-CEO da Binance, Changpeng Zhao, que recentemente foi perdoado por Donald Trump pelos crimes cometidos nos EUA, enfrenta agora outro problema no país. Uma ação civil apresentada no início desta semana em um tribunal federal acusa “CZ”, como também é chamado, de facilitar pagamentos de milhões de dólares ao grupo Hamas após o ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel. A queixa foi movida por cidadãos americanos.

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Bitcoin em queda: é hora de aumentar posição ou ficar de fora?

O bitcoin (BTC) levou um tombo nesta sexta-feira (21) e caiu para o menor preço desde abril, impulsionado por dúvidas sobre os juros nos EUA e saídas em massa nos ETFs (fundos negociados em bolsa) do país.

Diante da queda, surge uma pergunta: vale a pena nadar contra a corrente e aumentar a exposição na criptomoeda, em vez de vender, como a maioria está fazendo?

Em tese, seria – a lógica básica de qualquer ativo é: “compre na baixa, venda na alta”. Se você investe em uma cripto quando o preço dela está baixo, você paga menos por cada unidade. Quando o valor sobe, a diferença entre o que você pagou e o que ele vale vira seu lucro. (isso não é uma recomendação de compra; é apenas uma explicação, ok?).

“Na visão estratégica, faz sentido iniciar ou aumentar posição, mas com parcimônia, com entradas fracionadas”, disse Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos.

Mas nada no mercado financeiro é tão preto no branco, né? A teoria e os especialistas dizem que sim, esse seria um bom momento para comprar, mas há um grande problema a ser observado: não dá para saber se esse é o fundo da cripto – ou seja, o menor preço antes de uma possível alta.

“A queda não garante o fundo. Se o cenário macro piorar (a alta de juros, o dólar pressionando emergentes e o fluxo saindo do risco), a correção pode se estender ainda mais, buscando regiões de suportes (quando a cripto chega em um preço baixo e tende a subir) mais sólidas”, disse Lage.

Até onde o preço pode ir?

Essa é a pergunta de US$ 83 mil, preço que o bitcoin está sendo negociado hoje. Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, disse que é possível observar um pouco de demanda compradora tentando frear o movimento de queda, o que poderia dar uma segurada no deslize.

Se esse movimento continuar, as resistências de curto e médio prazo — quando a cripto chega em um preço alto e tende a cair — estão em torno de US$ 88.000 e US$ 100.000. Mas nada disso é garantido.

Se o fluxo vendedor — que hoje é o dominante — continuar forte e a pressão de baixa persistir, disse ela, “o preço do bitcoin pode sim buscar as regiões de liquidez entre US$ 80.000 e US$ 79.000”.

Também vale lembrar que bitcoin é diferente de bolsa. Empresas têm “fundamentos”, ou seja, o lucro que a operação delas dá – ou o lucro potencial que elas podem dar no futuro, principalmente quando você olha para empresas “de crescimento”, que ainda não operam no azul. E é isso que determina o preço de uma ação.

O bitcoin é diferente. Ele não tem valor intrínseco. O que dá para fazer é observar padrões de variação do passado e ver se eles se repetem no futuro – “análise gráfica”, no jargão.

Por que o mercado está nervoso?

O cenário atual é bem incerto. No lado macroeconômico, o relatório de empregos dos EUA (payroll), divulgado ontem, mostrou uma economia aquecida, com 119 mil vagas de emprego criadas em setembro (bem acima dos 50 mil esperado pelo mercado). Isso sugere que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) pode adiar os cortes de juros para controlar uma possível inflação, o que não é nada bom para as criptomoedas.

Os investidores de ETFs (fundos negociados em bolsa) também estão com o pé atrás com o mercado cripto – os dois pés, para falar a verdade. Eles retiraram US$ 3,79 bilhões dos 11 fundos negociados em bolsa entre o dia 1º de novembro e a quinta-feira (20), segundo dados da plataforma SoSoValue. Foi a maior debandada desde o lançamento desses produtos financeiros, em janeiro de 2024.

Além de tudo isso, o cenário no “mercado tradicional” não tem colaborado nada com cripto. As ações dos EUA, que chegaram a subir após os resultados trimestrais da Nvidia, recuaram nesta tarde. O índice Nasdaq 100, por exemplo, cai 0,20% no momento da publicação deste texto.

Quem está vendendo e quem está comprando?

Tem muita gente “das antigas” vendendo bitcoin. Owen Gunden, um dos primeiros grandes investidores de cripto – uma “baleia” (apelido dado a quem tem grandes quantidades de bitcoin) – voltou a movimentar o mercado. Ele vendeu 11 mil BTC, equivalentes a US$ 1,3 bilhão, entre outubro e ontem, segundo dados da plataforma de análise de blockchain Arkham.

Mas, apesar das quedas recentes, também houve investidores aproveitando os preços menores para ampliar posição. A Strategy – a empresa de tesouraria de bitcoin mais conhecida do mercado – comprou 8.178 BTC entre os dias 10 e 11 de novembro, um investimento de US$ 835,6 milhões pela cotação da época.

El Salvador também adicionou 7.474 bitcoins ao seu “carrinho”, cerca de US$ 680 milhões. Neste caso, porém, a operação levantou dúvidas do mercado. Isso porque o movimento contraria as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), que havia proibido novas compras de cripto como condição para liberar um empréstimo bilionário ao país no começo deste ano.

Qual melhor estratégia e quanto investir em bitcoin?

Uma das principais recomendações para investir em criptomoedas é adotar a estratégia de Dollar-Cost Averaging (DCA, em inglês), que consiste em investir um valor fixo na cripto em intervalos regulares – por exemplo, toda semana ou todo mês – independentemente do preço. Em vez de tentar acertar o “melhor preço” ou identificar o fundo, o investidor dilui as compras ao longo do tempo.

Quanto investir em cripto é uma das dúvidas frequentes de investidores também. Para ser direto: varia. “Depende muito do quão comprado com a tese o investidor está e a sua capacidade financeira”, disse Vitor Santoro Bezerra, planejador financeiro CFP e MBA em finanças pela Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças.

No final do ano passado, por exemplo, a gigante dos investimentos BlackRock sugeriu que entre 1% a 2% do portfólio em cripto pode trazer benefícios para o investidor. No entanto, há outras casas que sugerem entre 3% e até 5%, a depender do perfil do investidor.

Quais os riscos de investir em bitcoin?

Os riscos de curto prazo para o bitcoin incluem uma correção mais profunda por causa dos juros nos EUA, reduzindo o apetite por risco e desacelerando os fluxos para ETFs. Há bastante concentração do ativo digital nas mãos de investidores institucionais também, o que adiciona volatilidade caso eles decidam vender. No longo prazo, há sempre os riscos estruturais, como mudanças regulatórias.

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Cripto ainda não chegou no seu ‘momento iPhone’, diz 21Shares

As criptomoedas estão cada vez mais populares no mundo todo. No entanto, elas ainda não alcançaram o seu “momento Iphone” – ou seja, quando produtos e aplicações ganham adoção massiva e deixam de parecer novidade.

É isso que a equipe de research da gestora suíça 21Shares – que administra US$ 11 bilhões e é responsável por alguns dos maiores ETFs de cripto do mercado – disse em call realizada nesta quarta-feira (19).

O estrategista-chefe Adrian Fritz falou que esse momento chegará quando “as pessoas usarem blockchain e criptos diariamente sem nem perceber”, como para enviar dinheiro para seus familiares. Hoje, vale dizer, isso já acontece com stablecoins, mas não é algo tão difundido ainda.

No momento atual, segundo a gestora, as criptos funcionam mais ou menos como os primórdios da internet, quando era preciso perguntar “você está online?” no aplicativo de mensagens MSN para a outra pessoa da conversa. Atualmente, a tecnologia se tornou invisível.

Futuro cripto é “bem chato”

Para a casa, esse futuro está sendo construído agora, com diversas plataformas pavimentando a infraestrutura do setor cripto. Só que a transição deve ser menos glamourosa do que muita gente imagina.

“Eu pessoalmente acho que o futuro de cripto e da blockchain é, na verdade, bem chato. Sei que, por causa da volatilidade dos mercados, pode parecer estranho dizer isso agora, mas tudo o que está sendo construído é infraestrutura financeira melhor, mais rápida, mais eficiente e mais barata. No longo prazo, isso vai se misturar à forma tradicional como vivemos”, afirmou Fritz.

Tokenização

Um dos grandes condutores desse avanço, segundo a gestora, será a tokenização – a transformação de ativos do mundo real (como imóveis, obras de arte ou títulos financeiros) em tokens negociáveis em blockchain.

Dados do banco britânico Standard Chartered apontam que já existem US$ 35 bilhões em ativos tokenizados no mundo (excluindo stablecoins). A projeção é que esse número dispare para US$ 2 trilhões até 2028 – valor equivalente ao PIB do Brasil em 2024.

Um exemplo de case de sucesso citado pela 21Shares é o Polymarket, uma plataforma de previsões na blockchain em que usuários apostam em eventos futuros – lá tem de tudo um pouco, de decisões de política monetária nos EUA até quando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, vai cair.

Nas eleições americanas do ano passado, as probabilidades calculadas pelo Polimarket ficaram mais próximas do resultado real do que pesquisas tradicionais, como as feitas pela CNN, disse Eliezer Ndinga, head de estratégia e desenvolvimento de negócios da 21Shares.

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Bitcoin estabiliza, mas balanço da Nvidia e ata do Fed podem mexer com preço

Depois de dias de queda, as criptomoedas encontraram um pouco de estabilidade na manhã desta quarta-feira (19). O bitcoin (BTC) sobe 0,20%, para a faixa dos US$ 91 mil, enquanto o ethereum (ETH) avança 1%.

Mas dois assuntos podem dar uma chacoalhada no mercado cripto ao longo do dia.

O primeiro é a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada hoje. Em resumo, é um relatório detalhado sobre a última reunião de política monetária do país, em outubro, que pode trazer pistas sobre possíveis cortes de juros em dezembro.

As criptomoedas, assim como outros ativos de risco, costumam reagir bem a tesouradas nos juros, porque passam a ficar mais atrativas do que títulos de renda fixa. O contrário também é verdadeiro: quando as taxas sobem, os ativos de risco geralmente sofrem.

O segundo ponto que pode mexer com o mercado é o balanço da queridinha da inteligência artificial (IA), a Nvidia (NVDC34), que será divulgado nesta quarta após o fechamento das bolsas americanas.

Se os resultados vierem acima das expectativas, investidores podem voltar a buscar ações de tecnologia e outros ativos financeiros mais arriscados, incluindo criptos – que, na prática, vêm se comportando como parte desse mesmo bloco.

A expectativa é de que a receita do terceiro trimestre da big tech salte 56% em relação ao ano anterior, para US$ 54,9 bilhões, impulsionada principalmente pelas vendas de data centers. Analistas também projetam um lucro líquido de US$ 30,7 bilhões (US$ 1,26 por ação) e um lucro operacional de US$ 36,2 bilhões – alta de 56%.

“Os resultados da Nvidia se tornaram peça central do humor no setor de tecnologia e inteligência artificial. Se a empresa decepcionar, o efeito pode ser pesado para os mercados”, disse Paulo Aragão, host do Podcast Giro Bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +0,20%, US$ 91.036,30

Ethereum (ETH): +1,19%, US$ 3.030,50

XRP (XRP): -2,20%, US$ 2,13

BNB (BNB): +0,79%, US$ 921,47

Solana (SOL): +0,69%, US$ 138,51

Outros destaques do mercado cripto

Big Brother cripto. Alguns parlamentares não estão contentes com a regulamentação cripto do Banco Central, publicada há alguns dias. Nesta semana, um grupo de deputados federais protocolou um novo projeto (o segundo em menos de sete dias!) para tentar sustar as regras. Segundo eles, a autarquia quer criar um grande “Big Brother das criptomoedas”, acompanhando cada satoshi (a unidade básica do bitcoin, equivalente ao centavo no real) movimentado pelos usuários.

Brasileiro abraçou os ETFs de cripto. O apetite do brasileiro por criptomoedas só cresce. Uma prova disso é que dois ETFs (fundos negociados em bolsa) de ativos digitais – o HASH11 e o ETHE11 – estão na seleta lista dos 10 mais negociados da bolsa de valores há três meses. Eles dividem espaço com gigantes como o BOVA11, o ETF mais popular da B3, lançado lá em 2008.

Fundo cripto da BlackRock sangra. Enquanto os ETFs locais colhem bons números, os equivalentes nos EUA sofrem – principalmente o IBIT, da gigante de investimentos BlackRock. Ontem, o fundo registrou US$ 523,15 milhões em saídas, a maior retirada diária desde seu lançamento, em janeiro de 2024. A debandada veio junto com a queda do bitcoin, que na segunda-feira (17) chegou a cair abaixo dos US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses.

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El Salvador anuncia compra de bitcoin apesar de acordo com o FMI

El Salvador diz ter aproveitado a recente queda do bitcoin (BTC) – que escorregou feio e voltou ao menor nível em sete meses por causa do mau humor macro – para reforçar suas reservas de criptomoedas.

Segundo o presidente Nayib Bukele, o país comprou mais 1.090 unidades de BTC, levando seu total para 7.474 bitcoins, o equivalente a cerca de US$ 680 milhões.

A compra foi feita quando o BTC estava não muito acima de US$ 90 mil.

A compra realmente aconteceu?

Apesar de o país ter divulgado a compra, há muitas dúvidas no ar. O motivo: no início do ano, El Salvador fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para acessar US$ 1,4 bilhão em financiamento.

Entre as condições da entidade internacional para liberar o dinheiro estavam tornar a aceitação do bitcoin no setor privado voluntária; limitar o envolvimento do setor público em transações de bitcoin; e restringir compras futuras de BTC pelo governo.

El Salvador, segundo a entidade, teria acatado as condições. Além disso, como parte desse processo, também removeu o status de moeda de curso legal do bitcoin, que havia sido adotado em 2021.

Além disso, em meados deste ano, autoridades salvadorenhas afirmaram que o governo não comprava BTC desde fevereiro, segundo o portal especializado The Block.

E o FMI reforçou a versão: para a entidade, de acordo com o site, o aumento no total de bitcoins do governo não reflete compras novas, mas sim a consolidação das reservas existentes distribuídas em diferentes carteiras estatais.

A relação entre El Salvador e o bitcoin

El Salvador compra bitcoin desde 2021 e se tornou um símbolo global da tese. Bukele é um “bitcoiner” (entusiasta das criptomoedas) assumido e usa as redes sociais para celebrar cada alta ou publicar posts positivos sobre BTC.

Hoje, o país aparece como o quinto maior detentor soberano de BTC, de acordo com dados do site Bitcoin Treasuries. Fica atrás apenas dos EUA (326,5 mil bitcoins); China (190 mil); Reino Unido (61,2 mil); e Ucrânia (46,3 mil).

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Receita amplia regulamentação de criptomoedas e inclui exchanges estrangeiras

Depois da regulamentação das criptomoedas publicada pelo Banco Central na semana passada, nesta segunda-feira (17) foi a vez de a Receita Federal divulgar suas novas normas para o setor, batizadas de DeCripto.

As novas diretrizes substituem as regras atuais – Instrução Normativa RFB nº 1.888 e Instrução Normativa RFB nº 1.899 – de 2019. Parte do texto passa a valer a partir de hoje, mas outros trechos somente em janeiro ou julho de 2026.

Uma das principais mudanças é que as prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior agora passam a ter a obrigação de reportar ao Fisco todas as movimentações dos usuários brasileiros – algo que até então não era exigido.

“Isso significa que a Receita Federal terá uma visão muito mais completa e detalhada do patrimônio e das movimentações de criptoativos detidos por contribuintes brasileiros no exterior, mitigando a assimetria de informação que existia anteriormente”, disse Leonardo Roesler, advogado tributarista e sócio do RCA Advogados.

Hoje, segundo dados da plataforma Biscoint, metade do volume de bitcoin (BTC) negociado por brasileiros ocorre em exchanges estrangeiras, como a Binance. No caso da stablecoin USDT, a maior do mercado, 80% do volume local também passa por plataformas de fora.

Outra novidade é que a Receita Federal passou a adotar o Crypto-AssetReporting Framework (CARF), um padrão internacional de troca automática de informações sobre operações com criptoativos, criado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na prática, o órgão passa a pedir novas informacões, como a identificacão das pessoas, tipo de cripto, entre outros.

De acordo com a Receita, a adoção desse padrão tem como finalidade impedir que as plataformas de criptomoedas sejam usadas para lavagem de dinheiro e para o financiamento de organizações criminosas.

No mais, as regras continuam iguais.

O que as exchanges precisam informar?

Pelas regras, exchanges – tanto brasileiras quanto estrangeiras – precisam informar mensalmente operações como compra e venda, permuta entre criptoativos, transferências, recebimento de airdrops (distribuição gratuita de criptos), rendimentos de staking (renda passiva), receitas de mineração, tomada de empréstimo em cripto e outras transações consideradas “declaráveis”.

Ao enviar os dados, as plataformas devem detalhar: data da operação, tipo de operação, identificação dos usuários, criptoativos usados, quantidade, valores, taxas, descrição do ativo, saldo em moeda fiduciária, saldo de cada criptoativo e o custo de aquisição.

E a pessoa física?

Para quem opera em exchanges, o repasse de informações à Receita é feito automaticamente pelas próprias plataformas. Mas investidores que preferem usar carteiras próprias e autocustódia também têm de reportar suas transações mensalmente – desde que ultrapassem o valor mínimo de obrigatoriedade. Quem não fizer isso pode enfrentar penalidades.

Tanto corretoras cripto quanto usuários que fazem operações por conta própria só precisam informar movimentações quando o total negociado no mês – somando todas as transações – ultrapassar R$ 35 mil no mês. Abaixo desse valor, não há exigência de declaração.

Como fazer essa declaração?

A DeCripto deve ser enviada mensalmente, por pessoa física ou jurídica, até o último dia útil do mês seguinte ao das operações. Ou seja: se você movimentou cripto em outubro, tem até 30 de novembro para transmitir sua declaração.

A entrega é feita pelo sistema Coleta Nacional, dentro do e-CAC, no site da Receita Federal. O documento precisa ser assinado digitalmente com um certificado válido da ICP-Brasil.


O que acontece com quem não declara?

Quem deixar de enviar a DeCripto, entregar fora do prazo ou apresentar dados incorretos pode ser multado, com valores que variam conforme o tipo de contribuinte. Para atrasos, a penalidade é de R$ 100 por mês para pessoas físicas, R$ 500 para empresas do Simples, imunes, isentas ou em início de atividade, e R$ 1.500 por mês para as demais empresas.

Quando há informações omitidas, incompletas ou incorretas, a multa é de 3% do valor da operação para empresas (mínimo de R$ 100) e de 1,5% para pessoas físicas. Também há multa de R$ 500 mensais para quem não atender a intimações da Receita. As penalidades podem ser reduzidas pela metade caso o contribuinte se regularize antes de qualquer procedimento de fiscalização.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 11h30:

Bitcoin (BTC):  -1,45%, US$ 93.998,92

Ethereum (ETH): -0,99%, US$ 3.124,64

XRP (XRP): -0,45%, US$ 2,20

BNB (BNB): -2,70%, US$ 904,94

Solana (SOL): -1,45%, US$ 137,60

Outros destaques do mercado cripto

‘Bitcoiner’ na vice-presidência da República. Cripto ainda não é um tema muito popular dentro do governo federal, mas alguns nomes têm simpatia pelo assunto. Um deles é Pedro Guerra, chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin. Ele contou recentemente para um portal especializado em cripto que estuda o assunto, traduziu o livro Thank God for Bitcoin, bastante conhecido no mercado, e apresentou a obra para seu chefe.

Educação de qualidade com uma pitada de cripto. A Universidade Harvard investe em cripto desde 2019 – e, pelo visto, gostou da experiência. Agora, decidiu aumentar a aposta. Em seu documento mais recente enviado ao regulador do EUA, a instituição revelou ter 6.813.612 cotas do ETF de bitcoin à vista IBIT, da gestora BlackRock. No total, isso representa cerca de US$ 443 milhões, colocando Harvard entre os 20 maiores investidores do fundo.

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Banco Central enquadra ‘dólar digital’ nas regras do câmbio

O Banco Central publicou nesta segunda-feira (10) a aguardada regulamentação do mercado de criptomoedas no Brasil. Uma das normas da autarquia federal determina que, a partir de 4 de maio de 2026, pagamentos e transferências internacionais com criptomoedas passarão a integrar o mercado de câmbio.

A medida afeta diretamente as stablecoins, criptos que são atreladas a outros ativos, como o dólar. Esses tokens, que recebem o nome de ‘dólar digital’ (quando são ligados à moeda americana), vêm sendo usados por brasileiros em viagens e remessas ao exterior – só em outubro, o volume mensal chegou a R$ 10 bilhões – justamente por serem isentos do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), hoje em torno de 3,5% nas transações com cartões internacionais.

Por enquanto, porém, as stablecoins continuam isentas do imposto. Em coletiva realizada nesta segunda, o diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, afirmou que a definição sobre a equiparação cambial e eventual cobrança do IOF caberá à Receita Federal, mas ainda não há prazo para isso.

Tiago Severo, advogado especialista em regulação de criptomoedas e sócio do Panucci, Severo e Nebias Advogados, diz que essa resolucão cria sim o gatilho potencial para que a Receita Federal e o Ministério da Fazenda passem a interpretar ou regulamentar a incidência do IOF. No entanto, segundo ele, ainda será necessário editar uma norma específica sobre o tema.

“Essa mudança tem caráter eminentemente regulatório, não tributário: o Banco Central passa a supervisionar tais fluxos dentro do Sistema de Câmbio, exigindo registro e reporte, mas não cria, por si só, uma nova hipótese de incidência do IOF. A norma disciplina “quem pode” e “como pode” operar, sem alterar a regra-matriz tributária do imposto”.

Outras medidas

A regulacão é composta por três resoluções. Além da inclusão das operações com criptoativos no mercado de câmbio (BCB nº 521), ela trata também da autorização e funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs) e da segregação patrimonial, regra que exige a separação entre as criptomoedas dos clientes e os recursos próprios das empresas.

A Resolução BCB nº 520, que entra em vigor no dia 2 de fevereiro de 2026, trata da estrutura e governança das prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAVs), como exchanges e plataformas de custódia. As empresas que já operam no país terão até 270 dias após a entrada em vigor da norma para solicitar autorização ao BC e se adequar às novas exigências.

A resolução também define as categorias de atuação das empresas:

  • Intermediárias de ativos virtuais: realizam compra, venda, troca, emissão ou staking (renda passiva);
  • Custodiantes: responsáveis pela guarda e controle das chaves privadas;
  • Corretoras: podem exercer tanto a intermediação quanto a custódia.

Além das SPSAVs, instituições como bancos múltiplos, comerciais, corretoras e distribuidoras de valores mobiliários e de câmbio também poderão oferecer serviços com ativos virtuais, desde que autorizados.

O texto também determina que os ativos dos clientes deverão ser mantidos em carteiras separadas do patrimônio da própria empresa, medida conhecida como segregação patrimonial. O objetivo é evitar o uso indevido dos recursos dos usuários e proteger seus saldos em caso de falência ou insolvência da corretora – uma resposta direta aos episódios que abalaram o setor, como a quebra da FTX em 2022.

Boa parte das corretoras locais já faz isso. Para reforçar a confiança, no entanto, as prestadoras terão de realizar provas de reserva e auditorias independentes a cada dois anos, com relatórios públicos de transparência, segundo a nova norma do BC.

Erik Oioli, sócio do VBSO Advogados, destaca que essas normas alinham o Brasil às melhores práticas internacionais. Ao exigir autorização prévia, capital mínimo e padrões rigorosos de governança e segurança cibernética, a confiança e interesse nesse mercado deve crescer mais.

Autorização e requisitos

Já a Resolução BCB nº 519, primeira do pacote, detalha os critérios para autorização das empresas que prestam serviços relacionados a criptoativos. As exigências incluem comprovação da capacidade econômico-financeira dos controladores, origem lícita dos recursos usados no capital social e reputação ilibada dos administradores.

O Banco Central também passa a exigir autorização prévia para eventos como início de operação, mudança de controle societário, alteração de estrutura societária e fusões entre prestadoras. Essa regra também entra em vigor no dia 6 de fevereiro do próximo ano.

Rodrigo Caldas Borges, sócio no Carvalho Borges Araujo Advogados, lembra que as resoluções incluem o Brasil no grupo de países que têm uma regulação clara. É o caso daqueles que cumprem em integralidade as diretrizes do GAFI, uma organização intergovernamental que promove políticas nacionais e internacionais de prevenção e combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

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Cartões de criptomoedas: o que saber antes de usar

No princípio do mundo dos pagamentos digitais, era tudo Visa e Mastercard, basicamente. Mas uma revolução nada silenciosa começou a tomar uma parte do território dessas gigantes globais: as stablecoins.

As stablecoins são criptomoedas atreladas a outros ativos. Pode ser o dólar, o ouro, o real etc. Mas as que importam, as que têm público de fato, são as que seguem o valor da moeda americana, principalmente as duas maiores: USDT e USDC.

Guardadas em carteiras cripto, podem ser usadas em locais que aceitam ativos digitais. No Brasil, isso praticamente não existe, mas nos Estados Unidos, estabelecimentos como Gucci e AMC Theatres (a rede de cinemas) liberam o pagamento em criptos estáveis.

Ou seja, muita gente começou a deixar as maquininhas tradicionais de lado, reduzindo as taxas que iam para as bandeiras.

Ao perceberem esse cenário, em vez de gritarem aos quatro ventos que estavam perdendo espaço e sugerirem regras contra as criptomoedas, Mastercard e Visa decidiram se juntar ao setor de moedas digitais. E dessa união nasceram os cartões de criptomoedas de débito e crédito cripto.

Como esses cartões funcionam?

Hoje, há quase uma dezena de cartões de criptomoedas disponíveis em terras brasileiras. No geral, você carrega com criptomoedas e gasta em reais, em qualquer lugar que aceite pagamento por maquininha.

Vamos dar exemplos aqui de dois cartões de criptomoedas, explicando como funcionam, como pedir, quais as taxas etc. Não são recomendações, claro – é tudo para fins didáticos mesmo.

Binance Card – Crédito/Mastercard

Um dos últimos lançamentos, agora no início de outubro, foi o Binance Card, criado pela exchange Binance em parceria com a Mastercard. Ele é um cartão “híbrido”. Apesar de ter a bandeira crédito, não funciona como um cartão de crédito tradicional, e sim como um cartão pré-pago recarregável com criptomoedas.

Para usar, é preciso ter uma conta na corretora e solicitar o cartão pelo site ou aplicativo da Binance. O usuário deve manter criptomoedas – como bitcoin (BTC), ethereum (ETH), binance coin (BNB) ou stablecoins – em uma área específica da conta, chamada “Funding Account”. É desse saldo que o cartão “puxa” o valor das compras.

Também é possível permitir o uso das criptos que ficam na conta usada para trading, chamada “Spot Account”. Dentro da plataforma, você escolhe quais criptomoedas serão usadas primeiro nas transações. Exemplo: primeiro USDT, depois bitcoin, e em terceiro ethereum. É possível definir entre três e 12 moedas digitais.

A cada uso, ocorre uma conversão automática de cripto para real, com taxa de 0,9%. Essa cobrança é feita em todas as compras, e não no fechamento de uma fatura. Em cartões convencionais, vale lembrar, não existem taxas para o usuário (só para o comércio).

O cartão também tem limite mensal de gastos que varia conforme o nível de verificação de identidade do usuário (KYC), indo de R$ 50 mil a R$ 150 mil no mês. Ou seja, mesmo que o cliente tenha R$ 1 milhão em criptomoedas na conta, ele só poderá gastar até o teto definido pela Binance, o que é uma limitação em relação a um cartão de débito comum, que permite usar todo o saldo disponível.

Também é possível fazer saques em caixas eletrônicos. Os dois primeiros saques do mês são gratuitos; depois, cobram uma tarifa de US$ 1,50 por operação. Os cartões de débito comum não costumam cobrar saques.

Ripio Card- Débito/Visa

O Ripio Card é um cartão pré-pago de criptomoedas da plataforma Ripio, com bandeira Visa. Ele funciona de forma muito semelhante ao da Binance: você precisa ter criptomoedas em sua conta na corretora, que são convertidas automaticamente para reais no momento da compra.

A diferença é que o Ripio Card atua formalmente na modalidade débito (ou seja, na hora de passar na maquininha, você diz para o vendedor que o pagamento é no débito). Dá para usar cerca de 30 moedas digitais, incluindo, claro, bitcoin, ethereum e stablecoins.

Na hora da compra, a plataforma faz a conversão automática para reais com uma taxa de 0,5% por operação. Apesar de ser um cartão de débito, ele também tem limite: R$ 40 mil por dia.

Também há opção de saque em caixas 24 horas, com tarifa de R$ 6,90 por operação.

Vantagens

Talvez a principal vantagem desses cartões de criptomoedas seja em viagens internacionais – e a gente já falou sobre isso aqui. Eles não cobram imposto sobre operações financeiras (IOF). Outros cartões que cortam a tarifa são os oferecidos por OKX, Bitget Wallet e Crypto.com.

Alguns deles também eliminam ou têm um spread cambial menor – aquela margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação do dólar. Em contrapartida, nos cartões tradicionais incidem IOF de 3,5%, somado a um spread que costuma variar entre 4% e 7%.

A taxa de conversão, entre 0,5% e 0,9% fica abaixo desses valores, portanto.

O ideal, de qualquer forma, é sempre usar stablecoins para “recarregar” os cartões. Se você converter diretamente a partir de bitcoins e outras criptos tradicionais, estará à mercê da volatilidade, já que o preço delas muda rápido: o bitcoin, por exemplo, chegou a US$ 126 mil em meados de outubro e hoje está na casa dos US$ 103 mil. Ou seja: o valor em reais pode variar brutalmente entre o momento em que você carrega o cartão e o momento da compra.

Veja tabela com alguns cartões cripto:

CartãoTipoBandeira
Crypto.com CardPré-pago (modo crédito)Visa
Binance CardPré-pago (modo crédito)Mastercard
KAST CardPré-pago (débito e crédito)Visa
OKXPré-pago (débito)Mastercard
Ripio CardPré-pago (débito)Visa
Bitget WalletPré-pago (crédito)Mastercard
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Bitcoin sobe com expectativa de fim do shutdown nos EUA

Parece que o shutdown – a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos – está perto do fim, após 40 dias de impasse. E as criptos reagem bem à notícia, acompanhando o bom humor dos mercados americanos.

O bitcoin (BTC) é negociado a US$ 106 mil na manhã desta segunda-feira (10), com alta de 4,37% nas últimas 24 horas. As altcoins – as criptos diferentes do BTC – também avançam, com destaque para o XRP, que sobe 12,30%.

Na noite de domingo (9), o Senado americano aprovou, por 60 votos a 40, o texto do orçamento anual, que pode encerrar a paralisação. O shutdown ocorre quando o Congresso não aprova o orçamento federal dentro do prazo legal.

O projeto agora segue para a Câmara dos Representantes, antes de chegar à mesa do presidente Donald Trump.

O assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse ontem em uma entrevista à CBS que o crescimento econômico dos EUA no quarto trimestre poderia ficar ameaçado se a paralisação federal se arrastasse mais.

Para Gracy Chen, CEO da Bitget, embora a paralisação tenha afetado o sentimento dos investidores no curto prazo, ela pode evidenciar as ineficiências dos sistemas financeiros tradicionais e fortalecer a confiança institucional na blockchain (a tecnologia por trás das criptos).

“Em um mercado onde a volatilidade persiste, mas a inovação continua forte, esse período de incerteza estimula estratégias diversificadas e a adoção global, à medida que os investidores buscam estabilidade em alternativas descentralizadas”.

Além das criptomoedas, os principais índices americanos também sobem nesta manhã. Nasdaq pula 1,49%, para 25.541,50 pontos; S&P 500 valoriza 0,93%, para 6.816,75 pontos; e Dow Jones avança 0,40%, para 47.275.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +4,37%, US$ 106.302,47

Ethereum (ETH): +6,59%, US$ 3.617,06

XRP (XRP): +12,30%, US$ 2,54

BNB (BNB): +1,57%, US$ 1.000,01

Solana (SOL): +7,14%, US$ 168,95

Outros destaques do mercado cripto

Regulamentação cripto sai hoje. O Banco Central publica nesta segunda a aguardada regulamentação dos criptoativos no Brasil. O texto será resultado de uma série de consultas públicas realizadas pela autarquia – uma delas sobre em que momento uma operação com criptomoedas pode ser considerada câmbio. Entre os pontos de atenção, o mercado quer saber se as stablecoins passarão a ser tributadas com IOF. A nova norma também deve detalhar os critérios para que empresas obtenham licença como Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs).

Tokenização de carros pode virar realidade. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Detran-PR estudam criar um passaporte veicular digital – um token único para cada veículo, que reuniria em blockchain dados dos motoristas, histórico de propriedade e informações de financiamento. A ideia é tornar o processo de compra, venda e transferência de automóveis mais rápido, seguro e totalmente digital.

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Por que as altcoins sangram mais que o bitcoin em tempos de crise

O bitcoin (BTC) está em baixa no acumulado da semana – mas as altcoins sofrem ainda mais. Enquanto a maior cripto do mercado cai 8% no acumulado de sete dias, o ethereum (ETH) recua 11% e a solana (SOL) quase 15%.

Esse cenário de melhor desempenho do bitcoin (mesmo em momentos de crise) sobre as outras criptos não se restringe ao curto prazo, mas se mantém em um período de três meses. Basta olhar o Altcoin Season Index, um índice que compara o desempenho do BTC com dezenas de criptos nos últimos 90 dias.

Esse índice funciona basicamente como uma régua que mede o desempenho relativo do bitcoin em relação às altcoins. Ele analisa quais criptomoedas tiveram valorização maior que o BTC e quais ficaram atrás. Cada altcoin que superou o BTC soma pontos para o índice, enquanto aquelas que ficaram atrás não somam. O resultado final é uma escala de 0 a 100: quanto mais próximo de 100, mais as altcoins dominaram o período; quanto mais próximo de 0, mais o bitcoin se destacou.

Hoje, esse indicador está em 26/100, o que significa que só um quarto das altcoins conseguiu se sair melhor do que o bitcoin nesse período. Ou seja, o BTC superou as outras cerca de 75% das altcoins. No mercado cripto, isso é chamado de uma “bitcoin season” – o inverso é “altcoin season.”

Por que as altcoins sofrem mais?

A explicação está no perfil de risco e na estrutura de mercado. Criptos alternativas são, por natureza, mais arriscadas. Elas têm liquidez menor e capitalização de mercado bem reduzida na comparação com o BTC.

Em tempos de pânico e aversão ao risco, como o visto nos últimos dias, a venda de grandes volumes de bitcoin não derruba o preço de forma tão acentuada, pois normalmente há uma contraparte compradora robusta.

Já no ecossistema das altcoins, qualquer ordem grande de venda pode causar quedas bruscas, pois pode ser que não existam compradores suficientes no outro lado para absorver a pressão vendedora sem concessões de preço.

Além disso, os grandes investidores individuais (as chamadas baleias) podem movimentar altcoins menores facilmente, causando variações de preço mais intensas.

O bitcoin também têm mais instrumentos financeiros – ETFs, futuros, opções – que ajudam a estabilizar o preço em momentos de estresse. Altcoins mais conhecidas, como ethereum e solana, também têm, mas as criptos menores não têm acesso a essas ferramentas.

Boa parte do capital investido em altcoins também é especulativo (especialmente nas famosas memecoins). Os traders estão correndo atrás de ganhos rápidos. Isso aumenta a sensibilidade a notícias, rumores ou movimentos de grandes players.

E o futuro: hora de abandonar as altcoins?

A história do mercado cripto é feita de ciclos, e não vale descartar todo um setor baseado em um único momento de baixa. Apesar do cenário desfavorável, as altcoins continuam operando e têm catalisadores importantes no radar.

O BTG Pactual, em um relatório recente, destacou que, além de bitcoin, mantém exposição significativa a ethereum e solana, por exemplo.

“Mantivemos ethereum (ETH) e solana (SOL) entre as maiores exposições, amparadas por ETFs listados nos EUA e pela atuação de tesourarias corporativas na acumulação de posições, vetores que ancoram demanda e contribuem para a formação de preço no médio prazo”, os analistas do banco escreveram em relatório.

No mês passado, os EUA ganharam dois ETFs de solana. Juntos, segundo a plataforma SoSovalue, eles já têm um valor acumulado de US$ 323,02 milhões. Já os ETFs de ethereum, um pouco mais antigos, têm US$ 13,9 bilhões.

Em relação às companhias de tesouraria, 15 empresas de capital aberto já mantêm ethereum em caixa e 10 têm solana, segundo dados da plataforma CoinGecko. Em bitcoin, de acordo com o mesmo site, são mais de 120 companhias (algumas plataformas citam até 200).

O XRP, token associado à Ripple, também vem ganhando espaço nas análises de especialistas. Desde a aprovação de um ETF ligado à moeda nos Estados Unidos, em setembro, cresceu a aposta de que ele pode começar a chamar a atenção dos investidores mais tradicionais.

“Com a situação regulatória resolvida nos EUA, o XRP volta a atrair investidores institucionais. ETFs já operam nos EUA e no Canadá, e a rede Ripple segue avançando em soluções de pagamentos transfronteiriços”, disse Marcelo Person, crypto treasury & markets director da Foxbit.

E as altcoins menores e mais arriscadas?

Para as criptos de menor porte, o cenário de volatilidade acentuada deve permanecer. Mesmo nesse ambiente, projetos em nichos tendem a se destacar, segundo analistas.

Um exemplo citado pela equipe de research do Mercado Bitcoin é o Hyperliquid (HYPE), token nativo de uma exchange descentralizada (DEX, na sigla em inglês) de derivativos.

“Esse projeto vem ampliando sua atuação em campos estratégicos, como o desenvolvimento de uma stablecoin própria, o que pode reforçar ainda mais sua relevância dentro do ecossistema de finanças descentralizadas (DeFi) e gerar novas fontes de demanda para HYPE”.

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Bitcoin caminha para a segunda pior semana do ano

O bitcoin (BTC) continua em território negativo na manhã desta sexta-feira (7), na faixa dos US$ 100 mil. Se a cripto mantiver esse ritmo capenga até o fim do dia, deve encerrar a semana com uma queda de quase 9% – a segunda pior de 2025, de acordo com dados da plataforma Coinglass.

O sentimento predominante no mercado cripto ainda é de cautela. Prova disso é o Índice de Medo e Ganância (Crypto Fear & Greed Index, em inglês), ferramenta que mede essas duas emoções tão humanas que também estão presentes no mercado.

Em uma escala de 0 a 100 – em que números menores indicam medo extremo e os maiores ganância extrema – o indicador está em 21 pontos, ou seja, em zona de medo.

As dúvidas sobre os juros nos Estados Unidos, a continuação do shutdown (paralisação parcial do governo americano) e, mais recentemente, a queda das ações de tecnologia nas bolsas americanas e globais continuam azedando os investimentos.

Os mercados de ações de tecnologia experimentaram sua pior semana em sete meses, com queda de 2,8% no índice Nasdaq 100 e perdas de até 4,7% nos principais índices asiáticos por causa de preocupações com a maturidade da inteligência artificial e o custo elevado de investimentos no setor.

“A forte retratação nas techs sugere aumento da aversão ao risco, o que tradicionalmente atinge criptoativos como o BTC”, falou André Franco, CEO da Boost Research.

As principais altcoins – as criptomoedas diferentes do bitcoin – também operam no vermelho nesta manhã. A maior queda é do XRP (XRP), que cai 5,10%.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  -2,37%, US$ 100.693,47

Ethereum (ETH): – 3,32%, US$ 3.278,24

XRP (XRP): -5,10%, US$ 2,19

BNB (BNB): – 0,33%, US$ 952,01

Solana (SOL): -3,01%, US$ 154,18

Outros destaques do mercado cripto

Que beleza de valorização. Enquanto o bitcoin e as principais altcoins amargam quedas, uma criptomoeda roubou a cena: a filecoin (FIL), que é uma rede de armazenamento descentralizado de arquivos na nuvem. Nas últimas 24 horas, o token disparou 70%, registrando o melhor desempenho entre todas as criptos, segundo dados do CoinMarketCap. O movimento coincide com a alta de um setor chamado DePin, que abrange projetos de infraestrutura descentralizada voltados a armazenamento de dados, computação e outros serviços baseados em blockchain.

Vai um crédito digital com bitcoin aí? Michael Saylor, cofundador da Strategy – a maior tesouraria de bitcoin do mundo e “super queridinha” em Wall Street – quer dar um novo passo: tornar a companhia referência em crédito digital lastreado em BTC. A empresa chegou a emitir títulos perpétuos (sem prazo de vencimento) neste ano que geram rendimento de 10% ao ano aos investidores. Saylor apresentou os planos ontem, durante um evento em São Paulo promovido pela OranjeBTC (OBTC3), a maior tesouraria de bitcoin do Brasil.

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Como o bitcoin costuma se comportar depois de quedas de juros nos EUA?

Há quase 100% de chances de os juros caírem mais 0,25 ponto percentual nos EUA, segundo o FedWatch, ferramenta que mede as expectativas do mercado sobre as decisões do banco central americano. Caso o Fed confirme a expectativa nesta quarta, essa será a primeira sequência de duas quedas na “Selic” americana desde o ano passado.

O que esse novo cenário significa para o bitcoin?

Na teoria, é positivo. Na prática, depende do caso. A cripto costuma se sair bem em períodos de queda de juros por lá – mas nem sempre, porque há outros fatores importantes em jogo.

Um estudo da Vault Capital, encomendado pelo InvestNews, mostrou que nos dois últimos grandes ciclos de cortes nos EUA – de 31 de julho de 2019 a 15 de março de 2020 e de 18 de setembro de 2024 até 17 de setembro de 2025 -, o bitcoin subiu em metade das vezes três meses depois dos cortes, e caiu na outra metade. Já num prazo de seis meses, o desempenho foi melhor: alta em 75% das ocasiões e queda em 25%.

O que explica tudo isso? Vamos por partes.

Juros têm força, mas não fazem milagre

Juros menores costumam dar uma dose de ânimo nas criptos. Isso porque reduzem a atratividade da renda fixa – como os títulos públicos dos EUA, as famosas treasuries – que passam a render menos. Com isso, cresce o apetite por investimentos de maior risco, como ações e criptoativos.

Mas os juros sozinhos, na verdade, não definem nada.

Segundo Fernando Martines, head de research da Vault Capital, a liquidez também faz toda a diferença. Ele explica que, em períodos de política monetária expansionista nos EUA, como em 2020 e 2024, o governo americano adotou medidas de quantitative easing (injeção de dinheiro na economia) e reduziu os juros.

Com mais dólares circulando e a moeda enfraquecida, o apetite por risco aumentou – e isso impulsionou o preço do bitcoin.

No corte de juros de março de 2020, por exemplo, o bitcoin subiu 78,4% nos três meses seguintes e 105% em seis meses. Satoshi Nakamoto – o misterioso criador da maior criptomoeda do mercado – deve ter ficado feliz da vida.

Já em fases de quantitative tightening – o processo inverso, quando o governo retira dinheiro de circulação para conter a inflação -, como entre 2022 e 2023, o cenário foi outro. Mesmo com expectativas de cortes, a liquidez menor e o medo de risco limitaram o desempenho da cripto. Nessas fases, o bitcoin tende a subir menos ou até cair.

“Em resumo, juros mais baixos são positivos para o bitcoin quando ocorrem em um ambiente de liquidez crescente e confiança elevada, tanto institucional quanto de indivíduos. Sem esses elementos, o efeito se dilu”, disse Martines.

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O que esperar do bitcoin após esse corte?

No geral, a expectativa é positiva. Primeiro, porque o corte é praticamente dado como certo. Nesta terça-feira (28), 97,8% dos agentes do mercado apostam em um recuo de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%.

Outro ponto otimista vem do JPMorgan, que vê possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central da nacão americana) encerrar o atual quantitative tightening, que restringe a liquidez global. Isso poderia, segundo analistas do banco, “soltar o freio de mão” da liquidez.

“Se confirmada, a combinação de corte de juros e fim (ou projeção de fim) do quantitative tightening pode criar um ambiente altamente favorável para os ativos de risco, incluindo o bitcoin”, disse a equipe de research do Mercado Bitcoin.

Além disso, há expectativa de que as tensões geopolíticas se acalmem. Na quinta-feira (30), o presidente dos EUA, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, vão se encontrar na Coreia do Sul. Espera-se o anúncio de um acordo para encerrar a guerra comercial, que causou fortes quedas nas criptos na semana do dia 10 de outubro.

“O avanço nas negociações entre EUA e China, com um acordo preliminar para reduzir tensões comerciais, também contribuiu para o otimismo”, disse Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Além dos juros e da liquidez

Claro que juros e liquidez não são os únicos fatores que mexem com o preço do bitcoin. Outros elementos também entram na conta.

Um dos principais hoje em dia é a adoção institucional, que ocorre principalmente via ETFs (fundos negociados em bolsa). “Entradas expressivas nesses fundos costumam antecipar altas, enquanto períodos de resgate ou realocação geram correções”, disse Martines, da Vault Capital.

Na semana entre 13 e 17 de outubro, os ETFs à vista de bitcoin nos EUA registraram saídas líquidas de US$ 1,23 bilhão, a segunda maior da história, em meio a tensões comerciais globais. Nos últimos dias, porém, esses produtos voltaram a atrair capital: só ontem, o fluxo líquido somou US$ 149,3 milhões, segundo a plataforma SoSoValue.

Outro elemento para o preço é a liquidez interna do mercado de criptomoedas, impulsionada principalmente pelas stablecoins – tokens atrelados a outros ativos, como dólar e ouro – como USDT e USDC, segundo Martines.

“O crescimento ou retração do volume de stablecoins é um bom indicador da liquidez global. Quando há expansão dessas emissões, há mais recursos disponíveis para compra de bitcoin. Quando são resgatadas, o mercado tende a encolher”, falou.

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Bitcoin acorda de bom humor: China, EUA e Fed dão aquela força

O bitcoin (BTC) começou a semana em território positivo, obrigado. O movimento foi impulsionado pelo avanço das negociações entre China e Estados Unidos e pelas expectativas de corte de juros na maior economia do mundo.

No fim de semana, autoridades das duas potências se encontraram à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur, na Malásia, e sinalizaram a possível estruturação de um acordo comercial.

Nenhum martelo foi batido ainda. As negociações continuam, e o presidente Donald Trump deve se reunir com Xi Jinping na quinta-feira (30), na Coreia do Sul.

Outro vento favorável ao bitcoin é a decisão de política monetária dos Estados Unidos, prevista para esta quarta-feira (29). O mercado aposta em um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

O otimismo ganhou força após a divulgação da inflação ao consumidor de setembro dos EUA (CPI, na sigla em inglês), na sexta-feira (24), que veio abaixo do esperado. Como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) monitora de perto a inflação para definir sua política de juros, isso reforçou as apostas de corte.

“Apesar da incerteza gerada pela paralisação do governo e por inconsistências nos dados, o sentimento do mercado segue amplamente construtivo. Nesse contexto, os criptoativos podem reagir de forma positiva, já que o posicionamento atual parece mais limpo e equilibrado”, disse Fabio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase.

Vale lembrar: quedas de juros costumam beneficiar criptos e outros ativos de risco, já que os títulos do Tesouro americano (as treasuries) passam a render menos, estimulando a busca por retornos maiores.

E não é só o bitcoin que opera no azul nesta manhã. Algumas das principais altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC – também sobem.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +2,73%, US$ 115.432,52

Ethereum (ETH): + 4,73%, US$ 4.168,37

XRP (XRP): -0,81%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 2,75%, US$ 1.153,30

Solana (SOL): +2,56%, US$ 200,39

Outros destaques do mercado cripto

Blockchain cada vez mais pop. A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens em blockchain – fisgou a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). A entidade lançou um projeto-piloto para tokenizar fundos de investimento e debêntures, simulando todo o ciclo de vida de um ativo tokenizado: da estruturação à liquidação. Segundo o presidente da associação, Carlos André, a iniciativa é uma oportunidade de explorar um “território novo” para o mercado financeiro tradicional.

Nova stablecoin no pedaço. O Japão agora tem uma criptomoeda para chamar de sua. A fintech JPYC anunciou o lançamento da primeira stablecoin (cripto atrelada a algum outro ativo) pareada ao iene japonês, batizada de JPYC. O token mantém paridade de 1:1 com a moeda local e roda em blockchains como Avalanche, Ethereum e Polygon. De acordo com a empresa, as emissões começam nesta segunda-feira, e todas as unidades serão lastreadas em títulos do governo japonês.

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Subida tímida: bitcoin avança 1%, mas alerta de nova queda assombra o mercado

O bitcoin (BTC) deu uma leve subidinha, mas nada para pular de alegria ainda. Foi só um avanço de 1,30% nas últimas 24 horas, para a faixa US$ 109 mil. Além disso, o movimento ainda não convenceu o mercado: há dúvidas se a cripto vai retomar a tendência de alta ou se vem mais correção pela frente.

Os players do setor acham que o setor cripto entrou em um processo de ajuste técnico, e o principal sinal foi a derrubada da alavancagem – quando o investidor toma dinheiro emprestado para operar com valores maiores do que tem – em 10 de outubro. Naquele dia, os traders perderam cerca de US$ 20 bilhões com a queda do BTC em meio às tensões entre EUA e China.

Segundo Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, tanto o bitcoin como as altcoins ainda estão se recuperando desse movimento de desalavancagem e continuam sendo os ativos mais sensíveis do mercado – ou seja, os primeiros a serem vendidos em momentos de estresse.

“Bitcoin e criptoativos em geral acabam sendo um proxy (indicador) de um mercado que ainda tem receio do seu rumo em meio a um cenário de shutdown, tarifas e guerras comerciais, conflitos externos e também sobre uma possível valorização exagerada de AI e tech”, disse Cortina.

André Franco, CEO da Boost Research, vai na mesma linha. Ela acha que a expectativa de curto prazo vai de neutra a levemente negativa. “As tensões comerciais renovadas e os resultados decepcionantes do setor de tecnologia (aqui ele está falando dos resultados trimestrais dos EUA) ampliam a aversão ao risco, o que tende a pesar sobre ativos mais voláteis, como o BTC”, disse.

Mais queda à vista?

Como ninguém tem bola de cristal, é preciso lembrar que uma fala de Trump aqui ou um aumento de tensão geopolítica ali podem mexer com tudo.

Mas na quarta-feira (22), Geoffrey Kendrick, head global de research de ativos digitais do banco Standard Chartered, afirmou em nota que a queda do bitcoin abaixo dos US$ 100 mil “parece inevitável” neste fim de semana, na visão da instituição.

O banco aponta duas razões principais: condições de liquidez mais apertadas, com menos dinheiro circulando no sistema, e sinais técnicos de esgotamento – quando o gráfico mostra que o preço perdeu força após subir rápido demais, abrindo espaço para uma correção de curto prazo.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  +1,30%, US$ 109.507,13

Ethereum (ETH): + 1,34%, US$ 3.893,14

XRP (XRP): +1,25%, US$ 2,41

BNB (BNB): + 3,39%, US$ 1.099,30

Solana (SOL): +2,68%, US$ 189,01

Outros destaques do mercado cripto

Impulso bilionário. Enquanto o bitcoin e as principais altcoins registraram uma alta tímida, o token Hyperliquid (HYPE) disparou 11% no dia – a maior valorização entre todas as criptos. O motivo? A Hyperliquid Strategies, uma nova empresa de tesouraria de ativos digitais (mais uma delas), sinalizou à SEC – a “CVM dos EUA” – sua intenção de levantar US$ 1 bilhão. Parte dessa bolada deve ser usada para acumular o token HYPE no caixa. Hoje, a firma já detém 12,6 milhões de unidades da cripto, o equivalente a US$ 305 milhões.

Tokenização em alta. Ontem a gente publicou uma matéria sobre tokenização, mostrando como esse segmento vem crescendo no Brasil. E, no mesmo dia, o pessoal da Nexa e da Fintrender lançou o relatório Brazil Tokenization Report 2025 – The Convergence Moment (Relatório de Tokenização 2025 – O Momento da Convergência). E olha, o material mostrou que o setor está mesmo a todo vapor por aqui: segundo o estudo, já são 30 plataformas de tokenização no país, e a estimativa deles é de US$ 1 bilhão em emissões neste ano – número até maior do que os dados oficiais da CVM.

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Tokenização avança no Brasil e oferece renda fixa pagando 20% ao ano; quais os riscos?

A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – está super pop. Tem gestor financeiro gigante falando sobre isso (vide Larry Fink, da BlackRock), quase todo dia sai matéria na imprensa a respeito desse assunto e até a família Trump – que tem um apreço especial por cripto – está de olho.

Mas como funciona exatamente esse setor, em que pé está no Brasil atualmente e como o investidor pessoa física pode tirar uma casquinha dele, sem correr tanto risco? Vamos por partes.

Primeiro, o básico. As empresas precisam de dinheiro para crescer e manter o negócio rodando. Tradicionalmente, isso é feito com a emissão de debêntures ou outros títulos de dívida – um processo burocrático, um pouco salgado e demorado, que pode levar de três a seis meses. A tokenização surgiu como uma alternativa mais rápida e acessível, entre 30 e 45 dias, segundo players – mas para empresas menores.

Em vez de passar por todas as etapas do mercado tradicional, a firma emite seus títulos diretamente na blockchain (a tecnologia por trás das criptos), em forma de tokens, que podem ser comprados por investidores. Em troca, quem investe nesses ativos recebe um retorno sobre o valor investido. É uma renda fixa mais moderninha e digital.

Todo o processo de emissão segue o rito de uma resolução chamada CVM 88, de abril de 2022. Ela, na verdade, foi criada para startups que precisavam levantar grana via crowdfunding (financiamento coletivo), mas em 2023 a Comissão de Valores Mobiliários também expandiu para as emissoras cripto. Aí foi um Deus nos acuda de emissões.

Naquele ano, por exemplo, foram R$ 273 milhões em ofertas por meio dessa regra, segundo dados do próprio xerife do mercado de capitais. Em 2024, o valor de oferta já pulou para R$ 1,3 bilhão – ou seja, quatro a cinco vezes mais. Até outubro de 2025, já foram R$ 1,45 bilhão em emissões encerradas, além de R$ 1,37 bilhão em andamento.

Tem de tudo um pouco


Hoje, há tokenização de todo tipo de instrumento. O RWA Monitor, uma plataforma para monitoramento e análise de ativos reais tokenizados, reuniu os dados de seis grandes emissoras – elas não são as únicas, mas já dá para ter uma ideia do que já foi ofertado e do que existe por aí.

Entre os tipos de ativos tokenizados, 42,1% são Crédito do Produtor Rural (CPRs), 22,3% nota comercial, 19,5% debêntures, 7% recebível de cartões, 4,8% duplicatas, 2% acordo de participação em empréstimo e 1,9% Cédula de Crédito Bancário (CCB). Ufa.

“A tokenização é muito mais simples, porque são títulos que as pessoas já estão acostumadas e que vão ser transformados em tokens. E, apesar de não ser uma coisa tão popular e tão falada quanto o investimento em cripto, como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), é um movimento que talvez se aplique muito mais ao dia a dia das pessoas que investem”, disse André Gouvinhas, chief financial officer (CFO) do MB | Mercado Bitcoin.

A empresa, que começou como exchange, hoje aposta alto também na tokenização e já emitiu quase R$ 1 bilhão em tokens, segundo dados compilados na plataforma RWA. Já a GCB Investimentos, uma das pioneiras nesse segmento, informou nesta semana que, de novembro de 2023 até outubro deste ano, realizou R$ 1 bilhão em emissões de ofertas públicas tokenizadas sob a resolução CVM 88 – entre operações de Certificados de Recebíveis (CRs) e outras dívidas estruturadas.

Outras firmas do setor são Vert Capital, com R$ 743 milhões; Liqi, com R$ 22 milhões; Dexcap Finance, com R$ 9 milhões; Invex, com R$ 2,24 milhões; e Foxbit, com R$ 1,08 milhão.

E para o investidor?


Como a tokenização é mais barata, as empresas conseguem oferecer aos investidores um rendimento maior na outra ponta. Hoje, nas emissões abertas em período de captação, há tokens oferecendo IPCA + 13% ao ano, bem como 18%, 20% e até 24% em 365 dias.

São retornos bem mais chamativos do que os já atraentes títulos públicos – que estão pagando hoje IPCA + 8% (o de 2029) e 13,38% ao ano nos prefixados – e até mais do que o crédito privado tradicional, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que pagam 100% do CDI ou um pouco mais.

Riscos


Todo investimento tem risco – e a renda fixa digital também tem. Alguns deles são riscos de mercado (variação nos preços dos ativos que compõem o investimento), de crédito (possibilidade de o emissor não honrar o pagamento) e tributários (alterações nas leis que podem mudar a forma de tributação ou aumentar a carga de impostos), segundo relatório da BlockWise Capital.

Além disso, podem existir riscos operacionais (falhas em sistemas, processos ou na gestão da plataforma), jurídicos/regulatórios (mudanças nas regras que afetam o funcionamento do investimento) e de liquidez (dificuldade em vender o ativo rapidamente sem perder valor).

Também não existe mercado secundário para esses tokens – ou seja, não é possível comprar e vender o ativo digital antes do vencimento, o que aumenta ainda mais o problema da liquidez e exige um comprometimento com o prazo da operação.

Além disso, diferente da renda fixa tradicional, esses ativos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma espécie de “seguro” que garante ao investidor a devolução de valores investidos – até R$ 250 mil por investidor e instituição – caso a empresa emissora do título apresente problemas.

O que olhar antes de investir?

Rodrigo Caldas de Carvalho Borges, sócio do CBA Advogados, disse que, em relacão ao token em si, é essencial que o investidor interessado nesse tipo de produto entenda o que ele representa. “Vale verificar se há um lastro real e verificável (como um recebível, uma nota comercial ou um contrato de crédito), qual é o fluxo de pagamento e de liquidação, e se os contratos inteligentes passaram por auditoria técnica”.

Já em relação à empresa emissora, falou, o investidor deve observar sua governança, histórico de atuação e situação financeira. “É importante verificar se o emissor tem estrutura para honrar os pagamentos, se os recursos captados têm uma destinação operacional clara e se há relatórios de acompanhamento”.

Mudanças na legislação?


Para tentar contornar algumas das limitações desse setor, a CVM lançou, no mês passado, uma consulta pública sobre a reforma da resolução de crowdfunding. A ideia do regulador é liberar outras empresas para emitir por meio desse arcabouço jurídico (especiamente do agro), aumentar limites e ajustar outras regras. O mercado gostou do movimento.

“A proposta amplia o rol de emissores elegíveis, permitindo que securitizadoras, cooperativas e produtores rurais possam realizar ofertas reguladas por meio de plataformas registradas. Isso consolida o uso da tecnologia blockchain dentro de um arcabouço jurídico sólido, aumentando a confiança do investidor e reduzindo a incerteza quanto à natureza desses ativos. A ampliação da distribuição por meio de bancos e corretoras tende a aumentar a liquidez das ofertas”, falou Borges.

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OranjeBTC aproveita queda do bitcoin para colocar mais criptos na cesta

O bitcoin (BTC) voltou a cair – e, enquanto muitos investidores venderam no susto (algo compreensível), outros viram na baixa uma oportunidade. É o caso da OranjeBTC, empresa brasileira de tesouraria e educação focada em ativos digitais.

Nas redes sociais, a companhia anunciou a compra de 10 novos bitcoins na segunda-feira (20), quando a cotação estava em US$ 108.786. A operação custou cerca de US$ 1,09 milhão – o preço de uma Ferrari SF90 Spider 2024.

Com a nova aquisição, a OranjeBTC passou a ter 3.071 BTC em caixa, o equivalente a US$ 390,16 milhões, segundo o site Bitcoin Treasuries. A empresa continua sendo a 26ª maior bitcoin treasury company do mundo – nome dado às companhias que mantêm criptos em tesouraria.

Bitcoin cai mais

E depois que a OranjeBTC comprou criptos, o bitcoin caiu mais ainda. Nesta terça-feira (10), o ativo digital é negociado a US$ 107.787,15, com desvalorização de 2,90% nas últimas 24 horas, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

André Franco, CEO da Boost Research, disse nesta manhã que a melhora nas perspectivas de comércio global elevou o apetite por risco, o que beneficiaria o bitcoin. No entanto, a magnitude das valorizações pode ser limitada, pois parte desse cenário já vinha sendo precificada.

“Espera-se que o bitcoin oscile entre US$ 107.000 e US$ 113.000, com possibilidade de teste da resistência próxima a US$ 115.000 se os sinais comerciais e de liquidez permanecerem favoráveis”, falou.

Já o pessoal do research do Mercado Bitcoin disse que o preço da criptomoeda ainda é muito influenciado pelas conversas entre EUA e China sobre as tarifas. Ontem, o presidente Donald Trump abordou duas vezes o assunto.

“Ainda estamos muito sensíveis a esse tópico e a postura de negociação do Trump gera muitos ruídos e movimentações de mercado mais voláteis”, disse a equipe da exchange.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC)– 2,90%, US$ 107.787,15

Ethereum (ETH): – 4,40%, US$ 3.866,16

XRP (XRP): -2,58%, US$ 2,41

BNB (BNB): – 5,31%, US$ 1.086,16

Solana (SOL): -4,40%, US$ 184,85

Outros destaques do mercado cripto

ETFs de bitcoin ainda não pegaram no tranco. Os fundos negociados em bolsa de bitcoin dos EUA continuam enfrentando maré negativa. Ontem, registraram US$ 40,5 milhões em saídas, completando quatro dias seguidos de fluxos negativos. Lembrando que, na semana passada, esses produtos haviam perdido US$ 1,23 bilhão. O movimento é importante porque mostra como os investidores institucionais estão enxergando o mercado cripto – e, por enquanto, o clima ainda é de cautela.

Sai fora, minerador cripto. O governo da Colúmbia Britânica – a terceira província mais populosa do Canadá – decidiu botar um freio nos mineradores de criptomoedas. Como a mineração (nome dado ao processo de emissão de novas criptos) consome muita energia, a demanda elétrica disparou por lá – e o pessoal agora planeja proibir permanentemente novos projetos de “fabricação” de ativos digitais na região, seguindo o exemplo da China.

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Ouro digital na contramão do ouro real: enquanto o bitcoin patina, o metal precioso atinge a maior cotação da história

O crash da semana passada, que varreu bilhões do mercado cripto em meio à retomada da guerra tarifária entre China e Estados Unidos, pegou o bitcoin (BTC) em cheio. Agora, a maior criptomoeda do mundo – muitas vezes chamada de “ouro digital” – patina, bem diferente do metal precioso que inspirou o apelido.

Na manhã desta quinta-feira (16), o bitcoin é negociado na faixa dos US$ 111 mil, com queda de 1% nas últimas 24 horas. No acumulado semanal, a cripto entrega perdas de 9%. No mês, cai 3%.

Enquanto isso, o ouro brilha forte. Ontem, superou os US$ 4.200 a onça-troy pela primeira vez em toda a história, mostrando que, em períodos de instabilidade, continua sendo um dos portos seguros procurados pelos investidores.

“O ouro atingindo recordes confirma que parte dos investidores está se movimentando para ativos de proteção, um contexto que poderia favorecer o BTC. No entanto, o Bitcoin já enfrenta resistência técnica e sensibilidade a reversões, dada a volatilidade recente e os choques macroeconômicos”, disse André Franco, CEO da Boost Research.

Segundo o especialista, é provável que a maior cripto oscile entre US$ 109.000 e US$ 113.500 nos próximos dias, podendo romper essa faixa se surgirem catalisadores positivos – como o avanço na expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos.

No fim deste mês, os membros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) se reúnem para decidir a nova taxa básica de juros do país, hoje na faixa dos 4,00% e 4,25% no ano. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, que mostra as expectativas do mercado, 97,8% dos agentes apostam em um corte de 0,25 ponto percentual.

Tesouradas nos juros costumam ser positivas para ativos de risco, como as criptomoedas, já que reduzem o rendimento dos títulos públicos e incentivam a busca por aplicações com maior potencial de retorno.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h40:

Bitcoin (BTC):  -1,00%, US$ 111.448,10

Ethereum (ETH): – 1,80%, US$ 4.048,84

XRP (XRP): -2,50%, US$ 2,43

BNB (BNB): – 0,44%, US$ 1.180,26

Solana (SOL): -4,72%, US$ 195,63

Outros destaques do mercado cripto

Stablecoin “buga”e cria fortuna do nada. O mercado cripto levou um susto daqueles ontem: 300 trilhões de unidades de stablecoins PYUSD surgiram do nada. Como a cripto é pareada ao dólar na proporção de 1 para 1, o erro equivalia a US$ 300 trilhões, quase três vezes o PIB global. A Paxos, emissora do token – que é a sexta maior stablecoin do mundo – afirmou que tudo foi causado por um “erro técnico” e rapidamente promoveu a queima dos tokens (ou seja, apagou tudo). Em comunicado, garantiu que “não houve violação de segurança” e que “os fundos dos clientes estão seguros”. Oremos.

Jesus do Bitcoin livre. Roger Ver, empresário americano conhecido por ser um dos primeiros evangelistas do bitcoin (e apelidado de “Jesus do Bitcoin”), finalmente encerrou uma longa briga com a Receita dos EUA. Ele havia sido acusado de vender US$ 240 milhões em cripto e deixar de pagar cerca de US$ 48 milhões em impostos – tudo isso depois de renunciar à cidadania americana. Ele chegou a ser preso Espanha e até a pediu ajuda ao governo Trump. Agora, após anos de batalha judicial, o caso foi encerrado. Ver saiu “absolvido”, mas teve que pagar uma penitência de US$ 50 milhões.

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Crédito imobiliário: quais são as taxas e os custos entre os principais bancos?

Com os juros ainda elevados, a busca por crédito imobiliário perdeu um pouco de fôlego no Brasil. Em agosto deste ano, o volume de financiamentos pelo Sistema Brasileiro da Habitação (SFH) somou apenas R$ 11,6 bilhões – uma queda de 37% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Para tentar dar uma aquecida no setor, especialmente no segmento que atende a classe média, o governo alterou recentemente as regras do financiamento imobiliário, ampliando a cota máxima de financiamento e elevando o texto. A Caixa Econômica Federal deve ser a principal impulsionadora dessa retomada, mas outros bancos também oferecem condições competitivas.

Mas cada instituição, claro, tem taxas e regras próprias. A seguir, veja as condições praticadas pelos principais bancos do país, incluindo as taxas de juros, o limite máximo de financiamento e o prazo para pagamento.

Mas antes, vale esclarecer rapidamente como funcionam as taxas. Nos financiamentos imobiliários, há diferentes formas de cobrança de juros, mas as que realmente impactam o bolso são a taxa efetiva e o Custo Efetivo Total (CET).

A taxa efetiva é o juro real aplicado sobre o saldo devedor – ou seja, o percentual que define o valor das parcelas ao longo do tempo. Já o CET representa o custo total do financiamento: ele soma a taxa de juros com seguros obrigatórios, tarifas administrativas e outros encargos. É o indicador mais completo para saber quanto o crédito imobiliário realmente custa no fim das contas.

Agora, vamos ver as diferenças entre os bancos.

Caixa Economica Federal

Entre todos os bancos, a Caixa Econômica Federal continua oferecendo as menores taxas. O juro mensal está em 0,91%, o que equivale a 11,46% ao ano, considerando o financiamento pós-fixado referenciado na Taxa Referencial (TR) – o mais utilizado pelos tomadores de crédito. Os dados mais recentes são de agosto.


Segundo levantamento de Priscilla Basso, coordenadora de crédito imobiliário da Melhor Taxa, a taxa efetiva da Caixa é de 11,49% ao ano, enquanto o CET é de 12,39%. Para fazer o cálculo, a especialista considerou financiamento de R$ 480 mil, com prazo de 360 meses para uma pessoa com 40 anos (as mesmas características também foram usadas para os outros bancos).

O prazo máximo de financiamento na Caixa é de 35 anos. Já o percentual máximo de financiamento passou de 70% para 80% do valor do imóvel após as últimas mudanças nas regras do setor.

Itaú Unibanco

No Itaú, as taxas ficam em torno de 0,98% ao mês e 12,45% ao ano, de acordo com dados do Banco Central. A instituição financia até 80% do valor do imóvel para clientes de determina categorias. 
 O prazo máximo de financiamento é de 35 anos (420 meses). A taxa efetiva é de 12,39%, enquanto o CET é 13,15%.

Bradesco

No Bradesco, a taxa de juros mensal é de 1,04%, o que corresponde a 13,21% ao ano, segundo dados do Banco Central. O banco financia até 80% do valor do imóvel, com prazos que chegam a 35 anos (420 meses), dependendo do perfil do cliente e da modalidade de crédito escolhida. A taxa efetiva fica na casa dos 13,50%, enquanto o CET fica em 14,46%|.

Santander

O Santander oferece taxas de 1,05% ao mês e 13,32% ao ano. Assim como outros grandes bancos, o limite de financiamento é de até 80% do valor do imóvel. O prazo máximo para quitação também chega a 35 anos, conforme a política de crédito da instituição. Taxa efetiva de 13,29% e CET de 13,93%.

Banco do Brasil

Já o Banco do Brasil pratica taxas um pouco mais altas: 1,19% ao mês, o equivalente a 15,30% ao ano. O percentual máximo de financiamento é de 80% do valor do imóvel, e o prazo de pagamento pode chegar a 30 anos (360 meses).

BancoTaxa de mercado (ao mês)Taxa de mercado (ao ano)Taxa efetivaCETPercentual máximo de financiamentoPrazo
Caixa Econômica0,91%11,46%11,49%12,39%80%Até 35 anos
Itaú0,98%12,45%12,39%13,15%80%Até 35 anos
Bradesco1,04%13,21%13,50%14,46%80%Até 35 anos
Santander1,05%13,32%13,29%13,93%80%Até 35 anos
Banco do Brasil1,19%15,30%17%17,87%80%Até 30 anos

O que esperar das taxas do crédito imobiliário?

Em 2025, em meio ao aumento dos juros no Brasil, as taxas do crédito imobiliário também subiram. Em janeiro, por exemplo, as taxas anuais dos bancos mencionados nesta matéria variaram entre 10,87% a 12,15%, segundo dados do BC. Em setembro deste ano, porém, a variação pulou para 11,46% e 15,30%.

Para Priscilla Basso, da Melhor Taxa, há perspectiva de redução desses valores, especialmente se a taxa básica de juros começar a cair em 2026, como acredita parte do mercado. Os agentes financeiros projetam Selic a 12,25% até o final do próximo ano, segundo o boletim Focus divulgado nesta semana.

“Com a redução da Selic, as taxas de crédito imobiliário tendem a cair, porque o custo de captação dos bancos diminui. Mas a queda é lenta e parcial, pois depende também do risco de crédito, da inflação e da confiança na economia”, disse Priscilla.

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Como as stablecoins de real ajudam a financiar – mesmo que um tiquinho – a dívida do governo

Em um evento recente sobre criptomoedas em São Paulo, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto brincou que o Tesouro dos Estados Unidos deve estar feliz da vida. O motivo: as stablecoins de dólar – criptomoedas atreladas à moeda americana – têm impulsionado a compra de Treasuries, os títulos públicos americanos. Pelas regras do país, esses ativos digitais precisam manter lastro em papéis seguros, na mesma proporção dos tokens emitidos. Só a Tether, emissora da stablecoin USDT, tem US$ 127 bilhões aplicados nesses papéis – o que a coloca entre as 20 maiores detentoras do mundo.

Esse movimento começa a aparecer também no Brasil – em escala muito menor, é verdade, mas sinalizando uma tendência parecida.

O país já tem seis stablecoins atreladas ao real: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e a BRLV, lançada nesta semana. Uma stablecoin brasileira, quando é emitida, também precisa ter a mesma quantidade em caixa. Ou seja, se uma empresa coloca R$ 1 no mercado, mantem esse mesmo valor guardado. Com exceção da cREAL, que é uma stablecoin algorítmica – modelo mais arriscado que, em vez de manter reservas em dinheiro, usa códigos de computador para controlar a oferta e a demanda -, as outras cinco têm parte do caixa em títulos públicos, algumas 100%.

Somadas, as stablecoins de real têm quase R$ 270 milhões aplicados em papéis do Tesouro, segundo dados levantados pelo InvestNews juntos aos emissores.

É um tiquinho ainda, claro: o valor representa 0,00331% da dívida pública federal, que chegou a R$ 8,145 trilhões em agosto, de acordo com o Tesouro Nacional. Também está longe da fatia das instituições financeiras, que detêm 31,80% (R$ 2,59 trilhões), da Previdência (23,49%, ou R$ 1,91 trilhão), dos fundos de investimento (21,28%, ou R$ 1,73 trilhão) e dos não residentes (9,83%, ou R$ 802 bilhões). Mas é algo compreensível. As stablecoins de real são recentes – a primeira delas surgiu em 2019 – e a moeda brasileira não tem o mesmo apelo internacional do dólar, por causa da instabilidade política e econômica do país.

Por dentro das stablecoins brazucas

A BRLV, apesar de ser a mais recente, chegou com a bola toda, com R$ 200 milhões de tokens emitidos, todos 100% lastreados em títulos do Tesouro. Segundo a empresa, esses papéis já foram subscritos – ou seja, o comprometimento financeiro já foi realizado. A empresa cripto foi impulsionada por uma rodada seed (nome dado a primeira captação formal de uma startup) de US$ 8,1 milhões liderada por investidores como Framework Ventures, Valor Capital Group e Coinbase Ventures.

Logo atrás vem a BBRL, emitida pelo Grupo Braza, com R$ 56 milhões em circulação, também todos lastreados em títulos públicos de curtíssimo prazo – as as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). “A escolha privilegia liquidez e segurança, garantindo conversibilidade imediata sem risco de marcação a mercado”, disse Caio Cansian, head de projetos da empresa.

A BRL1, criada pela exchange MB | Mercado Bitcoin, tem R$ 6,89 milhões em tokens emitidos, com 99,94% das reservas em Tesouro Selic, conforme informou a companhia. Além desses papéis, a cripto também tem lastro em operações compromissadas – transações de curtíssimo prazo que funcionam como empréstimos garantidos por títulos – e saldo em conta corrente, explicou Fabrício Tota, diretor de novos negócios do MB.

A stablecoin de real pioneira no Brasil, a BRZ, soma R$ 14 milhões em tokens emitidos. Para o lastro, a empresa mantém R$ 3,08 milhões em títulos públicos, cerca de 20% do total. O restante está dividido entre CDBs (20%), reais disponíveis em contas bancárias (40%) e USDT (20%), “utilizado como hedge cambial e instrumento de liquidez internacional”, disse João Almada, controller da Transfero, emissora do token.

Já a BRLA, da Avenia, tem R$ 40 milhões em stablecoins lastreadas no real, de acordo com Hector Fardin, CFO da empresa. São R$ 3 milhões em títulos públicos; o restante está em caixa, equivalentes de caixa e operações compromissadas de curtíssimo prazo.

Curva de juros e paridade

Um dos desafios das stablecoins, seja em real ou dólar, é manter a paridade com a moeda usada como lastro. No Brasil, esse equilíbrio pode ser mais difícil por causa da volatilidade da curva de juros – bem mais instável que em países como Estados Unidos ou membros da União Europeia. Mesmo assim, as stablecoins brasileiras ainda não registraram nenhum episódio de perda de paridade com o real.

Segundo Fabrício Tota, do MB, o motivo é que parte relevante dos títulos usados como lastro é de curto prazo e pós-fixada.

“No caso da BRL1, quase 100% das reservas são aplicadas em Tesouro Selic. Isso significa que, independentemente das oscilações na curva de juros futura, o valor e a liquidez das reservas não sofrem impacto relevante. A marcação a mercado desses papéis é praticamente estável, já que o prazo médio é muito curto e a remuneração acompanha exatamente o juro básico. Por isso, a paridade 1:1 com o real é mantida sem risco material de variação em função da curva.”

A marcação a mercado é a regra que obriga os investimentos – principalmente títulos e fundos – a terem seu valor atualizado diariamente de acordo com o preço que seriam vendidos hoje no mercado.

Brasileiro gosta de stablecoin – mas do lastreado em dólar

O brasileiro tem uma quedinha por stablecoins faz tempo – e esse interesse aumentou depois de o governo federal elevar, com ajudinha do ministro do STF, Alexandre de Moraes, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que encareceu a compra de moeda estrangeira. Mas, até agora, a preferência nacional é clara: o dólar digital.

Dados da Receita Federal mostram que, entre janeiro e junho deste ano, os brasileiros movimentaram R$ 210 bilhões em criptomoedas. Desse total, R$ 152,2 bilhões foram em USDT, a maior stablecoin em dólar do mercado – volume superior ao do próprio bitcoin (BTC), que registrou R$ 24,7 bilhões no período. Em terceiro lugar aparece o USDC, outro dólar digital, com R$ 9,1 bilhões movimentados.

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Após apreensão bilionária de cripto, EUA podem ampliar reserva nacional de bitcoin

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) anunciou na terça-feira (14) a apreensão de 127.271 bitcoins (BTC) em uma operação que desmantelou um esquema internacional de golpes com ativos digitais. A quantia equivale a cerca de US$ 15 bilhões (R$ 82 bilhões).

Os bitcoins estavam em carteiras controladas por Chen Zhi, acusado de liderar o Prince Group, um complexo de trabalho forçado baseado no Camboja que promovia fraudes financeiras envolvendo criptomoedas. Segundo o DoJ, o grupo vitimou milhares de pessoas, incluindo 250 norte-americanos.

De acordo com as investigações, o esquema começou em 2015. Os golpistas abordavam vítimas por redes sociais e aplicativos de mensagens, prometendo lucros altos em investimentos com criptoativos. As vítimas transferiam recursos para carteiras indicadas pelo grupo, que sumia em seguida.

Bitcoin na reserva dos EUA

O governo norte-americano pretende confiscar oficialmente os bitcoins após a condenação de Zhi no Tribunal Distrital do Leste de Nova York, onde ele responde pelas acusações. Se confirmada, a decisão reforçará a reserva estratégica de bitcoin dos Estados Unidos, criada neste ano.

A reserva nacional de criptoativos foi instituída por meio de uma ordem executiva do presidente Donald Trump publicado no início deste ano, que determinou que os ativos digitais apreendidos em operações civis e criminais passem a integrar o tesouro federal.

A iniciativa coloca os EUA em uma posição distinta de países como El Salvador, que formou sua reserva de bitcoin por meio de compras diretas no mercado.

O país soma hoje 197.354 bitcoins, o equivalente a US$ 22 bilhões – o maior estoque de criptoativos entre todas as nações. Com a entrada das novas criptomoedas, porém, a pilha de criptos pularia para 324.625, ou cerca de US$ 36,5 bilhões.

No total, 13 países têm reserva de criptos. A China, com 190 mil BTC (US$ 21 bilhões), é a segunda maior, seguida do Reino Unido, com 61.245 BTC (US$ 6,8 bilhões), em terceiro lugar.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  +1,99%, US$ 112.491,82

Ethereum (ETH): – 8,49%, US$ 4.126,10

XRP (XRP): +3,35%, US$ 2,50

BNB (BNB): + 0,70%, US$ 1.184,50

Solana (SOL): +6,95%, US$ 205,08

Outros destaques do mercado cripto

Nova stablecoin brazuca. O real brasileiro ganhou mais uma stablecoin: a BRLV. A nova cripto, pareada à moeda nacional na proporção de 1 para 1, foi criada pela fintech Crown, que levantou US$ 8,1 milhões com investidores – entre eles, a Coinbase Ventures – para lançar o projeto no Brasil. Segundo a empresa, a BRLV é 100% lastreada em títulos públicos e voltada a investidores institucionais. Com ela, o real já soma seis stablecoins atreladas à sua paridade.

ETFs cripto com gás novamente. Após saídas massivas de capital institucional nos ETFs de bitcoin e ethereum dos EUA, provocadas pela guerra tarifária entre China e país, esses produtos financeiros voltaram a atrair recursos. Dados da plataforma SoSoValue mostram que os fundos registraram entradas líquidas de US$ 340 milhões na terça-feira, recuperando-se da saída combinada de US$ 755 milhões registrada na segunda-feira (13).

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Stablecoin para viagem: como funciona o ‘dólar digital’ e como usá-lo no exterior

Comprar dólar para viajar ao exterior e usar cartão de crédito na gringa ficaram mais caros após o aumento da alíquota do imposto sobre operações financeiras (IOF) neste ano. Mas uma alternativa vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil: as stablecoins.

As stablecoins são criptomoedas atreladas a outros ativos, como dólar, euro, ouro, real. As maiores do mercado são ligadas à moeda americana – daí o apelido carinhoso de “dólar digital”. Juntas, essas moedas somam um valor de mercado de US$ 222 bilhões – o equivalente a três vezes o valor da Petrobras.

No Brasil, as stablecoins ainda não são enquadradas oficialmente como instrumentos de câmbio. Por causa disso, as operações com essas moedas ficam de fora da cobrança do IOF, o que tem barateado o uso em viagens internacionais.

Há três principais formas de usar stablecoin no exterior:

  • Stablecoin no cartão cripto

A forma mais simples de usar dólar digital é por meio dos cartões cripto, que funcionam como cartões pré-pagos com bandeiras Visa ou Mastercard. Corretoras como OKX, Bitget e Crypto.com oferecem versões próprias, assim como aplicativos como Kast Finance e RedotPay.

O processo é simples: o usuário compra stablecoins (como USDC ou USDT) em uma exchange ou banco digital, usando reais, e depois transfere os ativos para o cartão previamente adquirido. A partir daí, pode usar o saldo em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira.

Esses cartões não têm IOF. Alguns também não cobram taxas nem spread cambial — aquela margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação do dólar. Já nos cartões tradicionais (crédito, débito ou pré-pago internacional), há IOF de 3,38% mais um spread que costuma variar entre 4% e 7%.

Quem testou esse modelo foi Ricardo Natali, educador financeiro associado à ABEFIN (Associação Brasileira de Educadores Financeiros). Ele conta que, em uma viagem recente à Europa, usou um cartão cripto carregado com stablecoins para pagar cafés, passagens de metrô e compras do dia a dia.

Segundo Natali, a própria cotação do dólar é mais barata em stablecoins, justamente pela ausência de impostos. “Se fosse no cartão de crédito, eu teria gastado 15% a mais na compra da moeda norte-americana. Na prática, se gastasse R$ 1.000, pagaria R$ 150 a mais”, explicou. Com o cartão cripto, a compra do dólar comercial fica apenas entre 2% e 4% superior, dependendo da conversão e do provedor, disse.

  • Stablecoin na carteira

Outra forma é comprar stablecoins em uma exchange local e transferi-las para uma carteira cripto – um aplicativo em que é possível fazer a autocustódia dos ativos digitais e em que a responsabilidade pela segurança é totalmente do usuário. Algumas das carteiras mais conhecidas são MetaMask, Trust Wallet e Coinbase Wallet.

Muitos estabelecimentos no exterior já aceitam pagamentos em criptomoedas. Portanto, daria para pagar com stablecoins simplesmente abrindo o app e encostando na máquina do estabelecimento. Também seria possível sacar stablecoins convertidas em dólares em caixas eletrônicos específicos. Hoje, há 12.988 desses caixas nos EUA que permitem saques de USDT e USDC, segundo a plataforma CoinAtmRadar.

“Em caso de necessidade de dinheiro vivo, o saque em dólares pode ser feito em caixas eletrônicos internacionais (ATMs), com taxas simbólicas – muitas vezes gratuitas nas primeiras operações e, posteriormente, fixas em torno de US$ 1,50 por saque”, disse Felipe Martorano, analista da Levante Inside Corp.

  • Remessas internacionais

As stablecoins também vêm sendo usadas para envio de dinheiro ao exterior – e fica mais em conta também. Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, fez uma simulação comparando o envio tradicional, via sistema SWIFT, com o envio em stablecoin. O valor considerado foi R$ 5 mil.

Via SwiftStablecoin
IOF3,5%0%
TaxasMédia de US$ 20 por operação, mais spread de 1% a 2%Spread entre 0,1% e 1% e custo fixo de 0 a US$ 10
Prazo5 a 15 minutos2 a 5 dias úteis
Valor finalR$ 4.638R$ 4.969

Na simulação, a transação com stablecoins é cerca de 6,65% mais barata.

“Com o aumento do IOF, remessas tradicionais, como envios de dinheiro para familiares ou contas pessoais no exterior, o uso de stablecoins tende a crescer bastante. Isso porque transferências em USDT, por exemplo, ainda não sofrem esse imposto diretamente, além de evitar os custos elevados de spread cambial”, disse Sarah.

Crescimento no Brasil

O uso dessas moedas digitais disparou no país. Segundo a empresa de análise em blockchain Chainalysis, o Brasil movimentou US$ 318,8 bilhões em criptoativos entre julho de 2024 e junho de 2025 – e 90% desse volume corresponde a stablecoins.

O governo também acompanha o movimento de perto – e já estuda tirar uma casquinha. No fim do ano passado, o Banco Central abriu uma consulta pública para discutir a equiparação das stablecoins ao câmbio, e novas discussões foram abertas neste ano. Por ora, porém, as criptomoedas estáveis (outro nome aportugueizado para essas criptos) seguem fora de uma legislação específica.

Riscos

Apesar dos benefícios, as stablecoins também têm riscos. Um deles é o regulatório. Como se trata de um mercado ainda recente, as regras estão em construção em vários países – e eventuais mudanças podem afetar diretamente essas criptomoedas.

Outros dois pontos são o lastro e a confiança na empresa emissora. Em tese, cada stablecoin precisa ser totalmente coberta por ativos de valor equivalente. Ou seja, para cada token emitido em dólar, deve haver a mesma quantia em caixa, títulos públicos ou outros instrumentos financeiros seguros.

No passado, porém, a Tether – emissora do maior “dólar digital” do mercado, o USDT – enfrentou questionamentos sobre a solidez de suas reservas e chegou, em alguns momentos, a perder em um episódio em 2023 a paridade com o dólar americano.

Além das stablecoins lastreadas em ativos, existem as stablecoins algorítmicas, que mantêm a paridade por meio de mecanismos automáticos de oferta e demanda, sem reservas em dinheiro. O modelo, no entanto, é mais arriscado. Em 2022, por exemplo, uma delas – a TerraUSD (UST) – entrou em colapso, desencadeando uma das piores crises do mercado cripto.

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Após tombo, bitcoin busca fôlego em meio à guerra tarifária entre EUA e China

O bitcoin (BTC) está relativamente bem nesta segunda-feira (13) após tomar um tombo histórico no final da semana passada, em meio à retomada da guerra tarifária entre as potências Estados Unidos e China.

Por volta das 7h30, a maior criptomoeda do mercado era negociada a US$ 115 mil, em alta de 3,00% nas últimas 24 horas. Na sexta-feira (10), o ativo digital chegou a encostar nos US$ 105 mil – pior preço desde maio.

Naquele dia, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 100% sobre as exportações chinesas, após o país asiático endurecer as regras para a venda de terras raras – um conjunto de elementos químicos usados em smartphones e outros aparelhos eletrônicos.

Segundo dados da plataforma Coinglass, mais de 1,6 milhão de negociações de criptomoedas foram liquidadas apenas na sexta, com o início da disputa, gerando perdas totais de US$ 19,13 bilhões no setor.

“O anúncio de tarifas de 100% sobre produtos chineses aumentou a incerteza econômica global e provocou uma forte aversão ao risco nos mercados. Diante desse cenário, investidores buscaram ativos considerados seguros, e se desfizeram de ativos mais voláteis, como criptomoedas e ações”, falou Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Apesar da turbulência, os traders seguem otimistas com o restante do mês, conhecido como “uptober” – junção de ‘’up’’ (para cima) e “october” (outubro). Nos últimos 12 anos, o BTC subiu em 10 deles, caindo apenas duas vezes em outubro.

No radar, os investidores passam a aguardar, entre os principais fatores que vnao impactar o mercado, a divulgação do relatório de emprego dos EUA – que atrasou por causa do shutdown – e a decisão de política monetária do país, ambos previstos para o fim do mês. Segundo a ferramenta FedWatch, que mede as expectativas com juros, 97% do mercado aposta em queda de 0,25 ponto percentual na taxa, o que tende a favorecer ativos de risco, como as criptos.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  + 3,00%, US$ 115.144,15

Ethereum (ETH): + 8,49%, US$ 4.157,39

XRP (XRP): +9,73%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 9,70%, US$ 1.333,77

Solana (SOL): + 8,00%, US$ 196,18

Outros destaques do mercado cripto

Comprando a queda. Enquanto investidores se desesperavam com o tombo do bitcoin na semana passada, vendendo adoidado, a mineradora de cripto MARA Holdings aproveitou para ir às compras. A companhia de capital aberto adquiriu 400 unidades de BTC, o equivalente a US$ 46,29 milhões, segundo dados da plataforma Onchain Lens. Com isso, a firma passou a deter 53.250 bitcoins, mantendo sua posição como a segunda maior bitcoin treasury company do mercado.

Criptos fisgam gigantes bancários. As stablecoins – criptomoedas lastreadas em outros ativos, como dólar, ouro, entre outros – chamaram atenção de grandes bancos globais. Dez instituições, entre elas Goldman Sachs, Bank of America e Deutsche Bank, anunciaram que estudam lançar uma stablecoin atrelada a moedas dos países do G7. Em nota conjunta divulgada na semana passada, eles disseram que o objetivo é “explorar se uma nova oferta em todo o setor poderia trazer os benefícios dos ativos digitais e aumentar a concorrência em todo o mercado”.

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Uma nova atualização do ethereum vem aí. O que esperar da ‘Fusaka’?

O ethereum (ETH) costuma passar por atualizações em sua blockchain – o sistema em que as criptomoedas “rodam”. Não é para ficar na modinha, mas sim para incluir novidades, ajustar processos aqui e acolá ou tirar algum atrito que atrapalhava sua estrutura. Entre o fim de novembro e o começo de dezembro, se os testes correrem bem, o sistema deve receber mais uma atualização: a Fusaka.

Em resumo, essa atualização reúne 12 propostas de melhorias no código do projeto cripto, que vale hoje US$ 524 bilhões – equivalente ao PIB de 2024 do Chile, Equador e Uruguai somados. O objetivo das mudanças é tornar a rede mais escalável – capaz de crescer sem travar -, mais eficiente e “dramaticamente” mais barata, segundo o roadmap (plano de desenvolvimento) publicado pela Ethereum.org.

Entre as alterações previstas, uma das mais significativas impactará os rollups, nome dado às soluções tecnológicas que rodam em cima do ethereum e ajudam a dar vazão ao sistema – sim, é um termo estranho e quase um palavrão, mas vamos te explicar.

Para entender bem, lembre-se que o ethereum, diferente do bitcoin (BTC), não é só uma criptomoeda. Ele funciona também como uma espécie de grande programa de computador global, em que desenvolvedores de todo o mundo criam seus próprios projetos – desde novos tokens (as famosas memecoins que o digam) até plataformas de empréstimos sem bancos no meio do caminho.

Por ter um monte de gente usando, esse ecossitema gigante acaba ficando super congestionado, quase como uma Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, às 18h. Os tais rollups seriam, portanto, como estradas menores que se conectam à via principal, desafogando o tráfego e dando mais fluidez. Algumas das principais são a arbitrum (ARB), a optimism (OP) e a base (BASE).

O grande problema é que, para se conectar à rodovia principal, essas soluções precisam conferir todos os carros (verificar trodos os dados) que passam por ela – uma exigência de segurança da blockchain, que acaba tornando o processo mais caro e lento. Com a Fusaka, no entanto, será possível participar dessa brincadeira dando uma olhada apenas em trechos da avenida, sem precisar analisar o trânsito inteiro.

“As implicações do Fusaka são significativas”, disse a gestora VanEck em relatório sobre o projeto. “A atualização deve reduzir os custos para as rollups da Camada 2 (esse termo, bastante usado no mercado cripto, se refere a blockchains secundárias que rodam em outra blockchain principal), o que se traduz em transações mais baratas para os usuários finais. Mantendo-se tudo o mais constante, isso deve trazer mais atividade econômica onchain (dentro da blockchain) para a órbita do ethereum”.

Dankrad Feist, co-líder da equipe de arquitetura de protocolo da Fundação Ethereum, disse na semana passada, em entrevista ao Yahoo, que a Fusaka é tão importante quanto a Merge, aquela grande atualização feita em 2022, que alterou a forma como a criptomoeda é minerada (emitida), dando um ar mais “eco friendly” para o projeto.

Qual o impacto para o usuário de ethereum?

Para quem usa ethereum no dia a dia – seja comprando e vendendo criptomoedas, negociando tokens não fungíveis (NFTs) ou acessando plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), aquelas que permitem tomar empréstimos, por exemplo, sem passar por bancos -, a principal mudança esperada é a redução das taxas de transação, chamadas de gas fees.

Essas taxas funcionam como um pedágio digital: cada vez que alguém envia ETH ou interage com um contrato inteligente (programa autoexecutável que permite criar tokens e montar outros projetos dentro de blockchains), precisa pagar um valor para que a operação seja processada na rede. O custo depende da complexidade da transação.

Hoje, segundo dados do YCharts, a taxa média em dólares para uma transação do Ethereum processada por um minerador e confirmada está na casa dos US$ 0,45. Durante picos de congestionamento, como no auge dos NFTs, esse valor já passou de US$ 3,20. A expectativa é que a Fusaka ajude a manter esses custos bem mais baixos de forma consistente.

E qual o impacto no preço?

O ethereum é negociado a US$ 4.341 na manha desta sexta-feira (10), com queda de 1% do dia. Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, disse ao InvestNews que a Fusaka é vista como uma mudança positiva para o ethereum, mas é difícil afirmar que ela trará um impacto direto e imediato no preço.

“O efeito tende a ser mais estrutural, reforçando a tese de longo prazo do ativo do que provocando um movimento específico agora”, falou. “Dados macroeconômicos dos EUA, os riscos do shutdown atual e até a política das chamadas tarifas Trump têm pesado mais nas decisões dos investidores do que qualquer atualização isolada”.

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Bitcoin caminha para terminar a semana no zero a zero

Após ultrapassar sua máxima histórica, o bitcoin (BTC) deu uma acalmada. Com investidores realizando lucro e poucas novidades no radar no curto prazo, a criptomoeda caminha para encerrar a semana na faixa dos US$ 121 mil, praticamente o mesmo valor de sete dias atrás.

A perspectiva de curto prazo é neutra a levemente negativa, disse Andre Franco, CEO da Boost Research, na manhã desta sexta-feira (10). “A força do dólar limita o potencial de alta do ativo, enquanto a moderação nas commodities e o ajuste de posições nas bolsas reduzem o fluxo especulativo.”

Apesar da estabilidade – algo comum e esperado após a superação da marca dos US$ 126 mil nesta semana-, a perspectiva para o restante do mês continua positiva. Historicamente, o BTC costuma subir em outubro, mês que ficou conhecido como “Uptober”, junção de up (para cima, em inglês) e October (outubro).

De acordo com dados da plataforma CoinGlass, nos últimos 12 anos o bitcoin subiu em 10 meses de outubro e caiu em apenas dois. O movimento pode ter relação com o retorno das férias de verão no hemisfério norte (em setembro), que tende a aumentar a liquidez do mercado.

As altcoins – nome dado a qualquer cripto diferente do bitcoin — caminham para fechar a semana de forma mista. Enquanto o ethereum (ETH) recuou quase 4% nos últimos sete dias, o BNB (BNB) avançou 13%.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50:

Bitcoin (BTC):  – 0,68%, US$ 121.333,79

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.344,10

XRP (XRP)+ 0,18%, US$ 2,87

BNB (BNB): – 2,26%, US$ 1.250,00

Solana (SOL): – 1,03%, US$ 220,10

Destaques do mercado cripto

Fim do prazo. Termina nesta sexta-feira (10) o período para a Comissão de Valores dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) decidir sobre quase 16 pedidos de ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de criptomoedas – entre eles, um ligado à solana (SOL). A expectativa do mercado é de aprovação, embora o órgão costume surpreender. O JPMorgan, porém, acredita que esses produtos devem atrair pouco capital no primeiro ano – algo em torno de US$ 1,5 bilhão, cerca de um sétimo do que os ETFs de ethereum movimentaram no mesmo período. O motivo seria a queda na atividade na blockchain da cripto

Quase uma Petrobras em cripto. Os “bandidos cripto” não brincam em serviço. Segundo um relatório divulgado ontem pela empresa de análise de blockchain Chainalysis, cerca de US$ 75 bilhões em criptoativos estão guardados em carteiras ou plataformas associadas a atividades ilícitas – praticamente o valor de mercado da Petrobras, a maior companhia brasileira. Apesar do dado negativo, ele representa uma oportunidade para governos, como os EUA, que veem nos ativos digitais apreendidos uma forma de montar reservas estratégicas.

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Com o fim da MP 1.303, veja como fica o IR sobre cada tipo de investimento

A Câmara dos Deputados derrubou, na tarde de quarta-feira (8), a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que previa unificar em 18% a tributação sobre aplicações financeiras a partir de 2026 – como CDBs -, além de acabar com as isenções de títulos como LCIs e LCAs.

A decisão foi interpretada como uma derrota para o governo federal, que contava com a medida para elevar a arrecadação. Com a queda da MP, a equipe econômica projeta um rombo de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas.

Nas redes sociais, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann criticou o resultado. “Quem votou na Câmara para derrubar a MP que taxava os super ricos votou contra o país e o povo”, escreveu no X (antigo Twitter).

Já a oposição comemorou a decisão, argumentando que a medida representava aumento de impostos.

Com a perda de vigência da MP, as regras de tributação permanecem as mesmas. A seguir, veja o que previa a proposta e como ficam as alíquotas para cada tipo de investimento.

Títulos públicos, CDBs e debêntures simples

O que a MP previa: inicialmente, uma alíquota única de 18%. Após negociações no Congresso, o percentual subiu para 18%.

Como fica: com a derrubada da MP, essas aplicações continuam sujeitas à tabela regressiva de Imposto de Renda (IR): 22,5% (180 dias ou menos); 20% (181 a 360 dias); 17,5% (361 a 720 dias) e 15% (721 dias ou mais), segundo as regras atuais da Receita Federal.

Fundos de renda fixa e multimercados

O que a MP previa: o mesmo tratamento dos CDBs – uma alíquota única de 18%, depois elevada para 18% nas negociações com o Congresso.

Como fica: continuam sujeitos à tabela regressiva de IR: 22,5% (180 dias ou menos); 20% (181 a 360 dias); 17,5% (361 a 720 dias) e 15% (721 dias ou mais).

Ações, fundos de ações e ETFs

O que a MP previa: alíquota única de 18%.

Como fica: isenção para vendas mensais de até R$ 20 mil. Lucros acima desse limite seguem tributados em 15% (operações comuns) e 20% (day trade).

FIIs e Fiagros

O que a MP previa: o texto original previa o fim da isenção de dividendos pagos por fundos imobiliários (FIIs) e Fiagros – fundos de investimento das cadeias produtivas agroindustriais. Na versão aprovada pela comissão da Câmara, a isenção dos dividendos havia sido retomada no casos previstos, ou seja, fundos com 100 ou mais cotistas e que sejam negociados em bolsa ou em balcão organizado.

Como fica: mantida a isenção sobre dividendos e cobrança de 20% de IR sobre o ganho de capital na venda das cotas.

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Criptoativos

O que a MP previa: alíquota única de 18% sobre o lucro com criptomoedas, eliminando a isenção para vendas mensais de até R$ 35 mil.

Como fica: isenção para vendas mensais de até R$ 35 mil. Acima desse valor, o imposto é progressivo sobre o lucro anual: 15% até R$ 5 milhões; 17,5% de R$ 5 a 10 milhões; 20% de R$ 10 a 30 milhões; e 22,5% acima de R$ 30 milhões.

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LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas

O que a MP previa: o texto inicial da medida previa alíquota de 5% sobre essas aplicações. Após negociações com o Congresso, as isenções foram mantidas.

Como fica: continuam isentos de Imposto de Renda.

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Sem nova taxação: criptomoedas seguem isentas de IR no limite de até R$ 35 mil por mês

A Câmara dos Deputados derrubou, na quarta-feira (8), a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que previa unificar em 18% a tributação sobre aplicações financeiras – inclusive as criptomoedas. Foram 251 votos a favor da retirada e 193 contra.

Como a MP perdeu validade à meia-noite, ela caducou, e as regras anteriores continuam em vigor. Com isso, investidores de criptomoedas que movimentam até R$ 35 mil por mês seguem isentos do Imposto de Renda (IR). Já para valores acima desse limite, vale a alíquota progressiva que varia de 15% a 22,5%.

A derrota foi um revés para o governo federal, que contava com a medida para elevar a arrecadação em 2025 e 2026. Agora, a equipe econômica projeta déficit de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas – o que deve levar o governo a bloquear parte das despesas.

Os players do setor cripto, por outro lado, viram a queda da MP como uma boa notícia.

“A decisão favorece a continuidade do desenvolvimento do setor no Brasil, que já reúne 25 milhões de investidores e possui amplo potencial de expansão, em um ambiente regulatório equilibrado e pautado pela isonomia”, disse o MB | Mercado Bitcoin.

Guilherme Sacamone, CEO da OKX, disse que se a medida fosse aprovada, seria um retrocesso, porque penalizaria a inovação, desestimularia investidores e ameaçaria diretamente a competitividade do mercado nacional.

“Milhares de pessoas e empresas encontraram nesse segmento caminhos legítimos para empreender, diversificar suas fontes de renda e participar de um movimento global de transformação tecnológica e econômica”, falou.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  – 0,63%, US$ 121.814,10

Ethereum (ETH): – 3,33%, US$ 4.338,78

XRP (XRP)– 2,00%, US$ 2,81

BNB (BNB): – 3,16%, US$ 1.275,84

Solana (SOL): + 0,21%, US$ 221,83

Destaques do mercado cripto

Bitcoin para mais de metro: O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) à vista de bitcoin da gestora BlackRock, atingiu a marca de 800 mil unidades de BTC na quarta-feira – o equivalente a US$ 97 bilhões. O montante representa 3,8% da oferta total da criptomoeda (21 milhões de unidades), superando a posição da Strategy (antiga MicroStrategy), a bitcoin treasury company “famosinha” cofundada por Michael Saylor, que detém 640.031 BTC.

Gigante financeira investe em empresa cripto: A Citi Ventures, braço de capital de risco corporativo do Citigroup (Citi), anunciou investimento na BVNK, plataforma global de infraestrutura para stablecoins – criptomoedas estáveis atreladas a ativos como o dólar e o euro. Segundo a empresa, o uso de stablecoins tem crescido rapidamente e vem sendo adotado para liquidação de transações on-chain (na blockchain, a tecnologia por trás das criptos) e de outros criptoativos.

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BNB virou a 3ª maior criptomoeda do mundo à frente do XRP e até da stablecoin USDT

O BNB, token nativo da blockchain da Binance – a maior exchange do mundo – alcançou o posto de terceira maior criptomoeda em valor de mercado na terça-feira (7), desbancando o XRP (XRP) e ficando à frente até do USDT, a maior stablecoin global.

O BNB agora soma US$ 182 bilhões em capitalização, ante US$ 174 bilhões do XRP e US$ 177 bilhões do USDT. Para efeito de comparação, o bitcoin (BTC) segue na liderança com US$ 2,4 trilhões, enquanto o Ethereum (ETH) ocupa a segunda posição, com US$ 546 bilhões.

A valorização da cripto reflete em boa medida o crescimento das finanças descentralizadas (DeFi), como os empréstimos descentralizados e outras operações baseadas em contratos inteligentes. O avanço atual é atribuído a uma combinação de fatores – a começar pelo aumento do valor total bloqueado em sua rede (TVL, na sigla em inglês), um indicador de quanto dinheiro está alocado em projetos DeFi, em sua blockchain, a BNB Chain. Hoje, está na casa dos US$ 9,22 bilhões, segundo dados do site DefiLlama.

A BNB Chain também recuperou sua posição como a mais utilizada em número de endereços ativos diários, superando solana e ethereum, segundo dados da própria corretora levantados em plataformas de dados.

O movimento também coincide com o crescimento das operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como o Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por campanhas promocionais.

Na tarde desta quarta-feira (8), o BNB é negociado a US$ 1.308, com alta de 1,50% no dia e valorização de 30% na semana. Ontem, a cripto registrou sua máxima histórica, de US$ 1.331, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O BNB foi lançado em meados de 2017, por meio de uma Initial Coin Offering (ICO) – uma oferta inicial de criptomoedas semelhante a um IPO. Na época, chamava-se Binance Coin, e sua função era permitir que os usuários pagassem taxas e recebessem descontos nas operações dentro da exchange.

Com o tempo, o token evoluiu e passou a integrar a BNB Chain. Hoje, é utilizado para processar transações, executar aplicativos descentralizados – aqueles apps que ficam em blockchains – e dar suporte a projetos de finanças descentralizadas (DeFi), termo que se refere aos produtos financeiros que rodam no sistema das criptomoedas.

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Bitcoin Treasury Company, bitcoin e fundo cripto: quais as diferenças entre os investimentos?

A estreia da bitcoin treasury company OranjeBTC (OBTC3) na bolsa de valores nesta semana chamou atenção – e foi destaque em vários veículos, inclusive aqui no InvestNews. Mas, afinal, como esse tipo de empresa funciona? E qual a diferença entre investir nela, comprar bitcoin (BTC) diretamente ou aplicar em um fundo de criptomoedas?

Vamos por partes.

O objetivo de uma bitcoin treasury company é acumular bitcoin e, ao mesmo tempo, fazer com que o valor de suas ações cresça mais do que o próprio BTC, de modo a atrair mais investidores. Ela tenta dar mais valor aos seus papéis por meio de alavancagem financeira – ou seja, captando recursos por meio de dívidas ou novas emissões de ações para comprar ainda mais cripto.

Para fins didáticos, vamos supor que a ação da empresa seja equivalente a um bitcoin (o que não é o caso na realidade, ok?). Se a estratégia da companhia der certo, essa ação poderia passar a representar o equivalente a 1,2 BTC, por exemplo, no período de um ano. Já em uma situação em que o investidor compra 1 BTC, ele vai ter 1 BTC no mesmo período.

Tá, então dá pra dizer que uma bitcoin treasury company é concorrente do Bitcoin? Sim e não.

Sim, porque ela compete pelo seu dinheiro: quem quer se expor ao BTC precisa escolher se compra a criptomoeda ou as ações da empresa. E não, porque o desempenho da companhia depende totalmente do Bitcoin. Se o BTC cair, o valor da empresa também cai. O modelo de negócios da OranjeBTC, portanto, é uma aposta alavancada no sucesso futuro do Bitcoin.

Leia mais:

Quais os riscos?

A acumulação de BTC não gera caixa naturalmente para uma bitcoin treasury company. A única maneira de empresas de tesouraria comprarem mais cripto é por meio de recursos captados no mercado de capitais – como ações, dívidas ou outros instrumentos financeiros.

“Isso só será positivo para os acionistas se as condições de mercado forem favoráveis. Portanto, o maior risco para o negócio é a falta de acesso a capital ou condições de mercado que impeçam a acumulação de moedas/ações”, disse o Itaú BBA, em relatório publicado nesta semana.

Qual a diferença para investir direto em bitcoin

O investimento em uma bitcoin treasury company é diferente de investir diretamente na criptomoeda, via exchange ou banco digital, por exemplo. Nesse caso, o investidor está exposto diretamente ao desempenho do preço do bitcoin – sem amplificadores.

Os riscos são aqueles inerentes ao ativo, como a alta volatilidade. No caso de manter as criptos em uma plataforma, há sempre a preocupação com segurança. Já se o investidor decide guardar suas criptos em carteira própria, é preciso cuidar bem de suas chaves privadas, porque, se as perder, não há como recuperar os ativos.

E os fundos, como os ETFs?

Já os fundos de investimento em cripto reúnem recursos de vários investidores e compram diretamente criptomoedas. No caso dos ETFs – fundos negociados em bolsa e que estão em alta – cada cota representa uma fração dos ativos que o fundo tem (como bitcoin, ethereum ou um mix de criptos, dependendo do produto). Ou seja, o fundo efetivamente compra os criptoativos.

Entre os principais riscos está o de liquidez: ele ocorre quando há pouca ou nenhuma procura pelas cotas do fundo ou pelos criptoativos que compõem o índice de referência.

Uma eventual vantagem dos ETFs e fundos é que o investidor pode ficar despreocupado em relação à custódia do ativo, ou seja, a guarda da criptomoeda. A gestora se torna responsável por contratar um serviço e assumir os riscos.

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Inspirado no Brasil, Pix colombiano já nasce com 32 milhões de usuários: como funciona o Bre-B

A Colômbia lançou oficialmente na segunda-feira (7) o Bre-B, seu sistema de pagamentos instantâneos inspirado no Pix do Brasil. Mais de 32 milhões de pessoas já se registraram para usar a novidade, o que representa 76% da população adulta do país.

O sistema foi desenvolvido pelo Banco de la República (equivalente ao Banco Central do Brasil) em parceria com o setor privado. Há até participação brasileira no projeto: a fintech Ebanx, com sede em Curitiba (PR), foi convidada a integrar o Comitê Interdisciplinar de Pagamentos Interoperáveis, que assessorou as autoridades colombianas na construção do Bre-B.

“O maior desafio do banco central era garantir uma operação padronizada e universal em diferentes sistemas”, disse Eduardo de Abreu, VP de Produto da Ebanx, em comunicado à imprensa.

Como funciona o Pix colombiano?

O Bre-B segue o mesmo modelo do “irmão brasileiro” no quesito transação. A pessoa usa chaves – chamadas de “llaves” em espanhol – para enviar dinheiro de uma conta para outra. Essas chaves podem ser número de celular, e-mail, documento ou um código alfanumérico. Uma mesma conta pode ter várias chaves diferentes. Até agora, já foram emitidas mais de 80 milhões de llaves no sistema colombiano, segundo o Ebanx.

Como fazer uma transferência?

O processo é muito parecido com o Pix brasileiro. Dentro do aplicativo do banco, fintech ou carteira digital, basta digitar a chave Bre-B da pessoa ou comércio que vai receber o valor. O recebedor precisa ter uma chave cadastrada. Também é possível fazer pagamentos usando QR codes.

Quais são os limites de valor?

Aqui há uma diferença em relação ao Brasil. Enquanto no Pix o limite depende da instituição financeira, na Colômbia o Banco de la República definiu um teto máximo de 1.000 UVB (Unidades de Valor Básico) por transação, o equivalente a cerca de R$ 15 mil (cotação de setembro de 2025). Cada banco ou fintech poderá, no entanto, estabelecer valores menores ou adotar medidas extras de segurança.

Funciona 24 horas por dia?

Sim. Assim como no Brasil e também no mercado de criptomoedas, o Bre-B permite realizar transferências e pagamentos 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.

O Bre-B é gratuito?

Por enquanto, sim. As transferências são gratuitas para pessoas físicas, mas apenas nos três primeiros anos de funcionamento. A partir do quarto ano, haverá uma tarifa simbólica: 3,23 pesos por parte da transação, totalizando 6,46 pesos (menos de um centavo). A comparação é favorável: alguns dos maiores bancos da Colômbia chegam a cobrar 7.980 pesos (cerca de R$ 11) por transferências entre instituições diferentes.

O dinheiro cai na hora?

Sim. Além de transferências entre pessoas, o Bre-B também pode ser usado em pagamentos no varejo. Assim como no Pix, o valor cai em tempo real, no momento da confirmação do pagamento.

O dinheiro em espécie ainda é o principal método de pagamento na América Latina e na Colômbia. No país vizinho do Brasil, entre 8 e 10 transações são feitas em dinheiro, disse Ana María Prieto, que supervisionou a criação do Bre-B. 

O lançamento da nova plataforma no país, no entanto, quer mudar o cenário, assim como ocorreu no Brasil. Pesquisa divulgada ano passado pelo Banco Central mostrou que o Pix é usado por 76,4% dos brasileiros. O dinheiro em espécie aparece em terceiro lugar, utilizado por 69,1% da população. 

A economia digital da Colômbia cresce a uma taxa média de dois dígitos nos últimos seis anos e a expectativa é que ultrapasse US$ 52 bilhões em 2025, ocupando o terceiro lugar na América Latina, atrás apenas Brasil e do México, segundo dados da Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI) obtidos pela fintech Ebanx. 

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Bitcoin segura os US$ 123 mil; BNB rouba a cena e vira 3º maior cripto do mercado

O bitcoin (BTC) recuou levemente após atingir a máxima de US$ 126 mil, mas segue estável na faixa dos US$ 123 mil na manhã desta quarta-feira (8). O destaque do dia é o BNB (BNB), que disparou e renovou seu recorde histórico.

O token, nativo da blockchain da exchange Binance, é negociado a US$ 1.320 nesta manhã, com alta de 5% nas últimas 24 horas e 30% no acumulado da semana – acima da valorização de 7% do BTC no mesmo período.

Com essa disparada, o BNB ultrapassou o XRP e se tornou a terceira maior criptomoeda do mundo, com valor de mercado de US$ 183,9 bilhões, contra US$ 178 bilhões da rival, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O movimento coincide com o aumento de operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como a Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por ações promocionais.

Também houve maior demanda institucional pelo token, com fundos regionais – incluindo no Cazaquistão e no Sudeste Asiático – adicionando BNB a seus portfólios de ativos digitais.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h45:

Bitcoin (BTC):  – 1,15%, US$ 123.059,10

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.483,92

XRP (XRP): – 3,33%, US$ 2,87

BNB (BNB): + 5,00%, US$ 1.320,00

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Destaques do mercado cripto

Caixa entra no mundo cripto. A Caixa Asset, gestora de recursos da empresa pública, lançou um fundo de criptomoedas em parceria com a gestora global de criptoativos Hashdex. O novo produto busca replicar a performance do Nasdaq Crypto Index (NCI™️), um índice que investe em bitcoin, ethereum, XRP, solana, entre outras altcoins. O movimento marca a entrada do banco no universo cripto.

Tesouraria de memecoin de Trump. A empresa cripto Fight Fight Fight, por trás da memecoin de Donald Trump, quer levantar pelo menos US$ 200 milhões para criar uma tesouraria que acumularia a cripto ligada ao presidente dos EUA, segundo a Bloomberg. Desde o seu lançamento, no começo deste ano, o ativo digital teve um desempenho volátil: disparou para cerca de US$ 44 em janeiro, mas desde então desabou para US$ 7,5, valor negociado na manhã desta quarta. 

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A maior empresa de tesouraria de bitcoin estreia na B3. Saiba como foi o primeiro pregão da OranjeBTC

As ações da OranjeBTC (OBTC3), empresa brasileira focada em tesouraria de bitcoin (BTC) e educação, começaram a ser negociadas na bolsa de valores brasileira na manhã desta terça-feira (7).

O papel abriu a R$ 26, chegou a alcançar R$ 29 e, por volta das 13h30, era negociado a R$ 24,90, com volume de R$ 6,26 milhões até o início da tarde, segundo dados da bolsa de valores.

No total, serão negociadas 155,2 milhões de ações ordinárias, sem contar as que já estão em tesouraria. Além disso, a empresa emitiu uma dívida no valor de R$ 128,1 milhões, que poderá ser convertida em quase 7 milhões de novas ações.

A companhia, que nasceu por meio de um IPO reverso, aproveitou a estreia para anunciar a compra de mais 25 bitcoins, elevando sua posição para 3.675 unidades, o equivalente a cerca de R$ 2,3 bilhões na cotação do dia. O BTC é negociado a US$ 121 mil nesta terça-feira.

Com esse movimento, a OranjeBTC passou a ocupar a 26ª posição entre as maiores tesourarias de bitcoin do mundo, ranking que reúne companhias que mantêm a criptomoeda como parte de suas reservas de caixa. No total, 201 empresas listadas em bolsa fazem parte desse grupo, segundo o site Bitcoin Treasuries.

Fundada por Guilherme Gomes – que já trabalhou na gestora americana Bridgewater Associates e na Swan Bitcoin, nos EUA -, a companhia conta em seu conselho com nomes de peso do mercado cripto e financeiro, como Eric Weiss (ex-Morgan Stanley), Julio Capua (ex-sócio da XP), Josh Levine (vice-presidente da BlackRock) e Fernando Ulrich, economista referência no cenário cripto e autor do livro Bitcoin: a moeda na era digital.

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Bitcoin registra recorde com paralisação parcial do governo nos EUA e impulso de ETFs

O bitcoin (BTC) atingiu uma nova máxima histórica, alcançando os US$ 126 mil na tarde de segunda-feira (6), impulsionado pelas preocupações com o shutdown nos Estados Unidos e por fortes aportes nos ETFs (fundos de índice) de criptomoedas. Na manhã desta terça-feira (7), a moeda registrava leve recuo, negociada na faixa dos US$ 124 mil.

O shutdown – paralisação parcial de serviços públicos nos EUA por falta de acordo entre republicanos e democratas sobre o orçamento federal – entrou na segunda semana. Na noite de ontem, o Senado voltou a rejeitar a proposta orçamentária que encerraria a medida por causa de um impasse sobre os benefícios à saúde.

Diante desse cenário, os principais índices americanos operam em queda no pré-market nesta manhã: o Dow Jones recuava 0,16%, o S&P 500 caía 0,05%, enquanto o Nasdaq permanecia estável. Na contramão, o bitcoin sobe, com parte do fluxo vindo dos ETFs de criptomoedas.

Somente ontem, os fundos de índice de bitcoin dos EUA registraram entrada líquida de US$ 1,2 bilhão, segundo dados da plataforma Farside Investors. Foi a sétima vez que isso aconteceu desde janeiro de 2024, quando esses produtos foram lançados no país. Movimentos desse tipo costumam anteceder topos de curto prazo – como o registrado na segunda.

Já os ETFs de ethereum (ETH) atraíram US$ 181,7 milhões em aportes. Dados da plataforma StrategicETHReserve mostram que esses produtos detêm cerca de 6,81 milhões de unidades de ETH, o que representa 5,63% do total em circulação.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50:

Bitcoin (BTC):  + 0,20%, US$ 124.349,75

Ethereum (ETH): + 0,31%, US$ 4.691,52

XRP (XRP):– 0,63%, US$ 2,97

BNB (BNB): + 5,23%, US$ 1.283,72

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Principais notícias do setor cripto

Até 4% em cripto, segundo gigante financeiro. O Morgan Stanley divulgou novas recomendações de alocação em criptoativos: até 4% para carteiras de “crescimento oportunista”, entre 2% e 3% para “crescimento equilibrado” e 0% para perfis conservadores. Para comparação, BlackRock e Fidelity – gestoras que oferecem ETFs de criptomoedas – sugerem alocação em torno de 2%.

Criptomoeda russa sob ameaça de sanção. A União Europeia (UE) propôs proibir qualquer envolvimento com a stablecoin russa A7A5, lastreada em rublo. O token foi desenvolvido pelo banqueiro fugitivo moldavo Ilan Shor e pelo banco estatal russo Promsvyazbank (PSB), instituição sancionada por Reino Unido e Estados Unidos em 2022, após a invasão da Rússia à Ucrânia.

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OranjeBTC estreia na bolsa brasileira com R$ 2,4 bilhões em bitcoin no caixa

A bolsa de valores ganha nesta terça-feira (7) uma empresa com 100% do negócio associado ao bitcoin (BTC): a OranjeBTC. Com o ticker OBTC3, a companhia estreia já com 3.650 unidades da criptomoeda em tesouraria – o equivalente a US$ 457 milhões (R$ 2,4 bilhões) na cotação atual.

A OranjeBTC chegou à B3 por meio de um caminho não tão usual: um “IPO reverso”. Na prática, isso significa que uma empresa fechada compra o controle de uma companhia já listada para ingressar na bolsa, em vez de abrir capital próprio. A firma adquiriu a Intergraus, um cursinho pré-vestibular tradicional de São Paulo, que pertencia ao grupo de educação Bioma, por R$ 15 milhões.

A nova companhia foi fundada por Guilherme Gomes, que já passou por Bridgewater Associates e pela Swan Bitcoin, nos EUA. Ele é tão aficionado por cripto que, além de levar uma empresa de ativos digitais para a B3, tem 100% do portfólio pessoal em bitcoin – uma estratégia considerada de alto risco, não recomendada para investidores em geral.

Além dele, a companhia tem um Conselho de Administração composto por Eric Weiss, ex-Morgan Stanley; Fernando Ulrich, economista referência no cenário cripto e autor do livro Bitcoin: a moeda na era digital; Julio Capua, ex-sócio da XP; Josh Levine, vice-presidente da BlackRock; entre outros nomes.

Tesouraria e educação

A empresa pretende atuar em duas frentes. De um lado, busca acumular a maior posição em bitcoin da América Latina, seguindo o exemplo da “famosinha” Strategy (antiga MicroStrategy), cofundada por Michael Saylor, que detém 640.031 unidades de BTC – cerca de US$ 80 bilhões (R$ 425 bilhões) em cripto, superior ao valor de mercado da Petrobras (​PETR4).

De outro, vai apostar em educação, oferecendo cursos, publicando pesquisas e organizando eventos no Brasil sobre o mercado de criptomoedas.

Riscos incluem regulação

Concentrar a estratégia em único ativo, conhecido por sua volatilidade, é uma aposta de alto risco. Os próprios ciclos de alta e queda do mercado de criptomoedas podem impactar o valor da tesouraria e, consequentemente, da companhia como um todo.

Para Gomes, porém, a volatilidade é parte essencial do negócio. Seguindo o exemplo da Strategy, disse ele, é possível “empacotá-la” de diversas formas para vender dívidas conversíveis, warrants (títulos de opção negociados em bolsa) ou outros papéis, além de recapitalizar o caixa e comprar mais bitcoin.

“Então acho que a volatilidade não só é parte da história, mas é essencial para a operação da companhia. Porém, é preciso ter perspectiva de longo prazo”.

Do ponto de vista do investidor, o especialista da Valor Investimentos, Virgílio Lage, apontou outros riscos a serem considerados, como o regulatório (devido a possíveis mudanças legislativas, proibições ou novas exigências para criptomoedas), o risco de crédito (causado pela dependência de terceiros, como corretoras ou custodiantes) e o risco de liquidez do papel.

Outras empresas com bitcoin em caixa

A OranjeBTC não é a única empresa brasileira com bitcoin na tesouraria. A Méliuz (CASH3), companhia de tecnologia e cashback fundada em 2011, passou a comprar bitcoin no início deste ano, com o objetivo de buscar “retorno de longo prazo no ativo”, segundo comunicado divulgado em março. A empresa possui 605 unidades de BTC, o equivalente a cerca de US$ 70 milhões (R$ 372 milhões)

Analistas e empresas do setor veem o Brasil como um mercado promissor para esse tipo de iniciativa.

“Assim como a Méliuz, a entrada da OranjeBTC no mercado brasileiro marca um marco importante em 2025, ano em que o bitcoin reafirmou sua força no mercado corporativo da América Latina e sua relevância como ativo de tesouraria no planejamento financeiro de longo prazo das empresas”, disse a Bitfinex tem relatório publicado nesta segunda-feira (6).

Para Yoandris Rives Rodriguez, gerente regional para a América Latina na B2BINPAY, o “Brasil continua se destacando como um mercado relativamente estável, em que plataformas como a OranjeBTC estão ganhando tração real”.

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