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A euforia em torno da IA é uma bolha prestes a estourar? Eis o que a história diz

À medida que a aposta em inteligência artificial continua a levar o mercado de ações a novas máximas, investidores se perguntam cada vez mais se estamos vivendo outra bolha financeira destinada a estourar. A resposta não é tão simples – ao menos segundo a história.

O S&P 500 avançou 16% em 2025, com vencedores ligados à IA – como Nvidia, Alphabet (dona do Google), Broadcom e Microsoft – respondendo pela maior contribuição.

Ao mesmo tempo, crescem as preocupações com as centenas de bilhões de dólares que as big techs prometeram gastar em infraestrutura de IA. Os investimentos de Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta (dona do Facebook) devem subir 34%, para cerca de US$ 440 bilhões somados no próximo ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A OpenAI se comprometeu a gastar mais de US$ 1 trilhão em infraestrutura de IA, um número impressionante para uma empresa de capital fechado que ainda não é lucrativa. Talvez ainda mais preocupante seja a natureza circular de muitos de seus acordos, nos quais investimentos e gastos vão e voltam entre a OpenAI e algumas grandes empresas de tecnologia listadas em bolsa.

Ao longo da história, o excesso de investimento tem sido um tema recorrente sempre que surge um avanço tecnológico capaz de transformar a sociedade, afirma Brian Levitt, estrategista-chefe global de mercados da Invesco. Ele cita, por exemplo, o desenvolvimento das ferrovias, da eletricidade e da internet. Desta vez, pode não ser diferente.

“Em algum momento, a construção de infraestrutura pode exceder o que a economia precisará em um curto período”, disse. “Mas isso não significa que os trilhos não tenham sido concluídos ou que a internet não tenha se tornado realidade, certo?”

Ainda assim, com as avaliações das ações subindo e o S&P 500 registrando o terceiro ano consecutivo de ganhos de dois dígitos, faz sentido que investidores fiquem preocupados com quanto potencial de alta ainda existe – e quanto valor de mercado pode ser perdido se a IA não corresponder às expectativas. Nvidia, Microsoft, Alphabet, Amazon, Broadcom e Meta respondem por quase 30% do S&P 500; portanto, uma venda generalizada ligada à IA atingiria o índice em cheio.

“Uma bolha geralmente estoura em um mercado de baixa”, disse Gene Goldman, diretor de investimentos da Cetera Financial Group, que não acredita que as ações de IA estejam em uma bolha. “Simplesmente não vemos um mercado de baixa no horizonte próximo.”

O que a história mostra?

Ritmo e duração

Uma forma simples de avaliar se o rali tecnológico impulsionado pela IA foi longe demais ou rápido demais é compará-lo a ciclos anteriores. Analisando 10 bolhas acionárias ao redor do mundo desde 1900, elas duraram em média pouco mais de dois anos e meio, com um ganho médio de 244% do fundo ao pico, segundo pesquisa do estrategista do Bank of America Michael Hartnett.

Em comparação, o rali impulsionado pela IA está em seu terceiro ano, com o S&P 500 subindo 79% desde o fim de 2022 e o Nasdaq 100, mais concentrado em tecnologia, avançando 130%.

Embora seja difícil tirar conclusões definitivas a partir desses dados, Hartnett alerta os investidores a não abandonarem o mercado mesmo que acreditem estar diante de uma bolha, pois o trecho final do rali costuma ser o mais íngreme – e ficar de fora pode ser custoso. Uma forma de proteção, segundo ele, é comprar ativos de valor baratos, como ações do Reino Unido e empresas de energia.

Concentração

As 10 maiores ações do S&P 500 agora respondem por uma grande fatia do índice, de 30% — um nível de concentração não visto desde os anos 1960. Isso afastou alguns investidores, incluindo o veterano de Wall Street Ed Yardeni, que disse em dezembro que já não faz sentido recomendar uma exposição acima da média a ações de tecnologia.

Historiadores do mercado argumentam que, embora a concentração pareça extrema em comparação com a memória recente, há precedentes. As principais ações como parcela do mercado americano estiveram em níveis semelhantes nas décadas de 1930 e 1960, segundo Paul Marsh, professor da London Business School que estudou os últimos 125 anos de retornos globais de ativos. Em 1900, 63% do valor do mercado dos EUA estava ligado a ações de ferrovias, contra 37% vinculados à tecnologia no fim de 2024, disse Marsh.

Fundamentos

Bolhas de ativos tendem a ser muito mais difíceis de identificar em tempo real do que depois que estouram porque os fundamentos costumam estar no centro do debate – e as métricas em foco podem mudar, afirma Dario Perkins, economista da TS Lombard.

“É fácil para entusiastas de tecnologia alegarem que ‘desta vez é diferente’ e que as avaliações fundamentais nunca mais serão as mesmas”, disse ele.

Mas alguns fundamentos seguem relevantes. No início dos anos 2000, a bolha das “pontocom” foi marcada por empresas de tecnologia superavaliadas, sendo muitas delas sem lucros sustentáveis ou modelos de negócio viáveis. Agora, os gigantes atuais da IA têm menores níveis de endividamento em relação aos lucros do que companhias como a WorldCom tinham à época.

Além disso, empresas como Nvidia e Meta já registram crescimento robusto de lucros ligado à IA, algo que não era necessariamente verdadeiro há 25 anos.

A possibilidade de risco de crédito na aposta em IA também deixa alguns investidores apreensivos. Depois que a Oracle vendeu US$ 18 bilhões em títulos em 24 de setembro, a ação caiu 5,6% no dia seguinte e acumula queda de 37% desde então. Meta, Alphabet e Oracle precisarão captar US$ 86 bilhões somadas apenas em 2026, segundo estimativa do Société Générale.

Avaliações

A avaliação de preços do S&P 500 é a mais alta da história, exceto pelo início dos anos 2000, segundo um indicador chamado de preço sobre lucro, ou P/L. Ele mede o quanto do preço de uma ação explica o lucro da companhia, ou o quanto um investidor estaria disposto a pagar pelos lucros da empresa: quanto maior e mais fora da média histórica da própria companhia ou do setor, mais caro estaria o papel.

No entanto, usando o P/L ajustado ciclicamente, ou CAPE, os investidores otimistas argumentam que, embora as avaliações estejam subindo por causa da tecnologia, o ritmo é muito mais lento do que na era das pontocom. Em 2000, a Cisco Systems chegou a ser negociada a mais de 200 vezes os lucros dos 12 meses anteriores, enquanto a Nvidia hoje está abaixo de 50 vezes.

O CAPE é uma métrica criada pelo economista Robert Shiller que divide o preço das ações pela média dos lucros ajustados pela inflação dos últimos 10 anos. Segundo Richard Clode, gestor da Janus Henderson, os preços das ações se descolam do crescimento dos lucros quando não há debate sobre avaliações. “Não estamos vendo isso acontecer agora”, disse.

Escrutínio dos investidores

Discussões sobre uma possível bolha de ações circularam ao longo do ano, mas ganharam força em novembro e dezembro, após alertas do investidor Michael Burry e do Banco da Inglaterra. Mais de 12 mil reportagens em novembro mencionaram a expressão “bolha de IA”, número semelhante ao dos dez meses anteriores somados, segundo dados da Bloomberg.

Uma pesquisa do Bank of America em dezembro mostrou que os investidores veem uma bolha de IA como o maior evento de risco extremo (“tail risk”). Mais da metade dos entrevistados afirmou que as ações das chamadas “Sete Magníficas” são a aposta mais saturada de Wall Street.

Isso contrasta com a bolha das pontocom, quando havia “entusiasmo total com a ideia de que a internet revolucionaria tudo”, disse Venu Krishna, chefe de estratégia de ações dos EUA no Barclays. Agora, as dúvidas sobre se os investimentos em IA vão compensar crescem à medida que a emissão de dívida aumenta.

“Eu não descartaria o risco, mas, em geral, acredito que o escrutínio é saudável”, disse ele. “Na verdade, é esse escrutínio que tende a impedir movimentos extremos, como um colapso.”

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Investimento em IA é bolha? BTG elenca 16 motivos para defender que não

A demanda por cada vez mais poder computacional é o pilar da valorização das empresas de IA. E falou em IA, falou em “bolha” – algo que mais hora menos hora estoura.

É impossível saber se estamos ou não diante de uma. E sempre há a outra possibilidade: a de que os preços das ações simplesmente tenham alcançado um platô permanentemente elevado.

Essa é basicamente a conclusão de uma análise divulgada pelo BTG Pactual. Ela mostra que as grandes empresas do setor, a começar por Nvidia, Google e Microsoft, têm fundamentos sólidos, ou seja: margens saudáveis, baixa alavancagem e geração robusta de caixa.

Por outro lado, sempre vale lembrar a frase do economista americano Irving Fisher. Semanas antes do crash de 1929, o maior estouro de bolha da história, ele disse justamente que “os preços das ações atingiram um platô permanentemente elevado”. Não era o caso.

Seja como for, o BTG lista 16 motivos para acreditar que a revolução da IA tem características estruturais, e que o espaço para a expansão tecnológica e de infraestrutura ainda é vasto. Veja os pontos.

1. Ganhos de produtividade

Eles chegam a 1,3 ponto percentual por ano com a adoção rampante de IA, ou US$ 1,5 trilhão de produção global extra anual. É um choque de produtividade “amplo e duradouro”, de acordo com a análises e, mesmo com concorrência elevada e com o fracasso de algumas companhias com o passar do tempo, a tecnologia em si prospera.

2. Rentabilidade consistente nos investimentos em IA

Os investimentos na área não têm nada de especulativos: o US$ 1,2 trilhão por ano aplicado em infraestrutura – data centers, chips e redes – formam uma base de ativos de US$ 2,4 trilhões, que precisa gerar US$ 1,68 trilhão anuais em retorno para a economia global para dar lucro. Esse volume é, na visão do banco, plenamente compatível com o impacto de produtividade estimado por estudos independentes.

3. Margens mais elevadas

O receio de que a “bolha de IA” esteja se formando faz referência à “bolha ponto com” – a das empresas que, no final da década de 1990, foram superestimadas. A situação é diferente, segundo o BTG, porque as 10 maiores empresas do S&P 500 apresentavam margens líquidas de 17%, em média, naquela época, enquanto os atuais líderes têm 32%. Quer dizer: o ciclo de investimentos em IA é mais lucrativo e mais resiliente hoje.

4. Geração de caixa robusta

Lucro é uma demonstração contábil. Um dado mais sólido é o “fluxo de caixa livre”, o dinheiro que efetivamente sobra no caixa da empresa depois de todos os gastos a cada trimestre. Entre as empresas do S&P 500, ele é hoje de 3,5%. Ou seja, para cada US$ 100 que a empresa coloca no negócio, US$ 3,5 ficam no caixa. Isso é quase três vezes mais do que o período de 2000 a 2001. Em outras palavras: o ciclo atual das empresas é financiado por caixa real e não por dívidas excessivas.

5. Preços bem abaixo dos níveis da última bolha

O Nasdaq 100, índice que reúne as empresas americanas de tecnologia, é negociado entre 29 e 30 vezes o lucro, distante do nível de 44 vezes em 1999 e de 89 vezes em 2000. Você lê essa métrica da seguinte forma: considerando o preço atual, o mercado está disposto a pagar cerca de US$ 29 a US$ 30 por cada US$ 1 de lucro anual da empresa.

É, em resumo, um indicador para as expectativas de crescimento das companhias. Para o BTG, a precificação das ações das big techs hoje é “mais moderada” e também amparada por lucros muito maiores.

6. Líderes de mercado mais baratos do que no passado

Na bolha das ponto com, Cisco, Intel, Microsoft e outras eram negociadas entre 50 vezes a 70 vezes o lucro. Muitas superavam o nível de 100 vezes. Hoje, as gigantes de IA – Google, Nvidia, Meta, Microsoft de novo… – são negociadas entre 20 vezes e 35 vezes o lucro.

7. Capex financiado internamente

Só 46% do fluxo de caixa das empresas hoje é reinvestido, muito baixo dos 75% em 2001. Pode parecer um contrassenso avaliar positivamente empresas que estão investindo menos, mas a leitura do BTG é de que as companhias estão destinando seus recursos de forma mais equilibrada.

8. Alavancagem muito menor

As maiores empresas americanas operam com caixa líquido: a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, é de 0,3 vez. Essa relação é conhecida como alavancagem e indica quantos anos a empresa levaria para pagar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em geral, um indicador abaixo de 2x é um sinal de que a empresa está financeiramente saudável. Ou seja, 0,3x é um nível extremamente conservador.

9. Demanda firme e chips duráveis sustentam o ciclo da IA

A demanda por computação em nuvem e IA continua acelerando: os serviços AWS (da Amazon), Azure (da Microsoft) e Google Cloud voltaram a crescer entre 20% e 40% ao ano. Ao mesmo tempo, as GPUs – processadores especializados usados para treinar e operar modelos de IA – têm vida útil longa, de aproximadamente seis anos.

Isso significa que as gigantes globais de computação em nuvem têm receitas futuras mais previsíveis e conseguem extrair valor dos chips por um bom tempo, fortalecendo a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA.

10. A tecnologia está longe do seu potencial máximo

Os avanços recentes mostram que a IA ainda tem muito espaço para evoluir. A redução das alucinações, por exemplo, avança paulatinamente, mas ainda está longe do ideal. Isso indica que a tecnologia não está madura – e que a demanda por mais computação e novos modelos deve seguir crescendo.

11. O mercado de IPOs ainda é fraco

Nos últimos 12 meses, houve 56 IPOs no segmento de IA, contra 511 no auge da bolha das ponto com. Ou seja, o ciclo atual não mostra exuberância especulativa em novas emissões como já ocorreu no passado.

12. O mercado não está em euforia

Mesmo com toda a atenção sobre IA, o humor geral dos investidores ainda é negativo: o índice de “Medo e Ganância”, criado pela CNN, aponta para “Pessimismo Extremo” – próximo de 19 pontos, bem abaixo da linha neutra de 50. Isso significa que, apesar do avanço das empresas de IA, o mercado como um todo não demonstra um comportamento eufórico, nem demanda excessiva por ativos de risco, que é uma condição típica de bolhas. A postura predominante ainda é de cautela, não de entusiasmo.

13. O medo da bolha freia os excessos que poderiam levar a uma bolha

O BTG cita uma pesquisa recente do Bank of America. Ela mostra que 54% dos gestores profissionais creem estar vivendo uma bolha de IA. E isso é bom. Quando o medo de bolha cresce entre profissionais de mercado, os investidores tendem a reduzir posições arriscadas e a operar de forma comedida. Ou seja, paradoxalmente, o fato de muitos acreditarem que há uma bolha diminui a probabilidade de uma bolha clássica se formar, pois os próprios agentes atuam para evitar excessos.

14. O investidor de varejo também está cauteloso

O índice AAII Bull/Bear, que mede o sentimento do investidor individual americano, permanece em território negativo. Isso indica que o pequeno investidor, o primeiro a responder aos ciclos especulativos, não está otimista. A falta de entusiasmo tanto entre profissionais (item 13), quanto no varejo reforça que não há clima emocional típico de bolha.

15. Investimento em IA é pequeno quando comparado a grandes ciclos históricos

O BTG calcula que, hoje, os investimentos em data centers de IA representam 1,3% do PIB. Há quem diga que estão construindo demais. Só que talvez não. Data center é o que há de mais moderno em infraestrutura. Nos momentos do passado em que o hype de infra era a construção de ferrovias, gastava-se muito mais: até 6% do PIB.

16. Queda de juros favorece teses de longo prazo

Juros menores tornam mais valioso cada dólar de lucro futuro. Quando os juros caem, os investidores calculam que o valor presente dos lucros que as empresas vão gerar no futuro é maior. Isso beneficia especialmente negócios cujo potencial econômico está mais avançado, como as empresas de IA, que investem muito agora para colher resultados maiores nos próximos anos.

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Bitcoin estabiliza, mas balanço da Nvidia e ata do Fed podem mexer com preço

Depois de dias de queda, as criptomoedas encontraram um pouco de estabilidade na manhã desta quarta-feira (19). O bitcoin (BTC) sobe 0,20%, para a faixa dos US$ 91 mil, enquanto o ethereum (ETH) avança 1%.

Mas dois assuntos podem dar uma chacoalhada no mercado cripto ao longo do dia.

O primeiro é a ata do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada hoje. Em resumo, é um relatório detalhado sobre a última reunião de política monetária do país, em outubro, que pode trazer pistas sobre possíveis cortes de juros em dezembro.

As criptomoedas, assim como outros ativos de risco, costumam reagir bem a tesouradas nos juros, porque passam a ficar mais atrativas do que títulos de renda fixa. O contrário também é verdadeiro: quando as taxas sobem, os ativos de risco geralmente sofrem.

O segundo ponto que pode mexer com o mercado é o balanço da queridinha da inteligência artificial (IA), a Nvidia (NVDC34), que será divulgado nesta quarta após o fechamento das bolsas americanas.

Se os resultados vierem acima das expectativas, investidores podem voltar a buscar ações de tecnologia e outros ativos financeiros mais arriscados, incluindo criptos – que, na prática, vêm se comportando como parte desse mesmo bloco.

A expectativa é de que a receita do terceiro trimestre da big tech salte 56% em relação ao ano anterior, para US$ 54,9 bilhões, impulsionada principalmente pelas vendas de data centers. Analistas também projetam um lucro líquido de US$ 30,7 bilhões (US$ 1,26 por ação) e um lucro operacional de US$ 36,2 bilhões – alta de 56%.

“Os resultados da Nvidia se tornaram peça central do humor no setor de tecnologia e inteligência artificial. Se a empresa decepcionar, o efeito pode ser pesado para os mercados”, disse Paulo Aragão, host do Podcast Giro Bitcoin.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 10h:

Bitcoin (BTC):  +0,20%, US$ 91.036,30

Ethereum (ETH): +1,19%, US$ 3.030,50

XRP (XRP): -2,20%, US$ 2,13

BNB (BNB): +0,79%, US$ 921,47

Solana (SOL): +0,69%, US$ 138,51

Outros destaques do mercado cripto

Big Brother cripto. Alguns parlamentares não estão contentes com a regulamentação cripto do Banco Central, publicada há alguns dias. Nesta semana, um grupo de deputados federais protocolou um novo projeto (o segundo em menos de sete dias!) para tentar sustar as regras. Segundo eles, a autarquia quer criar um grande “Big Brother das criptomoedas”, acompanhando cada satoshi (a unidade básica do bitcoin, equivalente ao centavo no real) movimentado pelos usuários.

Brasileiro abraçou os ETFs de cripto. O apetite do brasileiro por criptomoedas só cresce. Uma prova disso é que dois ETFs (fundos negociados em bolsa) de ativos digitais – o HASH11 e o ETHE11 – estão na seleta lista dos 10 mais negociados da bolsa de valores há três meses. Eles dividem espaço com gigantes como o BOVA11, o ETF mais popular da B3, lançado lá em 2008.

Fundo cripto da BlackRock sangra. Enquanto os ETFs locais colhem bons números, os equivalentes nos EUA sofrem – principalmente o IBIT, da gigante de investimentos BlackRock. Ontem, o fundo registrou US$ 523,15 milhões em saídas, a maior retirada diária desde seu lançamento, em janeiro de 2024. A debandada veio junto com a queda do bitcoin, que na segunda-feira (17) chegou a cair abaixo dos US$ 90 mil pela primeira vez em sete meses.

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Apple, Microsoft, Amazon… 5 dos BDRs das 7 Magníficas estão no negativo em 2025

É um massacre. Enquanto o Ibovespa sobe 30% no ano, o grosso dos BDRs das sete companhias mais valiosas dos EUA amargam quedas. Em alguns casos, duras quedas. 

BDRs, vale lembrar, são “recibos” de ações gringas. Você negocia na B3 em reais, como se fossem papéis brasileiros. E eles refletem a variação das ações para valer, aquelas negociadas em Nova York.

Esses papéis também flutuam ao sabor do câmbio – já que ações americanas são precificadas em moeda americana, lógico. As quedas do dólar puxam os BDRs para baixo. E haja queda. No ano, as notas verdes cedem 15,5%. E o cenário que temos é o seguinte: 

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O tombo da moeda americana cria distorções interessantes. A Alphabet vai bem, obrigado – até a Berkshire, que não tem comprado quase nada, fez uma fezinha de US$ 5 bilhões na dona do Google. A alta, na bolsa americana, é de 50,1% ano ano. Em reais, porém, a alta se restringe a 26,4%. 

A Nvidia, rainha da IA, também segue testando limites, você sabe. Em julho, virou a primeira empresa a romper a barreira dos US$ 4 trilhões em valor de mercado. No final de outubro, inaugurou o patamar dos US$ 5 trilhões. Desde lá, Nvidia cai 12% (US$ 600 bilhões) – e o termo “bolha da IA” entrou de vez para o léxico popular do planeta. Mesmo assim, ela ainda sobe 35% no ano. Em reais, perém, a alta é menos gráfica: 14,5%.

E daí para baixo é todo mundo debaixo d’água: Microsoft (-0,8%), Apple (-8%), Meta (-13,8%) Amazon (-14,1%), Tesla (-17,2%). 

Mas o dólar não é o único vilão, claro. À parte a Microsoft, que sobe razoáveis 17,1% em sua moeda natal, o cenário é modorrento, com Apple abaixo dos 10%; e Amazon, Meta e Tesla praticamente no zero a zero. Aqui:

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Não é novidade: tem crescido entre investidores a percepção de que a bolsa americana está cara. E na letra fria dos dados está mesmo.

Sabe-se se uma bolsa está cara quando você olha o P/L (preço sobre lucro). Você soma o valor de mercado de todas as empresas do índice e divide pelo lucro que elas deram nos últimos 12 meses.

Se essa divisão dá 10, por exemplo, significa que as empresas valem, na média, 10 anos do lucro que elas propiciam hoje. Quanto dá o do S&P 500? 27,6. É mais do que a média dos últimos 10 anos, 22,8. E bem mais do que série de longo prazo (desde 1950), de 19. 

No Brasil é o contrário. P/L de 8,6, contra uma média maior, de 10,5, para os últimos 20 anos.

Em outros países emergentes, a situação é parecida. E tal como o Brasil eles têm recebido mais dinheiro de fora. Tanto dinheiro que as bolsas de alguns países latino americanos estão até mais exuberantes do que a nossa no ano: 

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Mas o fato é que os movimentos de mercado e de câmbio se retroalimentam. Quando cresce o fluxo de dólares para as bolsas dos emergentes, aumenta a oferta de dólares nesses países. E a moeda americana desvaloriza. É justamente o que está acontecendo: 

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Seja como for, a negociação de BDRs é relativamente pequena na B3. Um levantamento da Quantum Finance mostra que as Mag 7 movimentam algo entre 100 mil e 200 mil negócios por dia. Trata-se de um patamar equivalente ao de empresas brasileiras menos expressivas, que ficam de fora do ranking das 100 mais negociadas.

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Nvidia chega a US$ 5 trilhões e revive memórias da bolha das pontocom (mas existem diferenças)

Com a Nvidia rompendo a marca dos US$ 5 trilhões em valor de mercado, o entusiasmo com a inteligência artificial levou o S&P 500 a níveis recordes — e os investidores a um déjà vu da bolha das pontocom. Mas, desta vez, analistas dizem que os fundamentos parecem mais sólidos do que no fim dos anos 1990.

O avanço das ações de tecnologia tem sido tão forte que o setor agora domina o S&P 500 como nunca antes. O peso das gigantes de tecnologia no índice já supera o de qualquer outro momento da história, incluindo o auge da bolha das pontocom, quando o setor chegou a representar 35% do total. E, com a Nvidia ultrapassando os US$ 5 trilhões, as seis maiores ações do índice concentram cerca de 38% dos US$ 58,2 trilhões de valor total — o maior nível de concentração já registrado.

Mas, para Jeff Buchbinder, estrategista-chefe de ações da LPL Financial, a semelhança com a virada dos anos 2000 para aqui. Ele argumenta que os investidores não deveriam se deixar assustar por comparações com o colapso das pontocom enquanto o atual mercado de alta entra no seu quarto ano.

Talvez o aspecto mais preocupante das máximas de hoje seja o fato de que o setor de tecnologia do S&P 500 agora tem o maior peso já registrado no índice, superando o nível de 35% do auge da bolha no fim dos anos 1990.

E, com a Nvidia agora rompendo os US$ 5 trilhões, as seis maiores ações do S&P 500 respondem por cerca de 38% dos US$ 58,2 trilhões de valor do índice — um nível de concentração estonteante e também o mais alto já registrado.

“A disparada, liderada por ações de tecnologia surfando a onda da inteligência artificial, fez muitos observadores questionarem se o mercado está em uma bolha e se uma versão 2.0 do crash das pontocom pode estar chegando”, escreveu Buchbinder em nota publicada na terça-feira.

Ele não é um deles.

Para começar, ele observa que, embora os múltiplos atribuídos tanto às megacaps quanto aos seus pares de tecnologia da informação sejam elevados — um prêmio de 34% em relação ao S&P 500 —, eles seguem bem abaixo do pico de 50% das ações de tecnologia no fim dos anos 1990.

Buchbinder também argumenta que uma boa parcela dos bilhões gastos em IA — que ajudaram a adicionar US$ 4,5 trilhões ao valor de mercado da Nvidia desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 — está sendo financiada pelo fluxo de caixa das gigantes de tecnologia já estabelecidas.

“Dadas as fundações sólidas, incluindo um crescimento de lucros de 20% que pode ser mantido até 2026 à medida que o investimento em capital para IA continua acelerando, e as melhores revisões de lucros entre os 11 setores do S&P nos últimos três e seis meses, não achamos que a corrida da tecnologia esteja necessariamente no fim”, escreveu.

Também vale notar alguns dos muitos comparativos que circulavam nesta quarta-feira antes da abertura histórica da Nvidia.

A fabricante de chips de IA adicionou cerca de US$ 1 trilhão em valor nos últimos 112 dias — um patamar que supera a capitalização combinada de Exxon Mobil e Mastercard, duas empresas que existem, juntas, há 155 anos.

Em outras palavras, a Nvidia concentra os motores mais importantes da “nova economia” — chips e dados — em um valor cinco vezes maior que os da “velha economia” — petróleo e dinheiro — representados por Exxon e Mastercard.

Em 1999, a diferença entre a Microsoft — então a empresa mais valiosa do mundo, com US$ 350 bilhões — e a Exxon Mobil era de menos de US$ 200 bilhões.

Quatro das maiores ações do mercado divulgarão resultados do trimestre de setembro nesta semana: Microsoft, Meta, Amazon e a Alphabet, controladora do Google, devem apresentar planos para gastar ainda mais bilhões em uma corrida por IA que, ao fim da década, custará trilhões em novo capital.

“Todo o complexo de semicondutores de IA, armazenamento, memória, redes, óptica e hardware de servidores depende das tendências futuras de capex dessas três empresas”, disse Jordan Klein, analista de tecnologia, mídia e telecom da Mizuho Securities.

Também não parece que os investidores estejam dispostos a apostar contra elas, mesmo que o pano de fundo lembre muito a última vez em que a tecnologia definia o mercado de alta.

Escreva para Martin Baccardax em martin.baccardax@barrons.com

Foto: Justin Sullivan/Getty Images

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CEO da Nvidia se prepara para revelar acordos de IA com Samsung e Hyundai

O executivo-chefe da Nvidia, Jensen Huang, planeja revelar novos contratos para fornecimento de chips de IA para grandes empresas sul-coreanas, incluindo a Samsung e a Hyundai, quando visitar o país esta semana para buscar novas oportunidades para seus negócios.

Os acordos têm o potencial de ajudar a fabricante de chips americana a expandir sua presença num mercado chave como a Coreia do Sul, uma vez que a Nvidia está cada vez mais excluída da China devido ao conflito comercial entre Washington e Pequim. Para os conglomerados coreanos, um relacionamento mais próximo com a Nvidia significa um fornecimento mais confiável de unidades de processamento gráfico essenciais para o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial.

Huang quer estreitar seus laços com a quarta maior economia da Ásia, que é fundamental para o fornecimento global de chips de memória e tem ambições de se tornar um grande centro de computação de IA, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Além da Samsung e da Hyundai Motor, a Nvidia planeja fornecer seus chips para o SK Group, que planeja construir um centro de dados de IA de 7 trilhões de wons (US$ 4,9 bilhões) na Coreia do Sul e conta com a fabricante de chips SK Hynix entre suas afiliadas.

Huang deve anunciar essas parcerias antes de participar da Cúpula de CEOs da APEC em Gyeongju na próxima sexta-feira, dia 31, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por tratar de assuntos particulares. O CEO da Nvidia presidirá uma conferência em Washington na terça-feira, e o presidente Donald Trump disse que se encontrará com Huang mais tarde, enquanto viaja pela Ásia.

Quando questionado em um evento da Nvidia em Washington nesta terça-feira (28) sobre os acordos que a empresa poderia revelar na Coreia do Sul, Huang se recusou a dar detalhes, mas deu a entender que pode ter mais a dizer nos próximos dias.

“Se você observar todo o ecossistema sul-coreano, todas as empresas são minhas grandes amigas e ótimas parceiras”, disse ele em declarações aos repórteres. “Quando eu partir, espero que tenhamos alguns anúncios que sejam realmente muito agradáveis ​​para o povo da Coreia e ​​para o presidente Trump.”

O Hyundai Motor Group não quis comentar. Representantes da Samsung e da SK não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

O governo Trump deve assinar um amplo acordo com a Coreia do Sul nesta quarta-feira, com o objetivo de fortalecer a cooperação em inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia e tecnologia sem fio 6G, de acordo com uma autoridade americana, que discutiu planos ainda não divulgados sob condição de anonimato. A autoridade não identificou quais empresas poderiam estar envolvidas em projetos sob o acordo. 

A Nvidia está no centro de uma onda de investimentos em infraestrutura de IA que deve ultrapassar a marca de US$ 1 trilhão nos próximos anos. Da OpenAI à Oracle, os líderes do setor estão correndo para construir os data centers que sustentarão a era pós-ChatGPT. Essa corrida por investimentos, aliada à rápida valorização das ações de tecnologia, tem sido comparada à ‘bolha das pontocom’, dada a persistente ausência de aplicativos e serviços de IA convencionais.

A Coreia do Sul planeja investimentos significativos em infraestrutura de computação, incluindo planos para que o país garanta até 200.000 GPUs de alto desempenho até 2030. Esse esforço pode custar cerca de US$ 3 bilhões.

Embora essa demanda geral seja modesta em comparação às necessidades da OpenAI e da Meta, os contratos ajudariam a Nvidia a fazer incursões em um país crucial para a produção e o design de chips de memória — componentes essenciais para todos os eletrônicos modernos. 

A Nvidia também está interessada em se aprofundar em mercados alternativos após ter sido praticamente excluída da China. Pequim ordenou que empresas locais suspendessem os pedidos da RTX Pro 6000D da Nvidia e desencorajou empresas e agências a usarem seus chips H20. Huang afirmou este mês que a participação de mercado da Nvidia na China caiu de 95% em seu pico para zero.

Trump planeja se reunir com o líder chinês Xi Jinping na Coreia do Sul na quinta-feira, à margem da Cúpula de CEOs da APEC, com o objetivo de elaborar algum tipo de acordo comercial. Não está claro se a capacidade da Nvidia de vender para empresas chinesas faria parte de algum acordo. 

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Nvidia vai investir US$ 1 bilhão na Nokia para impulsionar redes de IA

A Nvidia vai investir US$ 1 bilhão na Nokia, apostando na virada da empresa finlandesa do setor de equipamentos de redes móveis para o de inteligência artificial.

A Nokia emitirá cerca de 166 milhões de ações para a Nvidia a US$ 6,01 cada, dando à Nvidia uma participação de 2,9%, informaram as empresas em um comunicado nesta terça-feira (28).

Os chips da Nvidia serão usados ​​para acelerar o software da Nokia para redes 5G e 6G, e a Nvidia explorará maneiras de usar a tecnologia de data center da Nokia em sua infraestrutura de IA.

A Nokia, mais conhecida por vender componentes para redes móveis, tem investido em data centers — um negócio que está crescendo graças à crescente demanda por capacidade computacional devido ao boom da inteligência artificial.

A iniciativa valeu a pena e ajudou a Nokia a superar as estimativas de Wall Street no último trimestre. A empresa sediada em Espoo, Finlândia, comprou a Infinera por US$ 2,3 bilhões no início deste ano para expandir seus negócios para produtos de rede para data centers de IA.

As ações da Nokia subiram 17% em Helsinque após o comunicado, o maior ganho intradiário desde 2013.

A fusão pode ser um impulso para a Nokia, que é mais conhecida entre os consumidores pela linha de celulares que, aliás, nem fabrica mais.

O CEO Justin Hotard está liderando uma reviravolta na empresa nórdica, enfatizando sua posição como a única alternativa ocidental à Huawei no fornecimento de todo o portfólio de kits de comunicação, de rádios 5G a cabos de fibra óptica.

Investidas da Nvidia

A Nvidia tem investido intensamente nos últimos meses. A empresa anunciou que investirá até US$ 100 bilhões na OpenAI e financiará as empresas de veículos autônomos Wayve e Oxa, a fintech Revolut e empresas de IA como a PolyAI.

A empresa também investirá em um data center alemão, juntamente com a Deutsche Telekom, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg News.

Tanto formuladores de políticas europeias quanto executivos de tecnologia vêm discutindo há meses a necessidade de o bloco desenvolver seu próprio ecossistema de IA e alcançar rivais nos EUA e na China.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, e outros executivos criticaram a Europa por ser lenta demais para desenvolver sua própria infraestrutura e apoiar empresas que desejam usar IA, mantendo seus dados na região.

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EUA liberam exportações de chip da Nvidia aos Emirados Árabes em pacto sobre IA

Os Estados Unidos aprovaram exportações de chips da Nvidia para os Emirados Árabes Unidos, um passo inicial na implementação de um controverso acordo que poderia servir como um modelo para a estratégia americana de inteligência artificial.

O Escritório de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio emitiu recentemente licenças de exportação da Nvidia sob os termos de um acordo bilateral de IA firmado em maio. A infromação é de pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato ao discutir um assunto delicado.

A aprovação veio depois que os Emirados Árabes Unidos estabeleceram planos concretos para um montante recíproco de investimento em solo americano, disse uma autoridade dos EUA. A autoridade não especificou o valor exato das remessas de chips aprovadas e do investimento dos Emirados.

Um representante dos Emirados Árabes Unidos não respondeu a um pedido de comentário, e a Nvidia também não quis comentar. “O Departamento de Comércio está totalmente comprometido com o acordo de parceria transformadora de IA entre os EUA e os Emirados Árabes Unidos”, disse um porta-voz.

As licenças marcam as primeiras autorizações para vendas de chips de IA da Nvidia para a nação do Golfo desde que o presidente americano Donald Trump assumiu o cargo.

Acordo com Nvidia

As licenças são um sinal tangível de progresso em um acordo anunciado há quase cinco meses, centrado em um enorme data center de cinco gigawatts na capital do país do Golfo, que conta com a OpenAI como locatária principal.

O acordo tem sido fonte de significativa indignação em Washington, onde alguns funcionários do governo Trump e do Capitólio questionaram a sensatez de construir um local tão grande fora dos EUA, especialmente em um lugar onde Pequim estabeleceu laços comerciais e econômicos significativos.

A obtenção das autorizações é uma das principais prioridades dos Emirados Árabes Unidos, onde algumas autoridades estão frustradas com o que consideram um ritmo lento de aprovações dos EUA. A IA está entre as principais prioridades para a nação do Golfo, que está gastando muito em infraestrutura no país e no exterior.

A base do acordo de IA é uma promessa dos Emirados de investir uma quantia impressionante de US$ 1,4 trilhão em solo americano nos próximos dez anos, uma promessa que a nação do Golfo não divulgou em quais projetos específicos o dinheiro será aplicado.

Os EUA, entretanto, planejavam aprovar até 500.000 chips avançados de IA americanos anualmente, com um quinto previsto para o gigante da IA de Abu Dhabi, o G42.

O lote inicial de licenças não inclui nenhum chip para o G42, que está em parceria com a OpenAI em um campus na capital dos Emirados Árabes Unidos, de acordo com as fontes. O G42 não respondeu a um pedido de comentário.

Não está claro quando licenças adicionais poderão ser emitidas, disseram as fontes. Elas acrescentaram que isso dependerá, em parte, de como os planos específicos de investimento dos Emirados Árabes Unidos se desenvolverem. Pelo acordo, os Emirados, ricos em petróleo, igualarão em investimento o que receberem em remessas de chips, dólar por dólar.

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