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Calendário de balanços: o que esperar de Vale, Gerdau e WEG na semana

A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha tração nesta semana, com o mercado voltando os olhos para três gigantes de setores distintos: a mineradora Vale, a siderúrgica Gerdau e a fabricante de motores WEG.

Os relatórios prévios de bancos e corretoras apontam para um cenário de desafios específicos de margens e de demanda global para as companhias. A Vale, por exemplo, tem se beneficiado com o aumento da produção e o preço internacional do minério de ferro na casa de US$ 100 a tonelada. A Gerdau tem enfrentado a concorrência com o aço chinês e a WEG busca reduzir o impacto da alta de preços de metais usados na fabricação de motores.

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Além das três gigantes, a semana ainda conta com a divulgação de resultados de Assai, na segunda-feira (27), de Hypera e Neoenergia, na terça-feira (28), e de Iochpe Maxion, Multiplan, Motiva, Santander e Suzano, na quarta-feira (29), e Irani, na quinta-feira (30).

Saiba o que analistas e investidores vão estar de olho nos balanços de Vale, Gerdau e WEG.

Segunda-feira (27 de abril)

Gerdau (GGBR4)

A gigante do aço deve apresentar seus números após o fechamento do mercado. O pane de fundo para o setor siderúrgico é a invasão do aço chinês, que pressionou os resultados em 2025. Apesar da concorrência, o mercado vê a Gerdau como uma “máquina de dividendos” para 2026. A redução planejada de investimentos (capex) para R$ 4,7 bilhões no ano vai ajudar a manter o nível de proventos, ao mesmo tempo que sinaliza a disciplina de capital.

  • O que esperar: no setor siderúrgico, a Gerdau continua sendo a escolha preferida devido à sua exposição ao mercado dos EUA, que representa 60% dos resultados do grupo. No Brasil, a expectativa é de uma melhora marginal na rentabilidade, impulsionada pelas sobretaxas aprovadas pelo governo para proteger o setor da invasão de aço asiático.
  • O ponto de atenção: o CEO da companhia, Gustavo Werneck, já sinalizou que não haverá fechamento de plantas em 2026, indicando que o pior da ociosidade operacional ficou para trás. O foco será o resultado operacional na América do Norte, que costuma compensar as margens mais apertadas da operação brasileira.
  • Desafios: a eficiência operacional da Gerdau deve garantir resultados sólidos, mas o volume de vendas domésticas e o impacto das medidas antidumping serão os fieis da balança.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,53.
  • Dividend yield projetado 2026: 11,1%.

Terça-feira (28 de abril)

Vale (VALE3)

A Vale abre os números do setor de mineração com a divulgação prevista para após o fechamento do mercado. Analistas demonstram o otimismo com a divisão de Metais Básicos (cobre e níquel), projetando que este segmento responda por uma fatia maior do Ebitda (o lucro operacional antes de impostos, juros e amortizações) em 2026, o que pode sustentar dividendos acima da média histórica caso o minério de ferro se estabilize acima de US$ 100 a tonelada, como no momento atual.

  • O que esperar: Os dados operacionais já divulgados mostraram uma produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 3% na comparação anual. As vendas foram fortes, superando os efeitos sazonais das chuvas, o que deve sustentar uma receita líquida próxima de US$ 9,4 bilhões.
  • O ponto de atenção: O Ebitda deve vir em torno de US$ 4,1 bilhões. O mercado monitora de perto o preço realizado do minério, que sofre pressão pela desaceleração do setor imobiliário chinês, e os custos de frete, que subiram no início do ano.
  • Desafios: a tese de dividendos robustos continua, mas o crescimento de capital depende de uma recuperação mais clara da demanda chinesa.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 83.
  • Dividend yield projetado 2026:: 8,6% a 10%.

Quarta-feira (29 de abril)

WEG (WEGE3)

A WEG, multinacional brasileira de motores e equipamentos industriais, divulga seu balanço após o fechamento do mercado. A companhia reinveste boa parte do lucro em expansão e tecnologia, por isso a distribuição de dividendos tende a não ser o principal atrativo do papel. As casas de análise veem o valor atual da ação perto do nível considerado “justo”, ou seja, com menos espaço para grandes altas.

  • O que esperar: O mercado busca sinais de continuidade no crescimento da carteira de pedidos, especialmente em Transmissão e Distribuição (T&D) e motores industriais. Resultados recentes da concorrente suíça ABB sugerem uma demanda global aquecida, o que é positivo para a WEG.
  • O ponto de atenção: Dois fatores podem “esfriar” o papel: a valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre do ano pode comprimir a receita reportada em reais (já que boa parte vem do exterior); a alta recente nos preços do cobre, da prata e do alumínio, que são insumos na produção de peças e motores, pressiona as margens.
  • Desafios: os analistas mantêm a confiança na execução da empresa, mas alertam que o “valuation” (valor de mercado que embute expectativas de crescimento futuro) exige resultados impecáveis para sustentar novas altas.
  • Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 44.
  • Dividend yield projetado 2026: 2% a 2,5%.

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Posso pagar despesas pessoais com dinheiro da PJ para ‘escapar’ do IR sobre dividendos?

A cobrança de Imposto de Renda sobre dividendos, que começou a valer na virada do ano, abalou estratégias clássicas de planejamento tributário dos empreendedores.

Para reduzir o pagamento de impostos, é comum que empresas remunerem seus sócios com a distribuição de dividendos, que era totalmente isenta de IR até o fim de 2025. Só que a coisa mudou. Agora, quem recebe dividendos acima de R$ 50 mil por mês precisa pagar uma alíquota de 10% de IR.

Com essa mudança, uma estratégia alternativa – e controversa – voltou a ser falada nas rodas de empresários e em discussões em redes sociais: pagar despesas pessoais dos sócios com o dinheiro da PJ. É o uso de parte do dinheiro que seria retirado como lucro (via dividendo) para pagar contas dos sócios, reduzindo a tributação direta.

Só que fica a pergunta: é legal e regular transferir despesas pessoais para a empresa? E vale a pena?

Em poucas palavras, a resposta é não. Pode render autuação da Receita Federal, cobrança retroativa de impostos não pagos, multa e juros – além da exclusão da empresa de regimes tributários vantajosos, como o Simples Nacional.

Qual o risco de incluir despesas pessoais na conta da empresa?

As despesas pessoais dos sócios não são despesas operacionais para a empresa, ressalta Pedro Bresciani, especialista em planejamento tributário no Utumi Advogados. A manutenção do negócio não depende desses gastos – que deveriam ser sempre cobertos com recursos próprios, como o pró-labore (que é o “salário” dos sócios) ou os dividendos que eles recebem.

Se a Receita Federal identificar que houve essa prática, pode desconsiderar os lançamentos e entender que houve irregularidades, como omissão de receita e distribuição disfarçada de lucros. Ou ainda enquadrá-los como pagamento sem causa ou doação da empresa para o sócio.

Em um pagamento sem causa (ou sem comprovação) a um sócio, por exemplo, a alíquota do Imposto de Renda que deve ser retido fonte é de 35% – o que provavelmente não é feito por quem decide transferir despesas pessoais para a PJ para “driblar” o fisco.

Já em uma doação da empresa para o sócio, há a incidência de Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), com alíquota de até 8%, a depender do estado.

No caso de uma autuação da Receita Federal, tributos como esses que não tenham sido recolhidos podem ser cobrados retroativamente, além da incidência de multa e juros. Fora isso, segundo Bresciani, os valores ainda poderiam ser tributados pelo Imposto de Renda Mínimo, com alíquota que vai até 10%.

Como as despesas dos sócios afetam o lucro da PJ?

A transferência de despesas pessoais para a PJ impacta os resultados das empresas e de seus sócios de maneiras diferentes, a depender do regime tributário em que se enquadram.

Para as empresas do regime do lucro real, os impostos devidos (IRPJ e CSLL, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) incidem diretamente sobre o seu lucro efetivo – ou seja, receitas menos despesas. Por isso, quanto maiores as despesas a serem deduzidas das receitas, menor o lucro. E menor também o imposto que a empresa terá de pagar.

Incluir despesas dos sócios nas contas de uma empresa do lucro real, portanto, acaba reduzindo os impostos devidos pela própria empresa.

Quando um caso como esse é identificado pela Receita Federal, ela pode cobrar os tributos (IRPJ e CSLL) que deixaram de ser pagos porque o lucro foi “artificialmente” menor, além de juros (taxa Selic) e uma multa significativa (de 75% a 100%, nos casos gerais) sobre esses valores.

Já no regime de lucro presumido, as despesas dos sócios incluídas nas contas da empresa não reduzem diretamente os tributos devidos por elas, como no lucro real. Isso porque o IRPJ e a CSLL são calculados a partir de uma margem de lucro fixa, estabelecida pela Receita Federal e aplicada sobre o faturamento da empresa. Essa margem varia segundo o setor de atuação e pode chegar a 32%.

No Simples Nacional, ocorre algo semelhante.

Os impostos devidos pela empresa – e pagos em uma única guia, chamada DAS – são calculados sobre o faturamento, e não sobre o lucro. Por isso, também nesse caso, incluir despesas dos sócios nas contas da empresa não reduzirá o valor pago pela PJ.

Porém, tanto no lucro presumido quanto no Simples Nacional, essa manobra diminui o lucro efetivo do negócio. E ele é a base para a distribuição de dividendos aos sócios.

Se, adotando essa prática, os sócios conseguirem manter os dividendos abaixo do limite de R$ 50 mil por mês, podem “escapar” de pagar o novo IR na sua pessoa física.

Se isso for identificado pela Receita Federal, a prática poderia ser caracterizada como pagamento sem causa, distribuição indireta de dividendos ou doação da empresa para o sócio. E, então, vale a mesma lógica: o Fisco cobra retroativamente os impostos que não foram pagos, aplica multa e cobra juros. Em casos graves, pode excluir a empresa do Simples Nacional.

Os riscos na prática

A pedido do InvestNews, Bresciani, no Utumi Advogados, simulou um caso prático. O advogado partiu de um exemplo fictício de empresa enquadrada no regime de lucro real em que os sócios pagaram despesas pessoais no valor de R$ 240 mil em um ano.

Entenda três possíveis formas como essa manobra pode ocasionar riscos e cobranças adicionais.

1) Os impostos da empresa

Em uma fiscalização da Receita Federal que identificasse esse procedimento, a transferência de despesas poderia ser desconsiderada. Na prática, isso faria com que o lucro efetivo da empresa aumentasse – nesse caso, justamente em R$ 240 mil. Sobre esse valor, incidiria a carga de IRPJ e CSLL (34%), gerando uma tributação adicional de R$ 81,6 mil.

Esse valor ainda viria com acréscimos. Em geral, aplica-se uma multa equivalente a 75% sobre o imposto devido, segundo Bresciani, além de juros pela taxa Selic. Nesse exemplo, a multa seria calculada sobre os R$ 81,6 mil: o montante seria de R$ 61,2 mil. Isso aumentaria o valor final a pagar para R$ 142,8 mil, além da variação da Selic até o pagamento ser realizado.

2) O pagamento sem causa aos sócios

A Receita Federal também poderia entender que houve um pagamento (ou uma entrega de recursos) aos sócios sem comprovação da causa. Se assim fosse, estabeleceria a cobrança de Imposto de Renda de 35% na fonte, alíquota aplicada a esse tipo de pagamento.

“Esse pagamento é feito com reajuste da base, o chamado ‘gross-up‘, que acaba elevando a carga efetiva da cobrança”, diz Bresciani. No fim das contas, aplicando essa regra, só o imposto retroativo somaria cerca de R$ 129 mil – com os cálculos relacionados. E sobre esse valor ainda poderia incidir a mesma multa de 75%, elevando o valor final para R$ 226 mil.

3) A distribuição disfarçada de dividendos

A Receita Federal também poderia entender que houve uma distribuição “disfarçada” de dividendos para evitar superar o limite oficial de R$ 50 mil por mês isentos de Imposto de Renda.

Se, por exemplo, o sócio recebeu oficialmente R$ 30 mil em dividendos no mês, mas a distribuição indireta de lucros foi de mais R$ 22 mil no mesmo mês, isso totalizaria R$ 52 mil em lucros distribuídos – sujeitos, portanto, à alíquota de 10%.

Identificando isso, a Receita Federal poderia cobrar o Imposto de Renda não pago, que nesse caso seria de R$ 5,2 mil (10% em cima dos R$ 52 mil), calcula Bresciani. Fora isso, a multa de 75% sobre esse valor geraria um montante de R$ 3,9 mil a mais, elevando o total devido para R$ 9,1 mil.

O que é confusão patrimonial

A não separação efetiva entre os bens, direitos e obrigações da pessoa jurídica e dos seus sócios ou administradores é considerada uma confusão patrimonial, também chamada de confusão fiscal.

Isso ocorre quando contas pessoais são pagas pela empresa ou vice-versa, violando a separação patrimonial. Um grande risco dessa prática é que ela abre brecha para que credores atinjam o patrimônio pessoal dos sócios para quitar eventuais dívidas da empresa.

Um sócio que usa um carro registrado em nome da empresa para fins pessoais, sem compensar a empresa por isso, por exemplo, está cometendo essa prática. O mesmo acontece se o sócio pagar contas pessoais com o cartão da empresa.

No  Descomplica PJ, uma cobertura especial do InvestNews voltada para esclarecer dúvidas de empreendores, você tem informação rápida e objetiva para tomar decisões com mais segurança e evitar erros que podem custar caro ao caixa da empresa. Se é dono ou dona de empresa e tem dúvidas sobre tributação, envie sua pergunta para redacao@investnews.com.br.

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As ações com maior potencial de dividendos em 2026

O ano de 2026 já tem seus destaques universo das boas pagadoras de dividendos: as instituições financeiras, além de nomes fortes em setores como construção, celulose, saneamento e varejo.

As financeiras lideram os dividend yield entre os setores, com 9% projetados para 2026. Fazem parte desse grupo as empresas B3, Méliuz, Caixa Seguridade, Stone e PagBank – companhia com maior pagamento potencial, em 12,9%. Entre outros destaques nos setores, a Marcopolo, a Suzano e a Sanepar também estão na lista. O levantamento é da XP.

Dividend yield (DY), sempre vale lembrar, é a rentabilidade obtida com dividendos. Ele ajuda a identificar as empresas com maior potencial de pagar proventos.

O dividend yield é calculado assim: pega-se o valor dos dividendos pagos e divide-se pelo preço de sua ação. O resultado mostra quanto o investidor recebe em proventos em relação ao valor investido no papel. Por exemplo: se uma ação custa R$ 20 e paga R$ 2 em dividendos ao longo do ano, o DY é de 10%. Quanto maior esse percentual, maior é a renda gerada pela ação.

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Como tudo na vida, existe um “porém” a ser considerado: a empresa não é necessariamente a melhor pagadora de dividendos só por causa do DY, já que ele pode subir porque o preço da ação caiu, e não porque a empresa está distribuindo proventos a mais. Nesse caso, as expectativas negativas do próprio mercado com a empresa podem pressionar as ações em um período e gerar a distorção no DY.

Uma forma de entender o DY, então, é também acompanhar a evolução da geração de caixa da empresa com o passar do tempo, um dado que explica de fato a capacidade de distribuição de proventos. Afinal, os dividendos são pagos com caixa, e não com o lucro contábil. Quem gera mais dinheiro com as próprias operações é que tem mais chance de devolvê-lo aos acionistas.

Empresas com um nível de endividamento muito alto também são um sinal amarelo. Isso porque uma companhia endividada que decide distribuir proventos está fazendo isso à custa de maior risco no futuro, já que pode nunca gerar recursos para fazer frente aos pagamentos.

Também vale notar que as companhias com negócios mais previsíveis, que é o caso de bancos, saneamento e energia, costumam sustentar dividendos melhores do que as companhias muito cíclicas, que dependem do cenário macroeconômico ou da dinâmica do seu setor para gerar caixa.

As empresas também frequentemente optam por investir os recursos nas próprias operações ou em compra de outros ativos ao invés de pagar dividendo aos investidores – e isso pode significar uma boa decisão de investimento. Para quem busca renda com ações, provavelmente não será a melhor escolha de aplicação, mas é uma condição importante para quem busca ganho de capital, já que empresas com disciplina na alocação de recursos ao longo do tempo atraem mais investidores.

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Corrida dos dividendos esquenta: empresas já aprovaram mais de R$ 124 bilhões no 4º trimestre

A corrida dos dividendos e dos juros sobre capital próprio (JCP) antes do fim da isenção atingiu a temperatura máxima. Mais e mais empresas anunciam a distribuição de proventos em dezembro para aproveitar a janela que acaba no fim do mês. Um levantamento do Itaú BBA mostra que o montante anunciado já atingiu R$ 124,1 bilhões desde outubro. E isso pode ser um combustível para o mercado de ações, ao menos no curto prazo, na visão de especialistas.

Trata-se de um crescimento de 126% comparado ao valor do terceiro trimestre de 2025, segundo levantamento feito pelo chefe de estratégias de renda variável do Itaú BBA, Daniel Gewehr. A distribuição anunciada também cresceu 34,6% ante os últimos três meses de 2024.

Do total de R$ 124 bilhões anunciados, R$ 52,9 bilhões serão pagos ainda em 2025, enquanto outros R$ 57,8 bilhões ficarão para 2026.

O ranking dos maiores pagadores

No topo da lista por valores nominais, destacam-se gigantes como a Vale, com R$ 15,3 bilhões, a Petrobras, com R$ 12,2 bilhões, e a Ambev, com R$ 11,5 bilhões. Já em termos de taxa de retorno por ação, conhecido como “dividend yield“, o pódio é formado por quatro incorporadoras: a LOG Commercial Properties, com 15,5%, seguido da Direcional, que apresenta um dividend yield de 9,2%, e empatadas em terceiro, Syne e Cyrela, ambas com 8,6%.

Conforme o Itaú, em termos setoriais, quem distribuiu mais proventos até agora foam as companhias financeiras, com um volume total de R$ 36,4 bilhões. Em seguida aparecem os grupos de materiais básicos, com R$ 18,4 bilhões, e consumo básico, com R$ 13 bilhões.

Vem muito mais por aí

Mas a casa de análise espera muito mais. Até o fim do ano, os especialistas veem possibilidade de, pelo menos, mais 20 empresas anunciarem novas distribuição de lucros. Conforme os analistas, diante das estimativas de reservas de lucros e as estratégias de alocação de capital, várias companhias listadas podem anunciar um volume de dividendos e JCP de “magnitude similar ao que já foi anunciado”.

O Itaú BBA afirma ainda que um grupo de 20 empresas – com destaques para os setores financeiro e imobiliário – podem anunciar proventos com retornos (dividend yields) acima de 5% ao ano.

Entre as empresas que anunciaram nesta semana a distribuição de dividendos e JCP, a LOG Comercial Properties, especializada em espaços logísticos, ultrapassou a meta de “payout” para o ano, ou seja, vai distribuir um percentual maior do lucro do que os 50% previstos inicialmente para 2025. O grupo aprovou na terça-feira (16) o pagamento de dividendos intermediários no valor total de R$ 278,6 milhões, correspondentes a R$ 3,1876 por ação ordinária.

A nova distribuição elevou o total distribuído em 2025 para R$ 346 milhões, com retorno por ação de 15,5% anual, ou seja, superando o CDI. O diretor financeiro (CFO) e de relações com investidores (RI) da companhia, Rafael Saliba, explica que a companhia ainda não “guidance”, ou seja, indicação de metas para 2026. Porém as perspectivas para os proventos são positivas, porque o próximo ano vai ter diversos fatores de impulso para o setor, como, por exemplo, a possibilidade de um ciclo de corte de juros.

Várias companhias se juntam à corrida

A Vivo foi outra companhia que aprovou nesta semana o pagamento de R$ 350 milhões em JCP. O valor por ação será de R$ 0,11. Terão direito ao provento os acionistas com posição acionária até 29 de dezembro de 2025. O pagamento será realizado até 30 de abril de 2026.

O conselho da administradora de shoppings Allos aprovou nesta quarta-feira o pagamento de R$ 438 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,29 por ação. O valor será distribuído em três parcelas iguais de R$ 146 milhões cada, com base na reserva para investimentos do balanço de 2024.

A companhia aprovou R$ 255 milhões em juros sobre capital próprio, com valor bruto estimado de R$ 0,75 por ação. O pagamento ocorrerá até 31 de dezembro de 2026 e ações negociadas ex-JCP a partir de 22 de dezembro de 2025.

Nessa corrida dos dividendos, também entraram a Camil Alimentos, que distribuir R$ 420 milhões em dividendos, em 12 parcelas entre março de 2026 e dezembro de 2028; e a M. Dias Branco, que terá dividendos extraordinários de R$ 200 milhões, equivalentes a R$ 0,59 por ação, com data máxima para ter direito a receber quem tiver posição acionária até 21 de dezembro.

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Agenda de dividendos: ainda dá tempo de aproveitar. Veja o prazo para investir nessas ações

A corrida da distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) já começou. Diversas empresas têm anunciado o pagamento aos acionistas antes de terminar o ano. Isso porque uma norma tributária recém-sancionada criou uma nova alíquota de IR sobre distribuição de dividendos acima de R$ 600 mil por ano, mas que passa a valer só a partir de janeiro de 2026.

Nos últimos dias, cinco gigantes da bolsa de valores, por exemplo, já anunciaram R$ 56 bilhões de distribuição de lucro para seus acionistas.

CONTEÚDO DE MARCATudo o que você precisa saber antes de investir em um CDB

Mas ainda dá tempo para entrar nessa distribuição? Sim, tem ainda muitos pagamentos de proventos para aproveitar em dezembro e início de janeiro de 2026.

É preciso lembrar que o preço da ação sofre um ajuste automático quando fica “ex-dividendo”, ou seja, no dia seguinte ao prazo limite para ter direito aos proventos. No início do pregão, a bolsa desconta do preço da ação o valor do dividendo por ação.

Por exemplo, se o papel estiver cotado a R$ 20 e o dividendo por ação for de R$ 1, então a cotação passará a R$ 19 no início da sessão em que o papel ficar “ex-dividendo”. O ajuste ocorre para refletir essa distribuição de parte do caixa ou das reservas de lucros aos acionistas.

De qualquer modo, para quem gosta de renda passiva, há várias oportunidades nas próximas semanas.

Veja a seguir a agenda de distribuição de dividendos e JCP já anunciados, com o valor por ação, a data limite se você quiser garantir esse quinhão do lucro da empresa e o período em que o dinheiro será depositado:

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Petrobras e Axia aceleram distribuição de dividendos antes de o novo imposto entrar em vigor

A votação no Senado que institui a tributação sobre dividendos a partir de 2026 fez com que algumas empresas antecipassem o pagamento de dividendos aos acionistas. Isso porque os dividendos declarados em 2025, com base nos lucros obtidos neste ano e em anos anteriores — ou seja, incluindo lucros acumulados e reservas de lucros — continuam sob a regra anterior. Não estão sujeitos, portanto, ao imposto de até 10% para quem tira mais de R$ 600 mil por ano (ele varia de 1% daí até 660 mil/ano e chega a 10% para ganhos de mais de 1,2 milhão/ano).

Entre as empresas que já declararam o pagamento de dividendos estão a Axia (ex-Eletrobras) e a Petrobras. A estatal anunciou o pagamento de dividendos no valor de R$ 12,16 bilhões. Os proventos serão pagos como antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2025, declarada com base no balanço de 30 de setembro, em duas parcelas nos meses de fevereiro e março de 2026.

Já a Axia distribuirá R$ 4,3 bilhões, sob a forma de dividendos, utilizando parte do saldo da reserva estatutária. Em ambos os casos, o anúncio foi de pagamento de dividendos intercalares, ou seja, antes do encerramento do exercício fiscal, com base em lucros já apurados.

A expectativa é que mais empresas anunciem antecipação de dividendos devido à tributação. Na teleconferência de resultados da Minerva, o CFO da empresa, Edison Ticle, disse que o frigorífico estuda essa possibilidade.

A Vulcabras também acelerou a distribuição de dividendos, justamente de olho na mudança de tributação e na necessidade de não carregar “caixa ocioso” dentro da empresa.

Depois de dois anos operando com caixa líquido, a gestão decidiu devolver ao acionista o excedente, mantendo apenas o necessário para operar, investir e sustentar o ROE elevado. No segundo semestre, a companhia pagou R$ 300 milhões em dividendos e agora anunciou mais R$ 597 milhões, combinando o movimento com um aumento de capital que permite ao investidor reinvestir o dividendo e, ao mesmo tempo, otimizar a base tributária ao elevar o custo de aquisição das ações.

De acordo com Wagner Dantas, CFO da Vulcabras, a empresa pretende seguir avaliando novas distribuições à luz da tributação, mas sem comprometer o balanço nem se expor demais a um 2026 potencialmente mais volátil.

A lista de empresas que devem anunciar o pagamento de dividendos devido à mudança tributária deve aumentar. Um relatório divulgado pelo BTG Pactual estima 20 empresas com maior probabilidade de fazer grandes pagamentos. A lista inclui Metalúrgica Gerdau, Unifique, Blau, Marcopolo, Eztec, Copel, Intelbras, Isa Energia, Energisa, C&A, PetroReconcavo e Usiminas, entre outras. Segundo o banco, algumas dessas empresas podem anunciar pagamentos de dividendos extraordinários que podem render retornos entre 15% e 20%.

Lucros acumulados em 2025

Os lucros apurados até 31 de dezembro de 2025 permanecem isentos do IR sobre dividendos, desde que:

  • a distribuição seja deliberada até 31/12/2025;
  • o pagamento siga os prazos legais, mesmo que realizado em 2026;
  • o lucro esteja formalmente apurado antes da virada do exercício.

Essa regra cria uma janela de planejamento tributário até o fim de 2025 para empresas e sócios que desejem antecipar a distribuição de lucros sob o regime antigo, livre da nova tributação.

Planejamento tributário

Essa estrutura levantou questões sobre possíveis estratégias de planejamento tributário, especialmente se os investidores poderiam evitar o novo imposto mantendo ações por meio de fundos de investimento nacionais, que continuariam recebendo dividendos isentos de impostos. No entanto, os benefícios dessa abordagem são limitados.

Para as empresas que já distribuem dividendos por meio de estruturas de fundos, a reforma não altera o tratamento tributário atual: os pagamentos de dividendos continuam isentos, mas, no resgate ou amortização, as cotas do fundo estão sujeitas ao imposto sobre ganhos de capital. De acordo com as regras existentes, isso geralmente resulta em 15% de imposto sobre os ganhos totais acumulados em todos os ativos da carteira. Como esse tratamento permanece inalterado, a reforma não cria incentivos para as empresas usarem fundos para distribuir lucros.

Para as empresas que atualmente distribuem dividendos diretamente aos seus proprietários, transferir ativos para uma estrutura de fundos acionaria o imposto sobre ganhos de capital sobre a diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado atual — um custo inicial potencialmente significativo.

Portanto, o incentivo para aproveitar a janela de isenção fiscal parece mais relevante para empresas estrangeiras que remetem dividendos para o exterior e para empresas nacionais que distribuem diretamente aos seus proprietários.

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Mercados hoje: dividendos extras da Petrobras animam investidores

Bom dia!
A sexta-feira, 7 de novembro, começa em clima de cautela lá fora, mas nada para se preocupar. As ansiedade diante da percepção de valorização excessiva das big techs ainda se mostra presente, mas os futuros das bolsas de Nova York indicam uma visão de copo meio cheio. Aqui, o dia começa com Petrobras em destaque após aprovar R$ 12,2 bilhões em dividendos — tema que deve dominar as conversas dos investidores. A seguir, os números da manhã e o que acompanhar.

Enquanto você dormia…

  • Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York mostravam um misto de ânimo, mas com um pé atrás: S&P 500 +0,05% e Nasdaq +0,04%.
  • Na Europa o tom era levemente positivo, em meio a temporada de balanços, com o STOXX 600 em alta de +0,2%.
  • Na Ásia, dados mais fracos de exportação chinesa pesaram: o Nikkei japonês encerrou em queda de -1,19% e o Hang Seng, de Hong Kong, caiu -0,92%.
  • O índice dólar (DXY) se mantém em leve alta aos 99,8 pontos; o petróleo Brent segue em alta de 1,26% a US$ 63,7 o barril; a Treasury de 10 anos também sobe para 4,11% ao ano.

Destaques do dia

  • A Petrobras vai pagar R$ 12,2 bi em proventos (dividendos e JCP) extras, com depósitos na conta dos acionistas em 20 de fevereiro e 20 de março de 2026. Quem comprar papéis da petroleira até 22 de dezembro poderá receber. Após isso, a ação se torna “ex-dividendo”, ou seja, sem direito a receber essa distribuição de lucros.
  • E daí? O tema deve mexer com as ações da Petrobras, especialmente as preferenciais (PN), na abertura da bolsa. Uma alta da gigante brasileira ajuda a levar o Ibovespa de “carona”.


Giro pelo mundo

  • Pacote histórico de remuneração: acionistas da Tesla aprovam plano que pode levar o CEO Elon Musk a se tornar trilionário. Sim, pode render até US$ 1 trilhão se as metas agressivas forem cumpridas. Acompanhar reação do papel e desdobramentos legais.
  • China: exportações caem em outubro e azedam a inclinação de investidores por risco. A leitura pesou nas bolsas da Ásia e pode influenciar os preços de commodities.
  • Petróleo: após três quedas, os referenciais Brent global e WTI americano reagem, mas caminham para 2ª semana de perdas.

Giro pelo Brasil

  • Dia de indicadores: inflação medida pelo IGP-DI e produção industrial pelo IPP. As leituras podem ajudam a calibrar curva de juros.

Giro corporativo

  • SLC Agrícola fechou um acordo de R$ 1,03 bi com fundos do BTG para projeto de irrigação na Bahia. O grupo agro é um dos maiores proprietários de terras do país e o modelo de parcerias ajuda a aumentar a área plantada.
  • Heineken Brasil disputa pela liderança do segmento premium cabeça a cabeça com a Ambev. Sua nova “arma” foi a inauguração de uma nova fábrica bilionária em Passos (MG), com capacidade de 5 milhões de hectolitros (equivalente a 500 milhões de litros ou 1,4 bilhão de latas de 350 ml).


Agenda do dia

  • 08:00: Inflação pelo IGP-DI (out) — FGV. Termômetro de inflação no atacado, é um importante indicador dos efeitos do câmbio e dos preços de commodities.
  • 09:00: Atividade industrial pelo IPP (set) — IBGE. Sinaliza pressão de custos industriais.
  • 10:00: Indicadores industriais (set) — IBGE. Vai mostrar o nível de produção e tendências entre setores.
  • 11:00: O integrante do Fed, Philip Jefferson, faz discurso. Comentários de membros do banco central americano podem mexer com a curva de juros das Treasuries nos EUA.
  • 19:00: O integrante do Fed Stephen Miran faz comentários sobre inflação e mercado de trabalho. Miran tem sido um dos membros do BC dos EUA mais vocais para o Fed ampliar os cortes de juros.


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Axia Energia, ex-Eletrobras, anuncia pagamento de R$ 4,3 bilhões em dividendos

A Axia Energia (a antiga Eletrobras) informou nesta quarta-feira (5) que seu conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 4,3 bilhões em dividendos intermediários. O montante foi anunciado junto com a divulgação de resultados da companhia, que reportou prejuízo líquido no terceiro trimestre de R$5,45 bilhões, revertendo lucro apurado em igual período do ano passado, após contabilizar no resultado trimestral a venda de sua participação na estatal Eletronuclear.

A companhia elétrica reconheceu no trimestre uma despesa de R$7 bilhões em alienação de ativos, sem efeito caixa, em função principalmente do desinvestimento da fatia na Eletronuclear, comprada pelo grupo J&F. Também foram concluídas no período outras operações, como descruzamento de ativos com a Copel e a venda da participação na Emae para a Sabesp.

No critério ajustado, o lucro da Axia ficou em R$2,2 bilhões no terceiro trimestre, uma queda de 68% na comparação anual. O principal impacto nesse caso foi o reconhecimento de remensuração regulatória dos contratos de transmissão de energia.

A receita líquida regulatória ajustada da companhia alcançou R$9,97 bilhões no 3T25, queda de 4,6% na comparação anual, impactada principalmente por uma menor receita de geração devido à alienação das térmicas do Amazonas e da venda adicional de energia da usina hidrelétrica de Tucuruí.

Dividendos de R$ 4,3 bilhões

O montante de dividendos será distribuído aos acionistas em 19 de dezembro de 2025, utilizando parte do saldo da reserva estatutária.

O valor por ação será de R$ 1,58 para papéis preferenciais de classe A; R$ 2,08 para ações preferenciais classe B; e R$ 1,89 para ações ordinárias e golden share. A empresa destaca que os valores por ação podem sofrer pequenas variações devido ao programa de recompra de ações.

As datas de corte para os detentores de ações na B3 e ADRs na Nyse, a bolsa de Nova York, estão definidas para 14 e 17 de novembro de 2025, respectivamente. Os detentores de ADRs receberão o pagamento a partir de 29 de dezembro de 2025, por meio do Citibank.

A ex-Eletrobras é a maior empresa de geração e transmissão de energia elétrica da América Latina, sendo responsável por boa parte da energia limpa do Brasil. Recentemente, a Axia anunciou a venda de sua participação na Eletronuclear para a Âmbar Energia, marcando a entrada da J&F na geração nuclear.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.

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