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iPhone 18: quanto pode custar a nova geração da Apple no Brasil?

A Apple apresentou nesta quarta-feira (9) o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max. Nos Estados Unidos, os novos celulares terão preços a partir de US$ 1.199 e US$ 1.299, respectivamente.

Os valores foram anunciados durante o evento da empresa no Steve Jobs Theater, na sede da Apple em Cupertino, na Califórnia.

A diferença entre a linha de iPhone 17 e a nova geração pode chegar a alguns milhares de reais para o consumidor brasileiro.

Quanto o iPhone 18 pode custar no Brasil?

Nos Estados Unidos, o iPhone 18 Pro terá preço inicial de US$ 1.199, enquanto o iPhone 18 Pro Max partirá de US$ 1.299.

A Apple ainda não divulgou quanto o iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max custarão no Brasil, mas os preços anunciados nos Estados Unidos permitem atualizar a estimativa para o mercado brasileiro.

Com preço base de US$ 1.199, o iPhone 18 Pro é cerca de 9% mais caro que o iPhone 17 Pro, vendido a US$ 1.099 nos Estados Unidos. Se a Apple aplicar reajuste semelhante no Brasil, o novo modelo ficaria em torno de R$ 12,5 mil, ante os atuais R$ 11.499 cobrados pelo iPhone 17 Pro de 256 GB.

Já o iPhone 18 Pro Max foi anunciado com preço inicial de US$ 1.299, cerca de 8% acima dos US$ 1.199 da geração anterior. Mantida a mesma proporção no mercado brasileiro, o aparelho ficaria perto de R$ 13,5 mil, ante os R$ 12.499 cobrados atualmente pelo iPhone 17 Pro Max de 256 GB.

Os valores são apenas projeções. O preço oficial dos novos iPhones no Brasil só será conhecido quando a Apple divulgar sua tabela para o país.

O que muda no iPhone 18 Pro?

Além dos novos preços, a Apple apresentou mudanças no hardware do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max.

Os aparelhos usam o novo chip A20 Pro, uma versão customizada da arquitetura da série M dos computadores da Apple. Os modelos também ganharam uma nova câmara de vapor para dissipar calor e manter o desempenho em tarefas mais pesadas, como jogos.

A câmera principal tem 48 megapixels e abertura variável, recurso que permite controlar a quantidade de luz que entra pela lente. A Apple também ampliou o time-lapse para resolução 4K e adicionou novos controles aos Estilos Fotográficos.

Os novos modelos chegam ainda nas cores bordô e glacial.

Por que o iPhone 18 deve ficar mais caro?

A expectativa de reajuste está ligada principalmente ao encarecimento dos componentes de memória usados nos aparelhos.

Segundo estimativas da TrendForce, o custo total dos componentes do iPhone 18 Pro de 256 GB aumentou cerca de 38% em um ano. A memória aparece entre os itens que mais pressionam essa conta.

Mesmo com a alta dos custos, a expectativa é que a Apple absorva parte do aumento, em vez de repassá-lo integralmente ao consumidor.

Como é o iPhone dobrável da Apple?

O primeiro iPhone dobrável da Apple se chama iPhone Duo e tem formato de livro. Fechado, funciona como um celular tradicional, com tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, passa a ter uma tela interna de 7,6 polegadas, a maior já usada em um iPhone e cerca de 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max.

A proposta é combinar celular e mini tablet no mesmo aparelho. A tela interna permite usar dois aplicativos ao mesmo tempo, trabalhar com múltiplas janelas e escrever ou desenhar com a Apple Pencil. O modelo também tem Touch ID lateral, câmera frontal sob a tela interna, resistência IP68 contra água e poeira e estrutura de titânio reforçada com fibras cerâmicas.

Por dentro, o iPhone Duo usa o novo chip A20 Pro, com arquitetura de 2 nanômetros. O modelo começa com 256 GB de armazenamento, mas terá versões de até 2 TB. As cores anunciadas são branco estelar e céu noturno.

iPhone Duo

Nos Estados Unidos, o iPhone Duo parte de US$ 1.999, o equivalente a cerca de R$ 10,2 mil em conversão direta pela cotação desta quarta-feira (9). Mas esse valor não reflete a lógica de preços da Apple no Brasil, que inclui impostos, margens e estratégia comercial local.

No mercado brasileiro, o iPhone dobrável será vendido a partir de R$ 21.999 mil.

*reportagem atualizada após divulgação dos preços pela Apple

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iPhone dobrável caro demais? Preço vira teste para a Apple em Wall Street

O lançamento do primeiro iPhone dobrável aconteceu nesta quarta (9) em um momento particularmente delicado para as ações da Apple. O mercado já elevou bastante o valor da companhia neste ano e, agora, precisa de novos motivos para justificar uma cotação que está entre as mais altas da história.

As ações da Apple acumulam alta de cerca de 18% em 2026, levando o valor de mercado da companhia para cerca de US$ 4,7 trilhões. Com a valorização, porém, a ação ficou mais cara em relação aos lucros esperados, o que aumenta a pressão para que a empresa entregue crescimento suficiente para justificar esse preço.

É esse o pano de fundo que torna o evento do iPhone especialmente importante para Wall Street. Mais do que avaliar o novo aparelho, investidores estarão atentos a preços, demanda, margens de lucro e capacidade da Apple de voltar a entregar crescimento consistente.

Ação cara aumenta a pressão

A Apple negocia atualmente a cerca de 33 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, acima da média de 23 vezes registrada nos últimos dez anos, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Isso significa que os investidores estão pagando cerca de US$ 33 por cada US$ 1 de lucro que esperam que a Apple tenha nos próximos 12 meses. Esse cálculo é feito pelo P/L (preço sobre lucro), um indicador usado para avaliar quanto uma ação está cara ou barata em relação aos resultados da empresa.

Como o múltiplo da Apple está bem acima de sua média histórica, o mercado espera um crescimento forte dos lucros. Isso também aumenta a pressão sobre a companhia: se os resultados ou as perspectivas de crescimento decepcionarem, a ação pode sofrer uma correção maior.

“Não é barato, mas acredito que há valor de longo prazo nas ações. Os investidores querem ver crescimento”, disse Gerald Sparrow, diretor de investimentos do Sparrow Growth Fund, que possui ações da Apple.

O problema é que o crescimento dos lucros começa a perder força.

Depois de registrar altas de dois dígitos em trimestres consecutivos, o lucro líquido da Apple deve crescer cerca de 6% no quarto trimestre fiscal e apenas 1% no primeiro trimestre fiscal seguinte, segundo a média das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg.

Preço será o principal teste

É nesse ponto que o novo iPhone entra na equação. O mercado espera que a Apple aumente os preços de parte da nova linha para compensar o aumento dos custos de componentes, especialmente de memória. O problema é que há um limite para o quanto a companhia consegue repassar ao consumidor sem prejudicar as vendas.

Nos Estados Unidos, o iPhone dobrável começará em US$ 2 mil. No Brasil, seriam R$ 21 mil, considerando o câmbio mais a diferença de preços nos dois mercados.

A estimativa usa como referência um iPhone vendido por R$ 11.499 no site brasileiro da Apple, enquanto o mesmo modelo custa US$ 1.099 nos Estados Unidos. Aplicando essa mesma proporção a um aparelho de US$ 2 mil, o preço no Brasil chegaria a cerca de R$ 21 mil.

Mesmo nesse patamar, o aparelho ainda seria mais barato que o Huawei Mate XT Ultimate Design, celular de três telas vendido no Brasil por cerca de R$ 33 mil.

Mas é justamente aí que está o risco para a Apple. Quanto mais alto o preço, menor tende a ser o público disposto a comprar o aparelho. Para Wall Street, portanto, não basta saber quanto a companhia conseguirá cobrar. É preciso avaliar se o preço será alto o suficiente para proteger as margens, mas não tão alto a ponto de limitar demais as vendas.

A questão é conhecida entre os investidores como elasticidade da demanda: quanto as vendas caem quando o preço sobe.

Para a Apple, o dilema é importante. A companhia pode aumentar os preços e preservar suas margens de lucro, mas corre o risco de vender menos aparelhos. Ou pode segurar os preços, proteger o volume de vendas e aceitar uma pressão maior sobre as margens.

“Os preços continuam sendo a principal incógnita e, em nossa visão, a variável com maior probabilidade de determinar a reação das ações”, escreveu o analista do JPMorgan Samik Chatterjee em relatório a clientes.

A análise do banco de investimentos americano KeyBanc Capital Markets é mais cautelosa. Para os analistas, o lançamento pode acabar pressionando as ações se os aumentos de preços não forem suficientes para compensar os custos maiores sem afastar os consumidores. Nesse cenário, a Apple poderia enfrentar uma combinação de vendas mais fracas e margens de lucro menores.

iPhone dobrável pode ser grande, mas ainda é nicho

O novo aparelho também precisa provar que pode criar um novo ciclo de crescimento para a Apple.

O Morgan Stanley estima que o iPhone dobrável possa gerar cerca de US$ 14 bilhões em receita no trimestre de dezembro, com algo entre 7 milhões e 8 milhões de unidades vendidas.

A previsão é expressiva, mas ainda pequena diante do tamanho da Apple.

Por isso, o mercado não está olhando apenas para quantos dobráveis a companhia conseguirá vender. A questão é se o produto será capaz de estimular consumidores a trocar seus aparelhos e abrir uma nova categoria de produtos premium.

Há uma dúvida importante: celulares dobráveis continuam sendo um segmento pequeno do mercado global de smartphones. A Apple entra agora em uma categoria que Samsung, Huawei e outras fabricantes exploram há anos.

A vantagem para a Apple é que ela pode entrar depois dos concorrentes e tentar corrigir problemas que limitaram a popularidade desses aparelhos, como resistência e a marca visível da dobra na tela.

Inteligência artificial continua no radar

O outro grande problema para a Apple é a inteligência artificial. A companhia ainda é vista como atrasada em relação a concorrentes como Google e Microsoft na corrida pela IA. Para investidores, isso representa uma questão mais importante do que simplesmente lançar um novo modelo de iPhone.

A preocupação é que a Apple esteja cada vez mais dependente de parceiros para desenvolver sua estratégia de inteligência artificial. A empresa, por exemplo, recorre à tecnologia do Google para parte da reformulação da Siri.

O sucesso dessa estratégia pode ser decisivo para a percepção do mercado sobre a Apple nos próximos anos.

“A Apple precisa fazer mais em termos de suas próprias capacidades”, disse Jed Ellerbroek, gestor da Argent Capital Management.

Para ele, a posição competitiva da empresa continua forte, mas existem sinais fora dos resultados financeiros que indicam que nem tudo está funcionando perfeitamente.

O problema de surpreender

Há ainda uma característica peculiar das ações da Apple: boas notícias podem não ser suficientes para fazer a ação subir. Investidores já conhecem a força da marca, a fidelidade dos consumidores e a capacidade da companhia de gerar caixa. Por isso, o mercado tende a exigir novidades capazes de superar expectativas que já estão incorporadas ao preço.

O histórico mostra essa dificuldade. A ação caiu em cinco dos últimos oito dias de lançamento de novos iPhones. Ao mesmo tempo, os papéis acumulam, em média, uma alta de cerca de 10% nos seis meses seguintes aos lançamentos, segundo dados da Bloomberg desde 2007.

Ou seja, uma reação negativa no pregão do evento não necessariamente significa que Wall Street perdeu a confiança na Apple. O que importa é o impacto sobre as estimativas de vendas e lucro nos meses seguintes.

O que pode mudar a tese para as ações

Para Wall Street, o lançamento pode ser positivo se a Apple conseguir combinar três elementos: preços mais altos, manutenção das margens e demanda forte.

Se a companhia aumentar os preços sem provocar uma queda significativa nas vendas, poderá mostrar que tem espaço para continuar extraindo mais receita de sua base de consumidores premium.

Se, por outro lado, os preços mais altos reduzirem os volumes, os investidores terão de reconsiderar as estimativas de crescimento — especialmente porque a ação já negocia com um prêmio elevado em relação ao seu histórico.

É por isso que o iPhone dobrável importa menos pelo número de unidades que venderá imediatamente e mais pelo que ele pode sinalizar sobre a próxima fase da Apple.

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A dívida oculta que a Apple tem com a CIA e que ajudou no seu sucesso

Quando a CIA apareceu sem aviso na sede da nova empresa de computadores de Steve Jobs, a NeXT, a Guerra Fria estava em pleno andamento.

O ano era 1986, e o presidente Ronald Reagan enviava bilhões de dólares ao Pentágono, grande parte para financiar novas tecnologias, incluindo sistemas de defesa antimísseis e satélites de espionagem.

Dentro da comunidade de segurança nacional, algumas pessoas compreendiam a importância da revolução da computação que estava ocorrendo no Vale do Silício — e por que precisavam ter acesso a ela.

Joe Romello e Jeff Harris eram dois desses homens. Trabalhando no que era conhecido como “Programa B” da CIA, uma iniciativa classificada para desenvolver sistemas de reconhecimento por satélite, eles acreditavam que Jobs, que havia criado sua nova empresa em 1985 depois de ser afastado da Apple, poderia ajudar a fornecer tecnologia crucial para a comunidade de inteligência.

Romello e Harris disseram que queriam falar diretamente com ele sobre “questões relacionadas à defesa, especificamente inteligência”. Eles não podiam fornecer detalhes, já que as informações eram classificadas, mas queriam saber se Jobs poderia encontrar tempo para uma reunião.

Mas por que Jobs, um filho da contracultura que havia praticado budismo sob a orientação de um mestre zen e citado o uso de LSD como uma experiência marcante em sua formação, ligaria o futuro de sua empresa a espiões?

A portas fechadas

Hoje, enquanto o Vale do Silício e o Pentágono retomam seus laços, com dezenas de bilhões de dólares de capital de risco sendo direcionados a centenas de novas startups de defesa, muitos líderes de tecnologia citam patriotismo e renovação nacional em sua busca por contratos militares.

No passado, porém, era o interesse mútuo que impulsionava a cooperação. Esse episódio pouco conhecido das conexões de Jobs com o aparato de espionagem americano merece ser revisitado justamente porque mostra as raízes profundas dessa relação — e o papel que ela desempenhou para permitir o surgimento do sistema operacional da Apple.

Jobs não teria ficado totalmente surpreso ao saber que a CIA queria falar com ele.

Além de fundar a NeXT, em fevereiro de 1986 ele havia adquirido a divisão de computação gráfica da Lucasfilm, de George Lucas, que produzia o Pixar Image Computer.

A participação majoritária de Jobs na empresa recém-criada veio acompanhada de uma tecnologia inesperada: a Pixar trabalhava com a ESL, uma empresa de defesa do Vale do Silício, e havia construído um computador sob medida para analistas de inteligência avaliarem imagens de satélite.

Quando Jobs finalmente se encontrou com Robert Kohler, presidente da ESL, os dois se deram bem, segundo Garry Fuller, que trabalhava na ESL na época e mais tarde foi para a NeXT.

Kohler, ex-alto funcionário da CIA, disse a Jobs que aquilo que o computador da NeXT havia sido projetado para fazer “para estudantes universitários, professores e pesquisadores, é exatamente o que a comunidade de inteligência faz atrás de portas fechadas”.

Romello e Harris não conseguiram se encontrar com Jobs na sede da NeXT durante aquela primeira visita. Quando Romello finalmente encontrou Jobs em Nova York, não disse exatamente o que a CIA tinha em mente.

Jobs também não queria saber. “Não me conte nada que eu não deveria saber, porque não vou me lembrar de esquecer”, disse Jobs a Romello.

Isso não era um problema para Romello, que explicou o que queria: comprar as estações de trabalho da NeXT para um cliente não identificado.

“Quantas unidades vocês estão preparados para entregar por ano?”, perguntou Romello.

“Essa é uma informação privilegiada”, respondeu Jobs.

“É mais de 20 mil? É isso que quero comprar: 20 mil unidades”, disse Romello. “E quero todas ainda este ano, mas quero duas modificações.”

A personalização que Romello tinha em mente não seria feita por Jobs ou pela NeXT. O cliente da área de inteligência queria um chip mais rápido, fornecido pela Motorola, e uma placa gráfica especial, da Intel.

“Nós nunca dissemos a ele o que realmente queríamos”, disse Romello. “Não demos a ele uma cópia do chip. As modificações foram feitas depois, por nós, por meio de nossos intermediários.”

Talvez Jobs não soubesse exatamente o que a CIA planejava fazer com seus computadores, mas acabou recebendo uma autorização de segurança de nível máximo para poder visitar instalações classificadas.

A verdade é que a NeXT precisava desesperadamente das vendas. A empresa enfrentava problemas, a maioria ligados ao perfeccionismo de Jobs — que, liberado dentro de uma empresa que ele agora possuía e controlava, ameaçava levar todo o negócio à ruína.

As estações de trabalho da NeXT eram caras e estavam fora do alcance financeiro da maioria das pessoas. As vendas para universidades, que Jobs esperava que fossem um importante mercado, nunca atingiram grandes volumes.

Isso deixou principalmente o contrato com a CIA, cuja existência quase ninguém conhecia. Publicamente, a NeXT dizia ter um contrato com o governo federal como parte de uma parceria com a ESL.

Mesmo dentro do governo, o envolvimento da CIA era protegido: a Agência de Segurança Nacional (NSA) era a compradora oficial, segundo Dain Ehring, que trabalhou com Romello no contrato da NeXT.

‘Ninguém tinha cartões de visita’

Apenas algumas pessoas na NeXT sabiam o que estava acontecendo quando visitantes misteriosos de Washington apareciam no escritório, e esses funcionários sabiam que era melhor não fazer perguntas demais.

Dan’l Lewin, que Jobs havia recrutado da Apple para a NeXT, lembrou-se de cerca de meia dúzia de grupos diferentes aparecendo no escritório, todos parecendo “agentes à paisana comuns”.

“Eles entravam, diziam: ‘Oi, meu nome é Sally’. ‘Meu nome é Bill’. ‘Meu nome é Sanjay’, ou qualquer coisa assim”, lembrou Lewin.

“E ninguém tinha cartões de visita. Todos sorriam, nós fazíamos demonstrações e havia pessoas da ESL na sala porque a ESL iria coordenar todo o projeto. Então todos iam embora, sorriam, acenavam com a cabeça e não diziam uma palavra.”

A CIA trouxe uma equipe da Sun Microsystems, que já tinha relações com a agência de espionagem, para ajudar Jobs a ampliar a produção. No primeiro mês, foram produzidas cem estações de trabalho. Depois, a NeXT aumentou a produção para 1.500 máquinas por mês — e, posteriormente, para 5 mil.

Os computadores que saíam da linha de produção eram carregados em caminhões sem identificação, que chegavam ao depósito da NeXT nas primeiras horas da manhã, e transportados para uma empresa de fachada da CIA, onde os chips modificados e os processadores gráficos eram instalados.

Depois de montadas, as unidades voltavam aos caminhões com destino à Base Aérea de Moffett Field, uma instalação militar, onde eram colocadas em enormes aviões de transporte C-5 e levadas para seus destinos finais — classificados.

Jobs ainda não sabia exatamente para onde seus computadores NeXT estavam indo, nem por quê, pelo menos segundo pessoas ligadas à área de inteligência. A verdade é que nem mesmo as pessoas responsáveis pela compra dos equipamentos — incluindo o próprio Romello — previram completamente como os computadores acabariam sendo utilizados.

Os computadores foram destinados a analistas do National Reconnaissance Office (NRO), que usavam as telas de alta resolução da NeXT e chips especializados para analisar imagens de satélite — para detectar, por exemplo, se um país havia movimentado suas forças militares ou se estava construindo um silo de mísseis.

As estações de trabalho também permitiam aos analistas criar e compartilhar apresentações, fosse para parlamentares ou para o presidente, incorporando narração em vídeo, imagens estáticas e anotações.

Igualmente importante, os NeXTcubes, como eram chamados, permitiam o compartilhamento de dados entre redes de inteligência, colocando imagens recém-coletadas nas mãos de militares em todo o mundo e permitindo que eles fizessem análises em tempo real.

A World Wide Web ainda estava em seus primórdios, mas, graças à NeXT, a comunidade de inteligência tinha, na prática, sua própria internet funcional. “Nós não usávamos a palavra internet naquela época, mas chamávamos simplesmente de ‘rede de longa distância’, ou algo parecido”, disse Romello.

À medida que mais integrantes das Forças Armadas começaram a ver as imagens por conta própria, eles deixaram de depender exclusivamente das análises produzidas pelas agências de inteligência.

A NeXT colocou informações brutas de inteligência nas mãos de comandantes em bases militares espalhadas pelo mundo — imagens que eles podiam interpretar “com os próprios olhos, em tempo quase real”, disse Romello.

O efeito foi desafiar a cultura de inteligência centralizada que a CIA mantinha havia muito tempo. Segundo Romello, essa foi “a maior consequência não intencional” dos novos computadores.

A NeXT foi integrada às agências de espionagem justamente quando a missão delas estava prestes a mudar.

A União Soviética entrou em colapso em 1991, e os Estados Unidos passaram de uma das duas superpotências para a única potência hegemônica dominante em um mundo de novas ameaças: Estados considerados hostis, a ascensão da China e o terrorismo.

Jobs, porém, não estava destinado a desempenhar um papel por muito tempo nessa nova era; ele tinha os olhos voltados para algo além do Pentágono e da CIA.

Harris, que havia acompanhado Romello à sede da NeXT, recordou uma reunião com Jobs em meados dos anos 1990, quando o empresário lhe disse: “Vou redefinir a indústria da música”.

Harris, que naquele momento era chefe do NRO, não fazia ideia do que Jobs estava falando, mas acabou entendendo.

Em 1996, a Apple anunciou que compraria a NeXT, e Jobs retornou à empresa que havia cofundado. Alguns anos depois, Jobs recuperou o controle de toda a companhia, colocando-a em uma trajetória para se tornar a marca mais valiosa do mundo — e, como havia prometido, redefinindo a indústria da música com o surgimento do iPod e do iTunes.

Embora a presença da NeXT na cultura popular tenha sido ofuscada pela Apple, o DNA de seu sistema operacional, o NEXTSTEP, tornou-se a base dos produtos da Apple, dos Macs aos iPhones.

A Apple nunca se tornou uma grande fornecedora para o setor militar como a NeXT havia sido. Depois do fim da Guerra Fria, os gastos com defesa despencaram, caindo quase 30% até o fim dos anos 1990, justamente quando o mercado comercial de computadores pessoais estava explodindo.

Quando os interesses do Vale do Silício divergiram dos interesses dos setores militar e de inteligência, a conexão enfraqueceu. Agora, enquanto o Pentágono pretende gastar mais de US$ 1,5 trilhão no próximo ano e investe em novas tecnologias, como inteligência artificial, o Vale do Silício está retomando essa relação.

O impacto mais duradouro da breve convergência de Jobs com a segurança nacional é simplesmente o fato de ela ter permitido que o empreendedor mais icônico do Vale do Silício encontrasse seu caminho de volta à Apple.

O trabalho com as agências de espionagem deu a Jobs “mais cinco anos para consolidar e expandir o negócio; para provar aos acionistas e ao mercado que era um líder empresarial legítimo, e não apenas um garoto que teve sorte e sabia vender”, disse Ehring, que deixou o setor de inteligência em 1990 para trabalhar com Jobs na NeXT.

“Então, sem o NRO ter possibilitado o amadurecimento de Steve, ele não teria retornado para comandar a Apple como um CEO responsável por sua recuperação.”

Trecho extraído e adaptado de Valley of Death: How Big Tech Is Fueling the Future of War, de Sharon Weinberger. Copyright © 2026 Sharon Weinberger. Reproduzido com autorização da Little, Brown and Company, uma editora do Hachette Book Group. Todos os direitos reservados.

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Novo CEO da Apple assume em setembro e pode mudar estratégia de gastos

John Ternus assumirá o comando da Apple como novo CEO daqui a apenas duas semanas, e os investidores não deveriam se surpreender se ele mudar a estratégia de gastos da fabricante do iPhone para impulsionar seus softwares de inteligência artificial.

Ternus substituirá Tim Cook como CEO em 1º de setembro. Cook ocupa o cargo desde agosto de 2011 e é amplamente considerado um executivo que teve uma trajetória bem-sucedida à frente da empresa.

As ações da Apple registraram retorno total de 2.740% durante sua gestão, enquanto o valor de mercado da companhia saltou de US$ 346,4 bilhões para US$ 4,63 trilhões, segundo dados da Dow Jones Market Data.

“Tim Cook levou a Apple de uma empresa impulsionada por um pequeno número de ciclos de produtos a uma instituição capaz de gerar crescimento, fluxo de caixa, fidelidade dos clientes e inovação em escala e complexidade enormes”, escreveu Wamsi Mohan, analista da BofA Securities, em nota nesta quinta-feira.

Ele observou que os principais focos de Cook incluíram o crescimento do negócio de serviços da Apple, a criação de um ecossistema integrado de produtos que mantém os clientes voltando à marca e a ênfase na privacidade de seus dispositivos e plataformas.

“Esperamos que grande parte da estrutura central da Apple permaneça inalterada sob o comando do novo CEO, John Ternus”, disse Mohan.

Mas Ternus pode mudar pelo menos uma estratégia de longa data que ajudou a diferenciar a Apple de suas concorrentes de tecnologia de megacapitalização.

A Apple anunciou, ao divulgar os resultados do segundo trimestre fiscal, em abril, que não adotaria mais como meta manter a chamada neutralidade de caixa líquido — situação em que o dinheiro e os investimentos da empresa equivalem aproximadamente ao valor de sua dívida. A partir de agora, a companhia passará a avaliar de forma independente quanto manter em caixa e quanto tomar em dívida.

A Apple havia estabelecido originalmente a meta de neutralidade de caixa líquido em 2018. Na época, a empresa tinha US$ 163 bilhões em “caixa líquido”, resultado da soma de caixa e investimentos menos a dívida. Para reduzir esse valor, a Apple decidiu devolver recursos aos acionistas por meio de recompras de ações e dividendos.

“A Apple se afastou do objetivo de neutralidade de caixa líquido, o que, em nossa opinião, pode sinalizar um período de maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), despesas de capital (Capex) e operações maiores de fusões e aquisições (M&A)”, disse Mohan.

Ele acrescentou que, embora o aumento dos gastos e das operações de M&A não tenha sido uma prioridade da Apple durante a gestão de Cook, a empresa pode precisar mudar de estratégia para acompanhar a velocidade cada vez maior da inovação na era da inteligência artificial.

A Barron’s procurou a Apple para comentar.

Apple aumenta gastos com IA

A Apple já vem gastando mais para melhorar suas ofertas de inteligência artificial. A empresa aumentou em 32% os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, para US$ 11,7 bilhões, no terceiro trimestre fiscal. O movimento contribuiu para elevar as despesas operacionais em 23%, para US$ 19,1 bilhões.

Ainda assim, a empresa continua gastando significativamente menos do que outras gigantes da tecnologia. A Amazon.com, por exemplo, registrou US$ 54 bilhões em despesas de capital (Capex) no segundo trimestre.

Diante de gastos tão elevados que reduzem o fluxo de caixa livre de empresas concorrentes, alguns investidores têm se mostrado satisfeitos com a postura mais conservadora da Apple.

Um aumento dos gastos pode assustar alguns acionistas, mas a Apple precisa começar a lançar atualizações relevantes de inteligência artificial para animar tanto Wall Street quanto os consumidores. Isso pode ser motivo suficiente para que Ternus abra mais a carteira da Apple.

Escreva para Angela Palumbo pelo e-mail angela.palumbo@dowjones.com.

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Apple processa OpenAI na Justiça por roubo de segredo comercial

A Apple processou a OpenAI por roubo de segredos comerciais, acusando a startup de inteligência artificial e seu diretor de hardware de conduzirem uma campanha coordenada para obter informações sobre produtos ainda não lançados.

A fabricante do iPhone afirmou, em ação apresentada na sexta-feira, que a OpenAI incentivou funcionários da Apple a compartilhar informações, componentes, desenhos e outros materiais relacionados a produtos em desenvolvimento como parte dos esforços da empresa de IA para criar sua própria linha de dispositivos.

Na ação, protocolada no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, a Apple também incluiu Tang Tan, diretor de hardware da OpenAI. Ele foi anteriormente vice-presidente de design de produtos da Apple, liderando o desenvolvimento do iPhone, do Apple Watch, dos AirPods e de diversos outros produtos da divisão de engenharia de hardware da companhia.

A disputa judicial representa uma reviravolta para duas empresas que atuaram como parceiras próximas nos últimos anos. A OpenAI, criadora do ChatGPT, forneceu tecnologia essencial para a plataforma Apple Intelligence e para a assistente digital Siri. Mas as tensões vêm aumentando ao longo do último ano, agravadas pela contratação, pela OpenAI, do ex-chefe de design da Apple Jony Ive para ajudar no desenvolvimento de dispositivos.

A OpenAI, que se prepara para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos próximos meses, contratou um grande número de ex-funcionários da Apple. Segundo a ação, mais de 400 ex-empregados da fabricante do iPhone trabalham atualmente na OpenAI.

“Em todos os níveis, desde integrantes de sua equipe técnica até seu diretor de hardware, e em coordenação com parceiros de negócios, a OpenAI vem roubando os segredos comerciais e as informações confidenciais da Apple”, afirmou a gigante de tecnologia sediada em Cupertino, Califórnia, na ação. “Como resultado natural, o nascente negócio de hardware da OpenAI repousa sobre bases extremamente frágeis, corrompidas em sua essência pela dependência ilegal de segredos comerciais obtidos de forma indevida.”

A Apple exige que a OpenAI interrompa essas práticas e destrua qualquer material proprietário. A empresa, que pede julgamento por júri, também quer que a OpenAI reprojete os produtos que pretende lançar para que eles não incorporem nenhuma tecnologia da Apple.

A Apple afirmou que Tan incentivava funcionários a fornecer informações sobre produtos ainda não lançados durante entrevistas de emprego. A ação também cita Chang Liu, ex-engenheiro de hardware do iPhone, alegando que ele forneceu materiais confidenciais. Liu ingressou na OpenAI em janeiro.

“Ao longo de várias semanas, enquanto desenvolvia hardware para a OpenAI, o sr. Liu acessou e baixou de forma clandestina dezenas de arquivos confidenciais da Apple relacionados a hardware, incluindo um amplo volume de informações detalhadas sobre produtos ainda não lançados, apresentações de engenharia, especificações técnicas e dados proprietários de projetos”, diz a ação.

A Apple afirmou ainda que seus funcionários eram “orientados ativamente” pela OpenAI sobre como conduzir sua saída da empresa.

“A OpenAI orientou funcionários que estavam deixando a empresa a não revelar quem seria seu próximo empregador e forneceu conselhos sobre como evitar a ‘temida saída imediata’, que os removeria prontamente da empresa, em vez de conceder o período padrão de duas semanas durante o qual eles poderiam continuar tendo acesso às informações confidenciais e aos segredos comerciais da Apple”, afirma a ação.

O caso destaca a importância estratégica dos dispositivos de IA de nova geração para o Vale do Silício. Apple, OpenAI, Meta Platforms e outras empresas disputam o desenvolvimento de novos aparelhos que coloquem a inteligência artificial no centro da experiência do usuário, em preparação para um futuro pós-smartphone.

A Apple afirmou que tentou resolver a disputa com a OpenAI fora dos tribunais meses atrás, pedindo que a empresa interrompesse essas iniciativas e eliminasse qualquer material proprietário. Segundo a companhia, não houve resposta, o que levou ao ajuizamento da ação.

“Evidências significativas surgiram indicando que pessoas empregadas pela OpenAI obtiveram de forma indevida informações secretas e confidenciais da Apple relacionadas a nossas tecnologias, processos e produtos ainda não lançados”, afirmou a empresa em comunicado.

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Produtos da Apple vão ficar mais caros. Quem avisa é o CEO

A Apple planeja aumentar os preços de seus produtos para compensar a disparada nos custos de chips de memória e armazenamento, disse o CEO Tim Cook em entrevista exclusiva ao The Wall Street Journal.

“Infelizmente, os aumentos de preço são inevitáveis”, afirmou. “Estamos fazendo o máximo para atenuar os enormes reajustes que estão sendo repassados a nós, e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável.”

Cook não deu detalhes sobre o prazo ou a magnitude dos aumentos previstos, nem sobre quais produtos serão afetados. O próximo grande lançamento da Apple deve ocorrer em setembro, com a linha iPhone 18, que deve incluir um novo modelo dobrável.

Reajustes para Macs e iPads podem vir antes disso. No mês passado, a empresa aumentou o preço inicial do Mac Mini fora do calendário habitual de lançamentos.

A demanda explosiva por chips de memória e armazenamento por parte de empresas de inteligência artificial elevou tanto os custos que a Apple precisaria repassar aumentos substanciais ao consumidor para preservar suas margens de lucro.

iPhone Air (Foto: Bloomberg)
iPhone Air vai ganhar versão com mais uma câmera traseira (Foto: Bloomberg)

Segundo estimativas da consultoria TechInsights, manter a margem atual no próximo iPhone Pro exigiria um acréscimo de cerca de US$ 270 ao preço do aparelho.

Chips de memória e armazenamento são componentes essenciais em praticamente todos os dispositivos eletrônicos — smartphones, laptops, consoles de videogame, equipamentos médicos e até automóveis. Mas agora os servidores de IA consomem volumes cada vez maiores desses componentes, deixando até uma empresa do porte da Apple em dificuldades para garantir fornecimento.

Desde o ano passado, quando Google, Microsoft, Meta e Amazon anunciaram aumentos expressivos em seus orçamentos de investimento em capital, os preços de chips de memória e armazenamento quadruplicaram. A TechInsights projeta que ambos sigam subindo até 2027.

A memória — chamada de DRAM — e o armazenamento — conhecido como NAND — funcionam como elementos de um escritório do século passado: a memória é a mesa de trabalho, que mantém à mão tudo o que o funcionário precisa para realizar uma tarefa; o armazenamento é o arquivo, onde fica guardado todo o restante. Nos smartphones, a memória DRAM roda os aplicativos em uso; o armazenamento NAND guarda fotos e vídeos, por exemplo.

Cook disse que os preços de memória e armazenamento são problemas para a empresa, mas concentrou suas críticas no mercado de DRAM, citando o crescimento das alocações destinadas à chamada memória de alta largura de banda, usada em servidores de IA.

“Há menos oferta num momento em que os consumidores querem dispositivos, e os fabricantes de memória estão repassando aumentos enormes”, disse Cook. “Precisamos que os preços e o fornecimento de memória voltem a níveis razoáveis para os produtos de consumo. É isso.”

Corrida por chips deixa Apple na fila

Três empresas dominam o mercado de DRAM: Samsung e SK Hynix, da Coreia do Sul, e Micron, dos Estados Unidos. No segmento de NAND, atuam essas mesmas três companhias, além de Kioxia e Sandisk. As ações dessas empresas — assim como seus lucros — dispararam nos últimos doze meses: os papéis de Micron e SK Hynix subiram mais de 800%, enquanto Kioxia e Sandisk acumulam alta de 4.600%.

As fabricantes de memória estão construindo novas fábricas: o Morgan Stanley prevê que a capacidade de produção de wafers de DRAM — os discos de silício nos quais os chips são gravados — crescerá 30% até 2027. Ainda assim, como os fornecedores priorizam a memória especializada para IA, os wafers destinados à eletrônica de consumo devem ficar até 15% abaixo da demanda, estima o banco.

A China tem campeões nacionais no setor de memória e armazenamento, mas restrições de segurança nacional exigiriam que empresas americanas obtivessem licenças para trabalhar com elas. Questionado se essas restrições deveriam ser flexibilizadas, Cook respondeu: “Acho que tudo precisa estar na mesa”, acrescentando: “Devemos analisar toda a oferta disponível.”

Outras empresas de PCs, consoles e smartphones já anunciaram reajustes, entre elas Hewlett-Packard, Dell e Nintendo. Um consórcio de associações do setor enviou recentemente uma carta aos secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick, reclamando da superalocação de memória para compradores de IA e pedindo ajuda para ampliar a oferta.

O Morgan Stanley estima alta de 15% nos preços de smartphones e PCs nos Estados Unidos neste ano. O impacto no índice de inflação ao consumidor deve ser limitado, já que esses produtos têm peso pequeno na cesta. Ainda assim, qualquer reajuste no popular iPhone tende a chamar atenção em Washington.

O problema é agravado pela necessidade da Apple de mais memória DRAM para suportar novos recursos de IA, incluindo uma versão reformulada da Siri anunciada na semana passada. A empresa também tem o hábito de usar upgrades de armazenamento NAND para turbinar os lucros, cobrando de US$ 100 a US$ 200 por incrementos adicionais que custam uma fração disso.

Na entrevista, Cook disse que a Apple está disposta a usar suas reservas de caixa para ajudar a ampliar a oferta de memória. “Estamos dispostos a usar nosso balanço para fazer parte da solução”, afirmou. “Claramente, mais capacidade é necessária.”

Cook não deu detalhes. Ainda não está claro como a Apple poderia igualar — quanto mais superar — as condições oferecidas pelas grandes empresas de nuvem para garantir suprimentos. Essas companhias estão firmando contratos de três a cinco anos com enormes adiantamentos em dinheiro, o que a Apple dificilmente toparia, dada sua longa tradição de disciplina financeira.

Cook descartou usar o caixa e o conhecimento da empresa em semicondutores para construir suas próprias fábricas de memória e armazenamento. “Não podemos fazer tudo”, disse. “Sabemos no que somos bons.”

A Apple gasta algumas dezenas de bilhões de dólares por ano em memória e armazenamento, segundo pessoas familiarizadas com seus custos, o que a torna uma das maiores clientes do mundo nesse mercado.

Historicamente, a empresa usou esse peso para arrancar os menores preços dos fornecedores, jogando uns contra os outros e deixando-lhes pouca margem de lucro. Com a chegada das empresas de IA ao mercado, a Apple passou a ter de esperar na fila.

Cook disse que, em toda a sua trajetória na cadeia de fornecimento de eletrônicos — da IBM à Compaq até a Apple —, nunca havia visto uma oscilação de preços de commodities como a dos últimos seis meses. “Isso é uma enchente centenária”, afirmou. “Nunca vi nada parecido em nenhuma área em mais de 40 anos.”

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Como Apple, Google e Amazon sufocaram uma lei antimonopólio na Califórnia

Apple, Google e Amazon derrubaram em pouco mais de um mês uma proposta de lei na Califórnia que poderia obrigá-las a parar de privilegiar seus próprios produtos em detrimento dos concorrentes — como fazem na App Store, no Google Search e nos resultados de marketplace da Amazon. A ofensiva, capitaneada pela Câmara de Comércio do estado e pelo grupo setorial Chamber of Progress, enterrou o chamado Based Act antes mesmo de ele ganhar tração legislativa.

O projeto havia nascido de uma aliança incomum entre defensores da “little tech” — liderados pela aceleradora Y Combinator e o vasto ecossistema de startups que ela apoia — e grupos de defesa do consumidor. Foi patrocinado pelo senador estadual Scott Wiener, democrata de São Francisco e uma das principais vozes em regulação de tecnologia na Califórnia, que o modelou a partir das normas antitruste europeias que as grandes empresas resistem há anos.

“Eles absolutamente inundaram o Capitólio de lobistas para atacar o projeto e espalhar desinformação”, disse Wiener, que concorre a uma vaga no Congresso federal. “Foi uma maré de lobbying, e estávamos em clara desvantagem”.

Diferente do Brasil, o exercício do lobbying é legalizado nos Estados Unidos.

A ofensiva avassaladora evidencia a poderosa máquina de influência que as maiores empresas de tecnologia do mundo montaram para barrar projetos que ameacem seus negócios — em especial no estado mais populoso dos EUA, onde novas leis podem forçar mudanças de alcance nacional ou global.

O Based Act se assemelhava às regulações antitruste europeias que as empresas resistem há anos e que podem custar dezenas de bilhões de dólares anuais ao setor, segundo algumas estimativas. Só nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas às grandes empresas de tecnologia.

“As empresas estão muito preocupadas que essas regulações não cheguem aos Estados Unidos”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation, financiado pelo setor. “Isso arriscaria mudar fundamentalmente a forma como elas operam na economia digital.”

Minutos depois de Wiener começar a apresentar o projeto, em 18 de março — antes mesmo de terminar seu discurso —, a Chamber of Progress já havia divulgado uma nota atacando a proposta.

O grupo, do qual fazem parte o Google (Alphabet), a Amazon e a Apple, mobilizou ligações de eleitores para os gabinetes dos parlamentares, argumentando que o projeto poderia degradar produtos populares como o Google Search e a App Store da Apple. O grupo veiculou anúncios afirmando que a lei tornaria os resultados de busca “menos úteis”, as entregas “mais lentas” e os celulares “menos seguros”.

A Y Combinator e outros tentaram, sem sucesso, contrariar essa narrativa. Argumentaram que as empresas estavam exagerando os impactos sobre seus negócios e disseminando inverdades sobre os custos potenciais para os consumidores.

Escolha de novo CEO da Apple indica preocupação maior com aparelhos como o iPhone
Lançamento da Apple, iPhone 17 – Foto: Getty Images

Não foi a primeira vez que as grandes empresas derrotaram o movimento da “little tech“. Por dois anos, Google, Apple, Amazon e Meta formaram uma frente unida e gastaram mais de US$ 100 milhões em lobbying e publicidade para enterrar o American Innovation and Choice Online Act — um projeto federal bipartidário semelhante ao Based Act — em 2022. Empresas menores como Yelp, DuckDuckGo e Proton AG apoiaram ambos os projetos.

Quando o Based Act de Wiener emergiu, a rede de grupos e lobistas das grandes empresas de tecnologia reaproveitou parte do material utilizado para derrubar a legislação federal e se opor às regulações europeias. Cinco diferentes organizações setoriais ligadas à big tech trabalharam contra o projeto — uma frente inusualmente coesa para grupos que, nos últimos anos, haviam se dividido em diversas questões.

As próprias empresas também intervieram diretamente, um passo raro para um projeto estadual em fase tão inicial. Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, afirmou que o projeto era “ainda pior” do que regulações similares aprovadas pela União Europeia. O setor chegou a mobilizar lobistas da indústria aérea contra o texto, alegando que ele poderia prejudicar a capacidade do Google de direcionar tráfego para os sites das companhias.

Uma das principais testemunhas a depor contra o projeto — uma residente da Califórnia que disse que a medida poderia prejudicar seu pequeno negócio — era apoiada pelo Connected Commerce Council, grupo financiado pelas grandes empresas de tecnologia.

O pequeno empresário Jerick Sobie afirmou, em entrevista, que o Connected Commerce Council — que recebe recursos da Amazon e do Google — o informou sobre o projeto e pediu que testemunhasse. O grupo reembolsou suas despesas. Sobie disse que enxerga o financiamento como um “mal necessário”, já que pequenas empresas geralmente não têm recursos para fazer lobbying.

O Connected Commerce Council, o Google e a Amazon não responderam a pedidos de comentário.

O projeto foi rejeitado em 20 de abril, após derrota em votação numa comissão legislativa dedicada a privacidade — aprovado na semana anterior pela comissão presidida pelo próprio Wiener.

Tela de celular com ícones de apps: Facebook, Amazon, Netflix, Google.
Ícones do aplicativo Facebook, do aplicativo Amazon.com, do aplicativo Netflix Inc. e do aplicativo Google, uma unidade da Alphabet, aparecem em um smartphone iPhone da Apple nesta fotografia organizada em Londres, Reino Unido. Foto: Jason Alden/Bloomberg

O senador estadual Christopher Cabaldon, democrata que preside a comissão de privacidade, ressaltou a importância do setor de tecnologia para a Califórnia.

“Muitas pessoas trabalham ali, há uma grande arrecadação de impostos, comunidades inteiras fundadas sobre esse setor”, disse Cabaldon em entrevista. “Nossa missão é proteger a privacidade e os consumidores, mas também levar em conta — como fazemos com Hollywood ou com a indústria vinícola no meu distrito — a tecnologia como uma indústria fundamental da Califórnia.”

Cabaldon, porém, tem vínculos com a Chamber of Progress por meio da organização política democrata NewDEAL. Diversas pessoas ligadas à NewDEAL, incluindo sua fundadora Helen Milby, integram o conselho consultivo da Chamber of Progress. Cabaldon recusou-se a comentar sobre a entidade.

Após a votação, Ben Golombek, dirigente da Câmara de Comércio da Califórnia, celebrou o resultado em mensagem interna, descrevendo-o como um “verdadeiro trabalho de equipe” para derrotar o projeto, segundo uma cópia do e-mail obtida pela reportagem. Golombek pediu que os destinatários “agradecessem” aos parlamentares que votaram contra.

“A Câmara de Comércio da Califórnia se opôs ao Projeto de Lei 1074 por entender que ele prejudicaria empresas de todos os portes e os consumidores californianos”, disse a entidade em nota. “Como é prática de outras organizações de representação, a CalChamber rotineiramente elogia legisladores que compartilham nossas posições.”

Golombek encerrou sua mensagem pedindo aos aliados que permanecessem “vigilantes”, observando que Wiener é “incansável” e poderia tentar ressuscitar a proposta pela via da Assembleia Estadual. Wiener é favorito para conquistar a cadeira no Congresso federal deixada vaga pela ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi.

Perguntado se tentaria retomar o projeto por meio de manobras legislativas, Wiener respondeu: “Aguardem.”

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iPhone dobrável da Apple está previsto para ser lançado em setembro. Veja o que se sabe

O primeiro celular dobrável da Apple está no caminho certo para chegar durante o período normal de lançamento de iPhones da empresa ainda este ano, disseram pessoas com conhecimento do assunto, refutando preocupações sobre grandes problemas de fabricação.

A empresa deve apresentar o modelo dobrável em setembro, junto com o iPhone 18 Pro e Pro Max, disseram as fontes, que pediram para não ser identificadas porque os planos ainda não foram anunciados. Normalmente, os iPhones chegam às lojas na semana seguinte à apresentação oficial.

Um relatório do Nikkei Asia alimentou preocupações sobre um possível atraso na terça-feira. As ações da Apple caíram até 5,1% após o veículo noticiar que a empresa enfrentava desafios na fase de testes de engenharia do aparelho, o que poderia atrasar o cronograma de produção e envio, segundo o Nikkei Asia.

Embora a complexidade da nova tela e dos materiais possa limitar o fornecimento inicial por algumas semanas, a Apple atualmente opera com o plano de colocar o dispositivo à venda aproximadamente na mesma época — ou logo após — os novos modelos não dobráveis, disseram as fontes.

As ações da Apple reduziram suas perdas depois que a Bloomberg News reportou sobre os planos. O papel estava em queda de cerca de 2,7%, cotado a US$ 251,88 às 13h04 em Nova York na terça-feira.

Ainda assim, o lançamento está a seis meses de distância e a produção ainda não foi intensificada. Isso significa que o cronograma não é definitivo. Um porta-voz da empresa, com sede em Cupertino, Califórnia, se recusou a comentar.

O dispositivo é uma iniciativa importante para a Apple, que busca expandir a linha de iPhones com novos designs, modelos mais caros e recursos aprimorados. O objetivo é competir melhor com a Samsung Electronics e fabricantes chineses de smartphones, que já oferecem opções dobráveis há anos.

iPhone dobrável

Para a Apple, o iPhone dobrável é o segundo passo de um plano de três anos para reinventar o visual e a experiência do seu dispositivo principal. No ano passado, a empresa lançou versões reformuladas do Pro e Pro Max e uma versão mais fina chamada iPhone Air. A Apple também trabalha em uma reformulação separada para 2027, marcando os 20 anos do produto.

O roadmap do iPhone tem sido prioridade para a gestão da Apple — incluindo o chefe de hardware John Ternus, que, segundo a Bloomberg News, é um dos principais candidatos a eventualmente substituir o CEO Tim Cook.

O iPhone dobrável será semelhante aos produtos concorrentes — com alguns pontos de destaque. Engenheiros da Apple acreditam ter resolvido problemas de qualidade da tela e durabilidade geral, duas falhas históricas de aparelhos nessa categoria. Isso inclui tornar a dobra da tela menos visível quando aberta.

O iPhone terá orientação ampla da tela no modo paisagem, tornando-o mais eficaz para assistir vídeos e jogar do que os modelos dobráveis mais estreitos atualmente no mercado. A Apple planeja atualizar o sistema iOS para fazer com que os aplicativos do iPhone se pareçam mais com os do iPad nesse novo dispositivo.

Quanto vai custar o iPhone dobrável?

O preço do produto deve ultrapassar US$ 2.000. Embora isso possa desestimular alguns consumidores, deve elevar o preço médio de venda da Apple e impulsionar o crescimento da receita da empresa.

Ao mesmo tempo, a Apple está ajustando seu calendário anual de lançamentos do iPhone. O próximo modelo de entrada será adiado para a primavera de 2027, informou a Bloomberg News. A empresa também planeja lançar um novo iPhone Air e um iPhone 18e mais econômico nesse período. O iPhone 17e foi lançado no mês passado.

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Apple dá bônus raro de até US$ 400 mil para evitar fuga de engenheiros do iPhone para a OpenAI

A Apple distribuiu nesta semana bônus extraordinários a dezenas de membros da equipe de design de produtos do iPhone, em uma tentativa de conter a debandada dos profissionais para a OpenAI e outras empresas de inteligência artificial. 

Os pacotes de retenção variam de US$ 200 mil a US$ 400 mil em ações restritas (RSU, em inglês) com liberação gradual ao longo de quatro anos, um mecanismo que obriga o funcionário a permanecer na empresa para embolsar o valor integral. O montante envolvido é um gesto raro para os padrões da empresa liderada por Tim Cook.

Esses profissionais, hoje raros no mercado, são engenheiros responsáveis por definir como o aparelho é construído fisicamente, da escolha de materiais e ligas metálicas à disposição interna de chips e antenas, passando pelo encaixe milimétrico entre vidro e carcaça. São eles que transformam os esboços do time de design industrial em produtos que cabem no bolso de um bilhão de pessoas.

Desde que a OpenAI adquiriu a io Products, startup do lendário designer Jony Ive, por US$ 6,5 bilhões em maio passado, a empresa de Sam Altman vem montando uma divisão de hardware com dezenas de ex-funcionários da Apple. 

O grupo é liderado por Tang Tan, que até recentemente chefiava justamente a equipe de product design do iPhone, a mesma que agora recebe os bônus de retenção. A OpenAI não está sozinha: a Hark, novo laboratório de IA fundado pelo bilionário Brett Adcock com US$ 100 milhões do próprio bolso, contratou Abidur Chowdhury, designer responsável pelo iPhone Air, além de outros veteranos da Apple. 

Em alguns casos, essas startups estão pagando a engenheiros individuais cerca de US$ 1 milhão em ações por ano para trocar de lado.

Talento específico

Para quem aceita ficar, o cálculo é outro: ações da Apple, hoje avaliada em quase US$ 3 trilhões, são mais previsíveis do que papéis de startups que ainda não geraram um centavo de receita com hardware. Mas a previsibilidade não resolve o problema existencial.

A perda de talentos de engenharia, dos funcionários de base até líderes seniores, está se tornando um dos maiores ventos contrários para a Apple às vésperas de seu 50º aniversário, no mês que vem.

A transição para a inteligência artificial pegou a empresa no contrapé, e os profissionais que sabem projetar hardware de consumo de classe mundial se tornaram, de repente, o recurso mais escasso do Vale do Silício.

A Apple já passou por isso: há três anos, distribuiu pacotes semelhantes durante outra onda de assédio. No ano passado, elevou a remuneração de seu grupo interno de modelos de IA, quando a Meta chegou a oferecer pacotes superiores a US$ 100 milhões para pesquisadores individuais.

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iPhone 17e: uma boa alternativa ao bem mais caro iPhone 17

Depois de atualizar o iPhone tradicional com uma série de melhorias relevantes, a Apple elevou a barra bem alta na linha de entrada, a “e”.

Há diferenças importantes entre o iPhone 17e e o modelo mais caro da linha, e dá para argumentar que vale a pena gastar R$ 1 mil a mais para ter um aparelho mais completo. Ainda assim, o novo modelo de entrada traz avanços suficientes para fazer mais sentido para quem quer gastar o mínimo possível sem abrir mão de um aparelho confiável.

É um celular para quem prioriza preço, e não a melhor câmera do mercado ou os recursos mais chamativos. Mas muita gente simplesmente quer um iPhone. Qualquer iPhone. E, para esse público, eu me sinto bem mais à vontade para recomendar o 17e do que o antecessor, que dizia pouco a que veio.

iPhone 17e, o modelo de entrada da Apple. Foto: Bloomberg

A Apple equipou o 17e com o chip A19 e 256 GB de armazenamento já na versão básica — o que deve garantir vida longa ao aparelho, sem travamentos e sem aperto de espaço para fotos, vídeos e músicas. O modelo também passou a trazer ímãs integrados, o que o torna compatível com a ampla linha de acessórios MagSafe e com bases de carregamento.

As concessões feitas para chegar ao preço na casa dos R$ 5 mil vão saltar aos olhos de quem acompanha tecnologia de perto. Mas, para o público a que o 17e se destina, a maioria delas não deve pesar tanto.

Os pontos fracos do iPhone 17e

Como já acontecia com o antecessor, a tela do 17e continua limitada a 60 hertz, enquanto o 17, o 17 Pro e o iPhone Air oferecem 120 hertz, o que deixa a navegação e os jogos mais fluidos. Algumas pessoas — eu, inclusive — percebem a diferença. Mas muita gente não vai ligar para isso.

A tela também continua com o entalhe tradicional da Apple para abrigar os sensores do Face ID e a câmera frontal. Nos outros iPhones, esses componentes ficam no recorte menor e mais interativo da Dynamic Island.

Também não há modo de tela sempre ativa, que mostra hora e notificações quando o celular está longe das mãos — sobre a mesa ou numa base de carregamento, por exemplo.

Mas a concessão mais evidente está no conjunto de câmeras. A câmera principal de 48 megapixels fica abaixo do nível do que entregam os modelos mais caros da família.

O aparelho não traz lente ultrawide para fotos com enquadramento mais aberto. Sem ela, o usuário também perde o modo macro.

Na parte da frente, a câmera não conta com o sensor quadrado presente no 17, no 17 Pro e no Air, que permite alternar rapidamente entre retrato e paisagem sem precisar girar o aparelho.

Quem comprar o iPhone 17e também fica sem os estilos fotográficos mais recentes da Apple, que oferecem mais flexibilidade e uma variedade maior de filtros para editar imagens. Isso só deve incomodar quem leva fotografia mais a sério. Também aqui, é difícil imaginar que a maioria das pessoas vá sentir falta.

O aparelho grava vídeo em 4K e com alto alcance dinâmico, mas não traz recursos extras como o Action Mode, para estabilização mais eficiente, ou o modo Cinematic, que desfoca o fundo atrás do assunto filmado.

Mas ele também melhorou. Mesmo que a tela mantenha o mesmo brilho e a mesma resolução do 16e, o vidro que a protege está mais resistente, já que usa o mesmo Ceramic Shield dos modelos mais caros.

Na prática, isso significa resistência a riscos três vezes maior que a do 16e, o que reduz a necessidade de usar película. (No meu 17 Pro Max, eu já abandonei esse hábito.) Agora o vidro também tem revestimento antirreflexo, que ajuda a diminuir reflexos. Faz diferença, embora não seja algo transformador.

E, embora a câmera desse iPhone de US$ 599 seja muito parecida com a do 16e, ela ainda representa um salto para quem vem de um iPhone mais antigo. As fotos que fiz até agora saíram nítidas e com boas cores. Quem tira dezenas de fotos por dia talvez ache melhor juntar mais dinheiro e ir de iPhone 17 convencional, que tem lentes superiores. Mas, para registros do dia a dia, o que se vê aqui dá conta do recado.

Para muita gente, os 256 GB de armazenamento da versão básica serão mais do que suficientes. Para mim já bastam — e eu sou do tipo que gosta de tecnologia. O chip A19 também faz o iPhone 17e parecer rápido e responsivo ao navegar pelo iOS 26 e pela interface Liquid Glass. Essa versão do processador tem menos núcleos gráficos — quatro, contra cinco no iPhone 17 e no iPhone Air. Ainda assim, não tive problema para rodar jogos com gráficos pesados.

Mesmo assim, para quem gosta de jogar fora de casa ou usa o celular com frequência para ver vídeos, as telas maiores e os alto-falantes melhores dos modelos superiores podem ser tentadores.

Pagar mais traz, de fato, bastante coisa junto — e a receita recorde da Apple no trimestre passado mostra que muita gente está disposta a isso. Ainda assim, com desempenho mais rápido, tela mais resistente e carregamento MagSafe — além de vários anos de suporte de software pela frente —, o iPhone 17e parece bem menos um modelo de “mínimo necessário” do que o 16e parecia.

Por Chris Welch

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iPhone 18 pode ter a maior mudança de design em anos; veja o que já se sabe

O iPhone 18, próximo smartphone da Apple, ainda deve levar alguns meses para ser anunciado oficialmente. Mesmo assim, rumores e informações divulgadas por analistas e por sites de tecnologia já começaram a revelar pistas sobre o que esperar do iPhone 18.

Esses relatos indicam que o iPhone 18 pode trazer uma das maiores mudanças de design dos últimos anos, além de melhorias de desempenho e possíveis novidades na linha de aparelhos.

A seguir, veja o que já se sabe e o que ainda é especulação sobre o iPhone 18.

O que esperar do iPhone 18?

Rumores e análises da indústria indicam que o iPhone 18 pode trazer mudanças importantes em relação à geração atual. Entre as principais expectativas estão um novo design, melhorias nas câmeras, um chip mais potente e até a possibilidade de um iPhone dobrável.

O iPhone 18 terá mudanças no design?

Um dos rumores mais fortes sobre o iPhone 18 Pro envolve a parte frontal do aparelho.

De acordo com veículos especializados em tecnologia, o modelo pode reduzir significativamente o tamanho da Dynamic Island, a área interativa no topo da tela em que ficam sensores e notificações. Segundo o leaker Ice Universe, perfil conhecido por divulgar vazamentos da indústria de smartphones na rede social X, o recorte pode ficar cerca de 35% menor.

A mudança seria possível porque parte dos sensores do Face ID, sistema de reconhecimento facial da Apple, poderia ser colocada sob a tela. A informação foi mencionada por sites especializados como o MacRumors, portal dos Estados Unidos dedicado a notícias e rumores sobre produtos da Apple.

Se confirmada, a mudança representaria um passo importante no plano da empresa de eliminar recortes na tela, escondendo todos os sensores sob o display.

Outras análises publicadas por veículos como Digital Camera World, revista britânica especializada em fotografia, indicam que apenas parte dos sensores ficaria sob o painel inicialmente. Isso permitiria reduzir, mas ainda não eliminar completamente, a Dynamic Island.

O iPhone 18 pode ganhar novas cores?

Outro rumor envolve o visual externo do aparelho. Segundo reportagem da Bloomberg, a Apple estaria testando uma nova cor vermelha para o iPhone 18 Pro.

Se confirmado, seria algo incomum. Historicamente, versões vermelhas do iPhone costumam ser lançadas meses depois da estreia da geração. Isso aconteceu, por exemplo, com os modelos iPhone 7 e iPhone 8, que ganharam edições especiais posteriormente.

Informações publicadas por veículos de tecnologia também indicam que a empresa pode testar novos acabamentos ou cores inéditas para os modelos Pro da próxima geração.

Qual será o processador do iPhone 18?

No campo de hardware, o iPhone 18 Pro deve estrear um novo chip da Apple, possivelmente chamado A20 Pro.

Segundo informações citadas pela Forbes, o processador pode ser produzido com tecnologia de 2 nanômetros.

Se confirmado, o chip deve oferecer:

Outro rumor é que a Apple avance no desenvolvimento de um modem próprio de conectividade, reduzindo gradualmente a dependência de fornecedores externos como a Qualcomm.

Como podem ser a câmera e a tela do iPhone 18?

Rumores também apontam melhorias nas câmeras e na tela do novo iPhone. Segundo veículos especializados como What Hi‑Fi e Digital Camera World, o iPhone 18 pode trazer:

  • câmera frontal com até 24 megapixels;
  • novos sensores ou recursos avançados de fotografia;
  • telas com brilho mais alto;
  • taxa de atualização de até 120 Hz.

Apesar dessas melhorias, analistas do setor afirmam que o tamanho das telas deve permanecer semelhante ao da geração atual, ao menos nos modelos Pro.

A Apple pode lançar um iPhone dobrável?

Outro rumor que ganhou força nos últimos meses envolve um possível iPhone dobrável.

Informações publicadas por sites de tecnologia, como o Tom’s Guide, indicam que a Apple estaria trabalhando em um dispositivo com tela interna de cerca de 7,8 polegadas, tamanho próximo ao de um tablet compacto.

Imagens conceituais divulgadas em vazamentos mostram um aparelho que poderia competir com os celulares dobráveis de empresas como Samsung e Huawei. Ainda não está claro, porém, se esse modelo faria parte da linha iPhone 18 ou se seria lançado como uma nova categoria de produto dentro do portfólio da Apple.

Quando o iPhone 18 será lançado?

Se a Apple mantiver sua estratégia tradicional, o lançamento do iPhone 18 deve acontecer em setembro de 2026, durante o evento anual da empresa dedicado aos novos modelos. Esse calendário tem sido seguido pela companhia há vários anos.

Alguns analistas citados por veículos como What Hi‑Fi afirmam, porém, que a Apple pode testar um novo formato de lançamento. Nesse cenário, os modelos Pro seriam anunciados primeiramente, mas ainda no segundo semestre, enquanto os modelos básicos poderiam chegar meses depois, em um evento separado.

Quanto pode custar o iPhone 18?

A Apple ainda não divulgou informações oficiais sobre o preço do iPhone 18, mas analistas acreditam que a nova geração deve manter valores próximos aos da linha atual.

Nos Estados Unidos, os modelos básicos costumam começar em torno de US$ 799 (R$ 4,2 mil), enquanto versões Pro e Pro Max podem ultrapassar US$ 1 mil (R$ 5,2 mil).

Caso a empresa introduza novas tecnologias, como sensores sob a tela ou chips mais avançados, alguns especialistas avaliam que os modelos Pro podem ficar ainda mais caros.

No Brasil, o preço costuma ser mais alto por causa de impostos e da cotação do dólar, além da própria margem da companhia.

iPhone 18: principais rumores até agora

Os rumores mais recentes indicam que o iPhone 18 pode trazer:

  • Dynamic Island menor;
  • sensores do Face ID sob a tela;
  • novo chip A20 Pro;
  • câmera frontal de até 24 MP;
  • novas cores, incluindo um possível modelo vermelho;
  • telas com taxa de atualização de até 120 Hz;
  • possível modelo dobrável.

A Apple ainda não confirmou oficialmente nenhuma dessas informações.

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Tim Cook: ‘Passo muito tempo pensando em quem estará na Apple daqui a cinco, dez e quinze anos’

O CEO da Apple, Tim Cook, dedicou a reunião geral realizada nesta quinta-feira (5) com funcionários a temas centrais para a empresa, incluindo sucessão executiva, política de imigração, inteligência artificial e estratégia global.

Isso porque nos próximos meses, o diretor de operações, o chefe de assuntos ambientais e o diretor jurídico deixarão a empresa, mudanças que, segundo Cook, foram cuidadosamente planejadas e não representam surpresa.

“Passo muito tempo pensando em quem estará na empresa daqui a cinco, dez e quinze anos. Isso é parte essencial da liderança. Quando as pessoas atingem certa idade, algumas vão se aposentar. Isso é natural”, afirmou.

Cook também expressou profunda preocupação com a política de imigração dos Estados Unidos, especialmente em relação a funcionários da Apple com vistos de trabalho. Ele destacou o programa DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), que protege jovens imigrantes que chegaram ao país ainda crianças.

“Eu amo vocês se estiverem no DACA. Vou pessoalmente defender vocês. Cada pessoa merece ser tratada com dignidade e respeito, não importa de onde venha.” Cook admitiu ter ouvido de alguns colaboradores que eles não se sentem seguros para sair de casa e se comprometeu a continuar pressionando legisladores sobre a questão.

A reunião também abordou a inteligência artificial, considerada por Cook “uma das oportunidades mais profundas de toda a nossa vida”. Ele afirmou que a Apple está bem posicionada para permitir que os clientes usem a tecnologia de forma significativa e anunciou que novos produtos e serviços serão lançados aproveitando IA, com o objetivo de abrir novas categorias de mercado. Cook ainda refletiu sobre o trimestre recorde de fim de ano, o desempenho do negócio de serviços e a posição da Apple frente à concorrência tecnológica.

O executivo destacou ainda a importância de mercados internacionais emergentes, como Índia e Malásia, citando o crescimento potencial mesmo diante da modesta participação atual da Apple nessas regiões. Sobre a escassez global de chips de memória, ele afirmou que a empresa possui uma equipe dedicada e uma série de estratégias para contornar a crise: “Temos a melhor equipe do mundo lidando com isso. É um problema real, mas estamos preparados.”

Cook também compartilhou detalhes sobre o 50º aniversário da Apple, que será comemorado em abril, ressaltando que a empresa está planejando eventos especiais para marcar meio século de inovações e conquistas. Além disso, mencionou que a Apple continuará inovando em produtos e serviços, sempre com foco na diversidade de talentos, liderança responsável e expansão global.

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Apple recorre ao Google para acelerar estratégia de IA e nova Siri será alimentada pelo Gemini

A Apple anunciou nesta segunda-feira (12) uma parceria com o Google para usar os modelos Gemini como base da próxima geração de sua plataforma de inteligência artificial.

Segundo comunicado conjunto, a tecnologia vai sustentar futuros recursos do Apple Intelligence, incluindo uma versão mais personalizada da Siri, com lançamento previsto ainda para este ano.

No texto, a Apple afirmou ter concluído que a tecnologia do Google oferece atualmente a “base mais avançada” em modelos de IA. O acordo ocorre após dificuldades da companhia em emplacar sua própria estratégia de inteligência artificial.

Desde o anúncio do Apple Intelligence, em junho de 2024, a empresa enfrentou atrasos sucessivos na entrega da nova Siri e de outros recursos prometidos, além de críticas sobre a utilidade prática das ferramentas lançadas. Parte das funcionalidades chegou a ser adiada para 2026, e a área de IA passou por mudanças internas de liderança nos últimos meses.

Hoje, a Apple já mantém um acordo com a OpenAI para integrar o ChatGPT à Siri em tarefas específicas, e ainda não está claro como essa parceria coexistirá com a nova arquitetura baseada no Gemini.

Apple e Google afirmaram que o acordo terá duração de “vários anos”, sem detalhar o prazo.

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Apple enfrenta maior debandada de executivos em décadas – e rivais se beneficiam

A Apple, por muito tempo um modelo de estabilidade no Vale do Silício, está passando por sua maior reestruturação de pessoas em décadas, com executivos seniores e engenheiros essenciais para os negócios deixando a companhia e migrando para concorrentes diretos, como Meta e OpenAI.

Só na última semana, os chefes de inteligência artificial e de design de interface pediram demissão. Em seguida, a empresa anunciou que sua diretora jurídica e o chefe de relações governamentais também estão saindo. Todos esses quatro executivos se reportavam diretamente ao CEO, Tim Cook, o que mostra a enorme rotatividade no alto escalão da companhia.

E mais mudanças podem vir. Johny Srouji, vice-presidente sênior de tecnologias de hardware e um dos executivos mais respeitados da empresa, disse recentemente a Cook que está seriamente considerando sair em um futuro próximo, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Srouji, arquiteto do prestigiado esforço da Apple de desenvolver chips próprios, já informou colegas de que pretende se juntar a outra empresa caso realmente saia.

Ao mesmo tempo, talentos da área de inteligência artificial têm migrado para rivais, e empresas como Meta e OpenAI, além de diversas outras startups, já contrataram muitos dos engenheiros da Apple. Isso ameaça atrasar o esforço da empresa para alcançar concorrentes em IA, área na qual historicamente teve dificuldades para se destacar.

Esse conjunto de saídas forma um dos períodos mais turbulentos da gestão de Cook. Embora o CEO não deva deixar o cargo tão cedo, a Apple agora precisa reconstruir suas equipes e descobrir como prosperar na era da IA.

Dentro da empresa, algumas das demissões geram preocupação profunda e Cook tenta evitar novas perdas oferecendo pacotes de remuneração mais robustos a funcionários importantes. Em outros casos, as saídas refletem executivos veteranos próximos da aposentadoria. Ainda assim, o volume de mudanças configura uma inquietante fuga de cérebros.

Embora Cook insista que a Apple está trabalhando em sua linha de produtos mais inovadora da história, que deve incluir iPhones e iPads dobráveis, óculos inteligentes e robôs, a empresa não lança uma nova categoria de produto verdadeiramente bem-sucedida há uma década. Isso a torna vulnerável a concorrentes mais ágeis e preparados para desenvolver a próxima geração de dispositivos centrados em IA.

Procurada, a Apple preferiu não comentar.

Saída do chefe de IA expõe tropeços da Apple no setor

A demissão do chefe de IA, John Giannandrea, ocorreu após vários fracassos em IA generativa. A plataforma Apple Intelligence sofreu atrasos e entregou recursos abaixo do esperado. Uma reformulação muito anunciada da assistente Siri está há cerca de um ano e meio atrasada. Além disso, o software dependerá fortemente de uma parceria com a Alphabet, dona do Google, para preencher lacunas de capacidade.

Diante disso, a Apple começou a afastar Giannandrea do cargo em março, mas permitiu que ele permaneça até a próxima primavera. Dentro da empresa, muitos já esperavam sua saída e alguns até se dizem surpresos de ele ainda estar lá. Demiti-lo mais cedo, porém, seria interpretado publicamente como admissão de problema, segundo fontes.

O veterano do design Alan Dye está deixando a Apple rumo ao Reality Labs da Meta, uma deserção notável para um dos maiores rivais da companhia.

No dia seguinte à notícia, a Apple anunciou que havia contratado uma executiva da própria Meta: Jennifer Newstead, diretora jurídica da empresa de redes sociais e que ocupará o mesmo cargo na rival. Ela ajudou a conduzir a batalha bem-sucedida da Meta contra a FTC, órgão antitruste dos EUA que processou a companhia por prática anticompetitivas, experiência valiosa diante da disputa legal da Apple com o Departamento de Justiça dos EUA pelo mesmo motivo.

Newstead substituirá Kate Adams, que ocupou o cargo por oito anos e se aposentará no fim de 2026. Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais, também está se aposentando e suas funções serão distribuídas entre outros executivos.

A saída de Adams causou impacto, especialmente dado o número de disputas legais que ela conduzia, mas seu tempo de serviço é considerado longo. A saída de Jackson, por sua vez, já era amplamente esperada.

Essas saídas vêm após outra ainda maior: Jeff Williams, braço direito de Cook e diretor de operações (COO) por uma década, aposentou-se no mês passado. Outro veterano, o diretor financeiro (CFO) Luca Maestri, assumiu um cargo menor no início de 2025 e deve se aposentar em breve.

Especulação sobre CEO cresce, mas saída não é iminente

Cook completou 65 anos no mês passado, aumentando especulações sobre sua aposentadoria. Pessoas próximas afirmam que ele não deve sair tão cedo, embora o planejamento sucessório exista há anos. John Ternus, chefe de engenharia de hardware, de 50 anos, é visto internamente como o principal candidato.

Quando Cook deixar o cargo, deve assumir a presidência do conselho e manter grande influência. Isso torna improvável que a Apple escolha um CEO externo, apesar de nomes como Tony Fadell, ex-Apple e criador do iPod, serem ventilados fora da empresa. Mas Fadell deixou a Apple há 15 anos em termos pouco amistosos.

Internamente, comenta-se também sobre questões envolvendo a saúde de Cook, como tremores nas mãos percebidos durante reuniões da empresa. Pessoas próximas garantem que ele está saudável.

Principal risco imediato: saída de Johny Srouji

Srouji é peça vital para a empresa por ser responsável pela arquitetura dos chips Apple Silicon, pilar do sucesso recente da Apple. Cook tenta retê-lo, oferecendo aumento substancial de salário e a possibilidade de ampliar seu papel. Uma hipótese discutida seria promovê-lo a diretor de tecnologia (CTO), tornando-o possivelmente o segundo nome mais poderoso da Apple.

Mas isso exigiria promover Ternus a CEO, passo para o qual a empresa talvez ainda não esteja pronta. E alguns afirmam que Srouji não gostaria de trabalhar sob outro CEO, mesmo com um título maior. Se Srouji sair, seus sucessores naturais seriam seus dois principais subordinados: Zongjian Chen ou Sribalan Santhanam.

As mudanças já vêm alterando a estrutura de poder. Mais autoridade está concentrada em quatro executivos: Ternus, Eddy Cue (serviços), Craig Federighi (software) e o novo COO, Sabih Khan. Os esforços de IA foram redistribuídos, com Federighi se tornando o chefe de IA na prática.

Equipes de IA, robótica e design são esvaziadas

O esvaziamento não se limita ao alto escalão da companhia. A Apple enfrenta uma fuga de talentos em engenharia. A ordem interna é reforçar contratação e retenção.

Robby Walker, responsável pela Siri e por um projeto de busca semelhante ao ChatGPT, saiu em outubro. Sua substituta, Ke Yang, deixou a empresa em poucas semanas e foi para o novo Superintelligence Labs da Meta.

Para preencher lacunas deixadas por Giannandrea, a Apple contratou Amar Subramanya, ex-Google e Microsoft, como vice-presidente de IA.

Mas houve um colapso mais amplo na organização de IA, intensificado pela saída do chefe de modelos de IA, Ruoming Pang. Ele e outros nomes de peso, como Tom Gunter e Frank Chu, foram para a Meta, que atrai talentos com pacotes de remuneração muito altos.

A equipe de robótica de IA também foi atingida, inclusive seu líder Jian Zhang, que igualmente foi para a Meta. Esse grupo trabalha em tecnologias para futuros produtos, como um robô de mesa e um robô móvel. A equipe de hardware do robô de mesa também perdeu talentos, alguns indo para a OpenAI.

A área de interface do usuário também sofreu baixas, culminando na saída de Dye, do design. Seu desejo era integrar IA mais profundamente aos produtos, algo que sentia que a Apple não estava acompanhando. Billy Sorrentino, outro líder dessa área, também foi para a Meta.

O grupo de design industrial da Apple, responsável pelo design físico dos produtos, praticamente se desfez na última meia década, com muitos profissionais seguindo Jony Ive para seu estúdio LoveFrom ou migrando para outras empresas.

Stephen Lemay substituirá Dye. Cook também está assumindo mais responsabilidade sobre design, função anteriormente de Jeff Williams.

Apesar do caos, há otimismo interno sobre Lemay, um designer veterano com 20 anos de casa.

OpenAI e Meta se beneficiam

Jony Ive agora trabalha com a OpenAI em novos dispositivos reforçados por IA. A OpenAI comprou a startup de Ive por mais de US$ 6 bilhões para acelerar seu esforço em hardware, mirando diretamente o território da Apple.

A OpenAI também contratou dezenas de engenheiros da Apple, incluindo profissionais de iPhone, Mac, câmeras, chips, áudio, Apple Watch e Vision Pro.

Houve outras perdas notáveis: Abidur Chowdhury, que narrou o lançamento do iPhone Air em setembro, saiu para uma startup de IA, uma surpresa interna. E a Apple perdeu o reitor da Apple University, programa criado para preservar sua cultura após a morte de Steve Jobs.

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Investimento em IA é bolha? BTG elenca 16 motivos para defender que não

A demanda por cada vez mais poder computacional é o pilar da valorização das empresas de IA. E falou em IA, falou em “bolha” – algo que mais hora menos hora estoura.

É impossível saber se estamos ou não diante de uma. E sempre há a outra possibilidade: a de que os preços das ações simplesmente tenham alcançado um platô permanentemente elevado.

Essa é basicamente a conclusão de uma análise divulgada pelo BTG Pactual. Ela mostra que as grandes empresas do setor, a começar por Nvidia, Google e Microsoft, têm fundamentos sólidos, ou seja: margens saudáveis, baixa alavancagem e geração robusta de caixa.

Por outro lado, sempre vale lembrar a frase do economista americano Irving Fisher. Semanas antes do crash de 1929, o maior estouro de bolha da história, ele disse justamente que “os preços das ações atingiram um platô permanentemente elevado”. Não era o caso.

Seja como for, o BTG lista 16 motivos para acreditar que a revolução da IA tem características estruturais, e que o espaço para a expansão tecnológica e de infraestrutura ainda é vasto. Veja os pontos.

1. Ganhos de produtividade

Eles chegam a 1,3 ponto percentual por ano com a adoção rampante de IA, ou US$ 1,5 trilhão de produção global extra anual. É um choque de produtividade “amplo e duradouro”, de acordo com a análises e, mesmo com concorrência elevada e com o fracasso de algumas companhias com o passar do tempo, a tecnologia em si prospera.

2. Rentabilidade consistente nos investimentos em IA

Os investimentos na área não têm nada de especulativos: o US$ 1,2 trilhão por ano aplicado em infraestrutura – data centers, chips e redes – formam uma base de ativos de US$ 2,4 trilhões, que precisa gerar US$ 1,68 trilhão anuais em retorno para a economia global para dar lucro. Esse volume é, na visão do banco, plenamente compatível com o impacto de produtividade estimado por estudos independentes.

3. Margens mais elevadas

O receio de que a “bolha de IA” esteja se formando faz referência à “bolha ponto com” – a das empresas que, no final da década de 1990, foram superestimadas. A situação é diferente, segundo o BTG, porque as 10 maiores empresas do S&P 500 apresentavam margens líquidas de 17%, em média, naquela época, enquanto os atuais líderes têm 32%. Quer dizer: o ciclo de investimentos em IA é mais lucrativo e mais resiliente hoje.

4. Geração de caixa robusta

Lucro é uma demonstração contábil. Um dado mais sólido é o “fluxo de caixa livre”, o dinheiro que efetivamente sobra no caixa da empresa depois de todos os gastos a cada trimestre. Entre as empresas do S&P 500, ele é hoje de 3,5%. Ou seja, para cada US$ 100 que a empresa coloca no negócio, US$ 3,5 ficam no caixa. Isso é quase três vezes mais do que o período de 2000 a 2001. Em outras palavras: o ciclo atual das empresas é financiado por caixa real e não por dívidas excessivas.

5. Preços bem abaixo dos níveis da última bolha

O Nasdaq 100, índice que reúne as empresas americanas de tecnologia, é negociado entre 29 e 30 vezes o lucro, distante do nível de 44 vezes em 1999 e de 89 vezes em 2000. Você lê essa métrica da seguinte forma: considerando o preço atual, o mercado está disposto a pagar cerca de US$ 29 a US$ 30 por cada US$ 1 de lucro anual da empresa.

É, em resumo, um indicador para as expectativas de crescimento das companhias. Para o BTG, a precificação das ações das big techs hoje é “mais moderada” e também amparada por lucros muito maiores.

6. Líderes de mercado mais baratos do que no passado

Na bolha das ponto com, Cisco, Intel, Microsoft e outras eram negociadas entre 50 vezes a 70 vezes o lucro. Muitas superavam o nível de 100 vezes. Hoje, as gigantes de IA – Google, Nvidia, Meta, Microsoft de novo… – são negociadas entre 20 vezes e 35 vezes o lucro.

7. Capex financiado internamente

Só 46% do fluxo de caixa das empresas hoje é reinvestido, muito baixo dos 75% em 2001. Pode parecer um contrassenso avaliar positivamente empresas que estão investindo menos, mas a leitura do BTG é de que as companhias estão destinando seus recursos de forma mais equilibrada.

8. Alavancagem muito menor

As maiores empresas americanas operam com caixa líquido: a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, é de 0,3 vez. Essa relação é conhecida como alavancagem e indica quantos anos a empresa levaria para pagar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em geral, um indicador abaixo de 2x é um sinal de que a empresa está financeiramente saudável. Ou seja, 0,3x é um nível extremamente conservador.

9. Demanda firme e chips duráveis sustentam o ciclo da IA

A demanda por computação em nuvem e IA continua acelerando: os serviços AWS (da Amazon), Azure (da Microsoft) e Google Cloud voltaram a crescer entre 20% e 40% ao ano. Ao mesmo tempo, as GPUs – processadores especializados usados para treinar e operar modelos de IA – têm vida útil longa, de aproximadamente seis anos.

Isso significa que as gigantes globais de computação em nuvem têm receitas futuras mais previsíveis e conseguem extrair valor dos chips por um bom tempo, fortalecendo a sustentabilidade do ciclo de investimentos em IA.

10. A tecnologia está longe do seu potencial máximo

Os avanços recentes mostram que a IA ainda tem muito espaço para evoluir. A redução das alucinações, por exemplo, avança paulatinamente, mas ainda está longe do ideal. Isso indica que a tecnologia não está madura – e que a demanda por mais computação e novos modelos deve seguir crescendo.

11. O mercado de IPOs ainda é fraco

Nos últimos 12 meses, houve 56 IPOs no segmento de IA, contra 511 no auge da bolha das ponto com. Ou seja, o ciclo atual não mostra exuberância especulativa em novas emissões como já ocorreu no passado.

12. O mercado não está em euforia

Mesmo com toda a atenção sobre IA, o humor geral dos investidores ainda é negativo: o índice de “Medo e Ganância”, criado pela CNN, aponta para “Pessimismo Extremo” – próximo de 19 pontos, bem abaixo da linha neutra de 50. Isso significa que, apesar do avanço das empresas de IA, o mercado como um todo não demonstra um comportamento eufórico, nem demanda excessiva por ativos de risco, que é uma condição típica de bolhas. A postura predominante ainda é de cautela, não de entusiasmo.

13. O medo da bolha freia os excessos que poderiam levar a uma bolha

O BTG cita uma pesquisa recente do Bank of America. Ela mostra que 54% dos gestores profissionais creem estar vivendo uma bolha de IA. E isso é bom. Quando o medo de bolha cresce entre profissionais de mercado, os investidores tendem a reduzir posições arriscadas e a operar de forma comedida. Ou seja, paradoxalmente, o fato de muitos acreditarem que há uma bolha diminui a probabilidade de uma bolha clássica se formar, pois os próprios agentes atuam para evitar excessos.

14. O investidor de varejo também está cauteloso

O índice AAII Bull/Bear, que mede o sentimento do investidor individual americano, permanece em território negativo. Isso indica que o pequeno investidor, o primeiro a responder aos ciclos especulativos, não está otimista. A falta de entusiasmo tanto entre profissionais (item 13), quanto no varejo reforça que não há clima emocional típico de bolha.

15. Investimento em IA é pequeno quando comparado a grandes ciclos históricos

O BTG calcula que, hoje, os investimentos em data centers de IA representam 1,3% do PIB. Há quem diga que estão construindo demais. Só que talvez não. Data center é o que há de mais moderno em infraestrutura. Nos momentos do passado em que o hype de infra era a construção de ferrovias, gastava-se muito mais: até 6% do PIB.

16. Queda de juros favorece teses de longo prazo

Juros menores tornam mais valioso cada dólar de lucro futuro. Quando os juros caem, os investidores calculam que o valor presente dos lucros que as empresas vão gerar no futuro é maior. Isso beneficia especialmente negócios cujo potencial econômico está mais avançado, como as empresas de IA, que investem muito agora para colher resultados maiores nos próximos anos.

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Apple, Microsoft, Amazon… 5 dos BDRs das 7 Magníficas estão no negativo em 2025

É um massacre. Enquanto o Ibovespa sobe 30% no ano, o grosso dos BDRs das sete companhias mais valiosas dos EUA amargam quedas. Em alguns casos, duras quedas. 

BDRs, vale lembrar, são “recibos” de ações gringas. Você negocia na B3 em reais, como se fossem papéis brasileiros. E eles refletem a variação das ações para valer, aquelas negociadas em Nova York.

Esses papéis também flutuam ao sabor do câmbio – já que ações americanas são precificadas em moeda americana, lógico. As quedas do dólar puxam os BDRs para baixo. E haja queda. No ano, as notas verdes cedem 15,5%. E o cenário que temos é o seguinte: 

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O tombo da moeda americana cria distorções interessantes. A Alphabet vai bem, obrigado – até a Berkshire, que não tem comprado quase nada, fez uma fezinha de US$ 5 bilhões na dona do Google. A alta, na bolsa americana, é de 50,1% ano ano. Em reais, porém, a alta se restringe a 26,4%. 

A Nvidia, rainha da IA, também segue testando limites, você sabe. Em julho, virou a primeira empresa a romper a barreira dos US$ 4 trilhões em valor de mercado. No final de outubro, inaugurou o patamar dos US$ 5 trilhões. Desde lá, Nvidia cai 12% (US$ 600 bilhões) – e o termo “bolha da IA” entrou de vez para o léxico popular do planeta. Mesmo assim, ela ainda sobe 35% no ano. Em reais, perém, a alta é menos gráfica: 14,5%.

E daí para baixo é todo mundo debaixo d’água: Microsoft (-0,8%), Apple (-8%), Meta (-13,8%) Amazon (-14,1%), Tesla (-17,2%). 

Mas o dólar não é o único vilão, claro. À parte a Microsoft, que sobe razoáveis 17,1% em sua moeda natal, o cenário é modorrento, com Apple abaixo dos 10%; e Amazon, Meta e Tesla praticamente no zero a zero. Aqui:

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Não é novidade: tem crescido entre investidores a percepção de que a bolsa americana está cara. E na letra fria dos dados está mesmo.

Sabe-se se uma bolsa está cara quando você olha o P/L (preço sobre lucro). Você soma o valor de mercado de todas as empresas do índice e divide pelo lucro que elas deram nos últimos 12 meses.

Se essa divisão dá 10, por exemplo, significa que as empresas valem, na média, 10 anos do lucro que elas propiciam hoje. Quanto dá o do S&P 500? 27,6. É mais do que a média dos últimos 10 anos, 22,8. E bem mais do que série de longo prazo (desde 1950), de 19. 

No Brasil é o contrário. P/L de 8,6, contra uma média maior, de 10,5, para os últimos 20 anos.

Em outros países emergentes, a situação é parecida. E tal como o Brasil eles têm recebido mais dinheiro de fora. Tanto dinheiro que as bolsas de alguns países latino americanos estão até mais exuberantes do que a nossa no ano: 

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Mas o fato é que os movimentos de mercado e de câmbio se retroalimentam. Quando cresce o fluxo de dólares para as bolsas dos emergentes, aumenta a oferta de dólares nesses países. E a moeda americana desvaloriza. É justamente o que está acontecendo: 

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Seja como for, a negociação de BDRs é relativamente pequena na B3. Um levantamento da Quantum Finance mostra que as Mag 7 movimentam algo entre 100 mil e 200 mil negócios por dia. Trata-se de um patamar equivalente ao de empresas brasileiras menos expressivas, que ficam de fora do ranking das 100 mais negociadas.

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Sem dar detalhes, governo chinês afirma que Apple deve aumentar investimentos no país

A Apple aumentará o investimento na China e intensificará ainda mais a cooperação no país, teria dito o CEO Tim Cook ao ministro da indústria chinês, Li Lecheng, durante uma reunião nesta quarta-feira (15) na capital, Pequim. A informação é do Ministério da Indústria, em um resumo sobre a conversa.

As declarações foram feitas no momento em que a fabricante do iPhone procura evitar as tarifas dos EUA sobre as remessas de países que incluem seus centros de produção na China e na Índia. Há alguns meses, a Apple anunciou investimento nos Estados Unidos de US$ 600 bilhões nos próximos quatro anos.

A China espera que a Apple continue a explorar o mercado local, disse Li Lecheng, que também é responsável pela área de tecnologia da informação.

O resumo não apresentou detalhes sobre o tamanho do investimento projetado. A Apple não respondeu imediatamente a um pedido de entrevista.

Cook, que está na China nesta semana, visitou a loja da Apple em Xangai e se encontrou com desenvolvedores de jogos chineses e com o fabricante dos populares bonecos Labubu, disse ele em publicações no Weibo, rede social chinesa semelhante ao X.

Na segunda-feira, Cook disse que o iPhone Air estaria disponível para pré-venda na China depois que o ministério liberou o caminho para que as principais operadoras de telecomunicações suportassem sua funcionalidade eSIM.

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Apple finalmente adere a uma tendência popular na Ásia: uma alça para carregar o celular

Quando a Apple realizou sua apresentação anual de hardware no mês passado, os novos iPhones chamaram a atenção. Mas a empresa também anunciou um acessório potencialmente crucial para sua recuperação na China: uma alça fina de tecido que permite o uso dos aparelhos como uma bolsa.

A alça transversal de US$ 59 despertou curiosidade nos Estados Unidos, especialmente entre consumidores não familiarizados com a tendência que une moda e funcionalidade.

Mas em grande parte da Ásia, onde a Apple enfrenta crescente concorrência de marcas locais, a ideia está longe de ser novidade. Há anos, os consumidores têm à disposição faixas transversais coloridas e baratas em mercados e shoppings da região.

Alça combinando com celular da Apple

A primeira tentativa da Apple nesta categoria não é perfeita nem inovadora.

Os ganchos de cordão existentes funcionam com praticamente qualquer tipo de capa de celular. No produto da Apple, a alça pode ser ajustada usando um mecanismo deslizante discreto, mas os dois conectores finos em cada extremidade funcionam melhor se usados com algumas capas da própria empresa.

E, para o bem ou para o mal, a Crossbody Strap combina com a mesma paleta monocromática dos telefones e capas mais novos, o que significa que os compradores interessados em designs mais elaborados provavelmente vão procurá-los em outro lugar.

Eles certamente têm muitas opções.

A Topologie, com sede em Hong Kong, adicionou alças transversais inspiradas em escalada à sua linha em 2019 e viu as vendas saltarem mais de 50% neste ano, para quase 700.000 unidades vendidas. A partir de US$ 28 cada, as alças estão disponíveis em mais de uma dúzia de cores e materiais, desde uma corda de poliéster ou uma corda de bungee jumping até alças mais largas de couro e acolchoadas.

“Estamos surpresos que eles tenham lançado tão tarde”, disse o fundador e CEO da Topologie, Carlos Granon, sobre a incursão da Apple na categoria. Ele acrescentou que grandes varejistas como a Muji já lançaram produtos semelhantes também.

Cerca de 65% dos clientes da Topologie são mulheres, geralmente com idades entre 20 e 40 anos. Granon disse que o tamanho crescente dos smartphones — e a falta de bolsos em muitas roupas femininas — impulsionou a adoção. À medida que os celulares cada vez mais funcionam como carteiras e chaves digitais, a praticidade das alças “maos livres” só aumentou. O fato de, para alguma pessoas, os aparelhos servirem como carteiras e chaves de casa acelerou esta tendência, afirmou Granon.

A popularidade das alças da Topologie ajudou a marca a expandir a presença física para cerca de 30 lojas próprias em todo o mundo, incluindo Paris e Tóquio. A marca abriu sua primeira loja nos EUA no bairro do SoHo, em Nova York, no final de 2024, e a segunda loja no mês passado, em Costa Mesa, na Califórnia.

Granon disse que as mentalidades estão evoluindo e mais homens asiáticos também estão carregando seus celulares usando alças transversais.

O endosso da Apple — ainda que tardio — pode tornar o estilo um item essencial no mundo todo — assim como os AirPods transformaram os fones de ouvido sem fio em um acessório de moda essencial.

“Estou confiante de que, após o lançamento da Apple, as coisas mudarão rapidamente”, acrescentou.

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