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VÍDEO – Desembargador reclama de pensão alimentícia: “Ninguém quer trabalhar”

O desembargador José Reginaldo Costa. Foto: Reprodução

Na última terça (24), um julgamento no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) gerou repercussão após as declarações de desembargadores durante o caso de pensão alimentícia de uma mulher vítima de violência doméstica. Ela, que é moradora de Guanambi, no sudoeste do estado, viveu um relacionamento abusivo, sendo impedida de trabalhar por cerca de dez anos pelo ex-marido.

Atualmente, ela vive de favor e tenta retomar sua vida com um filho fruto da relação. Durante a sessão, o relator votou para fixar uma pensão provisória de um salário mínimo pelo período de 12 meses, mas houve divergência entre os magistrados.

“O único reparo que eu faço é o valor da pensão. Eu acho que o salário mínimo é muito pouco. Se o filho tem direito a três salários mínimos, ela também tem”, disse a magistrada. O desembargador Francisco Oliveira Bispo discordou e afirmou: “Depois da separação é vida nova, tem que lutar, tem que ir em frente”. Ele defendeu que o agressor já foi responsabilizado de outras maneiras.

Na sequência, José Reginaldo Costa, outro desembargador, afirmou que a pensão “estimularia a ociosidade” e pediu “cautela” para analisar o caso. “Daríamos o mesmo tratamento se fosse o inverso? O homem não tem perspectiva de gênero nesse ponto. Eu julgo de forma isenta”, afirmou.

“Talvez seja o salário do prefeito de Guanambi. No interior, se a gente procura uma diarista, não encontra. Ninguém quer mais trabalhar”, prosseguiu.

Falas de desembargadores em julgamento de pensão alimentícia gera repercussão: 'Ninguém quer mais trabalhar' https://t.co/FNRE4wWwKq #g1 pic.twitter.com/HG4IjPL1dz

— g1 (@g1) March 25, 2026

A discussão foi contestada por outros desembargadores, que disseram que é importante analisar o caso sob a perspectiva de gênero, considerando o histórico de violência enfrentado pela mulher. Eles também enfatizaram a necessidade de proteger a vítima, que vive em vulnerabilidade.

No fim, a câmara decidiu aumentar a pensão para três salários mínimos e retirar o prazo fixo, garantindo o pagamento até que a mulher conseguisse se reintegrar ao mercado de trabalho.

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PGR pede condenação de deputados bolsonaristas por desvio de emendas

João Bosco Costa, Pastor Gil e Josimar Maranhãozinho, parlamentares do PL. Foto: Divulgação

Nesta terça-feira (10), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação de oito acusados de cobrar propina em troca de emendas parlamentares enviadas a municípios do Maranhão.

Entre os denunciados estão os deputados federais Josimar Cunha Rodrigues, conhecido como Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Gildenemir de Lima Sousa, o Pastor Gil (PL-MA), e o ex-deputado federal João Bosco da Costa (PL-SE). A denúncia afirma que os réus, que integravam uma organização criminosa, pressionavam prefeitos para devolverem 25% dos valores repassados por meio de emendas parlamentares.

O subprocurador-geral da República, Paulo Jacobina, destacou que o caso exige uma resposta firme e que a punição dos envolvidos é essencial para combater práticas corruptas. “A realidade de descaso demanda uma resposta firme de punição aos responsáveis pela grave e contundente realidade apurada nos autos”, afirmou Jacobina.

O julgamento, que está sendo conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, relator do caso, teve início com a leitura de um resumo do processo. Após isso, os advogados de defesa terão a oportunidade de realizar suas sustentações orais. Ao final da sessão, os ministros decidirão se os réus serão condenados ou absolvidos.

O julgamento deve ser concluído até esta quarta-feira (11). Além de Zanin, compõem a Primeira Turma os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A PGR detalhou a atuação dos réus no esquema de corrupção, dividindo-os entre os líderes e os executores da organização criminosa

Primeira Turma do STF. Foto: Divulgação

Josimar Maranhãozinho é descrito como o chefe do grupo, coordenando a destinação das emendas e sendo responsável pela cobrança de propina dos prefeitos. Ele compartilhava informações sobre o esquema com o agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como ‘Pacovan’, que ajudava a facilitar a cobrança da propina junto aos prefeitos.

Pastor Gil também teve um papel de destaque no esquema, além de ser responsável pelo envio das emendas, foi o encarregado de pressionar os prefeitos para o pagamento das propinas. Ele tentava evitar a vigilância realizando reuniões com o prefeito de São José de Ribamar, José Eudes, em locais mais discretos, como shoppings.

João Bosco da Costa, por sua vez, foi o responsável pela destinação das emendas, com destaque para uma de R$ 4,1 milhões para São José de Ribamar, e pela cobrança das propinas, pressionando os prefeitos a priorizarem o pagamento. Ele utilizava assessores para auxiliar na cobrança de valores, priorizando a liberação das verbas.

O grupo de execução, composto por assessores e intermediários, também desempenhou um papel crucial nas operações de cobrança de propina. João Batista Magalhães, assessor de Josimar, tinha como função monitorar a liberação das emendas no sistema federal e recrutar prefeitos dispostos a aderir ao esquema. Ele também repassava informações sobre as emendas para ele, que as utilizava para cobrar os prefeitos.

Thalles Andrade Costa, filho de João Bosco, intervia nas negociações das emendas de seu pai e também estava envolvido no acompanhamento do sistema orçamentário e na comunicação sobre a abertura de prazos para os prefeitos cadastrarem seus municípios.

Antônio José Silva Rocha, ex-prefeito, foi identificado como um dos principais intermediários do esquema, realizando a primeira abordagem de cobrança com o prefeito José Eudes e levando o agiota ‘Pacovan’ até a prefeitura para acertar os pagamentos de propina.

Os irmãos Adones Nunes Martins e Abraão Nunes Martins Neto, que atuavam como prepostos de ‘Pacovan’, eram responsáveis por realizar as abordagens físicas ao prefeito e seus secretários, pressionando para o pagamento das vantagens ilícitas.

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