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Brasil tenta, de novo, expandir as ferrovias. Mas ainda falta combinar com os chineses

O Brasil já foi uma potência ferroviária. E ainda carrega resquícios desse passado: hoje, são 30,5 mil quilômetros de ferrovias espalhadas pelo país – mais que na França ou no Japão, dois países completamente rabiscados de linhas férreas. 

Só que, na vida real, esse número é bem menor. Dois terços da malha brasileira estão fora de serviço, inutilizáveis. Sobram, então, mais ou menos 10 mil quilômetros.

É basicamente que tínhamos no Brasil Império: quando Dom Pedro II deixou o trono, há 136 anos, o país somava 9,5 mil quilômetros de trilhos.

Agora, o governo federal tenta destravar um novo ciclo de expansão do setor. Ainda para 2026, o Ministério dos Transportes prevê oito leilões de ferrovias – três de linhas totalmente novas, as outras reciclando malhas já existentes. 

Os projetos somam 9 mil quilômetros de extensão e devem exigir R$ 140 bilhões em investimentos. É virtualmente impossível esperar que esse dinheiro saia diretamente do setor privado. Vai ser preciso muito financiamento estatal – seja do Brasil, via BNDEs, seja de forma indireta: via China, através das estatais de lá. É o que vamos ver mais adiante.

Porque a matemática segue implacável: ferrovias são um negócio caro. Cada quilômetro de trilhos custa, na média, R$ 27 milhões – mais de três vezes o valor de uma rodovia, em torno de R$ 8 milhões por quilômetro. O retorno pode levar décadas, e nem sempre vem.

Mesmo em países ricos, fazer essa conta fechar exige boas doses de subsídio do Estado. Na China, a expansão ferroviária foi liderada pela estatal China State Railway. Na Europa, estatais como a Deutsche Bahn, na Alemanha, e a SNCF, na França, até hoje bancam parte da operação dos trens, especialmente os de passageiros.

No Brasil, onde a malha opera sob regimes de concessão, poucas empresas foram capazes de fazer o negócio valer.

Desde os anos 1990, o país já privatizou a antiga malha estatal, lançou projetos ferroviários via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e criou um regime de autorizações para que empresas construíssem ferrovias próprias. Nada bastou para que a malha voltasse a crescer de forma consistente. 

“Ao longo de décadas, houve um desenvolvimento enorme do setor rodoviário, novas estradas, aprimoramentos nas antigas, caminhões melhores. O transporte rodoviário no Brasil é muito barato”, diz David Goldberg, sócio-diretor da A&M Infra. “Por outro lado, as ferrovias ficaram estagnadas”.

A geografia dos trilhos brasileiros

Falar em ferrovias, no Brasil, é falar em cargas. 

O país tem hoje só duas linhas interestaduais de passageiros: a Estrada Vitória-Minas, entre Minas Gerais e Espírito Santo, e a Estrada Carajás, entre Pará e Maranhão. Ambas são operadas pela Vale. Não porque levar gente dá dinheiro para a mineradora, mas por obrigação. Ela precisa de trens para levar suas cargas, pesadas demais para caminhões, e os contratos de concessão ferroviária exigem abrir alguj espaço para passageiros nos comboios. 

Porque é isso. O grosso das ferrovias em operação por aqui transporta commodities. Em especial, minério de ferro. Em 2025, os trilhos brasileiros carregaram 406,6 milhões de toneladas de minério – 73% de tudo o que passou por nossas linhas férreas.

Boa parte desse volume opera num modelo verticalizado: a mesma empresa que extrai o minério controla também o caminho até os portos. Sozinha, a Vale movimentou 301 milhões de toneladas em suas ferrovias no ano passado.

“Quando a gente fala de mineração, o projeto perfeito é aquele que tem as três pontas: mina, ferrovia e porto”, diz Solange Costa, advogada do escritório Mello Torres e especializada no setor. 

Fora da mineração, a gigante do setor é a Rumo, a empresa de logística da Cosan, holding do empresário Rubens Ometto. O foco ali é oferecer transporte para o agronegócio – em especial, grãos. 

A companhia tem hoje a concessão de cinco malhas ferroviárias, mas devolverá ainda neste ano a Malha Oeste, cujo contrato vence em junho. O trecho já não transporta cargas desde novembro de 2025.

O motor do negócio na Rumo é outro: a Malha Norte, que liga o Mato Grosso ao Porto de Santos – e virou a principal rota de escoamento de soja e milho do Centro-Oeste.

Ainda assim, o agro ocupa um espaço relativamente pequeno nos trilhos brasileiros. Em 2025, as ferrovias transportaram 104,4 milhões de toneladas de itens agrícolas, 19% do que passou pelos trilhos.

Os novos leilões previstos para este ano tentam ampliar essa fatia. Em comum, elas têm o seguinte: buscam encurtar o caminho das commodities produzidas no interior do país até os portos no litoral.

Mapa da malha ferroviária brasileira mostra a concentração das linhas férreas nas regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, com destaque para trechos operados por grupos como Rumo, Vale, VLI e MRS Logística.
Ilustração: João Brito

Novos projetos

O projeto mais simbólico (e polêmico) dessa nova leva é a Ferrogrão. A linha foi pensada para ligar Sinop, grande produtora de grãos no norte de Mato Grosso, a Itaituba, hub hidroviário no Pará. De lá, as cargas seguiriam por hidrovias até portos do Norte do país. 

A proposta entrou na agenda federal em 2014, mas desde então ficou presa em disputas ambientais e judiciais. Para abrir caminho à ferrovia, uma lei de 2017 reduziu a área de proteção ambiental no Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. A mudança foi parar no STF, que ainda não deu a palavra final.

O projeto também é questionado por órgãos de controle, que cobram estudos mais completos sobre os impactos ambientais e sobre povos indígenas na região. Em março, o TCU manteve a análise da concessão suspensa.

Dentro do pacote pensado para este ano, há também o Corredor Leste-Oeste, planejado para ligar áreas produtoras do Centro-Oeste aos portos da Bahia. A proposta prevê conectar, ao longo de 1,7 mil km, duas ferrovias em construção: a Fico, no Centro-Oeste, e a Fiol, na Bahia.

Também tem a Extensão da Ferrovia Norte-Sul, a espinha dorsal ferroviária do país. No traçado atual, ela liga Açailândia, no Maranhão, a Estrela d’Oeste, no interior de São Paulo. O novo projeto prevê expandir para o norte: de Açailândia até Barcarena, no Pará, onde fica o Porto de Vila do Conde.

Mapa destaca as principais linhas férreas que o governo pretende levar a leilão em 2026, incluindo projetos como Ferrogrão, Corredor Leste-Oeste, Anel Ferroviário do Sudeste e trechos das malhas Sul e Oeste.
Ilustração: João Brito

Show me the money

Para fazer esses projetos saírem do papel, algum apoio do Estado parece inevitável. Segundo o Valor Econômico, o governo negocia uma linha especial de financiamento no BNDES para as ferrovias. A ideia é oferecer prazos mais longos para pagar a dívida, até 60 anos, além de uma carência maior durante as obras, quando a ferrovia ainda não gera receita.

Outro caminho tem sido buscar capital internacional. Em especial, chinês. Em entrevista ao Brazil Journal, George Santoro, o atual Ministério dos Transportes, disse que cinco companhias chinesas estavam estudando projetos de ferrovias ou rodovias no país.

Por que China? Porque 70% da soja e do milho que eles importam vêm do Brasil. Arrumar a logística por aqui, então, é uma questão de segurança alimentar para o governo chinês. Para dar uma ideia: um dos maiores exportadores de soja brasileira para a China é a própria China, via Cofco, uma estatal que compra das fazendas daqui e manda para lá.

Do ponto de vista do governo chinês, faria sentido usar uma estatal de ferrovias para ampliar a malha daqui. Mesmo que a ferrovia em si não desse retorno, um transporte mais eficiente baixaria os custos do produto final para a grande enmpresa por trás de tudo: o governo XI Jinping.

George Santoro não citou nomes das companhias chinesas que podem ter interesse, mas algumas aparecem no radar.

A CCCC, estatal chinesa de infraestrutura, já fincou os pés no Brasil com participação no Porto São Luís, no Maranhão. Em 2025, representantes da empresa se reuniram com o Ministério dos Transportes e disseram acompanhar a carteira de leilões ferroviários, com interesse especial no corredor Fico-Fiol.

Outro nome forte é o da CRRC, maior fabricante de trens do mundo. A empresa também está no Brasil: é sócia do Grupo Comporte na concessão do Trem Intercidades, projeto de R$ 14 bilhões para criar um trem de passageiros entre São Paulo a Campinas.

Além disso, prepara uma fábrica em Araraquara, no interior paulista, com investimento inicial previsto de R$ 50 milhões. A unidade deve produzir trens para o Metrô de São Paulo e para o próprio Trem Intercidades a partir de 2026.

Trem produzido pela CRRC
Trem produzido pela CRRC (Divulgação)

O interesse chinês em mais projetos, porém, ainda não se traduziu em propostas concretas. Pela agenda do governo, o primeiro leilão dessa leva de oito está previsto para setembro, mas o edital ainda não foi publicado.

No setor, a visão é que destravar esses investimentos, com ou sem os chineses, segue sendo um desafio e tanto. “Hoje, eu não vejo isso tendo uma demanda 100% privada. Não enxergo essa viabilidade”, diz uma fonte com experiência no setor.

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Vale: uma aposta menos óbvia, mas mais protegida da volatilidade da guerra

Além das petroleiras e de outras empresas do setor de energia e combustíveis, existe uma outra ação menos óbvia – e relativamente mais protegida – para se investir na bolsa em meio aos conflitos no Oriente Médio e à volatilidade decorrente deles: a Vale.

O atual ambiente tende a promover pressões de custo sobre as companhias, com insumos encarecendo até que os conflitos geopolíticos se resolvam. Mas a Vale entra nesse contexto com instrumentos que ajudam a mitigar parte relevante desses efeitos.

Entre esses instrumentos estão contratos de frete de longo prazo e de proteção para os preços de combustível marítimo, além da baixa probabilidade de enfrentar escassez de diesel no Brasil.

Isso não significa que a empresa esteja imune ao choque inflacionário decorrente da alta da energia. O aumento do preço do petróleo já impacta o setor por meio de fretes mais caros e custos mais elevados de insumos. Mas essas estratégias contra a oscilação de preços a colocam em uma situação melhor, especialmente frente a pares do setor.

O efeito indireto da guerra: liquidez para os estrangeiros

A Vale sofreu um choque importante com a escalada dos conflitos no Irã porque, como uma das maiores empresas da bolsa, ela serve de veículo para os grandes alocadores, especialmente estrangeiros, se posicionarem estrategicamente no mercado brasileiro.

Ou seja: no pico da aversão ao risco, logo que a guerra estourou, em 27 de fevereiro, a fuga de ativos considerados mais arriscados atingiu a companhia. É o tipo de evento que não tem relação com os fundamentos da empresa, mas com uma abordagem comum e tática, com foco no curtíssimo prazo.

Nos últimos pregões, a ação da companhia já vem esboçando uma retomada. Conforme as perspectivas paras os conflitos no Oriente Médio melhorem, a empresa tem boas condições de retomar uma trajetória de alta, sobretudo se pautada pela sua situação financeira e operacional.

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Fundamentos: o que faz a Vale ser um investimento viável?

Do lado das receitas, a empresa também tem uma boa história para convencer os investidores. Os preços do minério reagiram desde o início do conflito, refletindo o repasse inflacionário: ao encarecer os custos de energia e transporte, também fica mais caro produzir e entregar minério, e esse aumento é repassado para o preço final da commodity.

A isso se soma a demanda ainda resiliente pela matéria-prima. O minério de ferro tem girado em torno de US$ 110 por tonelada, acima das expectativas do mercado, conforme notam os analistas do BTG Pactual, em relatório enviado a clientes.

Mesmo diante de dados mais fracos divulgados pela China, participantes do mercado indicam que a produção de aço pode estar sendo subestimada. Se de fato há mais aço sendo produzido, cresce a procura por minério.

Além disso, os prêmios por qualidade seguem elevados – ou seja, minérios de maior teor de ferro continuam sendo vendidos com preço adicional, o que favorece a Vale.

A expectativa é de que a demanda global permaneça estável ao longo do tempo, com crescimento vindo de países como Índia e do Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, a entrada de nova oferta tende a ser compensada pelo esgotamento gradual de minas existentes, o que ajuda a sustentar o equilíbrio entre oferta e demanda.

Ou seja, o combo de preços mais altos e menor exposição a custos mais voláteis melhora a perspectiva de geração de caixa da companhia. A estratégia de frete, a menor dependência do petróleo e a manutenção da demanda desenham um cenário mais favorável.

Os analistas do BTG também destacam como a disciplina de capital é importante para a companhia agora. A Vale vem mantendo o foco na execução de projetos e no crescimento orgânico, com menos interesse para aquisições.

Com isso, a geração de caixa tende a se traduzir em retorno ao acionista, com a possibilidade de pagamento adicional de dividendos à medida que os resultados surpreenderem positivamente.

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Guerra do Irã estressa os mercados; Ibovespa em dólar cai hoje (23)

 Os mercados globais operam em queda nesta segunda-feira (23), pressionados pela escalada das tensões entre Irã e os Estados Unidos, em meio à troca de ameaças entre Teerã e o presidente Donald Trump.

O conflito na região entra em sua quarta semana em um cenário considerado crítico, à beira de uma escalada mais intensa. Durante o fim de semana, a crise se intensificou: no sábado, o presidente norte-americano declarou que, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por 48 horas, poderá ordenar ataques à infraestrutura energética iraniana.

Em resposta, Teerã lançou novos ataques, após prometer retaliação às ameaças de Washington, elevando ainda mais o nível de tensão entre as duas potências.

No mercado de commodities, os preços do petróleo seguem em alta, refletindo o risco de interrupções no fornecimento global. O movimento intensifica preocupações com um possível efeito cascata sobre a inflação global.

Mercado brasileiro

 Por aqui, os investidores aguardam a divulgação do Relatório Focus, o primeiro após o corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom na última reunião. Na temporada de balanços do quarto trimestre, o destaque vai para os dados da Movida (MOVI3).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o Ibovespa recuou 0,81%.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,3092, com alta de 1,79%. Apesar da forte valorização de hoje, o dólar acumulou queda de 0,13% ante o real na semana.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — sobe 0,05% no pré-market, cotado a US$ 36,52.

Mercados internacionais

 Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa. Na Europa, os principais índices também operam no negativo, enquanto os futuros de Nova York indicam abertura em queda.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam.
  • Criptomoedas: O mercado cripto está em baixa. O bitcoin (BTC) cai 0,6%, negociado em torno de US$ 68 mil. O ethereum (ETH) recua 1,9%, cotado a US$ 2 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 7h – Zona do euro – Balança comercial

Lula

  • O presidente não tem compromissos agendados para hoje

Dario Durigan

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 11h – ​Reunião com Luiz Antonio Guariente, Auditor do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil)
  • 15h30 – ​Reunião com Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (PSB/DF)

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -3,68%
  • Hong Kong/Hang Seng: -3,54%
  • China/Xangai: -3,63%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: -2,13%
  • Frankfurt/DAX: -2,06%
  • Paris/CAC 40: -1,91%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,70%
  • S&P 500: -0,63%
  • Dow Jones: -0,49%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +2,33%, a US$ 108,87 barril
  • Petróleo/WTI: +1,18%, a US$ 99,37 barril
  • Ouro:  -6,92%, a US$ 4.292,90 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): -0,6%, a US$ 68.309,24
  • Ethereum (ETH): -1,9%, a US$ 2.044,57
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Choque inflacionário pode mudar planos do Copom; Ibovespa em dólar cai hoje (17)

Nesta terça-feira (17), o Banco Central inicia o primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em um cenário de tensão geopolítica, disparada dos preços do petróleo e riscos de choque inflacionário, fatores que podem alterar os planos para a Selic.

A autoridade monetária já havia sinalizado que estava pronta para iniciar o ciclo de afrouxamento monetário em março. No entanto, a guerra no Irã tem levado o mercado a revisar o ritmo dos cortes: nos últimos dias, expectativas de redução de 0,50 ponto percentual deram lugar a projeções de 0,25 pp.

O mercado de opções do Copom, medido pela B3, reflete essa mudança, com o corte de 0,25 pp ganhando força, mas com a possibilidade de manutenção da taxa básica de juros entrando no radar dos investidores.

Mercado brasileiro

No cenário corporativo, serão divulgados os balanços do quarto trimestre de 2025 da EcoRodovias e da Taesa. Além disso, investidores repercutem o pagamento de R$ 583,6 milhões em juros sobre capital próprio da Sabesp (SBSP3) e de R$ 1,3 bilhão da Itaúsa (ITSA4).

  • Ibovespa: No último pregão, o Ibovespa (IBOV) terminou as negociações com alta de 1,25%, aos 179.875,44 pontos.
  • Já o dólar à vista (USDBRL) encerrou as negociações a R$ 5,2298, com queda de 1,63%.
  •  O iShares MSCI Brazil (EWZ) — principal ETF brasileiro negociado em Nova York — cai 0,19% no pré-market, cotado a US$ 36,46.

Mercados internacionais

Lá fora, o mercado acompanha de perto o desenrolar da guerra e a alta dos preços do petróleo. Entre as notícias corporativas, Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, projeta uma receita de US$ 1 trilhão com chips de inteligência artificial entre 2025 e 2027.

Nos mercados asiáticos, as bolsas fecharam mistas. Na Europa, os principais índices operam em alta, enquanto os futuros de Nova York apontam para uma abertura negativa.

  • Petróleo: Os preços do petróleo avançam, com o tipo Brent no patamar de US$ 100 o barril.
  • Criptomoedas: O mercado cripto avança. O bitcoin (BTC) sobe 1,4%, negociado em torno de US$ 74 mil. O ethereum (ETH) avança 3,1%, cotado a US$ 2,3 mil.

Agenda: Veja a programação para hoje

Indicadores

  • 08h – Brasil – IGP-10
  • 11h – EUA – Vendas pendentes de imóveis

Lula

  • 09h – Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
  • 11h – Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck
  • 15h30 – Encontro com o atleta Cristian Ribera, medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, e delegação
  • 16h30 – Ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira
  • 17h30 – Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Vice-Presidente da República Geraldo Alckmin

Fernando Haddad

  • A agenda do ministro não foi divulgada

Gabriel Galípolo

  • 10h – ​Participa da primeira sessão da Reunião do Copom – Análise de Conjuntura
  • 14h – ​Participa da primeira sessão da Reunião do Copom – Análise de Conjuntura

Confira os mercados nesta manhã

Bolsas asiáticas

  • Tóquio/Nikkei: -0,22%
  • Hong Kong/Hang Seng: +0,13%
  • China/Xangai: -0,85%

Bolsas europeias (mercado aberto)

  • Londres/FTSE100: +0,48%
  • Frankfurt/DAX: -0,04%
  • Paris/CAC 40: +0,48%

Wall Street (mercado futuro)

  • Nasdaq: -0,19%
  • S&P 500: -0,13%
  • Dow Jones: -0,03%

Commodities

  • Petróleo/Brent: +3,31%, a US$ 103,50 barril
  • Petróleo/WTI: +3,89%, a US$ 96,07 barril
  • Ouro:  +0,20%, a US$ 5.011,44 por onça-troy

Criptomoedas

  • Bitcoin (BTC): +1,4%, a US$ 74.293,46
  • Ethereum (ETH): +3,1%, a US$ 2.325,04
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Vale (VALE3): XP enxerga rali da mineradora já próximo do fim

As ações da Vale (VALE3) acumulam uma forte valorização nos últimos meses, mas o espaço para novas altas pode ser limitado diante do atual nível de valuation, avaliam analistas da XP Investimentos em relatório divulgado nesta quinta-feira (5).

Segundo a corretora, os papéis da mineradora subiram cerca de 80% nos últimos 12 meses, impulsionados principalmente por fluxos estrangeiros para mercados emergentes, pela valorização de metais e pelo crescente interesse dos investidores em ativos ligados ao cobre.

“A Vale tem se beneficiado de um ambiente de entrada de capital estrangeiro no Brasil, além da rotação global para commodities e ativos expostos ao cobre”, afirmam os analistas Lucas Laghi e Guilherme Nippes, da XP Investimentos.

Apesar do bom momento das ações, a casa mantém recomendação neutra para a companhia, com preço-alvo de R$ 85 por ação, o que implica um potencial de valorização de cerca de 1% em relação aos níveis atuais.

“O momentum das ações melhorou significativamente, mas, em termos de valuation, vemos o papel negociando próximo do valor justo”, escrevem os analistas.

Cobre ganha peso na tese da Vale

Um dos principais pontos positivos na visão da XP é o crescimento da divisão de metais básicos, especialmente o cobre, que vem ganhando relevância na estratégia da companhia.

Segundo o relatório, a produção de cobre da Vale pode quase dobrar até 2035, saindo de cerca de 350 mil a 380 mil toneladas em 2026 para aproximadamente 700 mil toneladas ao ano no longo prazo.

“A história do cobre na Vale se tornou mais tangível, com aumento da produção e perspectivas mais favoráveis de preços no longo prazo”, afirmam os analistas.

Projetos como Bacaba, Salobo, Alemão e a joint venture com a Glencore fazem parte do pipeline de crescimento da companhia e apresentam taxas internas de retorno consideradas atrativas.

Esse avanço do cobre ajuda a compensar a percepção de um cenário estruturalmente mais fraco para o minério de ferro, hoje o principal produto da mineradora.

Apesar da melhora operacional e do avanço da tese do cobre, o minério de ferro, na visão da casa, ainda representa um fator de pressão para a empresa.

A XP projeta que os preços da commodity recuem ao longo dos próximos anos, passando de cerca de US$ 100 por tonelada em 2026 para aproximadamente US$ 90 por tonelada a partir de 2028.

Segundo os analistas, o mercado enfrenta um ambiente de estoques elevados na China, desaceleração na demanda por aço e crescimento de novos projetos de oferta global — caso, por exemplo, da usina de Simandou, na Guiné, que está em ramp up.

“O minério de ferro continua sendo um fator de pressão para a tese de investimento, especialmente em um cenário de demanda estruturalmente mais fraca na China”, dizem os analistas.

Valuation já incorpora parte do otimismo

Mesmo com o desconto em relação a algumas concorrentes globais, a XP avalia que o atual valuation da Vale já reflete boa parte das expectativas positivas.

A mineradora negocia com EV/EBITDA projetado de cerca de 4,9 vezes para 2026, enquanto o yield de fluxo de caixa livre estimado é de aproximadamente 7,2%, nível superior ao de várias pares internacionais.

Ainda assim, os analistas avaliam que esse retorno já não é tão atrativo quanto no passado recente. “Embora a Vale continue mais barata que alguns pares, os yields absolutos já não parecem particularmente atrativos após a reprecificação recente das ações”, afirmam.

Segundo a XP, novas altas mais relevantes dependeriam principalmente de dois fatores: crescimento do cobre acima do esperado ou preços do minério de ferro mais resilientes do que o cenário base.

Enquanto isso não acontece, o banco acredita que a ação pode continuar sendo sustentada pelo fluxo de capital estrangeiro e pela exposição crescente ao cobre, mas sem muito espaço adicional de valorização.

“Reconhecemos a melhora do momentum das ações, mas o valuation atual sugere um potencial de alta limitado”, concluem os analistas.

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Presidente da Bamin diz que há três interessados na produtora de minério de ferro

Acionistas do Eurasian Resources Group na produtora de minério de ferro Bamin (Bahia Mineração) analisam o interesse de três potenciais investidores na companhia. A informação é do presidente da empresa, Eduardo Ledsham.

Os interessados na Bamin poderiam adquirir uma participação ou a totalidade na mineradora de ferro, que tem projeto de expansão que demandaria cerca de US$ 6 bilhões em investimentos, segundo o executivo.

A expectativa é que um dos investidores seja escolhido para avançar nas negociações e que a definição sobre isso ocorra até o início de 2026, disse a jornalistas o executivo, após participar da abertura do congresso de mineração Exposibram.

Com a definição do novo investidor, Ledsham disse que a Bamin planeja propor ao Ministério dos Transportes que a ferrovia entre em operação em 2031, e não mais em 2027 conforme estava previsto.

Produção da Bamin

A Bamin conta atualmente com a mina Pedra de Ferro, com capacidade de produção para até 2 milhões de toneladas por ano de alto teor (65% de Fe), o ativo está em manutenção desde janeiro.

Mas o projeto completo conta com a conclusão do Porto Sul, em Ilhéus (BA), e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) para ampliar em grande escala a sua produção.

Ledsham disse que a conclusão do projeto ainda demanda investimentos de aproximadamente US$6 bilhões, considerando obras na mina, ferrovia e porto.

Segundo ele, não está ainda definido se o Eurasian Resources Group venderá a sua participação de 100% na Bamin ou se ficará com uma parte.

O executivo evitou dar detalhes sobre quais poderiam ser esses investidores interessados, pontuando apenas que o interesse seria no projeto integrado, de mina, ferrovia e porto.

A mineradora Vale afirmou anteriormente que analisava o projeto, destacando que isso dependeria de uma solução econômica. Ledsham também preferiu não comentar o assunto.

Vale descarta Bamin

Questionado se teria interesse em adquirir a Bamin, o presidente da Vale respondeu que, “como companhia, está sempre olhando todos os projetos de desenvolvimento no Brasil, principalmente no minério de ferro”.

Entretanto, ressaltou que atualmente “tem outras prioridades do ponto de vista de alocação de capital“.

Pimenta também afirmou que vê o mercado de fusões e aquisições global atualmente como desafiador e que acredita que o potencial de criação de valor e crescimento da companhia está no desenvolvimento dos seus próprios corpos minerários.

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