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Empregos nos EUA superam previsões e pressionam Fed a subir juros até o fim do ano

O mercado de trabalho americano deu sinais de forte recuperação em maio: a geração de empregos superou todas as expectativas dos analistas, enquanto a taxa de desemprego se manteve estável em 4,3%.

Os postos de trabalho cresceram 172 mil no mês passado, após revisões para cima nos dois meses anteriores, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado representa o melhor avanço trimestral em mais de dois anos.

Os números do “payroll” devem aumentar a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para que considere novas altas nos juros como forma de conter a inflação.

O relatório sugere um aquecimento do mercado de trabalho em diversos setores, após um crescimento próximo de zero no ano passado — e apesar das preocupações recentes com a alta dos preços de energia, que derrubou a confiança do consumidor a mínimas históricas.

Os títulos do Tesouro americano passaram a enfrentar uma onda de vendas, elevando os rendimentos dos papéis de dois anos em cerca de 10 pontos-base, para 4,14%. Os mercados passaram a precificar integralmente um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim do ano.

Kevin Warsh, o novo presidente do Fed, conduzirá sua primeira reunião de política monetária nos dias 16 e 17 de junho. A expectativa do mercado é de que os juros sejam mantidos, mas as apostas em uma alta na segunda metade do ano aumentaram após declarações de dirigentes do banco central favoráveis a sinalizar que um aperto monetário é tão provável quanto um corte.

Data centers e IA afetam resultados

O setor de lazer e hospitalidade liderou a criação de vagas, com 70 mil novos postos — o maior volume em mais de três anos. A área de saúde e assistência social, que vinha sendo o principal motor das contratações, manteve o ritmo firme.

A construção comercial registrou crescimento pelo sétimo mês consecutivo, impulsionada pela forte demanda ligada à expansão de data centers. Um relatório separado divulgado esta semana apontou que os gastos com construção desse tipo de infraestrutura superaram US$ 50 bilhões em abril pela primeira vez.

A indústria manufatureira também gerou empregos em maio, beneficiada pela demanda aquecida de data centers, produção de defesa e pela corrida dos clientes para estocar produtos antes de novos reajustes ligados a conflitos internacionais.

O relatório também evidenciou o impacto crescente da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho. O setor de tecnologia da informação — que inclui desenvolvedores de software, redes sociais e portais de busca — voltou a perder vagas em maio, acumulando quedas em 16 dos últimos 17 meses. Gigantes como Meta e Microsoft vêm reduzindo seus quadros, em parte para compensar os altos investimentos em IA.

Outros indicadores recentes enviaram sinais mistos sobre a saúde do mercado de trabalho. As vagas abertas subiram em abril ao nível mais alto desde 2024, embora o aumento tenha ficado concentrado em poucos setores. As demissões seguem em patamares historicamente baixos, mas os consumidores ainda demonstram certo pessimismo quanto às oportunidades de emprego, e pequenas empresas estão reduzindo os planos de contratação.

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Quem perde e quem ganha com o fim da escala 6×1? Mercado já calcula os impactos

Na última quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, reduzindo a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais em até 14 meses. O texto ainda estabelece a manutenção dos salários dos trabalhadores e a opção por acordos coletivos no formato 12×36 – com 12 horas trabalhadas seguidas e 36 horas de descanso posteriormente.

A proposta segue para o Senado e deve passar por comissões antes de ir ao plenário. Por se tratar de uma PEC, caso conquiste três quintos dos votos no Senado, pelo menos, 49 senadores favoráveis. Em meio aos avanços da proposta, o mercado debate quais seriam os impactos do novo modelo trabalhista sobre a economia, analisando quais seriam os setores mais afetados pela decisão.

De acordo com estudo realizado pelo BTG Pactual, o agronegócio, os setores de alojamento, restaurantes e da construção civil são as categorias no centro da possível decisão.

Bruno Perri, estrategista de investimentos da Fórum Investimentos, explica: “esses são setores que ‘não desligam’, Em construção civil, por exemplo, sempre tem os canteiros que trabalham aos sábados. Isso também serve para shoppings, bares e restaurantes, que funcionam aos sábados e aos domingos com maior demanda”.

Uma nota técnica publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) listou 31 setores que “demandam atenção especial para processos de transição em casos de implementação de uma redução da jornada de trabalho”, incluindo as categorias mencionadas pelo BTG. Todavia, o Instituto pondera que “alguns setores muito diretamente impactados tem uma relevância menor quando considerado o conjunto da economia brasileira”.

Os pesquisadores também apontaram os setores comparativamente menos impactados, destacando saúde e educação como categorias que “têm uma contribuição importante para o aumento geral do custo da mão de obra”.

O BTG calcula que uma redução do limite de 44 horas semanais para 40 horas provocaria uma redução de 7,7% no total de horas trabalhadas no Brasil, sendo que os salários pagos pelas horas não mais trabalhadas representariam 6,5% da despesa total com salários das empresas.

Outro impacto, segundo Perri, seria o desafio operacional das empresas na reorganização das contratações. “O empresário vai ter que fazer contratações diferentes, muitas vezes temporárias, ou ter um horário de funcionamento menor, dependendo do setor”, explicou.

Na opinião do professor doutor Marcelo de Carvalho, da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na prática, essa seria uma questão relativa, “sobretudo, com a reforma trabalhista que foi aprovada em 2017”. Ele explica que na legislação trabalhista atual, a abertura para exceções, como contratações no regime de Pessoa Jurídica (PJ), já é uma tendência do mercado.

Segundo o economista, a maior preocupação está direcionada às pequenas empresas, avaliadas por ele como tradicionalmente grandes absorvedoras de mão de obra. “Pensamos normalmente nas grandes empresas, por uma série de questões técnicas, mas as empresas de pequeno e médio porte que utilizam o trabalho formal vão precisar de políticas públicas de apoio, durante o período de transição”, afirmou.

Nesse caso, a sugestão encontrada por Carvalho, é o uso de recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O BNDES poderia estender linhas de crédito para as micro, pequenas e médias empresas, nesse período de transição”. Ele ainda afirma que esse tipo de medida também poderia favorecer a troca de mão de obra humana por mão de obra mecânica: “essa já é uma tendência, diga-se de passagem, em tempos de inteligência artificial”, completou.

Quem ganha com a redução da jornada?

No debate sobre os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho sobre as empresas, o mercado ainda discute quais setores poderiam se beneficiar da mudança, especialmente pelo aumento da demanda.

Para Perri, da Fórum Investimentos, as categorias de entretenimento e consumo são o destaque: “com mais tempo livre, a pessoa pode consumir mais cinema, streaming, até mesmo bets. Bares e restaurantes também podem se beneficiar, mas não acredito que esse impacto é suficiente para compensar o efeito negativo na folha para os empresários”.

Além do entretenimento, o setor de transportes também deve ganhar com a proposta. “As famílias agora vão poder se reunir, para o seu lazer, se deslocando, para um clube, para uma praça, para um parque, por exemplo”, emenda Carvalho, da Unifesp. “Provedores de bens de consumo não duráveis, certamente serão impactados, porque essas pessoas devem consumir produtos de alimentação e entretenimento”, concluiu.

O estrategista da Fórum ainda indica uma preocupação relacionada ao impacto da redução da jornada sobre os próprios consumidores. “Acredito que o consumidor final vai sentir, uma vez que a tendência é repassar do aumento de custo para preço. Geralmente isso também causa uma redução no volume demandado, com impacto negativo no PIB”, apontou.

O professor da UNIFESP discorda, ressaltando uma fragilidade na capacidade de consumo dos brasileiros: “Não me parece que esse seja o caso, porque a gente tem mantido um crescimento da economia limitado. Tivemos uma queda histórica na taxa de desemprego, mas as famílias brasileiras estão profundamente endividadas. A capacidade de consumo nos domicílios já está muito contida”.

Pontos de atenção para os investidores

Com o avanço do projeto agora no Senado, Perri ainda destacou que o mercado deve monitorar a curva de juros e a inflação, além do “impacto fiscal de algum tipo de compensação”. “Produtividade e crescimento potencial são outros dados importantes”, completa.

O estrategista afirma que a tendência é que o mercado antecipe uma reação à progressão do debate, o que deve estar no radar dos investidores.

Agora, tramitando no Senado, a PEC aguarda a avaliação das comissões temáticas, antes de ser votada no Plenário também em dois turnos. É importante ter em vista que o texto ainda está sujeito a mudanças, o que implicaria em um retorno para análise na Câmara dos Deputados.

*Com supervisão de Gustavo Porto

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Fed decide juros na quarta: relembre os últimos dados da economia dos EUA antes da reunião

Com a decisão de juros do Federal Reserve marcada para 18 de março, o mercado chega à chamada Super Quarta olhando para um mosaico de dados recentes da economia dos Estados Unidos. O retrato que emerge mistura inflação ainda resistente, mercado de trabalho resiliente e sinais de desaceleração na atividade.

Nas últimas semanas, indicadores importantes como payroll, Jolts, CPI, PCE e PIB ajudaram a calibrar as apostas sobre os próximos passos da política monetária. A expectativa é de manutenção da taxa de juros no atual patamar de 3,50% – 3,75%.

Mercado de trabalho: forte, mas com sinais mistos

O relatório Jolts, divulgado nesta sexta-feira (13), mostrou alta inesperada das vagas de emprego em aberto. O número chegou a 6,946 milhões em janeiro, aumento de 396 mil posições em relação ao mês anterior e acima das projeções de 6,70 milhões.

A taxa de vagas abertas subiu para 4,2%, ante 4,0% em dezembro. O dado sugere que a demanda por trabalhadores segue firme, mesmo com juros elevados.

Por outro lado, o payroll, principal termômetro do mercado de trabalho norte-americano e olhado de perto pelo Fed, trouxe uma leitura bem diferente. O relatório de fevereiro mostrou corte de 92 mil empregos, contrariando a expectativa de criação de 55 mil vagas.

Inflação ainda acima da meta

Do lado dos preços, os indicadores continuam mostrando pressões inflacionárias persistentes.

O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Fed, subiu 0,3% em janeiro, enquanto o núcleo avançou 0,4% no mês.

No acumulado de 12 meses, o índice registrou alta de 2,8%, com o núcleo em 3,1%, ambos acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.

Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) mostrou alta de 0,3% em fevereiro, em linha com as expectativas do mercado. Em 12 meses, a inflação ao consumidor soma 2,4%, ainda acima da meta, mas indicando alguma desaceleração frente aos picos recentes.

Economia desacelera

Enquanto inflação e mercado de trabalho seguem relativamente resilientes, a atividade econômica começa a mostrar perda de ritmo.

A segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, realizada pelo Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio, mostrou que a economia cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre, revisão para baixo em relação aos 1,4% divulgados inicialmente.

O dado representa uma desaceleração relevante em relação ao crescimento de 4,4% registrado no terceiro trimestre.

Uma guerra no meio do caminho

Além dos indicadores recentes da economia, o cenário internacional também passou a pesar no radar do Federal Reserve.

Apesar das medidas adotadas por grandes economias para liberar reservas estratégicas de petróleo, o preço do Brent voltou a subir e superou US$ 100 por barril.

A alta ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, com ataques iranianos contra a navegação no estratégico Estreito de Ormuz e o fechamento de parte da infraestrutura petrolífera na região. O estreito é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

O avanço do conflito já começa a aparecer em alguns preços da economia americana. O valor da gasolina subiu para quase US$ 3,60 por galão, ante menos de US$ 3 antes do início das ofensivas, pressionando o custo de vida.

Outros custos financeiros também reagiram. As taxas das hipotecas de 30 anos nos Estados Unidos avançaram para 6,11%, ante 6% na semana anterior, segundo dados da Freddie Mac. Os rendimentos de diversos títulos da dívida do governo americano também subiram desde o início dos ataques.

A escalada dos preços de energia adiciona um novo elemento ao debate sobre inflação nos Estados Unidos, justamente em um momento em que os indicadores ainda mostram os preços acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.

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Mesmo após demissão, ex-CEO da Nestlé mantém cargo no LinkedIn

O perfil de Laurent Freixe na rede social profissional ainda o apresenta como CEO mais de seis meses depois de ele ter sido demitido pela Nestlé por não revelar um relacionamento amoroso dentro do escritório. Já Philipp Navratil, que de fato comanda a companhia atualmente, também aparece na plataforma como CEO da fabricante do chocolate KitKat e das cápsulas Nespresso.

O perfil de Freixe reúne quase 64 mil seguidores, cerca de 20 mil a mais que Navratil, e até o início de março ele também aparecia como “Top Voice”, designação concedida por convite pelo LinkedIn a líderes reconhecidos em suas áreas. Navratil continua com essa certificação.

A saída de Freixe da Nestlé no ano passado foi a disputa de conselho de maior repercussão na Suíça desde que o então presidente do Credit Suisse, Urs Rohner, demitiu Tidjane Thiam em meio a um escândalo de espionagem corporativa.

Romance no escritório

O declínio de Freixe começou ao recomendar a promoção de uma executiva de marketing de sua antiga equipe. Colegas passaram a suspeitar que o apoio de Freixe à profissional — que tinha cerca de 20 anos de empresa — ia além do âmbito estritamente profissional.

Após ajustes salariais e suspeitas de que a executiva repassava informações a Freixe, uma investigação interna foi aberta. Embora uma primeira apuração não tenha confirmado irregularidades, uma segunda investigação levou à demissão do executivo sem pagamento de indenização, em setembro. A Nestlé afirmou que ele violou o código de conduta ao não divulgar o relacionamento com uma subordinada direta.

Freixe foi dispensado sem pacote de saída e teve seu telefone apreendido sem aviso prévio ou oportunidade de proteger suas ferramentas de comunicação — inclusive para, por exemplo, atualizar seu perfil no LinkedIn.

Alguns dias após sua saída, Freixe, de 63 anos, escreveu na plataforma que havia conseguido recuperar o acesso à conta e publicou uma mensagem direcionada ao sucessor Navratil e aos funcionários da Nestlé desejando sucesso. Desde então, porém, seu perfil não foi atualizado para indicar que ele deixou a empresa.

Freixe não respondeu a repetidos pedidos de comentário enviados por meio de sua conta no LinkedIn.

Mudanças em perfis na rede costumam ser feitas voluntariamente pelos próprios executivos. No mês passado, por exemplo, quando o ex-CEO da Sanofi, Paul Hudson, foi destituído, sua página no LinkedIn foi atualizada quase imediatamente para refletir a transição — algo que destaca como esses currículos digitais sinalizam publicamente mudanças na liderança.

Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a Nestlé pediu a Freixe que altere o perfil — que anteriormente era gerenciado pela equipe de comunicação corporativa da empresa — e forneceu todas as informações necessárias para que ele acesse a conta.

Ainda não está claro se a companhia pretende adotar medidas mais formais para resolver a questão, o que poderia incluir denunciar o perfil ao LinkedIn por violação das políticas de confiança e segurança da plataforma. A Nestlé não quis comentar o caso.

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Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA ficam estáveis; demissões caem 55% em fevereiro

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego permaneceu inalterado na semana passada, enquanto as demissões caíram, em consonância com condições de estabilidade do mercado de trabalho.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram estáveis em 213.000, em dado ajustado sazonalmente, na semana encerrada em 28 de fevereiro, informou o Departamento do Trabalho nesta quinta-feira (5). Economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para a última semana.

mercado de trabalho está se recuperando após tropeçar no ano passado em meio ao que os economistas chamaram de incerteza decorrente das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que aplicou sob uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.

Desde então, as tarifas de importação foram derrubadas pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Trump respondeu à decisão impondo uma tarifa global de 10% e, posteriormente, anunciou que ela aumentará para 15%.

Os economistas estão otimistas de que o mercado de trabalho recuperará o ímpeto este ano, à medida que os cortes de impostos estimulam a demanda.

Um relatório separado divulgado nesta quinta-feira pela empresa global de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que os empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de pessoal em fevereiro, uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% ante o ano anterior. Os planos de contratação aumentaram 140% em relação a janeiro, mas caíram 63% em comparação com fevereiro do ano passado.

A contratação moderada significa que algumas pessoas que perderam seus empregos estão passando por longos períodos de desemprego.

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Os empregos nos EUA começam a desaparecer à medida que a IA invade o mercado de trabalho

Os maiores empregadores dos EUA têm uma nova mensagem para seus funcionários: não precisamos de vocês. Agora, eles têm a inteligência artificial (IA).

A Amazon anunciou esta semana que cortará 14 mil empregos, com planos de eliminar até 10% de sua força de trabalho administrativa eventualmente. A United Parcel Service informu na terça-feira (28) que reduziu sua força de trabalho gerencial em cerca de 14 mil posições nos últimos 22 meses, dias depois que a varejista Target anunciou que cortaria 1.800 cargos corporativos.

No início de outubro, trabalhadores administrativos de empresas como Rivian Automotive, Molson Coors, Booz Allen Hamilton e General Motors receberam avisos de demissão — ou souberam que os receberiam em breve.

Somando tudo, dezenas de milhares de trabalhadores administrativos recém-demitidos nos Estados Unidos estão entrando em um mercado de trabalho estagnado, aparentemente sem lugar para eles.

Às 5h30 da manhã de terça-feira, Kelly Williamson acordou com uma mensagem alarmante de seu empregador, o Whole Foods Market da Amazon, pedindo que ela verificasse seu e-mail.

“Revise o mais rápido possível e fique em casa hoje”, dizia a mensagem. O cargo de Williamson na equipe de proteção de ativos estava sendo eliminado. O crachá e o laptop da mulher de 55 anos, de Austin, Texas, foram desativados. Ela recebeu 90 dias para procurar outro emprego na empresa. Ela disse que seus pertences pessoais estão sendo enviados para ela pelo correio.

Novo normal com IA

Um novo normal mais enxuto está surgindo nos EUA. Grandes empregadores estão reduzindo seus quadros de funcionários, eliminando cargos administrativos e deixando menos oportunidades para trabalhadores experientes e novos que tinham empregos bem remunerados. Quase dois milhões de pessoas nos EUA estão desempregadas há 7 meses ou mais, de acordo com dados federais recentes.

Por trás da onda de demissões de funcionários administrativos está a adoção da inteligência artificial (IA), que os executivos esperam que possa ser mais eficiente do que os funcionários administrativos bem remunerados.

Os investidores pressionaram a alta administração a trabalhar com mais eficiência e com menos funcionários. Os fatores que impulsionam a desaceleração das contratações incluem a incerteza política e os custos mais altos.

Em conjunto, esses fatores estão remodelando a aparência do trabalho nos EUA, deixando os gerentes que permanecem com mais funcionários para supervisionar e menos tempo para se reunir, enquanto sobrecarregam os funcionários que têm a sorte de ter empregos com cargas de trabalho mais pesadas.

Toda essa reestruturações criou uma sensação de precariedade, tanto para gerentes quanto para seus liderados. Também está restringindo as opções para quem procura emprego.

Cerca de 20% dos americanos entrevistados pelo WSJ-NORC este ano disseram estar muito ou extremamente confiantes de que poderiam encontrar um bom emprego se quisessem, um número menor do que em anos anteriores.

Contratação de operários

Enquanto isso, as oportunidades para trabalhadores da linha de frente, como operários ou especialistas, estão crescendo.

As empresas descrevem a escassez de funcionários nos setores de comércio, saúde, hotelaria e construção, ao mesmo tempo em que suspendem as contratações de consultores e gerentes, demitem funcionários no varejo e no setor financeiro e implantam IA para realizar trabalhos de contabilidade e monitoramento de fraudes.

“O sistema parece estar uma bagunça”, disse Chris Reed, de 33 anos, que foi demitido há um ano de uma empresa de vendas de tecnologia, área em que atuava há mais de uma década.

Reed, que mora em New Braunfels, Texas, recentemente conseguiu um emprego vendendo carros da Toyota, depois de passar 10 meses procurando trabalho. Reed sustenta seus três filhos, de 10, 8 e 6 anos, e sua esposa, dona de casa e estudante. “Na área de tecnologia, sou qualificado, tenho experiência”, disse Reed. “Não consegui nenhum emprego nesta área.”

Após sua demissão, ele disse que se candidatou a mais de 1.000 vagas. Para conseguir pagar as contas, incluindo comida, gasolina, contas de luz e água e as prestações de dois carros, Reed disse que sacou todo o seu plano de aposentadoria e vendeu ações, criptomoedas e os cards de Pokémon que colecionava com o filho. “Minha casa foi a leilão por falta de pagamento da hipoteca”, disse ele.

Neste verão, um amigo o indicou para o emprego na concessionária. Ele viaja duas horas ou mais por dia e muitas vezes trabalha incansavelmente desde às 8h30 até às 21h. Agora está pensando se deveria trabalhar em seu dia de folga.

Reed está sentindo a pressão de um desequilíbrio entre vida profissional e pessoal, vários meses após ter começado no emprego. Às vezes, ele passa dias sem ver os filhos; acorda antes de eles irem para a escola e volta para casa depois que eles dormem. À noite, ele coloca os filhos na cama, mas a filha se recusa a deixá-lo ir.

“Ela acha que eu não vou vê-la no dia seguinte”, disse ele. “Isso afetou muito minha vida familiar.”
Os empregos de escritório que estão na berlinda são funções que muitos trabalhadores americanos almejavam. Eles investiram em diplomas universitários para se qualificarem para uma entrevista e, em seguida, conquistaram empregos confortáveis, como gerentes de recursos humanos e engenheiros de nível intermediário.

Agora, o que antes era uma posição estável parece uma bomba-relógio, com funcionários que galgaram os degraus da hierarquia corporativa aguardando sua vez para uma videochamada anunciando seu último dia.

Alvos da IA

Economistas do Fed da Filadélfia descobriram que empregos com salários mais altos e que exigem um diploma de bacharel são mais expostos à IA do que outras posições.

Mesmo com o crescimento da economia, as contratações enfraqueceram, com economistas prevendo uma desaceleração na criação de empregos neste outono. Nesse cenário, as empresas estão se tornando mais seletivas — e tanto os trabalhadores de escritório experientes quanto os recém-formados em busca de seus primeiros empregos estão sendo pressionados.

Mo Toueg, que dirige uma empresa de recrutamento, disse ter visto um aumento expressivo no número de pessoas de 40 anos em busca de emprego no último ano. “Eles me dizem que não conseguem acompanhar o ritmo da tecnologia atual”, disse Toueg, da Gobu Associates. “A tecnologia está superando suas habilidades.”

Candidatos a emprego disseram que estão sendo rejeitados em favor de candidatos com experiência profissional quase idêntica à exigida na vaga. “As empresas agora podem contratar funcionários que correspondam exatamente às suas qualificações desejadas”, disse Melissa Marcus, diretora administrativa de uma empresa de consultoria de emprego com sede em Austin.

“As empresas que têm dinheiro para gastar agora com pessoal estão pedindo o impossível”, disse ela.

Essa dinâmica está contribuindo para restringir as contratações de nível inicial. A turma de 2025 enviou mais candidaturas a vagas de emprego do que a turma de 2024, enquanto recebeu um número menor de ofertas, de acordo com a National Association of Colleges and Employers (NACE).

“Senti que estava me esforçando muito para entrar no mercado de trabalho, e a escada foi puxada debaixo dos meus pés”, disse Kobe Baker, de 23 anos, que começou a procurar emprego em janeiro, logo após se formar na Universidade Baylor. “Ninguém estava lá para realmente me dizer o que eu poderia fazer para melhorar, para me sair melhor na próxima candidatura. Era apenas silêncio total.”

Baker, que agora mora em Bloomfield, Nova Jersey, esperava entrar no mercado de trabalho da cidade de Nova York após a formatura. Ele ampliou sua busca antes de conseguir um emprego em atendimento ao cliente no final de setembro. Ele disse que muitos jovens querem ser independentes, mas não conseguem se firmar no mercado de trabalho.

Mike Hoffman, diretor executivo da empresa de consultoria de crescimento SBI, disse que nos últimos seis meses reduziu sua equipe de desenvolvimento de software em 80%, enquanto a produtividade aumentou consideravelmente. “Temos alguém gerenciando grupos de agentes que estão programando”, disse ele. “Nossa IA escreve seu próprio código Python.”

“Os investidores estão pressionando as empresas a otimizar as operações”, disse Hoffman, buscando reduções de pessoal de até 30%. Os executivos devem se perguntar se podem fazer isso e se é a coisa certa a fazer, disse ele.

A empresa de aprendizado online Chegg anunciou que cortará 388 empregos globalmente, ou seja, cerca de 45% de sua força de trabalho, à medida que se adapta a um modelo de IA que responde automaticamente às perguntas dos alunos.

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