Mbappé: como o capitão da França se tornou artilheiro também nos negócios
Kylian Mbappé chega à Copa do Mundo 2026 como capitão da França, jogador do Real Madrid e um dos nomes mais valiosos do futebol mundial.
Atualmente, o francês possui o valor de mercado avaliado em € 180 milhões (US$ 205,95 milhões), segundo a Transfermarkt, base de dados alemã especializada no mercado de jogadores de futebol.
Fora de campo, o atacante também estruturou uma rede empresarial que vai além de contratos de patrocínio e acordos de imagem.
O lado empresário de Mbappé começou a ganhar forma em 2017, com a criação da Interconnected Ventures, holding que passou a concentrar a gestão de sua marca, imagem e empresas. Desde então, o francês avançou para produção de conteúdo, tecnologia, saúde, relógios de luxo, vela e compra de clube de futebol.
A carreira que transformou Mbappé em marca global
Mbappé virou rosto do futebol francês antes de chegar aos 30 anos. Campeão da Copa do Mundo de 2018 com a França, se tornou, aos 19 anos, o segundo jogador mais jovem a marcar em uma final de Mundial, atrás apenas de Pelé.
No PSG, Mbappé foi eleito cinco vezes o melhor jogador da Ligue 1 e terminou seis temporadas seguidas como artilheiro do Campeonato Francês. Em 2024, trocou o clube parisiense pelo Real Madrid, movimento que abriu uma nova fase esportiva e comercial.
A chegada à Espanha também mexeu com a estrutura empresarial da família. Segundo o Le Monde, Mbappé administra seus interesses esportivos e comerciais sem agente, apoiado por familiares e assessores próximos.
A mãe, Fayza Lamari, acompanha comunicação, atividades associativas e frentes comerciais. O pai, Wilfrid Mbappé, cuida de aspectos esportivos e da preparação física.
A operação empresarial manteve sede em Paris, mas passou a ter presença em Madri após a transferência para o Real Madrid. O grupo familiar reúne cerca de 25 pessoas.
Em 2024, também foi criada uma estrutura espanhola da Interconnected Ventures, que ganhou relevância para direitos, esporte, formação, imagem e licenciamento após a ida do jogador ao clube espanhol.
Como Mbappé transformou imagem em empresa
A Interconnected Ventures foi criada em 2017 e se tornou a empresa central do grupo de Mbappé. A companhia nasceu para cuidar da gestão, exploração e comercialização dos atributos de personalidade de atletas e outras personalidades de alto nível.
Em 2024, a empresa registrou € 8,64 milhões (US$ 9,33 milhões) de receita, € 1,06 milhão (US$ 1,14 milhão) de lucro líquido, € 17,7 milhões ( US$ 19,12 milhões) em fundos próprios e € 2,76 milhões (US$ 2,98 milhões) em caixa.
A holding funciona como eixo do grupo. Antes de comprar ativos externos, Mbappé criou uma base jurídica e empresarial para controlar a própria marca, reduzindo a dependência de intermediários.
A empresa segue ativa e passou por mudanças recentes de governança, incluindo auditoria e alteração na presidência.
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Novos negócios de imagem e conteúdo
A Collective Motion foi criada em 2022 para cuidar de uma parte central do negócio de Mbappé: a gestão, exploração e comercialização de direitos ligados à sua imagem.
Em vez de tratar a imagem do jogador apenas como contratos soltos de patrocínio, a empresa organiza essa frente como uma operação própria.
Na prática, a Collective Motion funciona como o braço que centraliza a exploração comercial da imagem de Mbappé e de atributos associados a atletas e personalidades.
A companhia é presidida pela Interconnected Ventures desde 2023 e aparece como uma das estruturas mais relevantes do grupo em receita divulgada.
Em 2024, registrou € 23,4 milhões (US$ 25,27 milhões) de receita, € 7,36 milhões ( US$ 7,95 milhões) de lucro líquido, € 11,7 milhões ( US$ 12,64 milhões) em fundos próprios e € 7,77 milhões (US$ 8,39 milhões) em caixa.
Também em 2022, Mbappé criou a Zebra Valley, produtora voltada a projetos de conteúdo em esporte, música, cultura, tecnologia e games.
A ideia era usar a audiência global do jogador para desenvolver narrativas e propriedade intelectual, não apenas campanhas publicitárias com sua imagem, com foco em conversas culturais e públicos jovens.
A estreia teve um parceiro de peso: a NBA fechou uma parceria plurianual com a Zebra Valley para produção de conteúdo.
A Zebra Valley Holding teve aumento de capital em 2024 e segue ativa, mas com operação pública pouco transparente.
O braço de investimentos de Mbappé
A virada mais clara para investimentos veio no fim de 2023, com a criação da Coalition Capital. A empresa funciona como braço de investimentos da Interconnected Ventures e foi registrada para comprar e gerir participações em sociedades francesas e estrangeiras.
Em 2024, a Coalition Capital registrou € 3,97 milhões (US$ 4,28 milhões) de receita, € 2,76 milhões (US$ 2,98 milhões) de lucro líquido, € 4,78 milhões (US$ 5,16 milhões) em fundos próprios e € 13 milhões (US$ 14,04 milhões) em dívida financeira.
É por essa estrutura que Mbappé opera seus demais negócios, como SM Caen, Loewe Technology, Wristcheck, France SailGP Team e Alan.
Com isso, Mbappé consegue atuar em ativos externos sem misturar todas as operações à exploração comercial do próprio nome.
Também em 2023, o grupo criou a Cultural Factory, empresa voltada a marcas, licenciamento, e-commerce e comercialização de produtos, inclusive alimentícios. Os números de receita e lucro, porém, aparecem sob confidencialidade.
Mbappé dono de clube de futebol
Por meio de sua estrutura empresarial, Mbappé comprou, em 2024, o controle do SM Caen, clube francês que disputava a Ligue 2.
A aquisição foi feita via Interconnected Ventures e Coalition Capital. A participação divulgada foi de 80% das ações, substituindo o fundo americano Oaktree como acionista majoritário.
O valor oficial não foi divulgado, mas estimativas da imprensa francesa apontaram a operação entre € 15 milhões e € 20 milhões (US$ 16,2 milhões a US$ 21,6 milhões).
O negócio também teve componente pessoal. O Caen já havia tentado atrair Mbappé quando ele era adolescente, antes de o atacante estrear pelo Monaco.
O status atual, porém, é delicado. O clube foi rebaixado da segunda para a terceira divisão francesa em 2025. Em 2026, Mbappé segue como dono majoritário, com o projeto em reconstrução esportiva.
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Ampliação do portfólio
Antes mesmo da compra do Caen, Mbappé já havia entrado no setor de tecnologia esportiva. Em 2022, investiu na Sorare, plataforma francesa de fantasy sports e colecionáveis digitais baseada em NFTs.
A empresa anunciou o jogador como investidor, embaixador e parceiro de impacto social. O valor e o percentual investidos por Mbappé, porém, não foram divulgados.
Em 2024, o francês entrou em tecnologia premium. Por meio da Coalition Capital, comprou participação minoritária de mais de 10% na Loewe Technology, empresa alemã de televisores e equipamentos de áudio de alto padrão.
A Loewe tinha receita anual em torno de € 60 milhões (US$ 64,8 milhões) e meta de chegar a € 300 milhões (US$ 324 milhões). A empresa também citava o objetivo de alcançar valuation de cerca de € 500 milhões (US$ 540 milhões) no médio prazo, com possibilidade de IPO no futuro, o que ainda não aconteceu.
Em 2025, Mbappé investiu na Wristcheck, marketplace de relógios de luxo com sede em Hong Kong. A empresa apresentou o francês como investidor e destacou sua relação com o universo dos relógios, setor no qual ele já era embaixador da Hublot.
No mesmo ano, Mbappé entrou na France SailGP Team. A Coalition Capital anunciou investimento na equipe francesa da SailGP, liga internacional de vela de alta performance.
Mbappé também atua em saúde e imóveis
A entrada mais recente do portfólio ocorreu em 2026, quando Mbappé investiu na Alan, healthtech francesa de seguros e serviços digitais de saúde. O aporte foi feito dentro de uma rodada de € 100 milhões (US$ 108 milhões), que avaliou a empresa em € 5 bilhões (US$ 5,4 bilhões).
Poucos meses depois, em junho de 2026, a Alan recebeu nova rodada de € 480 milhões (US$ 518,4 milhões), liderada pela Prosus, com valuation de € 5,5 bilhões (US$ 5,94 bilhões).
A empresa atua com seguro saúde, telemedicina, prevenção e serviços digitais. No primeiro trimestre de 2026, tinha mais de 1,1 milhão de membros e mais de € 800 milhões (US$ 864 milhões) em receita recorrente anualizada.
Além de empresas operacionais e investimentos, Mbappé também criou uma base patrimonial ligada a imóveis. A partir de 2019, passou a aparecer em sociedades civis imobiliárias francesas.
A primeira foi a NEWPIE, criada em 2019. Depois vieram OHZORA, criada em 2020; OLIVIER ATTON, criada em 2021; e SCI FALAM, criada em 2022.
Essas sociedades funcionam como veículos privados de aquisição, administração, aluguel e gestão de bens imobiliários.
Todas aparecem como ativas, mas não há divulgação pública sobre quais imóveis detêm ou qual é o valor do patrimônio.
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