Brasil durante partida contra Panamá na Copa do Mundo 2026. Imagem: reprodução
A Seleção Brasileira goleou o Panamá por 6 a 2 neste domingo (31), no Maracanã, no último compromisso antes da viagem para a Copa do Mundo. A equipe de Carlo Ancelotti abriu o placar logo no início, com Vini Jr., e depois transformou a partida em goleada com uma sequência ofensiva forte no segundo tempo.
O Brasil construiu a vantagem em dez minutos depois do intervalo. Rayan aproveitou erro na saída panamenha e marcou por cobertura. Na sequência, Lucas Paquetá completou jogada coletiva para ampliar. Pouco depois, Igor Thiago sofreu pênalti, cobrou e fez mais um para a Seleção. Danilo fechou o placar aos 80 minutos de jogo.
Primeiro gol do Rayan com a camisa da seleção brasileira!
O resultado manteve a invencibilidade brasileira contra o Panamá. Antes do amistoso deste domingo, as seleções haviam se enfrentado cinco vezes, com quatro vitórias do Brasil e um empate. O retrospecto tinha 17 gols brasileiros e apenas um panamenho.
O primeiro encontro ocorreu em 1952, no Campeonato Pan-Americano, em Santiago, quando o Brasil venceu por 5 a 0 e depois conquistou o título. Em 2001, na Arena da Baixada, a Seleção repetiu o placar em amistoso, com gols de Edílson, Alex, Euller, Juninho Paulista e Roberto Carlos.
Às vésperas da Copa de 2014, o Panamá voltou a servir como teste final. No Serra Dourada, em Goiânia, o Brasil venceu por 4 a 0, com gols de Neymar, Daniel Alves, Hulk e Willian. Em 2016, em Denver, nos Estados Unidos, Jonas e Gabriel Barbosa marcaram na vitória por 2 a 0.
O único tropeço brasileiro no confronto havia sido em março de 2019, no Estádio do Dragão, no Porto, em Portugal, quando as equipes empataram por 1 a 1. Lucas Paquetá marcou naquele jogo seu primeiro gol pela Seleção.
Depois da goleada no Maracanã, a delegação brasileira segue para os Estados Unidos, onde fará a preparação final para a Copa do Mundo. A vitória reforça o domínio histórico sobre o Panamá e encerra a fase de testes da Seleção em clima positivo.
Belo e Alcione durante abertura do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo 2026. Imagem: reprodução
O amistoso entre Brasil e Panamá, disputado neste domingo (31), no Maracanã, teve repercussão antes mesmo de a bola rolar. Convidados para cantar o hino nacional, Belo e Alcione tiveram dificuldades para acompanhar o ritmo dos instrumentos no estádio.
Em alguns momentos, as vozes dos artistas ficaram desencontradas em relação ao acompanhamento musical. Também foi possível notar que Belo se confundiu com parte da letra durante a apresentação.
O problema ocorreu quando os instrumentos deixaram de acompanhar os cantores. A partir daí, Belo e Alcione seguiram a execução a capela até o fim. O episódio repercutiu rapidamente nas redes sociais durante a transmissão do amistoso.
Gente! Quem teve a brilhante ideia de colocar o Belo e a Alcione pra cantar o hino nacional? ? ?
Geralmente nunca dar certo isso… É colocar a nossa marrom pra pagar um mico desnecessário! pic.twitter.com/UT4AJeK4fq
A seleção entrou em campo ainda sem alguns atletas convocados para a Copa do Mundo, entre eles Marquinhos, Gabriel Magalhães, Gabriel Martinelli e Neymar, que seguem em recuperação de lesão ou disputam competições por seus clubes.
Após o jogo, a delegação brasileira seguirá para os Estados Unidos, onde fará a preparação final para o Mundial no Columbia Park Training Center, em Morristown, perto de Nova York. Antes da estreia, o Brasil ainda enfrentará o Egito em amistoso no próximo sábado (6).
O ex-ministro de Lula, Franklin Martins. Foto: Divulgação
O ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social de Lula, Franklin Martins, revelou neste domingo (8) um incidente ocorrido durante sua viagem ao Panamá, onde foi impedido de seguir para a Guatemala devido a um questionamento sobre sua atuação política no Brasil durante a ditadura militar.
O relato foi encaminhado ao Itamaraty, que já acionou as autoridades panamenhas para solicitar esclarecimentos sobre o caso. O chanceler Mauro Vieira se envolveu diretamente e o chefe da diplomacia do Panamá, Javier Martinez-Acha, pediu desculpas pelo erro, reafirmando que Martins é “muito bem-vindo ao Panamá”.
Confira o relato de Franklin Martins na íntegra:
”No dia 6 de março de 2026, pouco depois da 01:00 h da madrugada, deixei o aeroporto do Galeão a bordo de um avião da Copa Airlines. Meu destino final era a Cidade da Guatemala, onde participaria durante três dias de um seminário promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, na Universidade Rafael Landívar. No trajeto, faria uma conexão na Cidade do Panamá.
Lá chegamos por volta das 06:00 da manhã. O voo para a capital da Guatemala deveria sair duas horas e meia depois. Ao desembarcar do avião, no final do “finger” que dava para a entrada da área internacional do aeroporto, dois policiais à paisana pediam aos passageiros seus passaportes, que eram examinados rapidamente e devolvidos. Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo.
Levou-me até as dependências de uma área fechada, ainda na parte internacional do aeroporto, que não possuía qualquer identificação. Ao chegarmos, pediu que eu me sentasse numa cadeira em frente à mesa e dirigiu-se à sala ao lado. Falou com alguém e voltou em poucos minutos. Os dois ambientes eram separados por uma grande parede de vidro. Através dela, os chefes dos interrogadores e outros policiais, sem serem vistos pelo interrogado, poderiam acompanhar tudo que estava acontecendo e sendo dito na sala ao lado.
O agente pediu-me que preenchesse um documento com meus dados (nome, profissão, idade, endereço, motivo da viagem, se já tinha sido preso, motivo da prisão etc). Perguntei a razão da entrevista e ele não quis responder. Disse que era um procedimento padrão autorizado pela lei de migração de 2008 e que depois me daria outras informações. E começou a fazer perguntas que, de um modo geral, apenas repetiam o que já estava informado no documento que eu havia preenchido. Pediu-me provas de que eu iria participar de um seminário numa universidade da Guatemala. Mostrei-lhe a programação, que ele fotografou. Tirou fotos minhas também e colheu minhas impressões digitais três vezes.
Visivelmente, o policial estava querendo ganhar tempo. Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas. Depois de mais algumas perguntas sem importância, pediu-me que aguardasse. Entrou na sala ao lado, separada da dependência em que estávamos pela grande parede de vidro. E não voltou mais.
Depois de uns 20 minutos sozinho na sala, preocupado com a possibilidade de perder o voo do Panamá para a Guatemala, que sairia às oito e pouco da manhã, bati na porta várias vezes. Não responderam. Pouco depois, outro policial veio falar comigo. Disse que meu caso tinha sido decidido por seus superiores. Eu não poderia viajar para a Guatemala. Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso.
Pedi então que eles entrassem em contato com a Embaixada do Brasil ou me permitissem fazer uma ligação telefônica para nossa representação diplomática. O policial respondeu que não fariam isso. Alegou que se tratava de uma decisão soberana e exclusiva das autoridades panamenhas.
Por volta das 10:00hs da manhã, deixei a sala acompanhado por dois policiais – sem identificação, mas provavelmente integrantes da Policía Nacional – e fui levado para o andar de baixo, sendo confinado numa sala de Migración de Panamá, ao lado dos guichês de controle dos passaportes dos viajantes. Lá fiquei por mais quatro horas sem qualquer explicação. Novamente, fui fotografado de frente e perfil. Colheram por duas vezes minhas impressões digitais.
Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hamburguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular. E procuraram mostrar simpatia, dando a entender que sabiam que, às vezes, erros eram cometidos com os “retenidos”. Voltaram a falar na Lei de 2008, mas deixaram escapar que sua aplicação havia se tornado mais rígida depois de decretos recentes do governo. Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança.
Pouco depois das 14:00hs, outro funcionário da Migración, levando meu passaporte e a passagem da Copa Airlines da Cidade do Panamá para o Rio de Janeiro, acompanhou-me até o portão de embarque. O documento foi entregue à chefe dos comissários de bordo, com a determinação de que só me fosse devolvido no Rio. Ao chegarmos na Cidade Maravilhosa, a aeromoça entregou-o a uma funcionária brasileira da Copa Airlines, que me acompanhou até a sala da Polícia Federal ao lado dos guichês de controle dos passaportes. Em um minuto, recebi de volta o documento.
Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo.
Será que quem lutou contra a ditadura militar no Brasil e, em algum momento, foi condenado pelos tribunais militares daquela época, não deve ser alertado se for visitar o Panamá ou mesmo fazer uma conexão para outro país? Não seria o caso do governo brasileiro, através de seus representantes diplomáticos, conversar sobre esses abusos com as autoridades panamenhas?”