Docente da Faculdade de Tecnologia (FT) foi homenageado por sua trajetória de quatro décadas marcada pelo pioneirismo em metodologias ativas e pela dedicação à excelência acadêmica e às relações humanas
Cerimônia com presença da administração superior da UnB reiterou importância da fundação para o desenvolvimento científico e a promoção da inovação junto à sociedade
Antes de reconhecer alguém diante da câmera, um sistema de inteligência artificial (IA) precisa decidir se aquele rosto “existe”. É justamente nesse momento, anterior à identificação, que, segundo a cientista da computação Ana Carolina Silva das Neves da Hora, mais conhecida como Nina da Hora, começam os apagamentos produzidos pelas tecnologias de reconhecimento facial, tema de sua tese de mestrado, Do Rosto ao Vetor: Epistemicídio Computacional no Reconhecimento Facial, defendida nesta segunda-feira (11), no Instituto de Computação (IC).
Orientada pela professora Sandra Avila, do IC, e coorientada pela antropóloga Marisol Marini, da Universidade de São Paulo (USP), a tese teve na banca examinadora a socióloga Angela Figueiredo, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), e o pesquisador Virgílio Almeida, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A pesquisa combina reflexão teórica e experimentos computacionais para analisar desigualdades em arquiteturas de detecção facial amplamente utilizadas em sistemas de IA. Da Hora propõe o conceito de “epistemicídio computacional”, inspirado nos trabalhos da filósofa Sueli Carneiro sobre o apagamento de sujeitos negros na produção do conhecimento. O trabalho multidisciplinar reúne computação, antropologia, artes visuais, estudos raciais e filosofia.
A pesquisadora auditou arquiteturas de detecção facial utilizando uma base criada pela Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, a partir de vídeos enviados por pessoas de países como Brasil, Índia, Síria e Indonésia. Os resultados revelaram desigualdades profundas nos processos de detecção facial. “O dano já começa antes, quando o sistema sequer detecta aquele rosto como um rosto válido”, explica.
Em um dos experimentos, pessoas acima de 85 anos tiveram apenas 44% de taxa de detecção, enquanto grupos mais jovens alcançaram índices superiores a 90%. Em outros casos, determinados grupos simplesmente desapareciam dos sistemas. “Tivemos grupos com 0%. Normalmente, quando aparece um 0%, você roda o sistema de novo e tenta corrigir. Mas quis investigar por que aquelas pessoas tinham desaparecido”, diz.
A pesquisa combina reflexão teórica e experimentos computacionais para analisar desigualdades em arquiteturas de detecção facial amplamente utilizadas em sistemas de IA
Segundo Da Hora, os sistemas simplificam realidades complexas ao transformar diversidade humana em categorias rígidas. “É como se não existissem variações. Ou você é branco ou você é negro. Mas nós sabemos que isso não representa países como o Brasil.”
Mais do que erros técnicos, a pesquisadora vê nesses resultados a materialização de escolhas políticas e históricas. “A etapa do reconhecimento só acumula problemas. Primeiro, o sistema precisa decidir que existe um rosto ali.” Em muitos casos, afirma, nem mesmo a autodeclaração das pessoas é suficiente. “Quando eu mando um vídeo dizendo quem eu sou, pessoas do outro lado podem dizer que eu não sou aquilo que estou dizendo. E, às vezes, a palavra delas vai valer mais.”
Segundo a pesquisadora, o problema não está apenas na precisão técnica. “A questão não é fazer a tecnologia funcionar melhor”, afirma. “É perguntar por que estamos insistindo em tecnologias que transformam pessoas em padrões de vigilância.”
Da Hora vê a expansão dessas tecnologias como parte de uma transformação maior nas formas de controle social e circulação da informação. “O reconhecimento facial e as inteligências artificiais são vendidos como solução para tudo. Mas, muitas vezes, o que elas produzem é exclusão e aprofundamento de desigualdades. Eu queria entender o que se perde quando você transforma o rosto de uma pessoa em vetor matemático”, afirma.
“Você olha para um rosto e tenta resumir aquela pessoa a medidas, padrões e probabilidades. Só que ali existe história, contexto e identidade”, destaca.
Além da dissertação, a pesquisadora tem novos trabalhos acadêmicos. Um deles, intitulado Frankenstein em Processo: Epistemicídio Computacional no Reconhecimento Facial, será apresentado em junho, no Canadá, em uma conferência mundial sobre justiça algorítmica. No artigo, ela aproxima a lógica dos sistemas de reconhecimento facial da figura do personagem Frankenstein. “Você pega retalhos e monta uma pessoa”, explica. “Fragmenta o rosto e tenta contar a história de alguém apenas a partir daquilo.”
Pesquisadora se tornou uma das vozes mais conhecidas da discussão sobre tecnologia e racismo algorítmico no país
Ativismo e ética
Prestes a completar 31 anos, Nina da Hora se tornou uma das vozes mais conhecidas da discussão sobre tecnologia e racismo algorítmico no país. Colunista da MIT Technology Review Brasil, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrante da comissão de tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e fundadora do Instituto da Hora, ela construiu uma trajetória que atravessa ciência, ativismo e divulgação tecnológica.
Em poucos anos, acumulou reconhecimentos importantes. Em 2022, recebeu o CUBS Sabiá Award, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, pela pesquisa sobre racismo algorítmico no reconhecimento facial. Antes disso, entrou para a lista Forbes Under 30 e foi incluída entre as 100 mulheres mais relevantes do mundo em ética em inteligência artificial.
Embora hoje seja conhecida nas redes como “hacker antirracista”, a pesquisadora explica que sua trajetória passou menos pela invasão de sistemas e mais pela cibersegurança. Ela trabalhou com análise de hardware e investigação técnica de códigos, especialmente em projetos ligados às urnas eletrônicas e à transparência eleitoral nas eleições de 2022. “Eu trabalhei mais com hacker ético”, afirma. “Depois, os caminhos me levaram para a inteligência artificial e ‘hacker’ acabou virando mais um apelido”, conta.
Essa preocupação atravessa também sua atuação pública. Depois de integrar a Comissão de Transparência das Eleições de 2022, Da Hora volta a colaborar com o TSE, agora em discussões ligadas à inteligência artificial, plataformas digitais e regulação tecnológica. Ela acredita que as próximas eleições brasileiras serão profundamente impactadas pelo avanço da IA generativa. “Essa vai ser a eleição da inteligência artificial”, afirma. “Nós já temos dificuldade de diferenciar o que é real e o que não é. Isso vai aumentar muito nas campanhas.”
Segundo Da Hora, embora o TSE tenha aprovado regras para limitar determinados usos de IA durante o período eleitoral, ainda existem poucas ferramentas capazes de detectar manipulações em larga escala. “A disputa agora também acontece no campo da confiança”, observa. “As pessoas vão olhar vídeos, imagens, áudios, e muitas vezes não vão saber se aquilo aconteceu de verdade.”
Outro eixo importante de sua atuação está no Instituto da Hora, organização criada em 2020 para discutir direitos digitais, IA e soberania tecnológica a partir de perspectivas antirracistas. O instituto mantém projetos voltados à formação de jovens periféricos em segurança da informação e apoio a pessoas LGBTQIAPN+ interessadas em pesquisa e tecnologia. “A gente trabalha muito nesse momento do ‘pré’ e do ‘durante’ tentando ajudar as pessoas a chegar nesses espaços e permanecer neles.”
Nina Da Hora (ao centro) ao lado das orientadoras Sandra Avila (à esquerda) e Marisol Marini e com a mãe Ana Cláudia
Fora do roteiro
Quando chegou à Unicamp, vinda da Baixada Fluminense (RJ), Da Hora carregava a sensação de estar em um território que, durante muito tempo, parecia não lhe pertencer. “Tinha um roteiro muito mais simples para a minha vida”, afirma. “Fazer pesquisa na Unicamp não fazia parte do roteiro.”
A pesquisadora aprendeu programação ainda adolescente no computador de uma tia e com materiais emprestados por amigos da mãe, a professora Ana Cláudia, que prestigiou a defesa do mestrado na Unicamp.
Antes de chegar ao curso de graduação em Ciência da Computação, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), conciliou estudos, trabalho e longos deslocamentos diários. Na faculdade, o choque social foi imediato. “Eu vivia em outra realidade, as pessoas perguntavam, por exemplo, por que eu trabalhava.”
Na Unicamp, o estranhamento voltou em outra escala. “É outro mundo ao quadrado”, afirma. “A Unicamp, para mim, tem uma diversidade muito maior do que outros espaços por onde passei. Ela é um mundo de oportunidades.”
Entre uma conferência internacional, experimentos computacionais e debates públicos sobre tecnologia, a pesquisadora tenta administrar a dimensão mais íntima de tudo o que conquistou nos últimos anos. “Se eu pudesse traduzir meu sentimento, é uma mistura de muito orgulho do que eu fiz e o medo de perder. Fiquei em alerta durante esses três anos.”
Depois da defesa, planeja descansar por algumas semanas antes de decidir os próximos passos do doutorado, possibilidade já discutida por grupos da própria Universidade. Enquanto fala sobre o futuro, Da Hora retorna várias vezes à ideia do improvável. Não como exceção individual, mas como abertura de caminhos. “Hoje eu encontro estudantes chegando na computação com os olhos brilhando”, conta. “E eu penso muito nisso, porque eu também não imaginava que conseguiria chegar aqui.”
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Nina durante apresentação da dissertação de mestrado Do Rosto ao Vetor: Epistemicídio Computacional no Reconhecimento Facial, defendida nesta segunda-feira (11), no Instituto de Computação (IC)
Resultado de uma dissertação de mestrado em Ensino e História de Ciências da Terra defendida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, o livro “Pterossauros para jovens exploradores” apresenta de forma didática a família desses lagartos alados, muitas vezes confundidos com dinossauros. Com orientação de Fresia Soledad Ricardi Torres Branco, a pesquisadora Cristiane Vigilato da Paixão desenvolveu um material didático como ferramenta para o ensino de paleontologia na educação básica. O livro, de 66 páginas, reúne os frutos de sua dissertação e 13 modelos de pterossauros para serem recortados e montados em formato de móbile.
Paixão é formada em Biologia pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e, durante a graduação, foi orientada por Ariel Milani Martine, que a coorientou no mestrado. Além do livro, junto a uma equipe, a pesquisadora elaborou um móbile, pendurado no teto do hall do IG, que foi pensado como uma árvore filogenética, com representantes das 13 famílias de pterossauros estudadas.
O livro, que traz as mesmas espécies do móbile, também apresenta conceitos de paleontologia e de evolução, mostrando onde esses seres habitavam e onde hoje são encontrados seus fósseis. “Há um pouco de biologia e de geologia”, explica Paixão. Segundo orientadora Fresia Ricardi, “um banner explicativo com QR Code ficará disponível na entrada principal do prédio para que as pessoas possam conhecer os pterossauros”. O material foi registrado na Biblioteca Nacional e tem direitos autorais reservados.
Equipe que desenvolveu o projeto do móbile com a orientação da professora Frésia Ricardi (blusa verde)
Ariel Martine foi responsável pela pintura dos pterossauros; Pábulo Matheus Domiciano, doutorando em Geociências no IG, fez as ilustrações; Bruno Belila Rusinelli elaborou os mapas do livro. Paixão ficou responsável por vetorizar os desenhos do mobile em AutoCad, que foram cortados no Laboratório Plasma, do Instituto de Física Gleb Wataghin.
Para produzir o móbile e imprimir o livro, a equipe coordenada por Fresia Ricardi obteve apoio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unicamp e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “A coordenação do Programa de Pós-Graduação em EHCT colaborou para o sucesso da submissão do projeto de extensão junto à Capes”, reforça a orientadora. Assim, além da impressão do móbile em destaque no hall do IG, foi possível imprimir 200 exemplares que serão distribuídos. Uma versão online está disponível na Biblioteca Digital da Unicamp.
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Da esquerda para a direita, Bruno Belila Rusinelli, Cristiane Vigilato da Paixão e Pábulo Matheus Domiciano: apoio ao projeto da Capes e PRPG
Uma competição feita de documentos, imagens, mapas, debates e perguntas sobre o país e seu passado mobiliza um número recorde de 64.187 equipes espalhadas por escolas de todos os estados brasileiros. A 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), promovida pela Unicamp, iniciou sua nova edição nesta segunda-feira (5) com o tema “Mulheres cientistas, mulheres na ciência”, escolhido a partir da proposta do Ministério da Ciência e Tecnologia para 2026, que vai atravessar as diferentes fases da competição.
“Todo ano escolhemos um eixo de reflexão”, afirma a coordenadora da ONHB, a historiadora Cristina Meneguello, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). “Neste ano vamos discutir, em diferentes momentos da prova, o lugar das mulheres na ciência. Abraçamos a proposta por considerar a temática fundamental. Mais do que recuperar trajetórias do passado, o tema convida os participantes a refletir sobre a dimensão histórica das mulheres na ciência e, ao mesmo tempo, a lançar o olhar para o presente, para as cientistas em formação, as que já atuam na área, ou aquelas que sonham em um dia tornarem-se cientistas.”
A historiadora Cristina Meneguello: temática fundamental
O professor Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, também do IFCH e da coordenação do projeto, ressalta que a escolha do tema é mais do que oportuna: “É um debate muito importante para nossa sociedade, na qual as cientistas ainda estão subvalorizadas no acesso às posições mais altas da carreira ou no peso da dupla jornada enfrentada, para cuidar da casa e da família”, afirma.
Criada em 2009 por docentes do Departamento de História do IFCH, a ONHB transformou-se em um projeto nacional. Do total de equipes inscritas em 2026, 22.455 pertencem ao ensino fundamental e 41.732 ao ensino médio. O número representa um salto significativo em relação à edição anterior, que contou com 57.100 equipes, um crescimento que impressiona a coordenação. “A cada edição a gente se surpreende”, afirma a historiadora. “No ano passado foram cerca de 225 mil participantes e, desta vez, chegamos a 250 mil. Nosso projeto é hoje o maior projeto de divulgação científica em ciências humanas do país e, sem dúvida, a maior ação de extensão da Unicamp em alcance na educação básica.”
Debate coletivo
A primeira fase da ONHB segue aberta até sábado (9), às 23h59. Depois dela, os participantes enfrentarão outras quatro etapas online até a grande final presencial, marcada para 29 e 30 de agosto, na Unicamp.
As provas combinam questões de múltipla escolha e tarefas investigativas construídas a partir da análise de documentos históricos, fotografias, obras de arte, mapas, notícias, relatos e diferentes tipos de fontes. História do Brasil, literatura, geografia, patrimônio cultural, arqueologia e atualidades se cruzam em uma proposta interdisciplinar que privilegia interpretação e construção de argumentos.
“O formato aproxima os estudantes da prática da pesquisa acadêmica”, diz Meneguello. “As questões trabalham interpretação, contextualização histórica e colaboração. A gente percebe que a Olimpíada desperta talentos.”
Entre as novidades da edição de 2026 está a entrada oficial dos estudantes do 7º ano. Antes, a participação era restrita aos alunos do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e de todo o Ensino Médio. A mudança responde a uma demanda antiga das escolas e dos próprios estudantes. “Na prática, os alunos do sétimo ano já acompanhavam as provas informalmente. Agora, eles passam a receber certificado e entram mais cedo em contato com a Olimpíada.”
Outra mudança importante é a criação de uma etapa estadual online, que premiará estudantes com medalhas de ouro e prata em cada estado. A ideia amplia o reconhecimento dos participantes e cria novas formas de valorização regional. “Nosso sonho era criar uma fase estadual presencial, mas seria impossível corrigir esse volume de provas”, conta a coordenadora. “Mesmo online, ela é importante porque amplia o reconhecimento dos estudantes e valoriza o desempenho regional.”
Estudantes durante a final de 2024 na Unicamp; nesta edição os estudantes finalistas estarão reunidos nos dias 29 e 30 de agosto
Após as etapas online, cerca de 1.200 estudantes participarão da grande final. E é durante a cerimônia de encerramento que eles descobrem, diante dos colegas e professores, quem receberá as medalhas nacionais. “Tem choro, comemoração, abraços. Depois de 18 anos, eu ainda me emociono”, ressalta a coordenadora.
Desde 2024, estudantes de escolas públicas participam gratuitamente da edição escolar da olimpíada. Em paralelo, a ONHB mantém a modalidade “ONHB Aberta para Todos”, criada em 2021 e destinada ao público com mais de 12 anos. A competição é realizada com apoio do Departamento de História da Unicamp, do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE) e da Associação Nacional de História (Anpuh). A organização reúne docentes universitários, estudantes de graduação, mestrandos e doutorandos.
A ONHB também integra o programa Vagas Olímpicas da Unicamp. Dependendo do desempenho na competição, estudantes podem disputar vagas em cursos de graduação sem necessidade de vestibular. Hoje, as medalhas da ONHB são aceitas em 53 cursos de graduação em São Paulo.
Estratégia de financiamento
Neste ano, a Olimpíada enfrentou um cenário de incerteza financeira. Pela primeira vez, desde sua criação, não houve abertura do edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destinado às olimpíadas científicas. “O edital sempre foi fundamental para nós”, afirma Meneguello. “Não foi apenas a nossa olimpíada que ficou sem recursos. Isso afetou todas as olimpíadas científicas do país.”
Segundo ela, a equipe precisou recorrer a emendas parlamentares e ampliar estratégias de financiamento para garantir a continuidade do projeto. “Quando você mantém um projeto há 18 anos, não pode deixá-lo morrer por falta de verba”, resume. “É um projeto bonito demais. No curso de História da Unicamp, por exemplo, quando pergunto no primeiro dia de aula quem participou da olimpíada, quase todo mundo levanta a mão.”
Calendário da ONHB 2026
Primeira fase: de 4 a 9 de maio Segunda fase: de 11 a 16 de maio Terceira fase: de 18 a 23 de maio Quarta fase: de 25 a 30 de maio Quinta fase (final estadual e semifinal nacional): de 8 a 13 de junho Divulgação das equipes classificadas para a final nacional presencial: 19 de junho Divulgação das equipes medalhistas estaduais: 26 de junho Envio dos certificados de premiação estadual: a partir de 15 de outubro
Grande final presencial na Unicamp Prova: 29 de agosto Cerimônia de premiação: 30 de agosto
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A divulgação das equipes classificadas para a final nacional presencial acontece no dia 19 de junho
Qualidade de vida que pulsa pelos caminhos ao ar livre
Praças convidam a pequenas pausas, e áreas verdes servem de abrigo, respiro e oportunidade para praticar atividade física
Para quem chega, é o corpo que percebe primeiro. Ao cruzar as entradas da Unicamp no campus de Barão Geraldo, mais do que prédios e salas de aula, entre a natureza e o movimento, são os caminhos arborizados que convidam a pequenas pausas. Nesse instante inaugural, antes de oferecer conhecimento, a Universidade pulsa como abrigo e respiro.
Em meio ao concreto, o campus se afirma como uma “ilha verde”. Vista do alto, a área da Unicamp se desenha como uma natureza que resiste; ao nível do chão, esse traço se transforma em experiência, com saguis nas copas das árvores e o canto das aves que, por instantes, suspende o ruído da cidade. Ao longo do dia, a Universidade se reinventa nos usos. Os parques se tornam trajetos de caminhada e corrida no final da jornada diária; bicicletas cruzam as vias em fluxo contínuo e, sob as árvores, grupos se reúnem em piqueniques improvisados.
Parte desse cenário é resultado de um trabalho contínuo de gestão ambiental, que envolve desde o cuidado com animais até o planejamento das áreas verdes e a preservação da biodiversidade. O prefeito universitário, Juliano Finelli, ressalta que, além de garantir o funcionamento do campus, a Prefeitura foca na qualidade de vida da comunidade. “A nossa preocupação é oferecer um ambiente acolhedor, seguro e agradável, onde as pessoas possam viver o campus, circular, estudar, trabalhar e conviver.”
Parte do cenário é resultado de um trabalho contínuo de gestão ambiental
Entre institutos e vias, a vegetação compõe um mosaico de origens diversas, com espécies da Mata Atlântica e do Cerrado, que convivem com árvores trazidas de outros territórios ao longo das décadas. Ipês que explodem em cor, jerivás que se erguem esguios, pitangueiras e mangueiras, além de muitas outras árvores frutíferas, oferecem frutos e sombra.
Maria Gineusa de Medeiros e Souza, coordenadora da Divisão de Meio Ambiente da Prefeitura Universitária, destaca que a Universidade mantém um levantamento sistemático da fauna e flora. Mas ressalta que, mais do que infraestrutura, o campus também desperta vínculos afetivos. “As árvores, por exemplo, compõem uma paisagem que carrega histórias.”
Pelo menos 17 mil árvores ocupam ruas, praças e unidades de ensino que, junto com os cerca de 500 mil metros quadrados de áreas de preservação ambiental, fazem da natureza uma presença constante que molda o clima, o ar e a forma como se habita o espaço. Segundo a coordenadora de serviços das áreas verdes da Prefeitura Universitária, Camila Alonso Santos, as áreas de preservação permanente estão consolidadas, mas exigem cuidados e planejamento. “Esses espaços são essenciais para a fauna silvestre, que circula por todo o campus. A diversidade de árvores e de abrigo também favorece a permanência da fauna, mesmo em um ambiente urbano.”
Da fauna silvestre, aves, insetos e pequenos mamíferos encontram abrigo e alimento nas áreas verdes. Nas partes preservadas e no entorno, surgem sinais de presenças mais discretas: veados, cachorros-do-mato e até rastros de passagem da tão temida onça, já flagrada pelas câmeras de monitoramento. Mais do que apenas refúgio, o campus é um corredor ecológico que permite que a vida circule.
À esquerda, a coordenadora de serviços das áreas verdes da Prefeitura Universitária, Camila Alonso Santos e, à direita, a coordenadora da Divisão de Meio Ambiente da Prefeitura Universitária Maria Gineusa de Medeiros e Souza
Floresta urbana
Aproximadamente 10 mil árvores do campus já foram cadastradas em um sistema acessível ao público, por meio do site Floresta Urbana Dentro do projeto está o Pomar da Unicamp, criado em outubro de 2025 pelo servidor público e ambientalista Helio Cavalheri Jr., com o apoio da Prefeitura Universitária. Mais do que um simples catálogo, a plataforma foi concebida como uma ferramenta de educação ambiental, voltada à divulgação das espécies frutíferas existentes no campus.
Antes de se tornar projeto, site e mapeamento, no entanto, tudo começou pelo encantamento. Para Cavalheri Jr., a relação com a Unicamp nasceu do olhar, e esse olhar foi imediatamente atraído pelas árvores. Quando ingressou pela primeira vez na Universidade, em 2012, o que mais o impressionou não foram os prédios ou as vias do campus, mas a quantidade e a diversidade de espécies encontradas pelo caminho, especialmente as frutíferas. “Assim que eu pisei aqui, a primeira coisa que me encantou foi a diversidade gigantesca de espécies, muitas das quais eu só tinha visto em livro.” O fascínio nasceu nos trajetos mais simples, nas caminhadas até o Restaurante Universitário, durante o horário de almoço.
Cavalheri Jr. deixou a Universidade em 2016, mas, sete anos depois, estava de volta e retomou sua pesquisa pessoal, que deu origem ao projeto Floresta Urbana. O trabalho, iniciado de forma independente, ganhou continuidade e avança sistematicamente, mapeando as árvores do campus de Barão Geraldo e se estendendo aos campi de Limeira e Piracicaba.
O ambientalista Helio Cavalheri Jr.: diversidade gigantesco de espécies
Em uma das primeiras ações do projeto, Cavalheri Jr. transformou a curiosidade em experiência compartilhada. Criou plaquetas com QR codes e as instalou junto às árvores, de modo que qualquer pessoa pudesse, ao apontar o celular, descobrir a história daquela espécie — seu nome, origem, se era nativa ou exótica, e até se oferecia frutos comestíveis. O gesto, inicialmente feito de forma artesanal e com recursos próprios, tornou-se o embrião do sistema de mapeamento que hoje se expande pelo campus.
Entre todas as espécies, são as frutíferas que ocupam um lugar especial em sua memória e em sua paixão. Ao descrever a ameixa-da-mata, por exemplo, ele prefere traduzi-la em experiência: o sabor, diz, lembra uma mistura de jabuticaba com pitanga. Esse vínculo também se expressa no cuidado cotidiano. Preocupado com árvores que vinham sendo danificadas pela roçadeira durante a manutenção das áreas verdes, ele decidiu agir por conta própria, abrindo espaço ao redor dos troncos e protegendo espécies nativas e frutíferas.
Mais do que frutos, ele enxerga nessas árvores uma forma de educação ambiental e de pertencimento. “Quando a pessoa sabe que aquela é uma espécie frutífera, nativa, importante para os pássaros e para os mamíferos, ela passa a olhar diferente”, afirma. Ao percorrer o campus, Cavalheri Jr. observa não apenas a presença das árvores, mas a vida que elas sustentam. Frutíferas como grumixama, cajá-manga, tamarindo, abiu e ameixa-da-mata atraem pássaros, saguis e outros animais. “Onde tem fruta, tem vida.”
Os vários modos de habitar o espaço
O campus pode ser um espaço para prática de atividade física e lazer
A natureza convida à pausa, e o corpo em movimento prolonga essa experiência. Caminhar, correr ou pedalar deixam de ser apenas deslocamento para compor os modos de habitar o espaço. É nesse território entre o cotidiano e suas possibilidades que a Diretoria de Esportes da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec) busca atuar.
Mais do que ampliar a oferta de atividades, o desafio está em transformar a relação da comunidade com o campus e fazer com que ele seja vivido também como lugar de cuidado e bem-estar. “A ideia é que as pessoas se apropriem do campus como um espaço para prática de atividade física e lazer”, destaca o diretor de Esportes da Proeec, Renato Barroso da Silva.
O diretor de Esportes da Proeec, Renato Barroso da Silva: lugar de cuidado e bem-estar
“O campus não é só um lugar para estudar e ir embora. Ele pode ser um espaço de convivência, de qualidade de vida. Hoje, esse uso já existe, mas de forma dispersa, e permanece como gesto individual, não plenamente incorporado à cultura universitária”, ressalta.
O engajamento segue como um dos principais desafios. “Não é falta de interesse, mas muitas vezes as pessoas não se veem nesses espaços ou não sabem que podem participar”, avalia. Apesar das dificuldades, a expectativa é de avanço gradual na consolidação de uma política esportiva mais abrangente na universidade. “Estamos construindo isso aos poucos, tanto do ponto de vista institucional quanto cultural”, conclui.
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Em meio ao concreto, o campus se afirma como uma “ilha verde”
Quatro professores do curso de música do Instituto de Artes (IA) embarcam para a Itália levando na bagagem um projeto inédito que mistura performance, escuta e reflexão crítica em torno da música popular brasileira, tratada como campo de criação, história e pensamento. A iniciativa reúne a cantora Regina Machado, a pianista Thaís Nicodemo, o baterista Leandro Barsalini e o contrabaixista José Alexandre Carvalho em uma programação que inclui aulas, concerto e palestras em Frosinone e Roma, nos dias 25 e 29 de maio.
O ponto de partida foi um convite simples, quase pontual, feito para Machado pela cantora e professora italiana Susanna Stivali: ministrar aulas de canto no Conservatorio di Musica Licinio Refice di Frosinone, a cerca de uma hora de Roma. Mas a ideia se expandiu. “Eu recebi o convite e pensei: vou, claro, mas podemos fazer algo maior. A proposta acabou se tornando uma semana inteira dedicada à música popular brasileira, fora dos formatos já estabelecidos de congressos e eventos acadêmicos”, conta.
No conservatório de Frosinone, onde o ensino musical se organiza com estatuto de universidade e forte ênfase na performance, o encontro se dará sobretudo no território do som. Pela manhã, cada professor trabalhará com os alunos em seu instrumento; à tarde, as vozes e os instrumentos se reúnem em torno de um repertório construído em conjunto, na experiência compartilhada do fazer musical. No dia 27, esse percurso se abre ao público em forma de concerto, incorporando também os alunos italianos.
A escolha do repertório reflete uma preocupação central do projeto: apresentar a diversidade da música popular brasileira para além dos recortes mais difundidos internacionalmente. Obras de Tom Jobim, Gilberto Gil, Chico Buarque e Cartola estão previstas, mas não como fim em si mesmas. “Lá fora, a principal referência ainda é a bossa nova, porque ela teve uma internacionalização muito forte”, observa Machado. “Mas a gente quer ampliar esse horizonte, mostrar outros gêneros, como o samba e o baião. A ideia é fazer uma espécie de amostragem dessa música que se consolidou ao longo do século 20 e que hoje é matéria de estudo.”
À esquerda, a cantora Regina Machado e, à direita, a pianista Thaís Nicodemo: projeto inédito que mistura performance, escuta e reflexão crítica em torno da música popular brasileira
Essa ideia de “matéria” como algo que se investiga, se transmite e se transforma atravessa todo o projeto. Em Roma, onde os professores participam de atividades na La Sapienza Università di Roma, a música se desloca para a palavra. Ali, o grupo chega como convidado do professor e pesquisador Luca Bacchini, ligado a um departamento dedicado aos estudos interculturais e brasileiros. “O professor que nos convidou é um brasilianista com vários trabalhos sobre a canção brasileira. É um campo de estudo consolidado”, aponta Machado.
Cada docente da Unicamp apresentará uma palestra, expandindo em reflexão aquilo que se experimenta na prática. Machado enfocará a voz, suas formas, suas sonoridades, aquilo que se construiu historicamente e ainda ressoa. “A voz na canção brasileira foi se definindo ao longo do século 20 e isso constitui uma linguagem, uma estética, um campo de pesquisa”, explica.
Barsalini aponta a bateria como eixo para pensar uma tensão mais ampla. “Quero discutir a relação entre tradição e modernidade a partir da presença da bateria, observar como ela aparece em diferentes momentos históricos e o que isso revela sobre transformações da linguagem.”
Se a bateria tensiona, o piano, na leitura de Thaís Nicodemo, atravessa. “Eu penso o piano como um mediador cultural”, define. Historicamente associado a espaços de prestígio e à tradição europeia, o instrumento, no Brasil, desce às ruas, sobe o morro, infiltra-se no samba. “Ele cria uma ponte entre universos distintos”, afirma. “Não está apartado da música popular, pelo contrário, participa ativamente de sua construção, muitas vezes como elemento de modernização.”
Na base de tudo, sustentando e articulando essas camadas, está o trabalho de Carvalho, que abordará o acompanhamento, sobretudo no samba e no choro. “Quero mostrar como os instrumentos constroem essa base para que a música aconteça”, explica.
As quatro abordagens, distintas em seus focos, convergem em um ponto essencial: a recusa de separar prática e pensamento. “A gente trabalha com a ideia de que a performance e a reflexão crítica caminham juntas”, ressalta Barsalini. “Isso faz parte da própria história da música popular brasileira.”
Essa convergência também resulta de uma formação comum, construída ao longo de décadas na Unicamp. “Somos fruto de um trabalho que começou há 15, 20 anos, com professores que criaram grupos de pesquisa e trouxeram uma leitura mais crítica e multidisciplinar da música”, acrescenta o baterista.
À esquerda, o contrabaixista José Alexandre Carvalho e, à direita, o baterista Leandro Barsalini: programação que inclui aulas, concerto e palestras em Frosinone e Roma
Memória e afirmação
No contexto dos 60 anos da Unicamp, comemorados em 2026, a viagem assume também um caráter simbólico, como um gesto de memória e afirmação. Ao levar essa perspectiva para fora do país, o grupo reafirma a própria história da Universidade, que, em 1989, criou o primeiro curso de graduação em música popular em uma universidade pública brasileira. “Não é trivial”, lembra Machado. “É o reconhecimento de que essa música tem uma importância cultural enorme, não só para o Brasil, mas para o mundo.”
Ao longo do tempo, o curso foi se transformando, equilibrando diferentes demandas e visões. Se, em sua origem, privilegiava a formação crítica de músicos já atuantes, incorporou progressivamente a dimensão da performance e expandiu sua atuação para a pós-graduação. “A performance está consolidada”, observa Barsalini. “Agora a gente busca fortalecer novamente a formação crítica.”
A música popular brasileira se constrói muitas vezes fora dos modelos formais de ensino, em práticas coletivas, na oralidade e na circulação entre espaços. “Ela envolve a roda, a convivência, a troca”, diz Nicodemo. “E nem sempre isso se encaixa nas estruturas tradicionais da universidade.” Há lacunas a serem enfrentadas, como a presença tímida de instrumentos ligados às tradições populares, como pandeiro e cavaquinho, no ambiente acadêmico. “São caminhos que ainda precisamos abrir”, reconhece Barsalini.
Se a viagem aponta para esses desafios, ela também revela possibilidades. O interesse pela música brasileira no exterior, concordam os professores, é intenso e consistente. “Às vezes maior do que aqui”, observa Machado. O departamento que os recebe em Roma é um exemplo desse campo de investigação que se consolida fora do país, impulsionado por pesquisadores e artistas que veem na canção brasileira um território fértil de análise.
A expectativa é que o projeto não se encerre em si mesmo. Já há articulações para a vinda de professores italianos à Unicamp e para a construção de programas de intercâmbio que incluam estudantes. “A ideia é criar um fluxo. Levar e trazer, estabelecer vínculos”, completa Carvalho.
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Cada um dos docentes apresentará uma palestra, expandindo em reflexão aquilo que se experimenta na prática
Quem conta o Brasil – e, sobretudo, quais histórias permanecem à margem das narrativas mais difundidas no país – é uma das questões que atravessam as reflexões do escritor e professor Oscar Nakasato. Ao iniciar, em maio, uma residência artística no Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp, o autor retoma um tema recorrente em sua obra: a presença ainda restrita de experiências nipo-brasileiras na literatura e em outras formas de produção cultural. Para ele, essa ausência não é casual, mas sintoma de um processo mais amplo de construção do imaginário nacional.
Segundo Nakasato, embora haja sinais de mudança nos últimos anos, a incorporação desse universo permanece limitada e desigual, especialmente quando se observa sua circulação em diferentes linguagens. A literatura, o cinema e a televisão ainda oferecem poucos espaços consistentes para personagens e narrativas nipo-brasileiras, o que contribui para uma visibilidade fragmentada. “Que o universo nipo-brasileiro faça parte do audiovisual, do cinema, da televisão, enfim, isso ainda é bastante incipiente”, afirma, ao destacar que essa lacuna atravessa não apenas a produção artística, mas também os circuitos de difusão cultural.
Oscar Nakasato: presença ainda restrita de experiências nipo-brasileiras na literatura e em outras formas de produção cultural
Essa condição, para o autor, evidencia os limites históricos da representação no Brasil, onde determinadas experiências permanecem sub-representadas mesmo quando possuem relevância social e histórica. A presença japonesa no país, iniciada no início do século XX e profundamente enraizada em diferentes regiões, nem sempre se traduz em protagonismo narrativo. Nesse sentido, a escassez de personagens nipo-brasileiros aponta para uma seleção implícita do que merece ser contado — e do que tende a ser silenciado ou secundarizado.
Ao mesmo tempo, Nakasato reconhece que há um movimento gradual de ampliação dessas narrativas, impulsionado por novas produções e por uma maior diversidade de vozes no campo cultural. Ainda que esse avanço seja desigual, ele indica uma abertura crescente para histórias que antes encontravam pouca ressonância nos espaços mais visíveis. Trata-se, segundo o escritor, de um processo em construção, que depende tanto da produção de novas obras quanto da transformação dos critérios de legitimação no campo artístico.
A discussão sobre representação se articula diretamente com a questão da identidade, especialmente quando se observam as mudanças nas novas gerações de descendentes de japoneses no Brasil. Para Nakasato, a relação com a cultura de origem tornou-se mais difusa, marcada por distanciamentos e reinterpretações. “Grande parte dos nipo-brasileiros hoje se reconhece absolutamente como brasileira”, afirma, ao indicar que elementos da cultura japonesa persistem, mas de forma mais fragmentada e menos central na vida cotidiana.
Essa reconfiguração não implica o desaparecimento da identidade nipo-brasileira, mas sua transformação ao longo do tempo, em diálogo com processos históricos, sociais e culturais mais amplos. A identidade, nesse sentido, deixa de ser compreendida como uma herança estática e passa a ser vista como um campo dinâmico, atravessado por deslocamentos, negociações e ressignificações. Essa perspectiva permite compreender a experiência nipo-brasileira para além de estereótipos, reconhecendo sua complexidade e suas múltiplas camadas.
Essas questões estão no centro de Nihonjin, romance publicado há mais de uma década e responsável por projetar nacionalmente a obra de Nakasato. Ao revisitar o livro, o autor observa que os dilemas de pertencimento que estruturam a narrativa permanecem atuais, ainda que se manifestem de maneiras distintas no presente. A obra, que acompanha a trajetória de uma família de imigrantes japoneses no Brasil, articula memória individual e experiência coletiva para explorar os conflitos e as tensões envolvidos na construção da identidade.
Memória e ficção em Nihonjin
Desde sua publicação, Nihonjin tem sido lido não apenas como um relato sobre a imigração japonesa, mas como uma reflexão mais ampla sobre deslocamento, adaptação e pertencimento. Nesse sentido, o romance dialoga com outras experiências migratórias e com os desafios de inserção em contextos culturais distintos. Para Nakasato, essa dimensão mais ampla contribui para a permanência da obra, que continua a suscitar interpretações à medida que novas gerações se deparam com questões semelhantes sob outras circunstâncias.
O interesse do autor por essas temáticas se estende a seus projetos mais recentes, entre eles um novo romance centrado na experiência dos chamados decasséguis (brasileiros descendentes de japoneses que migraram para o Japão em busca de trabalho). Nesse caso, a narrativa se volta para o retorno ao Brasil e para o sentimento de deslocamento que acompanha esse movimento. “O protagonista é alguém que passa décadas no Japão e, ao voltar, sente-se perdido. É a questão da identidade mesmo”, explica, ao indicar a persistência do desenraizamento.
A experiência dos decasséguis, segundo o escritor, evidencia uma forma particular de deslocamento, marcada por uma dupla pertença que nem sempre se resolve de maneira harmoniosa. Ao retornar ao Brasil, esses indivíduos frequentemente se veem entre dois mundos, sem se reconhecer plenamente em nenhum deles. Essa condição liminar reforça a ideia de que a identidade é um processo em constante construção, influenciado por trajetórias individuais e por contextos históricos mais amplos.
Na elaboração de suas narrativas, Nakasato recorre a uma combinação de memória pessoal, experiência familiar e pesquisa histórica, articulando diferentes níveis de realidade na construção ficcional. “É uma história que inventei, mas com base na memória da minha família e na memória coletiva”, afirma. Esse procedimento permite ao autor criar personagens e situações que, embora fictícios, dialogam diretamente com experiências compartilhadas por diferentes grupos.
Entre memória e história
O trabalho com a memória envolve também a recuperação de episódios históricos pouco difundidos, como momentos de preconceito e exclusão enfrentados por imigrantes japoneses no Brasil, especialmente durante períodos de tensão internacional. Ao trazer esses elementos para a ficção, o autor contribui para ampliar o conhecimento sobre aspectos menos visíveis da história nacional, ao mesmo tempo em que problematiza como esses episódios são lembrados — ou esquecidos.
A circulação dessas narrativas por outras linguagens amplia ainda mais seu alcance e potencial de impacto. A adaptação de Nihonjin para o audiovisual, por meio da animação Eu e meu avô japonês, exemplifica esse processo. Para Nakasato, não se trata de reproduzir a obra original, mas abrir espaço para transformações que respondem às especificidades de cada linguagem. “Mais do que uma adaptação, foi uma inspiração”, afirma.
Esse trânsito entre literatura e audiovisual possibilita atingir públicos distintos e explorar novas formas de narrar experiências já abordadas em outros contextos. Ao mesmo tempo, reforça a ideia de que a representação da identidade nipo-brasileira não se esgota em um único formato, podendo se expandir por diferentes meios e linguagens. Essa multiplicidade contribui para diversificar as formas de percepção e interpretação dessas narrativas.
Ao abordar a presença ainda incipiente de personagens nipo-brasileiros na produção cultural, Nakasato chama a atenção para um problema que ultrapassa o campo literário e se insere em uma discussão mais ampla sobre representação no Brasil. A ampliação dessas narrativas, segundo ele, depende não apenas da produção de novas obras, mas também da disposição do público e das instituições em reconhecer e valorizar essas histórias.
Nesse contexto, a literatura surge como um espaço privilegiado para tensionar as formas estabelecidas de representação e para abrir caminho a outras perspectivas. Ao colocar em circulação experiências historicamente menos visíveis, ela contribui para ampliar o repertório simbólico do país e para complexificar a compreensão sobre sua diversidade. Mais do que preencher lacunas, trata-se de reconfigurar os modos de narrar e de perceber a realidade brasileira.
Cena da animação da adaptação de Nihonjin para o audiovisual
Entre espetáculos, encontros e percursos cotidianos, Universidade transforma a experiência cultural em parte da própria produção de conhecimento
No caminho entre uma aula e outra, o estudante, quase sem perceber, desacelera. Um som escapa de um ensaio ao longe, uma arte em uma parede atrai a vista, uma escultura no jardim interrompe o olhar automático de quem só queria chegar. O trajeto se transforma, e já não é apenas deslocamento, mas encontro. Na Universidade, a cultura não se limita a salas, palcos ou horários. Ela circula, ocupa os intervalos, faz pulsar corações e mentes. Mas essa rede de experiências não alcança todos da mesma maneira e nem sempre é compreendida em toda a sua diversidade. Ainda existem distâncias: de acesso, de repertório e, muitas vezes, de reconhecimento.
À frente da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura da Unicamp (Proeec), a pró-reitora Sylvia Furegatti, escultora e professora de Artes Visuais no Instituto de Artes (IA), destaca que o próprio formato do campus de Barão Geraldo favorece a dinâmica da articulação entre cultura e extensão, que tem sido um dos eixos centrais da gestão, inclusive nos campi de Limeira e Piracicaba. “Trabalhamos para que essas dimensões se encontrem. Um projeto de saúde pode ter aspectos culturais, assim como uma ação cultural também dialoga com a sociedade”, explica.
A presença da arte no espaço cotidiano é uma frente em expansão. “A ideia é criar encontros inesperados”, aponta. Projetos como o Arte no Campus e o jardim de esculturas do Instituto de Artes (IA) buscam integração ao percurso diário. Mais do que montar instalações permanentes, a proposta é pensar o espaço como algo vivo, “um lugar de atravessamento, de convivência, de novas interações”.
A pró-reitora de Extensão, Sylvia Furegatti: encontros inesperados
No ano passado, o Arte no Campus entrou em uma nova fase, com a instalação de duas obras de artistas mineiros: uma escultura de ferro de Leandro Gabriel, no centro da revitalizada praça Milton Santos, e a peça “Sentinela”, de Jorge dos Anjos, produzida com chapa de aço, que passou a ocupar um espaço no gramado do Restaurante Universitário (RU).” O campus de Limeira será o próximo a receber uma escultura, ainda em 2026”, adianta a pró-reitora.
Iniciativas como o Cine Cult e o Palco DCult ampliam o acesso a diferentes linguagens, tanto em espaços fechados quanto em áreas abertas do campus. A proposta, segundo Furegatti, é criar uma agenda diversa e contínua, capaz de oferecer múltiplas possibilidades de escolha ao público. “A Universidade precisa ter uma programação maior do que a capacidade individual de absorção. As pessoas escolhem, se identificam com uma linguagem, e isso também faz parte da experiência cultural.”
Essa lógica se desdobra em diferentes escalas, da formação de estudantes e produção artística interna à circulação de obras e artistas externos. Editais, parcerias e eventos de maior porte contribuem para projetar a Unicamp em circuitos mais amplos, ao mesmo tempo em que fortalecem a produção local, tanto em Barão Geraldo quanto nos campi de Limeira e Piracicaba. A Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), por exemplo, organiza todos os anos o evento Primavera Cultural e Literária, cuja terceira edição, em novembro do ano passado, teve como objetivo a democratização da cultura em Limeira, além do incentivo à leitura e a integração com a comunidade.
O diretor de Cultura, Eduardo Okamoto: sentido ampliado de cultura
“Trabalhamos com um sentido bastante ampliado de cultura”, destaca Eduardo Okamoto, que comanda a Diretoria de Cultura (DCult) da Unicamp. “Ela envolve as artes, mas também o comportamento, o convívio, as formas de estar junto.” É nesse território ampliado que a cultura se conecta diretamente à produção de conhecimento. “A inovação se produz no ambiente da cultura”, observa Okamoto. “A gente precisa de imaginação para pensar o novo, e essa imaginação se alimenta dos encontros, muitas vezes fora dos laboratórios.”
Esses encontros nem sempre são planejados. Podem surgir, por exemplo, no impacto de um concerto da Orquestra Sinfônica da Unicamp, no corpo em movimento ao participar de uma oficina, na atenção silenciosa diante de uma cena teatral. São momentos breves, às vezes quase invisíveis, mas que deixam marcas. “A pessoa volta diferente”, resume o diretor. “A cultura fertiliza o pensamento.”
Em um tempo marcado por distâncias e fragmentações, “precisamos reconstruir o convívio”, afirma Okamoto. “A cultura pode ser esse espaço seguro onde as pessoas se encontram e voltam a dialogar. Sentar-se em uma plateia, dividir o silêncio, reagir junto. Gestos simples que, pouco a pouco, reconstroem o tecido coletivo.”
No centro desse movimento, o Teatro de Arena se destaca como ponto de convergência. Aberto, atravessado por fluxos, ele, materializando uma ideia simbólica: a de que o coração da vida universitária pode ser um espaço de encontro e expressão. “É curioso pensar que o centro da nossa ‘pólis’ é um teatro”, ressalta.
Entre palcos e passagens, entre o previsto e o inesperado, a cultura na Unicamp não se impõe, ela acontece. E, ao acontecer, desloca, provoca, transforma. Como um gesto quase invisível que, de repente, muda a forma de ver, de pensar, de estar no mundo.
Esculturas espalhadas pelo campus de Barão Geraldo; na Universidade, a cultura não se limita a salas, palcos ou horários
Paredes que falam
Nos corredores, escadarias e fachadas do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), as paredes falam. Grafites, pichações, murais e inscrições espontâneas formam camadas de memória, expressão e conflito que transformam o campus em um espaço vivo de leitura e pertencimento.
“A parede é incontrolável. Gostamos de falar que as paredes têm ouvidos, mas, no caso das nossas, elas têm boca e falam muito. As paredes falam aquilo que está pulsando fora do controle da Universidade”, destaca Josianne Cerasoli, professora do IFCH.
A professora do IFCH Josianne Cerasoli (à esquerda) e a doutoranda Luana Espig Regiani: desacelerar o olhar e perceber as intervenções urbanas
Ao percorrer o prédio, a sensação é de que cada parede acumula tempos distintos. Uma palavra reaparece em outro muro. Um símbolo resiste sob novas camadas de tinta. Um desenho conhecido ressurge em outro corredor. “É muito interessante passar pelas paredes não tentando fazer um juízo de valor, mas buscando de fato dialogar com aquilo que elas estão dizendo”, observa Cerasoli. “Elas expressam muita coisa. São muitos tempos colocados nessas mesmas paredes, então são muitas vozes.”
Durante eventos como o Universidade de Portas Abertas (UPA), as paredes do IFCH também se tornam pontos de identificação para os visitantes, especialmente os mais jovens. “Os adolescentes chegam impactados pelas paredes”, relata a professora. “Muitos reconhecem os artistas que estão ali, especialmente nas manifestações ligadas ao hip-hop. Dizem: ‘Esse fulano eu conheço’. E se surpreendem ao perceber que podem estar ao lado da arte de alguém que admiram.” Para Cerasoli, esse encontro ajuda a aproximar a Universidade da comunidade. “Olhar para as paredes sem o sentido de ficar isolado do mundo pode abrir portas.”
Um projeto desenvolvido no Instituto propõe justamente esse exercício: desacelerar o olhar e perceber as intervenções urbanas como linguagem, história e presença. A iniciativa, que surgiu a partir de uma disciplina voltada ao patrimônio e se tornou uma ação de extensão, envolveu o mapeamento e a investigação das obras espalhadas pelo prédio.
“O trabalho de extensão surgiu como um desdobramento da disciplina de patrimônio”, explica Luana Espig Regiani, doutoranda do IFCH, que contou com os estudantes Kelly Leme de Proença e Max Nascimento da Silva, autores do trabalho que deu origem ao projeto. “A ideia começou com o mapeamento dos murais do IFCH e, a partir disso, percebemos que o trabalho iria além, porque o Instituto tem essa característica muito forte de ser um museu a céu aberto, com tantas manifestações artísticas.”
Nos corredores e escadarias do IFCH, grafites, pichações, murais e inscrições espontâneas formam camadas de memória, expressão e conflito
A partir do mapeamento inicial, os estudantes e pesquisadores passaram a identificar, catalogar e investigar as histórias por trás das obras: os eventos em que foram produzidas, os artistas envolvidos e os sentidos que circulam entre elas. “Trabalhamos na identificação, no mapeamento e na seleção dessas obras para entender quais histórias estavam por trás delas, em que eventos foram feitas e quem são os artistas”, explica Regiani.
Entre as obras mapeadas, um dos murais de maior impacto é o que dialoga com a cultura e a luta indígena, funcionando também como memorial. “Essa obra traz também uma homenagem a uma aluna indígena do campus que faleceu e que está representada ali”, contou Regiane. Segundo Regiani, a obra mobiliza diferentes leituras e provocações. “Para a comunidade indígena, ele tem uma questão muito forte de representatividade e reconhecimento.”
Nesta quarta-feira (29), o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp Marcos Nobre lança o livro Os arquivos da Teoria Crítica. O evento ocorre no Sesc Campinas, às 19h30. A obra, organizada por Nobre e pela professora da Universidade de Paris 1 Panthéon-Sorbonne Isabelle Aubert, reúne análises de pesquisadores sobre os arquivos de intelectuais da Teoria Crítica, corrente de pensamento fundada oficialmente em 1934 pelo Instituto de Pesquisa Social (IPS). O evento terá um debate entre Marcos Nobre e a professora Taisa Palhares, também do Departamento de Filosofia da Unicamp, mediado pelo doutorando Raphael Concli.
O livro foi publicado em 2025 pela Edições Sesc e conta com ampla contribuição de intelectuais brasileiros. Em entrevista ao Jornal da Unicamp veiculada em novembro, Nobre abordou o legado dos intelectuais da Teoria Crítica, que sofreram perseguição do nazismo e precisaram fugir da Alemanha diante das ameaças. “Com a chegada de Hitler ao poder, o Instituto teve que se mudar para Genebra, depois para Paris e depois para Nova Iorque. Ele foi fugindo da guerra, e, com isso, perdeu-se muita coisa, porque os nazistas depredaram a sede do Instituto em 1933. Um novo prédio foi construído a partir de 1950, quando o Instituto retornou para a cidade de Frankfurt”, disse o professor.
O professor Marcos Nobre: legado dos intelectuais da Teoria Crítica
No entanto, Walter Benjamin, Max Horkheimer, Jürgen Habermas e diversos outros intelectuais do Instituto buscaram salvar o que podiam. Em Os arquivos da Teoria Crítica, a análise desses documentos oferece um panorama sobre o pensamento dos intelectuais.
Entre os 24 capítulos, destaca-se a contribuição de Jürgen Habermas, que morreu em março deste ano, aos 97 anos. “Habermas foi muito solícito com a gente, permitiu que publicássemos duas cartas. e nós ficamos muito contentes de ter a possibilidade de mostrar o tipo de material que se pode encontrar nos arquivos dele”, recordou Nobre na entrevista.
Ao Jornal da Unicamp, o professor também destacou a pluralidade de perspectivas na Teoria Crítica e seu fio condutor: a prática orientada para a emancipação. “Quando a Teoria Crítica nasce, na década de 1930, ela nasce com esse espírito da união de teoria e prática. Ao mesmo tempo, para que fosse mantida a pluralidade de perspectivas e de posições dentro do Instituto, não seria possível defender uma forma específica de prática, porque isso restringiria o pensamento e a pesquisa. Essa é uma noção de tolerância em que se pensa: nós estamos orientados para a prática dirigida para e pela emancipação, mas não para uma prática determinada de um partido, de um determinado grupo”.
O lançamento do livro Walter Carnielli on Reasoning, Paraconsistency, and Probability [Walter Carnielli sobre o raciocínio, a paraconsistência e a probabilidade], 32º volume da coleção Outstanding Contributions to Logic, da editora alemã Springer, uma das mais prestigiadas do mundo acadêmico, marca um momento de inflexão para a lógica desenvolvida no Brasil. A obra reúne contribuições de 19 pesquisadores de diferentes países em torno da produção científica do lógico-matemático Walter Carnielli, professor titular do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e pesquisador-sênior da Unicamp, vinculado ao Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE).
Mais do que uma homenagem individual, o livro se insere em um movimento mais amplo de reconhecimento da ciência brasileira e amplia a visibilidade internacional de uma tradição de pesquisa construída ao longo de décadas no país, destaca o professor. “O livro não é uma homenagem a mim apenas, é uma homenagem à lógica brasileira”, afirma Carnielli, autor, entre outros títulos, de Computabilidade: funções computáveis, lógica e os fundamentos da matemática, ganhador do Prêmio Jabuti, e de Pensamento crítico: o poder da lógica e da argumentação, escritos em parceria com o matemático norte-americano Richard L. Epstein.
A coleção da Springer reúne livros dedicados a nomes de grande impacto na área, e a inclusão de Carnielli marca um feito inédito: é a primeira vez que um pesquisador fora do eixo hegemônico é homenageado na série. “Nem América Latina, nem África, nem outros países do Sul Global tinham sido contemplados antes”, conta.
O professor Walter Carnielli: homenagem à lógica brasileira
Para o professor, esse dado evidencia uma desigualdade estrutural no sistema científico internacional. “Conseguir esse espaço mostra que é possível romper essa barreira. De certa forma, eu furei essa bolha”, diz. A “bolha”, nesse caso, refere-se a uma estrutura consolidada de produção e circulação do conhecimento, na qual centros acadêmicos do Hemisfério Norte concentram visibilidade, prestígio e capacidade de influência.
Carnielli ressalta que pesquisadores de outras regiões frequentemente enfrentam mais obstáculos para alcançar reconhecimento equivalente, mesmo quando produzem contribuições relevantes. “É muito mais difícil para quem está fora desse eixo ganhar espaço”, aponta.
O livro foi organizado por Henrique Antunes, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e Alfredo Roque Freire, da Universidade de Brasília (UnB), ambos ex-alunos de doutorado de Carnielli, e por Abílio Rodrigues, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e colaborador de longa data. A organização do volume levou quatro anos. “Foi um trabalho enorme. Coordenar autores de vários países, revisar textos e estruturar o livro demandou um esforço coletivo muito grande”, afirma. A obra apresenta análises críticas, desenvolvimentos teóricos e novas propostas a partir das ideias de Carnielli e de seus colaboradores. “Não é uma coletânea de elogios. É um debate científico de alto nível”, ressalta.
Cada capítulo dialoga com aspectos específicos da produção do pesquisador, abrangendo temas como lógicas paraconsistentes e não clássicas, computabilidade, teoria da probabilidade, filosofia da lógica e filosofia da ciência, por exemplo. Entre os destaques está a discussão sobre a relação entre a lógica contemporânea e a tradição aristotélica. Um dos textos propõe uma “ruptura radical” com essa ortodoxia. “Não se trata de jogar fora a lógica clássica, mas de estendê-la. Na matemática e na lógica, quase nunca se abandona o que foi construído. O que fazemos é ampliar”, afirma.
Para ilustrar essa ideia, ele recorre a uma analogia com a música brasileira. “A bossa nova não destruiu a música clássica nem o samba tradicional. Ela incorporou elementos e criou algo novo. Gosto de dizer que o Brasil está fazendo a ‘bossa nova da lógica’.”
Além de reunir os artigos, o livro inclui a participação direta de Carnielli, responsável por comentar cada uma das contribuições, estabelecendo um diálogo com os autores e aprofundando o debate. A obra traz ainda uma autobiografia intelectual, na qual o pesquisador revisita sua trajetória acadêmica, suas influências e os caminhos que levaram à consolidação da lógica paraconsistente no Brasil.
Escrito integralmente em inglês, o livro foi concebido para circulação internacional e já está disponível na plataforma Amazon. Com mais de 600 páginas, a obra se projeta como referência para pesquisadores da área e para novas gerações interessadas em lógica, filosofia e ciência da computação.
Ao olhar para o conjunto de sua trajetória, Carnielli vê no lançamento um momento de síntese. “Eu considero esse livro uma coroação de um trabalho coletivo de décadas”, afirma. “Se não fosse o ambiente da Unicamp, do Centro de Lógica, dos alunos e colaboradores, nada disso existiria.”
Escola brasileira de lógica
A publicação recupera e projeta especialmente o desenvolvimento da lógica paraconsistente, uma área iniciada no Brasil a partir dos trabalhos do matemático Newton da Costa (1929–2024), e de forma independente na Polônia.
Um dos pilares dessa trajetória é o Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE), criado no início dos anos 1970 a partir de uma iniciativa liderada pelo filósofo Oswaldo Porchat Pereira, que trouxe para a Unicamp a proposta de um espaço dedicado à pesquisa em lógica, filosofia e fundamentos da ciência, em um momento em que essas áreas ainda eram incipientes no Brasil. “O centro surgiu com a proposta de investigar não apenas a lógica formal, mas também seus fundamentos filosóficos e históricos, um enfoque inovador para a época”, lembra Carnielli, cuja trajetória está diretamente ligada ao CLE. Ele atuou desde os primeiros anos, participou da consolidação do centro, foi diretor da instituição durante 11 anos e hoje segue como professor e pesquisador-sênior, mantendo atividades na pós-graduação e orientação de alunos.
O CLE se consolidou como um dos principais polos de pesquisa em lógica na América Latina, formando gerações de pesquisadores. Foi nesse ambiente que a lógica paraconsistente encontrou espaço para se desenvolver e ganhar projeção. “Se não fosse este espaço, este grupo, este ambiente, esse trabalho não existiria”, destaca.
A lógica paraconsistente propõe uma inflexão conceitual importante em relação à tradição clássica. Enquanto a lógica tradicional, herdada em grande parte da filosofia aristotélica, não admite contradições, levando sistemas inconsistentes ao colapso, a abordagem paraconsistente permite trabalhar com elas de forma controlada, sem comprometer a racionalidade. “A ciência clássica não consegue lidar com contradições. Se você introduz uma, o sistema ‘explode’. A lógica paraconsistente, ao contrário, permite que você continue raciocinando de maneira rigorosa mesmo na presença de contradições”, explica.
Essa possibilidade aproxima a formalização lógica do modo como os seres humanos efetivamente pensam e tomam decisões, com profundos reflexos em várias áreas da ciência. No cotidiano, contradições são frequentes, com informações conflitantes, interpretações divergentes ou dados incompletos e, ainda assim, o raciocínio não colapsa. “É uma lógica mais humana, e mais realista, no sentido de que consegue lidar com situações concretas”, observa.
Ao longo das últimas décadas, essa abordagem deixou de ser apenas uma proposta teórica para se tornar uma ferramenta relevante em diversas áreas. Aplicações em computação, linguística, inteligência artificial, filosofia da ciência, teoria da probabilidade e fundamentos da matemática demonstram o alcance do campo.
Na Unicamp, esse desenvolvimento ganhou novo impulso com a reestruturação da teoria e a criação de uma vertente conhecida como lógicas da inconsistência formal, que sistematiza e amplia propostas anteriores.
“O que fizemos aqui foi retomar uma ideia que estava, de certa forma, dispersa, e reorganizá-la. A partir disso, conseguimos integrar diversas contribuições internacionais e dar maior consistência ao campo”, explica. “O resultado foi a consolidação de uma escola brasileira de lógica, que formou pesquisadores e se expandiu por diferentes universidades do país, como a Universidade de Brasília (UnB) e as Federais da Bahia (UFBA), de Santa Catarina (UFSC), do Paraná (UFPR) e de Minas Gerais (UFMG)”, completa.
Esse movimento também contribuiu para a internacionalização da área. Hoje, pesquisas em lógica paraconsistente e não clássica desenvolvidas no Brasil dialogam com centros nos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Japão, Bélgica, França, Itália, Austrália, Nova Zelândia, México, Argentina e China. “A área cresceu e o grupo brasileiro ganhou projeção. Isso foi um trabalho coletivo, de muitos anos.”
Foto de capa:
A organização do volume levou quatro anos; cada capítulo dialoga com aspectos específicos da produção do pesquisador
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Quem circulou pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul na última terça-feira, dia 28, talvez tenha ouvido vozes familiares ecoando pelos corredores do Centro Cultural da UFRGS. Eram os timbres de Antônio Carlos Macedo (Rádio Gaúcha), Denise Cruz (102,3 FM), Mauri Grando (92 FM), Oziris Marins (Rádio Bandeirantes), Rodrigo Giacomet (União FM) e Sérgio Zambiasi (Rádio Caiçara), reunidos no evento “Rádio 2026 Mídia do Futuro“.
A atividade marcou o início das comemorações dos 10 anos do Núcleo de Estudos de Rádio (NER), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFRGS, e aproximou profissionais consagrados do mercado gaúcho de estudantes e interessados em refletir sobre as transformações do meio radiofônico.
Integrantes do NER e convidados do evento
Com ingressos esgotados rapidamente, o encontro evidenciou a vitalidade do rádio mesmo em um cenário midiático em constante mutação. Mediado pelo consultor Fernando Morgado, o painel promoveu um diálogo dinâmico entre diferentes gerações e formatos de atuação, abordando desde o jornalismo tradicional até modelos voltados ao público jovem e à música popular. Ao longo da conversa, os convidados compartilharam experiências profissionais, refletiram sobre os desafios impostos pelas novas tecnologias e destacaram a capacidade de reinvenção do rádio diante das plataformas digitais, do streaming e das mudanças nos hábitos de consumo.
Coordenado pelo professor Luiz Artur Ferraretto e pela doutoranda Valesca de Deus Menezes, o NER é um grupo de pesquisa certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Ao longo de uma década, o núcleo vem se consolidando como referência nos estudos sobre rádio no Brasil, articulando pesquisa acadêmica, produção científica e diálogo com o mercado. Como sintetizou Ferraretto durante o encontro: “Nas aulas damos sobre muitos conceitos sobre rádio, mas rádio, sobretudo, é emoção. E neste evento temos o time do sonho do rádio gaúcho, junto eles somam mais de 260 mil ouvintes”.
Com debates instigantes, o “Rádio 2026 Mídia do Futuro” celebrou a trajetória do NER e, ao mesmo tempo, projetou caminhos possíveis para o futuro do rádio, um meio que, longe de desaparecer, segue se reinventando e ocupando um lugar central no ecossistema da comunicação.
Aos 92 anos, o historiador Fernando Novais foi docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP entre 1961 e 1986 e era Professor Emérito da instituição desde 2006
Em quatro episódios do programa "Sonoridade das Palavras", o compositor e professor da USP vai falar sobre sua trajetória e suas pesquisas na área da linguagem musical
Na mostra "Suporte Indomável", obras de 16 artistas de rua reproduzem a fluidez de uma expressão artística que não perde a sua essência contestadora e transgressora
O que os trabalhadores dizem sobre o seu trabalho em plataformas não coincide com os imaginários sociais sobre essa atividade. É o que revela um estudo que analisou as percepções, expectativas e experiências associadas ao trabalho em plataformas na América do Sul. O estudo reúne evidências comparativas de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai, articulando a análise de marcos regulatórios com entrevistas em profundidade com trabalhadores de plataformas, representantes sindicais, coletivos de mulheres e outros atores do ecossistema digital. No Brasil, o estudo foi coordenado pela professora Julice Salvagni, da Escola de Administração da UFRGS.
O relatório da pesquisa “Los imaginarios sociales detrás de las plataformas” mostra que as experiências de trabalho em plataformas são diversas e atravessadas por tensões relacionadas à estabilidade dos rendimentos, às condições de trabalho e às possibilidades de desenvolvimento profissional. Conforme Julice Salvagni, compreender os imaginários sociais que estruturam essas percepções é fundamental para qualificar o debate público e contribuir para a formulação de marcos que melhorem a qualidade do emprego na economia digital.
Evento na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, de 6 a 8 de maio, integra celebrações globais e discute a atualidade da obra no pensamento contemporâneo
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Um dos pontos questionados por Eduardo Tomasevicius Filho é se vale a pena substituir um Código Civil - que na França tem mais de 200 anos -, uma lei que não se troca com facilidade e que está diretamente ligada à identidade cultural do País
Um ponto importante a ser levado em conta é o da tradição construtiva, a qual é permeada por condicionamentos climáticos, condicionamentos topográficos e uma série de outras condições de determinado local
O Curso de Línguas com finalidade Acadêmica (CLA) abre inscrições para 11 turmas de diferentes cursos de língua inglesa. As aulas são gratuitas e ministradas em formato online, dos dias 11 de maio a 4 de julho, tendo turmas de nível iniciante, intermediário, para conversação, compreensão de textos, produção escrita e preparatório para exames de proficiência. As inscrições estão disponíveis para toda a comunidade acadêmica, discentes, docentes e técnicos com vínculo ativo, até o dia 8 de maio, através deste link.
Informações das turmas ofertadas:
Interações em Contexto Acadêmico (iniciante) – Turma 1
Período: 11/05/26 – 29/06/26
Dia: Segunda-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Letícia
Nível: A1-A2
online
Interações em Contexto Acadêmico (iniciante) – Turma 2
Período: 12/05/26 – 30/06/26
Dia: Terça-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Laura
Nível: A1-A2
online
Interações em Contexto Acadêmico (iniciante) – Turma 3
Período: 13/05/26 – 01/07/26
Dia: Quarta-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Letícia
Nível: A1-A2
online
Interações em Contexto Acadêmico (iniciante) – Turma 4
Período: 14/05/26 – 02/07/26
Dia: Quinta-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Laura
Nível: A1-A2
online
Interações em Contexto Acadêmico (intermediário) – Turma 1
Período: 11/05/26 – 29/06/26
Dia: Segunda-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Karol
Nível: B1-B2
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Interações em Contexto Acadêmico (intermediário) – Turma 2
Período: 12/05/26 – 30/06/26
Dia: Terça-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Eduardo
Nível: B1-B2
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Leitura e Compreensão de Textos Acadêmicos
Período: 13/05/26 – 01/07/26
Dia: Quarta-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Karol
Nível: B1-B2
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Provas de proficiência: Caplle e TOEFL
Período:11/05/26 – 29/06/26
Dia: Segunda-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Kelly
Nível: B1-C2
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Produção Escrita: Seção Introdução de Artigos de Pesquisa em Inglês
Período:15/05/26 – 03/07/26
Dia: Sexta-feira (14:00 – 16:30)
Professor: Kelly
Nível: B1-C2
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Grupo de Conversação em Inglês para fins Acadêmico – Turma 1
Período: 12/05/26 – 30/06/26
Dia: Terça-feira (19:00 – 21:30)
Professor: Lisiane
Nível: B2-C1
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Grupo de Conversação em Inglês para fins Acadêmico – Turma 2
O Centro Cultural da UFRGS foi o cenário de um marco para o direito e a preservação das línguas originárias no Brasil na quarta-feira, 29 de abril. A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e o Programa Língua Indígena Viva no Direito (LIVD) realizaram o evento que validou a tradução da Constituição Brasileira e de tratados internacionais para a língua Kaingang, garantindo que esses textos agora possam ser lidos e compreendidos no idioma original desse povo.
A iniciativa, financiada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelos Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça, teve como propósito central democratizar o acesso à informação jurídica. A língua Kaingang é o terceiro idioma originário mais falado no país. Ao adaptar pilares do ordenamento jurídico para o idioma, o programa busca fortalecer o diálogo entre as comunidades e o sistema judiciário, assegurando que direitos fundamentais sejam compreendidos a partir da própria cosmologia indígena. Para o pró-reitor de Ações Afirmativas e Equidade Alan Alves Brito, a medida é uma ferramenta para combater o racismo nas esferas institucional, epistemológica e linguística. “A tradução de documentos críticos é fundamental para o fortalecimento da democracia no país, por meio do reconhecimento e da preservação cultural”, afirmou.
A programação foi aberta com um ritual de dança conduzido pela comunidade Kaingang e contou com representantes das entidades relacionadas ao projeto. Durante a cerimônia, foi exibido um documentário sobre os bastidores do projeto, detalhando o processo de construção coletiva dos textos. Ao final do encontro, os participantes receberam exemplares impressos da terceira parte da Constituição Federal traduzida. O evento encerrou uma etapa técnica do programa LIVD.
O projeto, que se estendeu por 14 meses, teve como base a aldeia Kógunh Mág, em Canela, e seguiu rigorosamente o preceito de Consulta Livre, Prévia e Informada. Para Ademir Garcia, estudante de Direito na UFRGS e bolsista do projeto, a validação pelas lideranças representou um passo essencial de soberania. A tradução contou com a coordenação técnica e comunitária de Fernando Gomes, presidente da ADICUCA, e do cacique Mauricio Ven-Tahn Salvador, que mediaram o desafio de adaptar termos jurídicos complexos à língua ancestral.
A Comissão Recursal da Comissão Permanente de Verificação da Autodeclaração Étnico-Racial (CPVA) enviou pelo Portal do Candidato nesta quarta-feira, 29 de abril, convocação para a sessão de verificação presencial de recursos da decisão da CPVA aos candidatos que concorrem ao ingresso na Graduação pela reserva de vagas para pretos, pardos, indígenas e quilombolas. Ao todo, foram convocados 40 candidatos oriundos do Vestibular 2026 e do Sisu 2026, os quais ingressaram provisoriamente em 2016/1.
As sessões serão presenciais na segunda-feira, 4 de maio, a partir das 14h. Os candidatos devem comparecer à sala 218 do Anexo III da Reitoria (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro).
Orientações:
– Conferir, individualmente, no Portal do Candidato, a indicação de dia, horário e local de comparecimento e as orientações enviadas;
– Comparecer, no mínimo, 15 minutos antes do horário de início da sessão;
– Levar um documento de identificação original e atualizado, com foto (não serão aceitos documentos com foto de criança ou que constem como “não alfabetizado”);
– Levar a documentação específica solicitada no edital (candidatos quilombolas ou indígenas);
– Levar caneta esferográfica azul ou preta.
A sessão de verificação poderá ocupar todo o turno indicado.
Uma importante iniciativa nacional do Programa Asas para o Futuro, do Ministério das Mulheres, tem a participação da UFRGS: trata-se do curso de extensão Instalações Elétricas Básicas e Energia Solar Fotovoltaica que será oferecido presencialmente na Escola Estadual de Educação Básica Prudente de Morais, em Osório (RS), a partir de maio. O objetivo da ação é promover a formação de jovens mulheres, entre 15 de 29 anos, para atuação em áreas estratégicas relacionadas à transição energética e à sustentabilidade. Podem participar moradoras das áreas urbanas ou rurais, e será dada preferência para aqueleas em situação de vulnerabilidade social e econômica. As informações completas sobre inscrições serão divulgadas nas próximas semanas.
Na UFRGS, o programa será desenvolvido por meio do Campus Litoral Norte. A professora Aline Pan, integrante da equipe gestora do curso, explica que a iniciativa reforça o compromisso institucional da Universidade com a promoção da equidade de gênero, a inclusão social e o fortalecimento das ações de ensino, pesquisa e extensão, especialmente em temas relacionados à transição energética.
Com carga horária de 200 horas, a formação está estruturada em três eixos integradores, que articulam conhecimentos técnicos, científicos e sociopolíticos:
Eixo 1 – Transformações Sociopolíticas Aborda temas como sustentabilidade, equidade de gênero, pensamento científico e gestão da energia no cotidiano, promovendo uma formação crítica e cidadã.
Eixo 2 – Transformações Tecnocientíficas Contempla os fundamentos da eletricidade e da energia solar fotovoltaica, com foco na compreensão técnica dos sistemas energéticos.
Eixo 3 – Transformações Aplicadas Integra teoria e prática por meio do estudo de tecnologias fotovoltaicas, montagem de sistemas e segurança do trabalho, preparando as participantes para a inserção produtiva no setor.
As inscrições para professores interessados em atuar como docentes do curso estão abertas até o dia 10 de maio de 2026, e os interessados podem acessar o edital completo e demais informações no link https://www.ufrgs.br/asasparaofuturo/selecao-de-professores/. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail asasparaofuturo@ufrgs.br.
Estudantes interessados em participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 têm até hoje, 30 de abril, para solicitar a isenção da taxa de inscrição. Também encerra-se nesta quinta-feira o prazo para que os candidatos que faltaram aos dois dias de prova do Enem 2025 justifiquem a ausência para ter direito à gratuidade nesta edição. Reforçando que a UFRGS oferece 30% das vagas de ingresso na graduação via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Enem como critério de classificação.
O pedido de isenção e a justificativa devem ser realizados na Página do Participante, com login único da conta Gov.br. Têm direito à isenção candidatos que se enquadrem em pelo menos um dos seguintes critérios: a) estar matriculado no 3º ano do ensino médio em escola pública em 2026; ou b) ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou como bolsista integral em escola privada, com renda familiar de até um salário-mínimo e meio por pessoa; ou estar em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico); c) participantes do programa Pé-de-Meia também podem solicitar o benefício.
Mesmo com a isenção aprovada, é necessário realizar a inscrição no Enem dentro do prazo que será divulgado em edital específico pelo Ministério da Educação. O edital de isenção deste ano também permite que o participante solicite o uso do nome social já neste momento, não precisando aguardar o período de inscrição na prova. Para isso, é necessário que o nome social esteja registrado na base de dados da Receita Federal.
Mais informações devem ser obtidas neste link, no site do MEC.
Referência no ensino, na pesquisa e na assistência à comunidade, o Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV) da UFRGS celebra, neste mês de maio, sete décadas de atuação. Para marcar a data, uma programação especial será realizada ao longo do mês, reunindo estudantes, servidores, profissionais da área e a comunidade.
Criado em 1956 como espaço de formação prática vinculado à Faculdade de Veterinária, o HCV, localizado na Avenida Bento Gonçalves, 9090, no bairro Agronomia, consolidou-se como um dos principais hospitais veterinários universitários do país. Ao longo dos anos, tornou-se referência pela expressiva quantidade de atendimentos e pela diversidade de áreas de atuação, contribuindo diretamente para a formação de profissionais e para o avanço da medicina veterinária. Paralelamente, a unidade desempenha uma função social essencial ao oferecer atendimento qualificado à comunidade.
Atualmente, o hospital conta com uma equipe de 13 professores, 36 residentes, 40 funcionários terceirizados, 36 servidores técnico-administrativos, entre eles 16 médicos veterinários, que atuam na prática clínica em diferentes especialidades. Anualmente, são realizados mais de 30 mil atendimentos envolvendo pequenos animais, grandes animais e espécies silvestres, volume que posiciona o HCV como o maior do Brasil em número de casos.
Conforme a diretora do Hospital, Anelise Gerardi, o Hospital de Clínicas Veterinárias desempenha um papel essencial na promoção da saúde e do bem-estar animal, ao mesmo tempo em que contribui diretamente para a saúde pública e o desenvolvimento científico. Segundo ela, há espaço de atendimento, ensino e pesquisa, o que fortalece a formação de profissionais qualificados e amplia o acesso da comunidade a serviços veterinários de qualidade. “Para os próximos anos, a perspectiva é de contínuo crescimento e inovação, com a expansão de serviços, incorporação de novas tecnologias e fortalecimento das ações de extensão, consolidando ainda mais sua relevância social e acadêmica. Seguimos buscando melhorias tanto na logística de atendimentos quanto de equipamentos e estruturalmente”, projeta.
A estrutura do hospital está organizada em diferentes áreas de atendimento, que contemplam a diversidade da prática veterinária. Entre os principais setores, destacam-se a Clínica de Cães, a Clínica de Gatos – Medicina de Felinos, a Clínica de Grandes Animais, o Serviço de Diagnóstico por Imagem e o Serviço de Endocrinologia e Metabologia Veterinária. Além disso, o HCV oferece atendimento especializado em áreas como dermatologia, oftalmologia, endocrinologia, oncologia, ortopedia e traumatologia, clínica de animais silvestres e neurologia, ampliando sua capacidade de diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos. “Somente em 2025 foram realizados 7.555 atendimentos clínicos em pequenos animais, 1.052 procedimentos cirúrgicos, 1.711 consultas de animais silvestres, 143 atendimentos a grandes animais, além de 6.017 exames de imagem e 45.574 exames laboratoriais”, relata a diretora.
As atividades alusivas aos 70 anos incluem palestras, ações comemorativas, eventos culturais e momentos de integração com a comunidade, reforçando o papel do hospital como espaço de formação e de prestação de serviços. A participação nas atividades comemorativas requer inscrição prévia.
Programação de aniversário
Semana de Palestras
Entre os dias 18 e 22 de maio, sempre às 12h, no Auditório da Faculdade de Veterinária, será realizada a Semana de Palestras, com a participação de convidados e abordagem de temas relevantes da área veterinária:
18/5 – Professor André Dalto. “Trajetória na Medicina Veterinária”
19/5 – Médica Veterinária Elissandra da Silveira. “Heróis da enchente de 2024”
20/5 – Médico Veterinário Derek Blaese. “Do estágio no HCV à atuação com animais marinhos”
21/5 – Médica Veterinária Rochana Fett. “Do HCV ao empreendedorismo”
22/5 – Médica Veterinária Priscila Zlotowski. “Desmistificando a área comercial”
No dia 20 de maio, às 13h15, será promovida uma sessão especial de cinema com o curta-metragem “70 anos de história do HCV/UFRGS”, em homenagem aos aposentados do hospital e da Faculdade de Veterinária (Favet). A atividade, que incluirá um abraço simbólico no prédio, será realizada no auditório da Favet. É necessária a confirmação de presença, até 18 de maio, pelos e-mails gerenciavet@ufrgs.br e hcv_secretaria@ufrgs.br
Ação de integração com a comunidade acadêmica
No dia 22 de maio, às 16h30, no hall do hospital, ocorre a inauguração do espaço EU AMO VET, com descerramento de placa comemorativa no pátio interno da Faculdade de Veterinária. A atividade é aberta à comunidade e integra as ações de celebração e convivência institucional.
Jantar Baile
No dia 23 de maio, será realizado o Jantar Baile comemorativo alusivo aos 70 anos do HCV. Além da apresentação da Banda Ácidos Graxos e Voláteis, haverá serviço de alimentação com saladas e frios, pratos quentes, sobremesas e bebidas. A festividade ocorrerá no Salão Panorâmico do Clube Geraldo Santana, Rua Luiz de Camões, 337, Bairro Santo Antônio, a partir das 19h45. Informações sobre a venda de ingresso: pelo whatsapp 3308-8049, com inscrições pelo formulário: https://forms.gle/JPSXQf5G774fDzHm8
A confirmação de interesse em permanecer concorrendo a uma das vagas remanescentes da UFRGS já pode ser realizada via Portal do Candidato. Aqueles que estão aguardando vaga do Vestibular 2026 e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 têm até o dia 5 de maio para realizar o processo, conforme as orientações do edital do seu processo seletivo: Vestibular 2026 ou Sisu 2026
A confirmação de interesse deverá ser realizada, impreterivelmente, das 10h do dia 29 de abril às 23h59 do dia 5 de maio, exclusivamente por meio do Portal do Candidato, com o candidato anexando, na forma de arquivos digitalizados de boa qualidade e com todas as informações legíveis, no formato .PDF ou .JPG, com no máximo 5 Mb cada, os documentos especificados nos editais.
O Departamento de Ingresso orienta que as candidaturas em diferentes processos seletivos são independentes. Desse modo, o candidato na condição “aguardando vaga” no Vestibular e no Sisu deverão fazer duas vezes o processo de confirmação, caso tenha interesse em seguir aguardando vaga pelos dois processos de ingresso na graduação.
O candidato que não confirmar o interesse pela vaga ou deixar de anexar os documentos exigidos nos respectivos editais será considerado como desistente do processo seletivo. A partir da condição de desistente, não será convocado em editais posteriores de chamamento para ocupação de vagas remanescentes.
Orientações sobre primeiro acesso ao Portal do Candidato para confirmação de interesse podem ser obtidas no tutorial disponível neste link. Eventuais dúvidas devem ser encaminhadas para o Atendimento do Ingresso, pelo e-mail: ingresso@ufrgs.br ou pelo telefone (51) 3308.4800.
O que vem depois?
A confirmação de interesse assegura a permanência do candidato classificado entre aqueles que aguardam um possível chamamento, ou seja, garante apenas a expectativa de direito à lotação em vaga. Os candidatos que confirmarem interesse só serão convocados em novos chamamentos caso existam vagas remanescentes, obedecendo à ordem de classificação e ao número de vagas remanescentes para cada modalidade de ingresso.
Em cartaz na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP, mostra reúne registros da Expedição Langsdorff - que há 200 anos percorreu o interior do Brasil, desde São Paulo até o Amazonas - para gerar reflexões sobre a preservação do ambiente
Proposta coordenada pelo Instituto de Física de São Carlos da USP pretende transformar o ensino com o uso de tecnologias imersivas, formação docente e ações em escolas, bibliotecas e museus, com impacto em toda rede e potencial de replicação em outros municípios
Aberto a todos os interessados no tema e sem necessidade de inscrição prévia, o evento será realizado remotamente no dia 30 de abril, a partir das 8h30, com transmissão ao vivo pelo YouTube
No Instituto de Física da USP, encontro reúne especialista para discutir práticas, desafios e impactos do método no ensino. Participação é gratuita e haverá transmissão ao vivo pelo YouTube
Se existem lugares que estão no DNA do Brasil, a feira livre é um deles. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 9 mil delas em funcionamento atualmente, distribuídas em 3.961 municípios, alcançando 71,5% do país. Disposto a incentivar o público universitário a frequentar esses locais, um grupo de estudantes do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Unicamp, deu início ao projeto de extensão “Cadê a feira?”, que busca mapear e descrever cada um desses pontos de comércio popular e tradicional em Campinas. Valorizar a agricultura familiar é outro foco do grupo com este trabalho.
O que era para ser uma ação entre colegas, transformou-se em um projeto a serviço da comunidade em geral. Surgido em 2024 dentro das disciplinas de extensão universitária, alunos das Ciências Sociais passaram a combinar pesquisa acadêmica com ações práticas de resgate destes espaços, que vão além da compra de alimentos.
Atualmente, a iniciativa tem uma página no Instagram — kdafeira.unicamp —, onde é possível saber os bairros, dias e horários das feiras, além do que cada local oferece. “Hoje, entendemos que o projeto tem um caráter de utilidade pública, porque facilita o acesso à informação. Queremos conectar feirantes a consumidores”, explica o estudante Pedro Montefusco Neto, integrante da iniciativa.
Além de reunir dados, o grupo busca resgatar o papel das feiras como espaços de convivência. Mais do que locais de compra, elas são vistas como ambientes de socialização e de troca entre pessoas de diferentes origens. “Queremos recuperar essa cultura de frequentar a feira não só pelo consumo, mas pela experiência social”, comenta o estudante.
Estudantes durante a programação do Unicamp Portas Abertas, em 2025; a docente Artionka Capiberipe no centro e ao lado o estudante Pedro Montefusco Neto
O projeto também tem investido em ações educativas. Entre elas, a participação em eventos universitários com atividades interativas sobre os caminhos dos alimentos até o consumo e a organização de exibições de documentários sobre alimentação e indústria alimentícia. Na edição mais recente do programa Unicamp de Portas Abertas (UPA), por exemplo, o grupo montou literalmente uma banca de feira para chamar a atenção dos visitantes.
Para ampliar este verdadeiro raio-x das feiras, o grupo do IFCH realiza um trabalho de campo que envolve um mapeamento a partir de dados públicos (site da Prefeitura de Campinas, por exemplo), a verificação das informações e visitas presenciais. Pedro Neto conta que, em alguns casos, feiras existentes no portal do município, na verdade, não existem. Por isso, a importância desse contato presencial pelas regiões da cidade.
Durante as idas aos locais, eles conversam com feirantes e consumidores, registram imagens em foto e vídeo, além de coletar dados sobre o funcionamento e o perfil dos trabalhadores. Outra ação do grupo foi a criação de localizações no Google para feiras que ainda não estavam registradas digitalmente.
Barão Geraldo
Por enquanto, as atividades estão concentradas em Campinas, principalmente por questões logísticas. O levantamento mais detalhado até agora foi feito na feira de Barão Geraldo, distrito de Campinas, onde os estudantes aplicaram questionários para compreender aspectos econômicos e históricos dos feirantes. Ainda de acordo com Pedro Neto, o perfil dos trabalhadores é diverso, e nem todos são produtores diretos. “É comum que muitos sejam revendedores, o que também faz parte da dinâmica atual. Por isso, além da agricultura familiar, também valorizamos a economia local como um todo”, afirma ele.
Questionado sobre a percepção de que as feiras estariam desaparecendo, o estudante avalia que elas continuam ativas, mas perderam visibilidade. A concorrência com supermercados, que oferecem maior praticidade, é apontada como um dos principais desafios. “As feiras não sumiram. O que mudou foi o acesso e o hábito das pessoas”, acredita.
Outro ponto observado é o perfil do público. A frequência ainda é majoritariamente composta por pessoas de uma faixa etária mais alta, habituadas culturalmente a frequentar esses espaços, o que reforça a necessidade de atrair novos consumidores. Para os integrantes do grupo, o objetivo central é manter viva uma prática cultural que resiste às transformações urbanas. “A feira é um espaço importante de convivência e de resistência. Fazer com que as pessoas saibam que ela existe já é um passo muito grande”, conclui.
Feirantes no distrito de Barão Geraldo: atividades para compreender aspectos econômicos e históricos dos feirantes
Vida própria
A professora Artionka Capiberibe, coordenadora da graduação em Ciências Sociais (2024-2026) do IFCH, lembra que o projeto “Cadê a Feira?” surgiu em sala de aula como parte de uma disciplina de extensão e rapidamente ganhou vida própria. A proposta inicial evoluiu para um trabalho mais profundo de interação com feirantes e frequentadores.
“A partir desse diagnóstico, passaram a atuar em diálogo com os trabalhadores locais, respeitando o princípio fundamental da extensão universitária: a construção conjunta com a comunidade”, aponta a professora. “A experiência prática também revelou aos alunos a complexidade do cotidiano dos feirantes, muitos dos quais exercem múltiplas atividades além da feira. Esse contato direto contribuiu para desconstruir visões simplificadas e ampliar a compreensão sobre as dinâmicas sociais e econômicas envolvidas”, acrescenta.
Capiberibe faz questão de ressaltar que a “curricularização” da extensão universitária tem provocado mudanças significativas na formação de estudantes, ao estimular o contato direto com a sociedade e a aplicação prática do conhecimento acadêmico. “Na área de Ciências Sociais, essa transformação tem se materializado em uma série de projetos que conectam universidade e comunidade de forma contínua e colaborativa”, diz ela.
O “Cadê a Feira?” é apenas uma entre diversas iniciativas desenvolvidas no âmbito das disciplinas de extensão. Projetos como o “Falacine”, que leva sessões de cinema nacional a escolas públicas, o “Iranti”, voltado à realização de oficinas com mulheres idosas, e o “Humanidades em Cena”, que articula teoria social e produção teatral, demonstram a diversidade de propostas e públicos alcançados.
Ainda de acordo com Capiberibe, diferentemente de atividades acadêmicas tradicionais, os projetos de extensão não se encerram em um semestre. Estruturados em ciclos de disciplinas, eles permitem continuidade e aprofundamento ao longo do tempo, além de favorecer a participação coletiva — tanto entre estudantes quanto com os grupos externos envolvidos.
“Mais do que aplicar conhecimentos, os alunos relatam transformações pessoais ao longo do processo. Em muitos casos, a expectativa de levar algo à comunidade dá lugar à percepção de troca e aprendizado mútuo. A vivência prática, marcada pelo diálogo e pela adaptação às realidades encontradas, reforça o papel social da universidade pública”, comenta a professora.
Com iniciativas que seguem ativas desde 2024, os projetos indicam que a extensão pode ir além de uma exigência curricular, consolidando-se como um eixo estruturante da formação universitária. Ao romper os muros da academia, essas experiências contribuem para formar profissionais mais conscientes, engajados e preparados para atuar em contextos diversos.
Feiras visitadas pelos estudantes para colher informações; à esquerda no bairro Costa e Silva e à direita no Jardim Chapadão
Praça de alimentação
Rogério Chiminazzo, presidente do Sindicato dos Feirantes e Ambulantes de Campinas, valoriza a iniciativa surgida na Unicamp e acredita que ela pode reaquecer um estratégico setor comercial da cidade. “Também sou feirante e considero esse trabalho maravilhoso, justamente por atrair a atenção dos jovens. Atuo há seis anos em feiras noturnas e, hoje, elas estão ainda mais completas com verduras, peixe, espetinhos, milho, chope, pastel, crepe, hambúrguer, cookie e até acarajé. Tem muita coisa. É praticamente uma praça de alimentação. Queremos fazer isso também com as feiras diurnas”, conta.
Documentário
Como parte complementar desse universo ligado à alimentação, o IFCH exibe, no próximo dia 30, a partir das 18h, no Auditório Marielle Franco (Rua Cora Coralina, 100, na Unicamp), o documentário “Comida de Mentira”, de Rafael Mellin e Chica Andrade. Após a exibição, haverá uma roda de conversa sobre o filme. O evento é promovido pelo projeto “Cadê a Feira?”. A obra revela como a indústria dos ultraprocessados, movida pelo lucro a qualquer custo, quer reprogramar a alimentação de milhões de pessoas, comprometendo a saúde e ameaçando ecossistemas inteiros. A produção é do Coletivo Bodoque e Pajú Entretenimento.
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Título de Honra ao Mérito foi concedido aos egressos Michele Lessa, Cristiane Sobral, Narue Shiki e Giles Carriconde, por contribuições em suas áreas do conhecimento
Diante do Salão de Atos lotado e com mais de 3,5 mil pessoas assistindo ao vivo a transmissão da UFRGS TV pelo YouTube, a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia Antunes Rocha abriu sua Aula Magna, na noite desta sexta-feira, 24 de abril, manifestando sua satisfação por estar na Universidade: “Este é o Brasil que me alegra… este é o ambiente que me faz acreditar no Brasil”. A ministra conduziu sua fala bem ao estilo de uma prosa: como boa mineira, Cármen Lúcia disse que gosta mesmo é de prosear. E assim foi: interrompida algumas vezes por aplausos e risadas da plateia, ela conseguiu falar sobre um tema sério, urgente e triste – “Violência contra a mulher: desafios contemporâneos e caminhos para o enfrentamento” – de forma descontraída e afetuosa, propondo reflexões a partir de três itens: Democracia e Paz, Paz e Violência e Violência contra o gênero feminino. Referindo-se muitas vezes à Constituição Federal de 1988, Cármen Lúcia destacou as garantias constitucionais de liberdade e de igualdade e afirmou que o texto propõe a libertação, permite o “movimento democrático da vida” com o outro, a possibilidade libertadora de, com base no que o Direito assegura, as pessoas viverem os papéis que quiserem desenvolver respeitando o outro, o que faz com que se tenha uma vida muito melhor e se possa viver em paz.
Ao afirmar que se vive no Brasil “uma barbárie contra a mulher” e um “estado de violência constitucional”, a ministra disse que precisamos uma democracia que assegure a paz, a paz como oposto à violência de qualquer tipo, não só a praticada no espaço doméstico, mas também no ambiente público. Ela entende que é possível reverter esse quadro, expandindo a capacidade de nos igualarmos: “não acho que seja fácil, mas é imprescindível”, disse.
Cármen Lúcia lembrou também da violência de gênero na política, com discursos de ódio sexistas que muitas vezes fazem as mulheres renunciarem a sua vocação. Ela revelou que gostaria de propor para as eleições de 2026 a criação “brigadas eleitorais” para candidatas mulheres, a exemplo do funcionamento das Patrulhas Maria da Penha.
Por fim, a ministra afirmou que quer a paz democrática, com respeito a todos os direitos e que seu coração bate com todas as forças por um Brasil justo e solidário, como batia quando ela tinha 16 anos e iniciava o curso de Direito.
A Aula Magna teve transmissão ao vivo pela UFRGS TV com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras), e a gravação está disponível para acesso no YouTube.
Livro ouro
A ministra Cármen Lúcia foi recebida na UFRGS pela reitora Marcia Barbosa em espaço reservado do Salão de Atos, onde foi convidada a assinar o Livro Ouro da UFRGS, um livro histórico que reúne registros de mensagens de visitantes ilustres. Ela escreveu: “Que esta Universidade, que acolheu, formou e expandiu para o Brasil tantas grandes figuras públicas, continue celeiro de ideais, de ideias e de sonhos para um País mais justo e solidário”
Estavam presentes na recepção o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul Eduardo Uhlein, a deputada federal Maria do Rosário, representando a Câmara dos Deputados, a ex-reitora e professora emérita da UFRGS Wrana Panizzi, a diretora da Faculdade de Direito Ana Paula Motta Costa e a chefe de Gabinete Maria Luíza Saraiva Pereira.
O pós-doutorando do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências (IG) Luca Lämmle retornou de um estágio de um ano no Departamento de Geologia da Universidade de Patras, na Grécia, onde foi recebido por Pavlos Avramidis. Sob supervisão do professor do IG Archimedes Perez Filho no IG, Lämmle pesquisou ambientes de transição de áreas estuarinas e deltaicas localizadas na foz do rio Pineios, no oeste do Peloponneso, Grécia. Também realizou atividades de campo junto à Universidade de Napoli Federico II, na Itália, por dois meses, quando pesquisou a foz do rio Volturno, localizado na região Campania, no sul do país. Seus estudos buscaram compreender como as pressões antrópicas nas bacias hidrográficas — incluindo urbanização, agricultura e barragens — impactam o sistema costeiro. O foco principal recai sobre a erosão costeira progressiva, que ameaça áreas urbanas no Mediterrâneo, configurando um desafio crescente para a gestão pública.
À esquerda, visita ao State Key Laboratory of Estuarine and Coastal Research (East China Normal University) e grupo de pesquisa anfitrião
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Lämmle conta que seu primeiro contato com Avramidis, coordenador do Laboratório de Sedimentologia da universidade grega, ocorreu durante seu doutorado em Geografia no IG. Em 2023, o coordenador consolidou parceria com o Laboratório de Geomorfologia (Geomorfo), coordenado por Perez Filho, quando participou de um workshop internacional.
Resultados dos estudos na Grécia
Segundo Lämmle, “é possível apontar que o principal problema das áreas estudadas até então é que estão passando por um processo de erosão costeira com intensidade progressiva, associada às alterações no fluxo hidrossedimentar dos rios, reduzindo sua capacidade de transportar sedimentos até a costa”. Esses sedimentos deveriam chegar às praias e manter o equilíbrio na área de foz, mas a perda de energia dos rios diminui o fluxo de sedimentos até a foz. Esse déficit nas praias faz com que as ondas avancem sobre o continente para recompor o material ausente, o que caracteriza o fenômeno da erosão costeira.
O pesquisador aponta que, “dentre as principais atividades de uso relacionada a tais alterações, está a presença de barragens, que possuem grande capacidade de reter sedimentos e de alterar o fluxo de vazão fluvial”. Praias urbanas próximas a essas áreas também foram analisadas por Lämmle. Dois artigos já foram publicados e outro está em avaliação: um no periódico Anthropocene Coasts e outro no Land.
Palestra proferida na Universidade de Veneza e apresentação de resultados parciais na 11ª Conferência Internacional de Geomorfologia, realizada em Christchurch, na Nova Zelândia,
Durante a execução do projeto, o pós-doc do IG propôs um evento no formato de reunião científica aqui no Departamento, intitulado “II Meeting on Tropical and Subtropical transitional environments“. “O objetivo do evento foi consolidar as colaborações internacionais vinculadas ao projeto, e o encontro contou com membros do Laboratório de Geomorfologia da Unicamp, além de professores de universidades italianas, americanas, alemãs e gregas”, destaca Lämmle.
O pesquisador também participou de palestras na Universidade de Genova (Itália), na Universidade de Napoli Federico II (Itália) e na Universidade da Basilicata (Itália), que permitiram estreitar relações acadêmicas para ampliar a colaboração internacional do grupo do Geomorfo-Unicamp.
Eventos internacionais
Durante seu estágio na Grécia, o pós-doc do IG participou de eventos internacionais, como o Congresso Internacional de Geomorfologia, na Nova Zelândia, em que divulgou resultados parciais em apresentação oral e coordenou uma sessão temática do eixo de Geomorfologia Antropogênica, juntamente com o Francesco Faccini, professor da Universidade de Genova, e Alessia Pica, da Universidade de Roma La Sapienza.
Lämmle participou ainda de uma atividade de campo na China, no delta do rio Yangtze, no State Key Laboratory of Estuarine and Coastal Research. Esse laboratório é o principal centro de estudos estuarinos e costeiros da China, sendo vinculado ao Ministério da Educação e estando hospedado na East China Normal University (ECNU). O pós-doc ministrou a palestra “Transitional environments under anthropogenic pressures: current challenges and future directions”.
Professores e pesquisadores participantes do II Meeting on Tropical and Subtropical Transitional Environments no auditório da Universidade de Patras
Prêmios e títulos
Os estudos de Lämmle tem rendido prêmios internacionais. Um deles ocorreu durante seu estágio na Grécia. Concedido em junho de 2025, para participar da “Giornate di Studi autunnali AIGeo” realizada em Florença (Itália), no formato de conferência científica, o pós-doc ficou em primeiro lugar entre os geomorfólogos de destaque.
No final de 2025, Lämmle recebeu o título de cidadão honorário de Belmonte, na Bahia, por reconhecimento aos trabalhos em desenvolvimento sobre erosão costeira no município, que está localizado na foz do rio Jequitinhonha. “A sessão solene ocorreu em 15 de dezembro de 2025, mas, em decorrência da realização do estágio no exterior, não pude participar pessoalmente, e o título foi recebido por um familiar”, explica.
À esquerda, grupo de pesquisa do Laboratório de Sedimentologia do Departamento de Geologia da Universidade de Patras, Grécia; à direita, trabalho de campo do II Meeting on Tropical and Subtropical Transitional Environments
Convite
Lämmle é membro de corpo editorial de três revistas internacionais. “Submissões resultantes de pesquisas do IG são muito bem-vindas, uma vez que vários professores já publicam nessas revistas”, aponta o pós-doc.
A reforma tributária que entrou em vigor este ano —e que se estenderá até 2033 — não provocará perdas relevantes de receita aos municípios brasileiros. A garantia foi dada nesta quinta-feira (23) pelo economista Bernard Appy, que foi secretário Extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda — órgão que elaborou a proposta votada no Congresso. Em seminário promovido pelo Instituto de Economia (IE) da Unicamp em parceria com a Prefeitura de Campinas — que reuniu representantes de municípios da região —, Appy afirmou que o novo modelo traz grandes vantagens na comparação com o sistema anterior.
“Com certeza não haverá nenhum impacto traumático sobre a arrecadação dos municípios. Isso posso garantir”, afirmou ele a uma plateia de estudantes, professores e secretários de finanças de mais de uma dezena de municípios paulistas, que lotou o auditório Zeferino Vaz. “No curto prazo, não haverá nenhuma perda relevante, e, no longo prazo, será preciso pensar em alternativas, mas que não sejam voltar para o sistema tributário atual, que é muito ruim”, disse.
Bernard Appy: novo sistema reduzirá desigualdades
Segundo Appy, o novo sistema reduzirá desigualdades. “Hoje, no Brasil, há casos de municípios em que a diferença de receita per capita de ISS e quota parte do ICMS chega a 200 vezes. Com a reforma, isso cairá para 15 vezes”, diz.
A reforma começou, na prática, este ano, como uma espécie de teste, antes da substituição definitiva de cinco tributos. Desse total, três são federais: o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é administrado pelos estados; e o Imposto sobre Serviços (ISS), pelos municípios.
A reforma prevê que esses cinco tributos começarão a ser extintos em 2027, mas haverá uma alíquota de teste em 2026. O PIS, a Cofins e o IPI darão origem à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O ICMS e o ISS darão origem ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A soma da CBS e do IBS resultará no IVA Dual.
Neste ano de 2026, haverá uma alíquota de teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, que serão deduzidas dos tributos atuais. A partir de 2027, os cinco tributos sobre o consumo serão gradualmente extintos, enquanto as alíquotas de CBS e de IBS subirão.
Evento contou com público massivo; a reforma prevê que cinco tributos começarão a ser extintos em 2027
Situação dos municípios
O prefeito de Campinas, Dario Saadi, disse que os municípios estão preocupados com a reforma. De acordo com ele, as prefeituras assumiram encargos que antes eram atribuições das esferas estadual ou federal. “Hoje temos responsabilidade até com a segurança. A criação das Guardas Municipais mostra isso. Os gastos com o transporte coletivo são cada vez maiores e, cada vez mais, cobertos pelos cofres municipais. Isso sem contar com aumentos progressivos nas despesas com a saúde. Hoje 90% dos programas sociais são mantidos pelas prefeituras”, reclamou. “Quem vai garantir que os municípios conseguirão manter uma arrecadação que seja capaz de fazer frente a esses encargos?”, questionou.
Financiamento das universidades públicas
Bernard Appy lembrou no seminário que a reforma também definiu a fonte de financiamento das universidades públicas. “As universidades públicas, como é o caso das estaduais paulistas, são financiadas por uma parte da receita do ICMS. A emenda constitucional 132, que introduziu a reforma tributária, mantém essa vinculação, tendo como base o IBS estadual, que substituirá o ICMS. Portanto, na prática, a reforma tributária não afeta o financiamento das universidades”, disse ele.
O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário da Unicamp, Fernando Sarti, reconhece que as receitas que estavam vinculadas ao ICMS antes da reforma permanecem vinculadas, mas lembra que isso não é suficiente. Para Sarti, é preciso discutir a alíquota e a previsão do financiamento em lei específica.
O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Fernando Sarti: é preciso discutir a alíquota e a previsão do financiamento em lei específica
“Hoje temos 9,57% do ICMS , mas precisaremos negociar. O que nos preocupa é que poderemos ter perdas significativas. Manter a vinculação ajuda, mas o que nos deixaria mais tranquilos é ter uma sinalização sobre a alíquota e a constitucionalização da medida, já que, hoje, dependemos de lei orçamentária que, a cada ano, precisa ser aprovada na Assembleia Legislativa”, argumenta. “Sem dúvida, a vinculação é uma garantia, mas não é suficiente”, advertiu.
O encontro contou também com a presença do 1° vice-presidente do Comitê Gestor do IBS e secretário de Finanças de São Paulo, Luis Felipe Vidal Arellano; da secretária da Fazenda do Rio de Janeiro, Andrea Riechert Senko, do presidente do Fórum de Secretárias e Secretários municipais de Fazenda e Finanças da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e secretário de Finanças de Campinas, Aurílio Caiado, e do professor do IE Geraldo Biasoto Jr. O seminário teve ainda, as presenças do diretor do IE, Celio Hiratuka e da secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi.
Foto de capa:
O seminário, promovido pelo Instituto de Economia (IE) da Unicamp em parceria com a Prefeitura de Campinas, reuniu representantes de municípios da região
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A UFRGS foi incluída na plataforma internacional de políticas públicas baseadas em evidências da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Com essa ação, a Universidade se torna referência para países interessados em adotar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Ou seja, a produção acadêmica da UFRGS sobre o PAA passa a integrar a chamada “cesta de políticas públicas” (policy basket, em inglês) indicada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na área de segurança alimentar.
A adesão da UFRGS à Aliança Global foi formalizada em dezembro de 2024, com assinatura realizada no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A participação das universidades na Aliança Global acontece prioritariamente no eixo estruturante do conhecimento, com o objetivo de oferecer subsídios de estudos e indicadores, a partir da catalogação de boas práticas em políticas públicas de combate à fome e à pobreza em diversos países. O Grupo de Trabalho da Cooperação Acadêmica da UFRGS é composto pelos seguintes pesquisadores: Sérgio Schneider (titular), Cátia Grisa, Diogo Joel Demarco e Paulo André Niederle (suplentes).
Dessa forma, em 2026, a UFRGS foi incluída na plataforma disponibilizada para os países consultarem referências para programas e políticas públicas no enfrentamento à insegurança alimentar. Pesquisadora na área, a professora da UFRGS Cátia Grisa aponta o significado dessa inclusão: “o foco é que universidades e centros de pesquisa dos diversos países aproveitem evidências científicas que eles têm em seus contextos sobre as políticas públicas que apresentam melhor eficiência para o enfrentamento à fome e à pobreza”.
Grisa explica que a cesta de políticas públicas reúne experiências com resultados positivos comprovados por pesquisas acadêmicas. A pesquisadora exemplifica: “o Brasil poderia olhar uma política da China, achar interessante e buscar parcerias, colaborações para troca de experiências dessas políticas”. O Brasil executa diversas políticas públicas nessa área, sendo uma delas o PAA, programa no qual a UFRGS oferece a expertise.
O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), criado em 2003 pelo Governo Federal, consiste na compra de alimentos da agricultura familiar para doação desses itens para entidades socio-assistenciais. Cátia Grisa resume a eficiência dessa política: “com o mesmo recurso financeiro, o Governo Federal está gerando renda para a agricultura familiar e contribuindo para reduzir a fome e a vulnerabilidade em diversos territórios. Esses alimentos vão principalmente para entidades socio-assistenciais ou para cozinhas solidárias, por exemplo”. Nesse sentido, “se algum outro país quiser conhecer melhor a experiência do PAA e buscar apoio técnico e cooperação, demandará a UFRGS, que vai apresentar as evidências científicas e apoiar esses países junto ao próprio governo brasileiro, no processo de implementação do PAA nos seus diferentes contextos”, explica Grisa.
Aliança Global
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza foi lançada durante a presidência brasileira do G20, em 2024, como uma proposta para mobilizar países no enfrentamento à fome e à pobreza no mundo. O pacto está dividido em três pilares: Nacional, Financeiro e Conhecimento. A Aliança fomenta uma plataforma que reúne experiências e políticas públicas reconhecidas internacionalmente, com o objetivo de orientar países na formulação e implementação de estratégias de combate à fome e à pobreza.
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A Clínica de Atendimento Psicológico da UFRGS publicou o edital de seleção para o processo seletivo do Curso de Especialização em Atendimento Clínico: Ênfase em Psicanálise, com ingresso previsto para o segundo semestre letivo deste ano. As inscrições serão recebidas entre os dias 4 e 11 de maio, em link que será disponibilizado no site Clínica. No total, são oferecidas 20 vagas para a turma 2026/2028, sendo 10 destinadas à ampla concorrência e 10 reservadas às ações afirmativas. As pessoas selecionadas pelas vagas de ações afirmativas terão isenção das taxas e mensalidades.
O curso, voltado a graduados em Psicologia, tem duração de 24 meses, carga horária de 810 horas, incluindo disciplinas, prática clínica e supervisão de atendimentos. As aulas ulas está previsto para 3 de agosto. As aulas serão realizadas na Clínica de Atendimento Psicológico da UFRGS, na Avenida Protásio Alves, 297, com entrada pela Rua São Manoel, em Porto Alegre.
Informações detalhadas sobre o processo seletivo e sobre as atividades obrigatórias previstas no curso estão disponíveis no site da Clínica de Atendimento Psicológico da UFRGS. Em caso de dúvidas, o contato é pelo e-mail atendimentoclinico@ufrgs.br.