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Antes que a tragédia se instale

Antes que a tragédia se instale

Grupo do Ambulatório de Substâncias Psicoativas do HC da Unicamp já reúne cerca de 30 pessoas que buscam tratamento regular por conta da dependência em apostas

A percepção de um aumento na procura por atendimentos relacionados à dependência em apostas online levou o Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa) a criar um grupo específico para pessoas com problemas relacionados às chamadas bets. A iniciativa começou em abril em uma área do Hospital de Clínicas (HC) e, desde então, a equipe passou a dedicar especial atenção a casos envolvendo endividamento, perda de controle e, o maior alerta, relatos associados a pensamentos suicidas.

A iniciativa já reúne mais de 30 pessoas que buscam regularmente esse tipo de apoio. O atendimento começa pelo acolhimento, sempre às quartas-feiras, das 8h às 11h30. Não é necessário agendamento, basta fazer cadastro na recepção do hospital e seguir para o acolhimento. O objetivo é oferecer um ambiente protegido, sem julgamentos e com garantia de sigilo. Antes do encaminhamento, os participantes respondem a um questionário que aponta o grau de presença das apostas em seu cotidiano. Geralmente, o interesse pelo jogo surge na esperança de reforçar o orçamento ou atenuar as dificuldades em um momento de desemprego, ou ainda pela ilusão de estar diante de um investimento.

A psiquiatra e professora da Faculdade de Ciências Médicas, Renata Azevedo, responsável pelo trabalho, conta que a demanda surgiu inicialmente entre pacientes que já eram acompanhados por problemas relacionados ao consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Com o tempo, porém, pessoas sem histórico de dependência de substâncias também começaram a procurar ajuda por causa das apostas.

Pessoa ao centro usando óculos, camisa clara e colar vermelho, circundada por quatro pessoas de costas vestindo camisetas em tons de azul, preto e marrom, em sala com parede clara, mesa com monitor de televisão ao fundo exibindo conteúdo em roxo e equipamento eletrônico preto.
O Aspa funciona às quartas-feiras, das 8 às 11h30 e não é necessário agendamento

A estratégia, segundo a psiquiatra, é oferecer informação para que a pessoa busque ajuda o mais cedo possível, evitando avançar a um estágio mais problemático. “A equipe buscou referências em um serviço da USP [Universidade de São Paulo], que já atendia pessoas com dependência comportamental em jogos e, posteriormente, estruturou o grupo aqui na Unicamp. Em junho, profissionais da rede pública de Campinas também foram capacitados para identificar e encaminhar pacientes com problemas relacionados às apostas. A capacitação, inicialmente planejada para 40 pessoas, recebeu 110 inscrições”, lembra Azevedo. A estratégia prevê ampliar o atendimento para além do ambulatório, com a participação de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) campineiros.

O serviço tem recebido principalmente adultos na faixa dos 30 a 40 anos. Atualmente, há uma maioria de homens – 75% do total -, embora também haja um número considerável de mulheres entre os pacientes.

“Adolescentes também apresentam risco de desenvolver transtornos relacionados ao jogo, mas esse público ainda não chega com frequência aos serviços de atendimento. Uma das possíveis explicações é o menor acesso deles ao dinheiro, o que pode retardar o aparecimento de problemas como o endividamento e também o momento em que as famílias percebem a situação”, diz a responsável pelo Aspa.

Vergonha

Um dos principais obstáculos para a busca por ajuda é a vergonha. De acordo com a psiquiatra, pacientes frequentemente escondem da família as dívidas e a perda de controle sobre as apostas. Alguns chegam ao atendimento no HC da Unicamp constrangidos e demoram a se apresentar quando são chamados para participar do grupo. “Quando avisamos do início do atendimento, alguns continuam sentados, esperam algum tempo e só depois levantam e se dirigem às salas. Eles não querem ter seus nomes ligados a isso publicamente”, conta Azevedo.

A responsável pelo Aspa explica ainda que a dependência de jogos apresenta uma característica particular. Ao contrário de outras drogas, em que o usuário não costuma acreditar que uma nova dose resolverá seus problemas, o jogador pode manter a expectativa de que uma nova aposta permitirá recuperar o dinheiro perdido. “Essa percepção está relacionada a uma distorção cognitiva. O paciente passa a acreditar que esteve perto de ganhar e que, na próxima tentativa, poderá recuperar as perdas e solucionar as dificuldades financeiras. É comum que essas pessoas consigam dizer exatamente o quanto já ganharam, mas têm dificuldade para dimensionar quanto já perderam”, revela a psiquiatra.

A facilidade de acesso proporcionada pelos celulares é apontada como um dos fatores que ajudam a explicar o rápido avanço das bets. Disponível diretamente no smartphone, o jogo pode ser realizado a qualquer momento, sem a necessidade de deslocamento até um estabelecimento físico, como acontecia com os bingos, por exemplo.

Desespero

Pessoa usando óculos e vestuário composto por camisa lilás, lenço vermelho e crachá, posicionada sentada em primeiro plano com as mãos levantadas em gesto de apresentação, em ambiente de escritório com monitor de computador ao fundo exibindo apresentação com título "Gestão de Pessoas" em fundo rosa, parede branca e móvel cinza à esquerda.
A psiquiatra Renata Azevedo: pacientes buscam, principalmente, pela perda de controle e o agravamento das dívidas

A percepção de perda de controle e o agravamento das dívidas estão entre os principais fatores que levam os pacientes a procurar atendimento. A psiquiatra responsável pelo Aspa reforça a preocupação com o risco de suicídio. Segundo ela, profissionais que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Campinas têm recebido cada vez mais chamados de pessoas com ideação ou tentativa de suicídio associadas ao desespero provocado pelo endividamento decorrente das apostas.

Parte do problema está relacionada à maneira como essa atividade é apresentada ao público, avalia Azevedo. Influenciadores, atletas, artistas e outras pessoas com grande exposição nas redes sociais transmitem a falsa ideia de que apostar é divertido e permite obter lucro rápido e fácil.

A psiquiatra destaca que o perfil socioeconômico dos apostadores com problemas reforça a preocupação e a necessidade de uma ação. Dados de estudos epidemiológicos indicam maior concentração de dependentes entre pessoas de baixa renda, incluindo aquelas que recebem até um salário mínimo. Nesse contexto, a expectativa de obter uma renda adicional pode funcionar como um dos fatores que levam ao início das apostas. Neste caso, não é algo pela “aventura de ganhar”, mas a busca por reforço em um orçamento familiar já bastante apertado.

A recuperação

A psiquiatra Renata Azevedo, atua há cerca de 30 anos com dependências dos mais variados tipos e considera totalmente possível a recuperação dos envolvidos em apostas online. Ela defende a regulamentação e maior fiscalização da prática, com amplo acesso do público a informação e tratamento para reduzir os danos do jogo.

Entre as medidas disponíveis até o momento está o sistema de autoexclusão, criado pelo Governo Federal, que permite ao indivíduo bloquear o próprio acesso a plataformas legalizadas.

Acesse para mais informações sobre o serviço.

É um passo importante, mas não é tudo. Empresas consideradas ilegais seguem atuando no país. O Governo Federal já bloqueou mais de 50 mil sites, aplicativos e plataformas clandestinas, mas os envolvidos continuam driblando a fiscalização por meio de servidores internacionais e alternativas como os canais do Telegram.

Além do Aspa na Unicamp, pessoas com problemas relacionados ao jogo ainda podem buscar ajuda em unidades de saúde, Caps ou serviços especializados. O tratamento combina avaliação individual, acompanhamento em grupo e, quando necessário, medicamentos para o controle dos impulsos.

A participação da família, segundo Azevedo, também é fundamental. Os parentes são orientados a não fornecer dinheiro para apostas nem tratar o jogo como investimento. No próprio Aspa, parentes de dependentes já se organizam dessa forma, para trocar informações e apoio. Dos especialistas, eles ouvem a orientação.

A docente aponta ainda a necessidade de uma maior responsabilidade sobre a publicidade de bets. “Ampliar o debate sobre os riscos das apostas é essencial para estimular a busca por ajuda antes que o problema se agrave”, reforça a psiquiatra.

fechamento para retranca

Pensamentos ‘mágicos’ e a falsa sensação de domínio sobre a máquina

Outro aspecto observado pelos profissionais que atuam no Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa), localizado no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, é a crença de que o conhecimento sobre o funcionamento das apostas aumenta as chances de vitória. O apostador pode interpretar uma sequência de resultados como evidência de que aprendeu a “jogar melhor”, mesmo diante de perdas sucessivas.

Esse mecanismo pode alimentar os chamados pensamentos “mágicos” e gerar a falsa sensação de controle. A pessoa passa a atribuir significado a acontecimentos aleatórios – como sonhos, sinais ou sequências de vitórias e derrotas – e acredita que consegue antecipar o resultado.

Para a psiquiatra, é necessário ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento dos jogos de azar – por meio de um maior letramento digital, por exemplo –e deixar claro que compreender as regras não significa controlar o resultado.

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Assista ao programa Analisa com a psiquiatra Renata Azevedo:

fechamento da retranca

RAIO-X DA DEPENDÊNCIA

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a ludopatia como um transtorno mental e uma dependência comportamental
  • Entre 2018 e 2023, o número de atendimentos a dependentes em jogos aumentou 1.094% no Brasil
  • As apostas online, conhecidas como bets, provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros
fechamento para retranca

EM BUSCA DE AJUDA

Frases de dependentes em apostas online (depoimentos concedidos sob sigilo):

“Este mês não resisti: usei o dinheiro do aluguel para jogar e tive que pedir ajuda para a minha família, que tem poucos recursos.”

“Sei que não posso jogar, mas ainda não consigo parar.”

“Eu não tinha com quem conversar; aqui sinto que posso falar sem sentir medo ou vergonha.”

“Existem horários em que as plataformas pagam mais e é mais fácil ganhar, porém não consigo sacar o dinheiro ganho porque continuo jogando e acabo perdendo tudo novamente.”

“Estou há mais de um mês sem jogar, entendi que tenho que parar.”

“Ninguém sabe que eu jogo e estou endividado. Tenho vergonha de falar até para a minha mãe.”

“Sempre paguei minhas contas certinho, mas depois que viciei passei a dever para muitas pessoas, inclusive no meu trabalho.”


Não aposte sua saúde – autoteste: Disponibilizado pelo Ministério da Saúde, o “Autoteste do Jogo” é uma ferramenta que auxilia as pessoas a refletirem sobre a sua relação com os jogos e apostas, mas não é um instrumento de diagnóstico.

Reflita sobre sua relação com o jogo. Acesse!


Foto de capa:

Pessoa vista de costas segurando um smartphone com tela exibindo padrão de ondas em cores ciano e branco, com fundo em tons de magenta, verde e azul com efeito de distorção digital e caracteres textuais desfocados, criando estética de glitch art cyberpunk.
Atualmente, há uma maioria de homens atendidos no Aspa, 75% do total

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Aplicativo da USP para reabilitação da fala ganha nova versão

Pessoa segura um celular diante de um computador que exibe a página do SolidFalls, com imagens de crianças. Ao fundo, há equipamentos de informática e uma janela com vista para árvores e outro prédioSofiaFala foi reformulado para funcionar em diferentes dispositivos, incorpora novos recursos e amplia possibilidades de acompanhamento dos exercícios fonoaudiológicos
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Cátedra Josué de Castro completa cinco anos aproximando ciência e alimentação saudável

Uma variedade de alimentos ultraprocessados disposta sobre uma superfície alaranjada: Há hambúrgueres, donuts, pão francês, croissant, batata frita, pipoca, balas coloridas e salgadinhos.Uma das armas para combater o avanço dos ultraprocessados, segundo Carlos Monteiro, é levar o conhecimento produzido pela Academia ao consumidor e, ao mesmo tempo, regular esse sistema alimentar

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Lume vence Prêmio Governador do Estado 2026 na categoria teatro

O Terra Lume – Mostra Cultural do Lume Teatro, projeto anual de intercâmbio, formação e difusão das artes cênicas criado pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp (Lume Teatro), foi o vencedor da categoria Teatro no Prêmio Governador do Estado de São Paulo 2026, tradicional premiação da cultura paulista.

Nesta edição, 13 projetos foram reconhecidos em diferentes áreas da produção artística, com o objetivo de valorizar trabalhos realizados na capital, no interior e no litoral paulista. A premiação contemplou categorias como artes visuais, audiovisual, circo, dança, música, teatro, museus, incentivo à leitura e valorização do patrimônio cultural. A cerimônia foi realizada no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista, no dia 29 de julho, e distribuiu mais de R$ 400 mil em prêmios.

Duas pessoas posicionadas em frente a um painel decorativo com inscrição "Prêmio Governador do Estado de São Paulo" em letras brancas sobre fundo degradê roxo e dourado, sendo que a pessoa à esquerda veste blazer preto, lenço verde e branco, e segura um certificado, enquanto a pessoa à direita veste suéter cinza e calça azul marinho, ambas em pé sobre tapete vermelho em ambiente de evento com iluminação roxa
Jesser de Souza e Marcos Rogério Pereira durante cerimônia de entrega do prêmio

Para Jesser de Souza, ator, pesquisador e responsável pela coordenação de comunicação do Lume, o reconhecimento chega em um momento especialmente significativo para o grupo, que celebra quatro décadas de trajetória. A premiação também coincide com a retomada da circulação do espetáculo Kintsugi – 100 memórias, que estreou em 2019 e teve sua trajetória interrompida pela pandemia de covid-19.

A conquista do Prêmio Governador do Estado é resultado, segundo Souza, de um conjunto de fatores que ampliaram a visibilidade do Lume. Além dos 40 anos de trajetória, está a realização, há mais de 25 anos, das atividades na sede do grupo, que foi se transformando ao longo do tempo. “O que começou como uma programação de cursos passou a reunir apresentações, simpósio internacional, palestras, demonstrações técnicas e produções audiovisuais. Foi ganhando corpo”, conta.

Souza ressalta ainda que a indicação ao prêmio já representava, para o grupo, uma forma de reconhecimento. “A mera indicação para esse prêmio, que é tão importante, e concorrendo com as pessoas que foram indicadas junto conosco, já era uma premiação”, afirma.

O ator e pesquisador também destaca a diversidade dos projetos reconhecidos nesta edição. Para ele, um dos aspectos mais importantes da premiação foi a presença de iniciativas desenvolvidas no interior e no litoral do estado, sem que a capital concentrasse os reconhecimentos. “Há uma mudança no pensamento da função da arte para a sociedade, e ela tem que ser descentralizada mesmo”, avalia. “Esse reconhecimento tem que ser distribuído ao longo de vários lugares do estado, levando em conta as condições que cada conjunto ou pessoa tem para realizar o trabalho.”

O Prêmio Governador do Estado não foi o único reconhecimento recente recebido pelo Lume. O grupo também foi indicado ao Prêmio Shell, em uma categoria especial relacionada aos seus 40 anos de trajetória. A indicação considera a forma como o grupo narra sua história por meio de Kintsugi – 100 memórias.

Composição com cinco fotografias mostrando pessoas em diferentes contextos: na imagem principal superior, duas pessoas em posição de combate com os punhos erguidos, uma vestindo camiseta vermelha com cabelo grisalho e outra em camiseta bordô ao fundo; na primeira imagem inferior esquerda, pessoa em camiseta bordô manipulando um vaso; na segunda imagem, pessoa em camiseta rosa tocando um acordeão amarelo e vermelho; na terceira imagem, pessoa em camiseta vermelha segurando papéis ou documentos; na quarta imagem inferior direita, pessoa em camiseta preta ajoelhada no chão observando fotografias
Cenas da peça Kintsugi, 100 memórias, apresentada pelo Lume na sede do grupo, no distrito de Barão Geraldo

O espetáculo mistura autoficção e fragmentos de cem lembranças pessoais e coletivas, utilizando a técnica japonesa de consertar cerâmicas com ouro e a metáfora do Alzheimer para discutir cicatrizes, dores e a beleza da imperfeição. A montagem tinha previsão de realizar, em 2020, uma circulação nacional de cerca de 180 dias, mas os planos foram interrompidos pela pandemia. “O espetáculo acabou transformado em uma apresentação realizada para três câmeras, em um teatro vazio, e transmitida pela internet. Agora, a montagem voltou a circular por cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília”, conta o ator.

O Lume já recebeu anteriormente o Prêmio Shell pela continuidade de sua pesquisa. Desta vez, concorre em uma categoria especial, ao lado de outros projetos. A cerimônia está prevista para março, no Rio de Janeiro. Para Souza, as premiações ajudam a dar visibilidade a uma trajetória construída ao longo de décadas, mas “o principal reconhecimento continua sendo a possibilidade de manter a pesquisa e a produção artística em movimento”.

Foto de capa:

Pessoa em pé segurando troféu azul transparente com a mão direita, usando blazer preto, lenço nas cores branco, vermelho e verde ao redor do pescoço, em frente a painel com texto branco que menciona nomes Ana Cristina Colla, Carlos Simioni e Ricardo Puccetti e referência a Terra Lume, Mostra Cultural do Lume Teatro 2024.
O Terra Lume – Mostra Cultural do Lume Teatro é um projeto anual de intercâmbio, formação e difusão das artes cênicas

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UFRGS cria o primeiro banco genético de corais do Atlântico Sul para proteger recifes ameaçados

Uma pesquisa publicada por pesquisadores da UFRGS em parceria com o Instituto Federal da Bahia (IFBA) na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems apresenta a criação do primeiro banco genético de corais do Oceano Atlântico Sul. A descoberta abre precedentes para ações futuras de reprodução assistida e restauração ambiental em larga escala de corais.

A investigação foi realizada pelo grupo ReefBank, coordenado pelo professor do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Agronomia Leandro de Godoy, e tem como primeira autora Nayara Oliveira da Cruz, sua orientanda de doutorado de 2018 a 2022. Os cientistas desenvolveram um protocolo de criopreservação capaz de armazenar 2,4 bilhões de espermatozoides viáveis do coral endêmico Mussismilia harttii (conhecido popularmente como coral-couve-flor)uma espécie-chave para a manutenção dos recifes brasileiros e atualmente ameaçada pelas mudanças climáticas.

Para formar esse banco, os pesquisadores acompanharam o ciclo natural de reprodução dos corais e fizeram a coleta dos gametas (óvulos e espermatozoides) durante a temporada reprodutiva em uma área marinha protegida no sul da Bahia. Foram testadas diferentes combinações de crioprotetores e técnicas de congelamento. O melhor resultado obteve viabilidade superior a 80% e fertilização de 100% dos óvulos, equivalente ao sêmen fresco. Godoy explica que os corais brasileiros só se reproduzem naturalmente uma vez por ano, em uma janela de poucos dias. Além disso, o aquecimento do oceano tem provocado mortalidades que dificultam a reprodução natural. 

“O congelamento de células reprodutivas permite preservar a diversidade genética e manter ‘estoques de esperança’ para o futuro. Essa tecnologia transforma o tempo em aliado da conservação. Mesmo que os corais sofram com eventos extremos, teremos material genético viável para recuperar os recifes quando necessário”, diz Leandro de Godoy.

O resultado mais impactante dessa pesquisa está na criação e validação do primeiro banco de sêmen congelado de corais do Atlântico Sul, mostrando que é possível coletar, congelar, armazenar por longos períodos e depois usar com sucesso o material genético desses corais para fertilização, sem perda da capacidade reprodutiva.

Leia a reportagem completa no Jornal da Universidade.

Texto: Nicole Trevisol
Edição: Mírian Barradas
Revisão: Antônio Falcetta

Artigo: First Frozen Repository for Coral Sperm in the Southwestern Atlantic: A Tool to Support Reef Conservation (Primeiro repositório congelado de esperma de coral no Atlântico Sudoeste: uma ferramenta para apoiar a conservação dos recifes, em tradução livre)
Autores: Nayara Oliveira da CruzAndrea Giannotti GaluppoAllison Gonçalves SilvaLuciano da Silva LimaRomulo Batista RodriguesDanilo Pedro Streit Jr.Monike QuirinoAna Paula Gonçalves MellagiIvan Cunha Bustamante-FilhoTales Fabris ChavesLeandro Cesar de Godoy
Programa/Unidade: Programa de Pós-Graduação em Zootecnia – Faculdade de Agronomia

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Livro da Editora da Unicamp vence o Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Artes

O livro Augusta Candiani – A prima-dona da época de D. Pedro II, da pesquisadora carioca Andrea Carvalho Stark, publicado pela Editora da Unicamp, foi o vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, na categoria Artes. O anúncio ocorreu na noite de terça-feira (11), durante cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Criado em 2024 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o prêmio reconhece obras acadêmicas, científicas e técnicas e busca ampliar a visibilidade da produção intelectual e editorial brasileira.

capa do livro ganhador do premio jabuti acadêmico
Capa do livro ganhador do prêmio Jabuti Acadêmico. Foto Reprodução

“A Editora da Unicamp parabeniza a autora e toda a equipe editorial pela conquista”, disse Edwiges Morato, diretora da Editora da Unicamp. “Além de reconhecer a qualidade dos livros publicados pela Editora e contribuir para a visibilidade do nosso catálogo, o Prêmio Jabuti Acadêmico celebra as produções de natureza acadêmica e, mais especialmente, coloca em relevo a edição acadêmica e o livro universitário, uma das formas mais amplas e consistentes de comunicação da ciência e, mais especificamente, da ciência brasileira.” Segundo Morato, o livro revela “aspectos históricos e socioculturais pouco explorados na historiografia do Brasil oitocentista”. 

A diretora da Editora, Edwiges Morato. Foto: Antoninho Perri
A diretora da Editora, Edwiges Morato. Foto: Antoninho Perri

A autora destacou a importância do trabalho da equipe da Editora da Unicamp envolvida no projeto e na curadoria. “A Editora acreditou na obra e investiu nela com muito talento e muita dedicação. O livro ficou muito bonito.” Stark conta que não esperava chegar tão longe em sua estreia editorial. “Só de estar entre os finalistas já seria muito honroso. Ter conseguido esse prêmio para meu primeiro livro é muito importante”, comemorou.

A obra, tema de reportagem no Jornal da Unicamp, recupera a trajetória de Augusta Candiani, cantora lírica e atriz italiana que se tornou uma das grandes personagens da vida cultural brasileira durante o Segundo Reinado (1840-1889). Ao reconstruir a história da artista, a autora também lança luz sobre aspectos ainda pouco explorados da sociedade brasileira oitocentista, entre eles a presença feminina e o papel da arte na sociabilidade que se formava naquele período. 

Para Stark, recuperar essas trajetórias não significa idealizar o passado, mas compreender como experiências anteriores ajudam a formar a cultura contemporânea. A pesquisadora considera que o reconhecimento do livro pelo Jabuti Acadêmico reforça justamente a importância de recuperar essa memória. “O reconhecimento desse livro é também o reconhecimento de histórias totalmente esquecidas, de pessoas e personagens totalmente apagados”, afirma.

Andrea Carvalho Stark,
Andrea Carvalho Stark. Foto: Acervo pessoal

A autora relaciona esse apagamento às transformações políticas ocorridas com a passagem do Império para a República. Segundo ela, a ruptura contribuiu para que parte da produção cultural e dos personagens ligados ao período imperial fosse deixada de lado. Nesse processo, figuras como Augusta Candiani acabaram perdendo espaço na memória cultural brasileira. “É bom reconhecer o passado não como vontade que as coisas voltem a ser como eram, mas como memória, projeção e base para a construção de um futuro.”

Em sua terceira edição, o Jabuti Acadêmico premiou 30 categorias, sendo 27 no eixo Ciência e Cultura e 3 Prêmios Especiais. Os autores vencedores receberam a estatueta do Jabuti Acadêmico e R$ 5 mil, enquanto as editoras das obras premiadas também receberam a estatueta.

Nesta edição, o físico, professor e pesquisador José Goldemberg foi homenageado como Personalidade Acadêmica, enquanto História das Mulheres no Brasil, de Mary Del Priore, recebeu o reconhecimento de Livro Acadêmico Clássico 2026.

Leia mais sobre o livro premiado:

A soprano italiana que arrebatou os palcos do segundo reinado

Confira os vencedores da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico:

Eixo Ciência e Cultura

Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo
Drummond e a Administração Pública: o encontro da poesia com a burocracia na vida e obra de Carlos Drummond de Andrade — Fábio Lins de Lessa Carvalho (Fórum)

Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais
O jeito Yanomami de pendurar redes — Thiago Benucci (Perspectiva)

Arquitetura, Urbanismo, Design e Planejamento Urbano e Regional
A beleza da arquitetura contemporânea — Renato Leão Rego (Rio Books)

Artes
Augusta Candiani: a prima-dona da época de D. Pedro II — Andrea Carvalho Stark (Editora da Unicamp)

Astronomia e Física
Erwin Schrödinger e a criação da mecânica ondulatória: raízes intelectuais, contexto histórico e desenvolvimento científico — Roberto de Andrade Martins (LF Editorial)

Ciência da Computação
A teia da causalidade: descobrindo o que realmente move o mundo: o mundo não é feito de coincidências, é feito de fios — Williamson J. H. Brigido (Obra Independente)

Ciência de Alimentos e Nutrição
Antocianinas: explorando cores, reações químicas, estabilidade, extração, biodisponibilidade e benefícios à saúde — Paulo Anna Bobbio (em memória) e Paulo Cesar Stringheta (Appris)

Ciências Agrárias e Ciências Ambientais
Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas — Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz – Fealq)

Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia
A Bioinvasão do coral-sol — Beatriz Grosso Fleury, Fernanda Araujo Casares, Joel Christopher Creed, Maria do Rosario de Almeida Braga e Simone Siag Oigman-Pszczol (Bambalaio)

Ciências da Religião e Teologia
Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores — Reginaldo Prandi (Pallas)

Comunicação e Informação
Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva — Juliana Dal Piva (Matrix)

Direito
A democracia e o direito depois da pandemia — José Eduardo Faria (Perspectiva)

Economia
A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico — Fillipi Nascimento e Michael França (Jandaíra)

Educação e Ensino
Por um currículo sem fundamentos — Alice Casimiro Lopes (Cortez)

Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional
Pesquisadoras: transgredindo a hegemonia acadêmica — Anna Carolina Souza, Gabriela Conceição de Souza e Rayná Brum Pinto (CRV)

Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social
Gaslighting médico: entre a vida e a morte — Victória Fernandes Carneiro (Appris)

Engenharias
Biodiesel e renda camponesa: o algoritmo da despossessão — José Antônio Lobo dos Santos (Editora da Universidade Federal da Bahia – Edufba)

Filosofia
Gestos curatoriais: Duchamp e Malraux — Luiz Camillo Osório (PUC-Rio e Numa Editora)

Geografia e Geociências
A produção da fábula do agronegócio no Brasil: novas e velhas faces da dependência — Denise Elias (Letra Capital Editora)

História e Arqueologia
Sinhás pretas, damas mercadoras: as pretas-minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João Del Rey (1700-1850) — Sheila de Castro Faria (Cosac)

Letras, Linguística e Estudos Literários
Presente do acaso: um ensaio biográfico sobre Silviano Santiago — João Pombo Barile (Autêntica)

Matemática, Probabilidade e Estatística
Teoria dos jogos combinatórios em grafos — Nicolas A. Martins, Nicolas Nisse, Rudini M. Sampaio e Samuel N. Araújo (Instituto de Matemática Pura e Aplicada – Impa)

Medicina
Do achado ao laudo: estratégias de diagnóstico por Imagem em endometriose — Ana Luiza Santos Marques (Conexão Editora)

Psicologia e Psicanálise
Psicanálise e democracia: interlocuções entre clínica, política e cultura — Gisele Papeti e Helenice Oliveira Rocha (Blucher)

Eixo Prêmios Especiais

Divulgação Científica
Cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas — Alan Alves-Brito (Marcavisual)

Ilustração e Infografia
Amigos da Ciência 2: história do nosso planeta — Carlos Ruas, Gui Bon, Heitor de Sá Oliveira e Júlio Lacerda (Ruas)

Tradução
A face leste do Hélicon — Pedro Barbieri (Mnēma)

Foto de Capa

premiação do jabuti acadêmico 2026
Segunda a partir da direita, Andrea Carvalho Stark durante a cerimônia de premiação

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Arte, censura e resistência em exposição na Biblioteca de Obras Raras

exposição censurada élcio miazaki
Obra de Élcio Miazaki, que transformou a censura em material de reflexão e que abre exposição na Unicamp: Foto Divulgação

Quando uma exposição é impedida de abrir, o que resta ao artista? No caso do paulistano Élcio Miazaki, a resposta foi transformar a própria interrupção em matéria de criação. Estado de Edição, que chega nesta quinta-feira (13) à Biblioteca de Obras Raras “Fausto Castilho” (Bora), nasceu como um desdobramento da exposição Habeas Corpus, suspensa às vésperas da abertura, em Ouro Preto (MG), e se ampliou para reunir histórias de outros artistas que também enfrentaram censura, violência, ameaças ou tentativas de silenciamento.

Em março deste ano, um dia antes da abertura de Habeas Corpus em uma galeria da Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), Miazaki soube, por uma mensagem de uma repórter, que a mostra havia sido suspensa pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult). A justificativa apresentada foi a de que a classificação indicativa, definida como 14 anos, seria inadequada ao conteúdo da exposição.

Segundo o artista, que trabalha com fotografia e performances em vídeo e investiga as relações entre imagem, poder, violência e os legados da ditadura militar brasileira, a suspensão ocorreu sem negociação prévia sobre a classificação indicativa ou sobre possíveis adequações. “Só falaram que não ia poder e pronto”, relata. A mostra foi posteriormente transferida para o Memorial de Direitos Humanos Ocupado, no antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), em Belo Horizonte (MG).

Essa experiência deu origem ao projeto Estado de Edição, que reúne estudos, documentos, fotografias, publicações, registros e outros materiais relacionados aos processos de criação de artistas brasileiros que enfrentaram diferentes formas de silenciamento em episódios recentes.

Uma rede de histórias
A experiência vivida em Ouro Preto trouxe repercussão nas redes sociais e aproximou Miazaki de outros artistas que passaram por situações semelhantes. Entre eles está Wagner Schwartz, cuja performance La Bête, apresentada no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), em 2017, desencadeou uma onda de acusações e perseguições depois que um trecho da apresentação foi retirado de contexto e disseminado nas redes sociais.

Na performance, Schwartz apresentava uma releitura de Bichos, de Lygia Clark, na qual o público era convidado a interagir com seu corpo nu. Um vídeo que registrava uma criança tocando o corpo do artista durante a apresentação foi usado para acusá-lo de pedofilia. O episódio provocou ameaças e levou o artista a deixar o Brasil. Posteriormente, o Ministério Público Federal (MPF) concluiu que não houve crime de pornografia infantil na performance.

capa do livro Wagner Schwartz, que posteriormente será integrado à biblioteca da Bora
Capa do livro de Wagner Schwartz, que será integrado à biblioteca da Bora

Schwartz está presente em Estado de Edição com seu livro A Nudez da Cópia Imperfeita, no qual conta sua experiência. Para Miazaki, o episódio continua emblemático porque, quase dez anos depois, situações semelhantes voltam a acontecer. “Vivemos realmente em tempos muito difíceis, parece que não andamos”, afirma.

Entre os casos mais recentes, cita, estão as artistas Andrea Eichenberger e Patrícia Paixão, que tiveram exposições individuais impedidas de abrir no Rio de Janeiro (RJ) e em Salvador (BA), respectivamente. No caso de Eichenberger, o mesmo trabalho que enfrentou resistência no Brasil havia sido apresentado na França, onde a fotógrafa catarinense é radicada. “A mostra também apresenta trabalhos de Tales Frey, alguns deles relacionados a uma mesma situação de impedimento em uma mostra em uma instituição ocorrida há mais de uma década”, aponta. 

Para Miazaki, os episódios revelam que a violência contra a produção artística pode assumir diferentes formas. A proposta de Estado de Edição é justamente olhar para o que acontece com uma obra depois que ela é questionada, interrompida ou impedida de ser apresentada. “Apesar de tudo, da censura e do impedimento, acho que, por outro lado, teve esse acolhimento. Trouxe outras pessoas para perto que também passaram pela mesma situação”, afirma.

Ao reunir diferentes histórias, Estado de Edição não apenas recupera episódios de censura e violência contra artistas, mas procura mostrar como essas experiências continuam produzindo memória, reflexão e novas formas de criação. “A arte incomoda mesmo”, resume. A exposição integra um projeto expositivo mais amplo, intitulado Corpo de Prova, concebido por Miazaki como uma exposição expandida. A proposta se desdobra em diferentes cidades e espaços independentes e terá uma etapa em Ribeirão Preto, em outubro.

Obra inédita

A mostra na Bora também traz uma novidade: uma obra que não integrou a montagem de Habeas Corpus em Ouro Preto e que Miazaki decidiu apresentar pela primeira vez em Campinas.

Dispostos em três recipientes, elementos estabelecem relações com estratégias de resistência e símbolos da repressão durante a ditadura militar. Para enfrentar a cavalaria, manifestantes de São Paulo usavam bolas de gude para atrapalhar a passagem das tropas; em outras regiões do país, eram usados caroços de açaí. Completa a obra um par de abotoaduras ligadas ao símbolo do cavalo-marinho, utilizado pelo antigo DOPS de São Paulo. 

bolinhas de gude e abotoaduras: ditadura
Bolinhas de gude e abotoaduras: elementos de resistência

Ao aproximar objetos aparentemente banais de memórias da violência política, o trabalho amplia a investigação sobre os vestígios da ditadura e suas formas de permanência no presente.

Para a coordenadora técnica da Bora, Danielle Thiago Ferreira, a exposição, que integra a programação dos 60 anos da Universidade e poderá ser visitada no Unicamp de Portas Abertas (UPA), no dia 22 de agosto, dialoga diretamente com a história política e cultural do Brasil e da própria instituição. “Conectamos a arte como forma de resistência ao colocar em pauta episódios de censura e as lutas pela redemocratização, em consonância com a exposição, que lança luz sobre o período de fundação da Unicamp, resgatando os episódios de resistência, das lutas contra a repressão ditatorial e o papel ativo da comunidade universitária no processo de redemocratização do país”, destaca.

A exposição conta com a parceria com a Feira [SUB] de Arte Impressa e Publicações Independentes. A aproximação com o evento também permitiu incorporar publicações produzidas pelos artistas participantes. Entre elas está o livro de Wagner Schwartz, que posteriormente será integrado à biblioteca da Bora. “Trazer a público os processos de uma exposição como essa é abrir espaço para o diálogo, preservar a memória e reafirmar o papel da arte como lugar de reflexão”, afirma Marcela Pacola, uma das organizadoras da Feira [SUB].

Serviço

Exposição Estado de Edição, de Élcio Miazaki
Abertura: 13 de agosto, às 12h. Conversa com o artista às 13h
Visitação: até 26 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h (exceto feriados)
Local: Biblioteca de Obras Raras “Fausto Castilho” (Bora) – Rua Sérgio Buarque de Holanda, 441, Cidade Universitária
Entrada: gratuita
Classificação: 14 anos

Foto de Capa:

exposição Estado de Edição, de Élcio Miazaki
Élcio Miazaki durante montagem de exposição na Unicamp

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Prédios do Campus do Vale terão desligamento programado de energia neste sábado, 15 de agosto

Algumas áreas do Campus do Vale ficarão sem energia elétrica neste sábado, 15 de agosto, devido à manutenção na rede de média tensão da UFRGS. A Superintendência de Infraestrutura (Suinfra) informa que o serviço será realizado entre as 8h e as 17h.

A previsão é de que o fornecimento seja restabelecido assim que os trabalhos forem concluídos, podendo ocorrer antes do horário previsto. Caso haja chuva ou condições climáticas desfavoráveis, a manutenção poderá ser cancelada e reagendada.

Durante todo o período, o desligamento afetará toda a área abrangida pelos Blocos 3 e 4 da rede de média tensão: Colégio de Aplicação; Laboratório de Metalurgia Física (Lamef); Laboratório de Pavimentação (Lapav); Oficinas do Laboratório de Mecatrônica e Controle (Lamecc) e do MOVE; Instituto de Pesquisas Hidráulicas; Túnel de Vento (Prédio 43808); Centro de Tecnologia; Laboratório de Tecnologia Mineral e Ambiental (LTM); Centro de Combustíveis, Biocombustíveis, Lubrificantes e Óleos (Cecom – Instituto de Química – Prédio 43800); Catálise Molecular do IQ; Sensoriamento Remoto (Prédio 44202); Carris; Criogenia do Instituto de Física (Prédio 43175); Engenharia no Setor 4; Biociências; Genética; Biotecnologia; RU 6; Informática; Segurança; Creal; IFCH; Faurgs; Assurgs.

A Suinfra orienta as unidades que utilizam grupos geradores a verificarem o abastecimento de óleo diesel para garantir a continuidade das atividades durante o período de manutenção. Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail prefvale@ufrgs.br .

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Publicado edital de seleção para Mestrado Profissional em Filosofia

O Programa de Pós-Graduação Prof-Filo/UFRGS disponibilizou o edital do processo seletivo para ingresso nas novas turmas do Mestrado Profissional em Filosofia. O Programa na UFRGS integra a rede nacional do Programa de Pós-Graduação Prof-Filo – Mestrado Profissional em Filosofia, direcionado a docentes da educação básica.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas até dia 28 de setembro de 2026, exclusivamente através do formulário disponível no edital. Documentos obrigatórios como diploma, Declaração de exercício de docência na educação básica e um projeto de pesquisa também deverão ser anexados na inscrição. A taxa para inscrever-se é de R$ 100.

A UFRGS oferece 12 vagas para a turma que se inicia em 2027, sendo 5 reservadas para Ações Afirmativas. O processo seletivo contará com duas etapas avaliativas: a avaliação do projeto de pesquisa e arguição do projeto de pesquisa.

As aulas do Mestrado Profissional em Filosofia na UFRGS podem ocorrer presencialmente ou de forma híbrida e serão oferecidas preferencialmente no Campus Centro. As disciplinas obrigatórias ocorrem aos sábados de manhã e, durante a semana, no turno da noite. Pelo menos três bolsas de mestrado da Capes estarão disponíveis para os selecionados no processo de ingresso. 

O edital e todas as informações sobre o processo seletivo estão disponíveis no link http://www.humanas.ufpr.br/portal/prof-filo/ps-turma-2027-2029/, e também na página do programa na UFRGS em www.ufrgs.br/prof-filo. Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail prof-filo@ufrgs.br.

Acompanhe os canais oficiais do Prof-Filo nas redes sociais: Instagram: @prof_filo_ufrgs e @prof.filo_geral  Facebook: https://www.facebook.com/mestrado.prof.filo

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Seminário debate eixos para a política cultural da UFRGS

Nos dias 25 e 26 de agosto, a UFRGS realiza o seminário “O que pode a cultura na Universidade?”, evento que integra a campanha homônima e que se propõe a produzir e encaminhar coletivamente um documento estabelecendo princípios, diretrizes e objetivos comuns para a criação de uma política de cultura institucional da Universidade. A atividade ocorre no Centro Cultural (Rua Eng. Luiz Englert, 333), no Campus Centro, e é aberta ao público, sem necessidade de inscrição prévia.

A diretora do Centro Cultural da UFRGS Lígia Petrucci reforça que a campanha envolve também a mobilização dos gestores de unidades acadêmicas e administrativas, convidados a colaborar na coleta de informações e no mapeamento das práticas e equipamentos culturais da Universidade. “Estendemos o prazo para o envio desses dados até o próximo dia 15 de agosto”, ressalta.

Conforme Lígia, o seminário sinaliza uma etapa importante no processo de criação de uma política cultural para a Universidade, que teve início ainda em 2019, quando se propôs o desenvolvimento de um plano institucional para a área. Ela esclarece que, “por conta de toda a história da UFRGS, é fundamental ter uma espécie de Carta Magna, a partir da qual as diferentes unidades acadêmicas e administrativas poderão elaborar seus planos setoriais”.

O encontro contará com a participação de dois convidados especiais para o painel de abertura: Rosane Borges e Daniel Iberê. A dirigente conta que a proposta é trazer perspectivas externas provocadoras: “A Rosane, que é professora de Comunicação da PUC-SP, jornalista e escritora, vai falar sobre cultura como reinvenção, destacando o que pode a cultura diante do cenário distópico que temos pela frente. Já o Daniel, antropólogo guarani e docente da Universidade Federal do Acre (UFAC), que trabalha com antropologia ambiental e integra o Comitê de Políticas Culturais para Povos Originários do MinC, irá abordar a cultura como natureza. Isso porque queremos mexer com a ideia de cultura restrita a determinadas áreas”.

Num segundo momento, na tarde do dia 25, haverá um painel com a participação de pró-reitores de Extensão e Cultura de diferentes universidades que já possuem políticas ou planos de cultura estabelecidos. “Teremos o pró-reitor de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) Danillo Barata, instituição com pouco mais de 21 anos, mas que já possui um plano cultural bastante consistente. Outro painelista é o pró-reitor de Cultura da UFMG Fernando Mencarelli, universidade cuja política na área é bem consolidada. Por fim, chamamos a professora Ângela Righi, pró-reitora adjunta de Extensão da UFSM, que falará sobre a experiência de elaboração da política cultural daquela universidade”, detalha.

Na manhã do dia 26, haverá um encontro para a discussão dos eixos temáticos da política com os representantes das comissões, enquanto o turno da tarde será dedicado à redação das ideias centrais em cada eixo. “Nessa etapa, os coordenadores encaminharão as discussões, e as questões levantadas serão incorporadas a uma minuta. Esse documento irá embasar o texto a ser enviado para apreciação do Conselho Universitário”. Lígia diz que, até o final do ano, será promovido um evento para a devolução pública desse material à comunidade da UFRGS.

A expectativa da dirigente é que a Universidade possa oferecer uma percepção abrangente do que é a cultura, incorporando questões contemporâneas urgentes como a mudança climática. “Muito legitimamente vários documentos se concentram nos direitos humanos, na cidadania cultural. Mas penso que a UFRGS pode ir além e começar a falar nos direitos de todos os seres viventes, por exemplo. Em outras palavras, deslocar um pouco a relação entre cultura e ciência a fim de considerar outros saberes e outros modos de agir nesse mundo. A gente precisa considerar de forma mais central a questão ambiental na sua intersecção com as produções artísticas e culturais”, conclui.

Exposição “O Mundo Sensível dos Mitos: a ciência e a arte de Claude Lévi-Strauss”, no Museu da UFRGS – Foto: Laís Escher Esporos | Arquivo- UFRGS

Mobilização

Lançado em maio, o processo de mobilização para a construção da política cultural segue aberto à participação de estudantes, técnicos administrativos, docentes e profissionais terceirizados, que são convidados a responder à pergunta “O que pode a cultura na Universidade?“. As respostas a esta questão, que ainda podem ser enviadas, servirão de base para a elaboração de um documento estruturante que possibilite a institucionalização dos campos artístico e cultural no âmbito da UFRGS.

O debate e a sistematização dos tópicos que irão balizar a política cultural vêm sendo desenvolvidos por seis comissões temáticas: Cultura, democracia e sociedade; Cultura, memória e patrimônio; Cultura e emergência climática; Cultura e popularização da ciência; Cultura, acessibilidade e comunicação; e Cultura – financiamento, apoio e fomento.

O conjunto de informações e contribuições será analisado pelo Grupo de Trabalho constituído em 2025 e, posteriormente, encaminhado à apreciação do Conselho Universitário (Consun).

Programação

25/08 – Terça-feira

9h às 12h
Painel de abertura – O que pode a cultura?
Painelistas: Daniel Iberê (UFAC) e Rosane Borges (PUC-SP)

14h às 17h
Painel – Políticas culturais nas universidades públicas brasileiras
Participantes: Ângela Righi, pró-reitora adjunta de Extensão da UFSM; Danillo Barata, pró-reitor de Extensão e Cultura da UFRB; Fernando Mencarelli, pró-reitor de Cultura da UFMG; e Daniela Pavani, pró-reitora de Extensão da UFRGS

Rosane Borges | PUC-SP
Daniel Iberê | UFAC

26/08 – Quarta-feira

9h às 12h
Encontro das comissões temáticas formadas a partir de chamada pública para discussão dos diferentes eixos que integrarão a política cultural da UFRGS

14h às 18h
Consolidação dos eixos centrais apontados pelas comissões temáticas para posterior preparação da minuta da política cultural da UFRGS

19h às 21h
Sessão de lançamento do livro “Imaginários emergentes e mulheres negras” (São Paulo, Editora Instante, 2025, 224p.), de Rosane Borges

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Professor Alan Alves-Brito vence Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Divulgação Científica

O pró-reitor de Ações Afirmativas e Equidade da UFRGS e docente no Instituto de Física (IF/UFRGS) Alan Alves-Brito foi o vencedor da premiação especial – categoria Divulgação Científica do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026. Com a obra Cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas (Editora Marcavisual), o docente da Universidade recebeu o reconhecimento na cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, na noite desta terça-feira, 11 de agosto. Outros dois livros de pesquisadores ligados à UFRGS foram finalistas.

A obra Cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas aborda os arcabouços teóricos, metodológicos, epistemológicos e criativos da exposição com nome homólogo, realizada como parte do projeto Cosmologias africanas, afro-brasileiras e indígenas: relações céu-terra como mobilizações cosmopolíticas da memória (Chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 39/2022). O livro conta com distintas vozes – de pessoas africanas, afro-brasileiras, indígenas, ribeirinhas e povos de terreiro – que, ao estabelecerem relações profundas céu-terra, ajudam a compor outras interpretações do cosmos que desafiam as lógicas ocidentais excludentes.

Na introdução da publicação, o astrofísico da UFRGS afirma que o livro “é também performance e caderno educativo, permeado pelas histórias, narrativas e mitologias poéticas de pessoas que têm não somente resistido há séculos, mas também proposto outras formas de ser e existir no mundo”. E finaliza: “provocativo e eminentemente poético, é também um manifesto pela manutenção da vida na Terra, de forma bela e altamente comprometida com os humanos, não humanos e extra-humanos, na roda da ancestralidade”. [A obra está disponível para acesso gratuito.]

Mais dois finalistas

Entre os finalistas, ficaram outras duas obras com participação de pesquisadores da UFRGS: Impacto da mudança climática nos recursos hídricos do Brasil – volume 2: Extremos hidrológicos, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/UFRGS) em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) – na categoria Geografia e Geociências. Pela Universidade, estão na organização: Rodrigo Cauduro Dias de Paiva e Walter Collischonn. A publicação reúne resultados de pesquisas sobre os impactos das mudanças climáticas nos recursos hídricos nacionais. A lista completa de pesquisadores reúne outros integrantes do IPH e da ANA: Alexandre Abdalla Araujo, Ana Paula Fioreze, Anderson Luis Ruhoff, Arthur Kolling Neto, Fernando Mainardi Fan, Gabriel Matte Rios Fernandez, Hugo de Oliveira Fagundes, Ingrid Petry, João Paulo Lyra Fialho Brêda, Júlia Brusso Rossi, Leonardo Laipelt dos Santos, Pedro Torres Miranda, Saulo Aires de Souza, Wilany Rodrigues Galvão Alves. [A publicação está disponível para acesso gratuito.]

E a obra Mar de plástico: um panorama da ciência sobre o lixo no mar (Editora Interciência) – que tem, entre os organizadores, o docente Gerson Fernandino, que atua no Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS) – na categoria Ciências Agrárias e Ciências Ambientais. A organização tem a parceria das pesquisadoras Vanessa Ochi Agostini (egressa do curso de Biologia Marinha e Costeira da UFRGS) e Carla Isobel Elliff, da Universidade de São Paulo. A publicação realiza um diagnóstico sobre a poluição marinha no Brasil e conta com a colaboração de mais de 50 especialistas de diversas regiões do país. Aborda desde a química e a origem do plástico até suas interações com a geologia marinha, os efeitos ecotoxicológicos na fauna, as metodologias de análise em laboratório, além de caminhos voltados à educação ambiental e à formulação de políticas públicas. [Saiba mais no site do Campus Litoral.]

A premiação
O Prêmio Jabuti foi criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e consolidou-se como uma importante distinção na área da produção literária no Brasil. Em 2024, com o apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi criada a versão acadêmica da premiação, com o objetivo de reconhecer livros acadêmicos, científicos, técnicos e didáticos. Em 2026, foi realizada a terceira edição do Jabuti Acadêmico, com a entrega de estatuetas nas diversas áreas do conhecimento, além de prêmios especiais para divulgação científica, tradução e ilustração/infografia. A lista completa dos vencedores em 2026 está no site da premiação.

Confira a íntegra da premiação:

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Softwares para segurança industrial são testados em plataformas de petróleo

Logo do Prêmio Inventores Unicamp composto por duas silhuetas de perfil de cabeças humanas em cores degradê (verde-limão à esquerda e azul-petróleo à direita) unidas por uma lâmpada estilizada no centro em tons de verde e azul, com texto em cor cinza-azulado abaixo lendo "PRÊMIO INVENTORES UNICAMP" em três linhas.

Antes de uma pane seca, o painel do carro pisca em vermelho avisando que o tanque está na reserva. Não é preciso que o motorista saiba calcular quantos quilômetros já rodou desde que abasteceu, porque o sistema avisa o momento certo de parar no posto. Esse é o mesmo princípio por trás de dois programas de computador desenvolvidos na Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp: traduzir dados – bem mais complexos do que os de um carro – em informações prontas para uso de engenheiros e gestores. Em vez de alertar sobre o risco de uma pane seca, os softwares da Unicamp estimam a probabilidade de explosões e vazamentos de óleo e gás, contribuindo para a prevenção de falhas operacionais em plantas industriais.

As tecnologias, batizadas Fuzzy BowTie e Rede Neural Artificial para Detecção de Vazamentos (AN24LD), foram criadas a partir de um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) coordenado pela Unicamp, com a participação da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp) e financiado com recursos da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A propriedade intelectual gerada nas pesquisas foi protegida com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp e licenciada, em regime de exclusividade, à Shape Digital, empresa de tecnologia que atua no setor de óleo e gás. A Modec, multinacional japonesa que constrói e opera plataformas flutuantes de petróleo e gás, integrou o projeto de pesquisa como parceira e viabilizará testes das tecnologias com dados reais de suas operações no Brasil.

Após o licenciamento, em uma nova etapa da parceria de pesquisa com a indústria, as empresas realizam testes e desenvolvimentos complementares para incorporar os programas de computador aos sistemas comerciais. Um navio na costa paulista foi escolhido para receber a aplicação experimental de um dos softwares.

“Estamos acompanhando os testes com dados reais que estão sendo feitos nessa unidade offshore de produção de petróleo”, conta Sávio Souza Venâncio Vianna, professor da FEQ Unicamp e coordenador do projeto de pesquisa que gerou os dois softwares registrados da Unicamp.

Pessoa usando óculos de armação preta e camiseta verde-oliva posicionada em frente a painel branco com logo "FEQ Unicamp" em azul e turquesa, seguido de texto "Faculdade de Engenharia Química", com estrutura arquitetônica e teto visível ao fundo.
O professor Flávio Vasconcelos da Silva: identificação mais precisa

Da pesquisa ao licenciamento

Os programas nasceram de uma demanda da indústria por ferramentas capazes de otimizar a segurança e a gestão de riscos em setores de alta complexidade, como o de exploração e produção de óleo e gás. A prioridade era criar um sistema eficaz contra vazamentos e apresentar uma nova abordagem de BowTie (diagrama de análise de riscos com formato de borboleta, de onde deriva o nome).

Para atender ao desafio, o professor Vianna uniu sua expertise em automação e análise de risco ao conhecimento do professor Flávio Vasconcelos da Silva em inteligência artificial. A dupla combinou duas técnicas avançadas: o controle fuzzy, que imita o raciocínio humano, e as redes neurais, inspiradas no aprendizado do cérebro.

Junto a uma equipe de cinco alunos, os pesquisadores desenvolveram o Fuzzy BowTie e o AN24LD. Para transformar a pesquisa acadêmica em inovação na indústria, o primeiro passo foi garantir a proteção da tecnologia. Antes de qualquer divulgação pública, os inventores comunicaram a invenção à Inova Unicamp, para proteger a propriedade intelectual dos programas de computador. Com isso vieram os licenciamentos, com objetivo de elevar o nível de maturidade tecnológica (TRL) das ferramentas, e foram divulgadas publicações científicas sobre os resultados alcançados.

“Fomos o primeiro grupo no mundo a publicar sobre essa tecnologia altamente inovadora, ainda com TRL não tão alto. Isso chamou a atenção da indústria e, hoje, vemos o nosso trabalho virar referência”, resume Vianna, sobre o projeto que uniu segurança de processo e inteligência artificial.

Como funcionam as tecnologias?

O programa AN24LD foca na detecção instantânea de vazamentos. A tecnologia integra redes neurais dotadas de memória recorrente de longo prazo (capazes de identificar padrões complexos em grandes volumes de dados sequenciais) a simulações de fluidodinâmica computacional (CFD), que reproduzem em três dimensões o comportamento dos fluidos. Essa combinação permite análises precisas e identifica fluxos irregulares e potenciais falhas, prevenindo perdas e elevando a segurança operacional.

“Imagine uma plataforma de produção de petróleo com 330 metros de comprimento por 50 metros de largura. Como localizar um vazamento com rapidez nestas dimensões? Com esse programa, a identificação fica mais precisa”, descreve Vianna. Para chegar a esse resultado, a equipe treinou a rede com 2,6 milhões de dados gerados em simulações de cenários de vazamento. “Não precisamos ter todos os cenários de vazamento para treinar a rede. Treinamos com o que já existe, com o que já aconteceu e também com o que simulamos, e assim conseguimos ampliar a proteção para possíveis cenários futuros”, afirma Vasconcelos da Silva sobre a capacidade de generalização das redes neurais.

Já o programa Fuzzy BowTie é um sistema avançado de previsão de acidentes, capaz de analisar cenários de risco e quantificar a frequência e as consequências de eventos críticos. A ferramenta se destaca pela criação de diagramas BowTie quantitativos em uma interface gráfica intuitiva. “Essa ferramenta é muito visual: você olha e consegue compreender o sistema”, diz Vianna.

O cálculo de risco combina dois métodos: a lógica booleana, para decisões objetivas e respostas binárias (sim ou não), e a inferência fuzzy, que incorpora incertezas para avaliações mais realistas e flexíveis.  “A inferência fuzzy oferece uma visão holística e quantitativa do risco de um determinado sistema, a partir de um arcabouço matemático, com base em lógica difusa”, diz Vasconcelos da Silva.

Pessoa em pé usando óculos de armação escura e camisa polo de cor vinho com os braços cruzados, posicionada diante de um banner branco com o logotipo "FEQ Unicamp" em azul e ciano e texto "Faculdade de Engenharia Química", com estrutura de vidro e elementos arquitetônicos em tons de verde e cinza ao fundo.
O coordenador do projeto de pesquisa Sávio Souza Venâncio Vianna: o primeiro grupo no mundo a publicar sobre a tecnologia altamente inovadora

Na prática, o programa hierarquiza o peso de cada ameaça sobre o resultado final, mostrando, por exemplo, que uma falha pode responder por 80% do risco de um evento específico acontecer. Quanto mais cedo um vazamento é detectado, menos produto é liberado e menor a consequência do acidente, e quanto mais cedo uma ameaça é identificada e pesada dentro do sistema, mais fácil é decidir onde investir em segurança, explicam os pesquisadores.

Para ilustrar a importância dessa tradução prática, o professor Vianna recorre a outra analogia: “Se eu disser a uma pessoa que o risco de um acidente aéreo é de 1,38 x 10-8, o dado pode não dizer nada para ela. Agora se eu falar que isso é uma chance em dezenas de milhões ou que o risco é baixo, o entendimento é outro. Um número complexo, em sistemas de segurança, só faz sentido se for traduzido para uma linguagem prática que qualquer um consiga entender”.

Da análise de risco nuclear à indústria química

Segundo os pesquisadores, a técnica BowTie, originária das indústrias nuclear e aeroespacial, já era conhecida da indústria química, mas aplicada de forma majoritariamente visual e qualitativa. A ferramenta licenciada pela Unicamp acrescenta a lógica fuzzy para hierarquizar as ameaças que levam a um acidente.

O Fuzzy BowTie já foi incorporado como módulo dentro de um sistema que a Shape utiliza internamente, o que facilita a adoção pelos times de operação, segundo os pesquisadores. O AN24LD está em etapa mais avançada de validação, sendo treinado com dados típicos de uma unidade offshore de produção de petróleo. Os testes em campo devem seguir ao longo de 2026 e serão acompanhados pelos pesquisadores para fins de ensino, pesquisa e melhorias na ferramenta.

A mesma lógica poderia se aplicar a riscos biológicos em hospitais, à indústria de alimentos ou à automobilística. Empresas interessadas em licenciar tecnologias desenvolvidas na Universidade podem consultar o Portfólio de Tecnologias da Unicamp e procurar a Coordenadoria de Negócios e Inovação (CNI) da Inova Unicamp, responsável por negociar contratos de licenciamento oneroso ou não oneroso e parcerias de pesquisa com empresas.

Prêmio Inventores 2026

Em sua 19ª edição, o Prêmio Inventores da Unicamp, organizado pela Inova Unicamp, reconhece e valoriza os inventores que se destacaram na transferência de tecnologias da Universidade e na criação de empresas spin-offs acadêmicas.

Inventores Premiados

Sávio Souza Venâncio Vianna, Flávio Vasconcelos da Silva, Felipe Matheus Mota Sousa, André Zamith Selvaggio, Raphael Issamu Tsukada, Raphael Santana Almeida e Vitor Augusto Oliveira da Silva   foram premiados na categoria Propriedade Intelectual Licenciada em 2026.

Confira a lista completa de todos os premiados no site do Prêmio Inventores da Unicamp.

Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.

Foto de capa:

Duas pessoas de óculos posicionadas em frente a um banner branco com logo e texto em português indicando "Unicamp Faculdade de Engenharia Química", sendo a pessoa à esquerda vestida com camiseta verde-oliva com os braços cruzados e a pessoa à direita vestida com polo bordô com a mão esquerda no bolso, ambas em ambiente externo com plantas e estrutura de vidro ao fundo.
Os professores Flávio Vasconcelos da Silva e Sávio Souza Venâncio Vianna: um navio na costa paulista foi escolhido para receber a aplicação experimental de um dos softwares

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III Mostra SocioBioCotidiano – Artes do Corpo e Cena recebe inscrições

Até a próxima segunda-feira, 17 de agosto, estão abertas as inscrições de trabalhos na III Mostra SocioBioCotidiano – Artes do Corpo e Cena. O evento é uma promoção do Centro Interdisciplinar em Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (Cisade) em parceria com o 33º Festival Porto Alegre em Cena e conta com o apoio da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (Esefid), do Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes e do Centro Cultural da UFRGS.

A Mostra busca aproximar arte, ciência e sociedade a partir de trabalhos performáticos, reflexivos, científicos e ativistas. As propostas devem ter duração de cinco a dez minutos e estar vinculadas a um dos três eixos: Clima e Corpo; Territórios, Inclusão e Transversalidades; ou SocioBioCotidiano, Inovação, Alimento e Território.

As apresentações serão realizadas no Centro Cultural (R. Eng. Luiz Englert, 333 – Campus Centro), nas tardes de 15, 16 e 17 de setembro, conforme o eixo selecionado. O resultado preliminar da seleção será publicado em 25 de agosto.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pelo formulário disponível no site do Cisade.

O edital completo está disponível através deste link.

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Cooperação com a Petrobras fortalece fase experimental do AmazonFACE

O programa científico AmazonFACE alcança um marco relevante para sua trajetória com o apoio da Petrobras à sua fase experimental. Por meio do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), a companhia oferecerá colaboração técnica e financiará o principal insumo científico necessário ao início da fase experimental de um dos mais ambiciosos projetos de pesquisa na atualidade sobre mudanças climáticas em florestas tropicais do mundo.

O aporte de R$ 113 milhões é decorrente de Termo de Cooperação firmado entre a Petrobras, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os recursos são administrados pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).

Além de atender à demanda dos insumos por aproximadamente cinco anos, o valor será utilizado para o pagamento de 24 bolsas de pesquisa pelo mesmo período, compra de equipamentos e material de consumo.

Os recursos são oriundos da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), prevista em lei e regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mecanismo determina que empresas do setor destinem parte de sua receita à realização de projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. A legislação (Resolução 918/2023 da ANP) prevê investimentos em projetos de PD&I que envolvam, entre outras modalidades, pesquisa básica e aplicada desenvolvida por instituições credenciadas pela ANP, como é o caso da Unicamp.

Plataforma de carga amarela suspensa por cabo de grua metálica contra céu azul com nuvens brancas, cercada por árvores tropicais com folhagem verde e galhos nus, com estrutura de grua visível ao fundo à direita.
Estrutura metálica amarela de uma passarela suspensa estende-se horizontalmente sobre densa floresta tropical, apoiada em torres de metal branco que emergem acima do dossel de árvores verdes, com a vegetação densa e diversificada preenchendo todo o espaço abaixo e ao fundo da imagem sob céu nublado.
Grupo de pessoas reunidas em uma área florestal usando capacetes de segurança amarelos e um capacete laranja, vestindo roupas casual e de trabalho, em pé sobre solo de terra e folhas, com árvores altas ao fundo, uma tenda branca visível à direita, e algumas pessoas segurando mochilas e dispositivos móveis.

Em 2025, o programa AmazonFACE foi selecionado pela Petrobras para receber investimentos oriundos da Cláusula de PD&I. O investimento viabiliza o início da fase experimental do AmazonFACE e o abastecimento do principal insumo por cerca de cinco anos. A previsão é de que o experimento se inicie após a realização dos testes necessários sob CO2 elevado, eventuais ajustes técnicos, e a contratação de fornecedores. Após acionar a infraestrutura do experimento em definitivo, a perspectiva é que o projeto siga em atividade ininterrupta pelos próximos dez anos.

O programa científico AmazonFACE se propõe a investigar uma das maiores fontes de incerteza em relação ao futuro da Amazônia: como a maior floresta tropical do mundo responderá ao eventual aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera que impulsiona as mudanças climáticas. A floresta amazônica – maior floresta tropical do mundo – é um complexo ecossistema com papel importantíssimo para regular o clima, as chuvas e outros serviços ecossistêmicos no Brasil e no mundo. A iniciativa é pioneira na investigação, em escala de ecossistema, de como o aumento da concentração atmosférica de CO₂ afetará o funcionamento das florestas tropicais, sua biodiversidade, ciclo do carbono, disponibilidade de água e capacidade de regular o clima, entre outros aspectos.

Considerado um dos experimentos ecológicos mais ambiciosos da atualidade, o AmazonFACE (acrônimo em inglês para “Free-Air CO2 Enrichment”, ou enriquecimento de CO2 ao ar livre) utiliza tecnologia capaz de simular a concentração de CO2 prevista para daqui algumas décadas. Em uma minúscula parcela da floresta, localizada em área de pesquisa o ambiente receberá um aumento de aproximadamente 50% da concentração de CO2, passando de 420 ppm (partes por milhão) para 620 ppm, sem alterar outras condições naturais do ecossistema. O laboratório a céu aberto é instrumentado do solo até o dossel das árvores para medir o todas as reações do ecossistema.

Ao financiar o fornecimento do insumo utilizado na pesquisa, a Petrobras contribui diretamente para a geração de conhecimento científico estratégico sobre os impactos das mudanças climáticas e para o fortalecimento da ciência brasileira em um tema de elevado interesse científico internacional.

O apoio ao AmazonFACE reforça o compromisso da empresa de apoiar iniciativas científicas que ampliem o conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas e contribuam para o desenvolvimento de soluções baseadas em ciência, promovendo pesquisa, inovação e colaboração entre setores. O programa reúne excelência científica, cooperação institucional e potencial para gerar conhecimento estratégico sobre os efeitos do aumento da concentração de CO₂ na Amazônia e seus impactos no clima global.

Pessoa de meia-idade sentada em cadeira preta, usando óculos de armação escura, blazer cinza-escuro sobre camisa branca, segurando microfone prateado com a mão direita enquanto gesticula com a mão esquerda, posicionada diante de mesa de madeira com papéis brancos espalhados, em ambiente com parede cinza ao fundo.
O coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho: um passo decisivo para a entrada do AmazonFACE em sua fase experimental

“A participação da Petrobras representa um passo decisivo para a entrada do AmazonFACE em sua fase experimental. O apoio assegura condições para responder questões científicas fundamentais sobre o futuro da Amazônia, reafirmando o protagonismo local, em um cenário de mudanças climáticas, preservando a independência, a transparência e o rigor científico que caracterizam iniciativas dessa magnitude”, destacou o reitor em exercício da Unicamp, Fernando Coelho.

Sobre o programa científico AmazonFACE

O AmazonFACE (Free-Air CO₂ Enrichment) é um programa científico instituído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2014. A coordenação científica do programa é exercida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O programa conta com a cooperação internacional do governo britânico desde 2021, por meio do Foreign, Commonwealth and Development Office(FCDO) e implementação técnica do órgão meteorológico oficial Met Office, configurando-se como o maior projeto de cooperação científica internacional entre Brasil e Reino Unido.

O experimento está instalado em uma estação de pesquisa do Inpa, denominada ZF2, localizada 80 km ao norte de Manaus (AM), no Brasil. A área é representativa do bioma Amazônia. Na área do experimento foram identificadas 423 espécies de árvores, sendo que mais da metade apresenta algum grau de utilização pelas populações da região amazônica. O tipo de solo da área pesquisada é o mesmo encontrado em cerca de 60% do bioma.

A expectativa é de que o programa gere dados sobre o potencial de contribuição da maior floresta tropical do mundo para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa e sobre sua vulnerabilidade frente às mudanças climáticas. A combinação da experimentação na floresta e dos modelos matemáticos da vegetação e da atmosfera tem o objetivo de trazer respostas-chave para entender o futuro da floresta Amazônica diante da mudança do clima. Os resultados contribuirão para aprimorar projeções climáticas globais, orientar políticas públicas e ampliar o conhecimento sobre o papel da Amazônia na regulação do clima da Terra.

Atualmente, o AmazonFACE reúne mais de 150 pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais e constitui uma das principais infraestruturas científicas dedicadas ao estudo das florestas tropicais em um cenário de mudanças ambientais globais. O programa conta com estrutura de governança própria e comitê científico independente. A definição das agendas de pesquisa, a condução dos estudos e a divulgação dos resultados permanecem sob responsabilidade das instituições científicas que coordenam o programa, preservando a independência, a transparência e o rigor científico que caracterizam a iniciativa.

Foto de capa:

Grupo de pessoas usando coletes e capacetes amarelos e laranja reunidas em um terreno de terra avermelhada próximo a estruturas industriais, com uma placa de madeira contendo o texto "AMAZONFACE" e logotipo em cores verde, azul e amarelo posicionada em primeiro plano à esquerda, árvores densas ao fundo, contêineres azuis à direita e uma passarela metálica cinza atravessando o solo.
Ao fundo os tanques de C02; a previsão é de que o experimento se inicie após a realização dos testes necessários sob CO2 elevado, eventuais ajustes técnicos, e a contratação de fornecedores

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Grupo de oratória realiza processo seletivo para novos membros

Está aberto o processo seletivo de novos membros para o Grupo de Debates e Oratória da UFRGS (GDO), projeto de extensão da Faculdade de Direito que reúne estudantes de diferentes áreas para treinar oratória, argumentação e pensamento crítico em um ambiente de debates competitivos. As inscrições são abertas para pessoas de todos os cursos superiores e podem ser feitas por meio do formulário online até esta sexta-feira, 14 de agosto.

O GDO oferece atividades que incluem a realização de debates competitivos, em modelo baseado no funcionamento do parlamento britânico, no qual assuntos de todos os tipos são discutidos, desde os que povoam as manchetes de jornais, até aqueles mais abstratos ou lúdicos. Os encontros acontecem aos sábados, das 10h às 12h, presencialmente na Faculdade de Direito (Av. João Pessoa, 80), no Campus Centro.

Para participar, não é necessário ter boa oratória e argumentação, visto que o objetivo do grupo é o desenvolvimento dessas habilidades. As entrevistas de seleção serão realizadas de forma remota, nos dias 15 e 16 de agosto.

Mais informações podem ser consultadas no edital ou no perfil do Instagram do GDO @gdo.ufrgs.

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Edital de seleção para Mestrado em Ciências Biológicas: Farmacologia e Terapêutica

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: Farmacologia e Terapêutica (PPGFT) da UFRGS está com inscrições abertas para o processo seletivo do Mestrado Acadêmico, com ingresso no segundo semestre de 2026. São oferecidas até 12 vagas para candidatos com graduação em Ciências Biológicas, Ciências da Saúde ou áreas afins, sendo 30% delas destinadas ao Programa de Ações Afirmativas.

As inscrições podem ser realizadas até esta sexta-feira, 14 de agosto, exclusivamente por meio eletrônico. A taxa de inscrição é de R$ 120. Entre os documentos exigidos estão diploma ou comprovante de conclusão da graduação, currículo, carta de intenção e projeto de mestrado.

O processo seletivo inclui prova escrita de conhecimentos básicos em Farmacologia, entrevista com apresentação do projeto de pesquisa, avaliação do projeto e análise do currículo. A nota final será composta pela soma ponderada das quatro etapas. A aprovação no processo seletivo não garante a concessão de bolsa, que dependerá da disponibilidade e da ordem de classificação. O resultado final da seleção será divulgado em 15 de setembro.

O edital completo pode ser acessado através deste link.

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Divulgado o resultado preliminar dos pedidos de isenção da taxa de inscrição do Vestibular 2027

A Comissão Permanente de Seleção (Coperse) da UFRGS divulgou nesta terça-feira, 11 de agosto, o resultado preliminar das solicitações de isenção da taxa de inscrição do Vestibular UFRGS 2027. A consulta é individual e deve ser feita através do Portal do Candidato (portalcandidato.ufrgs.br).

Prazo para recursos

O período para apresentação de recursos vai de 12 a 14 de agosto (quarta, quinta e sexta-feira), até as 23h59min. Candidatos que tiveram o pedido indeferido podem enviar documentos faltantes ou corrigir informações diretamente no Portal do Candidato.

A Coperse alerta que é fundamental verificar o motivo do indeferimento e seguir rigorosamente as orientações previstas no edital.

Como apresentar recurso

  1. Acesse o Portal do Candidato;
  2. Verifique o motivo do indeferimento;
  3. Envie os documentos necessários até 23h59min de 14/08.

Democratização do acesso ao ensino superior

O Programa de Concessão de Benefício de Isenção da UFRGS tem papel estratégico na ampliação do acesso à universidade, garantindo que estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica possam participar do Vestibular sem custos.

Foi mantida a possibilidade de solicitação por meio do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), o que simplifica o processo: candidatos registrados no CadÚnico estão dispensados de apresentar documentação de renda.

Números preliminares dos pedidos de isenção do Vestibular UFRGS 2027

  • Solicitações recebidas: 6.155, alta de 18% em relação a 2026, que registrou 5.216 pedidos);
  • Candidatos que enviaram documentação: 1.949 (em 2026: 1.801 — aumento de 8,2%);
  • Isenções deferidas: 287 (41,4% a menos que em 2026, quando foram 490);
  • Indeferimentos por falta de comprovação: 1.662 (em 2026, foram 1.311 — aumento de 26,8%).

Próximos passos

A obtenção da isenção não garante inscrição automática no Vestibular UFRGS 2027. O período de inscrições está previsto para iniciar no dia 24 de agosto, com edital a ser publicado no site oficial do Vestibular.

Candidatos que tiveram a solicitação indeferida ainda podem garantir o benefício se utilizarem o prazo de recursos para enviar o que falta.

Se houver problemas de acesso ao Portal do Candidato (cadastro, e-mail ou senha), solicite suporte pelo Catálogo de Serviço de TI.

Mais informações

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Três cidades, uma história: exposição revisita os 60 anos da Unicamp

exposição fica aberta até o dia 30 de setembro
Exposição mostra o impacto que a Universidade provocou em três cidades: Campinas, Limeira e Piracicaba

A trajetória de seis décadas da Unicamp vai além das salas de aula, laboratórios e institutos de pesquisa. Também foi escrita nas ruas e nos bairros de Campinas, Limeira e Piracicaba, cidades que acolheram seus campi e que, ao longo do tempo, cresceram e se transformaram junto com a Universidade. É esse percurso compartilhado que a exposição 60 anos da Unicamp: três cidades, uma história, aberta nesta quinta-feira (6) no Museu da Cidade – Casa de Vidro, propõe revisitar.

A mostra, que encerra em Campinas um circuito iniciado em Piracicaba em dezembro de 2025, e que passou também por Limeira, integra as comemorações dos 60 anos da Universidade e pode ser visitada gratuitamente até 30 de setembro.

Na abertura da exposição, o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, representando o reitor Paulo Cesar Montagner, destacou justamente o poder de transformação exercido por uma universidade pública sobre os territórios onde se instala. Para ele, olhar para as seis décadas da instituição significa também recuperar os impactos da Universidade sobre a geração de conhecimento, a qualidade de vida e o desenvolvimento das cidades. 

exposição vai até o dia 30 de setembro
Fotografias, documentos históricos, mapas e outros materiais ajudam a contar essa história

“Quando a universidade chega, ela tem um poder de transformação absolutamente gigantesco. Vemos isso claramente em todos os lugares onde ela se instalou”, destacou Coelho. Segundo o coordenador-geral, revisitar esse passado também permite projetar o futuro e pensar em como a Universidade pode continuar contribuindo para que as cidades onde está presente se consolidem como centros de geração de conhecimento.

Uma cidade dentro das cidades

Fotografias, documentos históricos, mapas, plantas arquitetônicas, cartões-postais e outros materiais visuais ajudam a contar essa trajetória. Mais do que reconstruir a história interna da Universidade, a exposição procura mostrar de que maneira sua implantação acompanhou transformações urbanas, econômicas e sociais nas três cidades. 

Um dos curadores da mostra, Marcos Tognon, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), resume o conceito em uma imagem: “A nossa exposição é uma cidade dentro das cidades”. Tognon explica que a implantação dos campi criou novas centralidades urbanas e modificou a forma como as cidades ao seu redor passaram a se organizar e desenvolver. 

Fernando coelho conversa com crianças
O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, conversa com crianças que visitaram a exposição

Mais do que seguir uma ordem cronológica, a exposição organiza a narrativa a partir da relação da Universidade com os territórios onde se implantou. Para construir essa história, os curadores pesquisaram a cartografia histórica das três cidades e percorreram acervos fotográficos, documentos e coleções particulares. Entre as fontes consultadas estão materiais do Centro de Memória da Unicamp (CMU), do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas e coleções privadas, como a do monsenhor Jamil Nassif Abib, de Piracicaba, que reúne cerca de 300 mil cartões-postais. O resultado, explica Tognon, é uma espécie de história visual. 

Também integrante da curadoria, João Paulo Berto, servidor da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) e museólogo do Museu Histórico da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), chama a atenção para outro aspecto da construção da mostra: o envolvimento de diferentes grupos da Unicamp.

“A pesquisa, a concepção e os textos apresentados ao público foram desenvolvidos dentro da própria Universidade, envolvendo docentes, servidores e estudantes”, conta. Alunos de graduação do curso de História participaram da pesquisa e produziram os textos que acompanham o percurso expositivo. A curadoria é completada por Ana Cláudia Cermaria, responsável técnica do Museu da FOP.

A escolha do Museu da Cidade para receber a última etapa da itinerância reforça o diálogo proposto. Para a secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, a presença da Unicamp está ligada à própria transformação de Campinas ao longo das últimas décadas, seja pela formação de profissionais qualificados, pela atração de empresas e indústrias ou pela consolidação do município como polo de ciência e tecnologia.

a coordenadora do mseu, Lilian Alvisi
A coordenadora do Museu, Lilian Alvisi
os curadores da mostra
João Paulo Bertho (esq) e Marcos Tognon

“Todo o desenvolvimento de Campinas como uma metrópole e hoje como uma cidade que tem um alto padrão de ciência e tecnologia está relacionado também à presença da Unicamp”, aponta Caprioli. 

O diretor de Eventos da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Gabriel Rapassi, ressalta que a parceria entre Universidade e município, historicamente forte em áreas como educação e saúde, vem ganhando novas dimensões no campo cultural. “Esta exposição coroa uma relação muito intensa e longeva da Unicamp com a cidade”, afirmou. 

Duas histórias se encontram

coelho, capriolli e rapassi
Fernando Coelho (esq), Alexandra Caprioli e Gabriel Rapassi

O diálogo entre Universidade e cidade ganha ainda outro significado dentro da Casa de Vidro. Ao lado da mostra sobre a Unicamp, foi inaugurada a exposição Vila Rica: 60 anos de lutas, conquistas e identidade, dedicada à trajetória do primeiro conjunto habitacional entregue pela Companhia de Habitação (Cohab) em Campinas, também há seis décadas. 

A coordenadora do Museu da Cidade, Lilian Alvisi, destacou a coincidência temporal e, principalmente, a possibilidade de aproximar as duas histórias. A mostra sobre o bairro Vila Rica foi construída com a participação dos próprios moradores, que contribuíram com fotografias, memórias e relatos e participaram da seleção do material apresentado.

“As duas exposições dialogam”, ressalta. Para ela, ambas tratam de identidade, pertencimento e ocupação do território, a partir de experiências que se desenvolveram no mesmo período e que, em determinados momentos, chegaram a se encontrar.

Um desses encontros ocorreu ainda na década de 1970. Morador do Vila Rica e participante da construção da exposição sobre o bairro, o professor José Galdino Pereira lembrou que alunos da Unicamp passaram a frequentar a comunidade a partir de 1974, desenvolvendo atividades ligadas, entre outras áreas, à saúde pública.

Segundo Galdino, os estudantes começaram a atender moradores em um espaço comunitário do bairro, trabalhando com práticas de atenção primária à saúde, iniciativa que antecedeu a implantação do serviço público de saúde do bairro e deixou marcas na memória de seus moradores. Galdino recorda, por exemplo, relatos de pessoas que diziam ter sido aquela a primeira vez em que receberam de um futuro médico um atendimento próximo e cuidadoso.

José Galdino Pereira
José Galdino Pereira

A abertura das exposições reuniu ainda estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Violeta Dória Lins, localizada no bairro Vila Rica, muitos dos quais visitavam pela primeira vez o Museu da Cidade. O coordenador-geral da Unicamp aproveitou a presença dos jovens para fazer um convite. Depois de explicar o caráter público e gratuito da Universidade e falar sobre as políticas que buscam ampliar o acesso e a permanência de estudantes de diferentes origens, pediu que eles enxergassem a Unicamp como uma possibilidade para o próprio futuro. “A Universidade deve ser parte do sonho de vocês. Vocês têm direito a um lugar na Unicamp.”

Serviço:

Exposição 60 anos da Unicamp: três cidades, uma história 

Até 30 de setembro. De terça a sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h às 17h; aos sábados, das 12h às 16h

Museu da Cidade – Casa de Vidro. Av. Dr. Heitor Penteado, 2.145 – Lago do Café, Parque Taquaral, Campinas

Entrada gratuita

Foto de Capa

exposição está no Museu da cidade
Exposição está aberta no Museu da Cidade

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Na Unicamp, Conceição Evaristo diz que Honoris Causa é reconhecimento às mulheres negras

aula de conceição evaristo na Comvest
Início da aula aberta ministrada por Conceição Evaristo no auditório da Comvest

“Peço apenas que não seja somente a primeira, mas que abra perspectivas. Esse reconhecimento também deve alcançar intelectuais negras que tiveram papel fundamental na construção do pensamento brasileiro, como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Carolina Maria de Jesus. Suas contribuições não receberam a mesma visibilidade em suas épocas.” Aos 79 anos, a mineira Conceição Evaristo, uma das principais vozes da literatura afro-brasileira contemporânea, agradeceu a concessão do título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp, o primeiro dado a uma mulher negra na história da instituição. Para ela, a honraria aprovada por unanimidade nesta semana pelos integrantes do Conselho Universitário (Consu), com direito a aplausos de pé de todos no local, ganha ainda mais força e significado se for plural e compartilhada.

“Esse reconhecimento ultrapassa a minha trajetória individual e deve ser entendido como uma homenagem à contribuição histórica das mulheres negras para a produção intelectual e cultural do país. O mais importante não é ocupar esse lugar de forma isolada, mas abrir caminhos para que outras mulheres também sejam reconhecidas”, afirmou a homenageada.

público que lotou o auditório da Comvest
Público lotou o auditório da Comvest para acompanhar a aula

Conceição Evaristo visitou a Unicamp nesta quinta-feira (6) para uma série de atividades. No começo da noite, a escritora, pesquisadora e poeta ministrou uma aula aberta no Auditório da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), que atraiu centenas de pessoas. A atividade, realizada com apoio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e do Projeto Afro Memória, fez parte das celebrações dos 40 anos do Vestibular da Unicamp.

26 caixas

Mais cedo, ela foi conhecer o Arquivo Edgar Leuenroth (AEL), onde foram discutidas possibilidades de cooperação técnica entre a Universidade e a Casa Escrevivência, instituição responsável pela preservação do acervo da autora no Rio de Janeiro. O objetivo foi tratar sobre a organização, a restauração e a digitalização do material. Até o momento, a equipe que trabalha ao lado de Conceição Evaristo já soma 26 caixas de documentos, e o conjunto tende a aumentar ainda mais com livros, placas, medalhas, quadros e outros itens.

A vinda da escritora – que também integra a lista das leituras obrigatórias do Vestibular da Unicamp – é uma iniciativa que amplia o diálogo com intelectuais negros e dá continuidade à parceria com o Afro-Cebrap, núcleo de pesquisa, formação e difusão sobre a temática racial do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. A professora da USP Márcia Lima, coordenadora do Núcleo Afro do Cebrap, reforçou que a visita ao AEL marca o início de uma importante parceria. O AEL, pro sua vez, oferecerá apoio técnico na catalogação, digitalização e conservação dos documentos, enquanto o projeto Afro-Memória ampliará a preservação e a divulgação dos acervos da escritora e de outros intelectuais negros.

chegada de evaritso

Histórico

Para Aldair Rodrigues, professor do IFCH e um dos responsáveis pela presença de Conceição Evaristo em Campinas, essas ações representam um momento histórico para a Universidade em seu aniversário de 60 anos, já que consolidam uma política institucional voltada à valorização da memória, da produção intelectual e do protagonismo da população negra. “É necessário ampliar o espaço para referências produzidas pela população negra e para acervos organizados e preservados por seus próprios protagonistas, tornando a Universidade mais representativa da sociedade brasileira”, apontou o professor.

O sociólogo Paulo César Ramos, pós-doutorando do IFCH, pesquisador do Afro-Cebrap e um dos coordenadores do projeto Afro Memória, além de também ser um dos responsáveis pela visita de Conceição Evaristo ao campus, destacou o caráter simbólico da presença da escritora e do título recém-concedido a ela. “Representa um reconhecimento à sua trajetória e um passo importante na valorização da memória e da produção intelectual de mulheres negras no Brasil”, disse.

O diretor associado do IFCH, Sávio Cavalcante, mencionou que a presença da escritora também inspira reflexões sobre o futuro. “A Conceição Evaristo é uma fonte de inspiração para pesquisadores e alunos. Sua obra contribui para compreender a história brasileira e imaginar novos caminhos para o país”, comentou.

O diretor do AEL, Luiz Gustavo Rossi, por sua vez, celebrou o intercâmbio firmado de conhecimento em organização e preservação de acervos, mantendo os documentos originais da escritora sob a guarda da Casa Escrevivência e contando com todo o apoio técnico dos integrantes do AEL.

Símbolo

Ao final da visita, Conceição Evaristo afirmou que participar da construção de seu próprio acervo representa não apenas um reconhecimento pessoal, mas também uma responsabilidade de contribuir para ampliar a presença das memórias historicamente invisibilizadas nos espaços de preservação e pesquisa. “Guardar uma memória não é apenas preservar o símbolo, mas também cuidar daquilo que materialmente representa essa história”, ensinou.


A força e a responsabilidade de ser a dona de sua própria história

Foram mais de seis horas de viagem de ônibus entre o Rio de Janeiro e Campinas: vitalidade

Mesmo após uma viagem de mais de seis horas de ônibus entre o Rio de Janeiro e Campinas, a escritora Conceição Evaristo esbanjou vitalidade e carinho para atender a todos que a esperavam na Unicamp. E, apesar de uma agenda cheia, fez questão de deixar sua reflexão sobre temas que considera importantes, como as políticas afirmativas da Universidade e o poder de ter o controle sobre a sua memória.

Ela afirmou considerar um privilégio poder participar ativamente da organização de seu próprio acervo. “Essa possibilidade permite decidir quais documentos e registros considero relevantes para representar minha trajetória, além de registrar o próprio processo de construção dessa memória”, afirmou.

A escritora ressaltou ainda o caráter simbólico desse protagonismo, especialmente por se tratar de uma mulher negra conduzindo a preservação de seu legado. Para ela, a memória das populações negras, das classes trabalhadoras e de outros grupos historicamente marginalizados foi, durante muito tempo, narrada sob perspectivas externas, frequentemente associadas às elites intelectuais e às classes médias.

Conceição Evaristo conheceu o Arquivo Edgar Leuenroth (AEL): preservação

“O movimento Black Soul e a criação do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), por exemplo, foram experiências de resistência cultural durante a ditadura militar. Foram formas de organização e resistência pouco contempladas nas narrativas tradicionais sobre a história do país”, apontou.

E Conceição Evaristo vai além: para ela, a sociedade vive hoje um momento mais favorável ao reconhecimento da produção intelectual de mulheres negras. “Ainda assim, essas mulheres continuam sendo frequentemente identificadas apenas como militantes, em vez de serem reconhecidas como pensadoras que formulam políticas públicas e refletem sobre os rumos do país”, criticou.

Marcas profundas

Para a escritora, as ações afirmativas adotadas pela Unicamp são um passo importante na busca por justiça histórica. “As cotas não devem ser encaradas como favor, mas como instrumentos de reparação diante de uma dívida histórica com a população negra, seus descendentes e os povos originários”, disse. “As ações afirmativas são uma tentativa de reparar uma injustiça histórica que ainda deixa marcas profundas na formação da sociedade brasileira”, concluiu a primeira mulher negra com o título de Doutora Honoris Causa na Unicamp.

Relevância

O diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), José Alves, destacou que a presença da escritora Conceição Evaristo na Universidade representa um marco histórico para a instituição. “Essa é a primeira vez, em mais de 40 anos de história do Vestibular da Unicamp, que uma autora integrante da lista de obras obrigatórias participa de uma atividade na Universidade”, disse.

Além do caráter inédito, o diretor ainda ressaltou a relevância da escritora no cenário nacional, tanto por sua contribuição à literatura brasileira quanto por sua atuação no debate sobre as relações raciais, as políticas afirmativas e o combate ao racismo. De acordo com Freitas Neto, esses temas passaram a ocupar um espaço cada vez mais central na Unicamp, processo que teve como um de seus principais impulsionadores as mudanças promovidas no Vestibular.

O diretor lembrou ainda que a Universidade foi pioneira ao incluir obras de escritoras negras na lista de leituras obrigatórias, como Carolina Maria de Jesus, reforçando a importância de ampliar não apenas o acesso da população negra ao ensino superior por meio das políticas de ação afirmativa, mas também de valorizar suas referências intelectuais e culturais.

Alves apontou ainda que a presença dessas autoras no vestibular se justifica pela qualidade literária de suas obras e pela capacidade de suas produções de trazer à tona questões fundamentais para a compreensão da sociedade brasileira, especialmente aquelas relacionadas à cultura negra e ao enfrentamento das desigualdades raciais.

Foto de Capa

aula de conceição evaristo
Aula aberta atraiu grande público

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Nas fronteiras das Américas, comunidades indígenas reinventam proteção territorial

Experiências de segurança comunitária nas fronteiras das Américas ganham força diante do avanço do crime organizado, do aumento da circulação de drogas e da vulnerabilidade de suas populações. No Brasil, para além das estatísticas da violência, é importante observar como comunidades indígenas vêm construindo, a partir de seus próprios conhecimentos e formas de organização, estratégias para proteger seus territórios e sua autonomia.

“Quando o Estado não oferece respostas rápidas, essa ausência também produz efeitos”, destaca a antropóloga Susana Durão, coordenadora do Programa de Extensão Magüta, da Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec), e professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). A docente, especialista em segurança, é uma das organizadoras do encontro internacional “Segurança Comunitária Indígena e Autodeterminação – Casos em Fronteiras das Américas”, que será realizado entre os dias 13 e 14 de agosto, no auditório Marielle Franco no IFCH.

Pessoa sentada em cadeira preta em ambiente de sala de aula, usando camisa xadrez em tons de azul e branco sobre camiseta verde, calça marrom, com cabelo castanho comprido solto, mãos gestuculando à frente do corpo, com whiteboard e mesa de madeira visíveis ao fundo.
A antropóloga Susana Durão, coordenadora do Programa de Extensão Magüta: reflexão sobre o conceito de autodeterminação dos povos originários

Promovido pelo Magüta, em parceria com o programa de pesquisa Police Unions, Democratic Transformation, and Social Justice (Sindicatos Policiais, Transformação Democrática e Justiça Social), da Universidade de Toronto, no Canadá, o evento reunirá pesquisadores, lideranças indígenas e especialistas do Brasil, da Colômbia, da Argentina e do Canadá.

Para a antropóloga canadense Beatrice Jauregui, da Universidade de Toronto, co-organizadora do encontro, “será um evento único e inédito para troca de conhecimento entre organizadores e profissionais da área de segurança comunitária de diferentes países”.

Jauregui destaca que, no âmbito da segurança, há muitas semelhanças entre o Brasil e o Canadá. “Ambos possuem governos federais que precisam recorrer a sistemas jurídicos complexos para administrar a segurança pública de diversas populações, incluindo múltiplas comunidades indígenas. Muitas dessas comunidades enfrentam problemas sociais cotidianos e especialmente a necessidade de lidar com o crime organizado transnacional ao longo das fronteiras internacionais”, explica.

Pessoa com cabelo castanho ondulado comprido, usando brincos de pérola, blusa azul-marinho, sentada em frente a um sofá bege claro e parede de madeira clara ao fundo, sorrindo para a câmera.
A canadense Beatrice Jauregui, da Universidade de Toronto: policiamento e segurança em nível global

A canadense estuda questões de policiamento e segurança em nível global há mais de duas décadas. “Algumas das minhas pesquisas recentes têm se concentrado na atuação dos sindicatos policiais. Tenho estudado o policiamento autogerido entre comunidades indígenas e o trabalho de organizações como a Associação de Chefes de Polícia das Primeiras Nações”, completa.

Reflexão sobre autodeterminação

Durão destaca que, mais do que um encontro sobre segurança pública, o evento trará uma reflexão sobre o conceito de autodeterminação dos povos originários, ao trazer para o debate como os povos indígenas podem se organizar coletivamente na defesa de seus territórios.

A autodeterminação indígena, prevista na Constituição Federal e em instrumentos internacionais de proteção aos povos indígenas, é um princípio que reconhece o direito dessas populações de preservar suas formas próprias de vida e organização social, cultural e política. Entretanto, segundo Durão, os formatos indígenas de autoproteção estão ainda em debate, e não há um consenso entre pesquisadores, representantes do sistema de justiça e as próprias comunidades indígenas.

A pesquisadora, que desde 2023 se dedica a trabalhar com grupos de proteção auto-organizados no Alto Solimões (Amazonas), ressalta que o objetivo do encontro é olhar para a questão a partir da experiência dos próprios povos e pessoas indígenas. Por isso, a programação foi organizada para privilegiar a participação de lideranças comunitárias. “Não queremos que eles apenas assistam aos acadêmicos falando sobre suas realidades. Desejamos que tenham voz para apresentar suas próprias experiências e suas divergências”, afirma.

“A segurança comunitária só pode ser entendida dentro de um contexto que envolve modos de vida, relações de parentesco, organização política, história e transformações recentes vividas pelas comunidades”, analisa a antropóloga. “A proximidade com centros urbanos e a intensificação das rotas internacionais do narcotráfico, aliadas ao garimpo e outras ilegalidades, fazem com que as lideranças indígenas ribeirinhas convivam hoje com novos conflitos”, completa.

“O trabalho da segurança comunitária é, basicamente, cuidar da comunidade.” A definição é do ticuna Ailton Sampaio Pinto, da Terra Indígena Tukuna Umariaçu, na região de Tabatinga (AM). Formado recentemente em Midialogia pela Unicamp e participante do Magüta desde sua criação, ele acompanhou de perto a reorganização dos grupos de segurança comunitária indígena.

Nas fronteiras das Américas, comunidades indígenas reinventam proteção territorial
Nas fronteiras das Américas, comunidades indígenas reinventam proteção territorial
Nas fronteiras das Américas, comunidades indígenas reinventam proteção territorial
Duas pessoas sentadas em piso de madeira, uma vestindo camiseta verde e a outra de camiseta branca com estampa colorida, observam um desenho em papel branco colocado entre elas, enquanto uma delas segura um marcador preto na mão direita; o desenho contém ilustrações de um arco com flechas, figuras humanas em diferentes cores e um objeto geométrico na parte inferior; a pessoa à esquerda usa um relógio com pulseira preta e contas brancas, e ambas têm os braços posicionados sobre o papel em atitude de observação ou criação conjunta.

Pinto, que vive na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, ressalta que proteger significa muito mais do que vigiar limites geográficos. Também significa conviver diariamente com desafios que extrapolam os limites das comunidades. “Há tráfico de pessoas, tráfico de órgãos, entrada de drogas nas comunidades, desmatamento e vários outros problemas”, relata.

Ao longo das últimas duas décadas, iniciativas como a Polícia Indígena do Alto Solimões (Piasol) e, posteriormente, os grupos de Segurança Comunitária Indígena (Segcum) passaram a atuar em algumas comunidades, realizando monitoramento, mediação de conflitos e apoio às lideranças locais. Pinto explica que o atual Segcum representa uma retomada dessas experiências. “Meu pai foi quem recriou a segurança comunitária.”

Na avaliação do indígena, encontros como o promovido pela Unicamp ajudam a dar visibilidade à realidade vivida pelas comunidades. “Não significa que todos os problemas vão desaparecer, mas conseguimos chamar a atenção do Estado para uma região que é muito esquecida.”

Grupo de aproximadamente vinte pessoas posicionadas em frente a um edifício amarelo com inscrição "SEGURANÇA COMUNITÁRIA UMARIAÇU II TBT-AM", vestindo roupas em cores variadas incluindo amarelo, azul, branco, rosa e marrom, com uma pessoa agachada à frente segurando um papel branco, motocicletas estacionadas aos lados da construção, árvores e vegetação ao fundo, sob céu parcialmente nublado.
Equipe de seguranças da comunidade indígena de Umariaçú

Experiências próprias

No programa de pesquisa e extensão Magüta, desenvolvido desde 2023 junto às comunidades Ticuna de Umariaçu e Belém do Solimões, a aproximação com os moradores foi construída gradualmente, por meio de oficinas realizadas com jovens indígenas, lideranças comunitárias, estudantes e agentes de segurança, sempre tendo como ponto de partida a construção de relações de confiança. “As oficinas permitiram que as comunidades discutissem não apenas onde a violência acontece, mas também como ela afeta seus corpos, seus territórios e os rios que fazem parte da vida cotidiana”, conta Durão.

As ações evoluíram para oficinas de cartografia social, realizadas em parceria com pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Durante os encontros, os participantes mapearam diferentes formas de violência nos territórios, utilizando mapas, representações do corpo e até dos rios para identificar conflitos, vulnerabilidades e possíveis caminhos para enfrentá-los.

As oficinas também abriram espaço para discutir aspectos do cotidiano que, à primeira vista, parecem distantes da segurança pública. Estudante da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (Fecfau) e integrante do Magüta desde 2025, a indígena ticuna Elivany Macario Avelino conduziu uma atividade sobre as transformações das moradias nas comunidades e seus impactos na qualidade de vida.

Sala com paredes amarelas e janelas com venezianas, contendo uma mesa vermelha onde estão sentadas quatro pessoas, uma delas em pé segurando um microfone, enquanto outras três permanecem sentadas; ao fundo, um projetor exibe uma apresentação com imagens de ruínas e texto em português sobre "Capacitação: Aspectos Avento da Coleta"; na frente da sala, pessoas observam a apresentação, uma delas usando camiseta rosa e outra de cor escura; sobre a mesa há notebooks, papéis enrollados, garrafas de água e objetos diversos; uma escada de madeira está apoiada à direita; o piso é de madeira clara e há uma cesta de basquete visível no canto superior esquerdo.
Pessoa usando camiseta azul-marinho segura uma maquete de papelão com telhado bege, paredes de papelão cru com dois vãos de porta retangulares pretos, quatro pilares brancos, cerca decorativa em papelão com padrão geométrico laranja, plantas verdes artificiais nos laterais e frutas amarelas dispostas na base frontal, com mesa vermelha e ambiente escolar ao fundo.
À esquerda, a estudante da Fecfau, a indígena ticuna Elivany Macario Avelino (em pé) e, à direita, maquete de moradia feita durante oficina

Segundo Avelino, o debate partiu da comparação entre as antigas casas, construídas com madeira, palha e fibras naturais, e as atuais moradias de alvenaria. “As pessoas querem uma casa bonita e mais moderna, mas, quando ela é construída, a convivência dentro dela é muito diferente. As casas ficam muito quentes, e muitas famílias não têm condições de instalar equipamentos para resfriá-las”, relata.

Durante a oficina, moradores compartilharam lembranças das casas onde viveram seus pais e avós e refletiram sobre como as mudanças na arquitetura também alteraram a sensação de segurança e bem-estar. “Algumas pessoas disseram que não se sentem seguras dentro da própria casa, que já não têm aquela paz de que os avós falavam”, conta.

Para a estudante, discutir segurança também significa pensar na qualidade dos espaços onde as famílias vivem e em como as transformações das moradias influenciam a convivência e a saúde das comunidades. Segundo Avelino, essa troca de saberes permite compreender que diferentes povos enfrentam desafios semelhantes, mas também desenvolvem respostas próprias, capazes de inspirar novos caminhos para fortalecer a proteção dos territórios indígenas.

De acordo com a futura arquiteta, o encontro internacional amplia justamente essa possibilidade de construir soluções de forma coletiva. “É um espaço para olhar não só para o que acontece aqui, mas também para outros lugares. Conhecer outras experiências, trocar ideias e pensar junto em estratégias que depois possam voltar para as comunidades.”

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Programação

Dia 13 agosto – quinta-feira

9 h – Recepção com cânticos Ticuna – Por KaMagüta

9h40 – Mesa de abertura

Observações Introdutórias: Policiamento Indígena, Associações e Intercâmbio de Conhecimento

Palestrantes: Márcia Cristina Breitkreitz (diretora de Extensão da Proeec), Chantal Medaets (professora da Faculdade de Educação – FE), Susana Durão (professora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH) e Beatrice Jauregui (professora do Centre for Criminology & Sociolegal Studies, Universidade de Toronto, Canadá)

10h – História da Segurança Indígema na Tríplice Fronteira Brasileira

Palestrantes – Josiane Otaviano Guilherme (doutoranda em Antropologia), Wellington Ponciano (coordenador da Segurança Comunitária Indigena de Umariacu II, Alto Solimões), Bernardino Almeida (vice-coordenador da Segurança Comunitária Indigena de Umariacu II, Alto Solimões)

Debatedor – Marco Tóbon (professor da FE); moderadora – Karine Mendes (graduanda do Instituto de Estudos da Linguagem – IEL)

13h – História do Policiamento Indígena no Canadá-EUA, região de Turtle Island

Palestrantes – Beatrice Jauregui (Universidade de Toronto), Ranatiiostha Swamp (chefe de polícia Akwesasne Mohawk Police Service) em participação online e Dwayne Zacharie (chefe de polícia Kahnawà:ke Peacekeepers)

Debatedor e moderador – Fernando Simões (promotor do Ministério Público Estadual de São Paulo)

15h15 – Limites e Possibilidades Jurídicas-Normativas para a Segurança dos e por Indígenas no Brasil

Palestrantes – Roberto do Carmo (Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó”), Esteban Ospina Garrido (doutorando em Demografia) e Walter Coutinho (procurador da República) em participação online

Debatedor e moderador – José Mauricio Arruti (antropólogo)

Dia 14 agosto

9h – Segurança Indígena nas Fronteiras: Diferenças e Continuidades entre Norte e Sul

Palestrantes – Marco Tóbon (professor da FE), Roksolyana Shlapak (Universidade de Toronto)

Debatedora – Bianca Laurenzano (doutoranda IFCH); moderador – Andrews Mendes (graduando da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – FEEC)

11h – Experiências Promissoras de Prevenção e Enfrentamento ao Crime e à Violência na Amazônia e Mato Grosso do Sul e o contexto canadense

Palestrantes – Renato Sérgio de Lima (presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e Nicholas A. Jones (professor da Universidade de Regina, Canadá) em participação online

Debatedora – Caroline Dias Hilgert (doutoranda IFCH); moderadora – Aneida Carolina Yance (graduanda IFCH)

14h30 – Reflexões sobre Segurança e Violência em Fronteiras Latino-Americanas

Palestrantes – Lucas Pilau (Universidade de São Paulo – USP), Marcos Alvarez (coordenador INCT “Autoritarismo e Democracia” do Núcleo de Estudos da Violência, USP) e Sabina Frederic (professora da Universidade de Quilmes, Argentina, que foi ministra da Segurança da Argentina entre 2019-2021)

Debatedora e moderadora – Susana Durão (IFCH)

17h – Encerramento

* Ao longo da programação, será possível visitar uma exposição de fotos intitulada “Vida Ticuna na Fronteira – Entre a imaginação social e os perigos iminentes”, com curadoria dos estudantes indígenas Ticuna da Unicamp que atuam no Programa Magüta.

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Foto de capa:

Pessoa sentada em pequena embarcação de madeira escura navegando por canal de água calma em área de vegetação densa, usando boné vermelho e jaqueta cinza, com céu nublado ao fundo e reflexos da paisagem na superfície da água.
Navegação na tríplice fronteira do Rio Alto Solimões

O post Nas fronteiras das Américas, comunidades indígenas reinventam proteção territorial apareceu primeiro em Jornal da Unicamp.

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