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Combustíveis em alta impulsionam prévia da inflação e elevam incertezas sobre economia e mercados

27 de Abril de 2026, 22:06

A prévia da inflação oficial de março, medida pelo IPCA-15, deve mostrar nova aceleração em abril, com projeções próximas de 1% no mês. O indicador que será divulgado nesta terça-feira (28) reflete, sobretudo, a pressão de combustíveis, alimentos e fatores externos, como a volatilidade do petróleo e do câmbio, que seguem contaminando custos ao longo da cadeia e mantendo o índice sob tensão no curto prazo.

Para Leandro Manzoni, economista da InfoEconomics, o avanço da inflação será puxado principalmente por combustíveis e alimentos in natura. Ele afirma que, além desses itens, a inflação de serviços continua no radar, ainda que apresente alguma desaceleração recente, permanecendo acima do limite superior de tolerância da meta.

Já André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, destaca que os efeitos da guerra e a alta dos alimentos devem ter peso relevante na composição do índice. Segundo ele, embora os combustíveis tenham impacto direto, o grupo de alimentação tende a concentrar a pressão inflacionária, com sinais de aceleração mesmo diante de indicadores antecedentes mais moderados.

“Complementarmente, o aumento da defasagem do preço da gasolina no mercado doméstico, que segundo a Abicom chegou a 65% nesta semana, pode trazer mais perturbações inflacionárias à frente”, afirmou. 

Na avaliação de Ravell Nava, cofundador da BRL Educação, o cenário segue marcado por pressões externas, especialmente via petróleo e câmbio, com impacto rápido sobre combustíveis e custos logísticos. 

“Do ponto de vista macro, não vejo um cenário de descontrole, mas sim de pressão concentrada em itens mais sensíveis. O ponto-chave está na qualidade desse dado. Se essa inflação começar a contaminar serviços e núcleos, o sinal é de algo mais persistente, o que pode prolongar um ambiente de juros elevados”, diz o especialista.

Nava observa que os efeitos já são sentidos no ambiente corporativo, com compressão de margens e necessidade de maior eficiência operacional. Empresas mais estruturadas tendem a reagir melhor, enquanto negócios com menor previsibilidade enfrentam maior exposição. Do lado do consumo, a inflação em itens essenciais torna o cliente mais seletivo, elevando a sensibilidade a preços e exigindo estratégias mais precisas para sustentar a demanda.

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Aprovação de Trump despenca para 36% após ataques ao Irã, revela pesquisa

24 de Março de 2026, 16:00
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Divulgação

A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 36%, o nível mais baixo desde seu retorno à Casa Branca. A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada ao longo de quatro dias e publicada nesta quarta-feira (24), revelou que a queda no apoio popular ocorre em meio ao aumento dos preços dos combustíveis e à crescente desaprovação da guerra contra o Irã, que foi iniciada pelo governo del.

Em comparação com a pesquisa anterior, a aprovação passou de 40% para 36%. O levantamento associou essa piora à alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pelos ataques coordenados entre os EUA e Israel ao Irã no final de fevereiro.

Com os preços da gasolina subindo, o eleitorado demonstrou insatisfação com a gestão do presidente, especialmente no que se refere ao custo de vida e ao impacto econômico da guerra.

A pesquisa também indicou que, apesar da queda na aprovação geral, Trump ainda mantém um forte apoio entre os eleitores republicanos, embora tenha perdido parte da confiança do partido, especialmente no tema da inflação.

A pesquisa destacou que apenas 25% dos entrevistados aprovam a forma como Trump está lidando com o custo de vida, um dos pontos centrais de sua campanha para a reeleição em 2024.

O dado é um reflexo do descontentamento crescente, com 34% dos eleitores republicanos desaprovando sua condução da economia e 20% expressando insatisfação com sua administração de questões relacionadas ao custo de vida.

Donald Trump anunciando o “tarifaço” em 2025. Foto: Divulgação

Esses números representam um aumento significativo em relação à pesquisa da semana anterior, que indicava uma desaprovação de 27%. Outro fator que contribuiu para a queda na popularidade de Trump foi a guerra no Irã. A pesquisa mostrou uma mudança significativa na opinião pública sobre os ataques dos EUA ao país.

A aprovação dos ataques caiu de 37% para 35%, enquanto a desaprovação subiu de 59% para 61%. A pesquisa feita após os primeiros ataques indicava uma maior indecisão entre os eleitores, mas, na pesquisa mais recente, a taxa de indecisão desapareceu, com 5% dos entrevistados se recusando a responder.

Apesar da queda na aprovação de Trump, os dados indicam que a desaceleração em sua popularidade não está afetando diretamente a corrida para as eleições de meio de mandato, que ocorrerão em novembro.

Segundo o levantamento, 38% dos eleitores registrados consideram os republicanos mais capazes de cuidar da economia, enquanto 34% apontaram os democratas como a melhor opção.

Isso sugere que, embora a aprovação do presidente esteja em declínio, os aliados republicanos ainda têm um apoio considerável entre os eleitores, especialmente nas questões econômicas. A pesquisa foi realizada online e entrevistou 1.272 adultos nos Estados Unidos, com uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

Lula quer recomprar refinaria privatizada por Bolsonaro e libera R$ 9 bi à Petrobras

20 de Março de 2026, 23:15
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul. Betim
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul. Betim – Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que o governo federal pretende recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, privatizada em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap), onde também foi anunciado um pacote de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras.

Durante o evento, Lula disse que a gestão federal pretende retomar o controle da unidade baiana, vendida por US$ 1,65 bilhão. “Nós fazemos as coisas que precisam ser feitas. Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia, pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar”, declarou o presidente. Segundo ele, a medida integra a estratégia de ampliar a capacidade de refino no país e reduzir a dependência de derivados importados.

A RLAM é uma das principais unidades do sistema de refino nacional e atende parcela relevante do mercado do Nordeste. No mesmo discurso, Lula também afirmou que o governo pretende ampliar as pesquisas em reservas de petróleo. Ao comentar a política energética da gestão anterior, disse que o atual governo seguirá investindo em produção interna e em medidas consideradas estratégicas para o abastecimento nacional.

Diesel R. Um combustível com conteúdo renovável, como o óleo de soja, que está sendo produzido na refinaria da Petrobras em Betim (MG). Além de reduzir o impacto ambiental, ele beneficia cooperativas de catadores, gerando emprego e renda para as famílias que trabalham com a… pic.twitter.com/C07DNTLx2V

— Lula (@LulaOficial) March 20, 2026

Lula ainda anunciou que a Petrobras deverá criar uma política de estoques de combustíveis, ao lado da presidente da estatal, Magda Chambriard. A proposta, segundo ele, tem como objetivo permitir resposta em momentos de crise e de pressão internacional sobre os preços. O presidente afirmou que a medida exige tempo e tem custo elevado, mas será tratada como ponto estratégico para o país.

Ao defender a formação de estoques, Lula relacionou a iniciativa ao cenário internacional e às oscilações do mercado de energia. “Isso não é rápido, leva tempo. Mas é estratégico que a Petrobras e o governo precisam pensar, para não ser vítima do que está acontecendo hoje”, afirmou. Em seguida, acrescentou que o Brasil precisa ter instrumentos para reagir a movimentos especulativos e conter impactos no preço dos combustíveis.

Privatização da BR Distribuidora prejudica consumidor em momento de crise

Por:Sul 21
14 de Março de 2026, 17:06

Da Agência Brasil

Especialistas e entidades do setor de petróleo apontam que os aumentos abusivos nos preços dos combustíveis pelas distribuidoras – em São Paulo, há relatos de postos vendendo o litro de gasolina a R$ 9 – não se devem apenas à instabilidade no cenário internacional.

Para analistas, a privatização da BR Distribuidora eliminou o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento, deixando o mercado à mercê de reajustes abusivos que ignoram os valores praticados nas refinarias. Sem a estrutura verticalizada que ia “do poço ao posto”, o Brasil perdeu a ferramenta institucional necessária para frear a especulação em momentos de crise, avaliam especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

O alerta da venda de gasolina a R$ 9 “mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias” partiu de Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Segundo nota publicada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), postos em São Paulo estão elevando preços de forma desproporcional, mesmo sem aumentos por parte da Petrobras.

Para a FUP, o conflito no Oriente Médio — intensificado no final de fevereiro — tem servido de pretexto para que distribuidoras e revendedoras apliquem margens de lucro excessivas.

“As distribuidoras e revendedoras aumentaram os preços dos combustíveis. [O valor] chega na bomba para o consumidor final com acréscimo em torno de 40%”, calcula o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, em entrevista à Agência Brasil.

Política de preços diferenciada

Segundo Bacelar, a majoração de preços – que prejudica os consumidores e pode impactar na inflação – ocorre porque foram privatizadas as subsidiárias da Petrobras que atuavam na distribuição de combustíveis (BR Distribuidora e a Liquigás).

“Nós tínhamos uma Petrobras que era bem mais integrada e verticalizada do que é hoje. Era a antiga empresa do poço ao posto,” afirmou o sindicalista.

“Uma companhia petrolífera que faz exploração e produção de petróleo, e também transporte, refino, distribuição e comercialização dos derivados desse petróleo, consegue praticar política de preços diferenciada”, compara Bacelar – favorável à verticalização na Petrobras de todas etapas de fornecimento de petróleo.

A análise é compartilhada pela academia. Para Geraldo de Souza Ferreira, professor de Engenharia de Petróleo da Universidade Federal Fluminense (UFF), a retirada de uma empresa pública de um setor tão vital retira do Estado suas “ferramentas institucionais” de intervenção. “Quando se retira uma empresa pública de determinado setor da cadeia produtiva, o Estado deixa de ter ferramentas institucionais para fazer algum tipo de intervenção.”

Para Souza Ferreira, a atuação estatal no setor de petróleo é estratégica.

“O petróleo e seus derivados são importantes para segurança energética do país e para manutenção de várias outras atividades. Esses produtos são fundamentais para a sociedade. Então, tem que ter um certo nível de controle.”

O especialista ainda assinala que “uma empresa pública é orientada por sua função social. Já as empresas privadas são orientadas para o lucro, para o retorno financeiro.”

Na última quarta-feira (11), a empresa Vibra Energia S.A que comprou a BR Distribuidora anunciou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024. “Nossos resultados financeiros e operacionais comprovam a robustez e a capacidade de execução da companhia. Tivemos crescimento consistente de margens a cada trimestre do ano”, destacou Ernesto Pousada, CEO da Vibra, em comunicado da empresa.

Sem consulta ao Congresso

A Petrobras perdeu o controle da BR Distribuidora em julho de 2019, quando iniciou a privatização da antiga subsidiária. A privatização total foi concluída dois anos depois. Naquele período, sob o governo do então presidente Jair Bolsonaro, a diretoria da Petrobras defendia que a empresa deveria focar na produção e exploração de óleo e gás, e abrir mão da distribuição de combustível.

A venda das empresas subsidiárias da Petrobras foi feita sem consulta ao Congresso Nacional, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 5624.

Conforme decisão da Corte, em caráter liminar de junho de 2019, “a alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige autorização legislativa e licitação”, mas “a exigência de autorização legislativa, todavia, não se aplica à alienação do controle de suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que observem os princípios da administração pública inscritos no Artigo 37 da Constituição, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade.”

Corte de tributos e pagamento de subvenções

Para conter aumento no preço dos combustíveis, o governo zerou as alíquotas de Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre o diesel, e reduzindo o preço em cerca de R$ 0,32 por litro e editou a Medida Provisória nº 1.340 que autoriza a concessão de mais R$ 0,32 por litro como subvenção econômica para a comercialização de óleo diesel.

No total, são R$ 0,64 por litro cobrados a menos para diminuir o impacto no bolso do consumidor da variação do preço do petróleo no mercado.

O preço do diesel é formado pelo custo do produto junto à Petrobras (45,5% do preço médio na bomba do posto); tributo estadual (19%); custo de distribuição e revenda (17,2%); adição de biodiesel (13%). O peso da tributação da PIS/Cofins era de 5,2%.

Tendo em perspectiva o comportamento do mercado internacional de petróleo, o governo federal criou uma sala de monitoramento para acompanhar as condições do de comercialização de combustíveis fora e dentro do Brasil.

Na quinta-feira (12), o governo federal se reuniu com as empresas distribuidoras de combustível que sugeriram que a Petrobras amplie a importação de diesel para garantir abastecimento e estabilidade de preços no país.

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Petrobras aprova adesão ao programa do governo para baratear diesel

Por:Sul 21
13 de Março de 2026, 11:44

Da Agência Brasil

A Petrobras informou, na noite dessa quinta-feira (12), que o Conselho de Administração da companhia aprovou a adesão à subvenção econômica à comercialização de óleo diesel. Isso significa que a Petrobras pode se voluntariar a receber o desconto de R$ 0,32 por litro do combustível, que será pago pelo governo federal.

A subvenção econômica está expressa na Medida Provisória 1.340, publicada pelo governo Lula também na quinta-feira. A iniciativa permite que o governo conceda essa ajuda aos produtores e importadores de diesel.

A iniciativa é um enfrentamento à alta do preço do petróleo no mercado internacional, causada pela guerra no Irã.

A contrapartida da adesão é repassar o desconto, ou seja, fazer com que o preço ao consumidor também seja reduzido, chegando às bombas.

Interesse da Petrobras

Em comunicado, a Petrobras informa que o programa tem caráter facultativo e que a adesão “é compatível com o interesse da companhia”.

A estatal condiciona a efetiva assinatura do termo de adesão à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relacionados ao preço de referência, necessários para a operacionalização da subvenção econômica.

A ANP, ligada ao Ministério de Minas e Energia (MME), é a agência reguladora da indústria do petróleo no país e determinará preços de referência, de forma que seja possível avaliar se os descontos estão chegando ao consumidor.

No comunicado, a Petrobras reforça que “mantém sua estratégia comercial, levando em consideração a participação no mercado, a otimização dos ativos de refino e a rentabilidade de maneira sustentável, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”.

Tributos zerados

Além da subvenção econômica, o governo anunciou outra medida para conter a alta no preço do diesel: foram zeradas as alíquotas dos dois tributos federais sobre a importação e comercialização do diesel, o PIS e a Cofins.

Nos cálculos do Ministério da Fazenda, a subvenção econômica e as alíquotas zeradas têm potencial de baixar em R$ 0,64 o preço do litro do diesel. As medidas foram anunciadas em caráter temporário, até dia 31 de dezembro.

Gargalo marítimo

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completa duas semanas nesta sexta-feira. Uma das formas de retaliação do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, ao sul do Irã. Por lá, passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O gargalo na região representa falta de oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent, preço de referência, está negociado perto de US$ 100 (equivalente a cerca de R$ 520).

Há duas semanas, a cotação beirava US$ 70, ou seja, em 15 dias subiu cerca de 40%. O Irã tem se mostrado desafiador e chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.

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Governo quer investigação sobre alta de combustíveis mesmo sem reajuste da Petrobras

10 de Março de 2026, 15:57
combustíveis
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou nesta terça-feira (10) que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) analise os recentes aumentos nos preços dos combustíveis em várias regiões do Brasil. O pedido ocorre por não ter havido reajuste nos valores praticados pela Petrobras, principal fornecedora de combustíveis do país. Nos últimos dias, sindicatos do […]
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