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Em programa de governo, Flávio Bolsonaro prevê cortar impostos, reduzir dez ministérios e reavaliar Reforma Tributária

13 de Agosto de 2026, 19:00

O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, apresentou, nesta quinta-feira (13) seu plano de governo com a promessa de acelerar o crescimento econômico, reduzir o custo de vida e promover um choque de gestão nas contas públicas. Batizado de “Para o Brasil Vencer o Atraso”, o programa prevê crescimento sustentado de 4% ao ano na próxima década, redução gradual do custo do trabalho, revisão de impostos e investimentos de R$ 900 bilhões em infraestrutura ao longo de quatro anos.

Com 76 páginas, o plano prevê o corte de ao menos uma dezena de ministérios, redução de cargos e salários e reavaliar a reforma tributária para corrigir eventuais distorções e reduzir o valor do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), criado pela Reforma Tributária e que deve entrar em operação em 2027, sem informar detalhes sobre como as medidas serão adotadas.

Entre outros pontos, na política externa o foco será no comércio bilateral e “sem alinhamentos ideológicos” e o programa Casa Verde Amarela, que substituiu o Minha Casa, Minha Vida no governo de Jair Bolsonaro, será retomado

O programa organiza as propostas em nove eixos, com destaque para o “Brasil Mais Barato”, “Brasil que Prospera”, “Brasil que Cresce” e “Brasil que Não Volta Atrás”. A estratégia econômica é baseada no equilíbrio das contas públicas, na redução da burocracia, estímulo ao investimento privado e aumento da competitividade de setores como agropecuária, indústria e serviços.

“O compromisso de Flávio Bolsonaro é fazer um governo moderno e eficiente capaz de levar o Brasil à posição de sétima economia mundial”, informa o documento protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato também diz estar preparado para “resgatar o país” e critica o que classifica como aumento do custo de vida e perda do poder de compra das famílias.

Dobrar o ritmo de crescimento

No capítulo econômico, o plano estabelece como principal objetivo elevar o ritmo de expansão da economia. Segundo o documento, o país cresceu, em média, cerca de 2% ao ano nas últimas duas décadas, desempenho considerado insuficiente em relação ao restante do mundo. A proposta é alcançar crescimento sustentado de 4% ao ano ao longo dos próximos dez anos.

Para atingir essa meta, Flávio propõe priorizar investimentos privados, ampliar a segurança jurídica e criar regras mais previsíveis para empresas. A estratégia também prevê fortalecer a competitividade do agronegócio, da indústria e do setor de serviços.

Um dos principais compromissos é a aplicação de R$ 900 bilhões em quatro anos em infraestrutura, com recursos destinados a rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. O programa também prevê a criação de “Corredores Logísticos Inteligentes” e a retomada de obras hídricas no Nordeste.

Na área de energia, o plano prevê expansão do refino de petróleo e gás, fortalecimento dos biocombustíveis e redução dos encargos e subsídios que compõem a tarifa de eletricidade. A tarifa social para famílias de baixa renda seria preservada.

O eixo “Brasil Mais Barato” prevê revisão de impostos, redução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) projetado pela Reforma Tributária e desoneração de combustíveis e energia elétrica.

O candidato também propõe racionalizar encargos e subsídios do setor elétrico para diminuir o valor das contas de luz. No caso dos alimentos, a estratégia inclui investimentos em logística e armazenamento para reduzir custos de transporte e perdas na produção agrícola, além da expansão do Seguro Rural.

No entanto, o plano associa a redução dos juros e da inflação à reorganização das contas públicas e ao equilíbrio da dívida nacional. A proposta inclui ainda ações de educação financeira para famílias por meio da Caixa Econômica Federal.

“Tesouraço”

Na área fiscal, Flávio promete um choque de gestão, batizado no plano de “Tesouraço”. A proposta prevê a extinção de pelo menos dez ministérios, corte de cargos comissionados e o fim dos chamados supersalários no serviço público. O objetivo declarado é equilibrar as contas públicas, conter a inflação e criar condições para a redução dos juros.

O programa também prevê reavaliar a reforma tributária para corrigir eventuais distorções, reduzir o valor do IVA e desonerar exportações e investimentos. Outra frente é o fortalecimento do pacto federativo, com maior autonomia orçamentária para Estados e municípios e maior agilidade na transferência de recursos.

A proposta fiscal também inclui medidas contra fraudes na Previdência, com o objetivo de impedir descontos indevidos em aposentadorias e pensões, além da digitalização da gestão para eliminar as filas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Custo trabalhista e o ‘negociado sobre o legislado

O plano de Flávio também aposta na redução do custo da contratação formal. Segundo o documento, o custo total de um trabalhador para o empregador pode chegar a quase duas vezes o valor de seu salário. A proposta é reduzir esse custo gradualmente, sem retirar direitos trabalhistas.

Para jovens em busca do primeiro emprego, o programa prevê um contrato com menor custo sobre a folha de pagamentos, como forma de estimular as empresas a contratar trabalhadores sem experiência. Para pessoas com mais de 50 anos desempregadas há mais de 12 meses, seria criado um contrato de trabalho com condições consideradas mais atrativas para os empregadores.

O programa também defende a prevalência do “negociado sobre o legislado”, permitindo que trabalhadores e empresas estabeleçam diretamente determinadas condições de trabalho dentro dos limites da legislação.

Para quem pretende empreender, a proposta “Minha Primeira Empresa” prevê menos burocracia para abertura e formalização de negócios, capacitação e orientação por meio do “Sistema S”. A Caixa Econômica Federal seria transformada, segundo o plano, em um “Banco da Prosperidade”, com uma esteira de crédito e serviços destinada a facilitar o acesso ao primeiro patrimônio e à autonomia financeira.

O plano prevê ainda o programa “Ganha-Ganha”, que pretende criar um histórico positivo para beneficiários que cumpram determinadas etapas de qualificação e autonomia financeira. Entre as ações consideradas estão concluir cursos, formalizar um negócio, conseguir emprego e manter as contas em dia. O histórico poderia facilitar o acesso a crédito, juros menores e cashback.

A lógica apresentada pelo programa é transformar políticas sociais em uma etapa de transição para o mercado de trabalho e a independência financeira. O plano afirma que os programas sociais serão preservados e aperfeiçoados, com a proteção social funcionando como ponto de partida para qualificação, emprego e crescimento.

Casa Verde e Amarela de volta

Na habitação, o candidato propõe retomar o programa Casa Verde e Amarela, como o Minha Casa, Minha Vida foi rebatizado durante o mandato do pai, Jair Bolsonaro, e depois descartado no atual governo que retomou o nome original. A meta é construir 2,5 milhões de residências e oferecer financiamento com a menor taxa de juros possível.

A modernização tecnológica é outro componente da agenda econômica. O plano propõe digitalizar 100% dos serviços públicos federais e criar uma identidade digital única integrada ao Gov.br. A inteligência artificial seria utilizada para integrar informações e reduzir a burocracia enfrentada pelos cidadãos e pelas empresas.

A proposta também prevê ampliar o acesso à internet em todo o país e tratá-la como infraestrutura, assim como rodovias e pontes. A avaliação apresentada pelo candidato é que a digitalização pode reduzir custos administrativos e tornar mais eficiente a prestação de serviços públicos.

Na saúde, o programa propõe um prontuário eletrônico único, compartilhado entre redes pública e privada, além da ampliação de serviços de telemedicina e telessaúde. Para reduzir filas, o plano prevê ainda a possibilidade de contratação da rede privada para realizar exames e procedimentos em horários ociosos.

Política externa sem alinhamentos ideológicos

Na política externa, o plano defende uma atuação considerada “pragmática e técnica”, com foco no comércio bilateral e sem alinhamentos ideológicos, apesar da proximidade de Flávio Bolsonaro e sua família com Donald Trump e os Estados Unidos. A intenção é ampliar oportunidades comerciais e fortalecer a inserção do Brasil no mercado internacional.

Bons resultados de companhias de IA podem “roubar” fluxo da Bolsa brasileira, diz analista; veja os destaques do Giro desta terça (21)

21 de Julho de 2026, 14:48

Diante da conjuntura atual de incertezas — com alta do preço de petróleo, disputas comerciais e eleições —, o melhor cenário para o Brasil é uma temporada de balanço do segundo trimestre neutra para as empresas americanas, afirma Thiago Salomão, analista e fundador do Market Makers, no Giro do Mercado desta terça-feira (21).

Com o ínicio da temporada de resultados, o mercado fica atento para decidir onde realocar seu capital.

O especialista acredita que é importante monitorar os resultados das empresas de fora, especialmente das companhias de inteligência artificial (IA), que têm impactado as bolsas dos EUA positivamente ao atrair capital, retirando fluxo de emergentes como o Brasil.

Além disso, a alta no preço do petróleo, no curto prazo, pode gerar um efeito na inflação e elevar as taxas de juros e impactar as bolsas.

Assista o Giro na íntegra:

“Para o Brasil, o melhor seria uma temporada morna, porque se vier muito forte, é mais dinheiro indo para lá (Estados Unidos). Agora, se vier muito ruim, o investidor também vai ficar preocupado, e aí ele não vem para o Brasil, procura algo mais seguro, uma renda fixa, algo de previsibilidade maior”, explica Salomão.

Segundo o especialista, inteligência artificial tem mais peso nos resultados, por se tratar de um setor mais sensível.

“Eu, como investidor, já falei: não é o tipo de investimento que eu gosto de entrar, porque o risco de ganhar é muito alto, mas o de perder também”. Ele explica que o mercado da IA é mais hiperbólico: “às vezes entrega um resultado acima do esperado, com lucro, mas a ação despenca porque a projeção ficou levemente abaixo do esperado”.

No mercado brasileiro, a Vale divulga seu relatório de produção e vendas nesta terça, após o fechamento do mercado. De acordo com o especialista, a empresa costuma apresentar uma previsibilidade em seus números e, diante do futuro cenário brasileiro, a considera como uma boa opção de diversificação de portfólio — uma espécie de “empresa estrangeira listada na B3”.

“A Vale é interessante muito menos pelo que vai entregar nesse relatório e muito mais por uma composição macro, olhando para um risco do fiscal do Brasil desandar, a inflação desancorar e ter uma perda de expectativa. Ter uma empresa dolarizada traz um conforto na carteira”, afirma Salomão.

Com os efeitos das eleições ainda sem refletirem de forma significativa na bolsa, o especialista avalia que fatores como a inflação elevada e a taxa de desemprego em mínima histórica ainda devem influenciar a popularidade do presidente Lula.

“Eleição é tudo menos previsível. Ainda tem os efeitos do que está acontecendo no nosso dia a dia, que podem começar a fazer preço quando começar a campanha eleitoral na TV.” Ele acredita que a proxima eleição será uma batalha de rejeições e no fim dela ganhará o candidato menos odiado, com alguma uma esperança para a terceira via.

Para Salomão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enviado sinais preocupantes ao mercado por meio de declarações do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli. “Em 2022, o mercado deu um voto de confiança e acabou quebrando a cara. Agora, nem há espaço para esse voto de confiança, porque o que está sendo dito é justamente o que o mercado mais rejeita”, afirmou.

*Com supervisão de Vitor Azevedo

Essas 5 ações são ‘vencedoras’ na bolsa brasileira para investidores que desejam enfrentar ciclo inflacionário; confira análise

11 de Julho de 2026, 10:00

Para investidores, o segundo semestre de 2026 se inicia dando continuidade ao sentimento de alerta deixado pela primeira metade do ano – especialmente no mundo das ações e outros ativos de renda variável. Os efeitos do conflito no Oriente Médio, e a consequente incerteza em torno da liberação do fluxo no Estreito de Ormuz, devem continuar “fazendo preço” na economia global por tempo indeterminado.

A disrupção na cadeia global de suprimentos (devido ao conflito) deu maior protagonismo à inflação, que voltou a ocupar papel central na alocação dos investidores – especialmente os brasileiros, segundo analistas da Empiricus Research.

“A inflação voltou a ser uma variável estrutural, e não apenas cíclica, na construção de portfólios”, afirmam os analistas em relatório publicado na última segunda-feira (6). “[O Brasil] historicamente amplifica movimentos globais de juros, câmbio, commodities e apetite por risco”.

Voltando-se para o Brasil, mesmo com leituras mais recentes da inflação indicando um leve alívio (como o IPCA-15 de junho, que veio levemente abaixo das expectativas do mercado), os analistas comentam que, somado aos fatores externos, um agravante doméstico entra na equação: a fragilidade fiscal, sem previsão para ser endereçada pelo governo.

Narrativas mais otimistas para com a bolsa brasileira deram lugar a um sentimento de aversão ao risco. Após um período de rali no mês de abril, o Ibovespa devolveu ganhos e, até a quarta-feira (8), negociava na casa dos 170 mil pontos, sem tendência clara de alta ou de baixa, mesmo com desempenho positivo no acumulado de 2026.

Porém, em um cenário em que tudo pode até parecer “jogar contra” os ativos de riscos brasileiros, os analistas indicam que os preços descontados na bolsa abrem uma oportunidade, justamente, para investir e buscar lucros. Mas não de forma generalista: é preciso disciplina.

“Esse quadro não elimina oportunidades na bolsa. Pelo contrário, pode criá-las. Mas exige uma seleção mais criteriosa”, afirmam. “Em ambientes mais difíceis, a bolsa deixa de ser um bloco homogêneo.”

Qual a chave para investir em ações em tempos de turbulência na inflação?

“Em um cenário de inflação relevante, juros altos e maior volatilidade, a exposição genérica à bolsa deixa de ser suficiente.”

Enquanto alguns investidores pessoa física optam por um posicionamento mais conservador, abstendo-se totalmente da bolsa em prol de títulos de renda fixa, ou defensivo, mirando em ativos de proteção, como o ouro, a Empiricus indica essa pode ser uma boa chance de investir em um seleto grupo de ações de qualidade por preços mais baixos.

“A oportunidade aparece quando empresas de qualidade passam a negociar com desconto, mas seguem preservando os atributos que sustentam a tese: geração de caixa, dividendos, previsibilidade, balanço sólido e capacidade de repasse de preços.”

5 ações ‘vencedoras’ para tempos de inflação: três representam o mesmo setor

Nem todo investidor está apto a fazer um stock picking por conta própria, sabendo exatamente em quais ações investir. Por isso que, nesses momentos, faz-se ainda mais relevante acompanhar as indicações de analistas especializados.

No relatório, os analistas apontam 5 ideias de investimento em ações que, em sua visão, são as mais promissoras para investidores em busca de um portfólio resiliente em tempos de inflação:

  • Itaú (ITUB4);
  • Axia Energia (AXIA6);
  • Copel (CPLE3);
  • Compass (PASS3);
  • Cury (CURY3).

Tratando-se de Itaú (ITUB4), os analistas destacam a “elevada capacidade de gestão de risco ao longo dos ciclos”, além da alta recorrência de resultados e dividendos. Para Cury (CURY3),a incorporadora tem se beneficiado, atualmente, do forte momentum do programa Minha Casa, Minha Vida, apresentando forte crescimento e geração de caixa, além de bons dividendos.

Porém, chama atenção o fato de o restante das ações escolhidas representarem um mesmo setor da economia: o de serviços básicos. No caso, papéis ligados serviços indispensáveis do cotidiano, como energia elétrica, saneamento ou gás.

Axia Energia (AXIA6)

Para os analistas, a Axia (AXIA6), antiga Eletrobras, se diferencia pela relevância de seu portfólio de ativos, além de seu “profundo processo de transformação pós-privatização”.

“A empresa vem se destacando pela estratégia de manter boa parte da capacidade de geração descontratada, o que tem garantido boa captura de receita em um ambiente de preços elevados de energia. Além disso, negocia por múltiplos atrativos em comparação ao restante do setor.”

Copel (CPLE3)

Outra representante do ramo de energia elétrica, a Copel (CPLE3) “apresenta forte presença em distribuição, com uma agenda de transformação pós-privatização, potencial de captura de ganhos de eficiência e evolução de governança. Além disso, negocia em níveis atrativos frente ao potencial de geração de valor, e ainda distribui bons dividendos.”

Compass (PASS3)

Segundo analistas, a Compass (PASS3), parte do grupo Cosan, já se destaca por um perfil defensivo, de crescimento consistente e valuation atrativo em seu setor. Além disso, “combina ativos regulados de distribuição, com geração de caixa previsível e proteção inflacionária, e uma plataforma integrada de gás que amplia oportunidades via comercialização e infraestrutura”.

Por que o setor de serviços básicos se destaca, afinal?

Isabelle Oliveira, uma das analistas responsáveis pelo relatório, destaca que “o diferencial das teses ligadas a serviços básicos é a capacidade de retorno real do setor mesmo em períodos macroeconômicos conturbados”, por conta de três fatores:

  • Reajustes de receita atrelados à inflação;
  • Alto poder de repasse aos acionistas;
  • Elevada previsibilidade de caixa.

“Neste cenário de incertezas globais, inflação elevada e juros altos, que atrapalham o consumo e atividade econômica, essas teses voltam a ganhar atratividade relativa, frente a outras mais cíclicas.”

Onde investir agora? Empiricus+ apresenta os ativos mais promissores do mercado

Apesar desse relatório em especial dar destaque a 5 ações, vale ressaltar que a diversificação segue sendo um dos principais pilares para quem deseja criar um portfólio de ações de forma a mitigar riscos.

Portanto, somadas a essas indicações, você pode conhecer diversas outras para complementar sua estratégia e buscar lucros em 2026 – com ajuda da Empiricus+.

A Empiricus+ é a plataforma “streaming” da casa: em um só lugar, você pode ter acesso a dezenas de recomendações de investimento, séries especiais e, também, relatórios como o citado neste texto.

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Economista-chefe do BCE diz que inflação pode ficar acima da meta de 2% até 2027

23 de Junho de 2026, 09:26

O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, disse nesta terça-feira (23) que a inflação na zona do euro pode permanecer acima da meta oficial de 2% por um período prolongado, mesmo que se consolide uma trégua no Oriente Médio.

No último dia 11, o BCE elevou as taxas de juros em 25 pontos-base – o primeiro aumento desde 2023 – em uma decisão considerada “preventiva”, para evitar que a alta dos preços de energia contaminasse as expectativas de inflação no longo prazo.

Em discurso a parlamentares europeus em Bruxelas, Lane afirmou que a inflação pode seguir bem acima da meta até a primeira metade de 2027, após ter ultrapassado 3% no mês passado.

“Embora o progresso recente em direção a uma resolução do conflito no Oriente Médio seja bem-vindo, a incerteza permanece elevada e há riscos contínuos de a inflação ficar acima da nossa meta de 2% no médio prazo por um período considerável”, disse ele.

Lane acrescentou que a inflação elevada e a energia cara devem pesar sobre a atividade econômica, mas avaliou que o impacto tende a ser limitado, diante de um mercado de trabalho ainda sólido, de investimentos robustos em inteligência artificial e de gastos públicos com defesa e infraestrutura.

Quem perde e quem ganha com o fim da escala 6×1? Mercado já calcula os impactos

31 de Maio de 2026, 10:00

Na última quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1, reduzindo a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais em até 14 meses. O texto ainda estabelece a manutenção dos salários dos trabalhadores e a opção por acordos coletivos no formato 12×36 – com 12 horas trabalhadas seguidas e 36 horas de descanso posteriormente.

A proposta segue para o Senado e deve passar por comissões antes de ir ao plenário. Por se tratar de uma PEC, caso conquiste três quintos dos votos no Senado, pelo menos, 49 senadores favoráveis. Em meio aos avanços da proposta, o mercado debate quais seriam os impactos do novo modelo trabalhista sobre a economia, analisando quais seriam os setores mais afetados pela decisão.

De acordo com estudo realizado pelo BTG Pactual, o agronegócio, os setores de alojamento, restaurantes e da construção civil são as categorias no centro da possível decisão.

Bruno Perri, estrategista de investimentos da Fórum Investimentos, explica: “esses são setores que ‘não desligam’, Em construção civil, por exemplo, sempre tem os canteiros que trabalham aos sábados. Isso também serve para shoppings, bares e restaurantes, que funcionam aos sábados e aos domingos com maior demanda”.

Uma nota técnica publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) listou 31 setores que “demandam atenção especial para processos de transição em casos de implementação de uma redução da jornada de trabalho”, incluindo as categorias mencionadas pelo BTG. Todavia, o Instituto pondera que “alguns setores muito diretamente impactados tem uma relevância menor quando considerado o conjunto da economia brasileira”.

Os pesquisadores também apontaram os setores comparativamente menos impactados, destacando saúde e educação como categorias que “têm uma contribuição importante para o aumento geral do custo da mão de obra”.

O BTG calcula que uma redução do limite de 44 horas semanais para 40 horas provocaria uma redução de 7,7% no total de horas trabalhadas no Brasil, sendo que os salários pagos pelas horas não mais trabalhadas representariam 6,5% da despesa total com salários das empresas.

Outro impacto, segundo Perri, seria o desafio operacional das empresas na reorganização das contratações. “O empresário vai ter que fazer contratações diferentes, muitas vezes temporárias, ou ter um horário de funcionamento menor, dependendo do setor”, explicou.

Na opinião do professor doutor Marcelo de Carvalho, da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (EPPEN) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na prática, essa seria uma questão relativa, “sobretudo, com a reforma trabalhista que foi aprovada em 2017”. Ele explica que na legislação trabalhista atual, a abertura para exceções, como contratações no regime de Pessoa Jurídica (PJ), já é uma tendência do mercado.

Segundo o economista, a maior preocupação está direcionada às pequenas empresas, avaliadas por ele como tradicionalmente grandes absorvedoras de mão de obra. “Pensamos normalmente nas grandes empresas, por uma série de questões técnicas, mas as empresas de pequeno e médio porte que utilizam o trabalho formal vão precisar de políticas públicas de apoio, durante o período de transição”, afirmou.

Nesse caso, a sugestão encontrada por Carvalho, é o uso de recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O BNDES poderia estender linhas de crédito para as micro, pequenas e médias empresas, nesse período de transição”. Ele ainda afirma que esse tipo de medida também poderia favorecer a troca de mão de obra humana por mão de obra mecânica: “essa já é uma tendência, diga-se de passagem, em tempos de inteligência artificial”, completou.

Quem ganha com a redução da jornada?

No debate sobre os possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho sobre as empresas, o mercado ainda discute quais setores poderiam se beneficiar da mudança, especialmente pelo aumento da demanda.

Para Perri, da Fórum Investimentos, as categorias de entretenimento e consumo são o destaque: “com mais tempo livre, a pessoa pode consumir mais cinema, streaming, até mesmo bets. Bares e restaurantes também podem se beneficiar, mas não acredito que esse impacto é suficiente para compensar o efeito negativo na folha para os empresários”.

Além do entretenimento, o setor de transportes também deve ganhar com a proposta. “As famílias agora vão poder se reunir, para o seu lazer, se deslocando, para um clube, para uma praça, para um parque, por exemplo”, emenda Carvalho, da Unifesp. “Provedores de bens de consumo não duráveis, certamente serão impactados, porque essas pessoas devem consumir produtos de alimentação e entretenimento”, concluiu.

O estrategista da Fórum ainda indica uma preocupação relacionada ao impacto da redução da jornada sobre os próprios consumidores. “Acredito que o consumidor final vai sentir, uma vez que a tendência é repassar do aumento de custo para preço. Geralmente isso também causa uma redução no volume demandado, com impacto negativo no PIB”, apontou.

O professor da UNIFESP discorda, ressaltando uma fragilidade na capacidade de consumo dos brasileiros: “Não me parece que esse seja o caso, porque a gente tem mantido um crescimento da economia limitado. Tivemos uma queda histórica na taxa de desemprego, mas as famílias brasileiras estão profundamente endividadas. A capacidade de consumo nos domicílios já está muito contida”.

Pontos de atenção para os investidores

Com o avanço do projeto agora no Senado, Perri ainda destacou que o mercado deve monitorar a curva de juros e a inflação, além do “impacto fiscal de algum tipo de compensação”. “Produtividade e crescimento potencial são outros dados importantes”, completa.

O estrategista afirma que a tendência é que o mercado antecipe uma reação à progressão do debate, o que deve estar no radar dos investidores.

Agora, tramitando no Senado, a PEC aguarda a avaliação das comissões temáticas, antes de ser votada no Plenário também em dois turnos. É importante ter em vista que o texto ainda está sujeito a mudanças, o que implicaria em um retorno para análise na Câmara dos Deputados.

*Com supervisão de Gustavo Porto

Ana Paula Renault, vencedora do BBB26, embolsa o maior prêmio da história do reality graças a uma campanha de marketing

22 de Abril de 2026, 12:08

Ana Paula Renault, campeã do BBB 26, levará para casa R$ 5,7 milhões, maior prêmio da história do reality da Globo. Na última edição, o montante era R$ 2,7 milhões.

Essa valorização não se deu do dia para a noite — e nem pela inflação no Brasil, que apesar de subir, não dobrou nos últimos 365 dias.

Na realidade, o aumento no valor do prêmio foi devido a uma campanha de marketing do Mercado Pago, instituição financeira do Grupo Mercado Livre.

‘Tudo em DobBBro’ para Ana Paula

Inicialmente, o prêmio seria o mesmo de 2025. No entanto, logo na estreia do BBB 26, foi anunciado que o valor seria o dobro do ano anterior, ou seja, R$ 5,4 milhões.

A diferença para o valor final, R$ 5,7 milhões, é resultado de uma outra campanha de marketing da mesma instituição. Ele foi possível graças aos rendimentos gerados no Cofrinho Mercado Pago ao longo dos 100 dias de programa.

Pela maior parte do reality, o dinheiro rendia em 120% do CDI. Entre 3 de março e 3 de abril, o prêmio estava rendendo em 140% do CDI. No final, o montante incorporado foi de R$ 268.712,17.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

Roubini: Brasil pode sofrer mais com riscos internos do que com guerra no Oriente Médio

7 de Abril de 2026, 17:15

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e aos temores de um novo choque global de energia, o economista Nouriel Roubini fez um alerta que desloca o foco do investidor brasileiro: o principal risco para o país pode não estar no cenário externo, mas dentro de casa.

Segundo Roubini, embora o conflito envolvendo o Irã tenha potencial para gerar inflação global e desaceleração econômica, os efeitos sobre o Brasil tendem a ser mais moderados quando comparados a outras regiões. Ainda assim, isso não significa imunidade.

“O que acontece dentro do Brasil pode ter mais impacto do que a própria guerra”, afirmou durante evento do Bradesco BBI, o 12º Brazil Investment Forum, realizado em São Paulo.

A fala vem em um contexto de análise mais ampla sobre os efeitos do choque energético global. Com a possibilidade de interrupções no fornecimento de petróleo no Golfo Pérsico, o economista vê um cenário típico de pressão inflacionária combinada com perda de crescimento, uma dinâmica que remete, ainda que com diferenças, aos episódios de estagflação do passado.

Ganhos externos, dores internas

No caso brasileiro, há um fator de amortecimento importante, já que o país é exportador líquido de energia. Em um cenário de petróleo mais caro, isso tende a favorecer a balança comercial e gerar ganhos de termos de troca.

No entanto, Roubini pondera que o encarecimento da energia se espalha por toda a economia, pressionando custos de produção e reduzindo o poder de compra das famílias. O resultado é um ambiente de inflação mais alta combinado com crescimento mais fraco, ainda que em menor intensidade do que em economias mais dependentes de importação de energia, como as asiáticas.

Em outras palavras, mesmo que o Brasil esteja entre os “beneficiados” pelo choque, há um custo macroeconômico inevitável.

O verdadeiro ponto de atenção

É nesse contexto que o economista desloca o debate para dentro do país. Para ele, os desdobramentos da política doméstica, especialmente em um ano eleitoral, tendem a ser mais determinantes para o rumo da economia brasileira do que o próprio conflito internacional.

“Seja Lula ou o filho do Bolsonaro, isso trará implicações para as políticas fiscais, para a forma como o país vai estruturar reformas e para o crescimento econômico”, explica.

Roubini destaca que o Brasil entra em um período sensível, com eleições presidenciais no horizonte e incertezas sobre a condução da política fiscal, reformas estruturais e estratégias de crescimento.

Embora reconheça a importância institucional do Banco Central independente, ele alerta para um risco conhecido em economias emergentes, a chamada dominância fiscal. Nesse cenário, pressões sobre as contas públicas podem acabar influenciando a política monetária, elevando o risco de inflação persistente ao longo do tempo.

“Pode haver uma situação em que, no futuro, haja uma dominância fiscal, em que o déficit fica tão alto que a tentação para monetizá-lo [com política monetária] cresce”, diz o economista.

A combinação de incerteza política com fragilidade fiscal, portanto, pode amplificar os efeitos de qualquer choque externo, ou até superá-los.

A leitura de Roubini sugere uma inversão na forma de analisar riscos. Em vez de concentrar a atenção apenas na geopolítica global, investidores deveriam olhar com mais cuidado para o ambiente doméstico.

Isso porque, mesmo em um cenário de guerra prolongada e petróleo elevado, o Brasil parte de uma posição relativamente mais confortável do ponto de vista energético. Já os riscos internos, ligados à política econômica e à credibilidade fiscal, permanecem como variáveis abertas.

Agenda: Ata do Copom e prévia da inflação podem redefinir apostas para a Selic; confira os indicadores desta semana

22 de Março de 2026, 12:00

A semana deve funcionar como um teste direto para o cenário traçado pelo Banco Central após o corte da taxa Selic, com a agenda doméstica concentrando os principais gatilhos para o mercado.

O destaque absoluto fica para a quinta-feira (26), quando serão divulgados o IPCA-15 e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A prévia da inflação é vista como o principal termômetro da semana e pode reforçar (ou colocar em dúvida) a continuidade do ciclo de cortes de juros. Já o RTI deve trazer mais detalhes sobre as projeções e o balanço de riscos da autoridade monetária.

Antes disso, na terça-feira (24), a ata do Copom ajuda a calibrar as expectativas ao detalhar o racional da decisão recente e sinalizar os próximos passos da política monetária.

A semana começa com o Boletim Focus na segunda-feira (23), importante para medir eventuais mudanças nas projeções do mercado, enquanto a sexta-feira (27) traz a taxa de desemprego, indicador relevante para avaliar o ritmo da atividade econômica.

No exterior, a agenda também traz pontos relevantes, especialmente nos Estados Unidos. Os dados de atividade, como os PMIs de indústria e serviços, ajudam a medir o fôlego da economia, enquanto os números do mercado de trabalho seguem no radar por sua influência nas decisões do Federal Reserve.

Além disso, indicadores como a confiança do consumidor e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan devem oferecer pistas sobre o comportamento das famílias e a ancoragem inflacionária. Discursos de dirigentes do Fed ao longo da semana também podem ajustar as apostas do mercado para os juros.

Na Europa, os PMIs e a inflação do Reino Unido ajudam a mapear o ritmo de atividade em meio a um cenário ainda frágil, enquanto falas de autoridades do Banco Central Europeu podem sinalizar os próximos passos da política monetária na região.

Mesmo assim, em um ambiente de incertezas globais, a dinâmica doméstica, especialmente a inflação, tende a seguir como principal vetor para os mercados locais.

Confira a agenda de indicadores entre 23 e 29 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (23)
    8h25 – Boletim Focus
  • Terça-feira (24)
    8h00 – Ata do Copom
  • Quarta-feira (25)
    8h00 – Confiança do Consumidor FGV
    14h30 – Fluxo Cambial Estrangeiro
  • Quinta-feira (26)
    8h00 – Relatório Trimestral de Inflação
    9h00 – IPCA-15
    9h00 – Reunião do CMN
  • Sexta-feira (27)
    8h30 – Investimento Estrangeiro Direto
    8h30 – Transações Correntes
    9h00 – Taxa de Desemprego

Estados Unidos

  • Segunda-feira (23)
    11h00 – Gastos com Construção
  • Terça-feira (24)
    9h15 – Relatório ADP
    10h45 – PMI Industrial
    10h45 – PMI de Serviços
    10h45 – PMI Composto
    19h30 – Discurso de Michael Barr (Fed)
  • Quinta-feira (26)
    9h30 – Pedidos iniciais de seguro-desemprego
    9h30 – Pedidos contínuos de seguro-desemprego
    17h30 – Balanço do Federal Reserve
    20h10 – Discurso de Michael Barr (Fed)
  • Sexta-feira (27)
    9h30 – Estoques do Varejo
    11h00 – Confiança do Consumidor
    11h00 – Expectativas de inflação
    12h30 – Discurso de Mary Daly (Fed)

Zona do Euro

  • Terça-feira (24)
    6h00 – PMI Industrial
    6h00 – PMI de Serviços
    6h00 – PMI Composto
  • Quarta-feira (25)
    5h45 – Discurso de Christine Lagarde (BCE)

Reino Unido

  • Terça-feira (24)
    6h30 – PMI de Serviços
    6h30 – PMI Composto
  • Quarta-feira (25)
    4h00 – CPI
    4h00 – PPI
  • Sexta-feira (27)
    4h00 – Vendas no Varejo
    4h00 – Núcleo de Varejo

Japão

  • Segunda-feira (23)
    8h00 – Relatório Mensal do BoJ
    20h30 – CPI
    21h30 – PMI de Serviços
  • Terça-feira (24)
    20h50 – Ata de Política Monetária
  • Quinta-feira (26)
    2h00 – CPI

BCE faz alerta para risco de inflação mais alta e mercado cogita aumento de juros

20 de Março de 2026, 08:45

Membros do Banco Central Europeu alertaram sobre os riscos crescentes para a inflação nesta sexta-feira (20), mas não chegaram a pedir uma política monetária mais apertada, mesmo com uma série de corretoras começando a prever aumentos nos juros já em abril.

O BCE deixou as taxas de juros inalteradas na quinta-feira, mas alertou que a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã pode levar a inflação muito acima de sua meta de 2% este ano e que um conflito prolongado pode manter a inflação elevada nos próximos anos.

Essa visão reforçou as apostas já generalizadas de aumento dos juros e autoridades, falando sob condição de anonimato, reconheceram que abril pode estar em jogo, a menos que o conflito seja resolvido nas próximas semanas.

Entretanto, seus comentários públicos nesta sexta-feira foram mais comedidos.

“Devemos manter a cabeça fria e ficar de olho em todo o campo de jogo”, disse o presidente do banco central finlandês, Olli Rehn, acrescentando que as autoridades precisam separar a volatilidade de curto prazo do impacto econômico de longo prazo.

O presidente do banco central da França, François Villeroy de Galhau, disse que o BCE não deve reagir de forma exagerada ao aumento do preço da energia, que pode elevar a inflação para 2,6% este ano, de acordo com a projeção básica do BCE.

“Temos os olhos na bola e as mãos prontas para agir”, disse ele em uma entrevista ao site de notícias financeiras Boursorama.

Enquanto isso, o chefe do Banco da Espanha, José Luis Escrivá, alertou que continua difícil avaliar o impacto dos preços mais altos da energia sobre a trajetória da inflação, de modo que o BCE deve manter sua prática de tomar decisões reunião a reunião.

Apostas de alta

Os mercados financeiros agora preveem mais de dois aumentos nas taxas de juros este ano, com o primeiro em junho. Os bancos centrais normalmente ignoram os choques do petróleo, mas o temor é que o aumento do preço da energia seja tão grande que se infiltre na economia como um todo, afetando os custos de tudo e perdurando por um longo período.

O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, reconheceu esse risco e disse que o BCE pode ser forçado a intervir, a menos que os preços da energia se normalizem logo.

“Na situação atual, é possível que as perspectivas de inflação de médio prazo se deteriorem e que as expectativas de inflação aumentem de forma sustentada, o que significa que uma postura mais restritiva da política monetária provavelmente seria necessária”, disse Nagel à Bloomberg.

Enquanto isso, corretoras começaram a apostar em aumentos rápidos da taxa de juros, mudando suas previsões após a reunião de quinta-feira do BCE.

O J.P. Morgan, o Morgan Stanley e o Barclays agora preveem que o BCE aumentará os juros em 2026, uma mudança acentuada em relação às suas previsões anteriores de que as taxas permaneceriam inalteradas.

O Barclays e o J.P. Morgan preveem uma mudança em abril, seguida de novos aumentos em junho e julho, respectivamente. Enquanto isso, o Morgan Stanley espera aumentos de 25 pontos-base em junho e setembro.

Ainda assim, nem todos ficaram convencidos.

“O Conselho do BCE é dominado por membros que têm um viés dovish”, disse o economista-chefe do Commerzbank, Joerg Kraemer.

“Continuo não convencido pela expectativa dos mercados futuros de que o BCE aumentará sua taxa de juros básica duas vezes até o final do ano”, disse ele. “O obstáculo para taxa de juros mais alta é maior do que o esperado.”

Fed decide juros na quarta: relembre os últimos dados da economia dos EUA antes da reunião

17 de Março de 2026, 07:30

Com a decisão de juros do Federal Reserve marcada para 18 de março, o mercado chega à chamada Super Quarta olhando para um mosaico de dados recentes da economia dos Estados Unidos. O retrato que emerge mistura inflação ainda resistente, mercado de trabalho resiliente e sinais de desaceleração na atividade.

Nas últimas semanas, indicadores importantes como payroll, Jolts, CPI, PCE e PIB ajudaram a calibrar as apostas sobre os próximos passos da política monetária. A expectativa é de manutenção da taxa de juros no atual patamar de 3,50% – 3,75%.

Mercado de trabalho: forte, mas com sinais mistos

O relatório Jolts, divulgado nesta sexta-feira (13), mostrou alta inesperada das vagas de emprego em aberto. O número chegou a 6,946 milhões em janeiro, aumento de 396 mil posições em relação ao mês anterior e acima das projeções de 6,70 milhões.

A taxa de vagas abertas subiu para 4,2%, ante 4,0% em dezembro. O dado sugere que a demanda por trabalhadores segue firme, mesmo com juros elevados.

Por outro lado, o payroll, principal termômetro do mercado de trabalho norte-americano e olhado de perto pelo Fed, trouxe uma leitura bem diferente. O relatório de fevereiro mostrou corte de 92 mil empregos, contrariando a expectativa de criação de 55 mil vagas.

Inflação ainda acima da meta

Do lado dos preços, os indicadores continuam mostrando pressões inflacionárias persistentes.

O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Fed, subiu 0,3% em janeiro, enquanto o núcleo avançou 0,4% no mês.

No acumulado de 12 meses, o índice registrou alta de 2,8%, com o núcleo em 3,1%, ambos acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.

Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) mostrou alta de 0,3% em fevereiro, em linha com as expectativas do mercado. Em 12 meses, a inflação ao consumidor soma 2,4%, ainda acima da meta, mas indicando alguma desaceleração frente aos picos recentes.

Economia desacelera

Enquanto inflação e mercado de trabalho seguem relativamente resilientes, a atividade econômica começa a mostrar perda de ritmo.

A segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, realizada pelo Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio, mostrou que a economia cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre, revisão para baixo em relação aos 1,4% divulgados inicialmente.

O dado representa uma desaceleração relevante em relação ao crescimento de 4,4% registrado no terceiro trimestre.

Uma guerra no meio do caminho

Além dos indicadores recentes da economia, o cenário internacional também passou a pesar no radar do Federal Reserve.

Apesar das medidas adotadas por grandes economias para liberar reservas estratégicas de petróleo, o preço do Brent voltou a subir e superou US$ 100 por barril.

A alta ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, com ataques iranianos contra a navegação no estratégico Estreito de Ormuz e o fechamento de parte da infraestrutura petrolífera na região. O estreito é uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

O avanço do conflito já começa a aparecer em alguns preços da economia americana. O valor da gasolina subiu para quase US$ 3,60 por galão, ante menos de US$ 3 antes do início das ofensivas, pressionando o custo de vida.

Outros custos financeiros também reagiram. As taxas das hipotecas de 30 anos nos Estados Unidos avançaram para 6,11%, ante 6% na semana anterior, segundo dados da Freddie Mac. Os rendimentos de diversos títulos da dívida do governo americano também subiram desde o início dos ataques.

A escalada dos preços de energia adiciona um novo elemento ao debate sobre inflação nos Estados Unidos, justamente em um momento em que os indicadores ainda mostram os preços acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.

Agenda: Inflação no Brasil e nos EUA concentra atenções antes de decisões de juros; confira agenda da semana

8 de Março de 2026, 12:00

Antes da Super Quarta marcada para o dia 18 de março – dia que reunirá as decisões de juros dos Estados Unidos e do Brasil – os investidores irão receber os dados de inflação em ambos os países, o que ajudará a calibrar as exceptivas para as decisões que serão tomadas em meio um conflito geopolítico que assombra os mercados.

Por aqui, o dado de inflação, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), será disponibilizado na quinta-feira (12), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número será olhado com cautela, uma vez que o IPCA-15 de fevereiro, que é a prévia da inflação, veio acima do esperado.

Na semana ainda será divulgado o Boletim Focus, na segunda-feira (9), vendas no varejo na quarta-feira (11), acompanhado do crescimento do setor de serviços, na sexta-feira (13).

Já nos Estados Unidos, o Índice de Preços de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação preferida do Fed, sai apenas na sexta-feira (13), acompanhado do Relatório JOLTS. Além disso, no início da semana o mercado acompanha a variação semanal de empregos ADP na terça-feira (10) e a balança comercial na quinta-feira (12).

Na Zona do Euro, o foco fica com a reunião do Eurogrupo na segunda-feira (9), e na Inglaterra, na sexta-feira (13), o Produto Interno Bruto (PIB).

Do lado Oriental do globo, Japão também divulga o PIB, na segunda. China compartilha com os investidores no domingo (8) o IPC e o Índice de Preços ao Produtor (PPI), já a terça-feira (10) é dia de balança comercial.

Confira a agenda de indicadores entre 9 a 14 de março (horário de Brasília):

Brasil

  • Segunda-feira (9)
    8h25 – Boletim Focus
  • Quarta-feira (11)
    9h00 – Vendas no Varejo
    14h30 – Fluxo Cambial Estrangeiro
  • Quinta-feira (12)
    9h00 – IPCA
  • Sexta-feira (13)
    9h00 – Crescimento do Setor de Serviços

Estados Unidos

  • Terça-feira (10)
    9h15 – Variação semanal de empregos ADP
    11h00 – Vendas de Casas Usadas
    17h30 – Estoques de Petróleo Bruto – API
  • Quarta-feira (11)
    9h30 – IPC
    9h30 – Discurso de Bowman, membro do FOMC
    11h30 – Estoques de Petróleo Bruto
    15h00 – Balanço Orçamentário Federal
  • Quinta-feira (12)
    9h30 – Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego
    9h30 – Balança Comercial
    9h30 – Construção de Novas Casas
    12h00 – Discurso de Bowman, membro do FOMC
    17h30 – Balanço Patrimonial do Federal Reserve
  • Sexta-feira (13)
    9h30 – Índice de preços PCE
    9h30 – Pedidos de Bens Duráveis
    11h00 – Relatório JOLTS

Zona do Euro

  • Segunda-feira (9)
    7h00 – Encontro do Eurogrupo
  • Sexta-feira (13)
    7h00 – Produção Industrial

Inglaterra

  • Segunda-feira (9)
    21h01 – Vendas no Varejo do BRC
  • Quinta-feira (12)
    6h30 – Discurso de Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
  • Sexta-feira (13)
    4h00 – PIB
    4h00 – Produção Industrial
    4h00 – Balança Comercial

Japão

  • Domingo (8)
    20h50 – Transações Correntes
  • Segunda-feira (9)
    20h30 – Gastos Domésticos (mensal)
    20h50 – PIB

China

  • Domingo (8)
    22h30 – IPC
    22h30 – Índice de Preços ao Produtor (PPI)
  • Terça-feira (10)
    0h00 – Balança Comercial
  • Sábado (14)
    6h00 – Novos Empréstimos

Membro do Fed vê risco inflacionário em guerra com Irã, mas impacto econômico segue indefinido

5 de Março de 2026, 12:09

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não tem clareza sobre os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, mas destacou que choques nos preços de energia podem afetar a inflação e o comportamento do consumidor nos Estados Unidos.

Em entrevista à Bloomberg TV nesta quinta-feira (5) Barkin disse que aumentos nos preços da gasolina continuam sendo um fator relevante para o sentimento das famílias e podem reduzir outros gastos. “Os preços da gasolina ainda importam para o sentimento e podem deslocar outros tipos de consumo”, afirmou.

Barkin ressaltou que, em tese, choques de curto prazo nos preços de energia tendem a ser temporários. “Os manuais diriam para olhar além de choques de curto prazo”, disse. Ainda assim, destacou que o Fed acompanhará a evolução desses efeitos antes de definir qualquer resposta. “O Fed seguirá decidindo juros reunião a reunião. Se os preços da gasolina estiverem mais altos, isso é inflacionário e teremos de decidir por quanto tempo isso vai durar.”

O dirigente também avaliou que os dados recentes de inflação trouxeram alguma incerteza sobre o progresso do processo desinflacionário.

Ele argumentou que os números recentes “levantam dúvidas sobre se o Fed já terminou sua luta contra a inflação”.

Por outro lado, Barkin apontou sinais positivos na economia. Segundo ele, empresas têm ampliado investimentos em produtividade, o que ajuda a sustentar margens corporativas mesmo diante de pressões como tarifas. “Estamos vendo empresas investirem em produtividade”, disse, observando que um crescimento de produtividade de 2,8% “ainda é um número bastante bom”.

Barkin reiterou que a política monetária segue em território modestamente restritivo, embora a demanda permaneça sólida. O dirigente também defendeu que o banco central tenha “uma presença menor nos mercados”.

Tesouro IPCA+ aumenta prêmio de risco e oferece até 7,58% com guerra no radar; confira as taxas do Tesouro Direto nesta quinta-feira (5)

5 de Março de 2026, 10:13

As taxas do Tesouro Direto operam com movimentos mistos na sessão desta quinta-feira (5), com leve alta em alguns vértices da curva e ajustes pontuais em relação ao fechamento anterior.

Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 oferece 13,52% ao ano, praticamente estável frente aos 13,51% registrados no fechamento anterior, uma alta marginal de 1 ponto-base. Já o Tesouro Prefixado 2029 paga 12,97%, enquanto o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 oferece 13,69% ao ano.

Nos papéis atrelados à inflação, o movimento foi de abertura da taxa em alguns vencimentos. O Tesouro IPCA+ 2032 rende IPCA + 7,58%, acima dos IPCA + 7,49% observados no fechamento anterior.

Em vencimentos mais longos, os retornos seguem elevados. O Tesouro IPCA+ 2040 oferece IPCA + 7,14%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2050 paga IPCA + 6,86%. Entre os títulos com pagamento de juros semestrais, o Tesouro IPCA+ 2037 rende IPCA + 7,41%, e o Tesouro IPCA+ 2045 oferece IPCA + 7,14%.

O Tesouro Selic 2031, por sua vez, é negociado a Selic + 0,099% ao ano, mantendo o comportamento mais estável típico dos títulos pós-fixados.

Os movimentos indicam pequena reabertura da curva real, com investidores exigindo prêmio ligeiramente maior em alguns títulos atrelados à inflação, enquanto os prefixados mostram estabilidade após o recuo observado na sessão anterior.

O conflito no oriente Médio segue no radar dos investidores que calculam até quanto o preço do petróleo pode chegar e o impacto que isso teria na inflação mundial. Apesar de um alívio ontem com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã, os temores de uma escalada da guerra voltaram ao radar.

Mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correrem para abrigos antiaéreos, enquanto Israel lançou uma grande onda de ataques à Teerã nesta quinta-feira.

Taxas dos títulos do Tesouro Direto hoje (5):

Título Rendimento Anual Investimento mínimo Preço unitário Vencimento
Tesouro Selic 2031 Selic + 0,099% R$ 184,39 R$ 18.439,33 01/03/2031
Tesouro Prefixado 2029 12,97% R$ 7,10 R$ 710,93 01/01/2029
Tesouro Prefixado 2032 13,52% R$ 4,80 R$ 480,13 01/01/2032
Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037 13,69% R$ 8,23 R$ 823,78 01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032 IPCA + 7,58% R$ 28,93 R$ 2.893,55 15/08/2032
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2037 IPCA + 7,41% R$ 42,43 R$ 4.243,20 15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040 IPCA + 7,14% R$ 17,16 R$ 1.716,03 15/08/2040
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2045 IPCA + 7,14% R$ 41,90 R$ 4.190,45 15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050 IPCA + 6,86% R$ 9,22 R$ 922,04 15/08/2050
Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2060 IPCA + 7,07% R$ 40,35 R$ 4.035,11 15/08/2060
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2030 IPCA + 7,20% R$ 19,23 R$ 1.923,50 15/12/2049
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2035 IPCA + 7,05% R$ 13,93 R$ 1.393,36 15/12/2054
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2040 IPCA + 6,94% R$ 10,15 R$ 1.015,33 15/12/2059
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2045 IPCA + 6,90% R$ 7,34 R$ 734,78 15/12/2064
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2050 IPCA + 6,89% R$ 5,28 R$ 528,96 15/12/2069
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2055 IPCA + 6,91% R$ 3,77 R$ 377,26 15/12/2074
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2060 IPCA + 6,92% R$ 2,69 R$ 269,59 15/12/2079
Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2065 IPCA + 6,92% R$ 1,93 R$ 193,32 15/12/2084
Tesouro Educa+ 2027 IPCA + 7,72% R$ 36,37 R$ 3.637,77 15/12/2031
Tesouro Educa+ 2028 IPCA + 7,65% R$ 33,87 R$ 3.387,60 15/12/2032
Tesouro Educa+ 2029 IPCA + 7,60% R$ 31,55 R$ 3.155,77 15/12/2033
Tesouro Educa+ 2030 IPCA + 7,56% R$ 29,40 R$ 2.940,32 15/12/2034
Tesouro Educa+ 2031 IPCA + 7,51% R$ 27,43 R$ 2.743,55 15/12/2035
Tesouro Educa+ 2032 IPCA + 7,46% R$ 25,62 R$ 2.562,52 15/12/2036
Tesouro Educa+ 2033 IPCA + 7,42% R$ 23,93 R$ 2.393,80 15/12/2037
Tesouro Educa+ 2034 IPCA + 7,36% R$ 22,42 R$ 2.242,45 15/12/2038
Tesouro Educa+ 2035 IPCA + 7,31% R$ 21,00 R$ 2.100,78 15/12/2039
Tesouro Educa+ 2036 IPCA + 7,26% R$ 19,69 R$ 1.969,46 15/12/2040
Tesouro Educa+ 2037 IPCA + 7,21% R$ 18,47 R$ 1.847,99 15/12/2041
Tesouro Educa+ 2038 IPCA + 7,16% R$ 17,35 R$ 1.735,66 15/12/2042
Tesouro Educa+ 2039 IPCA + 7,11% R$ 16,31 R$ 1.631,52 15/12/2043
Tesouro Educa+ 2040 IPCA + 7,07% R$ 15,32 R$ 1.532,89 15/12/2044
Tesouro Educa+ 2041 IPCA + 7,03% R$ 14,41 R$ 1.441,39 15/12/2045
Tesouro Educa+ 2042 IPCA + 7,00% R$ 13,54 R$ 1.354,17 15/12/2046
Tesouro Educa+ 2043 IPCA + 6,97% R$ 12,73 R$ 1.273,03 15/12/2047
Tesouro Educa+ 2044 IPCA + 6,95% R$ 11,95 R$ 1.195,19 15/12/2048
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