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BC assume risco sobre inflação com postura menos cautelosa, diz Solange Srour, do UBS

20 de Março de 2026, 06:15

O Banco Central sinalizou que poderá cortar os juros em sua próxima reunião, no fim de abril, mesmo que a Guerra do Irã ainda persista até lá. O risco, porém, é de que, embora o ciclo de queda de juros mal tenha começado, já precise ser interrompido, avaliou a diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, Solange Srour, em entrevista ao InvestNews.

Na opinião da economista, o Comitê de Política Monetária, o Copom, não deveria ter iniciado o ciclo de redução da Selic. O BC cortou a taxa básica para 14,75% ao ano na quarta-feira (18), na primeira diminuição em quase dois anos.

“Pessoalmente, acho que o BC deveria ter adiado”, disse. “Ninguém sabe se a guerra vai demorar mais duas semanas ou quatro meses.”

Mesmo se o conflito terminar em breve, já existe uma inflação “contratada” devido ao aumento dos preços do petróleo, de energia e de insumos, como fertilizantes.

“A inflação deste ano já está mais perto de 4,5%. Mas se o choque durar mais duas semanas e o preço do petróleo ficar mais perto de US$ 100 do que de US$ 80, a inflação deste ano vai ficar mais próxima de 5%, eventualmente acima disso”, disse Srour.

Em um cenário no qual o conflito se estenda muito mais tempo e o choque de oferta e de preços de energia perdure por meses, “o risco é o de o BC cortar 0,50 ponto e ter de parar”.

Além disso, Srour lembra que, mesmo com um eventual cessar-fogo ou fim do conflito, ninguém sabe a extensão dos danos à infraestrutura produtiva de petróleo e gás na região.

“Não é só ‘ligou e desligou’. Se uma instalação foi destruída ou danificada, pode levar meses até que a região consiga retomar os níveis [de produção de petróleo] de antes da guerra. Isso significa que o efeito sobre a oferta vai durar muito mais tempo.”

A diretora do UBS GWM ressalta ainda que o mercado leu o comunicado da decisão da quarta-feira (18) como mais “suave” ou “dovish“, no jargão do mercado. Isso porque o Banco Central não só cortou como evitou deixar em aberto a possibilidade de uma pausa.

Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management
Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. Foto: Divulgação

“Ficou para o mercado uma mensagem de que, se tudo continuar do jeito que está, o banco continua cortando 0,25 ponto. E, se melhorar mais, pode cortar 0,50. Acho um pouco arriscada essa mensagem, se o BC pretende realmente atingir a meta de inflação no horizonte relevante.”

Segundo a economista, um dos principais riscos de uma comunicação menos cautelosa é iniciar um processo de desancoragem das expectativas de inflação. Ou seja, de os agentes de mercado passarem a embutir projeções cada vez mais elevadas para os preços no futuro.

A desacoragem, na prática, representa uma perda de confiança na capacidade de a política monetária controlar a alta dos preços, o que acaba por criar um efeito inflacionário. Nesse cenário, o BC pode reavaliar os rumos dos juros e até mesmo ter de elevar as taxas novamente.

O UBS GWM, por outro lado, ainda projeta uma probabilidade maior de os efeitos do conflito serem transitórios, o que possibilitaria ao Copom dar continuidade ao ciclo de cortes.

Nesse cenário mais positivo, o preço do petróleo voltaria a um patamar mais perto de US$ 85 o barril e a situação no Estreito de Ormuz se normalizaria até o fim de abril.

A economista do UBS mantém no cenário-base a possibilidade de a Selic terminar o ano no intervalo entre 12% e 12,5% ao ano. “Mas um ciclo de corte de três pontos [percentuais] ou menos já representa um espaço menor do que o mercado tinha começado a projetar antes da guerra.”

Dificuldades do BC no pós-guerra

As dificuldades da política monetária não vão acabar quando a guerra terminar. Para Srour, quando o peso do cenário internacional começar a diminuir, o doméstico passará a predominar.

“O ponto é que o desequilíbrio fiscal volta a se tornar o novo foco de atenção. Se houver uma sensação de que não vai haver uma inversão completa da política fiscal, se não houver uma âncora fiscal, que permita vislumbrar uma estabilização da dívida, acredito que o país terá uma crise de confiança.”

Nesse cenário, o esperado é que a curva de juros abra ainda mais, o câmbio deprecie e a aversão ao risco nos mercados volte a predominar.

“Seria o pior cenário, porque essa crise de confiança levaria a mais inflação e a uma desaceleração econômica. E o BC não teria outra alternativa a não ser subir juros novamente.”

Na visão da economista, o risco desse cenário se tornará mais presente conforme as eleições fiquem mais próximas. Para Srour, para evitar esse quadro, os candidatos com mais chances de vitória terão que sinalizar que vão endereçar a questão fiscal em seu mandato.

“É muito importante que o presidente eleito entenda que não tem muito tempo para apresentar esse ajuste. E não pode ser mais do mesmo, porque não será mais suficiente para segurar as expectativas.”

Mercados hoje: inflação global volta ao centro das atenções com petróleo acima de US$ 100 e dados do PCE nos EUA

13 de Março de 2026, 07:36

Bom dia!

A sexta-feira (13) começa com o mercado fazendo contas. A inflação segue como uma das principais preocupações. Todos querem entender qual será o impacto sobre os preços de diversos setores globais, se o petróleo permanecer acima de US$ 100 por mais tempo. As incertezas em torno da Guerra no Irã reforçam o dólar globalmente. Nesta sexta-feira, sai um dado visto como um dos mais importantes para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a poucos dias da decisão sobre juros: os números da inflação pelo PCE, a medida preferida do BC dos EUA. Por aqui, a combinação é parecida, mas com sotaque local: governo tentando amortecer o impacto da guerra sobre o diesel e evitar uma potencial greve de caminhoneiros, além, é claro, de aliviar o peso sobre a inflação.

Enquanto você dormia…

  • O humor lá fora segue cauteloso: ninguém está em pânico, mas também não parece disposto a bancar qualquer aposta sobre os rumos da Guerra no Irã e os impactos sobre a inflação. Às 7h20, os futuros das bolsas de Nova York seguem em leve alta: o S&P 500 futuro sobe +0,10% e o Nasdaq futuro avança +0,08%.
  • Na Europa, as bolsas caminham para a segunda semana seguida no vermelho. O Stoxx 600 cai -0,31%.
  • Na Ásia, o tom também foi negativo, com o petróleo acima de US$ 100, reacendendo o medo de inflação. O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, terminou em queda de -1,16%. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou -0,98%.
  • O índice dólar (DXY) ultrapassa a marca dos 100 pontos, com alta de +0,48% a 100,15 pontos. O petróleo Brent segue em alta de +0,36% cotado aUS$ 100,83 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos alcança 4,271% ao ano, mas seguem estáveis.

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Destaques do dia

  • Brasília tenta segurar o diesel enquanto o petróleo esquenta: o barril da commodity voltou a operar acima de US$ 100 nesta sexta-feira, mas passou a recuar após os EUA liberarem parte do petróleo russo de sanções tomadas na guerra contra a Ucrânia.
  • O preço do Brent segue próximo dos três dígitos acima de US$ 99 o barril. O problema é que o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda permanece apesar do discurso de vitória do governo americano.
  • Por aqui, o governo brasileiro anunciou um pacote que incluiu zerar PIS/Cofins do diesel, criar subvenção para importadores e produtores e cobrar imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre exportações de diesel. A equipe econômica estima alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas.
  • E daí? Para a bolsa local, o tema deixa Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e demais exportadoras de óleo no radar por causa do imposto, enquanto transporte e agro tendem a acompanhar de perto o efeito real do diesel mais barato na cadeia.

Giro pelo mundo

  • PCE na vitrine: o dado de inflação preferido do Fed mostra a inflação acima da meta de 2% ao ano. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • Petróleo manda no humor: com o Brent perto de US$ 100, o mercado reduz apostas de cortes de juros diante da pressão inflacionária.

Giro pelo Brasil

  • Diesel no centro da mesa: governo zerou PIS/Cofins e anunciou subvenção para tentar segurar a alta nas bombas para o diesel. No total, a previsão é de que haverá um alívio de R$ 0,64 por litro no preço do combustível.
  • Conta do pacote: a compensação vem com imposto temporário de 12% sobre exportações de petróleo e de 50% sobre diesel.

Giro corporativo

  • Sabesp amplia posição: a companhia comprou por R$ 171,6 milhões uma fatia de 23,17% das ações ordinárias da Emae que pertenciam ao fundo Oceania, ligada ao controlador da Ambipar, Tercio Borleghi Jr, com liquidação prevista para esta sexta-feira.
  • Gol muda de altitude: a aérea anunciou cinco Airbus A330, classe executiva e expansão internacional via Galeão, mirando elevar a fatia internacional de 17% para 25% até 2029.
  • Raízen ganha fôlego: a Justiça aceitou a recuperação extrajudicial da companhia para renegociar R$ 65,1 bilhões em dívidas e suspendeu cobranças por até 180 dias.

Agenda do dia

  • 09:00: Pesquisa Mensal de Serviços de janeiro — Brasil. Ajuda a medir o pulso da atividade. (Consenso: +0,1% mês; +2,8% ano)
  • 09:30: PCE de janeiro — EUA. É a inflação que o Fed mais acompanha. A leitura de fevereiro trouxe uma alta mensal de 0,4% e anual de 3,1% para o núcleo do PCE, enquanto o índice cheio veio com avanço de 0,3% no mês passado e subida de 2,8% em um ano.
  • 09:30: PIB do 4º trimestre — EUA. Termômetro do crescimento. O PIB americano cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no quarto trimestre de 2025, bem abaixo das estimativas de +1,4%.
  • 09:30: Bens duráveis de janeiro — EUA. Sinal de investimento industrial. (Consenso: +1,2%)
  • 10:30: Fazenda detalha impactos do conflito no Oriente Médio — Brasil. Importa para inflação, combustíveis e fiscal.
  • 11:00: JOLTS e confiança do consumidor — EUA. Mais duas peças para o quebra-cabeça da economia americana. (Consenso: 6,7 mi e 55,0)

Ótima sexta-feira e bons negócios!

Embraer prevê melhora gradual de rentabilidade perdida com tarifas dos EUA

6 de Março de 2026, 19:17

Durante quase um ano, a Embraer teve que enfrentar tarifas de 10% sobre as aeronaves que enviou aos Estados Unidos. Agora, com a isenção instituída pela Casa Branca no fim de fevereiro, os aviões da companhia voltaram a entrar no mercado da maior economia do mundo sem encargos extras – e a fabricante brasileira já começa a calcular o que pode recuperar.

“Nós saudamos a igualdade de condições em nossa indústria. Esse resultado beneficiará nossos clientes nos Estados Unidos”, disse o CEO Francisco Gomes Neto durante a teleconferência de resultados nesta sexta-feira (6). 

Em 2025, as tarifas tiveram impacto de US$ 54 milhões no resultado da Embraer. Mas a conta total é maior: isso porque parte dessas tarifas já foi paga sobre aviões e peças que ainda estão no estoque – e que só afetarão o balanço quando forem entregues aos clientes.

Levando isso em consideração, o total do efeito das tarifas chega a US$ 80 milhões.

Só no quarto trimestre, as tarifas custaram US$ 27 milhões à Embraer. Esse impacto ajudou a pressionar a rentabilidade da empresa: a margem operacional caiu de 10,6% em 2024 para 8% em 2025.

A maior parte do efeito veio da aviação executiva – que inclui os jatos Phenom, Praetor e Legacy. Nos três meses finais do ano, o custo foi de US$ 24 milhões para o segmento. Mesmo assim, a Embraer manteve a margem em 10,5%, sustentada por mais vendas e preços mais altos.

As cobranças das tarifas começaram em abril de 2025, quando o governo de Donald Trump impôs uma taxa mínima global de 10% sobre importações.  

Recentemente, em 20 de fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou essa política tarifária, que julgou ilegal da maneira como foi instituída. A Casa Branca reagiu com a criação de uma nova tarifa global temporária de 10% – mas, desta vez,  isentando aeronaves, motores e peças aeroespaciais.

Cautela e recuperação em etapas

Por ora, a empresa não está fazendo planos com base no cenário mais favorável. Por segurança, o guidance financeiro para 2026 assume uma tarifa de 10% – e não zero.

“Ainda está muito nebuloso o que vai acontecer daqui para frente”, disse Antônio Garcia, CFO da Embraer.

Mesmo se a isenção de fato permanecer, o alívio não será imediato.

Como parte do estoque da Embraer ainda carrega o custo das tarifas pagas anteriormente, como citado anteriormente, a melhora nas margens deve aparecer aos poucos: cerca de dois terços do ganho deve vir em 2026, e o restante, somente em 2027, na estimativa da empresa. 

No total, a Embraer vê potencial de aumento de até 1 ponto percentual na rentabilidade.

Há ainda uma outra variável em aberto: a possibilidade de recuperar parte das tarifas já pagas. A empresa diz que observa os próximos passos do setor antes de decidir se seguirá por esse caminho. “Estamos acompanhando a situação para entender o que os nossos pares vão fazer e que resultado eles vão conseguir disso, para definir o nosso movimento”, disse o CEO.

Os números de 2025

Apesar da pressão exercida pelas tarifas comerciais, a Embraer fechou 2025 com uma receita líquida de R$ 41,9 bilhões – no maior patamar da história da companhia. O número representou um crescimento de 18% em relação a 2024, sob impulso principalmente pelos negócios de Defesa & Segurança, cuja receita avançou 36%, e de Aviação Executiva, que cresceu 24%.

A carteira de pedidos firmes, que reúne os aviões já encomendados e ainda não entregues, também bateu recorde. O volume chegou a US$ 31,6 bilhões, um aumento de 20% em um ano. O principal impulso veio da Aviação Comercial, em que as encomendas avançaram 42%.

No total, a Embraer entregou 244 aeronaves em 2025, 18% a mais do que em 2024. Foram 155 jatos executivos, 78 comerciais e 11 aeronaves de defesa, incluindo três KC-390 Millennium.

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Ações da Embraer caem até 7% após resultado. Para analistas, a recomendação é de compra

6 de Março de 2026, 14:00

As ações da Embraer operam em queda acentuada nesta sexta-feira (6) após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. E o recuo pode ser uma oportunidade de entrada no papel, segundo analistas.

As ações ordinárias (ON) chegaram a cair mais de 7% por volta de 13h, na cotação mínima do dia. Por volta das 14h, as perdas eram de 5%, com o papel negociado na casa de R$ 82.

O recuo ocorre a despeito de os números do quarto trimestre terem vindo acima das expectativas de analistas.

A queda das ações da Embraer nesta sexta-feira vem de uma reação pontual de investidores globais, preocupados com a evolução da guerra no Oriente Médio.

Como o papel é um dos preferidos os estrangeiros, o movimento de rebalanceamento em meio ao movimento de redução de exposição a risco em todo o mundo passou a penalizar a fabricante, assim como outras companhias que tenham alguma vulnerabilidade à crise do petróleo.

No caso da fabricante brasileira de aviões, a alta do preço do combustível de aviação traz insegurança sobre os rumos do setor. Isso porque os resultados das companhias aéreas são, historicamente, muito sensíveis às oscilações tanto cambiais quanto de produtos derivados do petróleo.

O ETF americano JETS, que acompanha o desempenho de ações da indústria global de aviação, apresenta um recuo de 3% nesta sexta-feira e de cerca de 7% na semana.

De qualquer modo, após o balanço da Embraer, diferentes bancos e casas de análise reforçaram a recomendação de compra para os papéis.

O JPMorgan manteve o preço-alvo em 12 meses da ação da companhia em R$ 108. O patamar representa um potencial de alta de 30% sobre as cotações atuais.

O Goldman Sachs avaliou o preço-alvo em 12 meses dos ADRs, ou seja, dos recibos de ações da Embraer negociados nos EUA, em US$ 78. Esse nível embute um potencial de ganho (upseide) de 26% em dólar para o recibo.

O Santander ajustou o preço-alvo dos ADRs para US$ 86. Isso representa um “upside” potencial de 38% frente ao nível atual das cotações.

Números recordes e perspectivas sólidas

O balanço do quarto trimestre foi considerado sólido pelo mercado. Os relatórios mostram que tanto a receita quanto o lucro operacional medido pelo Ebitda superaram em 4% o consenso do mercado.

A carteira de pedidos firmes (backlog) alcançou um recorde histórico no último trimestre de 2025. O faturamento potencial alcançou US$ 31,6 bilhões, com crescimento de 1% frente ao terceiro trimestre e de 20% quando comparado ao mesmo período de 2024.

A Embraer ainda planeja expandir sua atuação global. Há planos, por exemplo, de instalar uma fábrica de aviões comerciais na Índia, um dos maiores mercados de aviação do mundo.

Na carteira de produtos, as casas destacaram a parceria com a Northrop Grumman para o avião militar KC-390 e o lançamento dos novos jatos executivos Praetor 500E/600E, que são vistos como catalisadores para novas altas.

A companhia divulgou ainda metas consideradas otimistas para este ano, com previsão de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais em 2026, versus 78 em 2025. Na aviação executiva, o plano é expandir a capacidade para até 200 jatos por ano.

As perspectivas de longo prazo também trazem potencial de crescimento sustentado para os próximos anos. A parcerias internacionais já firmadas pela Embraer incluem a colaboração com a indiana Mahindra, que pode gerar pedidos de 40 a 80 aeronaves de defesa (KC-390) já em 2026. Há também uma parceria com o grupo Adani para o modelo de jato comercial E175.

Com dívida a vencer, CSN vai atrás de empréstimo de US$ 1,5 bilhão

5 de Fevereiro de 2026, 16:33

A CSN planeja captar até US$ 1,5 bilhão por meio de um empréstimo com garantias para pagar títulos que estão vencendo e melhorar seu perfil de alavacangem, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Ações de subsidiárias da holding, incluindo a unidade de cimento, serão usadas como garantia, disseram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque o plano é privado. Morgan Stanley, Citigroup, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC estão entre os bancos que participariam da operação, segundo algumas das pessoas.

A CSN, o BNP, o Deutsche e o Citi não quiseram comentar. HSBC e Morgan Stanley não responderam aos pedidos de comentários.

A Companhia Siderúrgica Nacional, nome formal do conglomerado, afirmou no mês passado que planeja se desfazer de ativos-chave para reduzir seu elevado endividamento, conforme as altas taxas de juros apertam o financiamento e pesam sobre os investimentos.

A empresa discute há anos ofertas públicas iniciais de ações como uma opção para desalavancagem e já anunciou vendas de ativos que não se concretizaram. Mas, desta vez, a companhia estabeleceu uma meta concreta de reduzir entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões — cerca de metade — de sua dívida a partir deste ano.

O grupo, controlado pela bilionária família Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação relevante na CSN Infraestrutura — que possui portos, ferrovias e uma empresa de logística — além do controle da unidade de cimento, segundo a companhia. A CSN, que pretende assinar acordos no segundo semestre deste ano, afirmou também que busca um parceiro estratégico para ajudar a modernizar a operação de aço, o negócio original do conglomerado.

O Morgan Stanley está trabalhando com a CSN na venda da empresa de cimento, enquanto o Citi e o Bradesco conduzem a venda do negócio de infraestrutura, segundo outras pessoas familiarizadas com o assunto.

O Bradesco não quis comentar.

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Rio Tinto desiste da fusão com a Glencore após impasse sobre preço

5 de Fevereiro de 2026, 13:30

A Rio Tinto abandonou as negociações para uma possível fusão com a Glencore após não conseguir justificar o prêmio exigido pela rival, encerrando um acordo que poderia ter criado a maior mineradora do mundo, com valor de mercado superior a US$ 200 bilhões.

As conversas, confirmadas publicamente no início de janeiro, esbarraram principalmente no preço e nos termos de governança. A Rio Tinto queria manter os cargos de presidente do conselho e de diretor-presidente no grupo combinado, além de não oferecer um prêmio considerado suficiente pela Glencore, que avaliou que esses termos subestimavam seu negócio de cobre e sua contribuição para a companhia resultante da fusão.

Após conduzir a due diligence sobre os ativos e operações da Glencore, a Rio Tinto concluiu que não conseguiria entregar valor aos seus acionistas pagando o prêmio solicitado. “A Rio Tinto determinou que não poderia chegar a um acordo que gerasse valor para seus acionistas”, disse a companhia em comunicado. Ambas as empresas se recusaram a comentar os detalhes das negociações.

Com o fim das tratativas, as ações da Glencore chegaram a cair até 11%, enquanto os papéis da Rio Tinto recuaram cerca de 2,5%. A Glencore afirmou separadamente que mantém um forte caso de crescimento independente e segue focada em suas próprias prioridades estratégicas.

Combinações de negócios

A ideia de uma combinação entre as duas companhias circula há mais de uma década. Ela surgiu antes da crise financeira global de 2008, foi retomada em 2014 — quando a Rio rejeitou rapidamente uma abordagem informal da Glencore — e voltou à mesa em 2024, até ganhar novo fôlego nas negociações mais recentes. Mesmo assim, as conversas sempre enfrentaram obstáculos ligados a valuation e diferenças de cultura de gestão.

Um eventual acordo permitiria à Rio Tinto praticamente dobrar sua produção de cobre, posicionando-a como a maior produtora global do metal em um momento em que os preços operam próximos de máximas históricas. A transação também adicionaria cerca de 1 milhão de toneladas de crescimento futuro de cobre ao portfólio da empresa.

Como outras grandes mineradoras, a Rio Tinto tem priorizado a expansão no cobre, apostando na forte demanda impulsionada pela transição energética, pela eletrificação de veículos e pela expansão de data centers. A corrida por ativos do metal tem levado o setor a retomar grandes aquisições após anos de cautela, já que comprar empresas costuma ser mais rápido do que desenvolver novas minas, um processo que pode levar décadas.

O apetite por negócios no setor cresceu de forma significativa: o valor das fusões e aquisições em mineração atingiu o maior nível em 13 anos em 2025, segundo o escritório White & Case, após um longo período de retração desde o pico do superciclo de commodities liderado pela China em torno de 2011.

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Mineradora australiana negocia venda de terras raras do Brasil para Estados Unidos e Europa

19 de Janeiro de 2026, 17:19

A Viridis Mining and Minerals está em negociações com potenciais compradores de terras raras extraídas no Brasil, conforme nações ocidentais buscam reduzir sua dependência da China para elementos usados em veículos elétricos e turbinas eólicas.

A empresa australiana de desenvolvimento mineral está em negociações com potenciais compradores dos Estados Unidos e da Europa e pretende fechar contratos com diversos clientes, incluindo refinarias de terras raras e fabricantes de ímãs, o líder da empresa no Brasil, Klaus Petersen, disse em entrevista.

As negociações incluem o estabelecimento de um preço mínimo para a produção do projeto Colossus da Viridis, avaliado em US$ 360 milhões, no estado de Minas Gerais, disse Petersen. Um preço mínimo serviria de proteção contra os baixos preços praticados na China, que responde por cerca de 90% da produção mundial de ímãs permanentes de terras raras.

As conversas acontecem num momento em que a Europa e o Brasil se aproximam de um acordo político que envolve matérias-primas essenciais. A presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen afirmou que tal acordo estruturaria uma cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — materiais que ela descreveu como essenciais para a independência estratégica em “um mundo onde os minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”.

O Brasil possui as maiores reservas de terras raras depois da China, mas sua produção comercial é pequena. O país busca explorar seu potencial geológico, enquanto mineradoras de pequeno porte desenvolvendo projetos de minerais críticos demandam garantias financeiras que facilitem o acesso ao financiamento.

A Viridis planeja tomar uma decisão final de investimento no segundo semestre do ano, com o objetivo de iniciar a produção em 2028.

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Glencore e Rio Tinto: eventual megafusão pode impor uma ‘nova ordem global’ à Vale

9 de Janeiro de 2026, 12:30

A negociação entre Glencore e Rio Tinto para formar a maior mineradora do mundo pode redesenhar o cenário de competição entre as principais empresas do setor. Para a brasileira Vale, o possível acordo pode significar a chegada de um concorrente ainda maior — e potencialmente mais eficiente — em mercados-chave, do minério de ferro ao cobre.

As duas companhias confirmaram que mantêm conversas preliminares sobre uma possível combinação de negócios, que pode incluir uma fusão integral por troca de ações. Se avançar, a operação criaria um grupo com valor empresarial acima de US$ 250 bilhões, configurando uma das negociações mais ambiciosas da história recente da mineração global.

A anglo-australiana Rio Tinto informou que tem até 5 de fevereiro para decidir se apresenta uma proposta formal pela suíça Glencore. Pelas regras do mercado britânico, a companhia precisará, até essa data, anunciar uma oferta firme ou declarar que não pretende seguir adiante. Em 2024, as duas empresas também discutiram uma fusão, mas não chegaram a um acordo.

No caso da Vale, o cronograma adiciona um elemento de curto prazo a uma discussão estratégica de longo alcance. Em poucas semanas, pode ficar mais claro se o setor caminha para a formação de um novo gigante global — com presença relevante na América do Sul — ou se a pressão por consolidação seguirá viva, à espera de outra oportunidade.

Ainda é cedo para cravar ou prever qualquer efeito sobre a Vale. Mas, seja qual for a decisão, a mineradora brasileira terá de lidar com um ambiente em que a concorrência tende a ficar mais concentrada e com players maiores, com influência direta sobre suas decisões estratégicas daqui para frente.

Desafio à Vale

A Vale atravessa um momento de reafirmação estratégica após as turbulências internas e crises ambientais da última década. Em uma agenda conduzida pelo CEO Gustavo Pimenta, a mineradora aposta em um balanço mais sólido e com baixo endividamento. A estratégia do executivo está ancorada em minério de ferro de maior qualidade e na expansão gradual de metais ligados à transição energética, como cobre e níquel.

Pimenta tem reiterado o objetivo de recolocar a companhia como a maior mineradora do mundo, mas sem recorrer a grandes aquisições. A estratégia adotada até aqui privilegia projetos já existentes, como o complexo de Carajás (PA), além de ganhos operacionais e disciplina de capital.

A eventual criação de um gigante a partir da união entre Rio Tinto e Glencore, no entanto, introduziria um concorrente com perfil distinto: mais diversificado, mais integrado e com exposição simultânea a minério de ferro, cobre e ao trading de commodities.

A pressão concorrencial se intensifica porque esse novo grupo teria presença relevante justamente na América do Sul, região que concentra alguns dos ativos mais estratégicos para a Vale.

A Rio Tinto mantém operações industriais no Brasil, como a refinaria de alumina da Alumar, no Maranhão, além de participações históricas na cadeia do alumínio. Fora do país, a mineradora anglo-australiana vem ampliando sua aposta em minerais críticos, com projetos de lítio no Chile e na Argentina.

Além disso, a Rio Tinto avança no desenvolvimento do megaprojeto de minério de ferro de Simandou, na Guiné — um ativo fora da América do Sul, evidentemente, mas com impacto direto sobre o mercado global de minério de ferro de alta qualidade, hoje amplamente dominado pela Vale.

A Glencore, por sua vez, tem uma presença ainda mais extensa e diversificada na América do Sul, especialmente no cobre. No Chile, a companhia detém participação relevante em ativos de grande escala, como a mina de Collahuasi, uma das maiores produtoras globais do metal, além de operações como Lomas Bayas. 

No Peru, opera minas como Antapaccay e desenvolve projetos adjacentes que ampliam a vida útil e a escala dessas operações. Já na Argentina, a empresa trabalha para destravar projetos de cobre de grande porte, como El Pachón e Agua Rica, que o mercado já enxerga como parte da próxima fronteira de expansão do metal.

Para a Vale, esse cenário significaria competir não apenas com projetos isolados, mas com um grupo capaz de otimizar portfólio, realocar capital entre diferentes commodities e capturar sinergias operacionais e comerciais em escala global — com reflexos diretos sobre preços, investimentos e participação de mercado.

Momentos distintos

Do ponto de vista financeiro, a Vale chega a esse momento em posição confortável. No terceiro trimestre de 2025, a companhia teve receita de US$ 10,4 bilhões, com um resultado operacional (Ebitda) de US$ 4,4 bilhões e lucro líquido de US$ 2,7 bilhões, com dívida líquida de US$ 12,5 bilhões — representando uma alavancagem de 0,8 vez o Ebitda. 

No plano operacional, a produção de minério de ferro somou 94,4 milhões de toneladas, o maior volume para um terceiro trimestre desde 2018, no que a empresa atribui a custos baixos e melhora no mix de produtos. Hoje, o valor de mercado da Vale está em US$ 63 bilhões.

A Rio Tinto, por sua vez, vive um momento de maior pressão, mas ainda com números expressivos. A mineradora anglo-australiana registrou lucro de US$ 4,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2025 (dados mais recentes), com Ebitda próximo de US$ 10 bilhões.

No minério de ferro, os embarques chegaram a 157 milhões de toneladas, impactados por eventos climáticos na Austrália. A Rio Tinto tem um market cap estimado em US$ 200 bilhões.

Já a Glencore apresentou resultados mais voláteis. No primeiro semestre de 2025, a empresa teve receita de US$ 117,4 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 5,4 bilhões, mas fechou o período com prejuízo de US$ 655 milhões, pressionada por ajustes em ativos de carvão e pela queda de preços de algumas commodities. 

Ainda assim, mantém forte exposição ao cobre, com expectativa de produzir entre 850 mil e 890 mil toneladas do metal ao longo do ano. O valor de mercado da Glencore gira em torno dos US$ 70 bilhões.

Consolidação

A retomada das negociações entre Rio Tinto e Glencore representa mais um capítulo das conversas de consolidação entre gigantes da mineração diante dos desafios crescentes da atividade. No ano passado, o setor voltou a dar sinais claros de que a busca por escala e por maior exposição a metais estratégicos — especialmente o cobre — passou novamente a orientar as discussões sobre fusões e aquisições.

Um dos exemplos mais recentes foi o acordo entre Anglo American e Teck Resources, anunciado em setembro de 2025 e aprovado pelos acionistas em dezembro. A operação resultou na criação do grupo Anglo Teck, hoje uma das maiores produtoras de cobre do mundo, com capacidade combinada superior a 1,2 milhão de toneladas e sinergias estimadas em cerca de US$ 800 milhões por ano.

O negócio foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão após um período em que o setor evitou grandes movimentos de consolidação, em parte por negociações que não avançaram — como o fracasso das conversas entre Rio Tinto e Glencore no fim de 2024. “As megafusões no setor de mineração estão de volta”, escreveram analistas da Jefferies em um relatório a clientes.

A escalada do cobre

A eventual fusão entre Rio Tinto e Glencore controlaria 7% da produção mundial de cobre. Em 2024, a Glencore extraiu 950 mil de toneladas; a Rio Tinto, 700 mil. Juntas, portanto, as duas alcançariam 1,65 milhão – chegando bem perto da líder BHP (1,86 milhão de toneladas).

A produção combinada seria equivalente a 4,5 vezes o que a Vale extrai de cobre – foram 350 mil toneladas em 2024.

O foco no metal marrom-alaranjado é natural. Ele sobe 40% nos últimos 12 meses, por conta da demanda de data centers e motores elétricos pelo mais clássico dos bons condutores de energia. Trata-se de uma alta que nem fica tão atrás daquela do ouro, a mais alardeada, com 67%.

Escassez de projetos

Só que a pressão por escala não é apenas uma reação aos preços elevados do cobre, mas também reflexo da escassez de projetos de grande porte próximos de entrar em produção. Com novos empreendimentos cada vez mais caros, longos e arriscados, as empresas passaram a buscar alternativas que permitam ganhar acesso mais rápido a novas reservas e diluir riscos financeiros.

No caso específico de Rio Tinto e Glencore, a retomada das conversas é lida por operadores e analistas como parte dessa mesma lógica. A Glencore vem reorganizando seu portfólio, com a reestruturação de ativos de carvão e maior foco em metais críticos, enquanto a Rio Tinto ajusta sua estratégia para reduzir custos e ampliar a presença em minerais além do minério de ferro.

Esse movimento ocorre em um momento em que outros grandes nomes também figuram no tabuleiro da consolidação. A BHP, maior mineradora do mundo em valor de mercado, tentou sem sucesso adquirir a Anglo American nos últimos anos e agora deve buscar alternativas para não ficar para trás. 

Analistas do Bank of America ouvidos pelo The Wall Street Journal observam que o acordo entre Anglo American e Teck criou uma espécie de momento de “agora ou nunca” no setor — e que a principal incógnita passa a ser como a BHP responderá a esse novo ciclo.

Colaborou Alexandre Versignassi

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Emprego nos EUA e IPCA no Brasil: como os novos dados mexem com os seus investimentos

9 de Janeiro de 2026, 12:13

Dois dados divulgados nesta sexta-feira (9) ajudaram o mercado a recalibrar as expectativas para os juros e, por consequência, para todo tipo de investimento.

Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) mostrou uma economia que perde fôlego, mas sem sinais unânimes de fraqueza. No Brasil, um IPCA mais comportado abriu espaço para apostas mais firmes em cortes da Selic. Esse ajuste apareceu primeiro na chamada curva de juros, onde o mercado precifica o custo do dinheiro no futuro.

Na bolsa de valores, tudo se negocia, inclusive o futuro da taxa básica de juros. É para isso que existem os contratos de juros futuros, que têm vários vencimentos justamente para capturar as perspectivas para a Selic em diferentes horizontes. E, se a Selic reage a dados e estimativas do mercado, com esses contratos não seria diferente – e por isso, hoje, as informações novas sobre o mercado de trabalho nos EUA e inflação por aqui pautou o desempenho desses ativos.

Primeiro, o que aconteceu. Os contratos de juros futuros com vencimento em 2028 saíram de 13,02% para 13,07%, enquanto os contratos para 2029 avançaram de 13,01% para 13,06%.

Nos vértices de médio prazo, o movimento foi de queda uma parte do dia, mas, no fechamento, o desempenho teve uma pequena mudança: os contratos para 2033 saíram de 13,5% para 13,51%, enquanto a taxa do contrato para 2035 ficou praticamente estável.

Esse cenário conta a seguinte história: a pressão para uma Selic em alta, sem cortes profundos, se mantém nos próximos meses. Ou seja: bom para ativos que acompanham o CDI (que segue a taxa básica); ruim para títulos prefixados de curto prazo do Tesouro Direto. Se você tem eles na carteira, seu saldo cai quando a expectativa de juros no horizonte próximo sobe.

Na outra ponta, a dos juros longos caindo – como aconteceu durante boa parte do dia hoje –, é bom para os títulos de prazo mais longo (caso da maior parte dos IPCA+). A expectativa de juros menores para a próxima década, ditada pelo mercado de juros futuros, tende a fazer com que eles valorizem – ainda que de forma branda, já que a queda nos juros futuros está moderada.

Agora, o que está movimentando esse mercado? Resposta: o IPCA, a inflação “oficial” do Brasil, que veio abaixo do esperado em dezembro, fechando o ano dentro da meta do Banco Central. Boa notícia: inflação controlada eleva ainda mais as apostas de um corte da Selic no primeiro semestre, como acreditam (e esperam) os investidores.

Ok. Mas isso explicou o desempenho de uma parte do mercado – o dos títulos mais longos, que estavam caindo. Por que o jogo virou e esses contratos subiram junto com os demais?

Resposta: por causa do movimento dos títulos da dívida americana de curto prazo (Treasuries), de dois anos. O dia começou com um movimento mais modesto e ganhou força na reta final do dia: a taxa saiu de 3,501% no começo da tarde e foi para 3,536%. E essa alta acompanha a tentativa dos investidores de ajustarem suas perspectivas para o futuro da taxa de juros nos EUA, ditadas pelo payroll.

Duas leituras convivem nesse momento: de um lado, a criação de postos de trabalho veio abaixo do esperado; mas, de outro, a taxa de desemprego caiu e os salários aumentaram. É por isso que os juros futuros lá fora sobem: se a atividade perdeu força, mas não tanto a ponto de esfriar a inflação, o saldo ainda é favorável a um juro maior.

Ou seja, nos EUA, a expectativa é que postura do banco central deve continuar sendo mais cautelosa, sobretudo depois de uma sequência de cortes desde setembro de 2025. A leitura geral é de que os juros serão mantidos nos atuais níveis, e não elevados, mas o espaço para cortes como se viu antes não é mais unanimidade.

Mercados hoje: relatório de emprego nos EUA e inflação no Brasil orientam os negócios

9 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados começam o dia à espera dos dados do payroll, o relatório de emprego dos EUA que traz informações da taxa de ocupação do país, além da dinâmica de salários e horas trabalhadas. Depois de outros duas divulgações sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta semana – o ADP e o Jolts –, investidores esperam uma menor abertura de vagas em dezembro. No Brasil, as atenções se voltam para os dados de inflação medidos pelo IPCA, com expectativa de um recuo para 4,30%, dentro da meta estabelecida.

Enquanto você dormia…

  • O viés dos mercados no exterior é levemente positivo, mas ainda em modo cautela antes do principal dado do dia nos EUA.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve alta.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias sobem de forma mais ampla, puxadas por ações de energia, mineração e tecnologia; na Ásia, os mercados fecharam em alta, estendendo o rali recente em Wall Street.
  • Dólar (DXY) em leve alta e petróleo sobe, mas sem movimentos bruscos, ainda resiliente às questões geopolíticas; minério de ferro oscila em queda, após máximas recentes e observando a inflação na China.

Destaques do dia

  • O payroll dos Estados Unidos está no centro das atenções hoje, com consenso projetando criação de cerca de 60 mil vagas e queda da taxa de desemprego para 4,5%. A leitura será crucial para as expectativas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
  • No Brasil, o IPCA de dezembro, o índice oficial de inflação, está no calendário e pode influenciar o debate doméstico sobre juros e consumo.
  • E daí? Esses dois indicadores — um externo e um doméstico — pintam o quadro macro para o futuro do juro básico. Com uma economia perdendo força e um mercado de trabalho mais fraco, a inflação tende a cair e, com isso, elevar ainda mais as apostas de corte de juros.

Giro pelo mundo

  • Payroll em foco: mercado de trabalho dos EUA segue como principal ponto de atenção antes da divulgação de amanhã, com reflexos em juros e dólar.
  • Suprema Corte dos EUA: autoridade discute a legalidade das tarifas comerciais globais do presidente americano Donald Trump.

Giro pelo Brasil

  • Inflação na pauta: o IPCA de dezembro vai ajudar a reforçar ou a esfriar a trajetória de controle da inflação em relação à meta, de 3%, com teto em 4,5% ao ano.
  • Narrativas políticas continuam ecoando no mercado, agora com o governo decidindo que os Estados e municípios deverão cobrir o rombo dos fundos de previdência do Master. A novela sobre a anulação ou não da decisão do Banco Central de liquidar a instituição segue no radar.

Giro corporativo

  • GPA anunciou a renúncia de Rafael Russowsky dos cargos de vice-presidente executivo financeiro e diretor de relações com investidores. A função será acumulada interinamente pelo novo CEO, Alexandre Santoro, em meio a planos de corte de custos e reestruturação interna.
  • Alphabet supera Apple em valor de mercado: a controladora do Google ultrapassou a Apple e virou a segunda empresa mais valiosa do mundo em capitalização, depois da Nvidia, refletindo o papel crescente da tecnologia no mercado global.
  • Política alimentar nos EUA pode beneficiar carnes brasileiras: uma nova diretriz nos Estados Unidos favorece o consumo de proteína vermelha, o que pode representar um cenário de demanda para exportadoras como JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).
  • O grupo Rio Tinto está em negociações para comprar a Glencore e criar a maior mineradora do mundo, com valor de mercado combinado superior a US$ 200 bilhões, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas empresas terem fracassado.

Agenda do dia

  • 9:00 – IPCA (Brasil)
  • 10:30 – Payroll (EUA)
  • 10:30 – Construção de novas casas (EUA)

Mercados hoje: dados de emprego nos EUA e política brasileira movimentam os negócios

7 de Janeiro de 2026, 07:46

Bom dia!
Os mercados acordam à espera dos dados de emprego nos Estados Unidos. Relatórios de emprego e desemprego serão divulgados ainda pela manhã, com potencial de ditar o rumo dos ativos lá fora e também no Brasil, onde a agenda é marcada pelo fluxo cambial e por temas políticos. Vamos aos pontos principais para abrir o pregão.

Enquanto você dormia…

  • O mercado global operou com pouca direção clara, em compasso de espera pela agenda de dados.
  • Futuros de NY: S&P 500 e Nasdaq em leve queda.
  • Europa e Ásia: bolsas europeias próximas da estabilidade; Ásia fechou também encerrou com os índices se movendo sem direção definida antes da leva de indicadores econômicos.
  • Dólar (DXY) em leve queda; petróleo e minério de ferro estáveis.

Destaques do dia

Emprego nos EUA é o grande termômetro
O grande destaque externo do dia são os dados de emprego dos Estados Unidos. Às 10h15 sai o relatório de emprego privado da ADP de dezembro, seguido mais tarde pela pesquisa JOLTS de vagas e rotatividade.

E daí? Emprego mais forte significa inflação potencialmente mais forte, e isso tende a diminuir expectativas de cortes de juros. Nesse cenário, os investidores se afastam de ativos de risco, enquanto dados mais fracos fazem o caminho contrário.

Giro pelo mundo

  • ADP e JOLTS em foco: indicadores do mercado de trabalho americano são vistos como prévia do payroll, o mais importante relatório de emprego e desemprego, e podem balizar decisões de política monetária.
  • Fed em cena: Michelle Bowman, dirigente do Fed, participa de evento hoje à noite, com possíveis comentários a mercado.
  • PMIs e inflação ao redor: leituras recentes e posteriores de atividade e inflação ajudam a compor o quadro de crescimento global esperado.

Giro pelo Brasil

  • Fluxo cambial semanal: números aguardados hoje devem dar pista sobre fluxo de capital, que é importante para câmbio e juros.
  • Agenda política no radar: movimentos políticos em Brasília podem ganhar importância para o clima de risco no curto prazo. Entre os eventos recentes, o PT ingressou com ações judiciais contra políticos de oposição que ligaram o partido e o presidente Lula ao narcotráfico nas redes, adicionando ruído no cenário.
  • Cenário eleitoral em movimento: Marina Silva descartou disputar a Câmara, mas uma eventual candidatura ao Senado dependerá de articulações com o ministro Haddad, o que pode movimentar expectativas sobre o ambiente político.

Giro corporativo

  • Petrobras e Foz do Amazonas: a Petrobras anunciou a interrupção temporária da perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, após a detecção de um vazamento de fluido em uma tubulação auxiliar. A ocorrência volta a chamar atenção para os desafios ambientais e regulatórios associados à exploração na região, vista como uma das principais apostas da estatal para ampliar sua produção no futuro.
  • Batistas e a Venezuela: o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tem no geólogo Ricardo Savini — CEO da Fluxus, empresa controlada pelo grupo — um nome chave na estratégia de explorar oportunidades no setor de óleo e gás da Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
  • BYD acelera planos no Brasil: a montadora chinesa negocia a estreia de seus modelos em grandes locadoras e investe na expansão de sua rede de carregadores ultra-rápidos, aprofundando sua presença no mercado brasileiro de veículos eletrificados e intensificando a concorrência local.

Agenda do dia

  • 09:15: Emprego privado (ADP, EUA) — prévia da criação de vagas no setor privado.
  • 12:00: JOLTS (EUA) — vagas e rotatividade de emprego, outro componente importante do mercado de trabalho.
  • 14:30: Fluxo cambial semanal (Brasil) — indicador de entrada e saída de capital no país, relevante para câmbio e juros

Bons negócios!

Promissor e turbulento: as expectativas para o mercado brasileiro em 2026, segundo o BTG

29 de Dezembro de 2025, 11:35

O ano de 2026 deve repetir uma parte da dinâmica de 2025. Ou seja: atividade mais fraca, inflação em desaceleração e uma perspectiva de juros mais baixos no mundo e até no Brasil. O que vai mudar? A turbulência do ano eleitoral. Uma Selic em queda junto com a aproximação do pleito cria um ambiente em que oportunidades e riscos caminham lado a lado, e a cautela será a ordem do dia.

Primeiro, o cenário econômico. Para o BTG, a atividade deve perder algum fôlego: após crescer 2,2% em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar cerca de 1,7% em 2026. Essa desaceleração reflete os efeitos defasados de uma política monetária que permaneceu bastante restritiva por um período prolongado.

O Banco Central nem de longe indicou que haverá um corte de juros em breve, mas o BTG trabalha com a mesma perspectiva de muitos economistas: a política monetária será o principal fator positivo no início do ano porque ela levará a Selic, hoje no maior nível em quase duas décadas, a uma trajetória de queda.

A projeção do banco é de uma redução da taxa básica de juros para 12% ao final de 2026. É um nível que mantém os juros reais elevados, mas que já altera de forma significativa o ambiente para ativos domésticos. E é o que beneficia especialmente setores mais sensíveis ao custo do crédito e às taxas de longo prazo – varejo e consumo entre eles.

O lado fiscal, de novo

O problema mesmo está na agenda fiscal do governo. Se, por um lado, a queda dos juros oferece algum alívio, a política fiscal segue como o principal ponto de fragilidade do Brasil e para os mercados.

A relação entre a dívida do governo e o PIB permanece elevada, próxima de 80%, e o déficit nominal continua pressionado pelo peso das despesas com juros. Quer dizer: de um lado, o governo está gastando muito em relação à riqueza que a economia gera.

Por outro lado, o juro alto faz a dívida do governo ficar mais cara – e o juro está alto justamente para conter a inflação, que sobe quando o nível de gastos do governo é grande. Uma coisa se alimenta da outra.

Nessa frente, as coisas não caminham bem. O relatório do BTG avalia que não há disposição política para um ajuste fiscal relevante antes das eleições, o que torna improvável qualquer leitura mais consistente em 2026. A trajetória das contas públicas virou um risco estrutural, capaz de limitar a queda dos juros longos e aumentar a sensibilidade do mercado a choques políticos.

As eleições no meio do caminho

É por isso que a eleição presidencial vira o principal fator de volatilidade especialmente no segundo semestre. Nos primeiros meses de 2026, o impacto político tende a ser menor, favorecido pelo recesso do Congresso e pelo foco dos investidores no corte de juros. Com o avanço do calendário eleitoral, porém, as pesquisas passam a ter peso crescente sobre os preços dos ativos.

O presidente Lula segue competitivo, com níveis de aprovação em torno de 43%, enquanto a definição do principal nome da oposição ainda gera incertezas. A permanência de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, na disputa é vista como um fator de risco pelo mercado, devido à sua alta rejeição.

De outro lado, a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é interpretada como um cenário mais construtivo, por sinalizar maior previsibilidade e disciplina fiscal. À medida que as pesquisas se tornam mais apertadas, o relatório projeta aumento da volatilidade e uma postura mais defensiva por parte dos investidores.

O cenário internacional e o quão baratas estão as ações

No cenário internacional, o ambiente é menos favorável do que em 2025, mas ainda relativamente benigno. Os Estados Unidos devem manter os juros estáveis ao longo de boa parte de 2026, após uma sequência de cortes iniciados neste ano e que deu enorme amparo para os ativos brasileiros no geral – juro menor lá fora estimula a procura por ativos mais arriscados ao redor do mundo, afinal.

Ainda assim, a ausência de um novo aperto nas condições financeiras globais evita pressões mais severas sobre mercados emergentes. Para o Brasil, o fator determinante segue sendo doméstico: a dinâmica dos juros locais e a percepção de risco fiscal e político é o que ganhará evidência.

O outro ponto que ajuda na tendência positiva para o mercado é que, apesar da forte alta da bolsa de valores em 2025, os ativos brasileiros ainda são negociados a preços relativamente baixos, inclusive do ponto de vista do investidor estrangeiro, o grande comprador de papéis neste ano – até dezembro, foram R$ 25 bilhões destinados ao mercado secundário (ações já listadas).

Isso porque o mercado americano, apesar da perda de força recente, mostrou um movimento muito forte nos últimos anos, impulsionado pelas empresas ligadas a inteligência artificial. O espaço para altas adicionais ainda existe porque essas empresas ainda são muito lucrativas, mas esse desempenho tão forte estimula que os “gringos” busquem outras opções.

Os preços dos ativos domésticos mais baixos também valem para o investidor local. O mercado continua cauteloso com o cenário fiscal e político, é um fato. Quando o nível de desconfiança está alto entre os investidores, eles só compram ações se elas estiverem realmente baratas (ou forem avaliadas dessa forma). Ou seja, o nível de “desconto” dos papéis na bolsa é grande, deixando os preços longe do que seria o seu “valor justo”.

Caso o processo eleitoral sinalize maior compromisso com o controle das contas públicas ou algum alívio nessa frente ocorra, essa percepção tende a melhorar, abrindo espaço para uma valorização adicional dos ativos. Nesse ambiente mais favorável, o BTG projeta crescimento expressivo dos lucros das empresas em 2026, especialmente nos setores ligados ao mercado interno, como bancos, serviços básicos, varejo e construção civil.

Em termos simples, o banco acredita que há motivos suficiente para que os ativos locais sigam em alta ao longo de 2026. Mas a tese passará por um teste de fogo, balançada pelo aumento da volatilidade e pelas tentativas dos investidores de incorporar aos preços as expectativas para a agenda econômica no futuro.

Setor de tecnologia dos EUA ainda sofre com falta de insumos chineses de terras raras

25 de Dezembro de 2025, 12:24

A China ainda está restringindo os elementos de terras raras de que os EUA precisam para produzir seus próprios ímãs permanentes e outros produtos, mesmo depois de o presidente Donald Trump ter fechado, em outubro, um acordo com seu contraparte chinês para suspender restrições ao fornecimento, segundo participantes do mercado.

Mais de uma dúzia de consumidores, produtores, autoridades do governo e especialistas em comércio disseram que, embora a China tenha aumentado as entregas de produtos acabados — principalmente ímãs permanentes —, a indústria americana continua sem conseguir adquirir os insumos necessários para fabricar esses itens por conta própria, uma prioridade-chave do governo. As pessoas pediram para não ser identificadas ao discutir assuntos que não são públicos.

A redução no comércio evidencia tensões persistentes na relação EUA–China nos meses desde que Trump e Xi Jinping costuraram uma trégua na Coreia do Sul em 30 de outubro, com os EUA reduzindo tarifas e a China se comprometendo a restabelecer o fornecimento de terras raras. Na época, Trump disse que o acordo equivalia à “remoção de fato” de uma série de limites que a China havia imposto.

Ao restringir as entregas de matérias-primas, a China está dificultando os esforços dos EUA para construir uma indústria própria capaz de processar terras raras e transformá-las em ímãs usados em tudo, de bens de consumo a sistemas de guiagem de mísseis. O governo Trump fez do desenvolvimento de capacidade doméstica de produção de ímãs permanentes e outros produtos de terras raras uma prioridade, depois de a China ter passado anos construindo um monopólio global.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem. Autoridades do governo disseram, nas últimas semanas, que a China está cumprindo os termos do acordo sobre o fornecimento de terras raras.

Dados oficiais chineses divulgados em 20 de dezembro mostraram que o fornecimento de ímãs aos EUA caiu 11% em novembro em relação ao mês anterior, mas permanece acima das mínimas registradas quando Pequim restringiu o envio em abril. No total, as exportações chinesas de elementos e produtos de terras raras — incluindo ímãs — subiram 13% em novembro ante o mês anterior, segundo cálculos da Bloomberg com base em dados oficiais da alfândega.

Mineração em terras raras
Mineração em terras raras (Bloomberg)

Um porta-voz do Ministério do Comércio da China afirmou na quinta-feira que a oscilação nos dados mensais de comércio é “normal” e acrescentou que o país está comprometido em manter a estabilidade das cadeias globais de suprimento. Pequim disse que já aprovou alguns pedidos de exportação de terras raras, mas continua restringindo fornecimentos que poderiam chegar a contratantes militares.

Autoridades do setor e participantes do mercado disseram que, para os atores americanos, a realidade é diferente.

“As pessoas não estão conseguindo tirar materiais da China; você não está conseguindo metal ou óxido de disprósio se você é uma entidade dos EUA”, disse em entrevista Scott Dunn, CEO da Noveon Magnetics Inc., citando contatos com outros participantes da indústria. A Noveon é uma das poucas fabricantes americanas de ímãs permanentes. A empresa não compra insumos de terras raras da China, mas Dunn disse que alguns de seus clientes compram.

“Fora da China, o mundo consegue produzir 50.000 toneladas de ímãs, mas não chega nem perto de existir um volume equivalente de minerais de terras raras para sustentar essas toneladas fora da China”, disse Dunn. “A China restringe materiais muito além do que restringe em ímãs para manter essa dinâmica.”

Ainda assim, o afrouxamento das restrições de Pequim sobre produtos como ímãs feitos a partir de terras raras, por ora, eliminou o risco de que indústrias consumidoras — como a automotiva e a de tecnologia — tenham de interromper a produção, segundo Gracelin Baskaran, diretora do programa de segurança de minerais críticos do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Como importamos mais adiante na cadeia de suprimentos, as empresas não sentem essa interrupção com a mesma intensidade”, disse ela. “Como importamos mais ímãs, o impacto é muito mais brando.”

As exportações totais de matérias-primas da China aumentaram desde o ano passado, mas os EUA não receberam uma alta semelhante, segundo dados do governo. A estagnação para empresas americanas continua mesmo depois de a União Europeia ter dito, em 15 de dezembro, que a China começou a conceder licenças com prazos mais longos para permitir que companhias europeias obtenham terras raras.

Segundo uma pessoa familiarizada com as negociações, EUA e China ainda não chegaram a um acordo sobre detalhes essenciais de como Pequim vai liberar as vendas de terras raras. A Bloomberg News informou no mês passado que os dois lados deram às suas equipes até o fim de novembro para acertar os termos das chamadas “licenças gerais” para exportações. Isso deixou participantes do mercado preocupados com a possibilidade de a trégua desmoronar.

“Chegamos a vários acordos temporários em Londres, em Genebra, na Coreia do Sul, e eles foram descumpridos”, disse Baskaran. “Então, até agora, nenhum acordo se provou definitivo — e isso deixa a indústria receosa, de um jeito que é justificável.”

A proximidade do vencimento, em seis meses, das licenças temporárias de exportação que a China aprovou no começo do verão também significa que empresas americanas vão buscar renovações ao mesmo tempo, o que pode criar um acúmulo de solicitações. Compradores temem que a China, como fez em maio e junho, possa desacelerar aprovações — um movimento que participantes do setor veem como uma forma de controle de exportações.

“Em conversas com advogados chineses, a recomendação é seguir com os pedidos de licença antes de a pausa expirar”, disse Mark Ludwikowski, chefe da área de comércio internacional do escritório Clark Hill. “Eles podem cortar isso a qualquer momento, se isso azedar.”

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Às vésperas do Copom, taxas dos CDBs curtinhos caem. Nos de vencimento longo, elas sobem

8 de Dezembro de 2025, 18:32

Às vésperas da reunião do Banco Central para definir o futuro da Selic, os rendimentos dos CDBs de prazo mais curto registraram queda, enquanto os títulos de prazo maior registraram avanços nas taxas oferecidas aos investidores.

Nos produtos com prazo mais curto, a remuneração caiu. Entre os títulos com vencimento em 3 meses, a taxa média de retorno saiu de 101,75% do CDI no fim do mês passado para 101,45% agora, enquanto os títulos para seis meses estão pagando em média 100,81%, contra 101% do CDI antes.

Já nos títulos mais longos, entre 12 e 24 meses, o movimento foi inverso: nos produtos de um ano meses, a remuneração saiu de 100,30% para 100,59%; nos de 24 mess, de 99,75% para 100,23%. Os dados foram levantados pela Quantum Finance a pedido do InvestNews.

A movimentação nas taxas do CDBs acontece na mesma semana em que o BC deve decidir por manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão sai na quarta-feira (10), mesmo dia em que também será divulgada a decisão do Fed, o banco central dos EUA, para os juros americanos. Lá fora, deve haver um corte de 0,25 ponto percentual na taxa.

Aqui, o que tiver de novidade provavelmente virá só do comunicado do Copom, o Comitê de Política Econômica, que decide os rumos dos juros. A expectativa é que venham mais pistas para um provável início dos cortes no início de 2026.

Se a perspectiva é de que a Selic tem espaço para cair, como acontece agora, os títulos mais curtos acabam se ajustando nessa direção. Mas essa moeda tem outro lado. Juros menos estratosféricos criam uma economia mais forte e um ambiente em que os bancos voltam a expandir suas operações de empréstimo. A demanda dos bancos por captação, consequentemente, aumenta.

Para tornar seus CDBs mais atraentes e garantir que o dinheiro entre, então, as instituições elevam as taxas. De qualquer modo, esse é um movimento de curto prazo. Não indica uma tendência duradoura.

Escalada do ouro aumenta em 40% as previsões de investimento na mineração brasileira

5 de Dezembro de 2025, 06:00
Complexo da AngloGold Ashanti em Minas Gerais. Foto: Divulgação

Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei… No século 18, metade da produção mundial de ouro saía do Brasil – quase tudo dessas cidades mineiras e arredores. De lá para cá, as coisas mudaram. Minas ainda dá muito ouro, mas o país responde por apenas 2% da extração global: 84 toneladas em 2024. Somos o 15º no ranking mundial de produção.

Só que temos potencial para mais. “O Brasil possui grandes reservas geológicas de ouro no subsolo. E uma parte significativa ainda não está explorada”, diz Rafael Marchi, diretor para Infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal.  

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São pelo menos 2,4 mil toneladas em reservas. Isso coloca o Brasil entre as dez maiores reservas mundiais, com 4% do total. Um potencial interessante para um momento em que o ouro redefine seu patamar de valorização. São 155% na década. 60% só em 2025 – a US$ 135 o grama (ou US$ 4,2 mil a onça, como prefere o mercado).

Uma alta alimentada em grande parte por compras vorazes dos Bancos Centrais. Vários deles, a começar pelo da China, têm trocado parte de seus dólares pelo metal amarelo – seja por desafinidade geopolítica, seja por medo da dívida americana. Ela está no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial (120% do PIB), o que enfraquece a credibilidade do dólar.

A expansão do ouro e a retração do dólar nas reservas dos BCs ficam nítidas a partir de 2020. Veja aqui:

Mas essas são outras histórias. O ponto é que a alta sustentada do ouro estimula investimentos nas pesquisas em busca de novas áreas de exploração, e de ampliar as que já existem. 

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) revisou para cima as previsões de investimento das empresas na extração de ouro. O instituto faz esse cálculo para períodos de quatro anos. No ano passado, previram US$ 1,4 bilhões (R$ 8,1 bi) para o intervalo 2024-2028. Neste ano, aumentaram a estimativa para 2,1 bilhões (R$ 11,4 bi). Uma alta de 39%.

Trata-se da maior mudança de previsão entre todos os minerais, exceto terras raras – nesse caso, alta de 49% nas previsões de investimentos; um salto catapultado pela urgência americana de acabar com o monopólio chinês nesse quesito. Mas voltemos ao metal que brilha. 

Saint John d’El Rey 

Uma das companhias com investimentos robustos no Brasil é a sul-africana AngloGold Ashanti. Ela é a terceira maior produtora em território nacional, com 10,6 toneladas em 2024 (atrás da canadense Kinross e da Vale). E a mais antiga – de longe.

Começou por aqui há quase 200 anos, em 1834, quando a operação brasileira se chamava Saint John d’El Rey Mining Company – uma mineradora com capital britânico que recebeu autorização do Império para explorar ouro em Minas Gerais. 

Desde lá, a história dela segue uma linha contínua, com a empresa mudando de controle e de nome ao longo do tempo, até chegar na estrutura atual da AngloGold Ashanti. E hoje um destaque ali é justamente a tecnologia para seguir tirando ouro – de camadas cada vez mais profundas, conforme as minas a céu aberto vão se exaurindo.    

Ela opera a mina mais profunda do país, no complexo Operações Cuiabá (apesar do nome, ele fica em Minas Gerais, nos municípios de Caeté e Sabará). A mina tem 1,6 km de profundidade. É o ponto mais profundo do território brasileiro. 

E em sondagens recentes, a companhia identificou ocorrências de ouro 2,4 km abaixo da superfície. E a extração pode ser viável – a mina de Mponeng, na África do Sul e que já foi da AngloGold, extrai o metal precioso a 4 km de profundidade. 

Em sondagens recentes, a AngloGold identificou ocorrências de ouro a mais de 2.400 metros de profundidade (Divulgação)

Com operação em nove países, a AngloGold se programou para investir R$ 800 milhões no Brasil neste ano. O grosso do dinheiro envolve melhorias nas operações atuais. E uma parte (R$ 15 milhões) foi destinada a pesquisas greenfield – de prospecção de novas áreas.   

É devagar, devagarinho

O efeito da cotação do ouro nos resultados das mineradoras é óbvio. O lucro operacional (Ebitda) da AngloGold cresceu 109% no terceiro trimestre de 2025 pela comparação anual, a US$ 1,55 bilhão.  

“A valorização do ouro tem um efeito positivo para o setor como um todo, pois tende a atrair investimentos e estimular projetos em países com alto potencial geológico, como o Brasil”, diz Luís Otávio de Lima, presidente da AngloGold Ashanti para a América Latina. Ele assumiu a posição em junho deste ano, após o antigo comandante, Marcelo Pereira, ascender ao cargo de COO global. 

Na mineração, porém, não existe um “aperta o botão aí e dobra a produção”. Os projetos levam anos, décadas, para amadurecer. E com ouro a situação é ainda mais peculiar. Para extrair a quantidade que vai numa aliança (6 gramas), você precisa explodir pelo menos uma tonelada de rochas na mina. Haja expansão.

Por essas, a produção global de ouro cresceu apenas 2% entre o 3T24 e o 3T25, mesmo com um rali de 45% no preço do metal nesse intervalo. A do complexo Operações Cuiabá, de qualquer forma, avançou mais: 6%

Tal como no petróleo

O caso da AngloGold, por sinal, ajuda a explicar a dinâmica da mineração de ouro. Num aspecto, ela é parecida com a exploração de petróleo. Da mesma forma que junior oils compram campos maduros das majors, mineradoras menores costumam comprar ativos das maiores, com a ideia de explorá-los sob uma estrutura de custos mais enxuta. 

O caso mais recente nessa linha, em território brasileiro, aconteceu justamente entre a sênior AngloGold (faturamento US$ 5,8 bilhões/ano) e a canadense Aura Minerals, de menor porte (US$ 594 milhões/ano).     

Na última terça-feira (2), a sul-africana concluiu a venda da Mineração Serra Grande, que possui três minas subterrâneas e uma a céu aberto na cidade de Crixás (GO), para a canadense. Em 2024, a unidade produziu 2,5 toneladas de ouro, um pouco abaixo das 2,7 toneladas de um ano antes.

O acordo, anunciado em junho, foi fechado por US$ 76 milhões mais 3% em royalties sobre os lucros futuros da operação. Lima comenta que o ativo não fazia mais parte do plano estratégico da companhia: 77% da produção da AngloGold no país veio das operações em Minas Gerais. 

Agora ficam só elas no portfólio brasileiro da empresa – na mesma região onde ela já extraía ouro em 1834, nos tempos de Saint John d’El Rey Mining Company, quando o ouro era cotado a US$ 20,67 a onça. Contabilizando 194 anos de inflação do dólar, aliás, isso só US$ 760 em dinheiro de hoje, o que dá uma ideia da dimensão do rali pelo qual estamos passando agora. 

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Vale aperta custos até o fim da década e amplia o peso do cobre na estratégia de longo prazo

2 de Dezembro de 2025, 17:25

A Vale pretende atender, a partir de 2026, a uma cobrança antiga do mercado: entregar resultados mais previsíveis. Com a demanda por minério de ferro perdendo força, a mineradora apresentou um plano ancorado em custos menores, investimentos mais controlados e uma aposta maior na extração de cobre.

A gestão comandada por Gustavo Pimenta vê espaço para aumentar em até 3% a produção de minério de ferro no próximo ano em relação ao projetado para 2025, numa faixa entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas da commodity.

A expectativa da diretoria é manter os investimentos em torno de US$ 6 bilhões por ano, reduzir o custo C1 do minério — o gasto direto de produção, antes do transporte — para algo próximo de US$ 20 por tonelada, alcançar 360 milhões de toneladas de ferro em 2030 e praticamente dobrar o volume de cobre até 2035. No meio do caminho, a empresa ainda precisa fazer o negócio de níquel parar de queimar caixa.

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, está de paletó preto e camisa branca
Gustavo Pimenta, novo CEO da Vale – Foto: Divulgação / Vale

O ponto sensível continua sendo o mesmo: credibilidade. Pimenta reconheceu a analistas que parte do ceticismo decorre do histórico de metas não cumpridas — inclusive em cobre.

A gestão afirma que as projeções atuais foram modeladas sem depender de “alívios” regulatórios, como o decreto de cavidades, e estão apoiadas em projetos já licenciados e, em boa medida, em expansões brownfield.

A aposta é que a combinação de disciplina de custos e entrega operacional ajude a encurtar a distância em relação a concorrentes como BHP e Rio Tinto — e sustente a ambição da Vale de voltar a ser a maior produtora global de minério de ferro.

Minério de ferro

No minério de ferro, o diretor de operação (COO) Carlos Medeiros reafirmou que a meta de produção para 2026 passou a ser de 335 milhões a 345 milhões de toneladas — abaixo da estimativa anterior, de 340 a 360 milhões —, mas com o objetivo de longo prazo mantido em 360 milhões de toneladas anuais até 2030. 

Segundo ele, o cumprimento desses volumes depende mais das condições de mercado do que de limitações operacionais ou de licenciamento: os projetos necessários já estão autorizados.

O aumento de produção virá de um pacote de expansões em andamento. O projeto Serra Sul+20, em Carajás (PA), deve adicionar 20 milhões de toneladas de minério de alta qualidade por ano, com início das operações no segundo semestre de 2026. A Vale projeta custo C1 de US$ 14 por tonelada nesta expansão — patamar que tende a torná-la a operação mais barata da companhia.

Em paralelo, Vargem Grande, Capanema e o Compact Crusher em Serra Sul completam o reforço de capacidade. Capanema, por exemplo, deve saltar de 8 milhões de toneladas em 2025 para 13 milhões em 2026, chegando a 15 milhões em regime, com custo abaixo de US$ 20 por tonelada.

“Podemos produzir minério de alta qualidade, mas nossa força está na flexibilidade”, diz Rogério Nogueira, vice-presidente comercial e de desenvolvimento. Depois de décadas apostando na tese do high grade, a Vale passou a enxergar valor em ajustar o mix conforme a demanda.

Entre 2023 e 2025, a fatia de minérios de altíssimo teor nas vendas diminuiu, enquanto avançou a participação dos minérios mid-grade premium, que têm melhor relação alumina/sílica. A mudança, combinada à estratégia de blending, gerou um prêmio adicional de US$ 3 por tonelada — o equivalente a cerca de US$ 500 milhões anuais de Ebitda.

Cobre e níquel

Na divisão de metais básicos, a Vale Base Metals (VBM) atravessa, nas palavras do CEO Shaun Usmar, uma reestruturação sem precedentes. Em 14 meses no comando, o executivo afirma ter substituído um modelo altamente centralizado por uma estrutura com menos camadas de gestão e mais autonomia para decidir onde alocar capital.

O cobre é o principal motor de crescimento. A Vale projeta sair das atuais 370 mil toneladas por ano para algo entre 420 mil e 500 mil toneladas em cinco anos, alcançando 700 mil toneladas em 2035. A vantagem, segundo a companhia, é que boa parte desse avanço vem de projetos brownfield — expansões de minas e plantas já existentes —, o que reduz risco de execução e demanda de capital quando comparado a grandes greenfields em novas fronteiras minerais.

A intensificação da exploração reforça essa tese. Em Parauapebas e região, a VBM aumentou o número de sondas de 8 para 23, perfurando mais de 60 mil metros no ano, com plano de ultrapassar 100 mil metros.

No níquel, o discurso é de disciplina. A divisão não pode ser subsidiada, e o foco é atingir sustentabilidade financeira até o fim de 2027, aproveitando a verticalização mina–refino sem perder de vista a rentabilidade em um mercado ainda pressionado pelo excesso de oferta. Dos cerca de US$ 400 milhões em ganhos de caixa da VBM, US$ 240 milhões já vêm do níquel — resultado de cortes de despesas, redução de custos e revisão de investimentos.

Questionado sobre uma possível consolidação maior no Canadá, Usmar afirmou que, por ora, o foco está na parceria anunciada com a Glencore em Sudbury, que compartilha uma infraestrutura de poços considerada referência no cinturão e mineralizações complementares. A ideia é usar esse modelo como piloto para futuras cooperações, mas não há discussão avançada sobre uma combinação integral dos ativos canadenses.

Quanto à estrutura de capital da VBM, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, foi direto: um IPO “pode ser um caminho, mas não é objetivo”. A separação societária foi feita para ampliar as opções de financiamento da unidade, e não como preparação imediata para uma abertura de capital.

 Por enquanto, a Vale quer manter exposição ao negócio — especialmente porque boa parte do crescimento do cobre está em Carajás, onde há sinergias claras com o minério de ferro. O foco, disse ele, é transformar reservas em produção com retornos acima de 20% ao ano.

Custos sob controle

Do lado financeiro, o CFO Marcelo Bacci afirmou que a companhia precisa equilibrar as ambições de crescimento com disciplina de gastos. Ele lembrou que entre 60% e 70% da estrutura de custos da Vale é fixa — o que torna essencial diluir essas despesas com mais volume e, ao mesmo tempo, atacá-las diretamente.

Nos últimos anos, a mineradora reduziu o gasto fixo anual de US$ 6,3 bilhões para US$ 5,8 bilhões, com plano de chegar a US$ 5,7 bilhões em 2026. No minério de ferro, o custo C1 deve fechar 2024 em cerca de US$ 21,3 por tonelada (ante US$ 22,3 em 2023). Para 2025, a orientação é de US$ 20 a US$ 21,5, com o objetivo declarado de aproximar-se de US$ 20.

O all-in cost do minério deve ficar em torno de US$ 55 por tonelada este ano, com guidance entre US$ 52 e US$ 56 para 2025. No cobre, o custo total está próximo de US$ 1.000 por tonelada, beneficiado por subprodutos como ouro.

No níquel, a Vale projeta encerrar o ano em torno de US$ 13 mil por tonelada, com meta de US$ 12 mil a US$ 13,5 mil em 2025. Somando o capex de manutenção, o custo total sobe para US$ 15 mil a US$ 16 mil por tonelada. A meta é terminar o próximo ano com a operação de níquel gerando caixa neutro nos níveis de preço atuais.

Investimentos e dividendos

Bacci afirmou que a Vale seguirá controlando seus investimentos nos próximos anos. A expectativa é que o capex de 2025 fique em US$ 5,5 bilhões, quase US$ 1 bilhão abaixo das estimativas iniciais. Para 2026, os aportes devem ficar entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, com a meta de manter o capex abaixo de US$ 6 bilhões por ano até o fim da década.

Entre as grandes mineradoras globais, esse é um dos menores níveis de investimento para o volume de projetos em carteira, segundo o Itaú BBA.

Uma parte relevante da folga de caixa virá da queda gradual dos desembolsos ligados a Brumadinho, Samarco e ao descomissionamento de barragens. Em 2024, esses pagamentos somam US$ 4,2 bilhões; em 2025, devem cair para US$ 2,6 bilhões; em 2026, para US$ 1,9 bilhão. Depois disso, a curva tende a convergir para algo próximo — ou abaixo — de US$ 1 bilhão por ano.

Com essa redução, a companhia ganha flexibilidade para manter a dívida líquida expandida entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Bacci reforçou que, sempre que a empresa estiver abaixo — ou caminhando para abaixo — de US$ 15 bilhões, haverá espaço para distribuir mais caixa aos acionistas. A política pode ser revisada a partir do fim de 2027, quando os desembolsos relacionados a acordos diminuem de forma relevante.

No curto prazo, a preferência tem sido por dividendos. A Vale anunciou US$ 1 bilhão adicionais para o início de 2026, antecipando a mudança na tributação de proventos no Brasil. Mais adiante, a empresa fala em buscar um equilíbrio maior entre dividendos e recompras, dependendo do preço da ação e do nível de alavancagem.

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Aéreas correm para conter os efeitos do recall da Airbus

29 de Novembro de 2025, 14:36

Companhias aéreas de boa parte do mundo correm para manter suas frotas operando depois que uma grande falha de software exigiu uma atualização urgente para o A320, a aeronave mais utilizada da Airbus, limitando interrupções e cancelamento.

A Airbus disse que mais de 6 mil aeronaves podem ser afetadas pela falha — metade da frota global da aeronave. Latam e Azul, as aéreas brasileiras que operam o A320, afirmaram que seus aviões estão na outra metade. Não fazem parte do recall. Já a Gol só tem aeronaves da Boeing.

A correção de software para os jatos A320, emitida pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) no fim da sexta-feira, veio após um incidente recente envolvendo um jato da americana JetBlue. que mostrou que uma “intensa radiação solar” poderia corromper dados que ajudam a manter o funcionamento dos controles de voo.

As aeronaves que precisam da correção têm de voltar à versão anterior do software, e o envio dos dados pode levar apenas de 2 a 3 horas. Mas até 1 mil jatos mais antigos vão precisar de uma atualização de hardware de fato e terão de ficar em solo durante todo o período de manutenção, segundo pessoas familiarizadas com o procedimento, que pediram anonimato ao comentar conclusões que não são públicas.

O presidente-executivo da Airbus, Guillaume Faury, disse em uma publicação no LinkedIn que as equipes da companhia estão “trabalhando 24 horas por dia para apoiar nossos operadores e garantir que essas atualizações sejam feitas o mais rápido possível, para colocar os aviões de volta no ar e retomar as operações normais”. O regulador europeu determinou que as atualizações sejam implementadas antes que as aeronaves afetadas possam voltar a voar.

Companhias aéreas e passageiros já vinham enfrentando transtornos causados por mau tempo e pelo recente fechamento do governo dos EUA, que levou a uma redução parcial do movimento de aeronaves. A FlightAware, que rastreia atrasos e cancelamentos, mostrava 452 voos — ou 20% — atrasados neste sábado na China Southern Airlines. A EasyJet tinha 323 voos, ou 21%, afetados até o meio-dia, no horário de Hong Kong.

Nos EUA, que vivem um período recorde de viagens no feriado de Ação de Graças, operadoras de cerca de 1.600 jatos da família A320 buscaram implementar as correções mantendo o mínimo de interrupção possível. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) afirmou que sua diretriz emergencial de aeronavegabilidade, que espelha a dos reguladores europeus, afeta aproximadamente 545 aviões registrados nos EUA.

A American Airlines disse neste sábado que apenas quatro de suas 209 aeronaves afetadas ainda precisavam da atualização às 7h (horário central dos EUA) e que não espera impacto operacional adicional. Delta e United disseram, separadamente, que não houve impacto decorrente do problema de software do A320.

A companhia indiana IndiGo, que fez um grande pedido de aviões A320, afirmou que um total de 200 aeronaves precisava de checagem e que 160 jatos haviam sido concluídos até o meio-dia, horário local deste sábado, sem cancelamento de voos.

A Avianca, da Colômbia, informou que mais de 70% de sua frota foi afetada e que está suspendendo a venda de passagens até 8 de dezembro. A japonesa ANA Holdings Inc. cancelou 95 voos neste sábado, afetando cerca de 13.200 passageiros.

A húngara Wizz, low cost com uma frota composta apenas por aeronaves Airbus, de cerca de 250 aviões, disse que implementou com sucesso as atualizações em todas as aeronaves afetadas da família Airbus A320 durante a noite e que as operações de voo voltaram ao normal.

Voos foram cancelados na Austrália e na Nova Zelândia neste sábado, causando transtornos a passageiros, enquanto a Jetstar, subsidiária da Qantas Airways, e a Air New Zealand mantiveram alguns de seus A320 em solo para a atualização de software.

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que as companhias aéreas já realizaram a atualização de software “na grande maioria das aeronaves relevantes”.

“Embora algum nível de interrupção fosse esperado, muito poucos voos de companhias aéreas britânicas foram afetados, e os passageiros estão enfrentando impactos mínimos”, disse o regulador.

O A320 concorre com o 737, da Boeing, e as duas famílias de jatos são os jatos mais usados na aviação comercial, de longe. A Airbus já teve de lidar com problemas nos motores dos seus A320neo mais novos, equipados por Pratt & Whitney, que forçaram a retirada temporária de centenas de jatos de operação para manutenção.

O software de bordo é cada vez mais crítico para a estabilidade do voo em aeronaves modernas, embora um sistema com falha possa ter consequências catastróficas. A Boeing sofreu dois acidentes em rápida sucessão há alguns anos envolvendo o 737 Max, versão mais recente de seu bestseller depois que um sistema de software chamado MCAS apresentou falhas em voo.

Por Benedikt Kammel, Danny Lee e Siddharth Philip

Recall do Airbus A320 causa centenas de cancelamentos de voos mundo afora

29 de Novembro de 2025, 09:14

Companhias aéreas do mundo todo cancelaram centenas de voos depois que uma grande falha de software da Airbus forçou a fabricante a fazer um amplo recall. O objeto da ação é o A320, aeronave amplamente usada em voos domésticos. No Brasil, ela compõe boa parte da frota da Latam e da Azul.

Mais de 6 mil jatos no total — metade dos que estão em operação — podem ser afetados pela correção exigida, disse a fabricante europeia na noite de sexta-feira. Uma diretriz da autoridade de segurança aérea da Europa determinou que as atualizações de software devem ser feitas antes dos próximos voos regulares das aeronaves afetadas.

As companhias aéreas correram para implementar as atualizações nos A320, deixando temporariamente aviões em solo e desorganizando os planos de milhares de passageiros, em uma rara falha global envolvendo o jato mais vendido da Airbus.

A correção de software emergencial, emitida pela Agência de Segurança da Aviação da União Europeia na noite de sexta-feira, veio após um incidente recente envolvendo um jato da JetBlue, que mostrou que uma “radiação solar intensa” poderia corromper dados que ajudam a manter o funcionamento dos comandos de voo. Dependendo da idade da aeronave, as atualizações são um download simples ou exigem uma mudança de hardware bem mais trabalhosa.

“A Airbus reconhece que essas recomendações levarão a interrupções operacionais para passageiros e clientes”, disse a fabricante.

A descoberta é uma dor de cabeça significativa para a Airbus, considerando que a família A320 é, de longe, a aeronave mais utilizada da empresa, com mais de 11 mil em operação.

Companhias e passageiros já vinham enfrentando transtornos causados pelo mau tempo e pela recente paralisação do governo que levou a uma redução parcial dos movimentos de aeronaves. A FlightAware, que monitora atrasos e cancelamentos, mostrava 452 voos atrasados no sábado só na China Southern Airlines – 20% do total. A europeia EasyJet tinha 323 voos, ou 21%, afetados até o meio-dia no horário de Hong Kong.

Nos Estados Unidos, que vivem um período de viagens de Ação de Graças recorde, operadores de cerca de 1.600 jatos da família A320 tentaram implementar as correções minimizando ao máximo as interrupções. A Administração Federal de Aviação (FAA) disse que sua diretriz emergencial de aeronavegabilidade, que espelha a dos reguladores europeus, afeta aproximadamente 545 aviões registrados no país.

A American Airlines Group Inc. afirmou que, de suas 209 aeronaves afetadas, menos de 150 ainda precisavam da atualização até as 18h de sexta-feira, no horário central dos EUA. A indiana Indigo, que fez um pedido maciço de aviões A320, disse que um total de 200 aeronaves exigiam verificação e que 160 jatos haviam passado pelo procedimento até o meio-dia de sábado, no horário local, sem cancelamentos de voos.

A Avianca, da Colômbia, disse que mais de 70% de sua frota foi impactada e que estava suspendendo a venda de passagens até 8 de dezembro. A japonesa ANA Holdings Inc. cancelou 95 voos no sábado, afetando cerca de 13.200 passageiros.

A recomendação segue-se a um incidente perturbador em 30 de outubro, envolvendo um avião da JetBlue que voava de Cancún a Newark, em Nova Jersey, e sofreu uma falha de computador que provocou uma súbita e inesperada inclinação para baixo, sem comando dos pilotos. Ninguém ficou ferido, e o jato foi desviado para Tampa, na Flórida. Uma investigação revelou que um dos computadores de profundor e aileron da aeronave — conhecido como ELAC 2 — apresentou mau funcionamento.

“Uma avaliação técnica preliminar feita pela Airbus identificou um mau funcionamento do ELAC afetado como possível fator contribuinte”, disse o regulador europeu de segurança de voo. “Essa condição, se não corrigida, pode levar, no pior cenário, a um movimento não comandado do profundor que pode resultar em exceder a capacidade estrutural da aeronave.”

Segundo pessoas a par do assunto, a maior parte dos jatos pode receber uma atualização simples a partir da cabine, com tempo mínimo de inatividade. Mas cerca de 1.000 aeronaves mais antigas precisarão de uma atualização de hardware de fato e terão de ficar em solo durante todo o período de manutenção, disseram essas pessoas, que pediram anonimato para discutir conclusões não públicas.

A húngara Wizz Air Holdings Plc, uma companhia de baixo custo que opera uma frota composta apenas por Airbus, com cerca de 250 aeronaves, disse que implementou com sucesso as atualizações em todos os aviões afetados da família A320 durante a noite e que as operações de voo voltaram ao normal.

Voos foram cancelados na Austrália e na Nova Zelândia no sábado, causando transtornos, enquanto a Jetstar, subsidiária da Qantas Airways Ltd., e a Air New Zealand Ltd. deixaram alguns de seus A320 em solo para a atualização do software.

A Autoridade de Aviação Civil do Reino Unido disse que companhias que operam as aeronaves afetadas, em alguns casos, terão de alterar o software nos próximos dias ou permanecer em solo a partir de domingo, embora apenas algumas empresas britânicas sejam afetadas. A British Airways, maior companhia aérea do Reino Unido, com uma frota de quase 150 jatos da família A320, não terá impacto para os passageiros, disse o regulador.

O A320 concorre com o 737, da Boeing, e as duas famílias de jatos são os grandes cavalos de batalha da aviação comercial. A Airbus já vinha lidando com problemas de motor em seus A320neo mais novos, equipados com turbinas da Pratt & Whitney, que obrigaram centenas de aviões a serem retirados temporariamente de serviço para manutenção.

O A320 é operado com a chamada tecnologia fly-by-wire, que se baseia em comandos eletrônicos em vez de mecanismos hidráulicos. O sistema ELAC, cujo hardware é fabricado pela francesa Thales SA, ajuda a gerenciar parâmetros críticos de voo, como o trim do estabilizador, e garante que a aeronave permaneça dentro de seu envelope de voo previsto, evitando comandos excessivos ou acidentais.

A Airbus introduziu a aeronave em questão no fim dos anos 1980, e seu enorme sucesso tornou a fabricante europeia a número 1 global, ultrapassando a Boeing. A família A320 inclui hoje o modelo menor A319, o A320 “clássico” e o maior e cada vez mais popular A321. Há cerca de uma década, a Airbus passou a equipar o avião com motores novos e mais eficientes em consumo de combustível, a chamada opção de nova geração de motores, ou “neo”.

A correção anunciada hoje inclui tanto os A320neo quanto os modelos clássicos mais antigos da família A320, disse a Airbus.

O software de bordo é cada vez mais crítico para a estabilidade de voo em aeronaves modernas, embora um sistema com falha possa ter consequências catastróficas. A Boeing sofreu dois acidentes em rápida sucessão há alguns anos envolvendo o 737 Max, depois que um sistema de software chamado MCAS apresentou falhas em voo.

Mineradoras brasileiras se unem para ganhar força na disputa por minerais críticos

27 de Novembro de 2025, 10:04

Mineradoras de pequeno porte que desenvolvem projetos de minerais críticos no Brasil se uniram para defender interesses comuns, enquanto o país busca ser um participante-chave na corrida por recursos estratégicos.

Nove empresas — incluindo as mineradoras de terras raras Aclara Resources e Meteoric Resources e a produtora de lítio Pilbara Minerals, conhecida como PLS — estão formando a Associação de Minerais Críticos, ou AMC. Outro grupo do setor, o Ibram, já representa empresas que respondem por cerca de 85% da produção mineral do Brasil.

O lançamento da AMC ocorre paralelamente a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem a Moçambique, afirmando que o Brasil não se contentará em ser um mero exportador de minerais críticos e, em vez disso, exigirá que investidores estrangeiros ajudem a desenvolver a indústria local.

A AMC diz que apoia essa visão, mas alerta que, sem mecanismos de garantias financeiras acessíveis, as mineradoras menores podem ser forçadas a negociar a produção futura como garantia para obter empréstimos internacionais.

A prioridade da associação é obter o apoio do governo e dos parlamentares para estabelecer mecanismos de garantia que permitam que mineradoras em fase pré-operacional, sem fluxo de caixa, acessem linhas de financiamento, afirmou em entrevista o diretor-executivo da AMC, Frederico Bedran. Outros objetivos importantes incluem a redução da burocracia para o licenciamento de projetos e incentivos fiscais para estimular o desenvolvimento da cadeia de produção desses metais, acrescentou.

“O Brasil enfrenta dois riscos: perder a janela de mercado e continuar sendo um exportador de commodities”, disse Bedran. “Temos que colocar projetos de mineração em operação em três anos para não perder espaço para outros produtores.”

À medida que os países ocidentais intensificam os esforços para diversificar as cadeias de abastecimento de minerais essenciais e reduzir a dependência da China, o Brasil — que possui as maiores reservas mundiais de nióbio e fica atrás apenas da China em terras raras — está se posicionando como fornecedor de matérias-primas e centro de produção de valor agregado.

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Venda de ações da CSN na MRS pode movimentar mais de R$ 3 bilhões

26 de Novembro de 2025, 16:20

A CSN está negociando a venda de suas ações na MRS Logística, operadora de uma das principais malhas ferroviárias do país, para a CSN Mineração, sua controlada direta. A operação pode envolver até 18,75% do capital que a siderúrgica detém na MRS – uma fatia avaliada em cerca de R$ 3,26 bilhões, de acordo com o balanço mais recente da companhia.

A transação em curso tem potencial de aliviar a estrutura de capital da principal empresa de Benjamin Steinbruch. Ao vender suas ações para a subsidiária, a CSN receberia recursos diretamente da CSN Mineração, que encerrou o terceiro trimestre com cerca de R$ 16 bilhões em liquidez.

Já a CSN encerrou o período com fluxo de caixa operacional negativo — ou seja, suas atividades do dia a dia consumiram recursos em vez de gerar — e mantém como prioridade reduzir a alavancagem para perto de 3 vezes o Ebitda.

Atualmente, a dívida líquida consolidada do grupo é de R$ 37,5 bilhões, com alavancagem de 3,14 vezes o Ebitda. A companhia, porém, não detalha ao mercado os parâmetros de seus covenants, limitando-se nos documentos públicos mais recentes a afirmar que está “adimplente”.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada, a CSN diz apenas que está em negociações com a CSN Mineração, mas que a quantidade e o preço das ações não foram determinados. 

Infraestrutura

Ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a CSN afirma que a aquisição funcionaria como uma simplificação societária: concentrar a participação logística na CSN Mineração, que depende da MRS para escoar o minério produzido no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas (MG), até o terminal marítimo de Itaguaí (RJ).

A transação também se conecta ao plano anunciado pela CSN de criar a CSN Infraestrutura, empresa que vai concentrar participação na MRS, terminais portuários e ativos rodoviários e ferroviários do grupo. 

A nova companhia, prevista para ser estruturada nos próximos meses, deve servir como um veículo para que a CSN consiga levantar “alguns bilhões” ao longo de 2026, de acordo com Antonio Marco Rabello, CFO da CSN, em teleconferência recente com analistas.

Ferrovia das mineradoras

A MRS é um dos ativos logísticos mais estratégicos do país. A concessionária opera cerca de 1.700 km de linhas ferroviárias entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, formando o chamado “corredor Sudeste” – rota crucial para o transporte de minério, carvão e produtos siderúrgicos.

O capital da MRS é concentrado nas principais companhias do setor: a Vale controla cerca de 44% do capital; o grupo CSN/CSN Mineração detém aproximadamente 38%; Usiminas, 11%; e Gerdau, 6%.

Procurada pelo InvestNews, a CSN não comentou.

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Para reduzir dependência da China, Vale vende para novos mercados como Índia e Vietnã

10 de Novembro de 2025, 12:48

A Vale está se voltando a novos mercados para diversificar suas vendas de minério de ferro em um momento em que o principal cliente da indústria, a China, intensifica os esforços para influenciar os preços da matéria-prima essencial para a produção de aço.

Enquanto a China ainda representa cerca de metade da receita operacional da Vale, a mineradora está vendendo para a Índia e o Vietnã e explorando outros mercados no Sudeste da Ásia e Oriente Médio, disse o presidente da empresa, Gustavo Pimenta, em uma entrevista.

É uma mudança natural da tradicional dependência da Vale em relação à China, à medida que outros mercados emergentes buscam fortalecer suas indústrias siderúrgicas e Pequim se concentra mais no consumo interno e na tecnologia.

Questionado sobre as implicações de um rompimento nas negociações contratuais entre a China e outro grande produtor, o BHP Group, Pimenta disse que nem os vendedores nem os compradores estão em posição de controlar os preços no atual cenário do mercado de ferro.

“Quando você não tem o mercado em equilíbrio, aí sim você abre margem para dar mais poder de negociação a uma das partes,”disse ele na sede da Vale no Rio de Janeiro. “Mas esse é um mercado em equilíbrio e acho que todos as grandes mineradoras entendem que o seu produto tem um valor para o cliente final.”

Com a produção de aço da China prevista para permanecer em torno de 1 bilhão de toneladas métricas por ano até o final da década, a Vale quer crescer “de forma importante” na Índia, a partir dos níveis atuais de cerca de 10 milhões de toneladas de vendas anuais de minério, disse ele. A empresa brasileira também está considerando desenvolver usinas de blendagem ou fazer parcerias com empresas locais na Índia.

Simandou

Ao longo da próxima década, o mercado provavelmente permanecerá equilibrado, apesar do gigantesco complexo de Simandou, na Guiné, entrar em operação, disse Pimenta. Essa previsão se baseia em uma redução anual de 50 a 60 milhões de toneladas, com outras 150 milhões de toneladas se tornando inviáveis se os preços caírem abaixo de US$ 90 por tonelada, em comparação com cerca de US$ 100 atualmente.

Embora empresas chinesas estejam entre os donos de Simandou, assim como o Grupo Rio Tinto, o CEO da Vale não vê o projeto como um fator capaz de mudar significativamente o poder de precificação de Pequim.

A estatal China Mineral Resources Group tornou-se a maior compradora de minério de ferro do mundo, com o mandato de alterar o equilíbrio nas negociações com a Vale e seus concorrentes australianos, BHP e Rio Tinto. A CMRG instruiu as principais siderúrgicas e tradings a evitarem novas cargas marítimas denominadas em dólares da BHP, depois que as negociações contratuais empacaram.

“Simandou passa a ser uma oferta importante para o mercado chinês, mas o volume de demanda de minérioda é muito superior ao volume que Simandou tem a capacidade de ofertar,” disse Pimenta.

A Vale está envolvida em negociações “estritamente” sobre volumes para o próximo ano com a CMRG e siderúrgicas, disse ele.

Logo após Pimenta assumir o comando, há cerca de um ano, a Vale finalmente chegou a um acordo em relação ao desastre de mineração da Samarco, joint-venture com a BHP, ocorrido em 2015. O ex-diretor financeiro recebeu a missão de maximizar a produção de minério de ferro e aumentar a eficiência, apesar do enfraquecimento da demanda chinesa pelo insumo siderúrgico. A empresa quer ser a principal fornecedora de minério de alta qualidade, que reduza as emissões nas usinas siderúrgicas.

Maior produto de minério de ferro do mundo

Pimenta espera que a Vale recupere o título de maior produtora de minério de ferro do mundo ainda este ano, após uma retomada gradual após interrupções causadas por dois desastres em barragens de rejeitos.

A previsão oficial de produção para o próximo ano é de 340 milhões a 360 milhões de toneladas, embora isso possa ser atualizado em seu encontro anual com investidores em Londres no próximo mês. Pimenta afirmou que a Vale não ultrapassará o limite superior dessa faixa.

A empresa também pretende dobrar sua capacidade de produção de cobre para 700 mil toneladas até 2035. O foco está no desenvolvimento dos próprios ativos da Vale, principalmente na floresta Amazônica brasileira, em vez de buscar novas aquisições.

“Hoje você vai ter que pagar caro, porque todo mundo quer cobre,” disse Pimenta. “A criação de valor que eu tenho em desenvolver meus próprios projetos é muito maior.”

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Sibanye e Appian encerram disputa judicial sobre minas no Brasil com acordo de US$ 215 milhões

10 de Novembro de 2025, 10:04

A Sibanye Stillwater concordou em pagar US$ 215 milhões à Appian Capital Advisory para encerrar uma disputa sobre a decisão da empresa sul-africana de rescindir um acordo para comprar duas minas no Brasil.

O acordo foi anunciado nesta segunda-feira (10), no mesmo dia em que estava previsto o início de um julgamento, em Londres, para determinar o valor das indenizações. A Sibanye havia declarado anteriormente que a Appian poderia ter recuperado mais de US$ 700 milhões de uma decisão judicial que se esperava ser proferida no início do próximo ano.

A Appian processou a Sibanye por esta ter desistido, em janeiro de 2022, de uma transação de US$ 1,2 bilhão para adquirir minas de níquel e cobre da empresa de private equity.

O argumento da Sibanye — de que uma ruptura na parede da mina no projeto Santa Rita constituía um “evento adverso relevante” — foi rejeitado por um tribunal do Reino Unido em outubro de 2024. O tribunal decidiu que a empresa listada na bolsa de Joanesburgo abandonou o negócio ilegalmente e era responsável por compensar a vendedora.

O conselho e a administração da Sibanye estão “convencidos de que a resolução desta longa disputa judicial é do melhor interesse” da mineradora, afirmou o CEO Richard Stewart em comunicado que anunciou o acordo.

Se o julgamento tivesse prosseguido, “com base nas provas periciais apresentadas pelas partes e dependendo da metodologia de avaliação adotada”, a indenização concedida à Appian teria ficado entre zero e US$ 721 milhões, informou a Sibanye no final de agosto. A mineradora afirmou que o valor do acordo final inclui US$ 5 milhões em honorários advocatícios já pagos.

Mineração e investimentos globais

A Sibanye opera minas de ouro na África do Sul, além de ativos de metais do grupo da platina em seu país de origem e nos Estados Unidos. A empresa desenvolve um projeto de lítio na Finlândia, e possui uma unidade de níquel na França, após ter expandido as atividades para metais destinados a baterias.

A Appian é uma empresa líder em private equity, focada no setor de mineração, com cerca de US$ 5 bilhões em ativos sob gestão. No mês passado, anunciou uma parceria de US$ 1 bilhão com o braço do setor privado do Banco Mundial para apoiar projetos, principalmente na África e na América Latina.

“Este resultado positivo nos permite encerrar este assunto em termos adequados”, afirmou o CEO da Appian, Michael Scherb, no comunicado.

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EUA investem R$ 2,5 bilhões na produção de terras raras da Serra Verde, em Goiás

8 de Novembro de 2025, 10:11

A Serra Verde, produtora brasileira de terras raras, garantiu um financiamento de até US$ 465 milhões – cerca de R$ 2,5 bilhões – da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). O investimento tem como pano de fundo a busca pelas nações ocidentais da redução da dependência da China em relação a minerais essenciais.

O financiamento busca ajudar a cobrir as melhorias na mina Pela Ema da empresa, no estado do Goiás, de acordo com um documento de 15 de agosto do site do DFC. A agência federal foi criada durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, para oferecer financiamento e garantias a projetos em países em desenvolvimento que tenham ligação com os objetivos de política externa dos Estados Unidos.

O governo Trump recorre ao Brasil — o país com as maiores reservas de terras raras fora da China — por seus esforços na construção de cadeias de suprimentos alternativas para elementos-chave usados em equipamentos militares, veículos elétricos e turbinas eólicas.

O depósito de Pela Ema contém terras raras leves e pesadas – principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio – que são essenciais para a transição energética. A Serra Verde, apoiada pela Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy and Minerals Group, é a primeira produtora de terras raras em larga escala do país.

O DFC afirmou que o fundo se destina a financiar melhorias na mina Pela Ema, bem como despesas operacionais e o refinanciamento da dívida existente dos acionistas. O financiamento foi divulgado anteriormente pelo Financial Times.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024. A empresa pretende aumentar a produção para entre 4.800 e 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o início de 2027.

“Este projeto ainda está passando por diversas etapas e revisões antes de ser concluído”, disse um porta-voz da empresa sobre seus planos. “Como esses detalhes ainda não foram finalizados, preferimos aguardar para comentar até que a transação esteja totalmente concluída e possamos fornecer informações precisas.”

Em setembro, a Aclara Resources garantiu financiamento do DFC para um projeto de terras raras no Centro-Oeste, em um acordo que poderá ser convertido em participação acionária no futuro.

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Vale e donos da Itaminas fecham mais um arrendamento de mina em MG – o terceiro em 2025

7 de Novembro de 2025, 19:54

Os grupos AVG e Géo, donos da mineradora Itaminas, fecharam um acordo com a Vale para arrendar uma de suas jazidas em Minas Gerais — o terceiro contrato desse tipo entre as partes neste ano.

O negócio foi aprovado recentemente pelo Cade e, segundo fontes próximas à operação, se refere à mina Conta História, localizada em Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto, e integrante do Complexo Sudeste da Vale.

A Conta História é um depósito de ferro e manganês situado no Quadrilátero Ferrífero, uma das regiões mais antigas e ricas em minério de ferro do país. A jazida está inativa há mais de uma década — a exploração industrial foi interrompida ainda nos anos 2000.

O valor da transação não foi revelado, e o contrato prevê o arrendamento dos direitos minerários, com a Vale mantendo a propriedade da jazida.

Arrendamentos

O novo contrato com a Vale é o terceiro arrendamento firmado entre os donos da Itaminas e a mineradora.

Antes da mina Conta História, o grupo já havia assumido a mina Dois Irmãos, em Barão de Cocais, e a mina Aliança, também em Ouro Preto — ambas igualmente dentro do Sistema Sudeste da Vale e também aprovadas pelo Cade.

O movimento permite à Vale gerar receita com a reativação de minas médias e inativas, em um momento em que a companhia foca seus esforços nas operações de grande escala, como o S11D, no Pará.

A Itaminas produz atualmente cerca de 6,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Em 2024, a companhia registrou faturamento próximo de R$ 1,5 bilhão e traçou um plano de expansão que prevê atingir 15 milhões de toneladas anuais até 2033.

A título de comparação, a Vale — maior mineradora do país — produziu 328 milhões de toneladas de minério de ferro em 2024, o que significa que a produção da Itaminas equivale a menos de 2% do volume da líder global do setor.

Saída de Vorcaro

O novo arrendamento marca mais um passo na expansão do grupo, que nesta semana passou por uma mudança na estrutura societária. A Itaminas comunicou na terça-feira (4) que AVG e Géo, dos empresários Bernardo Gontijo e Argeu Géo, compraram a fatia de 50% do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornando-se os únicos controladores da mineradora.

Vorcaro havia entrado no negócio em 2024, quando os três empresários compraram a companhia do colecionador e ex-controlador Bernardo Paz, fundador do Instituto Inhotim. A operação, concluída no ano passado, custou cerca de US$ 300 milhões e foi quitada antecipadamente em maio deste ano.

Mas, com a crise recente do Master, Vorcaro vem se desfazendo de alguns ativos, sendo a Itaminas um dos que estavam em negociação.

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Se quiser cumprir a meta de inflação, BC deve segurar a Selic em 15% até março de 2026, diz Volpon

5 de Novembro de 2025, 20:30

O Banco Central vive um dos seus maiores dilemas desde que parou, em junho, de subir o juro básico: quando vai começar a reduzi-lo. Mas se quiser realmente manter o compromisso com a meta de inflação, de 3%, a autoridade terá de segurar a Selic em 15% ao ano, no mínimo, até o fim do primeiro trimestre de 2026. Essa é a opinião do ex-diretor do Banco Central, Tony Volpon.

Tanto a queda da inflação quanto a convergência dela para as expectativas dos economistas ainda são “extremamente modestas e lentas”. A leitura é clara: subir juros quando a inflação está em alta é uma decisão fácil. O difícil é tomar essa decisão quando a inflação começa a cair. “Aí veremos qual é o compromisso real com a meta”, diz Volpon em entrevista ao InvestNews.

O último boletim Focus, divulgado pelo próprio BC e que reúne projeções do mercado para alguns indicadores econômicos, mostra que a mediana das estimativas para a inflação está em 4,55% para o fim do ano – acima, portanto, do teto da meta, que é de 4,50%, e bem longe do centro, de 3,0%.

Os dados mostram que as estimativas estão em processo de “ancoragem”, um jargão para quando as previsões dos economistas se aproximam do objetivo indicado pelo BC. O ritmo, porém, ainda é de conta-gotas – o que significa que não é óbvio pensar em um corte da Selic tão cedo assim e que há um nível muito grande de otimismo entre aqueles que esperam um corte em breve.

O papel do BC é levar a inflação para a meta. Ponto. Mas a parte trabalhosa desse processo é enfrentar pressões e críticas de vários setores. Esse será o momento em que se revelará o quanto Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade, conseguirá manter a rota da política monetária.

A tal hora da verdade já se aproxima, na leitura de Volpon. Na reunião de dezembro, possivelmente, o BC vai deixar mais clara a sua leitura para os próximos meses.

A dificuldade em determinar o ponto de virada da Selic é a política fiscal expansionista do governo, com um nível de gastos que estimula o consumo e mantém, portanto, a economia crescendo acima do potencial – ou seja, da taxa que não estimula a inflação. Se o governo gasta mais, ele aumenta seu próprio endividamento e estimula que os preços sigam em alta por meio do consumo.

É aí que, mais uma vez, volta-se ao problema básico da economia brasileira: o governo e o BC estão em direções opostas. Enquanto o primeiro busca acelerar o crescimento, o segundo precisa manter uma política monetária contracionista para compensar o impulso fiscal. “O gasto social hoje é quase o dobro do que tínhamos antes da pandemia”, diz o ex-BC.

Entre os grandes pontos de dificuldade do governo em atacar os problemas fiscais está em tentar elevar a arrecadação por meio de uma agenda de aumento de impostos ao mesmo tempo em que faz concessões, caso de medidas como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, que passa a valer em 2026. E isso sem falar no potencial aumento de gastos em ano de eleição – elementos que têm tudo para continuar aquecendo o consumo.

A grande dificuldade do BC está também no fato de que a inflação de serviços, justamente pelo estímulo ao consumo, é que mais demora a responder à política monetária apertada. É mais um elemento para a conta da autoridade na hora de calibrar o espaço que existe – ou não – para pensar em um corte.

Volpon também ressaltou que a chamada taxa neutra de juros, ou seja, aquela que mantém o crescimento da economia sem estimular a inflação, não só aumentou como provavelmente já está acima do que o BC imagina.

Uma taxa neutra mais elevada tem impacto direto sobre o nível e o tempo que o BC precisa manter a Selic elevada. O risco é que, mesmo com a taxa básica em 15% ao ano, o maior nível em uma década, isso ainda não seja suficientemente contracionista quanto se acredita. “Se a política monetária estivesse tão apertada quanto dizem, o IPCA já teria caído muito mais rapidamente.”

Para tomar qualquer decisão sobre uma mudança no ciclo de juros do Brasil, então, só tem um caminho: esperar para ver como a economia vai se comportar no início do ano que vem. No comunicado da decisão de hoje, o BC acrescentou um trecho em que diz que a “inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento”. O tom do comunicado, porém, seguiu com o mesmo, mostrando preocupação em relação à trajetória do IPCA.

É diante de tudo isso que o BC terá a difícil escolha de abandonar a meta inflacionária ou compensar todo o cenário fiscal com juros elevados, sem espaço para cortes.

E esse debate é como repetir a história: o economista citou episódios passados, como entre 2011 e 2014, quando o BC dizia perseguir o centro da meta de 4,5%, mas mirava mesmo o topo da banda, em torno de 6,5%. A ver os próximos passos.

Sem ‘ajuda’ do câmbio, queda da Selic depende ainda mais do cenário fiscal, diz Carlos Kawall

29 de Outubro de 2025, 20:20

O câmbio deixou de ser um vento a favor do controle da inflação no Brasil e, daqui para frente, o ajuste fiscal – que o Brasil não está conseguindo cumprir – terá mais importância no trabalho do Banco Central de reduzir os juros. Essa é a opinião de Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e diretor da Oriz Partners.

No acumulado do ano, o dólar acumula uma queda de 15% contra o real. A valorização da nossa moeda ajuda a conter a inflação na veia porque torna os produtos importados e os insumos fiquem mais baratos em reais, reduzindo custos – e segurando preços.

Na prática, um câmbio amigo do real faz uma parte do trabalho da Selic, que é o de frear a inflação. E deixa o BC mais propenso a reduzir os juros.

No diagnóstico de Kawall, a queda recente da inflação derivada da apreciação do real foi o que baixou as projeções do mercado para o IPCA no fim do ano, de 5% para perto de 4,5% em 12 meses. “Mas esse vento a favor se exauriu”, diz o economista.

O problema é o seguinte. O dólar caiu em grande parte por conta da expectativa de cortes nos juros dos EUA. Quanto menos juros os americanos pagam, mais o dólar tende a perder valor ante outras moedas. Os primeiros cortes vieram. O mais recente, nesta quarta (29), reduzindo a “Selic” dos EUA de 4,25% para 4%. Mas o próprio banco central americano sinalizou uma provável pausa nos cortes. Menos pressão de baixa para o dólar, portanto.

Sem a ajudsa do câmbio, a política doméstica passa a ditar o ritmo – especialmente o lado fiscal, que tende a ganhar destaque em ano eleitoral. “Lado fiscal” significa o governo aumentar seus gastos (em subsídios, por exemplo). Isso aumenta a atividade econômica. Em outras palavras, coloca mais moeda em circulação.

Juros combatem a inflação drenando dinheiro da economia. Se o governo faz o oposto, o Banco Central não tem como baixar a Selic – no limite, tem de aumentar. “Quem define o juro é a política fiscal”, resume o economista.

Três fatores

No cenário-base das previsões do mercado, a Selic começaria a cair em janeiro e termina o ano em 12,5%. A atividade econômica mostra sinais de desaceleração, embora de forma desigual: o setor de serviços segue resiliente, apoiado por um mercado de trabalho ainda aquecido – “o coração da inflação”, segundo Kawall —, enquanto o crédito e os investimentos já perdem fôlego. Essa diferença de ritmo explica por que o processo de desinflação ainda caminha devagar.

Os serviços resistem justamente por serem pouco sensíveis ao câmbio. Seus preços derivam de salários e consumo interno, não de importados, o que faz com que eventuais oscilações do dólar tenham baixo impacto imediato. Mesmo com uma depreciação da moeda americana, o repasse nesse segmento é limitado e demorado, mantendo um pedaço importante da inflação mais rígido.

Ainda assim, há três fatores que abrem espaço para o corte de juros. O primeiro é o juro real em nível recorde, que continua fortemente contracionista mesmo com reduções graduais da Selic.

O segundo são os efeitos defasados da política monetária, que seguem atingindo os setores mais dependentes de crédito – como bens duráveis, imobiliário e investimentos corporativos – antes de se espalhar para serviços.

E o terceiro é o arrefecimento do emprego: se a criação de vagas desacelera, isso tende a aliviar a pressão sobre salários e, por consequência, sobre os preços de serviços.

Por fim, uma visão otimista. Caso o câmbio permaneça relativamente estável, o risco de novos repasses de preços vindos de importados, combustíveis e fretes diminui. Esse cenário permite ao Banco Central iniciar o ciclo de cortes, ainda que com prudência, calibrando as reduções para combater a inflação sem reacender a demanda. Esse já é um desafio nada trivial para o BC. Mas, se a parte fiscal não ajudar, se tornará impossível.

Debêntures incentivadas estão pagando menos que o Tesouro Direto, mas ainda valem a pena

29 de Outubro de 2025, 17:30

A recente corrida por debêntures incentivadas fez o preço delas disparar no mercado. Na renda fixa, a regra é simples: se o preço sobe, as taxas de remuneração caem.

E elas caíram muito, a ponto de ficarem abaixo dos títulos do Tesouro.

Aí você se pergunta: se eu corro mais risco em um papel privado, por que aceitaria ganhar menos do que num título público, intrinsecamente mais seguro? A resposta está no imposto: a isenção cria um abismo entre papéis tributados e os isentos no resultado líquido – o único resultado que importa.

A busca pelos isentos disparou quando a Medida Provisória 1.303, que alterava as regras de IR para várias aplicações financeiras, colocou a isenção em dúvida. Para não perder o benefício, que terminaria a partir de 2026, muita gente comprou debêntures incentivadas. Com a demanda lá em cima, deu-se o fenômeno que falamos aqui: preços lá em cima, e taxas lá embaixo.

Investidores exigem uma taxa extra para comprar títulos privados. É o chamado “prêmio” na comparação com os títulos públicos. E ele ficou negativo contra as NTN-Bs (popularmente conhecidas como Tesouro IPCA+). Em setembro, o Idex-Infra, indicador criado pela gestora JGP que acompanha os prêmios das debêntures incentivadas, fechou em -0,32 ponto percentual.

Ou seja: título privado pagando menos que título público.

Mas quando você coloca a isenção de imposto na mesa, essa realidade muda. As debêntures incentivadas, criadas para financiar projetos de infraestrutura, não pagam IR sobre o rendimento. Os títulos do Tesouro pagam. A alíquota que começa em 22,5% para aplicações até 180 dias e cai para 15% nos prazos mais longos, acima de 720 dias.

Para comparar de verdade, então, é preciso levar isso em conta. Vamos aos números.

Em março de 2025, a Ecovias Raposo Castello fez uma emissão de debênture incentivada a IPCA + 8,17% ao ano, isenta de IR. Para um Tesouro IPCA+ “empatar” com essa rentabilidade líquida, ele precisaria pagar IPCA + 9,62%. Esse é o tamanho do imposto.

Essa debênture da Ecovias que escolhemos para o exemplo tem vencimento em 2029. Um Tesouro IPCA+ de mesmo prazo está pagando, hoje, IPCA + 7,86%. Ou seja, substancialmente menos em termos líquidos – os únicos que importam, não custa repetir.

Em suma: num cenário em que as debêntures incentivadas estão pagando só um pouco abaixo das NTN-Bs, como o de hoje, o fato é que elas seguem pagando um bom prêmio de risco.

Não fazem mais do que a obrigação, afinal.

Tokenização avança no Brasil e oferece renda fixa pagando 20% ao ano; quais os riscos?

22 de Outubro de 2025, 12:07

A tokenização – processo de transformar ativos tradicionais em tokens na blockchain – está super pop. Tem gestor financeiro gigante falando sobre isso (vide Larry Fink, da BlackRock), quase todo dia sai matéria na imprensa a respeito desse assunto e até a família Trump – que tem um apreço especial por cripto – está de olho.

Mas como funciona exatamente esse setor, em que pé está no Brasil atualmente e como o investidor pessoa física pode tirar uma casquinha dele, sem correr tanto risco? Vamos por partes.

Primeiro, o básico. As empresas precisam de dinheiro para crescer e manter o negócio rodando. Tradicionalmente, isso é feito com a emissão de debêntures ou outros títulos de dívida – um processo burocrático, um pouco salgado e demorado, que pode levar de três a seis meses. A tokenização surgiu como uma alternativa mais rápida e acessível, entre 30 e 45 dias, segundo players – mas para empresas menores.

Em vez de passar por todas as etapas do mercado tradicional, a firma emite seus títulos diretamente na blockchain (a tecnologia por trás das criptos), em forma de tokens, que podem ser comprados por investidores. Em troca, quem investe nesses ativos recebe um retorno sobre o valor investido. É uma renda fixa mais moderninha e digital.

Todo o processo de emissão segue o rito de uma resolução chamada CVM 88, de abril de 2022. Ela, na verdade, foi criada para startups que precisavam levantar grana via crowdfunding (financiamento coletivo), mas em 2023 a Comissão de Valores Mobiliários também expandiu para as emissoras cripto. Aí foi um Deus nos acuda de emissões.

Naquele ano, por exemplo, foram R$ 273 milhões em ofertas por meio dessa regra, segundo dados do próprio xerife do mercado de capitais. Em 2024, o valor de oferta já pulou para R$ 1,3 bilhão – ou seja, quatro a cinco vezes mais. Até outubro de 2025, já foram R$ 1,45 bilhão em emissões encerradas, além de R$ 1,37 bilhão em andamento.

Tem de tudo um pouco


Hoje, há tokenização de todo tipo de instrumento. O RWA Monitor, uma plataforma para monitoramento e análise de ativos reais tokenizados, reuniu os dados de seis grandes emissoras – elas não são as únicas, mas já dá para ter uma ideia do que já foi ofertado e do que existe por aí.

Entre os tipos de ativos tokenizados, 42,1% são Crédito do Produtor Rural (CPRs), 22,3% nota comercial, 19,5% debêntures, 7% recebível de cartões, 4,8% duplicatas, 2% acordo de participação em empréstimo e 1,9% Cédula de Crédito Bancário (CCB). Ufa.

“A tokenização é muito mais simples, porque são títulos que as pessoas já estão acostumadas e que vão ser transformados em tokens. E, apesar de não ser uma coisa tão popular e tão falada quanto o investimento em cripto, como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), é um movimento que talvez se aplique muito mais ao dia a dia das pessoas que investem”, disse André Gouvinhas, chief financial officer (CFO) do MB | Mercado Bitcoin.

A empresa, que começou como exchange, hoje aposta alto também na tokenização e já emitiu quase R$ 1 bilhão em tokens, segundo dados compilados na plataforma RWA. Já a GCB Investimentos, uma das pioneiras nesse segmento, informou nesta semana que, de novembro de 2023 até outubro deste ano, realizou R$ 1 bilhão em emissões de ofertas públicas tokenizadas sob a resolução CVM 88 – entre operações de Certificados de Recebíveis (CRs) e outras dívidas estruturadas.

Outras firmas do setor são Vert Capital, com R$ 743 milhões; Liqi, com R$ 22 milhões; Dexcap Finance, com R$ 9 milhões; Invex, com R$ 2,24 milhões; e Foxbit, com R$ 1,08 milhão.

E para o investidor?


Como a tokenização é mais barata, as empresas conseguem oferecer aos investidores um rendimento maior na outra ponta. Hoje, nas emissões abertas em período de captação, há tokens oferecendo IPCA + 13% ao ano, bem como 18%, 20% e até 24% em 365 dias.

São retornos bem mais chamativos do que os já atraentes títulos públicos – que estão pagando hoje IPCA + 8% (o de 2029) e 13,38% ao ano nos prefixados – e até mais do que o crédito privado tradicional, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que pagam 100% do CDI ou um pouco mais.

Riscos


Todo investimento tem risco – e a renda fixa digital também tem. Alguns deles são riscos de mercado (variação nos preços dos ativos que compõem o investimento), de crédito (possibilidade de o emissor não honrar o pagamento) e tributários (alterações nas leis que podem mudar a forma de tributação ou aumentar a carga de impostos), segundo relatório da BlockWise Capital.

Além disso, podem existir riscos operacionais (falhas em sistemas, processos ou na gestão da plataforma), jurídicos/regulatórios (mudanças nas regras que afetam o funcionamento do investimento) e de liquidez (dificuldade em vender o ativo rapidamente sem perder valor).

Também não existe mercado secundário para esses tokens – ou seja, não é possível comprar e vender o ativo digital antes do vencimento, o que aumenta ainda mais o problema da liquidez e exige um comprometimento com o prazo da operação.

Além disso, diferente da renda fixa tradicional, esses ativos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma espécie de “seguro” que garante ao investidor a devolução de valores investidos – até R$ 250 mil por investidor e instituição – caso a empresa emissora do título apresente problemas.

O que olhar antes de investir?

Rodrigo Caldas de Carvalho Borges, sócio do CBA Advogados, disse que, em relacão ao token em si, é essencial que o investidor interessado nesse tipo de produto entenda o que ele representa. “Vale verificar se há um lastro real e verificável (como um recebível, uma nota comercial ou um contrato de crédito), qual é o fluxo de pagamento e de liquidação, e se os contratos inteligentes passaram por auditoria técnica”.

Já em relação à empresa emissora, falou, o investidor deve observar sua governança, histórico de atuação e situação financeira. “É importante verificar se o emissor tem estrutura para honrar os pagamentos, se os recursos captados têm uma destinação operacional clara e se há relatórios de acompanhamento”.

Mudanças na legislação?


Para tentar contornar algumas das limitações desse setor, a CVM lançou, no mês passado, uma consulta pública sobre a reforma da resolução de crowdfunding. A ideia do regulador é liberar outras empresas para emitir por meio desse arcabouço jurídico (especiamente do agro), aumentar limites e ajustar outras regras. O mercado gostou do movimento.

“A proposta amplia o rol de emissores elegíveis, permitindo que securitizadoras, cooperativas e produtores rurais possam realizar ofertas reguladas por meio de plataformas registradas. Isso consolida o uso da tecnologia blockchain dentro de um arcabouço jurídico sólido, aumentando a confiança do investidor e reduzindo a incerteza quanto à natureza desses ativos. A ampliação da distribuição por meio de bancos e corretoras tende a aumentar a liquidez das ofertas”, falou Borges.

Ação em foco: após a queda de 98% em 5 anos, a nova fase da Dasa pode reanimar os investidores?

10 de Outubro de 2025, 15:08

A Dasa passou alguns anos focada em crescer via aquisições. Mas acabou crescendo demais. Agora, o grupo de saúde vem numa missão de enxugar o portfólio para recuperar fôlego financeiro. A empresa já se separou do negócio de hospitais, vendeu a operação na Argentina e tenta concentrar esforços no mercado do qual é líder no Brasil: o de medicina diagnóstica, com marcas como Delboni, Alta e Lavoisier.

A estratégia é bem vista pelos investidores, que vinham mesmo preocupados com o nível de endividamento após a temporada de compras – entre 2019 e 2022, foram mais de 30 aquisições. Ainda assim, o desempenho das ações denuncia uma boa dose de ceticismo no mercado: desde janeiro, os papéis DASA3 caem 29%. Em cinco anos, a queda é de 98%.

Ainda é cedo, é verdade, para cravar se essa estratégia será bem executada. Afinal, se crescer é difícil, diminuir pode ser ainda mais traiçoeiro.

chart visualization

Em relatório publicado no início deste mês, o BTG disse que “a integração com a Amil pode gerar valor ao longo do tempo, mas, diante dos riscos de execução, preferimos não precificar todo esse potencial agora”. O banco manteve sua recomendação neutra para a ação.

A companhia concluiu em abril a formação da Rede Américas, empresa conjunta com a Amil. Para a nova companhia, a Dasa transferiu os hospitais que havia incorporado com a compra da Rede Ímpar, em 2019. E manteve em seu guarda-chuva apenas três ativos hospitalares: o Hospital São Domingos (MA), o Hospital da Bahia (BA) e a rede de oncologia AMO. 

Mais recentemente, em outubro, levantou R$ 704,8 milhões com a venda de duas operações: a Diagnóstico Maipú, na Argentina, e a Mantris, sua subsidiária de saúde ocupacional. 

O desafio financeiro

No 1º trimestre, a dívida líquida da Dasa era de R$ 9,3 bilhões. Nos três meses seguintes, caiu para R$ 6,8 bilhões. Mas a melhora não veio exatamente de uma virada operacional: com a criação da Rede Américas, uma fatia de R$ 3,4 bilhões da dívida foi transferida para lá e saiu do balanço da Dasa.

Agora, a dívida equivale a 2,6 vezes seu lucro operacional, que ficou em R$ 738 milhões no 2º trimestre. Ainda é um patamar alto – em média, empresas do setor trabalham com dívidas em torno de 1,8 vez o lucro operacional.

Além de reduzir a dívida, outro desafio ali é sustentar o faturamento e as margens em níveis saudáveis, agora com uma estrutura mais enxuta. No 2º tri, a receita bruta consolidada somou R$ 2,7 bilhões – 37% abaixo do mesmo período de 2024, quando a companhia ainda incluía a operação hospitalar.

A liquidez

Outro obstáculo para as ações da Dasa voltarem a ganhar tração é a baixa liquidez. Na sessão de quinta-feira (9), os papéis DASA3 movimentaram algo em torno de R$ 700 mil – bem abaixo de outras empresas de saúde, como Fleury (R$ 7 milhões) e Rede D’Or (R$ 350 milhões).

Tem a ver com a estrutura de capital: 85% das ações da Dasa estão nas mãos dos controladores – a família Godoy Bueno e a holding Cromossomo II, que também tem participação indireta da família. Só 14% dos papéis circulam no mercado.

“Os investidores institucionais têm dificuldade de fazer alocações em uma empresa com tão pouca liquidez na bolsa”, diz Harold Takahashi, sócio da Fortezza Partners.

A concorrência

A Dasa ainda detém a maior rede de diagnósticos do país e conta com uma boa vantagem em escala e capilaridade, graças à força de suas marcas regionais. 

Outra vantagem é o posicionamento no segmento premium: no 2º trimestre, a divisão de Diagnósticos Nacional cresceu impulsionada pelo aumento do valor médio dos exames – reflexo do bom desempenho nos serviços de maior complexidade e de alto padrão.

Mas a concorrência no setor ficou mais acirrada. A Dasa não foi a única que saiu comprando empresas nos últimos anos: entre 2019 e 2022, foram ao todo 244 aquisições no setor. Foi nesse período que Fleury e Hermes Pardini anunciaram uma fusão.

Hoje, essa dupla vem ameaçando o espaço da Dasa. “O Fleury, junto com o Pardini, hoje é o principal rival. Eles têm focado bastante num discurso de qualidade e confiança médica – aí começa a pegar esse market share da Dasa”, diz Gustavo Harada, head de alocações da Blackbird Investimentos.

Brasil e China se unem para criar fundo de investimento de US$ 1 bilhão

3 de Outubro de 2025, 10:59

O BNDES e o Banco de Exportação e Importação da China (CEXIM) concordaram em criar um fundo de US$ 1 bilhão que investirá em setores como transição energética, infraestrutura, mineração, agricultura e inteligência artificial.

O banco brasileiro fornecerá US$ 400 milhões e o CEXIM, US$ 600 milhões, de acordo com comunicado. O novo fundo, que começará a operar em 2026, investirá em títulos de dívida e participações acionárias no Brasil.

O BNDES e a CEXIM já assinaram um termo de compromisso e uma declaração de intenções para cooperar na estruturação do fundo.

Primeiro fundo bilateral dos bancos

Segundo o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, a iniciativa é o primeiro fundo bilateral entre uma instituição brasileira e uma chinesa, operando principalmente por meio de investimentos em reais.

“Esta parceria entre as duas instituições fortalecerá o relacionamento comercial e econômico entre Brasil e China”, disse ele durante a cerimônia de anúncio do fundo, que aconteceu no Rio de Janeiro.

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