Jovens fundadores da Cursor viram multibilionários após venda para a SpaceX
Por volta da época em que o ChatGPT e o Copilot do GitHub levaram a inteligência artificial às massas, quatro colegas do MIT com formação em ciência da computação e finanças decidiram entrar nesse mercado. Eles só não sabiam exatamente como.
“Começou a partir de um lugar muito de ‘solução em busca de um problema’”, disse Michael Truell, cofundador e CEO da Cursor, empresa que eles criaram juntos, em uma participação em podcast em junho de 2025.
Quatro anos depois, a Cursor é uma das ferramentas de programação com IA mais populares do mercado — e a “solução” deles os transformou em bilionários.
A SpaceX concordou formalmente em comprar a Cursor na terça-feira (16), em um acordo integralmente em ações que avalia a empresa em US$ 60 bilhões. Cada um dos cofundadores detém cerca de 9% da Anysphere, sediada em São Francisco — nome formal da empresa —, participação avaliada em US$ 5,5 bilhões para cada um, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
Quando o acordo for concluído — o que deve ocorrer no terceiro trimestre deste ano — eles receberão ações da SpaceX de valor equivalente.
Os quatro fundadores — todos na casa dos 20 e poucos anos — se juntam a uma lista crescente de bilionários criados pela Space Exploration Technologies Corp., de Elon Musk, desde sua abertura de capital na sexta-feira.
A história deles também simboliza a mudança no caminho para a riqueza de dez dígitos entre jovens fundadores: a euforia da IA e o aumento dos investimentos de capital de risco fazem com que novos bilionários surjam cada vez mais do setor de tecnologia, em vez das finanças.
Um porta-voz da Cursor não respondeu a um pedido de comentário.
Engenharia mecânica
Truell e seus futuros sócios — Sualeh Asif, Arvid Lunnemark e Aman Sanger — eram todos estudantes de graduação no Massachusetts Institute of Technology. Truell, natural de Nova York, estagiou no Google, enquanto Sanger, membro do time de squash do MIT, estagiou na Bridgewater Associates. Lunnemark, medalhista de ouro em olimpíada de matemática em seu país natal, a Suécia, trabalhou brevemente como trader quantitativo na Jane Street.
Os quatro fundaram a Cursor em 2022, inicialmente com foco na criação de um copiloto de IA para a indústria de engenharia mecânica. Isso apesar de nenhum deles ter formação formal em engenharia.
“Éramos bastante desconhecedores da área”, disse Truell em um podcast em maio de 2025. “Então havia um pouco daquele problema do ‘homem cego e o elefante’ desde o início.”
Após alguns meses, eles mudaram o foco para o desenvolvimento de um agente de codificação com IA mais alinhado ao histórico da equipe fundadora. Em 2023, o OpenAI Startup Fund apoiou a empresa iniciante em uma rodada seed que levantou US$ 8 milhões, segundo dados da Pitchbook.
No ano seguinte, a Anysphere levantou US$ 60 milhões em uma rodada Série A, avaliando a empresa em US$ 400 milhões. Entre os principais investidores estavam a Andreessen Horowitz, o Dorm Room Fund e o cofundador da Stripe, Patrick Collison.

Em janeiro de 2025, a Cursor havia alcançado US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Em dois meses, esse número dobrou, e a empresa chegou a um milhão de usuários diários.
Acordo com a SpaceX
Mesmo com grandes players como OpenAI e Anthropic lançando suas próprias ferramentas de programação com IA, a Cursor continuou expandindo sua base de usuários, especialmente entre clientes corporativos. A empresa afirma que seus produtos são usados por 64% das empresas da Fortune 500 e que suas ferramentas escrevem mais de 100 milhões de linhas de código por dia para clientes corporativos.
Em abril, a SpaceX anunciou que havia chegado a um acordo que lhe dava a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas decidiu adiar a aquisição formal até depois de seu IPO, para minimizar interrupções e evitar burocracia adicional.
O acordo representava um prêmio em relação à avaliação de US$ 50 bilhões que a Cursor vinha buscando recentemente em uma rodada de financiamento, segundo a Bloomberg. Também incluía uma taxa de rescisão de US$ 10 bilhões caso a compra não se concretizasse.
A gestão da SpaceX descreveu a aquisição como central para expandir suas capacidades em IA após a fusão, em fevereiro, com a startup de inteligência artificial de Musk, a xAI.
“Cursor tem seus próprios modelos, eu acho, e podemos aprender com eles”, disse Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, em entrevista à CNBC na sexta-feira. “Vamos colaborar de perto. Achamos que isso faz muito sentido.”